UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR TATIANA MARIA CARDOSO TAVEIRA Vila Real, 2011 UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR TATIANA MARIA CARDOSO TAVEIRA Orientadores: Professora Doutora Helena Santos Silva Professor Doutor José Pinto Lopes Vila Real, 2011 Relatório de estágio apresentado à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro elaborado com vista à obtenção do grau de Mestre em Educação Pré-escolar (em conformidade com o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro) A aprendizagem é, primariamente, uma actividade social e a participação na vida social da escola é central para a aprendizagem ocorrer. Stella Vosniadou III DEDICATÓRIA Ao meu querido avô Taveira que se neste momento estivesse entre nós diria: «Tenho orgulho em ti, minha neta!»... IV AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que, directa e indirectamente, participaram na realização deste trabalho, em especial: Aos meus orientadores Professora Doutora Helena Silva e Professor Doutor José Lopes pela sábia orientação e incentivo na realização deste trabalho e pela disponibilidade manifesta na partilha de materiais e informação essenciais a este estudo. Aos Professores, Colegas e Funcionários do Curso de Mestrado em Educação PréEscolar, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro pela disponibilidade, carinho e amizade que sempre demonstraram. À minha entidade patronal que me proporcionou a possibilidade de frequentar o segundo ciclo de estudos e de implementar a metodologia em estudo. Aos meus meninos que incansavelmente colaboraram neste estudo e me enriqueceram com as suas partilhas, pois sem eles nada disto seria possível e aos encarregados de educação que anuíram a participação dos seus educandos. Aos meus pais Maria Helena e Joaquim Taveira que possibilitaram a concretização de mais uma etapa da minha vida académica. Ao meu namorado Filipe Coruche que contribui com o seu carinho e amizade em momentos menos positivos durante a elaboração deste trabalho. À minha cunhada Tânia Taveira e à minha amiga Liliana Gomes que disponibilizaram tempo para realizar as traduções de excertos de obras necessárias a este estudo. À minha amiga Bebiana Lopes pela incondicional amizade e partilha dos nossos momentos de conquista. Aos meus amigos e restante família pelas vossas respostas de força e de ânimo aos meus “não posso ir”... Bem hajam! V RESUMO A presente dissertação de mestrado teve como principal objectivo inferir sobre a eficácia dos métodos de aprendizagem cooperativa – Verificação em Pares, Mistura e Combina, Mesa Redonda e Já Podem Mostrar – na aquisição/desenvolvimento de competências sociais, em crianças do ensino pré-escolar. O estudo está organizado em cinco capítulos que se integram num todo complementar. O primeiro e o segundo capítulos são fundamentalmente teóricos e procuraram fazer uma revisão bibliográfica sobre a aprendizagem cooperativa e a importância do domínio das competências sociais, por crianças do ensino pré-escolar. A pesquisa efectuada permitiu consolidar a pertinência do ensino de competências sociais a crianças desse nível de ensino e a importância que a Aprendizagem Cooperativa assume nesse processo, pelas oportunidades que possibilita de interacção positiva entre pares e adultos e de ocorrência de reforços positivos, o que conduz à prevenção de problemas comportamentais. O Capítulo III descreve o estudo realizado, que decorreu durante três meses e envolveu a implementação de actividades de aprendizagem cooperativa a uma amostra de 9 crianças de um total de 20 que constituíram a turma da pré-escolar atribuída à investigadora, no ano lectivo de 2010/2011. As crianças da amostra apresentavam competências sociais pouco desenvolvidas no domínio da independência, interacção e cooperação sociais. Estes dados foram recolhidos a partir da utilização da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - (Escala A) e de uma grelha de registo do comportamento das crianças, em três fases distintas do estudo. O tratamento dos dados obtidos foi realizado de forma qualitativa e quantitativa. O tratamento qualitativo envolveu a análise de conteúdo aos registos efectuados numa grelha de registo do comportamento das crianças. No que respeita à análise quantitativa recorreu-se ao cálculo do resultado global das pontuações obtidas em cada um dos três momentos de aplicação da escala PKBS (Escala A) e ao cálculo do somatório da pontuação obtida em cada uma das competências sociais. Calculou-se ainda a média e o desvio padrão globais para cada uma das competências sociais. A análise dos dados recolhidos, Capítulo IV, possibilitou verificar que embora com diferentes níveis de evolução todas as crianças da amostra melhoraram o domínio das competências sociais em estudo. A melhoria significativa das competências sociais VI sinalizadas como deficitárias verificadas nas crianças da amostra possibilitou retirar, como principal conclusão, Capítulo V, que os métodos de Aprendizagem Cooperativa utilizados se revelaram eficazes na aquisição/desenvolvimento das competências sociais em estudo. Palavras-chave: aprendizagem cooperativa, competências sociais, pré-escolar. VII ABSTRACT The present thesis had as main aim to infer on the efficiency of the cooperative learning methods – Verification in Pairs, Mix and combine, Round Table and You Can Show It Now - in the acquisition/development of social skills in children of the preschool education. The study is organized in five chapters that take part in a complementary whole. The first and second chapters are essentially theoretical and quest to make a bibliographic revision about the cooperative learning and the importance of the social skills' domain in children of preschool education. The performed research enabled setting the relevance of the social skills' learning to children in this level and the importance that the Cooperative Learning undertakes in this process, for the opportunities that it provides in positive interaction between pairs and adults and in the occurrence of positive reinforcements, which lead to the prevention of behaviour problems. Chapter III describes the performed study that occurred during three months and involved the implementation of cooperative learning activities to a sample of 9 children from a total of 20 that constituted the preschool class assigned to the researcher in the school year of 2010/2011. The children of the sample showed less developed social skills in the domain of social independence, interaction and cooperation. These data were compiled from the Preschool and Kindergarten Behaviour Scales – (A Scale) and the observation chart where the children's behaviours in three distinct stages of the study were registered. The treatment of the compiled data was performed in a qualitative and quantitative way. The qualitative treatment involves the content analysis to the records made in a registration chart of the children's behaviour. As far as the quantitative analysis is concerned, it was used the global result calculation of the markings obtained in each one of the three moments of the application of the PKSB scale (A scale) and the calculation of the marking’s sum obtained in each of the social skills. It was also calculated the global average and standard deviation for each of the social skills. The analysis of the gathered data, Chapter IV, made possible to verify that, although with different evaluation levels, all children of the sample improved the social skills’ domain under study. The important improvement in the social skills marked as VIII abnormal, seen in the children of the sample, enabled the withdraw, as main conclusion, Chapter V, that the used Cooperative Learning methods showed themselves to be effective in the acquisition/development of the social skills under study. Keywords: cooperative learning, social skills, preschool. IX ÍNDICE GERAL RESUMO ....................................................................................................................... V ABSTRACT ................................................................................................................... VII ÍNDICE GERAL ............................................................................................................ IX ÍNDICE IMAGENS ........................................................................................................ XII ÍNDICE DE QUADROS ................................................................................................. XII ÍNDICE DE GRÁFICOS ................................................................................................ XII CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO ..................................................................................... 9 1.1 Introdução ................................................................................................................. 9 1.2 Contextualização do estudo e sua importância ........................................................... 11 1.3 Problema de Investigação .......................................................................................... 15 1.4 Objectivos do estudo ................................................................................................. 15 1.5 Limitações do estudo ................................................................................................. 16 1.6 Organização geral do trabalho ................................................................................... 16 CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA ............................................................. 18 2.1 Introdução ................................................................................................................. 18 2.2 A aprendizagem cooperativa – conceito e breve história ............................................ 18 2.2.1 Características essenciais da aprendizagem cooperativa .......................................... 20 2.3 Importância da aquisição de competências sociais ..................................................... 23 2.3.1 Métodos para o ensino das competências sociais .................................................... 30 2.4 Papel do professor/educador na aprendizagem cooperativa ........................................ 35 2.5 Métodos de aprendizagem cooperativa ...................................................................... 40 X 2.5.1 Verificação em Pares .............................................................................................. 40 2.5.2 Mistura e Combina ................................................................................................. 41 2.5.3 Mesa Redonda ........................................................................................................ 42 2.5.4 Já Podem Mostrar ................................................................................................... 43 CAPÍTULO III – METODOLOGIA ............................................................................... 45 3.1 Introdução ................................................................................................................. 45 3.2 Caracterização da amostra ......................................................................................... 45 3.3 Descrição do estudo .................................................................................................. 47 3.3.1 Fase de Pré-implementação ................................................................................... 47 3.3.2 Fase de Implementação .......................................................................................... 49 3.3.3 Fase de Pós-implementação ................................................................................... 52 3.4 Instrumentos utilizados na recolha dos dados ........................................................... 53 3.4.1 Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) ........................... 53 3.4.2 Registo dos comportamentos das crianças com recurso à grelha de observações..................................................................................................................... 55 3.5 Tratamento e análise de dados .................................................................................. 55 CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ................. 58 4.1 Introdução ................................................................................................................. 58 4.2 Resultados do estudo ................................................................................................. 58 4.2.1 Apresentação e análise dos resultados obtidos a partir da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) ........................................................... 58 4.2.2 Apresentação e análise dos resultados obtidos a partir da utilização da grelha de observações dos comportamentos das crianças ................................................................ 63 XI 4.2.3 Apresentação comparativa dos resultados obtidos, com os instrumentos de recolha de dados .......................................................................................................................... 65 4.3 Discussão dos resultados ........................................................................................... 67 CAPÍTULO V – CONCLUSÕES, IMPLICAÇÕES E SUGESTÕES .............................. 69 5.1 Introdução ................................................................................................................. 69 5.2 Conclusões do estudo ................................................................................................ 69 5.3 Implicações para o processo de ensino-aprendizagem................................................ 70 5.4 Sugestões para futuros trabalhos de investigação ....................................................... 71 BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................ 72 ANEXOS XII ÍNDICE IMAGENS Imagem 1- Exemplo de Tabela em T ............................................................................... 31 ÍNDICE DE QUADROS Quadro 1 - Caracterização das crianças da amostra no que respeita às características do ambiente familiar e competências sociais em estudo ....................................................... 46 Quadro 2 Resultados globais da aplicação da escala de competências sociais (PKBS) antes, durante e depois da intervenção ............................................................................. 59 Quadro 3 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência cooperação social - antes, durante e depois da intervenção ......... 60 Quadro 4 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência interacção social - antes, durante e depois da intervenção ........... 61 Quadro 5 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência independência social - antes, durante e depois da Intervenção ..................................................................................................................... 63 Quadro 6 Comparação entre a diferença dos resultados globais obtidos através da aplicação da escala de competências sociais (PKBS) e dos registos dos comportamentos através da grelha de observações, antes e depois da intervenção ...................................... 66 ÍNDICE DE GRÁFICOS Gráfico 1 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) antes, durante e depois da intervenção ................................................................ 59 Gráfico 2 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência cooperação social (A1)- antes, durante e depois da Intervenção ..................................................................................................................... 60 XIII Gráfico 3 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência interacção social (A2) – antes, durante e depois da Intervenção ..................................................................................................................... 62 Gráfico 4 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência independência social (A3) – antes, durante e depois da intervenção ................................................................................................................. 63 9 CAPÍTULO I – INTRODUÇÃO 1.1 Introdução Para Dottrens (1966, p.31) «a educação que visa o pleno desabrochar da personalidade humana esforça-se por agir sobre as componentes desta para aumentar os poderes de que o indivíduo dispõe e que têm origem no seu equipamento biológico, mental e afectivo, a fim de que ele os utilize, não egoisticamente em seu proveito, mas para criar com os seus semelhantes relações que favoreçam a vida em comum». Segundo Delors (1996, p.77) para cada indivíduo a organização educativa orienta-se em torno de quatro aprendizagens primordiais, que constituem os pilares do seu conhecimento e cujos objectivos são: «(...) aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as actividades humanas e, finalmente, aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes». Acrescenta ainda o autor que a missão da educação se prende com a transmissão de conhecimentos sobre todos os aspectos inerentes à espécie humana, bem como também sensibilizar os indivíduos para a tomada de consciência da interdependência e existência de semelhanças entre si. Afirma ainda que no ensino formal, a percepção desta consciência se torna importante e de grande utilidade para o desenvolvimento de comportamentos sociais durante a vida. Por esta razão, entende que devem existir oportunidades suficientes nos programas escolares, com o objectivo de incentivar os alunos a participarem em projectos de cooperação (Delors, 1996). O princípio geral enunciado na Lei-Quadro da Educação Pré-Escolar, presente nas Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar, publicadas pelo Ministério da Educação em 1997, vai de encontro a esta preocupação, decorrendo dela objectivos pedagógicos gerais que visam uma relação intrínseca entre o aluno e a sua vida na sociedade. A «educação pré-escolar é um contexto de socialização em que muitas aprendizagens decorrem de vivências relacionadas com o alargamento do meio familiar de cada criança, de experiências relacionais e de ocasiões de aprendizagem que implicam recursos humanos e materiais diversos» (p.34). A acção pedagógica deve favorecer «(...) uma aprendizagem cooperada em que a criança se desenvolve e aprende, contribuindo para o desenvolvimento e aprendizagem das outras» (p.35). Contribui-se, desta forma, para a promoção da vida democrática, implicando que «o educador proporcione condições para a formação do grupo, criando situações diversificadas de conhecimento, atenção e respeito pelo outro» (p.36). Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 10 Brophy (1999) defende que para que sejam atingidas as metas de ensino, cumprindo os objectivos propostos, todas as componentes do currículo devem estar orientadas para sustentar um programa coeso. As Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (1997) apresentam a Área de Conteúdo de Formação Pessoal e Social como sendo transversal, na medida em que em todas as áreas de conteúdo se deve promover nas crianças valores e atitudes, permitindo que se tornem indivíduos conscientes e com capacidade para solucionarem os problemas que vão surgindo ao longo da sua vida. Segundo Bertrand (1999), os professores/educadores vão tomando consciência da importância de um suporte cultural e social na aprendizagem, defendendo que esta tendência educativa valoriza o conhecimento, seguindo directrizes próprias da aprendizagem cooperativa. A aprendizagem cooperativa é «(...) uma estratégia de ensino em que grupos pequenos, cada um com alunos de níveis diferentes de capacidades, realizam uma variedade de actividades de aprendizagem para melhorarem a compreensão de um assunto» (Balkcom, 1992, citado em Lopes & Silva, 2009, p.3). Seguindo a linha de pensamento de Augustine, Gruber e Hansons (1990), Bertrand (1999) refere que com a utilização da aprendizagem cooperativa se verificam, quer nos professores quer nos alunos, os seguintes efeitos: uma modificação radical da percepção da aprendizagem e do ensino nos professores; a aquisição de aptidões e de comportamentos mais sociais, tais como: a troca de ideias, a aceitação dos outros, uma melhor saúde psicológica e uma melhor reacção ao grupo. Lopes e Silva (2009) evidenciam a importância da utilização e métodos de aprendizagem cooperativa, em educação formal, na evolução do processo de ensino-aprendizagem e no desenvolvimento pessoal e social da criança. Também Brophy (1999) considera que indivíduos expostos a trabalho de pares ou de grupos de pequena dimensão melhoram a sua capacidade de interacção com os outros, aprimorando não só a aquisição de conhecimentos como a de competências sociais. Ray e Smith (2010) afirmam que, de uma forma construtiva, a aprendizagem cooperativa no jardim-de-infância permite o desenvolvimento social, procurando centrar-se no processo de aprendizagem das crianças e na interacção com os outros. Sendo a aprendizagem um fenómeno simultaneamente privado e social, e considerando os elementos fundamentais que sustentam a base da aprendizagem cooperativa, resumidos por Kaye (s.d., citado em Lopes & Silva, 2009), nomeadamente: as interacções em grupo e interpessoais e a aprendizagem individual e em grupo, torna-se, a nosso ver, importante a aplicação desta metodologia em crianças com idade precoce. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 11 Como afirmava Dottrens (1966, p.32), «a vida harmoniosa de toda a colectividade só é possível se cada um tiver respeito pelos outros e subordinar os seus interesses particulares ao interesse geral, (...) animado por um espírito de colaboração, de tolerância, de compreensão». As competências emocionais e sociais não se adquirem de forma automática, mas são fortemente influenciadas por um ambiente de aprendizagem em que, precocemente, se valorize a sua aquisição e desenvolvimento. 1.2 Contextualização do estudo e sua importância Sendo as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar um documento aprovado pelo Despacho n.º 5220/97 (2ª série), de 10 de Julho, publicado no D.R. n.º 178, II série, de 4 de Agosto, cujos princípios se direccionam para apoiar de forma estruturada as decisões pedagógicas dos educadores, é de extrema importância que estes o considerem como um recurso essencial à sua prática. Isto porque se constitui como uma referência, visando a melhoria da qualidade da educação pré-escolar (OCEPE´s, 1997). Como ferramenta orientadora das práticas, este documento é enquadrado em fundamentos articulados entre si, a partir dos quais se pode evidenciar a exigência de resposta a todas as crianças, uma vez que se conjectura através de uma pedagogia que se centra na cooperação, obtendo as crianças benefícios do processo educativo desenvolvido com o grupo (idem). Quer os objectivos gerais quer os objectivos específicos da Área de Formação Pessoal e Social, considerada como área integradora de todo o processo de educação pré-escolar, se direccionam para a promoção e fomento do desenvolvimento individual e social da criança, assim como para a sua inserção em grupos sociais (idem). Também a organização sistémica e ecológica do ambiente educativo para este nível de ensino, presente neste documento, se debruça sobre a importância da articulação do meio educativo com o meio social envolvente, importante para a percepção da realidade e da forma de relação com os outros, em sociedade (idem). Um outro factor importante na organização do ambiente educativo prende-se com a constituição do grupo, do espaço e do tempo. Considerando a educação pré-escolar um contexto de socialização, é de todo legítimo que se estruture o ambiente educativo de forma a favorecer o trabalho entre pares e em pequenos grupos, proporcionando oportunidades de confrontação de ideias e de entreajuda na resolução de problemas ou dificuldades oriundas de uma tarefa comum (idem). Desta forma, ao favorecer uma aprendizagem cooperativa, o educador tem a possibilidade de aumentar as oportunidades educativas a nível das competências sociais, pois a criança, para além de se desenvolver cognitivamente e de Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 12 contribuir para o desenvolvimento cognitivo dos colegas, aprende competências sociais necessárias ao trabalho em cooperação (idem). Segundo as orientações curriculares, no final do ensino pré-escolar a criança deve ser capaz, ao nível do comportamento, de interiorizar e aplicar um conjunto de competências sociais que lhe proporcionem uma convivência social harmoniosa (idem). A Estratégia Global de Desenvolvimento do Currículo Nacional traçada pelo Ministério da Educação em Dezembro de 2010 definiu metas de aprendizagem nas diversas áreas de conteúdo. O objectivo destas metas é assegurar uma educação de qualidade e melhores resultados escolares nos diferentes níveis de ensino. As aprendizagens essenciais estabelecidas para a Área de Formação Pessoal e Social situam-se «(...) num processo em construção, que está intimamente relacionado com o tipo e a qualidade de experiência de vida em grupo que são proporcionados no jardim-de-infância e com o modo como são abordados os diferentes conteúdos e organizadas as actividades» (Ministério da Educação, 2010). Considerando as metas de aprendizagem para a educação pré-escolar da Área de Formação Pessoal e Social e a grelha Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) (Merrell, 1994) utilizada na recolha dos dados para este estudo, as crianças terão de ser capazes de: na cooperação social (entreajudar – meta final 18 e participar na sua vez – meta final 17); na interacção social (partilhar materiais e ideias – meta final 4 e interagir de forma harmoniosa com os outros – meta final 3) e finalmente a independência social (afirmar a sua personalidade – meta final 14 e escutar atentamente – meta final 9). Como é referido no documento, o desenvolvimento desta área de conteúdo dá oportunidade às crianças de participarem num grupo e fomenta a aprendizagem de comportamentos e valores, que favoreçam o espírito crítico e de solidariedade (ME, 2010). Segundo Parker (s.d., citado em Ovejero, 1989), as crianças são, por natureza, colaborativas e quando tomam consciência disso, relacionam-se de forma cooperativa, a tempo inteiro, com os colegas. Youniss (1994) defende que a reciprocidade leva as crianças a desenvolver preocupação pelos outros, entendendo que este princípio pode ser usado como recurso no desenvolvimento de competências sociais. Para Roffey, Tarrant e Majors (1994), as crianças por volta dos seis anos de idade, começam a compreender que o domínio de competências sociais é fundamental para manter interacções positivas com os seus pares. No entanto, estes autores, tal como Youniss, defendem que as crianças mais novas limitam a escolha das suas amizades às características físicas dos seus pares e à partilha de actividades comuns. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 13 Embora os psicólogos cognitivos, como Bruner e Piaget (s.d., citados em Sprinthall e Sprinthall, 1993), considerem que as aptidões para a cooperação e a reciprocidade possam ter uma forte base biológica, alertam para o facto da sua aquisição variar de acordo com a idade das crianças. Em fases precoces, devido ao seu carácter egocêntrico, não são capazes de adoptar a perspectiva do outro, o que lhes limita a capacidade de cooperar. No entanto, ao longo do crescimento e da sua gradual maturidade cognitiva, torna-se possível que adquiram comportamento cooperativo. Os autores defendem que esta aquisição acontece apenas a partir dos sete anos, no chamado período das operações concretas, aquando da sua maturidade cognitiva. Contudo, a este respeito, não existe unanimidade de opiniões. De acordo com Parten (1932) as crianças com idades compreendidas entre os dois e os quatro anos desenvolvem competências necessárias à cooperação. A pesquisa realizada por Gottschaldt e Frauhauf-Ziegler (1958, citados em Cook & Stingle, 1974) corrobora a observação feita por Parten, evidenciando que crianças de dois e três anos não demonstram comportamento cooperativo, as de três e quatro anos conseguem cooperar apenas parcialmente em trabalhos direccionados a uma meta comum e as de quatro a seis anos, em actividades com um objectivo comum e necessidade de interacção, realizam cooperação completa. A Editora Liarte (1996) entende que apesar das crianças até aos seis anos viverem numa perspectiva egocêntrica, vão adquirindo hábitos e regras com uma facilidade idêntica à da aquisição da linguagem, quase de um modo inconsciente. Da mesma forma Post e Hohmann (2004) defendem que, através de interacções com os adultos e pares, crianças pequenas, aprendem como os seres humanos agem e se tratam uns aos outros. As crianças vão aprendendo, de forma progressiva, a confiar nelas próprias e nos outros, a ser curiosas e a explorar novas aprendizagens em grupos. Referem que estas relações sociais, estimuladas precocemente, influenciam o modo como no futuro irão abordar as pessoas. Consideram ainda, que as crianças desenvolvem relações pessoais quando estimuladas em actividades que estabeleçam vinculação com o(a) educador(a); proporcionem relações com outros adultos; criem relações com os pares; expressem emoções; mostrem empatia pelos sentimentos e necessidades dos outros e desenvolvam o jogo social (idem). Assim, crianças na fase pré-escolar habituadas a estimular a competência interpessoal, como refere Coolahan, Fantuzzo, Mendez e McDermott (2000), apresentam menos problemas de comportamento, maior envolvimento activo nas actividades de aprendizagem em sala de aula e melhor desempenho académico, tanto actual como em anos subsequentes. Uma vez que, segundo Lopes e Silva (2008, p.19), «(...) a interacção com os pares é uma maneira de adquirir competências sociais e pode ser proporcionada às crianças através Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 14 de actividades de aprendizagem cooperativa», faz sentido que os educadores «(...) proporcionem situações de aprendizagem que as ajudem a dominá-las». Numa sociedade onde a necessidade de acumulação de empregos por parte dos cidadãos, a emigração parcial ou por vezes total dos membros familiares directos, a crescente individualização e automatização dos recursos humanos se faz sentir cada vez mais, leva a que a escola tenha uma responsabilidade acrescida no ensino de competências sociais. Pelo exposto, o desenvolvimento de competências sociais em idade precoce, é valorizado e considerado de extrema importância. Para Frauhauf-Ziegler e Gottschaldt (s.d., citado em Lopes & Silva, 2008), as crianças dos quatro aos seis anos de idade são capazes de cooperar efectivamente em grupo por um objectivo comum, desenvolvendo individualmente competências sociais. Desta forma, assume-se que as crianças têm condições cognitivas básicas para desenvolver competências sociais. Segundo Lopes e Silva (2008, p.6), «(...) as actividades de aprendizagem cooperativa permitem às crianças adquirir e desenvolver, simultaneamente, competências cognitivas e sociais». Para Candler (s.d., citado em Lopes & Silva, 2009) um dos factores que mais influencia o insucesso escolar é a inexistência de competências sociais. Esta constatação permite considerar a utilização da aprendizagem cooperativa em contextos educativos uma mais-valia pois, por um lado, permite a aprendizagem significativa dos conteúdos, promovendo desta forma o sucesso escolar e por outro o desenvolvimento de competências sociais essenciais à vida em sociedade. Do anteriormente exposto, nomeadamente do que se refere à Estratégia Global de Desenvolvimento do Currículo Nacional, à Lei Quadro da Educação Pré-escolar nº 5/97, de 10 de Fevereiro da Assembleia da República e às Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar (1997), assim como da referência de alguns autores: Abrami et al. (1996), Balkom (1992), Bellanca e Fogarty (1991), Bierman e Montiminy (1993), Coolahan et al. (2000), Cuseo (1996), Gillies (2003), Johnson e Johnson (1990, 1991, 1993, 1992, 1998), Lopes e Silva (2008 e 2009), Merrel (1994), Parten (1932), Slavin (1983, 1991 e 1995), entre outros, sobressai a importância das situações de aprendizagem cooperativa que varolizam a aquisição precoce de competências sociais. Assim, dada a Área de Formação Pessoal e Social promover e fomentar o desenvolvimento individual e social da criança e a investigadora ter à sua reponsabilidade o ensino de crianças serão apenas abordadas as metas de aprendizagem correspondentes a esta área, por se tratar de uma área transversal, integradora de todas as outras e por se basear na transmissão de valores subjacentes ao contexto relacional, no Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 15 fomento da independência, da autonomia, da partilha do poder, do desenvolvimento da identidade e da educação para a cidadania. As metas definidas para a Área de Formação Pessoal e Social serão a referência para o diagnóstico e treino das competências sociais a desenvolver nas crianças. É um grupo bastante diversificado em termos de personalidade e desenvolvimento de competências sociais, como se poderá analisar no Capítulo III, ponto 3.2. Este aspecto influenciou a orientação do estudo, no sentido de inferir a pertinência do uso de métodos de aprendizagem coooperativa, no ensino pré-escolar, com o objectivo de melhorar o desempenho de competências sociais em falta e consideradas essenciais no desempenho social e escolar. 1.3 Problema de Investigação Como já foi referido no ponto 1.2, o meio familiar, por vezes pelos mais variados motivos, não tem possibilidade de estimular nas crianças condutas sociais. Contudo, elas são de extrema importância, desde muito cedo, para o desenvolvimento social e individual das crianças. Bierman e Montiminy (1993) dão relevo à importância das competências sociais e ao seu impacto positivo sobre as crianças e adolescentes. Cuseo (1996) considera a aprendizagem cooperativa como uma pedagogia para a cidadania, enfatizando as diversas vantagens que ela proporciona, nomeadamente no desenvolvimento das condutas sociais. Este estudo, cujo objectivo principal consiste na investigação do contributo da aprendizagem cooperativa para o desenvolvimento de competências sociais de crianças com competências sociais pouco desenvolvidas, pretende dar resposta ao seguinte problema: Qual o contributo dos métodos de Aprendizagem Cooperativa, Verificação em Pares, Mistura e Combina, Mesa Redonda e Já Podem Mostrar para o desenvolvimento de competências sociais, em crianças do ensino Pré-escolar? 1.4 Objectivos do estudo Atendendo ao exposto, constituem-se como principais objectivos da intervenção: 1. Fundamentar, teoricamente, a importância da aprendizagem cooperativa no desenvolvimento de competências sociais em crianças do ensino pré-escolar. 2. Planificar actividades de aprendizagem com vista à aquisição/desenvolvimento pelas crianças da amostra de competências sociais, utilizando métodos de aprendizagem cooperativa. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 16 3. Analisar a evolução das competências em estudo como resultado da utilização dos métodos cooperativos referidos. 4. Inferir sobre a eficácia de métodos de aprendizagem cooperativa na aquisição/ desenvolvimento de competências sociais em crianças do ensino pré-escolar, a partir dos resultados evidenciados pela observação do seu comportamento ao longo do desenvolvimento do estudo. 1.5 Limitações do estudo Em todas as investigações podem surgir factores intrínsecos e/ou extrínsecos ao investigador que podem afectar os resultados obtidos. Neste estudo, em particular, salientamse como principais limitações: - O tamanho reduzido da amostra. O facto de ter envolvido apenas crianças de uma escola e de ser uma amostra de conveniência (Cohen e Manion, 1990), não garante a sua representatividade, impossibilitando a generalização dos resultados obtidos; - A inexperiência da investigadora na aplicação da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A)1, pode de algum modo ter condicionado os registos efectuados. 1.6 Organização geral do trabalho O presente trabalho está estruturado em cinco capítulos. O Capítulo I – após uma breve introdução (ponto 1.1) faz referência à contextualização e importância do estudo (ponto 1.2), à identificação do problema (ponto 1.3), à definição dos objectivos (ponto 1.4), à apresentação das limitações do estudo (ponto 1.5) e à sua organização (ponto 1.6). O Capítulo II – Revisão da Literatura, após uma breve introdução (ponto 2.1), neste capítulo, define-se a aprendizagem cooperativa e faz-se referência a uma breve história (ponto 2.2), analisam-se as características essenciais desta metodologia de ensinoaprendizagem (ponto 2.2.1), evidencia-se a importância da aquisição de competências sociais (ponto 2.3) e abordam-se os métodos para o ensino das competências sociais (ponto 2.3.1). 1 Trata-se de uma Escala não aferida para a população portuguesa e que neste estudo foi utilizada na versão experimental. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 17 De seguida faz-se referência ao papel do professor/educador na aprendizagem cooperativa (ponto 2.4) e, por fim, descrevem-se os métodos de aprendizagem cooperativa (ponto 2.5). No Capítulo III – Metodologia, após breve introdução (ponto 3.1) procede-se à caracterização da amostra (ponto 3.2), à descrição do estudo (ponto 3.3) e à apresentação dos instrumentos utilizados na recolha dos dados, assim como à descrição do tratamento e análise dos mesmos (pontos 3.4 e 3.5 respectivamente). No Capítulo IV – Apresentação e discussão dos resultados apresentam-se e analisamse os resultados obtidos, através dos instrumentos de recolha de dados. O Capítulo V – Conclusões, implicações e sugestões, faz referência às conclusões do estudo, apresenta algumas das suas implicações e ainda sugestões para futuros trabalhos de investigação. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 18 CAPÍTULO II – REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Introdução O Capítulo II debruça-se sobre uma análise mais aprofundada da temática da aprendizagem cooperativa. Refere os aspectos que se consideram mais importantes para o desenvolvimento do trabalho de investigação, partindo de uma revisão pormenorizada da literatura especializada neste campo. Após uma breve introdução (ponto 2.1), neste capítulo, define-se a aprendizagem cooperativa e faz-se referência a uma breve história (ponto 2.2), analisam-se as características essenciais desta metodologia de ensino-aprendizagem (ponto 2.2.1), evidencia-se a importância da aquisição de competências sociais (ponto 2.3) e abordam-se os métodos para o ensino das competências sociais (ponto 2.3.1). De seguida fazse referência ao papel do professor/educador na aprendizagem cooperativa (ponto 2.4) e, por fim, descrevem-se os métodos de aprendizagem cooperativa (ponto 2.5). 2.2 A aprendizagem cooperativa – conceito e breve história Abrami, Chambers, Poulsen, De Simone, D'Appolonia e Howden (1996), Balkcom (1992), Fathman e Kessler (1993) e Johnson, Johnson e Holubec (1993) consideram que a aprendizagem cooperativa é um método de ensino que distribui os alunos por grupos pequenos, de forma a que trabalhem em conjunto, rentabilizando ao máximo a aprendizagem de cada elemento e criando uma interdependência positiva entre eles. O termo cooperar, segundo Argyle (1991), também remete para relações sociais, actuação em grupos com um objectivo bem definido: atingir metas comuns quer seja movido por empatia ou pela vontade de obter ganhos. Kaye (1991) define a aprendizagem cooperativa resumindo-a a seis pontos fundamentais: a) a aprendizagem é um processo individual influenciado por vários factores externos, como as interacções em grupo e interpessoais; b) a aprendizagem é um processo individual e social; c) para se aprender de forma cooperativa é necessário dominar diferentes papéis, em diversos situações; d) cooperar envolve dinâmica de trabalho que proporciona benefícios superiores em deterimento da aprendizagem individual constante; e) os objectivos, por vezes, podem não ser cumpridos devido a factores que invalidem o processo cooperativo, como conflitos, desmotivação e descrédito; f) aprendizagem cooperativa não implica um constante trabalho em grupo, mas confere a flexibilidade de uma aprendizagem interactiva com outras pessoas. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 19 De uma forma mais ampla, Fathman e Kessler (1993, citado em Lopes & Silva, 2009, p.3) definem a aprendizagem cooperativa como «o trabalho de grupo que se estrutura cuidadosamente para que todos os alunos interajam, troquem informações e possam ser avaliados de forma individual pelo seu trabalho». Segundo Madden e Slavin (1983), a aprendizagem cooperativa é um método que se concentra na manipulação de condições antecedentes, contibuindo para aumentar a probabilidade de comportamentos sociais positivos. A aprendizagem cooperativa compreende, para Johnson, Johnson e Stanne (2000), vários métodos uns mais directos, a que designam de técnicas, e outros mais complexos que denominam de macroestratégias. Apesar da orientação pedagógica da aprendizagem cooperativa ter marcado os finais do século XX, a sua origem remonta-nos para o período antes de Cristo, encontrando-se referências em Sócrates (470 a.C. – 390 a.C.), Quintiliano (35 d.C.) e Séneca (35 a.c. – 39 d.C.). Estes filósofos defendiam que os discípulos aprendiam melhor, uns com os outros, em pequenos grupos (Lopes & Silva, 2009). Na Idade Média, os responsáveis pelo ensino também faziam referência à importância do trabalho em pequenos grupos, em que os mais capazes ensinavam aqueles que tinham mais dificuldades (idem). Na época do Renascimento, com Comenius, dá-se ênfase não só ao facto de que os alunos mais fracos beneficiariam com a ajuda dos alunos mais competentes, mas também aos benefícios que estes tinham em ensinar (idem). Avançando para a Idade Moderna, Bell, com a obra: Uma obra em Educação, publicada em 1797, tornou público, em Inglaterra, o método de ensino recíproco, evidenciando, mais uma vez, a importância da aprendizagem mútua entre os alunos. Lancaster efectivou este método, criando um sistema de ensino mútuo, aplicado em muitas escolas primárias de Inglaterra (idem). Na América, a aprendizagem cooperativa instala-se no ano de 1806, seguindo as directrizes criadas por Lancaster. Em Portugal, por volta de 1815, foi introduzida nas escolas militares, por João Crisóstomo de Couto e Melo, que adaptou este método ao sistema de ensino português. Mais tarde, foram criadas oficialmente escolas normais de ensino mútuo em todas as capitais de distrito (idem). Impulsionados por Parker, aficcionado por este movimento, os métodos cooperativos tiveram grande expressão, durante a mudança do século. O seu objectivo era promover uma sociedade que assentasse verdadeiramente no espírito cooperativo e democrático. O êxito foi de tal ordem que arrecadou mais de 30000 professores seguidores da aprendizagem cooperativa (idem). Nos Estados Unidos da América, o novo modelo de educação baseado Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 20 nas linhas orientadoras da pedagogia de Parker e Dewey, foi difundido por Kilpatrick, pedagogo que mais contribui para a sua divulgação (idem). No entanto, nos finais dos anos 30, devido a razões económicas inerentes à Grande Depressão, o interesse pela aprendizagem cooperativa começou a diminuir, ganhando relevo nas escolas, uma vez mais, a valorização de uma metodologia competitiva e individualista, apesar de se manterem activos os seguidores da aprendizagem cooperativa (idem). Surgem as cooperativas escolares, na França, entre as duas Guerras Mundiais, descritas por Profit (1932), cujo objectivo era transformar a escola numa verdadeira sociedade. Também a pedagogia de Cousinet se orienta segundo esta perspectiva, destacando o trabalho em grupo e a sua importância na aquisição mais efectiva dos conhecimentos. Em 1934, na Alemanha, Petersen propôs que se devia abolir o ensino tradicional, regendo-se a escola apenas por métodos de grupos cooperativos, onde os alunos desenvolvessem autodisciplina e autodomínio. Em Portugal, no mesmo ano, António Sérgio, na obra Aspectos do Problema Pedagógico em Portugal, propôs a utilização dos métodos de Cousinet, no ensino básico. Por outro lado, Freinet defendia a cooperação como modelo de formação, contribuindo para o desenvolvimento da personalidade e das aprendizagens. Desta forma, conferiu uma nova dimensão às cooperativas escolares. Thorndike, em 1938, foi mais longe e publicou uma obra em que defendia que a aprendizagem cooperativa era a metodologia a seguir (idem). Seguiram-se inúmeros estudos acerca das vantagens da aprendizagem cooperativa em deterimento da tradicional, nomeadamente com Deutsch em 1920, Sherif em 1950 e Cook em 1969. Todos apontaram para a importância de efectiva cooperação entre grupos de trabalho nas escolas. Seguindo as linhas orientadoras de Sherif e Deutsch, o interesse pela aprendizagem cooperativa renasce em meados dos anos 70. Merecem destaque nessa década os trabalhos de Johnson e Johnson em 1975, Sharan e Sharan em 1976, Aronson e colegas em 1978, entre outros até aos nossos dias (idem). 2.2.1 Características essenciais da aprendizagem cooperativa Sprinthall e Sprinthall (1993, p.479) afirmam que: «um dos factos mais importantes acerca da vida neste planeta é que os seres humanos formam grupos e vivem as suas vidas em situações de grupo». Deutsch (s.d., citado em Sprinthall & Sprinthall, 1993), psicólogo social, cujos estudos se basearam na comparação entre o ensino competitivo e o cooperativo, verificou que quanto mais cooperativas forem as tarefas em grupos, mais positivo será o ambiente geral da sala de aula, enfatizando-se a importância da interdependência entre os Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 21 diferentes membros constituintes do grupo. Para Slavin (1991) existem dois elementos essenciais que mais contribuem para o sucesso da aprendizagem cooperativa: os objectivos de grupo e a responsabilidade individual. Podendo os grupos cooperativos ser configurados de várias formas e moldados para atender finalidades específicas de aprendizagem, uma vez que a responsabilidade individual pode mudar de acordo com as exigências das tarefas, Johnson, Johnson e Holubec (1993) defendem que é necessário ter em conta cinco elementos essenciais da aprendizagem cooperativa: a interdependência positiva; a responsabilidade individual e de grupo; a interacção estimuladora, preferencialmente face a face; as competências sociais e o processo de grupo ou avaliação do grupo. Segundo Lopes e Silva (2008 e 2009), a interdependência positiva é o elemento fundamental da aprendizagem cooperativa. Ela «(...) cria situações em que os alunos trabalham em conjunto, em pequenos grupos, para maximizar a aprendizagem de todos os membros, partilhando os recursos, dando apoio mútuo e celebrando juntos o sucesso» (Lopes & Silva, 2009, p.16). A interdependência positiva pode, assim, obter-se de várias formas: através da interdependência positiva de objectivos, o grupo trabalha para concretizar uma determinada tarefa comum; da interdependência de recursos, que implica partilha dos materiais necessários ao desenvolvimento da actividade; da interdependência da tarefa repartindo esta em sub-tarefas, de forma a que todos os elementos do grupo se responsabilizem pela sua execução. A partilha de recompensas, que podem ser objectos ou satisfação de interesses, cujo objectivo se prende num incentivo para o cumprimento dos objectivos estipulados; de papéis, que funcionam como estratégias de gestão das actividades de forma a facilitar o funcionamento do grupo; das forças externas, que se caracterizam pelos desafios propostos para aumentar o grau de dificuldade das tarefas, por exemplo, o limite de tempo, os adversários, etc. são outras das formas de assegurar a interdependência positiva nos grupos de aprendizagem cooperativa (Lopes & Silva, 2008). Para assegurar a interdependência positiva é necessário que as crianças compreendam que, para conseguirem trabalhar em grupo, dependem umas das outras tanto ao nível dos conhecimentos como de comportamento (Lopes & Silva, 2009). Esta linha de pensamento assenta na pesquisa de Johnson, Johnson e Holubec (1993) acerca da influência que o trabalho em pequenos grupos heterogéneos tem na promoção da interdependência positiva. Acreditam que este tipo de trabalho proporciona a interacção face a face entre os alunos, o que os torna responsáveis pelo sucesso do grupo a partir da sua contribuição individual, encorajando-os a ajudar-se mutuamente, na realização de metas específicas. A atribuição de tarefas com objectivos Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 22 comuns e o uso de recompensas permite que os membros do grupo se sintam peças fundamentais no processo de aprendizagem. A responsabilidade individual e de grupo é caracterizada pelo papel que cada elemento tem no trabalho do grupo, tendo cada elemento e o grupo no seu conjunto, respectivamente, o dever de ser responsável pelas suas aprendizagens e por ajudar os colegas a aprender (Abrami et al, 1996). Lopes e Silva (2008, 2009) consideram que a responsabilidade individual deve ser clara e evidente para as crianças, de forma a que se fortaleçam individualmente, ajudando-se uns aos outros e, por conseguinte, consigam melhorar a sua condição de indivíduos. A interacção estimuladora, preferencialmente face a face, promove o sucesso entre os elementos do grupo bem como estimula as relações pessoais (idem). Segundo as pesquisas realizadas por Lopes e Silva (2009) está ligada à responsabilidade individual e de grupo, na medida em que uma não se concretiza sem que a outra esteja interiorizada, permitindo que as crianças trabalhem efectivamente em grupo. Para que a interacção estimuladora se efective é necessário que a disposição física dos elementos do grupo permita a aproximação desejada, isto é, possibilite que as crianças se posicionem face a face, em pequenos grupos. Assim, sentem-se mais seguras e confiantes para interagir e comunicar, dar feedback, controlar o seu comportamento, aumentando, desta forma, a responsabilidade de todos, a capacidade de influência, o apoio social e as recompensas interpessoais (Lopes & Silva, 2008 e 2009). Contudo, para que os elementos anteriormente referidos possam acontecer é necessário que as crianças domínem competências sociais. Estas permitem que os grupos funcionem de forma harmoniosa e que sejam produtivos. Lopes e Silva (2008 e 2009) dão exemplos de competências sociais imprescindíveis ao trabalho de grupo cooperativo: respeitar a sua vez, afirmar a sua personalidade, entreajudar, escutar atentamente, partilhar materiais e ideias, interagir de forma harmoniosa com os outros, expressar educadamente o seu desacordo, celebrar o sucesso, resolver conflitos, comunicar de forma clara, entre outras. Para estes investigadores é importante que os professores/educadores incentivem os alunos a adquirir e a usar estas competências, através da interacção com os seus pares, usando métodos de aprendizagem cooperativa bem como de outras técnicas: ensino por imitação e de forma directa; a Tabela em T apresentada por Johnson, Johnson e Holubec (1993) e jogos de papéis, descritos no ponto 2.3. O processo de grupo ou avaliação do grupo é o último elemento essencial da aprendizagem cooperativa, considerado pelos mesmos autores mas não o menos importante. Na avaliação em grupo, os elementos têm a possibilidade de reflectir sobre o funcionamento Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 23 do seu grupo e identificar formas de o melhorar (idem). Segundo Lopes e Silva (2008 e 2009), para que a aprendizagem melhore, é imprescindível que as crianças avaliem o seu desempenho dentro do grupo, nomeadamente a forma como trabalham uns com os outros e tomem decisões quanto às estratégias a tomar, para que o funcionamento do grupo evolua positivamente. Esta avaliação permite lembrar às crianças a importância de praticar de forma sistemática as competências sociais, facilitando a sua aprendizagem; assegurar que os elementos do grupo recebem feedback pela sua participação e concentrarem-se na preservação e melhoria do grupo (idem). 2.3 Importância da aquisição de competências sociais Como referido no ponto anterior, a aquisição de competências sociais é considerada por inúmeros autores como um dos elementos essenciais para assegurar o trabalho eficaz em cooperação, com vista a que os alunos, mais tarde, utilizem estas competências para a vida em sociedade. Isto porque a sociedade exige, a cada um dos seus membros, o reconhecimento de que as condutas individuais deverão obedecer a um conjunto de regras que garantam a harmonia social. Para Sprinthall e Sprinthall (1993), a socialização é um processo que implica a aprendizagem de normas e regras da sociedade. Esta socialização é obtida por intermédio das pressões existentes nos grupos sociais em que os sujeitos estão inseridos. Referindo Albert Bandura, mentor da teoria da aprendizagem social, os mesmos autores afirmam que o comportamento humano é algo que se aprende numa interacção social, sendo modificado como resultado das respostas dos outros. As competências sociais são definidas por Hinsch e Pfingsten (1983) como a disponibilidade e utilização de comportamentos cognitivos, emocionais e específicos, em situações sociais específicas. Morgan e Jensen (1988, p.245) definem-nas como «(...) comportamentos interpessoais que permitem a um indivíduo interagir com os outros, com sucesso». Segundo estes autores, as competências incluem comportamentos verbais e não verbais, usados para facilitar a comunicação positiva com os outros. Trianes (1996) complementa esta ideia, considerando que as competências sociais são caracterizadas por aspectos sociocognitivos, socioafectivos e condutas sociais, os quais incluem componentes específicos: - competência sociocognitiva remete para o conhecimento social sobre regras e sobre processos de interacção, situações sociais, raciocínio moral, tomada de perspectiva, entre outros; Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 24 - competência socioafectiva caracterizada por afecto, expressividade e autocontrolo; - conduta social caracterizada por cooperação, comunicação verbal e não verbal, apoio, resolução de conflitos e participação, etc. Para Gresham e Elliot (1984), as competências sociais podem, em geral, ser definidas como comportamentos aprendidos, socialmente aceitáveis, permitindo que uma pessoa interaja com os outros, de forma a que provoquem respostas positivas. Resumidamente, esses comportamentos estão divididos em cinco grandes grupos: - cooperação, caraterizado por comportamentos sociais como ajudar e partilhar materiais com os outros e cumprir regras; - afirmação, caracterizado por comportamentos sociais como resposta aos dos pares; - responsabilidade, caracterizado por comportamentos que demonstram capacidade para comunicar com os adultos; - empatia, caracterizado por comportamentos de preocupação com os outros; - auto-controlo, caracterizado por comportamentos sociais que emergem em situações de conflitos, tais como responder adequadamente a provocações e/ou a feedback correctivo de um adulto (idem). A designação de competências sociais remete para diferentes tipos de comportamentos sociais, subjacentes a um indivíduo e que, por sua vez, favorecem o relacionamento saudável e produtivo com os seus pares (Del Prette & Del Prette 2005). Os autores defendem que as competências sociais promovem o desenvolvimento e previnem o aparecimento de problemas de comportamento à medida que possibilitam que as crianças interajam mais positivamente com colegas, professores e familiares, proporcionando oportunidades de acesso a reforços sociais, como elogios e atenção. «As crianças cujas competências sociais estão mais desenvolvidas brincam juntas, enquanto que as que têm mais necessidade de adquirir ou de pôr em prática estas competências ficam isoladas» (Lopes & Silva, 2008, p.18). Segundo estes autores, as competências sociais podem tomar outras designações: competências interpessoais, de colaboração, aptidões para permanecer em grupo, competências de comunicação e competências pró-sociais (idem). De uma forma geral, o desenvolvimento afectivo antecede o desenvolvimento cognitivo e comportamental, observando-se a tomada de consciência e reacção às emoções, muito antes de se conseguirem verbalizar (Greenberg & Snell, 1997). Para Handler (1998) crianças com quatro anos de idade identificam emoções mais complexas, sendo capazes de compreender que as pessoas podem responder com emoções diferentes, perante uma mesma situação. Com esta idade, demonstram também uma consciência das competências sociais, Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 25 como recurso para controlo de emoções. Segundo o autor, quando a criança comunica as emoções verbalmente, torna-se capaz de se afastar das situações e avaliar as emoções, considerando as causas e as consequências. Contudo, as crianças não têm uma capacidade inata para interagir com os outros, tendo que ser ensinadas nesse sentido (Johnson & Johnson, 1990). Estes autores admitem que competências sociais inadequadas interferem significativamente no desenvolvimento da interacção positiva. Também Joseph e Strain (2003) partilham a mesma linha de pensamento, afirmando que as competências sociais e emocionais não se desenvolvem de forma automática, mas são adquiridas pelas crianças em ambientes de aprendizagem precoce. Assim, a primeira infância é um período crítico e crucial na vida social e emocional de desenvolvimento das crianças. Estas, em idade pré-escolar, começam a distinguir as emoções positivas das negativas e vão aprendendo a regular as suas próprias emoções (Izard et al., 2001). Desde a infância, como referem Anthony et al. (2005), as crianças desenvolvem competências sociais que lhes permitem conquistar amizades e participar em actividades que proporcionam aprendizagem. Defendem ainda, os autores, que a aquisição dessas competências depende não só do contexto familiar como também do ambiente vivido na primeira infância. Desta forma, Cohen, Sherrod e Clark (1986) consideram o domínio de competências sociais uma mais-valia para iniciar e manter diversos tipos de relações sociais, tornando-se um pré-requisito essencial na vida humana, especialmente se for iniciado precocemente. Também Parker e Asher (1987) afirmam que o desenvolvimento destas competências é um dos mais importantes resultados do processo escolar. Defendem que as crianças que possuem défice de competências sociais correm o risco de desenvolver dificuldades sociais e emocionais e baixo rendimento escolar. Para Rogoff (1990) as actividades sociais são, por si só, interessantes e ajudam a manter os alunos motivados e concentrados na sua própria aprendizagem. Os alunos esforçam-se mais para melhorar a qualidade dos seus trabalhos, pois têm a noção que terão de os partilhar com outros. É pela interacção e comunicação com os outros e pela transmissão da cultura, do material e do imaterial, ao longo das gerações, que o tipo de aptidões e de conhecimentos são adquiridos (Worsley, 1992). Após muita investigação acerca da importância do domínio das competências sociais, Henricsson e Rydell (2006) consideram que as relações das crianças com os adultos e com os seus pares são muito importantes para o desenvolvimento de competências no pré-escolar e para a adaptação escolar bem sucedida. Leseman, Rollenberg e Rispens (2001) acreditam que Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 26 o desenvolvimento social no jardim de infância envolve a maneira como as crianças aprendem a interagir com seus pares, de forma constructiva. Para estes investigadores, o objectivo do jardim de infância é criar um ambiente onde se explore a compreensão de regras e as expectativas tanto das crianças como dos adultos que com elas convivem em ambiente escolar. Evidenciam as situações de jogo, enfatizando o seu papel neste período de exploração, uma vez que as crianças têm oportunidade de colaborar e de se envolver, interagindo com os seus pares. Contudo, Izard et al. (2001) afirmam que evidências de problemas comportamentais e emocionais podem persitir após o pré-escolar. Estes problemas podem, segundo Denham e Weissberg (2004), repercutir-se a longo prazo, caso não sejam devidamente colmatados, em doenças graves como por exemplo a depressão, a evasão escolar, comportamentos antissociais ou até mesmo violentos, compromentendo irremediavelmente a vida emocional e social das crianças. Para Trianes, De La Morena e Muñoz (1999) a inadaptação escolar é um mecanismo extremamente