1
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES – UCAM
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
PROJETO A VEZ DO MESTRE
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL PARA
A GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA
Cristiana da Silva Victor
Orientadora: Profa Diva Nereida
Rio de Janeiro
2005
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL PARA
A GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA
CRISTIANA DA SILVA VICTOR
Objetivos:
Monografia apresentada à
Universidade
Candido
Mendes
como
requisito
para
a
obtenção
do
título de Especialista
em
Orientação
Educacional.
3
AGRADECIMENTOS
Agradeço em primeiro lugar a Deus e a toda energia de
Luz que me guiam em meu caminho pela vida.
À
minha
minhas
irmãs,
sempre
me
família,
Kátia
apoiaram
em
e
especial
Márcia,
durante
minha
minha
todos
os
avó
mãe,
Denise
Mercedes,
momentos
da
e
que
vida
acadêmica e pessoal.
À Lina, pela consideração, carinho e proteção.
À Margareth, pela amizade de tantos anos.
À Regina, pela doçura.
Agradeço a Deus pela amizade de vocês, que são pessoas
que estarão sempre em meu coração.
Aos
Mendes.
professores
e
colegas
da
Universidade
Candido
4
DEDICATÓRIA
À
Denise,
Mercedes,
Kátia,
que
são
Márcia
e
luz
em
minha vida. Essa vitória é de
todas nós.
5
RESUMO
A monografia apresentada trata da relação entre a Gestão
Participativa e a importância da Orientação Educacional
para a mesma. O gestor, em uma perspectiva participativa,
deve trazer a comunidade para “trabalhar com a escola”,
objetivando o sucesso do processo educacional como um todo.
O Orientador Educacional (ou uma equipe de orientadores e
demais profissionais orientados por ele) pode auxiliá-lo
neste processo. Isto pode ser possível através de ações
práticas e que envolvam alunos, pais, profissionais,
colaboradores,
enfim
a
comunidade
escolar.
Para
a
realização deste estudo foi feita a pesquisa bibliográfica,
na qual foram lidos os seguintes autores: Maia e Garcia
(1995), Siqueira (1995), Sanches (1999), Lück et al (2001),
Saviani (2002), Ferreira (2002), Lück (2004) e outros. O
objetivo geral é mostrar a importância que o profissional
de Orientação Educacional pode, com seu conhecimento,
oferecer à escola que deseja inserir a comunidade em seu
processo
decisório.
Os
objetivos
específicos
são:
conceituar a Gestão Participativa; apresentar a trajetória
da Orientação Educacional através da legislação educacional
e mostrar a
importância que o orientador tem para a
comunidade escolar, unindo-a em torno de objetivos comuns
em uma Gestão Participativa. A monografia é composta de
Introdução;
Capítulo
I,
conceituando
a
Gestão
Participativa; o Capítulo II, apresentando o histórico da
Orientação Educacional no Brasil e o Capítulo III,
mostrando a importante contribuição que a Orientação
Educacional pode oferecer à Gestão Participativa. Em
seguida, a Conclusão e a Bibliografia.
Palavras-chave:
Gestão
Participativa,
Educacional, comunidade escolar, participação.
Orientação
6
METODOLOGIA
Sendo
o
tema
desta
monografia
a
importância
da
contribuição da Orientação Educacional em um processo de
Gestão Participativa, fez-se a pesquisa bibliográfica para
se atingir os objetivos da mesma.
A leitura da Legislação Educacional foi imprescindível
para a verificação do que atual Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional (LDBEN 9394/96) legisla sobre a Gestão
Participativa nas escolas públicas.
Dentre os autores que tratam da Administração Escolar
e da Gestão Participativa, estão Ferreira (2002); Luck et
al (2001); Saviani (2002).
São estudos teóricos de autores que trazem o conceito
de administração/gestão escolar. Para eles, a gestão de
cunho participativo é essencial para que a comunidade seja
inserida em um processo de co-gestão na escola, já que é
essa mesma comunidade que é e faz a dinâmica da escola.
Desse
modo,
a
comunidade
tem
a
possibilidade
de
participar das decisões que definem os rumos da escola, que
atingem a todos, diretamente ou não.
Já Maia (1995), Garcia (1995) e Siqueira (1995) trazem
o aspecto histórico da Orientação Educacional, assim como
tratam de seu aspecto na legislação educacional brasileira
e o papel do orientador neste contexto.
Sanches (1999) define as características principais da
ação e Lück (2004) trata do planejamento na Orientação
Educacional
e
mostra
como
é
importante
que
ele
contínuo e de acordo com a realidade da instituição.
seja
7
O contato com as idéias de todos os autores foi muito
importante
para
que
se
entendesse
Educacional
tem
um
papel
como
fundamental
a
na
Orientação
dinâmica
da
comunidade escolar.
Assim, percebeu-se como isto pode ser produtivo para o
nível de participação dos membros que a compõem, trazendo
melhorias
tanto
que
nas
vão
influenciar
relações
todo
o
interpessoais
processo
escolar,
quanto
nas
questões
também
as
questões
administrativas.
A
partir
pedagógicas
dessa
podem
ser
melhoria,
discutidas
e
definidas
com
mais
empenho, pois a palavra dos professores, alunos e demais
profissionais passa a ter valor.
É essa mesma importância da participação da comunidade
e do orientador neste processo que justificam este estudo.
Atualmente, o diretor da escola precisa entender que
não trabalha sozinho, mas sim com uma equipe, e por isso
mesmo deve delegar poderes a profissionais e representantes
da comunidade escolar na qual a escola se insere.
Contudo, não se retira, assim, a responsabilidade do
gestor.
O
diretor
é
o
primeiro
responsável
pelo
que
acontece na escola.
O que ocorre é que, como não pode estar em todos os
lugares ao mesmo tempo, nem ver todas as situações, precisa
ter
confiança
no
trabalho
das
pessoas
que
formam
a
comunidade escolar e criar um ambiente de auxilio mútuo,
apesar das divergências que são comuns a qualquer ambiente
de trabalho.
Enfim,
não
pode
ser
esquecido
o
fato
de
que,
atualmente, a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional 9394/96 legitima a Gestão Participativa, o que
muda a posição de um diretor centralizador das decisões
para uma gestão com colaboradores efetivos.
