AU TO RA L TO EI DI R DE UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES LE I PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” EG ID O PE LA PROJETO A VEZ DO MESTRE Por: Suely Maria Ferreira Pignaton DO CU M EN TO PR OT INVESTIGANDO O PLANEJAMENTO ESCOLAR Orientadora: Fabiane Muniz da Silva MONTANHA/ES 2008 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE INVESTIGANDO O PLANEJAMENTO ESCOLAR Monografia apresentada ao Curso de Orientação Educacional da Universidade Candido Mendes como requisito necessário a aprovação. Por: Suely Maria Ferreira Pignaton MONTANHA/ES 2008 3 Agradeço a Deus, que tudo nos deu, inclusive a capacidade de Planejar. 4 Dedico a todos os profissionais que direta ou indiretamente colaboraram para a execução deste trabalho, aos companheiros de trabalham, e aos meus familiares dos quais sempre tive todo apoio. 5 Não é no silencio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão. Paulo Freire 6 RESUMO No primeiro capítulo é discutido conceitos elaborados por alguns renomados autores no que tange a definição de educação e de planejamento. Sobre educação é destacado as abordagens feitas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais e Piaget enquanto que na definição de planejamento pode ser observado que este termo possui algumas interpretações que variam entre autores, porém a idéia central do que se pretende com esta atividade é comum a todas as definições. No segundo capítulo é dado destaque a importância do orientador educacional na construção do planejamento, destacando que este profissional deve contribuir para decisões que se referem ao processo educativo como um todo. Também é dito que dentre os conhecimentos necessários ao orientador educacional durante o planejamento escolar é preciso que toda a sua experiência seja direcionada na projeção de fins e dos meios estabelecidos para atingi-los. O capítulo três trata de alguns termos que são necessários o seu conhecimento por serem análogos a atividade do planejamento. Também trata do projeto político pedagógico onde o planejamento escolar e seus elementos relacionados às implicações sociais incorporam significados políticos, econômicos, sociais e culturais, caracterizando-o como uma atividade de reflexão acerca de nossas de ações e opções. O quarto capítulo é descrito alguns equívocos e sucessos obtidos durante a prática escolar. Assim é descrito que o planejamento pode ser alvo de alguns equívocos que impedem seu perfeito uso como também cita algumas formas de se obter o sucesso em sua confecção e implementação. Conclui-se desta forma que o ato de planejar possui algumas interpretações que variam entre autores, porém a idéia central do que se pretende com esta atividade é comum a todas as definições, embora tenha sido geralmente concebido como uma técnica especializada, cujo objetivo seria o de levar a bom termo o desenvolvimento de uma instituição. 7 METODOLOGIA Conforme definido por Lakatos e Marconi, a metodologia de pesquisa utilizada foi a bibliográfica, recorrendo-se a literaturas e autores diversos, sendo usados como fontes livros, revistas, sites, baseando-se o referencial teórico com o cotidiano escolar. 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I - O que é educação? E planejamento? 1.1 – O que é planejamento? CAPÍTULO II – O planejamento escolar e o papel do Orientador Educacional 2.1 – Fundamentos da orientação educacional 2.1.1 - Conhecimentos necessários ao orientador educacional sobre o planejamento escolar| CAPÍTULO III - Alguns conceitos análogos ao planejamento e a prática político-pedagógica 3.1 Plano 3.2 Projeto 3.3 Programa 3.4 O planejamento escolar e o papel do orientador educacional CAPÍTULO IV – Equívocos e sucessos cotidianos obtidos através do planejamento CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 08 10 13 16 19 20 24 24 25 28 28 31 38 39 9 INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho foi o de investigar o planejamento escolar, buscando identificar, através de um trabalho reflexivo, como realizar e organizar o trabalho escolar, encarando de frente os problemas dessa instituição e do sistema educacional, que tem como principal tarefa propiciar aprendizagem e formar cidadãos. O ato de planejar faz parte da história do ser humano, pois o desejo de transformar sonhos em realidade objetiva é uma preocupação marcante de toda pessoa. Cotidianamente, esta se enfrentando situações que necessitam de planejamento, mas nem sempre as nossas atividades diárias são delineadas em etapas concretas da ação, uma vez que já pertencem ao contexto de nossa rotina. As idéias que envolvem o planejamento são amplamente discutidas nos dias atuais, mas um dos complicadores para o exercício da prática de planejar parece ser a compreensão de conceitos e o uso adequado dos mesmos. Cabe ressaltar que, neste breve texto, não se pretende abordar todos os níveis de planejamento, mesmo porque, é impossível enumerar todos os tipos e níveis de planejamento necessários à atividade humana. Os objetivos específicos são os seguintes: Investigar bibliograficamente as contribuições atuais sobre o tema planejamento, recorrendo a autores conceituados; Identificar o Planejamento como eixo de organização e definição de seu trabalho. Conceituar e diferenciar alguns termos relativos ao planejamento e processos correlatos tais como plano, programa, projeto, plano estratégico plano operacional; 10 Investigar bibliograficamente como tem se processado a prática do planejamento nas escolas; O orientador educacional é o profissional responsável em tornar possível que o planejamento seja visualizado como um instrumento a serviço de um trabalho voltado para o desenvolvimento de pessoas e para a procura da unidade entre teoria e prática, sendo uma decorrência de reflexões e debates amplos que possibilitem um redimensionamento e um redescobrir de novos objetivos e caminhos. Assim, através do planejamento, o orientador educacional torna esta atividade melhor investigada, visando desconstruir a idéia de que o planejamento é uma pratica superficial sem nenhum questionamento que envolve renovação, sendo percebido como pratica burocrática sem contribuição para a ação. 11 CAPÍTULO I O QUE É EDUCAÇÃO? E PLANEJAMENTO? De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998 p.42): A educação escolar deve constituir-se em uma ajuda intencional, sistemática, planejada e continuada para crianças, adolescentes e jovens durante um período contínuo e extensivo de tempo, diferindo de processos educativos que ocorrem em outras instâncias, como na família, no trabalho, na mídia, no lazer e nos demais espaços de construção de conhecimentos e valores para o convívio social. Piaget (1988, p.61) diz que o objetivo da educação intelectual não é saber repetir ou conservar verdades acabadas, pois uma verdade que é reproduzida não passa de uma semiverdade: é aprender por si próprio a conquista do verdadeiro, correndo o risco de despender tempo nisso e de passar por todos os rodeios que uma atividade real pressupõe. Chaves (2002, p. 56) define educação, como “o processo através do qual indivíduos adquirem domínio e compreensão de certos conteúdos”. A educação autêntica, para Freire (1987, p.84), ”não se faz de A para B ou de A sobre B, mas de A com B, mediatizados pelo mundo”. Ela tem papel fundamental na renovação do homem. Segundo Melchior (1999, p.31), deve ser transformadora, onde “o professor acredita na capacidade de investigar, de criar e no espírito de pesquisa”. Dessa forma, segundo Melchior é necessário que a educação propicie a colaboração, não sendo voltado apenas para a formação do espírito de competição. Através da colaboração torna-se possível desenvolver a criatividade e o espírito crítico do educando, anulando assim a passividade. 