UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE-UFRN
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS LETRAS E ARTES-CCHLA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA LINGUAGEM-PPgEL
DEPARTAMENTO DE LETRAS-DL
MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA
VITÓRIA MARIA AVELINO DA SILVA PAIVA
AVALIANDO A APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA EM UMA ESCOLA DE
ENSINO MÉDIO A PARTIR DE CONTRIBUIÇÕES DISCENTES
UFRN - Natal/RN
2012
VITÓRIA MARIA AVELINO DA SILVA PAIVA
AVALIANDO A APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA EM UMA ESCOLA DE
ENSINO MÉDIO A PARTIR DE CONTRIBUIÇÕES DISCENTES
Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Estudos da Linguagem do Centro de
Ciências Humanas, Letras e Artes da UFRN, como
requisito parcial para obtenção do título de mestre
em Linguística Aplicada.
Orientadora: Profa. Dra. Ana Graça Canan
UFRN - Natal/RN
2012
Catalogação da Publicação na Fonte.
Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).
Silva Paiva, Vitória Maria Avelino da.
Avaliando a aprendizagem de língua inglesa em uma escola de ensino
médio a partir de contribuições discentes / Vitória Maria Avelino da Silva
Paiva. – 2012.
119 f. : il. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Universidade
Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Humanas, Letras e
Artes. Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem, Natal, 2012.
Orientadora: Prof.ª Dr.ª Ana Graça Canan.
1. Língua inglesa – Dissertação. 2. Língua inglesa - Avaliação. 3.
Língua inglesa - Aprendizagem. 4. Estudantes. 5. Participação. I. Canan,
Ana Graça. II. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. III. Título.
RN/BSE-CCHLA
CDU 811.111
VITÓRIA MARIA AVELINO DA SILVA PAIVA
AVALIANDO A APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA EM UMA ESCOLA DE
ENSINO MÉDIO A PARTIR DE CONTRIBUIÇÕES DISCENTES
Esta dissertação de Mestrado foi julgada e aprovada para a obtenção do título de
mestre em Linguística Aplicada no Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem.
Natal, 31 de Julho de 2012.
BANCA EXAMINADORA
_________________________________________________________
Presidente e Orientadora: Profa. Dra. Ana Graça Canan (UFRN)
_________________________________________________________
1º Examinador: Prof. Dr. João Gomes da Silva Neto (UFRN)
_________________________________________________________
2º Examinador: Prof. Dr. Silvano Pereira de Araújo (UERN)
DEDICATÓRIA
________________________________________________________________
Dedico este trabalho aos meus pais, Geraldo da Silva e Francisca Avelino da Silva,
que, a despeito de tantas dificuldades, souberam educar seus filhos e ensiná-los a
trocar a enxada pela caneta.
AGRADECIMENTOS
________________________________________________________________
Muitas foram as pessoas que contribuíram para a realização deste trabalho,
ainda que sem consciência desse suporte. A elas, agora dirijo meus agradecimentos.
Agradeço primeiramente a Deus, pois acredito que a todo momento Ele estava
comigo nas fases de elaboração deste trabalho, dando-me inspiração e condições para
desenvolvê-lo.
À Profa. Dra. Ana Graça Canan pela orientação, compreensão e confiança
tantas vezes a mim dispensada.
À srta. Maria Veridiana da Silva e suas colegas, à sra. Leni de Melo, à sra.
Luciana Pessoa e ao professor Marcos Antônio Nunes, que fizeram uma leitura crítica
deste trabalho e ao sr. Jorge Lélio da Silva, pela vasta bibliografia que deixou à minha
disposição.
Aos professores Dr. João Gomes da Silva Neto e Dr. Silvano Pereira de
Araújo, por participarem da defesa pública desta dissertação. A Dra. Selma Alas
Martins Cestaro e ao Dr. João Gomes da Silva Neto, pela valiosa contribuição prestada
na etapa de qualificação deste trabalho. Aos estudantes da Escola Estadual Pedro II,
colaboradores maiores para a realização desta pesquisa.
Aos meus professores do mestrado em Linguística Aplicada, pelas inigualáveis
contribuições à minha formação e ao meu pensamento crítico: Dra. Ana Graça Canan
e Dr. João Gomes da Silva Neto, meus primeiros professores do mestrado, quando eu
ainda estava com o vínculo de “aluna especial”. Ainda, aos professores Dra. Ana Paz,
Dra. Maria do Socorro Oliveira, Dr. Orlando Vian Júnior, Dra. Glícia Tinoco, Dra.
Penha Alves, Dra. Cleide Pedrosa, Dra. Cellina Muniz, Dr. Marília Faria, Dra.
Bernadete Oliveira e Dra. Sandra Gomes.
Aos secretários do PPgEL Elizabete Dantas e João Gabriel Moreira e aos
estagiários da biblioteca setorial do CCHLA, pelo valioso apoio e excelente
atendimento, sempre.
À equipe de revisão de textos: Júlia Ribeiro, Gilceane Soares e Glessa Santana.
pela revisão final do trabalho.
Agradeço, por fim, aos meus colegas de mestrado e às pessoas que
contribuíram por meio de uma palavra de incentivo, de um encorajamento, de um
momento de atenção dedicado às descobertas desta pesquisadora.
“Se tudo o que percebo tem por base o que já conheço, como poderei perceber
alguma coisa nova? Se eu nunca perceber algo novo, como poderei mudar? Como
crescerei?”
(Arntz, Chasse e Vicente)
RESUMO
O presente estudo discorre sobre a avaliação da aprendizagem de língua inglesa desenvolvida
em uma escola pública de ensino médio do município de Lajes-RN, em 2011, a partir de uma
proposta qualitativa de avaliação (SAUL, 1988; CANAN, 1996; DEMO, 2008), objetivando a
produção de conhecimento acerca do processo de avaliação desenvolvido nas aulas de língua
inglesa, envolvendo as contribuições dos estudantes. Ao se diagnosticar e caracterizar o
processo avaliativo de língua inglesa da escola pesquisada, identificando as representações
que os estudantes atribuíam à avaliação, implementaram-se os instrumentos avaliativos por
eles sugeridos para a realização da avaliação da aprendizagem dessa disciplina. Esse fato
possibilitou uma reflexão sobre a participação discente na construção do processo avaliativo
de língua inglesa, assunto discutido por Sant‟anna (2002) e outros teóricos como Canan
(1996), Brasil (2002) e Pereira (2009). Para a condução do trabalho investigativo, fez-se uso
da abordagem qualitativa de base etnográfica, fundamentando-se em autores como Bogdan e
Biklen (1994), Mazzotti e Gewandsznajder (1998), Strauss e Corbin (2008), entre outros. A
metodologia adotada foi a pesquisa ação (ANDRÉ, 1995; NUNAN, 2007; LANKSHEAR;
KNOBEL, 2008), descrita como uma pesquisa de base empírica que associa uma ação a uma
resolução de um problema coletivo, porque nela seus pesquisadores e colaboradores se
envolvem de modo cooperativo (THIOLLENT, 1985). Ao tratar da avaliação da
aprendizagem de língua inglesa (ALMEIDA FILHO, 1993; SCARAMUCCI, 2009) praticada
antes e depois das contribuições feitas pelos estudantes da segunda série do ensino médio da
referida escola, este estudo considera que os estudantes do ensino médio têm uma consciência
mais crítica e reflexiva no que se refere a suas avaliações, opinando não apenas sobre a
avaliação da aprendizagem de língua inglesa, mas também de outras disciplinas do seu
currículo escolar. Assim, esta investigação apresenta possibilidades para a realização do ato
avaliativo que considere a participação dos estudantes nas decisões que concernem a esse
processo, ao se cogitar que, quando compartilham decisões com seus aprendizes, os docentes
podem agregar qualidade ao processo de avaliação.
Palavras-chave: Avaliação. Aprendizagem. Estudantes. Participação.
ABSTRACT
This study discusses the evaluation of the English language‟s learning developed in a public
high school from Lajes-RN in 2011 starting from a qualitative evaluation proposal (SAUL
1988; CANAN, 1996; DEMO, 2008) aiming the production of knowledge about the
evaluation process developed in the classes of English language involving the contributions
from students. To diagnose and characterize the evaluation process of English language of the
researched school, identifying the representations that students attributed to the evaluation, we
have implemented the evaluation instruments suggested by students to perform the evaluation
of language learning and allowed a reflection about the student‟s participation in the
construction of the evaluation process of the English language, subject discussed by
Sant‟anna (2002) and other theorists (CANAN, 1996; BRAZIL, 2002; PEREIRA, 2009). To
conduct the research work, we use the qualitative approach with ethnographic basis,
substantiate in authors like Bogdan, Biklen (1994), Mazzotti; Gewandsznajder (1998),
Strauss, Corbin (2008) among others. The methodology was the action research (ANDRÉ,
1995; NUNAN, 2007; LANKSHEAR; KNOBEL, 2008) described as research of empirical
basis which associates an action with a resolution of a collective problem, because in it, its
researchers and employees are engaged in a cooperatively way (THIOLLENT, 1985). When
we treat about the evaluation of English language‟s learning (ALMEIDA FILHO, 1993;
SCARAMUCCI, 2009) practiced before and after the contributions made by the students of
the second year of the refereed school, the study considers that high school students have a
more critical and reflective conscience with regard to their evaluations, not just opining on the
assessment of learning English but also about the assessment of other subjects from their
scholar curriculum and so this research presents possibilities for performing the act of
evaluation which consider the participation of students in decisions regarding this process,
because we cogitate that when the teachers share the decisions with their students, teachers
can add quality to the evaluation process.
Key-Words: Evaluation. Learning. Students. Participation.
LISTA DE FIGURAS E DESENHOS
FIGURA 1: Representação das funções da avaliação.................................................... 34
FIGURA 2: Capa da revista pedagógica Pátio..................................................................41
FIGURA 3: Imagem desenhada por um estudante em uma semana de provas, na escola
pesquisada, no ano de 2007 .............................................................................................42
DESENHO 1: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................76
DESENHO 2: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................76
DESENHO 3: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................77
DESENHO 4: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................77
DESENHO 5: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................77
DESENHO 6: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................78
DESENHO 7: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................78
DESENHO 8: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................79
DESENHO 9: Representações sobre instrumentos avaliativos .......................................79
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1: Passos de uma pesquisa ação ....................................................................56
QUADRO 2: Opiniões sobre as avaliações da escola .....................................................63
QUADRO 3: Instrumentos avaliativos empregados na avaliação de língua inglesa ......66
QUADRO 4: Maneira de avaliar preferida pelos estudantes ..........................................67
QUADRO 5: Dificuldades durante as avaliações............................................................69
QUADRO 6: Instrumentos avaliativos apreciados ..........................................................80
QUADRO 7: Instrumentos avaliativos não apreciados ...................................................80
QUADRO 8: Instrumentos de avaliação que contemplem as habilidades linguísticas sugeridas
pelos PCNEM ..................................................................................................................84
QUADRO 9: Posicionamento ante os instrumentos avaliativos tradicionais..................85
QUADRO 10: Sugestões para modificação das avaliações escolares .............................88
QUADRO 11: Sugestões dos estudantes para modificação das avaliações nacionais cuja
finalidade seja o ingresso nas instituições de ensino superior .........................................90
QUADRO 12: Opiniões dos estudantes sobre as disciplinas separadas por blocos ........94
QUADRO 13: Realização, participação e frequência dos estudantes nas atividades avaliativas
.........................................................................................................................................95
QUADRO 14: Desempenho estudantil e análise crítica sobre os resultados expressos em notas
.........................................................................................................................................96
QUADRO 15: Justificativas dos estudantes para as notas pretendidas..........................96
QUADRO 16 – Opinião dos estudantes sobre a avaliação de língua inglesa desenvolvida a
partir das sugestões deles................................................................................................98
LISTA DE APÊNDICES
APÊNDICE 1 – Formulário de consentimento do estudante .......................................115
APÊNDICE 2 – Questionário dos professores .............................................................116
APÊNDICE 3 – Questionário dos estudantes ..............................................................117
APÊNDICE 4 – Folder do Seminário ..........................................................................118
APÊNDICE 5 – Autoavaliação ....................................................................................119
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
EM (ensino médio) ..........................................................................................................13
IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) ...............................................13
ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) ...................................................................13
LE (língua estrangeira) ....................................................................................................15
EMI (Ensino Médio Inovador) ........................................................................................15
LA (Linguística Aplicada) ...............................................................................................18
MEC (Ministério da Educação e Cultura) .......................................................................19
PCNEM (Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio)..............................22
LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) .................................................36
EC (estudante colaborador) .............................................................................................52
PC (professora colaboradora) ..........................................................................................52
LI (língua inglesa) ...........................................................................................................65
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 13
1.1 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA ........................................................................ 14
1.2 QUESTÕES E OBJETIVOS DA PESQUISA ......................................................... 16
2 REFERENCIAL TEÓRICO .................................................................................... 18
2.1 AVALIAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NO ENSINO
MÉDIO ........................................................................................................................... 20
2.2 AVALIAÇÃO QUALITATIVA COMO UMA PROPOSTA PARA SE AVALIAR A
LÍNGUA INGLESA NO ENSINO MÉDIO INOVADOR ............................................ 24
2.3 A AVALIAÇÃO E OS INSTRUMENTOS AVALIATIVOS ................................. 31
2.4 O ESTUDANTE ENQUANTO COCONSTRUTOR DO PROCESSO AVALIATIVO
........................................................................................................................................ 36
2.5 OS INSTRUMENTOS AVALIATIVOS REPRESENTADOS POR IMAGENS ... 40
3 METODOLOGIA DA PESQUISA .......................................................................... 47
3.1 ESCOLHA METODOLÓGICA DA PESQUISA.................................................... 47
3.2 DESCRIÇÃO DO CAMPO E DOS PARTICIPANTES DE PESQUISA ............... 52
3.3 PROCEDIMENTOS DE PESQUISA ...................................................................... 54
3.3.1 Geração de dados ................................................................................................. 57
3.3.1.1 Instrumentos e procedimentos para a geração de dados......................................57
3.3.1.2 Tratamento dos dados..........................................................................................60
4 ANÁLISE DOS DADOS ........................................................................................... 62
4.1 A CARACTERIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO DE LÍNGUA INGLESA.................. 62
4.2 IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS AVALIATIVOS SUGERIDOS PELOS
ESTUDANTES .............................................................................................................. 73
4.3 REFLEXÃO SOBRE A PARTICIPAÇÃO ESTUDANTIL NA CONSTRUÇÃO DO
PROCESSO AVALIATIVO .......................................................................................... 93
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 100
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 105
APÊNDICES ............................................................................................................... 114
13
1 INTRODUÇÃO
Procurou-se, com a avaliação qualitativa,
desviar a atenção dos alunos,
geralmente voltada para as notas,
para aspectos, como por exemplo
motivação, participação, pontualidade,
assiduidade e empenho com os estudos.
(Ana G. Canan)
O ato de avaliar está em evidência em nosso país. Em busca da excelência dos
resultados a serem apresentados nacional e internacionalmente, instituições escolares de todo
o Brasil estão sendo submetidas à análise dos conhecimentos de seus educandos, mensurados
por meio do instrumento avaliativo prova escrita, apresentado por nomes sugestivos, como,
por exemplo: “Olimpíada”, “Viagem”, “Provinha”, entre outros, no intuito de se tornar
atraente ao público para o qual se destina, a fim de que o estudante se sinta estimulado a
participar dessa avaliação. Os exames nacionais se propõem a acompanhar a trajetória
estudantil desde a educação básica até a universidade, objetivando construir um diagnóstico
mais verossímil da educação oferecida no país, para, a partir deste, estipularem-se
procedimentos cabíveis à melhoria do ensino brasileiro.
A prática desse tipo de avaliação vem resultando em uma busca por posição de
destaque entre as escolas que preparam os estudantes para a realização dos exames, já que o
seu desempenho passará a ser conhecido pela posição que ocupa no ranking produzido
imediatamente depois dos resultados preconizados pela avaliação realizada. Atualmente, o
sucesso ou insucesso das ações didático-pedagógicas que se desenvolvem nas escolas
brasileiras está diretamente relacionado aos números que aparecem em seu Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).
Na etapa final da educação básica, o ensino médio (EM), percebemos uma crescente
preocupação com a quantidade de aprovados entre aqueles estudantes que se submetem aos
exames de alta relevância, denominados de high-stakes tests (SILVA, R., 2010), como o
Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e o vestibular, por estes terem uma influência
decisiva no futuro dos estudantes que almejam cursar uma faculdade. Se atentarmos para as
propagandas divulgadas pelas escolas privadas, constataremos a valorização que se está
atribuindo às escolas que aprovam mais. Com essa evidente procura por quantidade de
aprovados em exames nacionais, cabe a nós, pesquisadores, elucidarmos a dúvida a respeito
14
da função da avaliação da aprendizagem na escola: quantificar ou qualificar? Serão os exames
os melhores diagnosticadores e quiçá preparadores de um estudante para a vida acadêmica e
profissional?
Nesse contexto, o presente trabalho se propõe a investigar a avaliação da
aprendizagem de língua inglesa no âmbito do ensino médio, a qual, a despeito do apelo
quantitativo, no estado do Rio Grande do Norte, está revendo suas prioridades. O terceiro
artigo da nova portaria1 de avaliação estadual, in verbis, dispõe:
Art.3. A avaliação da aprendizagem escolar orientar-se-á por processo
diagnosticador, mediador e emancipador, devendo ser realizada de forma
contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os
quantitativos e dos resultados ao longo do período letivo sobre o exame
final.
A orientação do documento objetiva que os professores utilizem a avaliação de modo a
promover os aspectos qualitativos sobre os quantitativos, gerando a emancipação dos
aprendizes.
A avaliação é um dos aspectos fundamentais do processo de ensino- aprendizagem,
visto que por meio dela se obtêm, entre outras informações importantes, o retorno e a reflexão
a respeito do investimento teórico e metodológico que se emprega em sala de aula. Na aula de
língua estrangeira, entre diferentes métodos, técnicas e abordagens de ensino, faz-se
necessário rever os critérios avaliativos, que devem estar coerentes com os objetivos
propostos, agregando qualidade ao ensino da língua ensinada.
1.1 APRESENTAÇÃO DA PESQUISA
A avaliação de línguas estrangeiras constitui uma subárea em proeminente
desenvolvimento para a Linguística Aplicada (SCARAMUCCI, 2009). Alguns linguistas
aplicados já nos precederam na tentativa de entender e contribuir com o processo avaliativo
de língua estrangeira, desvelando-nos desde seus aspectos de ordem psicológica, como as
crenças comuns a professores de língua inglesa a respeito da avaliação (FLAIN-FERREIRA,
2005; MAGALHÃES, 2006; SOUZA, 2007), aos de ordem prática, buscando entendimento
sobre a avaliação das habilidades pretendidas para a aprendizagem de idiomas, como a
1
Portaria n. 1033/2008/SEEC/RN.
15
avaliação de leitura em língua estrangeira (LE), enfocando os instrumentos avaliativos
empregados (ARAÚJO, 2006; SCARAMUCCI, 2009) e os testes, em especial os testes de
vestibular, considerados exames de alta relevância, bem como analisando a função da
avaliação enquanto instrumento de política social (SILVA, R., 2010).
Outros momentos do ato de avaliar também são pesquisados, como o feedback
avaliativo (OLIVEIRA, 2008) e a avaliação de materiais de ensino (RIBEIRO, 2008). Além
disso, existe um interesse científico em se aprofundar sobre as novas modalidades de
avaliação, como, por exemplo, a pesquisa sobre autoavaliação da aprendizagem de línguas a
distância, mediada pelo computador em um ambiente virtual de ensino (CAVALARI, 2009), a
autoavaliação presente nos livros didáticos de língua inglesa (LIMA, 2010; SILVA PAIVA,
2011) e a avaliação de LE segundo as teorias de letramento predominantes nas últimas
décadas (DUBOC, 2007). Essas pesquisas realizadas têm adicionado conhecimento a essa
subárea de pesquisa da Linguística Aplicada e suscitado novas perspectivas para a
investigação dessa temática.
A investigação que o presente trabalho de pesquisa considera pertinente a respeito da
avaliação da aprendizagem de língua inglesa se origina de um problema recorrente na sala de
aula: o discurso construído pelos estudantes a partir do resultado de suas avaliações finais, nas
quais, se eles são aprovados, atribuem a si mesmos a aprovação obtida, porém, quando são
reprovados, eximem-se da responsabilidade, atribuindo-a ao professor. Esse problema
observado nos faz querer saber como o estudante de EM se constrói ou se define enquanto
agente de seu processo avaliativo e que razões ou sugestões ele apresentaria para
corresponsabilizar-se pelos resultados de seu desempenho escolar. Outro interesse desta
pesquisa é o estudo das representações que os discentes atribuem aos instrumentos avaliativos
com os quais convivem, por entendermos que esse conhecimento nos fará compreender como
o uso de determinados instrumentos avaliativos podem contribuir ou não com o processo de
ensino-aprendizagem de língua inglesa. As representações passam a ser do interesse da
pesquisa por termos presenciado em sala de aula, durante uma semana de avaliação da escola
em que trabalhamos, um desenho produzido por um estudante no birô: a figura de uma bruxa
mexendo um caldeirão com uma seta apontada para o nome “prova”. Entendemos ser esse
desenho a representação do que para o estudante seria o instrumento avaliativo prova.
A investigação se passa na Escola Estadual Pedro II, uma instituição pública de ensino
médio que desenvolve em suas dependências a metodologia do programa Ensino Médio
Inovador (EMI), uma nova modalidade para a educação básica, proposta pelo Ministério da
Educação, a qual se encontra ainda em fase de experimentação em algumas escolas do país.
16
Na proposta desenvolvida para o EMI, os estudantes têm espaço opinativo e contributivo
durante as reuniões e atividades escolares, como os planejamentos pedagógicos e as reuniões
de pais e mestres, além de terem sua participação assegurada em seminários e eventos
voltados ao público do EMI.
A metodologia do EMI defende que o estudante seja um sujeito autônomo em sua
aprendizagem e que na escola desenvolva o seu papel de agente de transformação (BRASIL,
2009). Assim sendo, para elucidarmos o problema observado na escola, buscamos consultar
os estudantes para compreendermos a postura adotada por eles em face de seus resultados e
suas representações, apontando suas predileções e apreensões quanto a determinados
instrumentos avaliativos.
1.2 QUESTÕES E OBJETIVOS DA PESQUISA
Para se chegar ao entendimento pretendido, algumas indagações puderam ser arguidas
e respondidas pela investigação desta pesquisa:
1. Como se caracteriza a avaliação de língua estrangeira em uma escola pública do
ensino médio, considerando os instrumentos avaliativos utilizados pelos
professores, a participação e a reação dos estudantes a esses instrumentos?
2. Que contribuições o estudante do EM pode agregar ao seu processo avaliativo de
língua inglesa?
3. Que procedimentos didáticos poderemos desenvolver para que o estudante do EM
sinta-se participante na construção de seu processo avaliativo e corresponsável
pelos seus resultados?
Em busca de respostas que contemplem essas perguntas, procuramos, por meio de uma
pesquisa ação de abordagem qualitativa, desenvolver os objetivos propostos à realização deste
estudo, os quais se seguem:
OBJETIVO GERAL
Produzir conhecimento sobre o processo de avaliação desenvolvido nas aulas
de língua inglesa a partir das contribuições dos estudantes da segunda série de uma
escola pública de ensino médio de Lajes-RN.
17
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
1. Diagnosticar e caracterizar o processo avaliativo de língua inglesa da
escola pesquisada, identificando as representações que os discentes
atribuem à avaliação;
2. Implementar os instrumentos avaliativos sugeridos pelos estudantes para a
realização da avaliação da aprendizagem de língua inglesa;
3. Refletir sobre a participação discente na construção do processo avaliativo
de língua inglesa.
A pesquisa foi conduzida inicialmente com as fundamentações teóricas que dialogam
com os subtemas que compõem este trabalho, discutindo, entre outros, a avaliação do ensinoaprendizagem de língua inglesa no ensino médio e a avaliação qualitativa como uma proposta
para se avaliar a língua inglesa, passando por um estudo dos instrumentos avaliativos e da
participação do estudante enquanto coconstrutor de seu processo avaliativo e ainda analisando
as representações dos estudantes pesquisados sobre os instrumentos avaliativos.
Apresentamos os resultados obtidos pela pesquisa detendo-nos no processo avaliativo
construído a partir das contribuições propostas pelos estudantes do EMI, ao se aplicar em sala
de aula as sugestões feitas pelos discentes, bem como analisando os efeitos destas no processo
de ensino-aprendizagem de língua inglesa.
Finalmente, tecemos nossas considerações finais refletindo sobre as mudanças
ocasionadas pela pesquisa e a compreensão obtida acerca do que nos propomos a investigar,
apontando perspectivas de aplicação dos conhecimentos construídos e apresentando sugestões
para futuros trabalhos de pesquisa na temática de avaliação em língua estrangeira.
18
2 REFERENCIAL TEÓRICO
______________________________________________________________________
A Linguística Aplicada (LA) desde seus primórdios focaliza o fenômeno da linguagem
(SIGNORINI; CAVALCANTI, 1998; ALMEIDA FILHO, 2008; MOTTA ROTH;
MARCUZZO, 2008; MOITA LOPES, 2009).
Os interesses da atual agenda de pesquisa da LA se ampliaram, em resposta às
exigências e aos anseios da contemporaneidade, mas seu foco permanece, sendo a linguagem
manifestada nas diversas práticas sociais inerentes ao ser humano, nas quais a linguagem tem
papel central e externo, ou seja, está em uso e depende de contextos para acontecer. A LA
procura contribuir com essas práticas ao imprimir-lhes legitimidade, através da criação da
inteligibilidade sobre elas (MOITA LOPES, 2009).
A Linguística Aplicada é uma área que “se ocupa da pesquisa sobre questões de
linguagem situadas na prática social” (ALMEIDA FILHO, 2008, p. 26). Devido à sua
natureza interdisciplinar, tem manifestado interesse, através dos seus pesquisadores, por temas
sociais que tratam ou fazem uso da linguagem, ainda que estes sejam discutidos em outras
áreas científicas do conhecimento, por isso é caracterizada como
Uma espécie de interface que avança por zonas fronteiriças de diferentes
disciplinas, não somente na área dos estudos da linguagem, como também na
da Psicologia, da Sociologia, da Antropologia, da Pedagogia, da Psicanálise,
entre outras (SIGNORINI, 1998, p. 89).
Essa caracterização que tem identificado as pesquisas desenvolvidas em LA é propícia
para justificarmos o nosso tema de pesquisa, que trata primordialmente da avaliação, assunto
por muito tempo vinculado aos estudos de outras ciências. Serão a esses estudos, portanto,
que nos remeteremos, quando se fizer necessário, porque concordamos com Moita Lopes
(2009, p. 19) que “Muitas das compreensões mais relevantes sobre a linguagem no mundo
atual, devido à chamada „virada linguística‟, podem vir de outros campos do conhecimento”.
A Linguística Aplicada é uma ciência aberta, articulada e articuladora. Ela busca as
respostas para suas indagações não apenas no aparato teórico da Linguística, mas também em
quaisquer outras áreas do conhecimento que tratem de assuntos do interesse da LA. Uma vez
que nossa pesquisa se insere em uma área que interessa a LA, que é o ensino e a
aprendizagem de língua inglesa, ao tratarmos do assunto avaliação, parte fundamental e
19
indissociável do processo de ensino-aprendizagem de qualquer componente curricular, ainda
necessitamos de contribuições que são peculiares a outras ciências.
De acordo com Cook (2003 apud MENEZES; SILVA; GOMES, 2009), o tema
avaliação é um assunto com que a LA se importa, pois o autor classifica-o na primeira área
geral do escopo da Linguística Aplicada sugerido por ele, que é Linguagem e Educação. A
esse respeito, também se posiciona Scaramucci (2009, p. 30):
Apesar de a avaliação em contextos de ensino-aprendizagem de línguas vir
merecendo uma atenção bastante grande nos últimos anos no cenário
internacional, constituindo-se uma subárea com desenvolvimentos
importantes para a área de Linguística Aplicada, podemos dizer que ainda
são escassos os estudos sobre avaliação em contextos de línguas no Brasil
quando comparados com outras temáticas. Quando se trata da avaliação da
leitura em inglês como língua estrangeira, as contribuições brasileiras são
ainda mais escassas, apesar do interesse pelo ensino dessa habilidade ter-se
renovado com a publicação dos PCN nos anos 1990.
Outros estudiosos da LA passaram a usar o termo educação linguística de forma a
abranger temáticas de pesquisa que sejam convenientes às duas áreas: Linguística e Educação.
Esse termo foi definido por Motta Roth e Marcuzzo (2008) como uma educação que acontece
de duas formas: sistemática e assistemática, para a qual tanto o professor quanto o estudante
precisam estar preparados, uma vez que a educação sistemática é aquela tida por formal, que
se dá no ambiente escolar, e a assistemática é a informal, que ocorre de maneira indireta,
sendo que ambas fazem uso das diferentes faces da linguagem em seus múltiplos contextos.
Ainda a respeito da educação linguística, temos nas palavras de Garcez (informação
verbal)
2
uma preocupação com a avaliação analisada a partir dessa perspectiva, ao
argumentar: “que se enfatize a reflexão acerca de procedimentos de avaliação, coerentes com
os propósitos da educação linguística”.
Ao refletirmos sobre as atuais práticas avaliativas desenvolvidas pelo Ministério da
Educação e Cultura (MEC), perceberemos que da educação básica ao ensino superior são
aplicadas avaliações, cujo instrumento principal refere-se a provas escritas, desenvolvidas
para diagnosticar, caracterizar, classificar e rotular a educação no Brasil. Em 2010, o destaque
avaliativo foi dado para as línguas estrangeiras, pela primeira vez incluídas nas provas do
ENEM, que a cada dia desponta como exame tão importante quanto o vestibular. Essas
constatações nos fazem considerar que as avaliações se constituem como uma atividade social
2
Parecer do professor doutor Pedro de Moraes Garcez em uma mesa redonda do I Simpósio Internacional de
Letras e Linguística, na Universidade Federal de Uberlândia, em novembro de 2006.
20
centralizada na linguagem, pois por meio delas serão definidas as novas posições sociais que
os educandos que a elas se submetem deverão ocupar, se nelas obtiverem êxito ou não.
Portanto, estando esta pesquisa justificadamente inserida na área da Linguística
Aplicada, nesta seção, apresentaremos os seus postulados teóricos, por meio da discussão dos
seguintes itens: 2.1 Avaliação do ensino-aprendizagem de língua inglesa no ensino médio; 2.2
Avaliação qualitativa como uma proposta para se avaliar a língua inglesa no Ensino Médio
Inovador;
2.3 Os instrumentos avaliativos e a avaliação; 2.4 O estudante enquanto
coconstrutor do processo avaliativo; e 2.5 Os instrumentos avaliativos representados por
imagens.
