FACULDADES INTEGRADAS IPIRANGA
CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA
MARÍLIA DA SILVA RODRIGUES
MARISSA GABRIELLE GAIA DA SILVA
O PEDAGOGO NOS HOSPITAIS: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO TRABALHO DO
EDUCADOR
BELÉM
2013
MARÍLIA DA SILVA RODRIGUES
MARISSA GABRIELLE GAIA DA SILVA
O PEDAGOGO NOS HOSPITAIS: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO TRABALHO DO
EDUCADOR
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado as
Faculdades Integradas Ipiranga como requisito
obrigatório para obtenção do grau em Licenciatura
em Pedagogia.
Orientador: Prof. Me Marcelo Augusto Vilaça de
Lima
BELÉM
2013
MARÍLIA DA SILVA RODRIGUES
MARISSA GABRIELLE GAIA DA SILVA
O PEDAGOGO NOS HOSPITAIS: UMA REFLEXÃO A RESPEITO DO TRABALHO DO
EDUCADOR
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado as
Faculdades Integradas Ipiranga como requisito
obrigatório para obtenção do grau em Licenciatua em
Pedagogia.
Data:
/
/
Marília da Silva Rodrigues:
Nota____
Marissa Gabrielle Gaia da Silva: Nota____
Banca Examinadora:
___________________________________________
Orientador: Prof. Me Marcelo Augusto Vilaça de Lima
___________________________________________
Prof. Me Carmen Denise Gaia Cavalleiro de Macedo
___________________________________________
Prof. Me Giovana Cristina Pantoja de Souza
Dedicamos este trabalho à Deus, dono de toda sabedoria.
Às nossas famílias que sempre estiveram presente.
AGRADECIMENTOS
Nossos sinceros agradecimentos, a todos que de alguma forma, contribuíram para a
conclusão deste trabalho e que estiveram ao nosso lado durante este curso.
Agradecemos a Deus, por todas as bênçãos que nos concedeu, aos nossos pais por todo
amor e apoio que dispensaram a nós, ao longo deste curso.
Ao professor Marcelo Augusto Vilaça de Lima, por ter nos orientado na construção desta
monografia, por ser um profissional exemplar e pelas palavras de incentivo.
Aos professores que tornaram este ambiente de formação em um espaço vivo e efetivo de
aprendizagem.
Aos nossos colegas de classe, por tornarem os momentos vividos na faculdade únicos e
enriquecedores, os levaremos para sempre em nossas lembranças.
A toda turma PLPT09, foi muito bom estar com vocês, cada minuto de aprendizagem foi
muito significativo!
“A humanização é entendida como valor, na
medida em que resgata o respeito à vida
humana. Abrange circunstâncias sociais,
éticas, educacionais e psíquicas presentes
em todo o relacionamento humano.”
(Calegari, 2003, p.35)
RESUMO
Objetivou-se com esta pesquisa, investigar quais os desafios do pedagogo ao
desenvolver sua prática educativa em hospitais. Utilizou-se como proposta metodológica
um estudo bibliográfico com base nos autores, Ceccim (1997- 2010), Chiattone (2003),
Fonseca (1999), Matos e Mugiatti (2001- 2009), Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero,
Morselli e Duarte (1997), Rodrigues (2012), Simancas e Lorente (1990). Verificou-se que
a pedagogia hospitalar possui diversos significados, como o de desenvolvimento
cognitivo, cultural, emocional, afetivo e social das crianças/adolescentes internados, que
ocorrem por meio de um trabalho multi/inter/transdisciplinar, este trabalho proporciona um
ambiente mais humano e propício ao desenvolvimento do saber. A realização de tal
prática dentro do hospital requer métodos variados, que diferem dos métodos tradicionais
que se costuma observar nas escolas no ensino regular. Neste ambiente o pedagogo
utiliza espaços físicos específicos, para o desenvolvimento das atividades pedagógicas,
que abrangem propostas lúdicas e se utiliza recursos como: pintura e colagem, jogos
pedagógicos e outros. Verificou-se ainda que, como em qualquer outra profissão, o
educador na pedagogia hospitalar também encontra algumas dificuldades para
desempenhar seu trabalho, dificuldades essas, que vão desde encontrar um lugar
adequado para a aplicação das atividades até o preconceito por parte de alguns
profissionais dentro do hospital, que ainda não reconhecem o trabalho do pedagogo
como algo de suma importância para o desenvolvimento cognitivos e recuperação das
crianças internadas, assim, o educador precisa vencer essas dificuldades e superar seus
limites para realizar seu trabalho. Concluiu-se que a pedagogia hospitalar ainda é algo
que traz muitos desafios ao educador, tanto profissionais, quanto pessoais e emocionais,
tendo em vista, que o hospital é um ambiente com situações bem peculiares e
imprevisíveis que interferem no desempenho da sua prática.
Palavras-chave: Pedagogia hospitalar. Pedagogo. Desafios.
ABSTRACT
The objective of this research was to investigate what challenges the educator to develop
their educational practice in hospitals. Used as a bibliographic methodological proposal
based on the authors, Ceccim (1997- 2010), Chiattone (2003), Fonseca (1999), Matos e
Mugiatti (2001- 2009), Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero, Morselli e Duarte (1997),
Rodrigues (2012), Simancas e Lorente (1990). It was found that pedagogy hospital has
several meanings, such as cognitive, cultural, emotional, affective and social development
of children / adolescents admitted that occur through a multi / inter / transdisciplinary, this
work provides a more human and conducive to the development of knowledge. The
accomplishment of this practice within the hospital requires multiple methods that differ
from traditional methods that usually observed in schools in regular school. In this
environment the teacher uses physical spaces specific to the development of educational
activities, which include proposals playful and using resources such as painting and
collage, and other educational games. It was also found that, as in any other profession,
the educator pedagogy hospital also find some difficulties to perform their work, these
difficulties, ranging from finding a suitable place for the implementation of activities to the
prejudice of some professionals within hospital, which still do not recognize the work of
the pedagogue as something of paramount importance to cognitive development and
recovery of children admitted, so the teacher needs to overcome these difficulties and to
overcome their limits to perform their job. It was concluded that pedagogy hospital is still
something that brings many challenges to the educator, both professional and personal
and emotional, with a view that the hospital environment is a very peculiar and
unpredictable situations that affect the performance of your practice.
Key-words: Pedagogy hospital. Pedagogue. Challenges.
LISTA DE ABREVIATURAS
ECA -
Estatuto da Criança e do Adolescente
LDBEN -
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
MEC -
Ministério da Educação e Cultura
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 10
2. OBJETIVOS ................................................................................................................ 12
2.1. OBJETIVO GERAL ................................................................................................... 12
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS ..................................................................................... 12
3. REFERENCIAL TEÓRICO .......................................................................................... 13
3.1. HISTÓRICO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR NO BRASIL ....................................... 13
3.2. SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA HOSPITALAR ..................................................... 15
3.2.1 Conceituando pedagogia ..................................................................................... 15
3.2.2. No que consiste a pedagogia hospitalar? .......................................................... 16
3.3. O AMPARO LEGAL .................................................................................................. 18
3.4. A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EM HOSPITAIS ....................................................... 19
3.5. DESAFIOS DO PEDAGOGO NESSE NOVO CONTEXTO ....................................... 24
4. METODOLOGIA .......................................................................................................... 28
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO. .................................................................................. 31
5.1. OS SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA EM AMBIENTE NÃO ESCOLAR .................. 31
5.2. OS MÉTODOS PEDAGÓGICOS UTILIZADOS NO HOSPITAL................................ 33
5.3. DIFICULDADES NA PROFISSÃO. ........................................................................... 35
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................... 38
REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 40
10
1. INTRODUÇÃO
Diante da inteligência humana, que surpreende o mundo a cada dia, presencia-se
o progresso extraordinário das ciências e das técnicas, que se tornaram elementos
essenciais para a globalização. Porém, com a globalização, surgem os desafios
encontrados a cada passo na vida profissional e, que precisam ser superados com
inovação, para que se possa está inserido nesta nova era.
Essa globalização influenciou a abertura de novos horizontes sociais e mentais
para os indivíduos, adquiriu novos significados. Assim, o mercado mundial sofreu
mudanças quantitativas e qualitativas nas profissões, onde a renovação de técnicas foi
essencial para cada profissão. Para Santos (2006), nestas mudanças no mercado de
trabalho, perceberam-se as transformações na formação de alguns profissionais, na qual
se destacaram, a formação e competências do pedagogo, que neste momento histórico
da Pedagogia foram desmistificados velhos paradigmas a respeito da formação e
atuação do mesmo, assim surge um novo profissional, com uma práxis educativa
inovadora,
a
partir
de
novas
perspectivas formativas,
que providenciaram
o
enfrentamento atrevido do renascer desta carreira.
Neste contexto de novos significados das profissões, fez-se uma reflexão a
respeito da função do pedagogo, o mesmo era enfocado somente no espaço escolar,
desenvolvia o trabalho de docência, supervisão e orientação educacional. Hoje, porém,
percebeu-se que este profissional tem várias oportunidades de exercer sua profissão em
ambientes não escolares, inclusive nos hospitais.
Neste sentindo, o assunto pedagogia hospitalar tornou-se um tema pertinente de
reflexão dos docentes, que procuram pesquisar cada vez mais e compreender seu real
sentido, descobrir os enigmas e desafios que norteiam o seu trabalho, para que se possa
adquirir mais autonomia no mercado de trabalho.
