FACULDADE INTEGRADAS A VEZ DE MESTRE
ANDRÉA SILVA PEREIRA
A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL DIANTE DA INFLUÊNCIA DA MÍDIA NO PROCESSO
DE APRENDIZAGEM DE ADOLESCENTES
RIO DE JANEIRO
2011.1
A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL DIANTE DA INFLUÊNCIA DA MÍDIA NO PROCESSO
DE APRENDIZAGEM DE ADOLESCENTES
ANDRÉA PEREIRA SILVA
Monografia apresentada à Faculdade Integradas A
Vez do Mestre como requisito parcial para conclusão
do
curso
de
Pós-Graduação
Educacional e Pedagógica
Prof. Geni Lima
em
Orientação
Rio de Janeiro
2011.1
Dedico este trabalho a toda minha família, em especial,
aos meus filhos e amigos, por terem ficado do meu lado dando
apoio e compreensão.
Dedico também a todos os professores
e colegas que me acompanharam
ao longo desse tempo.
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo conceituar e refletir sobre a influência da mídia, no
processo de aprendizagem dos adolescentes. Busca identificar algumas das influências e
significados que os adolescentes podem receber ao fazerem uso dos diferentes tipos de
mídia. Procura identificar a relação entre a educação escolar e os valores transmitidos pela
mídia, além de identificar o comportamento das famílias e dos educadores, especificamente
do Orientador Educacional, frente as influências presentes nos meios midiáticos. Através da
realização deste estudo, foi possível observar como ainda não existe de fato, uma educação
voltada para atender uma sociedade que está em constante mudança e avanços
tecnológicos, principalmente, uma educação para a mídia.
Palavras-Chave: Mídia, Educação, Adolescentes
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.............................................................................................................6
CAPÍTULO I – CONSIDERAÇÕES SOBRE MÍDIA E SEU PAPEL AO LONGO DO
TEMPO.........................................................................................................................8
CAPÍTULO II - O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL FRENTE ÀS INFLUÊNCIAS
DA MÍDIA NO PROCESSO SOCIOEDUCACIONAL DOS
ADOLESCENTES......................................................................................................16
CAPÍTULO III - MÍDIA E TECNOLOGIA – DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO.........25
CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................34
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..........................................................................36
INTRODUÇÃO
O interesse em estudar a influência da mídia no processo de aprendizagem dos
adolescentes, partiu da constatação que os meios de comunicação influenciam os mais
variados comportamentos e ações sociais.
Nos dias de hoje, diante das transformações que ocorrem no mundo como um todo e
nas relações interpessoais, isso fica mais evidente, por isso tenho como objetivo neste
estudo analisar essa questão. Portanto este trabalho busca aprofundar algumas influências
que a mídia pode trazer no processo aprendizagem dos adolescentes. Destacarei como este
tema é tratado dentro da sala de aula, principalmente pelo olhar do Orientador Educacional.
O acesso à mídia, e por conseqüência, os meios de comunicação esta cada vez
mais popular do nosso país, e faz parte do cotidiano da maioria das classes sociais
brasileiras. Dessa forma os adolescentes têm acesso aos mais variados conteúdos
oferecidos. A partir dessa afirmativa surgiu a preocupação de pesquisar de que forma esse
conteúdo é entendido e usado pelos adolescentes. Assim como o Orientador Educacional
lida com esse tema dentro da escola.
Outra constatação é que a infância está perdendo cada vez mais cedo o
acompanhamento de perto no seu dia-a-dia por seus pais ou responsáveis e
conseqüentemente, quando essas crianças chegam na fase da adolescência já possuem
um gosto particular para escolher o que querem ver, ouvir, ler, e se comunicar,
principalmente através da interação que alguns meios permitem, como é o caso da Internet.
Portanto, o objetivo geral desse estudo é contribuir para uma visão por parte da
Orientação Educacional crítica capaz de levar seu aluno a também ter uma visão crítica
diante do que lhe é apresentado através da mídia, além identificar de que forma a mídia
pode influenciar o processo de formação educacional e até moral dos adolescentes, além de
estabelecer a relação entre a educação escolar e os valores transmitidos pela mídia e
identificar como a Orientação se comporta e trabalha os valores presentes no
comportamento dos adolescentes trazidos pela mídia.
A metodologia utilizada nesse trabalho foi a pesquisa bibliográfica a fim de obter
algumas respostas para as questões apresentadas.
Este trabalho foi dividido em três capítulos. No primeiro constam algumas
considerações sobre a mídia, desde seu surgimento até os dias atuais.
O segundo apresenta o papel do Orientador frente às influencias da mídia no
processo socioeducacional dos adolescentes. No terceiro e ultimo capítulo, procurei
identificar os desafios para a educação que a mídia e a tecnologia apresentam atualmente.
Compõem o trabalho ainda, as Considerações Finais e as Referências Bibliográficas.
CAPÍTULO I - CONSIDERAÇÕES SOBRE MÍDIA E SEU PAPEL AO LONGO DO TEMPO
O homem sempre sentiu necessidade de se comunicar, para tanto, além das
habilidades naturais como a fala e os gestos, e mediante as transformações que a
humanidade passou ao longo da História, outras estratégias foram desenvolvidas. Uma das
primeiras formas de comunicação utilizada pelo homem foram as pinturas rupestres, depois
surgiu a escrita, a impressão, o computador e a Internet. Denominamos esses diferentes
tipos de comunicação por mídia.
O processo de comunicação é inerente ao homem, desde a época das
cavernas; o que tem mudado são as formas de se comunicar. Muitos
séculos se passaram desde a retórica das sociedades grega e romana até
surgir o conceito de “opinião pública” no século XVIII e da preocupação
social com as “massas” no século XIX. Porém, foi apenas em 1920 que se
falou em mídia pela primeira vez. (LEITE, 2008:64)
A mídia compreende um conjunto de instituições, organizações e negócios voltados
para a produção e difusão de informações para públicos diversos. Abrange veículos
impressos como revistas, boletins, jornais, cartazes, folhetos entre outros, audiovisuais
como os outdoors, televisão em canais abertos e em diversas modalidades pagas, filmes,
vídeo, rádio etc, existe ainda a mídia computadorizada on line e mídia interativa via
computador, dentre outros.
Os veículos de comunicação são capazes de atingir praticamente todos os
segmentos sociais, tendo em vista os amplos e flexíveis meios de linguagem utilizados na
propagação de idéias, valores e conhecimentos. Dessa forma é de suma importância que
haja uma discussão desse tema pelas instituições de ensino para que estas não fiquem “off
line” das mudanças nos modos de se adquirir conhecimento atualmente.
Por ser um espaço de força, poder e sociabilidade capaz de atuar na formação da
opinião pública em relação a valores, crenças e atitudes, a mídia pode influenciar nos
diferentes aspectos que estão presentes no cotidiano de todos nós. Essas influências
podem ser observadas principalmente nas relações humanas, devido à maior facilidade na
troca de informações.
De acordo com Tuffani (2010), a mídia impressa, que é um meio de comunicação que
se refere aos materiais de caráter publicitário ou jornalístico, surgiu no século XV, O
termo imprensa deriva da prensa móvel, processo gráfico aperfeiçoado por Johannes
Guttenberg e que, a partir do século XVIII, foi usado para imprimir jornais, então os únicos
veículos jornalísticos existentes. A partir de meados do século XX em diante, os jornais
passaram a ser também rádio difundido e tele difundidos. Atualmente, temos diferentes tipos
de produtos impressos como revistas, informativos, anuários, entre outros, além de peças
avulsas como os folhetos, encartes, cartazes etc.
De acordo com Tuffani(2010)1·, o rádio também é um importante veículo midiático a
que temos acesso. Os primeiros estudos para sua criação surgiram no século XIX, e as
primeiras transmissões começaram no século seguinte. No Brasil, o rádio chegou em 1922.
