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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
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PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
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PROJETO A VEZ DO MESTRE
Por: Suely Maria Ferreira Pignaton
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INVESTIGANDO O PLANEJAMENTO ESCOLAR
Orientadora: Fabiane Muniz da Silva
MONTANHA/ES
2008
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”
PROJETO A VEZ DO MESTRE
INVESTIGANDO O PLANEJAMENTO ESCOLAR
Monografia apresentada ao Curso
de Orientação Educacional da
Universidade Candido Mendes como
requisito necessário a aprovação.
Por: Suely Maria Ferreira Pignaton
MONTANHA/ES
2008
3
Agradeço a Deus, que tudo nos
deu, inclusive a capacidade de
Planejar.
4
Dedico
a
todos
os
profissionais que direta ou
indiretamente colaboraram
para
a
execução
deste
trabalho, aos companheiros
de trabalham, e aos meus
familiares
dos
quais
sempre tive todo apoio.
5
Não é no silencio que os homens
se fazem, mas na palavra, no
trabalho, na ação-reflexão.
Paulo Freire
6
RESUMO
No primeiro capítulo é discutido conceitos elaborados por alguns renomados
autores no que tange a definição de educação e de planejamento. Sobre
educação é destacado as abordagens feitas pelos Parâmetros Curriculares
Nacionais e Piaget enquanto que na definição de planejamento pode ser
observado que este termo possui algumas interpretações que variam entre
autores, porém a idéia central do que se pretende com esta atividade é comum
a todas as definições.
No segundo capítulo é dado destaque a importância do orientador educacional
na construção do planejamento, destacando que este profissional deve
contribuir para decisões que se referem ao processo educativo como um todo.
Também é dito que dentre os conhecimentos necessários ao orientador
educacional durante o planejamento escolar é preciso que toda a sua
experiência seja direcionada na projeção de fins e dos meios estabelecidos
para atingi-los.
O capítulo três trata de alguns termos que são necessários o seu conhecimento
por serem análogos a atividade do planejamento. Também trata do projeto
político pedagógico onde o planejamento escolar e seus elementos
relacionados
às
implicações
sociais
incorporam
significados
políticos,
econômicos, sociais e culturais, caracterizando-o como uma atividade de
reflexão acerca de nossas de ações e opções.
O quarto capítulo é descrito alguns equívocos e sucessos obtidos durante a
prática escolar. Assim é descrito que o planejamento pode ser alvo de alguns
equívocos que impedem seu perfeito uso como também cita algumas formas
de se obter o sucesso em sua confecção e implementação.
Conclui-se desta forma que o ato de planejar possui algumas interpretações
que variam entre autores, porém a idéia central do que se pretende com esta
atividade é comum a todas as definições, embora tenha sido geralmente
concebido como uma técnica especializada, cujo objetivo seria o de levar a
bom termo o desenvolvimento de uma instituição.
7
METODOLOGIA
Conforme definido por Lakatos e Marconi, a metodologia de pesquisa
utilizada foi a bibliográfica, recorrendo-se a literaturas
e autores diversos,
sendo usados como fontes livros, revistas, sites, baseando-se o referencial
teórico com o cotidiano escolar.
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO I - O que é educação? E planejamento?
1.1 – O que é planejamento?
CAPÍTULO II – O planejamento escolar e o papel do
Orientador Educacional
2.1 – Fundamentos da orientação educacional
2.1.1 - Conhecimentos necessários ao orientador
educacional sobre o planejamento escolar|
CAPÍTULO III - Alguns conceitos análogos ao
planejamento e a prática político-pedagógica
3.1 Plano
3.2 Projeto
3.3 Programa
3.4 O planejamento escolar e o papel do orientador
educacional
CAPÍTULO IV – Equívocos e sucessos cotidianos
obtidos através do planejamento
CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
08
10
13
16
19
20
24
24
25
28
28
31
38
39
9
INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho foi o de investigar o planejamento escolar,
buscando identificar, através de um trabalho reflexivo, como realizar e
organizar o trabalho escolar, encarando de frente os problemas dessa
instituição e do sistema educacional, que tem como principal tarefa propiciar
aprendizagem e formar cidadãos.
O ato de planejar faz parte da história do ser humano, pois o desejo de
transformar sonhos em realidade objetiva é uma preocupação marcante de
toda pessoa. Cotidianamente, esta se enfrentando situações que necessitam
de planejamento, mas nem sempre as nossas atividades diárias são
delineadas em etapas concretas da ação, uma vez que já pertencem ao
contexto de nossa rotina.
As idéias que envolvem o planejamento são amplamente discutidas nos
dias atuais, mas um dos complicadores para o exercício da prática de planejar
parece ser a compreensão de conceitos e o uso adequado dos mesmos. Cabe
ressaltar que, neste breve texto, não se pretende abordar todos os níveis de
planejamento, mesmo porque, é impossível enumerar todos os tipos e níveis
de planejamento necessários à atividade humana.
Os objetivos específicos são os seguintes:
Investigar bibliograficamente as contribuições atuais sobre o tema
planejamento, recorrendo a autores conceituados;
Identificar o Planejamento como eixo de organização e definição de seu
trabalho.
Conceituar e diferenciar alguns termos relativos ao planejamento e
processos correlatos tais como plano, programa, projeto, plano estratégico
plano operacional;
10
Investigar bibliograficamente como tem se processado a prática do
planejamento nas escolas;
O orientador educacional é o profissional responsável em tornar possível
que o planejamento seja visualizado como um instrumento a serviço de um
trabalho voltado para o desenvolvimento de pessoas e para a procura da
unidade entre teoria e prática, sendo uma decorrência de reflexões e debates
amplos que possibilitem um redimensionamento e um redescobrir de novos
objetivos e caminhos. Assim, através do planejamento, o orientador
educacional torna esta atividade melhor investigada, visando desconstruir a
idéia de que o planejamento é uma pratica superficial sem nenhum
questionamento que envolve renovação, sendo percebido como pratica
burocrática sem contribuição para a ação.
11
CAPÍTULO I
O QUE É EDUCAÇÃO? E PLANEJAMENTO?
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998 p.42):
A educação escolar deve constituir-se em uma ajuda
intencional, sistemática, planejada e continuada para
crianças, adolescentes e jovens durante um período
contínuo e extensivo de tempo, diferindo de processos
educativos que ocorrem em outras instâncias, como na
família, no trabalho, na mídia, no lazer e nos demais
espaços de construção de conhecimentos e valores para
o convívio social.
Piaget (1988, p.61) diz que
o objetivo da educação intelectual não é saber repetir ou
conservar verdades acabadas, pois uma verdade que é
reproduzida não passa de uma semiverdade: é aprender
por si próprio a conquista do verdadeiro, correndo o risco
de despender tempo nisso e de passar por todos os
rodeios que uma atividade real pressupõe.
