1 ATUALIZA CURSOS PÓS- GRADUAÇÃO LATO SENSU EM ENFERMAGEM EM EMERGÊNCIA VICTOR SILVA E SILVA OS DILEMAS BIOÉTICOS VIVENCIADOS PELO ENFERMEIRO NA TRIAGEM DE PACIENTES NA UNIDADE DE EMERGÊNCIA Salvador-Ba 2013.1 2 VICTOR SILVA E SILVA OS DILEMAS BIOÉTICOS VIVENCIADOS PELO ENFERMEIRO NA TRIAGEM DE PACIENTES NA UNIDADE DE EMERGÊNCIA Artigo de Conclusão de Curso apresentado à Prfª.Msª. Cristiane Maria Carvalho Costa Dias, como requisito para obtenção do titulo de especialista em Enfermagem em Emergência. Salvador-Ba 2013.1 3 OS DILEMAS BIOÉTICOS VIVENCIADOS PELO ENFERMEIRO NA TRIAGEM DE PACIENTES NA UNIDADE DE EMERGÊNCIA Victor Silva e Silva* Cristiane Maria Carvalho Costa Dias** A triagem de pacientes na unidade de emergência é uma atividade realizada por enfermeiros que ganhou notoriedade porque surge como estratégia de organizar o acesso de pacientes aos serviços. Tem-se como objetivo: conhecer os dilemas bioéticos vivenciados pelo enfermeiro na triagem de pacientes na unidade de emergência. Trata-se de uma revisão bibliográfica, com abordagem qualitativa, cujos dados foram coletados em bases eletrônicas de livre acesso, em resposta às palavras chaves: triagem, acolhimento, dilemas bioéticos e enfermagem, em artigos com texto completo, escritos na língua portuguesa, procedimento metodológico claro e bem definido, período de publicação entre 2000 a 2012; excluindo-se os que não contemplaram o objeto deste estudo. Observou-se a existência de situações dilemáticas na execução da triagem, relacionadas principalmente com o binômio demanda recursos, a imprevisibilidade de acesso ao serviço para os pacientes que da triagem são encaminhados para outro nível de atenção (ambulatório, atenção básica), a carência de protocolos técnicos bem definidos para classificação dos pacientes acolhidos. Palavras-chave: Triagem. Acolhimento. Dilemas bioéticos. Enfermagem _________________________________ *Bacharel em Enfermagem pela Universidade Católica do Salvador, Pos- graduando em Enfermagem em Emergência pela Atualiza Pos- graduação. Enfermeiro assistencial na Unidade de Emergência do Hospital da Bahia email: [email protected] ** Bacharel em Fisioterapia pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, Mestre em Medicina e Saúde Humana. Docente Atualiza Cursos email:[email protected] 4 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................5 2 METODOLOGIA........................................................................................................7 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................................9 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................16 REFERÊNCIAS..........................................................................................................17 APÊNDICES...............................................................................................................20 5 1 INTRODUÇÃO A triagem de pacientes na unidade de emergência é uma atividade que exige avaliação clínica e tomada de decisão consciente do enfermeiro. Isso pode ser tranquilo ou gerar inquietações, gerar um conflito moral, caracterizando dessa forma, um dilema ético (1). A tarefa atual da ética é a busca e o estabelecimento das razões que justificam o que “deve ser feito”, e não o “que pode ser feito”. Em sua função, procura apresentar as razões para se fazer, ou deixar de se fazer algo, para se aprovar, ou desaprovar algo. Procura também distinguir o que é bom do que é mau; o que é justo do que é injusto. Por isso, que pode ser considerada como uma questão de indagações, e não de normalização do “certo” (2). O posicionamento ético está relacionado às experiências individuais vivenciadas que influenciam na formação do sujeito ético e das quais emergem valores familiares, morais e religiosos, dentre outros (3) . A bioética, reflete, argumenta e fornece justificativas racionais para escolhas e tomadas de decisões morais em casos e situações relacionadas à vida. As questões bioéticas em saúde, frequentemente, envolvem temas relacionados à vida e à morte e à microalocação de recursos, as decisões a elas relacionadas são fortemente influenciadas pela formação moral, religiosa e profissional daquele que com elas se depara (3). É justamente quando a subjetividade do profissional entra em embate com o que é estabelecido como técnica ou socialmente correto que ele vivencia dilemas biéticos. O enfermeiro na unidade de emergência- onde o trabalho demanda constante tomada de decisão, enfrenta diversas circunstâncias dilemáticas. Principalmente pelo contato direto e ininterrupto com a dor, o sofrimento, a impotência, a angústia, o medo, a desesperança, a perda e a morte (4) . Muitas vezes, o enfermeiro toma decisões éticas sem nem perceber como tal. Nem percebem os dilemas envolvidos nas situações que o impedem de decidir de acordo com sua convicção moral (1). 6 A triagem ou acolhimento com classificação de risco é uma prática que se destina a identificar as prioridades de atendimento e assegurar assistência imediata àqueles que apresentam um quadro grave de saúde. É fundamental em qualquer serviço que haja sobredemanda e surge em função da crescente utilização dos serviços de emergência pela população em geral (1). O acesso aos serviços de saúde basicamente acontece por duas portas de entrada: a atenção básica e a urgência. No perfil epidemiológico brasileiro, ainda em transição, as portas de emergência são os principais vieses de acesso aos serviços. Seja por ineficiência da Rede Básica ou burocracia dos convênios de saúde. Por isso que as portas de urgência estão superlotadas, muitas vezes com clientela sem perfil de pronto atendimento. Considerando isso, o acesso aos serviços, torna-se uma atividade dilemáticas, a ser definida pelo enfermeiro que acolhe o paciente na unidade. Decidir o atendimento de um paciente na triagem envolve não somente a avaliação da sua condição clínica sob a luz de protocolos técnicos há nesse ato uma serie de questões subjetivas do profissional do paciente. A principal proposta da triagem é garantir acesso seguro ao serviço de emergência e distribuir com justiça recursos utilizados no atendimento. Este estudo tem como objetivo conhecer os dilemas bioéticos envolvidos na classificação e acolhimento de pacientes na unidade de emergência. 