Insper Instituto de Ensino e Pesquisa Faculdade de Economia e Administração Leandro Omena Silva Custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro São Paulo 2013 Leandro Omena Silva Custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro Projeto de Monografia apresentada ao curso de Ciências Econômicas, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. Orientador: Prof. Dr. Ricardo José de Almeida São Paulo 2013 Omena Silva, Leandro Custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro/ Leandro Omena Silva. – São Paulo: Insper, 2013. 30 f. Monografia: Faculdade de Economia e Administração. Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. Orientador: Prof. Dr. Ricardo José de Almeida 1.Custo de capital médio ponderado 2. Clubes de futebol 3. Benefícios abertura de capital Leandro Omena Silva Custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro Monografia apresentada à Faculdade de Economia do Insper, como parte dos requisitos para conclusão do curso de graduação em Economia. Aprovado em Junho de 2013 EXAMINADORES ___________________________________________________________________________ Prof. Dr. Ricardo José de Almeida Orientador ___________________________________________________________________________ Prof. Dr. Leonidas Sandoval Junior Examinador Prof. Dr. José Carlos Luxo Examinador Agradecimentos Agradeço primeiramente a Deus por esta conquista e realização pessoal e profissional. Agradeço aos meus pais e irmã, Orlando, Neide e Juliana, principais responsáveis pela minha formação como pessoa, por todo amor, confiança e compreensão durante os anos da graduação. Agradeço a todos os amigos e colegas do Insper, por toda amizade, companheirismo e por terem feito os anos da graduação muito mais agradáveis e prazerosos. Agradeço ao time de futsal do Insper, também conhecido como Família Futsal, em razão da sua união e companheirismo, por todo aprendizado que só o esporte é capaz de proporcionar ao ser humano e pelos títulos que tive o prazer de desfrutar. Agradeço a todos os professores que tive o prazer de ser aluno durante toda a minha vida estudantil e acadêmica, por todos os ensinamentos nos mais diversos campos de estudo e também pela minha formação como pessoa. Em especial, gostaria de agradecer ao Prof. Dr. Ricardo José de Almeida por todos os ensinamentos em Finanças nas aulas ministradas durante os meus anos de graduação e, principalmente, pelo apoio, ajuda e confiança neste presente trabalho. Resumo OMENA SILVA, Leandro. Custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro. São Paulo, 2013. Monografia – Faculdade de Economia e Administração. Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. Espera-se que a abertura de capital por parte dos clubes brasileiros de futebol seja o passo mais importante para a profissionalização completa da gestão do futebol nacional. Tanto em virtudes dos ganhos financeiros, visto que os produtos existentes no mercado financeiro são praticamente não explorados pelos times de futebol, quanto pela administração transparente e profissional que passa a ser exigida após a abertura de capital em uma bolsa de valores. Dado esse cenário, o presente estudo tem por objetivo demonstrar o beneficio da abertura de capital para os clubes de futebol do Brasil a partir do cálculo do custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro. Para isso, foram estudadas as demonstrações financeiras dos clubes, as quais passaram a ter suas disposições obrigatórias a partir da adoção da Timemania, e do Manchester United Football Club, clube de futebol inglês que abriu seu capital na bolsa de valores de Nova Iorque em 2012. Palavras-chave: Custo de capital médio ponderado, clubes de futebol, benefícios abertura de capital. Abstract OMENA SILVA, Leandro. Weighted average cost of capital of the twelve most valuable clubs in Brazilian football. São Paulo, 2013. Monograph – Faculdade de Economia e Administração. Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. It is expected that the IPO of the football clubs is the most important actions for the full professionalization of the national football’s management. Both because of the financial gain, since the existing products in the financial market are virtually untapped by football teams, as the administration transparent and professional, which are required when a company performs IPO. Given this, the present study intends to demonstrate the benefit of public offering to the football clubs in Brazil by calculating the weighted average cost of capital of the twelve most valuable clubs in Brazilian football. For this, the financial statements of the teams, which have to be available since the adoption of Timemania, and of the Manchester United Football Club, English football team which made a public offering in New York Stock Exchange. Keywords: Weighted average cost of capital, football clubs, benefits of public offering. Sumário 1 Introdução.............................................................................................................................10 2 Revisão Bibliográfica ..........................................................................................................12 3 Metodologia.........................................................................................................................14 4 Resultados............................................................................................................................17 4.1 Beta Manchester United.........................................................................................17 