INSTITUTO DE SOLDADURA E QUALIDADE
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Curso de Especialização em Gestão de Qualidade (CEGQ)
Discente: Zenaida Baptista Costa
Orientadora: Vera Pinho
Agosto, 2013
Índice Geral
Índice Geral ......................................................................................................... i
Índice de Figura................................................................................................... ii
Índice de Tabela ................................................................................................. iii
1.
Agradecimentos ........................................................................................... iv
2.
Dedicatória................................................................................................... v
3.
Resumo ....................................................................................................... vi
4.
Introdução .................................................................................................... 1
4.1.
Objetivo .................................................................................................... 3
5.
Caraterização Geográfica do País ............................................................... 4
6.
Caracterização da Agricultura em Cabo Verde............................................ 7
7.
Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário - INIDA ..... 10
8.
As Boas Práticas Agrícolas (BPA) ............................................................. 11
8.1.
Produção Integrada ................................................................................ 13
8.1.1.
Fertilização .......................................................................................... 14
8.1.2.
Rotações culturais ............................................................................... 18
8.1.3.
Gestão de Água .................................................................................. 19
8.1.4.
Proteção Integrada .............................................................................. 21
8.1.4.1.
Luta Biológica .................................................................................. 22
8.1.4.2.
Luta Biotécnica ................................................................................ 23
8.1.4.3.
Medidas Indiretas de Luta ................................................................ 23
8.1.4.4.
Luta Química.................................................................................... 25
9. Avaliação das Práticas agrícolas nas culturas de Regadio na Ilha de
Santiago ........................................................................................................... 30
9.1
Metodologia ............................................................................................ 30
9.2
Resultados e discussões ........................................................................ 32
10.
Conclusão .............................................................................................. 50
11.
Recomendações..................................................................................... 51
12.
Bibliografias ............................................................................................ 53
Anexos ............................................................................................................. 58
i
Índice de Figura
Figura 1: As diferentes etapas seguidas .............................................................................. 30
Figura 2: Mapa das parcelas dos agricultores contemplados, no âmbito do projeto .... 33
Figura 3: Avaliação das práticas relacionadas com a higiene e segurança nas parcelas
..................................................................................................................................................... 36
Figura 4: Cartografia do uso de sistemas de rega nos concelhos contemplados .......... 37
Figura 5: As diferentes fontes de água utilizadas, para irrigação, nas parcelas dos
agricultores entrevistados. ...................................................................................................... 38
Figura 6: A situação da utilização de fertilizantes químicos pelos agricultores .............. 39
Figura 7: Aspetos relacionados com a prática da luta química ......................................... 41
Figura 8: As diferentes formas de descartes das sobras de caldas dos produtos
fitossanitários usados pelos agricultores .............................................................................. 42
Figura 9: Formas de descarte dos recipientes que contêm os produtos fitossanitários
pelos agricultores. .................................................................................................................... 43
Figura 10: As diferentes técnicas de luta integrada usadas no combate contra pragas
..................................................................................................................................................... 44
Figura 11: Níveis de formação dos agricultores entrevistados ......................................... 46
Figura 12: Taxa de assistência técnica aos agricultores entrevistados ........................... 46
Figura 13: Ponto de situação da utilização de Boas Práticas Agrícolas na Ilha de
Santiago em função dos agricultores entrevistados ........................................................... 48
ii
Índice de Tabela
Tabela 1: Os pontos críticos ao défice de humidade no solo de algumas espécies de
cultura ......................................................................................................................................... 20
Tabela 2: Classificação dos pesticidas ................................................................................. 27
Tabela 3: Repartição dos agricultores por zona administrativa ........................................ 31
Tabela 4: Distribuição dos agricultores por faixa etária e o sistema de rega
correspondente ......................................................................................................................... 33
iii
1. Agradecimentos
Deixo um agradecimento, em especial, ao meu colega Dr. Jacques Tavares
pelo brilhante apoio profissional pela coragem e motivação que me tem dado
no decorrer deste trabalho e ao INIDA pelo apoio nas deslocações e
disponibilização de meios para a execução deste trabalho.
Agradeço também aos meus colegas: assistente de campo Eduardo Monteiro,
Técnico de extensão rural Sotério Pires, Eng.º Jorge Brito, Eng.º Alfisene
Balde, Eng.º Samuel Gomes, Eng.º Gilberto Silva, Eng.º José Teixeira, Eng.º
Eduardo Amarildo dos Reis, Eng.º Adriano Furtado, Designer Viriato Firmino,
Biólogo Gilson Semedo, a Engª Maria de Jesus, Engª Regla H. e ao estagiário
Daniel que de alguma forma (disponibilização de informações, declarações,
artigos,
publicações,
orientação,
apoio
moral)
me
encorajaram
na
concretização deste projeto.
Agradeço também à minha orientadora Vera Pinho pela orientação e atenção
disponibilizada.
iv
2. Dedicatória
Dedico este trabalho em especial à minha família, ao meu filho Gabriel Tavares, aos
meus colegas de trabalho, estão a contribuir bastante para a sustentabilidade da
atividade agrícola em Cabo Verde, por conseguinte para a melhoria da agricultura.
Da mesma forma dedico este trabalho para os meus colegas e formadores deste
curso de especialização, pelos óptimos momentos de partilha vividos ao longo do
curso.
v
3. Resumo
As mudanças climáticas, a pressão sobre a biodiversidade, a degradação dos solos,
a segurança alimentar a recessão climática (falta de água) são um conjunto de
fatores que afetam os ecossistemas. Para mitigar os efeitos inerentes, as Boas
Práticas Agrícolas (BPA) são ferramentas de peso que poderão ser usadas de um
lado para evitar a agressão do ambiente e do outro contribuir para o aumento da
produção e para a melhoria da qualidade dos produtos. Para uma região como Cabo
Verde, onde as condições climáticas são difíceis, as terras aráveis limitadas e a
produção agrícola instável. Tudo isso, associado a uma topografia muito acidentada,
faz com que as BPA têm uma importância particular para Cabo Verde. No âmbito
deste estudo, cuja área de intervenção é a ilha de Santiago, por ser uma das ilhas
mais produtiva em termos agrícola, mais povoada, onde as pressões antrópicas são
maiores. Este estudo debruça especificamente sobre as culturas de regadio com o
objetivo de avaliar o nível de conhecimento dos agricultores sobre as Boas Práticas
Agrícolas.
No quadro deste estudo foram selecionados vinte e sete agricultores, originários de
oito concelhos. Os resultados obtidos, mostram que 52 % das práticas agrícolas,
analisadas, estão sendo praticadas de forma inadequada pela maioria dos
agricultores entrevistados, no âmbito deste estudo.
Palavras-chave: Santiago, Boas Práticas Agrícolas, regadio, entrevista, avaliação.
vi
4. Introdução
A agricultura é uma das atividades desenvolvida pelo homem, cuja qualidade é
um fator fundamental para a segurança alimentar e a preservação do
ambiente. Todos os procedimentos adotados vão influenciar direta ou
indiretamente o equiliíbrio da qualidade do meio em que vivemos, trazendo
consigo consequências muitas vezes defíceis de serem controladas. A
degradação do solo, por exemplo, é uma consequência de más práticas
agrícolas. Um dos fatores que contribui para a sua degradação é a erosão
resultante das chuvas, agravadas pela utilização de práticas agrícolas
inadequadas às suas características, segundo o livro branco sobre o estado do
ambiente (2013).
A atividade agrícola pode exercer, também, muito embora de uma forma
menos significativa, influências sobre a qualidade do ar. Quando praticada de
forma inadequada pode dar origem à produção de gases tóxicos ou outros,
capazes de originar chuvas ácidas, interferir na evolução do clima (MBPA, s/d).
Existe também o risco de contaminação através dos resíduos de pesticidas, o
que pode se suceder a curto ou a longo prazo. Este fato justifica os cuidados
que devem ser mantidos, aquando da sua utilização. Por conseguinte, a
necessidade em adotar Boas Práticas Agrícolas é fundamental, o que está
muito relacionada com a qualidade do ambiente e segurança alimentar do
consumidor.
Para o controle da qualidade da produção agrícola é necessário avaliar os
respetivos procedimentos ou práticas agrícolas, utilizadas pelos agricultores,
tendo em conta os requisitos estabelecidos. Atualmente são várias as
Organizações que estabelecem normas para o controlo de Boas Práticas
Agrícolas. Estas Organizações permitem a cada parceiro da cadeia de
fornecimento, a possibilidade de posicionar-se no mercado global e ao mesmo
tempo
respeitar
as
exigências
dos
consumidores.
Sendo
assim
vai
proporcionar de certa forma, uma maior qualidade dos produtos alimentares
desde
a
fase
primária
até
à
(http://www.qualidade.eng.br/artigos_qualidade_conceito.htm).
1
transformação
Para reduzir todos esses riscos, associados às más práticas agrícolas, de
acordo com
http://www.apcer.pt, é necessário assegurar a qualidade e
inocuidade dos alimentos na produção primária, objetivando a implementação
das
melhores
práticas
para
uma
produção
sustentável,
atravéz
de
procedimentos ou normas importantes para uma prática de agricultura
saudável e sem impáctos negativos para o ambiente; primorando a
manutenção da confiança do consumidor; a minimização do impacto negativo
no ambiente; a redução no uso de agro-químicos; a melhoria da utilização dos
recursos naturais; bem como a prática de uma atitude responsável para com a
saúde e segurança dos trabalhadores.
2
4.1. Objetivo
Este trabalho tem como objetivo determinar o nível de conhecimento teórico e
prático dos agricultores, sobre as Boas Práticas Agrícolas, especificamente nas
culturas de regadio.
3
5.
Caraterização Geográfica do País
O Arquipélago, de origem vulcânica, é constituído por 10 ilhas e 13 ilhéus, que
se encontram divididos em dois grupos, de acordo com a sua posição em
relação aos ventos dominantes: a Norte o grupo do Barlavento, que comporta
as Ilhas de Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, São Nicolau, Sal e Boavista
e seis ilhéus, e a Sul o grupo do Sotavento a que pertencem as Ilhas de Maio,
Santiago, Fogo e Brava e sete ilhéus (Santos, 2011).
Fica situado na continuação da grande área semi-árida e árida que atravessa o
Continente Africano desde o Mar Vermelho até ao Atlântico. Localiza-se pela
posição geográfica na Franja Saheliana da África Continental caraterizada ao
Norte pela isoeta anual de 250 mm e ao sul pela de 900 mm. À Norte da Franja
saheliana ficam situados os grandes desertos. Consequentemente o
arquipélago é sujeita a ciclos periódicos de seca cuja frequência e duração tem
aumentado durante os últimos anos (Soares,1985).
É conhecida a circulação geral da atmosfera do arquipélago a qual é afetada
pelo anticiclone dos Açores, situado em média entre 35º e 4º Norte; anticiclone
de Santa Helena situado em média entre 28º e 3 º Sul; um centro de ação não
permanente, situado sobre o Continente Africano; anticiclone da Líbia no
inverno boreal e que é substituido por uma pressão continental térmica durante
o Outono boreal; o Harmatão, vento seco e quente que sopra ocasionalmente
(Soares,1985).
