UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS GRADUAÇÃO “LATO SENSU” A INFLUÊNCIA DO MARKETING NA OPERAÇÃO DE RESTAURANTE Nome: Naimara Silva Brito Orientador: Prof. Sergio Mayerowicz Niterói, 04 de Agosto de 2007. UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES 2 PÓS GRADUAÇÃO “ LATO SENSU” INSTITUTO A VEZ DO MESTRE A INFLUÊNCIA DO MARKETING NA OPERAÇÃO DE RESTAURANTE Objetivo: O Objetivo desse projeto é descobrir os passos necessários para um restaurante se tornar sucesso. Aluna: Naimara Silva Brito Curso: Pós-Graduação em Marketing um empreendimento de 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos que, direta e indiretamente, contribuíram para a elaboração desse projeto acadêmico. 4 DEDICATÓRIA Dedico esse projeto a minha mãe, pelo incentivo e compreensão quando a distância se torna necessária. RESUMO 5 O marketing influencia a vida útil de um restaurante porque ele é uma ferramenta decisiva para aumentar a clientela de qualquer empreendimento. Ele deve estar presente em todos os setores do negócio. O marketing é o processo de planejar e executar a criação, promoção, distribuição e definição de preços de produtos e serviços, para gerar vendas que resultem em satisfação das necessidades e desejos do público-alvo e o alcance dos objetivos estratégicos da empresa. Não é uma tarefa simples conseguir manter um restaurante no mercado, é preciso bastante atenção aos detalhes e ao produto, seu preparo, a forma de servir, o pessoal, seu treinamento, o equipamento de cozinha, sua manutenção e uso adequado, o asseio das pessoas e a higiene do local. METODOLOGIA Para a realização deste projeto, foi necessário pesquisas 6 em livros, revistas e o contato pessoal em alguns empreendimentos. SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I 9 A HISTÓRIA CAPÍTULO II 14 RESTAURANTES E PÚBLICOS CAPÍTULO III 21 A FILOSOFIA CERTA CAPÍTULO IV 29 OS QUATROS PS CONCLUSÃO 37 BIBLIOGRAFIA 38 INTRODUÇÃO “Os restaurantes são uma das formas primárias com que abastecemos nossos corpos, exercemos 8 nossa vida social, gastamos nosso dinheiro, aprendemos sobre o mundo e conduzimos nossos negócios.” (Phyllis Richman, crítico de comida do Washington Post) Os restaurantes representam um papel importante em nosso estilo de vida. Comer fora é uma das atividades sociais favoritas. Todos precisam comer. Assim desfrutar de uma boa comida e saborear um bom vinho na companhia da família e dos amigos em um ambiente agradável é um dos prazeres da vida. “Restaurantes são locais onde o público vai para se refazer, tanto nutritiva, quanto psicologicamente”. (WALKER, John R, LUNDBERG Donald E. O Restaurante: conceito e operação, 2003, p. 27) É lamentável entrar em um restaurante e ser mal atendido, demora no pedido e se alimentar de uma comida mal feita. Alguns restaurantes conseguem se manter na linha certa do sucesso e outros não. Sendo o marketing uma ferramenta importante para o sucesso de qualquer negócio, surgiu o forte desejo da criação de um projeto como esse. Estudar o marketing para restaurante. Saber a Influência do Marketing na Operação de Restaurante. CAPÍTULO I A HISTÓRIA 9 O marketing era adotado desde a Antiguidade entre sumérios e egípcios. Gregos, romanos e fenícios também comercializavam intensamente, alimentos, armas e escravos, divulgando e valorizando seus produtos. Os romanos declararam guerra a Cartago, em meados do século III a.C., para disputar minas , territórios, controlar o mar Mediterrâneo e conquistar consumidores para seus produtos. Entre os séculos V e XV, o comércio entre as nações diminuiu, ganhando caráter regional. O comércio só voltou a se intensificar com o Renascimento e as viagens oceânicas, que resultaram inclusive no descobrimento do Brasil. Foi conseqüência da procura de especiarias do Oriente, o que levou os governos da Europa a mandarem frotas de caravelas para além-mar. As reformas religiosas encetadas por Lutero e Calvino deram impulso de que o comércio necessitava. Combatiam o dogma cristão de que o lucro era pecado e estimulavam o trabalho, a poupança e a prosperidade. As novas concepções religiosas criaram nos paises do norte da Europa um cenário propício para o desenvolvimento econômico. Com o capitalismo, quando os bens fabricados passaram a adquirir caráter de mercadoria, a venda e