8
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
9
CAPÍTULO I
A GESTÃO PARTICIPATIVA
13
CAPÍTULO II
A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
22
CAPÍTULO III
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
PARA A GESTÃO PARTICIPATIVA
32
CONCLUSÃO
39
BIBLIOGRAFIA
42
ÍNDICE
43
FOLHA DE AVALIAÇÃO
44
9
INTRODUÇÃO
A história da administração escolar no Brasil pode ser
relacionada a fatos históricos que aconteceram em nosso
país.
A gestão tradicional, no que se refere ao controle,
foi, e ainda é em várias instituições, a base da direção de
muitas de nossas escolas.
Um exemplo de controle das decisões nas mãos de uma
única pessoa já podia ser detectado desde a época do ensino
ministrado pelos padres jesuítas, no fim do século XVII.
Havia então a figura do Prefeito Geral de Estudos,
responsável por organizar e fiscalizar o sistema de ensino
e
suas
questões
administrativas.
Como
aponta
Saviani
(1999, p. 26) “A regra número 1 estabelece que é dever do
prefeito
organizar
os
estudos,
orientar
e
dirigir
as
aulas”.
Portanto,
centralizava
já
a
desde
decisões
essa
época
uma
do
processo
única
pessoa
educacional,
da
organização à fiscalização.
Ao longo dos anos, esta centralização da administração
escolar permaneceu muito comum nos séculos seguintes, ou
seja,
sem
a
participação
dos
demais
elementos
da
instituição escolar.
O
controle,
unicamente
nas
características
a
hierarquia
mãos
de
do
uma
e
diretor
a
tomada
são
administração
as
de
decisões
principais
autoritária
e
centralizadora.
No entanto, no século XX, desde meados da década de
90, aos poucos essa prática vem sendo desconstruída. Isto
porque, sob o aspecto legal, a Lei de Diretrizes e Bases
10
9394/96 trouxe a legitimação da Gestão Participativa e a
autonomia da escola pública.
Ainda
cumprida
que
por
na
prática
todas
as
a
lei
escolas
possa
não
públicas
estar
e
sendo
que
as
particulares não a tenham como prática regular, reconhecese
que
a
mesma
traz
um
grande
avanço
na
questão
da
participação da comunidade escolar, comumente excluída do
processo decisório.
Esclarece-se
que
uma
gestão
com
a
participação
da
comunidade não significa ausência de comando. O diretor é o
primeiro responsável pelo que acontece na escola, inclusive
respondendo legalmente perante os órgãos competentes.
No entanto, o que normalmente vem ocorrendo é uma
administração que não leva em conta as reais e principais
necessidades da comunidade escolar. Esta última não costuma
ser
ouvida
ou,
se
o
é,
apenas
em
questões
de
pouca
relevância.
Além
disso,
a
maioria
das
escolas
pública
atende
alunos oriundos de famílias com baixa renda e que moram em
áreas carentes.
São
pessoas
que
já
são
excluídas
econômica
e
culturalmente em nossa sociedade e que, na escola, podem
encontrar
espaço
para
serem
ouvidas
e
interagirem
no
processo educacional como um todo.
Um outro aspecto a se ressaltar é o de que a Gestão
Participativa não constitui um processo com ausência de
conflitos. Na escola convivem pessoas com diferentes tipos
de pensamento, necessidades e histórias de vida, o que
torna comum a divergência de opiniões.
O que esse tipo de gestão faz é unir esforços em torno
de
objetivos
aqueles
que
comuns,
são
com
atingidos
comunidade escolar.
o
real
por
envolvimento
decisões:
os
de
todos
membros
da
11
Sendo
um
articulador
dessa
comunidade
escolar,
ou
seja, ouvindo professores, pais, alunos e profissionais da
escola,
o
privilegiado
Orientador
para
Educacional
perceber
o
início
possui
de
um
papel
turbulências
e
problemas antes que estes cheguem a extremos.
Portanto, o Orientador Educacional também pode ser um
articulador de projetos e ações que aproximem a família da
escola e até mesmo os próprios profissionais entre si.
Leve-se
em
conta
que,
em
muitos
contextos,
pode
existir uma “falsa união” que, na verdade, não leva a lugar
nenhum, devido a ações individualistas e que fragmentam a
prática dos profissionais.
Sabe-se que o processo de implementação e permanência
da participação não é uma tarefa fácil. Esta última engloba
vários aspectos, começando pela disposição do diretor em
delegar poder a outras pessoas.
Também é importante que a equipe técnica tenha em
mente que a comunidade é a vida da escola e, estando a
mesma presente, maiores são as chances do êxito em questões
a serem resolvidas.
Entende-se que não é de uma hora para outra que as
pessoas vão mudar seu modo de agir, até porque podem ter
vivido por muito tempo acostumadas a apenas obedecer.
É o caso de merendeiras, serventes e auxiliares, que
normalmente não têm voz para participar do que acontece no
dia-a-dia da escola.
O que não pode ser esquecido é que a aprendizagem não
acontece apenas na sala de aula, mas em toda a escola, na
rua, em casa, enfim, em toda e por toda a vida.
Daí a importância de a comunidade escolar como um todo
estar participando desse processo dos alunos e de decisões
que norteiam a rotina da escola.
12
Dessa maneira, a monografia tem como objetivo geral
mostrar como é importante a contribuição do profissional de
Orientação
Educacional
participação
da
para
a
comunidade
instituição
escolar
em
que
deseja
seu
a
processo
decisório.
Como objetivos específicos constam conceituar a Gestão
Participativa;
apresentar
o
histórico
da
Orientação
Educacional através das leis; e mostrar que o profissional
de Orientação Educacional pode contribuir efetivamente para
que a comunidade escolar entenda do que se trata e se
envolva na realização da Gestão Participativa.
A
monografia
está
estruturada
em
Introdução,
três
Capítulos, Conclusão e Referências e destina-se a todos os
profissionais
da
Educação,
de
modo
particular
os
Orientadores Educacionais, Diretores de Escolas e demais
membros que formam a comunidade escolar: profissionais da
escola, alunos, pais, responsáveis, colaboradores.
13
CAPÍTULO I
A GESTÃO PARTICIPATIVA
“Participação
de
interessados
no
decisório
da
envolvendo-os
realização
todos
os
processo
escola,
também
das
na
múltiplas
tarefas de gestão.”
