R$ 5,90 - ANO 1 Nº 3 AGOSTO / 2009 Uma Revista no Turismo Mineiro SUB-SEDES DA COPA U B E R L Â N D I A T Á NA Á R E A C O M F O RT E E L E N C O VISTA AÉREA DE UBERLÂNDIA - PARQUE DO SABIÁ Pelé e Pepe, com a camisa do Ipiranga, em 58, antes da Copa da Suécia. Araxá, já mobilizada, quer abrigar outra seleção em 2014 Sacramento foi sede de audiência pública sobre Turismo. O Triângulo e o Alto Paranaíba querem mais investimento Índice CAPA 22 O destaque da capa, nesta edição, é Uberlândia, uma cidade praticamente completa para funcionar como sub-sede da Copa do Mundo de Futebol, em 2014. Ela está pronta até para os reparos ou complementos que forem necessários para alcançar essa condição. ARTIGOS ENTREVISTA 13 O presidente da Associação das Cidades Históricas do Estado de Minas Gerais e prefeito de Congonhas, Anderson Cabido, fala de programas e das particularidades de seus associados. 14 28 Roberto Fagundes (Sustentar 2009) Fátima Amaral (Mapa Turístico) CIDADES Em diferentes situações, cidades vão se mobilizando para potencializar suas atividades turísticas, de olho na Copa do Mundo de 2014. 15 16 24 41 44 46 47 A Fecitur ganha sede para desenvolver melhor trabalho Araxá segue campanha para ser sub-sede da Copa, num trabalho paralelo ao de Uberlândia. Sacramento recebe autoridades do Estado e região por um melhor turismo no Triângulo e Alto Paranaíba Pirapora, vai a vapor, mantendo interessante atrativo turístico. Betim quer investir no agronegócios, diversificando sua economia, movido a eventos. Na estreia de “Negócios de Turismo”, entre os destaques, o Circuito Verde-Trilhas dos Bandeirantes, com selo de qualidade renovado. Ainda longe da Copa, Tiradentes vive XII Festival de Gastronomia Exposição conta a história da formação do povo mineiro, na Escola do Legislativo da ALMG GERAL 28 A curiosa e charmosa característica dos mineiros 31 A força do Arraial Mineiro, com potencial de Carnaval Carioca 34 Belo Horizonte Capital Mundial dos Botecos. 37 As estradas mineiras continuam matando. Dnit ignora autoridades. 40 Empresa aérea, Azul, começa a operar em Minas e reativa campanha para recuperar aeroporto da Pampulha. 42 ABAV é parceira de toda hora na luta contra a Gripe Suína Minas Gerais mantém gripe suína sob controle, com um trabalho conjunto de entidades. UMA HISTÓRIA 48 Parque Náutico de Jaguara, um caso de sonho família CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 5 O p i n a n do www.circuitodasgerais.com.br Fabrício Salomé Reg.SJP-MG –Nº 2.671 Editor Geral Clóvis Fonseca Closé Limongi Reg.SJP-MG –Nº 2222 Diretor Responsável REPORTAGEM: Paulo Henrique Cláudia Regina de Oliveira FOTÓGRAFO Vladimir Araújo NOSSA CAPA Vista aérea do Estádio Parque do Sabiá na cidade de Uberlandia Foto: Divulgação IMPRESSÃO: CONTATOS: [email protected] [email protected] 31-8668-1554 Av. Gov. Valadares , 355, sala 206 Centro – cep.: 32.510.010 – Betim - MG 6 ONAY SOUZA COMUNICAÇÃO CNPJ: 08.915.263/0001-32 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS PARA PORTUGUÊS VER Q uem segue todo o processo de escolha da sede da Copa do Mundo de Futebol, bem como os sorteios de chaves e outras programações meticulosas da Fifa pode ter a impressão de que, pelo fato de tudo ser milimetricamente calculado e conduzido às pontas dos dedos, é praticamente impossível uma inovação ou remodelação de planos. Pensando assim, julga-se uma bobagem municípios sonharem com a possibilidade de se inserirem no programa da Copa como sub-sede em Minas. Mas é interessante o pleito, a partir de algumas observações. Primeiro, as autoridades podem perceber que, concentrar seleções em um único centro - no caso, Belo Horizonte -, em vez de promover comodidade e agilidade, estará gerando o caos, uma vez que junto com os selecionados estrangeiros virá um caudal de torcedores, sem contar os curiosos compatriotas ou brasileiros que se deslocarão para a Capital Mineira. Neste caso, por mais que haja oferta de leitos em hospedagens e por melhor que seja planejado o trânsito e os transportes, transtornos serão inevitáveis. Segundo, se os municípios interessados em dividir a tarefa com a capital estiverem bem estruturados nos aspectos básicos das exigências da Federação Internacional e no que manda o figurino do receptivo turístico, não há como privilegiá-la como forma, inclusive, de pulverizar a massa de visitantes. Outro ponto a se observar é que os torcedores visitantes, certamente, não virão a Minas só para viver de futebol. Estarão à procura de lazer, entretenimento, cultura e curiosidades. Sendo assim, terão que se deslocarem pelos quatro cantos do Estado, à procura de lagos, cachoeiras, grutas, serras, manifestações culturais e das origens da gastronomia mineira que não é de pouca fama. Isto equivale dizer que, um selecionado indo para uma cidade do interior, arrastará sua torcida, aliviando a capital. Finalmente, muito depende das delegações dos países que virão para Minas. Sendo do interesse de uma delas, hospedarem em uma cidade que ofereça acomodações de alto nível, sofisticado centro médico e de treinamento e transporte ágil no deslocamento para os jogos em Belo Horizonte, o que impediria de assim ser? Portanto, o sonho das cidades mineiras pode ser acalentado. Já que existem premissas variáveis na lógica da Fifa. I n t e r a gi n d o Participação A proposta da Revista CIRCUITO DAS GERAIS (CG) vem sendo posta na sua forma e no seu conteúdo. Como um todo, pretende ser instrumento de debates, discussões e promoção do potencial turístico mineiro. Assim sendo, ela não pode nunca se fechar à participação e interação do público, para opinar, sugerir e criticar. E a CG não vislumbra, em qualquer hipótese, a condição de excelência em mercado editorial, embora o empenho de sua reduzida equipe seja para que ela circule sempre impecável, na forma e no conteúdo. Melhor do que constituir um Conselho Editorial, optamos por abrir este espaço, “Interagindo”, para que todos se manifestem, livremente, interajam conosco e com o público leitor. Isto “enriquece” o trabalho, mesmo se tornando alvo de críticas por erros e falhas, como de revisão, quando se tenta mudar a composição de uma frase, alterando a sua estrutura e, equivocadamente, mudando o tempo do verbo, excluindo a sílaba que deveria permanecer. E, ainda que não “enriquecesse”, a CG continuaria com esta abertura, porque o que queremos é a participação de todos, como voluntários pelo crescimento do turismo mineiro. Li as duas primeiras edições da Revista. A segunda foi melhor que a primeira; sugiro reportagem sobre região de Tiradentes e São João del-Rei, adoro aquelas paragens; PS1: sou revisor de textos amador do ICMCN e achei lamentável a palavra "enriquesse" na coluna Opinando, não combina com o padrão da revista; e também Pitangui com Y; embora o Y tenha sido incorporado a nosso alfabeto, Pitangui ainda é com i, né? PS2. reafirmo o convite para vir a Itaúna e especialmente ao ICMCN; avise com antecedência; abraços, Alan Penido - Itaúna Em primeiro lugar gostaria de me desculpar pois estamos em falta com vocês aí da revista e não temos tido condições de enviar materiais aqui da região, pois estamos envolvidos em projetos que estão demandando muito tempo e esforço. Gostaria de parabenizar pela última edição da revista que, dentre várias matérias, retratou a expedição pelo "velho Chico", passando pela nossa querida Iguatama. Se possível, nas próximas vindas por aqui, entre em contato para que possamos traçar estratégias que possam auxiliar no desenvolvimento turístico de nossa região. Danilo Garcia Adorei o conteúdo da última revista. Matérias interessantes, um texto gostoso, bons focos. Parabéns, extensivo a toda a equipe e muito sucesso. Não vai faltar torcida. Armando de Angelis - Araxá Agradeço a atenção que vocês deram ao evento (Rally das Águas). Estamos aqui à disposição para o que vocês precisarem. Ivana Magalhães (rally das águas) Em primeiro lugar, parabéns! Gostei da capa, realmente muito bonita e, na parte editorial, está deslanchando, já tomando uma feição definitiva, criando a sua própria personalidade. As matérias estão saindo do lugar comum. Gostei da matéria com o explorador do rio São Francisco. Rosa - Belo Horizonte Adorei as reportagens, tudo de muita qualidade. Muito bom, Parabéns pelo trabalho. Fabiana Monteiro - BH Sou de Itabira e vi propaganda da minha cidade na revista. Só que gostaria que a revista mostrasse melhor as coisas bonitas que Itabira tem, com reportagens igual a que foi feita sobre Brumadinho. Temos muitos lugares bonitos aqui, principalmente cachoeiras que parecem um sonho. A revista poderia mostrar que Itabira não é só minério e Carlos Drummond de Andrade. O que acham? Anita Gostei muito da forma com que vocês trataram a questão da copa mundial. Realmente agora só se fala em copa. É copa pra lá é copa pra cá. Tenho medo é da violência. Com tantos turistas vindo pra cá de uma vez só, acho difícil montar um esquema de segurança que controle isso. Joana Marta - Nova Lima Vi a revista enquanto esperava atendimento em um consultório de dentista e queria dar uma dica para vocês da revista. Acho que está faltando espaço para diversões e divulgação da cultura e da arte, igual muitas revistas mostram. Umas piadinhas para relaxar e matérias com artistas mineiros. Seria muito legal. Petrônio CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 7 Curtas-Circuito CACHAÇA - O Projeto Cachaça Gourmet, que tem por objetivo divulgar a bebida típica mineira, de produção artesanal, que pode ser utilizada não só para degustação, mas também na culinária, com a festa final marcada para dia 28 de agosto, na Serraria Souza Pinto, teve a primeira fase desenvolvida entre os meses de abril e junho. A segunda fase aconteceu em julho no Restaurante Caminho da Roça. O encerramento reunirá os doze restaurantes participantes, apresentando seus pratos e o público podendo degustá-los por doze horas ininterruptas, acompanhados de cachaça e boa música. O evento conta com apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, através da Belotur. ESCOLA HISTÓRICA - A cidade de Betim não vai deixar passar em branco a comemoração do centenário de sua primeira escola. Em 100 anos de existência, a Escola Estadual “Conselheiro Afonso Pena” foi responsável pela educação de milhares de betinenses, tornando-se hoje uma escola referência do ensino naquele município. A festa dos 100 anos propiciará o encontro de várias gerações que lá estudaram e trabalharam. As comemorações acontecerão nos meses de abril e maio de 2010. CIDADE ADMINISTRATIVA - O governador Aécio Neves esteve no início do mês reunido com o presidente da Codemig e depois visitando as obras da Cidade Administrativa. As obras estão dentro do Keyla Barboa Machado é do setor de pesquisas e publicações da Fundação Cultural Calmon Barreto, de Araxá. Ela tem o controle total de toda a potencialidade histórica e cultural do município. Keyla faz coro no apelo para que Araxá seja sub-sede da Copa 2014. Segundo ela, ganha a cidade e ganha o turista pela diversidade de produtos turísticos. 8 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS cronograma traçado e o Governo do Estado começará a transferir sua estrutura administrativa para a nova sede, no bairro Serra Verde, região Norte de Belo Horizonte, a partir de dezembro deste ano e janeiro de 2010. Os primeiros órgãos a serem transferidos para a Cidade Administrativa serão as Secretarias de Planejamento e Gestão, Fazenda e Governo, além da Governadoria e Vice-Governadoria. As demais secretarias e órgãos serão transferidos ao longo do primeiro semestre de 2010, de forma escalonada. SUSTENTAR 2009 - O mercado consciente já exige uma postura sustentável, tanto no setor governamental, quanto empresarial. Suprir as necessidades da geração presente sem afetar as gerações futuras é uma preocupação observada por muitas empresas, que já adotaram uma política sustentável em sua atuação. Algumas delas, como a Petrobrás, Cemig, Arcelor Mittal, Fundação Dom Cabral, dentre outras, irão dividir suas experiências e debater ideias no Sustentar 2009 - 2º Fórum Internacional pela Responsabilidade Socioambiental e o Turismo Sustentável, que acontece dos dias 9 a 11 de setembro, no Minascentro, em Belo Horizonte. Troféu Roteiros do Brasil, que aconteceu no segundo dia do 4º Salão Nacional do Turismo, em São Paulo. A premiação, promovida pelo Ministério do Turismo, foi considerada um grande momento para Minas Gerais, quando o Estado recebeu 4 dos 8 troféus conferidos aos “exemplos de sucessos” do Programa Nacional de Regionalização do Turismo. Dentre os projetos encaminhados pela Secretaria de Estado de Turismo de Minas Gerais ao MTur como candidatos, o município de Itabirito venceu em Gestão Turística de Destino; Santana do Riacho, levou o primeiro lugar em Sustentabilidade Ambiental em municípios; a Associação do Circuito Turístico do Ouro foi o melhor em Planejamento e Gestão do Turismo Regional e o portal da Estrada Real ganhou no quesito Sítio Eletrônico Promocional. BETIM NA COPA - Depois de Araxá e Uberlândia começar a desenvolver trabalhos e campanhas para funcionarem como sub-sedes da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, vários municípios passaram a sonhar também com essa possibilidade. Tudo indica que Betim passou do sonho para algo mais concreto. As informações são de que a prefeita Maria do Carmo já autorizou estudo de projeto para a construção de um estádio com capacidade de público superior a 50 mil. E Betim tem MINAS EM VANTAGEM - Os uma vantagem. Está mais perto de Belo mineiros foram destaque na entrega do Horizonte. O deputado estadual Tenente Lúcio e seu assessor para o Turismo, Eduardo de Oliveira. Além da intensa atividade na Assembleia Legislativa, Eduardo também é responsável pelo desempenho turístico do Circuito Serras do Cabral. Ele é gestor do Circuito e pretende fortalecer a atividade turística na região, com profissionalismo e divulgação dos produtos. O gestor quer levar encontros e debates para envolver o maior número de localidades da região em busca da integração. A turismóloga Ana Raquel Paiva é a atual gestora do Circuito Turístico da Canastra. Ela também afirma que Araxá tem muito a oferecer em termos de produtos turísticos, “até mais do que muitos outros destinos mais em evidência”. Para Raquel, as Termas, o Horizonte Perdido, o Montanhismo e a Culinária são incomparáveis e se juntam ao patrimônio histórico como fortes atrativos para o turismo. DE VOLTA AO VELHO CHICO “Eu vou voltar ao rio, mesmo sem nenhum patrocínio. Essa é uma decisão formada. Só preciso de um tempo para voltar a Ribeirão Preto resolver questões particulares e seguir em frente, meio mochileiro na canoa! Devo sair em setembro.” Este foi o anúncio feito pelo canoista João Carlos Figueiredo que, em julho, abortou o projeto de percorrer todo o leito do São Francisco, de sua nascente à foz, por falta de recursos para seguir com o projeto. Ele anunciou que voltaria quando conseguisse patrocínio real para que seu projeto não se limitasse a aventura, mas que representasse uma coleta de elementos suficientes para maior conscientização ambiental. João Carlos não conseguiu patrocínio. Vai voltar ao velho Chico assim mesmo, como um projeto próprio, com objetivo de vida a ser alcançado a qualquer custo. O Cacique Djalma, da Comunidade Indígena Caxixó, na cidade de Martinho Campos, à margem da Lagoa de Três Marias. A cidade está finalizando projeto para implantação do Turismo Indígena, oportunidade para se conhecerem costumes e culturas da tribo. Com olhar desconfiado, o deputado estadual Alencar da Silveira Júnior acompanha a divulgação de prêmio Gestão Turística de Destino conquistado por Itabirito, seu domicílio eleitoral. Segundo ele, pior que não divulgar o potencial do município é a propaganda enganosa. “Não sei quais os critérios de avaliação usados, só sei que Itabirito está abandonado, principalmente no que se refere à gestão turística. Tanto que o que mais se ouve, hoje, são reclamações de pousadeiros e donos de hotéis-fazenda. Os acessos são precários em manutenção e a sinalização é inexistente. Os novos empreendimentos pararam de surgir e muitos empresários estão desativando seus negócios”, comentou o deputado, temendo que o quadro seja irreversível, se providências não forem tomadas imediatamente. Vladimir Araújo TRÊS MARIAS - O Circuito Turístico do Lago de Três Marias – TURLAGO e a Prefeitura promoveram um encontro entre barraqueiros, barqueiros e empreendedores do Terminal Turístico Praia Mar de Minas, em Três Marias. O presidente da FECITUR, Francisco Melo, também marcou presença. O objetivo da iniciativa foi o de orientar a todos sobre o trabalho em associação, prestando os melhores serviços aos turistas e aos próprios moradores. Para o secretário municipal de Turismo, Elias de Assis Oliveira, esta é uma oportunidade de os empreendedores saírem da informalidade, contribuindo para o fortalecimento da economia solidária. A secretária de Estado de Turismo de Minas Gerais, Érica Drumond, ao participar, em São Paulo, do 4ª Salão Nacional do Turismo - “Roteiros do Brasil”, disse que os mineiros estavam aproveitando uma grande oportunidade para incentivar o paulista a visitar Minas Gerais. “Temos destinos, como o Sul de Minas, que estão próximos de São Paulo, oferecendo produtos turísticos de qualidade para o público paulista, além de outros destinos que oferecem cultura, natureza, histórica e hospitalidade, que o turista poderá encontrar em qualquer região de Minas Gerais”, explicou. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 9 E n t r ev i s t a Prefeito ANDERSON COSTA CABIDO Congonhas é a líder das cidades, constitucio nalmente, históricas. O seu prefeito, Anderson Costa Cabido, 38, está cumprindo o segundo mandato consecutivo na Administração Muni cipal e divide o tempo de trabalho no comando da Associação das Cidades Históricas do Estado de Minas Gerais, com sede em Mariana. Ele é o terceiro presidente eleito dessa entidade criada em 2003, para cuidar dos interesses comuns das cidades em patrimônio histórico, turismo e cultura. ELE TRABALHA COM 25, MAS QUER SERVIR A 34 CIDADES HISTÓRICAS Sabe-se lá o que significa participar dos destinos de cidades como Ouro Preto, Mariana, Diamantina, Sabará, São João Del Rey e Tiradentes, entre outras dezenas de localidades, berço da ocupação do território Brasileiro e raiz do povo mineiro? O filho de Maria Aparecida e Hildeu Torres Cabido sabe muito bem, principalmente depois de viver 30 anos na histórica Congonhas, que governa há quase seis anos. Anderson Cabido revela muita visão do que é melhor para as cidades que integram a Associação que dirige, colocando sua experiência de mestre em Administração, gerente de políticas públicas do Sebrae-MG por sete anos e de coordenador da Agência de Desenvolvimento de Congonhas. Isto sem contar o tempo que está à frente de uma Prefeitura com receita projetada para este ano, com crise econômica, de R$ 120 milhões. Estes recursos vêm, principalmente, da atividade de empresas da mineração, como Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Mineradora Vale e Gerdau Açominas. Cabido é natural de Belo Horizonte, casado com uma também belorizontina, Stela, mas o filho, André, de pouco mais de um ano, é congonhense - mais um motivo especial para cuidar bem dos interesses do município que dirige. E quem sabe o que fazer para a cidade histórica do próprio filho, sabe o que interessa às demais que integram a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais. Ele fala sobre as particularidades que unem essas cida- des mineiras especiais e mostra as ações em termos de qualidade de vida e infraestrutura também para o turismo. CIRCUITO DAS GERAIS - Como funciona essa definição de cidade histórica? ANDERSON COSTA CABIDO - Essa definição está na Constituição do Estado de Minas Gerais. Ela trata de prioridades de municípios com características históricas de interesse mais amplo, que são em número de 34. E todos estão associados? Não. Hoje, contamos com 25 cidades, mas estamos fazendo um trabalho para buscar essas outras nove. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 11 Será que há interesse? Algumas já manifestaram o interesse como, por exemplo, Campanha. A cidade não participava. Apresentou uma carta de intenção na última reunião que tivemos em Caeté e a sua participação já foi aprovada e autorizada. O que é exigido para ser uma participante? Primeiro, ela tem que pertencer a esta lista de 34 cidades que são citadas na Constituição do Estado. Tem uma mensalidade e o compromisso de se integrar aos programas desenvolvidos pela Associação, que são muito interessantes. Pode citar alguns exemplos? A sinalização turística é um deles. Este é um problema que todas as cidades têm, nas rodovias e nas vias públicas. Em qualquer uma que você for, se não conhecer, fica totalmente perdido, exatamente por falta de melhor sinalização. Então, vamos levar esse benefício para todas as associadas, com recursos já garantidos pelo Governo Federal. A gestão desses recursos ficará sob a responsabilidade da Associação? Sim. Já estão acertados e os projetos estão sendo elaborados para a aprovação, inclusive pelo Iphan e Iepha. É um processo um pouco demorado porque envolve também outros órgãos. Se a sinalização é rodoviária, tem a aprovação pelo DNIT ou DER, se é dentro da cidade, têm os órgãos municipais. Essa é uma iniciativa que queremos concluir em nossa gestão. O que mais de importante está sendo agilizado pelos programas da entidade? Nós temos os projetos do Caminho Religioso e do Cardápio Turístico. Este, inclusive, foi premiado recentemente pelo Ministério do Turismo, como o segundo melhor projeto dos roteiros turísticos do Brasil. Imagine um cardápio, que o turista pega, abre e tem os destinos com seus produtos atrativos. Ele sabe onde nadar, onde praticar esportes radicais, onde melhor hospedar, assistindo a um show em um lugar, em outro, conhecendo uma oficina de arte... Fizemos um levantamento completo dos atrativos das cidades e construímos este cardápio. E já temos os recursos do Ministério para fazer a atualização desse projeto. No Caminho Religioso, a Associação é parceria do Instituto Estrada Real. E tem programas de obras de infraestrutura? Está em andamento uma proposta muito interessante de cabeamento subterrâneo. Muitas cidades, como fizemos em Congonhas, no mandato anterior, cuidaram da parte histórica, tudo organizadinho, bonito, mas aqueles postes com os fios dando um visual horroroso e comprome- 12 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS tendo o patrimônio. Em Congonhas, já fizemos um bom trecho, com uma obra de quase R$ 2 milhões, recursos próprios. Agora vamos desenvolver nas outras cidades. O projeto de cabeamento subterrâneo já foi negociado com a Cemig para as 34 cidades e está pronto. E os recursos? Conversamos agora com a Eletrobrás, porque conseguimos colocar este projeto na lei de incentivo cultural. Assim, a empresa pode financiar e abater no imposto de renda. Aí o município passa a ganhar até com o ICMS da Cultura. Depois, ele ganha, porque melhora a sua pontuação no ICMS Cultural. Então, não será nem retorno de investimento, porque no cabeamento os municípios não precisarão liberar recursos. Pretendemos que os custos sejam todos cobertos pela lei de incentivo. Congonhas saiu na frente, mas saiu perdendo. Não, porque vamos pegar outros trechos. As 34 cidades devem representar um custo em torno de R$ 40 milhões, imaginando um valor de um milhão a um milhão e meio de reais, por cidade. Isto é suficiente para implantar o cabeamento em cada uma delas, pelo menos nos trechos principais. Não vai dar para pegar o sítio histórico todo das cidades, como é o caso de Congonhas. Já investimos 2 milhões e vamos conseguir com a lei de incentivo cultural. “Como o Brasil é tão grande, cada estado deve mostrar aquilo que o diferencia dos outros.” Pode-se dizer, então, que a Associação tem sido muito importante para quem pode e quem não pode investir. Existem muitas coisas em comum nas cidades históricas. As dificuldades sentidas por Congonhas são percebidas do outro lado do Estado, por exemplo, Conceição do Mato Dentro. Claro que qualquer cidade tem problema de segurança pública, falta de emprego, saúde etc. Mas o foco da Associação é Patrimônio Histórico, Turismo e Cultura. Então, não adianta eu querer discutir turismo com cidades cuja vocação seja a indústria ou, mesmo no turismo, a vocação seja serras ou cachoeiras. O foco é diferente. Em cidades assim, o cabeamento subterrâneo não é prioritário, já que trabalham com cachoeiras e serras principalmente. Mas é muita entidade representativa. Isso não embola um pouco o entendimento? Embolaria se não houvesse vontade e entrosamento. As cidades não são concorrentes, pelo contrário, elas se completam, somam esforços. No meu caso, eu vou cuidar das questões relacionadas ao foco da entidade. As outras questões serão tratadas por entidades, conforme os seus estatutos. Voltemos, então, ao foco da sua entidade. Pois é, também estamos com um projeto em andamento, em parceria com o Iphan e Ministério Público, que trata da vigilância das igrejas. Nossas igrejas são absolutamente vulneráveis, com riscos de incêndio, depredação, furtos... Outro projeto em parceria com o Governo Federal, também através do Iphan, que vai realizá-lo, instalando o sistema de vigilância eletrônica em todas as igrejas das cidades históricas, o que vai representar uma tranquilidade maior e redução de custos na vigilância. Nem sempre há recurso disponível para isso. E os profetas de Aleijadinho, vão bem? As intempéries, no processo natural da pedra, provocam desgastes inevitáveis. Poderia-se diminuir o ritmo se houvesse um entendimento entre fiéis, igreja e poder público, no sentido de retirá-los dali, conservando em outro local. Estamos iniciando a construção do Museu Nacional de Congonhas, que vai abrigar réplicas, quando deveria servir para abrigar as obras originais. Mas enquanto não há um consenso... Não pode restaurar, um retoque aqui, outro ali? Não. Isso é inaceitável por parte de especialistas e outros segmentos. O grande dilema que a gente vive está entre o que é arte e o que é sagrado. Para nós e maioria das pessoas, como turistas, aquelas obras são arte, mas para os fiéis fervorosos, frequentadores da igreja, tudo alí é um local de devoção, é sagrado. E no que é sagrado não se mexe. Esse é o impasse. Que providência um prefeito pode tomar? Mas a discussão não para e o envolvimento vai se ampliando, buscando a participação de outros segmentos e até outras instâncias da Igreja. Você se vê um prefeito mais sacrificado por esse tipo de problema? Não, embora cada prefeito tenha uma forma de ver os problemas. E a diversidade é muito prazerosa. Trabalhar por um município com uma diversidade muito grande, como é o caso de Congonhas, no meu entendimento, enriquece a cidade, são questões desafiadoras que motivam, porque são problemas a mais para um processo administrativo. A cidade se torna mais especial por isso. Congonhas é conhecida hoje, em todo o mundo, por causa disso. Se não tivessem essas questões contundentes, não seria tão conhecida, tão visitada por pessoas de todos os lugares do mundo, inclusive personalidades famosas. Temos aqui a obra prima daquele que é considerado o Michelangelo das Americas (Aleijadinho). Foi colocado que a cidade é muito visitada. Em sua primeira e, agora, na segunda gestão consecutiva, o que tem sido feito pra manter e até melhorar o movimento turístico de Congonhas? Um termo tem marcado a nossa gestão e a cidade de 2005 para cá. Por mais que pareça lugar comum, é muito relevante essa questão do ‘Desenvolvimento Sustentável’, porque temos uma visão diferenciada nesse aspecto, entendendo principalmente que o desenvolvimento sustentável não trata tão somente da questão ambiental, pelo contrário, isso é apenas parte de um amplo conceito. Quando a gente fala de turismo, também temos que falar de sustentabilidade, assim como no tocante ao patrimônio histórico. Se não houver essa atenção, tudo isso acaba com um desenvolvimento desordenado. A sustentabilidade vem passando por um processo educacional de qualidade, que sabe levar aos alunos a devida valorização dos nossos produtos e nossas riquezas. A gente tinha alunos em nossas escolas públicas que não conheciam as obras dos Profetas. Alunos de Congonhas que não conheciam os Profetas, desconheciam a importância da obra. Então, essa educação patrimonial é importante e está intimamente ligada à questão da sustentabilidade. Afinal, quando a pessoa conhece e sabe o valor do patrimônio de sua cidade, nunca será um agressor em potencial, mas um defensor, ajudando na preservação. E na área de Segurança para o turismo? Nós criamos a Guarda Municipal, com A briga é no sentido de que as empresas estejam sempre atualizadas tecnologicamente para combater os problemas ambientais que elas geram, principalmente a poeira. “Todo acordo que faço, só o faço se não tiver o constrangimento de levar a público” especialização na área de patrimônio histórico. Enfrentávamos problemas terríveis com nossos monitores e guias com atitudes condenáveis, num ambiente desagregador. Conseguimos organizá-los por meio de uma entidade (Associação de Guias e Monitores de Turismo), qualificamos e capacitamos todos. Em que as grandes empresas instaladas em Congonhas contribuem, além dos empregos que geram e impostos que recolhem? São fundamentais. E não estou sendo excessivamente político, afirmando isso. São parceiros em várias ações na área ambiental, social... Mas a atividade minerária é altamente poluidora, degradadora ambiental. Mas é a quinta, entre as atividades ameaçadoras. Mas realmente as pessoas têm a impressão de que a mineração é a pior de todas. E não é. Antes dela, a pior de todas é a ocupação urbana desordenada. Tem o esgotamento sanitário, com todo o esgoto indo para os rios, os resíduos sólidos que, felizmente, o problema está resolvido em Congonhas, e a agricultura que degrada muito mais o meio ambiente. Então, a mineração não é essa ameaça toda que se fala. Isto são dados oficiais. Não quero dizer com isso que as mineradoras sejam santinhas, perfeitas. Tem suas responsabilidades de preservação ambiental, mas geram, também, problemas. E para diminuir a ameaça, o que tem sido feito, qual é a briga? E a compensação? Qual a participação dessas empresas em outros projetos da Prefeitura? Agora, elas têm participado bastante. Houve uma cobrança e os empresários perceberam a seriedade das nossas cobranças e propostas, sem interesses individuais ou isolados ou, ainda, benefícios de troca de favores pessoais. Tudo foi tratado pelo bem coletivo, com absoluta transparência. Trago comigo um princípio: todo acordo que faço, só o faço se não tiver o constrangimento de levar a público. São muitos os benefícios conseguidos para a cidade. Um exemplo é a obra de restauração no Parque Ecológico da Cachoeira, pela Vale, no valor de R$ 3 milhões. A Vale também é patrocinadora exclusiva do Festival de Inverno. Tem parcerias no desenvolvimento do Programa de Educação Afetiva e Sexual, contra, por exemplo, a gravidez indesejada e a gravidez precoce. E a CSN? Participa muito. Ela está construindo o nosso Museu que vai abrigar as réplicas. Mas a gente sempre acha que pode melhorar, que as empresas podem contribuir mais ainda, né! Belo Horizonte será sede da Copa do Mundo de Futebol, em 2014. A sensação é de que todo o Estado já está vivendo em função disso, se preparando para tirar o melhor proveito com a movimentação turística extraordinária que virá. Congonhas está nessa? Na verdade, vamos fazer essa discussão no âmbito das cidades históricas diretamente com o Governo do Estado. Isso já está sendo programado. O que eu vejo é que o município tem mesmo é que fazer o seu dever de casa. Em Congonhas, estamos melhorando a infraestrutura para o turismo, a rede hoteleira, vias de acesso... Esse dever de casa, toda cidade vai ter que fazer se quiser pegar a onda. O fato de ser o presidente da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, beneficia Congonhas, porque você se obriga a fazer de Congonhas um modelo para as demais? Não temos a pretensão de ser modelo. Esse fato simplesmente nos obriga a fazer o nosso dever de casa bem feito. Afinal, fica muito feio, o prefeito, presidente da Associação, deixar sua cidade abandonada, sem melhorias. Mas prefiro entender que, pelo trabalho que a gente vem fazendo, Congonhas se credenciou a assumir a presidência da entidade. Se não fosse isso, dificilmente, as outras cidades elegeriam Congonhas. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 13 R o b e r t o L u c i a n o FA G U N D E S Engenheiro, Presidente do Conselho Empresarial de Turismo da ACMinas e seu vice-Presidente, diretor da Clan Turismo, membro do Conselho Estadual de Turismo. II Fórum Internacional pela Responsabilidade Sócio-ambiental e Turismo Sustentável – SUSTENTAR, a se realizar de 8 a 11 de setembro próximos, no Minascentro, em Belo Horizonte, configurase como um dos mais representativos eventos sobre sustentabilidade e turismo, contando com a participação de renomados especialistas, executivos, lideranças e autoridades em desenvolvimento sustentável, nacionais e internacionais. O tema do SUSTENTAR será “Desenvolvimento Sustentável: Caminhos e Cenários a Sua Escolha” e abordará a interação entre as diversas áreas do conhecimento relacionadas com o tema, como também irá contribuir para o fomento de cenários e a transferência direta de tecnologia entre países, em linguagem adequada para o público em geral. O evento reunirá autoridades nacionais e internacionais, especialistas, dirigentes empresariais, investidores e jornalistas, para debater as estratégias de sustentabilidade no turismo, novos modelos de negócios e desafios derivados das restrições quanto às emissões de gases de efeito estufa, acesso à água e recursos naturais, pelos diversos segmentos da sociedade. O evento terá debates sobre o turismo rural, turismo solidário, educação ambiental e desenvolvimento local através do turismo sustentável, análises macroeconômicas, jurídicas e legais. O Fórum está sendo proposto, mediante uma programação adequada ao momento evolutivo das questões ambientais e sociais, alinhada aos objetivos dos segmentos empresariais e governamentais e às atuais demandas de mercado. Fundamenta-se no conceito de qualidade, que abrange a participação de palestrantes proficientes em suas respectivas áreas, valorização do grupo participante, coletiva e individualmente, oferecendo serviços eficientes, facilitadores para o desenvolvimento de relações estratégicas para os interesses do segmento junto à sociedade. São oportunos alguns pontos de reflexão: - “Turismo sustentável é aquele que visa minimizar impactos ecológicos e socioculturais, enquanto promove benefícios econômi- SUSTENTAR 2009 O 14 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS cos para as comunidades locais e países receptores.” (OMT e PNUMA). - Ter em mente e exigência de harmonizar a atividade econômica com o futuro de todos nós. - Para discutir sobre o futuro do turismo, temos que pensar na juventude que interroga sobre o futuro do mundo, sobre o novo potencial, também sobre a profunda injustiça que o processo de globalização possa produzir. Temos que encontrar respostas concretas para algumas destas questões para que possamos projetar o crescimento compatível do turismo com o objetivo de um desenvolvimento sustentável da economia e taxa de empregabilidade mais justa. Focando neste objetivo, conseguiremos um mundo sempre melhor para se viver, sempre um arauto da paz, transformado em um lugar ideal para seus habitantes. - Para implementar um turismo capaz de durar no tempo, mantendo o seu valor qualitativo e quantitativo, necessário se faz coincidir a expectativa do residente local com a dos turistas, sem diminuir o nível qualitativo da experiência turística e sem danificar o valores ambientais e culturais do território visitado. Portanto, faz-se necessário um desenho institucional que contemple os múltiplos aspectos envolvidos, principalmente a interface com a sociedade civil, uma vez que esta pode fornecer o arcabouço e instrumental apropriados, por meio de suas organizações, para o estímulo ao debate e para induzir a incorporação das questões sobre sustentabilidade nas diversas etapas das políticas públicas. A construção de um novo modelo econômico é a única solução possível. O equilíbrio racional preconizado pelo desenvolvimento sustentável deve substituir o modelo de visão fragmentada que, historicamente, colocou em campos opostos progresso sócio-econômico e conservação ambiental. O animador é notarmos que, quando falamos sobre sustentabilidade, vemos que todos começam a se envolver com esta idéia e os que ainda não, querem saber como fazê-lo. Não há outro futuro a não ser o futuro sustentável. Fe c i t u r CIRCUITOS GANHAM PONTO DE REFERÊNCIA NA CAPITAL ara qualquer um, em qualquer circunstância, a casa-própria faz soprar novos ares numa atmosfera de novos planos e esperanças. Que o diga o presidente da Federação das Associações dos Circuitos Turíscos do Estado de Minas Gerais (Fecitur), Francisco Melo. E ele disse que a sede-própria fortalecerá o apoio oferecido pela entidade a seus associados. “A Federação atua como indutora e norteadora das ações a serem implementadas nos Circuitos Turísticos de Minas Gerais”, ressaltou, observando que a escolha de Belo Horizonte como o centro dos circuitos foi em função de, além de ser a capital do Estado, é a cidade onde estão os principais parceiros como a Setur, Belotur, Abrasel, Sebrae e Senai, entre P CARLOS ALBERTO-SECOM CARLOS ALBERTO-SECOM A sede da Fecitur fica na Avenida Brasil, 1831, no Funcionários, próximo à Secretaria de Turismo outros órgãos e entidades. Se a sede-própria é avanço para o melhor desempenho dos trabalhos, significa também aumento das responsabilidades. Ao mesmo tempo em que Melo festejava a conquista em convênio com a Secretaria de Estado de Turismo (Setur), já ouvia cobranças de representantes de associações de circuitos por ações pendentes e novos programas. A Estruturação da Sede da Fecitur faz parte de convênio firmado pela entidade com o Governo de Minas, no valor de R$ 685 mil, em março deste ano. Os recursos estão sendo aplicados também no suporte jurídico e contábil dos trabalhos desenvolvidos pelas Associações de Circuitos Turísticos, em cursos de capacitação e no A secretária, Érica Drumond, com o presidente da Fecitur, Francisco Melo, o presidente da Belotur, Júlio Pires, o deputado estadual, Fábio Avelar, e membros da diretoria da Federação das Associações dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais desenvolvimento e impressão de material informativo da entidade. A secretária da Setur, Érica Drumond, esteve na solenidade conferindo o novo espaço para os trabalhos da entidade parceira na implementação e no fortalecimento da Política de Regionalização do Turismo em Minas Gerais, que é integrada por 42 Associações de Circuitos Turísticos, certificadas pela Setur, abrangendo todas as regiões do Estado. Érica sustentou que a Fecitur foi criada visando o fortalecimento institucional das Associações de Circuitos Turísticos. ”O trabalho da entidade e a inauguração da sede são a materialização do resultado de um longo processo de amadurecimento da política pública de turismo em Minas Gerais.. As Associações dos Circuitos são os braços de execução de nossas ações no interior de Minas, portanto, a Fecitur é uma das nossas principais parceiras neste Estado imenso, constituído por 853 municípios”, enfatizou. E a Fecitur inaugurou o início de uma nova fase de sua existência, conseguindo mais espaço para aumentar a visibilidade dos destinos turísticos mineiros. Em parceria com a Belotur - e o presidente da entidade da Capital, Júlio Pires, estava lá, endoçando a iniciativa - Francisco Melo lançou o projeto “Intercâmbio Turístico e Cultural” que visa a promoção dos produtos turísticos das cidades mineiras, por meio das Associações dos Circuitos Turísticos. Será disponibilizado um espaço no hall externo da Prefeitura de Belo Horizonte, todos os domingos, para exposição dos roteiros turísticos dos municípios de Minas Gerais. A idéia é que os visitantes da Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena tenham acesso à gastronomia, ao artesanato e aos atrativos turísticos desses locais. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 15 Copa 2014 O Mineirão passará por uma profunda reforma para receber uma das chaves da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Araxá e Uberlândia já anunciaram que querem ser sub-sedes, acolhendo uma das seleções que virão para a chave mineira da Copa SUB-SEDES SUPER ANIMADAS m junho passado, alguns dias depois de Belo Horizonte ser anunciada como uma das 12 sedes brasileiras para a Copa do Mundo, em 2014, o deputado estadual, Tenente Lúcio, também anunciou: Araxá e Uberlândia querem ser sub-sedes da Copa em Minas. O sonho destes dois municípios é o de abrigar uma seleção das que vierem disputar a primeira fase em Minas. O devaneio de Araxá, entre muitas ofertas atrativas, se baseia no fato de, por duas vezes, em 1950 e 1958, ter servido a prétemporadas do selecionado brasileiro, com muitos craques levando saudades da terra, como o próprio Pelé cita no livro “Edison Arantes do Nascimento - Eu sou Pelé”, es- E crito por Benedito Rui Barbosa. Uberlândia tem o estádio Parque do Sabiá que, num ajuste aqui outro acolá, fica no ponto para o treinamento dos gringos. Tem, ainda, como carta de apresentação, a condição de 2ª maior cidade do interior do Brasil e, entre outros trunfos, está em segundo lugar, em Minas, em infraestrutura e rede hoteleira. Tão logo verbalizaram seus sonhos, as cidades viram ecoar os anseios na Assembléia Legislativa, atingindo os ouvidos do conterrâneo regional, Tenente Lúcio, nada mais nada menos que o presidente da Comissão Permanente de Turismo da ALMG. O eco mexeu com o ego de outras cidades que já estão se apresentando na Deputado Tenente Lúcio anunciou o interesse das cidades e foi para a linha de frente 16 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS corrida para sub-sediar a Copa em Minas, como Betim, São Lourenço e Capitólio. Depois de conhecer as intenções de Araxá e Uberlândia, o deputado Tenente Lúcio não perdeu tempo. Já programou reuniões e audiências públicas, e não perde a oportunidade de municiar-se de informações sobre melindres da questão. Afinal, querer é o primeiro passo, mas não é poder. Há um longo caminho a percorrer, assim como normas rigorosas, determinando o que pode e o que não pode neste evento mundial. A cidade deve estar bem preparada e atrair as atenções dos governos mineiro e federal, da CBF, FIFA e, em especial, da delegação do selecionado que vier jogar no Mineirão. Um grande passo já foi dado. O tenente Lúcio abraçou a causa e se mantém como mediador dos interesses dos municípios junto a esfera estadual. E anuncia estar disposto a ir a todas as instâncias necessárias pela conquista. Otimista, o deputado Tenente vê abrindo os horizontes para chegar ao topo das decisões. “Estamos trabalhando, buscando a melhor forma de convencimento das autoridades. Eu acredito na conquista, porque conheço a determinação dos prefeitos e da população”, anunciou o deputado. Com a secretária de Estado de Turismo, Érica Drumond, o deputado conseguiu o primeiro sim. Ela ficou simpática à proposta e se prontificou a contribuir. Ambos, sempre que se encontram por ocasião de eventos e compromissos políticos, trocam ideias sobre os melhores procedimentos nessa questão. Isto significa que a secretária poderá ser o elo junto ao governador mineiro, aos ministros dos Esportes e do Turismo. Daí, o caminho fica mais curto para se chegar a outros órgãos, como a FIFA. Araxá Cidade mobilizada para fazer parte direta da Copa Quem recebeu a seleção brasileira em duas oportunidades pode muito bem se candidatar a receber uma seleção estrangeira, em 2014. Os tempos são outros, mas em Araxá ninguém está preocupado com isso. Pelo contrário, entendem que muita coisa mudou. E a cidade, para melhor. uase cem mil torcedores estão em- brar para alavancar o processo de fortalepunhando a bandeira de Araxá, ci- cimento de Araxá. Nada mal, começar dade que pleiteia ser uma sub-sede desfrutando um evento do porte de uma da Copa em Minas. Vai ser uma pe- Copa do Mundo. leja, mas se depender da determinação do Em recente viagem a Belo Horizonte prefeito Jeová Moreira (Dr. Jeová), e da para tratar de assuntos diversos do intevontade popular, a vitória são favas conta- resse do município, Dr. Jeová aproveitou das. para dar continuidade aos entendimentos, Não é bem assim. E o prefeito sabe dis- junto a autoridades estaduais, para o meso, tanto que tratou logo de buscar o apoio lhor encaminhamento das ações para sua do deputado estadual Tenente Lúcio e já cidade participar de forma direta da esdesenvolve estudos e projetos para que a trutura mineira para receber turistas e secidade corresponda a todas as expectati- leções da Copa. vas de infraestrutura, em termos de conforto, segurança, acesso, mobilidade, coREFERÊNCIA DE CIRCUITO municação, hospedagem e, claro, receptiQuando tudo vai bem em casa, tudo dá vidade a turistas e recursos de treina- certo na vida lá fora. Isto vale para mosmento para a seleção que sediará. trar que o prefeito pode ousar. Ele conta O prefeito está pronto, inclusive, para com parcerias sólidas e decididas de enticonstruir um centro de treinamento, com dades do município, como Associação Coum novo e completo estádio de futebol. mercial, CDL, Associação do Circuito da Nada contra o Fausto Alvim, palco de tantas glórias. É que os tempos são outros. “Nós já estamos integrados e determinados, com o forte apoio da sociedade. Várias entidades manifestaram apoio e queremos que essa união cresça para que Araxá possa mesmo receber uma seleção da Copa”, disse o prefeito, ao anunciar suas intenções de investir no que for preciso, certo de que o retorno será imediato. Segundo Dr. Jeová, Araxá não chegou à condição de cidade indutora do turismo, por acaso. É porque tem um fácil acesso, é referência regional e tem uma infraestrutura que, com alguns investimentos, estará adequada a receber um movimento turístico extraordinário. E é com vistas a essa indústria que o José Zago: são muitas as entidades que fazem coro prefeito pretende se desdocom o prefeito, pedindo Araxá como sub-sede Q Prefeito, Dr. Jeová, confiante, conta com o apoio forte da população Canastra e Sindicato do Comércio Varejista, entre muitos outros. Com esse respaldo, Dr. Jeová segue confiante, buscando apoio externo. “O prefeito já mobilizou lideranças municipais, regionais e estaduais. Vejo essa postura com bons olhos, acredito na determinação de um homem fiel cumpridor dos objetivos traçados”. Não tem tradução melhor de apoio irrestrito do que esta fala do presidente da Associação do Circuito Turístico da Canastra, José Ramos Zago. José Zago comunga o mesmo otimismo do prefeito e se manifesta fundamentado no conhecimento que tem da potencialidade de Araxá, do alto de seu cargo, também, de vice-presidente da Associação Comercial e tesoureiro do Sindicato Varejista. “A localização de Araxá é muito boa, tem fácil acesso pelas rodovias, aeroporto e ferrovia. Por isso, a indicação da cidade como uma das principais indutoras do turismo mineiro foi acertada”, disse Zago, acrescentando que a Associação do Circuito já está tratando logo de providências para corresponder a essa condição. Segundo ele, as diferenças entre os municípios que integram o circuito turístico devem ser tratadas para que desapareçam, a partir de uma integração de produtos e atrativos turísticos. Zago informou que a Associação, juntamente com a Federação das Associações dos Circuitos Turísticos de Minas Gerais e Secretaria de Estado de Turismo, está concluindo pesquisa e estudos para identificar as reais condições de cada município associado. “Depois disso, vamos buscar nivelar as ações, a partir da realização de cursos conforme a demanda diagnosticada”, concluiu o presidente do Circuito da Canastra, colocando essa organização como mais um ponto forte para que Araxá venha ser subsede da Copa do Mundo. Afinal, o turista que vem pelo futebol, certamente, quer desfrutar as belezas naturais, a arte, a cultura, festas e história das localidades. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 17 A conquista do Penta passou Pelé saiu de Araxá, como reserva, para brilhar na Suécia, em 1958, levando o Brasil à conquista de seu primeiro título mundial o mês de abril do ano passado, o jornal “Hoje em Dia” circulava uma edição com matéria especial sobre os 50 anos da conquista brasileira da Copa Mundial, na Suécia. Na matéria, o cenário era Araxá, mostrando como foi a semana (21 a 27 de abril de 1958) em que Pelé, Garrincha, Nilton Santos e companhia experimentaram a beleza e a tranquilidade araxaenses. A reportagem do jornal ouviu cozinheiro da época, o jardineiro e outros que contaram algumas passagens com os astros da bola. O cozinheiro Wilson Alves Pereira (Seu Machado), por exemplo, contou que ficou aliviado quando o médico da seleção recomendou só saladas para os jogadores. Nada de enlatado. O alívio é porque o fogão era à lenha. Seu machado lembra também que não resistiu à insistência de Djalma Santos e acabou liberando uma lata de sardinha. Logo, vieram Garrincha, Didi e Mazzola. Como negar? Também levaram suas latas. Isto quase custou o emprego do Seu Machado, ameaçado pelo técnico Feola, o médico da seleção e o gerente do Grande Hotel, Antônio Timóteo. Este, piscando para o cozinheiro, pagou geral. O técnico e o médico se deram por satisfeitos. E Seu Machado, mais tarde, chegaria a chefe de Cozinha do Grande Hotel. O jardineiro Divino José Felisberto, 50 anos depois, recordou com a reportagem momentos em que ensinava a arte da pesca aos jogadores. Pelé, Didi e Garrincha, não saíam da beira do lago, tentando fisgar um lambari. Arquivo “Hoje em Dia” N Seu Machado foi destaque no jornal da Capital, contando curiosidades do tempo em que esteve com os craques do Brasil Sobre o histórico jogo-treino entre titulares e reservas da seleção, vestindo, respectivamente, as camisas do Najá e Ipiranga, dois arqui-rivais da cidade, o jornal divulgou o resultado de 3 a 2 para os reservas, vitória do Ipiranga de Pelé e Pepe, contra o Najá de Garrincha e Didi. A reportagem não teve o cuidado de ouvir dois najaenses “doentes”, Alcino de Freitas - filho do bandeirinha do Najá, Nicanor de Freitas - e Walter Natal - que chegou a fazer teste no Atlético mineiro, X Arquivo Centro Cultural / PMA Seleção titular do Brasil, com a camisa do Najá: Em pé - Carlos Alberto, Djalma Santos, Belini, Nilton Santos, Zito e Formiga (ao lado de Formiga, o prefeito Domingos Santos). Agachados - Garrincha, Didi, Vavá, Dida e Zagalo 18 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS em 1948 e hoje é comerciante. Para ambos, não havia a menor possibilidade de não terminar empatado o jogo-treino. Por eles, o resultado foi arranjado, porque se fosse como o jornal divulgou, na época, teria briga séria, com certeza. Mas como arranjaram aquele 3 a 2 para o Ipiranga? Trataram logo de esclarecer: Num lance já paralisado, ocorreu um dos três gols. “Tanto que o jogo não foi recomeçado com bola ao centro do campo”, emendou Walter. ESTÁDIO O estádio do histórico jogo-treino foi inaugurado, em 1938, recebendo o nome do próprio prefeito, Fausto Alvim. O primeiro jogo foi vencido pelo Araxaense por 4 a 1 sobre o Sacramento. O estádio foi um grande estímulo para a organização do futebol na cidade, fazendo surgir o Nacional, time de elite, que mais tarde passaria a se chamar Najá (nome de uma palmeira resistente), e o Ipiranga, time dos pobres, que começou sendo chamado de Tiradentes. Com tantas páginas históricas, muitos desportistas não querem que mexam muito no estádio, mesmo sabendo que sua estrutura atual não comporta mais jogos locais, muito menos servirá a treinamentos de seleção da Copa. Hoje, a intenção do prefeito Dr. Jeová em construir um novo estádio conta com apoio forte de desportistas, na expectativa de atender a seleções estrangeiras e também servir ao fortalecimento do futebol no município. Arquivo Centro Cultural / PMA Seleção reserva do Brasil, com a camisa do Ipiranga: Em pé Altair, Cacá, Hernane, Orlando, Mauro Ramos e De Sordi. Agachados - Joel, Moacir, Gino, Pelé e Pepe. por Araxá O Grande Hotel deixou saudades no rei Pelé. Ali, o jovem de 17 anos gostava de pescar nas horas em que não estava treinando. No livro “Eu sou Pelé” ele cita a pré-temporada em Araxá, como boa lembrança. Na preliminar do jogo-treino da seleção, o time principal do Najá estava em campo, enfrentando o Araguari. Vitória do time da casa por 3 a 1. Walter Natal, estava com a camisa 8. Só não fez chover, segundo ele mesmo contou. Tinha uma vantagem, não bebia nem fumava e tinha um preparo físico muito bom, só era parado na “botina”. Foi ele também que contou isso, mas respaldado pelo najaense Alcino de Freitas: “Ele era muito bom mesmo”. Walter Natal, hoje com 70 anos, chegou a fazer teste no Atlético Mineiro, em 48, mas não ficou. Tinha uma vida muito boa em Araxá - filho único e “bem criado” - e ficar em Belo Horizonte exigia muito sacrifício. Na época, não era muita vantagem ser jogador de futebol. Enquanto Natal contava suas aventuras, chegava ao seu comércio um flamenguista roxo, o engenheiro Cássio Lemos, 61 anos, que foi logo emendando: “Apesar de menino, na época, me lembro bem, porque, como flamenguista, era fã do Dida. Esse era o cara. Mas foi para a reserva e quem estourou foi o Pelé”. Outra história do menino de 17 anos. O araxaense Coquinho, que jogava no Vasco, chamou Natal para se encontrar com os jogadores da seleção. Estavam ao lado de Mauro. Pelé passou, humilde, e Mauro comentou: “Se vocês não conhecem esse aí - apontando para Pelé - vão ficar conhecendo logo. Chuta com os dois pés, ataca e defende. É craque”. Não demorou muito e entrava no comércio de Natal, outro Cássio, o Santos, dentista que teve a incumbência de extrair todos os dentes dos jogadores que estivessem com problema. O dentista de 79 anos, hoje, explicou que não havia tempo hábil para o tratamento dentário. Então a ordem era mesmo extrair para que a infecção não interferisse no condicionamento físico dos jogadores. Ele lembrou que ficou com o dente de Garrincha por muito tempo. Inclusive chegou a deixar esse dente pendurado no Bar do Valtinho por vários dias. Ali, só faltou chegar o Alcino de Freitas, o comentarista esportivo de 67 anos, bacharel em Administração de Empresas. Com ele, o papo certamente se estenderia por horas. As lembranças iam e vinham, cada um mais saudosista que o outro. Al- Walter Natal não viu Najá perder Alcino, comentarista esportivo Cássio Santos, o tira-dentes dos craques cino guarda fotos e histórias do futebol em Araxá que, como ele mesmo diz, dá para fazer um livro. Ou uma enciclopédia? Cássio Lemos viu o ídolo do Flamengo CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 19 Fotos: Frederico Crema No alto, o Museu Histórico de Araxá - Dona Beja; acima, a Casa do Poeta - antigo Cine-Clube Brasil e no destaque o Centro de Cultura, onde funcionou o Banco Nacional; ao lado, o Centro Cultural de Araxá e a Praça Governandor Valadares 20 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS Araxá tem marcas tão fortes quanto “Grande Hotel e Termas” arece uma rara unanimidade a excelência dos produtos “Grande Hotel e Termas do Barreiro” como atrativo araxaense. Mas nesse novo tempo que a cidade está vivendo, unânime também é a união de todos para que Araxá seja vista além destes marcos. O município está localizado na região do Alto Paranaíba. Ao sul, o município é limitado pelas Serras da Bocaina e do Sacramento ou Taquaral. Ao centro, compreendemse as Serras da Bocaina, do Sacramento, do Quilombo, do Monte Alto e a Bacia do Barreiro que são um prolongamento da Serra da Canastra. O clima é temperado, com inverno seco e verão chuvoso. A umidade relativa média é de 75,6º e as temperaturas médias situam-se entre 20ºC e 22ºC. Predominam-se os campos cerrados. A cidade é palco de vários esportes radicais e oferece exuberantes paisagens. Explorando esses aspectos, Araxá já entra na rota de segmentos variados de turistas. Na parte histórica, os