4.2 Taxa de Juros Livre de Risco (Rf), Country Risk Premium e Market Risk Premium....................................................................................................................................17 4.3 Betas Alavancados dos Clubes Brasileiros.............................................................18 4.4 Custo de Capital Próprio (Ke).................................................................................19 4.5 Custo do Capital de Terceiros (Kd)......................................................................20 4.6 Custo de Capital Médio Ponderado.........................................................................21 5 Conclusão.............................................................................................................................24 6 Referências............................................................................................................................26 7 Apêndices..............................................................................................................................28 7.1 Resultados Obtidos..................................................................................................28 7.2 Cotações e Retornos Diários do S&P 500 e MANU...............................................29 Lista de tabelas e figuras Tabela 1 – Beta Manchester United......................................................................................17 Tabela 2 – Taxa de Juros Livre de Risco .............................................................................18 Tabela 3 –Betas Alavancados.................................................................................................18 Tabela 4 – Custo do Capital Próprio.....................................................................................19 Tabela 5 – Custo do Capital de Terceiros.............................................................................20 Tabela 6 – Custo de Capital Médio Ponderado....................................................................21 Tabela 7 – Variação do Custo da Dívida para o WACC.....................................................22 Tabela 8 – Resultados Obtidos...............................................................................................28 Tabela 9 – Resultados Obtidos e Índices de Mercado.........................................................28 Tabela 10 – Cotações e Retornos Diários do S&P 500 e MANU........................................29 10 1 Introdução Nos últimos anos, diversas empresas realizaram a Initial Public Offering (IPO), ou seja, abriram seus capitais na bolsa de valores. Para isso, tiveram que enquadrar suas gestões e suas demonstrações financeiras nos padrões exigidos pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O motivo para tal é a oportunidade de captar dinheiro a um prazo mais longo e a um custo mais baixo, além de diversos outros benefícios. No entanto, embora o futebol seja uma paixão nacional e movimento bilhões de reais anualmente, os principais clubes de futebol do Brasil ainda se encontram longe de realizar as suas ofertas públicas de ações. Os motivos para tal fato são vários, má gestão administrativa dos clubes, falta de profissionalismo, falta de transparência, altas dívidas com o governo, além de um impedimento jurídico, visto que a maioria dos clubes brasileiros de futebol são associações e a chance de ter seu capital aberto na bolsa de valores só é dada às empresas constituídas como sociedades anônimas. Além das tradicionais fontes de receitas, como venda de jogadores, direitos de transmissão das partidas e arrecadação das bilheterias, os clubes de futebol só utilizam os empréstimos e financiamentos dentre os diversos produtos ofertados atualmente pelo mercado financeiro, sendo que esses ainda são contraídos a uma taxa de juros anual exorbitante. Dessa forma, a abertura de capital no mercado de ações seria uma forma de captação de dinheiro a um custo muito mais barato do que os exigidos pelos bancos para a concessão de crédito para os clubes de futebol. Não obstante, em virtude de todas as exigências para com as empresas de capital aberto, a transparência e a profissionalização de gestão seriam outros ganhos oriundos da abertura de capital. Nesse contexto, o presente estudo tem por finalidade demonstrar o beneficio da abertura de capital para os clubes de futebol do Brasil a partir do cálculo do custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro – os quatro paulistas (Sport Club Corinthians Paulista, Sociedade Esportiva Palmeiras, São Paulo Futebol Clube e Santos Futebol Clube), os quatro cariocas (Botafogo de Futebol e Regatas, Clube de Regatas Flamengo, Fluminense Football Club e Club de Regatas Vasco da Gama), os dois gaúchos (Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e Sport Club Internacional) e os dois mineiros (Clube Atlético Mineiro e Cruzeiro Esporte Clube) - segundo a pesquisa “Valor das Marcas dos Clubes de Futebol do Brasil” realizada em 2011 pela BDO RCS Auditores Independentes e confrontando-os aos atuais custos de financiamento dos clubes. O custo de capital médio ponderado pode ser definido como a taxa que mede a remuneração requerida sobre o capital investido em uma empresa ou como o custo de 11 oportunidade dos investidores do negócio. Visto que os investidores e credores não exigem a mesma taxa de remuneração sobre o capital que investem, calcula-se uma média ponderada (pelo capital investido de cada credor ou investidor) das