o lucro tornaram-se os objetivos máximo de empresas, comunidades e indivíduos envolvidos na produção. Com o passar do tempo, grandes companhias passaram a fabricar itens cada vez mais sofisticados, entregues a hábeis vendedores cuja função era negociá-los com intermediários ou consumidores finais. Exagerando, dizia-se que bom vendedor era aquele que fazia “esquimós comprarem gelo”. No início do século XX, por volta dos anos 20 e 30, o marketing já era sinônimo de mercado nos Estados Unidos. Usavase o termo principalmente para agricultura, um dos setores mais fortes da economia americana. Nos anos 40, houve um salto na economia, promoções de vendas entraram em voga, associados 10 ao marketing. 1.1 - O Restaurante Segundo o "Furetière" e o "Dictionnaire de l’Academie Française", Restaurant" era uma sopa. Um caldo de carne revigorante, feito para pessoas debilitadas ou fracas do peito. Eram preparadas até com com pedras preciosas. Nas novas casas 11 especializadas em servir o consomé, as pessoas que sentiam fraqueza poderiam comer tranqüilamente. Durante o Antigo Regime, as possibilidades de comer fora do ambiente doméstico eram limitadas. Além das tabernas, entre os estabelecimentos que precederam os restaurantes havia os hotéis e as pensões. Nos hotéis particulares, os visitantes tinham de pagar um valor muito mais alto para se sentar à "table d’hôte", expressão que pode ser traduzida como mesa do anfitrião. Nesses locais, infelizmente o hóspede ou comensal não tinha direito à escolha de cardápio e deveria se adaptar às normas da casa. Os horários das refeições eram rígidos e todos comiam juntos. O criador do “paraíso dos gulosos”, como definiu Brillat-Savarin, foi Marthurin Roze de Chantoiseau. Figura lendária em sua época, era filho de um rico proprietário de terras e mercador que foi morar em Paris no início da década de 1760. Ao mesmo tempo em que planejava uma série de esquemas capazes de enriquecer a França, combalida por sua dívida interna, em 1765 abriu as portas do primeiro restaurante. Essa informação é diferente de todas as outras publicadas até então por especialistas e historiadores franceses. Jean-Louis Flandrin, em "História da Alimentação", por exemplo, diz que um padeiro dito Champ d’Oiseaux começou a vender perto do Louvre os tais caldinhos para debilitados em 1765. Flandrin também dava conta da existência de Champ d’Oiseaux em "Historie de la Cuisine Française", organizado por Henriette Parienté e Geneviève Ternant, mas que não tem tradução brasileira. Rebecca Spang assegura que ao abrir o primeiro estabelecimento, Roze via no restaurante uma possibilidade de circular dinheiro, que ajudaria a melhorar a situação econômica francesa. Independentemente de quem foi o precursor, os restaurantes começaram a se multiplicar. Ainda que sob protestos dos traiteurs, os restaurantes ampliaram suas vendas. 12 Passaram a incluir no cardápio, mingau de aveia bretão, creme de arroz aromatizado com flor de laranjeira e queijos cremosos. Os donos de restaurantes tinham uma vantagem sobre as guildas: não integravam nenhuma federação, o único caso entre os profissionais ligados à alimentação. Na passagem do século XVIII para o XIX, cresce significativamente o número de restaurante e se amplia ainda mais a oferta de pratos e as sopas se tornaram apenas um detalhe na infinidade de itens oferecidos. Com o final do Antigo Regime, multiplicou-se o número de cozinheiros disponíveis. Chefs de cozinha que trabalhavam para nobres buscaram se estabelecer em Paris. Antoine Beauvilliers, um dos mais famosos restaurateurs do início século XIX, veio da cozinha da nobreza, veio da casa do irmão do futuro rei Luís XVIII. Este foi durante muito tempo o restaurante preferido de Brillat-Savarin . 