Chaves (2002, p. 56) define educação, como “o processo através do
qual indivíduos adquirem domínio e compreensão de certos conteúdos”.
A educação autêntica, para Freire (1987, p.84), ”não se faz de A para B
ou de A sobre B, mas de A com B, mediatizados pelo mundo”. Ela tem papel
fundamental na renovação do homem. Segundo Melchior (1999, p.31), deve
ser transformadora, onde “o professor acredita na capacidade de investigar, de
criar e no espírito de pesquisa”. Dessa forma, segundo Melchior é necessário
que a educação propicie a colaboração, não sendo voltado apenas para a
formação do espírito de competição. Através da colaboração torna-se possível
desenvolver a criatividade e o espírito crítico do educando, anulando assim a
passividade.
12
Para Freire (1988, p.79) deve ser, “uma educação que se fundamente na
unidade entre a prática e a teoria, entre o trabalho manual e o trabalho
intelectual, que, por isso, incentive os educandos a pensar certo, que atue
como coadjuvante na transformação social”.Ao se analisar a proposta de
educação defendida por Freire, nota-se que esta se fundamenta numa ação
transformadora, tanto educacional como social.
A implicação da educação como agente transformador da sociedade
pode ser confirmada pelo conceito defendido por Rabelo, que diz:
Educar é intervir no desenvolvimento do outro para tornálo de acordo com certas normas construídas e/ou
preestabelecidas. É a ação que diz respeito ao dever-ser
de um sujeito em sociedade, à construção do seu “eu” na
relação com o outro e com o mundo (RABELO, 1998, p.
76).
Para D’Ambrosio (2000, p.68), a educação é “uma estratégia da
sociedade para facilitar que cada indivíduo atinja o seu potencial e para
estimular cada indivíduo a colaborar com outros em ações comuns na busca do
bem comum”. Concordando com esta afirmação, Melchior (1999, p.31)
acrescenta: ela (a educação) “vai ajudar o aluno a adquirir consciência da sua
força e responsabilidade na construção de história e da história de seu grupo”.
Tezolin (1995, p.24) diz que “educar é ajudar a despertar. É facilitar
carinhosamente o caminho para o ser em desenvolvimento, possibilitando o
florescimento do seu potencial”.
Segundo Freire (1998, p.25), “quem ensina aprende ao ensinar e quem
aprende ensina ao aprender”, isso mostra que ensinar e aprender envolve as
duas partes, educador e educando, trocando experiências e compartilhando
resultados, num processo que se baseia na confiança mútua, no estímulo a
curiosidade e gosto pela aventura.
Para saber como se processa a aprendizagem, vários educadores têm
construído várias teorias, sendo que a maioria defende a necessidade de levar
a realidade vivida pelo educando ao interior da escola, possibilitando aos
discentes a contemplarem o real significado daquilo que está aprendendo,
13
estimulando seu interesse e favorecendo a aprendizagem. Outros baseados no
que os seres humanos aprendem em seu cotidiano, como a capacidade de um
litro de água ou que as estrelas do céu são infinitas, defendem as construções
ativas do conhecimento, partindo do conhecimento que o educando já possui,
ampliando-o.
Desta argumentação, segundo Jesus (2004, p. 32) decorre que
aprender matemática não pode ser entendido como
adquirir conhecimento matemático e demonstrar certas
destrezas no jogo de linguagem em que se transforma
tipicamente o trabalho na matemática escolar. Aprender
matemática tem que ser visto como um elemento residual
do envolvimento dos alunos em práticas que envolvam a
necessidade da percepção e do desenvolvimento de um
ponto de vista matemático sobre as coisas. Este
posicionamento implica abandonar a idéia de que o
professor de matemática tem como missão “ensinar
matemática” aos alunos e, por isso, reconhecer que a sua
vocação deve ser educá-los matematicamente.
Para dar conta das discussões aqui levantadas sobre a natureza da
aprendizagem, é preciso que o professor de fato, perceba seus alunos como
indivíduos que participam em um mundo social, do qual a escola representa
apenas uma de suas instancias. Isso envolve respeitar as experiências de vida,
a linguagem, os valores culturais trazidos para a escola por eles, pois não
existem conhecimentos que sejam melhores ou mais legítimos do que outros.
Ao professor não cabe desqualificar ou ignorar essas experiências, mas tentar
incorporá-las, a fim de que o aluno perceba a articulação da vida escolar com
seu cotidiano.
14
1.1 - O que é planejamento?
O termo planejamento possui algumas interpretações que variam entre
autores, porém a idéia central do que se pretende com esta atividade é comum
a todas as definições.
De acordo com Padilha (2001, p. 30)
[...] planejamento é processo de busca de equilíbrio entre
meios e fins, entre recursos e objetivos, visando ao
melhor funcionamento de empresas, instituições, setores
de trabalho, organizações grupais e outras atividades
humanas. O ato de planejar é sempre processo de
reflexão, de tomada de decisão sobre a ação; processo
de previsão de necessidades e racionalização de
emprego de meios (materiais) e recursos (humanos)
disponíveis, visando à concretização de objetivos, em
prazos determinados e etapas definidas, a partir dos
resultados das avaliações.
O mesmo autor prossegue
[...] Planejar, em sentido amplo, é um processo que "visa
a dar respostas a um problema, estabelecendo fins e
meios que apontem para sua superação, de modo a
atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo
necessariamente
o
futuro",
mas
considerando
as
condições do presente, as experiências do passado, os
aspectos
contextuais
e
os
pressupostos
filosófico,
cultural, econômico e político de quem planeja e com
quem se planeja (PADILHA, 2001, p. 63).
Planejar é uma atividade que está dentro da educação, visto que esta
tem como características básicas: evitar a improvisação, prever o futuro,
estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução
15
da ação educativa, prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação.
Planejar e avaliar andam de mãos dadas.
Para Parra (apud SANT'ANNA et al, 1995, p. 14), planejamento
educacional é
[...] processo contínuo que se preocupa com o 'para onde
ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá', tendo
em vista a situação presente e possibilidades futuras,
para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as
necessidades da sociedade, quanto as do indivíduo.
Já para Vasconcellos (1995, p. 53)
[...]o planejamento do Sistema de Educação é o de maior
abrangência (entre os níveis do planejamento na
educação escolar), correspondendo ao planejamento que
é
feito
em
nível
nacional,
estadual
e
municipal,
incorporando as políticas educacionais.
Ainda de acordo com Vasconcellos, planejamento curricular é o
[...] processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da
ação escolar. É previsão sistemática e ordenada de toda
a vida escolar do aluno". Portanto, essa modalidade de
planejar constitui um instrumento que orienta a ação
educativa na escola, pois a preocupação é com a
proposta geral das experiências de aprendizagem que a
escola deve oferecer ao estudante, através dos diversos
componentes curriculares (VASCONCELLOS, 1995, p.
56).
