Presença
Participativa da
Igreja Católica
na História dos
150 anos de
Aracaju
Mons. José Carvalho de Sousa
1
Sousa, José Carvalho de
Presença Participativa da Igreja Católica
na História dos 150 anos de Aracaju / José
Carvalho de Sousa -- 1. ed. -- Aracaju-SE:
2006
2
Projeto gráfico: Carlos Barbosa
Diagramação e capa: Marcos Heinrich
Revisão: Lilian Rocha
Impressão e acabamento: Gráfica...
PREFÁCIO
Às vésperas de completar 150 anos, Aracaju
se prepara para sua grande e merecida festa. São
homenagens que lhe chegam de todos os lados,
presentes os mais diversos. Homenagens de seus
inúmeros filhos, espalhados hoje, por esse Brasil
imenso.
Mas chegou-me às mãos um singelo e singular
presente para Aracaju, de alguém nascido em
Lagarto, mas que dedicou mais de 50 anos de sua
vida a esta pequena e acolhedora cidade.
Trata-se de um pequeno livro, o qual ele
mesmo batizou de “modesto trabalho”, sobre a
intensa participação da Igreja na história de Aracaju.
Veio a mim já embrulhado para presente, faltando
apenas que eu lhe pusesse “um laço de fita”,
chamado “prefácio”.
E enquanto eu me via às voltas com essa difícil
incumbência, vez que nunca fui boa para dar
“laços”, pensei comigo que Aracaju vai sorrir quando
receber esse presente, pois é exatamente dentro
deste “modesto trabalho”, escrito em tão pouco
tempo e fruto tão somente de suas memórias, que
se encontra uma das maiores e mais ricas
contribuições da Igreja para Aracaju e que se
constituirá, muito em breve, num valioso documento
histórico.
E na embalagem, todos vão poder conhecer
um pouco da alma deste grande admirador de
3
Aracaju, homem de memória excepcional, que
dedicou toda a sua vida em prol de suas duas únicas
paixões: a Igreja e a Educação.
Recebe, então, Aracaju, este “modesto
trabalho” deste educador e religioso que hoje estréia
seu nome, também, como escritor.
E quando abrires esse presente, estreita-o em
teus braços e chama-o, também, como ele merece
ser chamado: de filho teu.
Lilian Gomes Rocha
4
APRESENTAÇÃO
Prezado(a) Leitor(a)
Aqui está, para seu conhecimento,
um breve relato da “Presença
Participativa da Igreja Católica na
História dos 150 anos de Aracaju”.
Trata-se de um trabalho
elaborado, com muito zelo, dentro das
limitações de tempo do autor, que deseja,
única e exclusivamente, levá-lo(a) a sentir
o grande ideal da Igreja Católica, fiel a
seu Divino Fundador, Jesus Cristo, de ser
a grande servidora da humanidade.
E a Igreja vive na fidelidade a este
nobilíssimo ideal, evangelizando e
humanizando, oferecendo à sociedade
as condições necessárias para que seja
feliz no tempo e na eternidade.
Eis o que você constatará, na leitura desta
pequena amostra da presença ativa da Igreja Católica
Apostólica e Romana na história dos 150 anos de
nossa querida Aracaju.
Aracaju, 15 de março de 2006
Mons. José Carvalho de Sousa.
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6
DEDICATÓRIA
7
Ao querido Colégio Arquidiocesano
“S. Coração de Jesus” que, este ano,
completa 46 anos de existência, aos
seus coordenadores, professores,
funcionários e alunos, dedico esta
pequena amostra da Presença
Participativa da Igreja Católica, na
História de Aracaju, em seus 150 anos.
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AGRADECIMENTOS
Diversas foram as fontes de informações
para que viesse a apresentar a Presença
Participativa da Igreja Católica na História dos
150 anos de Aracaju.
A todos quantos me forneceram
informações e de modo especial, à funcionária do
Arquidiocesano, Karine Belchior de Souza, pelo
empenho em conseguir quase todas as fotos, pela
digitação e disposição dos temas aqui apresentados,
a minha profunda gratidão.
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO _______________________________________ 15
CAPÍTULO 1 - BREVES INCURSÕES SOBRE O PAPEL
DA IGREJA CATÓLICA NA HISTÓRIA DE SERGIPE ___________ 21
1.1- Antes de Aracaju existir, já a Igreja estava
presente servindo à população ........................................ 21
1.2- Atuação da Igreja Católica na Capital ....................... 21
CAPÍTULO 2 - A DIOCESE DE ARACAJU - OS
PRIMEIROS TEMPOS _____________________________________ 27
2.1 - A sua criação ............................................................ 27
2.2- Frutos do Seminário ................................................. 30
2.2.1- O Padre Mário de Miranda Villas Boas ....... 30
2.2.2- Pe. Avelar Brandão Vilela ............................ 31
2.2.3- Mons. Carlos Camélio Costa ....................... 32
2.3- Congresso Eucarístico Diocesano e inauguração da
Catedral ................................................................................. 33
2.4 - A Igreja introduz o cooperativismo em Sergipe ........ 35
CAPÍTULO 3 - INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA NA FORMAÇÃO
INTELECTUAL DA COMUNIDADE ARACAJUANA _____________ 39
3.1- A Ação Educadora da Igreja ..................................... 39
3.2- Os Padres em Escolas Públicas e Leigas...................... 42
3.3- A Igreja presente na Classe Operária.......................... 43
11
CAPÍTULO 4 - OS BISPOS E ARCESBIPOS, CONTINUADORES
DA OBRA INICIADA POR DOM JOSÉ THOMAZ GOMES DA
SILVA, E SUAS REALIZAÇÕES ______________________________ 51
12
4.1- Dom Fernando Gomes dos Santos, 2º Bispo
Diocesano de Aracaju 1949-1957........................................ 51
4.1.1- Contribuição Política ...................................... 52
4.1.2- Encontro Regional dos Bispos do Vale do São
Francisco .................................................................. 53
4.1.3- Projeto de Dom Fernando ............................. 53
4.1.4- Fundação do SAME ....................................... 56
4.1.5 - Faculdade Católica de Filosofia .................... 57
4.1.6- Faculdade de Serviço Social .......................... 57
4.1.7- Centenário de Aracaju ................................... 58
4.1.8- Preparação para a Criação das Dioceses de
Estância e de Própria ................................................... 58
4.2- A presença de Dom José Vicente Távora
1º Arcebispo de Aracaju e suas atividades
em benefício da Capital ....................................................... 59
4.3 - Dom Luciano José Cabral Duarte
2º Arcebispo Metropolitano ................................................. 64
4.4 - A presença de Dom José Palmeira Lessa
3º Arcebispo e sua atuação em benefício de Aracaju ........ 70
CONCLUSÃO ____________________________________________ 81
Introdução
13
14
INTRODUÇÃO
A presença
participativa da Igreja
Católica na história da
comunidade sergipana
e, em particular, da
cidade de Aracaju,
fundada por Inácio
Joaquim Barbosa
para, desde o dia 17
COLINA DE SANTO ANTÔNIO
Onde tudo começou...
de março de 1855,
ser a Capital do
Estado de Sergipe, foi e é de fundamentalíssima
importância.
Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem,
nascido por obra e graça do Espírito Santo, do seio
puríssimo da Santíssima Virgem Maria, fundou a
Igreja e ordenou que ela chegasse a todos os povos,
como sinal e instrumento de salvação.
Por isso, ao encerrar sua presença visível ao
mundo, ordenou aos apóstolos que fossem pelo
mundo inteiro e a toda humanidade levassem o
anúncio da salvação: “Toda autoridade me foi dada
no céu e na terra. Ide, portanto, ensinai a todas as
nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo que
vos prescrevi: eis que eu estou convosco todos os
dias até a consumação dos séculos.”(Mt 28, 18-20)
Também nesta mesma dimensão, em Mc 16,
15-16, Jesus ressalta a necessidade de o Evangelho
ser anunciado a todos os povos e de todos os povos
15
16
aderirem ao Evangelho para que, crendo e sendo
batizados, todos alcancem, beneficiem-se com a
salvação, oferecida por Deus, em Cristo Jesus.
“Ide por todo o mundo, proclamai o
Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for
batizado será salvo; o que não crer, será condenado”
(Mc 16, 15-16)
Mas, para que os apóstolos tivessem
condições de cumprir essa missão, humanamente
falando, impossível de ser cumprida por aqueles
onze homens simples, sem o mínimo preparo
intelectual que os tornasse capazes de enfrentar e
superar as dificuldades vindouras, Jesus lhes fez esta
recomendação: “Permanecei na cidade [em
Jerusalém], até serdes revestidos da força do Alto.”(Lc
24, 49)
De fato, 50 dias após a ressurreição, Jesus
enviou-lhes o Espírito Santo, a força do Alto, e eles,
os apóstolos, ficaram plenificados, “ficaram cheios
do Espírito Santo e começaram a falar em outras
línguas, conforme o Espírito os impelia falassem”.
(At 2,4)
Assim, revestidos da força do Alto, iluminados
e robustecidos pelo Espírito Santo, a Igreja,
constituída inicialmente por eles, os apóstolos, qual
astro luminoso, ia estendendo seus raios sobre a
humanidade inteira.
Com as naus dos descobridores, estavam
também os missionários, carregando na mente as
palavras de Cristo: “Ide e ensinai a todos os povos
e, no coração, palpitando o amor ardente de
conduzir a humanidade ao conhecimento de Jesus
Cristo, Caminho, Verdade e Vida”, na mais profunda
convicção de que só Jesus traz e oferece, por sua
Igreja, as condições necessárias, para que cada ser
humano, em particular, cresça na fé e nela encontre
a motivação necessária para bem se relacionar com
o Deus-Pai e com os irmãos, que estão em derredor
de si, pois todos somos irmãos e, como irmãos,
devemos nos relacionar, amando-nos e respeitandonos reciprocamente, como condição fundamental,
para vivermos na justiça, na verdade, na
solidariedade, no amor ao trabalho, na prosperidade
e na paz.
