UNIVERSIDADE BANDEIRANTE DE SÃO PAULO WILSON ROBERTO SOLUNA DE SOUZA REPRESENTAÇÕES PLANAS DE FIGURAS TRIDIMENSIONAIS : UM ESTUDO ENVOLVENDO VISUALIZAÇÕES SÃO PAULO 2010 1 WILSON ROBERTO SOLUNA DE SOUZA MESTRADO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA REPRESENTAÇÕES PLANAS DE FIGURAS TRIDIMENSIONAIS : UM ESTUDO ENVOLVENDO VISUALIZAÇÕES Dissertação apresentada à banca examinadora da Universidade Bandeirante de São Paulo como exigência do Programa de Pós-graduação em Educação Matemática para obtenção do título de Mestre, sob a orientação da Profª Drª Vera Helena Giusti de Souza. SÃO PAULO 2010 2 S719r Souza, Wilson Roberto Soluna de. Representações planas de figuras tridimensionais: um estudo envolvendo visualizações / Wilson Roberto Soluna de Souza – São Paulo : [s.n.], 2010. 140f.; il. ; 30 cm. Dissertação de Mestrado - Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática, Universidade Bandeirante de São Paulo, Curso de Educação Matemática. Orientador: Profª Drª .Vera Helena Giusti de Souza. 1. Geometria 2. Visualização 3. Habilidades I. Título. CDD: 510 3 WILSON ROBERTO SOLUNA DE SOUZA REPRESENTAÇÕES PLANAS DE FIGURAS TRIDIMENSIONAIS : UM ESTUDO ENVOLVENDO VISUALIZAÇÕES DISSERTAÇÃO APRESENTADA À BANCA EXAMINADORA DA UNIVERSIDADE BANDEIRANTE DE SÃO PAULO COMO EXIGÊNCIA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA Presidente e Orientador Nome:_________________________________________________________ Titulação:______________________________________________________ Instituição:_____________________________________________________ Assinatura:_____________________________________________________ 1º Examinador Nome:_________________________________________________________ Titulação:______________________________________________________ Instituição:_____________________________________________________ Assinatura:_____________________________________________________ 2º Examinador Nome:_________________________________________________________ Titulação:______________________________________________________ Instituição:_____________________________________________________ Assinatura:_____________________________________________________ NOTA FINAL:________________________________________________________ Biblioteca Bibliotecário:__________________________________________________ Assinatura:_________________________________DATA:____/____/____ São Paulo,____de____________________________de 20____ 4 Autorizo, exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação por processos de fotocopiadora ou eletrônicos. ____________________________________ 5 Dedico este trabalho à minha amada esposa Vera, que sempre me acompanhou incentivando-me nos momentos difíceis. Aos meus queridos filhos João Gabriel e Isadora, que tiveram muita paciência comigo nesta etapa empreendedora. 6 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, por me acompanhar por toda esta etapa da minha vida. A minha tia Oraci por ter me ajudado, pois sem essa ajuda não seria possível ter iniciado os meus estudos. Ao Programa Bolsa Mestrado, do Governo do Estado de São Paulo. A professora orientadora Drª Vera Helena Giusti de Souza, que muito me ajudou colaborando com seus conhecimentos para o desenvolvimento deste trabalho. Aos professores do Programa de Pós-Graduação em Educação Matemática, pelo apoio e incentivo. A professora Dra Maria Elisa Esteves Lopes Galvão por sua contribuição ao trabalho. A Vera, minha esposa, por me ajudar com suas idéias e sugestões na leitura e revisão de todo este trabalho. Aos alunos que colaboraram participando das entrevistas pelo empenho e disposição. 7 RESUMO O objetivo do estudo é investigar se a utilização de imagens externas variadas podem ajudar no processo e no desenvolvimento de habilidades de visualização e quais destas podem ser desenvolvidas com a análise dessas imagens. A partir da leitura de alguns artigos e dissertações desenvolvidos nesta temática e também dos Parâmetros Curriculares Nacionais, da Proposta Curricular do Estado de São Paulo, do Caderno do Professor de Matemática e de livros didáticos indicados pelo Programa Nacional do Livro do Ensino Médio, colocamos duas questões de pesquisa, quais sejam “A utilização de imagens externas variadas pode ajudar no desenvolvimento de habilidades de visualização?” e “Quais habilidades de visualização podem ser desenvolvidas com a análise dessas imagens?”. Usamos como embasamento teórico as idéias desenvolvidas por Parzysz (1988) e Gutiérrez (1996) sobre visualização. Para realizar a pesquisa, fizemos duas entrevistas semiestruturadas, com questões investigativas sobre as habilidades de visualização (GUTIERREZ, 1996), separadas por um trabalho individual, em casa, com quatro alunos do 3o ano do Ensino Médio, num total de oito entrevistas. Na segunda entrevista, regras de perspectiva foram apresentadas e exemplificadas aos alunos, que passaram a observar as gravuras para identificar a presença ou não dessas regras e para classificar representações cônicas ou paralelas. A análise qualitativa dos protocolos mostra que os alunos aumentaram seu repertório de imagens e despertaram para a necessidade de ficarem atentos para as características da representação, a fim de bem interpretá-las. Recomendamos a vivência de atividades de interpretação de imagens na sala de aula e na escola, de modo a garantir que o aluno desenvolva, ao longo do período escolar, um processo de visualização que poderá ajudá-lo no processo de aprendizagem da Geometria que priorize a qualidade. Palavras-chave: Geometria. Visualização. Habilidades. 8 ABSTRACT The objective of this study is to investigate if the external varied images may help in the process of visualization abilities development and which of them may be developed with the analysis of these images. Starting with the reading of some articles and papers developed in this subject matter and also based on “Parâmetros Curriculares Nacionais”, on “Proposta Curricular do Estado de São Paulo”, on “Caderno do Professor de Matemática” and on the schoolbooks indicated by the “Programa Nacional do Livro do Ensino Médio”, we put two research questions: “May the utilization of external varied images help in the visualization ability development?” and “Which visualization abilities may be developed with these images analysis?” We used as theoretical basis the ideas developed by Parzysz (1988) and Gutiérrez (1996) about visualization. To realize the research we did two semi-structured interviews, with investigative questions about the visualization abilities (GUTIÉRREZ, 1996), separated by an individual work, at home, with four students of the High School third grade, in the total of eight interviews. In the second interview, the perspective rules were presented and exemplified to the students that start to observe the pictures to identify the presence or not of these rules and to classify conic or parallel representation. The protocols qualitative analysis shows that the students increased their images repertoire and aroused to the necessity of paying attention to the representation characteristics in order to interpret them. We recommend the experience with interpretation activities in the school class and in the school in order to guarantee that the student develops, during the school period, a visualization process of Geometry learning that prioritize the quality. Key Words: Geometry. Visualization. Abilities. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Quadro dos níveis de representação ........................................................ 20 Figura 2 - Quadrilátero .............................................................................................. 21 Figura 3 - Um quadrado e uma pirâmide? ................................................................. 22 Figura 4 - Plano P e os pontos A,B e C ..................................................................... 23 Figura 5 - Desenho de um cubo ................................................................................ 27 Figura 6 - Representação plana de módulos multicubos .......................................... 27 Figura 7 - Quadriláteros ............................................................................................ 39 Figura 8 - Cubo ........................................................................................................ 40 Figura 9 - Quadrado com suas diagonais? ............................................................... 42 Figura 10 - Cubo com as arestas prolongadas.......................................................... 43 Figura 11- Cubo PC ( 45º, 75%) ................................................................................ 53 Figura 12 - Cubo PC ( 27º, 56%) ............................................................................... 54 Figura 13 - Perspectivas ........................................................................................... 56 Figura 14 - Cubo em perspectiva .............................................................................. 57 Figura 15 - Ponto de fuga .......................................................................................... 57 Figura 16 - Vistas múltiplas ....................................................................................... 58 Figura 17 - Projeção paralela ortogonal .................................................................... 58 Figura 18 - Projeção paralela oblíquoa ..................................................................... 59 Figura 19 - Sistema ortogonal de três eixos .............................................................. 59 Figura 20 - Eixos ortogonais isométricos .................................................................. 60 Figura 21 - Cubo em perspectiva isométrica ............................................................. 60 Figura 22 - Eixos prolongados................................................................................... 61 Figura 23 - Dimensões do cubo ................................................................................ 61 Figura 24 - Cubo em perspectiva dimétrica ............................................................... 62 10 Figura 25 - Cubo em perspectiva trimétrica .............................................................. 63 Figura 26 - Eixos com coeficientes de redução ......................................................... 64 Figura 27 - Cubo em perspectiva cavaleira PC(30º, 50%) ........................................ 64 Figura 28 - Reconstrução do templo de Jerusalém ................................................... 70 Figura 29 - Árvores rebatidas .................................................................................... 70 Figura 30 - Exorcismo dos demônios de Arezo ......................................................... 71 Figura 31 - Nascimento da Virgem(painel 7) ............................................................. 71 Figura 32 - São Francisco perante o sultão .............................................................. 72 Figura 33 - A vida na cidade. Os efeitos do Bom Governo ....................................... 72 Figura 34 - Palla de Brera ......................................................................................... 73 Figura 35 - Alegoria do Bom Governo ....................................................................... 74 Figura 36 - Alegoria do Bom Governo ....................................................................... 74 Figura 37 - Botticelli, quarto episódio da série Nastagio Degli Onesti ....................... 75 Figura 38 - A Escola de Atenas ................................................................................. 75 Figura 39 - Casa dos arames farpados ..................................................................... 84 Figura 40 - Caça palavras ......................................................................................... 86 Figura 41 - Elipsóides ................................................................................................ 87 Figura 42 - O milagre da hóstia ................................................................................. 89 Figura 43 - Hexágono I .............................................................................................. 93 Figura 44 - Hexágono II ............................................................................................. 93 Figura 45 - Cubo, representação cavaleira ............................................................... 94 Figura 46 - Cubo, papel quadriculado ....................................................................... 95 Figura 47 - Questão nº5 ENEM/2007 ........................................................................ 96 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Distribuição de pontos ............................................................................. 23 12 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 14 2 QUESTÕES DE PESQUISA ............................................................................... 17 3 REVISÃO DE LITERATURA .............................................................................. 18 3.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 18 3.2 TEXTOS DE PESQUISA ANALISADOS ..................................................... 18 3.2.1 Bernard Parzysz .................................................................................. 18 3.2.2 Angel Gutiérrez .................................................................................... 26 3.2.3 Miranda ( 2006 ) .................................................................................. 30 3.2.4 Rosalves ( 2006 )................................................................................. 31 3.2.5 Kodama ( 2006 ) .................................................................................. 32 3.3 TEXTOS DIDÁTICOS ANALISADOS ........................................................... 33 3.3.1 PCN Ensino Fundamental ................................................................... 33 3.3.2 PCN Ensino Médio .............................................................................. 46 3.3.3 A Proposta Curricular e os Cadernos do Professor ............................. 48 3.3.4 Livros didáticos .................................................................................... 50 3.3.4.1 Matemática Volume Único ........................................................ 50 3.3.4.2 Matemática Completa ............................................................... 51 3.3.5 Observações sobre os textos didáticos analisados ............................. 52 4 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS ......................................................................... 55 4.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 55 4.2 Sobre as perspectivas em geral ................................................................... 56 4.2.1 Perspectiva Cônicas ............................................................................ 56 4.2.2 Perspectiva Paralelas .......................................................................... 58 4.2.2.1 Perspectiva Axonométrica Isométrica ....................................... 59 4.2.2.2 Perspectiva Axonométrica Dimétrica ........................................ 62 13 4.2.2.3 Perspectiva Axonométrica Trimétrica ........................................ 62 4.2.2.4 Perspectiva Cavaleira ............................................................... 63 4.3 AS NOSSAS ESCOLHAS ............................................................................ 65 5 A PESQUISA .................................................................................................... 66 5.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................. 66 5.2 ENTREVISTA REFLEXIVA .......................................................................... 66 5.3 SUJEITOS DA PESQUISA ........................................................................... 68 5.4 PROCEDIMENTOS ...................................................................................... 69 5.5 AS GRAVURAS ............................................................................................ 69 5.6 A ENTREVISTA ............................................................................................ 76 5.7 AS ANÁLISES .............................................................................................. 97 5.7.1 Análise do aluno A1 ............................................................................. 97 5.7.2 Análise do aluno A2 ........................................................................... 104 5.7.3 Análise do aluno A3 ........................................................................... 116 5.7.4 Análise do aluno A4 ........................................................................... 123 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 133 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 137 14 1 INTRODUÇÃO Nasci em Piedade-SP onde passei toda minha infância. Na adolescência ingressei na escola militar em Guaratinguetá-SP, onde me formei Sargento da Aeronáutica e, no decorrer do curso, comecei a interessar-me pela Matemática. Após o término fui trabalhar na cidade de São Paulo em Campo de Marte, período este em que me casei. Nessa época, a título de curiosidade, passava parte do meu tempo resolvendo exercícios de vestibulares e de livros didáticos, sempre testando o meu conhecimento e em busca de aprender mais. Esse estudo solitário valeu-me como experiência, pois comecei a enxergar a Matemática de uma outra forma e percebi a sua importância, já que tudo em nossa volta tem um pouco de Matemática. A curiosidade inicial em resolver exercícios foi além e nasceu em mim uma vontade de transmitir aquele conhecimento que adquirira para o próximo. Foi nesse momento que me interessei por um curso de licenciatura na área. Ingressei no curso de licenciatura em Matemática na Faculdade Santana São Paulo no ano de 1993, ano de nascimento do meu primeiro filho, João Gabriel, onde concluí o primeiro ano universitário. No ano seguinte optei por sair da vida militar e retornei para o interior transferindo-me para a Universidade de Sorocaba (UNISO), onde passei a cursar Ciências-Matemática, a lecionar Física em uma escola particular e Matemática e Física na rede pública. Após concluir a Licenciatura, nasceu minha filha Isadora e, pouco tempo depois, por meio de um concurso público, efetivei-me na rede pública estadual no cargo de Matemática, atuando desde então em sala de aula. Apenas me afastei pelo período de um ano quando trabalhei como professor coordenador do período noturno e, em virtude das funções deste cargo tive mais conhecimento da legislação e oportunidade de enxergar a escola de uma outra forma. Percebi a necessidade de atualizar-me em benefício de minha carreira no magistério e fui à procura de um curso de Mestrado em Educação. Comecei a preparar-me por meio de leituras dentro e fora da área de Matemática e encontrei o curso de Mestrado em Educação Matemática da UNIBAN-SP. Após seis meses de curso, conheci a Prof a Vera, da linha Ensino e Aprendizagem de Matemática e suas Inovações e expus a ela meu interesse em fazer uma pesquisa de campo na área de Geometria, com foco no ensino e na 15 aprendizagem de algum tópico de geometria espacial, pois, tenho constatado durante minhas aulas - e em contato com outros professores do mesmo componente curricular - que os alunos do Ensino Médio apresentam muitas dificuldades em interpretar a representação de um desenho tridimensional feito na lousa ou constante do livro didático, em que as faces não ficam visíveis na representação bidimensional (2D). Trabalhando com geometria espacial com alunos de uma segunda série do Ensino Médio em uma escola pública da cidade de Piedade, ao desenhar na lousa um cubo um aluno me perguntou: “Professor como faço para desenhar esta figura no meu caderno?” Fui até o aluno, mostrei a figura desenhada no livro, desenhei-a na lousa novamente. Pelo método usual, como diz Gutièrrez (1998), desenhei um quadrado, perguntei a eles se todos enxergavam o quadrado e a resposta foi positiva, continuei, desenhei um outro quadrado atrás do que já estava na lousa mas deslocado um pouco para a direita, voltei-me para os alunos e percebi que parte deles estava acompanhando o desenvolvimento do desenho e parte estava com certo desconforto em relação à figura na lousa. Ao ligar os vértices correspondentes dos quadrados surge o cubo e neste momento a maioria dos alunos conseguiu visualizá-lo. Percebi então o dilema descrito por Parzysz (1988) entre o conhecimento em geometria espacial e o domínio das representações. Em outra turma de segunda série ao trabalhar com pirâmides, em continuidade do tema geometria espacial, representei na lousa um tetraedro regular e um aluno me perguntou: “Professor, se a figura desenhada na lousa é um tetraedro, e tetra quer dizer quatro, a figura não teria que ter quatro lados? No entanto eu só estou vendo três.” Mostrei para este aluno todos os quatro lados da figura desenhada na lousa e ainda pude perceber uma certa desconfiança por parte do mesmo. Numa outra aula de geometria ao representar na lousa um prisma hexagonal regular uma aluna me perguntou: “Professor, por que alguns segmentos estão tracejados?” Ao explicar que eram tracejados para indicar que estavam “na parte de trás” da figura, comentei, em caráter de revisão, que aquela figura possuía três dimensões no real e duas no papel. A aluna afirmou ter conhecimento de que a parte lateral do prisma tinha seis lados e que cada lado era um retângulo mesmo não conseguindo visualizar “os que estavam por trás”. 16 Após constatar que os alunos apresentavam dificuldades no processo de visualização, realizei algumas leituras investigativas relacionadas ao tema e quando li o artigo de Bernard Parzysz (1988) “‟KNOWING‟ VS „SEEING‟ Problems of the plane representation of space geometry figures” e os artigos de Angel Gutiérrez (1998) “LAS REPRESENTACIONES PLANAS DE CUERPOS 3-DIMENSIONALES EM LA ENSEñANZA DE LA GEOMETRÍA ESPACIAL” e (1996) “VISUALIZATION IN 3-DIMENSIONAL GEOMETRY”, fiquei ainda mais interessado em realizar a pesquisa, pois o depoimento desses autores sobre a temática das representações tridimensionais para bidimensionais e vice-versa (ver mais detalhes no parágrafo da revisão de literatura), condizem com o estudo que pretendo realizar com os alunos, em busca de resposta às seguintes questões. 17 2 QUESTÕES DE PESQUISA “A utilização de imagens externas variadas pode ajudar no desenvolvimento de habilidade de visualização?” “Quais habilidades de visualização podem ser desenvolvidas com a análise dessas imagens?”. 18 3 REVISÃO DE LITERATURA Neste capítulo, detalharemos alguns aspectos, que julgamos importantes, das leituras que fizemos e que, de alguma forma, contribuíram para a busca de resposta às nossas questões de pesquisa. 3.1 INTRODUÇÃO Para estruturar nossa pesquisa, lemos dissertações, artigos, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, a Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2009), o Caderno do Professor de Matemática, livros didáticos indicados pelo Programa Nacional do Livro do Ensino Médio (PNLEM), obras nas quais descobrimos preocupações similares às nossas ou que nos auxiliaram no entendimento da mesma. Preocupamo-nos em colocar os resumos numa ordem que consideramos didática, para melhor compreender o desenvolvimento da pesquisa, pois todas as leituras contribuíram de maneira significativa e muito nos ajudaram para a realização do trabalho. 3.2 TEXTOS DE PESQUISAS ANALISADOS 3.2.1 Bernard Parzysz Em seu artigo “Problemas da Representação Plana de Figuras Geométricas Espaciais”1, Parzysz (1988) afirma que há perda de informação quando fazemos um desenho bidimensional de um objeto geométrico bi ou tridimensional e analisa, entre os alunos, o que chama de conflito entre o pólo do visto e o pólo do sabido. 1 Texto traduzido por nós do Francês 19 Pólo do visto: consiste em representar ou interpretar um desenho da maneira como ele se apresenta aos olhos do observador, baseando-se na sua imagem visual. Pólo do sabido: consiste em representar (ou interpretar) um desenho tentando preservar todas ou a maioria das propriedades e das características do objeto. No primeiro caso, o sujeito “vê” o que aparece no desenho, sem considerar as reais propriedades da figura. Por exemplo, num desenho plano de um cubo, considerar que as retas suporte de arestas reversas são concorrentes. No segundo caso, o sujeito “sabe” quais são as propriedades reais da figura e tenta representar (ou interpretar) todas num desenho que faz ou que tem diante dos olhos. As representações planas de objetos tridimensionais estão presentes nas aulas de Geometria e nos livros didáticos, porém, em nossa prática de sala de aula podemos dizer que são muitas vezes mal interpretadas pelos alunos. As dificuldades de representação e de visualização de objetos tridimensionais no plano são objetos de estudo de várias pesquisas, dentre as quais escolhemos a de Parzysz (1988). Este pesquisador desenvolveu um estudo com alunos franceses de uma classe de 6a série (11-13 anos), partindo das seguintes hipóteses (1) Existe uma dialética entre a aquisição (ou reforço) dos conhecimentos em geometria espacial e o domínio das representações tridimensionais; (2) É obrigatório passar por uma fase de representação de modelos 3D para que os alunos possam formar imagens mentais que vão ajudá-los com as representações 2D; (3) Há necessidade de tornar explícitas as regras para fazer representações planas de figuras tridimensionais. (PARZYSZ, 1988). Concordamos com as hipóteses colocadas por Parzysz e vamos utilizar fortemente a (1) e a (3), partindo do pressuposto que no Ensino Fundamental os alunos pesquisados tomaram contato com os modelos 3D (hipótese (2)). A análise dos protocolos dos alunos da pesquisa de Parzysz foi realizada segundo princípios que fundamentam a decodificação (leitura) e a codificação (produção) de representações planas de figuras tridimensionais e o pesquisador 20 desenvolveu uma engenharia didática com o objetivo de provocar, nos alunos pesquisados, uma evolução para a elaboração de conceitos e regras, a fim de obter o domínio dessas representações e um progresso em seus conhecimentos. Não iremos desenvolver uma engenharia didática, como fez Parzysz, nem considerar a produção de representações porque consideramos que, para uma pesquisa realizada num curto espaço de tempo, basta a preocupação com a decodificação e, neste caso, entrevistas semi-estruturadas podem dar respostas mais interessantes. Para Parzysz, “[...] a FIGURA é o objeto geométrico que é definido pelo texto que o descreve” (PARSYSZ, 1988, p. 80), assim chama de DESENHO as representações materiais feitas por um sujeito. Com isto em mente, divide as representações em dois níveis: Nível 1 (representações próximas): são as representações de objetos planos e os modelos (maquetes) de objetos tridimensionais. Estas representações podem ser: bidimensionais ou 2D (desenhos): quando a figura se encontra no campo da geometria plana (2D); tridimensionais ou 3D (modelos): quando a figura pertence ao campo da geometria espacial (3D). Nível 2 (representações distantes): são as representações planas de objetos tridimensionais, por exemplo o desenho de um cubo. Na figura 1, o quadro esquematiza a relação entre uma figura e suas várias representações. Figura 1 - Quadro dos níveis de representação Fonte: Parzysz (1988) 21 O nível 0, para Parzysz (1988), é o do objeto matemático, que tem uma representação mental (abstrata), seja ele 2D ou 3D. Quando se passa de um nível para outro, mais elevado, há uma perda de informações (PARZYSZ,1988)2, associada a vários fatores, entre os quais o de que não é possível representar todas as propriedades inerentes ao objeto em si. Ao passar do nível 0 → 1 a representação quando feita de forma que o seu autor (transmissor) e o seu leitor (receptor) possuam uma cultura geométrica comum, para o leitor, as propriedades das representações só aparecem devido à sua boa vontade de “visualização”. Temos como exemplo um quadrilátero como o da figura 2, que pode representar um losango, um quadrado em perspectiva ou um plano, dependendo do contexto em que se está e ainda de que maneira o transmissor queira que se interprete. Figura 2 – Quadrilátero Fonte: Acervo pessoal Quando se passa do nível 0 → 2 as representações são planas de objetos geométricos tridimensionais. Nesta passagem, há perda tanto de informações como de propriedades do objeto em si e, na maioria das vezes, não são possíveis de serem observadas ou até mesmo adivinhadas pelo observador. Parzysz, ao relatar esta passagem em seu artigo, coloca como exemplo de representação próxima a figura 3A (um quadrado com suas diagonais) e como representação distante a 3B (pirâmide regular de base quadrada). 