Para Padilha (2001, p. 33), “Planejamento de Ensino é o processo de
decisão sobre atuação concreta dos professores, no cotidiano de seu trabalho
pedagógico, envolvendo as ações e situações, em constante interações entre
professor e alunos e entre os próprios alunos”. Na opinião de Sant'Anna et al
16
(1995, p. 19), esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de
decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do
professor e do aluno, na situação de ensino-aprendizagem".
Planejamento Escolar é o planejamento global da escola, envolvendo o
processo de reflexão, de decisões sobre a organização, o funcionamento e a
proposta pedagógica da instituição. "É um processo de racionalização,
organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e
a problemática do contexto social" (LIBÂNEO, 1992, p. 221).
Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental
responder as questões "para quê", "para quem" e também com "o quê". A
preocupação central é definir fins, buscar conceber visões globalizantes e de
eficácia; serve para situações de crise e em que a proposta é de
transformação, em médio prazo e/ou longo prazo. "Tem o plano e o programa
como expressão maior" (GANDIN, 1994, p. 55).
No Planejamento Operacional, a preocupação é responder as perguntas
"o quê", "como" e "com quê", tratando prioritariamente dos meios. Abarca cada
aspecto isoladamente e enfatiza a técnica, os instrumentos, centralizando-se
na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. Tem sua
expressão nos programas e, mais especificamente, nos projetos, sendo
sobretudo tarefa de administradores, onde a ênfase é o presente, momento de
execução para solucionar problemas (GANDIN, 1994, p. 55).
O planejamento tem sido geralmente concebido como uma técnica
especializada, cujo objetivo seria o de levar a bom termo o desenvolvimento de
uma instituição ou de um município, estado, região ou país. Apesar desse fato
constitutivo do ato de planejar, a prática do planejamento em nosso país,
especialmente na educação, tem sido conduzida como se fosse uma atividade
"neutra", sem comprometimentos.
17
CAPÍTULO II
O PLANEJAMENTO ESCOLAR E O PAPEL DO
ORIENTADOR EDUCACIONAL
A orientação educacional é uma das funções exercidas pelo profissional
da educação denominado pedagogo. Nos diferentes estados brasileiros e nas
diferentes
redes
escolares,
quando
existe,
esse
profissional
recebe
denominações variadas e exerce atividades também variadas. Tal diversidade
descaracteriza a real dimensão de seu fazer, confundindo os diversos papéis
desempenhados por esse e outros profissionais da educação. Neste sentido, a
pesquisa tem como objetivo a realização de um mapeamento das funções
desenvolvidas pelos orientadores educacionais em atuação nas redes
estaduais dos diferentes estados brasileiros. Num segundo momento, pretende
analisar criticamente a prática desenvolvida por esses profissionais a partir dos
dados coletados e em contraposição à teoria que a embasa. Pretende ainda
analisar os fundamentos legais que regulamentam a prática do orientador
educacional procurando interpretar as diferentes realidades encontradas e a
relação com a formação profissional e o contexto educacional, social, político e
histórico atual.
A sociedade atual ampliou o campo de atuação do Orientador
Educacional para outros ambientes, como instituições não-escolares, onde se
constata a sua importância em todos os segmentos organizados da sociedade,
tornando-o o elo que conduz ao relacionamento interpessoal, com possibilidade
de reflexão crítica dos indivíduos, tornando-os aptos ao convívio em sociedade.
Parte-se do pressuposto da instabilidade no mundo de trabalho para a inserção
do Pedagogo Habilitado em Orientação Educacional nas organizações, para
atuar junto aos funcionários, encaminhando e reabilitando-os em funções
condizentes com o seu conhecimento e o seu modo de ser e se relacionar com
outras pessoas.
18
Martins (1992, p. 30) afirma que o Orientador Educacional é a pessoa
responsável pelo serviço de orientação, cabendo a ele planejar, organizar e
implementar a Orientação Educacional na escola.
Segundo o autor, o Orientador Educacional deve conscientizar todos os
agentes educativos da escola, tanto da educação infantil e ensino fundamental,
como também do ensino médio, de que estes, enquanto membros ativos dentro
da escola, são peças fundamentais para o bom desenvolvimento da Orientação
Educacional.
O autor ressalta, ainda, que o Orientador Educacional deve possuir um
bom preparo, em nível universitário, que lhe forneça adequados conhecimentos
de Psicologia Educacional, Psicologia da Criança e do Adolescente, Psicologia
Pedagógica,
Sociologia
Educacional,
Filosofia
da
Educação,
Biologia
Educacional, estatística Educacional, Estrutura e Funcionamento do Ensino.
Ainda, segundo o autor, seria importante que todo o Orientador Educacional
tivesse boa experiência no magistério e conhecimentos básicos das disciplinas
do curso que está orientando (Educação Infantil – Ensino Fundamental –
Ensino Médio, etc.).
Martins considera ainda que o Orientador Educacional deve estar
sempre em processo de atualização, através de leituras, congressos,
simpósios, etc.
Sob o ponto de vista legal, o exercício da profissão de Orientador
Educacional foi previsto na Lei nº. 5.564/68, regulamentada pelo Decreto nº
72.846/63. Onde o Orientador Educacional é formado em curso de Licenciatura
em Pedagogia com habilitação específica em Orientação Educacional.
(MARTINS, 1992, p.31)
Porém, hoje, através da nova Lei nº. 9.395/96, o Orientador Educacional
necessita apenas do Curso de Licenciatura em Pedagogia e Gestão Escolar
para exercer a função de Orientador Educacional.
De acordo com Giacaglia e Penteado o Orientador Educacional participa
no processo do Planejamento Curricular e na sua realização, bem como define
e faz pesquisas, participa na elaboração do plano da escola e elabora o Plano
de Atividades da Orientação Educacional, tendo em vista o trabalho em
19
conjunto com a Administração Escolar, Supervisão Pedagógica e outros
setores referentes à escola, as atividades em parceria da escola e da
comunidade e as atividades de integração da escola e da família. O
planejamento e a elaboração do plano escolar costumam ocorrer no final do
ano letivo anterior ou no início do ano em questão, dependendo do calendário
de cada escola, e devem contar com a participação de todos os profissionais
que nela atuam.
Participando do planejamento, e da caracterização da escola e da
comunidade, segundo Giacaglia e Penteado (2000, p.15), “o Orientador pode
contribuir para decisões que se referem ao processo educativo como um todo”.
Constituem exemplos dessas decisões o currículo da escola, no que diz
respeito à inclusão de disciplinas e atividades extra classe; a distribuição das
diferentes séries no prédio e por período; a problemática da disciplina e o
código disciplinar; os critérios de avaliação e de atribuições de notas ou
conceitos; os cronogramas de atividades. É importante que ele participe de
todas as decisões de ordem técnica a serem tomadas, em âmbito escolar, em
função do seu preparo, de suas funções e do seu conhecimento da escola, da
comunidade e dos alunos, visando um melhor atendimento à educação integral
dos alunos.
