Munari DB, Oliveira NF, Fernandes CNS O MODELO DE EDUCAÇÃO DE LABORATÓRIO NA FORMAÇÃO DO ENFERMEIRO: AVALIAÇÃO DO GRADUANDO DE ENFERMAGEM THE LABORATORY EDUCATION MODEL IN NURSING GRADUATION: THE EVALUATION OF NURSING STUDENTS Denize Bouttelet Munari* Nunila Ferreira de Oliveira** Carla Natalina da Silva Fernandes*** RESUMO: Estudo exploratório, de abordagem qualitativa, realizado com 47 alunos da 5ª série de graduação em enfermagem, que teve como objetivo verificar a repercussão do uso do Modelo de Educação de Laboratório, avaliar sua importância na transição aluno/profissional e identificar os aspectos que ajudam o aluno a ser enfermeiro. Esse modelo é estratégia da disciplina Saúde Mental-II, que é utilizada na Faculdade de Enfermagem/Universidade Federal de Goiás, desde 2000, no processo de formação do enfermeiro, como suporte para a gestão de grupos/equipes. Os dados foram coletados através de registros escritos em dezembro/2004 e submetidos à análise temática de conteúdo utilizando categorias predefinidas propostas pelo ciclo vivencial de aprendizagem do referido modelo. Os resultados mostraram que a estratégia possibilita um aprendizado significativo, facilitado pela estrutura do referencial teórico-metodológico. Nesse sentido, torna o aluno sujeito ativo do seu processo de aprendizado e mais seguro na transição aluno/profissional como gestor em enfermagem e saúde. Palavras-Chave: Educação; enfermagem; educação baseada em competência; capacidade de gestão. ABSTRACT ABSTRACT:: This exploratory study of a qualitative approach has been accomplished with 47 students of the fifth year of nursing graduation, having the following purposes: to verify the repercussion of the use of the Laboratory Education Model; to evaluate its importance in the transition student/professional; and to identify the aspects that help the students to become nurses. This model constitutes a strategy of the Mental Health-ll discipline hat has been used in the nurse graduation process of the Nursing College/UFG since 2000, as a support for the management of groups/teams. Data collected from written registrations obtained in December/2004 have been submitted to content thematic analysis using pre-defined categories, which were proposed by the learning life cycle of the referred model. The results showed that the strategy makes possible a significant learning, facilitated by the structure of the theoretical-methodological referential. In that sense, it turns the student the active subject of his own learning process and makes him feel safer during the transition student/professional manager in nursing and health. Keywords: Education; nursing; competency-based education; management capacity. INTRODUÇÃO A participação do enfermeiro em ati- vidades grupais de pesquisa, ensino, assistência ou gestão não pode mais ser concebida como uma escolha daqueles que se julgam pessoas cujo talento favorece esse tipo de atividade ou de quem tem por motivação a busca do estudo desse fenômeno da vida humana. O trabalho em enfermagem vem exigindo cada vez mais a inserção direta do enfermeiro nesse tipo de atividade, além de ser uma exigência de movimentos cada vez mais centrados no coletivo1-3. Para o desenvolvimento dessa característica no trabalho em saúde, é fundamental o investimento na formação de pessoas com competências e habilidades que vão além das técnico-científicas4 -6. Para isso, é imprescindível a utilização de estratégias que facilitem este processo e, nesse sentido, o Modelo de Educação de Laboratório tem se mostrado eficiente2,7,8. Há seis anos na Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás (FEN/UFG) é oferecida uma disciplina na quinta série do curso de graR Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jul/set; 14(3):385-90. • p.385 Educação de laboratório na formação do enfermeiro duação (Saúde Mental II) com o intuito de proporcionar aos alunos o desenvolvimento de tais habilidades e competências diante dos desafios vivenciados no campo de estágio profissional, que geralmente são mais relacionados ao campo da interação