UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA – UNAMA
PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E EXTENSÃO.
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU EM ADMINISTRAÇÃO
ELDILENE DA SILVA BARBOSA DE SOUZA
BALANÇO SOCIAL COMO UM INSTRUMENTO DE GESTÃO: UMA ANÁLISE
EVOLUTIVA DOS BALANÇOS SOCIAIS DA PETROBRAS EM RELAÇÃO AO
AMBIENTE.
BELÉM-PA
2014
ELDILENE DA SILVA BARBOSA DE SOUZA
BALANÇO SOCIAL COMO UM INSTRUMENTO DE GESTÃO: UMA ANÁLISE
EVOLUTIVA DOS BALANÇOS SOCIAIS DA PETROBRAS EM RELAÇÃO AO
AMBIENTE.
Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa
de Mestrado em Administração da Universidade da
Amazônia – Unama, a ser submetido à Banca de
Defesa, como requisito para obtenção do título de
Mestre.
Orientadora: Profª Dra. Eugênia Rosa Cabral.
BELÉM-PA
2014
ELDILENE DA SILVA BARBOSA DE SOUZA
BALANÇO SOCIAL COMO UM INSTRUMENTO DE GESTÃO: UMA ANÁLISE
EVOLUTIVA DOS BALANÇOS SOCIAIS DA PETROBRAS EM RELAÇÃO AO
AMBIENTE.
Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa
de Mestrado em Administração da Universidade da
Amazônia – Unama, a ser submetido à Banca de
Defesa, como requisito para obtenção do título de
Mestre.
Orientadora: Profª Dra. Eugênia Rosa Cabral.
Banca Examinadora:
______________________________
Profª. Dra. Eugenia Rosa Cabral
(PPAD / UNAMA) – Orientadora.
______________________________
Profº Dr. Sérgio Castro Gomes
(PPAD / UNAMA) – Coorientador.
______________________________
Profº Dra. Nírvia Ravena
(PPAD / UNAMA) – Examinadora Interna
______________________________
Profº Dr. Carlos Augusto da Silva Souza
(Programa de Pós-Graduação em Ciência Política / UFPA)
Examinador Externo.
Apresentado em: 11/08/2014
Conceito:_____________________
BELÉM-PA
2014
Dedico este trabalho a meus pais Eldemir e
Lauracy, a minha irmã Ellene, a meu esposo
Jarbas, meu filho amado José Arthur e a minha
orientadora Profª Dra. Eugênia Rosa Cabral.
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 -
Total de investimentos evidenciados no BS da Petrobras 1998-2012
61
Gráfico 2-
Relação dos Indicadores ambientais em relação a RL
61
Gráfico 3-
Relação dos Indicadores sociais internos em relação a RL
62
Gráfico 4-
Relação dos Indicadores sociais externos sem os tributos em relação a
RL
62
Gráfico 5-
Relação dos Indicadores sociais externos em relação a RL
63
Gráfico 6-
Relação dos Indicadores internos por item relação ao total investido
1998
Gráfico 7-
Relação dos Indicadores internos por item relação ao total investido
1999
Gráfico 8-
66
Relação dos Indicadores internos por item relação ao total investido
2001
Gráfico 9-
65
67
Relação dos Indicadores internos por item relação ao total investido
2010, 2011,2012
67
Gráfico 10-
Análise pelo total dos investimentos por indicadores ambientais
69
Gráfico 11-
Análise pelo total dos investimentos por indicadores
70
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 -
Dados da importação de petróleo 2003-2012
88
Tabela 2 -
Dados da exportação de petróleo 2003-2012
89
Tabela 3 -
Informações relevantes quanto a desempenho financeiro e RSE da
Petrobras
58
Tabela 4 -
Percentual de investimentos em indicadores sociais externos
68
Tabela 5 -
ANOVA para o modelo de regressão da variável dependente ROA e as
variáveis independentes (indicadores sociais internos e externos, e os
indicadores ambientais).
73
Tabela 6 -
Estatísticas da análise de Regressão Múltipla.
73
Tabela 7-
Transformações aritméticas das variáveis.
74
Tabela 8 -
ANOVA para o modelo de regressão da variável dependente ROE e as
variáveis independentes (indicadores sociais internos e externos, e os
indicadores ambientais).
74
Tabela 9-
Estatísticas da análise de Regressão Múltipla.
74
Tabela 10-
Teste estatístico t para os coeficientes de regressão.
