UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
FACULDADE DINÂMICA DAS CATARATAS
CURSO ENGENHARIA AMBIENTAL
Missão: “Formar Profissionais capacitados, socialmente responsáveis e aptos a
promoverem as transformações futuras”
AVALIAÇÃO DE TRÊS DIFERENTES MEIOS DE CULTURA
PARA A QUANTIFICAÇÃO DE MICRORGANISMOS DO
SOLO EM SISTEMA DE PLANTIO DIRETO E
CONVENCIONAL
NAIARA NANDI FONTANA
Foz do Iguaçu - PR
2010
I
NAIARA NANDI FONTANA
AVALIAÇÃO DE TRÊS DIFERENTES MEIOS DE CULTURA
PARA A QUANTIFICAÇÃO DE MICRORGANISMOS DO
SOLO EM SISTEMA DE PLANTIO DIRETO E
CONVENCIONAL
Trabalho
Final
de
Graduação
apresentado à banca examinadora da
Faculdade Dinâmica das Cataratas
(UDC), como requisito para obtenção
do grau de Engenheiro Ambiental.
Prof(a). Orientador(a): Ms
Cristina de Oliveira Laurindo
Foz do Iguaçu – PR
2010
Marlene
II
TERMO DE APROVAÇÃO
UNIÃO DINÂMICA DE FACULDADES CATARATAS
AVALIAÇÃO DE TRÊS DIFERENTES MEIOS DE CULTURA PARA A QUANTIFICAÇÃO DE
MICRORGANISMOS DO SOLO EM SISTEMA DE PLANTIO DIRETO E PLANTIO CONVENCIONAL
TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO PARA OBTENÇÃO DO GRAU DE BACHAREL EM
ENGENHARIA AMBIENTAL
Acadêmico(a): Naiara Nandi Fontana
Orientadora: Ms Marlene Cristina de Oliveira Laurindo
Nota Final
Banca Examinadora:
Prof(ª). Ms. João Benatto Junior
Prof(ª). Dr Handrey Araujo
Foz do Iguaçu, 30 de novembro de 2010.
3
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho a minha família, que ao longo de minha vida me apoiou e me proporcionou
oportunidades de crescimento pessoal sempre incentivando e apoiando minhas decisões e pelo
amor, carinho, que sempre me dedicaram e por tudo que hoje sou.
4
AGRADECIMENTOS
A Deus, por ter me dado essa oportunidade, por nunca ter me deixado
fraquejar, mesmo nos momentos de maior agonia, e enfim, agora, concretizá-la.
Aos meus pais, Neri e Neide pelo incentivo, pela compreensão e,
principalmente por acreditar que eu sou capaz, por estarem sempre ao meu lado,
pelo apoio sentimental e por estarem sempre disponíveis a ajudar, acreditando que
o bem maior que poderiam me deixar era o conhecimento.
As minhas irmãs, Nailane e Nalívia, pelo incentivo e apoio nas horas
necessárias.
A minha orientadora Profª Msc Marlene Cristina de Oliveira Laurindo, pelo
estimulo e atenção que me concedeu durante o curso e pela colaboração e
dedicação na construção deste trabalho.
Ao coordenador do curso Prof. Martin Engler, pelo apoio e incentivo
sempre.
Ao meu amigo André Vieira, pelo companheirismo e lealdade sem igual,
construídos nestes cinco anos de convivência.
Ao Ronaldo e Clóvis, que me auxiliaram sempre que necessário nas
analises de laboratório.
Ao Instituto Agronômico do Paraná-IAPAR , por terem cedido os meios de
cultura e informações para que este trabalho fosse concretizado.
A Cooperativa Agroindustrial Lar, por ter fornecido informações que
vieram a somar conhecimento ao trabalho.
Enfim, a todos que de alguma forma contribuíram para a formação do
meu caráter.
5
Não espere um sorriso para ser gentil;
Não espere ser amado para amar;
Não espere ficar sozinho para reconhecer o valor de quem está ao seu lado;
Não espere ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante em sua vida;
Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar;
Não espere a queda para lembrar-se do conselho;
Não espere a enfermidade para perceber o quanto é frágil a vida;
Não espere pessoas perfeitas para então se apaixonar;
Não espere a mágoa para pedir perdão;
Não espere a separação para buscar reconciliação;
Não espere a dor para acreditar em oração;
Não espere elogios para acreditar em si mesmo;
Não espere que o outro tome a iniciativa se você foi o culpado;
Não espere o eu te amo,para dizer eu também;
Não espere o dia da sua morte para começar a amar a vida;
(AUTOR DESCONHECIDO)
6
FONTANA, Naiara Nandi. Avaliação de três meios de cultura para a quantificação
de microrganismos em plantio direto e plantio convencional. Foz do Iguaçu, 2010.
Projeto de Trabalho Final de Graduação - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
RESUMO
O solo é um recurso natural vivo e dinâmico que condiciona e sustenta a produção
de alimentos e regula o ecossistema. Tão importante o seu uso para a agricultura,
que maneiras de uso sustentável têm sido utilizadas para avaliar a qualidade do solo
sob a crescente atividade antrópica. Os microrganismos têm sido postulados com
alto potencial de uso na avaliação da qualidade do solo, pois proporcionam
respostas mais rápidas a mudanças no ambiente. Este trabalho foi realizado em
propriedade rural no município de Santa Terezinha de Itaipu – PR, onde se
quantificou a população de microrganismos do solo em dois sistemas de manejo,
plantio direto e plantio convencional. Foram coletados em cada sistema, 10 pontos
amostrais, nas profundidades de 0-5 cm e 5-10 cm. Para o levantamento de dados
utilizou-se de parâmetros químicos e microbiológicos. Objetivou-se avaliar diferentes
meios de cultura para quantificação de bactérias e fungos presentes no solo.
Observou-se que a população de fungos e bactérias não diferiu nos dois sistemas
de cultivo, mostrando que a alteração na população de microrganismos foi mínima.
Os meios de cultura se apresentaram eficientes tanto para bactérias quanto para os
fungos.Os principais gêneros de fungos observados foram Mucor sp., Penicillium
sp., Rhodotorula sp. ,Aspergillus sp e Candida sp.
Palavras-Chave: qualidade do solo - agricultura - sistemas de cultivo
7
FONTANA, Naiara Nandi. Evaluation of three culture media for the quantitation of
micro-tillage and conventional tillage. Foz do Iguacu, 2010. Project to Completion of
Course Work - Faculdade Dinâmica de Cataratas.
