Janaina de Sousa Dias HOMEOPATIA NO SUS DIVINÓPOLIS: Tendências e Viabilidade Divinópolis FUNEDI-UEMG 2008 Janaina de Sousa Dias HOMEOPATIA NO SUS DIVINÓPOLIS: Tendências e Viabilidade Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Universidade do Estado de Minas Gerais – Campus Divinópolis, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação, Cultura e Organizações Sociais. Área de concentração: Estudos Contemporâneos Linha de Pesquisa: Espaço e Sociedade Orientador: Prof. Dr. Eduardo Sérgio Silva Divinópolis FUNEDI-UEMG 2008 D541h Dias, Janaina de Sousa Homeopatia no SUS Divinópolis: tendências e viabilidade [manuscrito] / Janaina de Sousa Dias. – 2008. 70 f., enc. il . Orientador : Eduardo Sérgio Silva Dissertação (mestrado) - Universidade do Estado de Minas Gerais, Fundação Educacional de Divinópolis. Bibliografia : f. 60 - 63 1. Homeopatia - SUS. 2. SUS - Divinópolis. 3. Soares, Sônia Maria, 2000- .- Tese. I. Silva, Eduardo Sérgio. II. Universidade do Estadual de Minas Gerais. Fundação Educacional de Divinópolis. III. Título. CDD: 615.532 614 Dissertação defendida e APROVADA pela Banca Examinadora constituída pelos Professores: Prof. Dr. Eduardo Sérgio da Silva (Orientador) – UFSJ/MG Prof. Dr. Daniel Silva Gontijo Penha – FUNEDI/UEMG Prof. Dr. Paulo Sérgio Carneiro Miranda – UFMG Mestrado em Educação, Cultura e Organizações Sociais Fundação Educacional de Divinópolis Universidade do Estado de Minas Gerais Divinópolis, 14 de Dezembro de 2007. AUTORIZAÇÃO PARA A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DA DISSERTAÇÃO Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação por processos de fotocopiadoras e eletrônicos. Igualmente, autorizo sua exposição integral nas bibliotecas e no banco virtual de dissertações da FUNEDI/UEMG. Assinatura: Janaína de Sousa Dias Divinópolis, 12 de Março de 2008 À Deus, pelo dom da vida; Ao meu orientador Prof. Dr. Eduardo Silva, por ajudar a traçar um caminho e delimitar suas margens e pela paciência e disponibilidade durante todo este tempo; A Prof.a Denise por participar em alguns momentos desta orientação; À minha mãe Maria, pelo amor, dedicação, desprendimento e pelo apoio em todas os momentos e em todas as decisões e por possibilitar, em todos os aspectos, minha chegada até aqui; À minha tia Ivani, por mostrar, desde cedo, a importância e o prazer do conhecimento, e pelo auxílio em todos os momentos do meu caminho; Aos meus avós Alonso e Castorina (in memorian), pelo amor e o carinho, tão importantes nos primeiros momentos da vida; Ao Howdery pelo estímulo aos estudos, pelos momentos de participação efetiva e pela compreensão durante as ausências; À Secretaria de Saúde de Divinópolis e aos seus representantes, por possibilitarem a realização deste trabalho; À Coordenadora da Assistência Farmacêutica da Prefeitura de Divinópolis, Ariane Garrocho, pela compreensão e por facilitar a realização das pesquisas; À todos os entrevistados que, mesmo sem compreender a importância deste ato, possibilitaram o acesso a este conhecimento; À amiga e jornalista Sara Coelho, pela amizade e pela grande ajuda na transcrição das entrevistas; À professora Elizabete Oliveira, pelo auxilio na revisão de texto; Ao Comitê de Ética do Hospital São João de Deus, pela acolhida, atenção e pela presteza em realizar a avaliação dos aspectos éticos deste estudo; À todos que, de alguma forma, auxiliaram na conclusão deste trabalho. O PARADOXO DO NOSSO TEMPO Hoje temos edifícios mais altos, mas pavios mais curtos... Temos auto-estradas mais largas, mas pontos de vista mais estreitos... Gastamos mais, mas temos menos... Temos casas maiores e famílias menores... Temos mais conhecimento e menos poder de julgamento... Temos mais medicina e menos saúde... Hoje bebemos demais, fumamos demais, gastamos de forma excessiva, Rimos de menos, dirigimos rápido demais, nos irritamos facilmente... Ficamos acordados até tarde, acordamos cansados demais... Multiplicamos nossas posses, mas reduzimos nossos valores... Falamos demais, amamos raramente, nos odiamos com freqüência... Aprendemos a ganhar a vida, mas não vivemos essa vida... Fazemos coisas maiores, mas nem sempre coisas melhores... Limpamos o ar e poluímos a alma... Escrevemos mais, mas aprendemos menos... Planejamos mais, mas realizamos menos... Aprendemos a correr contra o tempo, mas não esperar com paciência... Temos maiores rendimentos, mas menos padrão moral... Temos avançado na quantidade, mas nem sempre na qualidade... Esses são tempos de refeições rápidas e digestão lenta... De homens altos e caráter baixo... De lucros expressivos, mas relacionamentos rasos... Mais lazer, mas menos diversão... Maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição... São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável E pílulas que fazem tudo: alegrar, aquietar, matar... (Autor desconhecido) RESUMO Segundo o filósofo Lopovestky (citado por LATOUCHE, 2004), no mundo ocidental há um gasto excessivo com saúde. Observa-se que as pessoas vão cada vez mais aos médicos, gastam cada vez mais com remédios e exames médicos. Por outro lado, as pessoas estão mais atentas ao que se come, fazem ginástica, bebem água mineral, ingerem menos álcool e promovem uma verdadeira cruzada contra o tabaco e as drogas. Segundo Cerqueira (2004), no Brasil, esta tentativa de organização reflete-se no aumento da procura pelas práticas médicas que buscam o equilíbrio do corpo e da mente. Práticas tradicionais no oriente, como a acupuntura e a homeopatia, ganham cada vez mais adeptos e já conquistam lugar de destaque no próprio sistema público de saúde. Em 1980, a homeopatia foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina, e em 1986, após a 8º Conferência Nacional de Saúde (CSN), foi introduzida como prática alternativa de assistência à saúde no âmbito dos serviços de saúde. Em 2004 foi criada a Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares (PNMNPC), publicação do Ministério da Saúde, que estabelece pontos importantes para a inserção destas práticas no sistema público de saúde. Segundo a PNMNPC, em 2004 a homeopatia encontrava-se implantada em 20 unidades da federação, 16 capitais e 158 municípios. São objetivos deste estudo a verificação do conhecimento dos usuários do sistema sobre a homeopatia e o interesse destes pela implantação desta prática no SUS Divinópolis. Optou-se pelo método qualitativo de pesquisa por considerá-lo o melhor meio de aprofundamento da investigação proposta. Dentro da proposta metodológica qualitativa, foi feita a opção pelo estudo de caso, por acreditar que este método possibilita o acesso às informações desejadas. A coleta de dados foi realizada mediante a utilização de entrevista semi-estruturada. As entrevistas foram realizadas na Farmácia Central, situada a Praça do Mercado nº 410, em Divinópolis. Após o estudo concluiu que a maioria dos usuários apresenta pouco ou nenhum conhecimento sobre a homeopatia. Nas falas desses usuários foi possível perceber idéias errôneas como a confusão com os tratamentos fitoterápicos caseiros, a definição da homeopatia como uma doença, a crença nos medicamentos homeopáticos ou fitoterápicos como inócuos ao organismo e a relação entre medicamentos homeopáticos ou fitoterápicos com a fé, e até mesmo com o misticismo. Apesar do pouco conhecimento, a maioria dos entrevistados considera importante a implantação do tratamento homeopático no SUS Divinópolis, como uma alternativa de assistência. Foram citados vários motivos para justificar a importância, dentre eles a necessidade de mais alternativas, eficácia do tratamento, o baixo custo para o serviço público de saúde e principalmente a existência de demanda não atendida. Enfim, de acordo com as informações anteriores conclui-se que, partindo do ponto de vista dos usuários entrevistados, existe interesse na implantação da homeopatia no SUS Divinópolis, é viável. Porém, devem ser tecidas algumas considerações. A implantação da homeopatia no SUS Divinópolis deverá ser precedida de estratégias planejadas de informação e educação, tanto da população quanto dos trabalhadores de saúde do serviço municipal. ABSTRACT According to the philosopher Lopovestky (2004), in the western world there is excessive spending in health. There is that people will increasingly to doctors, spend increasingly with medicines and medical examinations. Moreover, people are more attentive to what is come, do gymnastics, drink mineral water, eat less alcohol and promote a real crusade against tobacco and drugs. According Cerqueira (2004), in Brazil, this attempt at organization reflected in the increasing demand for medical practices seeking a balance of body and mind. Traditional Practices in the east, such as acupuncture and homeopathy, earn increasingly fans and already have found place of prominence in the public health system itself. In 1980, homeopathy has been recognised as a medical specialty by the Federal Council of Medicine, and in 1986, after the 8 th National Conference on Health (CSN), was introduced as a practical alternative to the health care within the health services. In 2004 was established the National Policy of Natural Medicine and Complementary Practices (PNMNPC), publication of the Ministry of Health, which provides important points for the insertion of such practices in the public health system. According to PNMNPC in 2004 to homeopathy found itself implanted into 20 units of the federation, 16 capital and 158 municipalities. Objectives of this project are checking the knowledge of users of the system on homeopathy and interest by the implementation of this practice in SUS Divinópolis. Our choice is the method of qualitative research as it has been considered the best way to deepen the research proposal. Within the qualitative methodological proposal, the choice was made by the case study, by believing that this method allows access to desired information. Data collection was performed by using a semi-structured. The interviews were conducted in the Central Pharmacy, located in the Market Square No 410 Divinópolis. After the study found that most users presents little or no knowledge about homeopathy. In the words of those users were unable to understand how wrong ideas like confusion with the treatments phytotherapy home, the definition of homeopathy as a disease, the belief in homeopathic medicines or phytotherapy as harmless to the body and the relationship between homeopathic medicines or phytotherapy with faith, and even with the mysticism. Despite the lack of knowledge, the majority of interviewees considered important deployment of homeopathic treatment in SUS Divinópolis, as an alternative for assistance. They were cited several reasons to justify the importance, among them the need for more alternatives, effective treatment, the cost to the public health service and the existence of demand not answered. Finally, according to the information earlier concluded that, from the point of view of users interviewed, the deployment of homeopathy in SUS Divinópolis, it is feasible. However, some considerations must be made. The deployment of homeopathy in SUS Divinópolis should be preceded strategies planned, information and education, both of the population as employees of publicl health service. LISTA DE TABELAS 1 – Condutas pós-atendimento homeopático - 2001 ........................................................ 28 2 - Distribuição dos entrevistados segundo a faixa etária.................................................. 41 3 - Distribuição dos entrevistados conforme a escolaridade............................................. 42 4 - Distribuição dos entrevistados conforme a atividade profissional............................... 43 5 - Distribuição dos entrevistados conforme à propriedade da casa.................................. 43 6 - Distribuição dos entrevistados quanto ao número de moradores por residência......... 44 7 - Distribuição dos entrevistados conforme a renda familiar........................................... 44 8 - Distribuição dos entrevistados conforme a renda per capita...................................... 44 9 - Meios de informação citados pelos pacientes............................................................ 46 10 - Distribuição dos entrevistados conforme a religião................................................... 53 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CSN: Conferência Nacional de Saúde PNMNPC: Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares MNPC: Medicina Natural e Práticas Complementares SUS: Sistema Único de Saúde PSF: Programa Saúde da Família AMHB: Associação Médica Homeopática Brasileira SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................. 13 2 OBJETIVOS.................................................................................................. 16 3 JUSTIFICATIVA......................................................................................... . 