75
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 -
Pressões inerciais no campo organizacional
25
Quadro 2 -
Indicadores Propostos pelo Modelo IBASE, GRI Instituto Ethos
31
Quadro 3-
Base de Cálculo
33
Quadro 4-
Indicadores Sociais Internos
33
Quadro 5-
Indicadores Sociais Externos
34
Quadro 6-
Indicadores Ambientais
35
Quadro 7-
Indicadores do Corpo Funcional
36
Quadro 8-
Informações Relevantes quanto ao Exercício da Cidadania Empresarial
36
Quadro 9-
Tipos de Reservas segundo a sua descrição
39
Quadro 10-
Composição atual do capital social da Petrobras
86
Quadro 11-
Dados dos BP da Petrobras de 1998 a 2012 em milhares de Reais
87
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 -
As três abordagens da Responsabilidade Social
Figura 2 –
Teorias de analise da interferência do ambiente nas estratégias
organizacionais
20
27
Figura 3-
Reservas Provadas de Petróleo conforme ANP (2003-2012)
40
Figura 4-
Cartograma das Reservas Provadas de Petróleo conforme ANP
41
Figura 5-
Evolução das Reservas Provadas de Petróleo conforme ANP 2003-2012
42
Figura 6-
Produção de Petróleo conforme ANP (2003-2012)
43
Figura 7-
Cartograma das Produções de Petróleo conforme ANP
44
Figura 8-
Evolução da Produção de Petróleo conforme ANP 2003-2012
45
Figura 9-
Capacidade total efetiva de refino 2003-2012
47
Figura 10-
Participação de países na Capacidade total efetiva de refino 2012
48
Figura 11-
Cartograma da capacidade de refino de Petróleo
48
Figura 12-
Consumo de Petróleo de 2003-2012
49
Figura 13-
Cartograma do consumo de Petróleo
50
Figura 14-
Preço médio no mercado 2003-2012
50
Figura 15-
Evolução dos preços médios anuais no mercado spot dos Petróleos
51
Figura 16-
Temas expostos no Relatório de Sustentabilidade da Petrobras
60
Figura 17-
Gráfico de Normalidade para os resíduos do Modelo de Regressão
Múltipla
Figura 18-
75
Gráfico dos Resíduos versus valores preditos (ajustados) do Modelo de
Regressão Múltipla
76
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BS
Balanço Social
SER
Responsabilidade Social Empresarial
PETROBRAS
Petróleo Brasileiro S.A
S.A
Sociedade Anônima
IBASE
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
ROA
Retorno sobre Ativos
ROE
Retorno sobre Patrimônio Líquido
BP
Balanço Patrimonial
DRE
Demonstração sobre o Resultado do Exercício
EUA
Estados Unidos da America
ADCE
Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas
GRI
Iniciativa Global para Apresentação de Relatórios
FPB
Folha de Pagamento Bruta
RL
Receita Liquida
RO
Receita Operacional
OIT
Organização Internacional do Trabalho
DVA
Demonstração do Valor Adicionado
ONG’S
Organizações não governamentais
ONU
Organização das Nações Unidas
ANP
Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e Biocombustível
SECEX
Secretária de comércio exterior
RESUMO
O Balanço Social foi criado pela contabilidade social com o objetivo de gerar informações
que demonstrem o grau de responsabilidade socioambiental das organizações. O presente
estudo aborda o Balanço Social como um instrumento de gestão e faz uma análise evolutiva
dos balanços sociais da Petrobras, em relação ao ambiente. Procurou-se responder qual a
relação entre investimentos em responsabilidade social e ambiental descritos no Balanço
Social da Petrobras e as contingências do campo ambiental, no período de 1998 a 2012? O
objetivo geral do estudo é analisar a evolução dos investimentos na área social e ambiental da
Petrobras, no período de 1998 a 2012 e, de modo complementar, identificar a influência das
pressões ambientais nos resultados gerados. Quanto à metodologia, trata-se de um estudo de
caso único, escolhido em função de três aspectos: i) a Petrobrás ser uma organização que
divulga seus BS de forma ininterrupta; ii) devido ao nível de detalhamento das informações
do BS dessa organização; iii) devido à importância e especificidade da principal atividade
produtiva dessa organização. O estudo orienta-se em uma abordagem qualitativa e
quantitativa de maneira a identificar possíveis relações entre as variáveis em estudo. Para
verificar a influência do ambiente nos investimentos socioambientais feitos pela Petrobras,
optou-se por utilizar apenas três dos indicadores sociais expostos no Balanço Social, no
modelo IBASE, sendo eles os indicadores sociais internos, indicadores sociais externos e
indicadores ambientais. A análise dos dados foi feita com base nos pressupostos da Teoria da
Contingência e na visão determinista da Ecologia Populacional, para a qual o ambiente é um
fator determinante, por considerar que a Petrobras é uma organização que sofre diversas
pressões ambientais, principalmente pelo fato de o ramo de atividade onde atua ocasionar
diversos impactos ambientais. Os resultados da pesquisa indicaram que os investimentos
sociais e ambientais efetuados pela empresa sofreram influências ambientais, sendo que tais
influências se tornam mais evidentes quando se relaciona o desempenho da Petrobras no
mercado: quanto maiores foram seus rendimentos, no período em estudo, maiores foram os
investimentos em ações socioambientais.
