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Vol. IS.
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JORNAL DO GRÊMIO LITTERARIO PORTüGüEZ,
Domingo 24 de Fevereiro de 1856.
Pi. 3
E' pois nos monumentos, e não nos códices,
deve buscar_dfi=_
que especialmente o historiador
cifrara solução das diferentes phases políticas
de uma nação; é nos monumentos, ainda, que
elle deve dessecar, com o escalpelo da hermiA Igreja de Sao Joaquim,
factos, a Índole, o viver e crer das
os
Ineutica,
O COLLECIO DE PEDRO II.
quizesse
gerações defunetas. Quem por exemplo dos
viceafferir e contrastar a influencia política
i
theocratica das ordens reascendência
a
e
reis,
e
dos
povos
A epopea das nações, a chronica
os monumentos do Carmo,
estudar
deveria
ligiosas
nos
ler-se
deve
a historia cias grandes cidades
Antônio, vastos, sumpde
Sancto
e
Bento
São
de
nações,
das
seus monumentos ; porque o espirito
era possível sel-o n'esse
artísticos,
tuosos,
quanto
civilisação
a
porque a Índole dos povos, porque hyreoghphi- tempo, com opaco civil, acanhado, de proporções
das cidades ha de revelar-se nesses
ousando sahir dos alicerces :
mal
miniatura,
em
o
escreveu
cos de pedra, que ideou o poeta, que
levavam milhões para
dos
náos
as
que
quintos,
artista.
-.Mafrà e
chronisla, e que symbolisa o
as dissipações do
de
para
o
convento
epocha
a
lê-se
Assim, no mosteiro da Batalha,
uma dúzia de
deixavam
não
XIV
Luiz
expeportuguez
a
Belém
cavalleiresca de D. João I, no de
um lanço de pamais
erguer
num
mealhas
para
sumpluodicão da índia, no de Mafrà essa epocha
a residência dos
decorar
mais
rede,
para
mona
quanto
V,
sã! fradesca, e hypocrita de D. João
do poder real: a devoção dos
representantes
reinaõ
eqüestre
estatua
sua
derna Lisboa, o na
até ao fanatismo, manifestavacrentes
dos
fieis,
de
marquez
e
do severo e grave do severo grave
em largas esmolas e ricos donativos ao conse
Pombal.
ao culto e ao poder theocratico,
igreja,
á
e
vento
moscada
igreja,
Também no Brazil cada
então lavrava sob
já
scepticismo
o
que
politico,
diííerentes
as
teiro, cada monumento revelam
de hoje, negava os direitos ao
do
forma
diversa
annos.
epochas da historia de trezentos
dava tudo a
contribuições:
ás
negava-se
fisco,
da
omega
o
e
O convento e a igreja são o alpha
baculo e
:
Cezar
a
pelo
nada
e
guiava-se
Deos
se
igreja
que
historia do Brasil; é no convento e na
obedecia ao capuz, e pouco se
bastão,
não
avenpelo
um
de
intima
povo
deve estudar a chronica
com o chapeo implumado do general
importava
com
ambição
de
tureiro, colono, cavalleiresco,
requinte de cobiça, livre em costumes, dissoluto governador.
até ; mas uniforme em relação ao convento e a
igreja. Do confissionario e não do gabinete do
muitos monumentos, que no Brasil
os
Entre
da
tribunal
do
enão
igreja
capitão general,-da
esta phisionomia política e
e
attestam
o
justificam
é
espada
povo
da
não
que
justiça, da estola e
do século passado, e dos dois
sociedade
da
moral
reforma
a
e
civilisação,
sua
recebia o impulso da
a igreja e seminário de São
avulta
anteriores,
da
viva
letra
a
era
de seus costumes : o sermão
— IGREJA DE SAO JOAQUIM E
hoje
Joaquim,
O
até.
menoscabava-se
lei, a provisão illudia-se,
IL Esse monumento,
-padre-Vieira com a palavra, e amortalhado na COLLEGIO DE PEDRO
trarisformações tem passado, essa
tantas
mais
por
exerceu
que
sua roupeta negra de jesúita,
religiosos ;*fe recânticos
resoòu
ps
igreja
já
que
suas
provisões
poder que todos .os vice-reis, com
de uma soldadesca grosseifundamentadas, com suas fardas douradas, e pereutio as blasphemias
do alviro
aos
de
desabar
breve
em
golpes
ra
terá
real.
deslumbrantes pelo brilhantismo do poder
18
A SAUDADE.
