Abertura Boas Vindas Tema do Congresso Comissões Sessões Programação Áreas II Congresso Nacional de Formação de Professores XII Congresso Estadual Paulista sobre Formação de Educadores Títulos Trabalho Completo FORMAÇÃO DE PROFESSORES, EDUCAÇÃO INCLUSIVA E AS RELAÇÕES COM O MAL-ESTAR E O BEM-ESTAR DOCENTE Flavinês Rebolo, Simone Alves Scaramuzza Eixo 5 - A formação de professores na perspectiva da inclusão - Relato de Pesquisa - Apresentação Oral Este texto tem por finalidade apresentar reflexões realizadas no âmbito de uma pesquisa em andamento sobre a formação de professores para a educação inclusiva e a relação desta formação com as possibilidades de mal-estar e/ou bem-estar docente nos ambientes escolares de ensino regular. São apresentadas as discussões teóricas a respeito dos limites e das possibilidades da formação de professores para a constituição do bem-estar e do malestar docente frente às condições de trabalho e às políticas de inclusão de alunos deficientes nas instituições de ensino regular. Trata-se de um estudo bibliográfico, cujos resultados mostram que as transformações sociais, políticas e econômicas têm influenciado o trabalho docente e que é preciso que as políticas educacionais de inclusão de alunos deficientes também assegurem, aos professores, uma formação que lhes proporcione melhores condições teóricas e metodológicas para o desenvolvimento de sua atividade profissional, para que a prática profissional seja vivenciada e executada pelos docentes de forma satisfatória, ou seja, que esta prática lhes proporcione o bem-estar. 9094 Ficha Catalográfica FORMAÇÃO DE PROFESSORES, EDUCAÇÃO INCLUSIVA E AS RELAÇÕES COM O MAL-ESTAR E O BEM-ESTAR DOCENTE Simone Alves Scaramuzza. Universidade Católica Dom Bosco, UCDB. CAPES. Introdução A sociedade contemporânea tem sofrido grandes transformações no que se refere aos aspectos políticos, sociais e econômicos. Baumam (2002) tem apontado que essas transformações têm implicações sobre a atuação dos professores e professoras, bem como, sobre a sua relação com o trabalho, ou seja, com o bem-estar destes profissionais. Destaca-se ainda que, dentro desse modelo social - contemporâneo, muito se tem discutido sobre como o Estado deve garantir a todos, o direito a educação pública e gratuita. A esse respeito, é também objeto de reflexão neste texto, identificar se há implicações que, mediante o processo de inclusão de alunos com deficiência, intensificam e/ou provocam a insatisfação e mal-estar dos professores, pelo fato de “aumentarem e/ou dificultarem” ainda mais a atividade docente. Faz-se necessário pensar uma formação inicial e continuada para estes profissionais no sentido de garantir de fato esta inclusão. Considerando a proposta desse texto, elenca-se como aporte metodológico, a pesquisa bibliográfica, por considerar que é mais adequada para a problematização do tema em tela. Na Introdução será feito uma análise do contexto social contemporâneo, mostrando quais as influências das transformações sociais nos ambientes escolares. O tópico, O Trabalho Docente e Suas Complexidades, versará sobre a atividade docente, ou seja, o fazer dos professores e da complexidade de atuação destes profissionais. O próximo tópico a ser tratado neste texto refere-se a: Concepções de Mal-estar e o Bem-estar Docente e a Formação dos Professores. Neste tópico, se fará uma análise dos fatores que condicionam o mal-estar e o bem-estar docente, bem como, a implicação da formação continuada dos professores no que se refere a promoção do bem-estar para estes profissionais. A sociedade contemporânea tem vivido grandes transformações, sendo elas, sociais, políticas e econômicas. A esse respeito, Bauman (2002) tem demonstrado que o modelo de escola e de educação validado pela sociedade moderna sólida, não tem servido para o atual modelo social que vem se impondo, ou seja, a sociedade contemporânea, definida pelo autor como sociedade líquida. Assim, o autor apresenta como um dos desafios para