Palavras-Chave: Balanço Social. Teoria da Contingencia. Responsabilidade Social e
Ambiental. Petrobras.
ABSTRACT
Social balance was created by social accounting purposing to generate information able to
show organization social environmental responsibility degree. This study deals with social
balance as a management instrument and analyses Petrobras social balance evolution. It tried
to answer what is the connection between the investments in social and environmental
responsibility described in Petrobras Social Balance and the contingences of environmental
field in the period between 1998 and 2012. The study's general objective is to analysis the
evolution of investments in Petrobras social and environmental area in the period from 1998
to 2012 and, complementarily, to identify the influence of environmental pressure on
generated results. As for methodology , it is about the study of a unique case , chosen because
of three aspects:I - Petrobras is an organization which spreads its SB continuously. II- Due to
the level of SB information details of this organization.III- Due to the importance and
specificity of the main productive activity of this organization.The study shows the quality
and quantity approach being able to identify potencial connections among the variables
under consideration . To identify the environmental influence in social environmental
investment by Petrobras , we opted to use only three social indicators presented in Social
Balance , in IBASE model. They are inner social indicators , external social indicators and
environmental indicators. The data analysis is based on Contingence Theory
presuppositions and on determinist view about Population Ecology , to which environmental
is a determinant factor , by considering Petrobras is an organization which is under several
environmental pressures , specially because the activity field where it acts causes several
environmental impacts. The research results indicate the social and environmental influences
. Those influences become more evident when Petrobras performance in market is connected.
The bigger its incomes, in the period under consideration , the bigger were the investments in
social environmental actions.
KEY-WORDS: Social Balance.
Responsibility. Petrobras.
Contingence
Theory.
Social
and
Environmental
SUMÁRIO
RESUMO
5
1
INTRODUÇÃO
14
1.1
METODOLOGIA
17
2
REFERENCIAL TEORICO
19
2.1
RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL EMPRESARIAL
19
2.1.1
Iniciativas internacionais mais expressivas
21
2.1.2
Iniciativas nacionais mais expressivas
22
2.2
PRESSÕES AMBIENTAIS E SUAS
INFLUÊNCIAS NO CAMPO 24
ORGANIZACIONAL
2.3
BALANÇO SOCIAL COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO
28
2.3.1
Balanço Social padrão Ibase
32
2.3.1.1 Base de Cálculo
33
2.3.1.2 Indicadores Sociais Internos
33
2.3.1.3 Indicadores Sociais Externos
34
2.3.1.4 Indicadores Ambientais
35
2.3.1.5 Indicadores do Corpo Funcional
35
2.3.1.6 Indicadores Relevantes quanto ao Exercício da Cidadania Empresarial
36
2.4
A IMPORTÂNCIA DO BALANÇO SOCIAL
37
3
PANORAMA DO MERCADO DE PETRÓLEO
39
3.1
PANORAMA INTERNACIONAL
39
3.1.1
Reservas
39
3.1.2
Produção
42
3.1.3
Impactos ambientais e sociais da produção de petróleo: externalidades 45
negativas
3.1.4
Refino do Petróleo
47
3.1.5
Consumo do Petróleo
49
3.1.6
Preço
50
3.2
PANORAMA NACIONAL DO MERCADO DO PETRÓLEO
51
3.2.1
Reservas
51
3.2.2
Produção
52
3.2.3
Refino
52
3.2.4
Consumo
52
3.2.5
Importação e Exportação
52
4
O CASO EM ESTUDO: A PETROBRAS
54
4.1
BREVE PERFIL DA EMPRESA
54
4.2
ÁREAS DE NEGÓCIOS
54
4.2.1
Exploração e Produção
54
4.2.2
Distribuição
55
4.2.3
Refino, Transporte, Comercialização e Petroquímica
55
4.2.4
Gás, Energia e Gás-Química
56
4.2.5
Biocombustível
56
4.2.6