A globalização no mundo tem proporcionado uma movimentação intensa nas
pessoas, que estão em meio a um acelerado processo de integração e reestruturação de
técnicas, na qual a enorme mistura de culturas e etnias se entrelaçam, desse modo
trocam seus conhecimentos e isso faz com que novas técnicas sejam descobertas, com
isso, amplia-se o mercado de trabalho. Neste contexto, percebe-se que o mundo está ao
alcance de todos, sem distâncias para o conhecimento, que por sua vez, torna-se mais
imprescindível para o sucesso.
No entanto, segundo Santos (2006), essa globalização traz um lado negativo, faz
com que as pessoas tenham um comportamento competitivo, que atualmente
caracterizam atos hegemônicos, todas essas mazelas são diretas ou indiretamente
atribuídas ao presente processo de globalização. Porém, a educação poderá fazer a
11
diferença e mudar tais atos, transforma as pessoas em seres mais humanizados, forma
cidadãos críticos, atuantes na sociedade como elemento essencial de transformação
social.
Segundo Santos (2006), diante dessa grande reestruturação de técnicas, e em
busca de uma globalização mais humanizada, o pedagogo começou a atuar em um novo
ambiente de trabalho, não se restringe apenas ao ambiente escolar, desfiado com novos
horizontes a serem desvendados, teve assim em vista, uma globalização mais humana.
Deste modo, o pedagogo assumiu um novo compromisso, o de atuar em ambiente
hospitalar, onde muitas crianças encontram-se internadas e sentem-se isoladas por
estarem afastadas de suas atividades habituais. Então a pedagogia hospitalar surge
como uma nova modalidade de educação, que leva esperança e conhecimento para
dentro do hospital, onde os enfermos devem receber um cuidado a mais, inserindo-os
socialmente e afetivamente.
Portanto, a presença do pedagogo é fundamental para que se desenvolva um
trabalho educativo junto às crianças/adolescentes internados. Este profissional
desenvolve no ambiente, atividades pedagógicas diferenciadas, proporciona aos doentes
oportunidades de continuar seu processo de aprendizagem, e isto diminui as chances de
depressão e de outras doenças decorrentes da internação, que poderiam agravar ainda
mais o caso da doença, a rotina de estudos e atividades pedagógicas ajudam na
recuperação e trazem de volta a autoestima.
Diante deste contexto, pretendeu-se investigar a seguinte problemática: Quais os
desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática educativa em hospitais?
Portanto, tal pesquisa teve como objetivo, investigar quais os desafios do pedagogo ao
desenvolver sua prática educativa em hospitais, Identificar os significados da pedagogia
em ambiente não escolar, reconhecer os métodos pedagógicos utilizados no
desempenho das atividades desenvolvidas no ambiente hospitalar, observar dificuldades
na profissão, a fim de, gerar reflexões a respeito da importância do trabalho do educador
no espaço hospitalar, pois a pedagogia hospitalar é uma modalidade de educação da
sociedade contemporânea, que merece um olhar diferenciado.
A partir disto, acredita-se que esta pesquisa, a respeito da pedagogia no ambiente
hospitalar, pode ser compreendida como um espaço de descobertas e de reflexões
capazes de ampliar conhecimentos. Para tais reflexões procurou-se responder as
perguntas: Quais os significados da pedagogia em ambiente não escolar? Quais são os
métodos pedagógicos utilizados no desempenho das atividades desenvolvidas no
ambiente hospitalar? Quais as dificuldades na profissão?
12
2. OBJETIVOS
2.1. OBJETIVO GERAL:
- Investigar quais os desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática educativa em
hospitais.
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Identificar os significados da pedagogia em ambiente não escolar;
- Reconhecer os métodos pedagógicos utilizados no desempenho das atividades
desenvolvidas no ambiente hospitalar;
- Observar as dificuldades na profissão.
13
3. REFERENCIAL TEÓRICO
O presente capítulo apresenta contribuições teóricas sobre a temática, Pedagogia
Hospitalar, constituindo fundamentos que embasam esta pesquisa. O capítulo engloba
cinco seções, sendo que a segunda possui duas subseções. A primeira seção focaliza o
histórico da Pedagogia Hospitalar no Brasil, bem como seu papel no contexto atual; a
segunda aborda os significados da Pedagogia Hospitalar, nesta encontram-se duas
subseções: uma conceitua Pedagogia e outra que explora melhor, no que consiste a
Pedagogia Hospitalar; a terceira aborda o amparo legal e apresenta as leis que garantem
educação à todas as crianças e adolescentes, independente da situação que estejam; a
quarta focaliza a atuação do pedagogo em hospitais, objeto de pesquisa do atual
trabalho, distinguindo-a da pedagogia que ocorre no ensino regular nas escolas e aponta
que a educação não está mais restrita ao ambiente escolar.
Os desafios do pedagogo nesse novo contexto é o tema central da quinta seção,
dando ênfase às dificuldades que este profissional enfrenta no ambiente hospitalar, para
realizar seu trabalho, que vai desde a pesquisa de sua prática, para um trabalho
direcionado e contemple as especificidades de cada indivíduo, até a flexibilidade no
planejamento de ensino.
3.1. HISTÓRICO DA PEDAGOGIA HOSPITALAR NO BRASIL
A consciência das pessoas a respeito de seus direitos cresce cada vez mais e
esse conhecimento tem passado por transformações constantes, de um lado o desejo
primordial da sociedade que se apresenta com um requisito efetivo à democracia; por
outro lado, as minorias sociais, têm seus direitos fundamentais, valorizados e contados
com o amparo legal, que obriga as instituições ao acolhimento distinto das minorias.
Na esfera educacional não é diferente, e juntamente com a iniciativa revigorante
do ensino público de qualidade, existe outras visões do acolhimento escolar diferenciado,
dirigido àqueles que por circunstâncias diversas são privados da frequência diária à
escola.
Neste contexto têm-se os mais prejudicados, que são os alunos, até mesmo os de
regiões distantes, que por motivo de doença e de internação se encontram afastados de
suas rotinas educacionais, prejudicados em seu desenvolvimento cognitivo. Por muitos
anos, não se pensou nesses alunos, privados dos seus direitos ao ensino durante o
período que estivessem internados. Diante dessa problemática surge uma nova
modalidade de educação, a pedagogia hospitalar, surgiram também novos espaços
14
dentro dos hospitais, para que o pedagogo desenvolvesse as atividades educacionais
com as crianças: as classes hospitalares e as brinquedotecas.
Segundo Fonseca (1999), a primeira Classe Hospitalar foi criada no Brasil, em
1950, mas especificamente no estado do Rio de Janeiro, na Escola Hospital Menino
Jesus e objetivava com isto, o acolhimento de crianças internadas, para que, em seus
retornos às escolas regulares pudessem dar continuidade a seus estudos normalmente.
Até então, os alunos que estivessem submetidos à internação e consequentemente ao
afastamento das atividades escolares, eram submetidos à solução de dar continuidade as
aulas, acabavam muitas vezes reprovados ou na melhor das hipóteses, eram promovidos
a série seguinte, sem os conhecimentos necessários para tal.
Essa ação foi considerada um marco no campo nacional, como início da
pedagogia hospitalar e permitiu que anos após esta data, mais precisamente em 1958,
fosse contratada mais uma professora, Ester Lemes Zaborowiski, para atendimento de
alunos em hospitais. O trabalho educacional no hospital teve resultados positivos, fez
com que, no ano de 1960, se iniciasse o mesmo serviço em outro hospital, o Hospital
Barata Ribeiro; apesar da avaliação do trabalho ter sido positiva, não tinha apoio do
estado e contou somente com o apoio das direções dos hospitais.
Foram necessários vários anos para que as autoridades instituídas, para o
exercício da educação, fossem forçadas a aceitar e normatizar a pedagogia hospitalar,
teve como fator decisivo a Constituição Federal Brasileira de 1988, que diz: “Art. 6º - São
direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a
previdência social, a proteção a maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição”. (BRASIL, 1988)
Desta forma, induzidas pela determinação constitucional, as autoridades
educacionais observaram a previsão judicial para que a assistência educacional
hospitalar fosse regularizado e obrigatoriamente instituído, isto foi efetivado em 1990, na
Lei Federal nº 8. 069, que segundo o artigo 3º do Estatuto da Criança e do Adolescente
(1990):
A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à
pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que tratam leis,
assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades, a fim de
lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em
condições de liberdade e de dignidade. (BRASIL, 1990)
Deste modo, por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente hospitalizado,
resolução nº 41 de outubro de 1995 item 9, a legislação reconheceu o “Direito da criança
e do adolescente desfrutar de alguma forma de recreação, programas de educação e
saúde, e acompanhamento curricular durante sua permanência hospitalar”.
15
Pode-se dizer que a pedagogia hospitalar é algo recente, e diante disto, o
pedagogo tem se adaptado a este novo ambiente de trabalho, desenvolve atividades que
ajudam a dar sequencia ao processo de ensino-aprendizagem de crianças e
adolescentes internados, de maneira a colaborar com a redução dos prejuízos causados
pelo afastamento das escolas, muitas vezes por longo período. Considera-se o trabalho
pedagógico de grande relevância dentro do hospital e se faz necessário observar quais
são os verdadeiros significados desta pedagogia, assunto que será melhor abordado na
seção a seguir.