Manoel Marques Esteves, com porta para a mesma
Igreja, por detraz da capella-inór, juntamente
com as casas que ao lado da mesma Capella estão
fabricadas, e em quanto possa ser necessário para
complemento da morada do mesmo Collegio os
quaes assistirão no coro da mesma Igreja,
rezando com os capellãos d'ella. E terão um sacerdote que nós, ou nossos suecessores escolhein
rem e deputarem de boa vida c costumes, o qual
, Uma idéa generosa, um pensamento evangélico lera cuidado de crear os dilos meninos ensinande civi1fsacão^presi(lio á fundação do COLLEGIO do-lhes a doutrina christã, e o santo temor de
DOS MENINOS OPvPIIÃOS. Um dos mais que- Deos, e os que não souberem ler, escrever econridos e saudosos prelados, que tem honrado^ a (ar ; c depois d'isso mandará ensinar a lingua laigreja fluminense, o virtuoso e illustrado D. Fr. tina, a rezar o oflicio divino c ceremonias da
Antônio de Guadalupe foi quem concebeu, quem Igreja, como também musica e tocar instrumenlançou os primeiros alicerces, quem deu impor- tos pertencentes a ella, segundo vir a capacidade
tancia e vida a esta philanlropica c caridosa ins- de cada um. E em tudo se conformarão, com o
tituição.
observa no Collegio de Meninos orphãos
quese
Para melhor se avaliar o pensamento do illus- da Cidade do Porto, cxceplo na sujeição do dito
Ire prelado transcrevemos as próprias palavras da Collegio que fica pertencendo ao ordinário, com
sua provisão de 8 de Junho de 1739.
cuja licença serão recebidos os meninos de pouca
de
Provisão Episcopal de 8 de Junho de 1739 ins- idade, o cíiristãos velhos e que sejam brancos
tiluindoiim Collegio de meninos orphãos nesta geração, o de nenhuma sorte mulatos; porque
como se hão de criar para o estado ccclesiasüco,
Cidade do Rio de Janeiro.
tendo para isso preslimo e vocação, devem ser de
Dom Frei Antônio de Guadalupe, por Merco idade em que possam ser inslruidos nosrudimeude Ocos e da Sancta Sé Apostólica, Bispo do Rio tos da vida ecclesiaslica, ejuntamente de sangue ;
de Janeiro, do Conselho de Sua Magcstadc que
d'ella não sejão excluídos. E para constar
porque
Deos Guarde, &c.
d'esta nossa instituição mandamos passar a preA experiência que temos de que n'esta ei- sente
nós assignada e sellada com o sello das
por
dade e seus contornos, se perdem muitos moços, nossas armas, nesta Cidade do Rio de Janeiro
que, ficando orphãos de pai em tenra idade, aos oito de Junho de mil e setecentos e trinta e
não tem quem os instrua nos bons costumes, nove annos. Eu José da Fonseca Lopes, escrivão
e nas artes, em que podem aproveitar-se e da Câmara Ecclesiaslica, subscrevi.
viver christã e religiosa nente, naquellcs emAntônio — Bispo do Ilio de Janeiro
pregos ecclesiaslicos, ou seculares, para que tiverem gênio c preslimo: nos tem movido a procu(Continua.)
rar remédio para este damno, não só por meio
de um Seminário, a que temos dado principio
e o t*Mlos©i&iaSs5aaí3.
na fôrma do Sagrado Concilio Tridentino, mas A. €fl-caçfto
também por meio da instituição de um Collegio,
No principio, antes que houvesse dia, nem
em quesejão recebidos ecreados meninos orphãos
noite, nem tempo, criou Deos o eco e terra;o
vasia, c
de pães pobres e desamparados de creação, os
porém a terra estava informe e abysmo ao
mundo lodo sepultado em um
quaes no dito Collegio sejam instruídos na douespirito de Deos fecundava as
O
trevas.
trina christã, ler, escrever, c na lingua latina,
águas que envolviam a terra. Disse enlao
•musica e instrumentos, como também nas funcDeos: « Faca-se a luz ; » e a luz foi feita, fce
chamou Deosá luz dia, eás trevas noite,
ções ecclesiaslicas, de que podem ser capazes.
d'este modo se fez o primeiro dia que houve
Por tanto, em nome d'aquelle Senhor que foi
no mundo.
servido dar-nos esta vontade, instituímos n'csla
(Historia Sagrada. Roqcette.)
cidade do Rio de Janeiro um Collegio para crea-ção dos meninos orphãos nas costas da Igreja de
A creação do universo, a existência do Ente
São Pedro nos chãos que se compraram ao Padre Supremo,*o do espirito humano, a necessidade
e da picareta do ineonpclausta, que, em nome
da industria e dá civilisação material, vai condemnar ao desapparecimento essa pagina importante da historia monumental do Brasil, a mais
importante talvez, porque a esse edifício liga-se o
da nossa eduprimeiro verbo, o primeiro fiai lücc
cação e illustração.
'-:
.¦
A SAUDADE.
