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VALLE DO A~IAZONAS
E OS
AP0t\.T ,AfAENTOS
PARA. O
DICCIONARIO
GEOGR~PHICO
DO BRHIL
RIO DE JA~EIRO
-c13 i;¡ml.fim José Al1'sS--E,iltor
Tn. ali-Escola.
B3--RUA SETE DE SETEMBRO-83
l¡'¡~~
BANCO DE LA REPUBliCA
.:IlLl01ECA
lU::; - . :.NG.L
J..J.:--:GO
o VALLE DO AMAZONAS
~---Por m'lis que com aS50mbro se falle. do
., mazonas, e pill' melhores que se façam as
descripçõ •.s da s\la ¡rrandeza e de tUll.• ql.anto
¡. natureza tão recullda ,e esmerOu de pM em
..•eu spio, para bem e admiração dos homens,
,sú entranUG-.e por elle é que se pùJe avaliar
.r o que è, e () que contém em si e o que pôde vir
/ a ser.
,/
J. B. F.
TIli'iREII\O ARJ,lillA -
185~.
C'est donc, pal' abstraetion p\lre, qU"lll arri,"
une neuve comme lin être isolé.
Car il u'est en reallté que, l'ensemble des rivière, et ,les I'llbseaux accourus de toutes les
extrcmilés dll bassin;
il réUIli[ les milliers
de mets d'e.IU echapp •.s aux glaces ou sortis
des veines de la terre; il se compose de soutteleles inn,·murai.J:es qni .uintellt de la terre
saturée de pluie ou couvert de neise ••
Ù considcler
L,'s .lIervciiles des fleuves ti l/es ruisseaux,
pUl'
C. J/illel-
l~il.
Ao noticiar o 3pp:¡recimrnto
elo Dicciollario
GM.~-rapf¡ir:o
do Bruzil, do Sr. DI'. .Alfr, Mlll'.'ira Pinto, apresentou
o Diario
(.'e l,oUeias, por elltre uma c!lllt'a ,.'e flans, algumas simples
(l ùespre\cnciosas
IIIJlas por n:im fllrnccidas, sein reserra~ menl:us, e nns r¡uacs tratava eu de algumas das muitas omissões e
illr.orrrrr.õcs
(Tue, IOlio á Ilrimr;ra
leitura, encontrei uo re[e:ído
])ieciolldrio,
~rn rC!;lçiio' ao '",dIo do Amazonas, uniëallleute.
Apezar ùc seren, laC: ilC't(~: <T::::cn!r.t12S pela illu~trada
TORQUATO TAPAJÓ~
redacção do .Diario de Noticias, na pnrte editorial d'aquelle
importante orgão de publicidade, - gentileza que as revestio
da attloridade que lhes faltava, por ~eu auctor, e que C(lm
tanto cavalheirismo e maior cQnfiança lhes fôra assim concedi.
da-entendeu
o Sr. Dr. Alfr. Moreira Pinto que não mereciam
ellas a minima deferencia
em fórma que classifiquei de
incorrecta, dirigio-se áqueIla criteriosa redacção inquirilulo o
twmp- e alltoridade do ousado anrmymo, que assÏ'm vinha perturbar os accordes 80norosos dos h:¡mnos triumphaes que,
em honra do .Diccionario eram enloados, lançando sobre o referido anonymo insinuações, que enlendi dever repellir de mrdo
~ligno em artigo devidamente assignado ...
Depois de rapida discussão, publiquei um ultimo artigo no
qual,declarando quesuspendiaa apresenlação das minhas ligeif.as
tICJta~, tomei ¡>erante o publico o co:npromisso de escrèver e
apresentai ã Sociedade de Geographia Ira Ri·') de Janeiro uma
M emo-ríll, na qual me propunha a estudar mi'lJlciosamentE' os
dous volumes publicados (Ittra A) do DiccionariO Geograph,co,
em lodos os pontes relativos á Prooin,;ia do Amazonas.
Em começo de desempenho do compromisso tomado, flço
publicar hoje esla -Primeira parte d;, minha Memoria,Iepois de a ter apresentado, em conlere ncia pu blica, á distÎI: ela
Sociedade a que me referi, e que com tanIa benevolencia ¡,CO·
Iheu-a em seu seio •.
- Entendo que uma obra da importancia que aspira ter
aquella de que me occupo, deve ser (scoimada de erros t~nto
quanto possivel ; pois que, em these, mais vale não tel-a do que,
tendo-a, sabel·a ('rivada de •.. en!lanos •.. Goncordo com :1 illustrada redacção do .Diario de Noticias, qUI!disse: (1)
« Tratando-se de uma obra da im porlanda do Diccionl~rio
Geogra.phiCfJ, do Sr. DI'. Moreira Pinlo, julgamos de ~ra1de
ulilidade toda a discussão a reflpeito : uma crllica séria e j ilsta
ácerca de tal obra só pôde ser proveilclsa ao nolava] trabal/lO e
em ultima analyse ao raiz, que terá assim um criterio l'ara
julgar da exactidão de um escripto cuja republicação não é lacil
e que naturalmente é destinado a um papd de autoridade em
assumptos de chorographia patria. ])
e.
(1) Diarío
de Notícia. de 1 de Abril de li8&.
o
VALLE
DO AMAZONAS
5
- Analysando,
pois, a ohra do Sr. DI'. Moreira Pinto, entendo que cumpro um alto devel' de patriotismo, pondo de lado
consideraçõ~s de qualquer ordem e apresentando
e conigindo
os erros que n'ella encontro, em relação ao Amazonas.
Devo aqui lima ex plicação :
Não pretendi, nem pretendo, occupar-me
senão da l'ro-¡;incia do Amazonas j sou, no eull'etanto,
obrigado a invadir
um pouco a zona elll que se assenta a do Pará, pelas condições
especiaes em que se acha em relação ao objecto desle trabalho,
Como b sabido, a provincia rio Partí estende-se
tambem no
Valle do AlltaZ01WS,e, occupanùo-me eu do Ilia Amazonas, bem
se vê que nào posso esquivar-me
á indeclinavel
necessidade de
tralar (LlIluclla provincia, Exallliuarei,
porém, exclusivamente
aquel les punlos que l¡verem irnmediata li~ação com o syslema
hydrograplJico,
que estudo, e com a constituição geologica do
grande Villie.
Di\'idi () meu trablho em qualro partes:
I'\a }irimeira, tratarei do nia Amazonas e do que sobre
elle se lÙ no Diccionario Ceo'imp!; ico do lh'(lzil, do Sr. Dr. Moreira I'into ; na SC:ílll/llr1, da j)rovillcia do A IIll1zonas
e do que
á respei:o da llIe,llla oe lè !lO refaido
Diccioll'1/'io;
na l/'l'Ceiru
indicarei as col'recçlJl's mais necr.ssarias
lins vlIcauulos 3presentados; e !la If',III'ía aprescntarei algulls do:; mais importantes
vocalllllos om:tlido~.
Publíeo hiljA il¡WnaS a prillleira parie, objecto exelusivo !i;\S
paginas, que se seguem,
Os bomens,'iUl: e~l'¡¡¡;im, que leiam este ligr.irp trabalho e
julguem depo¡, da conflança que dt:l'e ml'rl~cel' o Diuiúnariu
Geo,qI'IlJlllir:o do Dra:illlo
SI', Dr. Alfredo jloreiea
Pinlo.
Cesteil'o que faz um ceslo ...
27 de Março de f888,
............
Melhor
é merecel-os sem os ter
Que possuil-os, sem os Illerecer.
CAMÕHS -Luslad/U- CA:'lTO IX.
Eu desta gloria só IIco contente
Que a minha terra amei e á minha
F!RREIRA.-
P. L.
EST.
gents.
9S.
o
V ALLI>
DO
AMAZONAS
§§
Em sciencia não se improvisa:
demonstra-se,
e casos ha
em que não hasta demonstrar - prova-se. As questões
geographicllS, em geral, estão neste caso.
Escrevendo esta memoria a corr~r, em rapitios mO'llentos
arrancados a diversas preocc.upaçùes
de um espirito,
que as··
sumptos de ordem inteiramente
r1iversa instantemente
solicitam,
5e não quasi absorvem no momento actnal, nada fiz senâo reunir provas sobre que pudessem ser baseadas as minhas affirmações.
Nada crer"i, nada innovei : traduzi, copiei, resumi, ampliei;
reuni methodicamente
o qne tem sida escl'il'to re~os que viram
e pelos que mais do que eu estudar.lm as qll'~slõcs :1\'entadas, dl!
tempos que nos vão hem longe aJé hoje. A's llffirmações inexactas do auctor do Diccionari'l
Geograp/,ico, opponho affirmações verdadeiras
de incontestaveis
e inconteslarlas
autoridades : lel'ei prompto e erocaz remedio ao p(lnto invadido pela
molestia.
Bestabelarcndo
o que havia sido rlerrocado, $,1Ivei o
que tinha sido condemnado:
a chorogral'hia
e ~om ella allas
questões geognoslicas o hydrograpbicas
00 Valle do Amoz(li1asa terra do meu berçn.
Em cada ulna das p3~in<ls escriplas, os eSllldi"sos cncontrar~o, quando menos, ullla relllilli~cencia : em outro ¡nõar já
foi lido aquilin que eu affirma. !,~' esta toda a minha ¡;loria e
será l, Illt'U triumpho.
l';~i()viajei pOI' lodos os log-are, de ({C!e me \'011 oC(,lIpar ;
não inVl'!Itei --li, estudei,
comparei.
;\;io a¡1I'esento theorias
minhas -colhi-as
nas liçõe" ,los mestres.
Disse e repila:
em sciellcia u,ÎO se illlprovi:'a -demonstra-se ; e caso;; ha em que não basta demunslr,lr:
pruva-se. E'
este o caso em qne se acha o estudo que v;\mos encelar.
Conduirei estas linhas com Alu,llior Arraes (Dialo~o III.
Capitulo
XXIII.) :
« COllfésso que as m.lis tias ignarias com quo vos convido
são alheias, mas, o guisamonto d'ellas é de minha casa. II
I
«AM AZONAS.- Rio maior do mundo, escoadouro da
mais vasta e fértil região, comprehendendo
todos os climas Il
producções do globo. Da cadeia dos Andl!S, perto do Pacifico, e
a 4.000 metros sobre o mar, estende-3e ao Atlantico,'ina
exteLslo de 5.430 kilometros ; sendo ~.330 ;10 territorio do Perú il
3.150 no do Ikazil, proximo e paralellamente
ao Equador, d()
qual se approxima depois de receber o Tapayóz, indo finalmente
cortal·o na fÓ2principal. Contando-se,
porém, da cabeceira da
Hucayalle, ¡,tl1uente mais exlenso da parle superior,
á embocadura do rio Panl, por onde se escoam parte das aguas d)
Amazonas, o :;eu desenvolvimento sóbe it 6.'tOO kil., sendo ea;tão ~~3() no lerritorio do Perú e 3.370 JiO do Brazil. »
Não examinaremos aqui a questão da orip'em do Amazonas,
mesmo porqll'~ o auctor a reserva para mais tarde.
A altitude da fonte originaria
do grande rio, dada pel'l
auctor do Dicl~iollario,está em inleiro desu~cordo corn a que Ih.l
~ dada PI'los viajanles, que a tem deterrnílJad,), e pelos escriplo,
res que d'ella 'e lem occupado.
Castelnau (t) dá-lhe a altitude lie 4.2(-i7 melros; E. Levas··
S/n/r (2) Já·lhe 4.207 metros; Sereriano da Fonseca (3) dá ..
lhe f).5tîO meJ.-os; Weiner dá-lhe 5.500 metros. E. Reelu.;
(4) dá ao Nó de Pasco mais de 4.257 meL'os de altitude.
E' de 5.4-30 1¡i1ometr.)s (io tolal) a extensão lio A mazonar.
:segundo o auctor do Diccionario. Examin,~mos esta questào.
o
VALLE
DO A~IAZONAS
Sommanrlo as distancias parciaes, de ponto a ponto, ~adas
pelo mesmo auctor do Diccionario,
encontramos o segUin te :
Da cabeceira á Bella Visla.
De Bella Visla a Jaen ••.•
De Jaen ao Pongo de Manseriche.
Extensãu do Pongo .
Do Pongo ao Atlan lico
2° tolal.
A' pago '257 lemos:
Da caheceira ao (longo.
D'esle ao Atlanlico
3° 10l:II.
757 kil.
20 D
230»
to
:»
4.HO
li
5.·\51
»
'1.010 kil.
4.440 »
5.450
'li
A' pago ~;lg lemos:
Ua conllncncia do I1ucayalle e ~IaraIlh:io â caheceira' d'esle ..
Da mesma cOllf1ucllcia á Tahalinga
De Tabatinga á lóz
4° total
•
A' pago 25.\ lemos:
Da caheceil'a á Tahalinga
.•
Percurso no territorio do Brazil
5° to laI.
1.660 kit.
670 »
3.HO
:Il
5.410
»
»
2.330 kil.
3.150 »
.. 5.480
»
Temos, pois, lI:lS mesmas poucas raginas
5 extensões di~
versa,.; para \1p.rcurso da Amazon:Is.
ElIll'e a fóz e Tabalinga
temllS as se¡.;uintes : 3. t~O kil., :t140 e :U50.
Além deslas melliJas, ha \lma se};la baseada no seguinte,
como \,jmos :
« COlJtanl]o-se, porém, da cabeceira do IIllcayalle, affiuente
mais extenso da p,lI'le superior, á embocadura do rio Pará, por
onde se escoam parle das aguas do Amazunas, o seu desenvolvimelltu sóhe á o.zOO kil. sendo então 2.830 no territorio do
Perú e 3.310 110 do l3/'azil. II
TODQV4TO
TAPA,JÓS
Si .lém do curso do lIueayalle o allclor do Diccionario, aliás
com Il mesma somma de ra~¡¡es, reunisse o do Huallaga e il do
oulros affluentes, ainda maior seria a .3xtensào tCltal do percurso
do Âmazor¡.as .•. E não'emos c:laro o molivo porque o não fez:
ambos aquelles rios são affiuentes dc, Amazonas,
como o são
todos aquelles que a elle le9m luas a@uas; e, si a extensà<l do
curso d'esto (Amazonas) se reune a do IIueaYllle para augmentar-Ihe a grllndesa-generosidade
perfeitamente dispensavel em
corpo de Ião grandes Córmas7"""o mesmo se deverá fazer em relação aos ol1tros ..
lXão se comprehende tambem a diff'3rença estabelecida
<om
o accrescimo do curso do rio Pará.
Vemos o auctor do Diccionario delerminar
ltomando uma
média entre as grandezas) a extensão de 3.136 kil. para rercurso do Amazonas em territorio brazill!iro. Diz o mesmo auc tor
em seguida: a oislancia será de ~.3ïÚ kil. si se conlar at€ a
emboc~dura do rio Pará, ou uma diffel'ença de mais 23'{' k Is.
- O 'r;!) Pará nt10 existe. E' dad,) e~te nome ao enol' ne
estuario que v:¡Î da bahia do Marajó ao ,)ceano, n'uma exten~ âo
de :330 klls. e é formado velo Amazona, ao enriquecer-se
Cllm
as aguas do Tocantins e com as do Moj'Ú e Acar,í, que reunindose depoisao Gllamri, formama
bahia do Guaj(u'rí, que se fStende a confundir-se no grande e5tu3I'JO I~', pois, o prop,'io
Amazonas, augmentado principalmente
pelo Tocantins, e repnsenta o meslIlo papC! que o rio da Pl',lta, que.llão é outra COU'la
mais I¡Ue 'urn gl'¡¡nde estuario formado pelas a¡;uas Teunidas ,lo
Parana e do U I'IJg UllY •
D:\IIiel Il. Kidller', em sua imporlante
ohl'a -St.-etches of
residenc" and Ir I!'els in Brazil - diz á pall. 301 (20 vol.) :
« The te'm Pará river a.l80 designates
the southern,.n
Opposilion to lhe norlhern principal mouth of the Amazon. ))
Mas, quandu tal rio existisse, o que liào tÍ exacto, aSla
extensão seria dll :3aO kits, e nãv de 2a4, ':0010 se lê no Dic<:Íonl'
rio: e elltão ~ eXlensào do Amazonas, de Tal'alinga á fóz, nl0
seria de 3.:3iÜ kils, e sim de lnais 96; 0'1 de 3.4(i6 kils, o qll~
daria para pereurso
totlll do rio UlIJa setima grandeza-6.20G kils. ! .
O i1lustrado Sr. Barão do Laduio, assim descreve ()
Amazonas, no Brazil ;
« O rio "- mazonas, cujo curso se avalia ern mais -de 3.00:1
o VALLE DO AMAZONAS
13
milhas geographicas, corre no Brazil, por 1.7~8, banhando
duas provincias do Imperio, a do Grão Pará e a do Ama20nas.
« Aque\1a de 320.000 habitantes e esta de 69.000, excluidos os indios n1\oaldeiados. (1)
« Mais de metade de lodo o desenvolvimento do curso deste
grande rio, nos perlence I
« Com tres denominaçlles diversas é conhecido em tres
zonas, conservando sempre a denominação principal:
1"- Amazonas ~ no curso da fóz á confluencia do rio
Negro; cerca de 900 milhas.
2·- Solimões; no curso desde o rio Negro até a confluencia
do rio Javar}' ; cerca de 828 milhas.
3"- Maranhão; no resto do seu curso de mais de 1.250
milha!>.
« Por 2.460 milhas é navegavel a maior parte do anno e
facilmente por vapores, inda que de grande callado d'agua !
N'essa faxa toda suas aguas sustentam a temperatura de 270ll.
Vejamos, agora, qual a extensão calculada para o Amazonas
pelos diversos geographos :
10_ O ¡ladre Chrislovão d' Aruna (5) dá-lhe 1.3tiG leg1las
(9.039 kils.)
~o-
lhanas ..
B. Pereira de Berredo (6) dá·lhe 1.800 leguas caste-
30- Ayrp,s do
Casal
(1) dá-lhe
«donse
á
dosecclllas
leguas. )} (7.009 kils.)
4°_ Martinhl/ (J¡, S. Âlbllqllerqu~ (8) dá-lhe 1.200 leguas
(7.909 kils.) sendo desta~ 492,:> (3.283 kils.), pertencentes ao
Brazi \.
5°_ [,a Con (allline I\"1' ,fá de ';. João de Bracamoros il fóz
750 1t'¡':lId' (·lolJc)0 Idls.) " . llelas Clfvas do I'io, 1.000 it Li 00
legua, ,1.a:s2 kils.)
l'0.
19n1lcio Accioli (1 lá lhe LiDO leguas de navegação
(1.:3~42 kil~.)
(1) O Sr. Barao do Ladario fI.•c¡'0via
i~lu em
un.
TORQUATO
TAPAJ.)3
70- S,zinl'Adolphe (U) diz: «Suppõem-se
que em !iLha
recla póde este rio ter 980 leguas do Brazil (6.532 kils.), porém
os viajantes, que o exploraram, dão-lhe mIl tolal de 1.0tO leg!laS
brazileiras de :3.000 bra~as cada uma, () que equivale a 1.:;56
leguas de França de 2.000 tnezas. II
8°_ Castel1uw (12) dá-lhe a palti.· do ponlo em (ue
começa a ser navegavel, ácima de Jaen, 1.200 leguas (7.1'99
kils. )
90-T. JJichelena y Rojas (13) dá-Ih,~ de curso navegavel, llé
O Pongo de Mauseriche,
6.666 kits.
10.- Cortambert (U) dá-lhe cuno navegavel superior a
5.000 kits.
H.-- haquim Caetano da Silva ({5) dá.-lhe LiOO tegllas
(7.33:2 kits.)
12.- 11. Ltt'assellr (16) dá-lhe mais de 6.200 kils.
13.- M. Paz Sold'un (11) dá-lhe 1.200 teguas (7.9)\)
.kils. )
14.- Elual'd'l de Moraes (18) dá-lhe
curso superio' á
1.200 le~uas (7.999 kils.) Entre a fóí: c a Tabatinga dá (DO
leguas (3.90'J kils.)
i5.-EI.
Reclus (11l) só para a parle navegavel, alé celca
de 250 ¡¡jls. ácima do Huallaga, dá. mais de 50110 kils.
i6.-Ar)ussis
(20) diz: Il'. Seu curso desrle (J, base dos Anlies
alé ao oceano, abrange uma distancia de 2.500 milhas geogl'llM
phicas.»
17.- SeverÙmo da F"nseca (21) d;i-Ihe um percurso de
7.000 kils., dos qllaes quasi quatro mil em territorio brazileir-o.
Aluitos null'OS auctores poderíamos citar ainda, mas sei ia
a}¡¡ngar por demais a lista que ilpresentamos.
Como já \imos, nem uma destas hran(hzas foi adoptada
pelo ando!' ¿o Diccionario, que, por sua vez e em pou¡¡as linh2s,
apresenta 7 -- todas e cada uma como extensão úefiflilira.
II
«.A superficie do valle abrange G.OOO.OOO kils. quadrados,.
sendo a maior largura de 2.57û kils, e o comprimento de 3.248
kils. E' a mais vasta Lacia Ouvial do globo, e representa '/s da
Europa, l/s da Austl'alia e '/3 da America do Sul. Do Valle do
Amazonas partecipam ti eslados, cahendo ao Brazil l/S partes
d'elle, 011 rfJllCO menos da motado do imperio, constituiurlo
o
reslo os 3/4 da Bolivia, '/5 do Perú, S/4 do Equador, '/5 de Nova
Granada e '/ts de Venezuela. »
Além dos e~tados de que trata o auctor do Dic~ionario,
devem ser consideradas
mais as tres Guyanas - franceza,
ingleza e Ileerlalldezacomo participantes
do Valle do Amazonas; pois que embora ~;10 constituam estados independentes,
são, todavia, partes independentes,
na America,
de estados
.Europeus.
« Sea en el Brazil, sea en las cinco repuLlicas y las tres
colonia~ europeas,
cuyas :Jguas recibe, màs ó menos, el rio
Amazonas cuenta por tributarios directos ó indirectos, más de
1.100 rios y millares
de lagos, de canales naturales y ùe
estanques.
» (2~)
lot auctor do Viceio nario esqllecC'u-se que o Brazil é limi ;aùo
ao l\'"orte, alêrn da republir'a de Vcnezl1cb, p~las referidas Ires
Gllyanas; e que, sobr·~tlllio a Gnyalla i:lgleza, gr'Ullde é já !l:lje
á Iroca rie relações com!IlPJ'ciaC3, l'cpl'eselllallio
capita"s a\'~ttnnos, que malltém com a prov!ncia do Atna3~Il:.l~;, rclos rios
Branco e i\l'gl'o.
i6
TORQUATÓ
TAPAJÓS
Sendo a superficie do imperio i¡fUal á 8.331.218 kitH.
~uadrados.,(2:3) e a do Valle do Amazonas igual á 7.000.000 de
lIil8. quadrados;
desde que ao Brazil pertencem 'I, desla
superficie,temos o seguinte rèsultado contrario ao que affirma
i) auctor do Diccionario:
A metade da superficie do imperio é igual á ua~.'I.;=
"'.i68.609kils.
'/. da superficie do Valle do Arclazonas dão uma arlla
=7.000~OOO X 2 = 4.666.666
Iùls. quad.
Ao epnz de representarem os '/. uma área menor do qlle
a metade do i mperio, representam uma. fU'ea maiúr do qut' a
metaùe do imperiu.
A superficie da Australia é representada por 1.500.000 kLs.
quadr.(Lrras,¡eur) ou 1.000.000 (Dussie!tx). 4/. desta superfide
representam uma área igual a (Comande uma medida entre as
duas) 7.~~.OOO X 4 = 5.800.000 kils. c,uadrados. Como, pois,
uma superficie de 1.000,000. de kils. quaùrados pôde ser rep ·e·
sentada por outra de 5.800.000 kils. quad. '? Que signific.uR
estas comparações ... infantil, perante a Geographia "
-~á vilIlos que a superficie do Valle do Amazonas é ig lill
il 7.000.000 kits. quad. Diz o auctor do Diccionario que, de!ta,
'/s cabem ao Brazil (4.666.666),constituindo u resto (2.333.334),
'/. da Bolivia, '/. do Perú, '/4 do EquadJr, f/. da Nova Granada
~ l/U de Venezuela.
Examinemos :
. A supel'ficie da Bolivia é igual á
1.222.~,50 kils. Tomando desta
'/ •• para o Valle do Amazonas,
teremo:; : u';.f!¡Q X 3
= ...
91\j.686
kils. quad.
A superficie do Perú é igual á 1.072.496
kils. 'fümando desta '/apara o Valle
do Am:lzonas, teremos: ~XIi
2
_ •••••••.
"
A super1icie do Equador é igual a.
428.\l1J8 kils. qlad.
O VALLE
17
DO AMAZONAS
!:H3.295 kils. quad. Tomando desta
o Valle do Amazonas, te6'.3. "9j X 3
remos: -,.=
3/~fJal'a
482.4GO kils.
quad-
A superficie tia Nova Granada (aliás
Estallos-Unidos
dá Colombia
Carta Constitucional
de 8 de Maio
de 1863), é igual a 830.700 kils.
quad. Tomando desta l/s para o
Valle do Amazonas,
teremos:
+
~X15
166.1.1,0 l¡jls. quad,
-.
A superficie
de Venezuela
é igual a
1.137.615 kils. Tomando desta l/U
para o Valle do Amazonas,teremos:
~X'l=
16
71 .J 00 kils.
••
toùas estas superficies
Reunindo
encontramos:
91Cdi80 kil~. quad.
428.!Hl8
»
»
482.4liU
»
»
1 GO. HO
»
»
»
7 L 1 00
»
Bolivia .•
Perú ..
Kluatlor ....
E. U. rh Celumbia
Venezl\fda.
Sommalldo
Reunindo
•
2.065.393
»
4.666.060
»
6.732.05\l
»
mais a superfLcie que cabe ao
Bralll'1 :
Teremos
quad,
7.000.000
-,-
o total
X 2
de,
=.
»
Chegamos,
assim, a uma superficie mitior do que a
que dá o auctur do Diccionario
(6.000.000 kits. quad.), que
aliás começou por excluir do Valle do Amazonas as tres (]uyanas;
e mellor do que a que apresentamos
(7.000.000), pOl' isso que
nós n'aquelle total, incluimos as possessões européas excluidas.
A diffel'cnça
para mais encontrada,
e que é igual á
:2
18
-~----,-----------------------732.059 kils. quad., representa lima área maior elo que a cue
occuparn as nove seguintes provincias d) imperio:
.
.
AJagôas
Sergipe
Rio de Janeiro.
Espírito Santo •
Santa Catharina.
Parahvba~
.
Rio Grande do Norte.
Ceará .
Pernambuco.
.
.
!is.4\\1 ki/s. qUl;d~
:l\J. ()90 .»
ti8.9H2
»
»
44.839
'14.156
»
])
74.731
[,7.485
»
:Il
104.250
128 393
»
- .. --
6f.0.411
ou.
»
lIa ainda uma differença de 8t.642 kils.quad. pouco meltos
do que a área occupada pelo reino de J 'ortul'al !
- Si, porém,
aos 6.1-3~.059, q'le vímrls de derlUíir •.
juntarmos o~ seguintes, que representa II as áreas occupadas.
pelas tresGllvallas,
teremos :'
119.321 kils. qu:.d_
Guyana neerlandeza
221.243
.)
»
ingleza.
121 413
])
»
franeeza
ou ••••••
que reunido!! aos.
dão a área
de.
M,un7
6. 73~.059
7.H),4·.036
:Il
»
»
ou mais 194.)36 kils. quad. do que damüs-sup~rficie
excederlte
que represellta as porçÜes dqs territor os d'aquellas
colon;as
<{ue não partl'ripam do Valle do Amazonls.
Todas estas medidas e comparaçùes
não têm absolu'amente valor algum, e nós aqui a ellas nos referimos sómenteo
porque não temos, como acertado,
deixar !lue o auclor
dl)
Diccionario I~ve algum eÎpirito pouco rdlertido ou confiante de
maIS, a tirar consequencias
ou deduzir affirmalivas de dados
numeriros,
qne nada exprimem e nem um lraço de ligação intelligente eSlabelecem eiltre as grandezas cOUlparadas.
\
1'",~.Iq~~~,~,
,.~,;,"_
, Do .",,,,,
"ó ù,
t:ll á occidental dos Antics lia [(el'uhlica dù PellÍ, euja altitude
media é dl~ /L:~UJ melros, vertl'nl para o Ill/l'le as fontes mais
remotas do Alllazolla~, constituindo
dllas tOl'l'entfls, lima das
qllacs, a occidental, a\callça a lillilndfl de 10° 20' S, viudo da
Cdlllraverlenlc
do rill Barranca. quc r1esœ para o Pacifico, e a
orient;¡1 do lagl) Laurieocha;\
1Go '10' S. I;:stes dous ur;¡\:(ls ori~illal"1os rellllelll-se
na lal¡tlllle de g' 53' S, formanr1o
o rio
?Iar;¡n(¡n, nome '1!!!; 't'ln {) AIIHIZIIII.lS, na parlfl snperilll' do seu
curso. Com a dellnmillaç;\o till TlIlIglIl"agua figura lamhem em
algumas cartas,e Ú deseri¡.lo pur diversos escriptores,mas
parece
tCI' cahitlo CIU auallilunu
».
Para hem í'-l':rlarmos
as orielllaçõp.s inexactas dadas nelo
aucl~)r do (Iirc'inllario ;¡o cnrso do Amazonas,
e a dupla orj~em
qUtJ .•SClll flllld:lInellto
algum,lhe foi m¡lrcada pelo mesmo senhor,
faeamos d(:sde já um r;¡pido esboço ùa grande cordilheira
dos
Anùes, que lhe scrve de berço - como que suspenso entre o
céu e a (erra.
- Tomando-a nas \Iro:'limillndrs cia zona cie qne mais particularmcntc
nos vamús oceup;lOdo, veremos, com (~.I\eclus (z4),
que da parle meridipnal da America alé ¡¡Icm do AC')!Icagua
Il ~ig;¡nte
dps Andl!S chilenos - a ¡.-:rande cadeia não projecta
para E. senão llIassiços senLÍlllporlnnci:J.;
alienas alguns pequenos hr:Jços se e,tendem sohrc os pampa::;, para'ellampntc
it arteTia pl'illcjll~lI. A ;)(;0 de latitude l'sles hraços
:llJgmenlam
em
IlIllllCI'O e ¡li:ura [:Jrmando cnl;Ïo um vasto piatcrm ou planallo,
do qual se ùa:itaca, orientada ao nordeste,
a altiva serra ùe-
20
TORQUATO
TAPAJÓS
Aconquijll. Enlre esta monlanha e a grande bifureação das cor·
dilheiras da B(llivia, aos 22' de latitude,Jutras
serras se ale·
vanlam no enol'me pIauaHo. O ramo occidental,
composto d.,
lal'gas saliencias de forma regular, apl'oxima-se
do litoral drl
Pacifico, ao mesmo lempo que o ramo orienlal, lançantle diver·,
50S auneis, imporlantes
para os plainos de E"le, desdobra em
tomo do grande planallo da Bohvia uma longa serie de pico·;
dentados ecor,erlos de nl've, enh'e os qlla~~ se destaca o !liam··
pú ou Sorata, com 7,494 melros de allurà. Ao norte do lagll
Tiricaca I'eunem-se as duas cadeias pilI' uma Illlll'alha lransver· ..
sal, conlinuanco no enlanlo a d,senvoher-se
em direcção N. O.
paralelamente
ã cosIa. Poslo que a cordilheira.
orienlal seja
cOl'lada em um gl'ande numero de pontos pelos ríos tributario;
do Amazonas, é facit reconhecer·se
a Orif nlaçfw geral dos tre ..
ehos que acompõem.
No 1\'6 do cerro de Pasco, juntam-se de novo as duas cor ..
dilheira"
mas. pllra immediatanente
se separarem,
divididas
então, f m tres cadeias, seguindo uma a perder-se nos pampa:
do Sacram,ntr.', em quanto as outras dna!:, t'nlre as qual's SI!
acha o alio valle do Anwzollus, I·eunern·~e no angulo mai.;
oc,:idenlal do continente, pl'{¡ximu ás frollteira5 mel'idionaes dll
E'luallor.
Esta notavel configuraçiio do lerreno :25~ dá lugar á clas·
sificação em lr.~s zonas, inteira¡penle
dhli (Iclas :
A wua da costa.
A wna rnunlanhosa.
A zoJla do:; bosques.
Esta ultima se estende da verlenle oria.ntal da cordilheir¡,
orienlal até ã Bolivia, Equador e Brasil. Correm nesla zona
pOllI'O con hecida e cheia de selvas frondosas, /IS STlIlIdes riOl
qu~ levam sua~, aguas ao caudaloso Amazolla8, corno o lIuallaga
o IllICavalle e oulros .
. De"line••ùo em lraços largos o quadro gel'al lIa grande re·
gião dominaùa pelos allos picos da cordilheira au.Jina, como St
fazia necfssaric ao desenv(llvimehlO que teremos ùe dar ao 1I0SS(
esludo allalyli(o, fixemos ,¡gora um ponto.
Na pro\'illcia ùe Paseo, departamento
cie .Junin nos alpes·
tres de lllla,¡woriejo (anti~o Palacio dOH Inca~), na I¡¡tiludt
austral de {(Jo :¡O' ao norle \10 cerro de Pasco (~G), á 4.267 me·
tros de altitude (Cr,stelnan),
está ~iluada a lagOa l.a1IrÏ'l;c}¡a:
o
21
VALLE DO AMAZONAS
com 13 kilumelros de comprimento
sobre 3 de largura, da qual
parle um pequeno rio, que pa~sa pela provincia de Huamalies,
em direção norle (1).
E' esle o rio Amazonas, ahi denominado alto !liara non ou
Tunguraglla,
e que banha n(\ territorio do Perù, ¡¡lem da provincia cilada, as de Conc)¡ucos, Huamachueo~,
Pataz, C~jdmarca, e
as do del'arlamelllo
peruano ùo Amazonas.
E' es la a verdadeira
e unica origem do Amazonas. Não
existem rluas correntes.
- Si Alexandre de lIumboldl, na sua obra- VOl/ago, aux
ré:Jinns e'JIIi lIo.ria l· s duNoIl/ean
cúlltinentfailde
1.799 tÍ '1.804
-deu
como origem do ¡\ mazonas os dous pequenos
riosAyullmi1"os
e Chavanillos- dan\lo esle como vintlo do lago
Lauricocha,
seguramente
o lez por I)ão ter ido estullar 31luellas
. origens, como ali.is elle mesmo confessa e nó~ veremos.
T,al.lntlo-se
tic um laclo de simples ooservaç:lo
e no qual
não V:lO ernpPllb:¡,lus os largos c\lllhecirnelllos
do grande sauio
-nà"
é muito ¡,!f1rmar que Ilumlloldl errou, o que não aùmira
pelos miuguados conhecimentos
que por aquelles
tempos se
tinha dll AUla/onas.
cc Les ren:;eignements
queje cons;gne ici, diz A. de Humholdl, :;ur lt~ ILtnt-"aragnon
el sur la direclitlu ùe la cli;\ine illlerlllediaire de" Audes, qui se lie à la ehâiuc principale ou
uccideltlale par It~S monlagnps de Zámora elle Paramo de I'Assuay, ddfèrelll a,·sez de ce 'lui a été puhlié llar ~l de la Condamine, dans des ollvrages eL des menlOires ('ailleul's
très e:;limables.
Ils se (olldelit Slir des ,wlion.s que j'ai eu occa.sion
d'acquérir pendant mon s~jour à Loxa, dans les royaume
da
Quito, á TOlllepelllla, ~u)' les barns de t' Amazone, el au Pel'ou, á
Micuiparnpa, à Caxarnal"ca el à Truxillo~.
llt!m se vê que Humboldt não atUrma rie riSlt.
-Cumpre
ain la aqni accresceutar
Cjue por aqnelle tempo,
não se havia definilivamenle
assenlaùu em demuu~LI'aç'ões e
provas positivas--qual
o verdadeiro
tronco 00 Amazonas.
Queriam \1I1S qne o fosse o Huallaga, onLros o JInca,yalle, e
outros ainda o N~po.
IIenrique ~b.w (27) dizia:
(1) Bouillet
130 30' S l>.
diz'
«Lauricocha-Lac
du
Peron
par 7dO áO' long.
O.
22
TORQUATO
TAPAJÓS
It Relativamente
à origem do Amazon,is, ou ao ramo deste
r¡o,que tem mais direito como a slla fonte principal, são varias
as opiniões, :qu.éllêm existido, e oppostas urnas ás outras.