remunerações requeridas (custos de capital) por cada um deles. Dessa forma, teremos um resultado quantitativo da consequência da abertura de capital para os clubes brasileiros. Além de benefícios como a melhoria da gestão, governança, transparência e o aumento da confiabilidade do mercado, que por si sós já gerariam condições mais vantajosas no acesso ao mercado de dívida pelos times de futebol, poderemos verificar, baseado na comparação entre os atuais custos das dívidas com os novos custos calculados, a melhoria ou não no custo de financiamento dos clubes. Para o alcance dos objetivos, foram utilizados dados secundários levantados nas demonstrações contábeis e notas explicativas das agremiações selecionadas e do Manchester United Football Club, clube de futebol inglês com capital aberto na bolsa de valores de Nova Iorque. Dessa forma, o presente estudo justifica-se na medida em que contribui para a discussão do tema dos benefícios da profissionalização da gestão e da abertura de capital dos clubes brasileiros de futebol, dada a existência de uma lacuna quanto a estudos que mostrem em números a melhoria no custo da dívida dos clubes. 12 2 Revisão Bibliográfica Futebol e mercado financeiro são temas ainda pouco debatidos em conjunto nos trabalhos acadêmicos, com poucas opções de estudos para o embasamento teórico de qualquer trabalho que venha a ser desenvolvido nessas áreas. Santos e Greuel (2010) ranquearam a gestão econômico-financeira dos vinte primeiros clubes de futebol classificados no ranking de clubes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de 2009, a partir da análise e atribuição de pontos a determinados indicadores contábeis, como liquidez corrente, endividamento, margem líquida e taxa de retorno sobre investimentos. Segundo o estudo, em 2009, o Clube Atlético Paranaense e o São Paulo Futebol Clube apresentavam a primeira e a segunda melhores gestões econômico-financeiras, respectivamente, e o Fluminense Football Club e o Goiás Esporte Clube apresentavam as duas piores gestões econômico-financeiras. Drebes (2009) realizou um trabalho acadêmico no qual estuda a viabilidade ou não da abertura de capital para clubes brasileiros de futebol. A conclusão do trabalho foi que seria viável a emissão de ações pelos times brasileiros, no entanto, muitas modificações ainda tinham que acontecer para que isso de fato acontecesse. Criação por parte dos governos de leis e incentivos para a profissionalização dos clubes de futebol, melhora da credibilidade e imagem institucional dos clubes e adoção de governança corporativa são alguns dos pontos levantados pelo estudo a serem melhorados para viabilizar de fato a abertura de capital pelos clubes de futebol. Com um objetivo similar ao de Drebes, dos Santos, Bento e Resende (2011) desenvolveram um estudo no qual verificam se o estágio de evidenciação contábil dos clubes pertencentes ao Clube dos Treze atendia à IN CVM n0 480/2009 e se era suficiente para transformação dos clubes em Sociedades Anônimas de capital aberto. A conclusão do estudo foi que os clubes selecionados não atendiam às exigências, no entanto, o estudo verificou que o número e a qualidade dos demonstrativos financeiros divulgados pelos clubes vinham evoluindo, abrindo a possibilidade de, em um futuro próximo, clubes como Sport Club Corinthians Paulista e São Paulo Futebol Clube, passarem a cumprir todas essas exigências. Cardoso, Maia e Ponte (2012) apresentaram um estudo no 120 Congresso USP de Controladoria e Contabilidade no qual confrontam as práticas de disclosure adotadas pelos clubes de futebol do Brasil, relativas aos ativos intangíveis, com as adotadas pelos clubes estrangeiros. O estudo confirmou a hipótese inicial de que o nível de disclosure quanto aos ativos intangíveis dos clubes europeus é maior do que o dos clubes brasileiros e, além disso, 13 concluiu que quanto maior a receita do clube de futebol, maior o seu nível de exposição de informações contábeis, visto que este tem interesse em expor o seu bom desempenho. Dados os estudos comentados, o objetivo do presente estudo é demonstrar o beneficio da abertura de capital para os clubes de futebol do Brasil a partir do cálculo do custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro. Pelo fato da não existência de nenhum trabalho acadêmico sobre esse tema especifico os resultados obtidos não poderão ser comparados a nenhum outro resultado. Na próxima seção, a metodologia para o cálculo do custo de capital será vista com mais detalhes. 14 3 Metodologia Para Damodaran (1997), o custo de capital médio ponderado pode ser calculado a partir da média ponderada dos custos do capital de terceiros e do capital próprio utilizados por uma empresa para financiar suas necessidades financeiras. O custo médio ponderado de capital – weighted average cost of capital (WACC) é definido pela seguinte fórmula: ( ) ( )( ), onde : custo do patrimônio líquido/capital próprio; : proporção, em valor de mercado, do patrimônio líquido em relação ao valor do mix de patrimônio líquido e dívida; : custo do capital de terceiros; ( ): proporção, em valor de mercado, da dívida em relação ao valor do mix de patrimônio líquido e dívida; IR: alíquota de Imposto de Renda para os clubes de futebol. Tanto as proporções de patrimônio líquido e dívida, quanto o custo do capital de terceiros foram obtidos nos demonstrativos financeiros de cada clube de futebol. Embora o nível de disclosure dos clubes nacionais de futebol seja baixo, a adoção dos clubes à Timemania - loteria organizada pelo Governo