Considerações acerca da experiência do Programa Especial de Formação de Docentes para a Educação Profissional no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande Do Sul/ Sertão/RS Ana Sara Castaman Denise de Oliveira Karina de Almeida Rigo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RS – Câmpus Sertão RESUMO: A formação de professores para a atuação na educação profissional carece de políticas mais consistentes, visto que desde a criação dos primeiros cursos técnicos no início do século passado poucas foram as iniciativas governamentais para qualificação de profissionais que, vindo de suas áreas de formação específicas, assumiam a tarefa de ensinar sem qualquer qualificação pedagógica. Ainda, prevalece em muitas escolas de ensino básico profissional a formação leiga entre os docentes, já que há uma ausência de exigência de requisitos legais de formação como docente para atuar nessa modalidade de ensino. Esse cenário tem fomentado o debate sobre a necessidade de implementação de propostas de formação docente para a educação profissional, referente à formação inicial ou continuada. Além disso, o plano de expansão da rede federal de educação tecnológica, com a ampliação de oferta de vagas e de novos cursos, a partir de 2007, impulsionou ainda mais a necessidade de formação de professores. O Câmpus Sertão integra o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul e, por historicamente atuar em cursos técnicos, preocupado com as questões norteadoras da formação pedagógica dos professores do instituto, no ano de 2010 iniciou, em regime especial, o Programa de Formação de Docentes para a Educação Básica e Profissional. Destinado a alunos que já possuem diploma em cursos superiores. O programa objetiva complementar a graduação do seu corpo discente por meio de conhecimentos que possibilitem a compreensão das abordagens pedagógicas a fim de desenvolver, na teoria e na prática, habilidades pertinentes às mediações do trabalho educativo; ou seja: procura atender demandas do ponto de vista pedagógico, social e tecnológico, formando profissionais críticos e humanos diante das problemáticas do processo educativo. Além desses aspectos essenciais, a instituição confere a compatibilidade entre a formação do candidato e a disciplina - do currículo do ensino fundamental, médio ou da educação profissional em nível médio, para a qual pretende habilitar-se. Assim, de acordo com as experiências e os dados da referida instituição, o presente estudo objetiva apresentar como ocorre a formação do professor para a educação profissional e o que se pretende com essa formação no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Câmpus Sertão. A partir, portanto, de um estudo do Projeto Pedagógico do curso e dos documentos legais referentes ao curso de Formação Pedagógica para docentes da Educação Básica e Profissional, apresenta-se uma contextualização histórica da instituição e do curso, enfatizando a organização curricular - articulada em três núcleos: contextual, estrutural e integrador - e a prática pedagógica nele desenvolvida. Para concluir, tendo em vista que um curso de formação de professores deve suprir as expectativas do aluno, o que contribui, diretamente, para a qualificação das condições de trabalho e de vida de um indivíduo, o estudo pretende analisar se o programa tem atendido as demandas de ensino das instituições técnicas (federais, estaduais, municipais ou privadas) localizadas em sua área de abrangência, já que o curso representa, até então, a única oportunidade de formação de professores à educação profissional técnica na região. PALAVRAS-CHAVE: Formação docente; Programa de Formação Docente para a Educação profissional; Qualificação pedagógica. 1. Introdução Em um panorama geral, sabe-se que os cursos de educação profissional são ofertados no Brasil há mais de cem anos. Entretanto, e aqui se insere a preocupação deste estudo, a presença de professores apenas com bacharelado ainda se estabelece como predominante. Tal recorrência se dá, em grande parte, por conta da ausência de requisitos legais de formação como docente para atuar nesta modalidade de ensino. A demanda por docentes no ensino profissional fez com que, em 1997, pelo Decreto Federal nº 2.208, a possibilidade de a docência na Educação Profissional ser exercida por professores, monitores e instrutores - ou seja, por profissionais que não necessariamente estejam categorizados como licenciados – fosse promovida. O mesmo Decreto estabeleceu que a formação desses monitores e instrutores deveria se dar por meio de “[...] cursos regulares de licenciatura ou de programas especiais de formação pedagógica” (BRASIL, 1997, p.3). Ainda em 1997, a Resolução CNE/CP nº2/97, primeira regulamentação