R$ 5,90
- ANO 1
Nº 3
AGOSTO / 2009
Uma Revista no Turismo Mineiro
SUB-SEDES
DA COPA
U B E R L Â N D I A T Á NA Á R E A
C O M F O RT E E L E N C O
VISTA AÉREA DE UBERLÂNDIA - PARQUE DO SABIÁ
Pelé e Pepe, com a camisa do
Ipiranga, em 58, antes da Copa
da Suécia. Araxá, já
mobilizada, quer abrigar outra
seleção em 2014
Sacramento foi sede de
audiência pública sobre
Turismo. O Triângulo e
o Alto Paranaíba querem mais investimento
Índice
CAPA
22
O destaque da capa, nesta edição, é Uberlândia,
uma cidade praticamente completa para
funcionar como sub-sede da Copa do Mundo
de Futebol, em 2014. Ela está pronta até para
os reparos ou complementos que forem
necessários para alcançar essa condição.
ARTIGOS
ENTREVISTA
13
O presidente da Associação
das Cidades Históricas do
Estado de Minas Gerais e
prefeito de Congonhas,
Anderson Cabido, fala de
programas e das particularidades de seus associados.
14
28
Roberto Fagundes
(Sustentar 2009)
Fátima Amaral
(Mapa Turístico)
CIDADES
Em diferentes situações, cidades vão se mobilizando para potencializar suas atividades turísticas, de olho na Copa do Mundo de 2014.
15
16
24
41
44
46
47
A Fecitur ganha sede para desenvolver melhor trabalho
Araxá segue campanha para ser sub-sede da
Copa, num trabalho paralelo ao de Uberlândia.
Sacramento recebe autoridades do Estado e
região por um melhor turismo no Triângulo
e Alto Paranaíba
Pirapora, vai a vapor, mantendo interessante
atrativo turístico.
Betim quer investir no agronegócios, diversificando sua economia, movido a eventos.
Na estreia de “Negócios de Turismo”, entre
os destaques, o Circuito Verde-Trilhas dos
Bandeirantes, com selo de qualidade renovado.
Ainda longe da Copa, Tiradentes vive XII
Festival de Gastronomia
Exposição
conta a história da formação do povo
mineiro, na
Escola do
Legislativo
da ALMG
GERAL
28
A curiosa e charmosa característica
dos mineiros
31 A força do Arraial Mineiro, com
potencial de Carnaval Carioca
34 Belo Horizonte Capital Mundial
dos Botecos.
37 As estradas mineiras continuam
matando. Dnit ignora autoridades.
40 Empresa aérea, Azul, começa a operar em Minas e reativa campanha
para recuperar aeroporto da Pampulha.
42
ABAV é parceira de
toda hora na luta
contra a Gripe Suína
Minas Gerais mantém gripe suína
sob controle, com um trabalho conjunto de entidades.
UMA HISTÓRIA
48 Parque Náutico de Jaguara,
um caso de sonho família
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
5
O p i n a n do
www.circuitodasgerais.com.br
Fabrício Salomé
Reg.SJP-MG –Nº 2.671
Editor Geral
Clóvis Fonseca Closé Limongi
Reg.SJP-MG –Nº 2222
Diretor Responsável
REPORTAGEM:
Paulo Henrique
Cláudia Regina de Oliveira
FOTÓGRAFO
Vladimir Araújo
NOSSA CAPA
Vista aérea do Estádio
Parque do Sabiá
na cidade de Uberlandia
Foto: Divulgação
IMPRESSÃO:
CONTATOS:
[email protected]
[email protected]
31-8668-1554
Av. Gov. Valadares , 355, sala 206
Centro – cep.: 32.510.010 – Betim - MG
6
ONAY SOUZA COMUNICAÇÃO
CNPJ: 08.915.263/0001-32
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
PARA PORTUGUÊS VER
Q
uem segue todo o processo de escolha da sede da
Copa do Mundo de Futebol, bem como os sorteios de
chaves e outras programações meticulosas da Fifa pode
ter a impressão de que, pelo fato de tudo ser milimetricamente calculado e conduzido às pontas dos dedos, é praticamente impossível uma inovação ou remodelação de
planos. Pensando assim, julga-se uma bobagem municípios sonharem com a possibilidade de se inserirem no
programa da Copa como sub-sede em Minas.
Mas é interessante o pleito, a partir de algumas observações. Primeiro, as autoridades podem perceber que,
concentrar seleções em um único centro - no caso, Belo
Horizonte -, em vez de promover comodidade e agilidade,
estará gerando o caos, uma vez que junto com os selecionados estrangeiros virá um caudal de torcedores, sem
contar os curiosos compatriotas ou brasileiros que se
deslocarão para a Capital Mineira. Neste caso, por mais
que haja oferta de leitos em hospedagens e por melhor
que seja planejado o trânsito e os transportes, transtornos serão inevitáveis.
Segundo, se os municípios interessados em dividir a
tarefa com a capital estiverem bem estruturados nos aspectos básicos das exigências da Federação Internacional
e no que manda o figurino do receptivo turístico, não há
como privilegiá-la como forma, inclusive, de pulverizar a
massa de visitantes.
Outro ponto a se observar é que os torcedores visitantes, certamente, não virão a Minas só para viver de futebol. Estarão à procura de lazer, entretenimento, cultura
e curiosidades. Sendo assim, terão que se deslocarem
pelos quatro cantos do Estado, à procura de lagos, cachoeiras, grutas, serras, manifestações culturais e das origens da gastronomia mineira que não é de pouca fama.
Isto equivale dizer que, um selecionado indo para uma cidade do interior, arrastará sua torcida, aliviando a capital.
Finalmente, muito depende das delegações dos países que virão para Minas. Sendo do interesse de uma
delas, hospedarem em uma cidade que ofereça acomodações de alto nível, sofisticado centro médico e de treinamento e transporte ágil no deslocamento para os jogos
em Belo Horizonte, o que impediria de assim ser?
Portanto, o sonho das cidades mineiras pode ser
acalentado. Já que existem premissas variáveis na lógica
da Fifa.
I n t e r a gi n d o
Participação
A proposta da Revista CIRCUITO DAS GERAIS (CG) vem sendo posta
na sua forma e no seu conteúdo. Como um todo, pretende ser instrumento
de debates, discussões e promoção do potencial turístico mineiro. Assim
sendo, ela não pode nunca se fechar à participação e interação do público,
para opinar, sugerir e criticar. E a CG não vislumbra, em qualquer hipótese, a condição de excelência em mercado editorial, embora o empenho de
sua reduzida equipe seja para que ela circule sempre impecável, na forma e
no conteúdo. Melhor do que constituir um Conselho Editorial, optamos
por abrir este espaço, “Interagindo”, para que todos se manifestem, livremente, interajam conosco e com o público leitor. Isto “enriquece” o trabalho, mesmo se tornando alvo de críticas por erros e falhas, como de revisão,
quando se tenta mudar a composição de uma frase, alterando a sua estrutura e, equivocadamente, mudando o tempo do verbo, excluindo a sílaba
que deveria permanecer. E, ainda que não “enriquecesse”, a CG continuaria
com esta abertura, porque o que queremos é a participação de todos, como
voluntários pelo crescimento do turismo mineiro.
Li as duas primeiras edições da
Revista. A segunda foi melhor que
a primeira; sugiro reportagem
sobre região de Tiradentes e São
João del-Rei, adoro aquelas paragens;
PS1: sou revisor de textos amador
do ICMCN e achei lamentável a
palavra "enriquesse" na coluna
Opinando, não combina com o padrão da revista; e também Pitangui
com Y; embora o Y tenha sido incorporado a nosso alfabeto, Pitangui ainda é com i, né?
PS2. reafirmo o convite para vir a
Itaúna e especialmente ao ICMCN;
avise com antecedência;
abraços,
Alan Penido - Itaúna
Em primeiro lugar gostaria de me
desculpar pois estamos em falta com
vocês aí da revista e não temos tido
condições de enviar materiais aqui
da região, pois estamos envolvidos
em projetos que estão demandando
muito tempo e esforço.
Gostaria de parabenizar pela última edição da revista que, dentre
várias matérias, retratou a expedição pelo "velho Chico", passando
pela nossa querida Iguatama.
Se possível, nas próximas vindas
por aqui, entre em contato para que
possamos traçar estratégias que
possam auxiliar no desenvolvimento turístico de nossa região.
Danilo Garcia
Adorei o conteúdo da última revista. Matérias interessantes, um
texto gostoso, bons focos. Parabéns,
extensivo a toda a equipe e muito
sucesso. Não vai faltar torcida.
Armando de Angelis - Araxá
Agradeço a atenção que vocês
deram ao evento (Rally das
Águas). Estamos aqui à disposição
para o que vocês precisarem.
Ivana Magalhães (rally das
águas)
Em primeiro lugar, parabéns!
Gostei da capa, realmente muito
bonita e, na parte editorial, está
deslanchando, já tomando uma feição definitiva, criando a sua própria personalidade. As matérias
estão saindo do lugar comum. Gostei da matéria com o explorador do
rio São Francisco.
Rosa - Belo Horizonte
Adorei as reportagens, tudo de
muita qualidade. Muito bom, Parabéns pelo trabalho.
Fabiana Monteiro - BH
Sou de Itabira e vi propaganda da
minha cidade na revista. Só que
gostaria que a revista mostrasse
melhor as coisas bonitas que Itabira
tem, com reportagens igual a que
foi feita sobre Brumadinho. Temos
muitos lugares bonitos aqui, principalmente cachoeiras que parecem
um sonho. A revista poderia mostrar que Itabira não é só minério e
Carlos Drummond de Andrade. O
que acham?
Anita
Gostei muito da forma com que
vocês trataram a questão da copa
mundial. Realmente agora só se
fala em copa. É copa pra lá é copa
pra cá. Tenho medo é da violência.
Com tantos turistas vindo pra cá de
uma vez só, acho difícil montar um
esquema de segurança que controle
isso.
Joana Marta - Nova Lima
Vi a revista enquanto esperava
atendimento em um consultório de
dentista e queria dar uma dica
para vocês da revista. Acho que
está faltando espaço para diversões
e divulgação da cultura e da arte,
igual muitas revistas mostram.
Umas piadinhas para relaxar e
matérias com artistas mineiros.
Seria muito legal.
Petrônio
CIRCUITO DAS GERAIS
agosto de 2009
7
Curtas-Circuito
CACHAÇA - O Projeto Cachaça Gourmet,
que tem por objetivo divulgar a bebida típica mineira, de produção artesanal, que pode ser utilizada não só para degustação, mas também na
culinária, com a festa final marcada para dia 28 de
agosto, na Serraria Souza Pinto, teve a primeira
fase desenvolvida entre os meses de abril e junho.
A segunda fase aconteceu em julho no Restaurante Caminho da Roça. O encerramento reunirá os doze restaurantes participantes, apresentando seus pratos e o público podendo degustá-los por doze horas ininterruptas, acompanhados de cachaça e boa música. O evento conta
com apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, através da Belotur.
ESCOLA HISTÓRICA - A cidade
de Betim não vai deixar passar em branco
a comemoração do centenário de sua primeira escola. Em 100 anos de existência, a
Escola Estadual “Conselheiro Afonso
Pena” foi responsável pela educação de milhares de betinenses, tornando-se hoje uma
escola referência do ensino naquele município. A festa dos 100 anos propiciará o encontro de várias gerações que lá estudaram
e trabalharam. As comemorações acontecerão nos meses de abril e maio de 2010.
CIDADE ADMINISTRATIVA -
O governador Aécio Neves esteve no início
do mês reunido com o presidente da Codemig e depois visitando as obras da Cidade
Administrativa. As obras estão dentro do
Keyla Barboa Machado é do setor de
pesquisas e publicações da Fundação
Cultural Calmon Barreto, de Araxá. Ela
tem o controle total de toda a potencialidade histórica e cultural do município.
Keyla faz coro no apelo para que Araxá
seja sub-sede da Copa 2014. Segundo
ela, ganha a cidade e ganha o turista pela
diversidade de produtos turísticos.
8 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
cronograma traçado e o Governo do Estado começará a transferir sua estrutura
administrativa para a nova sede, no bairro
Serra Verde, região Norte de Belo Horizonte, a partir de dezembro deste ano e janeiro de 2010. Os primeiros órgãos a
serem transferidos para a Cidade Administrativa serão as Secretarias de Planejamento e Gestão, Fazenda e Governo, além
da Governadoria e Vice-Governadoria. As
demais secretarias e órgãos serão transferidos ao longo do primeiro semestre de
2010, de forma escalonada.
SUSTENTAR 2009 - O mercado
consciente já exige uma postura sustentável, tanto no setor governamental, quanto
empresarial. Suprir as necessidades da geração presente sem afetar as gerações futuras é uma preocupação observada por
muitas empresas, que já adotaram uma política sustentável em sua atuação. Algumas delas, como a Petrobrás, Cemig,
Arcelor Mittal, Fundação Dom Cabral,
dentre outras, irão dividir suas experiências e debater ideias no Sustentar 2009 - 2º
Fórum Internacional pela Responsabilidade Socioambiental e o Turismo Sustentável, que acontece dos dias 9 a 11 de
setembro, no Minascentro, em Belo Horizonte.
Troféu Roteiros do Brasil, que aconteceu
no segundo dia do 4º Salão Nacional do
Turismo, em São Paulo. A premiação, promovida pelo Ministério do Turismo, foi
considerada um grande momento para
Minas Gerais, quando o Estado recebeu 4
dos 8 troféus conferidos aos “exemplos de
sucessos” do Programa Nacional de Regionalização do Turismo. Dentre os projetos encaminhados pela Secretaria de
Estado de Turismo de Minas Gerais ao
MTur como candidatos, o município de
Itabirito venceu em Gestão Turística de
Destino; Santana do Riacho, levou o primeiro lugar em Sustentabilidade Ambiental em municípios; a Associação do Circuito
Turístico do Ouro foi o melhor em Planejamento e Gestão do Turismo Regional e o
portal da Estrada Real ganhou no quesito
Sítio Eletrônico Promocional.
BETIM NA COPA - Depois de
Araxá e Uberlândia começar a desenvolver
trabalhos e campanhas para funcionarem
como sub-sedes da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, vários municípios passaram a sonhar também com essa possibilidade. Tudo indica que Betim passou do
sonho para algo mais concreto. As informações são de que a prefeita Maria do
Carmo já autorizou estudo de projeto para
a construção de um estádio com capacidade
de público superior a 50 mil. E Betim tem
MINAS EM VANTAGEM - Os uma vantagem. Está mais perto de Belo
mineiros foram destaque na entrega do Horizonte.
O deputado estadual Tenente Lúcio e
seu assessor para o Turismo, Eduardo de
Oliveira. Além da intensa atividade na
Assembleia Legislativa, Eduardo também é responsável pelo desempenho turístico do Circuito Serras do Cabral. Ele
é gestor do Circuito e pretende fortalecer a atividade turística na região, com
profissionalismo e divulgação dos produtos. O gestor quer levar encontros e debates para envolver o maior número de
localidades da região em busca da integração.
A turismóloga Ana Raquel Paiva é a
atual gestora do Circuito Turístico da
Canastra. Ela também afirma que Araxá
tem muito a oferecer em termos de produtos turísticos, “até mais do que muitos
outros destinos mais em evidência”. Para
Raquel, as Termas, o Horizonte Perdido,
o Montanhismo e a Culinária são incomparáveis e se juntam ao patrimônio histórico como fortes atrativos para o
turismo.
DE VOLTA AO
VELHO CHICO
“Eu vou voltar ao rio, mesmo sem nenhum patrocínio. Essa é uma decisão formada. Só preciso de um tempo para voltar a Ribeirão Preto resolver questões particulares e seguir em
frente, meio mochileiro na canoa! Devo sair em setembro.” Este foi o anúncio feito pelo canoista João Carlos Figueiredo que, em julho, abortou o projeto de percorrer todo o leito do
São Francisco, de sua nascente à foz, por falta de recursos para seguir com o projeto. Ele
anunciou que voltaria quando conseguisse patrocínio real para que seu projeto não se limitasse
a aventura, mas que representasse uma coleta de elementos suficientes para maior conscientização ambiental. João Carlos não conseguiu patrocínio. Vai voltar ao velho Chico assim
mesmo, como um projeto próprio, com objetivo de vida a ser alcançado a qualquer custo.
O Cacique Djalma, da Comunidade Indígena Caxixó, na
cidade de Martinho Campos, à
margem da Lagoa de Três Marias. A cidade está finalizando
projeto para implantação do
Turismo Indígena, oportunidade para se conhecerem costumes e culturas da tribo.
Com olhar desconfiado, o deputado estadual Alencar da
Silveira Júnior acompanha a divulgação
de prêmio Gestão
Turística de Destino
conquistado por Itabirito, seu domicílio
eleitoral. Segundo
ele, pior que não divulgar o potencial do
município é a propaganda enganosa.
“Não sei quais os critérios de avaliação usados, só sei que Itabirito está abandonado, principalmente no
que se refere à gestão turística. Tanto que
o que mais se ouve, hoje, são reclamações
de pousadeiros e donos de hotéis-fazenda.
Os acessos são precários em manutenção e
a sinalização é inexistente. Os novos empreendimentos pararam de surgir e muitos empresários estão desativando seus
negócios”, comentou o deputado, temendo
que o quadro seja irreversível, se providências não forem tomadas imediatamente.
Vladimir Araújo
TRÊS MARIAS - O Circuito Turístico do Lago de Três Marias
– TURLAGO e a Prefeitura promoveram um encontro entre barraqueiros, barqueiros e empreendedores do Terminal Turístico
Praia Mar de Minas, em Três Marias. O presidente da FECITUR,
Francisco Melo, também marcou presença. O objetivo da iniciativa
foi o de orientar a todos sobre o trabalho em associação, prestando
os melhores serviços aos turistas e aos próprios moradores. Para
o secretário municipal de Turismo, Elias de Assis Oliveira, esta é
uma oportunidade de os empreendedores saírem da informalidade,
contribuindo para o fortalecimento da economia solidária.
A secretária de Estado de Turismo de Minas Gerais, Érica Drumond, ao participar, em São Paulo, do 4ª Salão Nacional do Turismo - “Roteiros do Brasil”, disse
que os mineiros estavam aproveitando uma grande oportunidade para incentivar o
paulista a visitar Minas Gerais. “Temos destinos, como o Sul de Minas, que estão
próximos de São Paulo, oferecendo produtos turísticos de qualidade para o público
paulista, além de outros destinos que oferecem cultura, natureza, histórica e hospitalidade, que o turista poderá encontrar em qualquer região de Minas Gerais”,
explicou.
CIRCUITO DAS GERAIS
agosto de 2009
9
E n t r ev i s t a
Prefeito ANDERSON COSTA CABIDO
Congonhas é a líder das
cidades, constitucio
nalmente, históricas. O
seu prefeito, Anderson
Costa Cabido, 38, está
cumprindo o segundo
mandato consecutivo na
Administração Muni
cipal e divide o tempo
de trabalho no comando
da Associação das
Cidades Históricas do
Estado de Minas
Gerais, com sede em
Mariana. Ele é o
terceiro presidente
eleito dessa entidade
criada em 2003, para
cuidar dos interesses
comuns das cidades em
patrimônio histórico,
turismo e cultura.