12 Para Freire (1988, p.79) deve ser, “uma educação que se fundamente na unidade entre a prática e a teoria, entre o trabalho manual e o trabalho intelectual, que, por isso, incentive os educandos a pensar certo, que atue como coadjuvante na transformação social”.Ao se analisar a proposta de educação defendida por Freire, nota-se que esta se fundamenta numa ação transformadora, tanto educacional como social. A implicação da educação como agente transformador da sociedade pode ser confirmada pelo conceito defendido por Rabelo, que diz: Educar é intervir no desenvolvimento do outro para tornálo de acordo com certas normas construídas e/ou preestabelecidas. É a ação que diz respeito ao dever-ser de um sujeito em sociedade, à construção do seu “eu” na relação com o outro e com o mundo (RABELO, 1998, p. 76). Para D’Ambrosio (2000, p.68), a educação é “uma estratégia da sociedade para facilitar que cada indivíduo atinja o seu potencial e para estimular cada indivíduo a colaborar com outros em ações comuns na busca do bem comum”. Concordando com esta afirmação, Melchior (1999, p.31) acrescenta: ela (a educação) “vai ajudar o aluno a adquirir consciência da sua força e responsabilidade na construção de história e da história de seu grupo”. Tezolin (1995, p.24) diz que “educar é ajudar a despertar. É facilitar carinhosamente o caminho para o ser em desenvolvimento, possibilitando o florescimento do seu potencial”. Segundo Freire (1998, p.25), “quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”, isso mostra que ensinar e aprender envolve as duas partes, educador e educando, trocando experiências e compartilhando resultados, num processo que se baseia na confiança mútua, no estímulo a curiosidade e gosto pela aventura. Para saber como se processa a aprendizagem, vários educadores têm construído várias teorias, sendo que a maioria defende a necessidade de levar a realidade vivida pelo educando ao interior da escola, possibilitando aos discentes a contemplarem o real significado daquilo que está aprendendo, 13 estimulando seu interesse e favorecendo a aprendizagem. Outros baseados no que os seres humanos aprendem em seu cotidiano, como a capacidade de um litro de água ou que as estrelas do céu são infinitas, defendem as construções ativas do conhecimento, partindo do conhecimento que o educando já possui, ampliando-o. Desta argumentação, segundo Jesus (2004, p. 32) decorre que aprender matemática não pode ser entendido como adquirir conhecimento matemático e demonstrar certas destrezas no jogo de linguagem em que se transforma tipicamente o trabalho na matemática escolar. Aprender matemática tem que ser visto como um elemento residual do envolvimento dos alunos em práticas que envolvam a necessidade da percepção e do desenvolvimento de um ponto de vista matemático sobre as coisas. Este posicionamento implica abandonar a idéia de que o professor de matemática tem como missão “ensinar matemática” aos alunos e, por isso, reconhecer que a sua vocação deve ser educá-los matematicamente. Para dar conta das discussões aqui levantadas sobre a natureza da aprendizagem, é preciso que o professor de fato, perceba seus alunos como indivíduos que participam em um mundo social, do qual a escola representa apenas uma de suas instancias. Isso envolve respeitar as experiências de vida, a linguagem, os valores culturais trazidos para a escola por eles, pois não existem conhecimentos que sejam melhores ou mais legítimos do que outros. Ao professor não cabe desqualificar ou ignorar essas experiências, mas tentar incorporá-las, a fim de que o aluno perceba a articulação da vida escolar com seu cotidiano. 14 1.1 - O que é planejamento? O termo planejamento possui algumas interpretações que variam entre autores, porém a idéia central do que se pretende com esta atividade é comum a todas as definições. De acordo com Padilha (2001, p. 30) [...] planejamento é processo de busca de equilíbrio entre meios e fins, entre recursos e objetivos, visando ao melhor funcionamento de empresas, instituições, setores de trabalho, organizações grupais e outras atividades humanas. O ato de planejar é sempre processo de reflexão, de tomada de decisão sobre a ação; processo de previsão de necessidades e racionalização de emprego de meios (materiais) e recursos (humanos) disponíveis, visando à concretização de objetivos, em prazos determinados e etapas definidas, a partir dos resultados das avaliações. O mesmo autor prossegue [...] Planejar, em sentido amplo, é um processo que "visa a dar respostas a um problema, estabelecendo fins e meios que apontem para sua superação, de modo a atingir objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro", mas considerando as condições do presente, as experiências do passado, os aspectos contextuais e os pressupostos filosófico, cultural, econômico e político de quem planeja e com quem se planeja (PADILHA, 2001, p. 63). Planejar é uma atividade que está dentro da educação, visto que esta tem como características básicas: evitar a improvisação, prever o futuro, estabelecer caminhos que possam nortear mais apropriadamente a execução 15 da ação educativa, prever o acompanhamento e a avaliação da própria ação. Planejar e avaliar andam de mãos dadas. Para Parra (apud SANT'ANNA et al, 1995, p. 14), planejamento educacional é [...] processo contínuo que se preocupa com o 'para onde ir' e 'quais as maneiras adequadas para chegar lá', tendo em vista a situação presente e possibilidades futuras, para que o desenvolvimento da educação atenda tanto as necessidades da sociedade, quanto as do indivíduo. Já para Vasconcellos (1995, p. 53) [...]o planejamento do Sistema de Educação é o de maior abrangência (entre os níveis do planejamento na educação escolar), correspondendo ao planejamento que é feito em nível nacional, estadual e municipal, incorporando as políticas educacionais. Ainda de acordo com Vasconcellos, planejamento curricular é o [...] processo de tomada de decisões sobre a dinâmica da ação escolar. É previsão sistemática e ordenada de toda a vida escolar do aluno". Portanto, essa modalidade de planejar constitui um instrumento que orienta a ação educativa na escola, pois a preocupação é com a proposta geral das experiências de aprendizagem que a escola deve oferecer ao estudante, através dos diversos componentes curriculares (VASCONCELLOS, 