16 4 4.1 4.2 4.3 4.4 4.5 REFERENCIAL TEÓRICO......................................................................... O vitalismo....................................................................................................... A homeopatia................................................................................................... A homeopatia no mundo.................................................................................. A homeopatia no Brasil.................................................................................... A Homeopatia no SUS..................................................................................... 17 17 19 21 22 26 5 5.1 5.2 5.3 5.4 5.5 5.6 5.7 METODOLOGIA.......................................................................................... A pesquisa qualitativa em saúde...................................................................... O estudo de caso.............................................................................................. A entrevista semi-estruturada.......................................................................... Delineamento do estudo................................................................................... Esclarecimentos sobre o estudo....................................................................... A entrevista...................................................................................................... Critérios de inclusão dos participantes............................................................ 31 31 33 34 35 38 38 39 6 6.1 6.1.1 6.1.2 6.2. 6.2.1 6.2.2 6.2.3 6.2.4 6.2.5 6.2.6 6.2.7 6.2.8 RESULTADOS E DISCUSSÃO.................................................................. População estudada......................................................................................... Gênero, estado civil e idade dos entrevistados................................................ Escolaridade, ocupação e condições econômicas dos entrevistados............... Categorias de análise........................................................................................ Informação sobre a homeopatia....................................................................... Conhecimento sobre a homeopatia.................................................................. Acesso ao tratamento homeopático................................................................. Homeopatia e fitoterapia................................................................................. Homeopatia e tratamento natural.................................................................... Homeopatia e cura das doenças....................................................................... Associação entre homeopatia, religião e fé...................................................... Homeopatia e SUS........................................................................................... 39 40 40 41 45 45 46 48 49 51 52 53 54 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................ 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................... 61 APÊNDICES................................................................................................... 65 13 1. INTRODUÇÃO Segundo o filósofo Lipovestky1 (citado por LATOUCHE, 2004) , no mundo ocidental há um gasto excessivo com saúde. Observa-se que as pessoas vão cada vez mais aos médicos, gastam cada vez mais com remédios e exames médicos. Por outro lado, as pessoas estão mais atentas ao que se come, fazem ginástica, bebem água mineral, ingerem menos álcool e promovem uma verdadeira cruzada contra o tabaco e as drogas. No Brasil, esta tentativa de organização reflete-se no aumento da procura pelas práticas médicas que buscam o equilíbrio do corpo e da mente. Práticas tradicionais no oriente, como a acupuntura e a homeopatia, ganham cada vez mais adeptos e já conquistam lugar de destaque no próprio sistema público de saúde. Um estudo comparativo dos conceitos de saúde e doença, que se diferem sobremaneira nas práticas médicas ocidentais, em especial a alopatia, afirma Cerqueira (2004), pode elucidar o motivo desta busca, além de colaborar para as modificações de pensamento que ajudam a encontrar saídas para as crises que enfrentam os sistemas de saúde, principalmente os sistemas públicos dos países que constituem o chamado terceiro mundo. Segundo Nassif (1997), todos os conceitos transferem para o médico a função de classificar o indivíduo como sadio ou doente, diagnóstico que é imposto ao paciente, mesmo que sua percepção o faça entrar em conflito. A medicina ocidental baseia-se em estudos experimentais em áreas isoladas, sendo, portanto, altamente especializada. As terapias utilizadas são voltadas para a lesão ou a doença, usando para isso medicamentos sintomáticos e procedimentos invasivos. Segundo Cerqueira (2004), nas concepções mais antigas do mundo ocidental, a saúde era considerada como o silêncio dos órgãos, a ausência de sinais e sintomas ou simplesmente a ausência de doenças. Em 1946, a Organização Mundial de Saúde definiu a saúde como 1 LIPOVESTSKY, G. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. Lisboa: Editora Relógio d´água, 1989 14 sendo o “estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças”. No Brasil, conforme disposto no caput do 3º artigo da Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080/90), “a saúde tem como fatores condicionantes e determinantes, entre outros, a alimentação, moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais”. Para Cerqueira (2004), o uso excessivo de medicamentos, que gera muitos efeitos colaterais e agravos à saúde, a crescente especialização profissional, o avanço da tecnologia, que gera procedimentos cada vez mais onerosos, são fatores que estimulam a procura de outras formas de preservar a saúde e evitar doenças. Aliada a estes fatores, existe uma tendência ocidental pela busca do equilíbrio, harmonia e felicidade. É dentro deste panorama que se observa o crescimento no ocidente de práticas tradicionais no oriente, como a acupuntura, a fitoterapia e a homeopatia que, apesar de receberem a denominação de “práticas alternativas”, encontram-se difundidas em vários segmentos da sociedade, ocupando espaço de destaque, inclusive, nas universidades e no sistema público de saúde. A homeopatia, conforme Cerqueira (2004), é um modelo de prática médica originalmente ocidental, mas que ganhou força no oriente, por ter uma filosofia muito semelhante às das práticas orientais. A homeopatia vem crescendo e ganhando adeptos no ocidente, particularmente no Brasil, um dos países em que é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina. As explicações mais comuns para este crescimento são a eficácia, o baixo custo dos tratamentos, a menor incidência de efeitos colaterais e uma menor reincidência de casos. Reconhecida em 1980, como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina, após a 8º Conferência Nacional de Saúde (CSN), em 1986, a homeopatia foi introduzida como prática alternativa de assistência à saúde no âmbito dos serviços de saúde. Em 2003, na 12º Conferência Nacional de Saúde foi criada a Política Nacional de Medicina 15 Natural e Práticas Complementares2 (PNMNPC), publicação do Ministério da Saúde, que estabelece pontos importantes para a inserção destas práticas no sistema público de saúde. Segundo a PNMNPC, em 2004, a homeopatia encontrava-se implantada em 20 unidades da federação, 16 capitais e 158 municípios. Segundo Simoni (2006, p.3)3 um diagnóstico nacional realizado entre os meses de maio e junho de 2004, através de questionário enviado às secretarias municipais e estaduais, apresentou os seguintes resultados: - Foram devolvidos 1340 questionários, dos quais 230 apresentaram respostas positivas quanto à inserção da MNPC no SUS; - 36,9% das ações relacionadas a algum tipo de MNPC aconteceram na área de abrangência da homeopatia; - Em 6,52% das secretarias existe um Ato Institucional Estadual ou Municipal criando algum serviço de MNPC; - 59,09% das ações que existem na homeopatia ocorrem na atenção básica e 42,096% ocorrem em outras áreas como PSFs, atenção especializada, serviços de saúde mental e hospitais. Segundo relatório do 1° Fórum Nacional de Homeopatia (Ministério da Saúde, 2004), a homeopatia é uma especialidade médica que pode inserir-se no SUS como prática de atenção integral à saúde, uma vez que sua filosofia e a do SUS se complementam, já que ambas preconizam: - uma visão integral do indivíduo (biopsicossocial); - compreensão do processo saúde/doença como fruto de uma relação entre fatores externos e internos ao organismo; 2 3 Conferência Nacional de Saúde, 12, 2003. Disponível em: http://www.conasens.org.br http://www.saude.gov.br/eventos_novo/dados/arq4046.ppt 16 - um conceito de cura proveniente de transformações internas do indivíduo, que leva a uma efetiva participação em todas as ações que promovem a saúde individual e coletiva. 2. OBJETIVOS 2.1 Verificar o conhecimento dos usuários do SUS Divinópolis, freqüentadores da Farmácia Municipal Central, sobre a homeopatia. 2.2 Verificar o interesse dos mesmos usuários do sistema pela implantação desta prática no SUS Divinópolis. 2.3 Avaliar os dados de conhecimento e interesse dos usuários encontrados de forma qualitativa e semi-quantitativa. 3. JUSTIFICATIVA Segundo Carvalho e Mansur (1998), é sabido que na rede básica de saúde os médicos atendem, em média, um paciente a cada 15 minutos e o resultado final destas consultas é questionado por médicos e usuários. Diante deste quadro, acaba-se desconsiderando a influência que certos fatores têm sobre as doenças como modos de vida inadequados, falta de higiene e condições de vida, saneamento e acesso à educação. Outra conseqüência deste modo de atendimento é a quantidade exagerada de medicamentos prescritos, o que sugere ao paciente que a cura depende do número de medicamentos, embora muitos sejam absolutamente desnecessários. Barollo (2001) lista motivos que justificam o crescimento da implantação da homeopatia no SUS: “...eficiência, eficácia, baixo custo, demanda crescente e satisfação dos usuários, demonstrados por várias pesquisas, vêm sendo os motivos principais da implantação do atendimento homeopático nas unidades básicas da rede pública de saúde em vários estados brasileiros como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo e Goiás”( Barollo, 2001, p.13). 17 Segundo Soares, Gonçalves e Santos (2002), em Belo Horizonte o atendimento em homeopatia apresenta demanda crescente e boa aceitação por parte da população. Em estudo realizado no período de 1999 a 2001, pode-se observar um baixo número de retornos, de solicitação de exames e de encaminhamento para especialidades, o que sugere diminuição de custos. Segundo Novaes e Miranda4 (2004), em pesquisa realizada em Belo Horizonte, os pacientes relataram confiança na terapêutica e satisfação no atendimento. As Leis Orgânicas da Saúde 8080/90 (BRASIL, 1990) prevêem a participação da comunidade nas decisões, garantida pelas Conferências de Saúde. Em participação na conferência de saúde realizada no município de Divinópolis, em 2003, verificou-se o interesse de representantes dos usuários na implantação da homeopatia no SUS desta cidade. As mesmas legislações prevêem ainda o uso da epidemiologia como instrumento de definição e acompanhamento das políticas públicas de saúde e para a avaliação dos serviços. Porém, no campo da homeopatia, a aplicação desta metodologia ainda é restrita. Como a homeopatia, principalmente no que diz respeito a práticas públicas de saúde, é um método terapêutico relativamente novo, a informação é um pré-requisito para a sua utilização na rede pública, tanto para os pacientes quanto para o próprio sistema.Considerando a importância da informação e as experiências positivas relatadas pelas cidades onde existe serviço de homeopatia na rede pública de saúde, propõe-se a realização deste estudo. 4. REFERENCIAL TEÓRICO 4.1 O Vitalismo A medicina grega oferece à nossa consideração, nos escritos e práticas hipocráticas, uma concepção dinâmica e totalizante da doença. A natureza (physis), tanto no homem como fora dele, é harmonia e equilíbrio. Segundo Canguilhem (1904, p. 21), “a perturbação dessa 4 Simpósio Nacional de Pesquisas Institucionais em Homeopatia, 8., 2004, 18 harmonia, desse equilíbrio, é a doença. Neste caso, a doença não está em alguma parte do homem. Está em todo o homem e é toda dele. As circunstâncias externas são ocasiões e não causas.” Os conhecimentos de Hipócrates estavam alicerçados na teoria de Aristóteles sobre os quatro elementos e os humores. Hipócrates relaciona a doença ao desequilíbrio entre a natureza (os elementos presentes no organismo) e os humores: Coração – Sangue – Calor (Fogo) Cérebro – Pituita – Frio (Terra) Fígado – Bile Amarela – Seco (Ar) Baço/estômago – Bile negra – Umidade (Água) Para Hipócrates, o homem era animado por uma força vital natural, preservadora do equilíbrio orgânico. O desequilíbrio dos humores era capaz de gerar uma reação da força vital, gerando os sintomas ou a doença, na verdade, uma tentativa orgânica de recuperar o equilíbrio perdido (RUIZ, 2002). Canguilhem, em sua obra, diz sobre a doença: “A doença é, sobretudo, o esforço que a natureza exerce no homem para obter um novo equilíbrio. A doença é uma reação generalizada com intenção de cura. A terapêutica deve, em primeiro lugar, tolerar e se necessário, até reforçar essas reações hedônicas e terapêuticas espontâneas. A técnica médica imita a ação médica natural (via medicatrix naturae)” (CANGUILHEM, 1904, p.21). Dos pensamentos de Hipócrates originou-se o vitalismo, corrente filosófica que busca interpretar o fenômeno da vida. Segundo Ruiz (2002, p.1), “o vitalismo é uma doutrina que afirma a existência de um princípio vital imaterial, chamado força vital, cuja presença distinguiria o ser vivo dos corpos inanimados e sua falta ou falência determinaria o fenômeno da morte”. A força vital estaria próxima a outras manifestações energéticas do organismo, como a energia calórica e a bioelétrica, e seria responsável por todos os fenômenos fisiológicos. O seu desequilíbrio gera as sensações desagradáveis e as manifestações físicas que chamamos doença. 