1
Informações retiradas de uma pesquisa publicada na Internet – Ver Referências Bibliográficas
No ano em que se comemorou o I Centenário da Independência do Brasil, o evento de
inauguração aconteceu no Rio de Janeiro, uma grande feira internacional, a Exposição do
Centenário da Independência, na Esplanada do Castelo, que recebeu visitas de empresários
americanos trazendo a tecnologia de radiodifusão para demonstrar na feira, que nesta
época era o assunto principal nos Estados Unidos2
O rádio passou a fazer parte do dia-a-dia de milhares de pessoas, e somente nos
anos 50, com a chegada da televisão é que passou a diminuir seu publico, porém até hoje o
rádio continua tendo sua importância na mídia e é inclusive usado como ferramenta
pedagógica.
O jornal impresso também tornou-se um meio de comunicação acessível e
extremamente popular.
Uma das formas de mídia a que se tem mais acesso e a televisiva. A televisão é um
dos meios de comunicação mais popular do nosso país, e faz parte do cotidiano da maioria
das classes sociais brasileiras
A televisão é apontada como sendo uma ferramenta capaz de influenciar
comportamentos diversos. Essa preocupação existe principalmente em relação aos
adolescentes, por estarem ainda em fase de desenvolvimento. Sabe-se também que a
televisão é o meio de comunicação que atinge a maior parte da população, passando a
fazer parte do passatempo desses adolescentes. Porém, não há um controle do que os
mesmos assistem, podendo trazer influências negativas que vão perpassar o ambiente
familiar e chegar até a sala de aula e também nas suas relações interpessoais.
De acordo com Cunha (2007, p.14), “por meio da TV crianças e adolescentes
tornam-se órfãos diante dos desejos e das sensações nos apelos diversos e bombardeios
de informações, tornando-se difícil para a escola atraí-lo.”
A televisão se torna muito atrativa por saber usar a linguagem e conhecer os desejos
de seu público, principalmente crianças e adolescentes. Quando estes chegam ao ambiente
escolar, trazem consigo uma gama de informações transmitidas pela TV, que acaba
tornando o conhecimento escolar muitas vezes desinteressante.
Cunha (2007) ressalta ainda que a televisão é capaz de transmitir conceitos que
podem regular valores e transformar comportamentos, e ainda pode produzir novas formas
lingüísticas e novos padrões de conhecimento.
Sabemos que a publicidade, em todos os meios de comunicação é responsável por
despertar o consumismo desenfreado, que afeta diferentes classes sociais, incluindo
crianças e adolescentes. O que é oferecido na mídia e os padrões que esta de certa forma
2
Informações retiradas do site: http://www.abertdf.com/site/images/stories/biblioteca/historia.pdf.
Acesso em: 07/01/2011
impõe, muitas vezes leva ao desencadeamento de sérios transtornos sociais, psicológicos e
inclusive levando a implicações na própria saúde.
A velocidade com que as informações são transmitidas não deixa tempo para que se
faça uma reflexão crítica sobre o que se está sendo transmitido, e como sabemos este não
é o objetivo da grande maioria dos meios de comunicação, pois o que se pretende transmitir
é principalmente o prazer, o entretenimento e o consumo.
Atualmente, a Internet é o canal de comunicação que mais cresce no mundo.
Segundo dados do IBGE, O computador foi o bem durável que mais cresceu nos últimos
anos. De 2001 para 2002, o crescimento foi de 15,1% e de 2002 para 2003, de 11,4%,
sendo que, entre os que tinham acesso à Internet, o aumento nos dois períodos foi,
respectivamente,
de
23,5%
e
14,5%.
Em
2003,
15,3%
das
moradias
tinham
3
microcomputador e em 11,4% este equipamento tinha acesso à Internet.
Esta é uma realidade que tende somente a crescer, para tanto, os profissionais da
educação devem está atentos a essas novas formas de comunicação em massa e o que
elas podem oferecer a seus usuários.
A partir da metade do século XX, a mídia não saiu de evidência em virtude
da “revolução da comunicação” na década de 50 e da prevalência dos meios
de comunicação de massa nas décadas de 60 e 70. mesmo com a chegada
da informática na década de 80 e as redes computacionais na década de
90, os meios de comunicação de massa, as mídias, continuaram em
evidência e vêm participando ativamente da construção sociocultural da
contemporaneidade. (LEITE, 2008:64)
Crianças e principalmente os adolescentes são o principal publico alvo desse meio
de comunicação. De acordo com Cunha (2007, p.32), as constantes mudanças no formato e
nas tecnologias das mídias mobilizam os jovens que por elas são atraídos e procuram
acompanhar seus avanços. Ou seja, ao surgir um novo formato, ou uma nova tecnologia, a
nova geração se apressa em dominá-la e a colocando-a em destaque em sua vivencia,
podendo se tornar uma inimiga, principalmente da sala de aula, já que a tecnologia se torna
mais atraente.
No momento histórico em que nos está cabendo viver, presenciamos um
feito cultural de grande magnitude. Os autores não tiveram dúvida em
chamá-lo de uma “revolução”; está acontecendo em escala mundial uma
mudança radical na cultura e nas sociedades, a qual afeta diretamente a nós
e a nossos educandos. O mundo está mudando, está se enchendo de
tecnologia, e a cada dia que passa mais coisas funcionam sobre os trilhos
tecnológicos. É muito difícil, para não dizer impossível, inserir-se
plenamente na sociedade atual sem possuir as habilidades e aptidões
necessárias para tirar proveito dos recursos que as tecnologias nos
3
Dados retirados do site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, www.ibge.gov.br,
publicados em 2004, resultado do PNAD feito no ano anterior.
oferecem, e para evitar os riscos que seu uso inadequado pode acarretar.
(LLANO e ADRIÀN, 2006:18)
Llano e Adriàn destacam a faculdade de criação do ser humano. De acordo com os
autores, desde a aparição da humanidade, a tecnologia tem sido um sinal distintivo de
nossa espécie, o homem possui a capacidade de criar ferramentas e de utilizá-las para
mudar o nosso meio, ao invés de se adaptar passivamente a ele. Esta é uma das principais
características da humanidade, o homem consegue utilizar artefatos para construir novos e
melhores instrumentos e, graças a eles, a espécie humana se desenvolveu. Porém, nem
todas as invenções do homem possuem somente um lado positivo, assim como diversas
invenções, a tecnologia, e por conseqüência as mídias que a utilizam, também tem seu lado
negativo.
Amora (2008) destaca que, atualmente, há um reconhecimento de que existem
efeitos nocivos da mídia em relação às pessoas. Segundo o autor há transmissão de
influências negativas por parte da programação televisiva, manipulação da informação pelos
jornais e rádios e ainda uma quantidade de conteúdos inadequados disponíveis na Internet.
Ainda de acordo com o autor, apesar de haver uma crítica aos meios de comunicação de
massa, há também um lado bom desses meios, para cada sociedade a cada tempo. Sendo
assim, “a evolução da comunicação de massa, está diretamente associada à evolução da
humanidade” (Amora, 2008:16).
Até poucos anos atrás, os meios de produção de mídia estavam concentrados na
mão de poucas pessoas ou grupos, cabendo a estes discernir a qualidade e o tipo de
produtos a serem produzidos, esses meios eram caros e inacessíveis à maior parte da
população. Porém, de acordo com (Amora, 2008) o desenvolvimento da tecnologia tem
permitido para parte da população a participação na criação dos produtos midiáticos.
Atualmente é possível ter inclusive páginas pessoais, onde é possível compartilhar
informações com milhares de outras pessoas.
Com a Internet de alta velocidade, celulares com câmera, gravadores de
vozes capazes de registrar mais de 50 horas de conversa, impressoras a
laser - todos produtos com valores acessíveis às camadas médias e até
baixas da população – a produção de produtos para meios de comunicação
tem a oportunidade de deixar de ser completamente monopolizadora por
grupos e pessoas que detinham estes meios. (AMORA, 2008:20)
Alguns sites e os blogs são os melhores exemplos dos meios de comunicação
através da Internet que permitem a participação dos usuários. Neste tipo de publicação é
possível
fazer
comentários
e
discutir
os
assuntos
postados
numa
velocidade
incomparavelmente maior que uma publicação de um periódico, por exemplo.