1995, p. 56). Para Padilha (2001, p. 33), “Planejamento de Ensino é o processo de decisão sobre atuação concreta dos professores, no cotidiano de seu trabalho pedagógico, envolvendo as ações e situações, em constante interações entre professor e alunos e entre os próprios alunos”. Na opinião de Sant'Anna et al 16 (1995, p. 19), esse nível de planejamento trata do "processo de tomada de decisões bem informadas que visem à racionalização das atividades do professor e do aluno, na situação de ensino-aprendizagem". Planejamento Escolar é o planejamento global da escola, envolvendo o processo de reflexão, de decisões sobre a organização, o funcionamento e a proposta pedagógica da instituição. "É um processo de racionalização, organização e coordenação da ação docente, articulando a atividade escolar e a problemática do contexto social" (LIBÂNEO, 1992, p. 221). Planejamento Político-Social tem como preocupação fundamental responder as questões "para quê", "para quem" e também com "o quê". A preocupação central é definir fins, buscar conceber visões globalizantes e de eficácia; serve para situações de crise e em que a proposta é de transformação, em médio prazo e/ou longo prazo. "Tem o plano e o programa como expressão maior" (GANDIN, 1994, p. 55). No Planejamento Operacional, a preocupação é responder as perguntas "o quê", "como" e "com quê", tratando prioritariamente dos meios. Abarca cada aspecto isoladamente e enfatiza a técnica, os instrumentos, centralizando-se na eficiência e na busca da manutenção do funcionamento. Tem sua expressão nos programas e, mais especificamente, nos projetos, sendo sobretudo tarefa de administradores, onde a ênfase é o presente, momento de execução para solucionar problemas (GANDIN, 1994, p. 55). O planejamento tem sido geralmente concebido como uma técnica especializada, cujo objetivo seria o de levar a bom termo o desenvolvimento de uma instituição ou de um município, estado, região ou país. Apesar desse fato constitutivo do ato de planejar, a prática do planejamento em nosso país, especialmente na educação, tem sido conduzida como se fosse uma atividade "neutra", sem comprometimentos. 17 CAPÍTULO II O PLANEJAMENTO ESCOLAR E O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL A orientação educacional é uma das funções exercidas pelo profissional da educação denominado pedagogo. Nos diferentes estados brasileiros e nas diferentes redes escolares, quando existe, esse profissional recebe denominações variadas e exerce atividades também variadas. Tal diversidade descaracteriza a real dimensão de seu fazer, confundindo os diversos papéis desempenhados por esse e outros profissionais da educação. Neste sentido, a pesquisa tem como objetivo a realização de um mapeamento das funções desenvolvidas pelos orientadores educacionais em atuação nas redes estaduais dos diferentes estados brasileiros. Num segundo momento, pretende analisar criticamente a prática desenvolvida por esses profissionais a partir dos dados coletados e em contraposição à teoria que a embasa. Pretende ainda analisar os fundamentos legais que regulamentam a prática do orientador educacional procurando interpretar as diferentes realidades encontradas e a relação com a formação profissional e o contexto educacional, social, político e histórico atual. A sociedade atual ampliou o campo de atuação do Orientador Educacional para outros ambientes, como instituições não-escolares, onde se constata a sua importância em todos os segmentos organizados da sociedade, tornando-o o elo que conduz ao relacionamento interpessoal, com possibilidade de reflexão crítica dos indivíduos, tornando-os aptos ao convívio em sociedade. Parte-se do pressuposto da instabilidade no mundo de trabalho para a inserção do Pedagogo Habilitado em Orientação Educacional nas organizações, para atuar junto aos funcionários, encaminhando e reabilitando-os em funções condizentes com o seu conhecimento e o seu modo de ser e se relacionar com outras pessoas. 18 Martins (1992, p. 30) afirma que o Orientador Educacional é a pessoa responsável pelo serviço de orientação, cabendo a ele planejar, organizar e implementar a Orientação Educacional na escola. Segundo o autor, o Orientador Educacional deve conscientizar todos os agentes educativos da escola, tanto da educação infantil e ensino fundamental, como também do ensino médio, de que estes, enquanto membros ativos dentro da escola, são peças fundamentais para o bom desenvolvimento da Orientação Educacional. O autor ressalta, ainda, que o Orientador Educacional deve possuir um bom preparo, em nível universitário, que lhe forneça adequados conhecimentos de Psicologia Educacional, Psicologia da Criança e do Adolescente, Psicologia Pedagógica, Sociologia Educacional, Filosofia da Educação, Biologia Educacional, estatística Educacional, Estrutura e Funcionamento do Ensino. Ainda, segundo o autor, seria importante que todo o Orientador Educacional tivesse boa experiência no magistério e conhecimentos básicos das disciplinas do curso que está orientando (Educação Infantil – Ensino Fundamental – Ensino Médio, etc.). Martins considera ainda que o Orientador Educacional deve estar sempre em processo de atualização, através de leituras, congressos, simpósios, etc. Sob o ponto de vista legal, o exercício da profissão de Orientador Educacional foi previsto na Lei nº. 5.564/68, regulamentada pelo Decreto nº 72.846/63. Onde o Orientador Educacional é formado em curso de Licenciatura em Pedagogia com habilitação específica em Orientação Educacional. (MARTINS, 1992, p.31) Porém, hoje, através da nova Lei nº. 9.395/96, o Orientador Educacional necessita apenas do Curso de Licenciatura em Pedagogia e Gestão Escolar para exercer a função de Orientador Educacional. De acordo com Giacaglia e Penteado o Orientador Educacional participa no processo do Planejamento Curricular e na sua realização, bem como define e faz pesquisas, participa na elaboração do plano da escola e elabora o Plano de Atividades da Orientação Educacional, tendo em vista o trabalho em 19 conjunto com a Administração Escolar, Supervisão Pedagógica e outros setores referentes à escola, as atividades em parceria da escola e da comunidade e as atividades de integração da escola e da família. O planejamento e a elaboração do plano escolar costumam ocorrer no final do ano letivo anterior ou no início do ano em questão, dependendo do calendário de cada escola, e devem contar com a participação de todos os profissionais que nela atuam. Participando do planejamento, e da caracterização da escola e da comunidade, segundo Giacaglia e Penteado (2000, p.15), “o Orientador pode contribuir para decisões que se referem ao processo educativo como um todo”. Constituem exemplos dessas decisões o currículo da escola, no que diz respeito à inclusão de disciplinas e atividades extra classe; a distribuição das diferentes séries no prédio e por período; a problemática da disciplina e o código disciplinar; os critérios de avaliação e de atribuições de notas ou conceitos; os cronogramas de atividades. É importante que ele participe de todas as decisões de ordem técnica a serem tomadas, em âmbito escolar, em função do seu preparo, de suas funções e do seu conhecimento da escola, da comunidade e dos alunos, visando um melhor atendimento à educação integral dos alunos. Segundo Giacaglia e Penteado (2000) na coordenação, o Orientador deve acompanhar o desenvolvimento do Currículo na parte que diz respeito ao seu setor de trabalho, isto é, possibilitar a elaboração e o desenvolvimento dos planos de ensino segundo os objetivos da sua área de trabalho, desenvolver atividades especificas relacionadas ao seu campo, organizar arquivos de dados pessoais de alunos que sejam necessários para uma melhor desenvoltura do seu trabalho e desenvolver atividades educativas (visitas, festas, programas preventivos a saúde, higiene e segurança, atividades culturais, entre outras). 