FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA MARÍLIA DA SILVA RODRIGUES MARISSA GABRIELLE GAIA DA SILVA O PEDAGOGO NOS HOSPITAIS: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO TRABALHO DO EDUCADOR BELÉM 2013 MARÍLIA DA SILVA RODRIGUES MARISSA GABRIELLE GAIA DA SILVA O PEDAGOGO NOS HOSPITAIS: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO TRABALHO DO EDUCADOR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado as Faculdades Integradas Ipiranga como requisito obrigatório para obtenção do grau em Licenciatura em Pedagogia. Orientador: Prof. Me Marcelo Augusto Vilaça de Lima BELÉM 2013 MARÍLIA DA SILVA RODRIGUES MARISSA GABRIELLE GAIA DA SILVA O PEDAGOGO NOS HOSPITAIS: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO TRABALHO DO EDUCADOR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado as Faculdades Integradas Ipiranga como requisito obrigatório para obtenção do grau em Licenciatua em Pedagogia. Data: / / Marília da Silva Rodrigues: Nota____ Marissa Gabrielle Gaia da Silva: Nota____ Banca Examinadora: ___________________________________________ Orientador: Prof. Me Marcelo Augusto Vilaça de Lima ___________________________________________ Prof. Me Carmen Denise Gaia Cavalleiro de Macedo ___________________________________________ Prof. Me Giovana Cristina Pantoja de Souza Dedicamos este trabalho à Deus, dono de toda sabedoria. Às nossas famílias que sempre estiveram presente. AGRADECIMENTOS Nossos sinceros agradecimentos, a todos que de alguma forma, contribuíram para a conclusão deste trabalho e que estiveram ao nosso lado durante este curso. Agradecemos a Deus, por todas as bênçãos que nos concedeu, aos nossos pais por todo amor e apoio que dispensaram a nós, ao longo deste curso. Ao professor Marcelo Augusto Vilaça de Lima, por ter nos orientado na construção desta monografia, por ser um profissional exemplar e pelas palavras de incentivo. Aos professores que tornaram este ambiente de formação em um espaço vivo e efetivo de aprendizagem. Aos nossos colegas de classe, por tornarem os momentos vividos na faculdade únicos e enriquecedores, os levaremos para sempre em nossas lembranças. A toda turma PLPT09, foi muito bom estar com vocês, cada minuto de aprendizagem foi muito significativo! “A humanização é entendida como valor, na medida em que resgata o respeito à vida humana. Abrange circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas presentes em todo o relacionamento humano.” (Calegari, 2003, p.35) RESUMO Objetivou-se com esta pesquisa, investigar quais os desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática educativa em hospitais. Utilizou-se como proposta metodológica um estudo bibliográfico com base nos autores, Ceccim (1997- 2010), Chiattone (2003), Fonseca (1999), Matos e Mugiatti (2001- 2009), Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero, Morselli e Duarte (1997), Rodrigues (2012), Simancas e Lorente (1990). Verificou-se que a pedagogia hospitalar possui diversos significados, como o de desenvolvimento cognitivo, cultural, emocional, afetivo e social das crianças/adolescentes internados, que ocorrem por meio de um trabalho multi/inter/transdisciplinar, este trabalho proporciona um ambiente mais humano e propício ao desenvolvimento do saber. A realização de tal prática dentro do hospital requer métodos variados, que diferem dos métodos tradicionais que se costuma observar nas escolas no ensino regular. Neste ambiente o pedagogo utiliza espaços físicos específicos, para o desenvolvimento das atividades pedagógicas, que abrangem propostas lúdicas e se utiliza recursos como: pintura e colagem, jogos pedagógicos e outros. Verificou-se ainda que, como em qualquer outra profissão, o educador na pedagogia hospitalar também encontra algumas dificuldades para desempenhar seu trabalho, dificuldades essas, que vão desde encontrar um lugar adequado para a aplicação das atividades até o preconceito por parte de alguns profissionais dentro do hospital, que ainda não reconhecem o trabalho do pedagogo como algo de suma importância para o desenvolvimento cognitivos e recuperação das crianças internadas, assim, o educador precisa vencer essas dificuldades e superar seus limites para realizar seu trabalho. Concluiu-se que a pedagogia hospitalar ainda é algo que traz muitos desafios ao educador, tanto profissionais, quanto pessoais e emocionais, tendo em vista, que o hospital é um ambiente com situações bem peculiares e imprevisíveis que interferem no desempenho da sua prática. Palavras-chave: Pedagogia hospitalar. Pedagogo. Desafios. ABSTRACT The objective of this research was to investigate what challenges the educator to develop their educational practice in hospitals. Used as a bibliographic methodological proposal based on the authors, Ceccim (1997- 2010), Chiattone (2003), Fonseca (1999), Matos e Mugiatti (2001- 2009), Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero, Morselli e Duarte (1997), Rodrigues (2012), Simancas e Lorente (1990). It was found that pedagogy hospital has several meanings, such as cognitive, cultural, emotional, affective and social development of children / adolescents admitted that occur through a multi / inter / transdisciplinary, this work provides a more human and conducive to the development of knowledge. The accomplishment of this practice within the hospital requires multiple methods that differ from traditional methods that usually observed in schools in regular school. In this environment the teacher uses physical spaces specific to the development of educational activities, which include proposals playful and using resources such as painting and collage, and other educational games. It was also found that, as in any other profession, the educator pedagogy hospital also find some difficulties to perform their work, these difficulties, ranging from finding a suitable place for the implementation of activities to the prejudice of some professionals within hospital, which still do not recognize the work of the pedagogue as something of paramount importance to cognitive development and recovery of children admitted, so the teacher needs to overcome these difficulties and to overcome their limits to perform their job. It was concluded that pedagogy hospital is still something that brings many challenges to the educator, both professional and personal and emotional, with a view that the hospital environment is a very peculiar and unpredictable situations that affect the performance of your practice. Key-words: Pedagogy hospital. Pedagogue. Challenges. LISTA DE ABREVIATURAS ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente LDBEN - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC - Ministério da Educação e Cultura SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 10 2. OBJETIVOS ................................................................................................................ 12 2.1. OBJETIVO GERAL ................................................................................................... 12 2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..................................................................................... 12 3. REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................................... 13 3.1. HISTÓRICO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR NO BRASIL ....................................... 13 3.2. SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA HOSPITALAR ..................................................... 15 3.2.1 Conceituando pedagogia ..................................................................................... 15 3.2.2. No que consiste a pedagogia hospitalar? .......................................................... 16 3.3. O AMPARO LEGAL .................................................................................................. 18 3.4. A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EM HOSPITAIS ....................................................... 19 3.5. DESAFIOS DO PEDAGOGO NESSE NOVO CONTEXTO ....................................... 24 4. METODOLOGIA .......................................................................................................... 28 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO. .................................................................................. 31 5.1. OS SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA EM AMBIENTE NÃO ESCOLAR .................. 31 5.2. OS MÉTODOS PEDAGÓGICOS UTILIZADOS NO HOSPITAL................................ 33 5.3. DIFICULDADES NA PROFISSÃO. ........................................................................... 