Isto torna a responsabilidade de quem hoje está recebendo produtos de
mídia ainda maior. Além de poderem produzir seus próprios conteúdos a
preços relativamente baixos e com capacidade de distribuição universal,
quem hoje está na posição apenas de receptor passivo dos meios, também
poderá influenciar diretamente na produção destes produtos. (AMORA,
2010:21 e 22)
Diante dessa realidade, há aqueles que ainda são chamados de excluídos do mundo
on-line. De acordo com Silva (2010) há uma separação na era digital, o que ele chama de “
Inforricos” e “infopobres”. Para ele, o acesso a Internet depende do capital econômico e
cultural, criando assim o novo analfabeto: o infoanalfabeto, que estaria excluído das novas
formas de comunicação.
É um ser que não tem acesso à inovação na direção do mais
comunicacional, que ultrapassa a mera transmissão e recepção. A esse
excluído é negada a oportunidade de aprender a selecionar conteúdos,
interferir, armazenar, imprimir, enviar, enfim, tratar a informação como
espaço de manipulação e de negociação. (SILVA, 2010:132)
Na atual realidade, não basta ter acesso às tecnologias digitais, é necessário que
seus usuários saibam como manipulá-las. A esse respeito destaca Silva (2010:132), “(...) é
preciso saber operá-las não mais como um receptor da mídia clássica. A Internet é uma
mídia interativa: dela somos espectadores e participantes ao mesmo tempo.”
Devido a essas transformações no modo de lidar com as novas tecnologias digitais,
uma discussão com o tema voltado para a inclusão digital se faz cada vez mais necessário.
A participação é um dos fundamentos da interatividade. As tecnologias
digitais on-line trazem em sua “natureza” essa dimensão comunicacional,
que permite ao clássico espectador atuar também como emissor, como
colaborador, como cocriador. Quando subutilizadas nessa sua peculiaridade
essencial, elas reforçam, paradoxalmente, a infoexclusão dos próprios
usuários, ou seja, cada usuário precisará estar a par das possibilidades
reais da participação on-line, além da recepção com a qual se encontra
tradicionalmente acostumado no universo da mídia de massa. (SILVA,
2010:134)
LIano e Adriàn afirmam que a revolução das tecnologias da informação e
comunicação já faz parte da vida de todos nós e é uma realidade à qual não temos como
fugir.
Uma outra manifestação desta revolução cultural é a aparição, por meio da
Internet, de novas relações sociais e, até, sentimentais. Há muita gente que,
por meio dos computadores, desenvolve uma parcela importante de sua
vida social. Existem grandes comunidades que, sem se importar com as
distancias, transformam-se no principal grupo social de algumas pessoas;
do mesmo modo que se podem encontrar casais que iniciaram e
mantiveram o seu relacionamento pela Internet. (LLANO e ADRIÀN,
2006:23)
A TV digital é outra realidade que estamos vivenciando, através de sua tecnologia é
possível ao telespectador interagir com a programação oferecida. A televisão digital permitirá
que muitas das aplicações que hoje estão disponíveis apenas nos computadores sejam nela
realizadas. A fusão proporcionará, por exemplo, que um telejornal seja transmitido na hora
que o usuário quiser. Poderá ser editado com os temas de notícias desejados. Um jogo de
futebol poderá ser assistido do ponto de visão de qualquer lugar do estádio ou, se o
espectador desejar entre outras funções.
Com o século XXI, estamos vivendo o fortalecimento da comunicação
digital, que tem tido participação cada vez mais abrangente na vida das
pessoas de todas as idades e localizadas praticamente em todas as partes
do globo. Esta vivência tem caracterizado o que Castells (2007) chama de
“cultura da virtualidade real”, caracterizada pela integração da comunicação
eletrônica, pelo fim da audiência de massa e pelo surgimento das redes
interativas, formando um supertexto, uma metalinguagem, que integra no
mesmo sistema as modalidades escrita, oral, audiovisual da comunicação
humana. (LEITE, 2008:64)
Estamos vivendo uma verdadeira revolução tecnológica e cultural, e é cada vez mais
evidente que este é um caminho sem volta, é esta revolução esta mudando o mundo e
forma de vida de todos nós. Há uma interferência inclusive no modo de nos relacionarmos
com os outros, há uma mudança nas relações sociais, que estão sendo cada vez mais
mediadas pelo uso das tecnologias. Desta forma temos uma divisão em relação à mídia: a
clássica e a digital. De acordo com Silva (2008), na mídia clássica, a mensagem está
fechada em sua estabilidade material, permitindo apenas uma interpretação livre de seu
conteúdo, já na mídia digital, o conteúdo pode ser manipulado pelo espectador, que passa a
ser também um participante da elaboração do conteúdo.
Sabemos que inúmeras mudanças ocorreram ao longo do tempo com a sociedade, e
com a escola não foi diferente, apesar de não centralizar mais a transmissão do saber e da
cultura como fazia no passado, ainda mantém a função de formação do aluno, porém vem
enfrentando uma forte concorrência com as novas tecnologias e com a mídia de uma forma
geral.
Desta maneira, na contemporaneidade, como transformadora, a escola que antes
era vista como espaço destinado apenas à reflexão e discussão de temas estritamente
ligados às disciplinas do currículo, vê-se transbordada por assuntos ligados aos interesses
da coletividade, principalmente gerados pelo alto avanço da tecnologia, representada pelos
meios de comunicação de massa.
É preciso que haja uma analise para identificar qual será o papel de cada
participante envolvido no processo ensino/aprendizagem, quais os caminhos a serem
seguidos para atingir os adjetivos que a sociedade atual impõe, e acima de tudo, saber se
realmente estamos prontos, com uma formação adequada para lidar e principalmente
trabalhar em sala de aula com as mudanças que já são uma realidade que não temos como
fugir.
No mundo de hoje, necessitamos conhecer as tecnologias para nossa
sobrevivência social. É certo que aprendemos a tirar proveito delas para
nossas necessidades de comunicação, conforto, segurança, lazer, saúde,
mas normalmente nos esquecemos de vê-las como uma questão a ser
debatida. (CUNHA, 2007:106)
Assim destaca Amora (2008, p. 27) “a esperança, talvez a única, para uma profunda
transformação na produção dos meios de comunicação de massa que temos nos dias de
hoje é a escola.”
No próximo capítulo buscarei identificar as principais influências que a mídia
proporciona no processo de aprendizagem dos adolescentes, bem como o papel do
Orientador Educacional diante destas influencias.
CAPÍTULO II - O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL FRENTE ÀS INFLUÊNCIAS
DA MÍDIA NO PROCESSO SOCIOEDUCACIONAL DOS ADOLESCENTES
Antes de existir computador existia tevê
Antes de existir tevê existia luz elétrica
Antes de existir luz elétrica existia a bicicleta
Antes de existir bicicleta existia enciclopédia
Antes de existir enciclopédia existia alfabeto
Antes de existir alfabeto existia a voz
Antes de existir a voz existia o silêncio
O silêncio foi a primeira coisa que existiu
Um silêncio que ninguém ouviu
Astro pelo céu em movimento
E som do gelo derretendo
O barulho do cabelo em crescimento
E a música do vento
E a matéria em decomposição
A barriga digerindo o pão
Explosão de semente sob o chão
Diamante nascendo do carvão
Homem pedra planta bicho flor
Luz elétrica tevê computador
Batedeira, liquidificador
Vamos ouvir esse silêncio meu amor
Amplificado no amplificador
Do estetoscópio do doutor
Do lado esquerdo do peito, esse tambor4
Atualmente a mídia atua com diversos papéis na nossa vida cotidiana, e para os
adolescentes não é diferente, pois estes estão sempre atualizados principalmente através
dos meios eletrônicos. A mídia tem um papel fundamental no processo de socialização, os
assuntos conversados entre amigos, colegas de trabalho, familiares têm alguma relação
com o que foi transmitido através de seus veículos, pode ser em relação às reportagens, a
uma nova novela ou a uma propaganda de um produto novo, até em relação à política. Por
toda essa interferência no cotidiano da humanidade, pela sua força persuasiva e informativa,
a mídia hoje é considerada um quarto poder. Ela é vista como um quarto poder, por ter um
espaço enorme nas nossas vidas, e essa interferência perpassa o ambiente familiar e chega
ate a escola. Diante desta afirmativa, o papel do orientador educacional é mediar
os
possíveis conflitos advindos da relação mídia-adolescentes-escola.