«Não j\ll¡!n, porem, que o ramo ,que tem o nome de Amazonas e coutilllla em mainI' distancia n'uma di,'ecção leste e
oeste, seia, fOlllo fr/'{luente,nentll
se tem asseverado,
muito inferior ao J1"(;a~alle. Tomando a reunião dos tlnns rios como
um centl'o cie l1ediçào, eu julgn provavel 'Ille o ramo ou braç9
occidental do rin In de seI' achado mais co Ilsi,leravel em maior
distancia, ainda que alguns llos pequenos ri'lS que furmão o
lIucayallH possoo t!xcedel-o em exlremo cniOprimento; alem do
que o Jlncayalle e lJutros ramos parec.m mais ser formados por
uma c"Upc:;ão rie correntps, em quanto"
Amaz;)llas procede
lodo o caminho, desde entre a~ cnrdit!'eira$ como uma corrente
prinripal
»)
Pude-se aiuda, á respeito das duvida;; sobre as ol'igens do
Amazonas, 1er o 190 cap. do - NI/rD de~l'llb "imento do Gr/máe
',ia d'1s Am!¡:,ona" pelo Padre Cltri8bv,io ¡l'Aeun:l, H que adiante trafl~creverernos,
e muitas outras ou ras.
- O.i rios AUtlamiros e Chrtva1til'oç llão c,)nstilUcm fontes
do AnJazon~s, lOesmo ItUrque ll<WllxiSlelll. Na provincia cie Hua·,
malics apenJ\s«. cerca de los pueblos de Ag ltamiro y Banos.,
se encuentram a¡zuas thermales.
L05 b,ln os dI' vapor del primero 8011 muy celebrados»), (28) Eis a que se l'elluz essa (anti'
Q1'igilwrirL do Amawnas, inteiramente
afaslada do ponlo dl~
onde e\l e p:1 rt,~.
Quanto a Chavanillo, na p"ovincia
de T.wna, eis o qUil
d'elle se encontra:
It Oe"de el puehlo
de Chavanillos, comienza
un sistema
de fortifi('acior.es, ó castillos, como le llaman por estos Juga •.
res, situados en ambos lados de la quebrélcla. )l
« El prirr.er castillo que visité p or e~l:I pal'te, fue el cI'l
Masor, cerca de Chavanillo, conslruido snbre una emiuencia 'f
cuyas p••rtldes son de exql1isto rnicáceo mezdado con barro ».
(Memoria8 cieafi(¡cas de Bivero) ..
No excellente
Dicci~nario Oeo'/rar-hico-llistl)ric() de, lasindias occdelllale.s, ó America, de Don A'ltl;OÎO de Ateedo, publicado
em 1788, ellcontral(lOS :
o
VALLE
no
AMAZONAS
23
Pag. '28 - (lO ,olume) «A:Juu'niro. Puehlo de la provincia y corregirniento de Iluamalies, en el PerÚ,. celelml por
unos banos que tiene de a~lIas minerales,
mllY sallld:loles)l.
Pag-. /~i~- (lo volume) «Chavallillos.
Pueblo de la pro'vincia Y cOl're¡.:imiento <le Huamalies en el mismo l'eJi'lO, auexo
al curato de Paclin )).
Eis o que resta dos dOIl.ç rios imaginarios
a qne A. dB
lIumbohlL se referiu e l/ue não são, a.inùa assim, os do auctor
do Diceiflnario.
E' ham que não nos' esqueçamos do pouco cuidado com
que se houve A. de llumho\Jt
em relaç:l0 à C;eographia do
Novu cUlllinellte. São muitos e extraordinarios
os engal!o'~,'1ue,
em sua obra,se encontra, COIllO elll gl'ande parte, relativamente
ás bacias do Amazonas e do Ol'enoco, o demonstrou ~ltchelena
y Hojas no seu bem escl'ipto trabalho.
- Não se percebe qual a relação que existe entre o rio
Barranca e as ol'Ïgens do Am:¡zonas.
O Barrancu banha a
provincia de Sauta, do departamento
de Ancucho, nos limites
com Ch.1Dcay, parlindo de C:.jalamho e correndo em J iftll:ção
E. a O. - Enlre Cajatambo (provincia) e lIuamalies e Pasco,
onde nasce o Amazonas, eslende-se a cordilheira.
Parece que, a qnel'er IOlOar um dos rios que nascem
na
vertente opposla áljuella em que corre o Amazonas, ao envez
de,te insignillcanle B!lrrUJII;a, que vue muito ulastado (11033'
.ti" de Lat. S.), melhor fõra lornaI' o rill Sauta, mais caudaloso,
que tem origem na provincia de Huáylas, e antes de entrar em
Salita (provincia) recehe diversos affiuentes.
O facio em si seria o mesmo: o Sauta lamhem vae ao Pacifico, havendo, porem, a dilfel'ença de que este é muito mais
importante do que o Blll'ranra.
-Anles
de darmos começo á transcripção do que, sobre a
origem 1ma e verdadeil'a do Amazonas, tem escripto homens
.de alto valor scientitico, geographos
e viajantes,
l/ue o tèln
estudado com o maxim) cuidado, e nos quaes se encontra plena
~ontirlTlação da ori~em que acabamos de dar, sem a minima
referencia ao B'¡rranca ou a outro qualquer rio, cumpl'e·nos
.diser que o Am3r.onas, na sua origem, não é conhecido por
Marollôn, simplesmente,
mas pOI' - alto Maranõ"
ou Tlm-
9 lLI'U:J
I/(t.
..
,..
_-----------~_i_--------.24
UfA/ás
TORQUATO
Vejamo:; agora o que disem
os di versos
auctores
a qle
il cima alludimos:
1°_4. O famoso rio das Amazonas,
Maranhão (nnme este ultimo que
)hos,desde
(I seu
proprio berço
Apurimac),é certo que nasce lÍo
1Jre Lagoa Lauricocla, junto Ga
leiros Il.
«
Orelhana, Grão·Pará ou
lhe dão os melhores cosrnog¡'aonde os naturaes lhe cham. m
reino di) Perú, porem da cele·
cidade de Guanuco dos CavII-
Anllaes
histol'icr.s do
Esta·lo
'fo
Maranhão, em que se dá noticia do s m
descobrimento
€ tudo o mais que n'e]je
tem succedido, desde I) anno em q1le
foi descoberto alé o de 1718, por Be,'nal'do
Pereira £le Be.rredo.
'
20 ~ « Corre este rio (o Amazonas) ~erpenlinadamen to
por baixo da linha equinocial, tendo a ¡·ua fonle ou caheceira
ao sul d'ella na lagõa Lauricocha, junto á cidade de Guanu ~~
do reino do Perú :J.
« Roteiro chorúgraphico da viagem
de MartillIto de :,o!lza l~ AlbU'/uçrQfH.
Governador e Ca¡Hlão I..eneral do E~;tado do Brazil, ao rio das Amazona ••
em .a ~arte que fica (:.omprehend¡da r:a
capllanla do Grão-Para, 1184.:»
3.0_« (I Tunguragua
(Amazonas) sahe d,) lago H'il).ltr ¡cocha, situada em 10° 30' de lat. austral, no districto de Hu~naco, intehdtncia de Tilrma, obra de 30 leguas ao nornordestede Lima.»
«Corng't'ap¡'ia bm :ilica on reI~tão historico-ge(lg'I'aphica
do reino doBrazil "- por M. Ay'"es do Casal-MDCCCXVIl .•
O Tunguragtia
ou No'vo .Maranhão, sobre o qUl¡1
ia. eu navegar) seja ou não o braço princip,1I do Amazonas.
~O-1I
o
VALLE
25
DO AMAZONAS
desce do lago Lauri U.•(luritocha),
~upel'ior ùus Andes PeI'UyjdllOS.»
II.
siluado
sobre um plateau
Voyage dans les deux Ameri'¡ues.
par Alc. D'Orbiny-18.H."
5.0_« O Amazonas tem sua origem no lago de Lauricocha.
a
POUt:ù
lOais
uu menos 4.201 melros de altilude.»
It
Exprdicfion
dalls
les parlie,~
cm-
traies de /' Amerique
du t;ltd, pelldant
les allnée., de 1843 à 1841-par Francís
de CaslelIJan-1851.11
6.°-« Enfim os geo~ral'hos concordão em razel-o nascer
(o A mazonas) do lago Lallrictlch ou Lauri'acha, no distr'iclo
de GUó1nuco,entre 11 e 12 gráos de latitude meridional, debaixo du nome de TllngUl'agu3, (.l'onde se dirige para o norte
nas mont;¡nhas dos Andes, passando a 30 leguas ao nordeste
de Lima.1l
It Diccionario
Geo{j1'a]Jhi'o, Ilisto1'ico e Des''Tipt·vo do Imperio do Brazil
-pOl' J. C. n. Milliet
de Saint Adl)lphe
-1845.»
7.0_« Nasce del pe'lueno lago Law'icocha al norte del
Cerro de Pasco, y llevando el nombre de Alto ~laranùn ó Tunguragua bana las provillcias de Huamalies. elc., etc. o
« Geogra¡lhia del PertÍ-por D.
D. Mateo Paz-So/tlam-i86'2
»
8.°-« E' berço do Amazonas o lago Lauri (Laul'icocha) e
Tunguragua o nome (lue alti recebe.)
«: Viar¡em ao re lor do nrazili8i5-181û-pelo
Dl'. João Severiano
da Fonseca-iS8!.
g.o - «: El Maranon, como Iodos saben, tiene su origen en la
laguna de Lallricocha»
26
TORQUA1'O TAPAJÓS
q:
de
Apuntes ;¡obre la provincia litol'al
Loreto -
de Antonio
Haimondl.»
10°.-.« Mas continuando
pelo mesmo rio que navegamos
(o A rn~zl)na~;) admiramos a tllpia' que resulta da amllencia tie
tantos e ~ào enormes, quanlos são mlliu,s llos que recebe de.de
as serra3, do LauriC'lcba onde nasce 011 aborta ... » (i)
« Viagem e Vis,'ta ao Sr-rtiio em o
bispado do GràJ-Pal'á em i162 e n6a
-Escripta
pelo bispo D. F. Jolio de
S. Jos6 - monge benedictino.»
11o ~« Tinha visto em i8i6 o lago L(!Uri,'och(l, nas .11tnras de Hu¡(nico-viejo,
berço do rei dos rios. Ahi sob o (éo
inclemenle
de Puna, vi sahir um delgado filete de ligua de
uma fria lagõa, e atravessar serpeiando á alta planicie cohe -ta
de arLuslos definhados e murchos.
Mais para o norle, vj·o
sob o nOID€ de Tllngurl\gua, já torrenle, fertilisando o ride'lte
valle de Huantar. E via-o agora no Pongo, no ullimo degráo
dessa giganlflsca escada hvdl'auhca, qUI~ desce das alturas inhospilasde
5.500 metros a esset! plaillos 1l:l.!lIlberantes deriquezas vegetaes ... '\)
c. Narrativa tie 11m illustrado
viajallle), o Sr. Consul Weiuel'.~'id.
Viag. ao red. do Br. do Or. J. S. da.
Fonseca.)
12"-«0 Amazl)nas, depois de sahir do la~o em flue \l,m
origem, (2) aos 120 de latitude austral, corre para o Norle ... »
« RelfJtion abreq~~ rl' !tile voyog e
fait dans I'inlerieur del' Amerique MeMeridionale par M. dl~ la Condaœine
MOcçLXXVllb
(1) Laitricoc.l¡a quer dizer lago Lauri:-(Gocl&a-lago).
(!)
:-;io lhe dá l\qui o nome
mas rerero-If
ao Lau ricocha.
o
VALLE
27
DO AMAZO~AS
430-o: Le Tunguraglla,
que porte aussi le nom de )1aranõn, sort du lac LXllri"oc!tn, dans les ATHies, ail Perou ... })
<I.
Geolll'I'phie
Generale-L.
J)IlS-
sier¿J;- i 866 »
140-« Near the silver mines (If Cerro Pasco, in the little
lake of L'turirwlw, jllst below the limit of perpetual winter,
rise the king of waters.»
« l'ha And's Q1Ill the AlIlazon, or
Across the CI)/j/ine/lt of Soutl¡ Am~rica
-by Jallles Orton-M.. A. 1870.»
150-« Do Grão-Pará, Orelhana e ~laranhão, que por todos
estes titulos é 110 mundo conhecido;
corre esle rio sinuosamenle pOl' baixo da linha e'luinocial;
tendo à sua fonte ou
cabet:eira, na tat. 200 ao sul d'ella, na lagôa Lallric:¡cha, junto
á cida:le de Guanuco, no reino dll Perú.»
« Ve.5rripçilo ch07'ographica do E.5tado do Grdo-Pará que, por ordem
alphahelira, descreveu JolÏo Vasco Man el dr- Braum, governador da Praça
de Macal'á--17~9.J)
1ôo-« L''\mazon prend naissance dans le lac Lauri (Lauricocha) où il reçoille nom de Tunguraglla.
Le lac l,n/l' i est
situé dans les contrées alpestres de /llllmico dejo, au cenlre de
la cordillere andine ... »
« Les Pfll¡S des Ama=nlll'S par F.
J. de Sllnl'Anna Nery-1885.
110-« Entre as dilTerentes r.piniões acerca da nascença
do Amazonas a mais moderna e seguida é a do lago Ilyauricoci¡u Olt l.alll'icoc/za, no dislriclo de Huanaco. do deparlamenlo de Tarma, a2 leguas NNE de Lima, em 10° ao' de lat.
S. COlli o nome de Tunguraglla ... etc.»
CI: Diccionario
Topographico,
historico e descriptivo da comarca do Alto
A mazonas por L. S. Araujo Amazonas
-185'2.
TOhQUA.TO
TAPAJÓS
18°--« ('e dernier (le MarallùlI) sort du lac Lauri, DCha,
au Ilœud de Pasco, se dirige aussi ~ers le nord ... »
« Geoyraphie
phYilique, poldi"jue
et economir¡1AB, pr¡r E. Levassl'urmemLl'e de ['Institul-1S80.
190--« Pendant long temps il fLt de mode parmi le; géo·
graph~s de considerer le Tunguragua ou Maranon, issú du lac
de L'lllri,odw, dans la cordillère de Bombon, comme le lronc
de I' Amazon. Puis cette opinioll fut atandonée et les cartol"gues,
revendiquerent
par la revière Ucayalle, con lÎnuatIOIl de I ApuParo, l'lwnueur de cetle paternité»
« Voyage à>travers I'Ameriq le
Sud-por
dIt
P. Marroy-18ô9.
Vê-SE que este autor dá ao 'l'unguragua 011 Marant,ão a
mesma origem que os 18 automs citados-o
Lauri'.'uclta. QI\¡¡U/O
a tomar como tronco não este, mas o Hucayalle, não vem ¡ gora
á pello di:;culir. O autor do Dil:cionat'Ïo aceita o Tungura¡;;ua e
lIão o Hucayalle como sendv o tr'nco.
20°-« Diversas têm sido as opiniões dcerca do lugar preciso em que nasce o grande rio,; I,urérn a mais seguir; a e,
proYaV~lrneIlte a mais segura, é que (I 'Isce 110 lago Hyauri ucha
ou Laz{¡l'i ,Jcha, no districto de Huanllcó do departamenl)
de
Tarma, a 32 leguas N,'il~de Lima, ca»ítal do Perú, CI In ()
lIome de Tungura¡;ua, etc.
4: Pard e Am'l;;o/!a,~, pelo cOllego
Francisco Benal'dino
de Souza-1 ~73.
21°-.[ O Amazonas salle <lo lago Dlllricocha-veja
se ()
- lIerndon s' Valley of the. A maZO/i Maps-ParttJ fa
220 - c( Desde sus caherllfas al p:é de los Andes del r erú,
bajo el mombre Tun'guragua, que nare en el lago LOTie cha,
entre los 10° y Uo Lat. S.- y 700 ?i" de long. O.... »
.' (I Explor1,cion o¡rcial dest/e el~orte dt la America del Sur hasta N ulla
TORQGATO
P,/I
el alto Marallõn
jada
del Amazonas
porF.
les
29
TAPAJÓS
Michdenay
ó Amazollas,-B(JItasllL
el Allanliea
Rójas.-!867,
2:~o_«Il sort (!' Amazone)
dll
lac Lauricoch'l,
dans
Andes, (PerDu)
district d'[luanuco,
departemenl
de J u-
nin,)
«
phie,
General
D'ic'imlllire
de
bir¡gra-
el
d'histoire,
de 1Il1Ithol:gip,dlJ
ycographie IlW iellne el modenlP par Cf¡.
Dczobry
(I Th. Bachelcl.-1861.
240-« Das montanhas du Pelú, conhecidas
por cordilhei·
ras dos Andes, sahem os tres famosos rios Orinoco, o Prata e
aquelle das Amazonas.
Do lago de Yllllricocha
Olt L(wrir:ocha,
<¡ue é situado nas planicies
de Bombon,
aos 10° 11,' de
latitude meridional,
e tem uma ¡rgua de comprido, com meia
de Jal'~o, distante de Lima 32 leguas, pelo nornorlleste.
sahe
o f~lIIoso l'io das Amazonas,
que nesta paragem tem o nome
de Tanguragua,»
« CorognlphÍlL
l'araensc, Olt descripl}'io
Pl'otJ/llria
Accioli
¡:'~ica, llistorica
e po!itiw
da
do GraD-Pará-pol- Igllacío
de Cerque;ra
e Si/t'a
1833.
25')-« (;eographel's have neveI' fllllyagree(1 which of the
uppe:' lributaires ueserve3 to he called the main stream of the
Arnaz!)n ; bul the most recent ex:J\ol'~rs are decidt:ll in considari'l!;' the Tunguragua
or npper 31a!'anõn as its principal
\iouree.
This rises in a lak'~-!AI/!)'íco'ha-situaled
almost
in the regions of perpetua! SllOW.))
«. Brllsl
Rv,
an l lhe B/'(!silians,
James C. Fletcher,
P. ¡{jdr/er-D.
allll
by
flev. D.
D. 1886.
~Go_( S,io tanto~ os <¡Ile têm e~cri[llo sobre este primeiro rio lIo ~lulldo, que creio que para a precisa claresa deste
abreviado roteiro, hastar;í só (liseI' que elle desagua no oceano
com O~ seus confluentes pOI' uma hocca de iiI', legllas, subindo
sel'penteaLlamente
ror baixo ua linha equillocial até a lagoa
30
o
VALLE
DO
A~HZONAS
Lat,riç(Jchll, junto á cidade ele Guanllco
110 reino
do Perú, onde
de 1800 leguas.»
II J!otei/'o chorographico
da v ¡agem
q~e se (oSluma fazer da cidade (:e Belem do Grãc Pará á ViI:a Bella d'l MattoGrosSH.
Tirado do Diario aSl.ronomico, l'fm! ao rio Marlei.'a f¡selão os
officiaes en~;ellheir()s e Dl/utorei Mathewalicns, 11l~lIdadqs no anllo de I i81
por slIa Ma!;eSlade Fidelissima;
demarca:" a l' Divisão dos Reaes limites.-M<lndali¡¡
imp,'illlir e offerecda ao
I. H. e G. do Urazil pe!o Dr. Frallcisco
da Silva Carl,o.-] H;)7.2~.---Maranon, Amazonas, Orell~ na ó S,dimões)
que todos
estos nombres tiene, Rio el mayor que se conoce no Stl~O 'ell
la Arneri'~a, sino en lollo el m uudo: uac~ de la la¡¡-una I aurit:Oc/lfl, en la provincia
de Tal'ma, del r~Yllo del Pe/Ú, en 8"
56' delaUude
austral y cOrJ'e tic el medio oia al N, hasta t., pro~incia de Yaguaisollgo en el reyno Ile Quit,).»
« Dicri"nario Geo~raphico,
lIistorico de Jas iudias oJ~cidenlales ó\marica-és ¡¡~abel' di} los rernos del Perú~
Nueva E-pana, Terra Firme, C'lÍle y
Nuevo Ht'SlIo de Granada.
Escl'ip1o pOl"
el Coronel D. Antonio de Ateedo.
se termina a distancia
~tDCCLXXX\'III.
'28o--«Above Nallta, however, tbe slope increases r¡¡!lidly,
anll then there is Ihat IOIll{ south-to-n ¡rlh course when the rivel"
, ¡-mhes ~nd foams flown the l'ochey v~lIey fro!ll ilS lake-era ile in
the Ande:;. It is lillie more ¡han a ponll, this lake of VlllrÜ acha;
the hillliS around are bare and Lle¡,k the suaway cordilleras
lha t feed ii.»
li: The Amazon
and lite C(,a ¡t, by
Herbert M. Smith-- 1879. 290--« OÙ ce roi des f1enves pr/md il sa source?
« Le:; geographes ne sont pard 'accord SUI' celle que ;lion.
Les uns le font sonir du lac Laud~ocha, situé par Je 130-
o VALLE DO AMAZONAS
31
degrés de lalitur!r. meIÍùionale an milieu Iles Andes: les ant!'es,
et palmi eux Balbi, veillent qu'il dpscl1nu Je,; plateaux des
mOlllaglles de Titicaca. D:lprés celle opinion, I'Ucayalle, formé par la jonction dn Paro et de l' Arurimnc sernil le vl'rilable
~Iara!!uon 011 Amazone. Ce fleuve naîtrait donc en Bolivie,
il traves~erait le Peroll et la Colomhie avant d'entrer sur le territoire
bresilien.
C'est le premier sentiment
qui nous adoptons)
4: Considërati:l1Is
flénéral/'s
sur
l'Amazone,par l'Abbé Durrl/ut-Ancienne Missionaire ail Brezil -- Bull"lin de
la sociclé de G('(\¡;raphie - Sixieme
SerieTome Deuxicme-1811.
3;)0 - «Ge fleuv/! (l' A maz0ne), que les espagnoles nom ment
:Maranon e: le:; illdi¡:èlll!s Glliena, ne prellll le l)(lm d'Amazone
qll'an cOlllluelll de deux grandes
rivières) le Tnngnl'a;.:ua et
l'Ucayalle, qui ont lems sOllrces dans les Alllle". La pl'cmiere
sort du lac LallrÙ'oc}¡u, et la second des monts Cailloma, sous
le nom d'Apurimac.ll
Gell/raphic Unirersellc-de
Brwn -.:. Vol. VI.
Malte
3to-«Amazones
¡flellve des), (011 Mal'a¡(non, ileuve oe
l'Amerique mét'idionalt', le pillS ¡(l'<lud du monde avec Je Nil
et le ~Iissis~ipt', sort du Lac Lal/I'icne/Ut dans les Andes, sous
le nOli Je Tungul'al!ua, vers 11· lat S. 7:30 long. O ... »
fair'
c( DictÙJ/lnnire
e/ rie Ue"ljraphie
tmiversel
¡Jp hi,~!l(,r M. N, Boui!-
let-!tl1G.
32°- Na carla que ~companha a ohra c(E.l'pedir.ions info
lhe Valley 01 ti/e Amazones
-t:'1:3\) -15-1.0-1 'i:J')- T"anslater! :I·lId ediled wilh nllles by Clements
B. Markham-MUCGCLIXse vê qne (I ~lilranhùo ou Tungura¡;ua
tem uma
só orj~em : a !a¡((la La l/ric()c!tll, perfeitamente dplnl'minada.
330-La
rivière des Am,IZI)lle5 ou le ~lar3~non sort d'un
32
TORQuiTO
TAPAJÓS
,
---------
lac du Perou, (i) vers onze degré~ d,~ latitude merid¡on~le,
court au nord jusqu'a Jaen dans l'etendue de six degré~ ... »
«Geographie
Moderne
I'A!..bé Nicolle de la Cnix-i
pOl'
?tI.
800-tom II.
340-«~ascf.n¡Jo
no lagn «Lauricocha»
no PerlÍ pelo parallllo
Sul de dez e meio gráos, deix3 os Andes, 11 por assim diz ~r,
milha a milha engrossado de tribulariM notaveis, dá suas 8lpas
ao mar enlre o. cabo do Norte e a ponla Tijoea. emharaçando
sua immens;} foz a grande ilha de Marajó ou de. Joane~ .. )
Hydroqraphirr - Estudos ¡nediros
sobre o Ama20D<'s - pelo Barão do
Ladarîo (José d,; Costa Azevedo).
::l5~- «Le neuve Mara~non a sa sou l'ce dans le lac Lalj ri(ocha, assez près de la ville de Guanuc'l, dans le royaume du
Perou. )¡
« Description abregée des lle¡ve
?ttaragnon et des missions etablies aux
environs de ce fleuve, tirée d'une memoire espagnole du P. Samuel Fri lz,
missionaire de la Compagnie de Jesu·;,»
-Leltres
édifialltes el curil\uses-Publieés sous la dil'p,clion ele M. L. Ailné
Martin.- Tomo 20 )I/}CCCXL.
Alem desles áutores, que determin:¡m
precisamenle
a
lagoa Lr./,/¡ri, Dcha como origem unica do Ama:1.Onas, outros ba
que lambem, o fazem mas de um me,do \lm tanlo obscUJo,
seguramente,
comei já dissemos, pelo pOIlCO que sobre tal'io
se sabia ao lempo em que elles escreve 'am.
O COWell de Pagan, por exemplo, em sua inlere~ante(I) èião o diz, mas refere-se 110 louriCOC/'1.
o Am~zOlla5 Cvlll o lIualla¡;a ou com o Hucày"lIe.
ESl.e autor não ,:ollful.de
o
VALLE
DO
:n
AMAZONAS
Relation historique et ge,j(¡ráphir¡ue de la grande
Amazr!1les, dans l' .Amerique (MOLVI), dá, á paj!,
nf/ere
des
17, COlOu
origem do Amazona~ os lagos Pttlcam e Gltallame, na provincia de Quito.
Referilldo-se, depois, ao rio Maranhão.
nome. COIOO se
sabe, que sempre teve e tem ainda boje o tronco principal
do
Amazona5, rliz Pagan. à pago 50, Cap, XVII:
« L'une des principales el des plus fameuses rivières, que
les AIHles de la cordelière enuoyent du cotte du Midi dans le
¡;rand Amazone: est sans doule le ~laragnon autant pour la nohle
et la riche ll¡'ovince où il prend sa naissance,
que pour la renommée de son nom si celebre dans les hisloires
ùu Nouveau
Monde»
« NOlls laisserons desormais á celle unir¡ufl et fameuse
riviére, ceJny de Maragnon (refere-se ao nome) recngnue de
toule ancienneté dans le grand empire du Perú,par cette marque.
« 11 à cela de singulier en la disposition
de SOli cours,
(lue prenant son origine à J'occident des grallll,~s montagnes
de la Cordelière, il ne laisse !Jas de les penetrer et dlltr:lisner
les pesantes
aux dans l'orient de I' Amerique,
Ses illustres
sources, honorent le lac de Bonbon de cet allvalltage:
il est.
Ilans les contrées de Guanuco, colonie des espagnols, et dans
la province de Lima, la pJus riche el la primière de toull'empire du Peru, le plus opulent de tout le monde. Sa longitude
est de ::.102 degrés 30 minutes sur le globe terrestre, la latitude
de 10° degrés 4. minutes du couè du Pole anta¡'ctiljue, et la
distance à la ville royalle de Lima de 40 lieues. Or cet illustre
fleuve de Maragnon sortant de ce lac, arrose la longue el la
fertile vallée de Soufl'a, el coupanl le chemin royal entre les
villes de Guanuco el de Guamangue sous des ponts de curde et
de hois d'un Inet'veilleux artitke : il lransmollte
les Andes.].
Parece-nos que em toda esla larga e um tanto confusa exPOsiÇão quiz o autor se referir ao - Lago L'lllrico,-/¡a, que,
como se lê em Iguacio
Accioli em oull'us, e~tá situado nas
planicies de l3ombon, aos 1.0° U' de hl. meridional.
- Jean de Laet, na sua - Ilishi,.e dI! NOlll'(all Monde,
ou descl'ipt 'on des indes oecide/l/ales (tIHO), diz á pag, 565,
¡
34
TOIIQUAT!, TAPAJÓS
depois de reft~rir-se a GU~IIUCO,a grand€ cidade que Ilurefcel
no lempo do imperio dos Incas:
.
cr La ville est a¡¡pellée par d'autres -Gl.anuco
dtl los C~·
valleros;
elle esl surluul riche, plaisanl ele., elc.
« A,'sez proche aussi de la ville passe la riviére de Maranon, comme ils l'appellenl,
que sourtant
des montagnes
dl~
ffombon (a) cour 1131' Xauxa, presque jusque
à Guamangu
amassant
enlierement
tuules les riviérf!s que descenrlent dl!
ces hauleSIl)(lllt¿lgneS,e!
se courban! paSSf! auprès de Guanu(:(}."
Já em 1;>76, em sua - Historia da P1'OrÍluia de .5flt£l
Cruz a qlle r"{Jarmente chamamos Braz,', dizia Pero d" Ma·,
galhães Ganda"o :
¢. Hum dos llIais famosos
e principaeH (lue ha nest<lS partes,
he o das Am;¡zoll:ls, o qllal sahe ao Norte meyo grão da Equi·
nocial pera o Sul, e tl'm tdnla leguas de boca puuco mais ou
menos, Este riu lelO na eull':Jda muitas ilhas, que o di\ idem
em diven'as partes e nace elr hua luyoa (lile está cem leguas do
mar do Sul al) pé de IlUas serras do Ql1Ih, provincia do [l,.-rú,
d'õde partira,r já alguas ernharcações dll ca~telhallos ... ele.»
O {laLlI'e Chrislu,ào
lI'Acuna, na SUl Histl)ria ri') ¡¡O/'f)
descf)bril1ll'tllo do gral/de rio d'u Amazona:, jlublicada eln 16ll,
no cap,10", diz:
« D:Jndo, pois, principio a ella pelo :13scimento c origem
deste grande rir das Am:lZollas, alé agora semp"e OCCUIIO,(luerendo Iodas aS IHras fazercm-se mãe de um laI filllO, aliriliuindo
ás silas enlrallhas os primeiros
assenlos :¡UC lhe dão o ser,.
nomean¡Jo.o rio do )taranhão, erro Ião vulgar n'aquellas parles,
que a ci¡Jade 10s rcis, emporio de totlas as da America, se
gloria ¡Je qUe :IS cordilheiras de Guanuco .los Ga~alheiros, em
distancia de sell!lIta leguas, dão o bereo a este afamado ri{), e
cortam os pdlllE:iros ratOos de uma lagõa ¡.lIe alii eSlá; O> e.
certamente,
po,;to que esla n;io sl!ja a s.la vnrdadeira,
pelo
menos é oribem de Illll tios mais famosos £Ille aquelle rio das
Amazonas couverle em slla propria suhsta,lcia, e desde então,
alimentado
corn SUJS aguas, segue mais brioso o seu curso_
Pretende
lamhfm o reillo de Granada allgllli~ntM a sua reputação, altrihuindu ás vertentes de Mocõa o I rimeiro nascimeut()
(I) Scmelhanle'nculc
ao Comt~
Pagan.
o
VALLE
DO AMAZO~AS
35
deste rio, ao qual, na sua ori¡;em, os natllraes dão o nome
de Grão-Caquelá,
se ben¡ sem fundamento,
pois que por mais
de setecenlas leguas não vêrn as caras estes dois rios, e, qua ndo
se encontram,
rrconhe('endo
o SPIl chefe, Oil superioJ', e, torcendo o Caquetá o seu ('\II so, paga vassalagern
ao Amazonas:
por outras muitas parles qner o Perú vangloriar-se
pelo principio e nascimento de~te grande rio, celebrando- o e aeclamando-o corno o rei do~ outro~. De hO,je em diante não o pcrrnlltirã
a cidade de S. Fr:Hlcist:O de Quilo. pois 'lue a oilo !eglJõls tIo seu
loral tcnl encerrado
esle lheStluro as fntldas da cOl'dilhl'ira.
(lue (¡iv'ide a jllrisdiç:in do gqVerno de Quixos, :Ill pé dllS Serl'(IS,
challlallo nlll l;u,lInaJl;Í e outro l'ulc:i, £lisIando cuIre si não bem
duas leguas, dos 'l'laCS, o ullimo <loipor mãe do receIO-nascido
ullla grande \;1~(Î:l, e o priult~i:'o oulrll, ainda <¡ue não de tanta
graJlde:<a. si Lem lllle de 1l1uito fundn, a qual, furando 11m sp.rro,
que ¡nl'<'juso Il) lhesoul'o (Ille de si oll'erecia. ('11/11 a fur\:a de
um terrelnolo, se lhe dcilllu em cima, pretendendo
afogar em
o i SCIlS principi,'s as f:io g-raudes eSl'cr,!nç;¡s tjuc al/ueUe I:tgn
prolllcUia all nl'Jlld". D(~slas (luas lagû;¡s, fille estão fHIl vinle
l1lillll:OS ao Sill ,j;¡ lill}¡a "lluiullcial,
J'ceeutJ o S'lU principio o
grande rio das AIlI<lz;,nas»
-O P;l Ire )lanoe) J:o(lrigues. 110seu El Al,wallon 11Amaz m '8 {\ G8!~) pal!" 10-1--aœil<l a origem dada pelo Palll'c d' Acuna
e a proc]¡lIna,
-O C')w;ellieirll Li· J¡na, 11:\ slla Rell/ç,;o de !tint! riaJen¿ á
VeIlP::lle/lI,
No 'I GrrI/!'lirt
/? EIJUlldol',
úerois de um largu
gn11'f) rI,l l'i,la ~, hre a JÏ--;Irihui<;ão das a¡;II;lS qlle nascem 110
} l,I/('1/11 que medeia entre os ('lIrt!õcs oricntal
e occidental ùa
corrlillH'ira dllS AlInt's, diz ~ p:lll" ::l:J4 da sua uLra, rcfeJ'inclo-se
ás origens 00 ,\ m:lz,mas :
« ~as visinhanças 1\0 CltilllJ¡oraso ha um cr:rn numero de
olhos de cri,!alinJ
¡¡"ua (e entre elles Ulll de agua thermal)
os qU;\(~Sreunidl)s 1(III11~iovarios I iueirus <¡UIl vão ao Challluo
e d<'pois al) Paslaza. Solo venladeiros lIIallall~iaes dll gra nde rio
e,:1O C'llllell, "lal-"s, eu estava literalll;cule
vendo !leolaI' da
terra
mage~t<l;;u AlJIaz(,nas »
.Jo;;é ~allllniJ)<I da Co_-ta P,~reir;¡, em sell lJie. ÙJI}r!l'io topogra;,hiw do lillpci'¡" dI) nt',:;;,,', (18.14) dá ClJlIlll Ul'igl'lIl do
.:llIl;¡ztJna, u Lgo Cliillc!t;¡,icocJ,a;
lilas, as~il1l u l'ez l'0l'lflle en(J
36
TORQUATO
TAPAJÙ;¡
tendia que o tronco principal do Amazonas era o lIucayal'e,
e
não o M,¡ran 3n ou TUlIguragua, ao qual não se refel'e e comeguinlemente lhe não nega a origem citada.
IV
« Os da mar¡<em esquerda v~m das qu(~bradag orienlaes
do nó de Loj.l, por onde correm as cauet:eíras do Napo, o mai or
de todos, e 111'10qual desc/lU Orelhana quand~ descobriu
u Amazonas em 154-1, e subia o Capitão móI' Pedro Teixeil'a, ('0111mandante da celebl'e expedição que lomou posse do paiz €m
llome do Rei de Portugal.»
-
Coml~cemos por Orell.ana.
Duas vezes a este navegante
se ref· re o :l1Ictor do Dicci).
nario !lO al tic:n 'lue allaIY~¿lInos. Aqui di..: :, .. « l'cIo qual desc·~o
Orelhana quando descobr'io (l Amazouas em t:).~1.» A png 2~,b
diz: «Qllareflta annos depois da descnherla
de Pinson (1~O l)
deu F. Ore'hana a este rio o nome de Amazonas,
pelo Ilual Ó
universal mente conheci,lo, pOI' haver, segunllo pretende,
elcontrado na f.·z do NlIarnundá mulheres rucl'l'ei,'as <.;olnas flua )s
cJmbateu.»
Al'roxirn:w'¡o os dOllS treehos, vemos que Orellnna,
ant·!s
de de~cohrir o Amazollas, em l5.tO, (a descoberta,
como vim IS
acima, leve lugar em 154.1. .. ) já lhe havia dado este non e
(o de Amazon,ls ;) e dava-lhe ri'aquelle anno-i f140 -este non e
por ler combaridll com lima trihu de mulher~uerrcíras,
J.a
f{lz do ;'\hall.IIIH!ã. Consrguinternente
Onlhõwa combtt(co con
OlS Amazonas
(?) em 15.t.0, teudo em 1541 descoberto
o rio en
(lue combllterd ...
Todas e~tas datas, no entretanto,
sã,) inexactas.
Vejamos,
o
VALLE
31
DO A~AZONAS
- No nalal de 153CJ parlio Gonsalo Pizarro, de Quilo, em
busca do ¡lai:: da canclla.
