UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE QUALIFICAÇÃO DE FORNECEDORES COM BASE EM SUPPLY CHAIN Por: Nilton Leonardo de Souza Guilherme Orientador Prof.ª Fabiane Muniz Rio de Janeiro 2009 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” PROJETO A VEZ DO MESTRE QUALIFICAÇÃO DE FORNECEDORES COM BASE EM SUPPLY CHAIN Apresentação Candido de Mendes monografia como à requisito Universidade parcial para obtenção do grau de especialista em Administração da Qualidade. Por: Nilton Leonardo de Souza Guilherme 3 AGRADECIMENTOS Agradeço aos amigos Samuel Valle, Mário Badiola, Danilo Ribera, Fernando Manhães e Daniel Percara, por sua amizade, exemplo e incentivo na minha caminhada. 4 DEDICATÓRIA Dedico esta monografia primeiramente a Deus que nos supre de todas as necessidades. Minha família: esposa Patrícia Edwiges, filho Rafael e filha Carol. Aos meus pais, Nilton Guilherme e Lêda Guilherme. Pelo incentivo e acreditarem no meu potencial como profissional, marido, pai e filho. 5 RESUMO Qualidade e preço são dois vetores opostos, ou seja, quanto mais qualidade inserida em um projeto de produto mais caro ele se torna e viceversa. Por isso, muitas pessoas fazem escolhas por produtos mais baratos. Este conceito é discutível quando consideramos o ciclo de vida do produto, pois caso sejam feitas opções de menor preço (menor qualidade), deve-se considerar um ciclo de vida menor. Para garantia de que o produto está sendo manufaturado dentro dos requisitos necessários para garantia da qualidade e alcance da expectativa do seu ciclo de vida, também se deve garantir que os insumos utilizados devem ser de qualidade e que os processos de suprimentos e ressuprimentos sejam cumpridos dentro dos prazos. Este receio, com relação à qualidade na produção em escala de medidores eletrônicos, é uma realidade no segmento de Concessionárias de Energia Elétrica. Um programa que visa qualificar o processo fabril dos fabricantes de medidores de energia elétrica, devido ao pouco tempo de comercialização desta tecnologia em nível internacional (no máximo sete anos) e, principalmente nacional (máximo de dois anos), está sendo maturado com base no relacionamento de Supply Chain. 6 METODOLOGIA O método que levou ao problema proposto foi um estudo de caso em uma concessionária de energia elétrica com a inserção de nova tecnologia de medição de energia em detrimento a antiga tecnologia dominada há 100 anos. A base deste programa científico fora consolidada em estudos acadêmicos em livros focados em: gerenciamento total da qualidade, cadeia de suprimentos e estatística. Os métodos utilizados no desenvolvimento foram: • Criação e desenvolvimento de procedimento de qualificação de fornecedores: contempla homologação técnica de medidores e avaliação do processo fabril dos medidores; • Critérios técnicos para homologação de medidores, baseados nos princípios de Engenharia de Valor, nos quais os medidores são avaliados segundo os recursos oferecidos e culminando com análise crítica em nível de componente; • Questionário enviado aos fabricantes de medidores com enfoque: no sistema fabril, portfólio e taxa de falhas de medidores; • Benchmarking com os clientes de tais fornecedores com objetivo de validar informações recebidas dos mesmos e avaliar seu nível de satisfação com aquisição de tais medidores; • Visita Técnica às plantas fabris, fundamentalmente para avaliação de seus processos de fabricação, tecnologia utilizada, quesitos contra eletricidade estática (ESD), rastreabilidade metrológica e de processo; • Criação de método de pontuação para desenvolvimento de ranking. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 8 CAPÍTULO I - Ferramentas de Qualidade Empregadas no Programa de Qualificação de Fornecedores 09 CAPÍTULO II - Sistemática de Avaliação de Fornecedores 20 CAPÍTULO III – Solução Para o Problema – Estudo de Caso 39 CONCLUSÃO 81 ANEXOS 83 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 85 BIBLIOGRAFIA CITADA (opcional) 86 ÍNDICE 87 FOLHA DE AVALIAÇÃO 88 INTRODUÇÃO 9 O objetivo de trabalho foi o de avaliar a eficácia das auditorias de 2.ª parte no processo de qualificação de fornecedores de medidores de energia elétrica. Em face da globalização e da velocidade dos acontecimentos atuais no cenário nacional no que tange ao uso de tecnologia de medidores eletrônicos no segmento de baixa tensão, conhecido por “massivo” que contempla medidores monofásicos e polifásicos – grupo “B”; as Concessionárias de Energia Elétrica brasileiras estão sendo muito influenciadas para migrarem ao uso desta tecnologia que ainda é pouco conhecida, em detrimento da tecnologia em uso a 100 anos de medidores de indução eletromagnética. Os maiores riscos residem na aceitação e aquisição de medidores de qualidade duvidosa, principalmente os fabricantes asiáticos, portanto, enfocamos este programa nos 5 (cinco) maiores fabricantes de medidores nacionais, com critérios imparciais para que qualquer outro fabricante postulante a fornecedor de medidores possa ser avaliado e reprovado ou qualificado. 10 CAPÍTULO 1 – FERRAMENTAS DA QUALIDADE EMPREGADAS NO PROGRAMA DE QUALIFICAÇÃO DE FORNECEDORES Neste capítulo serão abordadas técnicas e ferramentas de qualidade na intenção de mensurar e avaliar as possibilidades de eliminação e/ou mitigação das causas raízes da “falta de qualidade”. Nas sociedades primitivas, havia insuficiência na qualidade dos produtos e “serviços” naturais. A vida humana pôde existir somente dentro de estreitos limites de temperatura, qualidade do ar, qualidade dos alimentos e etc. Para a maioria das sociedades primitivas, a vida, mesmo dentro desses estreitos limites, era marginal, apesar do uso extensivo das faculdades humanas físicas e mentais. Como conseqüência, os seres humanos em muitas sociedades industriais modernas vivem mais e mais variadamente. Estão também amplamente protegidos dos perigos que seus ancestrais enfrentaram. Entretanto, todos os produtos e serviços artificiais criaram novas dependências e, por isso, novos perigos. Segundo Juran (1993), em vez de estarem sujeitos aos perigos das forças naturais, os seres humanos agora sofrem os riscos resultantes de sua própria engenhosidade. Algumas vezes esses produtos e serviços falham. As conseqüentes interrupções na continuidade são custosas e irritantes. Alguns desses produtos e serviços contêm ameaças à segurança e à saúde humana, bom como ao meio ambiente. A extensão de tais falhas e ameaças ao bem estar humano depende da qualidade colocada nesses produtos e 11 serviços artificiais. Juran (1993) criou a frase “A vida por trás das Barreiras da Qualidade” para designar esses riscos. A habilidade para se conviver com essas falhas nas barreiras da qualidade varia extraordinariamente entre os seres humanos. As grandes organizações (por exemplo, indústrias e governos) podem empregar técnicos ou, então, utilizar sua força econômica e política para planejar; controlar e aperfeiçoar a qualidade. E, em contraste, os indivíduos (consumidores, cidadãos) sentem-se competindo com forças que, para eles, parecem tão poderosas e misteriosas quanto às forças naturais para seus ancestrais. Qualquer indivíduo tem capacidade limitada para lidar com essas forças. Entretanto, eles são muito numerosos e, coletivamente, sua força política é formidável. Essa força emergiu em um movimento geralmente chamado “movimento dos consumidores”, que, embora pouco organizado, tem conseguido proporcionar aos indivíduos da sociedade proteção e recurso em relação às falhas nas barreiras da qualidade. Agora vamos avaliar problemas pela óptica do consumidor. Os principais problemas relacionados com a qualidade são listados na Tabela 1 (conforme Sentry, 1976, p.5). Tabela 1 - Principais problemas do consumidor com relação à qualidade Má qualidade de muitos produtos Fracasso em cumprir a propaganda Má qualidade de serviços de assistência técnica e conserto Embalagens e etiquetas enganosas Inutilidade de fazer reclamações; nada substancial será feito Garantias inadequadas Fracasso das empresas em lidar adequadamente com reclamações Muitos produtos perigosos Falta de informação confiável sbre os diferentes produtos e serviços Falta de informação sobre o que se fazer quando um produto adquirido não funciona bem Dificuldade de escolher quais produtos concorrentes comprar 12 Algumas vezes as expectativas dos consumidores aumentam mais depressa que as taxas de aperfeiçoamento do mercado (Sentry, 1976, p.3). Além disso, as percepções do consumidor podem ser diferentes da realidade. Por exemplo, uma crença bastante comum é a de que a qualidade dos produtos está se tornando cada vez pior; “de que os produtos já não duram tanto quanto costumavam durar”. Já o estudo de linhas de produtos específicos quase sempre mostra que a qualidade continua melhorando. Segundo Juran (1993), não está claro se isso é verdade também para os serviços de assistência técnica. Agora abordaremos algumas propostas de soluções para estes problemas. Há um número delas, entre muitas diferenças de opinião. Em parte, as diferenças surgem pelo impacto dos custos e preços. Além disso, há diferenças devidas a uma competição pelo poder. Várias organizações – consumidores ativistas, órgãos do governo etc. – acreditam que poderiam executar papéis mais amplos e que certas forças tradicionais das empresas deveriam ser restringidas. Segundo Juran (1993), o ideal seria que as soluções eliminassem as causas dos problemas do consumidor na sua raiz. O movimento de consumidores tem sido cético em considerar que tal prevenção partirá da iniciativa das indústrias. Assim, as principais propostas estão interessadas em estabelecer modos de permitir que os consumidores julguem de antemão se estão prestes a comprar um problema: Certificação independente. De acordo com este conceito, a lei exige que a adequação dos produtos seja aprovada independentemente, antes que eles possam ser vendidos ao público. Esse conceito já é amplamente aplicado às categorias específicas de produtos (farmacêuticos, alimentícios, etc.) em vários países. Geralmente as economias baseadas nas leis de mercado têm evitado essas certificações independentes obrigatórias para bens de consumo e tem 13 confiado nas forças competitivas do mercado para lutar em prol dos consumidores, não só com relação à qualidade, mas também a outros assuntos. Em contraste, as economias planejadas, exemplificadas pela antiga União Soviética, têm adotado firmemente o estabelecimento de padrões de produtos para o consumidor e a utilização de laboratórios independentes para fazer cumprir esses padrões (que tem força de lei). Padrões para bens de consumo. A concessão de um selo ou marca pressupõe alguns padrões contra os quais o produto pode ser testado em bases objetivas. Segundo Juran (1993) o fornecimento de tais padrões para bens de consumo não recebeu o mesmo destaque dado aos padrões para metrologia, materiais básicos, e outros elementos tecnológicos e industriais. Entretanto, o movimento de consumidores muito provavelmente estimulou o ritmo de desenvolvimento desses padrões. Sobretudo as associações industriais foram estimuladas a realizar mais esse tipo de atividade. A necessidade contínua de padrões para o consumidor está na definição de palavras-chave. Quando uma mesma palavra tem um sentido técnico e outro na linguagem comum, essa diferença pode tornar-se crítica para os bens de consumo. Por exemplo, uma medida de qualidade dos relógios é o número de rubis. Quando alguns fabricantes começaram a inserir rubis não-funcionais para fornecer uma base de rotulação dos relógios, para indicar maior qualidade, foi necessário criar uma definição precisa do que constitui um rubi. Uma séria limitação na criação de padrões para os bens de consumo é o ritmo da obsolescência dos produtos versus o tempo necessário para estabelecer esses padrões. Normalmente leva anos para se desenvolver um padrão devido à necessidade de assegurar uma base de acordo ampla. Para assuntos comparativamente estáveis, como metrologia ou testes e materiais básicos, esses padrões, uma vez aprovados terão uma vida muito longa. Entretanto, para os bens de consumo essa vida é limitada pela obsolescência, 14 e para muitos produtos, a vida do padrão torna-se tão curta que chega a levantar questões sérias sobre a viabilidade econômica de estabelecer esses padrões. Isto ocorre nos eletro-eletrônicos em virtude da alta velocidade do desenvolvimento de materiais alternativos e tecnologias mais avançadas, buscando a maximização dos recursos e lucros. Um outro problema nos padrões para os bens de consumo é que a ênfase tradicional dos órgãos de padronização tem sido a qualidade do projeto. Os testes e marcas resultantes também enfatizaram a qualidade do projeto. Segundo Juran (1970), muitos dos problemas do consumidor são causados por deficiências em relação a outros parâmetros – qualidade de conformidade, as “competências”, qualidade do serviço de campo. Geralmente os testes de laboratório não se envolveram nesses assuntos, e só recentemente começaram a fazê-lo. De uma maneira geral, os laboratórios não são capazes de certificar a qualidade de conformidade de toda sua produção. Muitos dos acordos de homologação contém uma autorização para os laboratórios amostrarem o fluxo de produção ou visitarem as fábricas para inspeção. Na prática, a autorização raramente é utilizada, pois a tradição e a estrutura de remuneração são contrárias a ela. Abordaremos as certificações de 3.ª parte, realizadas por agentes externos cuja internacionalmente. competência No cenário é reconhecida brasileiro, o nacionalmente órgão responsável e/ou pela Certificação e Acreditação de organizações e/ou laboratórios é o INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia , Normalização e Qualidade Industrial. A acreditação é atestação de terceira parte relacionada a um organismo de avaliação da conformidade, comunicando a demonstração formal da sua competência para realizar tarefas específicas de avaliação da conformidade. 15 No Inmetro é de caráter voluntário e representa o reconhecimento formal da competência de um Organismo de Avaliação da Conformidade - OAC para desenvolver tarefas específicas, segundo requisitos estabelecidos. A Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro atua na acreditação de Organismos de Avaliação da Conformidade - OAC. As diretrizes básicas estão relacionadas em: Segue abaixo figura 1 do Fluxograma Básico do Processo de Acreditação: Figura 1 – Fluxograma do processo de acreditação de laboratórios no INMETRO O processo inicia-se com a obtenção, no site do Inmetro, das informações e da documentação necessária para a acreditação . De posse destas informações básicas, a organização ou laboratório encaminha a solicitação pertinente junto com os documentos necessários. O Inmetro verifica a viabilidade de atender à solicitação e, se necessário solicita documentação adicional ou, no caso de laboratórios, realiza uma visita de préavaliação. 16 A documentação é analisada por uma equipe formada por avaliadores/auditores qualificados e especializados nas atividades que serão avaliadas/auditadas. Após a análise da documentação, os laboratórios participam de uma comparação interlaboratorial, que tem por finalidade avaliar o seu desempenho na realização das calibrações e/ou ensaios para os quais pretende ser credenciado. No sentido de verificar a implementação do sistema da qualidade, a equipe realiza a avaliação/auditoria e, dependendo do tipo de acreditação, haverá uma auditoria-testemunha. Com as informações resultantes das etapas anteriores, a Comissão de Acreditação analisa todo o processo e emite parecer ao coordenador da área de acreditação que tomará a decisão sobre a concessão ou não da acreditação. Em caso favorável, a organização ou laboratório terá status de acreditado somente após a assinatura do contrato de acreditação. 