A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO REESTRUTURAÇÃO PRODUTIVA E ESTRUTURA URBANA: UMA ANÁLISE DOS ANÚNCIOS DE INVESTIMENTOS NACIONAIS E ESTRANGEIROS EM BRASÍLIA SÉRGIO MAGNO CARVALHO DE SOUZA1 Resumo: Recentemente, o processo de metropolização tem passado por modificações por conta da reestruturação produtiva capitalista, o que vem ocorrendo também no Brasil. Em Brasília, isto surge a partir da produção de subcentros e de mudanças em sua estrutura urbana. O objetivo deste trabalho é analisar de que forma os anúncios de investimentos nacionais e estrangeiros refletem e apontam para eventuais alterações na estrutura urbana de Brasília, especialmente na produção de novas centralidades. A análise tem demonstrado que a internacionalização da economia brasiliense é ainda limitada, e que a produção de subcentros segue a lógica interna de surgimento de comércio e serviços em espaços afastados. Palavras-chave: Reestruturação produtiva; estrutura urbana; centralidades urbana Abstract: Recently, the metropolization process is passing throw modifications caused by the capitalist’s productive restructuration, which is also in occurrence in Brazil. In Brasilia, this emerges with the production of subcenters and with the changes in its urban structure. The aim of this work is to analyze in what way the announces of national and international investments reflects and shows eventual changes in Brasilia’s urban structure, especially in the production of new centralities. The analysis shows that the internationalization of the Brasilia’s economy is still limited, and that the production of subcenters follows the internal logic of emergence of commerce and services in spaces far from the traditional center. Key-words: Productive restructuration; urban structure; urban centralities 1 – Introdução O processo atual de reestruturação produtiva da produção capitalista tem causado diversas alterações nas formas de produção do espaço, pela relocalização das atividades econômicas, que tornam-se mais flexíveis, no dizer de Harvey (1992). Especificamente no que tange às metrópoles, o processo tem gerado novas tendências gerais de produção destes espaços, surgindo extensos espaços urbanos 1 - Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade de Brasília (UnB). E-mail de contato: [email protected] 5921 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO dispersos, com tecido muitas vezes não contínuo, altamente fragmentado e com o surgimento de uma policentralidade (SOJA, 1993). No Brasil, as metrópoles, inicialmente tiveram seus espaços produzidos a partir de uma dominância de um único centro e expansão periférica, em espaços pauperizados e dependentes. Mais recentemente, as metrópoles brasileiras assumem um papel econômico voltado ao terciário, apresentando uma estrutura em subcentros, porém com manutenção dos espaços centrais tradicionais, e expandindo-se de forma mais dispersa. No caso de Brasília, seu espaço inicial foi produzido a partir da intenção do governo federal avançar a expansão do mercado interno, no contexto da industrialização brasileira. Daí, em um contexto autoritário e alicerçada em planejamento urbano inspirado no modernismo, ocorrem as ações iniciais de produção do espaço, que buscaram, a todo custo, manter a região central como planejado. Como resultados, surge um espaço polinucleado, segundo Paviani (1987), com espaços periféricos muito dependentes do centro principal. Em um segundo momento, o contexto passa a ser de redemocratização e autonomia política do Distrito Federal (DF). As ações do Estado passam por uma reorientação, reduzindo o protagonismo do momento anterior, cedendo espaço a outros agentes. Os resultados produzidos demonstram uma relativização do modelo polinucleado, e uma expansão cada vez mais dispersa. Surgem subcentros dentro do DF, ligados principalmente aos setores de comércio e serviços. Souza (2010) indica a existência de uma dependência destes subcentros em relação ao centro principal, que mantem suas funções. Surge daí o interesse em analisar os impcactos dos investimentos nacionais e estrangeiros na estrutura urbana de Brasília, notadamente pelo surgimento de subcentros. O objetivo deste trabalho é analisar alguns dos impactos deste processo de reestruturação produtiva do capital na estrutura urbana de Brasília, a partir dos Anúncios de Projetos de Investimentos da Rede Nacional de Informações sobre o Investimento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (RENAI/ MDIC, 2015). De forma mais específica, o interesse é analisar de que forma os referidos anúncios demonstram a forma de inserção de Brasília no processo maior de reestruturação produtiva, bem como de analisar os eventuais impactos deste modelo de inserção em sua estrutura urbana e metropolitana. 