humana. Nesse cenário, a utilização do Modelo de Educação de Laboratório7,9 mostrou-se adequado para minimizar conflitos e auxiliar os alunos na busca de soluções para a complexidade do campo relacional do trabalho em saúde4. O propósito do presente estudo foi: verificar a repercussão da utilização do Modelo de Educação de Laboratório7,9 oferecido pela disciplina Saúde Mental II, da FEN/UFG, na formação do enfermeiro, junto aos alunos da última série do curso; identificar, entre as etapas do modelo utilizado, quais aspectos mais ajudam o aluno no exercício de ser enfermeiro; e verificar se o modelo facilita o processo de transição do aluno para o papel de profissional. REVISÃO DA LITERATURA O processo de formação na área da saúde compreende um caminho marcado por experiências que exigem do aluno grande capacidade para o relacionamento interpessoal, porém, na formação desse profissional, predomina o ensino das habilidades técnicas em detrimento da interacional. Por sua vez, a competência no campo das interações humanas é um quesito que tem sido considerado como um diferencial em todas as profissões, além de permitir ao indivíduo uma melhoria nas relações pessoais do seu dia-a-dia2,4,6,8,10. Um estudo realizado no Brasil, em 200011, revelou o descontentamento de enfermeiros em relação ao processo ensino-aprendizagem durante a graduação para o desempenho da função de líder; eles enfatizaram a necessidade da utilização de abordagens educativas que ofereçam oportunidades de entender as situações da prática para enriquecer suas experiências pessoais no manejo e coordenação de equipes. O Modelo de Educação de Laboratório7,9 parece ser pertinente às necessidades apontadas por esses enfermeiros, pois consiste na utilização dos recursos teóricos conectados à realidade vivida pelo indivíduo. A educação de laboratório é um termo aplicado “a um conjunto metodológico visando mudanças pessoais a partir de aprendizagens baseadas em experiências diretas ou vivências”9:5. O foco desse modelo é no desenvolvimento das pessoas em busca pela mudança de p.386 • R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jul/set; 14(3):385-90. valores, comportamento e no exercício da liderança compartilhada. Tais mudanças são alcançadas por meio de estratégias metodológicas que visam o aprendizado em diversos níveis: cognitivo, atitudinal, emocional e comportamental, através da utilização do ciclo vivencial de aprendizagem, composto pelas seguintes etapas: atividade (vivência de uma situação como: resolução de um problema, simulação comportamental, dramatização, jogo, comunicação, exercícios verbais e não-verbais), análise (exame e discussão da atividade vivenciada), conceituação (fundamentação teórica da experiência) e conexão com o real (onde se compara a teoria com situações práticas do trabalho ou da vida real)2,7-9. Ao percorrer as etapas do Modelo de Educação de Laboratório, é possibilitado ao aluno refletir sobre suas crenças, rever conceitos, analisar as próprias atitudes e as dos colegas, buscando caminhos alternativos para a resolução dos problemas da prática profissional, aspecto fundamental no preparo do enfermeiro como um coordenador de grupo2,8. Esse Modelo proporciona o autoconhecimento e o aprendizado da dinâmica e funcionamento dos grupos, a partir da experimentação e compreensão do próprio grupo, favorecendo a capacidade para lidar com problemas e potencializar o desempenho das pessoas nos locais de trabalho. Para isso, os encontros devem ser conduzidos por um coordenador, que auxilia o grupo na análise e interpretação das situações vivenciadas. Esse papel exige experiência, competência, habilidade e atitude para criar, com o grupo, dentro de um clima de confiança suficiente para que os participantes possam vislumbrar novas maneiras de agir, experimentar e rever seus sentimentos e emoções no cotidiano do trabalho coletivo e exercitar novos papéis12. METODOLOGIA Estudo exploratório, de abordagem qua- litativa, que buscou a compreensão de um problema a partir da perspectiva do sujeito que o vivencia. Essa forma de aproximação do