7 2 METODOLOGIA Trata-se de uma revisão bibliográfica exploratória, de abordagem qualitativa com caráter descritivo, onde se propôs conhecer os dilemas bioéticos vivenciados pelo enfermeiro que realiza a triagem na unidade de emergência. Os estudos foram pesquisados nas seguintes bases eletrônicas de livre acesso: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e na Biblioteca Virtual em Saúde- Enfermagem (BVS Enf), a partir das seguintes palavras-chaves: Triagem. Acolhimento. Dilemas bioéticos. Enfermagem. Os estudos foram previamente selecionados por ter nos títulos, as palavras chaves, texto completo disponível, escrito em língua portuguesa, procedimento metodológico claro, bem definido, relacionado com o objetivo deste estudo e com período de publicação entre 2000 e 2011. Feito isso, procedeu-se a leitura dos resumos, buscando-se identificar associação com o objeto desta pesquisa, em seguida, leitura completa dos textos com o intuito de responder a pergunta de investigação que norteou o estudo. Foram excluídos aqueles sem associação com um dos critérios supracitados. O quadro abaixo mostra a descrição da pesquisa de artigos sobre o tema em discussão, levando em conta a base de dado e os critérios de inclusão. Quadro 1 Descrição da busca de estudos sobre dilemas bioéticos e triagem na emergência, nas bases da BVS e BVS-Enf, no período de 2000-2011. Base de Dados BVS * BVS Enf ** Texto Completo Texto em Português Publicados entre 2000 a 2011 Excluídos Incluídos 282 18 16 10 6 53 15 15 11 4 Fonte: Quadro elaborado pelo autor. 8 Os artigos foram fichados e os dados catalogados em bloco de notas para análise da opinião dos autores com relação ao tema. Os resultados encontrados estão organizados e apresentados em quadro sinóptico, dividido de acordo o nome do autor, ano de publicação, o tipo de estudo, o objetivo da pesquisa, com os resultados elencados. A reflexão está feita de forma discursivas em uma categoria intitulada: principais situações geradoras de dilemas para o enfermeiro na triagem, e deu a parir de inferências, identificação dos principais pontos de convergência e divergência entre os autores pesquisados. 9 3 RESULTADOS E DISCURSSÃO Quadro 2 Distribuição das produções científicas sobre triagem na emergência segundo autor/ano, tipo e objetivo do estudo encontradas no período de 2000 a 2011 nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e a Biblioteca Virtual em SaúdeEnfermagem (BVS Enf), Salvador, 2012.2 Autor Ano Tipo de Estudo Objetivo Resultados - Critérios sociais 1 ROSA, NR. 2001 Qualitativo Conhecer a realidade das enfermeiras que tem a experiência de tomar decisões diante de dilemas éticos, no mundo do cuidar de um serviço de emergência. - Exposição profissional, - Falta de autonomia, - Falta de recurso físico, material e humano, - Evitar a entrada de pacientes, - Tempo de triagem, D’AVILA, S.; RAGO, E.; MAIA, AMA e 6 CALDAS, AF. 2006 Quantitativo Identificar que critérios sociais influenciam a seleção de pacientes por parte de acadêmicos do último ano do curso de odontologia da Universidade Estadual da Paraíba. - Critérios sociais, - Falta de critérios técnicos, - Subjetividade do profissional, - Critérios sociais, RATES, CM e 3 PESSALACIA, JDR. 2010 Quantitativo Identificar o posicionamento ético de acadêmicos de enfermagem frente às situações dilemáticas em saúde. - Subjetividade do profissional, 10 SALOME, GM; MARTINS, MFMS; 5 ESPOSITO, VHC. 2009 Qualitativo Conhecer o significado do trabalho em uma unidade de emergência para os profissionais de enfermagem. - Criticidade do serviço, - Superlotação, - Falta de recurso físico, material e humano, - Subjetividade do profissional, FORTES, PAC. 10 2002 Qualiquantitativo Analisar critérios sociais considerados nas escolhas para seleção de pacientes no atendimento de emergências médicas por parte de parcela da opinião pública. - Falta de recurso físico, material e humano, - Falta de critérios técnicos, -Superlotação, - Subjetividade do profissional, ULBRICH, EM; MANTOVANI, MF: BALDUINO, AF; REIS, 8 BK. MAURER, TC. 2010 Quantitativo 2010 Quantitativo 9 NASCIMENTO, ERP; HILSENDEGER, BR; NETH, C; BELAVER, GMe 2 BERTONCELLO, KG. Propor protocolos de atendimento de enfermagem a partir da identificação dos motivos de demanda e da caracterização do perfil das vítimas acolhidas no setor de triagem de um Pronto Socorro. - Falta de critérios técnicos, Identificar o enfermeiro no contexto do acolhimento com classificação de risco em Serviço Hospitalar de Emergência Pediátrica - Superlotação, -Superlotação, - Superlotação, 2010 Qualitativo Conhecer e analisar como os profissionais de enfermagem de um serviço de emergência hospitalar avaliaram o acolhimento com classificação de risco. - Inexistência de serviços de referencia e contrareferência, 11 KONDO; VILELA; 7 BORBA et al. 2010. ALBINO, RM; GROSSEMAN, S e 4 RIGGENBACH, V 2011 Qualitativo 2007 Estudo de Caso Fonte: quadro elaborado pelo autor Conhecer a concepção da equipe de enfermagem sobre emergências em saúde mental e analisar como se desenvolve a abordagem da equipe de enfermagem ao usuário com transtorno mental em situação de emergência. Propor a implantação de triagem estruturada com classificação de risco nos Serviços de Emergência do Brasil - Subjetividade do profissional. - Subjetividade profissional. - Superlotação. - Triagem estruturada 12 Foram encontrados trezentos e trinta e cinco artigos cujos textos estavam completos, desses, trinta e três escritos em português, trinta e um publicados no período de tempo escolhido como recorte deste estudo. Desses, foram excluídos vinte e um por não apresentar associação com o objeto nem a pergunta norteadora desta pesquisa. Assim, incluídos na análise dez estudos que estão resumidos no quadro 2. 3.1 Principais situações geradoras de dilemas para o enfermeiro na triagem O trabalho na unidade de emergência já é estressante pela imprevisibilidade das situações e a urgência em que a maioria dos casos precisam ser solucionados. Nesse contexto, na triagem, o enfermeiro estabelecer prioridades para garantir com segurança e tempo hábil, o atendimento. Isso diante de um cenário de unidades superlotadas, com boa parte da demanda sem perfil de urgência, com deficiência de recursos técnicos, material e humano. A atividade de julgar já é dilemática porque traz inferida uma necessidade de justificativas da escolha. Isso se torna ainda mais conflituoso, quando existe a responsabilidade de compatibilizar as necessidades do usuário, com os ideais da equipe e do serviço (4.3.6). Acolher o usuário na unidade de urgência é um processo vulnerável ao dinamismo dos eventos que ocorrem nesse ambiente. Por causa disso, a decisão que será tomada sobre o atendimento do paciente, passa pelo entendimento do enfermeiro sobre a atual situação das unidades de pronto atendimento e suas experiências com relação à utilização do serviço. Escassez de recursos e espaço físicos demanda descaracterizada, superlotação, falta de serviços de referencia e contrarreferencia, ineficiência da Atenção Básica, burocracia dos planos de saúde, são, segundo os autores pesquisados, as principais situações geradoras de dilemas bioéticos relacionados à triagem (1,5). Isso mostra consenso entre os autores com relação à existência de conflitos bioéticos oriundos da atividade de triar em emergência. Surgem porque o enfermeiro recepciona o paciente e gerencia o seu atendimento de acordo a necessidade de saúde e as disponibilidades do serviço- que na maioria das vezes não são adequadas. Daí precisa decidir quem atender primeiro, se o paciente será referenciado ou atendido na própria unidade, além de se importar com a percepção da equipe sobre o seu julgamento. 