complexo, mas que pode ser definida em três grupos: - Défice motivacional caracterizado pela falta de conhecimentos básicos e hábitos de trabalho, considerados pré-requisitos para aquisição de outros conhecimentos. Manifesta-se através da observação de falta de hábitos de aprendizagem autónoma, do risco de fracasso, do isolamento; - Défice social caracterizado por condutas agressivas/antisociais para com os outros e até mesmo pessoais, falta de competências sociais tais como: negociação, cooperação, resolução de problemas de forma não agressiva; - Défice de autocontrolo caracterizado pela impulsividade irreflectida e por falta de capacidade de autoavaliação dos comportamentos. Já em 1997, Cummings e Haggerty conceberam um projecto, Raising Healthy Children, cujo objectivo se prendeu com o ensino de competências sociais entre estudantes, família e escola, com o intuito de reduzir o risco de problemas comportamentais, sendo um dos componentes da formação a instrução directa de competências inter e intrapessoais. O treino baseou-se na prática, no esforço e na generalização das competências. Após dois anos, os resultados preliminares mostraram efeitos positivos nas interacções dos alunos com outros colegas, tendo melhorado as atitudes em relação à escola bem como o rendimento escolar. Bellanca e Fogarty (1991) defendem que as competências sociais devem ser praticadas porque os alunos precisam de compreender a sua importância e quando e como devem ser usadas evitando, assim, o mais cedo possível distúrbios comportamentais. Levine (1998) corrobora esta linha de pensamento, acreditando que o acto de conversar com uma Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 27 criança sobre os seus sentimentos, deve ter início numa fase muito inicial do seu desenvolvimento, mesmo que ainda não domine o código verbal. De acordo está também Handler (1998) referindo que quando a uma criança é dado tempo suficiente para avaliar uma situação, ela pode encontrar uma forma socialmente aceitável para responder. Assim, quantas mais oportunidades as crianças tiverem para discutir os seus sentimentos e emoções e os dos outros, provavelmente, mais cordiais e afectuosas se tornarão. Também Kuebli (1999) acredita que as crianças são capazes de falar sobre as suas emoções e sensações, mesmo que ainda muito novas, conseguindo geri-las de uma forma mais saudável. Uma das causas de conflitos entre os indivíduos é apontada pela falta de competências sociais (Tena, Rodríguez & Sureda, 2001). Acrescentam, os autores, que muitos jovens não têm capacidade para avaliar os seus comportamentos sociais, sentindo dificulades em gerir uma situação de conflito sem recurso à agressividade. Os autores afirmam ainda que as competências não só reforçam as relações entre as crianças como também têm uma influência significativa na atenção positiva e no reforço do professor para com o aluno. Vygotsky (1978) sublinha a eficácia da interacção entre pares no desenvolvimento de competências sociais e cognitivas. Faz referência à importância do uso, por parte dos professores, de métodos de aprendizagem cooperativa, uma vez que crianças menos competentes em determinadas competências, com a ajuda dos seus colegas que se encontram mais próximos das suas capacidades - zona de desenvolvimento proximal mais facilmente ultrapassam as suas limitações a esse nível. A zona de desenvolvimento proximal consiste numa zona cognitiva onde as crianças são capazes de solucionar problemas, se ajudados. Vygotsky acredita que a interação social na aprendizagem é muito importante e que um aluno mais capaz pode ajudar o colega a passar para a próxima fase de aprendizagem (idem). Este aspecto é muito relevante para a filosofia da aprendizagem cooperativa, atendendo a que o seu principal objectivo é auxiliar a aprendizagem através do trabalho em grupo, onde a interacção e o apoio à aprendizagem são elementos indispensáveis. Mcalister (2009) refere que a prática corrente da aprendizagem cooperativa pode destacar os aspectos positivos da aprendizagem activa. O envolvimento e a motivação das crianças, na sua própria aprendizagem, são aspectos que a aprendizagem cooperativa pode ajudar a fomentar. Duveen (1997) afirma que uma das razões de desmotivação dos alunos em relação à escola se prende com o facto de se praticar, muito pouco, um modelo de aprendizagem que estimule a interacção entre os alunos e entre estes e os seus professores. De acordo com Mcalister (2009), as ideias de Vygotsky acerca da cognição social são muito relevantes nas salas de aula de hoje, pois enfatizam a importância da interacção social Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 28 no auxílio à aprendizagem. Com a criança no centro da sua própria aprendizagem, o professor apoia a aprendizagem activa, em vez de transmitir conceitos (idem). Para vários autores, nomeadamente, Curran (1985, citado em Tena et al., 2001), a importância das competências sociais baseia-se nos seguintes princípios: - As relações interpessoais são importantes para o funcionamento e desenvolvimento psicológicos; - A falta de harmonia interpessoal pode contribuir para disfunções e perturbações psicológicas (por exemplo problemas pessoais, escolares e de saúde); - Algumas estratégias são mais adequadas do que outras para o estímulo de relações interpessoais; - Estas estratégias são específicas e podem ser ensinadas; - Depois de aprendidas as estratégias, melhoram as competências sociais específicas; - A melhoria da competência interpessoal pode contribuir para o desenvolvimento psicológico; - O estímulo da interação entre pares permite o conhecimento individual e dos outros; o desenvolvimento do conhecimento de condutas, competências e estratégias; um autocontrolo e autorregulação dos comportamentos. Uma das conclusões da pesquisa realizada por Damon (1983) sobre o processo de interacção de pares revelou que o respeito pelas regras estabelecidas e pelas convenções é efectivamente aprendido pelas crianças. O mesmo autor considera que a aprendizagem dessas convenções sociais é um legado para toda a vida, tornando-as cidadãs plenas na sociedade, com todos os seus direitos e responsabilidades. Pesquisas sobre regulação das emoções mostram que crianças de três e quatro anos são já capazes de controlar a expressão de emoções negativas frente à frustação em situações sociais não familiares, evidenciando uma compreensão de comportamentos sociais e das suas repercussões (Cole, Smith & ZahnWaxler, 1994). Dottrens (1966) considera que a escola tem como dever a transmissão de valores, o fomento de regras e hábitos sociais que sirvam em benefício dos alunos e dos outros, de forma a que possam integrar-se na comunidade dos seus semelhantes. Acrescenta ainda que é através das experiências pessoais e da convivência com os colegas que a criança adquire aptidões para colaborar, sendo capaz de: «(...) partilhar o trabalho, atribuir a cada um a parte que convém às suas aptidões, sacrificar o seu sentido próprio ao bom entendimento do grupo e à boa execução do trabalho; colaborar com uma flexibilidade Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 29 infinitamente maior do que nos jogos onde cada criança tem sempre o mesmo papel» (Dottrens, 1966, p.88). Na mesma linha de pesamento, Delors et al. (1996, p.99) defendem que «(...) a educação formal deve reservar tempo e ocasiões suficientes nos seus programas para iniciar os jovens em projectos de cooperação, logo desde a infância». Também Slavin (1983) refere que a abordagem cooperativa no ensino regular resulta numa simbiose de ganhos entre os alunos mais capazes e os menos capazes. Segundo o Guia de Programa: Dia inteiro no Jardim de Infância, baseado na filosofia do programa principal: Uma Estrutura para o Ensino, do British Columbia Learning Framework (Full day kindergarten – Program Guide, 2011), as crianças em idade pré-escolar são indivíduos únicos com uma bagagem linguística e cultural diversas, com diferentes talentos, habilidades e interesses. Contudo, partilham características comuns, nomeadamente em relação à capacidade de aprendizagem. Todas as crianças exploram o mundo através do seu próprio corpo, usando os sentidos e é através deles que se vão desenvolvendo a vários níveis: social, emocional, intelectual, estético, artístico e físico. Desta forma, o jardim de infância proporciona ocasiões para aprendizagens acerca da importância de compreender, aceitar e acomodar as diferenças da sua vida social e emocional em relação à das outras crianças. Ainda de acordo com este programa, o último ano do jardim de infância é um momento importante para desenvolver a independência e a capacidade de trabalhar cooperativamente com os outros. Embora ainda tenham sua própria perspectiva das coisas, as crianças estão a aprender a partilhar, a revezar-se, a ajudar-se e a mostrar empatia com os outros (idem). Kagan (s.d., citado em Elkin, 1968, p.113) afirma que «(...) são as situações vivenciadas que determinam os nossos comportamentos competitivos ou cooperativos». Assim, torna-se de extrema importância o desenvolvimento de competências sociais, o mais cedo possível, quer na escola quer no seio familiar, capacitando os indivíduos de instrumentos necessários à gestão de comportamentos, em contexto social e individual. Muitos estudos e pesquisas se têm elaborado, nomeadamente nos Estados Unidos e no Canadá, sobre a importância das competências sociais no sucesso académico e social, como por exemplo as obras de Gillies em 2003, de Hauserman em 1992, de Jonhson e Jonhson em 1990, de Kagan em 1994 e de Slavin em 1995. Salienta-se o estudo de Gillies (2003) que analisou o impacto a longo prazo da implementação da aprendizagem cooperativa no desenvolvimento de competências soiais, envolvendo crianças pequenas. Concluiu que «(...) as crianças pequenas que têm sido treinadas para cooperar e ajudar os outros são capazes de Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 30 demonstrar esses comportamentos em grupo, um ano depois, sem qualquer treino adicional» (p.97). Estudos recentes vão de encontro a esta importância, como é o exemplo do estudo de Bandy e Moore (2011). Estes autores realizaram um estudo para determinar quais os contributos para a promoção de competências sociais entre as crianças e adolescentes. Foram aplicadas 38 rigorosas avaliações de vários programas que abordavam competências sociais, nas diferentes áreas: resolução de conflitos, por exemplo, lidar com provocações; interpessoal, por exemplo a partilha; construção de relacionamentos, por exemplo interagir com os outros; resolução de problemas, por exemplo pedir ajuda, e auto-regulação, por exemplo controlo dos impulsos. Com base nos resultados das avaliações, os programas foram agrupados em três categorias: resultados comprovados, resultados mistos e resultados não comprovados. Dos 38 programas do estudo, 27 tiveram resultados comprovados, oito resultados mistos e três não tiveram nenhum impacto estatisticamente significativo. Estes resultados sugerem que uma variedade de estratégias e práticas podem ser implementadas nas escolas, para promover e melhorar as competências sociais. Segundo este estudo, os programas em que se utilizou grupos de pares, discussões em grupo ou modelagem de papel foram eficazes na promoção das competências sociais. Quanto ao que não funcionou, o estudo não fornece qualquer tipo de conclusão. Relativamente aos três programas que tiveram resultados não comprovados, isto é, sem qualquer impacto significativo no desenvolvimento das competências sociais, o estudo sugere que mais pesquisas serão necessárias para entender melhor quais os componentes do programa que levam a resultados sem sucesso. 2.3.1 Métodos para o ensino de competências sociais O principal objectivo da escola é desenvolver competências académicas, mas para além disso, as crianças devem ser estimuladas nas relações inter e intrapessoais de forma positiva com colegas e professores, assegurando desta forma o sucesso no ambiente escolar (Wentzel, 2002). De acordo com Lopes e Silva (2008, p.22), «a interacção entre pares favorece o desenvolvimento de competências cognitivas, porque os membros do grupo são desafiados a explicar as suas ideias, a justificar as suas acções, a elaborar projectos, etc.». Assim é importante que os professores/educadores proporcionem situações de aprendizagem que ajudem as crianças a dominar as competências sociais. Não só a formação de grupos cooperativos permite que as crianças coloquem em prática competências sociais, mas também a demonstração feita pelo educador - modelagem, a instrução directa, os jogos e treino de Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 31 papéis, a observação e o feedback, sendo a modelagem – o próprio professor/educador funcionar como modelo – o método de ensino de competências sociais que Lopes e Silva (2008) consideram mais. Acreditam que o professor/educador deve colocar em prática as competências sociais, uma vez que as crianças de certa forma aprendem a comportar-se através da imitação (idem). A Tabela em T (Johnson et al., 1999, citado em Lopes & Silva, 2008) constitui um outro método de ensino de competências sociais. Esta tabela tem como objectivo a visualização por um lado da competência social e por outro as acções ou palavras usadas para o desempenho dessa competência. A figura 1 representa um exemplo da Tabela em T usada para ensinar a competência social – Esperar pela sua vez. Figura 1. Exemplo de Tabela em T. Retirada de: Lopes, J. e Silva H. (2008). Métodos de Aprendizagem Cooperativa Para o Jardim-deInfância.Porto: Areal Editores, p.20 Na linha horizontal representa-se a competência social através da escrita (palavras) e de uma imagem e na linha vertical estão representadas as acções e as palavras. Nas acções, as crianças desenham e/ou escrevem o que fazem quando desempenham essa competência e nas palavras escrevem-se as suas respostas à questão: Que dizem quando...(Lopes & Silva, 2008). As competências sociais também podem ser ensinadas através do treino de papéis. Erikson (s.d., citado em Sprinthall & Sprinthall, 1993) refere que a capacidade de assumir um papel é desenvolvida de forma gradual, uma vez que o ser humano não nasce a compreender relações. Adianta ainda que a idoneidade de perceber a perspectiva interpessoal advém da capacidade de interacção com outras pessoas. Acredita que a utilização de determinadas Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 32 técnicas como o treino de competências, a prática da aprendizagem cooperativa e o acompanhamento individual podem reduzir algum isolamento e, portanto, a incapacidade de desempenho de papéis sociais. Lopes e Silva (2009) referem que atribuir uma margem de autonomia aos alunos na prática de tarefas e executá-las com sucesso, permite estabelecer entre eles um clima de cooperação. Acrescentam que estas condições fundamentais são adquiridas através do uso de papéis pelos alunos, possibilitando que cada elemento desempenhe tarefas diferenciadas com vista ao cumprimento dos objectivos do grupo. Nas actividades cooperativas, os mesmos autores (2008) consideram importante a aplicação de três regras fundamentais no uso dos papéis: a cada elemento do grupo deve ser atribuído um papel; imputar a mesma importância a todos os papéis e sensibilizar as crianças para a possibilidade de desempenhar todos os papéis. Assim, todas elas, ainda segundo os mesmos autores, devem ter a oportunidade de realizar as tarefas inerentes a cada um deles, gerir o tempo, o material, os comportamentos, coordenar as tarefas e as aprendizagens realizadas dentro do grupo. Afirmam que «(...) atribuir papéis ligados às actividades diárias que as pessoas desempenham na sociedade, ajuda as crianças a compreender a interdependência dos seres humanos no exercício da cidadania e na construção de uma sociedade mais solidária e harmoniosa» (p. 31). Eis alguns exemplos de papéis (Lopes & Silva, 2008 e 2009): - responsável pelo material, tendo como tarefas procurar, distribuir e recolher o material e verificar se é manuseado adequadamente; - capitão do silêncio que assegura o silêncio aquando da realização das tarefas; - harmonizador responsável pelo cumprimento das regras e pela interacção harmoniosa entre os elementos; - encorajador que incentiva os colegas menos participativos a terem um papel mais activo. Para tal, segundo os mesmos autores (2008), é necessário que o educador/professor se certifique que todos desempenhem os vários tipos de papéis, planificando actividades que proporcionem o treino dos mesmos. Para Jonhson et al. (1999, citado em Lopes & Silva, 2008) existem vantagens que reforçam a importância do uso de papéis. São elas: redução de atitudes passivas e/ou dominantes de alguns alunos; garantia que os alunos exercem técnicas de grupo e que todos os membros as dominam, e criação de interdependência positiva entre todos os elementos do grupo. Para além disto, os papéis permitem que cada aluno saiba o que se espera dele e dos outros e o conhecimento do que têm de fazer (Lopes & Silva, 2009). Isto permite, segundo Jonhson, Jonhson e Holubec (1993), que todos trabalhem juntos, activamente e de forma produtiva sem se perturbarem. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 33 Outros dois métodos muito importantes para o treino e aquisição de competências sociais, como já foi referido, são a observação e o feedback por parte do professor/educador. Não só incentivam à repetição do comportamento como também o reforçam e incentivam à sua imitação por parte das outras crianças. O feedback dado à criança, após ter sido observado o seu comportamento, permite-lhe compreender a importância de repetir ou melhorar a utilização da competência em aprendizagem (Lopes & Silva, 2008). Estes autores defendem o uso de recursos como forma de incentivo à utilização de competências sociais. São dois exemplos: - a taça dos berlindes que consiste na colocação de berlindes numa taça, por parte do professor/educador, sempre que uma competência social seja praticada pelas crianças, durante uma actividade. O som que o berlinde faz ao cair na taça permite que a criança se recorde da competência praticada; - os murais de competências, que consistem em completar uma imagem à medida que as crianças demonstram competências sociais (idem). Um dos exemplos dos autores é a casa das competências onde, por cada competência social praticada o professor/educador acrescenta um elemento novo: uma porta, um tijolo, uma janela, etc.. Associada a todos estes métodos de ensino de competências sociais está um dos elementos essenciais dos grupos de aprendizagem cooperativa - a avaliação do grupo (ponto 2.2.1). De acordo com os autores acima referidos, as crianças no fim da actividade cooperativa devem avaliar se os seus comportamentos foram positivos ou negativos a fim de tomar decisões de alteração ou não dos mesmos (idem). Esta avaliação permite: - contribuir para a aquisição de competências sociais; - lembrar às crianças que as competências sociais devem ser colocadas em prática, sistematicamente; - assegurar que todos os elementos do grupo tomem conhecimento do feedback dado pela sua participação. O feedback deve estar integrado em todas as actividades cooperativas, com uma duração reduzida para que as crianças façam da auto-avaliação uma prática corrente, de modo a assumir responsabilidade na aquisição de competências sociais (Lopes & Silva, 2008). Para estes autores, é importante que as crianças compreendam que devem ter um papel activo na planificação de formas para melhorarem as suas competências (idem). Para tal, existem algumas estratégias para organizar o feedback, utilizadas para auto-avaliação de competências sociais e cognitivas. Estas estratégias são adaptáveis às diversas faixas etárias e flexíveis a ponto de servirem de base para a criação de outras (idem).Têm como objectivo Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 34 incentivar as crianças a reflectir sobre o seu modo de interagir e de se comportarem durante os trabalhos de grupos. São alguns exemplos: - A escolha da expressão correspondente. Consiste numa folha na qual está uma tabela com três caras: triste, neutra e feliz. As crianças escolhem a cara assinalando com uma cruz a cara que corresponde ao que pensam ter sido o seu desempenho relativo a uma competência