3.2. SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA HOSPITALAR
Embora ainda não tenha um número expressivo, o atendimento pedagógico
hospitalar já é realidade, em diversos hospitais no Brasil, onde os profissionais do campo
da pedagogia e outros profissionais da educação, desenvolvem práticas educativas em
"classes hospitalares" com às crianças/adolescentes internados, e assegura o
compromisso com a educação e saúde dos mesmos, tanto no campo cognitivo quanto no
afetivo.
De acordo com Ceccim (2010), as classes hospitalares não encerram o conceito
de atendimento pedagógico, nem compõem a presença de uma escola regular no interior
dos hospitais, o seu principal diferencial é atender as demandas em desenvolvimento,
este é o requisito exigido para o cuidado integral à saúde das crianças/adolescentes
internados, por longo período, e assim garantir um tratamento eficaz, pois isso influencia
totalmente nas suas recuperações, do contrário, poderá implicar na vulnerabilidade da
saúde das mesmas.
3.2.1. Conceituando pedagogia
Antes de se discutir a Pedagogia Hospitalar se faz necessário conceituar o termo
Pedagogia, que de acordo com o Ferreira (2000), é um conjunto de teorias, princípios e
métodos de educação e instrução que se estende a um objetivo prático, é a ciência da
educação e do ensino.
Para Libâneo (2002), a pedagogia ocupa-se, dos métodos educativos,
procedimentos, maneiras de ensinar, além de tudo, ela tem um significado mais amplo,
mais globalizante. Pedagogia é uma área do conhecimento, que trata acerca da
16
problemática educacional de um modo geral e ao mesmo tempo é uma diretriz
orientadora de ação.
Pode-se então dizer que a pedagogia é a parte normativa do conjunto de
conhecimentos que é necessário adquirir, para que se possa desenvolver uma prática
educativa de forma significativa; ela é a parte do saber que está ligada à razão, não só a
razão instrumental, mas também aquela que inclui razoabilidade; racionalidade do saber
conviver; da tolerância e até mesmo, do amor.
O profissional formado em Pedagogia nos cursos de graduação, na categoria de
licenciatura, recebe o nome de pedagogo. Por ser abrangente a pedagogia, engloba
diversas disciplinas, que formam três grupos: disciplinas filosóficas, disciplinas cientificas
e disciplinas técnico-pedagógicas, servem de base teórica para formação acadêmica do
mesmo.
Com a moderna concepção de currículo, o pedagogo tem sido reformador de suas
práticas, antes vista somente em ambientes escolares hoje se pode observar sua
atuação em diversos ambientes, inclusive o hospitalar. O pedagogo especializado na
área hospitalar estará habilitado a desenvolver, dentro do hospital, ações pedagógicas e
projetos sociais e educacionais, que envolvem não só a criança/adolescente internado,
mas também todos que integram aquele ambiente como: pais, acompanhantes, equipe
de saúde, voluntários, etc.
Sendo o pedagogo um profissional que trabalha com fatos, situações e contextos,
acerca da prática educativa em suas várias modalidades e manifestações, este é o
profissional indicado a desenvolver neste ambiente, atividades que irão auxiliar o pleno
desenvolvimento da criança/adolescente hospitalizado.
3.2.2. No que consiste a pedagogia hospitalar?
Nestas perspectivas de reformas de práticas pode-se notar a renovação dos
fundamentos epistemológicos do saber dos educadores. Para Rodrigues (2012), a
epistemologia da prática profissional é o estudo do conjunto dos conhecimentos utilizados
pelos profissionais em seu ambiente de trabalho, no seu dia-a-dia para desempenhar
suas atividades, tem-se a noção de saber, um sentido que abrange os conhecimentos, as
habilidades/aptidões, as competências e as atitudes, ou seja, o saber-fazer e saber-ser.
A partir dos anos 1990 aos dias atuais, a pedagogia tem sofrido alterações
significativas no seu currículo, porém, percebe-se que a pedagogia hospitalar neste curso
precisa de um olhar diferenciado e atento às novas necessidades de educação e da
formação desse profissional pedagogo, de forma a habilitá-lo e capacitá-lo para atuar
neste tipo de ambiente, onde se têm situações de fragilidade por conta de doenças.
17
Portanto,
é
necessário
que
o
educador
esteja
preparado
e
comprometido
profissionalmente com o ser humano e com as situações que vai enfrentar. Freire (1981,
p.79), explicita esse compromisso e responsabilidade com a sociedade enquanto
educador:
Quanto mais me capacito como profissional, quanto mais sistematizo minhas
experiências, quanto mais me utilizo do patrimônio cultural, que é patrimônio de
todos e aos quais todos devem servir mais aumento minhas responsabilidades
com os homens. Não posso, por isso mesmo, burocratizar meu serviço de
profissional, servindo, numa inversão de valores, mais aos meios que aos fins
dos homens.
Desde a década de 1950 aos dias atuais, tem-se percebido a ação do pedagogo
nos hospitais, na busca de atender a crianças e adolescentes internados por determinado
período.
Assim, para Rodrigues (2012), a pedagogia nos hospitais é como um item da
educação, que oferece à criança/adolescentes uma recuperação mais suavizada, por
meio de atividades-lúdicas pedagógicas e recreativas, além de prevenir o atraso escolar,
que poderia ocorre pelo afastamento da sala de aula onde estuda originalmente.
Deste modo, a criação da classe hospitalar teve a finalidade de assegurar as
crianças o prosseguimento das atividades pedagógicas educacionais, a fim de diminuir os
prejuízos causados pelo afastamento da escola. Segundo Matos e Mugiatti, (2001p. 37):
A pedagogia hospitalar, por suas peculiaridades e características, situa-se numa
inter-relação entre os profissionais da equipe médica e a educação. Tanto pelos
conteúdos da educação formal, como para a saúde e para a vida, como pelo modo
de trazer continuidade do processo a que estava inserida de forma diferenciada e
transitória a cada enfermo.
A pedagogia hospitalar surge como inovação comunicativa no hospital, rompe
barreiras do ensino e acata a novas exigências da educação. Percebe-se que é muito
grande a necessidade das crianças de terem um acompanhamento educacional, feito por
um profissional habilitado na área, no qual olhará criança como um todo e conhecerá o
seu contexto, pois se sabe que o meio em que ela vive pode influenciar no seu processo
de aprendizagem.
Portanto, a prática pedagógica no hospital, mostra que é possível educar fora da
sala de aula, trabalha o desenvolvimento intelectual da criança, junto com o afetivo e
social, a fim de possibilitar a integração da equipe pedagógica, a criança/adolescente,
equipe médica geral e família, tendo em vista seu bem-estar e sua breve recuperação, já
que o seu cognitivo está diretamente relacionado com seu emocional e sua saúde, e ao
compreender seu estado clínico, a criança poderá ter maior controle sobre sua angústia e
isto favorece à sua saúde.
18
Diante da importância da Pedagogia Hospitalar criaram-se leis que amparam a
criança/adolescente, neste momento de fragilidade que se encontra internado, o tópico
seguinte discutirá melhor acerca do amparo legal.
3.3. O AMPARO LEGAL
Sabe-se que a educação é um direito garantido por lei à todas as crianças e
adolescentes, independente da situação em que estejam. As mesmas, também têm o
direito de continuar suas atividades educativas mesmo enfermas. Portanto, o acolhimento
escolar à crianças/adolescentes internados esta defendida pela constituição Federal, Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) e Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizados (resolução n.
41 de 13/10/95).
Neste sentido, se faz necessário o acompanhamento feito por um profissional
habilitado para desempenhar atividades pedagógicas, a fim de auxiliar os alunos
internados a continuarem seus estudos, pois os mesmos enfrentam situações tão
complicadas como as doenças. Para tais atividades acontecerem é preciso que se tenha
um ambiente adequado dentro do hospital, que as crianças tenham o acompanhamento e
desenvolvam seu cognitivo com mais tranquilidade e acolhimento.
Deste modo, têm-se as classes hospitalares, que são ambientes apropriados para
receber alunos em situações peculiares, em circunstâncias de internamento.
Conforme a política do Ministério da Educação e Cultura (MEC), Classe Hospitalar
é um ambiente dentro do hospital, que permite a assistência educacional de
crianças/adolescentes internados e que precisam de educação especial, pois estão em
tratamento (BRASIL, 1994).
Assim, o parágrafo 2º do artigo 58 da LDBEN, LEI 9394/96, de 20 de dezembro de
1996, enfatiza que:
O atendimento educacional será feito em classes escolares ou serviço
especializado sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não
for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular. (BRASIL,
1996)
Portanto, segundo o Ministério da Educação e Cultura (MEC), a classe hospitalar
é designada como um atendimento pedagógico-educacional que ocorre em ambientes de
tratamento de saúde (BRASIL, 2002).
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), foi o ponto
de partida à formalização do funcionamento das classes hospitalares, determinou-se
19
então aos governos que garantissem atendimento educacional especializado gratuito aos
alunos com necessidades especiais, sobretudo no ensino regular.
Embora as classes hospitalares sejam regulamentadas e legalizadas pela Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96), objetiva dar continuidade ao
ensino dos conteúdos escolares, percebe-se que os professores nem sempre são
preparados e qualificados para atuar nesses espaços.