13 Algumas vezes, o enfermeiro toma decisões éticas sem nem perceber como os dilemas envolvidos nas situações o impedem de decidir de acordo com sua convicção moral. Esse posicionamento reflete a interface entre o domínio técnico e ético, tão presente na articulação de conflitos da prática (1,7,9,11). A situação social fragilizada é uma das principais condições que influenciam a tomada de decisão do enfermeiro na triagem. Critérios como etnia, sexo, idade ou condição socioeconômica, são os mais citados nos estudos. Aparecem ainda a cooperação do paciente com os profissionais de saúde, a força de trabalho potencialmente afetada e recuperada, o potencial e a expectativa de vida e o ambiente de apoio para seguimento de tratamento, como fatores que influenciam fortemente a tomada de decisão sobre o atendimento (1-3,5,7) . A decisão de atender ou não o paciente se da não somente por critérios clínicos, existe a mobilização de outros valores (1-5). Isso mostra que existe em quem executa a triagem uma preocupação explicita com o lado social do paciente, demonstrando desapego com as questões técnicas, relacionadas somente com o plano biológico, tendendo a uma visão mais holística e humanizada, que pode estar associado com o perfil dos profissionais da enfermagem, sua formação, experiências profissionais e individuais (7-9). Na atual configuração das unidades de emergência, o acolhimento se torna alvo de diversas expectativas. Usuários e familiares anseiam atendimento, já a equipe espera que da triagem seja encaminhados os casos não emergências para diminuir a sobrecarga de trabalho e os riscos oriundos da superlotação. Nessa situação, o que preocupa são os casos, que mesmo não sendo agudos emergenciais, precisam ser vistos para não deteriorarem o estado de saúde. Disso surgem conflitos entre a obrigação moral e a responsabilidade técnica, visto que não há como cumprir tais expectativas diante da percepção de que um encaminhamento pode oferecer algum risco ao paciente (1,6,8,9). 14 Nesse momento, o enfermeiro sofre angustias para definir o encaminhamento do paciente. Desde quando, legalmente, quem está habilitado para encaminhar pacientes é o profissional medico. Os conflitos existentes em situações como essas, são agravados pela sensação de desamparo dos enfermeiros que tomam decisão solitária. Sendo assim, compartilhar com a equipe a decisão tomada, pode aliviar o conflito moral existente entre o que se deve e o que se pode fazer (1,6,8,9). Descrito isso, pode-se ressaltar que em emergência a tomada de decisão ocorre a partir de um conhecimento teórico específico, junto com o conhecimento oriundo das experiências prévias e de respostas emocionais e subjetivas estabelecidas com o paciente no momento do acolhimento. Diante disso, fica evidente que a decisão tomada na triagem, é complexa, influenciada e acompanhada de sofrimento porque traz a experiência, contraditoriamente, dos sentimentos de poder e impotência, impostos por situações difíceis. 15 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Feita pesquisa, dá para considerar que a triagem na unidade de emergência se insere como uma tática para organizar o serviço e garantir atendimento seguro aos pacientes. Entende que os mais graves precisam ser vistos com prioridade, e que, os que não tenham perfil emergencial, sejam encaminhados para unidades ambulatoriais, ou atendidos no pronto atendimento, quando sua queixa represente um risco para sua saúde. A ineficiência da Atenção Básica, para os que são assistidos somente pelo Sistema Único de Saúde e a burocracia dos Planos de Saúde suplementar para os que galgam desse recurso, talvez sejam os principais motivos para justificar a sobredemanda nas unidades de urgência. Tornando-a principal porta de entrada do individuo no sistema. Fato é que, com esses fluxos desorganizados, a tomada de decisão sobre o destino do paciente transcende os parâmetros técnicos e exige, alem de maturidade profissional, um posicionamento justo do profissional. Toda vez que precise refletir para justificar uma decisão tomada na triagem, o enfermeiro vivencia um dilema ético- que se caracteriza justamente por uma tomada de decisão consciente que cause inquietação no profissional que a tomou. Situação social fragilizada, subjetividade do profissional, falta de autonomia, de recursos humanos, materiais e serviços para encaminhar os pacientes sem urgência, são segundo os autores revisados, as principais situações causadoras de dilemas para o enfermeiro que realiza a triagem na emergência. Porque trazem consigo uma necessidade de justificativa técnica e ética para decisão que tomou sobre utilização do serviço. Para concluir, sugere-se ampliar as pesquisas relacionadas ao tema, como meio de melhor formar a consciência do profissional a respeito da sua pratica. Além disso, expor para ele que tomar decisões em urgência deve, acima de tudo, respeitar o principio da justiça bioética. 16 REFERÊNCIAS 1. ROSA, NR. Dilemas bioéticos no mundo do cuidar de um serviço de emergência. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/25303/000288983.pdf?sequence=1> 2. NASCIMENTO, ERP.; HILSENDEGER, BR.; NETH, C; BELAVER, GM. e BERTONCELLO, KCG. Classificação De Risco Na Emergência: Avaliação Da Equipe De Enfermagem. Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2011 jan/mar; 19(1):84-8. 3.RATES, CM e PESSALACIA, JDR. Posicionamento Ético De Acadêmicos De Enfermagem Acerca De Situações Dilemáticas Em Saúde. Revista Bioética.Minas gerais, 2010; 18(3): 659 – 75. 4. ALBINO, RM; GROSSEMAN, S. e RIGGENBACH, V. Classificação De Risco: Uma Necessidade Inadiável Em Um Serviço De Emergência De Qualidade. Arquivos Catarinenses de Medicina. Santa Catarina, 2007; Vol. 36, no. 4. 5. SALOME, GM; MARTINS, MFM; ESPOSITO, VHC. Sentimentos Vivenciados Pelos Profissionais De Enfermagem Que Atuam Em Unidade De Emergência. RevBrasEnferm, Brasília 2009 nov-dez; 62(6): 856-62. 6. D’AVILA, S; RAGO, E; MAIA, AMA e CALDAS, AF. Escolha De Paciente: Quais Os Critérios Adotados? Rev. Ciênc. Méd., Campinas, 15(5):399-406, set./out., 2006. 7. KONDO, ÉH; VILELA, JC; BORBA, LO; PAES, MR; MAFTUM, MA. Abordagem da Equipe de Enfermagem ao Usuário na Emergência em Saúde Mental em Pronto Atendimento.RevEscEnferm USP. Sao Paulo 2011; 45(2):501-7. 8. ULBRICH, EM; MANTOVANI, MF; BALDUINO, AF; REIS, BK. PROTOCOLO DE ENFERMAGEM EM ATENDIMENTO EMERGÊNCIAL: SUBSÍDIOS PARA O ACOLHIMENTO ÀS VÍTIMAS. Cogitare Enferm. 