FELIPE JOSÉ AIDAR MARTINS AS FORÇAS DE PAZ DO BRASIL E SUA ATUAÇÃO EM CASO DE DESASTRES Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia. Orientadora: Tenente Coronel R1 Neyde Lúcia de Freitas Souza Rio de Janeiro 2013 C2013 ESG Este trabalho, nos termos de legislação que resguarda os direitos autorais, é considerado propriedade da ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (ESG). É permitido a transcrição parcial de textos do trabalho, ou mencioná-los, para comentários e citações, desde que sem propósitos comerciais e que seja feita a referência bibliográfica completa. Os conceitos expressos neste trabalho são de responsabilidade do autor e não expressam qualquer orientação institucional da ESG _________________________________ Assinatura do autor Biblioteca General Cordeiro de Farias Martins, Felipe José Aidar. As Forças de Paz do Brasil e sua Atuação em Caso de Desastres / Cel BMMG Felipe José Aidar Martins - Rio de Janeiro : ESG, 2013. 67 f.: il. Orientadora: Tenente Coronel R1 Neyde Lúcia de Freitas Souza. Trabalho de Conclusão de Curso – Monografia apresentada ao Departamento de Estudos da Escola Superior de Guerra como requisito à obtenção do diploma do Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CAEPE), 2013. 1. Corpo de Bombeiros Militar. 2. Desastre. 3. Forças Armadas. 4. Missões de Paz. I Título. RESUMO O Brasil tem papel de destaque internacional, notadamente nas operações de pacificação de países em conflito. O país esteve presente nestas missões desde 1947. Entre 1957 e 1967, o Batalhão de Suez participou da 1ª Força de Emergência das Nações Unidas no conflito entre Egito e Israel. Nas décadas seguintes, participou de ações nas Américas, na Ásia e na África. Em 1994, esteve presente em Moçambique, e em 1995, em Angola. Recentemente, o Brasil atuou na África, na América Central, na Europa, e na Ásia. A participação em missões de paz trouxe prestígio à política externa do País, aumentando a projeção nacional no cenário mundial. Em várias situações, a coordenação e o comando das operações foram brasileiras, como no Timor Leste (1999 a 2006) e no Haiti (2004). Nesta última atuação, em virtude do terremoto que atingiu aquele país em 2010, resultando na morte de 220 mil pessoas, e após o desastre, o Brasil aumentou sua participação, tendo papel fundamental na ajuda aos atingidos e na reconstrução daquele país. Por outro lado a preparação é um fator decisivo na atuação em desastres, somado ao fato que os países que são alvo das Missões de Paz são normalmente desprovidos de infraestrutura e de serviços capazes de prestar socorros em caso de desastres. Historicamente, os contingentes das Forças de Paz, têm sido formados por agentes das Forças Armadas e das Forças Auxiliares e a preparação dos agentes também tende a ser integrada. Concluindo, para minimizar o risco dos envolvidos empregados em situações de desastres, parte do efetivo em Missões de Paz seria de Bombeiros Militares, inclusive com equipamentos para atuar em situações como a ocorrida no Haiti, bem como haveria um treinamento a cargo do Ministério da Defesa e seria um pré-requisito para atuação nas Missões de Paz. Palavras Chave: Missões de Paz, Forças Armadas, Corpo de Bombeiros Militar, Desastre. ABSTRACT The Brazil international has an important role, especially in peacekeeping operations in conflict countries. The country was present in these missions since 1947. Between 1957 and 1967, the battalion participated in the Suez 1st Emergency Force United Nations in the conflict between Egypt and Israel. In the following decades, participated in Americas, Asia and Africa’s actions. In 1994, he was present in Mozambique, and in 1995 in Angola. Brazil recently worked in Africa, Central America, Europe, and Asia. Participation in peacekeeping missions brought prestige to the country's foreign policy, increasing national prominence on the world stage. In many situations, coordination and control of the Brazilian operations were, as in East Timor (1999-2006) and Haiti (2004). In the latter role, due to the earthquake that struck the country in 2010, resulting in the deaths of 220,000 people, and after the disaster, Brazil increased its share, having key role in helping those affected and in the reconstruction of that country. On the other hand the preparation is a key factor in disasters performance, coupled with the fact that countries that are targets for Peace Missions are usually devoid of infrastructure and services that can provide assistance in the disasters event. Historically, the contingent of Peace Corps, have been formed by officers of the Armed Forces and Auxiliary Forces and preparation agents also tends to be integrated. In conclusion, to minimize performance in situations of disaster risk, the effective part in peace missions would Military Firefighters, including equipment to act in the situation that occurred in Haiti, and there would be a training by the Ministry of Defence and would be a prerequisite for operation in Peace Missions Keywords: Peacekeeping Missions, Armed Forces, State Military Fire Department, Disaster. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Desastres naturais ocorridos no mundo e seus respectivos prejuízos................................................................................. 15 Figura 2: Série temporal entre população e número de mortes devido a desastres naturais no Brasil (1950-2000)............................ 16 Figura 3: Catástrofes naturais no mundo, ano de referência 2012........ Quadro 1: Mortos em função dos principais desastres ao longo do 17 tempo no mundo..................................................................... 18 Quadro 2: A atuação do Brasil em Missões de Paz (1957-1967)............ 45 Quadro 3: A atuação do Brasil em Missões de Paz (1989-2006)............ 46 LISTA DE ABREVIATURAS NU Nações Unidas ONU Organização das Nações Unidas OEA Organização dos Estados Americanos FFAA Forças Armadas CF Constituição da República Federativa do Brasil EPMP Estágio de Preparação para Missões de Paz PNUD Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento UNISDR United Nations International Strategy for Disaster Reduction EM-DAT Emergency Disasters Data Base NAS US National Academy of Sciences UNDRO UN Didaster Relief Organization IDNDR International Decade for Natural disaster Reduction ID Intensidade do Dano MA Magnitude da Ameaça V Vulnerabilidade GdR Gestão de Risco R Risco P Probabilidade de ocorrer o fenômeno A Fenômeno físico ou perigo C Consequência G Grau de gerenciamento PNPDEC Política Nacional de Proteção e Defesa Civil FEMA Federal Emergency Management Agency CMRD Conferência Mundial sobre Redução de Desastres MAH Marco de Ação de Hyogo SEDEC Secretaria Nacional de Defesa Civil CEDEC Coordenadoria Estadual de Defesa Civil MG Minas Gerais MI Ministério da Integração Nacional SINPDEC Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil SINDEF Sistema Nacional de Defesa Civil COMDEC Comissão Municipal de Defesa Civil EMFA Estado Maior das Forças Armadas FAB Força Aérea Brasileira Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais IBAMA Renováveis PROARCO Programa de prevenção e Combate às Queimadas e aos Incêndios Florestais CENIPA Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos SIVAM Sistema de Vigilância da Amazônia ESG Escola Superior de Guerra NUDEC Núcleo de Defesa Civil EB Exército Brasileiro DPKO Departamento de Operações de Manutenção da Paz da ONU EUA Estados Unidos da América SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................... 09 2 DESASTRES..................................................................................... 2.1 CONCEITUAÇÃO DE DESASTRES.................................................. 12 2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DESASTRES NO BRASIL E NO 12 MUNDO.............................................................................................. 14 2.3 VULNERABILIDADES....................................................................... 2.4 FATORES DETERMINANTES DA VULNERABILIDADE 19 EM PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL.......................................................... 20 2.5 A GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES......................................... 22 3 DEFESA CIVIL................................................................................... 26 3.1 BREVE HISTÓRICO DA PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL.................. 3.2 POLÍTICA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL................ 29 3.3 EMBASAMENTO LEGAL E NORMATIVO......................................... 32 3.4 A PARTICIPAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS EM ATIVIDADES 26 DA DEFESA CIVIL............................................................................. 37 3.4.1 As Atividades de Defesa Civil no Exército Brasileiro................... 38 3.4.2 As Atividades de Defesa Civil na Aeronáutica.............................. 3.4.3 As Atividades de Defesa Civil na Marinha do Brasil..................... 40 3.5 POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS RELACIONADAS A DESASTRES.... 41 4 AS FORÇAS ARMADAS EM MISSÕES DE PAZ E SUA 39 ATUAÇÃO EM DESASTRES ........................................................... 44 4.1 PROPOSTA DE TREINAMENTO...................................................... 47 5 CONCLUSÃO.................................................................................... 50 REFERÊNCIAS.................................................................................. 54 Anexo A: PROJETO PEDAGÓGICO DE CURSO DE PÓSGRADUAÇÃO LATO SENSU........................................................... 57 9 1 INTRODUÇÃO O Brasil tem assumido um papel de destaque internacional, notadamente nas operações de pacificação de países em conflito, operações estas sobre a coordenação das Nações Unidas. O país esteve presente nestas missões desde 1947. Nas décadas de 1950 e 1960, o Brasil participou de ações no Oriente Médio, por intermédio das Nações Unidas (NU) e por intermédio da Organização dos Estados Americanos (OEA), esteve presente no Caribe. Entre 1957 e 1967, o Batalhão de Suez participou da 1ª Força de Emergência das NU no conflito entre Egito e Israel. Nas décadas seguintes, o Brasil participou de ações nas Américas, na Ásia e na África. Em 1994, esteve presente em Moçambique, e em 1995, em Angola. Recentemente, o Brasil atuou na África, na América Central, na Europa, e na Ásia. A participação em missões de paz trouxe prestígio à política externa do País, aumentando a projeção nacional no cenário mundial. Em várias situações, a coordenação e o comando das operações foram brasileiras, como no Timor Leste (1999 a 2006) e no Haiti (2004). Nesta última atuação, em virtude do terremoto que atingiu aquele país em 2010, resultando na morte de 220 mil pessoas, e após o desastre, o Brasil aumentou sua participação, tendo papel fundamental na ajuda aos atingidos e na reconstrução daquele país (COSTA, 2012). Segundo Gonçalves (2010), o desastre é resultado do risco ou perigo somado com a vulnerabilidade. Segundo o mesmo autor o risco se refere ao grau de ameaça potencial de uma localidade ou assentamento humano e pode ter etiologia natural, tecnológico, social, antropogênico ou mesmo o conjunto destes fatores. A vulnerabilidade seria a propensão de um sistema vir a sofrer danos. Neste sentido, desastre seria o resultado de eventos adversos, naturais ou de origem antrópica sobre o ecossistema, causando danos humanos, materiais ou ambientais e, por conseguinte, prejuízos econômicos e sociais (BRASIL, 2007). Por outro lado a doutrina de Defesa Civil apresentaria quatro etapas para fazer frente aos eventos adversos. Onde as ações seriam o conjunto de procedimentos preventivos, de socorro, assistenciais e reconstrutivas destinadas a evitar ou minimizar os desastres, com o intuito de preservar o moral da população e procurando o restabelecimento da normalidade social (CASTRO, 2005). Como no caso do Haiti, as Forças Armadas (FFAA), Marinha, Exército e Aeronáutica, têm sido empenhados e tem por missão institucional, de acordo com o 10 Art. 142 da Constituição da República Federativa do Brasil (CF), “ a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem” (BRASIL, 1988). Já, segundo o mesmo instrumento legal, quando o assunto é atuação em desastres, a CF, em seu Art. 144, menciona que a segurança pública é dever do Estado, sendo feita através do V – “[...] corpos de bombeiros militares”. E em seu § 5º [...] “aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil” (BRASIL, 1988). Historicamente, os contingentes das Forças de Paz, têm sido formados por agentes das Forças Armadas e das Forças Auxiliares. A preparação dos agentes também tende a ser integrada, onde o Estágio de Preparação para Missões de Paz (EPMP) é um programa destinado a preparar militares para exercer as funções de Observadores Militares, com participação de Oficiais de Estado-Maior das FFAA e Policiais das Nações Unidas. O Estágio conta com a participação de militares de todo o Brasil incluindo Policiais Militares, Bombeiros e militares estrangeiros (CENTRO CONJUNTO DE PREPARAÇÃO DE PAZ DO BRASIL, 2013). Diante do acima mencionado e da situação em termos de infraestrutura de cada país para enfrentamento do desastre, o Contingente das Forças de Paz estaria capacitado e com a composição correta para atuar em condições de desastres? Além do objetivo descrito procuramos avaliar se os contingentes das Missões de Paz estariam preparados para fazer frente ao enfrentamento de desastres. Por outro lado, o estudo foi conduzido em nível de análise da legislação existente, dos contingentes empregados e dos currículos dos cursos dos atores empenhados nas Missões de Paz do Brasil. A discussão ocorreu no plano da análise da missão institucional dos órgãos envolvidos e das políticas públicas (BRASIL, 2007), bem como nos preceitos de que a preparação é fator decisivo na atuação em desastres, e ainda, levando-se em consideração que os países que são alvos das Missões de Paz são normalmente desprovidos de infraestrutura e não contam com serviços capazes de prestar socorros de forma satisfatória em caso de eventos adversos, sobretudo em caso de desastres. Neste sentido passaremos a discorrer sobre a conceituação de desastres, o histórico destes, a atuação dos órgãos de segurança pública, dos órgãos de defesa, e a legislação pertinente, abordando também o treinamento específico para atuação 11 mais efetiva em caso de desastres e por último a avaliação histórica das localidades em que as Forças de Paz foram empregadas, em relação a capacidade de fazer frente aos desastres. 