Acalentando na alma estes nobilíssimos
objetivos, a Igreja Católica chegou ao Brasil e aqui a
Sergipe não para ser, apenas, expectadora da
história, porém para ser parceira e colaboradora
ativa, consciente e ardorosa da história, da
caminhada de nossa gente.
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18
Capítulo 1
BREVES
INCURSÕES
SOBRE O PAPEL
DA IGREJA
CATÓLICA NA
HISTÓRIA DE
SERGIPE
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20
Capítulo 1
BREVES INCURSÕES SOBRE O PAPEL
DA IGREJA CATÓLICA NA HISTÓRIA
DE SERGIPE
1.1 - Antes de Aracaju existir, a Igreja já
estava presente servindo à população
Muito antes da transferência da
Capital de São Cristóvão para Aracaju, a
Igreja já estava presente na catequese dos
índios, protegendo-os contra a aspereza do
trato que lhes dispensavam os
colonizadores e também, com o “amai-vos
uns aos outros” de Cristo, amenizando o
relacionamento entre negros e brancos e,
neste valioso trabalho, entre outros,
sobressaíram-se o Pe. Gaspar Lourenço e
o irmão João Salônio.
21
Catequese dos índios,
pelos padres jesuítas
1.2 - Atuação da Igreja Católica na Capital
Com a oficialização, em 17 de março de 1855, da
fundação da cidade com sua conseqüente e imediata elevação
à categoria de Capital de Sergipe, intensificou-se a participação
da Igreja Católica na vida da recém-criada Capital.
Esta participação desenvolveu-se e ainda se desenvolve
22
em duas dimensões: uma estritamente espiritual e
outra, mais perceptível, de caráter político-cultural.
A estritamente espiritual, no campo da
evangelização, tinha por objetivo essencial a
implantação da fé cristã, como proposta de
santificação e salvação de cada pessoa. Noutras
palavras, a grande e histórica descida de Deus aos
homens, como prova inconteste de seu infinito amor
por suas criaturas: “Deus amou tanto o mundo que
lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele
que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna”.
(Jo 3, 16).
A grande e essencial tarefa da Igreja é,
portanto, conscientizar os homens e as mulheres de
todos os tempos e lugares deste infinito amor de
Deus para com eles e, em contrapartida, levá-los
também a entender que amor com amor se paga.
E, por isso mesmo, todos devem crer no Cristo, Filho
de Deus feito homem, e a ele aderir, de mente e de
coração, para que nele tenham a vida e a tenham
em abundância. Vida, sinônimo de felicidade,
relativa no tempo, porém em busca de possui-la em
plenitude, na contemplação da face de Deus, por
toda a eternidade no céu.
Quando foi criada a cidade de Aracaju,
Capital de Sergipe Del’ Rei, já existia nas praias, entre
os charcos, lagoas e córregos da Capital, a presença
da Igreja de Jesus Cristo, semeando a palavra de
Deus, nos púlpitos, na catequese e na administração
dos sacramentos, sinais visíveis das invisíveis graças
de Deus, à pequena população. Os efeitos deste
trabalho são invisíveis: a reconciliação do homem
com Deus, da criatura com o Criador. É um trabalho
imperceptível ao olhar humano, apreciado e
conhecido pela consciência de cada um e apreciado,
devida e objetivamente, por Deus, Senhor e Juiz da
história.
De modo mais perceptível, ao olho humano,
a Igreja estava e está presente também na cultura,
na política e atendendo às necessidades sociais da
população.
Na cultura, pela feliz iniciativa do Mons.
Antônio Fernandes Silveira, homem de visão
avançada para sua época, que fundou o primeiro
jornal editado em Sergipe, o “Recopilador
Sergipense”, em 1832, veículo divulgador da cultura
e formador de opinião.
Na política, pela influência que exercia sobre
os seus contemporâneos, o Mons. Silveira, por várias
legislaturas, elegeu-se deputado provincial e sendo
também, por seus pares, eleito presidente da
Assembléia Legislativa da província. Foi também ele
quem fundou o primeiro partido político em Sergipe,
O Partido Legalista (1830).
Outra figura de valor foi o Mons. Olímpio
de Souza Campos que atuou no crepúsculo do
Império e na aurora da República, como vigário da
Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, hoje
Catedral de Aracaju.
Em 1881, o Presidente da Província de
Sergipe Del’Rei, Inglês de Souza, retirou do currículo
escolar o Ensino Religioso como matéria obrigatória.
Então, o Mons. Olímpio protestou e, por conta disso,
candidatou-se a Deputado Provincial, prometendo
o retorno da Religião como matéria obrigatória ao
currículo da escola pública.
Monsenhor Silveira
23
Mons. Olímpio de Souza Campos
24
Recebendo o apoio de toda a comunidade,
elegeu-se Deputado Geral do Império (1885-1889).
Com a proclamação da República, foi o
Primeiro Intendente (Prefeito) de Aracaju, Deputado
Estadual e Presidente do Estado (1899-1902),
tornando-se líder de forte facção política, chegando
a ser Senador da República, de 1903 a 1911.
Lamentavelmente, por questões políticas,
Fausto Cardoso foi assassinado por um integrante
da tropa legalista e dois dos seus filhos, por vingança,
assassinaram o Mons. Olímpio Campos, na trajetória
do Senado para o Hotel, na Praça XV no Rio de
Janeiro, então, Capital da República.
Mas a Igreja que evangeliza é a mesma que
humaniza, porque sabe que, a exemplo de seu
Divino Fundador, tem o dever imperioso de salvar
o homem, constituído de corpo e alma. É a pessoa
humana com destino temporal e eterno que precisa
ser atendida em todas as suas dimensões pela Igreja
de Jesus Cristo.
Capítulo 2
A DIOCESE DE
ARACAJU - OS
PRIMEIROS
TEMPOS
25
26
Capítulo 2
A DIOCESE DE ARACAJU - OS
PRIMEIROS TEMPOS
2.1 - A sua criação
Para aprimoramento do
trabalho de evangelização e de
formação humana que já vinha sendo
feito em Sergipe, o Santo Padre, o Papa
Pio X, através da bula Divina
Disponente Clementia, de 03 de
janeiro de 1910, desmembrou da
Arquidiocese de São Salvador da
Bahia, a Igreja que estava na província
de Sergipe Del’Rei, transformando-a
em Diocese que abrangia todo o
Estado de Sergipe. E sua instalação se
deu no dia 04 de dezembro de 1911,
com a posse solene do seu 1º Bispo,
Dom José Thomaz Gomes da Silva
Dom José Thomaz Gomes da Silva.
De fato, com a instalação da
Diocese e posse do 1º Bispo de Aracaju, a presença
da Igreja na história de Aracaju e de Sergipe tornouse cada vez mais efetiva.
Logo de início, Dom José Thomaz chegou à
conclusão, como ele chistosamente dizia: “Bispo
27
sem padres é como um General sem
soldados no campo de batalha.”
Assim pensando, iniciou sua ação
pastoral, visitando paróquia por paróquia,
cidades, povoados e até engenhos, e a toda
população ia encantando com sua palavra
vibrante, fundamentada nas Sagradas
Escrituras e com seu jeito amigo e
Antigo prédio do Seminário
acolhedor com que tratava ricos e pobres,
Sagrado Coração de Jesus - Praça Camerino, 181
pretos e brancos, dirigentes e dirigidos, sem
fazer distinção de pessoas.
Ao mesmo tempo, ciente de que sozinho
muito pouco podia realizar, empreendeu a sua
principal obra, a fundação do
Seminário Diocesano “Sagrado
Coração de Jesus”, no dia 04/04/
1913, na Praça Camerino, 181, na
28
residência do Vigário Geral da Diocese,
Mons. Manuel Raimundo de Melo,
onde também o próprio Bispo residia.
Pensando mais no bem da
Diocese do que no seu conforto
pessoal, Dom José Thomaz pediu ao
Mons. Manuel
Presidente (Governador) do Estado, na
Raimundo de Melo
época, General José de Siqueira
Menezes que, de acordo com a Lei nº
534, havia destinado a quantia de 100.000$000
(cem contos de reis) para a construção do Palácio
Episcopal e patrimônio da recém-criada Diocese de
Aracaju, para que em vez da construção do Palácio
Episcopal para residência do Bispo, permitisse-lhe
aplicá-la na construção do Seminário Diocesano
“Sagrado Coração de Jesus”.
Quadra compreendida pelas Ruas Riachuelo,
Senador Rollemberg, Itabaiana e Pacatuba.
Vista interna da lateral do Seminário
Diocesano Sagrado Coração de Jesus
Assim, afirmou Dom José ao General José de
Siqueira Menezes: “Com uma só pancada, V. Exª
matará dois coelhos: ajudará o Bispo a construir o
Seminário para a formação de seus padres e dará a
residência do Bispo, porque no próprio Seminário,
o Bispo terá um cômodo onde morar.”
Obtida a permissão, Dom José comprou ao
Prof. Massilac, por 6.000$000 (seis contos de reis),
a quadra, compreendida pelas ruas Riachuelo,
Senador Rollemberg , Itabaiana e Pacatuba,
atualmente, rua Dom José Thomaz, onde hoje está
localizado o Colégio Arquidiocesano “S. Coração
de Jesus” em quase toda a sua dimensão. Lá
construiu o Seminário Diocesano, hoje com sede
no Bairro Industrial.
