A ENFERMAGEM É IMPORTANTE
A Enfermagem é importante fornece informação breve de referência,
com uma perspectiva internacional da profissão de enfermagem
sobre questões sociais e de saúde actuais
Folha Informativa
A cadeia de frio das vacinas: manter redes de frio
Os programas de imunização são largamente reconhecidos como sendo um dos mais eficazes
tipos de intervenções de saúde. No entanto, para muitos países, a prestação de práticas seguras
de injecção e de vacinas de qualidade constitui um desafio significativo. O sistema de cadeia de
frio, quando implementado adequadamente, pode ajudar a ultrapassar este desafio.
O sistema de cadeia de frio pode melhorar a qualidade, segurança e eficácia continuadas de um
programa de imunização. Os enfermeiros, supervisores e outros que manuseiem vacinas devem
fazer o possível por aumentar a utilização do sistema da cadeia de frio, sobretudo em áreas
remotas e com deficiente prestação de serviços.
O sistema da cadeia de frio
As vacinas são substâncias biológicas sensíveis que vão perdendo a potência com o passar do
tempo, sobretudo se expostas ao calor, à luz do sol, luz fluorescente e, nalguns casos, quando
estão no frio1. A potência, uma vez perdida, não pode ser restituída. Para fornecerem protecção
contra a doença, as vacinas têm de ser distribuídas, conservadas e administradas às temperaturas
recomendadas.
O sistema da cadeia de frio constitui um forma de conseguir vacinações eficazes nas crianças Os
elementos comuns a todos os sistemas de cadeias de frio são uma série de ligações de
conservação e transporte através de uma rede de frigoríficos, congeladores e caixas térmicas que
mantêm as vacinas a uma temperatura segura ao longo do seu percurso. Tal como se mostra no
diagrama abaixo, uma cadeia de frio típica tem início com o fabrico da vacina e termina com a
imunização da criança.
ICN ● CIE ● CII
3, Place Jean-Marteau, 1201 Geneve - Switzerland - Tel. +41 22 908 01 00
Fax: +41 22 908 01 01 - e-mail: [email protected] - web: www.icn.ch
A cadeia de frio das vacinas: manter redes de frio, pág. 2/5
Um sistema típico de cadeia de frio envolve o seguinte:
(Fonte: World Health Organization. Vaccines, Immunization and Biologicals. The Cold Chain. 26 de Novembro de 2002.
www.who.int/vaccines-access/coldchain/the_cold_chain_.htm).
Condições de conservação para as vacinas e diluentes
Todas as vacinas são sensíveis ao calor; no entanto, algumas são mais sensíveis do que outras. O
Programa Alargado de Imunização (PAI) da Organização Mundial de Saúde (OMS)2 recomenda um
intervalo de segurança para a temperatura – entre +2º C e +8º C para a conservação da maior parte
das vacinas do PAI A OPV (vacina oral anti – poliomielite) é a vacina mais sensível ao calor e deve ser
conservada entre os -15º C e -25º C.
A OMS3 já não recomenda que as vacinas liofilizadas, tais como a BCG, sarampo e febre amarela sejam
mantidas congeladas a -20º C. A conservação a esta temperatura não danifica as vacinas mas utiliza
desnecessariamente espaço de armazenamento no congelador. Em vez disso, devem conservar-se entre +2º
C e +8º C. Todas as vacinas liofilizadas se tornam mais sensíveis ao calor após a reconstituição.
As vacinas da BCG, MR (sarampo e rubéola), MMR (sarampo, parotidite epidémica e rubéola) e vacinas
da rubéola não só são sensíveis ao calor, como também à luz. Normalmente, estas vacinas são
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fornecidas em frascos de vidro castanho para as proteger dos danos provocados pela luz. Ainda assim,
devem estar sempre cobertas e protegidas da luz forte. As vacinas da hepatite B, Hib (haemophilus
influenzae - líquida), DTP (difteria, tétano e tosse convulsa) DT (difteria e tétano), Td (tétano e difteria) TT
(tétano) são sensíveis tanto ao calor como à congelação (i.e., abaixo dos 0º C) e devem ser protegidas
de acordo com essas características.