12 2 DESASTRES Ao abordar o tema desastres, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PROGRAMA DE LAS NACIONES UNIDAS PARA EL DESARROLLO, 2004), em “La Reducción de Riesgos de Desastres – Um Desafio para el Desarrollo, Informe Mundial”, cerca de 75% da população mundial vive em locais onde, pelo menos uma vez, foram atingidos por um desastre, como terremotos, ciclones tropicais, inundações e secas. Os dados são do período entre 1980 a 2000, quando foram vitimadas mais de 184 pessoas de forma fatal por dia além de vários outros atingidos nas mais diversas formas, em todo o mundo. Por outro lado, os desastres apresentam riscos adicionais, e ainda características próprias que acabam levando os atores que prestam socorro a riscos adicionais e que tendem a evoluir mesmo depois de terminada a assistência as vítimas, e a preparação e capacitação dos agentes envolvidos no socorro é um ponto fundamental tanto para o socorro, como para evitar acidentes adicionais, inclusive entre os agentes (FITZGERALD et al., 2003). 2.1 CONCEITUAÇÃO DE DESASTRES Os fenômenos naturais que são causadores de desastres têm aspectos negativos e positivos às localidades atingidas. Assim, em inundações temos destruição de grandes áreas de campos agrícolas ou agricultáveis, e os escorregamentos deixam as terras mais porosas e aráveis. Estes eventos denominados desastres podem ser naturais, mas podem ter origem antrópica. (UNITED STATES GEOLOGICAL SURVEY, 2013). De modo geral, os desastres naturais são determinados a partir da relação entre o homem e a natureza. Em outras palavras, desastres naturais resultam das interações do homem em relação a natureza, provocado pela necessidade de acomodação dos seres vivos em aglomerações denominadas cidades (CASTRO, 2005). Assim temos um binômio denominado risco, que está ligado a alterações que o homem promove na natureza para sua comodidade e a vulnerabilidade que estas transformações provocam. Em tendo um risco alto, por exemplo, construção em encostas, com vulnerabilidades aumentadas, casas sem estrutura mínima de 13 segurança, os desastres são quase uma certeza. Nesta direção, quando não são aplicadas medidas para a redução dos efeitos dos desastres, a tendência é aumentar a intensidade, a magnitude e a frequência dos impactos. Assim, grande parte da história da humanidade foi influenciada pela ocorrência de desastres naturais, principalmente os de grande magnitude (CASTRO, 2003; LOPES et al., 2009). A relação humana com a natureza por toda a existência tem evoluído de uma relação de submissão e aceitação dos fenômenos naturais, para uma visão muitas vezes errada de dominação através da tecnologia. As inundações que ultrapassaram e romperam diques e barragens em New Orleans, por ocasião do Furacão Katrina em 2005, nos Estados Unidos, o terremoto de Kobe no Japão em 1995 e o Tsunami no mesmo país ocorrido em 2011, todos com milhares de vítimas e pessoas afetadas, são exemplos que demonstram que muitas vezes os fenômenos naturais surpreendem até mesmo as nações mais bem preparadas para enfrentá-las (HUY, 2011). Os desastres naturais podem ser provocados por diversos fenômenos, tais como, inundações, escorregamentos, erosão, terremotos, tornados, furacões, tempestades, estiagem, entre outros. Além da intensidade dos fenômenos naturais, o acelerado processo de urbanização verificado nas últimas décadas, em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, levou ao crescimento das cidades, muitas vezes em áreas impróprias à ocupação, aumentando as situações de perigo e de risco a desastres naturais (CASTRO, 2005; LOPES et al., 2009). Além disso, diversos estudos indicam que a variabilidade climática atual, com tendência para o aquecimento global, está associada a um aumento de extremos climáticos (QUINTERO-ANGEL et al., 2012). Nas últimas décadas, o número de registro de desastres naturais em várias partes do mundo aumentou consideravelmente. Isto se deve, principalmente, ao aumento da população, a ocupação desordenada e ao intenso processo de urbanização e industrialização. Dentre os principais fatores que contribuem para desencadear estes desastres nas áreas urbanas destacam-se a impermeabilização do solo, o adensamento das construções, a conservação de calor e a poluição do ar. Enquanto que nas áreas rurais, destaca-se a compactação dos solos, o assoreamento dos rios, os desmatamentos e as queimadas (ALCÁNTARA-AYALA, 2002). 14 Sendo assim, estes desastres que tanto influenciam as atividades humanas, vêm historicamente se intensificando devido ao mau gerenciamento das bacias hidrográficas, especialmente pela falta de planejamento urbano (BRAUCH, 2005). Além disso, o aquecimento global tem aumentado a frequência e a intensidade das adversidades climáticas, como precipitações extremas, vendavais, granizos, entre outros, o que acarreta no aumento da incidência de desastres naturais. Logicamente os avanços tecnológicos permitem que haja um enfrentamento melhor aos perigos decorrentes destes fenômenos (HUY, 2011). Assim, a conceituação adotada pela United Nations International Strategy for Disaster Reduction (UNISDR) (EMERGENCY DISASTERS DATA BASE, 2012), considera desastre como uma grave perturbação do funcionamento de uma comunidade ou de uma sociedade, envolvendo perdas humanas, materiais, econômicas ou ambientais de grande extensão, cujos impactos excedem a capacidade da comunidade ou da sociedade afetada, de enfrentar o fato adverso com seus próprios recursos. Os critérios objetivos adotados no Relatório Estatístico Anual do Emergency Disasters Data Base (EM-DAT) sobre Desastres consideram a ocorrência de pelo menos um dos seguintes critérios: tais como 10 ou mais óbitos; 100 ou mais pessoas afetadas; declaração de estado de emergência; pedido de auxílio internacional. Por outro lado, desastre pode ser definido como o resultado do impacto de fenômenos naturais, ou de outras etiologias mais extremas ou intensas sobre um sistema social, causando sérios danos e prejuízos que excede a capacidade da comunidade ou da sociedade atingida em conviver com o impacto (MARCELINO, 2008). 2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DOS DESASTRES NO BRASIL E NO MUNDO A distribuição temporal dos desastres naturais do mundo no século XX pode ser vista na figura “1”. Verifica-se o aumento dos desastres naturais a partir da década de 50 e dos prejuízos econômicos a partir da década de 70. Este fato desencadeou a maior iniciativa científica internacional até então desenvolvida para criar estratégias mitigadoras para todo o mundo. A US National Academy of Sciences (NAS) apresentou a iniciativa à ONU em dezembro de 1987. Por outro lado, os mecanismos de detecção dos desastres e o maior adensamento 15 populacional, têm provocado uma relação diferenciada do homem com os eventos adversos, pois o que anteriormente não era sentido pelo homem, hoje está no seu cotidiano, uma vez que os desastres que estavam em áreas remotas, hoje estão nas cidades (Figura 1) (EMERGENCY DISASTERS DATA BASE, 2012). Figura 1: Desastres naturais ocorridos no mundo e seus respectivos prejuízos. Fonte: adaptada de Alcántara-Ayala (2002). Após isto, a ONU criou, junto com a UN Disaster Relief Organization (UNDRO), a Secretaria para a International Decade for Natural Disaster Reduction (IDNDR) em abril de 1989, em Genebra, Suíça (ROSENFELD, 1994). As atividades da IDNDR geraram grande sucesso durante o seu período de execução (1990 2000) (ALCÁNTARA-AYALA, 2002). Com relação ao Brasil, é o país do continente americano com o maior número de pessoas afetadas por desastres naturais (BBC BRASIL, 2006). Comparando os dados em relação aos números de perda de vidas humanas registrados pelo Emergency Disasters Data Base (EMERGENCY DISASTERS DATA BASE, 2012) e a série temporal da população brasileira (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA ESTATÍSTICA, 2013), no Brasil os casos de mortes humanas ocasionadas pelos desastres naturais vêm reduzindo, apesar do aumento da 16 população, conforme apresentado na figura “2” (KOBIYAMA et al., 2004). Este decréscimo seria devido a efetividade de ações preventivas em diversos setores da sociedade, principalmente associadas as ações de Defesa Civil. Figura 2: Série temporal entre população e número de mortes devido a desastres naturais no Brasil (1950-2000). Fonte: adaptada de Kobiyama et al. (2004). Com o progresso tende a haver um aumento dos riscos, assim, para diminuir a vulnerabilidade e ter uma segurança aumentada, deve ser realizada a prevenção e a mitigação dos desastres naturais, bem como o planejamento do homem com relação ao meio ambiente (CASTRO, 2003). Já na figura 3 podemos verificar a distribuição dos desastres em todo o mundo, com a localização dos eventos mais importantes em cada localidade no ano de 2012. 17 Figura 3: Catástrofes naturais no mundo, ano de referência 2012. Fonte: adaptada de MUNICH RE. Munchener Ruckversicherungs-Gesellscaft (2013). Neste sentido apresentamos o quadro “1”, que traz uma descrição dos principais desastres no mundo, demonstrando que a questão da vulnerabilidade é fator determinante, onde os danos humanos são o principal fator de impacto ao longo do tempo. Como pode ser verificado no decorrer do tempo, os desastres têm apresentado efeitos adversos cada vez maiores, e como um número de mortos que tende a ser crescente, demonstrando a importância de ações de prevenção e, em última instância, de enfrentamento aos desastres. 18 Quadro 1: Mortos em função dos principais desastres ao longo do tempo no mundo. Fonte: adaptada de MUNICH RE. Munchener Ruckversicherungs-Gesellscaft (2013). Os desastres provocam consequências que não são sentidas igualmente por todos. Pobres, minorias, mulheres, crianças e idosos são frequentemente os mais afetados em desastres em todo o planeta. Por outro lado, a exposição e vulnerabilidade a desastres representam um fator importante no potencialização da vulnerabilidade sociodemográfica de pessoas e populações (INFORMATION BULLETIN ON GLOBAL ENVIRONMENTAL, 2005; DILLEY et al., 2005). Assim, vulnerabilidade pode ser entendida como a suscetibilidade a perigo ou dano (BRAUCH, 2005). A vulnerabilidade a desastres pode ser descrita como a 19 incapacidade de uma pessoa, sociedade ou grupo populacional de evitar o perigo relacionado a catástrofes ou o fato de ser forçado a viver em condições de perigo. A situação seria decorrente de uma combinação de processos econômicos, sociais, ambientais e políticos (O’RIORDAN, 2002). 2.3 VULNERABILIDADES Segundo a United Nations International Strategy for Disaster Reduction (2009), vulnerabilidades são as características e as circunstâncias de uma comunidade, sistema ou bem que o tornam susceptíveis aos efeitos nocivos de uma ameaça. Essa insegurança intrínseca dos sistemas é a condição interna dos cenários sob ameaça de desastres ou comunidades em risco que, uma vez interagindo com a dimensão do evento ou acidente, tende a definir os efeitos impróprios ou adversos, medidos normalmente em termos de provável intensidade dos danos e prejuízos previstos. Segundo Castro (2003, p. 9), “a vulnerabilidade é a relação existente entre a intensidade do dano (ID) e a magnitude da ameaça (MA), caso ela se concretize como evento adverso. V=ID/MA”. Completa o mesmo autor que, a partir de interpretações embasadas na teoria dos sistemas, conclui-se que a segurança intrínseca dos sistemas, definida conceitualmente como o inverso da vulnerabilidade, tende a depender da capacidade dos sistemas receptores para manter a homeostase ou equilíbrio dinâmico do meio interno; recuperar o equilíbrio dinâmico, quando este é ameaçado, por intermédio de mecanismos de autorregulação, mediante a retroalimentação dos sistemas (CASTRO, 2003, p. 65). Daí a importância de se implementar, no nível local, programas, planos e ações de prevenção, de mitigação e de preparação para emergências e desastres; com vistas a proporcionar o incremento da proteção da população vulnerável a desastres, reduzindo o potencial adverso destes, principalmente visando a mitigação da perda de vidas humanas. Outro ponto a ser frisado é que toda ação que incide na redução da vulnerabilidade do sistema acaba reduzindo a ameaça ou perigo a ela vinculados, lembrando-se que segundo Castro (2003), ameaça é a “estimativa de ocorrência 20 [prevalência] e magnitude de um evento adverso ou acidente determinado, expressa em termos de [...] provável magnitude de sua manifestação”. 2.4 FATORES DETERMINANTES DA VULNERABILIDADE EM PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL Os desastres cujo evento desencadeador é um fenômeno ou desequilíbrio natural estão ligados diretamente aos processos de desenvolvimento das atividades de caráter antrópico, principalmente por que em torno do desenvolvimento tende haver um aumento da densidade demográfica, que normalmente deteriora as condições de vida e do ecossistema vinculado à vida humana. Esta degradação em todo o mundo foi observada mais intensamente, e a partir da década de 60 este fato foi observado no Brasil. Nesse sentido, os desastres impulsionados por fenômenos naturais testam as vantagens oferecidas pelo desenvolvimento econômico, sendo que, “por outro lado, as decisões que os indivíduos, comunidades e nações tomam em relação aos modelos de desenvolvimento podem implicar uma distribuição desigual do risco de desastre” (CERUTTI; OLIVEIRA, 2011, p. 418). A Secretaria Nacional de Defesa Civil (BRASIL, 2007), elenca três fatores que determinam a vulnerabilidade em proteção e defesa civil de uma comunidade ou corpo receptor, categorizados pela exposição à ameaça; fragilidade do próprio sistema; e a baixa resiliência. O primeiro dos fatores, a exposição, que está relacionado com as decisões e práticas que localizam uma unidade social (pessoas, famílias, comunidade, sociedade), estrutura física ou atividade econômica na zona de influência de um perigo. Este fator explica a vulnerabilidade porque expõe uma determinada unidade social ao impacto negativo desse perigo-ameaça. Por exemplo: Instalação de cultivos, habitações e infraestrutura educativa ou de saúde nas margens de rios ou em áreas propensas à inundação; e a construção de centros de saúde, postos médicos ou centros educativos em zonas de ribanceira ou em leitos secos de rios, tudo o que coloca em risco tal estrutura e principalmente as pessoas que se encontram nestes locais. (BRASIL, 2007). O segundo fator da vulnerabilidade é a fragilidade, que é o nível ou o grau de resistência e/ou proteção diante do impacto de um perigo, ou seja, as condições de 21 desvantagem ou de fraqueza relacionadas a uma unidade social. Na prática, referese às formas de construção, qualidade dos materiais, tecnologias utilizadas, entre outros. Exemplo: as pontes, rodovias e infraestrutura são frágeis, caso não se apliquem as normas de construção de resistência a sismos; e as habitações não formais sem infraestrutura, localizadas nas zonas baixas e planas são sensíveis à erosão e umidade que é gerada pelas chuvas intensas e inundações (BRASIL, 2007), bem como as construções em encostas estão mais vulneráveis a desabamento. O terceiro fator da vulnerabilidade é a resiliência, que está associado com o grau de recuperação ou grau de assimilação que a sociedade, a estrutura física ou a atividade econômica possam ter após a ocorrência de um evento adverso que tenham sofrido. São exemplo: baixo grau de organização da sociedade e inexistência de redes sociais, o que impede o desenvolvimento e a implementação de estratégias de ajuda mútua para a reconstrução de habitações ou para o fornecimento de serviços básicos; falta de diversificação da base produtiva em atividades agrícolas, comerciais, serviços, entre outros, o que impede que a população tenha opções de emprego e renda que permitam recuperar-se do desastre; ausência de medidas de contingência para a operação da infraestrutura em condições de emergência ou inexistência de mecanismos alternativos para o fornecimento de serviço básicos em tais situações; e falta de mecanismos financeiros para a reconstrução, o que impede uma rápida recuperação da produção ou a disposição de bens e/ou serviços (BRASIL, 2007). Em um olhar sobre o mundo verificam-se, principalmente nos países com instabilidade sociais, que o processo de formação das cidades sugere que, em sua maioria, estão presentes os fatores de risco relacionados anteriormente, Nesse sentido, o mesmo vem ocorrendo no Estado brasileiro, onde a explicação para o aumento contínuo das perdas e do impacto nas economias pode estar não no aumento do número de eventos naturais extremos somente, mas no aumento do número da população, infraestrutura e produção localizada em áreas de ameaça. As populações vulneráveis são suscetíveis de sofrer danos e perdas de grande magnitude enfrentando sérias dificuldades para se recuperar por conta própria. A falta de planejamento e a degradante forma de intervenção no ambiente natural criaram novas ameaças do tipo socioambiental. A vulnerabilidade interage 22 com as ameaças, produzindo novas condições de risco, dimensionada de diferentes formas em cada território (CERUTTI; OLIVEIRA, 2011, p. 418). É importante, portanto, conhecer as vulnerabilidades das comunidades, e efetivar ações para a redução do risco de desastres associados, pois não se conhecendo esta dinâmica muito pouco ou nada pode ser feito para se prevenir os eventos adversos. 