19 A homeopatia é uma prática vitalista, na medida em que considera que a vida não é regulada somente pelas leis físicas, mas também por uma manifestação energética mantenedora e organizadora das funções orgânicas, formando, com o corpo físico, uma unidade inseparável (PIMENTEL, 2002). 4.2 A homeopatia A homeopatia baseia-se no princípio da similitude, apoiando-se nas observações experimentais de seu criador, o médico Samuel Hahnemann, sobre o uso de substâncias em indivíduos sãos. O médico alemão, considerado o pai da homeopatia, demonstrou clinicamente este princípio, firmando-o como método terapêutico após a criação de uma farmacotécnica própria (RUIZ, 2002). O médico Christian Frederich Samuel Hahnemann (11/04/1755), filho de artesãos da porcelana, foi orientado, desde cedo, ao aprendizado de várias línguas, para se tornar mercador de porcelana, uma das profissões de maior prestígio em sua região. Apesar da origem humilde e de suas dificuldades em seus estudos, sempre se destacou por sua inteligência e dedicação. Seguem abaixo, em ordem cronológica, os acontecimentos mais importantes de sua vida, que culminaram com nascimento da homeopatia: • 1775: Foi estudar medicina em Leipzig. Pesquisou sobre as correntes terapêuticas de sua época, em especial o vitalismo e o organicismo; • 1779: Recebeu o título de doutor em medicina. Publicou uma série de trabalhos sobre química e medicina, em especial as matérias médicas, que versavam sobre as propriedades medicinais das drogas; • 1779 a 1787: Firmou-se como médico e farmacologista conceituado em várias cidades da Alemanha; 20 • 1787: Abandonou a medicina, por considerar que as práticas médicas da época (uso de sangrias e substâncias tóxicas), na maioria das vezes, causavam mais danos que benefícios aos pacientes. Passou a ocupar-se então da tradução de obras médicas; • 1790: Fez a tradução da matéria médica de Cullen sobre a quina – Nascimento da Homeopatia (RUIZ, 2002). Em 1790, ao realizar a tradução da matéria médica de William Cullen, Hahnemann discordou de suas explicações a respeito da ação tônica da quina sobre o estômago do paciente acometido pela malária. Por seu espírito crítico e observador, resolveu experimentar a quina em si mesmo, ingerindo por vários dias certa quantidade da droga. Percebeu então que desenvolvia sintomas semelhantes aos relatados pelos portadores da malária, que desapareciam com a suspensão da droga, o que sugeria uma identidade entre a doença e a droga ingerida (RUIZ, 2002). O fato chamou a atenção de Hahnemann para o princípio hipocrático da semelhança. Em seguida, Hahnemann passou a experimentar a quina e outras drogas em seus familiares, observando a repetição dos fenômenos e catalogando os efeitos observados. A partir da observação dos efeitos das substâncias em indivíduos sãos, passou a aplicar as substâncias em indivíduos doentes, que apresentavam sintomas semelhantes aos despertados pelas drogas, obtendo sempre resultados positivos (RUIZ, 2002). Segundo Leite (2001), Hahnemann foi o primeiro cientista a aplicar a pesquisa sistemática e objetiva na medicina, ao tomar como base fundamental para seus estudos a ação farmacológica das drogas sobre o homem sadio, para depois aplicá-las aos indivíduos doentes segundo o princípio da similitude. Nas primeiras experimentações, Hahnemann utilizava doses ponderais de substâncias, o que gerava intoxicações nos experimentadores e agravações nos pacientes. Para diminuir os 21 agravos, passou a diluir as doses administradas em veículos adequados, agitando as soluções a fim de obter melhor homogeneização. Hahnemann observou que este processo potencializava o poder curativo das substâncias. Deste fato nasceu a farmacotécnica própria da homeopatia, que consiste em diluir e agitar as substâncias em veículos apropriados. Hahnemann denominou o processo de dinamização da palavra grega dynamis, que quer dizer força, potência (RUIZ, 2002). Segundo Leite (2001, p.9), “a homeopatia é uma especialidade médica e farmacêutica que consiste em ministrar ao paciente doses mínimas do medicamento para evitar intoxicações e estimular as reações orgânicas”. Os medicamentos utilizados são selecionados com base nos sintomas físicos e sensações internas (psíquicas, emocionais e comportamentais) do paciente. São selecionados medicamentos que despertaram, durante as experimentações, o quadro sintomático que mais se assemelha, em todos os aspectos, ao apresentado pelo doente. A homeopatia concebe a doença como resultado de um desequilíbrio da homeostase do organismo, causado por perturbações internas ou externas. Neste sentido, cada organismo é capaz de reagir de forma diferenciada a uma mesma causa, daí a necessidade de individualização do tratamento, de valorização da singularidade do doente (PIMENTEL, 2002). 4.3 A Homeopatia no mundo A homeopatia surgiu na Alemanha, baseada nos estudos do médico Samuel Hahnemann. Segundo Zulian (2008), a Alemanha possui a mais velha e maior organização de médicos homeopatas do mundo, que conta com quase 4.000 membros (o que representa quase dois terços dos médicos homeopatas da Alemanha). Esta associação, que possui força econômica e política, iniciou a fundação de uma faculdade homeopática na cidade de Köthem, 22 onde Hahnemann viveu e trabalho de 1821 a 1835, e também de um hospital homeopático na região da Westfalia. Segundo Amengual (1989) a homeopatia na Alemanha é praticada por médicos, dentistas e veterinários, após o término da formação correspondente. Segundo Amengual (1989) a homeopatia encontra-se reconhecida e regulamentada com status oficial nos seguintes países do mundo: Brasil, Costa Rica, França, Índia (conta com cerca de 96 instituições de ensino reconhecidas pelo governo), México (desde de 1895, sendo o país mais antigo do mundo onde a homeopatia é reconhecida com status oficial) e Reino Unido (reconhecida oficialmente desde 1950). Existem ainda propostas de oficialização da medicina homeopática na Itália (que conta com cerca de 2000 médicos homeopatas e 20 instituições de ensino homeopático) e na Argentina, que possui quatro das escolas de homeopatia internacionalmente reconhecidas. Segundo Jonas (citado por ZULIAN, 2008), nos Estados Unidos, na década de 90, um terço dos americanos utilizavam práticas de medicina alternativa, incluindo homeopatia. 50% dos médicos faziam uso ou indicavam práticas alternativas aos seus pacientes e 80% dos estudantes de medicina gostariam de mais treinamento nesta área. Em 1992, o Congresso Americano criou um Escritório de Medicinas Alternativas para apoiar pesquisas, desenvolver programas e criar bancos de dados. A partir desta época os programas de seguro-saúde têm aumentado sua oferta de cobertura nesta área. 4.4 A Homeopatia no Brasil O Brasil é um dos países com maior número de médicos homeopatas do mundo. Não somente em quantidade, mas em qualidade, graças aos bons cursos de formação, aliados a uma boa atuação das Associações Médicas, e também a uma boa relação com os farmacêuticos homeopatas que possibilitam tratamentos, oferecendo medicamentos com uma 23 boa padronização de preparação, na formulação prescrita e com fontes de matérias primas e tinturas mães confiáveis (AMHB, 2006). A introdução da prática homeopática no Brasil aconteceu com o médico francês Dr. Benoit Jules Mure, mais conhecido como Bento Mure. Mure nasceu em Lyon, na França, em 1809. Em 1833, foi curado de uma tuberculose pelo homeopata francês Conde Sébastien dês Guidi. A partir da recuperação de sua saúde, dedicou-se à divulgação da nova prática médica. O médico francês encontrou vários discípulos entre os colegas brasileiros, porém a disseminação da homeopatia no Brasil gerou vários conflitos entre homeopatas e a classe médica dominante. Buscando comprovar a eficácia da homeopatia e o seu reconhecimento pela população e pelos órgãos oficiais, os homeopatas brasileiros da época ofereciam atendimento gratuito à população pobre. Neste período, a homeopatia se difundiu amplamente entre os fazendeiros escravocratas, que necessitavam de atendimento médico barato para seus escravos (AMHB, 2006). Alguns homeopatas estrangeiros se estabeleceram no Brasil antes da chegada do francês Bento Jules Mure. Um deles, Frederico Emílio Jahn, cidadão suíço imigrado, em 1836, defendeu tese em medicina, no Rio de Janeiro, sobre a proposta terapêutica de Hahnemann. Esta tese, feita por um médico que não exerceu a homeopatia, serviu, posteriormente, de base para o aprendizado do primeiro médico homeopata do Brasil, que foi o Dr. Domingo de Azevedo Coutinho Duque-Estrada (AMHB, 2006). Em 1840, aportou, no Rio de Janeiro, a barca Eole, a bordo da qual estavam Bento Mure e mais cem famílias francesas. Bento Mure veio ao Brasil implantar uma colônia societária que fazia parte de um plano para formar a base de uma comunidade industrial de máquinas a vapor, conforme as propostas sociais de Charles Fourier. Em sua curta estada no Rio, clinicou e difundiu a homeopatia através de suas curas “miraculosas”. Após ter recebido licença do governo imperial e ter escolhido o local para implantação de sua colônia, partiu em 24 22 de dezembro, com as cem famílias, a bordo do navio Caroline, para colonizar a península do Saí, na divisa do Paraná com Santa Catarina (AMHB, 2006). Em 1842, Mure instalou o Instituto Homeopático do Saí, juntamente com uma Escola Suplementar de Medicina, objetivando preparar médicos na arte homeopática. Foi auxiliado pelo médico militar Dr. Thomaz da Silveira, convertido à homeopatia pelo próprio Dr. Mure (AMHB, 2006). Em dezembro de 1843, Mure abandonou a colônia e dedicou-se a dar continuidade às atividades que iniciara em 1841, no Rio de Janeiro, como médico homeopata. Junto com Vicente José Lisboa, fundou o Instituto Homeopático do Brasil, no local do primeiro consultório homeopático na cidade do Rio de Janeiro, à Rua São José, nº 59, com o objetivo de propagar a homeopatia em favor dos pobres. Além deste instituto, Bento Mure e João Vicente Martins, diplomado em Lisboa, criaram mais 26 locais de assistência ambulatorial. Eram principalmente os médicos homeopatas, quase os únicos, que atendiam à população carente e escrava nessa época (AMHB, 2006). No período posterior a 1840, a Homeopatia foi largamente discutida pela imprensa, principalmente no jornal do Comércio. Sua imagem era denegrida através dos professores e grandes doutores em medicina, da Bahia e do Rio de Janeiro, e arduamente defendida pelo próprio editor do jornal, o Dr. José da Gama e Castro, que abria espaço permanente para as matérias polêmicas de José Vicente Martins e para os homeopatas da época (AMHB, 2006). Em seus primeiros anos de existência, o Instituto difundia a homeopatia através da instalação de outros consultórios pela corte e interior das províncias do Rio de Janeiro e São Paulo. Além dos consultórios, foram fundadas também uma farmácia homeopática, considerada a primeira instalada no Brasil, e a Casa de Saúde Homeopática na chácara do Marechal Sampaio. Para difundir os progressos da homeopatia no Brasil, Mure e seus companheiros fundaram uma revista, chamada A Sciência, que começou a circular em 1847. 