2 Texto traduzido por nós do Francês 22 Figura 3 – Um quadrado e uma pirâmide? Fonte : Parzysz ( 1988) Podemos dizer, que a leitura e a interpretação tanto de representações próximas como de representações distantes, geralmente só será possível com a ajuda de um texto original ou uma legenda acompanhando as representações, como forma de compensar a perda de informações, nem o desenho, nem o modelo podem substituir a figura. Isto pode ser exemplificado na figura 3A, que para o leitor leigo pode ser uma representação de um quadrado e suas diagonais, para o mais experiente uma pirâmide com vista superior. A ambiguidade das interpretações estará presente sempre que se faça uma passagem do nível 0 para qualquer outro. Ao focarmos o representações interesse distantes, na retomamos Geometria os espacial problemas de e, portanto, codificação e nas de decodificação. Surge a dificuldade “de que o leitor pode confundir a figura desenhada em 3D com uma figura 2D tendo a mesma representação” (PARZYSZ,1988, p. 82)3. Em um teste aplicado por Parzysz (1988) a 109 alunos de uma 6 a série francesa (12 a 14 anos), pedia-se: “O desenho (ver figura 4) representa um plano, P, e três pontos, A, B, C, no espaço. Para cada um destes três pontos dizer, a partir do desenho, se cada um deles está no plano P, ou fora dele, ou se o desenho não permite decidir” (PARZYSZ, 1988, p.82-83). 3 Texto traduzido por nós do Francês 23 Figura 4 - Plano P e os pontos A, B e C Fonte: Parzysz ( 1988) Os resultados foram os seguintes, explicando uma tendência dos alunos em considerar o desenho como o de uma representação próxima do objeto: Tabela 1 – Distribuição de pontos No plano Fora do plano Não se pode dizer Ponto A 81 0 28 Ponto B 0 78 31 Ponto C 1 63 45 Fonte: Parzysz (1988) É teoricamente impossível afirmar se um determinado ponto está ou não no plano P. Acreditamos que nesse argumento há uma percepção inquieta e uma interpretação idêntica para os alunos no seguinte sentido: “Se a representação do ponto é interior à representação do plano, então o ponto em si (A) é visto como pertencente ao plano” (PARZYSZ, 1988, p.83)4. Em relação aos pontos B e C, vários alunos afirmam “não se pode dizer” e fica clara mais uma hipótese observada no teste: se o plano P pode ser estendido horizontalmente, então este plano irá conter os pontos B e C. 4 Texto traduzido por nós do Francês 24 Os problemas de codificação de uma figura geométrica 3D em um único desenho têm sua origem na impossibilidade de dar uma representação próxima dele, e na conseqüente obrigação de “recuar” sobre uma representação distante, em que há uma perda adicional de informação. O transmissor está realmente diante de um dilema insolúvel, devido ao fato de que se conhece de um objeto 3D entra em conflito com o que se vê do 5 mesmo. (PARZYSZ,1988,p.83-84) Nos testes realizados por Parzysz (1988) percebemos claramente que as representações, ao serem observadas no plano, causam uma incerteza quanto as suas reais características, pois muitas vezes as propriedades dos objetos ficam implícitas nas representações, necessitando do texto original para reconhecê-las ou que os objetos tragam uma legenda para identificá-las. Nesse momento surge um novo dilema sobre o que se sabe e o que se vê do objeto e, neste aspecto, compartilhamos com Parzysz o que se refere ao conflito entre o que é “sabido” do objeto representado e o que é “visto”. Segundo Parzysz (1988), aquele que desenha um objeto tridimensional tem que procurar encontrar uma solução para os dois conflitos, que são inconciliáveis, pólos do “visto” e do “sabido”. A prova disto foi um teste realizado com 88 alunos do “Ensino Médio” na França (15 a 18 anos), com uma representação próxima de uma pirâmide regular de base quadrada, utilizada na forma de “esqueleto”, construída com varas de madeira (arestas da base com 15 centímetros de comprimento, altura de 20 centímetros e varas com uma secção quadrada de 4 milímetros). Dirigindo-se à classe a professora diz: "Esta é uma pirâmide regular (mostra), sua base é um quadrado, e as suas faces laterais são triângulos isósceles. Você vai, no papel branco que lhe será distribuído, fazer um desenho cuidadoso de como é uma pirâmide, assumindo que as bordas tem espessura desprezível e utilizando instrumentos de desenho que você pode considerar úteis. O objetivo é encontrar o seguinte: alguém que não viu deve reconhecer que seu desenho é uma pirâmide regular com base quadrada (o modelo é então tirado fora da vista dos estudantes). Você não vai usar mais papel do que iremos fornecer-lhe e se você desenhar linhas auxiliares de construção, não 6 apagar "(PARZYSZ,1989,p.193-194) . 5 Texto traduzido por nós do Francês 6 Texto traduzido por nós do Francês 25 Dos 88 alunos somente 18 fizeram a representação, sendo que “dois fizeram de forma suficiente para determinar a natureza exata da figura representada (PARZYSZ, 1988, p.85)7. Para Parzysz (1988), isso mostra que não é tão evidente para os alunos a representação plana de figuras espaciais e que o desenho não pode, por si só, substituir o objeto. No estudo dos 88 protocolos, destaca-se um interesse especial nos seguintes pontos: (1) Posição da imagem da base com relação às bordas da folha: três quartos dos alunos desenharam um paralelogramo que corresponde a posição do objeto em perspectiva cavaleira. (2) Forma da imagem da base: 40% dos alunos desenharam o losango e 40%, o paralelogramo, como forma da base. Segundo Parzysz (1988), o primeiro apresenta a vantagem de preservação do comprimento dos quatro lados e, a inconveniência na redução no sentido do recuo, tende a fazer que a aparência do quadrado fique alongada em profundidade; e o segundo, para efeito de perspectiva, é mais convincente. “Portanto, os alunos que escolheram o paralelogramo ficam do lado “visto” (eles apresentam, “a fim de ver”), enquanto aqueles que preferem o losango ficam do lado do “sabido” (que “torna sabido”)” (PARZYSZ, 1988, p.87)8. (3) Posição da imagem do topo da pirâmide: das três estudadas foi priorizada a representação em que se tem a “imagem do topo em uma linha reta vertical que passa pela intersecção das diagonais do quadrilátero (este caso corresponde à representação clássica)”. Parzysz (1988) destaca que alguns desenhos vêm sendo apresentados há muito tempo do mesmo jeito, ao longo do tempo, de um livro texto para outro. Também constatamos, ao consultar os PCNs e alguns livros didáticos, esta tradição que possui um lado positivo que nos permite, à primeira vista, reconhecer o objeto em questão e um lado negativo, pois os alunos ficam acostumados a desenhar 7 Texto traduzido por nós do Francês 8 Texto traduzido por nós do Francês 26 numa certa posição, não se preocupando com “o porquê”, como é o caso do cubo tradicionalmente representado em perspectiva cavaleira. Concordamos com Parzysz, pois temos observado em livros estudados que as representações são comuns e elas aparecem com legenda indicando o nome da figura, por exemplo: “esta figura representa um cubo, não trazendo de que forma foi representada”. O trabalho feito por Parzysz mostra que para representar ou ler um objeto tridimensional no plano é necessário que se faça um “trabalho” com os alunos no sentido de conhecer os objetos espaciais, utilizar regras para as suas representações e adquirir conhecimento e domínio das representações, pois senão os desenhos ficam estereotipados. 3.2.2 Angel Gutiérrez O estudo feito por Gutiérrez (1998) teve como objetivo refletir sobre os problemas dos estudantes na utilização das representações planas dos objetos tridimensionais, no ensino e na aprendizagem da geometria espacial com alunos do ensino fundamental (1º ao 8º ciclo) na Espanha. O pesquisador apresenta vários resultados de pesquisa e sugestões para os professores. Segundo Gutiérrez, (1998) nenhum dos sujeitos tinha experiência escolar prévia sobre o uso de diferentes métodos de representação de corpos espaciais e, no desenvolver da pesquisa, Gutiérrez observou que, nas diferentes formas de desenhos dos sólidos, a em perspectiva era a mais natural e freqüente e também uma das mais difíceis a serem realizadas corretamente e que geralmente os desenhos que os estudantes aprendem a fazer e observam em livros didáticos são feitos em perspectiva paralela. “É comum, por exemplo, que os professores ensinem seus alunos a desenhar um cubo a partir de dois quadrados iguais juntando os vértices correspondentes” (GUTIÉRREZ,1998,p.203)9. 9 Texto traduzido por nós do Espanhol 27 Figura 5 - Desenho de um cubo Fonte: GUTIÉRREZ (1998) A nossa pesquisa está fundamentada na proposta do “visto” e do “sabido” de Parzysz (1988) e na preocupação das dificuldades dos alunos em interpretação e visualização das representações de figuras espaciais Gutièrrez (1996). Gutiérrez, utilizou os “módulos multicubos” para fazer as diferentes representações planas de objetos 3D por meio de experimentos e ainda considerou a influência dos aspectos culturais na compreensão dos objetos tridimensionais representados no plano. Para Gutiérrez, módulos multicubos são sólidos formados por vários cubos iguais presos de maneira que suas faces se sobrepõem. A vantagem dos módulos multicubos sobre os poliedros e os corpos redondos é que permitem trabalhar facilmente em diversos problemas de construção a partir da representação plana, devido à existência de diversos materiais didáticos formados por cubos encaixados (por exemplo multicubos, centicubos), coisa que é muito mais difícil no caso dos corpos 10 espaciais (cubos,prismas,pirâmides,etc.). (GUTIÉRREZ,1998, p.196) . Projeção em perspectiva Projeção paralela Projeção isométrica Figura 6 - Representação plana de módulos multicubos Fonte: GUTIÉRREZ (1998) Concordamos com Gutierrez (1998), quando afirma que para tornar mais fácil o ensino e a aprendizagem da Matemática temos que evitar abstrações desnecessárias e confiar em representações ou modelos para os alunos 10 Texto traduzido por nós do Espanhol 28 observarem, construírem, manusearem. As representações gráficas são utilizadas com freqüência na Educação Básica. Observamos em livros recentes os desenhos de figuras geométricas espaciais que os autores utilizam e descrevem para apresentar aos alunos e, percebemos que um cuidado que se toma é quanto à precisão com que o modelo (físico ou gráfico) representa um conceito prévio dos alunos. O modelo tem que ter a capacidade de representar e de transmitir o que se deseja e os alunos a facilidade de interpretar esses objetos ou desenhos; assim, “a escolha de um bom modelo de representação plana de sólidos é fundamental para o ensino e a aprendizagem da geometria espacial” (GUTIÉRREZ,1998, p.194)11. Para Gutiérrez (1998), as representações planas compreendem dois tipos de dificuldades: (1) Interpretação da figura plana para torná-la objeto tridimensional. (2) Interpretação do objeto para o conceito geométrico em estudo. Acreditamos, conforme Gutiérrez, que a capacidade de visualização depende da habilidade de cada aluno em interpretar a representação, seja ela bidimensional ou tridimensional, sendo este o elemento chave para um bom desempenho em vários problemas de geometria espacial. Conforme as idéias de Gutiérrez(1996), a visualização é integrada por quatro principais elementos: A imagem mental é qualquer tipo de representação cognitiva de um conceito matemático ou propriedade por meio de elementos visuais ou espaciais. Uma representação externa pertinentes para a visualização é qualquer tipo de representação gráfica ou verbal de conceitos ou propriedades, incluindo fotos, desenhos, diagramas, entre outros, que ajuda a criar ou transformar imagens mentais e fazer raciocínio visual. Um processo de visualização é uma ação física ou mental, onde imagens mentais estão envolvidas. Existem dois processos realizados na visualização: Interpretação visual da informação para criar imagens mentais, e interpretação de imagens mentais para gerar informações. Os indivíduos devem adquirir e melhorar um conjunto de habilidades de visualização para realizar os processos necessários com imagens mentais 12 específicos para um determinado problema. (GUTIÉRREZ,1996,p.9-10) 11 Texto traduzido por nós do Espanhol 12 Texto traduzido por nós do Inglês 29 Ainda, segundo Gutiérrez(1996), dependendo das características do problema de matemática a serem resolvidos e as imagens criadas, o aluno deve ser capaz de escolher entre diversas habilidades visuais. Essas habilidades podem ter bases completamente diferentes, sendo as principais: Figura-percepção solo: a capacidade de identificar uma figura específica por isolamento fora de um contexto complexo. Constância perceptiva: A capacidade de reconhecer que algumas propriedades de um objeto (real ou em uma imagem mental) são independente do tamanho, cor, textura ou posição, e não permite confundir quando um objeto ou imagem é percebida em diferentes orientações. Rotação mental: A capacidade de produzir imagens mentais dinâmicas para visualizar uma configuração em movimento. Percepção de posições espaciais: a capacidade de relacionar um objeto, imagem ou imagem mental de si mesmo. Percepção de relações espaciais: a capacidade de relacionar vários objetos, imagens e / ou imagens mentais uns dos outros, ou simultaneamente a si mesmo. Discriminação visual: A capacidade de comparar vários objetos, imagens, e / ou imagens mentais para identificar semelhanças e diferenças entre 13 eles. (GUTIÉRREZ,1996,p.10) O referido autor também constatou que os alunos possuem dificuldades em desenhar e, quando o fazem, são conscientes de que está errado, muitas vezes apagam e tentam fazer novamente, mas continuam fazendo errado. As dificuldades que Gutiérrez (1998) encontrou nos estudantes de sua pesquisa podem ser divididas em duas: (1) Dificuldade conceitual – está relacionada com a compreensão das características da representação. (2) Dificuldade técnica – está relacionada com a estratégia de construção do desenho. Para Gutiérrez (1998), os professores devem ser conscientes que os alunos possuem dificuldades nas representações planas de figuras espaciais e nós também acreditamos que não devemos deixar que estas dificuldades aumentem, criando bloqueios em nossos estudantes no desenvolvimento do trabalho com geometria, pois os alunos são capazes de fazer as representações de maneira correta sem se prender às figuras estereotipadas. 13 Texto traduzido por nós do Inglês 30 Concordamos com Gutiérrez (1998) que infelizmente nenhuma forma de representação plana de corpos espaciais é perfeita e que é necessário que os estudantes trabalhem com várias delas para que possam selecionar as mais adequadas para cada caso de representação e que o centro da aprendizagem está no conhecimento de regras explícitas. Antes de iniciar formalmente as representações planas, os professores não devem ignorar as experiências extraclasse pois são elas que, por meio de desenhos livres e com as habilidades dos alunos, vão se converter, por exemplo, numa projeção em perspectiva. 3.2.3 Miranda ( 2006 ) Em sua dissertação de mestrado, Miranda (2006) apresentou uma aplicação da geometria descritiva, num estudo sobre as secções do cubo com 8 alunos do ensino médio de uma escola militar (na faixa etária de 17 a 20 anos), em um ambiente de Geometria Dinâmica, para responder a seguinte questão “Qual é o papel da geometria descritiva e dinâmica nos problemas de geometria espacial?” Para responder a esta questão o pesquisador propôs uma seqüência de três experimentos, com o intuito de verificar a contribuição que os princípios da Geometria Descritiva, utilizados numa geometria Dinâmica, podem trazer para que os alunos reconheçam e identifiquem secções de um cubo. É preciso deixar claro que estes alunos já haviam estudado Desenho Geométrico e Geometria Descritiva no segundo ciclo do Ensino Fundamental – 7ª e 8ª séries - e no segundo ano do Ensino Médio, o que vem ao encontro da idéia do “sabido” sugerida por Parzysz (1988)14. No entanto, como reforça o estudo feito por Gutierrez (1998) 15, os alunos têm dificuldade em enxergar propriedades das figuras tridimensionais quando confrontados com uma representação bidimensional (o “visto” de Parzysz). Miranda concluiu que a utilização de um micromundo de Geometria Descritiva privilegiou o pólo do “sabido” na maioria dos alunos pesquisados, pois foi nesse ambiente que os alunos encontraram o maior número de secções e usaram 14 Veja parágrafo das considerações teóricas 15 Ver revisão de literatura Gutiérrez 31 propriedades evidentes nas representações na tela do computador para construir o conjunto de todas as secções possíveis. Para solucionar o problema das secções de um cubo, analisando-o no âmbito da Geometria Espacial (de modo empírico e dinâmico) e na Geometria Descritiva (de forma dinâmica), abordaram os seguintes aspectos: As relações envolvidas entre as figuras e suas representações; As perdas de informações (conceitos, propriedades entre outros) nas representações das figuras geométricas; A codificação e a decodificação dos objetos geométricos; As influências dos pólos do “visto x sabido” (PARZYSZ,1998a) nas atitudes individuais dos estudantes em representar figuras geométricas. Baseando-se nas dificuldades conceituais e técnicas (GUTIÉRREZ,1998) das figuras tridimensionais representadas no plano, Miranda tomou como base teórica os princípios do “visto” e do “sabido” (PARZYSZ, 1988) e o uso de programas de computadores associados à Geometria Dinâmica (BAKÓ, 2002). Nas representações do cubo Miranda observou que, na sua maioria, foram feitas em perspectiva cavaleira e pode verificar que, com os princípios da Geometria Descritiva num ambiente informático, as perdas de informações são menores do que na Geometria Espacial “axiomática”. Nesta, para a codificação das representações, observou que a perspectiva cônica não aparece nos experimentos, porém, as perspectivas paralelas surgiram em todos os desenhos construídos, em especial a perspectiva cavaleira que predominou sobre a axonométrica. Constatou também que a perspectiva paralela cavaleira foi a mais utilizada devido à familiarização ou habilidade dos sujeitos em representar suas construções geométricas. 3.2.4 Rosalves ( 2006 ) Em outra dissertação, Rosalves (2006), escreve sobre as representações planas de figuras espaciais pois, para a referida autora, os alunos encontram dificuldades na passagem da Geometria Plana para a Geometria Espacial, assim 32 como Rosalves que também tomou como base o estudo feito por Parzysz(1988) do “pólo de visto” x “pólo do sabido”. A problemática da pesquisa insere-se no contexto do ensino e aprendizagem da Geometria Espacial, referindo-se em particular às dificuldades dos alunos do Ensino médio nas relações dos objetos geométricos e suas representações planas. O estudo investigou o papel das representações dinâmicas em ambiente informático, mais precisamente o cabri 3D, visando analisar como as representações nesse ambiente são essas codificadas e decodificadas pelos alunos e em que medida representações participam no desenvolvimento das habilidades de visualização e possibilitam a interpretação de propriedades geométricas de objetos espaciais. O estudo foi iniciado com 6 alunos da 2ª série do Ensino Médio, mas,foi concluído com 4 no decorrer da 3ª série do Ensino Médio de uma escola pública da cidade de São Paulo. Fizeram parte do estudo um observador e o pesquisador, que assumiu o papel de professor. Os resultados mostraram que, em determinadas situações, as perdas de informações no cabri 3D são menores do que no ambiente papel e lápis. Em uma de suas atividades com os alunos a referida pesquisadora pode verificar que, ao se prolongar as arestas reversas de um cubo, no ambiente papel e lápis, alguns alunos responderam que elas se cruzam. Já no cabri 3D, pelos recursos de mudança do ponto de vista, isso não ocorreu. Por fim, constatou que nestes dois ambientes os alunos privilegiaram o “pólo do visto”, que proporcionou uma evolução no “pólo do sabido”. 3.2.5 Kodama ( 2006 ) Kodama (2006) pesquisou a apropriação das regras da perspectiva cavaleira por alunos do Ensino Médio, a partir das sombras dos objetos e de um ambiente informático, e se tais regras favoreceriam a resolução de problemas da Geometria Espacial. A pesquisa foi baseada nas investigações de Parzysz (1989, 1991, 2001) sobre representações planas de figuras espaciais e nos trabalhos de Boero (1996). Utilizou uma seqüência de atividades, formuladas e aplicadas com base em alguns 33 princípios de engenharia didática, a um grupo de 7 alunos da 3ª série do Ensino Médio. As produções dos alunos mostraram que um jogo dialético entre a geometria concreta e a geometria espaço-gráfica contribui para a apropriação das regras da perspectiva cavaleira. No entanto, a análise desta seqüência de ensino apontou que a perspectiva cavaleira foi utilizada apenas como uma técnica de desenho e não como uma ferramenta para auxiliar na resolução de problemas da Geometria Espacial e que outras seqüências de ensino poderiam ser concebidas para estudar a complexidade dessa passagem. Os resultados de seu trabalho apontam, ainda, a perspectiva cavaleira como uma representação acessível e fácil para os alunos executarem e proporcionam um equilíbrio entre o que se sabe do objeto (propriedades, pólo do sabido) e o que se vê (pólo do visto). 3.3 TEXTOS DIDÁTICOS ANALISADOS 3.3.1 PCN Ensino Fundamental Pesquisamos os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de Matemática, e verificamos qual era o conteúdo proposto para o 1º ciclo (1ª e 2ª séries), 2º ciclo (3ª e 4ª séries), 3º ciclo (5ª e 6ª séries) e 4º ciclo (7ª e 8ª séries) do Ensino Fundamental e 1ª, 2ª e 3ª séries do Ensino Médio. O PCN do Ensino Fundamental começa com uma apresentação aos professores explicando a finalidade do mesmo, fornece uma breve trajetória das reformas curriculares chegando às décadas de 60/70, período em que houve no Brasil e em outros países um movimento de renovação do ensino de Matemática conhecido como Movimento da Matemática Moderna (MMM). Na seleção de conteúdos do PCN do Ensino Fundamental há uma referência ao campo da Geometria como o estudo do espaço e das formas, contemplando não somente as formas mas também as noções relativas à posição, à localização de figuras e aos deslocamentos no plano e em sistemas de coordenadas. As crianças que ingressam no 1º ciclo (1º, 2º e 3º anos), na faixa etária de 6 a 8 anos, trazem consigo uma bagagem de noções informais sobre numeração, medida, espaço e forma, construídas em sua vivência cotidiana que servirão de 34 referência para o professor na organização das formas de aprendizagem. Acreditamos que neste ciclo as crianças comecem a fazer relações entre o abstrato, o desenho de uma esfera e o concreto, uma bola de futebol. E as coisas que as crianças observam, os cálculos que elas próprias fazem e as referências que conseguem estabelecer, serão transformadas em objeto de reflexão para suas primeiras atividades matemáticas escolares. Os alunos deste ciclo começam a perceber a noção de espaço com atividades de deslocamento, orientados pelo professor, noções de lateralidade e contato com objetos, sejam eles planos ou não, percebendo através da manipulação e observação as diferenças dos mesmos. As características gerais deste ciclo são atividades que aproximem o aluno das formas e do espaço, organizando informações e estabelecendo vínculos. Ao explorarem as situações-problema, os alunos desse ciclo precisam do apoio de recursos como materiais de contagem (fichas, palitos, reprodução de cédulas e moedas), instrumentos de medida, calendários, embalagens, figuras tridimensionais e bidimensionais, etc. Contudo, de forma progressiva, vão realizando ações, mentalmente, e, após algum tempo, essas ações são absorvidas. (PCN, p. 64). Nos PCN, nos Objetivos de Matemática para o primeiro ciclo, no bloco Espaço e Forma, o professor deve orientar o aluno a: Estabelecer pontos de referência para situar-se, posicionar-se e deslocar-se no espaço, bem como identificar relações de posição entre objetos do espaço; interpretar e fornecer instruções, usando terminologia adequada. Perceber semelhanças e diferenças entre objetos no espaço, identificando formas tridimensionais ou bidimensionais, em situações que envolvam descrições orais, construções e representações. (PCN, p. 65) Como descreve o PCN, as crianças já começam a ter um contato com a dualidade das formas planas e tridimensionais, formas estas que futuramente serão representadas e os alunos terão que fazer leituras e identificações. As construções feitas pelos alunos serão por meio de materiais planificados e suas representações serão feitas por meio de desenhos como quadriláteros e triângulos. 35 Neste 1o ciclo são trabalhados desenhos bidimensionais e acreditamos que é nesse momento que o aluno começa a conjecturar e a “imaginar” como se fariam esses desenhos numa folha de papel, sentindo talvez a necessidade de regras para estas representações. Quanto aos Conteúdos de Matemática para o primeiro ciclo, segundo o PCN, as crianças estabelecem relações que as aproximam de alguns conceitos, descobrem procedimentos simples e desenvolvem atitudes perante a Matemática. Seus conhecimentos não estão classificados em campos (numérico, geométrico, métricos, entre outros), mas sim interligados. A exploração dos conceitos e procedimentos relativos a espaço e forma é que possibilita ao aluno a construção de relações para compreensão do espaço a sua volta.[...] Os assuntos referentes ao Tratamento da Informação serão trabalhados neste ciclo de modo a estimularem os alunos a fazer perguntas, a estabelecer relações, a construir justificativas e a desenvolver o espírito de investigação. A finalidade não é a de que os alunos aprendam apenas a ler e a interpretar representações gráficas, mas que se tornem capazes de descrever e interpretar sua realidade, usando conhecimentos matemáticos. (PCN,p. 69) Acreditamos que essa exploração de conceitos e de procedimentos é uma das maneiras do professor evidenciar a importância da geometria que será explorada nos próximos ciclos. As representações gráficas deste 1o ciclo são desenhos de quadriláteros, triângulos e figuras geométricas de conhecimento dos alunos. Com o estímulo do professor, os alunos desenvolvem atitudes de organização e de investigação, adquirindo uma postura que os conduza a justificar e a validar suas respostas, por meio dos conhecimentos matemáticos. Observamos que as atividades deste 1o ciclo são para a aproximação do aluno das operações, dos números, das medidas, das formas e do espaço, “da organização de informações, pelo estabelecimento de vínculos conhecimentos com que ele chega à escola”. (PCN, p. 70) Conteúdos Conceituais e Procedimentais – Espaço e Forma. com os 36 Observação de formas geométricas presentes em elementos naturais e nos objetos criados pelo homem e de suas características: arredondadas ou não, simétricas ou não, etc. Estabelecimento de comparações entre objetos do espaço físico e objetos geométricos – esféricos, cilíndricos, cônicos, cúbicos, piramidais, prismáticos – sem uso obrigatório de nomenclatura. Percepção de semelhança e diferenças entre cubos e quadrados, paralelepípedos e retângulos, pirâmides e triângulos, esferas e círculos. Construção e representação de formas geométricas. (PCN, p.72-73) Acreditamos que as características, as comparações e as diferenças percebidas neste ciclo farão com que o aluno tenha uma reflexão do que se vê e de que forma se representam os objetos e figuras, começando a estabelecer as regras para as construções e as representações geométricas. Os critérios de avaliação da Matemática para o 1o ciclo, segundo o PCN, apontam para aspectos considerados essenciais em relação às competências que se esperam que um aluno desenvolva até o final desse ciclo. Em relação a Espaço e Forma, tem-se o seguinte critério: localizar a posição de uma pessoa ou um objeto no espaço e identificar características nas formas dos objetos. As noções de paralelismo e perpendicularismo aparecem de maneira informal quando o professor lhes diz que duas retas que não se encontram são paralelas e que dobrando-se uma folha de modo que ela fique “em pé”, esta fica perpendicular. Quando os alunos observam um cubo desenhado numa folha começam a relacionar as retas que não se encontram, as retas perpendiculares e vêem que está desenhada na folha uma figura tridimensional. Acreditamos que começam neste ciclo as investigações dos alunos em relação às representações planas de figuras espaciais e a observação de que para validar estas representações são necessárias regras mais formais. Espera-se que o aluno se localize no espaço utilizando elementos de posição como referência e, para se situar ou se movimentar, seja capaz de estabelecer semelhanças e diferenças entre os objetos pela observação de suas formas. “A expressão dessas observações é feita por meio de diferentes representações (gráficas, orais, com materiais, etc.)”