objeto de estudo permite ao pesquisador observar aquilo que pretende “baseando-se na premissa de que os conhecimentos sobre os indivíduos só são possíveis com a descrição da experiência humana, tal como ela é vivida e tal como ela é definida por seus próprios atores”13:270. Munari DB, Oliveira NF, Fernandes CNS A pesquisa foi realizada com 47 acadêmicos, de um total de 50 matriculados na 5ª série do curso de graduação da FEN/UFG, sujeitos ao Modelo de Educação de Laboratório, utilizado como estratégia de ensino da disciplina Saúde Mental II, que faz parte da grade curricular do curso, com carga horária de 60 horas. Os dados foram coletados através de um registro escrito, no qual foi solicitado aos alunos responder um roteiro semi-estruturado que explorava questões diretamente relacionadas com os objetivos da pesquisa. A coleta de dados foi realizada no final do 10º semestre (dezembro/2004), quando os alunos já haviam terminado a disciplina e possuíam conhecimento e experiência suficientes para analisar e avaliar o Modelo. Essa etapa da pesquisa ocorreu num único dia, com todos os alunos reunidos na mesma sala, sendo que eles utilizaram entre trinta minutos e uma hora para concluírem o registro. Para o desenvolvimento deste estudo, o projeto da pesquisa foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas/UFG, e os alunos que participaram voluntariamente da pesquisa assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, após esclarecimento das pesquisadoras sobre seu objetivo. Os dados foram submetidos à análise temática de conteúdo, de acordo com uma das possibilidades estabelecidas por Bardin14, que é o estabelecimento prévio de categorias. Nesse sistema, as categorias são definidas a priori e o material é tratado a partir das mesmas. Para a realização da categorização, foram obedecidas as etapas sugeridas pelo autor14 como a préanálise, a exploração do material e tratamento de análise temática de conteúdo. As categorias definidas previamente foram as próprias etapas do modelo de educação de laboratório: atividade, análise, conceituação e correlação com o real7-9. A escolha dessas categorias foi ancorada na observação de que as etapas do modelo são geradoras dos resultados obtidos com a sua utilização. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram sujeitos do estudo os alunos da 5ª série do curso de graduação da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás, no ano de 2004. De 50 graduandos que participaram do laboratório, 47 (94%) integraram este estudo e assinaram o termo de consentimento livre e es- clarecido. A maioria era do sexo feminino (91,5%) e a faixa etária média era de 22 anos. A partir dos dados coletados, o material foi analisado e agrupado tendo como base as categorias predefinidas: atividade, análise, conceituação e correlação com o real, que são apresentadas a seguir. Atividade A atividade ou vivência consiste na etapa inicial do ciclo de aprendizado teórico-vivencial, que é mediada por jogos, exercícios, dramatização ou situação problema que tenha alguma relação com o cotidiano dos alunos, e é realizada durante um tempo definido e envolve técnicas e temáticas diversas a partir da necessidade do grupo2. O aspecto mais evidente relacionado pelos alunos sobre a referida etapa foi o benefício do trabalho grupal para o autoconhecimento dos sujeitos no grupo. Aqui o saber se relacionar e agir em grupo parece mostrar a eficácia do desempenho individual e grupal. Ajudou a ver o meu papel no grupo e como minhas atitudes poderiam ser interpretadas e as conseqüências dos meus atos no grupo. (A4) As vivências possibilitaram um encontro mais próximo com os colegas, com seus limites e qualidades, e também possibilidades de eles me verem como sou e estou. (A10) Os alunos também referiram que essa etapa mostra o quanto é gratificante, ao final de um problema, conseguir a resolução que, inicialmente, parecia impossível ou inviável. Nesse aspecto, também pontuam o aprendizado de alcançar o objetivo comum e a segurança para opinar e ter iniciativa para trocar idéias e buscar o consenso. Aprendi