2.1 AVALIAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM DE LÍNGUA INGLESA NO ENSINO
MÉDIO
No ensino médio brasileiro, etapa final da educação básica, os conhecimentos dos
educandos são constantemente avaliados. Além das avaliações promovidas pelas instituições
de ensino das quais fazem parte, ainda tomam parte em avaliações nacionais, federais,
estaduais e municipais, dependendo da sua finalidade, haja vista que nessa etapa da educação,
de acordo com os documentos oficiais, o estudante deverá estar sendo preparado para a
cidadania, para a continuação dos seus estudos científicos e para o mercado de trabalho
(BRASIL, 2002).
Citamos como exemplo das diversas avaliações a que é submetido o estudante do
ensino médio uma avaliação realizada anualmente na escola pesquisada, entre os estudantes
que desejam ser selecionados para trabalharem como estagiários na agência local de um
estabelecimento comercial de crédito ou no cartório municipal. Nessa avaliação, geralmente,
além de terem seu histórico escolar examinado, os estudantes ainda se submetem a uma prova
escrita de produção argumentativa e a uma entrevista. Quanto menor o número de vagas
oferecido, mais rigorosos e numerosos são os critérios avaliativos, a fim de reduzir os
participantes da seleção proposta ao número ideal.
O interesse governamental em promover uma avaliação que melhor expresse os
conhecimentos e as aptidões dos estudantes secundaristas se faz notar pelo constante
investimento e incentivo nessa área. Em setembro de 2010, ano em que a avaliação da
aprendizagem foi tema recorrente e muito discutido em seminários e encontros pedagógicos
de professores, na esfera estadual, foram doados computadores portáteis (notebooks) aos
professores da rede pública estadual de ensino que se encontravam atuando em sala de aula,
21
pela Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte, por intermédio do projeto
denominado “Professor Conectado”. Acompanhando cada computador portátil, veio um termo
de compromisso orientando o educador a utilizar o equipamento recebido como ferramenta
avaliativa, em uma tentativa de promover mais agilidade aos registros diários feitos pelos
docentes.
Ponderamos que a razão pela qual se desencadeia um notável interesse, por parte das
esferas governamentais, pela melhoria do processo avaliativo de suas escolas pode estar
relacionada a uma autoavaliação governamental, já que pressupomos que o governo também
se sente avaliado mediante os resultados obtidos nas avaliações em que as escolas que se
encontram sob sua responsabilidade são submetidas. É sabido que os exames nacionais
realizados apresentam o perfil da educação de cada estado, fornecendo-lhes indicadores
(ainda que numéricos) para que possam se aprimorar cada vez mais.
Destacamos também que, sem uma avaliação qualitativa (e, ao usarmos esse termo,
pretendemos ressignificar o termo qualitativo para designar as formas de avaliar que não
tenham como finalidade somente a apresentação do grau de aferimento dos conhecimentos
estudantis de forma numérica e descontextualizada das situações de aprendizagem)
acontecendo no cotidiano das nossas salas de aulas, os resultados apresentados pelos exames
nacionais não trarão informações fidedignas da real situação em que se encontra a educação
pública.
O ensino médio de algumas cidades brasileiras está passando por um período de
mudanças, sendo desenvolvida em algumas escolas a modalidade Ensino Médio Inovador, a
qual está presente na escola em que desenvolvemos a pesquisa. Nessa nova modalidade, as
aulas acontecem em períodos semestrais, dividindo-se as disciplinas curriculares por blocos,
nos quais a carga horária de cada uma delas é duplicada. As aulas de inglês, por exemplo,
antes do EMI, eram duas por semana em cada classe da escola pesquisada, com a
implementação do EMI passaram a ser quatro aulas semanais. Algumas disciplinas são
concluídas ainda no primeiro semestre, enquanto outras são deixadas para o semestre
seguinte.
O EMI apresenta-se como um modelo adequado à educação básica em sua etapa final.
Em fase de adaptação e experimentação, visa o desenvolvimento de ações que provoquem
melhorias em todo o ensino médio não profissionalizante brasileiro, sendo suas
transformações desejáveis:
22
1. Superação das desigualdades de oportunidades educacionais; 2.
Universalização do acesso e permanência dos adolescentes de 15 a 17 anos
no ensino médio; 3. Consolidação da identidade desta etapa educacional,
considerando as especificidades desta etapa da educação e a diversidade de
interesses dos sujeitos; 4. Oferta de aprendizagem significativa para
adolescentes e jovens, priorizando a interlocução com as culturas juvenis
(BRASIL, 2009, p. 5)3.
Nessas perspectivas de transformação, o EMI demonstra a preocupação com os
interesses dos educandos e com a aprendizagem significativa deles, retomando de modo mais
claro esse posicionamento quando expressa que devemos “estimular a capacidade de aprender
do aluno, desenvolvendo o autodidatismo e autonomia dos estudantes” (BRASIL, 2009, p. 9).
A autonomia estudantil se reflete no momento em que os estudantes opinam nas
decisões a serem tomadas pela equipe escolar, uma característica presente no EMI, em que os
educandos se veem representados nas reuniões ordinárias da escola por lideranças escolhidas
democraticamente por eles, as quais têm presença assegurada em seminários e eventos
estaduais ou nacionais promovidos em prol do EMI.
O EMI permanece de acordo com os parâmetros e diretrizes nacionais para o ensino
médio, mesmo em fase de experimentação e construção. Observando esses documentos, no
que se refere ao ensino de idiomas, percebemos que o ensino médio reivindica o seu papel de
formador e se propõe a organizar seus cursos de línguas de forma útil e significativa, fazendo
com que os estudantes possam adquirir competências e habilidades na língua alvo.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM) é um
documento elaborado pelo MEC que propõe uma reorganização curricular para as diversas
áreas do conhecimento. No tocante à área de linguagens, os PCNEM apresentam
competências e habilidades linguísticas a serem desenvolvidas durante o ensino e a
aprendizagem das línguas estrangeiras. Essas competências e habilidades, por sua vez,
sugerem múltiplas formas de se avaliar a LE estudada, porque partem da representação e
comunicação, que envolvem: a) escolher o registro adequado à situação comunicativa
pretendida; b) fazer uso da coesão e da coerência nas produções orais e escritas; c) fazer uso
das estratégias verbais e não verbais durante a comunicação; d) ter acesso a informações e
outras culturas e grupos sociais; passam pela investigação e compreensão, que abrangem: a)
interpretação de expressões em razão de aspectos sociais e culturais; b) análise dos recursos
expressivos da linguagem verbal; e ainda se apoiam na contextualização sociocultural da
3
Documento criado conforme o Parecer CNE/CP n. 11/2009, que trata da proposta da experiência curricular
inovadora do ensino médio.
23
linguagem, que inclui: a) distinção das variáveis linguísticas e b) compreensão enunciativa
dos sujeitos (BRASIL, 2002, p. 153).
A despeito das competências e habilidades acima descritas, pressupomos que a
avaliação do ensino de LE no ensino médio ainda é realizada por meio de instrumentos
avaliativos que de certa maneira privilegiam algumas habilidades em detrimento de outras. De
acordo com Hadji (2009, p. 21), “Se uma „pedagogia da integração‟ dá ênfase às
competências que todo aluno deve dominar, a avaliação das aquisições deve ser focalizada
nas competências, que serão apreciadas em situações concretas e complexas”.
Entendemos que as competências e habilidades a serem desenvolvidas nas aulas de
língua estrangeira não podem contar com instrumentos avaliativos escolhidos e determinados
por apenas uma das partes do processo de ensino, para fornecer um retorno significativo aos
estudantes que precisam ser avaliados para progredirem em seu aprendizado, mas devem
estimular a autonomia estudantil, considerando ser o jovem educando o maior responsável
pelo desenvolvimento do seu saber:
Usar o envolvimento do aluno na avaliação como um espelho em que ele
veja seu crescimento [...] pode ser um poderoso meio de construir
autoconfiança. Alguns professores poderão indagar: “Essa não é tarefa do
professor? Isso não significa „facilitar‟ demais as coisas para o aluno?”
Segundo a concepção tradicional de avaliação, sim, porque ela tem como
objetivo dar nota e simplesmente aprovar ou reprovar o aluno (VILLAS
BOAS, 2008, p. 33).
Defendemos a ideia de que a avaliação está associada à aprendizagem. Assim sendo,
para que aconteça uma aprendizagem significativa, a avaliação dessa aprendizagem também
precisa oferecer significação ao processo. A avaliação adequada para o EMI pode ser aquela
que definimos como qualitativa, por ser construída em parceria entre educadores e educandos,
levando em consideração os seus interesses para que haja estímulos à sua aprendizagem, não
se limitando a aprovar e reprovar estudantes de forma mecânica, como pontuou Villas Boas
(2008).
O documento orientador para o EMI sinaliza como deve acontecer a avaliação da
aprendizagem, o que a nosso ver é uma das características da avaliação qualitativa:
“Avaliação da aprendizagem como processo formativo e permanente de reconhecimento de
saberes, competências, habilidades e atitudes” (BRASIL, 2009, p. 10). Na mesma página,
acrescenta que se deve “estimular a participação social dos jovens, como agentes de
transformação de suas escolas e de suas comunidades” (BRASIL, 2009, p. 10).
24
Opinamos que transformação na escola pressupõe rompimento com tradições
obsoletas, como, por exemplo, os sistemas avaliativos classificatórios e não atrativos,
separados do ato de ensinar, construídos de forma unilateral e, portanto, deficientes. A nosso
ver, avaliação não deve ser jamais um meio de limitação ou impedimento dos conhecimentos
do estudante, mas um veículo que apresse sua chegada a tais conhecimentos.
Conforme Almeida Filho (1993), a avaliação é um dos componentes fundamentais da
operação global de ensino de línguas, uma vez que o docente precisa dispor de meios que o
permitam saber se seus objetivos estão sendo atingidos no que se refere aos conteúdos
ensinados. Assim sendo, este estudo busca um melhor entendimento desses meios, que
interpretamos serem os instrumentos avaliativos utilizados pelo professor de língua inglesa.
Entendemos que o ensino de línguas não se resume unicamente à tarefa de dar aulas e
que a avaliação deve ser parte do processo de ensino-aprendizagem, não devendo, portanto,
ser tratada como parte desassociada deste, como se lidássemos com dois processos distintos,
em especial nos dias atuais, já que nas salas de aula das escolas se tornou um comportamento
recorrente dos aprendizes fazer algumas atividades somente mediante a garantia de que irão
obter “pontos” para a sua média.
A recorrência comportamental dos estudantes aponta para a necessidade de que o
professor (que ainda não o faz) deve aliar o ensino com a avaliação, sob pena de comprometer
a sua prática pedagógica. Se consideramos a avaliação como uma maneira constante de
aprimorar o processo de ensino, os “pontos” que tanto atraem os estudantes não precisam
aparecer de forma aleatória, sem um significado que os justifique nas atividades propostas
durante o momento de aprendizagem.
2.2 AVALIAÇÃO QUALITATIVA COMO UMA PROPOSTA PARA SE AVALIAR A
LÍNGUA INGLESA NO ENSINO MÉDIO INOVADOR
Ao tratarmos da avaliação qualitativa como proposta para se avaliar o ensino de inglês
no Ensino Médio Inovador, procuramos expressar uma ressignificação do termo qualitativo
para indicar a avaliação que, ao ser empregada, não faz uso apenas de dados quantitativos e
metodologias somativas, cujo produto é o saturado sistema de notas como medida de
conhecimentos, ao término do período avaliativo, “já que na busca por uma exatidão
excessiva, esquecem-se de dar conta da subjetividade presente em qualquer atividade da área
de ciências humanas” (CANAN, 1996, p. 21), mas que a preocupação com o desenvolvimento
seja tão relevante quanto o resultado, priorize os envolvidos no processo e seja suscetível a
mudanças e novas ideias que venham a contribuir com a aprendizagem.
25
Ao ressignificarmos a avaliação como qualitativa, baseamo-nos em definições como
as de Saul (1988 apud CANAN, 1996) e Demo (2008) e acrescentamos nosso próprio
entendimento do que seja essa avaliação, que prima pela qualidade da aprendizagem do
educando. Podemos dizer que ela contribui para a aprendizagem através do seu caráter
diagnóstico (LUCKESI, 2003), que identifica as carências e as potencialidades dos
estudantes, para que ambos, professor e aprendizes, dediquem-se a elas.
Por qualidade na avaliação, entendemos uma avaliação cíclica e contínua
(HOFFMAN, 2001) que vai servindo de reflexo às práticas de ensino, mostrando os avanços
da aprendizagem e contribuindo por meio de um retorno reflexivo que oportuniza ao
educando recuperar os seus conhecimentos a respeito de um conteúdo que não assimilou
completamente ou avançar para os conteúdos seguintes.
É uma avaliação que se preocupa igualmente com o processo e com o resultado do
ensino ministrado. Para o avaliador qualitativo, a importância que se dedica à quantidade de
estudantes que serão promovidos de uma série para outra é semelhante à importância devida
ao preparo, ou seja, os conhecimentos adquiridos que os estudantes estarão levando para a
série subsequente.
Podemos acrescentar que é uma avaliação que faz uso da combinação de diferentes
tipos de metodologias e instrumentos que podem ser escolhidos de acordo com o momento de
aprendizagem em que se encontra inserida, levando em consideração a opinião do discente a
esse respeito, por entender que não é um processo unilateral, cabível apenas ao professor.
A avaliação qualitativa acontece não para testar ou verificar se o estudante aprendeu,
mas para ajudá-lo a aprender. É uma etapa recorrente e não uma etapa conclusiva, durante o
ensino-aprendizagem. Seu resultado, mesmo que expresso em notas, norma padrão da maioria
das escolas públicas, ainda assim demonstra cuidado e interesse pelo desenvolvimento do
aprendiz.
Certamente, os dados quantitativos permanecerão ainda por muito tempo nas nossas
escolas, pois fazem parte da nossa cultura a testagem e a valoração. Demo (2008) observa que
não faz mal para a avaliação qualitativa a presença de dados quantitativos inevitáveis, como é
o caso das notas bimestrais. Porém, pelo fato de os dados quantitativos serem algumas vezes
inevitáveis, não quer dizer que eles sozinhos possam atestar todas as competências e
habilidades pretendidas para os estudantes.
Gostaríamos de exemplificar a posição assumida acima tomando como base a
pesquisa que desenvolvemos a respeito de avaliação de língua inglesa no ensino fundamental
(SILVA, 2007). Citamos como exemplo a situação de um estudante que, por não obter um
26
resultado numérico satisfatório, ficou com a sua nota abaixo da média numérica pretendida
para a disciplina e não conseguiu ser aprovado. Esse estudante já repetia a série por mais de
três anos consecutivos, chegando a constranger os professores e a si mesmo por já conhecer,
dentre outros procedimentos e recursos didáticos, os conteúdos que para seus colegas ainda
eram inéditos. Questionamo-nos se esse estudante, ao ser avaliado de outra forma, não
poderia demonstrar a qualidade (expressa pelos seus conhecimentos e competências)
necessária para estar na turma subsequente. Ao ser constantemente retido com base apenas
nos números de sua média anual, esse estudante sempre aparecerá como reprovado (portanto,
desqualificado), o que é ruim tanto para ele quanto para a escola.
Resultados como reprovação e evasão, tidos como negativos, fazem-nos refletir se
algo está errado, não apenas com o estudante que os apresenta ou desenvolve, mas também
com o processo de ensino-aprendizagem-avaliação, que apresenta deficiências. Se durante três
anos o estudante está exposto aos mesmos procedimentos, às mesmas metodologias, talvez até
às mesmas atividades dos anos anteriores, o que o impede de avançar? O que o limita?
Entendemos que o processo de recuperação de uma proposta de avaliação qualitativa,
quando se faz necessário acontecer, é promovido paralelamente ao ensino e é contínuo, por
tratar-se de uma avaliação apreciativa (PRESKILL; CATSAMBAS, 2006). O avaliador
qualitativo não pode conceber que a recuperação aconteça de forma isolada, em períodos
finais do curso prestado, separando o estudante que dela precisa dos seus demais colegas, de
forma talvez até discriminatória.
A avaliação qualitativa prioriza nos estudantes aspectos como: assiduidade,
pontualidade, comprometimento com os estudos, participação e responsabilidade (CANAN,
1996). O avaliador qualitativo geralmente se interessa em acompanhar os registros feitos nos
cadernos de seus estudantes, atribui pontos pela frequência e avalia indiretamente,
considerando o impacto psicológico das avaliações formais (SILVA, 2007).
A maneira de “corrigir” de um avaliador qualitativo deve ser peculiar, ao promover os
acertos, sem, no entanto, ignorar os erros, que devem ser apontados de maneira casual e
tratados como algo que faz parte da aprendizagem e não como sinal de falta de inteligência. O
discente deve sentir-se alertado e instigado a aprender com seus erros e não corrigido,
envergonhado e reprimido. De acordo com Carvalho (1997, p. 20, grifo do autor), “apontar
um erro ou inadequação não significa „podar a criatividade‟, nem decretar o fracasso.
Significa instrumentalizar os alunos para que adquiram uma capacidade que não podemos
pressupor que tenham”.
27
Um dos aspectos mais importantes dessa avaliação é o fato de ela não ser uma etapa
final, mas deve iniciar, acompanhar e concluir o trabalho do docente, sendo indispensável um
retorno ao estudante da avaliação feita por ele (correção), o qual não pode ser apenas
numérico (notas bimestrais), mas também reflexivo, revisando e ensinando ao discente a
melhor forma de corresponder ao que dele foi exigido nas atividades avaliativas empregadas,
de forma a habilitá-lo para o próximo conteúdo. Pellegrine (2003)4 observa:
Quem procura um médico está em busca de pelo menos duas coisas, um
diagnóstico e um remédio para seus males. Imagine sair do consultório
segurando nas mãos, em vez da receita, um boletim. Estado geral de saúde
nota 6, e ponto final. Doente nenhum se contentaria com isso. E os
estudantes que recebem apenas uma nota no final de um bimestre, será que
não se sentem igualmente insatisfeitos? Se a escola existe para ensinar, de
que vale uma avaliação que só confirma “a doença”, sem identificá-la ou
mostrar sua cura?
A partir dessa observação, deduzimos a atribuição que deve ter o retorno para os
estudantes, de forma a orientá-los na sua trajetória de aprendizes de uma língua estrangeira,
mostrando a “doença” do erro, mas também apontando a “cura” das possibilidades. Penna
Firme (2009, p. 46) nos alerta para termos o cuidado de não agredir a autoestima do estudante,
“confundindo seu desempenho com seu valor como pessoa”, ao justificar que o aprendiz pode
se sentir incapaz, improdutivo ou sem inteligência devido à expressão dos professores diante
de suas notas bimestrais. Para Carvalho (1997, p. 20, grifo do autor), os professores devem
estar cientes de que:
Não existimos para decretar fracassos, mas para promover aprendizagens. E
nesta tarefa, os erros, frutos das tentativas de operar com novos conceitos e
procedimentos, têm um papel fundamental, posto que a partir do seu exame
crítico desenvolve-se o discernimento.
O desempenho dos estudantes, o seu sucesso ou fracasso escolar, ainda tendo nas
notas bimestrais o seu principal indício, pode comprometer o desenvolvimento do
discernimento dos aprendizes sobre a função da avaliação. A demasiada preocupação com as
notas é um dos principais equívocos dos avaliadores, alimentado pela exigência dos pais dos
estudantes (quando estes são menores de idade) e pela competição em sala de aula entre os
próprios estudantes. A esse respeito, Hoffmann (2004, p. 45) afirma:
4
Revista Nova Escola, versão on-line (jan. 2003), sem indicação do número de página.
28
Considero que o reducionismo da avaliação à concepção de medida denuncia
uma consciência ingênua do educador no tratamento desse fenômeno, pois
ele não se aprofunda nas causas e consequências de tais fatos, cometendo
equívocos de maneira simplista. Ou seja, os educadores aceitam e reforçam o
velho e abusivo uso das notas, sem percebê-lo como um mecanismo
privilegiado de competição e seleção nas escolas. Ingenuamente ou
arbitrariamente, obstaculizam o projeto de vida de crianças e adolescentes
com base em décimos e centésimos. Preocupam-se sobremaneira em atribuir
nota 7 ou 7,5, enquanto relegam a último plano os sérios problemas de
aprendizagem.
A maneira peculiar de cada professor corrigir e expor os resultados da avaliação da
aprendizagem em sua disciplina poderá desencadear o empenho de seus estudantes ou até
mesmo a ausência deste. Um professor que apresenta um retorno punitivo aos seus estudantes
pode estar contribuindo para a inibição destes em situações futuras. Kuenthe (1978) observa
que a punição pode reduzir a participação estudantil em situações semelhantes àquela em que
o educando foi repreendido, por receio de ser repreendido outra vez. Carvalho (1997, p. 20)
defende que as correções de erros “devem ser sinais regulamentadores que levam o aluno a
criar seu próprio caminho”.
A correção ou o retorno é um dos momentos fundamentais de uma proposta de
avaliação qualitativa, o qual não pode ser negligenciado nem subornado, mas deve ser
amplamente discutido e refletido pelas duas partes do processo de ensino-aprendizagemavaliação, para, dessa forma, contribuir com a maneira de se atribuir valores conceituais e não
apenas numéricos à língua, estrangeira ou materna, posto que é língua. Além disso, não
podemos continuar avaliando uma matéria genuinamente interativa do mesmo modo que
avaliamos disciplinas memorizáveis ou lógicas. Assim, não devemos estar aqui somente para
observar e exercer os modelos avaliativos teóricos, mas também para dar especial atenção aos
que surgem na nossa prática.
Ainda podemos dizer que nessa avaliação que entendemos como qualitativa o
estudante e seu mestre são agentes construtores. As responsabilidades são divididas e o
contexto de aprendizagem é privilegiado, visando sempre o aprendizado a ser desenvolvido.
Sobre os aspectos qualitativos que desejamos que façam parte da avaliação da
aprendizagem, Demo (2008, p. 13) traz uma descrição propícia:
Na qualidade, não vale o maior, mas o melhor; não o extenso, mas o intenso;
não o violento, mas o envolvente; não a pressão, mas a impregnação.
Qualidade é de estilo cultural, mais que tecnológico; artístico, mais que
produtivo, lúdico mais que eficiente, sábio mais que científico.
29
Com essa definição, o autor expressa o que entendemos ser o objetivo de uma
avaliação qualitativa, que demanda atenção, sobretudo, ao desenvolvimento das
aprendizagens. Essa avaliação qualitativa é diagnóstica (LUCKESI, 2003), para identificar o
que prejudica o desempenho dos nossos aprendizes ou para preveni-los. Ela é também
formativa (BLOOM; HASTINGS; MADAUS, 1983 apud CANAN, 1996), pois vai se
renovando e intervindo quando é necessário ainda durante as fases do processo. Ela é contínua
(HOFFMAN, 2001), pois é cíclica e viva, é autoavaliativa (LEWKOWICZ; MOON, 1985
apud CANAN, 1996), porque seus participantes são agentes críticos que se conhecem e se
respeitam, e é apreciativa (PRESKILL; CATSAMBAS, 2006), porque sabe que seus objetivos
são altruístas, o que a torna uma avaliação autêntica (CONDEMARÍN; MEDINA, 2005).
Consideramos também que a avaliação é a investigação do resultado dos processos
metodológicos de ensino aplicados pelo professor, já que somos cientes de que na
investigação nada é feito ingenuamente, sem haver um envolvimento entre a intenção e a
execução. O professor quando está atribuindo valores não pode se manter indiferente aos
resultados obtidos, porque já se encontra envolvido por estar avaliando e por ter escolhido o
seu modo de avaliar. De acordo com Bakhtin (1981 apud MUSSALIM; BENTES, 2004, p.
325):
A atividade mental tende desde a origem para uma expressão externa
plenamente realizada [...] pode-se dizer que não é tanto a expressão que se
adapta ao nosso mundo interior, mas o nosso mundo interior que se adapta às
possibilidades de nossa expressão, aos seus caminhos e orientações
possíveis.
Depreendemos que o professor, conhecedor do seu público e das suas necessidades,
não se posiciona com neutralidade na escolha da avaliação que por ele será empregada. O
professor externa essa escolha, feita inicialmente em seu interior, quando: a) elege os
instrumentos avaliativos que lhe são familiares ou que ele considera peculiares à fase de
ensino em que se encontram; b) dispensa tratamento aos dados obtidos por intermédio desses
instrumentos.
Ainda sobre o processo avaliativo de opção teórica qualitativa, a atual portaria5 de
avaliação do estado do Rio Grande do Norte, no seu Artigo 3, in verbis, dispõe:
Art. 3 - A avaliação da aprendizagem escolar orientar-se-á por processo
diagnosticador, mediador e emancipador, devendo ser realizada de forma
5
Portaria n. 1033/2008/SEEC/RN.
30
contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os
quantitativos e dos resultados ao longo do período letivo sobre o exame
final.
Por sugerir que os aspectos qualitativos sobreponham-se aos quantitativos, além de
indicar modelos de avaliação (diagnóstica, contínua), essa portaria se mostra consoante com
os objetivos da pesquisa, haja vista que a avaliação “ganharia mais significado político e
pedagógico, mostrando-se coerente com a função formativa que dela se espera, se não fosse
discutida de modo isolado das demais categorias do trabalho escolar” (DE SORDI; LÜDKE,
2009, p. 13).
Em sua pesquisa sobre a avaliação de língua inglesa, a pesquisadora Duboc (2007), ao
construir seu objeto de pesquisa a partir das reflexões que fez sobre suas experiências
profissionais, lembrou-se de que, na escola em que trabalhava, o assunto avaliação era
negligenciado, quando não subornado, durante as capacitações e reuniões pedagógicas das
quais tomava parte. Até então, ela desconhecia as atribuições da avaliação no processo de
ensino, pois somente era solicitada a elaborar provas escritas quando se falava em avaliar.
Podemos nos questionar: se há tantas metodologias para o ensino de línguas, por que
não se pensar, através do conjunto professor-estudante, metodologias específicas para a
avaliação de línguas estrangeiras que se unam às demais categorias do trabalho escolar?
Canan (1996, p. 7) observa:
Todo modelo de avaliação contém orientações sobre como o professor avalia
seus estudantes e toma decisões a partir dos resultados obtidos. As decisões
realizadas pelo professor representam determinadas formas de concepção do
mundo, do indivíduo e da sociedade, fazendo-se necessária, portanto, uma
análise dos pressupostos subjacentes às modalidades de ação educativa.
Os modelos avaliativos de que dispomos e usamos refletem a nossa cultura avaliativa
enquanto docentes. Por estarmos tratando de uma avaliação de linguagem, esta deve
considerar todos os aspectos linguisticamente possíveis, atribuindo-lhes valores, não apenas
numéricos, mas antes de tudo sociais, no intuito de buscarmos a certificação de que está
havendo a aprendizagem da língua ensinada, em todas as estruturas que são necessárias ao seu
aprendizado, uma vez que as competências linguísticas que se esperam ao se aprender uma
LE são diversificadas. Sobre avaliação de linguagem, Bronckart (1999, p. 45) nos atesta:
Na medida em que é uma forma autonomizada de atividade social, a
atividade de linguagem torna-se objeto de uma avaliação análoga, mas
apresentando, dessa vez, um caráter metadiscursivo [meta-langagier]. Essa
31
avaliação provoca, de um lado, um recorte da atividade de linguagem, em
porções que podem ser imputáveis a um ser humano particular (ponto de
vista externo), e a apropriação dos critérios dessa avaliação pelo organismo
falante dota-o de uma representação sobre si mesmo como “responsável pelo
seu dizer” (ponto de vista interno). Do mesmo modo que as avaliações da
atividade não semiotizada produzem ações não verbais, as avaliações
metadiscursivas [méta-langagières], portanto, produzem ações específicas,
ou ações de linguagem, atribuíveis a agentes verbais.
Entendemos que a avaliação é primariamente linguística porque começa em uma
situação em que se faz necessário o uso da linguagem. Não se avalia sem se fazer uso de pelo
menos um tipo de linguagem, pois a verbalização, as imagens e os enunciados avaliativos se
valem dela para se constituírem.
A linguagem é por si mesma comunicativa, expressiva, dinâmica, sensível e plural. Ela
não pode se acomodar com uma avaliação prioritariamente exata e singular, escolhida e
aplicada por só uma das partes do processo avaliativo, mas requer uma avaliação que
provoque ações representativas e responsáveis, portanto, específicas para ambas as partes
envolvidas.
A avaliação qualitativa se faz necessária no processo de ensino-aprendizagem de
língua inglesa no ensino médio por esta ser uma modalidade de ensino vinculada à educação
básica há pouco mais de uma década, motivo pelo qual se encontra ainda em fase de
construção, permitindo que os estudantes possam participar de forma mais ativa, construtiva e
dinâmica do seu processo de aprendizagem. Se concebermos a avaliação como promotora da
aprendizagem, através da variedade e finalidade dos seus instrumentos, da aplicação e do
retorno reflexivo desses instrumentos, mudar as decisões quanto às formas de avaliar pode,
sim, mudar o processo de ensino e, consequentemente, a aprendizagem dos envolvidos.
2.3 A AVALIAÇÃO E OS INSTRUMENTOS AVALIATIVOS
A avaliação escolar acontece a partir de instrumentos, também designados de
ferramentas ou meios avaliativos. São esses instrumentos que caracterizam a avaliação que os
emprega, conferindo-lhe identidade.
Ao optar por um instrumento na hora de avaliar, o professor não o faz de maneira
casual ou ingênua. O professor escolhe porque, de antemão, sabe o que pretende obter com
aquela escolha. Assim como seleciona técnicas de ensino, opta por instrumentos para aplicar
32
tais técnicas. Vamos nos deter aos instrumentos avaliativos entendendo que eles são meios
através dos quais o professor identificará como está a aprendizagem dos estudantes. De
acordo com o Artigo 4 da portaria n. 1033/2008/SEEC/RN, in verbis:
Serão considerados instrumentos de avaliação da aprendizagem os trabalhos
teóricos e práticos, aplicados individualmente e em grupo, testes, provas,
relatórios, pesquisas, sínteses, exposições orais, entre outros adequados ao
componente curricular, que permitam avaliar o desempenho do estudante.
Os instrumentos de avaliação descritos, aos quais a portaria acrescenta que também
podem ser outros não citados, desde que adequados ao componente curricular, geralmente são
escolhidos apenas pelos professores, que, por vezes, reproduzem os instrumentos a que foram
submetidos em suas épocas de estudantes. Conforme Luckesi (2011, p. 220):
Em nossa experiência escolar, não tivemos oportunidade de aprender outra
forma de acompanhar a aprendizagem dos educandos que não fosse os
exames escolares, pois a eles fomos submetidos durante os anos sucessivos
de nossa escolaridade. Se não fomos traumatizados, acostumamo-nos a esse
modo de agir como se fosse o único. Hoje como educadores, no momento da
necessidade, repetimos a solução que fora praticada conosco.
Destarte, a escolha de um instrumento avaliativo é um gesto imbuído de intenções
previamente pretendidas para o momento do avaliar. O que determina as escolhas dos meios
avaliativos acaba por caracterizar também a avaliação aplicada pelo docente. A atitude de nos
atermos a reproduções de modelos avaliativos antigos pode justificar a pouca evolução das
maneiras de se avaliar na escola e nos faz buscar o diferente no ato avaliativo.