2010 Abr/Jun; Paraná. 15(2):28692. 9. MAURER, TC. O Enfermeiro no Acolhimento com Classificação de Risco na Emergência Pediátrica. Disponível em: <http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/24869> 17 10. FORTES, PAC. Selecionar Quem Deve Viver: Um Estudo Bioético Dobre Critérios Sociais Para Microalocação De Recursos Em Emergências Médicas. Rev Assoc Med Bras. São Paulo. 2002; 48(2): 129-34. 11. PEREIRA AL, Bachion MM. Atualidades Em Revisão Sistemática De Literatura, Critérios De Força e Grau De Recomendação De Evidência. Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegre RS. 2006 dez;27(4):491-8. 12. Atualiza Cursos. Guia Artigo. Salvador BA. 2011. 18 DILEMMAS BIOETHICAL EXPERIENCED BY NURSE IN THE SCREENING OF PATIENTS IN EMERGENCY UNIT Victor Silva and Silva * Cristiane Maria Costa Carvalho Dias ** Abstract: Screening patients in the emergency department is an activity performed by nurses who gained notoriety because it arises as a strategy for organizing patient access to services. It has as objective: to know the bioethical dilemmas experienced by nurses in the triage of patients in the emergency department. This is a literature review, qualitative approach, data were collected in electronic databases of open access in response to keywords: sorting, host, bioethical dilemmas and nursing in full-text articles, written in Portuguese, procedure methodological clear and well defined, publication period from 2000 to 2012; excluding those who did not contemplate the object of this study. We observed the existence of dilemmas in implementing the screening, mainly related to the binomial demand resources, the unpredictability of access to the service for patients who are referred from screening to another level of care (outpatient care), lack of well-defined technical protocols for classifying patients welcomed. Keywords: Screening. Home. Bioethical dilemmas. nursing . _______________________________ * Bachelor's Degree in Nursing from Catholic University of Salvador, Post-graduate student in Emergency Nursing Updates by Pos-graduation. Clinical nurse at the Emergency Unit of the Hospital of Bahia email: victors.silva @ msn.com ** Bachelor of Physiotherapy by Bahia School of Medicine and Public Health, Masters in Medicine and Human Health. Teaching Courses Updatesemail: [email protected] 19 APENDICE APRESENTAÇÃO Este é o Bloco de Notas utilizado para análise dos dados que serão discutidos na explicação dos dilemas biéticos vivenciados pelo enfermeiro na triagem em emergência. Aqui estão ficados os estudos que responderam os critérios de inclusão, na íntegra, explicados na metodologia do projeto de pesquisa. Os artigos foram fichados e organizados de acordo; ao título, nome do autor, tipo de estudo, técnica de análise dos dados e o ano de publicação. 20 SENTIMENTOS VIVENCIADOS PELOS PROFISSIONAIS ENFERMAGEM QUE ATUAM EM UNIDADE DE EMERGÊNCIA DE SALOME, Geraldo Magela; MARTINS, Maria de Fátima Moraes Salles; ESPOSITO, Vitória Helena Cunha. Tipo do estudo: qualitativo. Objetivo:conhecer o significado do trabalho em uma unidade de emergência para os profissionais de enfermagem. Técnica de Análise: fenomenológica Ano de Publicação:2009 RESUMO Abordar este tema é de extrema importância, uma vez que os profissionais de enfermagem enfrentam circunstâncias diversas, geradoras de estresse, já que estão em contato direto e ininterrupto com a dor, o sofrimento, a impotência, a angústia, o medo, a desesperança, a perda e a morte, podendo trazer graves conseqüências físicas, emocionais, e até mesmo, na qualidade do cuidar. O trabalho na UE já é estressante pela imprevisibilidade das situações. Além disso, a superlotação em paralelo a um déficit de recurso técnico, material e humano, são situações que prejudicam o julgamento das necessidades do doente, dos profissionais e do serviço, apontando para um efeito nocivo. A exposição prolongada e contínua ao estresse pode desenvolver seu processo insidioso. Além disso, as atividades dos profissionais de enfermagem sejam assistenciais ou administrativas exigem elevado grau de agilidade, destreza física e energia. A exposição e essa variedade e intensidade de cargas gera processo de desgaste no corpo biopsíquico do trabalhador que varia desde indisposições passageiras a doenças instaladas, no conjunto ou em específico. Situações relacionadas à falta de recursos humanos suficientes para a prestação da assistência rotineira e emergencial aos pacientes fazem com que aumente o sofrimento mental e físico do profissional. Assim, compete-lhes tomar decisões delicadas que mobilizam forte carga afetiva, uma vez que convivem com a angústia dos pacientes e familiares. 21 SELECIONAR QUEM DEVE VIVER: UM ESTUDO BIOÉTICO DOBRE CRITÉRIOS SOCIAIS PARA MICROALOCAÇÃO DE RECURSOS EM EMERGÊNCIAS MÉDICAS. Fortes, Paulo Antônio de Carvalho. Tipo do estudo:quali-quantitativo. Objetivo:analisar critérios sociais considerados nas escolhas para seleção de pacientes no atendimento de emergências médicas por parte de parcela da opinião pública. Técnica de Análise: exploratória Ano de Publicação:2002 RESUMO Na prática cotidiana do campo da saúde não há como fugir de tomar decisões que impliquem na escolha entre pessoas candidatas a escassos recursos; escolhas têm que ser feitas, pois existem recursos, mesmo que insuficientes para todos, e eles têm que ser utilizados. Isto significa que existe uma obrigação ética dos profissionais e dos administradores de saúde de estabelecerem critérios para a alocação de recursos e para a seleção de pacientes. Assim sendo, é preciso que a questão seja debatida amplamente com os profissionais de saúde e com a sociedade, não se olvidando que, enquanto não existem políticas públicas que adeqüem a oferta de serviços às necessidades de atendimento de situações de emergências médicas da população, os dilemas de tomada de decisão em situação de escassez continuarão a estar presentes e sendo solucionados por critérios de preferência pessoal. Outrossim, consideramos que para se utilizar critérios para a microalocação de escassos recursos em saúde, de forma eticamente validada, algumas bases éticas para a tomada de decisão devem ser sempre satisfeitas. As escolhas devem estar balizadas pelo respeito à dignidade humana e pela não discriminação das pessoas em virtude de raça, sexo, idade ou condição socioeconômica, e não podem, nem devem aumentar a exclusão social presentena sociedade brasileira. PROTOCOLO DE ENFERMAGEM EM ATENDIMENTO EMERGÊNCIAL: SUBSÍDIOS PARA O ACOLHIMENTO ÀS VÍTIMAS 22 ULBRICH, Elis Martins; MANTOVANI, Maria de Fátima; BALDUINO, Anice de Fátima; REIS, Bruna Karoline dos. Tipo do estudo: quantitativo. Objetivo:propor protocolos de atendimento de enfermagem