1.1 - Vantagens da Acreditação Para as organizações acreditadas - Disponibiliza valioso recurso através de um grupo de avaliadores da conformidade, independentes e tecnicamente competentes; - Fornece um processo de avaliação único, transparente e reproduzível com o qual se evita a utilização de recursos próprios, se elimina o custo da reavaliação e se reforça a coerência; 17 - Reforça a confiança do público nos serviços prestados; Fomenta os esquemas confiáveis de auto-regulação do próprio mercado, incrementando-se a competência e a inovação. Para os usuários avaliados - Possibilita a tomada de decisões acertadas, diminuindo o risco da tomada de decisões com base em avaliações incorretas, ou o que é pior, ter seu produto rejeitado pelo comprador que não aceita avaliações não acreditadas; - Garante a aceitação internacional dos produtos sem a necessidade de repetições das avaliações realizadas. Para os avaliadores/auditores: - Em alguns setores é um requisito imprescindível para execução das atividades; - Para determinadas atividades, é um requisito de fato para poder vender os serviços de avaliação (por exemplo: calibração, certificação ISO 9001, etc.); - É um marco diferencial no mercado, sendo garantia de integridade e competência, aumentando assim as oportunidades comerciais dos avaliadores; proporciona ao avaliador a possibilidade prestar um serviço reconhecido internacionalmente; - Oferece garantias de sua competência e é um meio de conscientização sobre a necessidade de melhoria contínua. Para os consumidores finais - Inspira confiança no provedor ao garantir que o produto tem sido avaliado por um organismo independente e competente; - Aumenta a liberdade de escolha e fomenta um mercado livre, porém confiável. Objetividade dos testes. A menos que o teste seja objetivo, os consumidores podem ser enganados exatamente pela organização na qual passavam poder confiar. O critério pela objetividade inclui: 18 a) Independência financeira. Isto exige que a receita do serviço de teste não tenha relação com os resultados do teste. A melhor forma de independência existe quando a receita não provém daqueles fabricantes cujos produtos estão sendo testados. Caso isto não ocorra, os pagamentos por parte dos fabricantes devem destinar-se somente a serviços de teste e de nenhuma forma ser condicionados aos resultados desses testes. Um exemplo de fracasso na satisfação desses critérios é uma organização que mantém atividade dupla de (1) conduzir um esquema de classificação baseado no teste e aprovação do produto e (2) publicar um jornal de circulação geral no qual os fabricantes que solicitam uma classificação devem ser anunciantes. Em tais acordos, o risco de conflito de interesses é muito alto, e os consumidores devem ser advertidos quanto a darem crédito a tais marcas. b) Independência organizacional. O pessoal do serviço de teste não deve estar subordinado às empresas cujos produtos estão sendo testados. c) Padrões objetivos. Na falta de padrões, as instalações de testes são colocadas na posição de simultaneamente estabelecer padrões e testar conformidade. Uma longa experiência tem confirmado a necessidade de separar essas funções tão diferentes. d) Capacitação tecnológica. Essa necessidade óbvia inclui um quadro de profissionais qualificados, equipamento de teste apropriado e uma administração competente. Questiona-se seriamente se os gerentes devem julgar as capacitações de suas próprias organizações. A questão sobre objetividade é tão importante que, no caso dos testes obrigatórios é normal citar no estatuto a necessidade de definir os critérios do que constitui um laboratório apropriado. O administrador da ação é então o 19 responsável por determinar as qualificações do laboratório de acordo com esses critérios. Com base no exposto, a ISO – International Organization for Standardization, a IEC – International Electrotechnical Commission e ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas adotam como referência para laboratórios a norma NBR ISO/IEC 17025 Requisitos gerais para competência e laboratórios de ensaio e calibração. Um dos requisitos desta norma, justamente enfoca a necessidade de se evidenciar que o laboratório é livre de pressões comerciais, subordinadas e de conflito de interesses. 1.2 – Controle da Qualidade Total Agora abordaremos conceitos de “Controle da Qualidade Total”. Segundo Juran (1993), uma empresa honesta só pode sobreviver dentro de uma sociedade se for para contribuir para a satisfação das necessidades das pessoas. Este é o seu objetivo principal. Se este fato é tomado como premissa, a primeira preocupação da administração da empresa deve ser a satisfação das necessidades das pessoas afetadas pela sua existência. Sob esse aspecto, a primeira prioridade da empresa deve ser os consumidores. É necessário, e mesmo vital para as empresas, que eles se sintam satisfeitos por um longo tempo após a compra do seu produto ou a utilização do seu serviço. Um segundo tipo de pessoa afetado pela empresa é seu empregado. A empresa deve se esforçar para pagar-lhe bem, respeitando-o como ser humano e dando-lhe a oportunidade de crescer como pessoa e no seu trabalho, vivendo uma vida feliz. Isto é importante para o “aporte de conhecimento”. Este conceito deve ser estendido também para os empregados das empresas fornecedoras, do sistema de distribuição de produtos (vendas e assistência técnica) e das empresas afiliadas e empreiteiras. 20 Um terceiro tipo de pessoas afetadas pela empresa são os acionistas. Numa sociedade de economia livre, a empresa deve ser lucrativa de tal forma a poder pagar dividendos a seus acionistas e se expandir, criando novas oportunidades. Isto é importante para o “aporte de capital”. A produtividade gera o lucro que, reinvestido, é o único caminho seguro para a geração de empregos. Finalmente, os vizinhos da empresa devem ser respeitados através do controle ambiental, evitando-se que a empresa polua o meio ambiente em que atua. Como atingir esse objetivo principal? Segundo Campos (1995), o objetivo principal de uma empresa (sua sobrevivência através da satisfação das necessidades das pessoas) pode ser atingido pela prática do Controle da Qualidade Total. O controle da qualidade total atende aos objetivos da empresa, como colocado anteriormente, por ter as seguintes características básicas: a) É um sistema gerencial que parte do reconhecimento das necessidades das pessoas e estabelece padrões para o atendimento dessas necessidades. b) É um sistema gerencial que visa manter os padrões que atendem às necessidades das pessoas. c) É um sistema gerencial que visa melhorar (continuamente) os padrões que atendem às necessidades das pessoas, a partir das necessidades das pessoas, a partir de uma visão estratégica e com abordagem humanista. A figura 2 Componentes da qualidade total demonstra a estrutura considerando as necessidades dos clientes: 21 Figura 2 - Componentes da qualidade total PESSOAS ATINGIDAS DIMENSÕES DA QUALIDADE TOTAL produto/serviço rotina Cliente/vizinho Qualidade Custo Custo Preço Cliente/acionista/empregado/vizinho QUALIDADE TOTAL Entrega Prazo certo Local certo Quantidade certa Cliente Para satisfazer as necessidades das pessoas Moral Empregados Empregado Segurança Empregados Usuários Cliente/empregado/vizinho 1.3 – Apresentação do “Controle da Qualidade Total” O controle da qualidade total é um sistema administrativo aperfeiçoado no Japão, a partir de idéias americanas ali introduzidas logo após a Segunda Guerra Mundial. Este sistema é conhecido no Japão pela sigla TQC (Total Quality Control), sendo que em outros países os japoneses preferem utilizar a sigla CWQC (Company Wide Quality Control) para diferenciá-lo do sistema TQC pregado pelo Dr. Armand Feigenbaun. O TQC, como praticado no Japão, é baseado na participação de todos os empregados da empresa e de todos os empregados no estudo e condução do controle da qualidade. O TQC é baseado em elementos de várias fontes: emprega o método cartesiano, aproveita muito do trabalho de Taylor, utiliza o controle estatístico de processos, cujos fundamentos foram lançados por Shewhart, adota os controles sobre comportamento humano lançados por Maslow e aproveita todo o conhecimento ocidental sobre qualidade, principalmente o trabalho de Juran. O TQC é um modelo administrativo montado pelo Grupo de Pesquisa de Controle da Qualidade da JUSE (Union of Japanese Scientists and Engineers). Segundo Campos (1995), as “organizações humanas” (empresas, escolas, hospitais, etc.) são meios (causas) destinados a se atingir determinados fins (efeitos). Controlar uma “organização humana” significa 22 destacar quais foram os fins, efeitos ou resultados não alcançados (que são os problemas das organizações), analisar estes maus resultados buscando suas causas e atuar sobre estas causas de tal modo a melhorar os resultados. Primeiro devemos reconhecer quais são os fins (resultados) desejados para uma empresa. Como o objetivo de uma organização humana é satisfazer as necessidades das pessoas, então o objetivo, o fim, o resultado desejado de uma empresa é a Qualidade Total. Qualidade Total são todas aquelas dimensões que afetam a satisfação das necessidades das pessoas e, por conseguinte a sobrevivência da empresa. Estas dimensões são mostradas na figura 2 e têm o seguinte significado: a) Qualidade – esta dimensão está diretamente ligada à satisfação do cliente interno ou externo. Portanto, a qualidade é medida através das características da qualidade dos produtos ou serviços finais ou intermediários da empresa. Esta inclui a qualidade do produto ou serviço (ausência de defeitos e presença de características que irão agradar ao consumidor), a qualidade da rotina da empresa (previsibilidade e confiabilidade em todas as operações), a qualidade dos treinamentos, da informação, das pessoas, da empresa, da administração, dos objetivos, do sistema, dos engenheiros, etc. b) Custo – o custo é visto aqui não só como custo final do produto ou serviço, mas inclui também os custos intermediários. Qual o custo médio de compras? Qual o custo de vendas? Qual o custo do recrutamento e seleção? O preço é também importante, pois ele deve refletir a qualidade. Cobra-se pelo valor agregado. c) Entrega – sob esta dimensão da qualidade total são medidas as condições de entrega dos produtos ou serviços finais e intermediários de uma empresa: índice de atrasos de entrega, índices de entrega em local errado e índices de entrega de quantidades erradas. 23 d) Moral – esta é uma dimensão que mede o nível médio de satisfação de um grupo de pessoas (Maslow). Este grupo de pessoas pode ser o grupo de todos os empregados da empresa ou os empregados de um departamento ou seção. Este nível médio de satisfação pode ser medido de várias maneiras, tais como o índice de turn-over, absenteísmo, reclamações trabalhistas, etc. e) Segurança – sob esta dimensão avalia-se a segurança dos empregados e a segurança dos usuários do produto. Mede-se aqui a segurança dos empregados através de índices tais como número de acidentes, gravidade, etc. A segurança dos usuários é ligada a responsabilidade civil pelo produto. Segundo Valle (2001), em sua obra Gestión de La Calidad para Laboratórios: Guía para La Implantación y La Acreditación, ele descreve a qualidade de forma que a mesma pode ser definida em seis vetores: custo (baixo custo operacional, custo de aquisição competitivo com relação aos benefícios e competitivo com o mercado), prazo (cumprimento de datas), segurança (durabilidade, boa aparência e disponibilidade de recursos funcionais), ética, adequação ao uso (simplicidade) e qualidade intrínseca (facilidade de manutenção). Portanto, se o objetivo é alcançar a Qualidade Total, devemos medir os resultados para saber se este objetivo foi alcançado ou não. Então devemos medir a qualidade dos produtos ou serviços, o número de reclamações de clientes, a fração de serviços/produtos defeituosos (por exemplo: quantos faturamentos com erro em cada 100 feitos?), o custo do produto/serviço, os atrasos de entrega de cada produto, a fração de entrega realizada em local errado, a fração de entrega realizada em quantidade errada, o índice de turnover de pessoal, o índice de absenteísmo, o índice de acidentes, etc. Diante de qualquer destes resultados (fins) que estejam fora do valor desejado, deve-se “controlar” (buscar as causas e atuar). Este é o significado de controlar os meios (causas) através da medida da Qualidade Total dos resultados. 24 O significado do TQC poderia ser melhor entendido se fizéssemos uma equação: TQC = (CONTROLE + QUALIDADE) TOTAL TQC = “CONTROLE TOTAL” + “QUALIDADE TOTAL” Que é “controle total”? É o controle exercido por todas as pessoas da empresa, de forma harmônica (sistêmica) e metódica (baseado no ciclo PDCA). Que é “qualidade total”? É o verdadeiro objetivo de qualquer organização humana: “satisfação das necessidades de todas as pessoas”. Portanto, temos a verdadeira definição de TQC: é o controle exercido por todas as pessoas para a satisfação das necessidades de todas as pessoas. Conceito do Controle da Qualidade Total Numa era de economia global não é mais possível garantir a sobrevivência da empresa apenas exigindo que as pessoas façam o melhor que puderem ou cobrando apenas resultados. Hoje são necessários métodos que possam ser utilizados por todos em direção aos objetivos de sobrevivência da empresa. Estes métodos devem ser aprendidos e praticados por todos. Este é o princípio da abordagem gerencial do TQC. O Controle da Qualidade Total é regido pelos seguintes princípios básicos: a) Produzir e fornecer produtos e/ou serviços que atendam concretamente às necessidades dos clientes (na verdade o que todos nós “produzimos” é a satisfação de necessidades humanas). 25 b) Garantir a sobrevivência da empresa através do lucro contínuo adquirido pelo domínio da qualidade (quanto maior o domínio maior a produtividade). c) Identificar o problema mais crítico e solucioná-lo pela mais alta prioridade (para isto é necessário conhecer o método que permite estabelecer estas prioridades e o método que permite solucionar estes problemas). d) Falar, raciocinar e decidir com dados e com base em fatos (tomar decisões em cima de fatos e dados concretos e não com base em “experiência”, “bom senso”, “intuição” ou “coragem”). e) Gerenciar a empresa ao longo do processo e não por resultados (quando o mau resultado ocorre a ação é tardia. O gerenciamento deve ser preventivo). f) Reduzir metodicamente as dispersões através do isolamento de suas causas fundamentais (os problemas decorrem da dispersão das variáveis dos processos). g) O cliente é o rei. Não permitir a venda de produtos defeituosos. h) Procurar prevenir a origem de problemas cada vez a montante. i) Nunca permitir que o mesmo problema se repita pela mesma causa. j) Respeitar os empregados como seres humanos independentes. k) Definir e garantir a execução da Visão e Estratégia da Alta Direção da organização. 1.4 – Conceito de Controle de Processo Segundo Juran (1995), a importância das ações para manter e melhorar é tão grande que os gerentes deveriam entendê-las profundamente; a sua conceituação; os meios para conduzi-las; e os resultados que se podem alcançar. Agora entenderemos a importância de controlar os processos. O controle de processo é a essência do gerenciamento em todos os níveis hierárquicos da empresa, desde o presidente até os operadores. O primeiro passo no entendimento do controle de processo é a compreensão do relacionamento causa-efeito. Segundo Campos (19950), esta compreensão irá 26 criar as pré-condições para que cada empregado da empresa possa assumir suas próprias responsabilidades, criando as bases para o gerenciamento participativo. Sempre que algo ocorre (efeito, fim, resultado) existe um conjunto de causas (meio) que possam ter influenciado. Observando a importância da separação das causas de seus efeitos no gerenciamento e como nós temos a tendência de confundi-los, os japoneses criaram o “diagrama de causa e efeito”. Este diagrama, também chamado de “diagrama de espinha de peixe” ou “diagrama de Ishikawa” é mostrado na figura 3 e foi criado para que todas as pessoas da empresa pudessem exercitar a separação dos fins de seus meios. Figura 3 - Diagrama de Ishikawa CAUSAS MATÉRIA - PRIMA MÁQUINA MEDIÇÕES Fornecedores Fornecimento próprio Deterioração Manutenção Instrumento Condições locais Inspeção Oficina Condições ambientais Físico Mental Capacitação MÃO-DE-OBRA Informação Instrução Procedimento MÉTODO EFEITO MEIO AMIENTE Característica da Qualidade Item de controle Fatores de Qualidade Itens de Verificação PROCESSOS DE MANUFATURA = 6"M" Definição de processo Vejamos agora o que significa “processo”. Processo é um conjunto de causas (que provoca um ou mais efeitos). Observa-se na figura 3 que o processo foi dividido em famílias de causas (matérias-primas, máquinas, medições, meio ambiente, mão-de-obra e método), que são também chamadas “fatores de manufatura” (para área de serviço seriam chamados fatores de serviço). 