Diante disto, faz-se necessário o preparo de um profissional, que possa atuar de
forma significativa nos hospitais para desempenhar seu papel de educador e preparar
esses alunos não só em nível intelectual, mas também desenvolver um trabalho social,
despertar em seus alunos um caráter humanista e que possam atuar em sociedade como
cidadãos conscientes de seus direitos e deveres.
Neste contexto, se faz necessário à presença de um profissional capacitado para
desenvolver atividades didáticas, lúdico-educativas a fim de favorecer o aprendizado
dessas crianças, para que não tenham prejuízos no seu desenvolvimento educacional.
Assim, a assistência pedagógica-educacional deve atender as necessidades e interesses
dos alunos-pacientes. Deste modo, Fonseca (1999) afirma que as classes hospitalares
dão continuidade ao ensino e as atividades pedagógicas da escola de origem da criança,
ajustando-se a cada faixa etária, que objetiva sanar dificuldades de aprendizagem e
oportuniza a aquisição de novos saberes.
Matos e Mugiatti (2001) orientam para o fato de que a pedagogia hospitalar
oferece a criança internada, a valorização de seus direitos à educação e à saúde, e
também no que diz respeito ao espaço que lhe é devido enquanto cidadão do futuro.
Neste sentido, os pedagogos rompem com os paradigmas tradicionais, que
educação ocorre apenas em sala de aula e escolas regulares, e ocupam espaços
alternativos de escolarização, no caso dos ambientes hospitalares, ou seja, um fazer
pedagógico diferente. A pedagogia hospitalar se faz necessária, pois crianças internadas
precisam continuar seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, social e manter suas forças
vitais para a construção de si mesmas e das relações com o mundo.
Por isso, o pedagogo entra neste novo ambiente de trabalho e atua de forma
significativa como será exposto no tópico a seguir.
3.4. ATUAÇÃO DO PEDAGOGO EM HOSPITAIS
Abordar a prática do pedagogo em hospitais é desafiante e divergente, visto que
há uma possibilidade ampla deste trabalho, mas ao mesmo tempo percebe-se a
escassez do mercado de trabalho para este profissional.
20
Neste sentido, observa-se que a educação não está mais restrita somente ao
ambiente escolar, tendo agora uma nova oportunidade de colaboração ativa no âmbito
hospitalar.
A forma de ensinar extrapola a sala de aula, a observação do aluno para verificar
suas aprendizagens, que envolvem brincar, ouvir, observar como se organizam
diante do mundo, das coisas e das pessoas, demonstram a importância do
trabalho pedagógico, em espaços alternativos de modo competente e responsável
que se evidencia no processo de observação, avaliação e intervenção, para
minimizar as dificuldades dos alunos. (RODRIGUES, 2012 p. 85.)
Diante disto, Libâneo (2002), afirma que, verifica-se hoje, uma prática pedagógica
variada na sociedade, que extrapola o âmbito escolar formal e abrange esferas amplas
da educação informal e não formal.
Deste modo, devido às habilidades deste profissional é inaceitável que sua prática
fique só no ambiente escolar, se estende agora ao ambiente hospitalar.
Neste local o atendimento pedagógico deve ser de qualidade, de modo que haja
recreação e obtenção de novos olhares, para que nesse novo cenário da educação
adentre de forma pertinente, onde o pedagogo tenha uma atuação valorizada na
sociedade moderna.
De acordo com Matos e Mugiatti (2001), a Hospitalização Escolarizada é a
constituição de um espaço temporal diferente, na qual as condições de aprendizagem
fogem à rotina escolar, pois o aluno é uma criança/adolescente adoentado, e este espaço
tende a atender de forma individualizada ao aluno, que desenvolve um projeto
pedagógico especifico que faz a relação à sua escola de origem.
O trabalho pedagógico-educacional no ambiente hospitalar é importante para a
legitimação do profissional e o reconhecimento diante das políticas públicas, pois é uma
perspectiva nova que se torna pertinente e necessária, tanto para o pedagogo quanto
para a equipe hospitalar, pois, se pretende buscar a melhora para o aluno/paciente,
estimula a continuidade de seus estudos, as barreiras são derrubadas pela
aprendizagem, e mostra que o hospital pode ser um espaço de plena oportunidade de se
desenvolver em meio à situação que se atravessa neste momento de doença.
No caso da Pedagogia Hospitalar, as práticas pedagógicas em alguns momentos
precisam manter com uma “doutrina” didática, tornarem-se uma prática reflexiva
capaz de construir e reconstruir novos saberes. (RODRIGUES, 2012, p. 82.)
O hospital é um centro de educação, que necessita de um trabalho pedagógico
específico que busca se importar com os fatores sociais e psicopedagógicos. Neste
contexto, o trabalho do pedagogo vem com objetivo de “lidar com os fatos, estruturas,
contextos, situações, referentes à prática educativa em suas várias modalidades e
manifestações” (LIBÂNEO, 2002, p. 52). Visto que a habilidade deste profissional é
21
insubstituível na recuperação dos alunos/pacientes, pois o mesmo não possibilita
somente a integração do escolar, mas também dá assistência em todos os aspectos que
ocasionaram o afastamento da criança/adolescente do seu cotidiano.
Neste contexto, o pedagogo não é um simples mediador do conhecimento, mas
sim um profissional que está disposto ajudar de forma significativa à recuperação da
criança/adolescente, e vem mostrar que seu trabalho é de suma relevância, e que, não
tem outro que o possa substituir. Sendo assim, Nascimento e Haeffner (2003), ressaltam
que o pedagogo no ambiente hospitalar, percebe as necessidades dos seus pacientes e
toma a iniciativa de derrubar barreiras, e vencer a indiferença, para alcançar seu objetivo.
Contudo, percebe-se que o processo cognitivo envolve-se com o afetivo, por meio das
relações que têm com o paciente e neste caso é preciso que o pedagogo tenha equilíbrio
emocional para realização efetiva do seu trabalho.
Para o educador desenvolver seu trabalho, é necessário que o hospital tenha um
espaço que seja diferenciado para a concretização do mesmo, onde as paredes sejam
pintadas de cores diferentes, que disponibilize materiais adequados para aprendizagem,
de modo que, o espaço adquira com a aparência um espírito alegre para receber seus
pacientes. Neste local, serão realizadas atividades lúdicas, atividades corporais e
educativas,
que
levará
em
consideração
o
estado
de
doença
que
cada
criança/adolescente está passando para que sua aprendizagem seja significativa.
Dentro dessas atividades o lúdico, o brincar, também é imprescindível para que
crianças/adolescentes internados, sejam envolvidos não somente por se tratar de
momento de lazer, mas como um momento de criatividade e interação. Deste modo, o
direito de brincar da criança hospitalizada, garantida pela lei nº 11.104, de 22 de março
de 2005, dispõe da criação de brinquedotecas nos hospitais, que proporcione
acolhimento pediátrico em regime de internação (BRASIL, 2005).
Esta lei passou a existir a partir dos movimentos de humanização nos hospitais,
que defendem a inclusão de brinquedos em tal ambiente, os quais fazem parte do
tratamento terapêutico dispensado às crianças/adolescentes hospitalizados, sendo
assim, reconhecidas as necessidades infanto-juvenis e do papel da brincadeira na
promoção do bem-estar físico, mental e social neste ambiente.
Assim, segundo Sikilero, Morselli e Duarte (1997, p. 59), as atividades lúdicas são
necessárias, pois:
O brinquedo é uma forma de comunicação universal, através do qual as crianças
fazem suas primeiras descobertas do mundo que as rodeia. É pelo brincar que a
recreação se constitui em programação a ser oferecida como recurso de
educação e de saúde.
22
Em meio a esse momento sensível, o pedagogo não pode deixar de lado o
brincar, pois o paciente necessita dessa etapa da vida para se desenvolver em meio a
sociedade, é por meio do brinquedo que a criança aprende a socializar, a se comunicar
com o próximo. Por isso o brincar é uma terapia, na qual sua importância é vital para a
sua recuperação. Neste sentido, o pedagogo propõem momentos em que leva em
consideração a importância da fantasia, a imaginação do ser humano, em que os
pacientes não deixem de sonhar, de ter desejos, e que não percam a razão de viver, pois
aguça cada vez mais o imaginário da criança e a mesma terá uma melhor perspectiva de
sua recuperação. O trabalho do pedagogo no ambiente hospitalar é de motivação, de
estímulo, para que a recuperação da criança seja efetiva. O pedagogo quebra
paradigmas, pois ele é o agente de mudança, que contribui de forma não parcial, porém
de
forma
integral,
procurando
permear
a
interação
de
um
trabalho
multi/inter/transdisciplinar que privilegie o escolar hospitalizado.
A relação do pedagogo com o aluno/paciente e sua doença é de reflexão, pois o
mesmo adquire novos conhecimentos, lida com suas emoções e seus desafios a serem
enfrentados e superados no decorrer deste processo.
A compreensão da criança em relação ao trabalho pedagógico será uma nova
forma de pensar, de lidar com a experiência de hospitalização, pois a mesma não
terá seu desenvolvimento cognitivo comprometido perante a este momento
sensível em que a criança se encontra. (CECCIM, 1997 p. 76)
Com o trabalho do pedagogo, a criança reagirá ao tratamento da doença e sua
educação continuará sendo desenvolvida, pois assim a criança se transformará em
sujeito da sua recuperação e a mesma irá compreender e se relacionar com o meio que a
cerca.