Federal e criada com o objetivo de ajudar os clubes participantes a honrarem suas dívidas com o governo brasileiro - o que, por consequência, obriga a disponibilização anual de seus demonstrativos financeiros, facilitou a pesquisa e construção da base de dados. A alíquota de Imposto de Renda para clubes de futebol foi obtida no site da Receita Federal. O custo do capital próprio foi calculado da seguinte maneira: ( ) ( ) ( ), na qual, : custo do capital próprio do clube i; : taxa de juros livre de risco dos títulos do tesouro do governo norte americano; Country Risk Premium: risco país do Brasil; 15 : índice Beta do clube i; Market Risk Premium: prêmio de risco do mercado norte americano. Dessa forma, chegou-se a um valor em dólar. Para transformá-lo em real, utilizou-se a seguinte fórmula: ( ) ( ) ( ) Para a inflação de longo do prazo do Brasil e dos EUA foram utilizadas as metas de inflação do Banco Central dos respectivos países, 4,5% no Brasil e 2% nos EUA. O índice Beta de cada clube foi estimado com base no beta das ações do Manchester United Football Club (MANU),clube de futebol da Inglaterra que abriu seu capital na bolsa de mercado de Nova Iorque em 2012, tanto pelo fato dele ser um clube de futebol, sendo assim do mesmo setor econômico dos clubes a serem analisados, quanto pelo fato de suas ações serem transacionadas em um mercado maduro e com liquidez. A fórmula para cálculo do índice beta é a seguinte: ( ( ) ) ( ) , onde S&P 500: Standard & Poor’s 500, índice composto por 500 ativos negociados nos Estados Unidos e selecionados de acordo com o seu tamanho de mercado, liquidez e representação dentro do setor econômico; Β(MANU,S&P 500): beta da ação MANU com o S&P 500; Cov(RMANU,RS&P 500): covariância do retorno da ação MANU com o retorno do S&P 500; Var (RS&P 500): variância do retorno do S&P 500. Outro fator relevante na escolha do clube inglês como base para o cálculo do índice Beta dos clubes brasileiros foi o fato de suas ações serem negociadas na bolsa de mercado de Nova Iorque e, consequentemente, em dólares, assim como o índice S&P 500, evitando assim o problema de misturar risco sistemático com variação cambial. 16 Feito o cálculo do beta para o Manchester United, encontrou-se o beta alavancado com a estrutura de dívida do clube inglês. O beta que deve ser utilizado no cálculo para os clubes brasileiros é o desalavancado e, para isso, utiliza-se a seguinte fórmula de desalavangem: β alavancado = β não alavancado x [1 + dívida x (1 – aliq. IR) / valor das ações] Tendo calculado o beta desalavancado do clube inglês, calcula-se o beta alavancado de cada um dos clubes brasileiros seguindo a mesma fórmula, mas agora com as estruturas de dívida dos respectivos clubes. Para a taxa livre de juros do governo norte americano, o risco país do Brasil e o prêmio pelo risco do mercado norte americano, foi utilizada a base de dados do banco de investimento J.P. Morgan Brasil com a série de 2012 para essas variáveis. Seguindo a metodologia acima, calcula-se o custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro, a fim de confrontá-los aos atuais custos da dívida dos clubes e verificar o impacto da abertura de capital para o custo de financiamento dos clubes de futebol brasileiros. 17 4 Resultados Seguindo a metodologia descrita, os seguintes resultados forma obtidos: 4.1 Beta Manchester United Para o cálculo do beta do Manchester United, foram utilizados os retornos diários das séries históricas da ação MANU e do índice S&P 500, obtidos da base de dados da Bloomberg. O período da série foi de 10/08/2012, primeiro dia de negociação da ação do clube inglês na bolsa norte americana, até 26/03/2013 e os resultados obtidos foram os seguintes: Tabela 1 - Beta Manchester United Beta Manchester United Var (RS&P 500) Covariância (RMANU;RS&P 500) Beta Alavancado 5,03982E-05 1,82431E-05 0,36 Valor da Dívida R$ 795.438.145,60 Alíquota de IR (UK) 24% Valor de Mercado (Market Cap) R$ 4.718.237.264,72 Beta Desalavancado 0,32 Tanto o valor da dívida, quanto o valor de mercado, foram obtidos na base de dados da Bloomberg e são referentes ao fechamento do ano fiscal de 2012, quando o primeiro totalizava US$ 387.716.000,00 e o segundo US$ 2.299.784.200,00. Ambos foram transformados em real pela taxa de câmbio do fechamento de 2012, a qual era de R$/US$ 2,0516, também obtida na Bloomberg. Dado que o Beta reflete a sensibilidade da ação com as oscilações do mercado financeiro, o valor de 0,32 reflete a baixa sensibilidade da ação do time inglês com o mercado, condizente para um clube de futebol que esperamos que não seja tão fortemente impactado com as especulações e movimentos do mercado financeiro. 4.2 Taxa de Juros Livre de Risco ( ), Country Risk Premium e Market Risk Premium Para os cálculos da taxa de juros livre de risco do governo norte americano, do risco país brasileiro e do prêmio pelo risco de mercado norte americano, foi utilizada a base de dados do banco de investimento J.P. Morgan Brasil. 