Presença Participativa da Igreja Católica na História dos 150 anos de Aracaju Mons. José Carvalho de Sousa 1 Sousa, José Carvalho de Presença Participativa da Igreja Católica na História dos 150 anos de Aracaju / José Carvalho de Sousa -- 1. ed. -- Aracaju-SE: 2006 2 Projeto gráfico: Carlos Barbosa Diagramação e capa: Marcos Heinrich Revisão: Lilian Rocha Impressão e acabamento: Gráfica... PREFÁCIO Às vésperas de completar 150 anos, Aracaju se prepara para sua grande e merecida festa. São homenagens que lhe chegam de todos os lados, presentes os mais diversos. Homenagens de seus inúmeros filhos, espalhados hoje, por esse Brasil imenso. Mas chegou-me às mãos um singelo e singular presente para Aracaju, de alguém nascido em Lagarto, mas que dedicou mais de 50 anos de sua vida a esta pequena e acolhedora cidade. Trata-se de um pequeno livro, o qual ele mesmo batizou de “modesto trabalho”, sobre a intensa participação da Igreja na história de Aracaju. Veio a mim já embrulhado para presente, faltando apenas que eu lhe pusesse “um laço de fita”, chamado “prefácio”. E enquanto eu me via às voltas com essa difícil incumbência, vez que nunca fui boa para dar “laços”, pensei comigo que Aracaju vai sorrir quando receber esse presente, pois é exatamente dentro deste “modesto trabalho”, escrito em tão pouco tempo e fruto tão somente de suas memórias, que se encontra uma das maiores e mais ricas contribuições da Igreja para Aracaju e que se constituirá, muito em breve, num valioso documento histórico. E na embalagem, todos vão poder conhecer um pouco da alma deste grande admirador de 3 Aracaju, homem de memória excepcional, que dedicou toda a sua vida em prol de suas duas únicas paixões: a Igreja e a Educação. Recebe, então, Aracaju, este “modesto trabalho” deste educador e religioso que hoje estréia seu nome, também, como escritor. E quando abrires esse presente, estreita-o em teus braços e chama-o, também, como ele merece ser chamado: de filho teu. Lilian Gomes Rocha 4 APRESENTAÇÃO Prezado(a) Leitor(a) Aqui está, para seu conhecimento, um breve relato da “Presença Participativa da Igreja Católica na História dos 150 anos de Aracaju”. Trata-se de um trabalho elaborado, com muito zelo, dentro das limitações de tempo do autor, que deseja, única e exclusivamente, levá-lo(a) a sentir o grande ideal da Igreja Católica, fiel a seu Divino Fundador, Jesus Cristo, de ser a grande servidora da humanidade. E a Igreja vive na fidelidade a este nobilíssimo ideal, evangelizando e humanizando, oferecendo à sociedade as condições necessárias para que seja feliz no tempo e na eternidade. Eis o que você constatará, na leitura desta pequena amostra da presença ativa da Igreja Católica Apostólica e Romana na história dos 150 anos de nossa querida Aracaju. Aracaju, 15 de março de 2006 Mons. José Carvalho de Sousa. 5 6 DEDICATÓRIA 7 Ao querido Colégio Arquidiocesano “S. Coração de Jesus” que, este ano, completa 46 anos de existência, aos seus coordenadores, professores, funcionários e alunos, dedico esta pequena amostra da Presença Participativa da Igreja Católica, na História de Aracaju, em seus 150 anos. 8 AGRADECIMENTOS Diversas foram as fontes de informações para que viesse a apresentar a Presença Participativa da Igreja Católica na História dos 150 anos de Aracaju. A todos quantos me forneceram informações e de modo especial, à funcionária do Arquidiocesano, Karine Belchior de Souza, pelo empenho em conseguir quase todas as fotos, pela digitação e disposição dos temas aqui apresentados, a minha profunda gratidão. 9 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO _______________________________________ 15 CAPÍTULO 1 - BREVES INCURSÕES SOBRE O PAPEL DA IGREJA CATÓLICA NA HISTÓRIA DE SERGIPE ___________ 21 1.1- Antes de Aracaju existir, já a Igreja estava presente servindo à população ........................................ 21 1.2- Atuação da Igreja Católica na Capital ....................... 21 CAPÍTULO 2 - A DIOCESE DE ARACAJU - OS PRIMEIROS TEMPOS _____________________________________ 27 2.1 - A sua criação ............................................................ 27 2.2- Frutos do Seminário ................................................. 30 2.2.1- O Padre Mário de Miranda Villas Boas ....... 30 2.2.2- Pe. Avelar Brandão Vilela ............................ 31 2.2.3- Mons. Carlos Camélio Costa ....................... 32 2.3- Congresso Eucarístico Diocesano e inauguração da Catedral ................................................................................. 33 2.4 - A Igreja introduz o cooperativismo em Sergipe ........ 35 CAPÍTULO 3 - INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA NA FORMAÇÃO INTELECTUAL DA COMUNIDADE ARACAJUANA _____________ 39 3.1- A Ação Educadora da Igreja ..................................... 39 3.2- Os Padres em Escolas Públicas e Leigas...................... 42 3.3- A Igreja presente na Classe Operária.......................... 43 11 CAPÍTULO 4 - OS BISPOS E ARCESBIPOS, CONTINUADORES DA OBRA INICIADA POR DOM JOSÉ THOMAZ GOMES DA SILVA, E SUAS REALIZAÇÕES ______________________________ 51 12 4.1- Dom Fernando Gomes dos Santos, 2º Bispo Diocesano de Aracaju 1949-1957........................................ 51 4.1.1- Contribuição Política ...................................... 52 4.1.2- Encontro Regional dos Bispos do Vale do São Francisco .................................................................. 53 4.1.3- Projeto de Dom Fernando ............................. 53 4.1.4- Fundação do SAME ....................................... 56 4.1.5 - Faculdade Católica de Filosofia .................... 57 4.1.6- Faculdade de Serviço Social .......................... 57 4.1.7- Centenário de Aracaju ................................... 58 4.1.8- Preparação para a Criação das Dioceses de Estância e de Própria ................................................... 58 4.2- A presença de Dom José Vicente Távora 1º Arcebispo de Aracaju e suas atividades em benefício da Capital ....................................................... 59 4.3 - Dom Luciano José Cabral Duarte 2º Arcebispo Metropolitano ................................................. 64 4.4 - A presença de Dom José Palmeira Lessa 3º Arcebispo e sua atuação em benefício de Aracaju ........ 70 CONCLUSÃO ____________________________________________ 81 Introdução 13 14 INTRODUÇÃO A presença participativa da Igreja Católica na história da comunidade sergipana e, em particular, da cidade de Aracaju, fundada por Inácio Joaquim Barbosa para, desde o dia 17 COLINA DE SANTO ANTÔNIO Onde tudo começou... de março de 1855, ser a Capital do Estado de Sergipe, foi e é de fundamentalíssima importância. Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, nascido por obra e graça do Espírito Santo, do seio puríssimo da Santíssima Virgem Maria, fundou a Igreja e ordenou que ela chegasse a todos os povos, como sinal e instrumento de salvação. Por isso, ao encerrar sua presença visível ao mundo, ordenou aos apóstolos que fossem pelo mundo inteiro e a toda humanidade levassem o anúncio da salvação: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo que vos prescrevi: eis que eu estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos.”(Mt 28, 18-20) Também nesta mesma dimensão, em Mc 16, 15-16, Jesus ressalta a necessidade de o Evangelho ser anunciado a todos os povos e de todos os povos 15 16 aderirem ao Evangelho para que, crendo e sendo batizados, todos alcancem, beneficiem-se com a salvação, oferecida por Deus, em Cristo Jesus. “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura. Aquele que crer e for batizado será salvo; o que não crer, será condenado” (Mc 16, 15-16) Mas, para que os apóstolos tivessem condições de cumprir essa missão, humanamente falando, impossível de ser cumprida por aqueles onze homens simples, sem o mínimo preparo intelectual que os tornasse capazes de enfrentar e superar as dificuldades vindouras, Jesus lhes fez esta recomendação: “Permanecei na cidade [em Jerusalém], até serdes revestidos da força do Alto.”