. (PCN, p.77.) No 2o ciclo (4º e 5º ano), os alunos chegam na faixa etária entre 9 e 10 anos e começam, segundo o PCN, a estabelecer relações de causalidade, o que os estimula a buscar explicações das coisas (os porquês) e as finalidades (para que 37 servem). Começam a perceber transformações, passam a descobrir regularidades e propriedades numéricas, geométricas e métricas. Apresentam uma evolução das representações pessoais para as representações convencionais. Acreditamos ser aqui o momento para o início das regras para as representações, que serão formalizadas conforme as passagens de ciclos. Estas representações passam das simples noções para as definições de quadriláteros, para a rigidez do triângulo. A partir deste ponto as crianças começam a perceber que existem regras que serão discutidas, analisadas e colocadas para reflexão e se elas são importantes regras para as representações. “É importante ressaltar que, apesar desses avanços, as generalizações são ainda bastante elementares e estão ligadas à possibilidade de observar, experimentar, lidar com representações, sem chegar, todavia, a uma formalização de conceitos”. (PCN p.79) Os Objetivos da Matemática para este 2o ciclo, relacionados a Espaço e Forma são: Estabelecer pontos de referência para interpretar e representar a localização e a movimentação de pessoas ou objetos, utilizando terminologia adequada para descrever posições. Identificar características das figuras geométricas, percebendo semelhanças e diferenças entre elas, por meio de composição e decomposição, simetrias, ampliações e reduções.( PCN, p.81) Os Conteúdos de Matemática para o 2o ciclo são uma ampliação dos conteúdos já trabalhados no 1o ciclo, estabelecendo relações que aproximam os alunos de novos conceitos, aperfeiçoando procedimentos conhecidos com a construção de novos. Se no primeiro ciclo o trabalho do professor centra-se na análise das hipóteses levantadas pelos alunos e na exploração das estratégias pessoais que desenvolvem para resolver situações-problema, neste ciclo ele pode dar alguns passos no sentido de proporcionar a seus alunos a compreensão dos enunciados, terminologias e técnicas convencionais sem, no entanto, deixar de valorizar e estimular suas hipóteses e estratégias pessoais. (PCN, p.83). 38 Ainda no 2o ciclo, o professor deve estimular a observação de características das figuras tridimensionais e bidimensionais, o que lhes permitirá identificar propriedades e, desse modo, estabelecer algumas classificações. “O segundo ciclo tem como característica geral o trabalho com atividades que permitem ao aluno progredir na construção de conceitos e procedimentos matemáticos”. (PCN, p. 85) Conteúdos Conceituais e Procedimentais – Espaço e Forma. Representação do espaço por meio de maquetes. Reconhecimento de semelhanças e diferenças entre corpos redondos, como a esfera, o cone, o cilindro e outros. Reconhecimento de semelhanças e diferenças entre poliedros (como os prismas, as pirâmides e outros) e identificação de elementos como faces, vértices e arestas. Composição e decomposição de figuras tridimensionais, identificando diferentes possibilidades. Identificação da simetria em figuras tridimensionais. Exploração das planificações de algumas figuras tridimensionais. Identificação de figuras poligonais e circulares nas superfícies planas das figuras tridimensionais. Exploração de características de algumas figuras planas, tais como: rigidez triangular, paralelismo e perpendicularismo de lados, etc. Composição e decomposição de figuras planas e identificação de que qualquer polígono pode ser composto a partir de figuras triangulares. Representação de figuras geométricas. (PCN, p. 88-89) Os critérios de avaliação de Matemática para o 2o ciclo, segundo o PCN, apontam para aspectos considerados essenciais em relação às competências que se esperam que um aluno desenvolva até o final desse ciclo. Em relação a Espaço e Forma, tem-se o seguinte critério: Interpretar e construir representações espaciais (croquis, itinerários, maquetes), utilizando-se de elementos de referência e estabelecendo relações entre eles. Reconhecer e descrever bidimensionais. (PCN, p. 94) formas geométricas tridimensionais e Finalizando os PCN dos 1º e 2º ciclo há algumas orientações didáticas que “pretendem contribuir para a reflexão a respeito de como ensinar, abordando aspectos ligados às condições nas quais se constituem os conhecimentos 39 matemáticos”. (PCN, p. 97), como um trabalho constante de observação e de construção das formas é que levará o aluno a perceber semelhanças e diferenças entre elas. Para tanto, diferentes atividades podem ser realizadas: compor e decompor figuras, perceber a simetria como característica de algumas e não de outras, entre outras. Dessa exploração, resultará o reconhecimento de figuras tridimensionais (como cubos, paralelepípedos, esferas, cilindros, cones, pirâmides) e bidimensionais (como quadrados, retângulos, círculos, triângulos, pentágonos) e a identificação de suas propriedades. Ao término do 4º ciclo o aluno já terá as propriedades dos quadriláteros definidas, suas subdivisões (trapézios, paralelogramos, retângulos, losangos e quadrados), os nomes dos triângulos quanto ao número de lados e as noções de paralelas e perpendiculares. Figura 7: Quadriláteros Fonte: Acervo pessoal Neste 2o ciclo os alunos aproximam-se bastante dos objetos tridimensionais por meio da manipulação e da observação. Acreditamos que com as definições de paralelismo e perpendicularismo, mais as propriedades dos quadriláteros, estes alunos consigam diferenciar algumas das representações planas de objetos tridimensionais como o cubo, o paralelepípedo e os prismas em geral. No 3o ciclo (6º e 7º anos), para alunos na faixa etária de 11 e 12 anos, os objetivos que destacamos são: 40 “relacionados ao pensamento geométrico, por meio da exploração de situações de aprendizagem que levem o aluno a: Estabelecer relações entre figuras espaciais e suas representações planas, envolvendo a observação das figuras sob diferentes pontos de vista, construindo e interpretando suas representações”. (PCN. p. 64-65). Essas relações, ao serem estabelecidas, ajudarão os alunos nas representações das figuras, por isso acreditamos que haja a necessidade de regras para construir, representar e interpretar essas representações. Observamos que nesse 3o ciclo já se apresenta uma noção de representações planas de figuras geométricas espaciais. As atividades geométricas centram-se na observação, nas representações e nas construções de figuras, bem como no manuseio de instrumentos de medidas, o que ao longo do desenvolvimento, vai permitir ao aluno analisar e descobrir algumas propriedades dessas figuras que vão ajudá-lo no momento de fazer uma representação a colocar em um plano bidimensional todas as possíveis medidas do objeto, de modo que as perdas de informações sejam as menores, pois Parzysz (1998) já afirmava que “para que estas sejam minimizadas,é necessário o conhecimentos de certas regras”. Ao se desenhar um cubo como se observa na figura 8, as arestas AD, DC e DH, por estarem representadas por segmentos tracejados, sinalizarão que estão na parte de trás do cubo, ou seja, num plano paralelo ao da face ABFE. A perda de informação no desenho plano (faces paralelas) poderá ser superada pelo conhecimento de uma regra simples. Figura 8 – Cubo Fonte: Acervo pessoal 41 Segundo o PCN (p.72-73), os conceitos e os procedimentos a serem adotados em relação a Espaço e Forma são: “Distinção, em contextos variados, de figuras bidimensionais e tridimensionais, descrevendo algumas de suas características, estabelecendo relações entre elas e utilizando nomenclatura própria.” Com o conhecimento das características e das propriedades das figuras planas ou espaciais, ao estabelecer relações, um sujeito pode perceber que precisam existir regras para fazer uma representação no papel. Miranda (2006), ao pesquisar sobre as secções feitas em um cubo observou que, com papel e lápis os alunos tiveram dificuldades em observar algumas delas e que, com o software “Cabri-géomètre II” como micromundo, encontraram todas as secções possíveis. A maioria dos cubos desenhados foram em perspectiva cavaleira e acreditamos que estes alunos conheciam as regras para fazer tais representações. Pudemos verificar ao ler os PCN‟s que os conteúdos, os objetivos, os conceitos e os procedimentos, trabalhados de maneira correta, poderão ajudar os alunos a desenvolverem suas habilidades na Geometria, facilitando as interpretações necessárias para o entendimento de representações planas de figuras planas e espaciais. Ao final do texto referente ao 3o ciclo são apresentados os critérios de avaliação, pelos quais o professor irá verificar as expectativas de aprendizagem, considerando os objetivos e conteúdos propostos, possibilitando identificar os assuntos que necessitam ser retomados e organizar novas situações que possibilitem sua efetiva aprendizagem. O critério de avaliação relacionado a espaço e forma é: Analisar, classificar e construir figuras geométricas bidimensionais e tridimensionais, utilizando as noções geométricas como ângulos, paralelismo, perpendicularismo, estabelecendo relações e identificando propriedades. (PCN, p.77). Ao analisar um desenho, o observador tem que ter conhecimento de espaço e de forma e das regras para sua interpretação, por exemplo, um cubo tem todas as arestas de mesma medida, as que se interceptam são perpendiculares e os lados são quadrados. No trabalho apresentado por Parzysz (1998), ao se observar numa 42 folha o desenho de um quadrado com suas diagonais pode-se, ou não, “adivinhar” que esse desenho seja a representação simplesmente de um quadrado com suas diagonais ou uma vista superior de uma pirâmide, por isso a necessidade de regras para que uma representação não seja mal interpretada. Figura 9 - Quadrado com suas diagonais? Fonte: Parzysz (1988) O 4o e último ciclo do Ensino Fundamental (8º e 9º anos, 13 a 14 anos de idade) é um período em que os alunos estão passando por transformações, mudanças corporais, começam a se preocupar com a continuidade dos estudos e com o futuro profissional. Muitos têm a sensação de que a Matemática é uma matéria difícil, e que seu estudo se resume em decorar uma série de fatos matemáticos, sem compreendê-los e sem perceber suas aplicações e que isso lhes será de pouca utilidade.(PCN, p.79) É nessa fase que os alunos começam a ter o conhecimento de mundo, surgem experiências de vida, fora do círculo familiar. Começam a verificar a presença da Matemática em outras áreas do currículo, “particularmente no estudo de alguns fenômenos físicos, químicos, no estudo da informática entre outras.”(PCN, p.80). Os objetivos propostos para este ciclo, relacionados a Espaço e Forma, visam o desenvolvimento do pensamento geométrico por meio da exploração de situações de ensino que propiciem ao aluno: “Ampliar e aprofundar noções geométricas como incidência, paralelismo, perpendicularismo e ângulo para estabelecer relações, inclusive as métricas, em figuras bidimensionais e tridimensionais”. (PCN, p.81) Esse aprofundamento pode, sob nosso ponto de vista, ser acompanhado do conhecimento de regras de representação e de construção, pois ao se observar um 43 cubo com suas arestas paralelas e ortogonais no espaço, podemos e queremos que estas relações “apareçam” no desenho bidimensional. Observe a representação do cubo ABCDEFGH abaixo: Figura 10 - Cubo com as arestas prolongadas Fonte: Acervo pessoal As arestas EF e HG estão contidas nas retas s e r, respectivamente, sendo r//s e as arestas BF e CG estão contidas nas retas u e t, respectivamente, com u//t, mas as arestas EF e CG são reversas e as arestas HG e BF idem; no entanto, no desenho, as retas r e u “parecem” concorrentes e as retas s e t também. Se as regras ficarem claras e explícitas, esperamos que os alunos não se deixem enganar pelo que “parece”. Neste 4o ciclo, da mesma maneira que no anterior, os conteúdos do bloco Espaço e Forma têm como ponto de partida a análise das figuras pelas observações, manuseios e construções que permitam fazer conjecturas e identificar propriedades, apontando para a necessidade de um raciocínio dedutivo, que é inerente a cada aluno, e fará com que surjam perguntas quanto às propriedades das figuras, levando-o a necessitar de regras para validar tais propriedades. Encontramos no caderno do aluno nº3 da 5ª série/6º ano (p.21-23), distribuído pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, uma atividade em que os alunos já necessitam dessa habilidade, pois devem observar objetos colocados em cima de uma mesa (desenhados no caderno) e desenharem as vistas frontal, lateral e superior. Para isto, vão precisar observar e conjecturar, numa boa amostra do raciocínio dedutivo próprio. 44 Quanto aos conceitos e procedimentos, dentro do bloco Espaço e Forma: Secções de figuras tridimensionais por um plano e análise das figuras. Análise em poliedros da posição relativa de duas arestas (paralelas, perpendiculares, reversas) e de duas faces (paralelas, perpendiculares). Representação de diferentes vistas (lateral, frontal e superior) de figuras tridimensionais e reconhecimento da figura representada por diferentes vistas. (PCN, p.88) Miranda (2006) observou que nas secções de um cubo, quando feitas dentro de um ambiente utilizando geometria dinâmica, os alunos em sua pesquisa, encontraram todas as possíveis secções e isso nos leva a acreditar que, se o aluno conhecer as regras de representação terá maior facilidade de encontrar estas secções. Os PCN‟s propõem conteúdos ricos em Geometria (Espaço e Forma) visando um conhecimento básico em construções, visualizações, transformações geométricas, composição e decomposição de figuras planas e percepção de figuras espaciais, para o desenvolvimento de habilidades essenciais para um bom entendimento do que se pode ter no espaço e as formas que os objetos podem ocupar no mesmo, porém, este estudo fica restrito somente ao bloco Espaço e Forma. Como campo de problemas, o estudo do espaço e das formas envolvem três objetos de natureza diferente: O espaço físico, ele próprio - ou seja, o domínio de materializações; A geometria, concebida como modelização desse espaço físico – domínio das figuras geométricas; O(s) sistema(s) de representação plana das figuras espaciais – domínio das representações gráficas. (PCN, p.122) A esses objetos correspondem três questões relativas à aprendizagem que são ligadas e interagem umas com as outras. São elas: A do desenvolvimento das habilidades de percepção espacial; A da elaboração de um sistema de propriedades geométricas e de uma linguagem que permitam agir nesse modelo; 45 A de codificação e decodificação de desenhos. (PCN, p.122-123) O desenvolvimento dessas habilidades e as futuras conjecturas das propriedades, no momento da codificação (construção) e decodificação (leitura), podem conduzir o aluno ao conflito do que é visto e do que é sabido. Segundo Parzysz (1998), ao “ler” um desenho, um sujeito tende a “ver” as suas propriedades como propriedades do objeto em si, como por exemplo no cubo da figura 10, que as retas s e t são concorrentes e r e u também e não ortogonais e reversas, ou ainda, que nem todas as faces do cubo são quadradas, pois as faces EFGH “parecem” um paralelogramo e não um quadrado. No que diz respeito aos sistemas de representação plana das figuras espaciais sabemos que as principais funções do desenho são as seguintes: (PCN. p.125). Visualizar – fazer ver, resumir; Ajudar a provar; Ajudar a fazer conjecturas (o que se pode dizer). Quando os alunos têm de representar um objeto geométrico por meio de um desenho, buscam uma relação entre a representação do objeto e suas propriedades e organizam o conjunto do desenho de uma maneira compatível com a imagem global que têm do objeto. (PCN, p.125). As produções dos alunos mostram que eles costumam situar-se em relação a dois pólos, geralmente antagônicos: Um que consiste em procurar representar o objeto tal como ele (aluno) imagina como o objeto se apresentaria à sua vista; O outro que consiste em procurar representar, sem adaptação, as propriedades do objeto que ele (aluno) julga importante. (PCN, p.126) Para Parzysz (1998), este antagonismo pode ser entendido se nos basearmos em três hipóteses: 1) Existe uma dialética entre a aquisição dos conhecimentos em geometria do espaço e o domínio das representações; 46 2) É obrigatório passar por uma fase de utilização de uma representação tridimensional, mesmo em nível do Ensino Médio; 3) Existe uma necessidade de tornar explícitas as regras para desenhar figuras espaciais. Segundo o PCN o aluno faz composição e adota critérios para obter um resultado que ele julga o melhor possível, pois não consegue conjugar os dois pólos. Estes critérios ficam mais apurados com a evolução da idade, o desenvolvimento das capacidades gráficas e os conhecimentos geométricos. A dificuldade dos alunos é de encontrar articulações entre as propriedades que ele conhece e a maneira de organizar o conjunto do desenho, pois ele deverá escolher entre sacrificar ou transformar algumas delas, como o desenho das figuras tridimensionais”. Mesmo no início do terceiro ciclo os alunos usam ainda de forma bastante espontânea sua percepção para representar figuras; aos poucos, essa espontaneidade tende a diminuir e é substituída por uma tendência de apoiar-se nos métodos do professor. As atividades de Geometria são muito propícias para que o professor construa junto com seus alunos um caminho que a partir de experiências concretas leve-os a compreender a importância e a necessidade da prova para legitimar as hipóteses levantadas. Para delinear esse caminho, não se deve esquecer a articulação apropriada entre os três domínios citados anteriormente: o espaço físico, as figuras geométricas e as representações gráficas. (PCN, p.126). 3.3.2 PCN Ensino Médio O Ensino Médio é a etapa final da Educação Básica e tem como finalidade “assegurar a todos os cidadãos a oportunidade de consolidar e aprofundar os conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental”. (PCN,p.22) No início do PCN são feitas considerações importantes sobre o ensino da Matemática e em seguida estabelecem-se os objetivos para esta disciplina com a finalidade de proporcionar ao aluno, no que diz respeito à Geometria, “reconhecer representações equivalentes de um mesmo conceito, relacionando procedimentos associados às diferentes representações” (PCN, p. 254). 47 Sobre o aprofundamento dos estudos em todas as áreas da Matemática, em particular a Geometria, segundo o PCN: Numa outra direção, as habilidades de visualização, desenho, argumentação lógica e de aplicação na busca de soluções para problemas podem ser desenvolvidas com um trabalho adequado de Geometria, para que o aluno possa usar as formas e propriedades geométricas na representação e visualização de partes do mundo que o cerca. (PCN, p. 257) Os parâmetros de 2006 complementam os anteriores, organizando os conteúdos básicos em quatro blocos: Números e operações; Funções; Geometria; Análise de dados e probabilidade. No PCN do Ensino Médio, o conteúdo Geometria refere-se ao que era chamado Espaço e Forma no Ensino Fundamental: O estudo da Geometria deve possibilitar aos alunos o desenvolvimento da capacidade de resolver problemas práticos do cotidiano, como, por exemplo, orientar-se no espaço, ler mapas, estimar e comparar distâncias percorridas, reconhecer propriedades de formas geométricas básicas, saber usar diferentes unidades de medida. O trabalho de representar as diferentes figuras planas e espaciais, presentes na natureza ou imaginadas, deve ser aprofundado e sistematizado nesta etapa de escolarização. ( PCN, p. 75) O estudo da Geometria no Ensino Médio finaliza os estudos iniciados nos ciclos I e II do Ensino Fundamental. Ocorre nessa etapa um trabalho aprofundado e sistematizado proporcionando ao aluno um aprendizado para resolver problemas práticos do cotidiano. Acreditamos que ao passar por todos o ciclos o aluno poderá chegar a essa etapa com um conhecimento muito bom em Geometria e que o antagonismo entre os pólos visto x sabido será provavelmente superado, com a discussão, a definição e a reflexão das regras de representação plana de figuras espaciais. O aluno, por meio destas regras, será capaz de decodificar um desenho plano de uma figura, seja ela espacial ou não. Durante as nossas leituras dos PCNs dos 1º e 2º ciclos, mantivemos uma conversa informal com algumas professoras destes níveis de ensino e os depoimentos orais obtidos nos levaram a uma constatação, já descrita no PCN, de que um aluno que obteve uma formação passando por todos os ciclos do Ensino 48 Fundamental deveria chegar ao Ensino Médio sabendo, por exemplo, o que é um cubo, qual sua forma, como são as características de perpendicularismo e de ortogonalidade, como são as faces, quantas são e ainda tendo uma idéia de como fazer um desenho dele no papel. No entanto, percebemos na nossa prática diária, que os alunos ao final do Ensino Fundamental mostram muitas dificuldades tanto para interpretar como para visualizar desenhos de figuras geométricas,talvez por não conhecerem as regras. 3.3.3 A Proposta Curricular e os Cadernos do Professor A Proposta Curricular da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, no que se refere aos conteúdos fundamentais de Geometria a serem ensinados cita que o Ensino Fundamental deve ocupar-se inicialmente do reconhecimento, da representação e classificação das formas planas e espaciais. A proposta ainda determina que a Geometria seja trabalhada em todos os anos, em abordagem espiralada, para que os grandes temas sejam vistos tanto no Ensino Fundamental como no Ensino Médio diferenciando-os pela escala de tratamento do tema. Como parte integrante dessa proposta recebemos os Cadernos do Professor, material que foi distribuído por bimestre em 2008 para nortear o professor no desenvolvimento dos conteúdos propostos e em 2009, com a mesma periodicidade de distribuição, mas já oficializado como o novo Currículo da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Os Cadernos estão divididos em Situações de Aprendizagem sobre os temas propostos e são esses materiais que trazem exemplos e sugestões para que o professor, juntamente com o livro didático, trabalhe os conteúdos. Observamos, através da leitura da Proposta e dos Cadernos do Professor, que o tema Geometria, no Ensino Fundamental, é abordado no 3º bimestre do 6º ano com Formas Geométricas; no 2º bimestre do 7º ano com ângulos, polígonos, circunferência, simetrias, construções geométricas e poliedros; no 4º bimestre do 8º ano com o Teorema de Tales, o Teorema de Pitágoras, áreas de polígonos e volume do prisma; no 3º bimestre do 9º ano com proporcionalidade na geometria (o conceito 49 de semelhança, semelhança de triângulos, razões trigonométricas) e no 4º bimestre com corpos redondos. No currículo do Ensino Médio para o curso da 1ª série, a geometria aparece somente no 4o bimestre; na 2a série, também aparece somente no 4º bimestre com geometria espacial, elementos de geometria de posição, poliedros, prismas e pirâmides, cilindros, cones e esfera, sendo o último tema a ser abordado nesta série. As representações aparecem em formas de desenhos, que vêm acompanhados, em sua maioria, com frases do tipo: a figura abaixo representa uma esfera; observe o cubo; dada uma pirâmide de base quadrangular regular, entre outras. As regras para essas representações não são explicitadas junto aos desenhos e não as encontramos como um assunto a ser trabalhado em nenhum outro lugar da proposta. O Caderno do Professor do 4º bimestre da 2a série define como uma das competências e habilidades a serem trabalhadas em situação de aprendizagem sobre o prisma, a “capacidade de visualização de figuras espaciais no plano”. Apresenta como sugestão que o professor trabalhe com materiais do dia-dia, como caixa de fósforos e embalagens, e traz definições por escrito, como “se o prisma tiver todas as faces quadradas, ele forma um cubo, também chamado de hexaedro regular (do grego hexa= seis e hedros = apoiar-se, faces)”. As figuras aparecem como desenhos e quando estes se referem a algum tipo de prisma, aparece um texto do tipo “Uma caixa de lápis tem o formato de um paralelepípedo reto retângulo com 3 cm de comprimento, 4 cm de profundidade e 12 cm de altura” e não são explicitadas as regras para as representações, acreditamos que são desenhadas em perspectiva, pelo tipo de desenho. Uma das orientações do Caderno do Professor é para que os professores observem as dificuldades dos alunos “quanto à visualização e à representação plana dos prismas” e que se utilize uma malha quadriculada para as representações. O caderno segue propondo as demais situações de aprendizagem para cilindros, pirâmides, cones e esferas, destacando como competências e habilidades a serem trabalhadas: a visualização de sólidos formados por rotação; visualização e representação de pirâmides e cones. Sugere que o professor apresente objetos, como embalagens em forma de prisma, pirâmides, cone e esfera para que haja a manipulação e a visualização, faça a confecção destes a partir de diversos recursos, 50 utilizando a planificação, bolinhas de isopor, palitos entre outros (conforme hipóteses de Parsysz (1998) já relatadas em nosso trabalho). A Geometria Espacial não faz parte do currículo da 3ª série, somente a geometria analítica, cônicas e números complexos. 3.3.4 Livros didáticos Consultamos os livros didáticos, indicados pelo PNLEM de 2008 e escolhidos pela escola em 2007, que foram utilizados pelos professores de Matemática entre 2008 e 2009 com os alunos que serão sujeitos desta pesquisa, para nos apropriarmos dos estudos realizados na 1a série do Ensino Médio. 3.3.4.1 Matemática Volume Único Este livro é dividido em 8 unidades e cada uma delas, em capítulos. Na unidade 1 “Álgebra”, não se trabalha Geometria. Na unidade 2 “Geometria plana”, estudo das propriedades de figuras geométricas; semelhança de triângulos; as relações métricas no triângulo retângulo; polígonos regulares inscritos na circunferência e comprimento da circunferência; áreas; medidas de superfícies. Na unidade 3 “Trigonometria”. Nas unidade 4 e 5 “Álgebra II” e “Estatística e Matemática Financeira”, respectivamente, não se trabalha Geometria. Na unidade 6 “Geometria Espacial: de posição e métrica”, os assuntos são: a introdução de relação entre ponto e reta, ponto e ponto, relação entre duas retas de um plano; posições relativas: ponto e reta, ponto e plano; posições relativas de pontos no espaço; determinação de um plano; posições relativas de dois planos no espaço (exercício proposto com a 1ª e a 2ª aparições do cubo); Perpendicularidade no espaço (retas perpendiculares), onde o cubo aparece pela 3ª vez com o desenho precedido da frase: “Pelo cubo, podemos visualizar ...” e o autor utiliza o desenho para definir retas paralelas, retas concorrentes ou retas reversas, por meio da observação das arestas do cubo; Poliedros: Prismas e Pirâmides. Esta unidade termina com os 51 corpos redondos. Nas unidades 7 “Geometria Analítica” e 8 “Álgebra III“, respectivamente, a Geometria não aparece. Na introdução dos temas da unidade 6, aparece um desenho de um cubo. Tomando este para análise das representações que aparecem no livro observamos que a partir desse ponto o cubo é sempre representado em perspectiva cavaleira, na sua maioria voltado para o lado direito e não é acompanhado de nenhuma das regras de representação, como ângulo e coeficiente de redução, (isto novamente nos remete aos trabalhos de Parsysz (1989) e de Gutierrez (1998), pois estes chamam a atenção para os desenhos estereotipados. O autor utiliza a linguagem “observando o cubo da figura ...”, aparentemente partindo do princípio que o aluno já conhece o cubo e suas características e os desenhos são sempre colocados no livro de forma que o aluno não precise conjecturar, visualizar ou observar, porque há sempre um texto explicativo sobre a natureza da figura representada e as regras não precisam aparecer. 