referente à formação de professores após a reforma educacional, “Dispõe sobre os programas especiais de formação pedagógica de docentes para as disciplinas do currículo do ensino fundamental, do ensino médio e da educação profissional em nível médio” (BRASIL, 1997). Em 2001, são lançados alguns documentos oficiais que deveriam definir o rumo da formação de professores para a Educação Profissional: a) - 09 de janeiro: A Lei nº 10.172 aprova o PNE (Plano Nacional de Educação), o qual no eixo “Educação Tecnológica e Formação Profissional” consta, entre seus objetivos e metas: “Modificar, dentro de um ano, as normas atuais que regulamentam a formação de pessoal docente para essa modalidade de ensino, de forma a aproveitar e valorizar a experiência profissional dos formadores” (BRASIL, 2001); b) - 08 de maio: O Parecer nº 9 trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, graduação plena. De acordo com a LDB, em seu art. 21 que trata dos níveis de ensino existentes, quando se trata de educação profissional, esta não se vincula nem como parte integrante da educação básica, tampouco como parte do ensino superior, estabelecendo-se, assim, no âmbito das modalidades de ensino. A aprovação do substitutivo consolidou a dualidade entre a última etapa da educação básica, que passa a denominar-se ensino médio e educação profissional. A educação profissional foi disposta no Capítulo III, sendo considerada Educação Básica. A indefinição em relação à formação de professores retorna em 2004: o Decreto 2.208/97 é revogado por meio do Decreto nº 5.154/2004. Em 2008, a Lei 11.741 altera a LDB e localiza a educação profissional técnica de nível médio no Capítulo II da Educação Básica, considerando que tal oferta educacional é integrante desse nível de ensino. Assim, a exigência de titulação para a formação do professor que atua no nível técnico passa a ser a mesma dos demais professores do nível de Educação Básica. Diante dos pontos considerados até aqui, pode-se observar que a formação de professores para a atuação na educação profissional ainda é incipiente no Brasil. A modalidade demanda políticas mais consistentes, já que, desde a criação dos primeiros cursos técnicos no país no início do século passado, poucas foram as iniciativas governamentais para a qualificação profissional daqueles que atuam na educação profissional sem licenciatura. Em 2004, iniciou-se um debate nacional sobre a formação de professores na educação profissional, com base na crítica da legislação vigente e na realidade das instituições que ofertam a formação. O motivo do debate se deu em razão de a história da educação profissional técnica de nível médio no Brasil apresentar tensões em relação ao estabelecimento de definição curricular, além de apresentar uma incipiente discussão sobre a formação de seus educadores. Em 2004, portanto, o Decreto nº 5.154/04, possibilitou a integração curricular entre a educação profissional técnica de nível médio e o Ensino Médio. Posteriormente, em 2008, ampliou-se a oferta dessa modalidade de ensino com a criação do Programa de Integração da Educação Profissional ao Ensino Médio na Modalidade Educação de Jovens e Adultos (PROEJA). Ainda em 2008, é importante ressaltar que se criaram 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e mais recentemente, em 2011, a criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Todo esse movimento destacou a temática da educação profissional no cenário educacional. Apresentou-se, portanto, um cenário que fomenta debates acerca da necessidade de implementação de propostas de formação docente para a educação profissional e do cuidado com as peculiaridades desta formação, tanto a nível inicial quanto continuado. A educação profissional demanda o pensar sobre a sua vinculação com o mundo do trabalho, a articulação entre teoria e prática e a relevância da pesquisa como elemento de atualização, por exemplo. Ramos (2005) reforça que a formação de docente implica em uma formação que se baseia no processo histórico e ontológico da produção da existência humana, sendo a o conhecimento científico apenas uma dimensão estudada. Este artigo tem por objetivo apresentar como ocorre a formação do professor para a educação profissional no Curso de Formação de Docentes para a Educação Básica e Profissional do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Câmpus Sertão. Na primeira parte, mostra-se o cenário no qual o programa de formação está instituído, ou seja, no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul – Câmpus Sertão, sua origem, localização e histórico. Posteriormente, discute-se acerca da formação pedagógica na educação profissional, articulando-se conceitos à realidade do curso no Câmpus. Por fim, apresentam-se as especificidades do programa de formação no Câmpus. Portanto, a fim de apresentar e localizar o cenário onde ocorre o curso cujas informações são expostas neste estudo, segue a demonstração dos dados relevantes do Instituto Federal – Câmpus Sertão. 