(Lc 24, 49) De fato, 50 dias após a ressurreição, Jesus enviou-lhes o Espírito Santo, a força do Alto, e eles, os apóstolos, ficaram plenificados, “ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os impelia falassem”. (At 2,4) Assim, revestidos da força do Alto, iluminados e robustecidos pelo Espírito Santo, a Igreja, constituída inicialmente por eles, os apóstolos, qual astro luminoso, ia estendendo seus raios sobre a humanidade inteira. Com as naus dos descobridores, estavam também os missionários, carregando na mente as palavras de Cristo: “Ide e ensinai a todos os povos e, no coração, palpitando o amor ardente de conduzir a humanidade ao conhecimento de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida”, na mais profunda convicção de que só Jesus traz e oferece, por sua Igreja, as condições necessárias, para que cada ser humano, em particular, cresça na fé e nela encontre a motivação necessária para bem se relacionar com o Deus-Pai e com os irmãos, que estão em derredor de si, pois todos somos irmãos e, como irmãos, devemos nos relacionar, amando-nos e respeitandonos reciprocamente, como condição fundamental, para vivermos na justiça, na verdade, na solidariedade, no amor ao trabalho, na prosperidade e na paz. Acalentando na alma estes nobilíssimos objetivos, a Igreja Católica chegou ao Brasil e aqui a Sergipe não para ser, apenas, expectadora da história, porém para ser parceira e colaboradora ativa, consciente e ardorosa da história, da caminhada de nossa gente. 17 18 Capítulo 1 BREVES INCURSÕES SOBRE O PAPEL DA IGREJA CATÓLICA NA HISTÓRIA DE SERGIPE 19 20 Capítulo 1 BREVES INCURSÕES SOBRE O PAPEL DA IGREJA CATÓLICA NA HISTÓRIA DE SERGIPE 1.1 - Antes de Aracaju existir, a Igreja já estava presente servindo à população Muito antes da transferência da Capital de São Cristóvão para Aracaju, a Igreja já estava presente na catequese dos índios, protegendo-os contra a aspereza do trato que lhes dispensavam os colonizadores e também, com o “amai-vos uns aos outros” de Cristo, amenizando o relacionamento entre negros e brancos e, neste valioso trabalho, entre outros, sobressaíram-se o Pe. Gaspar Lourenço e o irmão João Salônio. 21 Catequese dos índios, pelos padres jesuítas 1.2 - Atuação da Igreja Católica na Capital Com a oficialização, em 17 de março de 1855, da fundação da cidade com sua conseqüente e imediata elevação à categoria de Capital de Sergipe, intensificou-se a participação da Igreja Católica na vida da recém-criada Capital. Esta participação desenvolveu-se e ainda se desenvolve 22 em duas dimensões: uma estritamente espiritual e outra, mais perceptível, de caráter político-cultural. A estritamente espiritual, no campo da evangelização, tinha por objetivo essencial a implantação da fé cristã, como proposta de santificação e salvação de cada pessoa. Noutras palavras, a grande e histórica descida de Deus aos homens, como prova inconteste de seu infinito amor por suas criaturas: “Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho único, para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna”. (Jo 3, 16). A grande e essencial tarefa da Igreja é, portanto, conscientizar os homens e as mulheres de todos os tempos e lugares deste infinito amor de Deus para com eles e, em contrapartida, levá-los também a entender que amor com amor se paga. E, por isso mesmo, todos devem crer no Cristo, Filho de Deus feito homem, e a ele aderir, de mente e de coração, para que nele tenham a vida e a tenham em abundância. Vida, sinônimo de felicidade, relativa no tempo, porém em busca de possui-la em plenitude, na contemplação da face de Deus, por toda a eternidade no céu. Quando foi criada a cidade de Aracaju, Capital de Sergipe Del’ Rei, já existia nas praias, entre os charcos, lagoas e córregos da Capital, a presença da Igreja de Jesus Cristo, semeando a palavra de Deus, nos púlpitos, na catequese e na administração dos sacramentos, sinais visíveis das invisíveis graças de Deus, à pequena população. Os efeitos deste trabalho são invisíveis: a reconciliação do homem com Deus, da criatura com o Criador. É um trabalho imperceptível ao olhar humano, apreciado e conhecido pela consciência de cada um e apreciado, devida e objetivamente, por Deus, Senhor e Juiz da história. De modo mais perceptível, ao olho humano, a Igreja estava e está presente também na cultura, na política e atendendo às necessidades sociais da população. Na cultura, pela feliz iniciativa do Mons. Antônio Fernandes Silveira, homem de visão avançada para sua época, que fundou o primeiro jornal editado em Sergipe, o “Recopilador Sergipense”, em 1832, veículo divulgador da cultura e formador de opinião. Na política, pela influência que exercia sobre os seus contemporâneos, o Mons. Silveira, por várias legislaturas, elegeu-se deputado provincial e sendo também, por seus pares, eleito presidente da Assembléia Legislativa da província. Foi também ele quem fundou o primeiro partido político em Sergipe, O Partido Legalista (1830). Outra figura de valor foi o Mons. Olímpio de Souza Campos que atuou no crepúsculo do Império e na aurora da República, como vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, hoje Catedral de Aracaju. Em 1881, o Presidente da Província de Sergipe Del’Rei, Inglês de Souza, retirou do currículo escolar o Ensino Religioso como matéria obrigatória. Então, o Mons. Olímpio protestou e, por conta disso, candidatou-se a Deputado Provincial, prometendo o retorno da Religião como matéria obrigatória ao currículo da escola pública. Monsenhor Silveira 23 Mons. Olímpio de Souza Campos 24 Recebendo o apoio de toda a comunidade, elegeu-se Deputado Geral do Império (1885-1889). Com a proclamação da República, foi o Primeiro Intendente (Prefeito) de Aracaju, Deputado Estadual e Presidente do Estado (1899-1902), tornando-se líder de forte facção política, chegando a ser Senador da República, de 1903 a 1911. Lamentavelmente, por questões políticas, Fausto Cardoso foi assassinado por um integrante da tropa legalista e dois dos seus filhos, por vingança, assassinaram o Mons. Olímpio Campos, na trajetória do Senado para o Hotel, na Praça XV no Rio de Janeiro, então, Capital da República. Mas a Igreja que evangeliza é a mesma que humaniza, porque sabe que, a exemplo de seu Divino Fundador, tem o dever imperioso de salvar o homem, constituído de corpo e alma. É a pessoa humana com destino temporal e eterno que precisa ser atendida em todas as suas dimensões pela Igreja de Jesus Cristo. Capítulo 2 A DIOCESE DE ARACAJU - OS PRIMEIROS TEMPOS 25 26 Capítulo 2 A DIOCESE DE ARACAJU - OS PRIMEIROS TEMPOS 2.1 - A sua criação Para aprimoramento do trabalho de evangelização e de formação humana que já vinha sendo feito em Sergipe, o Santo Padre, o Papa Pio X, através da bula Divina Disponente Clementia, de 03 de janeiro de 1910, desmembrou da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, a Igreja que estava na província de Sergipe Del’Rei, transformando-a em Diocese que abrangia todo o Estado de Sergipe. E sua instalação se deu no dia 04 de dezembro de 1911, com a posse solene do seu 1º Bispo, Dom José Thomaz Gomes da Silva Dom José Thomaz Gomes da Silva. De fato, com a instalação da Diocese e posse do 1º Bispo de Aracaju, a presença da Igreja na história de Aracaju e de Sergipe tornouse cada vez mais efetiva. Logo de início, Dom José Thomaz chegou à conclusão, como ele chistosamente dizia: “Bispo 27 sem padres é como um General sem soldados no campo de batalha.” Assim pensando, iniciou sua ação pastoral, visitando paróquia por paróquia, cidades, povoados e até engenhos, e a toda população ia encantando com sua palavra vibrante, fundamentada nas Sagradas Escrituras e com seu jeito amigo e Antigo prédio do Seminário acolhedor com que tratava ricos e pobres, Sagrado Coração de Jesus - Praça Camerino, 181 pretos e brancos, dirigentes e dirigidos, sem fazer distinção de pessoas. Ao mesmo tempo, ciente de que sozinho muito pouco podia realizar, empreendeu a sua principal obra, a fundação do Seminário Diocesano “Sagrado Coração de Jesus”, no dia 04/04/ 1913, na Praça Camerino, 181, na 28 residência do Vigário Geral da Diocese, Mons. Manuel Raimundo de Melo, onde também o próprio Bispo residia. Pensando mais no bem da Diocese do que no seu conforto pessoal, Dom José Thomaz pediu ao Mons. Manuel Presidente (Governador) do Estado, na Raimundo de Melo época, General José de Siqueira Menezes que, de acordo com a Lei nº 534, havia destinado a quantia de 100.000$000 (cem contos de reis) para a construção do Palácio Episcopal e patrimônio da recém-criada Diocese de Aracaju, para que em vez da construção do Palácio Episcopal para residência do Bispo, permitisse-lhe aplicá-la na construção do Seminário Diocesano “Sagrado Coração de Jesus”. Quadra compreendida pelas Ruas Riachuelo, Senador Rollemberg, Itabaiana e Pacatuba. Vista interna da lateral do Seminário Diocesano Sagrado Coração de Jesus Assim, afirmou Dom José ao General José de Siqueira Menezes: “Com uma só pancada, V. Exª matará dois coelhos: ajudará o Bispo a construir o Seminário para a formação de seus padres e dará a residência do Bispo, porque no próprio Seminário, o Bispo terá um cômodo onde morar.” Obtida a permissão, Dom José comprou ao Prof. Massilac, por 6.000$000 (seis contos de reis), a quadra, compreendida pelas ruas Riachuelo, Senador Rollemberg , Itabaiana e Pacatuba, atualmente, rua Dom José Thomaz, onde hoje está localizado o Colégio Arquidiocesano “S. Coração de Jesus” em quase toda a sua dimensão. Lá construiu o Seminário Diocesano, hoje com sede no Bairro Industrial. De fato, construída a metade do prédio, apenas, Dom José Thomaz transferiu o Seminário da Praça Camerino, onde fora fundado, para a Rua Pacatuba e lá continuou formando padres, vivendo vida comum com os seus seminaristas, fazendo refeições com eles, no mesmo refeitório, acompanhando-os nos mínimos detalhes de sua formação. 