De fato, construída a metade do prédio,
apenas, Dom José Thomaz transferiu o Seminário
da Praça Camerino, onde fora fundado, para a Rua
Pacatuba e lá continuou formando padres, vivendo
vida comum com os seus seminaristas, fazendo
refeições com eles, no mesmo refeitório,
acompanhando-os nos mínimos detalhes de sua
formação.
29
2.2- Frutos do Seminário
Desta sementeira, o Seminário,
saiu uma verdadeira elite eclesiástica
que veio a influir fortemente na
história de Aracaju.
Os sacerdotes, que nele se
formaram, partiram para evangelizar
e sacramentalizar a população,
influindo, também, na cultura da
sociedade. No Seminário, criou-se a
Sócios Fundadores da Academia literária Santo Tomás
Academia Literária Santo Tomás de
de Aquino. 1933. Autoria não identificada.
Aquino, e desse sodalício literário,
saíram alguns dos primeiros membros
e fundadores da Academia Sergipana de Letras,
como: o Padre Mário de Miranda Villas Boas, depois
30
Bispo de Garanhuns, em Pernambuco, promovido
para Arcebispo Metropolitano de Belém-Pará,
transferido como Arcebispo Coadjutor de São
Salvador da Bahia e, posteriormente nomeado
Arcebispo Metropolitano de João Pessoa, na Paraíba.
2.2.1- O Padre Mário de Miranda Villas Boas
Pe. Mário de
Miranda Vilas Boas
Ainda padre, Dom Mário de Miranda Villas
Boas exerceu também as funções de Assistente
Eclesiástico do Centro Dom Vital e da Ação Católica.
Fundado pelo eminente sergipano, Jackson
de Figueiredo, um dos mais atuantes católicos no
Rio de Janeiro, o Centro Dom Vital tinha como
objetivo recrutar e preparar líderes leigos para, com
a palavra e o testemunho da vida, levarem o
fermento do evangelho à política e à cultura, a fim
de que os políticos e intelectuais, imbuídos dos
sadios princípios da fé, da justiça, da verdade, da
solidariedade e da liberdade, dessem a sua
contribuição positiva na construção de uma
sociedade justa, fraterna e próspera para todos.
Preciosos foram os frutos dessas instituições:
Ação Católica e Centro Dom Vital, aqui, em
Aracaju.
Dentre muitos outros nomes de real valor,
cito: Dr. Hélio Ribeiro, Desemb. Luiz Rabelo Leite,
Fernando Duarte, José Luduvice, Dr. Silvério Leite
Fontes, Dr. José Amado Nascimento e Dr. Manoel
Cabral Machado, ex-vice-governador do Estado.
Esses leigos tornaram-se notáveis por sua atuação,
especialmente pelo jornal “A Cruzada”, levando à
comunidade os ensinamentos obtidos na Ação
Católica e no Centro Dom Vital.
Eleito Bispo, ao despedir-se de Aracaju, na
condição de Bispo Diocesano de Garanhuns-PE,
Dom Mário foi sucedido em suas atividades
apostólicas, em Aracaju, pelo jovem Pe. Avelar
Brandão Vilela, também um dos “Padres de Dom
José”, expressão muito simpática, usada pela jovem
pós-graduada em Educação, Raylane Andreza Dias
Navarro Barreto, em sua bela monografia intitulada
“Os Padres de Dom José”.
31
2.2.2- Pe. Avelar Brandão Vilela
Este grande Padre, fruto precioso do
Seminário de Aracaju, exerceu uma influência
verdadeiramente marcante sobre a sociedade
D. Avelar Brandão Vilela
aracajuana.
O Padre Avelar Brandão Vilela, possuidor
do precioso dom da oratória, fez da Igreja de São
Salvador o centro de irradiação de sua ação
apostólica.
Professor e Diretor Espiritual do Seminário,
Professor do Atheneu Sergipense, Assistente
Eclesiástico da Ação Católica, do Centro Dom Vital
e da Liga Eleitoral Católica, soube continuar e
aprofundar a obra fecunda de seu antecessor, agindo
sempre em sintonia perfeita com Dom José Thomaz,
o Bispo que o recebera, ainda jovem seminarista,
vindo de Maceió, no Seminário de Aracaju, e que
mais tarde, o ordenara sacerdote e, no dia 27 de
outubro de 1946, o sagrara Bispo.
Após deixar banhada em lágrimas de fraternal
saudade a cidade de Aracaju, foi exercer, com
invulgar brilho, a função de Bispo Diocesano de
Petrolina, em Pernambuco. Mais tarde, foi
transferido como Arcebispo de Teresina, no Piauí e
depois para Salvador, Capital da Bahia, onde
exerceu, com muito zelo e competência, as funções
de Arcebispo Primaz do Brasil e Cardeal da Santa
Igreja de Jesus Cristo.
32
2.2.3- Mons. Carlos Camélio Costa
Mons. Carlos
Camélio Costa
A Catedral de Aracaju, o velho templo, a
antiga matriz da Imaculada Conceição, elevada à
categoria de Catedral com a criação e instalação da
Diocese de Aracaju, não estava condizente com o
progresso da cidade e a comunidade católica de
Aracaju desejava vê-la adaptada às novas condições
da Capital.
Mas quem iria adaptá-la aos
novos tempos? Quem iria reformála em um imponente templo, em
estilo gótico, para constituir-se o
centro das atenções de quantos
visitam nossa bela e acolhedora
Capital?
Eis que, dentre os “Padres de
Antiga catedral de Aracaju
Dom José”, surge o culto e corajoso
Mons. Carlos Camélio Costa,
membro do Cabido Diocesano, da
Academia Sergipana de Letras e um dos seus
fundadores. Tendo sido nomeado Pároco da
Catedral, recebe a permissão, a bênção e a confiança
de seu Bispo, Dom José Thomaz, para iniciar as obras
de restauração, quase reconstrução da igreja.
Foram 10 anos ininterruptos de trabalhos, de
sacrifícios e de incompreensões, como ele mesmo
me falou, várias vezes, pois tive a imensa alegria de
tê-lo conhecido e privado, com muita honra e
proveito, de sua preciosa amizade.
2.3- Congresso Eucarístico Diocesano e
inauguração da Catedral
Afinal, transcorridos 10 anos de incansáveis
trabalhos, no ano de 1946, Sergipe inteiro revestiuse de alegria para celebrar, com muita gratidão, os
50 anos de ordenação sacerdotal de seu zeloso
Pastor. Aracaju, por sua vez, preparou, com muito
carinho, o memorável Congresso Eucarístico
Diocesano, celebrado na praça Camerino, com a
33
34
presença de inúmeros bispos e, pela 1ª vez em
Sergipe, pisando solo aracajuano, o Cardeal Carlos
Vasconcelos Mota, Arcebispo de São Paulo,
formado, também, pelo zelo ardoroso de um
eminente sergipano, filho de Propriá, ex-membro
do Clero de Sergipe, apresentado por Dom José
Thomaz para ser eleito e sagrado bispo. Esse
eminente prelado sergipano, exerceu, por muitos
anos, as funções de Arcebispo Metropolitano de Belo
Horizonte-MG, sendo considerado, na época, uma
das figuras mais proeminentes do episcopado
brasileiro, Dom Antônio dos Santos Cabral.
Aqui estava ele, também participando do
cinqüentenário de ordenação sacerdotal de Dom
José Thomaz, celebrado, merecidamente, por
Sergipe inteiro, pois o Congresso Eucarístico
Diocesano de Aracaju fora preparado e antecedido
pelo Congresso Eucarístico de Lagarto, preparado
pelo zeloso Pároco Mons. João de Souza
Marinho, sacerdote português que viveu
41 anos em Sergipe, dando o melhor
de sua vida sacerdotal à comunidade
lagartense, durante 20 anos de fecundo
paroquiato e pelo Congresso Eucarístico
de Itabaiana, preparado pelo igualmente
zeloso Mons. Eraldo Barbosa de
Almeida, também um dos padres de
Dom José.
Mas o marco indelével, a marca
registrada das comemorações dos 50
anos de vida sacerdotal do 1º Bispo de
Aracaju foi, sem dúvida, a inauguração
Atual Catedral
Metropolitana de Aracaju
da Catedral de Aracaju, no dia 15 de
novembro de 1946, no meu primeiro ano de
Seminário Menor.
Hoje, os turistas católicos e até não católicos,
que visitam Aracaju, têm como referencial da fé da
nossa gente aracajuana a adequada localização e a
imponência de nossa bela Igreja Catedral.
2.4- A Igreja introduz o cooperativismo em
Sergipe
Ao Mons. Carlos Camélio Costa, homem
dedicado também à agropecuária, deve-se a
introdução do Cooperativismo em Sergipe, porque
foi ele quem fundou a primeira Cooperativa
existente em nosso Estado, a Cooperativa de
Laticínios de Sergipe, ainda hoje existente,
oferecendo leite pasteurizado à nossa comunidade,
dentro dos padrões de higiene e segurança alimentar.
35
36
Capítulo 3
INFLUÊNCIA DA
IGREJA CATÓLICA
NA FORMAÇÃO
INTELECTUAL DA
COMUNIDADE
ARACAJUANA
37
38
Capítulo 3
INFLUÊNCIA DA IGREJA
CATÓLICA NA FORMAÇÃO
INTELECTUAL DA
COMUNIDADE ARACAJUANA
3.1- A Ação Educadora da Igreja
Ao lado de sua missão específica de
esclarecer as inteligências com as verdades,
originárias da palavra de Deus, reveladas e dirigidas
aos homens, a Igreja Católica nunca se descuidou
da formação intelectual dos seus fiéis, fundando
escolas ao lado das igrejas paroquiais.