2. A instituição O Câmpus Sertão integra o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, cuja sede está localizada em Bento Gonçalves – RS. O Câmpus está situado na região norte do Rio Grande do Sul, que, segundo os dados da Fundação de Economia e Estatística (2011), ocupa uma área de 6.347,9 km, em que se localizam 32 municípios, representando 2,2% da área territorial do Rio grande do Sul. Conforme estudos de Ilha, Alves e Saravia (2012), o processo histórico da região norte aponta a presença de pequenas e médias propriedades que foram a base para a presença de indústrias e, consequentemente, das grandes concentrações urbanas. A economia da região norte é heterogênea, sendo que a produção inicialmente diversificada cedeu espaço para as lavouras mecanizadas de trigo e soja, mas mantém um regime de pequenas e médias propriedades com cultivo de milho, soja, feijão e trigo. A modernização da agricultura trouxe o desenvolvimento industrial de produtos agrícolas, destacam-se os municípios de Passo Fundo, Erechim e Santa Rosa. Nesse contexto, a instituição surgiu como escola agrícola, criada pela Lei n° 3.215, de 19 de julho de 1957, com a denominação de Escola Agrícola de Passo Fundo e iniciou seu efetivo funcionamento em 1963, tendo sido transformado, pela Lei Federal n° 8.731, de 16 de novembro de 1993, em Escola Agrotécnica Federal de Sertão, adquirindo autonomia administrativa e pedagógica. Com a Lei nº. 11982 de 29 de dezembro de 2008, a EAFS passou a se denominar Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, assumindo ainda a designação de Câmpus Sertão. A partir desse momento, passou a ter autonomia para criar e extinguir cursos, tanto na área do ensino médio como superior e em diferentes modalidades. O Câmpus ocupa uma área de 237 hectares, dispondo de uma complexa estrutura física, com laboratórios recém construídos e setores de produção nas áreas de: Agricultura (Culturas Anuais, Fruticultura, Silvicultura e Olericultura); na área de Zootecnia (Bovinocultura de corte e leite, Ovinocultura, Suinocultura, Apicultura, Piscicultura e Avicultura); Agroindústria e Unidade de Beneficiamento de Sementes, constituindo um laboratório para prática profissional, atividades pedagógicas e produção de matéria-prima para o processo agroindustrial. Hoje, a instituição atende, aproximadamente, 1500 alunos de nível médio e superior e seu quadro docente é constituído por 75 docentes efetivos, 19 docentes substitutos, e três docentes temporários. Oferece atualmente os seguintes cursos: a) Técnico em Agropecuária nas modalidades Integrado e Subsequente, totalizando treze turmas, além de Concomitância Externa através do PRONATEC na sede e em duas unidades remotas, totalizando quatro turmas. b) Técnico em Manutenção e Suporte de Computadores, na modalidade Concomitância Externa pelo Câmpus e através do PRONATEC na sede e em uma unidade remota, totalizando quatro turmas. c) Técnico em Comércio – PROEJA em Concomitância Externa, além de duas turmas pelo PRONATEC na sede e uma em unidade remota. d) Oferece também os seguintes cursos superiores: Licenciatura em Ciências Agrícolas, Programa Especial em Formação Pedagógica de Docentes, Curso Superior de Tecnologia em Agronegócio, em Gestão Ambiental em Análise em Desenvolvimento e Sistemas, além de bacharelado em Agronomia e Zootecnia. Esses cursos atendem principalmente alunos da região norte do Estado do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Bahia. e) Pós-Graduação em Teorias e Metodologias da Educação. A formação docente, principalmente pela demanda relevante de professores da área tecnológica evidenciada pelo Câmpus, criou a necessidade de se ofertar um curso comprometido com a constituição pedagógica de profissionais técnicos. Nesse panorama, apresenta-se, a seguir, a importância da formação pedagógica na educação profissional. 