Depois de muitas vicissilu,ies, que sllPprimimos
por não
alongar estes li~eiros
aplJ/lt¡¡nleltllJ,ç
á mar!lem,
largamenle
de~criplas por Bernardo Pereira de Berredo, Icmos aillLla na
obra deste aulor:
« .... Mas Gonçalo Pizarro, quc ponderan
hem o peri~oso estado, a que aquellas tropas ~e achavam redusidas na esterilidade de lanlas asperesas, (quanrlo as abundancias que lhe
promelliam os barbaros tapuya~, lhe ficavam ainda, pelas suas
mesmas inforll,ações
na larga distancia de mais de oitenla leguas) tllmou novas medidas para melhor 3,liantar as suas; porqne elegenllo por commandante
do berfjanlim,
COlli a gnarnição ele ¡;jncoenta solda,jos, ao capi1ão Francisco de Orerilan,l, IIfficial de milita dislillcç:in, positivamente lhe ordenou, qne
nave¡:3ndo a tOld'j a (leligemia,
pllzes~se em terra a car¡;a, que
levava, logo qne chegasse á juncção
dus rios, com a defensa
qlle Ille parecessp. neces~aria para a deixar segura; e que sem
tratar maig, qlle de refazel.:\ de mantim,'nlos, vo\lasse a encono
tra-lo para remedial' as affiiçoes de Lantos cOlllpanheiros,»
« Com estai prlldenle~ ínstl'llcçães
~e poz a caminho
Francisco Orelltau;,; e era tão rapi(\;¡ a COITente das a~ua5, que
sem remos nl~rn vela;;, fez em tr.~s dias a sua vi,q~em,
»
- Francisco Orelhana, pois, desceu pelo Napo em fins de
1.530, e rlte;':<lnlln á jllncç.ào deste com o ~Ilranh;lo em ¡¡rincipios de 1540, por elle ue!'ceo alé o Ol~8ann. O ,eo enconlro
«;010 ullla trihn de iuLlio;;, a qne dell o nome lid Amazonas,
teve
lugar em 22 de Jllnllll lie 15.U, na fol. du N lllmnlHlá,
Em 2';
de A~osto deste mesmo anno Lleix<lvaelle o ma" dlllee em caminho ~Ie lJespanhl\
Quando em 15,í-.1, depois de harer de·ddo o Napa, (lesrobrio o Am:l7.'HlaS, deo·lhe o nome de - Urelhnna, 'Ille subst\tuio mais tarde vel •• ùe Amazllnas, em 15H, depois do sell encontro ('/) com a referida trihu de indios,
Esla é a vt'I·II<lde hislOl'ica ; e do que aqui eserevemos se
encontra prova nos seguintes alllt1reg, alem d'aquelle a que já
nos referimos e enll'o muilos que do caso lêm tralaJo :
oo.
38
TonQU.\TO
TAPAJÓS
----------------------------1°-:- O rio ~Iaranh:¡o, t!Annrnir¡a¡)o larnho/U Guienn:! por
al~uns IIId'l;enas,
e a¡rllla irnl'ropriarn€'nle
J'io das AmazilIu,s,
descoherto
!lO interior
do conlinente I'f'r FI',lIIci~ci)
Orclhana,
llue desreo flor el/e da e'nuoccaffara
do Nilpo até o ocealU
em 1539 ....•
Ayres
do Cas;¡\- -obra cit. pats.
281 -2° vol.
2°_
(lonsalo
Eldorat/o
rlesceu fie Quito pelo N;¡rfl, a charnadlJ ,1t1
do destruirlor
ro P"rù, l!m husca do
de &fanùa, Desceo em dezembro .11' 1539 .... »
Orelhana
Piz¡lI'ro, ¡('(não
Severiano ti:1 Fon~eca-OLra
pags. 341-2" vo'.
ci:.
30 « C'llsl devant l'embouchure
de ce ri,) Nhamnn,tás ql, e
Francisco Umlbana et ses cnrnpagllons,1'31'¡is r;e Quilo en l'aullt e
de 1589, elrlescendant
au hasard ,'AlIHzolle,
furenl a~saill s
pOUl' une troupe d'iudiens ... »
P. Marr.oy-- Ollr. cil. pago 4:)1--
2·
VIII.
(4° ([ El'viaje de Orelhana por el Nilfo, en 15:39, y de'pues
bajando el Allluz6u3S hasla su entrada eu el Allánli<:o ... )j
rtIichelena y Rljas- Obr. cit. pag'
515.
5° « Le 110m de fleuve ties Amazonlis :l élé donné ~ c'~
grand Cflllrs (l'eau par Orelhana,qtlc
le ue30llvrit et le descendit
en 1539, .. :1>
L. Dussieux--flhr. cit. pago 938.
60 - tJ: En 153} il ~e mit (Gonsalo Pizarro) (1) á la lêtl!
-d'une bande d'aventuriers ..•
Il Ell rOllle, a line centaine .ie lielles -je Quilo, (aujourd'hu
la capi/ale de la republíque de I'Equalellr) il enrôla un solda',
(I) \'011' Levilli ApoJ'onie de Peruvie, ('egionis jfller :-¡l)vis orbis provin'
cdeherrlme
invenlione ellebus
¡Deaden) ¡e:ltislibri-V.
ADtuerpie-"
J, Oe\lpnl=' fl67.
('ift~
o
de [·¡rlnne
-Cel homme
VALLE
no
39
A~IAZO;VAS
nont il eul le mallJf'lIr de faire son
s'apl'ellait Frunci"co Orelhana .... »
Sant'Allna
Nery -
lieulenant.
obr. cil. pago 5.
70 - «Orelhana
Franl'isco.
Qllp.sto c.elebre personaggio
'nominato
dr.lla I~orle Ile Spa~na l' Adelanlrld(), pel fillme al
Quale elapprima
era slato imposto il SilO nome. di8cese il flume
delle Amazzoni in lutta la sualunghelZa
n'el i539 .... ')
Ferelinando Diniz- Vid.- Esplorllzione elelle n~ioni Equatoriali lun~o
il Napo ell il fiume rlelle Ama7.7.0ni, cie
Gaetano Osculali - Mtlano--MDCCCLIV.
90_ Em fins rlo anno rip. i539 e principio rIe 1540 desceu
por ellp. Orelhana, c.al'ilam que aeompanhára
Pizarro, mas então o abandonou.»
P. Manoel Rorlrigues - El Maranon
y Amazonas- 1684.
On- « Th e expelliti(\n
two val's before the stawed
Quito.
laie in 1539, anil it was
ragged sUl'vivers returneli t()
slarted
and
J)
« The Amazon and the coast
Herbf'rt II. Smith-pag.19
(1879).
100- On
que a ¡,iconnu
fi s'emharqua
Coca, que plus
dans un outre
que le courant
by
crail communement
que le primier fluropéell
\a rivièl"f~ des Ama1.Ones, fut Francis ci'Orelhana.
en 1539, assez prè~ de Quito, SlIr la rivière de
bas prenll le 110m de Napo, cIe celle ci il tomba
plus grand et se laissant aller sans autre guide
il arriva au cap du Nord. »
La Condamille-
obr. cil. pago 8.
'110- «Vinc~l1t Pinzon decollvrit ce fleuve en 1500; Frands ()relhana le descendit en 1;)3\J il cul a comhallre sur ses
Lords Iles femmes armées. »
40
TOllQUATO TA.PAJ{S
•••.. f: il parvinl ainsi à decouvrir,
en 1541, l'embouch~rede ce neUTe •.•• »
Diel. Univer. d'Histoire et. de Ge(,g.
de ~1. N. Bouilll:tpago 64 e J:.l~rl.
Alguns escriptores, como vamos ver, dão (o começo da viagem de Gunzalo Pizarro e Orelhan3 pelo Napa em 1540. COlilll
já vimos, esla viagem (a descida do Nap(.) leve lugar em os uUmos dias ded,~zembro de 1539 e primeiros días do aono de 15<1).
Destas ti \Ias dal:ls tão proxilll3s é laci! originar-se
um engan ),
como ,e lê em alguns escriptMes.
I<~m lodo o caso, a vi,¡g8'lI
de Orellana pelo Napo continúa a ter sido r/Tectllatla de 15::J9 á
1540, e 1ltwca em 1541.
12- « No anno de 1540 sahio Gonzalo Pilarro
do PCI Ú
ao descobrim·~nto e conquista .•..
•••. q Foi então que destacou de si a O,.ellana
para UlT a
expedição, recomlllendando.lhe
que bem 011 mal su,:cedioo
voltasse com o bergantin
(lue levava e ,jo qual careciam para
a volta, e o c"perasse
lia conlluencia
do Napo com o Alm.-
.zonas.
»
As AmazoRas - :}femoria eseripl a
em desenvolvimento
do pl'ogramma
dado por S. M. o] mperad.or-pol'
Anto·
nia Gonçalves Dias-pag.
3~.
13- « L.,primier qui risqua cette longue navigation fllt
l'espagnol Orellana qui, s'emharquant,
ell
HI'W, a cinqllant,~
lieues a I' E de Quito, suivit le Cauca et )I! Napo, entra dans h
grand neuve el. le desee/1l1it jusqu'au
Cap Nonl sur la côl.,
guyanaise. »
Al. D'Orbin;r obr. cil. pago 135
14- o::A este respeito o que é certo é que em 1540 Fran·
cisco Orelhau3,
Ingar tenellte dù dito Pj¡,arro, se embarceu rH·
o
pequeno
VALLE
río Cauca juuto d~ Quilo e penetrou
ou ~lal'anhão.
Napo e no de Paraná-Guaçll
.U
DO A~IAZONAS
á aventura
no rio
J
Saint'Adolphe-obr.
cil. pago
39.
15°- «. Flpllve des Amazones,
nommé Guiena parmi les
in(ligelles, Marauháo Oil Maranon et Amazone parmi les Europeells, à cause des l'emllles armées qu'eut á combattre' Francisco Orelhana, qui reconnul le premier ce !leuve ell entier en
1540 .... )I
Dirt, GeneI'·
de Diographip.
et
d'hist. de myth. de Geog. anl ip-nlle el
mOllerne par Ch.Dezobry et Th.Uachelet
-(1861) pa~. 71.
16"-«01) lni donne tlans la partie in ftlri" Ilre de son cours
le nom d' Amazone, f'n sOllvenir des recits ti'Orelbana,
que ]~
premip.r tiegcenditle
fleuve, en 1;)40, et pretendit
avoir trouvé
sur ses bords des trihus de femmos guerrières,»
Diet. encyclop. d'histoire, de \,jogI'.
de mythol. et de gongr. (1871) Pago IH.
Pa"spmos á Pelho Teixeira, que, segundo o autor do Dic·cionario, subia pelo Napo na sua viagmn á Qllito.
Pedro Teixeira nfltl s/ibio pelo Napa: dcsceo.
Em ~ua viagem á Quilo, slIbi/ldü I) AmazIl/las, chegou l'edro
Teixeira á embOC311llra do Napo, alllueflte da margem septentrional do granùe rio. Entrando por (~lIe até certa dislaucia,
encostou á rnaq.'em orienlal,e,
no ponto em que (I fez, dt:ixou o
capitão Pedro da Costa Favella com <lO portuguezes e mais de
300 indios. HelollJaudlJ depois a slIa rota sC~llio viagem para
Quito. Na rolla desta l:ictade, tomou eutáo o caminho que o
Napo lhe otre/'ecia, como vamos vel',
Diz o pc, ChristovÜo d' Acuna, ff>ferillùo-se á armada de
Pedro Teixeira, na viagem que este fizera a Quilo, e de que
tratamos:
•.•• «o referido Coronel (refere-se a Bellto Roùri¡;ues de
--------~---------------Oliveira que Teixeira nomeára para cabo da van'J!tltr la compos!a de oito canoas bem guarnecidas (Ia voga e de !lold. dos e
as tlllaes mandou passar ávanle COII.O para apresefltallOI as do
fllsla n te do exert'ilo j e, na verdade, eram somente eXl,londorlls
do melhor caminho, e incertas no vE:rdadiliro, muilas ve;·es se
engan;aralll) ¡Jepois Ile venc!'r muitas Il ~I'andes t1ifficudades
(lllegnu com a sua esqnadra no dia de S .. )"Iio, a 24 dI! .; unho
de 1t:i3~, ao p"rto do PaJamina, a primeira povoação ne '~asle-'
lhanos Ijlle por a'luellas parles tíca Inais proxima As llIHgens
deste ~r"ilde rio, e é sujeita á provincia d~ Q"ixfJs, jllrisdicção
de QUILo :. porem si a armada hourem seguido pelo Tfo Napa
(do Ijual adianle se fará menção) houvera l¡dll melhores pllrlos,
mais alJUlldanles provimenlos de vivl~rcs (! menores perda:, não
someull\
de indios, COIIIO lambem du t'azelllla~.:Il
« OesclIllçal\O, pois, com aquella Clldeza (call. 12°) {l"ose¡;lIio Pedro T~íxl'i,.a com pr)llCos com¡lanheil'os
no sl'glHlJenfo
do sen eor(ln~l, all"f!m achou já, havi¡ diM, na cidade de CuilO,
aond~ fllram bem recehitlos ..• elc., e:c.J>
~1. A pllonse de Bpallchamll, em sna -fli.~loire dl4Ere;il
-depuis .<ll decourerte en 1500 }l/sqlÙn
18iO, escripta cm
i81S (p"£' a do 30 volume) diz:
( CepCllllant tOilS les \1I'e\laralifs dl I'etollr au B,.Ósil ou··
rh:¡ienl a Inllr tel'me, el bienlôt les commis.saires péfllviens et le
général portugais
se mirenl en marche.
Mais Teixeira
ivait
trouvÚ III rote par lerre depuisPayarrino
:;i diflicile, qu'il ne
jugeall'as <':(JlllJeuable de -'/livre la lIlémp d!l'ec ion; il Ilrtféra
s'emb~lI'(luel' prés d'une etablissemcnt
eS\la~l1ol appelé Arch dona, ;UI' I ul/e des sources qui formellt It' Naflo, OÚ maintenant
Jes
mi~sí<lnairt!s du P~r()u s'embarque.,
J'ol'llinail'e
\\(Iur le
petit nombre de rétluctíons,qu'il
ont el;' blis sm' le NllpO mêne.ll
- Abreu e Lima. á pago 10i ùa ~·ua llis/oria do Bratil,
(jiz, tratando do mesmo assumpto :
li. Logo que os navegantes
entraram
na embocadura
do
Amazonas, tiverarn de hilar com as impedu\isas correntes qlie
()s lançavam, ora ao sul, ora ao norte, com laI violencia, 'lue
muitos remadores desanimaram,
e, amofinando-se
alguns ill(Hgenas, ao cabo de ùez dias 48 via¡;em, regressaram
para
Belem em qualro canôas. Teixeit°a dividio então a sua esq'Ia.dl'ilha em duas sloccões e confiou a da vanguarda
ao h¡¡bll
o
VALLE
DO A~IAzoNAS
43
Bentn Rodrigues, com ordem de aporIaI' olllle convP,nirnle fossa.
Assim navegon a expelliç:io por lon:;o tempo,
até qne, ckeganLlo ao IUl{ar onde (I rio Payamj'lo se lança no Amazonas, fez
alto ~ "allg"narùa junIo ás l'uioilS rie um pellneno forIe, alii construido pelos hespallhoes
para conservar em respeito a trihn dos
QuiJCos. Rildl'ignes
deu disto parle ao c()mIIHtndantl~,
que
o sl'guio úe perlo j e como () l'iCI deixasse mais adiante (II! ser
navegavel, I,baildùnrm a,; ran'¡a~ e }J!J/'lio l'or lerra para Quito.
« T~ixeira não se demoroa em aeompanhal-o,
fazendo a
pé o r, sI:) do caminh'l por um paiz aspero e montanhoso,
passando por naesa, praça hespanhola,
mas ahandorlada e quasi
de;;erta. Hnd,'igues, qUI! o precedell
de alguns dias, e11t·S'ou Il
Quilo, onde as silas relações passaram por rahu!osas, até que a
chegada do general portuguez veio eonfirmal-as. 'll
...............
« Pela activiJ'lde e zelo do viee-rci cio Perú. e das auloridados Je Quito, em pJUCO lempJ aeÍloll-sc
a granlle
rrot~
prom pla pal'a parlir Je rel¡)(,lIo. Co;/t o fi //I de el' itar a mllrcha
por lerra, que tinlLl ¡¡do lã ¡ ÏilculHmo ln, 1'eiceim cl)l/lc;'on a
sita ri 'gem elll/'and,} por /t/l(L ,las ur(¡elS da NrtIJl), e lleiO pOI'
este ,'io s'lM)" 1/0 Amaznnn.,.»
- ~TulOemos agora Berret!o, o granite e exaclissilOO hisloriadOl', que nos seus-.41tIlrtP,S
/¡¿'tll'icos
do gstalh do }'fa1'alt!trÎfJ-con/lrma
o quaflto acaba nos de dizer:
« Nil dia 10 LIe fevereiro qhi"
da ci,lade de Quito esl,e
commandante
(refere-se
a Pedro Teixeira),
n'io pPlrl Is/rada
de Pa'fllmino, q1\e lhe tinha sido lã,) tranalhfJsa, mas por o/Ltra
not'1l p,)rta,
C(ne descohl'Ío a slla actívida(l~ pela cidade ùe
Arclii.lllua;
alé a <jnall .•graJa vCllturos ¡menle a slla marcha,
chego" au N'lP1, ri\J call1laloso, com mais urn s6 tlia, 'lue a
seguio a pé, POt' ser de invenlO, que lie v ,rão a podía "eneer á
cavallo com mellos descornllll)úos;
e rnelttJndo-se a hor,io lias
cauóas, que já o esper,¡vam naq'lelle mesmo sitio, continu!)u
aSila
l'Íil'letll
até se incorporar COIn a d":;/acamenlo
de Pedra
da CosIa (Favella).»
« Neste mesmo campo, con'jnúa
Berredo
mais adiante.
que fica 20 legl/as ahaixo do rio A¡;uarico, cbarnaù,) (lo Ouro.
mas ainch á vista dll sI/a mesma boca, se dilalou o capitão
Pedra Teixeira por alguns mezes ..•
TORQUATO TAPAJÓS
------.---------------------0"« e enlendendo
logo, r¡ue era o sitio mais arcomm }dado
para fundar uma povoação, que tambem servisse de bali~ a aON
dominios das duas corôas, conforme as instrucções
dI' seu
regiment(l,dppois
de cOllc9f1lar neste pal'eeer toda a sua arlilalla,
mandou formar o seguinte auto qU(, se adia trgistradc
nos
livros da Provedoria de Belem do Pará c Senado da Callara:
« Annn do Nascimento de Noss) Senhor Jeslls Chl'Ís:o de
1639, ans 16 dias dt} mez de agoslo, defnwle
das hocainas do
rio do Ouro, estando ahi Pedro Teixeira, Capitã1l-mór Pl)' Sua
Ma¡;psttldl' das pntradas, e descobrimelllo
de Quilo, e ri) das
:\mazonas;
e vindo j ¡na Tollll do dIto de,~cl)brimento, m:lndou
"ir peranle si capilàrs, alferes e soldados, etc., etc,))
Ora, rumo, além dllS pl'llvas Ijte já apresentamos.
o proprio autol' do Diccionario confessa a I'ag. 251), qne - lia vIda de
Quito foi que Pedro Teix.eira ¡lIalltol\ o m3rt~O limitando e legitimando Il dominio portuguez naqUt~lIa re~iào ; e é sahido, além
disto, que á colloc3çáo de laI mareo as,isliram
o Padre (!iris·
lovão d'Aclllla e o Padre André de Artieda, 'lue por orde:n da
Real Audif'lI{·ja de QuilO acompanharam
Pt'dru Teixeira n I sua
voila ao P.lrá,-oorla mais p,'pr,Ísamfl!'o diur par!J. .¡ue fique
demtn,lr;lf)o
I! provado
que r•.dro Teixpira Il:ÎOsl£'¡io pelo ~apo,
como diz o Dil:cionario, mas desceu, cUIno diz a historia.
v
l( Os dous affiuentl's
pr¡ncip3cs da mar~em direita, I'uallaga e Hueayalle, lêm ambos as cabeceiras
11:) meslllJ
fil
de
Pasco, junt¡; das foutes do Maranon, c~}rrendo o primeiro, IOm(}
este, pal'a~~O e delle separado \Jela cordilheira
orienta!, que
tem ahi a denominaçção
de central, p0I' causa do grande ~5pigào ljue, lJascelJdo \las alturas de Pa,;!:!), corre paré1
l'; e a
leste tia primeira, dandu-se-lbe,
por esse mutivo no p~iz, (}
nome de cordilheira orienta!.»)
°
o
VALLE
DO AMAZONAS
45
- O nó de Pasco já vimos que é um dos ponlos em que
os dous ramacs da conlilheira
dos Andes se reunclII para,
immediatalIlcnte,
se separarem,
divididos então em tres ramaes.
Enlre a cordilheira
oriental e o terceiro
ramal, que
vai pcrlier-se nos pampas do Sllcrrllllrnlo
e comprehellde
a
maior parte do territorio l~xistente entre os rios I1uallaga,
Hucayalle, Amazonas e Pachitéót, estende-se o valle d/l lIuallaga.
O autor do Diccionario faz grande confusão de idéas e
de termos quando trata dos tres ramaes da cordilheira dos
Andes. Dá o Huallaga correndo separado
do Amazonas pela
cordilheira (ramal) oriental,
e leva·o depois ao lei:o do lllesmo
Amazonas sem nos dizer por ondt:. Teria o I1uallaga atravessado a Grande Cordilheira?
Não; não atravessou a grande cordilheira nem lambem
inclinon·se
para Ni: pelo desapparecirnento
do e'pigrio da
cordilheira
oriental.
Como se sabe, o Amll7.onas, no Pongo de Manseriche rasga
na ll.uralha col\f)~s:¡1 dos Andes a S;la passagf'm, e;n busca ¡lo
valltl por onde
corre o I1uallaga,
I'assalldt) depois ao do
Hu¡;aya\l~. Por sua vez o I-Iuall.,:;a, e~l~ndt:n,]o se deslle as
proximíJarles de Hllannco por entre I)S dous referidos
ramaes
da eorlil;leir<l, vai recebendo ;,fllncn1es alé que, nn Pongo de
Ar¡lli'1'e, f(11lJ fica situado em IIIIl dns extrelllo~ dI) ultimo contraforle dos (¡¡IC abraçam os (Iilo;; dous grand.,-s ramaesatrave;;;;a tima garganta apertada e seguindo depois na mesma
dirccçà'l, vai lançar-~e no Amazonas, que, ,;0Il10 viriles, tem
já no ['Oll,qo rie M~anseriche rasgad,) a cordilheira
na direcção
do vallo do Huallaha.
orig('m no mesmo
em
grande IIUlllero pequenas (ontlls, e mesmo o lag,) CI,i;tc!lai,aclta, (¡rig-em do l){anlnro, braço orj[;inal do IIucapl\t:,parte de suas aguas d'el¡'~ reeeve ; mas, aqudL:s dous rios ·êm
origens fliversas -Ulll do outro - t: perfeitamente
cunhecidas e
determinadas.
Vejamos.
O I-Iuallaga nasce nas vertentes de PucaIaco, situado á meia
legua ao N. do Seno de Paseo. Segu~Jldù urn djrecçãù l'í. até a.
E' um erro dizer que -
?IÓ
amhos
fim
S/la
de Pasco. E' certo (Ille proxilllas deste nó se desdobram
4G
TOkQUATO
-cidade de Hurml/co,
toma a direcção
TAPAJJS
voila depois
N. N. E. st'guind,)
para E. alé Muna,
assim em
direcção
de olLde
proti-
mamente ao Amazonas até ¡'allll. Desviaudo se um pOIlCO neste
ponto, novamente depois loma a oirec~:ão N. N. E. com a illai
entra no me~mo Amazoua:,. (Maranhão). E' faCIo 1I0lavc/, e d,m,.
fi\ ar assi¡;naladll,o que se dá na entraù;; oeste rio no Maranh lo.
Corn laI força vern elle sobre este, que obriga.o a lOOlar
Jlova direcr~o - traçada enlão pllr \lma linha média resulta lte
das qH3 tirlbm os dOllS anles 00 enco Ilro. ¡':sle ellronlrll I lm
logal' nas Mi.~.~ijesde la T...agltlla -aus ~o de lat S. e 71° de lo tg.
O. del PerÚ. (i'J)
Quanto ao Hllcayalle, direHlos :
Estu ri,) é forlUado pela reunião Jo rio Sant'Anna,
das
montanhas de Cusco, e que lem origem lIuS ele\'aiJus sel"I"l,S tie
Vilcauota,
110 tlapartamento
de Puno, -. l~()m o rio '/"lIIi ~o,
formad,) por sua \"IlZ pda reunião dos rios En.e e Perme. O
primeiro dt'.,les ritl~ resulla tia eonlluel cia Jo '\purimac, ';'1110
Alaulan" Oll rill llil Yauja, lI'le Vf~l:l du lago Cllinchaiù}';/¡II.
O
lio l'ert:lll~ 1\I'Sœ J,)S alios de Tarma, ¡las-ando por ChaudlamilYo
e é lormaJtl
pela reunião
00 rio dl~ste nome Cl/fI ()
I'ungoa.
O rio Sant'Anna
a qn~ acilna nos referimos
é JesigruJo
tamuem por ["ru'Œ'l/ba.
o Lai(o Cf¡I/lC,!¡ai(,()cha es.tá a 4()G:~"',i) de altitude, e n:lo a
..t050 ,O,';UIIIO
dá o Diccionario.
Tem O legnas r5U ;'0;:4)
de cOIUI'i"·illllmlo e 2 tp~nas (13k :33:l) (le larglll'a, e uão :.li kils.
de CUllljlrillldlt'J
e If¡ tie laq;ura, COI(Jt, se lê no UiccivlIaro.
1H
VI
« .',fJuanrlü
verlêlltes
sn reune
do lago Tilicaca,
ao Apurirn~r., r¡1l1l vem
na lal. de I ;-J"S. )J
dIS
ci)nlra-
A posição do lago Titicaca (p.xlremid:¡de nnrte) é a seguinte:
15° 59' 5/', de laI. S.e 71° :l5' 12" orlon¡::-. O de Parizo
- Chama-se vf'rt'~nlp. uma superficie iudinad,¡ para O mar.
Todos os rjo~, que banham o paiz situado soure esta verlente,
lallç"m-~e nesle mar.
Ullla vertpnle que se 0pl'ùe a outra "crtente chama-se, on é,
aSila cflntra\'eltente,
A linha de interseq:<1o dos dOllS planos
inclinados, que as r"rm:Hn, I:hama se linha de divisão das aguas,
dicurlia !l'II/arum dos Ho;nanos. ('I)
.
Vma lauùa n:io tem r.onfrave"lellle.
O Tilic~ca, lia po~iç;lo que damos en:' altitlHle de :1\lHm,O
(30), está asselll:ldo no plafralt formado peins dn\l9 rarnaes
da
cordilheira andina, qUI\ parten) da BCllivia- não tem, n;hJ pode
ter conlra,lI' tente. ')a~ Sot i!lll di¡r, mesmo:
En la me,~a que
{urnul/It
la,ç d/Js /'IlI/lfIS de los A Il -e,~, •
- Além d'isto, entre as verll~nlr.s do Apul'imac, Oil antes,
entre
o lago de "¡jafl'o,
IIOS eerros
do
mCSlllO
lIorne e o higo
'/lïlicaca,
tirarn as origells do CruIJamIJa,
(¡ur., como é sahidu, s~
reune ao Apurimac.
Si, pois, destes dOllS rios :¡]~ III podesse vil' (h coJ/traver/el/t"
(lia phrase do Diccion:lI'iu) J,) Titi aea, deveria
SCI' o
(il) A u/ele diz:
p"(:Î\'o d,: ,¡ualquer
dos lados de uma montanha
por
onùe torre il i1~ua ; elleo~la .
.l/orrle' diz : A~Il.;S \"" to;¡tes : que ('orrmn
encosta do monte. As
"E,,'tenles du 1O,,"t'1 Sil ils, a 1'1 "'Isla d'ell.: (I~'tle o alto !Jara uma banda
d'elle l'ur onde COII'J a agua su ta cio seu caLcçi).
na
TORQUATO
TAPA;'ÓS
Urubamba e nunca o Apurimac, que d'ena se acha extraordinariamente afastado e parte de uma lagoa •.•
VII
~ O Apurimac
continùa
ainda 11m pouco para l.lste,
depoi.1 !Jara o Node em grande
e (tell~;¡Il, reunindo -Sol ao
volumoso Urubamba,
perlo da p,lvoaçâo Ile Santa Rosa. Ahi
perdem ambos o nome e toma a eorrt~nle (I de Hucayalle, Seguindo enlão para o NO. até Sarayaco, tend) antes recebido pela
esquerda o Pac!Jitêa. )
o Apurimac, como já v,imos, na tIa tClm com o Titi ~aca.
Repelimo~, -nasce
/lOS s81'r05 de "ilafrn,
de urna lag la do
rne~lTlo nome. Esta b~oa está situada entre ('S serros 11e CailJuma, Je \:ellille e dA Condoroma,
r.llTlifit:açãn da cadei l d05
Andes OCCldelllaes. Depois de reuni"-Hl t.ern ('a¡lIoma) (om o
1IIullill~()IB ou I'arihuana, com o Acongahlla, Sanumayo, Ca'lque,
Cour!oroflJa c outros, nascidos nas curdillwÍl'as das respe~tivas
pro\incias,
corre o ,\ purimae separa udt) a provincia de Cannas
da dll Chumhivilcas,
c hanha as de Parma, Abancay, e CGnveneÎon. Segue depois por Vileabamba,
onJe muda o nOloe de
Apurirriac pelo de Chape; reune-se d('pois .::om o Pllchac!Llca, o
Pampas e outres dando origem aogran de 1I11cayalle-noml!
que
lhe é dado, não da confluencia do UlUhamha em diante, como
(Iiz (I auet.or do Diceinnario,
mas d'lPois \¡,~ reunir suas aguas
com as do Pachitéa, Já em -1833 dizia I~naeio
Aecioli e n sua
ChorograpMa: desta confluencia (da do Padlitéa) para blilto é
.-¡ue toma o nome de Hucayalle e I'ecebe o Ap;uaytia etc, ell .
Devemos mais notar aqui que 05 indi¡;enas,
como afl1rma
Marcoy,rlão davam outr'ora o nome l,e llttl:¡Yf111e sinão ao ponto
em flue se dava a jllncção dos duus I'ius Apu-Paro e Mlfé nhão.
O VALLE
DO AMAZONAS
Os missiouarios, e, a seu exemplo, 08 geographos,
lomaram a
parle pelo lodo e deram o nome de Ucayale, conclue .Marcoy,
ao Apu-Paro depois da sua reunião com o Pachilra,
- O rio Vrubamba, já dissemos, é o rio Sant'anna, que
corre na plovim~ia do mesmo nome,tendo suas origens lIOS Cerros de Vllcanota, no departamento de Puna.
A referencia á povoaçào de Santa Boza nlio lem signi(jcação
nem valor diante da determinação exacla da juncção dos dous
rios, pelas suas coordeuadas astronomicas.
A po\'oação de Sauta Roza, na posição qlle lhe mal'ca o
autor dû Diccion~rio, não e.Úste.
No Di"ciollario do departamento de T,oreto do Consel heiro
João Wilkens de Mallos, em cujos importalltissllllOS
traoalhos
ainda niI:l~uem encontrou uma incorrecção Oil iuexactid:lo,
()
autor do Diccionario poderá ver á pag, 121 o seguinte e, áppuis,
corrigir o seu erro:
« Santa Ro"a. Foi uma aldeia de indios J>iros, fundada
em 1815 na confluencia do Tambo com o Sant'ann3,
na lat.
10° 30' e long. Go3,)'. A fundação desta aldeia leve por li m
proteger a navegação do Tambo; mas os sei va¡;ens C(jmfla,~ a
bo~lilisaram taulO que, pouco depois, foi complelameu te aoandonada,»
Si o anlor do Oic('.ionario recorre-se tamhem ao 1I8rndon's
valley of th~ Ama;~1l JJaps, ou ao Mapp drallï¿ li!! Lieut.
Lardner G ibúon, vina uma outra povoação de Santa Roza, não
mais parto da j uncção dos dous rios, mas pouco alJaixo do
Titicaca, na zona mais ou menos .em que tem o Urubamba suas
origens.
Alem desta, em Paz SoMam, encontraria o mesmo autor
do Diccionario,si tivesse procurado, a seguinte referencia á uma
outra povoação de Santa Roza:
({ De Macará snbiendo por la quebrada de Pilares se vá
hasta el pueblo de Pachas y de aqui se tira una linea para
unir se com el lindero cerca del pueblo de Santa !loza, situado
a los 30 21' Lat. S. y 82° long. O. ùe Pill'is, »
O Apurimac e o Urubamba reuuem suas aguas aos 9° da
lat. S.
50
TOIIQUATO TAPAJÓS
§§
Uma di\'ersão, 3gora:
Em meio de uma prufunda qllebJ'ada dos Andes, l'el ere
Casteluau, el ApUI'imac se precipita com furia e produz um
ruido tão e~trepitoso, que d'elle origiolram os indios o nema
do dito rio e que quer dizer -o que "Illa. COI/lO rei,
Os Incas construiram sobre esta corrente uma obra q :le,
apezal' de sua fra!dlidade, era objecto de veneração dos vÎ:lJlntes. Quem vae de Lima para Cuzco, pllnetl'a cm ullla l'SC ua
cavel'l1a ou abobada sombriil, ao fim da qual, depois lIe ¡;rallde
extensão e cie dissipar-se a sombra, apl'arectl um precipicIO, Ao
huJicio (I<\S <lgua.• furibundas que passam sob nossos pés COlfl a
rapidez do raio, em uma espantosa profundidade,
ouvem-se os
gJ'Jtos agudos das aves das tempes1a<les e vê-se em frenle nID
uma especio de as~ombro, uma ligeira ponte, feila tic vimes,
que se torcem e dão voltas á mercê L1us \"Cnlos que se prec pitam no aby~mo.
E' necessario certo valor para avelltural'-se
soIJI'c um 150
debil apoio, que está ligado a margem opposta
-3 uma
e,cavação feita por mãos humanas em um enorme muro de roc lU
verticalls.
Conta a tradição, que quando Pizarro marchava-:1 eonl]liis.
ta de Cuzco, foi detido por lão ines¡Jerado obstaculo.
S'lUS
soldados reeusavam aníscal'-se
sobre tão fragil sm (enlaCl !o.
Dirj ¡;io-lhes Pizarro a palavra incitando os a caminharem,
!las
sem resultado. Venclo por fim que Silas ameaças como s las
supplicas eram perdidas, o atrevido conquistador
cravou as
espora~ DO cavallo e passou a ponle CillO a rapidez do ra.o!
Seus companheiros,
envergonhados
de sua vacilação, lançan,m.e-Ihe em seguida e o imperio dos Inca:; eahio em seu poder.
VIII
« Devillo, pnis. ans acridentes
do tcrreno reCl:lhe apeuas
o trollCo d(l\l~ : mllellleS nld:lvpis pela mar¡:em direita. 110 territo:il)
do PerÚ,
!lias q\le reulIldos,
CUI('ptalllo,
,.nIlCOI'l'em com
maiol' Iri~lIto <¡Ile lodus os da margelll esquerda.