O clima em Cabo Verde é caracterizado por duas estações. Uma longa estação
seca que vai de Abril a Julho seguida da estação húmida de 3 meses: Agosto a
Outubro onde se regista mais de 90 % das chuvas. As chuvas são
caracterizadas por uma distribuição irregular no tempo e no espaço. A
exposição e a altitude têm uma influência marcada sobre quantidades de
precipitação nas ilhas montanhosas. As vertentes elevadas e voltadas ao
Nordeste apresentam maior pluviosidade. A temperatura é o indicador climático
mais estável no arquipélago segundo Soares (1985). A média mensal é de 25
4
ºC. No entanto, este valor pode atingir os 19ºC nas zonas altas. Os ventos
dominantes são de NE (78 % no Mindelo e 72% na Praia), N e E (cerca de 10
por cento e 5 por cento respetivamente). Os meses mais calmos são Junho e
Outubro (Soares,1985).
As rochas dominantes são basaltos que ocupam mais de 80 por cento da
superficie total, seguindo-lhes os fonolitos com cerca de 9 por cento.
Encontram-se formações sedimentares ns ilhas mais antigas, Maio, Boa Vista e
Sal, cuja origem é provavelmente jurassico. As formações sedimentares mais
importantes são o calcário dolomíticos e marmorosos. Algumas destas
formações encontam-se cobertas por lavas ou revestimentos basálticos
(Soares,1985).
Nas ilhas do Maio e Boa Vista as dunas ocupam superfícies apreciáveis.
Todas as ilhas com excepção das mais orientais apresentam relevo bastante
acidentado. Como consequência da diferente composição química das rochas,
dos vários agentes da erosão e das oscilações repetidas do nivel da base o
relevo apresenta um certo poliformismo resultante das erupções vulcânicas da
erosão hídrica, da abrasão marinha e da ação do vento. Devido ao carácter
acidentado das ilhas e ao relevo erosionado de outras não é fácil encontrar
solos evoluídos. Mesmo em zonas de altitude com um clima mais húmido o
declive dificulta o parecimento de solos espessos e diferenciados. Nos locais
com fraco declive aparecem no entanto solos mais desenvolvidos e por vezes
profundos e com diferenciação de horizontes. Como regra os solos apresentam
reação neutra embora nos locais com clima mais húmido apareçam solos com
reação ligeiramente ácida (Soares,1985).
Nos locais com relevo pouco acentuado aparecem solos que apresentam
afinidade com as terras tropicais ou com argilas castanho-avermelhadas.
A grande maioria das ilhas é ocupada por litossolos e solos litolicos. No fundo
dos vales aparecem solos aluvionares bastante férteis e com grande espessura
que constituem o suporte da agricultura de regadio (Soares,1985).
5
A população, em 2010, era estimada em 525.310 habitantes, em que a
população urbana representava 60,6% (318.491 habitantes) e a rural 39,4%
(206.819 habitantes) (RGA, 2004).
O crescimento económico é devido principalmente ao sector dos serviços.
Contudo, o sector agrícola garante emprego a 45% da população e constitui a
principal fonte de rendimentos de cerca de 40% da população activa (Santos,
2011).
5.1. Caracterização da ilha de Santiago
A
Ilha
de
Santiago,
com
uma
área
de
991
km2,
está
dividida
administrativamente em nove concelhos, nomeadamente: Praia, Ribeira
Grande de Santiago, São Domingos, Santa Cruz, São Lourenço dos Órgãos,
São Salvador do Mundo, Santa Catarina, São Miguel e Tarrafal. Os nove
concelhos estão repartidos em 11 freguesias. A ilha alberga aproximadamente
57% da população total do país, o que corresponde a 299.920 habitantes,
divididos em população urbana com um peso de 59,5% e população rural,
representando 40,5% (Santos, 2011).
Como parte integrante do arquipélago de Cabo Verde enquanto país saheliano,
a ilha de Santiago é uma ilha altamente afectada pela seca e pelos efeitos
decorrentes deste fenómeno. Esta particularidade climática, caracterizada pela
extrema insuficiência e irregularidade das chuvas, conjugada com a exiguidade
do território e a alta propensão para a erosão dos solos é a causa principal da
fraqueza estrutural do sector agrícola, (PADA, 2009).
Segundo os dados do Recenseamento Geral da Agricultura (2004), a ilha de
Santiago detém a maior área cultivável do país, rondando os 52,7 % do total. A
cultura de sequeiro é a cultura predominante, em que a ilha de Santiago é
considerada a principal ilha agrícola na prática do sequeiro, com 54, 9 % do
total da área cultivável neste regime, e também a segunda mais importante em
termos da prática da cultura de regadio (RGA, 2004).
6
6. Caracterização da Agricultura em Cabo Verde
O arquipélago de Cabo Verde, pela sua designação e para um desconhecedor
da realidade em que assenta atividade agrícola, fica a ideia de ser um país
muito verde e com muitas potencialidades agrícolas. O certo é que em apenas
3 meses (Agosto, Setembro e Outubro) se regista precipitações no país, mas
em valores muito reduzidos, que por sua vez não ultrapassa a frequência de 6
vezes por ano. O último mês de “azágua”, por vezes não chove. Quando isso
acontece a produção é praticamente nula (Mendes, 2009).
De acordo com os dados do Recenseamento Geral da Agricultura (2004),
apenas 10,9 % da superfície total do país é cultivável, sendo 8,6 % é cultivado
em regime de sequeiro. A atividade agropecuária depende exclusivamente das
precipitações.
A
exiguidade
do
solo
aliada
às
condições
climáticas
desfavoráveis, fazem com que a agricultura cabo-verdiana seja pouco
produtiva. Apesar destes constrangimentos, ela continua tendo grande
importância no meio rural, mesmo nas regiões áridas onde as incertezas de
colheita são cada vez mais acentuadas. Estima-se cerca de 70 % da população
vive no meio rural e que o peso da agricultura na formação do PIB é somente
10,5 % (Mendes, 2009).
No arquipélago pratica-se dois tipos de agricultura: a de sequeiro que ocupa
uma área de 41332,3 hectares, praticada durante a época das chuvas (Julho a
Outubro). É geralmente praticada nas encostas íngremes com declive muito
acentuado (Mendes, 2009).
O regadio ocupa uma área de 3026,5 hectares e pratica-se durante a época
seca (Novembro e junho), aproveitando as águas subterrâneas e a partir de
2006 com a construção de Barragem de Poilão na ilha de Santiago, passou a
existir mais água disponível, permitindo a intensificação do regadio, por
enquanto apenas nas zonas vizinhas da barragem. Cultivam-se cana-deaçúcar, banana, papaia, tubérculos, hortícolas várias, etc. (Mendes, 2009).
7
A atividade agrícola mais importante no país é o cultivo de milho e feijões.
Esses dois produtos representam a base tradicional das dietas alimentares da
população cabo-verdiana, não obstante estarem na dependência das
precipitações (Mendes, 2009).
A previsão do aumento da produção de hortícola em Cabo Verde, era baseada
fundamentalmente na introdução e seleção de variedades melhoradas e
melhorias das técnicas de produção de hortícolas introduzidas em Cabo Verde.
A agricultura irrigada é praticada em menor escala, por razões já referidas.
Representa 17,1 % das explorações agrícolas familiares (Mendes, 2009).
De um modo geral e particularmente na ilha de Santiago, segundo os dados do
RGA (2004), a maioria das explorações agrícolas familiares reside em zonas
rurais, com exceção do concelho da Praia, dos quais 57 % são chefiadas por
mulheres, com predominância nos concelhos de Santa Catarina e Tarrafal (61
%) ao contrário de São Domingos (44,7 %). A faixa etária dos chefes das
famílias agrícolas cabo-verdianas situa-se a partir dos 40 anos, que equivale a
68 % do total, em que a maioria tem como nível de instrução o ensino básico
(48 %), entre os quais uma das taxas mais baixas de escolaridade encontramse na ilha de Santiago. Ainda na ilha de Santiago, as taxas mais elevadas de
explorações agrícolas familiares que contituem as principais fontes de
rendimento, regista-se nos concelhos onde se verifica taxas mais elevadas de
explorações, nomeadamente Santa Catarina, Tarrafal e Santa Cruz.
A utilização de insumos (estrume, pesticidas) na agricultura é mais frequente
nas culturas de regadio, dado que, segundo os dados do RGA (2004), 62 %
das explorações agrícolas na ilha de Santiago mantêm esta prática, com
predominância no concelho de São Domingos, e apenas 13 % das explorações
agrícolas utilizam insumos no sequeiro.
As principais origens da água para rega das explorações com regadio em Cabo
Verde, são as nascentes (44 %) e poços (26 %), onde 32 % das explorações
na ilha de Santiago, utilizam águas das nascentes para rega. Existem ainda
outras origens de água, nomedamente, furos, ribeiras e ainda águas
provinientes de galerias (RGA, 2004).
8
O sistema de rega predominate é o sistema por alagamento, onde 82 % das
parcelas e 76 % da área da ilha são irrigadas desta forma. A rega Gota gota
por sua vez, domina apenas 10,8 % das parcelas e 14 % da área. São também
utilizados outros tipos de rega, o qual se destaca no concelho de Tarrafal
(RGA, 2004).
9
7. Instituto
Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário -
INIDA
O centro de estudos agrários (CEA) criado em 1979 evoluindo posteriormente,
passou a ser denominado por Instituto Nacional de Investigação e
Desenvolvimento Agrário (INIDA). Em Cabo Verde, é um Instituto Público,
dotado de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, tutelado pelo
Ministério de Desenvolvimento Rural (MDR). Tem sua sede em São Jorge dos
Órgãos e está estruturada em três departamentos: Ambiente, Economia
Agrária e Sociologia Rural e Agricultura e Pecuária. Os órgãos de gestão são
constituídos por um Presidente que dirige e o representa, por um conselho de
Gestão e por um conselho administrativo (INIDA, 2012).
A
missão
do
INIDA
centra-se
na
investigação,
experimentação
e
desenvolvimento nos domínios das ciências e tecnologias agrícolas e recursos
naturais; na difusão das inovações científicas e tecnologias utilizáveis nos
sectores agrícola, silvícola, pecuária e ambiental. Predominantemente, as suas
atividades consistem em promover, coordenar e harmonizar atividades de
programas / projetos de investigação, em estreita concertação com os diversos
agentes
que
intervêm
no
meio
rural
(http://www.dzoo.uevora.pt/index.php/dzoo/parceiros/estrangeiros/africa/institut
o_nacional_de_investigacao_e_desenvolvimento_agrario_republica_de_cabo_
verde).
Com base na investigação, tem trabalhado neste sentido, para a melhoria das
técnicas de produção agrícola, na introdução de novas variedades de cultura
no país, na análise da rentabilidade da atividade agrícola e na luta integrada
contra as mais diversas pragas e doenças identificadas no território nacional
segundo as declarações da Presidente do INIDA, Rendall (2014)1.
1
Entrevista concedida pela presidente do INIDA à TCV, Dra. Aline Rendall em 2014 no âmbito
da feira de Agronegócios.