3. A relevância da formação de docentes Instrutores e não educadores: não é uma regra, mas integra a realidade das instituições que oferecem o ensino tecnológico. A docência, por muitos anos, foi pensada apenas com o objetivo de instruir. Na educação profissional, organizou-se historicamente com a marca de preparar os alunos para um trabalho específico, desenvolvida por um profissional técnico, com conhecimentos também específicos do ofício em que está ensinando (RIBEIRO, et. al., 2011). Abreu (2009, p. 05) reforça: É importante ressaltar que o ensino técnico sempre caracterizou seus docentes antes de tudo como profissionais, no que tange a sua ligação ao mundo produtivo. Mas, o ensino superior permaneceu e permanece alheio à formação de professores para essa modalidade de ensino. A formação pedagógica ainda é negligenciada pelas políticas públicas e por muitos professores do ensino técnico. Assim, os professores que contribuem para este pensamento, acreditam que, dominam a prática pelos anos que a repetem ao entrar em sala de aula. Neste ponto, desconsideram a própria capacidade de mudança e, mais ainda, que os saberes da docência vão sendo aprimorados através do exercício diário do seu fazer pedagógico. Sob esse ponto de vista, os profissionais que atuam no magistério, sejam eles habilitados por uma formação pedagógica ou não, estão situados numa relação intermediada pelo exercício diário de sua atuação enquanto docente. Relação essa que lhe possibilita uma permanente aprendizagem sobre e na ação educativa, na qual as características individuais influenciam esse processo de construção social. A pesquisa acerca da docência na educação profissional desenvolvida por Burnier et al (2007), aponta que os profissionais reconhecem como natural a atividade do ensino, quando já desempenham suas profissões em indústrias ou outros setores do sistema produtivo. Esta perspectiva reitera a visão dos profissionais de que apenas o conhecimento técnico é suficiente para o trabalho docente e a docência torna-se um complemento do seu salário. No entanto, a relevância da noção pedagógica percebe-se urgente e complexa. A docência exige uma preparação minuciosa em razão da multiplicidade de saberes e conhecimentos que implicam a formação do professor da educação profissional. Assim, deve-se conceber a docência a partir de novas formas de conceber o conhecimento e suas relações, ultrapassando-se a racionalidade técnica. Lembra-se que Santos (1987) comenta que não é possível reconhecer a docência como um trabalho previsível, com um currículo fechado, organizado por meio de uma listagem de conteúdos considerados pertinentes para a formação de um grupo profissional, já que a contemporaneidade nos impõe que caminhemos na liquidez dos processos. Assim, o entendimento da docência fundamentada somente na racionalidade técnica e cartesiana não é autossuficiente para um projeto de formação humana. Para Cunha (2006, p. 25) traz considerações sobre a docência: A docência é uma atividade complexa,exige tanto uma preparação cuidadosa, como singulares condições de exercício, o que pode distingui-la de algumas outras profissões. Ou seja, ser professor não é tarefa para neófitos, pois a multiplicidade de saberes e conhecimentos que estão em jogo na sua formação, exige uma dimensão de totalidade, que se distancia da lógica das especialidades, tão cara a muitas outras profissões, na organização taylorista do mundo do trabalho. A educação profissional, assim, não se restringe a ensinar a fazer e a preparar para o mercado de trabalho, mas a promover o entendimento das dinâmicas sócio produtivas das sociedades modernas em seus contrassensos ao mesmo tempo em que capacita para o exercício crítico e autônomo de suas profissões. Para o exercício da docência e à constituição de sua identidade profissional, é necessário que o professor permita formar-se a partir ou com esta perspectiva (RIBEIRO et. al., 2011). Deve-se encarar a formação de docentes para a educação profissional como um processo contínuo, sistemático e organizado que leva em conta as exigências sociais, psicológicas, pessoais, contextuais e profissionais como parte do desenvolvimento profissional dos sujeitos (BOLZAN; ISAIA, 2008). A formação de professores para a educação profissional, portanto, é um processo que se constitui por meio das relações teórico-práticas que são experenciadas pelos docentes em sua trajetória profissional. Machado (2008, p. 18) contribui com o argumento ao se referir ao perfil do docente a ser formado para a educação profissional marca que: Entende-se que se trata de um profissional que sabe o que, como e porque fazer e que aprendeu a ensinar, para desenvolver idônea e adequadamente outros profissionais. Desta forma, tem papel e compromisso como educador, independentemente de outra atividade que venha a ter, contribuindo, assim, como participante ativo, para o desenvolvimento da educação profissional. Vê-se em Ribeiro et. al. (2011) o reforço da ideia de que a formação de docentes para a educação profissional precisa de investimento, de apoio, de formação e valorização das instituições de ensino no sentido de ocupar-se do ensinar e do aprender, de um agir intencional no assessorar o professor, e de ações que o acompanhem em seu trabalho de docência. Em concordância com as afirmações acima, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Câmpus Sertão organizou seu Programa de Formação de Professores para a Educação Profissional. No próximo tópico, portanto, o programa será descrito. 