Também podemos dizer que os instrumentos formam conceitos sobre a avaliação e
podem fomentar crenças, como, por exemplo, o julgamento de se determinada avaliação é
difícil ou fácil. Eles também podem ser escolhidos por motivações diversificadas, tais como a
praticidade de empregá-los ou corrigi-los, por parte do docente, ou a forma como vão ser
resolvidos por parte dos aprendizes.
Outra característica que deve ser considerada na escolha de uma ferramenta avaliativa
pode ser atribuída à portaria de avaliação da escola, pois existem aquelas que determinam
como devem ser avaliados os conhecimentos dos seus estudantes e a não observância das
determinações, que podem trazer consequências indesejadas para o professor que assim
proceder.
33
Podemos entender a relação entre os instrumentos e seus usos acompanhando as
palavras de Vygotsky (1998, p. 69), ao nos esclarecer:
A questão principal quanto ao processo da formação de conceitos – ou
quanto a qualquer atividade dirigida para um objetivo – é a questão dos
meios pelo qual essa operação é realizada. Quando se afirma, por exemplo,
que o trabalho é induzido pelas necessidades humanas, esta explicação não é
suficiente. Devemos considerar também o uso de instrumentos, a
mobilização dos meios apropriados, sem os quais o trabalho não poderia ser
realizado.
Nossa intenção é analisar os meios avaliativos que o professor de língua inglesa do
ensino médio utiliza em suas aulas para acompanhar a aprendizagem dos seus educandos, por
entender que sem eles a avaliação não seria realizada. Compreendemos que, por intermédio
dos instrumentos, podemos conceituar a avaliação aplicada e dimensionar o seu impacto nos
estudantes, já que nos parece impraticável discutirmos avaliação separadamente dos seus
instrumentos de verificação (HOFFMANN, 2004). Além disso, temos a possibilidade de
apontar as categorias que norteiam esses meios de verificação, uma vez que se conduzem para
uma análise, que expõe o desempenho que se espera do estudante.
Sobre o uso de instrumentos avaliativos pelos professores, Sant‟anna (2002) alerta que
o docente deve utilizá-los de forma a promover a interação ativa entre o estudante e a
aprendizagem. Já Polato (2009) defende o uso deles no diagnóstico avaliativo cotidiano,
podendo contemplar outros instrumentos possíveis, como seminário, debate, relatório e
observação.
Para relacionarmos os instrumentos com os tipos de avaliação empreendidos,
procuramos nos remeter às três classificações clássicas da avaliação: diagnóstica, formativa e
somativa, reproduzindo, de forma adaptada para esta dissertação, a figura criada por
Sant‟anna (2002, p. 38), que ilustra, em seu livro Por que avaliar? Como avaliar? Critérios e
instrumentos, as funções da avaliação.
34
Propósitos
Diagnóstica
Formativa
Classificatória (Somativa)
Determinar a presença ou a
Informar professor e estudante
Classificar os estudantes ao
ausência de habilidades e/ou
sobre
pré-requisitos.
aprendizagem
Identificar
repetidas
as
o
rendimento
da
fim de um semestre, ano ou
durante
o
curso, segundo níveis de
causas
de
desenvolvimento das atividades
dificuldades
na
escolares.
aprendizagem.
Localizar
deficiências
aproveitamento.
na
organização do ensino, de modo
a possibilitar reformulações no
mesmo e aplicações de técnicas
de recuperação do educando.
Objetos
de
medida
Comportamento cognitivo e
Comportamento
cognitivo,
psicomotor.
afetivo e psicomotor.
Geralmente comportamento
cognitivo,
às
vezes,
comportamento psicomotor
e,
ocasionalmente,
comportamento afetivo.
No início do ano letivo ou
Época
Durante o ensino.
curso. Durante o ensino,
quando
o
Ao final de um semestre,
ano letivo ou curso.
estudante
evidencia incapacidade em
seu desempenho escolar.
Instrumentos
Pré-teste,
Teste
Instrumentos
padronizado
de
rendimento,
especificamente
Exame, prova ou teste final.
planejados de acordo com os
objetivos propostos.
Teste diagnóstico,
Ficha de observação,
Instrumento
elaborado/
escolhido pelo professor.
Figura 16 – Representação das funções da avaliação
Fonte: Adaptado de Sant‟anna (2002).
Nessa figura, percebemos que na avaliação diagnóstica há um espaço, sugerido pela
autora Sant‟anna (2002), no qual pode haver instrumentos elaborados (ao que acrescentamos a
palavra escolhidos) pelo professor, que devem ser usados no início e durante o período de
ensino, enquanto que na avaliação formativa, os instrumentos são planejados de acordo com
os objetivos que surgem durante o ensino. A avaliação somativa, descrita pela autora como
classificatória, determina que seus instrumentos devem ser utilizados ao final do período de
6
Essa figura sofreu alterações pela pesquisadora.
35
ensino, fazendo uso de exames, provas ou testes. Por ser um dos tipos de avaliação mais
utilizados, é comum se confundir “avaliação” com “exames”. Nas escolas, por exemplo, ao se
determinar a semana de avaliação, está se determinando, na realidade, um período para a
aplicação de exames de diferentes disciplinas:
A avaliação até hoje está ligada a prova, notas, aprovação e reprovação. O
discurso pode até apresentar seu objetivo como sendo o de promover a
aprendizagem do aluno, mas ainda não é comum essa prática, daí a
necessidade de ampliação de estudos que ajudem professores e alunos a
construir outra lógica de avaliação (VILLAS BOAS, 2008, p. 10).
Fazer uso ou privilegiar apenas um método de avaliação mostra-se, para nós, uma
maneira deficiente de se promover a aprendizagem de idiomas, pois entendemos que uma
única metodologia avaliativa não serve de suporte à amplitude do processo de internalização
de uma língua estrangeira, por dar conta apenas de uma das muitas competências
comunicativas que se esperam atualmente com o ensino de idiomas. Tomando como exemplo
a avaliação somativa, ao limitar suas ferramentas às provas e aos testes, essa avaliação
somente servirá para avaliar competências relacionadas com a leitura e com a escrita da
língua estrangeira que se está lecionando.
Nenhuma das três avaliações contempladas na figura acima apresenta a possibilidade
de seus instrumentos serem escolhidos ou ao menos sugeridos pelos estudantes, apesar de
terem seus propósitos claramente voltados para eles. Isso nos faz perceber que, apesar de a
expressão “a escola é a segunda casa dos estudantes” ter se tornado lugar-comum nas falas
relacionadas à educação, na “casa” que deveria ser dele o estudante é tratado apenas como um
visitante que se encontra ali para comportar-se conforme regras preestabelecidas. Como
alguém está em sua casa e não pode tomar nenhuma decisão para com os assuntos que lhe
dizem respeito?
Por não ser consultado a respeito da avaliação a que é submetido, o estudante fica
vulnerável a julgamentos que caracterizam e determinam o seu grau de inteligência. Para
Sant‟anna (2002, p. 17), “Tudo na vida é avaliado, consciente ou inconscientemente; o perigo
está em que os parâmetros sejam estabelecidos por terceiros, e não pelo próprio interessado”.
Em uma pesquisa voltada para a avaliação no âmbito do ensino fundamental, Silva
(2007) identificou os seguintes instrumentos avaliativos utilizados pelos professores de língua
inglesa: prova escrita, prova oral, teste escrito, atividade de listening, atividades de leitura e
interpretação de textos, trabalhos de pesquisa feitos em grupo e atividades de produção
textual.
36
Os instrumentos, suas escolhas, objetivos, usos e frequências eram sempre
determinados pelo professor daquelas escolas pesquisadas, sendo o estudante convocado a
participar do seu processo avaliativo apenas quando respondia à ferramenta que lhe era
orientada.
Estamos atualmente diante de uma variedade de novos instrumentos que antes eram
mais concebidos como ferramentas de ensino e hoje passaram a ser usados para fins
avaliativos, como, por exemplo, os seminários e as apresentações de trabalhos, os relatórios e
as tarefas de pesquisa, além de instrumentos relativamente novos, como o portfólio.
Percebemos, com isso, que a dinamização do processo avaliativo tem sofrido mudanças e
novas definições têm surgido para designar as avaliações que se originam do uso ou desuso de
alguns instrumentos, como é o caso da avaliação qualitativa, tal como a concebemos, por
conter nela inserida as demais avaliações e por tratar de todos os aspectos relacionados à
formação e ao desenvolvimento dos saberes estudantis, através do uso de diversas ferramentas
avaliativas.
2.4 O ESTUDANTE ENQUANTO COCONSTRUTOR DO PROCESSO AVALIATIVO
A tentativa de incluir os estudantes como responsáveis no processo do ensinoaprendizagem não é atual, mas ainda acontece de forma gradativa. Uma das diretrizes
propostas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) no seu Artigo 36, que
reaparece nos PCNEM, trata do currículo do EM e nos diz que ele “adotará metodologias de
ensino e de avaliação que estimulem a iniciativa dos estudantes” (BRASIL, 2002, p. 46-69),
desfazendo, assim, o paradigma de que a avaliação deve ser elaborada somente pelo professor
e ampliando o papel participativo-ativo do estudante na construção desse processo, antes
resumido numa função de participante-passivo, apenas aceitando e respondendo de acordo
com a avaliação que lhe era imposta.
Não obstante as diretrizes e os estudos voltados ao tema avaliação, os avanços nessa
área ainda acontecem de forma lenta e a contribuição do estudante praticamente inexiste, o
que deveria ser mais estimulado, pois surte resultados positivos, como observou Canan (1996,
p. 30). Segundo a autora, os estudantes envolvidos no processo avaliativo “se sentem
responsáveis pelo processo de avaliação, tornando-se conscientes dos critérios usados,
capazes de participar do desenvolvimento de critérios próprios e se tornando mais
independentes dos resultados”.
37
A avaliação que é conduzida somente pelo professor é caracterizada como
conservadora por Luckesi (2003, p. 28), que assim a define:
Estando a atual prática da avaliação educacional escolar a serviço de um
entendimento teórico conservador da sociedade e da educação, para propor o
rompimento dos seus limites, que é o que procuramos fazer, temos de
necessariamente situá-la num outro contexto pedagógico, ou seja, temos de,
opostamente, colocar a avaliação escolar a serviço de uma pedagogia que
entenda e esteja preocupada com a educação como mecanismo de
transformação social.
A transformação social mencionada por Luckesi (2003) é característica do processo
avaliativo, se considerarmos que somos avaliados e avaliamos constantemente e que são essas
avaliações rotineiras que influenciam e modificam nossas vidas sociais.
De acordo com Sant‟anna (2002, p. 33):
Afirma-se que o educando é o sujeito, e não o objeto da ação educativa; no
entanto ele próprio não participa do processo de sua avaliação, apenas
recebe, direta ou indiretamente, o resultado de sua vitória ou fracasso. É lhe
comunicada apenas a sentença final.
A “sentença final” muitas vezes é a nota bimestral que o estudante recebe de forma
descontextualizada da sua aprendizagem. Sendo uma nota satisfatória, ele não questiona,
aceita, não discute. Sendo, porém, uma nota ameaçadora, ou seja, que ponha em risco sua
promoção para a série seguinte, logo vem ele e mais alguns “advogados providenciais” saber
do professor o motivo da “sentença”.
Observa-se uma certa apatia dos envolvidos, que parecem não reagir, de
modo proativo, à situação. A tendência é que a força dinamogênica da
avaliação ceda lugar à aceitação/negação pura e simples da medida
informada, mesmo quando esta não leva em conta os fatores associados.
Constrói-se uma cultura de indiferença aos dados de avaliação, e, por outro
lado, presencia-se uma certa idolatria das notas boas, que passam a orientar a
escola a buscá-las, mesmo que discursivamente contestem seu valor, sua
exatidão ou suas formas de obtenção (DE SORDI; LÜDKE, 2009, p. 19).
Ponderamos que tanto a apatia quanto a idolatria acima descritas são resultados de
uma avaliação que permanece ainda muito restrita ao professor que a aplica. Sendo o
professor que escolhe os instrumentos, determina os períodos em que a avaliação deve
acontecer, decide a quantidade de pontos de cada quesito e corrige-os, não será mesmo o
38
culpado? Quer dizer, não está se colocando na posição de culpado, a quem familiares e
estudantes devem tomar satisfações quando não alcançam os resultados desejados?
A busca pela participação dos estudantes em um processo avaliativo interativo é
defendida por Sant‟anna (2002, p. 27), que afirma:
A avaliação só será eficiente e eficaz se ocorrer de forma interativa entre
professor e aluno, ambos caminhando na mesma direção, em busca dos
mesmos objetivos. O aluno não será um indivíduo passivo; e o professor, a
autoridade que decide o que o aluno precisa e deve saber. O professor não irá
apresentar verdades, mas com o aluno, irá investigar, problematizar,
descortinar horizontes, e juntos avaliarão o sucesso das novas descobertas e
pelos erros, as melhores alternativas para superá-los.
A avaliação que permanece sendo conduzida de forma unilateral, sem a participação
discente, é constantemente acompanhada de um período de tensão com muitos equívocos
devido a esta. Professores têm tomado posições extremistas de aprovadores ou reprovadores
em massa, negligenciado o saber que pertence ou deveria pertencer ao educando. De Sordi e
Lüdke (2009, p. 14) afirmam: “não basta que os alunos não sejam reprovados na escola.
Importa que aprendam para que possam ocupar um lugar na sociedade e nela atuar como
sujeitos históricos”. É necessário denunciar a aprovação ou reprovação advindas de uma
avaliação que responde a períodos de tensão ou modismos educacionais, pouco contribuindo
para a aprendizagem e não permitindo que os seus sujeitos atuem socialmente. Sobre a
atuação dos estudantes em assuntos de cunho educacional, vemos:
É inconcebível falar em informação crítica, consciente, para a cidadania se
os sujeitos dessa formação, ou seja, os estudantes, ainda continuam sendo
convocados para ocuparem a posição de meros expectadores, de receptores
de informações e das decisões repassadas, transmitidas pelos mais
experientes, por aqueles considerados aptos a se pronunciarem. Ou, em
alguns casos, são convocados para fazerem figuração em processos ditos
democráticos, ou seja, são apenas inseridos, mas não participam de fato, pois
sua voz não tem credibilidade, não é considerada significativa (PEREIRA,
2009, p. 203).
Os estudantes ainda são figurantes em boa parte dos assuntos escolares que
diretamente lhes dizem respeito. Então, como resolver esse problema? Como fazer com que
os aprendizes se engajem em sua aprendizagem, corresponsabilizando-se por ela?
Antes da tomada de decisões que envolvam os estudantes, os professores devem se
conscientizar de que “é preciso compreender quem é o educando e como ele se expressa, a
39
fim de, consequentemente, definir como atuar com ele para auxiliá-lo em seu processo de
autoconstrução” (LUCKESI, 2011, p. 29).
Estamos vivenciando uma época em que a educação não pode mais tentar “enformar”
seus estudantes, achando que todos têm os mesmos estilos de aprendizagem, da mesma
maneira que têm os mesmos uniformes escolares. Vivemos em tempos de inteligências
múltiplas (GARDNER, 1993) e diversos saberes (MORIN, 2000), portanto, há diversidade na
aprendizagem.
No âmbito universitário, diferentes metodologias de ensino são apresentadas aos
futuros professores que tencionam lecionar o idioma inglês, em suas aulas de didática de
línguas estrangeiras, sendo que a esses futuros profissionais é facultada a oportunidade de
fazer uso de diversas dessas metodologias, também conhecidas por métodos ou abordagens.
Inferimos que a variedade de abordagens apresentadas pelos livros de didática (LARSENFREEMAN, 2000) contempla as diferentes necessidades de aprendizagem dos estudantes,
cujo desenvolvimento poderia ser prejudicado se fossem ensinados com apenas uma das
abordagens previamente escolhidas, em vez de fazer uso do conjunto. Deveríamos
desenvolver o mesmo princípio do ensino de línguas para a avaliação da aprendizagem dessa
disciplina, evitando tratar todos os educandos por igual, ao avaliá-los sempre com o mesmo
instrumento.
Ao compreender quem é seu educando, o professor poderá atuar por meio de
instrumentos avaliativos que façam o estudante vencer seus desafios de aprendizagem. O
professor somente irá compreender seu aprendiz no momento em que lhe ceder espaço na
participação de assuntos escolares que são do interesse de ambos.
Ceder espaço ao educando é uma maneira de conhecê-lo melhor. É dar-lhe a
oportunidade de expressar como aprende e, consequentemente, como é mais bem avaliado. O
instrumento de avaliação não pode ser alheio às técnicas de ensino que provocaram a
aprendizagem. “É preciso ressaltar, no entanto, que a avaliação da aprendizagem precisa ser
coerente com a forma de ensinar” (MORETO, 2007, p. 87). Para ilustrarmos uma avaliação
incoerente com a prática de ensino, remetemo-nos à pesquisa de Silva (2007), na qual a
pesquisadora observou um professor que ensinava de um jeito e avaliava de outro, o que
sempre provocava notas perdidas e baixas nos estudantes e gerava uma situação confusa,
porque na hora da aula eles pareciam saber dos conteúdos, mas na hora da avaliação os
“desaprendiam”. Ao prosseguirmos com a investigação, constatamos que essa atitude docente
condizia com uma crença comum ao professor e aos aprendizes deste de que as avaliações
difíceis provocavam o respeito pelo professor.
40
No ambiente escolar, em que o ato de avaliar se evidencia constantemente, devemos
“fazer da avaliação um verdadeiro instrumento de pilotagem das aprendizagens”
(PERRENOUD, 2009, p. 10). Partindo do pressuposto de que o estudante percebe a avaliação
como um meio de obter nota para passar de série, é interessante saber como ele reage (e por
que reage) ao processo avaliativo a que se submete e buscar envolvê-lo na construção desse
processo, para que ele o compreenda melhor. “Para isso, é preciso desaprendermos o que
temos feito na prática avaliativa mais corrente, estimulando a criatividade no processo e
provocando maior satisfação nos envolvidos” (PENNA FIRME, 2009, p. 47, grifo nosso).
Seria essa criatividade, proveniente do diálogo entre educador e educandos, o diferencial
necessário que estaria nos faltando para construirmos sistemas avaliativos mais inteligíveis?
2.5 OS INSTRUMENTOS AVALIATIVOS REPRESENTADOS POR IMAGENS
Ao fazermos uso de imagens para expressarmos o que pensamos a respeito de algo,
logo nos reportamos aos nossos ancestrais, os homens primitivos que fizeram dos seus
desenhos a primeira forma de linguagem escrita que conhecemos. Essa escrita simbólica se
fez tão compreensível que é possível ao homem moderno, através da observação dos símbolos
antigos, dar um significado àquelas situações toscamente representadas por desenhos.
A imagem é importante, entre outros argumentos, porque precede a fala, bastando para
compreendermos isso nos remetermos a um infante, que, antes de pronunciar uma palavra, já
terá visto inúmeras imagens, devendo, ao começar a falar, relacionar sua fala aos objetos cujas
imagens já estão tão familiares em sua mente.
De acordo com os autores Santaella e Nöth (2008, p. 15):
O mundo das imagens se divide em dois domínios. O primeiro é o domínio
das imagens como representações visuais: desenhos, pinturas, gravuras,
fotografias e as imagens cinematográficas, televisivas, holo e infográficas
pertencem a esse domínio. O segundo é o domínio imaterial das imagens na
nossa mente. Neste domínio, imagens aparecem como visões, fantasias,
imaginações, esquemas, modelos ou, em geral, como representações
mentais. Ambos os domínios da imagem não existem separados, pois estão
inextricavelmente ligados já na sua gênese. Não há imagens como
representações visuais que não tenham surgido de imagens na mente
daqueles que as produziram, do mesmo modo que não há imagens mentais
que não tenham alguma origem no mundo concreto dos objetos visuais.
41
Ao longo do percurso da pesquisa empreendida, quando esta ainda era um rascunho de
projeto de pesquisa, percebemos que a mídia impressa brasileira, ao se referir ao tema
avaliação, por meio de revistas e publicações voltadas aos educadores, agregava a esse tema
alguma imagem de cunho negativo, como, por exemplo, um nó, um dragão, uma caixa preta,
entre outros. Como exemplo, escolhemos uma imagem que foi capa da revista educativa
Pátio, representando a avaliação com a figura de um nó.
Figura 2 – Capa da revista pedagógica Pátio
Fonte: revista pedagógica Pátio, de maio/julho de 2009.
Imagens representativas, como essas, do que seria a avaliação para os autores e
editores das publicações voltadas para educadores nos instigaram a sabermos dos estudantes o
que eles teriam a expressar, em outra forma de linguagem que diferisse da escrita e da verbal,
sobre o que entendiam ser a avaliação empregada pelos seus professores de língua inglesa.
Ao nos interessarmos por incluir nesta pesquisa as representações imagéticas
(GOODMAN, 1968 apud SANTAELLA; NÖTH, 2008) construídas pelos estudantes,
relacionadas ao tema avaliação, a partir do que estes concebem como representativo sobre os
meios pelos quais são avaliados, entendemos, como Goodman (1968 apud SANTAELLA;
NÖTH, 2008, p. 19), que as “representações são imagens que têm aproximadamente o mesmo
tipo de função que descrições”. Ao vermos uma imagem, esta serve para nos fazer
compreender as intenções do seu produtor, pois se trata de uma descrição do pensamento
expressada por outra forma de linguagem, carente de interpretação, como qualquer outro
texto.
Para fundamentar o estudo das representações imagéticas neste trabalho, remetemonos aos teóricos da Semiótica, entre outros. A Semiótica é descrita por Nöth (2003, p. 17)
42
como “a ciência dos signos e dos processos significativos (semiose) na natureza e na cultura”.
Pignatari (2004, p. 15) reforça esse conceito ao descrevê-la do seguinte modo:
A Semiótica ou Semiologia, pois, é a ciência ou Teoria Geral dos signos,
entendendo-se por signo [...] toda e qualquer coisa que substitua ou
represente outra, em certa medida e para certos efeitos. Ou melhor: toda e
qualquer coisa que se organize ou tenda a organizar-se sob a forma de
linguagem, verbal ou não, é objeto de estudo da Semiótica.
Ainda, para esse autor, “a Semiótica acaba de uma vez por todas com a ideia de que as
coisas só adquirem significado quando traduzidas sob a forma de palavras” (PIGNATARI,
2004, p. 20), considerando, portanto, as outras formas de linguagem, como a imagética. A
linguagem percebida nas imagens pode nos trazer conotações além das óbvias, mesmo que
essas imagens nos sejam familiares (JUNG, 2005). A partir desse esclarecimento,
apresentamos uma imagem que foi por nós encontrada em um birô, durante uma semana de
provas da escola pesquisada, na qual se vê uma bruxa7 mexendo um caldeirão cheio de um
líquido fumegante, sobreposto a uma fogueira acesa:
Figura 38 – Imagem desenhada por um estudante em uma semana de provas, na escola pesquisada, no
ano de 2007
Observando o desenho, podemos nos perguntar, enquanto pesquisadores, o que um
estudante que desenha em um birô de uma escola essa imagem gostaria de expressar.
Essa figura até poderia passar despercebida, como as inúmeras outras manifestações
estudantis que ocasionalmente encontramos nas paredes e carteiras escolares, se não estivesse
7
8
“Bruxa” foi o termo usado pelo estudante que produziu o desenho para descrever sua imagem.
Figura reproduzida em papel e cedida pelo estudante para esta pesquisa.
43
em um birô, exatamente na semana de provas de uma escola, onde inevitavelmente os
professores a veriam, trazendo acima do desenho uma seta nominando-a de prova.
O que gostaria de dizer o estudante ao conceber a prova como uma bruxa? Que prova
é algo maléfico? Que é um instrumento avaliativo poderoso? Que a semana de provas de sua
escola seria um período mágico? Que nas provas o seu desempenho é feio? Essas nossas
perguntas, a partir dos adjetivos em destaque, estão baseadas nos conceitos do que para nós
deve ser uma bruxa, pois fazem parte da nossa noção de percepção ao entrarmos em contato
com essa imagem, já que, de acordo com Derdik (1989), as noções de percepção e imagem se
comprometem para propiciar significados.
Porém, na imagem exposta, ainda estão implícitas as conotações específicas que são
particulares ao estudante que se expressou pelo desenho. O que elas poderiam nos dizer e em
que poderiam nos ajudar a melhorar a prova escrita, instrumento avaliativo tão utilizado e
aparentemente tão hostilizado por esse estudante?
Dos desenhos rupestres das antigas cavernas aos artefatos arqueológicos, que
variam desde joias reais a objetos do lar, de milhões de guerreiros chineses
de argila às atuais telas dos computadores, imagens e símbolos mostram a
riqueza e a complexidade da vida humana. A cognição humana muitas vezes
depende do uso de imagens e símbolos para representar ou substituir algo
diferente do que estes aparentam. Esta habilidade separa-nos de todas as
outras criaturas e tem capacitado a humanidade para transcender o espaço e
o tempo. A ciência faz grande uso de modelos, símbolos e sistemas
numéricos para avançar a nossa capacidade (WAKEFIELD;
UNDERWAGER, 1998, p. 176, tradução nossa)9.
A riqueza e a complexidade das imagens e dos símbolos podem elucidar questões que
muitas vezes se tornam difíceis de se expressar em palavras. Suponhamos que o estudante, na
semana de provas, esperasse seus professores e vociferasse que detesta provas, que provas lhe
são tão repugnantes como uma bruxa. Seria uma situação incomum, porém o estudante em
questão acabou dizendo muito mais do que quis, pois deixou aos que viram o seu desenho
múltiplas interpretações: “Nós usamos as imagens não apenas como representações do mundo
9
“From ancient cave drawings, to archeological artifacts ranging from royal jewelry to household objects, to
thousands of clay Chinese warriors, to today‟s computer screen, images and symbols show the richness and
complexity of human life. Human cognition often depends upon the use of images and symbols to represent or
stand for something other than itself. This ability separates us from all other creatures and has enabled humanity
to transcend space and time. Science makes great use of models, symbols and number systems to advance our
human capacity” (WAKEFIELD; UNDERWAGER, 1998, p. 176).
44
objetivo, mas também para comunicar nossos sentimentos mais profundos (PROSSER, 1998,
p. 1, tradução nossa)10.
A autora Hoffmann (2004), em seu livro Avaliação, mito e desafio, propôs um
exercício com alguns professores, no qual eles relacionavam a avaliação a imagens,
construindo metáforas. Não foi solicitado que os professores desenhassem, somente que
comparassem a que se assemelhava a avaliação para eles. O exercício fez com que os
professores, que constantemente avaliam, pudessem expressar suas metáforas avaliativas, já
que, de acordo com Lakoff e Jonhson (2002, p. 46), “o modo como pensamos o que
experienciamos e o que fazemos todos os dias, são uma questão de metáfora”. Os autores
defendem a associação com metáforas por compreenderem que o nosso pensamento não é
governado somente pelo nosso intelecto, mas possui um sistema conceitual que se ocupa de
nossas questões triviais, definindo nossa realidade cotidiana.
Entendemos que, se a avaliação está na realidade cotidiana dos professores, também se
encontra na realidade dos estudantes, que são perceptíveis e talvez mais sensíveis a seus
efeitos. Desenhar os instrumentos avaliativos, portanto, constitui expressar suas percepções a
respeito do assunto.
A noção de percepção está comprometida com a noção de imagem. Esta
propicia um feixe de significados do percebido. Podemos elevar o sentido do
olhar e do desenhar às ideias de “fábrica de imagens”, ou então, “fábrica de
significações” (DERDIK, 1989, p. 112).
É a partir das nossas interpretações sobre as imagens produzidas pelos estudantes que
temos uma descrição da avaliação de língua inglesa aplicada por meio dos instrumentos
representados. Para tanto, não faremos uso apenas da produção imagética, mas também de
textos dos estudantes que justifiquem os desenhos produzidos, já que:
Os argumentos a favor da dependência linguística do entendimento da
imagem são de dois tipos. O primeiro trata da realmente frequente inserção
de imagens em contextos texto-imagem. O outro trata da necessidade das
imagens de recorrerem ao auxílio da linguagem dentro do seu processo de
entendimento e interpretação (SANTAELLA; NÖTH, 2008, p. 42).
Os autores ainda acrescentam que “a relação entre a imagem e seu contexto verbal é
íntima e variada. A imagem pode ilustrar um texto verbal ou o texto pode esclarecer a imagem
10
“We use images not only as representations of the objective world but also to communicate our deeepest
feelings” (PROSSER, 1998, p. 1).
45
na forma de um comentário” (SANTAELLA; NÖTH, 2008, p. 52). Por meio das percepções
expressadas pelos desenhos produzidos, podemos compreender melhor as reações dos
estudantes pesquisados ante os instrumentos avaliativos com os quais convivem, o que em
outros momentos da pesquisa poderia ser difícil de perceber, uma vez que ao utilizarmos a
linguagem falada ou escrita, em um ambiente de pesquisa, tencionamos a nos expressar com
mais cuidado, nem sempre transmitindo o que desejaríamos ou deveríamos, devido aos limites
sociais característicos dessas formas de se expressar.
Por isso, ao fornecermos espaço para a inserção das representações imagéticas, ainda
que justificadas por outros textos, chamamos a atenção para outras leituras, nas quais as
imagens se fazem presentes não apenas de forma decorativa ou ilustrativa, mas também
representativa do que se disse a respeito dos instrumentos avaliativos desenhados, para que a
partir delas se faça uma leitura do que os estudantes opinam sobre os instrumentos avaliativos
representados. Portanto, propomos que a imagem deva preceder o texto escrito, para que a
partir dela se oportunize a justificativa de sua entrada na construção textual. Para Buoro
(2002, p. 34):
A imagem ocupa um espaço considerável no cotidiano do homem
contemporâneo. Livros, revistas, outdoors, internet, cinema, vídeo, tevê,
para citar apenas as fontes mais comuns, produzem imagens
incessantemente, quase sempre à exaustão e diante de olhares de passagem.
Todos são meios ao alcance da maioria da população brasileira e tão
presentes quanto enraizados nos gestos mínimos de nosso dia a dia. Faz-se
necessária uma tomada de consciência dessa presença maciça, pois,
pressionados pela grande quantidade de informação, estabelecemos com as
imagens relações visuais pouco significativas. Expectadores frequentemente
passivos, temos por hábito consumir toda e qualquer produção imagética,
sem tempo para deter sobre ela um olhar mais reflexivo, o qual a inclua e
considere como texto visual visível e, portanto, como linguagem
significante.
A tomada de consciência das imagens que se remetem às avaliações de língua inglesa
pode nos fornecer inteligibilidade sobre os efeitos que determinados instrumentos avaliativos
provocam nos estudantes, dificultando ou facilitando sua aprendizagem. As imagens de
caráter positivo podem nos fazer perceber efeitos como fruição, realização, senso de
responsabilidade, parceria, facilidade, entre outros, que, a nosso ver, são dinamizadores da
aprendizagem de idiomas. Por sua vez, as imagens de caráter negativo, que sugerem efeitos
como pânico, medo e insegurança, por exemplo, podem justificar os resultados obtidos pelos
estudantes quando submetidos a esses instrumentos. Na concepção de Buoro (2002, p. 35),
46
“imagens propõem presenças que não podem persistir ignoradas ou subestimadas em sua
potencialidade comunicativa [...] ao contrário, devem ser devidamente exploradas e lidas, o
que implicaria ganho evidente para o processo educacional”.
