Revista ECETUR 2008 AEMS Faculdades Integradas de Três Lagoas – MS EXPEDIENTE DIRETORIA GERAL Profª. Maria Lúcia Atique Gabriel DIRETOR PEDAGÓGICO Prof. Edmo Gabriel COORDENADORA DO CURSO DE TURISMO Profª. Luziane Albuquerque CONSELHO EDITORIAL Profª. Ana Paula Noemy Dantas Saito Prof.Cleber Pacheco de Almeida Prof. Diego Gilberto Ferber Peneyrua Profª.Elisangela Aguiar Alcalde Prof.Fábio Gomes da Silva Prof. Flodoaldo Moreno Júnior Profª.Luziane Albuquerque Profª. Lygia Vilalba Falco Profª.Maria Luzia Lomba de Souza Prof. Luiz Guilherme Gonçalves da Silva Profª.Samira Gama da Silva Profª.Silvânia de Fátima Bersani Profª.Vânia dos Reis Rodrigues Thomé EDITOR DE PUBLICAÇÕES Prof. Alexandre Costa PLANEJAMENTO VISUAL E GRÁFICO Aline Menezes APRESENTAÇÃO Em sua quarta edição a Revista Ecetur firmou-se como veículo de divulgação dos trabalhos científicos por meio de comunicação e painéis, desenvolvidos pelos acadêmicos, professores, profissionais e pesquisadores de Turismo e áreas afins, onde pode debater o papel do Turismo em relação à globalização, desenvolvimento sustentável, compromisso social e tantos outros temas que assumem um caráter científico neste encontro. Hoje não há como não estabelecer este intercâmbio TURISMO/SOCIEDADE, pois o Turismo "abre as portas" do mundo e para o mundo; cabe a nós, encararmos esta temática de forma sistemática, ressaltando assim o devido valor que deve ser atribuído ao planejamento turístico enquanto objeto de lazer e cultura o qual se dispõe de ferramentas como hotelaria, gastronomia para resultar num conjunto harmonioso que satisfaça quem o utiliza. Portanto, obrigada, pela participação de todos. SUMÁRIO 1. O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARTICIPATIVO COMO INSTRUMENTO PARA A ELABORAÇÃO DO ROTEIRO TURÍSTICO FLOR DO CERRADO SILVA, Mary Claudia da 2. TURISMO E O VOLUNTARIADO – CASOS BRASILEIROS SOUZA, Claúdio Alexandre de; PAZINI, Thais Akemi Yoshida 3. ARTICULAÇÃO DO TRABALHO ARTESANAL: UMA ALTERNATIVA DE ATIVIDADE SOLIDÁRIA PARA O MUNICÍPIO DE NOVA XAVANTINA-MT OLIVEIRA, Silvia Lopes de; RAYE, Roberta Leal 4. A GESTÃO DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO KELLER, Rodrigo Alex; JAEGER, Tiago Born 5. A HOSPITALIDADE E A SUA RELAÇÃO ENTRE OS ATRATIVOS CULTURAIS E AMBIENTAIS BOFF, Débora Eloísa; JAEGER, Tiago Born 6. CULTURA E TURISMO: COMERCIALIZAÇÃO DO ARTESANATO KARAJÁ DA ALDEIA SANTA ISABEL DO MORRO - TO SANTOS, Lívia Feitosa 7. A IMPORTÂNCIA DO TURISMO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-ECONÔMICO DO MUNICÍPIO DE PIRANHAS-GO. BARBOSA, Rafaella Duarte 8. PROPOSTA DE CARTOGRAFIA PARA O MERCADO TURISTICO: UM EXEMPLO APLICADO À ROTA PANTANAL PACÍFICO – CAMPO – GRANDE/ CORUMBÁ E FRONTEIRA DA BOLÍVIA (PUERTO QUIJARRO, PUERTO SUAREZ, PUERTO AGUIRRE) VIEIRA, Paulo Henrique Vieira; SILVA, Aline Cristina Alves da; FERREIRA, Gisele de Oliveira; AVELINO, Patrícia Helena Mirandola 9. ANÁLISE DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO GERENCIAL PERSONALIZADOS PARA CENTROS DE INFORMAÇÕES TURÍSTICAS FERREIRA, Herisnaldo Rodrigues; SANTOS, Lívia Feitosa; BARBOSA, Rafaella Duarte 10. FRUTAS BRASILEIRAS NA GASTRONOMIA BARBOSA, Wladimir Stein 11. O TURISMO RURAL E O CASO DA FAZENDA PONTAL DAS ÁGUAS PRIETO, Thiago 12. III FESTA DA FARINHA DE ANASTÁCIO-MS: PERFIL DA DEMANDA TREVIZAN, Fernanda Kiyome Fatori; SANTOS, Lucicleide Gomes dos 13. FESTA DO BON-ODORI COMO FOMENTO À ATIVIDADE TURÍSTICA LIMA, Pâmela Rigolo 14. A IMPORTÂNCIA DA HOSPITALIDADADE NO SETOR HOTELEIRO PADILHA, Fabiana Elias 15. A UTILIZAÇÃO DA REGIÃO DA CASCALHEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO DO ECOTURISMO OLIVEIRA, Juliana Barbosa de 16. TURISMO E IDENTIDADE CULTURAL SILVA, Magda Fernandes da SILVA, Bruna Carla de Sousa 17. AS CONDIÇÕES ATUAIS DA CIDADE PARA RECEBER O CRESCIMENTO POPULACIONAL E INDUSTRIAL VALE , Márcio Vinícius Guimarães do 18. O PERFIL DO PROFISSIONAL DA HOTELARIA DE TRÊS LAGOAS MS MAZZONETTO, Nadir Klauck 19. LAZER E RECREAÇÃO NO REASSENTAMENTO PORTO JOÃO ANDRÉ ALVES, Regiane D Carmem Puci 20. GLOBALIZAÇÃO INEXORÁVEL? GALVÃO, Halyson Fucks 21. TURISMO, LAZER E TERCEIRA IDADE GONÇALVES, Vivian Cristina de Souza 22. O TURISMO COMO ALTERNATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL DO BAIRRO JUPIÁ OLIVEIRA, Giselle Soares de 23. PATRIMÔNIO HISTÓRICO: CONSERVAÇÃO DA IDENTIDADE LOCAL SILVA, Jacqueline Santa Rosa da SANTOS, Rennã Buzachero dos O PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARTICIPATIVO COMO INSTRUMENTO PARA A ELABORAÇÃO DO ROTEIRO TURÍSTICO FLOR DO CERRADO SILVA, Mary Claudia da UNEMAT-TURISMO Resumo O turismo vem crescendo consideravelmente, beneficiando não só a comunidade, mas o município como um todo. No entanto, para que esses benefícios sejam alcançados, é necessário que haja um planejamento de acordo com as peculiaridades de cada local, para que a atividade ocorra de forma ordenada e com responsabilidade socioambiental, proporcionando ainda maior participação dos envolvidos dentro de uma construção coletiva que seja capaz de alcançar objetivos em diferentes esferas de participação e co-participação visando ao protagonismo da comunidade envolvida, já que esta é a mais afetada com os efeitos causados pelo turismo. O objetivo deste estudo foi elaborar um roteiro regional com os municípios de Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Nobres, utilizando como instrumento o planejamento estratégico participativo, através da técnica METAPLAN, aplicada por meio de oficinas, além dos instrumentos de pesquisa bibliográfica, técnicas observacionais e entrevistas com a comunidade dos municípios envolvidos. Os resultados obtidos foram satisfatórios, percebeu-se o interesse da comunidade com o turismo, o que resultou na montagem do Roteiro Regional Flor do Cerrado. Espera-se, ainda, com este trabalho, ter contribuído para a construção de uma atividade atenta às transformações do meio e mais humana. Palavras-chave: planejamento; participação comunitária; turismo; roteiro turístico. INTRODUÇÃO As viagens de lazer surgiram na Grécia com os primeiros jogos olímpicos, mas somente após a revolução industrial, com a primeira viagem coletiva organizada por Thomas Cook, a venda de pacotes turísticos se tornou freqüente. Sendo que em 1970 e 1990, o turismo foi o setor que apresentou maior crescimento mundial, ocasionando em um aumento considerável de destinos turísticos. A partir de então, o turismo vem crescendo consideravelmente, beneficiando não só a comunidade, mas o município como um todo, gerando alternativas de renda, movimentando a economia local, proporcionando a valorização do receptivo, melhorando a infra-estrutura da cidade, acarretando em maiores opções de lazer, ocasionando, consequentemente, um melhor padrão de vida e satisfação para a comunidade em relação a sua localidade. Mas para que esses benefícios sejam alcançados é necessário que se planeje de forma adequada a atividade. O planejamento deve ocorrer de acordo com as peculiaridades de cada local, já que, a falta desse planejamento acarreta em impactos negativos com efeito multiplicador em toda a comunidade receptiva afetando diretamente seu patrimônio ambiental, social e cultural. De forma pontual, mesmo quando planejado, o turismo provoca efeitos não desejados, pelo fato da comunidade local, muitas vezes, ser excluída do processo de planejamento. A metodologia do presente estudo se caracteriza como exploratória e descritiva, e foi realizada em três fases: primeiramente pesquisa bibliográfica referente ao assunto abordado; em seguida estudo de campo, onde foram realizadas oficinas e entrevistas, sendo, portanto de caráter qualitativa e por último utilizado técnicas observacionais na coleta de dados. Para a realização da pesquisa foi utilizada uma técnica participativa, conhecida por METAPLAN, dentro da metodologia de planejamento, com o intuito de inserir as comunidades envolvidas na elaboração de um roteiro turístico, visto que o objetivo desta pesquisa se constitui em elaborar um roteiro regional com os municípios de Chapada dos Guimarães, Campo Verde e Nobres, utilizando como instrumento o planejamento estratégico participativo, além da busca dos objetivos de: realizar diagnósticos participativos nos três municípios para o levantamento das potencialidades locais; levantar dados e informações relevantes para a montagem do roteiro entre os municípios envolvidos; montar um roteiro regional abrangendo os municípios envolvidos. Como resultado da pesquisa foi elaborado um roteiro turístico regional entre os municípios matogrossenses de Campo Verde, Chapada dos Guimarães e Nobres, com o nome de Flor do Cerrado e a especial participação da população na construção deste trabalho. Atividade turística planejada O desenvolvimento da atividade turística beneficia diretamente a comunidade, pois gera alternativas de renda, movimenta a economia local, proporciona a valorização do receptivo, melhora a infra-estrutura da cidade, acarreta em maiores opções de lazer, ocasionando consequentemente, uma melhor distribuição dos benefícios entre os envolvidos e satisfação com sua localidade. Como reforça Wahab (apud Dias 2003a, p. 30), quando diz que o turismo beneficia a vida econômica, política, cultural e psicossociológica da comunidade. Mas para que a atividade gere esses benefícios é de extrema importância que ela seja bem planejada e com a participação de todos os envolvidos. Dentro das características de planejamento, os tipos de planejamento são: estratégico, que abrange a organização como um todo, sendo de longo prazo; tático, que abrange um departamento ou setor, sendo de médio prazo e operacional, que abrange uma tarefa ou operação, sendo de curto prazo (PETROCCHI, 1998, p. 25). O planejamento turístico é essencial, pois se a atividade turística não for bem planejada pode causar inúmeros malefícios. Esse planejamento deve analisar o potencial de uma localidade e traçar metas para o desenvolvimento do turismo com responsabilidade socioambiental. A finalidade do planejamento turístico é estabelecer diretrizes que nortearão as tomadas de decisões de um município, estado, região. Por meio deste é possível definir as estratégias que serão seguidas, programas que auxiliarão, tipo de turismo que se pretende desenvolver e público alvo que busca-se atingir (PETROCCHI, 1998). É sensato que neste processo haja o envolvimento da comunidade, já que o contato entre esta e o turista é essencial, além do que, a comunidade deve estar ciente dos impactos negativos e positivos que a localidade pode sofrer. Planejamento participativo No processo de planejamento turístico é prudente a participação da comunidade envolvida. Alguns autores, como Dias (2003b, p. 112-113), acreditam que o planejamento participativo não passa de um mito, principalmente quando se trata de âmbito nacional, onde não há como incorporar as massas diretamente, no entanto, existem outros mecanismos para essa inclusão, como partidos políticos, organizações não governamentais, organização representativa da comunidade, entre outras. Mas até mesmo esse autor afirma que se o alvo for uma cidade ou uma região é possível esse tipo de planejamento, e que sem dúvida a participação da comunidade envolvida é necessária. Demo (apud Dias 2003b, p. 114), discorda do pensamento de que participação não passa de utopia, para ele a participação é sim realizável, todavia nunca será de modo totalmente satisfatório. O envolvimento da comunidade pode se dar de diferentes maneiras, independente se esta terá representatividade no gerenciamento ou não, os benefícios sempre serão notáveis, pois além de propiciar maior conhecimento da área a essas pessoas, ainda se estimula ao envolvimento e comprometimento no desenvolvimento da atividade (ELEUTÉRIO e NETO, 2007). Andrade (p.n.p.) acredita que o planejamento participativo permite um aprendizado recíproco, onde os envolvidos compreendem melhor as dificuldades enfrentadas na organização de um planejamento, ficando sensibilizados a tal ação e cooperando para vencer essas dificuldades, sentindo-se assim envolvidos no processo e responsáveis pela obtenção de resultados positivos. Para Beni (2006, p. 61), nos projetos de mobilização social o ideal é alcançar o nível de coresponsabilidade, onde as pessoas envolvidas entendem o quanto sua participação é importante e passam a agir por se sentirem responsáveis por isso, somente assim é alcançado o objetivo do projeto. A utilização do planejamento participativo pode se dar através de várias metodologias. A melhor forma de trabalhar a participação com grupos é através de oficinas, onde é utilizado o processo do “aprender fazendo”, havendo troca de experiências, e onde há a diferença entre participar e estar presente (PERRUCI e CALLOU, p.n.p.). A visualização móvel é um instrumento facilitador da comunicação que pode ser utilizado em eventos participativos. A técnica METAPLAN surgiu no início dos anos de 1970, com a empresa alemã de consultoria Metaplan Gmbh, para facilitar a comunicação nos trabalhos em grupos, e devido à intensificação de seu uso passou a ser considerado um método. Sua aplicabilidade consiste no uso de tarjetas, que são feitas de cartolina, com diferentes cores, tamanhos e formatos, onde são registradas as idéias, propostas, opiniões, fixadas em seguida em um painel, ficando visíveis a todos os participantes (CORDIOLI, 2001, p. 83). O uso das cores, do formato e da estruturação das tarjetas, deve ser utilizado seguindo uma lógica entendida pelo grupo, não há uma regra estipulada que deve ser seguida, só é recomendado que não usem muitas cores em um só painel para não desviar a atenção, e que as cores sejam claras para ficar visível a escrita (op cit. p. 90, 91). Essa técnica é interessante por permitir a visualização das diversas idéias que ficam expostas até finalizar determinado assunto, não correndo o risco de esquecimentos ou repetições, que se tornam cansativo. Roteiro turístico e consórcios intermunicipais Roteiro turístico é uma atividade inerente do planejamento turístico, que consiste em ordenar os elementos essenciais em uma viagem, viabilizando o aproveitamento dos atrativos locais (BAHL, 2006, p. 298; BENI, 2006, p. 126). A oferta de roteiros turísticos facilita ao turista escolher um destino, já que por meio destes é possível analisar os atrativos e escolher qual atende suas necessidades, e ainda oferece familiarização do local ao visitante, pois é possível saber dados dos atrativos antes de realmente conhecê-los. Bahl (2006, p. 299), aponta os benefícios de um roteiro ao turista, como: seleção dos locais que lhe interesse financiamento das despesas, previsão de permanência e escolha de serviços de apoio. A regionalização do espaço turístico pode ser trabalhada de duas formas, multidestinações, que corresponde a parcerias entre destinações já existentes para a formação de circuitos, rotas, corredores e roteiros. E as destinações múltiplas, na qual um mesmo espaço pode oferecer diversos produtos diferenciados, que venham a atender demandas diferenciadas (BENI, 2006, p. 125, 126). O Consórcio intermunicipal é a junção de municípios para realizar determinadas ações, sendo que se esta fosse realizada por um único município os resultados atingidos não teriam tamanha repercussão positiva, pois com o consórcio aumentam as oportunidades do grupo de municípios solucionarem os problemas comuns sem perder a autonomia para um nível estadual ou federal (VAZ, 2006). Os consórcios são úteis e comuns quando o problema afeta mais de um município, quando os recursos isolados de uma única prefeitura não são suficientes para a realização das ações necessárias e em casos que, mesmo o município podendo agira isoladamente, os resultados obtidos em conjunto são mais eficientes e o custo menor. Existem diversos tipos de consórcios, na área de turismo ainda tem sido pouco freqüente seu uso, apesar de ser um instrumento eficiente na divulgação do potencial turístico regional e, preparar os municípios para a exploração racional da atividade (Vaz, 2006). Resultados e Discussões Buscando alcançar os objetivos propostos no presente estudo, foi necessária a realização de oficinas nos municípios de Campo Verde e Nobres. Assim como aconteceria no município de Chapada dos Guimarães, mas devido às condições climáticas não foi possível à realização desta. No entanto, a consulta a alguns representantes do trade turístico foi feita através de entrevistas que ocorreram fora do horário marcado, onde foram levantadas questões que seriam abordadas na oficina. Esta adaptação de técnica utilizada foi possível devido ao planejamento ser flexível, podendo ter suas estratégias alteradas e adequadas à situação atual, desde que alcance o objetivo almejado. Essa flexibilidade também possibilitou a modificação da proposta inicial e montagem do presente roteiro, que inicialmente tinha como propósito envolver a capital Cuiabá, mas devido à falta de disponibilidade de auxílio da Secretaria de Desenvolvimento do Turismo no Estado de Mato Grosso (SEDTUR), infelizmente não houve condições da inserção do município. As oficinas realizadas consistiram em, primeiramente, uma apresentação através de dinâmica. Em seguida a proponente da oficina se apresentou e explicou a proposta. Passou-se então para discussões sobre a atividade turística, roteiros turísticos, seus benefícios, segmentação turística de mercado e conservação do meio ambiente. Logo após esse diálogo foram organizados grupos, onde através de dinâmicas, criaram possíveis roteiros de seu município, a partir do recurso comunicação visual. Esses roteiros foram apresentados no mesmo momento pelos próprios autores (comunidade envolvida) aos outros participantes e, em trabalho conjunto, que é o princípio do planejamento participativo, reuniram esses roteiros formando um único, tendo o propósito de integrálo com os outros municípios posteriormente. Após a montagem de um único roteiro do município, todos os envolvidos sugeriram nomes para o roteiro final e votaram no que consideraram mais adequado. Dentre os nomes sugeridos nos dois municípios onde houve as oficinas, surgiu o nome do roteiro “Flor do Cerrado”, indicado no município de Campo Verde por uma das participantes da oficina, tendo em vista que os três municípios do roteiro possuem vegetação do cerrado. Após a escolha do nome ao roteiro nas oficinas, foram esclarecidas dúvidas e encerradas com a apresentação de uma mensagem final de reflexão sobre o valor dado a todos os bens que se tem na vida. No município de Campo Verde a oficina foi realizada com representantes do trade turístico, representante do poder público e alunos do curso de técnico em turismo. Em Nobres a oficina foi com representantes do trade turístico e com alunos do curso de qualidade no atendimento do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Na oficina do município de Nobres, vários participantes elencaram alguns benefícios da atividade turística, como: investimentos, geração de capital, valorização da cultura, crescimento da cidade e geração de empregos. E levantaram como um grande problema do município a falta de informação à comunidade sobre o turismo, o que ocasiona o desinteresse desta pela atividade, que não se motiva a conhecer os atrativos da cidade e as agências que prestam serviços locais. A falta de informação da comunidade também é percebida na fala do guia de turismo de Chapada dos Guimarães, Faissal, quando afirma: “todos em Chapada deveriam passar por um processo de debate sobre o turismo. A população, por uma certa ignorância, e os empresários, por certa ganância”. Quando comentado sobre roteiros turísticos um dos participantes da oficina em Campo Verde comentou que havia viajado por conta própria para uma determinada região antes de trabalhar com o turismo, e depois viajou seguindo um roteiro, e que na segunda opção teve a oportunidade de conhecer mais lugares e aproveitar melhor a sua viagem. O instrumento de comunicação utilizado nas oficinas, foi a técnica de visualização móvel METAPLAN, por facilitar a manifestação de todos os envolvidos e a própria visualização do assunto abordado, já que as tarjetas ficam fixadas onde todos têm visão. Apesar da técnica ser antiga e bem conceituada entre muitos estudiosos, percebeu-se que alguns participantes acharam-na cansativa, e desnecessário o uso de tarjetas, já que o assunto era de interesse de todos e os depoimentos e sugestões verbais de cada participante eram escutados com atenção pelos outros integrantes. Por outro lado notou-se que vários participantes que não falavam quando o debate era oral, escreviam nas tarjetas, e após o uso da primeira tarjeta, que sempre era comentado após ser escrita, essas pessoas começaram a se sentir mais à vontade no debate. O planejamento estratégico participativo, utilizado no presente trabalho, é muito criticado por diversos autores, que não acreditam que seja possível sua utilização. Após a realização deste trabalho pode-se afirmar que este planejamento é viável e possível, e que seus resultados são de grande contribuição para o desenvolvimento do turismo, bem como a minimização dos seus efeitos negativos. É egoísta imaginar que envolver a comunidade na tomada de decisão gera tumulto, ou que estes não são capazes de opinar sobre algo que os afetará diretamente, como o turismo. Sem dúvida trabalhar sem consultar os envolvidos, onde se tem o poder da razão inquestionável, é bem mais fácil, agora afirmar que essa é a melhor metodologia seria insensato. A comunidade deve ser consultada a respeito da atividade turística em sua localidade, assim como deve ser orientada e esclarecida. Idéias e soluções simples surgem de pessoas sem elevado grau de instrução, mas que convivem na prática. A participação no processo de planejamento ainda é pouco utilizada atualmente, tanto é que nenhum dos participantes da oficina em Nobres havia participado de um processo de planejamento antes, independente da área. Essa não participação gera a falta de orientação da população proprietária dos ativos turísticos. A falta de orientação da comunidade sobre a atividade turística, principalmente em uma cidade que já vem desenvolvendo o turismo há vários anos, como Chapada dos Guimarães, pode ocasionar muitos danos como a exclusão de parte da comunidade, sendo um impacto social negativo, no processo de desenvolvimento do turismo, falta de valorização da atividade, além de distorção do que é a atividade. Alguns desses problemas foram relatados pelo entrevistado Faissal em Chapada dos Guimarães. Segundo ele, o município está perdendo o turista de fora que ia em busca de tranqüilidade e contato com a natureza, pois atualmente, em Chapada, acontecem muitos eventos do estilo rave1 e campeonato de som para atrair jovens da região, o que gera renda momentânea, sendo a preferência da população, mas esses jovens agem com má conduta, causando inúmeros impactos negativos sociais e ambientais na cidade, no entanto, ele ressalta que com políticas corretas ainda há chances de recuperação. Ainda referente a posturas inadequadas, o entrevistado fala sobre o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, que no momento da entrevista encontrava-se fechado e sem data prevista para reabertura devido a um acidente que aconteceu com uma jovem que veio a óbito. Faissal trata do Parque como a “galinha dos ovos de ouro” do município, e comenta sobre a necessidade dos passeios serem acompanhados de guia de turismo, ou ao menos que o Parque contasse com fiscais no decorrer das trilhas, para observarem e repreenderem atitudes imprudentes e inconseqüentes dos 1 Rave é um estilo de festa com duração de até dezoito horas ininterruptas visitantes, fechando com a seguinte frase: “nossa galinha dos ovos de ouro está sendo depenada, senão daqui uns dias ela vai para a panela, e a economia da cidade depende do Parque”. A visão do entrevistado realmente é coerente e prudente. Os atrativos de qualquer que seja o município merecem cuidado especial, é necessário estudos de capacidade de carga e elaboração de plano de manejo, para que os impactos ao ambiente sejam minimizados e a atividade possa ter continuidade com futuras gerações. E esse olhar crítico já permeia entre os envolvidos na atividade dos três municípios pertencentes ao roteiro. A preocupação em se trabalhar de forma correta é percebida na fala de outra participante da oficina em Campo Verde, quando diz que a capacidade de carga, plano de manejo e a conscientização da população são fundamentais para o turismo se desenvolver. Enimar, entrevistado em Chapada dos Guimarães, destaca que o maior problema do município e do Brasil em relação ao turismo é a falta de planejamento, que não se costuma trabalhar com capacidade de carga e sustentabilidade. Afirma que somente a Caverna Aroe Jarí tem um termo de conduta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), onde exige que as visitas sejam monitoradas e controlam a capacidade de carga. No entanto, o mesmo entrevistado completa “tem demanda, os atrativos suportam a demanda” o que remete a um olhar capitalista. Em Mato Grosso atualmente, as pessoas ainda não estão sensibilizadas para a atividade turística, desvalorizam os atrativos por morarem em um Estado onde as belezas naturais são comuns na maioria dos municípios. Em Campo Verde, um dos participantes relatou que há várias pessoas que vão até a Caverna Aroe Jarí e quando chegam lá não querem pagar para entrar. Assim como quando lançaram o projeto voucher2 único, reserva antecipada, condutor de município seguro que foi muito criticado, pois existem outras fazendas no Estado, maiores e que não cobram a visitação. O que esses visitantes não têm levado em consideração é que o passeio é guiado e que há infra-estrutura de apoio no local, o que acaba em muitos casos desestimulando os proprietários a investirem na atividade. O turismo deve ser desenvolvido de forma sustentável independente de sua localidade ou segmento, pois são adversos os impactos socioambientais que podem ser causados. Essa política foi nitidamente percebida no município de Campo Verde, onde apesar de ainda obter pouco fluxo turístico, percebem-se articulações positivas entre o poder público e os proprietários dos atrativos. O problema coletivo nesse estudo é o fato desses municípios apresentarem diversos atrativos de beleza única, mas não trabalharem em conjunto buscando desenvolver o turismo, e através do roteiro regional é possível a resolução desse problema. Pois como afirma uma das participantes da oficina de Campo Verde, se o roteiro for regional há um maior poder de persuasão no mercado consumidor, porque quando se une uma região, automaticamente está “enchendo a cesta” de variedades. Uma alternativa cabível na região é a implantação de consórcio entre os municípios que compõem o roteiro, onde os três municípios pagariam uma taxa mensal, e essa taxa comporia um fundo de investimento para o turismo que seria revertida em benefício dos próprios municípios. Em um primeiro momento esse processo pode parecer injusto ao município que apresenta maior infra2 Voucher é o comprovante, o contrato onde está mencionado o serviço a ser executado e os dados do estabelecimento contratado, como endereço, telefone, tarifa tratada, o localizador e o nome do titular do voucher estrutura de apoio ao turista, mas com o passar do tempo esse fundo de investimento acaba beneficiando a todos os envolvidos, uma vez que a infra-estrutura de apoio ao visitante deve sofrer reformas. E para que a região se torne um pólo turístico é necessário esse investimento em nível regional e não somente local, sendo que todos os envolvidos serão favorecidos com os efeitos benéficos. O turismólogo Enimar de Chapada dos Guimarães, ao ser entrevistado, fala a respeito de se fazer um consórcio entre Campo Verde e Chapada para facilitar a manutenção da Caverna Aroe Jarí, que fica entre os dois municípios. E ao ser questionado a respeito de um consórcio entre os três municípios ele se coloca a favor afirmando que: ”hoje o mais inteligente é se fazer um consórcio, porque no turismo não adianta ficar brigando entre atrativos, o melhor é somar esses atrativos, um ajudando o outro e trabalhando todos os atrativos. E quem sabe até criar um voucher único entre esses municípios”. Outra sugestão para o desenvolvimento da região é que esta se dê de forma endógena, ou seja, valorizando o potencial tanto de atrativos quanto de mão-de-obra local. Assim, o turismo gera renda alternativa à comunidade, beneficiando e envolvendo o máximo de atores locais possível. Gerando com esse desenvolvimento o modelo multiorganizacional de cluster, onde os municípios envolvidos trabalhariam de forma conjunta em busca da qualificação e divulgação, que apesar de não eliminar a competitividade entre empreendimentos de mesmo caráter, auxilia nas soluções dos problemas enfrentados pelo conjunto. Após a escolha dos atrativos, feita pela comunidade através do roteiro, foram realizadas visitas a alguns atrativos para levantamento de dados que foram necessários para a finalização do roteiro proposto. Os dados dos atrativos que não puderam ser visitados, seja por motivos de tempo, interdição temporária do atrativo ou falta de contato com o proprietário, foram disponibilizados pela secretaria de turismo local e outros estudos similares. As secretarias de turismo dos municípios envolvidos contribuíram para o estudo articulando representantes para participarem da oficina e entrevistas, bem como liberação para visita aos atrativos imune de taxas, o que facilitou e possibilitou a pesquisa. Para que se percorra todo o roteiro proposto, é necessário no mínimo 15 dias, sendo que há atividades distribuídas entre os três municípios ao longo do roteiro suficientes para um período bem mais longo. No entanto nada impede o desfrute de somente parte do roteiro. O roteiro atende a diversos segmentos, distribuídos nos três municípios pertencentes, os quais se destacam com características peculiares bem distintas um do outro, Campo Verde com suas grandes fazendas de plantações, a qual desenvolve o turismo tecnológico; que consiste em conhecer o processo produtivo desde a plantação até a industrialização, dependendo da época da visita, de produtos do meio rural; foi aceito nesse ano de 2008 como mais um segmento da atividade, lançado pelo município de Campo Verde e escolhido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário como representante da região Centro-Oeste no Salão Brasileiro de Turismo, o que vem a complementar os atrativos do roteiro. Chapada dos Guimarães com seus chapadões e belezas naturais exuberantes, e Nobres com suas águas cristalinas e peixes em abundância, o que possibilita ao turista uma grande opção de atividades. Por último, aconteceu a montagem do roteiro turístico, que será disponibilizado aos municípios envolvidos após a defesa da monografia, e que poderão ser reproduzidos para auxiliar na venda de pacotes turísticos e divulgar a região, não só para os turistas, mas também para a própria comunidade autóctone, como uma nova opção de lazer. A comunidade por sua vez, é beneficiada ainda por obter mais uma opção de renda, podendo esta trabalhar como condutor de trilhas ou outras atividades de sua criatividade. 5. Considerações Finais O planejamento estratégico participativo visa elaborar e executar ações conjuntas. Esta forma de planejamento é prudente para o desenvolvimento da atividade turística, já que a comunidade receptora é a mais atingida com os impactos do turismo, sejam eles positivos ou negativos. Apesar de algumas contradições, são vários os autores que acreditam que este é o melhor modo de se planejar o turismo, pois, desta forma, os benefícios atingidos são diversos, como a aprendizagem recíproca, aumento da eficiência do modelo a ser apresentado, menores custos, valorização da atividade e comprometimento com seu andamento. Pensando nesses benefícios foi feita a escolha por um planejamento estratégico participativo, onde os protagonistas foram as comunidades locais dos municípios do roteiro turístico Flor do Cerrado. Roteiro turístico é uma forma de fácil divulgação de localidades, que auxilia o turista na escolha do destino visitado, além da programação por ele realizada nesses locais. Quando este é regional, aumentam as oportunidades de desenvolvimento no mercado turístico. Nas oficinas e entrevistas realizadas nos municípios de Campo Verde, Chapada dos Guimarães e Nobres, o objetivo foi a montagem de um roteiro turístico regional entre esses municípios, tendo em vista que, os três municípios apresentam atrativos turísticos de beleza única, e devido à proximidade entre si, é possível desenvolver de forma conjunta o turismo, facilitado ainda por estarem próximos da capital. A partir desse estudo foi possível perceber que, apesar de não ser comum a participação da comunidade nas ações relacionadas ao turismo, estes são interessados no desenvolvimento da atividade, e estão cientes dos benefícios que podem vir a obter. Essa iniciativa de inserção dos atores locais no processo de planejamento serviu para amimá-los, assim como incentivar os gestores de turismo a utilizarem de tais ferramentas em outros projetos relacionados à área. Nesses encontros foram também levantados alguns pontos fracos, que serviram para debates e propostas de possíveis soluções, como o caso da sugestão da criação de um consórcio turístico entre os municípios do roteiro. Faissal, guia de turismo em Chapada dos Guimarães, ao ser entrevistado sugere “todos em Chapada deveriam passar por um processo de debate sobre o turismo. A população, por uma certa ignorância, e os empresários, por certa ganância”. Sem dúvida esse processo deve acontecer, não somente em Chapada dos Guimarães, mas sim nos três municípios envolvidos no presente roteiro, pois o roteiro turístico é uma forma de divulgação de municípios que desenvolvem o turismo de forma isolada, e a partir de então podem vir a trabalhar em conjunto, mas que sempre devem estar em processo de esclarecimentos e incentivos à atividade turística explorada de forma prudente. Ainda como sugestão aos municípios, espera-se que estes reproduzam o roteiro turístico elaborado por suas comunidades, e que continuem as envolvendo em todo processo. Se esse procedimento for aderido, a população autóctone se comprometerá com o andamento de um turismo com responsabilidade socioambiental, bem como usufruirá dos benefícios gerados. 6. Referências Bibliográficas ANDRADE, H. F. Planejamento participativo: por que e para que. Disponível em: <http://www.novasociedade.com.br/conjuntura/artigos/hilda1.htm>. Acesso em: 13 abr. 2008. BAHL, M. Planejamento turístico por meio da elaboração de roteiros. In: RUSCHMANN, D; SOLHA, K. T, (Orgs.). Planejamento turístico. São Paulo: Manole, 2006. BENI, M. C. Política e planejamento de turismo no Brasil. São Paulo: Aleph, 2006. CORDIOLI, S. Enfoque participativo: um processo de mudança: conceitos, instrumentos e aplicação prática. Porto Alegre: Gênesis, 2001. DIAS, R. Sociologia do turismo. São Paulo: Atlas, 2003a. ________. 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PAZINI, Thais Akemi Yoshida4 RESUMO O serviço de voluntariado no turismo tem como um dos principais objetivos a troca de experiências culturais, participação na construção de um mundo mais justo para todas as partes envolvidas na atividade, ativa e passivamente, causando uma alteração real na comunidade, fortalecendo e promovendo a ação voluntária e o investimento social privado. O objetivo deste artigo é apresentar, analisar e discutir sobre o aumento da prática da atividade dos visitantes como voluntário nas destinações onde os mesmos estão praticando suas atividades turísticas, fatos que merece ser analisado visto que promove um diferencial social nesta atividade. A metodologia utilizada neste trabalho foi pesquisa de campo em destinações que desenvolvem este tipo de trabalho, pesquisa documental em destinações que atuam com turistas voluntários e em agências de turismo que comercializam este tipo de produto, bem como pesquisa bibliográfica em publicações de turismo físicas e digitais, principalmente artigos técnicos resultados de congressos que abordaram a temática social no turismo. Este artigo apresenta uma discussão teórica das abordagens sobre a atividade voluntariada e a correlação com os visitantes em seu local de destino e apresenta e discute três estudos de caso de serviços voluntários, comercializados como produtos turísticos no território nacional, onde pode ser observada a consonância desta pratica com o movimento sócio-ambiental crescente e relacionado com o desenvolvimento do terceiro setor. Palavras-chave: voluntário; turismo, terceiro setor. Introdução A atividade de turismo é um reflexo de atividades oriundas das mudanças globais ocorridas nas relações humanas e de suas necessidades, e como tanto é um fenômeno resultado das mudanças comportamentais dos homens sofrendo variações de acordo com as suas demandas nas diversas áreas do conhecimento. Verifica-se na atualidade uma gama de tipologias de turismo tal, que a mesma é tida como uma atividade complexa resultante das particularidades dos indivíduos praticantes da atividade, sendo sugerido por alguns autores que as tipologias do turismo são singularidades inerentes aos indivíduos praticante da mesma. Dentro desta perspectiva a relação da atividade do turismo com a atividade do voluntariado é somente mais uma interação ocasionada na inter-relação da atividade de turismo com as ações da sociedade que a pratica. Compreender melhor esta nova forma de praticar a atividade do turismo faz-se necessária haja vista que a sensibilização da comunidade esta mudando e compreendo o seu papel na 4 Bacharel em Turismo e Hotelaria – UNITRI; MBA em Planej. Gestão e Marketing Turismo – UCB. sociedade atual face as novas necessidades do planeta e dos seres humanos, paradoxalmente conseqüência de ações excludentes desta mesma sociedade. Este trabalho tem proposta de apresentar não somente casos identificados no Brasil, apesar dos pesquisadores identificarem ao longo das pesquisas realizadas, este tipo de iniciativa em outros paises, as quais os mesmos acreditam que devem ser objetos de estudos de outras pesquisas, respeitando as particularidades de cada pais ou região observada. O objetivo deste estudo é analisar a prática da atividade de voluntariado realizada por visitantes sob uma visão antropológica e econômica compreendendo a participação do ser humano neste tipo de atividade – voluntarismo – em seu período de lazer, período no qual, a mesmo esta efetivamente investindo financeiramente para o seu bem estar e de sua família. Este trabalho é resultado de pesquisa bibliográfica e documental na área de voluntariado e de turismo, bem como de pesquisa de campo junto a agencias físicas e digitais na área de turismo sobre as ofertas de viagens para prática de serviço voluntário. Desenvolvimento O turismo surge segundo estudiosos, como Beni (1998), Barreto (2000) e Rejowski (2001) como atividade resultante das ações ocorridas no final do século XIX sendo impulsionadas pelas constantes avanços ocorridos no planeta; principalmente no setor de transporte e de Tecnologia de Informação e Comunicação – TIC; o que proporcionou um aumento significativo no número de pessoas viajando pelo mundo atingindo mais de 750 milhões de pessoas viajando em 2004 (OMT, 2005). Tal atividade tem despertado o interesse dos pesquisadores em compreender este fenômeno da era Capitalista, em suas mais diferentes facetas inclusive no tocante as tipologias que possibilitariam a compreensão categorizada da atividade bem como a mercantilização do mesmo de forma a atender as demandas capitalistas, tão acentuadas neste inicio de século. Barreto (2000) discute as tipologias sob diversas óticas, e uma delas, popularmente conhecida e aceita pela academia e pelo mercado concomitantemente, classifica o turismo segundo a motivação e a atividade desenvolvida pelo visitante no local visitado, como é o caso do turismo religioso, desportivo, etc... Esta perspectiva nos coloca frente a um impasse quando observamos na atualidade pessoas deslocando para praticar uma nova atividade, uma atividade diferenciada das até então classificadas pelos pesquisadores e entidades da área. Entretanto esta nova atividade – o voluntariado – ao mesmo tempo que é resultado das mazelas da sociedade atual é fato observado pela mesma sociedade que procura através de suas atividades de viagens – turismo – participar de atividades para auxiliar e minimizar estas situações. Viagens para atuar como voluntariado no local visitado vem aumentando significativamente ao redor do mundo, a sensibilização com a prática do voluntariado foi estendida do dia a dia do cidadão para as suas atividades de férias, ou seja, uma prática a ser desenvolvida em todos os momentos de sua existência. Tal característica é identificado por Swarbrooke & Horner (2002), quando o mesmo afirma que as práticas comportamentais dos visitantes nos locais visitados é tão somente resultado das suas práticas em seu locais de residência habitual. Isto posto, corroborado pelo que nos apresenta Perez e Junqueira (2002), quando afirmam em artigos e palestras apresentadas no I Congresso Brasileiro do Voluntariado, organizado em 2001, que a consciência da humanidade sobre a necessidade de sermos mais solícitos ao próximo; esta aumentando com estudos que indicam que mais de 30 milhões de americanos e de 20 milhões de brasileiros estão engajando-se em atividades voluntárias com mais de 5 horas semanais. Verificamos então que temos um novo tipo de visitante nas localidades, uma nova demanda viajando à turismo, e não somente para os núcleos tradicionalmente tidos como turísticos, mas sim para os destinos que necessitam do auxílio de seres humanos para os mais diferentes tipos de demandas, desde contar histórias até auxílio médico, ou de outro tipo de profissional liberal. Podemos dizer que temos um turista viajando para ser voluntário, viajando motivado pela possibilidade de praticar a atividade voluntária e atuando efetivamente como tal no local visitado, e segundo os critérios utilizados para categorização da atividade do turismo como apresentado pela Organização Mundial Turismo - OMT (2005), pode chamá-lo de “Turista Voluntário”, e quiçá podemos ousar a dizer que temos ai o surgimento do Turismo Voluntário. O perfil do Turista Voluntário são pessoas que querem ir mais fundo no entendimento das complexas realidades da população e ter a satisfação de compartilhar, aprender e ajudar na construção e visualização de um mundo mais justo para todos. Tem-se neste inicio de século várias iniciativas apresentando a prática dessa atividade do turismo, principalmente, pelo intercâmbio que promove entre os povos como um importante instrumento para contribuir para a promoção da paz mundial, como preconizado e divulgado amplamente pelos órgãos oficiais de turismo, sob a coordenação da OMT. A prática do que chama-se neste trabalho a partir de então, de Turismo Voluntário, vem a apresentar uma forma de contribuir para a promoção da paz mundial não somente através da promoção da alteridade entre os seres humanos de forma mais efetiva, mas também da melhoria das condições de vida das comunidades auxiliadas e da redistribuição de renda para localidades que não apresentavam perspectivas de obtenção de renda oriunda deste setor, em função das características do chamado turismo tradicional. Verifica-se também que a prática da atividade e os instrumentos de comunicação, aliadas as práticas tradicionais dos visitantes, pesquisadas pelos sociólogos e psicólogos, de autopromoção das suas atividades em períodos de férias como elemento fortificador de sua posição social perante os seus pares, tem contribuído para difundir esta prática. Apresenta-se a seguir os exemplos que serão estudados neste artigo, tendo em vista que são exemplos de práticas de turismo voluntário coletados aleatoriamente, junto a oferta deste tipo de atividade no mercado nacional de turismo, e a pesquisa identificou que não há uma oferta significativa deste tipo, exigindo por parte da interessada em praticá-la grande procura dentre a oferta turística nacional. Ressalta-se ainda que os exemplos citados nesta pesquisa foram resultados de pesquisas junto a publicações especializadas da área de turismo que apresentavam pacotes com esta finalidade de pratica de atividades voluntárias em meios de comercialização ampla nacionalmente tanto impressa quanto eletrônicas. Apesar das mesmas terem divulgadas suas atividades em meios físicos e eletrônicos de comercialização da mídia nacional, quando os pesquisadores entraram em contato para realização desta pesquisa todas as organizações apresentaram que estão reestruturando os seus respectivos programas de voluntariados. Os dados serão apresentados individualizados visando uma analise de cada item observado durante a pesquisa por fundação e programa analisados, para melhor compreensão de cada item relacionado diretamente a cada programa de turismo voluntário. O Quadro 1, onde identifica-se as atividades, os organizadores, os locais e as áreas de turismo voluntários, apresenta informações básicas sobre cada programa de turismo voluntário visando apresentar os mesmos e os respectivos dados citados para que possam ser consultados e posteriormente aferidos. Quadro 1: Atividades, Organizadores, Locais e Áreas de Turismo Voluntário. Nome da Fundação Atividade Organizador Local Visitado Área Movimento Fazenda Rio Negro Projeto Sotalia: Golfino OndAzul – OndAzul s Tucuxi Iko Poran CI Brasil Ecovolunteer Program Rio de Janeiro (RJ) e Fazendo Rio Negro (MS), Baía de Sepetiba - RJ exterior Ecovila Tiba (RJ) ecologia, educação, Biologia , Turismo, saúde, artística, cultural, Biologia, Turismo ecologia científica Fontes: Thais Akemi Yoshida Pazini & Claudio Alexandre de Souza, 2006. Os programas de turismo voluntário analisados são iniciativas de organizações como fundações e projetos; ou seja; os mesmos não se caracterizam como iniciativas ou produtos operados normalmente por empresas como operadoras de turismo tendo em vista que estas são os tipos de organizações que tradicionalmente ofertam viagens turísticas. Apesar dos exemplos analisados localizarem com bases no estado do Rio de Janeiro, destaca-se neste a ação realizada no Mato Grosso do Sul, pelo fato da mesma também ser realizada em uma área como o estado do Rio de Janeiro de fundamental importância com destinos turísticos com fortes apelos ambientais como e o caso da Baia de Sepetiba, também se repete no caso do Pantanal Sul Mato-grossense. A área ambiental e caracterizada pelas três organizações como foco das áreas de atuações dos projetos para os voluntários. Em publicações da área de responsabilidade social verifica-se que juntamente com a educação e ações para as crianças a área ambiental e responsável pela maioria das ações voltadas pelas pessoas e empresas que desenvolvem ações nesta área. Acredita-se que o incremento considerável de organização não governamentais - ONG`s no pais nos últimos anos possa ser uma das impulsionadoras para que este mercado do terceiro setor tenha resultado na implantação de programas para captar visitantes com motivação para pratica de atividades de voluntariados. A seguir apresentam-se os custos que são pagos pelos turistas “voluntários”, uma vez que os pacotes turísticos para pratica de atividades voluntárias são comercializados de forma tradicional via agencias de turismo e diretamente junto às organizações que operam os respectivos produtos turísticos. Quadro 2: Custos das Praticas de Turismo Voluntário. Nome da Fundação Atividade Movimento OndAzul – OndAzul Primeiras quatro semanas O voluntário ou menos R$ 1.500,00 somente Custo Semana adicional o R$ passagem 180,00 Projeto Sotalia Golfinos Fazenda Rio Negro Tucuxi pagará custo para de incluindo acomodação a R$ 3.246,00 Fazenda. Fontes: Thais Akemi Yoshida Pazini & Claudio Alexandre de Souza, 2006. Os custos apresentados parecem refletir que este tipo de turismo esta acessível a uma camada da população que se crê enquadrar ao equivalente à classe média ou superior, visto que os valores estão variando de quase 05 (cinco) a quase 10 (dez) salários mínimos, entretanto o produto ofertado pela fazenda São Francisco não cobra pelas atividades ofertadas. O tempo médio de permanência neste tipo de turismo se apresenta como sendo de longa duração sendo acima da media dos períodos de permanência media das tipologias tradicionais de turismo, regularmente pesquisados pela EMBRATUR e OMT, lazer, negocio e ecoturismo. Quadro 2: Custos das Praticas de Turismo Voluntário. Nome da Fundação Atividade Tempo de Duração Movimento OndAzul – OndAzul De 3 a 24 semanas Fazenda Rio Negro Mínimo 1 mês Projeto Sotalia: Golfino s Tucuxi 14 dias Fontes: Thais Akemi Yoshida Pazini & Claudio Alexandre de Souza, 2006. O tempo mínimo exigido para cada participante deste tipo de atividade é um reflexo do tipo de turismo que se desenvolve no local, uma vez que para que a pessoa possa contribuir efetivamente com a comunidade local visitado e integrar-se, minimamente ao projeto, existe um período para absorção e maturidade do participante de cada projeto. Os pacotes podem ou não incluir atividades tidas como tradicionais empacotes turísticos comercias, como transporte, hospedagem e alimentação minimamente, como se vê no Quadro 3, que refere-se aos serviços incluídos. Quadro 3: Serviços Incluídos no Turismo Voluntário. Nome da Fundação Atividade Servicos Movimento OndAzul – OndAzul Tucuxi Alimentação Hospedagem. Incluida Projeto Sotalia Golfinos Fazenda Rio Negro e hospedagem Hospedagem Fontes: Thais Akemi Yoshida Pazini & Claudio Alexandre de Souza, 2006. Todos os projetos analisados ofertam hospedagem aos visitantes que prestarão serviços voluntários, contudo observa-se que somente a Fazenda Rio Negro disponibiliza também a alimentação. Os voluntários são responsáveis de providenciarem sua própria alimentação no local de realização da respectiva atividade, como um pacote tradicional pela sua refeição, o que pela característica do local Fazenda Rio Negro no Pantanal isto seria inviável, pelas distâncias e características das localidades na região. As atividades desenvolvidas pelos voluntários são apresentadas a seguir, no quadro 4, onde observa-se que da mesma forma do turismo tradicional há atividades desenvolvidas para ocupação do tempo deste visitante. Quadro 4: Atividades Desenvolvidas no Turismo Voluntário. Nome da Fundação Atividade Movimento Projeto Sotalia: Golfino Fazenda Rio Negro OndAzul – OndAzul s Tucuxi Reforma ou construção de A organização utiliza uma Aos ecovoluntários escolas, creche, abrigo, variedade de ferramentas oferecidas assistência médica, científicas, econômicas e como reflorestamento, agricultura, Desenvolvidas através além capacitação identificação da troca experiências, de alternativas trabalhos prejudiquem comunitários, projeto de e de integração que ações de com as não comunidades locais e por o meio seu meio ambiente. ambiente para que as entretenimento de comunidades deficientes ou beneficiem físicos, locais se desta mentais, recreação alternativa econômica e infantil, atividades para artísticas, de de selvagem e as pessoas proteção estratégias que ajudam na locais ambiental, palestras conscientização conservação ajuda a vida psicultura, ambiental, apicultura, Atividades de o são esportes, outros serviços sociais. que sejam e capacitadas a estabelecer e gerenciar seus próprios negócios no setor. Fontes: Thais Akemi Yoshida Pazini & Claudio Alexandre de Souza, 2006. Todos os programas de voluntariado apresentados procuram promover a inserção dos visitantes às comunidades locais de forma a promover uma sinergia nas ações desenvolvidas por todos os integrantes no sentido de compreenderem e agirem de forma harmônica com o ambiente do entorno. As atividades para os visitantes variam conforme o projeto e são as mais variadas possíveis o que disponibiliza para eles oportunidades com diversas formações e habilidades. Desta forma esta pratica torna-se justa no tocante ao requisito área de formação do visitante voluntário, podendo receber, dentro da característica de cada destino e de cada voluntário, pessoas das mais distintas áreas de formação. Os programas procuram adequar os visitantes - voluntários, analisando suas habilidades e competências para integrar os mesmos a atividades onde possam aplicar de forma efetiva suas características profissionais ao serviço do voluntário do ambiente onde estão inseridos. Os programas analisados apresentam uma forma de incentivar a prática da atividade voluntária, um aporte de mão de obra qualificada e motivada, uma forma de incrementar a renda de destinos turísticos diferenciados, uma organização que possibilita um fluxo de visitantes regular garantido uma continuidade na renda e um fluxo de visitantes sustentavelmente equilibrados para as realidades visitadas. No próximo quadro observa-se os favorecidos pelas ações realizadas pelos turistas voluntários via os projetos de turismo. Quadro 5: Serviços Incluídos no Turismo Voluntário. Nome da Fundação Atividade Movimento OndAzul – OndAzul Ações direta indiretamente Fazenda Rio Negro ou Comunidade Projeto Sotalia: Golfino s Tucuxi pantaneira Organizações a do entorno da Fazenda rio conservacionistas locais Favorecidos assistência social a Negro. pela Ação infância e adolescência e para fortalecer a posição local de tais organizações. às populações em estágio de exclusão social. Fontes: Thais Akemi Yoshida Pazini & Claudio Alexandre de Souza, 2006. Verificamos uma série de diferentes públicos receptores das ações dos programas de voluntariado voltado para os turistas que optam por este tipo de atividade em suas viagens de férias, sendo que desde pequenos grupos ou comunidades a organizações ambientais recebem estes atendimentos. O meio ambiente e as comunidades autóctones são as principais beneficiárias deste tipo de programa, o que nos apresenta uma forma de inserção sócio ambiental dos participantes de forma ativa junto a problemáticas diferenciadas do seu cotidiano. A busca por destinações diferenciadas e locais com atividades diversas da realizada no dia-adia dos visitantes e segundo Swarbrooke & Horner (2002.) um dos grandes impulsionadores de fluxo turístico; elemento este que se encontra presente nas atividades analisadas neste que ora chamamos de Turismo Voluntário. Conclusão Os autores identificaram, para realização deste artigo, ausência de referencial bibliográfico que investigasse novas tendências mercadológicas que estão se apresentando no setor do turismo em geral, principalmente no tocante a análise de novas abordagens pragmáticas que a atividade apresenta. Necessidades de profissionais qualificados a planejar a atividade do turismo de forma que esta contribua efetivamente para a paz mundial, auxiliando na estruturação de turismo com responsabilidade sócio-ambiental, como o apresentado nos exemplos discutidos neste artigo. Necessidade de campanhas de sensibilização junto as demandas turísticas nacionais e internacionais apresentando este tipo de atividade a ser desenvolvida visando promover uma compreensão da demanda no tocante ao tipo de turismo que estes destinos pretendem desenvolver. Formas de qualificação de docentes e discentes dispostos a quebrar os paradigmas em relação as formas tradicionalistas de se estudar e observar o fenômeno turístico, apresentando novas propostas de destinações, que atendam aos desejos de demandas latentes, com propostas de participação deste segmento tão discutidos na atualidade. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ANDRADE, José Vicente. Turismo, fundamentos e dimensões. São Paulo, Ática, 1995. 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São pessoas que mantém vivo costumes, 5 Acadêmica regularmente matriculada no 7º semestre do curso de Bacharelado em Turismo na Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT do município de Nova Xavantina – MT. 2 Docente da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT. histórias e modo de vida de seus antepassados até os dias atuais. O visitante sempre se desloca por inúmeros motivos, um deles é conhecer a cultura diferente que se encontra em um determinado lugar. Através de pesquisas bibliográficas, documentais e de campo, com o objetivo de analisar o artesanato local como uma alternativa de atividade solidária para o Município de Nova Xavantina, objeto de estudo de presente trabalho, torna-se possível identificar no município o perfil dos artesãos e de que formar os artesãos se organizam para a confecção e venda dos artefatos. A proposta de implantação de uma organização entre esse grupo foi elaborada após a analise dos resultados dos objetivos acima. Percebe-se que essa proposta aumentaria a produção e conseqüentemente a renda dos envolvidos, contribuindo para o desenvolvimento da atividade turística local e indiretamente melhorando a qualidade de vida da comunidade, já presente trabalho oferece subsídios para que os artesãos ofereçam peças de qualidade e representativas do local, uma maneira de conservação e fortalecimento da cultura existente. Palavras-chave: Cultura; Nova Xavantina; Artesanato. Princípios da cultura e suas manifestações A evolução social sofrida pela humanidade, desde a distinção da espécie humana e de outras espécies animais até os dias atuais conhecida como civilização, explica a diversidade das culturas existentes, já que uma grande parte da história acompanha a humanidade, o que expressa possibilidades de vida social organizada e constata diferentes formas de domínio humano sobre a natureza (SANTOS, 1996, p. 14, 15). Ruschmann (1997, p. 44), argumenta que a cultura de uma localidade pode “estimular os turistas e oferece-lhes a oportunidade de conhecer os habitantes da região, seus modos de vida, suas atividades profissionais (de agricultura, artesanato etc.)”. Segundo Lugo (apud RUSCHMANN, 1997 p. 50), os fatores que contribui para melhor entender a cultura de um povo consistem em “seu posicionamento geográfico, de seu lugar na historia, da época e das condições do encontro com as outras culturas, e das organizações culturais previamente existentes”. O ser humano além de ser o criador também é responsável pela transmissão formal ou informal de sua cultura. A inter-relação do turismo com os fatos folclóricos sendo bem conduzida em ambas as partes pode revitalizar as práticas tradicionais de um povo. Esse procedimento de reestrutura das atividades culturais direcionada ao turista deve sempre manter a originalidade (DIAS, 2003, p. 121-122). De acordo com Horta (2004, p. 212), Folclore é um dos segmentos da cultura do país, ele nos permite observar, dentro de uma sociedade, manifestações como danças, mitos, artesanatos, linguagem, vestimentas, entre outras. Contudo, essas manifestações se diferem de um povo para outro, fazendo com que cada região possua uma identidade singular. Como exemplo, pode-se usar o artesanato de barro, produzido em qualquer lugar desde que tenha matéria-prima necessária, sua prática acaba sendo universal, mas sua concretização recebe características da cultura do artesão. Artesanato é todo o trabalho manual, em que 80% do produto final são obtidos através da manipulação da matéria-prima pelo próprio artesão. Esse procedimento vai desde a coleta da matériaprima, do uso de técnicas e conhecimentos até a comercialização deste produto ao seu consumidor em geral (FRANÇA, 2005, p. 10). O Sebrae relata que as indicações geográficas, entre elas, solo, vegetação, tipografia e clima, interfiram no artesanato como a sua qualidade e originalidade de cada região. Essas indicações contribuem no desenvolvimento local; gera riquezas; produz artefatos com qualidade e diferencial com valor agregado; afirma a imagem do produto e seu reconhecimento; protege a imagem das peças e de quem as produz; gera emprego e renda (SEBRAE, 2002). A valorização do artesanato local proporciona a comunidade uma identidade singular, fazendo com que a população sinta sua cultura mais “viva”, atraindo visitantes e gerando uma alternativa de renda para essas pessoas. As características da identidade cultural estão presentes nos costumes, mitos, ritos, cores ligadas à paisagem local, imagens atribuídas na fauna e flora e, os tipos de povos existentes que determinam um grupo social dos demais. A produção de artefatos que ligam a uma referência cultural significa confeccionar produtos que se relaciona com seu lugar de origem, sejam a partir de elementos simbólicos que levam as origens de seus produtores, a matéria-prima encontrada na região e as técnicas que são passadas de geração em geração. Para o mercado globalizado esses aspectos abordados têm grande importância (SEBRAE, 2002). Parente (apud CARVALHO, 2001, p. 19,20), afirma que o artesanato revitaliza as atividades econômicas tradicionais; auxilia na preservação dos valores culturais em âmbito local, regional e nacional favorecendo a criação de identidade; atua como estratégia de ocupação intensiva de mãode-obra que ajuda na questão de desemprego. Continuando a afirmação da autora, o artesanato funciona como instrumento de ocupação produtiva, gerando renda, fixando o homem no campo, evitando o êxodo rural, intensificando trocas culturais e comerciais entre os países, incentivo ao turismo e conservação do meio ambiente. O artesanato ao ser explorado para a comercialização tornou-se uma atividade econômica, conhecida como “atividade industrial caseira”, gerando uma fonte de renda útil aos artesãos, contribuindo no desenvolvimento das localidades que o confecciona (CASCUDO, 2001, p. 26). Os artesãos embora conservem a tradição de suas técnicas e estilos também passa por evoluções devido à alta concorrência industrial, necessitando de maiores conhecimentos para melhor aproveitamento da matéria-prima (CASCUDO, 2001, p. 26). As peças artesanais produzidas para a comercialização devem conter além de sua qualidade uma etiqueta com as seguintes informações: matérias-primas, descrição dos processos de confecção, dimensões, peso, características físicas e formais, preço, nome do artesão ou associação, entre outras. Deve-se também manter os padrões de embalagem (SEBRAE, 2002). De acordo com Reis (2003, p. 45), é difícil o visitante estar em uma cidade e não levar um artesanato contigo, por exemplo, passar em Pernambuco e não visitar a famosa feira de Caruaru, onde encontra-se os bonequinhos de barro; atravessar o rio São Francisco sem conhecer os artesãos de Carrancas; passear por Bahia e não levar a bonecas baianas ou o berimbau (instrumento utilizado na capoeira); visitar o estado Espírito Santo sem levar as panelas de barro de Goiabeiras. Dando continuidade na afirmação do autor, assim como acontece no Brasil também acontece em outros países, por exemplo: Marrocos que através de estudos do ministério do turismo nos anos 70, apresentou que 54% dos gastos dos turistas ocorrem na compra de itens de artesanato, sendo que 40% desta produção no país são adquiridos por turistas. O autor Guimarães (2003, p. 2-3) afirma que: O turista sempre quer levar algo consigo na sua bagagem, seja material, como um souvenir, ou abstrato, como a lembrança de um desejo concretizado, alguma informação ou conhecimento do povo. Essas formas convencionais de turismo pouco ajudam na distribuição da riqueza internamente pois a renda oriunda da atividade se concentra na mão de poucos. Normalmente os maiores ganhos ficam nas grandes empresas de transportes, agências de viagens, hotéis [...]