29 2.2- Frutos do Seminário Desta sementeira, o Seminário, saiu uma verdadeira elite eclesiástica que veio a influir fortemente na história de Aracaju. Os sacerdotes, que nele se formaram, partiram para evangelizar e sacramentalizar a população, influindo, também, na cultura da sociedade. No Seminário, criou-se a Sócios Fundadores da Academia literária Santo Tomás Academia Literária Santo Tomás de de Aquino. 1933. Autoria não identificada. Aquino, e desse sodalício literário, saíram alguns dos primeiros membros e fundadores da Academia Sergipana de Letras, como: o Padre Mário de Miranda Villas Boas, depois 30 Bispo de Garanhuns, em Pernambuco, promovido para Arcebispo Metropolitano de Belém-Pará, transferido como Arcebispo Coadjutor de São Salvador da Bahia e, posteriormente nomeado Arcebispo Metropolitano de João Pessoa, na Paraíba. 2.2.1- O Padre Mário de Miranda Villas Boas Pe. Mário de Miranda Vilas Boas Ainda padre, Dom Mário de Miranda Villas Boas exerceu também as funções de Assistente Eclesiástico do Centro Dom Vital e da Ação Católica. Fundado pelo eminente sergipano, Jackson de Figueiredo, um dos mais atuantes católicos no Rio de Janeiro, o Centro Dom Vital tinha como objetivo recrutar e preparar líderes leigos para, com a palavra e o testemunho da vida, levarem o fermento do evangelho à política e à cultura, a fim de que os políticos e intelectuais, imbuídos dos sadios princípios da fé, da justiça, da verdade, da solidariedade e da liberdade, dessem a sua contribuição positiva na construção de uma sociedade justa, fraterna e próspera para todos. Preciosos foram os frutos dessas instituições: Ação Católica e Centro Dom Vital, aqui, em Aracaju. Dentre muitos outros nomes de real valor, cito: Dr. Hélio Ribeiro, Desemb. Luiz Rabelo Leite, Fernando Duarte, José Luduvice, Dr. Silvério Leite Fontes, Dr. José Amado Nascimento e Dr. Manoel Cabral Machado, ex-vice-governador do Estado. Esses leigos tornaram-se notáveis por sua atuação, especialmente pelo jornal “A Cruzada”, levando à comunidade os ensinamentos obtidos na Ação Católica e no Centro Dom Vital. Eleito Bispo, ao despedir-se de Aracaju, na condição de Bispo Diocesano de Garanhuns-PE, Dom Mário foi sucedido em suas atividades apostólicas, em Aracaju, pelo jovem Pe. Avelar Brandão Vilela, também um dos “Padres de Dom José”, expressão muito simpática, usada pela jovem pós-graduada em Educação, Raylane Andreza Dias Navarro Barreto, em sua bela monografia intitulada “Os Padres de Dom José”. 31 2.2.2- Pe. Avelar Brandão Vilela Este grande Padre, fruto precioso do Seminário de Aracaju, exerceu uma influência verdadeiramente marcante sobre a sociedade D. Avelar Brandão Vilela aracajuana. O Padre Avelar Brandão Vilela, possuidor do precioso dom da oratória, fez da Igreja de São Salvador o centro de irradiação de sua ação apostólica. Professor e Diretor Espiritual do Seminário, Professor do Atheneu Sergipense, Assistente Eclesiástico da Ação Católica, do Centro Dom Vital e da Liga Eleitoral Católica, soube continuar e aprofundar a obra fecunda de seu antecessor, agindo sempre em sintonia perfeita com Dom José Thomaz, o Bispo que o recebera, ainda jovem seminarista, vindo de Maceió, no Seminário de Aracaju, e que mais tarde, o ordenara sacerdote e, no dia 27 de outubro de 1946, o sagrara Bispo. Após deixar banhada em lágrimas de fraternal saudade a cidade de Aracaju, foi exercer, com invulgar brilho, a função de Bispo Diocesano de Petrolina, em Pernambuco. Mais tarde, foi transferido como Arcebispo de Teresina, no Piauí e depois para Salvador, Capital da Bahia, onde exerceu, com muito zelo e competência, as funções de Arcebispo Primaz do Brasil e Cardeal da Santa Igreja de Jesus Cristo. 32 2.2.3- Mons. Carlos Camélio Costa Mons. Carlos Camélio Costa A Catedral de Aracaju, o velho templo, a antiga matriz da Imaculada Conceição, elevada à categoria de Catedral com a criação e instalação da Diocese de Aracaju, não estava condizente com o progresso da cidade e a comunidade católica de Aracaju desejava vê-la adaptada às novas condições da Capital. Mas quem iria adaptá-la aos novos tempos? Quem iria reformála em um imponente templo, em estilo gótico, para constituir-se o centro das atenções de quantos visitam nossa bela e acolhedora Capital? Eis que, dentre os “Padres de Antiga catedral de Aracaju Dom José”, surge o culto e corajoso Mons. Carlos Camélio Costa, membro do Cabido Diocesano, da Academia Sergipana de Letras e um dos seus fundadores. Tendo sido nomeado Pároco da Catedral, recebe a permissão, a bênção e a confiança de seu Bispo, Dom José Thomaz, para iniciar as obras de restauração, quase reconstrução da igreja. Foram 10 anos ininterruptos de trabalhos, de sacrifícios e de incompreensões, como ele mesmo me falou, várias vezes, pois tive a imensa alegria de tê-lo conhecido e privado, com muita honra e proveito, de sua preciosa amizade. 2.3- Congresso Eucarístico Diocesano e inauguração da Catedral Afinal, transcorridos 10 anos de incansáveis trabalhos, no ano de 1946, Sergipe inteiro revestiuse de alegria para celebrar, com muita gratidão, os 50 anos de ordenação sacerdotal de seu zeloso Pastor. Aracaju, por sua vez, preparou, com muito carinho, o memorável Congresso Eucarístico Diocesano, celebrado na praça Camerino, com a 33 34 presença de inúmeros bispos e, pela 1ª vez em Sergipe, pisando solo aracajuano, o Cardeal Carlos Vasconcelos Mota, Arcebispo de São Paulo, formado, também, pelo zelo ardoroso de um eminente sergipano, filho de Propriá, ex-membro do Clero de Sergipe, apresentado por Dom José Thomaz para ser eleito e sagrado bispo. Esse eminente prelado sergipano, exerceu, por muitos anos, as funções de Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte-MG, sendo considerado, na época, uma das figuras mais proeminentes do episcopado brasileiro, Dom Antônio dos Santos Cabral. Aqui estava ele, também participando do cinqüentenário de ordenação sacerdotal de Dom José Thomaz, celebrado, merecidamente, por Sergipe inteiro, pois o Congresso Eucarístico Diocesano de Aracaju fora preparado e antecedido pelo Congresso Eucarístico de Lagarto, preparado pelo zeloso Pároco Mons. João de Souza Marinho, sacerdote português que viveu 41 anos em Sergipe, dando o melhor de sua vida sacerdotal à comunidade lagartense, durante 20 anos de fecundo paroquiato e pelo Congresso Eucarístico de Itabaiana, preparado pelo igualmente zeloso Mons. Eraldo Barbosa de Almeida, também um dos padres de Dom José. Mas o marco indelével, a marca registrada das comemorações dos 50 anos de vida sacerdotal do 1º Bispo de Aracaju foi, sem dúvida, a inauguração Atual Catedral Metropolitana de Aracaju da Catedral de Aracaju, no dia 15 de novembro de 1946, no meu primeiro ano de Seminário Menor. Hoje, os turistas católicos e até não católicos, que visitam Aracaju, têm como referencial da fé da nossa gente aracajuana a adequada localização e a imponência de nossa bela Igreja Catedral. 2.4- A Igreja introduz o cooperativismo em Sergipe Ao Mons. Carlos Camélio Costa, homem dedicado também à agropecuária, deve-se a introdução do Cooperativismo em Sergipe, porque foi ele quem fundou a primeira Cooperativa existente em nosso Estado, a Cooperativa de Laticínios de Sergipe, ainda hoje existente, oferecendo leite pasteurizado à nossa comunidade, dentro dos padrões de higiene e segurança alimentar. 