25 Além de uma discussão teórica, a revista divulgava também dados interessantes sobre o movimento homeopático que tomava impulso no país. Em setembro de 1847, divulgou-se pela revista, por exemplo, que o consultório homeopático da rua São José atendia por mais de três horas por dia, tinha três mesas de consulta que, em uma semana, chegavam a atender a 100 pacientes, e que teria recebido três mil doentes no prazo que o de Nova York recebera apenas 100 (AMHB, 2006). Em março de 1848, Dr. Mure demitiu-se da presidência do Instituto alegando motivos de doença e, em 13 de abril, deixou o país. A sua contribuição para a definitiva implantação da homeopatia no Brasil é inegável. Segundo números fornecidos por seus seguidores, Mure teria deixado, só no Rio de Janeiro, mais de 25 dispensários, e no restante do império, 50. A sua obra “Prática Elementar da Homeopatia” serviu para aplicação nas plantações de cana de açúcar, onde houve uma melhora no que se refere à saúde dos escravos, com uma baixa da mortalidade de 10% para 2 ou 3% (AMHB, 2006). Em 1873, durante um surto de febre amarela no Rio de Janeiro, foi criada uma enfermaria homeopática na Santa Casa de Misericórdia. Segundo dados estatísticos da época, a percentagem de mortes entre os pacientes atendidos nesta enfermaria foi de 18,99%, contra 31,62% dos pacientes atendidos nas enfermarias convencionais do mesmo hospital. Neste período, a homeopatia observou um amplo crescimento sobre a população brasileira (AMHB, 2006). Após a I Guerra Mundial, as fundações ligadas às grandes corporações passaram, por interesse de mercado, a direcionar, através da distribuição de verbas, os rumos da geração de conhecimentos e do emprego destes no desenvolvimento. Neste período, em que a industrialização direcionou a evolução sócio-político-cultural, o espaço para o desenvolvimento das ciências individualizadoras foi muito restringido, e com isso, o período áureo da homeopatia entrou em decadência. A ciência homeopática que vinha ganhando força 26 e se expandindo no cenário mundial, foi também duramente abalada em sua evolução, por ter sido afastada das universidades, pólos de irradiação do conhecimento e formadores da opinião mundial (AMHB, 2006). No final da década de 1970, a consciência sobre as questões relacionadas com os ecossistemas e com a valorização do ser estendeu para além dos homens e da ciência e atingiu a população em geral, produzindo, com isto, um movimento de contestação também da classe médica que, insatisfeita com a forma de atenção médica ensinada pela medicina oficial, passou a buscar formas de entendimento do processo de doença que se distanciassem da compartimentalização apresentada na visão do especialismo médico (AMBH, 2006). Para Moreira Neto5 (citado por Novaes, 2003), o crescimento da homeopatia neste período está relacionado a três fatores preponderantes: • ao movimento de contracultura surgido nos anos 60, em todo o mundo, que começou a questionar os valores humanos sociais de vários campos, dentre eles o saber médico, que, ao estimular a formação de especialistas, fragmenta cada vez mais o ser humano, em detrimento a uma visão global e holística de integração corpo/ mente; • ao descrédito dos serviços de saúde em função de uma política inadequada para a nossa realidade que, em muitos momentos, prioriza tecnologias de alto custo, distanciando-se cada vez mais do relacionamento humano entre médico e paciente, base da verdadeira medicina; • ao reconhecimento e legalização da homeopatia como especialidade médica pelas entidades oficiais, Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira. 4.5 A Homeopatia no Sus 5 MOREIRA NETO, G. Homeopatia em unidade básica de saúde (UBS): um espaço possível. Revista de Homeopatia. São Paulo: Associação Paulista de Homeopatia, v.66, n.1, p.5-29, 2004 27 Com a criação do SUS, o processo de implantação da homeopatia nos serviços públicos de saúde avançou e a oferta de atendimento cresceu. Esse avanço pode ser observado no número de consultas em homeopatia que, desde sua inserção como procedimento na tabela do SIA/SUS, vem apresentando crescimento anual em torno de 10%. Em 1999, houve um total de 3.254 consultas realizadas e aprovadas, e em 2003 foram aprovadas 291.069 consultas em homeopatia. A implantação da homeopatia no SUS representa uma importante estratégia para a construção de um modelo de atenção centrado na saúde, uma vez que: • adota medidas eficazes e efetivas em diversas situações clínicas do adoecimento, agudas ou crônicas, presentes na demanda do dia-a-dia dos serviços de saúde, podendo ser usada de forma exclusiva ou complementar; • atua, em grande parte, promovendo o uso racional de medicamentos, podendo muitas vezes contribuir eficazmente na diminuição da utilização de fármacos; • recoloca o sujeito no centro do paradigma da atenção, inscrevendo-o numa dimensão física, psicológica, social e cultural; • fortalece a relação médico-paciente como um dos elementos fundamentais da terapêutica, promovendo humanização da atenção, estimulando o auto-cuidado e a autonomia do indivíduo (CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE, 2003).6 Segundo relatório apresentado pelo Programa de Práticas Médicas não Alopáticas do SUS-BH, há atendimento homeopático desde o início do programa, em 1994. Foram realizados 8.614 atendimentos em 2001, 10.867 em 2002 e 10.411em 2003. O bem que representa o auxílio homeopático na atenção básica vem sendo progressivamente percebido ao longo destes 10 anos, principalmente pelos usuários, que são os que mais indicam o tratamento (SOARES, GONÇALVES E SANTOS, 2001). 6 Conferência Nacional de Saúde, 12, 2003. Disponível em: http://www.consens.org.br 28 Ainda segundo relatório divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte, a homeopatia atua nas mais diversas áreas da atenção básica, com atendimento a gestantes, hipertensos, diabéticos, idosos, drogadictos, crianças e portadores de transtorno mental. O quadro abaixo mostra as condutas pós-atendimento dos pacientes no ano de 2001: TABELA 1 Condutas pós–atendimento dos pacientes - 2001 Condutas Total em 2001 Alta Retorno Alta com acompanhamento periódico* Não informado se alta ou retorno Referência para internação Referência para atendimento urgência Referência para especialidades Referência para outros setores do mesmo serviço Solicitação de exames laboratoriais complementares Solicitação de exames complementares radiológicos Total de atendimentos 597 4942 2842 233 03 31 127 24 447 148 8614 Porcentagem (%) 6,9 57,4 33,0 2,7 <0,1 0,4 1,5 0,3 5,2 1,7 - * Pacientes portadores de doenças crônicas, que estão bem, mas exigem supervisão esporádica Fonte: Relatório do Programa de Atendimento em Homeopatia, Acupuntura e Medicina Antroposófica na Secretaria Municipal de Belo Horizonte (p. 6). A percepção do usuário do atendimento homeopático no SUS, em Belo Horizonte, foi avaliada em uma dissertação de mestrado, da qual foram relatados alguns resultados. Segundo Novaes (2003), a maioria dos entrevistados é composta por mulheres, casadas, de 30 a 59 anos de idade, católicas, com o segundo grau completo ou não, e que têm até três anos de tratamento. Algumas destas mulheres não são propriamente as usuárias, mas estão acompanhando os pacientes, que na sua maioria são filhos, de 2 a 14 anos. Observou-se também que a população apresenta boa adesão ao tratamento, segundo a autora, devido ao baixo custo do tratamento com os medicamentos homeopáticos. A procura dos pacientes pela homeopatia se dá principalmente por demanda espontânea a partir de experiências pessoais anteriores ou de conhecidos, com apenas alguns encaminhamentos formais ou não de profissionais de saúde e funcionários dos centros de saúde que possuem atendimento. 29 Segundo a autora, estes dados mostram, por um lado o alto grau de satisfação dos usuários com o tratamento e, por outro lado, a baixa interação entre os profissionais. Segundo Novaes (2003), os usuários tomaram conhecimento da homeopatia através de conhecidos, meios de comunicação e de palestras oferecidas por profissionais homeopatas na ocasião do lançamento do programa de Práticas Não Alopáticas da Prefeitura de Belo Horizonte. Os usuários são os maiores divulgadores do serviço, demonstrando mais uma vez a satisfação dos mesmos. Ainda segundo a autora, as motivações apresentadas pelos usuários para a busca da homeopatia foram: sucesso do tratamento homeopático de parentes e conhecidos, insucesso com o tratamento nas práticas alopáticas, os efeitos colaterais das drogas tradicionais, a busca de uma medicina mais “natural” e o custo inferior da medicação quando comparado com o tratamento tradicional. Neste estudo, as principais doenças apresentadas pelos pacientes usuários do serviço de homeopatia foram: transtornos mentais e emocionais, problemas respiratórios e hipertensão. Este estudo pesquisou ainda as percepções dos usuários a respeito do processo saúdedoença e os conhecimentos destes a respeito da homeopatia. Segundo Novaes (2003), percebeu-se que muitos usuários buscam o tratamento homeopático, motivados não por uma concepção de doença e de cura, mas sim movidos por experiências positivas do tratamento de seus amigos, ou como última tentativa desprovida de grandes expectativas, constatando-se que nem todos que optam por esta prática têm conhecimento de suas bases terapêuticas. Observou-se conhecimento superficial sobre a homeopatia, que é confundida como tratamento à base de plantas, sendo a percepção mais persistente a de uma terapêutica mais natural. A visão da homeopatia como incapaz de lesar o organismo está fortemente presente na percepção dos entrevistados. Novaes (2003) observou neste estudo que a relação médico-paciente na homeopatia é mais satisfatória devido às características da prática terapêutica homeopática, que requer uma 30 anamnese individualizante, o que contribui para a efetividade e adesão do tratamento. Este estudo mostrou grande adesão dos usuários. Outro estudo significativo, realizado por Carvalho e Mansur (1998), avaliou os conhecimentos dos usuários em homeopatia em três serviços públicos de saúde de São Paulo. A amostra de pacientes entrevistados foi representada principalmente por famílias constituídas de 3 a 4 pessoas, com renda média entre 3 e 10 salários mínimos, com escolaridade correspondente ao 1º grau incompleto e completo, casados e católicos. Em relação à faixa etária, a maioria dos pacientes em tratamento era composta por menores de 15 anos, do sexo feminino, sendo a entrevista realizada com as mães (54,9%), pais ou responsáveis. Foi detectado um reduzido número de pacientes que permanecem em tratamento após os três primeiros anos. As autoras inferiram que, com o tempo, os pacientes que se consideravam curados ou sem queixas clínicas abandonavam o tratamento. As doenças mais freqüentes e que levaram à busca do tratamento homeopático foram as respiratórias (principalmente doenças crônicas como a Asma Brônquica e a Rinite), seguidas de outras como gastrite, enxaqueca e hipertensão arterial. Este estudo mostrou dados semelhantes ao realizado por Novaes (2003), em Belo Horizonte, no que diz respeito à indicação do tratamento homeopático. A maior parte dos pacientes, em todos os níveis de escolaridade, foi orientada a buscar a homeopatia por amigos, familiares e vizinhos, com exceção da parcela de entrevistados que não possuíam escolaridade, já que esta foi orientada por médicos e outros profissionais de saúde. A maioria dos pacientes (43%) procurou a homeopatia em virtude da falência do tratamento alopático. Os pacientes que já estavam em tratamento homeopático apresentavam grandes expectativas quanto aos seus resultados, o que levou as autoras a considerar que a consulta homeopática recupera a relação médico-paciente e resgata sua confiança. Com relação ao conhecimento sobre a homeopatia, as autoras concluíram que 18% dos pacientes expressaram nenhum conhecimento sobre a homeopatia, e apenas 12,8% 31 apresentaram algum grau de conhecimento, observando que existe uma relação positiva entre o grau de conhecimento e a escolaridade. As autoras concluíram que esta falta de informação sobre o tratamento produz uma clientela perdida dentro desta nova perspectiva de saúde e traz prejuízos ao tratamento homeopático e sugeriram a necessidade da implantação de um projeto de educação em saúde pública, multiprofissional, com uma política mais global de acedência à saúde e não à doença, voltada aos usuários e servidores. Foram encontrados também outros dois estudos que buscavam conhecer as representações dos usuários do SUS sobre a homeopatia. No estudo feito por Micali et al (1995) em Vitória (E.S.), a maioria dos usuários informou conhecer a homeopatia através de relacionamentos próximos (amigos, parentes e vizinhos) e de meios de comunicação de massa (rádio e televisão). Os resultados mostraram imagens múltiplas sobre a homeopatia e muitas vezes distorcidas, com predominância de associações à idéia de produto natural ou fitoterápicos. Na opinião destes sujeitos, a homeopatia é um tratamento demorado e que se apresenta como possibilidade de tratamento para quase todas as doenças, exceto AIDS e câncer. No estudo realizado em Salvador, no estado da Bahia, por Monteiro e Iriart (2004) os autores encontraram que: “Os resultados do estudo mostraram que a principal motivação para a procura do tratamento homeopático foi o insucesso do tratamento alopático anterior. A visão do tratamento homeopático como natural foi a representação mais recorrente no discurso das pessoas entrevistadas. A perspectiva holística, o longo tempo de consulta e a escuta atenta do paciente foram apontados como características diferenciais positivas na comparação com o tratamento alopático. Os resultados apontaram para o potencial pouco explorado da contribuição de alternativas terapêuticas como a homeopatia, no SUS” (MONTEIRO E IRIART 2004, p. 1911). 5. METODOLOGIA 5.1 A Pesquisa Qualitativa Em Saúde Segundo Minayo (2004): “as metodologias de pesquisa qualitativa são aquelas entendidas como capazes de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais, sendo estas últimas tomadas, tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas”(MINAYO 2004, p. 10). 