2.5 A GESTÃO DO RISCO DE DESASTRES Passaremos a fazer uma explanação acerca da gestão do risco de desastres, principalmente no que tange ao planejamento de proteção e defesa civil, além da necessária atualização do conteúdo, tendo-se como embasamento os elementos doutrinários globais sobre o tema, mormente, o conteúdo preconizado pela Estratégia Internacional para Redução de Desastres da Organização das Nações Unidas (PROGRAMA DE LAS NACIONES UNIDAS PARA EL DESARROLLO, 2004), além de informações vinculadas. Inicialmente o estudo será conduzido partindo-se de alguns aspectos conceituais básicos relacionados com o assunto, passando pela segurança global da população, pelo ciclo de gestão de proteção e defesa civil e pela apresentação de algumas ferramentas da gestão do risco de desastres. Assim, antes de se mencionar a doutrina da gestão do risco de desastres, ressalta-se uma concepção generalista para o termo gestão e sua sinonímia que é o “ato ou efeito de gerir; administração, gerência; ação de administrar, de dirigir, gerência” (HOUAISS, 2009). Se aceita, por conseguinte a admissão dos termos administração e gerenciamento como sinônimos de gestão, considerando que são estes termos normalmente usados para definição do processo que dirigentemente emprega os recursos humanos e materiais para efetivamente se alcançar os objetivos organizacionais. Nessa direção a United Nations International Strategy for Disaster Reduction (2009), define gestão do risco de desastres ou gestão para a redução do risco de desastres como: O processo sistemático de utilizar diretrizes administrativas, organizacionais, destrezas e capacidades operacionais para executar políticas e fortalecer capacidades de enfrentamento, para reduzir o impacto adverso das ameaças e possibilidades de ocorrência de desastres. 23 Este termo é uma ampliação do conceito mais geral da gestão de risco por abordar o tema específico do risco de desastres. A gestão do risco de desastres busca evitar, diminuir ou transferir os efeitos adversos das ameaças mediante diversas atividades e medidas de prevenção, mitigação e preparação (UNITED NATIONS INTERNATIONAL STRATEGY FOR DISASTER REDUCTION, 2009, p. 10). Outro conceito acerca da gestão do risco é dado segundo o qual a gestão do risco (GdR) é um processo de adoção e implementação de políticas, estratégias e práticas com a finalidade de diminuir os riscos associados aos perigos ou para amenizar seus efeitos em uma unidade social, estrutura física, atividade econômica ou projeto (BRASIL, 2007). Se faz importante ressaltar o conceito de risco exposto na doutrina brasileira de proteção e defesa civil, como sendo a medida de danos e prejuízos potenciais, considerando-se a probabilidade estatística de ocorrência de evento adverso que resulte em desastres, ou a “relação existente entre: a probabilidade estatística de que uma ameaça de evento adverso ou de acidente determinado se concretize com uma magnitude definida” (CASTRO, 2003, p. 8-9). Na mesma direção, para a United Nations International Strategy for Disaster Reduction (2009, p. 25) risco é “a combinação da probabilidade de que se produza um evento e suas consequências”, ou seja, há duas conceituações para o termo: uma é a possibilidade de determinada ocorrência e outra são as possíveis perdas associadas ao evento causa do risco de desastres. A Secretaria Nacional de Defesa Civil (BRASIL, 2007) apresenta a seguinte definição, onde o termo risco indica a probabilidade de ocorrência de algum dano a uma população (pessoas ou bens materiais). Seria uma condição potencial de ocorrência de um acidente. Embora pareça complicada, a fórmula apresentada a seguir é muito adequada para o exercício da gestão de riscos: R = P (fA) * C (fV) * g1. Onde um determinado nível de risco – R; representa a probabilidade - P de ocorrer; um fenômeno físico (ou perigo) - A, em local e intervalo de tempo específicos e com características determinadas (localização, dimensões, processos e materiais envolvidos, velocidade e trajetória); causando consequências - C (às pessoas, bens e/ou ao ambiente); em função da vulnerabilidade - V dos elementos expostos; podendo ser modificado pelo; grau de gerenciamento - g. 24 Essa equação orienta que, ao estudar uma “situação de risco”, se deve, em primeiro lugar, identificar qual é o perigo, que processos naturais ou da ação humana estão produzindo, em que condições a sua evolução que poderá produzir um acidente e, qual a probabilidade deste fenômeno físico ocorrer. Após chegar a este ponto, o próximo passo é vislumbrar o processo gerador do acidente, se deve avaliar as consequências que ele causará. Não há risco sem alguma probabilidade de acidente nem acidente sem qualquer consequência de perda ou de dano. Finalmente, se pode atuar sobre o problema, diminuindo o risco através de um melhor gerenciamento (BRASIL, 2007, p. 29). Segundo Cerutti; Oliveira (2011, p. 420) “risco pode ser definido pela probabilidade de consequências prejudiciais ou perdas esperadas, resultado de interações entre ameaças naturais ou antropogênicas e as condições de vulnerabilidade”. Verifica-se, portanto, que para se reduzir o risco de desastres e, consequentemente aumentar a segurança global da população, é necessária uma melhor gestão ou gerenciamento dos riscos associados, sendo que o objetivo da gestão do risco de desastres seria a execução de ações e o fortalecimento das capacidades locais para o aumento da resiliência, sendo o termo capacidades definido por United Nations International Strategy for Disaster Reduction (2009, p. 5) como “a combinação de todas as forças, atributos e recursos disponíveis dentro de uma comunidade, sociedade ou organização que podem ser utilizados para a consecução dos objetivos concordados”. Ainda sobre capacidades, a United Nations International Strategy for Disaster Reduction (2009), busca explicar o termo, informando que a capacidade pode incluir a infraestrutura e os meios físicos, as instituições e as habilidades de afrontamento da sociedade, assim como o conhecimento humano, as destrezas e os atributos coletivos, tais como as relações sociais, a liderança e a gestão. A capacidade também pode ser descrita como aptidão ou condição de se fazer algo. A avaliação das capacidades é um termo para descrever o processo onde se revisam as capacidades de um grupo em comparação com os objetivos desejados e identificamse as brechas relacionadas às capacidades com a finalidade de tomarem-se ações posteriores (UNITED NATIONS INTERNATIONAL STRATEGY FOR DISASTER REDUCTION, 2009, p. 5-6). 25 Percebe-se, portanto, o alinhamento da Política Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDEC), renovada com a edição da Lei Nacional nº 12.608/12, com a Estratégia Internacional para a Redução de Desastres, já a partir da comparação do conteúdo do art. 3º do aludido mandamento legal, onde estabelece que a “PNPDEC abrange as ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação voltadas à proteção e defesa civil”. A partir do conceito de gestão do risco de desastres supracitado, destaca-se que das cinco ações estabelecidas na política nacional, a prevenção, mitigação e a preparação se relacionam diretamente com a gestão do risco de desastres, enquanto que as ações de resposta e recuperação se relacionam com a gestão de desastres, apesar de não se poder furtar ao fato de que a ação de recuperação ou reconstrução de cenários afetados por desastres também se relaciona, mesmo que indiretamente, com a prevenção, visto que quando se reconstrói um cenário afetado de forma sustentável pode se evitar ou minimizar novos desastres, evidenciando um ciclo de proteção e defesa civil. 26 3 DEFESA CIVIL 3.1 BREVE HISTÓRICO DA PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL A preocupação do homem com a sua autodefesa civil em face dos perigos presentes no seu habitat e, consequentemente, com a sua atuação frente aos riscos, naturais inclusive, remonta à pré-história. Desse modo, a evolução da proteção e defesa civil e dos aspectos ligados à segurança global da população está diretamente ligada ao desenvolvimento do ser humano. Segundo a Coordenadoria Estadual de defesa Civil de Minas Gerais (CEDECMG) (MINAS GERAIS, 2012), se verifica que na antiguidade, mesmo diante da preocupação primária dos governos em enviar seus exércitos para a conquista e expansão dos territórios, para a ampliação dos domínios econômicos e formação das potências mundiais, perifericamente se vê em relatos históricos a preocupação com a segurança da população não envolvida nos conflitos. Exemplo se tem no general francês Napoleão Bonaparte que, segundo Minas Gerais (2012, p. 15) “desenvolveu, sistematicamente, o domínio da política de segurança destinada a proteger o homem contra os perigos, quer com a prevenção, quer em caso de falhas na prevenção”. A partir da Segunda Grande Guerra Mundial (1937-1945), várias nações no mundo compreenderam a necessidade de desenvolver também a proteção e defesa civil, isto consequência dos danos provocados pelo evento bélico da época. Somente durante a Segunda Guerra Mundial, surgiu de fato a noção de defesa civil, e se estruturou como necessidade imperiosa de proteger as populações não empenhadas efetivamente na luta, prioritariamente nas grandes cidades e centros industriais. Os governos assumiram essa responsabilidade também como fator de manutenção do Moral Nacional, indispensável para impulsionar as operações até o objetivo final a vitória (LIMA, 2006, p. 25). O surgimento na Inglaterra da Civil Defense se constitui no marco da proteção e defesa civil na modernidade. Estruturada em 1941, esta organização fez frente à necessidade de socorro e proteção dos milhares de civis ingleses, população das principais cidades e polos industriais, ante a ameaça de ataques militares de outras nações em guerra com a Inglaterra. 27 Organizações similares foram criadas em outros países, se perenizando, mesmo após o término da guerra, em virtude da comprovada eficácia na minimização dos efeitos das adversidades naturais ou não sobre as populações. Segundo a Secretaria Nacional de Defesa Civil (BRASIL, 2007, p. 34) como regra, “a (proteção e) defesa civil (no mundo) se organiza em sistemas abertos, com a participação dos governos locais e a população no desencadeamento de ações preventivas e de resposta aos desastres”. Citando exemplos dessas organizações estruturadas de proteção e defesa civil pelo mundo são indicados em Brasil (2007): Dirección Nacional de Políticas de Seguridad y Protección Civi na Argentina; Defensa Civil no Chile; Federal Emergency Management Agency (FEMA) nos Estados Unidos da América; Dipartimento della Protezione Civile na Itália; Research Centre for Disaster reduction Systems no Japão; dentre outros. No Brasil, precisamente no dia 6 de fevereiro de 1942, após o ataque japonês à base americana de Pearl Harbour, por meio do Decreto Lei nº 4.098, o Governo Federal definiu como encargos necessários à defesa da Pátria, os serviços de defesa passiva antiaérea, cumprida em todo território nacional e sob a supervisão do Ministério da Aeronáutica. Além de definir outros encargos, por meio do Decreto Lei 4.098/42, hoje já sem valor legal, por estar a muito revogado, mas com indubitável conteúdo histórico; o Presidente da República, Getúlio Vargas determinou que: Art. 2º São encargos ou serviços de defesa passiva em tempo de paz ou de guerra: I – para todos os habitantes na forma de prescrições regulamentares: a) receber instrução sobre o serviço e uso de máscaras; [...] f) atender ao alarme; [...] II – adquirir o empregador o material de defesa para uso dos seus empregados e providenciar sobre a guarda e conservação do mesmo. [...] Art. 3º São ainda encargos da mesma natureza, atribuídos às pessoas naturais ou jurídicas: 28 I – a construção, pelo proprietário, de abrigos e execução de outras medidas de proteção, desde que o prédio tenha cinco ou mais pavimentos, ou área coberta superior a 1.200 metros quadrados: [...] II – adquirir o empregador o material de defesa para uso dos seus empregados e providenciar sobre a guarda e conservação do mesmo. [...] Art. 4º Os jornais, revistas ou publicações de qualquer natureza são obrigados a inserir, gratuitamente, comunicados do Ministério da Aeronáutica [...] Art. 5º As estações de radiodifusão e as empresas de exibição de filmes cinematográficos são obrigadas a divulgar ou exibir, gratuitamente, comunicados do Ministério da Aeronáutica [...] Art. 7º A União, os Estados e os Municípios e o Distrito Federal devem construir, para proteção da população, abrigos [...] (BRASIL, 2007). Verifica-se, portanto, a partir do recorte histórico acima, que diante da possibilidade de ataques aéreos, foram adotadas pelo Governo brasileiro medidas de minimização de desastres, principalmente, no sentido de se dar máxima divulgação às medidas de defesa passiva padronização das instruções sobre as medidas de defesa passiva e qualificação do pessoal habilitado (grifo nosso). De acordo com a CEDEC-MG (MINAS GERAIS, 2007), apesar dos esforços do Governo brasileiro, os resultados não foram plenamente alcançados à época (1942), em razão do não dimensionamento do problema por parte da população; a não concretização da ameaça de ataque aéreo, que gerou incredulidade na população; além da falta de investimento com recursos financeiros. No mesmo ano e nos subsequentes outras medidas foram implementadas pelo Governo em complementação às medidas presentes no Decreto Lei nº 4.098/42, destacando-se a obrigatoriedade do ensino da defesa passiva a alunos e professores dos estabelecimentos de ensino, conforme a ementa do Decreto Lei nº 4.800, de 06 de outubro de 1942. Segue-se a ordenação cronológica, contendo os principais fatos que indicam a evolução da proteção e defesa civil no Brasil, salientando que vários desses instrumentos possuem apenas valor histórico, e vão desde o apontamento inicial sobre o tema, presente na Carta Constitucional do Império, de 1824 até a inovadora Lei nº 12.608/12. 