35 36 Capítulo 3 INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA NA FORMAÇÃO INTELECTUAL DA COMUNIDADE ARACAJUANA 37 38 Capítulo 3 INFLUÊNCIA DA IGREJA CATÓLICA NA FORMAÇÃO INTELECTUAL DA COMUNIDADE ARACAJUANA 3.1- A Ação Educadora da Igreja Ao lado de sua missão específica de esclarecer as inteligências com as verdades, originárias da palavra de Deus, reveladas e dirigidas aos homens, a Igreja Católica nunca se descuidou da formação intelectual dos seus fiéis, fundando escolas ao lado das igrejas paroquiais. O que vinha acontecendo desde os seus primórdios, no mundo inteiro, verificou-se também, aqui, em Aracaju. Além de outras iniciativas préexistentes, foi fundado o Colégio Nossa Senhora de Lourdes, em 1904, pelas abnegadas Irmãs Sacramentinas, competentes e zelosas educadoras que COLÉGIO NOSSA SENHORA DE LOURDES se encarregaram, por muitos anos, da Rua José do Prado Franco – Centro formação de crianças de ambos os sexos, adolescentes e jovens do sexo 39 HOSPITAL SANTA IZABEL Bairro Santo Antônio 40 feminino, pois, naquela época, a Igreja não admitia a co-educação. Em seu internato conceituadíssimo, abrigavam e educavam numerosas moças que vinham das cidades do interior para obter sua formação ginasial, equivalente ao atual Ensino Fundamental; o Ensino Secundário, equivalente ao atual Ensino Médio e também o curso Pedagógico, destinado à formação de professoras para o antigo curso primário. As Irmãs Sacramentinas, além de servirem à comunidade aracajuana como educadoras, serviam-na, também, como enfermeiras no Hospital Santa Izabel, onde atuaram por vários anos. Logo após a instalação da Diocese, chegaram também a Aracaju, em 1913, os beneméritos padres salesianos, que fundaram o Colégio Salesiano Nª. Srª. Auxiliadora para a formação da juventude masculina, mantendo também, ao lado do Colégio, o Oratório Festivo para meninos pobres. Várias e várias gerações de Aracaju e COLÉGIO SALESIANO N. SRª AUXILIADORA do interior do Estado Rua Dom Bosco, Aracaju-SE foram formadas nos dois grandes centros de educação: o Colégio Nossa Senhora de Lourdes que, depois de grandes serviços educacionais prestados à juventude feminina de Aracaju e de Sergipe, lamentavelmente veio a fechar suas beneméritas portas, em 1974, e o Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, dirigido pelos zelosos padres salesianos, felizmente ainda hoje existente, prestando relevantes serviços a Aracaju e a Sergipe. A partir do dia 7 de abril de Irmã Hercília de Assunção Mons. Floduardo de B. Fontes Cândida de Maria Imaculada 1940, Aracaju passou a contar 41 também com a presença das reverendas Irmãs Hospitaleiras da Imaculada Conceição e graças à determinação da grande religiosa sergipana, Irmã Cândida de Maria Imaculada, irmã do Mons. Floduardo de Brito Fontes, o primeiro padre ordenado por Dom José Thomaz, e da Irmã Hercília de Assunção, foi construído e instalado, na Praça Tobias Barreto, em Aracaju, o Colégio Patrocínio de São José. Abrigando, de início, somente COLÉGIO PATROCÍNIO DE SÃO JOSÉ Praça Tobias Barreto, 1042, Bairro São José meninas e moças de Aracaju e do interior, esse Colégio oferecia o ensino primário, ginasial, secundário e o curso pedagógico para a formação de professoras para o curso primário. Enorme tem sido a contribuição desse Colégio para a formação da juventude feminina de Aracaju e de Sergipe. Graças a Deus e ao heroísmo persistente das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, ainda hoje prossegue oferecendo boa formação não só à juventude feminina, mas abrindo suas portas e acolhendo também crianças e jovens do sexo masculino, com o propósito de ampliar assim os seus benéficos serviços educacionais. Além da presença da Igreja Católica na história da educação dos aracajuanos, pela instalação dos Colégios Católicos aqui citados, na ausência de faculdade para a formação de professores, quase todos os Padres, formados no Seminário, o grande precursor do ensino superior em Sergipe, aliaram à sua ação evangelizadora também a magisterial. 42 3.2- Os Padres em Escolas Públicas e Leigas Muitos sacerdotes, através de exame de suficiência, receberam do Ministério de Educação o registro e a autorização para lecionar em estabelecimentos de ensino secundário, abrangendo os cursos ginasial, médio e pedagógico, na época. Neste ponto, a contribuição da Igreja na história da Capital, pela formação das novas gerações, foi de inestimável valor. Alguns se tornaram professores notáveis do Atheneu Sergipense, naquele tempo, o mais expressivo estabelecimento de ensino ginasial e secundário do Estado. Foram eles: Pe. Mário de Miranda Villas Boas, mais tarde Bispo e Arcebispo; Pe. Avelar Brandão Vilela, mais tarde também Bispo, Arcebispo e Cardeal-Primaz do Brasil que, como o Pe. Mário, ensinou Português e Literatura; Mons. Dr. Alberto Bragança de Azevedo, Prof. de Latim; Pe. José Félix de Oliveira, também exímio Prof. de Latim; Pe. José Augusto da Rocha Lima que, mais tarde, abandonou o exercício do sacerdócio, o que igualmente Mons. Alberto Bragança aconteceu com os padres Jugurta de Azevedo Franco e José Ferreira de Azevedo. Podemos citar ainda o Pe. José de Araújo Mendonça, que lecionou Filosofia no Atheneu e, no Governo do Dr. Luiz Garcia, foi Diretor do Antigo Departamento de Educação (Secretário de Estado da Educação) cargo já exercido também pelo Mons. Carlos Camélio Costa, no governo do Dr. Graccho Cardoso, e o Pe. João de Deus Góis, Prof. de Filosofia, entre outros, que também lecionaram no Colégio Tobias Barreto e no Jackson de Figueiredo, este último, fundado e mantido, na Praça Olímpio Campos, por mais de 40 anos, pelo edificante casal Benedito Alves de Oliveira e Judite Alves de Oliveira. Pe. José Augusto da Rocha Lima 3.3- A Igreja presente na Classe Operária Nesta pequena amostra da presença da Igreja na história de Aracaju, não poderia deixar de mencionar a ação corajosa do Mons. João Moreira Lima, filho da cidade de Capela e um dos Padres formados por Dom José Thomaz. Pe. João Moreira Lima 43 Nos albores de sua vida sacerdotal, entre outras funções, era professor no Seminário, Diretor do Jornal da Diocese, o semanário “A CRUZADA”, e Capelão da Fábrica Sergipe Industrial, de 1933 a 1939. Nesta época, a agitação social, exercida pelos comunistas em Aracaju, era inquietante. 1937 – Direção da Redação de “A Cruzada”. Padres Muitos deles acusavam a Igreja de Nelson Fontes, Manuel Soares, João Moreira Lima, pregar a felicidade celeste e esquecer-se Mário de Miranda Villas Boas, Avelar Brandão Vilela e Olívio Teixeira das necessidades temporais dos seres humanos, como se as pessoas tivessem apenas almas. Eis, pois, o Monsenhor João Moreira Lima, no campo de luta, provando exatamente o contrário, na prática. “A Cruzada” 44 constituiu-se a sua grande arma para levar ao mundo operário a Doutrina Social da Igreja, expressa pelas grandes Encíclicas 1935: 1ª Diretoria de CÍRCULO OPERÁRIO CATÓLICO DE Sociais: Rerum SERGIPE. Sentados: Aristides Araújo, Presidente; Pe. João Moreira Lima, Assistente Eclesiástico; Mons Carlos Costa, Mons Mário de Novarum, do Papa Miranda Vilas Boas, José Franca, Membro do Conselho Superior; Manuel Franklin da Rocha, Vice presidente e Pe. Avelar Brandão Leão XIII, e a Vilela, da Equipe Fundadora do Movimento. Quadragesimo Anno, do Papa Pio XI. Fundou, em Aracaju, o Círculo Operário Católico, através do qual prestava assistência social aos trabalhadores. Para manutenção das obras assistenciais do Antigo prédio do CINEMA VERA CRUZ, situado na Rua Carlos Correia – Siqueira Campos. Atualmente é GALERIA NOSSA SENHORA DE LOURDES 1943: CINEMA VITÓRIA Rua Itabaianinha – Centro Círculo Operário e para oferecer à sociedade aracajuana um lazer sadio, construiu e manteve, por muitos anos, o Cinema Vitória, na rua de Itabaianinha e, posteriormente, também na condição de Pároco de Nossa Senhora de Lourdes, no Bairro Siqueira Campos, construiu e manteve, por vários anos, o Cinema Vera Cruz. Para maior difusão da Doutrina Social da Igreja entre os operários, fundou a Escola de Líderes Operários. Como Pároco de Nossa Senhora de Lourdes, concluiu a construção da Igreja Matriz, iniciada pelo grande franciscano Frei Eleutério Wegener. A bem da verdade, a presença atuante dos franciscanos registra-se desde os tempos IGREJA NOSSA SRª DE LOURDES Pça. Dom José Thomaz coloniais, em 1657 na B. Siqueira Campos 45 46 cidade de São Cristóvão, chegando, posteriormente, a Aracaju, em 1934, com a fundação do Convento