É notório que muitas mudanças ocorreram neste final e início de século, e estas
mudanças se refletem nos modos de aprender e de ensinar. Assim, na contemporaneidade,
como transformadora, a escola que antes era vista como espaço destinado apenas à
reflexão e discussão de temas estritamente ligados às disciplinas do currículo, vê-se
transbordada por assuntos ligados aos interesses da coletividade, principalmente gerados
pelo alto avanço da tecnologia, representada pelos meios de comunicação de massa, ou
seja, a mídia.
Diante disso, cabe aos profissionais da educação, principalmente ao Orientador
Educacional, desenvolver estratégias para trabalhar estes assuntos com seus alunos.
Em relação a importância do trabalho do Orientador Educacional Grispum (2001:30)
destaca:
O trabalho do Orientador Educacional diz respeito ao cotidiano escolar que,
por sua vez, deve estar relacionado com o movimento da sociedade local e
mundial. Ele procura explicitar as contradições, a partir de uma realidade
concreta, provendo articulações necessárias, às mediações possíveis, para
que possamos ter uma educação mais justa, mais solidária e democrática. A
Orientação tem – cada vez mais – um compromisso com a qualidade da
Educação que todos nós desejamos.
Diante dos desafios propostos pelas transformações da contemporaneidade, caberá
ao Orientador Educacional repensar as perspectivas de ação que busquem um
4
Musica Silêncio Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown
embasamento na realidade em que nos encontramos, é preciso uma análise do cotidiano da
instituição para desenvolver ações que atendam as necessidades da clientela.
A Orientação Educacional procura compreender a teoria e a prática em uma
relação de mutualidade de dependência e de reciprocidade. Busca, a
Orientação, ajudar na construção de uma prática emancipatória, tendo, na
teoria, a função de mediação. Convém ressaltar que toda atividade realizada
pela Orientação é dirigida pela integração teoria-prática, englobando não só
os aspectos e os valores no campo cognitivo, como os valores da própria
pratica. Essa junção – dialeticamente conduzida – é que vai promover o
estatuto da Orientação Educacional, que parte do cotidiano escolar para o
conhecimento de sua realidade, busca o fundamento teórico e retorna ao
cotidiano, para melhor conhecimento e avaliação e para nele intervir.
(GRISPUM, 2001:46)
Em relação às mudanças no comportamento e no modo de lidar com as novas
tecnologias e a mídia ocorridas atualmente, Porto (2009:81) destaca:
Diante de uma realidade que se torna cada vez mais complexa, que baniu
as certezas e permite apenas opiniões circunstanciais, para o bem ou para o
mal, é o que parece restar neste início de século, que coincide com uma
virada também de milênio. Estamos plugados na Internet, lemos jornais,
temos acesso aos mais variados tipos de literatura, assistimos à televisão,
ouvimos rádio, enfim, vivemos a era da globalização. O mundo parece estar
mais do que nunca interligado.
Porém, essa globalização também traz conseqüências negativas. Estamos vivendo
em uma sociedade cada vez mais individualista e imediatista, onde o prazer individual e
instantâneo, onde o outro não tem tanta importância.
Sabemos que as novas tecnologias passaram a oferecer oportunidades para a
superação ou incremento de uma série de desafios sociais, econômicos e comunicacionais.
Elas têm sido utilizadas para encurtar distâncias e redimensionar o tempo, pois é possível
realizar uma série de tarefas sem sair de casa, afetando o cenário cultural de qualquer lugar
do mundo. Porém, elas também nos traz incertezas a respeito do tipo de sociedade que
teremos em um futuro breve.
De acordo com Parente (2010), atualmente a sociedade vive uma crise de valores,
devido aos choques culturais advindos da globalização. Segundo a autora, o discurso
consumista dominante nos meios de comunicação, espalha-se como nunca, reforçando
estereótipos, preconceitos e até a violência, que inclusive pode ser banalizada pela mídia.
A sociedade atual perdeu as referências, os modelos. Os saberes
referenciais estão dando lugar a saberes ocasionais. As informações fatuais,
baseadas nos acontecimentos e nos fragmentos da história, acabam por ter
mais importância e destaque do que aquelas com maior contextualização.
(PARENTE, 2010:36)
Assim, considerando a escola como um amplo espaço de relações humanas, é
preciso desenvolver uma educação moral capaz de detectar e criticar injustiças, e que esteja
comprometida com a construção de uma vida mais justa para todos.
Amora (2008) ressalta que a formação de alunos conhecedores dos meios de
comunicação a ponto de poder interferir nos produtos oferecidos pelos veículos é um
objetivo que os educadores de uma forma geral, deve perseguir diariamente no processo
escolar.
Para isso, o essencial é que todo o corpo escolar se direcione para ter as
mídias não mais como adversárias e sim parceiras no processo de
aprendizado. Esta direção precisa estar clara a todo o corpo escolar –
passando por alunos, mestres e pais – para quebrar as resistências que
certamente haverão. ( AMORA, 2008:28)
Assim, cabe aqui a Orientação Educacional buscar os meios necessários para que a
escola cumpra seu papel de educar, promovendo as condições básicas para formar alunos
cidadãos de fato através de práticas pedagógicas pautadas em princípios como a
autonomia, a responsabilidade, a solidariedade, o respeito, o bem comum e a ética.
Diante de tantas possibilidades de leitura dos fatos que a mídia proporciona,
atualmente há uma distorção em relação ao que é certo ou errado, há muitas vezes uma
inversão de valores. Por tanto pensar em uma educação é pensar também em estratégias
para lidar com essa realidade que chega à escola através de diversos transtornos de
comportamento como o Bullyng, que também pode ser cometido através do uso da Internet
o chamado cyberbullyng. A escola deve pensar sobre os valores que vem mudando
aceleradamente nas diferentes áreas sociais a partir dos comportamentos, das ações e das
atitudes individuais e coletivas. Temas como a moralidade e a ética passaram a ser
assuntos que interessam o meio educacional, já que cada vez mais a escola esteja
assumindo a tarefa de educar o sujeito ético.
Como podemos observar, nem sempre os usuários têm a dimensão exata dos
transtornos que certas atitudes impensadas podem causar. Atualmente é cada vez mais
comum ouvirmos noticias da exposição de adolescentes em cenas comprometedoras,
inclusive de sexo explicito que se espalham numa velocidade impressionante. O uso da
imagem está cada vez mais comum entre os usuários da grande rede, mas é preciso que
haja um controle, uma orientação para os riscos do uso incorreto dessa ferramenta. Casos
de pedofilia e de crimes violentos também acabam sendo facilitados pela exposição sem o
devido cuidado que a Internet permite.
Não resta dúvida que o comportamento do homem e da mulher contemporâneos
tende não à individualidade, mas ao individualismo, mesmo com tantos apelos à
interatividade. Isso ocorre porque temos acesso a uma grande quantidade de informações
ao mesmo tempo, e gastamos mais tempo consumindo cada vez mais os produtos
midiáticos.
Estamos o tempo inteiro passando através de portas publicitárias abertas à
revelia, sem contar as janelas de casa, TV e Internet. Há uma poluição
visual, sonora, informacional quase insuportável, em um excesso de
informação (publicitária ou noticiosa) que não nos permitem refletir, ouvir a
si, enxergar o outro ou misturar idéias – ou, ainda, sequer tê-las. (FREIRE,
2008:50)
É preciso que, se construa uma educação que permita, através do uso da mídia
como a Internet por exemplo, seja possível formar alunos capazes de formar uma sociedade
mais solidária, mais humana, na qual todos os homens e mulheres sejam cidadãos do
mundo. Essa tarefa não é fácil e se dá através de práticas educativas desenvolvidas para o
diálogo entre as diversas culturas e da prática da tolerância, aspectos centrais em qualquer
processo educativo.