ELE TRABALHA COM 25, MAS QUER
SERVIR A 34 CIDADES HISTÓRICAS
Sabe-se lá o que significa participar dos
destinos de cidades como Ouro Preto, Mariana, Diamantina, Sabará, São João Del
Rey e Tiradentes, entre outras dezenas de
localidades, berço da ocupação do território Brasileiro e raiz do povo mineiro?
O filho de Maria Aparecida e Hildeu
Torres Cabido sabe muito bem, principalmente depois de viver 30 anos na histórica Congonhas, que governa há quase seis
anos. Anderson Cabido revela muita visão
do que é melhor para as cidades que integram a Associação que dirige, colocando
sua experiência de mestre em Administração, gerente de políticas públicas do Sebrae-MG por sete anos e de coordenador
da Agência de Desenvolvimento de Congonhas. Isto sem contar o tempo que está
à frente de uma Prefeitura com receita
projetada para este ano, com crise econômica, de R$ 120 milhões. Estes recursos
vêm, principalmente, da atividade de empresas da mineração, como Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Mineradora
Vale e Gerdau Açominas.
Cabido é natural de Belo Horizonte, casado com uma também belorizontina,
Stela, mas o filho, André, de pouco mais
de um ano, é congonhense - mais um motivo especial para cuidar bem dos interesses do município que dirige. E quem sabe
o que fazer para a cidade histórica do próprio filho, sabe o que interessa às demais
que integram a Associação das Cidades
Históricas de Minas Gerais. Ele fala sobre
as particularidades que unem essas cida-
des mineiras especiais e mostra as ações
em termos de qualidade de vida e infraestrutura também para o turismo.
CIRCUITO DAS GERAIS - Como funciona essa definição de cidade histórica?
ANDERSON COSTA CABIDO - Essa
definição está na Constituição do Estado
de Minas Gerais. Ela trata de prioridades de municípios com características
históricas de interesse mais amplo, que
são em número de 34.
E todos estão associados?
Não. Hoje, contamos com 25 cidades,
mas estamos fazendo um trabalho para
buscar essas outras nove.
CIRCUITO DAS GERAIS
agosto de 2009
11
Será que há interesse?
Algumas já manifestaram o interesse
como, por exemplo, Campanha. A cidade
não participava. Apresentou uma carta
de intenção na última reunião que tivemos em Caeté e a sua participação já foi
aprovada e autorizada.
O que é exigido para ser uma participante?
Primeiro, ela tem que pertencer a esta
lista de 34 cidades que são citadas na
Constituição do Estado. Tem uma mensalidade e o compromisso de se integrar
aos programas desenvolvidos pela Associação, que são muito interessantes.
Pode citar alguns exemplos?
A sinalização turística é um deles. Este é
um problema que todas as cidades têm,
nas rodovias e nas vias públicas. Em
qualquer uma que você for, se não conhecer, fica totalmente perdido, exatamente
por falta de melhor sinalização. Então,
vamos levar esse benefício para todas as
associadas, com recursos já garantidos
pelo Governo Federal.
A gestão desses recursos ficará sob a
responsabilidade da Associação?
Sim. Já estão acertados e os projetos
estão sendo elaborados para a aprovação,
inclusive pelo Iphan e Iepha. É um processo um pouco demorado porque envolve também outros órgãos. Se a
sinalização é rodoviária, tem a aprovação
pelo DNIT ou DER, se é dentro da cidade, têm os órgãos municipais. Essa é
uma iniciativa que queremos concluir em
nossa gestão.
O que mais de importante está sendo
agilizado pelos programas da entidade?
Nós temos os projetos do Caminho Religioso e do Cardápio Turístico. Este, inclusive, foi premiado recentemente pelo
Ministério do Turismo, como o segundo
melhor projeto dos roteiros turísticos do
Brasil. Imagine um cardápio, que o turista pega, abre e tem os destinos com
seus produtos atrativos. Ele sabe onde
nadar, onde praticar esportes radicais,
onde melhor hospedar, assistindo a um
show em um lugar, em outro, conhecendo uma oficina de arte... Fizemos um
levantamento completo dos atrativos das
cidades e construímos este cardápio.
E já temos os recursos do Ministério
para fazer a atualização desse projeto.
No Caminho Religioso, a Associação é
parceria do Instituto Estrada Real.
E tem programas de obras de infraestrutura?
Está em andamento uma proposta muito
interessante de cabeamento subterrâneo.
Muitas cidades, como fizemos em Congonhas, no mandato anterior, cuidaram
da parte histórica, tudo organizadinho,
bonito, mas aqueles postes com os fios
dando um visual horroroso e comprome-
12 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
tendo o patrimônio. Em Congonhas, já
fizemos um bom trecho, com uma obra
de quase R$ 2 milhões, recursos próprios. Agora vamos desenvolver nas outras cidades. O projeto de cabeamento
subterrâneo já foi negociado com a
Cemig para as 34 cidades e está pronto.
E os recursos?
Conversamos agora com a Eletrobrás,
porque conseguimos colocar este projeto
na lei de incentivo cultural. Assim, a empresa pode financiar e abater no imposto
de renda.
Aí o município passa a ganhar até
com o ICMS da Cultura.
Depois, ele ganha, porque melhora a sua
pontuação no ICMS Cultural. Então, não
será nem retorno de investimento, porque no cabeamento os municípios não
precisarão liberar recursos. Pretendemos
que os custos sejam todos cobertos pela
lei de incentivo.
Congonhas saiu na frente, mas saiu
perdendo.
Não, porque vamos pegar outros trechos. As 34 cidades devem representar
um custo em torno de R$ 40 milhões,
imaginando um valor de um milhão a um
milhão e meio de reais, por cidade. Isto é
suficiente para implantar o cabeamento
em cada uma delas, pelo menos nos trechos principais. Não vai dar para pegar o
sítio histórico todo das cidades, como é o
caso de Congonhas. Já investimos 2 milhões e vamos conseguir com a lei de incentivo cultural.
“Como o Brasil é tão
grande, cada estado
deve mostrar aquilo
que o diferencia dos
outros.”
Pode-se dizer, então, que a Associação tem sido muito importante para
quem pode e quem não pode investir.
Existem muitas coisas em comum nas
cidades históricas. As dificuldades sentidas por Congonhas são percebidas do
outro lado do Estado, por exemplo, Conceição do Mato Dentro. Claro que qualquer cidade tem problema de segurança
pública, falta de emprego, saúde etc. Mas
o foco da Associação é Patrimônio Histórico, Turismo e Cultura. Então, não
adianta eu querer discutir turismo com
cidades cuja vocação seja a indústria ou,
mesmo no turismo, a vocação seja serras
ou cachoeiras. O foco é diferente. Em cidades assim, o cabeamento subterrâneo
não é prioritário, já que trabalham com
cachoeiras e serras principalmente.
Mas é muita entidade representativa.
Isso não embola um pouco o entendimento?
Embolaria se não houvesse vontade e
entrosamento. As cidades não são concorrentes, pelo contrário, elas se completam, somam esforços. No meu caso, eu
vou cuidar das questões relacionadas ao
foco da entidade. As outras questões
serão tratadas por entidades, conforme
os seus estatutos.
Voltemos, então, ao foco da sua entidade.
Pois é, também estamos com um projeto
em andamento, em parceria com o Iphan
e Ministério Público, que trata da vigilância das igrejas. Nossas igrejas são absolutamente vulneráveis, com riscos de
incêndio, depredação, furtos... Outro projeto em parceria com o Governo Federal,
também através do Iphan, que vai realizá-lo, instalando o sistema de vigilância
eletrônica em todas as igrejas das cidades históricas, o que vai representar uma
tranquilidade maior e redução de custos
na vigilância. Nem sempre há recurso
disponível para isso.
E os profetas de Aleijadinho, vão
bem?
As intempéries, no processo natural da
pedra, provocam desgastes inevitáveis.
Poderia-se diminuir o ritmo se houvesse
um entendimento entre fiéis, igreja e
poder público, no sentido de retirá-los
dali, conservando em outro local. Estamos iniciando a construção do Museu
Nacional de Congonhas, que vai abrigar
réplicas, quando deveria servir para abrigar as obras originais. Mas enquanto não
há um consenso...
Não pode restaurar, um retoque aqui,
outro ali?
Não. Isso é inaceitável por parte de especialistas e outros segmentos. O grande
dilema que a gente vive está entre o que
é arte e o que é sagrado. Para nós e
maioria das pessoas, como turistas, aquelas obras são arte, mas para os fiéis fervorosos, frequentadores da igreja, tudo
alí é um local de devoção, é sagrado. E
no que é sagrado não se mexe. Esse é o
impasse. Que providência um prefeito
pode tomar? Mas a discussão não para e
o envolvimento vai se ampliando, buscando a participação de outros segmentos e até outras instâncias da Igreja.
Você se vê um prefeito mais sacrificado por esse tipo de problema?
Não, embora cada prefeito tenha uma
forma de ver os problemas. E a diversidade é muito prazerosa. Trabalhar por
um município com uma diversidade
muito grande, como é o caso de Congonhas, no meu entendimento, enriquece a
cidade, são questões desafiadoras que
motivam, porque são problemas a mais
para um processo administrativo. A cidade se torna mais especial por isso.
Congonhas é conhecida hoje, em todo o
mundo, por causa disso. Se não tivessem
essas questões contundentes, não seria
tão conhecida, tão visitada por pessoas
de todos os lugares do mundo, inclusive
personalidades famosas. Temos aqui a
obra prima daquele que é considerado o
Michelangelo das Americas (Aleijadinho).
Foi colocado que a cidade é muito visitada. Em sua primeira e, agora, na
segunda gestão consecutiva, o que
tem sido feito pra manter e até melhorar o movimento turístico de Congonhas?
Um termo tem marcado a nossa gestão e
a cidade de 2005 para cá. Por mais que
pareça lugar comum, é muito relevante
essa questão do ‘Desenvolvimento Sustentável’, porque temos uma visão diferenciada nesse aspecto, entendendo
principalmente que o desenvolvimento
sustentável não trata tão somente da
questão ambiental, pelo contrário, isso é
apenas parte de um amplo conceito.
Quando a gente fala de turismo, também
temos que falar de sustentabilidade,
assim como no tocante ao patrimônio
histórico. Se não houver essa atenção,
tudo isso acaba com um desenvolvimento desordenado. A sustentabilidade
vem passando por um processo educacional de qualidade, que sabe levar aos alunos a devida valorização dos nossos
produtos e nossas riquezas. A gente
tinha alunos em nossas escolas públicas
que não conheciam as obras dos Profetas. Alunos de Congonhas que não conheciam os Profetas, desconheciam a
importância da obra. Então, essa educação patrimonial é importante e está intimamente ligada à questão da
sustentabilidade. Afinal, quando a pessoa
conhece e sabe o valor do patrimônio de
sua cidade, nunca será um agressor em
potencial, mas um defensor, ajudando na
preservação.
E na área de Segurança para o turismo?
Nós criamos a Guarda Municipal, com
A briga é no sentido de que as empresas
estejam sempre atualizadas tecnologicamente para combater os problemas ambientais que elas geram, principalmente
a poeira.
“Todo acordo que
faço, só o faço se
não tiver o
constrangimento de
levar a público”
especialização na área de patrimônio histórico. Enfrentávamos problemas terríveis com nossos monitores e guias com
atitudes condenáveis, num ambiente desagregador. Conseguimos organizá-los
por meio de uma entidade (Associação de
Guias e Monitores de Turismo), qualificamos e capacitamos todos.
Em que as grandes empresas instaladas em Congonhas contribuem, além
dos empregos que geram e impostos
que recolhem?
São fundamentais. E não estou sendo excessivamente político, afirmando isso.
São parceiros em várias ações na área
ambiental, social...
Mas a atividade minerária é altamente poluidora, degradadora ambiental.
Mas é a quinta, entre as atividades
ameaçadoras. Mas realmente as pessoas
têm a impressão de que a mineração é a
pior de todas. E não é. Antes dela, a pior
de todas é a ocupação urbana desordenada. Tem o esgotamento sanitário, com
todo o esgoto indo para os rios, os resíduos sólidos que, felizmente, o problema
está resolvido em Congonhas, e a agricultura que degrada muito mais o meio
ambiente. Então, a mineração não é essa
ameaça toda que se fala. Isto são dados
oficiais. Não quero dizer com isso que as
mineradoras sejam santinhas, perfeitas.
Tem suas responsabilidades de preservação ambiental, mas geram, também, problemas.
E para diminuir a ameaça, o que tem
sido feito, qual é a briga?
E a compensação? Qual a participação dessas empresas em outros projetos da Prefeitura?
Agora, elas têm participado bastante.
Houve uma cobrança e os empresários
perceberam a seriedade das nossas cobranças e propostas, sem interesses individuais ou isolados ou, ainda, benefícios
de troca de favores pessoais. Tudo foi
tratado pelo bem coletivo, com absoluta
transparência. Trago comigo um princípio: todo acordo que faço, só o faço se
não tiver o constrangimento de levar a
público. São muitos os benefícios conseguidos para a cidade. Um exemplo é a
obra de restauração no Parque Ecológico da Cachoeira, pela Vale, no valor de
R$ 3 milhões.
A Vale também é patrocinadora exclusiva do Festival de Inverno. Tem parcerias no desenvolvimento do Programa de
Educação Afetiva e Sexual, contra, por
exemplo, a gravidez indesejada e a gravidez precoce.
E a CSN?
Participa muito. Ela está construindo o
nosso Museu que vai abrigar as réplicas.
Mas a gente sempre acha que pode melhorar, que as empresas podem contribuir mais ainda, né!
Belo Horizonte será sede da Copa do
Mundo de Futebol, em 2014. A sensação é de que todo o Estado já está vivendo em função disso, se preparando
para tirar o melhor proveito com a
movimentação turística extraordinária que virá. Congonhas está nessa?
Na verdade, vamos fazer essa discussão
no âmbito das cidades históricas diretamente com o Governo do Estado. Isso já
está sendo programado. O que eu vejo é
que o município tem mesmo é que fazer
o seu dever de casa. Em Congonhas, estamos melhorando a infraestrutura para
o turismo, a rede hoteleira, vias de
acesso... Esse dever de casa, toda cidade
vai ter que fazer se quiser pegar a onda.
O fato de ser o presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas
Gerais, beneficia Congonhas, porque
você se obriga a fazer de Congonhas
um modelo para as demais?
Não temos a pretensão de ser modelo.
Esse fato simplesmente nos obriga a
fazer o nosso dever de casa bem feito.
Afinal, fica muito feio, o prefeito, presidente da Associação, deixar sua cidade
abandonada, sem melhorias. Mas prefiro
entender que, pelo trabalho que a gente
vem fazendo, Congonhas se credenciou a
assumir a presidência da entidade. Se
não fosse isso, dificilmente, as outras cidades elegeriam Congonhas.
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
13
R o b e r t o L u c i a n o FA G U N D E S
Engenheiro, Presidente do Conselho Empresarial de Turismo da
ACMinas e seu vice-Presidente, diretor da Clan Turismo, membro
do Conselho Estadual de Turismo.
II Fórum Internacional pela Responsabilidade Sócio-ambiental e Turismo
Sustentável – SUSTENTAR, a se realizar de 8 a 11 de setembro próximos, no
Minascentro, em Belo Horizonte, configurase como um dos mais representativos eventos
sobre sustentabilidade e turismo, contando
com a participação de renomados especialistas, executivos, lideranças e autoridades em
desenvolvimento sustentável, nacionais e internacionais.
O tema do SUSTENTAR será “Desenvolvimento Sustentável: Caminhos e Cenários a
Sua Escolha” e abordará a interação entre as
diversas áreas do conhecimento relacionadas
com o tema, como também irá contribuir para
o fomento de cenários e a transferência direta
de tecnologia entre países, em linguagem adequada para o público em geral.
O evento reunirá autoridades nacionais e
internacionais, especialistas, dirigentes empresariais, investidores e jornalistas, para debater as estratégias de sustentabilidade no
turismo, novos modelos de negócios e desafios derivados das restrições quanto às emissões de gases de efeito estufa, acesso à água e
recursos naturais, pelos diversos segmentos
da sociedade. O evento terá debates sobre o
turismo rural, turismo solidário, educação
ambiental e desenvolvimento local através do
turismo sustentável, análises macroeconômicas, jurídicas e legais.
O Fórum está sendo proposto, mediante
uma programação adequada ao momento evolutivo das questões ambientais e sociais, alinhada aos objetivos dos segmentos empresariais e governamentais e às atuais demandas
de mercado. Fundamenta-se no conceito de
qualidade, que abrange a participação de palestrantes proficientes em suas respectivas
áreas, valorização do grupo participante, coletiva e individualmente, oferecendo serviços
eficientes, facilitadores para o desenvolvimento de relações estratégicas para os interesses do segmento junto à sociedade.
São oportunos alguns pontos de reflexão:
- “Turismo sustentável é aquele que visa
minimizar impactos ecológicos e socioculturais, enquanto promove benefícios econômi-
SUSTENTAR 2009
O
14 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
cos para as comunidades locais e países receptores.” (OMT e PNUMA).
- Ter em mente e exigência de harmonizar
a atividade econômica com o futuro de todos
nós.
- Para discutir sobre o futuro do turismo,
temos que pensar na juventude que interroga
sobre o futuro do mundo, sobre o novo potencial, também sobre a profunda injustiça
que o processo de globalização possa produzir. Temos que encontrar respostas concretas
para algumas destas questões para que possamos projetar o crescimento compatível do
turismo com o objetivo de um desenvolvimento sustentável da economia e taxa de empregabilidade mais justa. Focando neste objetivo, conseguiremos um mundo sempre melhor para se viver, sempre um arauto da paz,
transformado em um lugar ideal para seus habitantes.
- Para implementar um turismo capaz de
durar no tempo, mantendo o seu valor qualitativo e quantitativo, necessário se faz coincidir a expectativa do residente local com a dos
turistas, sem diminuir o nível qualitativo da
experiência turística e sem danificar o valores ambientais e culturais do território visitado. Portanto, faz-se necessário um desenho
institucional que contemple os múltiplos aspectos envolvidos, principalmente a interface
com a sociedade civil, uma vez que esta pode
fornecer o arcabouço e instrumental apropriados, por meio de suas organizações, para
o estímulo ao debate e para induzir a incorporação das questões sobre sustentabilidade
nas diversas etapas das políticas públicas.
A construção de um novo modelo econômico é a única solução possível. O equilíbrio
racional preconizado pelo desenvolvimento
sustentável deve substituir o modelo de visão
fragmentada que, historicamente, colocou em
campos opostos progresso sócio-econômico e
conservação ambiental.
O animador é notarmos que, quando falamos sobre sustentabilidade, vemos que todos
começam a se envolver com esta idéia e os que
ainda não, querem saber como fazê-lo.
Não há outro futuro a não ser o futuro sustentável.
Fe c i t u r
CIRCUITOS
GANHAM
PONTO DE
REFERÊNCIA
NA CAPITAL
ara qualquer um, em qualquer circunstância, a casa-própria faz soprar novos ares numa atmosfera de
novos planos e esperanças. Que o
diga o presidente da Federação das Associações dos Circuitos Turíscos do Estado
de Minas Gerais (Fecitur), Francisco
Melo. E ele disse que a sede-própria fortalecerá o apoio oferecido pela entidade a
seus associados. “A Federação atua como
indutora e norteadora das ações a serem
implementadas nos Circuitos Turísticos
de Minas Gerais”, ressaltou, observando
que a escolha de Belo Horizonte como o
centro dos circuitos foi em função de, além
de ser a capital do Estado, é a cidade onde
estão os principais parceiros como a Setur,
Belotur, Abrasel, Sebrae e Senai, entre
P
CARLOS ALBERTO-SECOM
CARLOS ALBERTO-SECOM
A sede da Fecitur fica na Avenida Brasil, 1831,
no Funcionários, próximo à Secretaria de Turismo
outros órgãos e entidades.