Santo Antônio, atualmente na Av. Simeão Sobral. O Mons. João Moreira Lima também construiu o prédio, onde funciona o Instituto Dom Fernando Gomes, numa justa homenagem ao 2º CONVENTO SANTO ANTÔNIO Bispo de Aracaju. Num Av. Simeão Sobral - Bairro Industrial gesto de liberalidade, entregou-o à Congregação das Irmãs Terezinhas, cuja fundadora foi a Madre Valdelícia Martins da Silva. Ainda hoje, sob a direção das dedicadas Irmãs Terezinhas, o Instituto Dom Madre Valdelícia Martins da Silva (Congregação Irmãs Teresinhas) Fernando Gomes funciona com uma expressiva matrícula. Além do Instituto Dom Fernando Gomes, o Mons. João Moreira Lima construiu e fundou o Colégio Cristo Rei, que mantém a Educação PréEscolar e o Ensino Fundamental, atualmente sob a direção do Vigário de Nossa Senhora de Lourdes, o Pe. Valdson. Com o advento e o fácil acesso da população à INSTITUTO DOM FERNANDO GOMES E COLÉGIO CRISTO REI Praça Dom José Tomaz – Siqueira Campos televisão, diminuindo a freqüência aos cinemas e com a dificuldade de apresentar filmes de alto nível, o nosso caríssimo Mons. João Lima foi constrangido a vender o Cinema Vitória e, com os recursos dele advindos, transformou o Cinema Vera Cruz, situado na Rua Carlos Correia, no Bairro Siqueira Campos, em Centro Comercial, deixando-o sob a administração da Paróquia, que administra ainda a Ação Solidária, sucessora do Círculo Operário Católico. 47 48 Capítulo 4 OS BISPOS E AS SUAS ATUAÇÕES 49 50 Capítulo 4 OS BISPOS E ARCEBISPOS CONTINUADORES DA OBRA INICIADA POR DOM JOSÉ THOMAZ GOMES DA SILVA E SUAS REALIZAÇÕES 4.1- Dom Fernando Gomes dos Santos, 2º Bispo Diocesano de Aracaju(1949-1957) Com o falecimento de Dom José Thomaz Gomes da Silva, no dia 31/10/ 1948, o Papa Pio XII, gloriosamente reinante, transferiu da Diocese de PenedoAL, o jovem Bispo Dom Fernando Gomes dos Santos para a Diocese de Aracaju, a fim de dar continuidade à obra benemérita de seu grande antecessor, Dom José Thomaz. Vivendo intensamente o seu lema episcopal: Predica Verbum = Prega a Palavra (2 Tim Dom Fernando Gomes 4, 2), dedicou-se, de corpo e dos Santos 51 52 alma, às visitas pastorais em todas as paróquias e capelas da Capital e do interior, empreendeu a reforma do prédio do Seminário e incrementou o cultivo das vocações sacerdotais. Para isso, fundou em todas as paróquias e capelas de todo o Estado de Sergipe núcleos das vocações sacerdotais, esclarecendo os párocos e os fiéis da necessidade urgente do surgimento de numerosas vocações do seio da própria comunidade. Tornou-se célebre o pensamento com o qual ele motivava os párocos a cultivarem as vocações sacerdotais: “Nas mãos dos párocos de hoje estão os sacerdotes de amanhã e os padres de amanhã serão os continuadores dos párocos de hoje”. A influência de Dom Fernando Gomes em Aracaju foi notável: 4.1.1- Contribuição Política Além do cuidado com a formação dos seus futuros sacerdotes, influenciou no aprimoramento da elite política do Estado. Eqüidistante dos partidos políticos, sobre eles influenciava através de inúmeras circulares, estimulando-os a escolherem e apresentarem ao eleitorado candidatos aptos à defesa da família, dos bons costumes, da justiça, da liberdade, pessoas capazes e dignas de se empenharem, de verdade, na promoção do bem comum. 4.1.2- Encontro Regional dos Bispos do Vale do São Francisco Digno de nota foi o Encontro Regional dos Bispos do Vale do São Francisco e da Zona de Influência da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso, realizado por Dom Fernando Gomes, em Aracaju, no Auditório da Ação Católica, no prédio, hoje, ocupado pela Comunidade SHALOM, anexo à Rádio Cultura, na rua Propriá, de 25 a 28 de Antigo prédio da AÇÃO CATÓLICA. agosto de 1952. Atualmente, prédio da COMUNIDADE SHALOM A cidade de Aracaju ficou perplexa com a presença de tantos bispos. Entre eles, o Núncio Apostólico, Dom Carlos Chiarlo, Dom Augusto Álvaro e Silva, Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil, posteriormente, Cardeal; Dom Ranulfo da Silva Farias, Arcebispo Metropolitano de Maceió, a cuja metrópole estava ligada a Diocese de Aracaju, e ainda outros Arcebispos e Bispos, somando um total de 22. Para apresentar ao povo da região os benefícios advindos da presença da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso compareceram numerosos técnicos e diversas autoridades interessadas nos temas desenvolvidos. 4.1.3- Projeto de Dom Fernando Era desejo de Dom Fernando Gomes que a energia produzida pela CHESF fosse utilizada, 53 54 preferencialmente, pela população da região para acionar o desenvolvimento de todos os municípios ribeirinhos tornando-os, pela irrigação, produtores de frutas e legumes para abastecerem o Nordeste e o Brasil e também para que os nordestinos tivessem trabalho em abundância. Assim, ele pensava também, na fixação dos nordestinos no Nordeste sem que viessem a migrar para o Sul, onde nem sempre são bem sucedidos. Então, a água do SãoFrancisco e a eletricidade por ela produzida seriam, na visão de Dom Fernando, a redenção do Nordeste brasileiro. O que Dom Fernando Gomes sonhava para todos os municípios ribeirinhos aconteceu e continua acontecendo em Petrolina-PE, graças ao incentivo e à influência de Dom Avelar Brandão Vilela que, em conversa comigo, várias vezes, referiuse às suas audiências com Nilo Coelho, o Governador de Pernambuco, na época, a fim de convencê-lo da importância da agricultura e da fruticultura irrigadas no sertão pernambucano. O próprio Bispo, Dom Avelar, chegou a comprar e a oferecer bombas hidráulicas aos fazendeiros ribeirinhos, em Petrolina, para mostrarlhes e convencê-los da viabilidade do projeto. O sucesso das primeiras experiências influenciou outros e, afinal, os resultados lá estão para convencimento de todos os descrentes. É profundamente lamentável que outros não tenham procedido do mesmo modo e, hoje, lamentemos a ameaça do próprio Governo Federal ao querer, a todo custo, desviar parte das águas do São Francisco para outros Estados, vindo a prejudicar enormemente os Estados de Sergipe e Alagoas, localizados no baixo São Francisco. Todos os outros estados nordestinos têm condições de, pela perenização de seus rios e riachos temporários, armazenar as águas advindas das trovoadas e do próprio inverno, para que, por custo muito menor, tenham também água em abundância para a população, para os rebanhos e para a irrigação. Com esta reflexão, desejo mostrar que o milagre de o sertão estar produzindo uvas começou em Aracaju, no encontro dos bispos da região do São Francisco, porque Dom Avelar levou daqui, do encontro dos bispos, em agosto de 1952, o sonho de Dom Fernando, para tornar-se realidade em Petrolina, onde exercia o cargo de Bispo Diocesano. É pena que outros participantes do encontro não tenham feito o mesmo. Ainda é tempo de agir. Basta o despertar do sono... Por uma questão de justiça, ressalto aqui o idealismo e as ações concretas do Governador João Alves Filho ao implantar o Projeto Califórnia, o Platô de Neópolis e construir barragens no rio Piauí, em Lagarto, no rio Real, em Tobias Barreto, Jacarecica I, em Itabaiana, Jacarecica II, em Malhador, Areia Branca e Riachuelo, Porção da Ribeira, em Itabaiana, além de outros projetos em andamento. Assim, no presente, mesmo sem o saber, está realizando o que Dom Fernando Gomes já sonhava em 1952. 55 Desculpe-me, leitor amigo, por esta digressão que, a meu ver, é oportuníssima para eclesiásticos, governadores, prefeitos e empresários das margens do São Francisco. Vamos dar continuidade às ações benéficas de Dom Fernando Gomes, agora, no item 4.1.4. 4.1.4- Fundação do SAME 56 Na época de Dom Fernando, as ruas de Aracaju estavam cheias de mendigos. Eram irmãos nossos, vindos do interior e de outros estados nordestinos, em Atual prédio do SAME – Serviço de Assistência à busca da Mendicância – Bairro Industrial sobrevivência em Aracaju. O Bispo, no desejo de minorar o sofrimento de tantas pessoas, homens, mulheres e crianças, chamou a atenção da comunidade aracajuana e, com a adesão do comércio, na pessoa de seu ilustre representante, o Sr. Gaspar Fontes, o primeiro Presidente do SAME, e das autoridades, no dia 15 de agosto de 1949, inaugurou o Serviço de Assistência à Mendicância - SAME. Esta entidade beneficente funcionou, inicialmente, em um prédio ocupado anteriormente pelo 28º Batalhão de Caçadores, na Rua de Geru, onde está construído o Edifício Estado de Sergipe, e onde funciona a Matriz do BANESE. 