Decodificando o Apocalipse ( volume II ) Os sete selos Anmyr Sutan 1 Indice 1) Processo decodificador ..................................................................................................... 3 2) O Cordeiro da Ciência ....................................................................................................... 6 3) O cavaleiro branco ........................................................................................................... 30 4) O cavaleiro vermelho ...................................................................................................... 34 5) O cavaleiro preto.............................................................................................................. 39 6) O cavaleiro amarelo ......................................................................................................... 44 7) As aparições ...................................................................................................................... 51 8) A queda dos Impérios ..................................................................................................... 56 9) O anjo do sol nascente .................................................................................................... 69 10) O Vaticano e os Judeus ................................................................................................. 77 2 Processo decodificador Há dois mil anos, na ilha de Patmos, Turquia, São João recebeu uma série de revelações que se transformariam em um dos livros mais estudados e temidos de toda a história da humanidade: “Apocalipse”. O título carrega em si o peso da catástrofe, porque lembra o pavoroso, o terrificante Fim do Mundo, o Juízo Final, o acerto de contas, apesar de seu sentido literal significar “revelação”. Um universo incontável de religiosos e de ateus dedicaram suas vidas em busca de fórmulas, de meios que os permitissem entender esse misterioso livro. O grande interesse se prende exatamente ao fato de ele prever a segunda vinda do Cristo, ou seja, a missão do livro Apocalipse é mostrar o desenrolar dos fatos que irão preparar a humanidade para a chegada do Salvador. Desde épocas mais remotas, estudiosos do mundo inteiro preparam teses, buscando prever esse momento, mas até hoje ninguém chegou a nenhuma conclusão. É aí que se fixa nosso trabalho: queremos mostrar ao leitor um novo conceito analítico, a partir de suposições, comparações que liguem as visões do Profeta aos fatos atuais da nossa história. Para isso é indispensável acreditar e aceitar que essas profecias tenham sido escritas diretamente para os que iriam viver às vésperas da segunda vinda de Cristo, porque apenas estes possuiriam as ferramentas, históricas e lingüísticas, para interpretá-las. A partir daqui, convido o leitor a uma viagem pela história, bem como a uma reflexão sobre os acontecimentos atuais e seu desenvolvimento. Ao longo de todo o texto, o leitor perceberá a existência de algumas expressões com sentido próprio como, por exemplo, a palavra “céu”, que nos conduzirá aos 3 fatos ligados à Religião; “anjos” e “demônios”, querendo representar pessoas ou países. O ser humano, pela própria natureza, tem grande necessidade de comparar fatos e pessoas com alguma situação. Você sabe, por exemplo, por que é branco o cavalo de Napoleão? Por que a filosofia do Comunismo marxista é representada pela cor vermelha? São poucos os que têm uma explicação plausível, mas a grande maioria apenas aceita como a coisa mais normal do mundo o comunismo ser vermelho e a imagem de Napoleão estar ligada a um “tal” cavalo branco. São situações como estas que utilizaremos para apresentar ao leitor uma nova forma de interpretar o Apocalipse, que também poderá se tornar inconsistente e cair em descrédito. Porém, este novo método é único e revolucionário. A partir dele você encontrará um processo de realizações cronológicas e de fácil assimilação. A base deste estudo consiste na possibilidade da segunda vinda de Cristo. Acredita-se que, para que o reino dos céus se materialize, a humanidade precisa passar por inúmeras transformações, que garantam seu crescimento material e espiritual. E o que é afinal esse reino dos céus na Terra senão um mundo perfeitamente equilibrado? O livro do Apocalipse consiste em revelar quais são essas transformações necessárias, inevitáveis. Nos últimos 400 anos a humanidade ficou perplexa diante de inúmeras comprovações científicas. Algumas delas, como a descoberta da lei da gravidade e a confirmação de que a terra não é o centro do universo viriam demonstrar o poder criativo do Homem. O mundo assistiu à revolução industrial e a todos os seus desdobramentos, contendas territoriais sucessivas, que consolidaram a globalização. O leitor entrará a partir de agora pela porta dos fundos das profecias e perceberá, em detalhes, a base desse estudo interpretativo. 4 A cada capítulo o leitor encontrará o texto original do Apocalipse, para que possa ter as próprias interpretações. Ele será apresentado em seguida, frase a frase, e a nossa interpretação respeitará uma ordem cronológica. 5 O Cordeiro da Ciência E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos? E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele; E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos. E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra. E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono; e, havendo tomado o livro, os quatro animais e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo todos eles harpas e salvas de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos, e cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, 6 e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação; E para o nosso Deus os fizestes reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra. E olhei, e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, e dos animais, e dos anciãos; e era o número deles milhões de milhões, e milhares de milhares, que com grande voz diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças. E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se e adoraram ao que vive para todo o sempre. 7 É importante ler todo o texto para que seja possível formar, pouco a pouco, a sua própria base crítica. Os códigos irão surgindo gradativamente ao longo de cada capítulo. Por isso, torna-se necessário que cada um deles seja lido na ordem correta. Este livro tem como ponto de partida o Apocalipse 5. A partir dele os acontecimentos seguirão uma ordem cronológica até a criação do reino dos céus na terra. Entender o momento exato em que ele se realiza determinará o sucesso ou o insucesso deste estudo. O ser humano, para se sentir mais seguro, costuma aceitar apenas os conceitos a que estão familiarizados. Essa atitude o leva a uma falsa sensação de controle e de sintonia com o mundo. Cria-se aí uma certa barreira, que o impede de aceitar novas verdades e o torna simples apreciador de pseudoverdades, impostas pelos diversos sistemas sociais, econômicos e religiosos. O famoso físico alemão Albert Einstein tem uma frase bastante interessante, que diz assim: “A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original”. Você concorda com ele ou não? Abra sua mente para uma nova idéia. Caso queira manter a mesma visão de ontem, acredito que esta não seja uma boa leitura para você. A não ser que leia este livro com os olhos céticos do mundo atual. Boa viagem! 8 “Vi, na destra...” A primeira frase a ser decodificada, é curta, mas de conteúdo bem significativo. Nela, a partir da palavra [destra], visualizam-se dois códigos “mão” e “direita”. Mão – É costume utilizar as mãos para executar quase todas as atividades humanas. Portanto, é coerente ligar esta palavra a realizações. Direita – A filosofia oriental acredita que o lado direito representa a parte material do indivíduo; e o esquerdo, a parte espiritual. Portanto, a expressão destra nos conduz às realizações materiais [mão direita]. O fato da palavra “destra” vir precedida do verbo “ver” [vi], nos leva a imaginar que tenha ocorrido um fato de grande repercussão. “... do que estava assentado sobre o trono...” Na religião Católica Apostólica Romana há um trono, que representa a vontade de Jesus Cristo na Terra. É a cadeira de Pedro, o trono papal que se encontra no Vaticano. O fato de imaginar o Santo Papa com algo na mão direita leva-nos a algumas análises interessantes: - O último Papa a estender o território papal foi Urbano VIII, reconhecido mais pelo equilíbrio e jogo político do que por reformas no âmbito do Cristianismo; - Durante o pontificado de Urbano VIII, Galileu Galilei1 foi chamado a Roma para se retratar das afirmações científicas que havia produzido em 1633. 1 Considerado o pai da Ciência moderna, ilustre físico, matemático e astrônomo italiano, nascido em Pisa, também conhecido como fundador da Ciência experimental. 9 - Dos inúmeros túmulos papais da Basílica de São Pedro, apenas dois estão na abside2 à direita da cadeira de Pedro: um deles é de Urbano VIII com sua [destra] levantada. “... um livro escrito por dentro e por fora...” Sabe-se de algumas personalidades na história da humanidade que receberam o título de verdadeiros vilões do progresso científico e o papa Urbano VIII é um deles. O mais interessante dessa conturbada aproximação da Religião com a Ciência é a própria história. Isso porque, no início, Urbano VIII era amigo dos cientistas e os defendia. Mais tarde, porém, o que o aproximou da Ciência transformou-se no seu próprio martírio. 2 Recinto abobadado, cuja planta é semicircular ou poligonal. Nas basílicas romanas, o nicho semicircular e abobadado onde se achava o assento do juiz. 10 As teorias de Copérnico, sobre o heliocentrismo, foram perseguidas e condenadas pelo Papa Paulo V por heresia. Entretanto ainda no mandato de Paulo V, um novo julgamento foi realizado. Nessa época, o ainda Cardeal Maffeo Barberini, futuro Papa Urbano VIII, testemunhou a favor das obras de Copérnico, conseguindo retirá-las do Index Librorum Prohibitorum3. Mais tarde o Cardeal veio a se tornar amigo e admirador de Galileu. Este fato contribuiu para que o futuro Papa Urbano VIII construísse o lado positivo de sua afinidade com Ciência. Voltando um pouco na nossa análise, lembremos que Urbano VIII mostrava na mão direita um livro. Foi exatamente esta profecia apocalíptica que tornou este Papa um dos mais famosos de toda a história do cristianismo, infelizmente para o Vaticano, não pela pregação da fé cristã. A amizade que existia entre o Cardeal Maffeo Barberini e o físico Galileu Galilei, motivou o cientista, que “sentindo-se a vontade” pediu ao seu “amigo”, agora Papa Urbano VIII, permissão para escrever sobre o Heliocentrismo. Conseguiu do Papa a autorização, porém, o Pontífice solicitou-lhe que o este estudo fosse realizado a partir da comparação entre o heliocentrismo e o geocentrismo. E ainda que tudo estivesse pautado de total imparcialidade. O Astrônomo, no entanto, não atendeu ao desejo do amigo e escreveu um livro totalmente a favor do Heliocentrismo. Galileu não só desrespeitou a solicitação do Papa como também o expôs ao ridículo. Construiu a sua obra a partir de diálogos entre personagens a favor e contra a teoria do Heliocentrismo. Um dos personagens mais simplórios de seu livro defendia a teoria do geocentrismo, e algumas frases utilizadas por este personagem que se recusava em aceitar a teoria de Copérnico, eram palavras ditas pelo próprio Papa Urbano VIII, Tal atitude fez o pontífice sentirse traído. Galileu foi então chamado ao 3 Índice dos Livros Proibidos. 