1.2 - Quase Exclusivamente Parisiense Em 1815 havia raríssimos restaurantes fora da capital francesa. Eles eram um fenômeno quase exclusivamente parisiense. Um livro oficial de negócios registrava apenas quatro restaurantes em Bordeaux. Em 1844, John Durbin, reitor do Dickinson College, 13 escreveu que jantar em um restaurante era "em muitos aspectos uma coisa peculiar de Paris", diferente de tudo que ele havia experimentado ou visto em Nova York, Filadélfia ou Londres. Em Paris, os restaurantes ofereciam um serviço diferenciado. A clientela desfrutava de um atendimento personalizado. As refeições eram completamente diferentes das dos hotéis, estalagens e tabernas. A princípio nos restaurantes os produtos tinham preço fixo. Mas esse conceito mudou com os cardápios, que passaram a indicar o preço dos pratos. Assim, o comensal poderia delimitar claramente suas despesas e escolher apenas aquilo que realmente tivesse vontade de comer. As refeições passaram a ser saboreadas a qualquer hora do dia. E o paladar pôde finalmente ser valorizado por diferentes classes sociais. CAPÍTULO II RESTAURANTES E PÚBLICOS Existem vários tipos diferentes de restaurantes: ele pode ser do tipo informal, casual ou temático. Pode representar status, parecer cultural e luxuoso. Pode ser também animado e simpático, formal e cerimonioso, ou conservador. Os restaurantes que eram na maioria bem simples, nos 14 anos de 1970, hoje em dia, são construídos dentro de um conceito para causar impacto nos clientes. Pode-se dizer que um restaurante temático é um exemplo de ambiente de impacto. O tema emprega cores, sons, luzes, decoração, textura e preparação visual para criar efeitos especiais. Mas, não pode se esquecer que a vida útil de um tema pode durar poucos anos. O ambiente deve ser apropriado ao público-alvo. > Públicos Os públicos podem ser definidos de acordo com as refeições servidas. Certas comidas atraem grupos particulares de pessoas. Existe o público, do frango frito, da carne bovina grelhada, do hambúrguer, da comida natural e outras. Também, tem aqueles que apreciam comidas típicas: japonesa, mexicana, inglesa, chinesa, francesa, italiana, e assim por diante. Alguns restaurantes podem atingir todos os públicos, outros, apenas um, em particular. Os preços nos restaurantes geralmente excluem o público de menor poder aquisitivo, exceto em ocasiões especiais. O restaurante caro escolhe o seu público. Aquelas pessoas com mania de gourmet e as que gostam de reforçar sua imagem, aparecendo e divertindo-se em um lugar elegante pode ser um exemplo. Cada público de restaurante possui uma dimensão econômica: renda baixa, média ou alta. Geralmente o público acima dos 50 anos, particularmente deseja beber vinho e saborear levemente as refeições. Cada restaurante atrai um mercado, ou mercados, em particular, dependendo do seu conceito, da sua localização e da disponibilidade de vários outros itens. Os restaurantes de hambúrgueres, de cardápio completo e de frango dependem de um público com renda mais alta, prestando atendimento a grupos de renda diversificada. Os grupos de 15 baixa renda costumam freqüentar restaurantes de hambúrguer, de frango ou restaurantes de centros comerciais. Dificilmente encontrará um restaurante goumet em uma comunidade. Poucos clientes desejam pagar o preço. Dizem que gourmet é aquela pessoa que quando convidada para saborear uma refeição com vinho e música, costumam antes perguntar sobre o tipo de comida e vinho. E o ouvido pode custar mais que a refeição. 2.1 – Segmentação Qualquer tipo de empreendimento necessita de um segmento de mercado. Um segmento de mercado é um grupo de pessoas ou organizações que compartilham características importantes para definir suas necessidades e desejos em relação aos produtos e serviços ofertados. Todos os clientes reais e potenciais devem ser 16 segmentados em grupos que têm características similares. Nesses grupos estão inclusos os públicos-alvo, que se identificam como os melhores para um restaurante atender. A segmentação do mercado e o estabelecimento de públicos-alvo são o enfoque do marketing, para produzir máxima efetividade. 2.1.1 - Segmentações Típicas: - Geográfica: país, estado/ província, distrito, cidade, bairro. - Demográfica: idade, sexo, ciclo de vida familiar, renda , profissão, educação, religião e raça. - Comportamento: razões, benefícios procurados, status do usuário, taxas de utilização, fidelidade, nível de preparo do comprador. 17 2.1.2 - Público – alvo Todo restaurante deve identificar o seu público-alvo para atender corretamete as necessidade e desejos de seu cliente. Ele precisa saber se o seu público é o executivo, o viajante, o turista , um morador do bairro ou um pouco de todos eles. Uma vez identificado o seu público alvo, é importante posicionar o restaurante diferentemente da concorrência e utilizar a propaganda e as mensagens promocionais adequadas. 