Os diluentes4 são menos sensíveis às temperaturas de conservação do que as vacinas e não precisam
de ser mantidos na cadeia de frio. No entanto, quando as vacinas são reconstituídas, o diluente deve
encontrar-se à mesma temperatura que a vacina de forma a evitar um choque térmico para a vacina.
Por conseguinte, para uso diário ou no caso de se planear reconstituir a vacina dentro das 24 horas
seguintes, os diluentes devem manter-se na cadeia de frio, entre os +2º C e +8º C. Os diluentes não
devem nunca ser congelados. A congelação aumenta o risco de rachar o vidro e contaminar o conteúdo.
As vacinas liofilizadas e os seus diluentes5 devem ser sempre distribuídos em conjunto. Cada tipo de
vacina liofilizada requer um diluente específico. Um diluente produzido por um determinado fabricante
não deve ser reconstituído com uma vacina produzida por outro fabricante. As vacinas reconstituídas
não contêm conservantes e tornam-se assim um ambiente ideal para o crescimento de organismos
perigosos. Os frascos reconstituídos devem portanto ser utilizados numa única sessão de imunização, ou
num prazo de 6 horas após a reconstituição.
Equipamento da cadeia de frio
Todo o equipamento da cadeia de frio tem de cumprir com um conjunto de normas de desempenho
definidas pelo programa PAI da OMS e do Fundo das Nações Unidas para as Crianças (UNICEF), ou
com a política nacional. O equipamento recomendado6 tipicamente utilizado para a conservação de
vacinas são salas de frio, frigoríficos e congeladores. Para o transporte de vacinas, é comummente
utilizado equipamento tal como caixas térmicas, malas de vacinas e contentores internacionais.
Dependendo do nível da cadeia de frio, o equipamento para as vacinas varia no tipo e dimensão. Os
profissionais de cuidados de saúde e todo o pessoal que manuseia as vacinas deve compreender a
finalidade e função dos diferentes equipamentos da cadeia de frio. Os enfermeiros têm frequentemente
de seleccionar, substituir, manter ou melhorar o equipamento necessário para a conservação e transporte
das vacinas no seu local de imunização.
Ao seleccionar e manter o equipamento da cadeia de frio, há muitas questões que devem ser
consideradas. Por exemplo, devem ser considerados factores tais como a quantidade e tipo de vacinas
a serem armazenadas, a duração do armazenamento, alterações na temperatura ambiente e clima,
falhas de energia e duração do tempo de transporte.
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Controlo e monitorização das temperaturas
Há diferentes tipos de dispositivos de monitorização para a medição, controlo e registo da temperatura
de conservação das vacinas7. Os frigoríficos, congeladores e caixas térmicas têm normalmente
termómetros que medem a temperatura interna. A maior parte dos frigoríficos e congeladores estão
equipados com um termostato ajustável para controlar e corrigir a temperatura de conservação. Uma
pessoa encarregada do equipamento da cadeia de frio deverá fazer a leitura e o registo da temperatura
de conservação numa folha de registo pelo menos uma vez ao dia ou segundo a política seguida.
Juntamente com cada remessa de vacinas fornecidas pela UNICEF, é sempre embalado um cartão de
Monitorização da Cadeia de Frio (Cold Chain Monitor, CCM) aprovado pela OMS. Todos os CCM têm
indicadores sensíveis à temperatura, que monitorizam a exposição ao calor durante todo o percurso da
vacina, do fabricante até às instalações de cuidados de saúde. Os indicadores FreezeWatch são CCM
utilizados para monitorizar as condições de armazenamento das vacinas sensíveis ao frio. Os Stop!
Watches compreendem dispositivos CCM e FreezeWatch para monitorizar as temperaturas máximas e
mínimas de conservação no frigorífico.