Negócios Internacionais
56
4.3
INVESTIMENTOS ATUAIS
56
4.4
DESEMPENHO DA PETROBRAS NO MERCADO MUNDIAL
57
4.5
DEMONSTRATIVO DA RSE DA PETROBRAS
59
4.6
ANÁLISE
DA
EVOLUÇÃO
DOS
BALANÇOS
SOCIAIS
DA 60
PETROBRAS
4.6.1
Indicadores Sociais Internos: Análise dos Itens Relevantes
64
4.6.2
Indicadores Sociais Externos
68
4.6.3
Indicadores Ambientais
69
4.7
ANÁLISE COMPLEMENTAR
72
4.7.1
Roa
73
4.7.2
Roe
73
5
CONSIDERAÇÕES FINAIS
77
REFERÊNCIAS
79
APÊNDICES
86
ANEXOS
90
14
1 INTRODUÇÃO
A necessária implantação da “contabilidade social empresarial” no Brasil foi um
pouco mais tardia, em relação à França e Reino Unido, que foram os países pioneiros na
implantação da contabilidade social, em 1972. No Brasil, surgiu apenas com a explosão das
organizações civis, entre 1984 e 1985, após o regime militar Brasileiro. Este fato culminou
com o surgimento do conceito de Responsabilidade Social, como exercício da cidadania. A
partir de então, as organizações civis ganham impulso e passam a atuar na promoção de
políticas sociais, gerando nos anos seguintes o aumento da consciência social1.
De acordo com Duarte e Torres (2004) as ações de Responsabilidade Social têm sido
utilizadas como um instrumento para captar e manter os consumidores, pois ao demonstrar
preocupação em relação ao meio ambiente e aos direitos humanos, uma organização efetiva
sua responsabilidade, com a continuidade empresarial através de uma postura correta. Assim,
para se diferenciarem no mercado do ambiente empresarial competitivo e volátil, diversas
organizações vem se utilizando de meios voltados à preocupação com a qualidade ambiental.
No Brasil, estudos mostram que, nas últimas décadas, a prática de Responsabilidade
Social Corporativa vem se diversificando no meio organizacional, para atender de forma
eficiente aos diversos stakeholders. Wagner (2003) argumenta que questões ambientais tem se
tornado cada vez mais importantes, a ponto de gerar preocupação e sensibilização pública.
Devido a tais interesses é que organizações empresariais utilizam-se de alguns instrumentos, a
exemplo de Relatórios de Sustentabilidade e de Balanço Social (BS), com o objetivo de
demonstrar seu empenho em ser socialmente e ambientalmente responsáveis.
Como exemplo de um dos relatórios utilizados pelas organizações, o BS é um
mecanismo que traz informações quantitativas e qualitativas, visando tornar pública a
informação referente às ações no exercício da responsabilidade social corporativa. Com a
publicação do BS as organizações sociais têm como objetivo demonstrar publicamente que a
intenção da organização não é somente a geração de lucros com um fim em si mesmo, mas o
desempenho social. Segundo Zarpelon (2006), o desempenho social é obtido através do
compromisso e da responsabilidade para com a sociedade, por meio da prestação de contas
sobre o uso e a apropriação de recursos que originalmente não lhe pertenciam.
No Brasil, a Petrobrás foi pioneira, na divulgação do BS. Seja pelo porte da empresa e
pelo potencial das atividades desempenhadas, o relatório engloba importantes pontos
1
Disponível em: <http://www.responsabilidadesocial.com/institucional/institucional_view.php?id=4> Acesso
em: 02 out.2012.
15
temáticos. A Shell, por sua vez, obteve intensas críticas, nos anos 80, por seu desempenho em
assuntos sociais e, no contexto atual, após uma mudança estratégica, tornou-se exemplo em
produção socioambiental2.
As entidades que utilizam balanço social muitas vezes o utilizam com outras
denominações, como Relatório Social e Relatório Social-Ambiental. No entanto, seja qual for
a denominação dada, trata-se de um instrumento de gestão, utilizado com o objetivo de gerar
informações sobre a situação da entidade em relação às questões socioambientais.