Se a sede-própria é avanço para o melhor desempenho dos trabalhos, significa
também aumento das responsabilidades.
Ao mesmo tempo em que Melo festejava a
conquista em convênio com a Secretaria
de Estado de Turismo (Setur), já ouvia cobranças de representantes de associações
de circuitos por ações pendentes e novos
programas.
A Estruturação da Sede da Fecitur faz
parte de convênio firmado pela entidade
com o Governo de Minas, no valor de R$
685 mil, em março deste ano. Os recursos
estão sendo aplicados também no suporte
jurídico e contábil dos trabalhos desenvolvidos pelas Associações de Circuitos
Turísticos, em cursos de capacitação e no
A secretária, Érica Drumond, com o presidente da Fecitur, Francisco Melo,
o presidente da Belotur, Júlio Pires, o deputado estadual, Fábio Avelar, e membros
da diretoria da Federação das Associações dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais
desenvolvimento e impressão de material
informativo da entidade.
A secretária da Setur, Érica Drumond,
esteve na solenidade conferindo o novo espaço para os trabalhos da entidade parceira na implementação e no fortalecimento da Política de Regionalização do
Turismo em Minas Gerais, que é integrada por 42 Associações de Circuitos
Turísticos, certificadas pela Setur, abrangendo todas as regiões do Estado.
Érica sustentou que a Fecitur foi criada
visando o fortalecimento institucional das
Associações de Circuitos Turísticos. ”O
trabalho da entidade e a inauguração da
sede são a materialização do resultado de
um longo processo de amadurecimento da
política pública de turismo em Minas Gerais.. As Associações dos Circuitos são os
braços de execução de nossas ações no interior de Minas, portanto, a Fecitur é uma
das nossas principais parceiras neste Estado imenso, constituído por 853 municípios”, enfatizou.
E a Fecitur inaugurou o início de uma
nova fase de sua existência, conseguindo
mais espaço para aumentar a visibilidade
dos destinos turísticos mineiros. Em parceria com a Belotur - e o presidente da entidade da Capital, Júlio Pires, estava lá,
endoçando a iniciativa - Francisco Melo
lançou o projeto “Intercâmbio Turístico e
Cultural” que visa a promoção dos produtos turísticos das cidades mineiras, por
meio das Associações dos Circuitos Turísticos.
Será disponibilizado um espaço no hall
externo da Prefeitura de Belo Horizonte,
todos os domingos, para exposição dos roteiros turísticos dos municípios de Minas
Gerais. A idéia é que os visitantes da Feira
de Artesanato da Avenida Afonso Pena tenham acesso à gastronomia, ao artesanato
e aos atrativos turísticos desses locais.
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
15
Copa 2014
O Mineirão passará por
uma profunda reforma para
receber uma das
chaves da Copa do Mundo
de Futebol de 2014. Araxá
e Uberlândia já anunciaram
que querem ser sub-sedes,
acolhendo uma das seleções
que virão para a chave
mineira da Copa
SUB-SEDES SUPER ANIMADAS
m junho passado, alguns dias depois
de Belo Horizonte ser anunciada
como uma das 12 sedes brasileiras
para a Copa do Mundo, em 2014, o
deputado estadual, Tenente Lúcio, também anunciou: Araxá e Uberlândia querem ser sub-sedes da Copa em Minas.
O sonho destes dois municípios é o de
abrigar uma seleção das que vierem disputar a primeira fase em Minas. O devaneio de Araxá, entre muitas ofertas
atrativas, se baseia no fato de, por duas
vezes, em 1950 e 1958, ter servido a prétemporadas do selecionado brasileiro, com
muitos craques levando saudades da terra,
como o próprio Pelé cita no livro “Edison
Arantes do Nascimento - Eu sou Pelé”, es-
E
crito por Benedito Rui Barbosa.
Uberlândia tem o estádio Parque do
Sabiá que, num ajuste aqui outro acolá,
fica no ponto para o treinamento dos gringos. Tem, ainda, como carta de apresentação, a condição de 2ª maior cidade do
interior do Brasil e, entre outros trunfos,
está em segundo lugar, em Minas, em infraestrutura e rede hoteleira.
Tão logo verbalizaram seus sonhos, as
cidades viram ecoar os anseios na Assembléia Legislativa, atingindo os ouvidos do
conterrâneo regional, Tenente Lúcio, nada mais nada menos que o presidente da
Comissão Permanente de Turismo da
ALMG. O eco mexeu com o ego de outras
cidades que já estão se apresentando na
Deputado Tenente Lúcio anunciou o interesse das cidades e foi para a linha de frente
16
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
corrida para sub-sediar a Copa em Minas,
como Betim, São Lourenço e Capitólio.
Depois de conhecer as intenções de
Araxá e Uberlândia, o deputado Tenente
Lúcio não perdeu tempo. Já programou
reuniões e audiências públicas, e não perde
a oportunidade de municiar-se de informações sobre melindres da questão. Afinal, querer é o primeiro passo, mas não é
poder. Há um longo caminho a percorrer,
assim como normas rigorosas, determinando o que pode e o que não pode neste
evento mundial.
A cidade deve estar bem preparada e
atrair as atenções dos governos mineiro e
federal, da CBF, FIFA e, em especial, da
delegação do selecionado que vier jogar
no Mineirão.
Um grande passo já foi dado. O tenente
Lúcio abraçou a causa e se mantém como
mediador dos interesses dos municípios
junto a esfera estadual. E anuncia estar
disposto a ir a todas as instâncias necessárias pela conquista.
Otimista, o deputado Tenente vê abrindo os horizontes para chegar ao topo das
decisões. “Estamos trabalhando, buscando
a melhor forma de convencimento das autoridades. Eu acredito na conquista, porque conheço a determinação dos prefeitos
e da população”, anunciou o deputado.
Com a secretária de Estado de Turismo, Érica Drumond, o deputado conseguiu o primeiro sim. Ela ficou simpática à
proposta e se prontificou a contribuir.
Ambos, sempre que se encontram por ocasião de eventos e compromissos políticos,
trocam ideias sobre os melhores procedimentos nessa questão. Isto significa que a
secretária poderá ser o elo junto ao governador mineiro, aos ministros dos Esportes e do Turismo. Daí, o caminho fica
mais curto para se chegar a outros
órgãos, como a FIFA.
Araxá
Cidade mobilizada para
fazer parte direta da Copa
Quem recebeu a seleção brasileira em duas oportunidades
pode muito bem se candidatar a receber uma seleção estrangeira, em 2014. Os tempos são outros, mas em Araxá
ninguém está preocupado com isso. Pelo contrário, entendem que muita coisa mudou. E a cidade, para melhor.
uase cem mil torcedores estão em- brar para alavancar o processo de fortalepunhando a bandeira de Araxá, ci- cimento de Araxá. Nada mal, começar
dade que pleiteia ser uma sub-sede desfrutando um evento do porte de uma
da Copa em Minas. Vai ser uma pe- Copa do Mundo.
leja, mas se depender da determinação do
Em recente viagem a Belo Horizonte
prefeito Jeová Moreira (Dr. Jeová), e da para tratar de assuntos diversos do intevontade popular, a vitória são favas conta- resse do município, Dr. Jeová aproveitou
das.
para dar continuidade aos entendimentos,
Não é bem assim. E o prefeito sabe dis- junto a autoridades estaduais, para o meso, tanto que tratou logo de buscar o apoio lhor encaminhamento das ações para sua
do deputado estadual Tenente Lúcio e já cidade participar de forma direta da esdesenvolve estudos e projetos para que a trutura mineira para receber turistas e secidade corresponda a todas as expectati- leções da Copa.
vas de infraestrutura, em termos de conforto, segurança, acesso, mobilidade, coREFERÊNCIA DE CIRCUITO
municação, hospedagem e, claro, receptiQuando tudo vai bem em casa, tudo dá
vidade a turistas e recursos de treina- certo na vida lá fora. Isto vale para mosmento para a seleção que sediará.
trar que o prefeito pode ousar. Ele conta
O prefeito está pronto, inclusive, para com parcerias sólidas e decididas de enticonstruir um centro de treinamento, com dades do município, como Associação Coum novo e completo estádio de futebol. mercial, CDL, Associação do Circuito da
Nada contra o Fausto Alvim,
palco de tantas glórias. É que
os tempos são outros. “Nós já
estamos integrados e determinados, com o forte apoio
da sociedade. Várias entidades manifestaram apoio e
queremos que essa união
cresça para que Araxá possa
mesmo receber uma seleção
da Copa”, disse o prefeito, ao
anunciar suas intenções de
investir no que for preciso,
certo de que o retorno será
imediato.
Segundo Dr. Jeová, Araxá
não chegou à condição de cidade indutora do turismo,
por acaso. É porque tem um
fácil acesso, é referência regional e tem uma infraestrutura que, com alguns investimentos, estará adequada a
receber um movimento turístico extraordinário. E é com
vistas a essa indústria que o José Zago: são muitas as entidades que fazem coro
prefeito pretende se desdocom o prefeito, pedindo Araxá como sub-sede
Q
Prefeito, Dr. Jeová, confiante, conta com
o apoio forte da população
Canastra e Sindicato do Comércio Varejista, entre muitos outros. Com esse respaldo, Dr. Jeová segue confiante, buscando
apoio externo.
“O prefeito já mobilizou lideranças municipais, regionais e estaduais. Vejo essa
postura com bons olhos, acredito na determinação de um homem fiel cumpridor
dos objetivos traçados”. Não tem tradução
melhor de apoio irrestrito do que esta fala
do presidente da Associação do Circuito
Turístico da Canastra, José Ramos Zago.
José Zago comunga o mesmo otimismo
do prefeito e se manifesta fundamentado
no conhecimento que tem da potencialidade de Araxá, do alto de seu cargo, também, de vice-presidente da Associação
Comercial e tesoureiro do Sindicato Varejista.
“A localização de Araxá é muito boa,
tem fácil acesso pelas rodovias, aeroporto
e ferrovia. Por isso, a indicação da cidade
como uma das principais indutoras do turismo mineiro foi acertada”, disse Zago,
acrescentando que a Associação do Circuito já está tratando logo de providências
para corresponder a essa condição.
Segundo ele, as diferenças entre os municípios que integram o circuito turístico
devem ser tratadas para que desapareçam,
a partir de uma integração de produtos e
atrativos turísticos. Zago informou que a
Associação, juntamente com a Federação
das Associações dos Circuitos Turísticos
de Minas Gerais e Secretaria de Estado de
Turismo, está concluindo pesquisa e estudos para identificar as reais condições de
cada município associado.
“Depois disso, vamos buscar nivelar as
ações, a partir da realização de cursos conforme a demanda diagnosticada”, concluiu
o presidente do Circuito da Canastra, colocando essa organização como mais um
ponto forte para que Araxá venha ser subsede da Copa do Mundo. Afinal, o turista
que vem pelo futebol, certamente, quer
desfrutar as belezas naturais, a arte, a cultura, festas e história das localidades.
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
17
A conquista do Penta passou
Pelé saiu de Araxá, como reserva, para brilhar na Suécia, em 1958,
levando o Brasil à conquista de seu primeiro título mundial
o mês de abril do ano passado, o
jornal “Hoje em Dia” circulava
uma edição com matéria especial
sobre os 50 anos da conquista brasileira da Copa Mundial, na Suécia. Na
matéria, o cenário era Araxá, mostrando
como foi a semana (21 a 27 de abril de
1958) em que Pelé, Garrincha, Nilton
Santos e companhia experimentaram a beleza e a tranquilidade araxaenses. A reportagem do jornal ouviu cozinheiro da
época, o jardineiro e outros que contaram
algumas passagens com os astros da bola.
O cozinheiro Wilson Alves Pereira
(Seu Machado), por exemplo, contou que
ficou aliviado quando o médico da seleção
recomendou só saladas para os jogadores.
Nada de enlatado. O alívio é porque o
fogão era à lenha.
Seu machado lembra também que não
resistiu à insistência de Djalma Santos e
acabou liberando uma lata de sardinha.
Logo, vieram Garrincha, Didi e Mazzola.
Como negar? Também levaram suas latas.
Isto quase custou o emprego do Seu
Machado, ameaçado pelo técnico Feola, o
médico da seleção e o gerente do Grande
Hotel, Antônio Timóteo. Este, piscando
para o cozinheiro, pagou geral. O técnico
e o médico se deram por satisfeitos. E Seu
Machado, mais tarde, chegaria a chefe de
Cozinha do Grande Hotel.
O jardineiro Divino José Felisberto, 50
anos depois, recordou com a reportagem
momentos em que ensinava a arte da
pesca aos jogadores. Pelé, Didi e Garrincha, não saíam da beira do lago, tentando
fisgar um lambari.
Arquivo “Hoje em Dia”
N
Seu Machado foi destaque no jornal da
Capital, contando curiosidades do tempo
em que esteve com os craques do Brasil
Sobre o histórico jogo-treino entre titulares e reservas da seleção, vestindo,
respectivamente, as camisas do Najá e Ipiranga, dois arqui-rivais da cidade, o jornal
divulgou o resultado de 3 a 2 para os reservas, vitória do Ipiranga de Pelé e Pepe,
contra o Najá de Garrincha e Didi.
A reportagem não teve o cuidado de
ouvir dois najaenses “doentes”, Alcino de
Freitas - filho do bandeirinha do Najá, Nicanor de Freitas - e Walter Natal - que
chegou a fazer teste no Atlético mineiro,
X
Arquivo Centro Cultural / PMA
Seleção titular do Brasil, com a camisa do Najá: Em pé - Carlos
Alberto, Djalma Santos, Belini, Nilton Santos, Zito e Formiga
(ao lado de Formiga, o prefeito Domingos Santos). Agachados
- Garrincha, Didi, Vavá, Dida e Zagalo
18 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
em 1948 e hoje é comerciante. Para ambos, não havia a menor possibilidade de
não terminar empatado o jogo-treino. Por
eles, o resultado foi arranjado, porque se
fosse como o jornal divulgou, na época,
teria briga séria, com certeza.
Mas como arranjaram aquele 3 a 2
para o Ipiranga? Trataram logo de esclarecer: Num lance já paralisado, ocorreu
um dos três gols. “Tanto que o jogo não
foi recomeçado com bola ao centro do
campo”, emendou Walter.
ESTÁDIO
O estádio do histórico jogo-treino foi
inaugurado, em 1938, recebendo o nome
do próprio prefeito, Fausto Alvim. O primeiro jogo foi vencido pelo Araxaense por
4 a 1 sobre o Sacramento. O estádio foi um
grande estímulo para a organização do futebol na cidade, fazendo surgir o Nacional, time de elite, que mais tarde passaria
a se chamar Najá (nome de uma palmeira
resistente), e o Ipiranga, time dos pobres,
que começou sendo chamado de Tiradentes.
Com tantas páginas históricas, muitos
desportistas não querem que mexam
muito no estádio, mesmo sabendo que sua
estrutura atual não comporta mais jogos
locais, muito menos servirá a treinamentos de seleção da Copa.
Hoje, a intenção do prefeito Dr. Jeová
em construir um novo estádio conta com
apoio forte de desportistas, na expectativa
de atender a seleções estrangeiras e também servir ao fortalecimento do futebol
no município.
Arquivo Centro Cultural / PMA
Seleção reserva do Brasil, com a camisa do Ipiranga: Em pé Altair, Cacá, Hernane, Orlando, Mauro Ramos e De Sordi. Agachados - Joel, Moacir, Gino, Pelé e Pepe.
por Araxá
O Grande Hotel deixou saudades
no rei Pelé. Ali, o jovem de 17
anos gostava de pescar nas
horas em que não estava treinando. No livro “Eu sou Pelé” ele
cita a pré-temporada em Araxá,
como boa lembrança.
Na preliminar do jogo-treino da seleção, o time principal do Najá estava em
campo, enfrentando o Araguari. Vitória do
time da casa por 3 a 1. Walter Natal, estava com a camisa 8. Só não fez chover, segundo ele mesmo contou. Tinha uma
vantagem, não bebia nem fumava e tinha
um preparo físico muito bom, só era parado na “botina”. Foi ele também que contou isso, mas respaldado pelo najaense
Alcino de Freitas: “Ele era muito bom
mesmo”.
Walter Natal, hoje com 70 anos, chegou a fazer teste no Atlético Mineiro, em
48, mas não ficou. Tinha uma vida muito
boa em Araxá - filho único e “bem criado”
- e ficar em Belo Horizonte exigia muito
sacrifício. Na época, não era muita vantagem ser jogador de futebol.
Enquanto Natal contava suas aventuras, chegava ao seu comércio um flamenguista roxo, o engenheiro Cássio Lemos,
61 anos, que foi logo emendando: “Apesar
de menino, na época, me lembro bem, porque, como flamenguista, era fã do Dida.
Esse era o cara. Mas foi para a reserva e
quem estourou foi o Pelé”.
Outra história do menino de 17 anos.
O araxaense Coquinho, que jogava no
Vasco, chamou Natal para se encontrar
com os jogadores da seleção. Estavam ao
lado de Mauro. Pelé passou, humilde, e
Mauro comentou: “Se vocês não conhecem
esse aí - apontando para Pelé - vão ficar
conhecendo logo. Chuta com os dois pés,
ataca e defende. É craque”.
Não demorou muito e entrava no comércio de Natal, outro Cássio, o Santos,
dentista que teve a incumbência de extrair
todos os dentes dos jogadores que estivessem com problema. O dentista de 79
anos, hoje, explicou que não havia tempo
hábil para o tratamento dentário. Então a
ordem era mesmo extrair para que a infecção não interferisse no condicionamento físico dos jogadores. Ele lembrou
que ficou com o dente de Garrincha por
muito tempo. Inclusive chegou a deixar
esse dente pendurado no Bar do Valtinho
por vários dias.
Ali, só faltou chegar o Alcino de Freitas, o comentarista esportivo de 67 anos,
bacharel em Administração de Empresas.
Com ele, o papo certamente se estenderia
por horas. As lembranças iam e vinham,
cada um mais saudosista que o outro. Al-
Walter Natal não viu Najá perder
Alcino, comentarista esportivo
Cássio Santos, o tira-dentes dos craques
cino guarda fotos e histórias do futebol em
Araxá que, como ele mesmo diz, dá para
fazer um livro. Ou uma enciclopédia?
Cássio Lemos viu o ídolo do Flamengo
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
19
Fotos: Frederico Crema
No alto, o Museu
Histórico de Araxá
- Dona Beja;
acima, a Casa do
Poeta - antigo
Cine-Clube Brasil
e no destaque o
Centro de
Cultura, onde
funcionou o
Banco Nacional;
ao lado, o Centro
Cultural de Araxá
e a Praça
Governandor
Valadares
20
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
Araxá
tem
marcas
tão
fortes
quanto
“Grande
Hotel e
Termas”
arece uma rara unanimidade a excelência dos produtos “Grande Hotel e Termas do Barreiro” como atrativo
araxaense. Mas nesse novo tempo que
a cidade está vivendo, unânime também é a
união de todos para que Araxá seja vista além
destes marcos. O município está localizado na
região do Alto Paranaíba. Ao sul, o município
é limitado pelas Serras da Bocaina e do Sacramento ou Taquaral. Ao centro, compreendemse as Serras da Bocaina, do Sacramento, do
Quilombo, do Monte Alto e a Bacia do Barreiro que são um prolongamento da Serra da
Canastra. O clima é temperado, com inverno
seco e verão chuvoso. A umidade relativa
média é de 75,6º e as temperaturas médias situam-se entre 20ºC e 22ºC. Predominam-se os
campos cerrados. A cidade é palco de vários
esportes radicais e oferece exuberantes paisagens.