19
Abi; Yichnou reclinado n'uma folha de íicTuma Religião, opeccado d'órigém, etc, são ver- dor.
os annéis da grande serpente,
(] H]os augustas her dadas com o ser, luzes que gueira, ou sobre
tona d'agua e sahindo-lhe do ventre
j)eos acoendeü na alma do homem, e que nem nadando á
de loto, no calix. de cuja flor, apparece
mesmo hão conseguido marear, nem amortecer, um ramo
Braíima, o obreiro completador da crea05 erros de Leueippo, Oemocrito e Empédocles, sentado
—será poético, será tudo, mas não é tão
aberrações
as
nem
Pyrrho,
de
ção,
scepticismo
o
nem
a cosmogonia da Bibiia.
sublime,como
e
de
os
finalmente
nem
grandioso
paradoxos
deVoltaire,
intentaram impu- Os naturalistas do século XIX, por meiod'umacpeseudo-philosophos
quantos
onar estes dogmas cardeaes da humana essência. curado exame, sobre as diversas slratiíicações do
nos interstícios da terra,
Trataremos, por agora, sóm :ute «Vesse portento- terreno, que se deparam a narração Genesiana
de que
so líbenomeno — a Creação— e diligenciaremos convenceram-se,
da verdade. As locuconfirmar com o auxilio d-eminentes philosophos tem o caracter incontestável illustres derrocaram,
e n-éulogos, a voracidade do texto Moisaieo, no bracões d'esses philosophos
as theorias bastardas do
Pentatóuco, debelíando assim os botes da ímpio- anniquiiiararn mesmo
Buffon e os erros d'Epicuc
Leibnitz
Demaille.lt,
esse
do
acaso
depender
faz
primeiro
dado, que
ro e Anaxuriandro.
acto do drama da natureza.
As subversões do globo, os cataclysmas, os deChampolion, Humboldt, Freretc, Paravoy, e
fosseis de diversos animaes,
todos os geólogos illustres, que tem profundado tritos das plantas e os
historiador dos
o estudo da natureza, para n'clla descortinar o secundo se acham descriptos peto
o resultado do suas inexpesso véo da historia dos passados séculos, asse- Hebreus, coincidem com illuslre Champolüon
veiam unisòhos, que as paginas do Gênesis, são vosügações geológicas. O
de demonstrou até a evidencia, que essa antigüidade
extrahidos
fados
ora
inspiradas,
já phrases
em sua slolida vaidade
tradições puras remanescentes nas recordações da fabulosa, que os Egypeios
altribiviam ao Zodíaco de Donded'autOchtonia,
acontecimentos,
ora
que
cercava,
cueo
áw&>'
dc iioerio. Lallisum historiador contemporâneo fiel c consciencio- rah, era posterior ao reinado
esse
so registrava, ao passo e na ordem, cm que sueco- thenes o Cuvier refutaram exuberantemente
astronômicas,
diam. W certo, todavia, abstracção feita d'opi~ período vastíssimo d'observações
livros
Os
niões isoladas, que todas as nações possuíam suas que os Chaideus s'arrogavám.sares próprios
ou /i32,00í)
cosihògonias privativas, que todavia s'aproxima- judeus lhes negam os 120
rei, até Xysuvarri em mais de um ponto. A opinião dos Ato- annos, desde Aloro seu primeiro
até o dilúvio. Senistas, que ensinavam ser o mundo o resultado thro, isto é, desde sua origem
Babilônia data da 5.a
lortuito da conjuneção d'atomos disseminados gundo elles, o império de
deve sua fundação a
no espaço : a dos Pyíhagoricos, que julgavam o geração depois do dilúvio, c
mondo se.npiterno, o que eqüivale dizer, que Ncmrod.
não tivera principio, e que sempre existira ; oj Idenlicamente, se ha vantajosamente impugnasystema d'Anaxuriandro, etc, não crearam ade- do a objecção d'aqucl!es, que opinam ser insuílino berço da
pios entre os povos Orientaoü. Abi,
espaço de seis dias, para a consummação
o
ciente
de
rara humana, na terra clássica dos Mysterios
tão estupendos, nos astros e nos
de
phenomenos
nossa crença, Iodos combinam em assignar a elementos, como os que acompanharam a obra
creação d > mundo, ao Ser Eterno,— Bhagavan—
e sublimo da creação dó mundo.'
grandiosa
mundos
dos
. que encerra cm si a universalidade
Os que opinam destarte, abusam da accepção,
das formas c das vidas, e Brahma o architecto
incumbido pelo Eterno, de crear e organisar o que abi encerra a palavra dia, que se não devo
universo visível. As Cosmogonias do Oriente, se tomar pelo lapso de tempo, intermediário entre
í em que mais completas que as do Occidentc, o nascimento do sol e o seu oceaso, porém, sim,
abaaccepção
por isso que mais se conformam com a letra do por um espaço indeterminado ; caber a que
este voGênesis, não deixam d'involver absurdo*, prove- lisados polygraphos reconhecem
nientes da adulteração das tradições primevas. cabulo, assim no Hebraico, como em todas as
Em algumas cosmogonias orientaes, em vez de línguas orientaes. Bcrzellio fez ver com lucidez,
Baghavan éSivaou Vichnou, principio do calor aos°quc negam a possibilidade da vegetação sem
os phenomenos,
c da luz, que executa as funeções de Grão-Crea- o sol, que para se manifestarem
A SAUDADE.