3.3.4.2 Matemática Completa O volume 1 é para alunos da 1ª Série do Ensino Médio. O primeiro tema é a geometria plana: segmentos proporcionais; relações métricas no triângulo retângulo; circunferência; coordenadas de um ponto, seguida pelo desenvolvimento de outros conteúdos que não são relacionados à Geometria. O volume 2 é para alunos da 2ª Série do Ensino Médio, começando com um aprofundamento em Trigonometria seguido de Matrizes, Determinantes, Sistemas Lineares, Análise Combinatória e Probabilidade. O tema Geometria aparece no penúltimo capítulo do livro, que começa com retas e planos no espaço (noções primitivas); postulados; determinação de plano; posições relativas de duas retas no espaço; posições relativas de uma reta e um plano no espaço; posições relativas de dois planos no espaço. Num exemplo aparece um desenho semelhante ao de um cubo para explicar retas paralelas, concorrentes e reversas. Aparece pela 1ª vez um cubo quando os autores dizem “A figura a seguir representa um cubo”, para o aluno poder resolver um problema. Em seguida é tratado o perpendicularismo entre reta e plano (aparece o desenho de um cubo em perspectiva cavaleira, sobre um plano, 52 para demonstrar que por um ponto fora de um plano passa uma única reta perpendicular a esse plano); projeção ortogonal; distância entre retas reversas; ângulo de uma reta com um plano e num exemplo o autor escreve “Observando o cubo da figura seguinte, responda: ...”; teoremas de paralelismo e de perpendicularismo; tópicos de geometria plana; poliedros; poliedros regulares, onde o autor cita o hexaedro regular e coloca um desenho do cubo em perspectiva cavaleira e um cubo planificado; relação de Euler (exemplo com um cubo); prismas. “Um prisma reto cujas bases são retângulos é chamado paralelepípedo retângulo. As principais dimensões de um paralelepípedo retângulo são: comprimento, largura e altura”. (p.259). “Quando as três dimensões são iguais o paralelepípedo retângulo é denominado cubo”. (p. 260) Os desenhos são sempre em perspectiva cavaleira, voltados para o lado direito e não aparecem as regras para as representações. Aparentemente, os autores partem do princípio que o aluno já conhece bem o cubo, com suas características e propriedades, e também sabe como desenhá-los. O capítulo termina com as pirâmides e os corpos redondos. O volume 3 recomendado para alunos da 3ª série do Ensino Médio contém: Geometria analítica; cônicas; números complexos; polinômios; equações polinomiais; limites; derivadas e finaliza com questões do ENEM e outros testes. 3.3.5 Observações sobre o material didático analisado Escolhemos a Proposta Curricular e os livros distribuídos pelo PNLEM porque foi o material com os quais os alunos, sujeitos desta pesquisa, tiveram contato na 1 a e 2a séries do Ensino Médio. Observamos que as representações do cubo aparecem no conteúdo da 2ª série do Ensino Médio, no momento em que se apresentam as posições de retas (retas paralelas e/ou perpendiculares) e posições de planos para servir de apoio aos exemplos, mas, muitas vezes aparentemente para ter certeza que é um cubo, o autor escreve “A figura a seguir representa um cubo”.Essas representações são apresentadas, em sua maioria, em perspectiva cavaleira, 53 voltados para o lado direito e não se apontam as regras de representação em nenhum lugar dos textos. Tanto o Caderno do Professor como os livros partem do pressuposto que o aluno já conhece as características e as propriedades de um cubo. O caderno sugere ainda que o professor trabalhe com materiais, objetos, caixas, entre outros, para que o aluno os manipule e possa visualizar, relacionandoos com os temas abordados, mas não ficam claras as regras para o desenho destes objetos no plano, o que nos preocupa, pois sabemos que o que é “visto” pode muitas vezes ser enganoso. No caderno do professor aparece uma sugestão para que se faça uso da malha quadriculada de modo a ajudar o aluno a ler e interpretar os desenhos, pois, ficam evidentes os paralelismos, alguns perpendicularismos e as comparações de medidas (por exemplo, segmentos de mesma medida ou com coeficiente de redução conhecido), no caso da perspectiva cavaleira ou axonométrica isométrica. Observamos, após todo o estudo que fizemos, que tanto no Caderno do Professor como nos livros didáticos analisados, não se apresentam propostas de trabalho sistematizado com as representações das figuras geométricas, com uma discussão sobre a necessidade de fazê-las, de usá-las e de conhecer as regras para tal, apesar de sempre estar escrito que o aluno tem que visualizar e representar. Os trabalhos desenvolvidos parecem dar mais valor à manipulação e a uma visualização intuitiva, ficando a desejar no que diz respeito às regras e aos critérios para as representações das figuras no plano, conforme exemplificamos a seguir. Nas figuras abaixo, desenhadas em papel quadriculado, para se dizer que é um cubo em perspectiva cavaleira é preciso conhecer algumas das regras de representação com as quais estas foram feitas, como por exemplo o coeficiente de redução e o ângulo de direção. Se estes não forem explicitados, o desenho poderia ser o de um paralelepípedo com base num paralelogramo não quadrado. Figura 11 - Cubo PC (45º,75%) Fonte: AUDIBERT (1990) 54 Figura 12 - Cubo PC (27º,56%) Fonte: AUDIBERT (1990) No Caderno do Professor sugere-se o uso da malha quadriculada para as representações de figuras espaciais e acreditamos que, com o conhecimento das regras e com o uso deste tipo de papel, podemos contribuir para a interpretação e visualização dos desenhos e para a utilização de perspectivas paralelas, cavaleiras ou axonométricas. No caso da perspectiva cavaleira no papel quadriculado, por exemplo, se explicarmos para os alunos o papel do ângulo de direção e do coeficiente de redução fica quase evidente quando se trata de um cubo, de um outro paralelepípedo ou ainda de outra figura geométrica, pois é possível “ver”, com a ajuda das linhas tracejadas, se a figura tem faces paralelas ou não, quadradas ou não, perpendiculares ou não, ortogonais ou não. De qualquer forma, o professor precisa ficar atento às dificuldades que surgirem. Através da nossa pesquisa pretendemos ampliar um pouco mais o estudo sobre as representações das figuras, pois, observamos nos materiais já publicados, que muito se trabalha com a visualização e a manipulação e pouco ou quase nada com as regras para as representações bidimensionais de figuras bi ou tridimensionais. Ao terminarmos esta nossa revisão de literatura, que incluiu algumas pesquisas, os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, a Proposta Curricular do Estado de São Paulo; um livro didático de Matemática do tipo volume único; e uma coleção didática de Matemática, estes últimos para o Ensino Médio. 55 4 CONSIDERAÇÕES TEÓRICAS Realizamos algumas leituras para a revisão de literatura, a fim de responder nossas questões de pesquisa e optamos por utilizar as idéias de Parzysz (1988) e Gutiérrez (1996/1998) para orientar nosso estudo sobre a utilização de representações planas de figuras tridimensionais nas aulas de Matemática. Acreditamos que as regras para elaborar tais representações precisam ser explicitadas e trabalhadas e, uma vez que não são de aprendizagem imediata segundo Gutiérrez (1998), a habilidade para desenhar é um fator que realmente afeta a capacidade de fazer representações de sólidos e nós educadores temos que estar conscientes de que esta capacidade não cresce de maneira espontânea 16 fomos em busca daquelas que, no nosso entender, podem e devem ser usadas pelo professor de Matemática. Nesse sentido, encontramos uma definição de perspectiva na Wikipédia: “Define-se a perspectiva como a projeção em uma superfície bidimensional de um determinado fenômeno tridimensional. Para ser representada na forma de um desenho (conjunto de linhas, formas e superfícies) devem ser aplicados mecanismos gráficos estudados pela Geometria descritiva, os quais permitem uma reprodução precisa ou analítica da realidade 17 tridimensional.” (WIKIPEDIA, 2010.) No caso da Matemática na Educação Básica a superfície bidimensional é uma lousa, um livro didático ou uma folha de papel, que são os instrumentos de trabalho do professor em sala de aula. O desenho é a representação plana de figuras tridimensionais que gostaríamos que os alunos compreendessem. A Geometria Descritiva é a teoria matemática que vai fornecer as regras com as quais fazemos esses desenhos. 4.1 Introdução 16 Texto traduzido por nós do Espanhol 17 Grifo nosso 56 Dividimos este capítulo em duas partes, na primeira colocamos as informações sobre perspectiva cônica e na segunda sobre perspectiva paralela. 4.2 Sobre as perspectivas em geral A maioria das representações que encontramos em livros didáticos brasileiros de Matemática é feita em perspectiva e, para um melhor entendimento, colocamos na figura a seguir, um quadro comparativo das perspectivas de um cubo: cônicas e paralelas (cavaleira e axonométrica). Figura13: Perspectivas Fonte: Miranda (2006) 4.2.1 Perspectivas Cônicas Na Perspectiva Cônica, as representações de segmentos paralelos podem não ser paralelas. Com isto, os paralelismos não ficam todos evidentes e as regras para tais representações tornam-se mais elaboradas, o que pode dificultar ainda mais o trabalho didático do professor de Matemática. As perspectivas cônicas se subdividem em três tipos: com um, dois ou com três pontos de fuga. 57 Figura 14: Cubos em perspectiva Fonte: Acervo pessoal Segundo Lellis(2009), as linhas paralelas que não são paralelas ao quadro (ou ao plano de representação) convergem todas para o ponto P, dito ponto de fuga. Assim, não são mantidos paralelismos, nem comprimentos. Alguns dizem ser esta a “verdadeira perspectiva”, a que mais se assemelha à visão do olho humano. Figura 15: Ponto de fuga Fonte: Machado(2009) 58 4.2.2 Perspectivas Paralelas Na Perspectiva Paralela, que se subdivide em perspectiva cavaleira e perspectiva axonométrica (ou axonometria), as figuras conservam as propriedades de paralelismo e dão idéia de profundidade, o que pode facilitar sua interpretação. Parzysz (1989, p.209) afirma que na França, os desenhos são na sua maioria (90%) feitos em perspectiva cavaleira, com fuga para cima e à direita, e Gutierrez, (1998, p.195) afirma que as perspectivas paralelas cavaleira e isométrica são as mais freqüentes no estudo de geometria e no Brasil elas também são uma constante nos livros didáticos. Na perspectiva axonométrica, a direção de projeção é ortogonal ao plano de projeção (o observador está no infinito, olhando de frente para a figura e para o plano de projeção) e na perspectiva cavaleira, a direção de projeção é oblíqua (o observador está no infinito e não está olhando de frente para a figura). Projetantes paralelos entre si e perpendiculares ao plano de projeção. Figura 16: Vistas múltiplas Fonte: Instituto Politécnico de Leiria Projetantes paralelos entre si e perpendiculares ao plano de projeção. Figura 17: Projeção paralela ortogonal Fonte : Instituto Politécnico de Leiria 59 Projetantes paralelos entre si e oblíquos em relação ao plano de projeção. Figura 18 : Projeção paralela oblíquoa Fonte: Instituto Politécnico de Leiria Axonometria = Axon (eixo) + metreo (medida) é um tipo de projeção cilíndrica ortogonal em que as figuras são formadas a partir de um sistema ortogonal de três eixos que formam um triedro. Na escolha deste sistema, colocamos também em jogo as medidas dos ângulos que os eixos formam entre si e as “escalas” em cada um deles. Conforme estas medidas, podemos classificar as perspectivas axonométricas em isométricas, dimétricas e trimétricas. Figura 19: Sistema ortogonal de três eixos Fonte: Adaptado de Perspectiva da- l 4.2.2.1 Perspectiva Axonométrica Isométrica Ocorre quando o observador está situado no infinito e os raios projetantes são paralelos uns aos outros, incidindo perpendicularmente no plano de projeção. É o processo de representação tridimensional em que o objeto se situa num sistema de 60 três eixos coordenados (axonometria). Estes eixos, quando perspectivados, formam entre si ângulos de 120º: Figura 20: Eixos ortogonais isométricos Fonte: Perspectiva da-l Na perspectiva isométrica, o ponto O é um vértice de um cubo, cujas arestas se apóiam nas direções x, y e z. Os ângulos das faces que convergem no vértice O, que no real medem 90º, na representação medem 120º e as medidas das arestas são iguais. Figura 21: Cubo em perspectiva isométrica Fonte: Miranda ( 2006) 61 Na maioria dos textos que analisamos costuma-se utilizar, nas construções de perspectivas, os prolongamentos dos eixos x e y a partir do ponto O no sentido contrário, formando ângulos de 30º com a horizontal, enquanto o eixo z (vertical) permanece inalterado. Figura 22: Eixos prolongados Fonte:Perspectiva da-l No caso da perspectiva isométrica de um cubo podemos aproveitar os próprios eixos para “completar” o desenho, Assim, temos como possibilidade: Figura 23: Dimensões do cubo Fonte: Perspectiva da-l 62 4.2.2.2 Perspectiva Axonométrica Dimétrica Na perspectiva dimétrica, no sistema Oxyz, dois dos eixos têm escalas métricas iguais (que podem ser de redução ou não) e estes eixos formam ângulos congruentes com o terceiro eixo, no qual há uma mudança de escala. Figura 24: Cubo em perspectiva dimétrica Fonte : Miranda (2006) 4.2.2.3 Perspectiva Axonométrica Trimétrica Na perspectiva trimétrica, no sistema Oxyz, os ângulos formados pelos eixos são distintos entre si, ocasionando três coeficientes de redução para as medidas nas três direções. 63 Figura 25: Cubo em perspectiva trimétrica Fonte: Miranda (2006) 4.2.2.4 Perspectiva Cavaleira Na perspectiva cavaleira, ou também conhecida como perspectiva militar, o observador está situado no infinito e os raios projetantes são paralelos e incidem de forma oblíqua no plano de projeção. Uma das faces é paralela a este plano, com uma das arestas na horizontal e tem a forma e as dimensões conservadas, enquanto que as demais sofrerão distorção, o que equivale a dizer que o sistema Oxyz é escolhido de tal forma que os eixos Oy e Oz mantêm a escala 1:1, Oy é horizontal, Oz é vertical e o eixo Ox forma um ângulo α com a direção horizontal (ver figura 26 ). O que varia neste tipo de representação é a direção de projeção (α) e o coeficiente de redução (k), na direção do eixo x. É costume utilizar a notação: PC (α, k%) para designar uma perspectiva cavaleira com os parâmetros α e k. 64 Figura 26: Eixos com os coeficientes de redução Fonte: Desenho, geométrico e arquitetura online Figura 27: Cubo em perspectiva cavaleira PC(30º,50%) Fonte : Acervo pessoal Na perspectiva cavaleira, valem as seguintes propriedades: (1) Segmentos e figuras paralelos ao plano de projeção são representados em verdadeira grandeza, figuras congruentes, situadas em planos diferentes do plano de projeção, têm representações congruentes. (2) Os segmentos representados na direção perpendiculares ao plano de projeção e Ox, no objeto real são podem ter medida reduzida pelo coeficiente K. (3) Segmentos de retas paralelos no objeto real são representados por segmentos de retas paralelos no desenho. 65 Como convenção, traça-se linhas cheias para as arestas que estão visíveis para o observador, se imaginarmos que a figura tridimensional é sólida, e linhas tracejadas para as invisíveis (que ficam escondidas do observador). 4.3 AS NOSSAS ESCOLHAS As representações planas de figuras tridimensionais que mais encontramos em livros didáticos brasileiros de Matemática são as feitas com base ou na perspectiva cavaleira ou na axonométrica isométrica, segundo Parzysz (1988) e Gutiérrez (1998) são as mais usuais também em sala de aula de Matemática da França e da Espanha, respectivamente. Para o desenvolvimento de nossa pesquisa decidimos investir em perspectivas cavaleiras e axonométricas isométricas por serem aquelas que os alunos já viram e desenharam de modo estereotipado, sem o cuidado com as regras que permitem formar uma figura o mais próxima possível do objeto real, sem que caiamos no engodo do chamado pólo do visto, e, em perspectivas cônicas para explicar os pontos de fuga constantes ou não em gravuras com características matemáticas, que farão parte deste estudo. E porque acreditamos que, conhecendo as regras que permitem elaborar as representações, os alunos conseguirão ler e interpretar grande parte das representações planas de figuras tridimensionais, sem serem iludidos pelo pólo do visto. 66 5 A PESQUISA Em nosso trabalho pretendemos responder a duas questões de pesquisa: “A utilização de imagens externas variadas pode ajudar no desenvolvimento de habilidade de visualização?” “Quais habilidades de visualização podem ser desenvolvidas com a análise dessas imagens?”. 5.1 INTRODUÇÃO Realizamos entrevistas semi-estruturadas individuais com um grupo de alunos do Ensino Médio no intuito de verificar as suas habilidades de visualização através da observação e análise de algumas gravuras. Acreditamos que através da análise dessas entrevistas poderemos contribuir com o processo de ensino aprendizagem de Geometria Espacial nas aulas de Matemática do Ensino Médio. 5.2 ENTREVISTA REFLEXIVA O método de pesquisa escolhido é o de uma entrevista semi-estruturada do tipo reflexivo, que segundo Szymanski (1998) representa uma situação de interação humana entre os atores sociais, possibilitando uma construção de conhecimentos. Neste tipo de entrevista, em geral, o entrevistado pode refletir sobre sua fala à medida que fala com o entrevistador e esse movimento reflexivo torna possível a 67 discussão e a articulação da informação. Por esta razão, permite explorar o maior número de informações, nas mais diversas formas em que o assunto aparece. Para Szymanski (1998), dois objetivos principais se destacam numa entrevista reflexiva: 1. Suscitar informações objetivas e subjetivas (estas últimas remetendo à construção do significado). 2. Conduzir o processo de diálogo para que o tema discutido seja ampliado e aprofundado. [...] o pesquisador tem em mente que é necessário o estabelecimento de uma situação de confiabilidade e credibilidade para que o entrevistado se sinta à vontade na exposição dos fatos, e traga, em contrapartida, os dados importantes para o estudo. A autora ressalta também, que o fato do entrevistado aceitar colaborar com a pesquisa, já demonstra a intenção do mesmo em participar do estudo. (SZYMANSKI, 2004, apud COSTA, 2007, 18 p. 62-63) . No primeiro momento ocorre uma apresentação e aproximação do grupo, que é o contato inicial com os participantes. No nosso caso, o grupo é constituído pelo aluno (entrevistado), pelo entrevistador (este pesquisador). O segundo momento é representado pela condução da entrevista, que será áudio-gravada com autorização prévia dos responsáveis pelos menores, para resguardo das informações trocadas. Acreditamos que a entrevista reflexiva seja de maior aceitação junto aos alunos, pois cada um pode responder ou não às perguntas feitas, propiciando liberdade para que haja discussão e troca de informações, possibilitando a ampliação e o aprofundamento do assunto estudado e fazendo com que haja uma construção de conhecimentos e significados. Através dessa entrevista poderemos ainda, obter respostas objetivas às perguntas do tipo “conhece ou não as regras da perspectiva”, “sabe ou não interpretar um desenho”; e respostas subjetivas, do tipo “concordo (ou não) que é importante (ou não) conhecer as regras, porque ...”, “conhecer as regras facilitou (ou não) minha leitura do desenho, porque ...”. Todas serão importantes para as análises e para as conclusões de nossa pesquisa. 18 SZYMANSKI, Heloisa et al. (2004). A entrevista na pesquisa em educação: a prática reflexiva. Brasília: Líber Editora. 68 Durante a entrevista esperamos colaborar com estes alunos para que eles, ao fazerem a leitura de um cubo representado no plano, possam analisar a representação e juntos possamos conjecturar e verificar quais foram as regras usadas na representação. Com a verificação da importância (ou não) do uso dessas regras na representação do cubo e se elas facilitam (ou não) a interpretação dessas representações, acreditamos conseguir uma forma de provocar nesses alunos a preocupação com as regras para a representação plana de figuras geométricas em geral. Assim, conseguiremos uma forma de fazer com que os desenhos das figuras geométricas não sejam mais vistos de forma estereotipada pois, segundo Parzysz (1988) sempre existirá perda de informações numa representação plana de figuras espaciais. 5.3 SUJEITOS DA PESQUISA Realizaremos a entrevista com quatro alunos da 3ª série do Ensino Médio em uma escola pública da cidade de Piedade – SP onde lecionamos, porém não temos contato direto com os referidos alunos visto que eles estudam em um período diferente daquele em que ministramos aulas. Os sujeitos da pesquisa serão chamados de A1, A2, A3 e A4, com o intuito de preservar as identidades por motivos éticos, são alunos que vieram de uma 2ª série em 2009 e estão na 3ª série em 2010, e foram convidados a participar do projeto por intermédio da professora de Matemática da turma. Dentre os que aceitaram o convite, selecionamos aqueles que apresentaram um perfil diferenciado, de acordo com as informações da professora. A1 é considerado excelente, gosta de Matemática, realiza todas as atividades, possui facilidade nas resoluções e utiliza, muitas vezes, cálculo mental; A2 realiza as atividades algumas vezes apresentando dificuldades; A3 realiza todas as atividades, é considerado um aluno de bom para ótimo; A4 demonstra interesse e responsabilidade pelos estudos, sempre está perguntando e busca a todo o momento novos conhecimentos; 69 5.4 PROCEDIMENTOS Realizamos quatro entrevista cada uma delas foi realizada em duas partes: a primeira com a apresentação de 11 gravuras acompanhadas das seguintes questões: Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? O aluno deveria descrever a cena representada e através de sua observação e interpretação, responder as questões. Além dessa análise, orientamos os alunos que levassem para casa outras duas figuras, as chamadas por nós “palhaços” e “elipsóides”, e, primeiramente fizemos uma verificação com a figura “casa dos arames farpados”. Juntamos a todo esse material as atividades feitas pelos alunos em casa, analisamos novamente, chegamos a uma característica inerente a cada um e fizemos a segunda parte da entrevista, voltada para a matemática e explorando a visualização de cada aluno. As entrevista foram realizadas na sala de uma escola na cidade de PiedadeSP onde estavam presentes o entrevistado e o pesquisador. As conversas foram gravadas e o material utilizado recolhidos e guardados para análises. 5.5 AS GRAVURAS 70 Para efeito de leitura optamos por apresentar as 11 gravuras na ordem em que foram utilizadas na entrevista, para depois desenvolver o texto com as respostas dos alunos em nossa análise. Figura 28: Reconstrução do templo de Jerusalém Fonte: Wikipédia Figura 29: Árvores rebatidas Fonte: Wikipédia 71 Figura 30: Exorcismo dos demônios de Arezzo Fonte: Wikipédia Figura 31: Nascimento da Virgem (painel 7) Fonte: História da arte 72 Figura 32: São Francisco perante o sultão Fonte: História da arte Figura 33: A vida na cidade. Os efeitos do Bom Governo Fonte: www.ricardocosta.com 73 Figura 34: Palla de Brera Fonte: www.slideshare.net(2009) 74 Figura 35 : Alegoria do Bom Governo Fonte: Wikipédia Figura 36: Alegoria do bom governo Fonte: : www.ricardocosta.com 75 Figura 37: Botticelli, quarto episódio da série Nastagio Degli Onesti Fonte: Wikipédia Figura 38: A Escola de Atenas Fonte: Wikipédia 76 5.6 A ENTREVISTA Realizamos um total de quatro entrevistas sendo que uma delas será apresentada na íntegra, propiciando uma noção geral do trabalho desenvolvido junto aos alunos, e, respectivamente apresentaremos as perguntas direcionadas a cada uma das gravuras apresentadas anteriormente. A entrevista que apresentamos a seguir é do aluno A2. Iniciamos com a primeira parte da entrevista realizada em uma sala da escola onde estavam presentes somente o pesquisador e o entrevistado e a sessão foi gravada. Primeiramente fizemos uma leitura da introdução e, posteriormente, das perguntas e a entrevista prosseguiu como apresentamos a seguir. As gravuras que selecionamos têm características de uma civilização e/ou um período da história e apresentam representações planas que descrevem cenas espaciais. Os alunos deverão analisar cada uma delas, avaliar e responder o que pedimos . Figura 28 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: A construção de um reino. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: As pessoas, as casas,os trabalhadores. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, porque uma cidade é constituída de casas e pessoas. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Não, porque há pessoas que são do tamanho de uma árvore, outras com o tamanho de um castelo. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial representada? Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena 77 Resposta: Sim, porque há umas figuras estreitas que dão a impressão de longevidade. Sim, algumas árvores e um castelo bem pequeno em cima de uma pedra. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: Sim,a construção de um novo castelo. Figura 29 Esta figura foi colocada com a intenção de provocar quanto a idéia de proporcionalidade pois, nela esta evidente que não há proporção. a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Sim,as pessoas estão plantando alguma coisa. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Há duas imagens no quadro, na 1ª ele colocou pessoas plantando e na 2ª colhendo. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, é fácil saber que na 1ª imagem há o plantio de alguma coisa e na 2ª a colheita. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim pra primeira imagem, pois as pessoas são maiores que as árvores,e não pra 2ª imagem pois as árvores são maiores que as pessoas. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Na imagem 1 não, na imagem 2 sim, porque parece que as pessoas estão dentro de um buraco. Sim, o buraco profundo. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: As pessoas plantando. 78 Figura 30 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: O fim do mundo. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Sim, o céu tá muito escuro e parece que tem demônios saindo das nuvens, há pessoas escondidas, o chão tá todo rachado e há dois homens que chamam muita a atenção, o primeiro está em pé e aparenta ser um padre, o 2º aparenta ser Jesus, ou uma pessoa muito cristã, pois está ajoelhada dando a impressão de estar orando. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, o ambiente é muito feio, dá a impressão de que é o fim do mundo mesmo. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Não, porque a pessoa que parece o padre é do tamanho de um muro e o castelo é maior que as pessoas que estão escondidas. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Sim, porque há diminuição de algumas casas, dando a impressão de que elas estão longe. O tamanho decrescente das casas. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: A pessoa que parece estar orando e o céu escuro. Figura 31 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: O nascimento de duas crianças. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Sim, há duas crianças que parecem ser recém-nascidas, que estão recebendo os cuidados de mulheres, na cama há uma mulher que parece ser 79 a mãe das crianças e na porta há um homem que está recebendo um presente para as crianças de algum vizinho. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, é fácil interpretar o quadro, você vê duas crianças com um círculo amarelo em volta da cabeça, já sabe que se trata de um nascimento. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim, as pessoas são proporcionais ao tamanho da casa. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Não, porque parece que as pessoas estão alinhadas em uma reta. Não. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? As duas crianças recebendo cuidados. Figura 32 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: A morte de uma pessoa em uma fogueira, por ela ser feiticeira. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Sim, tem um rei, tipo apontando pra fogueira e olhando pro feiticeiro, como se dissesse que lá na fogueira era o lugar dele (feiticeiro). c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, porque a arquitetura da obra representa uma época em que bruxas e feiticeiros não tinham direito algum de liberdade de expressão. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim, as pessoas e as construções são proporcionais. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial representada? Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena 80 Resposta: Não, parece que todas as pessoas estão alinhadas em uma reta. Não. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: O rei apontando pra fogueira, lançando um olhar pro feiticeiro, do tipo você tem que morrer. Figura 33 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Um reino. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Há castelos, moças e rapazes com vestimentas bem antigas. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, porque quando você bate o olho na obra sabe que se trata de um reino. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Não, os castelos são maiores que as pessoas. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Sim, porque há diminuição dos castelos, pois eles começam grandes e terminam pequenos. Os castelos menores e as pessoas que estão em cima desse castelo também. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: A arquitetura da obra, os castelos. Figura 34 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Um ritual. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. 81 Resposta: Há um número pequeno de pessoas reunidas em volta de uma criança morta e um samurai ajoelhado no chão, meio que orando. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Não, é muito complicado de entender a obra. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim, todas as pessoas são do mesmo tamanho, com exceção da criança morta. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Sim, porque têm poucas pessoas reunidas em volta da criança, só que o espaço é muito menor, então ficam 6 pessoas a frente e outras 4 atrás , que transmitem essa impressão. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: A criança morta e o samurai. Figura 35 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Um reino. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Castelos, rainha, as roupas. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, você vê a obra, vê que tem castelo, pronto já sabe que é um reino. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim, as pessoas são menores que os castelos. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial representada? Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena 82 Resposta: Sim, porque têm algumas ruas em que as pessoas podem seguir, e essas ruas devem levá-las aos castelos mais longe, que estão desenhados em tamanho menor. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: A rainha sendo observada por algumas pessoas. Figura 36 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Não, porque há um grande número de pessoas aglomeradas, que eu não sei explicar o motivo dessa aglomeração. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Um castelo, o rei, rainha e o povo. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Não, porque é difícil a pessoa saber de cara o real motivo dessas pessoas da obra estarem aglomeradas. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Não, o rei, rainha, príncipe, princesa são maiores do que as pessoas que estão aglomeradas. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Sim, há pessoas maiores e menores que dão essa impressão. O rei maior que o povo. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: O rei. Figura 37 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Um banquete. 83 b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Um ambiente ao ar livre, com mesas cheias de pessoas, e mordomos ou garçons, servindo o banquete. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, porque quando você vê a obra, olha aquelas mesas grandes e os garçons servindo comida, já sabe que é um banquete. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim, há proporção aos objetos e pessoas na obra. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Sim, a paisagem no fundo da obra deixa bem claro essa impressão de longevidade. As montanhas. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: As mesas longas e os garçons. Figura 38 a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Uma escola. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: Um santuário, com pessoas lendo, outras explicando e algumas bisbilhotando. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, algumas pessoas lendo e outras desinteressadas, a gente assimila de que seja uma escola. d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim, são proporcionais ao tamanho do ambiente. 84 e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Sim, é como se o ambiente fosse ficando estreito conforme aumenta o número de pessoas. As nuvens atrás das pessoas. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: Um rapaz lendo, e um outro meio que dormindo. Após o aluno ter observado os 11 gravuras e termos instigado sua percepção visual, foi apresentado uma outra chamada por nós de “Casa dos arames farpados” (figura 39), colocada com a intenção de provocar quanto a sua observação e visão, sendo feita algumas perguntas. Seguem as perguntas, respostas dadas pelo aluno A2: Figura 39: Casa dos arames farpados Fonte: Baixaki 85 O que você observa nesta representação? Resposta: Um chalé no meio de um rio. Era um dia de Sol? Por quê? Resposta: Sim, o céu estava azul. Onde está o Sol? Como você sabe? Resposta: Está do lado direito, porque há sombra dos objetos desse lado. Os arames estão encostados na casa? Resposta: Não,não sei justificar. O telhado da casa da frente parece estar encostado na casa do fundo. Isto é verdade? Resposta: Não, porque se percebe que tem uma distância da 1ª casa para a 2ª casa. Observe a cumeeira do telhado da casa do fundo. Ela é paralela aos arames farpados? Estão no mesmo plano? Resposta: Sim. Não. Em que posição está a árvore da esquerda? Ela está encostada na casa do fundo? Por quê? Resposta: Ela está no meio. Não. Porque dá pra perceber que há uma árvore mais próxima da casa. Os galhos desta árvore parecem estar em cima da casa do fundo. Isto é verdade? Resposta: Não, elas não estão em cima da casa, mas parecem estar. A gravura Caça palavras, conforme figura 40, foi entregue ao aluno para que respondesse em casa algumas perguntas. Esta gravura teve como objetivo, provocar sua visualização e ainda começar de maneira sutil a introdução às perspectivas paralelas que seriam explicadas na segunda parte da entrevista. Seguem as perguntas e as respostas do aluno. 86 Figura 40: Caça palavras Fonte: Baixaki Você conhece o objeto que o palhaço da direita está segurando em sua mão direita? Que nome você dá a ele? Resposta: Sim, cubo mágico. Existem mais desses objetos no quadro? Quais? Resposta: Sim, existem alguns cubos mágicos flutuando, e alguns enterrados na areia. O objeto maior (indicado pelo pesquisador na figura) é formado por peças menores qual é o nome delas? Quantas são? Resposta: Elas são cubos também, só que são menores. São 17 peças. Os palhaços estão sentados em cima de objetos que parecem enterrados na areia. Como você descreve estes objetos? São 2 cubos mágicos, um deles está quase enterrado por inteiro e o outro está meio inclinado, com boa parte do cubo sem areia. A figura 41 mostra a gravura que chamamos de “Elipsóides”, que também foi encaminhado para casa e intenção de pedido que fossem respondidas perguntas com a instigar a visualização quanto às formas dos objetos, tamanhos, posições, a existência do foco de luz, e se o aluno utiliza a idéia de proporção, com relação à posição, no real, dos objetos observados na figura 41. 87 Figura 41: Elipsóides Fonte: Baixaki O que você observa neste quadro? Resposta: Figuras em formato oval e uma barra retangular flutuando. As figuras ovais são coloridas. Você percebe que tem uma fonte de luz? Em que posição esta se encontra? Por que você acha isso? Resposta: Sim, no teto do ambiente. Porque todas as figuras do quadro possuem sombras. Todos os elementos são do mesmo tipo? Resposta: Não, há figuras ovais e retangulares. Todos são do mesmo tamanho? Resposta: Não, há figuras maiores e figuras menores. O que são as manchas cinzas que podemos ver na figura? Resposta: As sombras das figuras. Na medida do possível, ordene as figuras semelhantes de acordo com o tamanho, da menor para a maior, observando os números de cada uma. Resposta: 14-1-2-13-3-7-4-9-6-10-5-11-8-12 Se estes objetos fossem caixas e pudessem ser colocados um dentro do outro como ficaria? Justifique sua resposta. 88 Resposta: 14-1-2-13-3-7-4-9-6-10-5-11-8-12. Ficaria dessa forma, porque os objetos menores devem ser colocados dentro dos objetos maiores. Quantos objetos temos? Quantas manchas cinzas temos? Resposta: 15 objetos. 21 manchas cinzas. Observe o objeto nº 5. Qual é a sombra dele? Explique. Resposta: É a sombra que se encontra na parede branca com uma listra vermelha, que quase divide a sombra da figura 5. Os objetos de números 1, 2, 3 e 4 possuem o mesmo tamanho? Por quê? Resposta: Não, porque o nº 1 é maior que o nº 2 que é maior que nº 3 que é maior que nº 4. É uma sequência crescente, do maior para o menor. O objeto nº 12 é maior ou menor que objeto nº11? Por quê? Resposta: Menor, porque se for colocado em uma ordem crescente o objeto nº 11 vem primeiro, e a sombra do objeto nº 11 é maior que a do nº 12. Qual a posição relativa dos objetos 9 e 14? Por quê? Resposta: A cor vermelha, porque os dois são vermelhos O objeto nº 4 é maior ou menor que o nº 5? Por quê? Resposta: Maior, porque se for colocado em uma ordem decrescente o nº 5 vem primeiro por ser menor. Como é o nome do bloco que se encontra flutuando? Resposta: Tijolo O bloco que se encontra flutuando produz uma mancha cinza. Essa mancha cinza representa que figura geométrica? Resposta: Retângulo Observe as faixas coloridas de branco, azul claro e azul escuro. O que você observa a respeito dessas faixas? Descreva. Resposta: Que a parede que possui essas faixas não possui nenhuma sombra. Em relação as outras faixas o que você observa? Descreva. Resposta: A parede que possui faixas amarelas e vermelhas possui sombras das figuras do quadro. Nossa intenção era apenas iniciar a discussão sem dar muitas explicações para não influenciar as respostas dos alunos. 89 Ao iniciarmos a segunda entrevista foi apresentado uma nova gravura (figura 42) para que se fizesse uma análise utilizando-se das perguntas feitas na primeira entrevista. Apresentamos esta gravura com o objetivo de provocar o aluno de forma que perguntasse o que são as linhas verdes que convergem para o ponto de fuga. Figura 42: O milagre da hóstia Fonte: : www.ricardocosta.com Seguem as perguntas e as respostas do aluno. a) Você consegue descrever a cena real que está representada na figura? Resposta: Sim, tem uma mulher comprando alguma coisa. b) Você percebe que organização o autor escolheu para a representação da cena? Descreva-a. Resposta: A mulher da obra está com uma moeda na mão e há um balcão com um homem atrás. c) Você considera a organização escolhida adequada para a representação? Explique. Resposta: Sim, fica bem claro que a mulher é uma cliente e o homem um vendedor, pela divisão que o balcão faz entre eles. 90 d) Os vários elementos representados estão com os tamanhos adequados? Resposta: Sim, por causa da proporção entre as duas pessoas da imagem e os objetos representado na obra. e) Na figura, a noção de profundidade é evidente? elemento especial Você identifica algum que permita a visão da profundidade da cena representada? Resposta: Sim, o ponto de fuga, a parede e o piso dão impressão de algo muito estreito. f) Entre as figuras, você pode selecionar a que melhor representa a cena descrita? Resposta: A mulher com a moeda na mão. Após discutirmos todas as perguntas, passamos a explicar para o aluno por meio da gravura, o que é uma representação em perspectiva cônica e que, no caso, para o ponto de fuga convergem as linhas horizontais, que são paralelas no real. As linhas verticais continuam paralelas, sendo tudo visto de uma forma melhor observando o chão representado no quadro. Que as obras de arte, até uma certa época, não utilizavam regras matemáticas para serem desenhadas. Por esse motivo, as representações podiam ter tamanhos desproporcionais. Após o surgimento das regras de representação, as obras que seguiam estas regras, começaram a apresentar um aspecto melhor, tanto para a visualização como para um estudo mais matemático. Para esta segunda parte da entrevista iríamos procurar fazer um estudo direcionado à parte matemática. Em seguida, apresentamos para o aluno novamente as 11 gravuras da primeira entrevista e perguntamos se ele percebia as mesmas características da gravura da figura 42. Para o aluno, as figuras 28,29,30,31,31,33,35,36 e 38 não possuem as características da figura 42 apresentada no inicio da entrevista, para ele somente as figuras 34 e 37 são representações em perspectiva cônica. Quando foi apresentada a figura 30 percebemos que o aluno ficou um pouco em dúvida, pois devido à profundidade estar evidente pensou que a representação 91 teria ponto de fuga, tentando achá-lo na representação. Então comentamos que toda gravura que possui ponto de fuga tem profundidade, mas nem toda gravura que tem profundidade tem ponto de fuga. O aluno observou melhor a representação e afirmou que realmente não tinha as características pedidas. A mesma situação aconteceu com a figura 33, ao apresentar retomamos a conversa que tivemos na figura 30 e o aluno afirmou não ter as características da representação cônica. Para as figuras 34 e 37, as quais identificou como sendo representações cônicas perguntei onde se encontrava o ponto de fuga e o aluno respondeu apontando na figura de maneira correta. O aluno não identificou a figura 38 com as características da perspectiva cônica, apesar de perguntado várias vezes. Após as apresentações das figuras comentamos com o aluno que grande parte das representações artísticas são feitas em perspectivas cônicas e que elas se dividem em três tipos: com um ponto de fuga, dois ou três pontos de fuga. Apresentamos imagens com os pontos de fuga para que o aluno conhecesse as figuras com essas características. Entre as imagens colocamos um cubo, com um, dois e três pontos de fuga, dissemos para o aluno que este tipo de representação para a Matemática pode ficar inadequado, pois as imagens ficam com características reais. Assim, em Matemática, temos utilizado um outro tipo de representação, não se baseando em perspectivas “deformadas”, o que pode introduzir complicações didáticas. Retomamos a gravura dos „Elipsóides”, colamos a gravura numa cartolina, traçamos as retas paralelas as sombras e aos elipsóides e juntos localizamos o foco de luz, acima e à direita, confirmando a resposta dada por ele quanto à posição do foco de luz. Em relação a ordem crescente e decrescente que o aluno trocou o conceito para responder as questões diz ter se confundido e saber a definição correta mas escreveu errado. Perguntamos o motivo por ter contado 21 sombras, respondeu mostrando na figura como contou, percebemos que contou para certas figuras a sombra duas vezes, ou seja quando a sombra estava na parede e no chão, ver objeto nº 6, o aluno contou duas vezes, e ao ser perguntado novamente quantos objetos havia, contou 15, mostramos as três sombras abaixo do bloco retangular imediatamente o aluno disse que havia mais três objetos escondidos e que não tinha percebido, então concluímos que a representação tem 18 sombras e 18 objetos. O bloco que havia chamado de tijolo comentamos que se chama bloco retangular. 92 Para “Casa dos arames farpados” (figura 39) ao comentarmos as respostas voltamos a perguntar “os arames estão encostados na casa?” O aluno ficou em silêncio e disse não saber responder, fizemos juntos a observação, que entre a casa e o arame existe um chafariz, se o arame estivesse encostado na casa teria sombra do arame na casa, o aluno compreendeu as explicações, constatamos que o aluno possui uma certa dificuldade nas habilidades “percepção de posições espaciais e percepção de relações espaciais”, em seguida passamos para a figura Caça palavras (figura 40). Ao comentar suas respostas, perguntamos de que forma tinha contado os cubinhos que formam o cubo maior, indicou a figura no que percebemos que somente havia contado os cubinhos que estavam visíveis, e respondeu que tinha mais cubos que os 17 que havia respondido anteriormente, mas não conseguiu contar quantos eram. Precisou que a auxiliássemos contando juntos os cubinhos, totalizando 27 cubinhos que formam o cubo maior. Percebemos nesta etapa da entrevista que o aluno possui uma certa dificuldade na habilidade “rotação mental”, segundo Gutierrez. Aproveitamos a figura do cubo e fizemos uma introdução aos tipos de perspectiva paralela e comentarmos que perspectivas paralelas se dividem em duas: a cavaleira e a axonométrica e que a axonométrica subdivide-se em mais três, a isométrica, dimétrica e trimétrica mas as que são de grande uso na matemática e que interessam aos nossos estudos são a cavaleira e a isométrica, mostrando no cubo da figura que aquela construção possuía as arestas com as mesmas medidas e que no plano as arestas formam ângulos de 120º, logo seria uma representação paralela isométrica. Após toda essa apresentação das perspectivas paralelas foi mostrado para o aluno a seguinte figura numa folha de papel sulfite: 93 Figura 43: Hexágono I Fonte: Acervo pessoal Perguntamos o que ele enxergava nesta figura. Sua resposta foi imediata “é um cubo”. Em seguida perguntamos se fosse uma representação plana, que figura seria essa? “Um hexágono”. Se fosse uma figura espacial que figura seria essa? “Um cubo”. Pedimos pra que nos mostrasse na figura o cubo enxergado por ele, mostrou as faces frontal, lateral, superior. Comentamos que por ser uma representação paralela as faces são paralelas, indicando na figura as faces. Em seguida apresentamos a seguinte figura em papel sulfite: Figura 44: Hexágono II Fonte: Acervo pessoal Perguntamos que figura é esta? “Um cubo”. O tracejado ajuda a enxergar melhor o cubo? “Ajuda”. O que representam as linhas tracejadas na figura? O aluno não soube responder. Então, pedimos para que colocasse letras nos vértices do cubo para termos uma referência melhor. Ao colocar as letras o aluno percebeu que 94 no centro da figura ficaram duas letras juntas, a letra C e a letra H, então comentamos que no plano as letras estão juntas, mas como é um cubo, estamos nos referindo a figura espacial. Perguntamos o que representa elas estarem juntas e o aluno respondeu que o vértice H está atrás, na mesma direção do vértice C, parecendo estarem juntos. Aqui podemos dizer que entram os pólos do visto e do sabido de Parzysz, pois perguntamos novamente o que seria o tracejado, o aluno continuou ainda sem saber o que seria, percebemos possuir dificuldades nas habilidades de rotação mental e constância perceptiva, segundo Gutierrez. Fizemos uma atividade utilizando a imagem do cubo que o aluno colocou as letras em seus vértices. Explicamos que um dado, usado para jogos, tem o formato de um cubo e que a soma dos números das faces opostas resultam sete. Pedimos para que fosse colocasse o número 2 em uma face e perguntamos onde estaria o 5. O número 6 em outra face, onde estaria o 1. O número 3 em uma face, onde estaria o 4. O aluno conseguiu responder facilmente as questões, não apresentando para esta atividade dificuldades na habilidade de rotação mental. Colocamos o número 2 numa face adjacente ao número 5, e perguntamos se isso seria possível. O aluno disse que não pois as faces teriam que ser opostas. Terminando esta atividade comentamos novamente sobre a representação axonométrica isométrica e o aluno confirmou ter entendido este tipo de representação. Apresentamos a figura abaixo como sendo a perspectiva paralela cavaleira: Figura 45: Cubo, representação cavaleira Fonte: Acervo pessoal 95 Comentamos que esta representação é a mais utilizada em livros didáticos. Explicamos a construção deste tipo de representação e voltamos a fazer as perguntas como se o cubo acima fosse um dado. O aluno respondeu corretamente as questões sem apresentar dificuldades. Em seguida foi apresentado um cubo desenhado em papel quadriculado, conforme figura abaixo. Figura 46: Cubo, no papel quadriculado Fonte: Acervo pessoal Perguntamos se o quadriculado ajuda na construção, o aluno disse que sim pois ficaria mais fácil para desenhar o quadrado da frente e o de trás contando o número de quadradinhos, ficando com dúvidas quanto a medida da aresta lateral que liga os dois quadrados, se teria mesmo sido reduzida. Fizemos juntos os cálculos utilizando como medida uma unidade para o lado de cada quadradinho, aplicamos o teorema de Pitágoras encontrando a medida da aresta lateral 2 2 unidades para um cubo de aresta 4 unidades e direção de projeção de 45º. Explicamos que esta é uma representação por este motivo a aresta que acabamos de calcular sofreu uma redução, que é uma das características da representação cavaleira, e que no real todas as medidas das arestas são iguais. Finalizando a entrevista perguntamos se já tinha visto estas representações anteriormente e se ajudaria a partir de agora em suas atividades matemáticas futuras. O aluno disse que não tinha conhecimento das representações que foi muito interessante e acrescentou muito nos seus conhecimentos e que aprendeu muito com as entrevistas e as conversas realizadas por nós. 96 Então apresentei uma questão do ENEM/2007 e perguntei se todo aquele aprendizado ajudaria a resolver tal questão. Segue a seguinte questão: Figura 47: Questão nº 5, ENEM/2007 Fonte: MEC O aluno respondeu que a alternativa correta é a E, pois seria a única que consegueria construir e ainda fez algumas observações das figuras, que as madeiras estavam “entrelaçadas” segundo o aluno não sendo possível as construções. Ao ser perguntado se as regras de representação ajudaram a 97 responder a questão disse que sim pois se não tivesse conhecimento das regras teria ficado em dúvida entre as alternativas A e C. 5.7 AS ANÁLISES Vamos apresentar a seguir as análises feitas das entrevistas de cada aluno . 5.7.1 Análise do aluno A1 O aluno fez observação da figura 28, usando sua habilidade de discriminação visual, comparando os trabalhadores com os nobres que segundo ele estão mais bem vestidos e maiores. Nesta representação ficou com dificuldades para identificar profundidade, pois a diferença de tamanho entre as pessoas e objetos lhe causou confusão, sua percepção de posições e relações espaciais foi pouco utilizada mesmo assim o aluno diz: “acredito que o fundo da imagem representa essa profundidade”. A figura 29 possui organização, mas as representações não estão adequadas. O aluno percebe que os homens estão pegando água pela sua habilidade de figura-percepção solo mas fica confuso ao observar o 1º quadro, quanto a organização. Não responde se estão adequadas. O aluno perguntou se as representações laterais eram árvores, porém não identificou estas imagens como árvore demonstrando que sua habilidade de constância perceptiva foi pouco usada. No 2º quadro considera os elementos adequados, provavelmente por não ter feito as comparações entre seus tamanhos, a habilidade de discriminação visual foi também pouco usada e identifica profundidade somente no segundo quadro por comparar a imagem com uma piscina, usando de sua habilidade de percepção de relações espaciais e também pelo fato de ter este tipo de imagem em seu repertório de imagens. Na figura 30, usa sua habilidade de discriminação visual para comparar pessoas e objetos, mas sem utilizar a idéia de proporcionalidade. Fica confuso 98 quando pedido para evidenciar profundidade, justificando essa confusão devido às diferenças de tamanhos das imagens. Como o aluno não explicou a resposta, talvez não consiga enxergar a profundidade de forma clara por ter percebido que o autor do quadro não utilizou regras de proporção. O aluno percebe na figura 31 que o ambiente é pequeno para o tamanho das mulheres que estão representadas fazendo comparações, usando sua habilidade de discriminação visual. Apresenta dificuldades para identificar algum elemento que permita a visão da profundidade, suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais foram pouco usadas. Percebemos que o aluno observa as figuras mais pelo lado social. Quanto ao tamanho das pessoas, considera inadequados quando se apresentam com diferenças de tamanhos, e adequados se estão do mesmo tamanho. Na figura 32, quanto ao tamanho das pessoas e objetos, justifica de forma que “parece estar com as dimensões corretas” baseando-se no pólo do visto e usando sua habilidade de discriminação visual, pois consegue identificar profundidade nesta figura observando as construções pela sua habilidade de figura-percepção solo, identificando de maneira específica e isolada. Percebemos que o aluno identifica profundidade de maneira específica através do isolamento de um objeto, no caso da figura 33. A construção que está na frente é para o aluno a que evidencia a profundidade, sua dificuldade para identificar esta profundidade fica explícita, não se apropria de suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais. Consegue diferenciar o tamanho das pessoas e objetos fazendo uma discriminação visual e suas comparações são feitas de forma a relatar que as pessoas ou objetos são “muito grandes” não utilizando a idéia de proporcionalidade baseando-se no pólo do visto. Novamente percebemos que o aluno considera a organização parcialmente adequada ou não adequada quando as imagens das figuras possuem elementos de tamanhos variados. Quando os elementos e as pessoas aparentam ser do mesmo tamanho considera-as adequadas, é o que acontece na figura 34. O aluno considera a organização adequada, provavelmente pelas imagens estarem representadas mais de acordo com as regras da perspectiva cônica, (pólo do visto). Consegue identificar profundidade pela sombra projetada na parede do fundo. Percebemos que o aluno começa a usar, nesta visualização, sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais. 99 O aluno percebe que a figura 35 é semelhante à figura 33, na realidade é continuação, sua habilidade de constância perceptiva foi empregada nesta observação. Ao perceber que existem pessoas de diferentes tamanhos e que há trabalhadores “lá no fundo em cima de um edifício” o aluno faz uma discriminação visual e usa suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais. O aluno continua observando a imagem pelo lado social, considerando na figura 36 o rei “maior” que os demais por ser mais importante. Usa sua habilidade de discriminação visual para fazer as comparações, utilizando o termo “maior” sem o uso da idéia de proporcionalidade e parece basear-se novamente no pólo do visto. Para o aluno, “as coisas todas estão no mesmo plano”, apresentando dificuldade em visualizar profundidade e suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais não foram empregadas. Ao observar a figura 37 e responder quanto aos tamanhos, se estão adequados, o aluno diz “tudo está com as dimensões corretas”, provavelmente sua resposta esteja baseada no pólo do visto, pois não fez comparações e não utilizou a discriminação visual de objetos e pessoas. Quanto à noção de profundidade, disse que “ a grande edificação que eles se encontram, pode dar uma noção de profundidade”, a resposta mostra a insegurança do aluno ao evidenciar profundidade demonstrando novamente que suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais são pouco usadas. Na figura 38 o aluno considerou a organização adequada mas que os elementos representados não estariam com os tamanhos adequados e que tudo estaria normal, percebemos que o aluno faz a discriminação visual e baseia-se sempre no pólo do visto para responder quanto ao tamanho das pessoas , objetos e a profundidade. Ao terminarmos esta etapa de perguntas, percebemos que o aluno não aparentava mais tanta segurança como no início da entrevista e que suas respostas eram curtas, não discorrendo sobre a pergunta. Quando respondeu que os tamanhos não estavam adequados e que tudo estava normal, percebemos que o aluno se utiliza da discriminação visual, de suas habilidades de constância perceptiva e percepções de posições e relações espaciais de maneira inconsciente, pois provavelmente respondeu as questões baseando-se no pólo do visto, principalmente quando é perguntado se há profundidade nas figuras. 