18 2.1.3 – Modelo Os restaurantes McDonald’s atraem as crianças e os adolescentes; esses grupos por sua vez, trazem seus pais. O público poderia ser descrito como do tipo familiar-jovem. O McDonald’s já está atendendo público mais maduro e até incluindo-o em suas propagandas. O Wendy’s enxergou uma lacuna no mercado de hambúrgueres. Grupo de idade superior aos do McDonald’s. O Carl’s Jr. também alcança o público mais velho que aprecia hambúrgueres. Os assentos, em alguns restaurantes, já apresentam um estilo mais próximo de coffee shop, com banquetas e poltronas macias. A 19 propaganda, por si própria, ajuda a determinar o mercado. TGI Friday’s atrai um público mais jovem, mais abonado do que o mercado médio tradicional. Um restaurante francês de alto estilo atrai os que gostam de mudar, de ver acontecer e de se aventurar. Os restaurantes étnicos abrangem públicos de todas as idades e níveis econômicos. Um restaurante mexicano, em particular, poderá atingir o topo da economia, enquanto outro restaurante, também mexicano, pode atingir a outra extremidade. O público dos Coffee shops é diferente: alguns atraem o público de maiores possibilidades financeiras; outros, os de menos poder econômico. Dependendo do local, um coffee shop pode atingir vários públicos. Quando um restaurante conhece o seu público alvo, fica mais fácil de se tornar um empreendimento de sucesso. As estratégias são desenvolvidas de acordo com o seu cliente. 2.1.4 - Posicionamento O posicionamento é à percepção que a empresa deseja que o mercado tenha em relação a ela, seus produtos e suas marcas. O segredo para o posicionamento de um restaurante é saber como os clientes percebem o mesmo. 20 CAPÍTULO III A FILOSOFIA CERTA O marketing tem grande influência na vida útil de um restaurante. Restaurante algum conseguiria sobreviver sem ele. “Marketing é o processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação, oferta e troca de produtos de valor”. (RIBEIRO, Áurea; FLEURY Ângela. Marketing e Serviço. São Paulo, 2006, p.6) O marketing é, antes de tudo, uma filosofia, uma atitude, uma orientação do negócio em que a satisfação do cliente é considerada o principal objetivo a ser cumprido. A organização desenvolve 21 processos e disponibiliza recursos para criar e entregar valor aos clientes. O marketing de restaurante baseia-se na filosofia que padroniza a forma como uma administração de um negócio considera os clientes, funcionários, distribuidores e o público geral, em termos de justiça, honestidade e conduta, necessários para a ética e a moral do empreendimento. Seguindo a filosofia do marketing, suas técnicas e práticas incluem os esforços da administração para satisfazer um determinado grupo de pessoas (público-alvo), no que diz respeito às suas expectativas em relação à comida, serviço, preços e ambiente. O marketing apura o que os clientes desejam e tenta satisfazê-los, mantendo a lucratividade do negócio; sugere que o futuro administrador se questione: “Quem serão os meus clientes? Por que eles escolherão o meu restaurante? De onde virão e por que retornarão?” O marketing pressupõe que os clientes mudam, que eles queiram novos cardápios, novos ambientes, e às vezes, novos serviços; recomenda aos administradores que contem com as instabilidades do mercado e repensem seu restaurante para acompanhar essas mudanças. 3.1 – Um Erro Estratégico É um grande erro estratégico utilizar o marketing com uma mentalidade de vendas. O marketing enfoca as necessidades do comprador; as vendas enfocam as necessidades do vendedor. As vendas são partes do marketing. Os esforços de vendas são as atividades que estimulam o cliente a querer o que o restaurante oferece. A venda é geralmente vista como a ação dos 22 funcionários do restaurante influenciando os clientes, após eles terem adentrado o restaurante. A venda existe quando o vendedor pensa apenas na sua necessidade, ou seja, apontando um item no cardápio para o cliente. Com essa mentalidade, poucos clientes retornarão ao restaurante. Intimamente relacionados às vendas estão as promoções, a propaganda e as relações públicas. Os três fatores possuem objetivos iguais. Os anúncios são assimilados por meio dos jornais, rádio, TV e similares. As relações públicas são as técnicas desenvolvidas para fazer o público gostar do restaurante sem os recursos da propaganda. 