10
8. As Boas Práticas Agrícolas (BPA)
As Boas Práticas Agrícolas são um conjunto de práticas e procedimentos para
a produção primária (campo agrícola), economicamente viáveis com a
finalidade de garantir maior segurança, produtividade e qualidade dos produtos
agrícolas segundo Embrapa (2004).
A segurança dos alimentos é consequência do controle de todas as etapas e
de cada elo da cadeia produtiva, desde a produção primária (campo), até à
mesa do consumidor. Os principais beneficiários de Boas Práticas Agrícolas
são os próprios agricultores e as suas famílias, os consumidores e a população
em geral de acordo com BPA (s/d).
As Boas Práticas Agrícolas têm como objetivos: proteger a saúde do
consumidor de doenças e injúrias físicas por consumo direto e indireto de
produtos agrícolas; garantir que o produto agrícola seja adequado para o
consumo humano e manter a confiança dos produtos agrícolas no mercado
nacional e internacional (Embrapa, 2004). Contribui para a segurança das
pessoas, a segurança alimentar e do meio ambiente de acordo com BPA (s/d).
Observam-se dois aspetos importantes na aplicação das Boas Práticas
Agrícolas: atividades pré-colheita que por sua vez, inclui atividades que visam a
seleção de área física, a avaliação de solo, a seleção da cultura vegetal e de
suas variedades, as formas de plantio (sementes, mudas, enxertia, etc.), os
cuidados com a cultura (combate às pragas do campo, irrigação, podas,
proteção da cultura às intempéries, aplicação de hormônios vegetais,
adubação, colheita e outros) e a colheita do produto agrícola (Embrapa, 2004).
Atividades pós-colheita, são as atividades relacionadas com o tratamento do
produto após a colheita até sua expedição pela área agrícola. Dependendo do
produto, o beneficiamento é diferenciado: seleção, lavagem, secagem,
debulha, tratamento térmico, impermeabilização da superfície do produto e
outros. Pode incluir ensilagem e embalamento ou empacotamento do produto
agrícola. A natureza e características dessas atividades são similares aos
11
processos desenvolvidos pelas indústrias de transformação de alimentos. A
Sistema APPCC é aplicável nas atividades pós-colheita, como ferramenta
essencial para a segurança (Embrapa, 2004).
12
8.1. Produção Integrada
A produção integrada é um sistema agrícola de produção de alimentos de alta
qualidade e de outros produtos, utilizando os recursos naturais e os
mecanismos de regulação natural em substituição de fatores de produção
prejudiciais ao ambiente e de modo a assegurar, a longo prazo, uma agricultura
viável (Amaro, 2003). Neste contexto apresenta 11 princípios onde estão
realçadas preocupações de carater ambiental e toxicológicos na sua maioria,
segundo Amaro (2003).
Na produção integrada são adotadas orientações que podem ser agrupadas de
seguinte modo:
I - com o objetivo essencialmente de produção: as fertilizações, o fomento de
adequado teor em matéria orgânica do solo e as regas realizadas de acordo
com as necessidades das plantas, tudo condicionado por adequadas análises,
e o recurso a reguladores de crescimento e à monda dos frutos (Amaro, 2003).
II - simultaneamente visando a produção e com carácter de medidas indirectas
de luta na área da protecção integrada, nomeadamente o uso óptimo dos
recursos naturais, as práticas culturais sem impacto negativo nos ecossistemas
agrários, a protecção e o aumento dos auxiliares (Organismos que facilitam o
combate a doenças derivadas do solo), as medidas legislativas de carácter
preventivo em relação a inimigos das culturas (Amaro, 2003)
III - exclusivamente na área da protecção integrada (combate às pragas),
através de meios directos de luta, nomeadamente a luta física (mecânica e
térmica), a luta cultural, a luta biológica, a luta biotécnica e a luta química
(Amaro, 2003).
13
8.1.1. Fertilização
A fertilização é um dos processos que tem um grande impacto na qualidade
do solo. Consiste na preparação dos solos agrícolas no sentido de melhorar
significativamente a sua capacidade produtiva e consequentemente o
rendimento e a qualidade dos produtos, segundo INIDA (1997). Geralmente
antes da sua aplicação, é preciso fazer análises de fertilização do solo e
posteriormente aplicar os fertilizantes de acordo com o relatório de análises,
de acordo com INIDA (1997).
Com base no manual de fertilzação do solo e das culturas, INIDA (1997), as
análises para a averiguação da fertilidade de um determinado solo podem
ser realizadas visualmente para o diagnóstico do estado nutritivo das
culturas, através da análise foliar, rápido e sem custos. Em alguns casos
torna-se pouco eficáz e fiável, dado que outros fatores podem influenciar os
sintomas que normalmente se verificam, nomeadamente ataques de praga,
aplicação de pesticidas, no caso de deficiencia de dois ou mais nutrientes,
de acrodo com INIDA (1997). Nestes casos recomenda-se a realização da
análise química do solo ou de um orgão da planta, para a obtenção de um
resultado fiável, em que apesar dos custos é muito eficaz. A análise
química vem permitir juntamente com a análise foliar definir o plano de
fertilização capaz de garantir os nutrientes dentro da gama de valores mais
adequados à cultura, segundo INIDA (1997). Contudo, a análise física
também contribui para uma melhor tomada de decisão, quanto à
fertilização, dado que muitas vezes, a falta de nutrientes observada deve-se
a outros fatores que dificultam a absorção destes nutrientes pelas plantas,
anteriormente referido.
14
8.1.1.1.
Caracterização dos fertilizantes
8.1.1.1.1.
Adubos
Os adubos possuem um teor mais ou menos elevado de nutrientes, cuja função
principal é fornecê-los às plantas. Podem ser elementares e composto (INIDA,
1997).
8.1.1.1.2.
Adubos Elementares
As variedades de adubos elementares, de acordo com (INIDA, 1997), é
enorme, e cada qual com a sua respetiva característica, especificidade e
particularidade, nomeadamente adubos azotados, fosfatados e potássicos.
Dada às suas especificidades torna-se necessário ter em conta alguns
cuidados na sua aplicação.
Distinguem-se a adubação de fundo, a adubações de cobertura e a fertirrega,
segundo INIDA (1997).
No processo de adubação, em alguns casos pode ocorrer perdas de nutrientes
por lixiviação, podendo originar a poluição dos lençóis freáticos ou dos cursos
de água entre outros males para a evolução das sementes segundo INIDA,
1997). A possibilidade de ocorrer perdas por lixiviação acontece, caso o adubo
não possuir propriedades químicas capazes de evitar a sua mobilização a partir
da sua interação química com outros constituintes do solo, declarações
referidas pelo INIDA (1997). Sendo assim devido à grande mobilidade de
nitrogénio, os adubos nítricos ou azotados não devem ser utilizados em
adubação de fundo. Todos os adubos devem ficar afastados das sementes,
raízes e das jovens plantas, dado que a concentração em excesso da salina
pode conduzir a sua queima, segundo INIDA (1997). Relativamente aos
adubos fosfatados, estes podem perfeitamente ser utilizados em adubações de
fundo, assim como os adubos potássicos que podem ser utilizados tanto em
adubações de fundo como de cobertura segundo as recomendações do INIDA
(1997).
8.1.1.1.3.
Adubos compostos
Adubos compostos, segundo INIDA (1997), são adubos que contêm mais do
que um nutriente na sua composição. Geralmente são utilizados em adubações
15
de fundo, mas da mesma forma que os adubos elementares, os que contêm
todo o componente azoto na sua forma nítrica, só podem ser utilizados em
adubações de cobertura, seguindo o manual de fertilização do INIDA (1997).
No comércio internacional circulam uma enorme variedade de adubos
compostos, com concentrações e equilíbrios diferentes e fornecendo os
nutrientes sob diversas formas uns mais adequados que outros para o
agricultor aplicar (INIDA, 1997). É aplicada conforme a cultura, o tipo de solo e
seu estado de fertilidade, o clima, a técnica de fertilização, o preço das
unidades fertilizantes fornecidas por cada adubo (INIDA, 1997). Entretanto
acontece que nem sempre os adubos disponíveis no mercado adequam-se às
características dos solos e das culturas que se deseja fertilizar, tornando-se
necessário recorrer-se às misturas de diferentes adubos (INIDA, 1997). Essas
misturas não podem ser realizadas aleatoriamente, uma vez que existe a
probabilidade dos componentes reagirem entre si com consequências
negativas. É necessário certificar-se sobre as misturas que podem ser
efetuadas sem inconvenientes, entre as quais devem ser identificadas as que
podem ser armazenadas e as que devem ser aplicadas logo após a mistura
segundo INIDA (1997).
8.1.1.2.
Fertirrega
A fertirrega é uma forma de adubação onde os fertilizantes são aplicados
através da água de rega, onde a escolha dos adubos deve ser feita de acordo
com a sua capacidade de se dissolver em meio aquoso segundo INIDA (1997).
Antes da sua aplicação deve-se ter em conta algumas propriedades físicas da
água em causa e do adubo utilizada, nomeadamente a salinidade, o sistema de
rega, a época do ano e a fase vegetativo da cultura, dado que a elevada
concentração de adubo pode afetar o desenvolvimento das culturas de acordo
com a sua sensibilidade aos sais segundo INIDA (1997).
8.1.1.3.
Corretivos
Os corretivos têm por finalidade corrigir ou melhorar as propriedades físicas,
químicas e biológicas do solo, podendo conter quantidades significativas de
nutrientes (INIDA, 1997). Destacam-se os estrumes, os produtos compostos
de materiais orgânicos diversos. Além de ser uma prática de baixo custo, as
16
quantidades de nutrientes fornecidos ao solo pelos estrumes que não foram
utilizados pela cultura estrumada poderão, embora em menor grau, beneficiar
as culturas seguintes (INIDA, 1997). No entanto, a quantidade e tipo de
corretivo a aplicar depende dos resultados das análises de terra e faz parte da
recomendação de fertilização indicada pelo laboratório (MBPA, s/d). No que
respeita aos estrumes e compostos não convirá aplicar anualmente
quantidades superiores às correspondentes a 170 kg de azoto total por hectare
como medida de prevenção contra a poluição das águas com nitratos (Dias,
s/d).
8.1.1.4.
Fertilização Racional
Fazer uma fertilização racional das culturas é aplicar ao solo ou à planta, nas
épocas mais apropriadas e sob as formas mais adequadas, os nutrientes que
não se encontram disponíveis no solo, em quantidade suficiente para obter
uma boa colheita (MBPA, s/d).
A prática da fertilização racional exige que se conheça, segundo o Manual
Básico de Práticas Agrícolas (s/d):
 Quais as disponibilidades do solo em nutrientes (através de análise);
 Quanto é que cada cultura necessita de cada nutriente para atingir
determinada produção ou nível de qualidade;
 Quando é que cada cultura necessita de nutrientes;
 Como devem ser aplicados os fertilizantes;
 Em caso de rega, saber que nutrientes existem na água de rega.