29 Constata-se que, após o término da Segunda Guerra Mundial, celebrando-se a paz, o Governo brasileiro extinguiu o Serviço de Defesa Civil no ano de 1946. 3.2 POLÍTICA NACIONAL DE PROTEÇÃO E DEFESA CIVIL Em janeiro de 2005, mais de quatro mil representantes de governos, organizações não governamentais, instituições acadêmicas e do setor privado reuniram-se em Kobe, no Japão, na Segunda Conferência Mundial sobre Redução de Desastres (CMRD) e concluíram as negociações sobre o Marco de Ação de Hyogo (MAH). Esse instrumento, adotado por 168 Governos, inclusive pelo Brasil, estabelece um claro resultado almejado, qual seja, a redução substancial das consequências dos desastres, bem como detalha as prioridades que devem ser almejadas, buscadas e alcançadas pelos governos locais até 2015. Segundo a United Nations International Strategy for Disaster Reduction (2005) três são os objetivos estratégicos na gestão para redução do risco de desastres, conforme tradução livre do autor: 1. A integração da redução do risco de desastres nas políticas de desenvolvimento sustentável e no planejamento. 2. O desenvolvimento e fortalecimento de instituições, mecanismos e capacidades para aumentar a resiliência perante as ameaças; e 3. A incorporação sistemática de critérios de redução de riscos na execução da preparação para emergências, resposta e recuperação (UNITED NATIONS INTERNATIONAL STRATEGY FOR DISASTER REDUCTION, 2005, p. 3). Nesse sentido a United Nations International Strategy for Disaster Reduction (2005) identifica também cinco prioridades específicas de ação, para auxílio aos governos, na consecução dos objetivos estratégicos acima listados: 1. Garantir que a redução do risco de desastres seja uma prioridade nacional e local, com uma base sólida institucional para sua aplicação; 2. Identificar, avaliar e vigiar os riscos de desastres e melhorar os alertas precoces; 3. Utilizar o conhecimento, a inovação e a educação para criar uma cultura de segurança e resiliência em todos os níveis; 4. Reduzir os fatores subjacentes de riscos; 30 5. Fortalecer a preparação para desastres a fim de ter uma resposta eficaz em todos os níveis (UNITED NATIONS INTERNATIONAL STRATEGY FOR DISASTER REDUCTION, 2005, p. 6). Os objetivos e prioridades pactuados pelo Brasil diante da comunidade internacional por meio do MAH orientam toda a política nacional de proteção e defesa civil, se constituindo no marco para a construção do texto da Lei nº 12.608/12, precisamente no que tange ao rol de ações a serem desenvolvidas pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Na implantação do MAH no Brasil, a Secretaria Nacional de Defesa Civil (SEDEC) do Ministério da Integração Nacional (MI), lançou em 2011 a campanha brasileira “Construindo Cidades Resilientes”, replicando a campanha mundial, inclusive repetindo o nome desta, como forma de incentivar os municípios na construção de modelos resilientes de cidades. Segundo Brasil (2007), são dez os passos para construir cidades resilientes, a lista origina-se das cinco prioridades do MAH. 1) Estabeleça mecanismos de organização e coordenação de ações com base na participação de comunidades e sociedade civil organizada, por meio, por exemplo, do estabelecimento de alianças locais. Incentive que os diversos segmentos sociais compreendam seu papel na construção de cidades mais seguras com vistas à redução de riscos e preparação para situações de desastres. 2) Elabore documentos de orientação para redução do risco de desastres e ofereça incentivos aos moradores de áreas de risco: famílias de baixa renda, comunidades, comércio e setor público, para que invistam na redução dos riscos que enfrentam. 3) Mantenha informação atualizada sobre as ameaças e vulnerabilidades de sua cidade; conduza avaliações de risco e as utilize como base para os planos e processos decisórios relativos ao desenvolvimento urbano. Garanta que os cidadãos de sua cidade tenham acesso à informação e aos planos para resiliência, criando espaço para discutir sobre os mesmos. 4) Invista e mantenha uma infraestrutura para redução de risco, com enfoque estrutural, como por exemplo, obras de drenagens para evitar inundações; e, conforme necessário invista em ações de adaptação às mudanças climáticas. 5) Avalie a segurança de todas as escolas e postos de saúde de sua cidade, e modernize-os se necessário. 31 6) Aplique e faça cumprir regulamentos sobre construção e princípios para planejamento do uso e ocupação do solo. Identifique áreas seguras para os cidadãos de baixa renda e, quando possível, modernize os assentamentos informais. 7) Invista na criação de programas educativos e de capacitação sobre a redução de riscos de desastres, tanto nas escolas como nas comunidades locais. 8) Proteja os ecossistemas e as zonas naturais para atenuar alagamentos, inundações, e outras ameaças às quais sua cidade seja vulnerável. Adapte-se às mudanças climáticas recorrendo a boas práticas de redução de risco. 9) Instale sistemas de alerta e desenvolva capacitações para gestão de emergências em sua cidade, realizando, com regularidade, simulados para preparação do público em geral, nos quais participem todos os habitantes. 10) Depois de qualquer desastre, vele para que as necessidades dos sobreviventes sejam atendidas e se concentrem nos esforços de reconstrução. Garanta o apoio necessário à população afetada e suas organizações comunitárias, incluindo a reconstrução de suas residências e seus meios de sustento (BRASIL, 2007, p. 1617). Constata-se que os passos da campanha supracitados, ao mesmo tempo em que se constituem na formatação de uma lista de requisitos para diagnóstico da gestão municipal para a redução do risco de desastres, se constituem num direcionamento das ações que podem ser executadas pelos governos locais com vista à mitigação de desastres e aumento da resiliência das comunidades. É nesta linha que se concebeu a Lei nº 12.608/12, atualizando-se a Política Nacional de Proteção e Defesa Civil – PNPDEC, em torno do Marco de Ação de Hyogo. Nesse sentido, conforme se lê em Brasil (2007): “Art. 3º A PNPDEC (Política Nacional de Proteção e Defesa Civil) abrange as ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação voltadas à proteção e defesa civil”, e devem os municípios integrar as políticas de ordenamento territorial, desenvolvimento urbano, saúde, meio ambiente, mudanças climáticas, gestão de recursos hídricos, geológicos, infraestrutura, educação, ciência e tecnologia e as demais políticas setoriais, com foco na promoção do desenvolvimento sustentável. 32 Há previsão nos artigos 8º e 9º da competência privativa dos Municípios e concorrentes destes com a União e com os Estados para a implementação de ações de proteção e defesa civil, conforme se vê abaixo: Art. 8º Compete aos Municípios: I – executar a PNPDEC em âmbito local; II – coordenar as ações do SINPDC no âmbito local, em articulação com a União e os Estados; III – incorporar as ações de proteção e defesa civil no planejamento municipal.... (BRASIL, 2007). Conquanto seja nas municipalidades que os desastres acontecem, e por isso, papel importante dentro do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC) é atribuído às Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil, que têm a responsabilidade de coordenação das ações em torno da proteção e defesa civil articulando-se todo o sistema, inclusive com os Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil, ou seja, a comunidade, considerando a possibilidade proeminente de ocorrência de eventos extremos, relacionados com o período chuvoso inclusive, por conta de um quadro global de mudanças climáticas, assunto que será apresentado na seção seguinte. 3.3 EMBASAMENTO LEGAL E NORMATIVO No Brasil, os desastres foram vinculados a estrutura da Defesa Civil, a primeira lei que trata da Defesa Civil surgiu na década de 1940, através do DecretoLei nº 4.624, que criou o serviço de Defesa Passiva, no período da Segunda Grande Guerra. A Defesa Civil foi transferida, através dos anos, para vários ministérios sem uma definição política, o que dificultou a criação de uma doutrina. Isto perdurou até o ano de 1988, com a elaboração do Decreto 97.274, de 16 de dezembro que Cria o Sistema Nacional de Defesa Civil. Em 1990. no Decreto nº 99.244, de 10 de maio, A Secretaria de Defesa Civil passa sua subordinação para o Ministério da Ação Social. Em 1993, o Decreto 895, de 16 de agosto. (DOU de 17/08/1993), implementa a Organização do Sistema Nacional de Defesa Civil - SINDEC, e dá outras Providências. No ano de 1995, a Medida Provisória 1.090, de 25 de agosto (DOU 26/08/1995), subordina a Defesa Civil ao Ministério do Planejamento e Orçamento, 33 na Secretaria de Políticas Regionais, no nível de Departamento. Atualmente a Defesa Civil, está vinculada ao Ministério da Integração Nacional. De acordo com o Decreto 895, de 16/08/1993 publicado no DOU, de 17/08/1993, Defesa Civil é o “Conjunto de ações preventivas, de socorro, assistências e reconstrutivas destinadas a evitar ou minimizar os desastres, preservar o moral da população e restabelecer a normalidade social.” A Defesa Civil em nível de Brasil, é uma atividade permanente e não deve ser entendida como um trabalho que acontece apenas por ocasião dos desastres ou em eventos adversos. Os órgãos ligados à Defesa Civil, uma vez que a Defesa Civil é um sistema, atuam antes, durante e depois de uma calamidade. O trabalho da Defesa Civil se desenvolve em quatro fases, a saber: a) Preventiva: é o período de cadastramento dos recursos disponíveis, levantamento de riscos, elaboração de planos de ação e exercícios simulados; b) Socorros: os trabalhos dessa fase são voltados, exclusivamente, ao atendimento e socorro da ocorrência. São desenvolvidos com o emprego coordenado por pessoais técnicos e voluntários treinados, conforme planos e ações preestabelecidos; c) Assistencial: inicia-se concomitantemente, ou logo após o impacto da emergência. Compreende o abrigo, a alimentação e a assistência da população atingida; d) Recuperativa: constitui o período dos investimentos, objetivando a volta à normalidade. Caracteriza-se pela interação dos diversos níveis de governo, e será consideravelmente facilitada pela atuação efetiva e bem estruturada da COMDEC (Comissão Municipal de Defesa Civil). Com relação à atuação das Forças Armadas na questão dos desastres, ao fazermos a ligação entre as Forças Armadas e a Defesa Civil, verificamos que na Constituição da República Federativa do Brasil, encontramos (BRASIL, 1988): TÍTULO V - Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas CAPÍTULO II - Das Forças Armadas (artigos 142 e 143) Art. 142 - As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. 34 § 1 - Lei complementar estabelecerá as normas gerais a serem adotadas na organização, no preparo e no emprego das Forças Armadas. A Constituição Federal, conforme o disposto acima determina que as Forças Armadas não se destinem apenas a Defesa da Pátria no âmbito externo, mas também à Defesa interna e a garantia dos poderes constituídos. Na Política de Defesa Nacional editada pela Presidência da República em Novembro de 1996, em seu item 3.3, lê-se: “São objetivos da Defesa Nacional: [...] d) A salvaguarda das pessoas, dos bens e dos recursos brasileiros ou sob jurisdição Brasileira;” E, no item 5 estabelece as Diretrizes e entre elas: [...] i) Manter a participação das Forças Armadas em ações subsidiárias que visem à integração nacional, à Defesa Civil e ao desenvolvimento sócio econômico do País, em harmonia com sua destinação constitucional; As Forças Armadas tem respaldo na legislação em vigor para atuar em ações de Defesa Civil, conforme legislação pesquisada e abaixo relacionada: Decreto nº 7974 de 01/04/2013 / PE - Poder Executivo Federal (D.O.U. 02/04/2013) Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança do Ministério da Defesa. DA NATUREZA E COMPETÊNCIA Art. 1° O Ministério da Defesa tem como área de competência os seguintes assuntos: d) diretrizes referentes à Mobilização Militar, integrando-a à Mobilização Nacional. VI - operações militares das Forças Armadas; X - política de mobilização nacional; XVI - atuação das Forças Armadas, quando couber, na garantia da lei e da ordem, para preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio, na garantia da votação e da apuração eleitoral, cooperação com o desenvolvimento nacional e a defesa civil no combate a delitos transfronteiriços e ambientais; Art. 9° Ao Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas cabe exercer as competências estabelecidas na Lei Complementar nº 97, de 1999, e assessorar o Ministro de Estado da Defesa nos seguintes assuntos: 35 § 1° Cabe ainda ao Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas: II - coordenar a atuação das chefias que lhe são subordinadas e dos meios empregados pelas Forças Armadas nas ações de defesa civil que lhe forem atribuídas. Art. 11. À Chefia de Operações Conjuntas compete: I - assessorar o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas nos assuntos relativos a: b) emprego conjunto das Forças Armadas, em operações reais, em missões de paz, em ações de ajuda humanitária e de defesa civil e em atividades subsidiárias; Art.12. À Subchefia de Comando e Controle compete: X - alocar, quando solicitado, os meios de comando e controle necessários às ações de defesa civil. Art. 14. À Subchefia de Operações compete: IV - propor diretrizes para o planejamento e o emprego das Forças Armadas: c) na cooperação com a defesa civil; e VII - coordenar o emprego das Forças Armadas nas ações de Defesa Civil. [...] Com relação as Forças Auxiliares, notadamente aos Corpos de Bombeiros Militares e Defesa Civil, verifica-se que na Constituição da República Federativa do Brasil podemos verificar: TÍTULO V - Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas CAPÍTULO III - Da Segurança Pública Art. 144 - A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: [...] V – Polícias militares e Corpos de Bombeiros Militares. § 5 – Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; aos Corpos de Bombeiros Militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de Defesa Civil. § 6 – As Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, Forças Auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. 