20 2.1 Fundamentos da orientação educacional Segundo Feltran (1990, p. 33) a orientação educacional encontra, na criança, fundamentos para o trabalho pedagógico na pré-escola, conforme a realidade brasileira. Assim, a autora diz que o orientador educacional deve pesquisar durante a ação pedagógica quem é a criança, a qual grupo sociocultural ela pertence, bem como definir qual o fim desta ação, para onde direcionar a educação da criança e deixar claras as funções da pré-escola no contexto democrático. A orientação educacional, segundo esta mesma autora, está se deparando com problemas presentes em varias épocas que, nos dias atuais, têm gerado estudos e debates em nível internacional, com representantes de todo o mundo. Nos países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, tem adquirido grandes proporções. Segundo Feltran (1990, p. 56), “tratar das finalidades da educação significa cuidar da própria sobrevivência, com o intuito de desatar as ligações de submissão cultural dos países dominadores”. A autora ressalta, ainda, que estão em discussão mundial os problemas relativos à finalidade da educação justificando-se que o orientador educacional analise, em sua origem e em suas manifestações, as concepções que, a esse respeito, se marcaram através dos tempos, buscando, assim, os pontos de apoio de sua proposta. Portanto, a orientação educacional encontrará, na criança, fundamentos básicos para o trabalho pedagógico no ensino pré-escolar brasileiro, que conta com a participação de diferentes contornos e de variados pontos socioculturais. 21 2.1.1 - Conhecimentos necessários ao orientador educacional sobre o planejamento escolar| Por vezes, o planejamento é apresentado e desenvolvido como se fosse um fim em si mesmo; outras vezes, é assumido como se fosse um modo de definir a aplicação de técnicas para obter resultados, não importando a que preço ou para quem. No entanto, o planejamento não é apenas uma técnica. Ainda que seja também, ele constitui primeiro e fundamentalmente a instância de decisões políticas (pensar), capazes de consolidar e dinamizar ações que venham ao encontro dos interesses de uma coletividade. Em segundo, deve contemplar ações pedagógicas (fazer) que permitam a implementação das decisões políticas explicitadas anteriormente pelos indivíduos e/ou conjunto destes numa instituição. É neste sentido que entende-se o planejamento, ou seja, enquanto uma prática político-social que tem os indivíduos como agentes catalizadores das intenções da sociedade. Isto porque o ato de planejar representa uma atividade intencional pela qual se projetam fins e se estabelecem meios para atingí-los. Por isso, não é "neutro" mas ideologicamente comprometido com os fins pretendidos por aquele grupo ou instituição. Isto significa dizer, que o planejamento é um processo constituído de vários atos componentes deste planejar. É uma atividade pela qual torna-se o meio que subsidia o ser humano no encaminhamento de suas ações e na obtenção de resultados desejados, e , portanto, orientada por um fim. O ato de planejar se assenta em opções filosófico-políticas, são elas que estabelecem os fins de uma determinada ação. E esses fins podem ocupar um lugar tanto no nível macro como no nível micro da sociedade. Situe-se onde se situar, ele é um ato político-social. Portanto, ao tratar de planejamento numa unidade escolar deve-se levar em conta que nesta organização há um coletivo de indivíduos que desempenham inúmeras atividades, as quais por natureza própria delas, requerem um processo de planejamento que possibilite a participação efetiva deste conjunto de pessoas, que a princípio devem tomar decisões pertinentes aos fins a que se propõem uma instituição educacional. 22 Neste sentido, parece oportuno utilizar o planejamento como uma ferramenta viabilizadora de um processo que contribua para o envolvimento de todos aqueles que estejam direta ou indiretamente vinculados a uma instituição prestadora de um direito público que é a educação. É importante ressaltar que tratar de planejamento e participação em nível de uma unidade escolar, tem se tornado uma tarefa complexa, tanto pelo desgaste havido destes procedimentos ao longo do tempo, como pela dificuldade encontrada pelos indivíduos constituintes do coletivo numa escola, em conviverem de forma profissional com a pluralidade de idéias que são salutares e necessárias numa organização desta natureza. Portanto, tratar do planejamento como processo de tomada de decisão tem deixado a desejar em nível de escola, porque foi introjetado nas pessoas que planejar nada mais é que eventualmente adequar o proposto à uma realidade ou executar algo que outros já haviam decidido por nós. Considerando que esta prática ao longo do tempo foi internalizada pelas pessoas e institucionalizada em nível de escola, hoje tem-se inúmeros desafios a enfrentar quando fala-se de processo de planejamento como um procedimento viabilizador de um direito público que é a educação. Neste particular, tem havido uma certa confusão entre processo de planejamento e os documentos (plano, programa ou projeto) decorrentes deste processo. Tal situação tem levado os profissionais da educação a encararem o planejamento como algo que mais atrapalha do que ajuda na inovação do ensinoaprendizagem. Esta prática intencional de separar aqueles que "pensam" daqueles que "fazem", levou lamentavelmente ao "fazejamento" em todos os níveis de planejamento, em especial, nas unidades escolares. Tal prática tem reforçado a parte meramente técnica do planejamento, o que tem levado os profissionais da educação a um tarefismo alucinante, cegando-os daquilo de criativo da arte de planejar. Corrobora com isso Fusari, quando diz que seu contato com esses profissionais tem "... revelado uma certa insatisfação, descrença e até desprezo para com o planejamento. É freqüente ouvir-se falas do tipo: vivo no improviso e é impossível planejar o 23 trabalho em nível de uma unidade escolar, ou, no caso dos professores, dizem, transcrevo o planejamento do ano anterior, acrescento algumas coisas, entrego e pronto. Cumpri minha obrigação. Há outros que acham até importante, mas pelo fato de ser uma coisa tecnicista