. Dificilmente parte desse lucro chega na mão de residentes em municípios ou comunidades mais pobre. Pensando nisso, o artesanato é o objeto e sua produção é caracterizada pelos costumes e técnicas dos próprios artesãos, isso faz com que esse processo de produção se torne informação e conhecimentos para o consumidor final, ou seja, o turista que além de comprar, também recebe informações referentes à cultura do artesão. O objetivo do seguinte trabalho é analisar o artesanato local como uma alternativa de atividade solidária para o Município. Propor aos artesãos assim como para a comunidade trabalhar a viabilidade de organização para as atividades artesanais. Com isso incrementará no desenvolvimento do turismo local. Alternativa de atividade solidária para os artesãos No Município de Nova Xavantina os artesãos fazem uso da matéria-prima encontrada em meio à vegetação do Cerrado para a confecção do artesanato. No qual sementes, caules, folhas, flores, frutos, raízes e fibras, são utilizados e dão origem à produção artesanal de bonecas, quadros, luminárias, porta retratos, acessórios (colar, brinco e pulseira), entre outros (DIAS, 2005, p. 19). Nova Xavantina, objeto de estudo do presente trabalho que tem por objetivo analisar o artesanato local como uma alternativa de atividade solidária para o Município, localiza-se na BR 158 região Leste do Estado de Mato Grosso. Com uma população estimada de 17.332 habitantes (IBGE, 2004). Segundo Bonald (apud DIAS, 2005, p. 23-24), os artesãos em geral trabalham em cooperativas para a comercialização de suas peças, fazendo com que não tenham intermediários, onde o consumidor compra há preços mais acessíveis, direto com o criador. As atividades artesanais são hoje reconhecidas como atividade econômica altamente rentável e útil. As cooperativas são empreendimentos que objetivam formar associações econômicas solidárias no qual são compostas por grupos de pessoas com o mesmo objetivo e interesses comuns, com participação igualitária e inclusão. São consideradas importantes fontes de produção, trabalho e renda, que viabilizam a expansão econômica do país, além de serem alternativas concretas no combate ao desemprego (UNB, 2007 a, p. 4). No Brasil a Lei 5.764 de 16 de dezembro de 1971, define o regime jurídico das Cooperativas. Cada cooperativa é regida pelo seu Estatuto Social, que define suas funções, atos, metas e objetivos, indicando os direitos e deveres dos associados, natureza de suas responsabilidades e suas condições de admissão, demissão, eliminação e exclusão e as normas para sua representação nas assembléias gerais. Sua formação deve conter no mínimo 20 associados (OCB, 2004 b, p. n. p.). Existem vários tipos de cooperativas como as de produção; de consumo; de troca; de crédito; de trabalho sendo hoje o segmento que mais cresce; de agropecuária, apresentam maior número de empreendimentos; de turismo e lazer, é o mais novo segmento que existe; cooperativa mista que envolve mais de um tipo, entre outras (UNB, 2007 a, p. 6, 7). Os princípios básicos do cooperativismo são linhas norteadoras para as cooperativas por em prática seus valores. Esses princípios se apresentam como: adesão voluntária e livre; gestão democrática; participação econômica dos membros; autonomia e independência; educação, formação e informação; intercooperação; e interesse pela comunidade (op. cit. p. 43, 44, 45, 46). Uma rede de cooperação exige requisitos que são básicos para seu funcionamento, tais como: - Informação e comunicação: todos os membros devem ser informados e comunicar-se entre si de tudo que o empreendimento faz ou deixa de fazer; - Centro: esse centro tanto pode ser físico ou virtual como página da internet, é o ponto de encontro da rede; - Logística: envolve desde o transporte, armazenagem, distribuição, etc.; - Padronização: permite qualificação de produtos ou serviços; - Regras claras: constitui em transparência das políticas e/ou serviços; - Solidariedade: busca-se a união dos membros (UNB, 2007 a, p. 16, 17). As cooperativas promovem a qualificação de seus membros através de cursos, oficinas, palestras, etc. Com isso obtém-se um desenvolvimento sustentável de suas atividades (op. cit, p. 6, 7). Segundo Derkoski (1998, p. 39), uma cooperativa tem que estar atenta à concorrência interna e externa, a serviços e produtos de qualidade, o atendimento e preço do que se oferta. Caso contrário leva a falência da empresa que recém se fundou. A Economia Solidária se define com um conjunto de atividades econômicas sustentáveis, tais como: produção, distribuição, consumo, entre outras que sejam administrados em forma de autogestão, ou seja, um processo que exige a participação em conjunto nas tomadas de decisões e metas de um empreendimento, no qual busca-se a participação mútua, valorização do trabalho e do saber e a criatividade das pessoas, visando assim a melhoria da qualidade de vida através de formas coletivas de geração de trabalho e renda, sendo articulada aos processos de desenvolvimento participativo (UNB, 2007 a, p.1-2). Os principais objetivos dessa economia são: combater a exclusão social; articular o consumo solidário; contribuir pela elevação da qualidade de vida das pessoas, respeitar o meio ambiente e articular a criação de empresas autogestoras, grupos solidários, redes solidárias, clubes de troca e cooperativas e associações de bens e serviços (UNB, 2007 a, p. 2). A economia solidária estimula a solidariedade entre os membros do empreendimento com a prática da autogestão, e também desenvolve a solidariedade com toda a comunidade trabalhadora ajudando os menos favorecidos. Essa economia está integrada ao terceiro setor, apresentada de forma de organização não-governamental, auxilia no combate ao desemprego e pela inserção social (CATTANI, 2003, p. 116, 117). Segundo Zart et al (apud SOUZA, 2007, p. 17), essa nova economia “é composta por uma rede de organizações solidárias, que tem como segmentos, Cooperativas, Associações, Empresas, Grupos solidários, Redes solidárias, Clube de troca, etc”. Esse novo segmento de economia apresenta as seguintes características gerais: - Cooperação: envolvem o trabalho, interesses e objetivos em comuns com participação coletiva; - Autogestão: promove as ações da autogestão e defini as estratégicas sustentáveis dos empreendimentos; - Dimensão econômica: agrega esforços, motivação e recursos pessoais para qualquer atividade do empreendimento, viabilizando a parte econômica; - Solidariedade: se apresenta em todas as dimensões do empreendimento, tais como: na capacidade de elevação da melhoria da qualidade de vida, na participação dos processos de desenvolvimento sustentável, nas relações com o meio ambiente saudável e a sustentabilidade local, entre outras (UNIB, 2007 b, p 13). Diante dessas características, a economia solidária promove o desenvolvimento sustentável gerando trabalho e conseqüentemente distribuição renda, favorecendo no crescimento econômico e na conservação dos ecossistemas (M.T.E, 2003, p. n. p.). Segundo UNB (2007 a, p. 1), “é a partir da economia solidária que muitas associações e cooperativas têm conquistado resultados significativos na elevação da qualidade de vida”. Mas para chegar nesse resultado envolve um intenso processo de organização social e cooperação contra os valores capitalistas. Através de pesquisas bibliográficas e de campo, verifica-se a elaboração de uma alternativa de atividade econômica solidária para os artesãos de Nova Xavantina seria a criação de uma cooperativa de artesãos, na tentativa de começarem a trabalhar em conjunto. Com isso cada associado poderá confeccionar e vender suas peças, participar de cursos e oficinas garantindo maior qualidade e profissionalismo, participação em eventos como feiras do artesanato nacional e internacional e demais eventos. A cooperativa dá subsídios com base em princípios éticos, solidários e sustentáveis, e oportunidade igualitária aos sócios, sem privilegiar uns e outros. Todos devem ter e lutar pelo mesmo objetivo, desenvolvendo um trabalho em parceria com os demais (op. cit, p. 2). Dessa maneira o número de pessoas beneficiadas é bem maior do que se não houvesse uma organização em coletivo, sendo cada um por si. O desenvolvimento de uma economia solidária no município faz com que haja a participação não só do empreendedor, mas sim o envolvimento da comunidade ao todo na movimentação do capital, obtendo uma redução da exclusão. A organização em cooperativa do artesão busca resgatar e valorizar a cultura local possibilitando uma identidade singular do artesanato, sendo referência única em relação às outras regiões, servindo de atrativo turístico. Resultando numa melhoria de qualidade de vida e gerando uma alternativa de renda para um maior número de pessoas. Para que os resultados deste trabalho fossem alcançados foi necessário aplicar duas pesquisas aos artesãos do município de Nova Xavantina com objetivos diferentes. Em uma (pesquisa 1), questionaram-se vinte artesãos a fim de identificar o perfil e a forma com que vêm trabalhando com o artesanato. Já a outra (pesquisa 2), foi realizada com seis pessoas que fizeram parte de uma associação de artesãos criada no mês de julho de 2003, hoje inativa, entre elas artesãos e participantes. Essa última teve como objetivo verificar os fatos ocorridos nesta época que ocasionaram a inexistência da associação. Bem como através dos resultados da pesquisa encontrar uma forma de organização para os artesãos trabalharem em conjunto e comercializar suas peças. Proposta para os artesãos compatível com a situação atual desse segmento Acredita-se que os artesãos no geral devam a trabalhar em grupos na tentativa de criar uma linha de produção que identifica o produto com sua localidade de maneira que a produção ganhe espaço em meio à concorrência. Esta organização dos artesãos seria através da nova forma de economia com alternativas estratégicas anti-capitalista, a solidária, que visa beneficiar o maior número de pessoas utilizando a forma de autogestão que é uma maneira de obter a participação igualitária na tomada de decisões de uma organização. Essa economia promove o desenvolvimento participativo e a solidariedade dos envolvidos onde se insere, também trabalha com a articulação da criação de associações e cooperativas. Porem o maior desafio da organização é o fato dela ser solidária em um ambiente capitalista. A formação de uma organização, como associação ou cooperativa, necessita de procedimentos burocráticos, união e participação dos membros fazendo com que tenham responsabilidades e conhecimento das ações a serem realizadas para que essa organização saia do papel e permaneça em vigor conforme seu estatuto. No caso da associação de artesãos criada no mês de julho de 2003 por pessoas que queriam constituir uma organização visando melhorar esse setor no município, não tiveram resultados satisfatórios como pode-se perceber na pesquisa. A associação nem chegou a ser registrada devido a vários motivos como: falta de união entre eles, desistência de associados, falta de incentivo e apoio de alguns órgãos, falta de conhecimento dos membros em como formar e registrar a associação, entre outros. Observamos que o fator que mais prejudicou na formação da associação foi a falta de interação do grupo em resolver os problemas que foram surgindo, simplesmente os associados desistiam. Portanto, torna-se impossível de uma associação se constituir e permanecer em funcionamento, já que exige a participação igualitária e união dos associados e não cada um pra si ou um único responsável “chefe”. Percebemos a viabilidade de uma organização já que na pesquisa a maioria dos questionados afirmam que querem dar continuidade nos trabalhos por eles realizados de forma a se juntarem objetivando aumentar a comercialização e fazer com que o artesanato ganhe espaço no mercado. Pois percebem que essa atividade garante que é possível ser fonte de renda única contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, para o desenvolvimento da localidade onde esse setor é inserido, além de outros benefícios tanto para eles como também para a comunidade no geral. Diante disso, vejamos como proposta compatível com a situação atual desse segmento a criação de uma cooperativa, beneficiando um maior número de pessoas que iram se união em prol dos mesmos objetivos. Os artesãos poderão através da cooperativa criar um local específico para confeccionar e comercializar as peças, promover a realização de eventos ligados a esse setor, representar o trabalho artesanal em outras cidades, criar projetos e buscar recursos através de órgãos governamentais e instituições não-governamentais. São projetos como construir uma casa do artesão no município já que não tem uma, montar uma feira específica de artesanato, além de outros ligados a esse setor, e demais ações e benefícios que compete a uma organização desse porte. A cooperativa dará subsídios aos membros fazendo com que eles consigam confeccionar produtos que se identifiquem com a localidade, ou seja, o artesanato será a expressão do modo de vida dos povos presente. Com isso, esse segmento passa ser um símbolo representativo da cultura preservando a identidade local, já que no município não possui uma cultura predominante e sim várias culturas em processo de adaptação e transformações devido a sua forma de colonização. Contudo, os associados poderão trocar material, técnicas de produção e conhecimentos entre si, como também incrementar o produto de outro associado com seu trabalho resultando numa única peça com criatividade e acima de tudo qualidade. Pois o mercado capitalista requer produtos de alta qualidade e durabilidade para a comercialização, sendo assim, os produtos industriais já possuem um espaço definido na comercialização devido a sua alta tecnologia e grandes quantidades de mercadoria, já o produto artesanal por ser produzidos em menores quantidades briga por esse espaço no mercado competitivo. Dessa forma a organização terá suporte para se inserir e concorrer com mercado industrial. Sendo assim, acredita-se que o artesanato local contribuirá no setor turístico do município, pois o turista busca marcar sua viagem levando contigo produtos como souvenir ou artesanato local. Com a organização os artesãos poderão realizar eventos na cidade atraindo visitantes que irão encontrar produtos tantos utilitários como decorativos que não são encontrados em outras localidades, pelo motivo desses artefatos expressarem uma identidade local. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARVALHO, Heidi Cristina Buzato de. Artesanato de Caixeta em São Sebastião –SP. Piracicaba, 2001, 143 p. : il. CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. 10. ed. São Paulo: Global, 2001. CATTANI, Antonio David (org.). A outra economia. Porto Alegre: Veraz Editores, 2003. DERKOSKI, João Luiz. Administração de cooperativas. Mato Grosso: OCEMAT, 1998. DIAS, Reinaldo. Sociologia do turismo. São Paulo: Atlas, 2003. DIAS, Carolina Di Ferreira. Artesanato: O cerrado motivando a demanda turística em Nova Xavantina-MT. 2005. 35 f. Monografia (graduação em Turismo)-Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Estadual de Mato Grosso, Nova Xavantina. FRANÇA, Rosa Alice. Design e artesanato: uma proposta social. Revista design em foco, Bahia, v. 2, n. 2, p. 9-15, jul. – daz. 2005. GUIMARÃES, Sérgio Fonseca. Turismo Solidário. SBPC: Revista eletrônica de jornalismo científica, São Paulo, maio 2003. Disponível em: <http://www.comciencia.br/presencadoleitor/artigo10.htm>. Acesso em: 17 out. 2005. HORTA, Carlos F. de M. M. (Coord.). O Grande livro do folclore. Belo Horizonte: Leitura, 2004. IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e estatística. Resultados da Amostra do Censo Demográfico. Rio de Janeiro: IBGE, 2004. Disponível em: <www.ibge.gov.br> Acesso em: 15 de maio 2007. M.T.E. Economia Solidária, 2003. Disponivel em: <http://www.mte.gov.br/ecosolidaria/ecosolidaria_oque.asp>. Acesso em 25 mar. 2008. OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras, 2004 b. Disponível em: <http://www.portaldocooperativismo.org.br>. Acesso em: 20 set. 2008. REIS, Ana Carla Fonseca. Marketing cultural e financiamento da cultura: teoria da prática em um estudo internacional comparado. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. RUSCHMANN, Doris. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. 8. ed. São Paulo: Papirus, 1997. SANTOS, José Luiz. O que é cultura. 14. ed. São Paulo:Brasiliense, 1996. SEBRAE, 2002. Disponível em: < http://www.sebrae.com.br/setor/artesanato/sobre- artesanato/artesanato-no-brasil/conceito >. Acesso em 29 mar. 2008. SOUZA, Deuselira Rodrigues de. Proposta de Organização das atividades dos canoeiros das praias urbanas do município de Nova Xavantina-MT. 2007. 65 f. Monografia (graduação em Turismo)-Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Estadual de Mato Grosso, Nova Xavantina. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Projeto de promoção do desenvolvimento local e economia solidária. Brasília, 2007 a. UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Projeto de promoção do desenvolvimento local e economia solidária. Brasília, 2007 b. GESTÃO DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO KELLER, Rodrigo Alex6 JAEGER, Tiago Born7 RESUMO O objetivo deste artigo é demonstrar que atualmente as mudanças ocorrem numa velocidade acelerada, aumentando a competição entre as agências de viagem e empresas ligadas a prestação de serviços. Deste movimento, surge a necessidade de desenvolver um novo estilo e forma de administração, voltado para a era da informação. Neste contexto, devem-se analisar alguns aspectos de como a importância e o trato dispensado à necessidade da informação, como a qual ponto é importante se deter a mesma em nossas empresas. Este artigo tem como objetivo principal apresentar uma análise de como as novas tecnologias de informação estão modificando a gestão empresarial nas agências de viagem. A evolução desta gestão na era moderna e sua relação como às novas tecnologias de informação. Analisar o comportamento da sociedade no mundo globalizado. Buscar entender quais adaptações é necessário para a permanência das agências de viagem no mercado atual e pesquisar como a sociedade brasileira utiliza a internet e como isso pode afetar ou 61 Pós-graduando em Turismo, Lazer e Hospitalidade da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. [email protected] 72 Serv. Sebastião B. Silva 135, Jurerê – Florianópoilis – SC Pós-graduando em Turismo, Lazer e Hospitalidade da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. [email protected] melhores as agências de viagem. Quais serviços e produtos podem agregar valor na atividade das agências e que antes nunca eram mensurados. Quais são os requisitos no mundo dos negócios na sociedade da informação e sua relação com a gestão das agências de viagem. Palavras-chave: turismo; informação; agencia de viagem. 1 INTRODUÇÃO Ao caminharmos para a primeira década do terceiro milênio deparamo-nos com um cenário mundial muito diferente do anterior, sobretudo a partir da década de 1990. Vários foram os fatores determinantes que fizeram com que significativas mudanças ocorressem neste período. A busca incessante por consumidores ávidos por novidades, a conquista de novos e jovens mercados, a necessidade de se criar produtos e serviços cujas marcas serão as primeiras a serem lembradas pelo consumidor, a preocupação com a preservação e manutenção do meio ambiente, a velocidade espantosa de propagação e acessibilidade às informações e o fator globalização sendo cada vez mais enfatizado e discutido. No que se refere às informações pode-se dizer que a sua importância, aplicabilidade, magnitude e abrangência nos dias atuais, em um cenário mundial altamente mutante em que existe o predomínio de tecnologias muito avançadas em termos de disseminação das mesmas, certamente não podem ser simplesmente sub-avaliadas ou mesmo ignoradas por todos aqueles que desejam o sucesso de seus empreendimentos e também em suas vidas pessoais. A presença contínua de aumento da velocidade da inovação tecnológica tem sido um fator determinante para que as agências de viagens logrem êxito em seus negócios, desde que estejam sempre atentas a estas mudanças e tenham a capacidade de não esquecer de seu maior patrimônio: a informação e utilização dela, que acabam gerando um dos grandes diferenciais no mundo das viagens atualmente. Conceitos como sinergia, flexibilidade, criatividade, parceria, qualidade total, reengenharia, readministração, cibernética, informação e marketing, entre outros, constituem, atualmente, o mecanismo das organizações neste novo milênio e vêm de forma decisiva influenciando as empresas relacionadas ao turismo e viagens. 2 DESENVOLVIMENTO Se pararmos para analisar, estamos vivendo em um mundo repleto de transformações eminentemente aceleradas, a tal ponto, que muitas vezes não nos damos conta que determinado produto ou serviço já se encontra a nossa disposição e com apenas alguns clique em nossas casas, escritório, enfim em vários locais, pois com o advento da internet, as coisas se tornaram muito rápidas e fáceis de adquirir e com o aprimoramento da mesma em suas formas de transmissão de informações e recepção das mesmas, esta facilidade se tornou maior ainda, cabendo na palma da mão. A humanidade passou por diversas eras em sua existência, sendo algumas delas mais aceleradas e confortáveis, proporcionada pelo advento e desenvolvimento da tecnologia, outras nem tanto, mas ao oposto, foram épocas sofridas, como nos primórdios, onde a noção da informação ainda não se fazia necessária, era somente caçar para comer e cito, a caça era abundante, não havia a necessidade da estratégia para se conseguir comer e sobreviver. Após a Revolução Industrial e invento da máquina a vapor a humanidade deu um salto ao desconhecido, e inclusive em locais onde antes não se imaginava foi, a lua. Porém tudo isto não seria possível por um motivo básico: a informação e sua administração. 2.1 A era da informação. Em 100 anos a humanidade prosperou de forma intensamente significativa. Se pararmos para pensar, em meados de 1900 as coisas aconteciam de forma tão lenta e dispendiosa, acarretando assim um aumento no custo dos serviços, mortes, jornadas ao desconhecido, coisas deste tipo ainda aconteciam em pouco tempo atrás. Mesmo com o invento da máquina a vapor as coisas ainda eram lentas, porém este foi sem dúvida o grande salto tecnológico antes da internet e transmissão de dados via satélite. Com a revolução industrial, após a criação das máquinas a vapor, desenvolve-se o capitalismo com a única preocupação com a otimização das linhas de produção, sem levar em consideração as necessidades dos clientes. Essa época é conhecida como sociedade moderna industrial que tinha acesso apenas a bens produzidos por outras pessoas. Em 1920 se instituiu nas empresas a produção em massa, onde a mão de obra ainda era o essencial para a sobrevivência dos seres e das organizações. Em meados de 1950 passamos pela era da eficiência se despontou como o apogeu e valorização do ser humano em fazer bem feito o que as instituições a ele atribuíam, como por exemplo, valorizava-se a maneira de uma pessoa manter seu fichário bem organizado, sua agenda sempre em dia, a maneira como um funcionário aplicava uma solda em um veículo na sua linha de montagem, etc. Em 1970 entramos na era da qualidade total, onde para se ter um desempenho favorável no mercado às empresas deveria se ater á qualidade do produto e serviço final. Era valorizado o fazer bem e sempre dar o suporte necessário á satisfação total dos consumidores, e este eram o diferencial competitivo entre as instituições. Com essa transformação nas organizações, desenvolve-se a era da qualidade, resultado do desenvolvimento de novas tecnologias de produção e informação, assim como o surgimento da internet. Após 1970 os meios de comunicação e as trocas de informações se tornaram mais eficientes, pois havia o telex e o telefone já existia, possibilitando uma aproximação das pessoas por meio de voz ou sinais. Entretanto a informação ainda não era de suma importância, somente a partir de 1990 as organizações se deram conta de que sem a troca de informações em tempo real era agora o fantasma que assombrava os diretores e dirigentes, pois sem a detenção e administração de forma eficiente e eficaz das mesmas, não era mais possível administrar. Em 1990 a qualidade já não era mais assunto de acirradas discussões e diferencial competitivo, pois todos se deram conta que produzir sem qualidade era significado de fracasso, pois o mercado e os consumidores iriam descartar e ignorar nossos produtos ou serviço de maneira rápida. Na metade do século XX, as organizações percebem que não são sistemas fechados e que é necessário estar sempre atento as mudanças externas do setor. É justamente nesta época que o movimento pós-modernismo ganha força e os consumidores buscam sua auto-satisfação e as organizações buscam a eficiência. A partir disso, que a sociedade começa a ter acesso além dos bens, aos serviços prestados por outros. A partir da década de 90, a internet difunde rapidamente, superando qualquer meio de comunicação. A globalização torna-se o principal concorrente de muitas empresas, pois com o acesso das informações em qualquer lugar do mundo, os intermediários de muitos serviços foram desnecessários. Novos referenciais sociais, econômicos, tecnológicos e culturais surgiram. É a época da competitividade em todos os setores. No setor turístico, como as agências de viagem, a internet possibilitou que os seus clientes tivessem acesso direto aos seus fornecedores, tais como: hotéis e empresas de transporte em qualquer cidade ou país. A internet se tornou a principal forma de negociação e troca das informações. E esta sem dúvida até o momento foi a maior invenção do homem. Essa ferramenta tornou nossas vidas mais ágeis e competitivas, a captação, organização e maneira de se trabalhar com a informação e conhecimento tornaram-se agora o diferencial. Entramos e estamos na era da globalização onde o que hoje é necessário e tem custo elevado, amanhã pode apresentar-se como obsoleto e sem valor comercial algum. Vivemos em um mundo repleto de transições e a globalização mudou a natureza das viagens, deslocamentos e significativo aumento dos mesmos. A globalização muda à natureza do turismo internacional, pois traz a prosperidade em nações emergentes, aumenta a divisão do trabalho internacional e potencializa a informação via web. O turismo já é o mais importante setor da economia mundial no total de bens e serviços de exportação. BENNI (2004, p.33) A utilização da world wide web (www) mais propriamente dito da internet (rede mundial de computadores), nunca foi tão utilizada como em nossos tempos. Até por tratar-se da coqueluche do momento. Todos nós em sua maioria esmagadora nos utilizamos, tanto profissional como pessoalmente desta engenhosidade praticamente dia a dia. A internet se tornou a chave para a era da informação, e esta porta, cabe a nós abrir. Desta forma as informações se tornaram imediatas, on line, e disponíveis 24 horas. Para as empresas e suas logísticas, e, sobretudo as Agências de Viagens e de transporte aéreo, havia uma possibilidade de agregar todas as informações julgadas pertinentes sobre seus clientes e fornecedores em um só sistema. Isso desencadeou uma nova forma de lidar com o cliente, criou-se agilidade e segurança no atendimento, proporcionando assim um ganho de tempo e uma maior organização de dados. 2.2 As Agências de Viagem frente à era da Informação. No início da atividade de agência de viagem, sua organização era da seguinte forma: as comissões de seus fornecedores eram altas; havia pouca concorrência no mercado, seja local ou regional e o público era seletivo. Esta já é uma realidade ultrapassada. Após a revolução industrial a classe média passou a ter melhores salários, podendo viajar nas horas vagas. Muitas reivindicações dos operários foram necessárias para que o trabalhador adquirisse seus direitos, como diminuição da carga horária e as férias remuneradas, adquirindo assim, mais tempo de lazer e também auto-realização. As operadoras turísticas surgem por volta de 1960, elas tinham como função fazer os pacotes turísticos e distribuí-los às agências de viagem, que revendiam aos consumidores. Com as passagens aéreas sendo bastante vendidas, os cruzeiros e os trens tiveram um declínio, onde começaram a depender das operadoras. Os hotéis também tiveram evolução. Não estavam mais se concentrando nas grandes cidades, passaram a se espalhar pelas rodovias e possuir estacionamentos. Fazendo assim com que os que viajassem com carro tivessem onde descansar durante as longas viagens. Na Suíça foram criadas as primeiras escolas profissionais de hotelaria e começou a era das grandes cadeias de hotéis padronizados e impessoais. Na década de 1970 houve um aumento na preocupação pelo meio ambiente. Onde os americanos adoram uma filosofia: é preciso cuidar dos recursos naturais porque, caso contrário, eles deixaram de dar lucro. Na América Latina os primeiros paises a ser os pólos receptivos foram: Chile, Argentina e Uruguai, onde foram tratados como núcleos de praia e mar. No Brasil, o turismo se vinculou ao lazer. O marco do turismo no Brasil foi à criação da Sociedade Brasileira de Turismo, em 1923. Em 1966, foi criada a Empresa Brasileira de Turismo – EMBRATUR, que atualmente é o Instituto Brasileiro de Turismo. A Organização Mundial do Turismo – OMT foi criada em 27 de setembro de 1970, com sede na Espanha. Com o objetivo de promover e desenvolver o turismo mundialmente. Com a invenção dos GDS (Global Distribution System – Sistema Global de Distribuição) facilitou muito a comunicação entre os fornecedores e os intermediários. Devido à facilidade da informação e a globalização dos serviços, as agências de viagem atualmente estão em transição da seguinte realidade: baixa comissão, com alta concorrência e um público diferenciado para a consultoria gerando receita, mercado altamente segmentado e um atendimento diferenciado. A desintermediação dos serviços no setor turístico vem obrigando as agências de viagem a buscarem novas alternativas de remuneração e de diferencial competitivo. Atualmente a principal matéria-prima das agências é a informação através das tecnologias, que é o elemento vital para qualquer empresa. Através da informação a empresa e os seus profissionais adquirem conhecimento que atualmente é considerado o principal diferencial competitivo no mundo globalizado. A internet possibilitou um mundo mais dinâmico. Os serviços que antes demoravam um ou dois dias para serem fechados, como é o caso de uma reserva de hospedagem, agora é fechado quase em tempo real. Com todas as facilidades de informação e as tendências de mercado, os gestores de agências de viagem obrigaram-se a criar novas fontes de receita. Mesmo com as informações disponível na internet, o setor turístico sobrevive das necessidades dos clientes, dos desejos das pessoas. Para reservar um hotel ou fazer uma viagem, os clientes necessitam de confiança. Levando em consideração esta questão, as agências de viagem estão investindo no conhecimento dos seus funcionários que começaram a trabalhar como consultores, agregando assim, valor a seus produtos e serviços. Porém, a informação também trouxe novas ferramentas de analise de ambientes possibilitando assim desenvolver estratégias eficientes no mercado competitivo. As TI possibilitam os gestores a compreender e identificar com antecipação as mudanças e tendências dos ambientes, criando cenários competitivos através da identificação de ameaças e oportunidades com mais eficiência. “Ferramentas de gestão com o CRM, oferecem coordenação completa entre vendas, atendimento ao cliente, marketing, suporte de campo e outras funções relacionadas ao cliente. O CRM integra pessoas, processo e tecnologia, para maximizar os relacionamentos com todos os seus clientes, incluindo clientes eletrônicos, membros de canais de distribuição e clientes e fornecedores internos, aproveitando, cada vez mais, a Internet”. O impulso da tecnologia junto ao advento da internet possibilitou um maior fluxo de informações com maior rapidez e cada vez com maior significância. Como comentado anteriormente o fluxo de pessoas e viagens aumentou consideravelmente após a era industrial. Viagens estas que agora se tornaram com maior freqüência e com motivos dos mais diversos possíveis. Pra se ter uma idéia, de acordo com a agência Reuter8s em 2006, houve um total de 842 milhões de desembarques no mundo, veja, milhões, agora imagine o montante de informações pertinentes a estas viagens. O turismo é um dos setores mais significativos e dinâmicos do mundo atual. Algumas tendências vêm se delineando, como deslocamentos mais curtos, com maior freqüência e em menor intervalo de tempo. A Organização Mundial de turismo (OMT) estima um crescimento de 4 a 5 por cento ao ano da área de turismo até o início do século XXI. Esse crescimento é motivado, principalmente, pelo interesse por produtos turísticos novos e renovados, tais como o rural, de aventura, e ecológico. BISSOLI, (2000, p. 14). As agências de turismo são empresas ou organizações que têm como finalidade o lucro sobre a intermediação de viagens, seus meios e destinos. Não se sabe ao certo quando este mercado teve início, mas atribui-se ao inglês Thomas Cook a primeira anotação válida de agenciamento de viagens com o fim de se obter lucro. Vale ressaltar que num mundo informatizado em que vivemos, o bom proveito da informação não se vale apenas com o intuito de se obter lucro, mas sim de se agilizar a prestação dos serviços frente a uma disposição infinita de dados. Desta forma, a qualidade não pode ser simplesmente ignorada. A seguir um quadro ilustrativo sobre os trâmites do agenciamento de viagens e seus afins. A Intermediação da agência. Companhias C l i 8 Disponível em: www.br.reuters.com - acessado em 14/06/2008 e Agencia n De t Agência De Viagem Viagem e Aéreas Locadoras de Veículos Empresas de Eventos Guias de Turismo Operadoras Hotéis Restaurantes Outros fornecedores Fonte: PETROCCHI, Mário. Agências de Viagens, p. 148. Com o aumento das viagens, por seus mais diversos motivos entre eles à curiosidade por experiências novas, uma maior possibilidade de se ter o desejado, a facilidade proporcionada pela internet, acarretou num aumento enorme de informações geradas por este trânsito de pessoas e aumento significativo dos vôos e decolagens de aviões no mundo todo. Identifica-se neste momento a necessidade de as empresas aéreas através da rede mundial de computadores criar um sistema capaz de coletar, armazenar e distribuir toda e qualquer informação de e para seus clientes e parceiros, no caso, as Agências de Viagens. Criaram então os um sistema CRS (sistemas centrais de reservas) e durante muito tempo, anos de 1970, concentraram todas as informações de rotas, preços, disponibilidades, etc em um só locar, interligando todas as agencias de viagens que possuíssem a parceria com as empresas aéreas. Na medida em que o número de rotas e tarifas aumentavam, transportadoras aéreas precisaram desenvolver sistemas centrais de reservas (CRS) para gerenciar suas operações e vendas. Durante a década de 1970, as companhias aéreas conectaram suas filiais, assim como as principais agencias de viagens, a seus CRS. MARIN, (2004, p. 129). Aos poucos os sistemas CRS desenvolvidos pelas empresas aéreas foram tornando-se indispensável, assim, a expansão e melhoria dos mesmos era necessária. Com o incrível aumento das informações, decorrentes do aumento de número de pessoas e crescimento do turismo, agora o sistema passa-se a ser reconhecido como GDS (Sistema de Distribuição Global), podendo se efetuar reservas e disponibilidades em hotéis, vôos, empresas de transportes, enfim todas que compõem o trade turístico9 possuem agora a capacidade de sincronia com uma vasta agilidade de buscar informações, efetuar reservas on line, adicionar informações, e muito mais o que se pode imaginar. O enorme crescimento destes sistemas converteu rapidamente os GDS em mega empresas que suportam alguns dos maiores sistemas informáticos mundiais (o Amadeus tem mais de 250 mil terminais de reserva no mundo!). Uma vez que o potencial de distribuição eletrônica dos GDS começou a ser reconhecido, outros serviços, não aéreos foram incorporados aos seus. MARIN, (2004, p. 131). O turismo gera uma enorme gama de informações, e estas informações precisam ser utilizadas e necessitam de uma atenção especial, pois nos dias atuais e daqui a diante se acredita que os números da economia do turismo só tendem a crescer. Basta verificar em publicações, livros, 9 Trade turístico: Áreas econômicas envolvidas na prestação de serviços para atender às necessidades comuns de todos os turistas. (DUARTE, 1999, p. 19). jornais e revistas, que o mesmo mantém um crescimento delineado e cresce mais que outras economias. A atividade turística gera uma quantidade muito grande de informações que têm importância e valor estratégico nos negócios turísticos. Isso significa que a informação deve ser tratada como um elemento de estratégia e planejamento organizacional/institucional. BOSSOLI, (2000, p.66). Empresas aéreas foram as que tomaram a iniciativa para com a criação de sistemas que comportassem toda a cadeia de informações de seus vôos, decolagens, etc. Porém com o passar do tempo e utilização e aprimoramentos dos sistemas GDS´s agora é possível fazer reservas, e consultas em todo o trade turístico on line. Desta forma o surgimento dos GDS e aprimoramento destes, facilitou e muito a vida dos agentes de viagens. São grandes empresas, donas de bancos de dados que reúnem informações sobre tarifas, rotas, horários de vôos, disponibilidade de assentos nos aviões de companhias aéreas do mundo todo. Por meio deles um agente de viagens de qualquer lugar do mundo faz a reserva num vôo, emite bilhete e o entrega ao seu passageiro, em qualquer companhia aérea. Não é necessário mais ligar para cada uma delas para ver a disponibilidade, fazer a reserva, esperar a confirmação. Com os GDS ´s também é possível fazer reservas para hotéis, locadoras de veículos, cruzeiros marítimos, entre outros fornecedores. Os sistemas GDS´s tomaram forma e espaço de grande significado, sendo uma ferramenta indispensável para as agências de viagens, mas mais ainda pelas empresas aéreas. Cento e cinqüenta mil agências operadoras estão conectadas aos GDS com mais de quinhentos mil terminais e mais de um milhão de operadores já fazem negócios com novos mercados. A reserva de um hotel em qualquer localidade do planeta demora hoje apenas sete segundos. BENI, (2004, p.33). Milhares de fornecedores e usuários do planeta inteiro estão interligados 24 horas por dia, 365 dias por ano. E o agente de viagens precisa somente estar conectado a um deles (via Internet, com um terminal dedicado ou outras formas) para oferecer na hora tudo isso a seu passageiro. No Brasil atuam as quatro principais GDS´s: AMADEUS, GALILEO, SABRE e WORLDSPAN. Em geral as agências usam apenas um sistema, mas as consolidadas, justamente por trabalharem com várias agências, costumam adotar dois ou três GDS´s. como este é um mercado muito competitivo, algumas empresas de GDS assinam com as agências de viagens contratos de exclusividade de até cinco anos. Mais de 90% das transações feitas via GDS´s referem-se a segmentos aéreos. PETROCCHI (2002, p. 86). Estes sistemas organizaram de tal forma o trâmite das viagens e assim uma reorganização e reformulação nas negociações entre fornecedores, todo o trade turístico e clientes há um impacto positivo de enorme escala. Com estes sistemas operando de forma on line em tempo real (com o aumento da velocidade da internet o tempo se reduz), as facilidades de se verificar disponibilidades em vôos, acompanhar o andamento de determinada carga ou mercadoria, efetuar reservas em hotéis, transportes, entre tantas outras funções, só veio a somar para o trade turístico. E esta soma além de extremamente necessária, tende a cada dia se multiplicar e difundir. 2.3 Considerações acerca dos sistemas de informações globais mais utilizados no Brasil. Os sistemas são ferramentas que ajudam na tomada de decisões, gerenciamento e aprimoramento das informações que nele se encontram. Ainda, estes sistemas são capazes de armazenar informações as de distribuí-las simultaneamente em todo território mundial. Como citado anteriormente 4 são os sistemas de informações (GDS) utilizados no Brasil. Entretanto destes 4 os mais vistos em operação são o AMADEUS, GALILEO, SABRE e WORLDSPAN. Segundo Bissolli, (2000, p. 58), Os principais sistemas de distribuição são: Sistema SABRE - Travel Information Network: Foi criado em 1959 para informatizar as reservas da companhia aérea American Airlines, em acordo com a IBM. Em 1997 foi implantado o Planet SABRE, programa de imagens gráficas, com máscara de informações e outros recursos visuais que não exige do usuário a memorização de códigos e permite caminhos mais rápidos para efetuar uma operação. Sistema AMADEUS: Criado em 1987, é de propriedade das companhias aéreas Air France, Ibéira, Lufthansa e SAS. Atualmente, cerca de 30 outras empresas aéreas, entre elas a Varig, estão associadas ao sistema, que está aliado ao System One da Continental Airlines. Sistema GALILEO: Criado em 1987 em sistema de parceria de algumas empresas aéreas, como: Swissair, British Airways, United Airlines, USAir, KLM, Air Canadá entre outras. Sistema ABACUS: Criado por empresas de aviação asiáticas, como All Nipon Airways, Signapure Airlines, Cathay Pacific e Malasya Airlines. Observa-se que todos os Sistemas de Distribuição Globais (GDS) foram criados e incorporados pela fusão de várias empresas aéreas. A união das informações de uma completou o da outra, e os esforços tanto monetários quanto intelectuais foram unidos com os seguintes propósitos: unir informações, distribuí-las, armazená-las e gerenciá-las. 2.4 A gestão da informação pelas agencias de viagens. Uma nova perspectiva baseada nas informações. O desenvolvimento das tecnologias da informação, no final do Século XX e início do Século XXI, tem propiciado o desenvolvimento acelerado da Rede Mundial Internet e uma mudança significativa na vida das pessoas, das instituições e das nações em geral. O que se tem verificado é que os sistemas abertos baseados na tecnologia de redes são os que têm oferecido mais opções para coletar, analisar e distribuir informações dentro das organizações. Com a liberação do uso da Internet para fins comerciais, além da comercialização de produtos, inúmeros serviços passaram a ser oferecidos, permitindo que compradores e vendedores se encontrem sem atritos e intermediários. As páginas da internet são cada vez mais voltadas aos negócios e têm se tornado ferramenta de marketing para ampliar os negócios empresarias na divulgação de seus produtos e no contato com seus clientes. O número de web sites que passou de 250.000 em 1996 para certa de 60 milhões em 2004 mostra como essa tecnologia possibilita tantos crescimentos, seja para grandes empresas como pequenas e micro-empresas. A difusão da Internet, se comparada com outras mídias, é analisada da seguinte forma: a Internet levou apenas 5 anos para atingir 50 milhões de pessoas, enquanto a TV a cabo levou 10 anos para atingir este mesmo público, a TV aberta levou 16 anos e o rádio levou 38 anos.10 Deste modo, verifica-se que a Internet já se constitui no maior e mais eficiente veículo de comunicação e distribuição de informações verificada pela evolução dos canais de comunicação, em nível mundial. Conforme dados publicados no Site do E-Consulting11, existiam em 2003, no mundo, cerca de 825 milhões de usuários conectados à Internet e com projeção de 945 milhões para 2004. Desse total, cerca de 23% concentram-se nos EUA, somando um total de 187 milhões em 2003, com projeção de 193 milhões de usuários em 2004. A América Latina, em 2003, participa com apenas 5% desse total (44 milhões), com uma projeção de crescimento de 33% em 2004, passando para 58 milhões de usuários Internet (6% do nº total). Efetuando uma análise do crescimento do número de usuários que passaram a utilizar a Internet, em seus mais diversos tipos de serviços oferecidos, verifica-se que em 1.999 existiam cerca de 280 milhões de pessoas conectadas e que em 2003 este número passa para 825 milhões, representando um crescimento de 195%. O Brasil possui 2% do número total de usuários no mundo, com cerca de 17 milhões de pessoas conectadas à Internet em 2003 e com projeção de 21 milhões para 2004 e 25 milhões para 2005, mantendo a participação apresentada em 2003, perante o cenário internacional. O crescimento médio anual apresentado ao longo de um período de três anos é de 25% (anos de 2000 a 2003), ainda que por estes números apresentados pela E-Consulting Corp o percentual da população que tem acesso à Internet seja ainda muito baixo. Esses números demonstram como o mercado brasileiro é promissor em relação à internet. Por este motivo a GOL Linhas Aéreas obteve tanto êxito quando disponibilizou todos seus produtos e serviços via web, assim como as comercializações de tickets. A internet simplesmente desintermediou um dos principais serviços das agências de viagem. É como se os clientes agora tivessem simples GDS em seu computador doméstico. Fazendo uma análise do perfil do consumidor brasileiro, numa pesquisa efetuada pelo Grupo de pesquisas E-bit12, em março de 2003, revela que em termos de renda familiar, 32% das pessoas que transacionam por meio da Internet, possuem uma renda familiar entre R$ 1.000,00 a R$ 3.000,00; 22% de R$ 3.000,00 a R$ 5.000,00, 13% DE R$ 5.000,00 a R$ 8.000,00 e apenas 6% afirmaram ter renda familiar abaixo de mil reais. Isto mostra a importância das agências de viagem na criação e utilização de uma página de internet com o objetivo de divulgar seus produtos e serviços e também de possibilitar transições, pois como demonstrado na pesquisa, o brasileiro tem o habito de efetuar transições via web. Pesquisas mostram que muitas agências de viagem possuem sites, mas poucas disponibilizam transações on-line. Geralmente o cliente consegue encontrar seu produto desejado, mas dificilmente consegue concluir a compra. As agências devem estar atento a essas questões, que pode tornar-se um diferencial, em relação ao seu concorrente. 10 Fonte: The Internet Report – Morgan Stanley http://www.e-onsultingcorp.com.br/insider_info/indicadores.shtml 12 www.ebit.com.br/empresas 11 Hoje esta mais fácil de ter uma agencia de viagem, aproveitando-se da internet e seu infinito horizonte, basta ter um conhecimento básico e condições financeiras para plugar-se em um dos tanto GDS mencionados anteriormente e após basta comprometimento com a venda ao cliente. O que se deve entender aqui, é que a competição entre os mercados turísticos esta muito acentuada e de fácil entrada de novos “aventureiros”. Os sites de turismo têm crescido numa proporção geométrica em todo o mundo. Para se ter uma idéia desse crescimento, somente no Brasil o salto nos dois últimos anos foi de 1200 para 6000 sites, ou seja, um aumento de 400%. BENNI, (2004, p.34). Assim, as novas formas de administrar e gerir as informações alteraram e muito a maneira de trabalhar nas agências de viagem do mundo todo nas últimas décadas. A concorrência e luta pelo mercado esta árdua, e só as mais preparadas e que destinarem as novas maneiras, destinos, e formas de vender seu produto e reter as informações pertinentes de seus clientes (externos e internos) irão sobreviver. Com essa nova fase caracterizada pela concorrência mercadológica, podendo esta ser atribuída à forma de como as informações está disponível a cada indivíduo e sua facilidade de obtêlas torna-se necessário se trabalhar para o cliente exaustivamente. A internet possibilitou a abertura de muitas agências “on line”, (diga-se on line entre aspas, pois muitas agencias acreditam ser on line por estarem 24 disponíveis na internet, mas ainda, não disponibilizam aos clientes consultas e disponibilidades de forma global, interligadas a um sistema GDS), o que desencadeou numa forte batalha para se segurar o cliente que as agencias ainda possuíam, e claro, sempre buscando novos clientes e mercados. No mercado globalizado, o foco do agente de viagens passa a ser o seu próprio viajante e a fidelização do cliente, o maior objetivo das empresas. Se nas agências de viagens convencionais essa personalização pode ser atingida por meio de um atendimento mais esmerado, nas agências de viagens virtuais e nos call center das empresas (agora chamados de contact centers) a necessidade de atendimento personalizado a clientes com os quais não se tem um contato pessoal obrigou-as a desenvolver ferramentas que permitem realizar essas funções. MARIN, (2004, p. 110). Desta forma a necessidade de se desenvolver novas formas de trabalhos e ferramentas de vendas se faz necessário para se manter competitivo e ter novos objetivos maneiras e frentes de trabalho com novas visões e prospecção frente á modernidade e ao desencadear de facilidades na obtenção de produtos e serviços. Assim, MARIN, (2004, p.70), define que: “Para se atingir esses objetivos” a agência precisa: oferecer sempre as melhores condições a cada cliente; personalizar o atendimento a cada cliente; atender seus clientes todos os dias do ano, a qualquer hora; facilitar as tarefas administrativas de seu cliente; ajudar a conter as despesas de seu cliente; oferecer informações úteis para a tomada de decisões do cliente; gerenciar as negociações de seus clientes com fornecedores; oferecer maior autonomia aos clientes; ajudar as empresas-clientes a oferecer maior valor agregado para seus funcionários; converter em clientes os funcionários das empresas-cliente e realizar atividades promocionais. A possibilidade de transações via internet nos dias atuais esta muito segura, não como se espera, porém atualmente representa uma grande fatia do montante de vendas de produtos e equipamentos no mundo todo, hoje não é mais necessário se ir à loja física para se adquirir um determinado bem, as especificações técnicas já se encontram à frente das lojas virtuais destas empresas. Detalhe, dependendo a empresa e o bem adquirido, a mesma se encarrega de lhe entregar na porta de casa e se houver necessidade, montado (a) e funcionando. A desmaterialização da informação, produtos e serviços, associada à existência de um canal de comunicação com a Internet, que em frações de segundo leva os consumidores a adotar novos padrões de referência sobre a velocidade com que recebem as respostas. LAGE, Beatriz, (2003, p. 101). De acordo com GREENBERG, Paul (2001, p. 33), “O comércio on line esta amadurecendo rapidamente, moldado pelas mudanças tecnológicas, pelo comportamento dos consumidores e pelas inovações nos modelos empresariais”. Nos dias atuais nosso tempo este cada vez mais reduzido, vivemos numa era onde o tramite da informação, esta atuante diretamente em nossas vidas, desta forma fizemos outras coisas enquanto antes do surgimento da internet e suas facilidades não fazíamos, e em contrapartida, utilizamos o tempo ganho por este extraordinário invento para fazer coisas que agora podemos fazer com maior tempo e dedicação, como lazer e vida social por exemplo. O cliente não quer de forma alguma mais perder tempo quando na sua aquisição de determinado pacote ou viagem. Ele quer agilidade, customização e preço. Quanto aos preços de venda dos diversos produtos turísticos, anteriormente foi citado que a inovação da informação proporcionou ás agencias de viagem um maior ganho de tempo em seus trâmites burocráticos, desta forma, houve consideravelmente uma redução de custo, pois não se faz mais necessário um número alto de funcionários para se fazer o trabalho que agora se faz com apenas alguns segundos e clique na tela. Vale ressaltar novamente que o giro de informações através dos sistemas globais de distribuição é enorme, e disto deve-se tirar proveito, pois esta nova realidade nos faz se adequar. Desta forma podemos dizer que a informação obtida destes canais de distribuição deve ser utilizada para nossos clientes e esta deve ser organizada e sem falhas antes de tudo. Para isso surgiu os CRM (customer relationship management) o qual se trata de um sistema gerencial que auxilia na gestão da informação, visando uma interação da empresa de forma mais eficaz na prestação dos serviços a seus clientes. Uma empresa não pode alterar o curso da tecnologia, seu avanço e sua distribuição, mas pode sim controlar e administrar a sua clientela e seu relacionamento com eles. Através de um sistema de CRM é possível se mapear toda a “vivência”, custos, preferências, desilusões, satisfações, montante dos gastos do cliente, suas preferências, tempo que levou para seu transporte enfim, onde se hospedou, onde demonstrou vontade de hospedar-se ou viajar, suas experiências, enfim, todos os mínimos detalhes envolvidos em seu processo desde seu primeiro contato até sua contínua aquisição dos produtos oferecidos pela agência. Continua sim, pois empresa que possui um CRM ativo, organizado e bem utilizado, com certeza tem seus olhos todos voltados á manutenção de seus usuários e clientes. Em sua essência, CRM é uma mentalidade empresarial, um mantra e um conjunto de processos e políticas de negócios que são estabelecidos para conquistar, manter e servir aos clientes. De uma maneira geral, CRM inclui os processos de negócios diretos com os clientes, como marketing, vendas e atendimento ao cliente. GREENBERG, (2001, p. 39). Desta forma pode-se utilizar e muito o CRM em uma agência de viagem. Todo e qualquer sistema deve ser adequado a toda e qualquer necessidade. Ou seja, os sistemas estão aí, e muitas são as empresas que prestam o desenvolvimento de CRM específicos para a realidade de cada empresa. Sem dúvida o aporte de capital é necessário, mas se deve analisar o quão importante representa este aporte de capital e o retorno que vai produzir. A era digital abriu muitas portas para a humanidade. Atualmente empresas de grande porte já estão praticando suas negociações praticamente todas alicerçadas pela troca de informações via internet. A necessidade das agências de viagem de estarem inseridas neste contexto é de extrema relevância. Após o surgimento da internet, e conseqüentemente a necessidade que empresas sentiram em reter. Assim, agencias de viagem que não tiverem a sua maneira de administrar suas informações e reestruturar seu sistema gerencial e de negociação com seus clientes terá uma árdua batalha pela sobrevivência a travar. 3 CONCLUSÃO A globalização eliminou barreiras comerciais, aumentou a concorrência, a competitividade e a agilidade dos serviços. Porém ela também se tornou um grande aliado na gestão empresarial. A internet junto com as novas tecnologias possibilitou o desenvolvimento de novos produtos e a agregação de valores em serviços antes nunca mensurados, como a consultoria das agências de viagem. A primeira impressão foi à extinção desta atividade, porém muitas agências conseguiram adaptar-se a essas novas tendências de mercado e criaram novos produtos e serviços como forma de agregar valor a sua empresa. Esses novos serviços estão relacionados à área do conhecimento, que até então não era motivo de muita preocupação nas organizações. No setor turístico, e especificamente nas agências de viagem, o conhecimento dos recursos humanos torna-se o principal fator competitivo em relação aos seus concorrentes, surgindo, então a sociedade da informação. A informação vem tomando espaço decisivo na gestão das empresas. O desenvolver de novas tecnologias e novas maneiras de trato com as informações estão tendo cada vez mais respaldo por estudiosos e pesquisadores. Quebrou-se em nossos tempos o paradigma da produção e da era industrial. Estamos em outros tempos, onde a era da informação esta tomando seu espaço e sendo cada vez mais utilizada por todos nós e para nós enquanto que consumidores ou não. Nesse novo contexto, as agencias de viagem que não se estruturarem e não mudarem radicalmente seu modo de administrar, se relacionar, vender, comprar, enfim negociar terá muita dificuldade de continuar atuante no mercado. Como mencionado e descrito anteriormente, o advento da internet abriu as portas para o mundo e hoje, todo e qualquer ser humano pode adquirir, reservar, comprar, ou até mesmo vender o que e quando quiser. Disto não nos foge a gama de produtos oferecidos e disponibilizados pelo turismo. Esse novo modelo de gestão na sociedade da informação demonstra que o setor das agências de viagem à internet jamais vai conseguir substituir a relação interpessoal entre cliente e vendedor. Como a atividade turística sobrevive dos desejos de seus clientes, é indispensável à confiabilidade que o vendedor transmite ao cliente. As agências de viagem devem sempre utilizar as informações e tecnologias como ferramentas estratégicas para a criação de cenários futuros como forma de sobrevivência comercial. A elaboração de produtos de massa personalizados é a nova tendência. O cliente busca, geralmente, algo novo, diferente para sua viagem, sempre com o objetivo de satisfazer suas perspectivas. O mundo dos negócios na sociedade da informação está relacionado a requisitos como a mobilidade dos serviços, a pró-atividade dos profissionais, o tempo real das transições, os ativos intangíveis das empresas, a experiência e o compartilhamento dos produtos e serviços e o capital intelectual dos recursos humanos, que antigamente não era significativo nas organizações, mas agora é algo indispensável na sociedade moderna. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENI, Mario Carlos. Globalização do turismo: megatendências do setor e a realidade brasileira. São Paulo: Aleph, 2003. BISSOLI, Maria Ângela Marques Ambrizi. Planejamento turístico municipal com suporte em sistemas de informação 1.ed. São Paulo: Futura, 1999. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6.ed. São Paulo: Campus, 2000. DANTAS, José Carlos de Souza. Qualidade do atendimento nas agências de viagens.1.ed. São Paulo: Ed. Roca Ltda, 2002. DUARTE, Vladir. V. Administração de sistemas hoteleiros: conceitos básicos. São Paulo: Senac, 1996. KARASAWA, Neuton S. A qualidade da logística no turismo. São Paulo: Aleph, 2003. KLEN, D. A. A gestão do capital intelectual: recurso para economia baseada em conhecimento – Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998. LAGE, Beatriz Helena Gelas. Turismo, hotelaria e Lazer. 1.ed. São Paulo: Atlas, 2004. MARIN, Aitor. Tecnologia da informação nas agencias de viagens. São Paulo: Aleph, 2004. PETROCCHI, Mario. Agências de turismo: planejamento e gestão / Mario Bonna. São Paulo: Futura, 2003. A HOSPITALIDADE E A SUA RELAÇÃO ENTRE OS ATRATIVOS CULTURAIS E AMBIENTAIS BOFF, Débora Eloisa JAEGER, Tiago Born Pós-graduandos em Turismo, Lazer e Hospitalidade da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL RESUMO Este artigo tem como objetivo principal apresentar uma análise da importância da sustentabilidade sócio-ambiental da atividade turística como uma forte tendência que possibilita novas formas de fazer turismo visando principalmente a qualidade e identidade da hospitalidade dos destinos turísticos. Essa prática é influenciada por questões sociais e ecológicas e também de caráter turístico. Pode-se dizer que a idéia de hospitalidade está extremamente relacionada com a responsabilidade de preservação de manifestações culturas e do entorno natural. Nesse sentido, a identidade local e suas tradições servem como ícone que podem representar a maneira como o visitante será recebido e acolhido pelo visitado. A padronização dos destinos e serviços turísticos impulsionou a crescente demanda para atrativos e destinos autênticos e personalizados aumentando conseqüentemente o nível de qualidade exigida em todos os processos da atividade turística. Sendo assim visível a necessidade de criar ações em conjunto entre a comunidade, o setor público e o setor privado para garantir e assegurar a continuidade da promoção da atividade turística sustentável. Palavras-chave: conservação cultural e ambiental; hospitalidade; identidade local; autenticidade e responsabilidade social-ambiental. 1 INTRODUÇÃO A atividade turística não pode estar limitada a uma visão estritamente econômica, financeira, política, social e ou cultural. Ele engloba vários aspectos, particularidades que deveriam ser analisadas por uma ótica integral que aproxime essas relações e possibilite mensurar os impactos e benefícios ocasionados por esta atividade. Existem muitas definições sobre turismo, cada uma possui um enfoque diferente devido às experiências vividas, mas é sabido que para existir turismo é necessário que um atrativo gere uma motivação e que faça o indivíduo deslocar-se de seu local de residência até ele. Identifica-se uma forte tendência de estudos voltados as relações de hospitalidade e da arte de bem receber. Fator esse que serve de base para a discussão sobre as exigências e expectativas dos clientes e as práticas aplicadas atualmente nas empresas de turismo. A crescente valorização do bom atendimento e da qualidade oferecida aos visitantes faz com que o mercado se especialize e proporcione maior número de atrativos com o intuito de diferenciar-se a fim de surpreender e satisfazer os desejos demonstrados pelos turistas. Não podemos esquecer da necessidade da infra-estrutura básica como transporte e meios de hospedagem, além de pessoas para recepcionar esses visitantes; essas são as peças chave para ocorrer o turismo. O mais antigo conceito de turismo de que se tem registro, é do economista austríaco Herman von Schullard, no ano de 1910 (Schullard apud Oliveira 2002, p.35) turismo é “a soma das operações, especialmente da natureza econômica, diretamente relacionada com a entrada, permanência e deslocamento de estrangeiros para dentro e fora de uma país, cidade ou região”. Se analisarmos esse conceito, a única referência que o autor faz é aos efeitos econômicos que o turismo gera para a comunidade autóctone. Mas atualmente sabe-se que o turismo contribui muito além do fator econômico, ele influencia também na qualidade de vida da comunidade receptiva, na cultura local, no modo de vida da população dentre outros fatores positivos. Além desses aspectos, o turismo pode gerar impactos negativos como: crescimento populacional, violência urbana, exploração imobiliária, inflação dos produtos comercializados e poluição, esses impactos são, quase todos, inevitáveis com o desenvolvimento do turismo, mas se o destino for organizado e planejado para receber a demanda, esses impactos serão minimizados. Já a American Express (apud Trigo 1998, p.12) possui uma definição de turismo com enfoque mais para o turismo empresarial, voltado a indústria turística. “A indústria de viagens e turismo inclui transporte de passageiros, hotéis, motéis e outras formas de hospedagem, restaurantes, cafés e similares, serviços de recreação, lazer e cultura”. Esse conceito relata o efeito multiplicador do turismo, que é o fenômeno gerado pela entrada de capital nacional ou estrangeiro num país ou região, produzindo riqueza, aumentando o consumo e produção devido às novas necessidades de produtos e serviços criadas pelo turismo. 2 ASPECTOS AMBIENTAIS A deteriorização da região turística gera a necessidade de procurar novos espaços de alta atratividade, gerando um ciclo vicioso de insustentabilidade. Há uma preocupação crescente acerca do impacto de algumas formas de desenvolvimento de turismo sobre o meio ambiente. Há exemplos em quase todos os países onde o desenvolvimento do turismo foi identificado como sendo a principal causa da degradação ambiental. Deve-se notar que não é apenas o desenvolvimento do turismo que degrada o meio ambiente. A expansão pouco planejada da indústria e da agricultura também provocou conseqüências desastrosas em alguns lugares (LICKORISH, 2001, p.116). Outro aspecto desta questão é a forte atração pelos lucros a curto prazo visado pela maioria dos empresários. Esta característica resulta na multiplicação dos impactos negativos, dificultando as ações de sustentabilidade tornando-se exceções. Não há uma definição completamente aceita de turismo sustentável. Para Swarbrooke (2000, p.19), o turismo sustentável deveria ser: “uma forma de turismo que satisfaça hoje as necessidades dos turistas, da indústria do turismo e das comunidades locais, sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem suas próprias necessidades.”. O autor Lickorish comenta o seguinte: “O relacionamento entre o meio ambiente e o turismo é muito próximo. Muitos recursos do meio ambiente são atrações para os turistas. As instalações e a infra-estrutura do turismo compreendem um aspecto do meio ambiente construído. O desenvolvimento do turismo e o uso de uma área geram impactos ambientais. É essencial que esses relacionamentos sejam compreendidos a fim de se planejar um turismo sustentável que minimizem esses impactos”. LICKORISH (2001, p.117). As atividades turísticas também estão diretamente ligadas a questão ambiental porque se o turismo for feito de forma desordenada acaba tornando o local poluído e destruído, não só o patrimônio natural é degradado mas também o patrimônio histórico-cultural, por isso a necessidade de se planejar e de se colocar em prática um turismo sustentável. Encontrar o equilíbrio entre o interesse econômico que o turismo estimula e um desenvolvimento da atividade que preserve o meio ambiente não é tarefa fácil, principalmente porque seu controle depende de critérios e valores subjetivos e de uma política ambiental e turística adequada – que ainda não se encontrou no Brasil e em vários outros países (RUSCHMANN, 1999, p. 44). Portanto, viabilizar o turismo sustentável seria permitir uma melhor relação entre as pessoas residentes e os turistas que desejam viver uma experiência de contato com a natureza, trazendo benefícios tanto para a conservação do meio ambiente como geração de novas oportunidades de desenvolvimento para futuras gerações. Numa análise preliminar, as características do turismo sustentável parecem utópicas e voltadas para uma situação ideal, impossível de ser atingida, considerando como parâmetro a evolução dos fluxos turísticos da atualidade, o comportamento dos turistas nas destinações e a construção descontrolada de equipamentos (RUSCHMANN, 2000, p.113). Neste sentido, o turista, ao visitar uma localidade deve estar preparado para respeitar o modo de vida da comunidade, adequando-se aos seus costumes e tradições, e não promovendo, a descaracterização desta sociedade. Cabe então, a própria comunidade repassar os valores e patrimônios de sua terra para quem os visita, apresentando assim o seu diferencial. 