11 Vaticano para prestar esclarecimentos sobre a sua obra, o livro “Diálogo sobre os grandes sistemas do Universo”. Apesar de Urbano VIII haver testemunhado a favor do livro de Copérnico e garantido a Galileu que a teoria heliocêntrica não voltaria a ser condenada por heresia, levou-o a julgamento, obrigando Galileu a declarar-se culpado de heresia diante do tribunal do Santo Ofício e a comprometer-se a jamais defender teses sobre o heliocentrismo. Galileu além de ter a sua obra Proibida foi condenado à prisão domiciliar perpétua e obrigado a renegar a certeza que a terra não estava imóvel no espaço, foi forçado a dizer “abjuro, amaldiçôo e detesto os citados erros e heresias”. Outro fato interessante sobre Urbano VII Quase todas as imagens referentes a ele possuem um detalhe relacionado à sua mão direita. E um dos quadros mais significativos sobre Urbano VIII foi pintado por Miguel Ângelo Merisi, conhecido mundialmente por Caravaggio, pintor barroco italiano. Em suas obras, obscuras e pesadas, costumava utilizar rostos de pessoas da época para retratar cenas, e ou, personalidades bíblicas. Essa característica o deixou, por diversas vezes, em situações difíceis. Uma delas foi a acusação de haver usado o corpo de uma prostitua fisgada morta do Rio Tibre para pintar a morte da Virgem Maria. 12 O quadro abaixo apresenta o Papa Urbano VIII sentado, por trás de uma mesa, tendo sob a mão direita um livro. Grande é o mistério dessa obra. Repare o retângulo vermelho para destacar a parte do quadro ampliada. O Papa tem a mão direita sobre um livro, por baixo deste há outro, grande e volumoso, como as bíblias antigas. Na parte lateral dele há três traços quase imperceptíveis. Porém, ao ampliar este detalhe, encontram-se três símbolos que se assemelham a três números: 1, 5 e 7. 13 Qual teria sido o objetivo do artista? Levando-se em consideração as características artísticas do pintor italiano e comparando-as ao livro do Apocalipse, esses três números ganham um profundo significado. O Papa Urbano VII foi retratado neste capítulo como responsável pela proibição das teorias heliocêntricas. Nicolau Copérnico apresentou pela primeira vez, em 1530, num manuscrito chamado “Pequenos comentários de Nicolau Copérnico”, após 157 anos, sua teoria seria novamente publicada e, finalmente ratificada por outro cientista. Outra interpretação, destaca o número 5 como o foco principal [Apocalipse 5], uma vez que ele aparece entre o 1 e o 7, já os dois outros números representariam os versículos 5.1 e 5.7. 5.1 E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. 5.7 E veio, e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono. Os versículos definem o período em que as teorias heliocêntricas foram proibidas. E por alguma razão, o quadro de Caravaggio desvenda esse mistério. 14 “... selado com sete selos...” O selo aqui se refere ao utilizado pelos Papas o qual é destruído por um cardeal carmelengo4, após a confirmação do falecimento de um Pontífice. A teoria de Nicolau Copérnico e os estudos de Galileu foram condenados pelo Papa Paulo V, que comandou a Igreja Católica antes de Urbano VIII, colocando-os no INDEX. Entretanto, em 1616, ainda no mandato de Paulo V, esses estudos foram retirados do INDEX, após serem julgados pela Santa Inquisição. O Papa Urbano VIII testemunhou, naquela época, em defesa dos estudos matemáticos contidos no livro. O primeiro “selo” a condená-los foi o do Papa Paulo V. Apesar de serem liberados mais tarde, ainda seria proibido [selado] por mais seis Papas. “E vi um anjo forte, bradando com grande voz, quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?” Carta de Galileu. Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzo Galilei, florentino, de 70 anos de idade, intimado pessoalmente à presença deste Tribunal e ajoelhado diante de vós, Eminentíssimos e Reverendíssimos Senhores Cardeais InquisidoresGerais contra a gravidade herética em toda a comunidade cristã, tendo diante dos olhos e tocando com as mãos os Santos Evangelhos, juro que sempre acreditei, que acredito, e, mercê de Deus, acreditarei no futuro, em tudo quanto é defendido, pregado e ensinado pela Santa Igreja Católica e 4 Mordomo. 15 Apostólica. Mas, considerando que (...) escrevi e imprimi um livro no qual discuto a nova doutrina (o heliocentrismo) já condenada e aduzo argumentos de grande força em seu favor, sem apresentar nenhuma solução para eles, fui, pelo Santo Ofício, acusado veementemente de suspeito de heresia, isto é, de haver sustentado e acreditado que o Sol está no centro do mundo e imóvel, e que a Terra não está no centro, mas se move; desejando eliminar do espírito de Vossas Eminências e de todos os cristãos fiéis essa veemente suspeita concebida mui justamente contra mim, com sinceridade e fé verdadeira, abjuro, amaldiçôo e detesto os citados erros e heresias, e em geral qualquer outro erro, heresia e seita contrários à Santa Igreja, e juro que no futuro nunca mais direi nem afirmarei, verbalmente nem por escrito, nada que proporcione motivo para tal suspeita a meu respeito." “E ninguém no céu nem na terra...” A palavra [céu] como explicada no primeiro capítulo deste livro representa o mundo religioso. Um dos primeiros filósofos a questionar o modelo geocêntrico do mundo, foi Nicolau Copérnico, o conhecido astrônomo e matemático. O que poucos 16 sabem, é que ele era cônego da Igreja Católica. Logo o substantivo Céu representa a proibição dos estudos do religioso Copérnico [ninguém no céu]. Novo código é apresentado nesta frase à palavra terra, Nicolau Copérnico é Polonês, pais de origem Eslava. Este povo ocupa a maior área territorial do mundo, se o compararmos a qualquer outra raça do Planeta. Por isso, terra é o código do povo eslavo. “... nem debaixo da terra podia abrir o livro, nem olhar para ele...” As teorias sobre o Heliocentrismo se mantiveram proibidas por longo tempo em todo o território dominado pela Igreja Católica Apostólica Romana. “... e eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro...” São João demonstra tristeza diante da fé [chorava muito], uma vez que, sem poder abrir o livro, a missão de Cristo e a segunda vinda Dele estariam comprometidas. “...nem de o ler, nem de olhar para ele” Por estarem proibidas as publicações dos estudos sobre o Heliocentrismo, não havia como debruçar os olhos sobre elas. 17 “E disse-me um dos anciãos...” Entretanto, um dos que estão fazendo as revelações a São João diz: “não chores; eis que o leão da tribo de Judá...”, referindo-se a Jesus Cristo, o Rei [leão] dos judeus [tribo de Judá]. “... a raiz de David, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos” De acordo com a História Universal, Abraão teve dois filhos: um chamava-se Ismael e o outro, Isaac. O primeiro é oriundo da relação de Abraão com a escrava Agar; e o segundo, da relação com a esposa Sarah. Esse relacionamento deu origem à linhagem de David. Quanto a Ismael, acredita-se que dele se originou a linhagem árabe. Portanto, a raiz da linhagem dos judeus é Isaac. Isaac Newton 18 Se o livro de Galileu encontra-se na mão direita [destra] do Papa Urbano VIII, cabe então, a outro cientista abri-lo. Que cientista seria esse? Por que não Isaac Newton? Afinal de contas, foi ele quem abriu as portas da mente humana para novas verdades e possibilitou o aprofundamento de um novo mundo. Ele mesmo, Newton, o herdeiro das descobertas de Copérnico e Galileu. “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos...” Alguns fatos precisariam acontecer na Inglaterra, terra de Isaac Newton, para que ele não tivesse o mesmo fim de seus antecessores. Apesar da Inglaterra ser uma nação tradicionalmente protestante, o que livraria o cientista das garras do Vaticano, exatamente na época em que Isaac Newton trabalhava na teoria Gravitacional dos Planetas, o então Rei Inglês Jaime II, converteu-se ao catolicismo, fazendo com que a Igreja começasse a exercer influencia do dentro Império britânico. Ao afirmar que Isaac Newton estaria no meio do trono ( nobreza) e entre os anciãos (bispos e cardeais), São João confirma através desta frase a mudança que estava por acontecer no cenário interno inglês, pois, diferentemente do ocorrido com Galileu e Copérnico, nesse momento a Ciência estaria sendo aceita tanto pela Igreja quanto pela nobreza. Apesar dos estudos sobre o heliocentrismo estarem proibidos pelo INDEX de serem publicados e da conversão do Rei Jaime II ao catolicismo, ainda assim os fatos iriam conspirar a favor de Newton. E dessa vez, seriam os religiosos e os nobres a viabilizarem, mesmo que indiretamente, a publicação dessas teorias. “... um Cordeiro, como havendo sido morto” 19 Nesta frase percebemos outra ligação entre Galileu e Newton, dois cientistas, unidos não só pelas teorias que apresentaram ao mundo, mas também pela morte e pela vida. Galileu morreu em 1642, ano de nascimento de Isaac Newton, pelo calendário Juliano, adotado na época pela Inglaterra. É como se o Cordeiro da Ciência morresse sem haver morrido [como havendo sido morto]. Como se Newton herdasse os conhecimentos científicos de Galileu e continuasse as descobertas que transformariam a humanidade. A palavra cordeiro é uma indicação a Jesus Cristo, também representado na frase “leão da tribo de Judá”. São João fez essas revelações para que conseguíssemos efetivamente chegar até Isaac Newton, que tinha uma relação muito forte com Jesus Cristo. Além de ambos terem revolucionado o mundo com novos conceitos, por uma “sutil” coincidência, nasceram no mesmo dia [25] e mês [dezembro], também respeitando o calendário Juliano. Em 1687, 157 anos após ser publicado o manuscrito Pequenos comentários de Nicolau Copérnico, Isaac Newton divulgou sua tese sobre a gravitação dos planetas em torno do sol. Ficou, então, comprovada definitivamente a teoria do heliocentrismo que apesar de incontestável, ainda se encontrava ameaçada pela Igreja Católica. Ao escrever e publicar o “Principia”, o cientista deu prosseguimento às pesquisas de Galileu. “E tinha sete chifres...” Os sete chifres representam de certa forma, uma das forças que impulsionariam as transformações que estavam por ocorrer na Inglaterra. Jaime II, buscando aumentar a influencia do Catolicismo, reeditou a Declaração de Indulgencia, 20 que, apesar de ser apresentada com o objetivo de levar liberdade religiosa aos ingleses, visava, na verdade, colocar em cargos governamentais importantes católicos ligados a Roma, o que de fato ocorreu. O Rei aproveitou este processo para perseguir os Bispos anticatólicos, acusou sete bispos anglicanos por “seditious libel” e mandou prendêlos na torre de Londres. Chifres têm nesta frase o sentido de chefia, de poder. Logo os sete bispos seriam os sete chifres, uma vez que a prisão desses religiosos teve grande influência na mudança política da Inglaterra, servindo inclusive de estopim de um movimento que derrubaria o Rei Jaime II. A este movimento se deu o nome de Revolução Gloriosa. A queda de Jaime II foi determinante na concretização das profecias apocalípticas. Assim, o fato do aprisionamento dos sete bispos servir de estopim da revolução Gloriosa, confirma a decodificação anterior, que previu a participação dos anciãos na transformação da Inglaterra. “...e sete olhos...” Os nobres também participariam ativamente da mudança no cenário político britânico [no meio do trono]. A política pró-Vaticano, de Jaime II, criou na nobreza tradicionalmente protestante um sentimento oposicionista. Com o crescimento das perseguições aos bispos Anglicanos, essa resistência intensificou-se e 21 levou um grupo de sete nobres dos dois partidos políticos – Whigs e Tories – a incitar o Príncipe Guilherme de Orange a invadir Inglaterra e assumir o trono, ocupado por Jaime II. O Príncipe chegou a Inglaterra com seus exércitos em 5 de novembro de 1688. O Rei desistiu de combater o invasor quando percebeu que muitos nobres apoiavam Guilherme de Orange, inclusive a própria filha, a Princesa Ana. O Rei veio a refugiarse na França onde faleceu em 1701. Guilherme III Daí a crucial importância dos “sete nobres” na mudança da Inglaterra. Com a fuga do Rei Jaime II, o parlamento declarou vago o trono da Inglaterra. “... A coroa foi oferecida, conjuntamente, ao príncipe de Orange e à sua mulher, Maria de Stuart, filha mais velha de Jaime II, após aceitarem, em sua integridade, uma Declaração de Direitos 22 (Bill of Rights) votada pelo Parlamento, a qual passou a constituir uma das Leis Fundamentais do reino (COMPARATO, 1999, P. 77-78).” Os sete olhos representam os sete nobres, que rigorosamente se tornaram os olhos do Príncipe Guilherme de Orange na Invasão da Inglaterra, indicando ao futuro Rei os caminhos a serem percorridos até a tomada do poder. “... que são os sete espíritos de Deus, enviados