32 Considera-se necessário demarcar inicialmente as diferenças entre o campo da pesquisa sobre assistência e a assistência em si, porque, embora tenham propósitos e métodos diferentes, podem interagir num plano de intervenção e/ou investigação. Por outro lado, a assistência tanto pode se beneficiar das pesquisas quanto ser o objeto de pesquisa. Um programa de assistência se desenha, principalmente, a partir da definição de metas e estratégias de intervenção voltadas para um grupo de pessoas. Já um projeto de pesquisa objetiva gerar conhecimentos acerca de um objeto de estudo ou de um problema delimitado. Através dele, propõe-se construir uma reflexão crítica sobre determinada realidade que se deseja conhecer. Planeja-se com a consciência de que os produtos de pesquisa são sempre aproximações sucessivas e provisórias da realidade. A pesquisa pode gerar subsídios para intervenções futuras, enquanto os serviços materializam a ação interventora (Deslandes e Gomes, citados por BOSI e MERCADO, 2004). Segundo Deslandes e Gomes7 (citados por BOSI e MERCADO, 2004), os serviços de saúde podem servir de cenário para a realização das pesquisas. Nas investigações sobre as representações das doenças ou de determinados tratamentos, os serviços podem ser considerados o espaço onde estas representações se reproduzem. Estas representações são construídas historicamente, a partir das interações, e sendo influenciadas pela estrutura organizacional e pela ação dos sujeitos (profissionais e usuários) em sua prática diária. Segundo Deslandes e Gomes (citados por BOSI e MERCADO, 2004), a abordagem qualitativa não possui um conjunto de métodos específicos, lançando mão de narrativas, de conteúdos, de discursos, da semiótica, de etnografias e, de forma recorrente, dialogando com os métodos quantitativos. Alguns autores arriscam propor uma definição genérica para a abordagem qualitativa. Para Denzim e Lincoln8 a pesquisa qualitativa é: 7 8 DESLANDES, S. F. ; GOMES, R. A pesquisa qualitativa nos serviços de saúde - Notas teóricas Denzin NK & Lincoln YS 1994. Entering the Field of Qualitative Research, p. 1-17 33 “Uma atividade que demarca o lugar do observador no mundo e que consiste num conjunto de práticas materiais e interpretativas que tornam o mundo visível. Na maior parte das vezes estuda fenômenos e relações em seu meio natural, aferindo um sentido a partir dos significados que as pessoas atribuem a eles” (Denzim e Lincoln, citados por BOSI e MERCADO, 2004). A saúde não institui uma disciplina nem um campo separado das outras instâncias da realidade social. A sua especificidade é dada pelas inflexões sócio-econômicas, políticas e ideológicas relacionadas ao saber teórico e prático sobre a saúde e a doença, sobre a institucionalização, a organização, administração e avaliação dos serviços e a clientela dos sistemas de saúde. Nesse sentido, ela requer como essencial uma abordagem dialética que compreende para transformar e cuja teoria, desafiada pela prática, a repense permanentemente (MINAYO, 2004). As condições de vida e trabalho qualificam de forma diferenciada a maneira pela qual as classes e seus segmentos pensam, sentem e agem a respeito da saúde. Para todos os grupos, ainda que de forma específica e peculiar, a saúde e a doença envolvem uma complexa interação entre aspectos físicos, psicológicos, sociais e ambientais da condição humana e da atribuição de significados. É preciso entender que, ao ampliar suas bases conceituais, as ciências da saúde não se tornam menos científicas, pelo contrário, se aproximam com maior luminosidade dos contornos reais dos fenômenos que abarcam (MINAYO, 2004). 5.2 O Estudo De Caso Deslandes e Gomes (citados por BOSI e MERCADO, 2004) destacam o estudo de caso como um dos desenhos de pesquisa mais freqüentes para a análise das experiências dos serviços e por este modelo traduzir de forma emblemática a lógica científica da abordagem qualitativa. O estudo de caso foi criado nas pesquisas da área médica, consistindo numa análise detalhada de um caso individual para explicar a dinâmica e a patologia de uma doença. No campo das ciências sociais, Becker define o estudo de caso como: 34 “ O caso típico não é um indivíduo. Embora alguns cientistas sociais investiguem um conjunto de casos individuais, na pesquisa social o caso costuma ser uma organização, uma prática social ou uma comunidade, geralmente estudadas a partir de observação participante e entrevistas” (Becker, 19939 citado por BOSI e MERCADO, 2004). O estudo de caso pode ser utilizado na avaliação dos serviços de saúde, com inúmeros recortes, como por exemplo, experiência de usuários, de equipes e outros. Para Deslandes e Gomes (citados por BOSI e MERCADO, 2004), é importante salientar que cada estudo é uma aproximação da realidade do caso. Assim, quando tentamos minimamente compreender o que estamos focalizando em nosso estudo, na realidade lidamos com as principais marcas identitárias do nosso caso, caracterizando-as, estabelecendo relações entre elas, identificando modelos que as estruturam e suas relações com seu contexto. 5.3 A Entrevista Semi-Estruturada A entrevista é um instrumento no qual o entrevistador tem por objetivo obter informações do entrevistado, relacionadas a um objetivo específico. Na entrevista semiestruturada o entrevistador tem uma participação ativa. Apesar de observar um roteiro, ele pode fazer perguntas adicionais para esclarecer questões e para melhor compreender o contexto (MINAYO, 2004). Segundo Tanaka e Melo (2001), a entrevista semi-estruturada não é inteiramente aberta, e também não é conduzida por muitas questões pré-estabelecidas. Baseia-se apenas em uma ou poucas questões/guias, quase sempre abertas. Nem todas as perguntas elaboradas são utilizadas. Durante a realização da entrevista pode-se introduzir outras questões que surgem de acordo com o que acontece no processo em relação às informações que se deseja obter. 9 20 Becker HS. Método de pesquisa em ciências sociais. São Paulo: Hucitec, 1993 35 5.4 Delineamento do Estudo Como este estudo buscou verificar os conhecimentos e interesses de grupos específicos, optou-se pelo método qualitativo de pesquisa por considerá-lo o melhor meio de aprofundamento da investigação proposta. De acordo com Demo (1981), a construção da ciência é um fenômeno social por excelência. Lüdke e André (1986) destacaram que a pesquisa qualitativa envolve a obtenção de dados descritivos mediante contato do pesquisador com a situação de estudo, em que ele enfatiza mais o processo do que o produto e se preocupa em retratar a perspectiva dos participantes. Além disso, os significados que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. Dentro da proposta metodológica qualitativa, foi feita a opção pelo estudo de caso, por acreditar que este método, devido às suas características particulares já citadas, possibilita o acesso às informações desejadas. As características definidas por Goode e Hatt (1968) justificam a adequação desta opção metodológica para quando se pretende estudar algo de singular, que tenha um valor em si. Segundo estes autores, o estudo de caso se configura pelo estudo de uma unidade dentro de um sistema mais amplo, onde o interesse incide naquilo que ele tem de único, de particular, mesmo que posteriormente se reconheçam pontos de contato com outros casos ou situações. O que distingue esse tipo de pesquisa é a compreensão de uma instância singular da realidade, que é tratada como única, multidimensional e historicamente situada. Esse conjunto de fatores é o que determina seu valor intrínseco. As principais características do estudo de caso qualitativo definidas por Goode e Hatt (1968) são: 1 – Partindo do pressuposto de que o conhecimento é um processo de construção e reconstrução onde o pesquisador está sempre buscando novas respostas e indagações, os estudos de caso visam à descoberta. O pesquisador irá partir de pressupostos teóricos iniciais, mas se manterá constantemente atento a novos elementos que podem emergir como importantes para o desenvolvimento de seu trabalho. 36 2 – Os estudos de caso enfatizam a questão da inserção social do objeto de estudo. Assim, para uma adequada compreensão do problema, é necessário situá-lo no contexto específico em que acontece. 3 – Os estudos de caso buscam não só examinar a complexidade das situações, evidenciando as inter-relações de seus componentes, bem como revelar a multiplicidade de dimensões presentes em determinada situação ou problema, focalizando-o como um todo. 4 – Os estudos de caso recorrem a uma gama variada de dados, coletados em diferentes momentos, em situações variadas e com diversos tipos de informantes. 5 – A questão da generalização ocorre a partir do conhecimento e experiência do sujeito, à medida que este tenta associar dados de uma determinada pesquisa com dados extraídos de suas experiências pessoais. 6 – Partindo do pressuposto de que a realidade pode ser vista sob diferentes perspectivas, não havendo, portanto, uma única verdade, os estudos de caso procuram representar os diferentes, e às vezes conflitantes, pontos de vista presentes em uma determinada situação social. 7 – Os estudos de caso guardam estreita ligação com formas mais claras e acessíveis de transmissão do conhecimento. Na abordagem qualitativa, busca-se apreender e entender certos casos selecionados sem necessidade de generalização para todos os casos possíveis. É uma importante ferramenta exploratória e se destaca como uma preparação para uma etapa subseqüente quantitativa. Os pesquisadores qualitativistas ocupam-se com os processos, ou seja, querem saber como os fenômenos ocorrem naturalmente e como são as relações estabelecidas entre eles. O estudo qualitativo tem como objetivo a compreensão particular daquilo que se estuda, sem se preocupar com princípios e leis. O foco de sua atenção é centralizado no específico, 37 no peculiar, buscando a compreensão do fenômeno estudado, que, geralmente, pode estar associado a atitudes, crenças, motivações, sentimentos e pensamentos da população estudada. Seus métodos produzem explicações contextuais para um pequeno número de casos, com ênfase no significado do fenômeno. Nesta abordagem, o pesquisador substitui as correlações estatísticas pelas descrições e, as conexões causais objetivas pelas interpretações (FLECK ET AL., 2003; NOGUEIRA-MARTINS E BÓGUS, 2004). Foi realizada uma pesquisa a partir do conhecimento que os usuários têm sobre a homeopatia e o interesse deles pela implantação desta prática no SUS em Divinópolis. Para a fundamentação teórica desta pesquisa, foram consultados diversos documentos, os quais estão citados nas referências bibliográficas. Após a fundamentação teórica, foi montado um roteiro de entrevista semi-estruturada para a coleta de dados. O projeto de pesquisa foi enviado ao Comitê de Ética do Hospital São João de Deus para análise. Após a emissão do parecer de aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Etica foi iniciada a coleta de dados, realizada mediante a utilização do roteiro de entrevista. As entrevistas foram realizadas na Farmácia Municipal Central, unidade pertencente ao SUS, situada a Praça do Mercado n 401º , em Divinópolis. O fechamento da amostra foi realizado segundo o método de amostragem por saturação. Segundo Fontanella, Ricas e Turano (2008, p.17), este método “é usado para estabelecer ou fechar o tamanho final de uma amostra em estudo, interrompendo a captação de novos componentes”. Segundo os mesmos autores o fechamento por saturação teórica propõe o encerramento das entrevistas e a suspensão da inclusão de novos participantes quando os dados obtidos começam a apresentar repetições e, portanto, não mais contribuem significativamente para a reflexão teórica proposta. A constatação da saturação é feita pelo próprio pesquisador, utilizando critérios como o limite empírico dos dados e a relação destes dados com a teoria. 38 Neste estudo, a redundância de informações foi observada através da repetição de elementos, sejam eles palavras, expressões ou idéias comuns, e pela ausência de novos dados durante a realização das entrevistas. Após a constatação da saturação teórica, foram realizadas mais algumas entrevistas para confirmar a repetição. Após a finalização das entrevistas foi feita a análise dos dados encontrados para a conclusão do estudo. 5.5 Esclarecimentos sobre o estudo Os participantes foram previamente informados sobre os objetivos desta pesquisa e em relação aos métodos abordados por ela. Em seguida, antes de serem incluídos no estudo, assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido de sua participação e uma autorização para o registro das respostas dadas às questões abertas com a utilização de um gravador (APÊNDICE A). 5.6 A Entrevista A entrevista permite o acesso aos dados de difícil observação. Por meio dela, o entrevistador se coloca dentro da perspectiva do entrevistado, constituindo-se numa relação humana. Permite uma captação imediata e coerente da informação desejada. Como a abordagem que se pretendia utilizar não era diretiva, o roteiro foi estabelecido apenas pelos principais tópicos a serem observados e que estão relacionados com os objetivos da pesquisa (APÊNDICE B). As entrevistas foram realizadas após o parecer de aprovação do projeto de pesquisa pelo Comitê de Ética do Hospital São João de Deus (APÊNDICE C), e após autorização da Secretaria Municipal de Saúde, através de um termo de anuência assinado pelo responsável municipal (APÊNDICE D). 39 A forma de registro desta entrevista aberta foi por meio da gravação direta. Segundo Nogueira-Martins e Bógus (2004), a gravação tem a vantagem de registrar todas as expressões orais, deixando o entrevistador livre para direcionar toda a sua atenção sob o entrevistado. Mesmo que essa operação seja trabalhosa no que diz respeito a sua transcrição, a gravação permite contar com todo o material fornecido pelo informante. 5.7 Critérios de inclusão dos participantes Os critérios de inclusão na pesquisa foram: usuários maiores de 18 anos, que estavam na Farmácia Central para a retirada de medicamentos nos dias da realização das entrevistas, escolhidos aleatoriamente que desejaram participar e que assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. 