3 ASPECTOS CULTURAIS A participação da comunidade no processo turístico é de muita importância, pois inserida no processo de valorização da cultura local podem atuar diretamente em diferentes serviços, assumindo responsabilidade pela conservação ambiental, pela identidade da população local e divulgação de suas riquezas culturais, permitindo fornecer à destinação uma personalidade e originalidade local. O turismo pode servir de estímulo para a preservação da cultura, pois se justifica como necessário para sustentabilidade de seus atrativos, ajudando assim a conservar locais históricos, patrimônios arquitetônicos, artesanatos, danças, festas, músicas, cerimônias, gastronomia, vocabulário, lendas, histórias e tradições. O patrimônio não está restrito somente a antiguidades, segundo Pellegrini (2000, p.96), “...modernamente se compreende por patrimônio cultural todo e qualquer artefato humano, que tendo um forte componente simbólico seja de algum modo representativo da coletividade, da região, da época específica, permitindo melhor compreender-se o processo histórico”. Por outro lado Barretto chama a atenção de que: “O patrimônio deixou de ser definido pelos prédios que abrigavam reis, condes e marqueses e pelos utensílios a eles pertencentes, passando a ser definido como conjunto de todos os utensílios, hábitos, usos e costumes, crenças e forma de vida cotidiana de todos os segmentos que compuseram e compõe a sociedade”. BARRETTO (2000, p.11). De acordo com o Ministério do Turismo, patrimônio histórico-cultural define-se como: “Considera-se patrimônio histórico e cultural os bens de natureza material e imaterial que expressam ou revelam a memória e a identidade das populações e comunidades. São bens culturais de valor histórico, artístico, científico, simbólico, passíveis de tornarem-se atrações turísticas: arquivos, edificações, conjuntos urbanísticos, sítios arqueológicos, ruínas; museus e outros espaços destinados à apresentação ou contemplação de bens materiais e imateriais; manifestações como música, gastronomia, artes visuais e cênicas, festas e celebrações. Os eventos culturais englobam as manifestações temporárias, enquadradas ou não na definição de patrimônio, incluindo-se nesta categoria os eventos gastronômicos, religiosos, musicais, de dança, de teatro, de cinema, exposições de arte, de artesanato e outros”. MINISTÉRIO DO TURISMO (2006). O turista quando viaja busca diferenças de sua localidade, de seus hábitos e costumes. Cada destinação possui uma marca própria, uma peculiaridade que a torna diferente das demais e que, por isso, torna-se um atrativo diferencial. O turista deve ser respeitado na sua busca pelo lazer ligado a cultura e os agentes de turismo devem atender seus desejos com responsabilidade e originalidade. Segundo Pellegrini (1997, p.105), há no brasileiro, um padrão cultural de favorecimento ao novo, de valorização do moderno acompanhando o desprezo pelo antigo. Na sociedade de consumo, isto é acentuado por veículos de comunicação social que difundem grandemente mensagens publicitárias induzindo à constante renovação. Percebe-se, que os autores citados anteriormente, Barretto e Pellegrini, buscam alternativas para proteção do patrimônio histórico-cultural que podem estar na sua utilização. Porém muitos preservacionistas acreditam que ela destrói a originalidade do bem cultural, como por exemplo, transformar um patrimônio arquitetônico em uma loja. O problema é que um bem protegido tem pouca utilidade social, ou seja, torna-se inviável. O que se avalia como positivo, é que a revitalização de um bem arquitetônico, é uma possibilidade que eleva a qualidade de vida dos moradores locais, sem perder suas características tornando-se assim de utilidade pública. No entanto, não é somente o patrimônio das culturas passadas, mas também das comunidades que hoje preservam, mantêm e renovam sua identidade étnico-cultural. Segundo Pellegrini (1997, p.92) “parece haver uma grande tendência a se considerarem dignos de preservação apenas artefatos (desde pequenos objetos até conjuntos representativos como uma cidade ou parte dela) de épocas; coisas velhas, como se diz. Mas no permanente processo cultural em que estamos inseridos, é importante o registro tanto de facetas passadas como de atuais, integrantes do complexo socioeconômico...”. Através do patrimônio preservado, em condições de uso, que ele poderá ser transformado numa atração turística. O aumento da procura dos turistas por áreas naturais, históricas e culturais está preocupando profissionais e historiadores em todo o mundo. Segundo Ruschmann (1997, p.23), o fluxo grande de pessoas tem contribuído para agressões sócio-culturais nas comunidades receptoras e para origem de danos, às vezes irreversíveis aos recursos naturais. Para que o patrimônio histórico-cultural e o turismo possam ter uma convivência harmoniosa, deve-se efetuar ações de planejamento, controle e gestão destes atrativos turísticos. Para que isso possa acontecer, Barretto (2000, p.75), salienta que, “... para que patrimônio e turismo possam ter uma convivência saudável, é necessário que haja planejamento, o que inclui controle permanente e replanejamento”. Pode-se, observar na discussão que o turismo menos agressivo, planejado contribui para o desenvolvimento da região, com rendas e investimentos. Criando o resgate e a manutenção do patrimônio histórico-cultural local. 4 RELAÇÃO DA HOSPITALIDADE COM OS FATORES AMBIENTAIS E CULTURAIS Desses primórdios tempos até a atualidade, a cultura continuou a ser uma das principais razões para a viagem; com o tempo, modificou-se, porém, a forma como os inúmeros turistas visitam atrativos turísticos culturais. A própria noção de cultura anteriormente ligada à idéia de civilização ampliou-se e passou a incluir todas as formas de ser e fazer humanos. Dessa forma, entende-se que todos os povos são detentores de cultura. Esta é definida como “a totalidade ou o conjunto da produção, de todo o fazer humano de uma sociedade, suas formas de expressão e modos de vida”13. A hospitalidade é um fator subjetivo que podemos verificar ou identificar de várias formas na atividade turística. Sendo assim, umas das principais motivações que gera um deslocamento de turísticas para uma determinada localidade. O conceito da hospitalidade não pode ser focado somente nas empresas de turismo, mas sim englobar toda a estrutura turística disponível, que abrange desde o poder público até a comunidade 13 BRASIL. Sustentabilidade sociocultural: princípio fundamental. MTur: Brasil, 2006 autóctone visando sempre a conservação e preservação cultural e ambiental para bem receber o turista. O turismo e o acolhimento estão indissociavelmente ligados. Quando falamos de turismo, pensamos no acolhimento. E sem bom acolhimento, não há turista satisfeito. (GOUIRAND, apud Avena, pg. 138). Na atividade turística a hospitalidade está diretamente ligada o contato entre o visitado e visitante. Nesta relação o papel de quem está recebendo o turista é estar preparado para acolher e disponibilizar condições para que a vivência turística seja realizada com plena satisfação. O reconhecimento do enorme papel dos aspectos psicológicos no acolhimento não pode implicar na negligencia da importância do local e do ambiente material. Um e outro são indissociáveis e cada um influencia o outro. O cuidado que aquele que acolhe dá à preservação e ao embelezamento do espaço do acolhimento é tão significativo quanto a qualidade da relação que se estabelece no momento do acolhimento. (AVENA, 2006, pg 139). A utilização de artes, sabores e saberes tradicionais para agregar significados e conhecimentos para a experiência turística. Os valores e as representações regionais são fundamentais para personalização e identificação da hospitalidade de um destino turístico. A partir das características autênticas de uma localidade pode-se desenvolver as percepções que nos permitem provar o novo, o diferente proposto na motivação da viagem. A qualidade do ambiente age sobre a qualidade do acolhimento de dois modos: por aquilo que ele comunica oferecer do ponto do vista do conforto; por aquilo que ele significa. O ambiente tem sua linguagem própria, ele é em si mesmo um discurso, uma mensagem que implica em promessa de bem estar, de conforto, de acolhimento. (AVENA, 2006, pg 139). A promessa de bem receber segundo o autor acima, predispõe da idéia que o turista será bem recebido não somente por aqueles que trabalham diretamente com o turismo, mas principalmente perceber que a comunidade está em consonância com a proposta de receptividade promovida pelas empresas de turismo. As percepções desenvolvidas pelos turistas também avaliam muito criteriosamente os aspectos negativos conseqüentes da falta de planejamento e principalmente na consciência coletiva. Essas experiências negativas na grande maioria das vezes chocam muito mais que todos os aspectos positivos. Sendo a parte ambiental e cultural as mais valorizadas pelos turistas, porém notadamente as que menos possuem atenção e investimento por parte do poder público e privado. Quanto aos estudos específicos sobre a relação turismo e cultura, pode-se afirmar que foram iniciadas a partir dos anos 1960, pelos antropólogos. Nessa década e na seguinte, o turismo passou a ser apontado como alternativa para o desenvolvimento mundial, inclusive no Brasil, embora de forma incipiente. No entanto, o modo como a atividade turística foi implementada em muitos lugares revelouse danosa ao patrimônio cultural ou ineficaz como estratégia de promoção, quer pela falta de recursos humanos especializados, a visitação descontrolada, o desrespeito em relação à identidade cultural local, a imposição de novos padrões culturais, especialmente em pequenas comunidades, quer pelo despreparo do próprio turista para a experiência turística cultural. Pode-se dizer que a relação cultura e turismo fundamentam-se em dois pilares: o primeiro é a existência de pessoas motivadas em conhecer culturas diversas e o segundo é a possibilidade do turismo servir como instrumento de valorização da identidade cultural, da preservação e conservação do patrimônio, e da promoção econômica de bens culturais. A opção pelo desenvolvimento turístico deve conciliar-se aos objetivos de manutenção do patrimônio, do uso cotidiano dos bens culturais e da valorização das identidades culturais locais. O processo exploratório do turismo desenvolve, quando não planejado, uma depreciação das manifestações artísticas originadas do local, sofrendo forte influência externa para a homogeneização e padronização para viabilizar o aumento do consumo. Esta padronização acaba resultando na perda de identidade local e banalizando os atrativos realmente autênticos da região. Uma das principais características que representa e ajuda a tangibilizar a hospitalidade é a gastronomia. Ela proporciona quando utiliza as características e ingredientes típicos do local a real experiência de provar os sabores, as cores, os aromas e as técnicas de manuseio. A gastronomia também pode ser um fator motivacional na hora do turista escolher seu destino turístico. É visível que uma das tendências na hotelaria é a utilização da gastronomia típica para agregar valor ao serviço hoteleiro. A destinação juntamente com a sua rede hoteleira tem a responsabilidade de bem receber e atender a demanda turística com atitudes e gestos que demonstrem a satisfação de poder servir e acolher os visitantes. O cliente espera que o acolhedor, aquele que o hospeda, faça tudo para protegê-lo, mesmo se ele esta fora do local aonde está hospedado. O hoteleiro que procura evitar esta “responsabilidade”, e que finge ignorar essa expectativa do cliente, é qualificado como não hospitaleiro ou pior ainda, como profissionalmente incompetente. Mas profissões turísticas e particularmente na hotelaria, a expectativa e a exigência de hospitalidade ultrapassa em muito os elementos do conceito inicial de prestação de serviço, pois da hospedagem e da alimentação que fazem parte da prestação de serviço vendida, ela vai além, vai até os componentes da hospitalidade antiga: reconhecimento, proteção, aceitação que são talvez a sua essência e que são totalmente gratuitas por sua natureza subjetiva. (AVENA, 2006, pg 145). A responsabilidade de promover a hospitalidade em primeiro plano é da rede hoteleira, pois são eles que literalmente acolhe os turistas. Porém esta responsabilidade não fica isolada somente na prestação de serviço hoteleiros, mas engloba também toda a política turística e principalmente a população diretamente ligada ao turismo. Abrangendo principalmente as responsabilidades que dizem respeito à segurança, limpeza e saneamento dos locais públicos, promover soluções sustentáveis para o manejo de resíduos sólidos e incentivar e promover programas sócio-ambientais. Todos os procedimentos de acolhimento que são colocados em pratica num hotel devem expressar e expressarem-se pelos fatores essenciais do acolhimento: o reconhecimento, a hospitalidade e o cuidado. (AVENA, 2006, pg 145). 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A globalização, a tecnologia que favorece a comunicação entre os povos trouxe consigo a tendência da homogeneização, porém o turismo pode e deve atuar de maneira a desenvolver a cultura com ética, provocando as comunidades a oferecer a cultura autêntica e original. O uso turístico deve sempre atuar no sentido do fortalecimento das culturas. Assim, a atividade turística é incentivada como estratégia de preservação do patrimônio, em função da promoção de seu valor econômico. Diante do exposto vemos que há uma carência visível quando se trata de utilizar as características culturais de um local para desenvolver algum potencial turístico sustentável. O que notamos é uma tentativa de “melhorar” as representações culturais a fim de torná-las mais comercializáveis e atraentes para serem consumidas com mais facilidade. Esta prática (extremamente comum) banaliza o significado da cultura local e por conseqüência diminui a riqueza da experiência turística, distorcendo o conceito de hospitalidade. Controlar e redirecionar essas práticas torna-se indispensáveis para que desenvolva-se o turismo responsável, que busca a vivência de diferentes experiências sem que o ambiente e a cultura local sejam explorados e degradados. A preocupação com a preservação da diversidade (os sotaques, as gírias, as músicas, histórias e lendas, festividades e tradições) é de extrema importância para garantir a sustentabilidade dessas características, assegurando assim a continuidade dessas manifestações. Resgatar as origens das práticas locais, seja a confecção da renda de bilro ou as técnicas utilizadas na pesca artesanal ou até as histórias dos seus ancestrais e suas práticas culinárias e estéticas (arte e artesanato) é objetivo da valorização dos costumes que visa garantir que estas práticas não sejam esquecidas, pois fazem parte da nossa história e cultura. Assim se faz necessário implementar ações conjuntas, planejadas e geridas entre as áreas de turismo, cultura e meio ambiente, e de se contemplar o respeito à identidade cultural e à memória das comunidades na atividade turística. O patrimônio cultural, mais do que atrativo turístico, é fator de identidade cultural e de memória das comunidades, fonte que as remete a uma cultura partilhada, a experiências vividas, a sua identidade cultural e, como tal, deve ter seu sentido respeitado14. A maior interação entre os envolvidos com o turismo provocará consequentemente um fluxo maior de informação possibilitando o incentivo e a valorização da cultura local, através de passeios, atividades e festividades promovidas, pelo trabalho conjunto entre agências, comunidade local e poder público. Assim, para tornar o desenvolvimento do turismo uma realidade sustentável e realmente hospitaleira, deve-se somar ao conceito ferramentas e modelos de gestão que possibilitam uma instrumentalização do setor empresarial, para gerir o crescimento econômico em conjunto com o desenvolvimento sócio-ambiental local. Valores, princípios éticos, morais, independentes de quais sejam, são a essência de tudo, influenciando desde a forma de perceber a realidade, até direcionando o comportamento humano. Por isso, abraçar princípios que estimulem ações, de conhecimento e de tecnologias respeitadoras da vida, é o primeiro passo para que um mundo melhor se desenvolva. Espera-se que o processo de conscientização e educação ambiental e cultural aumente, e também sirva de base para a realização de planejamentos turísticos sustentáveis. Isto porque sem o devido planejamento desse tipo de atividade, resultados negativos ocorrem, tanto no que diz respeito 14 BRASIL, MTur. Diretrizes para o Desenvolvimento do Turismo Cultural. Brasília: MTur à redução do ciclo de vida dos serviços de produtos turísticos, quanto aos impactos sociais e econômicos causados nos empreendimentos e no entorno natural. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AVENA, Biagio M. Turismo, educação e acolhimento: um novo olhar. São Paulo: Roca, 2006 BARRETO, Margarita (Org.); BANDUCCI JR., A. (org). Turismo e identidade local: Uma visão antropológica. 3ª ed. Campinas: Papirus, 2003. BARRETTO, Margarita. Turismo e legado cultural: as possibilidades do planejamento. Campinas: Papirus, 2000. BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 6. ed. atual. São Paulo: SENAC, 2001. LICKRORISH, Leonard J.; JENKINS, Carson L.. Introdução ao turismo. Rio de Janeiro: Campus, 2000. OLIVEIRA, Antônio Pereira de. Turismo e desenvolvimento: planejamento e organização. 4. ed. rev. e ampl. São Paulo: Atlas, 2002. PELLEGRINI FILHO, Américo. Ecologia, cultura e turismo. 2. ed. Campinas: Papirus, 1997. PELLEGRINI FILHO, Américo. Ecologia, cultura e turismo. 4. ed. Campinas: Papirus, 2000. RUSCHMANN, Doris Van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. 3. ed. Campinas: Papirus, 1999. RUSCHMANN, Doris Van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. 6. ed. Campinas: Papirus, 2000. SWARBROOKE, John. Turismo sustentável. São Paulo: ALEPH, 2000. 5 v. TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. Turismo básico. 2. ed. rev. São Paulo: SENAC, 1998. CULTURA E TURISMO: COMERCIALIZAÇÃO DO ARTESANATO INDIGENA KARAJÁ DA ALDEIA SANTA ISABEL DO MORRO – TO SANTOS, Lívia Feitosa UNEMAT - Turismo RESUMO A história e as relações sociais advindas após a intensificação do contato entre os povos indígenas e os não índios, fizeram com que esses povos estabelecessem outros padrões de comportamento. Dentre as inúmeras etnias que passaram por esse processo de contato com o não índio, é possível destacar a comunidade Karajá da aldeia Santa Isabel do Morro localizada na Ilha do Bananal no estado de Tocantins, que buscam conservar e valorizar suas tradições, através das mais diversas formas de manifestações culturais, na qual o artesanato é um dos principais elementos. Desse modo, o presente artigo objetivou identificar a representatividade do artesanato indígena Karajá, tanto para a conservação e valorização de sua identidade cultural quanto um elemento fundamental para subsistência dessa comunidade afim de diagnosticar a atuação da atividade turística nesse contexto. Nesse sentido, o artigo aponta que embora a comunidade esteja bastante integrada com os hábitos e costumes do não índio, a comercialização do artesanato considerado um fator gerador de renda, aliada a um planejamento especifico, com ações e estratégias por parte de órgãos responsáveis – FUNAI - pode contribuir para o desenvolvimento desta atividade, proporcionando a esta população uma maior fonte de renda e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida. Palavras-chave: Cultura; Artesanato; Etnia Karajá; Turismo. Introdução Vista como um elemento precursor no desenvolvimento da evolução humana, a cultura se manifesta como um fenômeno social, que se materializou a partir da necessidade dos indivíduos em estabelecer relações de contato entre si e com outros grupos. Nesse sentido Sodré (2003) contextualiza que a cultura representa um nível de desenvolvimento alcançado pela sociedade em determinadas etapas históricas, decorrentes de uma série de fatores determinantes, bem como: ética, moral, regras sociais, direitos e deveres, as quais são seguidas até os dias atuais. Embora, seja evidente que a sociedade contemporânea tenha um comportamento (modo de vida) bem diferente das antigas civilizações. Assim, como toda e qualquer sociedade que se desenvolveu ao longo de sua história, devido as suas relações com o meio a que pertence e com outros grupos, as comunidades indígenas viviam em um regime primitivo, ou seja, uma espécie de organização tribal, onde cada etnia ou grupos tribais desenvolviam suas próprias regras e, principalmente sem estabelecer nenhum contato com a sociedade “branca”, ou seja, não índio. Os primeiros contatos registrados no Brasil entre índios e europeus, ocorreram no período de colonização, e a partir disso, foram constatados inúmeros registros de contato entre as comunidades indígenas e a sociedade nacional, a qual alguns autores denominam de não índios. É oportuno ressaltar que, não índio é uma definição adotada no presente projeto para se referir à sociedade branca ou a sociedade nacional. Atualmente esse cenário vem se modificando, e muitas sociedades indígenas já acoplaram características culturais diferentes à sua, contudo é importante mencionar que esses elementos não são estáticos, e sim constantemente transformados e reelaborados com o passar do tempo. E dentre as mais diversas formas de manifestações culturais advindas das comunidades indígenas, como a pintura, a dança, a música e outros elementos, o artesanato é um instrumento de fundamental importância na caracterização da identidade cultural desses povos. Entretanto, cada comunidade ou etnia indígena agrega inúmeros valores à estes artefatos, pois é possível compreender através desses componentes, características da organização social de uma determinada população. Nesse contexto, o objeto de estudo do presente artigo é o artesanato indígena da etnia Karajá, uma comunidade que apesar do inevitável contato com o não índio, preza pela conservação e valorização de suas tradições culturais, bem como todos os seus rituais tanto de caráter festivos quanto as cerimônias religiosas e também os elementos que caracterizam a sua cultura material, ou seja, a elaboração do artesanato. Todavia a confecção de adornos e artesanatos é uma atividade que faz parte da cultura dos Karajá, mas que também se tornou uma fonte de renda para essa comunidade, devido a sua comercialização e que conseqüentemente transformou-se em um atrativo turístico. Partindo dessas premissas, o presente artigo visa diagnosticar a atuação do turismo para a comercialização do artesanato e valorização e conservação da cultura indígena dentro da comunidade de Santa Isabel do Morro, localizada na Ilha do Bananal no estado de Tocantins. Contextualizando Cultura Todas as manifestações que implicam o contato humano, ou trocas de experiências, estão inteiramente ligados ao princípio de uma construção social. Dessa forma, a cultura é elemento fundamental para a evolução do entrosamento entre as pessoas e possibilita o desenvolvimento de um pensamento crítico capaz de refletir sobre as diversas manifestações culturais existentes, a fim de compreender o modo de vida de outros povos, levando em consideração sua história, seus costumes, sua capacidade de relacionamento, ou seja, tudo que possa caracterizar a cultura de uma comunidade (SANTOS, 1996), logo pode se afirmar que a cultura está diretamente ligada às relações sociais, tanto de uma comunidade com suas características particulares quanto a grupos humanos com práticas, costumes e concepções diferentes. Desse modo, muitos autores que defendem a cultura como sendo o fator principal para o relacionamento humano, acredita que sendo ela um fenômeno natural, social e de constante evolução, o desenvolvimento da humanidade se deu através de contatos e conflitos entre os povos. Partindo desse princípio pode-se afirmar que a diversidade das culturas conduzem ao processo de organização e transformação das sociedades humanas. De acordo com Tylor, cultura em seu amplo sentido etnográfico é “todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade” (apud LARAIA, 2004, p. 25). Conforme a definição, o autor defende a idéia de que cultura é todo comportamento aprendido, ou seja, tudo que nos conduz a estabelecer uma relação sociável, tanto com membros da mesma sociedade quanto com grupos distintos, logo, a cultura independe de uma transmissão genética (Idem). Sendo assim, Santos (1996) constata que nenhuma cultura deve ser considerada superior ou inferior à outra. Embora as características que diferem uma cultura da outra não as classifique por níveis de superioridade, no entanto é necessário que haja um respeito mútuo, assim cada grupo social irá conduzir-se de acordo com suas condições, pois não há nenhuma lei que rege essa afirmação, mas existem processos históricos que as relacionam e estabelecem marcas verdadeiras e concretas entre elas. Sendo a cultura, um processo caracterizado pela evolução e adaptação humana, Ferreira e Silva (1998, p.135) contextualiza cultura como: “complexo de padrões de comportamento, de crenças, de instituições e doutros valores transmitidos coletivamente, típicos de uma sociedade ou civilização”. No entanto, todo e qualquer manifesto de caráter social criado por um grupo de indivíduos, está relacionado a um processo cultural. Do ponto de vista de Rosental e Iudin (apud SODRÉ, 2003, p. 09), “a cultura é um conjunto de valores materiais e espirituais criados pela humanidade, no curso de sua história”. Assim, é fundamental entender que a cultura, em suas etapas históricas alcançadas pela sociedade, representa progresso, técnica, experiência de produção e trabalho, adaptação, educação, ciências, artes, e tudo que possa estabelecer a relação entre os indivíduos. Em um sentido mais amplo, compreende-se que há muitas concepções que envolvem o termo cultura, logo torna-se imprescindível dizer que cada cultura tem a liberdade de seguir seus próprios caminhos em função das diversas etapas históricas que enfrentaram. Assim é possível afirmar que toda cultura está sujeita a mudanças, mas os padrões de comportamento, tanto individual quanto grupal conservam-se mais ou menos estáveis, dessa forma a persistência desses padrões é mais acentuada nas sociedades simples, cujas mudanças são as vezes imperceptíveis de uma geração para outra (Idem). Porém, a busca dos elementos característicos e diferenciais de cada cultura aparece como uma necessidade de resgatar a identidade cultural, bem como resgate no processo de recuperação da memória coletiva, da reconstrução da história e também permitem que os membros de uma comunidade adquiram consciência de seu papel dentro de um contexto social. Em suma, a cultura se contextualiza diretamente pelo envolvimento “homem-sociedade”, assim a cultura é fundamentada como o resultado do modo como os diversos grupos humanos são capazes de resolverem seus problemas ao longo da história. O homem não só recebe a cultura de seus antepassados como também cria elementos que a renovam. A cultura pode ser considerada como, tudo que o homem consegue executar através de sua racionalidade, dessa forma, todos os povos e sociedades são possuidores de sua própria cultura, por mais tradicional e arcaica que seja, assim todos os conhecimentos adquiridos são passados das gerações passadas para as gerações futuras. É preciso reconhecer a cultura em sua forma mais ampla, multifacetada e insubstituível, porque essa riqueza de traços que faz dela o centro do desenvolvimento sociocultural de uma comunidade. Cultura e Artesanato O que difere o homem dos outros animais é sua capacidade de criação de acordo com sua inteligência e vontade, portanto, ao adquirir o poder de transformar ou modificar tudo que está ao seu alcance, e ao assumir o controle de seus instintos, o homem produziu uma ruptura entre o universo natural e o universo das práticas humanas, também conhecido de universo cultural (BIZZOCHI, 2003). Segundo Cascudo (2001) a origem do artesanato no Brasil se deu antes mesmo da história do descobrimento, pois essa atividade já era praticada pelos povos indígenas que aqui habitavam, eles eram hábeis na confecção de armas utilizadas nas atividades de caça e pesca, utensílios caseiros e até mesmo instrumentos musicais usados em cerimônias festivas. Cascudo (2001, p. 24) ainda ressalta que “o artesanato na classificação dos fenômenos folclóricos abrange todo objeto ornamental que tem a função de enfeitar e que geralmente são produzidos em pequeno ou médio porte e não importa a matéria-prima utilizada”. O artesanato é uma forma de expressão, pela qual a criatividade se manifesta, demonstrando o estágio cultural a que pertence esse criador. Na visão de Funari e Pinsky (2003) a cultura requer circulação, produção e assimilação, e isso só é possível mediante estímulo à produção de bens culturais e à sua valorização. Desse modo, Silva (2005) afirma que o homem, para se adaptar ao meio faz uso de sua criatividade, logo o principal motivo pelo qual as pessoas produziam peças artesanais, eram para suprir suas necessidades básicas em seus afazeres domésticos. Assim, Franchetto (2007) afirma que o artesanato é considerado uma forma de manifestação humana, por ser capaz de contextualizar toda uma história revertida em sua técnica de produção e por encontrar-se diretamente ligado aos recursos naturais do meio ao qual está inserido. E dessa forma, auxilia o indivíduo à conservar a matéria-prima utilizada na confecção do artesanato. Para facilitar a caracterização do artesanato, dada a sua diversidade e abrangência o Conselho Mundial do Artesanato classifica a produção artesanal como “toda atividade produtiva que resulte em objetos e artefatos acabados, feitos manualmente ou com a utilização de meios tradicionais ou rudimentares, com habilidade, destreza, qualidade e criatividade” (apud SEBRAE, 2007, p. n. p). Contudo, o artesanato evidencia-se como forma de expressão de seu criador e de sua ordem estética, pois permite a materialização de algo subjetivo através da produção de objetos, que se diferenciam uns dos ouros por pequenos detalhes nas formas de criar e manusear a matéria-prima. Culturas Indígenas Os indígenas que habitavam o Brasil anterior ao processo de colonização, viviam da caça, da pesca, e da agricultura de subsistência: milho, amendoim, feijão, abóbora, batata-doce e principalmente mandioca, tendo em vista que a agricultura era bem rudimentar, pois utilizavam a técnica de coivara (derrubada de mata e queimada para limpar o solo para o plantio). Essas atividades são realizadas, porém com técnicas e costumes diferentes, pois o índio assim como o homem branco, adaptou-se aos novos métodos tanto para realização de atividades de subsistência como qualquer atividade de caráter social (SETUBAL, 2007). Assim como as sociedades nacionais, as tribos indígenas possuem uma relação baseada em regras sociais, políticas e religiosas. O contato entre as tribos geralmente acontece em momentos de guerras, casamentos ou qualquer cerimônia festiva, inclusive em enterros e também no momento de estabelecer alianças contra um inimigo comum (Idem). Além do conhecimento acumulado, os índios possuem técnicas diversas conforme o povo. A pintura corporal, por exemplo, é um meio de distinguir os grupos a qual pertence determinada comunidade, sendo assim a pintura e o desenho indígena estão sempre ligados aos artesanatos de barro e de palha de coqueiros como também de penas de aves. E geralmente os índios associam a música ao canto e a dança. No entanto, diversos traços da cultura indígena conservam-se devido a sua língua, as divisões sociais entre os gêneros, ou seja, os papéis sociais do homem e da mulher dentro da aldeia, o ciclo de vida e também seus mitos e ritos, carregados de sentido ideológico mantidos pelos símbolos que sustentam (SETUBAL, 2007).. Nas sociedades indígenas, a arte é um elemento que transcorre em todas suas esferas. A arte do traçado é uma das mais remotas que a humanidade aprecia e representa a mais diversificada das categorias artesanais indígenas ao revelar adaptações ecológicas e expressões culturais distintas. Em sua preparação emprega grandes variedades de matérias- primas, muitas vezes de origem vegetal que derivam em múltiplas formas técnicas de entrançamento (GRUPIONE, 2000). Entendendo cultura como o conjunto de respostas que uma determinada sociedade humana dá às experiências por ela vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo, percebe-se o quanto as diferentes culturas são dinâmicas e estão em contínuo processo de transformação (SETUBAL, 2007). No entanto, é importante frisar que as características culturais das sociedades indígenas modificam-se constantemente e reelaboram-se com o passar do tempo, assim como o próprio conceito de cultura aponta: é preciso considerar que estas alterações mais ou menos intensas, aconteceriam mesmo que não houvesse ocorrido o contato com as sociedades de origem européia e africana. História de contato: O convívio da etnia Karajá e o não índio Segundo o lingüista Rodrigues (apud LIMA FILHO, 1999) a família Karajá, pertence ao tronco lingüístico Macro-Jê, que se divide em três línguas: Karajá, Javaé e Xambioá. Cada uma delas tem formas diferenciadas de falar de acordo com o gênero do falante, apesar dessas diferenças todos se entendem. No passado, colégios jesuítas instalados perto das aldeias começaram a catequizar os índios e usá-los como mão-de-obra barata, mas a luta pela preservação e divulgação de sua cultura milenar fez com que a população Karajá se reerguesse. Hoje, os Karajá desenvolvem uma filosofia própria que consiste em aproveitar as coisas boas do não índio para a partir daí, reivindicar seus direitos, como demarcação e manutenção de terra, acesso à saúde, educação e cultura (MELLATI, 2001). O domínio territorial das aldeias Karajá caracteriza-se pelas posses de grupos, famílias locais, propondo a caça, a pesca, a coleta de produtos silvestres e a matéria-prima para construção de moradias e confecção de artefatos. As aldeias persistem no mesmo lugar durante muitas gerações. Assim Barros (2004, p. 68) ressalta que “o índio tem apego as suas terras e uma identificação mítica e afetiva com seu local de origem”. A adaptação do espaço físico e social das aldeias do povo Karajá é definida conforme as estações climáticas e com os ciclos de seus rituais e, também os lugares dos homens e das mulheres e dos seres sobrenaturais (os espíritos a qual os índios crêem) são rigidamente estabelecidos culturalmente (Idem). De acordo com Lima Filho (1999) a relação com a sociedade nacional estabeleceu duas frentes de contato, sendo a primeira representada pelas missões jesuítas da Província do Pará, assinalando a presença do Padre Tomé Ribeiro em 1658, que se encontrou com os Karajá do baixo Araguaia, provavelmente os Xambioá (ou os Karajá do Norte, como preferem ser chamados). Já a segunda frente de contato está relacionada com as bandeiras paulistas rumo ao Centro-Oeste e Norte do Brasil, como a expedição de Antônio Pires de Campos, que se estima ter ocorrido entre os anos de 1718 a 1746. A partir destas, várias outras expedições visitaram os Karajá ao longo dos anos e estes foram obrigados a manter um contato constante com a sociedade nacional. O processo de contato permanente dos Karajá com a sociedade nacional fez com que eles adotassem bens culturais dessa mesma sociedade (alimentação, língua, hábitos, ensino, religião entre outros). A complexidade cultural do grupo é invisível aos olhos dos não índios quando, num primeiro momento, se deparam com as marcas do sofrimento impostas pelo contato: a tuberculose, o alcoolismo e a subnutrição, que acarretam uma discriminação, muitas vezes, por partes de pessoas que não possuem e não querem manter nenhum contato com a cultura indígena Karajá. Entretanto, esses índios demonstram força de resistência, ao manter suas principais categorias culturais que os habilitam a negociar este mesmo contato e ao fazer permanecer viva a sua organização cultural e social, a sua identidade indígena, sem abrir mão da cidadania brasileira, participando inclusive como vereadores de cidades ribeirinhas. Na cultura Karajá, o artesanato é um elemento muito apreciado por outras comunidades e até mesmo por outras culturas. Contudo, apesar de tamanha interferência da cultura do não índio dentro da comunidade Karajá, eles conservam e valorizam muitos elementos de sua cultura. Conceituação e características do Turismo Cultural Os fatores que originaram a cultura de um povo constituem-se de seu posicionamento geográfico, de seu lugar na história, da época e das condições do encontro com outras culturas e das organizações culturais previamente existentes. É impossível desconsiderar a cultura como uma das mais importantes motivações das viagens turísticas, entretanto o desejo de conhecer os modos de vida de outros povos nem sempre vem acompanhado do devido respeito, da devida consciência do valor e do legítimo interesse por parte dos visitantes (RUSCHMANN, 2001). O valor simbólico pelo qual uma determinada comunidade atribui aos objetos e artefatos, tanto de caráter material quanto imaterial, são decorrentes dos valores a que esses elementos representam no contexto histórico-social dessa comunidade, além de fomentar a cultura da localidade em questão e desenvolver a atividade turística. Assim o turismo torna-se parte integrante da política cultural de uma comunidade, pois contribui para a preservação de seus valores. Segundo Ignarra (2001) o turismo cultural compreende uma infinidade de aspectos, todos eles passíveis de serem explorados para a atração de visitantes, assim esse segmento procura valorizar o cotidiano e não simplesmente produzir uma manifestação cultural para ser exposta ao turista. O turismo cultural se materializa quando o turista é motivado a se deslocar especialmente com a finalidade de vivenciar aspectos e situações que podem ser consideradas particularidades da cultura. Para desenvolver o segmento de turismo cultural e suas derivações é fundamental compreender as motivações e o perfil dos turistas que buscam as experiências expressas nesse segmento, que desempenham importante papel no processo de caracterização e fortalecimento da identidade de um território (BRASIL, 2006). Entretanto, a simples presença do turista em um núcleo receptor, implica no contato com uma cultura que geralmente difere da sua. Assim, o visitante integrase e interfere em outro processo cultural O turista cultural relaciona-se com a comunidade, valoriza a cultura em toda sua complexibilidade e particularidade, movimentando-se em busca de ícones que representam a identidade local e a memória coletiva (Idem). A relação turismo e cultura remete a um conjunto de experiências, fatos históricos e elementos culturais comuns a um grupo ou comunidade, e que pode ser representado pelas diversas motivações que agregam esse segmento do turismo. Área de estudo: Aldeia Santa Isabel do Morro – TO Situada dentro do Parque Indígena do Araguaia, na Ilha do Bananal, a aldeia Santa Isabel do Morro localizada no município Lagoa da Confusão - TO, está localizada a margem direita do rio Araguaia. Sua disposição geográfica sofre influência da cidade de São Félix do Araguaia – MT, que se encontra a seis quilômetros na margem esquerda do rio Araguaia (TORAL, 2002). Na língua nativa, a aldeia é conhecida por Hâwalô Mahadu e possui uma população de 630 habitantes conforme os dados obtidos no censo 2008 realizado pelo DSEI-Araguaia (Distrito Sanitário Especial Indígena do Araguaia). A maioria das moradias da aldeia são feitas de barro e cobertas com palhas de buriti. A comunidade de Santa Isabel, assim como outras aldeias que compreendem o Parque Indígena do Araguaia é jurisdicionada a Administração Executiva Regional do Araguaia – AERA/FUNAI, em São Félix do Araguaia-MT (FUNASA, 2008). A organização social da aldeia é composta por uma escola estadual, coordenada pela SEDUC de Tocantins (Secretária de Educação do Estado de Tocantins) e um posto de saúde, coordenado pela FUNASA juntamente com o DSEI - Araguaia (FUNASA, 2008). Na área que compreende a aldeia, é possível encontrar dois tipos de ecossistemas, de acordo com a época do ano, pois durante o período de estiagem é possível encontrar o ecossistema de terra firme que se caracterizam pelas matas secas, o cerradão e o cerrado, entretanto durante o período chuvoso, encontram-se os ecossistemas de terrenos inundados, onde predominam campo, cerrado, mata inundada e mata ciliar inundada (TORAL, 2002). Considerações Finais Sendo o artesanato considerado um “elemento-chave” pela investigação da interação entre o não índio e a etnia Karajá, foi possível constatar que, com a influência da cultura “branca”, ou seja, do não índio, e com a aproximação e inserção do mundo globalizado oferecendo-lhes tecnologias e comodidades, é possível notar que os índios prezam muito pelas suas tradições, seus costumes e rituais. A etnia Karajá, assim como outras, apresenta uma grande capacidade de absorção de conhecimento, onde uma boa parte de seus integrantes são bilíngües, pois conseguem se expressar tanto na língua portuguesa quanto na língua nativa. Sobretudo, é impossível negar o grau de conhecimento que essa comunidade possui em relação à produção artesanal, pois deriva dos ensinamentos adquiridos por seus antepassados ao longo de sua história.. No passado essa produção era somente praticada para atender as necessidades domésticas e também na confecção de armas de guerra ou de caça, mas atualmente se transformou em uma atividade comercial, devido a criatividade e a riqueza de detalhes depositadas em cada peça confeccionada. Dessa forma, é correto afirmar que a comercialização desses artefatos já é um fato concreto, logo essa atividade tornou-se parte integrante na cultura dos Karajá. Além do artesanato, a comunidade indígena de Sanata Isabel destaca-se também pela sua cultura imaterial, provenientes de seus rituais festivos e religiosos, bem como a festa de Aruanã e Hetoroky, porém essas cerimônias se destacam, devido ao grau de importância que ambas exercem perante a comunidade, contribuindo para conservação e valorização de sua identidade cultural. Vale ressaltar que, tanto a cultura material quanto a cultura imateral são de fato elementos enriquecedores para os índios Karajá, pois além de representarem simlobicamente as característcas dessa comunidade também se tornam instrumento positivo na divulgação de sua cultura. Na cultura Karajá, o artesanato é um elemento muito apreciado por outras comunidades e até mesmo por outras culturas. Contudo, apesar de tamanha interferência da cultura do não índio dentro da comunidade Karajá, eles conservam e valorizam muitos elementos de sua cultura. Em suma cada povo vive de acordo com a sua cultura, a qual é vivenciada na herança de seus antepassados, assegurando seu bem-estar na vida cotidiana. Entretanto, os povos indígenas Karajá são uma etnia que apesar de sofrerem pela excessiva facilidade com que são explorados, ainda guardam muito de suas tradições culturais, que são demonstradas em seus cantos, festas, cerimônias religiosas, ou seja, em seus costumes e rituais de uma forma geral. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARROS, M. P. A cerâmica figurativa: temática dos índios karajá. 2004. 149 f. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo. BIZZOCCCHI, A. Anatomia da cultura: uma visão sobre ciência, arte, religião, esporte e técnica. São Paulo: Palas Athenas, 2003. BRASIL. Ministério do Turismo, Secretaria Nacional de Políticas de Turismo. Turismo Cultural: orientação básica. Brasília, 2006. Disponível em: <www.ministeriodoturismo.gov.br>. Acesso em: 7 maio 2008. CASCUDO, L. da C. 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SODRÉ, N. W. Síntese da história da cultura brasileira. 20. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003. TORAL, A A. de. Diagnóstico sócio ambiental das comunidades Karajá e Javaé da ilha do Bananal – TO. Palmas: Instituto Ecológico, 2002. A IMPORTÂNCIA DO TURISMO PARA O DESENVOLVIMENTO SÓCIO-ECONÔMICO DO MUNICÍPIO DE PIRANHAS-GO. BARBOSA, Rafaella Duarte UNEMAT - Turismo RESUMO O Turismo atualmente é uma das atividades relacionadas à prestação de serviços que mais tem crescido no mundo, sendo inclusive considerado como uma indústria econômica, pelos benefícios que traz para a localidade inserida. Por ser uma atividade abrangente, apresenta controvérsias a respeito de sua definição, mas possui uma importância inegável no cenário econômico, como fonte de emprego e renda para inúmeras comunidades. Entretanto, para que uma localidade se torne um produto turístico, além da presença de atrativos turísticos, é necessário se efetuar um planejamento adequado, que deve abranger não apenas a mesma, mas todo seu entorno, contando com a participação conjunta da comunidade local, da iniciativa privada e do poder público. A participação desse amplo leque de agentes é imprescindível, pois os resultados do Turismo, sejam eles positivos ou negativos, estarão refletindo na comunidade receptora de forma indiscriminada. Logo, o planejamento desta atividade deve passar inicialmente por um programa de sensibilização da sociedade sobre a importância do turismo para o desenvolvimento local. Neste trabalho, que teve como objeto o município de Piranhas–GO, primeiramente se buscou diagnosticar a opinião da população local acerca do turismo no municipio, por meio da aplicação de formulários junto à comunidade local. Após a tabulação e análise dos dados pode-se compreender o nível de conhecimento que a população possui a respeito da atividade turística. Isto permitiu a elaboração de uma palestra voltada à socialização das informações mais relevantes da pesquisa e à apresentação da opinião dos principais autores sobre o turismo como ferramenta de desenvolvimento sócioeconômico, bem como dos seus principais impactos. Tal palestra foi ministrada pela pesquisadora e permitiu o alcance do objetivo macro deste trabalho de conclusão de curso que era sensibilizar a comunidade piranhense sobre a importância de se desenvolver o turismo no municipio, visto que o evento contou coma participação de aproximadamente 100 pessoas de diferentes segmentos da sociedade local. Palavras–chave: Turismo Local; Planejamento; Sensibilização. Introdução O turismo, uma atividade ou fenômeno sócio-econômico, tem um enorme potencial para promover melhoria na qualidade de vida das comunidades onde está inserido. Isto decorre, dentre outros fatores, da possibilidade de geração de emprego e renda, do aumento de arrecadação de tributos, da conservação dos atrativos naturais e da cultura local, beneficiando direta ou indiretamente a sociedade em seu conjunto. Entretanto, a sua implementação pode também gerar impactos negativos, a exemplo do aumento da pressão inflacionária na localidade, a exclusão e marginalização da população local, aumento da poluição e degradação dos recursos naturais. Logo, é de extrema importância que sua implantação seja precedida de um planejamento das atividades a serem realizadas e estabelecidas diretrizes para o seu desenvolvimento. Tal planejamento deve ser participativo, envolvendo os diferentes atores que serão afetados pela atividade turística na localidade – poder público, iniciativa privada e comunidade – de forma que sejam potencializados os benefícios e minimizados os impactos negativos. A participação da comunidade é imprescindível para o sucesso do turismo na localidade, o que torna relevante um processo prévio de sensibilização da mesma para a importância da atividade e seus possíveis impactos. Sensibilizar, em significado amplo, significa despertar a atenção para determinada idéia. No caso específico deste trabalho significou mostrar a importância de determinada atividade para uma comunidade ou público definido. Objetivou-se sensibilizar a iniciativa privada, o poder público e comunidade local do município de Piranhas - GO sobre a importância de se desenvolver o Turismo na localidade. Após a coleta de informações pertinentes junto a renomados autores e de um diagnóstico acerca do conhecimento da sociedade local sobre o assunto, promoveu-se uma palestra direcionada aos membros da comunidade piranhense. Acredita-se que este trabalho se justifica na medida em que contribui para a discussão de novas alternativas econômicas que permitirão o desenvolvimento do município objeto do estudo. Além disso, tem relevância acadêmica, pois se constitui de uma pesquisa-ação voltada à comunidade, aproximando a academia das necessidades da sociedade na busca de soluções para seu crescimento econômico com qualidade de vida. Contextualizando o fenômeno turístico O fenômeno turístico está relacionado com as viagens, com a visita a um local diverso do de residência das pessoas. Assim, o Turismo em termos históricos se iniciou quando o homem deixou de ser sedentário e passou a viajar, principalmente motivado pela necessidade de comércio com outros povos (IGNARRA, 2002, p. 15). O conceito Turismo surge no século XVIII na Inglaterra, referindo-se a um tipo especial de viagem. A palavra tour é de origem francesa, como muitas palavras do inglês moderno que definem conceitos ligados à riqueza e à classe privilegiada (BARRETTO, 1995, p. 43). O Turismo tem evoluído substancialmente ao longo do tempo, especialmente a partir da segunda metade do século XX, e é considerado nos dias de hoje o segmento que exibe um dos maiores crescimentos no mundo dos negócios. O mais animador é que a atividade continua a crescer, permitindo vislumbrar perspectivas positivas para o futuro. Mais tarde surge a Escola de Berlim que estudou o Turismo nos seus aspectos econômicos. Arthur Bormann (apud IGNARRA, 2002, p. 23) definiu o Turismo como “o conjunto de viagens que tem por objetivo o prazer ou motivos comerciais, profissionais ou outros análogos, durante as quais e temporária sua ausência da residência habitual”. Por ser uma atividade de prestação de serviços, muito veio se modificando e ampliando de modo a atender as necessidades dos visitantes e da população envolvida, consequentemente ocorrem também modificações em sua conceituação. Beni (2001, p. 35) afirma que “como é natural, várias definições assumiram linhas radicalmente diferentes”. Apesar de existirem muitas controvérsias acerca do que é o Turismo, pode-se conceituá-lo como “a soma das operações, principalmente de natureza econômica, que estão diretamente relacionadas com a entrada, permanência e deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região” (BENI, 2001, p. 34). Diante de várias acepções acerca do Turismo, a OMT (apud OLIVEIRA, 2001, p. 35) define Turismo como “o fenômeno que ocorre quando um ou mais indivíduos se trasladam a um ou mais locais diferentes de sua residência habitual por um período maior que 24 horas e menor que 180 dias, sem participar dos mercados de trabalho e capital dos locais visitados”. Para Dias (2003 b, p. 09), no final do século XX, o Turismo converteu-se na atividade econômica mais importante do mundo, caracterizando-se por um crescimento espetacular. O movimento na economia gerado por esse enorme fluxo de pessoas é extraordinário e produz efeitos nos mais diferentes setores produtivos. O Turismo, do ponto de vista geral da economia, só tende a ser favorecido, pois, além de ser importante fonte de receita para os países em desenvolvimento e mesmo para os desenvolvidos, atende a uma necessidade crescente do ser humano por lazer e entretenimento. Atende ainda outras necessidades de ocupação do tempo livre como o desenvolvimento espiritual e o aprofundamento cultural (DIAS, 2003 b, p. 18). Entretanto, é uma atividade altamente sensível a fatores como variação na renda dos consumidores, os turistas, oscilação dos preços praticados pelo mercado, efeitos climáticos negativos, entre outros (FERNANDES, 2002, p. 23). Outro elemento essencial para definir o Turismo é todo o arcabouço, a preparação envolvida. Para que uma pessoa possa viajar, existe uma equipe de planejamento do receptor que presta serviços no local, que providencia vias de acesso, saneamento básico, alojamento, alimentação, recreação, entre outros tantos serviços que são oferecidos para os visitantes (BARRETTO, 1995, p. 14). Nas definições anteriores, que nos permitem distinguir a contextualização do turismo, fica evidenciado que esta atividade abrange todos os aspectos do movimento de pessoas para fora do respectivo ambiente habitual, as atividades que realizam e as instalações que utilizam nesses lugares. Ademais, o turismo pode ser percebido como a soma de fenômenos e relações originados da interação de turistas, empresas, governos locais e comunidades anfitriãs, no processo de atrair e receber turistas e outros visitantes (GOLDNER, 2002, p. 23). Diante dessa evidência, pode-se perceber que o turismo é capaz de causar um respeitável impacto na economia local, promovendo assim o desenvolvimento regional e ainda motivando novos investimentos com benefícios sociais. Impactos sócio-econômicos do Turismo Sobre o impacto sócio-econômico que o turismo causa Lage e Milone (2000, p. 117) afirmam que “O turismo na sociedade moderna pode ser considerado um conjunto de atividades econômicas diversas que englobam: os transportes, os meios de hospedagem, os agenciamentos de viagens e as práticas de lazer, além de outras tantas ações mercadológicas que produzem riquezas e geram empregos para muitas regiões e países”. Oliveira (2001, p. 35) concorda que o turismo é capaz de produzir um respeitável impacto na economia local. É um meio de redistribuir a renda, captar divisas, gerar novos empregos, incrementar outros setores econômicos, aumentar a arrecadação fiscal, promover o desenvolvimento regional e motivar novos investimentos com benefícios sociais. Numa visão da atividade como uma indústria econômica, devido aos benefícios que traz para determinada localidade, contribuindo em grande parte para alavancar o desenvolvimento de um destino turístico, Sancho (2001, p. 25) fala da dependência entre empresas para suprirem-se. Devido a este fenômeno de interdependência entre diferentes organizações, o crescimento da atividade turística estimulará o crescimento da demanda dos bens locais. Paralelamente, o Turismo ajuda a estimular o interesse dos moradores locais em valorizar e conservar a sua cultura, envolvendo as tradições, os costumes e o modo de vida das pessoas de uma localidade. Mas, para desenvolver uma atividade turística de qualidade é necessário que o núcleo receptor ofereça uma infra-estrutura adequada a cada atrativo destinado ao visitante (Idem). Para determinar a intensidade do impacto econômico, consideram-se vários fatores, dividem-se os efeitos da atividade em três categorias: primários, secundários e terciários. Os primários referem-se aos gastos dos turistas que visitam a localidade e às despesas dos moradores locais, provocando tanto o ingresso como a evasão de divisas. Os efeitos secundários estão relacionados com a absorção dos gastos em outros setores da economia nacional, e por fim, os efeitos terciários que não se originam dos gastos diretos dos turistas, mas dos investimentos estimulados pela atividade turística (RUSCHMANN, 1997, p. 43). Ainda nesse contexto, Dias (2003 b, p. 42) lembra que os impactos causados pela circulação e recirculação das despesas do turista, isto é, os impactos contínuos provocados por seus gastos, causam efeitos diretos e indiretos na economia e são considerados multiplicadores econômicos. Dentre as oportunidades que o desenvolvimento turístico proporciona para a localidade se destaca o aumento de renda, a criação de novos postos de trabalho, o incremento das atividades de proteção ambiental e cultural e o ressurgimento de festas tradicionais (DIAS, 2003 b, p. 159). Segundo Lage e Milone (2001, p. 128), “Em qualquer lugar que haja uma atividade turística ela irá gerar uma variedade de impactos econômicos os quais se classificam em impactos diretos, que são representados pelo total de renda criada nos setores turísticos; impactos indiretos, representados pelo total de renda criada pelos gastos dos setores de Turismo em bens e serviços produzidos e ofertados na economia e por fim impactos induzidos, onde são representados na medida em que os níveis de renda aumentam em toda a economia como resultada dos impactos diretos e indiretos das variações dos gastos turísticos”. Para melhor compreensão sobre os efeitos econômicos diretos e indiretos na economia de uma localidade, tem-se que os efeitos diretos são os resultantes da despesa realizada pelos turistas dentro dos próprios equipamentos turísticos e de apoio, pelos quais o turista pagou diretamente alguma coisa. Já os efeitos indiretos são resultantes da despesa efetuada pelos equipamentos e prestadores de serviços turísticos na compra de bens e serviços de outro tipo (BARRETTO, 1995, p. 72). Em meio aos impactos positivos que a atividade turística oportuniza na localidade desenvolvida se enfatiza o aumento de renda do lugar visitado e o estímulo de investimentos e novos empregos. Lage e Milone (2001, p. 130) nos lembram que existem, ainda, inúmeras pequenas unidades comerciais que prestam uma variedade de diferentes serviços que podem ser utilizados pelos turistas como: bares, restaurantes, lavanderias, farmácias, fotógrafos, lojas de artesanato, dentre outros. Se for cuidadosamente planejado, ordenado e gerenciado, o Turismo pode levar benefícios substanciais as comunidade receptoras. Castrogiovanni (2003, p. 30), ao analisar alguns dos benefícios do Turismo ressalta “o desenvolvimento dos empreendimentos turísticos locais, estes que oferecem oportunidades de investimento do capital local, desenvolvendo de forma geral, um senso empresariado que talvez ainda não existisse na área”. Vale destacar ainda, que este setor vem ganhando um grande destaque tanto no âmbito econômico como no social, encorajando nos residentes a formação de consciência ambiental e do senso de identidade cultural, ao verem que os turistas desfrutam do patrimônio natural, histórico e cultural do local. Logo, os rendimentos obtidos com os visitantes podem ser revertidos em melhoria da infra-estrutura e serviços da comunidade, o que ocasionaria um bem estar para a população residente. Desenvolvimento Sustentável incluindo a prática do Turismo O conceito de desenvolvimento sustentável, que inclui a prática do Turismo Sustentável, foi adotado pelas Nações Unidas, pela OMT e por muitos governos nacionais, regionais e locais. Castrogiovanni (2003, p. 01) esclarece que o “Turismo Sustentável significa que os recursos naturais, históricos e culturais para o Turismo sejam preservados para o uso contínuo no futuro, bem como no presente”. Para Ruschmann (2001, p. 25) o conceito de turismo ligado à sustentabilidade foi desenvolvido para evitar os riscos que a condução inadequada da atividade pode provocar no meio ambiente. O turismo sustentável, segundo especialistas como Krippendorf (apud RUCHMANN, 2001, p. 36), é visto como a perfeita triangulação entre as destinações (seus habitat e habitantes), os turistas e os prestadores de facilidades para os visitantes. Segundo Boiteux (2003, p. 64), “é dever de todos os agentes envolvidos no desenvolvimento turístico salvaguardar o ambiente e os recursos naturais, na perspectiva de um crescimento econômico sadio, contínuo e sustentável, capaz de satisfazer equitativamente as necessidades e as expirações das gerações presentes e futuras”. Ruschmann (2000, p. 72) considera que o conceito de desenvolvimento sustentável e de turismo sustentável está intimamente ligado à sustentabilidade do meio ambiente, haja vista que o turismo sustentável deve considerar a gestão de todos os ambientes, recursos e comunidades receptoras, enquanto que os processos psicológicos essenciais e a diversão são mantidos através do tempo. Neste mesmo contexto, Swarbrooke (2000, p. 19) assegura que a definição de Turismo sustentável “significa turismo que é economicamente viável, mas não destrói os recursos dos quais o turismo no futuro dependerá, principalmente o meio ambiente físico e o tecido social da comunidade local”. De acordo com a OMT (apud CASTROGIOVANNI, 2003, p. 24), o turismo sustentável deve, “atender as necessidades dos turistas de hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as oportunidades para o futuro. É visto como um condutor ao gerenciamento de todos os recursos, de tal forma que as necessidades econômicas, sociais e estéticas possam ser satisfeitas sem desprezar a manutenção da integridade cultural, dos processos ecológicos essenciais, da diversidade biológica e dos sistemas que garantem a vida”. Sendo que a melhor maneira de alcançar o Turismo Sustentável é através de um planejamento, desenvolvimento e gerenciamento cautelosos do setor turístico. Entretanto, Dias (2005, p. 108 e 109) considera que o turismo sustentável está harmonicamente equilibrado entre três dimensões, onde se destaca: a sustentabilidade econômica, que deve garantir o desenvolvimento economicamente eficiente, beneficiando a todos os agentes envolvidos e a comunidade receptora, para que os recursos sejam geridos de modo que beneficiem também as futuras gerações; a sustentabilidade social e cultural que garantem a diminuição das desigualdades sociais e a manutenção dos processos ecológicos essenciais, da diversidade biológica e dos recursos naturais, e por fim, a sustentabilidade ambiental que deve assegurar que o desenvolvimento seja compatível com a manutenção dos processos ecológico essenciais, da diversidade biológica e dos recursos naturais. De acordo com Ruschmann (1997, p. 108), “para prevenir os impactos ambientais do Turismo, a degradação dos recursos e a restrição do seu ciclo de vida, é preciso concentrar os esforços em um desenvolvimento sustentável não apenas do patrimônio natural, mas também dos produtos que se estruturam sobre todos os atrativos e equipamentos turísticos”. Portanto, há uma necessidade de incentivar um novo relacionamento entre o Turismo e o meio ambiente, proporcionando a oportunidade de reconciliar o homem com o seu meio, e de contestar os círculos viciosos e os efeitos perversos dos movimentos turísticos. Neste mesmo contexto, Bissoli (1999, p. 33) acredita que a sustentabilidade no Turismo, tem como objetivo assegurar que o desenvolvimento desta atividade não prejudique a manutenção do processo ecológico [...] e o desenvolvimento econômico. Desenvolver hoje sem comprometer as gerações futuras. O desenvolvimento sustentável do Turismo, de acordo com Ruschmann (1997, p. 110), deve considerar a, “[...] gestão de todos os ambientes, os recursos e as comunidades receptoras, de modo a atender às necessidades econômicas, sociais, vivenciais e estéticas, enquanto a integridade cultural, os processos ecológicos essenciais e a diversidade biológica dos meios humanos e ambiental são mantidos através do tempo”. De acordo com Sancho (2001, p. 45), a OMT define o turismo sustentável como “aquele ecologicamente suportável em longo prazo, economicamente viável, assim como ética e socialmente eqüitativo para as comunidades locais, exigindo integração ao meio ambiente natural, cultural e humano, respeitando a frágil balança que caracteriza muitas destinações turísticas, em particular pequenas ilhas e áreas ambientalmente sensíveis”. Vale ressaltar que esse desenvolvimento representa um novo direcionamento da atividade e, consequentemente, um grande desafio para os órgãos responsáveis pela preservação ambiental e pelo Turismo nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. O Planejamento como fator relevante para o desenvolvimento do Turismo Percebe-se que o turismo é uma atividade que tem grande importância no desenvolvimento socio-econômico, possuindo grande poder de redistribuição de renda e um importante papel na conservação do meio natural, pois em algumas regiões é a única atividade econômica que pode aliar geração de renda e emprego e conservação do meio natural. Entretanto, apesar dos benefícios que o Turismo pode promover em uma comunidade, o seu crescimento de forma desordenada pode provocar efeitos mais nocivos do que benéficos (IGNARRA, 2002, p. 61). De acordo com Petrocchi (1998, p. 18), “planejamento é a definição de um futuro desejado e de todas as providências necessárias à sua materialização”. Neste contexto, Dias (2003 a, p. 01) afirma que o “planejamento é um importante instrumento de ação dos governos em todos os níveis, para promover o desenvolvimento econômico, em bases sustentáveis”. Bissoli (1999, p. 42) assegura que “planejamento é um processo que analisa a atividade de um determinado espaço geográfico, diagnosticando seu desenvolvimento e fixando um modelo de atuação mediante o estabelecimento de metas, objetivos, estratégias e diretrizes”. O planejamento, portanto, é uma ferramenta de trabalho utilizada para orientar as tomadas de decisões e organizar ações de forma lógica e racional, de modo que garanta os melhores resultados, com os menores custos e no menor prazo possível. Como melhor define Matus (1989, p. 74), planejamento é “o cálculo que precede e preside a ação”, ou seja, é um processo permanente de reflexão e análise para escolha das alternativas que permitam alcançar determinados resultados futuros desejados. Molina (2005, p. 45) acredita que planejar em seu significado mais amplo, “implica a identificação de um conjunto de variáveis, com o objetivo de adotar um curso de ação que, baseado em análises científicas, permita alcançar um estado ou situação predeterminada”. Assim, ao planejamento consiste o estabelecimento de um plano de ações para que se possam alcançar objetivos pré-determinados. O que confirma Ruschmann (apud OLIVEIRA, 2001, p. 191) ao certificar que, “no Turismo cabe ao Estado zelar pelo planejamento e pela legislação necessários ao desenvolvimento da infra-estrutura básica que proporcionará o bem estar da população residente e dos turistas. Além disso, deve zelar pela proteção e conservação e patrimônio ambiental (natural, psico-social e cultural) e criar condições que facilitem e regulamente o funcionamento dos serviços e equipamentos nas destinações, necessários ao atendimento dos desejos dos turistas, geralmente, a cargo de empresas privadas”. A finalidade do planejamento turístico consiste em ordenar as ações do homem sobre o território e ocupa-se em direcionar a construção de equipamentos e facilidades de forma adequada evitando, dessa forma, os efeitos negativos nos recursos, que os destroem ou reduzem sua atratividade (RUSCHMANN, 1997, p. 09). Vale lembrar que é imprescindível a participação ativa de amplo leque de atores, merecendo destaque a comunidade receptora, os órgãos da administração pública, empresários do ramo, visitantes e organizações do terceiro setor. Assim, o planejamento do Turismo deve passar por um programa de conscientização da população para a importância dessa atividade (PETROCCHI, 1998, p. 61). O planejamento deve envolver ao mesmo tempo toda a comunidade do núcleo turístico. A participação das pessoas do local é imprescindível para o desenvolvimento do Turismo, pois significa a conscientização da população para a importância dessa atividade. Sem a participação e o firme engajamento da comunidade, não há como pensar em crescimento do setor (idem, p. 69). A comunidade atuante tem que opinar de forma direta nas tomadas de decisões, porque os resultados sejam eles positivos ou negativos vão refletir diretamente em seus modos de vida, mas na prática este quesito deixa muito a desejar. Fica evidente que a atividade turística ocasiona crescimento e desenvolvimento para os municípios, como geração de renda, empregos e divisas, mas antes de sua implantação deve-se fazer um planejamento cuidadoso analisando de maneira criteriosa os prós e os contras, que o desenvolver desta atividade acarreta (BISSOLI, 1999, p. 36). Ao elaborar o planejamento turístico, as autoridades locais devem estar cientes da existência de uma série de tendências a exercerem influência sobre esse setor, pois é grande o número de visitantes sensíveis às questões do meio ambiente que procuram visitar lugares bemplanejados, que não criem problemas ambientais e sociais (CASTROGIOVANNI, 2003, p. 01). No entanto, não se deve aceitar o Turismo como uma atividade eminentemente positiva. Na realidade, este segmento não planejado, pode a médio e longo prazo, gerar mais conseqüências negativas do que positivas sobre a sociedade local (DIAS, 2003 a, p. 28). Ou seja, a atividade, quando não planejada pode gerar muitos efeitos negativos na comunidade receptora, nos campos econômico, social, cultural e ambiental. Área de estudo: Município de Piranhas-GO. A área de estudo escolhida para o desenvolvimento deste trabalho foi o município de Piranhas-GO, que de acordo com Martins (1989, p. 28), foi fundada por volta do ano de 1945, e teve um crescimento vertiginoso, tendo como fator primordial o incremento da lavoura, visto que se trata de rica zona de boas terras de cultura. O município de Piranhas conta atualmente, segundo dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2007), com uma população de 12. 