ABSTRACT
Soil is a living and dynamic natural resource conditions and argues that food
production and regulates the ecosystem. So important to its use for agriculture, ways
of sustainable use that have been used to assess soil quality under increasing
human activity. The microorganisms have been postulated with a high potential for
use in evaluating soil quality, as they provide faster responses to changes in
environment. This work was carried out in rural area of Santa Terezinha de Itaipu PR, which quantified the population of soil microorganisms in two tillage systems,
tillage direct and conventional tillage. Were collected in each system, 10 sampling
points at 0-5 and 5-10 cm. For the survey data was used for chemical and
microbiological parameters. The objective was to evaluate different culture media for
quantification of bacteria and fungi in the soil. It was observed that the population of
fungi and bacteria didn´t differ in the two farming systems, showing that the change
in microbial population was minimal. The culture media were presented for both
bacteria and efficient for fungi.The main genera of fungi were observed Mucor sp.,
Penicillium sp. Rhodotorula sp. , Aspergillus sp and Candida sp.
Keywords: soil quality - agriculture - farming systems.
8
SUMÁRIO
RESUMO..................................................................................................................... 6
ABSTRACT................................................................................................................. 7
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................... 9
LISTA DE TABELAS ................................................................................................ 10
1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 11
1.1
OBJETIVO GERAL ......................................................................................... 12
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS................................................................................ 12
2
REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................. 13
2.1 O SOLO .............................................................................................................. 13
2.1.1 O Material de Origem ....................................................................................... 14
2.1.2 Matéria Orgânica .............................................................................................. 14
2.2 MICRORGANISMOS DO SOLO .......................................................................... 15
2.2.1 Bactérias .......................................................................................................... 16
2.2.2 Fungos ............................................................................................................. 17
2.3 FATORES QUE INFLUENCIAM A MICROBIOTA DO SOLO ............................ 18
2.4 QUALIDADE DO SOLO ...................................................................................... 20
2.4.1 Contaminantes do Solo .................................................................................... 21
2.5 SISTEMAS DE CULTIVO .................................................................................... 22
2.5.1 Plantio Convencional ........................................................................................ 22
2.5.2 Plantio Direto .................................................................................................... 23
3 MATERIAL E MÉTODOS ...................................................................................... 24
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO .................................................... 24
3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................ 25
3.3 COLETA DAS AMOSTRAS ................................................................................. 27
3.4 PARÂMETROS ANALISADOS ............................................................................ 28
3.4.1 Análises Microbiológicas .................................................................................. 29
3.4.2 Potencial Hidrogeniônico (pH) .......................................................................... 30
3.4.3 Temperatura ..................................................................................................... 30
3.4.4 Índice Pluviométrico ......................................................................................... 30
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO ............................................................................. 31
4.1 ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS ........................................................................ 31
4.1.2 Gêneros de Fungos Encontrados ..................................................................... 33
4.2 POTENCIAL HIDROGENIÔNICO (PH) ................................................................ 34
4.3 TEMPERATURA ................................................................................................. 35
4.4 INDICE PLUVIOMÉTRICO .................................................................................. 36
FIGURA 8: PRECIPITAÇÃO PLUVIOMÉTRICA ...................................................... 36
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 38
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 39
9
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Localização do município de Santa Terezinha de Itaipu – Paraná ............. 24
Figura 2: Localização do Sitio Angelo Fontana e Área Experimental ........................ 25
Figura 3: Visão superficial das características do solo sob plantio convencional ...... 26
Figura 4: Visão superficial das características do solo sob plantio direto .................. 26
Figura 5: Ponto de coleta das amostras na parcela 1 e parcela 2 ............................. 27
Figura 6: Ponto de coleta das amostras .................................................................... 28
Figura 7: Temperatura média no período de 24 horas .............................................. 35
Figura 8: Precipitação pluviométrica ......................................................................... 36
10
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Meios de cultura utilizados nas análises microbiológicas ......................... 29
Tabela 2 - Valores médios da quantificação de UFC de bactérias ............................ 31
Tabela 3 - Valores médios da quantificação de UFC de fungos................................ 32
Tabela 4 - Gêneros de fungos encontrados nos dois sistemas de cultivo ................ 34
Tabela 5 : Valores de pH nos diferentes sistemas de cultivo .................................... 34
11
1 INTRODUÇÃO
O solo abriga uma grande diversidade de microrganismos que fazem
parte
da
população
microbiana
do
solo.
Conhecer
e
quantificar
esses
microrganismos é de suma importância para se entender a dinâmica da microbiota.
Para Mendes e Junior (2010) o desafio para a agricultura do século XXI é
buscar o equilíbrio entre uma equação que envolve o aumento da produtividade de
alimentos e o mínimo impacto ambiental. Nesse contexto, a manutenção e melhoria
da saúde do solo merecem enfoque especial, pois é uma relação importante entre as
práticas agrícolas e a sustentabilidade ambiental.
A grande limitação para quantificar esses microrganismos representados
principalmente por bactérias e fungos é escolher meio de cultura ideal, uma vez que
a população no solo é oscilante.
Esse trabalho avalia dois sistemas de cultivo, sistema de plantio direto e
convencional para identificar possíveis alterações na população de fungos e
bactérias do solo, uma vez que as diferentes técnicas de manejo alteram a estrutura
do solo, acúmulo de matéria orgânica e aeração. Essas alterações podem favorecer
ou inibir os microrganismos.
O sistema de plantio direto vem sendo abordado como uma técnica de
cultivo conservacionista, que tem como base o não revolvimento do solo, mantendoo sempre coberto por resíduos vegetais e plantas. Esta técnica proporciona maior
disponibilidade de matéria orgânica e teores mais elevados de umidade, criando as
condições favoráveis para a atividade dos microrganismos.
Já no sistema de plantio convencional, o solo passa por sucessivas
operações de gradagens e arações, que realizadas com alta frequência promovem
significativa perturbação na dinâmica da matéria orgânica, podendo desencadear
processos erosivos e perda da qualidade do solo afetando a microbiota.
Os efeitos dos sistemas de preparo do solo têm influência de forma direta
a biota do solo e os processos realizados por ela. Os microrganismos juntamente
com a fauna, podem ser utilizados como biondicadores, pois estão relacionados ao
funcionamento do solo, podendo detectar mudanças sutis nas propriedades do solo
pela introdução de diferentes sistemas de manejo.
