Vinho&Cia
Ano 7 - Número 60 - R$ 8,00
ConVisão
www.jornalvinhoecia.com.br
Vinhos que valem ouro!
27
vinhos
até 100 reais,
recém lançados,
selecionados pelo
custo benefício
e que valem cada
centavo do
seu dinheiro
E mais: a qualidade na altitude de São Joaquim
Aperitivo
A decisão
pelo
Pense que você está com
vontade de hoje à noite comer
uma pizza bem simples, sem
nenhuma pretensão especial,
entregue na sua casa (pelo delivery, palavra que parece “chic”
para os amantes da língua, não a
nossa, claro). Abre um guia de
vinhos ou consulta uma revista
especializada e procura um rótulo para comprar numa loja e
levar para acompanhar a pizza.
Folheia, pesquisa, encontra alguns produtos interessantes e se
depara com pontuações: 88/100,
15,5/20, 3 estrelas... Aí você procura o preço. É dia em que você
não quer gastar muito...
Pense que na semana seguinte é seu aniversário e que você
quer comemorar com alguém de
Vinho&Cia
Ano 7 - Número 60
www.jornalvinhoecia.com.br
“Custo Benefício”
quem gosta bastante e beber algo
especial num jantar sofisticado
que você mesmo vai preparar
em casa. O bolso porém não
está muito cheio, foram muitos
os gastos nas férias. Aí folheia
novamente para encontrar algo
bom e levar para casa... E se
depara com as pontuações...
Nas duas situações você na
realidade quer o melhor pelo
preço que você está disposto
a pagar em cada momento. É
claro que um vinho de 300 reais
é superior a um de 30 em qualquer lugar do mundo, e o de 300
terá uma pontuação mais alta do
que o de 30. Mas é o momento
de você pagar 300? E ele vale o
preço? E o que dizer do vinho
de 30?
Vinho&Cia responde a você
exatamente isso. Indicamos sempre nas nossas páginas os rótulos
que valem ouro, ou seja, que têm
bom custo benefício.
Então não deixe de conferir nesta edição o resultado da
degustação de vinhos lançados
recentemente no país com valor
até 100 reais e descubra aqueles
que valem cada centavo do seu dinheiro. E você nem precisa olhar
pontuações e fazer contas.
Nós provamos antes para
você beber melhor! Tim-tim!
PS: Ah! É bom conferir
também todos os textos da nossa
equipe de colunistas, a maior
especializada em vinhos no país.
Um amante do vinho não vai se
arrepender.
Editor
Regis Gehlen Oliveira
Publicação
ConVisão
Al. Araguaia, 933, 8o. and.
Alphaville
06455-000, Barueri, SP
Colaboradores
Adão Morellatto / Adriana Bonilha
Álvaro C. Galvão / Andréa Pio
Beto Acherboim / Carlos Arruda
Cesar Adames / Custódio
Denise Cavalcante / Didú Russo
Norio Ito / Euclides Penedo Borges
Fernando Quartim / Jairo Monson
João Lombardo / Maria Amélia
Sérgio Inglez / Walter Tommasi
Regis Gehlen Oliveira, editor
(11) 4192-2120
[email protected]
Nas páginas desta edição...
9
Assinaturas e
Propaganda
16
26
31
Vinho & Cia é uma publicação da
ConVisão relativa ao segmento de
vinhos e suas companhias naturais,
como gastronomia, restaurantes,
prazer, conhecimento, viagens e
outras. Circula principalmente em São
Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais
e Rio Grande do Sul, nos principais
restaurantes e lojas especializadas.
Pode ser adquirido por assinaturas
ou em bancas selecionadas.
Os artigos e comentários assinados não refletem
necessariamente a opinião da editoria.
4- Vinho Tinta
(Custódio)
6- Vinho&Saúde
(Jairo Monson)
8- Acontece
No Mundo do Vinho
9- Vinhos que valem ouro!
Lançamentos até 100 reais
16- Todo Vinho
(Sérgio Inglez de Souza)
19- América do Sul
(Euclides Penedo Borges)
20- Velho Mundo
(Walter Tommasi)
21- Vinho na Academia
(Carlos Arruda)
22- Que negócio é esse?
(Álvaro Cézar Galvão)
24- Vinho é arte
(Maria Amélia)
25- Viajando com Vinho
(Adriana Bonilha)
26- Na altitude de São Joaquim
(Andréa Pio)
(João Lombardo)
30- Charutos & Destilados
(Cesar Adames)
31- Comportamento
(Didú Russo)
A menção de qualquer nome neste veículo não
significa relação trabalhista ou vínculo contratual
remunerado.
Associado à
Vinho&Cia - No. 60
Vinho & Cia - No. 60
Vinho Tinta
No piquenique...
Vinho&Cia - No. 60
Aprecie com moderação
Recém lançado,
já vale ouro!
Suzin
Zelindo 2008
Do terroir único de 1200 m de altitude Em São Joaquim, Santa Catarina,
e da safra excepcional de 2008 nasceu esse vinho reserva único,
de merlot e cabernet sauvignon, que já recebeu medalha de ouro
do jornal Vinho&Cia pela excepcional relação custo benefício
VINÍCOLA SUZIN
R. Juiz fonseca nunes, 379
São Joaquim, SC
(49) 3233-1038
WWW.VINICOLASUZIN.COM.BR
Vinho & Cia - No. 60
Vinho & Saúde
É verdade que...
Para a mudança deste conceito foram
importantes os dados de um estudo de
cohort feito no Reino Unido – o Estudo
Millennium. Esta pesquisa foi conduzida
por cientistas da Universidade de Oxford
e da University College London. Eles
estudaram 11.513 crianças nascidas entre
setembro de 2000 e janeiro de 2002. Estas
crianças foram acompanhadas por 5 anos.
Os pesquisadores descobriram que os
nenês nascidos de bebedoras leves eram
30% menos propensas a ter problemas
comportamentais do que as crianças cujas
mães não beberam durante a gravidez.
Neste estudo as gestantes foram classificadas em 5 grupos: 1. Nunca beberam
(5,9%); 2. Não beberam apenas durante
a gestação (60,2%); 3. Bebedoras leves
(25,9%), ou seja, que ingeriam uma ou
duas unidades de álcool por semana ou
ocasião; 4. Bebedoras moderadas (5,5%)
que ingeriam 3 a 6 unidades por semana
de álcool para as mulheres é uma unidade
por dia.
Os dados deste estudo, embora impactantes, exigem cuidados na sua interpretação. Os resultados favoráveis para
os filhos de bebedoras leves podem se
dever a outros fatores que não ao álcool.
Estas mães, neste estudo, tinham também
os melhores trabalhos e um maior nível
de educação. Não é crível que o álcool
ajude no desenvolvimento da criança.
Mas “é inegável que as crianças nascidas
de bebedoras leves não têm maior risco
de dificuldades no desenvolvimento, em
comparação com as crianças cujas mães
não beberam durante a gravidez”, disse a
autora Dra. Yvonne Kelly, do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública
da University College London.
Destaco que a intenção deste artigo
é apenas informar e não aconselhar. A
decisão de beber durante a gestação é
Gestante não deve
tomar vinho
C
om as evidências científicas que
temos hoje é possível afirmar que
doses baixas de álcool parecem
não ter qualquer efeito significativo sobre
o bebê e a mãe. Isso é uma mudança de
conceito. Até há bem pouco tempo a recomendação era para que as gestantes se
abstivessem totalmente de álcool.
O consumo abusivo de bebidas alcoólicas (o equivalente a mais de seis taças
de vinho por dia) durante a gestação está
relacionado a várias alterações graves
no cocepto – a Síndrome Alcoólica Fe-
tal. Essas crianças apresentam retardo
no crescimento, anomalias no sistema
nervoso e alterações na face e no crânio.
Alguns desses efeitos têm sido descritos
com doses menores, o que preocupa. Os
problemas causados por doses altas de
álcool eram bem conhecidos, mas praticamente não existiam estudos com doses
baixas de etanol durante a gestação. Então,
diante de incertezas e do desconhecido,
o mais prudente era recomendar que as
gestantes se abstivessem totalmente de
bebidas alcoólicas.
ou 3 a 5 unidades por ocasião; 5. Bebedoras pesadas ou compulsivas (2,5%) que
bebiam 7 ou mais unidades de álcool por
semana ou 6 ou mais por ocasião. Uma
unidade de álcool foi classificada como
meio litro de cerveja, uma taça de vinho ou
uma dose de destilado. Esta classificação
considera valores mais baixos do que é
habitual se usarmos estudos com bebidas
alcoólicas. Costuma-se considerar como
bebedor moderado aquele que consome
uma a duas unidades por dia. Nos Estados
Unidos a definição de consumo moderado
?
muito complexa e individual. Mas, como
salienta o National Institute for Health
and Clinical Excellence do Reino Unido,
a ingesta eventual de pequenas doses de
álcool durante a gestação não traz dano
nem à mãe nem ao feto. Desse modo é
possível beber sem culpa.
Jairo Monson
Médico e escritor
[email protected]
Vinho&Cia - No. 60
Vinho está na moda
eag
ente
faz
o est
ilo
Vinho&Cia
Vinho & Cia - No. 60
Acontece
No mundo do vinho
Catálogo online
A Mistral acaba de lançar
em seu site a versão online de
seus catálogos. Por ele é possível
acessar as últimas publicações da
importadora e folheá-las página
a página, utilizando a função
‘zoom’ ou ‘tela inteira’.
Os catálogos online dispõem
de uma rápida ferramenta de
busca a partir de palavras chaves.