Segundo Giacaglia e Penteado (2000) na coordenação, o Orientador
deve acompanhar o desenvolvimento do Currículo na parte que diz respeito ao
seu setor de trabalho, isto é, possibilitar a elaboração e o desenvolvimento dos
planos de ensino segundo os objetivos da sua área de trabalho, desenvolver
atividades especificas relacionadas ao seu campo, organizar arquivos de dados
pessoais de alunos que sejam necessários para uma melhor desenvoltura do
seu trabalho e desenvolver atividades educativas (visitas, festas, programas
preventivos a saúde, higiene e segurança, atividades culturais, entre outras).
20
2.1 Fundamentos da orientação educacional
Segundo Feltran (1990, p. 33) a orientação educacional encontra, na
criança, fundamentos para o trabalho pedagógico na pré-escola, conforme a
realidade brasileira.
Assim, a autora diz que o orientador educacional deve pesquisar durante
a ação pedagógica quem é a criança, a qual grupo sociocultural ela pertence,
bem como definir qual o fim desta ação, para onde direcionar a educação da
criança e deixar claras as funções da pré-escola no contexto democrático.
A orientação educacional, segundo esta mesma autora, está se
deparando com problemas presentes em varias épocas que, nos dias atuais,
têm gerado estudos e debates em nível internacional, com representantes de
todo o mundo.
Nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, tem adquirido
grandes proporções. Segundo Feltran (1990, p. 56), “tratar das finalidades da
educação significa cuidar da própria sobrevivência, com o intuito de desatar as
ligações de submissão cultural dos países dominadores”.
A autora ressalta, ainda, que estão em discussão mundial os problemas
relativos à finalidade da educação justificando-se que o orientador educacional
analise, em sua origem e em suas manifestações, as concepções que, a esse
respeito, se marcaram através dos tempos, buscando, assim, os pontos de
apoio de sua proposta.
Portanto, a orientação educacional encontrará, na criança, fundamentos
básicos para o trabalho pedagógico no ensino pré-escolar brasileiro, que conta
com a participação de diferentes contornos e de variados pontos socioculturais.
21
2.1.1 - Conhecimentos necessários ao orientador educacional sobre o
planejamento escolar|
Por vezes, o planejamento é apresentado e desenvolvido como se fosse
um fim em si mesmo; outras vezes, é assumido como se fosse um modo de
definir a aplicação de técnicas para obter resultados, não importando a que
preço ou para quem. No entanto, o planejamento não é apenas uma técnica.
Ainda que seja também, ele constitui primeiro e fundamentalmente a instância
de decisões políticas (pensar), capazes de consolidar e dinamizar ações que
venham ao encontro dos interesses de uma coletividade. Em segundo, deve
contemplar ações pedagógicas (fazer) que permitam a implementação das
decisões políticas explicitadas anteriormente pelos indivíduos e/ou conjunto
destes numa instituição.
É neste sentido que entende-se o planejamento, ou seja, enquanto uma
prática político-social que tem os indivíduos como agentes catalizadores das
intenções da sociedade. Isto porque o ato de planejar representa uma atividade
intencional pela qual se projetam fins e se estabelecem meios para atingí-los.
Por isso, não é "neutro" mas ideologicamente comprometido com os fins
pretendidos por aquele grupo ou instituição. Isto significa dizer, que o
planejamento é um processo constituído de vários atos componentes deste
planejar. É uma atividade pela qual torna-se o meio que subsidia o ser humano
no encaminhamento de suas ações e na obtenção de resultados desejados, e ,
portanto, orientada por um fim. O ato de planejar se assenta em opções
filosófico-políticas, são elas que estabelecem os fins de uma determinada ação.
E esses fins podem ocupar um lugar tanto no nível macro como no nível micro
da sociedade. Situe-se onde se situar, ele é um ato político-social. Portanto, ao
tratar de planejamento numa unidade escolar deve-se levar em conta que
nesta organização há um coletivo de indivíduos que desempenham inúmeras
atividades, as quais por natureza própria delas, requerem um processo de
planejamento que possibilite a participação efetiva deste conjunto de pessoas,
que a princípio devem tomar decisões pertinentes aos fins a que se propõem
uma instituição educacional.
22
Neste sentido, parece oportuno utilizar o planejamento como uma
ferramenta viabilizadora de um processo que contribua para o envolvimento de
todos aqueles que estejam direta ou indiretamente vinculados a uma instituição
prestadora de um direito público que é a educação. É importante ressaltar que
tratar de planejamento e participação em nível de uma unidade escolar, tem se
tornado
uma
tarefa
complexa,
tanto
pelo
desgaste
havido
destes
procedimentos ao longo do tempo, como pela dificuldade encontrada pelos
indivíduos constituintes do coletivo numa escola, em conviverem de forma
profissional com a pluralidade de idéias que são salutares e necessárias numa
organização desta natureza.
Portanto, tratar do planejamento como processo de tomada de decisão
tem deixado a desejar em nível de escola, porque foi introjetado nas pessoas
que planejar nada mais é que eventualmente adequar o proposto à uma
realidade ou executar algo que outros já haviam decidido por nós.
Considerando que esta prática ao longo do tempo foi internalizada pelas
pessoas e institucionalizada em nível de escola, hoje tem-se inúmeros desafios
a enfrentar quando fala-se de processo de planejamento como um
procedimento viabilizador de um direito público que é a educação. Neste
particular, tem havido uma certa confusão entre processo de planejamento e os
documentos (plano, programa ou projeto) decorrentes deste processo. Tal
situação tem levado os profissionais da educação a encararem o planejamento
como algo que mais atrapalha do que ajuda na inovação do ensinoaprendizagem.
Esta prática intencional de separar aqueles que "pensam" daqueles que
"fazem", levou lamentavelmente ao "fazejamento" em todos os níveis de
planejamento, em especial, nas unidades escolares. Tal prática tem reforçado
a parte meramente técnica do planejamento, o que tem levado os profissionais
da educação a um tarefismo alucinante, cegando-os daquilo de criativo da arte
de planejar. Corrobora com isso Fusari, quando diz que seu contato com esses
profissionais tem
"... revelado uma certa insatisfação, descrença e até
desprezo para com o planejamento. É freqüente ouvir-se
falas do tipo: vivo no improviso e é impossível planejar o
23
trabalho em nível de uma unidade escolar, ou, no caso
dos professores, dizem, transcrevo o planejamento do
ano anterior, acrescento algumas coisas, entrego e
pronto. Cumpri minha obrigação. Há outros que acham
até importante, mas pelo fato de ser uma coisa tecnicista
e mecânica, não tem nada a ver o dito em nível do
planejamento escolar e o planejamento do ensino, que
deve ser ministrado na sala de aula" (FUSARI, 1990, p.
34, ).