(LÜCK ET AL 2002, p. 16)
14
Segundo
Ferreira
principalmente
princípios
(1997),
durante
o
no
século
administrativos
de
fim
do
XX,
a
Taylor
século
XIX
influência
e
Fayol
e
dos
esteve
fortemente presente na direção das mais diversas indústrias
e empresas.
Assinala Ferreira (1997):
“Uma
das
funções
gerenciais
ou
princípio básico é a ordem, que deve
ser
mantida
em
preservando um
toda
organização,
lugar para cada
coisa
(pessoa) e cada coisa (pessoa) em seu
lugar.” (FERREIRA, 1997, p. 23)
A
Pedagogia
Tradicional,
de
acordo
com
o
contexto
político-social dessa época, também fez da gestão escolar
um meio isolado de controle administrativo.
Dessa
dividido
forma,
em
no
quatro
Brasil,
o
Curso
habilitações
de
na
Pedagogia
década
foi
de
60:
Administração, Inspeção, Supervisão e Orientação.
De acordo com Saviani (2002) e em concordância com a
fala de Ferreira (1997):
“O
que
se
taylorização
buscou
ao
foi
aplicar
trabalho
a
pedagógico,
visando a sua objetivação por meio da
divisão
técnica
parcelamento
das
do
trabalho
tarefas,
fizera Taylor em relação ao
tal
e
como
trabalho
industrial.” (SAVIANI, 2002, p.30)
15
Sendo
separou
assim,
as
a
administração
questões
escolar
tradicional
administrativas/técnicas
das
pedagógicas, como se estas fossem totalmente isoladas.
Por conseqüência, também as ações em torno do processo
de administração e aprendizagem ficaram fragmentadas, com
uma prática sem articulação.
Colocou-se,
então,
a
tomada
de
decisões
de
cunho
administrativo nas mãos de um único elemento da escola, o
diretor, como se os outros componentes da comunidade não
agissem no contexto escolar.
Segundo
Lück
et
al
(2001,
p.
16),
a
Gestão
Participativa implica em “maior participação de todos os
interessados no processo decisório da escola, envolvendo-os
também na realização das múltiplas tarefas de gestão.”
No
Brasil,
desde
1980,
as
políticas
públicas
de
educação vêm trazendo mudanças que concretizam o processo
de descentralização de poder descrito pela autora.
A
9394/96
Lei
de
traz
a
Diretrizes
e
legitimação
Bases
da
da
Gestão
Educação
Nacional
Participativa
nas
escolas da rede pública e assegura sua autonomia:
“Os sistemas de ensino assegurarão às
unidades escolares públicas de educação
básica
que
os
integram
graus
de
autonomia
progressivos
pedagógica
e
administrativa e de gestão financeira,
observadas as normas gerais de direito
financeiro.” (LDBEN 9394/96, Art. 15º.)
Como se vê, é um grande passo para que a comunidade
escolar
se
empenhe
em
unir
transformação de sua realidade.
esforços
para
uma
real
16
Ressalta-se que isso não significa que os cidadãos
devam
tirar
a
responsabilidade
das
autoridades
governamentais, que devem utilizar de melhor maneira os
recursos destinados à área educacional.
A comunidade deve sim lutar por melhores condições
para as escolas junto ao poder público, mas também mover-se
em prol de si mesma.
Atualmente, a participação da comunidade escolar como
um
todo
também
é
validada
através
de
conselhos
com
representantes dos alunos, das famílias, profissionais e
colaboradores da própria comunidade.
Sendo
melhorias
assim,
na
desse
relação
movimento
entre
o
são
gestor
e
originadas
as
os
da
membros
comunidade, que passam a se auxiliarem na resolução de
questões da instituição.
É fundamental ressaltar que um diretor de escola não
lida
somente
com
papéis
e
questões
financeiras,
mas
primeira e principalmente com o elemento humano.
Por isso, ele tem que estar atento às relações que se
dão
na
escola.
Elas
mostram
a
satisfação
ou
não
dos
funcionários, o nível de união do grupo, o interesse, o
isolamento etc.
O diretor deve também entender que a escola não é
neutra, mas sim uma instituição que influencia.
Também
é
influenciada
pelo
contexto
das
questões
políticas, sociais, culturais e econômicas no qual está
inserida.
A Legislação Educacional vigente afirma que a educação
é um processo contínuo e permanente.
17
educação
“A
abrange
os
processos
formativos que se desenvolvem na vida
familiar,
na
convivência
humana,
no
trabalho, nas instituições de ensino e
pesquisa,
nos
movimentos
sociais
e
organizações da sociedade civil e nas
manifestações
culturais.”
(LDBEN
9394/96, Art. 1º)
Na Gestão Participativa, um dos principais desafios
para o gestor é o de enfrentar um possível comodismo e
resistência. Para Lück et al (2001):
“É importante reconhecer que mesmo que
as
pessoas
desejem
participar
da
formulação e construção dos destinos de
uma unidade social, não querem aceitar,
rapidamente, o ônus de fazê-lo.”(LÜCK
ET AL, 2001, p.18)
Para a autora, pode ocorrer uma espécie de movimento
contraditório por parte da comunidade.
No princípio da implantação dessa gestão, as pessoas
“após
manifestarem
interesse,
demonstram
por
meio
de
comportamentos evasivos, resistência ao envolvimento nas
ações necessárias às mudanças desejadas.” (p.18)
Portanto,
cabe
ao
gestor
iniciar
um
processo
de
desconstrução da prática da omissão.
A
comunidade
precisa
ser
conscientizada
e
perceber
como parte integrante e pensante da escola, tendo o direito
de expor sua opinião e validá-la.
18
Para Lück et al (2001), um ambiente estimulador é
aquele em que existem ações efetivas:
“Criar uma visão de conjunto associada
a uma ação de cooperativismo; Promover
um
clima
de
confiança;
capacidades
e
participantes;
quebrar
Valorizar
aptidões
Associar
arestas,
as
dos
esforços,
eliminar
divisões
e
integrar esforços; Estabelecer demanda
de trabalho centrada nas idéias e não
em pessoas; Desenvolver a prática de
assumir responsabilidades em conjunto.”
(LÜCK ET AL, 2001, p.19)
O Projeto Político Pedagógico é um dos pontos-chave
para que a comunidade esteja presente na rotina da escola.
É, portanto, uma porta para que as ações acima, descritas
pela autora, possam ser colocadas em prática.