que é muito difícil ou quase impossível fazer tudo sozinha... Fica muito mais fácil quando você se une a pessoas com o mesmo objetivo, que estão dispostas a resolver o problema com você, o problema se torna menor, tem várias pessoas pensando junto e tendo a consciência da importância de cada componente do grupo na solução do problema. (A9) As falas mostram que a possibilidade de operar em grupo diminui a dependência do indivíduo em relação ao coordenador e aumenta a percepção em relação aos vários recursos interpessoais e quanto à inserção social de que dispõe, podendo servir como agente transformador15. Além dos aspectos já citados, as falas mostraram a importância do clima de aprendizado nessa etapa que, geralmente, promove descon-traR Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jul/set; 14(3):385-90. • p.387 Educação de laboratório na formação do enfermeiro ção, o que parece facilitar o processo de aprendizado na construção da compreensão crítica dos futuros coordenadores de grupos. Aprendi utilizar as estratégias, jogos e brincadeiras de forma coordenada e que tenha um fim reflexivo e não para simplesmente descontrair, isso ajudou bastante para prender a atenção do grupo que espera mais do que simples informação, mas também conexão com o dia-a-dia. (A14) A atividade viabiliza, finalmente, a inserção do aluno no seu próprio aprendizado, pois é relacionada com o que ele já vivenciou ou observou, além de permitir a expressão de características individuais e de relacionamento coletivo de forma espontânea1. Análise A análise é a etapa em que o grupo se propõe à realização de um exame e discussão da atividade realizada, abordando diferentes aspectos como as atitudes dos participantes, o resultado da experiência e o processo de construção coletiva. Nela, o grupo faz um diagnóstico da situação vivida, o que permite reformulações, acesso a novas perspectivas ou outras possibilidades para a realização da mesma atividade. O mais importante nessa etapa é a reflexão sobre o espelhamento recíproco, capacidade de se perceber no outro, feita em um clima de superação de pré-conceitos e atitudes estereotipadas (espontaneidade grupal) e prontidão para mudanças ou transformações (criatividade grupal)1,9. Nos remete a refletir e sentir como são as relações dentro do grupo, qual o seu ritmo. Despertei para entender que quando uma pessoa chega a um grupo, ou pertence a ele, tem suas características e que a leitura de grupo realizada no primeiro momento pode não ser verdadeira. (A33) Geralmente, essa fase é marcada pela manifestação ativa do grupo, que emite opiniões acerca das atitudes reveladas durante a vivência e estas funcionam como motivação para que outras explanações sejam feitas, propiciando a exploração de sentimentos, crises existenciais e a revisão de conceitos e valores que determinam o modo de pensar e as atitudes das pessoas9. Nesse contexto, a comunicação é essencial por permitir o diálogo mais sincero e aberto. A análise da atividade gerada pelo grupo abre espaço para a expansão do autoconhecimento, a importância da disponibilidade para mudanças, além de evidenciar a relevância desses aspectos no relacionamento interpessoal no contexto do trabalho2,4, 8,11. p.388 • R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jul/set; 14(3):385-90. [...] aprendi a me conhecer, aqueles defeitinhos que até fazia questão de esconder de mim mesma desabrocharam (foi dolorido admitir).Vivi crises interiores e foi difícil aceitar como as pessoas me viam dentro do grupo; mas finalmente veio a certeza e a vontade de que mudar é preciso... (A36) Em cada aula, a cada estratégia utilizada era um novo conflito, um novo conhecimento de mim e a conscientização da necessidade de mudança para ser uma profissional que realmente coordenasse/articulasse com/ a equipe de enfermagem. (A32) O resultado desse aprendizado parece sinalizar que os alunos adquirem maior noção acerca de fenômenos grupais e da importância do trabalho em equipe. Os depoimentos dos alunos mostraram também que, a partir da análise, ocorre uma conscientização