35 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 38 REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 40 10 1. INTRODUÇÃO Diante da inteligência humana, que surpreende o mundo a cada dia, presencia-se o progresso extraordinário das ciências e das técnicas, que se tornaram elementos essenciais para a globalização. Porém, com a globalização, surgem os desafios encontrados a cada passo na vida profissional e, que precisam ser superados com inovação, para que se possa está inserido nesta nova era. Essa globalização influenciou a abertura de novos horizontes sociais e mentais para os indivíduos, adquiriu novos significados. Assim, o mercado mundial sofreu mudanças quantitativas e qualitativas nas profissões, onde a renovação de técnicas foi essencial para cada profissão. Para Santos (2006), nestas mudanças no mercado de trabalho, perceberam-se as transformações na formação de alguns profissionais, na qual se destacaram, a formação e competências do pedagogo, que neste momento histórico da Pedagogia foram desmistificados velhos paradigmas a respeito da formação e atuação do mesmo, assim surge um novo profissional, com uma práxis educativa inovadora, a partir de novas perspectivas formativas, que providenciaram o enfrentamento atrevido do renascer desta carreira. Neste contexto de novos significados das profissões, fez-se uma reflexão a respeito da função do pedagogo, o mesmo era enfocado somente no espaço escolar, desenvolvia o trabalho de docência, supervisão e orientação educacional. Hoje, porém, percebeu-se que este profissional tem várias oportunidades de exercer sua profissão em ambientes não escolares, inclusive nos hospitais. Neste sentindo, o assunto pedagogia hospitalar tornou-se um tema pertinente de reflexão dos docentes, que procuram pesquisar cada vez mais e compreender seu real sentido, descobrir os enigmas e desafios que norteiam o seu trabalho, para que se possa adquirir mais autonomia no mercado de trabalho. A globalização no mundo tem proporcionado uma movimentação intensa nas pessoas, que estão em meio a um acelerado processo de integração e reestruturação de técnicas, na qual a enorme mistura de culturas e etnias se entrelaçam, desse modo trocam seus conhecimentos e isso faz com que novas técnicas sejam descobertas, com isso, amplia-se o mercado de trabalho. Neste contexto, percebe-se que o mundo está ao alcance de todos, sem distâncias para o conhecimento, que por sua vez, torna-se mais imprescindível para o sucesso. No entanto, segundo Santos (2006), essa globalização traz um lado negativo, faz com que as pessoas tenham um comportamento competitivo, que atualmente caracterizam atos hegemônicos, todas essas mazelas são diretas ou indiretamente atribuídas ao presente processo de globalização. Porém, a educação poderá fazer a 11 diferença e mudar tais atos, transforma as pessoas em seres mais humanizados, forma cidadãos críticos, atuantes na sociedade como elemento essencial de transformação social. Segundo Santos (2006), diante dessa grande reestruturação de técnicas, e em busca de uma globalização mais humanizada, o pedagogo começou a atuar em um novo ambiente de trabalho, não se restringe apenas ao ambiente escolar, desfiado com novos horizontes a serem desvendados, teve assim em vista, uma globalização mais humana. Deste modo, o pedagogo assumiu um novo compromisso, o de atuar em ambiente hospitalar, onde muitas crianças encontram-se internadas e sentem-se isoladas por estarem afastadas de suas atividades habituais. Então a pedagogia hospitalar surge como uma nova modalidade de educação, que leva esperança e conhecimento para dentro do hospital, onde os enfermos devem receber um cuidado a mais, inserindo-os socialmente e afetivamente. Portanto, a presença do pedagogo é fundamental para que se desenvolva um trabalho educativo junto às crianças/adolescentes internados. Este profissional desenvolve no ambiente, atividades pedagógicas diferenciadas, proporciona aos doentes oportunidades de continuar seu processo de aprendizagem, e isto diminui as chances de depressão e de outras doenças decorrentes da internação, que poderiam agravar ainda mais o caso da doença, a rotina de estudos e atividades pedagógicas ajudam na recuperação e trazem de volta a autoestima. Diante deste contexto, pretendeu-se investigar a seguinte problemática: Quais os desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática educativa em hospitais? Portanto, tal pesquisa teve como objetivo, investigar quais os desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática educativa em hospitais, Identificar os significados da pedagogia em ambiente não escolar, reconhecer os métodos pedagógicos utilizados no desempenho das atividades desenvolvidas no ambiente hospitalar, observar dificuldades na profissão, a fim de, gerar reflexões a respeito da importância do trabalho do educador no espaço hospitalar, pois a pedagogia hospitalar é uma modalidade de educação da sociedade contemporânea, que merece um olhar diferenciado. A partir disto, acredita-se que esta pesquisa, a respeito da pedagogia no ambiente hospitalar, pode ser compreendida como um espaço de descobertas e de reflexões capazes de ampliar conhecimentos. Para tais reflexões procurou-se responder as perguntas: Quais os significados da pedagogia em ambiente não escolar? Quais são os métodos pedagógicos utilizados no desempenho das atividades desenvolvidas no ambiente hospitalar? Quais as dificuldades na profissão? 12 2. OBJETIVOS 2.1. OBJETIVO GERAL: - Investigar quais os desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática educativa em hospitais. 2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: - Identificar os significados da pedagogia em ambiente não escolar; - Reconhecer os métodos pedagógicos utilizados no desempenho das atividades desenvolvidas no ambiente hospitalar; - Observar as dificuldades na profissão. 13 3. REFERENCIAL TEÓRICO O presente capítulo apresenta contribuições teóricas sobre a temática, Pedagogia Hospitalar, constituindo fundamentos que embasam esta pesquisa. O capítulo engloba cinco seções, sendo que a segunda possui duas subseções. A primeira seção focaliza o histórico da Pedagogia Hospitalar no Brasil, bem como seu papel no contexto atual; a segunda aborda os significados da Pedagogia Hospitalar, nesta encontram-se duas subseções: uma conceitua Pedagogia e outra que explora melhor, no que consiste a Pedagogia Hospitalar; a terceira aborda o amparo legal e apresenta as leis que garantem educação à todas as crianças e adolescentes, independente da situação que estejam; a quarta focaliza a atuação do pedagogo em hospitais, objeto de pesquisa do atual trabalho, distinguindo-a da pedagogia que ocorre no ensino regular nas escolas e aponta que a educação não está mais restrita ao ambiente escolar. Os desafios do pedagogo nesse novo contexto é o tema central da quinta seção, dando ênfase às dificuldades que este profissional enfrenta no ambiente hospitalar, para realizar seu trabalho, que vai desde a pesquisa de sua prática, para um trabalho direcionado e contemple as especificidades de cada indivíduo, até a flexibilidade no planejamento de ensino. 3.1. HISTÓRICO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR NO BRASIL A consciência das pessoas a respeito de seus direitos cresce cada vez mais e esse conhecimento tem passado por transformações constantes, de um lado o desejo primordial da sociedade que se apresenta com um requisito efetivo à democracia; por outro lado, as minorias sociais, têm seus direitos fundamentais, valorizados e contados com o amparo legal, que obriga as instituições ao acolhimento distinto das minorias. Na esfera educacional não é diferente, e juntamente com a iniciativa revigorante do ensino público de qualidade, existe outras visões do acolhimento escolar diferenciado, dirigido àqueles que por circunstâncias diversas são privados da frequência diária à escola. Neste contexto têm-se os mais prejudicados, que são os alunos, até mesmo os de regiões distantes, que por motivo de doença e de internação se encontram afastados de suas rotinas educacionais, prejudicados em seu desenvolvimento cognitivo. Por muitos anos, não se pensou nesses alunos, privados dos seus direitos ao ensino durante o período que estivessem internados. Diante dessa problemática surge uma nova modalidade de educação, a pedagogia hospitalar, surgiram também novos espaços 14 dentro dos hospitais, para que o pedagogo desenvolvesse as atividades educacionais com as crianças: as classes hospitalares e as brinquedotecas. Segundo Fonseca (1999), a primeira Classe Hospitalar foi criada no Brasil, em 1950, mas especificamente no estado do Rio de Janeiro, na Escola Hospital Menino Jesus e objetivava com isto, o acolhimento de crianças internadas, para que, em seus retornos às escolas regulares pudessem dar continuidade a seus estudos normalmente. Até então, os alunos que estivessem submetidos à internação e consequentemente ao afastamento das atividades escolares, eram submetidos à solução de dar continuidade as aulas, acabavam muitas vezes reprovados ou na melhor das hipóteses, eram promovidos a série seguinte, sem os conhecimentos necessários para tal. Essa ação foi considerada um marco no campo nacional, como início da pedagogia hospitalar e permitiu que anos após esta data, mais precisamente em 1958, fosse contratada mais uma professora, Ester Lemes Zaborowiski, para atendimento de alunos em hospitais. O trabalho educacional no hospital teve resultados positivos, fez com que, no ano de 1960, se iniciasse o mesmo serviço em outro hospital, o Hospital Barata Ribeiro; apesar da avaliação do trabalho ter sido positiva, não tinha apoio do estado e contou somente com o apoio das direções dos hospitais. Foram necessários vários anos para que as autoridades instituídas, para o exercício da educação, fossem forçadas a aceitar e normatizar a pedagogia hospitalar, teve como fator decisivo a Constituição Federal Brasileira de 1988, que diz: “Art. 6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção a maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição”. (BRASIL, 1988) Desta forma, induzidas pela determinação constitucional, as autoridades educacionais observaram a previsão judicial para que a assistência educacional hospitalar fosse regularizado e obrigatoriamente instituído, isto foi efetivado em 1990, na Lei Federal nº 8. 