Com base no exposto quanto à confusão ou ambigüidade no processo
de planejamento, pode-se observar que há dificuldades em termos conceituais
e operacionais, bem como de formatação das idéias. No que diz respeito aos
aspectos conceituais e operacionais, de acordo com Gandin (l997), geralmente
quem fala 'projeto educativo', 'projeto político-pedagógico', ou 'proposta
pedagógica' quer dizer "plano global". Mas nem sempre é assim: algumas
vezes estas expressões querem indicar apenas a primeira parte de um plano,
aquela parte em que a instituição apresenta sua utopia, seu horizonte, seus
ideais a respeito de si mesma e da sociedade que pretende ajudar a construir.
Por isso, não basta apenas as instituições escolares proporem um 'projeto
educativo', atendo-se à "filosofia" institucional. Porque mesmo que esta filosofia
esteja adequada às necessidades atuais e até capaz de ser geradora de ação,
poderá não ser implementada, enquanto ações pedagógicas que poderão
intervir na realidade em questão. Corrobora, ainda, com isto, Gandin quando
diz que
"... qualquer instituição, para contribuir significativamente
para aquilo que se propõe, precisa ter clareza e bom
desempenho
em
duas
dimensões)
na
riqueza
e
adequação das idéias que maneja e b) nos instrumentos
apropriados para transformar estas idéias em prática. Ora,
tanto o que se chama "projeto educativo" como o que se
denomina
"plano
global"
são
instrumentos
para
transformar idéias em ação. Para sermos eficazes, isto é,
para contribuirmos para a construção da realidade que
24
sonhamos - uma sociedade mais justa, mais democrática,
por exemplo - é preciso que tenhamos clareza pessoal e
institucional, sobre três coisas: a) além de idéias, da
paixão,
do
amor,
do
esforço......,
precisamos
de
instrumentos aptos; b) os instrumentos, segundo sua
natureza e seu modo de ação, têm mais ou menos valor e
força; c) conforme aquilo que é a "missão" da instituição,
isto é, conforme aquilo para o qual ela existe, são
aconselhados instrumentos diferentes"(GANDIN, 1997,
p.2).
No que tange ao aspecto formatação das idéias, é importante reiterar
que planejamento é um processo proativo e os planos são documentos e/ou
papéis onde se registram as propostas políticas e pedagógicas, bem como as
ações estratégicas que garantam a execução dos aspectos educacionais
decididos. Isto quer dizer que o processo de planejamento é a dinâmica
operacional que deve garantir o momento da tomada de decisão e da
formalização das mesmas, como também os momentos de implementação e
avaliação das decisões tomadas no coletivo institucional. Assim considerado, o
planejamento torna-se uma articulação dinâmica e coletiva entre o fazer, o
refletir e o sentir, tornando-se um forte aliado contra o ativismo que
freqüentemente toma conta do cotidiano escolar e que transforma os
profissionais da educação em máquinas, seja quando ministram aulas ou
executam tarefas administrativas, às vezes sem consciência do significado
destas ações. Esta concepção de planejamento possibilita resgatar a
importância do mesmo, revestindo-o de uma função pedagógica no momento
do processo de discussão, sistematização, apropriação de instrumentos e
procedimentos teórico-metodológicos, que formalizados em documentos,
garantam a continuidade do processo em nível escolar, visando os avanços
necessários à sociedade que pretendemos ajudar a construir.
25
CAPÍTULO III
ALGUNS CONCEITOS ANÁLOGOS AO
PLANEJAMENTO E A PRÁTICA POLÍTICOPEDAGÓGICA
A atividade de planejamento se correlaciona com alguns termos,
conforme segue adiante:
3.1 - Plano
O plano, como atividade, é um documento utilizado para o registro de
decisões do tipo: o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que
fazer, com quem fazer. Para existir plano é necessária a discussão sobre fins e
objetivos, culminando com a definição dos mesmos, pois somente desse modo
é que se pode responder as questões indicadas acima.
O plano é a "apresentação sistematizada e justificada das decisões
tomadas relativas à ação a realizar" (FERREIRA apud PADILHA, 2001, p. 36).
Plano tem a conotação de produto do planejamento.
Plano é um guia e tem a função de orientar a prática, partindo da própria
prática e, portanto, não pode ser um documento rígido e absoluto. “Ele é a
formalização dos diferentes momentos do processo de planejar que, por sua
vez, envolve desafios e contradições” (FUSARI apud PADILHA, 2001, p. 36).
Plano Escolar é onde são registrados os resultados do planejamento da
educação escolar. "É o documento mais global; expressa orientações gerais
que sintetizam, de um lado, as ligações do projeto pedagógico da escola com
os planos de ensino propriamente ditos" (LIBÂNEO, 2001, p. 225).
Plano de Curso é a organização de um conjunto de matérias que vão ser
ensinadas e desenvolvidas em uma instituição educacional, durante o período
de duração de um curso. Segundo Vasconcellos (1995, p. 117), esse tipo de
26
plano é a "sistematização da proposta geral de trabalho do professor naquela
determinada disciplina ou área de estudo, numa dada realidade".
Plano de Ensino "é o plano de disciplinas, de unidades e experiências
propostas pela escola, professores, alunos ou pela comunidade". Situa-se no
nível bem mais específico e concreto em relação aos outros planos, pois define
e operacionaliza toda a ação escolar existente no plano curricular da escola.
(SANT'ANNA, 1995, p. 49).
É claro que os três tipos de plano se complementam, se interpenetram e
compõem o corpo do plano de currículo da escola. Entretanto, na prática das
escolas, devido à quase total falta de condições de trabalho docente, a
elaboração dos planos escolar, de curso e de ensino tem-se revelado
complexa, fragmentada, longe mesmo, em alguns casos, daquela organicidade
desejada para o processo ensino-aprendizagem.
É preocupante a situação dos professores; eles têm de entregar planos
gerais das disciplinas, planos de ensino e, no entanto, não possuem condições
para o preparo das aulas, o que é o mais fundamental. Algo precisa ser feito
para reverter o quadro, e um dos pontos de partida, dentre outros, é 'o de
recuperação do plano de ensino, no sentido de preparo das aulas, facilitando,
assim, o trabalho docente no processo ensino-aprendizagem.
Na atual conjuntura problemática em que se encontra a escola,
necessita-se estimular os professores a prepararem as suas aulas, garantindo,
deste modo, um trabalho mais competente e produtivo no processo ensinoaprendizagem, no qual o professor seja um bom mediador entre os alunos
(com suas características e necessidades) e os conteúdos do ensino.
3.2 - Projeto
O projeto, como atividade, é também um documento produto do
planejamento porque nele são registradas as decisões mais concretas de
propostas futuristas. Trata-se de uma tendência natural e intencional do ser
27
humano. Como o próprio nome indica, projetar é lançar para a frente, dando
sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o
presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro.