Portanto, entendemos que um estudo das imagens produzidas pelos estudantes tornase relevante para que os professores de língua inglesa obtenham por meio desses desenhos um
indicativo que poderá, entre outras ações cabíveis, norteá-los nas escolhas de suas futuras
avaliações.
47
3 METODOLOGIA DA PESQUISA
___________________________________________________________________
3.1 ESCOLHA METODOLÓGICA DA PESQUISA
Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa de base etnográfica. Tratase mais especificamente de uma pesquisa ação, por apresentar em seu desenvolvimento etapas
e amparo teórico relacionados com esse método.
Com a opção pela pesquisa qualitativa, estamos nos referindo “ao processo não
matemático de interpretação, feito com o objetivo de descobrir conceitos e relações nos dados
brutos e de organizar esses conceitos e relações em um esquema explanatório teórico”
(STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 24).
Por muito tempo, eram considerados como pesquisas científicas apenas aqueles
trabalhos que faziam uso da experimentação e da testagem de hipóteses, sempre recorrendo a
procedimentos de quantificação, cálculos e classificações para descreverem suas análises.
Essas pesquisas, conhecidas como pesquisas quantitativas, provaram suas fragilidades ao se
voltarem para o campo das ciências humanas, no qual o objeto de estudo passa a ser as
interações do homem enquanto ser social.
Os cientistas sociais começaram a indagar se o método de investigação das
ciências físicas e naturais, que por sua vez se fundamentavam numa
perspectiva positivista de conhecimento, deveria continuar servindo como
modelo para o estudo dos fenômenos humanos e sociais (ANDRÉ, 1995, p.
16).
Como amparo às novas necessidades de produção de conhecimento, surge o que se
convencionou chamar no meio acadêmico de pesquisa qualitativa, uma abordagem de
pesquisa que se caracteriza por seu interesse mais voltado ao processo do pesquisar do que
aos resultados que possam advir desse processo (BOGDAN; BIKLEN, 1994), além de
priorizar o estudo do seu objeto de análise no meio social ou cultural ao qual pertence. A
pesquisa qualitativa “é o estudo do fenômeno em seu acontecer natural” (ANDRÉ, 1995, p.
17). De caráter mais acurado em relação aos dados da pesquisa, exige do pesquisador uma
imersão no contexto a ser analisado, além de muita leitura e reflexão (MAZZOTTI;
GEWANDSZNAJDER, 1998) acerca das observações realizadas.
48
A pesquisa qualitativa surge no campo das ciências humanas como mais uma
alternativa de produzir e expor o conhecimento. Sendo de natureza descritiva e interpretativa,
oferece aos seus adeptos mais detalhes e, portanto, maior precisão daquilo que se pretende
investigar. Além disso, faz uso de diversos instrumentos ou meios para geração de dados,
oferecendo ao pesquisador uma visão cada vez mais abrangente do seu universo de pesquisa,
para que assim ele possa não apenas elucidar o que se propôs investigar, como também
produzir inteligibilidade que corrobore a pesquisa empreendida.
Ao optar pelo uso da pesquisa qualitativa, de acordo com Seabra (2009), o pesquisador
precisa ser consciente de que deve ter ou desenvolver um perfil no qual ele demonstre
interesse pelo objeto de pesquisa, aprenda com a experiência, seja humilde, sensível, criativo
e ainda habilidoso para observar e sintetizar seus dados, imprimindo assim qualidade ao seu
trabalho.
Também se requere do pesquisador qualitativo uma reavaliação do que seria
considerado como neutralidade de pesquisa, já que ele tem o direito e o dever de interpretar
seus dados e de construir seu corpus de pesquisa.
Pesquisadores qualitativos não precisam estar limitados pelas suposições
teóricas de suas profissões, mas isso não significa que eles são apenas
receptáculos passivos de significados locais. Querendo ou não, eles refletem
seu treino científico, pesquisadores inevitavelmente atribuem seus próprios
significados sobre os eventos que eles observam (WEINBERG, 2002, p. 27,
tradução nossa)11.
Na área de estudos de línguas estrangeiras, a pesquisa qualitativa apresenta-se como
uma aliada, uma vez que a aprendizagem de uma língua estrangeira perpassa questões que vão
das simples crenças sobre qual a melhor maneira de aprender e ensinar até o estudo
aprofundado de questões psicolinguísticas, como constatação da existência da interlíngua, isto
é, o sistema linguístico único ou particular de cada estudante (ELLIS, 1997).
A pesquisa qualitativa ainda é vista com certo receio, já que por muito tempo tinha-se
a ideia de que os números eram inquestionáveis, sendo comum legitimar as pesquisas
realizadas com gráficos, comparações e estatísticas, passando a impressão de que sem esses
dados a pesquisa ficaria incompleta. Atualmente, alguns pesquisadores qualitativos, talvez
buscando cada vez mais diferenciar as duas abordagens de pesquisa, passaram a produzir
11
“Qualitative researchers need not be bound by the theoretical assumptions of their professions, but this does
not mean they are just passive receptacles of local meanings. Whether or not they reflect their scientific training,
researchers inevitably confer their own meanings upon the events they observe” (WEINBERG, 2002, p. 27).
49
trabalhos nos quais não utilizam qualquer dado numérico, sob o risco de este não ser
considerado qualitativo, o que pode configurar um equívoco:
Pode-se cair no extremo de se chamar de qualitativo qualquer tipo de estudo,
desde que não envolva números, seja ele bem ou mal feito, o que me parece
muito negativo para o reconhecimento da abordagem qualitativa de pesquisa
(ANDRÉ, 1995, p. 15).
Entendemos que as pesquisas, tanto as de caráter qualitativo quanto as de cunho
quantitativo, são consideráveis de acordo com o contexto no qual acontecem. Percebemos, no
entanto, que na maioria das pesquisas ditas quantitativas as pessoas e os objetos são tratados
da mesma maneira, ou seja, ambos serão transformados em números ao final da análise
empreendida. Sendo assim, muitas vezes os números obtidos não são contextualizados com a
realidade observada, como se ela não tivesse sido importante para o pesquisador ou não
interferisse no resultado numérico extraído e exposto, o que não ocorre com a abordagem
qualitativa, que, mesmo se utilizando de números, pretende dar-lhes a devida interpretação
contextualizada.
Por ser descritiva e interpretativa, entendemos ser a abordagem qualitativa a mais
adequada para tratar da análise de assuntos que se referem ao ensino e à aprendizagem de
idiomas, uma vez que esse é um processo dinâmico e complexo, construído por pessoas com
motivações, necessidades, formação educacional e cultural e estilos de aprendizagem
diferentes, ou seja, seres em constante formação intelectual, que desenvolvem ações, se
expressam e interagem uns com os outros.
A pesquisa qualitativa, de acordo com Bogdan e Biklen (1994, p. 49-51), possui
cinco características:
1. Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural,
constituindo o investigador o instrumento principal;
2. A investigação qualitativa é descritiva;
3. Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que
simplesmente pelos resultados ou produtos;
4. Os investigadores qualitativos tendem a analisar seus dados de forma
indutiva;
5. O significado é de importância vital na abordagem qualitativa.
Com a intenção de investigar e contribuir com o processo avaliativo de língua
estrangeira em uma escola do nosso estado, o Rio Grande do Norte, compreendemos que
essas características listadas pelos autores fazem parte do nosso trabalho, porque fomos
50
diretamente ao campo de pesquisa, descrevendo as situações nele encontradas, interagindo
com os envolvidos e assim ampliando as percepções de nosso estudo ainda durante o
processo. Na interpretação dos dados, procuramos entender as contribuições de nossos
participantes por meio da aplicação dos conhecimentos construídos coletivamente, de forma
que gerássemos novas perspectivas inteligíveis sobre o tema proposto.
Para nós, interpretação é uma forma de dedução. Deduzimos o que está
acontecendo com base nos dados, mas também com base na leitura dos
dados junto com nossas suposições sobre a natureza da vida, a literatura que
temos em nossa mente e as discussões que temos com nossos colegas (é
assim que nasce a ciência) (STRAUSS; CORBIN, 2008, p. 135).
A interpretação dos dados para nós, pesquisadores qualitativos, é o que torna a
pesquisa peculiar e significativa, porque nesse estágio da pesquisa dependemos de muitos
fatores, como as leituras feitas, as situações observadas, os objetivos que conduzem o
pesquisador ao campo de pesquisa e até mesmo o impacto que a presença do pesquisador
causa nos participantes e no local escolhido para desenvolvê-la, o que chamamos de “efeito
do observador” (BOGDAN; BIKLEN, 1994).
A respeito da base etnográfica deste trabalho, entendemos que a etnografia trata da
descrição cultural do que se está observando, o que o trabalho procura fazer ao descrever a
cultura avaliativa da escola pesquisada. Nunan (2007, p. 55, tradução nossa) observa:
“Etnografia envolve o estudo da cultura/das características de um grupo na vida real, ao invés
de ambientadas em laboratório”12. No mesmo livro, LeCompte e Goetz (1928 apud NUNAN,
2007) esclarecem que a etnografia se define pelo uso da observação participante ou não, tem
foco nas ambientações naturais e faz uso dos pontos de vista subjetivos e também das crenças
dos participantes envolvidos no processo de pesquisa.
Podemos dizer que nosso trabalho segue os princípios etnográficos, ao se tratar de uma
pesquisa participante, uma pesquisa ação, cujas observações se deram no ambiente natural dos
acontecimentos, qual seja: a escola e a sala de aula. Outra característica dos estudos
etnográficos que desenvolvemos foi trabalhar com a opinião dos participantes a respeito das
suas representações sobre os instrumentos avaliativos utilizados. Essa opinião foi emitida por
meio de desenhos que permeiam a cultura avaliativa dos pesquisados. Conforme André (1995,
p. 19), consiste na principal preocupação da etnografia “o significado que tem as ações e os
eventos para as pessoas ou grupos estudados”. A autora acrescenta que alguns significados
12
“Ethnography involves the study of the culture/characteristics of a group in real-world rather than laboratory
settings” (NUNAN, 2007, p. 55).
51
podem ser expressos de maneira direta pela linguagem, enquanto outros somente poderão ser
transmitidos por meio de ações, ou seja, indiretamente, o que requer do estudo de base
etnográfica um interesse em perceber e descrever a realidade do grupo estudado.
Outra característica da pesquisa qualitativa etnográfica é que ela não tem um fim em si
mesma, pois “questões e hipóteses frequentemente emergem durante o curso da
investigação”13 (NUNAN, 2007, p. 56, tradução nossa). Assim sendo, ao optar pela pesquisa
qualitativa etnográfica, o pesquisador tem permissão para responder ativamente às
circunstâncias nas quais está inserida a sua pesquisa, modificando técnicas de geração de
dados, se necessário, revendo as questões que orientam a pesquisa, localizando novos
colaboradores e atualizando seu estudo durante o desenrolar do trabalho (ANDRÉ, 1995).
A pesquisa ação, descrita como “uma forma de pesquisa que está se tornando cada vez
mais significante em educação linguística”14 (NUNAN, 2007, p. 17, tradução nossa), foi o
modelo escolhido para tratar do assunto da avaliação qualitativa de língua inglesa no ensino
médio, por entendermos ser essa modalidade de pesquisa genuinamente uma pesquisa
interativa, que não se detém apenas a observar e a descrever a realidade investigada, mas
também com ela interage e provoca mudanças no contexto em que se insere.
Uma atividade cada vez mais recorrente é que hoje muitos profissionais da educação
fazem de suas aulas um campo para a pesquisa. Seja para que possam diagnosticar e melhorar
sua prática, seja para melhor ajudar seus estudantes, a atividade de pesquisar-se está
crescendo, com ou sem a presença de outros professores colaboradores (LANKSHEAR;
KNOBEL, 2008).
Defendemos que a pesquisa pressupõe a produção de novos conhecimentos. Ainda que
estejamos trabalhando com temas anteriormente pesquisados, nosso dever, enquanto
investigadores qualitativos, é acrescentar algo novo para a área de estudos a que pertencemos.
Sendo assim, encontramos na pesquisa ação um modelo ideal, pois nela seus pesquisadores e
colaboradores se envolvem de modo cooperativo (THIOLLENT, 1985).
A pesquisa ação difere das outras porque, enquanto pesquisa de natureza
completamente interventiva, já na sua fase exploratória começa a se preocupar com possíveis
soluções para os problemas que vai encontrando no decorrer de seu percurso. “Pesquisa ação
combina um ato substancial com um procedimento de pesquisa; é a ação disciplinada pela
13
“Questions and hypotheses often emerge during the course of the investigation” (NUNAN, 2007, p. 56).
“A form of research which is becoming increasingly significant in language education” (NUNAN, 2007, p.
17).
14
52
inquirição, uma tentativa pessoal à compreensão, enquanto engajada em um processo de
melhoria e reforma”15 (HOPKINS, 1992, p. 32, tradução nossa).
Podemos dizer que a pesquisa ação é de ordem prática, pois tem como pretensão
conseguir mudanças no contexto em que se insere e por isso seus procedimentos são flexíveis.
Thiollent (1985) a descreve como uma pesquisa de base empírica que associa uma ação a uma
resolução de um problema coletivo.
A pesquisa ação é um dos métodos de se fazer pesquisa na investigação qualitativa,
que, para nós, representa a renovação da pesquisa científica: “A investigação científica
implica um escrutínio empírico e sistemático que se baseia em dados. A investigação
qualitativa preenche esses requisitos” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 64). Em nossa opinião,
a pesquisa não deve ter como objetivo apenas descrever as situações observadas sem
apresentar uma contribuição ou deixar para a posteridade a responsabilidade de intervir, de
apresentar um esclarecimento que contribua com os participantes do estudo. Uma vez que “o
objetivo dos investigadores qualitativos é o de melhor compreender o comportamento e
experiência humanos” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 70), a pesquisa deve sim provocar
alguma mudança, deixar a sua contribuição social, especialmente no lugar onde foi
desenvolvida, bem como incitar novas pesquisas no mesmo tema, justamente por ter
demonstrado a sua utilidade.
3.2 DESCRIÇÃO DO CAMPO E DOS PARTICIPANTES DE PESQUISA
Nossa pesquisa se desenvolveu em uma escola pública da rede estadual de ensino do
município de Lajes-RN, que tem como modalidade o ensino médio. Localizada no centro da
cidade, num bairro socialmente descrito como de classe média, atende a estudantes oriundos
da zona urbana e da zona rural, bem como de cidades vizinhas. Trata-se uma escola
materialmente bem equipada, que oferece aos seus usuários um ambiente adequado para os
estudos. Sua infraestrutura compreende seis salas de aula, além de sala de vídeo, laboratório
de informática, laboratório de ciências, biblioteca, sala de leitura, secretaria, sala dos
professores, sala da agremiação estudantil, sala da coordenação pedagógica, sala de direção,
cozinha e um pátio pequeno, usado para servir refeições e para a recreação da comunidade
escolar.
15
“Action research combines a substantive act with a research procedure; it is action disciplined by enquiry, a
personal attempt at understanding whilst engaged in a process of improvement and reform”.
53
O ambiente onde a maior parte das atividades propostas para esta pesquisa aconteceu
foi a sala de aula, mas também fizemos uso de outras dependências escolares, como a
biblioteca, a sala de leitura e a sala de vídeo.
A escola atualmente passa por mudanças significativas em sua estrutura políticopedagógica, pois é uma das pioneiras em nosso estado a inserir em seu currículo o Ensino
Médio Inovador, uma nova proposta do MEC para ressignificar o ensino médio, a qual se
encontra em fase de experimentação.
Por convenções éticas referentes à pesquisa qualitativa (CELANI, 2005), passaremos
a nos referir a essa escola, doravante, como escola inovadora e usaremos de siglas quando
nos referirmos aos participantes desta pesquisa, que compreendem trinta e seis informantes,
sendo um deles uma professora e trinta e cinco deles estudantes da segunda série do EM da
referida escola. Para um melhor esclarecimento, usaremos a sigla EC, seguida de numeração
por ordem de participação, para os estudantes, em substituição das palavras estudante
colaborador, e a sigla PC para a professora colaboradora.
Escolhemos trabalhar com uma turma da segunda série do EM por se tratar de
estudantes que se encontram em uma turma intermediária, ou seja, nem principiantes nem
concluintes. Na segunda série do EM, os estudantes já conhecem as normas e regras da escola
e já possuem suficiente familiaridade com professores e colegas, além de não se encontrarem
envolvidos em atividades típicas de uma turma concluinte, como a organização da cerimônia
de conclusão do curso, inscrições e participações em exames nacionais e estaduais com a
finalidade de ingressarem em universidades, entre outras.
Para que os participantes pudessem se sentir seguros ao participarem da pesquisa por
livre vontade, redigimos um formulário de consentimento (anexo 1), no qual informamos a
natureza do estudo, seus objetivos e as implicações referentes à participação dos estudantes.
Ao adotarmos esses procedimentos, estamos concordando com Bogdan e Biklen (1994), ao
afirmarem que, apesar de não haver um código deontológico específico à investigação
qualitativa, aqueles que voluntariamente concordarem em fazer parte de uma investigação
devem estar “cientes da natureza do estudo e dos perigos e obrigações nele envolvidos”
(BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 75). Os aprendizes menores de idade levaram o formulário
para casa, para que seus pais tomassem conhecimento e assinassem, caso concordassem com a
participação de seus filhos na pesquisa.
Apesar de trabalharmos com uma turma completa, alguns estudantes não se sentiram à
vontade em participar de todas as etapas da pesquisa, o que achamos compreensível, pois, “na
pesquisa educacional, ética refere-se a garantir que os interesses e o bem-estar das pessoas
54
não venham a ser prejudicados, em razão da realização da pesquisa” (LANKSHEAR;
KNOBEL, 2008, p. 93).
Como exemplo do que acima mencionamos, alguns estudantes não devolveram os
questionários e outros não compareceram ao Seminário-workshop de avaliação qualitativa,
uma das etapas da nossa pesquisa que descreveremos adiante. Porém, uma vez que todos
desenvolveram as atividades avaliativas propostas pelos demais estudantes, então achamos
adequado deixar o número completo de estudantes da sala de aula investigada.
Na fase inicial da pesquisa ação, contávamos com a ajuda de uma estudante
universitária, durante as aulas nessa turma, pela necessidade de estarmos cursando o
mestrado. Porém, a referida estudante não pôde continuar conosco até o término da pesquisa,
por estar concluindo seu curso universitário e precisar realizar seu estágio docência em uma
escola de outra cidade.
A pesquisa iria se desenvolver no primeiro semestre de 2011, porém, devido a um
movimento grevista dos professores estaduais, que compreendeu os meses de maio, junho e
julho, as atividades escolares foram suspensas, retornando após a greve, em um horário
especialmente organizado para a reposição das aulas suprimidas e o consequente
cumprimento da carga horária reservada para a disciplina, o que ocasionou uma alteração no
cronograma proposto para a pesquisa, que veio a ser concluída em novembro de 2011.
3.3 PROCEDIMENTOS DE PESQUISA
A pesquisa ação qualitativa de base etnográfica foi desenvolvida em três fases
distintas, porém complementares, que trataram da caracterização da avaliação de língua
inglesa vigente na escola antes da realização do estudo; da implementação dos instrumentos
avaliativos adequados à disciplina de língua inglesa sugeridos pelos estudantes; e de uma
análise dos resultados advindos dos instrumentos avaliativos sugeridos.
Durante a primeira fase, a caracterização da avaliação de língua inglesa, aqui
definida como a fase de pré-intervenção da pesquisa ação realizada, o estudo buscou
identificar os instrumentos avaliativos empregados pela docente e de que forma acontecia a
participação dos estudantes no processo avaliativo dessa disciplina. Na segunda fase, a
implementação dos instrumentos avaliativos sugeridos pelos estudantes, considerada
como a fase da intervenção da pesquisa, foi relevante para o estudo entender as representações
estudantis a respeito dos instrumentos avaliativos que tomavam parte e daqueles que eles
gostariam que fizessem parte da sua avaliação de língua inglesa. A terceira fase, uma reflexão
55
sobre a participação estudantil na construção do processo avaliativo, trouxe-nos
esclarecimentos sobre a participação dos estudantes na construção do processo avaliativo,
dedicando-se às opiniões estudantis no que diz respeito aos aspectos qualitativos do ensinoaprendizagem de idiomas que tenham se desencadeado a partir da avaliação proposta, sendo
definida como a fase de pós- intervenção da pesquisa ação.
Uma vez que nossa pesquisa se define como qualitativa etnográfica, a qual prima pela
inserção do pesquisador nos contextos e situações de pesquisa (CHIZZOTTI, 2003), as três
fases deste estudo foram desenvolvidas a partir de um modelo de pesquisa ação descrito por
Nunan (2007), o qual nos serviu como base para os procedimentos peculiares a esse tipo de
pesquisa. De acordo com o autor, assim se constituem as etapas de um trabalho de pesquisa
ação:
Em primeiro lugar, a pesquisa é iniciada pelo especialista e é derivada de um
problema real na sala de aula que precisa ser confrontado. Em segundo
lugar, a pesquisa é colaborativa – neste caso não entre colegas, mas entre um
professor e uma pesquisa de base universitária. Em terceiro lugar, o
professor coleta dados objetivos nas formas de interações em sala de aula e
da linguagem do aprendiz. Em quarto lugar, os resultados são disseminados.
Finalmente o projeto toma a forma de um ciclo contínuo, no qual o professor
reflete sobre ele, retorna para ele e amplia a investigação inicial (NUNAN,
2007, p. 18, tradução nossa)16.
O parecer de Nunan (2007) corrobora o de André (1995, p. 31), quando este declara
ser um exemplo de pesquisa ação “o professor que decide fazer uma mudança na sua prática
docente e a acompanha com um processo de pesquisa”. Durante essas etapas por nós adotadas
como modelo de base, partimos de um problema corriqueiro em sala de aula, a saber: a reação
dos estudantes ante as formas de avaliação de suas aprendizagens em língua inglesa. O estudo
colabora com a professora pesquisada e com a pesquisa universitária por oferecer a ambas
novos procedimentos a serem experimentados, de forma que venham a contribuir com a
compreensão ou a resolução do problema contemplado. Os dados de nosso estudo foram
originados em sua ambientação natural, ou seja, a sala de aula, e dependeram das interações e
das colocações estudantis sobre o que se estava pesquisando. Após o entendimento dos dados,
presentes nos resultados obtidos, realizamos a disseminação desses resultados perante a
16
“In the first place, the research is initiated by the practioner and is derived from a real problem in the
classroom which need to be confronted. Secondly, the research is collaborative – not in this instance, between
colleagues, but between a teacher and a university-based research. Thirdly, the teacher collects objective data in
the form of classroom interactions and learner language. Fourthly, the results are disseminated. Finally, the
project takes the form of an ongoing cycle in which the teacher reflects on, returns to, and extends the initial
inquiry” (NUNAN, 2007, p. 18).
56
comunidade escolar que fez parte da pesquisa empreendida, o que gerou um ciclo contínuo de
novas inteligibilidades sobre os resultados apresentados, ampliando a pesquisa realizada.
Além da descrição geral separada em cinco etapas, Nunan (2007, p. 19) apresenta sete
steps, ou seja, sete passos que são característicos de um trabalho de pesquisa ação.
Traduzimos, interpretamos e organizamos os passos de maneira adequada aos nossos
procedimentos de pesquisa. São eles:
1
Iniciação
Identificação do problema.
2
Investigação
preliminar
Geração dos dados por meio das primeiras observações e
registros.
3
Hipóteses
Formulação de pressupostos com base nos primeiros dados que
foram gerados.
4
Intervenção
Uma das principais contribuições da pesquisa, que nessa fase
deve oferecer subsídios teóricos e metodológicos visando a
solução e/ou elucidação do problema de pesquisa.
5
Avaliação
É o retorno ao campo de pesquisa e aos participantes, para nova
geração de dados que venham a demonstrar se foi útil ou não a
intervenção do pesquisador.
6
Disseminação 1 Aqui ocorre a primeira divulgação (entre os participantes) e a
ampliação dos resultados obtidos com a pesquisa.
7
Dar seguimento Neste passo, prosseguimos com mais reflexões e investigações
mais apuradas sobre a pesquisa desenvolvida.
8
Disseminação 2 Acrescentamos este passo para justificar a divulgação pública
da pesquisa já concluída.
QUADRO 1 – Passos de uma pesquisa ação17
Nosso trabalho também usou como parâmetro esses sete steps, apresentados por
Nunan (2007), no desenvolvimento das três fases propostas para a pesquisa, porque
interpretamos que a iniciação de uma pesquisa se dá a partir do momento em que um
problema é diagnosticado. Para se construir uma noção de como lidar com o problema
identificado, faz-se necessária uma investigação preliminar, que originará dados por
intermédio das observações e registros do pesquisador, o que acontece durante a primeira fase
de nossa pesquisa. São os dados que nos permitem a formulação de pressupostos que
necessitam de uma intervenção cuja metodologia seja planejada e amparada teoricamente, no
intuito de explicar cientificamente o problema e sua origem, o que foi contemplado durante a
17
Quadro 1: Steps de pesquisa ação de David Nunan (2007), interpretados e adaptados pela pesquisadora, ao
acrescentar o número 1 ao nome disseminação, no step de número 6, e ao acrescentar o oitavo step, onde
originalmente havia apenas sete.
57
segunda fase de nossa pesquisa. Por fim, há uma avaliação da ação desenvolvida, a qual
entendemos que deve ser feita em conjunto entre pesquisador e pesquisados, daí o retorno ao
campo de pesquisa para nova geração de dados, seguida da disseminação, ou antes,
divulgação das descobertas ou constatações do estudo entre os envolvidos. Dar seguimento à
pesquisa significa continuar com o ciclo de reflexão investigativo sobre ela mesma,
procedimentos realizados durante a terceira fase deste trabalho, aos quais nós acrescentamos o
oitavo step, que entendemos ser adequado em decorrência do tempo hábil cumprido, ao
término do qual apresentamos a análise concluída do que nos propomos a investigar.
3.3.1 Geração de dados
3.3.1.1 Instrumentos e procedimentos para a geração de dados
Para desenvolvermos a pesquisa proposta, tornamo-nos cientes de que na pesquisa
ação devemos fazer uso da combinação de diversas fontes de registro (ANDRÉ, 1995). Assim
sendo, utilizamos variados instrumentos para a geração dos dados, sendo que cada
instrumento foi usado em fases distintas do trabalho. Durante a primeira fase, usamos
questionários, elaborados com perguntas abertas. A segunda fase contou com a realização de
um seminário, uma entrevista semiestruturada e uma produção de desenho livre (produção
textual imagética). Na terceira fase da pesquisa, utilizamos a observação participante, que,
aliás, foi empregada durante todas as fases do estudo, tendo, porém, mais destaque em sua
fase conclusiva, e fizemos uso também de uma análise documental, ao examinarmos as
autoavaliações dos estudantes participantes.
De acordo com Gressler (2003), o questionário é o instrumento mais rápido para se
coletar dados e há uma quase total ausência de pressão sobre quem o está respondendo, que
pode inclusive fazer uso do anonimato. O autor cita como uma das desvantagens do
instrumento a sua não devolução, fato que se confirma, já que alguns questionários não foram
devolvidos pelos participantes da pesquisa. No caso da nossa investigação, para entendermos
como se caracteriza a avaliação de língua estrangeira em escolas públicas de ensino médio e
como o estudante do EM se constrói como um agente de avaliação, elaboramos dois
questionários (anexos 2 e 3) que foram destinados aos estudantes e à professora colaboradora.
No total, foram distribuídos 35 questionários entre os estudantes, mas apenas 28 foram
devolvidos, representando 80% do total.
58
Os questionários foram entregues aos participantes em abril de 2011, tendo a
pesquisadora permanecido na escola para leitura e explicação das perguntas contidas neles.
Porém, era facultativa a escolha de serem respondidos ou não no ambiente escolar pelos
participantes da pesquisa. O recolhimento dos questionários respondidos aconteceu no
decorrer das aulas subsequentes à sua entrega.
Outro instrumento utilizado para gerar dados nesta pesquisa foi o seminário,
procedimento descrito por Gil (2002) como “principal ponto de referência” para a formulação
das diretrizes da pesquisa ação. No seminário, intitulado I Seminário-Workshop sobre
Avaliação Qualitativa de Língua Inglesa, cujo folder constitui o anexo 4, agregamos uma
workshop, uma vez que seus participantes também tomariam parte na elaboração de algumas
atividades.
O seminário, feito a priori para fundamentar os estudantes envolvidos na pesquisa a
respeito do desenvolvimento de uma avaliação nos preceitos qualitativos, apresentando-lhes
teóricos que estudam o tema, também procurou obter dos estudantes suas concepções acerca
da avaliação de língua inglesa realizada em sua escola.
Durante a realização do seminário, utilizamos mais dois instrumentos para a geração
de dados: uma entrevista semiestruturada e coletiva, feita com todos os participantes, e um
momento dedicado à produção imagética de desenhos dos estudantes acerca do tema
proposto, construindo assim suas representações, por meio de imagens, do que pensam sobre
avaliação.
Sobre o uso de entrevistas mescladas a outras atividades de investigação, Bogdan e
Biklen (1994) colocam-nos que, uma vez que na observação participante os investigadores e
os investigados já se conhecem, a entrevista se assemelha muitas vezes a “uma conversa entre
amigos”. Para André (1995, p. 28), “as entrevistas têm a finalidade de aprofundar as questões
e esclarecer os problemas observados”. Esta foi nossa intenção ao trabalharmos com esse
instrumento: conversar com aqueles estudantes para podermos entender como pensam e
sugerem a avaliação de língua inglesa, esclarecendo conceitos outrora contemplados por
outros procedimentos da pesquisa.
A respeito da produção de desenho livre, no intuito de servir como representação das
ideias dos pesquisados, percebemos que essa atividade tem se configurado em uma técnica
que está se popularizando nas pesquisas das ciências humanas, de acordo com a observação
de Prosser (1998, p. 1, tradução nossa): “Nas últimas três décadas, pesquisadores qualitativos
59
têm dado sérias reflexões ao uso de imagens com palavras, para melhorar a compreensão da
condição humana”18.
Nessa técnica, o uso de imagens se faz necessário por entendermos que estas
compõem um texto visual, que se apropria de uma linguagem não verbal, imbuída de
significados que passam a ser representados por meio de desenhos. Dessa forma, em nosso
trabalho, passamos a tratar essas representações pelo viés da semiótica, entendendo que “o
conceito de representação tem sido um conceito-chave da semiótica desde a escolástica
medieval, na qual este se referia, de maneira geral, a signos, símbolos, imagens e várias
formas de substituição” (SANTAELLA; NÖTH, 2008, p. 15).