3.2 – Conceito e Serviço de Marketing Todo restaurante representa um conceito e projeta uma impressão ou uma imagem própria. A imagem atraia um certo mercado – crianças, casais pessoas que celebram ocasiões especiais, tipos divertidos, gente procurando algo formal ou casual. O conceito deverá adequar-se ao local e alcança-se seu(s) público(s)-alvo. Ao planejar um conceito de um restaurante, devemos pensar no cardápio na decoração e principalmente na 23 localização. “Um restaurante precisa estar localizado num bairro com alma. Uma região decadente pode até ser restaurada, mas não há o que fazer num lugar sem alma.” ( Danny Meyer) O empresário americano Danny Mayer dono de 11 restaurantes diferentes em Nova york, e todos na disputadíssima Manhattan, ao abrir o primeiro negócio fez questão de que os arredores oferecessem algo de que ele não abre mão – contexto. Para ele mais vale se instalar num bairro decadente, mas genuíno, com história e personalidade, do que num bairro moderno, mas sem alma, mesmo que seja frequentado por pessoas de alto poder aquisitivo. O conceito compreende tudo aquilo que afeta a forma como os clientes olham para o restaurante: as relações publicas, a propaganda as promoções e a própria administração. O conceito abrange a percepção total do publico sobre o restaurante. Incluemse aí o prédio, seu apelo de vitrine e sua apresentação exterior. O restaurante é convidativo ou tem a aparência descuidada e suja? A decoração, o cardápio e o estilo da gerência são parte do conceito, que inclui a personalidade do proprietário, a aparência da equipe de atendimento, a música o estilo do lugar. São particularmente importantes, o cardápio, a comida e sua apresentação. As placas indicativas, o logotipo, as cores os estofados e as luzes também são aspectos do conceito. A música adequada também reforça o conceito. Quando o conceito e a imagem perdem a atração, ele deve ser completamente modificado. Se o restaurante começa a desgastar sua imagem, é preciso desenvolver um novo conceito. As vezes é necessário modificar as cores, a mobília, talvez até acrescentando vitrines com jardins, pendurando plantas, colocando mesas reservadas, uniformes diferentes ou novos itens no 24 cardápio, tudo isso para adaptar-se melhor ao público. 3. 3 – NÍVEL DE SERVIÇOS OFERECIDOS “Uma empresa líder não deve ter como objetivo cobrir o mercado todo, mas segurar o cliente conquistado”. (Francisco consultor da Madia Mundo Marketing) Antes de investir na conquista de novos consumidores, é necessário fazer de tudo para que os atuais não migrem para a concorrência, para isso é indispensável deixá-los encantados com a qualidade do atendimento. No restaurante o cliente paga não somente pela comida, 25 mas também pelo serviço. A medida que aumentam os preços do cardápio, na mairia dos restaurantes melhoram os serviços, quanto mais caro, melhor o atendimento. Em um restaurante de luxo, um garçom e dois commis cuidam de cada mesa. O serviço é de máxima qualidade. O cliente paga pela comida e também pelo ambiente e pela atenção da equipe. 3.4 – O SEGREDO PARA O SUCESSO Nos dias úteis, na hora do almoço, o cliente exige mais rapidez dos garçons. Espera-se que nos restaurantes à la carte os pedidos sejam anotados dois ou três minutos após a chegada do cliente e que em tempo semelhante cheguem as bebidas e o couvert. Dez a quinze minutos depois, devem servidos os pratos. Após a solicitação da conta, esta deve ser apresentada em, o máximo, três minutos. Se houver troco, que seja entregue na metade desse tempo. Evidentemente, são exceções os almoços de negócios, família ou de namorados, em que o garçom precisa ter sensibilidade para não atrapalhar o encontro. Nos fins de 26 semanas ou nos jantares de lazer, esses tempos podem ser dilatados entre 30 e 50%. Quanto a fila de espera é muito grande, pode-se, com muita sutileza, apressar os clientes. Isso se faz mais facilmente no horário do almoço no meio da semana, levando os pedidos com rapidez à mesa e recolhendo os pratos e talhers tão logo que seja possível. Perguntar se os clientes estão satisfeitos também é uma boa alternativa, assim como oferecer um café para finalizar a refeição, ou mais um se necessário. Muitos