a partir da identificação dos motivos de demanda e da caracterização do perfil das vítimas acolhidas no setor de triagem de um Pronto Socorro. Técnica de Análise: descritiva exploratória. Ano de Publicação:2010 RESUMO O protocolo de enfermagem, aliado à classificação de risco, pode subsidiar o desenvolvimento das intervenções de enfermagem, de forma sistematizada e organizada, no acolhimento emergencial às vítimas, com segurança e qualidade, garantindo agilidade e a integralidade do atendimento. Nesse sentido, a inadequação dos serviços, a demora no atendimento, o encaminhamento incorreto, entre outros, são situações que deverão ser alteradas com a contribuição das diretrizes do acolhimento, que priorizam o atendimento com qualidade e participação integrada dos gestores, trabalhadores e usuários do SUS. O Ministério da Saúde define o acolhimento como: recepção ao usuário, desde a sua chegada, responsabilizando-se integralmente por ele, ouvindo sua queixa, permitindo que ele expresse suas preocupações, angústias, e, ao mesmo tempo, colocando os limites necessários, garantindo atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência, quando necessário. A proposta de acolhimento, segundo o Ministério da Saúde, deve ser implantada em serviços de saúde, os quais terão a função de compatibilizar o atendimento entre a demanda programada e a não-programada. POSICIONAMENTO ÉTICO DE ACADÊMICOS DE ENFERMAGEM ACERCA DE SITUAÇÕES DILEMÁTICAS EM SAÚDE 23 RATES, Camila Maria e PESSALACIA, Juliana Dias Reis. Tipo do estudo: quantitativo Objetivo:identificar o posicionamento ético de acadêmicos de enfermagem frente às situações dilemáticas em saúde. Técnica de Análise: descritiva exploratória Ano de Publicação: 2010 RESUMO As questões dilemáticas em saúde, frequentemente, envolvem temas relacionados à vida e à morte e as decisões a elas relacionadas são fortemente influenciadas pela formação moral, religiosa e profissional daquele que com elas se depara. Em decorrência disso, o profissional de saúde pode se ver em uma situação que exija uma conduta em relação a uma questão de saúde e tal conduta pode, muitas vezes, entrar em conflito com os seus valores pessoais, religiosos e profissionais. É de suma importância que, antes de experienciar tais situações, o sujeito identifique e classifique seus valores e tenha consciência de suas responsabilidades éticas e legais relacionadas a tais questões. O posicionamento ético está relacionado às experiências vivenciadas pelo acadêmico, que influenciam na formação do sujeito ético e das quais emergem valores familiares, morais e religiosos, dentre outros. O posicionamento ético de um sujeito ainda pode tomar como pressuposto alguns princípios fundamentais em bioética. O princípio da sacralidade da vida (PSV), que defende a vida humana como sagrada, intocável e inviolável, as decisões não estão nas mãos do homem, mas sim nas de Deus, sendo a decisão, portanto, de ordem heterônoma. Por sua vez, o princípio da qualidade de vida (PQV) advoga a vida como valor, enquanto bem-estar, defendendo uma decisão de ordem autônoma. Ainda discutese a defesa de uma ética pluralista, onde as várias visões éticas devem ser respeitadas em suas posições e individualidade. 24 A ética é tida como reflexão sobre as questões fundamentais do agir humano, procurando compreender a natureza do bem e do mal. Pode-se considerar que a eticidade está relacionada à percepção do sujeito acerca dos conflitos da vida psíquica (emoção e razão) e à condição de posicionar-se frente a esses conflitos. Portanto, podemos considerar três pré-requisitos como fundamentais à ética: a percepção dos conflitos (consciência); a autonomia (condição de posicionar-se entre a emoção e a razão, sendo que essa escolha de posição é ativa e autônoma) e a coerência. Na vida social, os valores pessoais são adquiridos a partir da socialização, vivências junto à família, escola, amigos, bem como no decorrer do exercício profissional de um indivíduo. Por derradeiros, destaca-se a importância de mais espaços para a discussão bioética acerca dos conflitos éticos que envolvem a profissão, considerando, especialmente, a necessidade de estimular a reflexão e o diálogo frente àquelas situações dilemáticas não pautadas somente nos valores inerentes à profissão, que são de natureza normativa, mas abrangem a dimensão íntima do indivíduo, suas crenças e moralidades. Ressalta-se também a importância do estímulo à autoconsciência do enfermeiro da triagem acerca de seus valores e sobre a influência dos mesmos no seu comportamento e atitudes frente às situações dilemáticas vivenciadas na unidade de emergência, para que venha a se tornar um profissional mais consciente da sua responsabilidade diante de si, do paciente, do familiar, da equipe e do serviço. ESCOLHA DE PACIENTE: QUAIS OS CRITÉRIOS ADOTADOS? D’AVILA, Sérgio; RAGO, Esdras; MAIA, Ana Marli Araujo e CALDAS, Arnaldo de França. Tipo do estudo: quantitativo Objetivo:identificar que critérios sociais influenciam a seleção de pacientes por parte de acadêmicos do último ano do curso de odontologia da Universidade Estadual da Paraíba Técnica de Análise: descritiva Ano de Publicação: 2006 RESUMO 25 A tarefa atual da ética é a busca e o estabelecimento das razões que justificam o que “deve ser feito”, e não o “que pode ser feito”. Em sua função, procura apresentar as razões para se fazer, ou deixar de se fazer algo, para se aprovar, ou desaprovar algo. Procura também distinguir o que é bom do que é mau; o que é justo do que é injusto. Pode, portanto, ser considerada como uma questão de indagações, e não de normalização do “certo”. Para a seleção de pessoas, candidatas a escassos recursos de saúde, a literatura especializada em bioética aponta a utilização de diversos critérios: objetividade médico científica, lista de espera, triagem, randomização e critérios sociais. Normalmente são apontados como critérios sociais: a cooperação do paciente com os profissionais de saúde, a idade, o sexo, a força de trabalho potencialmente afetada e recuperada, o potencial e a expectativa de vida e o ambiente de apoio para seguimento de tratamento. Entretanto, a maioria das decisões é tomada de um modo implícito, intuitivo. Há evidências de que os profissionais de saúde não compartilham um processo comum de tomada de decisão 5,6. (Justificativa) Revisando-se a literatura, observa-se a escassez de estudos que enfatizam a decisão de selecionar quem deve receber atendimento odontológico, em situação de microalocação de recursos escassos. Vê-se, então, a necessidade de se desenvolverem pesquisas, tendo-se a bioética como parâmetro, para definir quais critérios sociais interferem nessa decisão. Em qualquer hipótese, nossas escolhas devem ser guiadas pelo respeito à dignidade humana, não podendo