Um Monitor do Frasco de Vacina (Vaccine Vial Monitor, VVM)8 é um rótulo num frasco de vacina que
se encontra marcado com um círculo com um pequeno quadrado no interior. Um material sensível ao
calor presente no rótulo regista a exposição cumulativa ao calor de cada frasco individual de vacina ao
longo do tempo. Quando o quadrado interno coincide ou fica mais escuro do que o círculo externo, isso
indica que a vacina perdeu a potência e tem de ser eliminada. Os VVM NÃO substituem os prazos de
validade. As vacinas nunca devem ser utilizadas quando ultrapassados os respectivos prazos de
validade.
Os profissionais de saúde foram treinados para eliminar todas as vacinas após qualquer quebra ou
suspeita de quebra na cadeia de frio. Os VVM reduzem o desperdício de vacinas porque indicam
claramente se uma vacina pode ser utilizada. Todas as vacinas OPV fornecidas através da UNICEF estão
rotuladas com VVM. Espera-se que seja implementada a disponibilidade de VVM em todas as outras
vacinas do PAI fornecidas através da UNICEF.
Manutenção da cadeia de frio
A temperatura recomendada para as vacinas deve ser mantida a todos os níveis da cadeia de frio. No
entanto, as vacinas são mais vulneráveis quando são abertas e reconstituídas. Claramente, o passo final
da cadeia de frio é de importância vital. Os enfermeiros e outros profissionais de cuidados de saúde
devem fazer uma gestão cuidadosa da cadeia de frio, verificando e registando o estado das vacinas
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quando as remessas chegam ao serviço de saúde, quando as vacinas são armazenadas e quando são
administradas. Devem verificar-se e registar-se regularmente a integridade e os prazos de validade das
vacinas, o equipamento da cadeia de frio e os monitores de temperatura, segundo a política do
estabelecimento de cuidados de saúde. O planeamento e registo cuidadosos são particularmente
importantes durante as sessões de imunização de longo alcance, nas quais são frequentemente
necessários vacinas e equipamento portátil adicionais, tais como pacotes gelados e caixas térmicas.
Os enfermeiros e outros profissionais de cuidados de saúde devem estar bem preparados para
potenciais emergências na cadeia de frio. Deve ser disponibilizada formação contínua em serviço em
todas as instalações de cuidados de saúde, para promover e melhorar as aptidões práticas necessárias
para gerir a cadeia de frio. Um sistema bem estruturado de cadeia de frio é indispensável para um
programa de imunização seguro e eficaz. Os gestores de enfermagem, formadores e responsáveis pela
tomada de decisão política, em colaboração com as organizações de saúde, podem criar e implementar
políticas e procedimentos relativos à cadeia de frio em todos os programas de imunização.
1
World Health Organization. Vaccines, Immunization and Biologicals. The cold chain. 26 de Fevereiro de 2002.
www.who.int/vaccines-access/vacman/coldchain/the_cold_chain_.htm.
2
World Health Organization. Vaccines, Immunization and Biologicals. What are the correct conditions for storing EPI
vaccines? 18 de Dezembro de 2002. www.who.int/vaccines/vacman/temperature/temperature.htm.
3
World Health Organization. Department of Vaccines and Biologicals. Update. Proper handling and reconstitution of vac-
cines avoids programme errors. Volume 34, Dezembro de 2000.
4
Ver acima, Nota 2; Nota 3
5
Ibid.
6
World Health Organization. (1998). Global Programme For Vaccines And Immunization. Expanded Programme On
Immunization. Safe vaccine handling, cold chain and immunizations. A manual for the Newly Independent States. WHO.
7
Ibid.
8
World Health Organization. VVM For All. Technical Session on Vaccine Vial Monitors. Getting started with Vaccine Vial
Monitors. Questions and answers on field operations. March, 27, 2002; World Health Organization. Vaccines, Immunization
and Biologicals. Vaccine Vial Monitors (VVMs). 26 de Novembro de 2002. www.who.int/vaccinesaccess/vacman/vvm/vvmmainpage.htm.
Edição Portuguesa
Tradução do original inglês
"The Vacine Cold Chain: Maintaining Cool Links"
Ordem dos Enfermeiros (Hermínia Castro)
Revisão
Maria Isabel Soares / Lisete Fradique
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21 - 2003 A cadeia de frio das vacinas.qxp