UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ - CERES DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - DEDUC CAMPUS DE CAICÓ ILDA MÁRCIA DE MEDEIROS A RELEVÂNCIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS DE PRÉ-ESCOLA CAICÓ – RN 2015 ILDA MÁRCIA DE MEDEIROS A RELEVÂNCIA DA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS NA APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS DE PRÉ-ESCOLA Monografia apresentada ao Departamento de Educação do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciada em Pedagogia. Orientador: Prof. Me. Gisonaldo Arcanjo de Sousa. CAICÓ – RN 2015 Dedico este trabalho a minha fortaleza maior, o senhor Jesus Cristo, que a cada dia me faz renascer das cinzas com força e superação para enfrentar os desafios da vida. E também ao meu sobrinho Kauan Vinícius do Carmo Medeiros. AGRADECIMENTOS Ao concluir esta etapa da minha vida acadêmica, é grandioso o gesto de reconhecimento que tenho por todos que direta e/ou indiretamente contribuíram para que este sonho se tornasse realidade. Dentre tantas, citarei abaixo algumas marcantes. A Deus em primeiro lugar por ter me concedido coragem e paciência para concluir este curso; Aos meus pais pelo suporte emocional, financeiro e fidelidade; Aos meus irmãos Francisco Medeiros e Adailton Medeiros, onde esse em especial quero aqui enfatizar minha gratidão mais que especial pela confiança que em mim deposita, por ter me socorrido nas angústias e ter atendido meus chamados sem hesitar, pela compreensão e por acreditar que sou capaz, assim como pelas palavras “NÃO DESISTA”, VOCÊ CONSEGUE, que sempre me falava. As minhas cunhadas Carine Bonfim e Andrea Cristina. Ao meu sobrinho Kauan Vinícius lindo, meigo, e puro por me amar incondicionalmente. A meu Borges amado pelo carinho e compreensão. Aos colegas de curso Juliana, Jane, Ana Paula, Emanuella, Welma, Kamila e em especial a quem tiro o chapéu, a meu amado amigo, companheiro de tudo Daniel Medeiros pela conexão intelectual, intuitiva que temos, pelo respeito, compreensão, apoio, broncas dadas a mim por às vezes não confiar em minhas capacidades, transparência, honestidade, verdadeirismo que me ofereceu. Pelas conversas e conselhos tidos diante de alguma angústia, problema que se apresentava. Pelo socorro dado a todas as horas, pelo carinho e por ter sido a única pessoa em toda minha vida de estudante até agora a que nunca me sugou, porque os pesos sempre foram divididos entre nós. Pela sabedoria, praticidade que tínhamos, já que somos muito ocupados. Te quero muito bem grude “Danis” se acha. A gente se completa. Ao meu orientador excepcional Gisonaldo Arcanjo, o educado e paciente “Gison”, pela orientação, compreensão e por acreditar que sou capaz. E por doar um pouco do seu tempo para se dedicar neste norte tão relevante e imprescindível para a concretização do meu curso que é este estudo monográfico. A banca examinadora da pesquisa monográfica pela colaboração e disponibilidade. A todos os professores que passaram pela minha vida acadêmica, em especial a Drª Tânia Cristina Meira Garcia e Geny Lustosa. Assim como todos os colegas. A Francely Medeiros pelo apoio e por sempre vir atender meu chamado nas horas que minha impressora dava pane. E também a Aline Dantas e Socorro Vasconcelos. A meu amigo e camarada Marcelo Nóbrega Nunes, uma das maiores figuras intelectuais e humildes sabugiense, pessoa pela qual tenho grande apreço e respeito. Quero aqui agradecer o carinho, as palavras amiga, positiva, de sempre tocar o barco para frente e por acreditar nas minhas capacidades. Assim como enfatizar meu desejo de gratidão eterna por sempre me atender, me ajudar e compartilhar seus conhecimentos. Amigo sucesso. Aos colegas de trabalho do Centro de Referência da Assistência SocialCRAS, pela compreensão e entender a minha ausência para a dedicação para com a universidade. Aos colegas do Conselho tutelar pelo apoio. A secretária da Assistência Social Inácia Maria. Ao secretário de Administração do município Rafael Fernandes. Quero aqui agradecer também as instituições onde desenvolvi meus estágios: A creche Mundo Mágico, e a Escola Frei Damião ambas lotadas na cidade de Caicó e a Escola Santa Terezinha localizada aqui na minha terra São João do Sabugi- Rn, assim como ao Centro Municipal de Educação Infantil Neci Lucena de Medeiros; A diretora Ana Galvão; as professoras dos níveis IV e V respectivamente Auxiliadora e em especial a professora Kátia. E sem dúvida as crianças destes níveis supracitados. Ambiente esse que foi campo de minha pesquisa monográfica no qual pude receber acolhimento mais que receptivo. A todos vocês citados, que contribuíram direta ou indiretamente para esta realização pessoal e profissional, MEU MUITO OBRIGADA. Jesus os recompensará. Amém. E estarei sempre aqui para apoia-los e contribuir no que estiver ao meu alcance. Para adquirir a verdadeira autonomia na leitura, a criança não pode ser deixada a ler sozinha e sempre o mesmo nível de livros. O aprendizado da leitura é um ato social; ele resulta da interferência pedagógica de uma geração sobre a outra. Além disso, a educação não se dá sem esforço, pois ela deve combinar o trabalho do adulto e da criança. Para o desenvolvimento da capacidade de leitura de seus alunos, o professor tem um papel pedagógico fundamental- e essa é uma das fortes razões pelas quais as crianças vão à escola. Amarilha (2009, p.43) RESUMO O presente trabalho acadêmico tem como objetivo investigar a prática de contação nas turmas de pré-escola do CMEI Neci Lucena de Medeiros em São João do Sabugi/RN, com o intuito também de identificar a metodologia adotada e compreensão do gênero textual conto como fator relevante para o ensino aprendizagem destas crianças. A metodologia utilizada para este estudo foi a descritiva qualitativa, por dar preferência a trabalhos com dados característicos da própria realidade pesquisada, e além das leituras bibliográficas também fomos a campo para a coleta de dados por meio de observação e aplicação de questionário. Em termos de fundamentação teórica, metodológica mantemos embasamentos com obras de pesquisadores que possuem produções neste campo, entre eles, Abramovich (1999), Amarilha (2009), Bettelheim (1980), José (2007), Coelho (1991), Seabra; Sousa (2010), Melo (2009), Brasil (1998,2010), entre outros. Com isso houve possibilidades de conhecer a realidade da prática de conto em pré-escola da instituição supracitada, podendo concluir que estas práticas precisam ser planejadas e organizadas em tempo e espaço dentro da rotina com mais interesse e responsabilidade profissional. Palavras-Chave: Prática de Conto; metodologia; aprendizagem. ABSTRACT This academic work aims to investigate the practice of storytelling in preschool classes of CMEI Neci Lucena de Medeiros in São João do Sabugi / RN, in order also to identify the adopted methodology and understanding of the genre tale as a relevant factor for teaching learning of these children. The methodology used for this study was qualitative descriptive, to give preference to work with characteristic data itself researched reality, and beyond bibliographic readings also went into the field to collect data through observation and questionnaire. In terms of theoretical, methodological foundation we keep soffits with works of researchers who have productions in this field, among them Abramovich (1999), Amarilha (2009), Bettelheim (1980), Joseph (2007), Rabbit (1991), Seabra; Sousa (2010), Melo (2009), Brazil (1998.2010), among others. Thus there were possibilities of knowing the reality of the tale practice in preschool aforementioned institution, may conclude that these practices need to be planned and organized in time and space within the routine with more interest and professional liability. Keywords: Tale of Practice; methodology; learning. SUMÁRIO 1 I CAPÍTULO: COORDENAÇÕES DA PESQUISA ....................................................... 10 1.1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 10 1.2 JUSTIFICATIVA .................................................................................................................. 12 1.3 PROBLEMATIZAÇÃO ....................................................................................................... 15 1.4 HIPÓTESE........................................................................................................................... 15 1.5 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 16 2 II CAPÍTULO: REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................... 17 3 III CAPÍTULO: EXPOSIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS .............................................. 25 3.1 ROTINA................................................................................................................................ 29 3.1.1 OBSERVAÇÃO NA TURMA DA PROFESSORA A DO NÍVEL 4 ....................... 29 3.1.2 OBSERVAÇÃO NA TURMA DA PROFESSORA B DO NÍVEL 5. ...................... 32 3.2 A ORGANIZAÇÃO DO AMBIENTE E DO TEMPO ....................................................... 35 3.3 QUESTIONÁRIO DAS PROFESSORAS A E B ............................................................ 40 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................... 55 5 REFERÊNCIAS ............................................................................................................ 58 10 1 1.1 I CAPÍTULO: COORDENAÇÕES DA PESQUISA INTRODUÇÃO A presente pesquisa retrata a temática “A relevância da contação de histórias na aprendizagem de crianças de pré-escola” cujo objeto de estudo se desdobra no CMEI Neci Lucena de Medeiros localizada na Rua Cícero Agostinho de Morais, bairro São José, na cidade de São João do Sabugi-RN, e direcionada para turmas de pré-escola (faixa etária de 4 a 5 anos). Deste modo, resolvemos tratar desta temática por considerar imprescindível o conto no desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança e também a tomada de consciência do professor de pré-escola sobre a preparação à priori do conto escolhido para ser contado para os discentes, isto porque é um modo fortíssimo para a progressão de linguagens diversas, por levar em encontro a escrita, a visual e também a sonora (oralidade). E o motivo de ter escolhido esta instituição para o desenvolvimento da pesquisa foi devido à mesma comportar em sua clientela crianças humildes de bairros adjacentes da cidade de São João do Sabugi. Por apresentar uma gestão democrática e currículo flexível peculiar à clientela atendida, estar sempre disposta a acolher e receber ideias novas dos educadores em formação em prol de um ensino aprendizagem significativo. A referida instituição possui um total de 86 alunos matriculados, destes 19 alunos pertencem ao nível quatro, e 22 alunos ao nível 5. Onde cada turma destas supracitadas com uma professora, funcionando no turno vespertino. O ambiente físico do Centro de Educação Infantil está distribuído da seguinte forma: 2 salas de aula, uma área livre onde acontece a recreação, 2 banheiros para as crianças e 1 para os funcionários, 1 cozinha, 1 secretaria e uma área de serviço; não possui refeitório, então as crianças comem na própria sala de aula. Os desafios encontrados pela instituição para melhoria da qualidade do atendimento as crianças é só em questão da estrutura da mesma, que possui pouco espaço físico, não possui biblioteca e nem brinquedoteca. O Centro Municipal de Ensino Infantil (CMEI) Neci Lucena possui uma equipe atualmente composta por 15 funcionários, sendo a diretora: Ana Maria Galvão; a 11 coordenadora pedagógica: Maria Daguia de Morais Gorgônio; a secretária Cledinelly Medeiros de Araújo; 6 professoras, sendo que duas atuam como auxiliar nos níveis respectivamente II e III, no turno matutino. A equipe de apoio é composta por 2 merendeiras e 4 Auxiliares de Serviços Gerais. O cardápio alimentar da instituição é acompanhado por uma nutricionista, que busca atender as necessidades das crianças. O Projeto Político Pedagógico (PPP) da instituição é do ano de 2010 e foi formulado pela equipe administrativo-pedagógica, corpo docente, pais, alunos e funcionários. Por meio de reuniões, reflexões e discussões, onde a comunidade escolar opinou sobre as necessidades em geral. A metodologia que escolhemos para esta pesquisa é a descritiva qualitativa, que baseados em RAMPAZZO (2013, p. 55) trabalha sobre dados ou fatos colhidos da própria realidade. E os instrumentos escolhidos para a coleta de dados foram observações e aplicação de questionário sem interferência do pesquisador nas turmas de pré-escola. Então procuramos o CMEI Neci Lucena de Medeiros para a primeira visita e termos o contato inicial com a parte pedagógica da instituição e assim promover uma discussão de nossa proposta de pesquisa e obter a colaboração de todos que fazem a instituição. A nossa conversa foi bastante proveitosa e evidenciamos que nosso público alvo no âmbito da instituição são as crianças da faixa etária de quatro e cinco anos em fase de pré-escola. Perante as docentes destas faixas etárias anunciamos que observações de no mínimo uma semana respectivamente nas turmas acima supracitadas são necessárias para a coleta de dados para a nossa pesquisa sobre “A relevância da contação de histórias na aprendizagem de crianças de pré-escola”, seguida de um questionário para as docentes contendo 11 questões. Segundo Betelheim (1980) Os contos1 possibilitam elementos que a criança pode externalizar o que se passa em sua mente, pois com eles a criança fantasia, 1 Alguns professores consideram sinônimos conto e contação de histórias. Assim, neste trabalho, optamos também por considerar sinônimos embora haja diferenças enormes entre uma tipologia e outra. 12 dominando os entraves psicológicos do crescimento e passa a entender o que acontece em seu inconsciente, atingindo de forma sadia a capacidade de lidar com as diversas situações que vivenciam, estimulando também seu consciente. A educação infantil possibilita a vivência dessas experiências, pois é na interação com o outro que a criança aos poucos vai adquirindo capacidade de ler e interpretar o mundo, a vencer os desafios e avançar em vários aspectos da vida, presentes nos estágios de crescimento. Por isso que os professores para exercerem a tutoria nesta etapa de ensino precisam de preparo e estudo continuado, e obedecendo sem dúvida aos regulamentos do sistema de ensino, que certamente oferecem meios e modos de qualificação profissional. É essencial que saibamos por onde caminhar, uma vez que objetivos foram traçados e o ideal é que sejam alcançados. E a partir da pesquisa e de estudos de autores de renome como, por exemplo, Coelho (1991), José (2007), Abramovich (1999), Bettelheim (1980), Seabra; Sousa (2010), LDB (Lei das Diretrizes e Bases) (1996), Diretrizes Curriculares (2010), Referenciais Curriculares para a Educação Infantil (RCNEI) (1998), Amarilha (2009), entre outros que abordam a temática em discussão que acreditamos encontrar condições de atingir os objetivos propostos. 