os docentes desse modelo social, a dificuldade dos 9095 1 profissionais desenvolverem seu papel, uma vez que, estes já não estão mais tão definidos como na sociedade sólida. Para Bauman (2002), as dificuldades docentes se devem à grande disponibilidade de informações que os alunos têm acesso através dos meios de comunicação e informação – internet, rádio, televisão, entre outros, que não se tinha na modernidade sólida. Segundo o autor, na modernidade sólida era mais fácil para a família – constituída por pai e mãe na grande maioria – “convencer” os filhos da importância de aprender, argumentando que o conhecimento era a única coisa que ninguém jamais roubaria. Essa aprendizagem se dava na sua grande maioria nos espaços escolares, através da figura do professor, que era a pessoa responsável pela transmissão de conhecimento, ou seja, o docente tinha um produto para oferecer aos seus alunos, e isso era a sua função. Com as transformações sociais que vem se estabelecendo, ou seja, com a “liquidez” da sociedade, o professor perde o domínio de seu fazer, pois ele deixa de ser o único responsável por ensinar, uma vez que o conhecimento está disponível nas suas diversas formas. É mediante tais fatos que Bauman (2002) argumenta que, na atualidade, a educação está em declínio. Os argumentos da modernidade sólida já estão obsoletos para os jovens alunos da contemporaneidade, pois para eles, parece horripilante que o conhecimento seja estático, não mude. Nesse sentido, o autor provoca a seguinte indagação: [...] o conhecimento sempre foi valorizado por sua fiel re-presentação do mundo, mas, e se o mundo mudar de forma a desafiar continuamente a verdade do conhecimento existente, constantemente surpreendendo até as pessoas ‘mais bem informadas’? (BAUMAN, 2002, p. 49). A questão citada acima exemplifica a complexidade da atividade docente. O autor argumenta que, a educação e a aprendizagem foram feitas para um mundo sólido, eternizado, e não para esse mundo que se tem apresentado - líquido, pois ainda continua-se a desenvolver um modelo de educação e aprendizagem que não atendem as necessidades da atualidade, tornando-se desencaminhadora, inútil e incapaz. Vale ressaltar que nesse modelo social “tudo se transforma muito rapidamente, não deixando o tempo necessário para uma adaptação satisfatória” (REBOLO, 2012, p. 118). O Trabalho Docente e suas complexidades A história da formação de professores revela que nem sempre o trabalho docente foi uma atividade desenvolvida por pessoas que tivessem conhecimentos específicos. 9096 2 Tinha-se uma compreensão de professor como, a pessoa que tivesse o dom dado por Deus para desenvolver o ensino e, como tal, a docência era uma atividade que exigia exclusivamente amor/carinho/jeito com crianças, e não necessariamente uma formação especifica para lecionar. Nas décadas recentes, passou-se a problematizar que saberes são próprios dessa profissão, bem como, quais as formas de adquiri-los. Assim, atualmente, para ser professor é preciso que os indivíduos sejam formados em cursos de licenciaturas, tanto para alfabetizar com o Curso de Pedagogia, como para atuar em áreas específicas, ou seja, para lecionar em disciplinas, tais como, geografia, matemática, história, arte, entre outras. O modelo de sociedade contemporânea tem provocado indefinições e incertezas a respeito da função da escola e do docente. Nesse modelo social, é preciso que os profissionais deem conta de respostas e adaptações a realidade provocada pela era da informação, que se tem colocado cada vez mais mutável, exigente e global (PICADO, 2009). Autores como Tardif e Lessard (2012) vêm apontando que nessa perspectiva de incertezas do fazer docente, os professores e professoras precisam se valer de estratégias para convencer aos alunos a querer aprender, pois para os autores, “[...] os alunos são clientes forçados, obrigados que são a ir para escola” (TARDIF; LESSARD, 2012, p.35). Nóvoa (2011) também evidencia essa situação e, aponta que