Com ela é possível a pesquisa
de vinhos por nome, produtor,
código ou qualquer outro termo
relacionado ao produto. Também
há a opção de compartilhar os
arquivos por e-mail e ainda imprimir todas as publicações.
www.mistral.com.br
Vinhos franceses no Rancho do Vinho
Ao lado de Celso Frizon, Jean Lucien Cabirol, embaixador de vinhos franceses, comandou no restaurante Rancho do Vinho Morumbi, em São Paulo, uma degustação de 9 rótulos da região de Bourdeaux.
Entre os vinhos estavam Château de Respide Graves Blanc 2010, Château Pailhas Saint Emilion Grand
Cru 2008 e Château l’Ermitage Sauternes 2008.
Malbec Day
A Wines of Argentina e as
suas bodegas associadas realizaram em São Paulo o “Malbec
World Day” (Dia Mundial do
Malbec), evento que acontece
quase simultaneamente também em Londres, Nova York e
Mendoza.
Na celebração do dia no
Brasil, foram selecionados 36
Malbec´s ícones para degustação
por seis especialistas e críticos
de vinhos: Arthur Azevedo,
Guilherme Correia, Jorge Lucki,
Mário Telles Junior, Ricardo
Castilho e Suzana Barelli.
O evento na capital paulistana foi no Bar des Arts.
Vinho & Pizza é na Prestíssimo!
Mais pizza
A Pizzeria 1900 inaugura mais
uma unidade em São Paulo:
agora no bairro do Morumbi, na
rua Dr. Fonseca Brasil, 282.
Franceses
Wine Bar - Carta com 200 rótulos - Taças especiais
Cotação
no Guia Onde Beber do Vinho&Cia
para importação
Em mais uma ação promocional
dos seus vinhos, a Ubifrance,
braço promocional da Embaixada da França no país, trouxe
a São Paulo diversos produtores
para expor seus rótulos ainda não
importados. O evento, antes da
Expovinis, foi no Charlô.
Wine Bar divino
São Paulo tem agora mais um wine bar: o Divine, na al. Jaú, 1,844.
Destaque para o ambiente aconchegante, os rótulos pouco comuns e
a máquina Enomatic com diversas opções de vinhos em taça.
Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1135, (11) 3885-4356, Jardins, São Paulo
Vinho&Cia - No. 60
Vinhos Que Valem Ouro!
Vinhos até R$100
V
que valem ouro
inho&Cia reuniu a sua equipe para provar vinhos lançados no Brasil nos últimos 6 meses com preços ao
consumidor nas lojas de até 100 reais. Convidou importadoras, distribuidoras e vinícolas a encaminhar
rótulos. Chegaram na redação do jornal 57 garrafas de 22 fornecedores, que enviaram no máximo 3 vinhos,
entre espumantes, brancos, rosés e tintos. No Wine Bar da Pizzaria Prestíssimo em São Paulo, a equipe provou os
rótulos às cegas, conhecendo somente o preço de cada vinho, e para cada um respondeu à seguinte pergunta: você
compraria a garrafa por esse valor? Com certeza, talvez ou não?... Os vinhos com as respostas positivas ganharam
medalha, estão apresentados na sequência e com certeza valem ouro, ou cada centavo do seu dinheiro.
Vinho & Cia - No. 60
Vinhos Que Valem Ouro!
18
18
R$
35
R$
R$
Panceri
Espumante Moscatel
Panceri
Sauvignon Blanc
Suzin
Espumante Rosé Brut
Tipo: Espumante Branco
Fornecedor: Panceri
Produtor: Panceri
Uva: Moscato Gialo
Safra: Não Indicada
Origem: Brasil
Região: Santa Catarina
Tipo: Branco
Fornecedor: Panceri
Produtor: Panceri
Uva: Sauvignon Blanc
Safra: 2010
Origem: Brasil
Região: Santa Catarina
Tipo: Espumante Rosé
Fornecedor: Suzin
Produtor: Suzin
Uva: Cabernet Sauvignon
Safra: 2010
Origem: Brasil
Região: São Joaquim, SC
37
42
R$
43
R$
R$
Penedo Borges
Rosé Malbec
JP Palmela
Private Selection
Traversa
Noble Alianza Reserva
Tipo: Rosé
Fornecedor: ASA Gourmet
Produtor: Finca Don Otaviano
Uva: Malbec
Safra: 2010
Origem: Argentina
Região: Mendoza
Tipo: Tinto
Fornecedor: Portus Cale
Produtor: Bacalhôa
Uva: Castelão e Merlot
Safra: 2008
Origem: Portugal
Região: Palmela
Tipo: Tinto
Fornecedor: Mr. Man
Produtor: Traversa
Uva: Tannat, Marselan, Merlot
Safra: 2008
Origem: Uruguai
Região: Canelones
10
Vinho&Cia - No. 60
Vinhos Que Valem Ouro!
45
48
R$
49
R$
R$
RAR Collezione
Merlot
Salton Virtude
Chardonnay
Tomero
Malbec
Tipo: Tinto
Fornecedor: Miolo
Produtor: Miolo / RAR
Uva: Merlot
Safra: 2009
Origem: Brasil
Região: Campos de Cima da Serra
Tipo: Branco
Fornecedor: Salton
Produtor: Salton
Uva: Chardonnay
Safra: 2008
Origem: Brasil
Região: Serra Gaúcha
Tipo: Tinto
Fornecedor: Domno
Produtor: Vistalba
Uva: Malbec
Safra: 2009
Origem: Argentina
Região: Alto Valle de Uco
49
55
R$
57
R$
R$
La Celia
Heritage Malbec
Le Petit Jaboulet
Viognier
Miolo Cuvée Giuseppe
D.O. Chardonnay
Tipo: Tinto
Fornecedor: Interfood
Produtor: Finca La Celia
Uva: Malbec
Safra: 2007
Origem: Argentina
Região: Valle de Uco
Tipo: Branco
Fornecedor: Mistral
Produtor: Paul Jaboulet Ainé
Uva: Viognier
Safra: 2009
Origem: França
Região: Cotes du Rhône
Tipo: Branco
Fornecedor: Miolo
Produtor: Miolo
Uva: Chardonnay
Safra: Não informada
Origem: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Vinho & Cia - No. 60
11
Vinhos Que Valem Ouro!
58
60
R$
60
R$
R$
Sibaris Undurraga
Reserva Especial Syrah
Don Laurindo
Reserva Merlot
Vernus Santa Helena
Malbec
Tipo: Tinto
Fornecedor: Mr. Man
Produtor: Undurraga
Uva: Syrah
Safra: 2008
Origem: Chile
Região: Valle del Maipo
Tipo: Tinto
Fornecedor: Don Laurindo
Produtor: Don Laurindo
Uva: Merlot
Safra: 2009
Origem: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Tipo: Tinto
Fornecedor: Interfood
Produtor: Santa Helena
Uva: Malbec
Safra: 2009
Origem: Chile
Região: Valle del Colchagua
66
66
R$
69
R$
R$
Yali Gran Reserva
Syrah
Mundus Chile
Cabernet Sauvignon
Penedo Borges
Gran Reserva Malbec
Tipo: Tinto
Fornecedor: Domno
Produtor: Ventisquero
Uva: Syrah
Safra: 2008
Origem: Chile
Região: Valle del Maipo
Tipo: Tinto
Fornecedor: Casa Valduga
Produtor: Casa Valduga
Uva: Cabernet Sauvignon
Safra: 2006
Origem: Chile
Região: Valle del Maipo
Tipo: Tinto
Fornecedor: ASA Gourmet
Produtor: Finca Don Otaviano
Uva: Malbec
Safra: 2007
Origem: Argentina
Região: Mendoza
12
Vinho&Cia - No. 60
Vinhos Que Valem Ouro!
80
80
R$
83
R$
R$
Perini
Quatro
Suzin
Zelindo
Luigi Bosca
de Sangre
Tipo: Tinto
Fornecedor: Perini
Produtor: Perini
Uva: Ancellota, Merlot,
Cabernet Sauvignon, Tannat
Safra: 2008
Origem: Brasil
Região: Vale Trentino
Tipo: Tinto
Fornecedor: Suzin
Produtor: Suzin
Uva: Merlot, Cabernet Sauvignon
Safra: 2008
Origem: Brasil
Região: São Joaquim, SC
Tipo: Tinto
Fornecedor: Decanter
Produtor: Luigi Bosca
Uva: Cabernet Sauv., Merlot, Syrah
Safra: 2008
Origem: Argentina
Região: Lujan de Cuyo
85
88
R$
88
R$
R$
Château Marjosse
Rouge
Keller
Riesling Trocken
Paul Mas Estate
Pinot Noir
Tipo: Tinto
Fornecedor: World Wine
Produtor: Pierre Lourton
Uva: Merlot, Cabernet Sauvignon,
Cabernet Franc, Malbec
Safra: 2008
Origem: França
Região: Bordeaux
Tipo: Branco
Fornecedor: Decanter
Produtor: Keller
Uva: Riesling
Safra: 2009
Origem: Alemanha
Região: Rheinhessen
Tipo: Tinto
Fornecedor: Decanter
Produtor: Paul Mas
Uva: Pinot Noir
Safra: 2007
Origem: França
Região: Coteaux du Languedoc
Vinho & Cia - No. 60
13
Vinhos Que Valem Ouro!