27 Uma empresa é um processo e dentro dela existem vários processos: não só processos de manufatura como também processos de serviço. Por exemplo: considere uma fábrica de latas. Ela é um processo que tem uma série de causas que provoca o efeito principal, a lata. As causas são os equipamentos de medição, as máquinas, as matérias-primas, a luminosidade local, a mão-de-obra treinada, o método de fabricação, etc. Por outro lado, o processo “fábrica de latas” é divisível em outros processos menores que, compõem o fluxo de fabricação da lata, como, por exemplo: processo de compra, processo de recebimento de matérias-primas, processo do corte de chapa, processo de solda, etc. Mesmo estes processos menores podem ainda ser subdivididos em outros subprocessos, de forma a facilitar o gerenciamento. Enquanto houver causas e efeitos haverá processos. Este conceito de divisibilidade de processos permite controlar sistematicamente cada um deles separadamente, podendo desta maneira conduzir a um controle mais eficaz sobre o processo todo. Controlando-se os processos menores é possível localizar mais facilmente o problema e agir prontamente sobre sua causa. Infere-se que o controle de processos é uma prática que se inicia com o presidente da empresa, pois o processo maior, a empresa, é de sua responsabilidade. Cada processo pode ter um ou mais resultados (efeitos, fins). Para que se possa gerenciar de fato cada processo é necessário medir (avaliar) seus efeitos. Os itens de controle de um processo são índices numéricos estabelecidos sobre os efeitos de cada processo para medir a sua qualidade total. Portanto, um processo é gerenciado através de seus itens de controle que medem a qualidade, custo, entrega, moral e segurança dos seus efeitos. Estes itens de controle também podem ser chamados de itens de controle dos 28 resultados e são estabelecidos sobre os “pontos de controle”. Nunca se deve estabelecer um item de controle sobre algo de que não se possa “exercer o controle”, ou seja, atuar na causa do desvio. Esta atitude irá simplificar em muito os sistemas de informação gerencial. Podemos caracterizar a qualidade como uma designação especial dada ao item de controle quando este mede a qualidade de um produto ou serviço resultante de um processo. Um efeito de um processo (medido pelos itens de controle) é afetado por várias causas, mas apenas poucas causas afetam a grande parte de um item de controle (Princípio de Pareto: “poucas causas são vitais e muitas triviais”). O gerente pode achar necessário verificar estas causas como meio de garantir um bom nível de seus resultados. Os itens de verificação de um processo são índices numéricos estabelecidos sobre as principais causas que afetam determinado item de controle. Portanto, os resultados de um item de controle são garantidos pelo acompanhamento dos itens de verificação. Os itens de verificação podem também ser chamados de “itens de controle das causas” e são estabelecidos sobre os “pontos de verificação” do processo. “Fatores da Qualidade” é uma designação especial dada aos itens de verificação quando estes se referem às causas de um processo que afetam fortemente a qualidade de um produto ou serviço. Um item de verificação de um processo pode ser um item de controle de um processo anterior. Isto ocorre tanto na linha hierárquica de uma empresa, na qual o item de verificação do chefe é o item de controle do subordinado, como no relacionamento entre processos, em que o item de verificação de um processo pode ser item de controle de um processo anterior. 29 Numa empresa cada pessoa tem autoridade sobre o “seu processo” (meios), responsabilidades sobre os resultados (fins) deste processo e terá itens de controle. O item de controle é um dos pilares de um bom gerenciamento. Se você não tem itens de controle você não gerencia. O processo sobre o qual você tem autoridade está à deriva. Este é o cerne do gerenciamento participativo. Normalmente, quando ocorre um problema procura-se qual foi a causa que provocou o resultado indesejável. Partir de um resultado e procurar uma causa dentre várias (um “conjunto de causas” é um processo) é conduzir uma análise de processo. Concluída a análise de processo e localizada a causa fundamental (causa raiz ou causa original), é determinado um novo procedimento de tal forma a garantir que a causa localizada seja evitada. Quando se introduz um novo procedimento, está sendo conduzida uma padronização. Finalmente são estabelecidos pontos de controle com seus itens de controle de tal forma a confirmar que os novos procedimentos estão sendo cumpridos e garantir que nunca mais ocorrerá o fato. Isto equivale a estabelecer itens de controle e suas metas, para evitar problemas. Estas são as bases do controle. Manter sob controle é saber localizar o problema, analisar o processo, padronizar e estabelecer itens de controle de tal forma que o problema nunca mais ocorra. A figura 4 mostra as bases do controle. Após a análise do processo, o ato de padronizar e estabelecer itens de controle equivale a replanejar o processo. Replanejar sempre para melhores níveis. No TQC generaliza-se o conceito de “desastre” para todo resultado indesejável (problema) nas dimensões da qualidade total (qualidade, custo, 30 entrega, moral e segurança). Este é o fundamento para se utilizar o termo “Controle da Qualidade Total”. O conceito japonês de controle inclui o lado humano. O conceito de controle no Japão é maslowniano, pois toma como princípio de que o homem possui uma natureza boa. As pessoas são inerentemente boas e sentem satisfação por um trabalho realizado. Quando um problema ocorre, não existe um culpado! Existem causas que devem ser buscadas por todas as pessoas da empresa de forma voluntária. Figura 4 – Bases do controle CONTROLE DA QUALIDADE PARA ELIMINAR AS CAUSAS FUNDAMENTAIS DOS PROBLEMAS ANÁLISE DE PROCESSO PADRONIZAÇÃO ITENS DE CONTROLE Para identificar as causas fundamentais dos problemas Para prender as causas fundamentais numa jaula Para vigiar as causas fundamentais e confirmar que estão presas na jaula Para manter sob controle 1.5 – Método de Controle de Processo Segundo Ishikawa(1998), se você não tem item de controle, você não gerencia. Método é uma palavra de origem grega e é a soma das palavras META (que significa “além de”) e HODOS (que significa “caminho”). Portanto, método significa “caminho para se chegar a um ponto além do caminho”. Como gerenciar para se atingir um ponto mais baixo dos custos? Ou um ponto de superior qualidade? Ou um ponto de melhor prazo de entrega? 31 Existe um caminho para isto que todos na empresa podem estudar e aprender que é o método do Ciclo do PDCA de controle. O PDCA é um método para a prática do controle. O “controle de processo” é exercido através do Ciclo PDCA de controle de processos. A figura 5 mostra o Ciclo PDCA (PLAN, DO, CHECK, ACTION) composto das quatro fases básicas do controle: planejar, executar, verificar e atuar corretivamente. Os termos do PDCA tem o seguinte significado: • Planejamento (P) – consiste em: a) Estabelecer metas sobre os itens de controle; b) Estabelecer a maneira (o caminho, o método) para se atingir as metas propostas. Esta é a fase da “diretriz de controle”. • Execução (D) – execução das tarefas exatamente como prevista no plano e coleta de dados para verificação do processo. Nesta etapa é essencial o treinamento no trabalho decorrente da fase de planejamento. • Verificação (C) – a partir dos dados coletados na execução, compara-se o resultado alcançado com a meta planejada. • Ação Corretiva (A) – esta é a etapa onde o usuário detectou desvios e atuará no sentido de fazer correções definitivas, de tal modo que o problema nunca volte a ocorrer. 32 Figura 5 – Ciclo do PDCA O ciclo PDCA de controle pode ser utilizado para manter e melhorar as “diretrizes de controle” de um processo. O ciclo PDCA é utilizado para manutenção no nível de controle (ou cumprimento das “diretrizes de controle”), quando o processo é repetitivo e o plano (P) consta de uma meta que é uma faixa aceitável de valores de um método que compreende os “Procedimentos Padrão de Operação”. Portanto, o trabalho executado através do ciclo PDCA na Manutenção consta essencialmente do cumprimento de procedimentos padrão de operação (standard operation procedure, SOP). Os itens de controle neste caso são faixas de valores-padrão como, por exemplo: qualidade-padrão, custo-padrão, prazo-padrão, quantidade-padrão, etc. O ciclo PDCA também é utilizado nas melhorias do nível de controle (ou melhoria da “diretriz de controle”). Neste caso, o processo não é repetitivo e o plano consta de uma meta que é um valor definido (por exemplo: reduzir o índice de peças defeituosas em 50%) e de um método, que compreende aqueles procedimentos próprios necessários para se atingir a meta. Esta meta é o novo “nível de controle” pretendido. Todos na empresa (diretores, gerentes, técnicos e operadores) utilizam o ciclo PDCA das duas maneiras: uma com foco na manutenção e outra com 33 foco na melhoria. No entanto, os operadores utilizam o ciclo PDCA mais intensamente na manutenção, pois o seu trabalho é essencialmente o cumprimento de padrões. Os operadores utilizam o ciclo PDCA nas melhorias quando participam dos Círculos de Controle da Qualidade (CCQ). À medida que se sobe na hierarquia, utiliza-se cada vez mais o ciclo PDCA nas melhorias. Isto significa que a grande função das chefias é estabelecer novos níveis de controle que garantam a sobrevivência da empresa. É estabelecer novas “diretrizes de controle”. O caminho do sucesso para obter melhorias contínuas nos processos é o de conjugar os dois tipos de gerenciamento: manutenção e melhorias. Melhorar continuamente um processo significa melhorar continuamente os seus padrões (padrões de equipamentos, padrões de materiais, padrões técnicos, padrões de procedimento, padrões de produto, etc.). Cada melhoria corresponde ao estabelecimento de um novo “nível de controle” (novo valormeta para um item de controle). Em outras palavras, cada melhoria corresponde ao estabelecimento de uma nova “diretriz de controle”. As “diretrizes de controle” são mantidas pelo cumprimento dos procedimentos padrão de operação (Standard Operation Procedures – SOP), com o “ciclo da manutenção” do seqüenciamento PDCA em linha dupla. Vejamos a conceituação das 4 etapas do PDCA: • PLAN a) Definição dos itens de controle a serem acompanhados e de sua faixapadrão aceitável (nível de controle); b) Definição dos procedimentos-padrão necessários à manutenção dos resultados do processo. Esta fase equivale ao estabelecimento da “diretriz de controle”. Aqui está o ponto fraco das empresas brasileiras. A grande maioria dos processos 34 não possui “diretriz de controle”, ou seja, não possui itens de controle e procedimentos-padrão! • DO c) “Treinamento no trabalho” para os executantes, de tal forma que sejam os “melhores do mundo” naquilo que fazem. Este treinamento é baseado nos procedimentos-padrão; d) Treinamento em coleta de dados; e) Execução das tarefas conforme os procedimentos-padrão (isto deve ser periodicamente auditado). Como é rara a existência da “diretriz de controle”, o treinamento no trabalho nas empresas brasileiras é de péssima qualidade! • CHECK f) Os itens de controle devem ser verificados, o que pode ser feito das mais variadas formas. Aqui se faz uma grande confusão no Brasil. Os principiantes despreparados insistem em utilizar as famosas “cartas de controle”. No entanto, a maioria das pessoas sente dificuldades até em definir seus itens de controle. Precisamos nos conscientizar de que primeiro precisamos aprender o “conceito de controle“, depois aprender o “método de controle” para depois nos aventurarmos no estabelecimento do controle de processos. Na grande maioria dos processos, um simples “gráfico de controle” (gráfico seqüencial) é o bastante para orientar a estabilização do processo. As “cartas de controle” possuem um “charme” todo especial, mas são “pente fino”. São um instrumento a ser utilizado para monitorar processos sob controle e estáveis. • ACTION g) Caso tudo esteja normal, manter os procedimentos atuais para que os resultados possam ser mantidos em uma faixa padrão; h) Caso ocorra uma anomalia, a chefia deve ser avisada imediatamente para as ações corretivas necessárias, a não ser que as ações corretivas cabíveis já estejam padronizadas. Toda anomalia deve ser registrada para futura análise. 35 Todas as pessoas da empresa, do presidente aos operadores, cumprem padrões e, portanto utilizam o PDCA no “ciclo de manutenção”. No entanto, os operadores são aqueles que ocupam grande parte do seu tempo cumprindo padrões e, portanto, para isto devem ser preparados. Este preparo é de responsabilidade das chefias. A julgar pela experiência com empresas brasileiras, não existe uma consciência difundida da importância de se estabelecer “diretrizes de controle” e, portanto, todo o controle de processo fica prejudicado, fazendo com que o gerenciamento seja de péssima qualidade. Devemos julgar este gerenciamento, não a forma como julgamos a nós mesmos, pois sempre tendemos a ser benevolentes. Devemos julgar pelos resultados, que são péssimos: não somos competitivos internacionalmente; nossas empresas estão jogando “pelo dreno” de 20 a 40% do seu faturamento com perdas devidas ao descontrole! Os operadores não são culpados por isto pois eles deviam ser treinados segundo as “diretrizes de controle”, de responsabilidade das chefias e que freqüentemente não existem. A simples taxa de turn over de pessoal, quase sempre superior a 10% a.a., por si só já mostra o descuido com este fator. Todas as pessoas da empresa gostam de melhorar os resultados pois esta é uma atividade altamente motivadora quando bem conduzida. No entanto o princípio básico do “conceito de controle” é que para melhorar é necessário antes de tudo saber manter a “diretriz de controle”. 1.6 – Prática do Controle da Qualidade A prática do controle da qualidade é o cerne do TQC. O controle da qualidade total é um novo modelo gerencial centrado no controle do processo, tendo como meta a satisfação das necessidades das pessoas. O controle da qualidade no contexto do TQC é exercer o “controle” sobre as dimensões da 36 qualidade. O objetivo mais importante deste controle é garantir a qualidade do seu produto para o seu cliente externo ou interno. É desse objetivo que provém o famoso conceito: “O próximo processo é o seu cliente.” A prática consciente do controle da qualidade por todas as pessoas da organização, assumindo a responsabilidade (fins) dos resultados sobre “seus processos” e a autoridade (meio) sobre seus processos (conhecidos quando da definição de sua função), é a base do gerenciamento participativo e o pilar de sustentação do TQC. Não se pode conceber TQC e nem se imaginar Garantia da Qualidade (GQ) no estilo japonês sem que haja a participação dedicada e metódica de todos os setores e pessoas da organização praticando o controle da qualidade. A participação das pessoas não é conseguida por exortação, mas por educação e treinamento na prática do controle da qualidade. O controle da qualidade é abordado em três objetivos: a) Planejar a qualidade desejada pelos clientes; isto implica em um esforço de localizar o cliente, saber de suas necessidades (muitas vezes ele não as conhece e ele deve se colocar no seu lugar), traduzir estas necessidades em características mensuráveis, de tal forma que seja possível gerenciar o processo de atingi-las. b) Manter a qualidade desejada pelo cliente; cumprindo padrões e atuando nas causas dos desvios. O “controle” (PDCA) é usado para manter os resultados. c) Melhorar a qualidade desejada pelo cliente; neste caso é preciso localizar as resultados indesejáveis (problemas) e utilizar o método da solução de problemas (diagrama de Ishikawa) para solucioná-los. Todo trabalho do gerenciamento de rotina consta do estabelecimento, manutenção e melhoria dos padrões: especificação e projeto (padrões de qualidade), padrões de processo (padrão técnico de processo) e procedimentos padrão de operação (standard operation procedure – SOP). 37 Portanto, é essencial ter-se um bom sistema de padronização montado na organização e que sirva como referência para o seu gerenciamento. Cada “unidade gerencial básica” deve ter um Manual de Padronização. É aconselhável para isso que se adote um modelo que siga as normas ISO 9000, de tal forma que no caminho de se implantar o TQC a empresa possa ser certificada. Para empresas que estão implantando o TQC, o alvo é a ISO 9001. 1.7 – Garantia da Qualidade Agora enfocaremos a relação final da cadeia na relação cliente x fornecedor. A razão de ser de uma organização são seus clientes. Portanto, toda sua administração deve estar voltada para a qualidade, que é a busca contínua da satisfação das necessidades de seus clientes. Mais recentemente ficou claro que a empresa é um meio para atingir a satisfação de todas as pessoas (clientes, acionistas, empregados e vizinhos). Acontece que as necessidades mudam constantemente e os concorrentes estão sempre se desenvolvendo e melhorando. Diante deste quadro, para que a empresa possa sobreviver é necessário desenvolver novos produtos ou serviços (melhores, mais baratos, mais seguros, de entrega mais rápida, de manutenção mais fácil, etc. do que os concorrentes). Para produzir estes novos ou serviços são necessários novos processos (melhores, mais fáceis, de menor dispersão, mais rápidos, mais seguros, etc. do que os concorrentes). Este processo de melhoria contínua tem como referências o cliente e os concorrentes e se constitui na garantia da própria sobrevivência da organização. Neste modelo, a inspeção do produto do processo produtivo é feita por um departamento independente da produção e com grande autoridade conferida. Este modelo tem conduzido a direção das organizações a muitos enganos na sua administração, sendo o maior deles a crença de que o custo 38 aumenta com a melhoria da qualidade. Se a qualidade fosse melhorada apenas na inspeção, a afirmação acima seria verdadeira; entretanto, se a qualidade é melhorada no processo, eliminando as causas fundamentais dos defeitos, é evidente que o custo diminui com a melhoria da qualidade e consequentemente ocorrerá o aumento da credibilidade e valor agregado para a imagem da organização. Alguns aspectos interessantes são mencionados com referência a esta questão: a) Inspetores aumentam os custos e não produzem. Eles só existem porque os defeitos existem. Portanto, se os defeitos forem atacados na sua origem os inspetores não serão mais necessários. b) Com o aumento da velocidade da produção, a inspeção manual 100% se torna impossível. Neste caso, a única solução seria a automação da inspeção. c) Se for utilizada a inspeção por amostragem estatística, esta se torna inadequada para empresas que buscam índices de defeitos ao nível de PPM (partes por milhão). d) Itens cuja qualidade simplesmente não pode ser garantida somente pela inspeção. Este é o caso de montagens complexas, cuja qualidade só será conhecida durante o uso (ex.: medidores de energia de tecnologia eletrônica). e) O problema de se ter um departamento de inspeção separado do processo de produção atrasa as informações da qualidade e sua análise, impedindo que ações corretivas (remoções de sintomas e bloqueios) sejam tomadas a tempo. Estas informações são em sua maioria, inúteis por serem tardias. No TQC, o trabalhador é responsável pelo seu processo. Desta maneira, todo trabalhador é um inspetor de seu processo e as ações podem ser tomadas imediatamente com a ajuda do supervisor. f) O conceito de que o produtor é responsável pela garantia da qualidade deve ser difundido não só aos fornecedores da empresa, até que se possa atingir o estágio de eliminar a inspeção, mas também dentro da empresa, onde cada processo deve garantir a qualidade para o processo seguinte. 