O que vinha acontecendo
desde os seus primórdios, no mundo
inteiro, verificou-se também, aqui, em
Aracaju.
Além de outras iniciativas préexistentes, foi fundado o Colégio
Nossa Senhora de Lourdes, em 1904,
pelas abnegadas Irmãs Sacramentinas,
competentes e zelosas educadoras que
COLÉGIO NOSSA SENHORA DE LOURDES
se encarregaram, por muitos anos, da
Rua José do Prado Franco – Centro
formação de crianças de ambos os
sexos, adolescentes e jovens do sexo
39
HOSPITAL SANTA IZABEL
Bairro Santo Antônio
40
feminino, pois, naquela época, a Igreja não admitia
a co-educação.
Em seu internato conceituadíssimo,
abrigavam e educavam numerosas moças que
vinham das cidades do interior para obter
sua formação ginasial, equivalente ao atual
Ensino Fundamental; o Ensino Secundário,
equivalente ao atual Ensino Médio e
também o curso Pedagógico, destinado à
formação de professoras para o antigo
curso primário.
As Irmãs Sacramentinas, além de
servirem à comunidade aracajuana como
educadoras, serviam-na, também, como
enfermeiras no Hospital Santa Izabel,
onde atuaram por vários anos.
Logo após a instalação da Diocese, chegaram
também a Aracaju, em 1913, os beneméritos padres
salesianos, que fundaram o Colégio Salesiano Nª.
Srª. Auxiliadora para
a
formação
da
juventude masculina,
mantendo também,
ao lado do Colégio, o
Oratório Festivo para
meninos pobres.
Várias e várias
gerações de Aracaju e
COLÉGIO SALESIANO N. SRª AUXILIADORA
do interior do Estado
Rua Dom Bosco, Aracaju-SE
foram formadas nos
dois grandes centros
de educação: o Colégio Nossa Senhora de Lourdes
que, depois de grandes serviços educacionais
prestados à juventude feminina de Aracaju e de
Sergipe, lamentavelmente veio a fechar suas
beneméritas portas, em 1974, e o Colégio Salesiano
Nossa Senhora
Auxiliadora, dirigido
pelos zelosos padres
salesianos, felizmente
ainda hoje existente,
prestando relevantes
serviços a Aracaju e a
Sergipe.
A partir do
dia 7 de abril de Irmã Hercília de Assunção
Mons. Floduardo de B. Fontes
Cândida de Maria Imaculada
1940,
Aracaju
passou a contar
41
também com a presença das reverendas Irmãs
Hospitaleiras da Imaculada Conceição e
graças à determinação da grande religiosa
sergipana, Irmã Cândida de Maria
Imaculada, irmã do Mons. Floduardo de
Brito Fontes, o primeiro padre ordenado
por Dom José Thomaz, e da Irmã Hercília
de Assunção, foi construído e instalado,
na Praça Tobias Barreto, em Aracaju, o
Colégio Patrocínio de São José.
Abrigando, de início, somente
COLÉGIO PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ
Praça Tobias Barreto, 1042, Bairro São José
meninas e moças de Aracaju e do interior,
esse Colégio oferecia o ensino primário,
ginasial, secundário e o curso pedagógico para a
formação de professoras para o curso primário.
Enorme tem sido a contribuição desse
Colégio para a formação da juventude feminina de
Aracaju e de Sergipe.
Graças a Deus e ao heroísmo persistente das
Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, ainda hoje
prossegue oferecendo boa formação não só à
juventude feminina, mas abrindo suas portas e
acolhendo também crianças e jovens do sexo
masculino, com o propósito de ampliar assim os seus
benéficos serviços educacionais.
Além da presença da Igreja Católica na
história da educação dos aracajuanos, pela
instalação dos Colégios Católicos aqui citados, na
ausência de faculdade para a formação de
professores, quase todos os Padres, formados no
Seminário, o grande precursor do ensino superior
em Sergipe, aliaram à sua ação evangelizadora
também a magisterial.
42
3.2- Os Padres em Escolas Públicas e Leigas
Muitos sacerdotes, através de exame de
suficiência, receberam do Ministério de Educação
o registro e a autorização para lecionar em
estabelecimentos de ensino secundário, abrangendo
os cursos ginasial, médio e pedagógico, na época.
Neste ponto, a contribuição da Igreja na
história da Capital, pela formação das novas
gerações, foi de inestimável valor.
Alguns se tornaram professores notáveis do
Atheneu Sergipense, naquele tempo, o mais
expressivo estabelecimento de ensino ginasial e
secundário do Estado. Foram eles: Pe. Mário de
Miranda Villas Boas, mais tarde Bispo e Arcebispo;
Pe. Avelar Brandão Vilela, mais tarde também
Bispo, Arcebispo e Cardeal-Primaz do
Brasil que, como o Pe. Mário, ensinou
Português e Literatura; Mons. Dr.
Alberto Bragança de Azevedo, Prof. de
Latim; Pe. José Félix de Oliveira,
também exímio Prof. de Latim; Pe. José
Augusto da Rocha Lima que, mais
tarde, abandonou o exercício do
sacerdócio, o que igualmente
Mons. Alberto Bragança
aconteceu com os padres Jugurta
de Azevedo
Franco e José Ferreira de Azevedo.
Podemos citar ainda o Pe. José
de Araújo Mendonça, que lecionou Filosofia no
Atheneu e, no Governo do Dr. Luiz Garcia, foi
Diretor do Antigo Departamento de Educação
(Secretário de Estado da Educação) cargo já exercido
também pelo Mons. Carlos Camélio Costa, no
governo do Dr. Graccho Cardoso, e o Pe. João de
Deus Góis, Prof. de Filosofia, entre outros, que
também lecionaram no Colégio Tobias Barreto e no
Jackson de Figueiredo, este último, fundado e
mantido, na Praça Olímpio Campos, por mais de
40 anos, pelo edificante casal Benedito Alves
de Oliveira e Judite Alves de Oliveira.
Pe. José Augusto da
Rocha Lima
3.3- A Igreja presente na Classe Operária
Nesta pequena amostra da presença
da Igreja na história de Aracaju, não poderia
deixar de mencionar a ação corajosa do
Mons. João Moreira Lima, filho da cidade
de Capela e um dos Padres formados por
Dom José Thomaz.
Pe. João Moreira Lima
43
Nos albores de sua vida sacerdotal,
entre outras funções, era professor no
Seminário, Diretor do Jornal da Diocese,
o semanário “A CRUZADA”, e Capelão da
Fábrica Sergipe Industrial, de 1933 a 1939.
Nesta época, a agitação social, exercida
pelos comunistas em Aracaju, era
inquietante.
1937 – Direção da Redação de “A Cruzada”. Padres
Muitos deles acusavam a Igreja de
Nelson Fontes, Manuel Soares, João Moreira Lima,
pregar
a felicidade celeste e esquecer-se
Mário de Miranda Villas Boas, Avelar Brandão Vilela
e Olívio Teixeira
das necessidades temporais dos seres
humanos, como se as pessoas tivessem
apenas almas.
Eis, pois, o Monsenhor João Moreira Lima,
no campo de luta, provando exatamente o contrário,
na prática.
“A Cruzada”
44
constituiu-se a sua
grande arma para
levar ao mundo
operário a Doutrina
Social da Igreja,
expressa
pelas
grandes Encíclicas
1935: 1ª Diretoria de CÍRCULO OPERÁRIO CATÓLICO DE
Sociais:
Rerum
SERGIPE. Sentados: Aristides Araújo, Presidente; Pe. João Moreira
Lima, Assistente Eclesiástico; Mons Carlos Costa, Mons Mário de
Novarum, do Papa
Miranda Vilas Boas, José Franca, Membro do Conselho Superior;
Manuel Franklin da Rocha, Vice presidente e Pe. Avelar Brandão
Leão XIII, e a
Vilela, da Equipe Fundadora do Movimento.
Quadragesimo Anno,
do Papa Pio XI.
Fundou, em Aracaju, o Círculo Operário
Católico, através do qual prestava assistência social
aos trabalhadores.
Para manutenção das obras assistenciais do
Antigo prédio do CINEMA VERA CRUZ, situado na Rua
Carlos Correia – Siqueira Campos. Atualmente é GALERIA
NOSSA SENHORA DE LOURDES
1943: CINEMA VITÓRIA
Rua Itabaianinha – Centro
Círculo Operário e para oferecer à sociedade
aracajuana um lazer sadio, construiu e manteve, por
muitos anos, o Cinema Vitória, na rua de
Itabaianinha e, posteriormente, também na
condição de Pároco de Nossa Senhora de Lourdes,
no Bairro Siqueira Campos, construiu e manteve,
por vários anos, o Cinema Vera Cruz.
Para maior difusão da Doutrina Social da
Igreja entre os operários,
fundou a Escola de Líderes
Operários.
Como Pároco de
Nossa Senhora de Lourdes,
concluiu a construção da
Igreja Matriz, iniciada pelo
grande franciscano Frei
Eleutério Wegener. A bem
da verdade, a presença
atuante dos franciscanos
registra-se desde os tempos IGREJA NOSSA SRª DE LOURDES
Pça. Dom José Thomaz
coloniais, em 1657 na
B. Siqueira Campos
45
46
cidade de São Cristóvão, chegando,
posteriormente, a Aracaju, em 1934, com
a fundação do Convento Santo Antônio,
atualmente na Av. Simeão Sobral.