Na opinião de Gadotti (apud Veiga, 2001, p. 18),
[...] todo projeto supõe ruptura com o presente e
promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar
um estado confortável para arriscar-se, atravessar um
período de instabilidade e buscar uma estabilidade em
função de promessa que cada projeto contém de estado
melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser
tomado como promessa frente determinadas rupturas. As
promessas tornam visíveis os campos de ação possível,
comprometendo seus atores e autores.
Projeto Pedagógico, segundo Vasconcellos (1995, p. 143)
[...] é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar
a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de
uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e,
o que é essencial, participativa. É uma metodologia de
trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os
agentes da instituição.
Para Veiga (2001, p. 11) o projeto pedagógico deve apresentar as
seguintes características:
a) "ser processo participativo de decisões;
b) preocupar-se em instaurar uma forma de organização
de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as
contradições;
c) explicitar princípios baseados na autonomia da escola,
na solidariedade entre os agentes educativos e no
estímulo à participação de todos no projeto comum e
coletivo;
28
d) conter opções explícitas na direção de superar
problemas no decorrer do trabalho educativo voltado para
uma realidade específica;
e) explicitar o compromisso com a formação do cidadão.
f) nascer da própria realidade, tendo como suporte a
explicitação das causas dos problemas e das situações
nas quais tais problemas aparecem;
g) ser exeqüível e prever as condições necessárias ao
desenvolvimento e à avaliação;
h) ser uma ação articulada de todos os envolvidos com a
realidade da escola;
i) ser construído continuamente, pois como produto, é
também processo".
O Projeto Político-Pedagógico da escola precisa ser entendido como
uma maneira de situar-se num horizonte de possibilidades, a partir de
respostas a perguntas tais como: "que educação se quer, que tipo de cidadão
se deseja e para que projeto de sociedade?" (GANDIN, 1994, p. 42). Dissociar
a tarefa pedagógica do aspecto político é difícil, visto que o "educador é político
enquanto educador, e o político é educador pelo próprio fato de ser político"
(GADOTTI, FREIRE, GUIMARÃES, 2000, pp. 25-26).
Falar da construção do projeto pedagógico é falar de planejamento no
contexto de um processo participativo, onde o passo inicial é a elaboração do
marco referencial, sendo este a luz que deverá iluminar o fazer das demais
etapas. Alguns autores que tratam do planejamento, como por exemplo Moacir
Gadotti, falam simplesmente em referencial, mas outros, como Danilo Gandin,
distinguem nele três marcos: situacional, doutrinal e operativo.
29
3.3 - Programa
De acordo com Padilha (2001), citando Bierrenbach, explica que um
programa é "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou
setores, num período de tempo definido" (p. 42). Gandin (1995) complementa
dizendo que o programa, dentro de um plano, é o espaço onde são registradas
as propostas de ação do planejador, visando a aproximar a realidade existente
da realidade desejada. Desse modo, na elaboração de um programa é
necessário considerar quatro dimensões: "a das ações concretas a realizar, a
das orientações para toda a ação (atitudes, comportamentos), a das
determinações gerais e a das atividades permanentes" (GANDIN, 1995, p.
104).
3.4 - Planejamento escolar como prática político-pedagógica
O planejamento escolar é compreendido como importante momento de
elaboração teórica das tarefas docentes, nas quais a reflexão e a avaliação
sobre o processo de ensino-aprendizagem possuem como marco referencial a
intenção política de intervir na realidade escolar dos alunos. Nesse sentido,
buscou-se no planejamento escolar – para ser mais preciso, em uma de suas
modalidades: o plano de ensino – a forma de compreender o referencial
filosófico-epistemológico, teórico-metodológico e político da prática pedagógica
dos professores.
O plano de ensino configura-se como um roteiro organizado de unidades
didáticas para um ano ou semestre composto dos seguintes elementos:
justificativa
da
disciplina;
conteúdos;
objetivos
gerais
e
específicos;
metodologia e avaliação, todos ligados à concepção que a escola e os
professores possuem sobre a função da educação, da escola, das
especificidades das disciplinas e sobre seus objetivos sociais e pedagógicos.
30
Tais elementos visam a assegurar a racionalização, a organização e a
coordenação do trabalho docente, de modo que a previsão das ações docentes
possibilite ao professor a realização de um ensino de qualidade e evite a
improvisação e a rotina. Sobre esses elementos materializam-se os
referenciais político-pedagógicos da prática pedagógica dos professores.
Libâneo (1994), Lopes (1996) observam o planejamento escolar como
processo responsável por racionalizar, organizar e coordenar a ação docente,
que deve articular as atividades escolares ao contexto social. A escola, os
professores e os alunos integrantes da dinâmica das sociais, e tudo o que
acontece no meio escolar é abarcado por influências econômicas, políticas e
culturais características da sociedade de classes.
Nesse sentido, o planejamento escolar e seus elementos relacionados
às implicações sociais incorporam significados políticos, econômicos, sociais e
culturais, caracterizando-o como uma atividade de reflexão.acerca de nossas
de ações e opções. A reflexão em torno do trabalho docente conforma-se em
uma atitude de subserviência aos rumos estabelecidos pelos interesses
hegemônicos.
Historicamente, o planejamento escolar tem sido realizado sob uma
perspectiva tecnicista e burocrática (LOPES, 1996), em que o preenchimento
de formulários, as reproduções de planos anteriores e a submissão às
orientações
e
parâmetros
curriculares
de
forma
irrefletida,
e
descompromissada têm marcado essa prática, caracterizando-a como uma
fragmentária e burocrática dos professores, pouco contribuindo para elevar a
qualidade da pedagógica no âmbito escolar.
No entanto, o planejamento escolar é apontado como alternativa de
organização coletiva, em que diversos segmentos envolvidos (professores das
diversas áreas, alunos, funcionários administrativos e comunidade) discutam e
decidam coletiva e publicamente os objetivos, metas, finalidades, valores,
atitudes e solucionem os problemas comuns à escola, viabilizando assim a
materialização de uma escola realmente democrática.
O planejamento escolar constitui, então, uma forma de que busca
organizar coletivamente as comunidades (classe trabalhadora) em torno das
31
escolas, criando-se a partir daí espaços de resistência e luta contra o
neoliberalismo, da própria reivindicação ao Estado quanto às questões da
educação: a democratização da educação, a estruturação das escolas
públicas, os planos de carreira e formação continuada dos professores e
trabalhadores da educação que, dentre outras questões, fazem-se urgente,
além de elevar a educação das maiorias a uma qualidade socialmente de
referência.
Esse modo de atuação centrado na escola resgata para o professorado
a importância do envolvimento coletivo, instituindo o espaço escolar como
locus decisivo no processo de recomposição da identidade coletiva docente.
Nesse sentido, o planejamento escolar, concebido de forma democrática
e participativa desde sua construção até sua concretização e avaliação, pode
se conformar num instrumento de organização e ação coletiva, com vistas a
resolver os problemas da escola, a desenvolver uma prática pedagógica de
qualidade para as maiorias e a articular ações e posturas políticas diante dos
conflitos sociais e das relações de poder.