36 A legislação Federal, inclusive, prevê as situações de Perturbação e de Grave Perturbação da Ordem Pública e o modo como a União, através das Forças Armadas, exerce o controle das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (BRASIL, 1988). O R-200, (LIS, 1995), Regulamento que reorganiza as Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares conceitua, Perturbação e Grave Perturbação da Ordem Pública, além de outras orientações específicas, ressaltando que muitos juristas consideram que este instrumento legal foi recepcionados pela CF de 1988, e menciona que: “Perturbação da ordem abrange todos os tipos de ação, inclusive as decorrentes de Calamidades Públicas que, por sua natureza, origem, amplitude e potencial possam vir a comprometer, na esfera Estadual, o exercício dos poderes constituídos, o cumprimento das leis e a manutenção da Ordem Pública, ameaçando a população e propriedades públicas e privadas.” “Grave Perturbação ou subversão da ordem, corresponde a todos os tipos de ação, inclusive as decorrentes de Calamidades Públicas, que, por sua natureza, origem, amplitude, potencial e vulto: superem a capacidade de condução nas medidas preventivas e repressivas tomadas pelos Governos Estaduais; sejam de natureza tal que, a critério do Governo Federal, possam vir a comprometer a integridade nacional, o livre funcionamento dos poderes constituídos, a lei, a ordem e a prática das instituições; e impliquem na realização de operações militares.” A apresentação do texto da CF e da legislação subsequente demonstra que as Forças Armadas poderão exercer o controle das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares. verifica-se, ainda, pelo exame da Constituição Federal que compete aos Corpos de Bombeiros as atividades de Defesa Civil. Para ilustrar vejamos a legislação do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal: Lei 8.255, DE 20/11/1991 (DOU 21/11/1991) Dispõe sobre a Organização Básica do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, e dá outras Providências. Art. 2º - Compete ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal: [...] VI - realizar atividades de segurança contra incêndio e pânico, com vistas à proteção das pessoas e dos bens públicos e privados; VII - executar atividades de prevenção aos incêndios florestais, com vistas à proteção ambiental; 37 VIII - executar as atividades de Defesa Civil; IX - executar as ações de segurança pública que lhe forem cometidas, por ato do Presidente da República, em caso de grave comprometimento da ordem pública e durante a vigência do estado de defesa, do estado de sítio e de intervenção no Distrito Federal. O mesmo ocorre em relação ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (MINAS GERAIS, 2013), cuja legislação menciona que: Art. 3º - Compete ao Corpo de Bombeiro Militar: I - coordenar e executar as ações de defesa civil, proteção e socorrimento públicos, prevenção e combate a incêndio, perícias de incêndio e explosão em locais de sinistro, busca e salvamento; Por outro lado em condições de normalidade, que se caracterizam pelo cotidiano das Forças Auxiliares, as PM atuam na prevenção e no combate a violência ou mesmo no controle de massas pacíficas. Os Corpos de Bombeiros Militares atuam nos combates a incêndio, emergências médicas e na coordenação e operacionalização da Defesa Civil. Assim, os Corpos de Bombeiros e as Forças Armadas estão intimamente ligados, não somente na Segurança e Defesa Pública, mas também na Segurança Interna e Defesa Interna de nossa Pátria atuando como elo entre a comunidade e a Defesa Civil. Logo, podemos extrapolar para o ambiente externo, sobretudo por ocasião do emprego do país em forças de paz das Nações Unidas, através da atuação das FFAA e Forças Auxiliares. 3.4 A PARTICIPAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS EM ATIVIDADES DA DEFESA CIVIL A título de exemplo, podemos citar a participação no socorro prestado aos atingidos por ocasião do terremoto ocorrido na cidade do México, em 1985, onde houve emprego das Forças Armadas nas operações. Além dos remédios, agasalhos e comestíveis, o Brasil enviou, para cooperar com as operações de rescaldo, uma equipe de Salvamento do Exército e o Hospital de Campanha da FAB, que realizou milhares de atendimentos. Muitos desses materiais foram transportados através dos navios da nossa Marinha. 38 Em conformidade com as competências atribuídas aos órgãos setoriais, constantes do Artigo 10º do Decreto nº 895, de 16 de agosto de 1993, o Ministério da Defesa, através dessa mesma Diretriz, atribuiu as seguintes tarefas às Forças Armadas, acrescentando ao anteriormente mencionado: 1) Marinha: coordenar as ações de redução de danos relacionados com sinistros marítimos e fluviais e o salvamento de náufragos; e apoiar as ações de defesa civil com pessoal, material e meio de transporte. 2) Exército: cooperar com o planejamento de defesa civil e com as ações de busca e salvamento; e participar de atividades de prevenção e de reconstrução; e Apoiar as ações de defesa civil com pessoal, material e meio de transporte. 3) Aeronáutica: coordenar as ações de busca e salvamento, evacuação aeromédica e missões de misericórdia; e apoiar as ações de defesa civil com pessoal, material e meio de transporte. 3.4.1 As Atividades de Defesa Civil no Exército Brasileiro O incêndio florestal ocorrido no início de setembro de 1998, na reserva ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis, IBAMA, situado na Ilha do Bananal, assumiu grandes proporções necessitando a formação de uma força-tarefa para debelá-lo. As entidades empregadas no combate a esse incêndio envolveram efetivos dos Corpos de Bombeiro dos Estados de Goiás, Tocantins e Distrito Federal, representantes da Defesa Civil, da Fundação Nacional do Índio e do IBAMA. Ao Exército coube o comando das operações de combate a incêndio e a garantia do apoio logístico para todo o efetivo empregado – alimentação, transporte terrestre, comunicações e saúde. O emprego do Exército nesse tipo de missão já é o previsto no Programa de Prevenção e Combate às Queimadas e aos Incêndios Florestais no Arco de Desflorestamento – PROARCO, criado pelo Decreto nº 2.662, de 07 de julho de 1998. Portanto, essa foi a segunda vez que o Exército foi convocado para atuar no combate a incêndios florestais. A primeira vez ocorreu em Roraima, nesse mesmo ano, quando o fogo destruiu mais de 12% das florestas do Estado. Desastres ocorridos nos últimos anos exigiram a participação do Exército nos trabalhos de assistência humanitária aos atingidos: incêndios, estiagens prolongadas, inundações e deslizamentos em diversas regiões do País, inclusive as 39 mais remotas e inóspitas, onde a presença do poder público e das entidades de defesa civil é escassa ou mesmo inexistente. Dentro da gama de desastres naturais conhecidos, a ocorrência de enchentes e, particularmente, incêndios florestais, não se limitam as fronteiras. O fato de uma catástrofe dessa natureza acontecer em territórios de mais de um país tem exigido o planejamento e a realização de exercícios conjuntos de defesa civil que visem respostas adequadas a esses eventos adversos e que possibilitem o socorro às populações atingidas nessas áreas, inclusive com participação de ações como as do Brasil e da Argentina que já programaram a realização de exercícios em áreas de fronteira, como no Parque Nacional do Iguaçu. Além dessas, se podem citar ações em que se faz necessário o emprego das Unidades de Engenharia de Combate ou de Construção, tanto nas medidas preventivas de defesa civil, como nas respostas aos desastres e na fase de reconstruções. 3.4.2 As Atividades de Defesa Civil na Aeronáutica. A experiência da Força Aérea em atividades de defesa civil tem crescido inversamente em relação aos acidentes aeronáuticos. Os resultados positivos acontecem devido a eficácia das medidas preventivas implementadas pela Força Aérea. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – CENIPA realizou cursos e estágios, mesmo que de forma descontinuadas, com vistas a preparar os recursos humanos, voltados para essa questão, tanto com seus próprios integrantes como para os bombeiros e policiais militares e os representantes de entidades de defesa civil de vários Estados da Federação. Um registro marcante sobre a participação da Aeronáutica nessas atividades é o início das operações do Centro Estadual de Usuário do SIVAM, no Estado do Amazonas, onde as Secretarias de Estado passaram a ter acesso aos dados e informações disponibilizados pelo Sistema, possibilitando facilitar o desenvolvimento de vigilância meteorológica da região, o monitoramento de desflorestamentos, incêndios e queimadas e a identificação e análise das tendências de focos epidêmicos, indispensáveis para o acompanhamento de ações de defesa civil na área abrangida pelo Sistema de Vigilância. 40 A Força Aérea também esteve presente nas operações de combate aos incêndios florestais em Roraima e na Ilha do Bananal, realizando o transporte aéreo do pessoal e material das Entidades empregadas nas missões. Ainda há registros de atuação em casos voltados para saúde, onde há pronta-resposta no atendimento aos necessitados. 3.4.3 As Atividades de Defesa Civil na Marinha do Brasil A Marinha tem coordenado as ações de redução de danos relacionados com sinistros marítimos e fluviais e o salvamento de náufragos; e apoiado as ações de defesa civil principalmente em locais interioranos como a Amazônia, com pessoal, material e meio de transporte. A Marinha tem sido empenhada em ações de salvamento à náufragos, através de suas embarcações, com o emprego de mergulhadores, e em ações de localização e resgate de embarcações que ficaram a deriva. Outra ação importante tem sido o emprego dos navios hospitais na região amazônica em ações de prevenção e socorro a vítimas de várias situações adversas. Além destas atribuições podemos ainda citar transporte aeromédico e a participação no plano de emergências da Usina Nuclear de Angra. Por outro lado, quando se busca a questão da preparação técnica para fazer frente a desastres, não se verifica nos conteúdos de formação dos Militares das FFAA disciplinas voltadas especificamente para a questão em estudo. Outrossim, em relação às Forças Auxiliares a situação não é diferente, não havendo a formação focada nos desastres, onde somente os Corpos de Bombeiros Militares, até mesmo por questões relativas a atribuições legais, têm disciplinas voltadas para a administração, prevenção e enfrentamento em situações de desastres, com cargas horárias compatíveis como o nível de preparação necessária a questão. Como pode ser verificado, as FFAA tem participado das ações de defesa civil, dentre elas as ações de socorrimento, seja em apoio aos Corpos de Bombeiros Militares, nos grandes centros, seja na atuação muitas vezes até isolada em caso de locais mais remotos ou mesmo em outros países em que tem contingente em Missões de Paz. 41 3.5 POLÍTICAS E ESTRATÉGIAS RELACIONADAS A DESASTRES As Forças Armadas são órgãos setoriais do SINDEC. As Políticas e Estratégias relativas às ações de resposta a desastres e, consequentemente, à Defesa Civil, são desenvolvidas pelo Ministério da Integração Nacional, através da Secretaria Nacional de Defesa Civil/SEDEC. Os Objetivos, as Diretrizes, Metas, Planos, Programas, Projetos, da PNPDEC, em vigor, estão disponíveis no site do Ministério. De acordo com a doutrina adotada pela ESG, entende-se o Planejamento Estratégico como o processo de formulação de Políticas e Estratégias para identificar e aproveitar as oportunidades para neutralizar e erradicar as ameaças ambientais e os pontos fracos, utilizando-se, para isto, os pontos fortes das Instituições, neste caso, a Marinha do Brasil, o Exército Brasileiro e a Força Aérea Brasileira, para o cumprimento de sua missão: defender os Objetivos Fundamentais da Pátria contra ameaças de qualquer gênese. Alguns pontos são considerados como fortes, dentre eles a experiência neste tipo de atuação e os recursos disponíveis (humanos, equipamentos e financeiros); o amparo legal existente, ou seja, a Lei Complementar nº 97 de 09 de junho de 1999, com as alterações trazidas pela Lei Complementar nº 117/2004; e a disponibilidade de equipes multiprofissionais e interinstitucionais civis e militares. Já no que se refere às oportunidades, seguindo a doutrina da ESG, podemos citar o reconhecimento internacional da capacidade de Ajuda Humanitária proporcionada pelas FFAA, como exemplo temos a atuação no Haiti, dentre outros, principalmente no caso de ocorrência de desastres; a possibilidade de cooperação técnica de Forças Armadas de outras nações com os Batalhões de Engenharia do Exército Brasileiro; a capacitação de recursos humanos para operações conjuntas integradas entre o Ministério da Defesa e o Ministério da Integral Nacional; e a capacitação feita através das FFAA aos Núcleos de Defesa Civil, para a atuação frente aos eventos adversos. Em relação às ameaças pode ser considerada a falta de cultura brasileira quanto à ocorrência de desastres, mantendo as instituições civis que muitas vezes tem apresentado desempenho insatisfatório. Por outro lado, há falta clara de definição de parâmetros claros em relação à participação efetiva das FFAA em atividades subsidiárias. 42 As Políticas e Estratégias propostas têm como objetivo as ações de pronta resposta a desastres exigindo recursos adequados para prestar socorro e assistência aos munícipes afetados e à recuperação das áreas degradadas. Estas Políticas e Estratégias poderão ser: a) Política: Capacitação de Recursos Humanos das FFAA nas ações de resposta a desastres. Esta política tem como meta principal capacitar, treinar e aprestar todos os Comandos Militares para atender na velocidade imposta pelo desastre o restabelecimento da infraestrutura mínima da comunidade vitimada. A capacitação poderá ocorrer conjuntamente e de forma complementar com a capacitação planejada pelo Ministério da Integração Nacional. Além destas políticas, podemos citar ainda a cooperação de Capacitação de Recursos Humanos das Administrações Municipais visando à autogestão para convivência com fenômenos adversos previsíveis. Esta política tem como meta principal capacitar, treinar e aprestar todos os servidores efetivos do quadro das administrações municipais, lotados nas COMDEC’s e nos Núcleos de Defesa Civil (NUDEC), para serem agentes multiplicadores no nível local, buscando-se a eficácia das ações de resposta ao desastre restabelecendo-se as condições mínimas da comunidade vitimada. Esta capacitação poderá ser ministrada pelo militar e ocorrer conjuntamente, de forma complementar, com a capacitação planejada e ministrada pelo Ministério da Integração Nacional. Poderão ser incluídos os servidores do quadro efetivo das CEDEC’s. b) Estratégia: Desenvolvimento de sinergia entre os diversos setores governamentais e não governamentais. As consequências de um desastre exigem a participação de todos os setores da sociedade. Neste primeiro, momento, ocorrerá o entrosamento dos servidores dos níveis federal, estadual e municipal. Num segundo momento, ocorrerá a participação das comunidades locais representadas por voluntários e associações diversas. Esta estratégia tem caráter preventivo. Podemos ainda mencionar a capacitação das COMDEC’s e dos NUDEC’s para autogestão. Esta estratégia poderá ser operacionalizada em duas fases. Em um primeiro momento, deverá haver um entrosamento de pessoal dos níveis federal, estadual e 43 municipal com ênfase na capacitação da gestão municipal. Os meios para se alcançar este objetivo deverão ser obtidos conjuntamente com o Ministério da Integração Nacional. Num segundo momento, ocorrerá a participação das comunidades locais representadas por voluntários e associações diversas. Esta estratégia tem caráter preventivo e poderá ter iniciativa das FFAA. c) Logística: Aquisição de Equipamentos Estratégicos para a produção de água potável. Esta política tem como propósito principal dotar os Batalhões de Engenharia com alternativas de produção de água potável para pronta resposta às necessidades básicas (cocção, dessedentação e serviços médicos) dos soldados e civis, após estudo específico e detalhado para definir o dimensionamento do equipamento necessário. d) Atuação Coordenada: Emprego conjunto dos Batalhões de Engenharia dos diversos Comandos Militares. Para a sua implantação, faz-se necessário a capacitação de engenheiros militares por meio de cursos e estágios, com vistas à utilização do processo de transmissão de conhecimentos através da ação prática. A divulgação das experiências do Exército Brasileiro (EB) no Haiti, assim como as experiências da Engenharia Militar de outras nações com a produção de água potável utilizando-se o referido processo de osmose reversa seria, também, de grande importância para melhor aproveitamento dessa técnica pelas Forças Armadas do Brasil. Pode ser constatado que a atuação das FFAA tem se dado em várias oportunidades. Contudo, esta ação normalmente tem sido coordenada com outros órgãos, notadamente com as Forças Auxiliares, e no caso dos desastres, principalmente com os Copos de Bombeiros Militares. 