e mecânica, não tem nada a ver o dito em nível do planejamento escolar e o planejamento do ensino, que deve ser ministrado na sala de aula" (FUSARI, 1990, p. 34, ). Com base no exposto quanto à confusão ou ambigüidade no processo de planejamento, pode-se observar que há dificuldades em termos conceituais e operacionais, bem como de formatação das idéias. No que diz respeito aos aspectos conceituais e operacionais, de acordo com Gandin (l997), geralmente quem fala 'projeto educativo', 'projeto político-pedagógico', ou 'proposta pedagógica' quer dizer "plano global". Mas nem sempre é assim: algumas vezes estas expressões querem indicar apenas a primeira parte de um plano, aquela parte em que a instituição apresenta sua utopia, seu horizonte, seus ideais a respeito de si mesma e da sociedade que pretende ajudar a construir. Por isso, não basta apenas as instituições escolares proporem um 'projeto educativo', atendo-se à "filosofia" institucional. Porque mesmo que esta filosofia esteja adequada às necessidades atuais e até capaz de ser geradora de ação, poderá não ser implementada, enquanto ações pedagógicas que poderão intervir na realidade em questão. Corrobora, ainda, com isto, Gandin quando diz que "... qualquer instituição, para contribuir significativamente para aquilo que se propõe, precisa ter clareza e bom desempenho em duas dimensões) na riqueza e adequação das idéias que maneja e b) nos instrumentos apropriados para transformar estas idéias em prática. Ora, tanto o que se chama "projeto educativo" como o que se denomina "plano global" são instrumentos para transformar idéias em ação. Para sermos eficazes, isto é, para contribuirmos para a construção da realidade que 24 sonhamos - uma sociedade mais justa, mais democrática, por exemplo - é preciso que tenhamos clareza pessoal e institucional, sobre três coisas: a) além de idéias, da paixão, do amor, do esforço......, precisamos de instrumentos aptos; b) os instrumentos, segundo sua natureza e seu modo de ação, têm mais ou menos valor e força; c) conforme aquilo que é a "missão" da instituição, isto é, conforme aquilo para o qual ela existe, são aconselhados instrumentos diferentes"(GANDIN, 1997, p.2). No que tange ao aspecto formatação das idéias, é importante reiterar que planejamento é um processo proativo e os planos são documentos e/ou papéis onde se registram as propostas políticas e pedagógicas, bem como as ações estratégicas que garantam a execução dos aspectos educacionais decididos. Isto quer dizer que o processo de planejamento é a dinâmica operacional que deve garantir o momento da tomada de decisão e da formalização das mesmas, como também os momentos de implementação e avaliação das decisões tomadas no coletivo institucional. Assim considerado, o planejamento torna-se uma articulação dinâmica e coletiva entre o fazer, o refletir e o sentir, tornando-se um forte aliado contra o ativismo que freqüentemente toma conta do cotidiano escolar e que transforma os profissionais da educação em máquinas, seja quando ministram aulas ou executam tarefas administrativas, às vezes sem consciência do significado destas ações. Esta concepção de planejamento possibilita resgatar a importância do mesmo, revestindo-o de uma função pedagógica no momento do processo de discussão, sistematização, apropriação de instrumentos e procedimentos teórico-metodológicos, que formalizados em documentos, garantam a continuidade do processo em nível escolar, visando os avanços necessários à sociedade que pretendemos ajudar a construir. 25 CAPÍTULO III ALGUNS CONCEITOS ANÁLOGOS AO PLANEJAMENTO E A PRÁTICA POLÍTICOPEDAGÓGICA A atividade de planejamento se correlaciona com alguns termos, conforme segue adiante: 3.1 - Plano O plano, como atividade, é um documento utilizado para o registro de decisões do tipo: o que se pensa fazer, como fazer, quando fazer, com que fazer, com quem fazer. Para existir plano é necessária a discussão sobre fins e objetivos, culminando com a definição dos mesmos, pois somente desse modo é que se pode responder as questões indicadas acima. O plano é a "apresentação sistematizada e justificada das decisões tomadas relativas à ação a realizar" (FERREIRA apud PADILHA, 2001, p. 36). Plano tem a conotação de produto do planejamento. Plano é um guia e tem a função de orientar a prática, partindo da própria prática e, portanto, não pode ser um documento rígido e absoluto. “Ele é a formalização dos diferentes momentos do processo de planejar que, por sua vez, envolve desafios e contradições” (FUSARI apud PADILHA, 2001, p. 36). Plano Escolar é onde são registrados os resultados do planejamento da educação escolar. "É o documento mais global; expressa orientações gerais que sintetizam, de um lado, as ligações do projeto pedagógico da escola com os planos de ensino propriamente ditos" (LIBÂNEO, 2001, p. 225). Plano de Curso é a organização de um conjunto de matérias que vão ser ensinadas e desenvolvidas em uma instituição educacional, durante o período de duração de um curso. Segundo Vasconcellos (1995, p. 117), esse tipo de 26 plano é a "sistematização da proposta geral de trabalho do professor naquela determinada disciplina ou área de estudo, numa dada realidade". Plano de Ensino "é o plano de disciplinas, de unidades e experiências propostas pela escola, professores, alunos ou pela comunidade". Situa-se no nível bem mais específico e concreto em relação aos outros planos, pois define e operacionaliza toda a ação escolar existente no plano curricular da escola. (SANT'ANNA, 1995, p. 49). É claro que os três tipos de plano se complementam, se interpenetram e compõem o corpo do plano de currículo da escola. Entretanto, na prática das escolas, devido à quase total falta de condições de trabalho docente, a elaboração dos planos escolar, de curso e de ensino tem-se revelado complexa, fragmentada, longe mesmo, em alguns casos, daquela organicidade desejada para o processo ensino-aprendizagem. É preocupante a situação dos professores; eles têm de entregar planos gerais das disciplinas, planos de ensino e, no entanto, não possuem condições para o preparo das aulas, o que é o mais fundamental. Algo precisa ser feito para reverter o quadro, e um dos pontos de partida, dentre outros, é 'o de recuperação do plano de ensino, no sentido de preparo das aulas, facilitando, assim, o trabalho docente no processo ensino-aprendizagem. Na atual conjuntura problemática em que se encontra a escola, necessita-se estimular os professores a prepararem as suas aulas, garantindo, deste modo, um trabalho mais competente e produtivo no processo ensinoaprendizagem, no qual o professor seja um bom mediador entre os alunos (com suas características e necessidades) e os conteúdos do ensino. 