A criança quando não pode frequentar a escola por motivo de doença, a mesma
tem seu direito de receber auxílio no hospital definidas nas leis Brasil (1996):
Segundo a Lei de Diretrizes de Bases 9394/96 (Art. 58 & 2°), o atendimento
educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre
que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua
integração nas classes comuns de ensino regular, o Estatuto da Criança e
Adolescente (Cap. IV, Art. 53). A criança e o adolescente têm direito à educação,
visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da
cidadania e qualificação para o trabalho e Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente (Resolução n. 41, de 17/10/95, & 9) direito de desfrutar
de alguma forma de recreação, programa de educação para a saúde,
acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência no hospital.
Neste momento torna-se importante a classe hospitalar para ajudar na
recuperação da criança enferma, pois se sabe que, o dia-a-dia no hospital é de altos e
baixos, e é preciso um preparo didático-pedagógico, estrutura psicológica, força de
23
vontade e flexibilidade para atender este paciente, e para isso o pedagogo é o mais
indicado a assumir este trabalho dentro do hospital.
Assim, o pedagogo deverá se preparar para acolher esta criança e acompanhá-la
no seu desenvolvimento cognitivo, no seu processo de aprendizagem e a partir do
contato com a escola, trabalhar os conteúdos curriculares, para evitar que a mesma
tenha prejuízos escolares. De acordo com Ceccim (1997), o pedagogo deve permitir-se
transversalizar pelo que a criança expressa, pelo que ela diz, para que o mesmo se torne
capaz de ajudá-la a transformar a experiência de sua doença e de sua rotina no hospital,
em desenvolvimento de seu cognitivo e que assim se aproprie do mundo.
Neste contexto, a “escuta pedagógica” necessita unir-se ao cerne das ações, na
qual a criança é o centro, no sentido de construir um novo ambiente no tratamento da
doença e do paciente, de modo a apresentar esta questão cognitiva ao núcleo das
preocupações, de forma a unir o procedimento terapêutico, aos aspectos cognitivos e
sócio-afetivos. Nessa união, o trabalho pedagógico surge como elemento que contribuirá
de maneira significativa para a inteira recuperação da criança.
Observar a criança em seu contexto geral e considerar as questões cognitivas no
processo de recuperação, de forma a transformar suas experiências de internação em
elementos de aprendizagem, é imprescindível na construção desse trabalho em que se
registra a “escuta pedagógica”. Portanto, é necessário ampliar sua compreensão.
A visão holística sobre a criança, ativada pela “escuta pedagógica“, deve adquirir
uma dimensão que excede a escuta, é indispensável que se estabeleça um diálogo com
a mesma, item fundamental no processo educacional.
Como ressalta Fontes (2005), a escuta pedagógica é diferenciada da escuta
realizada pelo assistente social ou pelo psicólogo no hospital, pois traz a construção do
conhecimento, de forma lúdica e didática, sobre aquele espaço, aquela rotina que a
criança vive diariamente durante sua internação: A escuta pedagógica é uma escuta que
traz resultados positivos, faz nascer o diálogo, base da educação.
Deste modo, o pedagogo fará a diferença tanto na área do conhecimento
científico, quanto no conhecimento popular dentro do hospital, e possibilitará à criança
ser parte do seu processo de autonomia e integração do seu tratamento. Assim, a criança
adoentada terá uma boa relação no ambiente hospitalar, na qual sua opinião será
respeitada por todos do hospital.
Sendo assim, a Classe Hospitalar têm o objetivo de subsidiar a continuação da
vida escolar dentro do hospital e a função de ajudar na superação da enfermidade em
que a criança se encontra e também dá suporte para o desenvolvimento do sócio-afetivo.
Atuando não só com atividades que estão relacionadas aos conteúdos escolares, mas
tendo a autonomia de elaborar atividades que visam o desenvolvimento cognitivo e
24
psíquico dos pacientes, de forma a ajudar na sua reintegração e retorno de suas
atividades escolares e sociais.
Diante disto, o pedagogo neste ambiente encontra desafios que ao longo do seu
trabalho, tende a serem vencidos, o tópico a seguir vêm discutir esta temática.
3.5. DESAFIOS DO PEDAGOGO NESSE NOVO CONTEXTO
Com o âmbito hospitalar conquistado, o pedagogo não pode deixar que sua
identidade se perca neste espaço, se faz necessário que ele se torne um grande
pesquisador de sua prática, em qualquer lugar, principalmente na pedagogia hospitalar,
que por sua vez tem pouca produção acerca desta temática.
São vários os desafios que o pedagogo enfrenta no ambiente hospitalar um deles é
a questão da formação especializada para atuar no espaço não escolar, na qual se faz
necessária uma formação específica e continuada, pois o ambiente hospitalar é bem
peculiar e se tem situações também diferenciadas da rotina de uma escola regular. Isto
requer preparo adequado para poder lidar com elas.
Em vista disso, apesar do curso de pedagogia vir sofrendo alterações significativas
em seus componentes curriculares, percebe-se que a inserção da pedagogia hospitalar
neste curso, ainda precisa de um olhar atento às novas necessidades da educação e da
formação do profissional, pois segundo Rodrigues (2012), a universidade deve capacitar
os futuros profissionais da área pedagógica para que exerçam práticas educacionais para
além da sala de aula.
Neste sentido, segundo Matos e Mugiatti (2009), a pedagogia hospitalar lança um
desafio aos cursos de pedagogia e demais licenciaturas, para fundamentar suas
propostas
curriculares,
a
partir
de
pesquisas
e
práticas
científicas
multi/inter/transdisciplinar em contexto hospitalar o que ocorre em nosso país, tanto em
instituições de ensino como em hospitais.
Deste modo, não cabe só a universidade especializar o pedagogo, porém percebese a necessidade do próprio hospital dar este suporte ao educador, pois, o mesmo
disponibiliza cursos de aperfeiçoamento profissional para os demais profissionais da
saúde. Portanto, o profissional da educação que atua dentro do hospital deve ter as
mesmas oportunidades de se aperfeiçoar por meio de cursos de especialização para que
desenvolva melhor seu trabalho neste ambiente.
A partir disto, o pedagogo, deve refletir, construir e registrar, para conceituar o que é
essa nova prática, pois a mesma é diferente de quando está na sala de aula, porque não
atua no ensino regular, não lida com crianças “saudáveis”, que tem vida ativa a todo
25
tempo. No contexto hospitalar se tem outra forma de aprendizagem, ou seja, específica
para cada caso.
O pedagogo deve ter o olhar cauteloso de não transferir a escola para o hospital,
porém, precisa ter a visão de que há alguns pontos relevantes na escola e que se pode
levar para o âmbito hospitalar, como é o caso da socialização, essencial para o
desenvolvimento cognitivo, social e afetivo, pois a criança necessita do contato com o
outro, para que seu desenvolvimento ocorra de forma significativa.
Outro desafio que o pedagogo enfrenta dentro do hospital é saber claramente qual
é o seu papel, para que não exerça função que não lhe compete, como por exemplo, o de
recreador. Entretanto sabe-se que a brincadeira é essencial para o desenvolvimento da
criança/adolescente, mas não se restringe somente a isso, o pedagogo deve saber limitar
a recreação e saber quando começar o trabalho de cunho mais educacional, respeitando
o limite de cada criança.
Outro desafio é conseguir realizar as atividades educativas, nos espaços
apropriados, no caso da classe hospitalar, com as crianças todas juntas, pois muitas têm
horários diferenciados para tomar medicação ou para fazer exames, com isso o
pedagogo tem que ter a flexibilidade no seu planejamento, não só em relação aos
horários das atividades, mas também no que diz respeito ao conteúdo e a faixa etária das
crianças.
No ambiente hospitalar outro desafio encontrado pelo pedagogo é o de se
envolver com as questões da área da saúde, para que o mesmo tenha o conhecimento
do prontuário médico de cada criança, e assim possa desenvolver um trabalho
pedagógico dentro dos limites clínicos das mesmas. A par do quadro médico de cada
criança o pedagogo poderá explorar essas informações e a partir disto transformar em
conhecimentos sistematizados.
Neste ambiente, a criança continuará a aprender e a se desenvolver, interagir e
submeter-se a novas experiências, poderá continuar a sua vida normalmente dentro de
suas limitações. Desse modo, a pedagogia hospitalar é uma pedagogia vitalizada como
afirma Simancas e Lorente (1990, p. 73):
[...] uma pedagogia da vida e que por ser um processo vital, constante
comunicação experimental entre a vida do educando e a do educador, cujo
diálogo em torno de questões de viver, do sofrimento e do prazer, não finaliza
nunca.
O pedagogo hospitalar vivencia sensações, emoções de forma intensa e procura
lidar com elas da melhor forma possível, e tenta não demonstrar suas fragilidades
emocionais às crianças para que isso não as afete.
26
Aprender com as sensações e emoções é dar maior sentido ao ensino e as
evidências cognitivas com que operam o ensino-aprendizagem. Sendo assim, o ensino
na realidade do hospital não terão os mesmos processos que os de uma escola regular.