por toda a terra” Esta frase é uma conclusão das análises anteriores. Indica que os sete chifres e os sete olhos representam os sete espíritos de Deus. Ao afirmar que estes seriam enviados por toda a terra [povo eslavo], São João fez uma analogia com os fatos ocorridos na transição política da Inglaterra, quando as atuações dos nobres e da religião foram indispensáveis para que os futuros soberanos assumissem o poder. Czar Pedro I 23 Em 1689, ano da coroação de Guilherme e Maria como regentes da Inglaterra, a Rússia [terra] passava por um questionamento interno. Com a morte do Czar Fiodor, seu irmão Ivan tinha por herança, direito ao trono. Porém, por ser deficiente físico e mental, o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa [chifres] e a maioria da Duma Boiarda, o conselho dos nobres [olhos], decidiram indicar Pedro, meio-irmão de Ivan, como o novo Czar, gerando uma guerra entre as duas famílias, ao final o trono de Czar ficou com a dinastia de Pedro I. Pedro I, O Grande foi responsável pela modernização da Rússia. Muito ligado a ciência ele criou a Academia de Ciência da Rússia. No início do século XVII, em viagem a Europa Ocidental, trouxe alguns trabalhos científicos de Isaac Newton. Concluindo, de certa forma os trabalhos de Copérnico voltaram às origens, o povo Eslavo [terra]. O fato de São João interpretar as ações dos religiosos e dos nobres nas mudanças de poder das duas nações como vontade Divina nos leva a refletir sobre a influência da Rússia e da Inglaterra no processo apocalíptico. “E veio e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono; havendo tomado o livro...” Finalmente, chegou o momento de a teoria sobre o heliocentrismo, proibida a partir dos sete selos, romper as barreiras impostas pelo Vaticano e ser divulgada mundialmente. Voltando ao início deste capítulo, o primeiro Papa a proibir a divulgação desta teoria foi Paulo V. Deste até a publicação de Isaac Newton passaram-se mais sete Papas: 24 Gregório XV [1621 - 1623] Urbano VIII [1623 – 1644] Inocêncio X [1644 – 1655] Alexandre VII [1655 – 1667] Clemente IX [1667 – 1669] Clemente X [1670 – 1676] Inocêncio XI [1676 – 1689] Por um “capricho do destino”, no papado de Gregório XV, que esteve assentado na cadeira de Pedro, entre Paulo V e Urbano VIII, o livro esteve fora do INDEX por ocasião do julgamento de 1616. Apesar dos oito Papas, apenas sete conseguiram, com os seus selos, proibir a divulgação do heliocentrismo. A queda de Jaime II liberta definitivamente Newton para desenvolver e difundir as suas descobertas. 25 O livro Principia A própria frase do Apocalipse demonstra que, apesar de ainda estarem proibidas pelo Vaticano as teorias de Copérnico e Galileu, Isaac Newton Tomou-as das mãos do poderoso Vaticano. “... os quatro animais...” Em outra versão esta frase foi traduzida como “os quatro seres viventes”. Três grandes cientistas, contemporâneos de Newton, tentaram, sem sucesso, descobrir a influência gravitacional sobre os astros. Ao tomarem conhecimento dessa teoria, curvaram-se a ela. São eles: Christiann Huygens, Giovanni Domenico Cassini e Edmond Halley. O quarto personagem importante da época é o poeta Alexander Pope. CHRISTIANN HUYGENS Nasceu em 14 de abril de 1629, em The Hague, Holanda, e morreu em 8 de julho de 1695. Foi o primeiro a usar relógio de pêndulo, patenteado por ele próprio em 1656; concebeu a primeira hipótese das ondulações luminosas; imaginou a mola espiral; descobriu o anel de Saturno etc. GIOVANNI DOMENICO CASSINI Nasceu em 8 de junho de 1625, em Gênova, na Itália, e morreu em 14 de setembro de 1712, em Paris, França. Organizou o Observatório de Paris; descobriu quatro satélites de Saturno: Iapetus [1671], Thea [1672], Tethys e Fione [1684]. EDMOND HALLEY Nasceu em 8 de novembro de 1656, em Haggerston, Shoreditch, na Inglaterra, e morreu em 14 de janeiro de 1742, em Greenwich, também na Inglaterra. Observou 26 um cometa brilhante em novembro de 1681, em Londres, e especulou, sem sucesso, a gravitação dos cometas. Foi ele quem custeou a publicação do “Principia”, de Newton. ALEXANDER POPE Considerado um dos maiores poetas britânicos do século XVIII, ele se referiu a Newton da seguinte forma: “Nature and Nature‟s laws lay hid in night; God said: let Newton be! And all was light” [A Natureza e as leis da Natureza estavam escondidas na noite; Deus disse: que venha Newton! E tudo se iluminou]. “... e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro...” Diferente de Galileu, que foi perseguido pela Igreja, Newton foi nomeado representante parlamentar pela Universidade de Cambridge e recebeu o reconhecimento dos 24 bispos que assentam na Câmara dos Lordes. “... tendo todos eles harpas e salvas de ouro, cheias de incenso, que são as orações dos santos...” A vida de Newton se transformou completamente depois da publicação do “Principia”. Foi abençoado com poder, dinheiro, fama e nobreza [harpas e salvas de ouro, cheias de incenso]5. 5 Os incensos são fumaças purificadoras do ambiente. 27 “... e cantavam um cântico novo, dizendo...” A partir daí, a Igreja adotou nova forma de lidar com os cientistas, antes perseguidos, presos e queimados na fogueira da Inquisição. “Digno és de tomar o livro e de abrir os seus selos; porque foste morto e, com o teu sangue, compraste para Deus homens de toda tribo e língua, e povo e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra” Ao escrever o “Principia”, Newton permitiu a concretização de novos acontecimentos, fazendo a humanidade entrar numa fase em que as verdades tinham que ser comprovadas pela Ciência. “E olhei e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono e dos animais e dos anciãos; e era o número deles; eram milhões de milhões, e milhares de milhares que, com grande voz, diziam: Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber poder e riqueza, e sabedoria e força, e honra e glória e louvor” 28 Isaac Newton morreu no dia 31 de março de 1727 e foi sepultado na Abadia de Westminster, local onde até 1760 eram enterrados os monarcas ingleses. O funeral foi recebido com honras atribuídas a chefes de Estado. “E ouvi toda a criatura que está no céu e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças e honra, e glória e poder para todo o sempre” Até hoje o mausoléu de Isaac Newton é um dos mais visitados do mundo. Mausoléu de Isaac Newton 29 O cavaleiro branco E, HAVENDO o Cordeiro aberto um dos selos, olhei e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem e vê. E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dado uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer 30 “E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão:...” O primeiro selo traz um indicativo importante da forma como deveremos analisá-lo. A partir da frase “como em voz de trovão”, entende-se a necessidade de decifrá-lo por meio de metáforas e comparações. Daí o pressuposto de que as ferramentas lingüísticas da época não ofereciam a São João um vocabulário adequado para uma apresentação literal do texto da revelação. A palavra voz esta atrelada a uma mensagem a ser transmitida pelo som de um trovão. Respeitando o momento cronológico das revelações, no final do século XVIII e inicio do século XIX a Europa passou por um momento marcante em sua história, a França expandia-se territorialmente através das intervenções napoleônicas, levando uma mensagem da invencibilidade francesa aos demais países europeus. Um ponto marcante nas vitórias de Napoleão eram os seus canhões, Napoleão foi o primeiro a utilizar artilharia de grande calibre, colocando os exércitos franceses em condições superiores aos de seus oponentes. Pode-se atribuir ao sucesso da França dois fatores: 1) A capacidade particular de Napoleão. 2) A artilharia de grande calibre. O barulho ensurdecedor do trovão remete facilmente a lembrança do som de um canhão. 31 ... e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele... Fazendo uma pequena retrospectiva ao primeiro capítulo deste livro, por alguma razão, certos fatos históricos tornaram-se famosos em todo o mundo por frases ou palavras específicas. Esta talvez seja a interpretação mais simples do Apocalipse, se identificarmos neste trecho Napoleão Bonaparte em um de seus cavalos. Segundo alguns historiadores, ele nunca teve um cavalo predileto. Usou diversas montarias em suas conquistas militares. Donde se conclui que o trocadilho sobre “a cor do cavalo branco de Napoleão” possa ter sido inspirado em uma das imagens mais famosas do imperador francês: o quadro “Napoleão cruzando os Alpes”, do artista Jacques Louis David. O objetivo da obra era ressaltar as virtudes militares na Batalha de 32 Marengo. O mais interessante é que alguns desses estudiosos afirmam que Napoleão saiu desse conflito galopando no lombo de uma humilde mula. “... tinha um arco...” Com toda certeza, um dos mais importantes e significativos monumentos do mundo é o Arco do Triunfo, na França. Idéia de Napoleão, que mandou construi-lo para homenagear suas tropas, nas paredes internas do monumento estão registrados os nomes dos 386 generais de Bonaparte e 96 de seus triunfos. O Arco do Triufo, no entanto, foi concluído por Luís Felipe, em 1836. “... e foi-lhe dado uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer” Apesar de não descender de reis, Napoleão Bonaparte foi coroado Imperador. Construiu o próprio império e venceu praticamente todas as batalhas durante quase 20 anos. * 33 O cavaleiro vermelho E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem e vê. E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada. 34 “E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele...” Ao contrário do primeiro selo, neste a revelação apresenta-se de forma objetiva, o que nos permite uma interpretação literal. Dando seqüência à ordem cronológica dos fatos, logo após a morte de Napoleão, em meados do século XIX, um acontecimento marcou a humanidade e deu início a uma profunda mudança de paradigmas: o manifesto comunista, declaração escrita por Karl Marx, em 1848, que influenciou grande parte dos povos. A cor vermelha da bandeira do comunismo foi levantada pela primeira vez em 1871, com a fundação do primeiro governo operário da história, A Comuna de Paris. A cor vermelha tornou-se então sinônimo do movimento comunista. Daí a associação entre a cor vermelha e o Comunismo. 35 A Comuna de Paris foi o primeiro governo operário da História, fundado em 1871, por ocasião da resistência popular contra a invasão alemã. Acabou em dois meses [26 de março a 28 de maio] e enfrentou não só o invasor alemão, mas também as tropas francesas. A Comuna era um movimento revolucionário contra o armistício assinado pelo Governo Nacional, transferido para Versalhes, após a derrota na guerra francoprussiana. “... foi dado tirasse a paz da terra...” Marx incentivou os operários a se unirem contra os patrões, criando rebeliões pela Europa. Com o tempo, esses conflitos ficaram cada vez mais fortes na Rússia [terra]. Esta frase trata de um assunto que viria a acontecer, [foi dado que tirasse a paz da terra], através dela podemos tanto entender a ligação com o presente através dos textos de Marx, como a futura situação que estava por se materializar na Rússia [terra]. “... e que se matassem uns aos outros...” O pensamento marxista dividiu o mundo, e os conflitos levaram à morte dezenas de milhões de pessoas. Durante décadas, revoluções foram idealizadas em busca de uma “sonhada” igualdade social. 