A realização do seminário, da entrevista e da produção de desenhos aconteceu em
novembro de 2011, após a análise dos questionários obtidos. Permanecemos na escola
observando a implementação dos instrumentos avaliativos sugeridos pelos discentes, bem
como os resultados advindos da participação estudantil no processo avaliativo de língua
inglesa e se houve ou não contribuição dessa avaliação qualitativa para a aprendizagem dos
estudantes.
Após o seminário, continuamos a nos encontrar com os participantes para acompanhar
os efeitos de suas contribuições. Os encontros foram registrados por meio da observação
participante e da análise de uma autoavaliação (anexo 5) realizada por alguns dos partícipes,
sendo esses dois últimos instrumentos de geração de dados os que utilizamos para
concluirmos o nosso estudo.
Ao fazermos uso da observação participante, estamos em concordância com Moreira e
Caleffe (2006, p. 204), quando afirmam ser essa uma técnica que “proporciona a melhor
maneira de obter uma imagem válida da realidade social”. Com a observação participante,
pudemos ver o desempenho dos estudantes ante os instrumentos avaliativos que eles
escolheram. Também destacamos a opinião de André (1995, p. 28), quando diz que a pesquisa
“é chamada de participante porque parte do princípio de que o pesquisador tem sempre um
grau de interação com a situação estudada, afetando-a e sendo por ela afetado”.
A autoavaliação, nesse estágio da pesquisa tratada como um documento para análise,
foi o instrumento complementar às demais etapas de geração de dados, pois serviu para
compreender, por intermédio das opiniões dos estudantes, se foi válida ou não a adoção, entre
as escolhas deles, dos instrumentos avaliativos empregados e que mudanças pudemos
perceber nas suas concepções, enquanto participantes desse processo. “A análise documental
18
“Over the last three decades qualitative researchers have given serious thought to use images with words to
enhance understanding of the human condition” (PROSSER, 1998, p. 1).
60
pode se constituir numa técnica valiosa de abordagem de dados qualitativos, seja
complementando as informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos
de um tema ou problema” (ANDRÉ; LÜDKE, 1996, p. 38).
Realizada em novembro de 2011, a autoavaliação empregada encerrou as atividades
que necessitavam da colaboração dos participantes da pesquisa empreendida.
Outros instrumentos secundários utilizados para geração e armazenamento dos dados
foram: um caderno para anotações de campo durante o período de observação; um aparelho
de MP4 para a gravação da entrevista; uma câmera digital para registros fotográficos e de
vídeos nos encontros de pesquisa; e um projetor de multimídia, que foi utilizado no
Seminário-workshop.
3.3.1.2 Tratamento dos dados
No tocante à sua análise, os dados apresentados receberam tratamento qualitativo.
Todas as respostas obtidas pelos instrumentos utilizados foram organizadas, após leitura e
transcrição19, em categorias de análise previamente definidas pela pesquisadora, com base no
referencial teórico que fundamenta o trabalho, ou sugeridas pelas respostas adquiridas.
Para analisar os dados referentes à primeira fase da pesquisa, foram elaborados dois
questionários distintos. Um questionário foi destinado ao corpo docente e continha perguntas
orientadas pelas seguintes categorias de análise: 1) concepções sobre avaliação e objetivos da
avaliação de língua inglesa; 2) instrumentos avaliativos utilizados em sala de aula e
habilidades linguístico-comunicativas avaliadas; 3) preferência por instrumento avaliativo; 4)
dificuldade de elaboração e aplicação das avaliações de língua inglesa; 6) reação dos
estudantes à avaliação e às notas; 7) descrição dos recursos didáticos utilizados em sala de
aula.
O outro questionário, direcionado ao corpo discente, contemplou as seguintes
categorias de análise: 1) concepções sobre as avaliações da escola; 2) como são avaliados os
conhecimentos em língua inglesa; 3) preferência por instrumento avaliativo já aplicado; 4)
dificuldade na resolução das avaliações de língua inglesa; 5) desempenho dos estudantes nas
avaliações de língua inglesa; 6) reação dos estudantes aos resultados em língua inglesa; 7)
preferência ou sugestão por instrumento avaliativo a ser aplicado 8) descrição dos recursos
didáticos utilizados em sala de aula.
19
Usamos de transcrição apenas para as respostas obtidas com a entrevista.
61
Com essas categorias, buscamos o diagnóstico e a caracterização de como estava
acontecendo a avaliação da aprendizagem de língua inglesa na escola pesquisada.
Para a segunda fase da pesquisa, ao realizarmos o seminário, utilizamos as categorias
de análise: 1) instrumentos avaliativos apreciados pelos estudantes e 2) instrumentos
avaliativos não apreciados pelos estudantes, para compreendermos as representações que eles
atribuem
aos
instrumentos
avaliativos.
Por
também
realizarmos
uma
entrevista
semiestruturada, definimos como critérios as seguintes categorias de análise, contempladas ao
longo da entrevista: 1) instrumentos avaliativos que contemplem as exigências dos PCNEM
para o ensino de idiomas; 2) posicionamento ante os instrumentos avaliativos tradicionais e
convencionais; 3) sugestões para as avaliações escolares; 4) sugestões para as avaliações
nacionais.
A partir dessas categorias de análise, procuramos identificar e implementar os
instrumentos avaliativos indicados pelos estudantes, para que a avaliação passasse a ser
realizada com base neles, como uma das formas de contribuição dos estudantes no processo
avaliativo.
Por último, durante a terceira fase desta pesquisa, ao fazermos uso da análise
documental de uma autoavaliação, elaborada com questões que tratam das ações corriqueiras
na vida estudantil relacionadas à disciplina de língua inglesa, observamos as seguintes
categorias de análise: 1) adequação à metodologia do EMI; 2) frequência e participação
estudantil na realização das atividades; 3) desempenho e justificativa perante as notas
pretendidas.
Com essas categorias, buscamos entender se os estudantes se encontravam satisfeitos
com os novos rumos da avaliação da aprendizagem de língua inglesa da sua escola e se, ao
serem corresponsáveis pelas avaliações por eles sugeridas, reconheciam sua participação nos
resultados obtidos. Também procuramos contemplar com essas categorias de análise se a nova
forma de avaliar, que considera as opiniões estudantis, tem interferido positivamente na
aprendizagem do idioma estudado.
A análise dos dados gerados se desenvolveu de forma descritiva, sendo estes
analisados como um sistema completo e interativo, e não de maneira isolada.
Os resultados são demonstrados a partir de quadros produzidos para ilustrar alguns
dados obtidos, de modo a facilitar a sua compreensão, atentando para a recorrência de
respostas e pertinência ao tema. As nossas interpretações são apresentadas de forma dedutiva,
baseando-se em conclusões apontadas pela pesquisa realizada.
62
4 ANÁLISE DOS DADOS
___________________________________________________________________
Neste capítulo, prosseguiremos com a análise dos dados gerados pela pesquisa ação de
base etnográfica que empreendemos, discutindo-os a partir da teoria que nos referenciou ao
longo deste trabalho. Como a pesquisa qualitativa não tem um fim em si mesma e no campo
de pesquisa podem surgir novas inteligibilidades sobre o tema pesquisado, adotamos como
procedimento de análise continuar a nos remeter aos teóricos anteriormente consultados e a
outros teóricos cujas leituras e trabalhos dialoguem com as observações empreendidas,
sempre que se fizer necessário.
Para melhor estruturar a análise, procuramos seguir a divisão proposta nos
procedimentos de pesquisa, ou seja, dividir o estudo em três fases distintas, ainda que
complementares à pesquisa realizada, situando, inclusive, os instrumentos de geração de
dados utilizados em cada fase, de acordo com seus objetivos, e descrevendo os dados
levantados pela pesquisa e os indicadores que estes suscitam.
4.1 A CARACTERIZAÇÃO DA AVALIAÇÃO DE LÍNGUA INGLESA
Na primeira fase, classificada por nós como a fase de pré-intervenção da pesquisa
ação, procuramos identificar e caracterizar os instrumentos avaliativos empregados pelos
professores de língua inglesa da escola pesquisada, assim como perceber suas preferências
quanto a esses instrumentos e obter as primeiras percepções dos estudantes sobre o tema
abordado. Foram elaborados dois tipos de questionário, um foi destinado aos estudantes e o
outro, à professora colaboradora.
Dentre os questionários obtidos, decidimos que, para analisá-los, deveríamos
examiná-los por reincidência de respostas, pois colocá-las todas aqui seria repetitivo e
desnecessário.
No primeiro momento, ao obtermos as opiniões emitidas pelos participantes acerca
das avaliações da escola, assim partindo de uma perspectiva mais abrangente da avaliação,
pudemos dividir essas opiniões em positivas e negativas. Essas opiniões sobre as avaliações
da escola pesquisada partiram da seguinte questão: o que você acha das avaliações da sua
escola?
63
Positivas
Negativas
Interessantes Exames descontextualizados do conteúdo
Ótimas
Ruins
Legais
Regulares
Boas
Limitadas
Razoáveis
Deveriam ser mais explicadas
Avaliação visa aparência do estudante, não seu conhecimento
Sem sentido, por não explicitar bem o conteúdo
Difíceis
Precisam melhorar
Amedrontadoras
Elaboradas para prejudicar o estudante
Promovem a “cola”
Não produtivas e com enfoque nas notas
QUADRO 02 – Opiniões sobre as avaliações da escola
Fonte: Dados da pesquisa.
Com base nas opiniões emitidas, constatamos que as avaliações empregadas pela
escola pesquisada, de um modo geral, não agradam aos estudantes, tendo em vista que suas
opiniões apresentam mais referências negativas do que positivas. Eles classificaram as
avaliações de sua escola de acordo com os instrumentos avaliativos empregados, os quais
foram diversos, como: “interessantes, boas, ruins, limitadas, razoáveis, legais, dinâmicas e
difíceis”, entre outras colocações.
Algumas opiniões emitidas pelos estudantes pesquisados demandaram um pouco da
nossa atenção, mas, apesar de as respostas se referirem a todas as avaliações da escola, e não
apenas as da disciplina a qual nos propomos a investigar, resolvemos tornar público esses
depoimentos. Um dos estudantes, denominado de EC1, denunciou que as avaliações da escola
“não são tão produtivas, pois os professores, em sua maioria, focam apenas nas notas e não no
que o aluno aprendeu”.
O interesse pelas notas demonstra uma cultura quantitativa, que se preocupa com
resultados, de preferência, numéricos. Hoffmann (2004) classifica como simplista essa atitude
por parte de educadores. A presença das notas “boas”, ou seja, daquelas notas que deixam o
64
estudante na média exigida para sua aprovação, é perseguida como a principal meta, em vez
de a principal meta ser a aprendizagem, pelo que entendemos da fala de EC1.
Percebemos inquietação na fala de EC1, ao evidenciar que as avaliações de sua escola
não são produtivas, isto é, não conduzem ou induzem a momentos de aprendizagem, mas são
meros instrumentos com a finalidade de gerar notas. Podemos deduzir que essas avaliações
aplicadas, ao terem a meta das notas alcançadas, não se preocupam em promover um retorno a
partir da aprendizagem relegada, denunciada pelos próprios instrumentos avaliativos
empregados, o que de certa maneira delimita a função da avaliação a simplesmente medição
dos saberes conteudinais dos estudantes.
Outro estudante, EC2, expressou que as avaliações eram “muito bem elaboradas, para
„ferrar‟ o aluno mesmo!” Essa opinião nos remete a uma postura adotada por determinados
docentes que fazem dos momentos avaliativos um meio de autopromoção dos seus saberes em
contraste com a “fraqueza” ou o “despreparo” dos estudantes, termos usados pelos docentes
ao se referirem àqueles que não conseguem um bom resultado em seus exames. Essa postura,
observada por Silva (2007) e também descrita por Flain-Ferreira (2005), origina-se de
determinada crença que muitos professores ainda possuem, quando julgam que, ao elaborarem
avaliações difíceis, estão construindo ou mantendo o status de professores exigentes e bem
preparados.
Para os detentores desse mito, ou crença, uma avaliação difícil, que venha a “ferrar o
aluno”, como observou EC2, promoveria o respeito pelo professor que dela faz uso, ao gerar
nos estudantes um certo temor em não serem bem-sucedidos quando avaliados (SILVA,
2007).
A terceira opinião veio da jovem EC3, que escreveu: “a maioria das avaliações feitas
em sala de aula ajudam, especialmente, aquele aluno que sabe colar!” Essa terceira opinião
vem complementar as opiniões anteriores, ao sinalizar que não existe preocupação com a
aprendizagem, dessa vez por parte do estudante, que tem como meta obter uma nota
satisfatória sem outro esforço senão o de plagiar as respostas alheias. A opinião de EC3
também aponta para avaliações mal elaboradas, que induzem a respostas prontas, em vez de
promover o raciocínio, o que dificultaria as atitudes de plágio de respostas entre os estudantes.
Na visão de Moço (2011), é tarefa do educador compreender por que ocorre o plágio (vulgo
“cola”) entre os estudantes, para tentar minimizar esse problema.
A resposta de EC3 permite-nos deduzir, ainda, que essas avaliações servem para
reforçar a postura de dificultador do professor, uma vez que somente quem tem condições de
65
respondê-las satisfatoriamente são os estudantes bem preparados, que memorizam os
conteúdos exigidos nas avaliações, ou aqueles que saibam “colar”.
Esse posicionamento de EC3, ao apontar que as avaliações de sua escola são boas para
os que sabem “colar”, deixa perceptível que o professor pode contribuir para essa prática
nociva à aprendizagem, quando: a) porta-se com antagonismo perante seus educandos, o que
provoca atitudes de desafio; b) elabora avaliações distintas de sua maneira cotidiana de
ministrar aulas, o que provoca no estudante o temor de não ser aprovado; c) faz da sua
avaliação uma maneira de retaliar-se dos dissabores enfrentados em sala de aula, o que propõe
ser a “cola” a alternativa plausível para os estudantes.
Com base nas respostas dos estudantes pesquisados a respeito das avaliações da sua
escola, entendemos que ainda não são realizadas de forma satisfatória para essa significativa
parcela da comunidade escolar, que são os estudantes.
Ao questionarmos a docente pesquisada, ela se posicionou de acordo com os seus
procedimentos avaliativos, o que nos fez perceber que suas concepções de avaliação refletem
uma preocupação em ajudar seus aprendizes a aprenderem, e não apenas a conferirem seus
conhecimentos. Os objetivos para a avaliação de língua inglesa indicados pela professora são:
ensinar inglês, fornecer feedback e oferecer oportunidades para a melhoria da aprendizagem
nessa disciplina. Nas palavras dela, avaliar “é proporcionar aos estudantes meios de avançar
em sua aprendizagem, pois através da avaliação encontramos subsídios para ver em que
estamos precisando melhorar”.
Podemos inferir, pelas palavras da professora, que a avaliação não está desvinculada
da aprendizagem, como um procedimento que deva ser realizado à parte da tarefa de ensinar e
que serve para conferir se o ensino foi bem feito ou não. Antes, é um dos desencadeadores
dessa aprendizagem, já que se apresenta como mais um dos procedimentos do ato de ensinar
que conduzirão a outros e outros, dependendo da necessidade dos estudantes.
Delimitando o tema avaliação para a perspectiva da pesquisa, ou seja, voltando-o para
o ensino de língua inglesa (LI), procuramos identificar os instrumentos avaliativos
empregados na avaliação de LI e, assim, formulamos a segunda pergunta do questionário da
seguinte maneira: Como você é avaliado na disciplina de língua inglesa? (prova escrita, prova
oral, outros).
66
Instrumentos avaliativos
Prova escrita
Prova oral
Seminários
Trabalhos
Trabalhos para apresentar
Trabalhos individuais
Trabalhos de pesquisa
Exercícios
Atividades em grupo
Atividades de música
Diversas formas
QUADRO 03 – Instrumentos avaliativos empregados na avaliação de língua inglesa
Fonte: Dados da pesquisa.
Percebemos uma variedade de instrumentos usados para aferição dos conhecimentos
dos educandos na disciplina pesquisada, o que demonstra que há uma preocupação por parte
da docente em avaliar as quatro habilidades pretendidas para o ensino de língua estrangeira
(ler, falar, ouvir e escrever) de acordo com os PCNEM (BRASIL, 2002), embora tenhamos
identificado que alguns instrumentos têm peso valorativo diferente dos demais, sendo
privilegiados em detrimento de outros.
A prova escrita, por exemplo, tem seu valor pretendido entre 50% do valor total de
todos os instrumentos avaliativos utilizados durante o semestre. Ou seja, o valor de pontos
atribuídos para as atividades avaliativas durante todo o semestre é dividido de forma desigual
entre os instrumentos, gerando a seguinte situação: se a docente utilizar em um semestre a
quantidade de seis instrumentos avaliativos, a prova valerá 5,0 e os demais, 1,0 cada.
Já de conhecimento dos instrumentos avaliativos utilizados, procuramos identificar
aqueles que seriam os preferidos dos estudantes, fazendo a pergunta: Qual a sua maneira de
avaliar preferida? Por quê? Elaboramos então o seguinte quadro com as respostas e as
justificativas dos estudantes para cada escolha.
67
Instrumentos
Justificativas apresentadas pelos estudantes
Prova oral
É divertida – é interessante – o estudante aprende a falar inglês – avalia-se
a pronúncia – produz o desempenho da fala – a possibilidade de aprender é
maior – o instrumento mais adequado para se aprender o inglês.
Prova escrita
Requer paciência para responder.
Trabalho
Avaliação fácil e boa.
Trabalho
de Requer tempo para se preparar – estuda-se apenas o necessário.
pesquisa
Trabalho
em Testa o conhecimento dos envolvidos.
grupo oral
Trabalho
em Melhora a aprendizagem – é uma oportunidade de melhorar as notas – há
troca de ideias – desenvolve a confiança nos colegas – traz tranquilidade –
equipe
diminui a timidez.
Atividades com Proporcionam divertimento.
música
Exposições
Trabalham a oralidade.
Não define
As avaliações dependem do conteúdo aplicado.
Quadro 04 – Maneira de avaliar preferida pelos estudantes
Fonte: Dados da pesquisa.
As preferências pelos instrumentos avaliativos já utilizados pela professora de inglês
mostraram-se bem variadas, mas foi predominante a escolha do trabalho em equipe, seguida
da prova oral e de outros tipos de trabalhos (de pesquisa, de música, de apresentar). O
trabalho em equipe é uma rica oportunidade de interação entre os envolvidos, que, como
integrantes desse tipo de trabalho, sentem-se afetados uns pelos outros, passando a agir de
modo diferente da forma como se comportam quando estão sozinhos. É por meio do contato
com os colegas e da segurança por estarem interagindo em um grupo conhecido que os
estudantes superam a timidez e desenvolvem a autoconfiança.
A prova oral, segundo instrumento mais apontado pelos estudantes durante essa fase
da pesquisa, é mostrada pelos participantes como “instrumento mais adequado para se
aprender o inglês”. Essas colocações nos remetem à ideia de que os estudantes sentem que
68
aprenderam e que podem praticar a língua alvo, exigência legitimada pelos PCNEM
(BRASIL, 2002).
A professora, por sua vez, alegou preferir a prova escrita por questões de praticidade
e por considerar que ela é o instrumento que mais prepara o estudante para a vida, devido aos
exames nacionais, citando como exemplo o ENEM, que desde 2010 inseriu as línguas
estrangeiras na sua prova. A docente acha que é uma maneira de pensar realista, porque,
mesmo disposta a utilizar variados instrumentos para avaliação das aprendizagens de seus
aprendizes, preocupa-se em prepará-los para formas de avaliação mais tradicionais.
A despeito das finalidades dos exames nacionais, percebemos que a avaliação
realizada através do instrumento prova escrita ainda é a mais utilizada em nosso país, mesmo
em exames que queiram se diferenciar do tradicional vestibular. Defender a extinção desse
instrumento nas escolas públicas do Brasil seria um posicionamento um tanto ingênuo, bem
como seria ingênuo entender que uma única maneira de avaliar pode definir adequadamente
os futuros profissionais da nação, negligenciando aspectos importantes como o desempenho e
a vocação, por exemplo.
Na fala da PC, destacamos o termo praticidade como uma das justificativas pela
preferência desse instrumento. A prova escrita proporciona praticidade, uma vez que é
uniforme a todos os estudantes que irão resolvê-la, possibilitando uma correção rápida através
do que se convencionou chamar entre os professores de “chave de correção”. Ou seja, é uma
prova matriz, devidamente respondida, com valores numéricos distribuídos entre as suas
questões, servindo de apoio para eventuais consultas, ao se corrigir as demais. Essa
praticidade parece vir a calhar na conturbada rotina docente, especialmente daqueles que
dividem seus expedientes entre duas ou mais instituições de ensino.
Em relação às dificuldades apontadas pelos participantes, elaboramos a seguinte
questão: Você sente dificuldades durante as avaliações de inglês? Quais? Ao obtermos
respostas para esse questionamento, deparamo-nos com uma certa divergência, tendo em vista
os instrumentos utilizados. No caso dos estudantes, as dificuldades expostas se referiam ao
momento da aplicação dos instrumentos avaliativos pela professora e relacionavam-se ao não
entendimento de questões, devido ao fato de as provas escritas virem na língua alvo e não na
língua materna. Alguns apontaram dificuldade de falar, alegando timidez, nos seminários e
apresentações orais ou outras, bem como de pronúncia durante as provas orais. Duas
dificuldades peculiares a dois partícipes foram: dificuldade para ler e interpretar textos em
inglês e também na escrita de palavras no idioma. Dividimos as dificuldades apresentadas em
69
três níveis: nenhuma dificuldade, pouca dificuldade ou muita dificuldade. Para cada nível
apresentado, colocamos as justificativas dos estudantes.
Dificuldades nas Justificativas dos estudantes
avaliações
aplicadas
Nenhuma
Quando a avaliação é bem explicada – Os conteúdos são fáceis ou
dificuldade
repetidos – As avaliações são fáceis – As avaliações vêm escritas no
idioma estudado, assim melhoram a aprendizagem na língua alvo.
Pouca dificuldade
Na pronúncia das palavras estrangeiras – Em questões similares com a
língua portuguesa (falsos cognatos).
Quando a avaliação vem escrita em inglês – Na pronúncia das palavras –
Muita dificuldade
Por não entender questões – Por não entender a avaliação ou a
explicação – Durante as apresentações, por dificuldade de falar – Na
escrita de palavras no idioma inglês – Durante a leitura de textos – Na
interpretação de textos.
Quadro 05 – Dificuldades durante as avaliações
Fonte: Dados da pesquisa.
Partindo das justificativas apresentadas pelos estudantes, conjeturamos que suas
dificuldades se relacionam com os aspectos linguísticos peculiares à língua estudada, o que
provoca o não entendimento da avaliação. Por não ser bem explicada, não estar na língua
materna (quando escrita) ou o estudante não entender a avaliação, ou seja, não saber que
critérios estão sendo considerados no ato de avaliar, logo tende a desgostar ou apresentar
dificuldades para participar dessas avaliações. Essas dificuldades aparecem porque os
aprendizes de uma língua estrangeira parecem desenvolver uma inconsciente predisposição a
associarem-na com a língua materna. Percebemos isso nas constantes observações de que “a
avaliação não era entendida por não vir escrita na língua materna”.
Ainda podemos dizer que os estudantes não apresentam dificuldades quando os
conteúdos são repetidos, ou seja, já foram vistos ou mesmo avaliados antes. Esse fato
70
confirma que, quando os professores fazem de sua prática avaliativa um ato contínuo ao da
sala de aula, as dificuldades inexistem ou amenizam-se, prática contrária à noção de ensinar
para avaliar (SILVA, 2007), na qual os professores ensinam de um jeito e avaliam de outro.
Para a professora, as dificuldades começam antes, com a escolha e a elaboração dos
instrumentos avaliativos a serem utilizados. Citando o exemplo da prova escrita, PC alegou
ter bastante dificuldade ao elaborar suas questões, para que não fiquem tão fáceis nem tão
difíceis, mas sejam equilibradas.
Outra dificuldade apontada pela professora refere-se à distribuição de pontuação nos
instrumentos utilizados. Quanto a isso, constatamos, através da observação participante
empreendida, que a coordenação pedagógica da escola adotou, entre os professores, a
determinação de destinar 50% dos pontos a serem obtidos pelos discentes para a prova escrita
e os outros 50% para trabalhos e outras atividades.
Durante a aplicação dos instrumentos selecionados, a professora apontou como
dificuldade o despreparo dos estudantes, que, segundo ela, não estudam para os exames. O
que deveria constituir dificuldade para os estudantes, a professora atribui como uma
dificuldade docente, talvez preocupada com a motivação dos estudantes em somente
estudarem poucos dias antes dos exames.
Preparando-se ou não para os exames, o desempenho dos discentes na avaliação de
língua inglesa parece ser bom, pois, entre aqueles que responderam ao questionário, nenhum
foi reprovado na disciplina.
Ao indagarmos aos estudantes como reagiam diante das notas tiradas e se as
mereciam, obtivemos algumas das seguintes respostas: uns alegaram que não sabiam como
conseguiram as notas, pois não tinham muito conhecimento na matéria, outros se sentiam
insatisfeitos, mesmo com notas admiráveis. Entre os insatisfeitos, destacamos algumas
respostas: EC1, um dos pesquisados, assim se posicionou: “Reajo de forma natural diante da
nota, se a mereci. Quando acho que não mereço, discuto mesmo com a professora!” Outra
estudante, EC4, expressou-se desta maneira: “Não reajo quando me são favoráveis”. Sua
colega, EC3, expressa a mesma opinião, quando diz: “Reajo conforme meu desempenho”.
Outras respostas semelhantes a essas nos fazem entender que os estudantes
pesquisados somente procuravam sua professora quando tiravam notas insatisfatórias. EC5 se
posicionou de maneira aparentemente natural e assim observou seu merecimento às notas:
“Sim, porque são boas”. Concorda que merece suas notas porque são boas, o que nos leva a
pensar que se as notas de EC5 fossem ruins, provavelmente, ele iria achar que não as merecia.
A única exceção de resposta que tivemos veio da estudante EC6, que, apesar de ter notas altas
71
em inglês, ficou insatisfeita: “[reajo] Normal, mas tenho certeza que sou melhor do que
minhas notas atestam!”, reivindicando, portanto, notas mais altas, não porque as suas estavam
baixas, mas porque conhece o seu potencial e acha que está sendo avaliada de forma
equivocada.
Ao ser indagada a esse respeito, a professora confirmou que os estudantes agem de
forma normal se as notas forem boas para eles, mas que são bem questionadores quando estão
insatisfeitos, chegando até mesmo a acusá-la de “perseguição”.
As notas ainda têm influência decisiva e são de caráter propagandista nas instituições
de ensino. Na iniciativa privada, por exemplo, servem como parâmetro para os pais
matricularem seus filhos, preferindo uma escola a outra, devido ao desempenho demonstrado
pelas notas dos estudantes daquela escola perante exames estudantis de destaque. A
preocupação com as notas por parte dos estudantes, a ponto de provocarem reações apenas se
forem desfavoráveis, configura-se como um equívoco do que seria realmente a funcionalidade
das notas: registrar a aprendizagem. “Todavia, com o decurso do tempo e com a sedimentação
de hábitos comuns de pensar e agir, as notas, que representavam um meio de registro,
passaram a ser confundidas com a própria qualidade da aprendizagem” (LUCKESI, 2011, p.
407).
No intuito de obtermos a opinião discente sobre os instrumentos avaliativos sugeridos
que pudessem vir a ser aplicados pela professora na fase de pós-intervenção da pesquisa,
percebemos que não foram propostos muitos instrumentos avaliativos novos, como
pressupúnhamos, mas sim o desejo de que fossem aplicados alguns instrumentos que os
estudantes gostavam quando a professora os utilizava e outros que a docente ainda não fazia
uso de maneira avaliativa. Assim, foram sugeridos: “Trabalhos, dinâmicas, interpretação
teatral de textos, seminários, provas orais, músicas e exposições”.
Na sugestão dos instrumentos, verificamos que existia uma desvinculação do ensinoaprendizagem com a avaliação, pois havia aulas que eram voltadas ao ensino de inglês e
outras que tinham como função a avaliação da aprendizagem dos aprendizes no idioma
estudado. As aulas relacionadas ao ensino, quando a docente utilizava instrumentos no intuito
de fixação dos conteúdos apresentados, diferiam das aulas avaliativas, que faziam uso de
outros instrumentos.
Antes de empreendermos a pesquisa, por também exercermos a docência no ensino
médio, ficávamos intrigados com o repetitivo interesse dos estudantes em somente quererem
desenvolver atividades, trabalhos e participações em classe mediante a garantia de que
valeriam alguns pontos para a sua nota. Essa atitude discente apresenta-se justificada agora,
72
mediante o conhecimento de que, para os estudantes, o processo não deveria ocorrer separado
por etapas distintas, mas sim contínua e cumulativamente. Por esse motivo, os estudantes
apontaram que a docente também fizesse uso dos instrumentos que lhes possibilitassem
participar tanto da etapa de ensino da língua quanto da etapa de avaliação da aprendizagem da
língua.
A diferença entre os instrumentos para fixação e para aferição de conhecimentos
também já foi assunto de pesquisa de outros estudiosos (MAGALHÃES, 2006) que
identificaram que o procedimento de ensinar de uma maneira e avaliar de outra fomenta uma
crença em torno da pessoa do professor, que deve ser temido pelos seus educandos
exatamente por estes não saberem de que forma serão avaliados seus conhecimentos.
Ao pedirmos uma descrição dos materiais didáticos de propriedade da escola que a
professora de inglês utiliza, nossa intenção era saber se a Escola Inovadora estava em
condições de proporcionar uma avaliação qualitativa, que no nosso entendimento, como
colocado anteriormente, vai em busca das potencialidades dos seus envolvidos e não se
dissocia do processo de ensino-aprendizagem, mas dele faz parte. Se durante o ensino a
professora não utilizasse os recursos didáticos existentes e disponíveis, que facilitassem ou
melhorassem sua práxis, dificilmente sua avaliação poderia ser conduzida de forma
qualitativa.
Pelas respostas dos estudantes e da professora colaboradora, observamos que a Escola
Inovadora está bem equipada e que a professora também se mostra atualizada com as
tendências tecnológicas para o ensino, o que sugere mudanças benéficas ao seu
desenvolvimento pedagógico. Dentre os recursos didáticos que a escola possui e a professora
utiliza estão: lousa branca e caneta para quadro branco, notebook, aparelhos reprodutores de
DVD, de som e televisão, fotocópias de textos, livros para consulta pessoal, já que ainda não
há livros didáticos para os estudantes20, computadores com acesso à internet, projetor de
imagens, cartazes etc. Os partícipes EC7 e EC8 observam que sua professora: “utiliza [...],
enfim, todos os meios que os professores atuais utilizam” e “O que tem na escola, ela usa”.