309 habitantes, se dividindo em área urbana com 10.107 habitantes, e rural com 2.202 moradores. Possui uma localização geográfica privilegiada pela confluência da BR-158 com a GO-060, que parte de Goiânia-GO rumo ao Sudoeste de Goiás. O relevo e a hidrografia do município proporcionam belas paisagens. Como a maioria dos rios e córregos nasce nas regiões serranas, descem formando inúmeras quedas d’água, em formas de saltos, cachoeiras, cascatas e corredeiras. No córrego São Domingos, está localizado o Salto do São Domingos, uma cachoeira de 96 metros de queda livre, a segunda maior de estado de Goiás, de grande beleza cênica e excelente para a prática de atividades turísticas (SANTOS, 2001, p. 45). A principal atividade econômica do município é a pecuária. Mas, o município também tem importante reserva de granito, atualmente com lavra ativa às pedras: Verde Piranhas, Vermelho Ravena e Verde Álacre. Piranhas é rica em rochas calcarias descobertas e exploradas desde a Fundação Brasil Central (SANTOS, 2001, p. 64). O Turismo se apresenta como uma boa alternativa, já que o município é rico em atrativos naturais. Em 1999, foi criado o Conselho Municipal de Turismo. No mesmo ano, a Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR) outorgou o selo de município prioritário para o Desenvolvimento do Turismo, e a cidade foi sede do II Encontro de Ecoturismo do Sudoeste Goiano (Idem). Em 2001, foi criada a Secretaria do Meio Ambiente, Turismo, Comércio e Indústria (SEMATUCI), objetivando minimizar os aspectos negativos e maximizar os positivos, apontados no Inventário e Diagnóstico Turístico da cidade de Piranhas (SANTOS, 2001, p. 65). Considerações Finais A população Piranhense reconhece a importância de estudos que visem um planejamento adequado para o desenvolvimento do Turismo na região, como uma nova alternativa de renda local. Mostraram-se cientes do potencial turístico natural existente, apontando os elementos mais expressivos a serem explorados pela atividade: o Salto do São Domingos, as Cachoeiras Três Tombos e Santa Márcia, o Rio Piranhas, as Cachoeiras da Fumaça e Três Barras, o Córrego da Arnica, o Poço da Sucuri, as Piscinas Naturais, a Pedreira e a Mina de Granito. Entretanto, na percepção de grande parte dos pesquisados deve atribuir-se somente ao executivo municipal a responsabilidade pelo sucesso da atividade turística, sendo que, na verdade, para o sucesso deste segmento é necessário o engajamento do Poder Público, da comunidade local e da iniciativa privada, num empreendimento conjunto. Por isso é necessário que se dê continuidade a este trabalho com um projeto de sensibilização junto à comunidade em geral, sobre a “importância de desenvolver o turismo na comunidade”, para que haja um envolvimento efetivo de todos os atores para o sucesso do turismo local. Pode ser percebido no decorrer deste estudo que Piranhas, apesar de ser uma localidade privilegiada por possuir inúmeros atrativos e pela sua proximidade da capital Goiânia, fato primordial para o Turismo, pois facilita o acesso à região, é uma localidade que sofre com a falta de investimentos financeiros para este segmento, para assim criar uma infra-estrutura para receber o visitante. Logo, torna-se fundamental que se busquem recursos financeiros para os investimentos junto aos órgãos federais e estaduais, para fomentar o Turismo no município. Outro fator a ser ressaltado é que a inércia dos responsáveis pelo desenvolvimento do turismo no município de Piranhas vem beneficiando o município de Caiapônia-GO, uma cidade próxima que usufrui dos atrativos naturais de Piranhas, fazendo contratos com agências de viagens em Goiânia, para que divulguem os atrativos naturais da região como pertencentes ao município vizinho. Apesar de ser algo incorreto, está trazendo benefícios para Caiapônia, que recebe um significativo número de visitantes e conseqüentes retornos financeiros para o município. É necessário que a população de Piranhas se sensibilize para o Turismo, não deixando que as localidades vizinhas usufruam dos atrativos, sem deixar nenhum retorno financeiro para a localidade. Tais considerações foram feitas inclusive no decorrer da palestra e na discussão posterior. Finalmente, espera-se que este trabalho tenha contribuído para despertar a população piranhense para a importância do turismo como alternativa de emprego, renda e qualidade de vida, bem como gere ações que possam efetivamente promover a implementação da atividade turística no município. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _____________. Turismo sustentável e o meio ambiente. São Paulo: Atlas, 2003 b. _____________. Introdução ao turismo. São Paulo: Atlas, 2005. _________________. Economia do turismo. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2001. BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas, SP: Papirus, 1995. BENI, Mario Carlos. Análise Estrutural do Turismo. 5. ed. São Paulo: SENAC, 2001. BISSOLI, Maria Ângela Marques Ambrizi. Planejamento turístico municipal: com suporte e sistemas de informações. São Paulo: Futura, 1999. BOITEUX, Bayard Do Coutto. Planejamento e organização do turismo: teoria e prática. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003. CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos. 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PROPOSTA DE CARTOGRAFIA PARA O MERCADO TURISTICO: UM EXEMPLO APLICADO À ROTA PANTANAL PACÍFICO – CAMPO – GRANDE/ CORUMBÁ E FRONTEIRA DA BOLÍVIA (PUERTO QUIJARRO, PUERTO SUAREZ, PUERTO AGUIRRE) VIEIRA, Paulo Henrique Vieira Acadêmico e Bolsista Iniciação Científica CNPq – do Curso de Geografia Bacharelado CPTL/UFMS Membro Pesquisador do grupo DIGEAGEO – Diretrizes de Gestão Ambiental com uso de Geotecnologias UFMS & CNPq SILVA, Aline Cristina Alves da Acadêmico e Bolsista – do Curso de Geografia Bacharelado CPTL/UFMS Membro Pesquisador do grupo DIGEAGEO – Diretrizes de Gestão Ambiental com uso de Geotecnologias UFMS & CNPq FERREIRA, Gisele de Oliveira Acadêmico e Estagiária – do Curso de Geografia Bacharelado CPTL/UFMS Membro Pesquisador do grupo DIGEAGEO – Diretrizes de Gestão Ambiental com uso de Geotecnologias UFMS & CNPq AVELINO, Patrícia Helena Mirandola Professora Doutora Adjunto do DCH/CPTL/UFMS – Líder do grupo DIGEAGEO – Diretrizes de Gestão Ambiental com uso de Geotecnologias UFMS & CNPq e membro do GEEPI – Grupo de Estudos Estratégicos e Integrado UFMT& CNPq RESUMO Esta pesquisa aborda as geotecnologias e suas aplicações para o mapeamento de Rotas Turísticas (nacionais e internacionais), no caso específico da Rota Pantanal Pacifico. As geotecnologias são instrumentos de análise do espaço, que possibilitam e melhoram e entendimento do meio ambiente (seja urbano ou rural) e, o que nele ocorre, permitindo a elaboração de mapas, rotas e trajetos com potencial turístico a ser explorado. Com a crescente necessidade da Ciência Geográfica, utilizar ferramentas, que permitam um melhor conhecimento das dinâmicas espaciais, aliadas à possibilidade de cartografar, monitorizar e interpretar o espaço, temos os SIGs que se constituem num dos mais modernos pilares para a operacionalização e interpretação da Geografia. O setor turístico utiliza-se de um número imensurável dessas informações englobando dados geográficos e sócio-econômicos, que precisam estar atualizados e disponíveis à população, para viabilizar a gestão do negócio, seja público ou privado. Para o presente trabalho utilizamos o SPRING® (Sistema de Processamento de Informações Georeferenciadas) que possui funções de processamento de imagens, análise espacial, modelagem numérica de terreno e consulta a bancos de dados espaciais, permitindo eu se faça uma rota das potencialidades existentes no trajeto Brasil, Bolívia, Peru e Chile com dados georreferenciados. A quantidade e o tipo de dados do setor turístico demandam dessa ferramenta de gerenciamento. Para o setor, um aspecto de grande importância é a necessidade de interligar um banco de dados com a localização espacial dos pontos turísticos ou de interesse turístico. Assim, a utilização do SIG, subsidia o gerenciamento e a disponibilização de informações rápidas e precisas para comunidade e órgãos afins, em região de potencial turístico. A carência de meios de informações sobre o potencial turístico de rotas já existentes ou em fase de implantação tem sido empecilho ao desenvolvimento econômico das regiões que nela se inserem. Para o mapeamento de uma rota turística tem-se de conhecer a distribuição geográfica de recursos naturais, de ocupação e uso do solo e de intervenções humanas. Informações que irão sustentarão as tomadas de decisões dos administradores públicos e aos investidores privados. Tradicionalmente, essas informações eram registradas em documentos e mapas em papel, de fácil acesso e manipulação, mas que ofereciam alto grau de dificuldade para manutenção, atualização e tratamento, para análises integradas, o que é fundamental para dar suporte à decisão e implantação de planos estratégicos de desenvolvimento. Palavras-chave: Potencialidades Turísticas; Banco de Dados; Geotecnologias. INTRODUÇÃO O fato do Brasil, por décadas, ter adotado a política de priorizar acordos comerciais com os países europeus, asiáticos e norte-americanos, impôs à nação certo isolamento frente aos nossos vizinhos Sul-Americanos. Segundo IPEA (199I), isso sempre dificultou na prática a consolidação dos acordos regionais como: o Tratado de Amizade, Limites, Navegação, Comércio e Extradição (1867), o Tratado de Petrópolis (1903), o Tratado de Natal (1928), o Acordo de Roboré (1958), o Convênio de Transito Livre (1970). Mais recentemente novos Acordos continuam buscando atender ao anseio de integrar os paises fronteiriços do Centro Sul Americano. É o caso do Acordo Sobre Transporte Internacional Terrestre - ATITI (de 1990-1995), do Comitê de Fronteiras Cáceres - San Matias (2000), da Reunião Bilateral de Autoridades Aduaneiras Brasil Bolívia - MRE (2006), e da Coleção de Atos Internacionais DAI nº. 757. Considerando que o crescimento das economias tem se configurado pela dependência do aproveitamento racional do ambiente natural, tem levado os acordos no âmbito da América do Sul, e por que não dizer de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, com a Bolívia, tem de levar em conta a sustentabilidade, a longo-prazo. E, a distribuição das suas benesses aos povos que habitam a região. Essa questão é essencial no âmbito dos acordos regionais porque representa a superação de conflitos e evita a perda da qualidade ambiental e de vida. Então as políticas regionais mais do que coordenadas devem ser planejadas, gerando uma distribuição justa dos investimentos e fomentando a transmissão inter-regional do progresso entre as nações que compõem o Centro-Oeste Sul Americano. Assim, um planejamento de integração deve gerar condições de inserção – a partir das especificidades e heterogeneidades regionais – produtiva e social, já que esta última é essencial para minorar as desigualdades sociais e se possa alcançar, assim, o objetivo da equidade. Para tanto, o Estado tem um papel importante neste processo, no sentido de tentar manter a identidade nacional. Que empeça que ocorra uma fragmentação do território, de grandes dimensões, como o Brasil. “Interessante seria se ocorresse a tão aspirada integração regional e o incentivo aos mercados interno e externo fosse considerado, de fato, algo fundamental para o desenvolvimento do país” (PINTO, 2006), Este projeto trás à luz uma questão maior, dá ao Brasil, e nesse contexto ao Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a chance de promoverem, viabilizar e liderar, a integração Centro-Sul Americana, através do Turismo, do Comércio e da Cultura. Neste sentido, a proposta deste plano, busca produzir elementos para a Cartografia do Mercado Turistico da Rota Pantanal Pacífico – Campo – Grande/ Corumbá e Fronteira da Bolívia (Puerto Quijarro, Puerto Suarez, Puerto Aguirre). Portanto, este eixo entre Campo Grande - Corumbá e fronteira da Bolívia (Puerto Quijarro, Puerto Suarez, Puerto Aguirre, complementa o acesso a diversas potencialidades e produtos turísticos da Rota Pantanal-Pacífico). Este não deixa de apresentar condições similares à Rota Base, estudada na I Expedição, mas tem a condição de fortalecer ainda mais a proposta de integração Brasil e Bolívia. A realidade dessas regiões é similar, guardada as devidas escalas e diferenças regionais, as que embasaram o sucesso das Rotas Turísticas de Santiago de Compostela, que envolve dois países europeus - Espanha e França e, do Roteiro Estrada Real entre os estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, e pode ser um excelente vetor de melhoria das relações existentes entre os países que cruza. Figura 01 – Localização dos países da Rota Pantanal Pacífico Fonte: MIRANDOLA – AVELINO, 2008. OBJETIVOS Objetivo Geral: Gerar um banco de dados sistematizado em Sistemas de Informação Geográficas (SIG) da Cartografia do Mercado Turístico para divulgação, análise e disponibilização das informações; Objetivos específicos: Promover um inventário turístico dos Municípios (Brasil-Bolívia) do eixo em estudo, a partir do banco de dados; Elaborar mapas temáticos de regiões e localidades turísticas naturais e/ou culturais. Elaborar produtos cartográficos que reproduzam atrativos turísticos: internacionais, nacionais, regionais e municipais. Tomando por base mapas topográficos, imagens de sensoriamento remoto, fotografias aéreas e terrestres; Elaborar um banco de imagens dos atrativos selecionados a partir do inventário;. Elaborar mapas temáticos, planos cartográficos como plantas, mapas e folders turísticos. Tornar o aluno capaz de traçar roteiros turísticos locais, regionais e estaduais enfatizando os aspectos do turismo ecológico e ambiental. Socializar os dados e informações levantados com as Prefeituras envolvidas e o Governo do Estado, através de workshop, após o relatório final; FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A indústria do turismo apresenta-se hoje como uma das áreas econômicas de maior sucesso e rentabilidade, bem como uma das que pode gerar um grande número de empregos, daí a sua grande importância para um país, como o Brasil, que possui um dos maiores potenciais turísticos do mundo, tanto em nível de atrativos naturais quanto culturais, espalhados em ambientes bastantes diferenciados e capazes de atrair grupos diferentes de turistas. Por outro lado à informação turística é essencialmente geográfica, e pode ser trabalhada em duas vertentes distintas: uma para o planejamento turístico, visando fornecer subsídios para o desenvolvimento turístico de uma localidade e outra para a orientação de turistas em visita a um sítio turístico. Nesta última em específico a informação deve ser transmitida ao turista de forma clara e precisa, visando informá-lo, sobre as principais características da área que abrange. Desta forma o espaço geográfico, suas características e a receptividade da informação por parte do turista serão elementos de consideração essencial aos documentos que serão elaborados e submetidos ao turista. A Cartografia Turística, no que tange a apresentação da informação turística sob a forma gráfica torna-se um documento essencial para qualquer área, uma vez que possibilitará ao turista uma visão geral do espaço geográfico, com as informações que serão importantes para o planejamento das suas atividades de visitas e coordenação do seu tempo disponível. Para que essas ações sejam exercidas, a ordenação das informações, em diferentes hierarquias, conjugadas com uma visão global da área, fornecendo informações adicionais como, por exemplo, o tempo de permanência, tempo de deslocamento e outras, que permitam ao usuário se posicionar no espaço e no tempo, de forma simples e direta, sem deixar margem a dúvidas, é uma característica que deve acompanhar toda informação cartográfica turística. Por outro lado, os conceitos de transformações cartográficas, geométricas, projetivas e cognitivas (escala, projeções, generalização e simbolização), devem ser adaptados para uso em diferentes formas, tais como, mapas em papel, mapas digitais, publicação na internet. A noção de escala, por exemplo, é essencial para que o turista possa ter uma idéia de seus deslocamentos entre diferentes sítios. Por outro lado, a generalização, muitas vezes violenta em mapeamentos turísticos, não pode mascarar informações que seriam vitais para que o turista possa se localizar, em uma consulta ao mapa. Neste trabalho são conjugadas as necessidades dos turistas, segundo a capacidade de transformação das informações turísticas em cartográficas, através da análise de diversos tipos de mapas, procurando-se ao seu final estabelecer algumas especificações e parâmetros, que permitam a elaboração de um projeto cartográfico turístico apropriado para diferentes tipos de informações e usuários. Conceitua-se a transformação cartográfica como o conjunto de processos que transforma a informação geográfica em uma informação cartográfica. Assim uma informação cartográfica é uma informação geográfica capaz de ser representada em um mapa, após ter sido submetida ao processo de transformação cartográfica. Envolve basicamente três transformações: transformações geométricas; transformações projetivas e transformações cognitivas: generalização e simbolização. As transformações geométricas correspondem àquelas posicionarão os sistemas de coordenadas terrestres e do mapa, bem como relacionará o tamanho do mapa com a superfície terrestre. Assim podem ser caracterizadas as transformações de rotação, translação e escala. A informação turística geográfica pode ser definida por qualquer informação física, social, biológica, econômica, ecológica, ambiental etc, que possua a possibilidade de ser associada ou relacionada à um posicionamento sobre a superfície terrestre. Se uma determinada informação possuir uma localização espacial, sobre a superfície terrestre, vinculada a algum sistema de posicionamento, caracteriza uma informação turística geográfica. Por exemplo, a tabela de preços da rede hoteleira de uma cidade, é uma informação turística, porém não geográfica. Porém a localização de cada um dos hotéis, já é uma informação geográfica. Na grande maioria dos casos da informação turística, poderá haver uma associação entre dados e informações não geográficas com as geográficas. A garantia de um documento cartográfico turístico de qualidade é diretamente relacionado a transformação dos dados em informações turísticas. Vale ressaltar, inicialmente a diferença entre dado e informação, onde dado deve ser entendido, segundo MENEZES (2000), como uma observação ou obtenção de uma medida, sem nenhum propósito pré-definido (ex.: números de turistas, número de UH’s de um hotel, número de hotéis, dados pluviométricos, de temperatura e outros). A informação é o resultado de um processo de transformação (organização, estruturação, classificação, etc.) de um conjunto de dados. Face ao exposto, a medida que, os dados sofrem alguma transformação, adquirindo um significado para um determinado estudo, eles originam uma informação. Uma informação geográfica possui três atributos básicos: - espacial: que se refere ao posicionamento, forma e relações geométricas entre as entidades espaciais; - descritivo: características definidoras da entidade geográfica ou os atributos que a qualificam; - temporal: que se refere à época de ocorrência do fenômeno geográfico. MENEZES (2000) As suas características são em linhas gerais as seguintes: - localização; - dimensionalidade; continuidade. A localização é o atributo de posicionamento na superfície terrestre. A descrição em relação à algum sistema de coordenadas, estabelecendo o posicionamento da informação sobre a superfície terrestre. É o georreferenciamento da informação. Para a informação cartográfica turística, a percepção posicionamento e de escala é essencial ao usuário. A qualquer momento ele deve ser capaz de se localizar na representação, como ter uma noção da distância que deverá percorrer para atingir outros locais. Mesmo em cartogramas cujas distorções sejam grandes, esta noção deve ser preservada. Na grande maioria da utilização de mapas turísticos, a localização é estabelecida, pela comparação entre a representação e o mundo real. A inexistência de elementos, que permitam estabelecer esta comparação, fará com que o usuário não confie no mapa. A perda desta confiança fará com que automaticamente o usuário também tenha a mesma impressão em relação à outros serviços que esteja procurando no local. Um turista, na maior parte dos casos, desconhece completamente o local em que está, necessitando de documentos que permitam a sua fácil identificação com o mesmo, permitindo deslocamentos e reconhecimento dos sítios de interesse sem problemas. Para dar esse suporte iremos nos apoiar também no Geoprocessamento que compreende as atividades de aquisição, tratamento, análise e representação de dados espacializados, ou seja: georreferenciados por um sistema de representação da Terra. Isto envolve desde as tecnologias de Sensoriamento Remoto e Fotogrametria, as técnicas de mensuração por sistemas de posicionamento GPS o processamento e análise desses dados, em forma de mapas digitais, através dos Sistemas de Informações Geográficos. O conjunto de geotecnologias que dão suporte ao geoprocessamento inclui a cartografia de precisão. Ela é construída com o uso de fontes de dados obtidos por tecnologia de mapeamento (Sensoriamento Remoto, GPS, entre outras) e produzem dados para serem empregados em análises espaciais de complexa gama de variáveis (SIGs, Modelos de Rede e GEDs – Gerenciamento Eletrônico de Documentação). É recurso fundamental na tomada de decisões o conhecimento do território de intervenção em sua complexidade, possibilitando diferentes interpretações e de modo ágil. Para alcançar estes objetivos, o Geoprocessamento é importante ferramenta de gestão, pois é um conjunto de tecnologias para processamento da informação cuja localização geográfica é uma característica inerente, indispensável para análise. O termo Geoprocessamento, surgido do sentido de processamento de dados georreferenciados, significa implantar um processo que traga um progresso, um andar avante, na grafia ou representação da Terra. Não é somente representar, mas é montar um sistema e associar a esse ato um novo olhar sobre o espaço, um ganho Assim este plano de trabalho irá reunir as informações mais importantes para o Mercado Turístico da Rota Pantanal Pacifico com o uso de geotecnologias. METODOLOGIA A organização de dados para gerar a Cartografia do Mercado Turístico pra implantação da Rota Pantanal Pacífico, seguirá basicamente as seguintes etapas de trabalho: ETAPA 1 - Trabalhos de Gabinete Trabalhos de gabinete as primeiras etapas de atividades de gabinetes constaram de revisão bibliográfica, levantamento de dados referentes à espacialização das potencialidades do mercado turístico da Rota Pantanal Pacifico, cuja finalidade foi obter informações referentes ao meio turístico e econômico de cada município que subsidiaram os mapeamentos. Com o intuito de sistematizar as informações e criar condições de interpretação da realidade da Rota, num primeiro momento será necessário realizar alguns trabalhos de gabinete para ter noção dos dados turísticos, ambientais e socioeconômicos da área. ETAPA 2 - Levantamento de Campo e Inventário turístico Os levantamentos de campo consistem em visitas as secretarias de Turismo dos municípios envolvidos para checar as informações pertinentes as potencialidades de cada município, concomitantemente a fase do inventário comportará todo o levantamento da realidade turística de todos os municípios entre Campo Grande - Corumbá e fronteira da Bolívia (Puerto Quijarro, Puerto Suarez, Puerto Aguirre). O inventário turístico da região será também a base do banco de dados do turismo sul-matogrossense e poderá ficar disponível na Internet para pesquisa e planejamento. A análise da oferta será feita com base nos dados obtidos no inventário turístico através de uma série de cruzamentos que produzem as mais diferentes informações. Os resultados se concentrarão em torno de dois pontos principais: aspectos quantitativos de recursos e infra-estrutura turística e qualitativa, identificação, dos níveis em que se encontram (potencial deficiente ou adequado). Etapa 3 - Seleção de dados (ortofotocartas, mapas, imagens de satélite); A montagem da coleção de dados é um trabalho longo e de grande complexidade, que não se encerrará no período destinado ao projeto, mas estará em constante atualização. Serão trabalhados os dados relativos ao ambiente, tais como hidrografia, rodovias, localidades, topografia, toponímia e georreferenciamento de conjunto de ortofotocartas. A etapa posterior será incorporada as camadas contendo localizações de atividades de apoio ao turismo e os pontos de visitação. Etapa 4 - Levantamentos de campo utilizando GPS (Global Position System) e Fotografia Digital Incorporação de dados relativos à toponímia, hidrografia, limites municipais, localidades, modelo digital de elevação e rede de estradas associadas a banco de dados alfanumérico sobre rodovias. Incorporação de banco de dados sobre atividades de apoio ao turismo (locais de visitação, pousadas, restaurantes, postos de saúdes, postos de gasolina, entre outros) e de localização dos marcos de demarcação da estrada. Os dados obtidos no inventário turístico serão localizados a partir do georreferenciamento das potencialidades do local e fotografados, para comparem os mapeamentos temáticos que farão parte da Cartografia do Mercado Turístico da Rota Pantanal Pacífico Etapa 5 - Tratamento das informações coletadas, através da organização dos dados, definição dos aplicativos a serem utilizados e georreferenciamento das informações; Tratamento e edição dos dados levantados no campo; separação das fotografias, criação de tabelas dos dados georreferenciados; organização do material coletado; Etapa 6 - Utilização do Sistema de Informações Geográfico SPRING 5.0. Nesta etapa constam métodos e técnicas voltados para o uso da tecnologia do geoprocessamento. Sua principal finalidade é de garantir uma base de dados compatível à estruturação de um Banco de Dados Turístico (BDT) associado à Rota pantanal Pacífico ( Brasil – Bolívia) A partir deste Banco de Dados, serão elaborados produtos obtidos pelo processamento digital das imagens LANDSAT - 7 considerando as passagens das imagens 2007-08. O Processamento digital será associado ao Sistema SPRING® na sua versão 5.0, permitindo a geração de mapeamentos temáticos. Estes resultados serviram de subsídios para viabilizar a compreensão da dinâmica espacial das potencialidades da RPP. Etapa 7 - Divulgação dos Resultados Com esse plano de trabalho executado pretende-se a aprovação de recursos para sua viabilização nos próximos editais disponíveis. Os dados e materiais levantados serão organizados em banco de dados digitais e analógicos e tão logo possa ser disponibilizado, servirá para outros pesquisadores que tenham os estudos da Rota como foco de trabalho, pretende-se ainda futuramente organizar um Atlas multimídia da Rota Pantanal Pacífico pela UFMS. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Joaquim Anécio et al. (coords.) Turismo rural e desenvolvimento sustentável. Campinas: Papirus, 2000. ANDRADE, J.V. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo: Ática, 1995. ANDRADE, José Vicente de. TURISMO Fundamentos e Dimensões. São Paulo: Ática, 1998. ANDRADE, José Vicente de. Turismo: fundamentos e dimensões. São Paulo : Ática, 1997. ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia Econômica, 12 ed, São Paulo: Atlas, 1998. RETIRA ARRILAGA, José Ignácio de. Introdução ao Estudo do Turismo, Rio de Janeiro: Fundação Integrada Estácio de Sá, 1976. BARAT, Josef. A Evolução dos Transportes no Brasil. – Rio de janeiro: FIBGE/IPEA, 1978. 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Se tornou uma importante ferramenta na vida do usuário, quer seja uma pessoa, uma empresa ou um país. Essas mudanças oriundas pelos avanços tecnológicos infiltram em todas as áreas da economia, principalmente na prestação de serviços, onde se insere a atividade turística. O turismo mais do que nunca é dependente de informações, uma vez que se beneficia com a praticidade e eficiência dos serviços prestados, contribui para a redução de custos e melhora no atendimento, em virtude de seu principal produto de consumo se basear na abstração, algo que não existe a priori. A implantação de um sistema gerencial de informações turísticas é mais do que nunca uma necessidade para um eficiente, preciso e rápido atendimento de qualidade ao turista, no que concerne informações sobre o trade turístico de determinada localidade entre outras informações. Assim sendo, o objetivo do presente trabalho é analisar o sistema gerencial de informações personalizado de diferentes Centros de Informações Turísticas (CIT), bem como diagnosticar a sua funcionalidade, e a sua importância para a prestação da qualidade de serviços ao turista. Para servir como referencial para futura implantação de um sistema gerencial de informações semelhante no CIT de Nova Xavantina. Para tanto fora aplicados questionários junto a representantes do Sistema de Informação Gerencial do Centro de Informações Turísticas dos municípios de Foz do Iguaçu no Paraná, Pelotas no Rio Grande do Sul, São José dos Campos em São Paulo, Blumenau em Santa Cantarina, Bonito no Mato Grosso do Sul e Poços de Caldas em Minas Gerais. Posteriormente foram tabuladas em quadros, analisadas e discutidas as informações colhidas, que propiciou admitir que não existe um modelo mercadológico de sistema gerencial de informações ideal, mas sim uma necessidade de adaptação do sistema gerencial de informações para atingir os objetivos organizacionais no ambiente a ser implantado. Palavras-chave: Administração; Sistemas de Informações; Centro de informações Turísticas. INTRODUÇÃO A administração surgiu da necessidade de se registrar e explicar as transações feitas na Idade Média, entretanto apesar de não se ter uma exatidão quanto a sua origem, pode-se intuir que a administração sempre esteve presente na vida do homem, da necessidade de planejar e organizar a produção de alimentos. Os atuais conceitos de administração decorrem de grandes evoluções de tais épocas, tendo por sua essência o ser humano. No gerenciamento das atuais organizações a informação tornou-se uma ferramenta indispensável na tomada de decisões, onde se verifica uma diminuição dos edifícios em virtude da tecnologia, que contribuiu para o desenvolvimento de eficientes sistemas gerencias de informações, facilitando na execução e controle de tarefas, conseqüentemente facilitou a vida dos administradores e minimizou as perdas e maximizou os ganhos das empresas. O Sistema de Informação Gerencial foi criado com o objetivo de ser uma excelente fornecedora de sistemas de gestão empresarial a nível nacional, porém existem muitas definições para este sistema. No entanto o objetivo do presente trabalho é analisar o sistema de informação gerencial e personalizado de diferentes centros de informações turísticas (CIT), bem como diagnosticar a sua funcionalidade, e a sua importância para a prestação na qualidade de serviços ao turista. Geralmente há dificuldade para avaliar, de forma quantitativa, qual o efeito benéfico de um sistema de informações gerenciais, ou seja, a melhoria no processo decisório. Entretanto pode-se trabalhar com base numa lista de hipóteses sobre os impactos dos sistemas de informações gerenciais de uma determinada empresa, o que propicia o executivo um entendimento, ainda que genérico, de sua importância. Neste sentido o objeto de estudo do presente artigo foi trabalhada a aplicação de questionários voltados aos responsáveis do CIT (Centro de Informações Turísticas), dos municípios de Foz do Iguaçu - PR, Pelotas- RS e São José dos Campos – SP, com o intuito de analisar os sistemas para servirem de referencial para futura implantação de um sistema semelhante no CIT de Nova Xavantina. O Turismo Diante dos atuais conceitos e definições de turismo, pode-se dizer que traços desta atividade já eram percebidos há muitos anos, embora, a motivação das viagens terem variado ao longo do tempo. Conquistas e descoberta de novos territórios, estudos que visavam expandir os conhecimentos sobre novas culturas, por razões de saúde, por motivos religiosos, são alguns exemplos. Assim, não se pode dizer que o único e exclusivo objetivo destas viagens era o lazer, um dos principais fatores que caracterizam o turismo hoje. Oliveira (2001, p. 18) relata que o turismo é mais antigo que a própria expressão. Durante a realização das olimpíadas em 776 a.C. na Grécia antiga, foram promovidas as primeiras viagens para assistir o evento. Os fenícios contribuíram para facilitar as viagens, desenvolvendo um eficiente sistema de navegação. Os romanos também construíram muitas estradas, facilitando as viagens, com isso teriam sido estes os primeiros a viajarem por motivos de lazer. Com o passar dos anos as transformações da sociedade impulsionadas pelo capital e avanços tecnológicos, colaboraram para que o turismo evoluísse em sua forma, que passou a se apresentar sob várias facetas. Classificar turismo é difícil, uma vez que se trata de uma atividade altamente complexa, a idéia de restringi-lo impõe limites o que torna difícil mensurar esta atividade mutável que se apresenta sobre diversas facetas, tão logo se torna falha a limitação. Assim depararse com um contingente de conceituações acerca de turismo e suas segmentações são corriqueiras. Entretanto, apesar da multiplicidade, as acepções são similares, pois remetem a mesma temática. A Organização Mundial do Turismo (2003) define turismo como “o fenômeno que ocorre quando um ou mais indivíduos se trasladam a um ou mais locais diferentes de sua residência habitual por um período maior que 24 horas e menor que 180 dias, sem participar dos mercados de trabalhos e capital dos locais”. Dada a sua configuração, a atividade turística apresenta diferentes conceitos, uma vez que se infiltra em diversos campos da ciência, sendo difícil delimitá-la, por isso os estudiosos o conceituam sob sua ótica e área de estudo. Sobre o desenvolvimento do turismo Marques e Bissoli (2002, p. 52) ponderam que este está vinculado à existência de alguns fatores: motivação, infra-estrutura, segurança, saneamento básico, salubridade ambiental, divulgação, legislação. Breve histórico e acepções sobre Administração As atividades de administração advêm desde os princípios da humanidade, administrar é uma necessidade do homem, seja em qual atividade for, esteve presente na vida de todos os povos. Conforme Silva (2001, p. 87), o uso da escrita foi desenvolvido pelos sumérios15 para fins de controle administrativos e não litúrgicos. As prestações de contas feitas pelos sacerdotes não podiam se basear na memória ou em recursos grosseiros, era necessário registrar e explicar ao sumo sacerdote as transações realizadas, fato que culminou no desenvolvimento da escrita para uma melhor fiscalização administrativa. Os egípcios também utilizavam práticas de administração para detalhar serviços e tarefas na sociedade, bem como fiscalizá-las. Prova disso são os grandes legados deixados por esses povos. Outros povos que mostraram reais exemplos de práticas administrativas antigas foram os babilônios 16, 15 Os sumérios foram às primeiras civilizações a se estabelecer na Mesopotâmia, onde hoje é o atual Iraque, desenvolveram um movimentado comércio e eficiente sistema de navegação (CHON; SPARROWE, 2003, p. 3). 16 A Babilônia foi um grande império que se desenvolveu ao longo do vale dos rios Tigres e Eufrates, foi governada durante muito tempo pelo rei Hamurabi (SILVA, 2001, p. 88). cujas cidades foram obrigadas a se unir para manter a paz e estabelecer uma legislação para abranger a propriedade pessoal, rural, o comércio, os negócios, a família e o trabalho. Estas leis denominadas “Código de Hamurabi” vigoraram de 2000 a 1700 a.C. No entanto, há registros de outro código usado uns 150 anos antes do Hamurabi, o Código Acadiano Eshnunna que vigorava sobre controles de preços e de penalidades criminais (Idem, p. 87-88). Na China antiga também há registros de conceitos de organização, cooperação, funções, procedimentos favoráveis à eficiência e várias técnicas de controle, estabelecidos há mais de três mil anos. Pode-se citar, a Constituição de Chow escrita por volta de 1100 a.C., que incluía todos os servidores civis do Imperador, desde o primeiro-ministro até os criados domésticos, nela estava descritos os poderes do primeiro-ministro, suas atribuições e responsabilidades. A Arte da Guerra, escrito por Sun Tzu por volta de 500 a.C., é o mais antigo tratado militar do mundo, mantendo-se atual, apesar de grandes mudanças nas armas e carros de guerra, porque tratou de temas atuais (Idem, p. 89-90). Isso ilustra que os chineses estavam cientes de princípios ligados ao planejamento, organização, direção e controle de organizações ou atividades. Certamente não se pode dizer que os conceitos modernos de administração não provêm de tais épocas, em virtude de terem sofrido grandes evolução e aperfeiçoamento até chegar aos dias atuais. Todavia, já se fazia uso de conceitos de administração, mesmo que simples, da necessidade de se resolver problemas de transportes, alojamento, construção, armazenamento de alimentos. É importante salientar que “administração” não é administração de empresas. A administração está ligada a todo o tipo de empreendimento humano que reúne, em uma única organização, pessoas com diferentes saberes e habilidades, sejam vinculadas às instituições com fins lucrativos ou não. A administração precisa ser aplicada aos sindicatos, às igrejas, às universidades, aos clubes, agências de serviço social, tanto como nas empresas, sendo responsável pelos seus desempenhos (Ibdem). Para Silva (2001, p. 6) “Administração é um conjunto de atividades dirigidas à utilização eficiente e eficaz dos recursos, no sentido de alcançar um ou mais objetivos ou metas organizacionais”. Funções administrativas Seja qual âmbito - doméstico, empresarial, público - é preciso um administrador. Esse líder deve planejar, organizar, dirigir e controlar, pois a falta de uma administração eficiente leva ao fracasso. Koontz (apud HOLLANDA; COELHO; CAPELLA, 2005, p. 14) afirma que administrar “é a arte de realizar coisas com e por meio de pessoas em grupos formalmente organizados” Para Pereira (2004, p. 12-13). Como processo, a administração pressupõe um modo sistemático e continuo de realizar algo e compreende uma seqüência de funções que se relacionam de maneira interdependente e interatuante. A realização dessas funções caracteriza o trabalho do administrador, independentemente do nível hierárquico em que se situe e do tipo de organização em que atue, com ou sem finalidade lucrativa, pública ou privada, de manufatura ou de prestação de serviços. Breves considerações sobre Tecnologia da Informação Bem antes da criação da máquina de calcular até os modernos celulares que acessam a internet, o homem vem evoluindo em caráter tecnológico para resolver problemas e agilizar informações e, uma das soluções encontradas para sanar os problemas foi o computador. No início, a computação era tida como um mecanismo que tornava possível automatizar determinadas tarefas em grandes empresas e nos meios governamentais. Com o avanço tecnológico, as "máquinas gigantes" começaram a perder espaço para equipamentos cada vez menores e mais poderosos. A evolução das telecomunicações permitiu que, aos poucos, os computadores passassem a se comunicar. Como conseqüência, tais máquinas deixaram de simplesmente automatizar tarefas e passaram a lidar com informação (ALECRIM, 2004). O Século XX foi considerado advento da Era da Informação. A partir de então, a informação começou a fluir com velocidade maior que a dos corpos físicos. Desde a invenção do telégrafo elétrico em 1837, passando pelos meios de comunicação de massa, e até mais recentemente, o surgimento da grande rede de comunicação de dados que é a Internet, o ser humano tem de conviver e lidar com um crescimento exponencial do volume de dados disponíveis (EVOLUÇÃO..., 2007). Atualmente a TI é algo cada vez mais comum no dia-a-dia das pessoas e das empresas e tudo gira em torno da informação. Portanto, como assinala Alecrim (2004) quem souber reconhecer a importância disso, certamente se tornará um profissional com qualificação para as necessidades do mercado. De acordo com o Ministério do Turismo (BRASIL, 2007, p. n.p): O uso da tecnologia da informação e da comunicação é fundamental para obter subsídios necessários para a definição e o estabelecimento de políticas capazes de concretizar as metas estabelecidas para o setor. Trata-se de uma das estratégias mais eficazes para melhorar a relação custo-benefício da difusão de informações turísticas. Quando se fala em Sistemas de Informação e TI é imprescindível se falar em dados, pois é ele que gera as informações que serão acessadas e redistribuídas. Segundo Ribeiro (1990), é qualquer elemento identificado na sua forma bruta, que por si só não conduz à compreensão de determinado fato ou situação. Conforme Davenport e Pruzak: Dados são um conjunto de fatos distintos e objetivos, relativos a eventos, sendo que, “em um contexto organizacional, dados são utilitariamente descritos como registros estruturados de transações”. “Os dados nada dizem sobre a própria importância ou relevância. Porém, os dados são importantes para as organizações – em grande medida, certamente, porque são matéria-prima essencial para a criação de informação (apud COELHO, 2004, p. 90). Assim como a informação provém dos dados, o conhecimento deriva das informações. Da mesma forma, Davenport e Pruzak (apud COELHO, 2004, p. 91), afirmam que os “[...] dados tornamse informação, quando o seu criador lhes acrescenta significado”. Sistemas de Informação O avanço tecnológico propiciou maior praticidade e eficiência no cumprimento de tarefas, antes demoradas e até incertas, essas mudanças se infiltram em todos os setores da economia, com destaque para a prestação de serviços, onde o setor de turismo se insere cada vez mais neste mundo altamente avançado da informação. A este respeito Marques e Bissoli (1999, p. 55) salienta “O setor de turismo estará cada vez mais vinculado a tecnologias que permitem melhorar a prestação de serviços, reduzir custos, incrementar a produtividade e melhorar a qualidade do atendimento”. Para maior compreensão, o mesmo autor acrescenta que com relação à atividade turística a informação é o principal instrumento e ferramenta de trabalho de um profissional da área. Contudo para se compreender sobre “sistema” e “informação”, é necessário detalhar sobre o que é cada um. Sistema pode ser entendido como um conjunto de elementos e das relações entre eles e entre seus atributos, ou ainda como um conjunto de componentes que se inter-relacionam para alcançar um objetivo comum. Um sistema é constituído por elementos e suas relações, que recebem entradas e produzem saídas. Cada sistema pode ser composto por subsistemas, unidades ou elementos mediante inputs17, produzindo outputs18. São denominadas fronteiras as áreas que separam um sistema de outro, as fronteiras não são físicas, é a região onde os inputs e outputs trocam informações com o meio ambiente. Todo sistema organizacional depende em maior ou menor proporção de um sistema de informação, pois é via de transmissão de dados a uma pessoa ou departamento, isso pode ocorrer por meio de telefone, memorandos ou por computadores que gera informações instantâneas a vários usuários (Idem, 68-70). Contextualizando acerca dos conceitos de sistema, Chiavenato (2003, p. 476) expõe, O termo sistema é empregado no sentido de sistema total. Os componentes necessários à operação de um sistema são chamados subsistemas, que, por sua vez, são formados pela reunião de novos subsistemas, mais detalhados. Assim, a hierarquia dos sistemas e o número de subsistemas dependem da complexidade do sistema. Os sistemas podem operar simultaneamente, em série ou em paralelo. Não há sistemas fora de um meio especifico (ambiente): os sistemas existem em um meio e são por ele condicionados. Meio (ambiente) é tudo o que existe fora e ao redor de um sistema e que tem alguma influencia sobre a operação do sistema. Os limites (fronteiras) definem o que é o sistema e o que é o ambiente. O conceito de sistema aberto pode ser aplicado a diversos níveis de abordagem: ao nível do individuo, ao nível do grupo, ao nível da organização e ao nível da sociedade, indo desde um microssistema até um supra-sistema. Vai da célula ao universo. Sistema de Informação Gerencial No contexto administrativo toda e qualquer decisão tomada resulta de informações previamente obtidas e analisadas, presumi-se assim que a informação é à base de um sistema. No que diz respeito ao Sistema de Informação Gerencial Silva (2004, p. 333) afirma, O termo Sistemas de Informação Gerencial (SIG) se refere ao desenvolvimento e uso de sistemas de informação eficazes na organização, e isto não se aplica aos níveis gerenciais somente, 17 O input significa a entrada de dados e informações via hardware (MARQUES E BISSOLI, 1999, p. 72). 18 Output é a saída do sistema através do hardware, operado por recursos humanos (MARQUES E BISSOLI, 1999, p. 72). mas a todos os níveis e pessoas da estrutura organizacional. Uma expressão melhor seria Sistema de Informação Organizacional, mas a expressão Sistema de Informação Gerencial tem sido consagrada e aceita. O SIG refere-se à soma de todos os sistemas de informação da empresa. Um sistema é um conjunto de partes interdependentes que atuam de modo conjunto, efetuando determinada função, formando um todo equilibrado, com objetivo especifico. Para Pereira (2004, p. 286) os sistemas de informação são fundamentais aos gerentes, uma vez que facilitam e promovem seu relacionamento com os membros da organização e com os elementos do ambiente externo. “Os administradores precisam de informações para lidar com concorrentes, fornecedores, órgãos governamentais e, sobretudo, com os clientes, auxiliando a organização a construir sua imagem, divulgar seus produtos e serviços e aproveitar oportunidades”. Sistema de Informação Turística O turismo como um fenômeno social que surgiu em decorrência do desenvolvimento atingido pela sociedade, dá origem a uma série de atividades, transporte, alojamento, alimentação e lazer, as quais por sua vez dão origem a novas atividades, formando assim um sistema aberto e interligado. Neste âmbito, Acerenza (2002, p. 235) afirma que, uma vez analisado sob o ponto de vista da teoria geral dos sistemas, pode-se defini-lo, em seu conjunto, como um sistema aberto composto basicamente por cinco elementos: um dinâmico, o turista; três geográficos: a região geradora, a rota de transito e a região de destino; e um elemento econômico, constituído pela indústria turística. Eles interagem como fatores que, tanto de ordem física, quanto econômica, social, cultural, política e tecnológica caracterizam o contexto no qual se desenvolve a atividade. Segundo Cuervo (apud ACERENZA, 2002, p. 196), o sistema turismo se apresenta dividido em subconjuntos: Os transportes, em todas suas formas; O alojamento, também em todas suas formas; Os serviços de alimentação, em toda sua gama; Os centros de lazer e de diversão; Os estabelecimentos comerciais relacionados; Os serviços complementares, tais como agencias de viagens, guias de turismo, empresas que alugam automóveis, etc. Cada um desses subconjuntos se subdivide por sua vez em outros subconjuntos, esses subconjuntos integrados formam o grande conjunto turismo. O Ministério do Turismo (BRASIL, 2007) explica que o Centro de Informações Turísticas deve ser localizado em pontos estratégicos das cidades incluídas nos roteiros turísticos. O posto deverá disponibilizar materiais de apoio, como: listas de endereço e contato das entidades de turismo locais; mapas de orientação turística; folhetaria de divulgação; guias de turismo; prospectos de eventos e passeios; informações sobre serviços de hospedagem, transporte, alimentação, dentre outros. Considerações sobre a análise dos resultados da pesquisa Como principal característica destes sistemas de modo geral pode-se citar, agilidade na busca e disponibilidade de várias informações definidas por segmentos como de hotéis, de eventos, entre outros, além de atualizações on-line. Neste contexto Albertin e Albertin (2005, p. 51) afirmam que a informação consiste em dados formatados, textos imagens e som, para serem utilizados pelos recursos humanos como métodos na prática do trabalho. Assim sendo Silva acrescenta, a informação é componente muito importante para o processo de tomada de decisão. Ela não garante que a melhor decisão será tomada, mas diminui a incerteza do processo. Sem informação, a tomada de decisão se torna apenas intuitiva, o que pode comprometer seu resultado por falta de embasamento na realidade (apud MARCHETTI; PRADO, 2005, p. 190). No âmbito do turismo a informação é mais necessária do que nunca, uma vez que o produto de comercialização se caracteriza pela abstração, assim o turista precisa do maior número de informações possíveis, que influência decisivamente em um ato decisório. Além também de informações indispensáveis sobre o trade turístico no destino visitado e sobre os atrativos locais, uma vez que este necessita de se alimentar, dormir, consumir e deseja como objetivo maior “passear”, ou seja, visitar os atrativos turísticos. Foi verificado ainda que na implantação do sistema foi ressaltado alguns obstáculos durantes este processo, no CIT em Foz do Iguaçu foi a falta de profissionais capaz de operacionalizar o sistema, como também a inexistência de um sistema ideal, ou seja, foi necessário adaptar o sistema conforme as necessidades do Centro. No CIT em Pelotas foi identificada a dificuldade na operação dos computadores, no CIT de São José dos Campos não foi detectado grande obstáculo apenas foi ressaltada a demora na pesquisa para composição do sistema. Em outras palavras pode-se dizer que em cada processo têm-se suas peculiaridades na implantação, uma vez que não existe um sistema adequada como padrão geral, mas sim todo e qualquer sistema sofre adaptações para adequar as necessidades de cada ambiente. Conforme justifica Lucas (apud REINHARD, 2005, p. 87) “A implantação de um sistema de informação é um processo continuo que inclui todo o desenvolvimento do sistema, desde a sugestão original, passando pelo estudo de viabilidade, análise e projeto do sistema, programação, treinamento, conversão e instalação do sistema”. Foi constatada satisfação unânime com o sistema implantado, que favoreceram a emissão de vários relatórios bem mais detalhados e com maior rapidez. Apenas o representante do SIG de Foz do Iguaçu justificou que o novo sistema agilizou e desburocratizou o atendimento, como também contribui na melhora das informações das informações repassadas aos colaboradores. Porém em contraposição, fora observado ressalvas em relação ao sistema, no sistema gerencial de informações do CIT de Foz do Iguaçu falta aprimorar o sistema, uma vez que em uma operação simples é preciso simular um atendimento para se registrar a operacionalização ou fazê-la manualmente. No sistema gerencial de informações do CIT de Pelotas foi verificada a necessidade de maior autonomia no gerenciamento do sistema, em virtude deste ser gerenciado pelo serviço de informática da prefeitura não é possível postar diretamente informações ou imagens. Já o sistema gerencial de informações do CIT de São José dos Campos foi constatado satisfação com relação a seu uso. Considerações Finais No atual contexto, informações são mais imprescindíveis do que nunca na tomada de decisões, a informação tem reconhecidamente, uma grande importância no turismo. Os turistas precisam de informação antes de sair para uma viagem para ajudá-los a planejar e fazer escolhas à medida que aumenta a tendência no sentido de viagens mais independentes. O tempo tornou-se muito escasso na sociedade, em particular na ocidental, para muitos consumidores planejar as férias representa um enorme investimento. Assim, sendo o acesso a informações precisas, confiáveis e relevantes é essencial para ajudar os viajantes a fazer uma escolha apropriada, uma vez que eles não podem pré-testar o produto e receber facilmente seu dinheiro de volta, se a viagem não corresponde às suas expectativas. O produto turístico é caracterizado pela intangibilidade, não pode ser inspecionado antes da compra, assim é dependente quase que exclusivamente de representações e descrições, as preciosas informações a seu respeito, para auxiliar os consumidores a tomar uma decisão de compra. Assim sendo, se faz necessárias atualizações constantes quanto a informações, utilizadas como, por exemplo, na efetuação de uma reserva, sobre as mudanças de mercado no setor, sobre os fornecedores, sobre os produtos, sobre políticas e diretrizes especificas, na prestação de informações a turistas, enfim são inúmeras as utilidades de informações que facilitam todo esse processo junto às necessidades do consumidor. Contudo grande problema enfrentado pelas empresas era como organizar e gerenciar estas enormes quantidades de informações, os dados, o que acarreta em lentidão nos processos realizados pela organização. A solução foi alcançada graças ao avanço estupendo da informática, que propiciou o desenvolvimento de sistemas de gerenciamento destas informações, os chamados bancos de dados. Estes bancos reúnem centenas de milhares de dados, divididos conforme o setor ou segmento desejado, que são ligados a rede mundial de computadores a internet, devido a isso as atualizações são diárias e freqüentes. Essas mudanças contribuíram também para o surgimento de sistemas personalizados dentro das organizações, que se denominam extranets e intranets, estes sistemas são baseados na internet, ambos usam os mesmos meios de comunicação, protocolos e browsers da Web, se diferenciam pela propriedade e por características de grupo fechado de usuários. As intranets são geralmente de propriedade e operação de uma única organização e são privadas, por permitir que somente usuários de dentro da organização tenham acesso a suas páginas. Já quando a abrangência do sistema é ampliada e os usuários incluem pessoas de fora da organização, o sistema é conhecido como extranet. Diante deste contexto, este artigo obteve seu objetivou proposto, o de analisar Sistemas Gerenciais de Informações de Centros de Informações Turísticas de diferentes municípios brasileiros, para que se pudesse servir de base para uma futura implantação de um sistema similar no CIT do município de Nova Xavantina. Embora alguns sistemas analisados precisem de adequações, observou uma eficiência e rapidez na qualidade das informações prestadas ao turista, antes demorada e lenta, em virtude do armazenamento de um maior número de informações referentes ao trade turístico e outras necessárias, em um banco de dados que disponibiliza e facilita a consulta rapidamente. Constatou-se, todavia que não existe um sistema gerencial de informações adequado, pronto para ser implantado em qualquer CIT, mas sim existe a necessidade de adaptar nos moldes a atingir os objetivos dos processos organizacionais da empresa seja qual sistema for, no caso especifico do CIT, contribuir para a qualidades na prestação de informações repassadas aos turistas e outros usuários que solicitar. Ante o apresentado ressalta-se, sendo o turista o único motivo da existência da atividade turística, uma vez que é este que seu consumidor, que assim o realiza por meio de viagens, é necessário que não somente os prestadores de serviços ofereçam estruturas de qualidade que facilitam a vida do turista no ato da compra e do consumo, mas também o poder público cumpra seu papel de disponibilizar ao menos um Centro de Informações Turísticas com estrutura necessária para um atendimento e a prestação de informações de qualidade aos turistas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACERENZA, Miguel Ángel. Administração do turismo. Bauru: EDUSC, 2002. ALBERTIN, Rosa Maria de Moura (Orgs.). Tecnologia de informação: desafios da tecnologia de informação aplicada aos negócios. São Paulo: Atlas, 2005. p. 188-207. ALBERTIN, Rosa Maria de Moura (Orgs.). Tecnologia de informação: desafios da tecnologia de informação aplicada aos negócios. São Paulo: Atlas, 2005. p. 88-103. ALECRIM, Emerson. O que é tecnologia da informação (TI). InfoWester, São Paulo, Agosto 2004. Disponível em: <http://www.infowester.com/col150804.php>. Acesso em: 13 ago. 2007. BISSOLI, Ambriz; MARQUES, Maria Angela. Planejamento turístico municipal com suporte em sistemas de informação. São Paulo: Futura, 1999. BRASIL, Ministério do Turismo. Sistema de informações turísticas do programa. Brasília, DF, 2007. Disponível em: <http://www.turismo.gov.br/portalmtur/opencms/regionalizacao/modulos/operacionais/arquivos/sistema _informacaes_turisticas_programa.html>. Acesso em: 3 out. 2007. CASTRO, Celso Antonio Pinheiro de. 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FRUTAS BRASILEIRAS NA GASTRONOMIA BARBOSA, Wladimir Stein P r o g r a m a d e M e s t r a d o e m H o s p i t al i d ad e d a U n i v e r s i d ad e A N H E MB I M O R UM B I RESUMO O presente artigo pretende destacar a valorização das frutas nacionais, respeitando fatores regionais, culturais e sazonais. O fator ‘sustentabilidade’ entra como elemento de relevância nas abordagens em torno do tema central. A quase inexplorada gama de frutas brasileiras demonstra ser um rico filão de estudos para a moderna gastronomia brasileira, no âmbito dos alimentos e bebidas. Evidencia-se, entretanto, a ausência de processos sustentáveis na produção e escala destes ingredientes em níveis locais e em âmbito comercial. Palavras-chave: frutas brasileiras; sustentabilidade; gastronomia INTRODUÇÃO “Guardo na boca os sabores da gabiroba e do jambo, cor e fragrância do mato, colhidos no pé. Distintos. Araticum, araçá, ananás, bacupari, jatobá... todos reunidos congresso verde no mato, e cada qual separado, cada fruta, cada gosto no sentimento composto das frutas todas do mato que levo na minha boca tal qual me levasse o mato.”- Do livro Menino Antigo Carlos Drummond de Andrade. A poesia de Drummond já invocava uma lista de frutas, típicas brasileiras e que, se antes eram extraídas do mato, hoje são raras e objeto de diversos estudos na área de Alimentos e Bebidas. Os elementos brasileiros têm sido valorizados por chefs notáveis, como Alex Atala e outros de relevância, que emergem da alta gastronomia brasileira, invocando como raros elementos da natureza, ingredientes outrora descritos pelo poeta. “Os sabores, cheiros e cores definem contornos de um mapa gastronômico que difere do mapa físico e político” (Chef Mara Salles Simon, Professora do Curso Superior de Gastronomia da Universidade Anhembi-Morumbi, pesquisadora da cozinha brasileira há 20 anos. Sócia-proprietária e chef do restaurante Tordesilhas) O tema revela uma conjuntura complexa, abrangendo História, Geografia, Ecologia, Meio ambiente, além de aspectos antropológicos, sociais e mercadológicos. O assunto, por esses caminhos, percorre o território nacional, abrangendo a vasta e farta região amazônica, estendendo-se pelo Cerrado, atingindo a rara Mata Atlântica e ainda assim, não se esgota. “Sem a menor sombra de dúvida, a terra brasílica, terra fecunda e abundante, como pouquíssimas outras regiões do planeta, talvez como nenhuma outra, abriga um impressionante pomar natural e detém uma incrível capacidade de absorver e gerar, frutiferamente, nossas sementes. (Helena Fassara – Frutas do Brasil – Silvestre Silva – São Paulo: Nobel, 2001 – pg. 04) Aspectos sociais Em pesquisas até agora realizadas sobre o tema, os efeitos do desmatamento e até da ignorância das populações que habitam as regiões mais profícuas de frutas silvestres, são descritas por vários autores. “Na Mata Atlântica, boa parte da cobertura original já foi desmatada, levando junto, as árvores frutíferas. A jabuticaba branca (fruta dos boêmios cariocas), ou o bacupari (que alimentou os bandeirantes), estão cada vez mais raras nas cidades brasileiras. O Cambuci já foi símbolo da cidade de São Paulo e até virou nome de um dos bairros da cidade, no início de sua colonização. O cambuci, não só fez parte da dieta do paulistano, como chegou a ser exportado para outras regiões, alimentando tropeiros e mineradores. Hoje ele está na lista das frutas em extinção...