O Mons. João Moreira Lima também
construiu o prédio, onde
funciona o Instituto Dom
Fernando Gomes, numa
justa homenagem ao 2º
CONVENTO SANTO ANTÔNIO
Bispo de Aracaju. Num
Av. Simeão Sobral - Bairro Industrial
gesto de liberalidade,
entregou-o à Congregação
das
Irmãs Terezinhas, cuja
fundadora foi a Madre Valdelícia
Martins da Silva. Ainda hoje, sob a
direção das dedicadas Irmãs
Terezinhas, o Instituto Dom Madre Valdelícia Martins da Silva
(Congregação Irmãs Teresinhas)
Fernando Gomes funciona com
uma expressiva matrícula.
Além do Instituto Dom Fernando Gomes,
o Mons. João Moreira Lima construiu e fundou o
Colégio Cristo Rei, que mantém a Educação PréEscolar e o Ensino Fundamental, atualmente sob a
direção
do
Vigário
de
Nossa Senhora
de Lourdes, o
Pe. Valdson.
Com o
advento e o
fácil acesso da
população à
INSTITUTO DOM FERNANDO GOMES E COLÉGIO CRISTO REI
Praça Dom José Tomaz – Siqueira Campos
televisão,
diminuindo a freqüência aos cinemas e com a
dificuldade de apresentar filmes de alto nível, o nosso
caríssimo Mons. João Lima foi constrangido a vender
o Cinema Vitória e, com os recursos dele advindos,
transformou o Cinema Vera Cruz, situado na Rua
Carlos Correia, no Bairro Siqueira Campos, em
Centro Comercial, deixando-o sob a administração
da Paróquia, que administra ainda a Ação Solidária,
sucessora do Círculo Operário Católico.
47
48
Capítulo 4
OS BISPOS
E AS SUAS
ATUAÇÕES
49
50
Capítulo 4
OS BISPOS E ARCEBISPOS
CONTINUADORES DA OBRA
INICIADA POR DOM JOSÉ
THOMAZ GOMES DA SILVA E
SUAS REALIZAÇÕES
4.1- Dom Fernando Gomes dos Santos, 2º Bispo
Diocesano de Aracaju(1949-1957)
Com o falecimento de Dom José Thomaz
Gomes da Silva, no dia 31/10/
1948, o Papa Pio XII,
gloriosamente
reinante,
transferiu da Diocese de PenedoAL, o jovem Bispo Dom
Fernando Gomes dos Santos
para a Diocese de Aracaju, a fim
de dar continuidade à obra
benemérita de seu grande
antecessor, Dom José Thomaz.
Vivendo intensamente o
seu lema episcopal: Predica
Verbum = Prega a Palavra (2 Tim
Dom Fernando Gomes
4, 2), dedicou-se, de corpo e
dos Santos
51
52
alma, às visitas pastorais em todas as paróquias e
capelas da Capital e do interior, empreendeu a
reforma do prédio do Seminário e incrementou o
cultivo das vocações sacerdotais.
Para isso, fundou em todas as paróquias e
capelas de todo o Estado de Sergipe núcleos das
vocações sacerdotais, esclarecendo os párocos e os
fiéis da necessidade urgente do surgimento de
numerosas vocações do seio da própria
comunidade.
Tornou-se célebre o pensamento com o qual ele
motivava os párocos a cultivarem as vocações
sacerdotais: “Nas mãos dos párocos de hoje estão
os sacerdotes de amanhã e os padres de amanhã
serão os continuadores dos párocos de hoje”.
A influência de Dom Fernando Gomes em
Aracaju foi notável:
4.1.1- Contribuição Política
Além do cuidado com a formação dos seus
futuros sacerdotes, influenciou no aprimoramento
da elite política do Estado.
Eqüidistante dos partidos políticos, sobre eles
influenciava através de inúmeras circulares,
estimulando-os a escolherem e apresentarem ao
eleitorado candidatos aptos à defesa da família, dos
bons costumes, da justiça, da liberdade, pessoas
capazes e dignas de se empenharem, de verdade,
na promoção do bem comum.
4.1.2- Encontro Regional dos Bispos do Vale do
São Francisco
Digno de nota foi o Encontro
Regional dos Bispos do Vale do São
Francisco e da Zona de Influência da
Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso,
realizado por Dom Fernando Gomes,
em Aracaju, no Auditório da Ação
Católica, no prédio, hoje, ocupado pela
Comunidade SHALOM, anexo à Rádio
Cultura, na rua Propriá, de 25 a 28 de
Antigo prédio da AÇÃO CATÓLICA.
agosto de 1952.
Atualmente, prédio da COMUNIDADE SHALOM
A cidade de Aracaju ficou
perplexa com a presença de tantos
bispos.
Entre eles, o Núncio Apostólico, Dom Carlos
Chiarlo, Dom Augusto Álvaro e Silva, Arcebispo da
Bahia e Primaz do Brasil, posteriormente, Cardeal;
Dom Ranulfo da Silva Farias, Arcebispo
Metropolitano de Maceió, a cuja metrópole estava
ligada a Diocese de Aracaju, e ainda outros
Arcebispos e Bispos, somando um total de 22.
Para apresentar ao povo da região os
benefícios advindos da presença da Usina
Hidrelétrica de Paulo Afonso compareceram
numerosos técnicos e diversas autoridades
interessadas nos temas desenvolvidos.
4.1.3- Projeto de Dom Fernando
Era desejo de Dom Fernando Gomes que a
energia produzida pela CHESF fosse utilizada,
53
54
preferencialmente, pela população da região para
acionar o desenvolvimento de todos os municípios
ribeirinhos tornando-os, pela irrigação, produtores
de frutas e legumes para abastecerem o Nordeste e
o Brasil e também para que os nordestinos tivessem
trabalho em abundância.
Assim, ele pensava também, na fixação dos
nordestinos no Nordeste sem que viessem a migrar
para o Sul, onde nem sempre são bem sucedidos.
Então, a água do SãoFrancisco
e
a
eletricidade por ela produzida seriam, na visão de
Dom Fernando, a redenção do Nordeste brasileiro.
O que Dom Fernando Gomes sonhava para
todos os municípios ribeirinhos aconteceu e
continua acontecendo em Petrolina-PE, graças ao
incentivo e à influência de Dom Avelar Brandão
Vilela que, em conversa comigo, várias vezes, referiuse às suas audiências com Nilo Coelho, o
Governador de Pernambuco, na época, a fim de
convencê-lo da importância da agricultura e da
fruticultura irrigadas no sertão pernambucano.
O próprio Bispo, Dom Avelar, chegou a
comprar e a oferecer bombas hidráulicas aos
fazendeiros ribeirinhos, em Petrolina, para mostrarlhes e convencê-los da viabilidade do projeto.
O sucesso das primeiras experiências
influenciou outros e, afinal, os resultados lá estão
para convencimento de todos os descrentes.
É profundamente lamentável que outros
não tenham procedido do mesmo modo e, hoje,
lamentemos a ameaça do próprio Governo
Federal ao querer, a todo custo, desviar parte das
águas do São Francisco para outros Estados, vindo
a prejudicar enormemente os Estados de Sergipe
e Alagoas, localizados no baixo São Francisco.
Todos os outros estados nordestinos têm
condições de, pela perenização de seus rios e
riachos temporários, armazenar as águas advindas
das trovoadas e do próprio inverno, para que, por
custo muito menor, tenham também água em
abundância para a população, para os rebanhos
e para a irrigação.
Com esta reflexão, desejo mostrar que o
milagre de o sertão estar produzindo uvas
começou em Aracaju, no encontro dos bispos da
região do São Francisco, porque Dom Avelar levou
daqui, do encontro dos bispos, em agosto de
1952, o sonho de Dom Fernando, para tornar-se
realidade em Petrolina, onde exercia o cargo de
Bispo Diocesano.
É pena que outros participantes do
encontro não tenham feito o mesmo.
Ainda é tempo de agir. Basta o despertar
do sono...
Por uma questão de justiça, ressalto aqui
o idealismo e as ações concretas do Governador
João Alves Filho ao implantar o Projeto Califórnia,
o Platô de Neópolis e construir barragens no rio
Piauí, em Lagarto, no rio Real, em Tobias Barreto,
Jacarecica I, em Itabaiana, Jacarecica II, em
Malhador, Areia Branca e Riachuelo, Porção da
Ribeira, em Itabaiana, além de outros projetos em
andamento.
Assim, no presente, mesmo sem o saber,
está realizando o que Dom Fernando Gomes já
sonhava em 1952.
55
Desculpe-me, leitor amigo, por esta
digressão que, a meu ver, é oportuníssima para
eclesiásticos, governadores, prefeitos e
empresários das margens do São Francisco.
Vamos dar continuidade às ações benéficas
de Dom Fernando Gomes, agora, no item 4.1.4.
4.1.4- Fundação do SAME
56
Na época de
Dom Fernando, as
ruas de Aracaju
estavam cheias de
mendigos. Eram
irmãos
nossos,
vindos do interior e
de outros estados
nordestinos, em
Atual prédio do SAME – Serviço de Assistência à
busca
da
Mendicância – Bairro Industrial
sobrevivência em
Aracaju.
O Bispo, no desejo de minorar o sofrimento
de tantas pessoas, homens, mulheres e crianças,
chamou a atenção da comunidade aracajuana e,
com a adesão do comércio, na pessoa de seu ilustre
representante, o Sr. Gaspar Fontes, o primeiro
Presidente do SAME, e das autoridades, no dia 15
de agosto de 1949, inaugurou o Serviço de
Assistência à Mendicância - SAME.
Esta entidade beneficente funcionou,
inicialmente, em um prédio ocupado anteriormente
pelo 28º Batalhão de Caçadores, na Rua de Geru,
onde está construído o Edifício Estado de Sergipe, e
onde funciona a Matriz do BANESE.