3.2 - Projeto O projeto, como atividade, é também um documento produto do planejamento porque nele são registradas as decisões mais concretas de propostas futuristas. Trata-se de uma tendência natural e intencional do ser 27 humano. Como o próprio nome indica, projetar é lançar para a frente, dando sempre a idéia de mudança, de movimento. Projeto representa o laço entre o presente e o futuro, sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. Na opinião de Gadotti (apud Veiga, 2001, p. 18), [...] todo projeto supõe ruptura com o presente e promessas para o futuro. Projetar significa tentar quebrar um estado confortável para arriscar-se, atravessar um período de instabilidade e buscar uma estabilidade em função de promessa que cada projeto contém de estado melhor do que o presente. Um projeto educativo pode ser tomado como promessa frente determinadas rupturas. As promessas tornam visíveis os campos de ação possível, comprometendo seus atores e autores. Projeto Pedagógico, segundo Vasconcellos (1995, p. 143) [...] é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita re-significar a ação de todos os agentes da instituição. Para Veiga (2001, p. 11) o projeto pedagógico deve apresentar as seguintes características: a) "ser processo participativo de decisões; b) preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições; c) explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na solidariedade entre os agentes educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo; 28 d) conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do trabalho educativo voltado para uma realidade específica; e) explicitar o compromisso com a formação do cidadão. f) nascer da própria realidade, tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais tais problemas aparecem; g) ser exeqüível e prever as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação; h) ser uma ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola; i) ser construído continuamente, pois como produto, é também processo". O Projeto Político-Pedagógico da escola precisa ser entendido como uma maneira de situar-se num horizonte de possibilidades, a partir de respostas a perguntas tais como: "que educação se quer, que tipo de cidadão se deseja e para que projeto de sociedade?" (GANDIN, 1994, p. 42). Dissociar a tarefa pedagógica do aspecto político é difícil, visto que o "educador é político enquanto educador, e o político é educador pelo próprio fato de ser político" (GADOTTI, FREIRE, GUIMARÃES, 2000, pp. 25-26). Falar da construção do projeto pedagógico é falar de planejamento no contexto de um processo participativo, onde o passo inicial é a elaboração do marco referencial, sendo este a luz que deverá iluminar o fazer das demais etapas. Alguns autores que tratam do planejamento, como por exemplo Moacir Gadotti, falam simplesmente em referencial, mas outros, como Danilo Gandin, distinguem nele três marcos: situacional, doutrinal e operativo. 29 3.3 - Programa De acordo com Padilha (2001), citando Bierrenbach, explica que um programa é "constituído de um ou mais projetos de determinados órgãos ou setores, num período de tempo definido" (p. 42). Gandin (1995) complementa dizendo que o programa, dentro de um plano, é o espaço onde são registradas as propostas de ação do planejador, visando a aproximar a realidade existente da realidade desejada. Desse modo, na elaboração de um programa é necessário considerar quatro dimensões: "a das ações concretas a realizar, a das orientações para toda a ação (atitudes, comportamentos), a das determinações gerais e a das atividades permanentes" (GANDIN, 1995, p. 104). 3.4 - Planejamento escolar como prática político-pedagógica O planejamento escolar é compreendido como importante momento de elaboração teórica das tarefas docentes, nas quais a reflexão e a avaliação sobre o processo de ensino-aprendizagem possuem como marco referencial a intenção política de intervir na realidade escolar dos alunos. Nesse sentido, buscou-se no planejamento escolar – para ser mais preciso, em uma de suas modalidades: o plano de ensino – a forma de compreender o referencial filosófico-epistemológico, teórico-metodológico e político da prática pedagógica dos professores. O plano de ensino configura-se como um roteiro organizado de unidades didáticas para um ano ou semestre composto dos seguintes elementos: justificativa da disciplina; conteúdos; objetivos gerais e específicos; metodologia e avaliação, todos ligados à concepção que a escola e os professores possuem sobre a função da educação, da escola, das especificidades das disciplinas e sobre seus objetivos sociais e pedagógicos. 30 Tais elementos visam a assegurar a racionalização, a organização e a coordenação do trabalho docente, de modo que a previsão das ações docentes possibilite ao professor a realização de um ensino de qualidade e evite a improvisação e a rotina. Sobre esses elementos materializam-se os referenciais político-pedagógicos da prática pedagógica dos professores. Libâneo (1994), Lopes (1996) observam o planejamento escolar como processo responsável por racionalizar, organizar e coordenar a ação docente, que deve articular as atividades escolares ao contexto social. A escola, os professores e os alunos integrantes da dinâmica das sociais, e tudo o que acontece no meio escolar é abarcado por influências econômicas, políticas e culturais características da sociedade de classes. Nesse sentido, o planejamento escolar e seus elementos relacionados às implicações sociais incorporam significados políticos, econômicos, sociais e culturais, caracterizando-o como uma atividade de reflexão.acerca de nossas de ações e opções. A reflexão em torno do trabalho docente conforma-se em uma atitude de subserviência aos rumos estabelecidos pelos interesses hegemônicos. Historicamente, o planejamento escolar tem sido realizado sob uma perspectiva tecnicista e burocrática (LOPES, 1996), em que o preenchimento de formulários, as reproduções de planos anteriores e a submissão às orientações e parâmetros curriculares de forma irrefletida, e descompromissada têm marcado essa prática, caracterizando-a como uma fragmentária e burocrática dos professores, pouco contribuindo para elevar a qualidade da pedagógica no âmbito escolar. No entanto, o planejamento escolar é apontado como alternativa de organização coletiva, em que diversos segmentos envolvidos (professores das diversas áreas, alunos, funcionários administrativos e comunidade) discutam e decidam coletiva e publicamente os objetivos, metas, finalidades, valores, atitudes e solucionem os problemas comuns à escola, viabilizando assim a materialização de uma escola realmente democrática. O planejamento escolar constitui, então, uma forma de que busca organizar coletivamente as comunidades (classe trabalhadora) em torno das 31 escolas, criando-se a partir daí espaços de resistência e luta contra o neoliberalismo, da própria reivindicação ao Estado quanto às questões da educação: a democratização da educação, a estruturação das escolas públicas, os planos de carreira e formação continuada dos professores e trabalhadores da educação que, dentre outras questões, fazem-se urgente, além de elevar a educação das maiorias a uma qualidade socialmente de referência. Esse modo de atuação centrado na escola resgata para o professorado a importância do envolvimento coletivo, instituindo o espaço escolar como locus decisivo no processo de recomposição da identidade coletiva docente. Nesse sentido, o planejamento escolar, concebido de forma democrática e participativa desde sua construção até sua concretização e avaliação, pode se conformar num instrumento de organização e ação coletiva, com vistas a resolver os problemas da escola, a desenvolver uma prática pedagógica de qualidade para as maiorias e a articular ações e posturas políticas diante dos conflitos sociais e das relações de poder. 