No hospital as condições são mais amplas e a palavra da criança é prioridade. Com isso,
o pedagogo tem o desafio de fazer com que a criança se sinta a vontade e se expresse,
falando de seus medos e desejos, considerando-a o centro do trabalho e não a doença.
Vygotsky (2000) enfatiza a importância da expressão oral da criança, quando diz
que, por meio da expressão, a linguagem organiza o pensamento. Por meio de uma
conversa aparentemente inocente, a criança pode descobrir coisas que ela não havia
percebido antes. Muitas vezes pode ser algo relacionado à sua doença ou a uma dor,
etc., a atividade em grupo proporciona momentos de socialização de conhecimentos, na
qual experiências são contadas e assim as crianças aprendem umas com as outras, isso
ocorre quando o pedagogo proporciona, por meio de atividades grupais, o que favorece
trocas de conhecimentos.
Nestas horas, em que há maior interação entre as crianças, seja em uma
conversa informal ou por meio de brincadeiras, o pedagogo deve observar os assuntos
abordados pelas mesmas para que a partir daí possa iniciar o trabalho pedagógico.
Assim, o pedagogo tem que aproveitar qualquer experiência, por mais dolorosa que seja
para enriquecer e transformar o sofrimento em aprendizagem.
Chiattone (2003), afirma que o objetivo da brincadeira e da socialização não é
fazer com que as crianças brinquem por brincar, mas sim que por meio do brinquedo,
verbalizem e elaborem seus sentimentos enquanto pacientes. Pois para a criança, o
brincar também é um meio eficaz de obter informações. Assim, o próprio brinquedo
mostra ao educador o caminho escolhido pela criança e pelo qual deve trabalhar os
conteúdos educacionais ou tema específico relacionado a um problema de uma criança
ou de um grupo de crianças. O objetivo dessas atividades é de facilitar a elaboração de
sentimentos e ajudar a criança a elaborar estratégias para enfrentar determinadas
situações.
São inúmeras as barreiras e os desafios que o pedagogo encontra no âmbito
hospitalar, que vai desde a pesquisa de sua prática, para um trabalho direcionado que
contemple as especificidades de cada indivíduo, até a flexibilidade no planejamento de
ensino. Deste modo, Chiattone (2003) afirma que, trabalhar com crianças necessita de
um empenho especial e planejado, o que requer disponibilidade de tempo e preparo para
os profissionais que atuam nesta área. Porém, um dos maiores desafios do pedagogo
diante deste novo contexto, é o de humanizar os procedimentos no trabalho hospitalar e
de fazer com que o trabalho pedagógico dentro do hospital seja valorizado para torná-lo
uma prática cada vez mais necessária.
27
Desde modo, o pedagogo tem o desafio de humanizar de forma educativa, desde
funcionários do hospital, familiares e sociedade. Todo indivíduo tem relação com a
educação, e é por meio dela que ocorrerá este processo de humanização, pois isto
também é um dos objetivos da pedagogia hospitalar.
28
4. METODOLOGIA
“Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em
contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são
ciências.” (MARCONI e LAKATOS, 2007). Assim, a utilização de métodos científicos não
é competência somente da ciência, porém não existe ciência sem a utilização de
métodos científicos.
Segundo Marconi e Lakatos (2007), método se define como um conjunto de
atividades ordenadas e coerentes que, com maior segurança e economia, permite
alcançar os conhecimentos adequados, traça o caminho a ser percorrido, identifica erros
e auxilia as decisões do pesquisador.
Elaborar ou organizar uma pesquisa é algo complexo, portanto, para que se possa
ter sucesso no trabalho a ser desenvolvido, necessita-se de alguns critérios. O primeiro
critério é delimitar o método de pesquisa. A importância de delimitar o método provém do
fato de que jamais será possível explorar todos os ângulos do fato estudado.
Determinar o método para a pesquisa é de extrema importância, pois é o caminho
que se escolhe para o trabalho de pesquisa. Desse modo, escolheu-se o método
monográfico para o desenvolvimento deste trabalho, o método sistematiza a análise
profunda de um acontecimento ou de uma organização, para reunir elementos que
permitam a discussão de determinado fato ou problema.
Marconi e Lakatos (2005) ressalta que, o método monográfico procura
generalizações, a partir de uma realidade fragmentada, para se chegar a conclusões
esperadas e respeita o grupo na sua totalidade.
Este tipo de pesquisa foi bibliográfica. Segundo Lakatos (2007), a pesquisa
bibliográfica é a junção dos principais trabalhos já existentes, importantes e relevantes,
pois são capazes de oferecer dados atuais relacionados ao tema a ser pesquisado. Para
Santos (1998), a pesquisa bibliográfica é essencial para a averiguação, pois proporciona
meios para definir e solucionar, não somente problemas conhecidos, como também
descobrir novas áreas nas quais os problemas não se concretizam o suficiente; já para
Bastos (2004), a pesquisa tem por objetivo fornecer material para reforçar a análise de
pesquisas, na qual a mesma não pode ser efetuada sem uma previa fundamentação
teórica.
Com base nas pesquisas encontradas nas obras, analisou-se com base de eixos
de pesquisas. Assim, a pesquisa teve uma abordagem qualitativa, na qual procurou-se
aprofundar a compreensão de fatos em estudo como: ações de indivíduos, grupos ou
organizações sociais, interpretando-os segundo as perspectivas dos sujeitos da situação
29
em foco. Deste modo, esta pesquisa não se preocupou com representações numéricas,
estatísticas e relações de causa e efeito.
Portanto, ao se tratar de uma pesquisa bibliográfica, foi realizado um
levantamento teórico dos principais autores que discutem a temática: Pedagogia
Hospitalar. As fontes foram artigos científicos, livros, relatos de experiências que foram
publicados em congressos etc. Dentre os autores que foram pesquisados destacam-se:
Ceccim (1997- 2010), Chiattone (2003), Fonseca (1999), Matos e Mugiatti (2001- 2009),
Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero, Morselli e Duarte (1997), Rodrigues (2012),
Simancas e Lorente (1990), entre outros.
Após a coleta de dados, os mesmos foram elaborados e classificados de forma
sistemática. Antes de analisados e interpretados, os dados foram selecionados.
Segundo Lakatos (2007), seleção é o exame minucioso dos dados. O pesquisador
deve verificar os dados de forma crítica, para detectar falhas ou erros, evita-se deste
modo, informações confusas, distorcidas, incompletas que podem comprometer o
resultado da pesquisa.
Assim, posterior ao levantamento bibliográfico, os dados foram classificados em
categorias nas quais foram expostas as principais concepções da Pedagogia Hospitalar e
suas respectivas análises. Segundo Cervo (2002), o tratamento de dados permitirá ao
pesquisador a escolha de documentos bibliográficos, cujas informações são aptas para
as investigações do referido trabalho, na qual o mesmo terá uma visão global para
progredir no conhecimento.
É importante destacar o que diz Minayo (2003), a respeito da abordagem
qualitativa: A pesquisa qualitativa responde a questões particulares, ou seja, preocupa-se
com fatos reais os quais não podem ser quantificados, assim, este tipo de pesquisa
trabalha com profundidades de relações, dos processos e fenômenos que não pode ser
meramente reduzidos à variáveis. Lüdke e André (1986) enumeram algumas
características relevantes dos estudos qualitativos. Os estudos destacam a interpretação
em contexto, utiliza uma gama de fontes de informação que ao desenvolvê-lo, o
pesquisador deve recorrer a diferentes técnicas de coleta de informações. As autoras
aconselham ainda que, o pesquisador deve ter consciência de que ele é a principal
ferramenta de coleta de subsídios; portanto, é essencial que domine o assunto em foco,
assim, o mesmo funciona como filtro de verificações.
Vale resaltar que, na abordagem qualitativa não há hipóteses anteriores à
pesquisa, mas sim questões norteadoras, pois o pesquisador não sabe o que irá
encontrar no fluxo da pesquisa. Lüdke e André (1986), apoiando-se em estudos
desenvolvidos por Nisbet e Watt, que caracterizam o desenvolvimento do estudo
qualitativo em três etapas: a exploratória, a delimitação do estudo e análise sistemática.
30
Desta forma, foram utilizadas, na presente pesquisa, as três etapas do estudo
qualitativo, explorou-se o tema, em seguida delimitou-se o mesmo e posteriormente
sistematizaram-se as informações, atingiu-se então o objetivo proposto. Assim, a
pesquisa bibliográfica proporcionou a análise de um tema sob um novo ponto de vista,
para assim chegarmos a novas conclusões.
31
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Este capítulo tratará dos resultados obtidos com a pesquisa, os quais revelam
como ocorre a relação saúde-educação, por meio da intercessão pedagógica no contexto
da atuação do pedagogo no hospital. Assim, os resultados baseiam-se nas leituras dos
autores Ceccim (1997), Chiattone (2003), Fonseca (2003), Matos e Mugiatti (2001 e
2009), Nascimento e Haeffner (2003), Sikilero, Morselli e Duarte (1997), Simancas e
Lorente (1990), Rodrigues (2012) tais resultados pontuarão os seguintes temas: Os
significados da pedagogia em ambiente não escolar; os métodos pedagógicos utilizados
no hospital e as dificuldades na profissão. Em seguida será feita a discussão acerca de
tais resultados.