há um “discurso de crise” entorno tanto da sociedade, como da educação. Nessa perspectiva de crise, o autor coloca que para esse modelo social – contemporâneo – projeta-se “[...] sobre os docentes um excesso de esperanças e missões, que eles não são capazes de realizar por si mesmos” (NÓVOA, 2011, p. 221). Entretanto, para o autor, é preciso considerar que para aprender, faz-se necessário querer, ou seja, “[...] não é possível ser um bom vendedor se não há ninguém que compre, não é possível ser um bom professor se não há alguém que aprenda” (NÓVOA, 2011, p. 229). É evidente a complexidade da atividade docente, pois estes profissionais precisam convencer os alunos sobre a importância de estudar/aprender, ao tempo que se deparam com outros fatores que dificultam o seu exercício profissional. São eles: ter que assumir muitas das tarefas que eram de ordem familiar, ou seja, ensinar noções de respeito, valor moral e ético, entre outros; trabalhar com assuntos que perpassam pelos temas transversais da educação, como educação sexual, educação ambiental, educação financeira, educação para a paz, etc.; além de atender uma demanda de alunos diversificada com diversas dificuldades, indisciplinados, que querem tudo menos estar no espaço da sala de aula, bem como, os provenientes das políticas educacionais, ou seja, estudantes com deficiência. Nos ambientes escolares, os docentes têm que lidar com 9097 3 estes desafios que chegam à escola e às salas de aulas como consequência das transformações sociais e das políticas educacionais. Essas mudanças levaram “a que muitos professores sintam cada vez mais a necessidade de se ajustarem às novas exigências sociais, tecnológicas e profissionais com que são confrontados no seu dia-a-dia” (PICADO, 2009, p.2). É nesse sentido que Picado (2009) argumenta que, os docentes sentem-se cada vez mais frustrados com a sua profissão, tendo em vista que, embora tais profissionais atuem em um novo cenário, estes permanecem marcados e vestidos com roupas de tempos passados, o que faz com que os docentes sofram tensões conflituosas. São tais situações que provocam no professor da atualidade, o mal-estar docente, que se traduz em um desajustamento profissional, bem como em sentimento de desmoralização, desmotivação ou desencanto provocado pelas mudanças. Mediante a essas situações, faz-se necessário então, entender o que é o mal-estar e o bem-estar docente, e como a formação pode contribuir para a promoção do bem-estar dos professores. Concepções de Mal-estar e o Bem-estar Docente e a Formação dos Professores As transformações sociais no âmbito educacional têm ocasionado para os docentes, situações que podem provocar o mal-estar dos professores. Jesus (2007) aponta que os efeitos negativos dessas mudanças implicam no desenvolvimento, por parte dos docentes, em mal-estar. O mal-estar é o processo/condição em que os profissionais sentem-se insatisfeitos, e que podem levar a consequências tais como, “demissão, falta de responsabilidade, desejo de abandonar a docência, absentismo, esgotamento, ansiedade, stress, neurose e depressão” (JESUS, 2007, p.14). Jesus (2007) evidencia que a profissão “professor” foi colocada pela Organização Internacional de Trabalho – OIT, de 1981, como “uma profissão de alto risco físico e mental” devido ao elevado índice de insatisfação (stress – exaustão- estafa) profissional. Diante disso, o mal-estar docente é um “fenômeno da sociedade atual, estando interligado com as mudanças sociais que ocorreram nas últimas décadas, com implicações no comportamento dos alunos na escola” (JESUS apud JESUS, 2007, p.16). Assim, verifica-se que o mal-estar dos professores está ligado diretamente com a percepção que estes têm do seu fazer. No entanto, alguns estudos (Rebolo, 2008, 2012; Marchesi, 2008) entre outros, têm mostrado que muitos professores, mesmo diante das 9098 4 situações adversas e dos desafios, conseguem construir o bem-estar no âmbito profissional. A este respeito Rebolo (2008) afirma