4.1.5 - Faculdade Católica de Filosofia
Para a boa formação das
novas gerações são necessários
professores bem formados, dizia
Dom Fernando, lamentando por
Aracaju ainda não possuir um centro
de formação superior para
professores.
Eis, pois, Dom Fernando
Gomes empenhado na Fundação da
FACULDADE CATÓLICA DE FILOSOFIA DE
Faculdade Católica de Filosofia de
SERGIPE - Atualmente no prédio está instalado
o IPES, Rua de Campos - Bairro São José
Sergipe, cuja direção entregou ao,
então, Padre Luciano José Cabral
Duarte.
E toda a comunidade aracajuana começou
a contar com a presença e com os serviços prestados
pelos professores formados na Faculdade Católica
de Filosofia de Sergipe, devidamente habilitados para
transmitir às novas gerações os conhecimentos
adquiridos, dentro das normas pedagógicas. A
Faculdade funcionou, nos seus primórdios, no antigo
Colégio Nossa Senhora de Lourdes.
Posteriormente, Pe. Luciano, seu Diretor,
construiu o novo prédio e a transferiu para a Rua de
Campos, onde funcionou até ser incorporada e
transferida para o Campus da UFS.
4.1.6- Faculdade de Serviço Social
Além da Faculdade Católica de Filosofia,
Dom Fernando Gomes trouxe para Aracaju as Irmãs
Missionárias de Jesus Crucificado, às quais entregou
57
o economato do Seminário Diocesano
e deu-lhes o devido apoio para a
fundação e funcionamento da Faculdade
de Serviço Social.
4.1.7- Centenário de Aracaju
Quando, em 1955, Aracaju
celebrou o seu Centenário de fundação,
Dom Fernando Gomes, contando com
a concordância e a total colaboração do
Prefeito da Capital, Dr. Jorge Maynard, e do
Governador do Estado da época, Dr. Leandro
Maciel, arregimentou e motivou toda a população
para prostrar-se, genuflexa, diante de Jesus, presente
na Eucaristia, a fim de que, por Ele e Nele,
agradecesse a Deus o grande presente de nossa
acolhedora Capital.
Não participei, pessoalmente, desse grande
certame de fé e agradecimento a Deus, porque me
encontrava em São Leopoldo, no Rio Grande do
Sul, cursando o penúltimo ano de Teologia. Porém
acompanhei o Congresso,realizado na Praça da
Bandeira, através de “A CRUZADA”, jornal
semanário da Diocese.
FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL
Rua Estância, entre Itabaiana e Pacatuba - Centro.
Atualmente, patrimônio Histórico.
58
4.1.8 - Preparação para a Criação das Dioceses
de Estância e de Propriá
Ciente de que não era possível um só Bispo
evangelizar todo o Estado de Sergipe, Dom Fernando
Gomes iniciou os preparativos para a criação das
Dioceses de Estância e de Propriá.
Sendo transferido, em 1957, para a
Arquidiocese de Goiânia, com a incumbência de
preparar a fundação da Arquidiocese de Brasília,
coube ao seu sucessor a concretização dos seus
objetivos: a) Sergipe ser melhor evangelizado; b)
Aracaju ser elevada à categoria de Arquidiocese.
4.2- A presença de Dom José Vicente Távora e
suas atividades em benefício da Capital
Com a transferência de Dom
Fernando Gomes dos Santos para a
Arquidiocese de Goiânia-GO, em 15 de
maio de 1957, Aracaju foi agraciada com
a presença do seu 3º Bispo Diocesano,
Dom José Vicente Távora, em 1958, que
continuou os projetos de seus
antecessores.
1) Concretizou o plano da criação
e instalação das Dioceses de
Dom José Vicente Távora
Estância e Propriá, elevando,
conseqüentemente, Aracaju à
condição de Arquidiocese, em 1960.
Por conseguinte, Dom José Vicente Távora
que era o 3º Bispo de Aracaju, tornou-se o
seu 1º Arcebispo Metropolitano.
2) Adquiriu o terreno e construiu a sede
própria do SAME, no Bairro Industrial, onde
até hoje funciona.
3) Dedicou-se de corpo e alma à formação
dos leigos engajados na vida da Igreja, na
Ação Católica especificamente na Juventude
59
60
Operária Católica (JOC).
4)
Fundou, aos 21 de
novembro de 1949, a Rádio
Cultura de Sergipe que, até a
chegada da televisão a Aracaju,
foi líder absoluta de audiência
e grande formadora de opinião.
5) Fundou o Movimento de
RÁDIO CULTURA DE SERGIPE
Educação de Base (MEB), que
Rua Simão Dias, 643 – centro
não só beneficiou uma boa
parte da população de Aracaju,
ainda analfabeta, como especialmente do
interior, com as escolas radiofônicas
espalhadas em quase todos os povoados de
Sergipe. Pelo MEB, a população carente era
não só alfabetizada, mas também
conscientizada de seus direitos e deveres,
razão pela qual muitas incompreensões
surgiram com o advento do poder militar, a
partir de 1964.
6) Apoiou a fundação da Congregação das
Irmãs Terezinhas dedicada à educação e à
evangelização cuja sede se encontra na
Colina de Santo Antônio, nesta Capital,
atuando em Aracaju, em algumas cidades do
interior de Sergipe, em outros Estados
brasileiros e, inclusive, com uma casa na
África.
7) Na condição de Presidente da Fundação
Dr. Manuel Cruz, colaborou efetivamente
com a saudosa Irmã Protísia Waltering
colocando à sua disposição o prédio da
referida Fundação, situado na Av. João
Ribeiro, 846, para a instalação do
Hospital São José, onde hoje
ainda funciona, entregue às Irmãs
Missionárias da Imaculada
Conceição da Mãe de Deus que,
desde 1926, vinham prestando
relevantes serviços à população de
Aracaju e de Sergipe no Hospital
Cirurgia.
8) Fundou também a Casa da
Empregada Doméstica, na Rua de
Propriá, e a Creche que leva o seu
nome, na Praça da Bandeira.
9) Ressalte-se ainda como grande
contribuição para o bem de
Aracaju, a iniciativa de Dom
Távora em reconduzir os
beneméritos frades Capuchinhos,
instalando-os no Bairro América,
onde fundaram a
Escola Santa Rita
de Cássia, onde se
empenharam pela
instituição
da
Polícia Comunitária
e onde construíram
ESCOLA SANTA RITA DE CÁSSIA
o Santuário São
Rua Haiti – Bairro América
Judas Tadeu, para
onde converge
grande parte da comunidade, a fim
de receber os sábios conselhos e a
absolvição de seus pecados, através
do grande confessor, o venerando
HOSPITAL SÃO JOSÉ
Av. João Ribeiro – Santo Antônio
CASA DA EMPREGADA DOMÉSTICA
CRECHE DOM JOSÉ VICENTE
SANTUÁRIO SÃO JUDAS TADEU,
mais conhecida como Igreja dos Capuchinhos,
Rua Bolívia - Bairro América
61
62
Frei Miguel. Este, na altitude de seus 96 anos
de vida, ainda encanta, com sua simplicidade
e grande capacidade de acolhimento, a todos
os que o procuram, e voltam de lá com a
consciência limpa e com a disposição de
viver em paz com Deus e com os irmãos.
10) Implantou, em quase todos os municípios
sergipanos, os sindicatos rurais. Com esta
iniciativa, desejava que os trabalhadores
rurais unidos tivessem mais condições de
Frei Miguel
reivindicar os seus direitos e fossem mais fiéis
no cumprimento de seus deveres.
11) Permitiu que o Pe. José
Carvalho de Sousa, na época,
reitor do Seminário Diocesano,
fundasse, em 1960, o Colégio
Arquidiocesano “S. Coração de
Jesus”, no mesmo prédio que
sediara, em 1913, o Seminário
Diocesano, na Praça Camerino,
181.
O
Colégio
Arquidiocesano “S. Pe. José Carvalho de Sousa
Coração de Jesus”,
desde
a
sua
fundação, vem sendo uma
instituição de ensino voltada a
oferecer todas as condições
necessárias, para que seus alunos
sejam homens e mulheres
capazes, dignos e fiéis seguidores
COLÉGIO ARQUIDIOCESANO “S. CORAÇÃO DE JESUS”
de Jesus Cristo.
Rua Dom José Thomaz, 194 – São José
É um estabelecimento onde se faz
a verdadeira inclusão social. Ao lado de
jovens procedentes de famílias de classe alta
e média, estudam também crianças e jovens
originários de famílias modestas que,
mediante bolsas de estudo integrais ou
parciais, recebem a mesma formação de
excelente qualidade e muitos deles, hoje,
ocupam postos de destaque em vários setores
da vida profissional e política em Sergipe e
em outros Estados da Federação.
Para mostrar a amplitude da ação social do
Colégio Arquidiocesano, é bastante
considerar que, em razão de ser uma
instituição de educação sem fins lucrativos,
de 1998 até o ano de 2005, já ofereceu a
jovens carentes a importância de
R$9.370.050,61 (nove milhões, trezentos e
setenta mil, cinqüenta reais e sessenta e um
centavos), assim distribuídos:
63
4.3-Dom Luciano José Cabral Duarte - 2º
Arcebispo Metropolitano
64
Com o falecimento de
Dom José Vicente Távora, em
1970, Dom Luciano José Cabral
Duarte, que já exercia as funções
de Bispo Auxiliar, foi nomeado
pelo Papa Paulo VI, o 2º
Arcebispo Metropolitano de
Aracaju.
