VI Encontro Nacional da Anppas
18 a 21 de setembro de 2012
Belém – PA – Brasil
Patrimônio e Turismo Cultural no bairro da Cidade Velha
Belém-PA
Alessandra da Silva Lobato(UFPA)
Geógrafa, Mestranda do PPGEO/UFPA
Débora Rodrigues de Oliveira Serra(UFPA)
Turismóloga, Mestranda do PPGEO/UFPA
Tema
Patrimônio e Turismo Cultural na cidade de Belém- PA.
Introdução
O presente artigo pretende apresentar os resultados de uma pesquisa realizada sobre o patrimônio e o
turismo cultural no bairro da Cidade Velha em Belém do Pará, o mais antigo da cidade e que possui um
patrimônio cultural bastante significativo representado através dos prédios, palacetes, ruas, praças,
largos e outros. Neste espaço é possível identificar várias rugosidades espaciais (SANTOS, 2008) que
datam desde o período colonial.
O patrimônio envolve herança e propriedade, como aponta PAES (2010). Este se apresenta enquanto
elemento espacial significativo e constituinte da própria identidade cultural. O patrimônio cultural
compreende ainda várias dimensões representando idéias e valores abstratos, ele é visto como um
elemento mediador entre “diversos domínios social e simbolicamente construídos, estabelecendo
pontes e cercas entre categorias cruciais” (GONÇALVES, 2005, p. 16). E esta categoria, patrimônio
cultural, se forma quando se observa a atribuição de um valor social, este representado “pela mediação
entre o sujeito e o objeto, o material e o imaterial, o afetivo e a ferramenta normatizadora, a esfera
política e econômica e a esfera do cotidiano” (PAES, 2010, p. 22).
Em sua relação com o turismo e considerando os aspectos materiais e imateriais, Barreto (2000) utiliza o
termo “turismo com base no legado cultural” para identificá-lo como “aquele que tem como principal
atrativo o patrimônio cultural” (p.29). Dessa forma, o patrimônio como atrativo turístico pode ser
encontrado em diversos espaços podendo, inclusive, estarem reunidos em núcleos dentro dos centros
urbanos, destacando-se os bairros antigos devido à presença de prédios, monumentos ou manifestações
tradicionais relevantes para a história e cultura locais.
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Nesse sentido, podemos exemplificar, na cidade de Belém, a utilização do bairro da Cidade Velha na
composição da oferta turística local, o que se tornou mais evidente a partir de intervenções como o
projeto “Núcleo Histórico- Cultural Feliz Lusitânia”, realizado pelo Governo do Estado do Pará entre os
anos de 1998 e 2002, que, segundo Trindade Junior e Amaral (2006), reflete as práticas de planejamento
e gestão urbanas voltadas para o lazer e o turismo visando tornar áreas centrais da cidade mais
competitivas a atraentes a consumidores e investidores.
No bairro analisado há lugares não contemplados pelo referido projeto, tais como a Feira do Açaí, a
Praça do Carmo, Largo de São João e a Praça D. Pedro II, que são importantes patrimônios culturais da
cidade, mas não têm sido valorizados pela atividade turística. Tal situação pode ser transformada a
partir de ações como o Projeto Roteiros Geo-turísticos, da Universidade Federal do Pará, que tem
buscado torná-los mais visitados por turistas e moradores da cidade, o que tem contribuído com a maior
visibilidade e valorização destes espaços do patrimônio.
Objetivo
O estudo tem o objetivo de analisar o modo como o patrimônio cultural presente no bairro da Cidade
Velha tem sido inserido na oferta turística de Belém.
Metodologia e informações utilizadas
A metodologia utilizada é constituída por pesquisa bibliográfica, para um embasamento teórico sobre a
área de estudo, o patrimônio e o turismo cultural. Foram realizados trabalhos de campo para registros
fotográficos e aplicação de entrevistas semi-estruturadas com agentes presentes no bairro (moradores e
freqüentadores) e com representantes dos guias de turismo e de agências de viagens da cidade.
Resultados
Com a pesquisa, é possível observar, na perspectiva dos entrevistados, os motivos pelos quais, dentre os
espaços do bairro relevantes histórica e culturalmente para a cidade, apenas parte deles tem sido
aproveitados na composição da oferta turística local.
Conclusões
Diante disso observou-se que a inserção de determinados lugares como a Feira do Açaí, a Praça do
Carmo, Largo de São João e a Praça D. Pedro II no roteiro realizado pelo Projeto Roteiros Geo-turísticos,
tem contribuído para o melhor (re) conhecimento e (re) valorização desses espaços tanto por parte dos
turistas quanto pela população local, sendo que estes últimos passaram a observar melhor estes lugares
enquanto patrimônios que precisam ser melhor assistidos pelas políticas públicas e, também, pela
própria população.
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Referências
BARRETO, M. Turismo e legado cultural. 3. ed. Campinas: Papirus, 2000 (Coleção Turismo).
GONÇALVES, José Reginaldo. Ressonância, materialidade e subjetividade: as culturas como patrimônios.
In: Horizontes antropológicos. Porto Alegre: UFRGS/IFCH/PPGAS, 2005.
PAES, Maria T. D. Apresentação do livro. In: (Org.) PAES, Maria T. D; OLIVEIRA, Melissa R. da S.
Geografia, Turismo e Patrimônio Cultural. São Paulo: Annablume, 2010.
SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. São Paulo: Edusp, 2008.
TRINDADE JUNIOR, S.C.; AMARAL, M. D. B. Reabilitação Urbana na Área Central de Belém-Pará:
concepções e tendências de políticas urbanas emergentes. Revista Paranaense de Desenvolvimento,
Curitiba, n.111, p.73-103, jul./dez. 2006.
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