32 CAPÍTULO IV EQUÍVOCOS E SUCESSOS COTIDIANOS OBTIDOS ATRAVÉS DO PLANEJAMENTO No início do século XX, devida à expansão do processo de escolarização, houve a sistematização de estudos sobre a criança e seu desenvolvimento, sob a perspectiva dos processos de aprendizagem. No decorrer desse século, a escola firma-se como local privilegiado para a formação da criança, ainda voltada para o seu futuro adulto. No entanto, a escola também busca outras atividades para complementar essa formação como as aulas de línguas, informática, artes (DUARTE e WERNER, 1995), sendo todas estas atividades a participação incisiva do planejamento. O professor, muitas vezes, não consegue relacionar a teoria à sua prática e até hoje muitas conquistas educacionais dos últimos 30 anos ainda não saíram da teoria para serem colocadas em prática. Este fato não é se causar estranheza, uma vez que o Brasil é um país com tamanha diversidade cultural, grandes extensões territoriais e uma enorme desigualdade de oportunidades educacionais (SANDO, 2002). Os problemas de aprendizagem que acometem a educação pode ser multicasual, podendo estar no educando ou em seu ambiente. Através do planejamento, é possível estar atentos ao seu meio cultural, familiar, escolar e, principalmente, à metodologia e didática empregadas pelo educador (escola). Observando a problemática que envolve o desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicossomático dos alunos desta unidade. Certamente as dificuldades de aprendizagem nem sempre se dá por desinteresse do aluno e sim por não ser trabalhado de forma adequada e na idade certa acarretando um índice de desestímulo apresentando dificuldades em aprender, o que demonstra claramente a falta de interesse por parte do docente para com o planejamento. Sabendo-se que a educação está firmado na arte de aprender e que esta arte é aprender e aprender, aprender a ser, aprender a fazer e aprender a 33 conviver, devemos buscar, resgatar em nossos alunos sobre tudo nos que representam defasagem de aprendizagem e idade, série, o gosto e o interesse em perceber-se como pessoa integrante, dependente e transformadora de si mesma e do meio em que vive, melhorando sua auto-estima, e o gosto da vida. A idéia da escola como espaço inclusivo nos remete às dimensões físicas e atitudinais que permeiam o planejamento escolar, onde diversos elementos como a arquitetura, engenharia, transporte, acesso, experiências, conhecimentos, sentimentos, comportamentos, valores etc. coexistem, formando este locus extremamente complexo. A partir disto, a discussão de uma escola para todos tem suscitado inúmeros debates, sendo a grande polêmica centrada na questão de como promover a inclusão na escola de forma responsável e competente (CIDADE e FREITAS, 1997). Na construção de um planejamento é possível deparar-se com alguns equívocos comuns que precisam ser superados para que haja a construção de uma educação de qualidade. O primeiro equívoco diz respeito à concepção de que planejamento deve ser feito apenas no início do ano. Ora, se a função do planejamento é organizar a ação docente, é fácil entender-se que a idéia de se construir o mesmo somente no início do ano esconde uma visão do planejamento como algo pontual. Assim, isto se configura como um erro, pois, na verdade, o vê-se como um processo e como tal orienta a organização da ação docente que acontece durante todo o ano e está sujeita a alterações impostas pela realidade cotidiana. O papel do profissional de planejamento diante da dificuldade de aprendizagem é a de que esse profissional entenda o processo educacional como uma prática que necessita desenvolver, simultaneamente, a razão, as sensações, os sentimentos e a intuição. Nessa perspectiva, a intervenção psicopedagógica subtende o conjunto de procedimentos que varia desde o conhecimento da modalidade de aprendizagem do sujeito e sua trajetória histórica até suas peculiaridades em integrar conteúdos programáticos, ou o seu “jeito” de saber ou de não saber determinados assuntos ou matérias. Entendo que, embora uma criança esteja comprometida sob o ponto de vista orgânico ou emocional, a forma como seu núcleo familiar entende, aceite ou não aceite, age ou reage, deverá ser determinada na leitura e no 34 prognóstico da situação. Os mitos, os sonhos e os desejos que habitam e transmitam aquele grupo familiar são materiais indispensáveis para compreender a dimensão da situação e das possibilidades de intervir por meio do planejamento. Por outro lado, a concepção de educação de homem e de mundo do profissional que trabalha na escola em que a criança está inserida, também é de fundamental relevância. É importante analisar como os professores entendem e lidam com as diferentes formas de ser, de aprender e de manifestar-se das crianças; como conseguem enriquecer seus currículos, seus grupos de sala de aula e a si mesmos a partir do entendimento e do convívio com as diferenças individuais. Um outro equívoco é a falta de percepção de que o planejamento está estreitamente relacionado à dinâmica da prática cotidiana. Assim, ao restringir sua construção ao início do ano o professor não considera, no processo de aprendizagem, questões decorrentes de seu próprio trabalho e muitas vezes copia o que utilizou no ano anterior. Em decorrência disto, o ensino fica cada vez mais destacado de uma realidade que é rica e que se transforma a cada dia. Mais um engano que tem ocorrido na confecção do planejamento é sua construção ocorrer de forma isolada pelo professor. Como resultado ou causa desta atitude temos um isolamento que faz com que cada um trabalhe por si só sem que se construa um projeto coletivo de escola, de educação e de formação. Um último equívoco é o que descola o planejamento de um projeto político pedagógico. Quando isso ocorre, o planejamento perde o referencial, pois é utilizado sem se ter clareza de onde se quer chegar, ou seja, em que sociedade se quer viver e em função disto que homem precisa ser formado. Aqui neste ponto nos detemos para discutir a importância de se relacionar o planejamento com os objetivos da formação do sujeito na escola e em função disso que escola devemos ter. A Orientação Educacional toma para sí um caráter investigativo de extrema importância, pois vai-se aprendendo a conhecer os alunos tanto no 35 funcionamento do sujeito quanto de seu organismo, pois as observações realizadas podem mudar o rumo de uma intervenção pedagógica, por exemplo, observar se o aluno esta mais sonolento, agressivo, eufórico em excesso, com crises convulsivas