5922 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO 1.1 Metodologia O presente trabalho desenvolveu-se a partir de uma revisão do processo histórico de produção do espaço de Brasília, analisado inicialmente a partir dos contextos socioeconômicos. Posteriormente, são analisadas as ações dos agentes mais relevantes na produção deste espaço. Por fim, são analisados os resultados das ações, especificamente sobre o processo de expansão do espaços urbanos e sobre sua estrutura urbana produtiva, em destaque o centro e os subcentros. Em seguida, são analisados os anúncios de investimentos nacionais e estrangeiros em Brasília, extraídos a partir dos dados da RENAI/ MDIC. O período em análise é de 2010 até o 2014, e busca-se analisar os setores e atividades contempladas com tais anúncios, permitindo analisar o modo como Brasília tem se inserido na lógica capitalista nacional e global e os eventuais impactos disto em sua estrutura urbana. 2 – A produção do espaço e da estrutura urbana de Brasília Ao mencionar a ideia de estrutura urbana, fala-se aqui em uma estrutura produtiva deste espaço urbano, encarado como sendo constituída a partir dos processos produtivos, que se materializam no espaço urbano. Um dos elementos desta estrutura diz respeito à produção das formas centrais, cuja função, principalmente, é a de coordenar os processos produtivos nas diversas escalas, oferecendo bens e serviços fundamentais a tal função. Adota-se, desta forma, a ideia da estrutura urbana como socialmente produzida (não apenas meramente refletida no espaço) e cujas modificações atendem à ideia dos ajustes espaciais do capitalismo, que molda o espaço a partir de suas necessidades (HARVEY, 2013). Feito o breve preambulo acima, a análise específica do processo de produção do espaço e da estrutura urbana de Brasília é realizado em dois períodos: um primeiro, caracterizado pela implementação da cidade e sua consolidação como capital; o segundo, no qual ocorre a expansão do espaço urbano e metropolitano de Brasília. A periodização segue a utilizada por Souza (2010), com adaptações. 5923 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO 2.1 A produção do espaço e da estrutura urbana de Brasília: a implementação da nova capital e sua consolidação (1956-1985) O processo inicial de produção do espaço de Brasília ocorre a partir de um contexto de modernização econômica do país, no qual este passava por sua industrialização. Por conta da necessidade de integrar e ampliar os mercados nacionais, surge a necessidade de integração do território. Além disto, à Brasília é também imposta a função de polo de desenvolvimento do Centro-Oeste brasileiro – ideia que, segundo Ferreira (2010), será fundamental na decisão da transferência da capital. Localmente o contexto socioeconômico aponta, politicamente, para um período de governos indicados pelo governo federal, sem participação da população local. Neste período, a economia, inicialmente, esteve concentrada no setor secundário, especificamente da construção civil, por conta dos imperativos de construção da cidade. Em seguida, passou-se ao terciário, com a consolidação da cidade como capital federal, na década de 1970. Demograficamente a cidade era composta por uma população de origem imigrante, predominando as faixas etárias mais jovens, em uma tendência de recepção de imigrantes constante durante o período (VASCONCELOS; GOMES, 2015). Dentro deste contexto, as ações foram pautadas pela tecnocracia, então marca da administração pública (que foi bastante reforçada no decorrer do regime militar). Desta forma, o planejamento urbano foi peça fundamental, especialmente no caso de Brasília. O primeiro plano para a cidade, o Plano Piloto de Brasília, de Lúcio Costa, previa uma cidade inspirada no urbanismo moderno, com avenidas largas e espaços bem definidos, dedicada primordialmente à função de capital federal. Este primeiro planejamento possuiu uma abrangência restrita sobre o território, apontando tendências genéricas para o crescimento da cidade e da região em períodos futuros. Este planejamento de caráter mais abrangente, de todo o DF, veio com o Peot (Plano Estrutural de Organização Territorial do Distrito Federal), que previa um modelo de ocupação orientado a partir das grandes vias de circulação e acessibilidade, orientando o crescimento para a porção sul e sudoeste do território. Buscava ainda a preservação da Bacia do Paranoá, usando da preservação do Lago Paranoá como justificativa para afastar ocupações ali próximas. 