“O Brasil pode estar perdendo alimentos preciosos, capazes de ajudar no combate à fome e à má alimentação crônicas de algumas regiões do país. Basta ver o caso do mandacaru, que infesta a caatinga e dá, além de espinhos, um saboroso fruto vermelho, que já salvou muitos nordestinos de morrer de fome”....Essa ignorância quanto às nossas frutas, não só impede que elas sejam aproveitadas por um número maior de pessoas, como também ameaça seriamente sua existência futura, pois ninguém consegue preservar aquilo que não conhece. Muitos deles, sobretudo os que nascem em áreas de desmatamento descontrolado e das queimadas freqüentes, correm o risco de desaparecerem para sempre, antes mesmo que os botânicos e nutricionistas tenham tido a chance de estudá-las a fundo”. – (ROMANINI – 1998 a 7 n 5 maio – Pg. 57 – Revista Caminhos da Terra) “O número de espécies comestíveis na Amazônia ainda é um desafio para botânicos e cientistas. Alguns citam aproximadamente duas centenas de espécies com potencial para novas culturas, outros, um pouco mais, mas ninguém ousa definir um número exato: este é um segredo dos deuses da floresta. Todos, porém, são unânimes em reconhecer que este é o último e mais importante repositório de espécies frutíferas tropicais” (José Edmar Urano e Carlos Hans Muller – Embrapa – CPATV) Do anúncio em relação à ampla oferta de produtos, por vezes, desconhecida em sua amplitude, segue, porém, um alerta eloqüente. “Depois de uma queimada, as árvores sobreviventes levam até dois anos para se recuperarem e voltar a dar frutos.” (Silva, José Antonio da – Biólogo – Embrapa – BSB) A correlação entre hábitos culturais, questões sociais arraigadas e a relevância das frutas no que tange a componentes nutricionais, é objeto de estudo há pelo menos um século, no Brasil. Uma pesquisa da UnB e do Ministério da Saúde está testando pratos feitos com frutas típicas das cinco regiões do Brasil, valorizando toda a riqueza nutricional que elas têm. “Nós aproveitamos o máximo que conseguimos das receitas enviadas pelas secretarias de Saúde e criamos outras a partir do que a culinária brasileira já tinha de receitas regionais” (Botelho, Raquel – UnB). Até o feijão com arroz pode ser incrementado com pequi. “É uma receita de arroz bem simples, qualquer pessoa pode fazer. É o arroz que comemos no dia-a-dia, que é a cara do brasileiro, com alho e cebola, como costumamos preparar em casa” (Cortez Ginani, Verônica – UnB). “A importância do papel que as frutas desempenham na dieta humana residem não somente no seu valor alimentício, como elemento necessário para o bom funcionamento dos nossos órgãos digestivos, mas também, fontes de sais minerais, indispensáveis à formação do nosso corpo a saber: ossos, dentes e sangue”. (Murayama Shizuto – 1914 – Fruticultura – 2ª. Ed. Campinas – Inst. Campineiro de Ensino Agrícola – 1973 – pg. 07) Luccock, observador inglês do século XIX, faz um retrato divertido dos hábitos dos cariocas, relata: “A refeição principal ocorre ao meio dia, por ocasião da qual o chefe da casa, sua esposa e filhos, às vezes se reúnem ao redor da mesa; é mais comum que tomem no chão”... “ quando há sobremesas, consta ela de laranjas, bananas e outras poucas frutas” (Gomes, Laurentino, 1808 – SP – Editora Planeta – 2007 – pg. 159) Na História da Humanidade, entretanto, as frutas aparecem valorizadas na dieta diária, inclusive submetidas a processos de conservação. “A alimentação egípcia compunha-se de muitas frutas, tais como o sicômoro, a bela árvore consagrada ao culto da Deusa Hathor, os figos (a figueira já era cultivada antes do Alto império). Os abacates (MIMUSOPS LAURIFOGLIA) amarelos e com sabor semelhante ao da maçã, era consumidos frescos ou secos, e reduzidos a farinha. O fruto da mandrágora, amarelo, com sépalas verdes e gosto de pêra, cuja pele contém muitas toxinas de efeito narcótico e até alucinógino, o que talvez explique as qualidades afrodisíacas e o simbolismo erótico a que atribuíam no Antigo Egito”. (Bresciani, Edda - História da Alimentação – São Paulo – Estação Liberdade - 1998 – pg. 73) Produção brasileira de frutas O Brasil, segundo o IBGE, é o terceiro maior produtor de frutas do mundo. Os números em relação à produção, consumo e exportação no Brasil, mostram dividendos crescentes e vantajosos, sob a ótica dos investimentos. A produção de frutas no Brasil apresenta uma tendência crescente nos últimos anos, apesar da irregularidade causada, principalmente, pelas variações na oferta da laranja, primeira em importância no país. De 1990 até 2006 pode-se distinguir três ciclos de produção: o primeiro ciclo de 1990 a 1994; o segundo, de 1995 a 2002; e o terceiro, a partir de 2003 - Fonte: IBGE. 2006: estimativa. O primeiro período encontra-se sob influência das turbulências inflacionárias e de uma economia muito fechada. Sustentabilidade e ciclos produtivos A palavra “sustentabilidade” dá amplitude e, ao mesmo tempo, generaliza a importância que as frutas brasileiras recebem por parte dos estudiosos do tema. “Qualquer análise da sustentabilidade, seja qual for a perspectiva teórica, requer estabelecer as inter-relações entre a sociedade humana e o mundo circundante. Um primeiro nível de análise deve ser, então, a relação entre o espaço em estudo — com as suas características físico-naturais — e a sociedade que atua sobre tal espaço, com as suas características econômicas, demográficas e sociais”...”Aqui utilizamos o conceito de sustentabilidade social em sentido amplo, incluindo os aspectos econômicos ...O estudo dos sucessivos sistemas de produção agropecuários através da história, mostrou ciclos econômicos bastante curtos, como se nenhum produto tivesse êxito econômico (TOMMASINO et al., 2000)”...”Qualquer sistema de produção implica em combinação de uma forma de organização social da produção, com um nível de desenvolvimento tecnológico” (http:// www.scielo.br/pdf/asoc/v5n2/a07v5n2.pdf - acesso dia 12/10/2008) Em se tratando de frutas nativas, muitas delas são extraídas ainda de forma silvestre, sem cultivos ou ciclos de produção estabelecidos. “As florestas tropicais sustentam grande parte da biodiversidade do planeta e oferecem um rol significativo de serviços ambientais indispensáveis para a manutenção da vida humana. Por essa razão, a questão da conservação e do manejo florestal nas regiões tropicais ganha cada vez mais espaço e força nas agendas internacionais de ambientalistas e governos. De um lado, existe a convicção de que o manejo consciente e responsável pode representar um caminho viável para conservação das florestas, apresentando-se como solução, tanto para a conservação das áreas protegidas, quanto para a estagnação econômica que as ameaça; de outro, subsiste a preocupação de que o manejo florestal seja ele próprio, uma ferramenta de devastação, uma vez que procura compatibilizar o uso das florestas com desenvolvimento social e econômico das comunidades que nelas vivem”. (Zarin, Daniel – professor adjunto da Escola de manejo florestal e Conservação da Universidade da Flórida e diretor do programa Florestas Tropicais Produtivas, da mesma universidade) Açai – o exemplo O açaí é um exemplo que se evidencia nos últimos 10 anos, em todo o país e até para o mercado externo. “...Provavelmente não existe melhor exemplo de promessa econômica para confrontar a pobreza nas áreas rurais da Amazônia do que os sistemas de produção da fruta do açaí (Euterpe olerácea mart), surgindo da iniciativa dos produtores locais, de abastecer uma demanda crescente pela fruta, e usando e tecnologia e conhecimento local de manejo florestal, a produção do açaí incorpora os princípios sociais e ambientais que permeiam o discurso do desenvolvimento sustentável da Amazônia – Eduardo S. Brondízio – De alimentação básica para Alimentação de Moda – Ciclos e oportunidades de mudanças no desenvolvimento da economia do açaí no estuário amazônico – pg. 427 –As florestas produtivas nos neotrópicos: conservação por meio de manejo sustentável? (Daniel J. Zarin...[et al]) Considerações finais O objetivo desse estudo foi levantar elementos que, de um lado, são redescobertos e começam a ser valorizados pela pesquisa científica e pelo mercado gastronômico, e de outro, invocam a preservação do meio ambiente associada à sustentabilidade, com ciclos de produção de frutas. Tais sabores, formas e cores acabam por torná-los exóticos, mesmo sendo autóctones. Ao invocar, para o segmento de Alimentos e bebidas, o uso e aplicação de inúmeros frutos como: guaraná, açaí, sapoti, cambuci, caju, jabuticaba, umbu, mangaba, murici, nêspera-brasileira, cupuaçu, bacuripari, araticum-do- cerrado, araçá, aroeira-vermelha, bacupari, cambucá, camu-camu, uvaia, ciriguela, feijoa, dentre tantos outros, típicos do Brasil, salta aos olhos o exemplo do açaí, que virou produto de exportação brasileiro, gerando emprego, renda e dividendos para a nação, a partir da aplicação de tecnologias e respeitando processos regionais para sua exploração. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS J. Zarin, Daniel et al. – As florestas produtivas nos neotrópicos – Peirópolis – Brasília (DF) - IEB – 2005 Revista Caminhos da Terra – 1998 – a 7 n 5 maio, pg.57. SILVA, SILVESTRE Frutas Brasil frutas/Helena Tassara. São Paulo: Empresa de Artes, 2005. Gomes, Laurentino – 1808 – São Paulo – Editora Planeta do Brasil, 2007. Sites pesquisados: www.embrapa.br acessado em 28/09/2008 www.frut as.com.br acessado em 30/09/2008 www.t odafrut a.com. br acessado em 05/10/2008 O TURISMO RURAL E O CASO DA FAZENDA PONTAL DAS ÁGUAS PRIETO, Thiago19 RESUMO No presente artigo o autor se propôs a discutir o tema Turismo Rural. Como exemplo foi utilizado a Fazenda Pontal das Águas, localizada em Campo Grande – MS, por ser um empreendimento referência em Turismo Rural. O propósito da pesquisa foi exemplificar a atividade turística no meio rural através desta realidade, vivida pelo autor devido ao estágio realizado em 2005 e trabalhos esporádicos que o mesmo realiza na fazenda. O Turismo Rural busca incluir o turista no dia a dia da fazenda, fazendo-o conhecer e até participar de certas atividades da lida. No começo é concebida como atividade complementar à agricultura e à pecuária para depois se tornar a principal fonte de renda dos proprietários e seus colaboradores. Destaca-se, também, o aumento da renda dos funcionários da fazenda, já que esposas e filhos dos peões começam a trabalhar e a ganhar por isso. O meio ambiente também ganha, pois preservado torna-se mais um atrativo para o visitante. Tudo isso, somado ao profissionalismo de profissionais da área, traduz o sucesso do Turismo Rural na Fazenda Pontal das Águas. Palavras-chave: Turismo Rural; Sustentabilidade; Fazenda Pontal das Águas. 1. Introdução O turismo vem ganhando cada vez mais espaço com as pessoas que procuram deslocar-se do seu local de origem para obter descanso e lazer em outras localidades. A oferta do mercado turístico é ampla e faz com que as empresas busquem inovações constantes com a finalidade de atender as necessidades e as experiências da demanda. Estas inovações resultam nos surgimentos de várias modalidades de turismo e dentre elas temos o Turismo Rural, uma atividade que, segundo Salles (apud CUNHA, 2007, p. 01), teve seu início em Lages – SC em 1980. A busca pelo descanso e pela diversão no meio rural segundo Tropia (1982), tem sido uma opção cada vez mais procurada e desejada por quem vive e trabalha nos grandes centros urbanos. A demanda crescente por este tipo de atividade se constitui em uma boa opção para quem possui uma propriedade agrícola e acredita que pode diversificar as suas atividades produtivas, entretanto os recursos devem ser arranjados de forma a constituir um produto turístico que possa ser comercializável. Para Beni (2001), o Turismo Rural nasce a partir da análise de duas vertentes. A primeira passa pela experiência de utilizar propriedades rurais produtivas desenvolvendo atividades de lazer e hospedagem. O turismo é introduzido como um meio de complementação de renda e consolida-se como principal atividade produtiva, assim surge à denominação Turismo Rural. A segunda vertente reside nos casos de propriedades não produtivas que possuem instalações de hospedagem e/ou 19 Bacharel em Turismo pela Instituição de Ensino Superior da FUNLEC (IESF) – Campo Grande, MS. [email protected]. ainda possuem valor histórico-patrimonial, permitindo absorver parte de uma demanda diferenciada. O caso apresentado está ligado com a primeira vertente. No Turismo Rural o turista acompanha todo o trabalho do cotidiano de uma fazenda, sendo recebidos por pessoas cordiais, que os tratam como amigos de longa data, e ainda se deparam com uma vasta variedade da culinária regional e de aspectos culturais até antes não vivido por eles. O presente artigo trará o caso da Fazenda Pontal das Águas, localizada no município de Campo Grande – MS, que há 04 anos começou o trabalho com o Turismo Rural com day-use, no qual os turistas podem conhecer um pouco mais do dia-a-dia no campo, deliciarem-se com a farta e abundante culinária regional além de entrarem em contato com a beleza única da flora e fauna do cerrado. Além da pesquisa feita em livros e trabalhos de conclusão de curso, a experiência do autor, que trabalha na área desde 2005, ano que teve sua primeira oportunidade de estágio na Fazenda Pontal das Águas, contribuiu para a discussão do assunto. O que era um sonho de uma senhora, tornou-se um empreendimento que é referência em Turismo Rural no estado de Mato Grosso do Sul. 2. O Turismo Rural e a Sustentabilidade O Turismo Rural, como citado acima, surgiu no Brasil ma década de 1980, na região de Lages – SC. Nasceu da necessidade de se criar um produto turístico para o município, como alternativa econômica, bem como proporcionar uma nova fonte de renda ao produtor rural (ZIMMERMANN, 1996, p. 21). Cunha (2007, p. 07) o define como: O turismo rural é um segmento do turismo desenvolvido em áreas rurais produtivas, nas quais o turista participa das diferentes atividades agropecuárias desenvolvidas neste espaço, quer como lazer ou aprendizado. Deve ser incluída nesta modalidade a oferta de produtos naturais de origem local ou regional, assim como a gastronomia típica e o conhecimento da cultura local. Incluir o turista nas atividades da fazenda é essencial para seu desenvolvimento e o faz esquecer dos problemas vivenciados nos grandes centros urbanos (stress, poluição, insegurança, etc.). Este segmento do turismo tem como clientela àquelas pessoas que são atingidas pela “monotonia do cotidiano, pela fria racionalidade das fábricas, dos escritórios, dos imóveis residenciais e da infra-estrutura rodoviária, pelo empobrecimento das relações humanas, da repressão dos sentimentos, da degradação da natureza e da perda do natural” (KRIPENDORF apud ZIMMERMANN, 1996, p. 50). Almeida (apud CUNHA, 2007, p. 09) explica que as motivações pela “busca do campo” ou o “retorno às origens” são aspectos sociológicos e psicológicos, constatadas como legítimo anseio das populações concentradas em grandes centros urbanos. O contato com a natureza e com a vida simples, autêntica e peculiar do campo viabiliza a recuperação das energias indispensáveis para o enfrentamento das dificuldades características da vida moderna. Ainda para Almeida (apud CUNHA, 2007, p. 08), as motivações dos turistas ao escolherem uma área rural ou natural para passar um fim de semana ou feriado mostram que eles procuram por: uma mudança de ambiente, um tipo de vida diferente, que lhes permita a recuperação das energias perdidas; um contato mais próximo com a natureza, na alimentação do mito eterno do retorno; uma vivência com pessoas cujos modos de vida são tidos como simples, em oposição aos padrões comportamentais urbanos, considerados frios e despersonalizados; um lugar não-massificado, diferenciado, bucólico, tranqüilo, sem ruídos; algo autêntico considerado natural. O Turismo Rural busca a sustentabilidade, definida por Butler (apud ZIMMERMANN, 1996, p. 16) como “o turismo que se desenvolve e se mantém numa área de tal forma e escala que garanta sua viabilidade por um período indefinido de tempo, sem degradar ou alterar o ambiente (humano ou físico) em que existe e sem atrapalhar o desenvolvimento de outras atividades”. Para Zimmermann (1996, p.16 e 17) os princípios de desenvolvimento turístico sustentável são: sustentabilidade ecológica (desenvolvimento compatível com a manutenção dos processos ecológicos, diversidade ecológica e recursos biológicos), sustentabilidade social e cultural (assegurando o controle das pessoas sobre suas próprias vidas paralelamente com a cultura e valores das que são atingidas pelo desenvolvimento, aumentando e fortalecendo a identidade da comunidade) e a sustentabilidade econômica (assegurando o desenvolvimento economicamente eficiente, no qual os recursos são geridos de forma que suportem gerações futuras). O Turismo Rural de forma sustentável melhora a qualidade de vida da comunidade local, assegura uma experiência de qualidade elevada ao visitante e mantêm a qualidade do ambiente que dependemos, ou seja, gera benefícios a todos os elementos envolvidos, desde ao proprietário que já não fica refém só da agricultura ou pecuária, para seus funcionários que podem aumentar sua renda, para os turistas que experimentam novas sensações e para o meio ambiente que preservado tende a valorizar o espaço da propriedade rural. 3. A Fazenda Pontal das Águas A fazenda Pontal das Águas está localizada em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, na BR 262, Km 312, na saída para Três Lagoas, a 03 km do Autódromo Internacional de Campo Grande e a 18 km do centro da cidade. A rodovia que leva até a fazenda é pavimentada e de fácil acesso por possuir várias placas sinalizando o local. A área total da fazenda media 12.000 ha no ano de 1913, e tinha como proprietário o Sr. João C. Vidal e a Sra. Leopoldina C. Ribeiro. Estes proprietários da região da fazenda formaram pequenos lotes e os venderam, passando então a pertencer a famílias, como as de Manuel Joaquim de Morais, Carolina Borges, Alexandre de Arruda Filho e Adhemar da Costa Morais. Hoje a fazenda possui 885 ha que tiveram origem do Sr. Adhemar da Costa Morais, que possuía 5.500 ha, inclusive a parte com a sede da fazenda. Em 1944, o Sr. João Baptista Fernandes adquiriu a área. Em 1954, ele vendeu 5.000 ha ao Sr. Uzem Ajimura, que em 1960 transferiu a área para o Sr. Antônio Rainha Filho. No ano de 1972, o Sr. Antônio Rainha Filho vendeu parte de suas terras aos irmãos Mitsuo e Akio Kalya, que ficaram com 363 e 522 ha respectivamente. Em 1974, o Sr. José Ladislau da Silva adquiriu o total das áreas dos irmãos Kayla (885 ha), incluindo a sede original. Em 1981, o Sr. José Ladislau da Silva doou a propriedade a seu filho João Lima da Silva, o atual proprietário da fazenda Pontal das Águas, que já a administrava para seu pai desde 1976, tarefa aprendida desde cedo, pois sempre viveu no ambiente rural. No ano de 1978, o Sr. João Lima da Silva uniu-se em matrimônio com a Srª. Margareth Regina de Mello e no mesmo ano passaram a morar na fazenda, constituindo assim uma família tradicional de cultura campeira e com raízes na vida do campo. 4. O Início de um Sonho: A Implantação do Turismo Rural Em 1998, a Srª. Margareth viu o grande potencial que a Fazenda Pontal das Águas apresentava para a realização de atividades voltadas ao Turismo Rural, com isso foi despertando o interesse por alguns cursos na área de turismo para obter conhecimento teórico para uma captação da atividade turística na sua propriedade, ingressa na faculdade de Turismo da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) em Campo Grande – MS em 2001, com conclusão em 2004. Procurou através da faculdade uma profissão que ocupasse seu tempo livre e encontrou no turismo sua vocação, pois além de trabalhar em sua propriedade, fazia o que gostava, ou seja, acolher as pessoas em sua casa para passar um dia diferente e agradável. Durante a faculdade sua propriedade tornou-se alvo de vários trabalhos acadêmicos que contribuíram para o crescimento da atividade turística no local. Nesse mesmo período alguns acadêmicos tiveram participação nas atividades da fazenda como estagiários, contribuindo para um melhor aproveitamento do espaço. A Fazenda Pontal das Águas hoje é um empreendimento que atua no mercado há aproximadamente 04 anos. Recebe turistas nos finais de semana e feriados e conta com toda infraestrutura necessária para assim recebê-los. Ela conta com seus atrativos naturais, tais como, o rio, a cachoeira, os lagos, a trilha em mata ciliar, uma diversificada fauna (com várias espécies de aves, tais como: galinhas, patos, gansos, araras, tucanos; além de porcos, cavalos, vacas, entre outros), o pomar e a horta. Os turistas, principalmente as crianças ficam vislumbradas ao ver tantos animais. Além dos atrativos naturais a fazenda conta os atrativos culturais como: artesanatos, oficinas de culinária e a ordenha. O pacote oferecido pela fazenda é o day-use para passar um dia de lazer, pequenas reuniões, seminários, confraternizações de empresas, escolas e famílias, contendo no seu espaço quiosques com redes, piscina, campos de vôlei e futebol, rio, cachoeira, lagos para a prática da pesca esportiva, trilha ecológica cercada pela mata ciliar e toda a lida da fazenda em que o turista pode ter o contato direto com o ambiente rural. A fazenda vivia apenas da pecuária e hoje o turismo é a principal fonte de renda aos proprietários. O turismo rural vem ganhando força graças à sua proprietária, a Srª. Margareth e sua gerente, a Srª. Bruna de Ávila Bassan. O local oferece day-use, no qual a pessoa passa o dia na fazenda, no período das 08:00 (oito horas) às 18:00 (dezoito horas), e paga uma taxa de R$ 65,00 (sessenta e cinco reais) por pessoa. Crianças de 0 a 05 anos são isentas e as de 06 a 10 anos têm 50% de desconto. Este pacote inclui três refeições (o café-da-manhã, o almoço e o lanche da tarde). Além da culinária regional o turista ainda tem à sua disposição algumas atividades realizadas na propriedade, como o banho de cachoeira (localizada a 1500 m da sede), a trilha de mata ciliar, a ordenha, os campos de vôlei e futebol, a piscina, as oficinas de artesanato e culinária e participar da pesca esportiva. Duas atividades não estão inclusas neste pacote. São elas: o bóia cross (que custa R$ 10,00 por pessoa e o passeio a cavalo no valor de R$ 3,00 por pessoa). A capacidade máxima de ocupação da fazenda é de 80 pessoas e a proprietária está com a idéia de realizar uma ampliação no local, principalmente na cozinha e no restaurante, pois há finais de semana na alta temporada (de outubro a fevereiro) que a procura é maior que a capacidade de abrigar os turistas. As atividades estão divididas da seguinte maneira: no período entre 08:00 (oito horas) e 09:30 (nove e trinta) o delicioso café da manhã é servido, após a primeira refeição os monitores conduzem os turistas pela caminhada de 1500 m pela trilha na mata ciliar. Se alguma pessoa não quiser ficar na cachoeira, um dos monitores o acompanha até a volta para a sede. No caminho de volta os turistas têm a oportunidade de conhecer como se ordenha uma vaca. Além dos monitores, a pessoa responsável por esta tarefa ensina-os como fazer. Além disso, o peão (como é conhecido o trabalhador rural) entoa em sua viola uma moda caipira, para delírio dos turistas. Aqui o Turismo Rural afirma seu importante papel social na valorização e inclusão do trabalhador do campo diretamente nas atividades relacionadas ao aprendizado e entretenimento dos turistas. Ao chegarem à sede, um bolinho de arroz os espera como aperitivo para o almoço reforçado, característico de propriedades rurais. No período vespertino os monitores conduzem as crianças em um “Farm Tour”, enquanto seus pais descansam nas redes espalhadas pela propriedade. Depois desta pausa começam as atividades de pesca esportiva, oficinas de culinária e artesanato, o passeio de cavalo e o bóia cross. A parte da lida do gado fica com o Sr. João Lima e seus peões, enquanto que o marketing e agendamento dos turistas fica a cargo da Srª. Simoni Amorim, juntamente com a proprietária a Srª. Margareth, a gerente administrativa a Srª. Bruna Bassan. A fazenda ainda conta com uma pessoa que cuida da parte de recreação, o Sr. Thiago Barros, ambos os citados são turismólogos. A fazenda possui um local onde há produção de bolos, queijos, doces, pães, requeijões, geléias, licores, entre outros, que são consumidos pelos próprios turistas, pela família e ainda são utilizados para venda, na própria propriedade e na casa da pessoa interessada, já que uma vez por semana há o serviço de entrega em domicílio. Há um projeto de construção de um ponto fixo para a venda destes produtos na cidade. Passar um dia na Fazenda Pontal das Águas é uma ótima opção para quem deseja fugir do stress da vida urbana e se refugiar no campo em contato com as belezas naturais e vivenciar os hábitos e costumes com o pessoal do campo. 5. Novos Planos Novos Rumos O ano de 2008 pode significar um período de transição e de crescimento para o desenvolvimento do Turismo Rural na Fazenda Pontal das Águas. Novos projetos começaram a ser implantados e outros começaram a ser estudados. O primeiro passo foi a contratação de um profissional para cuidar do marketing e das vendas da fazenda. Antes a propaganda era através do popular “boca a boca”. Um turista conhecia o lugar, gostava e indicava a um amigo ou familiar que também conhecia o lugar, se encantava e indicava a outros amigos e familiares e assim por diante. Observando a necessidade de se buscar novos clientes, a proprietária a Srª. Margareth, começou a investir mais na área de captação de clientes, divulgação e marketing contratando uma pessoa especificamente para o cargo. Além da venda de produtos via telefone e do day-use, a nova funcionária cuida da parte de promoção e divulgação da fazenda em empresas de Campo Grande. O Turismo Rural está impulsionando cada vez mais a propriedade que conta com 03 funcionários formados em turismo além de empregar as esposas dos peões e incrementar a renda dos mesmos. A pecuária passou de principal atividade produtiva da fazenda para se tornar um atrativo do turismo. Estagiários da área de Turismo também são recrutados para aplicarem na prática o que aprendem em sala de aula, contribuindo com a empresa e com o seu crescimento profissional. Além do aspecto econômico e social, o Turismo Rural na Fazenda Pontal das Águas está contribuindo com o meio ambiente. Além da preservação da mata ciliar uma parceria firmada no segundo semestre de 2008 com o CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), situado em Campo Grande – MS, proporcionou aos animais recuperados pelo centro sua readaptação ao meio natural, já que eles são soltos na fazenda. Até o momento um tamanduá-bandeira e um tamanduámirim já estão integrados à fauna local. A proprietária já está planejando a instalação de quartos para montar uma pousada. Este será o próximo passo para tentar manter os turistas na fazenda por mais tempo. Hoje em dia existe uma colônia de férias para crianças de 06 a 12 anos, que ocorre tanto nas férias de julho, quanto nas de janeiro. As crianças ficam abrigadas em barracas armadas ao lado do campo de vôlei. Além de ser uma opção viável para os dias de baixa ocupação (já que a colônia começa em uma terça-feira e termina em uma sexta-feira) funciona como laboratório para uma futura pousada. Pousada esta que terá de ter atendimento 24 horas e que abrirá novas vagas de emprego para pessoas que atuam na área, além das melhorias estruturais que deverão ser feitas na propriedade. Novas atividades também deverão ser criadas, pois os turistas terão o período noturno (entre o lanche e o jantar) ocioso, então a inclusão de alguns passeios noturnos será essencial para ocupá-lo. 6. Conclusão O contato lúdico com o meio natural força rupturas com maneiras de sentir, pensar e de conduzir nossas futuras ações. Procurar a natureza para lazer, descanso e relaxamento, seja através da contemplação, seja através da “adrenalina” nos remete a imaginar, nessas visitas, uma espécie de laboratório de experiências e de elaborações de novas relações com o mundo. O Turismo Rural aparece como uma vertente do Turismo na qual o turista pode interagir com o cotidiano da lida do campo, esquecendo um pouco do stress, das inseguranças e incertezas da vida no conglomerado urbano. Aprende aspectos relacionados à preservação do meio ambiente, da vida simples do campo, da cultura local e, principalmente, encontra ali um calor humano que vai aliviar um pouco a tensão provocada pelo estilo de vida imposto pelos grandes centros. As crianças também ganham muito. Aprendem, por exemplo, que o leite não vem da caixinha e sim de um animal, conhecem várias espécies de animais até então desconhecidos, curtem um passeio a cavalo, uma colheita de ovos feita no galinheiro, enfim, vivem uma experiência mágica. Os proprietários ganham uma forma mais lucrativa de vender o que é produzido na fazenda (pães, bolos, queijos, doces, geléias, dentre outros) e, além disso, diversificam sua renda não dependendo tanto da agricultura e pecuária. Seus funcionários desenvolvem novas habilidades e ainda por cima, complementam sua renda, pois além do marido, as esposas e filhos podem estar inseridos de alguma forma no processo e ganhando para isso. O Turismo Rural abre diversos leques para todas as partes envolvidas, por isso que é de extrema importância que ele seja conduzido por profissionais competentes da área. O sucesso da Fazenda Pontal das Águas pode ser traduzido assim: profissionalismo. Tanto da proprietária, bacharel em turismo, como de seus colaboradores, da parte administrativa e comercial, também bacharéis em turismo. Eles fazem à diferença. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BASSAN, Bruna de Ávila. Implantação Hoteleira na Fazenda Pontal das Águas como forma de aumentar a renda e reter clientes. Trabalho de Conclusão de Curso. Dourados – MS: UEMS, 2006. BENI, Mario Carlos. Análise Estrutural do Turismo. 4ª ed. São Paulo: SENAC, 2001. CUNHA, Simoni Amorim da Silva. O Lazer no Turismo Rural: O Caso da Fazenda Pontal das Águas. Trabalho de Conclusão de Curso. Dourados – MS: UEMS, 2007. DEUS, Ivonete Jesus da Silva; SILVA, Margareth Regina de Mello; RIBEIRO, Marta Helena Zucolloto. A História Como Diferencial e Atrativo para o Turismo Rural: O Caso da Fazenda Pontal das Águas. Trabalho de Conclusão de Curso. Campo Grande – MS: Ed UCDB, 2004. MINISTÉRIO DO TURISMO. Diretrizes para o Desenvolvimento do Turismo Rural no Brasil. Brasília, 2003. TROPIA, Fátima. Turismo no Meio Rural. 2ª ed. Belo Horizonte – MG: Autêntica Editora, 1982. ZIMMERMANN, Adonis. Turismo Rural: Um modelo brasileiro. Florianópolis: Ed. Do Autor, 1996. III FESTA DA FARINHA DE ANASTÁCIO-MS: PERFIL DA DEMANDA TREVIZAN, Fernanda Kiyome Fatori SANTOS, Lucicleide Gomes dos Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - Campus de Aquidauana RESUMO Em 1870, o italiano Vicente Anastácio veio para a região que corresponde atualmente ao Estado de Mato Grosso do Sul, em busca de presos políticos no Paraguai. Dois anos depois casou-se com Teodora Machado, adquiriu uma propriedade na margem esquerda do Rio Aquidauana, onde originou um pequeno vilarejo, que no futuro, iria originar o município de Anastácio-MS, oficialmente reconhecido em 18 de março de 1964. Sendo o município um local que carece de atrativos turísticos culturais e gastronômicos, a administração criou a Festa da Farinha de Anastácio-MS com o intuito não só de promover a atividade turística como também de divulgar a produção artesanal de farinha de mandioca feita pelos moradores das colônias do município de Anastácio. O presente trabalho buscou na terceira edição do evento traçar qual o perfil de sua demanda para, desse modo, diagnosticar se o evento atende ou não as necessidades e expectativas de seu público; e se a organização tem seus objetivos atingidos; considerando que a visão que a demanda de quaisquer evento é a parte que os organizadores mais querem atender, sendo que ela irá dizer se o evento está ou não tendo sucesso e seus objetivos alcançados. Palavras-chave: turismo; cultura; lazer. INTRODUÇÃO O município de Anastácio é formado por pessoas de diferentes regiões do país, destacandose os migrantes nordestinos que se estabeleceram na região, colaborando para a formação populacional e para a formação cultural da sociedade anastaciana. Os atrativos naturais estão localizados na área rural. Entre esses atrativos podem ser citados a Cachoeira do São Manoel, localizada no assentamento com mesmo nome; o Morro Azul, que é o símbolo da cidade; o Rio Taquarrussu, que corta as colônias de assentados; o riacho Acôgo, entre outros. No entanto, apesar de suas potencialidades naturais, o município de Anastácio não possui grande destaque, em âmbito regional ou estadual, de sua atividade turística. Tendo conhecimento sobre esta deficiência, no ano de 2006, a Prefeitura Municipal criou a Festa da Farinha de Anastácio, através da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e do turismólogo Ricardo Lanzarini Gomes Silva, na tentativa de promover não somente o município como também a produção artesanal de farinha de mandioca, além de gerar desenvolvimento e renda para Anastácio e os produtores de mandioca locais. No ano de 2008, o município realizou a III Festa da Farinha nos dias 02 e 03 de Maio, como parte das festividades do aniversário de Anastácio, onde se desenvolveu esta pesquisa. O evento contou com apresentações de artistas locais e do cantor pernambucano Dominguinhos, com gastronomia típica pernambucana, onde todos os pratos comercializados dentro do evento tinham em sua composição a farinha de mandioca ou a própria mandioca. Cabe ressaltar que as pessoas que venderam seus produtos na festa eram em sua grande maioria das colônias que trabalham com a produção artesanal da mandioca. A demanda Uma participação importante na atividade turística é a demanda, pois sem este público, tanto potencial como real, a atividade não ocorreria. Segundo BENI (2002, p. 211), a demanda corresponde “as pessoas que se deslocam temporariamente de sua residência habitual, com propósito recreativo ou por outras necessidades ou razões [...]”. BENI também afirma que esse deslocamento de pessoas faz com que surja a necessidade de transportes, seja por terra, água ou ar, para que chegue a seu local de destino. A demanda também pode ser considerada como os turistas que “[...] estão motivados por adquirir determinados produtos e serviços turísticos [...]”, de modo a suprir suas necessidades de entretenimento, descanso, lazer e cultura (DIAS, 2005 p. 51). A demanda em eventos pode ser conhecida também como público-alvo, é compreendida como “todo aquele, pessoa física ou jurídica, que seu evento pretenda atingir em quaisquer classificações [...]. A atenção e cautela para incluir os possíveis segmentos de participantes que poderão vir a participar de seu evento devem nortear [...]” sua organização e planejamento. Em termos de público atingido, a demanda turística é demasiadamente heterogênea, por lidar com diferentes pessoas, de diferentes locais de origem e com desejos, expectativas e necessidades diferenciadas. Esses diferentes perfis de turistas fazem com que os destinos turísticos se adequem as necessidades e desejos dos turistas que os visitam, fazendo do turismo uma atividade muito flexível e heterogênea. Os eventos surgem em razão de uma demanda, seja ela turística ou não. No estudo de caso sobre a III Festa da Farinha de Anastácio-MS não foi diferente, entretanto, a demanda foi da própria cidade, e tendo como objetivo não só de fomentar a atividade turística na cidade, mas também de promover, em âmbito estadual, a produção da farinha de mandioca, feita de modo artesanal nas colônias de nordestinos presentes na área rural do município. O perfil da demanda da III Festa da Farinha de Anastácio-MS Os gráficos e dados apresentados a seguir foram obtidos durante entrevistas nos dias 02 e 03 de Maio de 2008, durante a realização da III Festa da Farinha de Anastácio-MS. As entrevistas consistiram em questionários aplicados ao público do evento, num total de 255 questionários, sendo que a escolha das pessoas entrevistadas foi feita de forma aleatória. Os questionários foram divididos em três partes: “dados gerais”, “para turistas” e “para todos”. À parte de “dados gerais” e “para todos”, eram aplicáveis tanto a turistas, visitantes e a população local. Já à parte “para turistas” era aplicável somente aos turistas e visitantes, ou seja, quem não fosse das cidades de Anastácio e Aquidauana. a) Dados gerais Esta parte do questionário foi somente introdutória, com o objetivo de traçar o perfil geral das pessoas que participaram da 3ª edição da Festa da Farinha de Anastácio. Abrange questões a respeito dos entrevistados, tais como: sexo, idade, escolaridade, renda, entre outros; sobretudo, de onde eram os entrevistados (cidade de origem) para diferenciar turistas de comunidade local. Sexo 70,00% 57,80% 60,00% 50,00% 42,20% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% Feminino Masculino Gráfico 01: “Sexo” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. O público da III Festa da Farinha de Anastácio foi, conforme o gráfico 01, composto, em sua maioria, de pessoas do sexo masculino, correspondendo a 57,80% dos entrevistados. Idade (em anos) 60,00% 56,63% 50,00% 40,00% 30,00% 23,85% 20,00% 8,20% 10,00% 7,03% 3,10% 1,56% 0,00% Menos de 15 a 25 15 26 a 36 37 a 47 48 a 58 59 a 69 0% 0% 70 a 80 Acima de 80 Gráfico 02: “Idade (em anos)” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. A faixa etária predominante do público do evento é entre 15 anos e 25 anos correspondendo a 56,63% dos entrevistados, sendo assim, pode-se considerar o público da III Festa da Farinha de Anastácio composto em sua maioria por pessoas jovens. Pode-se notar também a presença de pessoas com diferentes idades, até 69 anos, o que demonstra que o evento não é segmentado por idades, atingindo diferentes faixas etárias. Escolaridade 33,20% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 10,00% 17,18% 16,40% 15,00% 12,50% 11,71% 6,25% 5,00% 1,17% 1,50% Pós-graduado Sem escolaridade 0,00% E. F. Completo E. F. Incompleto E. M. Completo E. M. Incompleto E. S. Completo E. S. Incompleto Gráfico 03: “Escolaridade” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. A escolaridade do público do evento, representada no gráfico 03 reflete bem as faixas etárias predominantes no evento, que predominou entre 15 e 25 anos, correspondendo assim as opções que obtiveram mais escolhas, Ensino Médio Completo (33,20%), Ensino Superior Incompleto (17,18%) e Ensino Médio Incompleto (16,40%). Renda (em salários) 50,00% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 43,75% 7,03% Menos de 1 salário 41,40% 6,25% 1a3 4a6 1,71% 0,39% 7a9 Mais de 9 Sem renda Gráfico 04: “Renda (em salários)” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. A renda da demanda do evento correspondeu à renda básica de um trabalhador assalariado, de 01 salário a 03 salários. A segunda maior opção escolhida foi “sem renda”, se relacionarmos este gráfico com os dois gráficos anteriores (“Escolaridade” e “Idade”) pode-se notar que essa opção pode corresponder a parcela de jovens que ainda estudam, tanto em nível de Ensino Médio – completo e incompleto, tal como aqueles que cursam o Ensino Superior – incompleto. Local de origem (População X Turistas/Visitantes) 80,00% 71,88% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 28,12% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% População local Turistas/Visitantes Gráfico 05: “Local de origem (População X Turistas/Visitantes)” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. A população local se apresenta em maioria devido ao fato de ser formada por descendentes nordestinos e a parcela referente aos turistas ou visitantes pode ser considerada relativamente expressiva por ser um evento realizado em baixa temporada. Para caracterizar a festa como anastaciana, temos 39,45% da demanda formada por pessoas de Anastácio e; 32,43% da cidade de Aquidauana. Preferiu-se considerar a demanda da cidade de Aquidauana como sendo “população local” devido aos aspectos limítrofes desses municípios, separados apenas pelo rio Aquidauana, constituindo assim uma sociedade praticamente una. Local de origem (por estados) 100,00% 92,57% 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 2,73% 1,17% 1,17% 0,78% 0,78% 0,39% Rio de Janeiro Mato Grosso Paraná Santa Catarina Espirito Santo 0,00% Mato São Paulo Grosso do Sul Gráfico 06: “Local de origem (por estados)” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. O Gráfico 06 expressa o local de origem do público do evento. Nele pode se notar que a grande maioria das pessoas que participaram desta edição da Festa da Farinha é do Estado de Mato Grosso do Sul (92,57%). No entanto, conforme os dados obtidos, pessoas de diferentes Estados da federação estão participando do evento, a começar pelos Estados limítrofes a Mato Grosso do Sul. Local de origem (Cidades de MS) 45,00% 42,61% 40,00% 35,44% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% Ivinhema Ponta Porã Caarapó Sidrolândia Bonito Mundo Novo Porto Murtinho Bataguassu Fátima do Sul Nioaque Maracaju Dourados Bodoquena Piraputanga Jardim 0,84% 0,84% 0,84% 1,26% 0,84% 0,84% 0,84% 0,84% 1,26% 1,26% 0,84% 0,84% 0,84% 0,84% 0,84% 0,84% Camisão Miranda Aquidauana Anastácio 0,00% Campo Grande 5,90% 5,48% 5,00% Gráfico 07: “Local de origem (Cidades de MS)” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. No que concerne às pessoas que participaram desta edição da Festa da Farinha, as que são de origem do Estado de Mato Grosso do Sul, foram 237 pessoas, ou seja, 237 entrevistas. Essas entrevistas mostram que a maioria das pessoas que participaram do evento é da cidade mesmo. b) Para turistas Esta etapa dos questionários era direcionada somente à aqueles que na primeira parte respondessem ser de outras cidades que não fossem Anastácio ou Aquidauana. Destinava-se a conhecer os diferentes perfis de turistas e visitantes que freqüentaram o evento ou a cidade na época do mesmo. Meio de transporte 50,00% 47,22% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 23,61% 19,44% 20,00% 15,00% 9,72% 10,00% 5,00% 0,00% Carro Ônibus Moto Outro Gráfico 08: “Meio de transporte” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. No que concerne aos meios de transporte utilizados pelos turistas e/ou visitantes para se deslocarem de seu local de origem até a cidade de Anastácio, onde foi realizado o evento, obteve-se 47,22% das pessoas que utilizam carro e 23,61% moto, ou seja, transporte individual. Da parcela total de turistas e/ou visitantes o transporte coletivo aparece em terceiro lugar, com 19,44% das escolhas, onde pode-se notar uma relação com o tipo de meio de hospedagem que fizeram uso nos dias do evento. Tempo de permanência na cidade 50,00% 45,83% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 26,38% 25,00% 20,00% 15,00% 11,11% 11,11% 10,00% 5,55% 5,00% 0% 0,00% 01 Dia 02 Dias 03 Dias Mais de 03 dias Uma semana Mais de uma semana Gráfico 09: “Tempo de permanência na cidade” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. O gráfico acima expressa a quantidade de dias à demanda de turistas da III Festa da Farinha iriam permanecer na cidade. Pode-se notar que as opções “Mais de uma semana” e “02 dias” se destacaram, caracterizando assim essa parcela da demanda como turistas, pois de acordo com a definição dada pela Organização Mundial de Turismo – OMT (1994 apud SANCHO, 2001 p.p. 41-42), os turistas se caracterizam por permanecer em uma localidade fora de seu entorno habitual por mais de 24 horas, sem que exerça atividade remunerada no local. Hospedagem 50,00% 45,00% 40,00% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% 44,44% 38,88% 15,27% 1,38% Casa de amigos/parentes Hotel Pousada Outro Gráfico 10: “Hospedagem” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. Este gráfico possui profunda relação com um anterior, de “Meios de transporte”, pois eles demonstram que o público da III Festa da Farinha foi composto mais por visitantes do que por turistas. Neste a opção mais obtida foi “OUTRO” com 44,44%; portanto, pode-se considerar que as pessoas que optaram por essa alternativa sejam apenas visitantes e não turistas. A relação existente entre os gráficos “Meio de transporte” e de “Hospedagem” está no fato de que o meio de transporte mais utilizado é o carro, sendo assim, veículos individuais, fazendo com que o deslocamento dos visitantes seja feito ao bel prazer dos mesmos. Dessa forma, pode-se afirmar que a demanda da III F esta da Farinha de Anastácio caracteriza-se por pessoas que saem de seus entornos apenas para a festa, somente no período noturno, permanecendo em Anastácio somente nas horas de realização do evento, nas duas noites. No entanto, devemos considerar que as demais formas de hospedagem tais como “Casa de amigos/parentes” e “Hotel” obtiveram uma quantidade expressiva de escolhas durante as entrevistas. Fazendo uma relação com o gráfico 09 (Tempo de permanência na cidade), podemos notar que a demanda do evento também é formada por pessoas que são consideradas turistas, de acordo com a Organização Mundial de Turismo. Portanto, a parcela de pessoas que não fazem parte da comunidade local (cidades de Anastácio e Aquidauana) é composta tanto por turistas como por visitantes, seguindo a premissa da OMT (1994 apud SANCHO, 2001). Conhece algum ponto turistico de Anastácio? 80,00% 69,44% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,55% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% Sim Não Gráfico 11: “Conhece algum ponto turístico de Anastácio?” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. Das pessoas que participaram do evento no ano de 2008, uma parcela expressiva afirma conhecer pontos turísticos do município. Foram destacados como pontos turísticos do município a Prainha, a Igreja Matriz (católica), os assentamentos e colônias localizadas na área rural, o Morro do Chapéu, o Balneário Água Cristalina, a Cachoeira do Assentamento São Manoel, entre outros. Dentre os entrevistados 69,44% afirmou conhecer algum destes pontos turísticos e, 30,55% disse não conhecer nenhum dos lugares citados. Qual? 90% 80% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 5,45% 1,80% 4,45% 1,80% 1,80% 1,80% Balneário Água Cristalina Colônia Pulador Cachoeira do São Manoel 0% Prainha Igreja Ponte (s) Morro do Chapéu Gráfico 11.1: “Qual?” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. O gráfico acima é a continuação do anterior, sendo que neste estão expressos em números quais os pontos turísticos do município de Anastácio são mais conhecidos pela demanda de visitantes do evento. Dentre as opções escolhidas pelos entrevistados, a Prainha foi a mais conhecida, fato que se justifica pela localização desta na cidade, sendo localizada na área central urbana do município e também pela proximidade do local com o de realização do evento. Também é necessário ressaltar que nesta pergunta, os entrevistados poderiam responder mais de um ponto turístico, resultando assim, em um número de respostas maior do que o número de entrevistados. c) Para todos Considerando-se que esta etapa era responsável pelo fechamento das entrevistas, correspondeu aos questionamentos específicos a respeito do evento, abrangendo questões sobre motivação que levou a participar do evento, quantas vezes já freqüentou o evento, entre outras. Porque veio ao evento? 35,00% 30,46% 30,00% 25,00% 21,09% 22,26% 20,00% 15,00% 10,54% 10,00% 8,98% 6,64% 5,00% 0,00% Gatronomia Cultura Atrações Negócios Turismo Outro Gráfico 12: “Porque veio ao evento?” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. A Festa da Farinha é um evento que foi criado com o objetivo de promover a gastronomia e a cultura nordestina presente no município. Observando o gráfico acima, pode-se concluir que a motivação “Gastronomia”, que foi a mais escolhida, correspondeu às expectativas dos organizadores em difundir a culinária local. A opção “Atrações” obteve a segunda maior escolha, considerando que nesta edição da festa, a principal atração foi o cantor Dominguinhos, que possui fama internacional e é muito conhecido dentro do país, podendo justificar esse resultado. Quantas vezes já veio ao evento? 40,00% 37,10% 33,59% 35,00% 29,29% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 10,00% 5,00% 0,00% Primeira Segunda Terceira Gráfico 13: “Quantas vezes já veio ao evento?” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. O público da Festa da Farinha vem, ao longo das três edições do evento, se tornando um público “fiel” a partir da realização da 2ª edição da festa, visto que foi esta a primeira a ser realizada na Avenida Porto Geral, logo após sua revitalização; e também pelo fato de que esta já colhia os frutos da edição anterior, que foi considerada um sucesso, apesar das dificuldades encontradas para a realização de um primeiro evento de grande porte. Nota-se que a maioria das pessoas já compareceu em duas edições do evento, contando a 3ª edição, ou seja, além do novo local de realização do evento, as formas de marketing mais longas e mais massificadas. Avaliação do evento 60,00% 54,29% 50,00% 40,00% 28,51% 30,00% 20,00% 15,62% 10,00% 1,56% 0,00% Boa Regular Ótima Ruim Gráfico 13: “Avaliação do evento” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. Do ponto de vista da demanda, o evento correspondeu as suas expectativas devido ao fato de que as opções mais escolhidas pelos entrevistados foi “Boa” (54,29%) e “Ótima” (28,51%), garantindo o sucesso da festa. No entanto, não pode-se deixar de lado ou desconsiderar os entrevistados que optaram por “Regular” ou “Ruim”, pois estes ainda são uma parcela da demanda que deve ser atingida, de modo a alcançar sucesso total. Está 45,00% 42,57% 40,00% 33,59% 35,00% 30,00% 25,00% 20,00% 15,00% 12,89% 10,93% 10,00% 5,00% 0% 0,00% Sozinho Com família Com amigos Com parceiro Outro Gráfico 14: “Está” Fonte: Pesquisa de campo, 2008. A Festa da Farinha fica caracterizada como um evento familiar, onde as pessoas participam com sua família ou familiares, visto que esta opção teve 42,75% das escolhas. Por possuir um público jovem, com idades entre 15 anos e 36 anos, a opção “Com amigos” também aparece com expressiva quantidade de entrevistados que optaram por esta opção. Conclusão A Festa da Farinha de Anastácio-MS surgiu como uma alternativa para promover a atividade turística no município, além de divulgar a produção artesanal de farinha de mandioca e gerar desenvolvimento e renda para a localidade. A demanda, conforme já foi dito, é de suma importância para um evento, seja ele de cunho gastronômico, cultural ou qualquer outro. Para que este público seja sua principal forma de marketing, evento como a Festa da Farinha que já possuem uma tradição em suas cidades de origem e acontecem uma vez a cada ano, deve ter suas necessidades atendidas. No evento em questão, a III Festa da Farinha de Anastácio, pode considerar que sua demanda está satisfeita com o evento e, que apesar de ser composta mais por pessoas da população local, está bastante divulgado, dessa forma, atingindo ao objetivo da organização, de promover a cidade e a produção artesanal de farinha de mandioca. No tocante ao perfil da demanda, especificamente, pode-se afirmar que o evento não está segmentado em classes ou por idades, abrange a todos, também por ser um evento de entrada franca, mas fechado, com total segurança para os participantes. Diante do que foi apresentado, pode-se concluir que a III Festa da Farinha de Anastácio-MS atingiu não somente os objetivos da organização do evento, mas também da demanda que participou dele, sendo que esta demanda vem, ao longo de três eventos, se tornando cada vez mais diversificada e, dessa forma, divulgando em diferentes lugares o município e suas potencialidades. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BENI, M. C. Análise Estrutural do Turismo. São Paulo: Senac, 2002. CABRAL, C; CABRAL, S. & ANGELO, R. Anastácio 38 Anos. Campo Grande-MS: Gráfica e Editora Alvorada, 2003. DIAS, R. Introdução ao Turismo. São Paulo: Atlas, 2005. LANZARINI, R. Projeto – II Festa da Farinha de Anastácio - MS. Anastácio-MS: S/ed, 2007. MARTIN, V. Manual Prático de Eventos. São Paulo: Atlas, 2003. SANCHO, A. Introdução ao Turismo. - São Paulo: Roca, 2001. FESTA DO BON-ODORI COMO FOMENTO À ATIVIDADE TURÍSTICA LIMA, Pâmela Rigolo Acadêmica de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas RESUMO O presente artigo visa analisar o evento do bon-odori desenvolvido no município de Três Lagoas (MS), mostrando sua trajetória histórica, os avanços e desafios, bem como sua importância para a comunidade local, cultura e fomento à atividade turística. O evento é realizado todos os anos, próximo ao aniversário da cidade, sendo tradicional na cidade, recebendo pessoas tanto da comunidade local como de Araçatuba, Andradina, Pereira Barreto, Ilha Solteira, entre outras. Dessa forma pode-se fomentar que o evento é um atrativo turístico, pois, há uma movimentação de pessoas para seu entorno que usufrui de bens de serviço e infra-estrutura, gerando renda para a localidade. Palavras-chave: Cultura; Evento; Tradição; Turismo. INTRODUÇÃO O presente artigo visa analisar o evento do bon-odori desenvolvido no município de Três Lagoas (MS), mostrando sua trajetória histórica, os avanços e desafios, bem como sua importância para a comunidade local, cultura e fomento à atividade turística. Segundo (GOIDANICH, et al. apud. BAHL, Miguel, 2003, p. 72) evento é todo fato ou acontecimento, espontâneo ou organizado, que ocorre na sociedade em lugar determinado e com espaço de tempo predefinido. O bon-odori é um evento, realizado em Três Lagoas (MS) no Clube Associação Nipo Brasileira, com o intuito de socialização das colônias japonesas existentes na cidade e região, como também a restauração cultural japonesa. Marconi e Pressoto (2007, p. 39) classificam cultura como: Criada, aprendida e acumulada pelos membros do grupo e transmitida socialmente de uma geração à outra e perpetuada em sua forma original ou modificada. Os indivíduos aprendem à cultura ou os aspectos da cultura no transcurso de suas vidas, dos grupos em que nascem ou convivem. Os japoneses quando migraram ao Brasil passaram por dificuldades desde o idioma, alimentação, vestes, climas, etc, passando por um processo de aculturação, fusão entre duas culturas diferentes, ocasionando alterações em sua cultura, e ajustando-a aos padrões da cultura que a domina. A cultura uma vez perdida torna-se difícil retorná-la como era a princípio, sendo assim o evento tenta trazer de volta alguns costumes, como danças e canções que segundo crendices traria boa-colheita ao ano seguinte. Segundo (FLORES. apud. SAVOLDI, 2001, p. 90): Resgatar a cultura é algo difícil de alcançar. Como recuperar algo que não é estático, que não tem contornos definidos, muito menos definitivos, que não é jamais pronto e acabado? A cultura sem uma essência apriorística, é um processo dinâmico, incessante de construção e reconstrução, de invenção e reinvenção”. Ela sugere o termo restauração cultural em lugar de resgate cultural, pelo fato de o termo restauração contemplar a dimensão do tempo. No entanto, ao efetuar um processo de restauração cultural através de um evento deve-se tomar alguns cuidados para que, isso não se torne um espetáculo, provocando a descaracterização do mesmo, e a criação de uma cultura artificial. As origens da festividade se bon-odori são budistas, vêm de uma oração chamada 20 nenbutso-odori ,que no Japão é praticada ao longo de todo o ano, e mais acentuada no ano novo e o mês de julho, considerados como divisores do ano, segundo crendices populares corresponde ao período em que as almas retornam a terra. Sendo assim, começaram a realizar o bon-odori21 anualmente com a intenção de apaziguar e oferecer cultos a esses espíritos. No Brasil esta tradição ganhou outra característica, sendo realizada na comemoração do aniversário de cidades que possuem colônias japonesas, com o intuito de celebrar boas colheitas e prosperidade no ano que se inicia. Em Três Lagoas o bon-odri, é praticado desde 1971, no Clube Associação Nipo Brasileira, sendo o meio encontrado pelas colônias japonesas de se consolidarem e restaurar sua cultura. Dessa forma, o evento tornou-se tradição, mobilizando a comunidade nipônica local e regional, com adesão significativa da comunidade local. O evento é considerado tradicional, entendendo que tradição não é apenas voltada ao passado, mas também uma designação simbólica, segundo esta pesquisa identificou-se que a maioria dos participantes do evento o freqüentam de dois a oito anos consecutivos, levando a compreender a tradicionalidade do evento e sua importância para os freqüentadores. Segundo (HANDLER E LINNEKIN. apud. GRÜNEWALD, 2001, p.134): Tradição é inventada porque é necessário reconstruí-la no presente [seletividade], apesar do entendimento de alguns participantes como sendo preservação antes de invenção “(1984, p.279)”. Além disso, (...) tradição nunca é totalmente natural, nem é sempre totalmente não relacionada ao passado. A posição entre tradição simplesmente herdada e aquela que conscientemente moldada é uma falsa dicotomia... O ponto crucial para nossos propósitos é aquele que seu valor como símbolos tradicionais não dependem de uma relação objetiva ao passado... O estudo pode objetar que tais costumes não são genuinamente tradicionais, mas eles têm tanta força e tanto significado para seus praticantes modernos quanto outros artefatos culturais que podem ser 20 21 Invocação-dança Mortos-dança traçados diretamente do passado. A origem das práticas culturais é amplamente irrelevante para a experiência da tradição; autencidade é sempre definida no presente. Não é a existência de um passado ou a transmissão que define algo como tradicional. Antes, o último é uma designação simbólica arbitrária; um significado designado antes que uma qualidade objetiva. Durante a pesquisa observou-se que o evento atrai não apenas moradores da cidade de Três Lagoas (MS), mas de Andradina, Araçatuba, Mirandópolis, Pereira Barreto, entre outras, que buscam o evento com a finalidade de sociabilização com outras colônias japonesas, já que essas cidades também possuem colônias japonesas. No entanto, percebe-se um significativo fluxo de pessoas tornando o evento um atrativo turístico22, já que o mesmo atrai pessoas para seu entorno, seja a população local ou pessoas da região. As pessoas que visitam o evento são classificadas como excursionistas, pois permanecem no local menos de vinte e quatro horas, não pernoitando, porém usufruindo de seus bens de serviços, e assim gerando renda local e podendo desperta o interesse de passar mais dias no local visitado.Este significativo fluxo de pessoas estimula a atividade turística local que segundo Andrade: Quem viaja e permanece menos de 24 horas em receptivo ou localidade que não seja o de sua residência fixa ou habitual, com as mesmas finalidades que caracterizam o turista, mas sem pernoitar no local visitado, usa-se o termo excursionista ou visitante de um dia. (ANDRADE, 2002, p. 44.) O evento é organizado pelos associados à Nipo Brasileira e voluntários que iniciam os preparativos com seis meses de antecedência, onde são oferecidas comidas típicas da culinária japonesa, danças e canções que representam à colheita do arroz e também sua decoração é feita com tyotions23, que significam sabedoria dos antepassados, entre outros. Considera-se o bon-odori um evento cultural, pois quem o freqüenta não se expressa pela viagem em si, mas por suas motivações, cujos alicerces se situam na disposição e no esforço de conhecer, pesquisar e analisar dados, obras ou fatos, em suas variadas manifestações Andrade (2002), como também pode ser considerado gastronômico já que o mesmo oferece comidas típicas do Japão, que são completamente diferentes da encontrada no Brasil, como sushi24, udon25, sashimi26, entre outras, conforme observado muitas pessoas que o freqüentam, vão apenas para degustação. CONSIDERAÇÕES FINAIS O evento é realizado todos os anos próximo ao aniversário da cidade de Três Lagoas-MS, sendo freqüentado por pessoas da própria localidade e também de cidades próximas como Andradina, Pereira Barreto, Mirandópolis, entre outras. Dessa forma podemos fomentar que o 22 É o recurso natural ou cultural que atrai o turista para visitação. IGNARRA, Luiz Renato. Fundamentos do Tursimo. São Paulo. Pioneira, 1999. p28 23 Lanternas 24 Comida típica do Japão, onde em seu preparo leva arroz cozido, enrolado em alga e no centro é colocado gengibre e cenoura. 25 Comida típica do Japão, é uma espécie de sopa com macarrão, carne de porco e cebolinha 26 Comida típica japonesa, onde leva peixe tipo filé, cebola, gengibre e shoio. evento de certa forma é um atrativo turístico, pois há uma movimentação de pessoas para seu entorno que usufrui dos produtos oferecidos pelo evento. Consideramos o evento como um fomento à atividade turística, já que a cidade de Três Lagoas (MS), nos dias em que ocorre o mesmo, torna-se um receptivo, recebendo pessoas de outras localidades, que usufruem de bens de serviço e infra-estrutura local gerando renda para a localidade. Essas pessoas vêm em busca de prestigiar a cultura japonesa e o que o evento pode oferecer como comidas típicas e danças, tornando-o um incentivo a restauração cultural japonesa. BIBLIOGRAFIA AEMS FACUDADES INTEGRADAS DE TRÊS LAGOAS. Manual do Trabalho Acadêmico AEMS. Três Lagoas, MS, 2007. ANDRADE, José V. Turismo: Fundamentos e Dimensões. 8ªed. São Paulo, 2002. BAHL, Miguel (Org). Eventos a Importância para o Turismo do Terceiro Milênio. São Paulo, 2003. GRÜNEWALD, Rodrigo de Azevedo. Turismo e o “Resgate” da Cultura Pataxó IN: BANDUCCI, Álvaro; Barreto, Marqarita (Org). Turismo e Identidade Local: Uma visão Antropológica, Campinas, SP, 2001. IGNARRA, Luiz Renato. Fundamentos do Turismo. São Paulo, 1999. NETO, Francisco Paulo de. Marketing de Eventos. 4ªed. São Paulo, 2003 PIRES, Mário Jorge. Lazer e Turismo Cultural. 2ªed. Barueri, SP, 2002. PRANDINI, Renata. Hoje MS, Três Lagoas, 6 jun. 2007, p. 5. MARCONI, M. A.; PRESSOTO, Z. M. N. Antropologia: Uma Introdução. 6ª ed. São Paulo, 2007 SAVOLDI, Adiles. A Reconstrução da Italianedade no Sul do Estado de Santa Catarina IN: BANDUCCI, Álvaro; Barreto, Marqarita (Org). Turismo e Identidade Local: Uma visão Antropológica, Campinas, SP, 2001. Sites pesquisados: BON-ODORI.In. Mori, Koichi. Caderno Zaschi: Cultrura Tradicional. [acessado em:7 jun.2007]. Disponível em http://www.nipobrasileira.com.br/2semanal.culturatradicional/319.shtml MORI, Koichi (Org). Danças Tradicionais do Japão. Caderno Zashi Cultura Tradicional. [acessado em: 7 jun.2007]. Disponível em http://www.nipobrasil.com.br/2semanal.culturatradicional/389.shtml A IMPORTÂNCIA DA HOSPITALIDADADE NO SETOR HOTELEIRO PADILHA, Fabiana Elias Acadêmica do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO Hospitalidade é uma palavra originária do Latim hospitalitate e significa o ato de hospedar; a qualidade de quem é hospitaleiro; a liberalidade que se pratica, alojando gratuitamente alguém; e por extensão acolhimento afetuoso. Com relação ao turismo ser hospitaleiro é receber bem os turistas. A hospitalidade também está relacionada ao receber bem os turistas, ou hóspedes não apenas na qualidade dos bens e serviços oferecidos no turismo, mas também fazer o turista se sentir como se estivesse em “casa”. Neste sentido, a qualidade no turismo refere-se ao serviço aliado ao produto e que o fator qualidade é o único critério que se impõe de maneira natural para determinar o sucesso ou o fracasso. Desse modo, a hospitalidade no turismo está em todas as atividades relacionadas com o turismo, desde a facilitação ingresso, permanência, deslocamentos internos e saída dos visitantes, o desenvolvimento da infra-estrutura, os transportes e comunicações a educação e capacitação e prestação de serviços. Portanto, é importante salientar que, o referido artigo tem por objetivo mostrar de forma clara e objetiva que a hospitalidade no setor de hoteleiro, é fator crucial para o sucesso do empreendedor, podendo levá-lo ao sucesso ou à sua própria derrocada, ou seja, a pessoa ao se hospedar, procura conforto, bem-estar, qualificação profissional dos colaboradores e praticidade no atendimento (fatores cruciais para que o hóspede se sinta à vontade e bem atendido). Palavras-chave: hospitalidade; qualidade de atendimento; hotelaria. 1 CONCEITO DE HOTEL O conceito de hotel é definido por alguns conceituados autores do setor de hotelaria e turismo. Neste sentido, hotel é definido como sendo um estabelecimento que deverá fornecer um bom serviço de alojamento, de refeições, bar, tratamento de roupas, informações turísticas e de caráter geral (JANEIRO, 1991). Para Torres (1989) o hotel é como uma instituição de caráter público que oferece ao viajante, alojamento, alimentos e bebidas, assim como entretenimento. Nesta ótica, Castelli (1987) estabelece que um hotel, é uma empresa prestadora de serviços e diferencia-se completamente de outras empresas do tipo industrial ou comercial. E ainda o hotel geralmente oferece aos hóspedes, uma quantidade de serviços além de acomodação. (CASTELLI, 1991). Desse modo, observa-se que, as definições de hotel demonstram que o produto principal de um hotel é a acomodação seguido por outros serviços, que podem ser alimentação, lazer, salas para reuniões e congressos, informações turísticas, serviços de quarto, lavanderia entre outros. Partindo deste referencial, o produto hoteleiro esta relacionado diretamente com a prestação de serviços em um hotel, onde, estes serviços prestados, são todas as atividades de execução para satisfazer os hóspedes. São inúmeras as atividades envolvidas em uma empresa hoteleira, entre elas estão: serviços de quarto, hospedagem, serviços de copa, mini-bar, restaurante, lavanderia, lazer, eventos e atendimento das solicitações, entre outros. 