1.2 JUSTIFICATIVA A sociedade se desenvolve a cada dia acompanhando o desenvolvimento dos meios de comunicação e das tecnologias da informação e comunicação (TIC’s). Como realçam Morais e Rubio (2013) APUD Luft (2010, p.6) quando diz: “Porque neste momento de altíssima tecnologia, a alma humana busca a expectativa, o segredo e o susto. Precisa conhecer o mal para se acautelar e se proteger, o belo e o bom para crescer com esperança.” Assim, necessitamos aprimorar e adotar novas perspectivas de atuação na área educacional, de forma a contribuir na construção do conhecimento e utilizar a formação continuada como aliada para desenvolver técnicas adequadas para as metodologias utilizadas para os sujeitos em fase inicial de aprendizagem de conceitos, e a criatividade é a grande força capaz de unir à teoria a prática de forma lúdica, imaginativa e motivadora. É como o ditado diz que “Quem conta um conto aumenta mil pontos” e por acreditar que se o imaginário da criança não for estimulado, é bloqueado. Então, 13 resolvemos investigar as práticas de conto na CMEI Neci Lucena do município de São João por confiar que um conto bem contado estabelece pontes entre a fantasia e a realidade cotidiana sem causar transtornos psicológicos de forma que a criança consegue compreender o mundo que o cerca de forma livre e espontânea. E conforme José (2007, p.60-61): Se o mundo real está complicado, há possibilidades de visitar pasárgadas, de ser amigo dos reis, de ter o que nos é impossível no cotidiano medíocre e repetitivo. Quem inventa cria outros mundos possíveis e deliciosa ou perigosamente habitáveis. Quem houve ou lê se torna parceiro do artista. É co-autor da história, tem mais facilidade em encontrar saídas para os vários desafios que a vida lhe oferece. Uma criança que tem adultos que lhe contam ou lêem histórias enriquece suas vivências, pela motivação da coisa ouvida. Vai aprendendo a ler e a criar só e silenciosamente as suas histórias. Por isso que esta investigação nos incita, já que o ensino aprendizagem nas creches deve ser voltado a um mundo que possibilite ao educando transcender seus níveis de cognição de forma a construir e desconstruir conceitos errôneos e prejudiciais a sua formação psicológica de conduta e atitudes, estabelecendo autonomia e confiança, e os contos permitem através das narrativas conjugar e transmitir ensinamentos de muitos verbos e interjeições presentes no mundo mágico da infância, portanto, eles ensinam, divertem, educam despertando a criança para um patamar ético encaminhando-os para o exercício da cidadania. E o CMEI tem um papel indispensável em internalizar estes aspectos no universo de sua clientela infantil, estabelecendo metodologia adequada para estas práticas com o intuito não moralizante e nem didático- discursivo, mas de estimular a inteligência e descobertas das emoções de seres em transição de níveis linguísticos que estão cheios de vontade de saber os porquês dos mais diversos entraves mentais em que vivem, e os contos, bem contados e planejados dão as respostas as essas interrogações que estes pequeninos subjazem de forma encantadora, motivadora e imaginária. Assim, os professores têm que se prepararem didática e psicologicamente para narrar os contos e levar a mensagem que eles transmitem. É como pensa Bettelheim (1980, p.13): Para que uma estória realmente prenda a atenção da criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida, deve estimular-lhe a imaginação, ajudá-la a desenvolver seu intelecto 14 e a tornar claras suas emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações; reconhecer plenamente suas dificuldades; e, ao mesmo tempo, sugerir soluções para os problemas que a perturbam. Desta forma, o trabalho objetiva realçar, enfatizar e valorizar a prática de conto para alunos de pré-escola, enxergando a metodologia adotada como forma de que o conhecimento é contínuo e deve ser sempre aprimorado, e quanto mais qualificação profissional melhor é para que o ensino se torne eficaz e significativo. E o conto com toda a fantasia e linguagem imaginária que traz nos deporta a integração de espaços e técnicas diversas como forma de transmissão de informações dotadas de amplos valores e formação de sujeitos. É como destaca Abramovich (1999, p 17). Ler histórias para a criança é divertir com ela, é estimular-lhes a imaginação, chegar a resposta de questões, é levá-las a adquirir novas idéias, por intermédio dos personagens, identificar com eles de acordo com a situação em que está a criança “(...) e, assim esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a resolução delas (...)”. É imprescindível reconhecer a relevância do conto no processo de ensino aprendizagem e avaliar se este é trabalhado e contado para crianças de pré-escola com responsabilidade e com planejamento plausível para a sala de aula. Um trabalho como este de pesquisa oportuniza uma reeducação do olhar sobre o conto que desde séculos passados até a contemporaneidade passou por diversas transformações advindas das transformações sociais e das lutas de educadores para centralizar a contação como papel crucial para as crianças, uma vez que ela garantiu o direito de ser vista como criança e o conto a linguagem adequada a elas, pois é instrumento que caracteriza a criança como componente de construção de conhecimentos múltiplos, como enfatiza Corso & Corso (2006, p 28): A razão dos contos de fadas permanecerem até os dias atuais mesmo tendo sido reelaborado, “(...) é porque nos tocam de determinada forma e que provavelmente algo foi preservado de seu arranjo inicial. Caso contrário teriam perdido a força, o encanto e cairiam no esquecimento”. Desse modo, acreditamos que para que ocorra a internalização destes, é necessário conhecimentos prévios e preparo do contador para interpretar papeis que as histórias evocam. 15 1.3 PROBLEMATIZAÇÃO Como o professor trabalha o conto na pré-escola? 1.4 HIPÓTESE Mediante leituras a respeito da temática tomamos conhecimento que a contação de história é algo que integra o contador e o ouvinte, portanto é imprescindível que para que a mensagem que a história almeja transmitir seja bem planejada, torna-se necessário que o contador adote algumas técnicas a priori para que o conto seja sistematizado de forma motivadora. Desta forma, se o trabalho do professor não seguir planejamentos subsidiados de técnicas para uma interpretação consistente da história a ser contada, a mesma poderá estar sujeita a desvalorização dos sujeitos envolvidos no processo de ensino aprendizagem. A educação transcendeu de forma positiva, uma vez que nos dias atuais pensa no aluno como sujeito principal do processo de ensino aprendizagem e considera um ensino na perspectiva construtivista e têm o professor como mediador do conhecimento, e que seu papel deve ser de procurar desenvolver estratégias e metodologias diferenciadas que respeitem a realidade e ritmo do educando. Assim, a formação continuada é uma opção eficaz de aprender novos conhecimentos e estratégias de ensino voltado para desenvolver a ação docente de forma a contribuir com a formação do aluno. Então, o fazer pedagógico é algo que exige responsabilidade, comprometimento e entrega. E mais ainda para o pedagogo, que perpassa de forma interdisciplinar por diversas áreas do conhecimento e também por diferentes linguagens. E para isso acontecer de forma positiva e potencializadora precisa existir o domínio do profissional que trabalha no exercício docente, e o aprimoramento de estratégias de ensino deve acontecer continuamente. Isso nos remete justamente porque acreditamos que os enredos das histórias infantis abordam sentimentos diversos e se fazem presentes na vida de todos como: ódio, rancor, ambição, inveja, amor, saudade, ciúme, rejeição, frustração, coragem entre outros, e que só podem ser vivenciados e compreendidos pela criança através da emoção e da fantasia, pois os contos funcionam como uma espécie de instrumento capaz de desvelar estes sentimentos. 16 1.5 OBJETIVOS O objetivo geral desse trabalho é investigar as práticas de conto na pré-escola de São João do Sabugi, especificamente no Centro Municipal de Ensino Infantil Neci Lucena de Medeiros. Objetivos específicos: Realçar a importância do conto para crianças de pré-escola; Valorizar o conto como instrumento de aprendizagem; Enfatizar técnicas para o uso do conto na sala de aula. 17 2 II CAPÍTULO: REFERENCIAL TEÓRICO Os diferentes olhares para a infância ao longo do tempo nos atentaram a refletir que não podemos compreender a infância fora de suas relações sociais e da própria cultura na qual está inserida, e que tudo se modifica de acordo com os fatores históricos, sociais, políticos, culturais de cada época remetendo a diversas concepções de infância. Por isso que a história do atendimento à criança pobre no Brasil foram diferenciadas, e ao longo do tempo as condutas relacionadas as mesmas foram deixando de ser reducionistas. O que nos atesta que os perpassos da creche está ligado as mudanças no papel da mulher na sociedade e suas entonações na estrutura familiar o que implicou diretamente na educação dos filhos, onde as instituições de Educação Infantil foram deixando a acepção de que não se pode ter cuidados somente assistencialistas, como o simples atender enquanto a família trabalha. E a pré-escola apresentando caráter de cunho pedagógico representativo como uma ponte de preparo instrucional da criança para a escola regular. A caminhada da Educação Infantil foi múltiplas, onde era tida como função de higienização, e em tempos que era tida como amparo e caridade à pobreza, e por último vista como Educação. Nesta ótica, a educação infantil segundo Horn (2007, p.13) “enfatiza que toda a política de educação infantil emanada do poder público se caracterizou, de um lado, por um “jogo de empurra” e, de outro, por uma visão acintosamente assistencialista”. Fica evidente que os órgãos públicos tinha a ideia principal que a criança só precisava de cuidados de higiene e alimentação principalmente. Então, graças à luta de educadores por mudanças nesta visão reducionista, uma vez que almejavam que a criança fosse vista aquém, que lutaram para conseguir políticas públicas para tal e consequentemente por novas propostas de trabalhos. No entanto a produção científica sobre educação infantil ampliou-se e as pesquisas com diversas esferas sobre a infância influenciaram esta nova empreitada para a regulamentação para essa etapa de ensino. Deste modo, isso foi vivido pelas crianças até chegar o amparo legal das leis que regulamentaram a Educação Infantil no nosso país, dentre eles estão: Iniciou 18 com a constituição de 1988 seguida do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), A lei Orgânica da Assistência Social (1993) e pela lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996). O surgimento destas leis garantiu a criança um novo padrão, garantido por direitos e enxergada cada vez mais como cidadãos. A LDB, exercendo sem dúvida um papel de avanço significativo nesta área de ensino, rompendo assim, com o pensamento simplista pelo qual era encarada a educação infantil, formando assim uma complexidade sistêmica. Por isso que evidenciar o trecho da LDB (1996, p.12) seção II referente à educação infantil torna-se necessário, pois a mesma estabelece: Art. 29º. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Art. 30º. A educação infantil será oferecida em: I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade; II - pré-escolas, para as crianças de quatro a seis anos de idade. Art. 31º. Na educação infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. Contudo, é válido ressaltar que as políticas educacionais para a educação infantil ofertam a partir dos princípios legais um ordenamento de concepções viáveis para a educação, infância e o trabalho docente, passando a conhecer a criança como sujeito de direitos, entre vários direitos assegurados é evidenciado a inserção em creches e pré-escolas na perspectiva de criança cidadã prevendo modificações em seu atendimento, melhoria ao acesso e na qualidade educacional. Neste propósito se evidencia a importância da infância para além do contexto familiar aglomerados a um amplo movimento a favor da conquista dos direitos da criança. É fato que a Educação Infantil compõe o Capítulo da Educação na Constituição Federal/1988, o que a torna parte integrante da educação básica na LDB/1996, devendo ser assegurada pelo Estado, sob responsabilidade dos 19 municípios, em colaboração com o poder público estadual e federal. Admitindo, pois que tal conquista agregou concepções e reivindicações presentes no âmbito dos diversos movimentos, sejam eles populares ou científicos-acadêmicos. Assim, fica claro que a educação infantil passou por diversas modificações até chegar à contemporaneidade e hoje se prescreve que o cuidar e o educar devem se fazerem presentes de forma integrada com a rotina diária estabelecida, planejada organizada e considerada como instrumento indispensável da prática pedagógica. Por isso que não podemos deixar de discorrer um pouco sobre o caminho e evoluções da literatura até chegar à literatura infantil propriamente dita, uma vez que, os contos são considerados instrumento diário de ensino aprendizagem nas salas de aula de educação infantil por apresentarem características concisas e efeitos emotivos e excitantes, o que faz com que as crianças descubram significados de inúmeras linguagens, atingindo a compreensão interior da criança na narrativa oculta da história. Isso fica bem evidente quando Amarilha (2009) entende que os contos são relatos simbólicos de situações cruciais, expressão de acontecimentos interiores. Considerando os contos como produtos da fantasia e expressão “espontânea do inconsciente como os sonhos, pois possuem estrutura dramática semelhantes com personagens, conflito e solução. O conto possui economia do estilo e a situação e a proposição temática resumidas. O conto é uma narrativa mais concentrada, com episódio principal, frequentemente com elementos de fantasia (ficção). Devendo despertar excitação e emotividade. Sua origem se dá em fase anterior à escrita, quando os povos se reuniam em volta