Em cada exploração agrícola deve ser elaborado um plano de fertilização
respeitando as seguintes indicações, segundo Manual Básico de Práticas
Agrícola (s/d):
 Efetue análises de terra e/ou foliares em amostras colhidas de acordo
com as regras e a periodicidade definidas
pelos laboratórios
especializados (Serviços);
 Deverá conhecer a composição dos fertilizantes provenientes da própria
exploração (estrumes, chorumes, etc.) que deverão ser previamente
analisados;
17
 Deverá determinar a qualidade da água de rega através de análises
feitas por laboratórios especializados, pois esta pode conter nutrientes
úteis para a planta ou, pelo contrário, ter uma composição química
inadequada, capaz de provocar a degradação das características
químicas e físicas do solo;
 Baseia-se nas recomendações de fertilização feitas pelo laboratório
(Serviços) na sequência do resultado;
 Tire o máximo partido das matérias fertilizantes produzidas na
exploração, particularmente estrumes, chorumes e outros, constituindo
os adubos minerais apenas o complemento necessário ao défice de
nutrientes eventualmente existente.
Mantenha registos, por parcela, das quantidades de fertilizantes aplicados
anualmente e dos materiais fertilizantes utilizados e guarde os resultados das
análises laboratoriais: os boletins de análise de terra, foliar ou de água de rega
e as recomendações de fertilização.
Por último, tenha em atenção as recomendações.do manual supracitado (ou
outro manual de boas práticas agrícolas), para evitar a poluição das águas com
nitratos e fosfatos, resultante das práticas de fertilização.
8.1.2. Rotações culturais
As culturas e as rotações culturais a usar na exploração agrícola devem ser
escolhidas em função de vários factores, entre os quais se destacam a
dimensão da exploração, os objectivos do produtor, a natureza do solo e as
condições climáticas (MBPA, s/d).
É importante fazer rotações na exploração agrícola porque, segundo o Manual
Básicas de Boas Práticas:
• Aumentam a fertilidade do solo - se as culturas e o período da rotação
forem mais adequados;
• Reduzem o empobrecimento do solo - a alternância de culturas leva a
que sejam exploradas em profundidade as diversas camadas por raízes
com diferentes características;
18
• Facilitam o controlo de pragas, doenças e infestantes - através da
alternância de culturas com características diferentes.
8.1.3. Gestão de Água
A água é um dos principais elementos indispensáveis para o setor agrícola.
Quando o seu uso é associado com uma boa gestão permitirá uma redução
substancial do custo da água e um aumento da qualidade e também da
quantidade da produção.
A água é um recurso natural escasso e a rega deve ser baseada em previsões
adequadas e ou com equipamentos técnicos que permitem uma utilização
eficiente da água para a rega (GlobalG.A.P., 2012ª). Seguindo este critério, um
dos procedimentos utilizados para uma rega racional, é a definição de um ciclo
com quatro fases distintas, nomeadamente, planeamento, implementação,
monitorização e avaliação. A fase do planeamento permite determinar algumas
propriedades físicas do solo e da conjuntura do sistema de rega mais
apropriada às condições ambientais apresentadas. Deste modo é possível
minimizar gastos desnecessários, custos de operação, impactos ambientais,
permitindo uma gestão eficaz de água com a elaboração de uma estratégia e
um plano de rega. Na fase de implementação em função da estratégia definida
proceder-se-á definição da quantidade e do momento mais adequado para
irrigação, pelo que a rega depende do tipo de cultura, do solo e das condições
climáticas http://www.coopalcobaca.pt. Em geral, são frequentes e em menor
quantidade na fase inicial de crescimento, atingindo o seu máximo nas fases de
floração e frutificação (Tabela 1), fim do qual começa a decrescer até a colheita
(INIDA, 2013).
Um dos fatores fundamentais para a determinação da necessidade de água
nas plantas é a evapotranspiração, o processo de perda conjunta de água por
transpiração da planta e evaporação do solo (INIDA, 2013).
19
Tabela 1: Os pontos críticos ao défice de humidade no solo de algumas espécies de cultura
Produtos agrícolas
Período crítico
Batata comum
Floração e tuberização
Cebola
Desenvolvimento do bolbo
Cenoura
Durante os primeiros 40 dias
Melancia, melão e pepino
Florescência até a colheita
Pimentão
Formação e desenvolvimento de frutos
Repolho
Formação e desenvolvimento da cabeça
Tomate
Formação e desenvolvimento de frutos
Fonte: Adaptado do Instituto do Desenvolvimento e Investigação Agrária (INIDA, 2013)
A fase de monitorização por sua vez, tem como objetivo principal verificar se a
quantidade de água utilizada na rega satisfaz o objetivo definido na fase de
planeamento, tendo em conta alguns parâmetros físicos. Nesta fase é também
indispensável a supervisão, devendo ser efetuada por técnicos capacitados,
em diferentes estados fenológicos das culturas, para examinação de sinais de
stress hídrico. A avaliação como a ultima fase deste ciclo, deve ser feita
durante e após o ciclo, com a intenção de propor medidas corretivas na fase do
planeamento para melhorar o plano de Gestão de água para uma próxima
época http://www.coopalcobaca.pt.
8.1.3.1.
Sistema de rega gota a gota
O sistema de rega gota a gota é uma forma de irrigação mais racional de forma
mais eficiente recomendado aos agricultores. A falta de manutenção preventiva
por sua vez, pode contribuir para o custo da não qualidade, onde pode
aumentar os riscos de entupimento dos gotejadores e danos mecânicos
causados por utensílios de manejo do terreno (INIDA, 2013).
8.1.3.2.
Rega por alagamento
A rega por alagamento antes dos anos 90 representava o único sistema de
rega das culturas de regadio. No meado dos anos 90 introduziu-se um novo
sistema de rega moderno, ou seja, a rega localizada ou gota-gota. Segundo as
20
declarações do Engº. Teixeira (2013)2, a rega por alagamento no contexto
atual, é uma forma de esbanjamento desnecessário de água, dado que a
quantidade de água de rega é determinada de acordo com as necessidades
hídricas da cultura e tendo em consideração alguns parâmetros físicos para
uma melhor gestão de água, nomeadamente a evapotranspiração potencial
(ETp), fase fenológica e o coeficiente cultural (Kc), segundo INIDA (2013). Esta
particularidade pode ser determinada precisamente na fase da implementação
da gestão de água.
8.1.4. Proteção Integrada
Hoje em dia a agricultura é uma atividade que exige do agricultor muitos mais
do que saber preparar a terra, tornou-se mais complexa e muito mais exigente
resultante das constantes evoluções tecnológicas, mudanças climáticas e uma
oferta considerável ultimamente verificada.
Uma praga agrícola pode ser definida como qualquer organismo que entra em
concorrência com o homem no cultivo agrícola, constituindo uns dos diversos
fatores que podem limitar a produção agrícola. Essas pragas incluem espécies
de insetos, pássaros, roedores, doenças, nematoides, ácaros, centopeias,
caramujos e, em alguns casos, grandes mamíferos como macacos e elefantes.
Calcula-se que 90% de todas as espécies conhecidas de insetos não são
economicamente importantes, cerca de 7 % são considerados benéficas e
apenas 3 % podem ser chamadas pragas. Pode acontecer que algumas
espécies atuam como pragas em certas épocas e em outras podem ser
consideradas benéficas (Castleton & Overhold, s/d).
O ataque de pragas nas culturas e falta de conhecimento tem contribuído para
o aumento dos custos associados à atividade agrícola. Este problema vem
agravando-se com a introdução de novas espécies trazidas do exterior, uma
das principais vias de propagação das pragas em todo mundo. Os meios de
combate contra as pragas não são poucos, mas nem todos são apropriados e
os respetivos métodos utilizados constituem uma das principais preocupações
2
Informações fornecidas pelo Eng.º Mestre em Engenharia Agrícola do INIDA.
21
vividas por algumas entidades como a FAO, as delegacias de saúde e o
Ministério do Desenvolvimento Rural.
A proteção integrada vem neste sentido, utilizar os meios e técnicas possíveis,
tendo em conta as interações naturais entre os diferentes componentes do
ambiente, a capacidade de proliferação das pragas e o respetivo carater
taxiológico, cujo objetivo principal é a minimização dos prejuízos provenientes
dos ataques das pragas. Dado que os prejuízos ocorridos são proporcionais à
quantidade do inóculo (doença) existente ao instalar-se a cultura, deve-se
preocupar-se em criar condições que sejam desfavoráveis ao parasita e na
implementação de medidas preventivas (medidas indiretas). Contudo a
proteção integrada não procura a exterminação das populações das pragas em
concreto, visa, portanto, uma melhor gestão dos fatores componentes do
ecossistema agrário, através de uma estratégia limitativa ou corretiva
(Audemard et al, 1982).
O fator económico é também um aspeto essencial para agricultura, sendo
necessário estar em equilíbrio com o aspeto ecológico, surgindo então a noção
de um nível de tolerância, que constitui a base fundamental da proteção
integrada. Este nível é designado por nível económico de ataque. Este método
permite ao agricultor aceitar até certo nível a presença de pragas ativas na sua
cultura utilizando outros meios para o seu controlo que não seja químico
(método de controle ás pragas), evitando assim a sua multiplicação. Além do
nível económico de ataque, existe também o nível prejudicial de ataque, o qual
indica a intensidade mínima de ataque do inimigo da cultura que já causará
prejuízos de importância económica. De acordo com o nível de ataque
verificado será assim determinado os meios de combate para o abate,
contribuindo para uma melhor qualidade do ambiente e da saúde dos
consumidores (Audemard et al, 1982).
8.1.4.1. Luta Biológica
A luta biológica consiste, sobretudo em recorrer à ação de certas espécies de
artrópodos estomófagos (parasitoides e predadores) ou de microrganismos
entomopatogénicos (fungos, bactérias e vírus), a fim de reduzir as populações
22
dos inimigos da cultura. De acordo com os princípios da luta integrada não se
pretende eliminar o organismo prejudicial, mas antes manter a intensidade do
seu ataque a um nível suficientemente baixo para que os prejuízos económicos
sejam suportáveis. Neste contexto a luta biológica permite o restabelecimento
do equilíbrio biológico, sendo necessário a realização de estudos prévios
(biologia, ecologia, etologia das espécies alvo) que permitam assegurar ótimos
resultados
e
preservar
este
equilíbrio.
Essas
ações
resumem-se
essencialmente em intervenções que levam a conservação ou multiplicação
das populações amigas da cultura e ou através da implantação deliberada
dessas mesmas espécies (Audemard et al, 1982).
Além das espécies aqui referidas, são também conhecidas espécies como as
aves insetívoras que contribuem bastante para a limitação de várias pragas ou
inimigos de cultura (Audemard et al, 1982).
8.1.4.2. Luta Biotécnica
A designação, meios de luta Biotécnica abrange todos os meios, normalmente
presentes no organismo ou no habitat da praga, passíveis de certa
manipulação, através da qual se consegue fazer alterar negativamente certas
funções vitais que deles dependem de forma mais ou menos profunda, verificase, em geral, a morte dos indivíduos afetados (Audemard et al, 1982).