93
94
R$
94
R$
R$
T.H Undurraga
Syrah
Esporão Reserva
Tinto
Crasto
Superior
Tipo: Tinto
Fornecedor: Mr. Man
Produtor: Undurraga
Uva: Syrah
Safra: 2008
Origem: Chile
Região: Valle del Limari
Tipo: Tinto
Fornecedor: Qualimpor
Produtor: Esporão
Uva: Aragonês, Trincadeira,
Cabernet Sauvignon
Safra: 2008
Origem: Portugal
Região: Alentejo
Tipo: Tinto
Fornecedor: Qualimpor
Produtor: Quinta do Crasto
Uva: Touriga Nacional, Tinta Roriz
Touriga Franca, Souzão
Vinha Velha
Safra: 2009
Origem: Brasil
Região: Serra Gaúcha
Como são escolhidos os vinhos que valem ouro
Os vinhos são encaminhados ao jornal por livre escolha das importadoras, vinícolas e distribuidoras. Na
redação, em cada garrafa é colocado o seu preço.
Antes da degustação, a equipe do Wine Bar da
Pizzaria Prestissimo em São Paulo embala cada garrafa, deixa os rótulos totalmente ocultos e coloca em
destaque apenas o seu preço.
Somente o editor do jornal e algumas pessoas
da redação têm conhecimento dos rótulos que serão
degustados, mas não sabem a ordem de serviço.
No momento da prova, cada degustador recebe
uma taça com o vinho e anota o preço da garrafa.
Com base apenas nestas informações e no tema da
degustação, anota suas impressões, avalia o vinho
e faz a análise de custo benefício. Em função da
qualidade do vinho, ele escolhe uma das três opções:
1- não gostou do vinho, 2- talvez pagasse o preço da
garrafa, 3- pagaria o preço da garrafa.
Feita a avaliação final, o editor junta a opinião de
todos. Os rótulos para os quais a maioria dos degustadores pagaria o preço da garrafa são escolhidos para
receber a medalha e indicados como “valem ouro!”.
14
Vinho&Cia - No. 60
Vinhos Que Valem Ouro!
Os outros vinhos provados
(Não significa que são inferiores em qualidade aos vinhos que receberam medalha)
Dos 57 vinhos provados pela equipe do Vinho&Cia, os 27 selecionados nas páginas anteriores receberam medalha de ouro pelo critério de custo benefício. Cada garrafa foi
provada pelos degustadores conhecendo o preço, e cada um respondeu à pergunta se pagaria esse valor pelo vinho. Assim, as medalhas são dadas aos vinhos bons e “baratos”,
mesmo que seu preço não seja baixo. Um vinho na tabela seguinte pode ser superior em qualidade a um que recebeu medalha.
no.
tipo
fornecedor
produtor
vinho
safra
uva
origem
R$
1
Tinto
Panceri
Panceri
Panceri
2006
Merlot
Brasil
18
2
Tinto
Campos de Cima
Campos de Cima
Campos de Cima
2009
Shiraz, Cabernet Franc
Brasil
18
3
Tinto
Garibaldi
Garibaldi
Granja União
2009
4
Espumante
Garibaldi
Garibaldi
Granja União Moscatel
5
Espumante
Garibaldi
Garibaldi
Granja União Brut
6
Branco
Dunamis
Dunamis
Dunamis Ser
2010
7
Tinto
Dunamis
Dunamis
Dunamis Cor
8
Tinto
Miolo
Miolo
Miolo Reserva Tempranillo
9
Espumante
Pizzato
Pizzato
Fausto Demi-Sec
10
Tinto
World Wine
Bodegas Borsao
Viña Borgia
11
Rosé
Suzin
Suzin
Suzin Rosé
12
Tinto
World Wine
Caitec
13
Tinto
Pizzato
Pizzato
14
Branco
Pericó
15
Espumante
Valmarino
16
Branco
17
18
Tannat
Brasil
19
-
Moscato Gialo
Brasil
24
-
Chardonnay
Brasil
24
Sauvignon Blanc, Chardonnay
Brasil
27
2010
Merlot, Cabernet Sauvignon
Brasil
27
2009
Tempranillo
Brasil
29
Chardonnay, Pinot Noir
Brasil
34
2009
Garnacha
Espanha
35
2010
Cabernet Sauvignon, Merlot
Brasil
37
Caitec
2008
Malbec
Argentina
39
Pizzato Reserva Cabernet Sauvignon
2004
Cabernet Sauvignon
Brasil
40
Pericó
Basaltino
2010
Chardonnay
Brasil
42
Valmarino
Valmarino & Churchill
2009
Chardonnay, Pinot Noir
Brasil
45
Sanjo
Sanjo
Núbio
2010
Sauvignon Blanc
Brasil
45
Tinto
Pericó
Pericó
Basaltino
2010
Pinot Noir
Brasil
47
Tinto
Valmarino
Valmarino
Valmarino XIII
2008
Cabernet Franc
Brasil
48
19
Tinto
Mistral
Montes
Montes Seleccion Limitada
2009
Carmenère
Chile
48
20
Tinto
ASA Gourmet
Finca Don Otaviano
Penedo Borges Reserva
2008
Cabernet Sauvignon
Brasil
48
21
Tinto
Portus Cale
Quinta dos Loridos
Quinta dos Loridos
2008
Castelão e Merlot
Portugal
49
22
Espumante
Pizzato
Pizzato
Pizzato Brut
Chardonnay, Pinot Noir
Brasil
52
23
Tinto
Sanjo
Sanjo
Maestrale
2006
Cabernet Sauvignon
Brasil
55
24
Tinto
Qualimpor
Quinta dos Murças
Assobio
2009
Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Barroca
Portugal
57
25
Espumante
Valduga
Vaduga
Casa Valguga Premium
2008
Cabernet Sauvignon
Brasil
60
26
Tinto
Valmarino
Valmarino
Valmarino Reserva da Família
2005
Cab. Sauv., Cab Franc, Merlot, Tannat
Brasil
70
27
Tinto
Domno
Caves Velhas
Magna Carta
2008
Syrah, Aragonês, Alicante Bouchet
Portugal
70
28
Tinto
Portus Cale
Mantellassi
San Giuseppe Morellini di Scansano
2006
Sangiovese, Cab. Sauv. e Canaiolo Nero
Itália
80
29
Branco
Sanjo
Sanjo
Mastrale Integrus
2008
Chardonnay, Sauvignon Blanc
Brasil
85
30
Tinto
Salton
Salton
Salton 100 anos
2008
Cab Sauv e Franc e Merlot
Brasil
100
-
-
Os degustadores foram o editor Regis Gehlen Oliveira, os colunistas Adriana Bonilha, Álvaro Galvão, Beto Acherboim, Denise Cavalcante e Walter Tommasi,
o sócio da Prestissimo Alexandre Levy e os convidados Flávio Lantelme e Gilberto Ulanin.
Vinho & Cia - No. 60
15
Todo Vinho
80 anos
de liderança
A
história da Vinícola Aurora foi marcada por altos e baixos, porém a cooperativa sempre esteve na liderança
na produção de vinhos no Brasil. Alguns dos seus rótulos alcançaram enorme sucesso no mercado, como
o Clos de Nobres e o Marcus James, este líder nos Estados Unidos. Acompanhe nas páginas seguintes a
retrospectiva histórica preparada por um dos maiores conhecedores de vinhos brasileiros, Sérgio Inglez de Souza.
16
Vinho&Cia - No. 60
Todo Vinho
B
ento Gonçalves, Rio Grande do
Sul, 14 de fevereiro de 1931. Dezoito pessoas promovem reunião
oficializando a Cooperativa e integralizando suas cotas de capital. O dinheiro
arrecadado não era tanto e, por isso, num
terreno tomado por brejo, “canta rana”,
foi iniciada a implantação.
Na construção havia um pedreiro,
Luiz Cao, cujas duas filhas gêmeas Alba
e Aurora, chamavam a atenção quando levavam o almoço para o pai. Numa reunião
para discutir a consolidação da Cooperativa, alguém sugeriu o nome de uma delas
para a denominação da empresa, sugestão
aprovada que deu o nome Sociedade Cooperativa Vinícola Aurora.
Incêndio e solidariedade
A Aurora cresceu muito e foi ocupando o seu espaço. Vinte anos mais
tarde aconteceu um grande incêndio, que
consumiu boa parte das suas instalações.
Todo vinho estocado jorrou pelas ruas colorindo-as de tragédia. A solidariedade e a
união de todos lograram resgatar em curto
tempo a operação nas instalações.
Estoque e crise
Mais adiante, o excesso de estoque de
vinho da região impôs grave crise. Era
urgente escoar o vinho guardado para
liberar os tanques para a nova safra. Ao invés de trabalhar pelo coletivo, a Vinícola
Riograndense iniciou em janeiro de 1958
gestões sigilosas junto a importadores
argentinos.
A notícia correu e os demais produtores foram atrás de obter exportações
e, por feliz coincidência, a França havia
sofrido sucessivas quebras de safra e
vieram buscar vinho brasileiro. As amostras fornecidas foram aprovadas pelos
importadores franceses como a Les Vins
d’Orannie, e foi fechada a venda de 30 milhões de litros, que foram divididos entre
Companhia Riograndense, Cooperativa
Garibaldi, Cooperativa Aurora e outras.
O vinho exportado era do tipo comum,
um corte de Herbemont e Isabel!
Vinho & Cia - No. 60
Do vinho comum
para os finos
Nesta época a Aurora baseava sua
produção nos vinhos comuns de uvas
americanas e o contato com os europeus
abriu perspectivas e planos para entrar
no mundo dos vinhos de viníferas. Nesse
contexto foi assinado em 1962 um acordo
comercial com a Bernard Tailland Importadora Ltda. para fornecer os vinhos finos
comercializados por aquela empresa. A
Aurora cumpriu até 1969 o contrato que
alimentou a comercialização no Brasil
e as exportações para a Venezuela. Em
1969, como acertos de dívidas, a Aurora
assumiu a Bernard Tailland.
A partir de 1972, criação dos funcionários Rinaldo Dal Pizzol e Gay de Cará,
lançou o Clos de Nobles no mercado interno e nas exportações para a Venezuela
e Estados Unidos.
Em 1982, o diretor Alberici foi para os
Estados Unidos, criando o projeto Marcus
James, em parceria com a United Liquors,
de Boston, que mais adiante vendeu sua
parte para o grupo Canandaigua Wine
Company, de Nova York. Em 1986, Alberici assumiu a superintendência da Aurora e
acelerou a consolidação do projeto Marcus
James. De um volume inicial de 220.000
caixas anuais, as vendas atingiram 1.100
containers por ano, ou seja, 1.100.000
caixas de vinho anuais, um dos maiores
negócios de vinho do mundo. Em termos
brasileiros, as exportações da Cooperativa
representavam 99,9% vendas externas brasileiras de vinho. A presença em cartas de
vinhos de muitos restaurantes dos Estados
Unidos e a imagem criada pela propaganda,
fizeram a marca Marcus James ser eleita
pela revista americana Impact, por cinco
anos seguidos, a “hot brand” dos vinhos
no mercado daquele país.
As exportações da Aurora tinham em
clientes belgas e alemães um importante
grupo comprador até 1993, ano em que
medidas protecionistas da Comunidade
Européia criaram barreiras e inviabilizaram
as exportações. Felizmente a partir deste
ano o mercado inglês se abriu e absorveu
esses volumes, com a aprovação sólida do
consumidor inglês. As vendas cresceram
até ultrapassar os 500 mil litros no ano de
1998. Neste ano a legislação inglesa tornou-se protecionista e todas as transações
foram prejudicadas. Sem perspectivas, a
Aurora mergulhou em grave crise.
O começo das dívidas
As exportações tinham por base
contratos em dólar, e quando em 1994 o
governo fixou artificialmente o câmbio
por decreto cortou a lucratividade da Aurora, que mesmo com prejuízo continuou
honrando os contratos.
Quadro internacional negativo, planos
econômicos brasileiros e algumas iniciativas mal calculadas pela Aurora, geraram
problemas graves e uma dívida de 127
17
Todo Vinho
milhões em 1996, que, contra faturamento
de R$ 43 milhões, consolidou rombo de
R$ 84 milhões, paralisando a empresa.
O Conselho de Administração teve que
intervir e trouxer o líder e deputado federal
Hermes Zaneti para o comando geral.
Em 1997, a Aurora ainda cumpriu as
obrigações contratuais da Marcus James,
comprando todo vinho disponível nos
produtores, aumentando seus prejuízos.
Para dar continuidade seria necessária
adquirir vinhos argentinos e uruguaios.
A autorização foi solicitada ao Ministério
da Agricultura, mas a mobilização dos
concorrentes contra esta operação atrasou o processo em quatro meses, tempo
suficiente para que a detentora da marca
Marcus James no Exterior fechasse o fornecimento total da Argentina, descartando
a Cooperativa Aurora.
O volume comprado para atender ao
contrato sobrou como estoque sem pedido,
o que obrigou ao diretor de marketing,
Alem Guerra, empreender um enorme
trabalho pelo qual ele conseguiu alocar
todo este vinho, garantindo fatura de R$57
milhões para 1998.
Do Brasil
para o Uruguai
A compra de vinho no Uruguai mostrou-se um interessante nicho de negócio,
e em 1998 foi fundada a Aurora Uruguai
S.A., braço controlador da elaboração dos
vinhos uruguaios para a Aurora. De maior
exportadora, tornou-se grande importadora de vinhos!
Em busca da qualidade
O diretor operacional Carlos Zanotto
trabalhou sobre a qualidade dos vinhos e a
partir de 1996, em que não teve nenhuma
premiação, começou uma nova fase de
evolução da qualidade, com o que tornou-se rotina trazer prêmios dos grandes
eventos internacionais: 1997 – 2, 1998
– 16, 1999 – 16 e 2000 – 23.
Em fevereiro de 2007, assume como
diretor-superintendente, Carlos Zanotto,
que veio a ser vitimado no acidente aéreo
da TAM no aeroporto de Congonhas.
Zanetti foi reconduzido ao cargo.
Ao completar 80 anos em fevereiro
passado, esta senhora Vinícola Aurora
mostra muita juventude para continuar
trilhando a trajetória de liderança e de
sucesso.
Em 2009 houve reformulação na
Aurora, e o cargo de diretor superintendente passou a diretor geral, preenchido
por Alem Guerra, que impôs ritmo de
crescimento com solidez. Em 2010 o
faturamento superou a marca dos R$ 200
milhões.
Além de manter-se na liderança da
comercialização de vinhos finos, continua
com excelente performance nas exportações, que atendem a vinte países, entre
os quais, Estados Unidos, França, Japão,
Holanda, Bélgica, Alemanha e Rússia.
18
Sérgio Inglez de Souza
Escritor e consultor
[email protected]
Vinho&Cia - No. 60
América do Sul
Duas expressões
Q
do
Valle del Aconcagua
uando da realização do Mundial
de Sommeliers, em maio do ano
passado, saímos de Santiago por
via terrestre e seguimos em direção ao
norte, entrando na “Región V” do Chile
até encontrar o Rio Aconcágua, pequeno
curso de água que flui de leste para oeste,
da Cordilheira para o mar, desembocando
no Pacífico poucos quilômetros ao norte
de Valparaiso. Em seu percurso ele forma o belo “Valle del Aconcagua”, com
áreas planas entrecortadas de ondulações
verdes, onde se localizam microclimas e
terrenos adequados para o cultivo da vitis
vinifera e elaboração de vinhos finos.
Encontramos então, prazerosamente,
duas diferentes expressões dos terroirs
dessa região em exemplares brancos e
tintos das vinícolas Arboleda e Errazuriz, distinguindo-se os brancos do litoral,
conhecido como Aconcagua Costa, e os
tintos do Aconcagua Central.
O lugar das gaivotas
Pelo que nos disseram, Chillué significa “o lugar das gaivotas” em linguagem
indígena. Pois foi na Chillué Estate, uma
propriedade de mil hectares a apenas 14
km do oceano, com altitudes de 100 a
400m, que a vinícola Arboleda decidiu
plantar 20 hectares de Sauvignon Blanc
em 2005. Vinhas novas, portanto, com
produção iniciada em 2008.
Com temperaturas mais baixas do que
as do Vale de Casablanca, Chillué dispõe
de um terroir mais parecido com os de
Vinho & Cia - No. 60
Marlborough, na Nova Zelândia, do que
com Casablanca, seu vizinho ao sul. O
verão é moderadamente quente com névoa
matinal e brisas vespertinas. Além do que,
a camada superficial margosa com 60cm
de espessura sobre substratos de argila e
pedra, faz da área um lugar adequado para
o cultivo de variedades de clima frio.
Pode até parecer informação demais,
mas tudo isso é para chegar ao “Arboleda
Sauvignon Blanc Aconcagua Costa 2009”,
um vinho branco 100% Sauvignon Blanc,
com 13,5% de álcool, pH 3,24 e menos
de 2 gramas por litro de açúcar residual,
aromático, com pleno de frescor, sem
nenhum traço de fermentação malolática,
que se mostrou capaz de enfrentar com
galhardia o ataque cítrico de um ceviche,
a gota de limão sobre os mexilhões ou o
queijo de cabra na salada.
Manzanar perto do mar
Mais perto do mar ainda, no terroir
do Manzanar Estate, a 12 km da costa, a
centenária Errazuriz cultiva 30 hectares
do Chardonnay, que originou o “Errazuriz
Chardonnay Wild Ferment Aconcagua
Costa 2009”, algo mais potente e um pouco mais alcoólico (14%) do que o anterior,
com mais açúcar residual (2,64 gramas por
litro) e pH mais alto (3,27), ou seja, um
pouco menos ácido, macio, amanteigado,
algo untuoso. Nada de surpresas: um terço
do vinho passou pela malolática e todo ele
adormeceu sobre as borras, estacionado
em barricas de carvalho por 12 meses.
Pudemos então nos atrever com algo
mais substancioso: as lagostas requintadas com molho cremoso ou as centollas
e frutos do mar chilenos, estranhos para
“nosotros”, mas não menos apetitosos.
Aconcagua Centtral
Passando para o setor central, com as cidades de Llayllay, Panquehue e San Felipe,
encontramo-nos diante um clima semi desértico, ensolarado e cálido, sem surpresas
pela proximidade com o Atacama ao norte,
ainda que temperado pela proximidade dos
Andes a leste e pela brisa oceânica do oeste.
Lá mais de 80% dos vinhos são tintos, e
com razão. Carmenère, Merlot e Cabernet
Sauvignon seriam apostas evidentes, mas
nos dedicamos a dois varietais da Syrah,
praticamente uma novidade.
No vinhedo “Las Vertientes”, a altitudes entre 380 e 590m, a Arboleda cultiva
Syrah desde 2000, com mudas adquiridas
na França, em solo de beira de rio muito
pedregoso, com boa drenagem e vigor
apenas médio, conveniente para essa
variedade demasiado produtiva. Teve
origem ali o “Arboleda Syrah 2008”,
fermentado em inox, parcialmente com
leveduras nativas, entre 24 e 28ºC.
Resultou um tinto com 14% de álcool, pH 3,5 e açúcar residual 2,8 g/l, rubi
escuro com reflexos púrpura, frutado e
condimentado, com taninos refinados e
maciez adequada.