100 Para “a casa dos arames farpados”, figura 39 que colocamos como uma prévia das atividades que seriam levadas para casa, o aluno utiliza sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais para localizar a posição em que se encontra o sol e para dizer que o arame se encontra mais próximo dele do que da casa, que os telhados das casas não estavam encostados. Respondendo de maneira curta e direta, percebemos que sua observação se baseia no pólo do visto, pois o aluno diz que entre as casas e as árvores existe uma certa distância, que provavelmente são imagens que já se encontram em seu repertório de imagens. Quanto ao paralelismo do arame com a cumeeira e se estão no mesmo plano, o aluno demonstrou desconhecer o que seja estar no mesmo plano ou as definições de paralelismo. Quando apresentamos a gravura Caça palavras (figura 40), percebemos que o aluno já possuía a imagem do cubo em seu repertório de imagens, pois respondeu e localizou os objetos com facilidade, usou suas habilidades de constância perceptiva e percepção de posições e relações espaciais. Quanto à contagem de cubinhos, o aluno respondeu de forma correta a pergunta e ainda percebeu que existia mais um cubo em formação ao lado. Usou sua habilidade de rotação mental para contar os cubinhos menores e sua percepção de posições e relações espaciais localizando e percebendo a falta de cubinhos do cubo ao lado. Já na gravura “elipsóides”( figura41), o aluno percebe que a fonte de luz está localizada à direita e consegue diferenciar os objetos quanto ao tamanho aos e tipos por meio de sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais e discriminação visual. Percebemos que todas estas observações são feitas baseadas provavelmente no pólo do visto. O aluno ordena os objetos conforme sua discriminação visual e ao responder que restaria somente o objeto14 ao ser colocado um dentro do outro percebemos que sua habilidade de constância perceptiva foi empregada. Ao contar a quantidade de objetos (15) igual a quantidade de sombra (15), usou sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais, passando despercebido que abaixo do bloco retangular havia mais três sombras, consequentemente, de mais três objetos. Nesta atividade o aluno utiliza suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais a todo momento para localizar os objetos pelas posições das sombras e ainda utiliza sua habilidade de discriminação visual para diferenciar 101 quanto aos tamanhos, embora diga que o objeto 4 seja maior que o 5 pois “ visualmente é a idéia que se dá”, provavelmente baseou-se no pólo do visto. Reconheceu o bloco retangular pois já deve ter este tipo de imagem em seu repertório de imagens e sua sombra como retângulo não conseguindo enxergar que a sombra formada é de um paralelogramo. Sua habilidade de figura-percepção solo foi pouco utilizada. Percebemos que o aluno respondeu as questões de maneira resumida e as que lhe causavam dúvidas dizia estarem confusas. Possui muita dificuldade em identificar profundidade, compreendeu melhor depois que fizemos algumas observações e faz comparações de maneira intuitiva sempre se baseando no pólo do visto. Ao retomarmos a 2ª parte da entrevista e apresentarmos uma outra gravura (figura 42), notamos que o aluno usa o termo proporções da forma “sim, tudo parece estar nas suas devidas proporções” considerando os tamanhos adequados sem o uso da idéia de proporcionalidade e sempre através do pólo do visto, identificando a profundidade por meio da observação do piso desenhado na gravura. Percebemos que nesta retomada o aluno entendeu o que seria profundidade, conseguindo identificar de uma forma mais rápida ao ser provocado por suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais. O aluno não percebeu a existência das linhas verdes convergendo para o ponto de fuga e, ao chamarmos a atenção para este ponto, o aluno o chamou de ponto de visão, provavelmente tenha estudado este tipo de representação em aulas de Arte, mas disse desconhecer o nome deste tipo de representação. Após explicarmos as representações cônicas, procuramos evidenciar que este é um dos recursos para poder enxergar a profundidade e, segundo o aluno, ficou mais fácil identificá-las conhecendo estas representações, apesar de sentirmos um pouco de insegurança em sua resposta. Após explicações sobre a representação em perspectiva cônica o aluno disse ter entendido e ao expormos as 11 primeiras gravuras e perguntarmos quais eram semelhantes a gravura com as linhas verdes (figura 42) o aluno observou e ora respondia ser cônica ora não, ficando com dúvidas na figura 29 e figura 32. Intervimos e explicamos novamente a representação cônica com 1 ponto de fuga, o aluno desta vez aparentou entender, pois, ao apresentarmos as gravuras seguintes 102 acertou as que tinham o ponto de fuga. Na figura 34 o aluno começou a procurar as retas que se encontrariam no ponto de fuga. Na figura 37 observou a construção e as mesas, que segundo o aluno, ao serem prolongados os segmentos que formam a mesa eles irão se encontrar no ponto de fuga, na figura 38 reconheceu pela construção e pelas linhas desenhadas no chão. Com o conhecimento da representação cônica com um ponto de fuga o aluno passou a observar as figuras procurando encontrar este ponto, embora algumas das representações não o possuíssem e que agora começasse a enxergar as representações não só pela parte artística mas também pela parte matemática. Ao final desta etapa percebemos que o aluno entendeu a representação cônica com um ponto de fuga e reconheceu que nas duas figuras em que havia ficado com dúvidas no início, figuras 29 e 32, isto ocorreu pois não havia compreendido corretamente esse tipo de representação. Percebemos que o aluno começou a assimilar os conhecimentos que estávamos discutindo para desenvolver o processo de visualização. Usou algumas habilidades de percepção de posições e relações espaciais, que acreditamos, poderão ser mais desenvolvidas se devidamente trabalhadas. Percebemos que o aluno, apesar de ter estudado em Arte uma parte das perspectivas, só se lembrou ao explicarmos novamente os três tipos de representações cônicas. Acreditamos que se utilizássemos este tipo de atividade nas aulas de Matemática, as habilidades de visualização seriam melhor desenvolvidas, dando ao aluno a oportunidade de visualizar profundidade nas imagens, superando assim uma das dificuldades por nós detectadas neste caso. Continua respondendo as questões de forma curta e direta, na gravura “elipsóides” (figura 41) usa suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais para localizar o foco de luz e também sua habilidade de discriminação visual para diferenciar os tamanhos dos objetos pelas sombras. Quanto à sombra do bloco retangular confirmou ser um retângulo, não reconhecendo ser um paralelogramo. Sua habilidade de constância perceptiva não foi empregada para esta situação. Ao comentarmos sobre o paralelismo entre a cumeeira e os arames farpados, o aluno ficou um pouco pensativo e talvez desconheça as propriedades de paralelismo no espaço, ficando com dificuldade para justificar matematicamente o paralelismo que sabia existir no real. 103 Quando revimos a gravura Caça palavras (figura 40), o aluno confirmou que todos os objetos perguntados da figura eram cubos. Reconhecidos por meio de sua habilidade de constância perceptiva, pois já tem formada esta imagem em seu repertório de imagens. Apesar dos objetos em que os palhaços estão sentados aparentarem ser prismas retangulares, o aluno não se referiu a eles desta forma, mesmo ao insistirmos para que observasse com mais detalhes. Não fez um estudo isolado destes objetos, utilizando uma habilidade de figura-percepção solo, para confirmar serem cubos. Percebemos que se refere aos objetos pelo pólo do visto, não se apropriando das regras da perspectiva paralela para justificar as afirmações feitas. Quanto à contagem de cubinhos que formam o cubo maior, próximo ao palhaço da esquerda, a fez de forma correta e utilizou suas habilidades de rotação mental e percepção de posições e relações espaciais. A partir deste desenho fizemos a apresentação das perspectivas paralelas e explicamos que são divididas em paralela cavaleira e perspectiva axonométrica, sendo que a axonométrica se subdivide em perspectiva paralela axonométrica isométrica, dimétrica e trimétrica e as mais usuais nas aulas e livros de matemática são as paralelas cavaleira e isométrica. Ao apresentarmos o desenho do hexágono com suas diagonais (figura 43) e pedirmos para observá-lo, percebemos que o aluno começou a confundir as representações cônicas e paralelas, tentando encontrar na figura o ponto de fuga. Foi quando retomamos a explicação e o aluno então tentou desenhar uma figura espacial com uma visão superior lateral dizendo ser um prisma hexagonal com uma pirâmide na sua base superior, para justificar a visualização da figura apresentada. Como nossa intenção era que enxergasse um cubo, apresentamos um outro desenho (figura 44), para que percebesse o cubo. Ao provocarmos este aluno quanto a visualização, percebemos que vai desenvolvendo suas habilidades de percepção de relações espaciais e rotação mental. Provavelmente se este tipo de atividade fosse mais aplicada em sala de aula, o aluno teria menos dificuldades para desenvolver sua visualização. Realizamos uma atividade considerando o desenho mostrado como sendo um cubo e ao pedir ao aluno que colocasse números em faces opostas da forma que se representasse um dado, ele o fez de forma tranquila, pois possuía em seu repertório de imagens a definição de faces opostas. Respondeu todas as perguntas sem 104 dificuldades e quanto aos vértices sobrepostos no centro do desenho, percebeu que eles não estão juntos na real, se visualizar um cubo. Se nos limitarmos ao pólo do visto diante desenho, estes vértices seriam um só. Usou suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais e rotação mental por serem estas uma das mais instigadas em toda a nossa entrevista. Quanto ao cubo desenhado no papel quadriculado (figura 46) percebemos que o aluno sentiu-se mais seguro para visualizar o real, pois utilizou suas habilidades de constância perceptiva, percepção de posições e relações espaciais e apropriou-se da contagem de quadradinhos e de cálculos para verificar as arestas que foram reduzidas. Perguntamos se já eram de seu conhecimento as regras de representações axonométricas e cavaleira e se daqui para frente iria ajudar a enxergar de outra forma as representações, disse que não conhecia e que ajudaria sim, mas teria que estar sempre relembrando e estudando as representações. Percebemos que o aluno desenvolveu algumas habilidades para a interpretação das representações, porém estas poderiam ser melhor desenvolvidas se fossem sempre provocadas por representações externas variadas. Percebemos também que a visualização depende de imagens mentais e representações externas e que o processo de visualização e o raciocínio visual podem ser estimulados pela utilização de representações externas variadas. Apresentamos uma questão do ENEM/2007 (figura 47) para fazer uma leitura e responder assinalando a correta, o aluno fez de maneira correta, reconheceu que as regras de representação ajudam nas resoluções de problemas e que precisam ser trabalhadas nas aulas de matemática pois essas habilidades só serão desenvolvidas se forem provocadas e trabalhadas em sala. 5.7.2 Análise do aluno A2 O aluno observa a figura 28 mais pelo lado social e reponde as questões descrevendo de forma resumida , usa sua habilidade de discriminação visual para fazer as comparações de forma que “há pessoas que são do tamanho de uma árvore, outras com o tamanho de um castelo”. O aluno respondeu a questão 105 trocando as respostas, descrevendo a organização no lugar da cena e a cena no lugar da organização. Em relação à noção de profundidade, não consegue se expressar de forma clara, relacionando profundidade com as imagens estando “ longe e mais estreitas”, e por estarem longe ficam pequenas. O aluno utilizou sua habilidade percepção de relações espaciais e da percepção de posições espaciais respondendo novamente de forma resumida e provavelmente se coloca no pólo do visto para responder as questões. A figura 29 foi colocada com a intenção de provocar quanto a idéia de proporcionalidade, pois nela está evidente que não há proporção. Existe uma organização, mas as representações não estão adequadas, as árvores estão rebatidas e o aluno não percebe esse fato. Respondeu de modo resumido as perguntas trocando a descrição da cena pela da organização, ao dizer ser uma plantação. Não percebe que na primeira imagem aparece uma pessoa da cintura para cima, que supostamente estaria imersa em algum líquido, sua habilidade de constância perceptiva foi pouco usada, possui um repertório de imagens limitado. Quanto aos tamanhos dos elementos estarem adequados, ao usar sua habilidade de discriminação visual engana-se em sua resposta, pois responde que “as pessoas são maiores que as árvores”. Já se percebe que não estão com tamanhos adequados, tanto no primeiro quadro quanto no segundo, demonstrando nesta passagem apresentar dificuldades para perceber as imagens em diferentes orientações, habilidade de constância perceptiva pouco empregada. O aluno fica confuso quanto à profundidade na primeira imagem, já na segunda descreve ter profundidade por enxergar no quadro “um buraco”, ficando a resposta confusa, pois não percebe que a situação ocorre numa cisterna. Apropriouse das habilidades de percepção de posições e relações espaciais, porém foram pouco usadas. Na figura 30 o aluno responde de forma resumida não descrevendo a cena real. Percebe-se que trocou as respostas novamente, a cena pela organização e vice-versa, considera adequada a organização fazendo uma comparação entre o padre e o muro, o castelo e as pessoas, utilizando-se de sua habilidade de discriminação visual. Usa o termo “maior”, não fazendo uso de proporcionalidade em nenhum momento. Justifica que os tamanhos não estão adequados, somente se baseando no pólo do visto, não se apropria do conceito de proporcionalidade, apesar do mesmo não existir nesta representação. Percebemos que para o aluno a 106 noção de profundidade é vista quando há evidência da diminuição dos objetos e pessoas e imagens. Baseia-se no pólo do visto, possui um repertório de imagens limitado, consegue identificar uma figura por isolamento, fora de um contexto complexo, por sua habilidade de figura-percepção solo. Na figura 31 o aluno não discorre das perguntas, respondendo sempre de forma resumida. Faz uma descrição da cena e não da organização, percebe-se que trocou as respostas novamente. Nesta figura, a idéia de nascimento está relacionada, para o aluno, ao fato das crianças terem os círculos amarelos em torno de suas cabeças, usa sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais. Na representação há pessoas grandes e pequenas, o cômodo aparentemente pequeno para as pessoas e a cama grande, não existindo proporcionalidade. Ao responder que “as pessoas são proporcionais ao tamanho da casa”, o aluno utiliza o pólo do visto, não se apropria da idéia de proporcionalidade. Para o aluno, a idéia de profundidade está relacionada à diminuição de objetos e pessoas, fazendo com que se tenha a impressão de que a imagem esteja indo para o “fundo”. Como a imagem não possui esta característica, não consegue identificar profundidade. Sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais foram pouco utilizadas. Até este momento percebemos que o aluno não discorre ao responder as perguntas, suas respostas são curtas, troca a descrição da cena pela da organização e vice-versa. Na figura 32, por tratar-se de uma obra de arte, o aluno usa de sua imaginação fazendo a interpretação de que na época existiam bruxas e feiticeiras, considerando adequada a representação, usa nesta interpretação suas habilidades de figura-percepção solo. O aluno usa somente o pólo do visto para dizer que “as pessoas e as construções são proporcionais”, possui um pequeno repertório de imagens, usa de sua habilidade de discriminação visual comparando só pessoas depois só construções, não recorrendo à idéia de proporcionalidade. Fica evidente que o aluno não consegue identificar profundidade nas cenas onde não haja a diminuição de objetos e pessoas, dando a impressão que estão indo para o “fundo”, pois afirma com veemência que nestas representações não existe profundidade, apesar da comanda no início das perguntas afirmar que se tratavam de “representações planas que descrevem cenas espaciais”. Como o aluno usa sua imaginação, os elementos que mais se destacaram foram o rei, o feiticeiro e a fogueira, conseguindo identificar, mesmo sendo de uma forma fantasiosa, uma 107 figura específica por isolamento fora de um contexto complexo, por sua habilidade de figura-percepção solo. Verificamos ainda que o pólo do visto é muito usado dentro de seu pequeno repertório de imagens. Na figura 33, o aluno consegue identificar de imediato, devido à organização feita pelo autor, a idéia de ser um reino, mas não especificando que tipo de reino. Considera a organização adequada “porque quando você bate o olho na obra sabe que se trata de um reino”, (pólo do visto). Continua trocando as respostas entre a cena e a organização usando sua habilidade de discriminação visual. Faz uma comparação usando os termos maior ou menor, não se apropriando de conceitos baseados na idéia de proporcionalidade, “os castelos são maiores que as pessoas”, como de fato teria que ser, mas existem pessoas grandes e pequenas, ficando evidente que a representação está desproporcional. Nesta gravura o aluno conseguiu identificar a profundidade pois está dentro da idéia que possui: maior, menor, grande, pequeno. O fato de começar grande e terminar pequeno facilita a noção de profundidade, evidente para o aluno, quando a representação dá a impressão de que a imagem está indo para o “fundo”, como já foi descrito anteriormente. Percebemos que o aluno usa pouco suas habilidades de constância perceptiva e percepção de posições e relações espaciais, sempre se baseando no pólo do visto. Na figura 34, o aluno não descreve a cena pedida, escreve resumidamente, continua trocando as respostas, no lugar da cena e da organização e vice-versa. Ao descrever a organização usa sua habilidade de constância perceptiva. Descreve como sendo um ritual e acha complicado seu entendimento, considerando não adequada a representação, apesar disso o aluno considera os tamanhos adequados, usando sua habilidade de discriminação visual e o pólo do visto, em nenhum momento tomou como hipótese a idéia de proporcionalidade. Nesta representação, a idéia de profundidade é vista de uma outra forma: como existem pessoas posicionadas na frente e atrás, há essa noção de profundidade, que não foi relatada nas cenas anteriores. Usa sua habilidade de percepção de relações e posições espaciais e seu pequeno repertório de imagens. O aluno não descreve a cena real e não percebe que a figura 35 é continuação da figura 33, não usou sua habilidade de figura-percepção solo para fazer este reconhecimento, respondendo as perguntas de forma resumida, não discorrendo do assunto perguntado. Continua trocando a descrição da cena pela da 108 organização, a existência de um castelo é o suficiente para que sua interpretação seja de um reino (pólo do visto). O aluno considera o tamanho dos elementos adequados, não fazendo uso de sua habilidade de discriminação visual, pois ao considerar que “as pessoas são menores que os castelos” faz esta comparação, usando somente o pólo do visto. A resposta poderia estar correta se comparássemos somente certas pessoas e as construções, mas existe na representação pessoas maiores, menores, maiores que um cavalo, deixando os tamanhos inadequados para a representação. Não utiliza a idéia de proporcionalidade, apesar das representações serem desproporcionais. Apresenta uma idéia de comparação e usou da habilidade de discriminação visual ao referir-se várias vezes à figura com as expressões maior e menor. Compara quem está mais longe e quem está mais perto, por exemplo, ao se referir “...castelos mais longe, que estão desenhados em tamanho menor”. Novamente falta a idéia de proporcionalidade para justificar, ou tentar justificar, o aumento ou diminuição de pessoas e objetos. Ao fazer estas relações, usa sua habilidade de percepção de relações e posições espaciais, baseando-se provavelmente no pólo do visto , dentro de seu repertório limitado de imagens. Fazendo uma retomada da análise das figuras 33 e 35 (complemento da primeira), na pergunta sobre o que melhor representa a cena descrita, anteriormente o aluno considerou que eram as construções e neste segundo momento a sua resposta foi a rainha. As duas figuras são muito semelhantes, pois a segunda é uma sequência da primeira, fator este não observado pelo aluno. Percebemos que o aluno possui dúvidas quanto a esta representação, para identificar uma figura específica por isolamento fora de um contexto complexo (habilidade figurapercepção solo). O aluno fica confuso quando apresentamos a figura 36, não conseguindo descrevê-la, novamente sua habilidade de figura-percepção solo não foi utilizada. Não conseguiu descrever a organização, fez uma descrição muito resumida da cena, identifica pessoas como sendo rei, rainha e o povo, pela sua habilidade de constância perceptiva. Considerou inadequada a representação; consegue por meio da observação e usando sua habilidade de discriminação visual, identificar que existem pessoas de vários tamanhos na obra, fazendo uso dos termos maior ou menor, não procurando em momento algum valer- se da idéia de proporcionalidade, embora a obra não apresente proporcionalidade. Baseia-se no pólo do visto e nas 109 imagens de seu pequeno repertório de imagens. O aluno apresenta uma resposta confusa quanto à profundidade, pois utiliza novamente os termos maior e menor, “há pessoas maiores e menores que dão essa impressão”, expressões essas características do repertório do aluno e que podem determinar uma condição necessária mas não suficiente para justificar a evidência de profundidade nesta obra. Usa pouco suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais e baseia-se provavelmente no pólo do visto e em seu repertório limitado de imagens. Na figura 37, aparece a representação de um banquete e o aluno, ao descrevê-la, novamente troca as respostas entre cena e organização. Usa sua habilidade de discriminação visual, considerando o tamanho das pessoas adequado, referindo-se de forma que “há proporção aos objetos e pessoas da obra” e não usa a idéia de proporcionalidade. Percebemos que, para o aluno, quando as pessoas “vão ficando mais longe, vão ficando menores” e que essa proporcionalidade a que o aluno se refere não está relacionada à Matemática, mas sim à impressão que a obra trás por apresentar um ponto de fuga. Provavelmente baseia-se no pólo do visto. Em todas as figuras que apresentaram características onde se tenha a impressão de que a imagem esteja “indo para o fundo” ou “ficando mais longe” e as “pessoas diminuindo”, o aluno consegue identificar profundidade mais facilmente, usando suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais. Baseia-se provavelmente no pólo do visto e em seu repertório limitado de imagens. Na figura 38, o aluno faz uma pequena descrição da cena, trocando novamente as respostas da cena pela da organização. Suas respostas continuam resumidas e sua habilidade de constância perceptiva é pouco utilizada, pois fica um pouco confuso ao responder, ora escrevendo como se fosse uma escola ora um santuário. Utiliza sua habilidade de discriminação visual para responder que os tamanhos estão adequados, “são proporcionais ao tamanho do ambiente”, o termo proporcionais é usado sem a idéia de proporcionalidade, baseia-se provavelmente no pólo do visto e em seu repertório de imagens. Quanto à profundidade, usa sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais, respondendo de forma confusa quando descreve que o ambiente fica estreito por ter muitas pessoas. Percebemos que o aluno não apresentou dificuldades para identificar profundidade neste tipo de representação 110 Ao término das 11 gravuras percebemos que o aluno trocou em todas as figuras a descrição da cena pela organização e que suas respostas são curtas e que é de seu perfil responder somente o que se está perguntando não discorrendo em suas respostas. Quando perguntamos se os elementos representados estão com tamanhos adequados, o aluno procura fazer uma comparação entre pessoas e objetos, usando sua habilidade de discriminação visual. Utiliza os termos maior ou menor, proporcionais ou não, sem o uso da idéia de proporcionalidade e, provavelmente, para todas as figuras tenha se baseado no pólo do visto. A figura 39, casa dos arames farpados foi colocada para observação tendo como referência a casa vista de frente; logo, o que se encontra à direita do observador estará à direita da casa. O aluno observa a imagem, diz não conseguir ver o Sol, mas responde estar do lado direito pois observou que era projetada no chão a sombra do muro, então deduz estar o Sol do lado direito. Utiliza sua percepção de posição e relações espaciais para responder, mas não consegue utilizar estas mesmas habilidades para justificar quando perguntamos se os arames estão encostados na casa. O aluno demonstra já ter visto este tipo de situação e provavelmente saiba que os arames não estão encostados. O aluno observa que existe uma distância entre as duas casas pelo gramado que as separa, respondendo que os telhados não estão encostados e, após explicarmos o que é cumeeira o aluno diz que o arame e a cumeeira são paralelos mas que não estão no mesmo plano . Nesta resposta percebemos que ficou com certa dúvida do que seja “estar no mesmo plano”, provavelmente desconhece a definição de retas e planos paralelos, suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais são pouco utilizadas. Quando perguntamos se os galhos da árvore pareciam estar em cima da casa do fundo, respondeu que sim, mas não estavam. Observarmos todas as respostas dessa gravura e podemos dizer que o aluno se baseia normalmente no que é visto (pólo do visto) e que suas habilidades visuais estão restritas a um limitado repertório de imagens. Já na gravura Caça palavras (figura 40), o aluno reconhece o objeto representado como um “cubo mágico” pela sua habilidade de figura-percepção solo e que este objeto está assim definido em seu repertório de imagens. Ao perguntarmos o nome e quantos são os objetos menores que formam o objeto maior, próximo ao palhaço da esquerda, respondeu ser de 17 peças, não 111 conseguindo visualizar as demais formadas por cubos menores. Percebemos que o aluno não conseguiu contar todos os cubinhos da figura e que sua habilidade de rotação mental foi pouco utilizada Para o aluno os objetos em que os palhaços estão sentados são “cubos mágicos”, estando em parte fora da areia. Percebemos que para ele todos os objetos do quadro se assemelham ao cubo. Esta resposta ficou a critério da observação do aluno, provavelmente coloca-se no pólo do visto, pois por ser uma obra de arte, não podemos definir se são ou não cubos grandes formados por menores enterrados na areia. Na gravura que chamamos de “Elipsóides” (figura 41), o aluno faz um comentário sobre os objetos visualizados, chamando-os de ovais, com exceção da “ barra retangular”. Confirma que existe uma fonte de luz que se encontra no teto, porém ao perguntarmos em qual posição, indicou a parte de cima à direita de quem observa a gravura, justificando que a posição da sombra permitia que se chegasse a essa conclusão. O aluno utiliza sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais e de constância perceptiva e, por meio destas, reconhece no quadro que só existe dois tipos de objetos, os ovais e o retangular. Quanto ao tamanho, responde usando sua habilidade de discriminação visual, fazendo as comparações utilizando os termos “maior ou menor”, demonstrando que não utiliza a idéia de proporção e que as comparações são feitas somente pela observação, ou seja, baseia-se no pólo do visto. Pedimos para o aluno colocar em ordem crescente os objetos semelhantes e o aluno ordena do maior para a menor, sua habilidade de figura-percepção solo é pouco ou não utilizada, provavelmente o aluno tenha feito uma confusão entre crescente e decrescente, não se refere em nenhum momento se os objetos são ou não proporcionais. O aluno conta 15 objetos e 21 sombras e percebemos que consegue visualizar 15 objetos, mas na realidade temos 18 objetos no quadro, logo teríamos que ter 18 sombras, mas ele conta 21. Sua percepção de posições e relações espaciais são pouco utilizadas. Localiza de maneira correta a sombra do objeto número 5 e ainda usa a imaginação quando diz que a listra vermelha quase divide a sombra ao meio. Quanto aos tamanhos dos objetos 2 e 3 faz uma comparação, usando sua habilidade de discriminação visual e novamente usa os termos “maior ou menor”, sendo essa uma das características mais marcantes desse aluno, pois percebemos 112 que ele faz comparações valendo-se somente das observações (pólo do visto) não usando a idéia de proporção. Ao comparar o objeto nº 12 com o objeto nº11, o aluno quando justifica sua resposta, confunde novamente crescente e decrescente. Percebemos que ele quer dizer que o menor cabe dentro do maior, pois fez a comparação observando as sombras para confirmar qual era realmente o maior. Quando perguntamos sobre a posição relativa dos objetos 9 e 14 respondeu de maneira vaga, provavelmente o aluno não entendeu a pergunta. E quando perguntamos se o objeto nº 4 é maior ou menor que o nº 5 percebemos em suas resposta que considera do menor para o maior como sendo decrescente e do maior para o menor crescente. Por essa razão as respostas ficam confusas, mas notamos que para ele o objeto nº 5 é menor que o nº4. Quanto ao nome do bloco que se encontra flutuando disse ser um tijolo. Observamos pela resposta que o repertório de imagens de figuras espaciais do aluno é limitado, buscou em seu repertório as imagens que seriam comuns em seu dia a dia e não do conhecimento matemático, o mesmo em relação à sombra do bloco: quando diz ser um retângulo, sua habilidade de figura-percepção solo é pouco utilizada, pois a sombra produzida pelo bloco retangular é um paralelogramo. Ao perguntarmos o que observa em relação às faixas coloridas de branco, azul claro e azul escuro, o aluno não utiliza suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais, pois ao responder que “a parede que possui as faixas não possui sombras” percebemos que ficou entretido com os objetos e suas sombras, não se referindo às faixas como sendo paralelas, perpendiculares, ou qualquer outra posição conforme uma interpretação prevista e esperada por nós. Apresentamos uma nova gravura ( figura 42) para uma análise, num segundo momento e, utilizamos as perguntas da primeira entrevista. A gravura apresentada teve como objetivo provocar o aluno de forma que perguntasse o que eram as linhas verdes que convergiam para o ponto de fuga. O aluno continua escrevendo de forma resumida, trocando de posição suas respostas em relação à cena e à organização. Ainda considera a organização e os tamanhos adequados, e, para ele, proporcionais, de maneira que não está clara a idéia de proporcionalidade, pois como foi analisado em outras figuras vistas na primeira entrevista, ficou evidente em suas respostas que a proporcionalidade está relacionada com “maior e menor”, provavelmente usando o pólo do visto. 