4.1.5 - Faculdade Católica de Filosofia Para a boa formação das novas gerações são necessários professores bem formados, dizia Dom Fernando, lamentando por Aracaju ainda não possuir um centro de formação superior para professores. Eis, pois, Dom Fernando Gomes empenhado na Fundação da FACULDADE CATÓLICA DE FILOSOFIA DE Faculdade Católica de Filosofia de SERGIPE - Atualmente no prédio está instalado o IPES, Rua de Campos - Bairro São José Sergipe, cuja direção entregou ao, então, Padre Luciano José Cabral Duarte. E toda a comunidade aracajuana começou a contar com a presença e com os serviços prestados pelos professores formados na Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, devidamente habilitados para transmitir às novas gerações os conhecimentos adquiridos, dentro das normas pedagógicas. A Faculdade funcionou, nos seus primórdios, no antigo Colégio Nossa Senhora de Lourdes. Posteriormente, Pe. Luciano, seu Diretor, construiu o novo prédio e a transferiu para a Rua de Campos, onde funcionou até ser incorporada e transferida para o Campus da UFS. 4.1.6- Faculdade de Serviço Social Além da Faculdade Católica de Filosofia, Dom Fernando Gomes trouxe para Aracaju as Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado, às quais entregou 57 o economato do Seminário Diocesano e deu-lhes o devido apoio para a fundação e funcionamento da Faculdade de Serviço Social. 4.1.7- Centenário de Aracaju Quando, em 1955, Aracaju celebrou o seu Centenário de fundação, Dom Fernando Gomes, contando com a concordância e a total colaboração do Prefeito da Capital, Dr. Jorge Maynard, e do Governador do Estado da época, Dr. Leandro Maciel, arregimentou e motivou toda a população para prostrar-se, genuflexa, diante de Jesus, presente na Eucaristia, a fim de que, por Ele e Nele, agradecesse a Deus o grande presente de nossa acolhedora Capital. Não participei, pessoalmente, desse grande certame de fé e agradecimento a Deus, porque me encontrava em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, cursando o penúltimo ano de Teologia. Porém acompanhei o Congresso,realizado na Praça da Bandeira, através de “A CRUZADA”, jornal semanário da Diocese. FACULDADE DE SERVIÇO SOCIAL Rua Estância, entre Itabaiana e Pacatuba - Centro. Atualmente, patrimônio Histórico. 58 4.1.8 - Preparação para a Criação das Dioceses de Estância e de Propriá Ciente de que não era possível um só Bispo evangelizar todo o Estado de Sergipe, Dom Fernando Gomes iniciou os preparativos para a criação das Dioceses de Estância e de Propriá. Sendo transferido, em 1957, para a Arquidiocese de Goiânia, com a incumbência de preparar a fundação da Arquidiocese de Brasília, coube ao seu sucessor a concretização dos seus objetivos: a) Sergipe ser melhor evangelizado; b) Aracaju ser elevada à categoria de Arquidiocese. 4.2- A presença de Dom José Vicente Távora e suas atividades em benefício da Capital Com a transferência de Dom Fernando Gomes dos Santos para a Arquidiocese de Goiânia-GO, em 15 de maio de 1957, Aracaju foi agraciada com a presença do seu 3º Bispo Diocesano, Dom José Vicente Távora, em 1958, que continuou os projetos de seus antecessores. 1) Concretizou o plano da criação e instalação das Dioceses de Dom José Vicente Távora Estância e Propriá, elevando, conseqüentemente, Aracaju à condição de Arquidiocese, em 1960. Por conseguinte, Dom José Vicente Távora que era o 3º Bispo de Aracaju, tornou-se o seu 1º Arcebispo Metropolitano. 2) Adquiriu o terreno e construiu a sede própria do SAME, no Bairro Industrial, onde até hoje funciona. 3) Dedicou-se de corpo e alma à formação dos leigos engajados na vida da Igreja, na Ação Católica especificamente na Juventude 59 60 Operária Católica (JOC). 4) Fundou, aos 21 de novembro de 1949, a Rádio Cultura de Sergipe que, até a chegada da televisão a Aracaju, foi líder absoluta de audiência e grande formadora de opinião. 5) Fundou o Movimento de RÁDIO CULTURA DE SERGIPE Educação de Base (MEB), que Rua Simão Dias, 643 – centro não só beneficiou uma boa parte da população de Aracaju, ainda analfabeta, como especialmente do interior, com as escolas radiofônicas espalhadas em quase todos os povoados de Sergipe. Pelo MEB, a população carente era não só alfabetizada, mas também conscientizada de seus direitos e deveres, razão pela qual muitas incompreensões surgiram com o advento do poder militar, a partir de 1964. 6) Apoiou a fundação da Congregação das Irmãs Terezinhas dedicada à educação e à evangelização cuja sede se encontra na Colina de Santo Antônio, nesta Capital, atuando em Aracaju, em algumas cidades do interior de Sergipe, em outros Estados brasileiros e, inclusive, com uma casa na África. 7) Na condição de Presidente da Fundação Dr. Manuel Cruz, colaborou efetivamente com a saudosa Irmã Protísia Waltering colocando à sua disposição o prédio da referida Fundação, situado na Av. João Ribeiro, 846, para a instalação do Hospital São José, onde hoje ainda funciona, entregue às Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus que, desde 1926, vinham prestando relevantes serviços à população de Aracaju e de Sergipe no Hospital Cirurgia. 8) Fundou também a Casa da Empregada Doméstica, na Rua de Propriá, e a Creche que leva o seu nome, na Praça da Bandeira. 9) Ressalte-se ainda como grande contribuição para o bem de Aracaju, a iniciativa de Dom Távora em reconduzir os beneméritos frades Capuchinhos, instalando-os no Bairro América, onde fundaram a Escola Santa Rita de Cássia, onde se empenharam pela instituição da Polícia Comunitária e onde construíram ESCOLA SANTA RITA DE CÁSSIA o Santuário São Rua Haiti – Bairro América Judas Tadeu, para onde converge grande parte da comunidade, a fim de receber os sábios conselhos e a absolvição de seus pecados, através do grande confessor, o venerando HOSPITAL SÃO JOSÉ Av. João Ribeiro – Santo Antônio CASA DA EMPREGADA DOMÉSTICA CRECHE DOM JOSÉ VICENTE SANTUÁRIO SÃO JUDAS TADEU, mais conhecida como Igreja dos Capuchinhos, Rua Bolívia - Bairro América 61 62 Frei Miguel. Este, na altitude de seus 96 anos de vida, ainda encanta, com sua simplicidade e grande capacidade de acolhimento, a todos os que o procuram, e voltam de lá com a consciência limpa e com a disposição de viver em paz com Deus e com os irmãos. 10) Implantou, em quase todos os municípios sergipanos, os sindicatos rurais. Com esta iniciativa, desejava que os trabalhadores rurais unidos tivessem mais condições de Frei Miguel reivindicar os seus direitos e fossem mais fiéis no cumprimento de seus deveres. 11) Permitiu que o Pe. José Carvalho de Sousa, na época, reitor do Seminário Diocesano, fundasse, em 1960, o Colégio Arquidiocesano “S. Coração de Jesus”, no mesmo prédio que sediara, em 1913, o Seminário Diocesano, na Praça Camerino, 181. O Colégio Arquidiocesano “S. Pe. José Carvalho de Sousa Coração de Jesus”, desde a sua fundação, vem sendo uma instituição de ensino voltada a oferecer todas as condições necessárias, para que seus alunos sejam homens e mulheres capazes, dignos e fiéis seguidores COLÉGIO ARQUIDIOCESANO “S. CORAÇÃO DE JESUS” de Jesus Cristo. Rua Dom José Thomaz, 194 – São José É um estabelecimento onde se faz a verdadeira inclusão social. Ao lado de jovens procedentes de famílias de classe alta e média, estudam também crianças e jovens originários de famílias modestas que, mediante bolsas de estudo integrais ou parciais, recebem a mesma formação de excelente qualidade e muitos deles, hoje, ocupam postos de destaque em vários setores da vida profissional e política em Sergipe e em outros Estados da Federação. Para mostrar a amplitude da ação social do Colégio Arquidiocesano, é bastante considerar que, em razão de ser uma instituição de educação sem fins lucrativos, de 1998 até o ano de 2005, já ofereceu a jovens carentes a importância de R$9.370.050,61 (nove milhões, trezentos e setenta mil, cinqüenta reais e sessenta e um centavos), assim distribuídos: 63 4.3-Dom Luciano José Cabral Duarte - 2º Arcebispo Metropolitano 64 Com o falecimento de Dom José Vicente Távora, em 1970, Dom Luciano José Cabral Duarte, que já exercia as funções de Bispo Auxiliar, foi nomeado pelo Papa Paulo VI, o 2º Arcebispo Metropolitano de Aracaju. Ainda como Bispo Auxiliar de Aracaju, na condição de Diretor da Faculdade Católica de Filosofia de Sergipe, como Dom Luciano José membro do Conselho Estadual Cabral Duarte de Educação de Sergipe, especificamente como Presidente da Câmara de Ensino Médio e Superior, e, posteriormente, como membro atuante do Conselho Federal de Educação, notabilizou-se pela maneira como se empenhou pela criação da Universidade Federal de Sergipe. Sua presença atuante foi deveras marcante para o advento da Universidade, inclusive incorporando-lhe a Faculdade Católica de Universidade Federal de Sergipe – UFS Filosofia, a Faculdade Bairro Rosa Elze – São Cristóvão-SE de Serviço Social e o Colégio de Aplicação, este último por ele mesmo fundado. Atuação como Arcebispo: 1) Incrementou o cultivo das vocações sacerdotais, criando em toda a Arquidiocese um clima, como ele sempre afirmava, de sensibilidade vocacional. Compôs e ordenou que fosse rezada em todas as Missas a Oração pelas Vocações Sacerdotais e Religiosas, ainda hoje rezada em toda a província eclesiástica de Aracaju. 