Ter uma Gestão Participativa implica na participação
de
representantes
da
comunidade
na
elaboração
desse
projeto.
Professores,
equipe
técnica,
alunos,
serventes,
merendeiros, pais devem ter sua parcela de colaboração,
oferecendo sugestões e tendo voz ativa para escolherem o
que a escola pode ter de melhor:
“Os
sistemas
de
ensino
definirão
as
normas da gestão democrática do ensino
público na educação básica, de acordo
com as suas peculiaridades e conforme
os seguintes princípios:
19
I - participação dos profissionais da
educação
na
elaboração
do
projeto
pedagógico da escola;
II
participação
-
das
comunidades
escolar e local em conselhos escolares
ou
equivalentes.”(LDBEN
9394/96,
Art.
14º.)”.
Se o diretor entrega um Projeto Político Pedagógico
pronto, com as metas e objetivos já estabelecidos, deixa
claro que não privilegia a opinião das pessoas que estão a
sua volta.
Porém, são esses membros da comunidade que convivem
diariamente com os limites e possibilidades da instituição
e, por esta razão, têm uma visão mais próxima da realidade
do cotidiano escolar.
É o caso de serventes e merendeiras, por exemplo. Sua
função é essencial para os alunos, principalmente os de
escolas
localizadas
em
comunidades
desfavorecidas
economicamente.
São
crianças
e
adolescentes
que
têm
na
refeição
escolar talvez a única ou a mais completa do dia e vêem
esses
profissionais
com
muito
carinho.
Afirmam
Alves
e
Garcia (2002):
“Aqueles
antigos
”funcionários
subalternos” aprenderam em sua própria
prática que têm muito a dizer sobre os
alunos.
E
também
aprenderam
a
ser
intelectuais, no sentido gramsciano, de
sujeitos
que
pensam
o
mundo
em
que
vivem e que vão construindo concepções
de mundo e de homem em seu cotidiano.
Não são meros fazedores de tarefas, mas
20
sujeitos que pensam ao fazer e que já
compreenderam haver saberes da prática
nem
sempre
valorizados
discriminadoras
e
em
sociedades
excludentes
como
a
nossa.” (ALVES;GARCIA, 2002, p. 126)
Define-se, portanto, o papel do gestor participativo
como sendo o de unir os “recursos humanos” de que a escola
dispõe, independente de exercerem tarefas “técnicas” ou
não, para que os objetivos sejam atingidos da melhor forma
possível.
Na hierarquia da escola, o diretor está acima, mas se
as decisões sempre se estabelecerem somente de cima para
baixo, a comunidade se sentirá desestimulada a oferecer sua
contribuição.
Os conflitos e as divergências também existirão na
Gestão Participativa, mas é a partir deles que todos podem
se unir em torno de um objetivo maior, ou seja, a melhoria
do processo educacional e interpessoal da escola.
Se as relações entre as pessoas forem produtivas, as
questões
administrativas
e
pedagógicas
terão
maiores
chances de serem bem-sucedidas.
Para Lück et al (2001), o gestor deve facilitar um
ambiente
propício
à
participação
dos
elementos
da
comunidade através da criação de grêmios e do conselho
escola-comunidade.
Assim, podem participar das decisões da escola e na
implementação de projetos e ações que envolvam todos os
diferentes segmentos: técnico, pedagógico, administrativo.
Enfim, o mais importante é que estes representantes da
comunidade tenham o objetivo de realmente colaborar e que
também possam ter ações que estejam em um nível de atuação
decisória.
21
A
seguir,
Orientação
o
Capítulo
Educacional
Educacional.
no
II,
trazendo
Brasil
através
o
histórico
da
da
Legislação
22
CAPÍTULO II
A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
“O diálogo tem seu lado funcional para
a prática escolar visto que, por meio
dele, o aluno
descobre no Orientador
Educacional uma pessoa que pode atendêlo
nas
sociais,
suas
diversas
afetivas
(SANCHES, 1999, p.70)
e
dificuldades
culturais.”
23
2.0 A história da Orientação Educacional no Brasil
e o contexto sócio-econômico
A
história
da
Orientação
Educacional,
no
Brasil,
iniciou-se em 1924 e esteve ligada à formação profissional.
Chega-se
Maia;
à
Garcia
Educacional
afirmativa
(1995,
“pretende
acima
p.11),
ser
pois,
nesta
um
conforme
época
serviço
de
a
afirmam
Orientação
seleção
e
de
orientação profissional para alunos do curso de mecânica.”
Segundo
as
autoras,
a
oficialização
da
Orientação
Educacional se deu em 1931, quando foi aberto o SPOEP1. Seu
objetivo era orientar os alunos na escolha de cursos e
profissões.
Apesar da iniciativa, este serviço, baseado em modelos
americanos e europeus, foi rapidamente extinto, no ano de
1935.
Para chegar ao objetivo acima mencionado, o Orientador
Educacional tinha como metodologia fazer testes de aptidão
e desempenho.
Posteriormente,
o
profissional
selecionava
e
encaminhava os alunos à treinamentos, de acordo com suas
escolhas:
a
universidade
ou
o
mercado
de
trabalho.
(MAIA;GARCIA, 1995)
Na época do surgimento da Orientação Educacional no
Brasil, em 1924, o contexto político-social era o de uma
política voltada para a produção e exportação do café.
Havia
decisões
uma
elite
cafeeira
político-econômicas,
que
o
estava
que
à
frente
deixava
das
outros
segmentos da economia insatisfeitos.
1
Serviço Público de Orientação Educacional e Profissional
criado pelo professor Lourenço Filho, diretor do Departamento de
Educação de São Paulo.
24
A maioria da população passava por um momento difícil,
com
as
dificuldades
econômicas
causadas
pela
crise
financeira.
Aconteceram
nessa
época
movimentos
grevistas
dos
trabalhadores urbanos e rurais, principalmente em São Paulo
e no Rio de Janeiro.
A elite precisava sufocar tais revoltas. De acordo com
Maia;Garcia
(1995),
a
solução
encontrada
foi
desviar
a
atenção da população a respeito das reais causas da ruim
situação econômica.