que, [...] o bem-estar é uma possibilidade existente na relação do professor com o seu trabalho que pode ou não se concretizar, dependendo: 1- das características do trabalho (a atividade laboral, as condições físicas, sócio-econômicas e relacionais oferecidas para a sua realização); 2- do resultado, positivo ou negativo, da avaliação que o professor faz dessas características; 3- dos modos como o professor enfrenta e resolve os conflitos gerados pelas discrepâncias entre a sua organização interna e a organização do trabalho (REBOLO, 2008, p. 3). A autora tem ampliado o debate, mostrando que ainda que os docentes estejam em meio a tantas situações conflituosas, muitos destes, fazem avaliações positivas de sua atuação, e nesse sentido, poderão desenvolver o bem-estar subjetivo. É nessa perspectiva que [...] o bem-estar docente é uma possibilidade existente na relação do professor com seu trabalho, que pode ou não se concretizar, dependendo das características do trabalho; do modo como essas características são interpretadas e avaliadas pelo professor e dos modos como o professor enfrenta e resolve os conflitos gerados pelas discrepâncias entre o que espera e o que tem, entre a sua organização interna e a organização do trabalho (REBOLO, 2012, p.24). Não se pode generalizar que todos os docentes desenvolveram o mal-estar docente, uma vez que isso depende da interpretação realizada individualmente por cada docente mediante as situações conflituosas. Verifica-se então que no cenário educativo atual “nem todos os professores estão abatidos, nem sua situação é a mesma em todas as etapas da vida profissional” (MARCHESI, 2008, p.52). Frente a isso, Marchesi (2008) ainda aponta que, se faz “necessário, portanto, refletir em torno das razões que levam alguns professores a se sentirem cansados e desmoralizados, e outros a manterem o ânimo e a ilusão” (MARCHESI, 2008, p.52). Mesmo mediante as situações complicadas e de desconforto, os docentes poderão desenvolver o bem-estar. É possível verificar então que, o bem-estar acontece de diferentes modos, ou seja, pode variar dependendo do sujeito. Diante disso, Rebolo aponta que [...] Quando o resultado dessa avaliação for positivo, haverá o bem-estar e a possibilidade de felicidade; quando for negativo, ocorrerá o mal-estar, um estado de desconforto, resultante de 9099 5 insatisfação e conflitos, que desencadeará estratégias de enfrentamento, as quais se constituem em ações que visam eliminar ou minimizar a sensação de mal-estar e caminhar em direção ao bem-estar (2012, p.24). Segundo Jesus (2007), tais situações acontecem pelo fato de o bem-estar se manifestar na docência em forma de motivação e realização do educador, através de um conjunto de resiliência e estratégias que ele conseguir desenvolver frente as situações conflituosas da prática educativa, ou seja, na superação das dificuldades encontradas no dia-a-dia escolar. Diante das problemáticas evidenciadas, é possível apontar a formação de professores como essencial, pois ela é a orientação preventiva do mal-estar docente. Para Jesus (2007) a formação pode propiciar os elementos necessários para ajudar o professor a desenvolver saberes (resiliência), bem como as estratégias (coping) necessárias para lidar com as principais situações que provocam o mal-estar a fim de promover o bem-estar docente. A formação de professores e professoras deve problematizar as dificuldades/complexidades impostas pela sociedade atual. Nesse sentido, é possível questionar se a política de educação para todos tem algum reflexo sobre a saúde dos professores, considerando que muitos destes podem sofrer, pelo fato de a sua formação não ampará-los com técnicas didáticas e conhecimentos específicos necessários para o trabalho docente. Day (2001) tem argumentado que o mal-estar docente além de ser provocado pelas transformações sociais, econômicas e políticas que refletem diretamente ao ambiente escolar e na atividade docente, também sofre implicações