32
CAPÍTULO IV
EQUÍVOCOS E SUCESSOS COTIDIANOS OBTIDOS
ATRAVÉS DO PLANEJAMENTO
No início do século XX, devida à expansão do processo de
escolarização, houve a sistematização de estudos sobre a criança e seu
desenvolvimento, sob a perspectiva dos processos de aprendizagem. No
decorrer desse século, a escola firma-se como local privilegiado para a
formação da criança, ainda voltada para o seu futuro adulto. No entanto, a
escola também busca outras atividades para complementar essa formação
como as aulas de línguas, informática, artes (DUARTE e WERNER, 1995),
sendo todas estas atividades a participação incisiva do planejamento.
O professor, muitas vezes, não consegue relacionar a teoria à sua
prática e até hoje muitas conquistas educacionais dos últimos 30 anos ainda
não saíram da teoria para serem colocadas em prática. Este fato não é se
causar estranheza, uma vez que o Brasil é um país com tamanha diversidade
cultural, grandes extensões territoriais e uma enorme desigualdade de
oportunidades educacionais (SANDO, 2002).
Os problemas de aprendizagem que acometem a educação pode ser
multicasual, podendo estar no educando ou em seu ambiente. Através do
planejamento, é possível estar atentos ao seu meio cultural, familiar, escolar e,
principalmente, à metodologia e didática empregadas pelo educador (escola).
Observando a problemática que envolve o desenvolvimento cognitivo, afetivo e
psicossomático dos alunos desta unidade.
Certamente as dificuldades de aprendizagem nem sempre se dá por
desinteresse do aluno e sim por não ser trabalhado de forma adequada e na
idade certa acarretando um índice de desestímulo apresentando dificuldades
em aprender, o que demonstra claramente a falta de interesse por parte do
docente para com o planejamento.
Sabendo-se que a educação está firmado na arte de aprender e que
esta arte é aprender e aprender, aprender a ser, aprender a fazer e aprender a
33
conviver, devemos buscar, resgatar em nossos alunos sobre tudo nos que
representam defasagem de aprendizagem e idade, série, o gosto e o interesse
em perceber-se como pessoa integrante, dependente e transformadora de si
mesma e do meio em que vive, melhorando sua auto-estima, e o gosto da vida.
A idéia da escola como espaço inclusivo nos remete às dimensões
físicas e atitudinais que permeiam o planejamento escolar, onde diversos
elementos como a arquitetura, engenharia, transporte, acesso, experiências,
conhecimentos,
sentimentos,
comportamentos,
valores
etc.
coexistem,
formando este locus extremamente complexo. A partir disto, a discussão de
uma escola para todos tem suscitado inúmeros debates, sendo a grande
polêmica centrada na questão de como promover a inclusão na escola de
forma responsável e competente (CIDADE e FREITAS, 1997).
Na construção de um planejamento é possível deparar-se com alguns
equívocos comuns que precisam ser superados para que haja a construção de
uma educação de qualidade. O primeiro equívoco diz respeito à concepção de
que planejamento deve ser feito apenas no início do ano. Ora, se a função do
planejamento é organizar a ação docente, é fácil entender-se que a idéia de se
construir o mesmo somente no início do ano esconde uma visão do
planejamento como algo pontual. Assim, isto se configura como um erro, pois,
na verdade, o vê-se como um processo e como tal orienta a organização da
ação docente que acontece durante todo o ano e está sujeita a alterações
impostas pela realidade cotidiana.
O papel do profissional de planejamento diante da dificuldade de
aprendizagem é a de que esse profissional entenda o processo educacional
como uma prática que necessita desenvolver, simultaneamente, a razão, as
sensações, os sentimentos e a intuição. Nessa perspectiva, a intervenção
psicopedagógica subtende o conjunto de procedimentos que varia desde o
conhecimento da modalidade de aprendizagem do sujeito e sua trajetória
histórica até suas peculiaridades em integrar conteúdos programáticos, ou o
seu “jeito” de saber ou de não saber determinados assuntos ou matérias.
Entendo que, embora uma criança esteja comprometida sob o ponto de
vista orgânico ou emocional, a forma como seu núcleo familiar entende, aceite
ou não aceite, age ou reage, deverá ser determinada na leitura e no
34
prognóstico da situação. Os mitos, os sonhos e os desejos que habitam e
transmitam
aquele
grupo
familiar
são
materiais
indispensáveis
para
compreender a dimensão da situação e das possibilidades de intervir por meio
do planejamento.
Por outro lado, a concepção de educação de homem e de mundo do
profissional que trabalha na escola em que a criança está inserida, também é
de fundamental relevância. É importante analisar como os professores
entendem e lidam com as diferentes formas de ser, de aprender e de
manifestar-se das crianças; como conseguem enriquecer seus currículos, seus
grupos de sala de aula e a si mesmos a partir do entendimento e do convívio
com as diferenças individuais.
Um outro equívoco é a falta de percepção de que o planejamento está
estreitamente relacionado à dinâmica da prática cotidiana. Assim, ao restringir
sua construção ao início do ano o professor não considera, no processo de
aprendizagem, questões decorrentes de seu próprio trabalho e muitas vezes
copia o que utilizou no ano anterior. Em decorrência disto, o ensino fica cada
vez mais destacado de uma realidade que é rica e que se transforma a cada
dia.
Mais um engano que tem ocorrido na confecção do planejamento é sua
construção ocorrer de forma isolada pelo professor. Como resultado ou causa
desta atitude temos um isolamento que faz com que cada um trabalhe por si só
sem que se construa um projeto coletivo de escola, de educação e de
formação.
Um último equívoco é o que descola o planejamento de um projeto
político pedagógico. Quando isso ocorre, o planejamento perde o referencial,
pois é utilizado sem se ter clareza de onde se quer chegar, ou seja, em que
sociedade se quer viver e em função disto que homem precisa ser formado.
Aqui neste ponto nos detemos para discutir a importância de se relacionar o
planejamento com os objetivos da formação do sujeito na escola e em função
disso que escola devemos ter.
A Orientação Educacional toma para sí um caráter investigativo de
extrema importância, pois vai-se aprendendo a conhecer os alunos tanto no
35
funcionamento do sujeito quanto de seu organismo, pois as observações
realizadas podem mudar o rumo de uma intervenção pedagógica, por exemplo,
observar se o aluno esta mais sonolento, agressivo, eufórico em excesso, com
crises convulsivas após o início de um novo tratamento.
Muitas vezes circular pela escola torna-se fundamental, numa dinâmica
de interação que vai desde a conversa informal até o registro de situações que
venham
enriquecer
futuras
proposições.
Este
caráter
investigativo
é
materializado, também na avaliação de ingresso, onde cabe a orientação
educacional o chamamento da família para o início do processo investigatório,
como acolhimento das dúvidas, insatisfações, resistências e algumas vezes
alívio de chegar a este espaço especial.