39 Enquanto houver defeitos deverá haver inspeção. A redução substancial da inspeção final não pode ser um ato decorrente de um desejo, mas uma conquista final, conseqüência de uma luta travada ao nível do processo contra as causas fundamentais dos defeitos, utilizando-se a análise de processo. Enquanto a garantia da qualidade é orientada pela inspeção, a responsabilidade pela qualidade do produto é apenas do departamento de inspeção. Quando a garantia da qualidade é deslocada para os processos, todos na empresa tem que se envolver e se responsabilizar pela qualidade. É conveniente ressaltar que, pela definição de processo já apresentada, uma organização poderá ter centenas e até milhares de processos, sendo que a qualidade deverá ser construída em cada um, de forma organizada. Não existem “atalhos” para se garantir a qualidade do processo. Evidentemente, o conceito de processo se estende por toda a organização, incluindo inspeção, compras, engenharia de produto e de processo, marketing, manutenção, finanças, etc. Na medida em que o gerenciamento de rotina é implantado em toda organização, os índices de defeitos caem e as especificações podem ser obedecidas integralmente. No entanto, somente isto não garante a qualidade, pois se pode ter um processo perfeito, fazendo um produto sem defeitos com especificações que não atendam às necessidades do cliente. Dando-se ênfase somente ao controle de processos, questões importantes para a satisfação das necessidades do consumidor não podem ser resolvidas, tais como condições imprevistas de uso do produto. Os problemas de qualidade podem ter sua origem no projeto e desenvolvimento do produto e estes não podem ser resolvidos pelo pessoal de inspeção e produção. Daí surgiu então o conceito de que a qualidade (satisfação das necessidades do consumidor) deve ser garantida durante o ciclo de produção, 40 iniciando-se no consumidor e prosseguindo-se sempre em busca da constante melhoria da qualidade. 1.8 – Desdobramento da Qualidade Neste item veremos como as diretrizes da alta direção com respeito à qualidade são repassadas para a organização. O projeto do produto deve garantir satisfação total do consumidor. Entretanto, como traduzir para o projeto desejos tais como: carro confortável, câmera fotográfica fácil de usar, roupa fresca, caneta macia, etc. A tradução dos desejos do consumidor, como expressos em suas palavras, para instruções técnicas para os vários processos da empresa é denominada “desdobramento da qualidade” ou análise de qualidade. As necessidades do consumidor são traduzidas em características do produto, depois em características do processo e finalmente em pontos de controle incorporados nos procedimentos operacionais. É evidente que, para que se tenha sucesso no desdobramento da qualidade, é necessária uma harmonia entre as áreas de marketing, engenharia do produto, produção e engenharia do processo. O desdobramento da qualidade se traduz na própria garantia da qualidade no desenvolvimento de novos produtos, pois propicia a qualidade de projeto adequada para satisfação das necessidades do consumidor e qualidade de conformidade. O projeto de fabricação do produto deve ser feito de tal forma a incorporar a opinião de várias áreas da empresa (engenharia de produto, engenharia de processo, produção, vendas, contabilidade, RH, etc.), evitando, assim, projetos complexos, difíceis de serem fabricados e que podem resultar em produtos defeituosos. A garantia da qualidade é incorporada já na fase de desenvolvimento do projeto. 41 Um outro fator importante no projetos de novos produtos é o estudo de dados históricos, de tal maneira a fornecer aos projetistas informações que conduzam à prevenção da reincidência de erros, ainda na fase do projeto. O projeto do produto é parte do desdobramento da qualidade e, evidentemente, deve refletir as necessidades do consumidor. A qualidade do projeto (agregação de qualidades positivas na qualidade) pode estar boa mas o custo final do produto poderá não agradar ao consumidor. Para isto deve-se, ainda na fase projeto, reduzir o custo do produto, conduzindo-se a análise de valor. A necessidade do consumidor expressa como “ser algo a durar muito” é traduzida em termos de projeto (linguagem de engenharia) como segurança do produto, confiabilidade e facilidade de manutenção. Contribuem para isto técnicas como o FMEA (Failure Mode and Effect Analysis) e FTA (Fault Tree Analysis) utilizadas também na fase de projeto. 1.9 - O Ciclo de Garantia da Qualidade O mercado internacional tem assumido algumas características que demandam mudanças administrativas nas empresas. Estas características são: a) Diminuição do tempo entre o desenvolvimento científico e o desenvolvimento do projeto. b) Diminuição do tempo de vida comercial de um produto, que é logo substituído por outro mais moderno (obsolescência). Isto traz a empresa para a seguinte demanda: • Rapidez no desenvolvimento de novos produtos e inovações. • Acerto da satisfação total do consumidor (tradução perfeita das necessidades do cliente). 42 • Garantia de acerto do projeto e do produto, já que não há muito tempo para alterações do projeto, a partir de informações do mercado (utilizar o consumidor como cobaia...). É necessário, então, montar um sistema competente que garanta o desempenho acima. Juran (1993), definindo a garantia da qualidade afirma: “a garantia da qualidade fornece proteção sob a forma de avisos antecipados, que permitem a condução de ações corretivas antes do desastre. Quando se aplica este conceito para o desenvolvimento de produtos, a garantia da qualidade é chamada de garantia do projeto”. A garantia do projeto e do produto é feita através do ciclo da garantia da qualidade. O ciclo da garantia da qualidade começa no cliente. No TQC, a organização pensa e age sob o ponto de vista do consumidor nas atividades de venda e assistência técnica, incluindo o controle da entrega (hora certa, lugar certo e quantidade certa), assistência ao revendedor e precaução com a segurança do cliente. Para garantir um nível de qualidade confiável, a pesquisa do mercado é essencial. Os dados coletados são classificados em necessidades de novos produtos e necessidades de melhorias em produtos existentes. As necessidades de melhoria, após estudadas, são enviadas para desenvolvimento. As necessidades de novos produtos são verificadas com o planejamento da empresa e estudos da previsão de mudanças mercadológicas, com os movimentos dos concorrentes, com as normas requeridas e com a análise de custos. Este é o primeiro passo para se estabelecer a qualidade do projeto. Assim que se decide iniciar o desenvolvimento de um produto, iniciamse as ações: projeto, custo e engenharia da produção. Antes que se inicie o projeto do produto, protótipos são testados intensivamente e avaliados através de vários métodos de análise de falhas, assegurando neste ponto a segurança e confiabilidade do produto. 43 Passa-se então, ao projeto do produto, onde as especificações já otimizadas e a qualidade são transferidas ao projeto. Neste estágio, custo e durabilidade são reconfirmados. O projeto é revisto e discussões detalhadas são conduzidas com clientes. Terminado o projeto, passa-se ao estágio de preparação da produção. Providenciam-se compras necessárias, projetos de ferramentas, projetos de processos, planejamento da produção, considerações de reduções de custos e melhoria do processo, que deve responder rapidamente às mudanças do projeto do produto. Inicia-se, então, a produção, incorporando-se a qualidade ao produto. A manutenção e a melhoria da qualidade do produto são obtidas pela capacidade da Rotina, controle (mão-de-obra, equipamento, materiais e meios), melhorias de operação, melhorias do processo e automação. Após a produção, passa-se pela inspeção final e fecha-se o ciclo da garantia da qualidade, voltando-se ao cliente. 1.10 – Garantia da Qualidade no Processo de Produção O processo de produção é organizado de tal forma a permitir objetivar índices de defeitos baixíssimos, ao nível de partes por milhão (ppm). A garantia da qualidade em cada processo de produção é montada de tal forma a não produzir defeitos ou, se produzir, não transferir. O processo é gerenciado utilizando-se o ciclo PDCA no Gerenciamento da Rotina do Trabalho do dia-adia, propiciando a melhoria contínua. Além disto, é sistematicamente praticada a revisão do projeto do processo, de tal forma a melhorá-lo continuamente (alguns tipos de defeitos em produtos se originam do próprio projeto defeituoso do processo). 44 O objetivo de não produzir defeitos é perseguido através da busca da melhoria da capacidade estatística do processo (pela revisão do projeto do processo, análise de processo e gráficos de controle) e prevenção de defeitos pela análise de falhas, manutenção preventiva, obediência aos padrões e melhoria da habilidade de localizar problemas e lidar com eles (análise de processo). O objetivo de não transferir defeitos é perseguido pela verificação da qualidade em cada processo, pela análise de falhas e mecanização da inspeção. O Gerenciamento de Rotina do Trabalho dia-a-dia é a prática do controle da qualidade, que nada mais é do que um procedimento detalhado para execução da garantia da qualidade. A orientação pela satisfação total do consumidor continua ainda após a fabricação: que embalagem mais agrada ao cliente ou que é mais apropriada ao produto? O produto está sendo cuidado para não sofrer danos no transporte? A entrega está sendo feita nas condições solicitadas? O manual de instruções é de fácil entendimento? O consumidor está sendo assistido? As reclamações estão sendo atendidas? Reclamações – Por mais bem cuidadas que sejam as fases de planejamento, projeto e produção, produtos defeituosos acabarão por ser produzidos e alcançarão o mercado. As reclamações do consumidor são essenciais para que correções possam ser feitas (as reclamações estão para o bloqueio de defeito do produto assim como os relatos de anomalias estão para o bloqueio no processo). No entanto, dois tipos de problemas podem ocorrer: os consumidores podem não reclamar ou as reclamações podem ficar retidas e nunca atingirem a organização ou o processo que causou o problema. 45 No primeiro caso, existe o problema das reclamações latentes, que a empresa deve se esforçar por captar, pois a reclamação é essencial para a melhoria do produto. Fabricantes e consumidores têm que se unir na melhoria dos produtos e esta mensagem deve chegar ao cliente, seja através de veículos de comunicação ou por inscrições no próprio produto. No segundo caso, é necessário evitar a perda das reclamações, definindo um processo de tratamento das reclamações que assegure a sua chegada e circulação na organização pelas áreas interessadas. Às vezes, é costume do departamento de vendas não transferir as reclamações e organizações que não dispões de um programa de controle de qualidade acabam tendo dez vezes mais reclamações do que a quantidade real. Troca de produtos – A organização deve decidir-se a repor imediatamente qualquer produto defeituoso para manter o consumidor satisfeito. No entanto, isto é só remoção de sintoma. Além disto, a reclamação poderá indicar que toda uma partida de produtos saiu com o mesmo defeito. Neste caso, o fabricante deve realizar uma troca preventiva (recall), além de conduzir ações corretivas (bloqueios) no projeto de tal forma a eliminar o erro definitivamente. Vejamos alguns pontos de atenção: Período de garantia – O período de garantia do produto, durante o qual o fabricante o consertará gratuitamente, tem alguns aspectos interessantes. Primeiro ele representa um custo para o fabricante e como tal está devidamente repassado ao consumidor, ou seja, quem paga o período de garantia é o consumidor. Segundo, ele representa um bom atrativo; no entanto, deve ser considerado na determinação deste período o fato de que nem todos os consumidores usam o produto com a mesma intensidade e neste caso que usa menos estará pagando a manutenção de quem usa mais. 46 Estabelecimento de postos de serviços – Um produto que é utilizado por cinco a dez anos necessita de boa manutenção, de peças confiáveis e de bom atendimento durante este período. Esta é uma atividade de contato direto com o consumidor e que se reflete diretamente na imagem da empresa, no bom desempenho do produto e portanto na satisfação total do consumidor. Manual do proprietário – É importante que os produtos duráveis sejam acompanhados de um manual de operação, que instrua o consumidor para cuidados durante o uso. É importante que os produtos duráveis sejam acompanhados de um manual de operação, que instrua o consumidor para cuidados durante o uso. É importante para o fabricante que estes manuais sejam lidos, pois isto pode refletir-se diretamente no desempenho do produto. Portanto, o manual deve ser o mais conciso possível, com muitas figuras explicativas e redigido em linguagem na qual um consumidor possa entender. Peças de reposição – Um produto que é normalmente utilizado por cinco a dez anos pode eventualmente durar 30 anos na mão de um consumidor cuidadoso. É necessário que peças sobressalentes estejam sempre disponíveis por períodos mais longos que os exigidos por lei, de tal forma que o fabricante possa ganhar a confiança dos consumidores, que é uma das metas da garantia da qualidade. 1.11 – Auditoria da Qualidade Segundo Ishikawa (1998), o auditor pode possuir uma pilha de fórmulas e check lists, mas sem o conhecimento baseado em experiência, ele não conduzirá bem a sua função... Auditorias devem ser usadas para promover a qualidade, não para inspecionar. A implantação do controle da qualidade em uma organização precisa ser monitorada não só para verificar seus pontos fortes e fracos, mas também para 47 orientar as pessoas e demonstrar o interesse contínuo da empresa pela qualidade. A norma NBR ISO 19011:2002 define a auditoria como: “Processo sistemático, documentado e independente para obter evidências de auditoria (3.3) e avaliá-las objetivamente para determinar a extensão na qual os critérios da auditoria (3.2) são atendidos. NOTA 1- AS Auditorias internas, algumas vezes chamadas de auditorias de primeira parte são conduzidas pela própria organização, ou em seu nome, para análise crítica pela direção e outros propósitos internos, e podem formar a base para uma autodeclaração de conformidade da organização. Em muitos casos, particularmente em pequenas organizações, a independência pode ser demonstrada pela liberdade de responsabilidades pela atividade sendo auditada. NOTA 2- As Auditorias externas incluem aquelas geralmente chamadas de auditorias de Segunda e de terceira partes. Auditorias de Segunda parte são realizadas por partes que têm um interesse na organização, tais como clientes, ou por outras pessoas em seu nome. Auditorias de terceira parte são realizadas por organizações externas de auditoria independente, tais como organizações que provêem certificados ou registros de conformidade com os requisitos da NBR ISO 9001 ou NBR ISO 14001. NOTA 3- Quando os sistemas de gestão da qualidade e ambiental são auditadas juntos, isto é chamado de auditoria combinada. NOTA 4- Quando duas ou mais organizações de auditoria cooperam para auditar um único auditado (3.7), isto é chamado de auditoria conjunta.” Existem três tipos de auditoria: de sistema, de processo e de produto. 