20
~~
"I/ivi
~
—~ ~"
de plumagem mais bella, e
aves
oiwadaveis
as
'^f
requer-s >(1)1.
vidavcgetativa,
a
io'mais doce, e os pomos mais gratos,
oue constituem
supetemperatura
sem taoigas, e paia
P%^?S»^
s*.
,
acndi
maravilhas,
J.
gosal-as
tantas
bumido,
g0 eslar
tao innuineras,
venturas
^.•-*•;•;
das
já
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O,
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que
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Deos,
contacm.cqm
cm
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cr^cenU! que
suas occupaçocs. »
cm
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do
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ib
o
elle,
a
Ihantè
que
tencia independente
fi
o
soimio a
ma
infunde
profundo
o
Apoz
que,
cm sua geognosiademonsta^ue
cm
nnUiotó
Àdào, ,^-!he uma co?U'Ua' l^*?
longe de ser uma creação e m t a d,
acorda, diz : tis aqui amelle
e
?
mulher
o
quando
gorava philo.ophismo se oçp>
e a carne de minha
ossos
meus
ddnviana,
raocssode
terra
de
Ias
o hemem a seu
deixara
d'esta
amor
nos
carne
; por
P--^s^Vevamos ox osto, conentanto
a sua mulher; e serão
unira
clue^x.
ese
Do
asuamãi
e
nai
c
veigas planuras.
m
f ,
philosòphia 'dous
Depois a traído da
carne.»
sophtsmas^jaLa
mesma
os
nhana
clue-sc; que
^
d ,,be,,
a
homem,
piedade
do
a
serpente, queda
assassinoa iàmiedade de Caim,—o primeiro
sabia jusa mina «Ia humanidade decretada pela
tira de Deos. em castigo de seu endurecimento
c* impcniteiicia, allim, essa inundarão por
terra o segredo
^^^f^lren^dtó .obre toda a superfície do globo, durante quarenexistem
cosmogonia,
as
todas as crealuras engunoUcs,"
&«
j«7-3'
UUu
SSl íwdS
fl
^
a cor^P-(
mvUta
;idi;ulo
da
a
qual
ca
A|tissiin0,
prol
Z a un
na
do,
scientiheas
salvo na Arca para repaddade com as investigações conseqüência, a.unM j V
0h , ineu „eos, como
^^
Salas modernos, e por é aquella
o le?.sque
veracidade,
vósoaulhor do tantos prodígios
a
1que reúne
^^
s. Os Judeu
miuicn.;
no.Gene
->y»j vQ creador
legou
^*- da
9
nos
d-Israel
anuiu, ^
^^
bUlb ^
lador
COU1U
r«^ Mg,com
agitam no espaço, numa
se
mundos,
de
para
que
professavam
^ tr.butavam ao Enocá
igual
que
veneração
admirável c constante M !...
ordem
uma
sua crença.
- E com tudo, ainda ha homens, que nao
cálogo, e aos dogmas essenciaes de
e
univcrFinalmente ; a lembrança da catastrophe
vendo na natureza senão causas contingentes
ou não querem remousabem
não
sal e da regeneração da humanidade, nao pode
phenomenais,
Llles
traessa
inventado,
adrede
porque
uma causa necessária es primordial.
ser um mitho,
lar
a
nao
acha
a ordem e belleza da natureza, c
dicão além de confirmada pela sciencia, se
observam
,
na
vòcm Deos, detraz d*essns obras magn.hcas.
como dizPoirson, na Chaldea, no Egypto,
d Lpionde
Assyria, na Etruria, na Grécia e na China,
vergonha ! quando deixarão os discípulos suas
Yao, seu mais antigo Imperador, é representado curo e Spinosa, d'empestar o mundo com
<V
oecupando-se em esgotar as águas
insidiüsas doutrinas 111
Iffsemente se ««SS
ml & carneiro homem, ^gggfe^
1 de Janeiro de 185G.
Resende,
livro
o
sobre
olhos
os
Lançai agora um pouco
do mais sábio entre os legisladores. A primeira
Diar-uiM Augusto Maciel do Am\Ral.
estância d'esse poema sublime, é o Fiat do Éterno, é a vivificação da natureza, a incarnação c
Paginas intimas.
animação do homem ; a ultima é a expiação dos
iii
descendentes de Caim, inflingída por um Deos
O MENDIGO.
de justiça — o Dilúvio. —
Contemplai por um pouco o primeiro homem,
Srs., e Deos vos recomesmola,
uma
Dai-me
vivifirespirarão
sua
que o Eterno bafejara com
estendo a minha devão
Em
Nada.