O estudo do tema proposto é relevante, pois visa contribuir com a produção do
conhecimento científico, em geral, divulgando conhecimento à sociedade ao relacionar a
evolução qualitativa dos investimentos em responsabilidade social e ambiental descritos no
Balanço Social da Petrobras, no período de 1998 a 2012, e a relação dos investimentos com as
influências do ambiente no qual a empresa está inserida. Para o curso de Mestrado em
Administração o estudo do tema proposto deverá contribuir de forma teórica e científica,
demonstrando a evolução qualitativa dos Balanços Sociais de uma grande organização, a
exemplo da Petrobras.
As empresas Brasileiras vêm demonstrando, com o passar dos anos, interesse em
Responsabilidade Social, visto que 98 empresas publicaram seus balanços, no modelo IBASE,
em 2006, entre as quais 52 empresas receberam o direito de utilizar o Selo Balanço Social
IBASE. No ano de 2007, 60 empresas candidataram-se ao selo e no ano de 2008 o selo foi
suspenso e encontra-se em fase de avaliação e reformulação, mais mesmo assim houve
divulgações de Balanços Sociais conforme o Modelo IBASE.
Entre as empresas que divulgam seus Balanços Sociais encontra-se a empresa que
serviu de base para este trabalho: Petrobrás. A empresa Petróleo Brasileiro S.A, conhecida por
Petrobras, foi criada pela Lei 2.004 em 1953, sendo uma empresa de sociedade anônima de
capital aberto, que possui suas principais atividades desmembradas em: exploração e
produção de óleo e gás natural, dentro do território nacional, desenvolvimento de fontes
alternativas de energia, transporte de gás natural (Gaspetro), transporte marítimo do sistema
Petrobrás (Transpetro).
De acordo com documentos oficiais disponíveis, a Petrobras visa crescimento,
rentabilidade e responsabilidade social e ambiental, como plano estratégico para 2015. Para
alcançar este plano estratégico, esta organização integra o Índice Dow Jones Mundial de
2
Disponível em: <http://www.responsabilidadesocial.com/institucional/institucional_view.php?id=4> Acesso
em: 02 out.2012.
16
Sustentabilidade, faz parte do Conselho do Pacto Global e está associada ao World Business
Council for Sustainable Development, além de ser parceira do Fundo das Nações Unidas.
Diante das discussões a respeito de Responsabilidade Social nas organizações e da
busca contínua por prestar informações úteis para subsidiar a gestão e para demonstrar aos
usuários o comprometimento empresarial com o social e o ambiental, tornou-se necessária a
utilização de meios que demonstrassem não apenas a situação financeira e econômica da
organização, mas a contrapartida que uma organização dá à sociedade pela utilização de seus
recursos ambientais e humanos. Foi nesse contexto que surgiu o Balanço Social, também
denominado Relatório de Sustentabilidade ou Relatório da Responsabilidade Social, como
produto da Contabilidade Social, publicado anualmente por uma organização que procura
demonstrar aos interessados um conjunto de informações relacionadas aos projetos ambientais
e ações sociais por ela desenvolvidas.
Existe um forte condicionamento, conforme argumentam alguns autores (SOUZA,
2003; SANTOS, 2004; TINOCO, 2002; WAGNER, 2003), para que as organizações
empresariais demonstrem no Balanço Social os investimentos executados na área social e
ambiental como uma evidência da responsabilidade empresarial, sem fazer os devidos
comparativos com o retorno obtido a partir da utilização dos recursos ambientais e os
impactos socioambientais gerados.
Considerando a importância do tema, com este estudo procurou-se responder qual a
relação entre investimentos em responsabilidade social e ambiental descritos no Balanço
Social da Petrobras e as contingências do campo do ambiente, no qual a empresa está inserida,
no período de 1998 a 2012? Em termos gerais buscou-se analisar a evolução dos
investimentos na área social e ambiental e, de modo complementar, identificar a influência
das pressões do ambiente, no qual a empresa está inserida, nos resultados gerados. Quanto aos
objetivos específicos do estudo, procurou-se: analisar a evolução qualitativa dos Balanços
Sociais da Petrobras, no período de 1998 a 2012; verificar se as influências do ambiente, no
qual a empresa está inserida, contribuíram positivamente ou negativamente para com os
investimentos demonstrados nos Balanços Sociais publicados no período do estudo.
Este trabalho baseia-se nos pressupostos da Teoria da Contingência e na visão
determinista da Ecologia Populacional, para a qual o ambiente é um fator determinante, visto
que a Petrobras é uma organização que sofre diversas pressões do ambiente, no qual a
empresa está inserida, principalmente pelo fato de o ramo de atividade onde atua ocasionar
diversos impactos ambientais.