Cunha (2007), ressalta a importância do afeto na prática pedagógica. Para o autor, a
aquisição de habilidades sociais é também uma educação individualizada, que deve partir
do vínculo afetivo que o aluno possui com seu ambiente social. Assim, ele acredita que o
que faz com que o aluno prefira outras atividades à sala de aula, são os diferentes estímulos
afetivos que recebe.
A socialização afeta. A questão do afeto ganha cunho especial na Escola
quando a educação descortina para o aprendente, por meio do professor,
seu tempo, a sua cultura e a sua história no caráter da coletividade do
ensino. A Escola deve ser caracterizada em sua práxis por promover o
desenvolvimento de habilidades sociais. A sua dinâmica requer a constante
promoção dessas habilidades como resposta também à complexidade
discente. (CUNHA, 2007:72)
Desde que nasce, a criança encontra-se em constante processo de desenvolvimento
e sua interação com o meio físico e social possibilita que esta adquira conhecimentos que
são aceitos pela sociedade na qual esta inserida. Através das diferentes experiências, a
criança vai se apropriando das normas e valores presentes na sociedade, formando assim,
sua consciência ou seu juízo moral. Sabemos que a família é a principal instituição
formadora da moral da criança, porém com as mudanças que ocorreram também no
ambiente familiar, como a entrada da mulher no mercado de trabalho, é cada vez mais
comum os responsáveis transferirem para a escola o papel de ensinar valores morais e
éticos. Essa tarefa se torna mais árdua quando se trata dos adolescentes, pois estes,
apesar de estarem numa fase de transição para a vida adulta, já possuem a capacidade de
pensar em termos abstratos e já sabem discernir entre o que é certo ou errado. É nesta fase
também que as influências nos padrões de comportamento e consumo trazidos pela mídia
ficam mais evidentes.
Principalmente para os adolescentes, a mídia eletrônica, mais especificamente a
Internet, funciona como um espaço para socialização. As chamadas redes sociais agregam
milhares de perfis5 onde é possível compartilhar informações e ao mesmo tempo conhecer
pessoas do mundo inteiro. Mesmo os adolescentes de classes sócias mais baixas tem
acesso a esse tipo de site. Dentre seus assuntos estão presentes as conversas que mantêm
pelo MSN, das fotos postadas no Orkut, no Facebook e dos comentários feitos pelos
chamados seguidores no Twitter. Através desses sites, é possível manter praticamente
todos os tipos de relações pessoais e sociais, e com uma velocidade praticamente
instantânea. Assim, a Internet é um atrativo capaz de saciar quase todas as necessidades
de interação, comunicação e diversão dos adolescentes, dessa forma, esses atrativos se
tornam bem mais interessantes que a educação formal, pois os alunos não encontram na
escola o estimulo e a satisfação pessoal para tornar o ensino formal em algo prazeroso.
Mas a mesma gama de informações e a velocidade que permite a comunicação
instantânea, também faz com que os adolescentes não se aprofundem na leitura dos
conteúdos oferecidos, e isso chega à sala de aula. Tudo é muito resumido e sem o
aprofundamento necessário.
A leitura dos jovens, em geral, reflete muito bem o contexto superficial, de
“navegação” que vivemos hoje. Navegamos em um mar de informações,
mas o jovem não mergulha, não vai fundo, apenas pesca alguns conteúdos
fragmentados na superfície. É como se navegassem ao sabor dos ventos,
mas sem um rumo definido. (PARENTE, 2010:37)
Neste sentido, o Orientador Educacional de ampliar sua visão sobre o trabalho na
escola, buscando alternativas de atuação e, principalmente vendo a escola como um todo,
interna e externamente, inserida em uma comunidade para qual deve estar sempre aberta.
Porto (2009) ressalta a importância de a escola assumir a função de formar homens críticos,
politicamente competentes, conhecedores dos problemas que os cercam, de suas limitações
e que acima de tudo sejam capazes de defenderam não só para si, mas para todos, o direito
a cidadania.
O Orientador educacional vai justamente com toda esta gama de conceitos
nas suas atribuições com os alunos, não impondo os conceitos tidos como
bons, certos e verdadeiros, mas deixando que os alunos descubram e os
construam dentro de suas próprias experiências. (PORTO, 2009:74,75)
Atualmente se torna cada vez mais importante um espaço para pensar sobre a mídia
na escola, diferente de como ela se apresenta para os demais, ou seja, como um simples
entretenimento ou fonte de informações, por exemplo, mas com um olhar voltado para o
processo de formação de seus alunos pois, esta nova cultura “midiatizada” leva os
5
Definição para as informações pessoais nestes tipos de site.
adolescentes a uma série de informações prévias a respeito de assuntos aos quais talvez
jamais tivessem conhecimento dentro do ambiente escolar
A mídia, como um veículo de cultura de massa, normalmente propõe-se apenas a
transmitir as informações. Já a escola, é vista como aquela que transmite, mas não é a que
produz os conhecimentos, assim, o papel da escola nesta questão é muito importante.
Atualmente se sabe que a função da escola não é mais somente a de “reprodutora” de
conhecimentos, mas também deveria ser produtora desses. É através da interação que se
consome e se produz cultura. De acordo com Llano e Adrián (2006), a história da
humanidade se caracterizou por uma relação muito próxima da cultura com a tecnologia,
com as ferramentas. Para ele, é difícil diferenciar a tecnologia da cultura.
Hoje vivemos um momento cultural diverso, com diferentes maneiras de
construir e representar conhecimento. Os momentos culturais de aprender,
se informar e se divertir estão entrelaçados, com forte predominância da
mídia e do entretenimento sobre a educação e a escola. Porém o que tem
acontecido? A educação tem sido constantemente questionada e cobrada,
porque não tem conseguido atender às necessidades individuais nem
sociais da contemporaneidade. (LEITE, 2008:69)
Filé (2008:40) afirma que: “o que está em jogo, nestes tempos, não é mais o
conteúdo dos discursos ou a classificação entre a alta e a baixa cultura, ao contrário. Nos
mais jovens, a cultura é mosaica, fragmentada, feita de velocidades e fluxos”. E isso é
possível através da constante troca que as novas tecnologias permitem.
Os jovens vivem em uma sociedade digital e ensiná-los o uso das
dimensões expressivas dos meios de comunicação é praticar cidadania.
Hoje, qualquer um de nós pode tirar fotos ou fazer vídeos com o celular e
disponibilizá-los na Internet. As novas tecnologias reverteram o quadro de
consumirmos apenas conteúdos já prontos. E a escola? Ainda continuará a
trabalhar apenas com os conteúdos já formatados? ( CUNHA, 2007:45)
Para a educação, torna-se fundamental discutir e pensar sobre o quanto os
profissionais da educação, talvez saibam muito pouco a respeito das profundas
transformações que têm ocorrido nos modos de aprender das novas gerações.
Dessa
forma, acabam por desconhecer os novos modos de aquisição de conhecimentos, de narrar,
contar histórias, utilizando para tanto os elementos presentes no cotidiano de seus alunos,
como é o caso da televisão.
6
A escola hoje, fazendo uso da mídia na perspectiva da TE , precisa ir além
da metodologia tradicional de ensino baseada na transmissão da
informação, na memorização e no velho ler, escrever e contar. A escola
contemporânea precisa ser problematizadora, desafiadora, agregadora de
indivíduos pensantes que constroem conhecimento colaborativamente e de
maneira crítica. Assim a prática pedagógica deve fazer uso de atividades
pedagógicas nas quais os alunos construam conhecimento, lendo,
6
Tecnologia Educacional
escrevendo textos variados, debatendo, analisando, criticando, assistindo,
contando, conversando, jogando, questionando, dramatizando, cantando,
copiando, sintetizando etc. por meio da fala, da escrita e da imagem. E não
apenas lendo, escrevendo e contando como sempre ensinou a escola da
Era Industrial. ( LEITE, 2008:73)
Diante disso, fica claro que a escola como um todo, como uma instituição formadora
de nossa sociedade, não pode ignorar a presença da mídia em todo o processo de
formação de seus alunos.