36 O confronto entre o comunismo e seus opositores, fez com que os homens se matassem uns aos outros. “... e foi-lhe dada uma grande espada” Engels, um dos fundadores do coletivismo alemão, amigo e colaborador de Karl Marx, escreveu sobre a Revolução Civil na França, sobre a Comuna de Paris e utilizou a parábola de Dâmocles para definir a incerteza que tomou conta da Europa, quanto a uma possível grande guerra. A parábola é a seguinte: Dâmocles, cortesão de Dionísio, o Antigo, de quem exaltava constantemente a felicidade, dizia que, como um grande homem de poder e autoridade, Dionísio era verdadeiramente afortunado. Dionísio, então, quis fazê-lo compreender quais os prazeres da grandeza. Convidou-o a tomar o seu lugar em um festim e deu ordem aos servos que o tratassem como se fosse ele próprio. Dâmocles adorou ser servido como um rei e julgou ser o mais feliz dos homens. Foi aí que, ao erguer os olhos, viu suspensa de uma simples crina de cavalo, por cima da sua cabeça, uma pesada e afiadíssima espada. O ingênuo cortesão compreendeu, então, o que é a felicidade de um tirano. A espada de Dâmocles passou a simbolizar o perigo que pode ameaçar um homem em plena prosperidade aparente. Os ideais comunistas de Marx e de Engels podem ser interpretados como a espada de Dâmocles, apontada para as cabeças dos impérios, da burguesia e da 37 Religião. Uma poesia atribuída a Karl Marx descreve bem a relação dele com a espada, deixando a cargo do leitor qualquer interpretação. “Vapores infernais sobem e preenchem o meu cérebro Até eu enlouquecer e o meu coração se transformar drasticamente Vê esta espada? Foi o Rei da escuridão Quem me vendeu”. *** 38 O cavaleiro preto E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer ao terceiro animal: Vem e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança na mão. E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho. 39 “... eis um cavalo preto...” A economia mundial no século XIX começou a rever seus conceitos básicos. E a razão principal disso foi a revolução industrial, que gerou uma grande dependência ao carvão natural [preto]. Como nos selos anteriores, neste também a cor e o cavaleiro associam-se a uma manifestação de força e poder, a um tipo de “imperialismo”. Daí a identificação com a cor do cavalo, que pode ser comparada com o ouro negro, uma vez que tanto o carvão mineral quanto o petróleo, além de possuírem a mesma cor, são até hoje as duas matrizes energéticas mais utilizadas no mundo. “...e o que sobre ele estava assentado...” A revolução industrial contribuiu, “e muito”, para a implantação de novos sistemas econômicos. No Reino Unido, por exemplo, William Jevons ressaltou, em 1865, em seu livro “The Coal Question”, a importância da energia primária para o desenvolvimento econômico e a sustentação do poder político. Jevons associou a sustentabilidade do Império Britânico à disponibilidade de carvão mineral. Evidenciou que, à medida que os estratos superficiais eram esgotados, a extração e a progressiva profundidade determinavam a elevação do custo, o que ameaçaria o Império algum tempo depois. Nota-se aí uma referência ao carvão mineral e ao petróleo, um dos produtos naturais mais disputados do mundo e que definem a economia a partir do século XIX. Distribuídos de forma desigual e dois recursos não-renováveis, eles vêm causando inúmeras crises nos governos, levando-os, em grande parte, às guerras. 40 William Jevons influenciou diretamente o inglês Alfred Marshall, um dos mais importantes economistas da época. Em seu livro “Princípios de Economia”, publicado em 1890 [Principles of Economie], ele reuniu teorias como: oferta e procura, utilidade marginal e custos de produção, que se transformaram, por longo tempo, no manual de economia mais usado na Inglaterra. “... tinha uma balança na mão” A partir do livro “Princípios de Economia”, Marshall aplicou o conceito do equilíbrio geral [tinha uma balança na mão], para comprovar que os preços eram determinados por fatores de custos e de demanda. Sua análise também reconheceu as complexas interdependências existentes em um sistema de preços, com a oferta e a procura de diversas mercadorias. As inovações de Marshall foram tão significativas que ele recebeu o título de “fundador da profissão econômica”. Foram seus alunos: John Maynard Keynes e Arthur Cecil Pigo. “E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia:...” Esta frase, ou melhor, “animais” pode querer representar as quatro pessoas que mais influenciaram Alfred Marshall: John Stuart Mill, Adam Smith, David Ricardo e William Stanley Jevons. Marshall desenvolveu suas teses, tendo como ponto de partida as teorias publicadas por estes quatro pensadores. A amplitude dos trabalhos publicados por Marshall alcançou quase todos os aspectos econômicos, entretanto o seu caráter 41 perfeccionista não lhe permitiu concluir o segundo volume de sua obra principal, Princípios de Economia, a qual abordava entre outros pontos, o comércio internacional. A necessidade de ser manifestado por um dos “quatro animais”, uma mensagem [que dizia] esta atrelado ao fato da não conclusão dos estudos de Marshall sobre o comércio exterior. “Uma medida de trigo por um dinheiro e três medidas de cevada por um dinheiro...” Percebe-se aqui uma comparação entre o trigo e a cevada: o primeiro valendo mais que o segundo. Esta frase nos faz voltar a decodificação anterior, onde foi apresentado que o comércio exterior seria conceituado por um dos quatro animais. Vejamos por que: o economista em questão é David Ricardo, nascido em Londres, considerado um dos principais representantes da economia política clássica, escreveu um ensaio combatendo a “lei do trigo”, esta lei visava proteger os agricultores ingleses, proibindo a entrada de produtos agrícolas de outros países a preços menores dos determinados pelos agricultores da Inglaterra. Em virtude disso, o preço do trigo era muito alto. David Ricardo defendeu o livre comércio, no ensaio intitulado, “A Influência do Baixo Preço do Cereal sobre o Lucro do Capital”, publicado em 1815. A lei do trigo só veio ser extinta em 1846. A queda desta lei, fez da Inglaterra a primeira nação a aceitar o livre-comércio internacional. 42 “... e não danifiques o azeite e o vinho” No livro “The principle of political and taxation”, David Ricardo explicou a teoria da vantagem comparativa. Usou como exemplo o Tratado de Methuen [1703]. Dois países europeus, Inglaterra e Portugal, assinaram um acordo que viabilizava a venda do vinho português no país britânico em troca da comercialização do tecido inglês, sem que houvesse prejuízo entre as duas nações. O economista provou, a partir desse tratado, que o comércio internacional poderia ser perfeitamente aplicado e bastante lucrativo para os países com facilidade de produção. Os conceitos sobre o livre-comércio e a vantagem comparativa, defendidos por David Ricardo, foram aceitos inicialmente pela Inglaterra, posteriormente pelos demais países do mundo. A presença de David Ricardo nesta parte do livro tornou-se necessária na medida em que Alfred Marshall não concluíra a sua obra sobre comércio internacional. O azeite português é outro produto importado pela Inglaterra há séculos, não danificar o azeite e ovinho, esta ligado a uma das primeiras relações de livre comércio do mundo os quais serviram de base a implantação do sistema econômico internacional vigente na humanidade Graças ao modelo Ricardiano hoje nossas casas são abastecidas com produtos de todas as partes do mundo. Podemos atrelar a estes acontecimentos, o surgimento dos atuais impérios que impõe aos países de menor projeção econômica uma situação por que não apelidada de apocalíptica. Com estas informações chegamos à conclusão que o cavaleiro deste selo seria a própria criação dos fundamentos básicos da economia Capitalista. 43 O cavaleiro amarelo E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foilhes dado poder para matar a quarta parte da terra. 44 “...eis um cavalo amarelo...” Os povos do leste asiático são reconhecidos mundialmente como a “raça amarela”. No final do século XIX os asiáticos passaram por uma grande transformação. “... e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte e o inferno o seguia...” São João nos deixou um nome, um local e uma ação para que pudéssemos decifrar a origem do quarto cavaleiro. Nome – Morte Local – Inferno Ação – seguir Para os orientais a palavra morte tem o sentido de renovação, renascimento. O local indicado é o inferno, que é dirigido por um anjo, expulso do céu, chamado Lúcifer [estrela da manhã, o Iluminado]. A ação – O inferno está submetido às ordens de Lúcifer, sendo assim, é natural, que ele [o inferno], siga as ordens de Lúcifer. 45 Para decodificarmos esta frase, tornou-se necessário, correlacionar as informações deixadas por São João com suas respectivas analises, traçando então uma linha de raciocínio comparativo que nos permitirá decifrar, este, que é um dos mais enigmáticos códigos deste livro. Este cavaleiro deverá ser reconhecido por Renovação e ou Renascimento [morte] – Lúcifer e ou Iluminado [inferno]. No final do século XIX e início do século XX, um país do extremo-oriente passava por profunda renovação, que levaria aos demais países do leste asiático, grandes conseqüências. Imperado Meiji (literalmente o Imperador Iluminado) 46 O Japão era um país atrasado, dominado pelo feudalismo. A chegada do Imperador Meiji, que significa O Imperador Iluminado, desmoronou o regime dos Xoguns e seus exércitos. E o país se abriu para o mundo, expandindo cada vez mais em busca de matéria-prima, para suprir as necessidades do seu povo. A partir daí, esse governo ficou amplamente conhecido como o governo da renovação Meiji. Nesse período [1905] o Japão entrou em guerra com a Rússia [terra], que passava por um período conturbado politicamente e uma crescente insatisfação popular. Dois fatores contribuíam bastante para o descontentamento dos russos: - A fraca administração do Csar Nicolau II. - Uma relevante desigualdade social, criando grandes revoltas entre as classes operárias, que já se encontravam sob forte influência dos ideais marxistas. Os idealistas marxistas aproveitaram a derrota da Rússia para o Japão e deram início a um levante contra o império. Apesar da pressão interna que o Czar russo vinha sofrendo, e ter se enfraquecido ao ser derrotado pelo Japão, ainda assim o Império Russo entrou na Primeira Grande Guerra Mundial [1914-1918]. Em 15 de março de 1917, o conjunto de forças políticas de oposição conseguiu depor o czar Nicolau II, iniciando a Revolução Russa. “... e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada e com fome, e com peste e com as feras da terra”. Esta frase nos faz compreender a importância do Japão na transformação que estava por acontecer na Rússia. O fato de se ter dado ao Japão poder para matar quarta parte da Rússia [terra] significa que o desenvolvimento japonês serviu 47 como estopim para o início da revolução soviética, desencadeando uma onda de fatos que precipitaram os russos na fase mais sombria de sua história. Em 1914 a Rússia possuía 171 milhões de habitantes. Em 1921 esse número caiu para 132 milhões de habitantes6. São três os fatores determinantes dessa queda populacional: [feras da terra] - Uma referência aos soldados mortos na Primeira Grande Guerra Mundial. [com a espada] - Esta frase nos transporta ao segundo selo. O qual afirma que seria dada uma grande espada àquele que estava assentado sobre o cavalo vermelho. Durante a Revolução Russa, os bolcheviques colocaram sobre a cabeça do czar Nicolau II a “espada de Dâmocles” e cortaram o fio de cabelo do cavalo fuzilando o czar e toda a família, na cidade de Yekaterinburg, em 17 de julho de 1918. A revolução russa tirou a vida de milhões de pessoas. 6 http://www.vestigios.hpg.ig.com.br/revolucaorussa.htm). 