4. O programa O Curso de Formação Pedagógica de Docentes para a Educação Básica e Profissional foi criado em 2010. Amparou-se, inicialmente, no parecer do CNE/CEB nº 02/97 e, hoje, também na Resolução nº 6, de 20 de setembro de 2012 que define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. O turno de funcionamento caracteriza-se por regime especial, com aulas nas sextas-feiras no turno noturno e sábados nos turnos matutino e vespertino. No primeiro ano de funcionamento do curso, foram realizadas duas seleções de candidatos, uma seleção para ingresso no primeiro semestre e a outra seleção para ingresso no segundo semestre. Em ambas, foram ofertadas 40 vagas, totalizando 80 vagas anuais. No ano de 2011, aconteceram novamente duas seleções, com ingresso nos primeiro e segundo semestres, sendo ofertado o mesmo número de vagas do ano anterior. Em 2012, começa a ser realizada apenas uma seleção anual: 40 vagas foram ofertadas no ano. O turno de funcionamento ainda acontece em regime especial: com aulas nas sextas-feiras no turno noturno e sábados nos turnos matutino e vespertino. O horário de funcionamento das aulas foi planejado de acordo com a necessidade da maioria dos alunos que se inscrevem no curso, principalmente àqueles que não residem na cidade de Sertão, mas em cidades vizinhas e, por vezes, distantes. Além disso, a maior porcentagem dos alunos trabalha durante a semana, o que vai ao encontro do horário estipulado no planejamento do curso. O curso já habilitou quatro turmas e, atualmente, duas turmas, que totalizam 60 alunos oriundos das mais variadas cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, estão frequentando as aulas do programa e envolvidos nas atividades de ensino, pesquisa e extensão da instituição. Quanto à área de formação inicial, 45% são das ciências sociais, 36% das engenharias, 12% das ciências humanas e 9% das ciências da saúde (CASTAMAN; VIEIRA, 2013). O objetivo do curso caracteriza-se pela qualificação dos professores que atuam na instituição, porém se estende a profissionais ligados a outras instituições de educação profissional da sua área de abrangência, conforme estabelece a Resolução CNE nº 2, de 26 de junho de 1997, a qual dispõe no parágrafo único do art. 1º que: Art. 1º A formação de docentes no nível superior para as disciplinas que integram as quatro séries finais do ensino fundamental, o ensino médio e a educação profissional em nível médio, será feita em cursos regulares de licenciatura, em cursos regulares para portadores de diplomas de educação superior e, bem assim, em programas especiais de formação pedagógica estabelecidos por esta Resolução.Parágrafo único: Estes programas destinam-se a suprir a falta nas escolas de professores habilitados, em determinadas disciplinas e localidades, em caráter especial. O programa é destinado a alunos que já possuem diploma de curso superior, sendo que a instituição confere a compatibilidade entre a formação do candidato e a disciplina para a qual pretende habilitar-se. O concluinte do programa especial recebe certificado e registro profissional equivalentes à licenciatura plena, conforme o artigo 10º da Resolução CNE nº 2, de 26 de junho de 1997, ou seja, ao fim do curso, o aluno bacharel torna-se licenciado na área de seu bacharelado. De acordo com dados contidos no Projeto Pedagógico do Curso (2010) o curso de Formação Pedagógica de Docentes para a Educação Básica e Profissional pretende formar egressos capazes de articular diversos conhecimentos, avaliando-os criticamente a partir de teorias de modo a reelaborá-los. A postura do acadêmico que se estabelece como docente de educação profissional incide em valorizar a diversidade cultural e as manifestações da identidade de cada grupo social, assim como garantir condições de acesso para a internalização do conhecimento já sistematizado pela humanidade. Ainda observando o PPC (2010), verifica-se que a estrutura do Programa de Formação de Docentes para a Educação Profissional foi pensada para que se forme um egresso autônomo, com pensamento crítico, que articule o conhecimento acadêmico com o contexto histórico, político, econômico, social e cultural da realidade em que está inscrito, com espírito investigativo, criativo e ousado, abstraindo e resolvendo problemas, a partir do coletivo e de modo interdisciplinar. A prática dos docentes está pautada na formação de cidadãos, com troca de saberes, valores e ideias, pela interação dialética, fundamentada na abordagem histórico-cultural. Esta prática pedagógica será flexível construída