18 Tanto para a taxa de juros livre de risco, quantos para o prêmio pelo risco de mercado foram feitas as médias das séries observadas em 2012, sendo que o ativo livre de risco é a taxa paga pelo governo norte americano nos títulos de tesouro com vencimento de 10 anos. Para o risco de mercado brasileiro foi utilizada a média dos dados de 2012 do EMBI + Brazil. O Emerging Markets Bonds Index Plux (EMBI+) é um índice que acompanha os retornos dos instrumentos de dívida de renda fixa negociáveis nos mercados emergentes, neste caso, no mercado brasileiro. Tabela 2 - Taxa de Juros Livre de Risco Rf Americano Country Risk Premium (BR) Market Risk Premium 1,82% 1,8389% 7,25% 4.3 Betas Alavancados dos Clubes Brasileiros Tendo calculado o beta desalavancado para o Manchester United, calcularam-se os betas alavancados dos 12 clubes brasileiros a partir da estrutura de capital de cada um deles. Um fator importante a ser notado é a tributação dos clubes de futebol. Segundo o site da Receita Federal, as associações desportivas que mantêm equipes de futebol profissionais têm a alíquota de 5% incidente sobre a receita bruta decorrente de espetáculos desportivos e de qualquer forma de patrocínio, de licenciamento de uso de marcas e símbolos, de publicidade, de propaganda e transmissão de espetáculos. Além disso, vale notar que alguns clubes possuem patrimônios líquidos negativos, ou seja, passivos a descoberto. Dessa forma, o clube não possui dívida com acionistas, apenas com credores, resultando em um beta de valor nulo. Na tabela abaixo, encontram-se os resultados obtidos para os betas dos clubes de futebol em questão: Tabela 3 - Betas Alavancados (β) Clube Beta Grêmio 11,561 Cruzeiro 9,396 Corinthians 0,564 Atlético Mineiro 0,475 São Paulo 0,462 Flamengo 0,448 Internacional 0,322 Botafogo 0,000 Fluminense 0,000 19 Palmeiras Santos Vasco da Gama 0,000 0,000 0,000 Observa-se que os índices Betas calculados para Corinthians, Atlético Mineiro, São Paulo, Flamengo e Internacional foram menores que 1, sendo assim considerados ativos defensivos, com oscilações inferiores às do mercado. Os índices Betas calculados para Grêmio e Cruzeiro foram maiores que 1, sendo assim considerados ativos agressivos, com oscilações superiores às do mercado. O motivo para resultados tão superiores aos dos demais clubes é que tanto Grêmio, quanto Cruzeiro, possuem alto grau de alavancagem, com dívidas onerosas bem superiores aos seus respectivos patrimônios líquidos. No Cruzeiro a dívida onerosa é 29 vezes maior que o patrimônio líquido, enquanto que no Grêmio ela é 36 vezes maior. 4.4 Custo de Capital Próprio ( ) Tendo calculado a taxa livre de risco dos títulos do tesouro norte americano e o prêmio pelo risco do mercado norte americano, o risco país brasileiro e alavancado o beta com a estrutura de dívida de cada um dos clubes, calcula-se o custo de capital próprio de cada um deles, chegando aos seguintes resultados: Tabela 4 - Custo do Capital Próprio (Ke) Clube Custo do Capital Próprio (Ke) Grêmio 92,12% Cruzeiro 76,03% Corinthians 10,42% Atlético Mineiro 9,76% São Paulo 9,67% Flamengo 9,56% Internacional 8,62% Botafogo 0,00% Fluminense 0,00% Palmeiras 0,00% Santos 0,00% Vasco da Gama 0,00% No cálculo do custo do capital próprio ( ), todas as variáveis são constantes para todos os clubes, com exceção do índice Beta de cada clube. Dessa forma, justificam-se os altos valores calculados para o custo de capital próprio para Grêmio e Cruzeiro, visto que o 20 alto grau de alavancagem sobre o patrimônio dos dois clubes resultou em altos índices Betas para ambos. 4.5 Custo do Capital de Terceiros ( ) A dívida onerosa, patrimônio líquido e custo do capital de terceiros são disponibilizados nas demonstrações financeiras anuais dos clubes, os quais passaram a ser obrigados a disponibilizarem seus balanços patrimoniais após a adoção da Timemania, uma loteria organizada pelo Governo Federal e criada com o objetivo de ajudar os clubes participantes a pagarem as suas dívidas com o governo brasileiro. Do total arrecado com a loteria, 22% são destinados ao pagamento de dívidas com o INSS, FGTS, Receita Federal e outros impostos devidos à União pelos clubes de futebol profissional. Os valores são referentes ao ano fiscal de 2011, visto que os clubes ainda não disponibilizaram os seus balanços auditados referentes ao ano de 2012. Para calcular o custo do capital de terceiros foi utilizada a seguinte fórmula: Chegando ao seguinte resultado: Tabela 5 - Custo do Capital de Terceiros (Kd) Clube Custo do Capital de Terceiros (Kd) Internacional 148,79% Grêmio 69,44% Corinthians 46,88% Flamengo 41,57% Palmeiras 36,68% Santos 24,69% Cruzeiro 21,68% Botafogo 21,19% São Paulo 21,03% Fluminense 20,17% Vasco da Gama 8,84% Atlético Mineiro 2,49% Tendo calculado os custos do capital de terceiros para os clubes, podemos notar o impacto do carregamento das atuais dividas pelos times brasileiros. Visto que eles não possuem dívida em moeda estrangeira, fazendo com que suas dívidas não oscilem dadas as 21 variações do mercado cambial, o que justifica os altos níveis de custo de capital de terceiros são as captações de empréstimos bancários a taxas elevadas. Pelo fato de os clubes não terem acesso a todos os instrumentos de dívida do mercado financeiro, não possuírem uma gestão administrativa profissional e terem baixa credibilidade no mercado, acabam tendo que contrair empréstimos a condições desfavoráveis, pagando altas taxas de juros. O alto valor calculado para o custo do capital de terceiros do Internacional também se justifica pelo fato do clube ter amortizado praticamente toda a sua dívida de 2010 para 2011. De um total de dívida onerosa de R$ 19.231 mil em 2010, o clube fechou o ano contábil de 2011 com apenas R$ 1.577 mil. Como as despesas financeiras registraram R$ 15.480 mil em 2011, podemos concluir que, da dívida amortizada, a maior parte era juros, corroborando com a hipótese de os clubes se financiarem a partir de linhas de crédito com taxas de juros elevadas. 