48 A auditoria de sistema é conduzida para verificar se a política da qualidade e o sistema da qualidade estão perfeitamente compreendidos. É verificado se está sendo conduzida a melhoria do gerenciamento da rotina do trabalho do dia-a-dia seguindo a implementação de um plano previamente proposto. Este tipo de auditoria é conduzida pela alta administração; gerentes seniors e pelo escritório de TQC. A organização da garantia da qualidade audita o sistema de fornecedores somente. A auditoria de processo é conduzida para verificar: a) Se todos os processos estão seguindo padrões preestabelecidos. b) Se os operadores estão seguindo os procedimentos operacionais padrão. c) Se os padrões técnicos estão atualizados e disponíveis na área de trabalho. d) Se todos os operadores estão adequadamente educados e treinados. e) Se todos os equipamentos, ferramentas e instrumentos de medida estão calibrados, identificados e com boa manutenção. Este tipo de auditoria é conduzido pela organização de garantia da qualidade. A auditoria de produto é conduzida para verificar se os produtos que sofreram inspeção estão completamente em conformidade com as exigências e necessidades da qualidade. Este tipo de auditoria também é conduzido pelo pessoal da organização de garantia da qualidade. As auditorias praticadas em controle de qualidade devem sempre ter como objetivo ajudar as pessoas, cooperando com elas no sentido de trazer condições melhores de vida para todos. A natureza do homem é boa, ele precisa ser orientado e ajudado. Desta maneira, as pessoas que praticam a auditoria devem entender (e antes de mais nada ter praticado) o controle da qualidade de tal forma a ter algo a contribuir para com aqueles que estão sendo auditados. Uma auditoria conduzida por pessoas treinadas, mas inexperientes, através de listas de verificações (check lists) e perguntas pré- 49 formuladas, é mais uma inspeção que auditoria. O produto da auditoria deve ser a orientação, o conselho. Auditores Externos – Do Fornecedor Pelo Comprador Esta forma de auditoria é, talvez, uma das mais úteis, por um motivo muito simples: ela é conduzida por quem tem experiência em controle da qualidade e o objetivo do comprador é, evidentemente, o de desenvolver e melhorar o seu fornecedor. Esta forma de auditoria poderá se tornar, a médio prazo, um excelente mecanismo de desenvolvimento para as pequenas e médias empresas brasileiras. Para isto é necessário, e mesmo questão de alto interesse nacional, que as grandes empresas implantem o TQC e se tornem experientes, para que possam ajudar seus fornecedores através de auditorias. Por outro lado, deve ficar bem claro que, no espírito do TQC, a auditoria não visa produzir documentos e papelada. A auditoria tem que ser preparada para que possa ser vista como uma oportunidade para promoção do controle da qualidade por toda empresa dentro da filosofia de “melhoria contínua”. Auditores Externos – Auditores Por Certificação A certificação ou selo de garantia pode ser uma exigência governamental ou de clientes, principalmente aqueles localizados no exterior e que querem ter alguma forma de garantia do seu fornecedor. Ela tem que ser feita. No entanto, como regra geral, os inspetores não têm experiência em controle de qualidade e, portanto estas auditorias não são eficazes para o crescimento da empresa. Auditores Externos – Consultores Independentes 50 Esta forma de auditoria é muito utilizada em todo o mundo, inclusive no Japão. Nesta forma de auditoria, o consultor permanece na empresa por alguns dias e produz um relatório com recomendações e sugestões focado do escopo da certificação. No Brasil, a utilização de consultores para este fim é rara. No entanto, esta prática, no caso brasileiro, poderia ajudar a colocar muitas empresas no caminho da qualidade, produtividade e posição competitiva. Auditores Externos – Prêmios Nacionais No momento em que o Brasil está entrando intensamente na prática do gerenciamento pela qualidade e procura instruir um “Prêmio Nacional” este tópico pode ser importante. Existem hoje dois prêmios muito populares em todo mundo: o prêmio Deming, do Japão, e o prêmio Malcolm Baldrige, dos EUA. Muito embora sejam muito similares no conteúdo, existem algumas diferenças. 1.12 – Controle de Qualidade Para Subcontratos e Compras Em média, o fabricante japonês gasta um equivalente a 70% de seu custo de fabricação na compra de matérias-primas e peças de outras empresas (fornecedores). Portanto, a menos que a qualidade, o preço, a quantidade e o tempo de entrega destas matérias-primas e peças estejam corretos, o comprador e o montador não podem fabricar bons produtos e nem garantir a qualidade a seus consumidores. Para os compradores, o controle da qualidade dos fornecedores de matérias-primas e peças é extremamente importante. Durante os anos 50, os fabricantes japoneses de carros e de produtos elétricos faziam produtos inferiores e de custo alto e de baixa qualidade. Uma das razões para isto era o fato de que muitos fornecedores eram empresas de 51 pequeno e médio porte que não tinham bons programas de controle de qualidade. Ultimamente estes fabricantes selecionavam cuidadosamente seus fornecedores, e os fornecedores, por sua vez, executavam consistentemente o controle de qualidade. A gênese da alta qualidade, da confiabilidade e da vantagem de preço dos produtos japoneses foi esta virada dos acontecimentos. Um dos fatores principais que deram apoio à qualidade dos produtos japoneses é o alto nível de controle de qualidade mantido pelos fornecedores. Eles têm trabalhado em conjunto com os compradores para tornar possível a qualidade. Algumas empresas americanas preferem produzir elas mesmas tudo de que precisam. Esta política pode ter advindo do fato delas não confiarem ou não poderem confiar em seus fornecedores. A organização deve ter uma política básica de longo prazo com relação a subcontratos e compras e que precisa ser bastante clara. O procedimento deve ser: 1- Selecionar um fabricante especializado. Com relação às peças necessárias à sua empresa, deixe bem claro quais são as que deseja comprar deste fornecedor e quais são as que você mesmo vai produzir. Deve ser traçada uma linha clara de demarcação desde o princípio. 2- Você quer que o subcontratante (fornecedor) torne-se um fabricante especializado, que é independente e pode fornecer produtos para outras empresas também, ou você prefere que o fornecedor torne-se uma subsidiária dentro de seu próprio sistema industrial (keiretsu)? Neste caso, sua empresa está disposta a assumir a carga e gerenciar a subsidiária? 52 Do ponto de vista do comprador, a relação entre o comprador e o fornecedor precisa ser clara como água antes que seja feito qualquer contrato ou qualquer compra. Os dois pontos acima ajudarão o comprador a esclarecer aquela relação. Para melhorar a garantia da qualidade e eliminar as condições insatisfatórias existentes entre o comprador e o vendedor (fornecedor), foram estabelecidos os dez princípios a seguir. Eles surgiram em 1960, em uma conferência sobre controle de qualidade, e foram revisados em 1966. Segue o texto original destes dez princípios: Prefácio: Tanto o comprador quanto o vendedor devem ter confiança mútua, cooperação e a resolução de viver-e-deixar-viver baseada nas responsabilidades dos empreendimentos para o público. Neste espírito, ambas as partes deveriam praticar sinceramente os seguintes “Dez princípios”: Princípio 1: Tanto o vendedor quanto o comprador são totalmente responsáveis pela aplicação do controle de qualidade, com entendimento mútuo e cooperação entre seus sistemas de controle de qualidade. Princípio 2: Tanto o vendedor quanto o comprador devem ser independentes um do outro e prezar a independência da outra parte. Princípio 3: O comprador é responsável pelo fornecimento de informações e exigências claras e adequadas ao vendedor, para que o vendedor saiba exatamente o que deve fabricar. Princípio 4: Tanto o vendedor quanto o comprador, antes de realizar qualquer transação comercial, devem fechar entre si um contrato racional com relação à qualidade, à quantidade, ao preço, aos prazos de entrega e ao método de pagamento. Princípio 5: O vendedor é responsável pela garantia da qualidade que dará satisfação ao comprador, e é responsável também pela submissão dos dados reais e indispensáveis a pedido do comprador. 53 Princípio 6: Tanto o vendedor quanto o comprador devem decidir antecipadamente sobre o método de avaliação de vários itens, o qual será admitido como satisfatório para ambas as partes. Princípio 7: Tanto o vendedor quanto o comprador devem estabelecer em seu contrato os sistemas e procedimentos através dos quais possam acertar amigavelmente as disputas sempre que ocorrer qualquer problema. Princípio 8: Tanto o vendedor quanto o comprador, levando em consideração a posição da outra parte, devem trocar informações necessárias à execução de um melhor controle de qualidade. Princípio 9: Tanto o vendedor quanto o comprador devem executar suficientemente atividades comerciais de controle nos pedidos, no planejamento da produção e do inventário, nos trabalhos de escritório e nos sistemas, para que sua relação mantenha-se em bases satisfatórias e amáveis. Princípio 10: Tanto o vendedor quanto o comprador, quando lidarem com transações comerciais, devem sempre levar totalmente em conta os interesses do consumidor. Para empenhar-se na atividade de fabricação, o comprador e o fornecedor precisam determinar especificações para as matérias-primas e as peças. As especificações devem ser estatisticamente determinadas, depois que a empresa realizar a análise de qualidade e a análise de processo e considerar a viabilidade econômica. A questão de determinar as especificações é um campo especializado de estudo em si, porém, os pontos seguintes precisam ser lembrados: 1- Primeiramente, investigue para ver se existem especificações para as matérias-primas e peças. Caso não exista nenhuma disponível, faça especificações. 2- Se já existirem especificações, analise-as e decida se são adequadas. 54 3- Empenhe-se na análise da qualidade e na análise do processo (incluindo uma pesquisa das capacidades do projeto). Estude e analise os produtos defeituosos, os produtos que precisam ser refabricados e as queixas dos consumidores. Use os dados obtidos para revisar continuamente as especificações. Nenhum conjunto de padrões nacionais ou de especificações podem ser perfeitos. A demanda do consumidor por qualidade aumenta continuamente. Se os fabricantes estão satisfeitos com o status quo, verão um dia que seus produtos não satisfazem mais aos consumidores. O comprador e o fornecedor precisam continuamente revisar e melhoras as especificações. Ainda hoje, muitas empresas compram matérias-primas sem fazer as especificações adequadas ou aceitam materiais que não estão de acordo com as especificações. Eu sempre aconselho às empresas que compram peças, “Selecione amostras de cem tipos de pelas e meça todas elas. Em seguida, compare-as com os diagramas. Você ficará surpreso com os resultados.” Fazer uma distinção entre peças (ou matérias-primas) fabricadas pela empresa ou fabricadas por fornecedores é uma importante função da administração. Significa decidir se as peças (ou matérias-primas) serão fabricadas na empresa ou se serão compradas junto a fornecedores. Ao tomar esta decisão, a administração precisa ter uma visão de longo alcance pelo bem-estar da empresa e precisa considerar os seguintes pontos: 1- Estas matérias-primas e peças são muito importantes para a empresa? 2- A empresa tem o know-how técnico para produzi-las dentro da empresa? A empresa tem capacidades de processo? A administração pensa que é necessário fomentar este know how técnico dentro da empresa? A elaboração de know how técnico é viável com relação à contratação e ao treinamento de pessoal e à realização dos investimentos adequados? 3- Existem fabricantes especializados nestas matérias-primas e peças de que a empresa precisa? Se existem, eles tem a capacidade de administração e de 55 processos necessárias para atender ás exigências da empresa? A organização precisa fazer um estudo cuidadoso desta questão antes de tomar qualquer decisão. 4- Se não existirem fabricantes especializados, a questão passa a ser a empresa deseja manter este tipo de fabricantes especializados. Nos anos 50 e 60, os fabricantes de carros e de produtos elétricos japoneses tiveram que enfrentar obstáculos aparentemente intransponíveis. Em última análise, eles decidiram criar e manter fornecedores especializados, o que por sua vez tornou possível a eles alcançar as posições que ocupam atualmente. 5- Estude todos os fatores acima sob a perspectiva do custo, da quantidade e do acúmulo de tecnologia. Normalmente, estes pontos são estudados pela divisão de engenharia de produção ou pela divisão de compras. A divisão apropriada submete um esboço de plano à administração para a determinação final desta última. 1.13 – Selecionando e Mantendo um Fornecedor Ao adquirir materiais e peças de fontes externas, o comprador precisa investigar ou fazer uma auditoria e um julgamento sobre as capacidades de administração do fornecedor, especialmente aquelas ligadas ao controle da qualidade. Há ocasiões quando o comprador pode selecionar fornecedores livremente e há ocasiões nas quais isto não é possível. As ocasiões em que o comprador não pode escolher livremente surgem quando o comprador usa seus próprios produtos, quando os fornecedores são empresas subsidiárias, quando há somente uma fonte de suprimento, ou quando, devido a obrigações contratuais ou regulamentos governamentais, uma determinada empresa é determinada como fornecedor. Um dos melhores sistemas é o da livre seleção, que ajudará tanto o comprador quanto o fornecedor. Quando este sistema não está disponível, muitas vezes, uma parte torna-se um peso para a outra. 56 O comprador deveria considerar os seguintes pontos antes de selecionar seus fornecedores: 1- O fornecedor conhece a filosofia de administração do comprador e mantém contato contínuo e ativo com o comprador. Ele também é cooperativo. 2- O fornecedor tem um sistema de administração estável que é bem respeitado pelos demais. 3- O fornecedor mantém altos padrões técnicos e tem capacidade de lidar com futuras inovações tecnológicas. 4- O fornecedor pode fornecedor exatamente as matérias-primas e peças exigidas pelo comprador, e estas atendem às especificações de qualidade deste último. O fornecedor também possui capacidades de processo para aquele fim ou tem a capacidade de melhorar tais capacidades de processo. 5- O fornecedor tem a capacidade de controlar a quantidade de produção ou tem a capacidade de investir de forma tal que garanta sua capacidade de fazer face à quantidade de produção. 6- Não há perigo do fornecedor violar segredos da empresa. 7- O preço está certo e a data de entrega é sempre respeitada. Além disso, o fornecedor é facilmente acessível em termos de transportes e comunicação. 8- O fornecedor é leal ao executar o que está previsto no contrato. Para garantir que as condições acima serão atendidas, o comprador precisa visitar o fornecedor em potencial e investigar os assuntos listados abaixo, o que envolve auditorias administrativas e auditorias de CQ. Normalmente, a divisão de compras recebe a responsabilidade de investigação, com a assistência das divisões de controle de qualidade, tecnologia industrial, engenharia de produção, controle de produção, fabricação e contabilidade. 1- A filosofia de administração do fornecedor. O comprador precisa estudar a filosofia comum do administrador e da equipe. No caso do fornecedor ser uma empresa de pequeno ou médio porte, o comprador precisa estudar a filosofia de administração do proprietário e também a de seu filho. Deve investigar 57 também o administrador e a equipe em termos de personalidade, conhecimentos, capacidade gerencial e compreensão da qualidade. 2- A preocupação com o comprador mostrada pelo fornecedor. 3- As organizações com as quais o fornecedor tem negócios atualmente. Se possível, investigar a avaliação que os compradores atuais fazem do fornecedor. 4- A história corporativa do fornecedor e seus últimos desenvolvimentos. 5- Tipos de produtos mantidos pelo fornecedor. 6- Informações completas sobre os equipamentos, processos e capacidades de produção do fornecedor. 7- O sistema de garantia de qualidade do fornecedor e a educação em controle de qualidade e os programas de implantação. 