Os rios que
enl: a;n 110 ¡\1ll~¡Z.')I\:lS l'da 1ll:i1gem direita,
cnlre o IIlIcayalle e
o ~ladeira, 11:111 "I'cebtlll1, pois, uma só l'olta das cordilheiras,
na,celld() os I'r¡lII~il'¡leS, IIy.ll'¡¡ry, HY¡¡l¡¡hy, lIyuru,í,
e PlIl'ÚS da
exlellsa
e illsig',itÎri\lIle
colill<l, coulraforte
ol'wutal do valle do
Hucayal
e.
l'ur j"o wio ilpl'eSclltalu
l';;les rios u mellOI' ou.·ta.
culo a nal'c¡.\aç,"<1 al(' ¡wl'fo de ,uas
f;,"le~, correlldo lod"s cm
UIlI plallo sensil'clrncllte
horisontal, como o Amazouas a parlÍl'
do PUllgo de M,II:sel'iche. »
Este COlpCÇO de llescripção geral do gra\llle
valle, abrangendo Ioda a Zl'lIa banhada e ferlrli,ada
pela arteria prineipal e
pOI' todos "'; s,'us ¡;rand[)~ tributarios,
e na r¡u~1 se e~tende o
¡¡ulor <lo Diee¡ollar;o em largas con~id'~:'açùes gr.racs sobre todos
os ract"g lI:;drologicos, que se I¡liam á vasla rede de estradas
flUi ÍiU's esludada. alargallflo-se
mai,; ao estu<lo das condi',:ües
orogr<Jl'hic<\s da ¡'¡rea em que se reella o imrnenso valle- (estudo
q\le l'itH, no fliccionario,
alé as primeiras linhas da pago 201)(hl0 Ullia ¡,leia tlxada dll llenlJIIIll c\lidado COlli (lue se houve o
.\utor 110 tr;,balllo que analysalilos \la organis:1ç;io do u,/'Iigo que
deveria dar tWill ¡"dcia, ao IIlCJlOS, da gl'andiosid:IIIe
do Valle dl)
Amazon"s c do (Jlw, cOin as pradi¡.:alidades assombrosas
lia Sabedoria Di\'ilw, se dCl'l'ama pill' aquellas
regiões - qllasi lolalmenlu alwnr!unëH!as pelos gIJI'Cl'llO'; Lrazileiros
e onrle, nesse
past:allo !ltorioso dlls uos,;os n:aiurcs, a imagillaç~o
ardcnte e
sonhadora
ÙJS !J0\OS <.iutigot', ('¡.zn;~seei', cOllfnlldido
o espírito
BANCO DE LA REPUBLICA
'S 'NC'"l
",U01ECA lU • - ~
•
Af-ANGO
---.-.----------------------52
TORQUATO
TAPAJÓS
ao pes/) de tantas grandesas, - no ninho silr.neioso e giglnte
das densas florestas vír¡;ell~, (I gl"anl1e El-dardo, a fabulos l, a
legendaria llf anõa, s!Juha,!;¡ á marge.n occi,len tal da gr~ nde
lagoa ()arima, a boca dp. /l'Il q"flnde ri'), qll~ li esta levava lUas
aguas c.ltiJalosas, ruladas sohre leito eSlllera!dino,
coberto de
areias de lIuro !
l'\ão nos é possivel, e muito longo ja vae este estudo, ac)mpanhar lIar-i-passu o aulllr do Diccionario em tOlbs os seils ,les ..
vios, e nem o molde clesta nossa M I'wJria permitte um largo e
pro lund'l llstudo de tàu a!evantado as~.ullll'to, COIllO vroteslo, e
como primeiros tr,lços rio caminho verdadeiro a seguir no eS~lJrlo
que tentou fazer o dito autor do Dicci·.)IIari'l, lançaremos
;¡qui
apenas um rapido,g(~!pe de vista g.era! sob: e a gl'and~ bada e
sobre os seus LOalS Im¡Jorlanles lineamentos ol"o"ral'!lIcos I hydrographieos,
Ahramos,
pois, lima carta ,Jo VaUe do Ama:ona.:, A
h~clrogl'arhia 110~randc v.tlle, suj,!ita nos StlUS traços v.eral s, e
que s~rl-Ihe o mais no~vel carar.lerÍslico,
aa modo de form lção
de ~¡H1 nos falla Agassi~, e qlle trO'lxe em r~s'dlatl,) a lr¡¡lice
inclinação dos plaons que o constituem, n:ïil se poJe conler 1105
rnolde~ estreitos queilllaginou
o aulJr do Dkcion Hio. Na mtMsa serie de observações a Ilue nos rerei'imos e nas qunes se teve
em ví,ta, ao que paree~, o delineamenlo
ùo sy~ttJma hydrl ~raphko do valle, num esboço geral Ù~ harmonia -ljue coe,isle
enlre o Amazonas e os svus trihutarios,
/I:lu cucontra o h)dro.
grapliO, nãu Jvscu[¡re o geologo o ¡àcies ullico e prolundalll:mte
acentuado que dtJslingue o \ aile do Amazollas.
Não é questão somenos esta e, aos l,lhos do ohserv Idol'
consciente,
não ensomhram os rendilhadlls
da ferma os (frOS
repetidos que o descuido engendrou,
O Valle doAmazonas apresenta-se em tl'es secções dislil elas
por seus caracteres physic(ls. A s'¡alistoria
geologica, lilada
por laços gel'aes de ('urlnação vrimiti"a,
apresenta
enlrellnlo
traços de dissimilhança
que bem dcmon~tram
o accI'lo com que
na scíenda se manlêln a divisão do gnnlle rio em tres seq ões,
a d o A mazonas, a do Sl'Iimões e a do Maranhão,
Estudando-se
as I'clacções existe :lte8, en tre o valle I' as._
partes componentes do conliuente da America lo Sul, estas dissimilhanças se accenluam e as Ires grilndes divisô<Js ficam ;Ierfeitamente justificadas.
o
VALLE
DO AHÁZOXAS
RefI" indo se ao nosso continente,
ùlz o profe;;sor Orville
Derl,y (:II), que e~te é constituillo
por tres distillctas
regiões
monlanhosas,
mais ou menos ligadas pOI' planicies elevadas cm
que se acham cavadas as depressões
occnpadas
peins grandes
systelllas Ilnviaes do Orenot:O, do AlII;IZllnas e tlu Pr¡lla, Os An- des formam lima longa, eShl,ita e allissim3
faxa ao 10n1:'0 da
costa occi,lell! al; as mOlltanhas do nra,il e ùa Gl1yanna, lIlenos
altas que os A udr.s, occuparn uma l'xlensa arca nas para~ens
oriental e septenlrional
do cr.ntillente.
O espaço entre estas
tres regiões ou nur.\etlS do coutinente é ocrupado por vastas plan¡cies de menos de mil metros de elevação, COlli excepção ti e
urna estreita zona l'litre as do Brasil e da Guyanna, onde a COlltinuLlade é in'eiramente
iuterrOlllpida pelo valle inf,!ril\r do
Amazonas.
Nob-se tarflb(~1Il que cntre as duas regiões montanhosas da parle ùriental
do conliuel1te
e dos Andes, a
cOlltiuuidar!e da planicie acha-se quasi destruiJa
pelos grandes eorttJ5lt~illS ¡¡eh)!; rios Paraguay c Madeira ao Sul, e pelos
rios Nrgro e llrf'nocu ao Norle, seudo ccrto que uma depressã()
conlirlt~ntal relativ:lmellle
pe'lllcua é 'lll¡¡nlo ba-la para ~eparar
totalmeutt' estas rl:'¡{iões. Já pela existeucia
d';lllllclle p!\cno!J'l'nO gf!l\grapliiro,
falla sempre o professor D"rhy, elr.nornillaÙo
rio CrlSSil}uÎore, a Guyanlla tlode ser considerólda ulOa ilha.
O Amazon;l'.
ua slla parte superior,
onde o disignam
COlli (J nOlllfl df~~bra~nou ou Tllngllr:lgua, pertence aos A neles,
na rp¡.:iào iUll'rlllf'diaria Clltre estes e as par¡lgens elevadas do
Brasil e da Gupulla, eslende se a parle media do rio - o Soli·
mões, e ainda lIe~tas megllWS paragens
rslf~I](le-se o baixo
AmazollJs, (ornando-o corno tal desde a conOuencia do rio Neil'ro alé o Oceano,
CUIOOse vê, l'stes dous trechos podem, geographicamenle,.
ser reunidos em ullla só secção, coustiluindo
a primeira lima
secção divena. Debaixo do ponto de vi51a pllramentll geol(l¡;ico
a divisão do valle, na opinião do distinclo professor Derby, em
tres secções existe rcalrneule na natlll'/!sa.
DrsccPùll do mais ¡¡lto das cordjlhe.iras, com o Amnonas,
os sells grandes trihutarios -Ilualla¡;a
e Ucaplle, corn'lIl para
o N, na dil'f'l'ç;ïo geral d.1S dilas cordilheiras.
Fugindo,.
depois,
30 dominio
das montanhas,
dirige·se
o Amazonas
immp.diatamente
para leste.
O Ucayalle, !wrèlll, emhora já
na baixada, COIllOse tivesse de marginar a montanha, conlinÚa
54
TORQUATO
TAPAJÓ~
.......----.--.---------------------na mesma direcção,
Os tributarios dl ];u!rl ciD N. até (\ K.po,
de.,cem dos AnJes do Equador, em di 'ccção sudoeste, dil'ig¡¡jos
pelo decli\'e das montanhas.
Na J egião do SI/\imllfls, os trillUlarios,
entre os qlaes
se acha o rio Negro,corrClo em valles pOIlCO cl,~vallos, pan £,
quasi parallelos ao S()!i'nõ~s, como SI! rOsse!1I repellidos al Sul
e diri~id"s
por uma I¡nll:! de terrenos alLos, estendelitlo-~e de
E, para O. entre as lTIontan,has da Guyalllla e d)s Antles.
Os numerosas
tributal'Íos que se esfendem na area ,:üm·
prehclHlida
cn!re o Ucayalle e o ~bdejra, ao Sul, nascem no
plaualL,) a E dos Andes, em altilllùes pouco elevadas, l'/rlando-se
f1()taveis nos sens cursos sup'el'iores, pOI' correrel~l na
direcção
geral de O. E. como se fossem
dirigidos
pOI um
decli\'eiimrerceplhel
parliudo dos Alides.
Em razão do pequeno afaslamello,
rfllalivamen'e,
11'11'. se
nota no Baixo Ama7.0nas, ~lItl'e as mnntanhas
da Goyallll<l e o
rio, são) pouco extensos
os IriuutarillS
d., N e lodos co rrem
com uma pequena defiexflu para ]e:;te, em direcção ao m~smo
rio.
Ao S'll, os ~ral\lles trihul'\rios T;lp~jé;;, Xin;;,Ú, Tucaltin~,
atra\'8ssando
em direrçào
N, a ;¡ltipLIlIU!'a ccntra\. q le se
estende desde perto d,) Amalfll\;\S
Ollé a" c.-Óec.!iras It) PaI'aguay e mOl\tanhas Ile Goyaz, "esc-lm ar) lIivel do Amawnas
em liee/ive rapido,
que começa poucü acima das respc~tivas
borcas.
( Tcuho
de propnsitfl, Ilil, o \lrofessl/~ [)Mhy, reft!l'in lri-se
tributarios
do A11Ii17.nna."
de~,(111()tic mend.:nar
o
Madej-ra, porque l'ste rio relaciona-sI! I:um [,,,hs as Ires sr cções
da bacia geral.
Um d'l se'ls tribl\lario~, o Gu 'I'0ré, 1l:I'l:e ua
:\os
¡;ran(lús
parte culminante
da planiCIe cr-lItr?1 dl) lI:'azil, e pal'ccl: marginal -a alé unir-se com o Ma'lloré
que, como o l3e Ji e o
Madre de Dio;;, desce liDS altos ,\!¡J..g da Blllivia, rotlt allilo;
p()r¡l~, a ~ran 'e salien;·i:l.de Slot\ Cru!. t1~ _Ia Siel:('~:: I) haixo
Madeira, que rórma a dlVFão entre a regl;\tl d,) Srlrlmõh e do
haixo A:lI1Zonas, COI're a N ,K n'um 1 direcçào I!uasi p;lf,lllcla a
dos granrles accidentes
th solo 1,0 [kazd Ol'¡'llllal, isll é, ás
nd.·jas
,.le montan has rl:l COst'l e de Mitlas ¡;craes c aos valles
do Alto S, Francisco o do Allo Paraná. 'J
IX
« Parlin,lo de Taualinga e penetrando no territorio brazilciro, cortando de E. a O. as £'I'andes provincias do Amazonas
e Pará, a largura
do rin e a sua P¡·"rlllldil!alle vão sempre
au¡;menlando
até a fól., sl'nolú a(luella ordinariamente
de 4, á 7
ki]ometros e a prorundil!adr. de :10 a 80 metros, Em Ohidos a
largura
liea reduzida a Hl! O metros, aUl.(mentando, porém,
a pro{llndid¡¡de que se lem achado de gO it 120 metros, e como
a velocida.ie da corrente nunca é inferior de LO por segundo,
temos as~im que o l'io despende ¡¡hi i6 llIil melros cubicos [lor
segundo,
ou 'il;:) milhões ern ullla hora, no minimo ; sendo
supel'jul'
a de qualquer oulro rio, iIH!O mesmo além de lodos
os que conlluem Ha bacia do Pacifico. »
Erro Ião grave se nos apresen10ll dc fl'cnle, uas primeiras
transcripta"
¡¡tima, qlle sem mais demora co •.•.emos a
Úrah, qlle se lê no filll do 'i.e volume.
De&apercebido não
podéra ter passado aqucm, na aprescnlação
de lima errara, garanle a exactid¡io dos pontos wio incluidos n'ella. Deualde porém o fizemos ... Corrijamos, purtanto, o que :l. errata não corrigio.
- Parlindo
dc Tahating-a e peneIrando
no lerritorb
br3zileiro, o Amazonas corIa as duas grandes provincias do
Am3Z1111as e Pará não de E. á O. como fluer o autor do
Diccionalio, mas de O. á E ..
Si a direcção da corrente do Amazonas fosse ne E. á 0,
teriamos
de presenciar um plll1nomeno assomhroso e unico na
natureza:
o gl'ande rio indo do mar para a mJntanha ..•
linhas
56
TORQUATO
TAPAJÓS
Examinemo~, agora, a importantissima
queslão do "olum,~
rolad,ts pelo Amazonas.
E' s;lbido que os rios, na phrase de E. Reclus, constituenl
o s}'slema ,lI'lt'rial dos continenles e renc,vam incensllntement,!
a massa liquida
dos mares, de onde voltam em seguida a;
aguas pelas Il uvens e pelas chuvas para o interior dns terras,
Consf'{,:uinlemente
é de grnnde imporlancia saher, ao meno;
approxim1damente,
a quantidade de agua flu1'Útl que se 'escôa li
superficie do solo.
Por lImito lempo foram formuladas di\'e"sas hypotheses :.
respeito; mas faltam ainda hoje dados ri¡~orosamente exactos t·
15Ómenle por uma serie de observações ,eculares será possive
chegar ao con'leeimento
d'este facto hydrulogico tão important.,
na economia do glouo.
Não é que os rios alill'!f'ntem o oceano, pois que belT
pequeno
relativ:.menle
é o trihuto
qlle I\lJes lhe rendem
Et assim que, diz E, Levasseur, si se,~co ticasse o leito do~
mares e os rios continuassem
a correr, seriam preciso~'
cincoelllll mil!,ões de annas para de novo o vermos elevar-se ao
Divel aclual.
Ruffoll, no enlretanto, suppunha
que a mas~a de agua
lançada pela rt'união de torias as boccas de rios representaria
em
812 annos uma ljuantidade igual a do oceano.
I<:ntrn os calr.ulos mais serio!'; que têrn sido feitos recenlemenle pOI' dive"sos gp,ographo!l, que teem lomado para ponto de
partida a quantidade de aguas das chuvas que se arredila cahir
annualmente
sobre a terra, pride-se citar, 1a opinião de Reclus,
()s de Met-Calfe.
I':ste avalia a massa talaI das aguas I:mçaùas
pelos rios em 135 milhares de metros cuhicos por dia. Por um
calcu:o analogo, Keith-,Joh o!';tlln achou para o trihulo quoliùiano
dos rios uma média de 175 milhares de mfl,'os. cuhicM, seja
pouco mais de dois milhões de metros cllbico!'; por segundo.
cr Esta avaliação nos párece Rluito elevada, porque seguindo urn melhodo muito mais conforme ás regras da observação oirecta,
e por consequencia
mais srielltifico, isto é,
reunindo
em um só volume: a massa de agua rolada pelos
rios, qne teem já sido medida$em
divel'sas parles do mnndo
pelos engenheiros
e geographos, não se encontra para a somma
de todas estas hacills Ouviaes, que comprehendem
um pouco
maii d<1:n,5 midllJes de kilometros quadrados -- pouco mais de
das
Il~U~S
O VALLE
DO A;lIAZo~AS
nm quarto ria superficie p.mergitla-senão
11ma dcspeza mé.lia
de mais 011 mentiS, :315 mil metros (~nhicl)s por sp.~lIndo.
N'esta mesma proporção, o conjllncto rios continentes, ri'elles
tirando as hacias feirhadas
e os desertos sem cs·"oamp.nt,l,
levaria ao mar pouco mais ou menos 1.100,0')0 melros cubicos
d'al\na em o mp.smo espaço de lempo. »
E' extraordinarialllp.nte
variavel o volume de agllas qne 11111
rio qllalqncr lall~'a em um mesmo periodo de tempo. segundo
que se o mede na época das grandes chuvas, ollna que lhe é
opposta.
Além d'esta causa de variaçùes, te:Tl SF. qne cflllsiderar o derretimento
dos ~elos, seg11nrlo a maior ou menor
acculllnlaç<1o de neve nos pontos alIas das IlIi)nl:l!\h,I~.
No calcnlo para a lleterminaç:io d'este vulllll'lr., tem-se mais
a allendeI' :I uniformidade
011 n;io da
dcclivid¡lde;
~i l~sta é
cortada
011 não
por precipicios, gargantas on desfilladciros.
E' sohretudo do muior interesse para a ohlell~~:io do volullle, se
não exacto ao menos o mais al'proximado
da df~slleZ1 de um
grande l'io, que se faça observaçùes
Slll:cpssivas, elll épOC1S
diversas, afim de obter-se lima média mais ni mcnn~ real.
E' notareI, poi£, a differença qUI! se enrontra nas :lf{llas
roladas por um rio lias diversas estaçl'ie,;. ~leSIl1I) ms duas
Ameri"as, se tomarmos alguns rios, o Mississipe, pnr exemplo,
veremos que na época (hs aguas se lhe ellconlra uma desl'eza
de :~5mil metros cnbicos rill' segun(lo, an pa,sól (Pill lia época
contraria sr, lhe enconlra apenas a desi't'za de H.;lO:) metros
cuhicos. A bacia d'esle J'io é calculalla em :lA·Uti OG) ¡¡i(ometros
quadrados.
- Na Africa, o Nilo, euja bacia lí calculada em :l.02;).000
Idlomell'os quadradlls,
lança 1\0 primeirr. caso, 1:l400 melros
cubic(\s, e nn segundo :¡pen:¡s :3:>0 lIIe!('\lS eubicos.
- Na Enropa, o Sena, que tem lima h1cia de 77.710 kilometros, despende no primeiro caso, 2.800 Hletl'OS cuhicùs e uo
segundo apenas ua melros cubicos.
- O Amnosas,
como vamos ver, cnlO 111111bacia rll~
7.000.000 liS. quadrados, rlesper¡¡le no primeiro
caso 243.875
metrûs cuh:cos, e no se~undo l'J.oU melros cnhitos.
- E' indispensavel
tambem que seja lltlIPrmill3lla COlli a
possivel ex¡¡ctidáo, a velocidade média cia corrente, e vara isso
não basta tornar a da snperficie das aguas
Procurando estabelecer a relação entre a velocidade média,
58
TonQUATO
TAPA:ÓS
-------------------------a veloci(l:lde maxima, ua superficie, e~. velocidade no fund" de
um rio, fel. Dubnet vurias experiencias,
àas quaes Prony ,~on·
v
v +!.37
cluiu, segundo
Claw/el,
a seguinte formula: -= --. __
V
V+-
1.15
sendo v a velocidade média, V a velo:~idade na superficie,
no
ponto em que esta é maior, isto é, correspolldenle
á maior p irta
das vl'zes il maior I'rufullditlade
da agua,
.
nesla lnrrnula se conclne para os \'a1')I"(~s de V ... 0.10;
0,5;1,0;
1,:'j2,Oj2,5ja,O;
3,5; 4,0, rcsl'ectivilmenle
o
seguinte:
v
-= 0.760;
v
O,i8G; 0,HI2; O,83!; 0,8\.8; 0,86:1 ; O.Bï;): 0,883; 0, nI.
~a pratica,
para as "elocidadas
das enlre O,'20e 1,5 póde-sesuppor
=
na s,;,)e:'lil~ie, comprehentU4
v=--
011
v=0,8
V, eu V
5
1,'25
v.
D:1I'-sc-hia o auctor do Diccionario,
flue n;io acctitoll
lIem nm d(,~; 1'('sult3dos até hlljeo!Jtidos,
e ((ue aliás, em ¡pral,
estão muito afTils!ados ela vel'd~de, ao Iraha'11O dC1esludar l,stas
queslí)cs. apl'licanrlo. finalmente,
con criterio e consciellcia,
na detel'lniua.;ão do vulume das aguas (io Amazonas, todas al uellas c[wtída,
e COlli estas os. methodos
que a sciencia aconsel ha '?
- f'a!,(H~e·nos flne não.
Sr·glllldll a~ medid~s de AI'e Llllll'mant Il 3S dll Spi.:;e Martill~, a rlespeza do Amazonas, clIja hacia, C'0'1l0 jà dissemos,
é de
7,000.000 I(ils. flu:l.lr:idns, é de 24a.87;'1 oO.!tros cuhicos na en·
chente t! de il.v·H·. metros CU!JiC(ISna V;b;Ullfl; (~aleulallù( ·lhe
os meSIlIG:i auctores lima média de 8(1 mil metros cuhicos por
segulld'l.
l'arLillr'o destes dallns, leremos
que o Amazonas le\3 ao
OCl'aIlO, ('Ill UIlI minuto,
4.800.0oen3,f), e em uma
lOra
28H,O<lO.Oi)O,1I13,O rouco mais ,Ia 5' pa('l,~ das aguas qu.! se
calcula que lodos os ('jos a elle levam.
Parecll-lIoS ex;¡p;(~rado esse calculo, e [Ião sahemos mesmo
qlle todas as condit;'(íes necessarias
para a fefiz soluçã I do
problema fnssern postas em rigoroso fUllccÎnna,nento por DCI':.si:1o
das medi~·Ü~s.
o
V ALLE
DO A~IAZONAS
- Tomemos ngora n Diccionario.
EtT~(~tuando o calculo proposto
pelo antor, como depois
det;\\h:\\lamente
veremos, o Amazonas fMnece ao oceano em uma
h01',1 (j87.!;nn.o~Om"O. Ol'a., recehrn,lo o OCtlauo, 8egunllo calculos qne anlcriurmcnte
citamos, apenas, e na melhur hypothese
:}i~,O:\fl'"'' por sp¡:nnr\o, ou ':!:?5.000,OOOlll' por minulo,
ou
.ainda
1.33') ,onO,OO()m'
¡¡or boni,
segne- se,
segundo
o aulor
do Diccillnario, qne só o Amazonas concorre p¡¡r.'l este enorme
volume com mitis dll Ille/Iule, e l1:io cl)m pOIlCO mais lIa Ga {lar/e,
como querem loùos os auctores que de tal assull1plu têm lra·
tadu,
E' a~sombro;;o !
1\0 cnlrd;'nto A¡.;assis, referindo-se
ao regimen das aguas
do Amaznna~, I~i"c mo se exprime:
I( Nil') é, pois,
,le admirar II1Ie o regimen das ll¡!naS diffira,
no Amawuas,
rill
dos 1I\jII'(IS gr'andes l'Íos conhecidos.
A Iwi·.
mf'ira IlilYcrenp eslá no vn!uloe enorme das a¡;llas al'\'a:;ladag
pe~o l'il) hra7.ileiro, VO!UlIltlt:\O
prodigioso
!J\le se torna
quasi
im[\os-¡\'e! dar II re~pci!o d'elle \II\la idéa de facil comprehen~;j().
O Sr. A¡.;a~siz buscou trallllzil' de I1ma maneira aprecillvel,
e du onlro Il\llllo llue n;\o por all,\.ninnos, esle vulume exlraor~
rlillario. ti' vista das informações m:nistrallas peIns vi;'j~ntr.s que
o prerr¡Jer~1Il e da:; snas proprias
medidas, lia I'r ••rllllllidade
aproximal!.l, lb dos \og:!res f'slrPlto;; ele, eic., não é possivel
avaliar 11m meuos de 2.5 lO.OOO rn!~tros cuhicos o volume das
aguas (lue, e'll Unitt hora, pas-am por \lm pOlito dallo, ~Ias este
numer" 11:1~l'óùe dar IIIlla i,léa chr:! c de irnmclliata percepção.
Sllpponha-se,
pois, que:;e fech')\1 (I rio e que a al,\\la .10 \ma'lilnaS
foi forçada a correr 1"11' litO tubo de \1m metro de diamelro ;
pois hf'm, ~"le t\lhl) .teria de lllr:lVPSSlll' o oceauo de um cOlltinenl!} ao outro e de eslen,ler-s(~ ;lIé o interior da Afriea para
pl.ldcl' COllt,}r sómcute a lluallliù,1I1\l da agua que corre em uma
hora ! )
N;io \'l'I'ificamos o calculo de A£",lSsis e nos limitaremos
a
I
deixar
aqni re¡;istralio,
que entre
e~\e calculo
ha Il se~l1illle ditTlll'ença:
6~1 60,l.OlJOma,O - 2.i>OO.OOU'"s,0
Di~cionaril
=
e o do andor do
685.'100,000"'3,0.
TonQUATO
Mas, voltemos aiuda
nario.
TAPAJÓS
aos ralcillos
do audor
do
Diccio-
Pllra conhecer-se a quanlidade de agua que passa por rim
ponlo dallu, expressa em melros cuhicos,
começa-se determinando 1.0a velocidade mé/ia das aguas,
2.8 - a ~eeçáo nlédia do rio,
Multjplica·~e li velocidade por segllndo pela secção média do
-rio c tem-se () volume de ¡Igua escoada e'n o tempo dado:
Q ;- S V.
Tomando, pois, os dados fornecidos
remos:
Largura
do rill,
Pro(uudidade
...
120m+80m
média ----2
pelo
Diccional'io,le-
,.
J\}!û",O
=,
100 ,C
111
Velocidadn minima •
1 m,e
D'onde
191Om,0 X tOo"',O X 101,0 = ,
191.000m"C
para um segllr\llo de tempo.
Pilr:! 11m minuto teremos:
i91.000m\O X I)Q
11.460.0Qoms,(
Para lIma ¡lOra:
H,460.()()OIQ3,ilX60=.,
, .••
087.600.000111\(
Com os dados do Dicciunario tlLlivemos esle primeiro re
sultado ; vamos ve,' 'I1:e corn os me'smos ¡fado~ chegamos a \lm
.segundo resultado.
- Si 101m l'milS us 76 mil melros euh cos rOl' segundo, dalIDS ainda Ilelo Dïérillllaril),
leremos:
Para um minullJ-71i.000rnl,OX
GO
4.5GO OO()m3,C
Para urna Iwra-4.5G(l,(JOO"'\O
X Ga =.
2'73 600.00um\C
E IlUllea eonst'l;uimos rncolllrar
os 215 mil/Jões de metro;
cubicos de que nllS falla o Diccivnario !
=.
= ..
Gl
Examinemos
agora
rapidamellte
a qllestão
da reloci-
darle.
La Condamine, na lal. de 5° 1', ilá para velocidade da corrente du Amazonas 1 I/~ de loesa, i~lo é, 2,43 pur segundo;
velocidade perfeilamenle
acceitavel,
no ponto elll que eile a
determinou.
- E. Reclns diz que, muilas vezes,nos grandes rius, como
o Amazonas, a a~lla curre com uma velocl(lade
Je 11 kilometras pUl' hura, i,lo e, 3,0 por segundo,
desde (lue se lrale de
avaliar uma laI correnle /illS yarganlas do rio, pelas quaes as
aguas se vêm forçadas a passar.
Bem se vê Illle em ponlos laes não póde ler logar, em absolulo, trabalho algum regular com u lim de determinar 11Iedias
necessaria" ao conhecimellto approximadu ao ml:nos Jo regimen
normal das ,Iguas d'esle rio. Agassis, lralando da velocidade do Amazonas, diz- nos que
es la varia muito: podendo ser de 12 alé 15 milhas em 24 horas
(n,3.f· por segundo), sendo, porrm, esta rcloci lade exceptiunal,
no lrecho navegavel ùo rio e que se enconlra nas call1adas resultanles do accrescirno produzido no volume das aguas elo mesmo rio pelas enchentes nlaximas ; c é enlre 4 millias 110 maximo
e duas no minima (O.OÎ6 por metro) que deve ser calculada a
velocitla\le ordinaria, a da corl'enlesa do rio, em extensões con~idel'¡¡\'ci5, e 11:10 a produzida por (urvas rapidas ou pelas marés
que ainJa S,J fat.em sentir em Ohidus (pon lo escolhido pelo
auclor do Dicdonario que ahí d:i ao rio 1nt,O de velocidade por
segunùo) e em Santarém e mJnifu.stélm-se C{)lll granùe força
em Monle-Alegre. »
A velocidade da corrente se mod ¡lica sempre com a massa
de agua que cone nas enchentes;
está em proporção directa
cûm o quadrado das profundidades.
E~la relação é tão exacla
que a medida da rapidez da conenle
permitle ao }¡ydrographo
indica¡' com precisão a fórma do Jeilo em que 'correm as
aguas.
- Além d'isto é preciso notar que nas grandes cheias, as
aguas que a consliluem não são anilllatlas da mesma vdocidade
em toda a largura do rio; as 1Il0leculas lic¡nillas são lanto mais
retardadas em sua marcha quanto mais [lroximas das margens
ou do fundo. Este phenomello
causado peio cscorregamenln do
fluido, produz-se em lodas as estações, é certo;
mas qUJudo o
TOI\(JUA.TO TAPAJÓS
Ilivel do rio e,lá mais elev:ldo é que a ma~sa liquida oJfufce
entre si mai, f'lrle dilferença de velociliadH. O fio da COI re,de
(32) ou a I¡uba malhemaliea da maior I'apid!!7., que varia calla
dia e em cada J'io, segando a abundancia das aguas na secç:io J9
rio, e I¡Ue va:;sa pouco mais ou menflS ,le '/h a velocidade rI'édia, se eleva gradualmente acima do fundi) durante a~ enchenlt s.
Subindo, as~jm de maneira a fir.ar, segundo a direqào f a
força dos ,'enlc1s, Ma, á superficie do rio, ura alg'uns decimelros
mais baixo, \} fio da rorrenle se alfasla das paredes que constituem o leilo Ull'smo do rio. e a parle mé,lia das aguas, de que é
elle o eixo ideal, move-se em cUlIsequentia com mais facilidade.
Sendo o regimen de um rio a relação que existe entre a
força da corrente e a re~istencia das p<lredes que formarn ~l U
leilo, Ioda a mudança de regimen traz tambem mudança lia
velocidatle das aguas, ou, qlland~ ¡liminut) a largura tio ri).
a velocidade
cresce e tende a~rr(¡er
a-; margens e o fundo;
qllando, ao cOlltrario, au!{menta a largura, II vdocidade (I¡mion e
e o leito emile-se por efl'eito dos devo~¡ih)s. (3;3)
A~sjm, da velocidade depende a maior ou menor diflíCll!dade, ou a absoluta impossibilidade
da nlve6aç:lo dos rios.
A velocidade
ordin:,ria, eslá COlO11I'ehend ida ell're O, m 5
e 1,mO pOI' st!!\ulldo; de 1.m5 á 2, 0 lemos uma COlTente rapid.;
de 2,"'0 II 3,ml) uma corren le milito rapida~ C()JTPelcira.
Segundo o aulor do Diceio1l3l'io, a velocidif.de mÎllii1l1z ¡Jo>
Amazonas
é de 1,mf) pOI' segunùo.
ExcelÎu, consCl;uintemente, a \'l'lncidade ordinaria á correnle d'este rio e vae cullc,·
ear-se na cbs,e das correntes rapidas, o que e~lá em absolut)
e compll~to desaccordo
com todos m: autores
que el'esl}
a~surnpto ~e' f¡OIIl occupado, como acaha de ser demonstrado,
~
teremos
occa:;iào de tornar Lem claro em oulra parte d'esl~
trabalho.
E, (lois, SN1ÙO de 1.mO a velocidade mi/lima, dalla pel)
autor do Diccionario, não será exagerado darmos até 1, 70 pan
nlocidal\e
média por segundo (que de mais podia ser, poi,
que a vclocitladtl maxima vae além de 3, 0),
N'estas eOlldições teremos 6.240, mo por hora, ou ¡¡¡a¡:s de
kilometf'(1s.
- O illustrado e muito clislincto prOfl!SSOr de IIyi!raulica d.l
Escóla Polylcchllica,
o Sr. Conselheiro DI', A¡;,)stiuho Victor J, I
01
01
01
o
VALLE
DO A~IAZONAS
florja Castro, em rt)centis~imo
traùalho
soùre -Sal)l''lação
fil/dal ¡Jo llnlzil- <liz:
« Certamente
({ue o emprr.Ro simples <Ia roda é insum~
cien le para que os vapores possam "encel' correntI's ~lIperiorei
á 6 kJ!ometros
por hora, COIIIO são elfeclivalllenle
as que se
encontram lias cachoeirlls.
« Esta diOiculllulle póJe e é e[Tectiv:lmp.nte vencilla, fazendo-se a lracção em IIllla cadeia denominada
toa, lixa nas suas
extremiùades
e csteudilla no leito tio riu. »
''Vê-se hem a ({nuntas ,/iflit'uldades de. Ilare,qaçrio nos levaria
a velocidade
inwginada pelo autor ùu Diccionariu" .. no entretanto, o sel'viçl' de uuvegação no ¡\ mazunus é feitu cumo tùdo
o mlllldo salJe, com a maior e mais iUI'ej;l\'el rl'aIlfllJcza,
.- Como são lárol'llll£'is :lO engrandecimento
do Amazouas,
pelo desem'(,lvilllenlo
de ~ua 1¡¡I\'e¡;a~ào -11m dos mais poderosos f>1dores ùo seu rro¡¡-resso-as
pre;insu.s informações ministradas pelo Diccionario Geographico do Brazin
x
o:. Da parle inferior do Pungo (Ie ~bn,eriche,onJe
a altitude
do rio é de 152,"'0, o decJi\t.~ geral até a [oz é de 'I para 2%00,
sendo de 1 para 11600 do Pongo à Tabatl\l¡;a (l:l20 1<.) nu fronteira do Brazil) e du Tabalinga
ti fuz (iJ140 k.) de 1 para
41.600, »
Temos,
assim,
do Pongo á foz o declive ~e'al de
0,m0009331 por melru corrente,
seudo do P'JIlgn :í 'l':I[¡.1tillga
o declive, por metro, de O,"'OO(lOGG~ e de TaLJalillga á [I)l. de
0, '"OOOU2.1.
O au~tor do Dicci~nario dá para a parle inferiul' (In Pongo
de Mansenche
duas al iludes: no trecho que ora cllnsi,leralllos
dá 132,mO; á pa¡;ina 251, linhas 'i!.z li 2,t, Já -150,'''0, 'lp,'nas.
La C"lldllmille, em Jaen, d;t ao All1rtZonas unl;l altitude ùe
439,mO. O auclor do Diccionario
dá 2[)omo. lJumb'Jld/ em
64
TObQUATO
TAPAJÓS
Tomelipenl.!ll, como Jaen na provincia de Maynas, dá 389 SO.
Ca~tell/a!l, des:as duas altitudes, concIlie que a a~titude m'ldia
u'aquelle ¡)(Illto é de mais ou menos 4C10,D10,
E accrèscenta :
Não se tem ainda sinão poucas' observações sobre a 11aneira Jl(lJ'qu,~ esta altitude é deslribuida 'IlO trajecto de pOICO
mais ou mellQS 1iOO leguas que (l rio percorre a varLÏr da parte
em (lue cú,neça a ser navegavel; se acreditará, porém, fa lil·
menle qlle a maior parle é empregada nas regiùl!s superiol es,
onde a COfl',~nte é mais rapida,
COlli e/fèito
M, de La C>ndamin diz (pag. 135) que a decliviJatle
do mar alé Pauxis
(Obidlls) n,il) é de mais de 10 pés, o que não daria mais .¡Ie l/U
de pol i eg<uJapara 1000 pés. » (1)
Segundo Spix e AIarlius, Ohidos llstá á -151 pés acima do
oceano, sentlo esta altura, como se vê, IIIU¡to diver~a da de La
Candamille.
A declivldade, que era de '(.a de pollegad'l
l'or
1000 pés, pa,¡sa ascl' dp- 4, m25 por legua.
Segllnd!) Castelnau,
entre o ponto em que o rio lorna,se
navega val e Nauta, que d'elle está distante milis ou menos 180
legulIs lia UiJi¡l ¡ji/fcl'cnça de 2SJ,IDO.
N'e~ta Ilarte, porém, o 'io
tem uma corrente de extraurdinaria
vi()lencia, como o prov,l a
i'eri¡.:osa pas~a~cm do Pongo de Manseriche.
« Na p3l'te na,cgavel a declivid ••Ùe é de 0,m3;) por legua
(O,mOOOO:J25 ¡JOr metro).