Explorando esses aspectos, Araxá já entra
na rota de segmentos variados de turistas. Na
parte histórica, os cuidados são muitos. Os
bens tombados e as casas inventariadas estão
bem preservadas. A cidade possui edificações
que caracterizam sobrados, casas ao rés do
chão e outras, construídas durante os séculos
XIX e XX. A Igreja Matriz de São Sebastião
é um exemplo típico da arquitetura colonial e
possui um belo conjunto de bens integrados e
móveis, formado por altares, imaginárias e alfaias. Assim, estão seguindo a linha dos cuidados direcionados ao Complexo Hidromineral
do Barreiro, com a restauração das Termas, as
Fontes e os Jardins. E o Grande Hotel, com o
seu mobiliário original.
Em festas e manifestações culturais, Araxá
também pode ser referência. Hoje, mantémse a tradição de comemorar os dias de São Sebastião, Nossa Senhora d’Abadia, o padroeiro
São Domingos, Corpus Christi e Semana
Santa. Grupos folclóricos como Folia de Reis,
Congado e Moçambique são atuantes. As Pastorinhas também se apresentam nos dias que
antecedem o Natal até o dia de Santos Reis.
Quanto às Folias, a maioria delas se formou há
mais de 100 anos e têm sido transmitidas de
pais para filhos.
Araxá tem muito mais. Tem tradições e hábitos alimentares provenientes de produtos
como o queijo, o polvilho, a farinha, o leite, a
rapadura e as frutas de época são preservados.
Os tradicionais doces e quitandas foram transformados em atividade economicamente viável. São conservadas as duas bandas de música
criadas no início do século XX, como opções
de lazer destinadas pela estância. Nos últimos
dez anos, o Festival Nacional de Dança e a
Mostra Nacional de Teatro reúnem cerca de
3.000 participantes.
Entre os bens tombados que são grandemente procurados por turistas, especialmente
internacionais, conforme pesquisas da Embratur, estão a Igreja Matriz de São Sebastião,
Complexo Hidrotermal do Barreiro, o antigo
Banco Nacional - atual Centro de Cultura, Árvore dos Enforcados, Casa do Poeta - antigo
Cine-Clube Brasil, Estação Ferroviária de
Itaipu, Fundação Cultural Calmon Barreto,
Igreja Matriz de São Domingos, Museu Histórico - Dona Beja, Palácio Nagib Feres e
Praça Governador Valadares.
P
Araxá pertence ao
Circuito da Canastra. No alto, a imponente Igreja Matriz;
acima,o Museu
Calmon Barreto;
ao lado Marco da
Nascente do Rio
São Francisco,
Serra da Canastra
Uberlândia
Uma sub-sede para
Uberlândia está entre as primeiras cidades em capacidade de hospedagem, é
exemplo de organização urbana, de invejável qualidade de vida. Além disso, tem
muitos atrativos turísticos e prosperidade no potencial de negócios. O que mais é
preciso para ser sub-sede de Belo Horizonte, Brasília ou Goiânia? É só falar!
nquanto o deputado estadual Tenente Lúcio segue atraindo holofotes para as intenções das cidades
interessadas em sub-sediar a Copa
do Mundo de 2014 que acontecerá no Brasil, em 12 capitais, os prefeitos e outras lideranças municipais vão fazendo a sua
parte, como é o caso de Uberlândia, no
Triângulo Mineiro.
O deputado, que vestiu a camisa titular
de Araxá e Uberlândia, vem participando
diretamente das ações, carregado de otimismo. “Não há quem não reconheça a capacidade de uma cidade como Uberlândia
para oferecer as melhores acomodações e
infraestrutura para delegações internacionais e grande leva de torcedores”, comentou Tenente Lúcio, acrescentando que
os prefeitos estão determinados. “O mais
importante é que existe vontade política e
pronta iniciativa”, elogiou.
O otimismo do parlamentar não é só
pelas ações dos prefeitos, mas por ver confirmada a simpatia com que a secretária de
Estado de Turismo, Érica Drumond, se
dispôs a reforçar a campanha das subsedes.
Para o secretário de Desenvolvimento
E
22
Econômico e Turismo de Uberlândia, “a
copa do mundo é um grande negócio de
turismo. A infraestrutura e atrações oferecidas aos turistas são fundamentais para
o sucesso do evento. Uberlândia, considerada a capital nacional da logística, possui
uma localização privilegiada, que permite
fácil acesso às principais sedes da copa,
além de ser a segunda maior cidade do interior do Brasil. A estreita sintonia com o
Ministério do Turismo e Secretaria de
Turismo de Minas, nos permite desenvolver ações estruturadas na busca da excelência”.
É com essa visão que a Prefeitura vem
agindo. O prefeito recebeu recentemente
a visita do secretário de Estado de Esportes, Gustavo Corrêa e ficou mais confiante,
depois de ouvir do secretário: “Eu vim
aqui para conhecer o estádio João Havelange, onde o Governo do Estado está disposto a fazer novas parcerias com repasses
de recursos financeiros e, mais do que isso,
poder verificar in loco, porque eu acho que
Uberlândia tem todas as condições de ser
escolhida para ser sub-sede na Copa do
Mundo de 2014. Uma cidade que tem toda
a infra-estrutura que atende aos interes-
ses da FIFA.”
Uma carta assinada pelo prefeito
Odelmo Leão também chegou às mãos do
ministro do Esporte, Orlando Silva, em
forma de manifesto do interesse de Uberlândia em ser sub-sede da Copa de 2014.
Segundo o prefeito, se Uberlândia não
pode ser sede da Copa de 2014, já que
Minas Gerais sediará uma chave, em Belo
Horizonte, tem potencial para ser uma
sub-sede.
Para ele, Uberlândia oferece uma estrutura completa para receber delegações
e turistas de qualquer parte do mundo.
“Nós temos a consciência de que Uberlândia oferece a infraestrutura necessária, inclusive de meios de transportes e
comunicação, bem como uma ótima estrutura esportiva para qualquer seleção utilizar e se preparar adequadamente para o
Mundial”, observou.
A localização geográfica de Uberlândia é outro fator, que segundo Odelmo
Leão pode pesar a favor da cidade. “A proximidade com Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Tocantins, São Paulo e Paraná nos
deixam muito a vontade para manifestar
Os secretários de Turismo, Dalpiaz (Uberlândia) e Érica Drumond (Estado), e o prefeito Odelmo: interesses comuns para 2014
ag0sto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
muitos
Estádio João Havelange - “Parque do Sabiá”: na medida para treinamento de seleções
interesse e colocar Uberlândia à disposição.”
O prefeito lembrou ainda que a participação em um evento como a Copa de
2014 servirá para movimentar a economia
do município e região. “É muito mais do
que esporte, porque vai movimentar o
setor hoteleiro, de alimentação, prestação
de serviço, comércio, indústria e imprensa,
principalmente a mídia internacional, que
estará aqui fazendo a cobertura e divulgando o nome de Uberlândia. Posso afirmar que um evento como este está ligado
diretamente à geração de emprego e
renda”, concluiu Odelmo Leão.
ESTRUTURA
O diretor da Futel, Antônio Carrijo,
informou que Uberlândia é a primeira cidade a fazer oficialmente o pedido para ser
sub-sede da Copa. “Esforços não estão
sendo medidos para que o Estádio Municipal João Havelange seja um dos escolhidos para a Copa de 2014. O ministro do
Esporte vai se empenhar junto à CBF”,
ressaltou Carrijo, ao retornar de Brasília,
depois de entregar a carta do prefeito ao
ministro.
Carrijo acredita que a cidade tem
grandes chances de ser escolhida para ser
sub-sede. “Uberlândia foi destacada como
o 25º município brasileiro em infraestrutura, o 2º no Estado em consumo, o 9º do
Brasil em promoção de eventos internacionais. Além de toda infraestrutura aeroportuária e logística, o município ainda
conta com o Estádio Municipal João Havelange com capacidade para acomodar 55
mil pessoas e está adaptado pelas novas
exigências do Estatuto do Torcedor”.
Uberlândia é uma cidade bem organizada, com muitos espaços agradáveis e
fica em boas condições ante às exigências dos visitantes em termos de qualidade em hospedagem, transporte,
comunicação e lazer
CIRCUITO DAS GERAIS
agosto de 2009
23
Tr i â n g u l o
AUDIÊNCIA PARA
GRITOS DE ALERTA
A superintendente de Política de Turismo da Setur-MG, Jussara Rocha,
esteve na Audiência Pública da Assembleia Legislativa, em Sacramento,
e fez algumas anotações: oito deputados, 24 prefeitos, 30 vice-prefeitos,
outras dezenas de vereadores. Tropa formada para a luta da integração.
A superintendente da Setur, Jussara Rocha, o prefeito de Sacramento, Baguá, e o
deputado estadual, Tenente Lúcio: o Triângulo fixado na integração regional
oi um festival de frases feitas, nostálgicas histórias e desfile de autoridades ao microfone. Quatro horas de
Audiência Pública da Assembleia
Legislativa de Minas Gerais, no salão do
Clube Náutico Jaguara, em Sacramento,
no início de junho, para decidir sobre
questões relacionadas ao fomento do turismo no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Na verdade, não precisava de tanto,
o que foi definido poderia ser em pouco
mais de uma hora. Um ponto em comum,
ao final: maior união, integração e investimentos para a região deslanchar.
F
24 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
O presidente da Comissão Permanente
de Turismo da Assembleia, deputado Tenente Lúcio, autor do pedido da audiência,
por solicitação do prefeito de Sacramento,
Wesley de Santi (Baguá) e do proprietário
do Parque Náutico de Jaguara, Ivan Barbosa Afonso, resumiu o que resultou do
encontro. “Não tenho dúvida sobre a
grande importância desse trabalho que
concluímos aqui. Podem ter a certeza de
que o turismo e o desenvolvimento do
Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba ganharam um novo marco, fixando o antes e
o depois dessa grande audiência pública”,
comentou o deputado, depois de encerrar
as atividades.
Muitos os discursos e, neles, uma unanimidade foi a proposta de integração dos
municípios que compõem os principais
circuitos turísticos do Alto Paranaíba e do
Triângulo Mineiro para o incremento do
turismo na região.
Os deputados presentes à reunião
aprovaram requerimentos de autoria coletiva que foram elaborados a partir de
propostas levantadas durante a audiência.
Um deles trata de encaminhamento à Secretaria de Estado de Turismo de um projeto de desenvolvimento dos circuitos
turísticos da Serra da Canastra e dos Lagos, que foi apresentado durante a reunião.
Outro requerimento foi para a criação
de um grupo de trabalho composto por lideranças dos governos Federal e Estadual
para que seja elaborado um plano diretor
que contenha ações estruturantes para
permitir o desenvolvimento turístico da
região. A proposta foi apresentada pelo
prefeito de Uberaba, Anderson Adauto,
que considera que com o plano diretor em
mãos seja mais fácil conversar com os candidatos ao Governo do Estado para que
assumam compromisso nesse sentido.
Finalmente, foi aprovado requerimento para encaminhar ao governador
pedido de informações sobre o projeto de
implementação da estrada Ecoturística, ligando os municípios de São João Batista
do Glória, Delfinópolis e Sacramento. O
deputado Zé Maia (PSDB) afirmou que o
Governo do Estado está comprometido
com a construção dessa rodovia e considera o empreendimento importante para
o Circuito Turístico da Canastra. Esta estrada, ligando o Triângulo ao Sul mineiro
ocupou grande margem do tempo, por ser,
como afirmaram “um sonho de 40 anos”.
Problemas de
divulgação e
desinformação
Ivan Barbosa, proprietário do Parque Náutico Jaguara: referência para o debate
ois problemas foram destaques do
que mais foi colocado pelas pessoas
que se pronunciaram na Audiência
Pública. Superaram até a questão
dos investimentos. Um dos problemas
está na falta de divulgação dos destinos e
seus produtos turísticos. Este grito de
alerta retumbou do início ao fim do encontro em Sacramento. O segundo não
surgiu nem de grito nem de sussurro.
Simplesmente, algumas autoridades demonstraram completa ou parcial desinformação sobre a política de turismo do
Governo do Estado, ao afirmarem que não
veem nada sendo feito.
Isto, inclusive, levou a superintendente
da Setur, Jussara Rocha, manifestar a
preocupação junto ao deputado Tenente
Lúcio, pedindo urgência para que a Secretaria de Turismo tenha a oportunidade de
ir à Assembleia Legislativa expor todo o
seu planejamento e ações no setor.
Ivan Barbosa, proprietário do Parque
Jaguara, advertiu por uma integração
consciente: "É preciso compreender a importância do turismo e o que ele representa. Em todo o mundo, o turismo é
responsável por 10% da renda e 15% de
empregos", informou Barbosa. Ele lembrou que as riquezas naturais e históricas
não são capazes, por si só, de promoverem
o desenvolvimento turístico, e pediu mais
investimentos na área.
O prefeito de Sacramento, Wesley de
Santi (Baguá), disse que a preservação do
patrimônio natural e histórico da região
tem sido promovida apenas pelos recursos
das cidades, que em sua avaliação, são insuficientes. “Outras regiões históricas são
sempre muito assistidas, enquanto aqui ficamos à mingua”, alertou. Ele fez um
apelo aos deputados para que, na elaboração do orçamento para o próximo ano,
destinem recursos para o incremento do
turismo do Alto Paranaíba e Triângulo
Mineiro.
O deputado federal, Paulo Piau, lembrou que a capacitação dos moradores
para receber os turistas é uma ação importante para o desenvolvimento da atividade, e defendeu a participação das
D
universidades nesse processo. Integração
- Ivan Barbosa, que é proprietário do Parque Náutico da Jaguara, defendeu a integração dos municípios da região para a
promoção do turismo.
Antônio Carlos Cruvinel, desembargador do Tribunal de Justiça de Minas
Gerais, que é natural de Sacramento, fez
eco ao brado pela união das cidades do
Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro.
"Houve uma época em que se desenvolveu
o espírito separatista. Aquele movimento
foi resultado da postura dos governantes
da época. Nossa região tudo mandava para
o Palácio (da Liberdade) e nada recebia de
volta", disse o desembargador, referindose ao movimento que pretendia separar o
Triângulo Mineiro do restante do território de Minas Gerais e consolidar um
novo Estado independente. Para o desembargador, este é o momento de afastar definitivamente o sentimento separatista.
Para o deputado Antônio Carlos Arantes, o desenvolvimento turístico da região
depende de um trabalho coordenado entre
as administrações dos municípios envolvidos. "Onde tem força política, as coisas
andam. É hora de coordenação", defendeu.
Esse também foi o posicionamento do deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), ao
dizer que não se deve trabalhar de forma
Superintendente da Setur, Jussara
Rocha: de cobrada, passa a cobradora
isolada. Ele também sugeriu a participação das universidades na elaboração do
projeto de incremento do turismo.
O 2º secretário da Assembleia, deputado Hely Tarqüínio, disse que, para promover o desenvolvimento, é preciso unir
ciência e política. Para o parlamentar, a
ciência é necessária para concretizar os
projetos e sonhos da sociedade, enquanto
a política promove a interação dos segmentos sociais para a discussão dos diferentes aspectos que envolvem a iniciativa.
Na avaliação do deputado Wander
Borges, a própria sociedade civil deve se
apossar do projeto para que ele seja bem
sucedido. Já deputado Deiró Marra disse
que mais investimentos em turismo são
importantes para diminuir também o
custo para os turistas. "Isto não pode ser
um privilégio de poucos", defendeu.
Fernando Caetano de Souza, presidente do Circuito Turístico dos Lagos, e
Cecília Cardoso, que representa o Circuito
da Serra da Canastra, apresentaram um
projeto de desenvolvimento turístico para
essas áreas. O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 6,8 milhões para a implementação de algumas ações e melhorias nos circuitos.
A representante da Setur, Jussara
Rocha, recebeu o projeto e disse que o governo está implantando de forma bem sucedida uma política pública de turismo.
Ela explicou que a Secretaria trabalha
com o conceito de organização de gestão,
que consiste na realização de um trabalho
articulado com as instâncias e organizações responsáveis pelos circuitos turísticos. "Quem tem tantos potenciais deve
integrar todos esses produtos e transformá-los num produto único e singular",
disse, referindo-se ao Triângulo e Alto Paranaíba. Jussara Rocha chegou a trocar de
posição. Depois de tantas cobranças e pedidos direcionados à Secretaria e Governo
do Estado, ela ponderou que as cobranças
são muitas mas os recursos não são suficientes. O ideal seria que, para o próximo
ano, os deputados estaduais, por meio das
emendas orçamentárias, indicassem mais
recursos para a Setur.
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
25
Sacra mento
O começo de tudo
Acompanhado de Ivan Barbosa, proprietário do Parque de Jaguara, o prefeito Baguá
recebe filhos ilustres de Sacramento para Audiência Pública da Assembleia, como o
desembargador Antônio Carlos Cruvinel, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais:
A integração regional começando da reação de Sacramento.
26
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
O Triângulo Mineiro e o
Alto Paranaíba têm suas
raízes fincadas em
Sacramento, eixo da
colonização do Brasil
Central. Dali, se
alastraram os povoados
que foram se
organizando e hoje
formam uma região das
mais ricas e prósperas
do Brasil. Quem tem isso
na ponta da língua é o
prefeito Baguá.
Frederico Crema
Observatório de Pássaros tem atraído
turistas de todo o mundo, na Serra da
Canastra, onde tem a maior diversidade
e pássaros da América Latina.
Na foto, a imagem de São Francisco,
Marco da Nascente do Velho Chico.
é aqui
este embalo de Sacramento
para buscar investimentos e
reassumir, definitivamente, a
condição de eixo das ações para o desenvolvimento da região, o prefeito
Wesley Santi (Baguá) vem procurando organizar melhor a cidade e
ampliar as relações no sentido de canalizar recursos e fortalecer a representação político-administrativa do
município.
O cuidado com o seu patrimônio
histórico é uma das marcas da administração que quer também mostrar
que Sacramento tem muito mais a
oferecer, com suas grutas, lagos e biodiversidade, além de festas tradicionais, populares e religiosas. O foco é
a organização urbana e administrativa
da cidade, a partir da revitalização de
seus atrativos e humanização dos espaços.
A cidade é energia pura, literalmente falando, assim como no aspecto
de tornar-se mais próspera. Com
seus mais de 22 mil habitantes, dois
terços vivendo em área urbana, Sacramento se estrutura para fazer a diferença neste novo processo de
fomento à indústria do turismo. A diretora de desenvolvimento econômico
e turismo da Prefeitura, Virgínia Dolabela, diz acreditar muito na proposta de regionalização do turismo, já
em andamento. “Ninguém faz sozinho, se queremos um turismo forte,
temos que fortalecer os circuitos e
criar roteiros com atrativos diversificados”, observou ela.