6. RESULTADOS E DISCUSSÃO Depois das entrevistas, o material foi transcrito. Após a transcrição, foi novamente feita a escuta do material coletado. Para a análise dos dados, foi utilizada a análise de conteúdo. De acordo com Bardin (1979), a análise de conteúdo é um conjunto de instrumentos metodológicos em constante aperfeiçoamento e extremamente diversificados. Trata-se de um esforço interpretativo baseado na dedução, ou seja, na inferência, e que busca desvendar o sentido que está por trás do discurso aparente. Abrange as iniciativas de explicitação, sistematização e expressão do conteúdo de mensagens, com a finalidade de se efetuarem deduções lógicas e justificadas a respeito da origem dessas mensagens. A análise de conteúdo tem sido muito utilizada na análise de comunicações nas ciências humanas e sociais. Segundo Capelle, Melo e Gonçalves (2003): “ ...a análise de conteúdo oscila entre os dois pólos que envolvem a investigação científica: o rigor da objetividade e a fecundidade da subjetividade, resultando da elaboração de indicadores quantitativos e/ou qualitativos, que devem levar o pesquisador a uma segunda leitura da comunicação, baseada na dedução, na inferência” (CAPELLE, MELO E GONÇALVES, 2003, p.7). 40 6.1 População estudada O estudo foi realizado com uma amostra composta por cinquenta indivíduos, definida através do método da amostragem por saturação, de ambos os sexos, escolhidos aleatoriamente, usuários do SUS e freqüentadores da Farmácia Municipal Central, do Município de Divinópolis, Minas Gerais. A Farmácia Central atende aos pacientes do SUS Divinópolis que necessitam de medicamentos para todos os problemas de saúde considerados essenciais pelo município. Esta farmácia atende pacientes de diferentes distritos sanitários da cidade. Para conhecer melhor o perfil desta população, no início da entrevista foram levantados alguns dados demográficos como: idade, região de residência, estado civil, religião, escolaridade, profissão, moradia (própria ou alugada), número de moradores na casa e renda familiar. Os resultados obtidos estão descritos nos itens seguintes. 6.1.1 Gênero, estado civil e idade dos entrevistados Observou-se que, entre os 50 entrevistados, 37 eram mulheres (74%) e 13 eram homens (26%). Estes dados estão em consonância com os dados estatísticos fornecidos pelo programa de informática utilizado na farmácia central e também com os demais estudos citados (NOVAES, 2003; CARVALHO, M. P. S. L.; MANSUR, Y, 1998; MONTEIRO E IRIART, 2004). Novaes (2003, p. 41) sugere que, segundo os valores culturais brasileiros, “é socialmente mais aceitável que as mulheres dediquem mais atenção ao corpo e são as responsáveis pela saúde da família, levando-lhes a acumular mais informações sobre assuntos de saúde e doença”. Estes dados podem estar relacionados também ao papel social das mulheres entrevistadas. Nota-se que muitas delas exercem função de donas-de-casa, e, por terem horários mais flexíveis, são responsáveis pela busca dos medicamentos na farmácia municipal. 41 Com relação ao estado civil, observou-se que 68% dos entrevistados eram casados e 32% possuíam outro estado civil como solteiros, viúvos ou divorciados. Os entrevistados que citaram residir com um companheiro ou companheira foram incluídos no grupo dos casados. Os outros dois estudos citados (NOVAES, 2003; CARVALHO, M. P. S. L.; MANSUR, Y, 1998; MONTEIRO E IRIART, 2004), apontam dados compatíveis aos encontrados. Com relação a faixa etária, os dados estão expressos na tabela abaixo: TABELA 2 Distribuição dos entrevistados segundo a faixa etária Faixa etária 21-30 anos 31-40 anos 41-50 anos 51-60 anos 61-70 anos Freqüência absoluta 5 20 11 5 9 Freqüência relativa (%) 10 40 22 10 18 TOTAL 50 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 Observou-se que a faixa etária variou de 21 a 70 anos, sendo que a maioria dos entrevistados está na faixa etária de 31 a 40 anos. Estes dados também estão em consoância com os dados estatísticos de faixa etária atendida pela farmácia central, de acordo com o programa de informática utilizado na farmácia. 6.1.2 Escolaridade, ocupação e condições econômicas dos entrevistados A maioria dos entrevistados possui 1º grau completo (40%) ou incompleto (26%). Apenas uma entrevistada apresentou curso superior completo. Os resultados foram semelhantes aos encontrados por Monteiro e Iiriart (2004) e se apresentaram ligeiramente diferentes dos outros dois estudos citados no referencial teórico. Nestes estudos ( NOVAES, 2003; CARVALHO, M. P. S. L.; MANSUR, Y, 1998) houve predominância de entrevistados 42 que possuíam o 2º grau completo ou incompleto. Não foi encontrada uma explicação para esta diferença. Os dados completos sobre escolaridade estão descritos na tabela abaixo: TABELA 3 Distribuição dos entrevistados conforme a escolaridade Escolaridade 1º grau incompleto 1º grau completo 2º grau incompleto 2º grau completo 3º grau completo TOTAL Freqüência absoluta 13 20 4 12 1 50 Freqüência relativa (%) 26 40 8 24 2 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 Entre as atividades profissionais, foi encontrado um predomínio de mulheres exercendo atividades ligadas aos afazeres domésticos (do lar, doméstica, diarista – 50%). Este dado está em consonância com o estudo realizado por Novaes (2003). Estes achados podem estar relacionados a baixa escolaridade encontrada entre os entrevistados, aos padrões culturais e ainda ao fato do serviço ser oferecido em horário comercial, e neste caso, as donasde-casa, por possuírem horários mais flexíveis, seriam as responsáveis por buscar os medicamentos da família na farmácia. Este pode ser também um dos motivos de se encontrarem 14% de aposentados. Com relação aos aposentados, outro motivo poderia ser também o maior número de enfermidades que acometem estes indivíduos. Os dados referentes às outras profissões encontradas estão descritos abaixo: : 43 TABELA 4 Distribuição dos entrevistados conforme a atividade profissional Atividades Aposentados Artesã, costureira Autônomos Auxiliar de enfermagem Auxiliar de serviço Bancária Bombeiro hidráulico Comerciante Do lar, doméstica, diarista Mecânico Mordomo Motorista Operador de máquina Pedreiro Porteiro Vendedora TOTAL Freqüência absoluta 7 2 2 1 1 1 1 1 25 1 1 1 2 1 1 2 50 Freqüência relativa (%) 14 4 4 2 2 2 2 2 50 2 2 2 4 2 2 4 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 Com relação à propriedade da casa, a maioria dos entrevistados reside em casa própria. Estes resultados também foram encontrados no estudo realizado por Novaes (2003). Os dados estão listados na tabela abaixo: TABELA 5 Distribuição dos entrevistados conforme a propriedade da casa Propriedade da casa Alugada Própria TOTAL Freqüência absoluta 14 36 50 Freqüência relativa (%) 28 72 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 Com relação ao número de moradores por residência, os dados estão descritos na tabela abaixo: 44 TABELA 6 Distribuição dos entrevistados quanto ao número de moradores por residência Número de moradores 1-2 3-4 5-6 7 TOTAL Freqüência absoluta 9 26 13 2 50 Freqüência relativa (%) 18 52 26 4 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 A renda familiar dos entrevistados variou de R$350,00 a R$2000,00 e a renda per capita de R$ 80,00 a R$ 1000,00. 16% dos entrevistados não informou a renda. Apenas um dos entrevistados informou possuir renda per capita de R$ 1000,00. TABELA 7 Distribuição dos entrevistados conforme a renda familiar Renda familiar Até R$ 400,00 De 401,00 a R$600,00 De 601,00 a R$800,00 De 801,00 a R$ 1500,00 Mais de R$1500,00 Desconhecido TOTAL Freqüência absoluta 9 9 14 8 2 8 50 Freqüência relativa (18%) 18 18 28 16 4 16 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 TABELA 8 Distribuição dos entrevistados conforme a renda per capita Renda per capita Até R$ 100,00 De 100,00 a R$200,00 De 201,00 a R$ 400,00 Acima de 400,00 Desconhecido TOTAL Freqüência absoluta 4 23 12 3 8 50 Freqüência relativa 8 46 24 6 16 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 Em síntese, a maioria dos entrevistados é composta por mulheres (74%), com faixa etária entre 31 a 40 anos (40%), com 1º grau completo (40%). Exercem atividades ligadas aos afazeres domésticos (do lar, doméstica, diarista – 50%), residem em casa própria (72%), 45 possuem renda familiar entre R$ 600,00 e R$ 800,00 reais e renda per capita entre R$ 100,00 e R$ 200,00. 6.2 Categorias de análise Após escuta e transcrição das entrevistas, as respostas dos participantes foram analisadas através da análise de conteúdo, descrita por Bardin (1979). Seguindo este método, o material proveniente das transcrições foi agrupado segundo a existência de palavras-chave. Em seguida, os grupos de palavras-chave foram separados segundo a existência de temas centrais comuns. A partir destes temas comuns foram montadas as categorias de análise. Os dados encontrados foram avaliados de maneira qualitativa, buscando compreender o pensamento dos entrevistados através de suas declarações, e semi-quantitativa, através do cálculo de porcentagens relativas a estas mesmas categorias. Os resultados encontrados estão descritos a seguir: 6.2.1 Informação sobre a homeopatia Dos 50 entrevistados, 38 (76%) disseram já ter ouvido falar da homeopatia 12 (24%) responderam nunca ter ouvido falar sobre a homeopatia. Para estes 12 pacientes, a entrevista foi interrompida nesta primeira pergunta. Após o término da entrevista, estes pacientes receberam uma rápida explicação sobre a homeopatia. Esta conversa informal, porém, não foi levada em consideração para o estudo. Os meios de informação citados pelos entrevistados estão descritos na tabela abaixo: 46 TABELA 9 Meios de informação citados pelos entrevistados Meios de comunicação Amigos, parentes, vizinhos Jornais Livros Médicos Propagandas (folhetos) Rádio Televisão Terapeuta natural Uso próprio Não informados TOTAL Freqüência absoluta 17 4 1 8 4 7 20 1 6 3 71 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 Observou-se que os meios de informação mais citados foram os meios de comunicação de massa (rádio e televisão) e as pessoas próximas (parentes, amigos e vizinhos). Estes dados foram semelhantes aos encontrados nos demais estudos citados. Nos estudos realizados por Novaes (2003) e por Micali (1995), os meios de informação mais citados também foram os parentes e conhecidos, seguidos da televisão e outros meios de comunicação social. Vários entrevistados citaram mais de um meio de informação. Neste estudo, chamou a atenção o fato de seis pacientes terem citados médicos homeopatas do município de Divinópolis vinculados ao SUS através de outras especialidades (neurologista e clínico geral), e que prescrevem medicamentos homeopáticos para alguns de seus pacientes. Destes seis pacientes, dois são usuários da homeopatia por indicação destes médicos. 6.2.2 Conhecimento sobre a homeopatia Assim como nos demais estudos consultados (NOVAES, 2003; CARVALHO E MANSUR, 1998; MICALI, 1995; MONTEIRO E IRIART, 2003), os entrevistados apresentaram conhecimento superficial sobre a homeopatia, com idéias variadas e distorcidas, muitas vezes associadas aos fitoterápicos ou aos produtos naturais, que neste caso dizem 47 respeito a “ausência de química” e a menor potencialidade de lesar o organismo. Alguns usuários demonstraram não possuir nenhum conhecimento sobre a homeopatia, desconhecendo a própria palavra ou ainda, confundindo-a com alguma doença. As palavraschave mais utilizadas pelos entrevistados estão descritas abaixo, sendo que alguns destes usaram mais de uma dessas palavras chave: - “Doença”: dos 50 entrevistados, seis (12%) responderam que a homeopatia se tratava de uma doença. Diante desta resposta percebeu-se que estes usuários não possuíam nenhum conhecimento sobre a homeopatia, e, portanto, a entrevista foi interrompida neste ponto. Para estes usuários, após o término da entrevista, foi dada uma breve explicação sobre a homeopatia, porém, estas conversas informais não foram levadas em consideração no estudo. - “Tratamento natural”: 15 dos entrevistados (30%) utilizaram a expressão “tratamento natural” para se referir à uma primeira idéia do que seria a homeopatia. - “Tratamento ou remédio a base de plantas”: 10 dos entrevistados (20%) utilizaram as expressões “tratamento ou remédio a base de plantas” para se referir a uma primeira idéia do que seria a homeopatia. - “Fazem menos mal que os medicamentos químicos”: três dos entrevistados (6%) responderam que têm a idéia de homeopatia como um tratamento menos danoso ao organismo que os tratamentos tradicionais. Esta idéia foi confirmada em outras partes da entrevista com expressões do tipo “se não fizer bem, mal também não faz”. Novaes (2003) também cita a utilização desta expressão por alguns dos entrevistados em seu estudo. - “Medicamento fraco”: duas usuárias (4%) utilizaram a expressão “medicamento fraco” como idéia de homeopatia. Esta idéia está representada pela fala da usuária abaixo: “Conheço pessoas que fazem tratamento com isso, mas comigo não funciona porque eu tenho um estado nervoso abalado, tem que ser um medicamento mais forte.” (U –7) 48 Dos 50 usuários entrevistados, apenas três demonstraram um conhecimento