Cunha(2007:72) destaca que:
Se realmente queremos atrair, não cabe na educação mais nenhum modelo
que não parta do aprendente, da mesma forma, a formação profissional do
professor deve partir deste princípio. Para além da subserviência a
paradigmas pedagógicos, deverá haver a formação de pessoas criativas e
dotadas de habilidades que possam transcender a visão restritiva de um
currículo e, de maneira multidisciplinar e interdisciplinar, formar cidadãos
para a vida. A escola cumpre seu papel quando educa o indivíduo para o
todo e para a vida. Nada afeta mais do que a vida. (CUNHA, 2007:72,73)
Mediante a esta afirmativa, no próximo capítulo, apresentarei os desafios e
estratégias que a educação formal encontra para a inclusão da mídia em seu currículo.
CAPÍTULO III – MÍDIA E TECNOLOGIA – DESAFIOS PARA A EDUCAÇÃO
O cenário do conhecimento de crianças e adolescentes atualmente é composto por
diversos espaços, e não apenas mas nas instituições tradicionais, família, escola e igreja.
Hoje é possível aprender na escola, mas também na televisão, nas revistas, nos quadrinhos,
na Internet e nas brincadeiras. Isso se deve também ao fato de que desde de cedo a criança
convive muito com os meios eletrônicos, pois não tem mais os antigos espaços de produção
cultural como as ruas, as calçadas e as praças onde era possível o encontro e a interação
com os demais.
Na sociedade do conhecimento e da comunicação de massas em que vivemos, a mídia tornouse instrumento indispensável do processo educativo. O emprego dos órgãos de comunicação social
pode contribuir nos processos pedagógicos, por meio da difusão de conteúdos cívicos e éticos,
complementando a educação formal e não formal.
Devido a sua presença, é que se torna cada vez mais importante um espaço
para se pensar sobre a mídia na escola, pois assim ela poderá ser estudada
entendida como uma forma de leitura do mundo. Hoje os adolescentes realizam
mais de uma atividade enquanto assistem à televisão: fazer lição de casa, falar ao
telefone, usar a Internet, jogar no computador, e tudo isso deve ser considerado
quando se trata de educação formal e novas formas de aprendizagem.
Grispum(2001:92) define o que é a escola na sua concepção:
(...) é uma organização complexa, com características próprias, que possui
uma atividade especifica, revestida de diferentes dimensões que, na prática,
estão inter-relacionadas. A escola é o lugar de construção efetiva de
conhecimento e valores, portanto, de cidadania, devendo essa construção
ser realizada de forma responsável, crítica, e com perspectivas
transformadoras.
Sendo assim, a escola deve ser um espaço para, através de suas dimensões
social, filosófica e política, contribua para formar cidadãos de fato. Muitos são os
problemas que as escolas enfrentam em seu cotidiano, alguns agravados por esse
imediatismo que a chamada “sociedade da informação” produz. Diante disso, é
necessário que a Orientação Educacional7 atue nesse contexto complexo buscando
sempre alternativas para a resolução destes problemas. A esse respeito
Porto(2009:72) afirma:
A Orientação Educacional tem uma contribuição muito importante a dar
nesse sentido. Problemas, como indisciplina, violência, rivalidade,
competição, descompromisso, individualismo, autoritarismo, estão presentes
no cotidiano das escolas brasileiras, sejam elas publicas ou privadas. Tais
questões são tratadas empiricamente ou, se tanto, são “psicologizadas” sob
diferentes matizes teóricos. Raramente são alvo de uma análise crítica ou
de propostas de ação refletidas na perspectiva de uma realidade históricosocial.
De acordo com Nunes (2001), a escola, enquanto instituição de educação formal, ao
longo de sua existência, desempenhou basicamente três papeis distintos. Primeiro, estaria o
de redentora, responsável por grandes transformações tanto individuais quanto sociais;
depois o de reprodutora das desigualdades sociais, assim como da aceitação delas como
uma espécie de predestinação; e hoje, estaria desempenhando seu papel sob os aspectos
de uma visão dialética, capaz tanto de reproduzir quanto de transformar ao mesmo tempo,
Diante desta realidade, a escola não pode deixar de abordar e desenvolver
estratégias para lidar com estes novos espaços de aprendizagem e de socialização,
especialmente a mídia, cabendo ao Orientador Educacional como um sujeito participativo da
vida escolar como um todo, contribuir para construir uma educação capaz de atender as
necessidades da clientela atendida.
7
Porto(2009) traz em seu livro a transcrição dos artigos 8º e 9º da Lei nº 5.564, de 21/12/1968,
regulamentada pelo Decreto nº 72.846, de 26/09/1973 que diz respeito as atribuições do Orientador Educacional.
Destacarei o artigo 9º que traz as seguintes atribuições:
a)
participar no processo de identificação das características básicas da comunidade;
b)
participar no processo de caracterização da clientela escolar;
c)
participar no processo de elaboração do currículo pelo da escola;
d)
participar na composição, caracterização e acompanhamento de turmas e grupos;
e)
participar do processo de avaliação e recuperação dos alunos;
f)
participar no processo de encaminhamento dos alunos estagiários;
g)
participar no processo de integração escola-familia-comunidade;
h)
realizar estudos e pesquisas na área da Orientação Educacional
Na contemporaneidade, vivemos com clareza a predominância da mídia nas
atividades socioculturais. A mídia tem presença marcante no trabalho, na
vida diária e no entretenimento, com um poder de sedução, muitas vezes,
difícil de gerar resistência aos apelos. O padrão comportamental mundial
predominante parece ser que, nas sociedades urbanas, o consumo da mídia
é a segunda grande categoria de atividade depois do trabalho e, certamente,
a atividade predominante nas casas. (LEITE, 2008:65)
Mediante a essa realidade social e cultural, cabe aos profissionais da educação
propiciar uma integração da mídia com a proposta pedagógica da escola. Llano e Àdrian
(2006:25-26) afirmam que:
Nos tempos atuais, a escola não pode se conformar com ensinar a seus
educandos a ler e escrever, como único mecanismo de superação pessoal.
Se o que queremos é formar nossos educandos para que tenham
oportunidade na sociedade na qual lhe coube viver, devemos assumir o
novo desafio da alfabetização da informática.
Sabe-se que o contato com a mídia começa na infância, assim é necessário que a
escola esteja atenta à realidade desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Dessa
forma, se há um distanciamento em relação ao contexto das crianças, e adolescentes, uma
vez que estes chegam à sala de aula já familiarizados com os conteúdos divulgados pela
mídia, sobretudo a Internet, esse assunto provavelmente ficará de fora da proposta
pedagógica da instituição.
Atualmente, muito se fala da inclusão da tecnologia e da mídia no ambiente escolar.
Rangel e Freire(2010) afirmam que não se pode falar em comunicação sem educação e
educação sem comunicação, porem a escola encontrar novas perspectivas para a utilização
de modo criativo do que é produzido pelos meios de comunicação.
É importante pensar em oportunidades para a criação, para a aprendizagem
e para o diálogo. A relação entre meios de comunicação e educação mudou,
e é importante destacar que os meios e as tecnologias diversas são apenas
possibilidades que estão aí para serem descobertas e usadas da melhor
maneira possível, de forma crítica e contextualizada. (RANGEL, FREIRE,
2010:39)
Sabemos que a mídia possui um potencial educacional, que ainda é pouco utilizado
pelas escolas. Esse potencial, de acordo com Llano e Adrián (2006), não está presente
somente nos produtos cujos conteúdos são especificamente educativos, uma vez que diante
do fascínio que ela exerce nos adolescentes, e com ele o interesse despertado para
conteúdos voltados ao público adulto, levar a mídia para sala de aula tornou-se uma ação
que vai além da simples presença, ou ausência, dos meios transmissores. Afirmam,
também, que apesar dos diferentes papéis que possuem na sociedade, a mídia e a escola
têm aproximações, pois, enquanto a mídia detém um grande potencial de comunicação, a
escola, apesar de não centralizar mais a transmissão do saber e da cultura como fazia no
passado, ainda mantém a função de formação do aluno. Os meios tecnológicos, atualmente
são uma parte importante da cultura. Porém, é importante considerar o aluno também como
produtor de cultura, e não apenas um mero consumidor.
