1 INFLUÊNCIA DO TEMPO EM FRENTE À TELEVISÃO NA OBESIDADE E NO CONSUMO ALIMENTAR EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1. FLORES, Priscila Trindade2; LIMA, Karine de2; PUCCI, Vanessa, SOUZA, Juliana Gusmam²; NORNBERG, Marcele Leal²; BENEDETTI, Franceliane Jobim3. ¹ Trabalho elaborado na disciplina de leitura e interpretação de artigos científicos na área da saúde. ² Curso de nutrição do Centro Universitário Franciscano;Santa Maria,RS, Brasil. 3 Professora orientadora, Curso de nutrição do Centro Universitário Franciscano; Santa Maria, RS, Brasil. Email:[email protected];[email protected];[email protected];juliana.nutrição201 [email protected]; [email protected]; [email protected]. RESUMO Estudos mostram associação positiva entre obesidade e hábitos alimentares menos saudáveis com o tempo em que as crianças e adolescentes assistem televisão por dia. Desse modo o objetivo deste estudo foi analisar associação entre obesidade e consumo alimentar com o hábito de assistir televisão em crianças e adolescentes. Trata-se de um estudo de revisão sistemática nas bases eletrônicas Lilacs e Scielo estabelecendo-se critérios de exclusão e inclusão dos artigos. Foram identificadas 13 publicações que preencheram a todos os critérios de inclusão. As publicações encontraram correlação positiva entre obesidade e hábito de assistir televisão em adolescentes principalmente do sexo feminino, já nas crianças esses fatores não estiveram associados. O tempo em frente à TV se relacionou positivamente com preferências alimentares menos saudáveis em crianças e adolescentes. Percebendo-se a necessidade de programas que incentivem a alimentação saudável e a prática de atividades físicas. Palavras-chaves: Televisão; Obesidade; Criança; Adolescente; Consumo alimentar. 1. INTRODUÇÃO A obesidade é considerada uma doença na qual o excesso de gordura corporal acumulou-se a tal ponto podendo afetar a saúde (LEÃO et al., 2003). A alta prevalência de crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade tem apresentando níveis preocupantes (OLIVEIRA e FISBERG, 2003; TERRES, 2006). Segundo Rech (2007) esta patologia está associada com surgimento de alterações metabólicas, como diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. 1 2 São vários os fatores importantes no desenvolvimento da obesidade, os genéticos, os fisiológicos e os metabólicos (ROSENBAUM e LEIBEL, 1998). No entanto, o que poderia explicar este crescente aumento de indivíduos com excesso de peso são as mudanças no estilo de vida, relacionados com o sedentarismo e desequilíbrio entre a ingestão alimentar e o nível de atividade (MONTEIRO, MONDINI e COSTA, 2000). Nesse contexto, estudos mostram que o tempo que crianças e adolescentes assistem a televisão durante o dia tem associação com a obesidade (PETRIBÚ et al., 2009). Considerando-se o tempo ≤2 horas/dia (não sedentários) e >2 horas/dia (sedentários) segundo a American Academy of Pediatrics (1986). Este hábito também se apresentou associado positivamente com a ocorrência de hábitos alimentares menos saudáveis, como um maior consumo de gorduras e de açúcar e um maior consumo de “junk food" (MORENO e TORO, 2009). Deste modo, este estudo tem por objetivo analisar associação entre obesidade e consumo alimentar com o hábito de assistir televisão de crianças e adolescentes. 2. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão sistemática nas bases eletrônicas Lilacs (Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde) e Scielo (Scientific Electronic Library Online). A busca foi realizada nos meses de março a junho de 2012. A seleção dos descritores utilizados no processo de revisão foi efetuada mediante consulta ao DECs Mech (descritores de assunto em ciências da saúde da BIREME). Nas buscas, os seguintes descritores, em língua portuguesa: televisão, obesidade, criança; adolescente, consumo alimentar. No idioma inglês television, obesity, child, teenager, food consumption e na língua espanhola la televisión, la obesidad, infantil, adolescente, el consumo de alimentos. As associações foram obesidade e televisão, consumo alimentar e televisão, criança e televisão, adolescente e televisão. Os critérios de inclusão foram pesquisas realizadas com população de 3 a 20 anos de idade, de ambos os sexos, artigos dos últimos cinco anos de publicação, artigos de livre acesso e disponíveis na integra. Os critérios de exclusão foram estudos com adultos, idosos, artigos de revisão, teses, monografias e estudos com portadores de outras patologias além de obesidade e outros idiomas estrangeiros. As avaliações dos títulos e dos resumos foram feitas por dois pesquisadores, realizadas de forma independente e cegada obedecendo rigorosamente aos critérios de inclusão e exclusão definidos no protocolo de pesquisa. Nas buscas realizadas foram identificadas, inicialmente, 323 publicações (LILACS=263; SCIELO=60). Após avaliação foram identificados os elegíveis e excluídos os artigos repetidos entre as bases de dados. 