17
Para alcançar os propósitos do estudo proposto, este trabalho está estruturado em três
grandes capítulos, além desta introdução e das considerações finais. O primeiro capítulo
apresenta o quadro analítico e conceitual utilizado, subdivido em três partes: i)
responsabilidade social e ambiental empresarial; ii) abordagem teórica sobre pressões do
ambiente, no qual a empresa está inserida, e suas influências no campo organizacional; iii) por
fim, o Balanço Social como instrumento de gestão. No segundo capítulo é feita uma breve
descrição da dinâmica do mercado do petróleo, em nível mundial. O terceiro capítulo trata, de
forma específica, do caso em estudo, que é a Petrobras, e está subdividido em cinco partes: i)
breve perfil da organização; ii) áreas de negócios; iii) desempenho da Petrobras, no mercado
mundial; iv) demonstrativo de RSE da Petrobras; v) análise da evolução dos Balanços Sociais
da Petrobras.
1.1 METODOLOGIA
Quanto à metodologia da pesquisa, trata-se de um estudo de caso único, escolhido em
função de três aspectos: i) ser a Petrobrás uma organização que divulga seus Balanços Sociais
de forma ininterrupta, o que possibilita uma análise da evolução das ações em uma série
temporal mais longa; ii) devido ao nível de detalhamento das informações contidas nos
balanços sociais divulgados; iii) devido à importância e especificidade da principal atividade
produtiva desenvolvida por essa organização (exploração, produção e refino de petróleo e
gás), que tem papel estruturante na economia mundial e gera significativos impactos
ambientais em toda a cadeia produtiva.
O método da pesquisa é um estudo de caso único, conforme definição de Yin (2005)
que permite uma investigação mais aprofundada do caso em estudo, destacando aspectos
significativos e específicos que justifiquem a relevância da escolha, tais como a natureza da
organização e o setor de atuação. A pesquisa será de abordagem qualitativa e quantitativa de
maneira que se possa melhor identificar possíveis relações entre as variáveis em estudo.
O estudo foi desenvolvido em quatro etapas. Inicialmente foi realizada pesquisa
bibliográfica sobre os temas e conceitos abordados no estudo: responsabilidade social e
ambiental; balanço social como instrumento de gestão; a importância do balanço social;
panorama do mercado do Petróleo e suas condicionantes; fatores ambientais (ou contingências
externas) que influenciam nas decisões tomadas no âmbito das organizações, abordados pela
teoria da contingência. Na segunda etapa foi efetuada pesquisa documental sobre a
18
organização em estudo – a Petrobras, procurando destacar o perfil da empresa, as
especificidades e importância da área de atuação, as condições de atuação da empresa no
mercado, nos anos de 1998 a 2012 e suas condicionantes, bem como a relação empresa,
sociedade e meio ambiente. Na terceira etapa do estudo foram coletados e sistematizados os
dados dos Balanços Sociais publicados pela empresa, no período de 1998 a 2012. Por fim foi
realizada a análise dos dados à luz dos conceitos e dos pressupostos teóricos.
Os dados levantados proporcionaram uma condição favorável à formulação de uma
análise das variáveis envolvidas no processo de influência do ambiente com os investimentos
efetuados pela empresa em ações de responsabilidade social e ambiental, no período de tempo
selecionado para a pesquisa. Procurou-se relacionar as contingências externas, especialmente
os fatores referentes ao meio ambiente, com as ações desenvolvidas pela empresa e
publicadas no Balanço Social, do período em estudo.
As informações contidas nos Balanços Sociais da empresa foram analisadas com base
na verificação percentual que cada categoria obtinha sobre o total de informações prestadas,
chegando-se a dados quantitativos sobre os Balanços Sociais. Tal procedimento foi adotado
como recurso metodológico para evidenciar quais indicadores e elementos, que constituem o
BS, vêm recebendo maior relevância de investimentos pela empresa.
A análise da qualidade dos Balanços Sociais da empresa foi realizada com base nos
maiores e menores percentuais de investimentos nos seus respectivos anos e indicadores
relacionados, adotando uma das quatro perspectivas adotadas por Siqueira e Vidal (2003):
padronização, potencialização de resultados, baixa transparência e abrangência. A perspectiva
utilizada é a da potencialização dos resultados, pois este ponto é considerado diretamente
relacionado com a influência de fatores ambientais nos investimentos realizados. Além disso,
para analisar a influência do ambiente, no qual a empresa está inserida, nos investimentos
socioambientais feitos pela Petrobras, optamos por utilizar apenas três dos indicadores sociais
expostos no balanço, sendo eles: indicadores sociais internos; indicadores sociais externos;
indicadores ambientais.