No mundo em que vivemos, as tecnologias da informática surgem como um
novo e fundamental elemento da realidade. A informática, as tecnologias da
informação e a comunicação estão cada dia mais presentes e temos que
levá-las em consideração caso pretendamos formar integralmente os
educandos dentro de um mundo marcado por estas tecnologias. (LLANO e
ADRIÀN, 2006:16)
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), desenvolvidos para nortear o trabalho
docente, apresenta aspectos importantes para a utilização de diferentes materiais como
recurso didático, inclusive com os meios de comunicação de massa.
Os PCNs apontam para uma análise critica do material a ser utilizado, pois este pode
apresentar uma possibilidade para trabalhar os valores e atitudes com as quais se pretende
trabalhar.(MEC/SEF, Brasília, 1997)
Com relação ao que é apresentado na mídia o PCN destaca: “discutir sobre o que
veiculam jornais, revistas, livros, fotos, propaganda ou programas de TV trará à tona suas
mensagens — implícitas ou explícitas — sobre valores e papéis sociais.” (MEC/SEF,
Brasília, 1997, p. 36)
Hoje é possível trabalhar a informática educativa utilizando a Internet através de seus
inúmeros sites voltados para o público infanto-juvenil, que disponibilizam desde de jogos e
atividades interativas até informações e conteúdos educativos, os conteúdos transmitidos
pela mídia, podem ser usados como material didático. Além da possibilidade de se trabalhar
com qualquer disciplina utilizando o computador como ferramenta.
Dentre os conteúdos abordados nas provas de vestibular, as atualidades que são
transmitidas através das noticias, são sempre cobradas, portanto é importante trabalhar os
conteúdos relevantes que estão presentes nos meios midiáticos.
Assim fica evidente que atualmente, para desenvolver um trabalho de qualidade que
atenda as necessidades dos alunos, é importante a incorporação dos temas ligados à mídia
e as possibilidades de utilização dentro da instituição de ensino.
Não é incomum um adolescente sair de casa dizendo que vai para a Escola,
quando na verdade, está fugindo dela. Ele faz isso porque, nessas
situações, o prazer que está do lado de fora é muito maior do que a
obrigação que está dentro. Isto é tão significativo que ele supera o medo de
estar mentindo, de estar fazendo algo fora dos padrões seguidos até então.
Ele rompe as fronteiras do seu próprio equilíbrio. Precisa sair de casa e não
encontra estímulo para ir estudar.(CUNHA, 2007:88)
De acordo com essa afirmativa, podemos analisar que a escola está atrasada na
corrida com os prazeres que a mídia oferece. É preciso que esteja atenta às mudanças que
ocorrem na sociedade para que não caminhe à margem, principalmente em relação aos
conteúdos transmitidos pela mídia, as quais seus alunos têm acesso e que não são
trabalhadas em sala de aula, ou por desconhecimento, ou por não considerar relativas ou
ainda por falta de um currículo que trabalhe com a realidade do aluno, e acaba
desconsiderando os conhecimentos adquiridos fora do âmbito escolar.
A escola deve comunicar saberes desenvolvendo inteligências, não se
desvinculando do prazer. Este é um grande desafio para proporcionar ao
educando o estímulo para o trabalho. Para isso, não existe formula, o
professor deve estar sempre procurando o caminho. (CUNHA, 2007:40)
O autor ressalta ainda que no contexto de violência em que vivemos, muitas vezes
se torna perigoso trabalhar em um ambiente em que crianças e adolescentes não querem ir
à escola. Dessa forma, cabe ao Orientador Educacional, como elemento importante para
identificar as necessidades da clientela, está atento para que não ignore nem deixe de
discutir as mudanças ocorridas na contemporaneidade. Cunha (2007: 20) ressalta que:
Na escola estão as normas e os limites que a sociedade vai exigir mais
tarde do aprendente, que é preparado para um convívio social. Essa
preparação pode ser até prazerosa, mas a escola já está em desvantagem
em comparação com a TV.
Aqui Cunha alerta para a questão da construção de limites e normas, hoje esse
papel está cada vez mais atribuído à escola. Sendo assim, esta precisa estar preparada
para concorrer com o aprendizado que seus alunos trazem provenientes da programação
televisiva, um dos meios midiáticos mais acessível, principalmente no que diz respeito à
construção de valores pra se viver em sociedade.
A Orientação deve ser a parceira competente da Escola, técnica e
politicamente, para pensar, refletir e procurar soluções para o fracasso dela,
não à luz de um discurso de educadores, simplesmente, mas à luz da
realidade dos fatos que ocorrem intra e extramuros. (GRISPUM, 2001:81)
Face a essa afirmativa, faz-se necessário a construção de um processo de educação
para a mídia, de modo a formar usuários que possam compreender e interpretar de maneira
crítica as informações contidas nas imagens e estórias mostradas por esses meios, dessa
forma será possível diminuir os riscos de manipulação que a mídia pode apresentar. Para
tanto, é imprescindível levar em consideração que esta deve ser uma educação para e por
meio da mídia também. Por isso, é importante inserir na escola o estudo da mídia e seus
conteúdos, deixando de negar sua presença no cotidiano dos alunos e transformando-a em
um meio que oportunize e contribua à formação deles.
A educação precisa caminhar ao lado das inovações tecnológicas, com o intuito de
poder formar cidadãos críticos, seletivos e capazes de produzir conhecimentos, valores e
comportamentos. Porém é necessário que os profissionais que atuam na área também
estejam atualizados para atender seus alunos, pois sabemos como estes aprendem com
velocidade os mecanismos das novas tecnologias, muitas vezes eles sabem mais que o
próprio professor, o que torna o trabalho incoerente.
A realidade do uso da tecnologia chegou inclusive às instituições de Ensino Superior,
que é teoricamente o próximo passo para os adolescentes que estão terminando o Ensino
Médio. Atualmente, é possível teletransmitir uma mesma aula é para centenas de alunos ao
mesmo tempo. Assim como as chamadas disciplinas Online, onde o aluno estuda
diretamente através das aulas disponíveis na sala de aula unicamente virtual. Sabemos que
esta realidade só tende a aumentar.
Assim, é preciso que a escola esteja preparada para dar suporte a seus alunos para
que não se assustem ao se depararem com essa realidade.
Llano e Adrián (2006), afirmam que: “se não assumimos o desafio de formar nossos
educandos com habilidades necessárias para se inserirem na “sociedade da informação”,
então os estamos condenando às piores condições”. Os autores acreditam que quem está
fora desta realidade tem poucas perspectivas de crescimento profissional, de continuação
dos estudos além de não compreender de forma crítica a realidade que o cerca.
O mundo está mudando e também deve mudar a formação que damos aos
nossos educandos, a fim de que enfrentem e se desenvolvam plenamente
neste mundo. Precisamos capacitá-los para que se apropriem dessas
tecnologias, de forma que as façam suas e as utilizem como ferramentas de
superação pessoal e de mudança social. (LLANO, ADRIÀN, 2006:27)
De acordo com Porto (2009), o trabalho do professor é de extrema importância para
um processo educativo eficaz. Assim, é importante que o Orientador Educacional
proporcione um suporte, dando assistência e orientação para que este profissional realize
um trabalho de boa qualidade. É necessário cuidar do relacionamento com a equipe para
manter um ambiente escolar saudável e eficaz.
Uma das grandes dificuldades da educação encontra-se na distancia
existente entre as ideias inovadoras e a ação pedagógica em si, efetivada
pelo professor, uma vez que o espaço próprio para a efetivação das
mudanças – a sala de aula – continua pleno de ações conservadoras,
muitas vezes instintivas, ou como protestos diante das perspectivas
frustradas e das dificuldades encontradas pelo professor.(PORTO, 2009:52)
Llano e Adrián(2006), lembram que durante algum tempo ouviram-se rumores de que
os educadores iam ser substituídos pelos computadores. Isso provavelmente se deu pelo
fato de que os trabalhadores das industrias foram substituídos pelas máquinas. Porém, o
trabalho dos educadores é de suma importância para o processo de formação de seus
educandos. Para isso, é necessário que utilize os melhores recursos disponíveis em cada
caso particular.