do paradigma das políticas de atendimento escolar para todos os alunos. Para o autor, tais políticas têm implicações diretas na atividade docente, uma vez que para esse autor, essa “nova” demanda, superlota as salas de aula, bem como provoca mudança de valores – morais, sociais, familiares, entre outros –. Tais situações provocam a desvalorização profissional do professor, bem como na incidência de stress, e de outros fatores/doenças que levam ao mal-estar docente. É mediante tais apontamentos que Day (2001) propõe que, na sociedade atual, a educação e a escola vivem um circulo vicioso que se configura da seguinte forma: perspectiva neoliberal da educação – tendência econômica – novas tecnologias de informação e comunicação – globalização – educação para o trabalho – instrução – política de inclusão – superlotação – stress – mal-estar docente – má qualidade de vida. As políticas educacionais para a inclusão tem feito surgir à necessidade de formação inicial e continuada que possibilitem um apoio na prática educativa dos 9100 6 docentes das salas de aula regulares. O processo de inclusão pressupõe que os docentes dispunham de saberes específicos para a prática educativa. Entretanto, pode haver uma distância entre o que se preconiza sobres as possíveis habilidades docentes para lidar com as diferenças no espaço escolar, especificamente a inclusão de alunos deficientes, e o que se tem na realidade de muitas escolas. São tais fatos que podem provocar/ocasionar um mal-estar nos docentes que atuam em salas regulares pelo fato de muitos deles, se sentirem mal preparados para o desenvolvimento do seu trabalho, contrapondo o que pressupõe a política de inclusão. Oliveira (2009) salienta que para a educação inclusiva se tornar de fato um processo de inclusão nas escolas brasileiras, é necessário investir na formação dos profissionais professores, contemplando, assim, no processo formativo, novos aportes teóricos e metodológicos que sejam voltados para uma prática educativa inclusiva, [...] uma vez que os fundamentos epistemológicos que sustentam a ideia de inclusão educacional apontam exaustivamente para uma ideia de diversidade, heterogeneidade, aprendizagem e de rejeição aos processos de exclusão ocasionados pelo sistema educacional, seja de crianças e jovens comuns ou com deficiência. (OLIVEIRA, 2009, p. 258). Então, é preciso garantir já, na formação inicial, que os docentes recebam uma base teórica e metodológica para o ensino voltado para o processo da inclusão escolar, e que estes, devem ser mais aprofundados com a formação continuada. Pietro (2009) aponta para a necessidade de investimento na formação de professores, no sentido de garantir a não reprodução de rotulações para os alunos deficientes inclusos pelas políticas educacionais. Para esse autor, a formação deve garantir aos docentes “[...] que identifiquem as demandas dos alunos [...]” (PIETRO, 2009, p. 274). A falta de formação adequada pode provocar um entrave entre o que se preconiza legalmente nas políticas governamentais para a inclusão de alunos deficientes, e a realidade, tanto das escolas, como da política de formação de professores que atuam nessas escolas. A esse respeito, Oliveira (2009) argumenta que se pode esperar uma [...] luta política que será traçada entre a lei que supostamente assegura e propõe, quase que filosoficamente, uma nova escola, e a prática cotidiana e concreta das escolas brasileiras, distantes das proposições legais e epistemológicas e, numa visão pouco otimista, sem os instrumentos necessários para caminhar em direção a processos inclusivos de ensino e da construção de escolas acolhedoras. (OLIVEIRA, 2009, p. 259). 