cuidados são muitos. Os bens tombados e as casas inventariadas estão bem preservadas. A cidade possui edificações que caracterizam sobrados, casas ao rés do chão e outras, construídas durante os séculos XIX e XX. A Igreja Matriz de São Sebastião é um exemplo típico da arquitetura colonial e possui um belo conjunto de bens integrados e móveis, formado por altares, imaginárias e alfaias. Assim, estão seguindo a linha dos cuidados direcionados ao Complexo Hidromineral do Barreiro, com a restauração das Termas, as Fontes e os Jardins. E o Grande Hotel, com o seu mobiliário original. Em festas e manifestações culturais, Araxá também pode ser referência. Hoje, mantémse a tradição de comemorar os dias de São Sebastião, Nossa Senhora d’Abadia, o padroeiro São Domingos, Corpus Christi e Semana Santa. Grupos folclóricos como Folia de Reis, Congado e Moçambique são atuantes. As Pastorinhas também se apresentam nos dias que antecedem o Natal até o dia de Santos Reis. Quanto às Folias, a maioria delas se formou há mais de 100 anos e têm sido transmitidas de pais para filhos. Araxá tem muito mais. Tem tradições e hábitos alimentares provenientes de produtos como o queijo, o polvilho, a farinha, o leite, a rapadura e as frutas de época são preservados. Os tradicionais doces e quitandas foram transformados em atividade economicamente viável. São conservadas as duas bandas de música criadas no início do século XX, como opções de lazer destinadas pela estância. Nos últimos dez anos, o Festival Nacional de Dança e a Mostra Nacional de Teatro reúnem cerca de 3.000 participantes. Entre os bens tombados que são grandemente procurados por turistas, especialmente internacionais, conforme pesquisas da Embratur, estão a Igreja Matriz de São Sebastião, Complexo Hidrotermal do Barreiro, o antigo Banco Nacional - atual Centro de Cultura, Árvore dos Enforcados, Casa do Poeta - antigo Cine-Clube Brasil, Estação Ferroviária de Itaipu, Fundação Cultural Calmon Barreto, Igreja Matriz de São Domingos, Museu Histórico - Dona Beja, Palácio Nagib Feres e Praça Governador Valadares. P Araxá pertence ao Circuito da Canastra. No alto, a imponente Igreja Matriz; acima,o Museu Calmon Barreto; ao lado Marco da Nascente do Rio São Francisco, Serra da Canastra Uberlândia Uma sub-sede para Uberlândia está entre as primeiras cidades em capacidade de hospedagem, é exemplo de organização urbana, de invejável qualidade de vida. Além disso, tem muitos atrativos turísticos e prosperidade no potencial de negócios. O que mais é preciso para ser sub-sede de Belo Horizonte, Brasília ou Goiânia? É só falar! nquanto o deputado estadual Tenente Lúcio segue atraindo holofotes para as intenções das cidades interessadas em sub-sediar a Copa do Mundo de 2014 que acontecerá no Brasil, em 12 capitais, os prefeitos e outras lideranças municipais vão fazendo a sua parte, como é o caso de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. O deputado, que vestiu a camisa titular de Araxá e Uberlândia, vem participando diretamente das ações, carregado de otimismo. “Não há quem não reconheça a capacidade de uma cidade como Uberlândia para oferecer as melhores acomodações e infraestrutura para delegações internacionais e grande leva de torcedores”, comentou Tenente Lúcio, acrescentando que os prefeitos estão determinados. “O mais importante é que existe vontade política e pronta iniciativa”, elogiou. O otimismo do parlamentar não é só pelas ações dos prefeitos, mas por ver confirmada a simpatia com que a secretária de Estado de Turismo, Érica Drumond, se dispôs a reforçar a campanha das subsedes. Para o secretário de Desenvolvimento E 22 Econômico e Turismo de Uberlândia, “a copa do mundo é um grande negócio de turismo. A infraestrutura e atrações oferecidas aos turistas são fundamentais para o sucesso do evento. Uberlândia, considerada a capital nacional da logística, possui uma localização privilegiada, que permite fácil acesso às principais sedes da copa, além de ser a segunda maior cidade do interior do Brasil. A estreita sintonia com o Ministério do Turismo e Secretaria de Turismo de Minas, nos permite desenvolver ações estruturadas na busca da excelência”. É com essa visão que a Prefeitura vem agindo. O prefeito recebeu recentemente a visita do secretário de Estado de Esportes, Gustavo Corrêa e ficou mais confiante, depois de ouvir do secretário: “Eu vim aqui para conhecer o estádio João Havelange, onde o Governo do Estado está disposto a fazer novas parcerias com repasses de recursos financeiros e, mais do que isso, poder verificar in loco, porque eu acho que Uberlândia tem todas as condições de ser escolhida para ser sub-sede na Copa do Mundo de 2014. Uma cidade que tem toda a infra-estrutura que atende aos interes- ses da FIFA.” Uma carta assinada pelo prefeito Odelmo Leão também chegou às mãos do ministro do Esporte, Orlando Silva, em forma de manifesto do interesse de Uberlândia em ser sub-sede da Copa de 2014. Segundo o prefeito, se Uberlândia não pode ser sede da Copa de 2014, já que Minas Gerais sediará uma chave, em Belo Horizonte, tem potencial para ser uma sub-sede. Para ele, Uberlândia oferece uma estrutura completa para receber delegações e turistas de qualquer parte do mundo. “Nós temos a consciência de que Uberlândia oferece a infraestrutura necessária, inclusive de meios de transportes e comunicação, bem como uma ótima estrutura esportiva para qualquer seleção utilizar e se preparar adequadamente para o Mundial”, observou. A localização geográfica de Uberlândia é outro fator, que segundo Odelmo Leão pode pesar a favor da cidade. “A proximidade com Goiânia, Brasília, Belo Horizonte, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, São Paulo e Paraná nos deixam muito a vontade para manifestar Os secretários de Turismo, Dalpiaz (Uberlândia) e Érica Drumond (Estado), e o prefeito Odelmo: interesses comuns para 2014 ag0sto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS muitos Estádio João Havelange - “Parque do Sabiá”: na medida para treinamento de seleções interesse e colocar Uberlândia à disposição.” O prefeito lembrou ainda que a participação em um evento como a Copa de 2014 servirá para movimentar a economia do município e região. “É muito mais do que esporte, porque vai movimentar o setor hoteleiro, de alimentação, prestação de serviço, comércio, indústria e imprensa, principalmente a mídia internacional, que estará aqui fazendo a cobertura e divulgando o nome de Uberlândia. Posso afirmar que um evento como este está ligado diretamente à geração de emprego e renda”, concluiu Odelmo Leão. ESTRUTURA O diretor da Futel, Antônio Carrijo, informou que Uberlândia é a primeira cidade a fazer oficialmente o pedido para ser sub-sede da Copa. “Esforços não estão sendo medidos para que o Estádio Municipal João Havelange seja um dos escolhidos para a Copa de 2014. O ministro do Esporte vai se empenhar junto à CBF”, ressaltou Carrijo, ao retornar de Brasília, depois de entregar a carta do prefeito ao ministro. Carrijo acredita que a cidade tem grandes chances de ser escolhida para ser sub-sede. “Uberlândia foi destacada como o 25º município brasileiro em infraestrutura, o 2º no Estado em consumo, o 9º do Brasil em promoção de eventos internacionais. Além de toda infraestrutura aeroportuária e logística, o município ainda conta com o Estádio Municipal João Havelange com capacidade para acomodar 55 mil pessoas e está adaptado pelas novas exigências do Estatuto do Torcedor”. Uberlândia é uma cidade bem organizada, com muitos espaços agradáveis e fica em boas condições ante às exigências dos visitantes em termos de qualidade em hospedagem, transporte, comunicação e lazer CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 23 Tr i â n g u l o AUDIÊNCIA PARA GRITOS DE ALERTA A superintendente de Política de Turismo da Setur-MG, Jussara Rocha, esteve na Audiência Pública da Assembleia Legislativa, em Sacramento, e fez algumas anotações: oito deputados, 24 prefeitos, 30 vice-prefeitos, outras dezenas de vereadores. Tropa formada para a luta da integração. A superintendente da Setur, Jussara Rocha, o prefeito de Sacramento, Baguá, e o deputado estadual, Tenente Lúcio: o Triângulo fixado na integração regional oi um festival de frases feitas, nostálgicas histórias e desfile de autoridades ao microfone. Quatro horas de Audiência Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no salão do Clube Náutico Jaguara, em Sacramento, no início de junho, para decidir sobre questões relacionadas ao fomento do turismo no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Na verdade, não precisava de tanto, o que foi definido poderia ser em pouco mais de uma hora. Um ponto em comum, ao final: maior união, integração e investimentos para a região deslanchar. F 24 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS O presidente da Comissão Permanente de Turismo da Assembleia, deputado Tenente Lúcio, autor do pedido da audiência, por solicitação do prefeito de Sacramento, Wesley de Santi (Baguá) e do proprietário do Parque Náutico de Jaguara, Ivan Barbosa Afonso, resumiu o que resultou do encontro. “Não tenho dúvida sobre a grande importância desse trabalho que concluímos aqui. Podem ter a certeza de que o turismo e o desenvolvimento do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba ganharam um novo marco, fixando o antes e o depois dessa grande audiência pública”, comentou o deputado, depois de encerrar as atividades. Muitos os discursos e, neles, uma unanimidade foi a proposta de integração dos municípios que compõem os principais circuitos turísticos do Alto Paranaíba e do Triângulo Mineiro para o incremento do turismo na região. Os deputados presentes à reunião aprovaram requerimentos de autoria coletiva que foram elaborados a partir de propostas levantadas durante a audiência. Um deles trata de encaminhamento à Secretaria de Estado de Turismo de um projeto de desenvolvimento dos circuitos turísticos da Serra da Canastra e dos Lagos, que foi apresentado durante a reunião. Outro requerimento foi para a criação de um grupo de trabalho composto por lideranças dos governos Federal e Estadual para que seja elaborado um plano diretor que contenha ações estruturantes para permitir o desenvolvimento turístico da região. A proposta foi apresentada pelo prefeito de Uberaba, Anderson Adauto, que considera que com o plano diretor em mãos seja mais fácil conversar com os candidatos ao Governo do Estado para que assumam compromisso nesse sentido. Finalmente, foi aprovado requerimento para encaminhar ao governador pedido de informações sobre o projeto de implementação da estrada Ecoturística, ligando os municípios de São João Batista do Glória, Delfinópolis e Sacramento. O deputado Zé Maia (PSDB) afirmou que o Governo do Estado está comprometido com a construção dessa rodovia e considera o empreendimento importante para o Circuito Turístico da Canastra. Esta estrada, ligando o Triângulo ao Sul mineiro ocupou grande margem do tempo, por ser, como afirmaram “um sonho de 40 anos”. Problemas de divulgação e desinformação Ivan Barbosa, proprietário do Parque Náutico Jaguara: referência para o debate ois problemas foram destaques do que mais foi colocado pelas pessoas que se pronunciaram na Audiência Pública. Superaram até a questão dos investimentos. Um dos problemas está na falta de divulgação dos destinos e seus produtos turísticos. Este grito de alerta retumbou do início ao fim do encontro em Sacramento. O segundo não surgiu nem de grito nem de sussurro. Simplesmente, algumas autoridades demonstraram completa ou parcial desinformação sobre a política de turismo do Governo do Estado, ao afirmarem que não veem nada sendo feito. Isto, inclusive, levou a superintendente da Setur, Jussara Rocha, manifestar a preocupação junto ao deputado Tenente Lúcio, pedindo urgência para que a Secretaria de Turismo tenha a oportunidade de ir à Assembleia Legislativa expor todo o seu planejamento e ações no setor. Ivan Barbosa, proprietário do Parque Jaguara, advertiu por uma integração consciente: "É preciso compreender a importância do turismo e o que ele representa. Em todo o mundo, o turismo é responsável por 10% da renda e 15% de empregos", informou Barbosa. Ele lembrou que as riquezas naturais e históricas não são capazes, por si só, de promoverem o desenvolvimento turístico, e pediu mais investimentos na área. O prefeito de Sacramento, Wesley de Santi (Baguá), disse que a preservação do patrimônio natural e histórico da região tem sido promovida apenas pelos recursos das cidades, que em sua avaliação, são insuficientes. “Outras regiões históricas são sempre muito assistidas, enquanto aqui ficamos à mingua”, alertou. Ele fez um apelo aos deputados para que, na elaboração do orçamento para o próximo ano, destinem recursos para o incremento do turismo do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. O deputado federal, Paulo Piau, lembrou que a capacitação dos moradores para receber os turistas é uma ação importante para o desenvolvimento da atividade, e defendeu a participação das D universidades nesse processo. Integração - Ivan Barbosa, que é proprietário do Parque Náutico da Jaguara, defendeu a integração dos municípios da região para a promoção do turismo. Antônio Carlos Cruvinel, desembargador do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, que é natural de Sacramento, fez eco ao brado pela união das cidades do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro. "Houve uma época em que se desenvolveu o espírito separatista. Aquele movimento foi resultado da postura dos governantes da época. Nossa região tudo mandava para o Palácio (da Liberdade) e nada recebia de volta", disse o desembargador, referindose ao movimento que pretendia separar o Triângulo Mineiro do restante do território de Minas Gerais e consolidar um novo Estado independente. Para o desembargador, este é o momento de afastar definitivamente o sentimento separatista. Para o deputado Antônio Carlos Arantes, o desenvolvimento turístico da região depende de um trabalho coordenado entre as administrações dos municípios envolvidos. "Onde tem força política, as coisas andam. É hora de coordenação", defendeu. Esse também foi o posicionamento do deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), ao dizer que não se deve trabalhar de forma Superintendente da Setur, Jussara Rocha: de cobrada, passa a cobradora isolada. Ele também sugeriu a participação das universidades na elaboração do projeto de incremento do turismo. O 2º secretário da Assembleia, deputado Hely Tarqüínio, disse que, para promover o desenvolvimento, é preciso unir ciência e política. Para o parlamentar, a ciência é necessária para concretizar os projetos e sonhos da sociedade, enquanto a política promove a interação dos segmentos sociais para a discussão dos diferentes aspectos que envolvem a iniciativa. Na avaliação do deputado Wander Borges, a própria sociedade civil deve se apossar do projeto para que ele seja bem sucedido. Já deputado Deiró Marra disse que mais investimentos em turismo são importantes para diminuir também o custo para os turistas. "Isto não pode ser um privilégio de poucos", defendeu. Fernando Caetano de Souza, presidente do Circuito Turístico dos Lagos, e Cecília Cardoso, que representa o Circuito da Serra da Canastra, apresentaram um projeto de desenvolvimento turístico para essas áreas. O projeto prevê investimentos da ordem de R$ 6,8 milhões para a implementação de algumas ações e melhorias nos circuitos. A representante da Setur, Jussara Rocha, recebeu o projeto e disse que o governo está implantando de forma bem sucedida uma política pública de turismo. Ela explicou que a Secretaria trabalha com o conceito de organização de gestão, que consiste na realização de um trabalho articulado com as instâncias e organizações responsáveis pelos circuitos turísticos. "Quem tem tantos potenciais deve integrar todos esses produtos e transformá-los num produto único e singular", disse, referindo-se ao Triângulo e Alto Paranaíba. Jussara Rocha chegou a trocar de posição. Depois de tantas cobranças e pedidos direcionados à Secretaria e Governo do Estado, ela ponderou que as cobranças são muitas mas os recursos não são suficientes. O ideal seria que, para o próximo ano, os deputados estaduais, por meio das emendas orçamentárias, indicassem mais recursos para a Setur. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 25 Sacra mento O começo de tudo Acompanhado de Ivan Barbosa, proprietário do Parque de Jaguara, o prefeito Baguá recebe filhos ilustres de Sacramento para Audiência Pública da Assembleia, como o desembargador Antônio Carlos Cruvinel, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: A integração regional começando da reação de Sacramento. 26 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba têm suas raízes fincadas em Sacramento, eixo da colonização do Brasil Central. Dali, se alastraram os povoados que foram se organizando e hoje formam uma região das mais ricas e prósperas do Brasil. Quem tem isso na ponta da língua é o prefeito Baguá. Frederico Crema Observatório de Pássaros tem atraído turistas de todo o mundo, na Serra da Canastra, onde tem a maior diversidade e pássaros da América Latina. Na foto, a imagem de São Francisco, Marco da Nascente do Velho Chico. é aqui este embalo de Sacramento para buscar investimentos e reassumir, definitivamente, a condição de eixo das ações para o desenvolvimento da região, o prefeito Wesley Santi (Baguá) vem procurando organizar melhor a cidade e ampliar as relações no sentido de canalizar recursos e fortalecer a representação político-administrativa do município. O cuidado com o seu patrimônio histórico é uma das marcas da administração que quer também mostrar que Sacramento tem muito mais a oferecer, com suas grutas, lagos e biodiversidade, além de festas tradicionais, populares e religiosas. O foco é a organização urbana e administrativa da cidade, a partir da revitalização de seus atrativos e humanização dos espaços. A cidade é energia pura, literalmente falando, assim como no aspecto de tornar-se mais próspera. Com seus mais de 22 mil habitantes, dois terços vivendo em área urbana, Sacramento se estrutura para fazer a diferença neste novo processo de fomento à indústria do turismo. A diretora de desenvolvimento econômico e turismo da Prefeitura, Virgínia Dolabela, diz acreditar muito na proposta de regionalização do turismo, já em andamento. “Ninguém faz sozinho, se queremos um turismo forte, temos que fortalecer os circuitos e criar roteiros com atrativos diversificados”, observou ela. Virgínia considera que a política estadual para o turismo está muito bem enquadrada, mas os municípios precisam fazer a sua parte. Ela cobra uma programação de eventos para a sensibilização e orientação de todos. N A praia do Parque de Jaguara mostra a diversidade dos produtos turísticos de uma cidade com invejável potencial histórico, com seus exemplares do patrimônio tombado, que preservam a origem da ocupação do território brasileiro central. Sacramento saiu, definitivamente do acomodado anonimato para dizer ao estado, Brasil e ao mundo que tem história e muitos outros produtos turísticos para o bem-estar da população local e visitantes. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 27 Mineiridade MINAS SÃO MUITAS; MINEIROS SÃO ÚNICOS Uma exposição “Formação do Povo Mineiro” vem matando a curiosidade de muitos sobre, principalmente, o que faz desse povo tão especial. Os trabalhos expostos mostram Minas e seu povo no processo de sua formação até os dias atuais. e alguém recorrer às grandes frases e pensamentos do escritor português, José Saramago, poderá até julgar que muitas de suas inspirações tem origem em observações sobre o jeito mineiro de ser. Só um exemplo basta. Saramago teria dito “Eu não tenho pressa, mas não perco tempo”. Este é um genuíno mineiro, porque mineiro é que não tem pressa, mas não perde tempo. Alguns ilustres cidadãos das Minas Gerais destilaram suas malícias, desenhando com frases, o perfil da mineiridade. Quando governador do Estado, irritado com a política federal em relação a Minas, Hélio Garcia mandou o recado: “Mineiro não briga, mas também não perdoa”. S Heloíza Giacomini: um pé na roça 28 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS É assim, não se deve provocar um mineiro. Provocaram Henrique Hargreaves, certa vez, menosprezando sua condição de eminência parda do Governo Itamar Franco, de um Estado que, àquele tempo, estava impotente no âmbito da política nacional. Ele não perdeu tempo: “É melhor ser sapo grande em lagoa pequena do que ser sapo pequeno em lagoa grande”. A paciência do mineiro, em algumas vezes, chega até a irritar. Mas o ex-governador Aureliano Chaves mostrou porque somos assim: “Quem não vive com paciência, não decide com precisão”. E tem mais uma deste “filósofo” que chegou à vice-presidência do país. “Nós, mineiros, não somos tímidos. Somos prudentes”, disse certa vez, quando questionado sobre o comportamento de políticos mineiros de forma pacata em determinadas discussões acaloradas. Durante uma exposição de artes, no saguão da Assembléia Legislativa, retratando paisagens e costumes de Minas Gerais, lá estava, com olhos profissionais, Heloíza Helena Barros Giacomini, se rendendo aos encantos da vida campestre da origem mineira. “Eu me identifico muito com as obras de artes. Elas nos transmitem vários sentimentos e tudo aqui é muito verdadeiro e característico, porque todo mineiro tem um pé na roça. Nossa origem está no trabalho do campo”, comentou. A funcionária pública, Kátia Moreira, que também tem o hábito de visitar exposições, estava impressionada com a sensação que sentia. “Tem quadro aqui que a gente olha e parece que está à janela ou na cozinha de uma casa de campo. É incrível a colocação de planos e a profundidade do ambiente. É como se a gente estivesse visitando o interior de Minas”, viajou, Kátia. “...Aí, plasmado de paulistas pioneiros, de lusos aferrados, de baianos trazedores de bois, de numerosíssimos judeus manipuladores de ouro, de africanos das estirpes mais finas, negros reais, aproveitados na rica indústria, se fez a criatura que é o mineiro inveterado, mineiro mineirão, mineiro da gema, com seus males e bens.” Ninguém melhor do que Guimarães Rosa para retratar a mineiridade, como está exposto na Escola do Legislativo, da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG). Kátia: sentindo ser parte do ambiente A exposição “Formação do Povo Mineiro” está na Escola do Legislativo, avenida Olegário Maciel, 2.161, bairro Lourdes Raízes mineiras expostas com arte Wéllida DUARTE Mineiro é bom de prosa. E quando ele é o personagem principal, a história não acaba. Esta é a sensação que a exposição “Origem do Povo Mineiro”, que está no corredor cultural da Escola do Legislativo, da ALMG, transmite às pessoas que ali vão. Nela estão retratados os grandes temas e períodos que marcaram a história do Estado e de seu povo, com riqueza de características e simplicidade para o entendimento, como afirmou uma visitante, Maíra Vartuli, 21 anos, estudante de Relações Públicas da PUC Minas. “A exposição é muito informativa, chamativa e simples, porque qualquer pessoa pode entender. Mostra Minas de todas as formas, até a atualidade; e as fotos são muito boas”, avaliou a estudante. A mostra foi produzida através do ciclo de palestras que aconteceu no ano passado, também denominado “Formação do Povo Mineiro”, dentro do calendário técnico-acadêmico do programa “Pensando em Minas”. Para as palestras, foram convidados muitos especialistas, como historiadores e turismólogos, para discutirem os temas que marcaram a história de Minas. Foi construído um panorama histórico da população e do território do estado, a partir das primeiras décadas do século XVII até os dias de hoje, destacando muitos aspectos importantes de cada um dos períodos. A exposição tem seis painéis: As Minas antes de Minas; Povos das Minas no século XVII; O Urbano e o Rural, em Minas Gerais, entre os séculos XVIII e XIX; Território e Geopolítica nas Minas Gerais do século XIX; Minas Gerais na República; e, finalmente, Minas Gerais na contemporaneidade: fronteiras regionais, identidade e diversidade. Esses painéis reúnem ilustrações, citações de muitos autores, principalmente mineiros, como Guimarães Rosa, no painel “Povos das Minas no século XVII”, sobre a chegada da mestiçagem em Minas Gerais. Além de citações, também existem muitos textos orientando o leitor. No painel Minas na República, aparece um citado de Juscelino Kubitschek: “Minas há de sair do marasmo e da rotina. Através dos novos caminhos que se rasgarão a força de nosso trabalho perseverante, há de se desfilar num sopro revivificador, o resultado do esforço e do labor de 8 milhões de mineiros”. ” A exposição também tem uma versão itinerante, mas com apenas dois painéis, que está percorrendo outros espaços públicos do Estado de Minas Gerais, principalmente as Câmaras Municipais e tem um suporte de um conjunto de DVDs, feito a partir da edição das palestras. Também foi criado, através do ciclo de palestras, uma edição especial dos Cadernos da Escola do Legislativo, onde foram publicados artigos dos estudiosos que participaram do ciclo de palestras. Maíra: Informação com objetividade CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 29 Ser mineiro é ficar em cima do muro mesmo, não por imparcialidade, mas para poder ver melhor os dois lados. O mineiro é um composto de diversidade de povos, mas é único com o seu jeito de ser e ver a vida. “O mineiro se fez poesia, extraindo rimas do que houve de melhor em suas origens”, frase de autor desconhecido. Deve ser um mineiro. Num trabalho de Graciela Rodrigues Nars divulgado na internet é possível conhecer mais um pouco do perfil do bom mineiro. Com bom humor, ela reúne detalhes da “mineirice” que servem de rótulo para um símbolo de serenidade, equilíbrio e segurança em sua essência de ser. Isto mesmo, mineiro é mais que um estado de espírito, é como se fosse a marca de um produto singular de bem viver. É só conferir alguns trechos do que Graciela divulgou na net: “Dizem que mineiro é desconfiado, religioso, conservador, simples, prudente. No entanto, a sublime e subestimada arte de ser mineiro sobrevive em todos nós, em maior grau, em alguns, e mais à flor da pele, em outros. Mas não tem como negar, mesmo sem ter nascido nesse cantinho de terra sem mar, mesmo sendo paulista, capixaba, baiano, um pouco de mineiridade subsiste em todos, pois ser mineiro é mais do que um local de nascimento, é uma maneira de encarar a vida, é saber valorizar as tradições, os costumes, a família, é conseguir perceber a beleza nas coisas simples do dia-a-dia, é encontrar felicidade no singelo ato de admirar um por do sol inesquecível. Uma das coisas boas de ser mineiro é fazer da cozinha o lugar mais aconchegante da casa. Cozinha de mineiro tem aroma de café, bolo de fubá e, sobretudo, calor humano! É o lugar escolhido pela família para se reunir, para contar “causos” e novidades. É certo que as cozinhas de hoje estão cada vez menores, mas o mineiro precisa de pouco espaço para expressar a sua mineiridade. Ah, tem mais uma característica que só mineiros entendem bem. Faz “pratinho” no fim de festa. Mineiro não compactua com o desperdício e também não recusa um docinho. Então, se no final da festa você não resiste a montar um pratinho com seus quitutes preferidos para saborear no dia seguinte, você é um típico mineiro, não tem como esconder! É por essas e outras que ser mineiro é “bão demais”, porque mineiro não é contra nem a favor, foge da luz por desconfiar da própria sombra, receia até dos próprios pensamentos. Ser mineiro é ficar em cima do muro mesmo, não por imparcialidade, mas para poder ver melhor os dois lados. É comer as sílabas para não morrer pela boca. É falar manso, sabe pra quê? Pra quebrar a paciência!” SER MINEIRO "Ser mineiro é não dizer o que faz , nem o que vai fazer, é fingir que não sabe aquilo que sabe, é falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos. Um bom mineiro não laça boi com imbira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda no molhado, não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê fogo, só arrisca quando tem certeza , não troca um pássaro na mão por dois voando. Ser mineiro é dizer "uai", é ser diferente, é ter marca 30 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS registrada, é ter história. Ser mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância. Ser mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do gado, é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida. Ser mineiro é ser religioso e conservador, é cultivar as letras e artes é ser poeta e literat, é gostar de política, é amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter a vida interior, é ser gente.” Fernando Sabino Obra de Almeida Júnior, “A Alma Caipira” Fe s t a P o p u l a r A INDÚSTRIA DO ARRAIAL NÃO FABRICA, PRESERVA TRADIÇÕES David de H ilster Arraial e Carnaval: duas festas populares que têm muita coisa em comum, especialmente a alegria e a mobilização de massa. Minas passa longe de ter um carnaval como o do Rio de Janeiro - e nem pretende -, mas caminha para ter um arraial com a mesma potencialidade no apelo popular e social. uando desembarcarem no Brasil para se deleitarem com o Carnaval carioca, muitos estrangeiros estarão programando um retorno ao nosso país, alguns meses depois, para se divertirem em outra grande festa popular, de raízes mais sólidas ainda, o Arraial de Belô. Isto não está longe de acontecer, uma vez que a intenção da Belotur é estimular ainda mais o evento, investindo em infraestrutura e divulgação. Outro indicativo é o bom número de loiros de olhos azuis, desengonçados, rebolando ao som dos acordeões e violas, no meio da multidão que se aglomera na Praça da Estação, na capital mineira. É questão de tempo. O evento, sem forte teor comercial tem, em sua razão de ser, garantir a continuidade das tradições e costumes populares Q brasileiros, resgatando a identidade histórica e cultura do país. A reboque, proporciona diversão e lazer à população local e aos turistas, auxilia no fomento ao turismo, agregando valores à comunidade local e Belo Horizonte vira importante destino turístico em um dos meses mais fracos do turismo praia. Sem exageros, o Arraial de Belô já se constitui em uma das iniciativas mais verdadeiras na preservação do sentido caipira das festas juninas. No páreo, só o Nordeste brasileiro. Mesmo assim, por lá os eventos se confundem com o forró, o frevo ou o baião, como ocorre também no período do carnaval. Então fica assim combinado: carnaval, no Rio, frevo, em Pernambuco, arraial, em Belô, e assim por diante. Quem já viu festa junina em terreno Forró dos Sinueiros, mantendo tradições e realizando trabalho social no município de Betim fluminense, teve a clara sensação de estar olhando mineiro fazendo carnaval ou promovendo uma farra de frevo. Festa caipira é com quem tem no sangue e na alma, na tradição, a energia do campo. Quanto mais se infiltra pelo interior mineiro, mais pura e genuína é a festa, onde não se precisam fantasiar muito e nem forçar trejeitos. E não precisa ir muito longe de Belo Horizonte para encontrar grupos determinados a o real significado das festas caipiras. A 30 Km da capital, em Betim, “Os Sinueiros”, um evento característico promovido por um grupo de amigos, consegue reunir mais de duas mil pessoas, se divertindo e contribuindo para a arrecadação de donativos para instituições filantrópicas. A ideia, nascida há oito anos, já faz parte do calendário de eventos daquele município da região metropolitana. Em meio aos objetivos de preservação de costumes está nascendo uma forte indústria, a partir do Arraial de Belô. Guardadas as devidas proporções, o evento mineiro, de forma natural, já começa a ganhar estrutura e organização ao nível do maior evento carioca. Se o Carnaval carioca tem a entidade das escolas de samba, o Arraial de Belô tem a União Junina Mineira. Lá tem dezenas de escolas, aqui, dezenas de grupos de quadrilhas; as escolas têm samba-enredo, coreógrafos e figurinistas, as quadrilhas têm também, só que aqui é tema-de-arraial; as escolas de samba têm vida o ano inteiro, com trabalho permanente e apresentações extemporâneas, aqui, as quadrilhas também, uai! CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 31 Arraial de Belô ARRAIAL-CARNAVAL Qualquer semelhança é mera coincidência Divulgação Evolução, alegorias, adereços, figurinos, enredo, concentração e profissionalismo: Arraial e Carnaval, tudo a ver! Belotur acha que a Praça da Estação já não comporta novo Arraial. Ou invade a Avenida dos Andradas ou busca-se um novo e maior espaço. Pela tradição... Até parece que a Praça da Estação de Belo Horizonte foi feita na medida para a realização do Arraial de Belô. Se isto fosse verdade, já estaria passando da hora de remodelá-la. Segundo registro da Belotur, a praça ficou pequena para um sábado de julho que foi a grande noite de shows e apresentação de quadrilhas. Muita gente ficou de fora, porque não cabia mais ninguém. Mas esta é uma boa dor de cabeça para a Prefeitura de BH e seu órgão responsável pela organização da festa, a Belotur, superarem. É boa porque os resultados indo além das expectativas é sinal de que o evento já está mais do que consolidado, caminhando por si só. “O sucesso está no fato de ser uma festa espontânea, onde o poder público garante a estrutura e as apresentações ficam por conta da União Junina Mineira, entidade das quadrilhas, nossa grande parceira”, disse o diretor de Eventos da Belotur, Arthur Viana. Para os próximos dias, está prevista uma reunião ampla com os quadrilheiros Divulgação Vianna: Arrail de Belô está exigindo maior espaço para o próximo ano 32 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS para definirem o que virá em 2010. A resposta que pretendem tirar do encontro é para várias perguntas em uma só: Como garantir mais conforto e mais acesso aos visitantes do arraial? Ampliando o espaço, invadindo a Avenida? Buscando outro espaço na Capital? Construindo um arraial, especificamente? “Tivemos em um só dia cerca de 40 mil pessoas. Não cabia mais gente no Arraial. Para o ano que vem, temos que encontrar uma saída. Mesmo não registrando nenhuma ocorrência policial, uma prova de que a festa é bem organizada e o ambiente é muito bom, precisamos nos preocupar em oferecer mais conforto para que todos possam se divertir sem transtornos pela falta de espaço”, ponderou Vianna, salientando que o ambiente é de confraternização, porque muitas pessoas frequentam o arraial para reviver suas origens. “O belohorizontino possui fortes raízes culturais com a preservação e valorização das festas juninas. A maioria das famílias é procedente do interior mineiro, onde a tradição de realização da festa tem forte expressão cultural.” O diretor da Belotur já percebeu que não tem volta, não pode mesmo deixar prejudicada uma festa que está se transformando num dos maiores produtos culturais e de turismo da Capital e do Estado, já com um pé no mercado internacional do turismo. Sem se fazer de rogado, ele comparou: “As apresentações da maioria das quadrilhas, em termos de linguagens estética e cultural, equivalem às melhores escolas de samba do Rio de Janeiro." Entre outras comparações, ele foi enumerando fatores que se equiparam, como alegria, sofisticação, coreografia, figurino, temas de enredo, gravação de CDs, rebaixamento e ascensão de grupos e comunidades trabalhando o ano inteiro em função do evento para brilhar no sambódromo, ou melhor, no arraial da estação. “Tem grupos de quadrilha que já fizeram até oito apresentações em apenas uma semana, em empresas e cidades de vários lugares de Minas e até em outros estados”, revelou Vianna. Para chegar ao grande dia da apresentação das quadrilhas campeãs, no início de julho, o Arraial é aberto no final de maio e atravessa o mês de junho, com concursos pelas regionais. São 54 grupos de quadrilha divididos em 3 categorias, A, B e C, com o processo de ascensão e rebaixamento. Somente no C não há rebaixamento. A proposta é melhorar o evento cada vez mais para que seja reconhecido como uma das maiores festas populares do Brasil. Ainda bem que o prefeito Márcio Lacerda está sensível ao potencial a ser explorado. "O Arraial de Belô é fruto de um trabalho que já vem de muito tempo, com uma intensa mobilização dos grupos de quadrilhas. Eu acho que é obrigação da Prefeitura manter vivas essas tradições que definem a nossa identidade, o nosso jeito de ser", comentou Lacerda. Divulgação Lacerda: Prefeitura tem a obrigação de manter vivas as tradições Sinueiros ‘Caipiras’ bons de farra e filantropia Sinueiro é um nome de origem caipira que identifica o Boi-guia, aquele que lidera o rebanho, certo? Errado, pelo menos em Betim. Naquela cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte, Sinueiro é sinônimo de jovem de sensibilidade social e filantrópica. Procurando uma diversão, um grupo de jovens betinenses teve a idéia de fazer uma farra em forma de festa junina. Como “farra” inspirava algo negativo, deram nome à festa improvisada de “Forró dos Sinueiros”. Logo resolveram transformar a festa em algo mais útil, não só de diversão. Como no Arraial de Belô, os “caipiras” deram origem a um evento beneficente, com renda social sendo revertida em benefício do Conselho Particular Nossa Senhora do Rosário - SSVP e Comunidade Senhor Bom Jesus - Vila das Flores. Em uma única noite, como neste ano, 8ª edição, os sinueiros receberam um público superior a duas mil pessoas, com o acesso sendo garantido com