4.6 Custo de Capital Médio Ponderado (WACC) Tendo calculado o custo do capital de terceiros e do capital próprio, com as proporções de patrimônio liquido e dívida onerosa e com o valor da alíquota de IR incidente sobre os clubes de futebol profissionais, chega-se ao seguinte resultado para o custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro: Tabela 6 - Custo de Capital Médio Ponderado Clube Grêmio Palmeiras Corinthians Santos Cruzeiro Botafogo Fluminense Flamengo São Paulo Internacional Vasco da Gama Atlético Mineiro WACC 66,65% 34,85% 25,55% 23,46% 22,40% 20,13% 19,16% 18,37% 12,94% 9,13% 8,39% 7,28% Com os resultados para o custo de capital médio ponderado, ou seja, o custo para os clubes financiarem suas operações caso fossem empresas de capital aberto mantendo todas as 22 demais variáveis constantes - já que aqui não estamos precificando o valor que seria agregado pela profissionalização da gestão administrativa dos clubes, pelo aumento da confiança do mercado e pelos demais benefícios oriundos da abertura de capital de uma empresa – podemos compará-los aos atuais custos da dívida destes clubes de futebol. Abaixo, encontra-se a tabela mostrando a variação positiva ou negativa do atual custo da dívida de cada clube para o custo de capital médio ponderado calculado para cada um deles: Tabela 7 - Variação do Custo da Dívida para o WACC Clube Kd WACC Internacional 148,79% 9,13% -93,86% Flamengo 41,57% 18,37% -55,82% Corinthians 46,88% 25,55% -45,49% São Paulo 21,04% 12,94% -38,50% Fluminense 20,17% 19,16% -5,00% Botafogo 21,19% 20,13% -5,00% Santos 24,69% 23,46% -5,00% Vasco da Gama 8,84% 8,39% -5,00% Palmeiras 36,68% 34,85% -5,00% Grêmio 69,44% 66,65% -4,01% Cruzeiro 21,68% 22,40% 3,31% Atlético Mineiro 2,49% 7,28% 192,22% Como se pode notar, dentre os 12 clubes selecionados para o presente estudo, 10 deles apresentaram melhora a partir do cálculo do custo de capital médio ponderado. As únicas duas exceções são Grêmio e Cruzeiro e a justificativa para tal fato são os altos valores calculados para os custos de capital próprio destes dois clubes, devido ao alto grau de alavancagem sobre o patrimônio liquido de ambos os clubes. A melhoria no custo de financiamento dos clubes quando se calcula o custo de capital médio ponderado deve-se à introdução do custo de capital próprio. Embora algumas teses acadêmicas e de mercado afirmem que o custo de capital próprio deva ser maior que o custo de capital de terceiros, pela justificativa de que, caso a empresa peça falência, os primeiros a serem remunerados são os detentores da dívida e só depois os acionistas, ou seja, o risco do acionista é maior que o risco do credor; pelo fato de os clubes de futebol brasileiros possuírem apenas a contração de dívida bancária como instrumento de financiamento, não apresentarem gestão administrativa profissional e, consequentemente, terem uma imagem enfraquecida no 23 mercado, acabam por possuírem uma estrutura de dívida explosiva e, por essa razão, o custo de capital de terceiros é maior que o custo de capital próprio para os 12 clubes mais valiosos do país, com exceção do Grêmio, Cruzeiro e Atlético Mineiro. Dessa forma, quando se calcula o custo de capital médio ponderado, pondera-se o custo de capital de terceiros e o custo de capital próprio a partir da estrutura financeira da empresa. Como no caso da maioria dos clubes de futebol o custo de capital próprio é menor que o custo de capital de terceiros, chega-se a um valor de custo de capital médio ponderado menor do que o atual custo da dívida, evidenciando o benefício da abertura de capital para os clubes brasileiros. 24 5 Conclusão O futebol no Brasil se apresenta como um mercado cada vez mais valorizado e atraente de recursos financeiros. As receitas dos clubes e os valores de suas marcas valorizam a cada ano e passam a exigir uma gestão cada vez mais profissional e transparente. Ao mesmo tempo em que se observam grandes avanços na área de Marketing, percebe-se também certa estagnação dos avanços nas áreas financeiras dos clubes, forçando estes a manterem uma estrutura de dívida explosiva e sem acesso aos diversos instrumentos de dívida do mercado financeiro. Não obstante, poucos são os estudos que se propõem a demonstrar os benefícios e avanços a serem implementados nas áreas financeiras dos clubes de futebol do Brasil. Dado esse contexto, o estudo calculou o custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do país, a fim de demonstrar quantitativamente qual seria o beneficio da abertura de capital para os custos de financiamento dos clubes de futebol nacionais. Segundo o artigo “Abertura de Capital de Empresas”, publicado no site da Comissão de Valores Mobiliários, as vantagens da abertura de capital para as empresas são as seguintes: Ampliação da base de captação de recursos financeiros e de seu potencial de crescimento; Maior flexibilidade estratégica e liquidez patrimonial; Melhoria da imagem institucional e maior exposição ao mercado; Reestruturação societária; Gestão profissional. Por meio da análise do estudo pode-se observar também a vantagem da abertura de capital para os clubes de futebol a partir da melhora nos seus respectivos custos de financiamento. A partir do cálculo do custo de capital médio ponderado para os 12 clubes mais valiosos do futebol brasileiro, compara-se os resultados aos atuais custos de dívida destes mesmos clubes e verifica-se uma redução do custo de financiamento para 9 dos 12 clubes, sendo que Internacional, Flamengo, Corinthians e São Paulo apresentaram as mais significativas reduções, com, respectivamente, 93,86%, 55,82%, 45,49% e 38,50% de queda dos seus atuais custos de financiamento. Dentre