Encontram-se, desde 1980, em estudos ou aplicação alguns meios de luta
biotécnica, nomeadamente as hormonas, as precocenas ou anti-hormonas, as
antiquitinas, as feromonas, as substâncias esterilizantes utilizadas em luta
autocida e os inibidores de alimentação (Audemard et al, 1982).
8.1.4.3. Medidas Indiretas de Luta
8.1.4.3.1.
Luta Genética
A luta Genética é uma medida indireta de luta em que consiste na obtenção ou
utilização de cultivares ou plantas resistentes aos principais patogénios e
pragas (Audemard et al, 1982). Tem como objetivo principal impedir os
prejuízos muito prováveis e eminentes resultantes dos inimigos das culturas
23
através da fomentação de condições desfavoráveis, a prazo, ao seu
desenvolvimento (Amaro, 2003).
8.1.4.3.2.
Luta Legislativa
É conhecida também, nesse mesmo contexto, a Luta Legislativa que
corresponde à adopção de medidas legislativas e regulamentares e de outra
natureza, mas afins, para minimizar o transporte e dispersão de inimigos das
culturas através de actividades humanas (Amaro, 2003).
8.1.4.3.3.
Luta Cultural
A luta Cultural consiste na utilização de práticas agrícolas que visam a
preservação da saúde das plantas e consequentemente a prevenção contra o
aparecimento ou multiplicação dos inimigos das culturas resultantes das más
técnicas culturais. Os meios de luta cultural mais comuns são: a fertilização
racional, rotações de cultura, solarização ou pasteurização do solo, limpeza
das áreas de cultivo, etc. (Audemard et al, 1982).
24
8.1.4.4. Luta Química
Apesar dos vários métodos de controlo de pragas das culturas existentes, a
presente trabalho coloca ênfase no método químico.
A luta química é um dos métodos considerado mais eficaz para o combate das
pragas de culturas, mas que sozinha não satisfaz, nem no plano técnico, nem
no económico e nem no ambiental, (Audemard et al, 1982). Consiste na
utilização de substâncias tóxicas, os pesticidas, na luta contra os inimigos de
cultura. Apesar do seu poder de controlo das pragas e doenças ou infestantes,
os pesticidas poderão dar origem a efeitos secundários em diferentes níveis
inclusive nos próprios inimigos de cultura que têm mais resistência, sendo
necessário aplicar cada vez mais e com doses cada vez mais elevada,
(Audemard et al, 1982).
Pesticida é definido como substâncias ou misturas de substâncias utilizadas
para prevenir ou combater o ataque de espécies de vegetais ou animais
nocivos e ainda, as substâncias ou misturas de substâncias usadas como
reguladores de crescimento, os desfolhantes e os dessecantes. Estão também
incluídos os produtos de natureza biológica, os biopesticidas. São classificados
de acordo com o grupo de pragas a atacar (herbicidas, inseticidas, fungicidas,
bactericidas, acaricidas e raticidas), a sua natureza química, a formulação e a
toxidade. Na sua maioria caracterizam-se pela sua elevada toxicidade e
persistência, antes de se desfazerem em substância não tóxica, podendo variar
entre substâncias altamente tóxicas e não tóxicas (Audemard et al, 1982).
A sua utilização, quando as normas não são respeitadas, tem impactos
negativo para o ambiente e para o homem, nomeadamente a contaminação
dos cursos de águas, constituindo uma ameaça para os peixes, onde também,
partículas de determinado tipo de pesticidas, podem vir a atingir grandes
distâncias, daí o risco de intoxicação por inalação e ou por absorção pela pele.
A tomada de decisão relativo à utilização de pesticidas deve ser fundamentada
num profundo conhecimento das suas características e que o seu emprego
seja rodeado de todas as restrições tendentes a reduzir ao mínimo os
25
inconvenientes e a tirar todo o partido das vantagens inerentes à sua aplicação
(Audemard et al, 1982).
Devido à sua toxicidade, encontram-se estabelecidas algumas regras a
respeitar antes e depois da aplicação de um determinado pesticida,
nomeadamente o vestuário protetor, as condições atmosférica, avaliação do
tratamento, o armazenamento, descarte de pesticidas, entre outros fatores
importantes para evitar doenças, e até morte, aos operadores e não só quando
manuseados, armazenados ou aplicados.
8.1.4.4.1.
A toxicidade dos pesticidas
A intoxicação resultante do mal emprego do pesticida pode ocorrer através
da boca quando são ingeridos alimentos contaminados, ao fumar ou comer
no momento da aplicação ou pela utilização de recipientes anteriormente
usados para pesticidas. A sua absorção através da pele e dos pulmões é
mais comum nas pessoas que trabalham com este produto. Pulverizador de
mochila com vazamento é uma das potenciais vias de contaminação através
da pele. Deve-se tomar medidas para evitar este tipo de intoxicação, usando
o Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado e tomar precauções
(lavar as mãos antes de comer, beber ou fumar) (Castleton & Overhold, s/d).
8.1.4.4.2.
Classificação dos pesticidas
Os valores relativos à categoria da toxicidade de um determinado pesticida
encontram-se normalmente indicados nos rótulos dos pesticidas e nas
publicações sobre o tema, classificados como aguda ou crónica. A
toxicidade aguda é dada a partir do DL50 e CL50 (Doce Letal), os quais
indicam a quantidade de ingrediente ativo de pesticidas, líquido ou sólido e
no ar respetivamente, capaz de matar 50 % dos animais testados num
período de 24 horas. Existem casos em que o pesticida é constituído pelo
ingrediente ativo (venenosos) e outros ingredientes inertes (não venenosos),
sendo necessário a aplicação da fórmula útil para determinação da
toxicidade (Tabela 2) relativa de uma formulação de pesticida (Castleton &
Overhold, s/d).
26
Tabela 2: Classificação dos pesticidas
TOXICOLÓGICA
AMBIENTAL
CLASSE I
CLASSE I
Extremamente tóxico
Altamente perigoso ao meio ambiente
CLASSE II
CLASSE II
Altamente tóxico
Muito perigoso ao meio ambiente
CLASSE III
CLASSE III
Medianamente tóxico
Perigoso ao meio ambiente
CLASSE IV
CLASSE IV
Pouco tóxico
Pouco perigoso ao meio ambiente
Fonte: Adaptado do Schiesari (s/d)
Entre tanto esta classificação se refere apenas à toxicidade da formulação, que
é, basicamente, a dose necessária para causar morte no curto prazo. Em
outras palavras, não diz nada sobre os efeitos a longo prazo ou ao “modo de
ação”. Esta informação também é muito importante, porque algumas
substâncias causam danos específicos consideráveis. Esta informação também
é muito importante, porque algumas substâncias causam danos específicos
consideráveis, podendo ser cancerígenos, tóxicos ao sistema reprodutivo ou ao
desenvolvimento de fetos, tóxicos ao sistema nervoso, prejudiciais ao sistema
hormonal, persistentes no ambiente, e contaminantes de águas subterrâneas
(Schiesari, s/d).
8.1.4.4.3.
Dosagem de pesticidas recomendada
Relativamente às dosagens a utilizar como regra geral, a quantidade
depende da fase do crescimento da planta e da população da praga, onde a
dosagem mínima deve ser aplicada na fase inicial e a máxima na fase de
maturação, tanto do insecto como da planta. A quantidade a medir depende
também da área a aplicar ou do volume do pulverizador a utilizar, sendo
assim é necessário efetuar cálculos de acerto para um volume diferente do
indicado na rotulagem, evitando o descarte de pesticidas excedentes
(Castleton & Overhold, s/d).
27
8.1.4.4.4.
Calibração dos tanques ou pulverizadores
O equipamento utilizado para a aplicação do pesticida deve ser calibrado, ou
seja deve-se medir o volume de pesticida, designado por índice de descarga
(l/hectare ou Kg/hectare) aplicado pelo equipamento numa área. Existem
diferentes métodos para a calibração e todos eles podem ser efetuados pelo
próprio aplicador. A não calibração dos equipamentos podem causar
prejuízo para as plantas, ao homem, ao meio ambiente, além de ser
desperdício de pesticida, salvo quando é o caso das aplicações em que é
recomendada a pulverização até as folhas gotejarem (Castleton & Overhold,
s/d).
8.1.4.4.5.
Formas de descarte dos pesticidas excedentes
O melhor método para descartar o pesticida excedente no pulverizador é
aplicá-lo numa área em que o seu efeito adverso será o mínimo possível. Para
aumentar a velocidade de decomposição do pesticida, pode-se acrescentar
alvejante, mesmo antes da pulverização, o que vai ajudar na neutralização. No
caso de ser um pesticida que não sofreu nenhum tipo de diluição, pode depois
ser devolvido para o recipiente original. Contudo é importante consultar
técnicos ou profissionais a respeito da forma de descarte, no que tange os
pesticidas indesejados, em virtude dos perigos associados (Castleton &
Overhold, s/d).
8.1.4.4.6.
Formas de descarte dos recipientes tóxicos
Cabo Verde ainda não tem políticas estabelecidas ou uma legislação a respeito
do descarte de recipientes vazios de pesticidas (Silva, 2013), contudo em
países como Brasil, a lei obriga após a utilização, lavar a embalagem do
defensivo e devolvê-la no local de compra do produto ou nas unidades de
recebimento informadas na nota fiscal da compra.
A embalagem deve ser lavada por pressão ou através da “tríplice lavagem”
(passar por um quarto do volume de água por três vezes). Por meio da tríplice
lavagem, aproveita-se de forma mais completa o defensivo e reduz o risco de
contaminação do homem e do meio ambiente (Schiesari, s/d).
28
De uma forma geral, os recipientes de pesticida depois de esvaziados, devem
ser eliminados e nunca reutilizados para outros fins. Podem ser queimados em
incineradores de alta temperatura. Se não houver incineradores, podem ser
queimados ao ar livre, apesar de este procedimento acarretar sérios riscos.
Mas, existem normas de descarte para recipientes que não podem ser
queimados, em que é preferível enterrar, apesar de ainda a respetiva
legislação não entrou em vigor. Sendo assim em caso de queima de
recipientes é necessário seguir o procedimento recomendado como também
em caso de recipientes que não podem ser queimados, nomeadamente os de
vidro e de metal mencionados no Guia para uso de pesticida (Audemard et al,
1982).
8.1.4.4.7.
Armazenamento de pesticidas
Os pesticidas apresentam um tempo de armazenamento designado por
“duração no depósito de pesticida”. Caso o tempo de armazenamento
ultrapassar esta duração, o pesticida pode perder a sua eficácia no combate
contra as pragas. Portanto, devem ser armazenados corretamente a fim de
minimizar os riscos para pessoas e animais e prevenir a elevada degradação
do mesmo. O respetivo edifício deve preencher alguns requisitos de modo a
evitar contaminações indesejadas. Nesse caso deve ser exclusivo para
armazenamento de pesticidas, afastado das residências, das fontes de água,
com piso de cimento, com boa ventilação e não acessível a animais e a
pessoas que desconheçam os riscos de contato com estes produtos, as
crianças por exemplo, etc. Os pesticidas em concreto devem ficar abrigados do
sol e da chuva, devidamente rotulados, mantidos afastados dos alimentos e
sempre que houver necessidade de serem transferidos para um recipiente
diferente deve se ter atenção de que o mesmo não continha pesticida
destinado a outros fins. É de extrema importância separar pesticidas diferentes,
de acordo com a sua classificação (Castleton & Overhold, s/d).