Estudar a formação do professor, promover a discussão e o debate é um
desafio que se enfrenta ao buscar junto à alunos suas perspectivas quanto à
forma de inserção da pesquisa na formação e na prática docente.
Espera-se que o professor seja capaz de identificar e explorar todas as
suas habilidades e desenvolver suas competências aproximando-se de outras
áreas mantendo um diálogo constante. Possuindo todas essas habilidades,
cabe ao professor abrir esse leque aos seus alunos. Porém, ele nem sempre
possui as ferramentas e o conhecimento teórico (aprendidos na faculdade)
necessários para fazer a ponte entre o conhecimento aprimorado e a
necessidade dos alunos (SANDO, 2002).
Ao tornar-se meio para desenvolver a capacidade de formular e resolver
problemas, a educação passa a ser entendida como processo para a formação
de indivíduos autônomos e investigadores. Uma educação que proporcione a
formação de seres autônomos e investigativos está efetivamente comprometida
com o desenvolvimento pleno do ser humano. Para isso, o planejamento deve
acima de tudo evitar os equívocos causados pelo planejamento.
A Orientação Educacional diante desta perspectiva, configura-se a partir
de ações coletivas que se caracterizam por fundamentar-se na idéia de rede,
enquanto trama que dá sustentabilidade para que os diversos profissionais que
trabalham com o educando, possam qualificar sua ótica através do diálogo e da
troca de informações e saberes. As ações coletivas se estabelecem no
36
momento em que terapeutas, professor regente e orientador educacional
encontram-se para compreender o sujeito e seus comportamentos nos diversos
ambientes, traçando planos de apoio para auxiliar este aluno na resolução de
seus problemas cotidianos, muitas vezes a família é convidada para
acompanhar este movimento, no entanto em algumas situações é necessário
afastá-la deste encontro quando a interlocução possa vir a prejudicar as
transferências com o terapeuta.
Libâneo (1994), ao falar da importância do planejamento, afirma que
este é um processo que visa a articular o trabalho da escola com a realidade
social e que tudo que ocorre no interior da escola está atravessado de
significados políticos, econômicos e culturais característicos da sociedade em
que vivemos. Prosseguindo, o autor frisa que a falta de reflexão sobre estes
significados e a não atuação sobre os mesmos, tentando transformá-los de
acordo com as nossas concepções, estar-se apenas reproduzindo o que já
existe e assim mantendo a estrutura social intacta.
Planejar o processo de aprendizagem, partindo dos conhecimentos que
as crianças já possuem em direção à construção de novas ações motoras, faz
com que se reconheça a criança também como ser cultural, que se constrói por
intermédio da história de seus pais e avós nascidos em outras comunidades,
com outros jogos, pelas brincadeiras infantis aprendidas na escola, na rua, na
cidade em que nasceu, na região em que vive. O regional e o global também
interagem nesse ponto, sob o princípio do regionalismo, como uma maneira
não só de resgatar as heranças culturais, mas de valorizá-las como parte da
história de vida de cada um e de todos (KORSAKAS e JÚNIOR, 2002).
A visão apresentada por Neira (s.d.) é concordante com Korsakas (2002,
apud KORSAKAS e JÚNIOR, 2002, p. 09) que afirma que a auto-avaliação, no
lugar da comparação de desempenhos, torna-se uma estratégia importante
para o autoconhecimento e o desenvolvimento da auto-estima, além de
“promover uma conduta de respeito e solidariedade para com o outro já que, ao
reconhecer os próprios potenciais e limites, aprende-se a compreender a
individualidade do colega e valorizar a diversidade do grupo”.
Caso a educação não atinja o papel a qual é proposto, não pode-se
culpar exclusivamente o professor e tão pouco a instituição onde estudou, mas
37
a maneira como o planejamento foi realizado. Ao professor deve ser oferecido
ou apresentado todas as maneiras para adquirir conhecimento e trabalhá-lo a
fim de absorvê-lo. Por sua vez, o professor durante sua vida docente, como
professor e executor de planos, deve ser um professor cientista, que refaz
constantemente suas fórmulas, explora novos materiais, corre atrás de novas
tecnologias, novos materiais, se mantém informado sobre as novas
descobertas, não quer ficar para trás, não quer perder a oportunidade, ou a
possibilidade de fazer alguma grande descoberta ou provocar alguma mudança
significativa, levando seus alunos a estarem em seus cotidianos futuros
estarem ávidos por descobertas e aprimoramento de seu trabalho, não ficando
refém de dificuldades, como por exemplo trabalhar a inclusão.
38
CONCLUSÃO
Na prática docente atual, o planejamento tem-se reduzido a uma
atividade de caráter formal, burocrático e controlador, levando os professores a
não acreditarem na sua potencialidade. Ressalta-se que esse aspecto
controlador do planejamento é importante não só para o acompanhamento do
trabalho desenvolvido pelos docentes, mas também para preservar a
identidade pedagógica da escola.
É preciso esclarecer que planejamento não é isto. Ele deve ser
concebido, assumido e vivenciado no cotidiano da prática social docente, como
um processo de reflexão.
Pode-se afirmar que o planejamento do ensino é o processo de pensar,
de forma "radical", "rigorosa" e "de conjunto", os problemas da educação
escolar, no processo ensino-aprendizagem. O planejamento é um instrumento
primordial para a execução do trabalho docente.
39
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41
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
02
AGRADECIMENTO
03
DEDICATÓRIA
04
EPÍGRAFE
05
RESUMO
06
METODOLOGIA
07
SUMÁRIO
08
INTRODUÇÃO
09
CAPÍTULO I
O QUE É EDUCAÇÃO? E PLANEJAMENTO?
11
1.1 - O que é planejamento?
14
CAPÍTULO II
O PLANEJAMENTO ESCOLAR E O PAPEL DO ORIENTADOR
EDUCACIONAL
17
2.1 Fundamentos da orientação educacional
20
2.1.1 - Conhecimentos necessários ao orientador educacional sobre
21
o planejamento escolar|
CAPÍTULO III
ALGUNS
CONCEITOS
ANÁLOGOS
AO
PLANEJAMENTO
E
A
42
PRÁTICA POLÍTICO-PEDAGÓGICA
25
3.1 - Plano
26
3.2 - Projeto
27
3.3 - Programa
29
3.4 - Planejamento escolar como prática político-pedagógica
29
CAPÍTULO IV
EQUÍVOCOS E SUCESSOS COTIDIANOS OBTIDOS ATRAVÉS DO 32
PLANEJAMENTO
CONCLUSÃO
38
BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
39
43
FOLHA DE AVALIAÇÃO
Nome da Instituição:
Título da Monografia:
Autor:
Data da entrega:
Avaliado por:
Conceito:
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Suely Maria Ferreira Pignaton