48 Czar trNicolau II [peste] - Nessa mesma época [1918 - 1919] houve a gripe espanhola. A quarta parte de 171 milhões seria, em torno de 43.000.000, perceber-se uma queda populacional na Rússia de 39.000.000 de habitantes até 1921. Em 1922 morreram de fome nesse país 5.000.000 (cinco milhões) de pessoa, em virtude das 49 decisões equivocadas de Lênin, no processo agrônomo do país. Ou seja, ¼ da população russa foi morta em apenas oito anos. * 50 As aparições E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram. 51 “E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus...” O quinto selo dá continuidade ao anterior, que narra o processo da Revolução Russa e as perseguições ocorridas naquele país. Os revolucionários soviéticos colocaram a Igreja Ortodoxa na condição de “cabeça do inimigo” e por essa razão, precisava ser destruída. Lênin declarou que a fome podia e devia servir para dar um golpe mortal na cabeça do inimigo. Também disse que a eletricidade substituiria Deus: “Deixem o camponês rezar pela eletricidade e ele sentirá que o poder das autoridades é bem maior do que o dos céus”. “...e por amor do testemunho que deram” Apesar dos decretos de Lênin, proibindo a manifestação religiosa, os sacerdotes continuaram a exercer suas missões, colocando-se contra o poder bolchevista. Com isso, a perseguição ao clero tornou-se bastante violenta e levou grande número de sacerdotes à execução [foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram], ao exílio e à prisão. Vladimir Llitch Lenin 52 “E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” Há dois momentos na História que podem ilustrar bem este trecho do Apocalipse: o primeiro se refere às perseguições religiosas, que vinham acontecendo na Rússia [terra]; o segundo, uma manifestação espiritual ocorrida em Portugal, ligada também a Rússia. Na Rússia [terra] – as perseguições religiosas causaram indignação ao povo, que não temia arriscar a própria vida para manifestar o descontentamento contra o poder bolchevista. Em Portugal – Em 1917, na Cova da Iria, três crianças – Jacinta Marta, Francisco Marta e Lúcia de Jesus, mundialmente conhecidas como “os três pastorinhos” – presenciaram várias aparições de Nossa Senhora de Fátima. De acordo com elas, a Santa fez revelações sobre a Rússia, diretamente ligadas às perseguições aos cristãos. Algumas passagens das revelações de Nossa Senhora, ligadas ao Apocalipse 1. “Para impedir a guerra, virei pedir a consagração da Rússia a meu imaculado coração e a comunhão reparadora no primeiro sábado de cada mês. Se atenderem aos meus pedidos, a Rússia converter-se-á e terão paz”. 2. “Mas, se não deixarem de ofender a Deus no pontificado do Papa Pio XI, começará outra pior”. 53 3. “Senão espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados. O Santo Padre terá muito que sofrer. Várias nações serão aniquiladas”. Reparem no final desta frase: “... não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? Este trecho pode ser entendido como se fosse o próprio Lênin e seus seguidores colocando a Rússia [terra] sob suas próprias verdades. Como se os espíritos dos religiosos mortos naquele país perguntassem ao Papa [ó verdadeiro e santo Dominador], quanto tempo ainda duraria aquele massacre [até quando?] para, finalmente, consagrar a Rússia ao Imaculado Coração de Maria [não julgas e vingas o nosso sangue], conforme foi revelado aos pastorinhos. “E foram dadas a cada um compridas vestes brancas...” Notamos nesta frase a apresentação de uma forma de tortura utilizada pelos soviéticos na perseguição aos religiosos, a Santa Igreja Universal Apostólica Ortodoxa admite o casamento dos clérigos, exceto dos bispos. Aos casados deu-se o nome de “clero branco”, e aos não casados, o nome de “clero preto”. O governo soviético obrigou os “clérigos pretos” se casarem. 54 “... e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo...” A perseguição continuaria por algum tempo, até que o Santo Papa consagrasse a Rússia ao Imaculado Coração de Maria. “... até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”. Os religiosos mais atuantes foram mandados para os campos de concentração e executados, bem como as famílias deles e de outros [de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram]. 55 A queda dos Impérios E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua tornou-se como sangue; e as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte, e o céu retirou-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir? 56 “...e eis que houve um grande tremor de terra.” Diferentemente dos selos anteriores, a abertura deste, procura nos fixar no tempo, a partir de uma catástrofe natural, ou seja, de um grande terremoto. Sendo assim, precisamos, antes de qualquer coisa, nos basear nas informações existentes no final do quinto selo e aí, buscar a época aproximada desse terremoto. O selo anterior refere-se ao período revolucionário russo, o qual finalizou-se com a fundação da URSS, União das Repúblicas Soviéticas Socialistas, em 30 de dezembro de 1922. Este grande tremor de terra terá que ter corrido após a implantação da URSS. “e o sol tornou-se negro como saco de cilício...” Por ser profetizado um terremoto como o fator representativo do início cronológico do sexto selo, faz-se necessário, a apresentação de outras informações que nos possibilitasse confirmar a exatidão desta decodificação, em vista que, grandes tremores de terra vêm ocorrendo ao longo do tempo, nos quatro cantos do mundo. São João apresenta-nos um novo código: a palavra sol, como mais uma ferramenta para auxiliar na decodificação da frase anterior. Vejamos: todas as nações possuem símbolos que as representam. Dentre eles, os mais perceptíveis são: o nome do país e a bandeira que o simboliza. De acordo com a interpretação anterior, esse 57 terremoto teria ocorrido após o dia 30 de dezembro de 1922, o primeiro grande terremoto pós fundação da URSS, aconteceu no Japão e ficou conhecido como grande terremoto de Kanto, causando morte de 140 mil pessoas. Como explicado anteriormente à palavra sol veio como mais uma ferramenta para auxiliar na exatidão da decodificação. A Palavra Japão, em português, significa “sol nascente”. A bandeira japonesa como podemos perceber na imagem abaixo, é formada por um círculo vermelho no centro sobre um fundo branco. O círculo vermelho representa o sol. Donde se conclui ser o sol um dos códigos do Japão, tornando o grande terremoto de Kanto o previsto no Apocalipse. 58 Bandeira do Japão O terremoto de 1923 provocou um grande incêndio. O fogo espalhou-se rapidamente em virtude do vento forte. A frase “O sol se tornou negro” pode tanto significar a grande nuvem de fumaça formada pelo incêndio que destruiu mais de duzentas mil casas, como uma alusão ao sentimento de luto da nação japonesa. Incêndio Provocado Pelo Grande Terremoto de Kanto 59 “...e a lua tornou-se como sangue...” Esta frase ganha profundo significado ao sermos conduzidos a 1923, ano do grande terremoto de Kanto. O fato de São João afirmar que a lua assumiu características iguais ao sangue nos indica a necessidade de uma comparação subjetiva. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, os vencedores trataram de refazer o mapa do mundo, principalmente em relação ao Império Turco-Otomano, que não resistiu aos conflitos e teve o seu território reduzido à atual Turquia. A perda mais sentida pelos turcos foi Esmirna, ocupada pelos gregos, em maio de 1919, em concordância com o tratado de Sèvres7, ferindo assim o sentimento nacionalista turco. A conseqüência da ocupação grega da cidade de Esmirna, com o apoio dos Aliados, resultou em um movimento nacionalista turco [Guerra de Independência Turca]. A mobilização da sociedade turca nessa guerra, fez com que os exércitos invasores fossem expulsos em setembro de 1922. No dia 29 de outubro do ano seguinte foi fundada a República da Turquia, tendo como primeiro presidente Mustafá Kemal Pasha, conhecido como Atatürk, o pai dos turcos. A lua e a estrela são os símbolos máximos da Turquia, os quais coexistem há séculos com a história deste povo, estes mesmos símbolos hoje fazem parte da bandeira de vários países que outrora estiveram sobre influencia do Império Otomano. Várias lendas acompanham a criação da bandeira da Turquia, podemos 7 Tratado assinado em 1920 entre a Turquia e os Aliados, que reduz singularmente a superfície do Império Turco. Apesar de o sultão haver assinado esse tratado, o Parlamento Turco não o ratificou. Em 1923, foi assinado um tratado de paz [Tratado de Lausane] entre os Aliados e a Turquia, referente ao regime dos estreitos e ao das capitulações. 60 citar duas como as mais aceitas, uma referente ao inicio do Império Otomano e a segunda relacionada à criação da atual República da Turquia: 1) O primeiro líder otomano, a ser nomeado imperador, sonhou com uma lua crescente e uma estrela brotando de seu peito, anunciando o desenvolvimento e a influência que o grande Império Turco-Otomano viria conquistar, como de fato aconteceu. No século XVII, o Império Otomano atingiu o seu auge, o seu território chegou a possuir uma área de 11.955.000 km², 15 vezes maior do que a atual Turquia. 2) Com a queda do Império Otomano e a fundação da Turquia, o primeiro presidente decidiu fazer uma pequena mudança na bandeira nacional. A teoria mais aceita é a de que, Atatürk, o grande articulador e fundador da moderna Turquia, numa noite após uma vitória expressiva em Sakarya , teve uma intuição enquanto andava no campo de batalha, ao ver o reflexo da lua crescente e da estrela numa grande poça de sangue derramada pelos soldados. 61 E então, a partir daí, foi criada a atual bandeira da Turquia, mantendo-se a lua e a estrela, sobre um fundo vermelho, para lembrar o sangue derramado pelos soldados mortos na guerra de independência turca. Dessa forma, a antiga bandeira otomana, ao se transformar na bandeira da Turquia, tornou-se vermelha como sangue. “... as estrelas do céu caíram sobre a terra como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte..” As palavras: estrelas e céu, no início do parágrafo, nos levam à seguinte interpretação: Estrelas = sacerdotes Céu = religião A partir da seguinte frase: caíram sobre a terra, começa o processo comparativo do texto que confirma o sentido das duas palavras iniciais. A metáfora utilizada nesta parte do Apocalipse nos leva a perceber uma sutil semelhança com a perseguição comunista aos sacerdotes religiosos por ocasião da revolução russa [terra]. O objetivo dessa revelação é comparar a queda do Czar e a perda do poder religioso na Rússia com outro fato ocorrido. E São João utilizou-se da conjunção como para mostrar essa semelhança. 62 A comparação apresenta-se por meio da frase “figueira que lança de si os seus figos verdes”. Partindo do princípio que a figueira é o sujeito da comparação, ela serve também de ponto de referência. A Turquia é o maior produtor de figo do mundo. As regiões de Aydin, Esmirna e Mugla são as maiores produtoras. Aydin e Esmirna são também as que mais sofreram na guerra da independência turca. Continuando a frase: “quando abalada por ventos fortes”. Indica o momento em que a Grécia ocupou a cidade de Esmirna, incitando a Turquia a lutar pela independência. Os figos verdes podem também significar aí os jovens mortos nessa guerra. Esses fatos nos permitem entender o objetivo da comparação proposta no Apocalipse. Nos dois impérios a religião exercia grande poder nas decisões políticas. Porém, após a entrada dos comunistas e a criação da República Turca, os religiosos perderam essa influência. Sobre a Rússia, já abordamos neste livro. No caso da Turquia, onde o Imperador era chamado de Califa8, com a criação de um estado laico, o imperador foi deposto e, conseqüentemente, o título de Califa deixou de existir. 8 Termo em português para a palavra árabe “khalifa”, que é uma abreviação de khalifatu rasulil-lah e que significa “Sucessor do mensageiro de Deus”, o Profeta Mohammad (saw). Esse título foi usado pela primeira vez para Abu Bakr, eleito chefe da comunidade muçulmana, logo após a morte do Profeta. 63 “...e o céu retirou-se como um livro que se enrola” Com a queda dos dois impérios, a Religião [céu] Islâmica e ortodoxa perderam o poder. Coube então ao Estado o direito sobre as leis da Nação. O sultão e o Czar foram depostos, a história destes dois impérios terminou, recolheu-se, como um pergaminho [um livro que se enrola]. “e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.” Percebe-se aqui uma relação entre este selo e o fim da Primeira Guerra Mundial com suas conseqüências. Naturalmente porque, a partir do tratado de Sèvres, houve uma radical transformação no mundo. Transformação esta que definiu as fronteiras do pós-guerra, não sendo este o caso da Turquia. Em 1923, com o Tratado de Lausane [Tratado de Paz], a Turquia recuperou boa parte dos territórios perdidos. Fronteiras foram deslocadas em quase todos os continentes e, finalmente, o mapa do mundo foi retificado [os montes e ilhas foram movidos do seu lugar]. “E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre...” [E os reis da terra] – Quem eles representam? A nobreza do extinto Império Russo. Com a morte de Lênin, em 1924, Stálin tornou-se o mandatário da Rússia, continuou com a implantação do marxismo leninista e impôs um tratamento 64 extremamente enérgico aos que, para ele, “tramavam” contra o Estado soviético. No final de 1930, ele criou um decreto que atingiu desde a antiga nobreza até os cidadãos mais comuns. [...] Um decreto de 12 de dezembro de 1930 recenseou mais de 30 categorias de lichentsy [pessoas privadas de direitos civis], “exproprietários de terra”, “ex-comerciantes”, “ex-nobres”, “ex-policiais”, “exfuncionários czaristas”, “ex-kulaks”, “ex-locatários ou proprietários de empresas privadas”, “ex-oficiais brancos”, servidores, monges, freiras, “exmembros de partidos políticos” etc...