Assim, a demanda da população por melhoria de suas
condições sócio-econômicas foi
direcionada para
o campo
educacional:
“As
aspirações
população por
deslocadas
classe
de
um
dominante,
negociar
está
–
parte
da
mudanças estruturais são
para
liberais,
grande
a
espaço
apoiada
sempre
em
nas
que
a
idéias
disposta
a
educação.”(MAIA;GARCIA,
1995)
Em uma análise crítica, percebe-se o porquê de se
escolher o campo educacional. É através da Educação que se
liberta ou se escraviza um povo.
Neste
contexto,
para
as
autoras,
há
dois
grupos
distintos: os que defendiam a ampliação do atendimento da
escola pública e os que, influenciados pelos ideais da
Escola Nova, discutiam mudanças na qualidade de ensino.
Na verdade, o papel da escola seria o de preparar a
vida em uma sociedade democrática, na qual todos tinham
direito à educação, “até onde permitissem suas aptidões
naturais,
independente
de
sociais”(MAIA;GARCIA,1995,p.13)
razões
econômicas
e
25
Obviamente,
a
maioria
da
população
“não
tinha”
aptidões para cursar além do ensino primário ou ginasial,
sendo a universidade para poucos e privilegiados “aptos”.
A
Orientação
Educacional,
então,
tinha
como
tarefa
reforçar a idéia de que cada um tinha seu lugar, de acordo
com suas capacidades.
Difundia-se
a
noção
de
escola
neutra,
para
todos,
sendo o indivíduo responsável por encaminhar-se na vida
profissional.
Na
década
de
30,
com
a
crescente
demanda
pela
industrialização do país, os grandes agricultores se viram
obrigados a abrir espaço para outros setores da economia.
Maia;
Garcia
educacional,
os
(1995,
p.
progressistas
14)
afirmam
lançaram
que,
o
na
área
Manifesto
dos
Pioneiros da Educação Nova, tendo como bases:
•
A educação integral baseada em aptidões naturais.
•
A escola secundária democrática e com oportunidades
iguais.
•
A escola técnica como base da economia do país.
•
O tratamento especial de anormais e subnormais.
•
A
criação
de
instituições
psicotécnicas
e
de
orientação profissional.
Observa-se
Atualmente, os
a
denominação
“anormais
e
subnormais”.
portadores de necessidades especiais
são
encaminhados para a denominada Educação Especial.
Enfim, era apresentada e proposta pelos progressistas
uma
re-adequação
da
escola
político-econômicas do país.
às
novas
características
26
Na
Constituição
de
1934,
era
atribuição
do
Estado
determinar as diretrizes educacionais, mantendo o Ensino
Religioso, defendido por educadores tradicionais.
Passados três anos, a Constituição de 1937 trouxe uma
regressão quanto à responsabilidade do Estado na Educação:
somente quando esta não pudesse ser oferecida pela rede
privada de ensino.
Outro aspecto dessa Constituição era o de afirmar o
papel reprodutor
das desigualdades sociais, separando o
ensino superior para a elite e o ensino profissionalizante
para a grande massa.
Desse modo, pretendia a “preparação universitária das
individualidades condutoras e o
profissional
para
as
ensino pré-vocacional e
classes
menos
favorecidas”.
(MAIA;GARCIA, 1995, p. 15)
Como se vê, a psicologia norteava estas idéias, pois
se
tinha
a
visão
de
que
os
indivíduos
têm
ocupações
diferentes na sociedade porque tem aptidões e capacidades
também diferentes.
Esta ideologia estava a serviço da classe dominante,
que não pretendia oferecer à população, de forma geral,
condições de conseguir sua ascensão sócio-econômica.
Era muito mais cômodo e de acordo com os interesses
político-sociais deixar a maioria cursando apenas parte do
ensino regular.
27
2.1 A Orientação Educacional na Legislação
Conforme assinala Siqueira (1995), o primeiro DecretoLei
legislando
sobre
a
Orientação
Educacional
data
de
1942. Diz o capítulo XII:
“Instituir-se-á
em
cada
escola
industrial
ou
escola
técnica,
a
orientação
educacional
mediante
a
aplicação de processos adequados, pelos
quais
se
obtenham
a
conveniente
adaptação profissional e social
e se
habilitem os alunos para a solução dos
próprios
problemas.”(apud
SIQUEIRA,
1995, p.33)
Trata-se, para a autora, de um decreto que dá margem a
várias indagações, tais como: que processos adequados são
esses; como é sua aplicação; em que sentido e para quem a
adaptação é conveniente.
Para Siqueira, o decreto apenas prescreve, mas não
define claramente a Orientação Educacional.
Já
no
entendimento
de
Maia;Garcia
(1995,
p.15),
a
finalidade da Orientação Educacional neste decreto seria a
de
“correção
e
encaminhamento
dos
alunos-problema
e
de
elevação das qualidades morais”.
Define-se, então, seu papel adaptador à sociedade. No
entanto, as autoras apontam para uma grande distância entre
a
finalidade
da
Orientação
Educacional
e
necessidades das instituições e de seus alunos.
as
reais
28
Agravando essa situação, havia uma divisão no ensino
secundário,
com
decretos
distintos:
a
Lei
Orgânica
do
Ensino Comercial (1943) e a Lei Orgânica do Ensino Agrícola
(1946). Em ambos, o Orientador Educacional deve:
“Velar
no
sentido
de
que
cada
aluno
execute satisfatoriamente os trabalhos
escolares e em tudo mais, tanto no que
interessa
a
sua
respeita
aos
saúde
quanto
assuntos
e
no
que
problemas
intelectuais e morais, na vida escolar
e
fora
dela,
se
conduza
de
maneira
segura e conveniente, e bem assim se
encaminhe com acerto na escolha ou nas
preferências de sua profissão.”
(apud
SIQUEIRA, 1995, p.43)
A
conotação
permaneceu
no
zeladora
Decreto-Lei
do
Orientador
34.472,
de
Educacional
21/12/1953,
que
referia-se ao Regimento do Colégio Pedro II.
Em seu artigo 13, destaca-se como uma das funções
capitais o “aconselhamento direto de cada estudante”.
No
mesmo
decreto,
o
artigo
317
mostra-se
contraditório:
“A Orientação Educacional é um serviço
complementar
do
colégio,
não
se
confundindo com as atividades gerais do
ensino com as quais, no entanto, deverá
manter
a
mais
estreita
e
constante
ligação.” (apud SIQUEIRA, 1995, p.48)
29
A
autora
questiona
de
que
forma
a
Orientação
Educacional poderia não ser atividade de ensino e, ao mesmo
tempo, ser estreitamente ligada ao mesmo.