Por fim, de modo complementar, foi feita uma análise quantitativa para mostrar a
correlação entre os investimentos em RSE, demonstrados no Balanço Social e os rendimentos
da Petrobrás. Para isso utilizou-se do cálculo para a obtenção da equação de regressão
múltipla para as variáveis dependentes ROA e ROE, e as variáveis independentes, indicadores
sociais internos e externos e os indicadores ambientais, conforme detalhamento no item
mediante uso dos programas MINITAB e Excel.
19
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 RESPONSABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL EMPRESARIAL
Oliveira (2008) faz referência ao economista Milton Friedman, que escreveu um
artigo, em 1970, relatando que a função relacionada à questão social das empresas se limitaria
a geração de empregos e ao pagamento de impostos. De acordo com essa perspectiva quem
teria a obrigação de promover o social seria apenas o Estado, com os impostos arrecadados.
Logo, conforme argumentava Friedman (apud OLIVEIRA, 2008, p. 1) “a única
responsabilidade social das empresas era gerar lucro para seus acionistas, dentro das regras da
sociedade (leis)”.
Tenório (2004) relata que os argumentos de Friedman tornam-se inconsistentes à
medida que a industrialização evoluía e gerava como resultado a degradação do meio
ambiente e da baixa qualidade de vida, pelo aumento dos problemas sociais, fazendo com que
a sociedade viesse a pressionar governos e empresas por melhores condições sociais e
ambientais. Isto fez com que muitas empresas incorporassem a ideia de responsabilidade
social e ambiental e passassem a adotar medidas práticas para operacionaliza-la.
Posteriormente, conforme argumenta Tenório (2004), com o desenvolvimento da assim
chamada sociedade pós-industrial, passa-se a valorizar o ser humano, a qualidade de vida e o
respeito à natureza e é esse pensamento que forma a base do atual conceito de
responsabilidade social empresarial.
No contexto da globalização, as empresas passaram a investir cada vez mais em
tecnologias e a buscar trabalhadores mais qualificados, para produzir produtos de melhor
qualidade e de baixo custo. Ressalte-se que, da mesma forma que as empresas passaram a
atuar em um maior mercado consumidor e fornecedor, elas passaram a sofrer mais exigências
dos stakeholders que atuam no mercado internacional, que passaram a buscar informações
acerca das condições de produção e seus impactos sociais e ambientais, forçando, assim, as
empresas a se preocuparem com essas questões, a fim de atenderem às reivindicações de
consumidores.
Lourenço e Schroder (2003), baseados nos trabalhos de Montana e Charnov (1998),
ilustram três níveis de diferentes abordagens de RSE em relação às demandas sociais (Figura
1).
20
Figura 1 – As três abordagens da Responsabilidade Social
Fonte: Lourenço e Shroder (2003).
De acordo com a abordagem responsabilidade social como obrigação social, a empresa
busca lucro em troca de novos empregos, salários justos, melhoria de qualidade de vida dos
seus funcionários, além de contribuir com a sociedade em geral.
A abordagem de reação social trata da responsabilidade social como um comportamento
reativo combinando o lucro com aspetos legais e éticos. Ou seja, além das empresas cumprirem
obrigações sociais de forma legal, elas também cumprem respondendo a inúmeras pressões vindas
de diferentes grupos de stakeholders.
A abordagem da sensibilidade social abrange as duas primeiras e é a mais focada nos
stakeholders externos. Compreende um comportamento socialmente responsável e antecipador da
empresa, que adota uma atitude pró-ativa e preventiva. Discricionariamente, adota programas
sociais nas suas estratégias, bem como financia programas sociais geridos por Organizações Não
Governamentais (ONGs), Associações, entre outras organizações sociais.
De acordo com Ferrel (2000) existem quatro dimensões da responsabilidade social ou
da cidadania corporativa como extensão dos negócios da empresa, exigida pelos stakeholders,
quais sejam: i) legal, que implica cumprir as leis; ii) ética, que diz respeito a comportamentos
que as organizações e a sociedade delas esperam, embora não estejam positivadas em leis; iii)
econômica, que refere-se à maneira como os recursos para a produção de bens e serviços são
distribuídos, fundamentada pelos impactos produzidos pela economia e a concorrência; iv)
filantrópica, que refere-se às contribuições das empresas para a qualidade de vida e bem-estar
da sociedade.