1.1 Breve Histórico de Hotelaria Mundial A hotelaria é uma das mais antigas categorias de hospedagem humana e foi sendo aprimorada através dos tempos. No século IV a.C, haviam as hospedarias, que prestavam serviços, mais comuns, como alimentação e abrigo. Com a evolução do mercantilismo mundial, os homens foram obrigados a viajar cada vez mais longe e surgindo assim a necessidade de repouso e alimentação. Neste aspecto, a procura por repouso, por parte dos viajantes foi aumentando ao passar dos tempos conforme a distância das viagens, levando as hospedarias passarem por transformações como passar dos tempos. (DAVIES, 2003). É importante salientar que, os hóspedes, precisavam cada vez mais de recursos como: banho, guardar seus pertences, acomodar seus meio de transportes1, solicitar informações, entre outros fatores, os quais levaram as hospedarias e abrigos a adaptarem suas instalações para melhor atenderem. De acordo com Davies (2003) os primeiros viajantes foram peregrinos religiosos, comerciantes e outros. Na Roma antiga, as hospedarias de boa qualidade eram identificadas, pela denominação de “mansiones”, espalhadas por todo o Império. As tavernas também serviam de abrigo para oficiais e legionários. Cabe ressaltar que, haviam instituições religiosas que criaram abadias e mosteiros para abrigar peregrinos e viajantes, que segundo Marques (2003) foi na Inglaterra, por volta dos séculos XVI e XVII, que começou a desenvolver outro tipo de hotelaria. Comerciantes viajantes que circulavam pela região tinham como meio de transporte predominando grandes carruagens puxadas por seus cavalos, contribuíram com o sistema rodoviário da época que ligava Vilas entre si e com o crescimento do número de hospedarias. Isto posto cabe lembrar outros fatores de grande importância para a evolução dos hotéis da Inglaterra segundo Marques (2003) foram a revolução industrial, ferroviária e as transformações sociais. E também contribuíram para o deslocamento de pessoas de um lugar para outro, fazendo com que necessitasse de hospedagem. Segundo Castelli (2003) por volta de 1720–1730 foi descoberto em York Sulphur, Pensilvânia, um manancial de águas térmicas e minerais com essa descoberta começou o deslocamento com finalidade de apreciação do lugar, consequentemente a construção de hotéis, foram descobertos outros locais como atrativos na segunda metade do século XIX, havendo, portanto, a necessidade de hotéis, hospedarias para abrigar estes viajantes. É importante destacar que, com o passar do tempo a hotelaria mundial foi crescendo e acompanhando as necessidades e exigências das pessoas, os hotéis procuravam proporcionar a seus hóspedes o bem-estar, e também bom atendimento. Contudo, pode-se observar que, com a demanda crescendo do setor hoteleiro, é evidente que a concorrência também existia, e por isso com o passar dos tempos as hospedarias, hotéis e abrigos foram se aprimorando e levando o mercado à competitividade. 1.1.1 Panorama da Hotelaria Brasileira No Brasil, o progresso da hotelaria foi lento, pois tinham suas raízes na cultura escravocrata que dominou o país até o final do século XIX e meados do século XX. As elites tinham pouco interesse por esse tipo de serviço, pois a colonização extrativista segundo Baumgartiner (2003) não estimulava a permanência dos colonizadores ao contrário da norte-americana que buscavam a exploração da terra pelo seu povoamento. Dessa forma, o Brasil deixou de evoluir não somente no ramo de hotelaria, mas em tantos outros aspectos, mesmo tendo um grande potencial, os interesses eram restritos e externos. Por estes motivos, havia grande carência, quanto à hospedagem brasileira, e as pessoas permaneciam em residências por falta de locais apropriados. Com efeito, os colégios da Companhia de Jesus recebiam hóspedes também fora da capital da colônia. No Rio de Janeiro os jesuítas hospedavam pessoas pagantes ou não recomendadas por autoridades. Os monges beneditinos construíram no Rio de Janeiro uma grande hospedaria que pôde depois, hospedar a Real Academia dos Guardas da Marinha de 1808 a 1839 (BELCHIOR & POYARES, 1997). A segunda metade do século XIX foi a mais organizada no Rio de Janeiro, diversas construções surgiram, especialmente para hotelaria, onde algumas já ofereciam banho e em alguns casos refeições (BAUMGARTINER, 2003). As pensões e os hotéis que foram surgindo ao longo dos anos geralmente ficavam nas proximidades de estradas de ferro ou portos marítimos e não ofereciam bons serviços e nem bons hóspedes. Para Baumgartiner (2003) o crescimento da rede hoteleira no Brasil está ligado ao desenvolvimento urbano do começo do século XX e ao caminho das ferrovias, como por exemplo a região sudeste que teve mais benefícios neste aspecto com a cultura cafeeira e a abertura das grandes fazendas. Na década de 1940 não era apenas os trabalhadores ou viajantes, os principais clientes que circulavam nos hotéis, mas haviam outros fatores como o jogo e o termalismo que seguiu ajudando a manter a ocupação desses hotéis até meados dos anos 1950 (BAUMGARTINER, 2003). Nesta ótica, Trigo (2000) ressalta que, na década de 1960, o Brasil possuía cerca de 40 mil leitos3, em estabelecimentos de primeira e segunda classes. Por volta dos anos 1970, havia a necessidade de mudanças necessárias como modernização em relação a infraestrutura dos hotéis para atender as exigências de seus hóspedes. Com relação aos hotéis a partir de 2004, Gorini & Mendes (2005) ressaltam que: Na hotelaria brasileira, existem 14.914 meios de hospedagem no Brasil: 9.943 hotéis, 4.094 pousadas, 532 hotéis-fazenda e 345 apart-hotéis (...). (...), o Hotel Investment Advisors (HIA), estima que cerca de 70% das UHs existentes no país são operados por hotéis independentes das redes (GORINI & MENDES, 2005, p. 17). Partindo deste referencial, observa-se que o segmento hoteleiro no país possui uma considerável fatia no mercado, o que vem proporcionar aos hospedes a escolha de um bom hotel. 1.2 Conceito de Hospitalidade A hospitalidade está relacionada segundo Dias (2002, p. 70) apud Nowen (1975) “Ao ato de hospedar afetuosamente, podendo significar, portanto, um atributo de quem é hospitaleiro, levando-nos a pensar, imediatamente, em chás, reuniões e conversas amenas”. Com efeito, a hospitalidade é apresentada sob diversas formas, por diferentes autores, e por meio de inúmeros conceitos tais como: confortabilidade, receptividade, liberalidade, sociabilidade, cordialidade, dentre outros. Entretanto, há também quem prefira não adotar nenhum conceito por acreditar que o termo encerra um significado maior do que segundo Dias (2002) qualquer palavra possa expressar. Para esses autores, a hospitalidade perpassa o modo de pensar, agir e responder dos indivíduos, compreendendo, assim uma parte de seu caráter. Isto posto cabe enfatizar que, a hospitalidade está associada a questões mais amplas que o simples ato de hospedar e alimentar. O exercício da hospitalidade engloba o estudo tanto do espaço geográfico de sua ocorrência (a cidade ou o campo), quanto dos aspectos que se relacionam direta ou indiretamente com seu desenvolvimento: o planejamento e a organização de seus recursos materiais, humanos, naturais ou financeiros (DIAS, 2002). 1.2.1 Abrangência Histórica da Indústria da Hospitalidade Segundo Chon & Sparrowe (2003), a indústria da hospitalidade compreende uma grande variedade de negócios, todos dedicados a prestar serviços a pessoas que estão longe de suas casas. Hoje como no passado, os principais componentes da indústria são aqueles que satisfazem a necessidade de abrigo e acomodação e aqueles que fornecem alimentos e bebidas a seus clientes. Neste sentido, a indústria da hospitalidade possui suas raízes na vida social e cultural. Ao longo da história, a indústria foi moldada pelas sociedades e culturas nas quais se desenvolveu. Atualmente, a sociedade e a cultura continuam a moldar a indústria de diversas maneiras, como por exemplo, por meio das questões ambientais, das mudanças econômicas, do aumento no número de mulheres que viajam a negócios ou de leis referentes ao ato de fumar em restaurantes. É importante salientar que, hoje a liderança na indústria é muito mais importante do que as habilidades operacionais tradicionais. Os líderes devem ser capazes de entender e prever como a hospitalidade será afetada por um mundo em constantes mudanças. Nesta ótica: Talvez a globalização seja a mais relevante tendência contemporânea a afetar a indústria da hospitalidade. As nações não existem de maneira independente, mas sim em uma crescente dependência mútua. As culturas e os países ocidentais começaram a reconhecedor a força a vitalidade e a complexidade de outras nações. (...) um aspecto histórico da hospitalidade é a obrigação de tratar estranhos com dignidade, alimenta-los e fornecerlhes bebidas, e protege-los. À medida que o mundo se torna cada vez ‘menor’ e ciente de sua imensa diversidade, o ‘espírito da hospitalidade’parece especialmente importante (CHON & SPARROWE, 2003, p. IX). Partindo deste referencial, em muitos países, a qualidade dos serviços de hospitalidade variava conforme os valores pagos e a localização do estabelecimento. Alguns registros antigos mostram que existiam hospedarias infestadas de insetos, onde serviam refeições de má qualidade, mas nem todas eram ruins, por exemplo, os Leches, lugares de encontros sociais na Grécia Antiga, tinham reputação de servir boa comida. Os hóspedes podiam escolher entre uma variedade de guloseimas, como queijo de cabra, pão de cevada, ervilhas, peixes, figos, carne de cordeiro, azeitonas e mel. Os hóspedes segundo Chon & Sparrowe (2003), também podiam escolher estabelecimento que preferiam freqüentar Atenas possuía 360 hospedarias. 1.2.2 O Símbolo da Hospitalidade O símbolo da hospitalidade é o abacaxi. Sua origem precisa é desconhecida, mas muitos acreditam que a idéia de utilizá-lo como símbolo foi emprestada dos primeiros povos a cultivar a fruta. Esses povos colocavam abacaxis do lado de fora de suas casas para demonstrar que os visitantes eram bem-vindos (CHON & SPARROWE, 2003). Os colonizadores europeus levaram a fruta para a Europa e para as colônias norteamericanas no século XVII. Como a exótica fruta era mais rara e mais cara do que caviar simbolizava o que havia de melhor em termos de hospitalidade. Ela era utilizada segundo Chon & Sparrowe (2003) para honrar a realiza e os hóspedes mais ricos. Isto posto cabe enfatizar que, a idéia de hospitalidade, data, é claro, de épocas muito anteriores, desde as evidências históricas encontradas nos primeiros centros da civilização como a Mesopotâmia (atual Iraque), às referências bíblicas à tradição de lavar os pés dos hóspedes, até os posteriores registros dos donos de hospedaria ingleses que, com uma caneca de cerveja, recebiam viajantes cansados. 1.2.3 As Primeiras Regulamentações da Indústria da Hospitalidade As primeiras regulamentações conhecidas da indústria são encontradas no código de Hamurabi. Durante o governo de Hamurabi no Antigo Império Babilônico, de 1792 a 1750 a.C., ele desenvolveu o que foi considerado um sábio e justo “Código de Leis”. O código obrigava as proprietárias de tavernas a denunciar qualquer hóspede que planejasse um crime (CHON & SPARROWE, 2003). O código também proibia adicionar água às bebidas ou enganar quanto à dose servida. A punição para esses “crimes” era por afogamento. Na época do Império Romano, as normas tinham evoluído, por exemplo, a mulher de um dono de hospedaria não podia ser punida por desobedecer às leis contra o adultério, os donos de hospedaria não podiam servir ao exército porque, o exército era um serviço nobre; e os donos de hospedaria não podiam ter a guarda de crianças menores de idade. Desse modo: Algumas vezes, as regras eram instituídas pelos donos de tavernas. No século XVI, na Inglaterra, era comum a existência de leis como: não era permitido mais de cinco pessoas na mesma cama; não era permitido deitar de botas na cama; não era permitido acolher nenhum amolador ou construtor de lâminas; era proibida a presença de cachorros na cozinha; tocadores de realejo tinham de dormir nos sanitários (CHON & SPARROWE, 2003, p. 4). Isto posto, cabe lembrar que, apesar de algumas normas parecerem absurdas, as primeiras regulamentações ajudaram no desenvolvimento da indústria e algumas permanecem até os dias atuais. 1.2.4 A Hospitalidade no Turismo Segundo Dias (2002) a hospitalidade é um dos temas mais discutidos entre as abordagens culturais do fenômeno do turismo. Como envolve deslocamento de pessoas e sua permanência temporária em locais que não são o de sua residência habitual, há uma intrínseca relação entre turismo e hospitalidade. “Todo turista está sendo, de alguma forma recebido nos lugares. O que diferencia a experiência entre um e outro turista no que se refere à hospitalidade é a forma como se dá o seu acolhimento no destino”(DIAS, 2002, p. 43). Neste aspecto o marketing turístico vende a noção da hospitalidade dos lugares por meio do slogan do “sentir-se em casa”. Nesse sentido, o “sentir-se em casa” em termos de hospitalidade turística significa ter no lugar em que se é “estrangeiro", ou seja, a mesma sensação de acolhimento que se tem na própria casa, o que significa segundo Dias (2002), em primeiro plano, mas também conforto e bem-estar de modo geral. Com relação a hospitalidade atual, ela está voltada também para os sentimentos de todos os envolvidos no meio turístico, a preocupação vai além da qualidade dos serviços e da preocupação com o conforto do turista, buscando assim, a satisfação total do visitante (CASTELLI, 2001). Com efeito, para ser hospitaleiro é preciso esmerar-se na excelência dos serviços prestados, educar a comunidade para receber os turistas, investir em infra-estrutura básica, porque a hospitalidade está desde o atendimento na compra dos pacotes, às condições de sinalização, estradas e até a higiene e segurança dos destinos, podendo ser espontânea ou artificial, esta última ocorre quando entidades públicas ou privadas, promovem a criação de infraestruturas, que segundo Castelli (2203) forjando uma hospitalidade profissional e muitas vezes para uso exclusivos dos turistas. Observa-se, portanto, que, a hospitalidade está diretamente ligada às necessidades e desejos das pessoas. Desse modo, a necessidade de rever os serviços prestados e colocar o cliente como peça fundamental do Sistema de Turismo, oferecendo a ele serviços diferenciados é imprescindível para conquistá-los, mas deve-se sempre levar em consideração os interesses da comunidade local, evitando assim, conflitos que possam vir causar a inviabilidade do destino turístico. Sendo assim, Castelli (2001) afirma que, o aumento da participação das pessoas no turismo fez com que as empresas hoteleiras, um dos principais suportes do roteiro turístico. É importante salientar que, a qualidade dos serviços prestados, não se resume em apenas dominar as técnicas de atendimento com qualidade, mas principalmente deve ser uma prática constante e todos os colaboradores devem estar capacitados, desta forma, estarão mais efetivamente satisfazendo sua clientela com a excelência dos serviços prestados (CASTELLI, 2003). 1.2.5 A Necessidade de Hospitalidade “O convívio social, ou viver em grupo, é uma das necessidades fundamentais de todo ser humano. A hospitalidade, essência da vida em grupo é uma necessidade natural, biológica e social” (CASTELLI, 2006, p. 180). Partindo deste referencial, sabe-se ainda que, o viajante ao chegar ao hotel paga não somente por um apartamento confortável, mas também pela boa acolhida e pela hospitalidade. Desse modo, “ (...) o acolhimento, ato imbricado à hospitalidade, passa então, a ser, ‘incontestavelmente’, um dos componentes da troca comercial, presente também na venda de um apartamento de hotel ou de uma refeição” (GOUIRAND apud CASTELLI, 2006, p. 180). É importante destacar que, o ato de acolher está presente no cotidiano das pessoas. Não é isso o que acontece na loja, no consultório médico, no correio, ou igreja? Ou seja, em todos esses estabelecimentos, as pessoas são, em primeiro lugar, acolhidas. Em seguida, faz-se o restante. Considerando a questão a hospitalidade é fator essencial, para que às pessoas se sintam acolhidas, e bem atendidas, pois esse primeiro encontro se causar má impressão será necessário muitos esforços para desfazer a má impressão que fica. Já com relação a boa impressão, o cliente poderá até deixar de passar algumas deficiências encontradas posteriormente. De acordo com Castelli (2006) devido ao grande incremento das viagens internacionais, os meios de hospedagem ganharam grandes proporções e uma considerável diversificação para atender aos diferentes segmentos do mercado. Assim, a necessidade de oferecer um bom acolhimento tornou-se um imperativo, já que a sociedade de hoje exige qualidade cada vez maior dos bens e serviços prestados. Contudo, a necessidade de um acolhimento mais qualitativo é exigência não somente da prática do turismo em geral, mas segundo Castelli (2006) apud Gouirand (1994) principalmente dos meios de hospedagem, pois as pessoas buscam neles tudo aquilo que já não mais encontram no seudia-a-dia, em especial, amabilidade, calor humano, reconhecimento, hospitalidade e cuidados, considerados insumos do produto hoteleiro, ou seja, o hotel tornou-se um dos poucos lugares onde se pode exigir um acolhimento caloroso e hospitaleiro. REVISÃO DA LITERATURA Como referencial teórico, a pesquisa partiu dos estudos realizados através da pesquisa literária, por autores como: Baumgartner, Chon e Sparrowe, Belchior, Castelli, Dias Davies e Janeiro. Esses autores apresentaram de forma clara e bastante enriquecedora a Hospitalidade em relação à hotelaria, levando-nos à fácil compreensão da história em si, pois segundo os autores, a hospitalidade é um atributo que atravessou os séculos e faz parte do setor hoteleiro, o qual também vem agregado a questão do marketing, pois uma vez bem atendido o hóspede tende a retornar e ainda possivelmente indicar a outros amigos (pois segundo estes autores as pessoas que procuram hotéis, pousadas, entre outros estabelecimentos para passar as férias e repousar ao mesmo tempo, procuram conforto, praticidade, bem-estar e qualidade nos serviços e produtos oferecidos pelo setor hoteleiro). Nesta ótica, observou-se a real necessidade de aprofundar a pesquisa literária com a leitura desse grupo de autores acima mencionados com o intuito de obter maiores informações sobre o tema do referido artigo. Isto posto, cabe lembrar que, outra fonte de pesquisa foi necessária para obter maiores esclarecimentos tais como: Marques, Torre e Trigo, os quais apontaram que é possível sim proporcionar aos hóspedes conforto e qualidade nos serviços prestados e ainda a hospitalidade tão importante neste segmento na hotelaria. MATERIAIS E MÉTODOS Como método de pesquisa foi utilizado a pesquisa bibliográfica (qualitativa), através de livros e artigos relacionados à Importância da Hospitalidade no Setor Hoteleiro. Tais pesquisas foram necessárias para aprofundar a questão dentro do contexto a ser pesquisado. Contribuindo assim, de forma positiva, para o referido estudo dando, suporte e embasamento literário para a conclusão do mesmo. RESULTADO Para compreender o tema: “A Importância da Hospitalidade no Setor Hoteleiro” fez-se necessário a pesquisa e estudos quanto à necessidade do tratamento cordial e hospitaleiro para com o hóspede, para que o mesmo possa se sentir acolhido. Inserida neste contexto, pode-se avaliar as causas que levam o hóspede a retornar ao mesmo hotel, pois ao sentir-se acolhido e obtendo o bem-estar através dos tratamentos oferecidos pelos colaboradores do hotel (mão-de-obra qualificada), o hóspede se sentirá seguro e poderá recomendar o mesmo hotel aos amigos e parentes (como resultado positivo de sua estadia). A pesquisa bibliográfica permitiu mostrar de forma clara e objetiva os reais motivos que ocasionam o retorno do hóspede ao mesmo hotel. Observou-se que não apenas a hospitalidade é fator crucial, mas o marketing oferecido, o conceito que o mesmo obtém no mercado e ainda a praticidade e os serviços e produtos oferecidos, fazem partem do contexto avaliado pelo hóspede ao escolher o hotel. DISCUSSÃO Foram observadas através das literaturas acima mencionadas que a globalização é um dos fatores que levam o empresário do setor de hotelaria a qualificar seus serviços e produtos, não apenas através de sua estrutura, mas também através da qualificação profissional de seus colaboradores, (pois a cordialidade e a receptividade ao fazer o check-in, é fator crucial para o estabelecimento). Os autores também enfatizaram que, as exigências dos hóspedes levam os empresários do setor à competitividade do mercado. Neste sentido, o marketing, também está inserido neste contexto, levando o hotel a ser reconhecido não apenas em seu estado, ou cidade, mas até a nível nacional. Tais fatores são essenciais para que o empresário do setor hoteleiro obtenha êxito em seu empreendimento. Os autores também concordaram que, para haver o segmento do setor hoteleiro, e ainda acompanhar o mercado, é necessário que o mesmo acompanhe as tendências, as novidades, globalização, pois a competitividade é o motor que impulsiona o mercado seja ele qual for. Entretanto, cabe enfatizar que, de nada adianta obter tratamento cinco estrelas se não há hospitalidade (cordialidade, bem-estar) oferecido ao hóspede. CONSIDERAÇÕES FINAIS A hospitalidade sempre foi e será parte integrante do turismo. A hospitalidade engloba também as necessidades (exigências) das pessoas, que não são mais as mesmas, o que antes servia hoje não serve mais. As pessoas têm exigências próprias, únicas, preferem dizer como gostariam de ser recebidos e servidos. A hospitalidade constitui não apenas no ato de hospedar, mas principalmente, receber o turista como um indivíduo com necessidades, desejos a serem correspondidos, e fazer com que ele perceba que não é apenas objeto de lucro. Desse modo, a importância de se investir em uma capacitação dos profissionais envolvidos com as atividades turísticas, voltada para a hospitalidade faz parte do setor hoteleiro, uma vez que o mesmo deve estar apto e atento à globalização (rápida e exigente), levando o setor à uma competitividade constante. Partindo deste referencial, sabe-se ainda que o hotel que possui um diferencial em relação aos outros tende a obter maior sucesso, como por exemplo, aquele que oferece entretenimento, pois muitos hóspedes vão viajar com suas famílias (crianças) e um hotel que possuir este diferencial, tende a ganhar a competitividade na hora da escolha (devido à necessidade de lazer e recreação da família). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ______. Administração hoteleira. 6. ed. São Paulo: Educs, 2003. ______. Administração hoteleira. 9. ed. Caxias do Sul: EDUCS, 2001. (Coleção Hotelaria). ______. Hospitalidade: na perspectiva da gastronomia e da hotelaria. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2006. ______. Marketing hoteleiro. Caxias do Sul: Educs, 1991. BAUMGARTNER, Ricardo R, FONSECA–ROSÉS, Cláudia. Org. José Ruy Veloso Campos. Estudo de viabilidade para projeto hoteleiro. Apud Associação Brasileira de Indústria de Hotéis.Campinas: Papirus, 2003. BELCHIOR, Elíso de Oliveira, POYARES, Ramon. Pioneiros da hotelaria no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Senac, 1987. CASTELLI, Geraldo. O hotel como empresa. Porto Alegre: Sulina, 1987. CHON, Kye-Sung; SPARROWE, Raymond T. Tradução Ana Beatriz de Miranda e Silva Ferreira. Hospitalidade: conceitos e aplicações. São Paulo: Pioneira Thomson , 2003. DAVIES, Carlos Alberto. Manual de hospedagem: simplificando ações na hotelaria. 2. ed. Rio Grande do Sul: Educs, 2003 (Coleção hotelaria). DIAS, Célia Maria de Moraes (org.). Hospitalidade: reflexões e perspectivas. 1. ed. São Paulo: Manole, 2002. GORINI, Ana Paula Fontenelle; MENDES, Eduardo da Fonseca. Setor de turismo no Brasil: segmento de hotelaria. BNDES Setorial. Rio de Janeiro, n. 22, p. 111-150, set. 2005. JANEIRO, Joaquim A. Guia técnico de hotelaria. Lisboa : Cevop, 1991. MARQUES, Albano J. Introdução a hotelaria. São Paulo: Saraiva, 2003. TORRE, Francisco de La. Administração hoteleira. México: Trilhas, 1989. TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. Viagem na memória: guia histórico das viagens e do turismo no Brasil. São Paulo: Senac, 2000. A UTILIZAÇÃO DA REGIÃO DA CASCALHEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO DO ECOTURISMO OLIVEIRA, Juliana Barbosa de Acadêmica do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO Na década de 1960, iniciou-se a construção utilizando tecnologia inteiramente brasileira, pela CESP, da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sousa Dias (Jupiá), localizada no Salto de Urubupungá. Durante a construção da usina, em acordo com a Prefeitura Municipal da época, houve a utilização de uma porção do lado sul mato-grossense das margens do rio escolhida para a remoção de cascalho onde também houve escavação de um canal para o desvio das águas do Rio Sucuriú durante a construção da usina, já que o local fica na intersecção dos rios Sucuriú e Paraná. Devido à proximidade da superfície dos lençóis freáticos da região, os buracos escavados logo se encheram de água formando lagos, a vegetação nativa foi completamente devastada pelas construções implantadas e máquinas operadas tanto para extração do cascalho quanto para sua escoação até o local da obra. Atualmente intitulada Cascalheira a área dispõe do abandono total por parte das autoridades locais e órgãos ambientais. A seu lado dela há Parque Natural Municipal das Capivaras com visível manifesto da riqueza biodiversa do local e beleza cênica e forte presença de Mata Atlântica. O entorno do Parque Natural Municipal das Capivaras, com maior densidade de vegetação, constitui-se da Cascalheira, região superior ao parque, freqüentada por pescadores, pessoas que procuram frescor em dias de altas temperaturas, marginais e fugitivos, onde a paisagem é privilegiada e a amplitude do território possibilita a visitação pública. São encontrados com facilidade, em veículos de divulgação, vídeos de grupos praticantes de atividades com motos em trilhas presentes na área da Cascalheira. Por existirem várias formas de o homem interagir com o ambiente, o mercado do turismo ecológico torna – se diversificado e da origem a diferentes grupos de visitantes com motivações peculiares e características distintas. As regiões referidas (Parque Natural Municipal das Capivaras e região da Cascalheira) oferecem potencial para as atividades do Ecoturismo ou Turismo Ecológico, Educação Ambiental e Turismo Científico, no que tange estudos sobre a mata Atlântica e seus resquícios, sua preservação e informações adicionais, para este último, e de Turismo de Observação. Além de a área oferecer contato direto com a natureza, oportunidade para a implantação de trilhas para caminhadas e trilhas interpretativas, amplos espaços possuem cenários que possibilitam e são atrações para a observação do meio. O estudo a seguir propõe a implantação da atividade turística nas áreas no intuito de aliar a necessidade de cuidados à oportunidade do desenvolvimento de novas oportunidades no âmbito sócio cultural e econômico para a comunidade local. Palavras–chave: Cascalheira; Parque Natural Municipal das Capivaras; Ecoturismo; Oportunidade. INTRODUÇÃO Três Lagoas localiza-se ao extremo leste do estado do Mato Grosso do Sul, faz divisa com o Estado de São Paulo, na Bacia Hidrográfica do Rio Paraná, que possui 700.000 km² e trata-se da quinta maior bacia hidrográfica do mundo. Possui ainda, duas sub-bacias importantes: a do Rio Verde e a do Rio Sucuriú. A rede hidrográfica três-lagoense compõe-se dos rios Paraná, Pombo, Sucuriú e Verde; além dos ribeirões Baguaçú, Bonito, Brioso, Campo Triste, Imbaúba, Palmito, Piaba, Prata e Beltrão; e dos córregos Azul, Boa Vista, Cervo, Estiva, Jacaré, Lajeado, Moeda, Pontal, Porto, Pratinha, Taboca e Urutu. O município também se situa sobre o maior lago subterrâneo do planeta, o Sistema Aqüífero Guarani. Assim como os rios subterrâneos, as águas do sistema Aqüífero Guarani facilmente vêm à tona em escavação. É do aqüífero a água do Ribeirão Palmito, naturalmente muito quente, mas não muito apropriada para consumo, devido a seu gosto. Trata-se da quarta cidade mais populosa e importante desse estado. Fundada em 1915, sua colonização iniciou-se na década de 1880 por Luís Correia Neves Filho, Antônio Trajano dos Santos e Protásio Garcia Leal. A cidade possui três Áreas de Proteção Ambiental27 o Parque Natural do Jupiá, Parque Natural do Pombo e Parque Natural Municipal das Capivaras, sendo esta última, em conjunto ao seu entorno, matérias primas deste projeto. Na década de 1960, iniciou-se a construção utilizando tecnologia inteiramente brasileira, pela CESP, da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sousa Dias (Jupiá), localizada no Salto de Urubupungá, quando de sua finalização, no ano de 1974, era a maior usina hidrelétrica do Brasil. Em 1978, foi ultrapassada por Ilha Solteira e, em 1982, por Itaipu. Hoje, continua sendo a terceira maior usina hidrelétrica do Brasil, considerada muito eficiente, uma vez que sua área alagada é pequena em relação à destruição ambiental causada e à energia por ela produzida. A usina dispõe de eclusa, que possibilita a navegação no Rio Paraná e a integração hidroviária com o Rio Tietê, faz parte do Complexo de Urubupungá (é formado pelas usinas de Jupiá, Ilha Solteira e Três Irmãos, operando com potência total de 4,6 milhões de quilowatts exercendo influência em área que se estende pelos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás) possui um programa de Turismo escolar com aplicação pedagógica em Física – Transformação de energia; Educação ambiental – Através da visitação à piscicultura (produção de espécies de peixe) feita pela Empresa para repovoar os rios que têm por objetivo minimizar os impactos causados pela construção de seus empreendimentos, promover a conservação ambiental dos ecossistemas em toda a área de influência direta e indiretamente afetada e Tecnologia – Tecnologia desenvolvida nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. As visitações são gratuitas e o horário de funcionamento é de início as oito e término às dezoito horas, segunda à sexta - feira perante agendamento prévio. Durante a construção da usina, em acordo com a Prefeitura Municipal da época, houve a utilização de uma porção do lado sul mato-grossense das margens do rio escolhida para a remoção de cascalho onde também houve escavação de um canal para o desvio das águas do Rio Sucuriú durante a construção da usina, já que o local fica na intersecção dos rios Sucuriú e Paraná. Devido à proximidade da superfície dos lençóis freáticos da região, os buracos escavados logo se encheram de água formando lagos, a vegetação nativa foi completamente devastada pelas construções implantadas e máquinas operadas no local tanto para extração do cascalho quanto para sua escoação até o local da obra. Após o término da construção da usina hidrelétrica, o local se tornou Área de Segurança28 até o ano de 2004, sob os cuidados e direitos de utilização apenas do Exército Brasileiro e neste período, houve recuperação parcial da vegetação. 27 De acordo com Sistema Nacional de Unidades de Conservação No Brasil, uma área de proteção ambiental (APA) é uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. 28 Área de segurança nacional é uma região definida pela Escola Superior de Guerra, dentro da doutrina de segurança nacional onde as liberdades individuais, os princípios constitucionais e a legislação civil não têm efeito. São, portanto, consideradas áreas de segurança nacional todas aquelas que podem ser alvo de sabotagens, de atos terroristas, ou localidades que podem desestabilizar a segurança do Brasil. Alguns exemplos atuais são as áreas de bases militares, barragens de usinas hidroelétricas, geradoras de energia (termoelétricas e nucleares), fábricas de armas, explosivos e munições, regiões fronteiriças internacionais, entre outras regiões sensíveis ao terrorismo e ações que podem gerar grandes danos à Nação. Atualmente intitulada Cascalheira a área dispõe do abandono total por parte das autoridades locais e órgãos ambientais, é inexistente a presença de qualquer posto de informações, Polícia Militar Florestal, IBAMA ou CONAMA, sinalização de advertência que possa alertar aos mais desatentos sobre os riscos presentes por onde se passa. O descuido a despreocupação é por parte de todos, dos que freqüentam apenas para usar o rio como refresco, paisagem romântica, esconderijo aos que são atraídos pelo solo e ruínas que apresentam diferentes graus de dificuldade de acesso nas proximidades. Perante a observação e consideração do dano ambiental referido na presente pesquisa somado a danos em outras duas áreas de empréstimo, em sete de novembro de 2006 foi assinado o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre administração municipal de Três Lagoas, a Cesp e o Ministério Público Estadual que finaliza a Ação Civil Pública (autos n° 021.05.000811-1) em trâmite na 3ª Vara Cível da Comarca de Três Lagoas, promovida pelo Ministério Público contra a Companhia Elétrica do Estado de São Paulo e o município de Três Lagoas, que assumem reciprocamente obrigações e direitos, dos quais, o município deverá executar, por sua conta e risco, as obras de caráter socioeconômico de acordo com projetos elaborados e aprovados pelo Ministério Público com prazo de execução até o final do exercício de 2008 (Ministério Público terá prazo de 30 dias para conferir e outorgar ao município, a quitação referente aos pedidos constantes na Ação Civil Pública) listadas: - Centro de Referência de Assistência Social e Educacional – CRASE, na Vila Haro. - Drenagem a pavimentação parciais no bairro Paranapungá. - Construção de escola municipal com 12 salas de aula. Por parte da Companhia Elétrica, acordando com o projeto aprovado pelo órgão gestor competente e respeitado o valor negociado de R$ 9.700.000,00 (nove milhões e setecentos mil reais), dispensado tanto para serviços de recuperação ambiental da área denominada Cascalheira, serviços de recuperação ambiental de duas áreas de empréstimo, (a primeira situada aos fundos do posto Fiscal e a segunda próxima ao Jupiá), quanto para outras obras de caráter socioeconômico, caberia elaborar e apresentar ao Ministério Público os projetos de recuperação das áreas no prazo de 90 dias após a homologação do TAC e execução destes com a aprovação pelo Ministério Público, posterior licenciamento ambiental expedido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA para execução dos serviços, além de efetuar obras de caráter socioeconômico em áreas determinadas conforme conveniência do interesse local pela Prefeitura dentro do limite do valor remanescente ao utilizado nos projetos até o valor negociado conforme relação de prioridades estabelecidas pelo Ministério Público listadas abaixo: - Construção de edificação a ser destinada exclusivamente a políticas ambientais do município. - Drenagem e pavimentação parciais nos bairros Santos Dumont, Nossa Senhora Aparecida e Vila Zucão. - Drenagem e pavimentação parciais no bairro Jardim Brasília. - Revitalização do Córrego da Onça, com drenagem e pavimentação parciais. No entanto não existem obras em andamento ou previsão de atividades de qualquer natureza na área da Cascalheira. Todavia a área total de 70, 676 ha é destacada pelo visível contraste entre Parque Natural Municipal das Capivaras e Cascalheira. O Parque Natural Municipal das Capivaras compõe a área conservada, até então, sem atuação formal da exploração dos recursos naturais se não apenas por pescadores, abriga uma unidade de conservação, inserida ao Plano Diretor da cidade de Três Lagoas como Zona Especial de Interesse Ambiental (ZEIA) 29 , possui forte presença de decremento de Mata Atlântica como particularidade importante, do total presente comprovado e mapeado de 11% de cobertura original de Mata Atlântica e 3% de matas remanescentes de Mata Atlântica, correspondente a 3736.92 hectares e 124.84 de Decremento de Mata na cidade de Três Lagoas, em sua fauna são encontradas capivaras, tatus, tamanduás, emas e bugios. Apesar de sua variedade animal e vegetal o parque apresenta alto grau de fragilidade, o que exige cuidado especial e regime de preservação da unidade de acordo com os estudos efetuados, porém não divulgados ainda por uma equipe de especialistas da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. A área chamada Cascalheira inserida na Zona Especial de Interesse Urbanístico (ZEIU) no plano de manejo da cidade é composta por um território degradado em sua totalidade pela ação antrópica, apresenta espaços vastos de solo compactado, erosões e ausência quase absoluta de fauna ou flora devido à pobreza alimentar e descaracterização do habitat, é freqüentada por desinformados que procuram o rio, cujo acesso é proibido pela defesa civil, correm riscos devido à presença de ferragens e restos de construção civil deixados de herança pela construção da usina hidrelétrica. O chamado Parque Natural Municipal das Capivaras é nomeado e classificado informalmente, sem que haja qualquer Conselho administrativo, órgão normativo ou organização, constituída pela sociedade civil ou responsável das causas ambientais municipais ou estaduais, presentes em ação para a normatização de atuação e exploração da área como é previsto no Sistema Nacional de Conservação da Natureza (SNUC), instituído pela lei Federal 9.985/2000. É sabido que especialistas em recursos ambientais naturais da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul em expedição com parceria empresa contratada pela Prefeitura Municipal, desenvolveram estudos esclarecedores das condições ambientais naturais reais, análise do ecossistema presente e avaliação geral da área visando o Plano de Manejo, o qual não tem existência oficial, apesar de ter sido criado no ano de 2000. Há previsão, porém de data incerta, de ser levado a audiência pública na Câmara Municipal contando com a participação livre, inclusive dos moradores do entorno do parque. Sendo aprovado, a administração deverá publicar o ato de forma que o Plano tenha existência oficial, permitindo entre outros benefícios, receita de ICMS Ecológico e parcerias em projetos ambientais, como a Fundação Boticário, por exemplo. Em conseqüência, a área não está contida em mapas, registros e listagens publicadas por regulamentadores de unidade de conservação, como por exemplo, os mapas e registros do Zoneamento Ecológico- Econômico do Mato Grosso do Sul. O zoneamento destaca em seus estudos de definição e normatização quais são as presentes ou possíveis zonas de ocupação, zonas de preservação e/ ou conservação, ou seja, delimita 29 Começa na interseção com limite do perímetro da ZEU 1 no ponto de coordenada UTM de 428897.2885,7705208.7845, deflete a direita margeando limite da ZEU 01 até atingir barranca do rio Sucuriú no ponto de coordenada UTM de 431583.5620,7709310.0926, deflete a direita até foz do rio Sucuriú no rio Paraná segue pela margem direita do rio Paraná ate atingir interseção com ZEIU 03 no ponto de coordenada UTM de 432226.4740,7708804.0607, deflete a direita até atingir o limite da ZI 01 com coordenada aproximada de 431392.9170,7705866.1808, deflete a esquerda contornando os limites da ZI 01 até atingir limite do perímetro da ZEIU 04 no ponto de coordenada UTM de 431165.7251,7706163.0261, deflete a esquerda margeando o limite da ZEIU 04 até atingir o ponto de coordenada UTM de 430915.3215,7706163.0261, deflete a esquerda até atingir o ponto inicial. geograficamente áreas territoriais com o objetivo de estabelecer regimes especiais de uso, gozo e fruição da propriedade. O Zoneamento Ecológico- Econômico é um instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente que atua na organização territorial, conforme o Decreto nº 4.297/2002 que regulamenta o Art.9º, inciso II, da Lei 6.938/1981 e objetiva organizar as decisões dos agentes públicos e privados quanto aos planos, programas, projetos e atividades que utilizem recursos naturais através da manutenção do capital e serviços ambientais dos ecossistemas e criar condições para que as atividades sociais e econômicas sejam adequadamente distribuídas com efetiva postura de conservação ambiental. Considerando – se potencialidade o visível manifesto da riqueza biodiversa do local e beleza cênica, sua proximidade com a zona urbana e ausência de leis normativas e regulamentadoras por parte de órgãos ambientais responsáveis, assim como fiscalização eficiente e a forte tendência cultural da comunidade local de se transportar até as margens de rios devido às altas temperaturas características da região e aumento da população, a vulnerabilidade da integridade ambiental expõe o potencial local devido à letargia por parte dos responsáveis ambientais quanto as providencias necessárias para a conservação, preservação, valorização das riquezas de observação ou exploração, pondo em risco o bioma existente no parque e desperdiça a oportunidade de desenvolvimento de atividades turísticas, conseqüentemente científicas e educativas, para os habitantes locais e turistas devido às atrações naturais exclusivas na região. Na área ocupada pelo Parque Natural Municipal das Capivaras há forte, se não predominante presença de Mata Atlântica, a qual se caracteriza com alta fragilidade e necessidade de preservação do ecossistema local, por isso, o preparo e correta exploração do entorno desta é de extrema importância. O entorno do Parque Natural Municipal das Capivaras, com maior densidade de vegetação, constituise da Cascalheira, região superior ao parque, freqüentada por pescadores, pessoas que procuram frescor em dias de altas temperaturas, marginais e fugitivos, onde a paisagem é privilegiada e a amplitude do território possibilita a visitação pública. São encontrados com facilidade, em veículos de divulgação, vídeos de grupos praticantes de atividades com motos em trilhas presentes na área da Cascalheira. Essas práticas envolvem o uso das máquinas em manobras executadas em terrenos com diferentes graus de acessibilidade e trilhas, a motivação dos grupos para a prática é certamente o conjunto de características da área: paisagem, presença de pequenos morros e obstáculos naturais, liberdade de acesso sem restrições de utilização e fiscalização e proximidade da cidade. Grupos de ciclistas buscam as mesmas experiências que os motoqueiros, considerando-se a diferença do equipamento utilizado. A pesca é praticada com maior intensidade e freqüência na área do parque, a qual igualmente não possui grandes dificuldades de acesso por limitações administrativas ou geográficas, são pessoas que procuram tranqüilidade aliada a uma atividade de lazer. Quanto aos cuidados necessários para a utilização da área há um aviso informal, possivelmente fixado por um dos pescadores. Nas áreas com maiores aberturas para as margens do rio, em dias de calor há visitação de banhistas e observadores. Apesar do risco apresentado pelo local para banhos e mergulhos devido aos restos de construção e estruturas da época construção da Usina Hidroelétrica população procura pelas águas do rio Paraná no local, tanto famílias quanto grupos de amigos são freqüentadores. Por existirem várias formas de o homem interagir com o ambiente, o mercado do turismo ecológico torna – se diversificado e da origem a diferentes grupos de visitantes com motivações peculiares e características distintas. As regiões referidas (Parque Natural Municipal das Capivaras e região da Cascalheira) oferecem potencial para as atividades do Ecoturismo ou Turismo Ecológico, Educação Ambiental e Turismo Científico, no que tange estudos sobre a mata Atlântica e seus resquícios, sua preservação e informações adicionais, para este último, e de Turismo de Observação. Além de a área oferecer contato direto com a natureza, oportunidade para a implantação de trilhas para caminhadas e trilhas interpretativas, amplos espaços possuem cenários que possibilitam e são atrações para a observação do meio. Vantagens Considerando a sinergia de todos os atores envolvidos no processo de desenvolvimento do turismo de acordo com o planejamento voltado à sustentabilidade e melhor forma de utilização dos potenciais é seguro afirmar que, a partir da fomentação das atividades turísticas, as vantagens originadas são certas. Para produção de bens e serviços há geração de emprego de mão de obra, o que desencadeia o ciclo de aumento da rentabilidade das famílias de menor poder aquisitivo e a necessidade de especialização da mão de obra no que tange a prestação de serviços diretos ao consumidor como guias, recepcionistas, recreacionistas, por exemplo, incentiva a intensificação do interesse e procura pela profissionalização e crescimento pessoal da população autóctone, além de visar colaborar com os princípios do desenvolvimento sustentável preconizado pela Agenda 21. A movimentação de turistas exige a disponibilidade de boas condições de utilização dos empreendimentos alimentícios, restaurantes e lanchonetes, o transporte coletivo deverá se modernizar pra atender aos visitantes além de favorecer os moradores da cidade, desta forma o comércio passa a receber maior movimentação para atender a demanda local, como fornecedores dos empreendimentos locais e aos visitantes que circularão pela cidade eventualmente na busca de produtos que sejam de necessidade momentânea ou até os que supram os frutos da pura curiosidade pela cultura e sociedade visitada. Por fim haverá estímulo da competitividade, com o aumento da produção de bens e serviços, entre os elementos da oferta, os quais buscarão continuamente pela qualidade dos serviços. Desvantagens Como qualquer atividade econômica o Turismo possui desvantagens e riscos, já que, o setor exige grandes investimentos de capital e, mais intensamente em sua fase inicial de implantação, quando, a obtenção do mercado consumidor é lenta. A falta de informação e do conhecimento e das especificidades de sua produção, por parte a sociedade local, representa o risco de impedimento do sucesso do desenvolvimento da atividade, da mesma forma que a atuação desenfreada do setor imobiliário e sua tendência à supervalorização dos espaços a qual, fatalmente atinge os altos valores. Não é anulado o risco de desequilíbrio ambiental, mesmo o Ecoturismo sendo considerado como atividade de mínimo impacto ambiental, e desgaste dos atrativos. Em relação aos impactos no ambiente natural e sócio cultural, existem vários aspectos que precisam ser observados e cuidados para que haja consciência de preservação e resgate deste ambiente: o acumulo de lixo as margens dos caminhos e trilhas, rios e lagos; uso de produtos que possam contaminar as águas, comprometendo sua pureza e a vida dos peixes e vegetação aquática; poluição sonora e ambiental provocada por motores e possíveis embarcações; coleta, captura de espécies nativas; ruídos que assustam animais e provocam a fuga de ninhos e refúgios (como palmas, tiros, música, assobios, apitos, etc.). Turistas que alimentam animais com produtos contendo conservantes e componentes podem causar doenças e até levar a morte; o abandono de lixo e restos de comida ao ar livre pode atrair insetos, provocar mau cheiro e cultivar bactérias; alargamento e pisoteio da vegetação das trilhas e caminhos; caça e pesca ilegal; incêndios nas áreas mais secas provocados por faíscas de isqueiros, fósforos ou cigarros; descaracterização da paisagem causada por construção de equipamentos cujos materiais, arquitetura e estilo contrastem o meio natural; descaracterização das tradições e dos costumes das comunidades receptoras, cujos ritos e mitos, muitas vezes, são transformados em shows para turistas; choque cultural diante a diferença de hábitos e a ostentação de melhores condições financeiras que a dos moradores,aumento dos preços e migração de pessoas originárias de regiões economicamente debilitadas para os novos pólos, em busca de empregos provocando excedentes na oferta de mão-de-obra e escassez de moradias. A implantação da atividade turística na área estudada visa o desenvolvimento territorial passando a comunidade a ser reconhecida a partir dele, com atividades mais complexas que envolvam o comprometimento da participação de todos os personagens como os programas de certificações de sustentabilidade, captação de incentivos fiscais, apoio e parcerias com fundações focadas no desenvolvimento responsável das comunidades, zoneamento e correto manejo das áreas e a organização do território. Desenvolvimento regional focando no fortalecimento da sociedade civil entendida como comunidade, indivíduos e região acordados em seus objetivos locais, aproveitamento dos recursos e potencialidades endógenas existentes e garantia da participação dos cidadãos na resolução dos problemas regionais considerada como mecanismo complementar às ações dos órgãos administrativos, governamentais e mercado e espelho da eficiência destes mecanismos. Desenvolvimento local direcionado para a valorização e melhor utilização e aproveitamento da área, cuidados de preservação e conservação com a riqueza ambiental presente, abertura e oportunidade de evolução sócio-econômica por parte da comunidade enquanto inserida em um cenário caracterizado fortemente por grandes transformações no âmbito industrial as quais direcionam e centralizam atenções e investimentos econômicos na alçada industrial. Disponibilização de um atrativo que gere expectativas de diversidade nas opções de lazer da região e suprir as necessidades atuais de desenvolvimento de produto turístico tangível, através do aproveitamento e cuidado da riqueza natural e peculiar presente no Parque Natural Municipal das Capivaras, além da recuperação e uso sustentável da área. São perspectivas do desenvolvimento do turismo no Parque Natural Municipal das Capivaras as oportunidades potenciais do ecoturismo acima além das ooportunidades de diversificação e consolidação econômica, geração de empregos, conservação ambiental, valorização da cultura, conservação e/ou recuperação do patrimônio histórico, recuperação da auto-estima nas suas áreas de atuação, consequentemente tais beneficios são objetivos da proposta da mesma forma. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Prefeitura Municipal de Três Lagoas. Plano Diretor. [acessado em 27/05/2007]. Disponível em http://www.treslagoas.ms.gov.br. BRASIL. Prefeitura Municipal de Três Lagoas. Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Agro negócio, Pecuária, Ciência e Tecnologia. [acessado em 27/05/2007]. Disponível em http://www.treslagoas.ms.gov.br IGANARRA, Luis Renato. Fundamentos do Turismo. - São Paulo, SP: Pioneira, 1999. LINDBERG, Kreg e HAWKINS, Donald. Ecoturismo: Um guia para o planejamento e gestão. São Paulo, SP. Senac,2002. RODRIGUES, Adyr Balastreri. Turismo e Desenvolvimento Local. São Paulo, SP: Hucitec, 1997. TURISMO E IDENTIDADE CULTURAL SILVA, Magda Fernandes da SILVA, Bruna Carla de Sousa Acadêmicas do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO A crescente sensibilização das sociedades modernas para as questões culturais e ambientais tem fomentado uma maior abertura e interesse, por parte das instituições governamentais e não governamentais, para o desenvolvimento e estabelecimento de estratégias de intervenção no âmbito da preservação, reabilitação e conservação do patrimônio cultural. O tema em questão, atualmente, atrai atenção das sociedades modernas, no que concerne à proteção do patrimônio cultural, pois este se encontra ameaçado de destruição e deterioração, devido as mudanças decorrentes de fatores naturais, bem como as mudanças econômicas e sociais, que agravam a situação. Alguns desses fatores estão relacionados ao crescente processo de evolução, proveniente da globalização, na qual tem contribuído para o aumento de tais mudanças. O presente trabalho tem como objetivo apresentar o conceito, a evolução histórica e a problemática que evolvem o tema, permitindo à população analisar a relação que tange entre o resgate e o aproveitamento do patrimônio cultural e as possibilidades de intervenção turísticas. Para isso, foram utilizadas pesquisas bibliográficas referentes ao assunto. Palavras-chave: turismo; identidade cultural; conservação; patrimônio O QUE É PATRIMÔNIO? A palavra patrimônio tem origem latina, patrimonium, e, primordialmente, estava relacionada com bens de família, herança e posse. Essa palavra possui vários significados. Para que possamos entender melhor o conceito de patrimônio é preciso saber um pouco da história e seu contexto histórico, pois este é tudo aquilo que faz parte da história, ou seja, o legado deixado pelos antecedentes. O sentido ou definição mais comum é o conjunto de bens que uma pessoa ou uma entidade possuem. Desse modo, patrimônio nacional, por exemplo, é o conjunto de bens que pertencem a determinado país. O patrimônio pode ser classificado por duas divisões, tais como: natureza e cultura. Patrimônio natural são as riquezas que estão no solo e no subsolo, tanto as florestas quanto às jazidas. Já, quanto ao patrimônio cultural, esse conceito vem sendo ampliado na medida em que se revisa o sentido de cultura. PATRIMÔNIO CULTURAL: CONCEITO O conceito de patrimônio cultural evoluiu, ao passar de tesouro artístico a recurso para desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida das pessoas. Ao patrimônio cultural associa-se um conjunto de valores, como beleza, antiguidade, identidade, estética, curiosidade, entre outros. Nesse processo de evolução, o significado da palavra patrimônio passou de tesouro artístico - que era destinado à contemplação por apenas uma minoria de privilegiados - para monumento históricocultural – de interesse dos Estados-nação - e posteriormente, passou a representar culturas, e ser instrumento de educação universal. Essa visão de patrimônio como um recurso econômico, capaz de gerar emprego e renda, está associada ao crescimento do turismo e à necessidade das pessoas conheceram a diversidade cultural das regiões, dos territórios nacionais e de todo o planeta. Atualmente, o patrimônio cultural é considerado um conjunto de bens materiais e não materiais, que foram legados pelos nossos antepassados e que, deverão ser transmitidos aos nossos descendentes, acrescidos de novos conteúdos e significados, os quais, deverão provavelmente, sofrer novas interpretações de acordo com novas realidades socioculturais. Este é composto por elementos tangíveis e intangíveis, tanto do passado quanto do presente, os quais, caracterizam no seu conjunto um povo, uma cultura. Assim, os bens culturais que constituem o patrimônio cultural podem ser divididos em dois grupos: bens tangíveis – materiais – e intangíveis – não materiais. O primeiro grupo – material ou tangíveis – está constituído por construções antigas, ferramentas, objetos pessoais, vestimentas, museus, cidades históricas, patrimônio arqueológico e paleontológico, jardins, edifícios militares e religiosos, cerâmica, esculturas, monumentos, documentos, instrumentos musicais e outros objetos que representam a capacidade de adaptação do ser humano ao seu meio ambiente e a forma de organização da vida social, política e cultural. O último grupo – não material ou intangíveis – é formado por todos aqueles conhecimentos transmitidos, como as tradições orais, a língua, a música, as danças, o teatro, os costumes, as festas, as crenças, o conhecimento, os ofícios e técnicas antigas, a medicina tradicional, a herança histórica, entre outros. Portanto, os bens patrimoniais formam uma ferramenta educacional importante, pois permitem que os jovens conheçam seu passado como forma de compreender melhor o presente e, ao mesmo tempo, consolidem-se valores e se fortaleça o processo de construção de uma identidade cultural. A EVOLUÇÃO DO CONCEITO DE PATRIMÔNIO Na idade antiga, a concepção de patrimônio era associada a idéia de coleção de riquezas, raridades e antiguidades de caráter extraordinário ou de grande valor material, indicadores de poder, de luxo e de prestígio, como troféus, tesouros, oferendas religiosas, sendo estes de desfrute individual, inacessível a todos, como uma forma de propriedade privada. Na idade média, civilizações gregas e romanas consideravam o patrimônio como vestígios de uma civilização superior, que, por isso, é imitada. Por essa razão, havia o tráfico de obras-de-arte, bem como cópias de modelos originais. Existia também, uma valorização estética e herança cultural de interesse pedagógico. Nessa época, a concepção de patrimônio estava associada a idéia de algo que se respeita, que é sagrado, mas também relacionava-se com relíquias, escavações arqueológicas. A partir do Renascimento, o conceito de patrimônio passou a se identificar com o passado histórico, os objetos artísticos, especialmente belos e meritórios, passaram a ser valorizados por sua dimensão histórica e rememorativa, como produtos culturais de uma época determinada. Além disso, os renascentistas passaram a adotar o patrimônio de valor artístico, venerando-o por sua beleza estética, particularmente nos séculos XV e XVI. Nessa época, buscou-se recuperar e conservar os bens do passado, pois, o patrimônio passou a ter não só um interesse histórico, como também um interesse artístico. A obra-de-arte podia ser um documento para se conhecer o passado, idéia propiciada pelos primeiros estudos rigorosos de história da arte. Entre os séculos XVI e XVIII, os jovens da nobreza passaram a cultuar e a venerar o passado viajando para as regiões onde se encontravam o patrimônio monumental das civilizações antigas para se educarem, como uma forma anterior de turismo, denominado Grand Tour, a qual antecedeu a popularização das viagens iniciadas por Thomas Cook, em 1841, considerado o marco inicial do turismo moderno. Em 1789, com a chamada Revolução Francesa, houve uma mudança significativa em todo esse processo de evolução. O Estado apropriou-se dos bens e coleções da Igreja católica, da nobreza e da monarquia reunindo-os em museus. Desse modo, com a ascensão da burguesia ao poder em inúmeros países europeus, aumentou-se significativamente o número de museus por toda a Europa. Os museus ganharam uma função política, de fortalecimento dos recém-criados Estadosnação. Assim, o patrimônio, em termos políticos, assumiu um novo papel simbólico, qual seja, representar a comunidade identificada como nação. Dessa forma, além do valor histórico e artístico, o patrimônio ganhou um valor político e passou a ser identificado com o Estado, representante dos interesses gerais da nação. Ao longo de todo o século XIX e boa parte do XX perdurou essa concepção de patrimônio público, nacional e estatal, como instrumento de formação e consolidação das identidades nacionais. Durante esse período, o isolamento do patrimônio em museus, contribuiu para a expansão do turismo ao destaca-lo e separa-lo do presente, tornando-o objeto de visitação. Com o passar do tempo, os museus foram perdendo, gradativamente, sua função educativa e passaram a ser freqüentados principalmente pelas elites e por intelectuais, com o intuito de limitar o acesso ao patrimônio, que era considerado pertencente à cultura erudita, identificada com as elites. Somente a partir da metade do século XX esse quadro começou a ser alterado, constituindose a concepção do patrimônio com inúmeras dimensões, passando a considerar o seu potencial socioeducativo e econômico, além de seu valor cultural. Ampliou-se o público dos museus, retomando seu papel na educação massiva. O crescimento do turismo de massas no período colaborou para expandir a concepção do patrimônio, a partir do momento em que amplas camadas da população passaram a ter acesso às viagens e a desejar conhecer outros povos, outras culturas e a fortalecer sua própria identidade pelo conhecimento do passado. Atualmente, a definição de patrimônio, além de valores históricos, artísticos, científicos, educativos e políticos, incorpora outros, que se relacionam com o território e com a construção da identidade cultural de uma população. Exige-se o compromisso ético e a cooperação de toda a população para garantir tanto sua conservação como sua exploração adequada. Essa concepção de patrimônio associa-se a idéia de riqueza coletiva de importância crucial para a democracia cultural, na qual há plena acessibilidade e novos usos, participação e envolvimento da sociedade civil, restauração. EVOLUÇÃO HISTÓRICA – PATRIMÔNIO CULTURAL E TURISMO Época e Desenvolvimento Década de 30 - Início da valorização do patrimônio arquitetônico brasileiro no contexto do movimento moderno, marcado pelo sentimento nacionalista, centrado na questão da identidade nacional. Em 1937 – criado o SPHAN. Lúcio Costa e Mário de Andrade – esforço de construir a identidade nacional – recuperaram nas artes o estilo barroco e na arquitetura o estilo neocolonial. Cidades inteiras, conjuntos arquitetônicos e edifícios foram tombados. Ouro Preto, Diamantina, Olinda, Salvador, São Luís... Meados do Século XX - Administradores públicos passam a considerar benéficos da remodelação do espaço público como forma de atrair capital para os centros urbanos. Ex: Museu de Bilbao – Espanha; Times Square – EUA; Brasil – Rio de Janeiro. Década de 60 - No Brasil, a arquitetura e o urbanismo passam a ser objeto de interesse turístico devido à melhoria dos acessos rodoviários. Década de 70 - Em 1973, foi criado o Programa Integrado de Reconstrução de Cidades Históricas para promover o desenvolvimento turístico histórico do Nordeste. Década de 80 - Em 1982, formulou-se conceitos de cultura e desenvolvimento na Conferência Mundial do México. Este era considerado um processo complexo e multidimensional que vai além do crescimento econômico e integras energias da comunidade, devendo fundar-se no desejo de cada sociedade de expressar sua profunda identidade. Já aquela era considerada como um conjunto de características espirituais e materiais, intelectuais e emocionais que definem um grupo social; engloba modos de vida, os direitos fundamentais da pessoa, sistema de valores, tradições e crenças. Em 1986, na Conferência de Bruntland foi introduzido, pelo documento final Nosso Futuro Comum, conceitos de sustentabilidade e de biodiversidade, ambos transportados para o campo da cultura. Entre 1988 a 1997, a UNESCO declarou Decênio Mundial do Desenvolvimento Cultural. Em 1989, a UNESCO estabeleceu a Recomendação sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Popular e vem, desde então, estimulando a sua aplicação ao redor do mundo. Esse instrumento legal fornece elementos para a identificação, a preservação e a continuidade dessa forma de patrimônio, assim como de sua disseminação. Final do Século XX - Temas de debates sobre a cultura, a identidade, o turismo e o desenvolvimento. Constataram que o turismo de massa consumista estava matando os lugares. Como solução para áreas degradas pelo turismo de massa cresce o turismo cultural e o ecoturismo. Visitantes mais educados e conscientes, à procura de informações e de novas experiências. Tendo como alvo ambientes naturais específicos e cidades históricas, manifestações culturais, a culinária, a arte e o artesanato. O turismo cultural passa, então, a ser visto pelos órgãos de preservação como meio de arrecadar recursos para a manutenção de lugares e manifestações, bem como instrumento de informação do público visitante. Década de 90 - Em 1995, criou-se a Comissão Mundial de Cultura e o relatório Nossa Diversidade Criadora, o qual acrescenta que o desenvolvimento não tem que ser apenas sustentável mais cultural. Surge, pois, a necessidade de preservar a diversidade cultural como a riqueza máxima do nosso planeta. Em 1991, no Tratado de Maastricht, a União Européia designou a cultura como fator de elaboração de políticas de desenvolvimento. O turismo era visto não apenas como fonte de crescimento econômico, mas também como forma de manter e reforçar identidades regionais. Em 1993, o Caminho de Santiago de Compostela, foi inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. No período de 1995 à 1973, cresceu o número de visitantes de 3 milhões para 34 milhões por ano na Espanha. Em 1998, a Conferência de Estocolmo fixou objetivo como a adoção de política cultural como chave de estratégia do desenvolvimento, a promoção da criatividade, da participação na vida cultural e da diversidade cultural e lingüística. Início do Século XXI - Surgem questões como o que preservar e para quem preservar, bem como da identidade cultural. Em 2001, a UNESCO criou um título internacional, concedido a destacados espaços e manifestações da cultura tradicional e popular. Em 2003, a UNESCO adotou a Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural e Imaterial. Essa convenção regula o tema do patrimônio cultural imaterial e, assim integra a Convenção do Patrimônio Mundial, de 1972, que cuida dos bens tangíveis, de modo a contemplar toda a herança cultural da humanidade. PRESERVAÇÃO X CONSERVAÇÃO Preservar não é só guardar uma coisa, um objeto, uma construção, um miolo histórico de uma grande cidade velha. Preservar também é gravar depoimentos, sons, músicas populares e eruditas. Preservar é manter vivos, mesmo que alterados, usos e costumes populares. É fazer, também, levantamentos (de qualquer natureza), de sítios variados, de cidades, de bairros, de quarteirões significativos dentro do contexto urbano. É fazer levantamentos de construções, especialmente aquelas sabidamente condenadas ao desaparecimento decorrente da especulação imobiliária. Preservar significa proteger, resguardar, evitar que alguma coisa seja atingida por alguma outra que lhe cause dano. Por outro lado, conservar significa manter, guardar para que haja uma permanência no tempo. Desde que guardar é diferente de resguardar, preservar o patrimônio implica mantê-lo estático e intocado, ao passo que conservar implica integrá-lo no dinamismo do processo cultural. Quanto à legitimidade da conservação como alternativa à preservação não há unanimidade. Na realidade, os preservacionistas acreditam que a conservação destrói a aura do bem cultural. O problema, geralmente, é que o bem assim “protegido” transforma-se num equipamento com pouca utilidade social e nenhuma viabilidade financeira, que onera o poder público responsável. Desse modo, o patrimônio mantém sua aura, mas não se mantém. Nessa discussão encontra-se implícita a questão do público e do privado. Muitas pessoas, como a comunidade científica e a sociedade mais ampla entendem que o patrimônio deve permanecer público, pois sua privatização seria uma forma de alienação. Paradoxalmente, então, a preservação acaba sendo uma proposta que leva, muitas vezes, à destruição gradativa do patrimônio por falta de condições financeiras para obras de restauro ou de simples manutenção, e a conservação é o que permite evitar a deterioração dos bens, ou seja, é o que permite proteger o bem dos efeitos do tempo. Portanto, a idéia não é manter o patrimônio para lucrar com ele, mas sim lucrar com ele para conseguir mantê-lo. A PROBLEMÁTICA DO PATRIMÔNIO CULTURAL E SUA DESTRUIÇÃO Uma questão que se coloca, logo de início, à definição de qualquer tipo de patrimônio (cultural, artístico, histórico, natural...), prendem-se com a importância que as sociedades atribuem aos diferentes bens e à necessidade de classificação, recuperação e preservação dos considerados mais importantes enquanto herança das gerações passadas e legado para as vindouras. No entanto, essa preocupação vai-se desenvolvendo concomitantemente com o próprio desenvolvimento sócioeconômico, verificando-se, mesmo ao nível legislativo, uma maior atividade no âmbito da sensibilização e conservação patrimonial nos países tidos como mais desenvolvidos. Nestes, o patrimônio é cada vez mais identificado com uma herança coletiva a preservar para passar às gerações vindouras de formas a perpetuar os vestígios direta ou indiretamente ligado à História do Homem e da Sociedade. Concluindo, verificamos a necessidade urgente em valorizar e divulgar o patrimônio cultural, o que deve ser antecedido por um processo de estudo, sistematização, classificação e inventariação, de forma a desenvolver um esforço concertado de recuperação, preservação e conservação dos elementos identificados como tal. A mudança no conceito de patrimônio acompanha a mudança no conceito de história, ciência esta que por muitos séculos registrou apenas os grandes feitos políticos. A história oficial, que conta os grandes feitos e batalhas, passou para a história social, na qual passa a contar também o cotidiano das pessoas. A tendência(substituir por um sinônimo) é levar em conta tanto os grandes feitos quanto a história das minorias, ou seja, dos relegados, e a relação entre diferentes segmentos que compõem as sociedades estudadas, incluindo as relações econômicas e sociais, a vida doméstica, as condições de trabalho e lazer, a atitude para com a natureza, a cultura, a religião, a música, a arquitetura, a educação. Desse modo, o patrimônio deixou de ser definido pelos prédios que abrigaram reis, condes e pelos utensílios a eles pertencentes, passando a ser definido como o conjunto de todos os utensílios hábitos, usos e costumes, crenças e forma de vida cotidiana de todos os segmentos que compuseram e compõem a sociedade. Ainda que, no meio acadêmico haja quase um acordo nessa visão de patrimônio, nos âmbitos oficiais, prevalece a ênfase na identificação do patrimônio com monumentos, arquitetônicos ou escultóricos e, já que o patrimônio é considerado importante para a manutenção da identidade nacional, há o implemento em muitos países de políticas de preservação que visam evitar que a especulação imobiliária acabe com as construções consideradas históricas em sentido estrito. Em muitos países, ampliaram essa visão e tomaram medidas legais para evitar o contrabando ou a venda legal de material arqueológico, obras de arte e outros utensílios tidos como patrimônio nacional para grandes centros, museus ou coleções particulares. Em 1972, na convenção do Patrimônio Mundial da Unesco, determina-se patrimônio cultural como conjunto de bens ou valores, constituídos por monumentos, conjunto de edificações e sítios. A convenção de 1972 advertiu que o patrimônio está cada vez mais ameaçado de destruição, tanto pela deterioração normal, derivado de fatores naturais, como por mudanças nas condições econômicas e sociais, que agravam a situação, e em meio as quais estaria o turismo. Os fatores naturais que podem estragar um bem são as enchentes, a erosão, as inclemências do tempo em geral. Entre os outros fatores, estão a respiração humana e animal, os excrementos, as emanações decorrentes dos escapamentos dos automóveis ou das chaminés de fabricas, a falta de reparações ou reparações malfeitas, e o vandalismo (incluindo as pichações). Políticas de Preservação Para que o patrimônio seja protegido dessas ameaças, são necessárias as políticas de preservação. Essas políticas não são neutras, refletem a ideologia dos que fazem as leis. Definir o que é digno de preservação é uma decisão político-ideológica, que reflete valores e opiniões sobre quais são os símbolos que devem conservar para retratar determinada sociedade ou determinado momento, donde os grandes questionamentos sobre quem tem ou deveria ter autoridade para decidir. Em relação à questão da preservação, observa-se que o Estado que legisla sobre esses bens raramente pode manter o patrimônio em bom estado e os utensílios em espaços adequados, sejam eles museísticos ou não. As políticas de preservação referentes ao patrimônio arquitetônico tendem a impedir de tocar os bens, a preserva-los, no sentido estrito da palavra, a resguarda-los, o que implica deixar os prédios fechados. O problema se minimiza quando essas políticas são aplicadas a edificações já pertencentes ao Estado, mas, quando são aplicadas a bens particulares, há uma colisão com os interesses da área imobiliária, que podem levar à ações extremas por parte dos proprietários. No caso do Brasil, segundo Fonseca (1997, p.111), “(...) as políticas de preservação se propõem a atuar, basicamente, no nível simbólico, tendo como objetivo reforçar uma identidade coletiva, a educação e a formação de cidadãos....”