069, que segundo o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990): A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que tratam leis, assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. (BRASIL, 1990) Deste modo, por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente hospitalizado, resolução nº 41 de outubro de 1995 item 9, a legislação reconheceu o “Direito da criança e do adolescente desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação e saúde, e acompanhamento curricular durante sua permanência hospitalar”. 15 Pode-se dizer que a pedagogia hospitalar é algo recente, e diante disto, o pedagogo tem se adaptado a este novo ambiente de trabalho, desenvolve atividades que ajudam a dar sequencia ao processo de ensino-aprendizagem de crianças e adolescentes internados, de maneira a colaborar com a redução dos prejuízos causados pelo afastamento das escolas, muitas vezes por longo período. Considera-se o trabalho pedagógico de grande relevância dentro do hospital e se faz necessário observar quais são os verdadeiros significados desta pedagogia, assunto que será melhor abordado na seção a seguir. 3.2. SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA HOSPITALAR Embora ainda não tenha um número expressivo, o atendimento pedagógico hospitalar já é realidade, em diversos hospitais no Brasil, onde os profissionais do campo da pedagogia e outros profissionais da educação, desenvolvem práticas educativas em "classes hospitalares" com às crianças/adolescentes internados, e assegura o compromisso com a educação e saúde dos mesmos, tanto no campo cognitivo quanto no afetivo. De acordo com Ceccim (2010), as classes hospitalares não encerram o conceito de atendimento pedagógico, nem compõem a presença de uma escola regular no interior dos hospitais, o seu principal diferencial é atender as demandas em desenvolvimento, este é o requisito exigido para o cuidado integral à saúde das crianças/adolescentes internados, por longo período, e assim garantir um tratamento eficaz, pois isso influencia totalmente nas suas recuperações, do contrário, poderá implicar na vulnerabilidade da saúde das mesmas. 3.2.1. Conceituando pedagogia Antes de se discutir a Pedagogia Hospitalar se faz necessário conceituar o termo Pedagogia, que de acordo com o Ferreira (2000), é um conjunto de teorias, princípios e métodos de educação e instrução que se estende a um objetivo prático, é a ciência da educação e do ensino. Para Libâneo (2002), a pedagogia ocupa-se, dos métodos educativos, procedimentos, maneiras de ensinar, além de tudo, ela tem um significado mais amplo, mais globalizante. Pedagogia é uma área do conhecimento, que trata acerca da 16 problemática educacional de um modo geral e ao mesmo tempo é uma diretriz orientadora de ação. Pode-se então dizer que a pedagogia é a parte normativa do conjunto de conhecimentos que é necessário adquirir, para que se possa desenvolver uma prática educativa de forma significativa; ela é a parte do saber que está ligada à razão, não só a razão instrumental, mas também aquela que inclui razoabilidade; racionalidade do saber conviver; da tolerância e até mesmo, do amor. O profissional formado em Pedagogia nos cursos de graduação, na categoria de licenciatura, recebe o nome de pedagogo. Por ser abrangente a pedagogia, engloba diversas disciplinas, que formam três grupos: disciplinas filosóficas, disciplinas cientificas e disciplinas técnico-pedagógicas, servem de base teórica para formação acadêmica do mesmo. Com a moderna concepção de currículo, o pedagogo tem sido reformador de suas práticas, antes vista somente em ambientes escolares hoje se pode observar sua atuação em diversos ambientes, inclusive o hospitalar. O pedagogo especializado na área hospitalar estará habilitado a desenvolver, dentro do hospital, ações pedagógicas e projetos sociais e educacionais, que envolvem não só a criança/adolescente internado, mas também todos que integram aquele ambiente como: pais, acompanhantes, equipe de saúde, voluntários, etc. Sendo o pedagogo um profissional que trabalha com fatos, situações e contextos, acerca da prática educativa em suas várias modalidades e manifestações, este é o profissional indicado a desenvolver neste ambiente, atividades que irão auxiliar o pleno desenvolvimento da criança/adolescente hospitalizado. 3.2.2. No que consiste a pedagogia hospitalar? Nestas perspectivas de reformas de práticas pode-se notar a renovação dos fundamentos epistemológicos do saber dos educadores. Para Rodrigues (2012), a epistemologia da prática profissional é o estudo do conjunto dos conhecimentos utilizados pelos profissionais em seu ambiente de trabalho, no seu dia-a-dia para desempenhar suas atividades, tem-se a noção de saber, um sentido que abrange os conhecimentos, as habilidades/aptidões, as competências e as atitudes, ou seja, o saber-fazer e saber-ser. A partir dos anos 1990 aos dias atuais, a pedagogia tem sofrido alterações significativas no seu currículo, porém, percebe-se que a pedagogia hospitalar neste curso precisa de um olhar diferenciado e atento às novas necessidades de educação e da formação desse profissional pedagogo, de forma a habilitá-lo e capacitá-lo para atuar neste tipo de ambiente, onde se têm situações de fragilidade por conta de doenças. 17 Portanto, é necessário que o educador esteja preparado e comprometido profissionalmente com o ser humano e com as situações que vai enfrentar. Freire (1981, p.79), explicita esse compromisso e responsabilidade com a sociedade enquanto educador: Quanto mais me capacito como profissional, quanto mais sistematizo minhas experiências, quanto mais me utilizo do patrimônio cultural, que é patrimônio de todos e aos quais todos devem servir mais aumento minhas responsabilidades com os homens. Não posso, por isso mesmo, burocratizar meu serviço de profissional, servindo, numa inversão de valores, mais aos meios que aos fins dos homens. Desde a década de 1950 aos dias atuais, tem-se percebido a ação do pedagogo nos hospitais, na busca de atender a crianças e adolescentes internados por determinado período. Assim, para Rodrigues (2012), a pedagogia nos hospitais é como um item da educação, que oferece à criança/adolescentes uma recuperação mais suavizada, por meio de atividades-lúdicas pedagógicas e recreativas, além de prevenir o atraso escolar, que poderia ocorre pelo afastamento da sala de aula onde estuda originalmente. Deste modo, a criação da classe hospitalar teve a finalidade de assegurar as crianças o prosseguimento das atividades pedagógicas educacionais, a fim de diminuir os prejuízos causados pelo afastamento da escola. Segundo Matos e Mugiatti, (2001p. 37): A pedagogia hospitalar, por suas peculiaridades e características, situa-se numa inter-relação entre os profissionais da equipe médica e a educação. Tanto pelos conteúdos da educação formal, como para a saúde e para a vida, como pelo modo de trazer continuidade do processo a que estava inserida de forma diferenciada e transitória a cada enfermo. A pedagogia hospitalar surge como inovação comunicativa no hospital, rompe barreiras do ensino e acata a novas exigências da educação. Percebe-se que é muito grande a necessidade das crianças de terem um acompanhamento educacional, feito por um profissional habilitado na área, no qual olhará criança como um todo e conhecerá o seu contexto, pois se sabe que o meio em que ela vive pode influenciar no seu processo de aprendizagem. Portanto, a prática pedagógica no hospital, mostra que é possível educar fora da sala de aula, trabalha o desenvolvimento intelectual da criança, junto com o afetivo e social, a fim de possibilitar a integração da equipe pedagógica, a criança/adolescente, equipe médica geral e família, tendo em vista seu bem-estar e sua breve recuperação, já que o seu cognitivo está diretamente relacionado com seu emocional e sua saúde, e ao compreender seu estado clínico, a criança poderá ter maior controle sobre sua angústia e isto favorece à sua saúde. 18 Diante da importância da Pedagogia Hospitalar criaram-se leis que amparam a criança/adolescente, neste momento de fragilidade que se encontra internado, o tópico seguinte discutirá melhor acerca do amparo legal. 3.3. O AMPARO LEGAL Sabe-se que a educação é um direito garantido por lei à todas as crianças e adolescentes, independente da situação em que estejam. As mesmas, também têm o direito de continuar suas atividades educativas mesmo enfermas. Portanto, o acolhimento escolar à crianças/adolescentes internados esta defendida pela constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados (resolução n. 41 de 13/10/95). Neste sentido, se faz necessário o acompanhamento feito por um profissional habilitado para desempenhar atividades pedagógicas, a fim de auxiliar os alunos internados a continuarem seus estudos, pois os mesmos enfrentam situações tão complicadas como as doenças. Para tais atividades acontecerem é preciso que se tenha um ambiente adequado dentro do hospital, que as crianças tenham o acompanhamento e desenvolvam seu cognitivo com mais tranquilidade e acolhimento. Deste modo, têm-se as classes hospitalares, que são ambientes apropriados para receber alunos em situações peculiares, em circunstâncias de internamento. Conforme a política do Ministério da Educação e Cultura (MEC), Classe Hospitalar é um ambiente dentro do hospital, que permite a assistência educacional de crianças/adolescentes internados e que precisam de educação especial, pois estão em tratamento (BRASIL, 1994). Assim, o parágrafo 2º do artigo 58 da LDBEN, LEI 9394/96, de 20 de dezembro de 1996, enfatiza que: O atendimento educacional será feito em classes escolares ou serviço especializado sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. (BRASIL, 1996) Portanto, segundo o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a classe hospitalar é designada como um atendimento pedagógico-educacional que ocorre em ambientes de tratamento de saúde (BRASIL, 2002). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), foi o ponto de partida à formalização do funcionamento das classes hospitalares, determinou-se 19 então aos governos que garantissem atendimento educacional especializado gratuito aos alunos com necessidades especiais, sobretudo no ensino regular. Embora as classes hospitalares sejam regulamentadas e legalizadas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), objetiva dar continuidade ao ensino dos conteúdos escolares, percebe-se que os professores nem sempre são preparados e qualificados para atuar nesses espaços. Diante disto, faz-se necessário o preparo de um profissional, que possa atuar de forma significativa nos hospitais para desempenhar seu papel de educador e preparar esses alunos não só em nível intelectual, mas também desenvolver um trabalho social, despertar em seus alunos um caráter humanista e que possam atuar em sociedade como cidadãos conscientes de seus direitos e deveres. Neste contexto, se faz necessário à presença de um profissional capacitado para desenvolver atividades didáticas, lúdico-educativas a fim de favorecer o aprendizado dessas crianças, para que não tenham prejuízos no seu desenvolvimento educacional. Assim, a assistência pedagógica-educacional deve atender as necessidades e interesses dos alunos-pacientes. Deste modo, Fonseca (1999) afirma que as classes hospitalares dão continuidade ao ensino e as atividades pedagógicas da escola de origem da criança, ajustando-se a cada faixa etária, que objetiva sanar dificuldades de aprendizagem e oportuniza a aquisição de novos saberes. Matos e Mugiatti (2001) orientam para o fato de que a pedagogia hospitalar oferece a criança internada, a valorização de seus direitos à educação e à saúde, e também no que diz respeito ao espaço que lhe é devido enquanto cidadão do futuro. Neste sentido, os pedagogos rompem com os paradigmas tradicionais, que educação ocorre apenas em sala de aula e escolas regulares, e ocupam espaços alternativos de escolarização, no caso dos ambientes hospitalares, ou seja, um fazer pedagógico diferente. A pedagogia hospitalar se faz necessária, pois crianças internadas precisam continuar seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e manter suas forças vitais para a construção de si mesmas e das relações com o mundo. Por isso, o pedagogo entra neste novo ambiente de trabalho e atua de forma significativa como será exposto no tópico a seguir. 3.4. ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EM HOSPITAIS Abordar a prática do pedagogo em hospitais é desafiante e divergente, visto que há uma possibilidade ampla deste trabalho, mas ao mesmo tempo percebe-se a escassez do mercado de trabalho para este profissional. 20 Neste sentido, observa-se que a educação não está mais restrita somente ao ambiente escolar, tendo agora uma nova oportunidade de colaboração ativa no âmbito hospitalar. A forma de ensinar extrapola a sala de aula, a observação do aluno para verificar suas aprendizagens, que envolvem brincar, ouvir, observar como se organizam diante do mundo, das coisas e das pessoas, demonstram a importância do trabalho pedagógico, em espaços alternativos de modo competente e responsável que se evidencia no processo de observação, avaliação e intervenção, para minimizar as dificuldades dos alunos. (RODRIGUES, 2012 p. 85.) Diante disto, Libâneo (2002), afirma que, verifica-se hoje, uma prática pedagógica variada na sociedade, que extrapola o âmbito escolar formal e abrange esferas amplas da educação informal e não formal. Deste modo, devido às habilidades deste profissional é inaceitável que sua prática fique só no ambiente escolar, se estende agora ao ambiente hospitalar. Neste local o atendimento pedagógico deve ser de qualidade, de modo que haja recreação e obtenção de novos olhares, para que nesse novo cenário da educação adentre de forma pertinente, onde o pedagogo tenha uma atuação valorizada na sociedade moderna. De acordo com Matos e Mugiatti (2001), a Hospitalização Escolarizada é a constituição de um espaço temporal diferente, na qual as condições de aprendizagem fogem à rotina escolar, pois o aluno é uma criança/adolescente adoentado, e este espaço tende a atender de forma individualizada ao aluno, que desenvolve um projeto pedagógico especifico que faz a relação à sua escola de origem. O trabalho pedagógico-educacional no ambiente hospitalar é importante para a legitimação do profissional e o reconhecimento diante das políticas públicas, pois é uma perspectiva nova que se torna pertinente e necessária, tanto para o pedagogo quanto para a equipe hospitalar, pois, se pretende buscar a melhora para o aluno/paciente, estimula a continuidade de seus estudos, as barreiras são derrubadas pela aprendizagem, e mostra que o hospital pode ser um espaço de plena oportunidade de se desenvolver em meio à situação que se atravessa neste momento de doença. No caso da Pedagogia Hospitalar, as práticas pedagógicas em alguns momentos precisam manter com uma “doutrina” didática, tornarem-se uma prática reflexiva capaz de construir e reconstruir novos saberes. (RODRIGUES, 2012, p. 82.) O hospital é um centro de educação, que necessita de um trabalho pedagógico específico que busca se importar com os fatores sociais e psicopedagógicos. Neste contexto, o trabalho do pedagogo vem com objetivo de “lidar com os fatos, estruturas, contextos, situações, referentes à prática educativa em suas várias modalidades e manifestações” (LIBÂNEO, 2002, p. 52). Visto que a habilidade deste profissional é 21 insubstituível na recuperação dos alunos/pacientes, pois o mesmo não possibilita somente a integração do escolar, mas também dá assistência em todos os aspectos que ocasionaram o afastamento da criança/adolescente do seu cotidiano. Neste contexto, o pedagogo não é um simples mediador do conhecimento, mas sim um profissional que está disposto ajudar de forma significativa à recuperação da criança/adolescente, e vem mostrar que seu trabalho é de suma relevância, e que, não tem outro que o possa substituir. Sendo assim, Nascimento e Haeffner (2003), ressaltam que o pedagogo no ambiente hospitalar, percebe as necessidades dos seus pacientes e toma a iniciativa de derrubar barreiras, e vencer a indiferença, para alcançar seu objetivo. Contudo, percebe-se que o processo cognitivo envolve-se com o afetivo, por meio das relações que têm com o paciente e neste caso é preciso que o pedagogo tenha equilíbrio emocional para realização efetiva do seu trabalho. Para o educador desenvolver seu trabalho, é necessário que o hospital tenha um espaço que seja diferenciado para a concretização do mesmo, onde as paredes sejam pintadas de cores diferentes, que disponibilize materiais adequados para aprendizagem, de modo que, o espaço adquira com a aparência um espírito alegre para receber seus pacientes. Neste local, serão realizadas atividades lúdicas, atividades corporais e educativas, que levará em consideração o estado de doença que cada criança/adolescente está passando para que sua aprendizagem seja significativa. Dentro dessas atividades o lúdico, o brincar, também é imprescindível para que crianças/adolescentes internados, sejam envolvidos não somente por se tratar de momento de lazer, mas como um momento de criatividade e interação. Deste modo, o direito de brincar da criança hospitalizada, garantida pela lei nº 11.104, de 22 de março de 2005, dispõe da criação de brinquedotecas nos hospitais, que proporcione acolhimento pediátrico em regime de internação (BRASIL, 2005). Esta lei passou a existir a partir dos movimentos de humanização nos hospitais, que defendem a inclusão de brinquedos em tal ambiente, os quais fazem parte do tratamento terapêutico dispensado às crianças/adolescentes hospitalizados, sendo assim, reconhecidas as necessidades infanto-juvenis e do papel da brincadeira na promoção do bem-estar físico, mental e social neste ambiente. Assim, segundo Sikilero, Morselli e Duarte (1997, p. 59), as atividades lúdicas são necessárias, pois: O brinquedo é uma forma de comunicação universal, através do qual as crianças fazem suas primeiras descobertas do mundo que as rodeia. É pelo brincar que a recreação se constitui em programação a ser oferecida como recurso de educação e de saúde. 