clientes reconhecem que essas são formas clássicas de mostrar que há gente esperando pela mesa ou que o estabelecimento está para encerrar o expediente. A fila de espera tem que ser levada a sério. Quem chega primeiro deve ser atendido na frente, exceto se houver idosos, deficientes ou grávidas aguardando. Por outro lado, as reservas - se aceitas pelo estabelecimento – devem ser respeitadas. No Brasil, o costume de reservar mesas não é muito difundido, e muitas casas só aceitam fazê-lo até determinado horário, antes da hora em que a ocupação das mesas costumam esgotar-se normalmente. No momento da reserva, é preciso deixar claro que a mesa só estará disponível até 10 ou 15 minutos após a hora marcada. Para aferir a satisfação do cliente ou conhecer suas críticas, observações e sugestões, o proprietário pode aborda-lo diretamente, de forma discreta. Então, poderá perguntar sobre a qualidade do atendimento, da comida e dos demais serviços. Outra alternativa é anotar no cardápio um telefone de contato ( ou 0800 ) ou um endereço eletrônico para receber críticas dos clientes ( os estabelecimentos mais sofisticados podem ter até um ombudsman). Caixa de sugestões em um lugar estratégico, formulário sobre as mesa pedindo opiniões sobre o prato, o garçom, o ambiente etc. também são boas estratégias. Em alguns restaurantes, o nome dos garçons aparece escrito nos uniformes, para que o cliente 27 identifique quem o atendeu – isso ajuda muito o cliente que quer reclamar com discrição. Nem sempre chega aos ouvidos do proprietário uma reclamação, ainda mais quando é feita diretamente ao garçom. Às vezes porque a reclamação resulta de uma falha sua, outras porque o garçom opta por proteger os colegas.No entanto, se a queixa refere-se à falta de um produto ou a algo que independe da equipe de atendimento, é maias provável que o dono fique sabendo. Alguns garçons apresentam excepcional talento e sensibilidade para servir. Os que não têm esse dom devem ser treinados ou transferidos de função. Alguns fregueses gostam de ter o garçom sempre presente; já outros, para preservar a intimidade, preferem que o garçom fique a uma distância razoável esperando ser chamado. Para manter um bom atendimento, costuma-se usar um profissional para até 12 clientes. Como muitos garçons são ensinados a vender, acham que sugerir pratos caros é bom para a casa. Chegam constranger os clientes com as sugestões mais onerosas. Ao final da refeição, oferecem um licor, às vezes aparentando ser cortesia, e se o freguês aceita, trazem um doze da marca mais cara. Isso pode se tornar um problema sério para o estabelecimento: quando o cliente recebe a conta, percebe que a oferta não era gratuita e fica furioso com a desonestidade velada. Segundo Walter Mancini, restaurateur do Famiglia Mancini de São Paulo, a casa acaba perdendo seu maior patrimônio: o cliente. Ele nunca mais volta e ainda vai falar mal do atendimento. 28 CAPÍTULO IV OS QUATROS PS 4.1 - Praça (localização) Considera-se a localização de um restaurante um item de muita importancia. De fato, muitos empresários do ramo acreditam que o local de instalação é decisivo e faz parte da fórmula do sucesso. > O Local Ideal O local para ser ideal, deve ser conveniente e acessível ao público alvo. Uma boa visibilidade, fácil acesso, a conveniência e estacionamento, são ingredientes que promovem o sucesso de 29 uma localização. Por exemplo, restaurantes que buscam atrair o público profissional no horário do almoço deverão estar localizados bem próximos de centros de trabalho. Alguns grupos de profissionais só se interessam por restaurantes que estejam localizados no próprio prédio de suas empresas. Outros procuram locais nas mediações, para poderem voltar ao trabalho em uma hora. Baseados na experiência, especialistas em restaurantes de rede definem os critérios de localização. Alguns dos critérios de localização mais observados são: - A demografia da área: idade, profissão, religião, nacionalidade, raça tamanho das famílias, grau de instrução, renda média familiar e individual; - a visibilidade a partir de determinada rodovia; - a acessibilidade de determinada rodovia principal; - o número de clientes potenciais que circulam por perto (clientes potenciais podem ser apenas viajantes de passagem pela região, motoristas trabalhadores