maior sobre a homeopatia. Estes três usuários são do sexo feminino e uma delas possui curso superior completo. Uma das usuárias já se tratou várias vezes com homeopatia, mas no momento não está tratando por motivos financeiros. Outra está em tratamento homeopático, através do SUS, com um neurologista. Os relatos das três usuárias estão descritos abaixo: “A homeopatia trata de fora para dentro, com o quadro geral da pessoa. Procura conhecer o organismo da pessoa para indicar o medicamento.” (U-32) “É um tratamento mais natural. Faz com que o que a gente tem aflora para ser curado. Traz para fora e cura ao mesmo tempo.” (U-22) “Sei que são medicamentos muito diluídos, fracos. Acho que é mais uma sugestão psicológica.” (U-19) 6.2.3 Acesso ao tratamento homeopático Dos 50 entrevistados, apenas cinco (10%) já se trataram com a homeopatia. Dois destes usuários relataram ter recebido o tratamento homeopático através de prescrição médica, dois relataram ter recebido indicação de medicamentos homeopáticos industrializados em farmácia e um relatou ter recebido a indicação de um terapeuta natural. O relato abaixo é de um desses entrevistados: “Eu não podia sair de casa sem ele (bombinha)...Depois desses (homeopatia), mudou, aliviou. Dois vidrinhos – não dava pra sair de casa. Agora eu saio.” (U-2) Pode-se perceber um acesso muito limitado ao tratamento homeopático. A principal explicação para este fato pode ser a baixa renda familiar e per capita dos entrevistados. Este é um fator limitante, já que no município, não existe, oficialmente, tratamento homeopático pelo SUS. 49 Muitos dos entrevistados disseram já ter se tratado com a homeopatia, mas ao longo da entrevista foi possível perceber que estavam se referindo a tratamentos fitoterápicos caseiros e não homeopáticos. Este achado pode ser confirmado pelos relatos de alguns destes usuários: “Já usei, com indicação de outras pessoas e com receitas de um livro de plantas que eu comprei.” (U-24) “Sim, de vez em quando eu faço uns chás lá em casa.” (U-29) “Sim, mas eu faço em casa.” (U-5) “Faço, por exemplo, chá da casca do jatobá.” (U-14) Os entrevistados que são usuários da homeopatia disseram conhecer outras pessoas que também fazem tratamento homeopático. Esses entrevistados responderam que seus conhecidos ficaram satisfeitos com o tratamento homeopático. Dentre estes relatos, três foram destacados abaixo: “Muito bom, já conversei, inclusive, com pessoas aqui na farmácia que acham uma pena não ter tratamento homeopático pelo SUS.” (U-32) “ Gostam muito. Eu até chamo de gotinha milagrosa.” (U-22) “O neto já tratou. Tratou com outros e não deu resultado. E esse é bom, né. Ele trata de asma até hoje.”(U-2) 6.2.4 Homeopatia e fitoterapia Segundo a PNMNPC (2003, p.6)10 “a homeopatia é um sistema médico complexo de caráter holístico, baseada no princípio vitalista e no uso da lei dos semelhantes. Foi desenvolvida por Samuel Hahnemann, após extensos estudos e reflexões baseados na observação clínica e em experimentos.” Já a fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais e suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de 10 Conferência Nacional de Saúde, 12, 2003. Disponível em: http://www.consens.org.br 50 substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal. Ao longo dos séculos, produtos de origem vegetal constituíram as bases para tratamento de diferentes doenças (PNMNPC, 2003). A maioria dos entrevistados (74%), afirmou que a homeopatia é um tratamento a base de plantas. Foi possível perceber que a maioria dos usuários entrevistados confunde a homeopatia com a fitoterapia caseira. Muitos usuários citaram chás e outras preparações caseiras a base de plantas como sendo medicamentos homeopáticos. Esta percepção está exemplificada na fala dos usuários abaixo: “São remédios naturais, produtos naturais, né? Uso, mas geralmente que eu que faço em casa.” (U-5) “São ervas medicinais. Eu, por exemplo, faço chá de melissa, de erva cidreira lá em casa.” (U-14) Dados semelhantes foram encontrados nos demais estudos consultados. Micali (1995) cita que “as imagens sobre a homeopatia são múltiplas e, na maioria dos casos distorcidas, com predominância de associação à idéia de produto natural ou fitoterápicos”. Novaes (2003) observou que os entrevistados possuíam pouco conhecimento sobre a homeopatia e muitas vezes a confundiam com a fitoterapia. É possível que esta confusão esteja relacionada à história da homeopatia no Brasil. Monteiro e Iriart (2007) atribuem esta noção equivocada ao fato da homeopatia, no passado, ter sido indicada pelos médiuns nos terreiros de umbanda, juntamente com os banhos, ervas e beberagens. Apenas um entrevistado respondeu que os medicamentos homeopáticos podem ser derivados de outras substâncias, como por exemplo, animais. Porém, foi possível perceber o misticismo em torno da homeopatia no relato deste entrevistado, apesar do mesmo ser um usuário de medicamentos homeopáticos, com indicação de um terapeuta natural. Uma parte deste relato está descrita abaixo: 51 “Já ouvi falar que fazem alguma coisa de animais. Já ouvi falar que tem um negócio na homeopatia que faz com gato preto. O jeito que é eu não sei.” (U-2) 6.2.5 Homeopatia e tratamento natural Segundo a Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares (PNMNPC), as práticas de medicina natural são aquelas que envolvem: .“...abordagens que buscam estimular os mecanismos naturais de promoção e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. Outros pontos compartilhados pelas diversas abordagens abrangidas nesse campo são a visão ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado” (PNMNPC, 2003, p. 4) 11 A partir deste ponto de vista e do referencial teórico adotado, pode-se considerar a homeopatia como uma forma de prática de medicina natural. A maioria dos entrevistados (36 ou 72%) considera a homeopatia um tratamento natural. Na visão dos entrevistados, porém, o termo tratamento natural está relacionado somente à origem dos medicamentos, que para os mesmos são as plantas, e à menor potencialidade para provocar efeitos adversos em relação aos medicamentos alopáticos. Foi possível perceber, mais uma vez, a crença de que os medicamentos homeopáticos e fitoterápicos não agridem o organismo e, portanto, não fazem mal. Esta visão pode ser percebida na fala dos usuários: “Sim, são remédios de plantas, produtos naturais, né?” (U-42) “Acho que é tudo natural, pelo menos é o que eles falam.” (U-17) “Sim, é natural, faz menos mal que os químicos.” (U-16) Monteiro e Iriart (2007, p. 1907) encontraram dados semelhantes em seu estudo. Segundo os autores, “a noção de natural se relaciona com o que é produzido pela natureza, em oposição aquilo que é químico. O medicamento homeopático é representado como natural e 11 Conferência Nacional de Saúde, 12, 2003. Disponível em: http://www.consens.org.br 52 não prejudicial à saúde.” Também segundo Novaes (2003, p. 138), “a homeopatia é vista como uma medicina natural, que para os usuários significa tanto a origem dos medicamentos – as plantas – quanto à incapacidade de lesar o organismo.” Apenas dois usuários não consideram a homeopatia um tratamento natural, mas não souberam justificar efetivamente o porque desta consideração. As respostas destes dois pacientes estão descritas abaixo: “Não, acho que seria uma coisa mais séria, né? (U-1) “Se é mais natural que o outro (alopático)? Talvez seja a mesma coisa né? A gente não sabe. Tem muito remédio comum aí que é feito de planta, né? (U-2) 6.2.6 Homeopatia e cura das doenças Dos 50 entrevistados, 19 (38%) acham que a homeopatia não cura todas as doenças e quatro (8%) não souberam opinar. Todos entrevistados citaram a AIDS e Câncer como doenças que não são possíveis de serem curadas tanto com a homeopatia quanto com a alopatia. Nos estudos consultados (NOVAES, 2003; MICALI, 1995; MONTEIRO E IRIART, 2007), também foram citadas estas mesmas doenças. Neste estudo, em menor proporção, foram citadas doenças como reumatismo, diabetes, hipotireoidismo e hipertensão. Segundo Soares, Gonçalves e Santos (2001), existem relatos clínicos de tratamento homeopático para estas doenças. É importante lembrar que os estudos consultados foram realizados em locais onde já havia atendimento homeopático pelo SUS e, portanto, os usuários já possuíam contato com o tratamento e com os medicamentos homeopáticos. De maneira paradoxal, 15 (30%) dos entrevistados acham que a homeopatia cura qualquer tipo de doenças. Alguns destes entrevistados são usuários da homeopatia, mas a maioria possui pouco conhecimento sobre a prática. Os trechos abaixo representam as falas destes usuários: 53 “Se tivesse uma divulgação as pessoas passavam a conhecer, a confiar – e usavam antes e não adoeceriam.” (U-16) É, uma vez tive uma infecção, tratei com homeopatia e curou sem precisar de antibiótico.” (U-22) 6.2.7 Associação entre homeopatia, fé e religião Cabral e Machado (1992), realizaram um estudo sobre a influência das práticas religiosas no doente mental. Este estudo buscava encontrar relações entre as práticas religiosas e as doenças mentais. Neste estudo as autoras observaram que “as práticas religiosas têm importância na vida e no adoecer dos doentes psiquiátricos. Podem também ser importantes para seu tratamento e portanto precisam ser estudadas e pesquisadas e seu papel não deve ser ignorado” (CABRAL E MACHADO, 1992, p.643). Segundo os autores, as principais religiões procuradas pelos doentes mentais foram a religião católica e as religiões pentecostais, mais popularmente chamadas de “evangélicas”. Com relação a religião, os dados encontrados no presente estudo estão descritos abaixo: TABELA 10 Distribuição dos entrevistados conforme a religião Religião Católica Espírita Kardecista Evangélica Não informado TOTAL Freqüência absoluta 41 6 2 1 50 Freqüência Relativa (%) 82 12 4 2 100 Fonte: Pesquisa realizada na Farmácia Municipal Central em Divinópolis, em novembro de 2007 Segundo Monteiro e Iriart (2007) , na segunda metade do séc. XIX houve uma aproximação da homeopatia com o espiritismo kardecista, que neste período crescia na sociedade brasileira, fazendo muitos adeptos entre os médicos homeopatas. Concomitantemente, a umbanda ganhava popularidade e muitos médiuns, homeopatas leigos, 54 receitavam as “gotinhas”, disseminando esta prática no meio urbano e rural. Surgiu daí a associação que algumas pessoas fazem entre a homeopatia e a religião. Além disso, Soares (2000) descreve situações de preconceito e resistência de algumas igrejas evangélicas em relação a homeopatia e outras práticas não-alopáticas, por associá-las à movimentos místicos. Apesar dos fatos descritos acima, neste estudo não foi encontrado nenhum relato de preconceito por parte de igrejas evangélicas e nem indicação de medicamentos homeopáticos através de centros espíritas ou de umbanda. Nenhum dos entrevistados associou diretamente a homeopatia à religião. Com relação à fé e a crença, dos 50 entrevistados, 19 (38%) responderam que a crença e a fé são necessárias para a cura tanto no tratamento homeopático quanto no alopático. Segundo Novaes (2003), em seu estudo, os entrevistados também apontaram a fé como fator importante para a cura em qualquer processo terapêutico. Dos 50 entrevistados, 12 (24%) responderam que a cura através da homeopatia não depende de crença, fé ou religião. Destes 12 entrevistados, quatro são usuários do tratamento homeopático. Dos entrevistados, sete (14%), não souberam responder esta questão. 6.2.8 Homeopatia e SUS Dos 50 pacientes entrevistados 10 (20%) já ouviram falar sobre o uso da homeopatia no SUS. Este número foi considerado baixo e mostra que, apesar de existirem normatizações específicas para a aplicação desta prática no SUS, como a Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares (PNMNPC, 2003)12 e de muitas cidades brasileiras já oferecerem este serviço, as práticas complementares ainda carecem de divulgação entre a 12 Conferência Nacional de Saúde, 12, 2003. Disponível em: http://www.consens.org.br 55 população, principalmente entre as classes de menor poder aquisitivo e que não têm acesso a estas práticas, já que as mesmas são prestadas, na maioria das vezes, por instituições privadas. A maioria dos entrevistados declarou achar importante a implantação da homeopatia no SUS em Divinópolis. Esta importância foi justificada por vários motivos como necessidade de mais alternativas no SUS, menor custo dos medicamentos, maior acessibilidade para a toda a população e existência de demanda não atendida. Neste ponto da entrevista, foram observados vários depoimentos importantes para o estudo. Os mais significativos estão descritos abaixo: “Sim, porque ficava mais barato para a prefeitura. É mais barato e o resultado é idêntico ao tradicional.” (U-9) “Sim, o SUS deveria fornecer todas as alternativas.” (U-50) “Acho que sim, pra tentar dar resultado, né. Porque o pessoal tá entrando muito no medicamento, achando que é só o Sersam (Serviço de Referência em Saúde Mental) que vai resolver as coisas, e não é.” (U-7) “É o caso que estou dizendo. Além de ser mais barato, favorecer as coisas, pra sobrar dinheiro.” (U-2) “Sim, pra ser mais acessível para todas as pessoas.” (U-37) “Sim, inclusive eu tô na fila (do neurologista) a um tempão.” (U-6) “Muito importante, ainda mais porque tem um custo muito menor.” (U-32) “Muito, ainda mais que os medicamentos são mais baratos, é um preço que a gente pode pagar.” (U-22) A maioria dos entrevistados demonstrou interesse em conhecer e até mesmo se tratar pela homeopatia, caso esta fosse implantada no SUS em Divinópolis Apenas dois declararam não ter interesse em se tratar pela homeopatia, caso ela fosse implantada no SUS Divinópolis. Todos os dois justificaram esta decisão no fato de não acreditarem na eficácia do tratamento homeopático ou de qualquer outro tratamento não convencional. 