após o início de um novo tratamento. Muitas vezes circular pela escola torna-se fundamental, numa dinâmica de interação que vai desde a conversa informal até o registro de situações que venham enriquecer futuras proposições. Este caráter investigativo é materializado, também na avaliação de ingresso, onde cabe a orientação educacional o chamamento da família para o início do processo investigatório, como acolhimento das dúvidas, insatisfações, resistências e algumas vezes alívio de chegar a este espaço especial. Estudar a formação do professor, promover a discussão e o debate é um desafio que se enfrenta ao buscar junto à alunos suas perspectivas quanto à forma de inserção da pesquisa na formação e na prática docente. Espera-se que o professor seja capaz de identificar e explorar todas as suas habilidades e desenvolver suas competências aproximando-se de outras áreas mantendo um diálogo constante. Possuindo todas essas habilidades, cabe ao professor abrir esse leque aos seus alunos. Porém, ele nem sempre possui as ferramentas e o conhecimento teórico (aprendidos na faculdade) necessários para fazer a ponte entre o conhecimento aprimorado e a necessidade dos alunos (SANDO, 2002). Ao tornar-se meio para desenvolver a capacidade de formular e resolver problemas, a educação passa a ser entendida como processo para a formação de indivíduos autônomos e investigadores. Uma educação que proporcione a formação de seres autônomos e investigativos está efetivamente comprometida com o desenvolvimento pleno do ser humano. Para isso, o planejamento deve acima de tudo evitar os equívocos causados pelo planejamento. A Orientação Educacional diante desta perspectiva, configura-se a partir de ações coletivas que se caracterizam por fundamentar-se na idéia de rede, enquanto trama que dá sustentabilidade para que os diversos profissionais que trabalham com o educando, possam qualificar sua ótica através do diálogo e da troca de informações e saberes. As ações coletivas se estabelecem no 36 momento em que terapeutas, professor regente e orientador educacional encontram-se para compreender o sujeito e seus comportamentos nos diversos ambientes, traçando planos de apoio para auxiliar este aluno na resolução de seus problemas cotidianos, muitas vezes a família é convidada para acompanhar este movimento, no entanto em algumas situações é necessário afastá-la deste encontro quando a interlocução possa vir a prejudicar as transferências com o terapeuta. Libâneo (1994), ao falar da importância do planejamento, afirma que este é um processo que visa a articular o trabalho da escola com a realidade social e que tudo que ocorre no interior da escola está atravessado de significados políticos, econômicos e culturais característicos da sociedade em que vivemos. Prosseguindo, o autor frisa que a falta de reflexão sobre estes significados e a não atuação sobre os mesmos, tentando transformá-los de acordo com as nossas concepções, estar-se apenas reproduzindo o que já existe e assim mantendo a estrutura social intacta. Planejar o processo de aprendizagem, partindo dos conhecimentos que as crianças já possuem em direção à construção de novas ações motoras, faz com que se reconheça a criança também como ser cultural, que se constrói por intermédio da história de seus pais e avós nascidos em outras comunidades, com outros jogos, pelas brincadeiras infantis aprendidas na escola, na rua, na cidade em que nasceu, na região em que vive. O regional e o global também interagem nesse ponto, sob o princípio do regionalismo, como uma maneira não só de resgatar as heranças culturais, mas de valorizá-las como parte da história de vida de cada um e de todos (KORSAKAS e JÚNIOR, 2002). A visão apresentada por Neira (s.d.) é concordante com Korsakas (2002, apud KORSAKAS e JÚNIOR, 2002, p. 09) que afirma que a auto-avaliação, no lugar da comparação de desempenhos, torna-se uma estratégia importante para o autoconhecimento e o desenvolvimento da auto-estima, além de “promover uma conduta de respeito e solidariedade para com o outro já que, ao reconhecer os próprios potenciais e limites, aprende-se a compreender a individualidade do colega e valorizar a diversidade do grupo”. Caso a educação não atinja o papel a qual é proposto, não pode-se culpar exclusivamente o professor e tão pouco a instituição onde estudou, mas 37 a maneira como o planejamento foi realizado. Ao professor deve ser oferecido ou apresentado todas as maneiras para adquirir conhecimento e trabalhá-lo a fim de absorvê-lo. Por sua vez, o professor durante sua vida docente, como professor e executor de planos, deve ser um professor cientista, que refaz constantemente suas fórmulas, explora novos materiais, corre atrás de novas tecnologias, novos materiais, se mantém informado sobre as novas descobertas, não quer ficar para trás, não quer perder a oportunidade, ou a possibilidade de fazer alguma grande descoberta ou provocar alguma mudança significativa, levando seus alunos a estarem em seus cotidianos futuros estarem ávidos por descobertas e aprimoramento de seu trabalho, não ficando refém de dificuldades, como por exemplo trabalhar a inclusão. 38 CONCLUSÃO Na prática docente atual, o planejamento tem-se reduzido a uma atividade de caráter formal, burocrático e controlador, levando os professores a não acreditarem na sua potencialidade. Ressalta-se que esse aspecto controlador do planejamento é importante não só para o acompanhamento do trabalho desenvolvido pelos docentes, mas também para preservar a identidade pedagógica da escola. É preciso esclarecer que planejamento não é isto. Ele deve ser concebido, assumido e vivenciado no cotidiano da prática social docente, como um processo de reflexão. Pode-se afirmar que o planejamento do ensino é o processo de pensar, de forma "radical", "rigorosa" e "de conjunto", os problemas da educação escolar, no processo ensino-aprendizagem. O planejamento é um instrumento primordial para a execução do trabalho docente. 39 BIBLIOGRAFIA PESQUISADA BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria do Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília, DF : MEC, 1996. CIDADE, R. E.; FREITAS, P. S. Noções sobre Educação Física e Esporte para Pessoas Portadoras de deficiência. Uberlândia: Gráfica Breda, 1997. FUSARI, José Cerchi. 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E PLANEJAMENTO? 11 1.1 - O que é planejamento? 14 CAPÍTULO II O PLANEJAMENTO ESCOLAR E O PAPEL DO ORIENTADOR EDUCACIONAL 17 2.1 Fundamentos da orientação educacional 20 2.1.1 - Conhecimentos necessários ao orientador educacional sobre 21 o planejamento escolar| CAPÍTULO III ALGUNS CONCEITOS ANÁLOGOS AO PLANEJAMENTO E A 42 PRÁTICA POLÍTICO-PEDAGÓGICA 25 3.1 - Plano 26 3.2 - Projeto 27 3.3 - Programa 29 3.4 - Planejamento escolar como prática político-pedagógica 29 CAPÍTULO IV EQUÍVOCOS E SUCESSOS COTIDIANOS OBTIDOS ATRAVÉS DO 32 PLANEJAMENTO CONCLUSÃO 38 BIBLIOGRAFIA PESQUISADA 39 43 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Título da Monografia: Autor: Data da entrega: Avaliado por: Conceito: