RE-SIGNIFICANDO A PRÁTICA NA GEOGRAFIA Luciane Rodrigues de Bitencourt1/UPF [email protected] Márcia da Silva Jorge2/SME [email protected] INTRODUÇÃO A Secretaria Municipal de Educação desde 2007 desenvolve o Programa de Formação Continuada para gestores e professores da Rede Municipal de Ensino. Este programa constitui-se “num espaço de interação entre os professores, onde os conhecimentos acumulados por eles em seu fazer pedagógico podem ser refletidos e aprofundados teoricamente” (SME, 2009). A sistemática das etapas resultou em um referencial curricular para as escolas municipais. Assim, o desafio de 2009 é desenvolver metodologias de trabalho para a transposição didática do referencial curricular para a prática pedagógica, tornando-o uma prática vivenciada pelos professores da rede. Em consonância, o Curso de Geografia da Universidade de Passo Fundo, através do projeto de extensão “A Geografia no Ensino Fundamental: saberes e práticas para a formação continuada de professores” tornou-se parceira da Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo na formação continuada de professores de geografia da rede municipal de ensino de Passo Fundo. A qualificação e a atualização dos professores são à base de uma prática docente que resulta do conhecimento da ciência geográfica, bem como dos pressupostos teóricometodológicos. Assim, busca-se através dessa parceria a continuidade da experiência iniciada em 2008 com o grupo de professores, que buscou promover a interação entre “o saber e o fazer”, construindo, a partir de situações limitantes, a superação em relação ao 1 2 Professora do Curso de Geografia da Universidade de Passo Fundo/ICEG. Professora de Geografia da Rede municipal de Ensino de Passo Fundo/SME. ensino de geografia. Nesse momento discutem-se metodologias que possibilitem a exploração dos conteúdos, re-significando os saberes geográficos. Partindo-se desse objetivo, a proposta inicia com a definição, pelos professores de geografia das séries finais da rede pública municipal, das temáticas que consideravam necessárias que se discutissem procedimentos metodológicos. A partir desse interesse, definiram-se metodologias, em forma de oficinas temáticas. A cada encontro uma oficina temática é apresentada pelos professores do Curso de Geografia da Universidade de Passo Fundo envolvidos no projeto, aos professores da rede municipal. Ao final de cada oficina é o momento de discutir e/ou socializar experiências. A partir da oficina, os professores de geografia da rede pública participantes têm o compromisso de fazer a aplicação a sua realidade. As experiências fazem parte de um seminário final, onde os professores que participaram durante o ano, socializam suas experiências e práticas docentes aos futuros professores, os alunos do Curso de Geografia da Universidade de Passo Fundo. REPENSANDO A PRÁTICA PEDAGÓGICA DA GEOGRAFIA Os encontros são reflexões acerca do contexto atual do professor, levando-o a pensar e repensar suas ações pedagógicas em sala de aula, questionando-se sobre o seu papel na educação geográfica, na escola e na sociedade, perante o objetivo da maioria das escolas de formar cidadãos. Através da troca de experiências entre o grupo, discutiu-se a respeito da categoria, que se encontra desunida, desmotivada e estressada. Percebeu-se que o encontro é um momento de encontrar motivação para o trabalho diário, nas palavras de uma professora: “Tem que ter muito amor à profissão para vencer os desafios que enfrentamos no dia a dia escolar”. Este momento também é para ser ouvido. Ao pensar sobre o papel do professor houve certa preocupação, pois muitas vezes são pais, psicólogos, tios, etc., considerando que sua função é orientar, conduzir e mediar o conhecimento. Nesse instante buscamos em Rubens Alves3 uma reflexão com a mensagem “Educar”, o qual apresenta dois tipos de educação: a educação das habilidades e a educação da sensibilidade, mostrando que a educação das habilidades não tem sentido 3 Rubem Alves – Cenas da Vida, 1999. sem a sensibilidade. A educação da sensibilidade refere-se ao jeito de “olhar” as coisas do mundo, despertando a alegria de aprender, ver o novo, o encantamento da vida. Também nos reportamos ao poema de Gasparetto4 que reflete sobre a condição humana e o tempo, que os problemas são apenas “o nosso modo de ver e que podemos mudar a partir do nosso poder de crer”. A partir disso, os professores relatam a necessidade de dar-se conta que é importante fazer o seu papel de modo a superar suas expectativas vencendo os obstáculos e desafios com criatividade e vontade. Os professores discutiram sobre as funções administrativas as quais estão atrelados, pontuando um bom entendimento sobre as finalidades, mas observam que muitas pessoas que ocupam esses cargos, muitas vezes, não possuem um preparo adequado, despossuídos de ética e profissionalismo. E, algumas vezes, esses comportamentos interferem na prática pedagógica. Assim, ao analisar o ensino da Geografia, entra-se num dilema, pois se acredita que o contexto atual da sociedade, informatizada e midialógica, não permitem ao aluno uma concentração, levando o ensino da sala de aula a ser maçante para os educandos, que muitas vezes, não se interessam por quase nada. Para Cury (2003) a mídia os seduziu com estímulos rápidos e prontos, tornando-os amantes do fast food emocional, sendo um bombardeio nas mentes jovens. Esse é um desafio a ser vencido todos os dias pelos professores que apontam como perspectiva para sua ação o profissionalismo e a ética, fazendo um trabalho com dedicação, união e otimismo. Lopes (2007) reflete bem sobre isso quando relata que entre geógrafos que se preocupam com o ensino da ciência geográfica na escola básica, e pedagogos, de uma forma geral, é de consenso que a aceleração no ritmo das transformações sociais e tecnológicas atualmente em curso, e que tão bem caracteriza o hoje, acaba por imprimir, no conjunto de saberes necessários à prática docente, um caráter relativamente efêmero e dinâmico. Dentre eles destacam-se Esteve (1999; 1995), Pimenta (1999), Callai (2001), Pontuschka (2001), Enguita, (1998), Nóvoa, (1995; 1998). Essa realidade reivindica um processo de formação perene, no qual saber reinventar sua prática todos os dias é tarefa imprescindível à profissão docente em todas as áreas ou, como afirma Pimenta (1999) apud Lopes (2007), trata-se de “reinventar os saberes pedagógicos a partir da prática social da educação”. 4 Poema de Luiz Antonio A. Gasparetto. Ainda, para Lopes (2007) é preciso renunciar a modelos idealizados de escola, de professores e de alunos, resistindo, portanto, à adoção de modelos ou esquemas apriorísticos que não possuem sustentação social ou uma base real. As transformações ocorridas na escola enquanto instituição social, causadas por, segundo Almeida (2007), um “mundo em pleno desenvolvimento e globalizado, e altamente interconectado, com os processos de mudanças ocorridos ganham dimensões extraterritoriais”. Estas inovações se refletem no processo do ensino-aprendizagem, onde o professor deve buscar utilizá-las para facilitar a apropriação do conhecimento pelos alunos, a partir da utilização de novos recursos didáticos para o ensino. (ALMEIDA, 2007). Assim, Fioreze (2007) contribui comentando que “o professor de Geografia deve ser, acima de tudo, um profissional crítico-reflexivo, que saiba compreender o mundo, identificar situações e posicionar-se com autonomia com base nas concepções da ciência geográfica, ou seja, ter competência teórica e capacidade de reflexão para que possa construir e reconstruir a ação pedagógica”. Em conformidade com isso, o curso de Geografia da Universidade de Passo Fundo em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo desenvolve um trabalho de formação pedagógica junto à rede pública municipal de ensino do município. O objetivo principal é instrumentalizar o grupo de professores no sentido da interação entre o fazer e o saber para que a referida qualificação se alicerce numa prática docente resultante do conhecimento da ciência geográfica e dos respectivos pressupostos teórico-metodológicos, fortalecendo teoricamente os professores para que tenham condições de selecionar temas e metodologias de ensino. Entende-se que os saberes que devem orientar a atividade profissional do professor de Geografia são constituídos, em grande medida, pelo trabalho com atividades pedagógicas específicas desse campo disciplinar. Ou seja, devem estar alicerçados nos conceitos e procedimentos mais importantes e centrais que, de maneira geral, caracterizam a ciência geográfica (Lopes, 2007). Para essa consolidação de saberes, são realizados encontros mensais com todos os professores da rede municipal. Esses encontros foram sistematizados a partir de um cronograma estabelecido pelo Setor Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação. Acontecendo em dias alternados da semana para facilitar a participação de todos os professores, até mesmo, os que possuem vínculo com outras instituições. OS ENCONTROS: reflexão sobre a prática dos saberes geográficos Dentro da sistemática e dinâmica do Programa de Formação Continuada de Professores proposto pela Secretaria Municipal de Educação foram efetivados sete subprogramas, dentre os quais, destaca-se o “(Re)significando Saberes no Ensino Fundamental”, o qual pertence o grupo de professores de Geografia. A partir de um cronograma elaborado no inicio do ano, os encontros foram preparados e organizados com a assessoria dos professores vinculados ao projeto de extensão “A Geografia no Ensino Fundamental: saberes e práticas para a formação continuada de professores”, desenvolvido pelo Curso de Geografia do Instituto de Ciências Exatas e Geociências da Universidade de Passo Fundo. No primeiro encontro, após a reflexão acerca da prática pedagógica realizada nas escolas pelos professores de Geografia foi realizado um levantamento através de uma listagem dos conteúdos básicos do referencial curricular de Geografia para pontuar as principais dificuldades de cada conteúdo proposto para cada ano/série, com as prerrogativas “ontem, hoje e amanhã”. Cada professor apontou segundo seu grau de dificuldade por conteúdo desenvolvido por série, quando “amanhã” significa não prioritário para estudo, o “hoje” demonstra que o assunto é importante, já o “ontem” sugere uma necessidade na retomada desse conhecimento. Através desse levantamento das dificuldades teórico-metodológicos na construção do conhecimento geográfico obteve-se um panorama das principais anos/séries que requerem maior atenção, que foram o 6° ano (5ª série) e o 9º ano (8ª série), portanto são as séries foco do planejamento do ano de 2009 para vencer esse desafio da prática pedagógica. As figuras que seguem esquematizam esse levantamento. A figura 1 demonstra que os professores que trabalham com o 6º ano (5ª série) apontam como foco principal para o desenvolvimento de metodologias para se trabalhar com a temática cartografia em especial, principalmente as questões: orientação, coordenadas geográficas, leitura de mapas e representação espacial. É importante destacar que para a definição do foco de interesse, os professores usaram como critério o grau de urgência. Nesses dados que se mostra o grau de urgência era “pra ontem”. Apropriação da Natureza e a construção do espaço hiatórico-social - 6º ano 5ª série Foco de interesses critério = ontem Atividades produtivas e relações com o espaço Leitura de Mapas/Representação Espacial 1 Orientação e Coordenadas Geográficas 0 5 10 Origem do Universo/Estrutura e representação da Terra 15 Figura 1. Dificuldades teórico-metodológicos na construção do conhecimento geográfico. Fonte: Levantamento realizado junto aos professores participantes da formação continuada que lecionam na 5ª série/6º ano. A figura 2 mostra que os professores que trabalham com o 7º ano (6ª série) apontam como foco principal para o desenvolvimento de metodologias para se trabalhar com regionalização e microrregiões. Foco de interesse critério = ontem Processo de construção do espaço geográfico brasileiro - 7º ano 6ª série Regionalização e as Macrorregiões 1 5,5 Espaço brasileiro: território e população 6 6,5 7 Figura 2. Dificuldades teórico-metodológicos na construção do conhecimento geográfico. Fonte: Levantamento realizado junto aos professores participantes da formação continuada que lecionam na 6ª série/7º ano. A figura 3 representa o foco principal apontado pelos professores que lecionam no 8º ano (7ª série) para trabalhar com as seguintes questões: espaço geográfico africano, espaço geográfico mundial (ações naturais e sociais) e espaço geográfico americano. Foco de interesse critério = ontem Processo de construção do espaço geográfico no contexto de desenvolvimento e suddesenvolvimento e subdesenvolvimento - 8º ano 7ª série Espaço geográfico africano Espaço geográfico americano 1 Espaço geográfico mundial ações naturais e sociais 0 2 4 6 8 Figura 3. Dificuldades teórico-metodológicos na construção do conhecimento geográfico. Fonte: Levantamento realizado junto aos professores participantes da formação continuada que lecionam no 8º ano/ 7ª série. Na figura 4 verifica-se a necessidade multifocada, pois como se observa na figura que os professores elegem praticamente todos os conteúdos desenvolvidos no 9º ano (8ª série) como prioridade para desenvolver metodologias que facilitem o trabalho em sala de aula. foco de interesse - critério = ontem A regionalização do mundo globalizado Oceania e regiões polares Rússsia e CEI Espaço geográfico asiático 1 Europa Organização do espaço e sociedade globalizada 0 2 4 6 8 10 Figura 4. Dificuldades teórico-metodológicos na construção do conhecimento geográfico. Fonte: Levantamento realizado junto aos professores participantes da formação continuada que lecionam no 9º ano/ 8ª série. Também foram discutidas e relatadas as possibilidades de desenvolvimento dos encontros posteriores, de acordo com os interesses dos professores de Geografia, que estabeleceram o seguinte: 1º lugar – Oficinas (aulas práticas); 2º lugar – Construção de maquetes; 3º lugar – Cartografia básica; 4º lugar – Trabalho de campo; 5º lugar – Documentários e Palestras. A partir disso, buscou-se discutir metodologias que possibilitassem a exploração dos conteúdos, re-significando os saberes geográficos, uma vez que a preocupação geral dos professores, também é tornar suas aulas mais atrativas para os educandos, que, consequentemente, serão mais participativos. Nesse sentido, a proposta inicia com a definição das temáticas consideradas necessárias pelos docentes para o desenvolvimento de práticas pedagógicas eficientes. A partir desses interesses, definiram-se metodologias, em forma de oficinas temáticas. A cada encontro, uma oficina temática é realizada com a assessoria dos professores do Curso de Geografia da Universidade de Passo Fundo. AS OFICINAS As oficinas têm como objetivo principal a extração de potencialidades de aprendizagem, trabalhando o raciocínio com a reflexão, aglutinando a teoria e a prática, fazendo relações entre construir e reconstruir conceitos específicos da ciência geográfica. Para a consecução de tal objetivo, deverão ser privilegiadas, do ponto de vista metodológico, ações que favoreçam ao educando constituir-se sujeito da história e do seu próprio conhecimento. Para tanto, será eleito o espaço de vivência cotidiana como ponto de partida para que o estudante compreenda o processo de apropriação e construção do espaço e proceda a sua elaboração conceitual, pois, conforme Cavalcanti (2002), “os conceitos geográficos são instrumentos básicos para a leitura do mundo do ponto de vista geográfico”. Por outro lado, é no espaço próximo, vivido, que o estudante tem condições de exercer a cidadania ao poder atuar e inserir-se em ações coletivas aplicando conteúdos valorativos. Ao elegermos a construção de conhecimentos, pressupomos, também, que atividades como observação, estudo do meio, investigações, relatórios, exposições e debates devam fazer parte do cotidiano escolar, aliadas não só à utilização de recursos tradicionalmente disponibilizados, mas também a fontes alternativas, consideradas não formais. (SME, 2008). Para isso é necessário aprofundar os conceitos geográficos que possibilitem uma organização metodológica com clareza dos princípios da construção do processo de fazer educação pelos formadores. Nesta perspectiva organizou-se um cronograma de estudo de ferramentas para auxiliar no ensino da geografia, que serão relacionados resumidamente a seguir. O trabalho de campo O trabalho de campo é um dos recursos que o professor pode utilizar-se para tornar a aprendizagem da geografia não só mais “legal” ou descontraída para os alunos como também mais significativa. Esta oficina temática ressalta a importância da teoria e prática com o mesmo nível de importância. Durante as oficinas o ambiente criado é de trocas entre os professores. Com isso, acrescentam-se conhecimentos, estimula-se e contagia-se o grupo quanto às novas experiências. Dentre várias técnicas utilizadas no ensino de Geografia, o trabalho de campo é uma atividade de grande importância para a compreensão e leitura do espaço, possibilitando o estreitamento da relação entre a teoria e a prática, contribui, também, para a integração dos aspectos da geografia física e da geografia humana, o que é importante para uma visão ampla do objeto a ser investigado. O bom aproveitamento do trabalho de campo também perpassa pela atitude do professor de motivar e despertar o interesse dos alunos, discutindo e fazendo perguntas que agucem a curiosidade, de tal forma que eles sintam a importância e a necessidade dessa atividade como complementação dos estudos de sala de aula. O trabalho de campo permite um desdobramento em outras atividades pedagógicas que podem ser desenvolvidas em sala de aula ou em outras situações de campo como os mapas temáticos, os croquis, o desenho e produções textuais. Essa metodologia permite variadas atividades como: estudo do entorno da escola a partir de uma caminhada ao seu redor, com posterior confecção do desenho do mesmo; uso dos mapas dos bairros e do entorno da escola para a identificação de ruas, para a localização e traçado do trajeto casa-escola; trabalho de campo com os alunos seguindo um trajeto da escola até as nascentes de um córrego, dentre outras. Cartografia básica: uso da maquete para noções de espaço geográfico Em consonância com o levantamento realizado no primeiro encontro de formação com os professores de Geografia, pensar e rever as noções de espaço através da cartografia básica através da construção de maquetes bidimensionais, tridimensionais, realizando, também, o confronto entre o aprendido no Curso Superior e a prática de sala de aula, além do aprofundamento de determinados conceitos utilizados especificamente pela Ciência Geográfica. A construção do conhecimento geográfico se efetiva por meio da sistematização da noção de espaço, que se processa em três níveis de compreensão: do vivido, do percebido e do concebido, simultaneamente. Além disso, o saber geográfico se assenta em conteúdos e conceitos básicos como localização, orientação, distribuição e representação dos fenômenos sócio-naturais, paisagem, lugar, região, limites e território. Por outro lado, a alfabetização cartográfica, num primeiro momento, e a interpretação e representação cartográfica, que instrumentalizam o estudante para ser, em primeira instância, mapeador ativo (alguém que constrói seus mapas) e, assim, o leitor de mapas feitos por cartógrafos, são instâncias e recursos que direcionam as ações pedagógicas no ensino de Geografia. (CASTROGIOVANI, 2006). A responsabilidade de se fazer com que o aluno reflita sobre o espaço onde está inserido recai sobre o professor, que deve estar sempre atendo às organizações dos lugares de origem dos educandos. A origem não transpõe somente as questões do ambiente, características necessárias levantadas através de observações mais simplórias. Ela supõe a ambiência, isto é, relações e interações indispensáveis, fruto do envolvimento, fruto do desenvolvimento. A construção de maquete varia conforme o objetivo da aula pode ser utilizado como ferramenta multidisciplinar, podendo explorar material reciclável trabalhando conteúdo relacionado com o Meio Ambiente, podendo agregar a Geometria, relevo, proporções, escalas, entre outras. A representação em maquete pode ter rigor cartográfico ou não, podem construir diferentes temáticas de lugares, dando a abertura de leituras, auxiliando na compreensão do espaço, ou seja, lugar vivido do aluno. Essa ferramenta possui elementos que estimulam o gosto pelo mapa, abre espaço para o interesse do aluno e um “prato cheio” para professor relacionar com conceitos específicos de Geografia. Música: atração e interação dos alunos O uso da música na prática metodológica do ensino de Geografia em sala de aula cria situações em que o aluno se sinta atraído pelas propostas do professor e, ao mesmo tempo seguro para expor suas impressões sobre temas outrora “indigestos”. (OLIVEIRA et al., 2005). Segundo Oliveira et al. (2005) o “desafio e as dificuldades de transformar as aulas de Geografia em um instrumento capaz de despertar o senso crítico dos alunos, algo imprescindível à sua formação cidadã”. Sabe-se que “os meios de comunicação tomados como um complemento metodológico pode constituir-se em um instrumento facilitador na superação de algumas barreiras do processo ensino-aprendizagem”. Diante disso, se propõe a utilização da música como atividade complementar para auxiliar na “atração/interação dos/com os educandos nas discussões em sala de aula”. (OLIVEIRA et al., 2005). Percebe-se que o repertório musical brasileiro abrange diferentes temáticas que podem ser discutidas e aprofundadas a partir da mensagem transmitida pela musica, buscando o estímulo e desenvolvimento do raciocínio, da criatividade e do pensamento crítico dos educandos. Portanto, o uso da música no ensino da Geografia é um recurso que cumpre o seu papel enquanto instrumento de liberdade de expressão social, na medida em que discute temas atuais do cotidiano, tornando-o significativo no processo ensinoaprendizagem. Cinema como mídia educacional Um filme pode servir como um elemento de triangulação que facilite o contato entre o aluno e o conteúdo, servindo como ponte de significado e auxiliando a aprendizagem, podendo ser ocupado com inúmeros elementos: imagens, músicas, jogos, poesia, passeios, etc. (CAMPOS, 2006). É notório o efeito positivo da utilização dos filmes, principalmente, pela familiaridade da linguagem cinematográfica. Isso se deve a maioria das crianças de hoje foi criada diante da televisão. Outra vantagem dos filmes é a facilidade de identificação dos educandos coma história e com as personagens, pois são muitos os exemplos de histórias de adolescentes e crianças. Oscar Wilde dizia que a vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida. O importante é perceber que o filme deve facilitar a triangulação entre adolescente/crianças, professor e o conteúdo estudado, como elemento de apoio. (MEDEIROS, [s/d]). Filmes sempre têm algo a dizer, mesmo os que, aparentemente, não dizem nada, ao menos, aos olhos desatentos. Não é fácil encontrar um filme que mostre explicitamente ações que possam ser interpretadas e diretamente conectadas aos temas em discussão em sala de aula, mas, por outro lado, não são poucos os filmes que usam um pano de fundo extremamente geográfico para contextualização da história. Lembrando que nenhuma ação humana está desvinculada no espaço e alheias ao seu entorno, portanto, quase tudo permite uma interpretação espacial. Pensar sobre essas noções de espaço pressupõe considerar a compreensão subjetiva da paisagem como lugar ganhando significados por aqueles que vivem, constroem e reconstroem essas paisagens, que são os seus espaços de vivência. As percepções que os indivíduos, grupos ou sociedades têm do lugar nos quais se encontram e as relações singulares que com eles estabelecem, fazem parte do processo de construção das representações de imagens do mundo e do espaço geográfico. As percepções, as vivências e a memória dos indivíduos e dos grupos sociais são, portanto, elementos importantes na construção do saber geográfico. A escolha do filme permite mostrar que a Geografia pode ser muito mais do que os livros nos mostram, desenvolvendo no educando a mudança na forma de perceber o mundo podendo ver a Geografia que há por trás de coisas que os cercam. Outra vantagem é a materialização do desconhecido possibilitando a visualização de regiões longínquas, com situações difíceis de serem vividas. Contudo, a utilização do cinema depende da habilidade e sensibilidade do professor na escolha e transposição didática e, também, do seu olhar geográfico na exploração do instrumento e na construção das aulas. No entanto, é indiscutível o uso do cinema como facilitador na relação professor/alunos e apoio pedagógico. História em quadrinhos A alfabetização na linguagem dos desenhos em quadrinhos exige do educando a decodificação das múltiplas mensagens presente neles, constituindo-se numa narrativa composta entre o visual e o verbal, facilitando a comunicação descontraída, pois desafia a observação e contextualização dos fatos evidenciados. (TUSSI, 2008). Esse instrumento é amplamente utilizado para todas as faixas etárias e em diferentes situações, complementando conteúdos pela facilidade de sua linguagem e de suas histórias contextualizadas no cotidiano. O jornal: trabalhando o cotidiano O interesse em levar a informação do jornal para a sala de aula como um recurso pedagógico vem crescendo nos últimos tempos, pois permite desenvolver temas atuais complementando e atualizando textos dos livros didáticos. Por ser um veículo de comunicação pouco lido pelos jovens estudantes, deve merecer atenção espacial na seleção/utilização para torná-lo um recurso eficiente e agradável. Para a utilização desse recurso o professor deve dar significado aos temas veiculando as informações/notícias transformando em conhecimento geográfico, cuidando a adequação à faixa etária e a relação com o conteúdo. A telenovela A teledramaturgia brasileira é vendida até para o exterior, e é campeão de audiência no Brasil, então, porque não utilizá-la como recursos para assuntos polêmicos e atuais. Dependendo a novela, relaciona história, cultura, religiosidade, diferenças regionais entre outros assuntos que podem ser evidenciados na tela da televisão. Apesar de ser ficção, coloca em evidencia uma realidade próxima do dia-a-dia. Embora seja uma ferramenta polêmica, pois existe uma preocupação no sentido do uso que se faz das telenovelas pela mídia, ditando moda, estilos de vida, consumismo, entre outros pontos, ditos como negativos, podendo também ser utilizado para discussões a serem mediadas pelo professor. O professor deve tomar alguns cuidados, pois, deve estar preparado para não se tornar o “moralista” e sim o educador que deve transformar “o limão numa limonada”. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os professores participantes dos Encontros de Formação Continuada de Geografia têm o compromisso de fazer a aplicação na sua realidade, como um “contrato pedagógico” das reflexões e estudos realizados. Além disso, o resultado das experiências trocadas e apreendidas pelos professores faz parte de um seminário no final do ano, onde serão socializadas suas práticas pedagógicas aos acadêmicos do curso de Geografia da Universidade de Passo Fundo. Essa idéia torna-se interessante à medida que, os professores mostrarão a prática realizada nas escolas públicas, mostrando possibilidades e limites aos futuros professores, os acadêmicos da Geografia, que irão confrontar o conhecimento adquirido ao longo do curso com a realidade enfrentada pelos docentes da rede pública. BIBLIOGRAFIAS: ALMEIDA, Aline Souza, et al.. A qualidade do ensino de geociências no ensino fundamental e médio em Feira de Santana – BA: primeiras observações. VI Encontro Nacional de Ensino de Geografia. ANAIS. Uberlândia, MG, 2007. CAMPOS, Rui Ribeiro de. Cinema, Geografia e Sala de Aula. Estudos Geográficos. Rio Claro, n.4, p. 1-22, junho, 2006. CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (Org). Ensino de geografia: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre: Mediação, 2006. CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia e práticas de ensino. Goiânia: Alternativa, 2002. FIOREZE, Zélia Guareschi. Formação Continuada em Geografia: uma experiência com professores da rede municipal de Passo Fundo – RS. VI Encontro Nacional de Ensino de Geografia. ANAIS. Uberlândia, MG, 2007. LOPES, Claudivan Sanches. Os saberes do professor de geografia: algumas reflexões. VI Encontro Nacional de Ensino de Geografia. ANAIS. Uberlândia, MG, 2007. MEDEIROS, Rosa Maria Vieira. Tutora. Cinema: um facilitador da prática pedagógica em Geografia.. Programa de Educação Tutorial. Geografia, UFRGS, [s/d]. OLIVEIRA, Hélio Carlos Miranda de, SILVA, Marcelo Gonçalves de, NETO, Aristóteles Teobaldo, VLACH, Vânia Rubia Farias. A música como um recurso alternativo nas práticas educativas em Geogragia: Algumas reflexões. Caminhos da Geografia, n. 8, p. 73-81, jun. 2005. SME. Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo. Referencial Curricular do Ensino Fundamental. Prefeitura de Passo Fundo, 2008. SME. Secretaria Municipal de Educação de Passo Fundo. Programa de Formação Continuada – Práticas Pedagógicas. 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