1...
agrupase
onde
pensará
cante, n'esse Éden maravilhoso,
mão—passam todos, nenhum para,
tremula
e
bil
mais
flores
as
frondosas,
mais
vam as arvores
nenhum escuta a supplica do pobre mendigo!..uma esmola, Sras.,e Deos vos recompenDai-me
século.
o
Christo
perante
(1) Jesus
A SAUDADE.
21
o reconheci. Foi pobre, mas a
também
l
eu
oh
meus
filhos..-,
meus
1
!0h
nada
sará! Também
todos os senlimenlos do honra
matòii-ltie
ambição
d'andracoberto
mendigo,
o
E
1...
pobres filhos
com que o conheci na mediocridade,
virtude
e
vacillantes
seus
morte,
a
como
guia
ios, e pallido
I A sua fronrico,
ser
preço?
d'esporque
raio
porém
quiz
um
lugar,
pequeno
passos para outro
marca infamante que a
da
ao
te
curva-se
nem
elle,
peso
disse
Vamos,
e mais d'uma vez
perança o vem reanimar.
imprimio,
lhe
opinião
fiesmola
uma
púbica
implorado
todos estes a quem hei
Uma esmola....
virão
os
remorsos
verá,
perseguil-o....
Algum
lamentos!
carão surdos aos meus
também, mas
sou
eu
amigo,
meu
Tòmae,
pobre
encovado
e
faces,
pelo
pela magreza das minhas
tenho devo repartil-p com áquelles
o
fome
medonha
que
a
...
pouco
fome
a
olhos
de meus
que
mais do que eu.
necessitam
Algum
que
terríveis
suas
mim
garras.
imprime sobre
— o pri neiro que se lembrara rio
homem
o
E
com
os
d'ellcs verá as minhas carnes encobertas
dia, retira-se apressado, para
n'aqnelle
mendigo
e
compaixão
a
e
da
pobreza,
miseráveis andrajos
fugir aos agradecimentos d'este..,.
sorriso
um
E
meu
o
com
misturará
pranto.
se
dor
comprar o
coro
tenho
Deos;
que
seja
Louvado
Passa
(Vesperanca paira nos lábios do mendigo.
Este ouvio-me. h
lilhos.
meus
de
hoje
enos
cavallos
para
pão
muita genie, os carros cvuzam-sc,
das cidades nao
impuro
ar
o
mas
também,
morrer
vao
pobre
contram-se, mas as supplicas do pobre
O rico, e
coraçãosensível
e
bom
seu
manchou
homem
passa
no espaço. Uma esmola, Srl... E o
d'nmnnlia. I ara
dia
do
lembra
se
não
lautos,
são
lançando ao mendigo um olhar de impaciência.
- que?... E o mendigo affasta-se d'ali com passos
mulher
a
E
senhora!
Uma esmola, minha
e vae ao miserável casebre
compassados,
e
lentos
um
com
e
gesto
iovcn ainda, passa também,
das estações, erda
intempérie
abriga
se
em
que
d'enfado se aparta d'ali-Uma, duas, quatro,
huu.ildade e reconnede
votos
ao
Creador
nenhuma
mas
guer
vinte pessoas ouvem o mendigo,
; oh 1 mento....
pára. Tudo é assim, diz este amargamente
os
eu também como elles fui rico já, mas nunca
Fevereiro de 1856.
de
21
Rio,
Deos
imitei. Repartia com os pobres aquillo que
Rodrigues Pinto.
Xavieu
minha
á
Antônio
bateu
só
porta
um
nem
me concedera,
Eu era moço
soecorrido.
ser
de
deixasse
que
então c podia trabalhar, mas não pensei no poreste
jflatliilde.
vir nem na pouca estabilidade das cousas d
figuramundo. Via por um prisma, e tudo se me
II
attrahentcs
e
lindas
de
va brilhante e adornado
Elle
CONVERSAÇÃO.
cores. Castigar-me-hia Deos? não o creio.o meu
e
em breve a barca impeie
é iusto e bom, lô em todos os corações,
embarque,
o
Fez-se
* ui
cortava, c.no em
iámais alimentou a vaidade ou o orgulho.
braços
vigorosos
lovian- lida por quatro
depois
minutos
Dez
imprudente, nada mais I Hoje deploro a
opposta.
margem
á
as mi- direecão
montavam a cavado
terra,
dade com que tratei aquillo que merecia
em
estavam
viajan.es
o
be
conduz pela m«
nhas attencões, todos os meus cuidados....
estrada
que
Seguiam
pela
coração
jemo
1 gritou
br
viagem,
elles adivinhassem e podessem ler em meu
Bôa
Fulgosa.