5924 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO A partir destas ações de planejamento urbano, as ações efetivas demonstram uma primazia na atuação do Estado, que pode moldar o espaço a partir de seus interesses. Desta forma, o mercado imobiliário era ainda, em larga medida, controlado pelo Estado, pois este era o proprietário da maior parte das terras e as oferecia de acordo com sua conveniência. Com a finalidade de manter o espaço central da cidade conforme planejado, e de afastar a população mais pobre do centro de empregos, o Estado passa a agir, no dizer de Gouvea (1991), por ações que promoveram a segregação socioespacial no DF. Outros agentes permaneciam com menor força no período, agindo mais em resposta às demandas estatais. Este quadro de forças começou a alterar-se a partir da década de 1980, com a crise do Estado desenvolvimentista. Como resultados sobre os espaços de assentamento e o processo de expansão urbana, houve, nesta primeira fase a produção de um espaço baseado em núcleos habitacionais dispersos pelo território, formados pela ação do Estado de preservar a área central e afastar ocupações irregulares. Tem origem o modelo que Paviani (1987) chama de polinucleado, marcado por grandes espaços entre estes núcleos de povoamento. Ao mesmo tempo, os municípios limítrofes passam a ser alvo do processo de urbanização, iniciando a divisão de suas glebas rurais, recebendo, em larga escala, população do DF que não conseguia aí acesso à terra. Especificamente sobre a estrutura urbana e a produção de centralidades, este primeiro momento evidencia a hegemonia e prevalência do espaço central tradicional, o Plano Piloto, que concentrava a maior parte dos empregos e oferecia os bens e serviços de maior com maior potencial de polarização no território. As cidades-satélites permaneciam com atividades de caráter local, polarizando basicamente a própria cidade-satélite e alguns espaços próximos. Na década de 1980, inicia-se o processo de constituição de um subcentro em Taguatinga e Ceilândia, baseado principalmente no comércio destas satélites (SOUZA, 2010; FRAZÃO, 2009). 5925 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO 2.2 A produção do espaço e da estrutura urbana de Brasília: a expansão do espaço urbano (1986-2015) Este segundo momento do processo de produção do espaço de Brasília e de sua estrutura urbana tem como principal característica a expansão do espaço urbano. Ela tem se dado em um contexto inicialmente marcado pela redemocratização do país, que levará à produção de um novo texto constitucional. O Estado redefine seu papel na vida dos cidadãos e no desenvolvimento econômico, passando a atuar como um regulador das atividades econômicas, retirando-se do papel ativo de provê-las (isto incluirá também alguns dos serviços públicos). A economia nacional adota o modelo da ortodoxia econômica, ingressando na onda neoliberal. Mais recentemente, tem ocorrido uma reorientação neste papel e a busca pelo retorno do papel do Estado como planejador, mas em bases novas (BRESSERPEREIRA, 2006). Localmente, o contexto socioeconômico apresentou uma importante alteração em relação ao período anterior, por conta da autonomia política dada ao DF. Assim, passou a ser possível a eleição do legislativo e do executivo locais, alterando o jogo de forças. Em termos econômicos, manteve-se a hegemonia do terciário – especialmente o ligado à administração pública - com participação ainda bastante reduzida dos outros setores. Em termos demográficos, conforme Vasconcelos e Gomes (2015), a metrópole tem apresentado as características mais clássicas da transição demográfica em sua fase de envelhecimento, porém em nível reduzido à tendência nacional dado o peso das migrações. Quanto às ações, estas pautaram-se em formas de planejamento com menor teor tecnocrático do que no período anterior (a exceção talvez seja o documento Brasília Revisitada, de Lúcio Costa, que atinge, porém, apenas uma parte do território). Desta forma, foram aprovados, visando cumprir mandamento constitucional, três Planos Diretores de Ordenamento Territorial (PDOTs), em 1992, 1997 e 2009. Estes previam, em linhas gerais, zoneamentos do território, visando regular a ocupação dos espaços a partir de diretrizes gerais. Por outro lado, os três mencionam a necessidade de reduzir a dependência da centralidade principal e de promover outra estrutura urbana. Mais recentemente, tem-se falado na necessidade de maior integração com os Planos Diretores dos municípios do Entorno do DF. 5926 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Efetivamente, as ações demonstraram uma perda do poder de ação do Estado em relação ao período anterior, com o fortalecimento de agentes antes mais reativos às ações daquele. Destaca-se, principalmente, o mercado imobiliário, que passou a ter força na alteração de normas urbanas de ocupação do solo, sendo a cidade-satélite de Águas Claras a melhor evidência disto. O planejamento, que antes já apresentava dificuldades em traduzir-se na prática, tem se apresentado ainda mais descolado, dado o recrudescimento do poder estatal. O Estado redefine sua atuação, buscando menos remover as ocupações