22 Em meio a esse momento sensível, o pedagogo não pode deixar de lado o brincar, pois o paciente necessita dessa etapa da vida para se desenvolver em meio a sociedade, é por meio do brinquedo que a criança aprende a socializar, a se comunicar com o próximo. Por isso o brincar é uma terapia, na qual sua importância é vital para a sua recuperação. Neste sentido, o pedagogo propõem momentos em que leva em consideração a importância da fantasia, a imaginação do ser humano, em que os pacientes não deixem de sonhar, de ter desejos, e que não percam a razão de viver, pois aguça cada vez mais o imaginário da criança e a mesma terá uma melhor perspectiva de sua recuperação. O trabalho do pedagogo no ambiente hospitalar é de motivação, de estímulo, para que a recuperação da criança seja efetiva. O pedagogo quebra paradigmas, pois ele é o agente de mudança, que contribui de forma não parcial, porém de forma integral, procurando permear a interação de um trabalho multi/inter/transdisciplinar que privilegie o escolar hospitalizado. A relação do pedagogo com o aluno/paciente e sua doença é de reflexão, pois o mesmo adquire novos conhecimentos, lida com suas emoções e seus desafios a serem enfrentados e superados no decorrer deste processo. A compreensão da criança em relação ao trabalho pedagógico será uma nova forma de pensar, de lidar com a experiência de hospitalização, pois a mesma não terá seu desenvolvimento cognitivo comprometido perante a este momento sensível em que a criança se encontra. (CECCIM, 1997 p. 76) Com o trabalho do pedagogo, a criança reagirá ao tratamento da doença e sua educação continuará sendo desenvolvida, pois assim a criança se transformará em sujeito da sua recuperação e a mesma irá compreender e se relacionar com o meio que a cerca. A criança quando não pode frequentar a escola por motivo de doença, a mesma tem seu direito de receber auxílio no hospital definidas nas leis Brasil (1996): Segundo a Lei de Diretrizes de Bases 9394/96 (Art. 58 & 2°), o atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular, o Estatuto da Criança e Adolescente (Cap. IV, Art. 53). A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho e Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Resolução n. 41, de 17/10/95, & 9) direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programa de educação para a saúde, acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência no hospital. Neste momento torna-se importante a classe hospitalar para ajudar na recuperação da criança enferma, pois se sabe que, o dia-a-dia no hospital é de altos e baixos, e é preciso um preparo didático-pedagógico, estrutura psicológica, força de 23 vontade e flexibilidade para atender este paciente, e para isso o pedagogo é o mais indicado a assumir este trabalho dentro do hospital. Assim, o pedagogo deverá se preparar para acolher esta criança e acompanhá-la no seu desenvolvimento cognitivo, no seu processo de aprendizagem e a partir do contato com a escola, trabalhar os conteúdos curriculares, para evitar que a mesma tenha prejuízos escolares. De acordo com Ceccim (1997), o pedagogo deve permitir-se transversalizar pelo que a criança expressa, pelo que ela diz, para que o mesmo se torne capaz de ajudá-la a transformar a experiência de sua doença e de sua rotina no hospital, em desenvolvimento de seu cognitivo e que assim se aproprie do mundo. Neste contexto, a “escuta pedagógica” necessita unir-se ao cerne das ações, na qual a criança é o centro, no sentido de construir um novo ambiente no tratamento da doença e do paciente, de modo a apresentar esta questão cognitiva ao núcleo das preocupações, de forma a unir o procedimento terapêutico, aos aspectos cognitivos e sócio-afetivos. Nessa união, o trabalho pedagógico surge como elemento que contribuirá de maneira significativa para a inteira recuperação da criança. Observar a criança em seu contexto geral e considerar as questões cognitivas no processo de recuperação, de forma a transformar suas experiências de internação em elementos de aprendizagem, é imprescindível na construção desse trabalho em que se registra a “escuta pedagógica”. Portanto, é necessário ampliar sua compreensão. A visão holística sobre a criança, ativada pela “escuta pedagógica“, deve adquirir uma dimensão que excede a escuta, é indispensável que se estabeleça um diálogo com a mesma, item fundamental no processo educacional. Como ressalta Fontes (2005), a escuta pedagógica é diferenciada da escuta realizada pelo assistente social ou pelo psicólogo no hospital, pois traz a construção do conhecimento, de forma lúdica e didática, sobre aquele espaço, aquela rotina que a criança vive diariamente durante sua internação: A escuta pedagógica é uma escuta que traz resultados positivos, faz nascer o diálogo, base da educação. Deste modo, o pedagogo fará a diferença tanto na área do conhecimento científico, quanto no conhecimento popular dentro do hospital, e possibilitará à criança ser parte do seu processo de autonomia e integração do seu tratamento. Assim, a criança adoentada terá uma boa relação no ambiente hospitalar, na qual sua opinião será respeitada por todos do hospital. Sendo assim, a Classe Hospitalar têm o objetivo de subsidiar a continuação da vida escolar dentro do hospital e a função de ajudar na superação da enfermidade em que a criança se encontra e também dá suporte para o desenvolvimento do sócio-afetivo. Atuando não só com atividades que estão relacionadas aos conteúdos escolares, mas tendo a autonomia de elaborar atividades que visam o desenvolvimento cognitivo e 24 psíquico dos pacientes, de forma a ajudar na sua reintegração e retorno de suas atividades escolares e sociais. Diante disto, o pedagogo neste ambiente encontra desafios que ao longo do seu trabalho, tende a serem vencidos, o tópico a seguir vêm discutir esta temática. 3.5. DESAFIOS DO PEDAGOGO NESSE NOVO CONTEXTO Com o âmbito hospitalar conquistado, o pedagogo não pode deixar que sua identidade se perca neste espaço, se faz necessário que ele se torne um grande pesquisador de sua prática, em qualquer lugar, principalmente na pedagogia hospitalar, que por sua vez tem pouca produção acerca desta temática. São vários os desafios que o pedagogo enfrenta no ambiente hospitalar um deles é a questão da formação especializada para atuar no espaço não escolar, na qual se faz necessária uma formação específica e continuada, pois o ambiente hospitalar é bem peculiar e se tem situações também diferenciadas da rotina de uma escola regular. Isto requer preparo adequado para poder lidar com elas. Em vista disso, apesar do curso de pedagogia vir sofrendo alterações significativas em seus componentes curriculares, percebe-se que a inserção da pedagogia hospitalar neste curso, ainda precisa de um olhar atento às novas necessidades da educação e da formação do profissional, pois segundo Rodrigues (2012), a universidade deve capacitar os futuros profissionais da área pedagógica para que exerçam práticas educacionais para além da sala de aula. Neste sentido, segundo Matos e Mugiatti (2009), a pedagogia hospitalar lança um desafio aos cursos de pedagogia e demais licenciaturas, para fundamentar suas propostas curriculares, a partir de pesquisas e práticas científicas multi/inter/transdisciplinar em contexto hospitalar o que ocorre em nosso país, tanto em instituições de ensino como em hospitais. Deste modo, não cabe só a universidade especializar o pedagogo, porém percebese a necessidade do próprio hospital dar este suporte ao educador, pois, o mesmo disponibiliza cursos de aperfeiçoamento profissional para os demais profissionais da saúde. Portanto, o profissional da educação que atua dentro do hospital deve ter as mesmas oportunidades de se aperfeiçoar por meio de cursos de especialização para que desenvolva melhor seu trabalho neste ambiente. A partir disto, o pedagogo, deve refletir, construir e registrar, para conceituar o que é essa nova prática, pois a mesma é diferente de quando está na sala de aula, porque não atua no ensino regular, não lida com crianças “saudáveis”, que tem vida ativa a todo 25 tempo. No contexto hospitalar se tem outra forma de aprendizagem, ou seja, específica para cada caso. O pedagogo deve ter o olhar cauteloso de não transferir a escola para o hospital, porém, precisa ter a visão de que há alguns pontos relevantes na escola e que se pode levar para o âmbito hospitalar, como é o caso da socialização, essencial para o desenvolvimento cognitivo, social e afetivo, pois a criança necessita do contato com o outro, para que seu desenvolvimento ocorra de forma significativa. Outro desafio que o pedagogo enfrenta dentro do hospital é saber claramente qual é o seu papel, para que não exerça função que não lhe compete, como por exemplo, o de recreador. Entretanto sabe-se que a brincadeira é essencial para o desenvolvimento da criança/adolescente, mas não se restringe somente a isso, o pedagogo deve saber limitar a recreação e saber quando começar o trabalho de cunho mais educacional, respeitando o limite de cada criança. Outro desafio é conseguir realizar as atividades educativas, nos espaços apropriados, no caso da classe hospitalar, com as crianças todas juntas, pois muitas têm horários diferenciados para tomar medicação ou para fazer exames, com isso o pedagogo tem que ter a flexibilidade no seu planejamento, não só em relação aos horários das atividades, mas também no que diz respeito ao conteúdo e a faixa etária das crianças. No ambiente hospitalar outro desafio encontrado pelo pedagogo é o de se envolver com as questões da área da saúde, para que o mesmo tenha o conhecimento do prontuário médico de cada criança, e assim possa desenvolver um trabalho pedagógico dentro dos limites clínicos das mesmas. A par do quadro médico de cada criança o pedagogo poderá explorar essas informações e a partir disto transformar em conhecimentos sistematizados. Neste ambiente, a criança continuará a aprender e a se desenvolver, interagir e submeter-se a novas experiências, poderá continuar a sua vida normalmente dentro de suas limitações. Desse modo, a pedagogia hospitalar é uma pedagogia vitalizada como afirma Simancas e Lorente (1990, p. 73): [...] uma pedagogia da vida e que por ser um processo vital, constante comunicação experimental entre a vida do educando e a do educador, cujo diálogo em torno de questões de viver, do sofrimento e do prazer, não finaliza nunca. O pedagogo hospitalar vivencia sensações, emoções de forma intensa e procura lidar com elas da melhor forma possível, e tenta não demonstrar suas fragilidades emocionais às crianças para que isso não as afete. 