29
9. Avaliação das Práticas agrícolas nas culturas de Regadio na Ilha
de Santiago
9.1
Metodologia
A abordagem adaptada no quadro deste trabalho divide-se em várias etapas
Figura 1).
Figura 1: As diferentes etapas seguidas
1. Consulta Bibliográfica
Foram consultados por um lado, alguns manuais sobre as práticas agrícolas
em Cabo Verde e do outro, vários outros manuais produzidos fora do contexto
nacional. Adotou-se esta abordagem, com o intuito de definir os critérios de
avaliação, de acordo com a realidade de Cabo Verde, ou seja, com as práticas
mais comuns, etc. Entre os documentos consultados, podemos citar “Manual
de Boas Práticas Agrícolas e Sistema APPCC” e “Boas práticas agrícolas, para
a produção de hortaliças”.
30
2. Seleção das práticas e a elaboração da ficha de entrevista.
Foram selecionadas no total de vinte e duas práticas agrícolas, no âmbito deste
estudo, provenientes na sua maioria, dos manuais sobre as BPA de alguns
países incluindo Cabo Verde, embora a literatura existente sobre as BPA no
país é extremamente limitada. A ficha está estruturada em cinco partes (ver
anexo 1), nomeadamente, tratamentos pré e pós colheita, capacitação técnica,
nas quais se encontram distribuídas as respetivas práticas que constituem a
base deste trabalho. As sugestões de melhorias e observações constituem os
dois últimos grupos.
3. Levantamento dos dados perto dos agricultores.
Esta etapa foi realizada perto de alguns agricultores de regadio em diferentes
concelhos da ilha. Os agricultores alvos foram escolhidos aleatoriamente no
seu respetivo campo e no período da manhã. A recolha de dados demorou
aproximadamente quinze minutos por agricultor. O levantamento foi dirigido
exclusivamente a vinte e sete agricultores que praticam a cultura de regadio,
em oito concelhos da ilha. No total foram, sete agricultores do concelho de
Santa Cruz, cinco do concelho de São Lourenço dos Órgãos, cinco do
concelho de Tarrafal, dois do concelho de Ribeira Grande Santiago, três do
concelho de São Domingos, um do concelho de São Miguel, um do concelho
da Praia e três do concelho de Santa Catarina.
A Tabela 3 resume a distribuição dos agricultores alvo por concelho.
Tabela 3: Repartição dos agricultores por zona administrativa
Nº
Nº de agricultores
Concelho
1
7
Santa Cruz
2
5
Tarrafal
3
5
São L. dos Órgãos
4
2
Ribeira Grande de Santiago
5
3
São Domingos
6
1
São Miguel
31
Nº
Nº de agricultores
Concelho
7
3
Santa Catarina
8
1
Praia
Total
27
8
4. Numerização e tratamento dos dados
Depois do trabalho de campo realizado no período da manhã exclusivamente,
foram introduzidos todos os dados obtidos no programa Excel. A partir do qual,
criou-se uma base de dados com o intuito de facilitar o tratamento e a posterior
actualização dos dados.
9.2
Resultados e discussões
A entrevista decorreu, num total de dezasseis dias, alternadamente, na qual foi
possível entrevistar em média dois agricultores por dia.
A Figura 2 mostra a espacialização das diferentes parcelas contempladas de
acordo com os concelhos. A maioria dos agricultores contemplados encontrase no concelho de Santa Cruz e faltou apenas o concelho de São Salvador do
Mundo que não ficou contemplado na pesquisa.
O grupo alvo de agricultores contemplados neste trabalho é bastante
heterogéneo em termos de idade (Tabela 4). A maioria dos agricultores tem
uma idade compreendida entre 37 a 47 anos. Em segundo lugar, vêm os
agricultores com a idade compreendida entre 48 a 58 anos, o que corresponde
a 37 %. Somente 15 % representa os agricultores mais jovens, ou seja, com a
idade compreendida entre 26 a 36 anos. Os restantes representam a faixa
etária mais elevada, com mais de 59 anos, ou seja, 4 % do total. Um dos
aspetos relevante a realçar é o fato de que 67 % dos agricultores recorrem ao
sistema de rega gota-gota. No entanto, 26 % continuam com o sistema
tradicional de rega, ou seja, a rega por alagamento.
32
Figura 2: Mapa das parcelas dos agricultores contemplados, no âmbito do projeto
Tabela 4: Distribuição dos agricultores por faixa etária e o sistema de rega correspondente
Faixa etária
%
Nº
Gota-gota
Alagamento
26 - 36
15
4
2
1
Ambos os
sistemas
1
37 - 47
44
12
9
2
1
48 - 58
37
10
7
3
0
> 59
4
1
0
1
0
Total
100
27
18 (67%)
7 (26%)
2 (7%)
33
Para a avaliação das práticas agrícolas selecionadas, foram consideradas
como critérios de avaliação:
1. Higiene e Segurança das parcelas, com seis práticas agrícolas, por
analisar,
nomeadamente
prática
de
queimadas,
formas
de
armazenamento de estrumes, vedação das parcelas contra entrada de
animais, descarte de recipientes de fitossanitários e a rotação de cultura;
2. Monitorização de águas e solos de cultivo, com três práticas,
nomeadamente sistema de rega utilizado, fonte de água para a rega, a
realização de análises físico-químicos e microbiológico do solo e água;
3. Gestão
de
fertilizantes,
com
duas
práticas,
nomeadamente
a
pontualidade na aplicação de fertilizantes, a respetiva quantidade
aplicada e o armazenamento de estrume;
4. Procedimento usado na luta química, com nove práticas, nomeadamente
espécies de fitossanitários utilizados, realização da calibração do
pulverizador, aplicação de dois ou mais produtos fitossanitários em
simultâneo, realização da limpeza do pulverizador, utilização da proteção
individual na aplicação de pesticida, realização de exame médico,
respeito pelo intervalo de segurança, forma de descarte de recipientes e
de sobras de pesticidas;
5. Formas de combate utilizadas contra as pragas, com apenas uma
prática, nomeadamente a utilização de outros meios de luta contra as
pragas que não sejam químicas.
6. Capacitação e assistência técnica aos agricultores, com duas práticas,
nomeadamente a formação dos agricultores e a pontualidade de
assistência técnica;
34
9.1.1. Higiene e Segurança das Parcelas
De acordo com os resultados obtidos na Figura 3, constatou-se que, das cinco
práticas selecionadas para avaliação, de entre os cuidados de higiene e
segurança, a rotação de cultura, o descarte de recipientes de pesticidas e as
queimadas dos resíduos das culturas, são as três práticas mais bem
respeitadas pelos agricultores, com respetivamente 81 %, 70 %, 70 %.
A rotação de cultura também considerada como sendo um dos meios de luta
contra pragas (preventiva) contra a multiplicação dos inimigos da cultura, foi
uma das práticas que está a ser utilizada pela maioria dos agricultores
entrevistados.
De um modo geral, a prática de queimadas, como forma de limpar as parcelas,
é muito utilizada na ilha de Santiago, onde 30 % dos agricultores entrevistados
afirmaram manter esta prática, que por sua vez, trás consigo sérios riscos para
o ambiente, nomeadamente a perda da matéria orgânica, a poluição do ar,
incêndios, etc.
No que tange as duas restantes, ou seja, o armazenamento de estrume e
vedação das parcelas contra a entrada de animais, representam as práticas
com uma maior taxa da não conformidade, na medida em que mais de 70 %
dos agricultores não estão a executa-las corretamente. Da análise feita aos
agricultores entrevistados em relação a este ponto, verificou-se que um número
considerável de áreas de cultivo não se encontrava vedada, permitindo desta
forma a circulação livre dos animais nesta zona e a vulnerabilidade dos
produtos agrícolas. Esta situação constitui uma fonte de contaminação do
ponto de vista químico e microbiológico, sendo fundamental ter em atenção
alguns aspetos que constituem potenciais ameaças para a saúde pública e
ambiental (Moretti, 2003).
.
35
Figura 3: Avaliação das práticas relacionadas com a higiene e segurança nas parcelas
9.1.2. Monitorização de água e solo de cultivo
Constatou-se, na quase totalidade dos concelhos, uma prevalência muito
positiva do uso do sistema de rega gota-gota, em vez do sistema tradicional de
rega, ou seja, rega por alagamento. Os dados obtidos apontam que em todos
os concelhos se usa o sistema de rega gota-gota. Todos os agricultores dos
concelhos da Praia (1 agricultor), Santa Cruz (7 agricultores), Tarrafal (5
agricultores) e São Miguel (1 agricultor) usam somente o sistema de rega gotagota. No entanto nos concelhos de São Lourenço dos Órgãos, Santa Catarina,
São Domingos e Ribeira Grande, alguns agricultores mantêm o sistema de
rega tradicional, ou seja, um total de 26 %. Somente 8% da totalidade dos
agricultores entrevistados usam ambos os sistemas, particularmente nos
concelhos de Santa Catarina (4 %) e Ribeira Grande (4 %). Contudo, os dados
do Recenseamento Geral da Agricultura (2004), aponta que o sistema de rega
predominante, na ilha de Santiago, é o alagamento.
36
Figura 4: Cartografia do uso de sistemas de rega nos concelhos contemplados
As razões apresentadas, pelos agricultores que usam o sistema de rega
tradicional, da não instalação do sistema de rega gota-gota, estão na origem,
por um lado, de alguns fatores naturais (o relevo) que dificultam a instalação do
sistema gota a gota e também devido à abundância de água que em algumas
localidades, como é o caso da Boa Entrada (concelho de Santa Catarina). Por
outro lado, a falta de recursos financeiros é a principal responsável da não
instalação do sistema de rega gota-gota.
Os resultados obtidos apontam que existem várias fontes de água para a
irrigação das culturas, nomeadamente furos em 6 concelhos (São Domingos,
Santa Cruz, Santa Catarina, São Lourenço dos Órgãos e São Miguel),
nascentes em 3 concelhos (Ribeira Grande, São Lourenço dos Órgãos e Santa
Catarina), poços em 5 concelhos (São Domingos, São Lourenço dos Órgãos,
Santa Catarina e São Miguel), barragens em 2 concelhos (Praia e Santa Cruz).
Os furos representam, a fonte mais usadas pelos agricultores entrevistados
com uma taxa de 44 %. Depois vêm os poços com uma taxa de 19%. De
seguida vêm as nascentes com uma taxa de 11%. As barragens vêm em último
lugar (Figura 5). É preciso também salientar que em alguns concelhos, os
agricultores recorrem a mais de uma fonte de água, como por exemplo, nos
concelhos de Ribeira Grande, Praia, São Lourenço dos Órgãos e São Miguel.
37
O fato das barragens serem menos utilizadas, deve-se à existência desta infraestrutura hidráulica somente em dois Concelhos. Os furos e os poços são mais
usados porque representam as fontes de água mais abundantes na ilha.