Já a Errazuriz preferiu usar a denominação Shiraz, mais usada no Novo
Mundo, em seu “Shiraz Max Reserva
2008”. As uvas provêm de dois vinhedos,
Max e Ocoa, em terrenos de cascalho,
argilo-arenosos, bem drenados. Um pouco
mais alcoólico do que o anterior (14,5%),
apresenta-se também com algo mais de
acidez. Foi maturado por doze meses,
40% em carvalho americano, 60% em
carvalho francês. Resultou em um tinto
rubi muito escuro, com nariz de frutas
negras, especiarias, estruturado, longo,
com muitos anos pela frente.
Depois do terremoto
Expressões significativas da área
marítima e da área central do Valle del
Aconcagua, os tintos e brancos acima
exaltam a conhecida e elogiada produção
chilena de vinhos de qualidade, e foram
um dos pontos altos das incursões, minha
e de meus amigos sommeliers de todo o
mundo, pelo Chile vinícola, de norte a sul,
pós terremoto.
Euclides Penedo Borges
Diretor da ABS-Rio
[email protected]
19
Velho Mundo
Dominic Symington, um dos membros da PFV
Famílias:
a
União da Tradição
P
ouca gente sabe, mas durante o
mês de novembro do ano passado
o Brasil foi palco do encontro anual
dos membros da PRIMUM FAMILIAE
VINIS (PFV). Muitos se perguntarão: O
que vem a ser a PFV?
Pois bem, ela é uma associação que
reúne algumas das mais renomadas famílias do mundo do vinho e reconhecidas como líder em sua respectiva região
de atuação. São vinícolas tradicionais e
que ainda têm as famílias fundadoras
diretamente envolvidas na administração da empresa. Elas compartilham
firmemente de alguns princípios básicos
como: promover a viticultura tradicional, a alta qualidade dos produtos e o
terroir, fortalecer os valores morais e
éticos, compartilhar conhecimentos e
experiências de vinicultura e enologia,
fazer benchmarking de seus negócios e
promover o conceito de que as empresas
familiares são as que têm melhor estrutura para alcançar um padrão crescente
de qualidade dos vinhos, mantendo as
tradições pelas quais chegaram ao atual
status.
Como homem de marketing achei
o conceito genial, pois já vimos muitas
empresas familiares sendo adquiridas por
conglomerados multinacionais e terem
toda a história, assim como o padrão de
qualidade, perdido pelo gerenciamento
muitas vezes mais voltado para o resultado
do que para a manutenção das tradições
e dos altos padrões de qualidade que só
mesmo a presença dos proprietários fundadores pode trazer.
em vinícolas no novo mundo. Mas esta
idéia da PFV para mim é corretíssima,
uma união de forças de alguns ícones do
vinho no mundo na manutenção de suas
tradições. Com esta união cria-se massa
crítica e inteligência de negócios que às
vezes só mesmo as grandes corporações
conseguem ter.
Certamente não quero ser injusto
com os grandes conglomerados, pois
alguns deles têm feito trabalhos excepcionais, respeitando os terroirs e
os conceitos muitas vezes ditados por
seus enólogos, e vejo até resultados
mais destacados deste bom trabalho
Vejam na tabela a lista dos produtores,
seus representantes no evento e o site de
suas empresas, para aqueles que se interessem um pouco mais e que possam ter
mais detalhes da importância de cada um
deles no cenário mundial do vinho. Vida
longa à tradição!
Vinícolas do Primum Familiae Vinis (PFV) no Brasil
Antinori – Firenze – Itália – Sra Albiera Antinori – www.antinori.com
Château Mouton Rothschild – Sr Philippe Sereys Rothschild – www.bpdr.com
Egon Muller Scharzhof – Saar – Alemanha – Sra Valeska Muller – www.scharzhof.de
Graham’s – Dow’s – Warre’s – Vila Nova de Gaiz – Portugal – Sr. Dominic Symington – www.symington.com
Hugel & Fils – Riquewihr – França – Sr. Etienne Hugel - www.hugel.com
Joseph Drouhin – Beaune – França – Sr. Laurent Drouhin - www.drouhin.com
Miguel Torres – Penedés – Barcelona – Espanha. Sr. Miguel Torres – www.torreswines.com
Perrin & Fils (Beaucastel) – Orange – França – Sr. Françoise Perrin – www.beaucastel.com
Pol Roger – Eperny – França – Sr. Hubert de Billy - www.polroger.com
Tenuta San Guido – Bolgheri – Itália – Sr. Sebastiano Rosa – www.sassicaia.com
Vega Sicília – Duero – Espanha – Sr. Pablo Álvarez – www.vega-sicilia.com
Walter Tommasi
Consultor e palestrante de vinhos
[email protected]
20
Vinho&Cia - No. 60
Vinho na Academia
1
U
m importante quesito na avaliação de um vinho tem sido a
sua tipicidade, ou quão típico é
um vinho. Explicando melhor, isso quer
dizer que avaliamos as características da
personalidade aromática e gustativa de um
vinho e comparamos com outros vinhos
de uma mesma região, ou de uma mesma
variedade de uva (ou corte de uvas). Se as
características de um vinho estão dentro
do que se espera nessa comparação, dizemos que ele é típico, ou não.
A evolução da vinicultura mundial
nos tem trazido atualmente vinhos que
podemos dizer únicos, pois sua “personalidade” (gosto de usar esse termo,
apesar de não ser um consenso entre os
conhecedores) é ímpar, não há outro igual
ou parecido.
Atenção, não estamos falando diretamente da qualidade de um vinho, mas do
seu estilo, do seu ”jeitão”, que pode ser
uma marca registrada de uma região, ou
de uma variedade de uva, ou o estilo de
um enólogo.
Alguns exemplos podem ajudar a
compreender em que quero chegar: a uva
Malbec foi levada da França para a Argentina e lá se aclimatou muito bem, passando
a gerar vinhos tintos que hoje são a marca
registrada da região de Mendoza. Pois
bem, os vinhos de Malbec são ainda produzidos em sua região de origem, Cahors,
no sudoeste da França, mas os argentinos
definitivamente não se parecem com seus
irmãos europeus.
Podemos então dizer que os Malbecs
de Mendoza não são típicos, mas com a sua
personalidade marcante e a importância
que já conquistaram no mercado mundial,
quem é a referência para compararmos em
termos de tipicidade, Cahors (foto 1) ou
Vinho & Cia - No. 60
2
A tipicidade
dos vinhos
Mendoza (foto 2)? Muitos hoje dizem que
a referência mudou de hemisfério, devido
à importância no mercado atual.
A uva Sauvignon Blanc produz belíssimos brancos no Val de Loire, França,
vinhos de uma elegância, mineralidade e
frescor inconfundíveis. Os vinhos da mesma uva produzidos no Chile têm em geral
maior teor alcoólico, acidez mais pesada e
notas explosivas de frutas tropicais. Essas
diferenças se devem ao clima bastante
diferente, e também ao solo. Nesse caso
dizemos que os vinhos dessas regiões têm
tipicidade diferente, apesar de produzidos
com a mesma uva. Na Nova Zelândia, encontramos na mesma uva uma tipicidade
bem mais européia, porém com explosão
aromática bem típica do Novo Mundo.
Nas regiões tradicionais da Europa,
o sistema de DOCs (Denominações de
Origem) impõe regras rígidas para que
os vinhos ali produzidos mantenham sua
tipicidade (ou personalidade), mesmo
existindo diferenças nos níveis de qualidade entre produtores. Com isso, o estilo
permanece (quase) imutável.
Venho observando algumas mudanças
importantes nos tintos do Chile, onde o sol
poderoso sempre impôs níveis alcoólicos
altos (chegando a 15%) e as temperaturas
pouco baixas durante a noite não permitem o desenvolvimento de bons níveis
de acidez, tão necessária ao equilíbrio e
elegância dos vinhos. Lá, 2007 foi considerada uma ótima safra, produzindo
vinhos inusitadamente mais elegantes,
pois foi um ano mais fresco. Tudo isso
porque a Cabernet Sauvignon é uma uva
tardia, a última a amadurecer.
Dos últimos 6 tintos chilenos que provei, dos quais 2 são lançamentos, 5 deles
mostraram níveis de acidez mais altos que
o usual, trazendo aos vinhos melhor equilíbrio e por conseguinte, mais elegância.
Um trabalho pormenorizado nos vinhedos
é a explicação dessa mudança, que também é uma importante guinada positiva
na tipicidade dos tintos chilenos.
No Médoc, na sofisticada região de Bordeaux, a Cabernet Sauvignon também recebe muito sol, mas a brisa fresca do Atlântico
durante a noite garante um desenvolvimento
delicado de acidez, que é um dos elementos
fundamentais para a elegância dos seus Crus
mundialmente famosos.
Com esse breve passeio pelo mundo,
quero frisar que cada região vinícola tem
em suas características de clima, solo
e estilo de produção – conjunto a que
chamamos terroir – uma personalidade
única para marcar seus vinhos. A nós cabe
experimentar, conhecer e escolher nossos
preferidos. Os há para todos os gostos,
posso garantir.
Uma tremenda contramão nesse processo é a tentativa de “construir” vinhos
de uma certa personalidade para agradar
(ou explorar) uma preferência de consumidores, pois em vez de explorar a tendência natural – que é única – se pretende
industrializar um sabor da moda.
Acredito que as personalidades serão
cada vez mais a principal mercadoria no
mundo dos vinhos, pois tudo igual cansa.
Carlos Arruda
Academia do Vinho
[email protected]
21
Vinho: Que Negócio é Esse?