5.1. OS SIGNIFICADOS DA PEDAGOGIA EM AMBIENTE NÃO ESCOLAR
Com base nas leituras de Ceccim (2010), Matos e Mugiatti (2009), obtiveram-se
como resultados os significados do desenvolvimento cognitivo, cultural, emocional,
afetivo e social das crianças/adolescentes, que se encontram no ambiente hospitalar, e a
humanização de forma a integrar educação e hospital.
De acordo com os autores, por muito tempo o cenário hospitalar foi palco
exclusivo de profissionais da saúde. No entanto, diante da sociedade contemporânea,
este cenário ganha um profissional, que é de suma importância para trabalhar com
crianças/adolescentes adoentados, cujo seu trabalho referente a esses pacientes não
pode ser substituído por outro profissional.
Acredita-se com base nesses resultados que a pedagogia hospitalar significa a
consistência de um trabalho multi/inter/transdisciplinar, na qual a multi corresponde aos
infinitos saberes que se encontram no hospital; a inter é a inter-relação de profissionais
do hospital e a trans requer a busca do conhecimento além-corpo.
Nesse processo de relações, o pedagogo é um pesquisador e mediador do
conhecimento para obter este trabalho de multi/inter/transdisciplinaridade junto com as
crianças no hospital. Este local vai muito além de hospital e escola que somente oferece
a continuação de seus estudos, mas busca fazer integração desta criança/adolescente,
que está doente, axiliando para que possa vir a se desenvolver em todos os aspectos
desde cognitivo até social.
Diante disto, acredita-se que a pedagogia envolve infinitos campos de
conhecimento educativo, que seu objetivo central é a ação de educar em modo geral. A
partir desse conjunto de saberes, na prática o pedagogo realiza atividades metodológicas
32
educativas e pedagógicas, que são transformadas no decorrer do caminho, pelo fato de
que as crianças/adolescentes apresentam doenças que podem ser iguais ou diferentes. A
criança no seu desenvolvimento cognitivo fica abalada com a sua internação, tem medo
de ficar muito tempo no hospital, sem saber exatamente o que a trouxe à este local e
acaba por transmitir sua angústia, sua inquietude para o seu lado emocional, cultural e
social-afetivo.
Com essa ansiedade seu comportamento muda, pode até se tornar um tanto
agressiva com familiares e médicos, é nesse momento que o pedagogo faz a diferença
no
hospital,
com
um
trabalho
que
vise
mudar
o
comportamento
dessa
criança/adolescente. Acredita-se que a partir desse momento em que há interferência do
trabalho do pedagogo junto a criança/adolescente, esta começa a compreender seu
estado clinico, melhora seu comportamento, pois vê no pedagogo a certeza de que ele irá
ajudá-la na sua melhora, e assim começa a ter controle sobre suas atitudes.
Dessa forma, verifica-se que é imprescindível dentro do hospital um profissional
com a técnica e a prática do pedagogo, que saiba lidar com essas circunstâncias que
permeiam tal ambiente, pois o mesmo está inserido em um processo de ensinoaprendizagem tanto para o aluno/paciente quanto para si próprio.
No momento em que o pedagogo envolve-se, ele faz um trabalho que se reveste de
sentido humano e que se volta para um processo de humanização da prática, dentro do
hospital. Neste contexto, sabe-se que a doença é um processo natural e que não se
evita, que faz parte da vida do ser humano, pois é um sinal de que o corpo não está bem.
Desse modo, o hospital deve proporcionar a intervenção pedagógica, pois essa
intervenção garante a continuidade da vida escolar deste aluno/paciente não se prende
só a saúde deles, mas também se dispõe como um fator importante no processo de
humanização hospitalar.
Verifica-se a importância de que diante da sociedade contemporânea, a educação e
a saúde, vão se unir para desenvolver uma nova educação, que irá girar em torno de
evidência para melhorar a vida e respectivamente sua qualidade. Desse modo, a
humanização se faz outro ponto significativo na prática do pedagogo no hospital, que
busca dar prosseguimento no desenvolvimento cognitivo-social, deste aluno/paciente.
Para tal o educador utiliza métodos variados em sua prática educacional no ambiente
hospitalar, como poderá ser observado no tópico a seguir.
33
5.2. OS MÉTODOS PEDAGÓGICOS UTILIZADOS NO HOSPITAL
Com base nas leituras de Rodrigues (2012), Matos e Mugiatti (2001), Sikilero e
Morselli e Duarte (1997) obteve-se como resultado que os métodos utilizados pelo
pedagogo no hospital são os mais variados, entre eles destacam-se: atividades lúdicas,
atividades corporais e educativas, que envolvem o brincar, ouvir, observar e aguçar a
fantasia e imaginação.
Acredita-se que a pedagogia quando chega ao ambiente hospitalar pretende fazer
uma integração da criança hospitalizada com a família e com o mundo exterior, que
contribui para integração social, oportuniza por meio de atividades a qualidade de vida
intelectual e sócio interativa, porém, para que isso ocorra de forma significativa, se faz
necessário que o profissional da educação tenha saberes especializados atrelados à
prática histórica, na qual os mobiliza para o desenvolvimento de variadas relações, como
as condições e aprendizagens e o mesmo necessita ser criativo e ousado para intervir e
transformar.
Percebe-se, que as práticas pedagógicas empregadas nos hospitais precisam
romper algumas “doutrinas” didáticas para se tornarem práticas reflexivas capazes de
construírem e reconstruírem saberes. Portanto, é importante estimular as discussões a
respeito da formação desse profissional da educação, para que possa atuar de forma
diferenciada na ótica da inclusão e da diversidade, em um espaço não formal de
educação como é o hospital e que o mesmo seja valorizado como lugar onde se faz
educação.
Na pedagogia hospitalar os métodos pedagógicos utilizados para o desempenho
das práticas educativas são bem variados e se diferem dos métodos tradicionais que se
costuma observar nas escolas no ensino regular. Neste ambiente o pedagogo utiliza
espaços físicos específicos para o desenvolvimento das atividades pedagógicas, a
proposta é lúdica e utiliza-se dos seguintes recursos: pintura e colagem, jogos
pedagógicos (cruzadinhas, caça-palavras, jogos dos sete erros, labirinto, bingo de letras,
etc...), são utilizados também fantoches, cartazes, músicas, teatro, filmes, entre outros.
Além dessas atividades há outras formas de ensinar que extrapolam a sala de aula,
como a observação do aluno para verificar suas aprendizagens que envolvem o brincar,
ouvir, observar como se comportam diante do mundo, das situações, das pessoas,
demonstra assim, a importância do trabalho pedagógico de modo comprometido, que se
evidencia no processo de educação, para minimizar as dificuldades encontradas pelos
alunos hospitalizados.
Todo esse processo e métodos pedagógicos envolvem: profissionais da saúde,
pedagogo, família e o próprio aluno no processo de ensino aprendizagem que significa o
34
trabalho multi/inter/transdiciplinar. E para que o processo de aprendizagem ocorra de
modo significativo, se faz necessário que as atividades pedagógicas estejam em um
currículo pedagógico bem organizado, coerente, de forma a oferecer espaço para o
talento das crianças, que no momento de doença não acompanham de modo regular o
conteúdo curricular, importando-se com a inclusão e o desenvolvimento cognitivo das
mesmas.
Percebe-se que, com objetivos multidimensionais que o professor adota, como
enfoque integrado de investigações científicas e vivências de práticas pedagógicas, em
suas atividades, trabalha os aspectos preventivos e atua como agente facilitador dos
processos cognitivos, que beneficia os alunos, seja quais forem suas dificuldades.
No contexto hospitalar, compreende-se a importância do professor trabalhar cada
aluno individualmente, com conteúdos de forma lúdica e descontraída, para que o mesmo
se sinta a vontade e se interesse cada vez mais pelo saber. Deste modo, o professor
identificará a dificuldade de cada aluno e trabalhará para minimizá-la.
Logo, neste ambiente o pedagogo também desenvolve atividades psicopedagógicas
nas áreas de linguagem, estudos sociais, ciências e matemática, as quais, são
desempenhadas a fim de promover e facilitar o ajustamento socioemocional das crianças
adoentadas. Neste sentido,
crianças/adolescentes
a realização de atividades pedagógicas com às
internadas
além
de
ser
um
direito
garantido
por
lei
(LDBEN/9394/96), oportuniza ainda a esses estudantes internos a vivência de
metodologias pedagógicas que, além de ocupá-los, os mantém atualizados, nesse
momento delicado, com os conteúdos da escolarização no qual se encontram suspensos
de suas atividades diárias de suas escolas de origem.
Percebe-se que essas atividades têm o objetivo, além de diminuir os prejuízos
escolares, os de trabalhar a autoestima e o sentimento dos acompanhantes, transformam
angústia e sofrimento em bem-estar e esperança. Com base nos resultados, acredita-se
que os métodos pedagógicos utilizados dentro do ambiente hospitalar, devem ser
específicos e adequados para cada caso de cada criança, devem respeitar as condições
e limitações físicas e cognitivas das mesmas, assim como deve conter um currículo
pedagógico bem organizado e coerente, com planos de trabalho flexíveis e variados,
questões estas, que trazem muitas vezes, dificuldades na profissão do pedagogo dentro
do contexto hospitalar, as quais serão mais exploradas no próximo tópico.