[....]. - Extraído do Livro Negro do Comunismo. “... se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas...” Esta frase nos permite identificá-la com os referidos “lichentsy”, que fugiram para não serem apanhados pelo governo soviético. Vale lembrar que esta perseguição causou a morte de muitos dos “lichentsy”. Há ainda outro fato que representa bem esta frase. São os fiéis da “Verdadeira Igreja Ortodoxa”, também conhecida “Igreja do deserto”, como não possuíam locais próprios para realizarem os cultos, reuniam-se nos mais diferentes lugares [grotas e demais locais afastados] para pregarem as palavras de Cristo. 65 “...e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondeinos do rosto daquele que está assentado sobre o trono e da ira do Cordeiro...” Em outra versão da bíblia este parágrafo apresenta maior clareza, maior significado. “assentado sobre o trono da ira do cordeiro” Josef Stalin Os cristãos foram perseguidos em vários momentos de sua história, todavia nenhuma se comparou a ocorrida na Rússia no governo de Stalin, as atrocidades cometidas por este ditador, o tornou, maior genocida de todos os tempos, não há registros na história humana de tamanha atrocidade. Quem mais poderia estar 66 assentado no trono da ira de Jesus [cordeiro] do que Stalin, o maior algoz da comunidade Cristã. “... porque é vindo o grande dia da sua ira ...” O mundo estava à beira de um grande conflito, previsto por Nossa Senhora de Fátima aos “pastorinhos” em Portugal. Também nesse país uma beata recebeu mensagens de Jesus Cristo, como esta que reproduzimos a seguir: Carta escrita ao padre Pinho, em 28 de novembro de 1933, pela beata Alexandrina de Balazar: “Senhor Padre Pinho, desta vez não assino só o nome. É pouco, porque não posso, mas queria-lhe pedir explicação destas palavras que lhe vou dizer, porque não me lembrei quando me perguntava o que Nosso Senhor me dizia. Muitas vezes me lembro de dizer assim: „Ó, meu Jesus, que quereis que eu faça?‟ E sempre que digo isto não ouço senão estas palavras: „Sofrer, amar e reparar‟”. No capítulo o sétimo selo, detalharemos melhor este trecho do Apocalipse. “... e quem poderá subsistir?” Esta frase apresenta um dos períodos mais horripilantes da URSS, Stálin visando destruir a elite social da Ucrânia e dominar os seus camponeses que 67 representavam 80% da população Ucraniana, organizou uma guerra diferenciada, a qual ficou conhecida por Holodomor, morte por fome. Foto de corpos abandonados em um cemitério ucraniano No período entre 1931 -1933. Stalin tomou uma série de decisões que precipitaram propositalmente a Ucrânia a um quadro de extermínio em massa. Segundo historiadores, as decisões de Stalin levaram a morte por fome mais de cinco milhões de pessoas, somente neste período. E quem poderá subsistir? 68 O anjo do sol nascente E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma. E vi outro anjo subir do lado do sol nascente e que tinha o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, dizendo: não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores até que hajamos assinalado nas suas testas os servos do nosso Deus. E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel. Da tribo de Judá foram selados 12.000 Da tribo de Rubem foram selados 12.000 Da tribo de Gade foram 12.000 Da tribo de Aser foram 12.000 Da tribo de Naftali foram 12.000 Da tribo de Manasés foram 12.000 69 Da tribo de Simeão foram 12.000 Da tribo de Levi foram 12.000 Da tribo de Issacar foram 12.000 Da tribo de Zebulon foram 12.000 Da tribo de José foram 12.000 Da tribo de Benjamim foram selados 12.000. 70 “E depois destas coisas vi quatro anjos que estavam sobre os quatro cantos da terra...” Com o fim da Primeira Grande Guerra [e depois destas coisas], um novo cenário começava a surgir no mundo. Quatro grandes líderes [quatro anjos] possuíam objetivos distintos em relação à Rússia [terra]. Na segunda metade da década de 30, com o propósito de se defenderem da atitude expansionista dos soviéticos, dois países, Alemanha e Japão, se aliaram. A esta aliança deu-se o nome de Pacto Anti-Komintern [anticomunista]. Entretanto, por trás desse acordo havia outros interesses, que orientavam as ações dos dois países. Alemanha e Japão também queriam expandir seus territórios em direção à Rússia, para explorarem os recursos energéticos e a matéria-prima deste país. O terceiro líder mundial a entrar nessa aliança foi Benito Mussolini, concluindo assim a tríplice aliança. A Espanha [quarto líder] tinha um ritmo histórico diferente do resto da Europa. Não participou da Primeira Guerra Mundial. Entretanto, prestes a se tornar uma nação socialista, após a vitória da esquerda nas eleições de 1936, em 18 de julho do mesmo ano, o general Franco realizou um pronunciamento no rádio, conclamando a sociedade e os militares a se erguerem contra o regime. Foi o início da Guerra Civil da Espanha. Os esquerdistas receberam apoio da União Soviética [terra], enquanto os rebeldes receberam proteção da Itália, Alemanha e Portugal, além de outros países. O Vaticano também apoiou a Revolução. E a Espanha assinou o tratado AntiKomintern após a vitória de Franco sobre o regime republicano. 71 “...retendo os quatro ventos da terra...” O substantivo vento parece representar um papel bem definido nesta frase, quando é retido por quatro líderes [quatro anjos[. Esta interpretação nos leva mais uma vez ao Pacto Anti-Komintern, cuja meta era combater o comunismo que ganhava impulso internacional e tinha como principal liderança a União Soviética [terra]. No caso da Espanha, ela literalmente reteve a expansão territorial da URSS no continente europeu. “...para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem contra árvore alguma.” Entretanto, neste período, entende-se que os soviéticos poderiam sofrer uma ameaça dentro do próprio território [sobre a terra]. As relações diplomáticas entre a Alemanha e a União Soviética foram subitamente rompidas quando, durante a Segunda Grande Guerra, milhões de soldados nazistas invadiram o território inimigo com o objetivo de ocupá-lo, na chamada Operação Barbarossa. O ataque acabou com o período de neutralidade garantido pelo pacto de não-agressão mútua, em 1939. Com a aproximação do exército alemão a Moscou, outra manobra foi organizada: a Operação Typhoon , com objetivo de conquistar a capital russa. Donde, 9 deduz-se que o vento que sopraria sobre a terra poderia ser a tentativa da conquista de Moscou. 9 Typhoon significa tufão, vento fortíssimo e tempestuoso; vendaval. 72 O substantivo mar [nem sobre o mar] pode ser interpretado neste trecho como o ataque japonês a Pearl Harbor, no Havaí, conhecido como uma das mais ousadas e bem planejadas operações aeronavais da Segunda Guerra Mundial. “E vi outro anjo subir do lado do sol nascente e que tinha o selo do Deus vivo...” Mateus 24:27 Porque, assim como o relâmpago sai do Oriente e se mostra até no Ocidente, assim há de ser a vinda do Filho do Homem. Este ponto do Apocalipse destaca um dos mais importantes momentos da atualidade. Outro líder ganharia progressiva projeção mundial. Percebe-se bem isso nos verbos [Vi/subir]. Ele vem com uma missão privilegiada, uma vez que não se apresenta junto com os outros quatro anjos. E a continuação da frase nos permite reconhecer a origem deste anjo. Já apresentamos a tradução literal da palavra Japão, agora mostraremos como ela é constituída. A palavra Japão escreve-se desta forma: NIHON: NI = Sol HON = Nascente, origem. Logo, pode-se dizer que a origem desse anjo é o Japão. E que a missão dele se identifica na frase “que tinha o selo de Deus vivo”, ou seja, que esse líder é uma entidade espiritual de grande poder, vindo a terra com a força do próprio Deus Supremo. Portanto, não é exagero dizer que o anúncio da vinda desse anjo é uma referência à chegada do tão esperado Messias. 73 Durante a década de 30 inúmeras religiões surgiram no Japão. Fato semelhante ocorreu no Oriente Médio quando Jesus Cristo começou a pregar o Evangelho. Vários contemporâneos dele também se sentiram portadores da missão de Redentor. No entanto, com o passar do tempo, ficou nítida a missão ser de Cristo. A maioria dos movimentos religiosos surgidos no Japão, na década de 30, apresentaram-se como os construtores de uma nova cultura mundial. Acreditamos, porém, que só o tempo nos revelará quem é o verdadeiro Messias, aquele que nos guiará a essa nova cultura e que terá o poder de unir a humanidade. Esse líder se apresentará como Deus encarnado [tinha o selo de Deus vivo]. “... e clamou com grande voz aos quatro anjos, a quem fora dado o poder de danificar a terra e o mar, dizendo: Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores até que hajamos assinalado nas suas testas os servos do nosso Deus”. De acordo com a profecia, na segunda metade da década de trinta haverá uma seleção étnica, ou melhor, um grupo específico de pessoas, dentro de uma determinada sociedade, deverá ser escolhido. Esse mesmo grupo deverá ter ligação direta com o início da Segunda Grande Guerra, pois os combates só poderão ter início após serem definidos os escolhidos. [Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que hajamos assinalado nas suas testas os servos do nosso Deus]. Esta decodificação apresenta a Segunda Grande Guerra e esta perseguição étnica como fatores preparatórios para a concretização da missão do Messias. 74 Realmente antes de ter início a Segunda Grande Guerra a etnia judaica sofreu forte perseguição na Alemanha Nazista. Em 15 de setembro de 1935, com as leis antisemitas de Nuremberg, os judeus perderam a cidadania e os direitos civis. Milhares deles foram mandados para os campos de concentração. Crianças judias foram expulsas da escola. Propriedades e negócios judeus foram expropriados. Em 1937 o Papa Pio XI, por meio da encíclica Mit brennender Sorge, condenou a perseguição aos judeus e, no dia 21 de março do mesmo ano, fez com que ela fosse lida em todas as igrejas da Alemanha. O objetivo do Vaticano era claro: alertar os alemães sobre a postura discriminatória do governante daquele país, abominando todas as práticas nazistas e expondo claramente a situação vergonhosa e humilhante imposta aos judeus. No ano seguinte, quase mil e quatrocentas sinagogas foram incendiadas e destruídas; centenas de milhares de cacos de vidro foram espalhados pelo chão; cerca de 100 judeus foram mortos; milhares ficaram feridos, centenas desabrigados, perto de 30 mil judeus foram presos e mandados para os campos de concentração de Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen. “E ouvi o número dos assinalados, e eram cento e quarenta e quatro mil assinalados, de todas as tribos dos filhos de Israel.” Acreditamos que esse número esteja ligado ao período correspondente a implantação da Lei de Nurember em setembro de 1935 até o início da Segunda Grande Guerra Mundial, com a invasão alemã sobre a Polônia em setembro de 1939. Neste período, a Palestina recebeu a mais ou menos 144 mil Judeus. Após o início da Segunda Grande Guerra, tornou-se praticamente impossível a fuga de algum judeu 75 das garras do Nazismo. Eles só voltaram a ter liberdade com o fim da Segunda Guerra e a derrota do Eixo. Imigrantes Judeus para a Palestina 1935 – 66.472 1936 – 29.595 1937 – 10.629 1938 – 14.675 1939 – 31.195 Total – 152. 