44 4 AS FORÇAS ARMADAS EM MISSÕES DE PAZ E SUA ATUAÇÃO EM DESASTRES Desde 1948, o Brasil participou de mais de 30 operações de manutenção da paz, tendo empregado um total de mais de 24.000 homens. Participou de operações na África (Congo, Angola, Moçambique, Libéria, Uganda, Sudão, dentre outras), na América Latina e Caribe (El Salvador, Nicarágua, Guatemala, Haiti), na Ásia (Camboja, Timor-Leste) e na Europa (Chipre, Croácia). Embora tenha enviado militares e policiais em diversas ocasiões, apenas a cinco operações o Brasil cedeu tropas, isto é, unidades militares formadas: Suez (UNEF I), Angola (UNAVEM III), Moçambique (ONUMOZ), Timor-Leste (UNTAET/UNMISET) e Haiti (MINUSTAH). A participação brasileira na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) é o principal envolvimento do Brasil em operações de manutenção da paz. O Brasil é o maior contribuinte de tropas para essa Missão. De 2004 a fevereiro de 2010, o Brasil manteve contingente de 1200 militares, com rotação semestral. Após o terremoto, passou a manter contingente de 2.100 militares no terreno. Desde o início da participação brasileira até hoje, mais de 13 mil militares brasileiros tiveram experiência no Haiti. O comando militar de todos os 8.609 militares que compõem a MINUSTAH, provenientes de 19 países, é exercido por generais brasileiros desde 2004 (AGUILAR, 2005). Segundo o Departamento de Operações de Manutenção da Paz da ONU (DPKO), 107 Estados participavam como contribuintes, no final de 2005, nas operações de paz das Nações Unidas. Mais de 70 mil homens em missão estavam envolvidos nestas operações. A grande maioria (94%) do pessoal civil, militar e policial é oriunda dos países em desenvolvimento, sendo que o Brasil ocupava a 14a posição entre os Estados contribuintes às missões de paz. A contribuição brasileira mais significativa durante esta fase ocorreu com o envio de importante contingente militar para o Sinai e Faixa de Gaza no âmbito da Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF I). Apesar de termos contribuindo com outras missões de paz (Quadro 2), foi através da arma de Infantaria, conhecido como Batalhão de Suez, composto por cerca de 6.300 integrantes, que foi marcada a presença nesta importante operação. 45 Missão Localização Militares Civis Período UNEF I Sinai e Faixa de Gaza 6300 - 1957-1967 ONUC Congo 179 1960-1964 UNSF Nova Guiné Ocidental 2 1962 DOMREP República Dominicana 1 1965-1966 UNIPOM Índia/Pasquitão 10 1965-1966 UNFICYP Chipre 20 1 1964-1967 Quadro 2: A atuação do Brasil em Missões de Paz (1957-1967). Fonte: MRE e FONTOURA, P. R. C. T. O Brasil e as Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas, Brasília, Editora Fundação Alexandre de Gusmão (FUNAG), 1999, p. 201. A partir de 1967, o Brasil contribuiu em vinte operações de paz das Nações Unidas durante este período. Houve grande diversificação destas ações não somente no que tange aos variados destinos a implicar todos os continentes, mas igualmente constata-se que o escopo da atuação é mais abrangente e adquire um caráter multifacetado, inclusive em ações de socorrimento. Adicionamos às operações militares clássicas de separação de combatentes e de controle securitário, outras modalidades tais como o apoio à população civil, o diálogo político, medidas para aumentar o nível de confiança entre as partes envolvidas no conflito, a reconstrução da infraestrutura de comunicações e a distribuição de víveres e de medicamentos. O quadro “3”, a seguir resume a contribuição brasileira, merecendo destaque nossa participação nas missões de paz no Timor Leste, em Moçambique e, sobretudo, em Angola. Em meados de 2004 o Brasil aceitou participar da ação no Haiti, comandando as tropas e contribuindo com 1.200 militares das Nações Unidas naquele país. Criada pela Resolução 1.542 (2004) do Conselho de Segurança (CS), a MINUSTAH substituiu a força multinacional de emergência (Resolução 1.529/2004 do CS) que havia sido reunida às pressas em razão da vacância do poder no Haiti decorrente da partida, em 29 de fevereiro de 2004, do Presidente Jean-Bertrand Aristide (AGUILAR, 2005). 46 Missão Localização Militares Policiais Civis Período UNAVEM I Angola 16 - - 1989-1991 ONUCA América Central 34 UNAVEM II Angola 77 39 4 1991-1995 ONUSAL El Salvador 63 16 5 1991-1995 ONUMUZ Moçambique 218 66 16 1993-1994 ONUNMUR Ruanda/Uganda 13 UNPROFOR Ex Iugoslávia 90 UNTAC Camboja UNOMIL Libéria 3 MINUGUA Guatemala 39 UNIMSA África do Sul UNAVEM III Angola 4174 48 1995-1997 UNGRO Croácia 2 1 1995-1996 UNPREDEP Macedônia 5 UNTAES Eslovênia Or. 9 UNMOP Penin. Prevlaka 5 MONUA Angola 35 39 UNAMET/UNTAET Timor Leste 62 18 MINUSTAH Haiti 6000 1990-1992 1993-1994 23 1992-1995 19 1993 1993 37 1994-2001 12 1994 1995 2 1996-1998 1996-2006 1997-1999 19 1999-2006 2004-2006 Quadro 3: A atuação do Brasil em Missões de Paz (1989-2006). Fonte: AGUILAR, S. L. Cruz (Org.). Brasil em Missões de Paz. São Paulo: Ed. Usina do Livro, 2005, 241 p. O objetivo central da MINUSTAH durante o período de transição foi o de tornar possível a livre expressão da vontade do povo haitiano na escolha de seus novos dirigentes. Assim, verifica-se que a atuação inicialmente esperada era voltada para uma ação militar, e muitas vezes com conotação de segurança interna nestes países, justificando assim o emprego de policiais nas missões denominadas “Missões de Paz”. Contudo, não se esperava que a atuação tivesse uma conotação voltada para o socorrimento de vítimas em virtude de eventos adversos. Neste sentido, cada vez a atuação tem sido mais ampla, e por isso seria viável que a composição dos contingentes fosse revista e que além do pessoal das FFAA, policiais e civis, visando a atuação mais apropriada em razão dos riscos mais prováveis nesses países em crise. 47 No que se refere ao socorro às vítimas, pode-se verificar que em termos operacionais, a atuação inicial foi de certa forma tímida, havendo o acionamento de forças ligadas a questão dos desastres, como Bombeiros, através do emprego de Força Tarefa de vários países, notadamente dos Estados Unidos da América (EUA), posteriormente reforçado por contingentes de vários países com vistas ao socorro dos atingidos. Assim, as FFAA, como anteriormente dito, tem feito um excelente trabalho nos diversos países que tem atuado, contudo, frente a nova demanda voltada para a atuação em desastres, se faz necessário algumas adequações em termos de contingentes e até mesmo de capacitação (DEVI, 2010; KIMBERLY et al., 2004). Esta atuação poderia ser fortalecida caso houvesse um treinamento específico para a atuação frente a desastres, sobre o que passaremos a discorrer. 4.1 PROPOSTA DE TREINAMENTO O treinamento seria realizado em forma de Curso de Especialização “Lato Sensu” em Gestão de Desastres - Gestão de Riscos e Administração em Defesa Civil (CEGeD), em nível de Pós-Graduação. A área do conhecimento a que pertenceria inicialmente o treinamento seria o de administração em eventos adversos nas áreas urbanas e rurais, planejamento urbano e regional, política pública e de população, administração pública e de defesa, que poderia ser ofertado em modo misto através de aulas presenciais e a distância. A proposta se justifica tendo em vista que os desastres têm aumentado em termos de frequência e intensidade no mundo, e no Brasil. A perspectiva quanto à incidência das alterações do clima, eventos sísmicos, dentre outros, sobre o cenário predominantemente urbanizado brasileiro traz à tona deficiências nos planejamentos que precisam ser geridas, pois concorrem para o surgimento dos desastres. Nesse contexto, a preparação de profissionais em nível de especialização, a partir das mais diversas áreas do conhecimento, para atuarem de forma a influenciar a gestão pública e urbana torna-se condição imprescindível para o atingimento do objetivo da defesa ou proteção civil: a redução dos desastres quanto a sua quantidade e intensidade dos danos e prejuízos. É nesse contexto que se insere a gestão de riscos de desastres, aprofundamento necessário para os profissionais da 48 esfera pública e privada interessados no incremento da segurança global da população. O público alvo seriam Profissionais das mais diversas áreas de formação interessados na gestão de riscos para reduzir os desastres quanto a sua ocorrência ou seus efeitos. Por outro lado, a gestão de riscos e desastres está em evidência e se conecta diretamente às funções desempenhadas com as ações das Missões de Paz, notadamente nos países em crises políticas alvos dessas missões, tais como membros as FFAA, voluntários, bombeiros militares, policiais militares, funcionários públicos de autarquias ou das mais diversos órgãos, funcionários públicos federais, técnicos ou engenheiros na área de segurança do trabalho, profissionais da área ambiental, profissionais da área da saúde, professores, entre outros que tenham interesse na área que se encontra em franca evolução no país. Os temas a serem propostos seriam composto de acordo com a perspectiva de formação e inserido nas principais abordagens teórico-práticas exigidas para as atividades do Curso, tais como introdução ao estudo da Defesa Civil – aspectos doutrinários e legais; metodologia da pesquisa científica; desastres e emergências com produtos perigosos; estrutura do sistema nacional de Defesa Civil; planejamento para a redução dos desastres; sistema de informações e georeferenciamento; resiliência a desastres; gerenciamento de desastres; salvamento e primeiros socorros ligados à desastres; prevenção e combate a incêndios urbano e em vegetação; avaliação de danos e decretações em situações de desastre; psicologia ligada aos desastres e seus efeitos e seminários temáticos. Ressalta-se que o objetivo do curso seria o de formar especialistas nas questões do planejamento e gestão do território que impliquem em problemas de risco em grande escala para a população, de defesa civil (segurança, prevenção e minimização de desastres) bem como as estratégias de reconstrução e recuperação das áreas atingidas. Em se tratando de um curso de Pós-Graduação em nível de Especialização “Lato Sensu” em Defesa e Segurança Civil teria ainda por objetivo principal a formação de recursos humanos, para atendimento das necessidades do país na elaboração de políticas, planejamento e ações no âmbito da Defesa e Segurança Civil em Missões de Paz. Outro ponto importante seria a formação de pessoal civil nessa área que, em parceria com especialistas do setor militar, poderia ampliar a 49 massa crítica de profissionais dedicados à defesa e segurança civil no Brasil e em países alvo de Missões de Paz, a fim de garantir uma maior cobertura de atendimento no território desses países, com melhoria na qualidade e redução do tempo de resposta do poder público, aos desastres de grande impacto social. Desenvolvimento de pesquisa básica e aplicada bem como a busca de novas tecnologias, seriam uma preocupação permanente do Curso, de forma a colocar o nosso país no mesmo nível das grandes nações quanto à prevenção e minimização de impactos provocados por desastres, tanto naturais, quanto aqueles de origem antropogênica. Finalizando, a preparação de recursos humanos tem sido um diferencial em termos das Missões de Paz, e o aparecimento de novos desafios tem de ser enfrentados no dia a dia tendo em vista o dinamismo que estas atuações apresentam, e nesse contexto o local mais indicado para formar não somente os membros da FFAA, Forças Auxiliares, civis, voluntários e alunos de nações amigas, tendo em vista que as ações de enfrentamento a desastres necessitam de atuação conjunta em termos teóricos e práticos, na grande maioria das vezes, seria a Escola Superior de Guerra pelas características já existentes neste educandário. Complementando, as FFAA em caso de desastres, como normalmente acontecem em desastres ampliados, atua conjuntamente com outros órgãos, países, e entidades. Neste sendo se faz premente que o treinamento seja conjunto para evitar problemas de coordenação e controle, bem como para evitar a falta de doutrina e padronização durante a ação frente aos desastres que por si só já é muito complexa, com riscos aumentados. 