35
5.3. DIFICULDADES NA PROFISSÃO
Com base nas leituras de Simancas e Lorente (1990), Chiattone (2003) e Rodrigues
(2012) obteve-se como resultado que muitas são as dificuldades enfrentadas pelo
pedagogo no hospital, como: a de uma formação continuada e especializada, a de não
deixar de lado sua identidade, obter dentro do hospital lugares apropriados para a
efetivação das atividades pedagógicas-educacionais, com a conciliação dos horários das
medicações das crianças/adolescentes, o envolvimento com os profissionais da saúde,
as questões emocionais, outra dificuldade é a flexibilidade do planejamento para o
hospital.
Verifica-se que muitas vezes o pedagogo hospitalar é comparado a um recreador,
assistente social ou psicólogo. Porém, o mesmo no desenvolvimento de suas atividades
pedagógicas, tem caráter essencialmente educativo e de humanização com as
crianças/adolescentes, e que busca cada vez mais o reconhecimento profissional para
sua atuação dentro do hospital.
Por isso, a entrada efetiva do pedagogo no ambiente hospitalar, não deve ter essa
comparação e o mesmo não pode deixar que os demais profissionais que trabalham
neste mesmo ambiente desmereça sua função, ou mesmo o compare com outros
profissionais como já foi mencionado.
O pedagogo, como já foi abordado tem um trabalho diferenciado, que envolve
educação e desenvolvimento sócio-afetivo, seu trabalho é único e importante para que a
criança tenha um tratamento e atenção abrangente, cuidando da mesma em todos os
aspectos. Para tal, o mesmo enfrenta a dificuldade de formação, por parte das
universidades, que ainda deixam muito a desejar, pois, seus currículos ainda não
atendem de forma mais específica a área da Pedagogia Hospitalar, fazendo-se
necessário que o profissional após terminar sua graduação em pedagogia se especialize,
por meio de um outro curso, sendo que este também necessita de um olhar mais
específico para esta área de atuação, que é o hospital. Assim, o pedagogo precisa de
uma formação não somente por parte das universidades, mas também por parte dos
hospitais que oferecem este serviço, dando a estes profissionais da educação cursos de
capacitação, assim como oferece aos outros trabalhadores da área da saúde.
Acredita-se que ao desempenhar seu trabalho dentro de tal ambiente o educador
encontra mais um desafio que é o de reunir as crianças em um mesmo local para
desenvolver as atividades propostas, pois as mesmas têm horários diferenciados para
exames e medicações, sem falar da fragilidade física de algumas crianças que se
encontram mais debilitadas e com dificuldade para participar de determinadas atividades.
Isso faz com que o educador tenha uma determinação para desenvolver suas atividades
36
juntos a essas crianças, que apresentam maior dificuldade de comparecer ao ambiente
específico no qual se desenvolve as atividades. Assim, o educador, busca se interar mais
sobre o quadro clínico dessas crianças, para poder preparar o seu planejamento de
atividades, que se adéqüem a situação das mesmas, e que haja uma interação entre
educador e paciente.
Percebe-se então, que o educador tem sempre que manter um diálogo por meio da
“escuta pedagógica” com o aluno/paciente, para facilitar a interação e que o mesmo
possa ser avaliado e diagnosticado quanto seu desenvolvimento cognitivo.
Porém, muitas vezes apesar do pedagogo se empenhar para ajudar essas crianças,
ele se depara com situações frustrantes, ao ter notícias que algumas dessas crianças
pioraram seu quadro clínico. Essas fragilidades físicas, emocionais e até mesmo o óbito
de crianças, interferem na vida pessoal do pedagogo, influencia no seu trabalho, alguns
têm dificuldade de administrar tais questões emocionais que são inerentes ao ser
humano, muitas vezes incontrolável.
Assim, o educador vence essa barreira, pois, seu trabalho não pode parar e muitas
crianças precisam de seu auxílio, por isso, deve saber lidar com seu lado afetivo e
adquirir controle emocional.
Outra dificuldade que se observa no trabalho do pedagogo é a inter-relação com os
demais profissionais do hospital, pois muitos ainda têm certo preconceito em relação ao
trabalho do pedagogo, o preconceito que permeia neste ambiente, gira em torno da falta
de conhecimento sobre o trabalho do pedagogo. Muitos profissionais que trabalham no
hospital desconhecem a importância e o subsídio que este profissional tem para
recuperação das crianças, e a colaboração que o mesmo pode trazer para os demais
profissionais da saúde e respectivamente a família da criança/paciente, servindo de elo
entre os mesmos.
Neste sentido, o pedagogo faz seu planejamento flexível para o desenvolvimento de
suas atividades para auxiliar a criança e estabelecer este elo, já mencionado no
parágrafo anterior.
Por isso, o planejamento também é outra dificuldade para o pedagogo no ambiente
hospitalar, pois é bastante complexo, tem que levar em conta vários fatores, e ainda, lidar
com os episódios imprevisíveis, típicos do processo de internação. Isto faz com que a
coordenação das atividades se torne bastante peculiares, o que resulta em outra
dificuldade considerável que se percebe é que o pedagogo hospitalar tem que ser, antes
de tudo, um pesquisador e reformulador de suas práticas, pois a pedagogia hospitalar
requer dinamismo e criatividade, para que possa elaborar os planos de aula e as
atividades a serem desenvolvidas e isto requer do profissional certo tempo disponível,
coisa difícil de encontrar com a rotina corrida da profissão.
37
No entanto, o educador necessita de esforço e determinação, para que seu trabalho
seja desempenhado com sucesso e que seus objetivos sejam todos alcançados. Nunca
se pode esquecer, que a criança é o principal foco do seu trabalho pedagógico.
38
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante da problemática “Quais os desafios do pedagogo ao desenvolver sua prática
educativa em hospitais?”, considera-se que este tema realmente passa por vários
obstáculos e que, o pedagogo passa por uma série de discriminação e desvalorização do
seu trabalho, junto às crianças/adolescentes que estão internados no hospital.
Por mais que no ambiente hospitalar, tenham vários profissionais que cuidam dos
pacientes, é preciso que haja também o pedagogo, pois seu trabalho contribui bastante
para a recuperação do aluno/paciente, além de ajudar também os outros profissionais do
hospital. Com o auxílio do pedagogo no hospital o período de internação pode ser
diminuído, pois com tal trabalho as crianças evoluem em seu desenvolvimento cognitivo e
passam a conviver melhor com sua doença.
Para tal, o educador passa por muitos desafios, como a desvalorização de seu
trabalho, pois muitos profissionais dentro do hospital ainda desconhecem a função do
pedagogo o que necessita ser esclarecido, ainda mais, dentro deste ambiente de
trabalho. Além deste desafio ainda tem que enfrentar a dor da perda de
crianças/adolescentes que podem vir a óbito durante a internação. Por isso, a busca de
autocontrole emocional é muito importante, para poder vencer tais desafios e lutar pelo
seu direito de ser reconhecido no ambiente hospitalar.
Deste modo, o educador faz a integração entre área da saúde e a educação para
que possa haver a consolidação do objetivo comum, que é a recuperação da
criança/adolescente. O trabalho do pedagogo é muito importante no ambiente hospitalar,
por isso não deve ser desmerecido por nenhum outro profissional, pois o mesmo
proporciona momentos de integração para as crianças/adolescentes internados. Cabe
deste modo, a sociedade, reivindicar este direito que é de suma importância para o
desenvolvimento das crianças/adolescentes que se encontram impossibilitados de
frequentar a escola regular.
Considera-se então que a pedagogia hospitalar ainda é algo que traz muitos
desafios ao educador inclusive profissionais, pois, para trabalhar neste ambiente, precisa
de uma formação específica e continuada, pelo fato do ambiente hospitalar ser peculiar e
ter situações também diferenciadas da rotina de uma escola regular é que este
profissional necessita de formação e preparo adequado para poder lidar com elas. Em
vista disso, percebe-se a necessidade do próprio hospital, dar este suporte ao pedagogo,
dando-lhe oportunidades de se preparar, por meio de cursos de especialização, para se
aperfeiçoar e desenvolver melhor seu trabalho no hospital.
Deste modo, percebe-se também que os cursos de Pedagogia precisam de um
olhar atento às novas necessidades da educação e da formação do profissional
39
pedagogo, que possa fundamentar suas propostas curriculares a partir de pesquisas e
práticas científicas multi/inter/transdisciplinares, em contexto hospitalar, que já ocorre em
nosso país, tanto em instituições de ensino como em hospitais, para que esses
profissionais tenham mais segurança quanto sua formação para trabalhar em tal
ambiente.
Portanto, fica o desafio de construir novos caminhos e buscar alternativas para que
todo aluno hospitalizado não interrompa seu processo de aprendizagem, a fim de se
tornar um cidadão que desfruta de seus direitos à educação, das suas necessidades
intelectuais, cognitivas, psíquicas e de aprendizagem reconhecidas, independente do
estado de adoecimento, deste modo, a criança/adolescente torna-se um ser crítico e
atuante em nossa sociedade.
Contudo, não se pretendeu com esta pesquisa concluir a referida temática, mas sim
levantar discussões e levar reflexões acerca do trabalho do pedagogo nos hospitais, pois
a Pedagogia Hospitalar, ainda é um assunto novo, que merece ser mais explorado e
estudado, pois possui poucas publicações a respeito.
40
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