Portanto, por meio dos primeiros dados obtidos nessa fase de pré-intervenção
característica da pesquisa ação, pudemos inferir que a avaliação do ensino médio de língua
inglesa da escola pesquisada encontra-se caracterizada como unilateral, uma vez que está no
controle apenas de uma das partes do processo, a professora, que é quem escolhe, determina,
resolve a pontuação e utiliza os instrumentos avaliativos empregados. Nessa fase da pesquisa,
20
Os livros didáticos, apesar de haverem chegado à escola no final do ano letivo de 2011, somente passariam a
ser utilizados pelos estudantes do ano seguinte, o ano letivo de 2012.
73
verificamos que os estudantes apenas participavam de forma passiva dos instrumentos
avaliativos a que foram submetidos, não reagindo a eles. Desse modo, mesmo quando se
sentiam prejudicados (ao verem as notas), acatavam a decisão da professora em relação ao
instrumento a ser usado para os reavaliarem, constituindo-se assim como meros receptores, e
não construtores, desse dinâmico processo.
Também caracterizamos essa avaliação como quantitativa em virtude da aparente
preocupação com a medição dos conhecimentos dos estudantes, sendo as notas ao término do
semestre letivo seu maior enfoque, levando educadora e educandos ao consenso, quando as
notas são favoráveis, ou ao desentendimento, quando são desfavoráveis. De acordo com
Hoffmann (2004, p. 46, grifo nosso):
A medida, em educação, deve resguardar o significado de um indicador de
acertos e erros. Esse indicador passa a adquirir sentido a partir da
interpretação pelo professor do que ele verdadeiramente representa
quanto à produção de conhecimento pelo aluno. A quantificação não é
absolutamente indispensável e muito menos essencial à avaliação. Consiste
em uma ferramenta de trabalho, útil, somente, se assim for compreendida.
Observamos que as notas, principal meta dos estudantes e principal preocupação da
professora, representam o objetivo final do que seria o estado de aprendizagem dos
estudantes, classificando-os em aprovados ou reprovados, não desempenhando a função de
indicador de acertos e erros, como pontua Hoffmann (2004), no intuito de ter como principal
objetivo a aprendizagem em língua inglesa dos conteúdos estudados.
Por fim, percebemos, por parte dos estudantes, pouca inovação durante a sugestão de
outros instrumentos avaliativos e atribuímos isso à falta de costume com a autonomia que
repentinamente lhes foi concedida para tratar de um assunto tão restrito na escola, que é a
avaliação.
4.2 IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS AVALIATIVOS SUGERIDOS PELOS
ESTUDANTES
A fase de intervenção desta pesquisa iniciou-se com a realização do seminário sobre
avaliação qualitativa de língua inglesa com os participantes. Asseguramos aos estudantes que
durante o seminário eles não teriam a pessoa da professora, somente a presença da
pesquisadora, que estava ali por propósitos científicos, dando-lhes assim um pouco mais de
autonomia e confiança, pois “os investigadores qualitativos tentam interagir com os seus
74
sujeitos de forma natural, não intrusiva e não ameaçadora” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.
68).
Remetendo-nos às aulas voltadas ao ensino de idiomas, observadas na escola
pesquisada, percebemos que há inclusão, por parte da docente PC, das sugestões feitas pelos
estudantes a respeito de como ela deve trabalhar nas aulas de inglês. Nessas sugestões,
geralmente conduzidas pela professora nas aulas iniciais do semestre, os estudantes não
opinavam com muita convicção, limitando-se a sugerir atividades diversificadas, como
trabalhar com música, trazer vídeos ou fazer dinâmicas. Ao questionarmos por que agiam
assim, os estudantes justificaram que confiavam na sua professora, na sua prática docente no
ensino do idioma inglês e não questionam as atitudes conduzidas por ela durante as aulas. É
como se eles percebessem que a docente foi preparada para lecionar a disciplina, porque
domina o assunto, expõe com clareza os conteúdos, retira as dúvidas e corrige as atividades
propostas, além disso, ela ainda procura utilizar as sugestões dos discentes durante o semestre
letivo.
Percebendo que a atitude de usar as indicações dos estudantes para o prosseguimento
das aulas tornava-os corresponsáveis pela sua aprendizagem, a professora sentiu-se incitada a
verificar se o mesmo sentimento de corresponsabilidade se daria na sugestão de instrumentos
avaliativos e na adoção de novos procedimentos de avaliação. Para isso, pensamos em
promover uma fundamentação básica dos estudantes nas teorias avaliativas de abordagem
qualitativa, proposta que foi desenvolvida durante o seminário ministrado.
O seminário iniciou-se com dinâmicas visuais envolvendo imagens que fomentavam
significados ambíguos, provocando assim diferentes respostas por parte do público presente,
numa tentativa de chamar a atenção para os diversos pré-julgamentos que podem ser
desencadeados por interpretações diferentes de um mesmo conceito. Os objetivos e a origem
da pesquisa foram reapresentados aos participantes por meio de pôsteres e slides. Em seguida,
os partícipes foram convidados a representarem mediante imagens produzidas por eles
(desenhos) os instrumentos avaliativos apreciados e também os depreciados, escolhendo quais
deveriam fazer parte ou não das aulas de língua inglesa. Essa etapa do evento fez parte da
workshop agregada ao seminário.
Foi solicitado aos estudantes que, ao desenharem os instrumentos, fizessem uso de
representações, associando-os a imagens de cunho positivo, quando fossem apreciados, e de
cunho negativo, quando fossem depreciados. De acordo com as opiniões expressas pelos
desenhos, gravamos, ao término da produção imagética, cada participante do seminário
75
explicando seu desenho para os demais e abaixo de cada desenho transcrevemos as
explicações feitas.
Para melhor compreensão das representações obtidas com a pesquisa, iremos
apresentar algumas produções feitas pelos estudantes pesquisados e as legendas a elas
atribuídas. Por questões de conveniência estética, como muitos instrumentos foram repetidos,
representaremos aqui os desenhos mais elaborados e que melhor transmitem o sentido dado
por seus autores. Iremos primeiramente apresentar os desenhos que ilustram os instrumentos
avaliativos que os estudantes apreciam, colocando abaixo de cada um deles alguns trechos das
transcrições que justificam a preferência estudantil. Logo após, encontram-se as imagens que
representam os instrumentos avaliativos que os estudantes depreciam, pondo novamente
abaixo de cada uma a opinião emitida pelos pesquisados.
Após a apresentação original das imagens produzidas, elaboramos dois quadros, no
intuito de melhor compreender as representações feitas, nos quais relacionamos o significado
convencional (descrição vocabular baseada em dicionário) de cada imagem produzida com o
sentido a elas atribuído pelos participantes no momento da representação.
76
I – Representações por imagens dos instrumentos avaliativos apreciados pelos estudantes
pesquisados.
Trabalho em grupo
Justificativas:
“[...] Eu desenhei uma porta aberta e um bocado de
lâmpadas dentro, que lâmpadas não representam ideias? Aí
trabalho em grupo, porque [...] você tem várias pessoas,
então não fica naquela mesmice. [...] um tem uma ideia:
vamos fazer assim? Ah, também pode ser de outro jeito”
21
(EC9 ).
“Trabalho em grupo é como se fosse um bolo de
chocolate” (EC10).
“Eu gosto de trabalho em grupo... porque eu não faço nada,
fico só olhando os outros fazer” (EC11).
“Eu gosto de trabalho em grupo, porque eu gosto de trufas”
(EC12).
Desenho 1
“Gosto de trabalho em grupo.
22
Desenhei uns anjinhos no céu [...]” (EC13 ).
“Gosto de trabalho em grupo, é como se fosse
um céu para mim” (EC14).
“[...] A prova em grupo não para um se
escorar no outro, mas para um tirar as
dúvidas do colega [...] se eu tô em dúvida
numa questão e meu colega ele sabe, então
ele vai passar pra mim e não simplesmente
Desenho 2
ele colocar lá a resposta e eu ficar lá
relaxado: ah, eu vou tirar uma nota boa, não
vou nem me preocupar, não vou nem olhar o
que é. Procurar entender por que aquela
resposta” (EC5).
20
22
Autora do desenho 1.
Autora do desenho 2.
77
Prova oral
Justificativa:
“O que eu gosto – teste oral. Aqui é yo falando
23
[...]” (EC15 ).
Desenho 3
Prova escrita
Justificativa:
“Eu gosto de prova porque eu desenhei um
24
anjo [...] escrita” (EC16 ).
Desenho 4
Atividades variadas (de listening,
de
pesquisa,
com
recursos
tecnológicos...)
Justificativa
“Bom, eu gosto de música, então eu quis
facilitar tudo pra minha vida, sabe? Então
assim, é bom ouvir a música com tradução,
ver imagens, também, coisa, pesquisas de
internet e também trabalho em grupo”
25
(EC17 ).
Desenho 5
23
Autor do desenho 3.
Autor do desenho 4.
25
Autora do desenho 5.
24
78
I – Representações por imagens dos instrumentos avaliativos não apreciados pelos
estudantes pesquisados.
Prova escrita
Justificativas
“Esse bicho de sete cabeças representa assim
justamente isso, essas provas muito avançadas, que
eu acho que deveria ter algo mais inicial, desde o
26
começo” (EC5 ).
“[...] e não gosto de provas porque é chato”
(EC18).
“Aí as coisas que eu não gosto é: [...] provas
avaliativas tipo no papel, porque é bom você ser
avaliado é indiretamente” (EC17).
“E eu não gosto de nenhum tipo de prova, não.
Nenhum. [...] Diga não às provas!” (EC11).
“[...] e não gosto de provas” (EC19).
Desenho 6
Testes
Justificativas:
“Eu não gosto de testes, porque muitas vezes o que você
estuda pro teste não está lá no que o professor passa. Às
vezes ele passa uma coisa, mas você estuda outra
totalmente diferente que não tem nada a ver” (EC3).
“E o que eu não gosto: teste surpresa. O professor, né?
27
Aí o cabra [...] pânico!” (EC15 ).
“E não gosto nem de prova e nem de teste. Pronto!”
(EC20).
Desenho 7
26
27
Autor do desenho 6.
Autor do desenho 7.
79
Apresentação de trabalhos
Justificativas:
“[...] e não gosto de trabalho de apresentar. É como
se fosse uma mulher com defeito” (EC14).
“E eu odeio apresentar trabalho, é o inferno de
28
minha vida” (EC21 ).
“Não gosto de trabalho de apresentar. Porque é ruim
demais” (EC22).
“Ah, meu Deus! De apresentação de trabalho”
(EC23).
“O que eu não gosto é de apresentar trabalho,
Desenho 8
principalmente de inglês, né? Pra ler, pra traduzir...”
(EC5).
Prova oral
Justificativas:
“Não gosto de prova oral. Deveria ser excluída
da sala de aula” (EC27).
“[...] e não gosto de prova oral” (EC1).
“[...] mas não gosto de prova oral” (EC24).
29
“[...] mas não gosto de prova oral” (EC25 ).
“Eu não gosto de prova oral, principalmente”
(EC26).
Desenho 9
28
29
Autora do desenho 8.
Autora do desenho 9.
80
Abaixo, relacionamos as imagens produzidas pelos estudantes e seus significados
convencionais bem como os significados atribuídos por eles durante esse momento da
pesquisa.
INSTRUMENTO
Trabalho
em
IMAGEM
SIGNIFICADO
REPRESENTATIVA
CONVENCIONAL
1. Porta aberta
grupo
1.
(com
Receptividade
1. Espaço
(luminosidade)
lâmpadas)
2.
2. Anjo
3. Trufa/
REPRESENTAÇÃO
Ser
novas ideias
celestial
2. Salvação,
benigno
bolo
3.
de chocolate
4. Céu
proteção
Itens
3. Algo
comestíveis
4.
Paraíso
O globo terrestre
bom,
prazeroso
dos
4. Tranquilidade,
cristãos
Prova oral
para
segurança
O mundo, a Terra
Língua
falada
mundialmente,
confiança
em falar inglês
Prova escrita
Anjo
Ser celestial benigno
Atividades
No mesmo desenho
Comunicação,
diversificadas
havia
aparelho
de
conectividade
som,
projetor
de
Salvação, proteção
interação
e
Variedade,
diversidade,
interação
imagens, computador
e pessoas
Quadro 06 – Instrumentos avaliativos apreciados
Fonte: Dados da pesquisa.
INSTRUMENTO
Prova escrita
IMAGEM
SIGNIFICADO
REPRESENTAÇÃO
REPRESENTATIVA
CONVENCIONAL
Bicho de sete cabeças
Animal da mitologia grega
Dificuldade, medo
(monstro)
Teste
Apresentação
Freddy Krueger
de
Personagem
fictício
de
Pânico,
suspense,
filme de terror
inesperado
Diabo
Ser maligno
Maldade, algo ruim
Tempestade
Chuva perigosa
Desgraça,
algo
trabalhos
Prova oral
inquietação
Quadro 07 – Instrumentos avaliativos não apreciados
Fonte: Dados da pesquisa.
susto,
81
Ao relacionarmos as imagens produzidas com seus significados convencionais e com
o que estes representam para os estudantes, entendemos, conforme Goodman (1968 apud
SANTAELLA; NÖTH, 2008, p. 36), que “o conceito de imagem se divide [...] por dois polos.
Um descreve a imagem direta, perceptível ou até mesmo existente. O outro contém a imagem
mental simples, que, na ausência de estímulos visuais, pode ser evocada”. Com base nesse
conceito, pudemos perceber o impacto que o processo avaliativo causa nos estudantes,
desencadeando reações a partir de sua aceitação ou rejeição. Essas reações são expressas por
meio da evocação mental dos estudantes de imagens existentes e por eles já conhecidas, mas
que assumem novos significados perante os sentimentos que são, por meio delas, expressos
pelos estudantes.
A partir das representações imagéticas realizadas, percebemos maior liberdade de
expressão dos pesquisados ante o tema de seus desenhos, porque com eles relacionavam o que
sentiam dificuldade de expressar em palavras, sendo o uso das palavras nessa fase da pesquisa
necessário apenas para legendar os desenhos produzidos. As palavras apareceram na pesquisa
para justificar os desenhos, e não o contrário. Primamos, portanto, pelas representações
imagéticas, que nos possibilitam outras leituras: a da “imagem emitida do objeto e a da
imagem captada pelo observador” (NÖTH, 2003, p. 30).
Um exemplo dessa expressividade foi a representação de EC12, seguida da
justificativa: “Eu gosto de trabalho em grupo, porque eu gosto de trufas”, mostrando-nos que
sua identificação com o trabalho em grupo provoca nela a mesma sensação de comer trufas.
Nesse momento da representação, uma coisa não ficou distinta da outra, nem comparada, mas
o símbolo (signo) “trufa” representa o trabalho em grupo para EC12, que sente nessa
atividade a mesma fruição que sente ao degustar trufas. Para Agostinho (De Doctrina
Christiana II, 1,1 apud NÖTH, 2003, p. 32), “o signo é, portanto, uma coisa que, além da
impressão que produz nos sentidos, faz com que outra coisa venha à mente como
consequência de si mesmo”.
Ao se sentirem bem avaliados, os estudantes representaram suas sensações por
intermédio de desenhos que nos fazem compreender que eles se sentem relaxados, tranquilos,
seguros, porque foram avaliados de maneira que podem demonstrar o que de fato aprenderam
na disciplina. Da mesma forma, quando se sentem inseguros, ameaçados, aterrorizados diante
de um instrumento avaliativo que julgam inadequado para expressar seus conhecimentos
adquiridos, os estudantes expressam, por meio das representações imagéticas, suas sensações
relacionadas a esses instrumentos.
82
Uma das opiniões emitidas por meio de uma imagem e de sua legenda é a de EC21,
que representou a apresentação de trabalho por meio da figura de um diabo. Verificamos que
essa partícipe não apresentou justificativas para que se pudesse inferir porque ela não aprecia
apresentar seus trabalhos de inglês, pois apenas legendou o seu desenho com a frase: “é o
inferno da minha vida”, permitindo ao leitor de sua imagem refletir para chegar às suas
próprias conclusões.
A imagem representativa de EC21 pode desencadear várias reflexões que nos façam
entender o motivo da assertiva de sua legenda. Diante disso, podemos pensar: ao pedir uma
apresentação de trabalho, enquanto docente, será que dou tempo suficiente para que meu
educando se prepare? Será que explico adequadamente como espero que seja sua
apresentação? Será que exemplifico, delimito tempo, oriento a produção de material que vai
ser apresentado? Será que considero o grau de inteligência verbal e linguística (GARDNER,
1993) dos meus educandos antes de solicitar um trabalho dessa natureza? Será que procuro
saber dos professores das outras disciplinas da minha escola se eles também solicitam
trabalho de apresentação e como os estudantes (que não apreciam quando eu solicito) reagem
à apresentação de trabalho dos outros professores, descobrindo assim se a falha está comigo
ou se de fato os estudantes não gostam mesmo de apresentar trabalho? Esses e outros
questionamentos que possam advir da leitura da imagem produzida, confirmada por sua
legenda, permitem-nos uma compreensão mais abrangente da reação estudantil aos
instrumentos avaliativos que utilizamos em sala de aula, possibilitando-nos rever conceitos e
talvez técnicas de reaplicação desses instrumentos, que podem estar sendo aplicados de
maneira inadequada, provocando reações indesejadas.
Ainda durante a análise das justificativas e das imagens representativas, observamos a
preferência estudantil pelo instrumento avaliativo trabalho em grupo, considerado o mais
apreciado pelos participantes da pesquisa, enquanto a prova escrita foi o instrumento menos
apreciado.
Os instrumentos intitulados “prova” e “teste” (para provar, para testar) aparentaram ser
os mais hostilizados, enquanto aqueles cuja denominação se afastava do sentido de
julgamento e testagem pareceram mais aceitos, como, por exemplo, “trabalho” (que dá a ideia
de que se vai trabalhar algo) e “atividade” (exercitar algo, colocar em atividade algo).
Dentre as justificativas transcritas após as imagens, pudemos perceber que os
objetivos, ao escolherem os instrumentos avaliativos, são diversos e vão do interesse pessoal
ao profissional. Uma das jovens, EC27, escreveu embaixo de seu desenho que gostava de
trabalho em grupo, pois era “mais uma oportunidade de estar com as amigas”. Essa
83
justificativa demonstra, aparentemente, um motivo pessoal, voltado à sua liberdade de ter
amizades, uma vez que a estudante precisa de uma razão aparente para se encontrar com suas
amigas. Outro exemplo de interesse pessoal veio da partícipe EC17, que justificou sua escolha
por dizer que gostava muito de música e gostaria de “facilitar tudo” para a sua vida. Como
exemplo de interesse profissional, citamos a justificativa de EC15, que vê no instrumento
prova oral uma forma de conduzi-lo à ascensão social, ao relacionar o inglês com o mundo e
com um evento esportivo de cunho futebolístico de grande repercussão, como a Copa do
mundo de futebol, programando para si mesmo o período que terá para estar falando
fluentemente o idioma inglês.
O caso do participante EC11, que justifica sua preferência por trabalho em grupo
porque ele, sendo componente do grupo, não faz nada, somente observa os demais colegas,
mostra-nos estudantes que não utilizam bem esse instrumento avaliativo, que deve ser
aproveitado para enriquecimento do conhecimento através da interação com os demais
colegas. Podemos também deduzir, com essa justificativa de EC11, uma certa insegurança
dele em relação aos seus conhecimentos, o que o torna dependente dos colegas do grupo, a
ponto de não se sentir capacitado para contribuir.
Ao analisarmos os instrumentos avaliativos representados por desenhos, vemos que os
estudantes ainda se detêm nos instrumentos aos quais já estão acostumados, como trabalhos
em grupo, provas e testes. Quase não houve sugestão de novos instrumentos a serem usados
com fins avaliativos na aula de inglês. Os instrumentos indicados, especialmente aqueles que
já foram utilizados nas aulas de inglês, apresentaram sentidos antagônicos, pois enquanto
alguns jovens indicavam gostar de determinados instrumentos, outros os designavam como os
quais não gostavam, o que nos permite inferir que, para acontecer uma avaliação qualitativa,
faz-se necessário contemplar todas essas escolhas, que podem ser desenvolvidas a partir de
etapas na própria sala de aula.
Ainda durante o seminário, na fase de implementação dos instrumentos avaliativos,
também definida por nós como a fase de intervenção da pesquisa, decidimos fazer uma
entrevista que nos trouxesse maiores esclarecimentos sobre as colocações dos estudantes a
respeito dos instrumentos avaliativos que preferem que façam parte das suas avaliações de
língua inglesa, doravante. A entrevista utilizada foi semiestruturada, por entendermos que
durante sua realização poderia surgir a necessidade de mais questionamentos.
Organizamos as respostas da entrevista em quadros que se remetem às categorias de
análise pretendidas, antepondo a esses quadros a pergunta geradora das respostas e pospondo
aos quadros a análise que as repostas obtidas suscitam.
84
Iniciamos a entrevista com a pergunta abaixo, desdobrada em dois questionamentos: o
primeiro referindo-se aos instrumentos avaliativos que podemos usar para desenvolvermos as
habilidades pretendidas pelos PCNEM e o segundo interrogando os estudantes a respeito do
uso dos instrumentos avaliativos tradicionais na sala de aula.
Pesquisadora: Os Parâmetros Curriculares para o Ensino Médio apontam que
devemos desenvolver quatro habilidades ao aprendermos uma língua
estrangeira: falar (speaking), ler (reading), ouvir e entender o que se ouve
(listening) e escrever (writing) na língua alvo. Que instrumentos de avaliação
poderíamos usar para chegar a tais habilidades? Podem falar dos instrumentos
que já existem ou dar ideias de outros instrumentos. Por exemplo, sugeriram
que (os estudantes) gravem suas falas em seus celulares, para [...] que eles
mesmos verifiquem em casa suas aferições de conhecimentos auditivos em
inglês. [...] E quanto aos outros instrumentos tradicionais que nós temos? Por
exemplo: vocês acham que deveria, que deva ser abolida a [...] prova escrita?
Caderno
Mídias digitais
Audiovisuais
Teatro
Aulas em ambientes diferenciados da escola
QUADRO 8 – Instrumentos de avaliação que contemplem as habilidades linguísticas sugeridas pelos PCNEM
Fonte: Dados da pesquisa.
Observando esse quadro, verificamos que os estudantes indicaram instrumentos e
recursos que a professora já utiliza em sala de aula, porém não de forma avaliativa, como, por
exemplo, as peças teatrais, geralmente realizadas quando se organiza algum evento na escola,
apenas para fins de apresentação. O uso de videoclipes, contemplados na indicação de se
avaliar por meio das aulas que fizessem uso de recursos audiovisuais, bem como o uso de
músicas no idioma inglês eram práticas corriqueiras durante as aulas, cujos objetivos
voltavam-se para as práticas auditivas, conhecidas como listening. Porém, essas atividades
realizadas não apresentavam caráter avaliativo.
A partícipe EC17 sugere atividades avaliativas relacionadas com os outros ambientes
escolares, justificando que a sala de aula estanque não é atrativa para os “alunos que torcem
para sair da sala”, em suas palavras. Notamos que é comum e recorrente nas colocações da
estudante a expressão “avaliação indireta”, uma vez que ela concebe a avaliação como uma
“forma indireta” de aprender, recordando-nos também da tensão psicológica que muitos
estudantes desenvolvem ante a realização dos exames formais. Essa tensão não se faz presente
85
numa avaliação em que o aprendiz não sabe se está sendo avaliado, ou seja, numa avaliação
“indireta”, como pondera EC17.
A sugestão do uso de mídias digitais chama a atenção da pesquisa, porque não se pode
ignorar as atribuições sociais que essas mídias desempenham na atualidade, já que nem todas
as pessoas sabem ainda fazer o uso correto e devido delas, sendo, portanto, elementos
possíveis de se promover uma avaliação, já que para utilizar as mídias os estudantes precisam
desenvolver habilidades linguísticas condizentes com elas.
A indicação do caderno enquanto instrumento avaliativo, uma vez que nele estão
contidos os registros, as atividades, o cuidado com a organização do conteúdo e mesmo a
apresentação da escrita do estudante, por meio de sua caligrafia, lembrando que a escrita é
uma das habilidades pretendidas pelos PCNEM, remete-nos ao portfólio, instrumento de
autoavaliação contínua que contém evidências do progresso e reflexões sobre o andamento do
trabalho do estudante (VILLAS BOAS, 2008).
As respostas fornecidas ao segundo questionamento presente na pergunta de pesquisa
se referiram aos instrumentos tradicionais (que entendamos aqui como os instrumentos que
PC já utiliza há algum tempo na escola pesquisada) e geraram o seguinte quadro:
Inexistência da prova escrita
Mais atividades orais e de pronúncia
Rever a finalidade dos instrumentos tradicionais
QUADRO 9 – Posicionamento ante os instrumentos avaliativos tradicionais
Fonte: Dados da pesquisa.
Nesse segundo quadro, percebemos uma confirmação da depreciação do instrumento
tradicional prova escrita, com o posicionamento extremo de alguns participantes para que não
houvesse mais a utilização dela na avaliação dos conhecimentos dos estudantes. Outra
observação que figura no quadro partiu, dentre outros participantes, de EC26, que, na
oportunidade de produzir o seu desenho, expressou por meio deste que não gostava de prova
oral, um instrumento tido por tradicional entre os estudantes da escola pesquisada. Porém,
EC26, durante a entrevista, cita que deve haver mais trabalho oral “por causa da pronúncia”.
Essa divergência de opinião em dois momentos distintos da pesquisa nos mostra que há uma
consciência, por parte dos estudantes pesquisados, a respeito do que gostam de fazer e do que
é necessário fazer para aprenderem outro idioma.
Para permanecer com os demais instrumentos avaliativos já conhecidos, uma das
participantes, EC9, sugere rever as finalidades destes, apontando, provavelmente, a falta de
86
um retorno (correção comentada), quando observa que os trabalhos são pedidos apenas para
gerar pontos, não desenvolvendo aprendizagem nos envolvidos.
De um modo geral, os estudantes veem necessidade de permanecer a fazer uso de
instrumentos tradicionais para a avaliação de suas aprendizagens, mas sinalizam que sejam
revistas suas finalidades e prioridades.
Ainda a respeito de se avaliar suas competências e habilidades, foi feita a seguinte
pergunta, referindo-se à relação entre as notas obtidas pelos instrumentos avaliativos
empregados e a aprendizagem dos estudantes:
Pesquisadora: Bom, pessoal, e quanto às notas? A avaliação qualitativa, que é o
tema do nosso seminário, ela quer ver mais a qualidade do que a quantidade.
Porque muitas vezes você, no nosso caso, o professor, chega para um aluno e
classifica-o com um 60, um 10, um 7,0, um 80. Essas notas não têm muito
significado, para nós que trabalhamos com a avaliação qualitativa. Nós
queremos que esses estudantes realmente cheguem em casa, ou na escola
mesmo, e sintam que eles aprenderam. Não que se preocupem apenas com uma
nota, se passou de ano ou não.
Com essa pergunta, os estudantes que a responderam opinaram que não encontram
sentido nas notas se não há aprendizagem. Eles se dizem insatisfeitos ao apontarem o fato de
passarem o ano (letivo) inteiro estudando e não aprenderem muita coisa. Em relação a esse
entendimento, destacamos a observação de EC19: “Não aprendi, passaram outro conteúdo” e
a de EC9: “A gente não aprende pela questão que os professores estão mais preocupados em
cumprir com o seu currículo [...] cumprir com o que está planejado [...] independente se o
aluno aprende ou não. Muitas vezes, é isso que acontece”. Essas constatações referem-se à
conduta dos professores de modo geral, os quais, ao procurarem cumprir com o currículo de
sua disciplina, de certa forma, negligenciam a aprendizagem, porque, ao avançarem em seus
conteúdos, avaliando-os, logo prosseguem com outros conteúdos, não considerando se os
estudantes aprenderam os anteriores.
Essa postura adotada por alguns docentes nos faz entender que para eles a avaliação é
parte distinta do processo de ensino-aprendizagem, tendo como função apenas a checagem
dos conhecimentos a respeito dos conteúdos ministrados. A essa avaliação não cabe
identificar em que ponto o conhecimento dos estudantes se mostra carente, porque ele não
será retomado, outros conteúdos deverão ser ensinados e, por conseguinte, avaliados,
independentemente do fato de os estudantes aprendê-los ou não.
87
Os estudantes entrevistados também revelaram que, quando não aprendem, os
professores os responsabilizam por isso. A partícipe EC18 coloca em sua fala que alguns
professores “costumam dizer: „vocês não querem se esforçar‟ [...] eu dou minha aula
independente de você estar ou não, eu recebo [meu pagamento] do mesmo jeito‟”. Essas
frases, no nosso entendimento, são uma forma de o professor chamar a atenção do estudante
enquanto aquele que precisa da aprendizagem.
Embora não estejamos em concordância com o procedimento docente delatado pelos
estudantes, convém lembrarmos que a prática dos professores ainda é muito cerceada pelas
imposições escolares, tanto administrativas como pedagógicas, que praticamente direcionam o
fazer docente em sala de aula.
A avaliação é importante e necessária, mas, muitas vezes, está desvinculada
dos objetivos propostos e dos conteúdos ensinados, perdendo a sua relação
com os processos de ensino e aprendizagem. Outras vezes ela serve aos
interesses do professor ou do sistema de ensino, desvinculando-se
também, nesse caso, da relação professor-aluno (FLAIN-FERREIRA, 2005,
p. 2, grifo nosso).
Na escola, existem diversas imposições: há imposição quanto ao valor que deve se dar
aos instrumentos avaliativos utilizados, quanto a uma cartela de conteúdos a serem aplicados
durante o ano, quanto ao número de aprovações que deve haver ao término do período letivo.
Nesse sentido, imposições ainda são a realidade de muitas escolas brasileiras. Apesar das falas
educativas para “olhar a realidade dos alunos”, os professores se sentem julgados e
pressionados a cumprirem com suas imposições referentes à sala de aula, porque, assim como
o estudante teme adjetivos pejorativos relativos ao seu desempenho escolar, o docente
também se preocupa com o aviltamento da sua prática, ao deixar de cumprir com o que dele
se espera.
Uma vez que a entrevista conduzia-se para um entendimento a respeito de como
deveria ser avaliada a aprendizagem dos estudantes em língua inglesa, apesar de as respostas
dos entrevistados se referirem também às outras áreas do conhecimento lecionadas na escola,
e já que o inglês figura como apenas uma das disciplinas, sujeita às mesmas imposições
avaliativas das demais no âmbito escolar pesquisado, indagamos acerca de sugestões para
modificações nas avaliações escolares, na terceira pergunta da entrevista, a saber:
Pesquisadora: Se vocês tivessem o poder de modificar as avaliações da escola,
o que vocês modificariam?
88
Avaliações dinâmicas
Avaliações indiretas
Avaliações que façam uso de diversas habilidades
Diversidade de instrumentos avaliativos
Mais trabalhos em grupo
QUADRO 10 – Sugestões para modificação das avaliações escolares
Fonte: Dados da pesquisa.