O educador é o agente principal deste processo de inserção da tecnologia
nos ambientes educativos, e para isso precisa de formação, apoio e
acompanhamento. Ele deve ir se apropriando progressivamente destas
tecnologias e, com o apoio necessário, controlar e dirigir o processo de
inserção destas ferramentas. ( LLANO, ADRIÀN, 2006:36)
Para que a escola saiba trabalhar com as influências trazidos por seus alunos em
sala de aula em decorrência do acesso a mídia, antes ela precisa admitir e tratar a presença
da mesma em seu currículo. É preciso conhecer o aluno de hoje, a mudança de sua postura
em sala de aula, pois muitas vezes não é acompanhado pela escola que se mostra distante
de sua realidade atual. Os conhecimentos da escola parecem não ter mais sentido nem
legitimidade para estes alunos.
Leite (2008) ressalta que, para que haja uma aproximação entre a educação e a
mídia, é necessário que esta veja a mídia sem uma cobrança educativa, e só então adequála a proposta pedagógica.
Neste sentido, a escola, sem perder o seu caráter e responsabilidade
originais de “educar” a população contemporânea, precisa descobrir e
construir novas propostas pedagógicas que dialoguem com a mídia, tendo
sempre claro que os meios de comunicação (de massa e eletrônicos) e o
entretenimento têm propostas/objetivos específicas que não são as
originalmente educativas/formativas, salvo os “programas educativos” dos
jornais, revistas, rádios, televisão, cinema etc. e os eventos educativos na
área do entretenimento. Com isso, queremos ressaltar que a mídia tem uma
responsabilidade social especifica que originalmente se refere a informar os
indivíduos e a sociedade; para que a mídia assuma novos papéis na
contemporaneidade, é preciso ser trabalhada dentro da escola (...). (LEITE,
2008:70)
Leite (2008), ressalta a crítica feita a forma como a mídia é trabalhada na escola,
pois como se sabe, ainda não está preparada para fazer uso dos meios midiáticos em sua
proposta pedagógica.
Ao analisarmos a escola e a mídia que consegue nela penetrar,
identificamos aí um dos grandes obstáculos no sistema educacional, uma
vez que, mesmo inserindo alguma mídia na prática pedagógica, a escola
funciona, de maneira geral, fundamentada no paradigma da simplicidade, no
qual tudo é mecânico, reducionista, linear, tendo a pretensão de formar
cidadãos para um mundo no qual o paradigma que se apresenta é o da
complexidade, ou seja, aberto, interdisciplinar, colaborativo, hipertextual.
(LEITE, 2008:72)
A proposta da contemporaneidade visa incorporar as temáticas apresentadas na
mídia ao ensino diário da sala de aula, aproveitando-se da rapidez da informação, das
imagens, da diversidade de linguagem, das pesquisas e reproduções de fatos e tantas
outras abordagens, que bem utilizadas poderão resultar na associação dos conteúdos
dinâmicos e atuais veiculados pela mídia. A mídia aparece como uma oportunidade de
democratização dos conhecimentos e da cultura, já que as mais variadas informações estão
acessíveis às pessoas sem distinção, ampliando os horizontes e as leituras de mundo, não
apenas dos alunos, mas de todos que compõem a comunidade escolar.
Há necessidade de uma postura crítica diante da tecnologia na educação,
diante da relação entre tecnologia e educação, ou seja, devemos buscar
caminhos que conduzam o professor a praticar um ensino de qualidade em
meio às mudanças velozes e estruturais das esferas dos conhecimentos,
saberes e práticas que ocorrem na atualidade. (LEITE, 2008:73)
Nesse contexto, o trabalho do Orientador Educacional, através de suas atribuições e
a devida inter-relação com os demais segmentos da escola como gestão e supervisão, é
muito importante para mudanças efetivas aconteçam no processo de ensino/aprendizagem,
porém, é preciso que todos, escola, família, estejam engajados nesta causa. É importante
que a escola possua uma proposta pedagógica inovadora, um currículo mais aberto e
profissionais realmente capacitados para realizarem um trabalho de qualidade. Por outro
lado, a família deve está ciente do que acontece na escola, contribuindo para que o
aprendizado aconteça de forma mais eficaz, devendo ser uma aliada e não uma inimiga.
A contemporaneidade pressupõe uma sociedade em transformação
constante, portanto, exige uma escola em transformação constante. A
inserção de novas mídias e das telecomunicações torne-se fundamental.
Métodos participativos deverão substituir a mera transmissão de
conhecimentos. (LEITE, 2008:72)
Somente quando, todos estiverem envolvidos para desenvolver uma educação que
de fato acompanhe as transformações da contemporaneidade é que será possível falar em
formação integral dos alunos, e a contribuição da Orientação Educacional é fundamental
nesse processo de mudança para que a educação consiga alcançar seus objetivos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sabemos que os adolescentes estão expostos as mais variados tipos de mídia.
Porém, atualmente, é indiscutível a preferência dos mesmo pela mídia eletrônica. A Internet
é uma realidade no cotidiano dos adolescentes de todas as classes sociais, esse meio
oferece uma gama de conteúdos diferenciados, permitindo inclusive a interação do usuário.
Diante dessa realidade, a escola precisa estar atenta para não ficar atrasada em
relação as novas formas de aprendizagem. Isso porque atualmente não se aprende
somente na escola e nas instituições tradicionais, os meios de comunicação possuem um
atrativo muito forte na descoberta de novos conhecimentos.
Através da mídia, os adolescentes têm acesso a diferentes informações,
descobertas, opiniões e fatos marcantes. Essas diferentes mensagens acabam por
influenciar inclusive as relações sociais relações e no comportamento dos adolescentes.
Atualmente vivemos num mundo
em que de novas informações chegam de forma
instantânea, e com os adolescentes não é diferente, eles fazem mais de uma tarefa ao
mesmo tempo, mas por se encontrarem num processo de aprendizagem constante é
necessário que haja um acompanhamento em algumas dessas exposições para que estes
possam se beneficiar de maneira positiva das interações e motivações que os cercam.
Aqui entra o papel da escola. Somente através de uma educação atrativa, que
entenda e utilize a “linguagem” e as ferramentas que os adolescentes utilizam, com
profissionais qualificados será possível concorrer e ganhar na disputa com os fatores
externos, como a mídia e a tecnologia.
Costuma-se “culpar” a mídia por muitos aspectos negativos presentes no
comportamento social, porém, para que o usuário não se deixe influenciar, é necessário que
antes, ele tenha um esclarecimento a respeito do assunto, tanto na família, quanto na
escola.
O acompanhamento das crianças e adolescentes pela família está cada vez mais
distante, isso se deve as constantes transformações que vem ocorrendo ao longo do tempo.
A família exerce um papel de extrema importância no processo de formação da criança e do
adolescente como um todo. É na família que estão as primeiras interações sócias da
criança, e a qualidade destas relações é um dos determinantes da qualidade de
relacionamento que essa criança virá a desenvolver com as pessoas do seu meio social.
Sendo assim, é muito importante que Orientador Educacional desenvolva ações que
mobilizem as famílias a participarem da vida escolar de seus filhos, orientando-os e
contribuindo para que sua formação seja de fato cidadã.
Por outro lado, a escola que é um lugar de educação formal, muitas vezes não está
preparada para lidar com interferências externas, como é o caso da mídia. O que acontece
muitas vezes é um distanciamento da realidade do aluno, o que prejudica seu processo de
aprendizagem, cabendo ao Orientador Educacional estar atento para sanar essas
deficiências da escola.
É necessário que haja a construção de um processo de educação para a mídia, para
que assim sejam formados usuários críticos, capazes de compreender o mundo que o cerca
tal como ele é.
.
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