Virgínia considera que a política
estadual para o turismo está muito
bem enquadrada, mas os municípios
precisam fazer a sua parte. Ela cobra
uma programação de eventos para a
sensibilização e orientação de todos.
N
A praia do Parque de Jaguara mostra a diversidade dos produtos turísticos de uma
cidade com invejável potencial histórico, com seus exemplares do patrimônio
tombado, que preservam a origem da ocupação do território brasileiro central.
Sacramento saiu, definitivamente do acomodado anonimato para dizer ao estado,
Brasil e ao mundo que tem história e muitos outros produtos turísticos para o
bem-estar da população local e visitantes.
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
27
Mineiridade
MINAS SÃO MUITAS;
MINEIROS SÃO ÚNICOS
Uma exposição “Formação do Povo Mineiro” vem matando a curiosidade de muitos
sobre, principalmente, o que faz desse povo tão especial. Os trabalhos expostos
mostram Minas e seu povo no processo de sua formação até os dias atuais.
e alguém recorrer às grandes
frases e pensamentos do escritor português, José Saramago,
poderá até julgar que muitas de
suas inspirações tem origem em observações sobre o jeito mineiro de ser.
Só um exemplo basta. Saramago teria
dito “Eu não tenho pressa, mas não
perco tempo”. Este é um genuíno mineiro, porque mineiro é que não tem
pressa, mas não perde tempo.
Alguns ilustres cidadãos das Minas
Gerais destilaram suas malícias, desenhando com frases, o perfil da mineiridade. Quando governador do Estado, irritado com a política federal em
relação a Minas, Hélio Garcia mandou
o recado: “Mineiro não briga, mas
também não perdoa”.
S
Heloíza Giacomini: um pé na roça
28 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
É assim, não se deve provocar um
mineiro. Provocaram Henrique Hargreaves, certa vez, menosprezando
sua condição de eminência parda do
Governo Itamar Franco, de um Estado que, àquele tempo, estava impotente no âmbito da política nacional.
Ele não perdeu tempo: “É melhor ser
sapo grande em lagoa pequena do que
ser sapo pequeno em lagoa grande”.
A paciência do mineiro, em algumas
vezes, chega até a irritar. Mas o ex-governador Aureliano Chaves mostrou
porque somos assim: “Quem não vive
com paciência, não decide com precisão”. E tem mais uma deste “filósofo”
que chegou à vice-presidência do país.
“Nós, mineiros, não somos tímidos.
Somos prudentes”, disse certa vez,
quando questionado sobre o comportamento de políticos mineiros de forma pacata em determinadas discussões acaloradas.
Durante uma exposição de artes, no
saguão da Assembléia Legislativa, retratando paisagens e costumes de Minas Gerais, lá estava, com olhos profissionais, Heloíza Helena Barros Giacomini, se rendendo aos encantos da
vida campestre da origem mineira.
“Eu me identifico muito com as obras
de artes. Elas nos transmitem vários
sentimentos e tudo aqui é muito verdadeiro e característico, porque todo
mineiro tem um pé na roça. Nossa origem está no trabalho do campo”, comentou.
A funcionária pública, Kátia Moreira, que também tem o hábito de visitar exposições, estava impressionada
com a sensação que sentia. “Tem quadro aqui que a gente olha e parece que
está à janela ou na cozinha de uma casa de campo. É incrível a colocação de
planos e a profundidade do ambiente.
É como se a gente estivesse visitando
o interior de Minas”, viajou, Kátia.
“...Aí, plasmado de paulistas pioneiros, de lusos aferrados, de baianos trazedores de bois, de numerosíssimos
judeus manipuladores de ouro, de africanos das estirpes mais finas, negros
reais, aproveitados na rica indústria, se
fez a criatura que é o mineiro inveterado, mineiro mineirão, mineiro da gema, com seus males e bens.” Ninguém
melhor do que Guimarães Rosa para
retratar a mineiridade, como está exposto na Escola do Legislativo, da Assembleia Legislativa do Estado de
Minas Gerais (ALMG).
Kátia: sentindo ser parte do ambiente
A exposição “Formação do Povo Mineiro” está na Escola do Legislativo, avenida Olegário Maciel, 2.161, bairro Lourdes
Raízes mineiras expostas com arte
Wéllida DUARTE
Mineiro é bom de prosa. E quando ele
é o personagem principal, a história não
acaba. Esta é a sensação que a exposição
“Origem do Povo Mineiro”, que está no
corredor cultural da Escola do Legislativo, da ALMG, transmite às pessoas que
ali vão. Nela estão retratados os grandes
temas e períodos que marcaram a história
do Estado e de seu povo, com riqueza de
características e simplicidade para o entendimento, como afirmou uma visitante,
Maíra Vartuli, 21 anos, estudante de Relações Públicas da PUC Minas. “A exposição é muito informativa, chamativa e
simples, porque qualquer pessoa pode entender. Mostra Minas de todas as formas,
até a atualidade; e as fotos são muito boas”,
avaliou a estudante.
A mostra foi produzida através do ciclo
de palestras que aconteceu no ano passado, também denominado “Formação do
Povo Mineiro”, dentro do calendário técnico-acadêmico do programa “Pensando
em Minas”.
Para as palestras, foram convidados
muitos especialistas, como historiadores e
turismólogos, para discutirem os temas
que marcaram a história de Minas.
Foi construído um panorama histórico
da população e do território do estado, a
partir das primeiras décadas do século
XVII até os dias de hoje, destacando muitos aspectos importantes de cada um dos
períodos.
A exposição tem seis painéis: As Minas
antes de Minas; Povos das Minas no século XVII; O Urbano e o Rural, em Minas Gerais, entre os séculos XVIII e XIX;
Território e Geopolítica nas Minas Gerais
do século XIX; Minas Gerais na República; e, finalmente, Minas Gerais na contemporaneidade: fronteiras regionais,
identidade e diversidade. Esses painéis
reúnem ilustrações, citações de muitos autores, principalmente mineiros, como Guimarães Rosa, no painel “Povos das Minas
no século XVII”, sobre a chegada da mestiçagem em Minas Gerais. Além de citações, também existem muitos textos orientando o leitor.
No painel Minas na República, aparece
um citado de Juscelino Kubitschek: “Minas há de sair do marasmo e da rotina.
Através dos novos caminhos que se rasgarão a força de nosso trabalho perseverante, há de se desfilar num sopro revivificador, o resultado do esforço e do
labor de 8 milhões de mineiros”. ”
A exposição também tem uma versão
itinerante, mas com apenas dois painéis,
que está percorrendo outros espaços públicos do Estado de Minas Gerais, principalmente as Câmaras Municipais e tem
um suporte de um conjunto de DVDs,
feito a partir da edição das palestras.
Também foi criado, através do ciclo de
palestras, uma edição especial dos Cadernos da Escola do Legislativo, onde foram
publicados artigos dos estudiosos que participaram do ciclo de palestras.
Maíra: Informação com objetividade
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
29
Ser mineiro é ficar em cima do muro
mesmo, não por imparcialidade, mas
para poder ver melhor os dois lados.
O mineiro é um composto de diversidade de
povos, mas é único com o seu jeito de ser e ver a
vida. “O mineiro se fez poesia, extraindo rimas do
que houve de melhor em suas origens”, frase de
autor desconhecido. Deve ser um mineiro.
Num trabalho de Graciela Rodrigues Nars
divulgado na internet é possível conhecer
mais um pouco do perfil do bom mineiro.
Com bom humor, ela reúne detalhes da
“mineirice” que servem de rótulo para
um símbolo de serenidade, equilíbrio e
segurança em sua essência de ser. Isto
mesmo, mineiro é mais que um estado
de espírito, é como se fosse a marca de
um produto singular de bem viver.
É só conferir alguns trechos do que
Graciela divulgou na net:
“Dizem que mineiro é desconfiado,
religioso, conservador, simples, prudente. No entanto, a sublime e subestimada arte de ser mineiro sobrevive em
todos nós, em maior grau, em alguns, e
mais à flor da pele, em outros. Mas não
tem como negar, mesmo sem ter nascido nesse cantinho de terra sem mar,
mesmo sendo paulista, capixaba, baiano, um pouco de mineiridade subsiste
em todos, pois ser mineiro é mais do
que um local de nascimento, é uma maneira de encarar a vida, é saber valorizar as tradições, os costumes, a família, é conseguir perceber a beleza nas
coisas simples do dia-a-dia, é encontrar felicidade no
singelo ato de admirar um por do sol inesquecível.
Uma das coisas boas de ser mineiro é fazer da cozinha o lugar mais aconchegante da casa. Cozinha de
mineiro tem aroma de café, bolo de fubá e, sobretudo,
calor humano! É o lugar escolhido pela família para
se reunir, para contar “causos” e novidades. É certo
que as cozinhas de hoje estão cada vez menores, mas
o mineiro precisa de pouco espaço para expressar a
sua mineiridade.
Ah, tem mais uma característica que só mineiros
entendem bem. Faz “pratinho” no fim de festa. Mineiro não compactua com o desperdício e também
não recusa um docinho. Então, se no final da festa
você não resiste a montar um pratinho com seus quitutes preferidos para saborear no dia seguinte, você
é um típico mineiro, não tem como esconder!
É por essas e outras que ser mineiro é “bão demais”, porque mineiro não é contra nem a favor, foge
da luz por desconfiar da própria sombra, receia até
dos próprios pensamentos. Ser mineiro é ficar em
cima do muro mesmo, não por imparcialidade, mas
para poder ver melhor os dois lados. É comer as sílabas para não morrer pela boca. É falar manso, sabe
pra quê? Pra quebrar a paciência!”
SER MINEIRO
"Ser mineiro é não dizer o
que faz , nem o que vai fazer,
é fingir que não sabe aquilo
que sabe, é falar pouco e
escutar muito, é passar por
bobo e ser inteligente, é
vender queijos e possuir
bancos.
Um bom mineiro não laça
boi com imbira, não dá
rasteira no vento, não pisa
no escuro, não anda no
molhado, não estica
conversa com estranhos, só
acredita na fumaça quando
vê fogo, só arrisca quando
tem certeza , não troca um
pássaro na mão por
dois voando.
Ser mineiro é dizer "uai",
é ser diferente, é ter marca
30
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
registrada, é ter história.
Ser mineiro é ter
simplicidade e pureza,
humildade e modéstia,
coragem e bravura,
fidalguia e elegância.
Ser mineiro é ver o nascer
do sol e o brilhar da lua,
é ouvir o cantar dos pássaros
e o mugir do gado, é sentir
o despertar do tempo e o
amanhecer da vida.
Ser mineiro é ser religioso e
conservador, é cultivar as
letras e artes é ser poeta e
literat, é gostar de política,
é amar a liberdade, é viver nas
montanhas, é ter a vida interior,
é ser gente.”
Fernando Sabino
Obra de Almeida Júnior, “A Alma Caipira”
Fe s t a P o p u l a r
A INDÚSTRIA
DO ARRAIAL
NÃO FABRICA,
PRESERVA
TRADIÇÕES
David
de H
ilster
Arraial e Carnaval: duas festas populares que têm
muita coisa em comum,
especialmente a alegria e
a mobilização de massa.
Minas passa longe de ter um carnaval como o do Rio de Janeiro - e nem pretende -, mas
caminha para ter um arraial com a mesma potencialidade no apelo popular e social.
uando desembarcarem no Brasil
para se deleitarem com o Carnaval
carioca, muitos estrangeiros estarão programando um retorno ao
nosso país, alguns meses depois, para se
divertirem em outra grande festa popular,
de raízes mais sólidas ainda, o Arraial de
Belô. Isto não está longe de acontecer,
uma vez que a intenção da Belotur é estimular ainda mais o evento, investindo em
infraestrutura e divulgação. Outro indicativo é o bom número de loiros de olhos
azuis, desengonçados, rebolando ao som
dos acordeões e violas, no meio da multidão que se aglomera na Praça da Estação,
na capital mineira. É questão de tempo.
O evento, sem forte teor comercial tem,
em sua razão de ser, garantir a continuidade das tradições e costumes populares
Q
brasileiros, resgatando a identidade histórica e cultura do país. A reboque, proporciona diversão e lazer à população local e
aos turistas, auxilia no fomento ao turismo, agregando valores à comunidade
local e Belo Horizonte vira importante
destino turístico em um dos meses mais
fracos do turismo praia.
Sem exageros, o Arraial de Belô já se
constitui em uma das iniciativas mais verdadeiras na preservação do sentido caipira
das festas juninas. No páreo, só o Nordeste
brasileiro. Mesmo assim, por lá os eventos se confundem com o forró, o frevo ou
o baião, como ocorre também no período
do carnaval. Então fica assim combinado:
carnaval, no Rio, frevo, em Pernambuco,
arraial, em Belô, e assim por diante.
Quem já viu festa junina em terreno
Forró dos Sinueiros, mantendo tradições
e realizando trabalho social no
município de
Betim
fluminense, teve a clara sensação de estar
olhando mineiro fazendo carnaval ou promovendo uma farra de frevo. Festa caipira
é com quem tem no sangue e na alma, na
tradição, a energia do campo. Quanto mais
se infiltra pelo interior mineiro, mais pura
e genuína é a festa, onde não se precisam
fantasiar muito e nem forçar trejeitos.
E não precisa ir muito longe de Belo
Horizonte para encontrar grupos determinados a o real significado das festas caipiras. A 30 Km da capital, em Betim, “Os
Sinueiros”, um evento característico promovido por um grupo de amigos, consegue reunir mais de duas mil pessoas, se
divertindo e contribuindo para a arrecadação de donativos para instituições filantrópicas. A ideia, nascida há oito anos, já
faz parte do calendário de eventos daquele
município da região metropolitana.
Em meio aos objetivos de preservação
de costumes está nascendo uma forte indústria, a partir do Arraial de Belô. Guardadas as devidas proporções, o evento
mineiro, de forma natural, já começa a ganhar estrutura e organização ao nível do
maior evento carioca.
Se o Carnaval carioca tem a entidade
das escolas de samba, o Arraial de Belô
tem a União Junina Mineira. Lá tem dezenas de escolas, aqui, dezenas de grupos
de quadrilhas; as escolas têm samba-enredo, coreógrafos e figurinistas, as quadrilhas têm também, só que aqui é
tema-de-arraial; as escolas de samba têm
vida o ano inteiro, com trabalho permanente e apresentações extemporâneas,
aqui, as quadrilhas também, uai!
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
31
Arraial de Belô
ARRAIAL-CARNAVAL
Qualquer
semelhança é
mera coincidência
Divulgação
Evolução, alegorias, adereços, figurinos, enredo, concentração e profissionalismo: Arraial e Carnaval, tudo a ver!
Belotur acha que a Praça da Estação já não comporta novo Arraial. Ou invade a
Avenida dos Andradas ou busca-se um novo e maior espaço. Pela tradição...
Até parece que a Praça da Estação de
Belo Horizonte foi feita na medida para a
realização do Arraial de Belô. Se isto fosse
verdade, já estaria passando da hora de remodelá-la. Segundo registro da Belotur, a
praça ficou pequena para um sábado de
julho que foi a grande noite de shows e
apresentação de quadrilhas. Muita gente
ficou de fora, porque não cabia mais ninguém.
Mas esta é uma boa dor de cabeça para
a Prefeitura de BH e seu órgão responsável pela organização da festa, a Belotur,
superarem. É boa porque os resultados
indo além das expectativas é sinal de que
o evento já está mais do que consolidado,
caminhando por si só. “O sucesso está no
fato de ser uma festa espontânea, onde o
poder público garante a estrutura e as
apresentações ficam por conta da União
Junina Mineira, entidade das quadrilhas,
nossa grande parceira”, disse o diretor de
Eventos da Belotur, Arthur Viana.
Para os próximos dias, está prevista
uma reunião ampla com os quadrilheiros
Divulgação
Vianna: Arrail de Belô está exigindo
maior espaço para o próximo ano
32 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
para definirem o que virá em 2010. A resposta que pretendem tirar do encontro é
para várias perguntas em uma só: Como
garantir mais conforto e mais acesso aos
visitantes do arraial? Ampliando o espaço,
invadindo a Avenida? Buscando outro espaço na Capital? Construindo um arraial,
especificamente?
“Tivemos em um só dia cerca de 40 mil
pessoas. Não cabia mais gente no Arraial.
Para o ano que vem, temos que encontrar
uma saída. Mesmo não registrando nenhuma ocorrência policial, uma prova de
que a festa é bem organizada e o ambiente
é muito bom, precisamos nos preocupar
em oferecer mais conforto para que todos
possam se divertir sem transtornos pela
falta de espaço”, ponderou Vianna, salientando que o ambiente é de confraternização, porque muitas pessoas frequentam o
arraial para reviver suas origens. “O belohorizontino possui fortes raízes culturais
com a preservação e valorização das festas juninas. A maioria das famílias é procedente do interior mineiro, onde a
tradição de realização da festa tem forte
expressão cultural.”
O diretor da Belotur já percebeu que
não tem volta, não pode mesmo deixar
prejudicada uma festa que está se transformando num dos maiores produtos culturais e de turismo da Capital e do Estado,
já com um pé no mercado internacional do
turismo. Sem se fazer de rogado, ele comparou: “As apresentações da maioria das
quadrilhas, em termos de linguagens estética e cultural, equivalem às melhores
escolas de samba do Rio de Janeiro."
Entre outras comparações, ele foi enumerando fatores que se equiparam, como
alegria, sofisticação, coreografia, figurino,
temas de enredo, gravação de CDs, rebaixamento e ascensão de grupos e comunidades trabalhando o ano inteiro em função
do evento para brilhar no sambódromo,
ou melhor, no arraial da estação. “Tem
grupos de quadrilha que já fizeram até
oito apresentações em apenas uma semana, em empresas e cidades de vários lugares de Minas e até em outros estados”,
revelou Vianna.
Para chegar ao grande dia da apresentação das quadrilhas campeãs, no início de
julho, o Arraial é aberto no final de maio
e atravessa o mês de junho, com concursos pelas regionais. São 54 grupos de quadrilha divididos em 3 categorias, A, B e C,
com o processo de ascensão e rebaixamento. Somente no C não há rebaixamento.
A proposta é melhorar o evento cada
vez mais para que seja reconhecido como
uma das maiores festas populares do Brasil. Ainda bem que o prefeito Márcio Lacerda está sensível ao potencial a ser
explorado. "O Arraial de Belô é fruto de
um trabalho que já vem de muito tempo,
com uma intensa mobilização dos grupos
de quadrilhas. Eu acho que é obrigação da
Prefeitura manter vivas essas tradições
que definem a nossa identidade, o nosso
jeito de ser", comentou Lacerda.
Divulgação
Lacerda: Prefeitura tem a obrigação
de manter vivas as tradições
Sinueiros
‘Caipiras’
bons de
farra e filantropia
Sinueiro é um nome de origem caipira
que identifica o Boi-guia, aquele que lidera
o rebanho, certo? Errado, pelo menos em
Betim. Naquela cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Sinueiro é sinônimo de jovem de sensibilidade social e
filantrópica.
Procurando uma diversão, um grupo
de jovens betinenses teve a idéia de fazer
uma farra em forma de festa junina. Como
“farra” inspirava algo negativo, deram
nome à festa improvisada de “Forró dos
Sinueiros”. Logo resolveram transformar
a festa em algo mais útil, não só de diversão. Como no Arraial de Belô, os “caipiras” deram origem a um evento beneficente, com renda social sendo revertida
em benefício do Conselho Particular Nossa Senhora do Rosário - SSVP e Comunidade Senhor Bom Jesus - Vila das Flores.