da fogueira e contavam histórias fantásticas e surpreendentes. Assim, Contar histórias faz parte da História da civilização e é uma ação singular e concentrada. Pois bem, as narrativas contadas primordialmente eram realizadas oralmente, puxadas pela memória do contador, que segundo Coelho (1991, p.13) “o impulso de contar estórias deve ter nascido no homem no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos outros certa experiência sua, que poderia ter significação para todos.” Por conseguinte já na Idade Moderna nasce a literatura 20 para crianças a partir da segunda metade do século XVII com o desenvolvimento da Revolução Industrial, onde preparar as pessoas desde cedo para adentrar no mercado de trabalho era a prioridade na época do modelo de sociedade que vigorava. Então é nestas circunstâncias que emerge a escola e a necessidade de valorização da criança, em que o termo família, sentimento e relações de afetividade é enfocado em função dos interesses do Estado capitalista que estava vindo à tona, interesses esses de preparar o homem desde cedo para o mercado de trabalho. Sendo assim o desenvolvimento da indústria permitiu a impressão desta literatura voltada para a criança, muito mais utilizada com função utilitáriopedagógica do que uma forma da criança entender de forma lúdica, objetiva e com uma linguagem adequada seu meio social em que vive, sendo mais pedagogia do que literatura. Desta forma, a linguagem adulta com que eram escritas os contos para o público infantil continuavam sendo escritas com linguagem adulta, moralizante de cunho didático pedagógico. Mas, como diz Coelho (1991, p.34): Essa violência ou crueldade vai desaparecendo desses contos maravilhosos à medida que os tempos passam ou que a humanidade vai refinando seus costumes. Isso é facilmente notado nas alterações que se produzem em certos contos, ao passarem da versão de Perrault para a de Grimm e deste para as versões contemporâneas. Hoje transformadas em literatura infantil, perderam toda a agressividade original. Assim, a sociedade se modernizava com a transcendência que a tecnologia industrial permitia, e os pensadores literários atrelados às várias reformas educacionais que transcorria, garantiam mais flexibilidade e podiam exercer críticas a despeito da forma que se podia escrever em respeito à criança, de maneira em que ela imaginasse, permitisse sonhar e entender de forma sadia e não moralizante o seu meio social sem hostilização. Vale salientar que até meados do século XIX o atendimento de crianças pequenas distante de seus parentes praticamente não existia, tendo este fato modificado no século XX com o avanço da industrialização. Desta forma, a creche surge no Brasil atreladas com as modificações do capitalismo, onde a urbanização estava em processo crescente e a força de trabalho 21 em grande aumento, onde as mulheres passaram a entrar no mercado de trabalho em grande número. Entende-se assim que o surgimento da creche em meados do século XIX tinha o objetivo de acolher as classes populares e liberar a mão de obra feminina, onde o atendimento se dava somente na forma de higienização dos menos favorecidos em prol da diminuição das altas taxas de mortalidade no país, onde no final deste século supracitado veio o chamado jardim de infância. E diante deste contexto histórico social foi nascendo às primeiras legislações em benefício ao trabalho feminino e ao atendimento infantil, onde no ano de 1923 regulamentou-se o direito às instalações de creches e salas de amamentação perto do ambiente de trabalho das mães, e tudo foi melhorando ao longo dos anos com o crescimento da demanda do atendimento público da Educação Infantil destinado a crianças de zero a seis anos de idade, isso porque o processo de globalização em que o Brasil passava transcendia uma necessidade de socialização e aumento da procura de todas as classes sociais para este sistema de ensino. Este aumento do atendimento coletivo às crianças pequenas gerou aprimoramento das leis, e neste segmento, é possível evidenciar segundo Seabra; Sousa (2010) que atualmente o ambiente creche é utilizado como um espaço de educação infantil, que favorece o desenvolvimento e a socialização da criança desde os primeiros meses de vida, com um trabalho baseado em objetivos próprios para a faixa etária. E mediante estas mudanças em prol de pensar na criança e em suas necessidades, que enfatizamos aqui o dizer de Coelho (1991, p.125) “Para além do que representa como preparação para o advento do Romantismo, que se aproximava, o século XVIII teve também o mérito de abrir caminho para o reconhecimento da criança (ou da infância) como um ser com características próprias e de cuja educação dependeria, no futuro, a personalidade ou o caráter do adulto”. E isso era cada vez mais permitido, como citamos acima, por causa dos êxitos científicos e tecnológicos que a sociedade mundial vivenciava, e esses desencadeamentos aumentavam mais e mais pensadores, educadores e intelectuais interessados na educação a favor de banir ideias educacionais remotas de etapas pedagógicas e traçar críticas e discussões a cerca de uma nova 22 pedagogia mais humanista e voltada para a aprendizagem da criança para exercer seus ofícios futuros. E isso eclode nos literários da época que defendem a ideia de que a literatura voltada para a criança seja menos didático pedagógica e contextualizada com sua realidade social, e que vá de encontro com o nível linguístico da criança. Esta literatura infantil, que graças à indústria foi possibilitada de forma impressa garantindo divulgações e abrindo brechas para lapidações de linguagens para o público a quem se destina e também usada como instrumento alfabetizador unindo escola e literatura, tornou-se cada vez mais objeto de estudo como sendo suporte pedagógico essencial significativo na formação de diversos conceitos da identidade da criança. E as correntes literárias e a modernização da sociedade traria benefícios maravilhosos nos séculos posteriores, inclusive no Brasil. É como ressaltam Bahiense, Vera; Bahiense, Adriana; Silva, Elisabeth (2012, p.19) sobre o surgimento deste gênero no nosso país. Embora a literatura infantil tenha surgido no século XVIII, foi somente no século XVIX que, relativizando, ainda que de maneira incipiente, o flagrante pacto com as instituições envolvidas com a educação da criança, ela define com maior segurança os tipos de livros que mais agradam aos pequenos leitores, determinando suas principais linhas de ação: histórias fantásticas, de aventuras e que retratem o cotidiano infantil. Descoberto e valorizado esse interesse, o gênero ganha consistência e um perfil definido por meio do trabalho dos autores da segunda metade do século XIX, garantindo sua continuidade e atração. Partindo deste pressuposto, o Brasil tinha nesta época uma carência muito grande em materiais literários destinados ao público infantil, e os que tinham eram em grande parte de obras europeias traduzidas com código linguístico indiferente do nosso. E foi neste impasse que entra vários literários brasileiros como: Olavo Bilac, Euclides da Cunha, Raul Pompéia e Monteiro Lobato, entre outros, que se empenharam em transcender esta linguagem cultural de outra civilização, e foi aí que vários contos foram adaptados e organizados a nossa linguagem infantil brasileira, assim como a realidade social do país. Porque ela preservava devido aos interesses do Estado e patrocinador do projeto alfabetizador, funções pedagógicas de modo a serem escritas restritas e sem criatividade, com características nacionais 23 caracterizando o espaço rural e temas pedagógicos, retratando a história do Brasil e folclóricas. Uma vez que estes escritores supracitados ao dedicar-se a escreverem para o público infantil brasileiro, adquiriam passaporte para decolar na carreira como escritor, já que o país estava com necessidade de obras destinadas para o público infantil para o ensino e escolarização. Mas, é com Monteiro Lobato que isso muda de contraste, pois obedecendo superficialmente a esta linha, ele se atreveu a escrever contos com estilos diferentes, o que ajudou na modernização das linguagens dos contos que temos até os dias atuais, com criatividade e imaginação possibilitando aprendizagens diversas que os contos desabrocham. Os bons contos alcançam diferentes níveis onde somente a criança consegue captar estas particularidades, e enquanto cresce a criança percebe e descobre relendo os contos aspectos significativos diferentes do que já havia apreendido nas suas leituras anteriores. Por isso que o literário infantil que são contados, assim como, os que é dado para elas leem, torna-se um brinquedo capaz de motivá-los para o gosto a coisas sensíveis, inteligentes e criativas, envolvendo-os numa viagem de sonhos e encantamento, revelando o que o dia a dia insiste em deixar implícito. É necessário deixar claro que os profissionais de educação infantil que utilizam e valorizam o poder do livro infantil na rotina de suas aulas de forma a provocar o imaginário infantil, já conseguiu com certeza resultados incríveis de boa formação da infância favorecendo uma variedade de escolhas pela criança. Todavia, não há receitas de como ensinar a ler com afinco a ninguém nenhuma linguagem, uma vez que isso é algo particular, onde cada um tem que buscar seu ritmo e aprendizagem, implicando-se em estratégias diversas de ver, ler e também entender, o que resulta que a cada leitura algo novo e despercebido anteriormente é interpretado e revelado o que chega a ser interessante manter os sentidos do corpo bem aguçados O conto nos agrega ao mundo do faz-de-conta e recheia a nossa vida com uma pintada de sentido e alegria, pois faz com que nos desliguemos de nosso cotidiano ocioso, e nos permite trilhar no caminho dos sonhos, onde tudo é belo, possível, e revigora nossas lembranças na memória do outro. 24 E neste embalo sobre conto não podíamos deixar de enfatizar a estudiosa contadora de histórias e generosa Sherazade que sofisticou o mundo do faz-deconta com suas narrações cheias de amor, sensualidade e poesia, que com sua inteligência se sacrificou em prol de banir a maldade de Sutão, e graças a esta que o homem e a sociedade conseguiu se desenvolver. Com diversas formas de expressar o seu conto, nos levou a aperfeiçoamentos estupendos de contar e encantar. E foi a partir de Sherazade que conseguimos o despertar e engajar na luta ciente que o narrar a história com amor, dedicação e envolvimento é preciso para enriquecer e para melhor se conhecer a vida. É notório, então, a relação existencial que os contos têm com a educação infantil, uma vez que são estruturados em função das coordenadas da vida humana, pois os profissionais de educação infantil que se dão conta do valor ético que estes possibilitam para o povoamento do imaginário infantil ao ouvirem ou até mesmo lerem determinados contos, as crianças, mesmo sem o saber, estão formando as leituras de mundo que as ajudarão nos caminhos a serem trilhados na vida, e é nestes clássicos em que a virtude é sempre preservada, o mal é castigado e o bem é sempre a melhor escolha. Dessa maneira, confiamos que a contação são exemplares concretos e com histórias baseadas na realidade vital e instrumento educacional poderoso a ser explorado como forma de preenchimento e entendimento do imaginário das necessidades destes pequenos aprendizes e leitores baseados sempre nas necessidades humanas. 25 3 III CAPÍTULO: EXPOSIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS A Educação Infantil (Creche e Pré-escola) ganhou direito legal de atendimento social das crianças a partir da firmação da Constituição federal de 1988, com o reconhecimento da Educação Infantil como dever do Estado para com a educação. Esta conquista teve muitos contribuintes dentre eles estão os movimentos comunitários, de mulheres, de trabalhadores, de redemocratização do país, também das lutas dos profissionais da educação. E mediante a essas lutas e conquistas por mudanças favoráveis na educação das nossas crianças de 0 a 6 anos de idade, que surgiram outros documentos legais além da Constituição de 1988, que foram também os Referenciais e Diretrizes Curriculares que servem como um norte para a prática de ensino destas faixas etárias acima citada. E este avanço na Educação Infantil acelerou a reflexão e desejo de transcendência dos rumos de concepção que as creches e pré escolas do nosso país enfrentaram. E isto é apontado nas Diretrizes Curriculares, Brasil (2010, p. 7): O campo da Educação Infantil vive um intenso processo de revisão de concepções sobre educação de crianças em espaços coletivos, e de seleção e fortalecimento de práticas pedagógicas mediadoras de aprendizagens e do desenvolvimento das crianças. Em especial, têm se mostrado prioritárias as discussões sobre como orientar o trabalho junto às crianças de até três anos em creches e como assegurar práticas junto às crianças de quatro e cinco anos que prevejam formas de garantir a continuidade no processo de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, sem antecipação de conteúdos que serão trabalhados no Ensino Fundamental. Sendo assim as Diretrizes curriculares, como também Lei das diretrizes e bases (LDB), Referenciais Curriculares Nacionais consideram a Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica, e só pode ser ofertada durante o dia em instituições públicas ou privadas em creches e pré-escolas, em tempo integral ou parcial. Onde enxerga a criança como sujeito histórico e de direitos, e que constrói seus conceitos interpessoais e produz cultura na diversidade das práticas, onde imagina, fantasia, brinca, e aprende com os erros. E deixa por obrigação do Estado garantir a oferta de Educação Infantil pública, gratuita e de qualidade, sem requisito de seleção. E que o Currículo por ser um conjunto de articulação de experiências e saberes das crianças deve ser 26 construído de modo integrador e de acordo com a realidade cultural e regional em que vivem, por isso é considerado um elemento sujeito a adaptações. E as propostas pedagógicas ou projeto político pedagógico (PPP) é essencial e devem levar em consideração os aspectos éticos, estéticos e políticos, pois trazem as ações, as metas que as instituições devem desenvolver para garantir de modo significativo a aprendizagem das crianças, sendo elaborado por todos que fazem parte da escola. Desse modo as Diretrizes Curriculares, Brasil (2010, p. 15) enfatiza: É obrigatória a matrícula na Educação Infantil de crianças que completam 4 ou 5 anos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula. As crianças que completam 6 anos após o dia 31 de março devem ser matriculadas na Educação Infantil. A frequência na Educação Infantil não é pré-requisito para a matrícula no Ensino Fundamental. As vagas em creches e pré-escolas devem ser oferecidas próximas às residências das crianças. É com estes direitos, norteamentos e avanços legais que a Educação Infantil do munícipio de São João do Sabugi também funciona atualmente. Nesta vigência fomos estudar um elemento que é considerado como atividade permanente nas salas de aula que é a contação de história, visto que os contos infantis são elementos indispensáveis na rotina da Educação Infantil, uma vez que a rotina elenca a organização do tempo didático estimado para cada atividade envolvendo diversas situações de aprendizagem orientadas pelo professor. E quando falamos que o conto se encaixa entre os elementos de atividades permanentes na Educação Infantil é porque entendemos que dispõe de necessidades básicas de aprendizagem e prazer para a criança sendo oferecido constantemente. E para tal existe a elaboração da proposta curricular de cada instituição, constituindo um dos elementos do projeto pedagógico e deve ser realizado coletivamente, reunindo professores e todos os outros membros pertencentes à instituição. Neste caso aqui é elencado a proposta curricular do Centro de Educação Infantil Neci Lucena de Medeiros que é disposto no Projeto Político Pedagógico de 27 2010, ao qual tivemos acesso, e o mesmo procura garantir o direito a criança em se desenvolver e aprender, baseado no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Tem como objetivos: o ambiente escolar; a integração da família, escola e comunidade; as vivências de cidadania entre escola/aluno; o aluno aprender a aprender; desenvolver as capacidades infantis, interpessoais, respeito e confiança; desenvolvimento afetivo, autoestima e respeito à diversidade étnico e racial; e a permanência do aluno. E o Projeto Político da instituição supracitada é voltado para o atendimento das necessidades básicas de educação, afeto, socialização, numa ação complementar à educação familiar e da comunidade. A missão deste ambiente escolar é de contribuir para que a criança enquanto sujeito histórico elabore e amplie seus conhecimentos e compreensões vindouras do mundo que os rodeia. Nesta perspectiva desenvolvemos à luz do conto nossa pesquisa para os níveis 4 e 5, ou seja, nas turmas de pré-escola da instituição de Educação Infantil Neci Lucena. Pois as crianças destes níveis estão nas etapas finais da primeira etapa da educação básica e a pré-escola se atrela na função não só de cuidar, mais também de educar, preparando assim a criança para a entrada no ensino fundamental menor. E levando em consideração a teoria do desenvolvimento do interacionista Jean Piaget, as crianças de quatro e cinco anos se encontram na etapa préoperatória, ou seja, etapa em que o pensamento da criança está em constante organização e totalmente dependente das experiências que vive, pois como já dispõe da linguagem oral que se une com a experiência prática adquirida e permite que a criança tenha esquemas de ações interiorizadas, esquemas simbólicos, isso é, esquemas que reúnem ideias preexistentes a respeito de algo. Como por exemplo: quando o adulto pegar o livro de conto, a criança assimila que uma história irá ser contada para ele. Nesta etapa a criança está com seu pensamento centrado em seu ego, ou seja, com egocentrismo. Seu ponto de referência é si próprio. As ações são internalizadas e irreversíveis, logo que a criança é incapaz de retorno ao ponto de partida. Dentro desta ótica julgamos necessário dar ao nosso estudo um olhar especial para estas crianças dos níveis 4 e 5 do CMEI Neci Lucena de Medeiros 28 diante das práticas de conto que lhes são oferecidas, já que é considerada como atividade permanente no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (RCNEI) e por acreditarmos que os contos são elementos indispensáveis na construção do pensamento e de suas capacidades intelectuais de desenvolvimento humano. Além de ser instrumento que amplia as linguagens e diversos comportamentos ligados às emoções, dentre eles a ajuda e entendimento de como lidar com o egocentrismo, e preparar a criança para avançar de estágio de desenvolvimento subsequente que é o operatório concreto. É como ressaltam os autores Bock, Furtado e Teixeira (2008, p.119) Piaget divide os períodos do desenvolvimento humano de acordo com o avanço do pensamento da criança, porém o início e o término de cada uma delas dependem das características biológicas do indivíduo e de fatores educacionais, sociais. Desse modo, confiamos que os professores devem desenvolver suas práticas subsidiadas de acordo com a realidade da turma e sempre planejadas, uma vez que a aprendizagem acontece de forma heterogênea, e o planejamento é o norte de como devemos proceder perante a um desafio sujeito à superação, que neste caso é a construção do pensamento acreditando que a criança possa avançar na aprendizagem com situações orientadas. Então a criança deve sempre ser incitada a pensar, a adquirir sentimento de pertença, para então saber se equilibrar diante das situações em desequilíbrio como cidadãos a caminho de seu desenvolvimento pleno. E para tal o professor tem um papel fundamental nestas situações, como vimos no Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, Brasil (1998, p.33): É, portanto, função do professor considerar, como ponto de partida para sua ação educativa, os conhecimentos que as crianças possuem, advindos das mais variadas experiências sociais, afetivas e cognitivas a que estão expostas. Detectar os conhecimentos prévios das crianças não é uma tarefa fácil. Implica que o professor estabeleça estratégias didáticas para fazê-lo. Apoiada a isso desenvolvemos nossas observações nas turmas dos níveis 4 e 5 do CMEI Neci Lucena de Medeiros para poder investigar como são desenvolvidas as práticas de conto nestas turmas de pré-escola. Abaixo será descrito como transcorreu estas observações e em seguida as análises dos dados obtidos. 29 3.1 ROTINA Quando nos referimos à rotina estamos subentendendo a ideia de tempo e espaço e pode ser idealizada como esqueleto do trabalho diário da instituição, que de acordo com o entendimento de Seabra; Sousa (2010) atividades de rotina são as que acontecem todos os dias e frequentemente no mesmo horário, como a hora do acolhimento, higiene, alimentação, higiene pessoal, recreação, do conto, saída. 3.1.1 OBSERVAÇÃO NA TURMA DA PROFESSORA A DO NÍVEL 4 A rotina desta turma é a seguinte: Primeiro acontece o acolhimento das crianças na creche com tolerância de 30 minutos para que outros possam chegar. Enquanto isso, as crianças ficam sentadas em suas mesas conversando, e alguns pegam contos infantis para folhearem. Após isso a professora cumprimenta as crianças com um “boa tarde”! Realiza a oração do dia, e também faz a leitura das regras da sala. E canta a musiquinha de quem veio hoje, e a partir disso trabalha os numerais e quantidade. Depois ela trabalha o alfabeto que está exposto na parede acima da lousa, assim como os numerais de 0 a 9. Posteriormente vão lavar as mãos e é servido o primeiro lanche. Em seguida as crianças vão para uma área livre onde acontece a recreação, e lá eles passam uma hora brincando com peças de encaixe e também com brinquedos de faz de conta de forma livre, sem nenhum direcionamento da professora. Na sequência todos na sala de aula, é hora da atividade, sempre xerocada, e a professora trabalha muito a questão da coordenação motora, com tracejo para crianças cobrir em forma de desenhos e letras, assim como nome de cada um. Assim como é trabalhado as cores e questões de objetos maiores e menores. Segundo a professora, gosta de iniciar o ano letivo com atividades de sondagem. Depois dessa atividade, tem espaço para a contação de história, mas este hábito não acontece diariamente, pois geralmente a professora toma muito tempo nas atividades esperando aqueles que não tem interesse em fazer e outras que ficam pintando, e quem termina pega os contos infantis que ficam acessíveis a eles e ficam folheando, fato este que contribui para a autonomia que, baseados no Referencial Curricular, Brasil (1998, p.39 a 40): “A disposição dos materiais e utensílios pedagógicos precisam de reflexão e planejamento do professor e da instituição, organizados de forma que a criança encontre sem necessidade do adulto 30 intervir, uma vez que, é elemento que conduz o fazer sozinho.” Isso é feito até que a professora recolhe as atividades e os livros de conto para que todos se encaminhem para lavarem as mãos para que possa servir o último lanche e após se alimentarem, as crianças pegam seus pertences e vão para a área livre esperar seus pais ou responsáveis para irem para suas casas. Na sexta feira as crianças não realizam nenhuma atividade, ficam mais tempo na área livre com as peças de encaixe ou os brinquedos de faz-de-conta, assim como os seus próprios brinquedos que na sexta é liberado para que eles tragam para a instituição, e também colocam dvds para as crianças assistirem. Às vezes na sexta as turmas (4 e 5) são reunidas nesta área livre, e o interessante é que essas brincadeiras não são direcionadas pelas professoras, elas ficam sentadas olhando as crianças brincarem e/ou assistirem DVD, não é feita nenhuma interação com as crianças. Pelo que percebemos a ludicidade é feita de forma livre e sem orientação ou planejamento, esta ação é denominada em Seabra; Sousa (2010, p.187) como “atividade livre: As crianças escolhem o que desejam fazer e o educador interage com elas a partir de suas escolhas”. Onde as autoras consideram momento maravilhoso para que o educador observe as ações, escolhas, como exploram o ambiente, objetos e utilizam o jogo simbólico do faz-de-conta, a interação entre si sem a sua intervenção direta e, no retorno, para a sala é dado para terminar o tempo, massas de modelar. Estes dias de observação presenciamos também 2 práticas de contação de história da professora A, que acontece da mesma forma. A primeira história que ouvimos a professora A narrar foi a de “chapeuzinho vermelho”. Ela simplesmente disse as crianças que permanecessem sentadas em suas mesas que ela agora ia contar uma história, e assim, foi ao local que são dispostos as historinhas infantis que são trazidos para a escola pelos alunos, onde é pedido a cada pai de alunos que tragam junto aos materiais solicitados esses livros e escolheu aleatoriamente um livro. Assim, ela pegou o livro ficou parada em frente ao quadro e narrou à história para as crianças, com recurso apenas do livro e da leitura oral, sem nenhuma alteração de voz dos personagens. A segunda história infantil foi a da “Barbie”, escolhida e contada da mesma forma acima citada. E ambas teve motivação e atenção zero, e a única interação foi a de que a professora ficava parando a contação de história para reclamar uma 31 criança ou outra para prestarem atenção no conto e também não fazer barulho, mas isso é impossível, pois nenhum instrumento que os pudessem envolvê-los foi utilizado. Ao término das histórias que lia, a professora somente fazia uma tentativa de contextualização da história junto às crianças, que um ou outro respondia a partir de experiência vividas com o conto, uma vez que são clássicos trabalhados durante os níveis anteriores e também narrados pelos familiares em casa. Após, é encerrado a hora do conto, momento este muito apagado e sem estratégias que levem a criança a pensar, a refletir sobre as situações. A professora A não trabalhou a capa do livro, nem autor. E de maneira rápida virava o livro para que as crianças olhassem as imagens, tinha uns que até chegavam a pedir que ela mostrasse. Os livros infantis são muito pequenos, justamente porque as crianças só trazem estes. No entanto, para a contação de história os livros pequenos são inadequados. Pois a visualização das imagens é insuficiente. Portanto, a metodologia utilizada da professora foi somente a leitura em voz alta, e o único recurso utilizado foi o livro infantil. Ela não prepara o ambiente, não faz revisão da leitura antes e nem se quer planeja qual história a ser contada. Não influencia na ampliação da linguagem oral, escrita e tampouco da visual. A leitura é feita de forma acelerada, o ritmo de compreensão das crianças não são respeitados e o gosto pela leitura, imaginação e criatividade não é aguçado. E a fase de egocentrismo, de ser amigos de todos os colegas, o incentivo maior de integração da turma se torna a desejar. O que torna a prática de conto sem nenhum afloramento de aprendizagem significativa de conceitos e emoções da realidade cotidiana de todos, pois nem se quer os conhecimentos prévios são trabalhados após ser dito o título da história. Conhecimentos estes que é indicado no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Brasil (1998, p.33): É, portanto, função do professor considerar, como ponto de partida para sua ação educativa, os conhecimentos que as crianças possuem, advindos das mais variadas experiências sociais, afetivas e cognitivas a que estão expostas. Detectar os conhecimentos prévios das crianças não é uma tarefa fácil. Implica que o professor estabeleça estratégias didáticas para fazê-lo. 32 Infelizmente estes conhecimentos não estão sendo levados em conta pelo professor na hora da contação de história. 