8- O controle feito pelo fornecedor da obtenção de matérias-primas e dos subcontratos secundários. Quando estas pesquisas estiverem prontas, o comprador geralmente seleciona dois subcontratantes, comprando de ambos. Isto é, quando digo que a aquisição deve ser feita de dois subcontratantes, quero dizer que o comprador deve adquirir os mesmos materiais e peças de duas empresas. Há diversas razões para apoiar esta prática. Uma é que em caso de incêndio ou de calamidades naturais (tufões ou terremotos) e calamidades causadas pelo homem (tais como greves), não é sábio depender apenas de uma fonte de suprimento. Depois que estas duas empresas forem selecionadas, o comprador entra nas negociações preliminares com cada uma delas. Se estas forem satisfatórias, o comprador pode estabelecer negociações oficiais. No Japão, muitas empresas grandes tendem a comprar peças e matérias-primas de uma empresa em grande quantidade, em uma tentativa de controlá-la. Esta atitude, em essência, cria uma subsidiária dominada pela empresa mãe. Entretanto, ela não resolve a questão da manutenção de empresas especializadas. Ela também cria problemas em tempos de recessão. Idealmente, um 58 subcontratante deveria poder vender seus produtos a outras empresas além da empresa principal. Uma corporação muito conhecida nos Estados Unidos insiste em não comprar mais do que 10% de sua compra total de uma única fonte. Nas negociações preliminares, em princípio o comprador negocia com o fornecedor por um dado período de tempo em base experimental. Isto ocorre após a seleção do fornecedor e após a assinatura de um contrato bem definido sobre as negociações. Durante esta fase de negociações preliminares, o comprador estuda a situação e decide se quer ou não continuar fazendo negócios com o mesmo fornecedor. As negociações oficiais confirmam o fato de que os interesses de ambas as partes serão bem servidos se continuarem os acordos de compra por um longo período de tempo. O fornecedor precisa tentar continuamente melhorar a qualidade, o preço e a eficiência da entrega. O comprador, por seu turno, deve fornecer aconselhamento e assistência, se necessário e se solicitado pelo fornecedor. O comprador deve continuar verificando se o fornecedor é alguém com quem pode negociar futuramente com toda confiança. Para este fim, o comprador precisa: 1- Manter um estreito contato com as partes responsáveis na empresa fornecedora para saber o que acontece todo o tempo na organização, e também estabelecer uma relação de confiança mútua. 2- Examinar, analisar e avaliar os registros do comprador de aceitação de produtos, os registros de entrega e os registros de desempenho dos bens adquiridos tanto durante o uso quanto depois que se tornarem produtos terminados. 3- Realizar uma auditoria de CQ na fábrica do fornecedor, identificando as questões importantes de qualidade que são do interesse do comprador e comunicá-las ao fornecedor. Se necessário, dar aconselhamento apropriado ao fornecedor e ajudá-lo a resolver os problemas existentes. 59 4- Estabelecer um sistema de premiar cada um dos fornecedores pela execução do controle de qualidade. Através deste sistema, promover um programa de controle de qualidade em cada um deles. O comprador também precisa dar conselhos e fazer recomendações ao fornecedor com base nos resultados de sua auditoria de CQ. Pode acontecer entre as duas partes a suspensão das negociações, ainda que a norma seja continuar negociando com as mesmas partes. Quando existir uma das condições seguintes, pode ocorrer a suspensão das negociações: quando partes e materiais de baixa qualidade ou defeituosos são fornecidos regularmente e quando a quantidade de tais defeitos não parece diminuir; quando os bens não são entregues nas datas previstas, e os métodos de entrega não melhoram; quando as medidas de redução de custos não podem ser implantadas conforme planejado; e quando a administração do fornecedor torna-se tão ruim que ele corre o risco de falir. Em termos de controle de subcontratos, bons fornecedores devem ser mantidos tanto quanto possível, transformando-se em fabricantes especializados. Ao mesmo tempo, os fornecedores que não puderem melhorar, devem ser eliminados. Há cerca de duas décadas, uma empresa reduziu o número de subcontratantes de 400 para 100. Foram necessários 3 anos para completar o processo. Manter os subcontratantes não é uma tarefa essencial para o comprador. No Japão, muitos subcontratantes não são bastante fortes sozinhos. Se não conhecem uma administração eficiente ou o controle de qualidade, o comprador deve oferecer oportunidades de fortalecê-los nestas áreas. Por exemplo, o comprador pode patrocinar seminários de controle de qualidade para administradores, engenheiros e círculos de CQ do subcontratante. O comprador pode visitar os fornecedores, realizar auditorias de CQ e oferecer orientação. Geralmente são precisos três anos pelo menos para que um subcontratante fique realmente bom. A administração do comprador precisa estabelecer uma política de longo alcance e considerar 60 manter seus subcontratantes para o benefício de amplo espectro das duas partes. Em tal caso, no interesse da administração independente, os fornecedores precisam pagar os custos totais de educação incorridos. Alguns fornecedores são bastante sovinas e não querem gastar em educação. Se falharem, a responsabilidade é inteiramente deles. 1.14 - Supply Chain Management Supply chain Management compreende o gerenciamento da cadeia de suprimentos e dos canais de distribuição sob um enfoque sistêmico. Busca uma maior integração entre os participantes da cadeia de abastecimento mediante um relacionamento mais estreito e na formação de parcerias com o objetivo de otimizar o fluxo de materiais e de informações na cadeia. A logística como processo de integração serve de base para definição de estratégias à empresa e não apenas como suporte à solução de problemas operacionais. Portanto, a supply chain é constituída pelo conjunto de organizações que mantém relações mútuas e cordiais do início ao final da cadeia logística, criando valor na forma de produtos e serviços, desde os fornecedores até o consumidor final. Os participantes da cadeia de abastecimento estão unidos como elos de uma corrente, onde é importante considerar o fluxo de informações - cadeia virtual de valores - e o fluxo de materiais e/ou produtos - cadeia física de valores. Fontes Fornecedores Transformação Atacadistas e distribuidores 61 Varejistas Consumidores A década de 80 testemunhou a concentração da produção industrial em um número reduzido de grandes plantas. Essa tendência tem se confirmado, devido a uma série de fatores: Especialização das unidades fabris em uma gama Mais estreita de produtos; Internacionalização e padronização dos produtos; Desenvolvimento da informática . Tais fatores permitiram que a produção de uma empresa não mais dependesse da comercialização no mercado em que ela se localiza, graças ao aumento de sofisticação no gerenciamento da cadeia de suprimentos. Esta concentração da produção foi acompanhada pôr uma semelhante concentração do armazenamento, com depósitos maiores, localizados estrategicamente, servindo regiões geográficas muito mais vastas - muitas vezes para mais de um país. Novamente, isso é possível graças a grandes economias de escala, avanços da informática e também melhora dos transportes. A concentração do armazenamento tem sido beneficiada diretamente pêlos avanços da informática, que permitiram o gerenciamento de um leque mais amplo de bens, abrangendo áreas maiores e com interfaces cada vez mais sofisticadas com as outras partes da cadeia de suprimentos. Com isso, é possível encaminhar pedidos com maior eficiência e com maior grau de confiabilidade. 62 Ao mesmo tempo, o nível de estoque diminuíram em todos os setores industriais. Como resultado do encurtamento do tempo de produção, o Just-intime e outras técnicas se tornaram aceitáveis. Na indústria automobilística, a utilização do Just-in-time, está bem documentada. As peças chegam à unidade de produção apenas quando são necessárias e os fabricantes também vêm conseguindo reduzir os estoques nas revendas, substituindo-os pôr depósitos e centrais de distribuição que atendem os revendedores. Além disso, os revendedores recebem agora veículos de lotes de produção destinados especificamente para eles, o que deve diminuir ainda mais o número de carros no pátio central da fábrica. O setor de Varejo na Inglaterra, também adotou seu Just-in-time determinado pela demanda: as lojas recebem produtos de alto giro em carregamentos menores, mas com maior freqüência. Tal procedimento pôde avançar ainda mais com o desenvolvimento das cargas consolidadas, otimizando a utilização dos veículos e com benefícios também para o meioambiente. A experiência destas empresas de varejo da Inglaterra, mostrou que tem havido uma queda nos níveis de estoque do Centro de Distribuição Regional que quatro semanas para menos de uma, com as empresas recebendo produtos específicos duas ou três vezes ao dia, em vez da tradicional entrega única. A redução dos estoques e as entregas mais freqüentes tornaram mais complexo o gerenciamento da cadeia de suprimentos. É preciso que haja maior integração entre cada elemento da cadeia, e a logística é fundamental para um bom gerenciamento. Cada elo da cadeia de suprimentos FORNECEDORES, PRODUÇÃO, ESTOQUE, DISTRIBUIÇÃO, VENDAS E SERVIÇOS AO CLIENTE - tem impacto simultâneo sobre os outros elos, e é 63 essencial compreender o alcance desse impacto. Afinal, a cadeia de suprimentos não se resume ao fato de o departamento de compras obter o melhor preço pôr unidade numa compra de mercadoria que a partir de então ficará no estoque durante meses, em depósitos repletos, ocupando espaço, recursos e capital, e, quando não for vendida conforme previsto, resultará em depreciação e custos de armazenamento significativos. Também não se trata do gerente de produção que quer manter suas máquinas em funcionamento full time para minimizar o custo pôr unidade, mesmo que as equipes de venda não possam colocar toda a produção no mercado, o que novamente resultará em custos excessivos de armazenamento, manuseio e estoque. Nem o gerente de vendas que promete entregar produtos que não estão no estoque dentro de prazos impossíveis ou em quantidades que encarecem excessivamente a distribuição, tornando-se o negócio pouco ou nada lucrativo, mas obrigatório assim mesmo, já que há o risco de perda de clientes. A cadeia de suprimento é tudo isso e muito mais. Com uma abordagem integrada de cada elo da cadeia de suprimento e do sistema logístico, muitas empresas estão obtendo significativas vantagens competitivas pôr meio do aumento dos níveis de serviço ao cliente e da redução de estoques e custos de armazenamento. As cadeias de suprimentos precisam atender melhor às necessidades dos clientes, aperfeiçoando os serviços oferecidos sem aumentar o custo total. Atualmente, as empresas sul-americanas têm de lidar com cadeias de suprimentos mais longas, na medida em que suas perspectivas de negócio ganham uma proporção continental. Aspectos como volume mínimo de pedidos, freqüência de compras e prazos de entrega ganham relevância dia a dia. As companhias não podem se dar ao direito de estar satisfeitas com os limites tradicionais das fronteiras nacionais, nem estar restritas a eles. À medida que o mercado sul-americano se torna mais concorrido, as empresas 64 têm de buscar formas mais criativas de atender às necessidades de seus clientes - é competir ou sair do mercado. A cadeia de suprimentos se tornou parte essencial da boa gestão dos negócios, e a crescente conscientização sobre sua importância para as operações e para os lucros de uma empresa elevou o status da logística. Isso acarretou um aprofundamento das pesquisas sobre os procedimentos operacionais, métodos, meios e modos de transporte dentro do contexto da cadeia de suprimentos. Há duas áreas em que os avanços tecnológicos têm registrado um impacto significativo sobre as oportunidades de aperfeiçoamento da cadeia de suprimentos, trazendo como benefícios tanto a redução de custos como melhores níveis de prestação de serviços ao São cliente. elas: Informática e Tecnologia de armazenamento e transporte Os grandes avanços da informática têm permitido que se lide com operações cada vez mais complexas e que se busquem níveis de estoque cada vez menores, utilizando o sistema just-in-time e a distribuição crossdocking. Todos esses elementos requerem uma disponibilidade maior de informações, para que seja possível gerenciar os custos da cadeia de suprimentos de maneira eficiente. A informática pode depenhar dois papéis importantes na cadeia de suprimentos: Identificar onde está um lote/unidade/estoque num determinado momento. O rastreamento dos produtos permite à empresa de transporte prestar serviços dos mais elevado nível e, ao mesmo tempo, minimizar a possibilidade de interrupção e maximizar a utilização de seus ativos; 65 Identificar onde está um lote/unidade/estoque num determinado momento. O rastreamento dos produtos permite à empresa de transporte prestar serviços dos mais elevado nível e, ao mesmo tempo, minimizar a possibilidade de interrupção e maximizar a utilização de seus ativos; As principais áreas de interesse são o rastreamento pôr satélite, comunicações pôr satélite e intercâmbio eletrônico de dados (EDI) que conecta toda a cadeia de suprimentos - fornecedores, produção, distribuição, ponto de venda e consumidores. Essas tecnologias serão cada vez mais usadas em combinação com os pedidos feitos pôr computador e o rastreamento automatizado. A informática dá acesso à informação em tempo real, o que, pôr sua vez, acelera os deslocamentos ao longo da cadeia de suprimentos, aumentando sua eficácia e também a lucratividade. Esta tecnologia já está à disposição e já foi testada. A questão fundamental, contudo, é identificar quais sistemas são mais eficazes em termos de custos e se podem fornecer informações para a tomada de decisões, oferecendo vantagens competitivas e a possibilidade de proporcionar melhores serviços ao clientes. Esses sistemas também deverão ser capazes de se conectar a outros sistemas operacionais. Sem dúvida, a informática é crucial para a logística, particularmente se considerarmos toda a cadeia de suprimentos e a necessidade de informações disponíveis para que se identifiquem as soluções de maior eficácia em termos de custos. A tecnologia de armazenamento - código de barras, por exemplo - andou de mãos dadas com os avanços da informática. Os depósitos regionais estão se tornando cada vez mais automatizados, seja com veículos que dispensam motorista, seja com sistemas de localização de produto mais velozes, passando pôr deslocamentos controlados pôr computador e outros tipos de 66 automação. Várias empresas já criaram depósitos plenamente automatizados para seu próprio uso: Definição A Importância da Cadeia Física e Cadeia Virtual de Valores O Processo de Planejamento da Cadeia de Suprimento Posição da Cadeia de Suprimento e Logística Dentro da Empresa Administração da Cadeia de Suprimento e Logística no Contexto Competitivo : Ganho Estratégico e Vantagens Competitivas da Logística e Cadeia de Suprimento Estruturando as Capacidades da Cadeia de Suprimento Técnicas para Desenvolver a Cadeia de Suprimento: Entendendo o Processo da Cadeia de Suprimento Mensuração e Análises de Custos Tecnologias de Análises Tudo indica que o deslocamento de mercadorias por todo o MERCOSUL continuará aumentando. A crescente descentralização industrial de São Paulo para outras regiões brasileiras, especialmente o Sul de Minas, Goiás, Triângulo Mineiro, Ceará e mais recentemente com a Bahia dará a esse processo uma nova dimensão à economia brasileira, especialmente a base de produção voltadas para a exportação. Para suas necessidades de distribuição, as empresas buscarão soluções que lhes permitem maximizar os benefícios obtidos com a produção, garantindo que os melhores níveis de prestação de serviços sejam alcançados. Nesse sentido a administração da cadeia de suprimentos apoiada pôr uma 67 eficiente logística de transporte poderá se tornar parte obrigatória das soluções industriais no Mercosul. Neste cenário em franco desenvolvimento surgirá a necessidade de grandes deslocamentos sobre os principais os principais troncos de todas em direção a mercados/países onde o produto é distribuído rapidamente. Nesse caso, haverá necessidade de sistemas de transporte com alto grau de eficiência e competência para haja o deslocamento de grandes volumes de produto em longas distâncias. Esses produtos deverão então, ser desmembrados e entregue nas quantidades estabelecidas pêlos clientes. É vital que exista o equilíbrio ideal entre custos, rapidez e serviços para que a cadeia de suprimentos propicie uma vantagem competitiva em termos de serviços e custos. Quanto a tecnologia, esta é a questão mais simples e, ao mesmo tempo, mais importante a ser abordada pelas empresas que quiserem competir no mercado globalizado. A administração e integração da cadeia de suprimentos passou a ser vista como objetivo capital para a obtenção de ganhos de produtividade no âmbito das empresas. Se por um lado constata-se uma valorização da logística na estratégia empresarial, por outro surge uma série de outras questões a serem respondidas, as quais estão relacionadas à forma como as empresas de uma mesma cadeia de suprimento estão se organizando para enfrentar os novos desafios. Como estruturar as empresas de maneira a estimular a integração interna entre as atividades logísticas, e externa com seus parceiros, consiste num dos principais desafios gerenciais, neste momento. Veja alguns pontos que podem ser explorados: Cálculo de Valor Agregado da Cadeia de Produção 68 A Conta de Produção/Exploração Levantamento das Contas de Cada Agente da Cadeia de Produção A Rentabilidade Financeira das Atividades da Cadeia de Produção A Eficácia Global da Cadeia de Produção A Conta Consolidada da Cadeia de Produção A Análise de Transferência entre Agentes da Cadeia de Produção O ABCosting de Cada Atividade da Cadeia de Produção No Contexto Global: Tendências Futuras: Logística e o Mundo do Varejo Virtual Oportunidades Históricas Para a Logística Resposta Eficiente ao Consumidor Administração da Logística de Fluxo Reverso A Realidade da Logística em Integração de Mercados Comuns A Importância do E.Commerce nas Relações Comerciais Internacionais As Perspectivas do Uso da Telemática 69 CAPÍTULO 2 – SISTEMÁTICA DE AVALIAÇÃO DE FORNECEDORES O Programa de Qualificação de Fornecedores desenvolvido para esta concessionária de energia elétrica está pautado nos seguintes alicerces: 1.