Em uma única noite, como neste ano,
8ª edição, os sinueiros receberam um público superior a duas mil pessoas, com o
acesso sendo garantido com a entrega de
donativos. Segundo Élida Rezende, uma
das criadoras e principal responsável pela
organização do evento, o forró não é só filantropia, além da diversão. “Mantemos
essa festa com um caráter também de preservação dos costumes e cultura”, disse,
revelando ainda que, durante a festa, funcionam oficinas como as de artesanato e
culinária.
Élida entende que as promoções de festas juninas não estão perdendo o entusiasmo, mas percebe que, gradativamente,
os riscos de descaracterização vão aumen-
Geraldo dos Santos
O que começou como diversão virou
compromisso e responsabilidade social
tando. Por isso, os sinueiros cuidam com
capricho da decoração, comidas e bebidas
típicas. Tem roda de viola e bailão caipira.
Assim, eles vão fazendo a parte que lhes
cabe, regando a raiz do homem do campo.
Na edição deste ano, o tema foi “A
NOSSA MANEIRA DE SER”, quer dizer,
sinueiros na vanguarda das responsabilidades sociais. Desde 1999, este foi o primeiro ano em que a festa acontece, sendo
oficializada no calendário de eventos do
município.
Ao traduzir a visão e sentimento do
grupo, ante esta condição oficializada,
Élida disse ver isso de forma muito positiva, como reconhecimento ao trabalho social voluntário. “Sentimos como um fortalecimento do nome ‘Os Sinueiros’, com
sua proposta de somar esforços, visando
ser uma opção de lazer e entretenimento
para a população betinense e região, com
caráter filantrópico.
E o que dizem os participantes e parceiros da organização? Alessandra Silva,
presidente do Conselho Particular da
SSVP, por exemplo, reconhece a dedicação
do grupo e o filantropismo. Vê importante
também a valorização do artesanato.
Já os cantores sertanejos, Marcos
Paulo e Gabriel, falam do princípio de reunir amigos e praticar boa ação em favor
de carentes. Foi a primeira apresentação
deles na festa que já consideram um importante passo para firmar a carreira artística.
Para o empresário Anderson Diniz, que
há cinco anos vem participando da festa,
Alessandra Silva
Anderson Diniz
Élida Rezende, uma sinueira das
ações sócio-culturais do evento
se deslocando de sua cidade, Contagem, a
combinação de diversão e filantropia tem
a dosagem perfeita na promoção dos Sinueiros, “uma festa de família e amigos,
com muita harmonia”.
Finalmente, Geraldo dos Santos, presidente da Comunidade Senhor Bom Jesus,
fala que o ponto alto “é o forrozinho”,
brinca e depois enaltece a união das pessoas e o entusiasmo em ajudar entidades
assistenciais.
Marcos Paulo e Gabriel
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
33
B o t e c a n do
EXISTE VIDA FO
A quantidade per capita de bar, em Belo Horizonte, é extraordinariamente maior do que em qualquer outro canto
do mundo. Na capital mineira, são mais de 12 mil bares e
similares, cerca de 200 habitantes por estabelecimento.
e qualidade de vida fosse medida
pela quantidade de botecos, Belo
Horizonte seria a melhor metrópole do mundo. Sem isso, já foi indicada pela ONU como a de melhor qualidade de vida na América Latina e a 45ª
entre as 100 melhores cidades do mundo.
Em 2007, a capital dos mineiros mereceu destaque no “The New York Times”,
exatamente pela exagerada quantidade de
bares. Na matéria, BH é tratada como a
terceira maior cidade do Brasil, ainda
completamente desconhecida no exterior,
sendo abafada pela força turística de Rio
de Janeiro e São Paulo, privilegiados pela
linha costeira, oferecendo os prazeres das
praias. Fala a reportagem que mesmo as
obras de Oscar Niemeyer, em BH, que poderiam ser atrativos de peso, não se comparavam à arquitetura de Brasília.
A repórter norte-americana descobriu
e exaltou uma cidade movida a botecos,
onde “múltiplas gerações se socializam,
bebem cerveja e muitas vezes têm uma refeição informal” (PF ou tira-gosto). Nas
S
entrelinhas do texto divulgado, percebese um certo espanto com o fato de guias
turísticos não terem atentado para esse
potencial de Belo Horizonte. Deste ponto,
a repórter emenda, afirmando que o melhor período para se visitar a capital de
Minas Gerais é em abril, quando ocorre o
já tradicional concurso “Comida di Buteco”, uma invenção de rara felicidade, do
gourmet Eduardo Maya e da jornalista
Maria Eulália, que faz Belo Horizonte
mudar o astral, como se não houvesse vida
além bar. Os botecos viram templos de
meditação sobre a razão da existência de
cada um dos frequentadores. Aliás, o jornal norte-americano brincou com essa situação, registrando que o “Comida di
Buteco” serve aos fracos de desculpas uma
opção para saírem todas as noites para
ajudar a escolher o melhor “buteco” em
tira-gosto, bebida e atendimento.
CAPITAL MUNDIAL
A repórter levou para o hemisfério
norte a célebre frase: “BH não tem mar,
mas tem bar”, para muitos, de autor desconhecido, como aquelas filosofias de botecos que se espalham e caem no gosto
dos “intelec-etílicos”. Mas esta frase tem
dono. Quem garante é o empresário Paulo
Cesar Marcondes Pedrosa, 53 anos, dos
quais 40 lidando no ramo e há 18 anos
como presidente do Sindicato de Hotéis,
Restaurantes, Bares e Similares de Belo
Horizonte e Região Metropolitana. É ele
mesmo o autor, como também da identificação de Belo Horizonte lá fora como “capital brasileira de bares”.
BH agradece, porque virou conceito
forte. E virou também projeto de lei na
Câmara Municipal. O cruzeirense locutor
esportivo da Rádio “Itatiaia”, o melhor do
Brasil, segundo o blog do atleticano Mil-
Paulo César, autor de frases como “Não
tem mar, tem bar” e “Capital dos bares”
Alberto Rodrigues: valorizando botecos
para fortalecer a marca Belo Horizonte
ton Neves, Alberto Rodrigues (O Vibrante), como vereador marcou um gol de
placa ao conseguir a aprovação de seu projeto que declara BH “Capital Mundial dos
Botecos”. A iniciativa ainda institui o terceiro sábado do mês de maio como o Dia
Municipal dos Botecos, garantindo a inclusão no calendário oficial de festas e
eventos de Belo Horizonte.
“Somos um povo discreto, receptivo e
hospitaleiro. Gostamos de certos agitos, e
não temos atrativos como a praia. Então,
priorizamos os encontros nos botecos da
cidade para um bate-papo, onde resgatamos as nossas origens e contribuímos para a manutenção da tradicional culinária
mineira.” Foi assim que o Vibrante justificou a idéia que, segundo ele, será importante no processo de valorização desse
aspecto como atrativo turístico.
Alberto Rodrigues afirma que já foi
muito botequeiro, hoje não muito, mas
considera que o boteco é muito saudável à
reflexão e afugenta o estresse.
Então, é só gravar pra não esquecer, é
de lei. Além de todos os dias, no terceiro
sábado de maio tem que ir ao boteco, no
cumprimento da lei.
!
RA DO BAR
Um lugar
de grandes
negócios,
amizades e
diversões
O vereador Vibrante espera por muitos
resultados de seu projeto que declara BH
a capital mundial dos botecos. Até mesmo
na Copa de 2014, turistas internacionais
que vierem aqui, acompanhando suas seleções, vão deixar de procurar praia e outros ambientes, para conferirem o que há
de especial nos botecos belo-horizontinos.
Ele considera que o projeto vai sensibilizar e atrair visitantes da mesma forma
com que os botecos impressionaram a jornalista do “The New York Times”, que
veio a passeio e fez uma matéria curiosa,
depois de conhecer vários bares de BH.
Entre os barzinhos visitados pela
gringa, estava o Via Cristina, no Bairro
Karina, Fernando e Daniela sustentam que o boteco é marca de Belo Horizonte e
o melhor lugar para se construir novas relações e até fazer negócios
Santo Antônio, inclusive, citado na matéria. Ela só não citou que o arquiteto Silvio Podestá, 57, faz daquele ambiente uma
extensão de sua casa. Ele mora no mesmo
bairro, gosta de variar de botecos, mas
está sempre ali.
“Em Londres, Paris ou Berlim, se bebe
em qualquer buraco. BH estabeleceu o boteco, como um lugar de beber, de confraternização, convivência, de paquera...”,
relacionou o arquiteto, autor do projeto
do Centro Cultural da Romaria de Congonhas. Ele diz que é visto muito no Via
Cristina porque ele é mais permanente,
enquanto as pessoas circulam mais. Seu
raio de ação está meio restrito, depois que
o “Pelé” fechou e para ir ao bar do Dias
tem que escalar um morro.
Como bom goiano, Podestá filosofa:
“Goiás inventou o boteco, como um lugar
de passagem, onde as pessoas chegam,
comem, bebem e se vão. Minas fez do boteco um lugar de ficar.” Ele não para por
aí. Mas encerra com categoria: “A Incon-
O arquiteto Podestá, ao fundo, entre amigos: figura permanente no boteco. Os outros circulam
fidência Mineira foi formatada, tomandose cachaça”.
Em uma outra mesa, próxima à do arquiteto, o advogado Fernando Máximo
Neto, 29, a estudante de Enfermagem, Karina Rothe, e a arquiteta, Daniela Machado, 26, concordavam com o que
Podestá afirmara sobre bar ser um lugar
de boa convivência. “Bar é lugar ideal para
novas relações, bons negócios, poesia e
música”, complementaram.
Para Karina, o boteco é um grande
atrativo turístico, porque é um lugar de interagir. “Aqui dentro, todos somos iguais”,
disse. Fernando vê muito valor no projeto
do vereador Vibrante, porque acaba de vez
com a imagem de que boteco é lugar de
bebedeiras. “Boteco é lugar para reunir
amigos, fazer amizades, buscar soluções
para problemas e encerrar o dia de trabalho ou estudos”, afirmou.
Já a arquiteta Daniela, do alto de sua
sensibilidade, vê o boteco como uma
marca de potencial em BH. “Referências
de BH são só os botecos ou as obras de
Niemeyer”, foi taxativa.
Um estudante de Matemática e investidor em Ranário resolveu apostar no negócio Bar. Como gostava de cozinha, deu
certo. Miguel Murta de Almeida, 45, 19
anos dedicados ao Via Cristina não tem do
que reclamar. Já pensa até em ampliar os
serviços, vendendo seus pratos “a fresco”.
O Via Cristina participou de quatro
concursos do “Comida di Buteco”, não ganhou nenhum, mas projetou o bar. O faturamento aumentou 4 vezes mais. Miguel
conta também o benefício alcançado
quando foi destacado na revista “Veja”, em
2008, como detentor da melhor cachaçaria
de BH. Afinal, ele comercializa exatas 632
marcas de cachaça. Adivinha qual é a nº 1?
A da marca Salinas. Com o torresmo na
brasa e o espetinho de mandioca...
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
35
Cachaça ganha roteiro em BH
Beber uma cachaça mineira em Belo Horizonte é como comer um peixe frito à
margem de um rio ou tomar uma cerveja com os pés nas areias de uma praia.
A cachaça mineira já ocupa prateleiras
e mesas de infinitos lugares do país e do
mundo, mas vir a Minas e não degustar
umazinha é como voltar de um passeio
sem levar uma lembrança dos
locais visitados. Aqui, a cachaça
ganha mais em autenticidade.
Criar um roteiro cultural da
cachaça em Belo Horizonte,
com seleção de bares e
lojas especializadas na
comercialização da
cachaça artesanal
mineira é mais um
projeto da Prefeitura
de Belo Horizonte, através da Belotur, em parceria com as entidades relacionadas à produção da cachaça em
Minas Gerais.
O objetivo dessa sacudida é o incremento dos estabelecimentos comerciais do
ramo, possibilitando a geração de empregos, renda e a qualificação do destino turístico “Belo Horizonte”, que já ostenta o
título de “capital mundial dos bares”.
Além disso, a iniciativa promoverá a integração e organização da oferta desse produto típico produzido em Minas Gerais de
forma diferenciada e com qualidade. Isto
vai estimular o aumento da produção e o zelo pela melhor qualidade.
Entidades parceiras do projeto
já tiveram uma primeira reunião
para estabelecer critérios de seleção dos estabelecimentos que deverão integrar o roteiro. Após
esta definição, será feito um inventário na capital dos locais que
atendem a estes quesitos.
A proposta prevê a criação de
uma “carta de cachaças” para os
restaurantes selecionados, com a
apresentação de várias marcas e
as indicações de nome, origem,
cor, teor alcoólico, armazenagem
e tempo de armazenamento, entre outros.
O estabelecimento deverá ter,
à disposição do cliente, um funcionário especialmente treinado
para apresentar as opções disponíveis e auxiliá-lo em sua escolha.
Com o intuito de fortalecer e ampliar as discussões no setor, também deverá ser criado, no Conselho Municipal de Turismo, uma
Câmara Temática da Cachaça,
que contará com a participação
de representantes das entidades,
36
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
donos
de bares e
lojas especializadas.
O evento de lançamento do projeto está previsto para 13 de
setembro, no restaurante Xico da Kafua.
É o dia em que se comemora o Dia Nacional da Cachaça.
Os envolvidos na organização do processo de construção do roteiro, com o
apoio do vice-prefeito de BH, Roberto
Carvalho, elaborando o projeto, são o
presidente da Belotur, Júlio Pires e os
diretores de projeto, Eduardo Cardozo,
e de promoção turística, Ana Paula
Azevedo. Representando a cadeia produtiva da cachaça, estão a Federação
Nacional da Cachaça (FENACA), o
Clube Mineiro da Cachaça, a
COOCEN, a AMPAQ, o
Centro Brasileiro de
Referência da Cachaça,
o Centro de Referência
Nacional da Cachaça, a
ABRASEL e o Sindhorb.
Dispensa a informação
de que Minas Gerais é o
maior produtor nacional da cachaça e a tradição no consumo e na
produção faz da capital mineira o
principal pólo aglutinador dos produtores e distribuidores do produto para o
mercado nacional e internacional.
Além de sua importância histórica e
cultural, a cachaça desempenha papel significativo na economia brasileira. Exportada para mais de 60 países, é a
terceira bebida destilada mais
consumida no mundo. São 1,3 bilhões de litros produzidos por
ano e mais de 30 mil produtores
em todas as regiões do Brasil, gerando uma receita próxima de
US$ 500 milhões e cerca de 400
mil empregos diretos e indiretos.
Com a criação do roteiro da
Cachaça, Belo Horizonte ganha
mais um atrativo turístico, um
fator fundamental que faz a segunda capital brasileira em oportunidade de negócios avançar na
diversificação dos produtos turísticos, deixando de ser uma mera
desconhecida no mercado internacional.
Chegou a hora de estabelecimentos se condicionarem a fazer parte do novo
roteiro em BH, o da cachaça, como o Via Cristina, que conta com 632
marcas de cachaça
BR- 381
UM BOLO
COM GOSTO
DE PICHE
Trânsito pesado e intenso num trecho cheio de curvas e manutenção precária. BR-381, sem perspectivas de melhorias
O superintendente regional do Dnit foi convidado para reunião na ALMG.
O assunto era o início das obras anunciadas para a BR-381. Ele não compareceu
o dia 12 de agosto, o Departamento
Nacional de Infraestrutura de Transportes de Minas Gerais (Dnit) deu um
golpe impiedoso na credibilidade institucional da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG). Simplesmente, o seu superintendente regional,
Sebastião Donizete de Souza, que deveria
comparecer à reunião da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização para
esclarecer sobre as obras na BR-381, prometidas pelo governo federal, menosprezou o valor do compromisso e deixou deputados e outros convidados a “ver navios”.
Dos males, o menor. Pelo menos Sebastião se prestou a encaminhar ofício assegurando que os projetos para a duplicação da rodovia devem começar a ser elaborados ainda este mês. O gesto não ali-
N
viou, não serviu de consolo. Sua ausência
na reunião requerida pela presidente da
Comissão, Cecília Ferramenta, foi duramente criticada
Depois de lido o ofício, o deputado
Wander Borges colocou em dúvida as informações enviadas pelo órgão. Segundo
ele, faltam os dados de outros dois lotes
previstos no trecho entre Belo Horizonte
e Governador Valadares. O superintendente se referiu só a oito lotes. Borges
contestou ainda sobre a espera de liberação de recursos. Segundo o parlamentar,
não precisa esperar, os recursos já estão
garantidos e o pagamento é feito à medida
em que os trabalhos são concluídos.
Sobre os motivos de sua ausência, Sebastião Donizete alegou outros “compromissos já assumidos”. A ementa saiu pior
Cecília Ferramenta, Wander Borges e Carlin Moura: deputados indignados
com descaso do superintendente do Dnit, vão ao Governo Lula
que o soneto, porque a presidente da comissão, mesmo depois de formalizado o
convite para a reunião, tentou contato
com o superintendente por mais de 15
dias. “Não é possível que o órgão não
tenha ninguém para trazer essas informações", disse Cecília Ferramenta. Ela propôs encaminhar ao presidente Lula, à
ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e
ao ministro dos Transportes, Alfredo
Nascimento, uma moção de repúdio pelo
descaso do executivo.
Cecília Ferramenta sugeriu, ainda, que
participantes dos movimentos sociais a
favor da duplicação da BR-381 e moradores das cidades atendidas pela rodovia
façam manifestações na porta do Dnit em
Belo Horizonte e se organizem numa marcha a Brasília, para pressionar o governo
federal a melhorar a estrada. A sugestão
da deputada recebeu o reforço do colega
Carlin Moura. “São vidas que estão se perdendo”, afirmou.
Dois dias depois, o deputado Ronaldo
Magalhães estava entre autoridades e lideranças de Itabira e região, numa manifestação no trevo da BR-381 que dá acesso
àquele município, pedindo que obras
emergenciais sejam realizadas para reduzir os riscos até que venha a duplicação.
“Não podemos permitir que a insensibilidade dos principais responsáveis pelas
ações supere a força da mobilização popular e a resistência daqueles que estão comprometidos com a segurança e o bemestar dos usuários da BR-381”, disse o deputado.
Segundo dados da ONG “SOS Estradas Federais”, em 2008, foram registrados
8.254 acidentes na rodovia, dos quais
1.275 com ferimentos graves e 277 mortes
registradas nos locais dos acidentes. Se
contadas as mortes a caminho do hospital
ou mais tarde, em consequência dos acidentes, o número da fatalidade sobe para
mais de 700 vítimas.
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
37
Fatima Amaral de Faria
Gestora voluntária da
Associação Circuito Verde Trilha dos Bandeirantes.
Mapa
turístico
Mapa
turístico
Mapa
turístico
Mapa
turístico
Mapa
turístico
Mapa
turístico
ircuitos certificados significam cidades inseridas no
mapa turístico do Estado de Minas Gerais. A satisfação dos presidentes e gestores dos circuitos turísticos
que são certificados pela Secretaria de Estado do Turismo
traduz o cumprimento da Resolução de 28 de abril de
2008 e das metas estabelecidas nos Planos de Trabalhos
das associações de municípios que constituem os circuitos mineiros.