á villa da
— oh ! veriao com magoa talvez que estendo a hirmieiro do rio, com aquelle accento de voz
dos Açoresilhas
das
minha mão vergonhosa e a tremer. Nao o porque
naturaes
dos
ao
Sante
espiri- se
um pensament» de soberba m'atravesse
nos achamos na estrada, continuemos,
Agora
que
-já
do
.o,
que
gose.
interrompe,
to, mas porque já foi oppulento
conversação
a
que
aprás,
que a se lhe
o doutor para o viajante
elles gosam agora. Uma natureza mais fraca sorte,
disse
Regua,
entrarna
ao
de con a
minha cederia de promplo aos embates da
I
Fizeste
juramento
Para
que'!
e o Um a gordo.
consolações
as
suicídio
no
com soph.smas um
discutes
e
procurando
tudo,
em
fiar-me
a reseu triste fado. Eu não, eu jamais cederei,
ser tratado leal e francamente.
deveria
que
ponto
mulher—
Vm.
ligião dá-me a paz de espirito, e minha
consentirei
que
tio,
meu
certo,
jamais
Por
gutr rea
meus filhos fazem com que eu ame a vida....
conveniências,
malditas
das
causa
por
Passaepois, não me deis a esmola que vos peço, cPausa
dos mancebos, ^f^^gg
br....
esmola,
Uma
interrogueis....
me
mas não
Vm. apptove de uma
a
crer
Custa
que
sormas
outros,
ÇJ^gJ
os
do doutor
filha
Este encarou-me como todos
da
casamento
! Conheceu-me, positiva o projectado
espanto
do
um
gesto
prehendi-lho
22
A SAUDADE.
circunstancias de Luiza. Hasta, S, doutor,
nas
Liit'uiiü*u>»«v.—
nua
asno em enRego I Que^o^^^
i
"co, tem muita razão ; eu é que sou iim "Sr.
morunho
está
-que
- ~Trislao,
Luiza também; ; o p..*
pai d'esta
negócios. Air"!
n-estes
volver-me
nina
sua
elle se leve a effeito, porque entende que
um papagaio ! Como é
a
custa
ganhar
quanto
sei
nao
pois
vae bem com o meu amigo Tristão ;
meu tio ?..., Sim, o brasileiro promutisso,
òun,
casamento,
esse
com a cláusula de que
porque não devo approvar
um
leu-me
papagaio
comtutudo isso é muito bom, e bem raciocinado 1 arece eu o auxiliaria em seus projectos amorosos.
do Luiza tem 20 annos, e o brasileiro :?0,
o animal, tenho-me canoado
Ambicionando
de
chino
de
prova
ter apenas 3õ ou AO. Usa
a impressão que a nova de suas
destruir
para
mais
dentes a»e|^da
que é careca. Tem
ano
te
mU
visid-,
natural, os outros calnram-lhe:L ^n
sensatas d'cslas
d'algumas
pessoas
J.
dinheiro,
pirito
tem
como dizés. E'um simplório ; mas
desgraçado de mim ! tenho irritaMas
uhancas.
o
exclamou
pateta ! Seja o que lhe approuver
d'esses indivíduos, serei um dia
ânimos
os
do
o
defender
doutor um tanto impaciente ; pode
e não terei o papagaio l Oh Ulesgraapedrejado,
mas
eloqüência,
brasileiro com sua costumada
conheces o sobrinho do hraHenrique
;
!....
tal
como
e
ça
moço,
convencer-me, nunca ! Sou
meu tio ; sei apenas que é dotado
Não,
?
sileiro
circunsminhas
nas
advogarei a causa d'aquelles
Alegre, extraha
como
caracter
poucos.
de
um
e
Vi».,
egoísta,
taricias. A velhice, meu tio, é
outras vezes triste e sombrio ;
mordaz,
e
vagante
carodcelára-se
que tem seu tanto d'este defeito,
este ganha de qualquer dos modos a estima puencantadora
da
mão
á
neao de um tal pretendente
o çensurão clogiam-no
aquelles
e
blica
que
a
;
?
chamas
Como
a Rosa branca.
Luizinha
Estou impaciente por conhetempo.
mesmo
ao
I
oh!...
1
oh
viste
a
Luiza encantadora, e n'unca
sempre sunpatliisei
original
tal
;
que
ecr
um
por
e
retrato,
seu
penso
E' o mesmo, fizerão-me o
e volúveis. 1)1expansivas
naturezas
estas
com
irmão,
meu
tem seus defeitos;
que este elogio é bem merecido. Vis,o viajante
rapaz
esse
Henrique
;
bem,
zes
que
disse o rusguento lio fallando com
e para
coração
um
de
generoso,
dotado
é
ahsoporem
oecupava o centro, e que até ali guardara
se appellaráem vão. As raparigas
o
Universidada
qual
jamais
bancos
os
como
vês
luto silencio ;
dizer muito a seu respeito
mesmo,
Eis
podem
saber.
que
seu
de
orgulhosos
de fazem os rapazes
e mais de uma, me dizem, tem
admiram-no,
do
experiência
mais
ter
aqui teu filhn que pensa
uma tia ou uma
uma
longe
bem
visitar
prima,
ido
da
as
illusoès
?
mundo do que eu; e porque porque
Carlos distambém
que
Consta-me
amiga.