2 3 3. RESULTADOS E DISCUSSÕES Foram identificadas 13 publicações que preencheram a todos os critérios de inclusão. Os artigos foram publicados no período de 2008 a 2011. A faixa etária dos artigos variou de cinco a 20 anos. Os estudos que associaram o tempo em frente à TV com a obesidade estão apresentados no quadro 1. No estudo de Tassitano et al. (2009) em adolescentes avaliou-se através de questionário validado o tempo diante a TV, separadamente para dias de semana e para dias de final de semana, analisadas como duas variáveis independentes. Considerando expostos a excessivo tempo de assistência à televisão aqueles que referiram assistir à televisão três ou mais horas por dia. Somente, nas adolescentes do sexo feminino a ocorrência de obesidade estava associada ao tempo de exposição à televisão (horas/dias de semana). Corroborando com estudo de Ribeiro, Colugnati e Taddei (2009) que associou hábito de assistir TV mais de 4horas/dia maior em adolescentes do sexo feminino com excesso de peso. Esses resultados poderiam ser previstos tendo em vista que o tempo médio assistindo à televisão é maior entre as meninas, já que os meninos gastam mais tempo jogando videogame (ENES et al., 2009). No estudo de Enes, Pegolo e Silva (2009) o tempo gasto diariamente em frente à televisão > 2 horas/dia não se correlacionou com a prevalência de obesidade discordando dos estudos de Petribú et al. (2011) que investigaram a prevalência e os fatores associados ao sobrepeso e obesidade em estudantes do ensino médio aplicando-se o questionário previamente validado. Verificando-se maior proporção de obesos entre aqueles que relataram assistir TV por mais de três horas por dia. Rivera et al. (2009) também encontraram correlação dos percentis de Indice de Massa Corpotal (IMC) com o tempo em frente à TV. Morales-Ruan et al. (2009) através de questionários validado investigou 18 784 adolescentes encontrando associação positiva entre o tempo de tela maior que três horas com as prevalências de sobrepeso e obesidade. Sabendo-se que o sedentarismo é mais frequente no sexo feminino e em adolescentes do que em crianças a maior parte estudos apresenta-se de acordo com a literatura atual (RIVERA et al., 2009). Em estudos com crianças Alves, Siqueira e Figueiroa (2009) avaliaram a frequência de excesso de peso em favelas e sua associação com inatividade física por questionário validado de atividade física para crianças. O hábito de assistir a televisão por mais de três horas diárias foi observado na maioria das crianças, não havendo diferença naquelas portadoras ou não de obesidade. Em estudo semelhante, porém em favela de cidade diferente, verificou-se também que o tempo de três ou mais horas dedicadas à televisão por dia obteve uma frequência de 72% entre os portadores de sobrepeso e 70% nos eutróficos, não apresentando diferença significante. Este resultado pode estar associado ao fato que o 3 4 estímulo do consumo alimentar pelas propagandas, não possa ser atendido por essa população devido ao baixo poder aquisitivo (SIQUEIRA, ALVES e FIGUEIROA, 2009). Xavier et al. (2009) determinaram os fatores associados à prevalência de sobrepeso e obesidade em crianças através de questionário. A maioria das crianças assistia TV por até quatro horas. Daqueles com sobrepeso, dois (11,11%) assistiam de 0-2 horas, 12 (66,66%) de 2-4 horas, três (16,66%) de 4-6 horas e um (5,55%) de 6-8 horas. Entre os obesos, cinco (23,81%) assistiam de 0-2 horas, oito (38,09%) de 2-4 horas, seis (28,57%) de 4-6 horas e dois (9,52%) de 6-8 horas. Porém, não se encontrou relação entre um maior tempo assistindo à TV e obesidade discordando do estudo de Rivera et al. (2009) que encontrou correlação dos percentis de IMC com o tempo em frente à TV, porém essa divergência pode estar relacionada ao fato que no estudo foram incluídos crianças e adolescentes, sabendose que estes têm hábitos diferentes, não podendo ser avaliados como uma mesma população. No quadro 2 apresentam-se os estudos que relacionam consumo alimentar com o habito de assistir à televisão. Fiates, Amboni e Teixeira (2008) identificaram hábitos alimentares e a influência da televisão em crianças. Através de questionário semiestruturado criado especialmente para o estudo. O hábito de comer em frente à televisão foi amplamente encontrado em cerca de 89,5% das crianças, que referiram às vezes ou sempre fazer as refeições com a TV ligada e 98% costumavam beliscar alguma coisa enquanto assistiam à TV principalmente bolachas, salgadinhos de pacote, pipoca e guloseimas doces. O estudo de Moreno e Toro (2009) avaliou a TV como mediador da obesidade através de inquérito aplicado 484 crianças. Estes mostrou que 97% das crianças gostam de assistir televisão e que 81% assistem TV quando comem e 80% comem