social ou tarefa específica; - A associação de cartas. O educador distribui, para cada grupo, um conjunto de cinco cartas de jogar numeradas de um a cinco. Seguidamente faz uma pergunta sobre a forma de funcionamento do grupo para que as crianças escolham a carta com a numeração correspondente ao seu grau de participação (carta um se participou pouco, carta cinco se foi muito participativa, etc). Uma outra forma é a utilização dos próprios dedos para quantificar o grau de participação; - 1,2,3 saltar. As crianças saltam com a intensidade que corresponde ao seu grau de dificuldade. Por exemplo, saltar pausadamente se acharam que sentiram dificuldade e saltar com rapidez se não tiveram qualquer dificuldade; - Os cantos. Esta estratégia utiliza cantos numerados, que podem ser os cantos da sala, que correspondem a diferentes respostas quanto à utilização de competências sociais na actividade. As crianças deslocam-se para o canto que mais se identifica com a forma como avaliam a sua prestação na actividade; - As mãos. Consiste na colocação das mãos pelas crianças em diferentes partes do seu corpo para indicarem o seu grau de participação na actividade. Por exemplo, colocar as mãos na cabeça caso tenham participado muito, na cintura se participaram pouco e nos tronozelos se a participação foi muito pouca ou nula; - A árvore das competências. O educador distribui a cada criança um cartão com a imagem de uma maçã, por exemplo, sempre que demonstrarem a utilização de uma competência colocam na árvore de competências sociais. O professor/educador regista a que comportamento corresponde a maçã, assegurando que a criança compreende o motivo da sua colocação na árvore (idem). Contudo, nas situações de interacção com outras crianças, podem surgir conflitos que perturbam a qualidade das relações. Desta forma, Lopes e Silva (2008) enfatizam o papel do educador como guia junto das crianças em conflito. Afirmam que as crianças pouco familiarizadas com estratégias de resolução de conflitos poderão apresentar comportamentos negativos que as fazem culpabilizar-se por gestos repreensíveis, uma vez que se sentem impotentes na sua resolução. Por outro lado, as crianças incentivadas a utilizar estratégias de Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 35 resolução de conflitos são mais independentes, resolvendo os problemas de forma harmoniosa. Compete, assim, ao educador dotar as crianças de competências de resolução de conflitos. Para tal, segundo os mesmos autores, o educador deve reservar um espaço na sala para a resolução de conflitos. Neste espaço, devem estar afixadas representações visuais das diferentes emoções, por exemplo riso, choro, tristeza, cólera, raiva, etc. para que as crianças consigam identificar quais os sentimentos provocados pelo conflito e retomar o seu bemestar. Para que a criança possa expressar a sua angústia, escutar o colega que lhe provocou sentimentos menos positivos, o educador deve pôr em prática estratégias como: - O cachecol da amizade. Nesta estratégia utiliza-se um cachecol com as duas extremidades distintas (cara com a boca fechada e cara com a boca aberta). A criança que tiver a ponta do cachecol com a boca aberta expõe o seu problema, ficando a outra criança como ouvinte. Quando o educador vira o cachecol, a criança que permaneceu calada a escutar, argumenta a explicação do colega. O procedimento termina quando o conflito ficar resolvido. - O canto da harmonia. As crianças e o educador afixam desenhos ilustrativos das estratégias e das etapas de resolução dos conflitos, num canto da sala. Sempre qua haja um conflito, as crianças implicadas dirigem-se ao canto e discutem sobre as suas causas. - Reparação de danos. Consiste na reparação de um determinado dano que a criança possa ter provocado. A sua vantagem é a reaquisição de uma posição favorável e de uma imagem de competência social (idem). Os êxitos na aquisição de competências sociais devem ser valorizados de igual forma que os sucessos escolares (Lopes & Silva, 2008). Adiantam ainda que o grau de sucesso no desenvolvimento dessas competências manifesta-se caso o ambiente pedagógico favoreça o recurso a estratégias como as que foram referidas ao longo deste ponto. 2.4 Papel do professor/educador na aprendizagem cooperativa As crianças aprendem interiorizando as actividades, hábitos, vocabulário e ideias dos membros da comunidade na qual estão inseridas. O estabelecimento de uma atmosfera de colaboração e cooperação produtiva é uma parte essencial da aprendizagem escolar (Vygotsky, 1978). Assim, o educador tem como dever ajudar a criança a compreender o seu papel no processo de ensino-aprendizagem bem como interiorizar a importância do seu próprio papel, como mediador da mesma. Tendo as crianças a necessidade de se sentir em segurança, ter prazer no que fazem, a liberdade para realizar novas descobertas e para se Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 36 relacionar com os outros, o professor/educador deve proporcionar um ambiente convidativo para que se sintam predispostas para o fazer (Lopes & Silva, 2008). De acordo com Jonhson, Jonhson e Smith (1991), para se colocar em prática a aprendizagem cooperativa é necessário que o professor/educador siga um procedimento bem estruturado e organizado. Defendem que deve proceder a determinadas tarefas em diferentes momentos do processo de ensinoaprendizagem: A - Pré-implementação, B - Implementação e C - Pós-implementação. A - Pré-implementação Nesta fase, como descrevem Jonhson, Jonhson e Smith (1991, citados em Lopes & Silva, 2009), o professor deve seguir determinados parâmetros que garantam o sucesso da implementação das diferentes actividades de aprendizagem. Desta forma, tem de: - especificar os objectivos de ensino, académicos e sociais, explicando o uso da metodologia, a descrição dos benefícios e os resultados esperados; - distribuir tarefas, interessantes, variadas, motivadoras e significativas, com um determinado tempo de duração; - determinar o tamanho do grupo e distribuir os alunos pelos mesmos; - atribuir papéis aos elementos dos grupos, assegurando a sua rotatividade; - arranjar ou dispor a sala, de forma a que a mobilidade e a interacção sejam possíveis; - planificar materiais de ensino para promover a interdependência; - estabelecer critérios de sucesso, informando os alunos sobre as competências a avaliar; - estruturar a interdependência positiva e a responsabilidade e estabelecer os comportamentos desejados, com recurso, se necessário, ao treino das competências sociais necessárias ao trabalho em grupo; - incentivar as crianças a ter um papel activo na fase de pré-implementação da aprendizagem cooperativa. Devem questionar o professor/educador sempre que não compreendam alguma orientação, uma vez que entender o que se pretende é a peça fundamental para que as metas e os objectivos sejam atingidos e os procedimentos cumpridos. O instrumento de avaliação das actividades cooperativas usado pelo professor/educador pode ser elaborado em conjunto com as crianças assim como a planificação das actividades (idem). Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 37 Em suma, nesta fase é fundamental a atenção do professor/educador na formação dos grupos cooperativos, de forma a assegurar o sucesso das fases seguintes do processo. Assim, a formação dos grupos não deve ser uma tarefa considerada secundária. Para que sejam eficazes, é necessário que o professor/educador tenha em conta no seu processo de formação vários factores que possam condicionar o sucesso dos mesmos, como a tendência para a escolha de amigos. Assim, é aconselhável que seja o próprio a escolher os elementos a fim de evitar que algumas crianças se possam sentir rejeitadas (Lopes & Silva 2008). Para que a cooperação se efective não basta que as crianças estejam mais perto umas das outras a realizar tarefas de partilha de materiais, de ajuda mútua, de discussão (idem). Os critérios variam podendo basear-se em características físicas, sociais ou até mesmo aleatoriamente, usando objectos para a selecção, como por exemplo cartas de jogar, revistas, números, etc. (idem). Acrescentam ainda que, para as actividades com maior grau de dificuldade, torna-se mais vantajoso usar o conhecimento das competências sociais e cognitivas de cada criança, para a formação de grupos heterogéneos. Assim, pode juntar, num mesmo grupo, crianças que dominam determinadas competências com outras que estejam em fase de aquisição. Um outro aspecto a ter em conta na formação dos grupos é a idade. Para Hohmann (1984), turmas cujo leque de idades é de extremos, por exemplo, dos dois anos e meio aos cinco, a formação dos grupos deve contemplar as diversas idades, mas não todas. Ou seja, num grupo podem juntar-se crianças de dois anos e meio aos quatro e num outro dos três aos cinco anos. O tamanho dos grupos deve ser restrito, não indo além dos quatro elementos, sendo que inicialmente, crianças que não dominem ainda as competêncas cooperativas se devam agrupar em pares (Lopes & Silva, 2008). Outros factores a considerar são a cultura, o sexo assim como a presença de crianças com necessidades educativas especiais. Os grupos devem ser representativos da população da turma. B – Implementação Na fase de implementação, o papel do professor é preponderante uma vez que os mesmos autores apresentam como principais responsabilidades do professor/educador: - a prestação de ajuda, fornecendo recursos ou pistas adicionais, para que o trabalho prossiga; - o elogio, colectivo e individual, de forma a incentivar e demonstrar o sucesso da tarefa; Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 38 - a intervenção necessária, quando se deparar com com algum conflito ou distrações, sendo que os conflitos devem ser resolvidos pelos alunos; - o controlo do comportamento, circulando pela sala e observando a forma como trabalham os alunos, em grupos (idem). Contudo existem características que podem inibir a cooperação das crianças em idade pré-escolar. Como referem Lopes e Silva, «(...) o conhecimento destas características pode permitir aos professores/educadores e aos responsáveis pela concepção dos programas adaptar as actividades de aprendizagem, incluindo os princípios da aprendizagem cooperativa» (Lopes & Silva, 2008, p.7). Os aspectos inibidores são: - O egocentrismo - não conseguem ainda compreender, na integra, a perspectiva do outro, pois as suas capacidades cognitivas não estão desenvolvidas por completo; - As competências sociais estão pouco desenvolvidas - a estratégia passa pela formação, primeiramente, de pares e aumentar gradualmente o número de elementos heterogéneos, não excedendo contudo os quatro membros; - Os momentos de interacção devem ser de curta duração, sendo claros e objectivos; - O período de atenção é curto - consoante a idade, o tempo de atenção varia, logo as actividades devem ter a duração que a capacidade de concentração das crianças permitir; - A necessidade de gratificação imediata - devem-se evitar actividades que envolvam várias sessões, para que o interesse das crianças se mantanha, verificando de imediato os resultados do seu empenho; - As competências linguísticas são reduzidas - estando as competências cognitivas e linguísticas ainda em desenvolvimento e em fases distintas no caso de um grupo com crianças em idades distintas, um dos critérios de escolha grupal deverá ser a heterogeneidade, visto as mais novas poderem desenvolver competências com as mais velhas; - A impulsividade - em idade pré-escolar, as crianças tendem a controlar-se cada vez melhor, sendo oportuno que as actividades se baseiem em situações do quotidiano e a capacidade de leitura restrita - como as crianças do pré-escolar ainda não adquiriram a competência da leitura, as actividades devem primar pela ilustração de imagens elucidativas (Lopes & Silva, 2008). Segundo Lopes e Silva, existem ainda factores externos que contribuem para a dificuldade de cooperação das crianças. São eles: a falta de sensibilidade, por parte dos adultos, não confiando nas capacidades cooperativas de crianças pequenas; as reduzidas expectativas dos adultos em relação às crianças; a divisão das crianças por faixas etárias, uma vez que crianças mais pequenas podem beneficiar com as mais velhas; a constante Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 39 comparação e o incentivo à competição e o fornecimento do material, individualmente e não em grupo, impedindo a partilha de recursos (idem). Por outro lado, existem características que facilitam a participação activa, em actividades de aprendizagem cooperativa. Lopes e Silva (2008) dão alguns exemplos: as poucas inibições das crianças, uma vez que não temem o risco de falhar, perante os colegas; a curiosidade, característica primordial de crianças em idade pré-escolar, facilitando as interacções propostas; a necessidade de se movimentarem, pois alguns métodos de aprendizagem cooperativa prendem-se pela movimentação; a necessidade de socializarem, aptidão nata que deve ser explorada pelos professores/educadores desde cedo; a fraca consciência da diferença entre rapazes e raparigas e as poucas ideias preconcebidas sobre a escola, participando, desta forma, mais activamente e com maior envolvimento nas actividades. Os factores externos como o ambiente, a organização do espaço, a postura do professor/ educador permitem que se crie uma atmosfera motivadora a fim de favorecer a interacção social. A cooperação é facilitada não apenas através de estratégias que impliquem a execução de métodos de aprendizagem cooperativa, mas também pela criação de situações do quotidiano familiar da criança, como por exemplo a criação do cantinho da cozinha, onde todas terão de contribuir para a sua montagem. Este tipo de actividade «(...) permite criar uma interdependência positiva e contribui para tornar uma actividade cooperativa» (Lopes & Silva, 2008, p.11). C - Pós-implementação Nesta fase, o educador/professor deve: - promover o encerramento através do sumário, onde se dá lugar a uma síntese do trabalho realizado e a forma como se processou, sempre que possível pelos alunos; - avaliar a aprendizagem, registando o progresso individual e grupal; - reflectir sobre o trabalho desenvolvido (idem). Após a implementação das actividades de aprendizagem cooperativa, as crianças «(...) devem reflectir sobre a forma como o seu grupo desenvolveu as tarefas envolvidas no mesmo (...)» e «(...) informar o professor sobre os aspectos mais positivos e menos positivos do trabalho desenvolvido (...)» (Lopes & Silva, 2009, p.66). Este feedback permite ao professor/educador obter informação acerca da necessidade de reestruturação da sua acção, ajustando os procedimentos em futuras actividades de aprendizagem cooperativa (idem). Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 40 2.5 Métodos de aprendizagem cooperativa Existe uma vasta variedade de métodos de aprendizagem cooperativa. Segundo Lopes e Silva (2008), o número contabilizado passa a centena. Para que a revisão da literatura não se torne muito extensa descrevem-se apenas os métodos da aprendizagem cooperativa que foram usados neste estudo: Verificação em Pares (ponto 2.5.1), Mistura e Combina (ponto 2.5.2), Mesa Redonda (ponto 2.5.3) e Já Podem Mostrar (ponto 2.5.4). 2.5.1 Verificação em Pares Este método de aprendizagem cooperativa é caracterizado pela formação de grupos onde os alunos trabalham primeiro aos pares e posteriormente em grupo de quatro elementos. Os elementos do grupo realizam a tarefa em pares e, posteriormente, verificam as respostas com todos os elementos do grupo (Lopes & Silva, 2009). Por se ajudarem e ensinarem uns aos outros, este método permite um maior envolvimento por parte de todos. Assim, alunos com maior dificuldade beneficiam com os mais competentes e estes últimos aumentam a possibilidade de retenção dos conhecimentos (idem). As vantagens da utilização deste método de aprendizagem cooperativa são: um reforço mais imediato e frequente à aprendizagem, os pares têm a possibilidade de partilhar, treinar, encorajar, as oportunidades de correcção são muitas, imediatas e orientadas para o sucesso (idem). É um método que se pode aplicar ao ensino pré-escolar, adaptando-se à faixa etária das crianças. As competências sociais que o método de aprendizagem cooperativa Verificação em Pares permite desenvolver são: a entreajuda, a participação na sua vez, a afirmação da personalidade, a constituição do espírito de grupo. É também um método que ajuda à consolidação de conhecimentos e verificação de aprendizagem (idem). Os passos do método são: a) Constituir grupos de dois elementos; b) Entregar a cada par uma ficha de resolução de problemas; c) Um dos elementos resolve o problema enquanto que o colega ensina e elogia; d) Os pares trocam de papéis; e) Quando terminam, comparam e discutem a resolução; f) O grupo celebra as respostas correctas e/ou resolve as diferenças, assinalando a resposta na ficha. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 41 Segundo Slavin (1991), as crianças habituadas a ambiente de apoio entre pares demonstram melhores resultados na resolução de conflitos, possuem mais comportamentos sociais adquiridos, têm um relacionamento positivo com os demais e uma maior aspiração escolar. Bennett e Dunne (1992) corroboram, defendendo que os alunos que trabalham em pares ou pequenos grupos de forma sistemática beneficiam mais do que em grupos maiores, construindo os conhecimentos e ajudando-se uns aos outros a dominar as competências. 2.5.2 Mistura e Combina Mistura e combina, de acordo com Lopes e Silva (2008), é um método de aprendizagem cooperativa que deriva do trabalho de Kagan. Por ser um método que conjuga o movimento e as aprendizagens, destina-se principalmente a crianças pequenas que trabalhem sentadas durante algum tempo. Deslocando-se na sala conforme as indicações do educador/professor, o objectivo do método Mistura e combina prende-se na procura do par, com o qual cada criança irá realizar a próxima tarefa. O contacto com todas as crianças pertencentes à turma é facilitado pela mudança sistemática de pares. Para a aplicação do método é necessária a preparação prévia de materiais. A cada criança é distribuido um cartão com uma imagem e determinada a função dos pares de aprendizagem. As competências sociais que o método de aprendizagem cooperativa Mistura e Combina permite desenvolver são: escutar atentamente o outro; partilhar ideias; interagir de forma harmoniosa com os outros; falar em voz baixa; deslocar-se sem fazer barulho; circular calmamente. É um método que ajuda à aplicação de conhecimentos, por exemplo: associar um objecto a uma cor, consolidar a noção de contrário, associar elementos, partilhar informação e desenvolver competências linguísticas e de relacionamento (idem). Os passos do método são, segundo a recolha de Lopes e Silva (2008): a) As crianças movimentam-se pela sala com um cartão na mão; b) O educador diz uma palavra representativa de paragem, por exemplo, STOP ou GELO. Depois de obedecerem à ordem, escondem os cartões e imaginam qual dos colegas terá o cartão complementar do seu; c) As crianças dirigem-se para o centro da sala, procuram o seu parceiro e afastam-se para longe dos colegas, com o seu par; d) Cada criança coloca uma questão relativa ao tema do cartão; Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 42 e) O parceiro tem de responder à questão. Caso acerte o colega felicita-o, se errar ajuda-o; f) Dá-se uma troca de papéis, repetindo-se os passos d) e e); g) Neste momento trocam-se os cartões; h) Os pares separam-se e repetem-se os passos de a) a g), o número de vezes que o educador achar conveniente. 