haver, nos serviços de atendimento à saúde, discriminação de pessoas em virtude de raça, sexo, idade ou condição socioeconômica. Se houver critérios de seleção, eles devem ser transparentes, reconhecidos e aceitos pelos profissionais e pela sociedade. Para os futuros profissionais, é preciso que sejam enfatizados os princípios da bioética e da dignidade humana. ENFERMEIRO NO ACOLHIMENTO COM CLASSIFICAÇÃO DE RISCO NA EMERGÊNCIA PEDIÁTRICA MAURER, Tiago Claro Tipo do estudo: quantitativo Objetivo:identificar o enfermeiro no contexto do acolhimento com classificação de risco em Serviço Hospitalar de Emergência Pediátrica Técnica de Análise: descritiva Ano de Publicação:2010 26 RESUMO Os serviços de emergência são utilizados por usuários para resolver suas queixas que poderiam ser facilmente solucionadas caso houvesse resolubilidade na Atenção Básica. Tal situação faz das emergências porta de entrada para o atendimento, aumentando e descaracterizando a demanda de trabalho dos profissionais de saúde, gerando excesso de atendimentos, aumentando o tempo de espera e superlotando os serviços de emergências. O enfermeiro, ao realizar o acolhimento com classificação de risco, mostra suas competências através de ações que detectam as necessidades do usuário, que muitas vezes se encontra fora de risco de morte e fora de situação que gere vulnerabilidade, não necessitando de atendimento emergencial. DILEMAS ÉTICOS NO MUNDO DO CUIDAR DE UM SERVIÇO DE EMRGÊNCIA ROSA, Nino Giradonda. 2001. Tipo do estudo: qualitativo. Objetivo:conhecera realidade das enfermeiras que tem a experiência de tomar decisões diante de dilemas éticos, no mundo do cuidar de um serviço de emergência. Técnica de Análise:etnoenfermagem Ano de Publicação: 2001 RESUMO O acolhimento de pacientes na unidade de emergência é uma atividade que exige avaliação clínica e tomada de decisão consciente do enfermeiro que executa a triagem. Essa tomada de decisão pode ser tranqüila ou gerar inquietações em quem decide, causando conflito moral, caracterizando dessa forma, um dilema ético. 27 O dilema ético carrega consigo um problema de justificação da escolha, gera reflexões sobre o que deve ser feito, o que é bom e correto, o que é responsável. No serviço de emergência, cenário que demanda constantemente tomada de decisões, tanto pela complexidade das situações- clínicas agudas- bem como por causa da crise do sistema de saúde, que tem provocado a descaracterização do objetivo original dos serviços de emergência, cada vez mais lotados por clientes de nível ambulatorial. Nesse cenário, o acolhimento do paciente no serviço é intermediado pela enfermeira na triagem. Onde se define a prioridade do atendimento e melhor uso dos recursos humanos, físicos e materiais disponíveis. O ato de decidir é influenciado por inúmeras variáveis sociais, por isso as decisões estão sujeitas ao dinamismo dos eventos que ocorrem no ambiente de um serviço de emergência e determinam o comportamento dos profissionais diante de situações de difícil solução. Desse modo, a triagem passa a ser uma tarefa dilemática, com incertezas e imprevistos, onde a conjugação de competência técnica com a humanização é um constante desafio. A ineficiência da atenção básica, assim como a burocracia dos planos de saúde faz com que cada vez mais, pacientes que não conseguem atendimento ambulatorial recorram as unidade de emergência para atendimento médico. Por causa disso, o serviço de urgência também está em crise, com unidades superlotadas por uma demanda majoritariamente crônica e ambulatorial. Na tentativa de manutenção da qualidade das emergências, diferentes iniciativas são preconizadas, a mais atual e extremamente importante é a triagem dos pacientes. Dinâmica que seleciona as prioridades de atendimento a partir de critérios técnicos diante da demanda incompatível com os recursos. Nesse contexto de superlotação e carência, o enfermeiro precisa dinamizar o atendimento com justiça. Muitas variáveis estão envolvidas nesse processo: principio e valores de quem decide, circunstâncias do momento, filosofia da instituição etc. Fato é que diante disso, se formam incertezas sobre a adequação de cada escolha. Mesmo as unidades de referência, que juntam tecnologia e recurso humano adequados, o cuidado na unidade de emergência encontra-se prejudicado pela superlotação. Porque o cuidado compreende à vida humana e princípios de cidadania expressos nas relações humanas e sociais; levando em consideração a interação humana, as diferenças individuais, a solidariedade, o conforto e privacidade. Interação difícil de ser mantida no atual contexto das unidades de emergência, desencadeando desconforto moral no profissional de enfermagem que precisa de alguma forma, resolver os dilemas bióeticos presentes na sua prática. 28 Um dos aspectos mais difíceis na assistência em emergência é o estabelecimento de acesso aos cuidados. Isso acontece pela carência de critérios tecnicamente definidos para a realização do atendimento. Além disso, a subjetividade na avaliação de enfermagem para os casos que não são emergenciais, porém oferecem um risco potencial a aquele indivíduo que tem uma história social comovedora, influenciam diretamente na tomada de decisão do enfermeiro da triagem. Com isso, esses eventos sociais desviam os reais propósitos das triagens configurando dimensões imprevistas. A exposição profissional, atritos sociais, pressão de familiares, histórias de processos judiciais e falta de autonomia- por rotinas intitucionais- são outros fatores que justificam a resistência do enfermeiro da triagem “mandar o paciente embora”. Isso faz da emergência principal porta de entrada do indivíduo no sistema de saúdeindependentemente do seu grau de doença. O excesso de paciente frente ao quadro humano e estrutura física reduzidos, são sérios problemas na unidade de emergência. Por isso os boxs são menores e a privacidade do doente cada vez menos considerada; decidir quem deita e quem fica sentado é uma atividade árdua essencialmente técnica, desvalorizando a subjetividade e empatia; a utilização de monitor e do ponto de O² é compartilhada entre os pacientes graves. É nesse cenário, que a práxis do enfermeiro se enche de dilemas. Muitas vezes, o enfermeiro toma decisões éticas sem nem perceber como tal. Também não percebem os dilemas envolvidos nas situações que o impedem de decidir de acordo com sua convicção moral. Exemplo disso são as situações quem têm justificativa técnica, porém algum questionamento moral ou socialcaracterizando um dilema bioético.. A triagem se destina a identificar as prioridades de atendimento e assegurar assistência imediata àqueles que apresentam um quadro grave de saúde. Surge em função da crescente utilização dos serviços de emergência pela populçao em geral (citação pag. 55). A triagem acontece em dois momentos: primeiro pelos recepcionistas que identificam a queixa principal, segundo a enfermagem também pela queixa, junto com anamnese, avaliação geral direcionada e aferição dos dados vitais. A partir disso, se decide a permanência na unidade e a prioridade do atendimento. Pacientes que chegam de ambulância ou em uma situação extrema de gravidade, não entram no fluxo de rotina da triagem. São recebidos diretamente pela equipe de enfermagem. 29 Em função da demanda espontânea e o volume de pacientes, a triagem adquire especial importância na dinâmica do serviço, pois, quando os recursos físicos, materiais e humanos são limitados, prestar cuidados imediatos para todos os pacientes torna-se inviável. Logo, os pacientes são classificados, ajustados aos recursos. Condição que gera dilemas que podem ter implicações técnicas, legais e morais. Implicações técnicas são relacionadas com o objetivo primário da triagem: garantir acesso rápido para casos graves- prioridade. Porém, as vezes não se tem condições ideais para sustentar essa decisão. Falta de médico, leito, suporte tecnológico, qualidade da equipe. E são esses casos, os mais graves, que não tem possibilidade de encaminhamento. Precisam ser atendidos com prioridade. A prioridade de atendimento e a permanência do paciente grave no serviço de emergência é inquestionável, mas causa conflito moral para enfermagem quando percebe-se que a qualidade dos cuidados prestados pode não estar garantida. Existe a expectativa do grupo que o enfermeiro da triagem evite a entrada de pacientes. Principalmente nos momentos de superlotação, quando a maioria dos casos é ambulatório. Disso surge o conflito, pois não há como cumprir tal expectativa diante da percepção de que um encaminhamento pode oferecer algum risco. A obrigação moral e a responsabilidade técnica se confrontam nesse momento por causa da incerteza de uma decisão baseada em uma avaliação geral do paciente. Existe na triagem a preocupação de causar um prejuízo aos pacientes por conta de uma avaliação superficial. O tempo dedicado para cada paciente não proporciona condições para o enfermeiro perceber a real condição de saúde de todos que buscam atendimento, isso pode gerar dúvidas, principalmente quando se considera a singularidade de cada paciente. Isso demonstra o quanto é complexo decidir o atendimento, pois a enfermagem precisa mediar as condições do serviço, as peculiaridades do estado de saúde dos pacientes e o tempo disponível para a avaliação na triagem. A experiência adquirida pela vivência dos enfermeiros capacita-os tecnicamente para realizar a triagem de prioridades. Mas a superlotação provoca um esgotamento de recursos, fazendo com que, além de uma triagem de prioridades, os enfermeiros recorram a encaminhamentos como alternativa de preservação da equipe e dos pacientes que estão em atendimento. Porém a competência técnica não significa competência legal, assim surge um outro conflito. 30 Legalmente a enfermagem não tem autonomia para encaminhar o paciente na triagem, essa seria uma atividade médica. Fato é que os médicos pouco se envolvem na triagem, assumem uma condição de conforto, atendendo todos os pacientes triados. Desse modo, na triagem a decisão é eminentemente tomada pela enfermagem- avalia a as condições do dente e define seu destino; isso pode configurar autonomia, mas também pode significar sobrecarga, por enfrentarem circunstâncias difíceis sem parceria. A falta de com quem compartilhar a tomada de decisão também é uma situação conflituosa. A decisão de atender o não o paciente se dá não somente por critérios clínicos, existe a mobilização de outros valores. Critérios técnicos bem estabelecidos são fundamentais para o objetivo da triagem, mas a flexibilização desses critérios corresponde a uma forma de atenuar os conflitos da triagem. Isso demonstra o entendimento do paciente como algo além de um caso médico, mas como pessoa com uma vida cheia de significados. Percebe-se, então, que são muitos os fatores envolvidos, cada um acrescentando um ângulo de visão a essa complexa atividade de triar. Existe uma responsabilidade explicita com os pacientes graves e também a preocupação em dar alguma alternativa àqueles que procuram o serviço de emergência. Essa interface entre o domínio técnico e o ético se faz presente na realidade de enfermeiros que vivem conflitos para articular as condições cotidianas. A superlotação é o fenômeno que desencadeia os principais dilemas, à medida que escolhas precisam ser feitas para determinar o acesso aos cuidados. Nos casos que pacientes são encaminhados, fica o sentimento de injustiça, insegurança e falta de solidariedade. E quando o paciente é admitido no serviço, surgem os dilemas decorrentes do esgotamento de recursos locais. A tomada de decisão em emergência ocorre a partir de um conhecimento teórico específico, das experiências prévias e de respostas emocionais e intuitivas estabelecidas no momento do acolhimento. Diante disso, observa-se que a decisão tomada na triagem, é complexa e acompanhada de sofrimento porque traz a experiência, contraditoriamente, dos sentimentos de poder e impotência, impostos por situações difíceis. Os dilemas enfrentados na realização da triagem são agravados pela sensação de desamparo dos enfermeiros que tomam decisão solitária. Compartilhar a decisão tomada pode aliviar o conflito moral existente entre o que se deve e o que se pode fazer. CLASSIFICAÇÃO DE RISCO: UMA NECESSIDADE ENADIÁVEL EM UM SERVIÇO DE EMERGÊNCIA DE QUALIDADE 31 ALBINO, Rubia Maria; GROSSEMAN, Suely e RIGGENBACH, Viviane. Tipo do estudo: estudo de caso Objetivo:propor a implantação de triagem estruturada com classificação de risco nos Serviços de Emergência do Brasil. Técnica de Análise: fenomenológica Ano de Publicação: 2007 RESUMO A triagem estruturada (classificação de risco), talvez seja a mais importante estratégia para diminuir os riscos dos pacientes que esperam atendimento médico no serviço de emergência. Porque permite que pacientes mais graves sejam atendidos primeiro- reduzindo a morbidade e a mortalidade no serviço de emergência. No Brasil, a prática usual ainda é o atendimento por ordem de chegada dos pacientes, excetuando-se os casos de emergências explícitas. O processo de triagem, em todo o mundo, é realizado por enfermeiros, após um treinamento específico. Como o objetivo da triagem é identificar pacientes que necessitam ser vistos primeiro e aqueles que podem esperar por atendimento em segurança, ela é fundamental em qualquer serviço onde haja sobredemanda. Segundo Gómez Jiménez (2003)14, “os serviços de urgências têm na triagem um sistema magnífico para aplicar o princípio bioético de justiça [...] sendo uma necessidade para um sistema sanitário de qualidade”. O termo triagem é pouco aceito no Brasil porque pode estar associado à situações de catástofres, ou, “mandar o paciente embora sem atendimento”. Por isso, para não confundir ou criar resistências, o termo RAC – Recepção, Acolhimento e Classificação de risco – é adotado como sinônimo de triagem. O processo de RAC deve ser dinâmico, contínuo e incluir atividades que tranqüilizam o usuário e seus familiares, trazendo-lhes apoio emocional e segurança. As informações claras sobre tempo de espera e zona de destino de cada paciente e a orientação do fluxo, onde o mais grave é priorizado em relação ao menos grave, geram confiança no sistema. 