Para
Siqueira,
esta
situação
acarretava
apenas
em
superficiais trocas de informações.
A família é citada no artigo 319 desse mesmo decreto:
“Aconselhamento direto de cada estudante, com exame feito
pelo próprio orientador em entendimento com a família”.
Neste caso, seriam avaliadas “as capacidades, gostos,
preferências
ideal
e
possibilidades
profissional”
e
à
do
aluno,
levando-o
compreensão
de
a
um
valores
sociais.(SIQUEIRA, 1995, p.49)
A
LDB
Educacional
de
1961
trouxe
destinada
ao
a
confirmação
Ensino
da
Médio,
Orientação
em
orientação educacional e vocacional, mantendo
prol
da
o auxílio
familiar.
A referida lei definiu a formação do orientador em
curso específico e reforçou a internalização da ideologia
que pregava a escola igual para todos e colocando nos
indivíduos a responsabilidade por seu sucesso profissional.
Na década de 60, o contexto político-social era tenso,
por causa da ditadura militar. Era necessário fazer parecer
que
a
educação
não
tinha
relação
com
as
condições
econômicas da população e vice-versa.
Um dos meios encontrados foi fragmentar o movimento
dos
profissionais
Pedagogia
em
de
Educação,
habilitações:
separando
Administração,
o
Curso
de
Supervisão,
Inspeção e Orientação Educacional.
No então 2º Grau dos anos 70, a Lei 5692, de 1971,
“institui a habilitação profissional e a iniciação para o
trabalho”.
Esta
lei
também
cita
comunidade no trabalho do orientador.
a
participação
da
30
Na verdade, o ensino profissionalizante neste segmento
destina-se a uma limitação da procura do Ensino Superior,
que, devido aos interesses da classe dominante, obviamente
não era próprio às “aptidões” e “necessidades” da maioria
da população.
A
isso
soma-se
a
tendência
tecnicista,
onde
a
eficiência e o resultado deveriam ser alcançados de maneira
técnica e racional.
Em
1976,
um
relatório
MEC2
do
assim
define
a
Orientação Educacional:
“Orientação
Educacional
sistemática,
planejada
sentido
de
oportunizar
é
e
uma
ação
avaliada
situações
no
que
exijam dos alunos opções conscientes,
baseada
fatos
no
e
conhecimento
da
avaliação
realidade,
de
suas
racional
bem
como
potencialidades
dos
na
e
limitações.”(apud SIQUEIRA, 1995, p.54)
Segundo Lück (2004), a década de 80 foi um período de
questionamento sobre a Educação e, particularmente, sobre o
sentido da Orientação Educacional.
É justamente neste mesmo momento que começa o processo
de descentralização e democratização da gestão nas escolas
públicas.
Este processo culminou, nos anos 90, na legitimação da
Gestão
Participativa
nas
escolas
públicas,
com
a
LDB
9394/96.
A lei aponta os cursos de graduação ou pós-graduação
para a formação de
2
I Círculo de Estudos de Orientação Educacional – MEC/DEM,
Brasília, 1976.
31
A seguir, o Capítulo III, contendo a relação que se
pode
estabelecer
entre
Orientação Educacional.
a
Gestão
Participativa
e
a
32
CAPÍTULO III
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL PARA
A GESTÃO PARTICIPATIVA
“O trabalho do Orientador Educacional
estrutura-se
no
tripé
formado
por
aluno-família-escola, no qual os demais
profissionais
desempenham
um
relevante.”(SANCHES, 1999, p.65)
papel
33
Lück
(2004,
complexidade
complexa
das
ela
p.15)
aponta
tarefas.
Para
for,
mais
para
a
a
questão
autora,
necessário
se
quanto
faz
da
mais
um
bom
planejamento.
E é exatamente assim que a Orientação Educacional pode
ser de fundamental importância para a Gestão Participativa.
Ora,
se
esta
anteriores, é a
comunidade
última,
como
visto
nos
capítulos
união de esforços e a participação
escolar
em
prol
de
si
mesma,
a
da
Orientação
Educacional pode viabilizar este processo.
Isto pode ser feito através de projetos incluídos no
planejamento
da
escola.
No
entanto,
a
autora
aborda
a
formação como o princípio de uma eficiente prática:
“Os cursos de formação de orientadores
educacionais,
Educação,
devem
as
as
Secretarias
associações
promover
a
de
de
classe
preparação
do
profissional para o melhor exercício da
função
do
planejamento.”(LÜCK,
2004,
p.16)
Ressalta-se que o ideal seria a união do trabalho
desses diferentes órgãos em torno de um objetivo comum: a
melhor formação do profissional.
O problema é que a realidade educacional de nosso país
muitas
vezes
impossibilita
ou
dificulta
essa
junção
de
esforços.
No entanto, a responsabilidade do próprio profissional
em relação à sua formação também não pode ser esquecida.
Ele
deve
ser
o
primeiro
interessado
em
fundamentar
refletir constantemente sobre sua própria atuação.
e
34
“Ainda o próprio orientador educacional
deve
assumir
a
iniciativa
responsabilidade
com
desenvolvimento,
pois
adequado
relação
apenas
preparo
objetividade,
e
a
a
seu
mediante
alcançará
consistência,
coerência,
determinação, sistematização e eficácia
em suas ações.”(LÜCK, 2004, p.16)
A partir disso, a prática do Orientador Educacional
pode
se
voltar
para
a
elaboração
e
implementação
de
projetos que proporcionem:
•
A flexibilização das relações entre a comunidade
escolar,
com
maior
facilidade
e
fluidez
de
comunicação.
•
União de esforços em torno de objetivos definidos
com a participação de representantes da comunidade
escolar.
•
A melhoria do processo ensino-aprendizagem.
•
A conscientização e a valorização da comunidade em
relação à sua própria importância.
Há dois grupos de funções da Orientação Educacional.
As funções de organização, que estruturam a implementação
dos objetivos e que englobam o levantamento de dados, o
planejamento e a avaliação.(LÜCK, 2004, p.20)
O outro grupo, segundo a autora, compõe-se das funções
de implementação, ou seja, as que pretendem transformar a
realidade da escola.
35
“Elas se orientam para produzir algum
resultado em relação a algum segmento
da instituição pedagógica, ou nela como
um todo; a grupos de pessoas ou pessoas
individualmente
consideradas.