Para as 950 .egua, (ou 1l/00) que se
estendem entJ'e Nauta e o mar, seguindo as sinuosidades do-t'lú,
Il decli\'idale
1¡¡lU é sinão de O,IDtl
por ll~¡¡;ua(011 O,ID000018 por
metro eurrenle,)
Em Paz ~;ulùam encontramos:
« E's tam insensiule y corlo el declive dill lmazonas,
que,
~ no ser tÓlr:1 poderoso su caudal de a,;uas, cerreria con diûicuIdad. Apenas tieue de decenso, en el e\pacio dusentas leguas,
10'1, pies,és Ilecir, 1/'7 de polgada em iODO ¡lies. II
Depuis d'este rapido esboço do qun lem h¡nido a respeilo
de declIvidadcs, e que fizemos unicame,Jleco!O
o proposito Id
moslrar quo, sí o auctor do Diccionario uão quiz aceitar nern
uma d'estas upiniões, aliás todas erronea5, lIãl) foi porque sob'e
I
(1; O Sr. Con::lam:ne p:;r SUllS notas bar,.o¡e'rÏola., que prOCC3>I11l,'S
cOI'r/g/ndo OS elõ(IŒ'IOS em que lanorou, dil para ¡j"clil'e ,ln rin ¡j,l UJ¡iJo3 u
Ile!élll O,OIJ7 .le millimetros 1'01' milha gco¡;rul'hca."
;Cosla Az·,vcdu-)
o
V ALLE
Gj
DO AMAZONAS
tal assnlfll'to,
da mais alta importancia, tivesse d~dos seus
exactos;
nHl5, ao flue parece,
pela especial resoluç;10 de não
f1Ceitllr tra/Jalho
alhPio, em maleria que desconhece,
cahindo
.assim por ~ua vez em erros lamentaveis e que se não justificam
nem mesmo porque em outrem depositasse confiança; lip-pois
rl'c,tc l'sboço,rlissemos, vamos olTerecer ao auclor do Diccionario
llma tabella exactissima
da declividade do Amazonas enlre Tahalinga e o Pará-afim
de que seja corrigido o CITO commeltido, ao menos e com absoluta confiança, n'este ultimo
trecho do rio, que é o que mais directamenle
nos inleressa.
Esta tahella é o resultado obtido em uma longa série de ohservações rigorosas
e calculos perfeitos-executados
com a maxima caulela e o mais perfeito arsenal scientifico que em casos
taes se póde desejar.
Quanto ao observador,
bastará citar-lhe o nome laureado
para que lodo O paiz nelle reconheça
um dus mais dislinctos
e operosos officiaes da Armada Brazileira--o
Sr. COllselheiro
JoS(~ till Co<ta Azevedo-Barão do Ladario.Quando se póde apresentar dados scientificos de~ta orllem,
em queslão de tão elevada importaftcia
para o paiz, calar seria
um crime, sobretudo
diante de verdadeiras phantasias ...
Antes de traçarmos a tabella, digamos que a altilude de
Mawío8, iSlo é, do rio Negre em Manáos, 3 leguas 3 ntes da
juncção das obras deslA com as do Amazonas, é calculada por
Spix e Martins em 1ûH,m 51; por Castelnau em 62,m .4R, e por
Herndon cm 45\,m 03. A verdadeira
altitu de é de 21\, In 190
( 92 pés e 58. pol. )
A altitude do rio em Tabalinga não é, como se lê no Diccionario, de 15,0, mas de 45,m 99.
Declividade do Amazonas por legua- porlu¡ueza-entre
Tabatinga e o Para.
POLLlGADAS
De
De
De
De
Tab8tinga a S. Paulo de Olivença .••••.••••••.••.••
S. Paulo áTeft'é •.••••••.••••.•••.•••.••••.•••..•••
Tcft'é á Couy .....•.•••.•...•......•••.....•...•...
Coary a Manáos ••.••••••••••••••••••••••••.•••
'" ••
(I)
De Manáos ~ Serpa (1'1I milhas ge Oiraphicas) ...•••.•..•
!.1U
!.600
2.110
!.9JO
~.UO
('l
De Serpa á Villa Bella (tf¡9.
'
••••..•.•..••
" ••
1.200
á
t6
TOIIQUATO TAPAJÓS
De V.' Bella", OlJid05 (lOS
Do Obidos a SanLaJ'~lll (13
«
fleSantal'ellln
«
pr.linha
(I(IO
•••••.••.••••.•.••
«
••..••.•....•...•
•••••.•••••••••••
De Pl'alllha d GU1'llpá (IU«
s •••..•..••.••••••
De (;UIUp"
a llr·~v,)s (HII «
•••.•.••.•..•.••.
De Breves ao Pull (131.
« ••••.....•.•..•.•
Do Pará a emhOt:a(\uf'a
do A'nazonas •.••..•.....•••.•
Dccltvidade
media pOI' JeJua ••.••..•..••.••••.•.
A declividade
do Am3znn38,
S .63 I
3.86·)
4.1íil
4.9 tI
~. 9"J
7.81',
¡, 8<7
4.n~/J -' CI,
uma pr 1. p:,r mi
lha.
no trecho que considnramos
parles de um milim~tr(
por metro, e lI:lo de 2.} milionesimas
lurtes de UILl lI1i:imetro- precisamente
o dohro da declividade real, C('IDO ¡¡urI' o aulol'
do Dic¡;jouario Geo¡;raphico.
Coneluiremos
esla parte do nosso trabalho
f¡¡zendo mai~
uma correcção:
O autor dù Diccionario dá aoPon~o Ile Manseriche 10 ki·
Jomelros ele comprimento.
Es~a .medida não è exada;
silJàc
vejamos:
Berredo dá :3 leguas.
I ~l.,)Cl~
metros
Al<:edo dá:.l
«
Hl.'.US
,(
Ayres do Casal 2 «
l:L:H:2
«
. Araujo Amazonas 2 «
I:J.:rn
«
Paz ~olulln. 2 « .•..•
1:l.J:H
(
Antes da '¡ia¡;em ¡je La CondaminE, que perC()'TI~U '~m
uma baba lo,la a extensão II,) Pongo tie Ibnsel'icbe,
dava- se
a este ura ùuas, OJ'a Ires le¡;uas cie comp ·imenlo.
La Cunclamine, depois de sua passagem, disse:
•••..• « tO!]I. combiné, je trouve les mesures telles que ie
viens de les cUollcer;
el (l'lClque elTorl <¡lie je fa.sse pour me
rapprochel' de ¡" .•pillion rC~'ue, j'ai peille Il tJ'o.uye¡' de/u; ¡¡elle.,
de Yingt au ¡le:;J'é (1:3.33'2 m.) de S. lago a Borja, au li('u de
10is que l'on compte ordinairement..
.•. )
Não ha m,)li\'o para duvidar-se
do resulta,lo
llpre,entado
por La Condamine, e que concorda com o de muitos outros
escriptorcs.
POllemlJs, pois, affirmaI' que Il P(I/I~<l de Manserihe tem I ;1.3:'¡~metros de extens;10 e /Ião 1O.00U como quel' o
ulor do Diccionario.
« Ahran:::entlo o v:dle 2?o de latitudE de 19°. S. á ,l.0 N.
enchem por tsso os affiucntes da màrgclII direita seis ruezes
é, pois, de 123 QPcimas milione,:imas
G1
antes <1os da mariicll1 esql1enla,
começanllo
afIuelles em Ouluhro c esles l'III .Ilarço, de IlIndo '1"'~ o Amazllllas tem 11m J'egimen milito re:Olllor, r"C(dH~lllll) alternativamellte
ur •• a contriblli~'~(l l\aS :lgl1a", 1I1JedeSLeIll do Sul do valle, ora a das que \'1)10
do l::do do N. Nas grandes ellchentes,
porélll,
quasi sempre
produsidas
pela~ agllas das caIH~c¡~iras. e dos ;dllllclltes da 1Jl,l!'~ern direita, Pl~¡lllr\¡a-sl~ o ('egimen lIurlllal, cre;;ccndo
a velocid:lde e a inulld;!<;;io das lila: :;ells,
assemelhalldo-se
liesses
pf~ri(ld"5 grande p;trle ùu valle a Uiua imlllellsa !:fgÙa sellliaJa de
ilhas. ))
g' inco,nl']el:.,
sin:'io falsa íllteiral/lente
"m sells fundamentos, pela exclw.:Io das causa>; IIIl1lLi¡das 'Ille concorrem
lia
prollu('(,:ào
do I'h(~lIoml'no,
a tlleoria ¡Ícillla apl'eselltada .
. E' faclo ill('lIl1leslavcl ljlJO a ahundall' ia das chuvas é a
cama principal
das enchentes
dùs rios. O Iliye! d;¡s ag-uas cnrrenIes oscilla a<l;Ji'Ilalivamellle
ao uurle e ao Sul dI) E'¡uador,
de m:llll!ira a form;,,' uma maní anllua, comp:u ;ll'el pcla sna re¡;ularillade ás mal é; di\'ersas do oceauo.
(( l'oule fois il faut ajollter, di7. E. TIcclu;;, 'lui (lans chaque
pays des reldou,; lropiealrs,
la (,eriodici!é des crncs est di\'crsClIlentmodilië
pal' le relief dll Sill, les rerno:lí'S aerieus etles
f.lils dr 10Hle eSl'éce llui ¡nnueut sur la preeipilalioll
des eaux
des I'lnic~. »
O Am<lzouas curre proximamellte
soh o ollua,loJ' geographic(1, recehen¡\o assi 11' ao IIlCSIllG ICU1¡lll "ffi'lentes 'Jlll~ \'èlll dos
dous hcmi'pherjos:
Na zona do ~ralld" vail.!, as cheias dos
affiuenles do i\'orle !,rolluzcm-se
elu ullIa éj1oc!la, (~mqnanlo
quo as da parle llIeridional a elle vêm lrazer maiol' volume
de
aguas cm èpucha oppos!a á Jlrimeira. Islo já fui ùilo pelo auclo,'
do DiccÏouario,
Illas completemos
a theuria.
j\~e¡hor do qne nós o poLll>rialllus lazeI' e f>m desaccordo
lallt,) lias é!'u('!;as precisasdeterminadas
de lIlodo positivo
pelo alll'lc,r dll Diccionario, como nos traços geraes do pllenomenlJ- tallalá aqui o ¡;rande ~ahio A~as.:;is :
cc rm filcto fundamental,
diz cll¡~, dá li grande hacia do
Amnzonas !Jill C'ln/IU excepcional.
~;io é UIIl ,aile cil'/:umscrillto
por alias mouta:lhas,
c1elllorallllo em eùnsilleravell,rllflllldidade.
e enl C\ljo fundo ~e accllllllllam as ;Igllas. E' lima "Ianicie immell<a, curis l'\t~elllidades
são \lrn lalllo levallta(las e que só
aprc~elita
um Üecli\'e mui IeI'll. As extremillades
Jesta plallura
68
TORQUATO
TAPAJéS
ligeiramente
h1clilJada acham -se tão am\slad~,
do centro ljue
nas immediaçães
do rio principal, mesmo na, y'oximi.lades
da
foz, o caraClt'I' de planicie domina.
« N:io è, pois, de admirar ljue o re!;imen das aguas dill l'a
no Amazonas do dos outros grandes rios conhecidos. 't
A primeira dillerença assignalada
¡wI!) e;criptor
de que
tratamos é a do volume tias ¡¡guaso Des'ajá 1I0S occlJpamos I 10
outro Ingar ..
('( Este volume, porém, continÍla o Sr. A;~a,sis, é snjeitl' a
variaI' se¡;unJo as épochas, com efleito o nivlJ\ do rio varia, sua
largura varía, tudo quanto se prende ao rcrimen das agua~ é
incessantemente
variavel ; (Ir¡rquanto é llutl'a pr,rtiru~ari¡\atl() do
Amazonas não estar elle sujeito a enche!ltes e vasantes cependentes da v(llta periodica das esta;ões, ClllllO se nota I os
outros grand ~s rios.
« Tambun torna-se nolave! por ser o llnjco ror assim diz lI',
entre todos, que corre de O. para ~~. O Nilo ;¡ o ~lississipe diri.
gem-se de nerte ao sul 0\1 do sul ao norte. P,lssam por varias
latitudes e cs territorios
que elles banham ¡josam de clin as
diversos. O Amazonas, pelo contrario,
~eha·s,~ por assim di::er
inteiramente
silllado n'uma mesma latilude e o e!ima das lerr lS,
pOl' onde se rllmilicam
sells numerosos afllll~ntcs, é identï.:o,
é clima equalorial. Ainda outra dilleren~a:
as chllvas que (ahem na supcdicie immensa desla vasLl bacia, li mais vasla do
mundo, bem longe eslão de cahil' na rTIfsma tlsta~ão. i,to é, na
mesma époeha do anno, ao norle e ao sul Entre estas tinas
zonas do valle ha, a respeito, difIeren ;as dll mais de 6 llIeBS.
Nas vertenles da Bolivia, na planura elf:vada do norte do Bra::il,
as chuvas cahem em Setembro. Na phnura da Guyanna, p~!o
contrario, é '3lll Março.
(l lia aillda
outra cau~a de modificaçiio no regimen ,Ias
aguas: o dtH'I'etimento da neve lem lopr nos A lidei, em pr incipio de Abril ou Setembro, logo em Outubro, pois, LtS alnulntes superiores, que descem destas mOl1lanha~, acham-se ITIlJito
cheios ('l;. Todavia li urogressão
da cheia é ljuasi insensi ..el.
Por exemplo, em Telfé,é só em Novembro que começam a ser
notados 03 cfIeitos do derretimento
das neves, de maneira I[ue
(1) No Diccionario
encher.
S~
lê que
Ileste
me:.
us af11ucntes
come¡:aH
a
o
VALLE
ti\)
DO A~IAZO~AS
passassem dO'JS ou lres mezes primeiro qlle as snas conser¡uencias se torncm sellsivr.is em Telré GU cm A{auaus (I). Na
vCl'lenle da d¡rt'il;!, o Madeira e os outros ~muelltcs collocados
em condit;ùes :lnalol;a>, I¡¡mhem n<1o Illanil'eslam o etreito das
chu\'êlS ,in:l0 lIO m,'z de SelcndJl'o, Em Olllubro ;2) este elfeilo
ajuda n,io é ,ell-ivel sinão na parle sllIJel ior destes grandes
bra{:os, e é ,Úmellte pcrtll de Dezcmbro
que a intumesr,encia
commullica-se
ao AnHlzonas (3) e ¡,e mallifesla
no counuellto
dos dOli;; rios. Só ao callo de ljuatro mezes li qlle as aguas intumescidas
do ~ladeira e dos seus congeneres, chegam ao seio
da artería \lriucil,al. Us grandes trihutarios da direita engrossam tambelll () o "llInonas
com clics alé :.I;!rço e é I'llt:lo o
ma.\imo liara os amuenles da vertellte meridional (,~). Todavía
a vasalllc a prilll:il'io só se tflrna sCllsivel na parte superiol'
dos riu'i ; qU~lI)l[) ao Ama/ona"
só no mez de Juuho é que elle
cheg.l ao SPI! 11I:lxilllO no Pará,
« I\e~la él'lll'ha, J unho, o rio I\c¡;ro e os sells trihutarios
da margem csq/lel'lla, ailllla n:\o hão chcgallo ao lllais alto grão
de cheia. Começilvam a ell¡.:rllssar cm Ahfll, e, em JUllho, a cheia
só é SllllSil'el na pnrte média do rio;
é mu,lo depois, enl
SetcllIl)l'o, que uS aJllnenles de (lue o rio :\c¡;ro é para nós O
typo, chf'l(am ao seu maximo,
Depois dt'sinllllnescem
se e
o llivd I\as mai~ IJaixas ;lguas apparccc em Dezemhro,
« MilS cn!~() cOllfUrlne já \ ¡mos, a ¡:heia dos affiuentes
da
margem direita COllleça jn~tall!enttl a torpar-se
sensil'el no
leito principal; de malleira que,quando os affluentes da esquerda
se acham vasius, O~ da llireila se c/l('hem. G('¡I~:~S a I'sla allcl'llação, o A lila Z(ll!a"; que chega ao seu maximo CIII Junho (G) desla
II)
"O emlilt¡l"j¡'1
em
Ol<II<I,/'u
gr~nlle
fuchel,le
produzidas
pelos
a
se proúuziu
lIu '\Ut1\-
lonas ~ (J>,ct.;icluario::.
(2) U Illl'Z Ù'IS !Jra"des
e'telas
allluelll,'s
da
[)¡re;l~.
(Dire)
(3) Qlle
já
,,,"s,le
Outubro
tem
subido
ao
maximo!
(Ilicciü-
Ilario, )
(4) E,~ ~I¡lr~"
lCIll losar
(Dicciona' io _)
(5) f.' ue~t·_~ mcz
d/reilU
:zÍila,
reita.
(lI/CC,)
pelJ:;
tios amuellles
da lllar~elll
esquertla.
(O'ltubr"l
'Ille lrm IOfur as poche-ntcs dos af{. da
gro/lde'
e/lc/¡rnle,ç,
pOlém, qu¡;si s'"llIpre
produda:; cal,cl'eiras
e dlS affluentes
da marYI'm
di-
•• , «lias
ai-u"s
a ('lIdlOute
TORQUATO
lU
TAI'AJoS
épocha em ¿iante bailta conslantementtl até o mez de Oaluh '0,
é¡Hlcha das mais baixas agU¡ls (1) e tt'rna depois a 1:11(,;To~~ar. »
Eiî o bdlissimo systema compensador
das a¡;uas da ha :ia
do Am,:zonas.
O derretimento
O,IS
neves, nos Andes, tem começo~rn
principios du Alli il 011 Setemhro, coin:idllldo com a qlléda las
grandes (:ll1l\a~ lias vertentes dos ;.muenles da direita do An;).zoni'S. N,lo é em Ouluoro que esles CMnrç;'llI a encher, p )is
que nesle JIlfZ têm elles já allillgido
o :1l3xil/lo, embora .>15!ln
Dezemb¡v SIl liote dilIerença sellsivd lias aguas d) Amazon IS.
Assim lamhem nos tributarios
mais afT;lslai!us da caheceira.,
10
Madeira, por exemplo, as ¡¡¡{uas esl¡io jd de ba muito ele\'<!l as
quando
se nota a sIJa influcncia
lias do Arllazonas,
or ,16
che~am em .\Iarço. Ú contrario se nota (juall'o aos amucnles da
esquerda.
»)
Este rf~gimen \lnico. c1evido :\ camas v¡¡rias, permille r Ile
o Amazonas, embüra a d:lfel'cut,a do ngirlll'n
das <l¡.(U¡¡SIrilutada9 ora ¡wlos affiuenles da direita,
.)ra l'dos affiuentes
da
esquerda,
~e mautenha em nivel sell~pre clerado, relalivamClle
ao
fUllLlll
do rio -pel'lniUindo
sempre
lusa
e li\'re uavegaçàc-
á despeito da grallde dilferença do nivel, (I"e se nota cutrc os
dous cxll'em,)s e quo vai do t 7'n ,O, I!o lu"ximo,
a 'LO, O rl()
minimo (~).
« Les trucs sont r.ollsillerahles;
e!les causent, (hns la
vallée superieure
du flcllve et sur lc, riws de ses affiuel,ls
~'irnmenslli irJondaliolls,
'l'Ii Iran~fl)rmenl.
les
furels cn la
etang "lus ~I'anll (IUl III medilerrallc
el [olll
omuragé
Lie
verd
Il
re.
Mus e!L~s sont peu sensible·
dailS
le eours illferÍenl ;
lorsqu'cil eifel, Ics ¡¡m,lellls de la rive ¡;auclte situé dans
l'hemispllflre
/lord, deh'l["llenl, los alUlltJllts
d~ la rive dro te
ont leurs eaux hasses; et, lorsqu'cn r1l)fj{ et J£,Û le cours s 1perieur t1.11 neuve et scs alllucules de 1.1;'ive droile, c'cs~-:l.dil \l,
de l'hellllsplJere
suLl, rleullrLltJlIl, les aal:e'; s01l1 au regime (lt'~
basses eaIO;. »
(I) Epocha
(')
das grandes
A d,l\""rença
cnchenlPo<, scgun,lo
lo
r icdonario.
vai do 12,0 á 1",", di, o .l\wlo,' <lo Diedo:I<\i'i,).
o
YALLE
VD A~IAZO¡'¡AS
71
}l,Ha que complet!) Olll\e este estllll!) soh,'e o m!)vimento
das agllas IlO Amazona!!, cunc!lliremos estas observações com as
linhas 'lile se seguem,
tl'açadas pelo dislillcto SI', lhl':io ùo
Ladaritl (Conselheiro Jl!sé da Cosia Aze,-etlo) e <¡Ile fazem parte
de \JllIa obra importantissima,
infelizmente por puhlicar, sobre
o Yalle do Amazonas;
o 'l'Je vilia resoh'er altas e notaveis
questões scienlilh:as relativas ao dito valle, Acceit,ulllo com o
mais profundo reconhecimento
tão valiosus subsidius pal'a a
nossa I¡teira j'fel/wfia,
O'lue-nos ao menos a honrusa satisfação
de sermos os primeiros a dar ã 11IZ da publicidade, estes, como
(lutlOS ll'echos inetlictos do mesmo auctor e ùa mcs lila obra:
t1'. As estaçùos
no curso todo ùo Amazonas são um tanto divergcnles,
E nem Isto é dimcil fie perceher-se .
. <l Os braços
'lue alimentão o Amazonas por huma e outra
margem, estão inteirarneutl~ em regiões tlitTerentes, sujeitos á
iufluencias atmosphericas
diversas.
\!: Os que
lhe sahem á direita na maior parte veem de lati.
tudes meridi(lnaes
além de cinco grãos, ao passo que 03 op
p!)stn~, passan,lo a ell'linocial, vão até ao qnarto gráo,
li: lia n;ls nascentes
dos maiores f~ndatarios 110 Amazona s
dilTerenças de cerca de 15 grálls em lalitllile. Assim, de certo,
estão slljl~itas á., estaç.ùes dilferentes lI'hum mesmo tempo, e,
portanto, as silas ellchentes se o~erào em diversas el'0ehas.
li: As cl1l1vas que
e:unillh,ltl do Sill para o norte a!imentão
com os denelos, que se oper;lo nas ,l\tllras dos Andes, C) grande
rio qUllsi com hum mesmo y,jlume, n:l m.lior parte do annO.
(J: Ile por isso tamhem
que na parte do l'io conheciùa com
a denominaç;lo Ile SulimOes, e em algllllla extensão das outras
dllas, se Botão duas enchentes e duas vasantes annllaes.
«Realmente
he phenomeno que se tJI'tU digno de re··
p nro.
« Segundo o Sr. Untes, em TelTé, a elevação das aguas
começa em fAvereiro Il continúa alé junho; e vae de polegada
em polegada: nos u\timns llias ll,}ste mllZ, o rio se ostenta
soberbo acima 110 nivel da vasante cerca de 70 palmos. Vae
declin:Il11lo até outubro, com a nllieu interrupção
do repiquete
de al¡¡nlnas p!)legadas, em setembro,
em virtuùe da cunlrilJUiçl1ù Ile alguns amuenles.
TORQUATO TAPAJÓ;,
c Do meiado
segunda
palmos.
de outubro
e¡IOC'¡a da enchente
a princIpIo
j
a ascenção
de janeiro
he apenas
Yern a
de ~2-
« A Sllgunlla epocha da Vllllante apparece em janeiro pan
acabar l'lgU em fevereiro; mezeste em que, principalmente
III
parte baixa do Amazonas, apparecem com frequencia as tr,,Toadas tie oe81e.
« Notas \'13ríficadas em Manáos, com mIlita regularidade
apresenlãa IlJ¡ruma ditTercnça.
«: A enclwnle começou-se ali a seuLil', nas seguiules epocba~, de nOS~,lS notas:
t861-Novembro
8.
1862-01ltubro
29.
A vasanto nas que se¡uem-se :
f8G2-J l.nho 6.
f863~Junho
10.
('(Assim, pois, se pôde bem dizer qu,e o limite das cri~e~,
neste Jugal' do rio Negro, quasi á fóz, no Amazonas, rellula d,~
t.. de novembro a 5 ; e tie 6 a tO de junho.
« Nessas Hpochas, como adiante se veriÍ da respectiva labella, houve SI~IlSrepiquete! ..
«A ascenção,porém,
em ~lanáos J1ão chega jamais a ¡'l
palmos como HID Te.ffé, segundo o Sr. Dlltes.
« As enchentes de f859 a tMG,consideradas
eXll'allrdinarias, Lem COUlOa vasaule de 186t, derão huma u'nplitud~
apenas de 59 palmos e 4 polegadas, segllndu \lOS ¡nlormolI )
di.lincto Sr. 111'.João Ifal'lills da Silva COlllinllt).
«A maxi lIa, portanto, póde ser considerada
em G( ~
palmos.
('(A amplitulle no anIlo de 1861 foi de 49 palmos e 2 polegadas:
sua enchente elevou-se menos que a anlcl'ior tit
palmos; justamente
o quanto a vasante da e¡lOcha ¡;anhou ~
anteced cnle.
«Para
bem deduzir-se
a lei dos mo\'imentos das agua:
do Amazonas, serà preciso estabelecer
observatorios
perma·
neutes por, nât) mcnos, de cinco anuos, 'lm lugares diversos.
escolhidos em attenção aos fortes amueutes de uma e Qutn
mar~em .
«O Sr. Hr. Cantinho, escreveu em 1861 o se¡;uinle .t
cerca de~sa Ici eSludada perto de IIJan3.ns ;
o
O mo.irnento
VALLE
DO AHAZO~AS
73
ascencional he quasi insensivel
no prinda encheute,
podendo ser apreciado sómeute no ¡¡m
c. de al¡¡;lIlls dias; espaços eguat~s vão sendo depois percorIl: ritlos
em lempos cada vez meuores:
o movimento he ac:ce·
Il lerado,
e chega ao maxi ml) elll meiaJos de março 011 a egnat
Il distallcia
dos puntos pxtremos, De março elll diallte a marcha
<J: torua ·se pouco
e pouco mais Iwta, e he insiglli(jcaute
nas
« proximidades do lilllile Slllleril)r.
« O crescimenlo nos mezes de novemhro e dexemuro he
« leito á expensa tIos trihutarios
mais proximos da fM, e, como
el elles são pequenos,
3S agnas
não podem avultar. Em março,
f termo
medio, he quando che~ão as ¡Iguas das cabeceiras
I!: dos maiores
IriUnlarios. e por i~so a dilferençll
do ;Iivtd he
«muil(j
Ilronunciada,
chegando li palmo e 4/10 em vinle e
c. quatro IPras, como vê-se da escalla,
el De auril a jullw os pequeuos
rios podem, henl corno 01
~ paranfÍs-llIel'Íns
e I¡;aral'é~, sel" navegados
por callados de
• iD palmos.
I!: A enehCllte
caminha, termo medio, 10 rnilbas por dia;
el e egllalmellte
li vasante.»
« Nossas ouserval,:ùes s,tu lilllitadissimas
para apreciumos
o que vi mos Ile trail scre\'er.
Acreditamos llue o illuslrallo Sr. Or. CoulÍllho não lleixou
de ponderar bem, nos caprichos
e allomalias
da illlmensa
hydrographia
do valltl do AllIazoaas, (Iuanllo traçoll all'lellas
proposições.
« 00 nosso registro, diario de oùservaçõe~
feitas para o
estudo da hydrograpllia
<i"e consideramos,
se Ilota:
. Lo Que :\0 chegarmos eln TaLJatillga elll 'i8 de JUllho de
1866, o rio, já muito lJaixo. conliuuou a baixar alé o dia 25 de
J UUIO ;
i.o Que ofTereceu um l'epiquete até o fim deste mez, elevando-se cerca ùe 4 palmos j
3.0 Que voltou a baixar até o dia 6 de Agosto, deprimindo
o uivei de 27 a 30 polep;adas;
4.0 Que de novo eucheu, elevando-se
31 polegadas de 7 a
12 deste liiez;
5.0 Que haixolI·até o diu 4 ou 5 de Setemhro,
em que se
pron1lncinu o repiquete;
G,o Que em S. Paulo de Olivença sentio-se a enc!Jente,
Il
t: cipio
TonQUATO
TAPAJÓS
começada /lm Tabatinga a 5, no dia 17 de Setembro j € em
Tocantins li 22;
ï. o Qlle a 9 de Olltllhro, voltando á S. P:lulo, n<,tarnos 'lile
o rio baixa\:l;
e foi uaixando alé o dia U, que de 10VO
vollOl/ a f~lIcller! com força, porém, ¡Ité então uão percehida.
Il Ora, de nulas
que tornarnus em Manáos ern 18ti2 a B{j;j,
n¡}o \'¡1II0S :
1.0 Qne o l'il) baixasse de Junho a Olllubro com as ¡.llernali\',I~ noladas acima j
'l,O Que tivesse lio constante differença de niveis de dia
a di¡¡..
<l: Acredilamos,p¡,js,
que nas rliversa~ sllrcões 110 Amaz )nas
e Solimões ha leis ljue lites são espec:iaes.\l
l1: A~ illlas corrt'spondem
em numero e gl'3nden ás proporçOt's rit, grande rio e S':\6--de origens diversas,
lempol arias
ou I'cl'lnallenlt's;
ilha~ do leito fOI marias pelo deposil(l
da
vasa, i1ug'llcntancto on dirninnillllo eOllformc a direcção Jas cor·
renIes e ti ~,al'pareI'IHldo
ás veses
(orn¡delamenle
110 pe'iodo
de IIl11aellfhenlt~; ilhas dedrewnf),¡llrlfio
cunstituidas
Iclos
IlUI¡It'rn~"s callaes (furos c purallamirins)
Ilue, parlindo dI rio,
vollJ:n d¡'I'0is a seu leito, lendo pet'col'rillo grallltes dista lcias
por ¡\III¡'a~ 3S margen.>, ou vão encc,ntral'
os amuenles l1uito
acilll;1 de ~Ila! elOLocaduras.
Esses callad" birllrcando-s~,
Irendend'l-se a nnmerosos lagos, crusando-se em diversas direc;ões,
retall::\I11 ~IS margens em fragmenlos
mais (lU menos extellsos,
qnfl c1amnroHlos
íUlIlS de cirwll7:al!apio, conslituindo
flna!menle dOllS váô>lol lahirinlhos
que á direita e á eSljuel'tla
d) rio
se e~tcndilm a mais de 100 ("Iomelro:;,)
U e,li' <le ter do:, II~positos :lmaz'/f,i';f1s, que formlm o leito
do grandl~ rio, é inteiramente
diverso d'cul'lcile que IÍle é tI,Hlo
peil) allloL' do Die iOIl.II·Ùl.
As i,',~lls do Ie.itl),-l-',,-r·-m-a-l-la-S-I-)e-l-o-(·lè-po.~,to da ¡;a.~IJ, ail!; nen-
tau:!/I (lll ditninllillllll eonf<>rme
e.rÙt lia 110 AfIla.lOI~a~.
a dirt:cç¡¡"
ILti C"rf~flle5,--luïo
As ilhas ali fMlldo-se
oull'os
l'lOS, exctlpçãO
d,1 mesm.) m(IlI,) 'lue elll I,H.!/;; os
feita de algulIs casos especiaes,
C'Jm() va-
mos ver.
Antes, porém, demonstremos
que o leito \10 Ama,zolla; não
é f.,(,:\Iadr¡, lláo COilt'~!n üaôa -tel'l'il, all()Ldiça, l,dJ -l1: \: IJ¡'llJ-
o
VALLE
DO A~lZ0~AS
silo terroso com mistura de reslos Ile ve¡;elaes 011 de malerias anim:les que se fl)r:na nu fundo ¡jas aguas -lama. (I)
- Ilhas de tllma, nl Amazonas ... á ~emelhanç,l dos
VI/!cù.?S de lama lie C. Castello Oranc.') ...
Qual é a origem lles~a planide
o ~ell curso e qne a correnle
na qnal o A.lOazonas
aecrescentar
silica sem lhe
tra';l111
causa
ah;uma ?
[ljl. Agassis :
« Vejamos qual é o cara·,IM do~ tlepositos amazonicos.
q: O cOlllple»\) desses llepositos :lcha-se acima du nivel d.)
mar, \loslu que em um plano pOllCO elevado. As camadas mais
1J¡,jxa~ sfio vi,¡veis por to,la a parte, desde o Iluallaga alé o ~Ia.
rajó.
Formaram-se
COIll uni leve dedil'e na dir'ecção do O para
E. SClllprtl e por «Hia parte .ll'rnsenlam nlll tr¡plice
canlcter.
~
No flludo 5.10 lIlarn:ls,
ar;:illas
\;\n fillas, dll \al
modo tritllra-
das <¡ue é <¡uasi in'IHls;.ivel ctistin¡.(\:il'-st'.!hes O~ ~rã'l!\.
1"01'm,io ellas UllIa massa ahsnlllt;llnt'ule
ulliforme e h"mogollea.
Depois :Ipparel'e lima miSllll'a áe art~illa o areia e finalmente
uma areia cada I·e? mais gl'os~a.
As,im -11'-U Ina al'cia grossa III isturalla com pedras 1'01adas; 2.0 -UnIa ,\l'eia {ill;l dl~p\l,;ila,la elll call1a\las l'e~lIlaJas e
del\\.ll!<t;;; :3.0 -hancos ou !;ui¡eiràs de aq~illa em eam31las tão
finas lllle são :15 \'el.es de!¡;adas Clliflll lima folha de papel, eis na
ordo'm Ile supel'l'0síç:to o pril\ltliro sislelna ol;,ery¡¡do em lod;t
a parte.
1) -I1nwllet -Dlcr..-·d~s
ftrtcs e sr.iene-tO.' e,liç.'io. pa,£:: t7G6,
« V,~H-l\)do df\l\lsi\K(\O no 1'''0'10 ,lai a~\Ia~ : rCS\l!la Ile dr.cnmposiç1!o Je veglllaos r. animaes
cm mislul'a
C,lm lerras
transportadas
pelas
agua..; dai c}¡lIvfts.n
- ¡';'(llllrdode faria - i,'adie.
pa\,!:.U6T:
• ran-Llmu,
lodo, lutuJ,)neia,
at,'lciro, lamcirãu.ll
- f'on<e",,-liiec.
d" 18)9, 1'31{. 922:
• \'asa-lifllll,lodo.lama
.•
- W!/Jstel'-Dir.c.
in;;!. Ellie. rie ISG" pa¡:. HG3:
« Va.n-. d ¡"LIn ou limo mulle nno praiilS ou \lcdo das prai •.a "
- LiLtré -(¡il'c. (rallc. ¡,:,jiç.-t\" l~i3-1""nu
~.o
pago 'H~í\ :
« Vasa-l.oJo
d.·pù.;ílaJo nil (ull,lo d')5 lagos, 'Jos r"S~05, dos rio ••
do \1\31'.11
« O IUJr tranSllJrla
hoj~ as VIlSflS COlO 11r.'p'Jjus .ta, con"¡13~ !j,Je vivem
actualmente,
dù nll~.3m() nludo (ll:e tran:,porta\'a folSaS mesmas V£UflS ('.ont os
d6!I,ojol d.s ;Ollchas quc entáJ ex¡,ll'\'U « Pu:!". IJune¡-T
11." pa~ \~S.
76
« A camada, qlle termina o depo;iilo e lhe forma a sUI erficie, é uma especie de verniz, de crosta uni furlllemente
I sa,
sem ero~ão que mostra que as argilla:; não foram denuda¡Ja~
antes da formação dessa mesma camada.
G: POI' eirna desle primeiro sistema apparece outro dep )sito de um j;rés composto de saibro, de --¡;nios de rocha. dtse·
guaes, d.) u:n grés grosseiro enfim, productos
de materiaes diversos, mas precipilado tamuem em camadas
paralalia», e lem
discoJ'daucia de slraclificação, isto é, plecipilada na mesma b;,cia
de a~na:s tnnquillas
onde se lormou o deposito do priml\ir()
sistema.
o: Nesta s~gunda ordem de camadas ha .Iuas coisas á no-ar:
1.0 a tli"\Jrsidade lia natureza'd.) gré!!, mislura de areia gro: sa,
de siliea, till (::dcareo, de oxÎllo de (erro o mais das vczes; é
um grés à~ Vl'zes durissimo,
em algnns l'on tos tão cheio de
ferro, que asselllelhase
a este metal ao sair da mina: sempre
um grès ~ro:;seir., ; -a 2 • é que as v.-us descoure-se o yesLgio
de u lila vi(ll'~lita acção das a¡¡uas.Este
s}'stema, o mais couj·
del'avel, tem as veZl\S oil.enla, cem e alé meSH\O mil pés je espessura em alguns sitios, e l'or toda a parle se apresenla COll. ()
mesmo paralellismo.
« O lerceiro deposito. asseRlatlo ~obre (IS dOllS primeil os,
resulta da conglomeração
(lu argillas areenlas mui linas, SelfleIhanles á" (l'le se acham nos arredores do BIt) de .Janeiro e .(Ile
mal aprosen!.ão vestigios de sll·adifica.:.:io.
As camadas destlt
deposito sã/) indistinlas, o seo todo par we hO!llogentlo.»
Eis a f')_~llIaç:io geologica d,) leito ;;obre Que cOl're o Anazonas. Ollde a fa :a, o bdo flUB f~lrma a¡· ilhas .lo Zeit,) do audor
do DiccilJnaJ'io?