9101 7 A fala citada torna evidente a situação de trabalho atual dos professores que persiste em uma disparidade entre o que se preconiza legalmente, e o que realmente se tem de concreto nas escolas. Isso requer pensar, então, que a tão sonhada educação para todos, ainda está fora do alcance de muitos indivíduos que dela necessitam, uma vez que os docentes precisam ainda lutar pela formação inicial e continuada que lhes forneçam bases teóricas e metodológicas que contribuam em sua atuação profissional. Espera-se, que a formação de professores, contribua para uma prática educativa que proporcionem experiências de bem-estar para estes profissionais. O que se pode perceber é que os professores e professoras da sociedade contemporânea, tem cada vez mais necessidade de se adaptarem as transformações impostas pelas mudanças. CONSIDERAÇÕES FINAIS Mediante o que se apresentou neste texto, é possível perceber que a escola, bem como o trabalho dos professores e professoras está imerso em um cenário social que vem sofrendo muitas transformações. Vivem-se momentos de grande disponibilidade de informações por meio das mais variadas formas de tecnologias de informação e comunicação, tais como a internet através de celulares, computadores, tablets, por meio também da televisão, do rádio, entre outras. Os alunos da modernidade líquida não possuem de forma certa, a real importância do aprender que possuíam os alunos da modernidade sólida. Os professores da atualidade têm que dar conta de atividades que na modernidade sólida diziam respeito somente a família, ou seja, ensinar noções de respeito, valor moral, ética, bem como dar conta de conteúdos transdisciplinares, tais como, educação sexual, educação para a paz, educação contra violência, educação ambiental, entre outros. Ainda neste sentido, estes docentes estão expostos a salas de aulas superlotadas, com uma demanda de alunos diversificada. Isso tem tornado complexo exercer, na atualidade, a profissão professor. As transformações sociais, políticas e econômicas mencionadas, bem como, as políticas governamentais em prol de uma educação para todos, independentemente de cor, raça, gênero, bem como da obrigatoriedade do atendimento educacional para os alunos deficientes nas escolas regulares, têm implicações diretas sobre o exercício profissional dos professores, por produzir neste processo, a diversificação da demanda de alunos nos espaços escolares. São tais situações exemplificadas que mostram o motivo pelo qual muitos professores da contemporaneidade estão passando a desenvolver os males – stress, burnout, entre outros – que provocam o mal-estar docente. Entretanto, mesmo em um 9102 8 cenário de tantas adversidades e complexidades, muitos docentes, ao contrário, têm desenvolvido situações em que está presente o bem-estar subjetivo. Isto é compreensível à medida em que o mal-estar e o bem-estar docente decorrem das análises que o indivíduo faz de sua vida em geral e do seu trabalho, ou seja, é uma condição que resulta da análise que cada sujeito faz de si mesmo e de suas condições do trabalho. Diante de tais fatos, evidencia-se a necessidade de uma formação inicial e continuada que proporcione aos docentes uma forma de vivenciar a experiência profissional que lhes garanta situações de satisfação profissional. Assim, é preciso que as políticas educacionais de inclusão de alunos deficientes também assegurem, aos professores, uma formação que lhes proporcione melhores condições teóricas e metodológicas para o desenvolvimento de sua atividade profissional, para que a prática profissional seja vivenciada e executada pelos docentes de forma satisfatória, ou seja, que esta prática lhes proporcione o bem-estar. REFERÊNCIAS: BAUMAN, Z. Desafios Educacionais da Modernidade Líquida. Revista TB. Rio de Janeiro 148. Jan./mar., 2002. Disponível:˂ http://www.ia.ufrrj.br/ppgea/conteudo/T2- 2SF/Rosa/Desafios.pdf˃ Acesso: 08 jul. 2013. DAY, C. Desenvolvimento Profissional de Professores: os desafios da aprendizagem permanente. Porto: Porto Editora, 2001. JESUS, S. N. de. Professor Sem Stress: realização e bem-estar docente. Porto Alegre: Mediação, 2007. MARCHESI, A. O Bem-Estar dos Professores: competências, emoções e valores. Porto Alegre: Artmed, 2008. NÓVOA, A. 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