C
Vinhos em bolsa,
ou na
Bolsa?
Entrevista com Alexandre Záckia Albert, da Cultinvest
Vinho & Cia: Como surgiu a
idéia do fundo em vinhos?
Alexandre Zákia: Tomando vinho com nossos amigos e parceiros da
Wine Stock, que comentaram a incrível valorização dos grandes vinhos de
Bordeaux nos últimos dez anos.
Já que a cota mínima é bastante
alta, o que esperam os investidores
em termos de retorno?
AZ: Nós usamos como parâmetro
comparativo (benchmark) do fundo
o índice Fine Wine Investables da
bolsa eletrônica de vinhos de Londres (LIV-ex). Como o horizonte de
retorno sinalizado para o investidor é
de 5 anos, podemos pegar esse índice
como referência, lembrando sempre
que para qualquer tipo de fundo performance passada não é garantia de
performance futura.
E a valorização?
AZ: O índice citado valorizou
em média 11,35% ao ano em Euros
no período de 1999 a 2010, tendo
alcançado 18,70% ao ano em Euros
no melhor período, de 2005 a 2010.
Cabe lembrar que os chamados Investment Grade Wines possuem baixa
22
correlação com ativos tradicionais (ações
e renda fixa), o que os tornam alternativa
de diversificação para uma carteira de
investimentos.
Já foram estudados fundos em
que as cotas sejam mais “modestas”,
podendo assim democratizar esta modalidade de aplicação e os vinhos, ou
isto é inviável como investimento, e o
público alvo será sempre o que conhece
investimentos de risco e vinhos, portanto, bem mais esclarecido?
AZ: O valor mínimo alto se deve a
uma restrição legal. O Bordeaux Wine
Fund Multimercado é um fundo doméstico (aberto a investidores locais) que aplica
num fundo off-shore (chamado Bordeaux
Wine Fund), que, por sua vez, compra o
vinho físico e “en primeur”. Pela legislação brasileira de fundos, ele é classificado
como um fundo multimercado que pode
aplicar 100% de seus ativos no exterior
e só pode ser oferecido a investidores
superqualificados, cuja aplicação mínima
é de R$1 milhão. No caso do fundo offshore, essa restrição legal não existe, e a
aplicação mínima cai para 100 mil Euros,
mas só está disponível para investidores
estrangeiros.
A equipe da Cultinvest conhece vinhos? Quem escolhe o investimento?
AZ: As decisões de investimento
são tomadas de maneira colegiada por
um Comitê de Investimentos formado
pelos gestores da Cultinvest (Walter
Mendes, Filipe Albert e eu), mais os
especialistas (advisors), que são o
Douglas Andreghétti (da Wine Stock,
especializada em importação de vinhos finos de Bordeaux) e o Aguinaldo
Záckia. Os gestores da Cultinvest fazem desde a análise macro-econômica
dos principais países compradores de
vinhos finos de Bordeaux até indicadores micros, como evolução histórica
do preço de cada vinho, avaliações
do Robert Parker (RP), rating, longevidade, etc. Já os especialistas fazem
uma análise mais fundamentalista dos
produtores e safras.
omo minha coluna neste periódico é relacionada ao negócio do
vinho, fiquei sabendo que aqui
no Brasil já podemos ter aplicações com
rendimentos futuros em vinhos Premium
de Bordeaux. Esta aplicação é o Bordeaux
Wine Fund (Fundo de Investimento Multimercado – Investimento no Exterior).
Produto inédito entre nós, até 100%
da sua carteira é aplicado em um fundo
off-shore composto por investimentos em
vinhos finos de produtores consagrados
da região de Bordeaux conhecidos como
“Investment Grade Wines”. Como são
vinhos de produtores consagrados e de
pequenas produções, sua valorização se
dá pelo eterno mecanismo regulador da
oferta e da procura.
O fundo se baliza pela bolsa eletrônica
de Londres especializada em vinhos. A
maior parte da carteira é composta por
vinhos já engarrafados e a outra parte,
de até 20% da carteira, com vinhos ainda
por engarrafar, “em primeur”, que já foi
motivo de uma coluna minha anterior.
Os vinhos já engarrafados ficam fisicamente no Bordeaux City Bond, armazém especializado pertencente à Câmara
de Comércio e Indústria de Bordeaux
e à Vinexpo, empresa organizadora da
maior e mais reconhecida feira mundial
de vinhos, em condições ideais e todos
segurados.
Só para se ter uma idéia, a cota mínima
para participar deste fundo é de um milhão
de reais.
Para não ficarmos aqui descrevendo
tecnicidades, fiz a entrevista ao lado com
o CEO da Cultinvest, empresa responsável
pelo Bordeaux Wine Fund, Alexandre
Zákia Albert, que por feliz coincidência é
irmão de um grande conhecedor de vinhos
e amigo pessoal deste colunista.
E o que compra o fundo?
AZ: Só compra os vinhos que
compõem o índice, ou seja, os 24 principais vinhos da região de Bordeaux,
de safras a partir de 1982 que tenham
no mínimo 90 pontos do RP (no caso
de Lafite, Latour, Margaux, Cheval
Blanc, Haut Brion, Mouton, Petrus e
Ausone), ou 95 pontos para os demais
16 vinhos do índice. Sendo assim, o
fundo só pode ter grandes vinhos de
grandes safras.
Álvaro Cézar Galvão
Colunista
[email protected]
Vinho&Cia - No. 60
Vinho está na moda
e a gente faz o estilo
Vinho&Cia
Vinho & Cia - No. 60
23
Vinho é Arte
Antropologia
do vinho
M
uito se fala, no mundo do vinho,
na palavra terroir. Sem uma
única tradução ou interpretação, este termo francês quer significar o
conjunto de clima, solo e planta, além da
interferência humana.
Especialistas analisam ao degustar a
influência do calcáreo, das pedras basálticas, a exposição solar norte ou sul das
videiras; questionam o clone cultivado,
a poda aplicada, o sistema de condução.
Se choveu na primavera, houve seca no
verão ou se os pássaros comeram os grãos
mais adocicados. Tecnologia, equipamentos de frio, barricas tostadas, francesas,
americanas...
Agora, começa-se a estudar cada vez
mais o elemento humano do vinho. Todos
os aspectos culturais, filosóficos, religiosos que formam a essência destas comunidades, que são o que compõe a vida
diária das mesmas, acabam por interferir
em tudo o que a mesma realiza. Desde o
preparo dos alimentos, o cultivo da terra
e, claro, a elaboração dos vinhos. Assim
como o pão melhora conforme o conhecimento de quem o amassa e prepara, o
vinho é uma bebida repleta de segredos,
peculiaridades, tradições familiares.
Em Champagne, o trabalho de quem faz
a “remouage” é visto como arte e tradição:
o segredo do toque exato, que agita com
sutileza e força cada garrafa nos pupitres,
favorecendo o amadurecimento da bebida,
é passado de pais a filhos, por séculos.
Identificar as diferentes variedades em
meio a vinhedos antigos, que geralmente
misturam mais de quarenta tipos de castas,
é parte da sabedoria daqueles que nascem
e crescem no Douro, em Portugal, brincando entre as vinhas, observando folhas
e cores.
Estes mesmos sentimentos e instintos
podem ser observados na Serra Gaúcha:
24
Maria Amélia Duarte Flores
Enóloga
[email protected]
beber vinho era o hábito alimentar na Europa, terra dos imigrantes. Mas era hábito
na época de riqueza, tornando-se cada vez
mais difícil de ser mantido conforme as
guerras e a pobreza começaram a assolar
este território. Ao chegar no Brasil e
construir as cidades, o imigrante queria
ter vinho para celebrar sua identidade,
não esquecer de suas origens. No Vale
das uvas Goethe, em Santa Catarina,
a uva foi como alicerce para segurar o
homem no campo, em tempos de auge
de mineração e êxodo rural. Ela foi como
uma motivação de não renegar as raízes,
não ceder.
Já, na Argentina, a Igreja também
teve forte influência sobre a elaboração
do vinho: os hábitos religiosos e salutares
incluíam o vinho; foram os freis alguns
dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da enologia na região de Mendoza.
A relação próxima de “bodegas” e igreja é
possível de ser observada na literatura, nas
artes, no patrimônio histórico, além de em
todos os elementos religiosos existentes
na Festa da Vindima.
Em todo o mundo, com suas paisagens, as necessidades comerciais e as
relações de trabalho, o vinho acaba sendo
um elemento de transformação. E talvez
seja esta uma das partes mais lindas do
conceito de terroir: em comum, as comunidades de vinho sabem bem receber,
abrir suas portas e corações. Seja no
Vêneto, na Califórnia, na África do Sul
ou na Campanha Gaúcha, plantar a uva e
elaborar vinho envolve mais do que uma
planta e um solo: há que se ter a paixão
não só pelo tema, mas pela natureza e a
região. A mão que colhe é geralmente a
que bem acolhe, sempre com mesas fartas,
taças cheias e muitas histórias a contar. E
um tremendo orgulho daquilo que se faz,
que ultrapassa crises, gerações e merece
ser cada vez mais valorizado. É esta a
verdadeira “arte do vinho”.
Vinho&Cia - No. 60
Viajando com Vinho
O reencontro
eo
C
onfesso que não sou (ou não era)
adepta às rede sociais. Talvez
pelo fato de trabalhar o dia todo
em frente a uma tela, o meu lazer nunca
incluía o computer.
Por uma necessidade de um curso,
entrei no Facebook e para minha surpresa me apaixonei. Pelo Face? Não! Pela
simples possibilidade de reencontrar
velhos amigos... Colegas de escola, de
faculdade... Nossa! Gente que eu não via
há muito tempo!