. A medida legal mais palpável para proteger o patrimônio é o tombamento. Este consiste num registro do bem num “livro de tombo”, em cujas páginas ficam registrados os bens considerados valiosos e sujeitos às leis de preservação do patrimônio, o que sugere não poderem ser demolidos nem modificados em seu aspecto externo ou em suas características essenciais, sugerindo também que, num raio de 300 metros, nada pode ser alterado. O Estado tomba prédios históricos para protege-los da destruição rápida da demolição, mas, dificultando suas possibilidades de utilização, condena-os à destruição lenta do abandono, sem poder adotar medidas por falta de orçamento para tal. A conservação dos prédios mediante reaproveitamento por parte de empresas privadas, para finalidades acordes com as necessidades do presente, tem sido uma sugestão para viabilizar a manutenção do patrimônio. É marcante na Constituição Federal de 1988 a intenção do constituinte em ressaltar a importância da proteção do patrimônio cultural nacional, indicando a obrigação do Estado em garantir o pleno exercício dos direitos culturais, bem como, garantir o acesso às fontes da cultura nacional. A Constituição Federal de 1988 evoluiu em comparação as anteriores e definiu com forte delimitação a importância da preservação do patrimônio cultural considerando, inclusive, passível de punição, os danos e ameaças ao patrimônio cultural. CONSIDERAÇÕES FINAIS Podemos concluir que, com o passar do tempo, devido ao processo de globalização, o conceito de patrimônio evoluiu, e o turismo foi se associando e identificando-se cada vez mais com o patrimônio cultural. Um fato que comprova essa realidade é o crescimento de patrimônios históricos tombados, restaurados e conservados, conseqüentemente ampliando as visitas em cidades históricas, bem como, aumentando o interesse e incitando a curiosidade nas pessoas em conhecer outras culturas, povos, línguas, costumes, tradições, nações. Além disso, houve uma mudança concernente aos valores patrimoniais históricos, artísticos, científicos, políticos, econômicos e culturais, permitindo as pessoas a tomarem conhecimento do legado deixado pela história da nação, bem como, conscientiza-las de que o passado, o presente e o futuro estão interligados, e que toda população deve construir sua identidade cultural. Vale dizer que, o turismo tem ajudado na construção dessa identidade cultural, ao passo que, incentiva a população a preservar e conservar os patrimônios, mantendo assim o crescimento das cidades e dos recursos. A participação da comunidade nos atos de proteção do patrimônio cultural pode ocorrer por duas formas: a primeira, pela participação da comunidade organizada nos conselhos de cultura e nos organismos que decidem os objetos material ou imaterial a serem preservados; a segunda é traduzida pela utilização de mecanismos legais, tais como a ação popular para coibir os atos políticos que ponham em riscos os valores de importância cultural definido pela coletividade. Segundo Ana Luiza Piatti, Arquiteta e Urbanista Consultora da Embratur – UNESCO: “O turismo cultural deve ter uma relevância direta para a vida no mundo de hoje. Depois que o visitante se forem, deve-se perguntar-se, como resultado da visita, eles passaram a compreender melhor a relações entre gente e lugar, como as estruturas são construídas e sobrevivem, como artistas interpretam uma área e a vida em épocas passadas, como a dança e a música se desenvolvem em determinado lugar. Desafio é integração do patrimônio com a vida moderna, não apenas atingir uma meta de lazer, desvinculada da vida cotidiana do lugar.” Ressalte-se que, existe um país caracterizado por diferenças culturais e por desigualdades sociais, pretensamente unificado por um projeto cultural do grupo dominante, que procurou construir uma cultura nacional homogênea baseada na destruição das culturas particulares e na imposição de valores considerados universais. Esse tipo de concepção de patrimônio cultural impede a aplicação de uma política de proteção e preservação à totalidade dos objetos culturais que formam o patrimônio cultural real do país; impedindo, ao mesmo tempo, que diversos grupos sociais existentes identifiquem-se com inúmeros bens culturais selecionados como patrimônio nacional. Assim, como a identidade de um indivíduo ou de uma família pode ser definida pela posse de objetos que foram herdados e que permanecem na família por várias gerações, também a identidade de uma nação pode ser definida pelos seus monumentos – aquele conjunto de bens culturais associados ao passado nacional. Esses bens constituem um tipo especial de propriedade: a eles se atribui a capacidade de evocar o passado e, desse modo, estabelecer uma ligação entre passado, presente e futuro. Em outras palavras, eles garantem a continuidade da nação no tempo.30 Dessa forma, a necessidade de manter a identidade cultural de um país e de um povo com medidas preservacionistas é garantir o equilíbrio entre o crescimento e o progresso sem desaparecer o passado e a memória da sociedade no desenvolvimento geral da grande nação universal. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 30 GONÇALVES, 1998, p. 267. BARRETO, Margarida. Turismo e legado cultural – as possibilidades do planejamento. 2. ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2000. DIAS, Reinaldo. Turismo e patrimônio cultural – recursos que acompanham o crescimento das cidades. São Paulo: Saraiva, 2006. RODRIGUES, José Eduardo Ramos. Tombamento e patrimônio cultural. In: BENJAMIN, Antônio Hermem V. (Coord). Dano ambiental, prevenção, reparação e repressão, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1993. AS CONDIÇÕES ATUAIS DA CIDADE PARA RECEBER O CRESCIMENTO POPULACIONAL E INDUSTRIAL VALE , Márcio Vinícius Guimarães do Acadêmico do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO A cidade de Três Lagoas está passando por mudanças inesperadas, devido ao preparo para o crescimento industrial e populacional acelerado em todo seu território nos últimos dois anos. Com a vinda de diversas empresas, a cidade passa por um crescimento populacional, inesperado e repentino. Isso se explica principalmente pela instalação da International Paper e outras empresas a ele relacionada. A International Paper é uma empresa multinacional que trabalha com a fabricação de papel e celulose, grande responsável pelo crescimento atual de Três Lagoas. Empresa consolidada no mercado há vários anos com sede nos EUA e que está sendo implantada no município de Três Lagoas, Estado de Mato Grosso do Sul. A citada empresa compreende a instalação de uma de suas unidades devido às condições favoráveis em localização geográfica e incentivos industriais. Essa empresa junto com a VCP, que é sua subsidiária, estará em destaque, no provimento de mão de obra e matéria prima. O artigo pretende reunir dados sobre as empresas e de sua instalação bem como os possíveis impactos que elas irão trazer à cidade tanto do lado social (político, educacional, saúde e de turismo), tanto do lado tecnológico. Será utilizada a metodologia de coleta de dados por meio de textos jornalísticos, noticiários e da própria empresa. Palavras-chave: International Paper; Impactos sócio-culturais; município de Três Lagoas. INTRODUÇÃO A International Paper é uma empresa que está investindo bilhões instalando uma de suas filiais na cidade de Três Lagoas. A empresa será inaugurada em 2009 e vai ser responsável pela produção de papel e celulose. Três Lagoas é um município do estado do Mato Grosso do Sul, localizado às margens do rio Paraná, divisa com o estado de São Paulo, com cerca de noventa mil habitantes. A cidade já possui um pólo industrial significativo e de grande relevância, tal situação ocorre devido às leis de incentivos industriais do município, propiciando um maior desenvolvimento econômico e industrial na cidade de Três Lagoas. Com sua implantação, terá benefícios e malefícios para a cidade. Em se tratando de benefícios, protegerá a natureza e a política de desenvolvimento sustentável; se comprometerá a melhorar continuamente a produtividade de suas florestas, com a adoção de práticas econômica e ambientalmente responsáveis, oferecendo oportunidades educativas para a comunidade e conservando os recursos naturais; manterá programas de formação pessoal, por meio de processos educativos e treinamentos específicos, visando a construção de uma força de trabalho que desempenhe suas atividades de maneira profissional e moralmente responsável face ao meio ambiente, segundo a própria empresa “os impactos (alterações que ocorrerão na água e no ar) serão de pequena magnitude e, mesmo somados às emissões/concentrações já existentes na região, não ultrapassarão os limites estabelecidos na legislação”, mas de uma forma ou outra, há sim um impacto na cidade e região Em se tratando de malefícios à cidade de Três Lagoas, podemos dizer que a cidade não estava preparada pra receber essas empresas, pois falta infra-estrutura adequada, como falta de moradia, falta de hotéis, restaurantes, supermercados, hospitais, etc. Além da falta desse tipo de infra-estrutura ainda existe o problema de falta de mão de obra capacitado para atender as necessidades do novo publico ou moradores que estão por vir. Outro aspecto que será afetado, é a mistura de cultura, pois pessoas de outras cidades e culturas estão e virão habitar aqui, havendo um choque cultural na cidade com a chegada de aproximadamente de 7 a 10 mil pessoas, havendo vários tipos de discriminação tipo racismo, etc. Os dois hospitais N. Senhora Auxiliadora e Remo Massi, que já atendem a toda região, não serão o suficiente, tendo que haver breves investimentos não só na estrutura dos hospitais, mas também em toda a equipe médica, ou seja, deve-se investir na infra-estrutura urbana básica que envolve além de atendimento médico, saneamento básico, pavimentação das ruas, construção de casas, educação, segurança entre outras coisas. A cidade tem pouco asfalto e rede de esgoto, pois cidade com um fluxo de habitantes tão intenso é imprescindível saneamento básico para a toda população. Impactos Sócio-Culturais Tem-se notado que os impactos econômicos do turismo são freqüentemente observados em curto prazo, ou até mesmo imediatamente. E isso é o que o preocupa os responsáveis pelas indústrias. O Turismo é um fenômeno de aproximação ou do afastamento das pessoas. Através do contato que promove entre as diferentes culturas, uma vez que coloca ao mesmo tempo em um espaço temporariamente compartilhado a pluralidade cultural da humanidade. Apesar da mudança de cultura na cidade não afetar o turismo diretamente, pois o turista leva consigo todos os seus hábitos, tradições e comportamentos de consumo para a região de destino, provocarão certo impacto entre moradores da cidade e região. Se fossemos analisar a questão de um ponto de vista econômico, veríamos que a empresa vai gerar divisas para a cidade e com isso aumentar o poder de compra dos moradores locais, fomentando o setor comercial de Três Lagoas, contudo não podemos ver as coisas por um ângulo só, por isso é importante fazer uma análise crítica e imparcial do tema. O turismo e Desenvolvimento É fato notável, que o turismo, é uma atividade econômica que mobiliza grandes fluxos em todo o mundo e, que por sua vez, gera altíssimos índices de trocas comerciais e negócios entre as regiões de emissão e recepção. Um ramo do turismo que vai ser diretamente afetado é o que chamamos de turismo empresarial (business). Tão relevante quanto o aspecto econômico de tal atividade turística, é a dimensão social e cultural que o abriga. Existem fatores que poderão determinar o grau de impacto sócio-cultural na cidade receptora, nesse caso Três Lagoas/MS, tais como: A coerência e força da cultura local; O grau de desenvolvimento da população; As medidas tomadas pelo setor público para minimização dos impactos sócioculturais. Vemos com isso a grande possibilidade de ameaça dos hábitos tradicionais da população local, pela vinda da empresa International Paper. Mesmo que isso represente custos sociais altos em longo prazo, em decorrência da ausência de uma preocupação com o devido planejamento e controle da atividade, bem como de seus resultados sobre a comunidade. Segundo RODRIGUES: No mundo ocidental, o crescimento econômico, o aumento da produção e da riqueza, fez-se um contexto de prosperidade e de segurança internacional, que permitiram mercados, reestruturações produtivas, redistribuição dos frutos do crescimento e efetivação de objetos de coesão econômica e social. (RODRIGUES, 2001, p.94) De acordo com a autora, em todo o planeta podemos ver crescimento populacional e econômico devido ao aumento de produção, que é o caso da nossa cidade. Produz-se cada vez mais e isso faz com que haja um desenvolvimento econômico. O projeto em Três Lagoas representa um investimento de US$ 300 milhões sendo US$ 121 milhões investidos somente em 2007. A Fábrica Três Lagoas se insere em um mercado em franco crescimento. Com a instalação da unidade no Mato Grosso do Sul, haverá também a atração de novos investimentos e desenvolvimento de setores já instalados na região. Com a vinda da empresa para o município, diversas outras empresas se instalaram na cidade e região para atender a multinacional desde sua construção até seu consumo final. Com isso, diversas pessoas chegaram à cidade, em busca de emprego dificultando assim moradia na cidade Perante um investimento econômico tão alto e vinda de tantas pessoas, a cidade será mais freqüentada por pessoas do Brasil e do mundo. As autoridades do município, devem estar a par do que está por vim na cidade. Segundo a prefeita, está bem acelerado os preparativos para uma bom desenvolvimento na cidade. Pois desde quando assumiu o poder até o momento, a cidade tem se desenvolvido e progredido para a chegada das empresas. Com a notícia, diversos empresários despertaram o interesse de abrir algum investimento na cidade. Isso justifica a vinda de novos hotéis à cidade, novos restaurantes, novas agencias de automóveis e até agências de viagens. E isso não vai parar por aqui, com o decorrer dos anos, depois que mais industrias vierem à cidade, vai aumentando assim, a chegada de novos empreendimentos, tanto para o bem estar da população tanto para a manutenção das empresas. Os meios de transporte Os meios de transportes existentes em Três Lagoas e região também mudou muito, pois o tráfego de ônibus na cidade, faz com que haja engarrafamento em determinados pontos de movimento. Outra mudança importante é a vinda de novas empresas rodoviárias no município, sendo mais um tópico a se pensar com a chegada de tantas pessoas de fora da cidade que utilizam transporte rodoviário para visitar suas famílias que moram longe. Além da Motta e Andorinha, a Reunidas, São Luiz e Contijo operam na cidade e vão para vários destinos do Brasil, como também para o Nordeste. O aeroporto do município, não atende às necessidades da cidade nem atualmente e nem com a chegada das indústria não havendo nenhuma empresa aérea operando na cidade, pois empresário que terão que vir à Três Lagoas, terão que usar transportes particulares como carros, aviões, etc. O aeroporto tem uma pista boa, maior que a do aeroporto de congonhas, podendo assim pousar aviões de médio porte, pois o presidente da República Luis Inácio Lula da Silva, já pousou aqui na cidade com um Boeing 737 com capacidade para 180 pessoas. Considerações finais Conclui-se nesse trabalho, a pesquisa feita na região, visualiza o que veio e o que tem de vir na cidade de Três Lagoas / MS. De uma forma geral percebe-se que a vinda de empresas de grande porte acarretará em impactos diretos e indiretos ao município, podendo também fazer com no futuro, venha aumentar os casos de epidemia e doenças respiratórias devido ao excesso de poluentes lançados ao ar. Mas por outro lado, haverá ainda mais, progresso na cidade, pois quem pensa que a cidade já mudou, pode ter certeza de que nos próximos 10, 20 anos haverá uma mudança muito maior do que a atual. A cidade já tem um projeto de ampliação para atender às grandes demandas gerando maiores investimentos constantes, podendo possivelmente se tornar a segunda maior do estado. A cidade também ficará mais conhecida no mundo todo, pois atualmente, já foi apontada pela revista Exame, como uma cidade industrializada, exportará grande quantidade no porto de Santos para o exterior. Envolver-se-á possivelmente com negócios nacionais e internacionais. BIBLIOGRAFIA CASTROGIOVANNI, Antônio. Turismo Urbano ( org ) – São Paulo : Contexto, 2000 RODRIGUES, Adyr A. B. Turismo e Geografia: Reflexões teóricas e enfoques regionais. São Paulo, 2001 SWABROOKE, John. Turismo Sustentável : conceitos e impacto ambiental, vol. 1 / John Swarbrooke; ( tradução Margarete Dias Pulido ). – São Paulo : Aleph, 2000 SWARBROOKE, John. Turismo Sustentável : Turismo cultural, ecoturismo e ética, vol 5 / John Swarbrooke; [ tradução Saulo Krieger ]. – São Paulo : Aleph, 2000 - Turismo Sites pesquisados: Pesquisa efetuada no dia 02 de setembro de 2007 www.internationalpaper.com.br O PERFIL DO PROFISSIONAL DA HOTELARIA DE TRÊS LAGOAS MS MAZZONETTO, Nadir Klauck Acadêmica do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO As transformações que vêm acontecendo no município de Três Lagoas atingem inevitavelmente a vida de toda população. Conhecido por sua economia baseada na pecuária, a cidade assiste, agora, a instalação de várias indústrias, a geração de empregos, oportunidades e desafios. Junto com a industrialização outros setores como o comércio e os serviços também são beneficiados.Um dos setores que mais tem desenvolvido é o setor hoteleiro. A cada dia inauguram-se novas unidades habitacionais que logo são ocupadas. Com altas taxas de ocupação nos hotéis, é grande o aumento de vagas de empregos na área. No entanto, os empreendedores do setor encontram muitas dificuldades para preencher essas vagas, em virtude da falta de qualificação dos candidatos. Uma pesquisa de amostragem efetuada com os funcionários dos quatro hotéis de maior destaque na cidade, no segundo trimestre de 2008, aponta a rotatividade como um dos maiores obstáculos para oferecer atendimento de qualidade aos clientes. Os empresários do setor procuram corrigir essa deficiência oferecendo treinamento nas empresa, mas a alta rotatividade dificulta o investimento em treinamento e qualificação dos profissionais. O setor hoteleiro apresenta características diferenciadas dos demais setores com relação aos turnos de trabalho. Os trabalhadores nem sempre conseguem adaptar-se a estes horários e optam em migrar para outros setores, principalmente pela grande oferta de empregos que a cidade possui na atualidade. Palavras-chave: industrialização; hotelaria; profissionais; treinamento; qualificação. INTRODUÇÃO A cidade de Três Lagoas, situada no extremo leste do Estado do Mato Grosso do Sul, aos 93 anos de fundação, passa por um momento de grandes transformações, especialmente em sua economia. Há poucos anos o município era conhecido como o terceiro maior produtor de gado bovino do país e o segundo do Estado, hoje apresenta uma revolução no setor industrial. Três Lagoas é o centro do chamado Bolsão Sul-mato-grossense, região rica em arrecadação de impostos do Estado de Mato Grosso do Sul. Desde o seu início, Três Lagoas demonstrou vocação para a pecuária, sendo a principal atividade desenvolvida pelos pioneiros do local. Quando as portas se abriram para exportação na década de 1990, o município destacou-se na exportação da carne para diversos países. Em outubro de 2005 a pecuária da região entrou em crise com a descoberta de focos de febre aftosa no extremo oeste do estado na fronteira com o Paraguai. O Estado de Mato Grosso do Sul, o maior produtor de carne bovina do país, passou a sofrer com barreiras sanitárias internacionais e com graves dificuldades financeiras advindas da queda do preço da arroba do boi e da terra em áreas rurais, e por conseqüência os setores de comércio e serviço foram também atingidos. Com a crise no setor pecuário as últimas administrações municipais focaram suas atenções no desenvolvimento industrial na cidade. Desde então muitas indústrias se instalaram na cidade, entre elas, o maior investimento será feito pela Internacional Paper e o Grupo Votorantin, que já estão em fase de implantação da fábrica de papel branco, com previsão de entrar em funcionamento no primeiro trimestre de 2009, e prevê a triplicação do PIB municipal. Com o aumento do parque industrial, ampliou a procura por hospedagem, em virtude da vinda para a cidade de profissionais para a construção das unidades industriais. O parque hoteleiro, que há dez anos possuía somente pequenos hotéis com administração familiar, hoje conta com vinte e um hotéis, e a cada dia novas unidades habitacionais são colocadas à disposição, ora pela construção de novos empreendimentos, ora pela ampliação dos já existentes. Com a vinda das novas indústrias, a abertura de novos empreendimentos e o aumento de vagas de emprego, uma preocupação se sobressai. Como conseguir mão de obra qualificada para atender essa demanda. Assim como na indústria, no comércio e nos outros serviços, o setor hoteleiro também sofre com esse dilema. Com o aumento da demanda, o maior desafio é conseguir contratar pessoal com perfil para atender clientes mais exigentes, acostumados a um atendimento que o profissional de Três Lagoas não está preparado para oferecer. A vida simples de uma cidade interiorana não exigia essa profissionalização com qualidade, e acompanhar esse tempo de mudança requer, tanto dos empreendedores quanto dos seus colaboradores, mente aberta para aceitar essa variação de público, disposição para aprender novos conceitos e capacidade para colocar em prática essa forma de atendimento, onde a qualidade é o diferencial. A qualidade do atendimento no setor de serviços. Uma construção com arquitetura arrojada, decoração moderna, quartos confortáveis, instalações perfeitas, tecnologia atual, infra-estrutura completa, localização privilegiada, são aspectos muito considerados pelos clientes que buscam uma opção de hospedagem. No entanto tudo isso perde praticamente todo valor se não vier acompanhado por um serviço de qualidade. Segundo Berry: Excelência em serviços é uma abordagem integrada para a melhoria contínua. É um quebra-cabeça com peças que se encaixam. È investir na tecnologia que seja certa para a estratégia, certa para a missão, e não somente em tecnologia moderna para ser tecnologicamente correto. È contratar as pessoas certas para a empresa e não somente contratar pessoal. È se estruturar para a implementação da estratégia e não se curvar frente à quimera organizacional mais recente. Excelência em serviços é um pensamento holístico. (BERRY, 1996, p. 273). Atender pessoas é uma arte. Há quem pense que atender com qualidade é ser gentil, educado e solícito. No entanto, atendimento com qualidade é encantar o cliente, é surpreendê-lo com atitudes que vão além de suas expectativas, é um esforço e, um cuidado extra, é valer-se de detalhes e de pequenas atitudes para alcançar um excelente nível nos serviços. Atender bem é servir sem ser servil. Ao atender o cliente é necessário que se ouça o que ele diz e que se perceba o que ele não disse. Essa percepção é fundamental para poder agregar valor ao serviço. Agregar um valor que o cliente valorize e que atenda sua necessidade naquele momento. Conforme afirma Berry: Excelência em serviços é tomada de decisão com base em informações. È saber o que é importante para os clientes, os não-clientes, os funcionários e outros interessados na empresa. É saber quão bem a empresa está desempenhando seus serviços. (BERRY, 1996, p. 273.) O atendimento com qualidade não depende somente do funcionário que mantém contato direto com o cliente. Ele precisa ser um compromisso de todos os colaboradores. Para que isso ocorra o atendimento com qualidade também deve ser aplicado ao cliente interno. Boas relações interpessoais, entre todos os níveis da organização, informações completas e pontuais a todos os setores. Cada parte do processo é crucial. A falta ou a deficiência, nem que seja de apenas uma das partes, limita o potencial para a real qualidade no atendimento. Nas palavras de Berry: Excelência em serviços é colaborativa. É a confiança dos funcionários uns nos outros, ajudando-se mutuamente, motivando-se uns aos outros, unindo-se para um bem maior. É a comunicação aberta, honesta e freqüente. (BERRY, 1996, p. 274) É o momento de se inverter a pirâmide hierárquica das empresas. Para entender como esse conceito é verdadeiro é só perceber quem interage com o cliente consumidor. Essa função dificilmente é de competência da diretoria ou da média gerência. Se for feita uma análise nas empresas prestadoras de serviços a percepção será a mesma. O funcionário, o colaborador, aquele que está na base da pirâmide, é quem atua diretamente no atendimento do cliente. Portanto, essa inversão tem que acontecer. Na base da pirâmide hierárquica a diretoria, que fornecerá subsídios materiais e psicológicos, além de informações aos gerentes, que por sua vez os fornecerão aos chefes de setores, que atuarão para dar condições gerais e irrestritas aos funcionários da retaguarda e esses repassarão tudo isso aos funcionários do atendimento, que poderão, com muita eficiência e segurança, oferecer um atendimento excelente a quem está no topo – o cliente – a principal razão de existir da empresa. Sem cliente não há serviço, sem serviço não há empresa, sem empresa não há empregos. “Para garantir a sobrevivência da empresa é preciso apostar na qualidade.” (CASTELLI, 2000, p. 29). O Treinamento e a profissionalização. Quanto mais qualificados são os colaboradores, maior é a produtividade, melhor é a qualidade, menor é o custo dos produtos e serviços gerados e melhores serão os resultados da empresa. Quando se menciona treinamento e profissionalização, muitos logo lembram dos cursos técnicos, profissionalizantes ou cursos superiores que os candidatos a empregos devem possuir. Não podemos, é claro, negligenciar a busca pessoal por educação, conhecimento, capacitação, inovação e por formação profissional. Todos devem buscar o aperfeiçoamento. E essa busca é de forma continuada. Os novos tempos não aceitam mais a educação somente até a idade adulta. No entanto, muitas empresas optaram por exigir que as pessoas buscassem, gerenciassem e patrocinassem o seu auto-desenvolvimento. Essa atitude ocasionou um grande distanciamento entre o que as empresas precisam e o que as pessoas buscam em sua formação. Os profissionais, muitas vezes motivados pela instabilidade no trabalho, optam por um desenvolvimento focado num mercado mais amplo. Esse equívoco na decisão das empresas tem gerado alta rotatividade de pessoas que não se encaixam nas atividades para as quais foram contratadas, pois sua formação é deficiente e desalinhada com as necessidades das organizações. Como menciona Castelli: As empresas prestadoras de serviço devem apostar fundamentalmente na qualidade do elemento humano, já que a excelência do serviço, condição da competitividade e sobrevivência da empresa, depende de como esse elemento humano está interagindo com os clientes. Essa qualidade se obtém através da educação e do treinamento. (CASTELLI, 2000, p. 29.) É imprescindível, que as empresas que buscam se manter e crescer no mercado criem condições para que seus colaboradores possam desenvolver suas competências nas práticas diárias da empresa. Ou seja, que a empresa treine seus próprios talentos, investindo recursos e tempo no seu desenvolvimento. Educar e reeducar, continuamente, todos os funcionários, inclusive os altos executivos. Segundo Giangrande e Figueiredo: A força da energia liberada quando a imaginação e a aspiração das pessoas se juntam dá as exatas diretrizes de conduta para os negócios prosperarem. Os dirigentes têm de descer de seus pedestais, passar a ser mais humildes e entender que gerir uma empresa consiste num processo contínuo e infinito de aprendizagem. Todos aprendem o tempo todo. (GIANGRANDE, FIGUEIREDO, 1997, p. 111). Ainda há, no mercado, empregadores que não investem no treinamento e educação de seu quadro funcional, por considerar um desperdício de tempo e dinheiro, pois esse funcionário depois sairá para trabalhar em outras empresas, provavelmente na concorrência. Segundo Castelli: Afinal todo o bom profissional possui ambição, quer crescer. Se a empresa ao aperfeiçoá-lo não lhe oferecer novas oportunidades para materializar sua ambição, então é natural que vá em busca de novas oportunidades. (CASTELLI, 2000, p.50). Uma visão infeliz, pobre e míope. Se todos os empresários pensarem dessa forma, cada vez o mercado oferecerá menos mão de obra qualificada, e cada vez serão maiores as dificuldades para preencher as vagas e promover o desenvolvimento e a geração de lucros nas empresas. Agindo dessa forma deixarão de cumprir com o seu papel social que é de participar da formação da comunidade onde atua. . “Mas é certo que a empresa fez um grande bem para ele ao dar-lhe a chance de crescer como pessoa e profissional. Talvez esta seja uma vocação altruísta da empresa”. (CASTELLI, 2000, p. 50.) O capital humano Nas últimas décadas, o mundo tem vivenciado um rápido período de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais. A riqueza dessa nova sociedade é a inteligência criadora. Informação e conhecimento substituem capital físico e financeiro, e tornam-se uma das maiores vantagens competitivas nos negócios. O centro dessa transformação é o capital humano, pessoas que detém o conhecimento e a informação. Conforme menciona Crawford: Conhecimento é a capacidade de aplicar a informação a um trabalho ou a um resultado específico. .Somente os seres humanos são capazes de aplicar desta forma a informação através de seu cérebro ou de suas habilidosas mãos. A informação torna-se inútil sem o conhecimento do ser humano para aplicá-la produtivamente. (CRAWFORD, 1994, p. 21.) As pessoas emprestam seu capital humano para as organizações porque esperam receber algo em troca. Esse retorno, que a princípio, podem ser as recompensas financeiras – o salário, benefícios, bonificações - deve vir, também, sob outras formas. Assim como o cliente só mantém negócios com a empresa quando está satisfeito, os funcionários também só permanecem numa organização quando tem suas necessidades satisfeitas. Muitas vezes, as organizações têm dificuldades de perceber as outras formas de valor que motivam o funcionário. Um profissional espera encontrar qualidade de vida no trabalho, que envolvem liberdade e autonomia para tomar decisões e para criar, ambiente agradável, horas adequadas de trabalho, além de executar tarefas significativas e agradáveis. As pessoas possuem habilidades diferentes. Recrutar e selecionar, isto é, colocar as pessoas nos lugares certos, treinar, preparar integrar e orientar os funcionários, desenvolver as habilidades, proteger a saúde, manter elevado o moral de cada um, adotar soluções sob medida para cada pessoa de acordo com sua diferenças individuais, são atitudes da empresa que contribuem para a motivação do funcionário. De acordo com Chiavenato: Antigamente a ênfase era colocada nas necessidades da organização. Hoje se sabe que as pessoas precisam ser felizes. Para que sejam produtivas, as pessoas devem sentir que o trabalho é adequado às suas capacidades e que estão sendo tratadas equitativamente. Para as pessoas, o trabalho é a maior fonte de identidade pessoal. As pessoas despendem a maior parte das suas vidas no trabalho, e isto requer uma estreita identidade com o trabalho que fazem. Pessoas satisfeitas não são necessariamente as mais produtivas. Mas pessoas insatisfeitas tendem a desligar-se da empresa, a se ausentar frequentemente e a produzir pior qualidade do que pessoas satisfeitas. A felicidade na organização e a satisfação no trabalho são fortes determinantes do sucesso organizacional. (CHIAVENATO, 2004, p. 11) Durante muito tempo se pensou, de forma generalizada, que as dificuldades de desenvolvimento das empresas estavam na falta de capital financeiro. Hoje, as empresas mais atentas, já percebem que a inabilidade das empresas em recrutar e manter uma boa equipe de colaboradores é que emperra o desenvolvimento das empresas. O perfil do profissional da hotelaria de Três Lagoas MS Através da pesquisa de amostragem efetuada com os funcionários dos quatro hotéis de maior destaque na cidade de Três Lagoas MS, durante o segundo trimestre de 2008, objetivou-se identificar o perfil do profissional da hotelaria da cidade. A pesquisa foi efetuada com o auxílio de um questionário composto de 17 questões fechadas e uma aberta. O questionário foi aplicado de forma individual, através de entrevista com funcionários de todos os setores e todos os níveis dos hotéis selecionados. Participaram da pesquisa os hotéis Vila Romana Park hotel, Mediterrâneo Park Hotel, Hotel OT e Real Palace Hotel. Os quatro hotéis possuem um total de 119 funcionários, dos quais 103 foram entrevistados, perfazendo 86.55% do quadro funcional. Objetivando identificar especialmente os pré-requisitos exigidos para contratação dos profissionais, foram selecionados hotéis que possuem em seu quadro de gerência e chefia funcionários selecionados no mercado de trabalho, a fim de perceber a preocupação dos proprietários com seu grau de capacitação, uma vez que, na cidade é bastante comum os hotéis possuírem administração familiar. Por meio dos dados coletados percebeu-se que o profissional da hotelaria em Três Lagoas é formado em sua maioria por mulheres num percentual de 78%. As faixas etárias são bem distribuídas, empregando pessoas dos 18 até mais de 50 anos. Levantou-se também que 72% possuem dependentes, desses, 44% possuem apenas um dependente, 31% possuem dois, e 25% possuem três ou mais. Nesta questão considerou-se além dos filhos e cônjuges, netos e ou pais que estejam sob responsabilidade dos entrevistados. Com relação à naturalidade dos entrevistados, identificou-se que 51% são nascidos em Três Lagoas. Dos 49% que vieram de outras localidades, 28% são naturais de outras cidades do estado do MS, 54% são nascidos em cidades do estado de SP e 18% são provenientes de outros estados do país. No entanto, dos 49% que são naturais de outras cidades dos 66% já residem em Três Lagoas há mais de cinco anos. O levantamento sobre o emprego identificou que 48,5% trabalham na empresa atual há menos de um ano. Do total de entrevistados 96% já haviam trabalhado antes, no entanto 62% não tinham nenhum tipo de experiência anterior na atividade. Nesta questão foram considerados como experiência anterior trabalhos que possuíssem alguma relação com a atividade desenvolvida no momento, mesmo que não sendo em hotelaria. O nível de escolaridade também apresentou dados bem diversificados. 20% não completaram o ensino fundamental, 11% possuem o ensino fundamental completo, 21% não completaram o ensino médio, 26% possuem o ensino médio completo, 12% estão cursando nível superior e 10% possui curso superior completo. Dos entrevistados quatro funcionários possuem formação em administração, ou seja, 3,9%, quatro são turismólogos, 3.9% e dois são pedagogos, equivalente a 1,9%. Com relação a cursos de idiomas, 14,5% comunicam-se numa segunda língua, 13% possui curso básico e 72,5% nunca fizeram curso de idiomas. possuem curso Considerando os cursos profissionalizantes na área 64% não profissionalizante. Questionados sobre o interesse em fazer um curso profissionalizante na área 72,8% mostraram interesse. O interesse em fazer carreira na área de hotelaria é de 50% dos profissionais entrevistados, 29% não pretendem continuar na área e 21% ainda não sabe. A pesquisa realizada mostra que os hotéis de Três Lagoas encontram bastante dificuldades em formar uma equipe de trabalho. A maior dificuldade é a alta rotatividade no setor. Com dificuldades de contratar pessoas com experiência, a forma encontrada é contratar as pessoas disponíveis no mercado e optar pelo treinamento na empresa. Esse fator aumenta a rotatividade porque muitos contratados não se identificam com o trabalho O trabalho no setor de hotelaria difere das outras atividades profissionais por não apresentar um horário fixo de trabalho, comprometendo sobremaneira a organização do lazer e convívio dos colaboradores com seus familiares. Considerando que a maioria dos funcionários da hotelaria são mulheres e grande parte possui dependentes, via de regra, a educação e o cuidado desses dependentes fica sob a responsabilidade delas, permanecer nessa atividade é difícil. A principal queixa feita por elas é a dependência das escolas ou creches para deixar os filhos em horário de trabalho. Como as creches e escolas trabalham em horários pré-fixados, existe sempre a preocupação de onde e com quem deixar seus dependentes no horário de trabalho, que apresenta variações devido às escalas de serviço em domingos e feriados. A qualidade no atendimento e a profissionalização da mão de obra do setor requerem educação e treinamento. Mas a principal alegação dos contratados é falta de tempo, pois os cursos normalmente são diurnos, e não há um comprometimento das empresas em montar uma estratégia que favoreça os interessados na sua formação. Outras dificuldades encontradas pelos profissionais são as dificuldades financeiras para arcar com esse investimento, além da distância entre a residência e o local do curso e falta de transporte coletivo. Algumas empresas do setor oferecem anualmente um treinamento dentro da empresa, através de empresas de consultoria na área, mas a grande rotatividade de empregados compromete a eficácia dessa ação. Considerações finais A grande demanda por mão de obra no setor hoteleiro, advinda da forte procura por meios de hospedagem pelas pessoas ligadas ao desenvolvimento industrial da cidade de Três Lagoas, revelou que a cidade não possui mão de obra qualificada para preencher as vagas que se abrem a cada dia. A falta de qualificação compromete a qualidade no atendimento, o que requer por parte da população local buscar educação, conhecimento e profissionalização. É chegada a hora das empresas reverem seus conceitos sobre sua parcela de comprometimento em educação treinamento e profissionalização da comunidade local. É imprescindível que empresas e poder público se preocupem em montar estratégias para auxiliar a população nessa formação, chamando para si, a responsabilidade de preparar essa mão de obra. Investir no capital humano é a nova realidade que se apresenta. Principalmente no setor de serviços, ele é o principal patrimônio da empresa. Investir em prédios confortáveis, em infra-estrutura geral e em tecnologia, para hospedar o cliente com conforto é sem dúvida uma necessidade, mas sem o capital humano para oferecer qualidade ao cliente os outros investimentos ficam sem sentido. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERRY, Leonard L. Serviços de Satisfação Máxima: Guia prático de ação. Rio de Janeiro: Campus, 1996. CASTELLI, Geraldo. Administração Hoteleira. 7ª ed. Caxias do Sul: EDUCS, 2000. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. 2. ed Rio de Janeiro, Elsevier, 2004. CRAWFORD Richard. Na Era do Capital Humano. São Paulo: Atlas, 1994. LAZER E RECREAÇÃO NO REASSENTAMENTO PORTO JOÃO ANDRÉ ALVES, Regiane D Carmem Puci Acadêmica do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO O trabalho aqui apresentado tem por objetivo analisar as formas de lazer e recreação que a comunidade do Reassentamento Porto João André utiliza; os motivos pelos quais não podem praticar outras atividades além das que possuem. A pesquisa pretende verificar as atividades de lazer que eles exerciam em seu local de origem, e através de questionário ter acesso às opiniões que a comunidade tem para melhorar essas atividades. Toda a pesquisa será efetuada através de questionário, pesquisas bibliográficas e pesquisas de campo no local estudado, totalmente de acordo com a posição e situação do pesquisador. Palavras-chave: Recreação, Lazer, Necessidade da Prática, Reassentamento. INTRODUÇÃO O Lazer e a Recreação têm importância fundamental na vida do homem na atualidade, por ser uma forma de relaxar e de se ver livre das atividades habituais. A partir do momento em que o ser humano deixa de dedicar a si próprio um momento de descanso, ele passa ter uma maior incidência de doenças nervosas, causando a si próprio problemas que podem se tornar irreversíveis. Após responder as perguntas seguintes daremos inicio a discussão que enfoca o Lazer e a Recreação no Reassentamento Porto João André, desde as formas de lazer que utilizavam antigamente até as utilizadas nos dias atuais. Lazer e Recreação A palavra Recreação vem do latim Recreatio, que significa recriar, restaurar. A atividade na recreação é espontânea, mas ao mesmo tempo não deve ser “um fazer por fazer” e sim “UM FAZER PARA SER”. A recreação se utiliza principalmente do jogo, que vem do latim Jocus, que significa brincadeira, zombaria, divertimento, desafio, representação. Para falar de lazer alguns autores usam como referencia alguns parâmetros, como exemplo, tempo livre, escolha pessoal, gratuidade e atitude. A seguir temos algumas definições deste tema que já foi muito estudado e ainda é. “Tempo de que se pode livremente dispor, uma vez cumpridos os afazeres habituais.” (Dicionário Aurélio, 1986 apud Larizzatti, 2005, p.13) “O tempo em que temos autonomia e limites para buscarmos experiências significativas sem comprometer normas e costumes da sociedade, que valorizem o desenvolvimento individual, grupal e coletivo.” (World Leisure and Recreation Association apud Larizzatti, 2005, p.13) Para CAMARGO31, 1989 (apud Larizzatti, 2005, p.13), lazer possui algumas propriedades, as quais seriam: • Escolha Pessoal: Para ser lazer temos que fazer aquilo que queremos. • Gratuidade: Em geral, o lazer não tem interesses econômicos voltados para ele. • Prazer: Podemos dizer que lazer é sinônimo de prazer, de hedonismo32. Sem prazer certamente deixaríamos de fazer a atividade do lazer. • Liberação: Envolve se liberar das obrigações do dia-a-dia, fazendo coisas diferentes da rotina do trabalho. Segundo PARKER (1978, p.19-20 apud Larizzatti, 2005, p.14), são três as definições de lazer: • Consideramos as 24 horas do dia e subtraímos trabalho, sono, alimentação,necessidades fisiológicas etc.; • Não envolve o conceito do tempo, mas sim, a qualidade da atividade a que alguém se dedica. Envolve aspectos mentais e espirituais. • União dos dois itens anteriores, resultando num “tempo de que o individuo dispõe, livre do trabalho e de outros deveres e que pode ser utilizado para fins de repouso, divertimento, atividades sociais ou aprimoramento social” ou de “atividades de livre e espontânea vontade”. Para DUMAZEDIER, 1976 (apud Larizzatti, 2005, p.15), lazer é: “Conjunto de atividades desenvolvidas pelos indivíduos seja para descanso, seja para divertimento, seja para o seu desenvolvimento pessoal e social, após cumpridas suas obrigações profissionais, familiares e sociais”. Muitos autores não distinguem diferenças entre lazer e recreação, pois acreditam ser a mesma coisa. Para outros, recreação é uma função do lazer. A comunidade a seguir descrita reside neste reassentamento por motivo da realocação existente pela Companhia Energética de São Paulo (CESP), pela construção da Usina Hidrelétrica Sérgio Motta. Criado a cerca de oito anos, este reassentamento deveria tentar suprir todas as necessidades da comunidade, porém na opinião da comunidade em pesquisas realizadas 31 32 Camargo, Luis Otavio. Doutrina que afirma constituir o prazer o fim da vida. anteriormente, os problemas e as necessidades estão estampadas a cada pessoa. Uma dessas necessidades é o Lazer e a Recreação. O Reassentamento Porto João André é um distrito industrial cerâmico, que ainda não está nas posses da prefeitura, situado a 8 km de Brasilândia – MS e 42 km de Três Lagoas - MS, contendo 36 (trinta e seis) cerâmicas, que fabricam blocos e tijolos, e 150 (cento e cinqüenta) casas, onde 75% estão ocupadas por famílias que habitavam na antiga vila Porto João André e os outros 25% por pessoas que vieram de outras localidades em busca de empregos nas cerâmicas. Este reassentamento conta com: 1 (um) creche (fora de funcionamento), 1 (um) prédio onde será instalada a delegacia futuramente, 1 (um) prédio onde será instalado o posto de saúde,1 (um) posto de saúde provisório, 1 (uma) igreja católica, 1 (uma) igreja evangélica, 1 (um) Centro comunitário que se encontra fechado, 1 (um) campo de futebol que está inutilizado e 1 (um) campo de futebol de areia que a comunidade construiu ( porém não se encontra em estado de uso). Muitos dos prédios descritos que ainda se encontram fora de funcionamento, só poderão ser utilizados a partir do momento em que a Prefeitura Municipal tomar posse do local, porém toda a comunidade sabe que os Gestores Municipais não querem tomar posse, pois muitas das obras feitas pela CESP ainda têm que ser terminadas e outras ainda devem ser feitas. Na antiga Vila Porto João André, onde a população residia antes de ser realocada para este reassentamento, os ribeirinhos tinham várias formas de desfrutar do lazer. Eles Jogavam bola no campo, na areia na beira do rio, nadavam, jogavam vôlei na areia, estavam sempre procurando uma forma de se divertir. Atualmente no reassentamento onde vivem, encontram problemas para realizar atividades com sentido de descanso e lazer. Criaram suas formas de descanso e divertimento, como sentar na calçada e tomar tereré, ouvir música, ficar em casa e juntar uma turma para ver televisão, fazer churrascos com intuito de diversão, ir para a cidade a noite comer pizza ou um lanche, ir a bailes, ir ao córrego e ao rio nadar e pescar, ir aos bares jogar cartas (truco e caxeta) e jogar sinuca. Nas palavras de MARCELLINO (2002 p.30-31): A precariedade na utilização dos equipamentos não-específicos coloca-nos duas questões igualmente importantes: 1) A necessidade de desenvolvimento de uma política habitacional, que considere, entre outros aspectos, também o espaço para o lazer – o que não é fácil num país como o nosso, com alto déficit habitacional, e que deve, portanto, estimular alternativas criativas em termos de áreas coletivas; 2) A consideração da necessidade da utilização dos equipamentos específicos para o lazer, através de uma política de animação. Na visão da comunidade, o reassentamento necessita da liberação do centro comunitário para que realizem festas e também a liberação do playground existente ao redor da creche. A revitalização do campo de futebol é necessária, pois este não conta com gramado em bom estado, precisando, então, ser feita a troca de gramado e a planajem do terreno. Ainda na visão da população seria muito bom se fosse implantado um centro poliesportivo para que os jovens pratiquem esportes variados, e a criação de uma praça com mesas de jogos para idoso e brinquedos para crianças, pois o lazer e a recreação devem ser praticados por todas as idades. Considerações Finais As pesquisas efetuadas neste trabalho demonstram a necessidade que a comunidade do Reassentamento Porto João André tem de implantar uma área exclusiva para a pratica do lazer e da recreação em todas as idades. Sendo assim a melhor forma de suprir essa necessidade é com a implantação de uma quadra poli esportiva, visando benefícios físicos e mentais a toda a comunidade, sem esquecer da diminuição que ocorrerá na quantidade de crianças brincando nas ruas, evitando assim acidentes. Bibliografia: GUTIERREZ, Gustavo Luis, LAZER E PRAZER Questões Metodológicas e Alternativas Políticas. Campinas – SP, Autores Associados, 2001. LARIZZATTI, Marcos F., LAZER E RECREAÇÃO PARA O TURISMO. Rio de Janeiro, Sprint, 2005. MARCELLINO, Nelson Carvalho, ESTUDOS DO LAZER Uma introdução. 3ª ed. Campinas – SP, Autores Associados, 2002. GLOBALIZAÇÃO INEXORÁVEL? GALVÃO, Halyson Fucks Acadêmico do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO A globalização vem demonstrando sua grande capacidade de aumentar a desigualdade econômica e a exclusão social entre as nações e no interior das mesmas. Cenário de incertezas, instabilidade estrutural e contradições, aí prosperam ao menos três grandes revoluções imbricadas, acelerando o fenômeno: tecnológica, em especial a digital; econômica, unificando; cultural, promovendo a uniformização de valores, atitudes, produtos, estilos de vida. Tal homogeneização cultural Poe em risco a identidade e cultura locais, regionais, nacionais, universalizando uma cultura mundial.Tal questão leva a cada reunião de cúpula de países centrais a debaterem este assunto cada vez com mais ênfase. Neste estudo escolhe-se e dimensão cultural do desenvolvimento sustentável como ponto de partida para a reflexão sobre este novo paradigma, patenteando aspectos voltados ao uso do patrimônio cultural, histórico e natural. Palavras-chave : Globalização; Patrimônio INTRODUÇÃO A globalização tem demonstrado constituir-se uma nova e surpreendente ameaça, ao exacerbar a desigualdade econômica e a exclusão social entre as nações e no interior delas mesmas. A mesma dinâmica uniformizadora que se supõe integrar os países, globaliza a miséria. Além disso, o frenesi da modernização e do consumo exacerba os custos sociais e ambientais locais e globais. Nesse contexto, as dúvidas e contradições se projetam e permanecem sem respostas. Tratase de um novo fenômeno, originado desde a expansão capitalista do século XVI? De um mito, farsa ou falsa integração, nova forma de dominação política, econômica e cultural das sociedades do conhecimento (um quinto da população mundial efetivamente beneficiário) sobre o resto do mundo? De um conceito sinônimo de internacionalização dos mercados, das finanças, dos problemas ambientais e exclusão das maiorias? Da formação de nichos mercadológicos excluindo, ou melhor, usando como canteiros industriais regiões mais pobres do Globo? De crescimento econômico espetacular dentro da desigualdade, da miséria e das calamidades sociais? Ou ainda de uniformização cultural e de alienação, acompanhadas, de uma nova cidadania global, mas contrária à própria globalização? 1. GLOBALIZAÇÃO E PADRONIZAÇÃO DO MUNDO: FENÔMENO DOLOROSO? Embora o cenário apresente-se de profunda instabilidade estrutural, cuja única certeza é de fato a incerteza, evidencia-se do quadro contraditório da globalização, ao menos, três grandes ruptura (RAMONET, 1997) – ou revoluções, se observadas com otimismo –, imbricadas e convergentes, a seguir delineadas sumariamente, acentuando-se a última delas por vincular-se diretamente ao tema aqui tratado: • Tecnológica: a máquina, que substituía os músculos, agora, substitui o cérebro – eletrônico – fruto direto da revolução digital, permitindo a comunicação em tempo real, a aproximação dos lugares, dos indivíduos, dos grupos, das populações (pelo aumento da velocidade, pela diversificação dos meios e pela redução dos custos de transporte) e a superação das fronteiras do tempo (transgredindo o passado-presente-futuro, em função da posição do sujeito, em relação à longitude) e do espaço (a visão da cena, em tempo real, em qualquer ponto observado do Planeta). A serviço dos governos, tal revolução amplia os controles sobre o indivíduo. A serviço do mercado, especialmente financeiro, abre as possibilidades às atividades permanentes (Bolsas), imediatas (decisões) e imateriais (capitais por impulsos eletrônicos). • Econômica: a unificação ou integração dos mercados e a movimentação espetacular dos fluxos mercantis e financeiros resultam das possibilidades oferecidas pela ruptura ou revolução precedente. Tal unificação é marcada pela liberalização e desregulamentação dos mercados de bens e serviços, pela produção e consumo desenfreados, pela marchandização de tudo. Ela caminha para a insustentabilidade, pela falência do modelo, diante da insuportável desigualdade e exclusão, pela divisão da humanidade em duas classes: uma minoria globalizada e a maioria que jamais terá acesso aos benefícios desse processo, levando o mundo ao risco de uma explosão social decorrentes de violência, miséria, fome, migrações em escala mundial. A insustentabilidade do modelo também se revela pela pressão acelerada e exponencial sobre o meio ambiente, fornecedor de recursos e receptáculo de resíduos, inclusive da obsolescência programada dos produtos. • Cultural: as potências destruidoras do neoliberalismo globalizado manifestam-se gravemente pela tentativa de padronização do mundo, conduzindo ao pensamento único, à uniformização de valores, atitudes, comportamentos, produtos, estilos de vida, espaços urbanos, às sociedades supostamente planetárias, conduzidas, no momento, pelos ideais e estilo de vida de apenas uma delas – a norte-americana - como se as demais estivessem anestesiadas por um processo de macdonaldização do mundo. Tal homogeneização cultural põe em risco a identidade e o simbolismo do patrimônio cultural local, regional e nacional, misturando-lhes, ou mesmo superpondo-lhes concepções e valores de uma cultura mundial, decretando a morte da tradição, provocando segregações e frustrações sociais e, graves conflitos entre classes sociais e entre o local e o universal. Do ponto de vista político, concomitantemente ao processo de simplificação cultural, mediatizado, assiste-se ao enfraquecimento do Estado-Nação, que demonstra não só sua impotência e incompetência gestionária, referente ao seu papel regulador do mercado e de protetor dos interesses da sociedade, mas também a redução de seu espaço de atuação política, diante de sua interdependência ou mesmo dependência dos blocos regionais, demonstrando a perda de sua significância, em favor das organizações financeiras e empresas supranacionais, como exemplificados nas recentes crises financeiras regionais. Localizadas nas metrópoles mundiais - centros hegemônicos do poder econômico e político -, estas organizações, ditam modelos de produção e consumo, que influenciam a organização espacial das metrópoles e cidades periféricas, direcionadas para suas minorias privilegiadas, por quem somente podem ser assimiladas. 2 PATRIMÔNIO: SIGNIFICAÇÃO COMPLEXA E PLURAL A noção de patrimônio evoca significados distintos relacionados à herança, ao legado e conseqüentemente à posse, pessoal ou coletiva, mas também ao sentimento de pertencer, de pertencimento. Conceito fragmentado e polivalente é comumente associado às posses individuais, mas também à responsabilidade em relação às gerações futuras. O patrimônio cultural é, por sua vez, um termo já consagrado, embora limitado, desde o início, pela sua associação aos bens tangíveis – proteção de grandes monumentos, sítios históricos, obras de arte. A evolução e extensão do conceito resultam na sua visão contemporânea, através da qual é associado à construção social, reunindo indivíduos e grupos em torno de um sentimento identitário, de uma entidade coletiva, abstrata, mas visível por aqueles que aí se reconhecem (MICOUD, 1995). Construído a partir de referências, os bens intangíveis – história, tradições, oralidade, valores, saberes locais... - embora ainda mais frágeis que os primeiros e mutáveis no tempo, adquirem a importância devida, sobretudo porque somente através destes últimos, os bens tangíveis, são interpretados Ao renovar-se, o conceito de patrimônio, vem traduzindo, atualmente, não exclusivamente os bens culturais, mas também o patrimônio natural (BRUNDLAND, 1991), os quais se tornam complementares, sinérgicos e indissociáveis. Nesse sentido, é importante observar que a natureza, além de provedora de recursos, se apresenta como marco cultural, contribuindo para a definição de uma identidade local (as comunidades lagunares?), regional (o sertanejo?), nacional (o país tropical). Além disso, a importância da cultura e sua relação intrínseca com a natureza têm sido reconhecidas como instrumento do processo de desenvolvimento (UNESCO, 1997). Mas, apesar da integração desses dois domínios, os discursos e práticas oficiais, sejam nacionais ou internacionais, revelam que somente o patrimônio em escala monumental ou de valor excepcional, é objeto de reconhecimento, valorização e regulamentação, em detrimento do patrimônio nacional. Entretanto, essa interação entre as dimensões naturais e culturais do patrimônio apresenta importância prática e significativa na construção de outro desenvolvimento. Trata-se de valorizar o patrimônio, natural, cultural ou combinado, atribuindo-lhe um novo papel no cenário atual, perverso, dito globalizado. 