Ainda como Bispo
Auxiliar de Aracaju, na condição
de Diretor da Faculdade Católica
de Filosofia de Sergipe, como
Dom Luciano José
membro do Conselho Estadual
Cabral Duarte
de Educação de Sergipe,
especificamente
como
Presidente da Câmara de Ensino Médio e Superior,
e, posteriormente, como membro atuante do
Conselho Federal de Educação, notabilizou-se pela
maneira como se
empenhou pela criação
da
Universidade
Federal de Sergipe. Sua
presença atuante foi
deveras marcante para
o
advento
da
Universidade, inclusive
incorporando-lhe a
Faculdade Católica de
Universidade Federal de Sergipe – UFS
Filosofia, a Faculdade
Bairro Rosa Elze – São Cristóvão-SE
de Serviço Social e o
Colégio de Aplicação, este último por ele mesmo
fundado.
Atuação como Arcebispo:
1) Incrementou o cultivo das vocações
sacerdotais, criando em toda a Arquidiocese
um clima, como ele sempre afirmava, de
sensibilidade vocacional. Compôs e ordenou
que fosse rezada em todas as Missas a Oração
pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas, ainda
hoje rezada em toda a província eclesiástica
de Aracaju.
2) Criou várias paróquias na Capital e no
interior.
3) Através de suas homilias e sermões,
especialmente durante a Semana Santa e
horas católicas, doutrinava e encantava seus
ouvintes pelo brilho de sua palavra.
4) Ordenou vários sacerdotes, frutos de seu
trabalho pelas vocações sacerdotais.
5) Pouca gente sabe, mas é digno de menção
o esforço empreendido por Dom Luciano
junto ao Ministério da Previdência Social para
que as empregadas domésticas de Aracaju,
de Sergipe e do Brasil, pudessem usufruir dos
benefícios do Instituto de
Previdência e Seguridade Social.
6) Nesta mesma dimensão,
fundou a Escola João XXIII, na Vila
João Costa, para recuperação de
mulheres marginalizadas e o Centro
Educacional BEM-ME-QUER, na
Centro Educacional BEM ME QUER
Rua São Cristóvão - Centro
rua São Cristóvão, para filhos de
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Atual SEMINÁRIO MENOR
Bairro industrial
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Domésticas.
7) Transferiu o Seminário
Menor para o Bairro Industrial,
onde ainda hoje se encontra.
8) Recuperou a posse dos
conventos Nossa Senhora do
Carmo e São Francisco, em
São Cristóvão, fundando, neste
último, o Museu de Arte Sacra
de Sergipe, onde se encontra
Museu de Arte Sacra de
o acervo valioso de imagens e
Sergipe São Cristóvão-SE
objetos sacros, legados
preciosos das gerações passadas
que, hoje, estão preservados
graças à instituição do referido
Museu.
9) Transformou o
Convento
São
Francisco em centro
de encontros de
evangelização
e
estudos sociais.
10) Já o Convento do
Convento São Francisco
Carmo ele entregou
São Cristóvão-SE
às Irmãs Beneditinas
que, até pouco
tempo, nele instalaram o Mosteiro
Beneditino Nossa Senhora da Vitória.
11) Outro ponto marcante na atuação de
Dom Luciano foi a resolução tomada por ele,
juntamente com os Bispos de Estância e de
Propriá, para a fundação do Seminário Maior
Nossa Senhora da Conceição, com o objetivo
de facilitar a formação dos sacerdotes para a
Arquidiocese de Aracaju e para as dioceses
sufragâneas.
12) Entre as iniciativas altamente
benéficas de Dom Luciano, registre-se a
presença da Comunidade SHALOM entre
nós. Não só pela direção da Rádio Cultura
que lhe foi entregue, desde 1992, como
também por sua atuação na evangelização,
através dos constantes encontros, que são
promovidos pelos membros da comunidade,
visando à formação humana da juventude e
das famílias.
13) Acolheu e estimulou também a fundação,
em Aracaju, da Associação de Dirigentes
Cristãos de Empresa - ADCE,
visando à divulgação dos
princípios da Doutrina Social da
Igreja entre os empresários, para
que exista um fraterno
relacionamento
entre
empregadores e empregados,
dentro dos sadios princípios da
Doutrina Social da Igreja.
Para que se tenha uma idéia da
ação da ADCE em Aracaju, posso
citar a realização de 21 encontros
de reflexão, atingindo, mais ou
ADCE – Associação de Dirigentes
Cristãos de Empresa
menos, 500 empresários e 5
Rua Santo Amaro, 82 – Centro
encontros de reflexão, para
funcionários, abrangendo cerca
de 400, que saem cientes de que patrões e
empregados não devem viver em
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antagonismo, porém irmanados, tendo como
fundamento os princípios da fé, da justiça,
da verdade, da solidariedade e do amor ao
trabalho para que, juntos, construam uma
sociedade fraterna, próspera e pacífica.
14) Para facilitar o acesso da comunidade à
programação da Rede Vida de Televisão,
empreendeu uma campanha em prol da
instalação de uma torre repetidora em
Aracaju.
15) Para mostrar concretamente a viabilidade
da reforma agrária e, concomitantemente, da
criação de empregos para as pessoas não
alfabetizadas ou de pouca instrução, que não
possuíam terra para trabalhar, Dom Luciano
empreendeu uma bem sucedida experiência
de reforma agrária em Sergipe.
Contando com a colaboração dos
governadores da época, como Dr. Lourival
Batista, Dr. Paulo Barreto de Menezes e Dr.
João Garcez e, ainda da Misérior, instituição
alemã, e até da maçonaria de Aracaju, a Loja
Cotinguiba, Dom Luciano José Cabral
Duarte, ainda como Bispo Auxiliar e, a partir
de 1971, como Arcebispo Metropolitano de
Aracaju, conseguiu recursos e comprou
grandes propriedades: duas no município
de Maruim, uma em Santo Amaro das Brotas,
uma em Santa Rosa de Lima, uma em
Carmópolis e uma em Divina Pastora.
Essas 06 propriedades foram divididas em
lotes de 33 tarefas (dez hectares) e nelas
foram assentadas 261 famílias. Antes e depois
de instalados, os chefes de família eram
treinados e orientados para o cultivo da terra
e tornaram-se pequenos agricultores e
criadores de gado.
Muitos deles, hoje, possuem transporte
próprio e até casa em Aracaju.
Esta melhoria de vida dos participantes do
projeto justifica plenamente o nome
PROCASE - Promoção do Homem do
Campo de Sergipe, que, ao longo de sua
existência, entre 1968 e 1988, beneficiou
cerca de 5.000 pessoas.
Trata-se de uma iniciativa-modelo que
poderia muito bem servir de orientação para
os nossos governantes Nacionais, Estaduais
e Municipais, para que promovam a
verdadeira reforma agrária justa e produtiva,
precedida, como aconteceu com a
PROCASE, pela criteriosa escolha de quem
quer, de fato, trabalhar e pela necessária
preparação para o correto uso da terra que
lhe foi doada.
Assim, a terra é dividida e quem não tem
preparo para outras atividades, ou não
consegue emprego em outras áreas, acaba
tendo uma ocupação, diminuindo, com isso,
os altos índices de desemprego, o grande mal
da Nação Brasileira, que tem feito tantos dos
nossos irmãos caírem na marginalidade.
Aqui está o belo exemplo dado pela
Arquidiocese de Aracaju...
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4.4- A presença de Dom José Palmeira Lessa e
sua atuação em benefício de Aracaju
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Com o agravamento do
seu estado de saúde e na
proximidade de completar 75
anos, Dom Luciano renunciou
às funções de Arcebispo
Metropolitano de Aracaju, em
1998, sendo substituído por
Dom José Palmeira Lessa que,
por designação do Santo Papa
João Paulo II, já vinha
exercendo as funções de
Arcebispo- Coadjutor de
Aracaju.
Dom José Palmeira Lessa
Assumindo, de direito e
de fato, a sede Arquiepiscopal
de Aracaju, Dom José Palmeira Lessa vem dando
continuidade à obra de seus antecessores,
aperfeiçoando e adaptando toda ação pastoral às
novas circunstâncias, dentro das atuais possibilidades
e necessidades, para que o reino de Deus penetre
nos corações e na sociedade.
Atuação como Arcebispo Metropolitano:
1) Com suas atenções voltadas, de modo
especial, para a presença da Igreja nos meios
de comunicação, conseguiu nova
aparelhagem para a Rádio Cultura de
Sergipe.
2) Estimulou Pe. Jonas
Abib a adquirir a TV Jornal
de Sergipe, a fim de que,
como emissora da rede
Canção
Nova,
a
comunidade de Aracaju
tivesse em seus receptores
uma
programação
eminentemente católica e
promotora do bem-estar de
nossa gente.Ressalte-se, a
bem da verdade, o gesto
magnânimo do Casal João
Alves Filho e Maria do Carmo Nascimento
Alves que deixou de vender sua emissora de
televisão por R$8.000.000,00 (oito milhões
de reais) à Igreja Universal do Reino de Deus
e vendeu à Fundação João Paulo II, apenas
por R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e
quinhentos mil reais).
A bem da verdade e da justiça, é bom frisar
que o Colégio Arquidiocesano “S. Coração
de Jesus” também colaborou efetivamente
para que a Fundação João Paulo II,
mantenedora da Canção Nova, adquirisse a
TV Jornal de Sergipe.
Com o advento da TV Canção Nova, instalouse em Aracaju uma representação da
Comunidade Canção Nova que, além de
dirigir a televisão, promove diversos
encontros e atividades outras, sendo precioso
agente de evangelização e formação humana
para a população.