26 Aprender com as sensações e emoções é dar maior sentido ao ensino e as evidências cognitivas com que operam o ensino-aprendizagem. Sendo assim, o ensino na realidade do hospital não terão os mesmos processos que os de uma escola regular. No hospital as condições são mais amplas e a palavra da criança é prioridade. Com isso, o pedagogo tem o desafio de fazer com que a criança se sinta a vontade e se expresse, falando de seus medos e desejos, considerando-a o centro do trabalho e não a doença. Vygotsky (2000) enfatiza a importância da expressão oral da criança, quando diz que, por meio da expressão, a linguagem organiza o pensamento. Por meio de uma conversa aparentemente inocente, a criança pode descobrir coisas que ela não havia percebido antes. Muitas vezes pode ser algo relacionado à sua doença ou a uma dor, etc., a atividade em grupo proporciona momentos de socialização de conhecimentos, na qual experiências são contadas e assim as crianças aprendem umas com as outras, isso ocorre quando o pedagogo proporciona, por meio de atividades grupais, o que favorece trocas de conhecimentos. Nestas horas, em que há maior interação entre as crianças, seja em uma conversa informal ou por meio de brincadeiras, o pedagogo deve observar os assuntos abordados pelas mesmas para que a partir daí possa iniciar o trabalho pedagógico. Assim, o pedagogo tem que aproveitar qualquer experiência, por mais dolorosa que seja para enriquecer e transformar o sofrimento em aprendizagem. Chiattone (2003), afirma que o objetivo da brincadeira e da socialização não é fazer com que as crianças brinquem por brincar, mas sim que por meio do brinquedo, verbalizem e elaborem seus sentimentos enquanto pacientes. Pois para a criança, o brincar também é um meio eficaz de obter informações. Assim, o próprio brinquedo mostra ao educador o caminho escolhido pela criança e pelo qual deve trabalhar os conteúdos educacionais ou tema específico relacionado a um problema de uma criança ou de um grupo de crianças. O objetivo dessas atividades é de facilitar a elaboração de sentimentos e ajudar a criança a elaborar estratégias para enfrentar determinadas situações. São inúmeras as barreiras e os desafios que o pedagogo encontra no âmbito hospitalar, que vai desde a pesquisa de sua prática, para um trabalho direcionado que contemple as especificidades de cada indivíduo, até a flexibilidade no planejamento de ensino. Deste modo, Chiattone (2003) afirma que, trabalhar com crianças necessita de um empenho especial e planejado, o que requer disponibilidade de tempo e preparo para os profissionais que atuam nesta área. Porém, um dos maiores desafios do pedagogo diante deste novo contexto, é o de humanizar os procedimentos no trabalho hospitalar e de fazer com que o trabalho pedagógico dentro do hospital seja valorizado para torná-lo uma prática cada vez mais necessária. 27 Desde modo, o pedagogo tem o desafio de humanizar de forma educativa, desde funcionários do hospital, familiares e sociedade. Todo indivíduo tem relação com a educação, e é por meio dela que ocorrerá este processo de humanização, pois isto também é um dos objetivos da pedagogia hospitalar. 28 4. METODOLOGIA “Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciências.” (MARCONI e LAKATOS, 2007). Assim, a utilização de métodos científicos não é competência somente da ciência, porém não existe ciência sem a utilização de métodos científicos. Segundo Marconi e Lakatos (2007), método se define como um conjunto de atividades ordenadas e coerentes que, com maior segurança e economia, permite alcançar os conhecimentos adequados, traça o caminho a ser percorrido, identifica erros e auxilia as decisões do pesquisador. Elaborar ou organizar uma pesquisa é algo complexo, portanto, para que se possa ter sucesso no trabalho a ser desenvolvido, necessita-se de alguns critérios. O primeiro critério é delimitar o método de pesquisa. A importância de delimitar o método provém do fato de que jamais será possível explorar todos os ângulos do fato estudado. Determinar o método para a pesquisa é de extrema importância, pois é o caminho que se escolhe para o trabalho de pesquisa. Desse modo, escolheu-se o método monográfico para o desenvolvimento deste trabalho, o método sistematiza a análise profunda de um acontecimento ou de uma organização, para reunir elementos que permitam a discussão de determinado fato ou problema. Marconi e Lakatos (2005) ressalta que, o método monográfico procura generalizações, a partir de uma realidade fragmentada, para se chegar a conclusões esperadas e respeita o grupo na sua totalidade. Este tipo de pesquisa foi bibliográfica. Segundo Lakatos (2007), a pesquisa bibliográfica é a junção dos principais trabalhos já existentes, importantes e relevantes, pois são capazes de oferecer dados atuais relacionados ao tema a ser pesquisado. Para Santos (1998), a pesquisa bibliográfica é essencial para a averiguação, pois proporciona meios para definir e solucionar, não somente problemas conhecidos, como também descobrir novas áreas nas quais os problemas não se concretizam o suficiente; já para Bastos (2004), a pesquisa tem por objetivo fornecer material para reforçar a análise de pesquisas, na qual a mesma não pode ser efetuada sem uma previa fundamentação teórica. Com base nas pesquisas encontradas nas obras, analisou-se com base de eixos de pesquisas. Assim, a pesquisa teve uma abordagem qualitativa, na qual procurou-se aprofundar a compreensão de fatos em estudo como: ações de indivíduos, grupos ou organizações sociais, interpretando-os segundo as perspectivas dos sujeitos da situação 29 em foco. Deste modo, esta pesquisa não se preocupou com representações numéricas, estatísticas e relações de causa e efeito. Portanto, ao se tratar de uma pesquisa bibliográfica, foi realizado um levantamento teórico dos principais autores que discutem a temática: Pedagogia Hospitalar. As fontes foram artigos científicos, livros, relatos de experiências que foram publicados em congressos etc. Dentre os autores que foram pesquisados destacam-se: Ceccim (1997- 2010), Chiattone (2003), Fonseca (1999), Matos e Mugiatti (2001- 2009), Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero, Morselli e Duarte (1997), Rodrigues (2012), Simancas e Lorente (1990), entre outros. Após a coleta de dados, os mesmos foram elaborados e classificados de forma sistemática. Antes de analisados e interpretados, os dados foram selecionados. Segundo Lakatos (2007), seleção é o exame minucioso dos dados. O pesquisador deve verificar os dados de forma crítica, para detectar falhas ou erros, evita-se deste modo, informações confusas, distorcidas, incompletas que podem comprometer o resultado da pesquisa. Assim, posterior ao levantamento bibliográfico, os dados foram classificados em categorias nas quais foram expostas as principais concepções da Pedagogia Hospitalar e suas respectivas análises. Segundo Cervo (2002), o tratamento de dados permitirá ao pesquisador a escolha de documentos bibliográficos, cujas informações são aptas para as investigações do referido trabalho, na qual o mesmo terá uma visão global para progredir no conhecimento. É importante destacar o que diz Minayo (2003), a respeito da abordagem qualitativa: A pesquisa qualitativa responde a questões particulares, ou seja, preocupa-se com fatos reais os quais não podem ser quantificados, assim, este tipo de pesquisa trabalha com profundidades de relações, dos processos e fenômenos que não pode ser meramente reduzidos à variáveis. Lüdke e André (1986) enumeram algumas características relevantes dos estudos qualitativos. Os estudos destacam a interpretação em contexto, utiliza uma gama de fontes de informação que ao desenvolvê-lo, o pesquisador deve recorrer a diferentes técnicas de coleta de informações. As autoras aconselham ainda que, o pesquisador deve ter consciência de que ele é a principal ferramenta de coleta de subsídios; portanto, é essencial que domine o assunto em foco, assim, o mesmo funciona como filtro de verificações. Vale resaltar que, na abordagem qualitativa não há hipóteses anteriores à pesquisa, mas sim questões norteadoras, pois o pesquisador não sabe o que irá encontrar no fluxo da pesquisa. Lüdke e André (1986), apoiando-se em estudos desenvolvidos por Nisbet e Watt, que caracterizam o desenvolvimento do estudo qualitativo em três etapas: a exploratória, a delimitação do estudo e análise sistemática. 30 Desta forma, foram utilizadas, na presente pesquisa, as três etapas do estudo qualitativo, explorou-se o tema, em seguida delimitou-se o mesmo e posteriormente sistematizaram-se as informações, atingiu-se então o objetivo proposto. Assim, a pesquisa bibliográfica proporcionou a análise de um tema sob um novo ponto de vista, para assim chegarmos a novas conclusões. 31 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO Este capítulo tratará dos resultados obtidos com a pesquisa, os quais revelam como ocorre a relação saúde-educação, por meio da intercessão pedagógica no contexto da atuação do pedagogo no hospital. Assim, os resultados baseiam-se nas leituras dos autores Ceccim (1997), Chiattone (2003), Fonseca (2003), Matos e Mugiatti (2001 e 2009), Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero, Morselli e Duarte (1997), Simancas e Lorente (1990), Rodrigues (2012) tais resultados pontuarão os seguintes temas: Os significados da pedagogia em ambiente não escolar; os métodos pedagógicos utilizados no hospital e as dificuldades na profissão. Em seguida será feita a discussão acerca de tais resultados. 