3 PATRIMÔNIO CULTURAL E NATURAL: DIMENSÕES DE OUTRO DESENVOLVIMENTO Nesse contexto mundial em rápida mutação, a progressiva imposição de uma cultura uniformizada, destruidora de formas, sistemas e valores vêm gerando um cenário de crise de identidade em escalas diferentes e um grave clima geral de insatisfação. Esse cenário requer urgente mudança de paradigma diante da insustentabilidade do modelo de desenvolvimento socioeconômico capitalista, então prevalecente. Nesse sentido, é importante ressaltar o conceito de desenvolvimento sustentável que preconiza a harmonização de objetivos sociais, ecológicos e econômicos, já explicitada nos fundamentos ainda não superados do seu conceito predecessor – O eco-desenvolvimento (Que Faire? - 1975): endógeno, contando com suas próprias forças; voltado à satisfação das necessidades fundamentais – materiais e não-materiais das populações envolvidas; em harmonia com o meio ambiente; fundado sobre transformações estruturais. Conceito institucionalizado pelo Relatório Brundtland, em 1987, as suas dimensões vêm sendo ampliadas, tendo sido propostas, recentemente, oito delas (SACHS, 1996), a seguir sumarizadas: social (equidade); econômica (eficiência no uso dos recursos); ecológica (capital natural); ambiental (reprodutibilidade, regeneração natural); espacial (compatibilidade e complementaridade de usos); política nacional (democracia, coesão social); política - internacional (co-desenvolvimento norte-sul); cultural (inserção global, modernização com preservação da identidade local). Embora constituam dimensões indissociadas, o limite da abordagem deste modesto estudo enfoca as componentes culturais e naturais do desenvolvimento sustentável e mais precisamente, o patrimônio – em sua acepção plena, já referida – elegendo-o como ponto de partida para a reflexão sobre um novo paradigma, confrontado com o processo de globalização e seus reflexos na cidade ambiente construído por excelência - sem desconhecer, ao mesmo tempo, o grande desafio e a importante oportunidade que apresenta para desencadear elementos de mudança. a) O patrimônio como desafio: Indiscutivelmente um desafio, diante do maremoto avassalador do processo em apreço, exigindo enfrentamento que envolve, ao menos, três ações estruturadoras: • Questionar o processo da globalização: realidade ou mito mediático? Neologismo para um processo cíclico? Integração dos mercados ou desigualdade e exclusão de 4/5 da humanidade? • Apreender a sua verdadeira extensão: globalização de quê? Quais os domínios afetados? • Aproveitar as possibilidades instrumentais que o processo oferece através das três revoluções supracitadas, considerando-o como via de duas mãos, mas privilegiando a qualidade, propriedade e os interesses locais. b) Patrimônio como oportunidade de mudanças: Tal oportunidade significa tirar partido do pluralismo cultural como resposta coletiva para a reversão da tendência em curso, através da revalorização do patrimônio, como núcleo de resistência e refúgio da identidade, mas também como possibilidade de inserção do local, do regional, do nacional, no global. Nesse sentido, torna-se útil verificar as relações do patrimônio – cultural e natural – com os fundamentos do conceito original, o eco desenvolvimento. • Patrimônio e desenvolvimento endógeno. Tratam-se da promoção de um processo de modernização, de dinamização ou revitalização econômica, dentro dos limites (dinâmicos) da continuidade cultural, o que supõe, ao mesmo tempo, seletividade e adaptação das soluções e modelos exógenos, mas, sobretudo mobilização e revalorização dos recursos patrimoniais – naturais e culturais tangíveis e intangíveis – disponíveis localmente: recursos do meio natural, monumentos e sítios históricos, mas também, folclore, conhecimento, saberes tradicionais, técnicas, criatividade e mesmo artimanhas da subsistência cotidiana, significando: • Valorizar não apenas o patrimônio monumental e excepcional, mas também o patrimônio vernáculo e suas expressões convivias e cotidianas, os recursos patrimoniais não utilizados, subutilizados ou desperdiçados através de projetos geradores de emprego e renda para as comunidades locais. , • Associar a recuperação, conservação e preservação aos interesses das cidades e comunidades herdaram, construiu e expressa, garantindo-lhes o direito de usufruí-lo, criteriosamente. • Reconhecer o papel do turismo seletivo, insubmisso e de baixo impacto, como fator de dinamização social e econômica, de integração local, regional, nacional, mundial e como fator de fixação da comunidade em seu próprio contexto e, inversamente, de sua atratividade. • Redefinir as relações do contexto abordado – comunidade, região, país - no espaço e no tempo. No primeiro, através do aproveitamento das possibilidades instrumentais, para assegurar com vantagem a inserção do local no universal. No segundo, através do exercício da solidariedade intra e intergeracional, prevalecendo os princípios de equidade no presente, respeito e reverência ao passado e responsabilidade em relação ao futuro, concernente ao patrimônio coletivo. • Patrimônio e satisfação das necessidades fundamentais – materiais e imateriais Na identificação primária das necessidades fundamentais, materiais e imateriais, as primeiras se apresentam mais visíveis, embora não se reduzam ao trinômio alimento-vestimenta-abrigo, as segundas compreendem subjetividades inerentes ao desabrochar dos indivíduos, ao seu bem-estar, às suas realizações, à sua felicidade e à sua razão de existência. Tais necessidades devem, portanto, ser expressão dos próprios indivíduos e comunidades, mas exigem, para a sua satisfação, o exercício de solidariedade sincrônica – permitindo o atendimento das gerações presentes (viver em plenitude) – e diacrônica, através da qual o legado dos recursos patrimoniais, culturais e naturais poderá ser garantido às gerações futuras, permitindo-lhes atender as suas próprias necessidades e decidir o seu próprio futuro (UNESCO, 1997). • Patrimônio e sua harmonização com o meio ambiente O patrimônio é, por excelência, indissociável do meio ambiente, ao menos por três razões fundamentais: o meio ambiente é patrimônio que se constitui dele mesmo, em sua dimensão natural; em sua dimensão cultural, o patrimônio relaciona-se ao meio ambiente, base de atividades que o influencia e condiciona; o patrimônio exige e requer um meio ambiente de qualidade para poder existir e subsistir. Além disso, a distinção entre patrimônio natural e cultural é por si mesma cultural. A ampliação científica do conceito deverá proporcionar novas relações entre cultura e natureza e nova abordagem sobre a significância do exemplo excepcional e do aparentemente banal, e da analogia entre diversidade biológica e diversidade cultural, como patrimônio indispensável da humanidade. • Patrimônio e transformações sociais • A consideração do patrimônio no novo paradigma pode significar a oportunidade e a necessidade de reforçar o papel do Estado – tornado insignificante no processo globalizante já referido – sobretudo como refúgio de identidade e garantia da diversidade, ao garantir uma cultura legítima: a sua própria. O Estado terá também os instrumentos incitatórios de mobilização e de coordenação dos demais atores sociais, para o relançamento do processo de planejamento de caráter participativo, resultando em ações conseqüentes, pactuadas. Desta forma, reafirma o seu papel de planejador, de coordenador e de indutor do desenvolvimento mais solidário, definindo estratégias descentralizadas, a partir de bases, iniciativas e contextos locais, naturais e culturais, levando em consideração horizontes de curto, médio e longos prazos. Notoriamente temos algo incessante que abrange à comunidade mundial, no qual podemos citar com ênfase nesse artigo: 4 GLOBALIZAÇÃO x PATRIMÔNIO x AMAZÔNIA A internacionalização da Amazônia vem sendo discutida às presas e há muito tempo por lideres e comunidades de todo o Globo. Em recente visita aos Estados Unidos, o atual jovem Ministro da Educação brasileiro, foi confrontado com uma pergunta de um jornalista norte-americano sobre o que pensava em relação à internacionalização da Amazônia, enquanto humanista, tendo respondido o que o texto coloca em evidência alguns dos princípios de que o modelo de globalização em curso arrogantemente manifesta. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro… O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos,ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio,mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas,provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!” (http://ideias-soltas.net/2004/03/26/cristvambuarque-sobre-a-amaznia-e-sua-globalizao/ ) Fica evidente que a idéia de internacionalização da Amazônia nada mais é que o Ápice da globalização exacerbada e irracional. “Perder” o nosso maior patrimônio para o mundo, esse mundo que destrói para o capitalismo, esse mundo que se torna irrisório a cada passo dado, seria o fim da credibilidade que ainda nos resta. Precisamos sim cuidar do que temos e não dar ao mundo (Países ricos), para fazer o que bem entender enquanto assistimos de camarote a tudo, Camarote este financiado pelos países ricos. Nós não precisamos do mundo colocando as mãos em nosso patrimônio, para mais tarde quando tudo estiver acabado colocarem a culpa em nós por termos concordado com tal acordo insano. A globalização tem seu ponto primordial quando ela une , quando ela iguala ,quando ela proporciona uma identidade. A Amazônia precisa fugir desse paradigma. Somos capazes sim de cuidar do que é nosso não precisamos de ninguém gerenciando nosso maior Bem. Precisamos sim, de políticas publicas eficazes que saibam gerenciar nosso maior patrimônio, para o bem geral da nação e a todos. CONCLUSÃO Circunscrito em seu quadro tradicional, apesar de suas contradições, o patrimônio – natural e cultural – representa grande problema para as nações e comunidades contemporâneas: como protegê-lo, restaurá-lo, preservá-lo e transmiti-lo às gerações futuras, diante da explosão avassaladora de uma cultura globalizada, pós-moderna, que elegeu a padronização, a efemeridade e a autofagia como elementos fundamentais de sua dinâmica? Contraditoriamente, um mundo cada vez mais interdependente não tem feito dessa interdependência expressão de solidariedade. Além disso, essa mesma dinâmica uniformizadora, que integra países através de mercados, exacerba as desigualdades e a exclusão da grande maioria da humanidade, situando a marginalidade numa perspectiva mundial. Crescente globalização da miséria, sobretudo diante do grande vazio existente, ocasionado pela perda da ideologia que defendia os mais pobres. Como justificar, então, a prioridade de alocação de vultosos investimentos para a recuperação, conservação e preservação de um patrimônio cultural, por um lado, anacrônico diante dos novos valores e, por outro, não raramente até renegado pela própria comunidade que lhe é depositária? Como também justificá-los, quando se trata de ambientes naturais exauridos, contaminados ou já em alto grau de artificializarão? Entretanto, no momento em que se expande o conjunto de crises econômicas, sociais, culturais e se perdem valores e ideologias, a idéia de patrimônio enraizado no passado, assegura, dá confiança e esperança na reafirmação da própria identidade, mas também mobiliza para restaurar a capacidade de decidir o próprio futuro, pela escolha de alternativas para outro desenvolvimento, partir da valorização dos recursos do patrimônio Local - cultural e natural tangível e intangível – portanto, mais próximo do ideal de ser ecologicamente prudente, socialmente mais justo, economicamente viável, numa perspectiva sustentável, de longo prazo. Globalizem-se os sonhos e também as percepções de que a diversidade humana, longe de nos empobrecer, constitui as bases para o enriquecimento de nosso patrimônio humano, que, antes de tudo, é universal. A verdadeira globalização haverá de nascer da compreensão sólida de que somos cidadãos de um mesmo mundo, de uma mesma pátria comum, de uma única humanidade. Repensar os efeitos nocivos da globalização hoje em dia é algo inadiável. Uma questão de direito... Planetário. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: DIAS, Reinaldo. - Turismo e Patrimônio Cultural. FONTELE SAMPAIO CUNHA, Danilo - Patrimônio Cultural – Proteção Legal e Constitucional. Editora Letra Legal, HOBSBAWM, E. O Novo Século. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 PEREIRA, Gislene; ULTRAMARI, Clovis. Sustentabilidade no meio urbano: algumas considerações. Salvador, ENTAC, abril de 2000 - CD-ROM. RODRIGUES, José Eduardo R. Patrimônio Cultural: análise de alguns aspectos polêmicos. Revista de Direito Ambiental. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001. jan/mar. 21. p. 174-91. SANTOS, Milton et al. Território, Globalização e Fragmentação. São Paulo: Hucitec, 1994. UNESCO. Nossa diversidade criadora: relatório da Comissão Mundial de Cultura e Desenvolvimento VELHO, O. “Globalização: Antropologia e Religião”. Mana – Estudos de Antropologia Social. Vol. 3, no. 1, abril de 1997, pp. 133-53. Site: http://worldroom.wordpress.com/2007/10/01/globalizacao-a-pedir-reformas/ (15/10/08) Site: http://ideias-soltas.net/2004/03/26/cristvam-buarque-sobre-a-amaznia-e-sua-globalizao/ (15/10/08) Site: http://www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio/.php?cod=108 (15/10/08) PARANAPIACABA A REVITALIZAÇÃO DE UMA HISTÓRIA ALVARADO, Ariane Leiria Acadêmica do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO Paranapiacaba um lugar de onde se vê o mar, em tupi-guarani. Num dia claro, esta era a visão que tinham os povos indígenas que passavam por ali, depois de subir a Serra do Mar rumo ao planalto. No século XIX, naquele caminho íngreme utilizado pelos índios, desde os tempos pré-coloniais, seria construída uma estrada de ferro que mudaria a paisagem do interior paulista e ocasionaria a fundação da Vila de Paranapiacaba. Palavras-chave: revitalização; turismo; patrimônio 1 LOCALIZAÇÃO Quem vive na cidade de São Paulo dificilmente imagina que a poucos quilômetros da capital exista uma pequena vila, reduto de Mata Atlântica e museu a céu aberto da estrada de ferro Santos Jundiaí. Assim é Paranapiacaba, distrito do município de Santo André, localizado a 60 quilômetros da capital. 2 HISTÓRICO O local surgiu como uma vila operária e centro de controle operacional da companhia inglesa São Paulo Railway. A história do vilarejo, que conserva até hoje as moradias do período, remete ao século 19, mais especificamente 1867, quando a companhia inaugurou sua primeira linha férrea na serra. Inicialmente, a estrada transportava passageiros de Santos, passando por São Paulo, até Jundiaí. Em seguida, serviu como via de escoamento da produção de café paulista até o porto santista. A Vila iniciou-se apenas por um acampamento de operários. Com a ampliação das obras a vila mudou seu estilo, ganhando ares europeus, suas construções passaram a ter arquitetura Inglesa. Relata um morador antigo da Vila que as pessoas viviam como uma grande família na época. As ruas arborizadas e casas pintadas, as famílias tinham sua vida social intensa, com atividades sócias cultural; bailes; jogos de salão; encenações teatrais. Em 1946 termina a concessão da São Paulo Railway, e todo o seu patrimônio passa para a União, antigos moradores da Vila apontam este fato como a decadência da mesma. Com o fim da concessão da São Paulo Railway, em 1946, a estrada de ferro passou para o controle da União, adotando o nome de Estrada de Ferro Santos-Jundiaí. Em 1987, a Vila de Paranapiacaba, seu patrimônio tecnológico e entornos de Mata Atlântica foram tombados pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo. Não podemos deixar este patrimônio ser destruído, as obras de construção da estrada férreas iniciaram-se em 1860 comandadas pelo engenheiro inglês Daniel M Fox. Que anos mais tarde foi denominada Estrada Santos Jundiaí. O nome Paranapiacaba significa em Tupi Guarani Lugar onde se vê o mar. 3 PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL O tempo foi passando novas tecnologias foram surgindo e com elas a desativação aos poucos do sistema vai surgindo, funcionários vão sendo dispensados outros se aposentam, ficam alguns para cuidarem do sistema de transposição da Serra. E no inicio de 1980, a Vila praticamente não possui mais o sentido de lugar habitado por ferroviários e sim por uma nova geração sem empregos, um local sem infra-estrutura no comércio, contavam com alguns locais comerciais, porém os moradores descontentes e desmotivados. Suas casas precisavam de reformas, a Vila passava a ser um local abandonado. Esse valioso patrimônio, porém, estava em risco. Segundo Reinaldo Dias “o patrimônio pode ser compreendido como mais um recurso á disposição das comunidades para o desenvolvimento”. Em 1999, uma organização norte-americana que acompanha os monumentos e sítios históricos de relevância mundial, incluiu Paranapiacaba dentre os 100 sítios ou monumentos ameaçados de extinção. Segundo o mesmo autor “preservar não é só guardar uma coisa, um miolo histórico de uma grande cidade velha. É manter vivos, mesmo que alterados usos e costumes populares”. Identificando também, problemas de conservação daquela vila centenária como: a deterioração das construções, as reformas, acréscimos e adaptações sem critérios sofridas ao longo do tempo e a necessidade de revisão da infra-estrutura urbana, dentre outros, que surgem como alternativas de trabalho e renda para a população local é outro desafio a ser enfrentado. Segundo o mesmo autor, “a partir da evolução histórica do conceito de patrimônio podemos identificar algumas dimensões como: uma dimensão econômica, relacionada a sua exploração econômica, que pode ser ofertada para um determinado mercado turístico. O qual, ao ser explorado gera renda e trabalho de modo a contribuir para o desenvolvimento local”. Neste mesmo ano foi criado o Movimento Pró-Paranapiacaba, o movimento consiste em viabilização de um cenário de desenvolvimento sustentável para a Vila de Paranapiacaba e entorno, definindo os instrumentos de política urbana e ambiental aplicável. A população totaliza 2868 habitantes, dos quais cerca de 60% estavam desempregados. Dos 40% empregados, 10% trabalhavam na própria vila, se utilizando do turismo como fonte de renda, alguns moradores trabalham na Solvay do Brasil e o restante da população economicamente ativa se distribuem em atividades industriais, comerciais e serviços das cidades mais próximas. Em função do valor histórico da Vila o CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo), tombou a Vila, fazendo a manutenção das casas, das linhas e instalações. Na verdade o significado de patrimônio histórico envolve também a preservação de elementos referentes às técnicas e ao saber fazer; os elementos pertencentes à natureza e ao meio ambiente e por fim os culturais que fazem parte do que é produzido pelo ser humano. Utilizando a visão da arquitetura histórica e natural da Vila que apresenta um cenário peculiar cercado pela exuberante mata nativa e da serra do mar, que o local torna-se um grandioso centro histórico-turístico, envolvendo tanto turistas como pesquisadores. Como nos coloca Reinaldo Dias, “o patrimônio é considerado, atualmente, um conjunto de bens materiais e não materiais, que foram legados pelos nossos antepassados e que em uma perspectiva de sustentabilidade, deverão ser transmitidos aos nossos descendentes acrescidos de novos conteúdos e de novos significados, que deverão sofrer novas interpretações de acordo com novas realidades socioculturais”. TURISMO A SOLUÇÃO Paranapiacaba não depende mais da ferrovia, que entrou em declínio e terminou sendo desativada. Com isso, o turismo tornou-se a principal atividade da população. "O turismo sempre foi importante aqui, mas agora estamos desenvolvendo essa atividade de uma forma mais organizada, pois Paranapiacaba está se preparando para uma nova realidade: a exploração do seu valioso patrimônio histórico, cultural e natural", ressalta Zélia moradora da Vila. A prefeitura de Santo André fez uma pesquisa com os moradores para levantar dados a respeito, do que era conhecido pelos mesmos da História da Vila e o que imaginavam do turismo como meio de vida. Segundo John Swarbooke, “o controle local é um elemento chave da ideologia do turismo sustentável, a comunidade dita as regras e as controla. A renda do evento é usada não apenas para ajudar na proteção do legado cultural da região mais também para sustentar a comunidade que ali reside e suas atividades culturais”. Surgiram várias possibilidades de atuar no setor turístico e, assim, criar novas fontes de renda para os moradores. Como Paranapiacaba não tem hotéis, adotou-se na cidade uma prática muito comum entre os ingleses: o Bed & Breakfast, sistema em que aqueles que têm quartos e leitos disponíveis em suas residências recebem o turista, oferecendo-lhe estadia e café da manhã. A prefeitura de Santo André incentivou os moradores a mobiliarem suas casas com novos móveis, que foram financiados através de empréstimo no banco do Brasil, para receber os turistas. Outro projeto é o Portas Abertas, em que os moradores preparam refeições para os turistas. Como não existem restaurantes na cidade, alguns moradores receberam treinamento e ajuda financeira para comprar utensílios e adaptar suas casas a fim de poderem preparar boas refeições para os visitantes. "O meu forno a lenha é um dos melhores da Vila. A rabada e a vaca atolada são os pratos que fazem mais sucesso", diz Luzinete Machado Freitas. PATRIMÔNIO NATURAL MATA ATLÂNTICA A Associação de Monitores Ambientalistas (AMA) nasceu de uma necessidade dos moradores de potencializar o ecoturismo, com pessoas credenciadas para trabalhar no Parque Municipal e também no Parque Estadual. "Tudo começou com um curso promovido por técnicos do Instituto Florestal destinado a capacitar pessoas da comunidade local para trabalhar com ecoturismo. Agora já somos 24 monitores", explica Eduardo Pin. O curso capacita as pessoas para trabalharem não apenas como monitores, mas também para realizarem outras atividades ligadas ao turismo, como o artesanato. "O curso vem de uma lei estadual que criou a função de monitor ambiental. Tem um critério muito interessante: as pessoas envolvidas têm de morar no entorno da área que se deseja conservar”. Os monitores acompanham os passeios nas áreas de preservação ambiental promovendo educação ambiental, estudo do meio ambiente e turístico. A região dispõe de várias trilhas e cachoeiras que atraem muitos turistas pela beleza natural. Entre esses passeios ecológicos está o Caminho do Mirante de onde se avistam, do topo, o Rio Mogi, as encostas da Serra do Morrão e o litoral paulista, Santos, Bertioga, Guarujá. Com cerca de 1.500 metros, é uma subida que, com certeza, valerá a pena pelo espetáculo visual. No Núcleo Olho D'Água são desenvolvidas atividades ambientais interativas em duas trilhas, que são pontos privilegiados para a contemplação da perfeita integração entre a engenharia e a natureza que caracterizam o lugar. É outro passeio imperdível. TURISMO CULTURAL No turismo cultural e histórico descobrem-se muitas curiosidades, como por exemplo, o Campo de Futebol do Serrano, construído em 1894, onde um funcionário da SPR jogou sua primeira partida de futebol no Brasil. Seu nome, Charles Miller. Este campo presenciou várias outras partidas do Serrano Atlético Clube contra grandes times como Santos e Corinthians. O Museu Funicular e o Clube União Lyra Serrano, que foi por muito tempo a maior edificação em madeira da América Latina, Relógio da Estação, réplica do Big Ben, e a Igreja Bom Jesus de Paranapiacaba, edificada em 1887, são outros lugares que não podem deixar de ser visitados. EM PARANAPIACABA EXISTEM VÁRIOS PONTOS TURÍSTICOS O Museu do Furnicular abriga ainda as máquinas que faziam a tração dos trens. Para vencer os 800 metros de altitude do alto da serra em pouco mais de oito quilômetros, os engenheiros ingleses optaram pela instalação deste sistema. Pelo método furnicular, os trens são rebocados por cabos de aço. Para equilibrar as forças, eles partiam sempre ao mesmo tempo, um em cada extremo da linha. O Museu conta ainda com objetos de uso ferroviário, fotos e fichas funcionais de exfuncionários da ferrovia. Digna da disciplina inglesa, a vila operária de Paranapiacaba tinha suas ruas divididas de acordo com o estado civil do funcionário ou sua posição hierárquica na empresa. Para controlar tudo isto, foi construído o "Castelinho", ex-casa do engenheiro chefe e hoje Museu do Castelo. Localizado no alto de uma colina, com excelente vista para toda a vila, era de lá que o engenheiro controlava todos seus subordinados, não hesitando em demitir um solteiro caso o encontrasse caminhando à noite pelas ruas dedicadas aos casados. No âmbito religioso, a Igreja de Paranapiacaba, originalmente chamada de Capela do Alto da Serra, sediou pela primeira vez uma missa no ano 1884. Como padroeiro, os parocos escolheram Bom Jesus. Em 1911, a igreja de Bom Jesus do Alto Passou a ser ligada a ela. Hoje, ambas pertencem à paróquia de Rio Grande da Serra. Para atribuir um ar londrino, a vila também possui o seu Big Ben. O Relógio da Estação foi erguido em meados de 1898. Suas badaladas regulavam não apenas os horários dos trens, como entrada e saída dos funcionários e seu ritmo de vida. Hoje, após restauração, o relógio da marca Johnny Walker - London voltou a funcionar. TURISMO DE AVENTURA NAS TRILHAS Já para quem prefere se aventurar nas trilhas e cachoeiras em meio à Mata Atlântica, Paranapiacaba oferece diversas oportunidades. Agências locais agendam e orientam os passeios. Uma das mais populares, a Trilha da Cachoeira Escondida possui seis quilômetros de extensão com vista panorâmica da Serra do Mar e da Baixada Santista, além, é claro, da própria Cachoeira Escondida, alternativa é a Trilha do Lago de Cristal, que tem como atrativos os mergulhos em uma piscina natural e banho de cachoeira. Em média, o passeio de seis quilômetros leva cinco horas para ser percorrido, com uma hora de refresco no lago. Completam o mapa a Trilha do Poço Formoso, também com piscina natural e mirante, e a Trilha da Cachoeira da Fumaça. De qualquer forma, o maior desafio de Paranapiacaba é a Trilha da Raiz da Serra, caminho de 15 quilômetros entre a cidade e Cubatão. A trilha é preenchida por diversas cachoeiras e piscinas naturais, em meio ao Vale do Rio Mogi. Em média, são necessárias oito horas para atravessar o caminho. AS ARTES Reduto bucólico, Paranapiacaba foi escolhida por diversos artistas plásticos como cenário para sua arte. Para alojá-los, a administração local criou o Ateliê Residência, onde os artistas, dez no total, expõem e comercializam seus trabalhos. São quadros, pinturas, tapetes, artesanato, todos feitos em harmonia com o ambiente e refletindo a inspiração climática serrana local. A GASTRONOMIA No campo gastronômico, os restaurantes locais têm investido na popularização do Cambuci, fruta nativa da Mata Atlântica, pertencente à mesma família da goiaba, araçá e jabuticaba. Em abril passado, Paranapiacaba realizou a Festa do Cambuci, onde empreendedores da vila e demais moradores apresentam suas receitas com a iguaria. Restaurante e Confraria do Cambuci é o mais especializado em servir pratos e sobremesas da fruta. Em matéria de sobremesas, o destaque é o Espaço Gastronômico. Para os casais que procuram por um ambiente mais intimista, a Taberna Refúgio Cigano é o local ideal com sua meia-luz. Um pouco mais descontraído, o Bar e Pizzaria Santa Rita de Cássia é outro point das noites em meio às montanhas de inspiração inglesa de Paranapiacaba. É beneficiada também pelo clima frio, sempre com uma neblina por isso chamam de Inglaterra brasileira, o que beneficia o mais recente investimento da Prefeitura de Santo André que é o Festival de Inverno. Com um pouco de imaginação, dá para sentir um certo ar inglês. Há fog (o nevoeiro que encobre Londres), casinhas em estilo britânico e até uma réplica do Big Ben em Paranapiacaba, a 60 quilômetros da capital, que atrai turistas todos os finais de semana por causa dessas curiosidades. No mês de julho a vila localizada nas franjas da Serra do Mar fica cheia de gente por outro motivo: o Festival de Inverno. Mais popular que o festival de Campos do Jordão, o evento em Paranapiacaba atrai um público mais jovem e menos sofisticado. CONSIDERAÇÕES FINAIS O aprendizado que tivemos com este estudo foi, o compromisso da sociedade em relação ao espaço em que vive e dos órgãos envolvidos em sua defesa se faz necessário num momento como este, sendo, portanto um primeiro passo imprescindível para reverter esse processo de deterioração. Além do treinamento cívico da população em relação ao meio em que vive e a ação efetiva dos órgãos protetores, a vila de Paranapiacaba clama por intervenções no seu espaço urbano, que valorize tanto o conjunto arquitetônico formado pelas antigas casas da vila e pelas edificações onde funcionava a ferrovia, quanto o meio ambiente (Serra do Mar) enfatizando assim o seu uso voltado ao eco-turismo. Podemos perceber também que existe o lado desvantajoso na vila com relação ao turismo um exemplo é que os moradores não podem ter suas casas com garagens cobertas, muitas vias de acesso serão fechadas, não se pode trocar sequer um vidro nas residências, sem a devida autorização do município, com penalidades caso isso aconteça.Vemos que para realizarmos uma mudança na vida dos habitantes da vila, existem algumas transformações inclusive culturais que não agradam a muitos. Outros agravantes que percebemos ao conversar com moradores da Vila é que muitos se sentem excluídos do processo de transformação da Vila em local turístico, um exemplo é o processo migratório dos antigos moradores da Vila para Santo André, deixando suas casas alugadas para pessoas de fora. As quais transformam o local em pousadas, restaurantes, introduzindo no local uma cultura diferente, outros costumes e hábitos. O que temos hoje em nossa Vila é uma exploração desenfreada, na qual a população local não consegue acompanhar. Uma moradora comenta: agora Paranapiacaba reservou parte de seu território para receber serviços diferenciados de bem-estar, incluindo massagem, relaxamento físico e mental, retiro espiritual. O antigo hospital deverá virar um spa. Outro quarteirão foi destinado aos boêmios, para bares e restaurantes da recém-criada zona de "atividades noturnas" --ainda bastante incipiente. "A vila não tem esse perfil. Precisamos aqui de recursos para os moradores locais não somente atividades que beneficiam os turistas. O silêncio aqui sempre foi valorizado", reclama Zélia Maria Paralego, 56, da entidade de preservação de Paranapiacaba. Temos uma situação bem complicada, pois os novos empreendimentos do local, só mantiveram a fachada característica, pois estão totalmente desalinhados com os costumes do local, uns exemplos é a casa de massas que inaugurou no local recentemente, o que não é um costume do local, ou seja, os pratos típicos da região são elaborados com iguarias locais. Para trabalhos futuros a Prefeitura planeja inclusive a retomada do cinema no Clube União Lyra Serrano --que abrigou a segunda sala de filmes do Brasil, em 1903. Nos últimos seis anos, foram lançados festivais, houve incentivos para a instalação de 172 leitos de hospedagem, exposição do artesanato local, e a demanda de visitantes saltou de 41 mil para 220 mil por ano. A principal tacada dos planos turísticos é à volta de um trem semelhante ao que fazia a ligação da vila à estação da Luz, no centro, e que foi gradualmente desativado nos últimos anos. A idéia, em discussão com União e Estado, é que haja uma composição só aos finais de semana para percorrer 17 km até Rio Grande da Serra --onde já existe uma estação da CPTM. O presidente do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), Luiz Fernando de Almeida, visitou Paranapiacaba na semana passada e encampou a proposta. "Vamos trabalhar para ter esse trem turístico no curto prazo [que, nesse caso, deve ser interpretado como uns dois anos]", promete Almeida, que define a vila como "a Ouro Preto do patrimônio ferroviário no Brasil". REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS DIAS. Reinaldo. Turismo e Patrimônio Cultural – recursos que acompanham o crescimento das cidades. São Paulo: Saraiva, 2006. SWARBOOKE, John. Turismo Sustentável: turismo cultural ecoturismo e ética. São Paulo Aleph 2000 TURISMO, LAZER E TERCEIRA IDADE GONÇALVES, Vivian Cristina de Souza Acadêmica do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO Este trabalho tem o intuito de ressaltar sobre a relação entre o turismo e lazer na terceira idade. Atualmente, o turismo cresce de forma acelerada nos locais que apresentam potencialidades para tal atividade. Como atividade de lazer, o turismo é um eficiente meio para difusão cultural e informacional sobre uma determinada localidade ou região, proporcionando direta e indiretamente, além do desenvolvimento turístico, o progresso econômico e social para as mesmas. O aumento da população idosa, fora do processo produtivo, vivendo de aposentadoria, pode ser um vilão para a atividade turística, pois já estão com a vida financeira estável, isto é, já criaram os filhos, já se aposentaram, adquiriram a maioria dos bens materiais, restando tempo livre para conhecer novos lugares. Sendo assim, segundo Moletta (2000, p. 8), pode-se conceituar o turismo da terceira idade como sendo “um tipo de turismo planejado para as necessidades e possibilidades de pessoas com mais de 60 anos, que dispõem de tempo livre e condições financeiras favoráveis para aproveitar o turismo”. Além disso, o turismo acaba sendo um instrumento importante para fazer com que as pessoas continuem a ser "interessantes" para o sistema capitalista mesmo depois de encerrada a exploração da força de trabalho, pois permanecem, produtivas para a economia. Os idosos carregam consigo muita energia e alegria, tornando-se necessário ocupá-los, oferecendo-lhes momentos agradáveis em companhia de amigos. Daí entra o Turismo, que é capaz de revigorar as energias e até mesmo, curar muitos males, contribuindo para uma longevidade saudável. Palavras-chave: turismo; lazer; idosos; INTRODUÇÃO Segundo Fromer, Betty,( 2003, p.58): O turismo é um conjunto de atividades e relações existentes nos deslocamentos temporais voluntários, realizado pelo afastamento da morada permanente por diferentes motivos, com intenção de retornos, e a utilização total ou parcial dos bens e serviços orientados para a satisfação dos viajantes. Viajar em qualquer idade sempre foi fonte de imenso prazer e distração. O cliente "jovem", de meia idade, aproveita essa fase da vida para conhecer lugares sonhados, ou voltar onde um dia passou e gostou. Existem pacotes turísticos próprios para a terceira idade. Alguns hotéis fazenda contam com estrutura médica, nutricionistas e professores de educação física que estão preparados para supervisionar os passeios e atividades. É importante não confundir aposentadoria com lazer. Ela é apenas um momento de descanso, direito de quem trabalhou longos anos. Deve-se somar à aposentadoria uma rotina saudável, que inclua diversão e exercícios leves, que podem melhorar as condições físicas e afastar o fantasma do mau humor e da depressão. A terceira idade, antes era um segmento não muito explorado pelo turismo, onde os profissionais de turismo não reconheciam os idosos como um público atraente, onde ele somente buscam o conforto, satisfação e valorização de seu bem-estar. Essas pessoas não medem esforços para estarem sempre satisfeitas, geralmente são as únicas pessoas que não se importam com os gastos previstos, geralmente ficam nos melhores hotéis, compram pacotes completos, com visitas, shows, festas culturais, recreação e diversos tipos de serviços oferecidos pelo turismo. Já nos dias de hoje, as empresas turísticas já estão se preparando para atender melhor ao público da terceira idade, podendo assim oferecer alternativas de viajens e serviços turísticos mais adequadas a terceira idade. O lazer assume nos dias atuais um caráter essencial frente à busca pela melhoria na qualidade de vida. Dumazedier (1973,p.46): Define o lazer como sendo: “um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou, ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais. Apesar das perdas que sofrem devido à idade avançada, os idosos mantêm as mesmas necessidades psicológicas e sociais que possuíam nas outras fases da vida e, por isso, reconhecem e valorizam o lazer. Mesmo com todas as dificuldades com que se deparam no dia-a dia, eles não abrem mão de vivenciar o lazer, pois isso se consiste em um tempo privilegiado para a obtenção de bem-estar em qualquer que seja a idade. O lazer pode ser vivido sob várias formas, ele compreende a vivência de inúmeras práticas culturais, como o jogo, a brincadeira, a festa, o passeio, a viagem, o esporte e também as formas de arte, dentre várias outras possibilidades. Dentre estas possibilidades, o Turismo é uma das atividades que mais se destaca no cenário atual. Sua prática é uma das atividades que mais crescem no mundo. O turismo se torna uma expressão do lazer quando o objetivo da viagem é o descanso, a diversão, o relaxamento. O turismo ganha cada vez mais adaptos na terceira idade. Ainda mais em se tratando de Brasil, um país de inúmeros atrativos naturais, culturais e históricos. Os idosos gostam de viajar e fazem disso um hábito. Esta prática lhes proporciona uma vida mais prazerosa e significativa.é claro que problemas como a falta de saúde, falta de companhia, violência urbana e baixos rendimentos,são fatores que os impossibilitam de realizar esta prática, mas ainda assim, na medida do possível, não a deixam de realizar. Os idosos costumam viajar em épocas de baixa temporada, onde os movimentos são menores, favorecendo assim, a economia do local; costumam usufruir do lazer e levarem consigo souvenires para toda a família. Estes são alguns exemplos de como os idosos podem contribuir para o sistema capitalista; e, mais importante que isso, o seu tempo livre é um grande atrativo para o sistema, que através do Turismo o transforma em lucros. A atividade turística é vista geralmente pelo seu caráter econômico, esquece-se porém que ela possui uma importante função sociocultural. O turismo não pode ser visto apenas como uma procura por prazer ou fuga da realidade. Sua prática estimula novos olhares, novas perspectivas, novos valores e compreensão nas relações com o outro. BENEFÍCIOS DO TURISMO PARA A TERCEIRA IDADE O turismo para a terceira idade contribui muito para a saúde e auto-estima dessas pessoas, favorecendo a elas uma melhor saúde física e mental, dispertando alegria, e prazer para os mesmos. Favorecem também a esse público novas descobertas, aprendizagens, conhecer novos lugares, proporcionando o acesso a novas culturas e integração social e outros. OS TIPOS DE TURISMO QUE A TERCEIRA IDADE USUFRUI COM MAIOR FEQÜÊNCIA OTurismo Ecológico; realizado em lugares que exploram o contato e as belezas da natureza, tais como: caminhada, praias, campos, meio rural entre outros. t Turismo de férias; realizado por famílias e amigos. T Turismo Terapêutico ou de saúde; realizados em estâncias termais e hidrominerais, salinas, etc. e Turismo Cultural; apresentada como atração das religiões turísticas, as chamadas motivadoras, como; artesanato, idiomas, tradição, gastronomia, artes, músicas, histórias de religião (monumentos, edifícios e patrimônios culturais e naturais) ( Turismo Esportivo: realizado por um grupo de pessoas que desejam participar ativamente de treinamentos, campeonatos, eventos desportivos etc. t Turismo Religioso; realizado por grupo de pessoas que tem como meta conhecer lugares religiosos, espirituais, enfim, assuntos pertinentes a religião a qual pertence. r Turismo de Eventos; enquadram-se aqui turismo de negócio, férias, cursos, seminários, jornadas, eventos religiosos e esportivos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo teve por finalidade argumentar sobre o tema (Turismo,Lazer e Terceira Idade),ressaltando assim a participação da terceira idade diante ao turismo e lazer. O turismo tem uma grande aceitação pela Terceira Idade, mas para que ele seja bem aceito e executado é preciso um planejamento com objetivos bem definidos, objetivos que levem os interesses e necessidades da terceira idade. Onde através desse planejamento o sucesso das empresas turísticas sejam satisfatórios. O turismo é um meio de proporcionar novas perpectivas de vida devido aos conhecimentos que este proporciona, fazendo com que ele amplie sua visão do mundo. BIBLIOGRAFIA AEMS - FACULDADES INTEGRADAS DE TRÊS LAGOAS, Manual do Acadêmico 2007. BENEDETTI, T. B.; LOPES, M. A.; MAZO, G. Z. Atividade Física e o Idoso: Concepção Gerontológica. 2ª ed. Porto Alegre, 2004. FROMER, B.; VIEIRA, D. D. Turismo e Terceira Idade. São Paulo, 2003. MICHEL, J.P.; MANIDI, M. J. Atividade Física para Adultos com mais de 55 Anos: Quadros Clínicos e Programas de Exercícios. Barueri,2001. MORENO, Guilherme. Terceira Idade: 250 Aulas. 2ª ed. Rio de Janeiro, 2003. O TURISMO COMO ALTERNATIVA PARA O DESENVOLVIMENTO LOCAL DO BAIRRO JUPIÁ OLIVEIRA, Giselle Soares de Acadêmica do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO Organizar o turismo para que ele seja uma atividade fortemente lucrativa e benéfica e consequentemente atenda as necessidades dos turistas e principalmente da comunidade local, não é uma tarefa fácil, pois o turismo é uma atividade muito complexa e repleta de singularidades. Mas através de uma expectativa de desenvolvimento local, do planejamento e consequentemente da participação da comunidade neste processo, surge à perspectiva de solucionar problemas sociais e econômicos da localidade. Nesta visão e conhecendo o potencial turístico do Bairro Jupiá surge à idéia do turismo com alternativa para o desenvolvimento local. Palavra -chave: Turismo; Desenvolvimento local; Potencialidades 1- Introdução O Jupiá é um Bairro de Três Lagoas, inicialmente era conhecido como vila de pescadores, possui uma localização privilegiada que além de se encontrar as margens do Rio Paraná e possuir várias belezas naturais ainda está praticamente na divisas entre os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo, permitindo o fácil acesso de turistas de outros estados. Mas embora possua muitos pontos positivos não consegue se destacar no turismo devido às péssimas condições que o local se encontra. Tanto os governantes quanto os empresários e a população devem almejar os mesmos objetivos e irem à busca da sua concretização, pois só assim esta atividade poderá ser desenvolvida e de maneira responsável. O turismo responsável e planejado traz muitos benefícios para a comunidade e proporciona o desenvolvimento do local. Mas o desenvolvimento que se deve buscar é o sócio espacial, onde visa à melhoria da sociedade e do espaço onde o turismo esta sendo realizado e não o crescimento econômico, embora seja indispensável, não é fundamental, pois deve preocupar com as necessidades da população, tanto individual quanto coletiva. 2- O Bairro Jupiá: Caracterização e Contextualização O Jupiá está localizado na margem direita do Rio Paraná, a 8.6 km do Relógio Central que se situa entre as Avenidas Paranaíba e Antonio Trajano dos Santos, no centro da cidade, o bairro possui uma área de aproximadamente 50 hectares. Sua ocupação humana iniciou-se nas primeiras décadas do século XX, onde as pessoas atraídas pela beleza do rio Paraná e pela construção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, uma grande influencia também para a ocupação de todo município de Três Lagoas, vieram para a região e com o passar do tempo se fixaram no local, tendo como principal fonte de renda a pesca artesanal. No inicio da década de 1960, o bairro passou por um processo de crescimento populacional, decorrente do inicio das obras de construção da Usina Hidrelétrica Souza Dias (Jupiá), mas após o término da construção os trabalhadores de outras regiões que vieram trabalhar no local foram embora ficando apenas os moradores originais que eram em sua maioria pescadores. A construção da usina provocou grandes impactos tanto sociais quanto ambientais para a população local que vivia em sua maioria exclusivamente da pesca, esses moradores sofreram uma mudança significativa em suas vidas e tiveram que se adaptar a nova realidade que lhes foram impostas. 2.1- Caracterização sócio-econômica Os moradores da região realizam funções diversas, para sobreviverem, mas ainda hoje encontramos pessoas que vivem da pesca, não exclusivamente, pois o rio já não proporciona tanta fartura de peixes como anos atrás. Os poucos pescadores profissionais que ainda residem no local, precisam realizar outras funções para auxiliar no orçamento doméstico. O bairro possui uma escola estadual, uma creche municipal, um posto de saúde municipal e uma quadra poli esportiva, onde se situa a sede da Associação de Moradores e Amigos do Jupiá mas ainda carece de muita infra-estrutura, como: farmácia, mercado, açougue e posto policial. Os habitantes se sentem isolados e abandonados pelos órgãos públicos conforme relatos do morador e pescador Sebastião “Eles só lembram da gente na época da política” e completa “Teve um político aí que jogou dois caminhões de areia na beira do rio e saiu falando por aí que fez uma prainha no Jupiá”. 3- Perspectiva do desenvolvimento do turismo no bairro Jupiá O bairro Jupiá possui vários atrativos turísticos, mas uma precária infra-estrutura. Famoso por seus bares e restaurantes que servem o pescado retirado do rio, o Jupiá é um local para pescaria e outros atividades recreativas como: caminhar e tomar banho no rio. Entretanto ainda falta maior divulgação sobre essas opções e a manutenção dos atrativos. A cidade de Três Lagoas é conhecida como a “Cidade das Águas” e por esse motivo possui vocação para desenvolvimento de atividades aquáticas. No bairro Jupiá são realizados vários eventos como: o arrancadão de barcos33, no sexto ano de realização, a festa anual do pescador, e campeonatos de jet ski, entre outros. Observa-se que o público que prestigia os eventos e o local ainda é pequeno, apesar de receber visitantes de varias partes do Brasil, sobretudo do Rio de Janeiro e São Paulo, que se deslocam à região para praticar atividades relacionadas à pesca, entre 33 Disputa entre barcos outras. A população da cidade, geralmente procura a região nos finais de semana, freqüentando os bares e restaurantes, a procura de lazer, aproveitando para saborearem a gastronomia do local. Com uma vista privilegiada do rio Paraná, a área ribeirinha do bairro Jupiá é uma das poucas opções de lazer para a população de Três Lagoas, por se tratar de um território que hoje é propriedade da Companhia Energética de São Paulo (CESP), a encosta do rio com bares e restaurantes carece de obras de infra-estrutura. Os donos dos bares e restaurantes vivem um clima de incerteza em relação às áreas de desapropriação da CESP, onde a qualquer momento podem perder seus estabelecimentos comerciais. Pelo exposto os proprietários não investem na melhoria dos seus empreendimentos, pois estão buscando na lei uma maneira de não perderem os mesmos. A maioria dos proprietários dos bares e lanchonetes, localizadas na beira do rio não possuem outra profissão e dependem da renda advinda de seu comércio para sobrevivência e sustento de suas famílias, por isso estão lutando na justiça pelo direito de permanecerem no local, trabalhando honestamente e dando a oportunidade para outras pessoas prestarem serviços temporários ou permanentes nos empreendimentos, proporcionando aos visitantes um local para lazer e descontração nos finais de semana. 3.1- As potencialidades culturais como produtos A região além de possuir uma belíssima paisagem natural ainda conta com um grande patrimônio histórico constituído pela privilegiada presença da Ponte Francisco de Sá, cujo é considerada um patrimônio histórico de Três Lagoas, inclusive é um bem tombado na cidade. A Ponte Francisco de Sá, possui 1200 metros de comprimento e foi inaugurada oficialmente em doze de outubro de 1926, sua construção iniciou em 1918 durante a gestão de Arlindo Gomes Ribeiro da Luz, Diretor da NOB34, mas só foi concluída em 1925 na gestão do Engenheiro Alfredo de Castilho. Ela liga o extremo oeste do estado de São paulo à cidade de Três Lagoas, no estado de Mato Grosso do Sul, transpondo o Rio Paraná. Mede 1.024 metros de comprimento, possui cinco vigas contínuas de dois vãos cada e uma viga tipo “cantilener” de 350 metros, proveniente da Inglaterra, França e Estados Unidos. Foi Construída Abaixo do salto de Urubupungá, nas corredeiras de Jupiá, onde o canal é mais estreito, permitindo um arco de apenas 100 metros. Os engenheiros responsáveis pela obra foram os Doutores Agnello de Albuquerque, Álvaro de Souza Lima (chefes de construção) e Ary Duarte de Souza (auxiliar da construção). (LEVORATO 1999, p. 57) Com a expansão da economia paulista, a malha ferroviária do estado de São Paulo necessitava se expandir para possibilitar o escoamento de seu principal produto, o café. Com o auxilio de empréstimos no exterior, tendo como garantias os lucros com o café e outros benefícios que conquistariam do Governo Federal, esse estado passou a investir em sua infra-estrutura, beneficiando, assim, os estados vizinhos, inclusive o estado de Mato Grosso do Sul. Surge então a Noroeste do Brasil com a lucrativa possibilidade de ligar o Porto de Santos no Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, passando pelo interior de São Paulo, sul de Mato Grosso do Sul, Blívia e Chile. 34 Noroeste do Brasil Antes de sua construção a atravessia do rio naquele ponto era feita através de balsas. Ela passou a ser utilizada depois da privatização em 1996 pelos cargueiros da Novoeste e foi adquirida em 2006 pela ALL35. O nome da ponte foi dado em homenagem ao grande estadista da Republica Francisco de Sá, um parlamentar ilustre, orador famoso, administrador modelar, que pela segunda vez, ocupava o Ministério da Viação e Obras Públicas no quatriênio de Artur Bernardes (de 1922 a 1926). (LEVORATO 1999, p. 59) O bairro ainda é contemplado com a presença da antiga Estação Ferroviário do Jupiá onde o prédio atual foi construído em 1926. A Estação do Jupiá do Lado paulista foi construída em 1910, às margens do Rio Paraná, era o ponto aonde chegava o trem na margem paulista do rio. Em outubro de 1926, com a inauguração da ponte Francisco Sá, a estação de Jupiá que se localizava no lado do Estado de São Paulo foi fechada e aberta outra com o mesmo nome, na margem do rio que fica no Estado de Mato Grosso do Sul, passando a ser então a primeira estação do lado sul mato-grossense. Portanto, existiram duas Jupiás, a paulista, até 1926, e a sul mato-grossense, de 1926 até hoje. No centro do bairro existe uma capela onde está enterrado o Fundador do Jupiá srº José Gonor, conhecido como José Russo, que foi assassinado em vinte e quatro de maio de 1959, devido a disputas por terras no local, próximo a esta capela existe uma igreja católica cujo data de sua construção é desconhecida, mas devido a relatos de moradores ela possui mais de 50 anos e sua inauguração oficial foi marcada pelo velório do srº José Russo em 1959. 3.2- Principais problemas vigentes no bairro Jupiá A beira do rio no atrai nos finais de semana muitas pessoas. Segundo informações da Associação de Moradores e Amigos do Jupiá, no domingo cerca de 500 pessoas se concentraram no local. Mas vários problemas afastam as pessoas do bairro, sendo eles: • Falta de policiamento, principalmente no domingo que é o dia que mais tem movimento na região ribeirinha do bairro. Os proprietários dos bares e restaurantes, afirmam que já tiveram vários prejuízos por causa de brigas entre as pessoas que ali freqüentam. • Falta de fiscalização da vigilância sanitária, pois muitas pessoas que pescam nos arredores soltam toda a barrigada36 dos peixes no rio deixando-o sujo e com cheiro desagradável, incomodando as pessoas que estão nas proximidades. • Péssima situação do rio que não está atualmente em boas condições para ser utilizado para o banho. • Más condições da estrada que dá acesso à beira do rio, pois a mesma não é nem asfaltada e nem cascalhada, prejudicando a circulação dos veículos, principalmente nos dias chuvosos. 4- O turismo como alternativa para o desenvolvimento local 35 36 América Latina Logística Restos dos peixes que não são utilizados para o consumo No que se concerne ao desenvolvimento local o turismo é uma excelente alternativa, o bairro Jupiá atualmente vivencia uma situação lastimável com praticamente todos os seus patrimônios destruídos e embora possua ótimas condições para a realização da atividade turística não há o investimento necessário para a melhoria dos seus atrativos. Existem vários exemplos de desenvolvimento local após a realização do turismo, como o caso dos índios pataxós de Coroa Vermelha (BA), que através da venda de seus artesanatos para os turistas conseguiram sair das péssimas condições de subsistência que se encontravam. Assim, em vez de o turismo agir de modo degradante sobre a cultura indígena, age de modo contrário, fazendo os pataxós emergirem de forma diferenciada na região, e proporcionando, mesmo que indiretamente, uma produção cultural indígena recente e instrumental, que visa a construção de traços culturais constituintes da identidade étnica e que as mostra não como índios aculturados ou em aculturação, mas como sujeitos criativos e inventivos que geram sua própria cultura com base em elementos seletivamente acionados a partir de origens diversas.(GRÜNEWALD 2001, p. 133) Segundo o Mini Aurélio37 desenvolvimento significa: “1. Ato ou efeito de desenvolver (-se); 2. Crescimento, progresso”. No entanto, em geral, as pessoas têm o hábito de relacionar a palavra desenvolvimento ao crescimento econômico e progresso tecnológico, mas deve-se buscar com o turismo não só a evolução econômica e tecnológica, mas também a superação de problemas sociais, conquistando boas condições para a população local, fazendo com que todas as necessidades da comunidade sejam atendidas, permitindo que os moradores também se beneficiem com a realização desta atividade, propiciando a alegria e a satisfação tanto individual quanto coletiva. Desenvolvimento não deve ser entendido, sublinhe-se, como sinônimo de desenvolvimento econômico, embora muitos e não só economistas, continuem a reduzir aquele a este. O chamado “desenvolvimento econômico” é basicamente, o binômio formado pelo crescimento econômico(mensurável formado por meio do crescimento do PNB ou do PIB) e pela modernização tecnológica, em que ambos se estimulam reciprocamente [...] o termo “desenvolvimento”, no essencial, e devidamente despido de sua carga ideológica conservadora (etnocêntrica e capitalistófila), deve-se designar um processo de superação de problemas sociais, em cujo âmbito uma sociedade se torna, para seus membros, mais justa e legítima, o reducionismo embutido na idéia de “desenvolvimento econômico” precisa ser energeticamente recusado. (SOUZA 2000, p. 19) Os resultados advindos do crescimento econômico podem ou não, trazer benefícios para a população e para o meio ambiente, por isso este crescimento não é considerado suficiente para o desenvolvimento local, mas ele é indispensável, pois é através da renda gerada pelo turismo que a comunidade vai receber melhorias e investimentos tanto estruturais como sociais. A idéia de desenvolvimento esta associada a uma mudança estrutural da comunidade, com o uso racional dos produtos naturais e igual distribuição de renda entre a população. O ponto mais 37 Mini dicionário da língua portuguesa importante do desenvolvimento é o ser humano e a natureza, todos os seus interesses devem ser atendidos visando à melhoria na qualidade de vida, preservação ambiental, socialização do poder, distribuição justa da renda, acesso aos serviços públicos e aos benefícios da tecnologia. Embora o desenvolvimento econômico seja indispensável deve-se buscar um desenvolvimento sócioespacial, permitindo que toda a comunidade presencie os resultados positivos trazidos pelo turismo no local, e desta forma participem livremente deste processo, fazendo com que os benefícios e a atividade sejam duradouros na região. O poder público deverá possibilitar oportunidades para que o desenvolvimento local seja impulsionado, através de investimentos e projetos junto com a população. O Estado é constituído com o principio de defender os interesses da comunidade como um todo, mas muitas vezes cria-se um ambiente de contradição, colocando em oposição o Estado e a comunidade em questão. Devido isso os governos devem buscar no turismo uma alternativa para o desenvolvimento sócioespacial de regiões com grande potencial turístico como o bairro Jupiá, visando à melhoria das condições do local e arrecadando divisas para a cidade, mas para que se possa ter uma atividade turística organizada e com resultados positivos é fundamental a participação do poder público e privado, população local e planejadores. Quando o turismo é planejado de forma responsável e sistêmica os benefícios conquistados é para todos os envolvidos inclusive para a população local. 5 – Considerações finais Levar uma localidade a se tornar um grande ponto turístico é muito difícil, mas é através do planejamento e pesquisas junto com a população local que irá se buscar através das possibilidades a chance desse desenvolvimento turístico desejado. O Jupiá e um bairro privilegiado que além de possuir belezas naturais ainda se beneficia com a presença de várias belezas arquitetônicas e devido isso possui um grande potencial turístico, mas esta totalmente abandonado e sem valor diante da população da cidade que em sua maioria não conhece a história do bairro e por isso não valorizam aquela localidade, pois ninguém cuida de algo que não conhece. Vários problemas são visíveis no bairro e muitos deles só poderão ser resolvidos com o auxílio dos governos através de investimentos no local. Um grande empecilho para a atividade turística é o problema da desapropriação da região ribeirinha do bairro pela CESP, que atualmente é o local mais procurado nos finais de semana pela população da cidade, que não recebem investimento algum devido este impasse entre a CESP e os órgãos públicos que não conseguem resolver este problema de maneira justa. Com isso quem sofre é populações da cidade que embora possua próximo de suas residências um local agradável, com uma história magnífica e com uma belíssima paisagem natural não podem usufruir delas devido às péssimas condições que se encontram. A realização da atividade turística no bairro Jupiá, traria muitos benefícios para a população local, principalmente para as pessoas que viviam exclusivamente da pesca e hoje devido à falta de peixe no rio não conseguem sobreviver somente pescando. O turismo iria trazer emprego para a população e renda para a localidade onde deveria ser investido exclusivamente para a melhoria do local. Os planejadores deveriam trabalhar junto com a população local, com o objetivo de atender as exigências dos turistas e satisfazer os desejos da comunidade, as divisas advindas do turismo na região deveriam ser revertidas para a população, ou seja, deveria se buscar com o turismo o desenvolvimento sócioespacial. 6- Bibliografia RODRIGUÊS, Adyr Balastreri (Org.). Turismo desenvolvimento local. 2 ed. São Paulo:Hucitec, 1999. SOUZA, Marcelo José Lopes de. Como pode o turismo contribuir para o desenvolvimento local? . IN: RODRIGUÊS, Adyr Balastreri. (Org). Turismo desenvolvimento local. 2 ed. São Paulo: Hucitec, 1999. pp. 17-22. LEVORATO, Adão Valdemir. Três Lagoas dama em preto e branco 1918-1964. 2 ed. Três Lagoas: Graf Set Ltda, 1999. BANDUCCI, Álvaro e BARRETTO, Margarita (Orgs.). Turismo e identidade local. Campinas, SP: Papirus, 2001. GRÜNEWALD, Rodrigo de. Turismo e o “resgate” da cultura pataxó. IN: BANDUCCI, Álvaro e BARRETTO, Margarita (Orgs.). Turismo e identidade local. . Campinas, SP: Papirus, 2001. pp. 127-148. PATRIMÔNIO HISTÓRICO: CONSERVAÇÃO DA IDENTIDADE LOCAL SILVA, Jacqueline Santa Rosa da SANTOS, Rennã Buzachero dos Acadêmicos do Curso de Turismo AEMS - Faculdades Integradas de Três Lagoas/MS RESUMO Patrimônio em sua definição geral resume-se em um bem móvel ou imóvel, material ou natural, que possua valor significativo para uma pessoa ou sociedade. Este valor significativo que acaba se tornando o fundamento de várias questões referentes ao patrimônio. Na verdade, para que se haja uma importância para as pessoas, estas devem no mínimo saber do que se trata, qual sua funcionalidade naquele determinado espaço, ou mesmo qual foi sua representação em certo período de tempo. Para o turismo o entendimento e a cultivação de bens de valor de caráter histórico cultural são importantíssimos, já que a atividade turística depende e sobrevive da descoberta e da apresentação de diferentes e novas culturas e valores sócio-culturais. A grande questão que cabe a este trabalho é a discussão da forma de manter o patrimônio material, imaterial e arquitetônico, propriamente dito em seu melhor estado, o mais parecido possível com seu original. Conservar ou preservar? Trata-se de uma discussão longa e árdua, que não depende só do poder publico ou privado, mas também da educação e preparo da população para entender a real importância no sentido histórico, cultural e natural. Assim já dita uma frase de autor desconhecido “A valorização do patrimônio cultural depende, necessariamente, de seu conhecimento. E a preservação sustentável, do orgulho que o povo possui da própria identidade e cidadania”. Palavras – chave: Patrimônio histórico, conservação, preservação, cultura. INTRODUÇÃO Uma das maiores motivações que levam uma pessoa ou um grupo a praticar o turismo, é o conhecer novas culturas, novos hábitos, novas línguas. Mesmo que este não seja o principal motivo, assim mesmo o turista o fará. Antes de mais nada, o turista deve ter dentro de si a consciência de que nenhuma cultura é superior à outra. Sendo assim a viagem será muito mais proveitosa, tendo o devido valor e respeito para com o próximo. Reinaldo Dias em outras palavras coloca a importância do contato entre turistas e comunidade receptora, já que esta relação deixará nítida as diferenças e a identidade do grupo, identificando quem são os semelhantes e quem são os diferentes diante a cultura presente, valorizando a diversidade. As sociedades que permitem aos seus membros amplo contato com outras sociedades poderão esperar mudar mais rapidamente e tornar-se mais complexas do que as sociedades cujos componentes têm pouco contato fora de seus agrupamentos locais. Quanto maior o âmbito de novidade a que o povo é exposto, maior a probabilidade de que adote novas formas. O contato entre sociedades é o maior determinante da mudança de cultura. (FOSTER, 1964, p.33) O turismo cultural, por si trás impactos positivos e negativos tanto para quem o realiza como para quem o recebe (população residente), são sofridas alterações de comportamento devido ao contato externo com outros tipos de pessoas, de culturas. Ou seja, são indícios da globalização que aparece e cada vez mais se torna presente nas sociedades. Considerado como um problema relacionado não só diretamente com o turismo cultural, mas com a própria população local, mesmo sendo contraditório pelo fato do turismo cultural utilizar o patrimônio como recurso para seu desenvolvimento, o descaso com símbolos historicamente e ou culturalmente importantes para a região ainda existe, e muitas vezes tal situação ocorre pelo desconhecimento e esquecimento de seu significado. Como exemplo claro da perda de valor para com os patrimônios tombados, pode-se citar a cidade de São Paulo, que prédios comerciais e residenciais, arranha-céus tomam conta do espaço urbano, escondendo casarões da época dos barões do café. O grande contraste é nítido, onde a evolução ganha espaço e toma conta do espaço reservado para a memória do passado, aos olhos de muitos tal situação é vista como uma poluição visual, entendendo que aquela casa antiga não tem sentido para o local, sendo assim, não recebendo o devido valor e os precisos cuidados, patrimônios tombados estão se auto consumindo devido ao tempo e condições climáticas que o atingem. Patrimônios, ainda não tombados, logo não reconhecidos como tal, também, se não são considerados como um bem da população são destruídos por ato de vandalismo, ou são vítimas dos efeitos do tempo. Quando se pensa na conservação de um patrimônio histórico, logo vem à cabeça o questionamento de qual contexto este patrimônio se adequa, afinal em pleno século XXI vive e cultiva-se o valor do belo, do novo, do atual e o contexto de patrimônio remete a algo antigo e ultrapassado, mesmo que não o seja, porém este é o conceito já fixado nas atuais gerações. Tal ocorrência se dá pelo fato que no Brasil não há e, quando existente é muito pouco ou muito falho, um programa de educação cultural, para a interação de pessoas com símbolos importantes para a história de sua região, ou país, deixando clara a importância do cultivo de bens como estes. A grande dúvida em relação a tudo isso é como manter o patrimônio, já que se preservá-lo, este aos poucos irá se degradando por conta dos efeitos do tempo, lembrando que preservar é manter intacto, ou seja, não se pode usá-lo como um bem material ou algo comercializável. Logo, não é viável tal proteção, pois na verdade um patrimônio não tem sentido por si só, este não se mantém. Nas palavras de Reinaldo Dias (2006, p.101) “Patrimônio não existe por si mesmo, é criado pelos seres humanos por meio de um processo de seleção diretamente relacionado ao grupo social a que pertence”. Cabe então ao responsável, seja ele o poder público ou privado, conservar o patrimônio, pois assim este se manterá característico de sua época, não igual, pois não existe uma maneira que paralise o processo de evolução, mas ainda assim essa conservação o fará parecer o máximo possível com sua criação. Reinaldo Dias (2006, p.101) coloca que “por meio do turismo o patrimônio tem mais chance de tornar-se um recurso renovável”, mas isto só ocorrerá com a manutenção do bem patrimonial, o benefício da conservação é justamente a possibilidade de uso do patrimônio, sendo assim ele terá algum valor para sociedade, sendo cada vez mais valorizado mostrando que este representa fundamental importância para a melhoria de vida em uma condição sustentável. Segundo Margarita Barreto (2000, p.17) “A idéia não é manter o patrimônio para lucrar com ele, mas lucrar com ele para mantê-lo”. Visto que a conservação de um bem da população é mais viável do que sua preservação, cabe a cada cidadão perceber que o patrimônio histórico é importante para manter a identidade nacional, entendendo o patrimônio como um recurso da comunidade que favorece em seu desenvolvimento. Assim como a identidade de um indivíduo ou de uma família pode ser definida pela posse de objetos que foram herdados e que permanecem na família pela posse por varias gerações, também a identidade de uma nação pode ser definida pelos seus monumentos – aquele conjunto de bens culturais associados ao passado nacional. Esses bens constituem um tipo especial de propriedade: a eles se atribui a capacidade de evocar o passado e, desse modo, estabelecer uma ligação entre passado, presente e futuro. Em outras palavras, eles garantem a continuidade da nação no tempo. (Gonçalves 1988, p. 267). Quando se diz valorizar e cultivar, conservar seus elos com a história, não se diz pelo valor material isoladamente. O valor simbólico que atribuímos aos objetos ou artefatos é decorrente da importância que lhes atribui à memória coletiva. E é esta memória que nos impele a desvendar seu significado histórico – social, refazendo o passado em relação ao presente, e a inventar o patrimônio dentro de limites possíveis, estabelecidos pelo conhecimento. (Camargo 2002, p.31) Uma nação, cidade, ou região que não tem um vínculo com o passado através de patrimônios, da mesma forma como esqueceu o seu ontem, será esquecida no seu amanhã. BIBLIOGRAFIA CAMARGO, Haroldo Leitão. Patrimônio histórico cultural, São Paulo: Aleph, 2002. BARRETO, Margarita. Turismo e legado cultural: as possibilidades do planejamento. 2.ed. Campinas / SP: São Paulo, 2000. PIRES, Mario Jorge. Levantamento de atrativos históricos em turismo – uma proposta metodológica. Turismo Teoria e Prática. DIAS, Reinaldo. Turismo e patrimônio cultural - recursos que acompanham o crescimento das cidades, São Paulo : Saraiva, 2006. IPHAN. Disponível em www.iphan.gov.br