3.1.2 OBSERVAÇÃO NA TURMA DA PROFESSORA B DO NÍVEL 5. A rotina desta turma se desdobra assim: Primeiramente acontece o acolhimento das crianças na sala de aula, seguida de 30 minutos de tolerância para que outros colegas possam chegarem. Nesse tempo de espera as crianças ficam em suas mesas folheando ou recortando imagens presentes nos livros velhos do ensino fundamental doados para a instituição que ficam acessíveis às crianças. Fechando este tempo, os 30 minutos que restam para servir o primeiro lanche são gastos com essa mesma situação acima descrita, só que é oferecido espaço também para as crianças lavarem as mãos, então é hora de lanchar. Após o lanche a professora dá “boa tarde”! E em seguida reza a oração do dia, às vezes trabalha calendário, canta a música canção feliz, do mosquitinho. Após isso é trabalhado as vogais, consoantes e alfabeto que é disposto na parede acima da lousa. Posteriormente acontece a primeira atividade do conteúdo a ser trabalhado no dia, onde a professora B é baseada na questão de reconhecimento das letras, animais selvagens e também dos números, contagem e quantidade. Esse atento desta professora para o processo de alfabetização é considerado um pouco ultrapassado, uma vez que o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Brasil (1998, p.122) nos conscientiza que: Para aprender a ler e a escrever, a criança precisa construir um conhecimento de natureza conceitual: precisa compreender não só o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa graficamente a linguagem. Isso significa que a alfabetização não é o desenvolvimento de capacidades relacionadas à percepção, memorização e treino de um conjunto de habilidades sensóriomotoras. É, antes, um processo no qual as crianças precisam resolver problemas de natureza lógica até chegarem a compreender de que forma a escrita alfabética em português representa a linguagem, e assim poderem escrever e ler por si mesmas. Desse modo, não adianta a professora se remeter apenas às atividades de escrita das letras e numerais, cobrir e também na memorização. Uma vez que é muito mais valioso traçar planejamentos que incorporem outros recursos que viabilizam a leitura e escrita, como a interação com processos de leitura através da 33 contação de histórias. Que com esta atividade, elas podem promover atividades de reconto, contato direto das crianças com os livros infantis classificados e organizados com a ajuda da criança, utilizar jogos que em conexão com o texto o vocabulário seja ampliado e a criança ir adquirindo os signos linguísticos de forma mais significativa, e gradativamente ir levantando suas hipóteses sobre a compreensão da leitura e escrita. Quando terminada esta atividade as crianças vão para a área livre para o momento de recreação, onde é oferecido peças de encaixe e também brinquedos de faz-de-conta sem nenhuma mediação e direcionamento, tudo acontece de maneira livre. Depois deste momento é aberto espaço para outra atividade, que pode ser do assunto trabalhado durante o dia ou contação de história. Todas as atividades são xerocadas. Na sequência todos vão lavar as mãos para o lanche final. Em seguida todos pegam seus pertences e vão para a área livre esperarem seus pais ou responsáveis para irem para suas casas. No tocante a contação de história essa prática não acontece todos os dias e não é muito levada em consideração, pois a preocupação da professora B é voltada ao processo de escrita, reconhecimento de letras e números, quantidade, longe, perto, grande e pequeno. E a luz do entendimento de Seabra, Sousa(2010) entendemos que a rotina deve ser flexível e as atividades que a compõem não precisam ser feitas do mesmo jeito diariamente. Procurando não adotar uma postura mecânica dos acontecimentos da sala de aula infantil. É algo necessário e fruto de organização do tempo e espaço das atividades pedagógicas. Os livros infantis que tem na sala de aula não são acessíveis às crianças, pois são trancados em um armário, nem se quer explorá-los eles tem direito. Tal situação consideramos inadequada, uma vez que o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, Brasil (1998, p. 71) recomenda a acessibilidade dos materiais para a criança: “Os brinquedos e demais materiais precisam estar dispostos de forma acessível às crianças, permitindo seu uso autônomo, sua visibilidade, bem como uma organização que possibilite identificar os critérios de ordenação”. Desse modo, não adianta vir com alegação que os materiais estão fora do alcance das crianças ou trancados em armário dificultando o seu uso para que as crianças não desperdicem ou que tenham um controle e zelo maior que isto não é justificativa. Uma vez que as crianças desta faixa estão em fase importante de 34 aprendizagem de cuidar, usufruir, manter e organizar os materiais que utilizam. Como afirma também o Referencial Curricular para Educação Infantil, Brasil (1998, p.71) “A manutenção e reposição destes materiais devem fazer parte da rotina das instituições e não acontecer de forma esporádica”. E consequentemente para que as crianças circulem no ambiente a vontade é preciso à garantia da segurança do espaço e dos materiais. Esses livros são comprados pelos pais de cada aluno como solicitação da instituição junto aos materiais que os pais devem providenciar para a instituição. Os dias de observação foi presenciado apenas uma prática de contação de história que foi a dos “Três porquinhos”. Onde a professora escolheu a história aleatoriamente no armário, e veio e disse que todos permanecessem sentados que ela ia contar a história dos três porquinhos e que depois ia dar uma folha para eles pintarem os porquinhos. Assim, ela permaneceu a todo momento da narração em pé em frente a lousa.O Referencial Curricular para a Educação Infantil, Brasil (1998) aponta como ponto positivo e que deve ser praticado no dia a dia da sala de aula, que é a expressividade em seus movimentos quando nos leva a compreender que o professor é referência para as crianças, pondo um leque de gestos e posturas quando, por exemplo, conta histórias tecendo idealizações com gestos expressivos ou através de elementos vocais para compor sua dramatização. Então, o professor precisa cuidar de sua expressão e posturas corporais ao se relacionar com as crianças. Não deve esquecer que seu corpo é um canal expressivo, valorizando e adequando os próprios gestos, mímicas e movimentos na interação com as crianças. Utilizou como recurso somente o livro infantil, com a metodologia da leitura em voz alta. Não utilizou nenhum instrumento que pudesse enriquecer a contação de história, não trabalhou autor e nem capa do livro, e nem entonação de voz para a interpretação dos personagens. Não planejou a hora da contação, nem fez leitura antecipada do clássico, isso percebido nas atitudes, conversas informais e na leitura mal realizada. Parava a narração em alguns momentos para chamar a atenção de algumas crianças que ela não conseguiu atrair a atenção. A leitura foi realizada de forma rápida. E no final ela somente reforçou que iria distribuir a atividade de circular e pintar dos porquinhos, e que aguardassem que ela iria à secretaria pegar. Não houve nenhuma contextualização da história junto às crianças. 35 As folhas foram distribuídas e lida, instruindo o que eles deveriam fazer, sem nenhuma associação com a leitura narrada. A professora B não trabalhou os conhecimentos prévios das crianças. O que é uma pena, pois são crianças com o pensamento bem mais organizado e que bem estimulados e despertados podemos desenvolver e revelar grandes ideias e aprendizagens. No entanto, a forma que a história foi contada não despertou a imaginação e nem a criatividade. Nem se quer a professora pegou um gancho da história para atrelar a situação da realidade cotidiana. 3.2 A ORGANIZAÇÃO DO AMBIENTE E DO TEMPO De acordo com Seabra; Sousa (2010) a organização do ambiente e do tempo deve haver flexibilidade contando com a participação das crianças, sendo pensada de acordo com as especificidades da turma e de modo a levar a construção do conhecimento. E no tempo reservado a contação de história não deve ser diferente. Então esta atividade nos níveis 4 e 5 anos do CMEI Neci Lucena é realizada sem a organização dos elementos da sala, como por exemplo, as crianças ficam sentadas em suas mesas, como podemos ver a imagem respectivamente de como as turmas ficam organizadas abaixo. Por sua vez, Cavalcanti (2002) aconselha que o ambiente seja preparado para que se conte um conto, assim como considera indispensável o planejamento desta atividade. Foto 1: Sala do Nível IV Foto 2: Sala do Nível V Fonte: Arquivo pessoal da pesquisadora As professoras ficam em pé imóveis a frente da lousa a todo instante, numa altura maior que as crianças. Não utilizam nenhum instrumento que possa enriquecer a contação de história, onde percebemos que a correria do dia a dia impede um planejamento mais elaborado, uma vez que as professoras destes níveis 36 apresentam 2 vínculos com o município, trabalhando assim os dois horários, algo que não justifica a falta. O único recurso que utilizam para a contação de história é o próprio livro infantil, nem se quer a entonação de voz, roda de conversa é realizada. Maneira esta que Coelho (1991) enfoca que tem contos que não dispensam a utilização do livro, pois a ilustração que apresenta declara-se tão rica como o texto em si, servindo como uma espécie de complemento do enredo. E nos casos em que se for um livro de pouco texto e de muitas ilustrações, o professor deve narrar quase textualmente, com certas alterações na linguagem, indo desde variações de entonação até impostações típicas de determinados personagens, com o intuito de melhor caracterizá-los e, assim, envolver as crianças. Utilizar o diálogo, conversando com os alunos no decorrer da história, promovendo a interação, pois segundo a autora, é este o momento ideal para atribuir às palavras um significado concreto, real, e acabar com preconceitos, e conceitos fictícios, aproveitando todas as oportunidades para ajudar as crianças a crescer e pensar. As professoras além de lerem distante dos alunos, utilizam livros pequenos, o que impede a visualização de detalhes nas gravuras. Ocorrência esta que Pires (2011) aconselha que os livros de formato pequeno tenham suas ilustrações reproduzidas e ampliadas, preservando os elementos essenciais da história em prol de uma melhor organização do pensamento e facilitação da ideia central da história. Algo que não é percebido nas práticas de conto das turmas de 4 e 5 anos. Pois nenhum outro recurso pedagógico é presenciado para enriquecer a contação, como flanelógrafo, dedoche, fantoshe, teatro de sombra, de vara, dramatização, apresentação em slides, álbum seriado, até mesmo expressão corporal e imposição de voz etc. E segundo revelações da auxiliar de secretaria durante a investigação, o único recurso pedagógico que a instituição tem como instrumento para a contação de história, são uns fantoshes, que a mesma procurou para nos mostrar e não encontrou, alegando que nenhuma professora utilizou desde a sua entrada na instituição em 2008. O que não é empecilho para desenvolverem planejamentos de construção de instrumentos artesanais para serem utilizados na hora do conto, inclusive até com a ajuda das crianças. Na verdade a contação de história realizada nestas turmas não passa de uma leitura rápida e acelerada, sendo escolhida na 37 hora de ser contada de modo aleatório, sem integração do contador com o texto, pois não é realizada a leitura prévia do texto. Busatto (2003), Cavalcanti (2002), Coelho (1991), Marcuschi (2008) et al recomendam a integração do narrador com o texto, caso não exista este atrelamento, deixa de ser uma experiência compartilhada, passando a ser um simples repasse de informação, sujeito a não internalização de conhecimentos. E infelizmente isso foi notado nestas turmas, onde não precisa nem se quer a história ser contada. Por isso que as crianças do nível 4, a qualquer oportunidade recorrem ao casaco disposto ao alcance deles, onde ficam os livros de conto para folhearem as histórias, justamente porque existe este déficit de integração do professor que conta o conto com a narrativa a ser contada, o que deixam lacuna na imaginação da criança. É de fundamental importância que o professor estabeleça algumas condutas básicas na hora da contação de história. E esteja sempre disposto para o exercício de narrar para assim não comprometer a essência e a qualidade da narrativa. Assim enfocaremos abaixo algumas técnicas conhecimentos que Cavalcanti (2002, p.73-74) sugere para que o contador de história, nesse caso evidenciamos o professor, resgate em si o potencial para fazer de sua palavra um momento lúdico e apaixonante, capaz de encantar e despertar as crianças para a magia dos contos infantis.O quadro abaixo apresenta ideias de como contar história utilizando o livro de conto, único recurso utilizado pelos professores da pré-escola da instituição Neci Lucena: CONTAR HISTÓRIA COM LIVRO 1 Conhecer o texto com profundidade; 2 Sensibilizar o grupo para o momento da escuta; 3 Criar “ambiência”, convidando para entrar no mundo do faz-de-conta; 4 Depois de estabelecida a confiança e intimidade, iniciar a contação; 5 A história não é pretexto, ela é o texto; 6 O livro deve ser apresentado ao grupo. Dizer o título, autor, editora. Mostrar a capa; 7 Segurar o livro aberto sobre as mãos, com cuidado e carinho, denotando respeito (relação com o universo sagrado da palavra); 8 Ler, pausadamente, mas demonstrando intimidade com o texto e entusiasmo pela leitura; 38 9 Pontuar corretamente, prestando atenção no tom, ritmo, volume; 10 Evitar gestos e expressões faciais exagerados, como recursos de narração. Pois, quando se lê a história, a carga de tensão deve estar contida na própria relação das palavras, frases; 11 A voz deve ser bem impostada, mas nunca “dramatizada” com exageros; 12 A cada página virada deve-se mostrar aos ouvintes as imagens (ilustrações/desenhos/palavras); 13 Relacionar o dito oral com o dito escrito; 14 Durante a leitura, procurar não interromper a narrativa; 15 Ler com entusiasmo e atenção, mas não esquecer que a leitura está sendo realizada para outros, portanto é necessário que, entre um parágrafo e outro, o contador dirija o olhar para o grupo, perceba o movimento, o nível de tensão, a atenção. Que seja um momento compartilhado; 16 Ficar sensível às reações dos ouvintes. No final, fechar o livro com respeito e permitir que os ouvintes expressem seus sentimentos com relação aos diversos aspectos do texto. Estas sugestões são significativas para os professores da instituição Neci Lucena adotar a favor de melhoria, uma vez que existe uma lacuna muito grande neste aspecto de contar história, e isso acaba refletindo no processo de aprendizagem linguística dos educandos em fase de pré-escola, que acabam sendo desmotivados no tocante ao incentivo da leitura tão importante para que se reconheça os signos linguísticos, algo relevante para que a comunicação se materialize. É preciso que este acordar aconteça, pois o MEC (Ministério da Educação) mantém um Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). E através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação diversas coleções são distribuídas às escolas públicas, neste caso a instituição Neci Lucena é uma das muitas beneficiárias, destes acervos que incentiva e dá suporte aos professores, gestores e coordenadores pedagógicos para criarem projetos de incentivo a leitura. Os livros que são entregues a esta instituição estão encaixados, segundo a auxiliar de secretaria, nunca foram utilizados por estas professoras dos níveis 4 e 5. Todo o acervo foi mostrado, inclusive presenciamos a chegada de outros exemplares, que como os que haviam, continuarão empilhados e sem uso. 39 A respeito deste ponto supracitado, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Brasil (1998) sugestiona que as instituições de Educação Infantil desenvolvam projetos de incentivo a leitura que auxiliam na organização do tempo por meio de ambientes destinados a interação com a linguagem, seja ambiente de leitura, jogos-de-escrita, faz de conta, roda de leitores que favorece as crianças o empréstimo de livros para lerem em casa. Isso seria maravilhoso para as crianças da pré-escola na qual foi campo de pesquisa para este estudo, uma vez que nas atividades permanentes não é desenvolvido nenhuma prática diversificada para a interação com a leitura e escrita por meio destes livros da literatura infantil que é fornecido pelo governo federal. É necessário que os professores desta faixa etária ao contar histórias propiciem não somente a leitura da narrativa, mais também momentos de leitura compartilhada e também favoreça o reconto. E que depois de narrar à história, deixem de xerocarem, como a professora B faz, ilustrações similares com a leitura contada para que as crianças pintem, circulem ou tracejem os elementos como forma de atividade pós a contação de história. A professora B, como vocês podem ver na figura abaixo, após contar a história dos três porquinhos, entregou xerox de atividade que tinha ilustrações relacionadas com a história contada. Figura 1: Os três porquinhos estão fugindo do lobo. Circule o porquinho que está mais longe do lobo. Pinte o porquinho que está mais perto do lobo. Fonte: VALADARES, Solange; VALADARES Érika. Fofurinha. Volume 3. 