quando veem TV. O uso elevado da TV foi relacionado a um maior consumo de gorduras e de açúcar e um maior consumo de “junk food". Em estudo com adolescentes Pearson, Ball e Crawford (2011) examinaram os mediadores entre assistir televisão (TV) e comportamentos alimentares. Os adolescentes que assistiram mais de duas horas de TV/dia consumiram lanches e bebidas com maior densidade energetica , e uma menor ingestão de frutas. Evidenciando que muito tempo gasto em assistir TV estão associados com preferências alimentares e hábitos alimentares pouco saudáveis (BRUUN et al., 2011). Os quais podem estar sendo mediados pela influência dos comercias sobre suas preferências alimentares e o costume de ‘’petiscar’’ enquanto assistem à televisão (FIATES, AMBONI e TEIXEIRA, 2008; PEARSON, BALL e CRAWFORD, 2011). Quadro 1. Relação dos estudos que associaram tempo assistindo televisão com obesidade. Primeiro Tipo de Local Faixa Público 4 Resultados relevantes do estudo 5 Autor Estudo Ribeiro, IC Casocontrole Petribú, MMV Transversal Enes , CC Transversal Tassitan o, RM etária Pelotas, São Paulo e Goiânia – BR. Caruaru (PE), BR. Adolescent es Tempo de televisão maior ou igual 4 horas associou-se ao excesso de peso apenas entre meninas; Adolescent es Maior proporção de obesos entre os estudantes com relataram assistir TV por mais de três horas por dia. Piedade (SP) BR. Média de 16,7 anos Média de 17,5± 1,6 anos 10 - 14 anos Adolescent es Transversal Pernambuc o, BR. 14 - 19 anos Adolescent es MoralesRuán, MC Rivera , IR Transversal México 10-19 anos Adolescent es Não apresentou diferença estatisticamente significativa entre excesso de peso e habito de assistir televisão Assistir televisão 3 + horas / dia foi associado com a obesidade no sexo feminino. Associação positiva entre o tempo em frente da tela à obesidade. Transversal Maceió (AL), BR. Crianças e Adolescent es O tempo diário em frente à TV associação significante entre maior em obesos. Alves, JGB Transversal Recife (PE) – BR. Média de 12,4 (± 2,9) anos 7-10 anos Crianças Xavier ,MM Transversal Uberaba (SP), BR. Crianças Siqueira ,PP Transversal Olinda (PE), BR. Média de 8,04 (± 1,68) anos 5-9 anos Não houve associação entre excesso de peso com o numero de horas diárias de assistência à televisão. Não se encontrou relação entre um maior tempo assistindo TV com obesidade. Crianças O tempo de três ou mais horas dedicadas à televisão por dia não apresentou diferença significante entre os percentis de IMC. Quadro 2. Relação dos estudos que associaram consumo alimentar com o habito de assistir à televisão. Primeir o Autor Bruun, HH Tipo de Estudo Estudo de Coorte Local Dinamarca Faixa etária 8-10 anos após 14-16 anos Público Crianças 5 Resultados relevantes dos estudos. As preferências alimentares e hábitos alimentares estão associados a hábitos de assistir TV. O tempo gasto na visualização de TV foi associado com preferências alimentares e hábitos alimentares mais pobres. 6 Fiates, GMR Transvers al Florianópoli s (SC), BR. 7-10 anos Crianças Moreno ,L Transvers al San Luis Potosí (MX) 6-13 anos Crianças Pearso n, N Estudo de Coorte Austrália 7-12 anos Adolescent es A grande maioria costumava beliscar enquanto assistia à televisão, ou fazia as refeições com a televisão ligada (89,5%). Um uso elevado de TV foi relacionado a um maior consumo de gorduras e açúcar e maior consumo de junk food. Os adolescentes que mais de duas horas de TV assistidas / dia tiveram um maior consumo de energia densa e lanches bebidas, e menor ingestão de frutas. 4. CONCLUSÕES Nos adolescentes o tempo em frente à televisão apresentou associação positiva com obesidade principalmente no sexo feminino. Nas crianças esses fatores não obtiveram correlação, porém verificou-se a permanência excessiva em frente à TV podendo conduzir ao sedentarismo na infância. Em adolescentes e crianças preferências e hábitos alimentares menos saudáveis estão relacionados com o maior número de horas que estes assistem à televisão. Estes resultados demonstram a necessidade de implantação de programas que incentivem a alimentação saudável e a prática de atividades físicas entre outros hábitos que tenham como objetivo a redução dos fatores que desencadeiem a obesidade e patologias associadas a ela. 5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, J.G.B.; SIQUEIRA, P.P.; FIGUEIROA J.N. Excesso de peso e inatividade física em crianças moradoras de favelas na região metropolitana do Recife, PE. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v.85, n. 1, p. 67-71. 2009. American Academy of Pediatrics. Television and the family. Elk Grove Village (IL): American Academy of Pediatrics; 1986. BRUUN, H.H. et al. Television viewing, food preferences, and food habits among children: a prospective epidemiological study. BMC Public Health, v. 11, n. 311. 2011. 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