ª Os fornecedores e postulantes deverão apresentar 3 amostras de medidores de energia com Portarias de Aprovação Técnica de Modelo pelo INMETRO; 2.ª Para os medidores sem a referida Portaria de Aprovação Técnica de Modelo, torna-se necessário e imprescindível apresentação de cópia da documentação e comprovante de ingresso no INMETRO para o processo de Aprovação Técnica de Modelo; 3.ª Homologação do medidor no laboratório – LMEEM – da concessionária com ensaios nas 3 amostras: amostra 1 – ensaios mecânicos e elétricos, amostra 2 – ensaios destrutivos e amostra 3 – ensaios mecânicos de solidarização da tampa à base do medidor (esta amostra pode ser composta apenas pela tampa e base solidarizados, ou seja, “colados”) para avaliação do grau de dificuldade de acesso ao interior do medidor; e 4.ª Auditoria a planta fabril do fabricante com atenção especial aos: sistemas de gestão da qualidade, processos e métodos de produção, capacidade 70 instalada x capacidade produtiva x gargalos, capacidade técnica e Supply Chain. Para os modelos de medidores de energia que NÃO possuírem Portaria de Aprovação de Modelo no INMETRO, os fabricantes deverão solicitar relatórios de ensaios a laboratórios Acreditados a este instituto, vinculados a RBE – Rede Brasileira de Ensaios, observando os pontos das grandezas acreditadas. Para os padrões de energia, deverão constar Certificados de Calibração por laboratório Acreditado a RBC – Rede Brasileira de Calibração, observando os pontos das grandezas habilitadas a tais laboratórios acreditados. Como citado anteriormente, a homologação de um modelo de medidor, NÃO está vinculada apenas a sua aprovação de Modelo no INMETRO, mas a um sistema de avaliação da Concessionária de energia. A avaliação metrológica dos medidores de energia elétrica de tecnologia eletromecânica e eletrônica será realizada de acordo aos Regulamentos Técnicos Metrológicos – RTMs - do INMETRO, normas ABNT nacionais e/ou internacionais e requisitos da concessionária de energia, informadas acima. Serão avaliados requisitos internos no que tange às características construtivas e recursos de comunicação, com enfoque no tema de Qualidade. Deve-se levar em conta a qualificação do processo fabril do fornecedor e postulante o fluxograma de sistema do desenvolvimento do projeto: Desenvolvimento Eng.º Eng.º Produção Garantia do do Projeto Produto Processo Assegurada Produto Qualificação do Produto II Reparo Comercialização Qualificação do Produto I 71 Qualquer informação sobre certificações deve ser submetida à análise crítica para identificação do atendimento aos objetivos deste procedimento, pois as certificações podem ser conseguidas para processos distintos nos setores de qualquer empresa, logo, podem não atender na plenitude da Gerência de Medição. O enfoque de tais certificações deve ser o Laboratório de Medição e Desenvolvimento de medidores. Deve-se atentar que a certificação NBR ISO 14000 é válida no país onde a planta está certificada. Alguns questionamentos devem ser efetuados na avaliação de produtos: • O que a tecnologia faz que é diferente de outras tecnologias similares? • Como ela faz isso? Isto é, quais características particulares da tecnologia são usadas para desempenhar suas funções? • Que benefícios a tecnologia usada dá para a operação produtiva? • Que limitações a tecnologia usada traz para a produção? Como forma de garantia de transparência dos processos de auditoria e coibir a possibilidade de pressão por parte do fornecedor, a equipe auditora deverá ser constituída de, no mínimo, 2(dois) profissionais. Em relação aos requisitos do cliente, seguem abaixo os que deverão ser considerados: 2.1 - Na Planta do Fornecedor e/ou Postulante I. As Inspeções Técnicas e do SGQ no fornecedor serão realizadas com uma equipe formada por funcionários da concessionária. Esta informará as 72 empresas pré-qualificadas, em consonância à avaliação das amostras no laboratório da concessionária. Previamente, antes da visita técnica à planta, o fornecedor e/ou postulante II. deverá remeter os procedimentos e documentos solicitados pela Concessionária de energia. Para realização de estudos, análises e/ou auditoria de adequação. Para as plantas localizadas em território estrangeiro, os procedimentos e documentos solicitados deverão ser traduzidos para o “português” por tradutor juramentado. Na continuidade do processo de qualificação de fornecedores, será III. imprescindível Visita Técnica a fabrica para avaliação dos itens: • Condições físicas existentes – observação de organização, limpeza, ordem e disciplina; • Capacidade instalada da planta – verificar se possui capacidade produtiva compatível com a demanda desejada da Concessionária de energia.; • Capacidade produtiva – verificar se há recursos disponíveis para atendimento a um aumento de demanda e quais os impactos na “curva de experiência” em função do tempo de ajuste; • Gargalos – verificar a existência dos pontos de afunilamento da produção que podem impactar negativamente no escoamento da produção e verificar que medidas o fabricante pretende adotar para mitigar este impacto; • Tecnologia utilizada – análise de equipamentos, instrumentos de medição e instrumentos auxiliares na intenção de identificar a rastreabilidade a RBC/ILAC e o nível de comprometimento da empresa com os produtos ofertados a seus clientes (uso de tecnologia de ponta indica empresa competitiva com preocupação em manter-se atualizada e na otimização de seus processos e maximização dos lucros com equipamentos mais eficientes); • Métodos de calibração e/ou ensaios – avaliação das metodologias utilizadas no desenvolvimento dos produtos e/ou serviços dentro de padrões previamente aprovados/adequados; • SGQ – observação de organização funcional com processos sistêmicos escritos em forma de procedimento e/ou fluxogramas para facilitar a 73 compreensão de seus funcionários, novos profissionais e/ou migração de outros provenientes de distintas áreas de atuação na empresa; • Qualificação de pessoal – análise da qualificação do quadro funcional no que tange a exigência de funcionários bem instruídos e treinados (preparados), no qual culminará com qualificação para certas atividades. Deve-se observar programas de incentivo aos estudos (nível médio e acadêmico) e temas de atualização e complementares (normas ISO, línguas estrangeiras, informática, etc.). • Clima laboral – análise do índice de satisfação dos colaboradores da empresa na intenção da garantia dos resultados de seus produtos e/ou serviços frente ao comportamento profissional de seu quadro pessoal na garantia de uma linha de produção confiável. • Rastreabilidade interna – comprovar rastreabilidade interna através de auditoria em produto que seja desenvolvido na planta para comprovação através das evidencias objetivas, da eficácia deste indicador. • Verificação dos processos e procedimentos de garantia do produto. • Inspeção de similaridade – consiste, durante a visita técnica da Concessionária de energia, da inspeção visual por parte do Auditor, em 2 (dois) medidores retirados aleatoriamente da linha de produção, para análise comparativa dos componentes construtivos, quanto às características físicas, mecânicas e elétricas referentes à amostra ora enviada ao LMEEM para homologação do produto. • Medidas de prevenção contra descarga eletrostática - piso com tinta dissipativa anti-estática, calcanheiras presas aos pés para dissipação rápida para a terra quaisquer cargas eletrostáticas, medidor da dissipação da calcanheira anti-estática. • Qualidade da solda – para os processos automatizados que utilizam “impressoras” de pasta de solda, deve haver um instrumento de medição da espessura da pasta. • Componentes SMD alocados na placa automaticamente – se processo automatizado constar de uma etapa posterior na qual a placa será 74 submetida a forno para derretimento da solda e posterior fixação dos componentes, deve-se atentar se há vibração das esteiras que possam comprometer a localização adequada de tais componentes na placa de CI. Espessura da placa de CI: devem possuir espessura maior ou • igual a 3mm para evitar envergadura e conseqüente dano à placa. IV. Quando da realização da Visita Técnica nas instalações do fornecedor, posteriormente será emitido pela concessionária, um relatório de avaliação. V. Para os fornecedores que possuírem sub-contratações para aquisição de componentes considerados “chaves” para o processo fabril de seus produtos, estes também deverão ser auditados pela Concessionária de energia., e deverão apresentar conformidade aos itens acima. VI. Um dos critérios para qualificação e/ou requalificação de um fornecedor está baseado na análise crítica do tempo de fornecimento e a performance de seus produtos neste período. VII. Após análise crítica da Visita Técnica nas empresas que não tenham certificados de 2.° e 3.° parte e tendo suas amostras devidamente aprovadas, a empresa será inclusa na relação de fornecedores chaves qualificados e continuarão sendo analisadas através de uma performance do seu fornecimento. Esta análise irá gerar um relatório emitido pela Concessionária, cuja periodicidade será semestral; além da realização de Auditorias sistemáticas para que a qualidade dos produtos e/ou serviços esteja assegurada. VIII. A Concessionária irá determinar a necessidade da realização de uma avaliação técnica emergencial no fornecedor, caso sejam observadas não conformidades sistêmicas ou aleatórias. 75 A Concessionária deverá realizar controle interno da performance dos IX. fornecedores através da análise de banco de dados baseado nos in puts fornecidos pelos relatórios gerados nos Controles Metrológicos Legais das Auto Verificações, e dos Ensaios e/ou Calibrações dos medidores retirados de campo, no intuito de se manter constante os níveis de qualidade aceitáveis. Obs.: As custas de transporte, refeições e hospedagem dos Auditores da Concessionária para realização de Auditorias Periódicas e/ou de manutenção da qualificação nos fornecedores Concessionária, deverão ser de e postulantes a fornecedores da responsabilidade dos próprios postulantes e/ou fornecedores qualificados. 2.2 - Cadeia de Suprimentos Os postulantes a fornecedores de medidores, deverão possuir, preferencialmente, em território brasileiro, planta fabril e/ou serviço de atendimento pós-venda no que tange ao atendimento em substituição de peças e componentes. Este item será um dos diferenciais na avaliação final de licitação. Este serviço de pós-venda deve suplantar os limites comerciais e atender a conceitos atuais de “parcerias estratégicas”. Deverão possuir um estoque de segurança para atendimento às situações de contingência decorrente de estudo de seu MTBF – Mean Time Between Failures – e este estudo deverá ser informado à Concessionária. A embalagem dos medidores deve ser confeccionada de forma que não haja dano decorrente de transporte, logo, devem ser de material do tipo isopor, ou similar, para absorção de ondas de choque decorrentes de vibração, mesmo quando a carga estiver compactada. 76 As caixas deverão conter etiquetas com as características técnicas e numeração dos medidores em seu interior. Deverão ser utilizadas etiquetas de códigos de barras conforme especificação técnica da Concessionária. A qualidade do transporte deve ser assegurada de modo que não comprometa a integridade física e as características metrológicas da carga. Os medidores serão verificados e rastreados durante o processo desde a fábrica até a distribuição para comprovação da eficácia do transporte. Quando a entrega for efetuada por pallets, o conteúdo deverá ser unitizado por filme de PVC, posteriormente com armações em madeira nas laterais e cintas de nylon (ou de matérias com características similares) compactando o pallet. 2.3 - Sistemática do Fluxo de Informações Os postulantes e/ou fornecedores de medidores da Concessionária devem divulgar internamente na organização que qualquer informação solicitada por outrem, referente a medidores, medição e/ou metrologia, deve ser centralizada na Gerência de Medição (ou a nomenclatura que a substituir) da Concessionária, para os funcionários responsáveis por estes temas. Sempre que ocorrer reestruturação da Gerência de Medição, os postulantes e/ou fornecedores receberão comunicado Concessionária, informando quem serão os contatos para os temas citados no parágrafo anterior. Se, por ventura, houver solicitação por parte de pessoal que não seja o informado pela Gerência de Medição, o postulante e/ou fornecedor deverá manter a Gerência de Medição ciente das solicitações, para que o fluxo de informações no âmbito Concessionária, seja difundida de forma adequada para qualquer cliente interno. 77 2.4 - Auditorias Sistemáticas Quando da qualificação de fornecedor de medidores para a concessionária de energia, este fará parte de um cronograma de auditorias periódicas, cujo intervalo deverá ser no mínimo anual, salvo desvios (problemas) detectados em algum lote adquirido onde se faça necessária auditoria para continuidade do fornecimento. As auditorias sistemáticas poderão ser extensivas aos “fornecedores chave” de suprimentos do fabricante. As expensas deste processo ocorrerão por conta do fornecedor, nas quais são previstas: • Deslocamentos terrestres (na região do fornecedor); • Deslocamentos aéreos; • Refeições; e • Hospedagens. As auditorias serão norteadas pelas normas acima referenciadas ou por requisitos informados previamente pela concessionária de energia. 2.5 - Sistemática de Certificações e Acreditações Quando do fornecedor e/ou postulante possuírem linha de produção, deverão possuir certificação NBR ISO 9001; e, se possuírem laboratório, preferencialmente, deverão estar acreditados na NBR ISO/IEC 17025. Quando a Concessionária, oficialmente, solicitar qualquer documentação, seja do SGQ ou Certificados de Calibração, os mesmos deverão ser na língua portuguesa e autenticados em cartório para os casos 78 nos quais os originais não puderam ser observados. Para os casos de tais documentos estarem em língua estrangeira, os mesmos deverão ser traduzidos por tradutor juramentado com a intenção de manter a integridade do processo. 2.6 - Sistemática de Desqualificação do Fornecedor Os medidores e/ou padrões que não atenderem aos requisitos legais e da Concessionária, os fornecedores que não apresentarem um bom desempenho na Auditoria Técnica de Qualificação e/ou em sua performance poderão ser desqualificados, quando aplicável, conforme NBR 5313, NBR 14519 e/ou requisitos Concessionária de energia. Com base nesses dados, será realizada análise para definição da desqualificação; no caso de confirmação da desqualificação, continua-se com o mesmo até o desenvolvimento de uma outra fonte de suprimentos, ou verifica-se a possibilidade de uma contribuição na melhoria de sua performance, de acordo com decisão estratégica tomada pela Alta Administração após sua reunião de análise crítica. 