1ªed. Belo Horizonte: Editora FAPI, 2010. A leitura de histórias segundo o Referencial Curricular para a educação infantil, Brasil (1998) possibilita que a criança com essa interação é ajudado na reconstrução do pensamento e no controle das emoções, estabelecendo relações 40 interpessoais, valores, costumes e comportamentos inerentes ao grupo social a que pertence com subjetividade e sensibilidade de ser criança. 3.3 QUESTIONÁRIO DAS PROFESSORAS A E B Para saber de como acontece a contação entregamos um questionário para as professoras dos níveis IV e V responderem: Pergunta: Você prepara a turma para o momento do conto? Explique. Resposta da professora A: Sim, falando o título da história e indagando sobre possíveis conhecimentos em relação à mesma. Resposta da professora B: Sim, dizendo que vou contar história, e peço a atenção de todos. A resposta da professora A coincide com o que observamos durante as duas práticas de conto que presenciamos, onde percebemos que pelo o que foi visto e enfatizado aqui na resposta do questionário, ela infelizmente não prepara a turma para tal situação, simplesmente pega o livro, já ler o título e segue a contação, sendo muito rápida. É como foi dito acima, nem se quer incita-os aos conhecimentos prévios, elemento extremamente relevante para o início de qualquer atividade, segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil, Brasil (1998). E Sisto (2005, p. 2) enfatiza que contar oralmente uma história é importante que haja integração coletiva, pois é um exercício de encontro consigo e com os outros, com a realidade e imaginário. Desse modo a professora A antes de começar o momento da contação deve preparar a turma para este fim, pelo menos os sensibilizando para a escuta, como fez a professora B no dia em que foi observada sua única prática de conto, e que pelo menos está em concordância com uma das condutas que Cavalcanti (2002) sugere. Pergunta: Quais os gêneros literários que mais utiliza para o momento do conto? Como acontece a seleção da história a ser contada? Em que se baseia? Resposta da professora A: Histórias clássicas em virtude de serem as de maior interesse das crianças. Resposta da professora B: Gosto muito de contos que elas possam aprender algo para seu dia a dia e/ou para a vida toda, também gosto de usar histórias de acordo com o assunto que vou explorar. 41 A professora A em sua resposta mencionou que utiliza com maior frequência os contos clássicos, por ser de maior interesse das crianças, dando a entender que ela escolhe a história a ser contada e que também se baseia nesta escolha apenas pelo fato de que segundo ela as crianças apreciam, mas infelizmente isso não foi o que presenciamos durante a observação, pois os contos que são narrados para as crianças são os que elas mesmos compram e levam para a instituição, já que isso é solicitado através de uma lista de itens que a instituição entrega aos pais para serem trazidos para âmbito escolar, e os pais compram porque são estes contos clássicos que encontramos nas lojas para serem oferecidos as crianças. Dessa maneira são contos que passam de geração em geração. São usados no ambiente familiar e também nas escolas, portanto as crianças conhecem e já tem memorizados trechos destes clássicos. Só que isso não quer dizer que elas têm preferência apenas por ser clássicos, pois não são todos que a atraem, pois com esta idade já são crianças falantes pleno, com vocabulário mais ampliado. As crianças passam a ter gosto mais apurado nesta idade, segundo CRAIDY &KAERCHER (2001) narrativas que envolvem um número maior de personagens, lendas e histórias com um final mágico, narrativas mais longas é muito mais atraente, assim como contar a mesma história, mas usando recursos diferentes na forma de contar, como através de um programa de televisão, um filme, contrapondoos aos respectivos livros e atentando as diferenças que a mesma história pode apresentar quando se é modificado o modo de ser contadas. O que implica dizer que o professor tem que saber escolher as histórias para ser contada, e de uma forma que se encaixe nas especificidades e realidade do educando, assim com certeza irá chamar bem mais a atenção do discente, trabalhando numa perspectiva de ampliação de aspectos linguísticos e de estimulá-las a ler as diversas linguagens com curiosidade e atenção. A professora B foi bem feliz em sua resposta, enfatizando o que CRAIDY &KAERCHER (2001) entende, mas que pena que isso se faz presente apenas na teoria, pois na prática da professora é bem diferente. Pois nos dias de observação, a professora apenas utilizou um conto para narrar, e esta escolha e também o critério que utilizou não é recíproco com sua resposta, pois a mesma escolheu aleatoriamente, e não foi repassado nenhum conhecimento que eles possam internalizar, pois como já foi descrito em outra oportunidade, a narração foi feita de forma bem rápida, finalizando com uma atividade de circular e pintar, onde esta 42 contação contribuiu apenas para aspectos de motricidade, não se atentou também a despertar o interesse que permitam as crianças organizarem as suas experiências de vida, lidar com receios e alegrias, conquistas e perdas, bem e mal, ou seja, com sentimentos de contradição. As professoras A e B utilizam apenas os livros que as crianças trouxeram para a escola, e deixam no esquecimento o rico e ampliado acervo que a institui dispõe. Pergunta: Qual a frequência de dias que o conto está inserido na rotina da turma? Justifique sua resposta Resposta da professora A: Todos os dias da semana. O incentivo à leitura está no contato que se faz com ela. Resposta da professora B: Todos os dias da semana. O certo é contar todos os dias, eu tento fazer, porém há dia que não conto, dependendo da flexibilidade da aula e/ou tempo que às vezes atrapalha um pouco, ou seja, a rotina por outros motivos não dá para contar. A professora A, assim como a professora B, incluem a contação de história como atividade permanente em suas rotinas, que segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil, Brasil (1998) é uma prática diária nas instituições de educação infantil. Só que esta prática não acontece todos os dias, e nem sempre é justificado, como a professora B citou, o atrapalho do tempo não dar certo a contação todos os dias. Pois foi observado que nas duas turmas, por mais vezes esse tempo reservado para a contação de história era disponível, mas não era levado em consideração, passando despercebido. Sabemos que a rotina segundo Seabra; Sousa (2010) deve ser flexível, e respeitamos esta flexibilidade. Mas realmente estas professoras tem que passarem a utilizar os contos como processo de ensino aprendizagem potencializador, e não basta estar ciente apenas como apontou a professora A sobre o incentivo da leitura ser realizado através do contato com a leitura. Tem que realizar com frequência leituras de um mesmo gênero, neste caso trabalhar bem o conto, para que as crianças possam reconhecer este tipo de gênero quando for repetido ou memorizado possibilitam às crianças observarem não só os conteúdos, e sim também à forma, aos aspectos sonoros da linguagem, como ritmo e rimas, além de questões culturais e afetivas que as envolvem, como emprega o Referencial Curricular para a Educação Infantil, Brasil (1998). Onde quanto mais 43 interação com situações de leitura e escrita a criança for ofertada mais capacidade ela terá de construir desde muito cedo pensamentos e hipóteses sobre a língua e seus usos, e também avançar em sua ideias de como se lê e se escreve. E não somente se prenderem, como as duas professoras fazem com seus alunos, a memorizar, cobrir e repetir oralmente as letras que são visíveis ao quadro, como o alfabeto e vogais. Pergunta: Costuma preparar o ambiente para a hora do conto? Se caracteriza? Faz revisão literária antes de narrá-la para as crianças? Resposta da professora A: Sempre é essencial fazer a revisão de qualquer leitura a ser trabalhada. Ambiente deve ser preparado mediante a mensagem da história Resposta da professora B: Às vezes sim. Às vezes. Faço sim para que saia bem narrada envolvendo as crianças e/ou me preparo parra narrar de forma bem descontraída para que entendam melhor e se divirtam com a história. A professora A em sua resposta falou da necessidade de fazer a revisão literária, mas não a faz, algo que é extremamente indispensável e que Cavalcanti (2002) recomenda, e notava-se o despreparo durante a leitura do conto, e essa mesma conduta foi realizada pela professora B. A respeito da caracterização realmente isso não é feito por nenhuma delas, é tanto que a professora A nem respondeu a pergunta, e a B respondeu com Às vezes. No tocante a este ponto acreditamos ser importante quando existe um projeto característico ou uma aula arquitetada somente para este fim, uma vez que exige a preparação do ambiente e exige um tempo muito maior. E também é mais adequado caracterizações quando não se usa o livro para contar a narrativa, coisa que não é feita por estas docentes. Pois a caracterização nem sempre é sinônimo de um bom atrativo e excelente internalização da aprendizagem, às vezes só atrapalha, segundo José (2007) que indica que quanto mais simples a apresentação, maior a participação dos ouvintes, pois a ligação afetiva entre quem conta ou lê e quem escuta é imensa. Sobre a preparação do ambiente, as duas professoras não se preocupam neste aspecto, pois as crianças ficam sentadas em suas mesas enquanto a docente fica em frente ao quadro imóvel. Isso com certeza bloqueia a integração do contador e do ouvinte, assim como a motivação frente à narrativa. Uma das estratégias maravilhosas para a interação de linguagens é a roda de conversa, segundo o Referencial Curricular para a Educação Infantil, Brasil (1998) 44 esta promove aproximação com elementos mais formais da linguagem por meio desta situação de contar histórias e outras, pois este é visto como um momento de diálogo e transmissão de ideias, e que as crianças podem aumentar suas capacidades comunicativas, ampliar seu vocabulário, valorizar o grupo como troca de aprendizagens, dúvidas e descobertas entre outros. E a roda de conversa é tido como exercício cotidiano. Cavalcanti (2002) considera a preparação do ambiente como algo que deve ser feito no momento da contação de história. Na verdade é uma das condutas que estas professoras devem adotar. Pergunta: Estabelece tempo de duração da narrativa e/ou do momento do conto? As imagens contidas nas histórias são consideradas durante o momento da narração? Resposta da professora A: 20 a 30 minutos. As imagens são consideradas, pois os personagens da história precisam ativamente fazer parte da mesma. Resposta da professora B: Não. O tempo é bem duradouro dependendo de como vai ser o desenrolar da história, pois trabalho com crianças que às vezes todas querem ser protagonistas e eu vou abrindo espaço para os interessados participarem. Depende se for usado livro as imagens são mostradas, pois sei que é certo e eles cobram isso. Em sua resposta sobre o tempo destinado a contação de história a professora A se contradiz com o tempo que observamos durante suas práticas de conto que presenciamos, que teve uma duração de 10 minutos apenas, onde somente ela se deteve em pegar o livro e ler as narrativas em voz alta para a turma. Enquanto a professora B não estabeleceu um tempo em si, mas considera duradouro. E quando observamos sua prática de conto, ela pegou o livro, pediu a colaboração da turma para a história e depois a leu de forma rápida. Entregando após a contação, uma folha (Ver na figura 1) que a nomeou de atividade pós contação e teve uma duração de 20 minutos. Neste aspecto Seabra; Sousa (2010) enfatiza a flexibilidade da rotina, onde as atividades contenham objetivos claros tanto para o educador como para as crianças apoiado de um planejamento prévio. A partir disso entendemos que não se determina tempo para determinado momento da rotina, pois o tempo de finalização se descobre a partir do desdobramento e especificidade da turma durante a ação. 45 A respeito das imagens tanto a professora A como a B mostravam as imagens, mas não ocorria com frequência, pois tinha momentos que as crianças solicitavam que as docentes mostrassem as imagens. Esta inquietação para que vejam as imagens se faz presente, pois as crianças no desenrolar da narrativa fazem em suas mentes esquemas simbólicos, logo sente a necessidade de se atentarem a linguagem gráfica e não se satisfazem apenas com a verbal, ou escrita. A linguagem ilustrativa nos livros infantis, segundo Amarilha (2009) é considerada importante para crianças de primeiro estágio de leitores tanto quanto as palavras, pois tem linguagem direta, e facilita na compreensão de palavras, ampliando assim o vocabulário da criança. Contribui por sua imobilidade ilustrativa das imagens favor para a observação e análise, por isso a importância de o leitor dá atenção ao ritmo da narrativa. Mas acrescenta que favorecer momentos que alternem práticas de leituras que envolvam aspectos ilustrativos, letras e oralidade, não se prendendo somente a um tipo de linguagem, pois se isso acontecer, não permite que a criança avance em seu estágio de desenvolvimento linguístico. Utilizando práticas que eles possam realizar leitura sozinha, também a leitura compartilhada, seja ela com a ajuda do adulto ou com grupos de colegas. Acontecendo um treinamento simbólico no nível da palavra, o que leva ao imaginário da criança e a identificação com os personagens das narrativas. Isso é bem característico nas crianças, pois quando se identificam com os personagens, querem se vestirem de elementos que a compõem, isso observado em brinquedos que levam contendo imagens, bonecos, bonecas e objetos de príncipes, princesas, personagem de desenho animado etc. Levando os a habitar num universo mágico de ficção. Por isso que em fase de pré-escola, Amarilha (2009) aponta que este universo de faz-de-conta é uma forma diferente da realidade diária que vive a criança, permitindo a eles adentrarem no mundo da ficção, percebendo uma linguagem diferente de ser, que é a literatura infantil. E por isso muitas vezes solicitam a repetição da mesma história. Já que não dominam a escrita convencional elas necessitam desse suporte repetitivo da linguagem literária que a história apresenta para através da sonoridade, ritmo e organização das frases e palavras arquitetarem hipóteses para a escrita. 