2) Criou várias paróquias na Capital e no interior. 3) Através de suas homilias e sermões, especialmente durante a Semana Santa e horas católicas, doutrinava e encantava seus ouvintes pelo brilho de sua palavra. 4) Ordenou vários sacerdotes, frutos de seu trabalho pelas vocações sacerdotais. 5) Pouca gente sabe, mas é digno de menção o esforço empreendido por Dom Luciano junto ao Ministério da Previdência Social para que as empregadas domésticas de Aracaju, de Sergipe e do Brasil, pudessem usufruir dos benefícios do Instituto de Previdência e Seguridade Social. 6) Nesta mesma dimensão, fundou a Escola João XXIII, na Vila João Costa, para recuperação de mulheres marginalizadas e o Centro Educacional BEM-ME-QUER, na Centro Educacional BEM ME QUER Rua São Cristóvão - Centro rua São Cristóvão, para filhos de 65 Atual SEMINÁRIO MENOR Bairro industrial 66 Domésticas. 7) Transferiu o Seminário Menor para o Bairro Industrial, onde ainda hoje se encontra. 8) Recuperou a posse dos conventos Nossa Senhora do Carmo e São Francisco, em São Cristóvão, fundando, neste último, o Museu de Arte Sacra de Sergipe, onde se encontra Museu de Arte Sacra de o acervo valioso de imagens e Sergipe São Cristóvão-SE objetos sacros, legados preciosos das gerações passadas que, hoje, estão preservados graças à instituição do referido Museu. 9) Transformou o Convento São Francisco em centro de encontros de evangelização e estudos sociais. 10) Já o Convento do Convento São Francisco Carmo ele entregou São Cristóvão-SE às Irmãs Beneditinas que, até pouco tempo, nele instalaram o Mosteiro Beneditino Nossa Senhora da Vitória. 11) Outro ponto marcante na atuação de Dom Luciano foi a resolução tomada por ele, juntamente com os Bispos de Estância e de Propriá, para a fundação do Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, com o objetivo de facilitar a formação dos sacerdotes para a Arquidiocese de Aracaju e para as dioceses sufragâneas. 12) Entre as iniciativas altamente benéficas de Dom Luciano, registre-se a presença da Comunidade SHALOM entre nós. Não só pela direção da Rádio Cultura que lhe foi entregue, desde 1992, como também por sua atuação na evangelização, através dos constantes encontros, que são promovidos pelos membros da comunidade, visando à formação humana da juventude e das famílias. 13) Acolheu e estimulou também a fundação, em Aracaju, da Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa - ADCE, visando à divulgação dos princípios da Doutrina Social da Igreja entre os empresários, para que exista um fraterno relacionamento entre empregadores e empregados, dentro dos sadios princípios da Doutrina Social da Igreja. Para que se tenha uma idéia da ação da ADCE em Aracaju, posso citar a realização de 21 encontros de reflexão, atingindo, mais ou ADCE – Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa menos, 500 empresários e 5 Rua Santo Amaro, 82 – Centro encontros de reflexão, para funcionários, abrangendo cerca de 400, que saem cientes de que patrões e empregados não devem viver em 67 68 antagonismo, porém irmanados, tendo como fundamento os princípios da fé, da justiça, da verdade, da solidariedade e do amor ao trabalho para que, juntos, construam uma sociedade fraterna, próspera e pacífica. 14) Para facilitar o acesso da comunidade à programação da Rede Vida de Televisão, empreendeu uma campanha em prol da instalação de uma torre repetidora em Aracaju. 15) Para mostrar concretamente a viabilidade da reforma agrária e, concomitantemente, da criação de empregos para as pessoas não alfabetizadas ou de pouca instrução, que não possuíam terra para trabalhar, Dom Luciano empreendeu uma bem sucedida experiência de reforma agrária em Sergipe. Contando com a colaboração dos governadores da época, como Dr. Lourival Batista, Dr. Paulo Barreto de Menezes e Dr. João Garcez e, ainda da Misérior, instituição alemã, e até da maçonaria de Aracaju, a Loja Cotinguiba, Dom Luciano José Cabral Duarte, ainda como Bispo Auxiliar e, a partir de 1971, como Arcebispo Metropolitano de Aracaju, conseguiu recursos e comprou grandes propriedades: duas no município de Maruim, uma em Santo Amaro das Brotas, uma em Santa Rosa de Lima, uma em Carmópolis e uma em Divina Pastora. Essas 06 propriedades foram divididas em lotes de 33 tarefas (dez hectares) e nelas foram assentadas 261 famílias. Antes e depois de instalados, os chefes de família eram treinados e orientados para o cultivo da terra e tornaram-se pequenos agricultores e criadores de gado. Muitos deles, hoje, possuem transporte próprio e até casa em Aracaju. Esta melhoria de vida dos participantes do projeto justifica plenamente o nome PROCASE - Promoção do Homem do Campo de Sergipe, que, ao longo de sua existência, entre 1968 e 1988, beneficiou cerca de 5.000 pessoas. Trata-se de uma iniciativa-modelo que poderia muito bem servir de orientação para os nossos governantes Nacionais, Estaduais e Municipais, para que promovam a verdadeira reforma agrária justa e produtiva, precedida, como aconteceu com a PROCASE, pela criteriosa escolha de quem quer, de fato, trabalhar e pela necessária preparação para o correto uso da terra que lhe foi doada. Assim, a terra é dividida e quem não tem preparo para outras atividades, ou não consegue emprego em outras áreas, acaba tendo uma ocupação, diminuindo, com isso, os altos índices de desemprego, o grande mal da Nação Brasileira, que tem feito tantos dos nossos irmãos caírem na marginalidade. Aqui está o belo exemplo dado pela Arquidiocese de Aracaju... 69 4.4- A presença de Dom José Palmeira Lessa e sua atuação em benefício de Aracaju 70 Com o agravamento do seu estado de saúde e na proximidade de completar 75 anos, Dom Luciano renunciou às funções de Arcebispo Metropolitano de Aracaju, em 1998, sendo substituído por Dom José Palmeira Lessa que, por designação do Santo Papa João Paulo II, já vinha exercendo as funções de Arcebispo- Coadjutor de Aracaju. Dom José Palmeira Lessa Assumindo, de direito e de fato, a sede Arquiepiscopal de Aracaju, Dom José Palmeira Lessa vem dando continuidade à obra de seus antecessores, aperfeiçoando e adaptando toda ação pastoral às novas circunstâncias, dentro das atuais possibilidades e necessidades, para que o reino de Deus penetre nos corações e na sociedade. Atuação como Arcebispo Metropolitano: 1) Com suas atenções voltadas, de modo especial, para a presença da Igreja nos meios de comunicação, conseguiu nova aparelhagem para a Rádio Cultura de Sergipe. 2) Estimulou Pe. Jonas Abib a adquirir a TV Jornal de Sergipe, a fim de que, como emissora da rede Canção Nova, a comunidade de Aracaju tivesse em seus receptores uma programação eminentemente católica e promotora do bem-estar de nossa gente.Ressalte-se, a bem da verdade, o gesto magnânimo do Casal João Alves Filho e Maria do Carmo Nascimento Alves que deixou de vender sua emissora de televisão por R$8.000.000,00 (oito milhões de reais) à Igreja Universal do Reino de Deus e vendeu à Fundação João Paulo II, apenas por R$ 4.500.000,00 (quatro milhões e quinhentos mil reais). A bem da verdade e da justiça, é bom frisar que o Colégio Arquidiocesano “S. Coração de Jesus” também colaborou efetivamente para que a Fundação João Paulo II, mantenedora da Canção Nova, adquirisse a TV Jornal de Sergipe. Com o advento da TV Canção Nova, instalouse em Aracaju uma representação da Comunidade Canção Nova que, além de dirigir a televisão, promove diversos encontros e atividades outras, sendo precioso agente de evangelização e formação humana para a população. Padre Jonas Abib 71 72 3) Digno de aplausos o zelo com que Dom Lessa se empenhou em conseguir recursos no exterior para construir uma sede condigna para o Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição, hoje, inaugurada e funcionando no Bairro Lamarão, oferecendo conforto aos seminaristas, futuros sacerdotes evangelizadores e SEMINÁRIO MAIOR N SRª DA CONCEIÇÃO plasmadores de uma sociedade mais no Bairro Lamarão cristã e mais humana. 