pelo ato pedagógico e constituindo-se como reflexiva, no intuito de (re) pensar a sua prática, avaliando às atividades, empenhando-se com a aceitação de responsabilidades e a tomada de decisões, adotando riscos e aprendendo pelos “erros”. Em suma, encontram-se no PPC (2010), as seguintes habilidades almejadas para o egresso do programa: a) Promover transformações necessárias na sociedade como um todo; b) Dominar conteúdos e habilidades técnicas pedagógicas e ser capazes de agir de forma lógica com método e em busca de resultados viáveis e justos; c) Demonstrar discurso coerente que envolva a prática pedagógica, compreendendo a contradições sociais, políticas e econômicas da sociedade; d) Trabalhar com elementos didáticos que venham a motivar e propiciar o interesse científico nos alunos; e) Fazer a análise e compreender o fenômeno educativo a partir de fundamentos teóricos; f) Planejar e coordenar a ação educativa; g) Demonstrar habilidades linguísticas (comunicação oral e escrita); h) Trabalhar com novos recursos de comunicação; i) Localizar, selecionar e processar as informações disponíveis; j) Valorizar o conhecimento científico, sua história e correlação com o cotidiano; k) Incentivar o desenvolvimento tecnológico, comprometendo a formação ética e cidadã dos alunos (PPC, 2010: p.14-15). Com vistas a esse perfil de egresso, o curso tem uma estrutura curricular que totaliza 1004 horas, as quais estão organizadas em núcleos definidos pela Resolução CNE nº 2, de 26 de junho de 1997: contextual, estrutural e integrador. O intuito da articulação entre os núcleos constitui-se em propiciar a integração de conhecimentos e habilidades julgadas imprescindíveis para a formação pedagógica, de acordo com o planejamento da instituição, como verificamos no Quadro 1: NÚCLEO INTEGRADOR DISCIPLINA Informática Aplicada à Educação Metodologia do Ensino da Educação Profissional e Tecnológica Práticas de ensino (estágio supervisionado) conforme áreas e de acordo com a legislação Seminário de Socialização e Defesa de Estágio Carga horária total do Núcleo CONTEXTUAL Antropologia das Sociedades Indígenas e Afrodescendentes no Brasil Psicologia da Educação Filosofia da Educação Sociologia da Educação História da Educação Carga horária total do Núcleo ESTRUTURAL Políticas da Educação Gestão da Educação Didática Fundamentos da Educação Especial Educação de Jovens e Adultos Libras Carga horária total do Núcleo CARGA HORÁRIA TOTAL DO CURSO Quadro 1: Matriz curricular CARGA HORÁRIA 40 40 SEMESTRE 400 III 40 III 520 40 I 48 48 48 60 244 40 60 80 24 24 12 240 1004 I II I I I I II II II II II II Fonte: PPC do curso Formação Pedagógica de Docentes para a Educação Básica e Profissional (2010, p. 26). O Parecer CNE nº 2, de 26 de junho de 1997 determina em seu art. 3º, que o núcleo contextual visa conhecer os processos de ensinar e aprender na práxis educativa, os quais se constituem “[...] tanto as relações que se passam no seu interior, com seus/suas participantes, quanto as suas relações, como instituição, com o contexto imediato e o contexto geral onde está inserida”. O núcleo estrutural objetiva os conteúdos curriculares, organização sequencial, avaliação, metodologias e integração com as demais disciplinas e o núcleo integrador procura centrar-se nos problemas concretos encarados pelos alunos nas práticas educativas vivenciadas no cotidiano escolar. Não somente de conhecimentos teóricos constitui-se um docente. Vê-se, por meio do PPC (2010), que a parte prática do programa ocorre por meio do estágio supervisionado que tem por objetivos: I - Formar professores em nível superior para atuar no currículo da educação básica e da educação profissional. II - Organizar situações de aprendizagem pressupondo o aluno como sujeito histórico-cultural que vive um processo de ampliação de experiências mediadas pela construção do conhecimento. III - Elaborar e desenvolver projetos a partir de eixos interdisciplinares, fundamentados teórica e metodologicamente, significativos para o exercício da docência. IV - Exercitar a produção científica através da pesquisa permanente do espaço escolar, percebendo e interpretando a concretude dos problemas educacionais, assumindo um perfil investigativo enquanto profissional da educação. V - Sistematizar o conhecimento a partir da leitura crítica da realidade investigada, do referencial teórico, da reflexão pedagógica e da intervenção sobre a realidade educacional vivenciada. VI - Desencadear propostas concretas de estágio curricular, a partir dos pressupostos teóricos do Curso de Formação Pedagógica de Docentes para a Educação Básica e Profissional e mediante estudos da realidade, atividades de observação, análise, reflexão e outras que se julgarem