12
Considerando o importante papel desempenhado pelos microrganismos
em diversos processos que ocorrem no meio ambiente, é necessário estudos quanto
a avaliação da qualidade e saúde do solo, quem vem a constituir-se de uma
ferramenta para sustentabilidade na agricultura.
1.1 OBJETIVO GERAL
Avaliar o desempenho de três meios de cultura para quantificação
população de fungos e bactérias em dois sistemas de manejo, sistema de plantio
direto e convencional.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Identificar os principais gêneros de fungos presentes nas amostras de
solo durante e pós- colheita de milho sobre sistema de plantio direto e plantio
convencional;
- Quantificar a presença de bactérias através de Unidades Formadoras de
Colônias (UFC);
-
Avaliar
possíveis
alterações
na
dinâmica
microrganismos do solo em função do sistema de manejo
populacional
dos
13
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 O SOLO
O solo é um componente crítico na biosfera terrestre, funcionando não
somente no sistema de produção agrícola mas também na manutenção da
qualidade ambiental com efeito local e regional. Como também pode ser
caracterizado como um corpo natural organizado, vivo e dinâmico que desempenha
inúmeras funções no ecossistema terrestre (REINERT, 1993 apud PRADE, 2006).
Segundo Doran e Liebig (1996) o solo como um sistema natural, regula a
produção de alimentos e fibras e o balanço global do ecossistema, além de servir
como meio para o crescimento vegetal, através do suporte físico, disponibilidade de
água, nutrientes e oxigênio para as raízes.
Entre os principais, componentes do solo Araújo e Monteiro (2007) citam
que estão inclusos os minerais inorgânicos e partículas de areia, silte e argila,
formas estáveis de matéria orgânica derivadas da decomposição pela biota do solo,
e a própria biota, composta por minhocas, fungos, bactérias, algas e nematóides.
Devido ao crescimento populacional e a crise de alimentos no mundo, o
manejo intensivo do solo, a monocultura e o uso de pesticidas e fertilizantes
tornaram-se práticas comuns para o aumento da produção agrícola. A utilização
destas práticas tem ocasionado perda de matéria orgânica do solo, erosão,
contaminação das águas subterrâneas, além dos prejuízos a microbiota e seus
processos bioquímicos (ARAÚJO e MONTEIRO, 2007).
De maneira geral pesquisadores e a sociedade, possuem maior
embasamento sobre os conceitos de qualidade do ar e da água, além disso, sabem
como o uso inadequado destes recursos pode afetar a saúde humana e ao meio
ambiente. Entretanto a despeito da importância do solo para a humanidade é
recente o interesse pela qualidade do mesmo, datando o final da década de 1980 e
inicio da década de 1990 (MENDES e JUNIOR, 2010).
14
2.1.1 O Material de Origem
Os solos são originados de diferentes minerais provenientes do seu
material de origem. Esses minerais possuem uma grande variedade na composição
química e ampla faixas de taxas de intemperismo (TROEH e THOMPSON, 2007).
O solo tropical é um ecossistema diferente que, por natureza, se
fundamenta em sua agregação muito boa devido a riqueza de sexióxidos, recupera a
bioestrutura e com o isso a possibilidade de enraizamento maior, aumentando o
reabastecimento (PRIMAVESI, 2002).
2.1.2 Matéria Orgânica
A matéria orgânica do solo segundo Oades (1989) apud Silva et. al.
(2001) pode ser considerada como resíduos de plantas e animais decompostos.
Também como organismos vivos, que variam consideravelmente em estabilidade,
susceptibilidade ou estágio de alteração (MAGDOFF, 1992 apud SILVA, 2001 ).
No solo a matéria orgânica é acumulada por meio da biomassa e detritos
orgânicos. Em ecossistemas equilibrados os níveis de matéria orgânica são
determinados pelo balanço da produção da biomassa. Quando esse balanço é
rompido por práticas agrícolas e mudanças de cultivo, os conteúdos de matéria são
modificados (EMBRAPA, 1997).
A matéria orgânica do solo apresenta-se como um complexo sistema de
substâncias carbônicas, cuja dinâmica é mantida pela contínua renovação de
resíduos orgânicos de diversas naturezas e por transformação, sob ação de fatores
edáficos, climáticos, biológicos, químicos e físicos, que são processos de
estabilização do húmus em função de aspectos quantitativos e qualitativos
detectados no ecossistema (FILHO e SILVA, 2003).
Segundo Reynolds (1990) apud Guerra (1991) uma parte considerável da
matéria orgânica do solo é formada por raízes e microrganismos que pela extensão
das atividades humanas tende a acelerar as mudanças do teor de matéria orgânica,
e os sistemas agrícolas deveriam manter o teor de matéria à medida que fosse
15
viável em termos econômicos e práticos.
O teor de matéria orgânica é um dos principais termômetros para medir a
sustentabilidade das práticas agrícolas no solo, pois ele atua fundamentalmente
sobre a composição química do solo, determinando a eficiência da utilização dos
corretivos de solo e fertilizantes, afetando diretamente os rendimentos das culturas
ao longo do tempo (BOAS e GARCIA, 2007).
Ainda,Vieira e Nahas (2000) afirmam que a maior quantidade de matéria
orgânica se concentra nas camadas superiores onde a atividade microbiana é maior.
Segundo Baldani et. al (2000) os principais decompositores de matéria
orgânicas são os fungos da classe dos Basidiomicetos, que são capazes de
decompor a celulose e a lignina, enquanto as bactérias participam da fração solúvel
como as proteínas, sendo incapazes de decompor a lignina.
2.2 MICRORGANISMOS DO SOLO
Toda vida terrestre, baseia-se no fato de que a planta verde é capaz de
formar açúcares, amidos, proteínas e gorduras a partir da água, gás carbônico e
minerais em presença de luz. Para que o que esteja morto seja removido existem os
microrganismos que decompõem o alimento e faça com o ciclo se reinicie
(PRIMAVESI, 2002).
Segundo Mendes e Junior (2010) os microrganismos representam cerca
de 60 % a 80 % da fração viva e mais ativa da matéria orgânica do solo que
constitui, por sua vez, o principal componente de fertilidade dos solos. Esses
juntamente com a fauna e as raízes das plantas, constituem a fração viva da matéria
orgânica do solo e podem ser utilizados como indicadores biológicos ou
bioindicadores, pois estão inter- relacionados com os componentes físicos e
químicos
Segundo Verona (1966) apud Primavesi (2002) os microrganismos
existem em grande quantidade, onde em uma colher de chá são encontrados de 100
a 200 milhões de micróbios. A velocidade de multiplicação depende das condições
do meio em que vivem. Temperaturas elevadas, riquezas minerais, umidade e
matéria orgânica contribuem para o processo.