a entrega de donativos. Segundo Élida Rezende, uma das criadoras e principal responsável pela organização do evento, o forró não é só filantropia, além da diversão. “Mantemos essa festa com um caráter também de preservação dos costumes e cultura”, disse, revelando ainda que, durante a festa, funcionam oficinas como as de artesanato e culinária. Élida entende que as promoções de festas juninas não estão perdendo o entusiasmo, mas percebe que, gradativamente, os riscos de descaracterização vão aumen- Geraldo dos Santos O que começou como diversão virou compromisso e responsabilidade social tando. Por isso, os sinueiros cuidam com capricho da decoração, comidas e bebidas típicas. Tem roda de viola e bailão caipira. Assim, eles vão fazendo a parte que lhes cabe, regando a raiz do homem do campo. Na edição deste ano, o tema foi “A NOSSA MANEIRA DE SER”, quer dizer, sinueiros na vanguarda das responsabilidades sociais. Desde 1999, este foi o primeiro ano em que a festa acontece, sendo oficializada no calendário de eventos do município. Ao traduzir a visão e sentimento do grupo, ante esta condição oficializada, Élida disse ver isso de forma muito positiva, como reconhecimento ao trabalho social voluntário. “Sentimos como um fortalecimento do nome ‘Os Sinueiros’, com sua proposta de somar esforços, visando ser uma opção de lazer e entretenimento para a população betinense e região, com caráter filantrópico. E o que dizem os participantes e parceiros da organização? Alessandra Silva, presidente do Conselho Particular da SSVP, por exemplo, reconhece a dedicação do grupo e o filantropismo. Vê importante também a valorização do artesanato. Já os cantores sertanejos, Marcos Paulo e Gabriel, falam do princípio de reunir amigos e praticar boa ação em favor de carentes. Foi a primeira apresentação deles na festa que já consideram um importante passo para firmar a carreira artística. Para o empresário Anderson Diniz, que há cinco anos vem participando da festa, Alessandra Silva Anderson Diniz Élida Rezende, uma sinueira das ações sócio-culturais do evento se deslocando de sua cidade, Contagem, a combinação de diversão e filantropia tem a dosagem perfeita na promoção dos Sinueiros, “uma festa de família e amigos, com muita harmonia”. Finalmente, Geraldo dos Santos, presidente da Comunidade Senhor Bom Jesus, fala que o ponto alto “é o forrozinho”, brinca e depois enaltece a união das pessoas e o entusiasmo em ajudar entidades assistenciais. Marcos Paulo e Gabriel CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 33 B o t e c a n do EXISTE VIDA FO A quantidade per capita de bar, em Belo Horizonte, é extraordinariamente maior do que em qualquer outro canto do mundo. Na capital mineira, são mais de 12 mil bares e similares, cerca de 200 habitantes por estabelecimento. e qualidade de vida fosse medida pela quantidade de botecos, Belo Horizonte seria a melhor metrópole do mundo. Sem isso, já foi indicada pela ONU como a de melhor qualidade de vida na América Latina e a 45ª entre as 100 melhores cidades do mundo. Em 2007, a capital dos mineiros mereceu destaque no “The New York Times”, exatamente pela exagerada quantidade de bares. Na matéria, BH é tratada como a terceira maior cidade do Brasil, ainda completamente desconhecida no exterior, sendo abafada pela força turística de Rio de Janeiro e São Paulo, privilegiados pela linha costeira, oferecendo os prazeres das praias. Fala a reportagem que mesmo as obras de Oscar Niemeyer, em BH, que poderiam ser atrativos de peso, não se comparavam à arquitetura de Brasília. A repórter norte-americana descobriu e exaltou uma cidade movida a botecos, onde “múltiplas gerações se socializam, bebem cerveja e muitas vezes têm uma refeição informal” (PF ou tira-gosto). Nas S entrelinhas do texto divulgado, percebese um certo espanto com o fato de guias turísticos não terem atentado para esse potencial de Belo Horizonte. Deste ponto, a repórter emenda, afirmando que o melhor período para se visitar a capital de Minas Gerais é em abril, quando ocorre o já tradicional concurso “Comida di Buteco”, uma invenção de rara felicidade, do gourmet Eduardo Maya e da jornalista Maria Eulália, que faz Belo Horizonte mudar o astral, como se não houvesse vida além bar. Os botecos viram templos de meditação sobre a razão da existência de cada um dos frequentadores. Aliás, o jornal norte-americano brincou com essa situação, registrando que o “Comida di Buteco” serve aos fracos de desculpas uma opção para saírem todas as noites para ajudar a escolher o melhor “buteco” em tira-gosto, bebida e atendimento. CAPITAL MUNDIAL A repórter levou para o hemisfério norte a célebre frase: “BH não tem mar, mas tem bar”, para muitos, de autor desconhecido, como aquelas filosofias de botecos que se espalham e caem no gosto dos “intelec-etílicos”. Mas esta frase tem dono. Quem garante é o empresário Paulo Cesar Marcondes Pedrosa, 53 anos, dos quais 40 lidando no ramo e há 18 anos como presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana. É ele mesmo o autor, como também da identificação de Belo Horizonte lá fora como “capital brasileira de bares”. BH agradece, porque virou conceito forte. E virou também projeto de lei na Câmara Municipal. O cruzeirense locutor esportivo da Rádio “Itatiaia”, o melhor do Brasil, segundo o blog do atleticano Mil- Paulo César, autor de frases como “Não tem mar, tem bar” e “Capital dos bares” Alberto Rodrigues: valorizando botecos para fortalecer a marca Belo Horizonte ton Neves, Alberto Rodrigues (O Vibrante), como vereador marcou um gol de placa ao conseguir a aprovação de seu projeto que declara BH “Capital Mundial dos Botecos”. A iniciativa ainda institui o terceiro sábado do mês de maio como o Dia Municipal dos Botecos, garantindo a inclusão no calendário oficial de festas e eventos de Belo Horizonte. “Somos um povo discreto, receptivo e hospitaleiro. Gostamos de certos agitos, e não temos atrativos como a praia. Então, priorizamos os encontros nos botecos da cidade para um bate-papo, onde resgatamos as nossas origens e contribuímos para a manutenção da tradicional culinária mineira.” Foi assim que o Vibrante justificou a idéia que, segundo ele, será importante no processo de valorização desse aspecto como atrativo turístico. Alberto Rodrigues afirma que já foi muito botequeiro, hoje não muito, mas considera que o boteco é muito saudável à reflexão e afugenta o estresse. Então, é só gravar pra não esquecer, é de lei. Além de todos os dias, no terceiro sábado de maio tem que ir ao boteco, no cumprimento da lei. ! RA DO BAR Um lugar de grandes negócios, amizades e diversões O vereador Vibrante espera por muitos resultados de seu projeto que declara BH a capital mundial dos botecos. Até mesmo na Copa de 2014, turistas internacionais que vierem aqui, acompanhando suas seleções, vão deixar de procurar praia e outros ambientes, para conferirem o que há de especial nos botecos belo-horizontinos. Ele considera que o projeto vai sensibilizar e atrair visitantes da mesma forma com que os botecos impressionaram a jornalista do “The New York Times”, que veio a passeio e fez uma matéria curiosa, depois de conhecer vários bares de BH. Entre os barzinhos visitados pela gringa, estava o Via Cristina, no Bairro Karina, Fernando e Daniela sustentam que o boteco é marca de Belo Horizonte e o melhor lugar para se construir novas relações e até fazer negócios Santo Antônio, inclusive, citado na matéria. Ela só não citou que o arquiteto Silvio Podestá, 57, faz daquele ambiente uma extensão de sua casa. Ele mora no mesmo bairro, gosta de variar de botecos, mas está sempre ali. “Em Londres, Paris ou Berlim, se bebe em qualquer buraco. BH estabeleceu o boteco, como um lugar de beber, de confraternização, convivência, de paquera...”, relacionou o arquiteto, autor do projeto do Centro Cultural da Romaria de Congonhas. Ele diz que é visto muito no Via Cristina porque ele é mais permanente, enquanto as pessoas circulam mais. Seu raio de ação está meio restrito, depois que o “Pelé” fechou e para ir ao bar do Dias tem que escalar um morro. Como bom goiano, Podestá filosofa: “Goiás inventou o boteco, como um lugar de passagem, onde as pessoas chegam, comem, bebem e se vão. Minas fez do boteco um lugar de ficar.” Ele não para por aí. Mas encerra com categoria: “A Incon- O arquiteto Podestá, ao fundo, entre amigos: figura permanente no boteco. Os outros circulam fidência Mineira foi formatada, tomandose cachaça”. Em uma outra mesa, próxima à do arquiteto, o advogado Fernando Máximo Neto, 29, a estudante de Enfermagem, Karina Rothe, e a arquiteta, Daniela Machado, 26, concordavam com o que Podestá afirmara sobre bar ser um lugar de boa convivência. “Bar é lugar ideal para novas relações, bons negócios, poesia e música”, complementaram. Para Karina, o boteco é um grande atrativo turístico, porque é um lugar de interagir. “Aqui dentro, todos somos iguais”, disse. Fernando vê muito valor no projeto do vereador Vibrante, porque acaba de vez com a imagem de que boteco é lugar de bebedeiras. “Boteco é lugar para reunir amigos, fazer amizades, buscar soluções para problemas e encerrar o dia de trabalho ou estudos”, afirmou. Já a arquiteta Daniela, do alto de sua sensibilidade, vê o boteco como uma marca de potencial em BH. “Referências de BH são só os botecos ou as obras de Niemeyer”, foi taxativa. Um estudante de Matemática e investidor em Ranário resolveu apostar no negócio Bar. Como gostava de cozinha, deu certo. Miguel Murta de Almeida, 45, 19 anos dedicados ao Via Cristina não tem do que reclamar. Já pensa até em ampliar os serviços, vendendo seus pratos “a fresco”. O Via Cristina participou de quatro concursos do “Comida di Buteco”, não ganhou nenhum, mas projetou o bar. O faturamento aumentou 4 vezes mais. Miguel conta também o benefício alcançado quando foi destacado na revista “Veja”, em 2008, como detentor da melhor cachaçaria de BH. Afinal, ele comercializa exatas 632 marcas de cachaça. Adivinha qual é a nº 1? A da marca Salinas. Com o torresmo na brasa e o espetinho de mandioca... CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 35 Cachaça ganha roteiro em BH Beber uma cachaça mineira em Belo Horizonte é como comer um peixe frito à margem de um rio ou tomar uma cerveja com os pés nas areias de uma praia. A cachaça mineira já ocupa prateleiras e mesas de infinitos lugares do país e do mundo, mas vir a Minas e não degustar umazinha é como voltar de um passeio sem levar uma lembrança dos locais visitados. Aqui, a cachaça ganha mais em autenticidade. Criar um roteiro cultural da cachaça em Belo Horizonte, com seleção de bares e lojas especializadas na comercialização da cachaça artesanal mineira é mais um projeto da Prefeitura de Belo Horizonte, através da Belotur, em parceria com as entidades relacionadas à produção da cachaça em Minas Gerais. O objetivo dessa sacudida é o incremento dos estabelecimentos comerciais do ramo, possibilitando a geração de empregos, renda e a qualificação do destino turístico “Belo Horizonte”, que já ostenta o título de “capital mundial dos bares”. Além disso, a iniciativa promoverá a integração e organização da oferta desse produto típico produzido em Minas Gerais de forma diferenciada e com qualidade. Isto vai estimular o aumento da produção e o zelo pela melhor qualidade. Entidades parceiras do projeto já tiveram uma primeira reunião para estabelecer critérios de seleção dos estabelecimentos que deverão integrar o roteiro. Após esta definição, será feito um inventário na capital dos locais que atendem a estes quesitos. A proposta prevê a criação de uma “carta de cachaças” para os restaurantes selecionados, com a apresentação de várias marcas e as indicações de nome, origem, cor, teor alcoólico, armazenagem e tempo de armazenamento, entre outros. O estabelecimento deverá ter, à disposição do cliente, um funcionário especialmente treinado para apresentar as opções disponíveis e auxiliá-lo em sua escolha. Com o intuito de fortalecer e ampliar as discussões no setor, também deverá ser criado, no Conselho Municipal de Turismo, uma Câmara Temática da Cachaça, que contará com a participação de representantes das entidades, 36 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS donos de bares e lojas especializadas. O evento de lançamento do projeto está previsto para 13 de setembro, no restaurante Xico da Kafua. É o dia em que se comemora o Dia Nacional da Cachaça. Os envolvidos na organização do processo de construção do roteiro, com o apoio do vice-prefeito de BH, Roberto Carvalho, elaborando o projeto, são o presidente da Belotur, Júlio Pires e os diretores de projeto, Eduardo Cardozo, e de promoção turística, Ana Paula Azevedo. Representando a cadeia produtiva da cachaça, estão a Federação Nacional da Cachaça (FENACA), o Clube Mineiro da Cachaça, a COOCEN, a AMPAQ, o Centro Brasileiro de Referência da Cachaça, o Centro de Referência Nacional da Cachaça, a ABRASEL e o Sindhorb. Dispensa a informação de que Minas Gerais é o maior produtor nacional da cachaça e a tradição no consumo e na produção faz da capital mineira o principal pólo aglutinador dos produtores e distribuidores do produto para o mercado nacional e internacional. Além de sua importância histórica e cultural, a cachaça desempenha papel significativo na economia brasileira. Exportada para mais de 60 países, é a terceira bebida destilada mais consumida no mundo. São 1,3 bilhões de litros produzidos por ano e mais de 30 mil produtores em todas as regiões do Brasil, gerando uma receita próxima de US$ 500 milhões e cerca de 400 mil empregos diretos e indiretos. Com a criação do roteiro da Cachaça, Belo Horizonte ganha mais um atrativo turístico, um fator fundamental que faz a segunda capital brasileira em oportunidade de negócios avançar na diversificação dos produtos turísticos, deixando de ser uma mera desconhecida no mercado internacional. Chegou a hora de estabelecimentos se condicionarem a fazer parte do novo roteiro em BH, o da cachaça, como o Via Cristina, que conta com 632 marcas de cachaça BR- 381 UM BOLO COM GOSTO DE PICHE Trânsito pesado e intenso num trecho cheio de curvas e manutenção precária. BR-381, sem perspectivas de melhorias O superintendente regional do Dnit foi convidado para reunião na ALMG. O assunto era o início das obras anunciadas para a BR-381. Ele não compareceu o dia 12 de agosto, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes de Minas Gerais (Dnit) deu um golpe impiedoso na credibilidade institucional da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG). Simplesmente, o seu superintendente regional, Sebastião Donizete de Souza, que deveria comparecer à reunião da Comissão de Assuntos Municipais e Regionalização para esclarecer sobre as obras na BR-381, prometidas pelo governo federal, menosprezou o valor do compromisso e deixou deputados e outros convidados a “ver navios”. Dos males, o menor. Pelo menos Sebastião se prestou a encaminhar ofício assegurando que os projetos para a duplicação da rodovia devem começar a ser elaborados ainda este mês. O gesto não ali- N viou, não serviu de consolo. Sua ausência na reunião requerida pela presidente da Comissão, Cecília Ferramenta, foi duramente criticada Depois de lido o ofício, o deputado Wander Borges colocou em dúvida as informações enviadas pelo órgão. Segundo ele, faltam os dados de outros dois lotes previstos no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares. O superintendente se referiu só a oito lotes. Borges contestou ainda sobre a espera de liberação de recursos. Segundo o parlamentar, não precisa esperar, os recursos já estão garantidos e o pagamento é feito à medida em que os trabalhos são concluídos. Sobre os motivos de sua ausência, Sebastião Donizete alegou outros “compromissos já assumidos”. A ementa saiu pior Cecília Ferramenta, Wander Borges e Carlin Moura: deputados indignados com descaso do superintendente do Dnit, vão ao Governo Lula que o soneto, porque a presidente da comissão, mesmo depois de formalizado o convite para a reunião, tentou contato com o superintendente por mais de 15 dias. “Não é possível que o órgão não tenha ninguém para trazer essas informações", disse Cecília Ferramenta. Ela propôs encaminhar ao presidente Lula, à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e ao ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, uma moção de repúdio pelo descaso do executivo. Cecília Ferramenta sugeriu, ainda, que participantes dos movimentos sociais a favor da duplicação da BR-381 e moradores das cidades atendidas pela rodovia façam manifestações na porta do Dnit em Belo Horizonte e se organizem numa marcha a Brasília, para pressionar o governo federal a melhorar a estrada. A sugestão da deputada recebeu o reforço do colega Carlin Moura. “São vidas que estão se perdendo”, afirmou. Dois dias depois, o deputado Ronaldo Magalhães estava entre autoridades e lideranças de Itabira e região, numa manifestação no trevo da BR-381 que dá acesso àquele município, pedindo que obras emergenciais sejam realizadas para reduzir os riscos até que venha a duplicação. “Não podemos permitir que a insensibilidade dos principais responsáveis pelas ações supere a força da mobilização popular e a resistência daqueles que estão comprometidos com a segurança e o bemestar dos usuários da BR-381”, disse o deputado. Segundo dados da ONG “SOS Estradas Federais”, em 2008, foram registrados 8.254 acidentes na rodovia, dos quais 1.275 com ferimentos graves e 277 mortes registradas nos locais dos acidentes. Se contadas as mortes a caminho do hospital ou mais tarde, em consequência dos acidentes, o número da fatalidade sobe para mais de 700 vítimas. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 37 Fatima Amaral de Faria Gestora voluntária da Associação Circuito Verde Trilha dos Bandeirantes. Mapa turístico Mapa turístico Mapa turístico Mapa turístico Mapa turístico Mapa turístico ircuitos certificados significam cidades inseridas no mapa turístico do Estado de Minas Gerais. A satisfação dos presidentes e gestores dos circuitos turísticos que são certificados pela Secretaria de Estado do Turismo traduz o cumprimento da Resolução de 28 de abril de 2008 e das metas estabelecidas nos Planos de Trabalhos das associações de municípios que constituem os circuitos mineiros. Embora não resulte no completo envolvimento da comunidade, setor público e iniciativa privada dos municípios inseridos em cada circuito, pelo menos as entidades contam com a participação de representantes destes setores, trabalhando para atingir cada segmento de forma envolvente. Não é tarefa fácil, portanto, merecem todo o reconhecimento ao empenho e dedicação das cidades que demonstram visão de futuro para essa indústria sem chaminés que começa a se instalar, de forma decisiva, aonde se detectam produtos de expressivo potencial turístico. Por isso, cabem às cidades certificadas um compromisso maior para o cumprimento de novas metas para permanência no Programa de Desenvolvimento do Turismo. Este programa prevê a estruturação dos produtos para o exigente mercado do turismo. E o momento é muito especial, considerando a aproximação da realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, tendo Belo Horizonte como uma das sedes para receber uma chave. Embora a copa só venha a ocorrer em 2014, a hora é agora para iniciarem-se os preparativos, necessariamente, executando os planejamentos estratégicos que aqui ou ali ficaram engavetados pela falta de recursos financeiros e humanos. Nunca é demais, lembrar que ‘Toda caminhada começa com o primeiro passo’. E será com passos firmes que tornaremos nossos circuitos competitivos e atraentes para os turistas. Lembrando sempre, também, que turista satisfeito é sinônimo de cidades, mais divulgadas mundo afora, atraindo um número crescente de visitantes e, naturalmente, gerando trabalho e renda, além de melhorar a qualidade de vida da população local. Ainda assim, haverá pessimistas perguntando sobre os possíveis impactos negativos do turismo, como a degradação ambiental. Desde já, cabe aos otimistas se anteciparem com a simples resposta de que “estamos trabalhando, conscientes, um turismo sustentável, embasados nos princípios da preservação, conservação e utilização inteligente dos bens naturais, culturais e ambientais. C R o d ov i a s Desde 2007, o Estado vive uma onda de queimação de etapas no processo de duplicação da BR-381. Enquanto autoridades patinam, sem sair do lugar, outras obras em rodovias federais e estaduais seguem em ritmo alentador. Minas vai fazendo a sua parte e o Governo Federal parece só não saber o que fazer com a “estrada da morte”. PELAS ESTRADAS DA VIDA Máquinas já integram a paisagem de rodovias de acesso a Ita quanto a duplicação da BR-381 está dando água BR-381 é uma das principais rodovias do Brasil e, estrategicamente, 2/3 de sua extensão estão em Minas Gerais. Sua duplicação é um dos investimento de fundamental importância para o desenvolvimento do Estado, com real valor para a indústria do turismo. Disto, todo mundo sabe, como também é elementar que a manutenção das rodovias em boas condições de tráfego proporciona, além de maior segurança aos usuários, o desenvolvimento econômico do País. Só que a miopia das autoridades responem obra de duplicação entre Juatuba e Mateus Leme. É só o começo. sáveis não permite enxergar MG-050, privatizada,E está a BR-381 segue sem qualquer perspectiva de começo isso. Pelos caminhos da vida dos mineiros, mesmo podendo estar queimando papel 050, esta, já privatizada. A BR-040 tamparte da 381 (Belo Horizonte-Governa- moeda, uma vez que, se a decisão do bém tem muito a mostrar em termos de dor Valadares), vem se configurando em Ministério for pela privatização-já, o resultado de ações decisivas. rota da morte, roleta-russa ou viagem que o Dnit poderá fazer é lavar as mãos Os mais bairristas e parciais diriam: incerta. Mas sua duplicação se perde ou tentar que o projeto seja comprado ‘Deixe com o Aécio Neves’. É que o gonas curvas derrapantes de interesses pela concessionária que se responsabili- vernador de Minas, com o seu Proaisolados, incompreensíveis. É que o go- zar pelo trecho da 381. Isso é possível? cesso, está dando vida e perspectivas a verno federal está com uma dúvida Tanto a Superintendência do Dnit quan- centenas de municípios, melhorando os atroz: privatizar ou não privatizar ago- to a assessoria de Comunicação não ti- acessos aos principais corredores rodora. No balanço do ser ou não ser do go- veram amparo em nenhuma garantia. viários no Estado. Quando não tem que verno, além de vidas irem se perdendo, Pelo contrário. Para esse projeto ser levar pavimentação asfáltica, o proR$ 30 milhões poderão ir pelo ralo. incorporado ao edital de uma possível grama leva reforma completa e melhoSó para entender, o Departamento concessão à iniciativa privada, ele teria ramentos significativos. Nacional de Infra-Estrutura de Trans- que estar concluído em dezembro, já É o caso das obras já iniciadas para portes (Dnit), segundo informação do que a ANTT trabalha com o prazo de melhorias nas rodovias MG-434 e 129, assessor de Comunicação, Bernardo janeiro de 2010 para privatizar a BR. O que garantirão mais segurança e conMorais, está concluindo a contratação projeto só ficará pronto em meados do forto aos usuários, uma antiga reivindidas empresas que venceram a licitação próximo ano. Então, sem chances. cação do povo de Itabira e região do para a realização do projeto Ainda que não ocorra a privatização, a centro-leste de Minas. As melhorias inexecutivo da obra de duplica- BR parece continuar sob os caprichos cluem trevos e trincheira, além de aberção da BR-381, no trecho dos órgãos federais que não se enten- tura de terceira faixa. entre a capital e Governador dem. Um quer reduzir o núValadares, divididos em 10 mero de curvas, mudando o lotes de uma extensão de 311 traçado, outro quer manter quilômetros. Isto vai custar como está, apenas dupliaos cofres públicos do País cando. Lá de cima, o goquase R$ 30 milhões. O pro- verno não fala e nem dá jeto deverá ser concluído esperanças de liberação de para o segundo semestre de verba. Logo, com ou sem 2010, mas um de seus prová- privatização, o projeto deveis destinos é a lata de lixo, verá ser em vão, por falta de porque o Ministério dos recursos para a execução das Transportes ainda não deci- obras. diu se fará mesmo a duplicaOutros caminhos - Ninção da rodovia ou se permi- guém consegue entender tirá que a Agência Nacional tanta falta de entendimento de Transportes Terrestres quando se trata desse imo prefeito itabirano, João Izael, o vice-governador, (ANTT) conceda a estrada à portante trecho da Rodovia., Entre Antônio Anastasia, e o deputado estadual, Ronaldo Mainiciativa privada. já que a BR-262 já está em galhães, a estátua paciente de Carlos Drummond de A única certeza é de que o duplicação, o mesmo aconte- Andrade. O encontro das autoridades marcou o anúncio abira, endo início das obras nas MGs-434 e 129 Dnit vai cumprir o seu papel, cendo com parte da MG- A CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 39 A e r opo r to NEM TUDO É AZUL A nova empresa da Aviação, explorando os ares mineiros, chegou revolucionando. Quer mais oportunidades para dominar os céus brasileiros. O aeroporto da Pampulha está na mira. e a intensidade de um impacto estratégico tivesse cor, seria, sem margem de dúvidas, azul. A empresa Azul Linhas Aéreas, que iniciou suas operações no final do ano passado, em São Paulo, já está atuando em Minas, via Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, desde 10 de agosto. A companhia está com voos diretos para Campinas (SP), com conexão para outras 13 cidades por todo o Brasil. Segundo a Anac, a empresa já ocupa a terceira posição no mercado doméstico, um sinal de que nem tudo é azul a partir daí. Também, nem tudo está azul para o governador Aécio Neves que, por medida de segurança, determinou a transferência de 90% dos voos da Pampulha para Confins, condicionando o Aeroporto da Pampulha a operar, praticamente, voos regionais, com aeronaves de até 50 passageiros. S David Neeleman, da Azul Linhas Aéreas, mesmo cauteloso, foi veemente na determinação da empresa em operar no aeroporto da Pampulha para voos interestaduais Recepcionado por empresários mineiros, no café da manhã da ACMinas, o criador da companhia Azul, David Neeleman, não escondeu a decepção por não poder operar na Pampulha. Segundo ele, exemplos reais, como a retomada do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, para vôos maiores, não só proporcionou maior mobilidade aos passageiros, como também favoreceu o Galeão que continuou com operações de voos crescentes. “Hoje em dia, empresários não gostam de dificuldades. Se tem dificuldade para voar, não voam, não se deslocam”, comentou Neeleman. Com esta postura, o empresário da aviação Azul reanimou as discussões sobre a revitalização do aeroporto da Pampulha. “Estamos certos de que ainda vamos operar na Pampulha”, anunciou, confiante. David Neeleman não ficou só nessa polêmica, ele levantou também outro problema de grande relevância em termos de atualização e sintonia mundial. Questionado pelo representante da Universidade Newton de Paiva, Luiz Carlos Vieira, sobre o aproveitamento de trabalhadores mineiros, já que Minas tem avançado em termos de qualificação profissional, Neeleman pôs o dedo na ferida. “No Brasil, os pilotos só podem ser brasileiros, enquanto pelo mundo há mais de 500 brasileiros nessa atividade. E olha que vida de piloto não é fácil, no Brasil, então, é pior. Enquanto lá fora os pilotos têm de 15 a 20 dias de folga, aqui, a folga fica em média de 7 ou 8 dias. Resposta dada: piloto, só brasileiro. À mesa do café, estava o reitor da UNA, padre Geraldo Magela, que comemorou a boa notícia. É que a sua universidade estará formando, este ano, a primeira turma de pilotos de aviação. Diante das circunstâncias, o reitor se apresentou para que se estabeleça melhor intercâmbio entre a companhia aérea e a universidade no sentido de ampliar a oferta de cursos para pilotos. Ao final da palestra, Padre Magela falava das perspectivas de se oferecer maior oferta de vaga no curso de pilotos. Confins é em Belo Horizonte Luiz Carlos Vieira, Newton Paiva, atento ao mercado para formar profissionais 40 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS Ao alegar intenções estratégicas por um marketing melhor para a Capital mineira e Estado, o vice-presidente da Associação Comercial de Minas, Roberto Fagundes, que também acumula o cargo de presidente do Conselho Empresarial de Turismo da ACMinas, está defendendo que em todas as comunicações de comissários de voo aos passageiros, a referência ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, de Confins, seja trocada por “Aeroporto Internacional Tancredo Neves de Belo Horizonte, em Confins”. Ele espera que, também em outras circunstâncias, prevaleça a identificação do Aeroporto como internacional de BH, “em Confins”. Esse apelo foi repetido, durante a palestra de David Neeleman, da Azul Linhas Aéreas, para empresários na ACMinas, no café da manhã promovido pela entidade, no início do mês de agosto. Entre um pão de queijo e um pedaço de bolo, Fagundes também externou o anseio dos empresários de que o aeroporto da Pampulha volte a operar com vôos interestaduais. Va por Vapor Benjamin Guimarães navega de Pirapora a São Romão CRUZEIRO EM ÁGUA DOCE enhoras e senhores interessados, o próximo cruzeiro no Rio São Francisco terá início no dia 20 de outubro, com retorno programado para o dia 26. É só entrar em contato com a “Paradiso Turismo, fazer a sua reserva e boa viagem. Este é mais um atrativo que o Velho Chico oferece. É também uma grande oportunidade para um contato extraordinário com a natureza e com a cultura e costumes de cidades ribeirinhas. O lendário Benjamim Guimarães, que navega no Rio São Francisco, está a todo vapor mesmo. Totalmente restaurado, conta com 12 cabines, sala de estar, sanitários, restaurantes, e tem atraído turistas de todo o Brasil e do exterior para uma viagem de 400 quilômetros. Quem procura o Cruzeiro é transportado de ônibus, de Belo Horizonte até a cidade de Pirapora, de onde começa o passeio a vapor. A navegação vai até São Romão, com duração de 6 dias e 5 noites. Durante a viagem, há paradas programadas em localidades ribeirinhas. Nestas localidades, os passageiros têm a oportunidade de contato com moradores, conhecendo o rico artesanato da região e ainda apreciando apresentação de vários grupos de dança. Entre muitas outras atividades, não poderia faltar a pesca. A história dessa embarcação faz dela também um grande atrativo, despertando o interesse e a curiosidade de todos. Construído em 1913, no Rio Mississipi (EUA), o Benjamim Guimarães é o único modelo a vapor, de grande porte, ainda navegando, em todo o mundo. Esse detalhe foi motivo suficiente para ser tombado pelo IEPHA – Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, ficando sob a responsabilidade da Prefeitura de Pirapora. Conhecido na região como “Gaiola”, o S vapor foi utilizado, por várias décadas, no transporte de carga e passageiros no trecho Pirapora-Juazeiro, no norte da Bahia, resolvendo por muito tempo o problema das dificuldades de locomoção entre essas localidades. Em 2007, a Capitania de Portos de Minas Gerais, após realizar uma minuciosa vistoria técnica no Vapor, autorizou a embarcação a realizar viagens de grandes distâncias, com segurança. Após a autorização, a Prefeitura de Pirapora colocou a embarcação aos cuidados da “Paradiso Turismo” para coordenar cruzeiros turísticos, representando mais uma importante oferta ao turismo, beneficiando não somente a Pirapora e São Romão, mas também a muitas localidades que têm a chance de mostrar sua arte e comercializar seus produtos artesanais. O conforto do Vapor está no quarto e no salão de cobertura, onde passageiros interagem entre si e com a natureza. A embarcação oferece cabine dupla a R$ 3.080. A cabinete simples sofre um aumento de 70% para um cruzeiro de seis dias e cinco noites. O contato é (11) 3258.4722 www.paradisoturismo.com.br CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 41 Gripe TURISMO VACINADO EM UM ESTADO SOB CONTROLE: H1N1 Minas Gerais ainda se mantém como um estado em que os efeitos da pandemia da gripe Influenza A H1N1, se mantém dentro da normalidade. A reação mineira foi imediata, com uma mobilização geral. Até o dia 20 de junho o Ministério da Saúde anunciava que o Brasil atingia o número de 406 mortes por gripe suína gripe A (H1N1), representando um índice 42 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS acima de 12% em relação ao número de casos confirmados. Em Minas, 8 óbitos. Ocorre que o que serve para medir o quadro em território mineiro são 6 mortes, Nathália Farah, com um olho na saúde da população e outro no turismo uma vez que os outros dois mineiros foram vitimados em São Paulo e Pernambuco. O Estado com o maior número de mortes no país em decorrência da gripe A é São Paulo, com 134 óbitos confirmados. O Paraná é o segundo em número de vítimas (119), seguido pelo Rio Grande do Sul (84), Rio (39), Santa Catarina (10). Só aí é que aparece Minas com as 8 vítimas. Tamiflu e Relenza, muito utilizados contra a gripe aviária, demonstraram poder contra o vírus H1N1, segundo o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos). Menos mal. Minas Gerais ainda não vive situação pandêmica em virtude da pronta reação de órgãos públicos e diversos segmentos da sociedade, segundo a diretora de Estruturação do Produto Turístico da Secretaria de Estado de Turismo, Nathália Farah, que também participa do Comitê de Enfrentamento do Influenza A H1N1. Este comitê estratégico, comandado pela Secretaria de Estado da Saúde, envolve vários órgão e entidades, destacando-se os representantes de Agências de Viagem, Hotéis, Restaurantes e unidades de saúde. A mobilização deu certo. No começo, conforme conta a analista de Turismo, Nathália, a preocupação primeira da Setur era a de tomar todos os cuidados preventivos e orientar para não anular o fluxo turístico. No comitê, as reuniões às segundas, quartas e sextas feiras, a atenção maior dos representantes da Saúde, Educação e Turismo do Estado, além da Prefeitura, inicialmente, estava no controle dos emissores da Argentina e São Paulo. O cerco foi fechado em aeroportos e rodoviária. Na sequência, vieram as campanhas de orientação, de forma não alarmante, evitando o pânico. Hoje, a consciência é geral e o aparelhamento de unidades de saúde vem comportando a demanda, mantendo uma situação de normalidade. Com a postura do Estado de Minas Gerais fica mais evidente e confirmado o que denunciou a infectologista Nancy Bellei, em entrevista à revista “Isto é”. Ela disse que desde que começou a pandemia de gripe suína, em abril deste ano, muitas mortes poderiam ter sido evitadas, criticando os rumos do controle da epidemia no Brasil. Talvez, se o rigor em outros estados tivesse sido ao nível do que acontece em Minas, o quadro seria menos preocupante. Aqui, a população está vigilante, tomando o máximo de precaução, enquanto os agentes do comitê, atentos às variações de ocorrências, dão o tom das medidas e ações para evitar o avanço da epidemia. José Maurício, da ABAV, diz que o temor de prejuízos já é menor ABAV sentiu o golpe inicial. Passou. Foi apenas um susto. Quando o ministro da Saúde veio a público pedir para que os brasileiros evitassem viagens para Argentina e Chile como forma de se proteger contra a gripe suína, foi como um golpe que quase nocauteou os agentes de viagem. Uma avalanche de cancelamento de pacotes de viagem já fechados e desistências de negociações iniciadas chegou a preocupar, segundo o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de Minas Gerais (ABAV-MG), José Mau- Cuidando da classe e, agora, da população A Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV) que tem como razão de ser congregar as agências, defender os direitos, interesses e prerrogativas da classe, hoje, está desempenhando um importante papel no combate à gripe suína, orientando clientes e ajudando na divulgação de peças informativas da campanha desenvolvida no Estado. A associação, nesse papel, tem servido também como termômetro para projeção de investimentos na campanha contra a gripe A. Assim, segue também cumprindo o compromisso de estimular o crescimento das correntes turísticas. Como uma entidade sem fins lucrativos, constituída por agências de turismo do estado (sócios ativos), locadoras de veículos, hotéis, órgãos oficiais, empresa de eventos (sócios afiliados), a ABAV é uma das entidades mais representativas do setor turístico, tendo alcançado o respeito de todo o trade nacional e internacional, dos poderes públicos municipal, estadual e federal. São quase 50 anos de existência. A entidade tem história, a partir do Rio de Janeiro, quando 14 agências de viagens se uniram para criar uma entidade forte que defendesse os anseios da categoria, evitando atuações aleatórias no mercado.. A ABAV é administrada por representantes dos agentes de viagens, que são escolhidos em eleição direta, entre os associados, para um período de dois anos. Hoje a ABAV está presente em 27 estados brasileiros. Somente em Minas Gerais, a associação reúne mais de 250 agências. Do total de agências instaladas no estado, apenas 30% são associados. Isso se deve, principalmente, à exigência de prérequisitos para admissão na ABAV-MG, baseado em uma rigorosa seleção. Em contrapartida, empresta a chancela de qualidade àqueles que dela fazem parte. rício de Miranda Gomes. Ele revela que muitos hotéis da Argentina, por exemplo, que já tinha