E por que estou lhes contando isto?
Porque como amante de Baco, ao pensar
nestas vivências não pude deixar de relacionar à bebida que tanto aprecio.
As minhas amizades, as pessoas
como quem convivo eventual ou cotidianamente, são como os vinhos do
Vinho & Cia - No. 60
Velho Mundo!
Novo Mundo, diversos e surpreendentes. Novas descobertas a cada gole.
Novas emoções e possibilidades. Sem
regras.
Já as antigas e resgatadas amizades
são como o Velho Mundo, mais precisamente os vinhos de guarda. Que estão lá
na nossa adega, guardados com cuidado,
para serem apreciados em momento de
celebração. E nesta estória a grande celebração é a amizade.
Já foi oficializado o “Dia do Amigo”,
em julho... Ainda está longe?! Mas não
precisamos aguardar esta data para pequenas e grandes confraternizações. Toda
hora é hora de você abrir um vinho, assim
como de estar com amigos.
Do Novo Mundo, um argentino, chileno ou mesmo um dos nossos belíssimos
nacionais da Campanha ou de altitude
de Santa Catarina, são o nosso dia-a-dia,
aquela taça, e aquele amigo, que está ao
nosso lado, que conhece todos os nossos
segredos, assim como nós os deles, suas
características e seus aromas, que pela
convivência, nos surpreende a cada gole,
a cada conversa.
Com mais ritual (mas não necessariamente com mais valor, somente com gostinho de retrospectiva) é poder redescobrir
aqueles amigos, aquele sabor e aroma
tradicionais. É poder decantar, fazer com
que esta amizade amadureça, e possa ser
curtida e celebrada.
Viva o reencontro. Vinha o VINHO
em sua plenitude!
Adriana Bonilha
E um brinde a todos meus velhos, novos e, por que não, futuros amigos!
[email protected]
Colunista
25
Vinhos na Altitude
O
s vinhos de
altitude de Santa
Catarina a cada
dia ganham mais espaço no
mercado. Preconceituosos,
alguns brasileiros torcem o
nariz quando ouvem falar
de vinhos dessa região
ainda pouco conhecida.
Quando provam os
produtos, contudo, mudam
de ideia. A mineira Andréa
Pio foi conferir o que há de
bom em um dos territórios
da altitude catarinense,
São Joaquim, e viu de
perto a vinícola Pericó.
Direto do terroir, João
Lombardo traz a novidade
da Coopervitis...
1
Na altitude
de
26
São Joaquim
Vinho&Cia - No. 60
Vinhos na Altitude
Por Andréa Pio
Eleve-se ao céu. Quando atingir a
altitude de 1.360 metros, preste atenção:
bem adiante despontarão os picos da serra
catarinense. Lá está São Joaquim da Serra,
a Cidade da Neve. Aí, cuidado para não
colidir com a igreja de pedra, porque a
cidade estará ao nível dos seus olhos.
2
Nesse lugar, além do clima, da cordialidade do povo e das maçãs mais
saborosas do Planeta, há um outro encanto: os vinhais de onde saem os Pericó,
Quinta Santa Maria, Sanjo, Suzin, Villa
Francioni e outros vinhos de altitude que
andam (muito naturalmente) nas bocas de
enófilos e demais segmentos do universo
vinhateiro.
Escrevi na edição 49 de Vinho&Cia:
se você ainda não conhece, deve provar
com urgência os espumantes das montanhas de Santa Catarina. Todos de estirpe
e acostumados a fazer bonito em jantares
de estilo.
Vinhos de altitude... Pois é. São especiais. Mas... ora, especiais não são os
vinhos de Champagne? Os californianos
de boa cepa e o fabuloso Tokay também
são! Eram especiais os Verdes de Amarante (quando tinham “agulhas” e um
colar duradouro). Alguém discorda? No
entanto, Aurélio informa que “especial”
é termo de muitas acepções e aqui ele é
empregado no sentido de diferente. Mas,
diferente em quê?
Diferente no processo natural a que se
submetem as parreiras, desde o surgimento dos brotos até a entrega das uvas prontas para a vinificação. No clima das terras
de altitude (noites frias e dias ensolarados)
as uvas amadurecem mais lentamente. A
diferença já começa por aí. A maturação
sem pressa, de sorte, confere aos frutos
uma estrutura química diferenciada: eles
armazenam maior teor de açúcar, condição fundamental e notória para a obtenção
de um bom vinho. ►
Técnica nos vinhos de altitude
e nos vinhedos da Pericó:
1- Vinhedos perfeitamente alinhados
2- Pulverizador a Túnel
3- Mini Trator ergonométrico
Vinho & Cia - No. 60
3
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Vinhos na Altitude
4
Pericó e detalhes
O Vinhedo Pericó começa a seduzir na
sua formação. Embora plantado em encosta
vagamente acentuada, não se dispõe em
socalcos, mas em leiras perfeitamente
alinhadas, como numa parada militar. A
forma como ele é manejado até a colheita
comprova que a Pericó está além do tempo
ao importar equipamentos made in Itália,
os primeiros a serem utilizados em solo sul
americano. O pulverizador a túnel funciona
com dois painéis: enquanto um lança o
fungicida o outro suga as gotículas não
aderidas pelas folhas. O sistema, ao sugar e
reciclar, reduz em 95% a contaminação do
ambiente (solo e ar). Igualmente inéditos
são os mini tratores de esteiras, eficientes e
ergonômicos, que facilitam a desfolha, desbrote e colheita das uvas. Os funcionários
trabalham sentados, distantes 50cm do solo
e defronte à espaldeira. Com a novidade, a
lida no campo, com qualidade e sem fadiga,
aumentou em 45% o desempenho.
Se os vinhedos seduzem, o que dizer
do resultado deles, os 11 rótulos? As
Caves: Brut Branco (Champenoise), Brut
Branco e Rosé, Demi-sec Branco e Rosé
(estes Charmat); Taipa, Rosé e Sauvignon
Blanc; Basaltinho, Chardonnay e Pinot
Noir; Icewine; Basalto Tinto e a nova
taça com anel no bojo (foto) a serem lan-
5
çados na Expovinis; confirmam que eles
são frescos, frutados, equilibrados e, sem
dúvida, desbancam os rótulos reluzentes
e duvidosos de acolá.
Capítulo à parte para apresentação dos
vinhos (foto 4) , durante almoço harmonizado na sede, cuja propriedade é uma
sucessão de surpresas (foto 5). Cuidado,
extremo bom gosto e receptividade irrepreensíveis (foto 6, Wander com bandeja)
são marcas registradas dos proprietários.
Agora digo e repito: se você não conhece a Pericó Valley deve ir. E já! Com
a quinta safra, em plena maioridade, a
Pericó já está aberta para visitas guiadas,
seguidas de degustações. O prazer da
acolhida, capitaneada pelo proprietário, o
arrojado e entusiasta Wandér Weege e sua
simpática esposa Laurita (foto 7), ou pelo
enólogo e agrônomo e Jefferson Sancineto
Nunes (cozinheiro de quando em vez),
vale os quilômetros percorridos do trajeto
(cerca de 300) entre Florianópolis e São
Joaquim. Depois até a Pericó, parte deles
em chão batido, é a compensação maior
para ver de perto a razão pela qual tudo lá
é especial, em todos os detalhes. Em breve
o percurso poderá ser feito de avião.
O mega-empresário Wandér é presidente da Malwee Malhas (uma das mais
modernas indústrias têxteis do mundo,
com 42 anos de existência) e se aposentou
ao montar a Pericó; sua esposa Laurita foi
diretora de criação e estilos da Malwee.
Hoje, quem comanda a Malwee são os filhos do casal. A continuar assim, seguindo
a vocação empreendedora e o espírito visionário aplicados na Malwee, cuja gestão
empresarial é inovadora, os vinhos Pericó
serão preferência nacional.
Agora, que minha ficha caiu, ressalto
que savoir faire, bom gosto e arrojo são
uma exclusividade de poucos.
Andréa Pio
Jornalista e editora do guia Uai
[email protected]
7
6
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Vinho&Cia - No. 60
Vinhos na Altitude
Vinhedos da Quinta Santa Maria, em São Joaquim
Vinhos de altitude para todo o Brasil
Os vinhos de altitude de Santa
Catarina poderão ser adquiridos de
maneira mais fácil, em todo o Brasil.
A partir do mês de maio, terão início
as vendas coletivas dos vinhos produzidos nas regiões de São Joaquim,
Caçador e Campos Novos. As vendas
serão promovidas pela Coopervitis, o
braço comercial da Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos
de Altitude – Acavitis. De imediato, a
comercialização será feita a partir de
um Centro de Distribuição Acavitis
– CDA, na cidade de São Joaquim.
“Vamos melhorar a oferta dos
vinhos de altitude de Santa Catarina
para todo o Brasil”, garantiu Walter
Kranz, presidente da Cooperativa
dos Produtores de Vinhos Finos de
Altitude – Coopervitis. A partir da
cooperativa, a comercialização será
realizada sem intermediários e de maneira conjunta. Isso tornará os vinhos
mais competitivos no quesito preço,
disse Kranz. A logística também irá
melhorar, segundo o diretor comercial
da Coopervitis, Guilherme Grando.
A intenção é fazer com que o período
máximo para a entrega dos vinhos a
Vinho & Cia - No. 60
qualquer lugar do Brasil não ultrapasse
quatro dias. Segundo Grando, na grande
maioria dos casos, a intenção é fazer as
entregas em 24 horas.