56 Em síntese, dos 50 entrevistados, apenas 32 (64%) possuem algum conhecimento sobre a homeopatia e 18 (36%) não possuem nenhum conhecimento sobre a homeopatia. Alguns entrevistados, inclusive, relacionaram a palavra homeopatia a uma doença. Dos entrevistados que possuíam algum conhecimento, os meios de informação mais citados foram a televisão, os relacionamentos próximos (amigos, parentes e vizinhos) e os médicos homeopatas. Uma grande parte dos entrevistados relaciona a homeopatia a um tratamento natural, que neste caso está associado a origem dos medicamentos, à menor potencialidade de provocar efeitos colaterais ou ao curso mais demorado do tratamento, ou ainda tratamento a base de plantas. Em muitos relatos foi possível perceber, inclusive, que os usuários confundem a homeopatia com a fitoterapia caseira. A maioria dos entrevistados acredita que o sucesso do tratamento homeopático não depende de religião, mas depende da crença ou fé, assim como todas as outras formas de tratamento. Algumas das possíveis explicações para o baixo índice de conhecimento e as noções equivocadas são: a baixa escolaridade dos entrevistados (maioria possui apenas o 1º grau completo), fato que restringe o acesso a outros meios de comunicação diferentes daqueles de comunicação em massa (rádio e televisão), e a baixa renda familiar e per capita encontrada entre os usuários, fato que impede o acesso aos tratamentos complementares, como a homeopatia, já que o SUS, na cidade de Divinópolis ainda não possui o atendimento homeopático. Apenas três entrevistados demonstraram um conhecimento um pouco mais profundo sobre o tema. Para estes entrevistados, as possíveis explicações são: maior escolaridade (um deles possui 2º grau completo e outro possui curso superior) e o contato com médicos homeopatas. Apenas cinco dos 50 entrevistados já fizeram uso do tratamento homeopático. Esse pequeno número de usuários também pode ser explicado pela baixa renda familiar e per capita, e consequentemente, uma menor possibilidade de acesso. 57 Apesar do pouco conhecimento dos usuários sobre a homeopatia, a maioria acredita que o tratamento homeopático pode trazer melhorias para os pacientes, mas não cura alguns tipos de doença. As doenças incuráveis mais citadas foram câncer e AIDS, sendo consideradas incuráveis também para outras formas de tratamento. Dos 50 entrevistados, cinco relataram conhecer pessoas que se tratam ou se trataram com a homeopatia, obtendo resultados satisfatórios. Percebeu-se que poucos usuários sabem da existência serviços de homeopatia pelo SUS. Este pouco conhecimento foi atribuído à pequena divulgação da prestação destes serviços. Apesar do pouco conhecimento encontrado entre os usuários do SUS, freqüentadores da Farmácia Municipal Central em Divinópolis, a maioria dos entrevistados considera muito importante a implantação da homeopatia no SUS em Divinópolis. Foram alegados motivos variados para esse interesse, como: eficácia, menor custo do tratamento, maior acessibilidade ao tratamento e existência de demanda não atendida. A maioria dos entrevistados, informou que utilizaria o serviço de homeopatia, caso este fosse implantado no SUS Divinópolis. Apenas dois entrevistados informaram que não utilizariam o serviço. Os motivos alegados por estes dois entrevistados foram a descrença e a falta de confiança no tratamento homeopático ou em qualquer outro tratamento não convencional. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS O primeiro objetivo do estudo era verificar o conhecimento dos usuários do SUS Divinópolis sobre a homeopatia. Em relação a este objetivo as entrevistas proporcionaram uma grande quantidade de informações sobre esse conhecimento. Em suma, pode-se concluir que a maioria dos usuários apresenta pouco ou nenhum conhecimento sobre a homeopatia. Nas falas desses usuários foi possível perceber idéias errôneas como a confusão com os 58 tratamentos fitoterápicos caseiros, a definição da homeopatia como uma doença, a crença nos medicamentos homeopáticos ou fitoterápicos como inócuos ao organismo e a relação entre medicamentos homeopáticos ou fitoterápicos com a fé, e até mesmo com o misticismo. Neste estudo foi possível perceber também que poucos usuários têm ou tiveram acesso ao tratamento homeopático. Relacionou-se este fato à baixa renda familiar e per capita encontrada no estudo, o que impossibilitaria aos mesmos o acesso aos tratamentos complementares oferecidos nos níveis privados de atenção. Neste ponto, cabe ressaltar a universalidade e a integralidade previstas nos princípios do Sistema Único de Saúde. De acordo com a Lei Orgânica da Saúde nº 8080/90 (Brasil, 1990), o Sistema Único de Saúde deve garantir “a universalidade de acesso aos serviços de saúde em todas as instâncias de assistência e a integralidade da assistência, entendida como um conjunto articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e curantes, individuais e coletivos, exigidos para cada ação, em todos os graus de complexidade.” Um achado importante deste estudo foi o fato de, apesar do tratamento homeopático não ser oferecido pelo SUS em Divinópolis, alguns médicos, vinculados ao SUS através de outras especialidades, estarem oferecendo o atendimento homeopático como alternativa em suas consultas. Um usuário revelou, inclusive, estar aguardando atendimento para um desses médicos a mais de um ano. O segundo objetivo do estudo foi verificar o interesse dos mesmos usuários do sistema pela implantação desta prática no SUS Divinópolis. Através das entrevistas, foi possível perceber que a maioria dos usuários desconhece a existência de práticas complementares no SUS. Esse desconhecimento foi atribuído à pouca divulgação do sistema em relação a estas práticas, principalmente entre as populações de menor poder aquisitivo. Apesar do pouco conhecimento, a maioria dos entrevistados considera importante a implantação do tratamento homeopático no SUS Divinópolis, como uma alternativa de assistência. Foram citados vários 59 motivos para justificar a importância, dentre eles a necessidade de mais alternativas, eficácia do tratamento, o baixo custo para o serviço público de saúde e principalmente a existência de demanda não atendida. Dados semelhantes a estes foram encontrados nos estudos citados no referencial teórico (NOVAES, 2003; CARVALHO, M. P. S. L.; MANSUR, Y, 1998). A maioria dos usuários declarou que utilizaria o serviço caso este fosse oferecido. Portanto, diante dos fatos expostos acima, foi possível concluir que o objetivo proposto foi alcançado, e as informações obtidas poderão servir de ponto de partida para um projeto de implantação da homeopatia no SUS municipal. De acordo com o relatório do 1º Fórum Nacional sobre Homeopatia no SUS (2004, p.18), “a homeopatia tem como princípio uma abordagem de atenção e cuidado integrais à saúde dos indivíduos. Desse ponto de vista, pode e deve ser inserida em todos os níveis de atenção do sistema, devendo constituir-se em política de Estado.” Diante de todas as colocações anteriores, pode-se concluir que os métodos escolhidos foram adequados aos objetivos do estudo e proporcionaram os conhecimentos que se queria alcançar. Enfim, de acordo com as informações anteriores conclui-se que, partindo do ponto de vista dos usuários entrevistados, existe interesse na implantação da homeopatia no SUS Divinópolis. Porém, devem ser tecidas algumas considerações. A implantação da homeopatia no SUS Divinópolis deverá ser precedida de estratégias planejadas de informação e educação, tanto da população quanto dos trabalhadores de saúde do serviço municipal. A Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares (2003, p.17) propõe as seguintes estratégias para a divulgação da Homeopatia no SUS: -“Promover ações de informação e divulgação para gestores, membros dos conselhos de saúde, docentes e discentes da área de saúde e comunidade em geral; 60 -Sensibilizar gestores do SUS para o desenvolvimento dessas ações locais, oferecendo meios necessários: conteúdos, financiamento e metodologia, entre outros; -Desenvolver ações de informação e divulgação por meio da elaboração de cartazes, cartilhas, folhetos e vídeos, respeitando as especificidades regionais e culturais do país; -Apoiar ações inovadoras de informação e divulgação de diferentes linguagens culturais como teatro, canções, ou outras formas de manifestação.” Estas estratégias propostas devem ser avaliadas e adaptadas à realidade da população local. Este processo de divulgação, apesar de amplo, pode iniciar-se nas unidades básicas de saúde, a partir da montagem de uma equipe multiprofissional, na qual o papel de cada servidor será o de transmitir as informações sobre a homeopatia ao seu colega e ao usuário do serviço. 61 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMHB – ASSOCIAÇÃO MÉDICA HOMEOPÁTICA BRASILEIRA. História da Homeopatia. Disponível em <www. amhb.org.br.> Acesso em: 10 mai. 2005 AMENGUAL, C. La Medicina Homeopática en el Mundo. Revista Homeopática 5(12):24-8, set.-dez. 1989 BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1979. 228 p. BAROLLO, C. R. Homeopatia. Revista Farmácia Brasileira. Brasília: CFF, p. 12-13, set/out 2001. BOSI, M. L. M; MERCADO, F, J. Pesquisa qualitativa em serviços de saúde. Petrópolis: Vozes, 2004. BRASIL. Lei n. 8080, de 19 de setembro de 1990. 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Acesso em 19 jan. 2008 65 APÊNDICES 66 APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO TÍTULO DA PESQUISA: “Homeopatia no SUS Divinópolis: Tendências e Viabilidade” OBJETIVOS: Verificar o conhecimento em homeopatia dos usuários do SUS Divinópolis, e o interesse dos mesmos na implantação desta prática no SUS Divinópolis. PESQUISADOR RESPONSÁVEL: Mestranda Janaina de Sousa Dias – TELEFONE: (37) 3229 – 6829 e (37) 8806 - 4800 PROCEDIMENTOS DO ESTUDO: Se concordar em participar da pesquisa, você terá que responder a uma entrevista gravada, com perguntas abertas sobre o conhecimento em homeopatia e o interesse na implantação da homeopatia no SUS Divinópolis. As respostas gravadas poderão ser utilizadas publicamente. RISCOS E DESCONFORTOS: nenhum BENEFÍCIOS: Permitir a avaliar o conhecimento e o interesse pela implantação da homeopatia no SUS Divinópolis. Esta informação poderá ser utilizada posteriormente para a implantação desta prática no SUS Divinópolis, caso seja do interesse da administração municipal e existam possibilidades operacionais e financeiras para esta implantação. INSTITUIÇÕES ONDE SERÁ REALIZADA: FUNEDI-UEMG e Prefeitura Municipal de Divinópolis. CUSTO/REEMBOLSO PARA PARTICIPANTE: Não haverá nenhum gasto com a sua participação. Você também não receberá nenhum pagamento com sua participação. CONFIDENCIALIDADE DA PESQUISA: O pesquisador se compromete a manter sigilo sobre a identidade dos indivíduos participantes da pesquisa. Os dados pessoais não serão divulgados. Assinatura do pesquisador responsável: _________________________________________ Eu, __________________________________________________, declaro que li as informações contidas neste documento, fui devidamente informado dos procedimentos que serão utilizados, concordando ainda em participar da pesquisa. Foi-me garantido que posso retirar a participação a qualquer momento, sem que isso leve a qualquer penalidade. Autorizo o uso das gravações das entrevistas. Declaro ainda que recebi uma cópia deste documento. Divinópolis, ______ de ______ de 2007 SUJEITO DA PESQUISA: ________________________________________________________ (Nome por extenso) _________________________________________________________ (Assinatura) 67 APÊNDICE B – Roteiro para Entrevista ROTEIRO DE ENTREVISTA - Usuário Título da pesquisa: Objetivos do estudo: Nome: Sexo: Região onde mora: Idade: Estado civil: Religião: Escolaridade: Profissão/ocupação: Casa própria ou alugada: Numero de moradores da casa: Renda da família: 1. O Sr(a) já ouviu falar de homeopatia? 2. Se já ouviu, onde e como? 3. Qual a primeira coisa que lhe vem a cabeça quando se fala em homeopatia? 4. O Sr(a) sabe o que é a homeopatia? 5. Já se tratou com homeopatia alguma vez? 6. Para Sr(a) a homeopatia é um tratamento natural? 7. Para Sr(a) a homeopatia é um tratamento a base de plantas? 8. Para o Sr(a) a homeopatia cura qualquer tipo de doenças? 9. Se não, quais as doenças a homeopatia não cura? 10. Para o Sr(a) a homeopatia tem haver com religião ou é preciso acreditar nela para se curar? 11. O Sr(a) conhece alguém que se trata ou se tratou com homeopatia? 12. O Sr(a) sabe o que esta pessoa achou da homeopatia? 68 13. O Sr(a) já ouviu falar sobre o uso da homeopatia no SUS? 14. Você acha que é importante a implantação da homeopatia do SUS na nossa cidade? 15. Você teria interesse em se tratar pela homeopatia caso ela fosse implantada no SUS Divinópolis?