16
Os organismos importantes para nossas culturas e nosso solo dependem
da matéria orgânica, seja em forma de folhas mortas, de palha, de raízes, de
estrume, de excreções radiculares. Por isso o solo esta cheio de alimento, com alto
poder enzimático (PRIMAVESI, 2002).
Em condições ideais, a microbiota do solo permite que os nutrientes
sejam liberados para a nutrição das plantas. A diminuição da microbiota do solo
prejudica a fixação temporária dos nutrientes, incrementando perdas e resultando no
empobrecimento do solo (FERNANDES e ANDREOLA, 2007).
Para Araújo e Monteiro (2006) a atividade biológica é altamente
concentrada nas primeiras camadas de solo, na profundidade de 1 a 30 cm. Nestas
camadas, o componente biológico consiste principalmente de microrganismos que
realizam diversas funções essenciais para o funcionamento do solo.
Segundo Doran e Parkin (1994) uma ferramenta que vem a auxiliar na
avaliação da qualidade do solo é a utilização de bioindicadores como os
microrganismos, pois estes podem detectar mudanças sutis nas propriedades dos
solos sob a introdução de diferentes tipos de manejo.
Pfufler et al. (2006) estudando a dinâmica da população microbiana sob
sistema de plantio direto e convencional encontrou resultados para a população
microbiana ao redor de 10
7
para bactérias e 10
5
para fungos, afirmando que a
população de microrganismos não foi afetada pelos diferentes sistemas de manejo.
Já Albuquerque et al. (2010) avaliando a população de microrganismos
em diferentes rotações de cultura sob plantio direto nos Campos Gerais do Paraná,
encontrou o número médio de UFC na ordem de 10 4 .Sendo maior o número de
bactérias, seguido por actinomicetos e fungos. Estes dados estão de acordo com os
encontrados por Cattelan e Vidor (1990), trabalhando com diferentes sistemas de
culturas no sul do Brasil.
2.2.1 Bactérias
As bactérias são organismos unicelulares, sendo a maioria apresentada
sobre a forma esférica ou cilíndrica, ou ainda, em espiral. São considerados os
menores e mais simples seres vivos independentes (TROEH e THOMPSON, 2007).
17
As maiores concentrações ocorrem nos horizontes superficiais decorrente
das condições favoráveis de calor e umidade, aeração, disponibilidade de nutrientes.
Em regiões subtropicais, em condições adequadas de umidade, as populações
atingem o nível máximo no inicio do verão ou no outono (BRADY,1983).
Para Moreira et al. (2002) a população bacteriana é estimada em
aproximadamente 10
8
e 10
9
unidades g
-1
de solo, que pode variar segundo a
técnica de contagem empregada e o tipo do solo. No solo estima-se que existam
mais de 800 espécies de bactérias, sendo que a maior parte pertence a ordem
Eubacteriales, que habitam as camadas superficiais, principalmente em partículas
orgânicas por ocasião de degradação da serrapilheira e na rizosfera.
As bactérias de maior ocorrência no solo pertencem aos gêneros:
Pseudomonas, Bacillus, Arthrobacter, Achromobacter, Flavobacterium, Xanthomonas
e Micrococus, além dos menos representativos, mas de grande importância ao
ecossistema:Nitrosomonas,Nitrobacter,Ferrobacillus,Thibacillus,Hidrogenomas,Dess
ulfovibrio,Methanoobacillus,Carboxidomonas,Rhizobium,Bradyrhizobium,Prosponia,
Azospirillum,Beijerinckia,Azotomonas,Derxia e outros gêneros de vida livre no solo
(BRANDÃO,1992).
Segundo Brady (1983) as diversas condições do solo influem no
crescimento das bactérias, sendo uma das mais importantes o suprimento de
oxigênio e de umidade, temperatura, quantidade e natureza do substrato.
2.2.2 Fungos
Os fungos variam em tamanho, desde os microscópicos até os grandes e
visíveis a olho nu, tais como os cogumelos. Especialmente em solos ácidos , os
fungos contribuem com maior peso a matéria orgânica do solo, se comparado a
outros microrganismos (GRANT e LONG,1989).
Os fungos podem suportar melhor as condições de baixo pH quando
comparados as bactérias. Além disso, acredita-se que os fungos são mais eficientes
na utilização do substrato do carbono, sendo os decompositores dominantes dos
estágios iniciais da degradação da serrapilheira (BALDANI et al , 2000).
O habitat preferencial dos fungos é o de solos ácidos, onde há menor
18
competição, já que bactérias e actinomicetos são favorecidos por pH neutro e
alcalino. Podem ocorrer em solos com pH 2,0 e 9,0 ,dependendo da
espécie(PRIMAVESI, 2002).
Segundo Garassini (1967) os fungos se encontram nos solos muito
difundidos, muitos deles vivendo de forma temporária ou permanente. São
abundantes na época de maior temperatura e é possível que a fermentação
espontânea, dessa forma que vivem nos solos e logo são transportados pelo vento e
terra. Sua função no solo é desempenhar um papel muito importante na
transformação da matéria orgânica.
Os fungos também são encontrados no solo, em geral, em densidades
populacionais abaixo das bactérias e actinomicetos, variando de 10
4
e 10
6
unidades g-1 do solo, contribuindo em geral com a maior parcela da biomassa
microbiana (DIONISIO, 1996).
Segundo Horn ( 2007) apud Fraga et al (2010), seus estudos afirmam
que o gênero Apergillus , é encontrado com maior freqüência em ambientes
agrícolas de ciclo curto.
Para Brandão (1992) a umidade ideal para a população de fungos
encontra-se na faixa de 60% e 70% da capacidade de campo, são aeróbios e
resistentes e elevadas pressões de CO2.
Para Sales et al. (2007), avaliando a pluviosidade comprovou que a
mesma tem participação fundamental no desenvolvimento bacteriano no solo, pois
gera um micro-ambiente favorável a esses microrganismos.
2.3 FATORES QUE INFLUENCIAM A MICROBIOTA DO SOLO
2.3.1 Potencial Hidrogeniônico (pH)
A modificação do pH pode ativar ou quase inativar as enzimas dos
microrganismos. Uma calagem do solo, que eleva o pH, ou uma adubação
amoniacal, que baixa o pH pelos processos de nitrificarão, tem influência muito
grande sobre a microvida (GRANT e LONG,1989).