50 5 CONCLUSÃO Conforme foi visto, as FFAA têm a expertise e o respeito internacional em atuação em Missões de Paz, tendo as ações reconhecimento já consolidado. Contudo, cada vez que nos propomos a fazer determinada missão, novos desafios se apresentam, dentre eles podemos citar, devido o ocorrido mais recentemente, a possibilidade de enfrentamento à desastres. Este fato se deve que muitas destas nações que são alvo das Missões de Paz além de normalmente estarem em situação de instabilidade, e os conflitos armados acabam potencializando acidentes e incidentes, com possibilidade de um número cada vez mais elevado de vítimas. Outrossim, a capacidade de resposta a desastres destes países acaba sendo muito pequena, principalmente por não apresentarem serviços formais destinados a fazer frente a esta questão, como serviços de Bombeiros, que somada a falta de infraestrutura acaba sendo fator que potencializa a vulnerabilidade local, em função dos riscos já mencionados. Neste sentido, principalmente depois do ocorrido no Haiti, onde os militares ali empenhados em função da instabilidade política se viram frente a uma situação extraordinária que foi o terremoto ocorrido em 2010, com grande número de vítimas. Por outro lado as FFAA, naquele momento, dentro de suas limitações em termos de materiais, pessoal e capacitação técnica, para fazerem frente ao socorro de vítimas do desastre, prestaram um ótimo serviço durante o socorrimento aos acidentados. Este socorro acabou sendo potencializado pela proximidade com os EUA, que disponibilizaram em curto espaço de tempo ajuda para atendimento às vítimas, através de Força Tarefa de Bombeiros para atendimento às vítimas. Esta Força Tarefa foi fortalecida com a participação de Bombeiros de vários países da Ameríca do Sul, inclusive do Brasil. Contudo, se relembrarmos algumas situações de emergência ocorridas no mundo, e para exemplificar podemos citar o Japão, que foi atingido por um Tsunami que inclusive dificultaram a chegada de socorro internacional devido a destruição e danos à portos e aeroportos, além dos risco de contaminação quando do atingimento da Usina Nuclear de Fukushima. Neste diapasão, a atuação das Forças empenhadas em Missões de Paz, caso venha a ocorrer, e ao se depararem com algo similar a situação do Japão poderiam ser colocadas em situação de risco, devido a falta de preparação técnica 51 específica para atuação de busca e salvamento em estruturas colapsadas, agravado pela instabilidade que os grandes desastres tendem a provocar em termos de saques e outras situações que acabam comprometer a segurança das localidades atingidas. Assim, em havendo desastres, onde a situação anormal tende a absorver grande número de pessoas para atuarem no salvamento, este fato poderia agravar a situação devido a necessidade de efetivo extra, potencializado pela perturbação da ordem pública e da segurança que os desastres provocam, uma vez que os grandes acidentes tendem a agravar ainda mais a instabilidade social das localidades afetadas. Nesta direção, a imagem das FFAA empregadas nas Missões de Paz poderia sofrer um grande desgaste em nível local e até mundial, caso a capacidade operacional voltada para o socorro fosse exaurida, inclusive com aumento muito grande de riscos para os militares envolvidos, além do que ao atuarem no salvamento, estes militares poderiam acabar se tornando vítimas, pela falta de treinamento específico para tal atuação. Por outro lado, pode-se verificar que ao longo do tempo, as Missões de Paz tem privilegiado as FFAA, e cada vez menos policiais e bombeiros tem sido empenhados, e este fato pode ser perigoso principalmente diante de ocorrências como a do Haiti. Não podemos esquecer que os riscos presentes em alguns locais em que o Brasil mantem contingentes, apresentam as mesmas potencialidade de problemas do que ocorreram no Haiti, aliado a vulnerabilidade destas localidades, a possibilidade de desastres de grandes proporções acaba sendo uma realidade presente no dia a dia dessas nações. Em conclusão, algumas ações poderiam minimizar esta situação, sem, contudo, tirar o foco da atuação das Missões de Paz, que visam questões voltadas para a paz e ordem pública, que seria compor parte do efetivo com Bombeiros Militares, inclusive com equipamentos para fazer frente a situações similares a ocorrida no Haiti. Este contingente de Bombeiros seria empenhado de acordo com a possibilidade da ocorrência de desastres, sendo que em países que tivesse maior vulnerabilidade teriam em seu contingente 5% (cinco por cento) de Bombeiros Militares, e em locais com menor vulnerabilidade teriam 2% (dois por cento). A atuação dos Bombeiros seria em termos preventivos com palestras, instruções e vistorias junto a comunidade, além de serem assessores técnicos dos comandantes 52 em caso de acidentes podendo ajudar os comandantes a alocarem os recursos, tanto humano como materiais com mais efetividade em caso de desastres. Por outro lado, em termos técnicos, não falaremos em formação, pois consideramos que a formação para fazer frente a Missão de Paz, é o suficiente, contudo, em caso de desastres poderíamos propiciar aos envolvidos melhores condições para fazer frente a esta situação, caso ocorra, em termos de socorrimento às vítimas. Assim propomos um treinamento, que somado a presença de Bombeiros Militares, seria um grande avanço para que as forças envolvidas nas Missões de Paz, visando a atuação em caso de situações como a ocorrida no Haiti, principalmente diante de acidentes aumentados em que o apoio externo muitas vezes acaba sendo atrasado e dificultado. Para o treinamento, estamos propondo um curso de Especialização “Lato Sensu”, em nível de pós-graduação para os militares e civis que possuam formação superior, e em nível de extensão para os que não possuam tal formação superior. Este treinamento poderia ficar a cargo do Ministério da Defesa e seria um prérequisito para atuação nas Missões de Paz. O programa de treinamento se encontra no anexo “A”, podendo ser implementado de imediato. Todavia, o programa poderia ao longo do tempo ser aperfeiçoado, visando um fortalecimento da imagem do Brasil no exterior. Por outro lado, as ações apresentadas seriam uma novidade em termos de atuação frente ao cenário presente na atualidade em termos de Missão de Paz. Concluindo, em termos de futuro sempre ouvimos falar: “se queres a paz prepara-te para a guerra”, ou seja, sempre devemos estar preparados para as situações mais anômalas e de elevado risco, principalmente em um ambiente em que não temos uma retaguarda de pronto emprego e com deficiências de infraestrutura graves, como ocorre na maioria dos países que tem Missões de Paz. Assim, ações como estas tendem a servir para salvar vidas, inicialmente de forma preventiva, como anteriormente mencionada, proporcionando uma maior proximidade com a população, e secundariamente proporcionando uma chance aumentada de sobrevivência para os vitimados em razão de desastres, e com consequente diminuição no número de sequelas, potencializando que os parcos recursos disponíveis nestes países em situações instáveis, possam fazer o melhor para um número maior de pessoas. Finalizando, acreditamos que as FFAA, tem um alto conceito perante a população nacional e internacional, e tem sido um veículo importante de 53 fortalecimento da imagem do Brasil no cenário internacional, e com ações como as propostas, o país tende a ter um reconhecimento cada vez maior, com a redução dos riscos para seus integrantes, e menores desgastes em termos de materiais e, sobretudo, com aumento na chance de sobrevivência por parte dos atingidos com a segurança necessária para as ações a serem desenvolvidas. 54 REFERÊNCIAS ALCÁNTARA-AYALA, I. Geomorphology, natural hazard, vulnerability and prevention of natural disasters developing countries. Geomorphology, Manhattan, KS, USA, v. 47, p.107-124, 2002. BBC BRASIL. Brasil é o país das Américas mais afetado por desastres. Curitiba, 2006. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2003/07/030717_cruzver mla.shtm>l Acesso em: 23 mai. 2013. BRASIL Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 02 maio 2013. ________. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Defesa Civil. Apostila sobre implantação e operacionalização de COMDEC. 4. ed. Brasília, DF: SEDEC, 2007, 71 p. BRAUCH, H.G. Treats, challenges, vulnerabilities and risks in environmental and human security. Bonn: SOURCE (Studies of the University: research, counsel, education)/UNU-EHS, n. 1, 2005. CASTRO, A. L. C. Manual de planejamento em defesa civil. Brasília, DF: SEDEC, 2003. ________. Glossário de defesa civil estudos de riscos e medicina de desastres. 5. ed. Brasília, DF: SEDEC, 2005. CENTRO CONJUNTO DE PREPARAÇÃO DE PAZ DO BRASIL (CCOPAB). Estágio de Preparação para Missões de Paz. Disponível em: http://www.ccopab.eb.mil.br/index.php/pt/ensino/cursos-e-estagios/estagio-depreparacao-para-missoes-de-paz. Acesso em: 02 maio 2013. CERUTTI, D. F.; OLIVEIRA, M. L. C. Aplicação da gestão de risco de desastres no Sistema Único de Saúde (SUS). Cad. Saúde Colet., Rio de Janeiro, p. 417-24, 2011. COSTA, W. T. A. O trabalho emocional de militares do exército brasileiro em missões de paz das Nações Unidas. In: CONGRESO INTERNACIONAL DEL CLAD SOBRE LA REFORMA DEL ESTADO Y DE LA ADMINISTRACIÓN PÚBLICA.17, 2012, Cartagena, Colombia. Anais… p. 411-423. 55 DEVI, S. Helping earthquake-hit Haiti. The Lancet, London, v. 375, n. 9711, p. 267268, 2010. DILLEY, M.R.S. et al. Natural disaster hotspots: a global risk analysis. Washington: World Bank Publications, 2005. EMERGENCY DISASTERS DATA BASE (EM-DAT). Produce a list of disasters and associated losses. Brussels, 2012. Disponível em: <http://emdat.net/disasters/list.php> Acesso em: 23 maio 2013. FITZGERALD, D. J.; SZTAJNKRYCER, M. D.; CROCCO, T. J. Chemical weapon functional exercise--Cincinnati: observations and lessons learned from a "typical medium-sized" city's response to simulated terrorism utilizing Weapons of Mass Destruction. Public Health Rep, Washington, DC, USA. v. 118, n. 3, p. 205–214, 2003. GONÇALVES, J., C. Impactos e medidas econômicas relacionados a desastres. ComCiência, Campinas, n. 117, 2010. Disponível em: <http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151976542010000300009&lng=es&nrm=iso>. Acesso em: 02 maio 2013. HOUAISS, A. Defesa. In: Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. HUY, J. Recent massive earthquake and tsunami in Japan. Public Health Rep. Washington, DC, USA. v. 126, n. 4, p. 457, jul/aug. 2011. INFORMATION BULLETIN ON GLOBAL ENVIRONMENTAL (AVISO). Change and Human Security. n. 14, oct. 2005. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA ESTATÍSTICA (IBGE). População residente, por situação do domicílio e por sexo. 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Disponível em: http://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?tipo=LCP&num= 54&comp=&ano=1999. Acesso em: 02 ago. 2013. MINAS GERAIS. Gabinete Militar do Governador. Coordenadoria Estadual de Defesa Civil. Histórico. Minas Gerais: GMG. 2012. Disponível em <http://www.defesacivil.mg.gov.br> Acesso em: 27 ago. 2013. MUNICH RE. Münchener Rückversicherungs-Gesellschaft, Geo risk research. Annual Statistics 2012. NATCATSERVICE. Disponível em: <http://www.munichre.com/en/reinsurance/business/nonlife/georisks/natcatservice/annual_statistics.aspx> Acesso em: 01 ago. 2013. O’RIORDAN, T. Precautionary Principle. In: TOLBA , M.K. (Ed.). Encyclodia of Global Environmental Change. Chichester, UK: John Wiley, 2002. v. 4 QUINTERO-ANGEL, M; CARVAJAL-ESCOBAR, Y; ALDUNCE, P. Adaptación a la variabilidad y el cambio climático: intersecciones con la gestión del riesgo. Luna Azul, Manizales, n. 34, 2012. ROSENFELD, C. L. The geomorphological dimensions of natural disasters. Geomorphology, Manhattan, KS, USA, v. 10, p.27-36, 1994. PROGRAMA DE LAS NACIONES UNIDAS PARA EL DESARROLLO (PNUD). Dirección de Prevención de Crisis y de Recuperación, 2004. PNUD Arquivos. Disponível em: <http://www.undp.org/cpr/disred/documents/publications/rdr/execsummary_esp.pdf>. Acesso em: 02 maio 2013. UNITED STATES GEOLOGICAL SURVEY (USGS). Controlled Flooding of the Colorado River in Grand Canyon: the Rationale and Data-Collection Planned. USGS Data-Collection. Disponível em: <http://water.usgs.gov/wid/FS_089-96/FS_08996.html> Acesso em: 29 maio 2013. UNITED NATIONS INTERNATIONAL STRATEGY FOR DISASTER REDUCTION (UNISDR). Hyogo Framework for Action (HFA) 2005-2015: Building the Resilience of Nations and Communities to Disasters. Kobe, 2005. Disponível em <http://www.unisdr.org/files/1037_hyogoframeworkforactionenglish.pdf> Acesso em 07 maio 2013. _______. Terminology on Disaster Risk Reduction. Geneva, May. 2009. Disponível em <http://www.unisdr.org/files/7817_UNISDRTerminologyEnglish.pdf> Acesso em 02 maio 2013. 57 ANEXO “A” Escola Superior de Guerra PROJETO PEDAGÓGICO DE CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU 1 NOME DO CURSO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO DE DESASTRES - GESTÃO DE RISCOS E ADMINISTRAÇÃO EM DEFESA CIVIL 1.1 ÁREA DO CONHECIMENTO A QUE PERTENCE ADMINISTRAÇÃO EM AVENTOS ADVERSOS NAS ÁREAS URBANAS E RURAIS, PLANEJAMENTO URBANO E REGIONAL, POLÍTICA PÚBLICA E POPULAÇÃO, ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, DEFESA. Forma de oferta: Misto (EAD/PRESENCIAL). 2 OBJETIVO GERAL O curso objetiva especializar egressos de Cursos de Graduação ou PósGraduação empenhados nas Missões de Paz para a ampliação e aprofundamentos dos conhecimentos em relação à gestão dos riscos e desastres. 3 PÚBLICO-ALVO O curso teria como público alvo profissionais das mais diversas áreas de formação interessados na gestão de riscos para reduzir os desastres quanto a sua ocorrência ou seus efeitos, tais como membros as FFAA, voluntários, bombeiros militares, policiais militares, funcionários públicos de autarquias ou das mais diversos órgãos, funcionários públicos federais, técnicos ou engenheiros na área de segurança do trabalho, profissionais da área ambiental, profissionais da área da saúde, professores, entre outros que tenham interesse na área que se encontra em franca evolução no país. 58 4 CARGA HORÁRIA Carga horária total: 360 horas/aula dividas em atividades em sala de aula, ensino à distância, seminários e atividades práticas. 5 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO 1 Disciplina: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA DEFESA CIVIL – ASPECTOS DOUTRINÁRIOS E LEGAIS Carga Horária: 15h/a Ementa: Conhecer a composição e a forma como se organiza o Sistema de Defesa Civil. Caracterizar os períodos de normalidade e anormalidade, partindo-se de uma apresentação e discussão conceitual sobre termos característicos, como emergências, acidentes, desastres, incidentes, sinistros, entre outros habitualmente utilizados para a definição de algum acontecimento crítico. Abordagem, dentro da normalidade, à prevenção e à preparação, e, no período da anormalidade, à resposta e à reconstrução. Participação do voluntário nas ações de Defesa Civil sob o ponto de vista da aplicação e da legalidade. Análise da legislação que rege a sistemática de Defesa Civil. Bibliografia Básica: BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Política Nacional de Defesa Civil. Brasília: 2004. BRASIL. Lei Federal nº 12.340 de 1º de dezembro de 2010. BRASIL. Decreto Federal nº 7.257, de 04 de agosto de 2010. CASTRO, Antonio L.C. Segurança Global da População. Brasília, 2007. 