N:io, n:]o s:lo .Ie ta] natl1resa as ilhas d.) grande rio e ¡¡em
¡Ie laI mod'J formadas; Il, embora so estenda
I1I1lIloUCO ",sta
digressão
~eol0l!ica, deixemos
aqui rapidamente
delilleados
alguns dos :liverso! modos de fOrrJ.açiill de taes ilhas.
Deslrui r para reconstruir
em se¡;nida --¡lis sern ~eSS~ll' a
obra dos rÎ,]s - como
de lodos os alpntes da natureza.
Quando 110 meio da correllle de UIIl rio um uuslaculu q,181.
quer sc ofl'èl'eCe á~ agnas -uanco,
lro ICO de arvore encalhado,
ou um l)r01Llclo de industria humana-- as a~uas bruscamente
jnlerrompjtl~,g
em sua passagem, ,I¡"idem-se em dOllS reire.~
li juidoç, COIllO dianle Ih (ll'ôa de um navio. Estes dous '('<li 'te"
I~
°
O VALLE
DO A~IAZONAS
77
escorrpgam 011 desli~am re~reclivamentp. ao longo das faces anteriores
do escolho 011 ohstacul~ referido, encontrando-se
depoi~, um á direita e outro á eSLjuerda, ou contra a massa da.
agnas arrastadas pela corrente,
ou, corno,lIos peqnenos rios,
contra os [¡arranws das margens. Oesle facto resulla Illll duplo
choque : o~ clous feixes líquidos, mais ou menos curvados e demorados pilI' mil accidentes locaes, s:io repellidos para o meio
do rio ou (ia correllte, oude se eucout.-am depoi~ de ter cada
um descril'lo lima parahola. Aqui lima parte dessas correntes
parciaes, tcndo perdido a pr(1pria lorça de ímplllsrio, continúa
a descer traçarlllo urna curva mais along:\(la, emc¡uanto qne urna
outra parle rellue no espaço relativamente
tr:.lIlC¡Ulllo, que lica
abaixo do e~colho, e deposita no fundo as materias que trazia
em suspensão. Fllrma-se, assim, o primeiro pequeno deposito
destinado a crescer ¡;radualrnenle, servindo de ponto de partida
á outras ilhas e hancos dll areIa, 1~lIe se vão sllccessivamente
formando no espaço cOlIJprehendido entre as duas correntes
Jateraes de que f¡¡lIamos. ).) (34).
E' esta a marcln {;l\ral da formação
das ilhas e não ha
motivo especial para ser alterada na bacia do Amazonas.
Lancemos agora um rapido golpe de vista sobl e o que
de mais ospecial se nota, sem exclus;1o do caso geral, no rio
Amazonas, em relação a ilhas.
\;' conhecido o facto \\0 desprendimento
de pelaç,).ç das
margells, pOfll:itta-se-nos a express:lo, pela violencia das correntes, principalmente
em certas épochas do anno, -constituindo grandes massas de terras que, levadas pelas mesmas
correntes, v;1o ás vezes ao oceano e, muitas outras vezes, depois
de formarem verdadeiras il/laS flllClllantl1.ç,
fixam-se em aigu m
ponto -- ou porque ,um dos llIuitos e grande.
remansos
as
demorasse até a vasante do rio e então, tocando ao fundo do
mesmo rio, a elle adherissem j ou porque um tronco de arvore, uma pedra, um obstaculo qualquer as prendesse ao solo,
interrompendo.lhes
a descida. Taes são por vezes as dimensões de taes ilhas que grandes animaes sio vistos soùre ellas
-correndo sobre a
C01T8Ilte •••
« Estas ilhas crescem Il diminuem annualmente,
diz Ayrea
do Casal, referindo-se as do rio Amazonas, não só em numero,
mas ainda no tamanho com as cheias, que em parte de uma
fazem duas; em outras de muitas formam urna entupindo os
78
TORQUATO
TAPAJÓ,
canaes qU"e aE· separavam: aqui arrancam pedaços do continen o.
alii de ilhas, com as quaes 011 accresce Itam as existclltl!s ·111
formam nO\'3S. Algumas sã·) Ite grande ('xtensão ; e comlllUlllmente formadas de eorpuleuto arvoreltlJ lo (il.)
.
Diz Castelnall
(3tJ): De loules pa l'lies (lilt voyait de ~etites ilf.s fioluntes formées
d'herhes lI!:iI;loIllCrées sur quell/illS
unes desquelles
il selait amassé assez de terre pour qu'dllls ,e
eOllvrÎsent d'une vegetation vigtlureuse.
»
Castelnau se refere aqui a lima e"pccic de ilhas a q'le
chamam ou J/a/IlJlá (lU Pcririlnln¿ (1) :lf:~Ic>meraçãll de CGlIlrana (canna brava, ¡¡raminca alla como :I eanna, com a (ju:tl li}
Jonge so 11;¡,.e~e (i) que se encosta ás marg(!Ils 011 desce l) I i(}
como ilha fluctuante
anastada
pela corrente
Fica a cal/ara/la
tão ellllllarauhada
e clura qne as unças poem-se em cima pai'a
viajar. Atravessam-se as vezes nos pequenos rillS e, com a ter'a
e pâus que a corrente arrasta, furlnam harrancos
(é u nllln!)
tão duros (l'Hi è preciso muito trabalho
de (ouces, machallul,
etc., ¡,ara dll~fazel-os.
Além dc~las, lia ilhas odfentici~s, formadas rapid,lIl1ellle.
(dil-o a Imlavra) ptllo dl'sll,ra1ll61lto de grandes massas de arei3,
que ora constituem alvissilllas
praias pi'esas ás margens;
o 'a
formam extens6S bancos l'onw profundos,
e.ora verJadlJir IS
ilhas, ~(Jhre ¡\li quaes em brevo tempo se (st~n!a \'i~orlJsa e
aproprj~ da vcQet:lção.
-- « Le~. î!lls même ~ont expOSéi!Sl ulle \:estruction SCd··
daine:
qllall(lles
rant;ées des IrtlllcS eclwu·3s tlue leurs St!l'aieut d· !:riS'lS lames viennent à cèder a la vi'Jlence du CJUrant, il suffit Ile quelques heures ou même de quelques minut~s
pour (Iu'elles iisparaissent emportées pa: le Ilot;
on les y"it
fondre a vue d'œil. .•
« C'est alurs que passcnt au fil du COUI'ant ces long-s r¡ deaux li~ 1¡'\IlICS entrelacés qui se nouent, se denouent,
s'ace 1mulent autour
ùes promontoires,
s'e:lIa!;scnl en pleusieu:5
èt~gt,S ln l(ln~ des rives. » (3j)
([ I was pointed, ùiz r';:idder (38), while upon the river olle
(I) Dcper!l -junco, ¡;ram:nea d'agua, 6 âlà, dUN, tC90, resisbr.I,.
(José VertSi;,no - Stenos da Villa ÀTlla':oflica.)
(2) C,¡mprslo de c!',ta 6_0 suffill:O lupy -nua, p:reddo,
seme:l:Jnle.
(Id en.) •
U VALLE
DO AMAZONAS
day, to the locality of an j"land caBcll Para'lltite, which was
well r~memhcred
hyall \\'ho how navi~ated the steam illl'Ol'lnt!r
lears. A deep channel now leads over the sport,allll not a vesti¡;e
of lhe isl~nd remains, Anolllllr island is f,,('ming at no g:'loat
distance f,orn thi .• same !fJcalily. Tite first !lolica had 01 il was
from a vesslll which ~truch on a hithest nnknown,
ann lhen
. invisihle salid ballk. Noe someacresofbr.autiful
greclI shïllulJery
are exhibitcl\ by ils surface and soon tall trel~s will sland ulloll
it. Tlie rapidity of vegetable
growth hastens this great work of
n:lture.
II
- Depoi5 de referir-se
ás ffer¡ucntes
inundaçi'lc5
das
planicies da Lomhardia,
devidas ao f\slJarrocaml'.nlo
das 10111'gens do Pá, f¡¡elo l!lld tamhem se dâ 00 Missi.çÚ}Je, que cavou
primeiro o leito no luuo e depuis I\ltearalll-s~-jbe
as rihas, diz
Ag;¡s~is :
It r\;¡da disto se vê no Amazonas.
E' certo qne (l valle se
aeha cheio de IllltigloS depositos,
Illas não lodusos, Il~f) provenientes do lodu adual, ao passo que nos valle~ dos outros rios
o fun(lo ld~ nu se compõe do mesmo loùu que se licha lias
margeu s. »
O solo dos rios da PraIa é argiloso, diz COlltl) de Mtl}rs. lJ¡ães (3\)) I) dns do Amazonas é arenoso.
Isto illdica o seguill!e
facto geologicu: eram gralliticas as l'orba,; <¡ne lIe1'<1111 sedilllIJlllo
para aquella re¡:i¡lo ; eram grés arenosu as 111I1lUllfam os seliimento s l'ara a do Amazonas. 1>
K Ùlder, na sua obra Sf¡ffCh,H IIf Bra;il,
assim Se expri mc,
reflll'indo-se
so solo do Amazonas:
Tile soil over whi"h we passell was generally
rich, beillg
composed of illtermill~led
day allll sanu.
O abbade D/lnllltl. ;lIlli¡r/l ~lj,.¡sjoJJ¿¡rjo 110 Brazil, nas suas
Considerations gellérale.ç su,. l'Amaw"e, diz:
Le fond dll has::in d,! !'AmazllIIe
es! fMlllé par ulle vaste
COliche crétacée. Le:; terrains testi.li('(!s ~elllhleill y rnall'lltllr totalement:
1111 courant immcnse
a du les arracher et les elllporler
Vers \' oeea Il.
Au desslls de Ia cr~\ie s'clévent
deux éla¡;es. Le premier est une immense
dépôt de glaise aa COliche laminées
d'epaissellr
inegale,
quelquefois
trl~~-mince : leurs r.OI1!l!lIr~
variées révèlent la presenca tic \'oxide de fer á ses d¡!Tcrents
80
TORQUATO
TAPAJÓS
de¡rr¡\s, Quelques unes expo~ées a l'action
Ollt j',lllparence d'ard\Jises primilives, ..
de I'athmos~hère
4: La ~econde ~e compose rle gise'nnnts rle grés et de s lbles
tn:s ferrugineux mêlés Ile quartziltl~. C~S eonches alternent
ou
s'entrecroisent
avec de lits de ¡¡Iaise. Il ap.lrtlent au tl'jt'S ou
tel'fllin de vieux grès rouge, 1>
() \"'ofl'ssor
Hartt, segundo
o profllssor Orville I'erby
(COlltriblli:7iJBs para Ill)eologia da re!lÍLia ,10 Baira Amannas
-Amwe~ dos ArchiL'os do MIISI'1l - 2" volume), aSSilrl se
expri me ,~m relação ao assumpto de (I'l~ lias ol'cupamo;, no
seu Iraba!110 publicado nO volume fil do .TollnIal Of the .tme-
dean Oeollraphical Sociaty of New-York:
« O valle do Amazollas, ao principio, appareceu com,) um
largo canal entre dn3s ilhas 0\1 grupo; do ¡llus, das quaes uma
constituio .} base e o nucleo do planalto br,lZileiro, e a out' a ao
1I0rtt', do planalto da Guyanna.
E,:as ilhas al'pareceral~ no
prinri¡\il) da idade siluriana
ou urT Jl(Ju,~o depois d'ella. N'a(Inella época os Andes não existiam. ID
N'este canal, accrescenta
o professor
O. Derby, foi
depositada
uma sé:ie de camadas ¡"epresentando os terrenos
~ilurian(l SIlperior, devoniano carhondero
e cretaceo, as quaes
appal'ecerarn
succe~siv:unente
de um e outro lado, em 'erra
fil'me, estreitando
assim a passagHm entre as duas ilhas.
O levanlaClento
dos Andes é posterior il deposição d'j:stas
camadas.
Antes tia apparicão dos Andes, diz ainda o professor Ihrtt,
() nile do Amazonas consistia simplesmente
em dous glllfos
unitlos pnr um estreito canal.
Os Andes ¡rrompera",
na
enllada
do golfo dl} Oeste, convért.ndo·o
em uma verda(;eira
bacia, post'J que com sabidas,
tantu ao norte como ao Sul.
Todo o continente
foi depois deprimid. de modo tal qu~ as
aguas cobriram amplamente
os plarlaltO!! da Guyann. t! do
Brazil, e as camadas terciarias foram ahi depositadas, vari.mdo
em expeSS'l1ra e constructura,
confor me as condições em que
foram form:ldas.
«~'
Ile suppõr qUf' e~tas camadas se tivessem adaplldo,
em nivel, com o fundo sobre que tinham sido depositadas, .-:on-
O VALLE DO AMAZONAS
servarlllo-se
mais allas lias mai~ baixas margens da bacia e
immer¡;inrlo
das margens para o centro.
« Quando
o continente ~urgio outra vez sobre as ;¡guas,
primeiramente
levanlaram-se
os planalto:'! nivellados por sua
nova aC<J:Iisição de depositos; poréllJ, logo depois. os acluaes
divi~ore,
das agnas, ligando os grandes
planaltos
com os
Andes vifJJ'am acima da agua e o valle do Amazonas tonlOu-se
um mediterraneo,
communicando
a leste com o Allanticu por
um apertado canal. »
Continuando
em considerações
d'esla ordem, no senlido
de explicar
a formação do valle do Amaznnas, desellvolve o
professur
Hartt a sua theoria, em inteiro accúrdo, nos traços
~erae~, com o modo de pensar de L. Agassis.
O professor D,', Derby, de~ois de apresentar desenvolvidamente a theoria de llartt, diz:
« Esta exposição
explica claramente
a formação
da
varzea, das planicies baixas do Pará, e das planicies alIas do
interior
da Provincia.
Resta dizer que os terrenos accidentados são devidos ao apparecimento,
em virtude da desnudaç:io
das camadas terciarias, das camadas inclinadas das formações
mais antigas do que a terciaria, incluindo a cretacea, a paleozoica e a archeana,
« I\S rochas das antigas ilhas, primeiras terras ernel'g;~as
no oceano,
que occupava a area em que o conlinQnte S" lormavd,
leem sido lll'ofundamente
metamorphoseadas,
~endo
convf!rtirlas em g('anito, gneiss, quarlzit.l e schisto n:etamorphico, por isto podemJs facilmente determinar appl'oximada.
mente a extensão d'aquellas ilhas, estudando a destribuiçào das
rochas metamorpbicas.»
- Sobre a formação
das ilhas, assim se exprime o distincto professor DI'. Derby, finalisando seu importante
tra·
balho:
«Entre
a agua e a terra, o rio e a varzea l1a uma luta
contínua, ora vencendo uma, ora a outra.
As ilhas formam-se
e desapparecem,
ou até navegam lentamente
rio abaixo, pelo
progresso
continuu rie destruição e de formaç:lo; lago~, furos
e paranamirins formam-se para serem obstruidos; os tributarios,
ou estendem-se
no proprio territorio do rio principal, ou es le
appropria-se
por meio de seus canaes lateraes, de uma parte
do 'aile de um tributario.
A luta, pOl'ém, é desigual, a força
6
82
TORQt1ATO TAPA.'ÓS
do rio,' irresistiyel como é nas suas maiores ,manifesl:tçr,es,
apresenta-sll muito irregularmente
e plÍde sor vencida pur Llna
outra que é constante
em sua aeCito. A vOfletação é a ann:.
mais poderl)~a com !fue a telTa lIpanha e retem o tC"ft'no dl}
leu adversHio,
terreno que pOI' meio d'este vehicula vai s&estendendo,
a pouco e pOIlCO, estroitaudo-~e·lhe
de mais em
mais o canal.
Este processo não pÓde entretanto motlifilár
radical menlo o valle que, salvo uma oll:outra
couvu!;ã()da n:¡,ture:m, ha de sempre conservaI' o caracter que preser temente posslle.:t
E' força, ¡lllis, coríessar que as a.J1.:as [OUTlts do Amazonas.
na phrase de Saini' Adolphe, nã') são) vehiculu conducto r da.
t'asa apodrecida !
-
Quanlo
ao
que
o autor
do Diccionario
diz das í lies-
l[has de eircumvallaçào temos apen:ls, além (lo que já diss8lLos,
• ob~enal' qlle ali, cornil emtoda a parle, formam-lie ilha:,:, Il
pouco e lH'UCO deslacadas do continente por um braço de rio
ou um canal, que vall ahrilldo passa~em entre o mesm,) CJIItinellte e I) p,)daço ùe terra que se vae d'elle de~lacando.
Não é
(acto peculiar ao AmaLOnas.
U que, porém, é absolutamente
¡nacceilavel é a descf.lerta feita pd,) aulor do Diccional'io dj lermo circllIllt'lIlla';'io
para l/les seI' applicado.
- O que é cÏI'c1I1/H'alhçilo
?
_ Valla corn pali~sada Il parapeito qne serve para IiI l'al'
OS sitiadores
dos ataques e pua cortar a5 cl)rnmullic~çõe, da
praça com o exterior. Fosso em torno dl~ uma cidade-(A !tIel J1871. )
Moraes diz, ( 1.- \'01. pago 443) :
.
Circnllll/allaçào - (do lalim ci"cu/lt-tllll'lre,
de circum e .allare fortificar).
Cava que os siliadores fazem
a tiro de canhã~ da pf¡l!;a em todu o circuito do seo ealJll'0, OanqneaJa ¡las
distaucias dH\idas 6 guarnecida ùe parapeito, para impedir lOS
sitiados os soccorros e a deserção tio campo dos sitiadore,;,»
_ Que relação tem este tem o com O que pareca-
-.----------.o VALLE DO AMAZn~AS
- - '-
---8.3
que se quiz exprimir?
Seria I'reCis0 de,feo"ril o (?) para dizer
que é a uma WIlL cerc(ulrt tfe a,/tta que o meSlllO autur se refere~
Mas enlão-o tlue é wnn ilha?
XI
« ..•... constituindo
finalmente dous vastos Jahyrinthlls,que á direita e ;~ e,r!nerda se e~tend.em a, mais delO~ l¡il~melros.
Esla dlSpllSlção hydrograplllca,
{¡lha da quasI hansonta\idade do valle, é um dos sens mais nolaveis caractel'isliens.
Por inte,'uledi"
desses canaes pode-se percorrer mais rie
mil kiiomelros selll penetrar no leitu do Amntlnas,
on passar
se Je UIO para outl'US aflfuentes iudl\pendellte
das agnas do
tronco.
~m c.olI:'er¡uenc\a da diversidallp- das epochas
das enchentes dû trollCo e dus ¡¡ffiue/ltl>s, as aguas do Amaznnas vão
penetrar lIeste, ~Iltcs de receber-lhes o tribulo,
auxili;;l\Ilo-os
deste modo CI)II' o eXCl\SSOdu sen cabedal, cnmo por exemplo,
(\ pa;'anlilllil'iill Aualiparaná
e Cllxiuára, eanaes que lev;J1II as
BeUaS do Amawll<1s aos leitos do liyupuf'á e PurlÍ~, muito atima
de suas emhocaduras.
))
Antes de demonstrarmos
a inexaclidfío
da nova lheoria
3presen!~r1a pélo autor do Diecionario, th/Joria que se assenta
na quasi I:ol'lsonlalidade do valle, ou (\'ella decorre,e que se
refere a~ anastl\moses que se nota no l'lU Amazonas e nos seus
Jlumerosos
alTIuelltes -analysemos
o que se lè acima em
relação ao A lIalipllrallâ e ao Corillar.i.
Estes rl(l\lS canae::; ('7), na phrase ùo Diccionario, são-o
1.0
a oitara I:t.ca do Japurá, para muitos antigos geographos : a
commll'¡ir:.(';!o
mais oC'citlental dnste para o Amazonas, pela
Jn:lq;p.!1~ r(lJlt:~ua á :oeplentrioual
do mesmo Amazonas,
como
diz Uaena.
84
TORQUATO
TAPAJÓS
-------------.--------.------
-
Este escl'Ïplor (Daena), porém,
Cllmo outl'OS, dando lO
Japurd oito hoccas, e incluindo
nellas o Allati;(ll'llll!1,
cono
o Manltana e o Uaranapú, não anoou com ace¡:lo, como hem
diz o illu5tra.do SI', cLtllselheiro "\VilJ.ens do' Mall05 (401;
porque, IJara que podessem elles ser co :JSiderados como boccu
do Japlmí,seria preciso qlle este por ell~s despl'jasse suas agu 1S
no Sol i miles, Mas por estes tres canaes I,SO não se dá,
E' certo <¡Ile para o autor do Diwol1ario
o .Iaplmí n;¡o
tem emhocadura, ¡Jais desagua w) Solimõe~ ¡IVr diVt'l'-s;)s {lins
(pag, 2~3); mas, lIIeSIllO assim, examinemos a queslão.
O A lIatiparaná effectivamellte leva ao J'I¡'!1I1'á as aguas do
Amazonas, ao envez de trazer as d'aquelle a este; Illas, lenlo
o Japurli, aléln dos tres de qlle já tratamos, lIlais cinco cana lS
de communicação
com /1 Solimùès, a qual d'Jsfes considera o
autor do lJiaionatio
boca do J apu7',í, (lcit¡¿·/. da qual e5tá o
A uatifartUld?
F. demlli~. como póde o Aua1ipl1l'anlí
eslar acima (a
embocadura
do Japurá si esle niío a te"~ e ell/ra no Amazon: s
por diversos turos? Como póde o A ua'lparawí estar acima ('e
uma cousa que não existe?
O autor do Dk'ioIH¿I'Ù) ignora o que, a respt'ito rl:s
boc'as (?) do Japurá disse viajante iIIustrad:J, P.rIl tempos qre
não vão longe,?
No tempe' das aguas, diz Severiano da FOll;pra (-H) fórrr,a
(o Japurá)
ao despejar-se
no Amazonas 11m I';1Sto estuar;/}
quasi idantica ao do Xarayés; na esla~Üo sêl'ca ticam nes!e
estuario nove cur~os que uns supplient
uuln.s tanlas buc¡,s
do Japll1;á.
« Entretanto está reconhecido que as tres mais occidental s
-Auatiparana,
~hnhana e Guaranapú-5ão
braços do Amazonas, que ao. Jr¡pltrá vão levar as aguas esbranr¡uiçadas,
là()
differenles das'deste rio; que duas outras, Ibirahyba e Codaj:Jz
são desaguadeuros
dé grandes lagos, e que toes outras sã)
furos do Amuonas,
os quaes sómenle á meia enchente poden
reunir suas liguas com as do Japnrá. Resta-lhe a ullima, e
• verdadeira,
que com o seu nome fica fIm maio dessas oulra$,
que, si todas fossem d'elle, constituiriam
o seu della o maior
do mundo, tendo por base um trecho de mais de seiscento.
kilometros,»
Aceitando o autor do Diccionario, e não póde deixar dit
O VALLE
fazel-a,
esle modo de
DO AMAZONAS
85
considerar
as pretendidas
bocas do
por dirersos {/tros;
não acei:ando, deve declarar o motivo porque assim procede,
e mais, declar.;r lambem ¡¡UIl o que ~e dá em rehlção ao
Á/llllipunmÚ
Sl! dà, no mesmo rio, com o Manhaflll, o Uara-
Ja¡Huá, não póde ligar esle ao Amazonas
napú
011
GUllrt!/lflPÙ,
- Aceita o aulor do DicciO/lario a opinilio de Marroy a
es le respeito? ~Ias, selldo as,illl, qual a embocadura do Japllrli?
Para que o autor Il que nos vamos rel'erilHlo lIão continue
a pensar que o JI/pl/r';
n:io tem omr.ocaùur:l
e se lança no
Amazouas
pOI' IIWÎO de furos, convidamolo
a eX31lliual' a
perfeitissima
e explendirla Glu/a do dito rio .tapllní lev:llltada
pelo illustl'adü ~;I',COllscllieil'{; ,José da Co:;t:l Azevedo (Barão
do Ladario) e lia qual se vê perfeitamente
a unica e fl'l'dadeira
Loca do rio Jap/'rá
e que fica col!ocada entre as ilhils do
lianlcâ c do Utili, Mahi(/llo e Cllpillrít(/,
Todos os demais canaes que o ¡lilIal' do Diccioua,.io dá como furos pelos quaes se
lan~a o .¡:¡PUI oí no Amaz:lII;II¡,
ou 5:10 braços deste I)U8 levam
suas agu;¡s an ¡pilO (I'aquelle, ou são desaglladouros
de lagos,
ou fllnccionulll apenas durante uma ceria eplJcha do anuo pelo
transborllaulculll
d~s aguas.
Convença :"!, I'I¡is, o aulol' do niccio¡¡nrilJ: oJ apnrá ~6 tem
uma bucca.. J óí l'Ill I ~33 Ihnario Accioli (Id) assim affirmava,
- Em rel:lç,ll) ao Coxiu,i/'/l, o 'Ille diz o autor do Di¡;¡;;o,¡ado é lIm errCJ l:l'ave .
. Não ha gel'g':"l'ho, não ha \'i~j,lnte, que diga o qlle uos vem
hOJe (\¡Wf' o :lUlo\, do trahalho que all¡l\ysamos. O CO.1Íliára não
leva agu:ls UUAlllazunas ao PlII Ú:i; traz as ¡J'cste ao Amazonas
~Solil\Jùe,), e para muitos geographos,
escriptores
e viajantes
¡Ilustrados é a priucipal ernbocaU"ura desle rio, com o qlle aliás
não cOllcol'llamos; teudoalé l'ara alguns dado ao rio o seu nOllle,
como cutro oull'oS para o Poldre Chrlstov:l0 ¡j'Acuna
Padre
Manoel l\ldri;':lIl~z, Paz Soldan, Condamine etc,
,
Os, ":'lli diz (p;¡g. 2:l8;:
« Il ::li) si slIl'erarllllo nel matlino a Cuchivará le foci del
86
TORQUATO
TAPAJÓf.
rio Purils, l~onl)scil1to anche sollo il nome di Cuchibará,
el e
alla sna irnhoccatura
poteva avere da 6~O a 650 métri di
lar¡; h pzz::u
Ribeiro de Sampaio (43) pago 18 diz r,~ferindo ·se &0
PurÚ,; :
l( O S~II <lnliRo uOllle era C,)chiuará,
(jnl" :,iu . ta
cansen.
uma ¡je suas bocas.»
,
Airedo diz (pall'. 70i):
l( Cuchiuara
Ú Cuchiguara-bla
de Il p¡I)I¡jllia '! Pais de
las AlllaSl)lta~ eu la parte que pO';I!cnl"s 1'I't"lI:~Ii,""'; ; eSlá en I.
rio de 'u 1)()¡11Ure it !a misma [¡'\l~a 1'01' :",,"'~ I'nlra en 11
)laralJl'iil,
y deslacando
un br¡IZO de a¡.: la 1;\ ¡,':~'an éste y II
Mar;¡uõll.I>
-Examine
raI do
Am/lzt;'I/Ils
Azevedo,
c \'lrá
() antor Jo D
dl) refllrido
I a 4'
f,,¡II,1 ,b Carla GiCOk:e hf'il" ,¡, ·;é da Cos'a
vem II" Pili ¡';. hll('ar··se no
CciV/lill'i
~1.I'.
qlle o CoxilUlra
Amazonas
elll fl'ellle
a ilha lalllhpln
r1elll'"iil!J.t:1 CoCill'ÍrG,
como ¡¡Ii:s j' cm 178~ aet,rladamenfe
dizÎ;1 :\ked",
O ¡'ro"rio antllr do lJicd'l1wrio, a P;,¡;', ').\1, 1I';Ill'rre' e
de Aralljo ,-\lllalOlI:IS UIlI Ir~cllO em o ll11ai s,~ li', I't'!'eri¡;Jo-: (I
Amazonas ;10 rio Purús : Il DI~saglla este rio p Ir I; Ilalr" b"cas-das quaes a ~I'gllllda-Ctl,:¡;iltara-c(\l1'
~r'i.l
1.1 1I"!lIe (lll~
cie
leve primi:il'amcnte
»
Qual das ¡Jlla,; am.'ll1alivas é a vf'l'<Ía,j¡'ira 'I
QU81i1, uEste ponlo, cunsult"r
o DiC,:i:JHrl"¡'-',
o !¡:le l'ó,le e
deve e'Jllcluit ?
Cailla vimos, o an~or do DicCÍ'iJlt!,rio
f¡',a<i 1/(Il'i.~on~ltlid(/(Ü d!l wlle a disl,o,ir;;'t
,lá CU,IlO (;[i,a
I y,il'(I~f¡lphica
,ra
ll)~
illlllllllel'OS
canaes que hordam o rio Arlla'll):I;,-, e, C,llll eS!l,
a existeucia·J os callaes compensallores.
EX;lminemos :
~(l! á ¡lill,la
A~i1ssís, o sahió IIlle mais se lÍloill'l:'Oll lia e;lUllo do gr:iIIJe valle, 'tue virá dizer ao alltol' dl! vice! ,nari?,
qno a thaoria il outra, é diversa, é cuntraria a 'l Ile se lèl()
mesmo Dic!:lOIIaI iu.
Explica"do
prillle AgassÎ;;.
a rurIllaç:ill
da IHcia
arlla!.Ol il:.l, assim
se e:t-
~---_._----
---
O V ALLE
o
__
•
UO AUAZONAS
_
81
« N:l ol'i¡2'em, 11m levanlamcnto plutonieo,
despedaçando a
superticil\, produzia a grande planu!'a elevarla tia l301ivia, cujo
caracler foi Ilumbohll quem primeiro e cabalmenLe reconheceu; depois lunnou-se a planura ele\'alla du territorio IJl'a't.ileiro,
e'lanto esta como 3quf>lIa acham-se Úlr./i/lad'IS em senli 10 in\'er~tJ, lJllla para u lali,) Ju l10rle L vu:;';:' i.a~::. o tulIo do snI.
O primeiro lilllite da fnlura hacia, achou-se assilll traçado;
mas a propria hacia ainrla n:1o exislia. O qne resultou des!!e
grande eórL" [.Ji um estreilo que OCCUPCIl o vãu exislente enlre
os dous fragmen los.»
«Um eslreito,
pois, punha em communicação
os dous
oceanos. Um dia appareceram os Andes, llue, estendendo-se
do
N. ao S. formaram urn dique gigantesco, cujlls declives se il,clinararn para E. e o valle fui Ira\allo senão circumscl'iplO em seus
limites actnaes,»
« Em lodos os sentidos vèmos os effeitos (Ia formação do
rio e do assenlament.o de sua b;¡('ia com urna triplice Ù!rlinaçi1o
de que remllam a <Iirec('ão e o curso dos allluentes •
•. ¡rislo resulta tambem a difrr.rrnça que se nota entre o
Amazonas e os oulros gl'andes rios. O leito prineipal não lem
uma baria claramente circumsr.ripta.
Kio é um el'nal unico, é
uma •.êde de callae~ tanto mais complicada quanlo mais caudalosos s;io ns affiuentes. As anaslomoses entre as diffuclltes
co:orentes d'i1~lIa, sÜo exlrelllamcnte
frequente~. Assim o Madeira e~[ende na ílirecçÜu do nasernte um braço, 'Ille, depois
de ler recebido diversos ramos inferiores,
só se ajunta á
arteria prinripal ern Villa Bella. Esla arteria principal tambem
pOl' slIa vez, quasi não póde ser dislin~lIida e não se sabe si
essas flll1llipla..; an:lstomcses são ou não antigos leilos abandonados pelo Am<lzllnas proprialllentll diluo E essas ana~1arnoses
não eXIstem só nas ploximidades
dns conlluentes;
o Sulimões
ajunta-se ao Maddm e ao 111/WZ na~; IlIais além o Japl/rá
eSlende ramificações que v<io até ao rio Ne!/ro. De maneira que
o Am.a.zIJIlas despeja ag-n3S aos sens trihutarios antes de ter
recelJldo as d'elles. Es'a rèJe cornplitada
acha-se
desenhada,
cavada fias cama las antigas antcriClnnenle a%ignaladas.»
- Ei~ a lheoria \'erJadeira ; e já vimos que a di,:posição
geral da forlllaç;io do vallI', lll'llh~ntelllente tmeada por Ag-;Issis,
toi cOIlfilïn;lùa pelo IlisLÏnclo profes50r Ha,'U nú 1Tl:l.¡{niliLOtrabalho a q\le Il\lS referimos.
88
TORQUATO
TAPAJlÍS
No estudo completo e perfeito da l:eol(l~ia e da hyrlro@raphia do Valle do Amazonas, ainda nin~uem excedeu em Cl.nquislas scien':ificas o grande sabio ame1'iC'lno, de cujas theolÍas
DOll temos, neste trabalho, tantas vezes serviLlo.
O dj;;tlncto Sr. E. Liais, é certo, (44) procuron com
grande lalellt) e maior brilho,
refutar a theoria das geleil as
adoptada por Agassis com o fim de explicar as particularidaàes
do solo superfIcial do Brazil, explicando- as, por sua vez, de
modo diverso. Sio conseguiu, não.é agora occasião de verificarmos; mas dando mesmo que por terra tombassem os eSludos
de Agllssis diante das novas thearias de Liais, este facIO em lada alteraria a theoria geral da. formação do Valle do Amazonas;
isto é, o seu modo de SEr, por assim dizer, boje em dia, --8
nem a natureza
e a forma dos phenomenos
hydrologicol e
geologicos qne alii se nota. A cal/sa p'im'I1'ia será tal ver. ,Iiversa; mas a existencia dos faclos observadoll,estudados
e explicados PO! Agassis - não foi, não podja, nem póde ser contl!Stada.
Vê-se assim, finalmente,
que Hquillo 'lue o autr·r jo
.Dicdonat;o leva á conta da horisontalidade do VuUe da
Amazonas, è precisamente o que se deve, e exclusivamente
a
sua trili1ice incl'nação !
XII
c Daconflllencia do Xingú em diante o Amazonas penIl' a
feição pr')pria de um rio, adquirindo a de eSluario, ou exleJ so
golfo semeado de ilhas. »
- Effectivamenle o Amazonas, na extensão considerada •.
f6rma o grande eslua,'io de que já tratamos. Este, porém, é I ID
estuariv, não é um {lolfll.
o
VALLE
DO AMAZONAS
89
Quando a embocadura de um rio é extensa e larga, chamase estIlario.
Em geographiu, chama-se ell,IJOcatlllra o \::¡gur onde um rio
se lança no mal"" A embocadura, segundo Bouillet (Dice. de :\rt.
let. e sei., pago ;l8G) toma o nome de estuario
qllan(lo fórma
urna especie de golfo. Ulila e.'pecie Je gnlfo nÜo é nm golfo: eis
a questão.
Nota·se já, e ningllem
o ignora certamente,
qual a
dilTerença
fundamental
que ha entre !;(ll/o e estuario. Nus
embocaduras
tomam os rios largul'as proporcionaes ao volume
de agnas qne lano,:arn no mar; formando assim o <¡ne se chama
es/uario -uma es!,cde de ballia, na qual as ¡¡guus doces e as
aguas salgadas suc ..edem-su SULi'C o mesmu fundo, ou o l:lCsmo
leito.
}.{auI'Y entende que os cstuari05
podem existir sem que
exista a emhocadura dl) rio. Este faclo, poré(o, cllusidera-o elle
todo esp~cial. chamanJo'o
rneSll;O de phenumeno.
Lagnnas que estt"eítos conlões lateraes separam do mar.
vão pouco a pouco seurio rompidas pelas a:o;uas do oceano ou
pelas agnas doces.
Em grande
escala taes phcnolllenos se
apresenlam em Liim-Fi¡Jnl,
na Jut1au,lÙl, qne tem sido, lia
curso de mil annos, POI' uma serie de destruiçùes e deformaçlles exercidas sobre lima barra tic ar, ia cullocada entre ella e
o oceano, cl;eia quatro vezes de agua doce e quatro de agua
salgada.
O mesmo facto se observa na costa E. de ~Iadagascar, (M allrYl, oude lima zona de dunas, de 30 á 40 kilol1letro~ de lal'gnra, separa a região montanhosa
du mar.
Um curdão lalel'al fechi' tOlios os cllrsos t¡'agua viudos do interior,
ligando
assim, 011 furmando 1I1ll,l serie de lagunas que se estencle em
uma extensão de :l30 kilomell'os.
Na occasiào das chuvas, as
aguas excedentes transbordÜo
pelas depressÎlcs do cordão de
que tratamos e abrem aos rins novas embocaduras,
que são
pouco depois fechadas pelo mar.
Corno se vê, traia-se de um facto todo especia.l, se¡;ura··
mente devido ás direcções tomadas pelas CO['I"cnlcs oceanica;;.
m~diticadas ou pelos vr.ntas uu pelas condições
e~peciaes do
le1l0 dos llJares, 011 do relevo das
costas-e
que em absoluto
não tem applicação aos factos w~raes.