locais); - A distância em relação ao mercado potencial; - Ser considerado necessário pela vizinhança; Esses fatores são então confrontados com os custos: arrendamento, reforma do prédio, custo de compra. Alguns fatores de localização são decisivos. Se determinado local não é condizente, deve ser logo riscado fora. A primeira coisa a ser feita é justamente determinar os fatores críticos de um local. Para garantir o sucesso de um local determinado, é preciso saber a origem ética da comunidade, sua renda média e até mesmo o número de crianças por família. > Outros Critérios de Localização: - População. Todos os estilos de restaurantes dependem de 30 uma certa quantidade de pessoas e carros passando na frente, ou pelo menos uma população mínima residente nas proximidades. - Renda familiar. Os restaurantes com média de pedidos de alto valor normalmente requerem uma população de alta renda familiar em um raio de 8 quilômetros. Já aqueles com média de menor valor teriam mais sucesso em uma área de renda também menor. - Crescimento ou declínio da região. É preciso saber se a região está melhorando ou piorando economicamente, saber também se a população está aumentando ou diminuindo. Se a situação for de dificuldades, a vida útil do restaurante será de vida curta. - Antes de determinar o local para um restaurante, é preciso saber se área já não está saturada no comercio escolhido. 4.2 – Produto O produto de um restaurante classifica-se em três níveis: o produto essencial, o produto formal e o produto ampliado. - O produto essencial é a parte funcional oferecida ao cliente pelo servidor. Assim, um restaurante gourmet proporciona uma noite relaxante e memorável. - O produto formal é a parte tangível do produto. Estão incluídos os aspectos físicos e a decoração do restaurante. Também é esperado um certo nível dos serviços. Quando os clientes escolhem um restaurante familiar, geralmente criam expectativas sobre o nível de serviço adequado àquele tipo de restaurante. - O produto ampliado compreende a aceitação automática de cartões de crédito, estacionamento e serviço de reserva de mesas. 31 4.3. – Preço O preço também é um fator importante na seleção de um restaurante. Se um restaurante por exemplo, situa-se em um local dispendioso, a tendência é os preços serem mais altos, a não ser que o volume de vendas seja muito grande. As vendas acrescentam um aspecto importante aos níveis de preços. Os restaurantes possuem uma variedade de itens no cardápio, alguns dos quais vendem mais do que os outros. O truque é possuir um volume suficiente de itens populares. Enquanto esses têm uma margem menor de lucro tributário, podem ainda compensar contra os itens que vendem menos e que têm uma margem de lucro tributário maior. Por venderem menos, não têm maior interferência no valor total operacional e nos lucros. 32 4.4 – Promoção A promoção é uma estratégia que os proprietários utilizam não apenas para conseguir novos clientes, mas para que eles se tornem habituais. A promoção, que inclui a comunicação, procura informar e persuadir os clientes. Uma campanha promocional deverá ter os seguintes objetivos: aumentar os conhecimentos dos clientes a respeito do restaurante, aumentar a percepção do cliente sobre o restaurante, incitar os clientes a experimentar o restaurante, obter um alto potencial de retorno ao restaurante, criar uma certa fidelidade (clientes regulares), aumentar o valor médio dos pedidos, aumentar as vendas em um determinado horário ou tipo de refeição, introduzir novos itens no cardápio. 33 > Estratégias de Marketing As atividades de marketing devem ser postas em prática durante os períodos de baixo movimento, no início da semana e do ano. Os custos fixos devem permanecer os mesmos durante o período de baixo movimento e o marketing deve surtir efeito para que as vendas excedam o custo de equilíbrio nesses períodos. As vendas nos restaurantes, em geral, começam em janeiro e gradualmente vão aumentando até junho ou julho, quando alcançam o ponto mais alto. Posteriormente, caem no decorrer de dezembro. As vendas semanais, são menores nas segundas e terças-feiras, e maiores nas sextas-feiras e sábado. No domingo, geralmente, caem um pouco. Para aumentar as vendas, uma dica seria perguntar aos clientes evadidos quais itens gostariam