79 CAPÍTULO 3 – SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA – ESTUDO DE CASO O instrumento utilizado nas instalações elétricas de residências, comércios e indústrias para registrar o consumo de energia elétrica é do tipo de tecnologia “eletromecânica”, cuja construção robusta é baseada na integração dos campos eletromagnéticos provenientes de suas bobinas de corrente e potencial. O conhecimento desta tecnologia possui 100 anos e já está dominada plenamente pelos fabricantes e concessionárias de energia elétrica. Seu ciclo de vida é de 25 anos, especificado pelos fabricantes e depreciado pela ANEEL para este tempo de uso. Há cerca de 15 anos, os fabricantes inovaram o segmento de medição de energia com o desenvolvimento e incremento da tecnologia eletrônica. Inicialmente, com preços elevados e vários recursos de medição com base nos conceitos de “Engenharia de Valor”, estes eram utilizados no nicho de mercado das indústrias e grandes clientes. Porém, atualmente os cenários internacional e nacional estão fortemente motivados ao uso de medidores de tecnologia eletrônica. Os medidores para este uso não possuem os recursos de seus similares já utilizados há 15 anos e seus componentes eletrônicos SMD, SMC e discretos possuem preços mais baixos. Estes medidores estão com preços muito aprazíveis no mercado, pois já são mais baratos do que a tecnologia eletromecânica (concorrente). Isto se dá pelos seguintes fatos: insumos mais 80 baratos e pouca utilização de recursos humanos na linha de produção em virtude da alta automação dos processos fabris. Tais medidas maximizam os lucros e minimizam as despesas. O problema atual reside na incerteza quanto ao tempo do ciclo de vida dos medidores de tecnologia eletrônica, tendo em vista o pouco desenvolvimento da “curva de experiência” desta tecnologia. Como fator primordial nesta incerteza, estão os baixos valores dos insumos dos medidores eletrônicos, pois não há estudos de confiabilidade industrial para estes. Outro fator preocupante é que o ingresso da China e Índia no mercado deixa em dúvida a qualidade do produto, pois os processos fabris destes países utilizam muita mão-de-obra (e pouca automação) em decorrência da política salarial empregada nestes países por sua superpopulação. Há ainda o agravante da fabricação de produtos com “pouca” ou “muita” qualidade, cuja variação depende exclusivamente do valor do capital empregado na fabricação dos itens. Este problema deve ser mitigado com a implantação e implementação do Programa de Qualificação de Fornecedores, que visa qualificar o processo fabril dos fabricantes de medidores devido ao pouco tempo de comercialização desta tecnologia em nível internacional (no máximo sete anos) e, principalmente nacional (máximo de dois anos), cuja periodicidade deverá ser bianual. Concomitantemente deverá ser realizado acompanhamento sistemático metrológico e qualitativo de amostras de medidores que serão instaladas em virtude da velocidade do desenvolvimento de novos materiais e componentes, ou seja, rápida obsolescência (outro ponto de atenção). Desta forma, a aquisição de medidores eletrônicos para baixa tensão, segmento “massivo” deverá ser norteada de modo a diminuir os desvios que possam ocorrer e o controle do projeto deverá ser constante. 81 Os pontos de controle para este processo são qualitativos, com destaque para o processo fabril, em especial os cuidados com proteção contra eletricidade estática (ESD), rastreabilidade fabril/metrológica e supply chain. A proteção contra ESD foi enfocada em nossas inspeções às plantas fabris, em virtude dos efeitos da “mortalidade infantil” em medidores eletrônicos quando os componentes são expostos a descargas eletrostáticas que NÃO motivam dano imediato ao aparelho. O efeito característico desta exposição é na degradação dos componentes, portanto, há diminuição no “ciclo de vida” dos medidores por manuseio inadequado. Para consolidação desta análise científica, estamos desenvolvendo estudos em Engenharia de Confiabilidade industrial, que trata, entre outros, a “curva da banheira” que demonstra o ciclo de vida do projeto para equipamentos e instrumentos, como sendo a maior taxa de dano no início (mortalidade infantil) e acentuada taxa do final, como pode ser observado abaixo na figura 6 curva da banheira. Figura 6 – Curva da banheira Estudo da disciplina de Engenharia de Confiabilidade Industrial no qual o maior índice de problemas em equipamentos está no início e no final de seu período de vida útil, caracterizando respectivamente, morte prematura ou 82 mortalidade infantil (no início do ciclo de vida) e fase de envelhecimento (no final do ciclo de vida) de forma onde ocorrem as maiores taxas de falhas de instrumentos e equipamentos. • Mortalidade infantil: A taxa de falhas cai exponencialmente até estabilizar num valor, estas falhas acontecem devido a problemas na manufatura, materiais e componentes, esta fase pode ser superada antes do instrumento sair da fabrica através de um período de "Burn-In" (aquecimento) para ensaio de envelhecimento acelerado. • Vida útil: é a fase de vida normal do instrumento onde a taxa de falhas é baixa e constante e basicamente as falhas são eventos aleatórios. • Fim de vida: Nesta fase a taxa de falhas aumenta exponencialmente principalmente por problemas de desgaste nos componentes e materiais. Ao final do Programa de Qualificação de Fornecedores para o ciclo dos anos de 2007/2009, conseguiu-se identificar fabricantes de medidores que possuíam processos de trabalho fabril não conforme a requisitos normalizados pela ABNT e também a requisitos definidos pela Concessionária de energia. 83 CONCLUSÃO De acordo com as análises científicas realizadas pela Concessionária, nos resultados do Benchmarking e nas Visitas Técnicas realizadas nas plantas dos fornecedores e postulantes, conclui-se que: Os fabricantes mais confiáveis para comercializarem medidores eletrônicos atualmente são os que possuem planta fabril em território nacional pela facilidade de deslocamento e consequentemente facilidade na realização de auditorias em seus processos. Fornecedores consagrados que já possuem tempo no mercado de medição, com reputação a zelar, pois há maior preocupação no market share e imagem conquistados. Sugerimos que a aquisição seja dividida proporcionalmente pela quantidade de fabricantes “aprovados” para realização de estudos e análises comparativas com os medidores instalados em campo. Implantação de controle de performance em campo dos medidores eletrônicos adquiridos, por amostra estatística controlada desde a fabricação até sua retirada da rede por qualquer motivo. Isto permitirá também avaliar se há tendência de desvio metrológico para registro positivo ou negativo ao longo do tempo. A substituição da tecnologia eletromecânica pela eletrônica deverá ser lenta, para que haja tempo de maturação em campo dos vários lotes adquiridos de distintos fornecedores de forma a se identificar desvios consideráveis. A aquisição de medidores eletrônicos “importados”, ou seja, cujos fabricantes não possuam planta fabril em território brasileiro (e tampouco ainda 84 inspecionada por nossa gerência), representa grande risco dado ao pouco conhecimento quanto ao ciclo de vida dos medidores fabricados com tecnologia eletrônica, assim como de seus processos produtivos e supply chain. Eliminação de fabricantes sem planta fabril no Brasil, justificando pela dificuldade na realização de auditorias e acompanhamento da “saúde financeira” de tais fornecedores. Isto se justifica pelo risco de interrupção de operações comerciais com representantes de fabricantes estrangeiros, dado a volatilidade de setor. O Programa de Qualificação de Fornecedores mostrou-se altamente eficaz na identificação de potenciais riscos de ordem comercial e técnica. Desta forma, ações de mitigação destes riscos foram tomadas e informadas para a alta direção desta concessionária de energia a fim de auxiliá-los no processo de tomada de decisão. 85 ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 - Documento de avaliação técnica de produto para homologação de medidores S IS T E M A D E G E S T Ã O D A Q U A LID A D E D O L A B O R A T Ó R IO Q U A L IF IC A Ç Ã O D E F O R N E C E D O R E S C O D IG O : R G -4.4 -0 1 VERSÃO: 0 D A TA : 1 2-0 2 -2 00 7 P Á G IN A : 1 d e 1 A V A L IAÇ ÃO T É C N IC A D E P R O D U T O - H O M O L O G A Ç ÃO I- C o n tro le In te rn o 1 ) D a ta d e in g re ss o n o L M E E M :_ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ 2 ) V is to d o R e s p o n sá ve l T é c n ic o d o L M E E M :_ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ 3 ) N o m e d o R es p o n sá ve l T é cn ico d o L M E E M :_ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ II- C a ra c te rís tic a s T é c n ic a s do P ro d u to 4 ) D e s criç ã o :_ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ 5 ) M a rca :_ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ 6 ) M o d e lo :_ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ 7 ) N .º d e s é rie :_ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ 8 ) C la s s e d e e x a tid ão :_ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ 9) Vn: In : Im á x: F re q .: K d /K h : Ke: 1 0 ) O u tro s:_ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ III- C a ra c terís tic a s F ís ic a s d o P ro d u to 1 1 ) M a te ria l d a b a s e :_ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ 1 2 ) M a te ria l d a le nte :_ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ 1 3 ) Q td d e p a ra fu s o s d e fix aç ã o d o s c o n d u to re s a o blo c o te rm in a l:_ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ 1 4 ) Q td . d e p to s d e s o lid a riza ç ã o d a le nte à b as e (la c re s ):_ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ 1 5 ) T ip o d e re g is tra do r/d isp lay:_ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ 1 6 ) T ip o d e is ola m e nto d a s b o b in a s d e te n sã o :_ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ 1 7 ) T ip o d e s u s p en s ã o d o dis co :__ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ 1 8 ) T ip o d e s o ld a d os co m p o n e n te s d a p lac a de ci:_ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ 1 9 ) T ip o d e c o n e xã o d o d is p la y a o c i:_ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ 2 0 ) T ip o d e p ro ce s s ad o r:_ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ 2 1 ) T ip o d o s c o m p en te s in tern o s:_ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ IV - A te n d im e n to a o s R e q u is ito s d o L M E E M e a o s R T M 's d o IN M E T R O 2 2 ) A te n d im e n to a o s re q u is ito s d o L M E E M ? S im ! N ão ! Info rm a r re q u is ito s d e re pro va çã o .:_ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ 2 3 ) A te n d im e n to a o s R T M 's d o IN M E T R O ? S im ! N ão ! Info rm a r re q u is ito s d e re pro va çã o .:_ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ _ _ _ _ _ _ __ _ _ 86 Anexo 2 - Documento de inspeção na planta – Visita Técnica SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE DO LABORATÓRIO QUALIFICAÇÃO DE FORNECEDORES CODIGO: RG-4.6-02 VERSÃO: 0 DATA: 12-02-2007 PÁGINA: 1 de 2 VISITA TÉCNICA NA PLANTA DO POSTULANTE / FORNECEDOR I- Dados Cadastrais 1) Razão social:_____________________________________________________________________________________________ 2) Endereço Matriz:__________________________________________________________________________________________ 3) Telefones/fax:_____________________________________________________________________________________________ 4) Filial:____________________________________________________________________________________________________ 5) Telefones/fax:_____________________________________________________________________________________________ 6) Filial:____________________________________________________________________________________________________ 7) Telefones/fax:_____________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ II- Contatos 8) Responsável Técnico:_______________________________________________________________________________________ 9) Responsável Comercial:_____________________________________________________________________________________ 10) Responsável pelo Controle/Garantia da Qualidade:______________________________________________________________ 11) Telefones de Contato:______________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ III- Portifólio 12) Número de funcionários:____________________________________________________________________________________ 13) Principais produtos produzidos:______________________________________________________________________________ 14) Qtd. Por tipo de produto produzido ao ano:_____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 15) Área construída:__________________________________________________________________________________________ 16) Capacidade instalada:_____________________________________________________________________________________ 17) Capacidade comprometida:_________________________________________________________________________________ 18) Carteira de clientes:_______________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 19) Quantidade de medidores vendido ao ano por cliente:____________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 20) Outros:__________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ IV- Condições Observadas 21) Condições físicas - limpeza, organização, ordenação, disciplina, estado de conservação, iluminação, dependências, etc.: ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 22) Existência de SGQ? Em que nível de implantação ou implementação?______________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 23) Processo de qualificação de pessoal:_________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________________________ 24) Clima laboral:_____________________________________________________________________________________________ 87 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 3ª ed. São Paulo: Editora Campus, 2008. JURAN J.M. e GRYNA Frank M. Controle da Qualidade Handbook. Makron Books Mc Graw Hill – 1993 4.ª edição. CAMPOS, Vicente Falconi. Gerenciamento da Rotina. 8ª ed. São Paulo: Editora INDG, 2004. ISHIKAWA, Kaoru. Controle de qualidade total a maneira japonesa. 6ª ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1998. CAMPOS, Vicente Falconi. TQC Controle da Qualidade Total. Block Editores – 1995 6.ª edição. MARSHALL JR., Isnard. Gestão da Qualidade. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004. MELLO, Carlos Henrique Pereira. ISO 9001: 2000 - Sistema de Gestão da Qualidade para Operações de Produção e Serviços. São Paulo: Editora Atlas, 2007. VIEIRA FILHO, Geraldo. Gestão da Qualidade Total – Uma Abordagem Prática. Editora Campinas: Alínea, 2003. VALLE, Samuel Castanhon Penha. Gestión de La Calidad para Laboratórios: Guía para La Implantación y La Acreditación. EDOBOL – 2001. 88 MARTINS, Petrônio G. e LAUGENI, Fernando Piero. Administração da Produção. Editora Saraiva – 2006. ABNT. NBR ISO/IEC 17025 Requisitos gerais para competência de laboratórios de ensaios e calibração. ABNT. NBR ISO 19011 Diretrizes para Auditorias de Sistema de Gestão da Qualidade e/ou Ambiental. ABNT. NBR ISO 10015:2001 - Gestão da Qualidade - Diretrizes para Treinamento. ABNT. NBR ISO 9000:2000 – Sistema de Gestão de Qualidade – Fundamentos e Vocabulário. ABNT. NBR ISO 9001:2000 – Sistema de Gestão de Qualidade – Requisitos. 89 BIBLIOGRAFIA CITADA CAMPOS, Vicente Falconi. TQC Controle da Qualidade Total. Block Editores – 1995 6.ª edição. JURAN J.M. e GRYNA Frank M. Controle da Qualidade Handbook. Makron Books Mc Graw Hill – 1993 4.ª edição. ISHIKAWA, Kaoru. Controle de qualidade total a maneira japonesa. 6ª ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1998. VALLE, Samuel Castanhon Penha. Gestión de La Calidad para Laboratórios: Guía para La Implantación y La Acreditación. EDOBOL – 2001. 90 WEBGRAFIA http://www.inmetro.gov.br/. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, acessado em 08/12/2008. http://www.inmetro.gov.br/credenciamento/. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, acessado em 08/12/2008. http://www.inmetro.gov.br/credenciamento/descricaoOrgs.asp#laboratorio. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, acessado em 08/12/2008. http://www.luizfreire.com/producao/qualidade/ferramentas.php. acessado em 02/11/2008. Luiz Freire, 91 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 02 AGRADECIMENTO 03 DEDICATÓRIA 04 RESUMO 05 METODOLOGIA 06 SUMÁRIO 08 INTRODUÇÃO 09 92 CAPÍTULO 1 - Ferramentas de Qualidade Empregadas no Programa de Qualificação de Fornecedores 10 1.1 – Vantagens da Acreditação 16 1.2 – Controle da Qualidade Total 19 1.3 – Apresentação do “Controle da Qualidade Total” 21 1.4 – Conceito de Controle de Processo 25 1.5 – Método de Controle de Processo 30 1.6 – Prática do Controle da Qualidade 35 1.7 – Garantia da Qualidade 37 1.8 – Desdobramento da Qualidade 40 1.9 – O Ciclo da Garantia da Qualidade 41 1.10 – Garantia da Qualidade no Processo de Produção 43 1.11 – Auditoria de Qualidade 46 1.12 – Controle de Qualidade Para Subcontratados e Compras 50 1.13 – Selecionando e Mantendo um Fornecedor 55 1.14 – Supply Chain Management 60 CAPÍTULO 2 - Sistemática de Avaliação de Fornecedores 69 2.1 – Na Planta do Fornecedor e/ou Postulante 71 2.2 – Cadeia de Suprimentos 75 2.3 – Sistemática do Fluxo de Informações 76 2.4 – Auditorias Sistemáticas 77 2.5 – Sistemática de Certificações e Acreditações 77 2.6 – Sistemática de Desqualificação de Fornecedores 78 CAPÍTULO 3 – Solução Para o Problema – Estudo de Caso 79 CONCLUSÃO 83 ANEXOS 85 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 87 BIBLIOGRAFIA CITADA (opcional) 89 WEBGRAFIA 90 ÍNDICE 91 FOLHA DE AVALIAÇÃO 93 EVENTOS CULTURAIS 94 93 FOLHA DE AVALIAÇÃO Nome da Instituição: Universidade Candido Mendes – Instituto a Vez do Mestre Título da Monografia: Qualificação de Fornecedores com base em Supply Chain Autor: Nilton Leonardo de Souza Guilherme Data da entrega: 08/12/2008 Avaliado por: Conceito: 94 EVENTOS CULTURAIS