Padre Jonas Abib
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3) Digno de aplausos o zelo com que
Dom Lessa se empenhou em
conseguir recursos no exterior para
construir uma sede condigna para o
Seminário Maior Nossa Senhora da
Conceição, hoje, inaugurada e
funcionando no Bairro Lamarão,
oferecendo conforto aos seminaristas,
futuros sacerdotes evangelizadores e
SEMINÁRIO MAIOR N SRª DA CONCEIÇÃO
plasmadores de uma sociedade mais
no Bairro Lamarão
cristã e mais humana.
4) A criação de várias paróquias nas
periferias de Aracaju é também uma ação
de grande interesse para o bem das
populações periféricas da Capital.
5) Com a saída das Irmãs Beneditinas do
Convento do Carmo, de São Cristóvão, Dom
Lessa entregou o Convento aos Frades
Carmelitas que, além de trabalharem em
Carmópolis e em Aracaju, passaram a atuar
também em São Cristóvão.
6) Acolheu e vem dando apoio ao Conselho
Nacional de Leigos (CONAL), objetivando
a preparação de leigos católicos para a
militância no campo da política que deve ser
exercida, dentro dos sadios princípios do
evangelho e com vistas à implantação da
ética na administração pública para a
promoção do bem-comum.
7) Para facilitar a presença da Igreja junto às
comunidades carentes, Dom Lessa tem
aberto as portas da Arquidiocese para acolher
diversas congregações religiosas masculinas
e femininas para se dedicarem à
evangelização e à promoção humana, nas
periferias de Aracaju e no interior do Estado.
8) Criou também a Assessoria de
Comunicação da Arquidiocese, responsável
pela edição do Jornal “A Igreja em Notícias”.
9) Agora, quando o Governo Federal
pretende, a todo custo, transferir parte das
águas do rio São Francisco para outros
Estados do Nordeste, Dom José Lessa, em
união com os senhores Bispos de Estância,
Dom Marco Eugênio Galrão Leite de
Almeida, e de Propriá, Dom Mário Rino
Sivieri, com o clero da Província Eclesiástica
de Sergipe e com outras instituições da nossa
Capital, eleva sua voz, clamando e advertindo
a população contra o perigo de, dentro de
alguns anos, Aracaju não ter mais água
potável vinda do São Francisco, porque o
baixo São Francisco estará salinizado,
havendo se transformado em um braço de
mar. Mais uma prova inconteste do interesse
da Igreja Católica pela adequada solução dos
problemas humanos e sociais.
10) Como sempre acompanhou e participou
ativamente da história da nossa querida e
acolhedora Capital, agora, neste ano de
2005, quando ela celebra seus 150 anos de
fundação, a Igreja Católica não poderia
deixar de reunir e motivar toda a
comunidade católica para tributar a Deus o
devido culto de gratidão por todos os
benefícios prodigalizados à nossa Capital
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sesquicentenária.
Para isto, o atual Arcebispo
Metropolitano, Dom José Palmeira Lessa,
apresentou a idéia ao Exmo. Sr. Governador
do Estado, Engº. João Alves Filho e ao Exmo.
Sr. Prefeito Municipal de Aracaju, Dr.
Marcelo Déda, e ambos acolheram muito
bem a sua idéia e prontificaram-se a
colaborar.
O Arcebispo, que desejava realizar
um grande evento, constituiu uma comissão
e confiou-lhe todo o trabalho preparatório.
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Santa Missa de abertura do evento do Aniversário de
Aracaju no dia 16 de março de 2005
Escolhida a data, 16 de março de
2005, véspera do dia sesquicentenário, a
Comissão foi à 1ª Dama, a Senadora Maria
do Carmo Nascimento Alves, encarregada
pelo Governador para tomar as providências
necessárias à grande celebração, e ela a
recebeu e, amavelmente, atendeu a todas as
suas solicitações .
Ofereceu a Praça de
Eventos da Orla da Atalaia e
disponibilizou a instalação de
dois palcos, com iluminação
e som para a celebração da
Missa solene e do grande
show com artistas locais e de
fora, dentre eles, o grande
pioneiro cantor católico, o
Pe. Zezinho no evento do Aniversário de Aracaju
conhecido e estimado Pe.
Zezinho, acompanhado do
seu grupo, Os Cantores de Deus. O
igualmente querido e apreciado Pe. Jonas
Abib também compareceu,
trazendo
considerável
número de outros cantores
da Canção Nova, técnicos,
um caminhão com o link e
todos os equipamentos
necessários para transmitir a
solenidade, através da TV
Canção Nova, para todo o
Brasil, para a Europa e para a
Pe. Jonas Abib no evento do Aniversário de Aracaju
África Portuguesa.
Todas as passagens
aéreas, as despesas da vinda do carro com o
link foram custeadas gentilmente pelo
Governador do Estado, através da Secretaria
de Estado de Combate à Pobreza e do Bem
Estar Social. Inclusive o pagamento e a
hospedagem do Pe. Zezinho e seus
acompanhantes.
Ao governador Engº. João Alves Filho
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e à Primeira Dama, Senadora Maria do
Carmo Nascimento Alves, a Arquidiocese
de Aracaju agradece a inestimável
colaboração.
Ao Exmo. Sr. Prefeito da Capital, Dr.
Marcelo Déda, que
custeou a edição de
10.000 exemplares
deste livro, para levar à
população da Capital e
do Estado de Sergipe o
conhecimento
da
imensa colaboração da
Igreja Católica nos 150
anos de existência de
nossa querida Aracaju,
Edvaldo Nogueira (Vice-prefeito), Mons. José Carvalho de
Souza (Diretor do Colégio Arquidiocesano), João Alves
além de outras despesas
Filho (Governador de Sergipe) e Marcelo Deda (Prefeito
feitas pela Comissão,
de Aracaju), no evento do Aniversário de Aracaju
em vista do maior
esplendor
das
comemorações do sesquicentenário de
Aracaju, a Arquidiocese também agradece,
ressaltando, sobretudo, a maneira amável
como o Vice-Prefeito, Edvaldo Nogueira,
sempre recebeu a Comissão.
Por fim, pôde-se ver estampada no
semblante de todos, do Arcebispo, do Bispo
Auxiliar, do Bispo de Propriá, dos padres, dos
membros da Comissão Organizadora e de
todos os presentes, a alegria pela presença
de uma enorme multidão na Praça de
Eventos da Orla de Atalaia, constituída de
fiéis da Capital e do interior, todos cheios de
gratidão a Deus por todo o bem que tem
feito à nossa cidade e à nossa gente.
Ao mesmo tempo, todos juntos,
unidos pela mesma fé, imploraram a Deus
novos benefícios, no sentido de nossa
Capital continuar sendo hospitaleira e que,
com o trabalho perseverante de todos os
dirigentes e dirigidos, ela se torne cada vez
mais bela e todos os seus habitantes
beneficiem-se de uma convivência
iluminada pela fé em Deus, que se manifesta
por Cristo Jesus.
Que a fé em Cristo conduza todos a
viverem irmanados na justiça, na verdade,
na solidariedade e no amor ao trabalho para
que, de ano para ano, nossa gente sinta-se
mais feliz, habitando numa
cidade próspera, segura e
pacífica.
11) A presença de Dom
Dulcênio Fontes de Matos,
Bispo Auxiliar na comunidade,
pela Rádio Cultura e em suas
constantes visitas pastorais,
também tem sido fator
positivo na evangelização e na
formação humana dos
aracajuanos, como aconteceu
com os outros Bispos
Auxiliares que atuaram em
Aracaju, a exemplo de Dom
Dom Dulcênio Fontes Matos
Nivaldo Monte, Arcebispo
Emérito de Natal-RN, Dom
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João Messe, atualmente, Bispo Diocesano
de Barra do Piraí-RJ e de Dom Edvaldo
Amaral, que apresentava pela Rádio Cultura,
o programa “Na Fé e na Verdade”, que
continua sendo levado ao ar todos os
sábados, às 17 horas e 30 minutos.
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Conclusão
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CONCLUSÃO
Espero que o leitor amigo entenda que este
modesto trabalho não foi elaborado por um
especialista em pesquisa:
Primeiro, porque não dispus de tempo
suficiente e mesmo porque não tenho o hábito de
pesquisar.
E segundo, porque quis, apenas, usando do
meu arquivo pessoal, como simples observador e
vivenciador da vida de nossa Arquidiocese e da ação
fecunda de seus bispos e Arcebispos, de seu clero e
leigos engajados, sobretudo a partir do meu primeiro
ano de Seminário Menor, em 1946, tentar mostrar
a ativa e atuante presença da nossa querida Igreja
Católica Apostólica e Romana, inserida, desde os
primórdios de nossa igualmente querida cidade de
Aracaju - Capital de todos os sergipanos, na
promoção do bem espiritual e temporal de nossa
gente.
Estou, pois, aberto e disposto a receber
qualquer contribuição de quem quer que seja, com
vistas a completar as lacunas existentes neste
modesto trabalho.
Espero que nós, bispos, sacerdotes, religiosos
e leigos de hoje e de amanhã, sejamos dignos dos
nossos antecessores e nos esforcemos para que a
presença da Igreja Católica Apostólica e Romana
seja, sempre e cada vez mais, motivo de estímulo e
bem-estar presente e futuro de quantos vivem e
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vierem a viver em Aracaju, sob as bênçãos de Deus
e debaixo do manto de nossa excelsa padroeira, a
Imaculada Conceição, Mãe de Deus e nossa.
Salve Aracaju, sesquicentenária!
Que seus filhos se orgulhem sempre de você
e você de seus filhos!
Aracaju, sesquicentenária,
17 de março de 2005.
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