2 Disciplina: METODOLOGIA DE PESQUISA CIENTÍFICA – ÊNFASE EM GESTÃO DE RISCOS E DESASTRES Carga Horária: 45 horas aula Ementa: Proporcionar conhecimentos sobre as noções básicas da Metodologia de Pesquisa e construção de Artigo Científico; situar o projeto de pesquisa no cenário social local; contextualização da pesquisa na relação da gestão de riscos e desastres e do fenômeno a ser estudado; descrição da função investigativa do PP; a escolha o tema de pesquisa; construção do o problema de pesquisa, previsão de hipóteses (“hipótese aplicável”); construção do referencial teórico; identificação de métodos para emprego no desenvolvimento do artigo; instrumentos de coleta de dados mais utilizados; exame dos dados e a sua discussão à luz da teoria vinculada; 59 conhecer e programar o cronograma; conjugar a estrutura de elementos textuais com a revisão de literatura, metodologia, análise e discussão dos dados e a conclusão da pesquisa; estabelecimento dos critérios de inserção de citações e notas de rodapé; a apresentação e a construção gráfica do texto acadêmico; o uso do método estatístico e as maneiras de tratar dados coletados por meio de pesquisa quantitativa; o método estático como recurso auxiliar para a interpretação de dados na pesquisa qualitativa; tipos de variáveis e suas relações; estatística descritiva medida de tendência central - aplicação e utilidade na pesquisa; adoção da descrição gráfica de dados como meio de análise de dados (gráficos: histograma, setores, barras). Bibliografia Básica: GIL. A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ. Sistema de Bibliotecas. Teses, dissertações, monografias e outros trabalhos acadêmicos. Curitiba: UFPR, 2007. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15287: projeto de pesquisa. Rio de Janeiro, 2005. FLICK, U. Uma introdução à pesquisa qualitativa. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. SAMPIERI, R. H. et al. Metodología de la investigación. México: McGraw-Hill, 1998. 3 Disciplina: DESASTRES e RESILIÊNCIA Carga Horária: 15 h/a Ementa: Introduzir conceitos relacionados ao desenvolvimento da resiliência para as comunidades localizadas nas áreas de risco com a difusão dos Núcleos Comunitários de Defesa Civil e PAM – Plano de Auxílio Mútuo a partir do seu histórico, fundamentação e funcionamento, baseando-se nas dimensões prevencionistas e de resposta aos acidentes industriais com potencial geração de desastre. Conhecer a organização dos PAM em operação, suas consequências para as empresas, comunidade e governos. Bibliografia Básica: BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Política Nacional de Defesa Civil. Brasília: 2004. LOPES, D da. C. et al. Construindo Comunidades Mais Seguras: preparando para a ação cidadã em Defesa Civil. Florianópolis: UFSC/CEPED; Brasília: Secretaria Nacional de Defesa Civil, 2009. CASTRO, Antonio L.C. Segurança Global da População. Brasília, 2007. 60 4 Disciplina: DESASTRES E EMERGÊNCIAS COM PRODUTOS PERIGOSOS Carga Horária: 30 h/a Ementa: Desenvolver, a partir dos estudos relacionados aos desastres envolvendo produtos perigosos e suas características próprias, análise metodológica para atuação no momento da normalidade não apenas voltando-se ao transporte, manuseio e armazenagem, mas à localização de áreas de risco no entorno dessas operações. Analisar necessidades de resposta a partir de hipóteses, caracterizando a ação de preparação para tais emergências. Bibliografia Básica: PARANÁ. Conselho Estadual de Produtos Perigosos. Plano Estadual. Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Paraná. Curitiba: 2008; PARANÁ. Decreto Estadual nº 1.343 de 29 de setembro de 1999. ABIQUIM, Departamento Técnico, Comissão de Transportes. Manual para atendimento a emergências com produtos perigosos. São Paulo, 2006. Viriato, Carlos Eduardo. Manual deautoproteção para manuseio e transporte rodoviário de produtos perigosos. 2008. BROSTEIN, Alvin C. e CURRANCE, Phillip L. Emergency care for hazardous materials exposure. 2 nd ed. St. Louis:Mosby, 1994. CURRANCE, Phillip L.. First due – hamat video series. St Louis: Mosby, 1996. IFSTA. Hazardous materils for first responders. 2 nd ed. Oklahoma: Ifsta, 1994. IFSTA. Hazardous materils for first responders. 2 nd ed. Oklahoma: Ifsta, 1994 5 Disciplina: ESTRUTURA DO SISTEMA NACIONAL DE DEFESA CIVIL Carga Horária: 15 h/a Ementa: A partir da estrutura do Sistema Nacional de Defesa Civil (SINDEC), a abordagem da disciplina consiste nas características do trabalho realizado por cada órgão de coordenação do sistema com especial atenção ao município. A organização municipal e os aspectos que operacionalizam a Comissão Municipal de Defesa Civil (COMDEC) são apresentados com especial destaque, apresentando sugestões e rotinas para a organização local, tudo na busca pela redução de desastres. Bibliografia Básica: BRASIL. Lei Federal nº 12.340, de 01 de dezembro de 2010. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Defesa Civil – SINDEC, sobre as transferências de recursos para ações de socorro, assistência às vítimas, 61 restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas por desastre, e sobre o Fundo Especial para Calamidades Públicas - FUNCAP, e dá outras providências; BRASIL. Decreto n. 7.257 de 4/08/2010. Regulamenta a Medida Provisória nº 494 de 2 de julho de 2010, para dispor sobre o Sistema Nacional de Defesa Civil - SINDEC, sobre o reconhecimento de situação de emergência e estado de calamidade pública, sobre as transferências de recursos para ações de socorro, assistência às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução nas áreas atingidas por desastre, e dá outras providências; PINHEIRO, Eduardo Gomes. Defesa Civil para Prefeitos. Imprensa Oficial, Curitiba, 2008. 6 Disciplina: PLANEJAMENTO PARA A REDUÇÃO DOS DESASTRES Carga Horária: 30 h/a Ementa: Partindo-se do município como unidade de implementação da Defesa Civil e cenário potencial dos desastres, analisar o conceito de planejamento, as funções sociais da cidade e suas dimensões, relacionando a importância de inserção, no Plano Diretor Municipal, das percepções relacionadas aos desastres típicas de Defesa Civil. Abordar os componentes das chamadas ações globais de defesa civil a partir da estrutura do planejamento para a redução dos desastres, verificando, a partir dessa composição, as relações com outras áreas do conhecimento afetas, priorizando o Plano Diretor Municipal nesse contexto. Bibliografia Básica: CASTRO, A. L. C. Manual de Planejamento em Defesa Civil. Volume I. Brasil: Ministério da Integração, Secretaria Nacional de Defesa Civil, 1999; CASTRO, A. L. C. Manual de Planejamento em Defesa Civil – Volume II. Brasil: Ministério da Integração, Secretaria Nacional de Defesa Civil, 2007. PINHEIRO, E. G. Estruturação de Fundamentos Referenciais para a Elaboração do Plano Diretor de Defesa Civil como Instrumento de Gestão Urbana. Dissertação de Universidade Católica do Paraná, 2011. Mestrado. Curitiba: Pontifícia 62 7 Disciplina: SISTEMA DE INFORMAÇÕES E GEOREFERENCIAMENTO Carga Horária: 30h/a Ementa: Conhecer o SISDC – Sistema de Informações da Defesa Civil e suas características, dentre as quais a utilização do georeferenciamento como ferramenta para a redução dos desastres. Aplicação de formulários eletrônicos para a Notificação Preliminar de Desastres e Avaliação de Desastres, alimentação do banco de dados a partir dessa utilização. Definições de acessos, seus níveis e prerrogativas. O cadastramento de voluntários e a inserção de notícias Bibliografia Básica: PARANÁ. Casa Militar. Sistema Informatizado da Defesa Civil (SISDC). Curitiba: não editado. 8 Disciplina: GERENCIAMENTO DE DESASTRES Carga Horária: 30 h/a Ementa: Conhecer e aplicar ferramentas gerenciais para desastres desenvolvendo técnicas e táticas de comando, controle e coordenação em resposta a situações de emergências, (extrair do trabalho do Anderson) Bibliografia Básica: OLIVEIRA, M de. Livro texto do Projeto Gerenciamento de Desastres. Sistema de Comando em Operações. SEDEC. CEPED. Florianópolis: 2010. 9 Disciplina: SALVAMENTO E PRIMEIROS SOCORROS E DESASTRES Carga Horária: 60 h/a Ementa: Dar noções sobre procedimentos relativos aos trabalhos de salvamento nos ambientes, terrestre, altura, aquático e em ambiente com maior risco a integridade de física e de vida durante as ações de atendimento préhospitalares principalmente nos casos traumáticos Conhecer os conceitos relacionados a busca e salvamento e primeiros socorros em relação aos desastres, com técnicas de socorro em estruturas colapsadas, suporte básico de vida em caso de desastres. Analisar a distribuição da rede pública e particular de saúde e alternativas para atendimento de grandes quantidades de pessoas em casos de pandemias, epidemias e acidentes com múltiplas vítimas. Bibliografia Básica: MINAS GERAIS. Corpo de Bombeiros. 1ª Resposta. Uberlândia:2012. LOPES, D. C.; et al. Construindo comunidades mais seguras: preparando para a ação cidadã em defesa civil. Florianópolis: UFSC/CEPED; 2009. MARYLAND FIRE AND RESCUE INSTITUTE. Rescue technician 63 operational readiness for rescue providers. St Louis: Mosby, 1998 WORSING, R. A. (org). Basic rescue and emergency care. Park Ridge: American Academy of Orthopaedica surgeons, 1990. BERGERON, J. David. First responder. Maryland: Brady, 1997 10 Disciplina: Carga Horária: Ementa: PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIOS URBANO E EM VEGETAÇÃO 30 h/a Compreender aspectos relacionados aos incêndios a partir da sua origem e características físicas e químicas. Estabelecer contato com os fundamentos da prevenção de incêndios em edificações e florestais. Serão abordadas estratégias para o atendimento emergencial a esses tipos de desastres, inseridos no quotidiano dos municípios, diferenciando-se as peculiaridades da prevenção e combate levando-se em conta a existência dos serviços de bombeiros ou não nos municípios. Bibliografia Básica: PARANÁ. Corpo de Bombeiros. Código de Prevenção de Incêndios. Curitiba: 2001. PARANÁ. Plano Estadual Mata Viva. CEDEC/PR, 2007. PARANÁ. Decreto Estadual nº 4.223, de 14 de abril de 1998. 11 Disciplina: AVALIAÇÃO DE DANOS E DECRETAÇÕES EM SITUAÇÕES DE DESASTRE Carga Horária: Ementa: 15 h/a Conhecer os documentos utilizados pelo Sistema Nacional de Defesa Civil (SINDEC) para o Registro de Desastres (NOPRED) e o formulário de Avaliação de Danos (AVADAN). Praticar o preenchimento dos documentos em situações hipotéticas, analisar os erros mais comuns e requisitos para seu enquadramento aos critérios utilizados. Conceituar Situação de Emergência e Estado de Calamidade Pública, diferenciando-os. Conhecer os componentes dos decretos de Situação de Emergência e Estado de Calamidade Pública, suas características e particularidades. Conhecer os Planos de Trabalho e as alternativas para a obtenção de recursos após a ocorrência de desastres. Bibliografia Básica: BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Manual para a Decretação de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública. v.1. Brasília: 2005; BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Manual para a Decretação de Situação de Emergência ou de Estado de Calamidade Pública. 64 v.2. Brasília: 2005. BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Avaliação de Danos: perguntas e respostas. Brasília: 2005. 12 Disciplina: PSICOLOGIA LIGADA AOS DESASTRES E SEUS EFEITOS Carga Horária: 15 h/a Ementa: Conhecer as principais modificações comportamentais que resultam da participação nos desastres sob o ponto de vista dos afetados, dos gerenciadores, dos profissionais técnicos de planejamento e execução, bem como da população como um todo. Conhecer mecanismos de persuasão para implementar nas atividades de prevenção de desastres e preparação. Bibliografia Básica: BRASIL. Secretaria Nacional de Defesa Civil. Universidade Federal de Santa Catarina. Centro Universitário de Estudos e Pesquisas Sobre Desastres. Gestão de Riscos e de Desastres: contribuições da psicologia. Florianópolis: CEPED, 2010; 13 Disciplina: SEMINÁRIOS TEMÁTICOS Carga Horária: 30 h/a Ementa: Discussão de temas atuais relacionados à gestão de desastres de forma a proporcionar a integralização dos conteúdos e complementação tópica específica. Bibliografia Básica: CASTRO, A. L. C. Manual de Planejamento em Defesa Civil. Volume I. Brasil: Ministério da Integração, Secretaria Nacional de Defesa Civil, 1999; CASTRO, A. L. C. Manual de Planejamento em Defesa Civil – Volume II. Brasil: Ministério da Integração, Secretaria Nacional de Defesa Civil, 2007. PINHEIRO, E. G. Estruturação de Fundamentos Referenciais para a Elaboração do Plano Diretor de Defesa Civil como Instrumento de Gestão Urbana. Dissertação de Mestrado. Curitiba: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2011. BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Política Nacional de Defesa Civil. Brasília: 2004. LOPES, D da. C. et al. Construindo Comunidades Mais Seguras: preparando para a ação cidadã em Defesa Civil. Florianópolis: UFSC/CEPED; Brasília: Secretaria Nacional de Defesa Civil, 2009. CASTRO, Antonio L.C. Segurança Global da População. Brasília, 2007. 65 5.1 ÁREA DE ATUAÇÃO O objetivo do curso proposto é formar especialistas nas questões do planejamento e gestão do território que impliquem em problemas de risco em grande escala para a população, de defesa civil (segurança, prevenção e minimização de desastres) bem como as estratégias de reconstrução e recuperação das áreas atingidas. O Curso de Pós Graduação em nível de Especialização “Lato Sensu” em Defesa e Segurança Civil tem por objetivo principal a formação de recursos humanos, para atendimento das necessidades do país na elaboração de políticas, planejamento e ações no âmbito da Defesa e Segurança Civil em Missões de Paz. É também objetivo do curso a formação de pessoal civil nessa área que, em parceria com especialistas do setor militar, possa ampliar a massa crítica de profissionais dedicados à defesa e segurança civil no Brasil e em países alvo de Missões de Paz, a fim de garantir uma maior cobertura de atendimento no território desses países, com melhoria na qualidade e redução do tempo de resposta do poder público, aos desastres de grande impacto social. Desenvolvimento de pesquisa básica e aplicada bem como a busca de novas tecnologias, serão uma preocupação permanente do Curso, de forma a colocar o nosso país no mesmo nível das grandes nações quanto à prevenção e minimização de impactos provocados por desastres, tanto naturais, quanto aqueles de origem antropogênica. 5.2 PERFIL DO PROFISSIONAL A SER FORMADO O profissional a ser formado deverá ser capaz de atuar em parcerias interinstitucionais, civil e militar, nos planos mundial e federal, bem como estar apto a atuar, de forma eficaz, como gestor de crises provocadas por razões naturais, humanas e mistas. 66 5.3 INTERDISCIPLINARIDADE As disciplinas possuem como fio condutor a cadeira introdutória, dela partindo as conexões para o desenvolvimento das mais diversas áreas, desde a preocupação com a abordagem preventiva até a relação com a prática dos acontecimentos quando da ocorrência de desastres. Nesse sentido, os conhecimentos voltam a se encontrar no gerenciamento de desastres, ocasião na qual a aplicação de ferramentas gerencias exigirão a interrelação dos conhecimentos trabalhados durante todo o curso. 5.4 ATIVIDADES COMPLEMENTARES As disciplinas específicas exigirão atividades complementares como a realização de exercícios práticos na disciplina denominada Sistema de Comando em Operações - Gerenciamento de Desastres, Primeiros Socorros e Prevenção e Combate a Incêndios urbanos e em vegetação, com a necessidade do desenvolvimento de parte dessas disciplinas num campo de treinamento a ser definido. Com isso espera-se que tenhamos um profissional mais bem preparado, principalmente para fazer frente a situações de emergências e desastres, comum em locais de atuação das Missões de Paz.