5.1. OS SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA EM AMBIENTE NÃO ESCOLAR Com base nas leituras de Ceccim (2010), Matos e Mugiatti (2009), obtiveram-se como resultados os significados do desenvolvimento cognitivo, cultural, emocional, afetivo e social das crianças/adolescentes, que se encontram no ambiente hospitalar, e a humanização de forma a integrar educação e hospital. De acordo com os autores, por muito tempo o cenário hospitalar foi palco exclusivo de profissionais da saúde. No entanto, diante da sociedade contemporânea, este cenário ganha um profissional, que é de suma importância para trabalhar com crianças/adolescentes adoentados, cujo seu trabalho referente a esses pacientes não pode ser substituído por outro profissional. Acredita-se com base nesses resultados que a pedagogia hospitalar significa a consistência de um trabalho multi/inter/transdisciplinar, na qual a multi corresponde aos infinitos saberes que se encontram no hospital; a inter é a inter-relação de profissionais do hospital e a trans requer a busca do conhecimento além-corpo. Nesse processo de relações, o pedagogo é um pesquisador e mediador do conhecimento para obter este trabalho de multi/inter/transdisciplinaridade junto com as crianças no hospital. Este local vai muito além de hospital e escola que somente oferece a continuação de seus estudos, mas busca fazer integração desta criança/adolescente, que está doente, axiliando para que possa vir a se desenvolver em todos os aspectos desde cognitivo até social. Diante disto, acredita-se que a pedagogia envolve infinitos campos de conhecimento educativo, que seu objetivo central é a ação de educar em modo geral. A partir desse conjunto de saberes, na prática o pedagogo realiza atividades metodológicas 32 educativas e pedagógicas, que são transformadas no decorrer do caminho, pelo fato de que as crianças/adolescentes apresentam doenças que podem ser iguais ou diferentes. A criança no seu desenvolvimento cognitivo fica abalada com a sua internação, tem medo de ficar muito tempo no hospital, sem saber exatamente o que a trouxe à este local e acaba por transmitir sua angústia, sua inquietude para o seu lado emocional, cultural e social-afetivo. Com essa ansiedade seu comportamento muda, pode até se tornar um tanto agressiva com familiares e médicos, é nesse momento que o pedagogo faz a diferença no hospital, com um trabalho que vise mudar o comportamento dessa criança/adolescente. Acredita-se que a partir desse momento em que há interferência do trabalho do pedagogo junto a criança/adolescente, esta começa a compreender seu estado clinico, melhora seu comportamento, pois vê no pedagogo a certeza de que ele irá ajudá-la na sua melhora, e assim começa a ter controle sobre suas atitudes. Dessa forma, verifica-se que é imprescindível dentro do hospital um profissional com a técnica e a prática do pedagogo, que saiba lidar com essas circunstâncias que permeiam tal ambiente, pois o mesmo está inserido em um processo de ensinoaprendizagem tanto para o aluno/paciente quanto para si próprio. No momento em que o pedagogo envolve-se, ele faz um trabalho que se reveste de sentido humano e que se volta para um processo de humanização da prática, dentro do hospital. Neste contexto, sabe-se que a doença é um processo natural e que não se evita, que faz parte da vida do ser humano, pois é um sinal de que o corpo não está bem. Desse modo, o hospital deve proporcionar a intervenção pedagógica, pois essa intervenção garante a continuidade da vida escolar deste aluno/paciente não se prende só a saúde deles, mas também se dispõe como um fator importante no processo de humanização hospitalar. Verifica-se a importância de que diante da sociedade contemporânea, a educação e a saúde, vão se unir para desenvolver uma nova educação, que irá girar em torno de evidência para melhorar a vida e respectivamente sua qualidade. Desse modo, a humanização se faz outro ponto significativo na prática do pedagogo no hospital, que busca dar prosseguimento no desenvolvimento cognitivo-social, deste aluno/paciente. Para tal o educador utiliza métodos variados em sua prática educacional no ambiente hospitalar, como poderá ser observado no tópico a seguir. 33 5.2. OS MÉTODOS PEDAGÓGICOS UTILIZADOS NO HOSPITAL Com base nas leituras de Rodrigues (2012), Matos e Mugiatti (2001), Sikilero e Morselli e Duarte (1997) obteve-se como resultado que os métodos utilizados pelo pedagogo no hospital são os mais variados, entre eles destacam-se: atividades lúdicas, atividades corporais e educativas, que envolvem o brincar, ouvir, observar e aguçar a fantasia e imaginação. Acredita-se que a pedagogia quando chega ao ambiente hospitalar pretende fazer uma integração da criança hospitalizada com a família e com o mundo exterior, que contribui para integração social, oportuniza por meio de atividades a qualidade de vida intelectual e sócio interativa, porém, para que isso ocorra de forma significativa, se faz necessário que o profissional da educação tenha saberes especializados atrelados à prática histórica, na qual os mobiliza para o desenvolvimento de variadas relações, como as condições e aprendizagens e o mesmo necessita ser criativo e ousado para intervir e transformar. Percebe-se, que as práticas pedagógicas empregadas nos hospitais precisam romper algumas “doutrinas” didáticas para se tornarem práticas reflexivas capazes de construírem e reconstruírem saberes. Portanto, é importante estimular as discussões a respeito da formação desse profissional da educação, para que possa atuar de forma diferenciada na ótica da inclusão e da diversidade, em um espaço não formal de educação como é o hospital e que o mesmo seja valorizado como lugar onde se faz educação. Na pedagogia hospitalar os métodos pedagógicos utilizados para o desempenho das práticas educativas são bem variados e se diferem dos métodos tradicionais que se costuma observar nas escolas no ensino regular. Neste ambiente o pedagogo utiliza espaços físicos específicos para o desenvolvimento das atividades pedagógicas, a proposta é lúdica e utiliza-se dos seguintes recursos: pintura e colagem, jogos pedagógicos (cruzadinhas, caça-palavras, jogos dos sete erros, labirinto, bingo de letras, etc...), são utilizados também fantoches, cartazes, músicas, teatro, filmes, entre outros. Além dessas atividades há outras formas de ensinar que extrapolam a sala de aula, como a observação do aluno para verificar suas aprendizagens que envolvem o brincar, ouvir, observar como se comportam diante do mundo, das situações, das pessoas, demonstra assim, a importância do trabalho pedagógico de modo comprometido, que se evidencia no processo de educação, para minimizar as dificuldades encontradas pelos alunos hospitalizados. Todo esse processo e métodos pedagógicos envolvem: profissionais da saúde, pedagogo, família e o próprio aluno no processo de ensino aprendizagem que significa o 34 trabalho multi/inter/transdiciplinar. E para que o processo de aprendizagem ocorra de modo significativo, se faz necessário que as atividades pedagógicas estejam em um currículo pedagógico bem organizado, coerente, de forma a oferecer espaço para o talento das crianças, que no momento de doença não acompanham de modo regular o conteúdo curricular, importando-se com a inclusão e o desenvolvimento cognitivo das mesmas. Percebe-se que, com objetivos multidimensionais que o professor adota, como enfoque integrado de investigações científicas e vivências de práticas pedagógicas, em suas atividades, trabalha os aspectos preventivos e atua como agente facilitador dos processos cognitivos, que beneficia os alunos, seja quais forem suas dificuldades. No contexto hospitalar, compreende-se a importância do professor trabalhar cada aluno individualmente, com conteúdos de forma lúdica e descontraída, para que o mesmo se sinta a vontade e se interesse cada vez mais pelo saber. Deste modo, o professor identificará a dificuldade de cada aluno e trabalhará para minimizá-la. Logo, neste ambiente o pedagogo também desenvolve atividades psicopedagógicas nas áreas de linguagem, estudos sociais, ciências e matemática, as quais, são desempenhadas a fim de promover e facilitar o ajustamento socioemocional das crianças adoentadas. Neste sentido, crianças/adolescentes a realização de atividades pedagógicas com às internadas além de ser um direito garantido por lei (LDBEN/9394/96), oportuniza ainda a esses estudantes internos a vivência de metodologias pedagógicas que, além de ocupá-los, os mantém atualizados, nesse momento delicado, com os conteúdos da escolarização no qual se encontram suspensos de suas atividades diárias de suas escolas de origem. Percebe-se que essas atividades têm o objetivo, além de diminuir os prejuízos escolares, os de trabalhar a autoestima e o sentimento dos acompanhantes, transformam angústia e sofrimento em bem-estar e esperança. Com base nos resultados, acredita-se que os métodos pedagógicos utilizados dentro do ambiente hospitalar, devem ser específicos e adequados para cada caso de cada criança, devem respeitar as condições e limitações físicas e cognitivas das mesmas, assim como deve conter um currículo pedagógico bem organizado e coerente, com planos de trabalho flexíveis e variados, questões estas, que trazem muitas vezes, dificuldades na profissão do pedagogo dentro do contexto hospitalar, as quais serão mais exploradas no próximo tópico. 