acerca da importância e do valor da coesão grupal. Tenho certeza que, após tudo o que vivi neste ano, tenho tudo nas mãos para ser uma enfermeira competente, consciente de que nunca se trabalha sozinho. Agora tenho habilidades para tornar a convivência e o trabalho em grupo mais harmoniosos e proveitosos. (A22) Conceituação A próxima etapa do ciclo teórico-vivencial de aprendizagem é a conceituação, momento em que trabalhamos os conceitos pertinentes ao tema em pauta. Os alunos indicam que nessa ocasião ocorre o enriquecimento da aprendizagem que passa a ser baseada no referencial teórico, o que dá mais segurança e ligação do que foi vivenciado e analisado, tornando a experiência mais concreta e a aprendizagem mais significativa. Neste momento, sedimentamos o conhecimento, recebemos embasamento teórico para tudo aquilo que deduzimos e aprendemos anteriormente. Essa etapa é essencial, pois evoluímos intelectualmente, temos condições de buscar além, sabermos onde procurar posteriormente. (A39) O material teórico, as informações e os conceitos são fundamentais para o aprendizado, porém o trabalho intelectual é muito mais ativo quando o aluno articula o conhecimento à luz da experiência vivida. A etapa inicial (vivência) foi importante para que eu fosse apresentada ao conteúdo teórico e pudesse graválo depois de sua exposição mais formal (na conceituação) de forma agradável e divertida, mantendo a posição ativa do aluno perante sua própria aprendizagem. (A44) Todas as etapas deste processo formam um conjunto que tira o aluno da inércia intelectual, isto é, leva-o a pensar Munari DB, Oliveira NF, Fernandes CNS criticamente aproveitando toda a bagagem cultural e profissional que ele possui. (A26) O propósito do Modelo em questão é fazer com que os alunos consigam compreender as suas vivências como base para a reflexão do que encontrarão no contexto do trabalho em saúde, conhecendo melhor as dificuldades encontradas na gestão de pessoas e serviços, aprendendo caminhos para superá-las e não pensando em receitas prontas. Essa intenção aparece incorporada na fala de um aluno que destaca que Não existem soluções prontas, quando situações inesperadas aparecerem, posso lembrar dos passos da disciplina e construir juntamente com a equipe a solução. (A26) Correlação com o Real A correlação com o real é a última etapa do ciclo vivencial de aprendizagem, realizada após a conceituação. Consiste na articulação de todo o processo vivido até aqui com as situações práticas de trabalho e da vida em geral. Ela permite discutir as possibilidades de mudanças no modo de pensar e agir dos alunos, por meio da validação da teoria construída e das observações da vivência e análise do processo do grupo2,8. Esse é um momento muito rico de trocas de experiências, que culmina na conscientização dos participantes sobre a dinâmica do próprio ciclo. A teoria auxilia a esclarecer as atitudes e situações e é na conexão com o real que ela se valida. Nesse momento, você sai do teórico, onde tudo é perfeito e funcional, e faz com que ele funcione na prática que tem realidades diversas. (A18) Espera-se que isso seja potencializado pela dinâmica do trabalho grupal que permite a articulação entre embasamento teórico, reflexão e experiência concreta, viabilizando uma aprendizagem significativa, permanente, propicia para o desenvolvimento de tecnologias leves 4, tão necessárias no contexto do trabalho em saúde. Sem esta conexão, todas as outras etapas ficariam sem razão de ser, pois tudo que buscávamos era em função de nosso crescimento, e não tem como isso não se relacionar com a nossa realidade. (A31) Esta conexão me fez abrir a mente para o mundo real, com um olhar crítico e participativo. (A2) Um aspecto importante de ser desenvolvido nessa fase é a imaginação durante o aprendizado, pois ela permite a compreensão da realidade de modo mais flexível e singular. Quando analisada sob vários ângulos e possibilidades, pode enriquecer a experiência e sugerir vários caminhos para os problemas cotidianos. O presente Modelo faz o aluno refletir e pensar, agir e criticar, formular