as limitações do presente estudo, pode-se destacar o baixo nível de disclosure dos clubes brasileiros. Embora estes sejam obrigados a divulgar anualmente suas 25 demonstrações financeiras, elas, em sua maioria, não apresentam abertura e detalhamento de todas as contas. Outra limitação é o fato da análise ter sido feita referente a um único período contábil. O presente estudo agrega-se aos demais acerca da análise dos benefícios da abertura de capital para os clubes de futebol brasileiros, tratando do tema sob o enfoque do beneficio para o custo de financiamento dos clubes com o cálculo do custo de capital médio ponderado dos 12 clubes mais valiosos do país e comparando-os aos atuais níveis dos custos de dívida destes mesmos clubes. Dessa forma, propõe-se que estudos futuros realizem pesquisa semelhante que contemple um maior número de clubes, aplicando fundamentos financeiros mais robustos e capazes de verificar o efeito dos demais benefícios oriundos da abertura de capital para as dívidas dos clubes brasileiros de futebol. 26 Referências DREBES, Felipe Stechman. Abertura de capital de clubes de futebol. Rio Grande do Sul, 2009. DOS SANTOS, Ananias Francisco; GREUEL, Marcos Alexandre. Análise da gestão financeira e econômica dos clubes brasileiros de futebol: uma aplicação da análise das componentes principais. Santa Catarina, 2010. DOS SANTOS, Antônio Carlos; BENTO, Diogo Levi da Silva; RESENDE, Alex Laquis. Abertura de capitais: uma análise das possibilidades dos clubes de futebol brasileiros. São Paulo, 2011. DAMODARAN, Aswath. Avaliação de investimentos: ferramentas e técnicas para a determinação do valor de qualquer ativo. Rio de Janeiro, 1997. CARDOSO, Vanessa Indrid da Costa; MAIA, Anna Beatriz Grangeiro Ribeiro; PONTE, Vera Maria Rodrigues. Práticas de disclosures do ativo intangível em clubes de futebol. São Paulo, 2012. BDO Brazil. Finanças dos clubes de futebol do Brasil em 2011. BDO Brazil. Valor das marcas dos clubes de futebol do rasil. Edição 2011. http://pt.wikipedia.org/wiki/Custo_do_capital, acessado no dia 25/09/2012. http://www.cartezyan.com.br/versao60/guia/fc/h639.htm, acessado no dia 25/09/2012. http://www.cvm.gov.br/asp/cvmwww/atos/exiato.asp?File=%5Cinst%5Cinst480.htm, acessado no dia 25/09/2012. http://www.corinthians.com.br/upload/site/balan%C3%A7o%20corinthians%202011%20final %202.pdf acessado no dia 27/02/2013. 27 http://www.santosfc.com.br/upload/site/balan%C3%A7o+santos.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.saopaulofc.net/media/53687/Balanco2011-3.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.palmeiras.com.br/upload/relatoriodemonstracoes_2011.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.fluminense.com.br/site/futebol/wp-content/uploads/2012/05/demonstracaofinanceira-2011.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.botafogo.com.br/downloads/balancopatrimonial/Botafogo-BFR-31-12-2011.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.vasco.com.br/site/public/upload/ckeditor/files/balan%C3%A7o2011.pdf.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.cruzeiro.com.br/imagem/bancodearquivos/1519.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.gremio.net/upload/page/file/balancete_patrimonial_2011.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.internacional.com.br/pagina.php?modulo=2&setor=18&codigo=17463 acessado no dia 27/02/2013. http://www.flamengo.com.br/site/upload/downloads/20120430011128_804661.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.atletico.com.br/site/files/file/agencies/file/4fa9489d-b068-4fa2-8038208a453b8e64.pdf acessado no dia 27/02/2013. http://www.receita.fazenda.gov.br/previdencia/formascontrib.ht acessado no dia 20/03/2013. http://www.cvm.gov.br/port/public/publ/publ_200.asp, acessado no dia 21/04/2012. 28 7 Apêndices 7.1 Resultados Obtidos Atlético Mineiro Botafogo Corinthians Cruzeiro Flamengo Fluminense Grêmio Internacional Palmeiras Santos São Paulo Vasco da Gama 298.212 132.449 150.497 0 51.748 61.965 67.333 63.420 53.668 1.271 38.046 37.839 145.992 95.852 60.854 0 30.014 43.752 910 23.730 33.557 411.489 19.231 1.577 0 75.940 76.564 0 42.085 35.336 221.769 69.722 102.883 0 96.764 124.455 WACC Custo do Capital Próprio (Ke) Beta Alavancado Custo do Capital de Terceiros (Kd) Despesas Financeiras Dívida Onerosa 2011 (b) Dívida Onerosa 2010 (a) Patrimônio Líquido Tabela 8 - Resultados obtidos ( em milhares de reais e %) 3.525 2,49% 0,475 9,76% 7,28% 12.049 21,19% 0,000 6,23% 20,13% 27.443 46,88% 0,564 10,42% 25,55% 8.225 21,68% 9,397 76,03% 22,40% 32.570 41,57% 0,448 9,56% 18,37% 7.439 20,17% 0,000 6,23% 19,16% 19.889 69,44% 11,561 92,11% 66,65% 15.480 148,79% 0,322 8,63% 9,13% 27.973 36,68% 0,000 6,23% 34,85% 9.558 24,69% 0,000 6,23% 23,46% 18.157 21,04% 0,462 9,67% 12,94% 9.773 8,84% 0,000 6,23% 8,39% Tabela 9 - Resultados obtidos e índices de mercado (em milhares de reais e %) VAR (S&P500) COV (MANU;S&P500) Beta Alavancado (MANU) Valor da Dívida (MANU) Alíquota de IR (UK) Valor de Mercado/Market CAP (MANU) Beta Desalavancado Rf Americano Country Risk Premium (BR) Market Risk Premium Alíquota de IR (BR) Inflação BR Inflação USA 5,040E-05 1,824E-05 0,362 795.438,146 24,00% 4.718.237 0,321 1,82% 1,84% 7,25% 5,00% 4,50% 2,00% 29 7.2 Cotações e Retornos Diários do S&P 500 e MANU Tabela 10 - Cotações e Retornos Diários do S&P 500 e MANU Data 10/08/2012 13/08/2012 14/08/2012 15/08/2012 16/08/2012 17/08/2012 20/08/2012 21/08/2012 22/08/2012 23/08/2012 24/08/2012 27/08/2012 28/08/2012 29/08/2012 30/08/2012 31/08/2012 04/09/2012 