Elas
pretendem promover a transformação do
sentido das práticas sociais levadas a
efeito
na
alcance,
escola,
de
modo
ampliando
que
seu
instituição
e
pessoas, em interação, se tornem mais
plenas em sua
possibilidade de
ser.”
(LÜCK, 2004, p.22)
É esta interação de que fala a autora o caminho para a
Orientação
Educacional
reforçar
as
ações
de
uma
Gestão
Participativa.
O início desse processo se dá com a delegação de poder
por
parte
do
diretor.
A
partir
daí,
inclui-se
a
representação de membros de cada segmento da comunidade
escolar: pais e responsáveis em geral; alunos; professores;
funcionários (técnicos ou não) e possíveis colaboradores.
No
caso
da
escola
pública,
alvo
da
Gestão
Participativa na LDB 9394/96, vale lembrar que grande parte
de nossas instituições encontram-se localizadas em áreas de
população carente.
As dificuldades dessas pessoas e, conseqüentemente,
dos alunos, são várias: desemprego (que pode levar à evasão
escolar); má alimentação; falta de condições básicas de
higiene, como rede de água e de esgoto, serviço médico etc.
Além disso, sofrem com a violência e a exclusão sócioeconômica. São cidadãos que precisam ser realmente aceitos
pela
escola,
matriculados.
pois
não
basta
estarem
apenas
sendo
36
Muitos professores se esquecem dessas dificuldades e
colocam no aluno toda a culpa pelo baixo rendimento. Também
esquecem de que a escola como um todo é responsável por
ele.
No entanto, a possível “falta de interesse” pode ter
origem em vários aspectos como, por exemplo, a preocupação
porque o pai não tem dinheiro para comprar o material; o
conteúdo, que fala de um contexto completamente diferente
do seu; a desvalorização de sua fala etc.
Neste complicado contexto, a escola pode ser um local
de resgate da auto-estima e da consciência da cidadania. Os
projetos da escola devem privilegiar a participação destes
que, na verdade, fazem a escola. É neste ponto que fica a
principal contribuição da Orientação Educacional.
Planejar fora da realidade da comunidade escolar é
estar desperdiçando tempo e energia preciosos, pois, se
assim feitos, serão projetos “perfeitos”, mas que não terão
nenhum significado para a comunidade a que devem servir.
O profissional de Orientação Educacional pode “chamar”
a comunidade para trabalhar em cima de questões que se
liguem sobre questões práticas, como:
•
Auto-suntento/Profissão
Vocacional
através
de
(apoio
palestras
da
e
esclarecimentos sobre as profissões)
•
Gravidez na adolescência
•
Combate às drogas
•
Relações interpessoais
•
Violência
Orientação
oficinas
com
37
Estas
são
apenas
algumas
sugestões
de
como
a
Orientação Educacional pode auxiliar o processo educacional
como um todo.
Cabe ao Orientador Educacional adequar os projetos de
acordo
com
a
faixa
etária
do
grupo
com
que
estiver
trabalhando.
São questões comuns no universo de adolescentes e que
devem ser trabalhadas através de um diálogo esclarecedor.
Para Sanches (1999, p. 55), “os Orientadores Educacionais
reconhecem-se, sem dúvida, como profissionais de ajuda ao
adolescente”.
Esta ajuda pode ser realizada através de projetos que
envolvam a comunidade escolar, frisa-se que como um todo,
nestas questões e outras que podem aparecer, pois cada
realidade é diferente.
Engajar os alunos em campanhas voltadas para o bemestar
da
comunidade
é
importante.
Ocupa
seu
tempo
utilmente, além de acabar com a difundida idéia de que o
pai/a mãe são chamados à escola apenas quando o aluno está
dando problemas.
Enfim, mostra-se que a comunidade pode mudar a sua
própria realidade, sendo responsável pelo que acontece.
“O
desenvolvimento
dimensão
básica
Participativa. O
do
de
equipe
estilo
de
é
uma
Gestão
diretor eficaz
é um
líder que trabalha para desenvolver uma
equipe
composta
conjuntamente
são
por
pessoas
que
responsáveis
por
garantir o sucesso da escola.” (LÜCK ET
AL, 2001, p.45)
38
Enfim, o trabalho do Orientador Educacional não pode
restringir-se a problemas educacionais de sala de aula,
pois eles podem ser trabalhados no refeitório, no pátio,
enfim em todas as atividades.
Até porque, a dificuldade de aprendizagem não é um
problema isolado, mas conseqüência de toda uma gama de
situações pessoais, familiares, de saúde, de relacionamento
aluno-aluno, aluno-professor etc.
Os
outras
colaboradores
também
áreas,
terapeutas
como
podem
ser
de
profissionais
família,
de
médicos,
psicólogos, fonoaudiólogos, de fora da escola. Abrir espaço
para falas diferentes abre espaço para o diálogo.
Segundo Cury (2003, p.42) “conversar é falar sobre o
mundo que nos cerca, dialogar é falar sobre o mundo que
somos”.
Para Sanches (1999), a estrutura da ação da Orientação
Educacional é o “tripé aluno-família-escola, no qual os
demais profissionais desempenham um papel relevante.”
Portanto,
o
profissional
de
Orientação
Educacional
está trabalhando com todos os segmentos da escola, sendo,
assim, um mediador.
É ele que está presente nos vários âmbitos da unidade
escolar:
na
sala
de
aula,
na
direção,
no
conselho
de
classe, nos centros de estudo, com os funcionários, com a
família. Cabe a ele unir, da forma possível e dentro da
realidade escolar, a comunidade como um todo.
A seguir, a Conclusão desta pesquisa monográfica.
39
CONCLUSÃO
Atualmente, gestão da escola é uma tarefa múltipla. Na
década de 90, após anos com uma administração centralizada
nas mãos de uma única pessoa, o diretor, esta situação
começou a ser modificada.
A
Legislação
Educacional
vigente
coloca
a
Gestão
Participativa como elemento essencial para a progressiva
autonomia das instituições públicas.
Esta autonomia não deve ser considerada uma isenção do
poder público em relação a suas obrigações com a Educação.
As políticas públicas educacionais devem sim proporcionar a
constante e real melhoria das condições que fazem a boa
escola ser eficiente.