46 No tocante a estes acontecimentos, vale lembrar que Vygotsky (1996) evidencia que é na idade de pré-escola que ocorre a diferenciação entre o campo de significado e o campo da visão. Ou seja, para imaginar um objeto, a criança começa utilizar materiais para representar a realidade ausente. Isso porque a criança ver um objeto, mas age diferente daquilo que ver. Desse modo, se ela ver um personagem que gosta, ela o representará por qualquer boneco ou objeto que imaginar e estiver a seu alcance, atingindo capacidade de separar o pensamento do objeto. Pergunta: Antes da contação de história a capa do livro, autores, título são explorados? Resposta da professora A: Sim. Resposta da professora B: Sei muito bem que isso deve ser feito, porém é muito difícil eu fazer essa parte. Pra falar a verdade, passo desapercebida nesse ponto, no tocante ao autor. Com relação a essa pergunta tanto a professora A como a B, não exploram o autor do texto, apresentando de forma rápida o título da história e por menor a capa do livro. Na verdade é algo que acreditamos ser imprescindível para a construção da identidade leitora e para entendimento que a produção da história tem seu criador, e por conseguinte a professora deve sim atentar a estes aspectos, pois a promoção do reconto da história para as crianças é algo que lhes oportunizam autonomia, criatividade e entendimento sobre estes aspectos citados na pergunta acima. Uma vez que as professoras podem dá uma folha para que as crianças escrevam da maneira que souberem a sua história, dando título, ilustrando a capa, e assinalando com seus nomes, ou marcas de suas mãos etc. E se isso não for possível por cada um, que a professora o faça com todos numa coletividade, pois tanto o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Brasil (1998); Cavalcanti (2002); e para os aspectos em que a criança resolve seus problemas com a ajuda do adulto é visto em Vygotsky (1996) quando retrata o processo de aprendizagem pela zona de desenvolvimento proximal (ZDP) que é tida como a distância entre o nível de desenvolvimento real (o que aprendeu e faz sozinha depois) e o nível de desenvolvimento potencial (a criança aprende com a ajuda do mais experiente) apoiam a esta alternativa pedagógica acima descrita. 47 A exploração destes elementos elencados na pergunta devem ser considerados, pois de acordo com Teberosky e Colomer (2003) as crianças nesta faixa etária já conseguem aprender alguns conceitos relativos com o que está impresso. Pergunta: Como você desenvolve a interação (contextualização) entre professor e aluno durante o momento do conto? Justifique. Resposta da professora A: Antes e após a narração. Há uma contextualização do conto antes da narração para que haja expectativas e depois para trabalharmos a mensagem da história. Resposta da professora B: Durante e Após a história ser contada. Não tem o que justificar. A professora A se contradiz com o que foi visto em sua resposta no tocante à contextualização antes da história ser contada. Pelo fato de que ela somente leu o título da história, e narrou fazendo uma leitura rápida e somente no final da leitura foi que ela tentou fazer uma contextualização sem sucesso, pois ela não conseguiu prender a atenção da maioria das crianças, uma ou outra respondia, principalmente na de “Chapeuzinho Vermelho” por ser um clássico antigo e bastante utilizado e elas já tem memorizado desde a creche ou de incentivos de contação em casa, e assim respondiam. No tocante a outra história que foi a da “Barbie”, realmente nenhuma resposta foi dada, e simplesmente ela nem se quer tentou ou insistiu. Ao perceber o desinteresse nesta história, ela relatou que eles não gostam dessa narrativa, “não chama a atenção”. Foi o que ela ressaltou. Não foi criada nenhuma expectativa nem antes e muito menos depois da história, isso identificado na hora que ela tentou repassar a moral da história para a turma. A interação mais evidente e levada em conta foi que a docente passava a maior parte do tempo interrompendo a história para reclamar aqueles que estavam em conversas paralelas, outros até folheando outro livro infantil e interagindo com os colegas. E a professora B, de acordo com sua resposta e o que foi presenciado não agiu com reciprocidade na hora do conto, pois durante e nem após a contação exerceu nenhuma contextualização sobre a história. 48 A interação foi somente a interrupção durante a leitura do conto, pois as crianças conversavam bastante entre si, uma ou outra ficavam atentas, pediam até que mostrasse as ilustrações. Enfim, de acordo com as orientações de Cavalcanti (2002) e o Referencial Curricular para a Educação Infantil, Brasil (1998) nos evocam que a linguagem oral favorece expressar ideias, pensamentos que influenciem o outro a estabelecer relações interpessoais. E o momento do conto é uma oportunidade excelente para essa evolução pessoal e coletiva, pois integra o contador e o ouvinte, de modo a desenvolver contextualização na preparação que o professor deve fazer com a turma para ouvir a história. O envolvimento e a paixão que deve ser entonado, jamais com um tom didático discurso e sim de forma indireta e simbólica, como aponta José (2007) e que o professor se julgar necessário e se a criança sentir necessidade ela interromperá a contação de forma espontânea e expressará suas inquietações ou sugestões, uma vez que tem conhecimentos prévios sobre situações. E no final da história o professor mais abertamente deve reservar espaço para que a criança exponha suas emoções, e isso com certeza refletirá na educação, no ensino, despertando a criança para o espírito ético e com direito de pertença do ambiente que rodeia e de sujeito cidadão, aflorando o prazer pela leitura. E Teberosky e Colomer (2003, p.25) apontam as características das práticas de leitura de histórias: Interação de perguntas e de respostas; participação ativa por parte das crianças; relação entre os objetos de duas dimensões dos livros e os objetos de três dimensões do mundo real; familiarização com a estrutura e a função da linguagem escrita e com o discurso do tipo narrativo da ficção; preparação para escutar. E estas possibilidades que as histórias favorecem são aprendidas com o modelo de leitor que elas têm, e nesta idade de pré-escola as crianças já conseguem escutar a história até o final, e por isso é reduzido às intercalações de diálogo, e oportunizar as intervenções mais prolongadas de cada um, ocorrendo menos intervenções durante a narrativa, em prol da aprendizagem de esperar mais tempo até chegar sua vez de interagir. A leitura desta forma compartilhada aos poucos vai permitindo a construção do conhecimento linguístico e serve de apoio para os anos escolares posteriores. 49 Pergunta: Quais os benefícios que considera imprescindíveis com o uso das histórias infantis para o desenvolvimento da criança. Resposta da professora A: Gosto pela leitura, raciocínio, formação de hábitos etc Resposta da professora B: Serve de lição para a vida. Pois as crianças compreendem melhor com essa estratégia. As respostas das professoras fazem uma tangente sintetizada sobre os benefícios da contação de história como imprescindíveis para a criança em seu desenvolvimento do pensamento simbólico e diversos aspectos da linguagem, encaminhando-os a levantarem hipóteses sobre a fala e escrita, a compreender sua realidade, mas de forma lúdica e respeitando suas especificidades e no auxílio de relações interpessoais e autonomia. Os teóricos como Amarilha (2009), José (2007), Cavalcanti (2002), Seabra, Sousa (2010), Coelho (1991), Referencial Curricular para a Educação infantil, Brasil ( 1998), Vygotsky ( 1996) et al tecem estes argumentos como o melhor caminho de internalização de conceitos éticos, morais, valorativos e linguísticos para o desenvolvimento da mente mirim, pois a história infantil encanta e identifica a criança, permitindo que ela dê asas a seu imaginário de forma mágica e encantadora e que colore seu mundo de alegrias e a faz compreender suas emoções de forma libertadora e especial. Neste aspecto a ajudam a superar e entender seus dramas, mas que a ajuda do adulto é fundamental para que seu pensamento simbólico seja liberado de forma a aprender o significado do mundo real, mas sem perder as características de criança, pois existe todo um preparo e todo um caminho de passar mensagens de diversos sentimentos e sensações que temos em nosso ser através dos contos infantis. Pergunta: A instituição na qual trabalha tem instrumentos que possam ser utilizados como enriquecimentos que possam ser utilizados como enriquecimento na hora da narração dos contos infantis. Cite-os: Resposta da professora A: Alguns, como fantoches. Resposta da professora B: O acervo é pouco. As respostas das professoras coincidem com o que nos foi repassado durante o nosso contato na secretaria da instituição, pois a secretária é quem organiza estes materiais. E ela nos relatou que o acervo apresenta deficiência, pois o único que tem são alguns fantoshes, que a mesma procurou para mostrar e não encontrou. E 50 alegou que não vem nada dessas coisas para lá, e sim para a outra instituição infantil que a cidade também comporta. O que a mesma acredita acontecer porque o ambiente físico do CMEI Neci Lucena é pequeno, não tendo espaço para guardar estes apetrechos. Enfoca em sua fala que a direção solicita, mas não é atendida. Mas isso não impede que a coordenação pedagógica e professores em seus planejamentos pedagógicos desenvolvam cantinhos do faz-de-conta improvisados e que projetos sejam desenvolvidos para que esta insuficiência seja sanada, e até mesmo dá para confeccionar instrumentos com a ajuda destes alunos de pré-escola. Cavalcanti (2002) enfoca que para que um bom contador exerça sua narração é necessário que se prepare devidamente o ambiente, e que o contador se apaixone e se integre com os ouvintes. E segundo José (2007), muitos recursos existem para se contar história, mas se soubermos contar utilizando uma boa expressividade corporal, entonação de voz, utilizar os dedos seja pintando-os ou transformando em personagem, gestos sem exageros é capaz de desenvolver emoções, conhecimentos e enriquecimento do imaginário, muito mais até que com o auxílio de recursos materiais, que muitas vezes atrapalha. E para tal exige um planejamento prévio, como recomenda o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Brasil (1998) em que os recursos disponíveis para que as crianças explorem e que estejam ao alcance de todos, em sua própria sala como livros (instrumento que observamos que tem vários embalados na secretaria e que as professoras não utilizam), almofadas, iluminação, gravador para gravar e ouvir depois o que se foi contado nas rodas de conversa. E que as crianças possam confeccionar coletâneas de contos para enriquecer o acervo, são muitas de muitas possibilidades que existem para o contador desenvolver uma boa narrativa e envolver os espectadores. Pergunta: Qual a metodologia e/ou técnica que mais utiliza para a contação de história? Descreva. Resposta da professora A: Imitação dos personagens da história. Resposta da professora B: A pergunta não foi respondida pela professora. A professora A limitou-se apenas em dizer que a metodologia que mais utiliza na hora de contar história para seus discentes é simplesmente de imitar os personagens, mas nem se quer a fruição com a história é feita, e a interpretação dos 51 personagens não é realizada de forma alguma, pois a entonação de voz e expressão corporal não foi trabalhada. Somente se prendeu a leitura da história e de forma rápida, não foi nem de forma gradual como recomenda Cavalcanti (2002), José (2007) et al. Essa procedência foi observada na professora B, por isso que ela não quis nem responder sobre a indagação acima. Pois nenhuma discussão foi impregnada em prol de desenvolver aprendizagem a partir do contexto da história. E a mesma foi escolhida aletoriamente, não sendo ligada a nenhum contexto ou situação que o dia a dia da sala de aula enfrenta, como a heterogeneidade de crianças. Logo que, a realidade social e o educar que os pais e a experiência familiar subjaz, são conhecimentos que muitas vezes precisam de uma intervenção pedagógica. E o âmbito escolar é a melhor forma para estes pequeninos irem desenvolvendo conceitos significantes e saudáveis no decorrer de seus estágios de evolução mental, como sujeitos e cidadãos pertencentes a uma sociedade globalizada, competitiva, capitalista e de tecnologia veloz e instável. E para acompanhar as dicotomias do meio em que vivemos precisamos interagir e intervir nas diversas situações, garantir sentimento de pertença e inserir práticas pedagógicas de acordo com a representação de vida que a clientela carrega em seu histórico social, econômico, cultural, familiar e escolar que a cerca. Diante disso, Cavalcanti (2002) aconselha que é preciso que o contador de história tenha capacidade de doação e confiança, e que os ouvintes sejam preparados para a entrega. E entende que a melhor técnica de narrativa para este fim supracitado, é que em primeiro lugar, o contador seja apaixonado pelo mundo do faz-de-conta, a final contar história é arte antiga quanto o próprio homem. Partindo