A partir dessas respostas a respeito de indicações para modificar as avaliações
escolares, os estudantes sugerem a diversidade de instrumentos e defendem a ideia de uma
avaliação mais dinâmica. No intuito de contribuir com o processo avaliativo, faz-se necessário
informar que muitos educadores ainda utilizam apenas a prova escrita como único
instrumento de aferição de conhecimentos de seus educandos, evidenciando talvez o que
Villas Boas (2008, p. 17) chama de problema: “o problema está na confusão que se faz entre
prova e avaliação. Não são sinônimos. A prova pode fazer parte da avaliação, mas esta não se
reduz a ela”.
Analisando as sugestões feitas pela perspectiva de aplicá-las durante a avaliação da
disciplina de língua inglesa, uma ideia nos chamou a atenção, que foi a do participante EC5,
ao propor uma prova que avaliasse as quatro habilidades linguísticas requeridas pelos
PCNEM na aprendizagem de uma língua estrangeira. Considerando que a escola pesquisada
impõe na sua portaria de avaliação que a prova escrita deve valer 50% do total dos pontos a
serem obtidos em um semestre e que a professora pesquisada fazia uso desse instrumento
apenas em prol das habilidades de leitura e escrita, havia a dificuldade de se distribuir os
pontos com equidade entre os demais instrumentos avaliativos empregados no semestre letivo
com fins de avaliar as outras habilidades pretendidas. A sugestão de EC5, portanto, pareceunos viável para suplantar essa dificuldade.
A avaliação indireta ou informal, e o modo como ela se articula com a avaliação
formal, é mais uma vez mencionada durante a pesquisa (VILLAS BOAS, 2008), por isso nos
deteremos um pouco em fazer uma comparação entre as duas. Consideramos que há todo um
ritual enquanto se realiza uma avaliação formal, em que, por vezes, até a cor da tinta da caneta
é levada em consideração como pré-requisito ao se realizar uma determinada avaliação.
Tomemos como exemplo a realização de uma prova escrita: nela, a postura do estudante é
diferente, deve ser. Não é permitido cantar, conversar com os colegas, consultar o material de
ensino, o erro não é permitido. Se o estudante marcar uma questão, refletir melhor e entender
89
que sua resposta está incorreta, elegendo nova resposta, ele não pode usar seu corretivo,
porque rasurar sua prova já o faz perder a questão. O professor, por sua vez, não está ali como
o companheiro diário das aulas, mas assume uma personalidade de fiscal, desenvolvendo
atitudes mais rígidas e rigorosas a respeito do cumprimento das determinações que estipulou
para a realização do exame que se propôs a fazer. Agindo dessa forma, pensa que está
preparando seu estudante para os muitos exames que este irá ter pela frente. De fato está, mas
o presente momento da aprendizagem fica preterido em prol de avaliações futuras, às quais
nem todos os estudantes pretendem se submeter.
Diferenciando a avaliação formal da informal, Villas Boas (2008, p. 23) esclarece:
A diferença entre a avaliação informal e a formal é que a informal nem
sempre é prevista e, consequentemente, os avaliados, no caso, os alunos, não
sabem que estão sendo avaliados. Por isso deve ser conduzida com ética.
Precisamos nos lembrar sempre de que o aluno se expõe muito ao professor
ao manifestar suas capacidades e fragilidades e seus sentimentos. Cabe à
avaliação ajudar o aluno a se desenvolver, a avançar, não devendo expô-lo a
situações embaraçosas ou ridículas. A avaliação serve para encorajar e não
para desestimular o aluno.
Ao proporem uma avaliação informal, os estudantes buscam mostrar sua competência
no ambiente de sala de aula, que já lhes é familiar, utilizando os recursos de que dispõem para
melhor compreenderem o que lhes está sendo ensinado. Em uma avaliação informal, mesmo o
uso de instrumentos tradicionais pode ser conduzido de forma menos rigorosa, para que o
educando não se sinta testado, nem julgado, mas como alguém que deve exercitar o que
aprendeu.
No decorrer da entrevista, teve início uma discussão em torno do instrumento
avaliativo prova, por ser, a nosso ver, privilegiado em relação aos demais. A professora
defendia a prova alegando ser esse instrumento o mais utilizado em concursos e exames
nacionais, enquanto que alguns estudantes rebatiam, justificando que a prova não seria
suficiente para demonstrar o saber deles. A opinião da professora colaboradora tem se
mostrado recorrente, inclusive para outros professores que compartilham da mesma opinião
da pesquisada, ao justificarem o uso excessivo do instrumento avaliativo prova, tomando
como base o desempenho da sua escola nas avaliações nacionais. Del Castillo (2011, p. 48)
afirma que “os problemas de cada escola são diferentes e as avaliações externas não mostram
isso. Para avaliar, é preciso acompanhar o dia a dia da escola. Não basta estar fora e
simplesmente colocar o termômetro”. Diante disso, podemos nos questionar: o termômetro,
90
representação adequada para os exames nacionais, pode realmente atestar como se encontra a
educação brasileira?
Refletindo sobre esse questionamento, elaboramos outra pergunta, com a finalidade de
saber daqueles que são os mais afetados por essas avaliações, os estudantes, cujas posições na
sociedade dependem, em parte, da aprovação ou reprovação nas avaliações nacionais, que
sugestões poderiam ser feitas para que se fizessem modificações eficazes e mais precisas em
uma avaliação voltada para o ingresso nas universidades, locais, por excelência, destinados à
formação dos futuros profissionais brasileiros. Assim sendo, encerramos a entrevista com a
seguinte pergunta:
Pesquisadora: [...] Porém, pessoal, nós vemos que essas provas valem mais,
até, talvez, pelos exames nacionais, como vestibulares, Enem [...] todos eles
usarem a prova escrita, concursos, [...] como a maior exigência feita para a sua
entrada, o seu ingresso. O aluno só irá entrar se tiver tirado nota boa em suas
provas. Se você tivesse como modificar isso... como você faria para o aluno
entrar... na universidade, por exemplo?
Análise do histórico escolar do estudante
Estágio na área pretendida
Exames vocacionados, que só façam uso das disciplinas pertinentes a cada área
Mais opções de exames, além do escrito, que identifiquem melhor as aptidões dos futuros
universitários
Melhor distribuição do tempo de acordo com o número de questões propostas, quando se tratar
de exame escrito
QUADRO 11 – Sugestões dos estudantes para modificação das avaliações nacionais cuja finalidade seja o
ingresso nas instituições de ensino superior
Fonte: Dados da pesquisa.
Nessa última pergunta da entrevista, são sugeridas alternativas para ser avaliado o
conhecimento nos exames nacionais, que são os principais norteadores para os processos de
ensino regionais e locais. Inicialmente, os estudantes apontam: uma vez que estão à procura
de notas para o ingresso nas universidades, que se leve em consideração o histórico escolar
dos futuros universitários, pois nele está impressa toda a trajetória estudantil, com frequência,
notas e observações pertinentes ao seu desempenho. O partícipe EC5 assim sintetiza sua
justificativa para que seja observado seu histórico escolar: “Eu acho que deveria haver um
exame do meu histórico desde a primeira série, até o terceiro ano. [...] Durante todo esse
tempo eu estudo, tiro notas boas, sou um bom aluno, aí quando eu vou fazer as provas do
91
ENEM, do concurso de vestibular, deixo de passar [...] eu deixo de entrar, pelo nervosismo eu
não consegui tirar uma nota boa, por causa só de uma prova? É isso, não se decidir por uma
prova, deve se olhar todo o meu histórico escolar”.
O estudante cobra uma avaliação contínua que não despreze toda a sua trajetória
estudantil no ensino médio, desde o primeiro até o terceiro ano. Se entendermos, conforme os
documentos oficiais preconizam, que o ensino médio também é uma etapa preparatória para o
trabalho (BRASIL, 2002), não poderemos ter uma carreira interrompida por apenas um
método de verificação do desempenho, ignorando o que o discente construiu ao longo de sua
passagem pelo ensino médio. Luckesi (2011, p. 407) afirma que “o histórico escolar do
estudante garante o registro da informação acerca da qualidade do seu desempenho, em
determinado momento da sua vida, na instituição escolar pela qual foi educado”. Além da
análise do desempenho discente, a avaliação do histórico escolar ainda pode revelar, por
exemplo, aptidões e identificações com determinadas disciplinas, peculiares a cada área do
conhecimento, o que a nosso ver facilitaria a escolha da futura profissão por parte dos
estudantes.
Uma outra sugestão apontada pelos participantes foi um estágio voltado para a área em
que se pretende atuar, o qual deveria acontecer enquanto ainda são estudantes do ensino
médio. Conforme o desempenho do discente no estágio, o educando ingressaria ou não na
universidade pretendida. O estágio é como um treinamento prévio da profissão que se
pretende desenvolver, indicado pelos estudantes para verificar se existe vocação nas
profissões que serão estagiadas, porque é sabido que muitos jovens às vezes ingressam nas
universidades motivados por escolhas de familiares ou de amigos, não se identificando com o
curso após terem nele ingressado.
Os estudantes participantes da entrevista se mostraram críticos quanto ao sistema
avaliativo nacional que estão prestes a enfrentar, uma vez que são pré-concluintes do ensino
médio, e atribuem isso a uma forma proposital de dificultar a continuação de seus estudos.
Eles defendem que o ingresso nas universidades brasileiras deva acontecer de forma
vocacional, tendo em vista as qualidades e aptidões dos interessados nas profissões que
deverão exercer, não em um modelo padronizado e estático de uma avaliação excludente e
classificatória.
Eles ainda apontaram, durante a discussão levantada, a falibilidade das provas escritas
usadas nesses processos, e não seria falta de ética mencionar algo que já é de domínio público
– as falhas apresentadas anualmente pelo ENEM, como vazamento de informações, entre
outras. Uma resposta que pode parecer um tanto intransigente, diante da seriedade do assunto,
92
foi colocada por EC11, ao dizer aos demais que levaria uma moeda para fazer a prova do
ENEM, mostrando certa desvalorização do instrumento avaliativo prova escrita, que, para
esse jovem, não demonstra que alguém precise estar preparado para resolvê-lo, basta para isso
fazer “joguinhos” de sorte, como o “cara ou coroa”.
As opiniões desses participantes sobre as formas de se avaliar em exames nacionais
colaboram com os propósitos da pesquisa, uma vez que a presença das línguas estrangeiras se
encontra inserida neles e pelo fato de, enquanto educadores, não deixarmos de ter certa
apreensão a respeito do desenvolvimento de nossos aprendizes nesses exames, que acabam
virando propaganda de fracasso ou sucesso de muitas instituições de ensino e de muitos
professores.
De posse das opiniões emitidas, demos por encerrado o nosso seminário, assim
finalizando também a primeira etapa da fase de intervenção da pesquisa proposta e passando
para a segunda, ao colocarmos em prática os instrumentos avaliativos indicados pelos
participantes e ao registrarmos, com a observação participante, os efeitos deles resultantes.
Durante o período em que nos dedicamos à observação, pudemos ver o empenho dos
nossos jovens estudantes ao protagonizarem suas avaliações. A assiduidade e a participação
deles foram notadamente acentuadas. Os estudantes e a professora colaboradora passaram a
dividir as responsabilidades advindas do processo avaliativo. Vale salientar que mesmo os
estudantes que não participaram de forma direta da pesquisa empreendida, por não terem
respondido a alguns dos instrumentos utilizados para a geração de dados, envolveram-se com
os demais colegas e realizaram as atividades avaliativas propostas.
Devido a uma questão de tempo, não foi possível aplicar todos os instrumentos
sugeridos de forma avaliativa (alguns já haviam sido usados anteriormente), o que não
prejudicou o andamento da investigação. Optamos por citar, mediante cada instrumento
avaliativo empregado, os conteúdos utilizados pela PC, por terem sido os mesmos
recentemente aplicados, portanto, os que precisavam ainda ser avaliados, uma vez que já
haviam acontecido avaliações antes da fase de intervenção da pesquisa.
Seguindo as sugestões da maioria, a professora colaboradora realizou uma atividade
em grupo, dividindo a classe de forma a mesclar os estudantes com maior domínio do
conteúdo aplicado anteriormente (false cognates or false friends) com os outros estudantes
que ainda apresentavam alguma dificuldade nesse conteúdo, promovendo assim um equilíbrio
entre os componentes dos grupos formados. Para não haver estudantes sem participar, as
atividades começaram ainda na sala de aula, onde recebiam orientações específicas à
contribuição de cada um.
93
A prova escrita, instrumento determinado pela portaria de avaliação da Escola
Inovadora, foi elaborada e aplicada conforme as sugestões dos estudantes. Contemplava as
quatro habilidades pretendidas pelos PCNEM e foi estruturada em quatro partes, com a
pontuação dividida igualmente entre cada uma destas. Foram contemplados nessa prova os
seguintes aspectos: vocabulário, pronúncia, percepção auditiva, conhecimentos gramaticais,
interpretação textual e produção textual. Os estudantes apreciaram esse exame, porque
ninguém se sentiu prejudicado e assim puderam identificar suas aptidões e desempenho
mediante as habilidades trabalhadas, uma vez que, não conseguindo bons resultados em uma
das partes da prova, havia a possibilidade de obterem em outra.
A professora utilizou ainda duas formas de avaliação informal, examinando os
estudantes sem que estes percebessem: uma aula de conversação com frases já conhecidas
pelos estudantes, introduzindo palavras novas (phrasal verbs) e uma dinâmica de grupo
(fazendo uso do imperative). Nas duas avaliações indiretas, a nota foi concedida pela
participação e observação aos critérios esclarecidos antes da realização das atividades.
Percebemos que houve uma assimilação da docente no que diz respeito a aliar a
avaliação com o ensino, algo que enriqueceu sua prática pedagógica. Ao incluir as sugestões
dos educandos na sua prática avaliativa, envolveu-os na construção do processo, cedendo-lhes
um novo lugar e um novo discurso, mediante os resultados obtidos. Os discentes que já
concebiam a avaliação dessa forma agiram como participantes ativos de seu processo de
avaliação, sendo protagonistas de seus resultados.
4.3 REFLEXÃO SOBRE A PARTICIPAÇÃO ESTUDANTIL NA CONSTRUÇÃO DO
PROCESSO AVALIATIVO
A terceira fase, conclusiva das etapas propostas para este trabalho de pesquisa ação,
denominada de fase de pós-intervenção, veio nos fornecer uma compreensão acerca das
opiniões dos estudantes envolvidos na pesquisa no que se refere à sua participação no
processo avaliativo de língua inglesa na escola. Procuramos fundamentar essa fase da
pesquisa por meio de uma autoavaliação aplicada com alguns dos estudantes envolvidos pela
pesquisa empreendida. Uma vez que estávamos no campo desenvolvendo anotações, não seria
necessária a opinião de todos os trinta e cinco estudantes, parecendo-nos suficiente uma
representação de dez pessoas. Essas dez pessoas foram voluntariamente selecionadas.
Com a autoavaliação, procuramos saber as opiniões discentes não somente sobre
questões referentes à sua avaliação de língua inglesa, mas também a respeito de uma
94
característica do Ensino Médio Inovador, qual seja, a separação das disciplinas por blocos.
Dessa forma, procuramos também contribuir com essa etapa de ensino, cuja proposta
metodológica ainda é nova em nosso país.
Ainda dessa vez, aproveitamos a oportunidade para perguntar se eles tinham
preferência por algum instrumento avaliativo, tendo em vista que não sabíamos quem iria
responder a essa autoavaliação, já que algumas pessoas, como explicamos anteriormente, não
haviam respondido a qualquer instrumento de geração de dados durante a pesquisa. Como
apenas um novo participante direto surgiu e citou os instrumentos outrora indicados pelos
demais, decidimos não nos deteremos neste item.
As respostas obtidas por essa autoavaliação estão organizadas em quadros. Iniciamos
nossas perguntas nos remetendo à metodologia adotada pelo EMI, qual seja, a de separar as
disciplinas curriculares em dois blocos semestrais, assim apresentando aos educandos da
Escola Inovadora a oportunidade de defenderem ou não essa metodologia.
Melhora as notas
Melhora a aprovação
Torna o ensino menos cansativo e menos complicado
O tempo mais bem aproveitado (otimizado)
O ensino fica mais organizado e fácil
Fica mais fácil para estudar as matérias
Nessa nova modalidade os estudantes ficam mais atarefados
Não é interessante e sim complicado
QUADRO 12 – Opiniões dos estudantes sobre as disciplinas separadas por blocos
Fonte: Dados da pesquisa.
Os estudantes consultados, em sua maioria, aprovaram a metodologia do EMI de
separar as disciplinas por blocos, admitindo que estudar dessa forma se torna mais fácil,
porque as disciplinas ficam organizadas e aparentemente diminuem o seu número, o que lhes
proporciona uma otimização do tempo ao estudá-las. Nessa metodologia, o número de aulas
requisitado para cada disciplina permanece o mesmo, sendo que algumas disciplinas são
ofertadas durante o primeiro semestre e assim suas aulas semanais são duplicadas. O mesmo
acontece no semestre seguinte, com as disciplinas ainda não estudadas pelos discentes. Dessa
forma, os estudantes terão Geografia em um bloco e História em outro bloco, por exemplo.
Com o número de disciplinas aparentemente diminuído e as aulas das disciplinas que
estão cursando aumentadas, os professores se veem com mais tempo para investir na
95
aprendizagem de seus estudantes, chegando a requisitar mais atividades. Em decorrência
disso, alguns estudantes, como EC28 e EC35, acham que seu desempenho melhorou, ao
expressarem que “melhorou a aprovação” e que ficou mais fácil para o educando “tirar notas
boas”, segundo EC16. Apenas uma estudante, EC4, achou complicado estudar dessa forma,
porque são exigidas muitas atividades, o que, de acordo com ela, a deixa muito atarefada.
A proposta da avaliação qualitativa para o ensino de língua inglesa no ensino médio
defendida pela pesquisa parte do princípio de que essa avaliação deve ser de responsabilidade
de ambas as partes do processo de ensino-aprendizagem, ou seja, docentes e discentes. Tendo
as atividades avaliativas sido realizadas por meio dos instrumentos avaliativos sugeridos pelos
estudantes, buscamos entender destes se procuraram participar das atividades propostas, agora
cientes de sua corresponsabilidade nesse processo.
ESTUDANTES REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES FREQUÊNCIA PARTICIPAÇÃO
06
Fizeram todas
Assídua
Boa-excelente
03
Não fizeram algumas
Regular
Regular
01
Perdeu diversas
Ruim
Razoável
QUADRO 13 – Realização, participação e frequência dos estudantes nas atividades avaliativas
Fonte: Dados da pesquisa.
Os estudantes consultados, em sua maioria, realizaram todas as atividades por eles
propostas, classificando sua participação como boa ou excelente e tendo assiduidade às aulas.
Os partícipes EC5 e EC4, por exemplo, definem-se como estudantes assíduos, pois, mesmo
quando precisavam faltar, justificavam sua ausência, demonstrando compromisso com sua
aprendizagem. Os estudantes que responderam não terem feito algumas atividades atribuem
isso a algumas vezes que precisaram faltar às aulas e classificam sua participação como
regular. Esse também parece ser o motivo pelo qual o partícipe EC25 define sua participação
como razoável, ao assumir que sua frequência às aulas é ruim.
Antes da intervenção da pesquisa, foi observado que, no dia da prova, muitos
estudantes que não eram assíduos nas aulas não avaliativas (que aconteciam separadamente,
como já explicamos ao longo do trabalho) frequentavam as aulas avaliativas, talvez com o
propósito de obterem notas.
Ao assumirem que para que a participação melhore (e consequentemente os resultados
da aprendizagem) é primordial a frequência às aulas, os estudantes mais uma vez demonstram
96
que não separam o processo de ensino do processo de avaliação, deixando esta orientação
para os docentes: que esse processo aconteça de forma indissociável nas aulas cotidianas.
Ainda sobre a avaliação desenvolvida na escola, buscamos entender se esses
estudantes se mostravam satisfeitos com o seu desempenho na aprendizagem do inglês; para
tanto, mediante o desempenho apresentado, era necessário que analisassem criticamente o
merecimento de sua nota. Buscamos separar desempenho de nota, entendendo que o
desempenho está mais relacionado ao desenvolvimento do educando na disciplina ensinada,
enquanto que a nota está compreendida como uma das formas de registro burocrático de sua
aprendizagem na língua inglesa. Dividimos o questionamento feito em dois quadros, por
questão de organização, porém não os analisaremos de maneira separada.
ESTUDANTES DESEMPENHO
NOTAS QUE MERECEM
02
Regular-ruim
Nota suficiente para aprovação
01
Regular-bom
Nota baixa
01
Regular-bom
Nota suficiente para aprovação
04
Bom-ótimo
Nota alta
01
Bom-ótimo
Nota suficiente para aprovação
01
Bom-ótimo
Nota baixa
QUADRO 14 – Desempenho estudantil e análise crítica sobre os resultados expressos em notas
Fonte: Dados da pesquisa.
NOTA BAIXA
NOTA SUFICIENTE
NOTA ALTA
Não aprender nada
Não ter boa frequência
Aprender muitas coisas
Não gostar da disciplina
Achar
a
disciplina Assistir
complicada
todas
as
aulas,
estudar muito, participar de
todas as atividades
Não fazer todas as atividades
Ter
assiduidade
participação
Não saber de tudo o que foi Ter dedicação aos estudos
explicado
QUADRO 15 – Justificativas dos estudantes para as notas pretendidas
Fonte: Dados da pesquisa.
e
97
Em face das respostas apresentadas nos dois quadros, percebemos que as situações se
intercalam com as respostas demonstradas nos quadros anteriores. Por exemplo, se atentarmos
para as respostas de EC27, teremos que a estudante realizou todas as atividades, era assídua
nas aulas, seu desempenho oscila entre bom e ótimo e ela acha que merece uma nota alta por
ter estudado muito, participado de todas as atividades e assistido a todas as aulas. Quer dizer,
os estudantes reconhecem que merecem as notas obtidas a partir dos esforços que
empreenderam. Em nenhum momento dessa fase de pós-intervenção houve acusação dos
discentes envolvendo a docente PC quanto aos resultados obtidos. Segundo ela, isso ocorria
antes dos procedimentos realizados com a participação dos estudantes, que se sentiam
injustiçados por suas notas e a acusavam de “perseguição”, entre outras colocações não
lisonjeiras.
Os estudantes estavam habituados a não participarem de seu processo avaliativo de
forma direta e atribuíam o seu sucesso ou insucesso escolar unicamente à pessoa da
professora. Ao tomarem parte nas decisões concernentes à avaliação empregada, mostraramse autocríticos, conscientes de que as notas obtidas nas disciplinas e os resultados por elas
previstos dependem de seu desempenho e de sua participação nas aulas que frequentam. Ao se
corresponsabilizarem pelas avaliações de sua turma, não mais se vitimizaram em busca de um
responsável por seus resultados, mas desenvolveram senso de responsabilidade para com seus
deveres estudantis.
Concluindo nossa análise, a última pergunta direcionada da autoavaliação discorria
sobre as opiniões dos estudantes a respeito das sugestões por eles apresentadas (e acatadas) no
processo avaliativo.
98
Regular – ruim
Deveria ter sido mais bem aproveitada pelo
estudante
O estudante preferia ter tido mais explicações
a respeito
Boa – ótima
A professora soube explicar bem a avaliação
Avaliação mais fácil e boa de fazer
O estudante aprendeu bastante com ela
(avaliação)
Uma avaliação dinâmica, que deu para
aprender tudo
A professora procurou saber dos alunos sobre
esse assunto
Avaliação interessante, modo de aplicar
interessante
Avaliação
que
merece elogios,
pois
a
professora explicou suas aulas de vários
modos
A estudante aprecia a nova avaliação realizada
QUADRO 16 – Opinião dos estudantes sobre a avaliação de língua inglesa desenvolvida a partir das sugestões
deles
Fonte: Dados da pesquisa.
A nova forma de avaliação desenvolvida na escola, segundo os participantes,
aumentou as chances de haver mais aprendizagem no idioma inglês, porque os estudantes
ficaram mais comprometidos com as aulas. Percebemos a junção dos processos de ensinar e
avaliar pela frase de EC28, quando coloca que “a professora explicou suas aulas de vários
modos”, denotando que as aulas estariam inseridas na avaliação e vice-versa. A aprendizagem
do idioma fica subtendida nas colocações de EC35: “Aprendi bastante com essa avaliação” e
EC3: “Agora a avaliação é dinâmica, deu pra aprender tudo”. A partir do modo de se
expressar desses estudantes, entendemos que a avaliação proposta pela pesquisa ação
desenvolvida acarretou mudanças positivas para o ensino-aprendizagem de língua inglesa.
Mesmo analisando as opiniões desfavoráveis, como a do partícipe EC25, que achou a
avaliação aplicada “muito ruim, por falta de explicação”, percebemos o seu senso de
responsabilidade despertado, uma vez que o estudante admitiu não ter frequentado todas as
aulas, estando aí, talvez, o motivo de querer mais explicações a respeito.
99
Tendo obtido essas opiniões em forma de autoavaliação, concluímos a geração de
dados da pesquisa empreendida, por vermos que os objetivos propostos foram alcançados.
O estudante do EMI da escola pesquisada mostrou-se um protagonista, um construtor
da sua avaliação, que passou a acontecer de maneira descentralizada da pessoa da docente,
tida agora como uma parceira desse processo, trocando com seus aprendizes experiências e
saberes, como se espera de uma educação que prima pela qualidade.
Verificamos que ações tão simples, como acatar as sugestões dos estudantes, foram
promotoras de grandes mudanças. Uma delas, talvez a mais significativa, é o reconhecimento
de cada educando como o responsável maior pelos seus resultados. Ao admitir seus esforços e
suas lacunas no ato de aprender uma língua estrangeira, classificando o seu desempenho
mediante avaliações que foram realizadas por sugestões suas e de seus pares, o aprendiz passa
a conviver com a sua nota, não de maneira egoísta, tentando justificá-la com acusações contra
a pessoa da professora, mas de maneira realista, ao relacionar o resultado à sua performance
durante o período letivo de que tomou parte.
100
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
________________________________________________________________
Conta-se a respeito de Alexandre, O grande, que ele, quando menino, certo dia, estava
a olhar o treino dos cavalos de seu pai, o rei Felipe da Macedônia. Durante o treino, um dos
cavalos não se permitia ser montado por ninguém. Os cavaleiros mais experientes se
revezavam, na tentativa de montá-lo, mas o animal continuava indomável. Até que Alexandre
pediu permissão a seu pai para montar o cavalo.
Depois de muitas objeções, pelo fato de ser apenas uma criança e de seu pai alegar que
até mesmo os cavaleiros mais experientes do seu reino não haviam conseguido tal façanha,
Alexandre finalmente convence o rei por sua insistência.
Antes de montar no cavalo, dizem que Alexandre fez um gesto aparentemente banal:
trocou o animal de posição, de forma que o cavalo ficasse de frente para o sol, e não de
costas, como estava até então. O que passou despercebido aos olhos do rei e dos experientes
cavaleiros, que o atento menino percebeu, era o fato de que o cavalo estava nervoso por estar
assustado com a própria sombra. Ao trocá-lo de lado, de forma que ele não mais visse a
sombra que o estava assustando, o menino subiu no cavalo, que não lhe apresentou a menor
resistência. O cavalo, chamado Bucéfalo, foi presenteado por seu pai no mesmo dia para
Alexandre (LOBATO, 2004).
O motivo de termos iniciado nossas considerações finais com essa narrativa é que o
objetivo geral de nossa pesquisa, qual seja, produzir conhecimento sobre o processo de
avaliação desenvolvido nas aulas de língua inglesa a partir das contribuições dos estudantes
da segunda série de uma escola pública de ensino médio, foi alcançado com uma atitude
aparentemente simples: ao pensarmos na construção do processo avaliativo de aprendizagem
de língua inglesa, em vez de deixá-lo permanecer sendo da competência única e exclusiva do
professor, este passou a ser escolhido, sugerido e pensado pelo viés do estudante, para quem
ele acontece. Os demais objetivos que concorreram para a realização da pesquisa foram: 1)
diagnosticar e caracterizar o processo avaliativo de língua inglesa da escola pesquisada,
identificando as representações que os discentes atribuem à avaliação; 2) implementar os
instrumentos avaliativos sugeridos pelos estudantes para a realização da avaliação da
aprendizagem de língua inglesa; e 3) refletir sobre a participação discente na construção do
processo avaliativo de língua inglesa.
101
Para alcançarmos essa compreensão, partimos de alguns questionamentos que
nortearam a pesquisa. Resolvemos reapresentá-los nesse momento, refletindo sobre se os
demais objetivos da pesquisa foram alcançados. Inicialmente nos questionamos: Como se
caracteriza a avaliação de língua estrangeira em uma escola pública do ensino médio,
considerando os instrumentos avaliativos utilizados pelos professores, a participação e a
reação dos estudantes a esses instrumentos?
A pesquisa empreendida identificou a avaliação empregada pela professora pesquisada
como unilateral e somativa, portanto quantitativa, pelos seus fins. Ao propor mudanças,
inserindo a participação efetiva e igualitária dos estudantes nas decisões que concernem ao
processo avaliativo de língua inglesa, a professora mostrou-se disposta a dividir suas
responsabilidades e expectativas com os estudantes, passando a avaliação de idiomas agora a
se desenvolver por uma perspectiva qualitativa, em que instrumentos utilizados em momentos
de ensino passaram a ter uso também na avaliação (outro momento de ensino) e novos
instrumentos foram apontados como possíveis sugestões para dinamizar esse processo.
Após a caracterização da avaliação da aprendizagem de língua inglesa, foi do
interesse da pesquisa saber que contribuições o estudante do EM poderia agregar ao seu
processo avaliativo de língua inglesa, sendo este nosso segundo questionamento para a
pesquisa.
Uma das contribuições da nossa pesquisa, portanto, é apontar a possibilidade de
envolver o estudante como um dos agentes construtores de sua avaliação, não o deixando
permanecer, durante o desenvolvimento do processo, como um participante passivo, que
apenas executa a avaliação escolhida por seu professor, porque cogitamos ser esta uma das
características da avaliação tradicionalmente unilateral que se desenvolve na maioria das
instituições de ensino, em que somente o professor rotula, caracteriza e determina o grau de
aprendizagem do educando, deixando-o isento da responsabilidade pelos resultados que
obtém. A pesquisa partiu da constatação de que a avaliação
não deveria ser uma atividade unilateral com um professor fazendo
julgamentos a partir de critérios predefinidos e sim um sistema dinâmico
com aprendizagens envolvidas entre si, fazendo julgamentos sobre eles
mesmos a partir de critérios definidos e negociados de acordo com a situação
de aprendizagem (CANAN, 1996, p. 30).
Ao nos interessarmos pelas opiniões dos estudantes a respeito de suas concepções
avaliativas, refletimos com eles as indicações e representações dos instrumentos avaliativos
que esses estudantes apontaram como melhores indicadores de sua aprendizagem de idiomas,
102
ou seja, os instrumentos que melhor representam as suas reais competências e habilidades
linguísticas, de forma a trazer para a sala de aula a qualidade na aprendizagem e,
consequentemente, na expressão dessa aprendizagem. Assim, o terceiro questionamento da
pesquisa volta-se agora para o público docente: que procedimentos didáticos poderemos
desenvolver para que o estudante do EM sinta-se participante na construção de seu
processo avaliativo e corresponsável pelos seus resultados?