Figura 5: As diferentes fontes de água utilizadas, para irrigação, nas parcelas dos agricultores
entrevistados.
A realização de análises de solos e água não constitui uma das práticas
habituais no seio dos agricultores entrevistados, na medida em que a totalidade
dos agricultores não fazem análises desses dois fatores de produção. Esta
situação ficou demonstrada. Não existe um controlo sistemático e frequente da
qualidade de água para irrigação, embora esta prática poderá contribuir
significativamente para uma melhor gestão desses recursos, uma otimização
dos custos com fertilizantes e uma melhoria de produção. De acordo com
estudos feitos pela Silva (2011), 42 % dos mananciais na ilha de Santiago
apresentam um risco de salinidade alto (0,75 <CE <1,50). Neste estudo
verificou-se que a maioria das fontes de água de rega utilizadas são
praticamente furos e poços. Por conseguinte, a realização das análises de
água é necessária, tendo em conta que a salinidade alta afeta negativamente o
solo.
38
9.1.3. Gestão de fertilizantes
Os resultados obtidos mostram que, por um lado, 85 % dos agricultores usam
fertilizantes químicos sem nenhuma orientação técnica, ou seja, sem que haja
uma prévia análise do solo antes da instalação das culturas. Por outro lado, os
15 % restantes dos agricultores não recorrem a fertilizantes químicos (Figura
6). É preciso enfatizar que todos os agricultores entrevistados usam também
estrume de animais para reforçar a fertilidade dos seus solos. A forma de
aplicação constatada, quer para os fertilizantes químicos quer para o estrume,
é feita tendo em conta o tamanho da área de cultivo e por intuição ou a olho.
Nesta condição existe o risco de contaminação das correntes de água através
da lixiviação, podendo ocorrer a toxicidade dos solos e ainda custos
desnecessários devido à aplicação irracional dos adubos.
A manipulação e técnicas de aplicação de estrumes, adubos e de outras
matérias fertilizantes similares, condicionam largamente o efeito que esses
produtos têm sobre o ambiente, quer no que respeita às perdas de azoto por
volatilização para a atmosfera ou arrastado pelas águas, quer no tocante à
libertação de odores desagradáveis (Dias, s/d).
Figura 6: A situação da utilização de fertilizantes químicos pelos agricultores
39
9.1.4. Procedimento usado na luta química
Neste contexto, constatou-se que a maioria dos agricultores entrevistados,
utilizam a luta química no combate contra as pragas. Alguns ainda com alguma
noção sobre o perigo que este método pode trazer quando mal aplicado, tanto
para o ambiente como para a saúde. Contudo foram ainda encontrados
agricultores que não acreditam na toxicidade desses químicos, tanto que não
se preocupam em se protegerem a quando da aplicação desses produtos nas
plantas. Verificou-se também que a maioria diz respeitar o intervalo de
segurança, do qual alguns não conhecem as dosagens necessárias para
preparação das caldas.
Das práticas analisadas para a averiguação dos meios de luta química, apenas
três, nomeadamente a limpeza do pulverizador, o respeito pelo Intervalo de
Segurança (I.S.), a aplicação de 2 ou mais pesticidas em simultâneo e a
utilização de produtos fitossanitários autorizados, apresentam uma maior
percentagem de conformidade, respetivamente 85 %, 70 %, 67 % e 85 %. No
que concerne a calibração dos pulverizadores, constatamos que, 74 % dos
agricultores usam os pulverizadores sem uma boa calibração. Da mesma
forma, existe uma forte taxa, 81% de não uso dos diferentes componentes do
equipamento de proteção aquando do tratamento fitossanitário. A pior situação,
neste contexto da luta química, tem a ver com o controlo médico, porque os
resultados indicam que mais de 90 % dos agricultores não fazem controlo.
A aplicação e uso deficiente de pesticidas, não só limitam a eficiência dos
produtos no combate às pragas, mas também têm uma consequência na saúde
pública. Isso está confirmado pelo estudo realizado pelo MDR nos finais de
2011 com o apoio técnico financeiro da FAO. O estudo aponta claramente um
alto grau de contaminação com DDT em ovos analisados e em 4 das 12
amostras de solos foram detetados resíduos de DDT. Os resultados obtidos no
âmbito deste estudo apontam também a possibilidade da introdução e
utilização fraudulenta de pesticidas não autorizados, ainda que não seja uma
situação generalizada, segundo INIDA (2011).
40
Figura 7: Aspetos relacionados com a prática da luta química
Os destinos dos pesticidas excedentes no tanque ou pulverizador de pesticida
são diversos. De entre os destinos, verificou-se, nos resultados obtidos (Figura
8) três aspetos relevantes, ou seja, 37 % dos agricultores reaplicam as caldas
restantes nas plantas, 26 % dos agricultores usam a totalidade da calda
preparada e 18 % deitam para o chão a calda que sobrou. Os agricultores
restantes entulham (4 %), mantêm a calda restante no pulverizador (4%) ou
passam a calda a um outro companheiro (4%). No entanto, 4% dos agricultores
entrevistados não fazem a luta química. A ocorrência das sobras de caldas de
pesticidas, pode ser resultante do erro de calibração ou por vezes devido a
preparação excessiva das caldas para uma determinada área. A forma como é
descartada, pode trazer sérios riscos para o ambiente e para os que nela
habitam.
41
Figura 8: As diferentes formas de descartes das sobras de caldas dos produtos fitossanitários
usados pelos agricultores
De acordo com os resultados obtidos (Figura 9), a prática de descarte dos
recipientes mais frequente, foi o entulho dos recipientes com 22 %. Em
segundo lugar, 15% dos agricultores reutilizam esses recipientes, na mesma
proporção também para os agricultores que queimam e guardam os
recipientes. 11 % dos agricultores colocam esses recipientes no lixo e a mesma
taxa de agricultores deitam os recipientes fora (ao ar livre). 7 % dos agricultores
ou queimam ou enterram os recipientes. Os 4 % dos agricultores restantes
queimam alguns recipientes e os outros são reutilizados. Segundo Silva
(2013)3 em Cabo Verde não existe ainda nenhuma legislação em vigor que
determina a técnica mais correta para o descarte desses recipientes.
3
Informações fornecidas pelo Engº. Gilberto Silva de Proteção Vegetal, do INIDA
42
Figura 9: Formas de descarte dos recipientes que contêm os produtos fitossanitários pelos
agricultores.
9.1.4.1.
Formas de luta contra as pragas
A Figura 10 mostra os resultados obtidos referentes às diferentes formas de
luta integrada que os agricultores entrevistados usam, no combate contra as
pragas nas suas parcelas de cultivo. A forma de luta mais usada pelos
agricultores é a luta química que representa 35 %. A luta que vem em segundo
lugar é o uso de armadilha com 28 %. A luta com uso manual é a forma de luta
que vem em terceiro lugar com uma taxa de 11 %. As outras formas de luta
integrada adotadas pelos agricultores, representam menos de 5 %.
Devido aos inconvenientes inerentes à utilização irracional e excessiva da luta
química na proteção das plantas, nomeadamente a utilização de produtos
muito tóxicos, a falta de conhecimento na aplicação dos produtos e a
inobservância dos intervalos de segurança, levaram Cabo Verde a decidir pela
implementação e desenvolvimento de métodos de proteção integrados contra
43
as principais pragas de cultura, segundo Brito (2013)4. Surgiu deste modo a
necessidade de ser adotada uma forma de luta integrada na proteção das
culturas,
conciliando
os
dois
conceitos:
a
luta
biológica
e
química
respetivamente.
No que tange à implementação do sistema de proteção integrada, com
exceção da luta química, segundo Baldé (2013)5, foram desenvolvidas algumas
técnicas, tais como a utilização de Parasitoide “Encarsia Quadalloupe”, de
atrativos (creolax, metilenqenol, MAL-ATRAP), de feromonas e armadilhas.
Estão direcionadas para o combate de algumas pragas, nomeadamente
mosquinha branca (Bemisia argentifolii), mosca da fruta (Tephritidae) e traças
do tomateiro (Tuta absoluta), com o objetivo de minimizar o uso de pesticidas.
Figura 10: As diferentes técnicas de luta integrada usadas no combate contra pragas
Ultimamente o ataque das pragas e doenças nas culturas sofreu um aumento
considerável e a forma como a luta química está sendo utilizado constituem
sérios riscos para a saúde dos consumidores. A sua aplicação requer cuidados
significativos, mas nem todos os agricultores estão conscientes deste fato e
capacitados o suficiente para a sua aplicação. Muitos afirmam respeitarem os
intervalos de segurança, mas não existem meios suficientes para o seu
4
Informações fornecidas pelo Eng.º Mestre em Proteção Vegetal do INIDA.
5
Informações fornecidas pelo Eng.º Mestre em Agronomia e Recursos Naturais do INIDA.
44
controlo, nomeadamente os supervisores e meios laboratoriais com esta
especificidade. Algumas formas de descartes dos excedentes de pesticidas
utilizadas, também constituem uma das potenciais formas de contaminação de
alguns animais que se alimentam de pastos.
Apesar dos riscos inerentes à aplicação dos fitossanitários, ainda são poucos
os
agricultores
que
conhecem
algumas
técnicas
de
luta
integrada,
desenvolvidas em Cabo Verde. Deste modo, o risco de um potencial
empobrecimento do solo é maior, uma vez que os pesticidas em excesso vão
impedir a proliferação de microrganismos fundamentais para a sua fertilidade,
segundo Amaro (2003).
9.1.5. Capacitação técnica
Entre os agricultores entrevistados verificou-se que, uma elevada percentagem
dos agricultores, ou seja, 48 %, não estão sendo contemplados nas sessões de
formação, organizadas pelo MDR e por outras entidades competentes nesta
matéria. Como por exemplo a OASIS, a plataforma das associações locais e
outras ONGs. Porém, 44% de agricultores tiveram formações de curta duração.
Para além desses dois grupos de agricultores, existe uma taxa de 7 % dos
mesmos, cuja situação é claramente diferente, na medida em que são
agricultores com uma formação superior no domínio agrário bastante
consolidada (Figura 11).
A formação contínua tem também um papel muito importante para a atividade
agrícola. Tendo em conta os vários desafios a que esta atividade está sujeita,
devido aos vários fatores e influências. A necessidade de informar e ou formar
agricultores é indispensável para garantir a qualidade do ambiente e da saúde
humana.
45
Figura 11: Níveis de formação dos agricultores entrevistados
De acordo com os resultados obtidos, constatou-se que 59 % dos agricultores
nunca tiveram uma assistência técnica, nem por parte do MDR e nem através
de técnicos particulares. Somente um total de 41 % tiveram assistência técnica
dos extensionistas entre os quais apenas 8 % provêm de técnicos particulares
(Figura 11). A assistência técnica representa, uma ferramenta muito importante
na adoção de novas práticas e tecnologias agrícolas no seio dos agricultores.