19
O pH ainda age sobre a disponibilidade ou fixação de minerais nutritivos.
Nem todos os microrganismos podem mobilizá-los por isso sentem a reação no solo.
Pode-se dizer que, em solos com pH 5 a 6
, a maioria dos microrganismos
benéficos as culturas, tem suas enzimas ativas (PRIMAVESI, 2002).
Maia (2003), avaliando os atributos microbiológicos de um solo sob
diferentes manejos de cobertura vegetal, relatou que o pH não pode ser considerado
como fator isolado para explicar resultados encontrados em análises microbiológicas
realizadas nas diferentes épocas e profundidades.
2.3.2 Temperatura
Segundo Fancelli (2003), a grande maioria dos microrganismos se
desenvolvem melhor entre 10º e 40ºC. No sistema de plantio direto (PD), a palha
diminui a temperatura na superfície do solo, favorecendo as atividades microbianas.
Isso aumenta a capacidade de infiltração de água, diminuindo os problemas com
erosão.
Quanto a temperatura do solo Castro et al. (1993) relatou em
determinações realizadas em vasos, que com temperatura ambiente a 48ºC, a 3 cm
de profundidade, apontava que no sistema de plantio direto a temperatura de 39ºC,
porém no convencional chegava a 48 ºC.
2.3.3 Umidade
Em geral, a população microbiana é determinada segundo a distribuição
das chuvas e do calor, devido a disponibilização da água no solo, que, ao se unir
com o calor, disponibilizam nutrientes para produzir a fitomassa que, posteriormente,
contribuirá para o acúmulo de resíduos (SANTOS e CAMARGO,1999).
O potencial hídrico no solo possui dois componentes: o componente
matricial e potencial osmótico. Estes dois potenciais determinam o estresse que
afeta os microrganismos para obter água. Na ausência de água, os microrganismos
20
não se dinamizam, limitando o crescimento e a reprodução ou multiplicação de
forma insatisfatória (REICHARDT, 1987).
Se a umidade for excessiva, seja por água estagnada ou por irrigação , a
maioria dos animais terrícolas morre , sobrevivendo somente umas poucas espécies
que possam viver anaerobismo (PRIMAVESI, 2002).
Segundo Silva et al. (2004) avaliando o estudo das colônias de fungos
bactérias em solos de floresta tropical associada a variação das chuvas , apresenta
que a maior incidência de chuvas concorreu para o aumento da população
bacteriana , ao inverso ocorrido pelos fungos que sofreram redução. Isto se deve a
influência do processo de lixiviação, no qual há a retirada dos componentes do solo.
2.3.4 Ar
Um solo compacto não é somente anaeróbio, mas igualmente inadequado
para muitos animais, opondo-se as suas migrações necessárias, impedindo assim
sua existência. A quantidade de ar deve ser mais ou menos constante e na mesma
proporção que a da água, para permitir uma boa aeração da terra. O excesso de
água despreza o ar, por isso nas épocas chuvosas os solos alagados se
empobrecem e causam inatividade da microflora (GARASSINI, 1967).
2.4 QUALIDADE DO SOLO
A qualidade do solo pode ser definida como a capacidade continua do
solo de aceitar, estocar, e reciclar água, nutrientes e energia, bem como reter e
transformar materiais químicos e biológicos, funcionando como filtro ambiental
(JAHNEL et al, 2007).
A degradação da qualidade do solo pelo cultivo é manifestada por
processos erosivos, redução de matéria orgânica, perda de nutrientes, compactação
do solo, redução de populações microbianas de atividades enzimáticas e pH
(MELLONI, 2007).
21
A qualidade de qualquer solo depende da sua natureza, que é função dos
fatores de formação e da interferência antrópica relacionada ao uso e manejo.
Devido a essas características, os microrganismos do solo são considerados como
indicadores sensíveis para avaliar o impacto antropogênicos sobre os processos
biológicos do solo (JAHNEL et al, 2007).
2.4.1 Contaminantes do Solo
2.4.1.1Pesticidas
Segundo Siqueira (1988) o impacto desses produtos sobre o meio
ambiente é assunto polêmico. Seus impactos sobre a microbiota do solo e os
processos biológicos do solo são dificilmente determinados com precisão, devido a
natureza, e respostas adaptativas da comunidade microbiana.
A rápida degradabilidade é um dos principais atributos para que um
produto não seja poluente. Entretanto, quando sua dissipação é lenta, há
acumulação no ambiente, alterando o equilíbrio natural do ecossistema (JAHNEL et
al 2007).
2.4.1.2 Fertilizantes
Os fertilizantes minerais e o calcário favorecem o desenvolvimento
seletivo de microrganismos de forma direta, pela mudança de pH e disponibilização
de nutrientes as células dos microrganismos, e de forma indireta pela maior
produção
vegetal,
que
acarreta
um
aumento
da
atividade
rizosférica
(SIQUEIRA,1988).
Estes, além de atuarem diretamente sobre a planta, podem interferir na
incidência de doenças, por causa de seus efeitos indiretos no solo e sua microbiota,
alterando a relação patógeno (ROQUE, 2000).
22
2.5 SISTEMAS DE CULTIVO
Mediante a aplicação de diferentes sistemas de manejo, é de se esperar,
portanto,
uma
modificação
qualitativa
e
quantitativa
na
constituição
do
solo.Diferentes tipos de manejo podem significar diferentes disponibilidades de
substrato que em última instância vão determinar, favorecendo ou inibindo, o
estabelecimento dos diferentes grupos microbianos (CARDOSO et al., 1992).
Segundo Castro et al. (1993) através da avaliação da atividade de
microrganismos do solo em diferentes sistemas de manejo de soja, demonstra a não
existência de diferenças acentuadas entre os tipos de manejo para os grupos
microbianos.
Segundo McCalla (1958) apud Meister et al. (2005) a população
microbiana em solos cultivados com cobertura morta só é maior que os com cultivo
convencional na camada de 2,5 cm e salienta ainda que o curto espaço de tempo
em que as parcelas do sistemas foram submetidas em seu estudo , proporcionou
pouca mudança na quantidade de bactérias e fungos do solo.
2.5.1 Plantio Convencional
O preparo convencional do solo para culturas de grãos e de fileiras
envolveu, por muito tempo, arado de disco e grade para preparar o solo para
semeaduras. A aração cobre os resíduos da cultura enquanto revolve o colo e
produz superfície acidentada e cheia de torrões (TROEH e THOMPSON, 2007).