Aquelas
incluem:
adequada
formação
profissional,
melhores salários para todos os profissionais e não apenas
para
os
professores,
adequadas
prédios, material e atendimento
instalações
físicas
dos
profissional aos alunos
adequados aos alunos etc.
Ressalta-se que o diretor continua sendo o primeiro
responsável na escola, o que é perfeitamente legitimado,
pois ele tem que responder legalmente pelo andamento de
todo o processo escolar.
A
toda
a
Gestão
Participativa
comunidade
instituição.
legalmente
escolar
Portanto,
pela
o
implica
no
participação
processo
diretor
instituição,
na
mas
decisório
continua
delega
de
da
respondendo
poderes
à
comunidade.
Entenda-se comunidade como todos os que estão na coresponsabilidade
do
processo
de
gestão
educacional:
os
40
funcionários,
os
alunos,
os
pais,
a
família,
os
colaboradores.
Eles
não
podem
ficar
totalmente
de
fora
do
direcionamento das decisões que tomam os rumos da escola
porque são os próprios a serem atingidos por elas, sejam
eficazes ou não.
A Orientação Educacional tem um papel fundamental para
a prática da Gestão Participativa. O orientador transita
nas várias dimensões que compõem a comunidade: alunado,
família, profissionais da escola.
Construindo
uma
rede
de
diálogo
constante,
o
Orientador Educacional pode fazer com que representantes da
comunidade
estejam
a
par
das
decisões
que
norteiam
a
dinâmica escolar.
Esta
participação
deve
se
dar
no
planejamento
da
escola de forma geral, ou seja, em reuniões de Conselho de
Classe, Centros de Estudo, projetos de Educação Continuada
para os profissionais, Grêmio Estudantil, Conselhos EscolaComunidade e na elaboração do Projeto Político Pedagógico.
Lück
(2004,
específicas
do
p.39),
afirma
planejamento
que
é
uma
das
atribuições
“assegurar
o
máximo
aproveitamento e desenvolvimento do potencial humano e da
dinâmica social da escola.”
A
própria
escola
precisa
repensar
sua
estrutura.
Porque a fala de funcionários não administrativos, como
merendeiras,
serventes
e
auxiliares
é
geralmente
menosprezada?
São pessoas que vivem o dia-a-dia da escola e muito
têm para falar sobre os alunos, sobre sua prática, sobre
suas
experiências.
É
preciso
se
entender
que
quando
trabalho é fonte de satisfação, todos saem ganhando.
o
41
Tendo voz ativa, a comunidade pode se unir em torno
dos objetivos por ela estabelecidos e criar ações práticas
que os façam ser alcançados da melhor forma possível.
Reconhecendo-se como atuante no processo educacional,
a
comunidade
estará
dará
propensa
significado
a
se
ao
mesmo.
empenhar
Dessa
pelas
maneira,
modificações
necessárias à sua melhoria.
É
claro
que
mesmo
dentro
de
uma
gestão
de
cunho
participativo, existirão as divergências. São opiniões e
conceitos de vida diferentes, o que leva a experiências e
atitudes particulares.
E o conflito de idéias também é extremamente válido,
pois sem ele atinge-se uma falsa harmonia de pensamentos.
Eles são a oportunidade de questionamento e solução das
diversas situações que se passam na rotina escolar.
“Quando
seus
a
escola
muros,
se
entra
abre
a
e
transpõe
comunidade.
A
escola vai se transformando em um lugar
de estar, de fazer e criar junto, de
dar e receber apoio.”
(ALVES;GARCIA, 2002, p.137)
Enfim, esse “fazer e criar junto” deve ser a intenção
maior da comunidade. A reflexão constante sobre a melhoria
do
processo
deve
ser
direcionada
pelo
Orientador
Educacional, sendo ele um mediador do mesmo.
Ele sabe que a aprendizagem é contínua, ultrapassando
os limites da sala de aula e fazendo-se também no convívio
entre todos os membros da comunidade escolar.
42
BIBLIOGRAFIA
ALVES, Nilda; GARCIA, Regina Leite. Rediscutindo o papel
dos diferentes profissionais da escola na contemporaneidade
in FERREIRA, Naura S.C. Supervisão Educacional para uma
escola de qualidade. São Paulo: Cortez, 2002.
CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes.
Rio de Janeiro: Sextante, 2003.
FERREIRA, Ademar.
Cortez, 1997.
Teoria
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São
Paulo:
LAROSA, Antonio Marco; AYRES, Fernando Arduini. Como
produzir uma monografia passo a passo: siga o mapa da mina.
Rio de Janeiro: WAK, 2002.
LÜCK, Heloisa. Planejamento
Petrópolis: Vozes, 2004.
em
Orientação
Educacional.
LÜCK et al. A escola participativa: o trabalho do gestor
escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2001.
MAIA, Eny Marisa; GARCIA, Regina Leite. Uma Orientação
Educacional nova para uma nova escola. São Paulo: Loyola,
1995.
SANCHES,
Aparecida.
A
Orientação
Educacional
adolescente. São Paulo: Arte & Ciência, 1999.
e
o
SAVIANI, Dermeval. A supervisão educacional em perspectiva
histórica: da função à profissão pela mediação da idéia in
FERREIRA, Naura S.C. Supervisão Educacional para uma escola
de qualidade. São Paulo: Cortez, 2002.
SIQUEIRA, Regina A.R. A Orientação Educacional re-visitada.
São Paulo: Arte e Cultura, 1995.
43
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
9
CAPÍTULO I
A GESTÃO PARTICIPATIVA
13
CAPÍTULO II
A ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
22
2.0 A história da Orientação Educacional
no Brasil e o contexto sócio-econômico
23
2.1 A Orientação Educacional na Legislação
27
CAPÍTULO III
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL
PARA A GESTÃO PARTICIPATIVA
32
CONCLUSÃO
39
BIBLIOGRAFIA
42
ÍNDICE
43
FOLHA DE AVALIAÇÃO
44
44
FOLHA DE AVALIAÇÃO
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PROJETO A VEZ DO MESTRE
Pós-Graduação “Lato Sensu”
A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO EDUCACIONAL PARA
A GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA
Cristiana da Silva Victor
Orientadora: Profª Diva Nereida
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
___________________________________________________________
Conceito Final: ___________________________________________
Rio de Janeiro, ____ de _________ de 2005.
45
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universidade candido mendes