4) A criação de várias paróquias nas periferias de Aracaju é também uma ação de grande interesse para o bem das populações periféricas da Capital. 5) Com a saída das Irmãs Beneditinas do Convento do Carmo, de São Cristóvão, Dom Lessa entregou o Convento aos Frades Carmelitas que, além de trabalharem em Carmópolis e em Aracaju, passaram a atuar também em São Cristóvão. 6) Acolheu e vem dando apoio ao Conselho Nacional de Leigos (CONAL), objetivando a preparação de leigos católicos para a militância no campo da política que deve ser exercida, dentro dos sadios princípios do evangelho e com vistas à implantação da ética na administração pública para a promoção do bem-comum. 7) Para facilitar a presença da Igreja junto às comunidades carentes, Dom Lessa tem aberto as portas da Arquidiocese para acolher diversas congregações religiosas masculinas e femininas para se dedicarem à evangelização e à promoção humana, nas periferias de Aracaju e no interior do Estado. 8) Criou também a Assessoria de Comunicação da Arquidiocese, responsável pela edição do Jornal “A Igreja em Notícias”. 9) Agora, quando o Governo Federal pretende, a todo custo, transferir parte das águas do rio São Francisco para outros Estados do Nordeste, Dom José Lessa, em união com os senhores Bispos de Estância, Dom Marco Eugênio Galrão Leite de Almeida, e de Propriá, Dom Mário Rino Sivieri, com o clero da Província Eclesiástica de Sergipe e com outras instituições da nossa Capital, eleva sua voz, clamando e advertindo a população contra o perigo de, dentro de alguns anos, Aracaju não ter mais água potável vinda do São Francisco, porque o baixo São Francisco estará salinizado, havendo se transformado em um braço de mar. Mais uma prova inconteste do interesse da Igreja Católica pela adequada solução dos problemas humanos e sociais. 10) Como sempre acompanhou e participou ativamente da história da nossa querida e acolhedora Capital, agora, neste ano de 2005, quando ela celebra seus 150 anos de fundação, a Igreja Católica não poderia deixar de reunir e motivar toda a comunidade católica para tributar a Deus o devido culto de gratidão por todos os benefícios prodigalizados à nossa Capital 73 sesquicentenária. Para isto, o atual Arcebispo Metropolitano, Dom José Palmeira Lessa, apresentou a idéia ao Exmo. Sr. Governador do Estado, Engº. João Alves Filho e ao Exmo. Sr. Prefeito Municipal de Aracaju, Dr. Marcelo Déda, e ambos acolheram muito bem a sua idéia e prontificaram-se a colaborar. O Arcebispo, que desejava realizar um grande evento, constituiu uma comissão e confiou-lhe todo o trabalho preparatório. 74 Santa Missa de abertura do evento do Aniversário de Aracaju no dia 16 de março de 2005 Escolhida a data, 16 de março de 2005, véspera do dia sesquicentenário, a Comissão foi à 1ª Dama, a Senadora Maria do Carmo Nascimento Alves, encarregada pelo Governador para tomar as providências necessárias à grande celebração, e ela a recebeu e, amavelmente, atendeu a todas as suas solicitações . Ofereceu a Praça de Eventos da Orla da Atalaia e disponibilizou a instalação de dois palcos, com iluminação e som para a celebração da Missa solene e do grande show com artistas locais e de fora, dentre eles, o grande pioneiro cantor católico, o Pe. Zezinho no evento do Aniversário de Aracaju conhecido e estimado Pe. Zezinho, acompanhado do seu grupo, Os Cantores de Deus. O igualmente querido e apreciado Pe. Jonas Abib também compareceu, trazendo considerável número de outros cantores da Canção Nova, técnicos, um caminhão com o link e todos os equipamentos necessários para transmitir a solenidade, através da TV Canção Nova, para todo o Brasil, para a Europa e para a Pe. Jonas Abib no evento do Aniversário de Aracaju África Portuguesa. Todas as passagens aéreas, as despesas da vinda do carro com o link foram custeadas gentilmente pelo Governador do Estado, através da Secretaria de Estado de Combate à Pobreza e do Bem Estar Social. Inclusive o pagamento e a hospedagem do Pe. Zezinho e seus acompanhantes. Ao governador Engº. João Alves Filho 75 76 e à Primeira Dama, Senadora Maria do Carmo Nascimento Alves, a Arquidiocese de Aracaju agradece a inestimável colaboração. Ao Exmo. Sr. Prefeito da Capital, Dr. Marcelo Déda, que custeou a edição de 10.000 exemplares deste livro, para levar à população da Capital e do Estado de Sergipe o conhecimento da imensa colaboração da Igreja Católica nos 150 anos de existência de nossa querida Aracaju, Edvaldo Nogueira (Vice-prefeito), Mons. José Carvalho de Souza (Diretor do Colégio Arquidiocesano), João Alves além de outras despesas Filho (Governador de Sergipe) e Marcelo Deda (Prefeito feitas pela Comissão, de Aracaju), no evento do Aniversário de Aracaju em vista do maior esplendor das comemorações do sesquicentenário de Aracaju, a Arquidiocese também agradece, ressaltando, sobretudo, a maneira amável como o Vice-Prefeito, Edvaldo Nogueira, sempre recebeu a Comissão. Por fim, pôde-se ver estampada no semblante de todos, do Arcebispo, do Bispo Auxiliar, do Bispo de Propriá, dos padres, dos membros da Comissão Organizadora e de todos os presentes, a alegria pela presença de uma enorme multidão na Praça de Eventos da Orla de Atalaia, constituída de fiéis da Capital e do interior, todos cheios de gratidão a Deus por todo o bem que tem feito à nossa cidade e à nossa gente. Ao mesmo tempo, todos juntos, unidos pela mesma fé, imploraram a Deus novos benefícios, no sentido de nossa Capital continuar sendo hospitaleira e que, com o trabalho perseverante de todos os dirigentes e dirigidos, ela se torne cada vez mais bela e todos os seus habitantes beneficiem-se de uma convivência iluminada pela fé em Deus, que se manifesta por Cristo Jesus. Que a fé em Cristo conduza todos a viverem irmanados na justiça, na verdade, na solidariedade e no amor ao trabalho para que, de ano para ano, nossa gente sinta-se mais feliz, habitando numa cidade próspera, segura e pacífica. 11) A presença de Dom Dulcênio Fontes de Matos, Bispo Auxiliar na comunidade, pela Rádio Cultura e em suas constantes visitas pastorais, também tem sido fator positivo na evangelização e na formação humana dos aracajuanos, como aconteceu com os outros Bispos Auxiliares que atuaram em Aracaju, a exemplo de Dom Dom Dulcênio Fontes Matos Nivaldo Monte, Arcebispo Emérito de Natal-RN, Dom 77 João Messe, atualmente, Bispo Diocesano de Barra do Piraí-RJ e de Dom Edvaldo Amaral, que apresentava pela Rádio Cultura, o programa “Na Fé e na Verdade”, que continua sendo levado ao ar todos os sábados, às 17 horas e 30 minutos. 78 Conclusão 79 80 CONCLUSÃO Espero que o leitor amigo entenda que este modesto trabalho não foi elaborado por um especialista em pesquisa: Primeiro, porque não dispus de tempo suficiente e mesmo porque não tenho o hábito de pesquisar. E segundo, porque quis, apenas, usando do meu arquivo pessoal, como simples observador e vivenciador da vida de nossa Arquidiocese e da ação fecunda de seus bispos e Arcebispos, de seu clero e leigos engajados, sobretudo a partir do meu primeiro ano de Seminário Menor, em 1946, tentar mostrar a ativa e atuante presença da nossa querida Igreja Católica Apostólica e Romana, inserida, desde os primórdios de nossa igualmente querida cidade de Aracaju - Capital de todos os sergipanos, na promoção do bem espiritual e temporal de nossa gente. Estou, pois, aberto e disposto a receber qualquer contribuição de quem quer que seja, com vistas a completar as lacunas existentes neste modesto trabalho. Espero que nós, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos de hoje e de amanhã, sejamos dignos dos nossos antecessores e nos esforcemos para que a presença da Igreja Católica Apostólica e Romana seja, sempre e cada vez mais, motivo de estímulo e bem-estar presente e futuro de quantos vivem e 81 vierem a viver em Aracaju, sob as bênçãos de Deus e debaixo do manto de nossa excelsa padroeira, a Imaculada Conceição, Mãe de Deus e nossa. Salve Aracaju, sesquicentenária! Que seus filhos se orgulhem sempre de você e você de seus filhos! Aracaju, sesquicentenária, 17 de março de 2005. 82