necessárias. VII – Viabilizar propostas/momentos de interação e socialização com a comunidade regional a partir do desenvolvimento das temáticas pesquisadas (MANUAL DE NORMAS E PROCEDIMENTOS, 2012, p. 3). O estágio supervisionado totaliza 400h, distribuídas em cinco etapas: I - Elaboração da análise de conjuntura (60 horas); II - Realização de observação numa instituição de ensino (80 horas); III - Elaboração do Planejamento de Estágio de docência (100 horas); IV - Realização das atividades de docência (140 horas); V – Preparação e apresentação do trabalho em seminário de socialização (20 horas). A elaboração da análise de conjuntura deve levar em consideração as diferentes instâncias conjunturais como a educação profissional em nível mundial, brasileiro, estadual, municipal e local, partindo da instituição em que o aluno desenvolve as atividades de estágio. Nessa etapa, o valor do aprendizado está na abstração da contextualização. A realização da observação ocorre em uma instituição de ensino que ofereça educação profissional em aulas de um professor que atua na área de formação do aluno. Nessa etapa, analisa-se a instituição campo de estágio sob os diferentes aspectos a partir da análise do seu Projeto Pedagógico Institucional, visita, entrevistas com gestores e professores e análise documental. Na fase de planejamento de estágio, o aluno elabora os planos de aula para a realização da docência que envolve a execução de ações pedagógicas previstas no planejamento de estágio. Todas essas ações devem estar sob a supervisão de um professor orientador. Por fim, os estagiários apresentam os resultados finais através de relatório final e em seminário de socialização, composto por uma banca (coordenador do curso, professor orientador e um professor do curso). O aumento da procura pelo processo seletivo do curso, a cada ano, evidencia a repercussão da demanda e da possibilidade de docência aos graduados de áreas diversas à pedagógica. A implantação do programa se apresenta, portanto, como uma alternativa à necessidade expressiva de professores conhecedores da área técnica que, geralmente, não têm a cultura de investir na formação voltada à sala de aula. 5. Considerações finais O presente artigo teve por objetivo difundir ao conhecimento acadêmico algumas breves considerações acerca da formação de docentes para a Educação Profissional e apresentar o Programa de Formação para Professores da Educação Profissional ofertado pelo, e no contexto do, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, Câmpus Sertão. Depois de observarmos a implantação do curso no contexto do IFRS – Câmpus Sertão, podemos considerar que, embora a discussão em torno do professor que atua na educação profissional tenha se ampliado nos últimos anos, ela ainda é bastante incipiente. Infelizmente, a ideia predominante é a de que a formação pedagógica para o exercício da docência é desnecessária e irrelevante em relação à construção do saber do aluno. O IFRS mantém a oferta do curso porque, em sua área de abrangência, é o único que forma profissionais para a educação profissional. Além disso, a demanda pela formação docente tem crescido especialmente a partir da criação de cursos técnicos e de Formação Continuada (FIC) a partir do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), cursos que estendem o leque de cursos profissionalizantes e tecnológicos na esfera federal. Hoje, com a Resolução 06, de 20 de setembro de 2012, que definiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio, abriu-se a possibilidade de transformar o programa em curso de especialização e, com isso, o colegiado do curso está estudando a proposta de criação de uma estrutura de curso de especialização em substituição ao programa que existe atualmente. Ainda há alguns entraves quanto a essa alternativa, uma delas, por exemplo é a forma de diplomação: ao se optar pela especialização, o egresso não sai do curso como licenciado, já que as propostas têm prerrogativas diferentes. Independentemente da titulação, a preocupação da implementação de um curso de formação de professores está enraizada na humanização do ensino e na construção integral dos saberes. Referências ABREU, Guacira Ribeiro de. Ressignificação da formação do professor de ensino técnico-profissional: por uma prática reflexiva na reconstrução de sua identidade. Revista Profissão Docente online, v.9, n.19, 2009. Disponível em: http://www.uniube.br/propepe/mestrado/revista/vol09/9917.pdf. Acesso em 21 abr. 2014. BOLZAN, D. P. V.; ISAIA, S. M. de A. Pedagogia universitária e processos formativos: a construção do conhecimento pedagógico compartilhado. In: XIV Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino. Porto Alegre, RS: 2008 (anais). BRASIL. Decreto Federal 2.208, de 17 de abril de 1997. Regulamenta o § 2º do art. 36 e os arts. 39 a 42 da Lei Federal nº 9.394/96, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Portal Ministério da Educação e Cultura. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/DF2208_97.pdf. Acesso em: 06 jan. 2014. ______. Lei 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm. Acesso em: 06 jan. 2014. ______. Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Portal Ministério da Educação e Cultura. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm. Acesso em: 06 jan. 2014. ______. Lei 11.741, de 16 de julho de 2008. Altera dispositivos da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para redimensionar, institucionalizar e integrar as ações da educação profissional técnica de nível médio, da educação de jovens e adultos e da educação profissional e tecnológica. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11741.htm. Acesso em: 06 jan. 2014. ______. Parecer CNE/CEB 16, de 5 de outubro de 1999. Trata das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico. Portal Ministério da Educação e Cultura. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/PCNE_CEB16_99.pdf. Acesso em: 06 jan. 2014. _____. Resolução nº6, de 20 de setembro de 2012. Diário Oficial da União, Brasília, 21 de setembro de 2012. _____. Resolução Nº 02, De 26 De Junho De 1997. Diário Oficial Da União, Brasília, 26 De Junho De 1997. BURNIER, Suzana; CRUZ, Regina Mara Ribeiro; DURÃES, Marina Nunes ; PAZ, Mônica Lana ; SILVA, Adriana Netto ; MENDES SILVA, Ivone Maria. Histórias de vida de professores: o caso da educação profissional. Revista Brasileira de Educação, v.12, n.35, maio/ago. 2007. CASTAMAN, Ana Sara; VIERA, Marilandi Maria Mascarello. Programa Especial de Formação de Docentes para a Educação Profissional: a experiência do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande Do Sul/ Sertão/RS. Artigo apresentado no Encontro de Coordenações Pedagógicas 18 a 20 de setembro de 2013 - Brasília – DF. CIAVATTA, M.; FRIGOTTO, G.; RAMOS, M. N. A gênese do Decreto nº. 5.154/2004: um debate no contexto controverso da democracia restrita. In: Trabalho necessário. Revista Eletrônica do neddate. Disponível em http://www.uff.br/trabalhonecessario/MMGTN3.htm. Acesso em: 09 maio 2013. CUNHA, Maria Isabel (Org). Trajetórias e lugares de formação da docência universitária: da perspectiva individual ao espaço institucional. Araraquara, SP: Junqueira & Marin; Brasília, DF: CAPES:CNPq, 2010. ILHA, Adayr da Silva; ALVES, Fabiano Dutra; SARAVIA, Luis Hector Barboza. Desigualdades regionais no Rio Grande do Sul: o caso da metade sul. Disponível em: http://www.fee.tche.br/sitefee/download/eeg/1/mesa_3_ilha_alves_saravia.pdf. Acesso em: 05. jan. 2013. MACHADO, Lucília Regina de Souza . Formação de Professores para a Educação profissional e Tecnológica: perspectivas históricas e desafios contemporâneos. In: MEC/INEP. (Org.). Formação de Professores para Educação Profissional e Tecnológica. 1ª ed. Brasília: MEC/INEP, 2008, v. 8, p. 67-82. MANUAL De Normas E Procedimentos Dos Estágios Supervisionados Do Curso Formação Pedagógica De Docentes Para A Educação Básica E Profissional. Sertão, ago. 2012. OLIVEIRA, Maria Rita Neto Sales de. Formação e profissionalização dos professores do ensino técnico. Educação e Tecnologia, Belo Horizonte, v.11, n.2, p.3-9, jul./dez. 2006. PACHECO, José A.; FLORES, Maria A. Formação e avaliação de professores. Porto: Porto Editora, 2000. PROJETO Pedagógico Do Curso De Formação Pedagógica De Docentes Para As Disciplinas Do Currículo Do Ensino Fundamental, Médio E Da Educação Profissional Em Nível Médio. Sertão, maio 2010. RAMOS, M. N. Possibilidades e desafios na organização do currículo integrado. IN: FRIGOTTO, G.; CIAVATTA, M.; RAMOS, M. N. (orgs.) Ensino médio integrado: concepção e contradições. São Paulo: Editora Cortez, 2005, p. 106- 127. RIBEIRO, Jorge Alberto Rosa et. al. Questões que permeiam a formação de professores na educação profissional técnica de nível médio. Rev. Teoria e Prática da Educação, v. 14, n. 3, p. 97-110, set./dez. 2011 RIO GRANDE DO SUL. FUNDAÇÃO DE ECONOMIA A ESTATÍSTICA. Resumo Estatístico RS – COREDES. Disponível em: http://www.fee.tche.br/sitefee/pt/content/resumo/pg_coredes_detalhe.php?corede=Norte. Acesso em: 10 abr. 2011. SANTOS, Boaventura Souza. Um discurso sobre as ciências. 13 ed. Porto: Afrontamento, 1987. TONET, D. et al. O uso do geoprocessamento: uma análise de duas áreas no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul - IFRS, Campus de Sertão/RS. In: Alcindo Neckel; David Peres da Rosa. (Org.). Geoprocessamento e suas diferentes aplicabilidades. 1ed.Passo Fundo: Editora Goellner, 2013, v. 1, p. 88-115.