2.5.3 Mesa Redonda Para Lopes e Silva (2008 e 2009), o método Mesa Redonda é muito divertido e acessível, proporcionando diversas aprendizagens em todos os níveis de ensino, inclusive no pré-escolar. Este método encoraja o desenvolvimento da interdependência positiva, uma vez que o produto final é comum e da responsabilidade de todos os elementos do grupo. As competências sociais que este método de aprendizagem cooperativa permite adquirir são: a interdependência positiva, a partilha de informações, ideias e material, a afirmação da personalidade e a participação na sua vez. É um método que ajuda também a desenvolver a criatividade, permite a consolidação de conhecimentos, realizar actividades de expressão plástica, etc (idem). Os passos do método são: a) Formar grupos de três ou quatro elementos; b) Distribuir o material por grupo e não por criança; c) O educador apresenta uma actividade que implique a realização de várias tarefas para a sua conclusão; d) O educador dá a conhecer o tempo de realização da actividade, tendo em atenção o tempo que cada criança tem para a realização da ou das tarefas que tem a seu cargo; e) Quando cada criança terminar a sua tarefa, passa o trabalho juntamente com o material necessário para o colega seguinte, no sentido dos ponteiros do relógio; f) Assim que o tempo terminar, o educador dá por finalizada a actividade; g) Cada grupo partilha o produto final com os restantes colegas. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 43 2.5.4 Já Podem Mostrar Como referem Lopes e Silva (2008), o Já Podem Mostrar é um método de aprendizagem cooperativa que possibilita fazer actividades de revisão e prática de uma forma divertida. Em grupo, as crianças têm espaço e tempo para pensar na resposta correcta, sozinhas, antes de discutir essas respostas com os restantes elementos. Segundo os autores, este método proporciona uma participação mais efectiva por parte das crianças, encorajandoas na tentativa individual de resolução de problemas. Avocam, desta forma, mais riscos, pelo facto da sua exposição, em pequeno grupo, ser diminuida, recebendo feedback imediato dos colegas do grupo e diminuindo o medo de falhar em grande grupo (idem). As competências sociais que o método permite treinar são: escutar atentamente, partilhar materiais e ideias, interagir de forma harmoniosa com os outros, resolver problemas, participar activamente nas actividades. Também possibilita que as crianças discutam entre elas o raciocínio que elaboraram para a resolução da tarefa, assegurando, desta forma, que todas o compreenderam. Para o método Já Podem Mostrar é necessária uma preparação prévia de cartões com os elementos necessários à execução das actividades. Os temas podem ser variados, consoante a área de conteúdo, criando-se até cartões próprios para cada uma. Os passos deste método são: a) Dividir as crianças por grupos, nunca com mais de quatro elementos; b) Distribuir, a cada criança, os cartões necessários à actividade, não podendo esta mostrá-los a nenhum colega do grupo; c) O educador mostra uma imagem relacionada com os cartões ou coloca uma questão. As crianças têm de escolher a resposta usando um ou mais cartões; d) Terminado o passo anterior, o educador diz: Já podem mostrar!; e) Todas as crianças viram o(s) seu(s) cartão(ões) e mostram-no(s) aos colegas de grupo. Se todos acertam, congratulam-se. Caso as respostas divirjam, discutemnas até alcançarem um consenso sobre a resposta certa; f) Atribuir papéis aos elementos do grupo, por exemplo de líder, para que seja ele a conduzir a discussão e a celebração dos sucessos. Este papel é rotativo. Lopes e Silva (2008) apresentam sugestões de aplicação relativas a este método de aprendizagem cooperativa. Uma delas é a sua aplicação nos cantinhos ou centros de aprendizagem, onde se podem criar cartões específicos para desenvolver determinados conteúdos. Por exemplo, cantinho para construir números, permitindo uma auto-verificação. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 44 Outra sugestão será a de trabalho do educador com as crianças que tenham mais dificuldades, trabalhando os restantes grupos autonomamente. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 45 CAPÍTULO III – METODOLOGIA 3.1 Introdução Neste capítulo, procede-se à caracterização da amostra (ponto 3.2), à descrição do estudo (ponto 3.3) e à apresentação dos instrumentos utilizados na recolha dos dados, assim como à descrição do tratamento e análise dos mesmos (pontos 3.4 e 3.5 respectivamente). 3.2 Caracterização da amostra Neste estudo de caso utilizou-se uma amostra de conveniência (Cohen e Manion, 1990) constituída por 9 crianças de um total de 20 que constituiram a turma do pré-escolar atribuida à investigadora, no ano lectivo de 2010/2011. Através de observações e registos do comportamento das crianças em ambiente de sala de aula, durante um período de tempo que decorreu desde o mês de Maio ao mês de Julho, do ano lectivo referido, verificou-se que das 20 crianças, nove apresentavam, comparativamente às restantes, pouco desenvolvidas as seguintes competências sociais: entreajudar, participar na sua vez, partilhar ideias e materiais, interagir de forma harmoniosa com os outros, afirmar a sua personalidade e escutar atentamente. Duas dessas crianças são do sexo feminino (C12 e C6) e sete do sexo masculino (C10, C11, C12, C13, C14, C16 e C17). As restantes 11 crianças, sete são do sexo feminino e quatro do sexo masculino, não demonstrando dificuldades no desempenho de competências sociais referidas. A caracterização das crianças é efectuada no quadro I. 1 C – Criança Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 46 Quadro 1 Caracterização das crianças da amostra no que respeita às características do ambiente familiar e competências sociais em estudo N= 9 Perfil Género Crianças Ambiente familiar Competências sociais - Família desestruturada; - Encarregado de Educação interessado na situação escolar. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente mais dificuldade em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. C2 Feminino - Família desestruturada; - Encarregado de Educação interessado na situação escolar. C6 - Ambiente apoiante e bem estruturado; - Família pouco interessada no desenvolvimento escolar. C10 - Família estruturada; - Pais interessados no seu desenvolvimento escolar. C11 - Ambiente estruturado e apoiante; - Encarregad0 de Educação preocupado com o desenvolvimento escolar. C12 - Família estruturada; - Pais pouco envolvidos no desenvolvimento escolar. Masculino C13 - Ambiente estruturado; Pais pouco interessados desenvolvimento. no seu C14 - Família estruturada; - Pais interessados no desenvolvimento escolar. C16 - Família desestruturada; - Encarregado de Educação interessado na situação escolar. C17 Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 47 3.3 Descrição do estudo O estudo envolveu a planificação de um total de 20 actividades usando métodos de aprendizagem cooperativa com o objectivo de que no final do estudo as crianças que não tinham adquirido as competências sociais as adquiram. No domínio da independência social, a criança deve demonstrar empenho nas actividades que realiza, concluindo o que foi decidido fazer e procurando fazê-lo com responsabilidade e também expressar as suas ideias para criar e recriar actividades, materiais e situações do quotidiano em grupo. No domínio da interacção pessoal, a criança deve ser capaz de exprimir as suas necessidades, emoções e sentimentos de forma adequada e demonstrar confiança em experimentar actividades novas, propor ideias e falar num grupo que lhe é familiar. No domínio da cooperação social, a criança deve dar oportunidade aos outros de intervirem nas conversas e jogos, esperando pela sua vez e demonstrar comportamentos de apoio e entreajuda, por iniciativa própria ou quando solicitada. Apesar de não ser o primeiro contacto das crianças com a aprendizagem cooperativa, a investigadora informou que durante o 3º período iriam realizar actividades cooperativas de uma forma mais sistemática. Referiu também que este tipo de intervenções se enquadravam num estudo que estava a realizar e que seria fundamental a sua disponibilidade para tal. Todas as crianças evidenciaram grande entusiasmo, uma vez que apreciam as actividades desenvolvidas com recurso aos métodos de aprendizagem cooperativa. Para facilitar a descrição do estudo realizado, atendendo às características das princípais actividades desenvolvidas, foi dividido em 3 fases: Pré-implementação, Implementação e Pós-implementação. Seguidamente, estão descritas e caracterizadas as diversas actividades desenvolvidas, nas fases mencionadas. 3.3.1 Fase de Pré-implementação Nesta fase, que decorreu ao longo do primeiro e segundo períodos do ano lectivo de 2010/2011 procedeu-se à realização das seguintes actividades: A - Recolha de dados através da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A); B - Planificação das actividades de aprendizagem com recurso aos métodos cooperativos; Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 48 C - Organização dos grupos cooperativos. A- Recolha de dados através da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) Aplicou-se a Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) (Merrell, 1994) (anexo 1) para recolher dados acerca do domínio das competências sociais pelas crianças da amostra. B- Planificação das actividades de aprendizagem com recurso aos métodos cooperativos; Foram planificadas 20 actividades de ensino-aprendizagem e elaborados os materiais necessários ao seu desenvolvimento. Os métodos cooperativos utilizados foram: Verificação em Pares, Mistura e Combina, Mesa Redonda e Já podem Mostrar. A planificação destas actividades realizou-se após a primeira aplicação da PKBS (Escala A) com o objectivo de possibilitar a aquisição das competências sociais identificadas como em défice. C- Organização dos grupos cooperativos. Dado que as crianças com competências sociais pouco desenvolvidas eram 9 e as restantes 11, com comportamentos sociais desenvolvidos, o critério base considerado foi o de agrupar uma criança com dificuldades no desempenho das competências sociais com outra sem essas dificuldades. Quando as crianças faltavam, a reorganização foi feita sempre tendo em conta os critérios estabelecidos. Os critérios de organização dos grupos variaram de acordo com os métodos cooperativos utilizados. Assim, para a realização das actividades com resurso aos métodos Verificação em Pares e Mistura e Combina foram constituídos grupos de dois elementos. Também foi considerado o género, sendo os pares formados, sempre que possível por uma criança do sexo feminio e outra do sexo masculino. Formaram-se assim nove grupos, sobrando apenas um constituido por duas crianças sem dificuldades nas suas competências sociais. Para a realização das actividades com recurso aos métodos cooperativos Mesa Redonda e Já podem Mostrar, os critérios de organização dos grupos foram mantidos, diferindo apenas o número de elementos dos grupos. Estes eram compostos por quatro Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 49 elementos, dois deles com falta de domínio de competências sociais e dois sem qualquer dificuldade nas competências sociais. Com base nestes critérios, foram constituidos cinco grupos de trabalho. 3.3.2 Fase de Implementação Nesta fase, que decorreu ao longo de três meses, de Maio a Julho de 2011, procedeu- se à realização das seguintes actividades: A – Implementação das 10 primeiras actividades cooperativas; B – Registo dos comportamentos das crianças no decurso do desenvolvimento das actividades, com recurso à grelha de observações (anexo 2); C – Recolha de dados sobre a utilização das competências sociais com utilização da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A); D - Implementação das restantes 10 actividades cooperativas. A- Implementação das 10 primeiras actividades cooperativas Durante este período do estudo, as crianças desenvolveram as actividades de aprendizagem cooperativa de acordo com o esquema abaixo descrito. Método Verificação em Pares Nas sessões em que foram realizadas as actividades com utilização do método Verificação em Pares (anexo 3), a educadora: - Explicou a tarefa e os seus objectivos; - Organizou as crianças em grupos de dois elementos, de acordo com os critérios descritos; - Distribuiu as fichas de trabalho a cada par e o material necessário à realização da actividade (anexo 4); - Distribuiu os papéis nos grupos: Tutor – elemento que auxilia o colega na realização da tarefa e tutorado – elemento que manuseia o material e realiza a tarefa; Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 50 - Observou o desempenho das competências sociais a nível individual e do par no seu conjunto, registanto as informações na grelha de observações dos comportamentos das crianças. As crianças desenvolveram as seguintes actividades, desempenhando os papéis de Tutor e tutorado: - Aprenderam o conteúdo, recorrendo a fichas de trabalho e praticaram as competências sociais; - Quando surgiam dificuldades, recorriam primeiramente ao colega – Tutor e apenas à educadora quando nenhum dos dois, Tutor e tutorado, conseguia superar as dificuldades. Método Mistura e Combina Nas sessões em que foram realizadas as actividades com utilização do método Mistura e Combina (anexo 5), a educadora: - Explicou a tarefa e os seus objectivos; - Distribuiu os recursos a todas as crianças (anexo 6); - Observou de forma individual e em pares, o desempenho das crianças no domínio das competências sociais, registando-o na grelha de observações dos comportamentos das crianças. As crianças: - Aprenderam o conteúdo, de acordo com as regras do método, recorrendo aos recursos distribuídos; - Quando surgiam dificuldades, recorriam primeiramente ao colega e apenas à educadora quando nenhum dos elementos do par as conseguia superar; - Cada par felicitou-se e incentivou-se sempre que encontrou e cumpriu a tarefa com sucesso. Método Mesa Redonda Nas sessões em que foram realizadas as actividades com utilização do método Mesa Redonda (anexo 7), a educadora: - Explicou a tarefa e os seus objectivos; Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 51 - Organizou as crianças em grupos de quatro elementos; - Distribuiu os materiais pelos elementos do grupo (anexo 8); - Observou o desempenho das competências sociais a nível individual e do par do seu conjunto, registanto as informações na grelha de observações dos comportamentos das crianças. As crianças: - Aprenderam o conteúdo, recorrendo aos materiais distribuídos; - Cada criança desempenhou as suas funções, na sua vez e entreajudaram-se em equipa; - Quando surgiam dificuldades, recorriam primeiramente ao colega e apenas à educadora quando nenhum dos dois conseguia superar a dificuldade. Método Já Podem Mostrar Nas sessões em que foram realizadas as actividades cooperativas com utilização do método Já Podem Mostrar (anexo 9), a educadora: - Explicou a tarefa e os seus objectivos; - Distribuiu os recursos a cada elemento dos grupos (anexo 10); - Observou de forma individual e em pares, o desempenho das crianças no domínio das competências sociais, registanto na grelha de observações dos comportamentos das crianças. As crianças: - Aprenderam o conteúdo, recorrendo aos recursos disponibilizados; - Quando surgiam dificuldades, recorriam primeiramente ao colega e apenas à educadora quando nenhum dos dois conseguia superar a dificuldade; - Felicitaram-se e incentivaram-se sempre que desempenhavam as tarefas com sucesso. Apesar de haver autores, como por exemplo, Rizzo e Corsaro (1995) que apontam limitações ao processo de auto-avaliação que se prendem com a reduzida capacidade das crianças elaborarem pensamento reflexivo, foi nosso propósito envolvê-las na auto-avaliação, em todas as actividades. Assim, em todos os métodos, as crianças realizaram a sua autoavaliação através do diálogo e gestos, indicando se sentiam ou não dificuldade na execução das tarefas. Os gestos foram diversificados, usando o próprio corpo ou o recurso a dísticos. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 52 Depois, em diálogo, as crianças expressaram as suas dificuldades e as suas conquistas. Também receberam recompensas diversas pelo desempenho em equipa. B- Registo dos comportamentos das crianças com recurso à grelha de observações No final de cada actividade de aprendizagem cooperativa, a educadora registou as observações relativas à utilização das competências sociais pelas crianças ao longo do desenvolvimento das actividades com recurso à grelha de observações. A recolha desta recaiu na observação das competências sociais relativas aos domínios da interacção, independência e cooperação sociais. C- Recolha de dados através da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) Realizou-se a segunda aplicação da Preschool and Kindergarten Behavior Scales PKBS (Escala A) para observar a evolução no desempenho das competências sociais pelas crianças da amostra, de acordo com o referido: a cooperação social (entreajudar e participar na sua vez); a interacção social (partilhar materiais e ideias e interagir de forma harmoniosa com os outros) e finalmente a independência social (afirmar a sua personalidade e escutar atentamente). D - Implementação das restantes 10 actividades cooperativas Durante este período do estudo, as crianças desenvolveram as restantes actividades de aprendizagem cooperativa, de acordo com o esquema descrito no ponto A. 3.3.3 Fase de Pós-implementação Esta fase do estudo decorreu no final do mês de Julho de 2011 e consistiu na terceira aplicação da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A). Procedeu-se à última recolha de dados, através da aplicação desta escala, usando o mesmo processo dos momentos anteriores. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 53 3.4 Instrumentos utilizados na recolha dos dados Com o objectivo de recolher os dados para responder aos objectivos do estudo, foram utilizados os instrumentos que a seguir se descrevem. 3.4.1 Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) A Preschool and Kindergarten Behavior Scales (PKBS) é um instrumento de classificação comportamental usado na avaliação de competências sociais e padrões de problemas comportamentais, em crianças com idades compreendidas entre os três e os seis anos. Segundo Merrell (1994), esta escala foi concebida, principalmente, para ser utilizada por pais e professores. Pode também ser usada por outros profissionais, como por exemplo, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas da fala, etc,, que conheçam bem as crianças, para poderem proceder a uma avaliação fundamentada. A escala foi inicialmente elaborada por um conjunto de profissionais, dos quais se destacam Camille Odell, Dewick Bootle, Anna Marie Gay, Jennifer Stepan e Julie Zollinger. O contributo de muitos educadores de infância e de pais foi valioso para a estandardização dos valores de pontuação da escala, tornando-a um instrumento fidedígno de utilização. Esta norma teve início no ano de 1991, concretizando-se no Preschool and Kindergarten Behavior Scales – Test Manual, em 1994 sob a orientação de Kenneth W. Merrell, do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Utah. A PKBS está dividida em duas escalas principais: a escala de competências sociais Escala A, e a escala de problemas comportamentais Escala B. Para este estudo, utilizou-se apenas a primeira escala, por considerar ser a que mais se adequa aos objectivos da investigação e ao grupo de crianças. A Escala A é composta por 34 itens (Merrell, 1994) que descrevem competências sociais positivas alcançadas por crianças bem ajustadas, entre os três e os seis anos de idade. Esses itens estão divididos em três subescalas: Subescala A1 – Cooperação Social – é constituida por 12 itens (2, 7, 10, 12, 16, 22, 23, 25, 28, 29, 30 e 32) e descreve os comportamentos e as características considerados importantes no cumprimento de instruções, na cooperação entre colegas e adultos e no autocontrolo. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 54 Subescala A2 – Interacção Social – contempla 11 itens (5, 14, 15, 17, 19, 20, 21, 24, 27, 33 e 34), descrevendo os comportamentos e as características considerados importantes na obtenção e manutenção da aceitação por parte dos adultos e colegas. Subescala A3 – Independência Social – é composta por 11 itens (1, 3, 4, 6, 8, 9, 11, 13, 18, 26 e 31) e descreve os comportamentos e as características considerados importantes no alcance da independência social e no domínio do grupo de pares. Algumas dessas competências sociais relacionam-se com a separação adequada dos adultos, enquanto outras se reflectem nas interacções positivas entre os pares. A Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) foi aplicada durante o desenvolvimento do estudo, em todas as diferentes fases da sua implementação com o objectivo de sinalizar as competências sociais menos desenvolvidas (primeira aplicação) e avaliar o seu desenvolvimento após o treino das mesmas, utilizando quatro métodos de aprendizagem cooperativa (segunda e terceiras aplicações). A-Teste de administração e grelha de Pontuação PKBS Segundo Merrell (1994), a Escala A descreve comportamentos adaptativos ou positivos que são susceptíveis de conduzir a resultados positivos ao nível pessoal e social. Os itens são classificados numa escala de quatro pontos, cujos pontos base se caracterizam pela seguinte chave: 0 = nunca; 1 = raramente; 2 = às vezes e 3 = sempre. O anexo 1 apresenta um excerto da Escala A com a descrição de alguns itens ordenados, das três subescalas. O resultado bruto de cada subescala foi calculado pela soma dos valores nas colunas verticais, correspondentes às subescalas. Os pontos foram obtidos circundando o valor de cada item na coluna chave, registando esse valor na coluna vertical da subescala correspondente (A1, A2 e A3). Para calcular o total dos resultados brutos das competências sociais usou-se a grelha de Pontuação PKBS, somando o resultado de cada subescala. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 55 3.4.2 Registo dos comportamentos das crianças, com recurso à grelha de observações Os registos tiveram como intuito recolher informações sobre os comportamentos observados quer de carácter individual quer grupal, permitindo registá-los no que respeita à utilização das competências sociais durante o desenvolvimento das actividades cooperativas. 3.5 Tratamento e análise de dados O tratamento e a discussão dos dados recolhidos durante o estudo foram realizados de forma qualitativa e quantitativa. De acordo com Terence e Filho (2006), para a obtenção dos resultados de uma investigação justifica-se a utilização destas duas abordagens. Para Freitas (2000) há necessidade de se tratar os dados quantitativamente, enriquecendo-o com informações qualitativas em grande número, de forma a complementar e validar as conclusões dos estudos. Os dados deste estudo foram obtidos através da utilização dos seguintes instrumentos: A – Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) – análise quantitativa; B – Registo dos comportamentos das crianças, com recurso à grelha de observações – análise qualitativa. A - Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) Utilizou-se a abordagem quantitativa na análise dos dados recolhidos através da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A). Segundo Freitas (2000), a pesquisa quantitativa é um método de pesquisa social que utiliza técnicas estatísticas. A complexificação das abordagens quantitativas, quer em volume de dados quer na possibilidade de estatísticas de análise torna essencial o domínio de ferramentas informáticas que auxiliem a recolha dos dados do estudo. Assim, de uma forma rápida e clara, se podem testar as hipóteses e analisar os resultados obtidos. A estatística fornece-nos as técnicas para extrair informação de dados, os quais são muitas vezes incompletos, na medida em que nos dão informação útil sobre o problema em estudo, não realçando, no entanto, aspectos importantes, que se poderão complementar com a análise qualitativa. Tabelas e gráficos são exemplos de formas de organizar os dados recolhidos e tratados que possibilitam a análise Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 56 dos resultados. Neste estudo foram utilizados gráficos de linhas com marcadores visto serem os mais indicados para mostrar evolução ou tendências nos dados em intervalos iguais. Os gráficos são recursos visuais muito utilizados para facilitar a leitura e a compreensão de informações sobre fenómenos e processos naturais, sociais e económicos. No tratamento dos dados, para cada criança, recorreu-se ao cálculo do resultado global das pontuações obtidas, através do somatório da pontuação obtida ao nível das diferentes competências sociais, em cada um dos três momentos de aplicação da escala PKBS. Com o intuito de observar de uma forma mais directa a evolução que cada criança desenvolveu nas diferentes competências sociais procedeu-se à diferença de pontuação entre a primeira e a terceira aplicação da mesma escala. Para cada competência social, nos três momentos de aplicação da escala PKBS e na diferença de pontuação, calculou-se a média e o desvio padrão com o objectivo de avaliar, respectivamente, o valor para onde mais se concentraram os dados e o grau de variação dos mesmos. Compararam-se também as diferenças dos resultados obtidos através da PKBS e da grelha de observações entre a primeira e a terceira aplicação, para inferir sobre a validação dos resultados obtidos pela escala. Estes dados foram apresentados em tabelas/quadros. Os gráficos apresentaram a pontuação que cada criança obteve nos diferentes momentos de aplicação da escala para todas as competências sociais. Isto permitiu uma observação directa da evolução de cada criança, nas diferentes fases de implementação. B - Registo dos comportamentos das crianças, com recurso à grelha de observações Utilizou-se a abordagem qualitativa na análise dos registos dos comportamentos das crianças ao longo das actividades de ensino-aprendizagem, com recurso à análise de conteúdo. De acordo com Bardin (1994), a análise de conteúdo, por ser um conjunto de técnicas de análise de comunicações, utilizando procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição, torna-se uma ferramenta importante na interpretação de dados medidos quantitativamente. Consiste num método de análise textual que se utiliza na análise de dados qualitativos em estudos cujos dados se apresentam em forma de texto escrito. Permite ao investigador o entendimento das representações que o indivíduo apresenta em relação a sua realidade e a interpretação que faz dos significados à sua volta. Aliada à análise quantitativa, o autor considera a análise de conteúdo uma das técnicas mais comuns na investigação Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 57 empírica, por ir além dos resultados estanques e precisos, complementando a análise dos resultados. As observações feitas em cada actividade cooperativa foram registadas na grelha de observações. Efectuou-se uma “leitura flutuante” (Bardin, 1994) com o objectivo de identificar nos registos elementos do conteúdo que permitissem verificar o domínio das competências sociais em estudo pelas crianças da amostra e validar os resultados obtidos pela Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A), a partir da análise comparativa dos dois instrumentos de recolha dos dados. Da grelha retiraram-se excertos de frases que demonstaram aquisição ou não das competências sociais em défice, nos três momentos de aplicação. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 58 CAPÍTULO IV – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 4.1 Introdução Neste capítulo, apresentam-se e discutem-se os dados obtidos com a aplicação dos instrumentos utilizados para a sua recolha, segundo os objectivos formulados no Capítulo I, para este estudo. 4.2 Resultados do estudo Os resultados obtidos, por cada criança (C) serão apresentados nas subsecções seguintes: ponto 4.2.1 Apresentação e análise dos resultados obtidos a partir da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) (Merrell, 1994), nos três momentos distintos da sua aplicação: antes, durante e depois da intervenção, ponto 4.2.2 Apresentação e análise dos resultados obtidos a partir da utilização da grelha de observações dos comportamentos das crianças, ponto 4.2.3 Apresentação comparativa dos resultados obtidos, com ambos os instrumentos de recolha de dados e, por último, o ponto 4.3 Discussão dos resultados. 4.2.1 Apresentação e análise dos resultados obtidos a partir da Preschool and Kindergarten Behavior Scales - PKBS (Escala A) Pelo facto da PKBS não estar aferida à população portuguesa, usaram-se os resultados brutos no tratamento dos dados. No quadro 2 e gráfico 1 apresentam-se as diferenças entre as pontuações globais (no total das competências em análise) obtidas pelas crianças na PKBS (Escala A) antes, durante e depois da intervenção, bem como a respectiva média e o desvio padrão. Assim, pode constatar-se que, globalmente, todas as crianças melhoraram as suas competências sociais. A criança C11, apesar de inicialmente não ter obtido das pontuações mais altas foi a que registou uma melhoria mais significativa a nível do domínio das competências sociais. Pelo contrário, C16 foi a criança que demonstrou o menor ganho. Observa-se também que foi durante a fase de intervenção que se verificaram os resultados mais dispersos, registando-se um desvio padrão mais elevado. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 59 Quadro 2 - Resultados globais da aplicação da escala de competências sociais (PKBS) antes, durante e depois da intervenção. N= 9 Momentos de aplicação Elementos da amostra Antes da intervenção Durante a intervenção Depois da intervenção Diferença de pontuação entre a 1ª e a 3ª intervenção C2 50 62 69 19 C6 46 62 70 24 C10 63 76 88 25 C11 54 74 86 32 C12 54 64 74 20 C13 74 92 94 20 C14 60 71 82 22 C16 48 52 60 12 C17 45 52 65 20 Média 54,89 67,22 76,44 21,56 9,40 12,64 11,56 5,39 Desvio Padrão Gráfico 1 - Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) antes, durante e depois da intervenção. N= 9 No quadro 3 e gráfico 2, que representam os resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) relativamente à competência de cooperação social observa-se uma evolução no desempenho desta competência durante todas as fases, sendo mais significativa para umas crianças do que para outras. Verifica-se que os maiores ganhos Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 60 foram obtidos por crianças que no início tiveram resultados mais baixos a nível do domínio da competência de cooperação social. São exemplo as crianças C11 e C14. Evidenciou-se um desvio padrão mais elevado durante a segunda intervenção, com resultados mais dispersos entre as crianças o que significa que estavam em diferentes momentos no domínio da cooperação social. Quadro 3 - Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência cooperação social - antes, durante e depois da intervenção N= 9 Momentos de aplicação Elementos da amostra Antes da intervenção Durante a intervenção Depois da intervenção Diferença de pontuação entre a 1ª e a 3ª intervenção C2 18 21 24 6 C6 19 24 27 8 C10 23 30 35 12 C11 17 25 29 12 C12 18 24 26 8 C13 27 35 36 9 C14 18 24 31 13 C16 13 16 20 7 C17 17 19 22 5 Média 18,89 24,22 27,78 8,89 Desvio padrão 3,98 5,65 5,52 2,85 Gráfico 2 - Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência cooperação social (A1) - antes, durante e depois da intervenção N= 9 Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 61 No que diz respeito à competência interacção social (quadro 4, gráfico 3) todas as crianças melhoraram o seu desempenho, algumas de uma forma mais significativa do que outras (C10, C11, C14). A criança C11 voltou a destacar-se porque foi a que teve um desenvolvimento mais significativo, apesar de ter obtido na primeira aplicação da escala uma das pontuações mais baixas. Os pontos de partida das crianças C10 e C12 foram praticamente iguais sofrendo uma alteração positiva também muito equiparada. A criança C17, com o resultado mais baixo na primeira intervenção, demonstrou ter evoluído consideravelmente ao nível da competência interacção com os colegas. O desvio padrão foi significativo tanto na primeira como na segunda aplicação do PKBS. Significa que a distância no que respeita à utilização da competência diminuiu, demonstrando-se um domínio da mesma mais semelhante nas crianças da amostra. Quadro 4 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência interacção social - antes, durante e depois da intervenção N= 9 Momentos de aplicação Elementos da amostra Antes da intervenção Durante a intervenção Depois da intervenção Diferença de pontuação entre a 1ª e a 3ª intervenção C2 16 22 24 8 C6 12 18 19 7 C10 14 19 25 11 C11 15 21 28 13 C12 15 18 26 11 C13 20 26 27 7 C14 22 24 25 3 C16 17 17 19 2 C17 10 14 21 11 Média 15,67 3,71 19,89 3,72 23,78 3,35 8,11 3,79 Desvio Padrão Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 62 Gráfico 3 - Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência interacção social (A2) – antes, durante e depois da intervenção N= 9 Pela análise do quadro 5 e do gráfico 4 verifica-se que, de uma forma geral, a independência social não foi uma competência em que as crianças obtiveram melhorias tão significativas, como nas outras subescalas. Como se pode observar no quadro e no gráfico referidos, a diferença da média obtida entre a primeira e a terceira intervenção é pequena. Três crianças (C10, C12 e C16) demonstraram um desenvolvimento muito reduzido a nível desta competência. As crianças C6 e C11 foram as que mais desenvolveram a independência social. Contudo, verifica-se que o desvio padrão mais baixo se encontra nos resultados obtidos após a intervenção, o que significa que os níveis de desempenho da competência pelas crianças se aproximaram ao longo do desenvolvimento do estudo. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 63 Quadro 5 Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência independência social - antes, durante e depois da intervenção N= 9 Momentos de aplicação Elementos da amostra Antes da intervenção Durante a intervenção Depois da intervenção Diferença de pontuação entre a 1ª e a 3ª intervenção C2 16 19 21 5 C6 15 20 24 9 C10 26 27 28 2 C11 22 28 29 7 C12 21 22 22 1 C13 27 31 31 4 C14 20 23 26 6 C16 18 19 21 3 C17 18 19 22 4 Média 20,33 4,15 23,11 4,51 24,89 3,76 4,56 2,51 Desvio Padrão Gráfico 4 - Resultados obtidos com a aplicação da escala de competências sociais (PKBS) – Competência independência social (A3) – antes, durante e depois da intervenção N= 9 4.2.2 Apresentação e análise dos resultados obtidos a partir da utilização da grelha de observações dos comportamentos das crianças Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 64 A análise dos conteúdos dos registos de observações dos comportamentos das crianças em cada actividade cooperativa permite verificar que todas as crianças obtiveram ganhos a nível do desenvolvimento das competências sociais em estudo, apesar destes ganhos serem diferentes de criança para criança. As crianças que mais se destacaram foram: a C11 pelos seus ganhos significativos depois da intervenção de todas as actividades cooperativas e a C16 pela sua dificuldade em desenvolver competências sociais. Ao longo de todo o estudo, C11 demonstrou uma evolução considerável face às suas dificuldades. Esta criança, inicialmente, não conseguia manter um relacionamento sem conflitos, em tarefas de grupo. A sua postura era marcada pela monopolização da atenção: C11 - «Não é assim! Está a ficar tudo mal! Olha vês? Assim é que é (colou por vez do colega)...» - Fase de implementação das 10 primeiras actividades cooperativas (17/05/2011) Nos registos finais, a criança C11 é uma criança que, embora ainda tenha dificuldade em esperar pela sua vez para expor as suas ideias, já consegue controlar-se e permitir que os colegas também participem, alertando outros quando não cumprem as regras: C11 - «(sussurrando) Cala-te C12! Não podes falar porque assim perdemos! É a C2 que faz agora, depois é o C17 e depois sou eu outra vez!» - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (20/07/2011) Já C16 apesar de se verificar uma evolução comportamental, as suas atitudes face ao trabalho em grupo e ao desempenho de tarefas individais são ainda muito semelhantes às da primeira intervenção: C16 - «Mostra as cores que escolheste! Quais são as cores? Eu não sei...» - Fase de implementação das 10 primeiras actividades cooperativas (24/05/2011) C16 - «C20 corta tu! Eu não sei fazer! Corta tu!»; - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (01/07/2011) Especificamente na cooperação social C14 foi a criança que mais se destacou pela positiva, assim como a C11. Inicialmente pouco predispostas a ajudar, demonstram agora capacidade para cooperar: C11 - «(C5 diz-lhe para deitar os pedaços de papel ao lixo, mas este recusa-se) Não deito nada!» - Fase de implementação das primeiras 10 actividades cooperativas (07/06/2011) C11 - «Já está! Agora és tu. Anda lá, rápido, pega o pincel!» - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (20/07/2011) C14 - não ajuda o colega na tarefa de construção do rosto humano, distraindo-se com os materiais - Fase de implementação das 10 primeiras actividades cooperativas (31/05/2011) Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 65 C14 - «Vês alí? Este tem chapéu e aquele não tem. É diferente! Põe lá uma cruz (ajuda o colega respeitando a sua vez)» - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (15/07/2011) Relativamente à interacção social, C16 foi a criança que menos ganhos obteve. Continua conflituosa em algumas situações, não sabendo partilhar os materiais comuns aos elementos do grupo: C16 - «Dá cá a revista! É minha não é tua!!!» - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (11/07/2011). Mais uma vez, C11 demonstra um progresso considerável ao nível da interacção: C11 «C5 não sabes como é? O amarelo e o azul é verde! Não percebes? - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (13/07/2011). Também C10 evidenciou ganhos mais elevados: C10 - (escolhem o nome da equipa) «Mas eu quero Bolas! Eu gosto de Bolas! Porque não fica Bolas? Bolas é fixe! (...) Oh, está bem! Portugal também é futebol. (apesar de insistir na sua escolha, cedeu sem conflito à escolha dos colegas)» - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (20/07/2011) Na independência social, C6 e C11 destacaram-se, embora com ganhos inferiores aos das outras competências sociais: C6 - «Não fales! Agora não é para falar!» - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (11/07/2011). C11 - «Olha, a música já acabou! Pára de fazer!» - Fase de implementação das restantes 10 actividades cooperativas (18/07/2011). 4.2.3 Apresentação comparativa dos resultados obtidos, com os instrumentos de recolha de dados O quadro 6 apresenta, comparativamente, a diferença dos resultados globais da aplicação da escala de competências sociais (PKBS) entre a primeira e a terceira intervenção e os registos dos comportamentos das crianças recolhidos pela grelha de observações, antes e depois da intervenção. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 66 Quadro 6 Comparação entre a diferença dos resultados globais obtidos através da aplicação da escala de competências sociais (PKBS) e dos registos dos comportamentos através da grelha de observações, antes e depois da intervenção N= 9 Escala de competências sociais - PKBS (Escala A) Elementos da amostra C2 C6 C10 C11 C12 C13 C14 C16 C17 Diferença entre a 1º e a 3ª intervenção 19 24 25 32 20 20 22 12 20 Grelha de observações Antes da intervenção Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Depois da intervenção Melhorou significativamente na: - Participação na sua vez; - Escuta atenta. Ainda sente dificuldades em: - Entreajudar; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Afirmar a sua personalidade. Melhorou significativamente na: - Entreajuda; - Escuta atenta; -Afirmação da personalidade. Ainda sente dificuldades em: - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros. Melhorou significativamente na: - Entreajuda; - Participação na sua vez; - Partilha de ideias e materiais; - Interacção de forma harmoniosa dom os outros. Melhorou significativamente na: - Entreajuda; - Participação na sua vez; - Partilha de ideias e materiais; - Interacção de forma harmoniosa com os outros. Melhorou significativamente na: - Entreajuda; - Partilha de ideias e materiais; - Interacção de forma harmoniosa com os outros. Melhorou significativamente na: - Participação na sua vez; - Interacção de forma harmoniosa com os outros; - Afirmação da sua personalidade. Melhorou significativamente na: - Entreajuda; - Participação na sua vez; - Afirmação da sua personalidade. Melhorou significativamente na: (Não se registaram melhorias significativas) Ainda sente dificuldades em: - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Melhorou significativamente na: - Partilha de ideias e materiais; - Interacção de forma harmoniosa com os outros. Ainda sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Ainda sente dificuldades em: - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Ainda sente dificuldades em: - Participar na sua vez; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Ainda sente dificuldades em: - Entreajudar; - Partilhar ideias e materiais; - Escutar atentamente. Ainda sente dificuldades em: - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente. Ainda sente dificuldades em: - Entreajudar; - Participar na sua vez; - Partilhar ideias e materiais; - Interagir de forma harmoniosa com os outros; - Escutar atentamente; - Afirmar a sua personalidade. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 67 Como se pode observar no quadro 6, os resultados quantitativos e qualitativos estão em consonância. Verifica-se que as crianças que obtiveram menos ganhos (C2 e C16) são as que ainda sentem dificuldades no desenvolvimento das várias competências sociais e as que sofreram maior evolução demonstram dificuldades num menor número de competências sociais (C10 e C11). 4.3 Discussão dos resultados Analisando todos os resultados obtidos, pode-se inferir que, de uma forma geral, se verificou uma melhoria significativa das competências sociais em estudo, indo ao encontro de vários estudos. Uma das conclusões da pesquisa realizada por Damon (1983) sobre o processo de interacção de pares revelou que o respeito pelas regras estabelecidas e pelas convenções é aprendido, efectivamente, pelas crianças. Também os estudos de Cummings e Haggerty (1997) mostraram efeitos positivos nas interacções dos alunos com outros colegas, tendo melhorado as atitudes tanto em relação à escola como o rendimento escolar. De acordo com avaliações realizadas a estratégias de promoção de competências sociais por Bandy e Moore (2011), os resultados demonstraram que as intervenções sutentadas pela formação de pares de ensino, discussões em grupo ou modelagem de papéis foram eficazes, sugerindo que podem ser implementadas nas escolas para promover e melhorar as competências sociais. Neste estudo privigiliaram-se as competências sociais de cooperação, interacção e independência por se terem verificado défices de desenvolvimento destas por parte das crianças da amostra. Apesar de haver estudos e autores como Selman e Schultz (1990) e Lopes e Silva (2008 e 2009) que apresentam características que dificultam a aquisição/desenvolvimento de competências sociais de crianças em idade pré-escolar, assim como outros factores verificados nas crianças da amostra (fraca assiduidade e absentismo), os resultados por nós obtidos apontam para que as competências sociais e emocionais não se desenvolvem de forma automática, mas são aquiridas pelas crianças em ambientes de aprendizagem precoce e muito importantes no sucesso académico e social, tal como indicam os estudos de Joseph e Strain (2003), de Kagan (1994) e de Slavin (1995). Assim, estão em consonância com Gottschaldt e Frauhauf-Ziegler (1958, citados em Cook e Stingle, 1974) uma vez que afirmam que as crianças de quatro a seis anos realizam cooperação completa, aquando de uma actividade com objectivo comum e necessidade de interacção. Também estão de acordo com os estudos de Bruner e Piaget (s.d., citados em Sprinthall & Sprinthall, Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 68 1993) que defendem que ao longo do crescimento das crianças e da sua gradual maturidade cognitiva, torna-se possível o desenvolvimento de competências sociais. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 69 CAPÍTULO V – CONCLUSÕES, IMPLICAÇÕES E SUGESTÕES 5.1 Introdução Neste capítulo, apresentam-se as principais conclusões obtidas (ponto 5.2) com base na análise dos resultados a que se procedeu no Capítulo IV. Fazem-se referências, ainda, a algumas implicações educacionais relativamente à Aprendizagem Cooperativa, com os métodos Verificação em Pares, Mistura e Combina, Mesa Redonda e Já Podem Mostrar (ponto 5.3) e, por fim, algumas sugestões para futuros trabalhos de investigação (ponto 5.4). 5.2 Conclusões do estudo O Capítulo II – Revisão da Literatura que serviu de base para a fundamentação da aprendizagem cooperativa e o Capítulo IV – Apresentação e análise de dados, que forneceu os resultados obtidos permitem concluir que: - todas as crianças da amostra obtiveram ganhos no desempenho das competências sociais, embora com diferentes evoluções; - a competência social que sofreu maior desenvolvimento foi a cooperação social e a independência social a que evidenciou uma evolução menos significativa; - a utilização dos métodos de aprendizagem cooperativa Verificação em Pares, Mistura e Combina, Mesa Redonda e Já Podem Mostrar se reflectiu numa melhoria de todas as competências sociais sinalizadas como deficitárias. Dado que a utilização da aprendizagem cooperativa, nomeadamente os métodos Verificação em Pares, Mistura e Combina, Mesa Redonda e Já Podem Mostrar possibilitou a constante partilha de materiais e ideias, escuta, entreajuda, participação na sua vez, interacção harmoniosa com os outros e afirmação da personalidade parece-nos possível inferir sobre a importância desta metodologia de ensino-aprendizagem na aquisição/desenvolvimento das competências sociais pelas crianças da amostra. Assim, esta dissertação vai de encontro aos estudos de Cohen, Sherrod e Clark (1986), Parker e Asher (1987) e Rogoff (1990) que consideram o domínio de competências sociais uma mais-valia para iniciar e suster diversos tipos de relações sociais e importantes para o sucesso escolar, pois ajudam a manter as crianças motivadas e concentradas na sua própria aprendizagem, tornando-se um prérequisito essencial na vida humana, principalmente se for iniciado precocemente. Os métodos utilizados mostraram-se eficazes no desenvolvimento das competências sociais das crianças Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 70 da amostra, apontando para os estudos de Henricsson e Rydell (2006) e Worsley (1992), uma vez que consideram as relações das crianças com os adultos e com os seus pares importantes para a aquisição e desenvolvimento de competências sociais no pré-escolar e para a adaptação escolar bem sucedida. Este trabalho de investigação também vai de encontro aos estudos de Frauhauf-Ziegler e Gottschaldt (s.d., citado em Lopes & Silva, 2008), que afirmam que as crianças dos quatro aos seis anos de idade são capazes de cooperar efectivamente em grupo por um objectivo comum, desenvolvendo individualmente competências sociais. Desta forma, assume-se que as crianças têm condições cognitivas básicas para desenvolver competências sociais. Contudo, algumas crianças demonstraram dificuldades na aquisição e desenvolvimento das competências sociais sinalizadas como deficitárias, o que nos parece que vá de encontro aos estudos de Lopes e Silva (2008 e 2009) e de Selman e Schultz (1990) que consideram a existência de factores inibidores (egocentrismo, curtos períodos de atenção, competências linguísticas reduzidas, impulsividade), característicos de crianças do préescolar, possíveis entraves à sua participação em actividades cooperativas. 5.3 Implicações para o processo de ensino-aprendizagem Este estudo, pretende constituir-se como uma mais-valia para outros educadores que desejem implementar a aprendizagem coperativa na educação pré-escolar. Este trabalho de investigação evidencia vantagens da aprendizagem cooperativa, referidas no Capítulo II Revisão da Literatura, apoiando as potencialidades desta metodologia, nomeadamente dos métodos Verificação em Pares, Mistura e Combina, Mesa Redonda e Já Podem Mostrar no desenvolvimento de competências sociais necessárias para a formação de cidadãos capazes de agir adequadamente em situações futuras da sua vida. Até porque, como defendem Kagan e Slavin (s.d., citados por Bellanca e Fogarty, 1991), o desenvolvimento das competências sociais acontece naturalmente, quando os alunos trabalham em grupo. Salienta-se o estudo de Gillies (2003) que analisou o impacto a longo prazo da implementação da aprendizagem cooperativa no desenvolvimento de competências soiais, envolvendo crianças pequenas e que concluiu que estas são capazes de demonstrar o domínio de competências sociais, a longo prazo, se treinadas a cooperar e a ajudar os outros. Johnson e Johnson (1998) referem que trabalhar em contexto cooperativo conduz ao desenvolvimento de atitudes positivas de relacionamento, capacitando os indivíduos de fortes mecanismos de empregabilidade, produtividade e de sucesso. Dewey (s.d., citado em Simpson, 1999) acredita que aprender a Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 71 trabalhar em grupo é essencial para conviver em sociedade. E como refere Candler (2005), a falta de competências sociais é provavelmente o factor que mais contribui para o insucesso do funcionamento dos grupos. Assim, como já afirmava Delors et al. (1996), a educação também é uma via para a descoberta do outro, que requer interacção constante, não podendo ser unicamente académica. 5.4 Sugestões para futuros trabalhos de investigação Em conformidade com as limitações do estudo mencionadas no Capítulo I, ponto 1.5 é de todo o interesse sugerir investigações futuras sobre o mesmo tema, com o objectivo de aprofundar a eficácia da aprendizagem cooperativa no desenvolvimento de competências sociais, assim como os factores que contribuem para o não desenvolvimento das mesmas. Neste sentido, recomenda-se: - maior periodicidade de implementação da aprendizagem cooperativa, visando a obtenção de resultados sociais mais fidedígnos e, paralelamente, avaliar o efeito nas aprendizagens cognitivas pelas crianças do nível pré-escolar; - estudos acerca dos possíveis factores que contribuem para a não aquisição de competências sociais; - estudos sobre a importância do domínio das competências sociais para a resolução de conflitos; - a repetição de estudos semelhantes em contextos diferenciados, de forma a validar os resultados obtidos; - estudos que envolvam grupos experimentais e grupos de controlo. Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar - Tatiana Maria Cardoso Taveira 72 BIBLIOGRAFIA Abrami, P. C., Chambers, B., Poulsen, C., De Simone C, D'Appolonia, S. & Howden J. (1996). L’apprentissage coopératif: Théories, méthodes, activités. Montreal: Les Éditions de la Chenelière. Anthony, L. 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Participa nas discussões na sala de aula e na família 0 1 2 3 21. Convida outras crianças para brincar 28. Honra os compromissos do grupo quando apropriado 0 1 2 3 0 1 2 Pontuação 3 Totais A1 A2 * Merrell, K. (1994). Preschool and Kindergarten Behavior Scales. Clinical Psychology Publishing Company, Inc., 4 Conant Square, Brandon, VT 05733. Department of Psychology: Utah State University. A3 Anexo 2 Grelha de observações1 Actividade nº:____ Data:____/_____/_____ Criança:______ Competências sociais Observações Cooperação social Interacção social Independência social 1 Taveira, T. M. C. (2011). Aprendizagem Cooperativa – Contributos para o desenvolvimento de Competências Sociais em crianças do pré-escolar. Dissertação de mestrado não publicada, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vila Real. Anexo 3 Nível de Ensino Método Área Verificação em Pares Expressão e Comunicação: Domínio da Linguagem Oral e Abordagem à escrita Pré-Escolar 5/6 anos Competências cooperativas: - Afirmar a sua personalidade; - Entreajudar; - Participar na sua vez. Competências cognitivas: - Desenvolver a compreensão da língua materna; - Contacatr com o código escrito. Interdependência positiva: - Ligada aos objectivos e aos papéis. Objectivos: - Adquirir e desenvolver as competências sociais; - Desenvolver a compreensão da língua materna e contactar com o código escrito. Pré-requisitos: - Domínio das letras maiúsculas; - Domínio dos papéis. Formação de grupos: - Pares (Capítulo III – Ponto 3.3.1- C). Tempo previsto: - 15 minutos. Materiais: - Fichas: Procura a palavra Verão; - Marcadores. Procedimento: - O(A) educador(a) distribui, a cada par, uma ficha e um marcador; - Cada um, na sua vez, com o marcador circunda a palavra Verão. O que ficar sem o marcador ajuda o colega a encontrar a palavra; - De seguida, invertem-se os papéis; - No final, em pares, observam a ficha e felicitam-se se encontraram todas as palavras, correctamente; - A recompensa será dois rebuçados para quem acertou todas as palavras e apenas um para quem não acertou muitas. Sugestões para conduzir a actividade: - Colocar música de fundo (suave ou clássica). Opções de avaliação: - Observação directa (O desempenho das competências será observado, directamente, durante a actividade, registando-se a informação pertinente). Feedback: - Se as crianças acharem que não tiveram dificuldade na tarefa, colam dois corações no seu peito. - Se as crianças acharem que tiveram dificuldade na tarefa, colam apenas um. - Diálogo, em grupos, onde as crianças poderão expressar as suas dificuldades e as suas expectativas acerca da actividade e das competências sociais exercitadas. Anexo 4 FAZ UM CÍRCULO À VOLTA DA PALAVRA VERÃO. PRAIA BIBERÃO CRIANÇA AMOR ANTÓNIO PORTUGAL PRIMAVERA AMARGÃO VERÃO VERÃO VERÃO FOGUETÃO OUTONO FLOR MAR COMILÃO VERÃO MARMELADA JANELA CAPITÃO MELÃO PANELÃO SOL PAPELÃO VERÃO CASACÃO VERÃO CANETA VERÃO CAVALO Anexo 5 Nível de Ensino Método Área Pré-Escolar 5/6 anos Mistura e combina Expressão e Comunicação: Domínio da Matemática Competências cooperativas: - Escutar atentamente; - Partilhar materiais e ideias; - Interagir de forma harmoniosa com os outros. Competências cognitivas: - Explorar situações espaciais opostas. Interdependência positiva: - Ligada aos objectivos e aos recursos. Objectivos: - Adquirir e desenvolver as competências sociais; - Explorar situações espaciais opostas. Pré-requisitos: - Noções espaciais; - Prática em actividades de relação e correspondência. Formação de grupos: - Toda a turma, distribuidos os recursos por pares (Capítulo III – Ponto 3.3.1- C). Tempo previsto: - 25 minutos. Materiais: - Cartões com as imagens do Palhaço, representando noções espaciais básicas distintas (atrás, à frente, ao lado, em baixo, etc.) - Música. Procedimento: - O(A) educador(a) distribui os cartões pela turma, tendo em atenção se para cada cartão há o seu correspondente (ex.: ao cartão do Palhaço dentro do balde corresponde o cartão do Palhaço fora dele); - Ao som da música, as crianças misturam-se na sala; - Quando a música parar e o(a) educador(a) disser STOP, as crianças param e procuram um colega que tenha o cartão oposto ao seu; - O par conferencia e certifica-se que ambos identificam as noções espaciais representadas e que estas são opostas uma da outra; - O(a) educador(a) confirma as associações, chamando os pares para mostrarem e identificarem aos colegas, congratulando-se, caso acertem; - Repete-se todo o procedimento, trocando os cartões, às crianças; - A recompensa é dada no parque infantil da Instituição – fazerem um jogo de roda. Sugestões para conduzir a actividade: - Colocar música de fundo (suave ou clássica). Opções de avaliação: - Observação directa (O desempenho das competências será observado, directamente, durante a actividade, registando-se a informação pertinente). Feedback: - Se as crianças acharem que não tiveram dificuldade na tarefa, colam dois corações no seu peito. - Se as crianças acharem que tiveram dificuldade na tarefa, colam apenas um. - Diálogo, em grupos, onde as crianças poderão expressar as suas dificuldades e as suas expectativas acerca da actividade e das competências sociais exercitadas. Anexo 6 Cartões Anexo 6 Anexo 7 Nível de Ensino Pré-Escolar 5/6 anos Competências cooperativas: - Afirmar a sua personalidade; - Entreajudar; - Participar na sua vez. Método Área Mesa Redonda Conhecimento do Mundo Competências cognitivas: - Identificar e localizar alguns dos órgãos internos do corpo humano (coração, pulmões, estômago, fígado, intestinos – grosso e delgado, rins e bexiga) Interdependência positiva: - Ligada aos objectivos, aos recursos e aos papéis. Objectivos: - Adquirir e desenvolver as competências sociais; - Reconhecer e identificar alguns dos órgãos internos do corpo humano. Pré-requisitos: - Introdução ao corpo humano. Formação de grupos: - Grupos de 4 elementos (Capítulo III – Ponto 3.3.1- C). Tempo previsto: - 30 minutos. Materiais: - Folha com o esqueleto humano de tamanho A3; - Lápis de cor. Procedimento: - O(A) educador(a) distribui os materiais pelos diferentes grupos e vai dando instruções das diferentes etapas; - Define a atribuição dos papéis (o responsável do material e o harmonizador); - Primeiro terão de escolher o nome da equipa e depois distribuir quais os órgãos que cada um irá desenhar e pintar (dois por criança); - Posteriormente, iniciarão a tarefa, desenhando, à vez, um órgão de cada vez; - Vencerá a equipa que terminar primeiro todos os órgãos, acertadamente; - A equipa vencedora receberá um chocolate para cada elemento, a segunda equipa dois reboçados para cada um, a terceira equipa um reboçado para cada um e as duas restantes uma bolacha para cada elemento. Sugestões para conduzir a actividade: - Colocar música de fundo (suave ou clássica). Opções de avaliação: - Observação directa (O desempenho das competências será observado, directamente, durante a actividade, registando-se a informação pertinente). Feedback: - Se as crianças acharem não tiveram dificuldade na tarefa, colam dois corações no seu peito. - Se as crianças acharem que tiveram dificuldade na tarefa, colam apenas um. - Diálogo, em grupos, onde as crianças poderão expressar as suas dificuldades e as suas expectativas acerca da actividade e das competências sociais exercitadas. Anexo 8 O CORPO HUMANO DESENHEM E PINTEM OS ÓRGÃOS DO NOSSO CORPO. Anexo 9 Nível de Ensino Método Área Pré-Escolar 5/6 anos Já Podem Mostrar Expressão e Comunicação: Expressão Plástica Competências cooperativas: - Escutar atentamente; - Partilhar materiais e ideias; - Interagir de forma harmoniosa com os outros. Competências cognitivas: - Identificar as cores (verde, rosa, laranja, roxo, amarelo, branco, azul e vermelho); - Conhecer as cores que se podem obter através de outras. Interdependência positiva: - Ligada aos objectivos. Objectivos: - Adquirir e desenvolver as competências sociais; - Identificar as cores que, juntas, dão origem a outras. Pré-requisitos: - Familiarização com as cores (verde, rosa, laranja, roxo, amarelo, branco, azul e vermelho); - Noção de obtenção de cor a partir da mistura de outras. Formação de grupos: - Grupos de 4 elementos (Capítulo III – Ponto 3.3.1 - C). Tempo previsto: - 30 minutos. Materiais: - Imagens das cores (amarelo + azul; vermelho + branco; vermelho + amarelo e vermelho + azul); - Disticos com as cores (verde, rosa, laranja e roxo). - Música. Procedimento: - Distribui-se os dísticos com as cores (verde, rosa, laranja e roxo), por criança; - As crianças seguram-nos nas mãos, como se tratasse de um jogo de cartas; - Mostra-se, a todas as crianças, a imagem de um conjunto de cores (ex.: amarelo + azul); - As crianças esolhem o dístico com a cor que se obtem da mistura das que vê na imagem que e escondem-no junto ao peito; - Quando todos estiverem prontos, o(a) educador(a) diz: “Já podem mostrar!”; - As crianças viram os dísticos e cada um verifica se os dísticos dos outros membros do grupo estão correctos; - Caso uma criança não tenha o cartão correcto, os outros membros do grupo ajudam-na a compreender o que está errado, tendo esta que trocá-lo pelo acertado; - O grupo congratula-se de cada vez que todos acertarem; - O(A) educador(a) volta, novamente, a mostrar outra imagem de um novo conjunto de cores e a actividade continua, seguindo o mesmo processo. - No final, o(a) educador(a) dará, como recompensa, um reboçado a cada criança. Sugestões para conduzir a actividade: - Colocar música de fundo (suave ou clássica). Opções de avaliação: - Observação directa (O desempenho das competências será observado, directamente, durante a actividade, registando-se a informação pertinente). Feedback: - Se as crianças acharem que não tiveram dificuldade na tarefa, colam dois corações no seu peito. - Se as crianças acharem que tiveram dificuldade na tarefa, colam apenas um. - Diálogo, em grupos, onde as crianças poderão expressar as suas dificuldades e as suas expectativas acerca da actividade e das competências sociais exercitadas. Anexo 10 Imagens Anexo 10 Anexo 10 Cartões