O professor, nesse processo, torna-se um mediador dos estudantes na coconstrução
dinâmica do processo ensino-aprendizagem-avaliação, uma vez que nos indagávamos acerca
do por que de apenas o professor ser tido como responsável pelo desenvolvimento da
avaliação de uma língua estrangeira e, consequentemente, pela apresentação dos resultados
obtidos por esse processo. Cogitamos que, ao dividir as tarefas com seus aprendizes, os
docentes podem agregar qualidade ao processo de avaliação. Assim, apresentamos uma nova
perspectiva para a avaliação, centrada no coletivo, envolvendo ambos os participantes do
processo.
A pesquisa compreendeu que os estudantes do ensino médio possuem uma consciência
mais crítica e reflexiva no que se refere a suas avaliações. Os estudantes participantes deste
estudo demonstram entender que a avaliação é parte constante do processo de ensinoaprendizagem, já que eles apontam que os procedimentos de ensino de idiomas sejam
vinculados à avaliação e não realizados separadamente, como até então estava acontecendo na
escola pesquisada. A opinião estudantil diverge da percepção de alguns educadores, que
tratam o ensino como algo que difere e ocorre separadamente do processo avaliativo (SILVA,
2007).
Esses estudantes não se preocupam apenas com as avaliações escolares, mas têm
interesse e opinam sobre as avaliações nacionais, que, em sua maioria, somente utilizam como
parâmetro os exames. Tais exames, como, por exemplo, o vestibular, mostram-se, para esses
estudantes, como maneiras deficientes de se conhecer as aprendizagens desenvolvidas por
toda uma vida escolar, o que, segundo eles, deveria ser modificado o quanto antes, fazendo-se
uso de instrumentos mais fidedignos da trajetória estudantil, como a observação do histórico
escolar e ainda das aptidões dos jovens para algumas atividades, realizadas em forma de
estágio, que tivessem relacionamento com o curso superior que desejassem ingressar.
Ao serem solicitados para que produzissem imagens relacionadas ao tema avaliação,
os estudantes expuseram seus receios e expectativas a respeito do que idealizam ante as
avaliações que tomam parte e as que desejam que aconteça com mais frequência. Suas
representações, ao se valerem de imagens por eles produzidas para se constituírem,
103
expressaram suas sensações provocadas pelo uso dos instrumentos avaliativos que já
conhecem, fazendo-nos entender os aspectos psicológicos desencadeados pelos instrumentos
e o quanto esses aspectos podem contribuir para a aprendizagem de uma língua estrangeira ou
ainda para impedir que ela aconteça.
A pesquisa também constatou que a escola ainda influencia na avaliação, que deveria
ser assunto da autonomia dos educadores e educandos. A escola privilegia alguns
instrumentos avaliativos em detrimento de outros, o que dificulta o favorecimento das
diversas aprendizagens, especialmente daqueles aprendizes que não apresentam um bom
desempenho quando são avaliados por meio dos instrumentos privilegiados.
Conjeturamos que a criatividade é o que não pode faltar em nossos ambientes de
ensino, uma vez que ela é a responsável pela resolução dos problemas que surgem no decorrer
da prática pedagógica e avaliativa. Como exemplo disso, citamos a sugestão, feita por um
estudante e aceita pela professora pesquisada, de usar uma prova que trabalhasse com as
quatro habilidades básicas pretendidas para o ensino de línguas: falar, ouvir, ler e escrever no
idioma ensinado. A prova, dividida em pontuações iguais por cada habilidade, proporcionou e
privilegiou a aprendizagem do idioma inglês, além de haver superado um problema criado
pela escola, por valorizar o instrumento prova em relação aos demais. A prova tornava-se um
problema para a avaliação das habilidades linguísticas porque, antes da sugestão do estudante,
esse instrumento somente trabalhava com duas das habilidades citadas: a leitura e a escrita.
A pesquisa realizada alcançou os objetivos propostos, mas identificou outras lacunas
no processo avaliativo vigente. Uma dessas lacunas é o fato de a avaliação já ser divulgada de
maneira pejorativa, como algo que deve ser ruim, difícil, complexo. Tal divulgação, até
mesmo pela mídia impressa, demonstra a cultura avaliativa do país? Por que privilegiar os
exames, se estes são apontados como os instrumentos que mais provocam essas sensações de
dificuldade e complexidade? Vemos que para responder a essas e outras questões que
surgiram ao longo do trabalho são necessários mais estudos na área, em um contexto de
pesquisa maior, talvez em âmbito nacional, em que se possa entrar em contato com as
opiniões de mais estudantes brasileiros. Pode ser do interesse de futuras pesquisas a
vinculação dos estudos sobre avaliação da aprendizagem com a cultura escolar brasileira, para
compreender como uma influencia na outra e o que se pode fazer para contribuir com ambas.
Ainda podemos acrescentar um fato interessante que perpassou todos os momentos da
pesquisa in loco, qual seja, os estudantes pesquisados não se limitaram a falar apenas das
avaliações da aprendizagem de língua inglesa, mas, sempre que surgia a oportunidade,
referiam-se a outras disciplinas, o que de certa forma mostra a sua insatisfação com o sistema
104
de avaliação da sua escola como um todo e também sinaliza que essa pesquisa pode auxiliar
não somente os profissionais ou estudantes de línguas, mas também a todos que se interessem
pela temática da avaliação.
Finalmente, consideramos que pensar a avaliação da aprendizagem pelo viés do
estudante é uma atitude aparentemente simples, pois reconhecemos que a cultura avaliativa
com a qual ainda convivemos, na teoria, é muito consciente de que a participação discente é
imprescindível para o equilíbrio do processo avaliativo, no entanto, na prática, essa cultura
ainda é unilateral: “não raro encontramos no espaço pedagógico discursos que primam pelo
princípio da coletividade e posições que tendem a silenciar segmentos que são considerados
sem capacidade para se posicionar, como é o caso do segmento dos estudantes” (PEREIRA,
2009, p. 190, grifo nosso). Além disso, nem todos os docentes poderão querer abdicar das
decisões referentes aos seus métodos avaliativos, talvez por se sentirem confortáveis com eles
ou por entenderem que continuar a determinar sua avaliação pode lhes conceder poder perante
seus estudantes.
Assim sendo, a pesquisa realizada propõe sua utilidade social ao trazer contribuições
que podem ser utilizadas em cursos de formação de professores, ao apresentar novos
subsídios teóricos para serem discutidos pelos docentes, ao mesmo tempo que contribui com
os professores em serviço, adaptando a experiência vivenciada em material que pode ser
utilizado para a formação continuada ou atualização dos conhecimentos dos professores.
Consequentemente, o estudo contribui para a transformação do ensino-aprendizagem de
língua inglesa nas escolas, por meio da proposta inovadora da participação do estudante no
processo de avaliação de aprendizagem e por nortear que o processo avaliativo ocorra
priorizando os aspectos qualitativos da avaliação, como, por exemplo: pontualidade,
assiduidade, participação e compromisso com os estudos (CANAN, 1996), antes tidos apenas
como procedimentos de rotina das salas de aula.
105
REFERÊNCIAS
______________________________________________________________________
ALMEIDA FILHO, J. C. Dimensões comunicativas no ensino de línguas. Campinas: Pontes,
1993.
______. A Linguística Aplicada na grande área da linguagem. In: SILVA, K. A.; ALVAREZ,
M. L. O. (Org.). Perspectivas de investigação em Linguística Aplicada. Campinas: São Paulo:
Pontes, 2008. p. 25-32.
ANDRÉ, M. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 1995.
ANDRÉ, M.; LÜDKE, M. A. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. São Paulo:
Pedagógica Universitária, 1996.
BAUER, G. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis:
Vozes, 2002.
BOGDAN, R. C.; BIKLEN, S. K. Investigação Qualitativa em Educação: uma introdução à
teoria e aos métodos. Porto: Porto, 1994.
BUORO, A. B. Olhos que pintam: a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo: Cortez,
2002.
BRASIL. Secretaria da Educação Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais:
Ensino médio. Ministério da Educação. Brasília: MEC; SEMTEC, 2002.
______. Secretaria de Educação Básica. Programa Ensino Médio Inovador – Documento
Orientador. Ministério da Educação. Brasília: MEC; SEB, 2009.
BRONCKART, J. Atividade de linguagem, textos e discursos por um interacionismo
sociodiscursivo São Paulo: Educ, 1999.
CANAN, A. G. Implantação de um sistema de avaliação e a análise dos seus efeitos sob a
perspectiva do aluno. 1996. 114f. Dissertação (Mestrado em Linguística Aplicada) –
Departamento de Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 1996.
106
CARVALHO, J. S. F. As noções de erro e fracasso no contexto escolar: considerações
preliminares. In: AQUINO, J. G. (Org.). Erro e Fracasso na Escola: alternativas teóricas e
práticas. São Paulo: Summus, 1997. p. 11-24.
CHIZZOTTI, A. Pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. São Paulo: Cortez, 2003.
CONDEMARÍN, M.; MEDINA, A. Avaliação autêntica: um meio para melhorar as
competências em linguagem e educação. Porto Alegre: Artmed, 2005.
DEL CASTILLO, R. M. T. Ensino de qualidade tem a ver com relação pedagógica, e não com
infraestrutura. Revista Nova Escola, São Paulo, n. 245, Editora Abril, setembro 2011.
DEMO, P. Avaliação qualitativa. Campinas: Autores Associados, 2008.
DERDIK, E. Formas de pensar o desenho: desenvolvimento do grafismo infantil. São Paulo:
Scipione, 1989.
DE SORDI, M. R.; LÜDKE, M. A avaliação nos novos contextos e paradigmas educacionais.
Revista Pátio, Porto Alegre, v. 50, maio/jul. 2009.
______. DE SORDI, M. R. L. Da avaliação da aprendizagem à avaliação institucional:
aprendizagens necessárias. In: DE SORDI, M. R. L. A avaliação institucional como instância
mediadora da qualidade da escola pública: a rede municipal de Campinas como espaço de
aprendizagem. Campinas: Millennium, 2009. p.13-34.
ELLIS, R. Second language acquisition. Oxford: Oxford University Press, 1997.
FLAIN-FERREIRA, A. L. Crenças sobre o conceito e o papel da avaliação no ensino de
língua estrangeira em um contexto de formação inicial: um estudo de caso. 2005.149f.
Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade Federal de Santa Maria, Rio Grande do Sul,
2005.
GARDNER, H. Multiple Intelligences: the theory in practice. New York: Basic Books, 1993.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 2002.
GRESSLER, L. A. Introdução à pesquisa: projetos e relatórios. São Paulo: Loyola, 2003.
107
HADJI, C. Muito além dos indicadores. Revista Pátio, Porto Alegre, v. 50, maio/jul. 2009.
HOFFMANN, J. Avaliação: mito e desafio. Porto Alegre: Mediação, 2004.
HOPKINS, D. A teacher's guide to classroom research. Bristol: Open University Press, 1992.
JUNG, C. G. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.
LAKOFF, G.; JOHNSON, M. Metáforas da vida cotidiana. Campinas: Mercado de Letras,
2002.
LANKSHEAR, C.; KNOBEL, M. Pesquisa Pedagógica: do processo à implementação. Porto
Alegre: Artmed, 2008.
LARSEN-FREEMAN, D. Teaching techniques in English as a second language. Oxford:
Oxford University Press, 2000.
LOBATO, M. História do mundo para crianças. São Paulo: Brasiliense, 2004.
LUCKESI, C. C. Avaliação da Aprendizagem Escolar. São Paulo: Cortez, 2003.
______. Avaliação da aprendizagem: componente do ato pedagógico. São Paulo: Cortez,
2011.
MAZZOTTI, A.; GEWANDSZNAJDER, F. O método nas ciências naturais e sociais. São
Paulo: Pioneira, 1998.
MELCHIOR, M. C. Avaliação Pedagógica: função e necessidade. Porto Alegre: Mercado
Aberto, 1998.
MENEZES, V.; SILVA, M. M.; GOMES, I. F. Sessenta anos de Linguística Aplicada: de
onde viemos e para onde vamos. In: PEREIRA R. C. M.; ROCA, M. P. Linguística Aplicada:
um caminho com diferentes acessos. São Paulo: Contexto, 2009. p. 25-50.
MOÇO, A. Prova à prova de cola. Revista Nova Escola, São Paulo, v. 245, set., 2011.
108
MOITA LOPES, L. Da aplicação de linguística à Linguística Aplicada indisciplinar. In:
PEREIRA, R. C. M.; ROCA, M. P. (Org.). Linguística Aplicada um caminho com diferentes
acessos. São Paulo: Contexto, 2009. p. 11-23.
MOREIRA, H.; CALEFFE, L. Metodologia da pesquisa para o professor pesquisador. Rio
de Janeiro: DP&A, 2006.
MORETO, V. P. Prova: um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas. Rio de
Janeiro: Lamparina, 2007.
MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília:
UNESCO, 2000.
MOTTA ROTH, D.; MARCUZZO, P. Um recorte no cenário atual da Linguística Aplicada
no Brasil. In: SILVA, K. A.; ALVAREZ, M. L. O. (Org.). Perspectivas de investigação em
Linguística Aplicada. Campinas: Pontes, 2008. p. 33-41.
MUSSALIM, F.; BENTES, A. C. Introdução à Linguística: fundamentos epistemológicos.
São Paulo: Cortez, 2004.
NÖTH, W. Panorama da Semiótica: de Platão a Peirce. São Paulo: Annablume, 2003.
NUNAN, D. Research Methods in Language Learning. Cambridge: Cambridge University
Press, 2007.
PENNA FIRME, T. Uma perspectiva inclusiva da avaliação. Revista Pátio. Edição 50.
Maio/Julho. Porto Alegre: Artmed, 2009.
PEREIRA, M. S. F. Participação estudantil no processo de avaliação institucional: O que
aprendem/ensinam os estudantes quando participam de processos de avaliação de qualidade
da escola? In: DE SORDI, M. R. L. A avaliação institucional como instância mediadora da
qualidade da escola pública: a rede municipal de Campinas como espaço de aprendizagem.
Campinas: Millennium, 2009. p. 189-205.
PERRENOUD, P. O papel da avaliação. Revista Pátio, Porto Alegre, v. 50, maio/jul. 2009.
PIGNATARI, D. Semiótica e Literatura. Cotia: Ateliê, 2004.
109
PROSSER, J. (Ed.). Image-based research: a sourcebook for qualitative researchers. London:
Falmer Press, 1998.
SANTAELLA, L.; NÖTH, W. Imagem: cognição, semiótica, mídia. São Paulo: Iluminuras,
2008.
SANT‟ANNA, I. M. Por que avaliar? Como avaliar? critérios e instrumentos. Petrópolis:
Vozes, 2002.
SEABRA, G. Pesquisa científica: o método em questão. João Pessoa: Editora da UFPB, 2009.
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA. Portaria n.
1033/2008/SEEC/RN, Artigos 3 e 4.
SILVA, V. M. A. Avaliação de Língua Estrangeira Moderna: desafios x possibilidades. 2007.
100 f. Monografia (Especialização em Ensino de Língua Inglesa) – Faculdade de Letras e
Artes, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Assu, 2007.
SILVA PAIVA, V. M. A. A autoavaliação nos livros didáticos de línguas estrangeiras e o
aluno como agente de seu processo avaliativo. In: ENCONTRO DAS CIÊNCIAS DA
LINGUAGEM APLICADA AO ENSINO, 05., 2011, Natal. Anais... Natal, GELNE, 2011. 1
CD ROM.
SIGNORINI, I.; CAVALCANTI, M. C. (Org.). Linguística Aplicada e Transdisciplinaridade:
questões e perspectivas. Campinas: Mercado de Letras, 1998.
STRAUSS, A.; CORBIN, J. Pesquisa Qualitativa: técnicas e procedimentos para o
desenvolvimento de teoria fundamentada. Porto Alegre: Artmed, 2008.
THIOLLENT, M. Metodologia da Pesquisa-ação. São Paulo: Cortez, 1985.
VILLAS BOAS, B. M. F. Portfólio, avaliação e trabalho pedagógico. Campinas: Papirus,
2008.
______. Virando a escola do avesso por meio da avaliação. Campinas: Papirus, 2008.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
110
WAKEFIELD, H.; UNDERWAGER, R. The application of images in child abuse
investigations. In: PROSSER, J. (Ed.). Image-based research: a sourcebook for qualitative
researchers. London: Falmer Press, 1998. p. 176-180. p. 176-194.
WEINBERG, D. (Ed.). Qualitative Research Methods. Oxford: Blackwell Publishers, 2002.
111
WEBGRAFIA
______________________________________________________________________
ARAÚJO, K. S. Avaliação de compreensão em leitura em língua estrangeira: itens isolados e
itens integradores. Revista Intercâmbio, São Paulo, v. 15, 2006.
Disponível em: <http://revistas.pucsp.br/index.php/intercambio/article/view/3673>.
Acesso em: 3 out. 2010.
BARROSO, S. F. O uso da imagem pela mídia e sua repercussão na subjetividade
contemporânea. Psicologia Revista, Belo Horizonte, v. 12, n. 19, jun. 2006. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1611682006000100011@ script=sci_arttex>.
Acesso em: 15 nov. 2010.
CAVALARI, S. M. S. A autoavaliação em um contexto de ensino-aprendizagem de línguas
em Tandem via chat. 2009. 259f. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Instituto de
Biociências, Letras e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, São José do Rio Preto,
2009. Disponível em: <http://www.teletandembrasil.org/site/docs/SPATI.pdf>. Acesso em:
13 nov. 2010.
CELANI, A. Questões de ética na pesquisa em Linguística Aplicada. Linguagem &
Ensino,.Pelotas, v. 8,.n. 1,.p. 101-122,.jan-jun..2005..Disponível. em:
<http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v8n1/antonieta.pdf>. Acesso em: 03 out. 2010.
DUBOC, A. P. M. A Questão da Avaliação da Aprendizagem de Língua Inglesa
Segundo.as.Teorias.de.Letramento..São.Paulo,.2007..Disponível.em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8147/tde-06112007-102340/pt-br.php>.
Acesso em: 03 out. 2010.
GARCEZ, P. M. Um conceito de educação linguística para a formação de professores de
língua (estrangeira). Fala proferida no I Simpósio Internacional de Letras e
Linguística,.em.Uberlândia.MG,.2006..Disponível.em:
<http://www.mel.ileel.ufu.br/Silel2006/caderno/mr/PedroGarcez.htm>. Acesso em: 20 out.
2011.
LIMA, A. P. A Avaliação nos livros didáticos de Inglês para crianças: considerações
iniciais..Anais.do.SETA,.n..4,.2010..Disponível.em:
<http://www.cedae.iel.unicamp.br/revista/index.php/seta/article/view/940/0>
Acesso em: 13 nov. 2010.
MAGALHÃES, M. C. C. Crenças sobre avaliação em Língua Inglesa: um estudo de caso a
partir das metáforas no discurso de professores em formação. 2006. 237f. Tese (Doutorado
em Linguística Aplicada) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo
Horizonte, 2006. Disponível em:
<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/ALDRW2QNL/
1/maria_clara_tese.pdf>. Acesso em: 03 out. 2010.
112
OLIVEIRA, J. A. S. O efeito retroativo da avaliação formativa em LE (inglês) em sala de aula
de Ensino.Fundamental..Anais.do.SETA,.v..2,.2008..Disponível.em:
<http://www.iel.unicamp.br/revista/index.php/seta/article/viewFile/412/346>.
Acesso em: 03 out. 2010.
PELLEGRINE, D. Avaliar para ensinar melhor. Revista Nova Escola, n. 159, jan. 2003.
Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/avaliacao/avaliarensinar-melhor-424538.shtml> Acesso em: 3 set. 2009.
POLATO, A. Quem tem medo de... prova? Revista Nova Escola, n. 224, ago. 2009.
Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/planejamento-e-avaliacao/ avaliacao/quemtem-medo-prova-489125.shtml>. Acesso em: 3 set. 2009.
RIBEIRO, I. Da avaliação à produção de materiais de ensino de línguas: teoria e
prática..Pleiade,.Foz.do.Iguaçu,.v..2,.n..1,.p..127-139,.jan-jun..2008. Disponível.em:
<http://www.uniamerica.br/pdf/periodicos_pleiade/edicao_2_ volume_1.pdf#page=127>.
Acesso em: 13 nov. 2010.
SCARAMUCCI, M. V. R Avaliação da leitura em inglês como língua estrangeira e validade
de construto. Calidoscópio, v. 7, n. 1, p. 30-48, jan/abr 2009© 2009 by
Unisinos..Disponível.em: <http://www.unisinos.br/publicacoes_cientificas/images/
stories/pdfs_calidoscopio/Vol7n1/art04_scaramucci.pdf>. Acesso em: 03 out. 2010.
SILVA, E. R. Política linguística da língua inglesa e exame vestibular no Brasil: uma relação
possível? Estudos Linguísticos, São Paulo, v. 39, n. 2, p. 508-518, maio-ago. 2010.
Disponível em: <http://www.gel.org.br/ estudoslinguisticos/
volumes/39/EL_v39_n2_Integra.pdf#page=76>. Acesso em: 13 nov. 2010.
SOUZA, J. P. J. Crenças de uma professora de língua estrangeira (inglês) sobre avaliação
contínua nos ciclos de desenvolvimento humano: um estudo de caso. Brasília, 2007.
Disponível em: <http://repositorio.bce.unb.br/handle/10482/2882> Acesso em: 03 out. 2010.
113
LEITURAS SUPLEMENTARES
______________________________________________________________________
FERREIRA, A. B. H. Miniaurélio Século XXI Escolar: o minidicionário da Língua
Portuguesa. Editoração de Anjos, M. et al. 4. ed. rev. ampliada. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira, 2000.
HOFFMANN, J. Avaliar para promover. Porto Alegre: Mediação, 2001.
KUENTHE, J. L. O processo ensino-aprendizagem. Porto Alegre: Globo, 1978.
LOWENFIELD, V. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1977.
OTANI, N.; FIALHO, F. A. P. TCC: métodos e técnicas. Florianópolis: Visual Books, 2011.
PERRENOUD, P. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens – entre duas
lógicas. Porto Alegre: Artmed, 1999.
PRESKILL, H.; CATSAMBAS, T. T. Reframing evaluation through appreciative inquiry.
Thousand Oaks: Sage, 2006.
THIOLLENT, M. Pesquisa-ação nas organizações. São Paulo: Atlas, 1997.
TOTIS, V. P. Língua Inglesa: leitura. São Paulo: Cortez, 1991.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
114
APÊNDICES
115
Apêndice 01 – Formulário de consentimento do estudante.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE-UFRN
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS LETRAS E ARTES-CCHLA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA LINGUAGEM-PPgEL
DEPARTAMENTO DE LETRAS-DL
MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA
Campus Universitário - Lagoa Nova - Natal/RN - Brasil - 59078-970
FORMULÁRIO DE CONSENTIMENTO DO ESTUDANTE
(obs: O aluno de menor deverá mostrar esse formulário para pais ou responsáveis e
só assinar mediante concordância destes)
DESCRIÇÃO: Você está sendo convidado a participar de um estudo de pesquisa cujo
propósito é entender melhor a participação dos alunos do Ensino Médio na construção do
seu processo avaliativo condizente com os propósitos linguísticos do ensino de uma língua
estrangeira. Sua participação acontecerá em diversos momentos importantes para a nossa
pesquisa: na resposta de questionários e entrevistas, na participação de um seminário e em
outras ações que poderão surgir no decorrer da pesquisa. Sua identidade será mantida em
sigilo confidencial, inclusive, se você desejar, poderá fazer uso de pseudônimos, pois
analisaremos suas respostas e participação apenas para os propósitos a que se destina esta
pesquisa.
BENEFÍCIOS: Colaborando com a nossa pesquisa você estará ajudando a fazer uma
educação melhor e a esclarecer o quadro do ensino de idiomas do nosso país de forma
brilhante, pois ajudará a melhorar o entendimento do processo avaliativo vigente.
DIREITOS DO PARTICIPANTE: Ao ler este formulário e resolver participar deste
estudo, saiba que sua participação é voluntária e que você tem o direito de interromper sua
participação a qualquer momento, bem como de recusar-se a responder perguntas ou de
tomar parte em outras atividades solicitadas pelo pesquisador com as quais você não
concorde. Sua privacidade será preservada em todos os dados publicados e escritos
resultantes deste estudo. A qualquer momento, você poderá se dirigir ao pesquisador para
retirar dúvidas quanto ao estudo empreendido.
Nome do aluno: _____________________________________________________
Assinatura do aluno:_____________________________________ data: 06/09/2011
Assinatura de pai, mãe ou responsável: ___________________________________
E-mail: [email protected] - Telefone: (84) 3215.3584 - Fax: (84) 3211.9212
PARA DÚVIDAS SOBRE ESTE ESTUDO, ENTRE EM CONTATO COM:
Vitória Maria Avelino da Silva Paiva (pesquisadora da UFRN)
Tel.: (84) 9905 4442; (84) 9423 4002
e-mail: [email protected]
116
Apêndice 02 – Questionário dos professores
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE-UFRN
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS LETRAS E ARTES-CCHLA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA LINGUAGEM-PPgEL
DEPARTAMENTO DE LETRAS-DL
MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA
Campus Universitário - Lagoa Nova - Natal/RN - Brasil - 59078-970
E-mail: [email protected] - Telefone: (84) 3215.3584 - Fax: (84) 3211.9212
MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA
QUESTIONÁRIO A SER APRESENTADO AO(S) PROFESSOR(ES)
(Caro(a) professor(a), necessitamos de sua colaboração para elaborarmos o perfil da avaliação de
língua estrangeira da nossa escola. Contamos com a sua valiosa contribuição para a nossa pesquisa.
Obrigada!)
IDENTIFICAÇÃO
NOME (ou pseudônimo): ___________________________________________
FORMAÇÃO ACADÊMICA: _______________________________________
ESCOLA EM QUE TRABALHA: ____________________________________
TEMPO QUE LECIONA: ___________________________________________
CIDADE: ________________________ ESTADO: ______________________
QUESTÕES:
1. O que é avaliar, para você? Quais os objetivos da sua avaliação?
2. Que tipos de instrumentos avaliativos você utiliza em sala de aula (prova escrita, prova
oral, etc.) e que habilidades linguístico-comunicativas você avalia (reading, writing, listening,
speaking)? Justifique:
3. Qual a sua maneira de avaliar preferida? Por quê?
4. Você sente dificuldades em elaborar e aplicar suas avaliações? Se sim, quais e por quê?
5. Como os estudantes reagem à sua avaliação e como eles reagem às notas que tiram em
Inglês? Reagem bem se tiram notas boas. Se não, logo me acusam, dizem que estou de
marcação.
06. Por favor, faça uma descrição do material didático da sua escola que você utiliza em sala
de aula:
117
Apêndice 03 – Questionário dos estudantes
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE-UFRN
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS LETRAS E ARTES-CCHLA
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA LINGUAGEM-PPgEL
DEPARTAMENTO DE LETRAS-DL
MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA
Campus Universitário - Lagoa Nova - Natal/RN - Brasil - 59078-970
E-mail: [email protected] - Telefone: (84) 3215.3584 - Fax: (84) 3211.9212
MESTRADO EM LINGUÍSTICA APLICADA
QUESTIONÁRIO A SER APRESENTADO AOS ESTUDANTES
(Caro(a) estudante, necessitamos de sua colaboração para elaborarmos o perfil da avaliação de língua
estrangeira da nossa escola. Contamos com a sua valiosa contribuição para a nossa pesquisa.
Obrigada!)
IDENTIFICAÇÃO:
NOME (pseudônimo): ____________________________________________________
ESCOLA EM QUE ESTUDA: ____________________________________________
SÉRIE QUE ESTUDA: __________________________________________________
TEMPO QUE ESTUDA AQUI: ___________________________________________
MATÉRIA FAVORITA: _________________________________________________
CIDADE: ___________________________ ESTADO: _________________________
QUESTÕES:
1. O que você acha das avaliações da sua escola?
2. Como você é avaliado, na disciplina de Língua Inglesa? (prova escrita, prova oral, outros).
3. Qual a sua maneira de avaliar preferida? Por quê?
4. Você sente dificuldades durante as avaliações de Inglês? Quais?
5. Você já foi reprovado nessa disciplina?
6. Como você reage às notas que tira em Inglês? Você acha que as merece?
7. Como você gostaria que fossem avaliados seus conhecimentos nessa disciplina?
8. Por favor, faça uma descrição do material didático que existe em sua escola e que o seu professor de
Inglês utiliza em sala de aula. (Ex.: som, livros, entre outros).
9. Por favor, faça-nos dois desenhos: Um que represente a sua maneira de avaliar favorita e outro que
represente a maneira de avaliar que você detesta:
118
Apêndice 04 – Folder do Seminário
(ANEXO 5)
119
Apêndice 05 – Autoavaliação
AUTOAVALIAÇÃO SEMESTRAL DE LÍNGUA INGLESA
ESCOLA ESTADUAL PEDRO II – ENSINO MÉDIO
ESTUDANTE:__________________________________________________________
SÉRIE _______ TURNO______________________ BLOCO ____________________
Caro estudante, você é o maior responsável pelo seu aprendizado. Assim sendo, responda com
sinceridade às perguntas baixo, pois elas irão nos ajudar a melhorar a estrutura da nossa escola e do
nosso ensino e irão te ajudar a se perceber como um agente dinâmico na melhoria da sua performance
estudantil.
1. O que você achou de estudar as disciplinas separadas por blocos?
 Achei legal, pois ________________________________________________
________________________________________________________________
 Achei mais ou menos, pois ________________________________________
________________________________________________________________
 Não gostei, pois _________________________________________________
________________________________________________________________
2. Como você participou das atividades realizadas pela sua professora?
 participei de todas  perdi algumas  não participei muito
3. Como foi sua frequência às aulas desta matéria?
 ótima! Quase não faltei e quando o fiz, justifiquei.
 assisti a algumas aulas, outras não...
 além de faltar, gazeei diversas aulas.
4. Como você avaliaria o seu desempenho nesta disciplina?
 Bom – ótimo (aprendi o que me foi ensinado)  regular – bom (aprendi o que me
interessou)  regular – ruim (aprendi? O quê?)
5. Que nota você se daria nesta disciplina?
 Uma nota alta. Por quê? __________________________________________
________________________________________________________________
 Uma nota que desse para passar. Por quê? ____________________________
________________________________________________________________
 Reconheço que mereço uma nota baixa. Por quê? ______________________
________________________________________________________________
6. O que você achou das avaliações (que foram sugeridas pelos estudantes) aplicadas pela
sua professora?
 Gostei, pois ____________________________________________________
 Achei que deveria __________________________________________
 Péssimo! Eu preferia _____________________________________________
7. (Para quem ainda não sugeriu) Você tem preferência por algum instrumento
avaliativo?___________________________________________________
Muito obrigada e boa sorte nos seus estudos!
120
Download

universidade federal do rio grande do norte