Embora não resulte no completo envolvimento da comunidade, setor público e iniciativa privada dos municípios inseridos em cada circuito, pelo menos as entidades
contam com a participação de representantes destes setores, trabalhando para atingir cada segmento de forma
envolvente.
Não é tarefa fácil, portanto, merecem todo o reconhecimento ao empenho e dedicação das cidades que demonstram visão de futuro para essa indústria sem chaminés que começa a se instalar, de forma decisiva, aonde
se detectam produtos de expressivo potencial turístico.
Por isso, cabem às cidades certificadas um compromisso
maior para o cumprimento de novas metas para permanência no Programa de Desenvolvimento do Turismo.
Este programa prevê a estruturação dos produtos para o
exigente mercado do turismo. E o momento é muito especial, considerando a aproximação da realização da Copa
do Mundo de Futebol no Brasil, tendo Belo Horizonte
como uma das sedes para receber uma chave.
Embora a copa só venha a ocorrer em 2014, a hora é
agora para iniciarem-se os preparativos, necessariamente,
executando os planejamentos estratégicos que aqui ou ali
ficaram engavetados pela falta de recursos financeiros e
humanos.
Nunca é demais, lembrar que ‘Toda caminhada começa
com o primeiro passo’. E será com passos firmes que tornaremos nossos circuitos competitivos e atraentes para
os turistas. Lembrando sempre, também, que turista satisfeito é sinônimo de cidades, mais divulgadas mundo
afora, atraindo um número crescente de visitantes e, naturalmente, gerando trabalho e renda, além de melhorar
a qualidade de vida da população local.
Ainda assim, haverá pessimistas perguntando sobre os
possíveis impactos negativos do turismo, como a degradação ambiental. Desde já, cabe aos otimistas se anteciparem com a simples resposta de que “estamos trabalhando, conscientes, um turismo sustentável, embasados
nos princípios da preservação, conservação e utilização
inteligente dos bens naturais, culturais e ambientais.
C
R o d ov i a s
Desde 2007, o Estado vive uma
onda de queimação de etapas no
processo de duplicação da BR-381.
Enquanto autoridades patinam, sem
sair do lugar, outras obras em
rodovias federais e estaduais
seguem em ritmo alentador. Minas
vai fazendo a sua parte e o Governo
Federal parece só não saber o que
fazer com a “estrada da morte”.
PELAS
ESTRADAS
DA VIDA
Máquinas já integram a paisagem de rodovias de acesso a Ita
quanto a duplicação da BR-381 está dando água
BR-381 é uma das principais rodovias do Brasil e,
estrategicamente, 2/3 de sua
extensão estão em Minas Gerais. Sua duplicação é um dos
investimento de fundamental
importância para o desenvolvimento do Estado, com real valor para a indústria do turismo.
Disto, todo mundo sabe, como
também é elementar que a manutenção das rodovias em boas
condições de tráfego proporciona, além de maior segurança
aos usuários, o desenvolvimento
econômico do País. Só que a
miopia das autoridades responem obra de duplicação entre Juatuba e Mateus Leme. É só o começo.
sáveis não permite enxergar MG-050, privatizada,E está
a BR-381 segue sem qualquer perspectiva de começo
isso.
Pelos caminhos da vida dos mineiros, mesmo podendo estar queimando papel 050, esta, já privatizada. A BR-040 tamparte da 381 (Belo Horizonte-Governa- moeda, uma vez que, se a decisão do bém tem muito a mostrar em termos de
dor Valadares), vem se configurando em Ministério for pela privatização-já, o resultado de ações decisivas.
rota da morte, roleta-russa ou viagem que o Dnit poderá fazer é lavar as mãos
Os mais bairristas e parciais diriam:
incerta. Mas sua duplicação se perde ou tentar que o projeto seja comprado ‘Deixe com o Aécio Neves’. É que o gonas curvas derrapantes de interesses pela concessionária que se responsabili- vernador de Minas, com o seu Proaisolados, incompreensíveis. É que o go- zar pelo trecho da 381. Isso é possível? cesso, está dando vida e perspectivas a
verno federal está com uma dúvida Tanto a Superintendência do Dnit quan- centenas de municípios, melhorando os
atroz: privatizar ou não privatizar ago- to a assessoria de Comunicação não ti- acessos aos principais corredores rodora. No balanço do ser ou não ser do go- veram amparo em nenhuma garantia.
viários no Estado. Quando não tem que
verno, além de vidas irem se perdendo,
Pelo contrário. Para esse projeto ser levar pavimentação asfáltica, o proR$ 30 milhões poderão ir pelo ralo.
incorporado ao edital de uma possível grama leva reforma completa e melhoSó para entender, o Departamento concessão à iniciativa privada, ele teria ramentos significativos.
Nacional de Infra-Estrutura de Trans- que estar concluído em dezembro, já
É o caso das obras já iniciadas para
portes (Dnit), segundo informação do que a ANTT trabalha com o prazo de melhorias nas rodovias MG-434 e 129,
assessor de Comunicação, Bernardo janeiro de 2010 para privatizar a BR. O que garantirão mais segurança e conMorais, está concluindo a contratação projeto só ficará pronto em meados do forto aos usuários, uma antiga reivindidas empresas que venceram a licitação próximo ano. Então, sem chances. cação do povo de Itabira e região do
para a realização do projeto Ainda que não ocorra a privatização, a centro-leste de Minas. As melhorias inexecutivo da obra de duplica- BR parece continuar sob os caprichos cluem trevos e trincheira, além de aberção da BR-381, no trecho dos órgãos federais que não se enten- tura de terceira faixa.
entre a capital e Governador dem. Um quer reduzir o núValadares, divididos em 10 mero de curvas, mudando o
lotes de uma extensão de 311 traçado, outro quer manter
quilômetros. Isto vai custar como está, apenas dupliaos cofres públicos do País cando. Lá de cima, o goquase R$ 30 milhões. O pro- verno não fala e nem dá
jeto deverá ser concluído esperanças de liberação de
para o segundo semestre de verba. Logo, com ou sem
2010, mas um de seus prová- privatização, o projeto deveis destinos é a lata de lixo, verá ser em vão, por falta de
porque o Ministério dos recursos para a execução das
Transportes ainda não deci- obras.
diu se fará mesmo a duplicaOutros caminhos - Ninção da rodovia ou se permi- guém consegue entender
tirá que a Agência Nacional tanta falta de entendimento
de Transportes Terrestres quando se trata desse imo prefeito itabirano, João Izael, o vice-governador,
(ANTT) conceda a estrada à portante trecho da Rodovia., Entre
Antônio Anastasia, e o deputado estadual, Ronaldo Mainiciativa privada.
já que a BR-262 já está em galhães, a estátua paciente de Carlos Drummond de
A única certeza é de que o duplicação, o mesmo aconte- Andrade. O encontro das autoridades marcou o anúncio
abira, endo início das obras nas MGs-434 e 129
Dnit vai cumprir o seu papel, cendo com parte da MG-
A
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
39
A e r opo r to
NEM TUDO É AZUL
A nova empresa da
Aviação, explorando os
ares mineiros, chegou
revolucionando. Quer
mais oportunidades para
dominar os céus brasileiros. O aeroporto da
Pampulha está na mira.
e a intensidade de um impacto estratégico tivesse cor, seria, sem margem de dúvidas, azul. A empresa
Azul Linhas Aéreas, que iniciou
suas operações no final do ano passado,
em São Paulo, já está atuando em Minas,
via Aeroporto Internacional Tancredo
Neves, em Confins, desde 10 de agosto. A
companhia está com voos diretos para
Campinas (SP), com conexão para outras
13 cidades por todo o Brasil. Segundo a
Anac, a empresa já ocupa a terceira posição no mercado doméstico, um sinal de
que nem tudo é azul a partir daí.
Também, nem tudo está azul para o
governador Aécio Neves que, por medida
de segurança, determinou a transferência
de 90% dos voos da Pampulha para Confins, condicionando o Aeroporto da Pampulha a operar, praticamente, voos regionais, com aeronaves de até 50 passageiros.
S
David Neeleman, da Azul Linhas Aéreas, mesmo cauteloso, foi veemente na determinação da empresa em operar no aeroporto da Pampulha para voos interestaduais
Recepcionado por empresários mineiros, no café da manhã da ACMinas, o criador da companhia Azul, David Neeleman,
não escondeu a decepção por não poder
operar na Pampulha. Segundo ele, exemplos reais, como a retomada do aeroporto
Santos Dumont, no Rio de Janeiro, para
vôos maiores, não só proporcionou maior
mobilidade aos passageiros, como também
favoreceu o Galeão que continuou com
operações de voos crescentes. “Hoje em
dia, empresários não gostam de dificuldades. Se tem dificuldade para voar, não
voam, não se deslocam”, comentou Neeleman.
Com esta postura, o empresário da
aviação Azul reanimou as discussões sobre
a revitalização do aeroporto da Pampulha.
“Estamos certos de que ainda vamos operar na Pampulha”, anunciou, confiante.
David Neeleman não ficou só nessa polêmica, ele levantou também outro problema de grande relevância em termos de
atualização e sintonia mundial. Questionado pelo representante da Universidade
Newton de Paiva, Luiz Carlos Vieira,
sobre o aproveitamento de trabalhadores
mineiros, já que Minas tem avançado em
termos de qualificação profissional, Neeleman pôs o dedo na ferida. “No Brasil, os
pilotos só podem ser brasileiros, enquanto
pelo mundo há mais de 500 brasileiros
nessa atividade. E olha que vida de piloto
não é fácil, no Brasil, então, é pior. Enquanto lá fora os pilotos têm de 15 a 20
dias de folga, aqui, a folga fica em média
de 7 ou 8 dias. Resposta dada: piloto, só
brasileiro.
À mesa do café, estava o reitor da UNA,
padre Geraldo Magela, que comemorou a
boa notícia. É que a sua universidade estará formando, este ano, a primeira turma
de pilotos de aviação. Diante das circunstâncias, o reitor se apresentou para que se
estabeleça melhor intercâmbio entre a
companhia aérea e a universidade no sentido de ampliar a oferta de cursos para pilotos. Ao final da palestra, Padre Magela
falava das perspectivas de se oferecer
maior oferta de vaga no curso de pilotos.
Confins é em Belo Horizonte
Luiz Carlos Vieira, Newton Paiva, atento
ao mercado para formar profissionais
40
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
Ao alegar intenções estratégicas por um marketing melhor para a Capital mineira e Estado, o vice-presidente da Associação Comercial de Minas, Roberto Fagundes, que também acumula o cargo de presidente do Conselho Empresarial de
Turismo da ACMinas, está defendendo que em todas as comunicações de comissários de voo aos passageiros, a referência ao Aeroporto Internacional Tancredo
Neves, de Confins, seja trocada por “Aeroporto Internacional Tancredo Neves de
Belo Horizonte, em Confins”. Ele espera que, também em outras circunstâncias,
prevaleça a identificação do Aeroporto como internacional de BH, “em Confins”.
Esse apelo foi repetido, durante a palestra de David Neeleman, da Azul Linhas Aéreas, para empresários na ACMinas, no café da manhã promovido pela entidade, no início do mês de agosto. Entre um pão de queijo e um pedaço de bolo,
Fagundes também externou o anseio dos empresários de que o aeroporto da Pampulha volte a operar com vôos interestaduais.
Va por
Vapor
Benjamin
Guimarães
navega de
Pirapora a
São Romão
CRUZEIRO EM ÁGUA DOCE
enhoras e senhores interessados, o
próximo cruzeiro no Rio São Francisco terá início no dia 20 de outubro, com retorno programado para
o dia 26. É só entrar em contato com a
“Paradiso Turismo, fazer a sua reserva e
boa viagem.
Este é mais um atrativo que o Velho
Chico oferece. É também uma grande
oportunidade para um contato extraordinário com a natureza e com a cultura e
costumes de cidades ribeirinhas.
O lendário Benjamim Guimarães, que
navega no Rio São Francisco, está a todo
vapor mesmo. Totalmente restaurado,
conta com 12 cabines, sala de estar, sanitários, restaurantes, e tem atraído turistas
de todo o Brasil e do exterior para uma
viagem de 400 quilômetros.
Quem procura o Cruzeiro é transportado de ônibus, de Belo Horizonte até a cidade de Pirapora, de onde começa o
passeio a vapor. A navegação vai até São
Romão, com duração de 6 dias e 5 noites.
Durante a viagem, há paradas programadas em localidades ribeirinhas. Nestas localidades, os passageiros têm a oportunidade de contato com moradores, conhecendo o rico artesanato da região e
ainda apreciando apresentação de vários
grupos de dança. Entre muitas outras atividades, não poderia faltar a pesca.
A história dessa embarcação faz dela
também um grande atrativo, despertando
o interesse e a curiosidade de todos. Construído em 1913, no Rio Mississipi (EUA),
o Benjamim Guimarães é o único modelo
a vapor, de grande porte, ainda navegando, em todo o mundo. Esse detalhe foi
motivo suficiente para ser tombado pelo
IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, ficando sob a
responsabilidade da Prefeitura de Pirapora.
Conhecido na região como “Gaiola”, o
S
vapor foi utilizado, por várias décadas, no
transporte de carga e passageiros no trecho Pirapora-Juazeiro, no norte da Bahia,
resolvendo por muito tempo o problema
das dificuldades de locomoção entre essas
localidades.
Em 2007, a Capitania de Portos de
Minas Gerais, após realizar uma minuciosa vistoria técnica no Vapor, autorizou
a embarcação a realizar viagens de grandes distâncias, com segurança.
Após a autorização, a Prefeitura de Pirapora colocou a embarcação aos cuidados
da “Paradiso Turismo” para coordenar
cruzeiros turísticos, representando mais
uma importante oferta ao turismo, beneficiando não somente a Pirapora e São
Romão, mas também a muitas localidades
que têm a chance de mostrar sua arte e comercializar seus produtos artesanais.
O conforto do Vapor está no quarto e no
salão de cobertura, onde passageiros interagem entre si e com a natureza.
A embarcação oferece cabine dupla a R$
3.080. A cabinete simples sofre um aumento de 70% para um cruzeiro de seis
dias e cinco noites.
O contato é (11) 3258.4722
www.paradisoturismo.com.br
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
41
Gripe
TURISMO VACINADO
EM UM ESTADO SOB
CONTROLE: H1N1
Minas Gerais ainda se mantém como um estado em que os
efeitos da pandemia da gripe Influenza A H1N1, se mantém dentro da normalidade. A reação mineira foi imediata,
com uma mobilização geral.
Até o dia 20 de junho o Ministério da
Saúde anunciava que o Brasil atingia o número de 406 mortes por gripe suína gripe A (H1N1), representando um índice
42 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
acima de 12% em relação ao número de
casos confirmados. Em Minas, 8 óbitos.
Ocorre que o que serve para medir o quadro em território mineiro são 6 mortes,
Nathália Farah, com um olho na saúde
da população e outro no turismo
uma vez que os outros dois mineiros
foram vitimados em São Paulo e Pernambuco.
O Estado com o maior número de mortes no país em decorrência da gripe A é
São Paulo, com 134 óbitos confirmados. O
Paraná é o segundo em número de vítimas (119), seguido pelo Rio Grande do
Sul (84), Rio (39), Santa Catarina (10). Só
aí é que aparece Minas com as 8 vítimas.
Tamiflu e Relenza, muito utilizados
contra a gripe aviária, demonstraram
poder contra o vírus H1N1, segundo o
CDC (Centros de Controle de Doenças
dos Estados Unidos). Menos mal.
Minas Gerais ainda não vive situação
pandêmica em virtude da pronta reação
de órgãos públicos e diversos segmentos
da sociedade, segundo a diretora de Estruturação do Produto Turístico da Secretaria de Estado de Turismo, Nathália
Farah, que também participa do Comitê
de Enfrentamento do Influenza A H1N1.
Este comitê estratégico, comandado
pela Secretaria de Estado da Saúde, envolve vários órgão e entidades, destacando-se os representantes de Agências
de Viagem, Hotéis, Restaurantes e unidades de saúde.
A mobilização deu certo. No começo,
conforme conta a analista de Turismo,
Nathália, a preocupação primeira da Setur
era a de tomar todos os cuidados preventivos e orientar para não anular o fluxo turístico. No comitê, as reuniões às segundas, quartas e sextas feiras, a atenção
maior dos representantes da Saúde, Educação e Turismo do Estado, além da Prefeitura, inicialmente, estava no controle
dos emissores da Argentina e São Paulo.
O cerco foi fechado em aeroportos e rodoviária.
Na sequência, vieram as campanhas de
orientação, de forma não alarmante, evitando o pânico. Hoje, a consciência é geral
e o aparelhamento de unidades de saúde
vem comportando a demanda, mantendo
uma situação de normalidade.
Com a postura do Estado de Minas Gerais fica mais evidente e confirmado o que
denunciou a infectologista Nancy Bellei,
em entrevista à revista “Isto é”. Ela disse
que desde que começou a pandemia de
gripe suína, em abril deste ano, muitas
mortes poderiam ter sido evitadas, criticando os rumos do controle da epidemia
no Brasil.
Talvez, se o rigor em outros estados tivesse sido ao nível do que acontece em
Minas, o quadro seria menos preocupante.
Aqui, a população está vigilante, tomando
o máximo de precaução, enquanto os
agentes do comitê, atentos às variações de
ocorrências, dão o tom das medidas e
ações para evitar o avanço da epidemia.
José Maurício,
da ABAV, diz que
o temor de prejuízos já é menor
ABAV sentiu o golpe inicial. Passou.
Foi apenas um susto. Quando o ministro da Saúde veio a público pedir para que
os brasileiros evitassem viagens para Argentina e Chile como forma de se proteger contra a gripe suína, foi como um
golpe que quase nocauteou os agentes de
viagem. Uma avalanche de cancelamento
de pacotes de viagem já fechados e desistências de negociações iniciadas chegou a
preocupar, segundo o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens
de Minas Gerais (ABAV-MG), José Mau-
Cuidando da classe e, agora, da população
A Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) que tem como razão
de ser congregar as agências, defender os direitos, interesses e prerrogativas da
classe, hoje, está desempenhando um importante papel no combate à gripe suína,
orientando clientes e ajudando na divulgação de peças informativas da campanha
desenvolvida no Estado. A associação, nesse papel, tem servido também como
termômetro para projeção de investimentos na campanha contra a gripe A.
Assim, segue também cumprindo o compromisso de estimular o crescimento das
correntes turísticas.
Como uma entidade sem fins lucrativos, constituída por agências de turismo
do estado (sócios ativos), locadoras de veículos, hotéis, órgãos oficiais, empresa de
eventos (sócios afiliados), a ABAV é uma das entidades mais representativas do
setor turístico, tendo alcançado o respeito de todo o trade nacional e internacional, dos poderes públicos municipal, estadual e federal.
São quase 50 anos de existência. A entidade tem história, a partir do Rio de
Janeiro, quando 14 agências de viagens se uniram para criar uma entidade forte
que defendesse os anseios da categoria, evitando atuações aleatórias no mercado..
A ABAV é administrada por representantes dos agentes de viagens, que são
escolhidos em eleição direta, entre os associados, para um período de dois anos.
Hoje a ABAV está presente em 27 estados brasileiros. Somente em Minas Gerais,
a associação reúne mais de 250 agências. Do total de agências instaladas no estado, apenas 30% são associados. Isso se deve, principalmente, à exigência de prérequisitos para admissão na ABAV-MG, baseado em uma rigorosa seleção. Em
contrapartida, empresta a chancela de qualidade àqueles que dela fazem parte.
rício de Miranda Gomes.