recebido pelos pacotes, não quiseram devolver o dinheiro. Prejuízo. E quando clientes desistiam de negociar viagens em meio às transações era perda de faturamento. “Mas com muito trabalho, tivemos como alternativa a transferência de data ou de destinos em muitos negócios e, mesmo com a ameaça crescente da gripe A, conseguimos dar uma acalmada na queda do mercado”, anunciou José Maurício. O presidente da ABAV considera, portanto, que as agências não tiveram impacto catastrófico, principalmente porque houve um aumento de 20% do turismo interno, em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando ainda não tinha eclodida a crise financeira mundial, a economia se mantinha estável e o dólar estava em baixa. Ele explica que com a situação delicada de outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná, muitos turistas desviaram suas rotas de viagens para Minas Gerais, onde a gripe A é menos ameaçadora. Sem voltar à calmaria, mas tendo a situação sob controle, José Maurício acredita que as agências de viagens vão passar pela provação com saúde, mesmo porque a ABAV tem desenvolvido importante papel, junto à Setur e à Saúde do Estado, no sentido de manter o bom ritmo de orientação e prevenção contra a Influenza A, o que é bom para a população e visitantes. CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 43 E x po s i ç ã o BETIM QUER SER A CASA DO GADO BRAHMAN Por Paulo Henrique A raça, de origem norte-americana, muito valorizada, começa a ocupar espaço no mercado brasileiro. Com sede em Belo Horizonte, a Associação Mineira do Brahman pode se transferir para Betim que tem planos para o setor de exposições. uando inaugurou o Parque de Exposições David Gonçalves Lara, durante seu primeiro governo, em Betim, em meados da década de 1990, a prefeita Maria do Carmo Lara não podia imaginar que os anos passariam e toda aquela estrutura serviria apenas para dois eventos - Betim Rural e Feira da Paz. Agora, basicamente, 15 anos depois, ela está de volta, cheia de planos para aquele espaço. Talvez, até para outro espaço, considerando que o parque atual pode estar superado em termos de capacidade de público para o que a prefeita pretende desenvolver. Este mês, Betim sediou a realização do 4º Encontro de Criadores do Gado Brah- Q Prefeita Maria do Carmo quer mais eventos para Betim 44 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS man (Brahman Minas Show 2009), atraindo criadores e admiradores de todo o Brasil. Foi só o começo. Betim quer mais. Pelo menos é o que dá pra perceber nas palavras da prefeita, com sinais de que deu início a um flerte de interesses institucionais. Segundo Maria do Carmo, que participou até da entrega da premiação no evento, a cidade de Betim é conhecida apenas pelo potencial industrial, mas tem um grande potencial rural. Para a prefeita, receber uma exposição de Gado nessas proporções é fundamental para o desenvolvimento de uma política econômica de diversificação. “Além de tudo, um espaço público como o parque não pode ser tão pouco explorado. Temos projetos para trazer a população betinense para o Parque de Exposições. À medida que ocorrer mais eventos, a população vai se acostumar a participar desses eventos”, avaliou Maria do Carmo. BRAHMAN EM BETIM A situação do namoro entre a Prefeitura e a Associação dos Criadores do Brahman indica o que, em ditado mineiro, pode-se chamar de “juntar a fome com a vontade de comer”. A associação está com sede instalada no Parque de Exposições da Gameleira (Expominas), pagando uma mensalidade salgada, conforme reclama a sua diretora-executiva, Flávia Geo Latorre. Cheia de planos para diversificar sua atividade econômica, a Prefeitura de Betim está disposta a ceder espaço para a entidade no Parque David Lara. O namoro segue. O secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico, Cleanto Pedrosa, mantém esperanças. Ele informou que há grandes possibilidades de transferência da Associação Mineira do Brahman para Betim. “Queremos fazer um convênio entre a Aciabe – Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Betim, a Prefeitura e a Associação Brahman”, confirmou Pedrosa, que viu como um grande passo a realização do encontro dos criadores no parque betinense. Foi a 4ª exposição que aconteceu em Minas, as anteriores ocorreram na capital. “Vamos fazer de tudo para que este encontro entre no calendário anual de eventos de Betim”, salientou o secretário, anunciando que Betim também está em negociação com a Associação dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador. Secretário Pedrosa anuncia estudo de projeto para novo Parque de Exposições Uma raça resistente pode ter Betim como referência. Prefeitura e Associação do Brahman estudam parceria para formar campeões Tudo correndo dentro do previsto, já em setembro poderá acorrer à exposição do Mangalarga em Betim. Foi Cleanto Pedrosa que anunciou também a possibilidade de a Prefeitura construir um novo Parque de Exposições, considerando que a estrutura atual do “David Gonçalves Lara” não suporta grandes públicos. O secretário revela que já está em estudos um projeto de acordo com um terreno às margens da BR-262. “Betim quer se estabelecer no espaço agropecuário nacional e a população betinense só têm a ganhar com isso”, reforçou Pedrosa. Com essa proposta, a prefeita Maria do Carmo começa a retomar seus planos quando da construção do Parque de Exposições em seu primeiro governo. Quase duas décadas depois, o parque parece acanhado para as pretensões do governo betinense. Um novo espaço dará oportunidade à realização de grandes eventos no ramo de agronegócios, pecuária e até no setor da indústria em suas diversas áreas de produção. Durante a exposição do Brahman, entre os destaques, a vaca Harmonia, de 900 kg, do proprietário José Macedo Neto, fazenda J4, de Betim. A conquista premiou também o tratador, Jhonathan Eustáquio, também betinense. Jhonathan disse que a vitória não foi surpresa para ele, que confiava na qualidade do animal, tratado com todo zelo. Ele conta que Harmonia recebe um tratamento rigoroso para se manter impecável. Os cuidados com o animal campeão têm uma dieta balanceada e três banhos por semana. Também, semanalmente, Harmonia é examinada por um veterinário. O tratador acompanha todo o trabalho, zelando pela saúde do animal e cuidando de garantir o maior conforto. Uma mistura de raças faz do Brahman um animal diferenciado O gado Brahman é uma raça bovina, resultado do cruzamento de quatro outras raças: Gir, Nelore, Guzerá e Krishna Valley. Tem sua origem nos Estados Unidos. Recentemente, introduzido no Brasil, importado em 1994, a adaptação é boa tanto em baixas quanto em altas temperaturas. A cor clara é benéfica, pois não é atrativa aos insetos. As fêmeas têm grande facilidade no parto, o bezerro, além de ter pouco peso ao nascer, sua cabeça e ombro são pequenos e facilitam o nascimento. As fêmeas também têm a capacidade de reproduzirem regularmente. Grande resistência a doenças. O tempo de abate tem uma variação de 14 a 18 meses. Sobre a exposição realizada em Betim, a diretora-executiva da Associação Mineira do Brahman, a médica veterinária, Flávia Geo Latorre (foto abaixo), demonstrou grande satisfação e se referiu à receptividade que a Associação encontrou na cidade, como fundamental para o sucesso do evento. Flávia reside em Belo Horizonte, mas seus familiares têm fazenda na região de Esmeraldas. Ela cursou veterinária e fez estágio na Fazenda Brahman Yuri. Não conhecia a raça Brahman e se apaixonou à primeira vista. Flávia também fez estágio no Canadá, em uma fazenda de gado de Leite que, segundo ela, é sua outra paixão. Após o retorno do Canadá foi convidada a fazer parte da Associação Mineira. Aceitou e hoje dedica sua vida profissional em favor do gado Brahman. N e gó c i o s d e Tu r i s m o A Secretaria de Estado do Turismo renovou a certificação das cidades do circuito Verde-Trilhas dos Bandeirantes, para o biênio 2009/2010. A solenidade aconteceu em Conceição do Pará, onde estiveram presentes os prefeitos, a deputada estadual Maria Tereza Lara, a superintendente da Setur-MG, Jussara Rocha, o Secretário de Estado da Cultura, Paulo Brant, e o Presidente da Fecitur, Francisco Melo,entre outros convidados. A renovação é sinal de que o circuito vem cumprindo à risca o programa da Setur. 46 O geógrafo Ricardo Marra, em sua tese de doutorado, estudou 1.169 das 6.522 cavidades naturais subterrâneas (CNSs). A tese revela que Iporanga (SP) e Pains (MG), Felipe Guerra (RN) e Arcos (MG) destacamse no que se refere à espeleologia, reunindo mais de 41% das CNSs amostradas. O município de Pains detém o maior número de cavidades naturais subterrâneas conhecidas no país, com 804 cavernas. “Esse município, com 419,2 km², possui aproximadamente duas CNSs/km², índice extremamente alto se comparado com outros municípios brasileiros, o que exige dos órgãos do governo atenção redobrada sobre a região, com vistas ao monitoramento constante”, destaca o geógrafo. agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS O Vale do Charme é uma das regiões mais atraentes e de maior potencial turístico de Minas Gerais. Situado em uma região privilegiada do Vale do Paraopeba, nas encostas das serras do Rola Moça e Moeda, está a poucos quilômetros de Belo Horizonte e abrange o município de Brumadinho, com suas localidades e vilarejos. De 17 a 20 de setembro acontecerá o Festival do Vale do Charme, que terá como base de sustentação a cultura, a gastronomia, o meio ambiente e atividades esportivas praticadas na natureza. Em sua primeira edição terá como sede Casa Branca e como sub-sedes as localidades de Piedade do Paraopeba, Topo do Mundo, Palhano, Córrego do Feijão, Inhotim e a cidade de Brumadinho. Paulo Salles Um verdadeiro show de moda, música e solidariedade foi conferido na Tenda Bier na noite do dia 13 de agosto com a realização da primeira edição do Fashion Show, pelo Sinvesd, Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis. Sucesso de público e críticas, o evento reuniu a imprensa em massa, além de lojistas, compradores, estilistas e fashionistas da cidade e região. No evento foram apresentadas de uma forma nunca antes vista em Divinópolis as coleções primavera/verão 2010 que revelam todo o potencial criativo da Capital da Moda Mineira. A produção foi de Fabrício Brito, Patrícia Gonçalves e Rodrigo Bessa, artística de Sávio Fernatti. O publicitário Frederico Crema Leis (abaixo) demonstra que sabe usar todo o seu potencial criativo, fazendo do trabalho um meio-de-vida com muita qualidade. Especializado em receptivo com passeios na Serra da Canastra, cachoeiras, grutas, esportes radicais, trabalha com turistas de todo Brasil e do exterior. É também com ele o observatório de pássaros para profissionais do ramo e turistas que podem fazer o curso nessa atividade. De 28 de setembro a 2 de outubro, será ministrado o Curso de Observatório de Pássaros. Para quem quiser se programar, outras informações pelo telefone (34) 3351.5059 – site: www.maritacaturismo.com.br. Com o Fred, tem passeios personalizados, Trilhas Interpretativas, Safari Fotográfico, Estudo do Meio, Canastra 360ºC., com o sentido de preservação, educação, cultura, reciclagem e turismo. Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Turismo de Biquinhas, Cléber Alcino, sempre marcando presença em eventos de moto-turismo com apelo ambiental. Ele está acompanhado do fazendeiro de Abaeté, Otávio Fagundes. Um sucesso, a realização do Trilha do Meio Ambiente, em Três Marias. Tiradentes FESTIVAL DE GASTRONOMIA APURA O PALADAR DA SOLIDARIEDADE Ralph Justino inova no evento que criou O XII Festival de Gastronomia de Tiradentes veio neste final de agosto com gosto de filantropia e solidariedade. Tem recurso destinado a Igreja e preparação de futuros chefs, junto a alunos de escolas públicas do município. ode até ser que o turista que estiver nomia, no largo da Rodoviária. E tem sido para lá, buscando uma melhor qualidade em Tiradentes para participar do um dos locais mais visitados. de vida para a família. Festival de Gastronomia este ano Um evento como este, de projeção inAli, chegou a ocupar o cargo de Secrecoma uma iguaria a mais do que o ternacional, exige uma dinâmica evolução. tário de Cultura e Turismo, por volta de de costume, estimulado pelo tempero no- E parcerias, segundo Justino, não faltam. 1997, quando resolveu promover o Festivo que o idealizador do evento, Ralph Jus- Sem contar os patrocinadores, ele co- val de Gastronomia, juntamente com a tino, salpicou nas panelas da consciência. menta a parceria com o poder público mu- Mostra de Cinema. Ele queria desenvolO Festival está sendo marcado por três nicipal e qualifica como “ótima”, mesmo ver estratégias para atrair mais turistas providenciais novidades. Tem o fórum com o Festival pagando à Prefeitura pelo para a cidade, fortalecendo o turismo culpara discutir a gastronomia brasileira, a alvará de utilização dos espaços públicos. tural. doação de R$ 10 mil para a restauração do “O Festival se sente na obrigação de paAgora, o evento ganhou projeção e o telhado da Igreja de Santo Antônio do gar”, contornou. esforço é só para inovar, uma vez que o Canjica e tem o programa “Chefs do AmaO caso de Justino, este arquiteto for- evento, por si só, comercialmente, se pronhã”, que consiste em um curso para os mado pela UFMG, com formação também move. A 12ª edição do Festival vai até o alunos de escolas públicas, preparando- em cinema, pela UCLA, de Los Angeles dia 3o de agosto, reunindo renomados os para o primeiro emprego na cozinha. (EUA), com Tiradentes vem de longas chefs nacionais e internacionais, além de Não só por isso, o festival tem tudo datas. Ele afirma que a ligação com a ci- seleto público que aprecia a alta gastropara se confirmar como o melhor entre dade é de admiração, tanto que mudou nomia. Na programação do festival, tem todos já realizados. as novidades e estão Ralph Justino conprevistos cursos pasidera que, além ra diversos interedisso, já está percesados,festins, bendo que o evento degustações e uma está melhor, “gragrande programaças aos esforços pação cultural. ra buscar cada vez Entre os chefs mais a excelência e convidados para esta pela qualidade de edição estão Phinossos produtores”, lippe Labbé, Tsuyoavaliou. shi Murakami, RoO festival de Tiland Villard, Marc radentes também Meurin, Emmanuel está homenageando Ruz, Fernando Cao Mercado Central nales, Bruno Doucet de Belo Horizonte, e David Etcheverry. que está compleExpectativa de pútando 80 anos. Um blico: 30 mil pessoas estande daquele pela cidade, durante mercado foi instao evento, se diverlado no Mercado da tindo e “alimentanCultura e Gastrodo” o comércio. Com o Festival, Tiradentes poderá receber mais de 30 mil visitantes Divulgação P CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 47 Uma história PARQUE NÁUTICO de JAGUARA Os arquitetos e artistas plásticos têm muita coisa em comum. Mas quando advogados se juntam a eles fica difícil encontrar afinidade. Em Sacramento, município do Triângulo Mineiro, o que há em comum entre estes profissionais é o Parque Náutico de Jaguara, um empreendimento imobiliário valorizado por um projeto turístico que faz do lugar um dos maiores atrativos sacramentano para fins de semana, feriados, férias, programas e eventos diversos. Ali tem casas para vender, para aluguel e temporada, tem hotel, restaurante, clube social, praia com pier e quiosque, um templo religioso, campo de futebol e tem até aeroporto com pista asfaltada de 1.100 metros lineares, asfaltada, na medida para receber aeronaves do porte de um focker50. Tudo isso e muito mais num espaço de cerca de 250 hectares, com muito verde, rico em fauna e flora. Mas não era assim. Antes, a Vila dos Operadores da Cemig, construída para a manutenção da Usina de Jaguara, tinha boa infraestrutura, entre ruas pavimentadas, casas, igreja, comércio e ambulatório. Um bairro bem cuidado, que entrou na mira do aposentado Ivan Sebastião Barbosa Afonso (Dr. Ivan), um advogado de Dr. Ivan, idealizador do Parque, sonhando com um turismo forte 48 agosto de 2009 CIRCUITO DAS GERAIS o port Aero Um parque gigante em beleza e diversidade para moradores e visitantes tetas deixaram seus empregos sólidos a 60 anos que já foi procurador federal do apostaram na idéia do pai. Incra-MG e professor de Direito da Hoje, todos cuidam do empreendiUFMG. Com visão empreendedora, tramento, com atividades intensas e muitos tou logo de adquirir duas grandes áreas projetos pela frente. Das 70 casas do Conno acesso à Vila para projeto imobiliário. domínio Náutico de Jaguara, 12 foram Veio a automação da Usina e os operavendidas, duas servem a residência da fadores foram remanejados. A Vila ficou mília e escritório, e seis são para aluguel abandonada. Era o fim do sonho do dr. de temporadas. E novos condomínios vêm Ivan de realizar bons negócios nas proxipor aí. Serão construídos um Residencial midades? É aí que entra a harmonia dos na Orla, um Condomínio Ecológico e um profissionais que o rodeavam. Casado com Flying Comunity junto ao aeroporto, ina artista plástica, Rute Scalon, teve quatro clusive com estrutura de hangares. Tem filhas, as três mais velhas, arquitetas, Anmais: uma Marina, um Centro de Condréa, Renata e Paula. A mais nova, seguiu venções e Eventos, e muitos programas. a carreira do pai, formando-se em Direito. Era uma vez, uma Vila abandonada, Time formado, era a hora de entrar em fantasma, que virou um projeto sólido, a campo, aproveitando a disposição das ficaminho de se constituir em um dos mais lhas, especialmente da segunda, Renata, de interessantes produtos turísticos do Triajudarem o pai a cuidar dos negócios da ângulo Mineiro. família, especialmente, a fazenda. Em 2004, a Vila da Cemig tinha ido a licitação para venda. Não apareceu interessados, o mato tomava conta do lugar, completamente abandonado. Deu até no “FanA origem do termo “Jatástico” (TV Globo). Veio guara” está na complicada nova licitação, em 2006, pronúncia de portugueoportunidade que ele não ses, quando se referiam queria deixar passar. Reao peixe Jaú, que tinha o hábito de ficar na superfíuniu a família e apresencie das águas: Jaú que tou sua idéia, propôs a quara virou Jaguara. união de todos para tocar um empreendimento imobiliário e projeto turístico. Na mosca. As arqui- O hotel, à margem de uma praia bem cuidada Um l ugar de... UM LINDO SOL POENTE FLORA CLUBE DE LAZER E CONVENÇÕES EMPRESARIAIS E EVENTOS PLANTIO PLANTIO DE DE ÁRVORES ÁRVORES CARNAVAL [email protected] (34) 3351 9150 ou PROGRAME-SE RICA FAUNA ENCONTRO DE MOTOCICL ISTAS MERGULHO ATLETISMO PASSEIO DE L ANCHA PRAIA PESCA USINA HIDRELÉTRICA PASSEIO A CAVALO ATIVIDADES NÁUTICAS TEMPORADAS TEMPORADAS ULTRALEVE VELEIRO ATIVIDADES FÍSICAS E TRILHAS PARA TODAS AS IDADES EXPOSIÇÃO DE CARROS ANTIGOS CIRCUITO DAS GERAIS agosto de 2009 49