desse pressuposto é importante relacionar a proposta triangular para a construção do conhecimento de Barbosa (2011), uma vez que, o conto bem contado exige que o contador se prepare e trace objetivos para que através desse gênero tão rico e criativo se possa atrelar a arte a que isso nos impregna. Neste aspecto a proposta triangular se apoia na concepção de que a construção do conhecimento acontece quando existe a intersecção do experimento com a codificação e com a informação que é deferida, estabelecendo uma relação com o objeto do conhecimento e a compreensão das questões que se entrelaçam 52 entre a arte de interpretar os personagens e o enredo em si, sem perder as características e sem exageros para com o seu público alvo. E por acreditarmos que os contos são histórias que se relacionam com a arte diretamente, não podemos deixar de enfocar a importância e responsabilidade que o professor assume ao narrar um conto, e essa proposta triangular de ensino se encaixa diretamente com ações básicas que devem acontecer entre o professor e a história escolhida para ser contada para seus alunos, que são: Ler obras de arte, logo que, isso é feito no apreciar a arte presente no livro de conto, ver as ilustrações e todos os elementos presentes na história, e que isso seja posto ao alcance da criança. E também que ela possa fazer essa arte, isso é de extrema importância que o professor leve em consideração, pois ele pode envolver os alunos a vivenciar e se identificar com os personagens da história se vestindo, recontando a história, teatralizando, preparando devidamente o ambiente, podendo assim expressar o simbolismo que a magia do faz-de-conta carrega. E por último, que aconteça a contextualização da história, pois assim o professor opera nas áreas do conhecimento, permitindo relações de interdisciplinaridade no processo de ensino aprendizagem. É por isso que não podemos deixar de destacar Perrenoud (2000) quando ele entende que para dirigir as situações de aprendizagem, sejam quais forem, é necessário que o docente tenha o domínio dos saberes, sendo mais que uma lição frente aos alunos, sendo capaz de encontrar a essência sob diversas aparências e contextos existentes. E dirigir e organizar situações de aprendizagem é manter um espaço, tempo, energia e ter disposição das competências profissionais necessárias para imaginar e criar outros tipos de aprendizagem, dentre as específicas estão: conhecer em qualquer atividade, os conteúdos a serem ensinados a partir dos objetivos de aprendizagem traçados no planejamento da atividade, trabalhar a partir das representações dos alunos, dos erros e obstáculos que ocorrem para se chegar a aprendizagem, envolver os alunos em projetos de pesquisa e em projetos de conhecimento. Na verdade estas ideias que estes teóricos evidenciam, são compatíveis para as práticas de conto que estas professoras devem adotarem. Uma vez que nos instrumentos de dados colhidos, essas práticas dar-se a entender que elas a 53 consideram como um simples passatempo e/ou como tentativa de acalmar os ânimos mirins, se fazendo necessário transcender os conceitos e pensar em primeiro lugar no aluno, em sua aprendizagem e em seu processo formativo de conhecimento. E o conto é um dos muitos gêneros capazes de potencializar as aprendizagens, mas que para isso é necessário professores comprometidos com a educação, e fazer pedagogia com amor e perseverança em busca de um amanhã melhor. Pergunta: No momento desenvolve ou lhe foi oferecido alguma capacitação e/ou estudo de incentivo ao uso da literatura infantil na sala de aula? Resposta da professora A: Não estou desenvolvendo nenhum estudo sobre literatura infantil atualmente. Incentivos são dados mediante as sugestões da equipe pedagógica durante o planejamento. Resposta da professora B: No momento não estou fazendo nenhuma capacitação ou curso. Nos planejamentos são citados alguns incentivos sobre a literatura infantil. As professoras em suas respostas destacaram que nem estão desenvolvendo e nem tampouco foi oferecido capacitação, cursos etc a respeito da literatura infantil. O que significa que a formação continuada neste aspecto está a desejar. Uma vez que, são professoras que possuem dois vínculos com o município de São João do Sabugi-RN, e alegam não ter brechas de tempo extra para participarem de nenhuma capacitação de qualquer aspecto, participando somente dos planejamentos mensais com a coordenadora da instituição e também da semana pedagógica do munícipio. Mas o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) tem oferecido com frequência o curso de contação de histórias, além de muitos outros ligados a área da educação e que estas professoras poderiam sim realizar este curso, pois alguns professores aqui do município já fizeram ou fazem. O que implica dizer que oportunidades de desenvolver e aprofundar os conhecimentos a favor do ensino aprendizagem e também de aprimorar a formação continuada, e consequentemente refletir no processo de ação reflexão das ações e planejamentos pedagógicos existem, pois confiamos que o conhecimento é fruto de evolução e não para, é contínuo. Bem como ressalta Perrenoud (2000, p.158) sobre a importância de administrar a própria formação contínua, são necessárias competências como: Tornar claro as próprias práticas, estabelecer seu próprio balanço de competências 54 e programa pessoal de formação contínua, negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe, escola, rede), envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou do sistema educativo, acolher a formação dos colegas e participar dela. E o Referencial Curricular para a Educação Infantil (1998) nos atenta que a formação continuada deve fazer parte da rotina institucional e não pode acontecer poucas vezes. E a instituição deve proporcionar meios para que todos os profissionais participem de momentos de formações de formatos diversos, como palestras, reuniões, visitas, e atualizar-se também através dos meios telemáticos, e se deter que a hora e o lugar específico para formação seja um lugar de encontro coletivo em que professores, supervisores se permitam trocar ideias sobre a prática e estudos sobre organização e planejamento de qualquer assunto ligado ao projeto educativo. E a respeito do incentivo ao uso da literatura infantil na sala de aula, elas comentam que realmente são gerados incentivos durante os encontros com a coordenadora pedagógica. O que nos atesta que a formação continuada destas professoras se resume aos planejamentos que fazem com a coordenadora pedagógica da instituição, a semana pedagógica que acontece a priori do início do ano letivo, e que não participam de nada além para enriquecer o ócio do ofício. 55 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Dado o exposto, enxergamos como se desdobram as práticas de conto nas turmas de pré-escola do CMEI Neci Lucena, práticas estas que precisam ser repensadas não somente pelas professoras destes níveis, mas também pela coordenação pedagógica que juntos devem se reunirem e na coletividade refletirem e traçarem planejamentos diversificados a favor do conto, e assim construírem projetos ou alternativas que todos os acervos literários que a instituição dispõe possam serem utilizados. Colocando assim, as crianças em processo de criatividade e em contato direto com o universo do livro infantil e consequentemente com as diversas linguagens na perspectiva de letramento. Deixar de ver a contação como um passatempo e como algo que é feito sem planejamento algum e por em prática estratégias eficazes e atraentes que envolva pais, crianças e equipe pedagógica, pois só assim a zona de desenvolvimento proximal será trabalhada com fervor e pode-se atingir uma maior integração entre o ensino e a aprendizagem. A educação precisa ser encarada com responsabilidade e com gosto, uma vez que, muitos âmbitos escolares possuem espaços físicos pequenos e impróprios, e que para que esta lacuna seja suprida é necessário envolvimento dos gestores, coordenadores e professores da instituição de modo a improvisar e desenvolver estratégias para que as crianças possam usufruir de todos os aspectos que são necessários para seu estágio de crescimento mental e corporal sadio. Mas, que para isso é necessário que estes profissionais cobrem dos órgãos públicos espaços adequados, e enquanto as melhoras não chegam, saiam para outros espaços que possibilitem o exercício de atividades diversas, que são importantes para as crianças. E também desenvolvam cantinhos móveis improvisados para o faz-de-conta da criança na própria sala, ou área livre que dispor. Isto é realidade na instituição que este estudo sobre conto foi desenvolvido, mas infelizmente as práticas de conto que as professoras desenvolvem é muito arcaicas e sem ânimos, isto porque se entregam a mesmice de sempre, a de ler a história em voz alta e as crianças sentadas em suas mesas e a professora de pé a frente do quadro, e nem se quer coragem de utilizar os livros que a escola recebe como acervo literário e suporte do professor elas têm. Não é possibilitado para as crianças reconto, a roda de conversa e a contextualização. 56 É fato que o espaço físico desta instituição é muito pequeno, pois não há biblioteca nem brinquedoteca, mas não impedem delas planejarem um dia ou dois por semana o ambiente, a prática de leitura, fazer rodízio de livro com as crianças, possibilitando levarem livro para casa etc. Contribuírem na organização do ambiente, como afastar as mesas, deixando a sala livre para o ambiente literário do conto e deixar a magia do faz-de-conta invadir a sala de aula, e também realizar aulas fora do espaço escolar. Logo que o município de São João do Sabugi tem espaços que possibilitam aulas como essa, como às bibliotecas das escolas, o CRAS (Centro de Referência da Assistência Social), ginásio municipal, a praça pública do município, clube municipal, apresentação em períodos comemorativos da instituição escolar ou município. Na verdade esta postura que estas professoras assumem é de uma metodologia tradicional e verticalizada, que dá imagem de uma pedagogia centrada no professor, onde ele tem o dom do saber. As crianças sem espaço de interação e diálogo com o professor que não se esforça para ter uma prática de contação de história mediadora, onde as crianças não são colocadas como sujeito principal do processo de ensino aprendizagem. E não voltada para um ensino construtivista como é enfatizado no Projeto Político Pedagógico da instituição, ensino este que os professores devem criar pontes para as novas aprendizagens a partir dos conhecimentos prévios construídos da criança e transcendendo-os durante o processo de aprendizagem, em função da situação-problema a resolver, onde o professor é o mediador e o aluno sujeito principal da aprendizagem. Acreditamos ser importante que estas professoras se envolvam mais nestes processos de incentivo a leitura para com as crianças, e reflitam em aprimoramentos qualitativos e significantes para o uso do conto na sala de aula como objeto de aprendizagem. Sendo que o primeiro deles é o afloramento de amor pela contação de história, pelo arrumar e desarrumar o ambiente e tempo destinado para estas atividades. Em prol de obedecer à realidade da instituição e seus alunos, assim como as possibilidades e condições. Tudo se cria, se recria e se monta e para isso é preciso à valorização do conto, pois sua relevância é comprovada por muitos teóricos como forte instrumento influenciador de ideias para entender os esquemas simbólicos de suas mentes e chegar a desvendar e mudar conceitos que os trava a mente e os impede de 57 avançar em suas linguagens diversas que a caminhada da vida atravessa, e assim poder avançar em suas hipóteses de leitura e escrita para contribuir no futuro em seu processo de alfabetização. Lembrando que na pré-escola as práticas de leitura tem que ser recheadas de ludicidade, nada imposto, tem que ser espontâneo e com criatividade, para levar os alunos a pensarem. Vale salientar que todo professor tem conhecimentos necessários para desenvolver sua prática da melhor forma possível, isto adquirido em seu processo de formação acadêmica, envolvido na sala de aula e em formação continuada, e para tal estão dispostos a favor dos professores e das instituições de ensino os dispositivos legais que é tido como suporte sugestivo de práticas para os docentes. É preciso que estes profissionais de educação não se acomodem, e que não esperem melhorias acontecerem, pois quem sabe faz a hora, não espera que os outros deem prontos ou que os educandos aprendam sem mediação significativa ao longo de sua jornada educativa. É preciso entender que para que a criança adquira conhecimento espontâneo e autônomo é indispensável que ela seja envolvida em práticas de leitura de diferentes modos, permitindo ouvir, expressar seus sentimentos sobre tal, recontar e ler da maneira que sabe e sempre em contato com os livros. E planejar a escolha dos materiais e leituras a ser contadas obedecendo à realidade e expectativas da turma, tudo dentro do contexto a que está sendo enfrentado. Na realidade as aprendizagens são frutos das interações coletivas e experiências de vida que adquirimos a cada dia, e o adulto tem função primordial em lançar objetivos condizentes nas interações com as crianças, ser exemplo e explorar diversas técnicas e/ou adaptá-las a realidade da turma, porque metodologias são muitas, mas mal traçadas se perdem no vazio da decoração e não do aprender a fazer que é a compreensão de qualquer ato de ensinar. Internalizar conceitos é algo difícil, pois as crianças têm os que o senso comum transita em sua realidade social, e a escola a partir disso tem o papel de transcendê-los de forma correta a conceitos científicos, mas sem sair da essência, e se desequilibrar e se equilibrar e dar autonomia a criança e coragem como firmeza trabalhando a autoconfiança para a internalização dos conceitos científicos e o fazde-conta que os contos estabelecem são fundamentais para penetrarem neste mundo infantil e aproveitar esta magia e encantamento para transmitir valores interpessoais, morais e éticos para sua trajetória de aprendizagem em progressão. 58 5 REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, F. Literatura infantil: gostosuras e bobices. 5º edição. São Paulo:Scipione, 1999. AMARILHA, Marly. Estão mortas as fadas? 8ª ed. Petrópolis: Vozes, 2009. BAHIENSE, Vera; BAHIENSE, Adriana Andrade; SILVA, Elisabeth Feitosa da. Literatura Infantil Juvenil. Teresina: Editora Faibra, 2012. BARBOSA, Ana Mae (org.). 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