Ele revela que muitos hotéis da Argentina, por exemplo, que já tinha recebido pelos pacotes, não quiseram devolver
o dinheiro. Prejuízo. E quando clientes desistiam de negociar viagens em meio às
transações era perda de faturamento.
“Mas com muito trabalho, tivemos como
alternativa a transferência de data ou de
destinos em muitos negócios e, mesmo
com a ameaça crescente da gripe A, conseguimos dar uma acalmada na queda do
mercado”, anunciou José Maurício.
O presidente da ABAV considera, portanto, que as agências não tiveram impacto catastrófico, principalmente porque
houve um aumento de 20% do turismo interno, em comparação ao mesmo período
do ano anterior, quando ainda não tinha
eclodida a crise financeira mundial, a economia se mantinha estável e o dólar estava
em baixa. Ele explica que com a situação
delicada de outros estados, como São
Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul
e Paraná, muitos turistas desviaram suas
rotas de viagens para Minas Gerais, onde
a gripe A é menos ameaçadora.
Sem voltar à calmaria, mas tendo a situação sob controle, José Maurício acredita que as agências de viagens vão passar
pela provação com saúde, mesmo porque a
ABAV tem desenvolvido importante papel, junto à Setur e à Saúde do Estado, no
sentido de manter o bom ritmo de orientação e prevenção contra a Influenza A, o
que é bom para a população e visitantes.
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
43
E x po s i ç ã o
BETIM QUER
SER A CASA DO
GADO BRAHMAN
Por Paulo Henrique
A raça, de origem norte-americana, muito valorizada, começa a ocupar espaço no
mercado brasileiro. Com sede em Belo Horizonte, a Associação Mineira do
Brahman pode se transferir para Betim que tem planos para o setor de exposições.
uando inaugurou o Parque de Exposições David Gonçalves Lara, durante seu primeiro governo, em
Betim, em meados da década de
1990, a prefeita Maria do Carmo Lara não
podia imaginar que os anos passariam e
toda aquela estrutura serviria apenas para
dois eventos - Betim Rural e Feira da Paz.
Agora, basicamente, 15 anos depois,
ela está de volta, cheia de planos para
aquele espaço. Talvez, até para outro espaço, considerando que o parque atual
pode estar superado em termos de capacidade de público para o que a prefeita pretende desenvolver.
Este mês, Betim sediou a realização do
4º Encontro de Criadores do Gado Brah-
Q
Prefeita Maria do Carmo quer mais
eventos para Betim
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agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
man (Brahman Minas Show 2009),
atraindo criadores e admiradores de todo
o Brasil. Foi só o começo. Betim quer
mais. Pelo menos é o que dá pra perceber
nas palavras da prefeita, com sinais de que
deu início a um flerte de interesses institucionais. Segundo Maria do Carmo, que
participou até da entrega da premiação no
evento, a cidade de Betim é conhecida apenas pelo potencial industrial, mas tem um
grande potencial rural. Para a prefeita, receber uma exposição de Gado nessas proporções é fundamental para o
desenvolvimento de uma política econômica de diversificação. “Além de tudo, um
espaço público como o parque não pode
ser tão pouco explorado. Temos projetos
para trazer a população betinense para o
Parque de Exposições. À medida que
ocorrer mais eventos, a população vai se
acostumar a participar desses eventos”,
avaliou Maria do Carmo.
BRAHMAN EM BETIM
A situação do namoro entre a Prefeitura e a Associação dos Criadores do
Brahman indica o que, em ditado mineiro,
pode-se chamar de “juntar a fome com a
vontade de comer”. A associação está com
sede instalada no Parque de Exposições da
Gameleira (Expominas), pagando uma
mensalidade salgada, conforme reclama a
sua diretora-executiva, Flávia Geo Latorre. Cheia de planos para diversificar
sua atividade econômica, a Prefeitura de
Betim está disposta a ceder espaço para a
entidade no Parque David Lara.
O namoro segue. O secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico,
Cleanto Pedrosa, mantém esperanças. Ele
informou que há grandes possibilidades
de transferência da Associação Mineira do
Brahman para Betim. “Queremos fazer
um convênio entre a Aciabe – Associação
Comercial, Industrial, Agropecuária e de
Serviços de Betim, a Prefeitura e a Associação Brahman”, confirmou Pedrosa, que
viu como um grande passo a realização do
encontro dos criadores no parque betinense. Foi a 4ª exposição que aconteceu
em Minas, as anteriores ocorreram na capital. “Vamos fazer de tudo para que este
encontro entre no calendário anual de
eventos de Betim”, salientou o secretário,
anunciando que Betim também está em
negociação com a Associação dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador.
Secretário Pedrosa anuncia estudo de
projeto para novo Parque de Exposições
Uma raça resistente pode ter Betim como referência. Prefeitura e Associação do Brahman estudam parceria para formar campeões
Tudo correndo dentro do previsto, já em
setembro poderá acorrer à exposição do
Mangalarga em Betim.
Foi Cleanto Pedrosa que anunciou
também a possibilidade de a Prefeitura
construir um novo Parque de Exposições,
considerando que a estrutura atual do
“David Gonçalves Lara” não suporta
grandes públicos. O secretário revela que
já está em estudos um projeto de acordo
com um terreno às margens da BR-262.
“Betim quer se estabelecer no espaço
agropecuário nacional e a população betinense só têm a ganhar com isso”, reforçou
Pedrosa.
Com essa proposta, a prefeita Maria
do Carmo começa a retomar seus planos
quando da construção do Parque de Exposições em seu primeiro governo. Quase
duas décadas depois, o parque parece acanhado para as pretensões do governo betinense. Um novo espaço dará oportunidade à realização de grandes eventos no
ramo de agronegócios, pecuária e até no
setor da indústria em suas diversas áreas
de produção.
Durante a exposição do Brahman,
entre os destaques, a vaca Harmonia, de
900 kg, do proprietário José Macedo Neto,
fazenda J4, de Betim.
A conquista premiou também o tratador, Jhonathan Eustáquio, também betinense. Jhonathan disse que a vitória não
foi surpresa para ele, que confiava na qualidade do animal, tratado com todo zelo.
Ele conta que Harmonia recebe um tratamento rigoroso para se manter impecável.
Os cuidados com o animal campeão têm
uma dieta balanceada e três banhos por
semana. Também, semanalmente, Harmonia é examinada por um veterinário. O
tratador acompanha todo o trabalho, zelando pela saúde do animal e cuidando de
garantir o maior conforto.
Uma mistura de raças faz do
Brahman um animal diferenciado
O gado Brahman é uma raça bovina, resultado do cruzamento de quatro outras
raças: Gir, Nelore, Guzerá e Krishna Valley. Tem sua origem nos Estados Unidos.
Recentemente, introduzido no Brasil, importado em 1994, a adaptação é boa tanto
em baixas quanto em altas temperaturas. A cor clara é benéfica, pois não é atrativa aos insetos. As fêmeas têm grande facilidade no parto, o bezerro, além de ter
pouco peso ao nascer, sua cabeça e ombro são pequenos e facilitam o nascimento.
As fêmeas também têm a capacidade de reproduzirem regularmente. Grande resistência a doenças. O tempo de abate tem uma variação de 14 a 18 meses.
Sobre a exposição realizada em Betim, a diretora-executiva da Associação Mineira do Brahman, a médica veterinária, Flávia Geo Latorre (foto abaixo), demonstrou grande satisfação e se referiu à receptividade que a Associação encontrou
na cidade, como fundamental para o sucesso do evento.
Flávia reside em
Belo Horizonte, mas
seus familiares têm
fazenda na região de
Esmeraldas. Ela cursou veterinária e fez
estágio na Fazenda
Brahman Yuri. Não
conhecia a raça Brahman e se apaixonou à
primeira vista. Flávia
também fez estágio
no Canadá, em uma
fazenda de gado de
Leite que, segundo
ela, é sua outra paixão. Após o retorno
do Canadá foi convidada a fazer parte da
Associação Mineira.
Aceitou e hoje dedica
sua vida profissional
em favor do gado
Brahman.
N e gó c i o s d e Tu r i s m o
A Secretaria de Estado do Turismo renovou a certificação das cidades do circuito Verde-Trilhas dos
Bandeirantes, para o biênio 2009/2010.
A solenidade aconteceu em Conceição
do Pará, onde estiveram presentes os
prefeitos, a deputada estadual Maria
Tereza Lara, a superintendente da
Setur-MG, Jussara Rocha, o Secretário
de Estado da Cultura, Paulo Brant, e o
Presidente da Fecitur, Francisco Melo,entre outros convidados. A renovação é sinal de que o circuito vem
cumprindo à risca o programa da Setur.
46
O geógrafo Ricardo Marra, em
sua tese de doutorado, estudou 1.169
das 6.522 cavidades naturais subterrâneas (CNSs). A tese revela que Iporanga (SP) e Pains (MG), Felipe
Guerra (RN) e Arcos (MG) destacamse no que se refere à espeleologia, reunindo mais de 41% das CNSs
amostradas. O município de Pains
detém o maior número de cavidades
naturais subterrâneas conhecidas no
país, com 804 cavernas. “Esse município, com 419,2 km², possui aproximadamente duas CNSs/km², índice
extremamente alto se comparado com
outros municípios brasileiros, o que
exige dos órgãos do governo atenção
redobrada sobre a região, com vistas ao
monitoramento constante”, destaca o
geógrafo.
agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
O Vale do Charme é uma das regiões
mais atraentes e de maior potencial turístico de Minas Gerais. Situado em uma região privilegiada do Vale do Paraopeba, nas
encostas das serras do Rola Moça e Moeda,
está a poucos quilômetros de Belo Horizonte e abrange o município de Brumadinho, com suas localidades e vilarejos. De 17
a 20 de setembro acontecerá o Festival do
Vale do Charme, que terá como base de
sustentação a cultura, a gastronomia, o
meio ambiente e atividades esportivas praticadas na natureza. Em sua primeira edição terá como sede Casa Branca e como
sub-sedes as localidades de Piedade do Paraopeba, Topo do Mundo, Palhano, Córrego do Feijão, Inhotim e a cidade de
Brumadinho.
Paulo Salles
Um verdadeiro show de moda, música e solidariedade foi conferido na Tenda
Bier na noite do dia 13 de agosto com a
realização da primeira edição do Fashion
Show, pelo Sinvesd, Sindicato da Indústria
do Vestuário de Divinópolis. Sucesso de
público e críticas, o evento reuniu a imprensa em massa, além de lojistas, compradores, estilistas e fashionistas da cidade
e região. No evento foram apresentadas de
uma forma nunca antes vista em Divinópolis as coleções primavera/verão 2010
que revelam todo o potencial criativo da
Capital da Moda Mineira. A produção foi
de Fabrício Brito, Patrícia Gonçalves e
Rodrigo Bessa, artística de Sávio Fernatti.
O publicitário Frederico Crema Leis
(abaixo) demonstra que sabe usar todo o
seu potencial criativo, fazendo do trabalho
um meio-de-vida com muita qualidade.
Especializado em receptivo com passeios
na Serra da Canastra, cachoeiras, grutas,
esportes radicais, trabalha com turistas de
todo Brasil e do exterior. É também com
ele o observatório de pássaros para profissionais do ramo e turistas que podem
fazer o curso nessa atividade. De 28 de setembro a 2 de outubro, será ministrado o
Curso de Observatório de Pássaros. Para
quem quiser se programar, outras informações pelo telefone (34) 3351.5059 –
site: www.maritacaturismo.com.br. Com o
Fred, tem passeios personalizados, Trilhas Interpretativas, Safari Fotográfico,
Estudo do Meio, Canastra 360ºC., com o
sentido de preservação, educação, cultura,
reciclagem e turismo.
Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Turismo de Biquinhas, Cléber Alcino, sempre marcando presença em eventos de moto-turismo
com apelo ambiental.
Ele está acompanhado do fazendeiro de
Abaeté, Otávio Fagundes. Um sucesso,
a realização do Trilha
do Meio Ambiente,
em Três Marias.
Tiradentes
FESTIVAL DE
GASTRONOMIA
APURA O PALADAR
DA SOLIDARIEDADE
Ralph Justino inova no evento que criou
O XII Festival de Gastronomia de Tiradentes veio neste final de agosto com gosto de filantropia e solidariedade. Tem recurso destinado a Igreja e preparação de futuros chefs,
junto a alunos de escolas públicas do município.
ode até ser que o turista que estiver nomia, no largo da Rodoviária. E tem sido para lá, buscando uma melhor qualidade
em Tiradentes para participar do um dos locais mais visitados.
de vida para a família.
Festival de Gastronomia este ano
Um evento como este, de projeção inAli, chegou a ocupar o cargo de Secrecoma uma iguaria a mais do que o ternacional, exige uma dinâmica evolução. tário de Cultura e Turismo, por volta de
de costume, estimulado pelo tempero no- E parcerias, segundo Justino, não faltam. 1997, quando resolveu promover o Festivo que o idealizador do evento, Ralph Jus- Sem contar os patrocinadores, ele co- val de Gastronomia, juntamente com a
tino, salpicou nas panelas da consciência. menta a parceria com o poder público mu- Mostra de Cinema. Ele queria desenvolO Festival está sendo marcado por três nicipal e qualifica como “ótima”, mesmo ver estratégias para atrair mais turistas
providenciais novidades. Tem o fórum com o Festival pagando à Prefeitura pelo para a cidade, fortalecendo o turismo culpara discutir a gastronomia brasileira, a alvará de utilização dos espaços públicos. tural.
doação de R$ 10 mil para a restauração do “O Festival se sente na obrigação de paAgora, o evento ganhou projeção e o
telhado da Igreja de Santo Antônio do gar”, contornou.
esforço é só para inovar, uma vez que o
Canjica e tem o programa “Chefs do AmaO caso de Justino, este arquiteto for- evento, por si só, comercialmente, se pronhã”, que consiste em um curso para os mado pela UFMG, com formação também move. A 12ª edição do Festival vai até o
alunos de escolas públicas, preparando- em cinema, pela UCLA, de Los Angeles dia 3o de agosto, reunindo renomados
os para o primeiro emprego na cozinha.
(EUA), com Tiradentes vem de longas chefs nacionais e internacionais, além de
Não só por isso, o festival tem tudo datas. Ele afirma que a ligação com a ci- seleto público que aprecia a alta gastropara se confirmar como o melhor entre dade é de admiração, tanto que mudou nomia. Na programação do festival, tem
todos já realizados.
as novidades e estão
Ralph Justino conprevistos cursos pasidera que, além
ra diversos interedisso, já está percesados,festins,
bendo que o evento
degustações e uma
está melhor, “gragrande programaças aos esforços pação cultural.
ra buscar cada vez
Entre os chefs
mais a excelência e
convidados para esta
pela qualidade de
edição estão Phinossos produtores”,
lippe Labbé, Tsuyoavaliou.
shi Murakami, RoO festival de Tiland Villard, Marc
radentes também
Meurin, Emmanuel
está homenageando
Ruz, Fernando Cao Mercado Central
nales, Bruno Doucet
de Belo Horizonte,
e David Etcheverry.
que está compleExpectativa de pútando 80 anos. Um
blico: 30 mil pessoas
estande
daquele
pela cidade, durante
mercado foi instao evento, se diverlado no Mercado da
tindo e “alimentanCultura e Gastrodo” o comércio.
Com o Festival, Tiradentes poderá receber mais de 30 mil visitantes
Divulgação
P
CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
47
Uma história
PARQUE
NÁUTICO de
JAGUARA
Os arquitetos e artistas plásticos têm
muita coisa em comum. Mas quando advogados se juntam a eles fica difícil encontrar afinidade. Em Sacramento, município do Triângulo Mineiro, o que há em
comum entre estes profissionais é o Parque Náutico de Jaguara, um empreendimento imobiliário valorizado por um
projeto turístico que faz do lugar um dos
maiores atrativos sacramentano para fins
de semana, feriados, férias, programas e
eventos diversos.
Ali tem casas para vender, para aluguel
e temporada, tem hotel, restaurante, clube
social, praia com pier e quiosque, um templo religioso, campo de futebol e tem até
aeroporto com pista asfaltada de 1.100
metros lineares, asfaltada, na medida para
receber aeronaves do porte de um focker50. Tudo isso e muito mais num espaço de
cerca de 250 hectares, com muito verde,
rico em fauna e flora.
Mas não era assim. Antes, a Vila dos
Operadores da Cemig, construída para a
manutenção da Usina de Jaguara, tinha
boa infraestrutura, entre ruas pavimentadas, casas, igreja, comércio e ambulatório.
Um bairro bem cuidado, que entrou na
mira do aposentado Ivan Sebastião Barbosa Afonso (Dr. Ivan), um advogado de
Dr. Ivan, idealizador do Parque,
sonhando com um turismo forte
48 agosto de 2009
CIRCUITO DAS GERAIS
o
port
Aero
Um parque gigante em beleza e diversidade para moradores e visitantes
tetas deixaram seus empregos sólidos a
60 anos que já foi procurador federal do
apostaram na idéia do pai.
Incra-MG e professor de Direito da
Hoje, todos cuidam do empreendiUFMG. Com visão empreendedora, tramento, com atividades intensas e muitos
tou logo de adquirir duas grandes áreas
projetos pela frente. Das 70 casas do Conno acesso à Vila para projeto imobiliário.
domínio Náutico de Jaguara, 12 foram
Veio a automação da Usina e os operavendidas, duas servem a residência da fadores foram remanejados. A Vila ficou
mília e escritório, e seis são para aluguel
abandonada. Era o fim do sonho do dr.
de temporadas. E novos condomínios vêm
Ivan de realizar bons negócios nas proxipor aí. Serão construídos um Residencial
midades? É aí que entra a harmonia dos
na Orla, um Condomínio Ecológico e um
profissionais que o rodeavam. Casado com
Flying Comunity junto ao aeroporto, ina artista plástica, Rute Scalon, teve quatro
clusive com estrutura de hangares. Tem
filhas, as três mais velhas, arquitetas, Anmais: uma Marina, um Centro de Condréa, Renata e Paula. A mais nova, seguiu
venções e Eventos, e muitos programas.
a carreira do pai, formando-se em Direito.
Era uma vez, uma Vila abandonada,
Time formado, era a hora de entrar em
fantasma, que virou um projeto sólido, a
campo, aproveitando a disposição das ficaminho de se constituir em um dos mais
lhas, especialmente da segunda, Renata, de
interessantes produtos turísticos do Triajudarem o pai a cuidar dos negócios da
ângulo Mineiro.
família, especialmente, a fazenda.
Em 2004, a Vila da
Cemig tinha ido a licitação para venda. Não apareceu interessados, o mato tomava conta do lugar,
completamente abandonado. Deu até no “FanA origem do termo “Jatástico” (TV Globo). Veio
guara” está na complicada
nova licitação, em 2006,
pronúncia de portugueoportunidade que ele não
ses, quando se referiam
queria deixar passar. Reao peixe Jaú, que tinha o
hábito de ficar na superfíuniu a família e apresencie das águas: Jaú que
tou sua idéia, propôs a
quara virou Jaguara.
união de todos para tocar
um empreendimento imobiliário e projeto turístico. Na mosca. As arqui- O hotel, à margem de uma praia bem cuidada
Um l ugar de...
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CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009
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