irregulares e mais urbanizar tais áreas – muito disto por interesses eleitorais, antes não existentes (GOUVEA, 1991). Estas ações resultaram na produção de um espaço que tem relativizado o modelo polinucleado anterior, com o adensamento dos antigos núcleos e a ocupação dos espaços não urbanos entre eles, resultando em uma maior conurbação dos espaços das cidades-satélites. Além disto, a ocupação tende a ser mais dispersa do que no período anterior, com a ocupação urbana dos espaços periféricos dentro do DF e fora dele, no Entorno. Os resultados sobre a estrutura urbana e a produção de centralidades demonstram a tendência ao surgimento de subcentros de forma mais clara, a partir da consolidação da região entre Taguatinga-Ceilândia-Samambaia, a partir do comércio e em outras cidades-satélites. Frazão (2009) aponta para uma significativa concentração de empregos na cidade-satélite do Gama, ao sul do DF, classificada, pela autora, como nucleação. Já a própria área central modifica-se, expandindo sua área, segundo Cavalcante (2009). Souza (2010) aponta que, mesmo com o processo de surgimento de subcentros, o centro tradicional mantem seu papel principal, demonstrando a dependência das novas centralidades em relação à mais antiga. 3 – Análise dos anúncios de investimentos estrangeiros em Brasília Tendo em vista o processo acima descrito de produção de subcentros, passamos agora à análise dos anúncios de investimentos nacionais e estrangeiros divulgados pela RENAI/ MDIC. Foram analisados os Relatórios de Anúncios de Projetos de Investimentos, que são divulgados semestralmente. A análise deu-se 5927 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO pelos relatórios divulgados entre 2010 e 2014. Foram identificados os anúncios tanto nacionais como estrangeiros direcionados (ou identificados) para Brasília ou Distrito Federal. Os anúncios identificados encontram-se no quadro abaixo: Quadro 01 – Investimentos nacionais e estrangeiros anunciados para Brasília Empresa Capital de origem Natan Joias Brasil Aqces Logística Brasil Intercity Brasil Pobre Juan Brasil Tishman Speyer Estados Unidos Doce delícia Brasil EMS Brasil Nobile (Hotsua) Brasil/ Espanha De Longhi Itália Tracbraz (Tractebel) Bélgica/ França Biomm Technology Brasil VB Serviços Brasil Organizações Paulo Octavio Brasil Banco do Brasil/ Caixa Econômica Federal Brasil Descrição do investimento Investimento na abertura de nova loja de joias, no Shopping Iguatemi Investimento na compra de equipamentos ("cavalo"e semi reboque) os quais serão utilizados para atender a contrato firmado com a Shell (abastecimento a aeroporto no Distrito Federal) Investimento na construção de 26 hoteis pelo Brasil, um deles em Brasília Investimento na abertura de restaurantes (um deles em Brasília) Investimento no desenvolvimento de três torres de escritórios de alto padrão, na Asa Norte. Investimento na abertura de filial franqueada em Brasília Investimento em uma planta de antibióticos e hormônios Investimento na abertura de empreendimento hoteleiro (eventualmente em Brasília) Investimento na abertura da primeira loja conceito no País Investimento na ampliação de sua rede de vendas, com instalação de showrooms Investimento na construção de fábrica de insulina (nova unidade de produção de cristais de insulina no DF) Investimento para abertura de 04 escritórios para administração de vales-transporte Investimento para a renovação do sistema de administração do estacionamento do Terraço Shopping Investimento para implantação do Parque Tecnológico da Cidade Digital Tipo Expansão/ Implantação Expansão Implantação/ expansão Expansão Implantação Implantação/ expansão Implantação Implantação/ expansão Implantação Expansão/ Implantação Implantação Implantação/ expansão Modernização Implantação 5928 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO Grupo Amil Brasil/ Estados Unidos Aumento da rede de atendimento, com reforma e ampliação de hospitais Expansão/ modernização Empresa Capital de origem Descrição do investimento Tipo Madero Burger&Grill Brasil Enplanta Engenharia Brasil América Móvil México Zethos Brasil Investimento para abertura de escritórios Implantação Thelure Brasil Investimento para abertura de 25 novas lojas Implantação Grupo Unique Brasil Investimento para abertura da sexta unidade Unique fitness em Brasília Expansão/ Implantação Supergasbras (SHV Energy) Brasil Investimento para consolidar e ampliar negócios Expansão Hard Rock Hotel Estados Unidos Investimento para construção de cinco hoteis no Brasil Implantação Fran's Café Brasil Investimento para o lançamento de uma nova marca da rede. Implantação Vert Soluções em TIC Brasil Elgin Mobile&Design Brasil Helado Monterey Brasil Investimento para abertura de novas lojas Expansão/ Implantação Rexam Reino Unido Investimento para ampliação da produção (fábrica de embalagens) Modernização Academia Bioritmo Brasil/ Estados Unidos Investimento para implantação de duas unidades premium em Brasília Implantação Petz Estados Unidos Investimento para abertura de novas unidades Expansão/ modernização Investimento para ampliação da rede de restaurantes (Brasília inclusa) Investimento para reforma do Shopping Pátio Brasil Investimentos para, entre outros projetos, disponibilizar internet sem fio e reforçar a cobertura (Inclui Brasília) Investimento para instalação de um data center em contâiners Investimento para instalação de novas unidades (uma delas em Brasília) Expansão/ Implantação Modernização Expansão Implantação Implantação/ expansão Fonte: RENAI/ MDIC (dados tratados pelo autor) 5929 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO A análise do quadro acima demonstra que a ampla maioria dos anúncios de investimentos tem origem de capital nacional, com 21 dos anúncios dos 30 detectados. Em seguida, aparecem os anúncios com capital de origem dos EUA (em 5 anúncios, alguns deles em parceria com capital brasileiro), aparecendo capitais de outras origens em quantidades menores (um ocorrência para cada): Espanha, Itália, França, México e Reino Unido. Isto demonstra que a economia do DF tem um grau ainda limitado de internacionalização, com a inserção limitada de capitais estrangeiros diretamente (estes podem aparecer de forma indireta, com intermediários brasileiros). De uma forma geral, os investimentos previstos com origem em capital estrangeiro destinam-se a investimentos na ampliação de serviços (ou na oferta de novos), em setores ligados ao terciário, como redes hoteleiras, restaurantes, lojas de móveis, serviços hospitalares, infraestrutura de telecomunicações e academias. O único anúncio de perfil diferente é aquele do Reino Unido, que dedica-se à produção de embalagens, voltada ao secundário e outros investimentos na construção civil. Quanto aos anúncios nacionais, estes apontam investimentos também majoritários no setor terciário, sendo exceções à esta tendência os anúncios de construção de plantas fabris no setor farmacêutico (produção de insulina, antibióticos), no setor de tecnologia da informação (Parque tecnológico) e no setor de logística. Desta forma, independentemente da origem do capital, há um predomínio do setor terciário nos anúncios de investimentos, com poucos anúncios voltados ao setor secundário (ou a outros). A maior parte dos anúncios destina-se à abertura de filiais de empresas nacionais e estrangeiras e na expansão de redes hoteleiras nacionais e internacionais. 4 – Considerações finais A observação dos dados sobre os anúncios de investimentos e a confrontação destes com a evolução histórica da produção do espaço de Brasília e de sua estrutura urbana demonstram que tais anúncios de investimentos revelam uma tendência de reduzida modificação da estrutura produtiva atual. Neste sentido, 5930 A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO DE 9 A 12 DE OUTUBRO verifica-se que a influência de capitais estrangeiros em uma eventual modificação do processo em análise é reduzida, limitando-se, de forma geral, a investir em setores já consolidados. Não se verifica, mesmo com os anúncios em alguns setores industriais, a mudança no perfil econômico da cidade e mantem-se ainda a dependência do terciário. Assim, pode-se considerar que a estrutura urbana atual, apoiada em um centro principal e no surgimento de subcentros mantem uma tendência geral de continuidade de sua produção, com alteração ainda residual por parte de eventuais investimentos estrangeiros. Pode-se concluir ainda que a própria internacionalização da economia brasiliense é ainda reduzida, estando bastante atrelada ao setor público, o que, por outro lado, reforça as tendências atuais. Os subcentros tendem mais a surgir a partir das demandas de consumo em pontos mais afastados do território, por força da migração de população de mais alta renda, do que propriamente por investimentos estrangeiros. Cabe, futuramente, analisar a fundo a implementação efetiva destes empreendimentos e os eventuais impactos que possam causar na economia brasiliense e no processo de produção de seu espaço. 5 – Referências bibliográficas BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O novo desenvolvimentismo e a ortodoxia convencional. São Paulo em perspectiva, vol. 20, n. 3, p. 5-25, 2006. Disponível em < http://www.seade.gov.br/wp-content/uploads/2014/07/v20n3.pdf> Visto em junho de 2015. CAVALCANTE, Cláudia Varizo. Formação e transformação da centralidade intraurbana em Brasília. Dissertação (Mestrado em Geografia). Departamento de Geografia, Universidade de Brasília, Brasília, 2009. FERREIRA, Ignez Costa Barbosa. Brasília: mitos e contradições na história de Brasília. 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