e elaborar concepções próprias, singulares ao seu eu, transformando sua prática acadêmica em profissionalismo com qualidade. (A2) De modo geral, as respostas permitiram verificar que o modelo em questão é bastante eficaz para a formação do enfermeiro por facilitar o processo de transição do aluno para o papel de profissional. Dos sujeitos que participaram da pesquisa, 100% sinalizaram que este modelo oferece segurança e autonomia para a atuação. A experiência vivenciada pelo Modelo de Educação de Laboratório faz com que o aluno se coloque o mais rápido possível com o mundo do mercado de trabalho, atribuindo para si as responsabilidades e habilidades gerenciais para nortear o serviço, melhorar qualidade do atendimento, assistência humanizada e amor pelo que faz. (A2) CONCLUSÃO Quando foi adotado o Modelo de Educação de Laboratório no processo de formação do enfermeiro, havia a convicção de que ele seria uma oportunidade para o desenvolvimento da competência interpessoal desse profissional. Considerando a importância da atuação do enfermeiro diante das atividades de gestão de serviços e pessoas, é fundamental a escolha de recursos didáticos que possibilitem o desenvolvimento do enfermeiro nessa área, movimento esse considerado uma lacuna na formação do enfermeiro16. Os resultados mostraram que os objetivos propostos no estudo foram atingidos quando foram explorados, nas categorias de análise, o impacto e importância do aprendizado significativo, por meio de um modelo que coloca o aluno como sujeito ativo do processo, que lhe permite fazer uma articulação com a prática diária no desafio de ser coordenador de uma equipe no trabalho em saúde na atualidade. O Modelo de Educação de Laboratório7-9, avaliado pelos próprios alunos por meio deste estudo, parece eficaz para a compreensão, por parte dos graduandos, da dinâmica das relações humanas, com seus conflitos e peculiaridades, permitindo atuação mais assertiva na gestão, coordenação de pessoas e de mudanças, que sejam alcançadas através de diálogo aberto, de negociação, com liderança compartilhada. R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jul/set; 14(3):385-90. • p.389 Educação de laboratório na formação do enfermeiro Finalmente, considerando os desafios para a implementação das políticas públicas de saúde e o processo de formação de profissionais na área de saúde, é imperativo a utilização de estratégias que sejam transformadoras e capazes de produzir novas formas de pensar e fazer saúde em nosso país. REFERÊNCIAS 1. Osório LC. Grupos: Teorias e práticas: acessando a era da grupalidade. Porto Alegre(RS): Artes Médicas Sul; 2003. 2. Munari DB, Cruz RM, Merjane TV. 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Los datos fueron recolectados a través de registros escritos en diciembre/2004 y sometidos al análisis temático de contenido utilizando las categorías predefinidas propuestas por el ciclo de vivencia de aprendizaje del referido modelo. Los resultados mostraron que la estrategia posibilita un aprendizaje significativo, facilitado por la estructura del referencial teórico-metodológico. En ese sentido, el estudiante se vuelve sujeto activo de su proceso de aprendizaje y más seguro en la transición alumno/profesional como administrador en enfermería y salud. Palabras Clave: Educación; enfermería; educación basada en competencia; capacidad de gestión. Recebido em: 12.04.2006 Aprovado em: 14.07.2006 ________ Notas * Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Profª Titular da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. Goiânia. Rua 28A, nº 705/602 Ed. Cleber Gouvêa Setor Aeroporto – 74075-500 Goiânia-GO Email: [email protected] ** Graduanda em Enfermagem - Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. Goiânia. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC-Balcão/CNPq. *** Enfermeira. Aluna do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem - Mestrado - da Faculdade de Enfermagem da Universidade Federal de Goiás. Goiânia. Bolsista CAPES. p.390 • R Enferm UERJ, Rio de Janeiro, 2006 jul/set; 14(3):385-90.