566 Obs: Os valores representam o quantitativo anual do processo migratório na Palestina, sendo assim as 152.566 pessoas que aparecem no quadro acima não equivalem ao período analisado no texto, pois os números equivalem ao ano inteiro. Como a Lei de nurenberg é de setembro de 1935 e a guerra começou em setembro de 1939, teríamos que extrai deste quadro os oito primeiros meses de 1935 e os três últimos meses de 1939. * 76 O Vaticano e os Judeus Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão a qual ninguém podia contar, de todas as nações e tribos, e povos e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; e clamavam com grande voz, dizendo: “Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.” E todos os anjos estavam ao redor do trono e dos anciãos e dos quatro animais; e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor e glória, e sabedoria e ação de graças, e honra e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém. E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são e de onde vieram? 77 E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro. Por isso estão diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra. Nunca mais terão fome; nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles. Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima. 78 “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar...” Este capítulo nos direciona cronologicamente a partir de dois fatores: o primeiro deles seria um evento que reuniria uma multidão, a qual ninguém podia contar. O segundo seria o local, uma vez que o próprio texto [eis aqui] nos conduz a ele. O Apocalipse fala do Juízo Final cristão. Donde conclui-se que, quando São João profetizou que este fato aconteceria aqui, estava se referindo ao Vaticano, local de máxima representatividade do desejo cristão no mundo, ou melhor, o local desse evento. “... de todas as nações e tribos, e povos e línguas...” Significa que o Vaticano receberia pessoas de todas as partes do mundo, como realmente aconteceu no início de 1939. “...estavam diante do trono e perante o Cordeiro...” O cordeiro refere-se a Jesus Cristo; e o trono, à cadeira de Pedro, ou seja, o trono papal, no Vaticano. Esta conclusão ratifica a interpretação anterior, que identifica o local do acontecimento [Vaticano], que reuniria esta multidão. Esta frase contém duas informações aparentemente complementares, mas que, ao serem analisadas mais de perto, mostra-nos que as situações são ambíguas. Vejamos por que: 79 quando decodificamos o Cordeiro como sendo Jesus Cristo, e o trono, como a cadeira do Pontífice, que representa a vontade de Jesus na terra, concluímos que o corpo de Cristo no mundo material é o próprio Papa. A partir dessas informações podemos reavaliar a frase anterior. São João apresenta Jesus e o Papa em situações distintas [diante do trono e perante o Cordeiro]. O que nos faz pensar que, mesmo que a multidão estivesse diante do trono, ela não reconhecia Jesus na pessoa do Papa. Seria necessário estar perante o Cordeiro. Isto é, a multidão estava diante de um trono vazio, porque buscava única e exclusivamente Jesus. “...trajando vestes brancas...” As vestes brancas referem-se às perseguições religiosas que vinham ocorrendo em várias partes do mundo e que foram fortemente combatidas por Pio XI, por meio de duas Encíclicas Divini Redemptoris e a Mit Brennender Sorge. Apresentamos a seguir trechos das duas encíclicas, para que o leitor possa ter uma ligeira noção da importância deste Pontífice no combate às perseguições comunistas e nazistas. (Divini Redemptoris) 80 Tópico 8 “A doutrina comunista, que em nossos dias se apregoa, de modo muito mais acentuado que outros sistemas semelhantes do passado, apresenta-se sob a máscara de redenção dos humildes. E um pseudo-ideal de justiça, de igualdade e de fraternidade universal no trabalho de tal modo impregna toda a sua doutrina e toda a sua atividade de um misticismo hipócrita que as multidões seduzidas por promessas falazes e como que estimuladas por um contágio violentíssimo lhes comunica um ardor e entusiasmo irreprimível, o que é muito mais fácil em nossos dias, em que a pouco eqüitativa repartição dos bens deste mundo dá como conseqüência a miséria anormal de muitos”. Tópico 9 “Ora, a doutrina que os comunistas em nossos dias espalham, proposta muitas vezes sob aparências capciosas e sedutoras, funda-se de fato nos princípios do materialismo chamado dialético e histórico, ensinado por Karl Marx, de que os teóricos do bolchevismo se gloriam de possuir a única interpretação genuína. Essa doutrina proclama que não há mais que uma só realidade universal, a matéria, formada por forças cegas e ocultas que, através da sua evolução natural, se vai transformando em planta, em animal, em homem. Do mesmo modo, a sociedade humana, dizem, não é outra coisa mais do que uma aparência ou forma da matéria, que vai evolucionando, como fica dito, e por uma necessidade inelutável e um perpétuo conflito de forças, vai pendendo para a síntese final: uma sociedade sem classes. É, pois, evidente que neste sistema não há lugar sequer para a idéia de Deus; é evidente que entre espírito e matéria, entre alma e corpo não há diferença alguma; que a alma não sobrevive depois da morte, nem há outra vida depois desta. Além disso, os comunistas, insistindo no método dialético do seu materialismo, pretendem que o conflito a que acima nos referimos, o qual levará a natureza à síntese final, pode ser acelerado pelos homens.” “É por isso que se esforçam por tornarem mais agudos os antagonismos que surgem entre as várias classes, da sociedade, porfiando porque a luta de classes, tão cheia, infelizmente, de ódios e de 81 ruínas, tome o aspecto de uma guerra santa em prol do progresso da Humanidade; e até mesmo porque todas as barreiras que se opõem a essas sistemáticas violências sejam completamente destruídas, como inimigas do gênero humano”. Tópico 80 “Mas não podemos pôr termo a esta Carta Encíclica sem dirigir uma palavra àqueles mesmos filhos. Nossos que estão já contagiados ou tocados do mal comunista. Exortamo-los vivamente a que ouçam a voz do Pai que os ama; e rogamos ao Senhor que os ilumine, para que deixem o caminho que os despenha a todos numa imensa e catastrófica ruína e reconheçam também eles que o único Salvador é Jesus Cristo Senhor Nosso: porque não há sob o céu nenhum outro nome dado aos homens, pelo qual possamos esperar ser salvos” [At. 4, 12]. Pertence à salvação (Mit Brennender Sorge ) [...] “Em uma hora, quando sua fé, como o ouro, está sendo testada no fogo da tribulação e da perseguição, quando sua liberdade religiosa foi jogada para todos os lados, quando a falta do ensino religioso e da defesa normal pesa pesadamente em você, você tem direito às palavras da verdade e do conforto espiritual dele, de quem ouviu do primeiro ancestral estas palavras do Senhor”. “Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos” [Lucas 22:32]. “... com palmas nas suas mãos...” 82 Mundialmente as palmas são utilizadas como forma da manifestação de gratidão por algum trabalho realizado, o que nos leva a acreditar que, de alguma forma, os trabalhos de Pio XI estariam concluídos e sendo merecedores de profunda gratidão dos perseguidos. “... e clamavam com grande voz, dizendo salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro...” Extremução do Papa PioXI Há certa incoerência nesta frase [salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono]. Isto porque Deus não precisa ser salvo. Não fosse assim, não seria Deus. Nós é que devemos pedir-Lhe salvação. Na verdade, o pedido aí está sendo direcionado para a salvação de uma determinada pessoa, que deveria estar assentada no trono do Vaticano. Para os cristãos, a verdadeira salvação é a morte, pois a partir dela o homem estará apto a viver a vida eterna. O Papa Pio XI falece em 10 de fevereiro de 1939. “E todos os anjos estavam ao redor do trono...” 83 Na Bíblia Almeida, revisada e atualizada, esta frase foi traduzida da seguinte forma: Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono. A frase define bem o momento do velório. Quando o corpo do Pontífice estava sendo velado, religiosos [anjos] estavam de pé, ao redor do corpo [do trono], prestando as últimas homenagens. “...e dos anciãos e dos quatro animais...” Mais uma vez nos valemos do texto da Bíblia Almeida revista e atualizada para melhor compreensão da frase: os anciãos e os quatros seres viventes Reconhecemos aqui os anciãos como sendo os cardeais que também prestavam as últimas homenagens ao Pontífice. “...e prostraram-se diante do trono sobre seus rostos...” e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto.... [Almeida revista e atualizada] A distinção entre uma frase e outra é de total importância, pois na primeira, eles [os anjos], prostraram-se sobre os rostos dos anciãos, de quem assentado sobre o trono, e dos quatros animais. 84 De acordo com a segunda tradução, da Bíblia Almeida revista e atualizada, os anjos, os anciãos e os quatro seres viventes estão de pé, prostrados sobre o rosto de quem estava assentado no trono. Velório do Papa Pio Xi A interpretação baseia-se na segunda tradução, que nos permite concluir que só é possível prostrar-se sobre o rosto de alguém se este alguém estiver deitado. E como na frase está claro que este alguém se encontra no trono, deduz-se que seja o velório do Papa Pio XI. “... e adoraram a Deus, dizendo: Amém. Louvor e glória, e sabedoria e ação de graças, e honra e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém...” Nova oração é feita a Deus. Porém, nesta notam-se dois pontos que a diferenciam da primeira: 1. Na primeira, a multidão fazia parte da prece. Nesta destacam-se os anjos, os anciãos e os quatro seres viventes. 85 2. A oração feita ao Papa Pio XI [nosso Deus] roga por sua salvação. Nesta pede-se que o Santo Padre tenha qualidades próprias de um Pontífice pronto a exercer suas funções [Louvor e glória, e sabedoria e ação de graças, e honra e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre. Amém] “E um dos anciãos me falou, dizendo: ...” Um dos anciãos tomou a palavra dizendo:... [Bíblia Almeida revista e atualizada] Com o falecimento do Papa Pio XI, houve um novo conclave, elegendo o cardeal Eugênio Maria Giuseppe Pacelli, como pontífice, o qual intitulou-se Pio XII. Coroação do Papa Pio XII “Estes, que estão vestidos de vestes brancas, quem são e de onde vieram?” 86 Após as perseguições aos cristãos, pelos comunistas e pelos anarquistas, começou a perseguição aos judeus. É, portanto, natural a pergunta do Santo Padre sobre a origem dos novos perseguidos. “E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me:...” O Papa estava ciente da perseguição aos judeus na Alemanha de Hitler, uma vez que o próprio Pio XI já havia condenado, em 1937, a ideologia racista do ditador na Encíclica Mit Brennender Sorge. Mesmo assim, Pio XII reatou relações com o nazista no início do seu pontificado, enviou inclusive uma carta a ele, na qual demonstrava interesse em estabelecer acordo entre o Vaticano e a Alemanha: “Ao ilustre, Her Adolf Hitler, Führer e Chanceler do Reich Alemão! Aqui, no início de nosso pontificado, desejamos assegurá-lo de que permanecemos dedicados ao bem-estar espiritual do povo alemão, confiado à sua liderança. Imploramos que o Deus Todo-Poderoso conceda a eles aquela verdadeira felicidade que advém da Religião. Recordamos com grande prazer os muitos anos que passamos na Alemanha como Núncio Apostólico, quando fizemos tudo que estava ao nosso alcance para estabelecer relações harmoniosas entre a Igreja e o Estado. Agora que as responsabilidades de nossa 87 função pastoral aumentaram nossas oportunidades, muito mais ardente oramos para alcançar este objetivo. Que a prosperidade do povo alemão e seu progresso e cada parte venha, com a ajuda de Deus, fruir! Neste dia 6 de março de 1939. Em Roma, na Basílica de São Pedro, no primeiro ano do nosso pontificado. Papa Pio XII Esta carta contraria a Encíclica de Pio XI, que denunciou a perseguição do governo de Hitler aos judeus. A total consciência da perseguição judaica pelo Papa Pio XII [tu sabes], encontra-se na encíclica de Pio XI. Outro fato bem interessante é a análise da frase seguinte, em que o termo utilizado na Encíclica de Pio XI é semelhante ao empregado no Apocalipse, com o objetivo de denunciar as atrocidades nazistas, indicando também a possibilidade do Papa Pio XI estar consciente do momento apocalíptico que estava vivendo. “Estes são os que vieram da grande tribulação...” Mateus 24:21 Porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. 