mais
d'ellas
mocidade já passaram, e não conservo
a mão da linda e interessai!tio
a
seu
illua-;
puta
Vivam
recordação.
vaga
pois
consentira em
que uma
doulor
o
jamais
Luiza;
te
d'esporem
soes, e aquelles que as alimentam! Deixem-se
simpathia que mosda
apesar
tal,
inpronunciada
doutor;
do
o
que
sas questões, respondeu pai
E Luiza? Não sei, nunCarlos.
ter
ira
filha
sua
case
por
Rego
doutor
o
leresse lemos nós que
o menor signal de insorprehendi
lhe
ca
Deixal-os
Marlinho?!
ou
com Paulo, Sancho
maisque ninguém,
mulher,
a
mas
tolligencia
;
ohserte
lá ; comtudo, meu irmão, permitte que
a verdaencobrir
impressões,
suas
moderar
sabe
revolem
razão
ve ; pensas mal, Henrique tem
e impenetrável ; diz-meo
expesso
véo
um
sob
de
enmeu
no
idéas,
tuas
as
tar-se contra
por que
Carlos não obstante lugira
ama
ella
coração
desa
fará
que
a
elívituar-se,
tender esse casamento,
lhe é indillen,apparencia
que
mostrar
lhe,e
senmuito
o
Rego,
doulor
do
que
graça da filha
dizer meu lio, mais me
de
acaba
O
rente.
e
feliz
ser
de
que
digna
menina
tirei, porque é uma
e uma vez
;
impaciência
c
curiosidade
a
desafia
Henriatalhou
meu
respeitada. Obrigado,
pai,
Vm. tem convicção de que Luiza ama Carconvicção
tinha
eu
que
voz
commovida
;
com
que,
mas creio que lhe servirei d'ausei,
não
....
los
é
isso
meu
do
era
que
Vm.
de que
parecer, por
uma xiliar. Estamos longe da quinta?
Seria
de
abstido
tenho-me
pergunlar-UVo.
11
chegamos. E com effeito, o tio
Não,
tenho
que
dizer
por
da
minha
que
inconsequencia
parle
sempro a dianteiconservava
•"•'í!
Henrique,
de
comque
tio
meu
;
mundo,
do
mais experiência
que
ao portão de uma eleganfrente
cm
í tudo tenho a precisa para conhecer
apeava-se
ra,
esses
que
a qual é situada na margem
sobrado,
do
casa
te
E
resultados...
casamentos produzem péssimos
da Fulgosa. Os
d'espingarda
tiro
um
rio,
ca
do
este
sobre
mais
insista
ponto,
Vm., meu tio, não
entraram por um grande portão que
viajantes
três
detem
crer
a
lugar
dar-me-ha
que
contrario
do
mesmo instante umereado
cno
aberto,
achava
se
mulher
uma
com
e
também,
casar-se
sejos de
i
;* '»•
¦;i
A SAUDADE.
tardes, meus
tomava contados animaes. Boas
Srs. disse elle com essa liberdade de servo oqueSr.
ridoVla casa ; chegam a propósito, por que mais
doutor acaba de dizer que não contava
lhe
coma sua visita. E'uma bella sorpresa que ?
com o doutor
prepararam. AÍTonso, quem está
com um
perguntou o viajante gordo, sacudindo O brasilenio de seda a poeira de suas bolas,
o
]eir"o o Sr. Carlos, o no corredor eneontrareis
nrelo d'éste, que parece ter feito juramento de jamais o abandonar. K a sociedade do costume,
Os três
disse o primeiro interlocutor ; subamos.
um extenso
encaminharam-se
para
personagens
corredor com quarto* d'arabos os lados.
Antônio Xavier Rodrigues Pinto.
São flores viçosas, essas que esparziste
No solo que grato te soube hospedar...
São roxas saudades, mas cheias d^ncantos,
Que a pátria amisade te soube inspirar.
.Jl»;
Agora partiste... não foi longo o tempo
Ou' a Lisia adorada carpio tua ausência,
Tscptuno em seus braços te leva outra vez,
A n ella fruires propicia existência...
Partiste, mas ali! deixando no cxilio
Irmãos, que le davam amor e amizade, ,
Irmãos que em distancia jamais deixarão
De carpir sentidos a tua saudade.
Rio de Janeiro, 7 de Fevereiro de 1856.
João Dantas de Souza.
§>#ms§J^i*
O Seductor.
Despedida.
PlNUElKO
AO MEC AMIGO O POETA BeRNARDIJÍO
EM VIAGEM PARA L1SR0A.
Poeta, cia vida no fulvo horisonte,
Deixaste essa pátria quo céo nos doou...
Deixaste esse berço, que grato em seu seio
A infância risonha, te leda embalou !
Deixaste, saudoso, da Lisía essas praias,
Banhadas por ondas de fino christal;
rido lejo
Qü' a mil se revolvem de teu qu
No leito espaçoso, fluente e caudal.