113 Quanto à profundidade, o aluno a identifica pelo ponto de fuga, usando sua percepção de posições e relações espaciais. Ao perguntarmos onde viu o termo “ponto de fuga”, respondeu que nas aulas de Arte. Quanto às linhas verdes, disse que se encontravam no ponto de fuga, mas não soube explicar o motivo. Perguntamos se somente o ponto de fuga é que identificava a profundidade, o aluno respondeu que observando a parede também era possível, pois “ia para o fundo”. Percebemos que o aluno observa a figura procurando a profundidade, proporções entre pessoas e objetos baseando-se no pólo do visto. Apresentamos novamente as 11 gravuras da primeira entrevista e perguntamos se possuíam as mesmas características da gravura ( figura 42) com o qual iniciamos a segunda entrevista. Quando apresentamos a figura 30, percebemos que o aluno ficou um pouco em dúvida, pois como a profundidade está evidente, pensou que a representação teria ponto de fuga, tentando achá-lo na representação por meio de sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais. A mesma situação aconteceu com a figura 33. Para as figuras 34 e 37, as quais identificou como sendo representações cônicas, perguntamos onde se encontrava o ponto de fuga e o aluno apontou na figura de maneira correta. O aluno não identificou a figura 38 com as características da perspectiva cônica, apesar de perguntarmos várias vezes. Percebemos que, após as apresentações, o aluno ficou com dúvidas ao observar as representações, utilizando pouco suas habilidades de visualização, ficando evidente na maioria das vezes, o uso do pólo do visto. Para o aluno, as figuras 28,29,30,31,32,33,35,36 e 38 não possuem as características da figura apresentada no inicio da segunda entrevista, somente as figuras 34 e 37 são representações em perspectiva cônica. Após apresentarmos as gravuras, comentamos com o aluno que grande parte das representações artísticas são feitas em perspectiva cônica e que elas se dividem em três tipos: com um ponto de fuga, dois e três pontos de fuga. Retomamos a gravura dos “Elipsóides” (figura 41), colamos a gravura numa cartolina, traçamos as retas paralelas às sombras e aos elipsóides e juntos localizamos o foco de luz, acima e à direita, confirmando a resposta dada por ele quanto à posição do foco. Utilizou nesta atividade sua habilidade de figurapercepção solo e a percepção de posições espaciais. Em relação à ordem crescente e decrescente que o aluno havia trocado para responder as questões, diz ter se confundido e saber a definição correta mas escreveu errado. Perguntamos o motivo 114 por ter contado 21 sombras, respondeu mostrando na gravura como contou e percebemos que contou para certos objetos a sombra duas vezes, ou seja quando a sombra estava na parede e no chão (ver objeto nº 6). O aluno contou duas vezes, e ao ser perguntado novamente quantos objetos haviam, contou 15. Mostramos as três sombras abaixo do bloco retangular e imediatamente o aluno disse que havia mais três objetos escondidos e que não tinha percebido, então concluímos que a representação tem 18 sombras e 18 objetos. O bloco, que havia chamado de tijolo comentamos que se chama bloco retangular. Sua habilidade de percepções e relações espaciais é pouco utilizada em suas observações, novamente percebemos que se baseia no pólo do visto para responder as questões. Para “Casa dos arames farpados” figura 39, ao comentarmos as respostas, voltamos a perguntar se os arames estão encostados na casa. O aluno ficou em silêncio e disse não saber responder. Fizemos juntos a observação de que entre a casa e o arame existe um chafariz. Se o arame estivesse encostado na casa, teria sombra do arame na casa. O aluno diz ter compreendido as explicações e constatamos que possui uma certa dificuldade na habilidade de percepção de posições e relações espaciais. Já na figura 40 Caça palavras, ao comentar suas respostas, perguntamos de que forma tinha contado os cubinhos que formam o cubo maior. Indicou na gravura e percebemos que somente havia contado os cubinhos que estavam visíveis, sua habilidade de rotação mental não foi utilizada e em seguida percebeu respondendo que tinha mais cubos que os 17 que havia contado anteriormente. Neste momento, sua habilidade de rotação mental e percepção de posições espaciais foi instigada, mas não conseguiu contar quantos eram. Precisou que o auxiliássemos contando juntos os cubinhos, totalizando 27 cubinhos que formam o cubo maior. Percebemos nesta etapa da entrevista que o aluno possui uma certa dificuldade na habilidade rotação mental. Aproveitamos a gravura do cubo (figura 40) e fizemos a introdução das perspectivas paralelas. Após essa apresentação, foi mostrado para o aluno um desenho (figura 43) numa folha de papel sulfite e pedido para que observa-se e respondesse o que enxergaria. Usou suas habilidades de figura-percepção solo e percepção de posições e relações espaciais respondendo que se a representação for plana seria um hexágono e se espacial um cubo. O aluno respondeu de imediato, 115 não apresentando dificuldades nesta atividade, provavelmente tenha feito uma relação com o cubo apresentado anteriormente. E ao apresentarmos um outro desenho com tracejados (figura44), respondeu ser um cubo e que o tracejado ajuda a enxergar melhor o cubo, mas não soube responder o que representam as linhas tracejadas na figura. Então, pedimos para que colocasse letras nos vértices do cubo para termos uma referência melhor. Ao colocar as letras o aluno percebeu que no centro da figura ficaram duas letras juntas, a letra C e a letra H, então comentamos que no plano as letras estão juntas, mas como é um cubo, estamos nos referindo à figura espacial. Perguntamos o que representa elas estarem juntas e o aluno respondeu que o vértice H está atrás, na mesma direção do vértice C, parecendo estarem juntos. Aqui podemos dizer que entram os pólos do visto e do sabido. Perguntamos novamente o que seria o tracejado, o aluno continuou ainda sem saber o que seria, percebemos possuir dificuldades nas habilidades de rotação mental e constância perceptiva. Fizemos uma atividade utilizando a imagem do cubo em que o aluno colocou as letras em seus vértices. Explicamos que um dado, usado para jogos, tem o formato de um cubo e que a soma dos números das faces opostas resultam sete. Pedimos para que colocasse o número 2 em uma face e perguntamos onde estaria o 5. O número 6 em outra face, onde estaria o 1. O número 3 em uma face, onde estaria o 4. O aluno conseguiu responder facilmente as questões, não apresentando para esta atividade dificuldades na habilidade de percepção de posições e relações espaciais. Colocamos o número 2 numa face adjacente ao número 5 e perguntamos se isso seria possível. O aluno disse que não pois as faces teriam que ser opostas. Ao terminarmos esta atividade, comentamos novamente sobre a representação axonométrica isométrica e o aluno confirmou ter entendido este tipo de representação. Apresentamos um cubo desenhado em papel quadriculado (figura46) e perguntamos se o quadriculado ajuda na visualização, disse que sim pois ficaria mais fácil para desenhar o quadrado da frente e o de trás contando o número de quadradinhos, ficando com dúvidas quanto à medida da aresta lateral que liga os dois quadrados, se teria mesmo sido reduzida. Fizemos juntos os cálculos, utilizando como medida uma unidade para o lado de cada quadradinho, aplicamos o teorema de Pitágoras encontrando a medida da aresta lateral 2 2 unidades para um cubo 116 de aresta 4 unidades e direção de projeção de 45º. Explicamos que esta é uma representação por este motivo, a aresta que acabamos de calcular sofreu uma redução, que é uma das características da representação cavaleira, e que no real todas as medidas das arestas são iguais. Finalizando a entrevista, perguntamos se já tinha visto estas representações anteriormente e se ajudaria a partir de agora em suas atividades matemáticas futuras. O aluno disse que não tinha conhecimento das representações, que foi muito interessante e acrescentou muito nos seus conhecimentos e que aprendeu muito com as entrevistas e as conversas realizadas por nós. Então apresentei uma questão do ENEM/2007 (figura 47) e perguntei se todo aquele aprendizado ajudaria a resolver tal questão. O aluno respondeu que a alternativa correta é a E, pois seria a única que conseguiria construir, e ainda fez algumas observações das figuras, que as madeiras estavam “entrelaçadas” segundo a aluna não sendo possível as construções. Ao ser perguntado se as regras de representação ajudaram a responder a questão disse que sim pois se não tivesse conhecimento das regras teria ficado em dúvida entre as alternativas A e C. Percebemos que após todo este trabalho o aluno entendeu as representações porém continua com grandes dificuldades na utilização de suas habilidades de visualização. 5.7.3 Análise do aluno A3 Na figura 28 o aluno faz a observação pelo lado social, usa sua habilidade figura-percepção solo reparando que as construções e as roupas eram antigas. Verifica que há diferença de tamanho entre as pessoas e as construções respondendo que as pessoas que estão mais ao fundo da imagem estão com os tamanhos adequados e que as pessoas que estão à frente são maiores que as construções. A profundidade é percebida ao observar as construções à frente e as “que estão longe”. Utiliza sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais e discriminação visual. A figura 29, foi dividida em duas apresentações, na 1ª o aluno percebeu as árvores rebatidas, achando estranho, e que haviam dois homens com jarros 117 pegando água, sendo que um deles estava no rio com água até a cintura, indicando profundidade. Usa sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais, figura-percepção solo e constância perceptiva. Ao ser perguntado sobre o tamanho, comparou o pé de um deles com o tamanho da árvore dizendo ser desproporcional. Usa sua habilidade discriminação visual, fazendo comparações, não utilizando a idéia de proporcionalidade. Considerou a representação inadequada devido às árvores rebatidas e os tamanhos desproporcionais. Na 2ª representação usa sua habilidade figura-percepção solo descrevendo pessoas brincando na piscina, e ao ser perguntado o porquê da definição de uma piscina, respondeu que a forma era de um quadrado, e que parecia um buraco com uma pessoa dentro. O canto da representação acima mostrava que tinha fundo e ainda um homem com água até a cintura, usa para suas observações as habilidades de percepção de posições e relações espaciais. Para o aluno, o tamanho do homem era o mesmo da árvore, e a representação também era desproporcional. Utiliza sua habilidade discriminação visual e constância perceptiva. Na figura 30 o aluno utiliza sua habilidade figura-percepção solo ao observar um monge olhando para os dragões e sua habilidade discriminação visual ao dizer que eram menores por estarem longe, atrás, dando noção de profundidade. Comparou o tamanho do monge com a construção dizendo ser o monge do tamanho do muro. Faz as comparações sem o uso da idéia de proporcionalidade. Já na figura 31 o aluno usa sua habilidade de figura-percepção solo ao escrever que a cena representava um parto. Ao ser perguntado sobre profundidade, utilizou sua habilidade percepção de posições e relações espaciais citando que a cama que era grande e larga e que existia um espaço na casa para a cama, com pessoas a frente e atrás da cama dando a noção de profundidade. Quanto ao tamanho das pessoas observou, usando sua habilidade discriminação visual, que “as mulheres estão umas muito menores do que as outras” e que eram desproporcionais ao tamanho da casa, e que a porta para se sair da casa era pequena. Continua usando o termo desproporcionais sem o uso da idéia de proporcionalidade. Ao observar a figura 32, o aluno usa de sua imaginação e de sua habilidade figura-percepção solo descrevendo ser um rei ordenando para que fosse jogado alguma pessoa no fogo. Quanto ao tamanho das pessoas achou que estava normal, (pólo do visto). Usa sua habilidade discriminação visual comparando as pessoas 118 com o tamanho da construção e do fogo, e quanto a noção de profundidade utiliza sua habilidade de posição e relação espacial observando que existiam pessoas e atrás delas uma construção. Na figura 33 o aluno usa sua habilidade constância perceptiva e rotação mental, reconhecendo ser uma cidade devido as construções e que as pessoas estavam andando, trabalhando e cuidando de seus cavalos. Ao observar que as pessoas da esquerda eram maiores que as da direita e que o cavalo era pequeno em relação as pessoas, utilizou sua habilidade discriminação visual. O aluno usa sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais evidenciando profundidade quando observa que existiam construções atrás e, lá no fundo ao longe, alguns homens pequenos trabalhando, e ao ser perguntado por que eram pequenos disse que era por estarem longe, distante (pólo do visto). O aluno observa a figura 34 utilizando sua habilidade figura-percepção solo descrevendo que as pessoas estavam reunidas em um templo orando e através da sua habilidade constância perceptiva e discriminação visual, considera a organização e o tamanho das pessoas adequados. Ao responder que “as pessoas estão do mesmo tamanho e a construção maior”, percebemos que aluno escreve as respostas de forma curta e que provavelmente se coloca no pólo do visto para responder as questões. Para o aluno, observar pessoas umas atrás das outras evidencia profundidade utilizando sua habilidade de posições e relações espaciais. O aluno observa a figura 35 e não percebe que é a continuação da figura 33, utiliza de sua habilidade figura-percepção solo e rotação mental descrevendo ser uma cidade com pessoas dançando em frente as construções. Considerou a organização adequada e o tamanho dos elementos inadequados fazendo comparações, “há pessoas menores que outras e o cavalo menor que o homem” utilizando sua habilidade discriminação visual. Observou, ao utilizar sua habilidade de posições e relações espaciais, que as construções estavam uma atrás da outra e que haviam pessoas menores ao fundo evidenciando a noção de profundidade. Na figura 36 o aluno descreve, utilizando sua habilidade figura-percepção solo, o rei em cima de um palanque com a nobreza atrás e o povo ouvindo um discurso. Usa sua habilidade discriminação visual comparando os tamanhos do rei e da nobreza percebendo serem maiores que do povo. Percebemos que o aluno procura sempre localizar as posições de pessoas e objetos, como por exemplo “o 119 rei estava na frente e as pessoas mais atrás”, utilizando sua habilidade percepção de posições e relações espaciais para evidenciar profundidade. Na figura 37 ficou em dúvida se era almoço ou jantar, usa de sua habilidade percepção de posições e relações espaciais percebendo ser um almoço pois o céu estava claro, ao utilizar sua habilidade discriminação visual faz comparações considerando a organização e o tamanho dos elementos adequados pois “eles vão diminuindo conforme vai indo para o fundo” , e ao ser perguntado sobre profundidade comparou com o comprimento da mesa que ia para o fundo, dando essa noção, como também a construção. Percebemos que o aluno não utiliza a idéia de proporcionalidade por desconhecer as regras de representação e que talvez esteja se baseando no pólo do visto. Ao observar a figura 38 e utilizar sua habilidade figura-percepção solo o aluno identifica ser uma igreja onde havia pessoas lendo, dormindo e conversando. Usa sua habilidade discriminação visual observando que as pessoas estavam no tamanho normal, comparando com a construção que para ele era grande, pólo do visto, e a noção de profundidade foi notada ao observar que existiam pessoas umas atrás das outras e que a arquitetura do local ia para o fundo, usa de sua habilidade de posições de relações espaciais. Para a “casa dos arames farpados” figura 39 que colocamos como uma prévia das atividades que seriam levadas para casa, o aluno usa sua habilidade percepção de posições e relações espaciais descrevendo ser uma casa na água com muito verde parecendo ser uma chácara, que era dia de sol percebendo que ele se encontrava à direita por observar a sombra da casa e do muro. Responde que os arames não estavam encostados na casa pois existia um chafariz na frente da casa e o arame estava na frente do chafariz, e ao ser perguntado se o arame estava encostado no chafariz disse parecer mas que não, que aparentemente havia uma distância entre o arame e o chafariz. Percebemos que o aluno consegue justificar as perguntas através de suas habilidades constância perceptiva, figura-percepção solo, percepção de posições e relações espaciais ou talvez através de sua vivência pessoal. Quanto ao telhado das casas, se estavam encostados, usa de sua habilidade figura-percepção solo respondendo que embora parecesse não estava pois havia uma distância entre as casas que ele percebia observando o chão. Quando perguntado sobre a cumeeira disse ser paralela aos arames farpados e que estavam no mesmo plano e na mesma direção. Questionamos o que seria “mesmo 120 plano” e o aluno não soube explicar mas disse que estavam na mesma direção, o aluno demonstra desconhecer definições de paralelismo. Quando perguntado dos galhos das árvores e sua posição disse novamente que a árvore estava mais a frente pois dava para perceber pelo chão e que parecia estar em cima da casa mas não estava, o aluno usa de suas habilidades percepção de posições e relações espaciais para responder as questões e talvez de sua vivência pessoal. Ao apresentamos a gravura Caça palavras (figura 40) o aluno usa de sua habilidade figura-percepção solo reconhecendo o cubo. Percebe que na gravura existem mais cubos e que o cubo maior próximo do palhaço da esquerda era formado por 26 cubos pequenos, usa de sua habilidade percepção de posições e relações espaciais e rotação mental contando errado a quantidade de cubinhos. Descreve os objetos que os palhaços estavam sentados em cima, que parecem estar enterrados na areia, como sendo cubos pequenos uns em cima de outros, formando um cubo maior, não utiliza sua habilidade figura-percepção solo para observar com maiores detalhes os objetos que os palhaços estão sentados que, aparentemente, não são cubos. O aluno observa que a gravura chamado por nós “elipsóides” (figura 41), usando de sua habilidade constância perceptiva, percepção de posições e relações espaciais e discriminação visual, é composto por figuras geométricas diferentes nas formas e tamanhos, com uma fonte de luz à direita, percebida pela posição das sombras dos objetos. Ordena corretamente as figuras semelhantes de acordo com o tamanho usando sua habilidade discriminação visual, da menor para a maior. Numa contagem de quantidade de objetos e de manchas cinzas usa sua habilidade figurapercepção solo. Provavelmente o aluno tenha se confundido ao afirmar que havia um total de 14 objetos e 15 manchas. Quanto ao objeto nº 5 localizou sua sombra corretamente. Em relação aos objetos de números 1,2, 3 e 4 , usa sua habilidade de posições e relações espaciais respondendo não serem do mesmo tamanho “porque apesar de estarem um atrás do outro dá para ver que são uns menores do que os outros”, provavelmente baseiase no pólo do visto. Ao responder que o objeto número 12 era menor que o número 11 “porque dava para ver bem que eles tem tamanhos diferentes” usa sua habilidade percepção de posições e relações espaciais e talvez o pólo do visto. A mesma observação foi feita em relação aos objetos 4 e 5, o 4 era o maior. Quanto a 121 posição relativa dos objetos 9 e 14 o aluno respondeu de uma outra forma, talvez por não ter entendido a pergunta, que “eles estão de frente no quadro e de lado para a luz”. Ao observar o bloco que se encontrava flutuando, usando sua habilidade figura-percepção solo, reponde ser paralelepípedo reto-retângulo e sua sombra representava um retângulo. Quanto às faixas coloridas de branco, azul claro e escuro e as demais faixas observa, utilizando sua habilidade de percepção de posições e relações espaciais, que elas se cruzavam e formavam figuras geométricas e as que se encontravam ao fundo evidenciavam profundidade. Ao começarmos a 2ª parte da entrevista apresentamos ao aluno uma outra gravura (figura 42), e utilizamos as perguntas da primeira entrevista. Ele respondeu as perguntas usando sua habilidade percepção de posições e relações espaciais descrevendo a cena e a organização considerando adequadas. Usa a habilidade discriminação visual para comparar e considerar os tamanhos inadequados e desproporcionais, não usando a idéia de proporcionalidade por desconhecer as regras de perspectiva cônica. Evidencia a profundidade usando sua habilidade percepção de posições e relações espaciais, observando “o desenho na parede atrás da mulher e a casa que vai mais para o fundo”. O aluno usou sua habilidade de figura-percepção solo identificando que as linhas verdes se convergem para o ponto de fuga, que ele disse ter estudado nas aulas de Arte, mas desconhecia este tipo de representação. Explicamos as representações cônicas e pedimos para que observasse novamente as 11 gravuras apresentadas na primeira entrevista e indicasse aquela que se assemelhava a figura 42 com as linhas verdes. O aluno usou sua habilidade percepção de posições e relações espaciais e figura-percepção solo identificando as três figuras que eram representadas em perspectiva cônica. Percebemos que o aluno entendeu as representações cônicas ao comentar que as demais representações apresentavam elementos desproporcionais ou não apresentavam as características da perspectiva cônica. Na gravura “elipsóides” (figura 41) o aluno usou sua habilidade percepção de posições e relações espaciais para poder traçar as retas em uma cartolina encontrando o foco de luz. Percebeu que havia 18 objetos e 18 sombras. Não conseguiu justificar a posição relativa dos objetos 9 e 14 e confirmou ser um retângulo a sombra do bloco retangular, sua habilidade figura-percepção solo não foi usada. 122 Na gravura Caça palavras (figura 40) o aluno confirmou que as representações eram todas cubos, usando de sua habilidade percepção de posições e relações espaciais e rotação mental, e ainda admitiu ter dificuldades em contar os cubinhos. Aproveitamos o desenho do cubo e apresentamos as perspectivas paralelas, explicando que são divididas em perspectiva paralela cavaleira e perspectiva paralela axonométrica, e que a axonométrica subdivide-se em perspectiva axonométrica isométrica, dimétrica e trimétrica, sendo as mais usuais nas aulas de matemática as perspectivas paralela cavaleira e axonométrica. Apresentamos o desenho do hexágono com suas diagonais (figura 43) e o aluno observou usando sua habilidade figura-percepção solo percebendo que no plano representa um hexágono, não conseguindo visualizar de imediato o cubo como sendo uma representação espacial. Ao apresentarmos um segundo desenho (figura 43) com as semi-diagonais tracejadas o aluno também não conseguiu visualizar o cubo de imediato. Percebemos que sua habilidade figura-percepção não estava sendo usada. Quando afirmamos que na representação havia um cubo, o aluno conseguiu visualizar. Ao observar novamente e conseguir visualizar o cubo o aluno disse que as linhas tracejadas ajudaram na visualização. Percebemos que sua habilidade figura-percepção solo foi utilizada ao ser instigada. Quando pedimos para que colocasse números nas faces opostas do cubo na forma de um dado, sabendo-se que a soma dos números das faces opostas são 7, o aluno o fez usando sua habilidade percepção de posições e relações espaciais sem apresentar dificuldades. Na representação cavaleira do cubo, o aluno entendeu as regras desenvolvendo a mesma atividade de colocar os números sem dificuldades. Ao apresentarmos a representação cavaleira em papel quadriculado (figura 46) e perguntarmos se ajudaria a visualizar o cubo, disse que não pois bastaria o conhecimento das regras. Resolveu a questão do ENEM/2007 (figura 47) usando sua habilidade posições e relações espaciais e figura percepção solo de maneira correta, dizendo ter conseguido resolver por ter passado por este novo aprendizado. 