De partida, serão 140 rótulos na comercialização coletiva. Vinhos elaborados
por 16 produtores filiados à Coopervitis e
selecionados por um comitê de degustação
integrado por enólogos, sommeliers e
representantes dos consumidores. Até o final do ano, o número de rótulos comercializados deverá ser de 180, com os vinhos
das novas safras, informou Walter Kranz.
Algumas vinícolas estão chegando agora
ao mercado, são novas para o público consumidor. Entre elas estão a Abreu Garcia,
Hirgami’s, Villaggio Bassetti, Casa Pisani
e Vinhedo do Monte Agudo.
A Coopervitis será estruturada em
torno dos Centros de Distribuição Acavitis – CDAs. O primeiro deles já está em
operação na cidade de São Joaquim, em
Santa Catarina. As compras podem ser
realizadas pelo telefone (49) 3233-3870
ou pela internet, no site www.coopervitis.
com.br. O pedido mínimo é de uma caixa
ou seis garrafas de vinhos.
Em maio, entrará em operação um
CDA na cidade de Campinas, para atender
os mercados de São Paulo e estados vizinhos, informou Walter Kranz. Há projetos
para a criação, ainda este ano, de CDAs
em Florianópolis, Curitiba e Brasília. Está
previsto também o desenvolvimento de
lojas franqueadas Coopervitis em capitais
e cidades brasileiras.
Segundo Walter Kranz, a Coopervitis não vai prejudicar outros canais de
distribuição dos vinhos de altitude de
Santa Catarina, como importadoras ou
distribuidores. “Pelo contrário, eles serão
beneficiados pela estrutura e logística da
Coopervitis”, afirmou. A Coopervitis
informou que fará, também, a exportação
conjunta dos vinhos produzidos dentro da
área da Acavitis.
Coopervitis
Escritório Central
Avenida Ivo Silveira, 340, Sala 6
Bairro Jardim Minuano
CEP: 88600-000, São Joaquim, SC
(49) 3233-3870
www.coopervitis.com.br
Vinícolas da Coopervitis
Abreu Garcia
Casa Pisani
Hiragami’s
Panceri
Quinta da Neve
Quinta Santa Maria
Serra do Sol Vinhos Finos
Sp Bianco Atividades Agrícolas
Suzin
Villaggio Bassetti
Villaggio Grando
Vinicampos
Vinhedo do Monte Agudo
Vinícola Kranz
Vinícola Pericó
Vinícola Santa Augusta
João Lombardo
Jornalista e sommelier
[email protected]
29
Charutos & Destilados
Izakaya,
o bar dos japoneses
I
zakaya” é o termo que se usa para
designar um pequeno bar em geral comandado por membros de uma mesma
família, que tem bebidas alcoólicas e serve
pequenas porções, como se fossem “tapas.
Espécie de pub nipônico, os izakayas são
comuns e numerosos nas grandes cidades
japonesas (Tóquio e Kioto, especialmente), e há cerca de dez anos ganharam similares “mais modernos” em Los Angeles,
San Francisco e Nova York.
Em São Paulo existem alguns poucos
izakayas na Liberdade, que seguindo
o modelo japonês são bem pequenos e
familiares.
Um Izakaya que foi aberto recentemente e não está no bairro é o Itigo Sake
House, que fica na Alameda Lorena,
871, onde é possível degustar e comprar
sakês nacionais, japoneses e americanos,
bebidas especiais e diferenciadas, com
diferentes níveis de álcool, de acidez ou
polimento dos grãos de arroz. A casa
tem mais de 30 rótulos, que podem ser
apreciados ao lado de petiscos japoneses
que passam longe do combinado sushi e
sashimi.
A idéia do Itigo Sake House surgiu
pouco depois de Ana Toshimi Kanamura
30
apresentar seu trabalho de conclusão
do curso de Administração Pública da
Getúlio Vargas. Além de fazer Administração, Ana também estudou Gastronomia
na Anhembi-Morumbi. Ela tornou-se
especialista em sakês após viagens aos
Estados Unidos e Japão, onde participou
de cursos do especialista John Gauntner,
considerado o maior expert não japonês
da bebida.
Como o sakê ainda é novidade para
muitos brasileiros, a presença de Ana na
casa é constante para explicar e sugerir
os rótulos de acordo com as preferências
de cada cliente. Para introduzir o cliente
no universo do sakê, a especialista criou
réguas de degustação que apresentam
a bebida de forma bastante didática. A
régua básica inclui três pequenos copos
onde são dispostos sakês da mesma categoria (com mesmo nível de polimento de
arroz e fermentação), um neutro, um suave
e outro seco. Como têm sabor e aromas
muito diferentes, é possível perceber o
perfil do cliente pela sua preferência.
Estabelecido o gosto pessoal, Ana sugere
uma segunda régua, mais elaborada, que
trabalha com um sakê especial, um premium e outro super-premium. Passada a
fase de experimentação, o cliente pode
optar por doses de 180ml (chamadas “itigo”, origem do nome do bar) ou garrafas
de 300ml, 720ml ou 1,8 litro. Os preços
variam de R$15,50 a R$464,00.
A casa oferece ainda drinks especiais
feitos com sakê e shochu, um importante
destilado japonês. Destaque para os drinks
“Aka” (shochu, morangos, monin red
passion fruit e geléia de framboesa com
romã - R$20); “Midori Sea” (sakê, licor
midori, licor de kiwi e limão - R$18);
“Ringo Chai” (sakê, suco de soja de maçã
e monin chai - R$18); e o refrescante
“Samurai” (frozen de sorvete melona sabores melão, morango ou banana - com
sakê ou shochu - R$20).
O Itigo Sake House traz em seu cardápio releituras modernas de receitas tradicionais japonesas, com uma leve influência das cozinhas vietnamita, peruana e
tailandesa. Entre os pratos frios, destaque
para Hitokuchi Ceviche (peixe marinado
com limão, cebola roxa, pimenta e ervas
sobre batata doce grelhada - R$18,50);
Natsumaki (rolinhos de folha de arroz,
com camarão, folhas, ervas e molho estilo
tailandês - R$18); e Shime Tataki (tiras de
peixe do dia, marinadas em shoyu, gengibre, alho, sakê e shissô – R$16,50).
Cesar Adames
Consultor gastronômico
[email protected]
Itigo Sake House
Alameda Lorena, 871, Jardins
São Paulo
(11) 3062-7875
De terça a quinta das 19h às 23h
Sextas e sábados, das 19h à 1h.
Tem 50 lugares em dois ambientes
Vinho&Cia - No. 60
Comportamento
“
Da sua infância, há muito tempo, Didú Russo se lembra de muitos fatos. Inesquecível eram os domingos na
casa da mamãe, ao som de música lírica italiana, com conservas, pasta e vinho, que nesse dia eram...
Domingos
da infância
O
s domingos da minha infância
nunca sairão da minha memória.
O cheiro do molho de macarrão
que a mamãe fazia invadia todas as salas
e se misturava ao som de Beniamino Gigli
cantando canzonetas italianas. Muitas
vezes era o Domenico Modugno, ou o
Luciano Tajolli, o Carlo Butti, mas o Gigli
era o preferido do papai, pois ficaram amigos pessoais, e eu inclusive tenho alguns
discos autografados pelo Gênio da música
lírica da década de 50.
Em casa sempre se bebia vinho. Durante a semana era vinho barato, papai era
pão duro, veio de baixo e não gostava de
gastar, pois não sabia o dia de amanhã.
Fui criado assim.
Mas aos domingos não, era o dia
especial, nós praticamente não saíamos
Vinho & Cia - No. 60
da mesa do almoço até o jantar. Nesse
dia abriam-se bons vinhos, quase sempre
italianos, quase sempre Chianti.
Íamos então de automóvel até a São
Domingos pegar uns pães fresquinhos,
um taralo e umas picicatelas. O taralo,
como todo italiano sabe, é uma rosquinha
salgada para se comer de aperitivo e tem
erva doce. Aliás, naquela época toda lingüiça calabresa tinha erva doce, por que
não têm mais?... O taralo era uma rosca
grande e com açúcar de confeiteiro, ótima
para gulosos comer com um copo de leite
tipo A gelado.
Mamãe, que fazia tudo como ninguém
e que foi das mulheres mais bonitas que
conheci, fazia conservas de beringela, de
abobrinha e de pimentão. Cada uma tinha
uma receita própria, não eram iguais, não.
Então, essas conservas – mais as lingüiças
que o papai cortava tão fininhas que dava
para ver seu rosto do outro lado - faziam
o antipasto da domenica. Essas lingüiças
nós mesmos fazíamos em casa. Era um
programão encher as tripas que se comprava no mercado e deixá-las curando na
despensa esperando o momento certo.
Quando vinha a pasta, quase que nem
precisava, mas era impossível não comer,
afinal era o prato principal que perfumava
a rua, deixando os vizinhos com água na
boca.
Acabava o almoço, tirava-se tudo e
deixava-se o feltro do forro da mesa, pois
uns jogavam baralho, outro lia o jornal,
outros apenas conversavam... Sempre
havia algum tio, um amigo, sempre. E a
tarde se passava, o Gigli cantava, o vin
santo acabava, até que dava aquela fome
novamente e tudo voltava para a mesa.
Afinal somos italianos, ora...
Didú Russo
Confraria dos Sommeliers
[email protected]
31
Espumante Cave Pericó Branco Brut
1º espumante da altitude catarinense
Medalha de Ouro no 7º Concurso Nacional de Vinhos Finos & Destilados
do Concurso Mundial de Bruxelas - Safra 2010
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06/04/11 11:32
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E mais: a qualidade na altitude de São Joaquim