88 Aqui se descreve o momento em que vivem os perseguidos, exatamente como consta no Apocalipse. Analise as palavras do Santo Padre, o papa Pio XI: “Em uma hora, quando sua fé, como o ouro, está sendo testada no fogo da tribulação. “...e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” Este trecho refere-se ao início da perseguição aos judeus, quando muitos se converteram para fugir das maldades impostas ao grupo. Por isso, lavaram as suas vestes, tornando-se cristãos [no sangue do Cordeiro]. “Por isso estão diante do trono de Deus...” Em 1939 o papa Pio XII se esforçou para conseguir imigrar os judeus em outros países por intermédio dos núncios apostólicos. Apesar do esforço diplomático do Vaticano, não foi possível um grande resultado, embora tenha conseguido salvar milhares de famílias. As solicitações de cidadania feitas pelos judeus convertidos são facilmente reconhecidas no trecho: “...diante do trono de Deus” “... e o servem de dia e de noite no seu templo...” Aqui se confirma a questão dos judeus convertidos, que durante um período conseguem manter-se seguros, demonstrando-se fiéis ao Cristianismo e servindo à Igreja Católica na Alemanha. No entanto, entre novembro de 1938 e setembro de 89 1939, cerca de 180 mil judeus fugiram daquele país, o que nos leva a avaliar a extensão do extermínio étnico ocorrido na região. “...e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra” Neste parágrafo percebe-se uma previsão, uma vez que o verbo “cobrir” encontra-se no futuro. Coincidência ou não, quatro anos mais tarde [1943] o Papa [aquele que está assentado sobre o trono] concedeu cidadania a mais ou menos um milhão e quinhentas mil pessoas, após a Alemanha invadir a cidade de Roma. Pio XII determinou, então, que o Clero se esforçasse para salvar vidas e, imediatamente, as portas das instituições católicas italianas se abriram para esconder os judeus foragidos [os cobrirá com a sua sombra]. Cento e cinqüenta conventos e mosteiros de Roma ofereceram asilo a aproximadamente cinco mil judeus. Três mil judeus refugiaram-se na residência de verão do Papa, em Castelgandolfo. Sessenta judeus viveram nove meses dentro da Universidade Gregoriana. Oitocentos judeus foram salvos pelo cardeal Boeto de Gênova. Trezentos judeus ficaram escondidos por mais de dois anos, apoiados pelo bispo de Assis. Novecentos e sessenta e um judeus foram salvos pelo bispo de Campânia e dois de seus parentes. Muitos foram escondidos no subsolo do Pontifício Instituto Bíblico. 90 “Nunca mais terão fome...” Em virtude da perseguição aos judeus, estes ficaram sem condições mínimas de sobrevivência e muitos morreram de inanição. Entretanto, com a proteção católica, o desespero da fome desapareceu e, como previsto no Novo Testamento, nunca mais haverá uma tribulação como esta. “...nunca mais terão sede; nem sol nem calma alguma cairá sobre eles...” A descrição anterior refere-se inclusive a este ponto, dispensando mais explicações. “...pois o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará...” Com a determinação do Santo Papa [no meio do trono], de abrir as instituições católicas para receber os judeus, eles se livraram das perseguições nazistas [os apascentará] e adquiriram segurança para continuarem as próprias existências. Enquanto 80% dos judeus da Europa foram mortos 80% dos judeus italianos sobreviveram ao nazismo. 91 “...e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida” O papa Pio XII conseguiu conduzir vários judeus para a América Latina. As fontes da água da vida podem ser interpretadas como as águas do rio Amazonas, um rio sul-americano, considerado o maior do mundo, com vários afluentes [fontes] em vários países da América do Sul. “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima” É possível sentir nesta frase a manifestação do amor de Deus aos que conseguiram imigrar para o continente latino-americano e construir nova história de vida. Deus, portanto, aliviou-lhes o sofrimento. * 92 Os sete anjos com as suas trombetas E, HAVENDO aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora. E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas. E veio outro anjo e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono, e a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. E o anjo tomou o incensário e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra; e houve depois vozes e trovões, e relâmpagos e terremotos. E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las. 93 “E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora” Este selo anuncia a chegada da Segunda Guerra Mundial, um dos momentos mais aterrorizantes já vividos pela raça humana. O silêncio que se fez no céu [Religião] pode ser visto como o do Vaticano, que se calou durante os três primeiros anos de guerra. Se interpretarmos o período que durou a Segunda Grande Guerra [01.09.39 – 15.08.45] como uma hora completa, a metade dela equivalerá a três anos. A primeira vez que o Santo Papa se pronunciou foi no dia 31 de outubro de 1942, mais ou menos três anos após o início da guerra. Logo, durante quase meia hora, ou melhor, durante mais ou menos metade da guerra o Vaticano [Céu] se calou [fez-se silêncio]. “E vi os sete anjos, que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas.” Mateus 24:31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus. 94 O fato das trombetas poderem ser identificadas como o momento da Segunda Grande Guerra, implica concluir que, por alguma razão não compreendida por nós, seres humanos, todo esse massacre fazia parte dos planos divinos [diante de Deus]. “E veio outro anjo e pôs-se junto ao altar...” Esta frase apresenta uma intrigante revelação: a frase acima liga diretamente a quebra do silêncio do Vaticano a esse outro anjo, que se põe junto ao altar. Entre os anos de 1936 e 1942, ocorreram várias manifestações espirituais em Portugal, as quais influenciaram diretamente o Papa Pio XII. Além das aparições da Virgem Maria aos pastorinhos, uma nova manifestação espiritual começou chamar a atenção do Vaticano. A Beata Alexandrina de Balazar recebeu de Jesus Cristo orientações sobre a necessidade da consagração do mundo ao Imaculado Coração de Sua Mãe Maria. “... tendo um incensário de ouro...” Visita dos magos [...] Mateus 2:9 Depois de ouvirem o rei, partiram: e eis que a estrela que viram do Oriente os procedia até que, chegando, parou sobre onde estava o menino. Mateus 2:10 E, vendo eles a estrela, alegraram-se com grande e intenso júbilo. 95 Mateus 2:11 Entrando na casa viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, o adoraram; e, abrindo os seus tesouros, entregaram-lhe suas ofertas: ouro, incenso e mirra. [...] De acordo com o Novo Testamento, Nossa Senhora e Jesus Cristo receberam incenso, ouro e mirra [incensário de ouro]. “... e foi-lhe dado muito incenso...” A Beata Alexandrina recebeu de Cristo em 1939 a mensagem de que a Segunda Guerra viria como forma de castigo pelos graves pecados da Humanidade. E que não bastava a conversão da Rússia, mas do mundo inteiro [dado muito incenso], ou seja, era necessário surgir outro anjo, a Beata Alexandrina, uma vez que a Virgem Maria, quando apareceu para os três pastorinhos, visava impedir a guerra. Não conseguindo evitá-la, nova seqüência de aparições se fez necessária. Jesus Cristo também declarou por intermédio de Alexandrina, referindo-se ao novo Pontífice Pio XII: “É este Papa que consagrará o mundo ao Coração Imaculado de Minha Mãe”. “... para o pôr com as orações de todos os santos...” Esta frase indica que as mensagens de Jesus Cristo deveriam ser atreladas a outra [para o pôr com], a seqüência da frase torna esta decodificação ainda mais 96 misteriosa, pois nesta mesma época Nossa Senhora pede à Irmã Lúcia que a consagração do mundo ao seu imaculado coração [as orações] fosse feita com a comunhão de todos os bispos do mundo [todos os santos]. “... sobre o altar de ouro, que está diante do trono” O altar de ouro é uma referência à Basílica de São Pedro, centro mundial da fé católica romana. Local onde seria realizada a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria. Esta igreja foi erguida sobre o local onde acreditavam ser o túmulo de São Pedro. 97 “... e a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. E o anjo tomou o incensário e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra” Este trecho refere-se à Irmã Lúcia, que uniu as aparições de Cristo e da Virgem Maria, acrescentou a importância de consagrar a Rússia, elaborou um documento e o enviou ao papa Pio XII com todas essas informações. “... e houve depois vozes...” Conforme revelado por Jesus Cristo a Alexandrina de Balazr, o Papa Pio XII quebrou o silêncio do Vaticano [vozes], ao consagrar o mundo, por mais de uma vez, ao Imaculado Coração de Maria. Esta é a razão da palavra estar no plural. Neste mesmo período o Pontífice realizou outro pronunciamento, dessa vez referindo-se aos judeus. Papa Pio XII 98 Os três momentos dos pronunciamentos do Papa e as implicações na Guerra Primeiro momento - O Santo Padre consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria na rádio do Vaticano, em português, no dia 31 de outubro de 1942. No mês seguinte, misteriosamente, os soviéticos iniciaram um contra-ataque, batizado de Operação Urano, com o objetivo de envolver as divisões alemãs em Stalingrado. No dia 19 desse mesmo mês, as tropas do general Vatutin irromperam contra o flanco dos exércitos do Eixo, enquanto ao sul as tropas de Rokossovsky faziam a mesma coisa. Os alemães foram cercados pelo Exército Vermelho e as tentativas de abastecê os exércitos do Eixo através de uma ponte aérea não obtiveram sucesso, iniciando a recuperação da União Soviética pelas Forças Aliadas. Segundo momento – O Papa fez novo pronunciamento, este realizado na Basílica de São Pedro, no dia 8 de dezembro de 1942 e consagrou mais uma vez o mundo ao Imaculado Coração de Maria, com menção velada da Rússia. Em janeiro de 1943, Marrocos foi palco da conferência de Casablanca entre o presidente norte-americano Franklim Roosevelt e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill. Esta conferência definiu o desembarque na Sicília e provocou a queda de Mussolini. Terceiro momento – Em seu famoso discurso natalino de 1942, o Papa condenou a perseguição nazista contra os judeus. E, a partir do início de 1943, apesar de vários campos de concentração estarem sendo construídos outros começaram a ser fechados na Europa. 99 “... e trovões e relâmpagos....” São João vincula estes fenômenos da natureza [trovões e relâmpagos] ao ato do Santo Papa. Com isso, ele nos mune de informações que vêm comprovar a ligação deste sétimo selo com os acontecimentos que marcaram a Segunda Guerra Mundial. Após os pronunciamentos do Pontífice, a guerra tomou novo rumo. O Eixo se viu forçado a buscar opções para romper o bloqueio russo, uma delas foi a Operação Tempestade de Inverno [trovões e relâmpagos]. No entanto, no dia 2 de fevereiro de 1943, os soldados alemães se renderam, terminando assim um dos capítulos mais conhecidos da Segunda Guerra Mundial, as batalhas na URSS são considerada as mais sangrentas da história da humanidade. “...e terremoto” No dia 22 de fevereiro de 1943 houve um terremoto de 7,5 graus na escala Richter em Acapulco, México. “E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las.” A interpretação das sete trombetas poderá ser lida no terceiro volume desta coleção “Decodificando o Apocalipse – As Sete Trombetas”. * 100 Referenciais de pesquisas http://www.vatican.va/holy_father/pius_xii/encyclicals/documents/hf_ p-xii_enc_20101939_summi-pontificatus_po.html http://pt.wikipedia.org/wiki/Papa_Urbano_VIII http://pt.wikipedia.org/wiki/Galileu_galilei http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2002/icm105/copernico.htm http://pt.wikipedia.org/wiki/Nicolau_Cop%C3%A9rnico http://www.bibliaonline.com.br/acf/ap/5 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