123 5.7.4 Análise do aluno A4 O aluno participou da 1ª entrevista de maneira tranqüila respondendo as questões sem dificuldades. Observava as gravuras por um bom tempo e depois passava a escrever. Foram feitas apresentações de 7 gravuras na 1ª entrevista de um total de 11, pois o aluno demorou um bom tempo em cada gravura, observando e escrevendo com detalhes . Na figura 28 o aluno usa sua habilidade de discriminação visual ao comparar o tamanho dos objetos e pessoas da cena. Sua relação de proporcionalidade está confusa ao dizer que o homens estão mais altos devido a inclinação da rua, pois se fosse uma representação cônica estes homens seriam maiores ainda ao descer a rua e não conseguiriam passar pela porta. Considera a organização adequada, apesar de não justificar as diferenças de tamanhos. Para o aluno, o fato dos homens serem pequenos é por estarem longe. Sua habilidade de percepção de posições espaciais não é usada de maneira correta, pois não utiliza a idéia de proporcionalidade, fazendo as comparações somente pela percepção visual. A figura 29 foi colocada com a intenção de provocar quanto a idéia de proporcionalidade, pois está evidente que não há proporção,existe uma organização, mas não está adequada, pois as árvores estão rebatidas. O aluno usa sua habilidade figura-percepção solo e discriminação visual considerando adequada a representação mesmo achando estranho as árvores estarem invertidas e os tamanhos fora do normal. O aluno usou sua habilidade percepção de posições e relações espaciais para, ao observar a vista frontal e superior lateral, identificar profundidade no 2º quadro. Na figura 30 o aluno mostra-se confuso ao considerar a organização adequada e o tamanho dos elementos inadequados. Usa os termos maior e desproporcional sem a idéia de proporcionalidade, observando e fazendo as comparações, usando sua habilidade discriminação visual. Usa sua habilidade de percepção de relações e posições espaciais para identificar a profundidade,pois percebemos que o aluno relaciona a profundidade com objetos, pessoas e bichos que vão diminuindo, por exemplo “as casinhas conforme mais distantes menores ficam”. Talvez observe a imagem colocando-se no pólo do visto. Percebemos que o 124 aluno tem noção de perspectivas por ter estudado desenho técnico e artístico, mas não demonstra sinais de conhecimento das regras de representação. Na figura 31 apresentou dificuldades para identificar profundidade, pois a figura não apresenta as características da figura 3 de objetos e pessoas ficando pequenas por estarem distantes, semelhante as características das perspectiva cônica. Sua habilidade de relações e posições espaciais são provocadas quando perguntado se existe espaço no ambiente. O aluno faz uso de sua habilidade figurapercepção solo percebendo que existem pessoas atrás da cama, atrás das pessoas uma cortina e até mesmo o espaço ocupado pela própria cama. Percebe visualmente indicando na imagem. Consegue verificar que o tamanhos das mulheres são diferentes, usando sua habilidade discriminação visual, mas continua não usando a idéia de proporcionalidade, pois usa os termos maior e menor, considerando adequada a organização apesar do ambiente onde se encontram as pessoas ser muito pequeno para a representação da cena. Na figura 32 o aluno fez comparação de pessoas com pessoas e pessoas com as edificações, usando sua habilidade discriminação visual. Usa o termo proporcional sem a idéia de proporcionalidade, mas não percebe que não existe uma relação entre as edificações e as pessoas, considerando ainda adequada a organização. Sua habilidade constância perceptiva precisa ser melhor trabalhada para que consiga observar os objetos em diferentes orientações. Quanto a noção de profundidade usa sua habilidade percepção de relações e posições espaciais observando as edificações quanto ao comprimento, largura, altura e as pessoas uma atrás da outra, ficando evidente que na figura existe profundidade. Percebemos novamente que as regras de representação provavelmente não são do conhecimento do aluno. Na figura 37 o aluno utiliza sua habilidade discriminação visual, percepção de relações e posições espaciais e constância perceptiva comparando os elementos da figura usando novamente o termo proporcional, como por exemplo “as pessoas que estão sentadas lá no fundo estão menores em questão da distância”, para justificar que os elementos são do mesmo tamanho e proporcionais, pois já tem em seu repertório de imagens a noção da perspectivas cônicas por já ter cursado desenho técnico e estudado desenho artístico na escola, mas não se apropria da idéia de proporcionalidade, pois novamente não mostra sinais de conhecimentos das regras 125 de representação. Percebemos que as figuras com estas características ficam fáceis para o aluno identificar profundidade. Na figura 38 o aluno faz uso de sua habilidade discriminação visual comparando as pessoas e objetos, porém considera normal as diferenças de tamanhos (pólo do visto). Utiliza sua habilidade percepções de relações e posições espaciais para relacionar os objetos, pessoas, imagens e observar que as pessoas estão agachadas ou distantes, não usando a idéia de proporcionalidade. Ao evidenciar a profundidade utiliza sua habilidade de percepção de relações espaciais e rotação mental descrevendo pessoas andando uma atrás das outras e a porta que esta lá no fundo. Percebemos que o aluno considerou todas as figuras com a organização adequadas. Por ser aluno do 3º ano do ensino médio o processo de visualização e as habilidades de visualização poderia ter sido melhor trabalhadas, pois percebemos que as dificuldades encontradas, relacionadas as suas habilidades, não foram desenvolvidas e que não é de costume este tipo de atividade na escola. Já na gravura chamada por nós de “casa dos arames farpados” (figura39) percebemos que o aluno observou a figura descrevendo a cena através de sua vivência pessoal. Utilizou suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais, conseguindo identificar a posição da casa, do Sol, da sombra do muro. Usou sua habilidade de constância perceptiva ao justificar que os arames não estariam encostados na casa ou mesmo sua habilidade percepção de posições e relações espaciais. Quanto aos telhados estarem encostados, o aluno observou o gramado para responder que não se encostavam, usou a habilidade percepção de posições espaciais, pois observou que existia um espaço entre as duas casas. Nesta parte fica um pouco nebuloso, pois ficamos em dúvida se o aluno se apropria de suas habilidades visuais ou se observa o desenho do pólo do sabido, o mesmo ocorrendo com os galhos das árvores. Na gravura Caça palavras (figura 40), o aluno reconhece o objeto, mesmo que esteja colocado em diferentes orientações, através de sua habilidade figurapercepção solo e por estar em seu repertório de imagens, pois já os estudou em aulas de matemática, porém o aluno não consegue contar quantos objetos menores formam o maior. Usando sua habilidade rotação mental, percebe que os objetos em que os palhaços estão sentados que ficam enterrados na areia não são cubos, pois 126 possui a imagem de cubos em seu repertório de imagens, percebendo através de sua habilidade percepção de relações espaciais. Ao ser perguntado o que observa na gravura “Elipsóides” (figura 41), o aluno faz uma pequena descrição dos objetos observados, que se tratavam de formas geométricas com algumas bolas ovais e prisma retangular regular e listas nas paredes e no chão. Quanto ao fato da existência de uma fonte de luz e qual a sua posição, o aluno diz saber de sua existência através da sombra que aparece no desenho e dos sinais de luz nas figuras do lado direito, observação esta registrada pelo aluno de acordo com suas vivências pessoais. O aluno ainda classifica todos os elementos da gravura como sendo de um mesmo tipo e em sua maioria do mesmo tamanho, ficando confusa sua resposta, pois o aluno não especifica qual é o tipo de objeto e quais seriam do mesmo tamanho, segundo sua interpretação, escrevendo de maneira resumida. Ao ser questionado sobre as „manchas cinzas‟ que aparecem na gravura, o aluno afirmou serem as sombras dos objetos, descrevendo: “são as sombras dos objetos que aparecem quando a luz não consegue iluminar um dos lados do objeto, então este lado não iluminado produz uma sombra”. O aluno, por orientação do entrevistador, ordenou os objetos da gravura de acordo com o tamanho da menor para a maior, segundo sua observação. Prosseguindo, foi solicitado que o aluno simulasse como poderia colocar os objetos um dentro do outro, como se fossem caixas, e o aluno manteve a sequência observada anteriormente, ou seja, encaixaria os objetos do maior para a menor, de modo que todos ficariam dentro da maior estando correta sua interpretação. No que diz respeito à quantidade de objetos constantes na gravura, o aluno observou a existência de quinze objetos e dezenove manchas cinzas. Nesta parte será trabalhada a visualização em relação a tamanho, posição e localização dos objetos. É solicitado ao aluno que localize a posição do objeto nº 5 e de sua respectiva sombra, ao que o aluno discrimina que aparece representado pela mancha cinza que está na parede do lado esquerdo do referido objeto. A seguir a análise será sobre a igualdade de tamanho dos objetos 1, 2 e 3 – o aluno ficou em dúvida e afirmou que mesmo achando que todos eram do mesmo tamanho, aparentemente não eram, e o que tornava confusa a sua certeza eram os objetos que se encontravam posicionados mais ao fundo, que davam a impressão de serem menores que os demais por estarem distantes. Ainda nos reportando ao tamanho, 127 foi solicitado que o aluno observasse se o objeto 12 era maior que o 11, e o aluno novamente afirmou, que na sua observação, a posição distante do 12 em relação ao 11 aparentava que o seu tamanho fosse menor, mas que na verdade, os dois eram do mesmo tamanho, pois o 12 parecia menor por estar mais distante. O aluno não se posicionou em relação a posição relativa dos objetos 9 e 14. Quanto ao tamanho do objeto 4 em relação ao 5 o aluno afirmou que o 4 é maior, mesmo estando posicionado atrás, e que se estivesse colocado junto ao 5 seria maior ainda, segundo sua observação,pois o aluno tem noção de perspectiva cônica e provavelmente esteja relacionando as imagens com as representações cônicas mas sem ter o conhecimento das regras de representação. A gravura apresenta algumas faixas coloridas e, segundo o aluno, as de cores azuis representadas em três tonalidades diferentes aparentam ser labirintos e quanto as demais nada escreveu, provavelmente, devido a posição frontal das faixas em tons azuis destacando-as em relação as demais. Os blocos que aparecem flutuando na gravura são descritos pelo aluno como “prisma retangular regular” e sua sombra um retângulo. Percebemos que para o aluno os objetos que se colocam numa direção em que „vão diminuindo‟ no sentido de „ir para o fundo‟ são proporcionais, evidenciando que o mesmo não tem a idéia de proporcionalidade, pois provavelmente não conheça as regras de representações. Na gravura chamada por nós “elipsóides”(figura 41) usa sua habilidade discriminação visual e percepção de posições e relações espaciais, percebendo a existência de uma fonte de luz através das sombras, ordenando os elementos do menor para o maior, apesar de achar que a maioria dos elementos possuíam o mesmo tamanho, (pólo do visto), pois pelas respostas do aluno percebemos que para ele os objetos são menores por estarem distantes, valendo-se, mesmo que inconscientemente, das noções de regras das perspectivas cônicas, pois o aluno já estudou desenho técnico e artístico, porém não utiliza a idéia de proporcionalidade, usando os termos maior, menor e proporcional. O aluno respondeu as questões de forma curta, deixando algumas sem responder ou incompleta, demonstrando que não é costume fazer este tipo de atividade na escola e que suas habilidades de visualização precisam ser melhor desenvolvidas para que possa entender e compreender as representações e suas regras de representação. 128 Para o início da 2ª etapa foi apresentada uma gravura (figura 42) em perspectiva cônica, que não era de conhecimento do aluno, em que as linhas horizontais se convergiam para o ponto de fuga e eram sutilmente traçadas na cor verde, e foram feitas as mesmas perguntas da primeira entrevista. O nosso objetivo era chamar a atenção do aluno para o ponto de fuga e as linhas horizontais verdes para então retomar as imagens apresentadas na primeira entrevista para que o aluno verificasse quais delas possuem as mesmas características e então começarmos a explicar e apresentar as representações em perspectivas cônicas. Ao pedirmos para o aluno descrever a cena real e se ele percebeu, qual organização o autor escolheu para a representação da cena descrevendo-a, o aluno a fez de acordo com sua interpretação considerando adequada. Percebemos que o aluno continua considerando a organização adequada em todas as gravuras apresentadas. Algumas hipóteses podem ser levantadas: o aluno parece não conseguir analisar criticamente a obra ou ainda não possui segurança para responder tais questões, diante do professor de matemática Quando foi perguntado se os tamanhos estavam adequados respondeu que sim, mas segundo o aluno a pessoa que está atrás do balcão parece maior por estar em cima de uma base e ainda usar chapéu. O aluno não faz uso da idéia de proporcionalidade, nem das regras de uma possível perspectiva cônica para responder se os elementos estão com tamanhos adequados, usando sua habilidade percepção de posições e relações espaciais , figura percepção solo e discriminação visual, identificando que o homem atrás do balcão parece maior, fazendo comparação com a pessoa que esta à frente, ignorando o fato que ambas estão no mesmo plano paralelo ao de projeção. Quanto à noção de profundidade, o aluno vai buscar em seu repertório de imagens, observando e usando sua habilidade percepção de posições e relações espaciais e constância perceptiva e o conhecimento que já possuía, relacionando as linhas verdes e o ponto com o ponto de fuga Em seguida explicamos para o aluno que se tratava de uma representação em perspectiva cônica com um ponto de fuga. Percebemos que após nossa conversa sobre a figura apresentada o aluno ficou mais atento ao observar a figura quanto a profundidade, usando sua habilidade percepção de posições e relações espaciais, relacionando os objetos e a construção com o ponto de fuga. 129 Explicamos para o aluno que neste momento apresentaríamos o total de 11 gravuras, diferentemente da primeira entrevista onde o aluno analisou apenas 7 das gravuras propostas, pois prolongou-se demais demorando nas análises e respostas. Devido a este fato e o pouco tempo que dispúnhamos, as gravuras foram reduzidas. Pedimos para que indicasse nesta nova abordagem aquela que tivesse as mesmas características da figura 42 que possuía as linhas verdes. Percebemos que para esta segunda abordagem o aluno observou as figuras de uma maneira a tentar encontrar o ponto de fuga e que suas habilidades de constância perceptiva e percepção de relações espaciais foram um pouco mais desenvolvidas. O aluno conseguiu identificar que as figuras 34, 37 e 38 eram representações cônicas, sem apresentar dificuldades. Apresentamos os três tipos de representações cônicas, com 1, 2 e 3 pontos de fuga e ainda mostramos o cubo representado nestas três representações (figura 14). Ao voltarmos a gravura dos elipsóides (figura 41) e verificarmos a posição do foco de luz, traçando as retas tangentes ao elipsóide e sua respectiva sombra, o aluno mostrou-se interessado e participativo. Acrescentou a seus conhecimentos mais um aprendizado e argumentou até a possibilidade da existência de um outro foco de luz. Desenvolveu um pouco mais sua habilidade de constância perceptiva. Percebemos que o aluno considerou todos os objetos como sendo figuras geométricas, pois esta é a definição que trás em seu repertório de imagens. Mesmo após explicarmos as perspectivas cônicas, o aluno respondeu serem os elementos do mesmo tamanho sem relacioná-los com as perspectivas, apesar da representação não parecer cônica. Usa sua habilidade percepção de posições e relações espaciais contando 15 objetos e 19 sombras demonstrando estar confuso nestas observações, pois conta duas vezes a mesma sombra. O objeto 7, para o aluno, produz uma sombra na parede e outra no chão, pondo em dúvida a existência de outro foco de luz. Faz estas observações usando sua habilidade figura-percepção solo e constância perceptiva. Ao mostrarmos três sombras que estavam em baixo do bloco retangular e perguntamos o que seriam, o aluno respondeu ser a sombra de mais três objetos e disse não ter observado estas sombras anteriormente, então concluímos serem 18 objetos e 18 sombras. 130 Quanto a posição relativa dos objetos 9 e 14, o aluno não havia respondido a questão, pois não sabia o que era posição relativa. Após explicação, observou novamente e usou sua habilidade de constância perceptiva respondendo de maneira correta. Percebemos que algumas questões não são respondidas por falta de vocabulário, o aluno não entende o que se pede. Percebemos que o aluno ao responder as questões que foram entregues para casa o fez de forma resumida e ao observar a gravura do bloco retangular não usa a habilidade figura-percepção solo, ou talvez não saiba o que significa regular. Quanto à sombra do bloco retangular, não percebeu que era um paralelogramo, mostrando que sua habilidade percepção de posição espacial está confusa. O fato das faces do paralelepípedo serem retângulos, para o aluno, sua sombra também será. Este tipo de atividade não é comum em sala de aula, por essa razão o aluno não possui a imagem mental da sombra de sólidos geométricos em seu repertório de imagens. Na gravura Caça palavras ( figura 40) o aluno identifica facilmente os objetos como sendo imagens cubos, usando sua habilidade de constância perceptiva, por estas já se encontrarem em seu repertório de imagens. Usando de sua habilidade discriminação visual, observa e compara os objetos em que os palhaços estão sentados afirmando não serem cubos, pois as medidas dos lados são diferentes, admitindo uma perspectiva isométrica. Quanto ao objeto próximo ao palhaço da esquerda, o aluno identifica facilmente como sendo um cubo, mas não consegue enxergar as partes que não estão aparecendo na representação. Sua habilidade de rotação mental e percepção de posições espaciais não foram desenvolvidas para este tipo de atividade sendo esta a causa das dificuldades que apresentou para contar quantos cubinhos existiam. Após apresentarmos as representações paralelas e juntos contarmos a quantidade de cubos, o aluno começou a compreender melhor este tipo de representação, acrescentando em seu repertório de imagens as imagens mentais envolvidas neste tipo de resolução. Ao apresentarmos o desenho de um hexágono com suas diagonais (figura 43) e pedirmos para o aluno observar, como uma representação plana, ele respondeu, usando sua habilidade figura-percepção solo ser um hexágono. Em seguida, pedimos para que observasse, como uma representação espacial, e ele não conseguiu visualizar um cubo. Orientamos que poderia virar a folha. Usou de sua 131 habilidade percepção de posições e relações espaciais e figura percepção solo, conseguindo visualizar o cubo. Quando apresentamos o desenho com os tracejados (figura 44) o aluno observou de imediato dizendo ser a mesma figura. Perguntamos se os tracejados ajudavam a visualizar melhor o cubo e o aluno disse que sim. Perguntamos o que representariam esses tracejados, e o aluno usa sua habilidade figura-percepção solo, respondendo serem as “linhas de fundo que aparentemente não conseguimos enxergar”. Percebemos que o aluno observou que na representação do cubo as linhas tracejadas são as arestas que estariam atrás do cubo. Pedimos que colocasse letras nos vértices do cubo de maneira que pudéssemos identificar melhor as faces. Voltamos a conversar sobre as representações, se a representação observada for plana é um hexágono e ao se colocar as letras o ponto no centro do hexágono ficará com duas letras. Questionamos junto ao aluno, no caso da representação ser espacial se algo mudaria. O aluno respondeu que os pontos estariam alinhados se encontrando ao ser observado, (pólo do visto), mas de fato, não se encontrariam estando um na frente e outro lá atrás no real. O aluno usa sua percepção de relações e posições espaciais para diferenciar a posição dos pontos. Consideramos o cubo como sendo um dado, e que nos dados as soma dos números das faces opostas tem que resultar 7. Mostramos para o aluno o desenho (figura 43) e pedimos para que colocasse o número 1 em uma das faces e perguntamos onde seria colocado o número 6, e o aluno apontou a face correta. Fizemos esta atividade por um bom tempo trocando os números e o aluno foi acertando todas as perguntas. Percebemos que usou sua habilidade percepção de posições e relações espaciais e constância perceptiva. O mesmo ocorreu ao colocarmos o número 2 numa face e o número 5 em outra adjacente. Perguntamos se seria possível ocorrer esta situação e o aluno respondeu que não, pois as faces teriam que ser opostas. Ao apresentarmos a perspectiva paralela cavaleira e sua regra de representação e realizarmos a mesma atividade anterior, o aluno utiliza suas habilidades de percepção de posições e relações espaciais realizando a atividade sem dificuldades. Apresentamos em seguida uma representação em perspectiva paralela cavaleira, no papel quadriculado (figura 46). Percebemos que ao apresentarmos a 132 representação em papel quadriculado o aluno sentiu-se mais a vontade, por haver a possibilidade de contar quadradinhos para fazer suas verificações. Isto demonstra que facilita sua visualização melhorando as habilidades de discriminação visual e percepção de posições e relações espaciais. Esta representação proporciona a ele fazer cálculos, pois toma como medida um quadradinho e é de costume na escola relacionar geometria somente a cálculos não com as visualizações das figuras espaciais e as regras para estas representações. Ao retomarmos as representações, explicando que as mais usuais na matemática são as perspectivas paralelas axonométrica isométrica e cavaleira, perguntamos se o conhecimento dessas regras ajudam a compreender melhor as representações na matemática e o aluno afirmou que sim. Em seguida, para finalizar, apresentamos uma questão do ENEM/2007 (figura 47) e pedimos para o aluno ler, observar e responder, escolhendo uma das cinco alternativas. O aluno usou sua habilidade percepção de posições e relações espaciais e figura percepção solo, foi eliminando as alternativas que apresentavam respostas que considerava impossível de se construir com madeira e escolheu a alternativa (e) que era a correta. Perguntamos se as regras de representação ajudaram na sua escolha, e o aluno afirmou que sim, procurando justificar que na alternativa escolhida existiam segmentos paralelos, a noção de profundidade estava evidente e na parte de cima da figura tinha triângulos na frente, atrás, dos lados e que as regras estudadas ajudaram a escolher essa alternativa por poder visualizar melhor. Percebemos que aluno passou a observar as figuras de forma a analisá-las, se nelas estão presentes as representações cônicas ou paralelas. Este nosso estudo acrescentou um pouco mais a seus conhecimentos, fazendo com que o aluno interprete as representações criando imagens mentais e interpretando as imagens mentais gerem informações. 133 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Fundamentamos nosso trabalho de pesquisa nas aulas de Matemática para alunos do Ensino Médio, principalmente no currículo do segundo ano, onde observamos uma dificuldade latente por parte desses alunos em interpretar e visualizar representações planas de figuras tridimensionais. Optamos por um trabalho voltado para esse grupo específico de alunos com a pretensão de ajudá-los a diminuírem as distâncias do que é visto e do que é sabido. Realizamos algumas leituras de dissertações, teses, textos e livros didáticos para nos aprofundarmos à temática em questão. Observamos que nos livros didáticos são encontradas usualmente representações de figuras em perspectiva paralela cavaleira e axonométrica isométrica, mas as regras para essas representações não são explicitadas e não se encontra representações de figuras em perspectiva cônica. Utilizamos entrevistas semi-estruturadas para realizarmos a nossa pesquisa e convidamos um grupo de quatro alunos da escola pública onde lecionamos, na cidade de Piedade-SP, para participar desse processo investigativo qualitativo. Os referidos alunos responderam primeiramente a um questionário voltado a um levantamento de perfil. Uma das questões propostas pedia uma reflexão sobre a importância da Matemática na vida dos alunos e eles responderam demonstrando certa igualdade de opinião, apesar de fazerem uso de palavras diferentes, que a Matemática é muito importante como forma de conhecimento e está em todo lugar, fazendo parte da nossa vida. Essa resposta unânime foi considerada como um ponto de partida para a formação do grupo para a entrevista. Partimos para as entrevistas semi-estruturadas onde os alunos observaram gravuras que apresentam representações planas que descrevem cenas espaciais. Apresentamos a seguir uma conclusão da análise realizada, de acordo com as respostas proferidas pelos alunos entrevistados, conforme a definição de Gutiérres (1996) no que se refere a visualização e o pólo do visto e do sabido de Parzysz (1998). De modo geral, observamos que os alunos se baseiam muito no pólo do visto para analisar as gravuras apresentadas. 134 Uma característica comum às gravuras é que todas têm profundidade, apesar de não estarem todas em perspectiva cônica, e os alunos tiveram facilidade em evidenciá-la, exceto o aluno A1 que apresentou dificuldades. Todos os alunos apresentaram a habilidade discriminação visual e figura percepção-solo. Os alunos A1, A3 e A4, escreveram de modo sucinto através de respostas curtas e diretas e apresentaram uma visão predominantemente social, pois valorizaram esse aspecto na observação das gravuras. O aluno A2 também faz uso de respostas diretas, porém mais óbvias e estritamente ao que foi solicitado e observou, mas não enfatizou, a característica social em suas respostas. Em relação às habilidades constância perceptiva e percepção de posições e relações espaciais, principalmente percebemos que os alunos A1 e A2 possuem dificuldades, em relação ao apresentado pelos alunos A3 e A4, que demonstraram ter essas habilidades mais desenvolvidas. O aluno A1 destacou-se na habilidade rotação mental, visto que os alunos A3 e A4 apresentaram dificuldades, aproximando-se do resultado esperado, já o aluno A2 cometeu muitos erros nessa parte da análise. Em nosso trabalho utilizamos as estratégias supracitadas, que se destinaram a responder as seguintes perguntas de pesquisa: “A utilização de imagens externas variadas pode ajudar no desenvolvimento de habilidade de visualização?” e “Quais habilidades de visualização podem ser desenvolvidas com a análise dessas imagens?”. Podemos concluir que a utilização de imagens externas variadas pode ajudar no desenvolvimento de habilidade de visualização e as habilidades que se desenvolvem com a análise dessas imagens são as já definidas por Gutiérres (1996) e discriminadas a seguir, numa ordem determinada por nós. Primeiramente, a habilidade figura-percepção solo, que consiste na capacidade de identificar uma figura específica por isolamento fora de um contexto complexo. Em seguida a habilidade discriminação visual, que é a capacidade de comparar vários objetos, imagens e/ou imagens mentais para identificar semelhanças e diferenças entre eles. Constatamos que todos os alunos entrevistados apresentaram essas habilidades através da análise das gravuras, 135 evidenciando que estão mais presentes ao cotidiano e vivência pessoal dos alunos e associadas ao pólo do visto. A habilidade constância perceptiva que é a capacidade de reconhecer que algumas propriedades de um objeto (real ou em uma imagem mental) são independente do tamanho, cor, textura ou posição, e não permite confundir quando um objeto ou imagem é percebido em diferentes orientações; a habilidade rotação mental que é a capacidade de produzir imagens mentais dinâmicas para visualizar uma configuração em movimento; a habilidade percepção de posições espaciais que é a capacidade de relacionar um objeto, imagem ou imagem mental de si mesmo e a habilidade percepção de relações espaciais que é a capacidade de relacionar vários objetos, imagens e / ou imagens mentais uns dos outros, ou simultaneamente a si mesmo, podem ser desenvolvidas através de práticas em salas de aula, principalmente nas aulas de Matemática, pois no decorrer da entrevista, ao explicitarmos as regras de representação de perspectiva paralela cavaleira e perspectiva paralela axonométrica isométrica e uma noção de perspectiva cônica, percebemos que os alunos apropriaram-se desse novo conhecimento que facilitou as suas observações em relação aos conteúdos matemáticos. Os alunos parecem não reconhecer os conteúdos trabalhados nesta pesquisa como pertencente à área de Matemática, pelo fato de não envolverem diretamente cálculos, por não serem explicitadas às regras de representações em sala de aula, observando-as somente pelo pólo do visto e por não estarem familiarizados com esse tipo de atividade na escola. Observamos que os alunos entrevistados possuem dificuldades em visualizar representações planas de figuras espaciais e percebemos então que à escola, cabe o papel de desenvolver um trabalho de modo a provocar essas habilidades em seus alunos. Os alunos necessitam de um tempo para que o processo de visualização ocorra e a escola pode e deve propiciar esse momento de modo a garantir que o processo de ensino aprendizagem ocorra efetivamente e o aluno passe a enxergar e vivenciar a Matemática nas várias formas possíveis e não apenas como um momento em que aprendemos (ou não) a fazer continhas, decorar fórmulas e resolver problemas. 136 Consideramos que a elaboração de um projeto interdisciplinar nas áreas de Matemática e Arte, com vistas a trabalhos a serem desenvolvidos futuramente em sala de aula, seria uma estratégia adequada para que os alunos pudessem interagir através de atividades envolvendo os dois componentes curriculares em questão, pois percebemos que o processo de visualização através de gravuras artísticas facilitou a inserção de alguns conteúdos de Matemática, e o aluno tomou conhecimento de uma utilização prática e importante dos estudos em Geometria Espacial de modo que os estudos realizados neste trabalho de pesquisa não fiquem restritos ao papel e sim possibilitem uma perspectiva de melhoria na qualidade das aulas de Matemática e, consequentemente, na aprendizagem dos alunos. 137 REFERÊNCIAS AUDIBERT, Gérard. 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