32 A Classificação Estruturada é um processo contínuo e, para ser eficiente, deve ocorrer entre 10 a 15 minutos desde a chegada do paciente ao SE. Deve ser realizada de forma rápida e fundamentada em um instrumento de classificação previamente elaborado em conjunto por médicos e enfermeiros com experiência em SE. CLASSIFICAÇÃO DE RISCO NA EMERGÊNCIA: AVALIAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NASCIMENTO, Eliane Regina Pereira do; HILSENDEGER, Bárbara Rosso; NETH, Caroline; BELAVER, Guilherme Mortari e BERTONCELLO, Kátia Cilene Godinho Bertoncello. Tipo do estudo: qualitativo. Objetivo:conhecer e analisar como os profissionais de enfermagem de um serviço de emergência hospitalar avaliaram o acolhimento com classificação de risco. Técnica de Análise: discurso do sujeito Ano de Publicação: 2010 RESUMO Para organizar o atendimento nos Serviços de Emergência (SE) e dar o destino correto aos usuários, além de atendê-los conforme os preceitos do Sistema Único de Saúde (SUS), foi criado o acolhimento com classificação de risco (ACR). Nesse contexto, a enfermagem atua tentando amenizar a dificuldade de acesso dos usuários e proporcionando boa recepção ao serviço. A classificação de risco é uma ferramenta que, tem vários objetivos importantes, sendo um dele é organizar a fila de espera e propor outra ordem de atendimento que não a ordem de chegada. Isso de modo a garantir acesso imediato do usuário com grau de risco elevado, informando o paciente que não corre risco sobre sua previsão de atendimento. 33 O atendimento com classificação de risco representa um modo seguro de receber o usuário no serviço de emergência. Pode ser visto como uma estratégia que tem influência no processo de trabalho, que consiste em uma atitude de mudança no fazer em saúde, sugere ainda mistura de saberes, necessidades, possibilidades, angústias, que tornam o ambiente de trabalho mais acolhedor para os profissionais e, consequentemente, gera como produto final um bom atendimento em saúde. É comum no SE o grande fluxo de usuários à procura de atendimento. A implantação dos serviços de ACR deveria dar o destino correto a essa clientela, porém a população cada vez mais numerosa e com poucos recursos disponíveis na atenção básica acaba encontrando no SE o único lugar possível para atender as suas necessidades. A inadequada ou inexistente referência e contrarreferência, a falta de implementação da Política Nacional de Atenção às Urgências (PNAU) em todas as suas instâncias, o desconhecimento da população da oferta de serviços de saúde ou a utilização inadequada dos mesmos faz com que o ACR se torne ineficiente. Isso acontece porque o atendimento prestado aos usuários classificados como menos graves se torna superficial e inadequado. A ausência de um serviço de contrarreferência faz com que os usuários de nível ambulatorial permaneçam horas no SE esperando atendimento. Isso causa lotação do serviço e o ato de decidir a permanência daquele doente na unidade gera dilema para quem realizou seu acolhimento. O ACR se mostra como uma ferramenta que visa diminuir as chances de insatisfação por parte de clientes e profissionais, pois agiliza o serviço prestado ao cliente, reconhece prioridades e proporciona os devidos encaminhamentos para a continuidade do tratamento do usuário. Porém ainda existem falhas que devem ser corrigidas, como pactuar entre hospitais e unidades não hospitalares de atenção às urgências a referência e contrarreferência, garantindo a continuidade no cuidado e o tratamento adequado a longo prazo. ABORDAGEM DA EQUIPE DE ENFERMAGEM AO USUÁRIO NA EMERGÊNCIA EM SAÚDE MENTAL EM UM PRONTO ATENDIMENTO KONDO; VILELA; BORBA et al. 2010. Tipo do estudo: qualitativo exploratório. 34 Objetivo:conhecer a concepção da equipe de enfermagem sobre emergências em saúde mental e analisar como se desenvolve a abordagem da equipe de enfermagem ao usuário com transtorno mental em situação de emergência. Técnica de Análise: entrevista analisada pelo método da análise temática. Ano de Publicação: 2011 RESUMO A abordagem à pessoa com transtorno mental em situação de emergência é de tal importância que, se realizada com segurança, prontidão e qualidade é capaz de determinar a aceitação e a adesão dessa pessoa ao tratamento. Também, pode ser concebida como a mais importante tecnologia de um serviço de emergência, por meio dela, pode ser efetivada a escuta ativa pelo profissional, expressando o respeito à singularidade do paciente, oferecendo-lhe respostas adequadas e cuidado de enfermagem resolutivo. Ressalta-se a importância da qualidade da abordagem na emergência em saúde mental e considera-se que a primeira impressão possui significativa influência, assim como, o modo como a pessoa é recebida, a atenção que o profissional dispensa e a demonstração de preocupação com o paciente quando ele chega ao serviço de saúde. As recentes mudanças preconizadas pela reforma psiquiátrica, quanto à concepção da doença mental, as formas de tratamento e a inserção de novos serviços para esta assistência, incluem as unidades de emergência e pronto socorro. Devendo atender todo paciente psiquiátrico que esteja em risco de vida iminente ou pondo em riso terceiros. A maioria dos casos de pessoas atendidas nas unidades de emergência tentam auto-extermínio ou têm comportamento agressivo. Isso provoca medo, ansiedade e insegurança no profissional, podendo prejudicar o julgamento clínico e levar ao uso prematuro de medidas restritivas. 35 Na crise, é necessária abordagem terapêutica a partir de uma avaliação humanizada e singular, o que requer dos profissionais habilidade e rapidez para tomadas de conduta, avaliação da situação. A abordagem é iniciada com a observação do comportamento e esta influencia no tipo e na tentativa de diálogo a ser estabelecido. O primeiro contato e as impressões que o profissional tem do paciente definem condutas posteriores. Situações de muito desespero levam o profissional a julgar como forma de chamar a atenção e, por conseguinte, desperta diversos sentimentos, como culpa, impotência, frustração, fragilidade e desespero dos profissionais diante da percepção de suas dificuldades em trabalhar sob pressão.