Estendendo-se
de cunsicteraçùe.s em consideraçõe.~. Ma~-
90
TORQUATO
TAPAJÓS
rY,QlIe aliás nos fornece em começo elemente)s multiplos e valentes com (18 quaes lhe podemos inulilisar a lheoria, pensa q1le
ao eslll'll'i , dû Amazon;¡s de golfo se poderá chamar;
mas e~le
modo di! ver, sem ser definitivo, eslá em inteiro desaccordo com
as noçùes mais simples da si¡;nificaçào das palavras.
O aul'lr
do Diccioltu,';a, que o é t;¡mbem de Ullla serie de pequen IS
livros ,obre g~()gl'aphja, e professa esta ~ciencia em um eSlab~.
leeirnelllo
publico
de primeira orden,
não deve propag,lr
theorias falsa~, ¡¡regadas sem madura
renllxáo e qne se ni o
justifie:!" nem perante a sciencia, nem ilcranle a logica, ne n
perante a ttymologia das p:davru'.
- O ('slllal'ia é forma"I" pelas lIguas dos ¡;-rancles rios ;,0
lançal'l'l'loSe 1:0 oceauo ; o r¡olfo é formado pelo mar, que ent/'a
nas lei r'IS. ~'I) O primeiro è f,'rlllar!o rill' duas
margens, ql.e
feellam o ,'jo, e cujas lillhas ~Ó se encol trÜo nas origens \0
mesmo rio;
l)
>('f!uudo é
lima
(j~"ra
¡;eomelrica
formada
fia
cosia por 1I111a curva mais Oil mellos alo Ig'acl;¡ e regular, que ::6
voila para o mar, sem srdnr;io IIp- eon\illl1idôd::
entre os seils
dOllS f'xlre'II\iH.
Eis a difTerença funJam"nlal.
(1; E·luar/o
J~ Ft.l.J'I'l·-4' erliç~" pa.::ina l12;; :
" GI) fo--!\rilÇ<l
,l"~Illare-(¡'eil" que "\lll'a !ll.,i" rrla.l·'t'l'a e não teal
sahiela.
I)¡i-Sl~ tarllb ~m e_..¡t~Ilt):ll:' ti et~l-ti's pr1lf':l¡ Ic!;-\~ (lue l'.xistl'tn n:ll
C{lstas do g·obil, da...; 'ltl;l")j
muitas ~erírtln mf!¡J!"IT.\II¡'f'·S.
si a:.:..ahertur-ll
não f()-~sP,l{lnl~:i·.i) e/)!ls¡d'~l'a\'ds para serem f'·p. ta,las csl!ci!os .•
JJlI¡Slell,c-(;eug.
Gel'. Htl5, pago :lO :
" On arpellf·. golf\l ou haie
unll partie de
"
mer
que p'\nèlre
da 15
rintol jPUf dios t':rf('S. Jo
- ,1/"rl1'S -- Ü' erli,;ão. T. III, (LW, 1(.9 :
« nolr'o
~dt) it-adauo :..:olro OIJ gnflol¡", do grf',;.l I\oI!)().:;, esLreito do mar-.
Dr-at;n rIe mal' eS~I'\'i!o qllo se ml'lll' ('ult'e duos I ,1':,IS nmito denlro o n <o
tt'm ~j:lhi,la, p,.il) que n:' mari's são plllll'O Oll
1-18 sen'l\'~¡S, como
m.r¡loS q'J(' CIlIJ)lotlltiefto C.f)ffi OUh'I)5\ p,'Il bucel. I' pdo fJnrld ou i~xLrl"n o
Opp'"l'J: " dilfl'l.·e da enseada ou hahia que ala:".a mIHI" \~ enll'd ¡J/'ueo •
n_.
- JI,'é Sa1urnino da C •. T'erelra-·Gr(lgra¡.I"a,
pHg, '01 (1836):
• G"lf,) l' lima porç,j·) de mar, que se ,.va'lça pua o inferior
¡(II
terra, •
- C,,"sta:lCiù - 8' edir. p,'g 592.
4 Golfo --lIr"ço de mal' esll't~ilo que l'lllra m,lit" ]> ,la tp-rra e não ten
.ahir!a.»
- lkul!lt'-l·- ·ice, de Se. let. fi arlo -lo" "ilir: pai. 71i.
,. "Golfo.,--Por<;lo de mar que cutra nas tornh."
o
-
VALLE
DO A~AZO~AS
!H
Applique
o autor do Dict:Ï(JIIal'Íù estes principios ao e~sl'gnramente
não mais o veremos chama\golf'<lsemeado
de ,lltas ...
tuario do Amazonas,p.
() de -
XIII
« () canal que a~l)mpallha
a mar~em ,Iireita alem do
XingÚ, deita 11111\Harl) chilllladl) flllo d,l Lim;lo c depois Tagypurú, o '1 ual var. penet l'al' lit) rio do Pará, vaslo esllwrio que
recebe as a¡;na,; do Aïa!lapÚ (~ outros de menor importancia,
entrando mais ;\tlealllr. o grandioso
TlIC:1Il1iIlS, que d~sce ao
occallO, passalldo (~m frp.nle á ("ida,lo de \3dem ('oln:¿O kil'lmetros de largllra, medindo a foz li:' k¡l ••metros entre a punta de
!Il a:!or£' il da ilha Marajó 0.\ ponta lb Tioca no cr)nlincnle.
»
0" 1:1timos sr.r:lo os pl'i'¡1i~iros: :\ prec~ito cvangelico. Comecelll"~, pois, pela pOllIa da --TiI)!:IL.
i\,jo existe punia abulOit n,) cOlllinrnte com e.ste nome.
i';a pu~i~¡jtl aSlïllno;{lir:l de (}> :JI' :31." de Lat. S e .to 38.
53" de Lung. O do niu (le Janciro, arlia·se a ponta .Ia 'l'igiÔCll
ou Tij,¡cll, qlle é aqllella a qne prov;lv"IIO('llle se r¡lIiz I'del'ir o
auto:- do Diccio/ll!' if). E' lIere,.;':uio, (' illdi,.;pens;\v(;\ qlle seja
~orrigido esltl eITO, IfI'~xi!l'p. Ir,llandu ,.;e (I'l 11m dus pOli tus mais
llIlI'0rl;'l1les da f'1Tl!lo(:adl1la do AlIla;·,)nas.
A ponla da Ti,;iÓr:a 011 da Tijl)C1t I'Ilpresenta
lHlÍê.I\'e\ llavel
nas nossas queslõe~ de limiles cum ;¡ Fl'llllra, f\' ]1a5' .H2 do
1° Vol. da imporlallli~,iilla
oilra -1,'0:1 ;¡lUe ct l'111/(1~=o:le, ùe
Joê.\<!uim Caetano II;) Sil, a, se lê:
« Celle illtel'prélal¡oll
dn \l;ll'a~rilrhe ·14 dll père ,I'Acuna
est pleint'I1ll'1I1 <:ontirll1pe \';l!' lui-rnê¡::e dans son paragraphe 83,
donc voiri 1,\ lellellr:
G: A villgt ~ix lieux de l'ile du Sdeîl, seus la ligue équi-
92
TORQUATO
TAPAJÓS'
noxiale. présentant
la largeur
de quatre vingt quatre Jj,mes
d'embouchure,
et ayant du côté du Sud la pointe Zapa ~ará
(actn,ellement
nommée Tj~ioca) et du côté opposé le cap'
de Nord, debouches dans I ocean la plus grande masse d'taux
douces qui soit au monde: la phénix des fleuves, le vrai Muagnon. si ardemment désiré (jes habitants du Pérou, et jal1ais
découvert par eux: J'anr.ien Orellana; et pour tout dire, la
grand Rivière des Amazones.»
ti: L'embouchure
de l'Amazone vé'ilable avait ùone par le
Père d' Acuna 48 lieues de largeur-84
1i~1les de i7 et demi., au
degré, c'est·à-dire,
4 degrés et 4·8 mir ules.
« Ce n'etait, donc puint la branche dn Pal'á, qui n'a de
largeur que 38 mi.,utes,
« C'etait,avec toute évidence, la totalité de I'embollchllrt ¡le
l'Amazone adllelle, entre III continent ,iu Pará et le eoulif¡en&
de la Guyane. )
4
Na importante quest:10 da determirlação
dI)
verda,leiro
rio
de Vieente Pinçon, de que larga e ma~istralmenle
se OCCUPl o
autor da ohril referida, a ponla ù" Tigi,)(~a lem lai importan :ia
que a deslllca<;ão de sua yerdalleira po~:icão pOI' Mercator, dm
seu }.[ flllpll M unrli de 1;')(i\) e por O, tdÍ/t, no seo de 1510,
aquelle danuo-lhe 20 26' mais ao Sul e este ;)0 26, lamb ~m
maia ao Sill, deu em re~Il!ladoque
l'ara amuos o rio de V.
Pinçou e,;lá la nto mais a(l Sul, quanto I) é para cada \llU ci'elles
a ponta orielltal do rio Pará .. luntando-se,pois,
2° 26' á 1o ~ O',
teremos l'ara o V. Pinçon de Mercator, li Jal. Sep. de au 4'\' ;
e junlando-Hl 3° 2j' á 1°, (el'emos para o V. Pinçon de O,.:eliu~, a lat. Sep. 4° 21)'.
- Um brazileiro que emprehend'l a puhlicaçãodeum
Diccionario Geo€:raphieo do Brasil· das prllporções ù'aquelle que
vamos examinando, não tem o direito de i{!norar eslas cowas
- transformando
nomes essenciallS na ëhorogral'hia
patri;¡ e
que repn·sentam
papel salienle em questões
inlernaeionées
infelizmente
pendentes.
NeIll !lm.ó aI/tor dá aquella ponla o nome mutilado que a
ella coube no .DicciollaTÎo. Vamos citar algrills em os quaes o
autor da obra que analysam(ls poderá encontrar a confirmação
do que dizemos. Antes, pOI'em, de fa~el-o), mais uma .obst:r'fação e r¡lweorrobora
o que ternos dltl' em relação a Imp(¡r·
tancia do vúcaLulo TigÎÓca.
03
o VALLE DO AMAzONAS
Pelo mesmo nome de -Tigióca-se
designa um bairo cuja
ponta dista d:l Tigióea (lro(lriam'mte ¡lila 11 milhas: este parcel con'e N, E S. O. e N. E. 4N, eS. 0.4 S. por espaço de 15
milhas (lg. Ac íoli¡,
Alce lo diz: (pag. 12,I-V. Vo!.):
« Punt'! en la eosta de la Pro I"Ïncia y paiz de las A mazonas y territorio
de los Portugneses,
Una de las que forman
coula de ~Ia\l;uari en la isla de Marajó la segunda boca Lie aquel
gran rio, tiene diferentes baxos qne toman el mismo nombre .•
E é a UIIl nome desta importancia, repetimos, que o autor
do Dieei'mario apresenta mutilado!
-
Lê-se - Tiyiól:a
011
Tijóca e não Tioca, em:
i,,-Severiano
da Fonseca-ObI'.
cil. pago 400.
2a--Ayres do C:"sal-Obr. cit. pago 290. 2° vol.
3o-Saint
Adolphe-ObI'.
cit. pago 35. 20 vol.
4o-José Saturnino -Obr. cit. pago i88.
50-Gelmar-Obr.
cil. pago 134.
û"-Conego André Fernandes - Ohr. cit. pago 416.
1o-Martillho
de Albuquerque-ObI'.
cil. pag.30180 -P. João ~l. de Noronha-lloteiro
chorographico-pag.
1 e outras.
90- Pal'le 2- do thezouro descoberto
no maximo rio das
Amazonas-Rev.
do Inst. Heit. e GrogI'. de 1840.
tOo-Ignacio
Accioli-obr.
cil. pago 51.
Além destes e muitos outros autores,
que seria longo ennumerar, diremos mais:
N'a volume da-Revi"ta
do Instituto
Historico e Geographico Brasileiro-de
184ô, á pagina 69, enconlmrá o autor do
Diccionaril) na Collecr-ão de etymologias brasilicas organisada
por Frei Francisco dos Praseres Maranhão-o
seguinte:
Tigioca ou \
Haiz
~ Casa ou Sitio da espuma.
Tijoca
(Tyju6ca
~
Silio na costa do Pará.
E mais:
A' pagina 384 do vol. da Revista
do mesmo
Instituto
da
94
TORQUATU
TAPA.IÓS
1882-entl'e os Vocab¡¡lus inJi.7e/las e olltrús inlroàltsj·lo~ tiOuso t:ulgar, por Braz da Costa Rubin, socio do mesmo Inslitu·
to, encontrará
o antor do Diccionariu :
« Tigi<Jca ou Tijoca - do guarau)' uyUyuyo.r¡- espumar.
Punta de lel'ra na costa ua Pará oude II mal' hale tl levanla /Ouita espuma. »
XIV
« O canal que acompanha
a lllar~~1fI direila aleul dl)
Xinl!lí, deita um braço, chamado-I·'uro do Limáo e depuis Ti ¡;ypurÚ, o qual vae peneIrar no rio du Par,L ... »
o canal
m:lI'{!:l'm
dional
TajapurÚ parir., n¡io
Ù'Ulli
direita além do XingÚ,
Illas
caUlI qUA aeompallla
li
do I'rovrio braço meri-
do J\ mazonas.
Começa em frenle á ilha d,lS C"blld'lS, ( hr¡\ço meridili-ial
do Amazoll.ls)
segundo o Sr. Conselheiro C,)sla AzevJdo, enlre
as ilhas JI/dl/m COfÍl'a e Cltl'UtW, crasa o furo do LÙMwe,llIuco ah3ixn J,I pOllIa da ilha da SeparaçiÏo, bifurca-se seguind(, um
braço em direc~'¡io á b:lIIÏ:¡ de Melga~'o, ond,) se lança- communicaçãoir:!Iica
; e o oulro hra~'o ~eglH com os llames ùe J'ur/)"
do Atl!\'Ïá, canal dos Prudenles ; sepa 'a a ;\l1a Comprida dl de
!Iaraj.'l, passa em frenle a Dreves, ond,) loma a denomiuaçã)
de
Furl) il"s Breves e logo depois a óe---lIir¡ Paranait, com a
qual ;;e lauça na ualJia das Búcas ou das Eoc~as, como quer
FelTt'il'a l'(ll1na.
O Taj<¡purú não é, pois, o Furo do LiLl1ão.
Esle carla
aqllellt)-e
ocruzamento
se Já no-L'am JardÙn-a1_uf)'
48"
de lat. Suie 7,0 4'1' 1'Z~'.tle long. O. do [li,,) de Janeiro.
Usen/ali, diz (obr. cil. pago 2ü(j) :
o VAII.E
00
A~IAzoNA5
« 1\ 1'agipurÚ
~~il cammino que percorrol\o
le LarcJle de
cabota¡:gio ; i bastimcnti pero di Ulla cert;1 porlala l'crrorrono
quello de Limão, esselldo il canale piÙ largo e mell toruoso. »
xv
« .... elltranlo mais adiante o grandioso Tocantins,
quo
desce ao oceano,pa~sando
em Irente á cidaùe de I3dem com i!O,
kit. ùu largura ... »
.
A ciùade de [lelem,
21'1l(),' de Lat. S.
está assentada em uma
GU<ljará, formada pela
que assim reunidos se
nas, dl~pllis rle ter este
rapilal ria Provincia (lo Pani,
sitllada
e 48. 2G',ll" de Jong' (),¡\l~ t:reen\\'ich
ponla de lt~rra á mar¡{l~m da b"hi'.l do
jllncç,io (los rio, Acar:i, Gu;\,ná, e Mùjl'\
lançam uu hraço meri,li'lIlal du Amawrccehirlo o Tocanlins.
DlI¡¡iel I{i:lder (,j;)) referin Ju-se a rJelcrn, diz:
« ILs site occnpies an elev¡1led point or ;allll Oil lhe sl,"lh
- castcm bank of llie l'ará river, the mo:,l IIl1p')l'talll mouth
oltlle A mazon. )}
Mas, para que dl~monstrações e provas excll:,adas?
Ih·
verá neste pa;z e fÓI'a d'elle qll()rn ignore a püsição (Ia citlalle
de \lelem, istu é, quem diga o I\lIe diz o autor do Dccion,taLO
rio
0
'!
- E' nm far.!o, cm verdade c'lriosn,
é muit.o original
collocaç;io da cidade rle U'jlem á margem rlo Tucanlin"
embocadllra eslá situada cm fl'l'lIle ao pharo! do G',in'/al,
Stl acha a tú;) l' ~3 " de La'. S. CoD' 2:3" de ¡Ilng. O. do
de Janciro !...
e,la
cllja
que
lIio
« O furo Ta¿ypnrÚ sep;:r:l o continente
allstral da ilha
blarajó, ligando·se com uulr')s que vão tamuem sahir no Ama-
------~.,
96
----------------
TonQUATO
TAPAJ{.S
-----------------.-----,----.zo nas, cnja margem direita d'ahi POol;d,)ante é constituida
m esma ilha Marajó, que mede 260 kil, de comprimento,
de largura e 25.000 k. q.»
pt:la
160
A llr~cobe,~a da forma.;ão da mal'g(,rn de 11m rio por UlBa
ilha .... terra mdeala de agita-embora
es(e l'il] ~eja o Amazonas, o rio das maravilhas, e esta ilha a dl~ ~lal'ajó, é tambem
muito original.
Alem do absurdo geograpl¡ieo
declarado, o
autor do Diccionario aq"i aceita o Am;,zolla~ corno tendo por
limite a face da ilha de Marajó, que fiCI el() frenle á marg('m
septentrional
lia ln.e~mo Amazonas; islo é -dÚ-lhe como uni~a
embocadura a porção comprehcndida
en tr(l a ponta do A "agu~I'Y
e a de Marajó, na a!lIlra da CavÙma, constitnindo o outro braço
(o meridiollal)
o estuario do Tocantins,
ou al/tes o 'prop/ ia
Tocalltins, que assim não é considerarJ.¡ afl'luente do Amaz lnas ... e pOI' b:Ja vez tem uma margem LI'/lla.Ja pelo continente'
e outra pela ilha de Marajó!
.
E', no entretanto, o proprio autor do ])ic~i()llario quem nJ!
diz que pelo-J'ia
Pará, que é este memlll estuari", como já
provamos, corre parte das aguas do .\maZIJllas., .. e£quece}do-se que desle modo reconhece o facio inc~l[ltesta\'el hojeia
dupla ernboeadura do Amazonas -quer
dizer -de achar-sea
ilha de J1."a/'iljó exactarnfJnle dentro do grande estuario do imp,lnenle rio, que tem Oi limites de sua embocadura
nas pontas ,lo
Araguar)' e da Tigioca I
- Dizer que forma a margem de um l'io, por um lado, a
mesma ilha que no lado opposto é hanhadr¿p+lS a,IJllas deste mis·
mo rio ( 0\1 nao fosse ella uma ilha ... ) é avançar proposição tie
tal ordemqull
não ha espirito pensador que possa acceitar j
d'onde, é forçoso coocluir-ou
que este rio tem tres marg81H,
{) que, repelimos,
embora se trate do mal'avilhoso
Valle ro
'Amazonas-é
wn pouco difficil de aceitar-se ... ou que es:a
ilha n'lo pÓ.:/l? fOl'mar a margem dt' um rio dentro do qI/al le
acha. O ahsurdo è evidente.
-,\
questão de ser ou não ser o To('antins affiuente 1.0
Amazonas f(li decidida por Agassis, como vamos ver:
Estudando
os limites actuaes da bacia Amazonica,
diz
elle:
------------------------97
O VALLE
....•
DO AMAZONAS
o: As duvidas suscitada!': á respeito da communicação d) Tocantins com o Amazonas, dissipão-se
á luz desta descoberta.
1I0uve quem ~uppusesse que o Tocantins era um rio independente, que se lançava direclamente no mar pela barra do Pará,
e que a verdadeira e unica lóz do Amazonas ficava comprebend!da entre Marajó e l\lacapá.
Tambem haveria q~lem BUPPUsesse, se o continente desapparecf'sse até ao Madena, que este
rio è independente
e não um affiuente do Amazonas.
Villa
Bella tornar-se-hia
então o que é hoje ftarajó.
Mas, não! loi
por ter o mar invadido o continente que o Tocantins, que em
certa epocha se achava m uito distante, ficou com a aclual apparencia de rio propriamente dito. Na realidade nada mai!! é
do que um affiuente. ~
. E em verdade uma ligeira observação nos conduz suavemente ás conclusões do grande sabio.
Imaginemos que a ilha
de Marajó é menor, e, ao envez de se achar mais proxima de
uma das margens do grande rio, se acha entre as duas, á igual
dislancia.
O Amazonas dividir-se-hia igualmente;
as suas aguas
tomariam os dois braços em volume igual bordando a ilha-e
ninguem se lembraria de arrancar-lhe
as homenagens q1l8 o
Tocantins lhe deve como seu tributario.
Assim, porém, não
se deu; a ilha está mais proxima de uma das margens, eslreitando o braço que o rio lança por esle lado: que importa islo 'i'
Para a largura, que lhe poderá faltar, não tem o TajapurÚ uma
profundidade assombrosa, comprehendida
entre cem e mais de
dusentos palmos '!
- Sobre esta importante qneslão da embocadura do Amazonas, assim se exprime o Sr. Barão do Ladario :
« A linha da fóz não é menor de 180 milhas.
Já se vê
que adoptamos ter o Amazonas maís de uma embocadura.
»
................
Dissemos que a nosso enlender tem o Am.lzonas mais de
uma embocadura;
esta é a opinião de muilos geographos, se
bem que outros a contestem.
( O Sr. Tardy de J\lontravell, que foi o primeiro que fez um
trabalho exacto sobre a hydrographia
00 rio, de übiùos para
baixo, segllinrl('l-o com a carta do litoral do jlaranhão a Cayenna, diz ua relação de seus trabalhos:
« As bocas do Amazonas acham-se comprehendidas
entra
O cabo ~lagoarr e o cabo do Norle: taes são os limite, flue a
<l
7
98
TOJlQUAlfOTAUJÓS
~e{\grap~.a moderna (1) assignala, se b£m que (osse mais rar:oa sua embocadura to~al
entre a pon/a Tijoca e O ea/lO d'J Nor/e. Seria (adl demonstrar, que o largo canal que separll a c"sla deMarlljó do corilinente, he alimentado pelo rio Amazonas, que dá uma porçã~
de suas aguas em contorno d'essa ilha pelo lad•• do sul, COIBO
outra pelr oeste, sahindo ao mar pela hoca do Pará, depois ~e
ter recehido o rio Tocantins.
« O, rio Pará lIã8 deveria, pois, sei' considerado como um
rio particular, mas,~im, como uní braço do Amazonas. »
« O Crlnde de Pagan no ,seo rnappil do grande rio ill'llrt~S10 em 1656, e na sua rela¥ào hisloriea culloeou u exll'emo ·Iireito do J'io na ponla Zaparal ê a05 3¡)' de latitude Sul. A IJOI ta
Tijaca, se¡,'1Indoobservações feitas' pelo Sr. Tardy de ~Ion!Javell, está j u."tammte nesse parallelo.
«. Mu huma opinião acima de todo acatamento, a do sal ia
Sr. Luiz Agassis, vem em apoiodestas.
« Depllis dos estudos geologicos a que proeedeo e os seIs
subordinados, ainJa ha poucos meles, e:icrcvcn o seguinte:
, .« Julgo que quand'la¡tosta
ther siùu perfeilam~rte
« explor3tta, Ile reconhecerá que uma por,ção dll terra não m~c nos de cem leguas de largura, estendendo-se do Cabo la
« S. Roque á extremidade se~leflLrional do rontinente sul am~« ricane>¡(oi wnsllfl'.Íll'l pelo mar. Sendo assim, o PaTllah!1la,
nal, assun Ille parece, cOl/prehender
c e 0$ riús ao nf,rte d'ellc,na provincia do Maranhão,eram
«
anli-
do Amazonas; e precisó dizer, tudo
c que sabemos de seu caraeter geoiogico favorece esta SUIgamellle
lriblltario$
« posiç'10. »
.
« Os argumentos
qu" apresentam contra esta opinião,
sustentados no embaraçam~nto da descida das aguas pelo archipelago qUévae.de. Gumpá a .l3reves,são. cl)mbaliveis. Todas ess lS
Ilhas slo productos das materias tr~lZ1d.lspor seculos na corrente das aguas do Amazonas, accumuladas sem cessar pelo
elfeito mecanico da furça de embate do oc£'ano invadindo o gran le
rio,depois que consumiu a'llu~f1amura\ha de que falla o ~r.
AgasSis.:D .
--------
(I) A obra do SI', Tardy de M·)otravdl, de que trata o Sr. I3drào la
Ladario, foi puhlicada eml817
sob 'o tilulo - /nslruclio/U
p ¡ur na V/!Jll er
,.lIa la c<lte uptenlr/onale
du BI'a,il el dans le /, lleve des .4.ma"o/les.
------.--
-----.---.-----------------o
VALLE
DO AMAZONAS
-o Sr. llr. João ~la['tins da Silva Coutinho, em um oflicio
diri¡ddu ao ministerio da Ag' icultura, em 1866, (Annexo C. O.
ao Retalorio do mesmo minister io, apresentado á Assembléa
Geral Legislativa u'aquello anno) nos Ï/ldica rapidamente
()
c:unillho á explicação qUl' esclal'ece a quesl{io da aClual posição
da embocadura do Tocantins, all mesmo tempo que concorre
para demon~trar, de accordo Ct'm A¡;assis, que o dito Tocantins
nada mais é dll que um affiuenle do Amazonas,
Sob o titulo -Inw'ão
do tnll' na foz do Ama;ona.~, se lê
n'aquelle aunexo :
« Na exposição dos meus trabalhos,
que re mello agora á
V. Ex" digo algumas palavras sobre as observações feitas na IÓz
do Amazonas,
e que 0:10 a conheCtH' o aranfo do mar lJohre a
terra. Este phenomeno pode SeI' dey ido a erosão da costa simplesmente, ou a acção ûas aguas combinada com o abaixamento
do terreno. :D
Cumpre aqui declarar
que as grandezas marcadas para a
ilha de Marajó, não estào de accordo com as que a ella marcam
diversos autol'es, O do Di¡;.:ionar"o dá-lhe
2GO l¡jlomelros de
comprimento e fCO de. largura :
Ayres do Casal dá 2.tG X 179 kilo
Josè Saturnino dá 2·16 X 1'19 kil.
Dus~ieux dá 270 X 240 kit.
Delmar dá 20\) X ~Gû kit.
Saint Adolphe dá 2\)\l X 266 kit.
O'Orbiny dá 19\) X 2(j(j kit.
Carvalho (J, S.) dá 333 X 22G kiL
Ignacio Acciuli dã 343 X 24\) kit.
XIV
« Esta círcunstancia, devida em grande parte á ~raJlde
altura a que altinge a maré na foz do Amazonas, que vae alem
de 5 [Letros, e fi horisontalidade
do rio ern grande extensão, favorece e~tremamente a navegação, que se realisa ali em ambas
as direcções do rio, independente d,l fe l'ça do vento ou de q 131quer outra e somente com o auxilio da corrente, contra a ( ual
não se aventuram as canôas, vencendo·a com vantagem apE nas
os barcos a vapor. E' por isso que se calculam alii as viagl liS,
não pelo tempo gasto, mas sim pelo numero .le maré, pl'ecsas
para ellas se realisarem.Sobem
com a enchente e descem co n a
vasante as canõas, estacionandl) em ambas as direcções,
1)2;0
que M manifesta a corrente contraria, I,roseguindo-se
na via, ;em
quandu voltam as aguas na direcçãu fa\ oravel. )
Se por outros titulo. não podessemos julgar da isençàl- de
animo com que procedeo, na organisação
do trabalho
que est·udamos, o seu respectivo autor, teriamos a~ora, e mais l:ma
vez occasião de alIirmar, que.o autor do Dicli';nario teve em
yista especialmente,
no artigo que consagrou ao - rio Amt:'onas-creal'
um poderos;) obstaculo ao desenvolvimento
da nayegaçào do grande rio,levando ao espíJ'ito d,)s que a elle (DI':c.)
recorrerem,
corno fonte de informações,
a ,~ol.lvicção de qlle o
Amazonas ti de difficilima
navegaçãl) j e, c01lseguinteme Ite,
as em\lreS:lS que por ventura intentem estabe1.ecer-se al i, (om
o intlllto de expiorar
esta industria-não
podem esperll' a
minima l'ellumeração para os rapitaes empregados.
- Vimüs a pouco que, pela l)ioll'n!:Ía da correnle, supe"ior
a das cachot!iras, no entender do distiuclo pl'()fessor Dr. B lrja
Castro, só por meio da tOa a navegaçãl á v;lp.Jr poderia ali ter
logar; vemo~ agora que-C'nttra a corN/tie do ¡ i) wîo se avel'tu-
101
O VALLE DO AMAZONAS
ram as canóas vencendo-as
com vantagem
apenas os barcos
a
vapor I
- Esta a{Ttrl1lativrz é inteiramente inexacta!
)'a8, alem de~ta affirmatira,
que vamos reduzir ás suas
verdadeiras proporções, temos esta oulra:
liS ¡-annas
.~(lb'·m
CI
ds
m a en hentp e descem, 011I II rosante, I!stationando em ambas
dir'cçõe,ç logo r¡ue se manifesta a currente contrarIa, IHose-
¡uindo-se na viag~m, qualldo voltam as aguas na direcçãe favoravel.
E' adroiravel isto!
-Ora,
sabendo-se que o elleito da maré é sen,iveJ apenas
até a embocadura do Tapajós, manife¡,lando-se
atè Obidos
apenas por Ij~r.ira illtumes(~ellcja das agu:ls, é furça concluir que
d'ahi em dia.¡te, :HItes d:l navegação á vapor, o rio ntio era navegado-as
canôas não se aventuravam contra as correntes 1
Ninguem, em boa fé, poderá conle¡,lar que a navellação á
reinos ou á vela nas :lgllas do Amazonas,
contra a corrente, é
penoza e demorada;
mas, d'ahi a declaraI-a illlpossivel vae
distancia enorme.
Nas prOXImidades da foz do Amazonas, é cerlo, que os pe·
quenos lavradores, os mor8dores dos pequenos silins, I)ue se
alevantam ás margens do grande riú e militas veze~, no reinado
da mais piltoresca originalidade archítecll'nica,
se ¡.endl/ramé o termo -nas mesmas margens,
suspensos sohre as aguas
por estacadas refOl'fad.zç-apro,eitam-se
da maré, que monta
ou que desce, e das correntes e 1'em nS08 para realisarem a
pequena navegaçãu a qlle Se vêm forçados.
Quanlas vezes
mesmo, aman'arla a mailla, ia ao Matl/pá que desce o rio, levadu pela corrente, não pas"a o filho d'aqueJlas terras benditas,
indJlferente
ás grandezas
do mundo - porque teve o berço
naquelle paraiso
em cuja creaçào, rep\ela de ¡;randezas, concentrou Oeos todos os poderosos e inesgotaveis recursos da 6ua
mente
divina!
- De~le facto, porém, lodo particular, não se pode concluir que, no rio Amazonas a navegação é feita do modo que
lemos fiO D cdonario.
- E' sahido, que desde os primeiros tempos de sua descoberta foi o Amazonas navegado por grande numer9 de embarcações de vela e remos, e é celebre, e d'ella já nos occupamos, a
~rande viagem de Pedro Teixeira,
feita em 1ti;' 7, com uma
BANCO DE LA REPUBLICA
1II1IOTECA
LUIS - At~·,~ l
~ R" "-ICO
J02
----------------------.-----------gra-riili<isafrorà de-47 canôas 'de bim pG'f{1! 11 en Ila~ sl'Ientll
soldados Port'¡glU!zes, mil y dl/cienf(l~ Íillioll tir. baga y fI"ilrra, que Cll1l {fJ.~ m '¡gères.y mÚcltarho~ de s~r¡;icio, passarj.¡n
tfJ108 de dos
milpeiionas.
, g' certo (Jue, na provinciá do -\mamllas, hlljn a navegaç.[o'
á ve1a pôde se dizer que n[¡¡exi-te;
~nilS (I seo desal'l'areLí~
IJIellto éexclusivamente
dtJvidÙ ao gl'allde, a J ¡¡"mi, allil d'lser,·
volvirnento da navegaçfo á valló"r lias a~ila~ <iDrh mar e nas da
seus amuenle~, e nu"ca á ... djffi¡;u¡'lad~s illveflcivtJis npposllS
pelas correnlllS.
Em 181it) dizia o Sr. ConseTheiro J( ão Wilkens de ~lalt(S,
eJltão President!! da Provinda:
A emllarca 'fio li v61a n IS
aguas da ,Amq,:;onf/s é um a·,achrollisl/l,) ¡'~l(/lt;""rel •. Il fll7.Ïa-o
enthusiasmallo,
rn<üs uma vei. alltf1 as gr<llI.k~as d,l provinda
que rauto conhocia econhece,
e quI' lid ia si,l" em bna hora
confiada ás WolS 'uze,; e prnvado patrillti~m l, snletrando n1S
espumas lias a~lIas' dó granrte rio - IS dt~:'tinos ~rautiiosos
que estavam reservad.);;· àlûélla
tern. - a 'l'Ill lillha si lo
ligado no (wreo - e para ~
.llisaçàl do:, quae, p'ltlerOS1mente devia Clln¡;orrer a nllv;'gat;à,):i yap,r
) Sf1r \JIll an:lchronismo,
porém) não quer dizer 4"e :'l'jJ. UIll im¡lIl,;sivel.
-Em::;O de abril tIc 185"l, tralautl
de rl:l\'e~ar¡ã,', as~; m
~e exprimia o pqrneiro presidente do AlTla~,lIl1as, o Ex. ~,r.
Joãtl Bapt,sta de Fi~lIeiretlu lt.nreir"
I'allba:
. « A nawgaçàn t-m si,/ri e hade ",~mlIre ,er aqui, por
este mar .Ïmmenso do Am<lzllua,. a 1)l'in'~ll'al via Ile commuUicaçào para i.'em lodos os f1ahilanles I: t"d, ,:j ti, productos 16
lins para OIHms rugal'es, tlesde o leito m;H',~heta ¡II oll.te o
monarcha d.JS rios tem a cabeça mag"sllls;', alé oude com as
ponlas tios pés repelle as và~as do Ocr-all!)
Pllr em'lIl'" lO
.0 011 r>o barcos e canoas do.porle de 15 a II) touelaltls faz,'m
a navf'gaçàll, cum -carrp£,<uTÍentÚs, entre esta l'rovinl:ia e a
dg Pal'a, e mais de 20ll'l "aunas de diifercnt •.•s IIIla~"ões se
emprel!am nos muilos o diversl's lrafi(:(J~ par,t Mallo Gross" e
até á:, fro" lf,iras d'IS Es/altos ésl' allg"il'os v,~il\htls. ~ tltJ l. liS
vara outros logilre~ d'l illl~ior,
em tudus ('S sl'nlidos;
l! o
llumel'O das pessoas t1a~ eqllil'a¡';~lIs,
IIIdios clvilisados ou
genlios,
indusive
ï.,ulheres,se
ele'la cerlamenlll
a m lis
de 6011Õ; .•.
- Em 3 de maio de 1861, em relalt'lio apre~entad(l á
ri.
O VALLE
103
DO AMAZONAS
Assembléa Provincial,
di7.ia o Dr. ManDel C. C. da Cunha,
pre,j¡Jt'nle fia Pl ovi~Jcia :
« A \I~ve~aç:io Iluvial é feita l'or barco~, qne se diri¡.(Cm
Ilara fóra lid provincia, pelos '11lc se elllpreg:t1o no trafico
eharn~"o rie rl'l!¡\I:ill, (,u comrn"rt~i() do inlerio!' e pelo.: de
tr¡tll,iIO dos hallllalltes d'ulllas p.lra uull as povoações, sitios,
rios c lagos, »
Na navl'gaç:i,\ pa l'a fora ria provi Ilcia mu p I'e!{avam -se
il1 harcos eom 1614 toneladas e :~;)\) pessoas de tripolação.
Além destes, existiam já então os vapores da cOlllpallhia do
Am:l7,onas.
l"a nave~ação illl~rior
emllff'gavam-se
0G canoas de
reg:t/ão, com o porte de 413 tunelall.15 e 2tO pess,las de
tripulação.
Na navegação de t¡'ansito, estavam então empregadas
quatro mil canOaS.
-Por
e sa mesma occasiào dizia o Sr. Dr .. João \lartins
da S¡IVa Coul iIl ho :
« Alélll de 4 valHlres, naVf~~am nas agnas da provincia
li~go bal cos dl~ dilTI>rl'lIles I"tações
»
A p"UI'O l' ponco a navegação a v;lpnr flli eliminanc10 a
navl'gaçào á vela e hOjH, COlli verdaù~il'a oPl'urllltlida,le
se
poderá repetir II coneeiLO ùo Sr. COllsdlieiro
W¡lk,'ns de
'Ablllls: a eml¡;lrc.lçào li vela nas agllas do ÁiIlazollas é um
anal'lll'lInisl!jo IIIloleravel.