Figura 12: Taxa de assistência técnica aos agricultores entrevistados
46
Mediante os dados expostos, algumas práticas agrícolas realizadas pelos
agricultores da ilha de Santiago, mostram algumas fragilidades de caráter
ambiental e na segurança da saúde pública. Sendo assim, a não realização de
análises de controlo do solo e água de rega, a origem das fontes de água para
rega, a fertilização e a utilização de pesticidas sem uma orientação técnica, a
falta de higiene nas parcelas, a capacitação dos agricultores, a falta de
orientação dos extensionistas entre outros procedimentos afins podem
comprometer a qualidade da agricultura praticada na ilha de Santiago pondo
em causa a sanidade do próprio produto agrícola.
De uma forma geral, a Figura 12 mostra as práticas agrícolas verificadas no
seio dos agricultores entrevistados, com as respetivas taxas de conformidade e
de não conformidade, ou seja, taxa de boas práticas e taxa de más práticas
agrícolas, realizadas pelos agricultores entrevistados. Verificou-se, a partir dos
dados expostos, que das vinte e umas práticas agrícolas analisadas em função
do número dos agricultores entrevistados, onze apresentam a taxa de não
conformidade maior, ou seja, estão sendo efetuadas em inconformidade com
as normas de Boas Práticas Agrícolas, pela maioria dos agricultores alvo.
Entretanto, um outro grupo de apenas 10 práticas agrícolas analisadas, estão
sendo praticadas corretamente pela maioria. Dessas práticas agrícolas, duas
apresentam uma taxa de não conformidade ou de más práticas, realizadas por
mais de 44 % dos agricultores entrevistados, embora estejam a ser efetuadas
adequadamente por mais de 50 % desses agricultores. Desta forma, constatase que os agricultores entrevistados, maioritariamente, não estão a utilizar as
Boas Práticas Agrícolas, isto é, a maioria dos agricultores adotam práticas,
cujas características não preenchem os requisitos de Boas Práticas Agrícolas,
enumerados nos respetivos manuais.
47
Figura 13: Ponto de situação da utilização de Boas Práticas Agrícolas na Ilha de Santiago em função dos agricultores entrevistados
48
Não obstante aos incumprimentos verificados, a maioria dos entrevistados
estão cientes e preocupados com alguns hábitos e comportamentos
inadequados e que são fundamentais para garantir a qualidade dos produtos
em causa. Mostraram interesses em ter formações, apesar de alguns
mostrarem resistência à mudança, e em melhorar a sua produção, solicitando
apoios suficientes para manterem esta atividade. Muitas das suas solicitações
estão voltadas unicamente para o fator produção, em que solicitam apoios
financeiros, apoios técnicos, fácilidade de acesso á água para rega e facilidade
no escoamento dos seus produtos. Foram apontadas outras preocupações de
carater ambiental, por um número muito reduzido dos entrevistados, tais como
o controlo de pesticidas, a luta biológica e afins, plantação de fruteiras em vez
de acácias para o combate contra a desertificação e garantia de segurança
alimentar.
49
10.
Conclusão
Este estudo sobre as boas práticas agrícolas (BPA) é inteiramente realizado na
ilha de Santiago que é o principal celeiro do arquipélago. O estudo abrange
todos os concelhos da ilha, exceto o concelho de São Salvador do Mundo. Um
total de 27 agricultores de regadio foram contemplados. A abordagem utilizada
consistiu numa entrevista aos agricultores no seu respectivo campo, composta
por vinte e duas questões sobre as práticas agrícolas.
Entre todos agricultores contemplados, 52 % das práticas analisadas,
apresenta uma
taxa de aplicação das BPA pelos agricultores muito baixa.
Entre essas práticas mal aplicadas podemos citar, a falta de análise do solo e
da água de rega, a qual não se verificou em nenhum dos agricultores; o
controlo médico dos agricultores que manipulam produtos fitossanitário, que
somente um agricultor faz; a fertilização química, em que a maioria faz sem
nenhuma orientação técnica; o armazenamento dos produtos fitossanitários, a
quase totalidade dos agricultores não dispõe de um local ideal para guardar
corretamente os produtos. Porém, 48 % das práticas estão sendo aplicadas
adequadamente pela maioria dos agricultores entrevistados. Entre os quais
podemos enumerar: a rotações das culturas; o sistema de rega gota-gota; a
limpeza dos pulverizadores; a aplicação de dois ou mais pesticidas;
acatamento dos intervalos de segurança, gestão dos resíduos vegetais,
descarte dos recipientes de pesticidas e a utilização de ptodutos fitossanitários
autorizados.
Este trabalho de avaliação das práticas agrícolas, acaba por ser um contributo
para o estudo da qualidade da agricultura de regadio na ilha de Santiago. Por
conseguinte, o modelo adotado poderá ser melhorado tomando em
consideração mais agricultores e incluindo todas as práticas agrícolas
relevantes, para identifcação e verificação. A verificação das práticas é
importante para avaliar a fiabilidade das boas práticas identificadas, dado que
as declarações pessoais, muitas não se verificam na prática.
50
11.
Recomendações
Dos resultados obtidos verificou-se a necessidade de serem tomadas medidas
concretas, capazes de minimizar as más práticas na cultura de regadio,
verificadas no quadro deste estudo. Algumas práticas necessitam de uma ação
corretiva, outras uma ação preventiva e também na sua maioria, uma ação de
melhoria.
 Como ação corretiva e preventiva, é preciso que as parcelas de cultivo
sejam vedadas com o intuito de preservá-las contra os animais e os
seus efeitos, tendo em conta que, mais de 60 % das parcelas dos
agricultores contemplados não possuem cercas.
 Para que haja uma fertilização racional no sentido de melhorar a
fertilidade do solo e consequentemente a produção das plantas, é
necessário que os agricultores façam regularmente análises do seu solo
e água de rega. Tendo em conta que a totalidade dos agricultores não o
praticam. Para isso, é preciso que o MDR e as outras entidades
implicadas no desenvolvimento rural, reúnam esforços para informar e
formar os agricultores sobre a importância de análise desses dois
fatores de produção.
 É necessário igualmente zelar pela sensibilização dos agricultores, sobre
as consequências da fertilização irracional, sobre o armazenamento de
estume e produtos fitossanitários de forma inadequada. Foi constatado
que 85 % de agricultores fertilizam as suas terras sem nenhuma
orientação técnica.
 A totalidade dos agricultores não fazem o controlo médico e nem utilizam
Equipamento de Proteção Indevidual na manipulação dos produtos
químicos, cujo grau de toxicidade, por vezes seja muito elevado, como
por exemplo o confidor e alguns não autorizados, como “definil” e
“azulinha”. Por conseguinte, é preciso reforçar a sensibilização dos
51
agricultores sobre os riscos a que estão sujeitos e da importância de
controlo médico.
 Aconselha-se que as entidades competentes criem uma legislação
orientada na resolução dos descartes das embalagens de pesticidas,
após o seu uso pelos agricultores. Na medida em que 63 % eliminam
essas embalagens de uma forma incorreta.
 Embora, a maioria dos agricultores entrevistados usam um sistema de
rega ideal, ou seja, a rega localizada, é preciso que haja mais esforços
no sentido de eliminar de vez a rega tradicional, ou seja, por
alagamento. Na medida em que, por um lado a água é um dos recursos
mais escasso de Cabo Verde e por outro, perante as alterações
climáticas, os recursos hídricos nas zonas áridas estão a tornar-se ano
após ano mais limitados.
 A assistência técnica é uma das práticas que a maioria dos agricultores
não estão a beneficiar. Os dados apontam que 59 % não usufrui da
assistência técnica. Por conseguinte, é preciso criar uma estrutura capaz
de acompanhar por perto os agricultores, dando assim uma resposta
concreta ás necessidades técnicas dos agricultores.
 A capacitação dos agricultores é uma ferramenta preponderante na
melhoria dos conhecimentos dos agricultores, consequentemente, na
adoção das tecnologias e inovações do setor agrário. Infelizmente, 48 %
dos
agricultores contemplados no âmbito deste estudo não têm
formação. Assim, recomenda-se um plano de formação (anexo II)
preparado neste trabalho, que serva de suporte para colmatar esta
brecha.
52
12.
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57
Anexos
58
Anexo I
Entrevista para Avaliação das Práticas na Cultura de Regadio na Ilha de
Santiago
Concelho: _________________
Localidade________________
Idade do Inquerido _______________ Data__________________
Culturas praticadas ______________________________________________
Finalidade: _________________
Coordenadas georreferenciais:
_________________________________________________________
A) Tratamento pré-colheita
A.1) Condições de higiene do ambiente de produção:
1. Existe a possibilidade dos animais estarem soltos nas áreas cultivadas?
Sim____ Não ____Outro__________________________________________
A.2) Monitorização da água para rega:
2. Fonte de proveniência:
Poço
Furos
Barragem
Água
Outra fonte
Ano de vida
municipal
3. Faz análises de água?
a. Se sim, quais as análises efetuadas? ______________________
b. Frequência? ____________________
4. Sistema de rega utilizado?
Gota a gota ______ Alagamento_____ Outro________
59
A.3) Aplicação de fertilizantes:
5.
Tipo Fertilizante
Frequência de aplicação
Quantidade aplicada
Químico
Orgânico
6. Local de armazenamento de Estrume?
Área protegida_____ Nas parcelas_______ Outro___________________
A.4) Monitorização do solo agrícola:
7. Fazem análises do solo?
Sim___ Não____ Outro___________________________
A.5) Produtos fitossanitários
8. Quais é que costuma utilizar?
9. Fazem misturas de produtos fitossanitários?
Sim____ Não___ Outro_______________
60
10. Como faz a limpeza do tanque ou pulverizador?
____________________________________________________________
___________________________________________________________
11. Faz a calibração do pulverizador?
Sim____ Não___
12. Utilizam outros meios para combater os inimigos das culturas?
Armadilha__ Eliminação manual__ Outro _________
13. Faz rotações de culturas?
14. Sim____ Não___
15. Respeita o intervalo de segurança?
Entra no campo após aplicação _____ Faz colheita após a aplicação______
16. Destino das sobras das caldas?
No chão___ Reaplica__ Armazena__ Outro__
17. Local onde guardam as embalagens?
Armazém específico __ Juntamente com: _________________ Outro________
18. Destino das embalagens vazias?
Queimam____ Enterram ____ Lixo_____ Outro _________________________
A.6) Saúde e higiene dos trabalhadores e instalações sanitárias
19. Realizam exames devido ao contacto com pesticidas? Sim__ Não__
20. Acessórios utilizados durante a aplicação de pesticidas:
Máscaras ____Fato adequado ______Botas_____ Luvas ______Outro______
61
B) Tratamentos pós-colheita
21. Destino dos restos vegetais após a colheita?
Queimam_____ Reutilizam como fertilizante___ Alimentam os animais______
Outro
C) Capacitação técnica
22. Costumam ter assistência técnica?
Não__ Sim _____________________________________________________
23. Formações frequentadas?
______________________________________________________________
______________________________________________________________
______________________________________________________________
D) Sugestões de melhorias:
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
_______________________________________________________________
E) Obs.: ______________________________________________________
62
Anexo II
63
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Avaliação das práticas agrícolas - Ilha de Santiago Cabo Verde