Deixaste esse clima puro, amenisante,
d amor ;
Que a mus-) inspirou-te tão cheia
a terra
Teus entes mais caros, em fim, sobre !
Deixaste envolvidos em pranto de dor
Sulcando o Amphitrile, vieste, poeta,
O pão benv?amargo do exílio comer l
E sob os ardentes trópicos da America,
Sentidas endeixas na lyra tanger.
Distante das plagas que a vida le deram
Que viram teu ledo primeiro sorrir,
A c'roa de louros vieste, o poeta,
Tão joven ainda na fronte cingir !...
A' meiga donzella imprudente, inexperta,
Fallaz seduclor os seus laços armou; a aperta
Jurou-lhe que a amava, em seus braços
deixou.
Gozou-a, fugio-lhe, p'ra sempre a
Deixou-a
Por outra
Deixou-a
O infame
ser mais bella
por outra, que vio enganar...
a quem vai também
donzella
perdida, e da pobre
está rindo, oulro amor a gozar.
e gemendo,
Que importa que a triste, chorando
?
Seus dias amargos na dor vá findando
perdendo,
Que importa que a misera, a esp'rança
?
Sc lance em viver, vergonhoso e nefando
viver depravado,
Que importa se lance em
de dor ?
Que a pobre se fine, mirrada
se já o malvado
Que importa se perca...
Colheu a innocente, e angélica flor?
o remorso cruento
Que importa que morra?...
Em orgias infames vai elle apagar :
viva em tormento
Que importa, que a triste só
Se d'outra o amor está elle a gozar ?
Rio de Janeiro, 25 de Setembro de 1855.
Eugênio Arnaldo de Barros Ribeiro.
A SAUDADE.
•4
V
Ultiilià sorte,
Quem
Sou
Que
Esta
sou eu ? Qu'importa; quem?
um trovador proscripto
trago aafronte escripto
palavra : — Ninguém!
A. E.ZALUAR.
A
:
Onde estou ? Onde é que habito ?
Sobre a terra o que cogito ?
Que fiz eu ? qual meu delicio
P'ra tantas penos merecer ? 1
?
Quem sou eu ? Que nome tenho
Carregando sempre o lenho
Do marlyrio mais ferrenho
Sem meu destino saber 1
Onde estou ? desdito amante,
De minha pátria distante ;
Estranho a tudo incessante
Que m'envolve e me rodeia....
Carpindo, qual pissarinho
Quabandonou pais e ninho,
E agora triste, louquinho
A chilrar triste vagueia.
Onde é que habito ? descrido,
N'um solo desconhecido ;
Vagando n'elle perdido
Qual no deserto o leão!
Sem uma mão caridosa,
Que me guie pressurosa
N'esta senda tortuosa,
Por ternura ou compaixão !...
Sobre a terra o que cogito ?
Tão desgraçado proscripto,
Eu, qu'o fado agro e desdito ^
Sempre a meu lado encontrei,
Kesta senda em que caminho,
Entregue a meu mal sosinho,
Se mais ando mais definho
O que cogito nem sei!...
Que fiz eu ? mancebo errante,
Triste cantor delirante,
Que delido degradante
Pude acaso commelter? 1...
Ah 1 nenhum .... é minha sorte
Sem esperança e sem norte
Entre torturas de morte
De continuo heide viver.
-Qüêm^oueu? ai! vida minha 1
Sou uma tenra fõlhinhãi,
Que suecumbe pobresinha.
Ao vendaval bravejante l
Dura lage despenhada
Por uma encosta quebrada
D'escolho em escolho rojada
Sem um remanço d'instante.
O meu nome ? malfadado,
Eu, que nem siquer me é dado
Trazer na fronte estampado
Um sorriso pransenteiro,
Em minha voz tão gemente.
Um ecco que nem se sente. • • •
Só da turba ao som ingente
O meu nome é : —Estrangeiro !
João Dantas de Souza.
A. innocente.
Entre os afagos queridos
De teus pais, ó creatura,
Te correm e bem serenos
Hoje os dias, de ventura.
Os males que n'esta vida
Com a mortal existência
Nós soííremos, não te chegam
N'esse teu ser d'innocencia.
Mal que a natura um desejo
Exposto em ti, os teus pais
Te conhecem, e te dão
Logo o que necessitais.
Um sorriso que desprendes
Dos teus lábios, lhes parece
Uma faísca divina,
Que reflecte e doce aquece...
O coração consolado
D'elles para o céo s'inclina :
Ao Senhor dando mil graças
Dos teus encantos, menina.
Queira Deos que sempre sejas
Feliz assim, innocente;
Que os annos te não desformem
A condição do presente.
Fevereiro 17 de 1856.
Barbosa de Castro.
Typ. de F. A. de Almeida rua da Valia n. i*fc
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Domingo 24 de Fevereiro de 1856. A Igreja de Sao Joaquim,