E r!!alm"llle, di,l!Ite do as~omhroso dI'SCII\'n\vim'>nfo da
navPl!.ação á vapor, seria UIlI alrn-ado di~lIo de laslimlaquell!! qlll' ill,is'is~e em malltel' no\maz"nas,
para as m,t1lipias lIfCessid;ules.do COli mereio, a navl'g,¡çãll á vela. S"ria 11m
simile do fazendeiro ignorallle e elll'lel ratio 'Ille, ahandollando
as ellorrnes vant;.gem; 'Jlw a estrada .11' fel rll Ih t1lfel'p.(~e,
in~i~lis"e elll mailler a f'ang,ilha e o burro nu sel'Viçll de ll'ansporre de SilaS ('a'g"s ..
- A nav,'gação á v:'por no AIII:lZonas IH'olll/zio umn ret'ol!if-lill compl/11l
?/IlS GondÙ Õf'S rco/wllli
liS das IlfllvillfÙU do
Par,; e A mwollolS, I'uj.ç r ,ulas pl/blicrlS ra/Ji,lampn/e
(JI,,¡-
men/aram
mUn o
como nao ha ex
i'
1I,p10
(In
arte
alglll'
is \llll'tlue a nave!( .•ç:io á vela fngi., rias aguas
zonieas.
- rara
que se possa julgar
do movimento
I
do
allla-
da nav"gaçã~
-104
TORQUA'l'O
TAPA1Ó¡;
á vapor, passaremos para estas paKinas algumas linhas (o'
Relatorio apresentado em 16 de Fevereiro de 18~4 pe ()illustrado Sr. DI', José Lustosa da Cunha Parana.'uá, ao passar
a admni~lração da prol incia:
« Durante o an:lO f¡"do de 1883, entraram no porto
de~ta capital, seg ,ndo a estatistica dil policia, 234 elllb3.'cações e paquetes a vapor, dos quaes ~H"nacionaes, 10 in¡Iezes, 7 peruanos, 2 norte-americanos Il 1 francez_
t: Pl'Oeedentes do exterior vieram H6 do Pará, 5 deInglaterra, 3 dos r<:stados-Vuid',s, 2 do Pel'ú, '.2 da Colurn{¡i¿?
i da Frallça e um da provinda do Maranhào.-- 1'ola1130.
« Proeedentes do interior vieram 35 do rio Purús, ~1 dl)SoJjmõe~, 16 do Juruá, 14 do \ladeira, U do I<ig Negro e
" do Javary. -' Total 104. »
Durante o mesmo pe' iodo sahil'am 234, dos quaf's 21 (.
Dacionaes, JO inglezt's, 8 peruanos, 1 amerirano, 1 f!'an,'e2•
E pal'a o interiol' H6, I'endo 38 para " rio Purús, 26 para [)
Solimões, 16 para il Juruá, J5 para o rio Nf'gro, 14 para o"
Madeira, G para o Javary e I para o Rio Branco.
Foram mais matriculidas no mesma anno 17 lanchas ~
'fapor df'sde 30 até 2 toneladas.
Dos dadus offil'iáes que apresenlamus, bem se pode concluir (Iual s(!rá
nJ(lvimento actual do I'0I'tO de Manálls, pa!sadlls, como ~ão, 4 annos depois da epocha a que se refeno '.
Sr. DI'. Jusé L. da Cunha Paranaguá n.) seu iml'0rtanlissim,.
Relatorio, fl quando,como é sabillo, leml provinda do Ama onas,de um llUlll" verdadeiramente
mara"ilhoso e unico, conti·
nuado a en~raJldecer-se de mais em mai!i.,.
'
°
- Tratando deste assumptõ, a~sim se exprime o Sr. Barãl~
do Ladario:
.
« He Cora de duvida, que a corrente varia conforme af~
estações: na estação calmosa, de AgosLf1a Dezembro os ventol,
-de leste mui consTantes, e o abaixamento das aguas, originam
menor corrente e facilitam o in¡-;resso de elllbarcações d€'
l'ella.
t: Podem ehegar a Manáos partindo dll Belêm em ,o dias i,
e a Tabalinga 55 diu depois.
o VALLE
110 AMAZONAS
105
« Na estação chuvosa de Janeiro a Julho, quando os ventos
de leste silo raros e mui fraco~, a corrente en~rossa'se tambem
pela falta da repreza:
de sorte !Jue estas viaKens vão quasi ao
triplo do tempo, principalmente
no Solimões, onde as aragens
cntão são de mui pouca duração e variaveis. »
,
« De Setembro
a NovemlJr(l, raro é o dia que não visite
con~lantemente
o baixo Amawnas a fresca brisa do mar: então
as viagens á vella até Manái)S são faceis.
Nos mezes de Fevereiro a J unho tornam -se morosas á falta de tão importante
auxilio. »
Oiz Tavares Bastos nas silas Notas sobre o rio Amazonas:
« A navegação á vela RO Amazonas é possi \ el fazer- S8
com re~lllaridade
e brevidade, por barcos de todas as (limensõe!>, alé Santarem (á 4(i6 milhas do Para).
Até ahi aprúveitam
os navios o vento de leste, sendo que alé Almeirirn, pllUCO
antes, alcançam ás lIIarÚs diarias da enchente e vasante.
Ao
navio á vela que entrar por Macapá, a subida é ainda mais
favoravel, por seguir o rumo geral de leste-oeste.
« Entretanto a navegação á vela é praticavel, e faz-se até
muito acima de Santarém, ás vezes em pouco tempo.
Recordo-me de haver encontrado
no porto de Coary, acima de
Manáos, e a 1116 milhas do Pará, o barco Vingn'/or, que em
uma de silas ultimas viagens suhira do Pará á Manáos em
n dias (86l! milhas). O mesmo barco viera até Coal'Y com
40 dias de navegação eff'"ctiva.
E' de porte de 6000 arrobas,
e foi const¡·uido no río Tromhetas, perto de Obidos.
Um barco
ligeiro, melhor construido, é certo que vencerá mais depressa
as óistancias dQ rio. »
Ainda o Sr. Barão do Ladario, esclarecendo
mais esta important<· questão, nllS nfferece em tabella o resultado detalhado
da navt'¡{açàll de Belem a JurilT'aguas.Examinando
esla ta[¡ella~
em nosso e~pirito, como, acreditamos, no de todl'!> aquelles que
lerem eslas linhas, licará lirmada a convicção de qUb, como dissemos, não só a navegação á véla e á remlls, no Amazonas, não
é imp'!8Sivrl, como pretende o autor do Di'ciollIJ.rio, mas tamhem que o seu desapparecimento
é exclusivamente devido á navega~ào á vapor,qu6 facilita enórmente ~s communicacões entre
diverllos os pontos do grande Valle.
S'abella eomparatlva das viac::eas ã vapo •. f'
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O VALLE
DO UrAZoNAS
101
E' possivel que O aulor do Dicciona"io pMsua dados proprios, resultallles Ile b/'g~,.,colllplelas
c demoradas observaç1íes,
que o levassem a amrmar que a maré. n,l nz do Allla'7.0na8, vae
além de 5 ,0 de allnra : nós Il~ n;io c"nl\l~cemos.
Além 005 ll'ahal/HIs iuedltos do Sr. flar:in fin Ladari", e qne nlio -uffra¡ram a
l1(liniào do autor do Lli(:cillnarIll, co o lalolwiO III\;UO d~ maIOr
confiança l\l'sl~s assu!Ol'tlls, cnnht'cemllS 11110Sr. Tarlly II~ Montravel! -l/l,~lI'11Ct¡')/lS
¡/Oltr
1?aI;i i; er ,Wl'!il • ôte s pl('/!l/'i'}/l(llt:
dn H, é.~il ,t dILTl,~ le fleure des Alnll~ones - no quallrabalhll
se
lê (Cap. Vll- pug. '..11):
( Marées.Les marél's,
dans ces parages, sont sujeites à
lanl de variations, o'anomalios el ole phénomènes
parliculip.I'S,
(¡u'il est difficile de p' édsef ln marche 'lit' lips suirent:
leul' dnrée exacle,
leur h'wlell/'
et lelll' tJite~se dellllndanl dp. Ia (orce dn >elll, de ,'auolll\;IllCe
tltlS plui,!~ fllrluiles
dans 1t'116 ou lelle l<Jcali'é, ou tie ('han~pml~nts capriclp.ux dans
la di"cclioll d'un courant, ce~ caraclè,'es
stlnl vari'lbles c'lInme
leur's caus~s, etlt~ur él'I,I.~ lIP.c¿"ile,'ail ,hi I'edj.]I' h·~s IOllgues
('t ml~nith[.Ç(],ç, IJlli, srtllS dl)ltte, Ile c:Ji¿:Jltil'a'Ïellt cn ljl'C qlt'à des
111
!iIJllcra-lilés.
([ ;'{ous a\lon~ Cll¡\t~'I,I:lIll Cller'cller à roellI'll n lS prllprC!I
obsen'aliolls
à .Ir.,lil, h"lll't\OIX si I\'\US 1'0111""1<jtHer '1ItI'h¡eos.
lumièr 's 'ur lin sujeI aussi OIlSC/l./. »
D,!I'0is d'l divi·lir a~ 1lI.lrés, nas e,.sLas d,) Pará, em Iluas
clitsses hem Ilisli'lclas -il' '\11'\ tê:n 10~\I' enlre a hahia do ~[arail ào fi 'IS h"c;¡s ,1'1 AIO tZOIl:1S, B as qll~ se ,)IHr~rvil'n eutre a
hociI llri'~III;t1 .1'1 'i'l II o caho do ~ùrle - e1i1sslfiea Mtln.
trilvp.1I ilS I'rirneir'as II.! re~ul He, e a,sitU se rerMe á" seg'.lId.ls:
• LI!' I'hénlllllè:les
des marées
(j'le III1I1S ;Jl'tllIS rJugép,s
d<ln~ la "!CClII,1 cl<ls~e ,11'm<lllo!PlIl line t'llllle hl\;tUCClIII'pillS l!Ju.
gue el l'lus itpprClII['olltll'~ que le c;!rL'r, de 1I0S Lrav:.ux UB 1I0\lg
Cil a laissé Ir, loisir. Les IIpur.'s de, tn lI'cil~s, leuI' lll.\l'cll.l, leur'
MI'V,IIi,," t\¡[r,,'elll Lelle!l1entlhu;
d~' :>IIX SOllVPult,è,
vUiSI'tS,
que "Oil n~ s~urail delénr.ii"·['
1.1 hi di! CI', l'!lr!uolllèrltlS qU6
par rill 1I't1nlll'p.I¡';'·S ()h~r.i\'.,lí'ln·', {¡h\J' ,;.ol'l(Ii\llé,n"lll
-u;· plusip.ur, \l"ill!.; ",~ II~lIr lh~ ,;, ,~, 1),1 !:II'Wli"'ï¡,\ [',,,'j Illnlllll toules
les 111m 'lai é 11'1lt\~ élt\,Ip. :lil,si 1:,,011;'\,:;,:,\ el jH 1l'~"aurais
p étendril à h;¡~tl" line Llieurie Sllll\le des III,trees de I' \lna-
108
TORQUlTo
TAPAJIÍS
zo.ne sur le petit nombre d'observations que nous avons pu J
faIre.
o: II est donc prudent, ce me seml,le, de me COntenter de
consta ter les resullats de l'observation,
et de remettre à plua
ample examen leur discussion et les theoriesauxquelles
ils pllUvent meOilr. »
Das observações que fez na cidade do Pará, (braço ml,ri.
dional do Amazonas), conclue Montravell o seguiMle:
« Suivant les saisons, les durpe~ et le- vitesses relati'es
des courants de flot et de jusant varient
Pe' dant l·hiverna¡~e,.
par exemple, c'est-à-dire pendant Que les vents du large dépendent du N., le flot dure plus longtemps que lejusant. et
acql,ierl une plus grand force: 5a vitesse et sa durée sont d'autant plus grandes que les vents soufflent plus lon¡:temps et al ee
plus d'intensité. Le jusant l'emporte sur le flot en durép. et en
vite~se pen Jant le reste de ¡'année. Dan s les marées ol'dinair"s,
Jes maruage llst de2m,i>O au mouillage, et il est de 3m,800 d¡ns
les grandes narées.
«. La vitesse du courant de O'lt est de 2mil.,7 dans les marées ordinaires, et de 3mil.,50 dans leB grandes marées.
« Celle du jusant est, aux époquos correspondantes,
:le
2mil.,6 et de 3mil.,20. »
TAPAJÓS
"ma
~! muitas
OU TAPA yé\S
ve ..es esr.reve o allclll,' do Die irmario 110
o vocabulll Tapajó.-. nHO como anmas, mudando o - j - mo - y -:
Tn-
artÙ¡u I,ue allalysamns,
bamos defazel-o,
~ayós (a).
(a) E' bom que se S3iba qu", em lod"s os (Iemai~ ponlos do Dlcâor.lI"
ril. em quP. ,e Ir"la de.l,' vlIcab¡,lo, o autor ('On! ar"rto, P'SlTe\'e - TapaJ5s
_ • cumprill'ln ••i"da accreSrenlar que, nu meç/,¡o at hg •• q\le analysam( s.
in.fine, se lé tambe,lI T"pajós, Comoexpli ar "SIaS ditl'"renç;¡s ortngraphic III
em \lma mesma p~laVl'a. em UUla mesma
.lbla, dem¡;.radamenle
e.~tudtll¡a
.'" 21 annos]
.
o
VALLE
DO AMAZO:iAS
109
Não existe, não existiu nunca no Valle do Amazonas tribu
alguma de indios que assim se denominasse
- 1'a/1ayós.
A' 'i,ar~em rio rio a que deram seu nome e que ó um
dos :lffiuentes da margem direita do Amazonas,
existiu a tribu
dos 7'apaj6.ç.
A cidade de Santarem foi, na opinião do Sr. Barbosa Rodrigues, (4()) a taba principal dos Tapajó~, que tinham quasi os
mesmos usos dus Incas. Habitavam elles n<lO só a margem do
rio como tambem
as chapadas
das serras
que a contornam
Por ordem do Padre Antonio Vieira, Superior dos Frades
da Companbia,
e em virtud~ de ordem régia de D" Pedro, em
Hiûl, o Padre João F. lllltendorl
lundou a aldeIa dos 1'a-
pajas.
Em virluJe da lei de 6 de Junho de 1654, qne mandou
elevar a calhegoria de Villa as missões dos Jesuitas.iáe'H
estado
de prosperidade,
porém, sujeitas
ao ordinario, D. Francisco
Xavier de Mendonça Furtado elevou a aldeia cios r,¡pajó,ç á Villa
de Sanlarém, que foi inaugurada em 3 de Julho de '1157 pelo
seu primeiro vigario, o Padre Francisco
Xavier Eleuterio,
-Na Cart1 Pa!rntp assignada por EI ..l\ei D. João de Portugal, em 1ti de Março de 1'7'1 , fazendo uma mercÔ se lê :
« D. João, por Graça de Deus etc. elc.
l(
Hei por bem fazer mercê ao dilo Manoel da Molla de
Siqueira da dita Fortaleza ùos-1'{JpaJó.~ - em sua vida elc.elc. :t
-Na carla Palenle pela qual João de Abreu Castdlo Branco, Gúvernador e Capilão General do Estado cio Maranhão, em 9
de Novembro de 1146 hallIe por bem pl'over Manoel da ~Iotta de
Siqueira no poslo de tenente da fortaleza dos Tap:J.jÓs - se lê
como escrevemos - Tapajós e não Tapayós.
-Accioli
em sua chorographia
do Para diz: A introducção
da lingua porlugueza
fez sul1stituir pelo - j - o - v - dos
indigenas~ assim diz-se !utahi, Juruá, Japurá, Javary, ~fapajós,
elc.,ao passo que se~ullcio o moùo de prouullciar dos Tupinambás se devia dizer- Yutahi, Yuruá, Yapurá, Yavari, 'favaiós, elc.
La Conllamine,
que no respectivo
lexlo e~creVtl Marajó,
accrescenta em nota ab:Jixo da pagina:
os indigenas üronunciam Marayó fl os portuguezes
Marajó. O mesmo acolÎlece em
relação a muilos oulros no.nes indigenas.
·10
--------'-----------'
TQnQ~~,
•...•..
T,AI'AJÓS
Apreciando esta questão, .diz .Joaqllim Caetano da Silva na
sua referida obra - L'Oyapoc er l' A1Ua~/jne - :
« De lout lemps les portug'lis out changé en j I'yespa¡n al emplú)-é comme CQnsoDlle.
«. Cr. qui dan, la lan~ue espagnole est y~> Y;'lce!, yena, lelso, yo¡;~r, YUgllJ est- danli la langue I'0rtu¡;alse Ja, Jazer, gelnã,
gesso, J',gar e Jugo .
• Or cet usa¡;e a été eLendú par Ills púrlu¡;ais à toulle~
mots amerieains ou le son de I'i lail .lvee la voyelle suivall te
une seule s}"lIabe,
.
« Au lieu de Marayó, Payé,Yamuncá. Yapurá, Yary,Yavary,
Yurúá YUlahy, Cayary,Tapayós, Ya(u~y, Ya¡;uaran, les portu~ajs
et les bresiliens disent - Maríljñ, Pilgé, JamulIdá, Japurá, Jary.
Javary, Juruá, Jutahy,
C¡¡jarYi Tapajé.s, Jacuhy, Ja¡:;uarãomon berceau bien aimé. »
-Ao passo que La Condamine escreve eltl sua carta, lião
mais corrlo no lexto-Tapajós,
mas Tapayóo,Montravell eser'lve
na sua - Tapajós,
Vê-se tlUO ha apenas uma ditfe¡'en,;a HO mouo cie tl'aduzir
na e~cripta o modo de pronunciar dos indígenas, prevalecen,lo,
no entanto o - j - e não 0- y -. Ao mesmo tempo que /:.ctioli le\'a á coota dos Tllpinambás o y de Tapayós, Joaquim
Caetano 10\'a-o a dos hesl'anbÓes.
Para (11Jeo aulor do Diccionario, r'ondo de lado a ortog:'apllia seguida desde us primeiros lempos,como já demonstram)s,
consagrada em actos officiaes imporl:lII [p.s, thesse () direito de
crear orlographia nova,era preciso que não só esta assentasse na
origem etvmologica do vocabulo, com<l que assentada lamb,ml
ficasse a (nesma ortographia para todas as palav-ras nas mesmas
cond4cções. Isto, porém, não sa deu.
N¡io está determinada
a origem da palavra de que HOS
occuparnos. Quet'em uns que o nome-l'ap!jós
-seja uma Cll'·
l'upçào das palavras indi¡;euas
Tapayú-plruna;
oult'os poré n,
llão-n'a como corrupção das palauas Tapanhon-hú, dos indios
mundul'Ucús,
Qual desla~ ,duas ori,;ens aceila o autor do
bicciollario? A primeira? Neste caso, qual a equflçào tra.lsformista que o levou a dar-lhe no\"a lerminação ?
Nllotern,
pois, flUldamento elymologico a ortographia do
autor do j)iuiouarw,.
e, mais, o meSlllO aulor apenas usou do
purismo (quando o ~osse ) de que traiamos, em relação ao \'0-
o
VALLE DO AMAZONAS
111
cahnlo TapajÓs, peis que lê-se muitas vezes no dilo Diccionario
- Alarajó, 110 ern vez de Mar8yó,I1yary, a(' em vez de Yar", ele.
E' cerlo que se lJoderá encontrar em -\y'res do Casal (l'omo
Lo pago :310 ).,. «furmando ambos o Tapajós, ver,ladeir¡¡menle
Tapayó ... » ele. etc. - mas, para diante, 110 œesmo Ayres do
Casal se poderá 1er-Tapajós
e n:io Ta p:lYó.
Além do que lemos dilo, não deve o aulor do Diccionario
ignorar 'Ille nus tempos antigos a parle da provincia do ParÚ,
que se acha a(\ oriente, cercada pelo rio Xir.¡;ú, e ao occidenle
pell' I ia Tapajós, era denominada Tapajonia e não T0l'ayullia,
como se lê em diversos autores, entre os l\uae~ o proprio Ayres
do Casal elll sna Choror¡rophia (pags. 297,303, 30lJ-2.0 vol.)
A Tllpajonia encerrava n'aquelles tempos as villa~ de A veiro,
Alter do Chita e Sanlarérn, lias visinhaças do Tapajós, e a de
Souzel na margem do Xi1lgÚ.
Quando, em 18.1-1, foi creada pela Assembéa Provincial do
Pará a Comarca do Tapajós, o foi com este nome e não como
se lê 110 .Diccionario.
O Conego Francisco Bernardino
de Souza, escrevendo
Tapajó~ diz: A denominação lhe pl'ovem dos iudius Tapajós,
que deceram outr'ora das possessões castelhanas no alto PerÚ,
e foram eslabelecer-se
na pal'le proximamente
superior
all
sitio qlle h, je occupa a Villa de Aller do ChãQ.
Daena uiz: As ultimas hoslilidades
que elles praticaram
nos povos do Tapajós, ajudados das suas mulheres,
foi em
1773 ... ele.
Barboza Ilodriguez diz á pago 114 do seu lrabalho sobre o
rio Tapajós: «: O rio Taplljós, que propr iamenle assim é chamado, nasce ... »
Severiano da Funseca diz, referindo-se a Santarém : E' um
dos antigos povoados ua provincia:
lem ori~em na aldeia dos
Tapajós, fundada alii no começo do Secula XVII. Já em 1639
ahi esteve o sanguinario Bento MaLiel, Iilho do sel~rato do mesmo nome, illdo a malar e calival' indios, o qne fez do 1II0do.
mais horroso e infame. Foi villa desde 175G e é cidade desde
1848.
- Ao que parece o autor do Diccionan'o ignora o que se
deu em relação aos TapuYlIslÍs e aos Tapajóses do Padre Chris-
tovão d'Acnna.
H2
TORQUATO
TAPAJÓS
Na ohra já citada de Joaquim
Ca'~'ano da Silva (pag. 185;
se lê a carta Patente p~la qual I). Philip\le I V d_
~espanha, conjuntamente
Rei ùe Portugal sob o nome de Phi,
lippe 1I1 .. ,~ tomadas as informações
IlecessallÍas, sendo ouvido
o procurador
d'ella se lhe nomeou ao dito ,Bento ~facieJ a
Capitania do cabo do Norte, que lem pela costa do mar lrinta
até quarenta legoas do Districlo que se cOlllam do dito '~abo
até o rio ,je vicente pincon onde enlra a repartição ria J 'Idia
do Reino de Cllslella e pe'a terra dl!llt~o rio dlls Amazonas ariba da parte do canal ll"e vai ~abir llil mar oitenta para ~!lm
legoa- até o rio dos Tapujusus. E n,io é venlura .. »
Estudando as nossas questões d,~ limites com a Fra lça,
M. d'Avesae (4.7) seduzido pela semel hança d~ste nome de TapujuSllS com o de Tapaj6se.~ daùo pele, Padre d' Acuna aos Tapajós, linha COIlIO inconteslavel
que l!ste amuenle mp,ridi )nal
do Am¡¡zona era o verdadeiN limile tia C:lpitania do cabe do
Norle.
Berredo, porém, (4.7) distingue ~orlm.!mente TapujllS'4S e
2.0 vo).)
Tapajús.
l~ ••• mas corno chegando
a aldeia dos Tapuyustis, (diz nile)
teve a~ inlilrmações de que DOS Tapajós commerciavam die,
com uma nação muito populosa,
que tomava (\ nome deste
mesmo rio, deixando Jogo o dos Am~zo\las, pc.r onde naveg;lvas
entrou por lIquella doze legoas até uma enceada de christlllinas aguas, il que servia de docel um hello arvoredo;
apra~ ivel
sitio em qtH! desc(¡bri'l
os novos TapajÚs, avisados já d,Isla
.••.isi la pelos seus amigos Tapuyu-sús;ellerosamente
subol nados do mesmo commandante,
Porém elle. que entre as Iis,)njas da. fOI tuna se lemlJra.va sempre da sua inconstancia .•. ltC.
etc. ),
O cosmographo Teixeira (48), na ultima carta do seu Atla$
de 1ÜiO, escreveu -Provincia
dos T.1PllYOS-Sús, na mar¡:em
guyane.sa do thronco do Amazonas imedl31alllente
ao Oestl de
um rio anonimo, que S8 Jança n'um grande rio proximo a >ua
bifurcação.
E ainda, em 1687 a primeira carta da 5,3 parle des
Flambeau V,ln Keulen, construida evidentemente
com maleraes
portllguezes, tl'a~ sobre a margem gUYilnes~ d,) dito Amazo las
o nome de--I'rovincia
dos indios 1'apÚIJ",ú.ç,
Será t,sta a origem, será este o lIotivo porque o aulol do
Diccionario escreve Tapayós concordando COlli d' A vesac e C3U-
..
o VALLE
DO UrAzONAS
do como origem dos Tapajós os Tapuyus·sús
mesmo os Tapyjosus de Van Keulen 1
H3
de Teixeira ou
Alem do que temos dito, offerecemos ao autor do .Dicciona-
r'o as seguintes fontes de consulla nas quaes encontrará o mesmo vocabulo-Tapajósescripto do modo porque o fazemos e
não como se le no artigo que acabamos de analysar.
V-·Couto de Magalhães-O Selvagem.
2.°-1\1. Daena-Ol:servações ou notas iIIuslradas dos fOI
tres capitulos da parle 2.' do thesollro descoberto no rio
Amazonas.-Rev. do Inst. Hist. Geog. Draz.-1843.
3. -Ayres do Casal-Chorog.
Brasilica .
.t..o-Hufino Llliz Tavares-O riG 'faplljós.
5.°_ rrancisco José Roiz Barata-Viagem que fez a Colonia Holandeza do Surinam-Rev. do Inst. Hist. e Geog. Bras.
0
1846.
6. -Ricardo
Franco de Almeida Sena-Memoria Geog.
do rio Tapajós-escripla
em 1779-Rev. do Inst. Hist. e Geog.
do Bras. 1847.
7.o_P. Marcoy=Voyage atravers l'Amerique du sud1869.
8.o-Bispo D. Frei João de S. José-Viagem
e visita do
Sertão escripta em 1763 e 1762.
Y."-Alemoria da nova navegação do rio Amazonas até a
Villa de Santarem.-Estado do Grão Pará- Rev. do Inst. Ilist.
e Geog. Bras. 1850.
iO.o-Ethnographia
indigena-Lingu,3s, emigrações e ~rr.heologia-por Francisco A. de Varnhagem.
H.o-Saint'Adolphe-Diccionario
Geogr. do Imperio do
Brasil.
0
12,O-Bolmar-Voya~e au Bresil.
II
.•...-----------------------.,
TORQUATO TAPAJÓS
13. o-l'avares Bastos-O Valle do Amazonas.
U.a-Antonio Gonçalves Dias-Mem{lTia escripta em lles8molvimento do programma dado pOl'S. M. O. l. sobre a:iAmazonas ..
15.o-Dernardo P. de Berredo-ArlDaes Historicos dl) E!tado do Maranhão .
. 16.--Martinho
de S. Albuquerque. Roteiro chorogra.
phlco da Viagem emprehendida na capitania do Grão Par{1784.
17.o-João Barbosa Rodrigues-O rio Tapajós-1875.
18.o-J.ewis Herndon-Exploration
of the Valley of he
Amazone-18M ..
19.o-lgnacio
Accioli Corqueira e Siha-Chorograplia
Paraense-1833.
Terminaremos este nosso ligeiro estudo com as seguin 1 es
palavras do P.o Christovão d'Acuna na sna-llistoria do ]701:0
dfscobrirtwnto dI)
rio da~Amazonas-·164i-pag.
248 § Ti :
-palavras que os ventos perfumados, as brizas suaves da no ite
que corre, levarão-ha de permiUil-o ) destino-até
junto do
autor do .Diccionario; c lá mesmo, emre as galas e as flores
da festa intima que celebra, ellas soarão á seus ouvidos COlOli
um brado de alérta: não somos nós, quem o diz é a Historia:
« São os Tapajozes gente de brio, temidos por muitas Ilações circumvisinhas em razão de usal:em nas suas fredias
de um yeneno tal que, chegando a tirar sangue, causam Sl,m
remedio a morte. »
Em 27 de Março de 88.
7'orqtlato TaplJjú',
NOTAS
I - Expedition dans les parties centrales de l'Amerique
du Sud-pendant
les anuées de 1843 á 18.1.7.-par F'rancis
de Cas/elllllu.
2 - t:éographie Physique, Politique et Economiquepar E. LI'I.'llssclo·.-Membre
de l'Institut 18~O.
:.I-Viagem ao redor do llra:til (1875-1818)Pelo Dr.
João .screfian!) da FOllseca-I8S0
.
.l-La terre-par
E. Becllls.-1883·
5-11istoría do Novo descobrimento do grande rio das
Amazonas, pelo Padre Christol'Œo ¡['AC/llln.-1û41.
6-Alluaes llístoricos do Estado do Maranhão, por Bernardo P. de lJerredo.-184<J.
7-Corographia
Brasilica ou nelação Ilistorico~Geographica do I3razil, pOl' Atanor'!Ayres do Casa l.-18M).
8-noteiro chorographico da viagem de Martillito de Souza
e Alb !/ljllerr¡lIe.-1784.
\) - nclation abregée d'une voyage lait dans I'i¡¡terieur
de I 'Amerique Meridionale, par M. de lt~ Ç(ind1mine.MDCCLXX YIlI.
10 Corographia Paraense, 011 descripção fisica, historiea
e politica da Provincia do Gram.Pará, por 19nf/cio Accioli de
Cerqueira e Silva. -1833.
ti-Diccionario
Geograpbico, Historico e Descr iptivo do
Imperio do Brazil, por J. C. R. Milliet de Saint' Adolphe18.t.~).
12 -Cas/elllau-Obr.
cit.
13-Exploracion oficial desde el norte de la America del
Sur hasta Nauta en el alto Marani'ln ó Ama~onas-najada del
Amasonas hasta el Allantico, por F. Michelena y Rojas.i8G7.
HG
TORQUATO
TAPAJÓS
u .Description particulière de l'Asie, de l' Afrique,de
I'Amerillue et de l'Oceanie,. par E. ,~(irtambert.-186i.'
15 -L'Oyapoc el l' Amasone-pol
JO(J7uim Caetano da
Silva.-1861.
I G-E. Levas~ellr-Obr.
l1---Geographia
cil.
del PerÚ-por
D. MltteJ Plt~ Soldar!.-
1862.
t~ -Navegação interior do Brasil, pelo Dr. Eduardo José
de MlJraes. --1869.
t\l-E. Reclll~.-Obr. cil.
20 - Voyage au Brésil; Conversações scientifJcas sobr'l o
Amazonas, pOI' L. Agassi<.----:-18Gû·
21-0r . .T. Seve:ÏiJIl'J d'l JlOIl.M.:a,-O~r. cit.
:!~-Pa:: Soldan·-Obl',
cit.
2:3-Almanack de Gtllha,-1886.
'i.i-B. llecllls.-Obr. cil.
'1';l-]'a:: Sollan,-Obr.
cil.
:!(j-
lI»
»)l
27 -Journal
of passage from the pacific to lhe Allaillic
crossing the Andes in lhe northern provillces of PerÚ and ,(¡scending the HiverMarallon or Amaioo, by lI. MlllV.-182L
'ZR-Paz
~g
D
30»
Sol/an.-Obr.
cit.
»
»»
»
»»
:J1-ContrLbuições para ageologia dI região dù Baixo
Amazonas, pelo DI'. Orville A. Derby--Archivos do Mu,eo ~acional do Hio de Janeiro.-2.o vol.l~~7.
~I':!.-E, /lec{.¡s.-Obr. ci t.
:13 - TraiLé elementaire de Rtlutes et Pont, -par F. Bilot .
-1859.
3,t- E, RecluS. -Obr. cil.
::l5-Ayrcs do Ca.wll.-Obr. cit.
3li- Castelnau, - Obr. cit.
3ï-E. Reclus.-Obr. cil.
3í:! - Sketches of re~iùence aod travels in Bra~il, embra
ciog lIi~lorieal and Geographical Noti(:es olthe Empire and its
several Provinces, by Daniel P. Kilde,'.-1845.
:3H-0 Seivagem,-Couto
de Mw¡alhlle).-187û.
40-Roleiro
da primeira viagem do vapor dlonarchll>,
desde a cidade do Rio Negro, capital da Pl'o\'incia do Âmazo-
o
VALLE
110 AMAZONAS
nas, atè a Povoação de Nauta na Republica do Peni-Ceito
it7
por
Joio Wilkens de M affns.-1854 .
.ti-Dr. João&ce,.iflw¡ ta Fonsera.-OlJr. cit.
42-1gnacio Acciali.-OlJr.
cit.
43-Rotlliro da viagem que em visita e correição das povoações da capitaoia de S. José do Rio Negro fez o Ollvidllr, e
Intendente Geral da mesma, Francisco Xavier lHbeiro de Sam-
paio, nos annos de 1714 e 1 i73.-Lisbôa
1825.
Faune et Geographie
Botanique du
Brésil, par l!,mf1tllnu'¡ Liais. -iS7!.
45-Dauiet P. Kitlder.-Obr. Gil.
45-0 RioTapaj6s-por João Barbosa R ¡dri!Jurs.-1875.
44-Climats,
GeoIngie,
4j -Jo(Jquim
C. da Sílvl'.-Obr.
cit.
48-Bernardo P. dl' Blfreda. -Obr. cil.
4<J-J. Caplana da Silca.-Obr.
cil.
H8
TORQUATO
TAPAJ('S
ADVERTENCIA
Um engnUll na paginação, deu em rewltado a ligação de dous
trechos, que de\'Ïum fOl'mar dous capitulos independenles,
á n:n ~erceiro. Os trechos que deviam formar os capitulos Xl e XII e~;tão
ligados ao cal'. X. No entretanto,
a Dumer" ção dos demais capítulo.,
110 corpo do livro,
continuolJ Mmo se tal engano se não tivesse dado.
I)évem, pois, ser considerados
C:lmo formando
capitulos sl!parados os dOllS seguintes trechos:
Png. Wl-linha
30:
~ Abran~endl) o valle 23.0 de latitud'l,
Ile 1!) o S, a 4.0 N. rte.
l'tc. atÓ á pago H, nas ultimas palanas
da linha 13-qllc lhes SliD
e.~pcciaes.
'
-
Começa cm segnida
•• As i!has correspondem
o novo capitlllo:
ern lIumero e gl'anJ~ZJ,
elc.,
etc.
Inadvertidamente
foi manlidll
o sl'guinte
trecho-que
I"via
sido cortad,,: e tiue ['"tá iucompleto e trullc:\dl) :
« Qualll~o, cm 18.1.1, foi creada
peL, Assernhléa
Pro\'ÏIIci~ I do
Pará a COlflal'C;l dl\ 'f,¡pil)fjS o foi com est ~ 11')1\11 e não COlll'l se
lê no Dicdonario.
~ Pedimos ao leitor que considere
IlSlll trcebo como não ¡xistindo.
I)
As ~cgnintes linhas deviam ~ollst¡tui"lIma
nota à pago iOll do·
vendo a chamada ser collocncl1t no lim da 20 n linha:
.1
f II rOlle~o
Bemanlino
diz:
« Em 1 ¡.')(¡ o Capitão G·'ncral Mt:ndl)nça Fllrtlllo devou a a Ideia
de TapajÔs a categoria d~ Villa com a dl~no(~inasà,)
de Sant ném,
em virtHde da carta regla de 6 de Junho ùe l/55,
qUe mandava
clev'ar il calegoria de VJllas ou lugares, segllnd,) a sua impol'tlllcia,
todas as aldeins missionadas
pelos jesui·.as, licando sujeitas á jurisdicção do ordinario.»
(I)ará e AmoZDn,~s ;
O mesmo conego, á )l3g.i50 de outta obril-·lellluranças
e :uriosidades do Valle do Amazonas,-diz:"Sulltarèlll-El'3
a antiga aldeia
dos Tapaj¡\,;. Foi el(lvada em i~54 a catllE'gnria de Villa, com o lIome
de Santarèm
pelo Capitão General Moa,Jouça I,'urlado e em U;!~8 fui
elevada á c8thegoria dl! c¡dalle .•
O Ih. Severiano da Fonseca diz, que Santarém
é villa dt'sde
i756.»
o leito!'
desculpará
s\lgul'amente
eS.as faltas ¡n voluntarias.
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Rates
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além do decimo grão
além de .c!neo grãos
e que viria
o que Viria
Bales
Boles
dezembro
duembro
laminas
lameiraa
Œuvres
Dunes
I'el'iantan
Periautan
.•• point of land ou the ••. point of laud, on he
south - eastern bank ••.•
south -aatenokb¡ •••
11M
16 de Março
Siqueira da dita etc.
......
(47)
(4S)
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SI~ueira do gonrnn
ita, ele.
Supprimir
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