05/09/2012 06/09/2012 07/09/2012 10/09/2012 11/09/2012 12/09/2012 13/09/2012 14/09/2012 17/09/2012 18/09/2012 19/09/2012 20/09/2012 21/09/2012 24/09/2012 25/09/2012 26/09/2012 27/09/2012 28/09/2012 01/10/2012 02/10/2012 03/10/2012 04/10/2012 MANU Cotação Retorno 14 14,15 1,07% 14,2 0,35% 14,05 -1,06% 13,77 -1,99% 13,42 -2,54% 13,06 -2,68% 13,19 1,00% 13,13 -0,45% 13,25 0,91% 13,26 0,08% 13,83 4,30% 13,53 -2,17% 13,57 0,30% 13,41 -1,18% 13,3 -0,82% 13,19 -0,83% 12,9 -2,20% 12,88 -0,16% 12,6 -2,17% 12,49 -0,87% 12,31 -1,44% 12,18 -1,06% 12,39 1,72% 12,45 0,48% 12,96 4,10% 12,58 -2,93% 12,47 -0,87% 12,41 -0,48% 12,72 2,50% 13,37 5,11% 13,38 0,07% 13,25 -0,97% 13,26 0,08% 12,73 -4,00% 12,55 -1,41% 12,56 0,08% 13,05 3,90% 13 -0,38% S&P500 Data Cotação Retorno 10/08/2012 1405,87 13/08/2012 1404,11 -0,13% 14/08/2012 1403,93 -0,01% 15/08/2012 1405,53 0,11% 16/08/2012 1415,51 0,71% 17/08/2012 1418,16 0,19% 20/08/2012 1418,13 0,00% 21/08/2012 1413,17 -0,35% 22/08/2012 1413,49 0,02% 23/08/2012 1402,08 -0,81% 24/08/2012 1411,13 0,65% 27/08/2012 1410,44 -0,05% 28/08/2012 1409,3 -0,08% 29/08/2012 1410,49 0,08% 30/08/2012 1399,48 -0,78% 31/08/2012 1406,58 0,51% 04/09/2012 1404,94 -0,12% 05/09/2012 1403,44 -0,11% 06/09/2012 1432,12 2,04% 07/09/2012 1437,92 0,40% 10/09/2012 1429,08 -0,61% 11/09/2012 1433,56 0,31% 12/09/2012 1436,56 0,21% 13/09/2012 1459,99 1,63% 14/09/2012 1465,77 0,40% 17/09/2012 1461,19 -0,31% 18/09/2012 1459,32 -0,13% 19/09/2012 1461,05 0,12% 20/09/2012 1460,26 -0,05% 21/09/2012 1460,15 -0,01% 24/09/2012 1456,89 -0,22% 25/09/2012 1441,59 -1,05% 26/09/2012 1433,32 -0,57% 27/09/2012 1447,15 0,96% 28/09/2012 1440,67 -0,45% 01/10/2012 1444,49 0,27% 02/10/2012 1445,75 0,09% 03/10/2012 1450,99 0,36% 04/10/2012 1461,4 0,72% 30 05/10/2012 08/10/2012 09/10/2012 10/10/2012 11/10/2012 12/10/2012 15/10/2012 16/10/2012 17/10/2012 18/10/2012 19/10/2012 22/10/2012 23/10/2012 24/10/2012 25/10/2012 26/10/2012 31/10/2012 01/11/2012 02/11/2012 05/11/2012 06/11/2012 07/11/2012 08/11/2012 09/11/2012 12/11/2012 13/11/2012 14/11/2012 15/11/2012 16/11/2012 19/11/2012 20/11/2012 21/11/2012 23/11/2012 26/11/2012 27/11/2012 28/11/2012 29/11/2012 30/11/2012 03/12/2012 04/12/2012 05/12/2012 06/12/2012 07/12/2012 10/12/2012 11/12/2012 12,98 13 13,36 13,25 12,86 12,88 12,63 12,5 12,26 12,28 12,25 12,38 12,25 12,3 12,43 12,44 12,59 12,85 12,39 12,38 12,75 12,54 12,81 12,79 12,8 12,98 12,97 12,7 12,94 13,02 13,24 13,15 13,13 13,3 13,26 13,3 13,07 13,33 13,33 13,34 13,35 13,33 13,7 13,63 13,89 -0,15% 0,15% 2,77% -0,82% -2,94% 0,16% -1,94% -1,03% -1,92% 0,16% -0,24% 1,06% -1,05% 0,41% 1,06% 0,08% 1,21% 2,07% -3,58% -0,08% 2,99% -1,65% 2,15% -0,16% 0,08% 1,41% -0,08% -2,08% 1,89% 0,62% 1,69% -0,68% -0,15% 1,29% -0,30% 0,30% -1,73% 1,99% 0,00% 0,08% 0,07% -0,15% 2,78% -0,51% 1,91% 05/10/2012 08/10/2012 09/10/2012 10/10/2012 11/10/2012 12/10/2012 15/10/2012 16/10/2012 17/10/2012 18/10/2012 19/10/2012 22/10/2012 23/10/2012 24/10/2012 25/10/2012 26/10/2012 31/10/2012 01/11/2012 02/11/2012 05/11/2012 06/11/2012 07/11/2012 08/11/2012 09/11/2012 12/11/2012 13/11/2012 14/11/2012 15/11/2012 16/11/2012 19/11/2012 20/11/2012 21/11/2012 23/11/2012 26/11/2012 27/11/2012 28/11/2012 29/11/2012 30/11/2012 03/12/2012 04/12/2012 05/12/2012 06/12/2012 07/12/2012 10/12/2012 11/12/2012 1460,93 1455,88 1441,48 1432,56 1432,84 1428,59 1440,13 1454,92 1460,91 1457,34 1433,19 1433,82 1413,11 1408,75 1412,97 1411,94 1412,16 1427,59 1414,2 1417,26 1428,39 1394,53 1377,51 1379,85 1380,03 1374,53 1355,49 1353,33 1359,88 1386,89 1387,81 1391,03 1409,15 1406,29 1398,94 1409,93 1415,95 1416,18 1409,46 1407,05 1409,28 1413,94 1418,07 1418,55 1427,84 -0,03% -0,35% -0,99% -0,62% 0,02% -0,30% 0,81% 1,03% 0,41% -0,24% -1,66% 0,04% -1,44% -0,31% 0,30% -0,07% 0,02% 1,09% -0,94% 0,22% 0,79% -2,37% -1,22% 0,17% 0,01% -0,40% -1,39% -0,16% 0,48% 1,99% 0,07% 0,23% 1,30% -0,20% -0,52% 0,79% 0,43% 0,02% -0,47% -0,17% 0,16% 0,33% 0,29% 0,03% 0,65% 31 12/12/2012 13/12/2012 14/12/2012 17/12/2012 18/12/2012 19/12/2012 20/12/2012 21/12/2012 24/12/2012 26/12/2012 27/12/2012 28/12/2012 31/12/2012 02/01/2013 03/01/2013 04/01/2013 07/01/2013 08/01/2013 09/01/2013 10/01/2013 11/01/2013 14/01/2013 15/01/2013 16/01/2013 17/01/2013 18/01/2013 22/01/2013 23/01/2013 24/01/2013 25/01/2013 28/01/2013 29/01/2013 30/01/2013 31/01/2013 01/02/2013 04/02/2013 05/02/2013 06/02/2013 07/02/2013 08/02/2013 11/02/2013 12/02/2013 13/02/2013 14/02/2013 15/02/2013 13,75 13,72 13,59 13,59 13,61 13,94 13,99 13,96 13,87 14,01 13,95 13,9 14,05 14,36 14,24 14,49 14,03 14,14 14,35 14,21 14,43 14,53 15,29 15,15 15,4 15,5 16,67 16,95 17,49 16,89 16,48 16,34 16,78 16,8 16,8 16,65 17,02 17,5 18,35 18,66 18,72 18,72 18,71 18,54 18,51 -1,01% -0,22% -0,95% 0,00% 0,15% 2,42% 0,36% -0,21% -0,64% 1,01% -0,43% -0,36% 1,08% 2,21% -0,84% 1,76% -3,17% 0,78% 1,49% -0,98% 1,55% 0,69% 5,23% -0,92% 1,65% 0,65% 7,55% 1,68% 3,19% -3,43% -2,43% -0,85% 2,69% 0,12% 0,00% -0,89% 2,22% 2,82% 4,86% 1,69% 0,32% 0,00% -0,05% -0,91% -0,16% 12/12/2012 13/12/2012 14/12/2012 17/12/2012 18/12/2012 19/12/2012 20/12/2012 21/12/2012 24/12/2012 26/12/2012 27/12/2012 28/12/2012 31/12/2012 02/01/2013 03/01/2013 04/01/2013 07/01/2013 08/01/2013 09/01/2013 10/01/2013 11/01/2013 14/01/2013 15/01/2013 16/01/2013 17/01/2013 18/01/2013 22/01/2013 23/01/2013 24/01/2013 25/01/2013 28/01/2013 29/01/2013 30/01/2013 31/01/2013 01/02/2013 04/02/2013 05/02/2013 06/02/2013 07/02/2013 08/02/2013 11/02/2013 12/02/2013 13/02/2013 14/02/2013 15/02/2013 1428,48 1419,45 1413,58 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