de listar para inclusão no cardápio. Os proprietários então fariam uma seleção de sugestões. > Dicas: - Para acelerar os serviços de almoço, uma alternativa seria 34 disponibilizar aos clientes pedidos por fax. Em alguns restaurantes esse procedimento aumentou as vendas de 20 à 25%. - Restaurante localizado em área freqüentada por estrangeiros, é imprescindível a elaboração de cardápios nos idiomas mais adequados. - Crie cardápios com letras graúdas ou tenha óculos de reserva para aqueles clientes que, por ventura, esqueçam os seus. - Prepare promoções para todas as datas especiais do ano. - Crie um “clube de janta” para preencher as noites de menor movimento. Enfoque um tema e informe seus clientes a respeito do clube, via correspondência. - Solicite as seus clientes deixarem cartões de visita, assim você formará um cadastro. - Para noites menos movimentadas, segunda ou terça-feira, anuncie aos clientes e a mídia que uma das mesas será por conta da casa e que a cada semana você fará essa promoção. A tendência será o movimento aumentar nesses dias mais calmos. - Ofereça algo significativo a seus clientes, para que eles transmitam isso aos amigos, ou algo que lhes sirva de lembrança da sua visita. - Ofereça promoções especiais de aniversário. - Envie seu cardápio e informações relevantes ao seu público-alvo. - Envie cartões postais e fotos de seus cardápios para os clientes. - Convide os clientes a preencher um cupom para concorrer a um jantar com acompanhante. 35 4.5 - A Propaganda. A propaganda pode ser feita de diverças formas: Pode ser através de comercias na TV, rádio, anúncios de mídia, boca-a-boca e dentro do próprio restaurante. A propaganda na casa pode ser feita, por exemplo, através de um cardápio tipo revista, anunciando seus vários produtos e serviços, podendo o cliente folheá-lo enquanto espera sua refeição. A propaganda de menor custo é a boca-a-boca. Quando o cliente se sente satisfeito com relação ao preço, a qualidade do serviço, e qualidade do produto, ocorre espontaneamente a propaganda boca-a-boca positiva. Mas quando um cliente se sente maltratado e decepcionado com o serviço e produto, certamente falará mal do restaurante. Pesquisas indicam que um consumidor bem atendido recomenda o local para quatro ou cinco pessoas. O mal atendido pode espalhar a notícia para 15 ou 16 pessoas. A verba de publicidade não deve ser limitada ao percentual de vendas. Porque justamente o momento que as vendas diminuem, é o momento exato para investir em publicidade. A publicidade é eficiente para um negócio se tornar rentável. 36 CONCLUSÃO Os estudos mostrados demonstram a influência do marketing em ações que sustentam um produto ou serviço oferecido em um restaurante. Sucesso não é alcançado em um restaurante, se não receber de alguma forma a influência do marketing. Ele influencia em todos os pontos determinados do negócio: Cozinha, Atendimento, Preço, Ambientação e Serviços. O restaurante que recebe influência do marketing está no caminho certo para alcançar o sucesso. 37 BIBLIOGRAFIA AMBRÓSIO, Vicente. Plano de Marketing Passo a Passo. Rio de Janeiro: Reichamann e Affonso editores,1999. COBRA, Marcos. Marketing Competitivo. São Paulo: Atlas S A, 1993. KOTLER, Philip. Marketing para o século XXI. 8° edição. Como criar conquistar e dominar o mercado. Futura.1999. SANT’ANNA, Armando. Propaganda teoria técnica Prática. 7° edição Revista atualizada,1998. Editora Pioneira. São Paulo. 7° edição 1998 2° tiragem 1999 e 3° tiragem 2000. WHITELEY, Richard. A empresa voltada para o cliente. Rio de Janeiro: Campus, 1999. KOTLER, Philip. Administração de Marketing. 10 ed. São Paulo: Atlas, 2001. CARVALHO, Ronald Z. Marketing. São Paulo: Nobel, 1999. FLANDRIN, Jean- Louis; MONTANARI, Massimo. História da Alimentação. 3. ed. São Paulo: Estação Liberdade, 1998. FONSECA, Marcelo Traldi. Tecnologias Gerenciais de restaurantes. São Paulo: Ed. SENAC São Paulo, 2000. REVISTA EXAME PME: São Paulo: Junho 2007. Como Vender mais e melhor. WALKER, John R. LUNDBERG Donald E. O Restaurante: conceito e operação 38 . Trad. Sônia Kahl. – 3.ed. – Porto Alegre: Bookman, 2003. MERICATO, Percival. Marketing para bares e restaurantes. Rio de Janeiro: Ed. Senac Nacional, 2004. RIBEIRO, Áurea; FLEURY Ângela. Marketing e Serviço. São Paulo: ed Saraiva, 2006.