Para Castro et al (1993) o plantio convencional ao promover o enterrio da
planta facilita a degradação dos microrganismos, acabando simultaneamente com o
substrato, fazendo com que as populações caiam a níveis mais baixos.
Quando comparado ao sistema de plantio direto, o plantio convencional
em maiores profundidades apresenta microbiota maior, pelo fato da presença das
raízes em profundidades tende a se correlacionar com o longo do perfil (BALDINI et
al,2000).
23
2.5.2 Plantio Direto
Sistema Plantio Direto (SPD) é considerado a mais adequada das
tecnologias indicada para produção agrícola no Brasil e regiões tropicais. Pode ser
definido como o sistema de produção que tem por fundamento o não revolvimento
do solo, a cobertura permanente, e a rotação de culturas já é considerado uma
realidade conservacionista para os solos do Brasil (EMBRAPA, 1999).
A disponibilidade de nutrientes no solo é normalmente afetada pelas
alterações sofridas pelo solo em decorrência das práticas de cultivo e das rotações
de culturas adotadas pelos produtores. Nos últimos anos, tem aumentado a área
cultivada sob sistema de semeadura direta no Brasil, por ser um sistema mais
sustentável com relação à conservação do solo e ciclagem de nutrientes pelas
culturas (EMBRAPA, 1988).
O principal atributo físico alterado quando se migra no plantio
convencional para o direto, é o fato na diminuição de macroporos e aumento de
microporos. Isso leva uma maior retenção de água, aumentado a quantidade de
microrganismos, resultando em maior acúmulo de matéria orgânica (FERNANDES e
ANDREOLA, 2007).
Para Franchini (2003) apud Prade et al (2006) ,no sistema de semeadura
direta, o suprimento de nutrientes pela decomposição dos resíduos e também a
interrupção do ciclo de doenças e o controle de ervas têm sido apresentados como
algumas das vantagens pela rotação de culturas e pelo uso de culturas de cobertura
no inverno .
24
3 MATERIAL E MÉTODOS
3.1 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
O trabalho foi realizado na cidade de Santa Terezinha de Itaipu – PR. O
município , situa-se no Oeste Paranaense, tendo como limite ao Norte o Lago de
Itaipu, ao Sul, o Parque Nacional do Iguaçu, ao leste São Miguel do Iguaçu e a
Oeste Foz do Iguaçu (Prefeitura Municipal de Santa Terezinha de Itaipu,2010).
Na Figura 1 é apresentada a localização do município.
Figura 1: Localização do município de Santa Terezinha de Itaipu – Paraná
Fonte: Adaptado de Google Maps, 2010.
Possui uma área de 259 Km² sendo 46,11 Km² de área urbana e 242,003
2
km de área rural . O clima e classificado segundo Koppen, como Cfa, subtropical,
com temperatura média no mês mais frio de 18º C, verões quentes, geadas pouco
freqüentes e tendência de concentração das chuvas nos meses de verão, contudo
sem estação seca definida (IBGE, 2002).
O solo que compreende a região Oeste do Paraná é denominado de
25
Latossolo Roxo Distróférrico, apresentando solos profundos e com alta capacidade
fértil (EMBRAPA, 1988).
O estudo foi desenvolvido no sitio Angelo Fontana, localizado na zona
rural do município, possuindo uma área total de 15 alqueires .Este está situado as
margens da BR 277, Km 713 , próximo a Policia Rodoviária Federal.
A Figura 2 apresenta uma vista panorâmica da localização do sitio.
Legenda
______ Sitio Angelo Fontana
______ Localização Área Experimental
Figura 2: Localização do Sitio Angelo Fontana e Área Experimental
Fonte: Adaptado de Google Earth ,2006
As atividades estabelecidas na propriedade abrangem desde as
agropastoris até as atividades agrícolas com culturas anuais de soja, milho e trigo.
3.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A locação da área de estudo foi escolhida de maneira aleatória.
Demarcou-se 1 hectare, que apresenta histórico de sistema de cultivo de plantio
26
direto a 10 anos. A área foi subdividida em duas parcelas de 0,5 hectare cada.
Na parcela 1 preparou-se o solo através do sistema convencional,
efetuando-se operações de aragem e gradagem.
Na Figura 3 é possível observar as características do solo da parcela 1
que passou pelo sistema de revolvimento do solo.
Figura 3: Visão superficial das características do solo sob plantio convencional
Na parcela 2 não houve revolvimento do solo, permanecendo o sistema
de plantio direto.Na Figura 4 pode ser observado as características do solo com
resíduos vegetais da cultura anterior.
Figura 4: Visão superficial das características do solo sob plantio direto
27
As duas parcelas foram semeadas com milho DEKALB 330 , no dia 3 de
março de 2010.
3.3 COLETA DAS AMOSTRAS
As amostras foram coletadas em 10 pontos de forma aleatória tanto para
a parcela 1 quanto para a parcela 2. As coletas foram feitas em forma de ziguezague para serem mais representativas da área. Cada ponto foi georreferenciado
com o auxilio de um GPS Garmin modelo Etrex.
A Figura 5 mostra os pontos de coleta das amostras. Os números de 1 a
10 correspondem aos pontos da parcela 1 , os números 11 a 20 aos pontos da
parcela 2.
Figura 5: Ponto de coleta das amostras na parcela 1 e parcela 2
Fonte: Adaptado de Google Earth,2006
As amostras foram coletadas em três etapas: a primeira no mês de maio,
60 dias após o plantio, outra no mês de julho, 92 dias após o plantio e a ultima no
mês de outubro somando 210 dias após o plantio.
O período relativamente extenso entre a segunda e a última coleta, deve-
28
se ao período de estiagem que ocorreu entre os meses de agosto e setembro,
impedindo a coleta das amostras.
Para cada ponto foram retiradas duas amostras, uma da profundidade de
0-5 cm e outra na profundidade de 5-10 cm, totalizando assim 20 amostras para
cada sistema de manejo. A escolha da profundidade de amostragem baseou-se em
relatos de Araújo; Goedert e Lacerda (2007) que relatam que é a profundidade mais
representativa dos atributos biológicos.
Todas as coletas foram feitas no período vespertino e as condições
climáticas eram de tempo ensolarado tanto no período da manhã quanto no da
tarde.
Na Figura 6 é possível observar um dos pontos de coleta correspondente
parcela 2 .