35 5.3. DIFICULDADES NA PROFISSÃO Com base nas leituras de Simancas e Lorente (1990), Chiattone (2003) e Rodrigues (2012) obteve-se como resultado que muitas são as dificuldades enfrentadas pelo pedagogo no hospital, como: a de uma formação continuada e especializada, a de não deixar de lado sua identidade, obter dentro do hospital lugares apropriados para a efetivação das atividades pedagógicas-educacionais, com a conciliação dos horários das medicações das crianças/adolescentes, o envolvimento com os profissionais da saúde, as questões emocionais, outra dificuldade é a flexibilidade do planejamento para o hospital. Verifica-se que muitas vezes o pedagogo hospitalar é comparado a um recreador, assistente social ou psicólogo. Porém, o mesmo no desenvolvimento de suas atividades pedagógicas, tem caráter essencialmente educativo e de humanização com as crianças/adolescentes, e que busca cada vez mais o reconhecimento profissional para sua atuação dentro do hospital. Por isso, a entrada efetiva do pedagogo no ambiente hospitalar, não deve ter essa comparação e o mesmo não pode deixar que os demais profissionais que trabalham neste mesmo ambiente desmereça sua função, ou mesmo o compare com outros profissionais como já foi mencionado. O pedagogo, como já foi abordado tem um trabalho diferenciado, que envolve educação e desenvolvimento sócio-afetivo, seu trabalho é único e importante para que a criança tenha um tratamento e atenção abrangente, cuidando da mesma em todos os aspectos. Para tal, o mesmo enfrenta a dificuldade de formação, por parte das universidades, que ainda deixam muito a desejar, pois, seus currículos ainda não atendem de forma mais específica a área da Pedagogia Hospitalar, fazendo-se necessário que o profissional após terminar sua graduação em pedagogia se especialize, por meio de um outro curso, sendo que este também necessita de um olhar mais específico para esta área de atuação, que é o hospital. Assim, o pedagogo precisa de uma formação não somente por parte das universidades, mas também por parte dos hospitais que oferecem este serviço, dando a estes profissionais da educação cursos de capacitação, assim como oferece aos outros trabalhadores da área da saúde. Acredita-se que ao desempenhar seu trabalho dentro de tal ambiente o educador encontra mais um desafio que é o de reunir as crianças em um mesmo local para desenvolver as atividades propostas, pois as mesmas têm horários diferenciados para exames e medicações, sem falar da fragilidade física de algumas crianças que se encontram mais debilitadas e com dificuldade para participar de determinadas atividades. Isso faz com que o educador tenha uma determinação para desenvolver suas atividades 36 juntos a essas crianças, que apresentam maior dificuldade de comparecer ao ambiente específico no qual se desenvolve as atividades. Assim, o educador, busca se interar mais sobre o quadro clínico dessas crianças, para poder preparar o seu planejamento de atividades, que se adéqüem a situação das mesmas, e que haja uma interação entre educador e paciente. Percebe-se então, que o educador tem sempre que manter um diálogo por meio da “escuta pedagógica” com o aluno/paciente, para facilitar a interação e que o mesmo possa ser avaliado e diagnosticado quanto seu desenvolvimento cognitivo. Porém, muitas vezes apesar do pedagogo se empenhar para ajudar essas crianças, ele se depara com situações frustrantes, ao ter notícias que algumas dessas crianças pioraram seu quadro clínico. Essas fragilidades físicas, emocionais e até mesmo o óbito de crianças, interferem na vida pessoal do pedagogo, influencia no seu trabalho, alguns têm dificuldade de administrar tais questões emocionais que são inerentes ao ser humano, muitas vezes incontrolável. Assim, o educador vence essa barreira, pois, seu trabalho não pode parar e muitas crianças precisam de seu auxílio, por isso, deve saber lidar com seu lado afetivo e adquirir controle emocional. Outra dificuldade que se observa no trabalho do pedagogo é a inter-relação com os demais profissionais do hospital, pois muitos ainda têm certo preconceito em relação ao trabalho do pedagogo, o preconceito que permeia neste ambiente, gira em torno da falta de conhecimento sobre o trabalho do pedagogo. Muitos profissionais que trabalham no hospital desconhecem a importância e o subsídio que este profissional tem para recuperação das crianças, e a colaboração que o mesmo pode trazer para os demais profissionais da saúde e respectivamente a família da criança/paciente, servindo de elo entre os mesmos. Neste sentido, o pedagogo faz seu planejamento flexível para o desenvolvimento de suas atividades para auxiliar a criança e estabelecer este elo, já mencionado no parágrafo anterior. Por isso, o planejamento também é outra dificuldade para o pedagogo no ambiente hospitalar, pois é bastante complexo, tem que levar em conta vários fatores, e ainda, lidar com os episódios imprevisíveis, típicos do processo de internação. Isto faz com que a coordenação das atividades se torne bastante peculiares, o que resulta em outra dificuldade considerável que se percebe é que o pedagogo hospitalar tem que ser, antes de tudo, um pesquisador e reformulador de suas práticas, pois a pedagogia hospitalar requer dinamismo e criatividade, para que possa elaborar os planos de aula e as atividades a serem desenvolvidas e isto requer do profissional certo tempo disponível, coisa difícil de encontrar com a rotina corrida da profissão. 37 No entanto, o educador necessita de esforço e determinação, para que seu trabalho seja desempenhado com sucesso e que seus objetivos sejam todos alcançados. Nunca se pode esquecer, que a criança é o principal foco do seu trabalho pedagógico. 38 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante da problemática “Quais os desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática educativa em hospitais?”, considera-se que este tema realmente passa por vários obstáculos e que, o pedagogo passa por uma série de discriminação e desvalorização do seu trabalho, junto às crianças/adolescentes que estão internados no hospital. Por mais que no ambiente hospitalar, tenham vários profissionais que cuidam dos pacientes, é preciso que haja também o pedagogo, pois seu trabalho contribui bastante para a recuperação do aluno/paciente, além de ajudar também os outros profissionais do hospital. Com o auxílio do pedagogo no hospital o período de internação pode ser diminuído, pois com tal trabalho as crianças evoluem em seu desenvolvimento cognitivo e passam a conviver melhor com sua doença. Para tal, o educador passa por muitos desafios, como a desvalorização de seu trabalho, pois muitos profissionais dentro do hospital ainda desconhecem a função do pedagogo o que necessita ser esclarecido, ainda mais, dentro deste ambiente de trabalho. Além deste desafio ainda tem que enfrentar a dor da perda de crianças/adolescentes que podem vir a óbito durante a internação. Por isso, a busca de autocontrole emocional é muito importante, para poder vencer tais desafios e lutar pelo seu direito de ser reconhecido no ambiente hospitalar. Deste modo, o educador faz a integração entre área da saúde e a educação para que possa haver a consolidação do objetivo comum, que é a recuperação da criança/adolescente. O trabalho do pedagogo é muito importante no ambiente hospitalar, por isso não deve ser desmerecido por nenhum outro profissional, pois o mesmo proporciona momentos de integração para as crianças/adolescentes internados. Cabe deste modo, a sociedade, reivindicar este direito que é de suma importância para o desenvolvimento das crianças/adolescentes que se encontram impossibilitados de frequentar a escola regular. Considera-se então que a pedagogia hospitalar ainda é algo que traz muitos desafios ao educador inclusive profissionais, pois, para trabalhar neste ambiente, precisa de uma formação específica e continuada, pelo fato do ambiente hospitalar ser peculiar e ter situações também diferenciadas da rotina de uma escola regular é que este profissional necessita de formação e preparo adequado para poder lidar com elas. Em vista disso, percebe-se a necessidade do próprio hospital, dar este suporte ao pedagogo, dando-lhe oportunidades de se preparar, por meio de cursos de especialização, para se aperfeiçoar e desenvolver melhor seu trabalho no hospital. Deste modo, percebe-se também que os cursos de Pedagogia precisam de um olhar atento às novas necessidades da educação e da formação do profissional 39 pedagogo, que possa fundamentar suas propostas curriculares a partir de pesquisas e práticas científicas multi/inter/transdisciplinares, em contexto hospitalar, que já ocorre em nosso país, tanto em instituições de ensino como em hospitais, para que esses profissionais tenham mais segurança quanto sua formação para trabalhar em tal ambiente. Portanto, fica o desafio de construir novos caminhos e buscar alternativas para que todo aluno hospitalizado não interrompa seu processo de aprendizagem, a fim de se tornar um cidadão que desfruta de seus direitos à educação, das suas necessidades intelectuais, cognitivas, psíquicas e de aprendizagem reconhecidas, independente do estado de adoecimento, deste modo, a criança/adolescente torna-se um ser crítico e atuante em nossa sociedade. Contudo, não se pretendeu com esta pesquisa concluir a referida temática, mas sim levantar discussões e levar reflexões acerca do trabalho do pedagogo nos hospitais, pois a Pedagogia Hospitalar, ainda é um assunto novo, que merece ser mais explorado e estudado, pois possui poucas publicações a respeito. 40 REFERÊNCIAS BASTOS, Cleverson Leite. Aprendendo a aprender: introdução à metodologia cientifica/ Cleverson Leite Bastos, Vicente Keller. -17. Ed. Petrópolis, RJ: vozes, 2004. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial. Brasília, DF. (Mensagem especial; v. 1) 1994. _______. Lei nº 9394-20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da República federativa do Brasil, Brasília, 23 de dezembro de 1996. _______. Ministério da Educação. Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações, Brasília; MEC/ SEESP, 2002. _______. Constituição (1988). 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