Figura 6: Ponto de coleta das amostras
3.4 PARÂMETROS ANALISADOS
As amostras foram coletadas e acondicionadas em potes de plástico
devidamente identificados e encaminhados ao Laboratório de Microbiologia da UDC(
União Dinâmica de Faculdades Cataratas), para as análises microbiológicas e
29
determinação de pH. Os procedimentos analisados estão discriminados a seguir.
3.4.1 Análises Microbiológicas
Para realizar as análises microbiológicas utilizou-se a metodologia
descrita por GÓES (2006).
Na Tabela 1 são apresentados os meios de cultura utilizados em cada
período de coleta. É necessário que o meio de cultura contenha nutrientes na forma
assimilável, ser fonte de energia e carbono para os microrganismos.
Tabela 1 - Meios de cultura utilizados nas análises microbiológicas
A repetição do Meio Martin, para a terceira análise do experimento, se
baseou nos relatos de diversos autores como Albuquerque et al (2010),Pfufler et al
(2000), Oliveira et al (2007), Castro et al (1993) ,que utilizaram o meio para avaliar
população fúngica do solo, relatando sua eficiência.
Dentre os meios utilizados no trabalho, o meio Martin e o meio GlicosePeptona , juntamente com os antibióticos, foram doados pelo Instituto Agronômico
do Paraná –IAPAR.
Os meios de cultura foram esterilizados em autoclave a 121ºC por 15
minutos. Após este processo os meios receberam antibióticos, cicloheximida para
bactérias e estreptomicina para fungos.
Pesou-se 1 mg de cada antibiótico, diluído com 10 ml de água estéril e
adicionado ao meio a temperatura de 50ºC.
Para estimar o número de unidades formadoras de colônias(UFC) de
bactérias e fungos foi empregada a metodologia de diluição em série. Amostras de
10 gramas de solo foram suspensas em 95 ml de água estéril e agitadas
30
manualmente. A partir das soluções suspensas, foram realizadas diluições
sucessivas com alíquotas de 1, 0 ml sendo transferidas para tubos de ensaio
contendo 9 ml de água estéril. Utilizou-se diluição decimal em serie ate
10-3. .
Inoculou-se 1, 0 ml de solução diluída no meio de cultura, o plaqueamento foi
realizado pela técnica de pour plate em placas de Petri esterilizadas. As placas
foram incubadas a temperatura de 27 ºC tanto para fungos como bactérias, visando
otimizar o espaço da incubadora, durante 7 dias, após esse período, foi feita a
contagem do número de colônias existentes.
A quantificação dos microrganismos foi realizada através de U.F.C por
grama( Unidades Formadoras de Colônias).
3.4.2 Potencial Hidrogeniônico (pH)
O pH do solo foi determinado por meio da metodologia descrita pela
Embrapa (1997).
Pesou-se 10 g de solo em frasco estéril. Adicionou-se 25 ml da solução
de cloreto de sódio (CaCl2 ) a amostra repousou, por um período de 15 minutos,
visando umedecer a amostra. A amostra passou por agitação vigorosa durante 5
minutos. Após a agitação, as amostras ficaram em repouso por trinta minutos.
A leitura do pH foi feita em um medidor de pH, pHmetro da PHTEK,
modelo PH3-3D.
3.4.3 Temperatura
Os dados de temperatura foram cedidos pelo Instituto Agronômico do ParanáIAPAR.
3.4.4 Índice Pluviométrico
O índice pluviométrico no período de março a outubro foi cedido pela
Cooperativa Agroindustrial Lar.
31
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS
A partir da análise das Tabelas 2 e 3,
onde estão apresentados os
resultados quanto a quantificação de fungos e bactérias do solo, podemos observar
que o número de UFC, por grama de solo, situou-se ao redor de 105 para as
bactérias e 10 3
para os fungos. Estes dados assemelham-se aos encontrados por
Albuquerque et al. (2010) que encontrou valores de
10
4
UFC quantificando
microorganismo do solo , descreveu que o maior número encontrado se refere as
bactérias, seguido de actinomicetos e fungos.
Tabela 2 - Valores médios da quantificação de UFC de bactérias
Pode se observar nas Tabelas 2 e 3 que a influência da utilização de
diferentes meios de cultura, não ocasionou mudanças evidentes na contagem do
número de colônias tanto de fungos quanto bactérias.
Constata-se que a utilização dos antibióticos específicos para cada
microrganismo, veio a auxiliar na não propagação de organismos invasores,
melhorando assim a visualização e quantificação de cada grupo.
O meio Martin apresentou-se mais eficiente que o Agar –Batata, pelo fato
de que as colônias fúngicas apresentaram maior tamanho, assim possibilitando
melhor caracterização das colônias, isto assemelha-se aos relatos de diversos
autores como Albuquerque et al (2010),Pfufler et al (2000), Oliveira et al (2007),
32
Castro et al (1993) que utilizaram o meio para quantificar a população fúngica do
solo. Entre os meios utilizados para a quantificação de bactérias, os três
apresentaram-se de forma eficaz para a contagem de UFC.
Tabela 3 - Valores médios da quantificação de UFC de fungos
Os valores mais expressivos para o número de UFC foram encontrados
na primeira camada do solo (0-5) para ambas as parcelas e para ambas as
populações microbianas conforme apresenta a Tabela 2 e 3. Estes valores podem
ser justificados por Vieira e Nahas (2000) que afirmam que a maior quantidade de
matéria orgânica se concentra nas camadas superiores onde a atividade microbiana
é maior.
Observa-se que a população de bactérias, Tabela 2, apresentou seu
maior número na parcela 2, que corresponde ao sistema de plantio direto, com 136
UFC/g de solo para a 1ª análise, 125 UFC/ g de solo para a 2 ª análise e para a
última análise 143 UFC/g de solo.
O maior número de UFC encontrado na terceira análise para bactérias
pode ser justificado pelo fato de que no mês de agosto não houve ocorrência de
chuva, o que acabou impossibilitando a coleta de amostras. Neste período foi
realizada a colheita do milho, que proporcionou maior quantidade de resíduos da
cultura ao solo, aumentando assim a atividade microbiana para os dois sistemas.
Na parcela 1 não houve diferenças elevadas entre os dois sistemas sob a
população bacteriana. Segundo McCalla (1958) apud Meister et al. (2005) essa
pequena variação pode ser explicada pelo efeito da diluição, pois a população
microbiana em solos cultivados com cobertura morta só é maior que os com cultivo
convencional na camada de 2,5 cm.
33
Outro indicio que pode ter não ocasionando grandes diferenças na
população microbiana, é que área de estudo advém de sistema de plantio direto há
mais de 10 anos. Isto também foi observado por Meister et al. (2005) que salientou
em seu trabalho que o curto espaço de tempo em que as parcelas do sistemas
foram submetidas , proporcionou pouca mudança na quantidade de bactérias e
fungos do solo.
Conforme dados da Tabela 3 pode se observar que a maior população de
fungos foi observada na parcela 2. Para Castro et al (1993) isto é decorrente de que
o plantio convencional ao promover o enterrio da planta facilita a degradação dos
microrganismos, acabando simultaneamente com o substrato, fazendo com que as
populações caiam a níveis mais baixos.
Observa-se que no período da 2ª e 3ª análise para o sistema
convencional, o número de fungos foi ligeiramente maior se comparado ao sistema
de plantio direto com valores aproximados de 6 UFC/g de solo e 7 UFC/g de solo
respectivamente. Isso é dependente dos baixos valores pluviométricos ocorridos nos
meses de junho e começo de setembro que favoreceram essa população de
microrganismos.
No período da primeira análise no mês de maio, o índice pluviométrico foi
elevado, mostrando uma ligeira diminuição da população fúngica do solo para
ambas as parcelas. Monteiro e Dionisio et al (1994) apud Silva et al (2004),
avaliando o solo coberto com vegetação também identificou uma acentuada
diminuição, ao passo que este é influência do processo de lixiviação, interferindo na
atividade fúngica.
4.1.2 Gêneros de Fungos Encontrados
Os gêneros de fungos encontrados nos diferentes sistemas de cultivo,
foram: Mucor sp., Penicillium sp., Rhodotorula sp. ,Aspergillus sp e Candida sp ,
conforme descrito na Tabela 4.
34
Tabela 4 - Gêneros de fungos encontrados nos dois sistemas de cultivo
Dentre todos os gêneros encontrados, o gênero Aspergillus sp, teve maior
ocorrência tanto no sistema convencional quanto no sistema de plantio direto.Estes
resultados assemelham com os de Horn ( 2007) apud Fraga et al (2010), afirmam
que o gênero Aspergillus , é encontrado com maior freqüência em ambientes
agrícolas de ciclo curto.
4.2 POTENCIAL HIDROGENIÔNICO (pH)
Os valores encontrados para o pH (Tabela 5 ), mostram pequena variação
de valores entre os dois sistemas de manejo e que estes ficaram próximos a faixa
da neutralidade.
Tabela 5 : Valores de pH nos diferentes sistemas de cultivo
Tanto nas profundidades de 0-5 cm como na de 5-10 cm, os valores de
pH ficaram próximos a 6, reforçando relatos de Primavesi (2002) que relatou que a
maioria dos microrganismos benéficos as culturas tem suas enzimas ativas em solos
de pH 5 a 6.
Os valores de pH assemelham- se aos encontrados por Maia (2003),
avaliando os atributos microbiológicos de um solo sob diferentes manejos de
35
cobertura vegetal, afirmando que o pH não pode ser considerado como fator isolado
para explicar resultados encontrados em análises microbiológicas realizadas nas
diferentes épocas e profundidades.
4.3 TEMPERATURA
De acordo com os valores médios de temperatura no período de 24 horas
(Figura 7), observa-se que as temperaturas não tiveram alto nível de oscilação.
Figura 7: Temperatura média no período de 24 horas
Os maiores índices de temperatura, conforme a Figura 7 ocorreu nos
meses de março chegando a 26ºC e no mês de abril a 23ºC. Para os outros meses
ocorreram leves oscilações na temperatura.
Estes valores são considerados de grande importância para o
desenvolvimento da grande maioria dos microrganismos, pois para Fancelli (2003),
temperaturas variando de 10 ºC a 40º C são as mais confortáveis para a proliferação
de fungos e bactérias.
36
Quanto a temperatura do solo Castro et al. (1993)
aborda que em
determinações realizadas em vasos, com temperatura ambiente a 48ºC, a 3 cm de
profundidade, apontava que no sistema de plantio direto
a temperatura era de
39ºC, porém no convencional chegava a 48 ºC.Portanto uma das vantagens do
sistema do plantio direto quando relacionado a temperatura é que este, promove
menor aquecimento do solo, pela presença da cobertura morta, funcionando como
proteção do solo.
4.4 INDICE PLUVIOMÉTRICO
Os valores dos dados pluviométricos estão descritos abaixo (Figura 8).
Figura 8: Precipitação Pluviométrica
Os maiores índices pluviométricos ocorreram nos meses de março com
220 mm e no mês de julho 206 mm. Algo inesperado ocorreu no mês de agosto,
onde não houve precipitação, impossibilitando a realização da ultima coleta que teve
que ser adiada até próxima precipitação.
Observa-se na Tabela 2, que para a 1ª análise, tanto na parcela 1 quanto
37
na parcela 2 , o desenvolvimento da população bacteriana foi maior, quando
comparado as outras análises, fato que pode ser justificado pelo período chuvoso
expressivo. Silva et al. (2004) estudando as colônias de fungos e bactérias em
solos de floresta tropical,afirma que período de maior incidência de precipitação
pluviométrica concorre para o aumento de bactérias, pois a disponibilidade hídrica
do solo concorre para manter o índice populacional em seu nível de predominância.
Estes dados assemelham-se ao encontrados por Sales et al. (2007), que
comprovou que a pluviosidade tem participação fundamental no desenvolvimento
bacteriano no solo, pois gera um micro-ambiente favorável a esses microrganismos.
38
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através
das
análises
microbiológicas
realizadas
nos
pontos
de
amostragens, foi possível observar que a população de microrganismos do solo, não
foi afetada diretamente pelas diferentes formas de manejo as quais foram
submetidas.
Quanto aos meios de cultura utilizados nas análises microbiológicas,
todos se mostraram eficientes para a proliferação dos microrganismos. Salienta-se
que para a população fúngica o Meio Martin, deteve de melhores resultados,
auxiliando em melhor visualização das colônias.
Observou-se nos diferentes sistemas de manejo alguns gêneros de
fungos, entre os quais se destacam: Mucor sp., Penicillium sp., Rhodotorula sp.
,Aspergillus sp e Candida sp.
Fica evidente que estudos quanto à avaliação da qualidade dos solos
utilizando microrganismos, se faz necessário, à medida que, por estes serem
sensíveis indicadores ambientais, permitirão garantir a manutenção, melhoria do
solo e preservação deste recurso.
39
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