21
Oliveira (2004, p.8) sintetiza em seus argumentos, acerca da importância da
responsabilidade social e ambiental, que estas são resultantes de uma nova visão na relação
empresa-sociedade-meio ambiente, fruto de negociações entre as organizações e a
comunidade no entorno, em um tempo de necessária conectividade das organizações com o
social e o ambiental, como segue:
““a convivência e as relações com as comunidades, de onde as
empresas retiram tantas energias às quais muitas vezes agridem com o
seu gigantismo ou com fortes impactos na organização de sua vida,
terão que ser objeto de transparentes e legítimas negociações.””
De acordo com estudiosos do tema, seja por interesse das organizações, seja em
resposta às condicionantes externas (políticas, sociais, econômicas, ecológicas, entre outras)
há evidências de investimento em ações de responsabilidade social e ambiental por parte de
organizações empresariais. Entretanto, há de se ressaltar que, ainda que as contingências do
ambiente externo transformem-se em exigências socioambientais às organizações, existem
poucas regulamentações globais para proteger as sociedades contra empresas socialmente
irresponsáveis, tais quais as regras de proteção ao meio ambiente físico. Ainda assim, a
despeito da falta de regras mais eficazes, existem algumas iniciativas que visam tornar as
empresas socialmente responsáveis, conforme destaques nos subitens que seguem.
2.1.1 Iniciativas Internacionais mais expressivas
Pacto Global
Para Simões (2008, p. 22) o Pacto Global das Nações Unidas, lançado em 2000,
destaca-se como iniciativa política, em nível internacional, com o objetivo de estimular
práticas social e ambientalmente responsáveis, conforme destaca:
o objetivo do Pacto Global é encorajar o alinhamento das políticas e práticas
empresariais com os valores e os objetivos fundamentais aplicáveis
internacionalmente. Esses valores foram separados em dez princípios, nas
áreas de direitos humanos, direitos do trabalho, proteção ambiental e
combate à corrupção.
OCDE – Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
É uma entidade da qual fazem parte as nações mais desenvolvidas, que se reúnem para
trocar informações e alinhar diretrizes de princípios e padrões de conduta, que devem ser seguidos
por países que aderirem, sendo membro ou não da OCDE.
22
FSM - Fórum Social Mundial
Para Beghin, o FSM é “um espaço de debate, público, de propostas que acenam com
uma possibilidade de uma regulação social da economia, pautada pelo reconhecimento e
garantia de direitos” (2005, p. 74-75).
2.1.2 Iniciativas Nacionais mais expressivas
Instituto Ethos
O Instituto Ethos, criado em 1998, é uma entidade “sem fins lucrativos, caracterizada
como uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), que tem como
missão sensibilizar e orientar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente
responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade justa e sustentável”. Em
termos gerais, essa organização propõe-se a difundir a adoção de práticas de responsabilidade
empresarial, contribuindo para que as organizações empresariais possam3:
compreender e incorporar, de forma progressiva, o conceito do
comportamento empresarial socialmente responsável; implementar políticas
e práticas que atendam a elevados critérios éticos, contribuindo para o
alcance do sucesso econômico sustentável em longo prazo; assumir suas
responsabilidades com todos aqueles que são atingidos por suas atividades;
demonstrar a seus acionistas a relevância de um comportamento socialmente
responsável para o retorno em longo prazo sobre seus investimentos;
identificar formas inovadoras e eficazes de atuar em parceria com as
comunidades na construção do bem-estar comum; prosperar, contribuindo
para um desenvolvimento social, econômica e ambientalmente sustentável.
Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade Nós Podemos
Movimento pioneiro, formado, em 2004, por um conjunto de empresas, entidades
governamentais e não-governamentais, com o objetivo de conscientizar e mobilizar a
sociedade a debates e ações sobre os oito Objetivos do Milênio. O movimento atualmente
trabalha juntamente com a Secretaria-Geral da Presidência da República e o Programa das
Nações Unidas para o alcance dos objetivos do milênio, com destaque para o Prêmio ODM
Brasil4.
3
Informações disponíveis em: http://www3.ethos.org.br/conteudo/sobre-o-instituto/missao/#.U68xz2dOXcs.
Acesso em nov. 2013.
4
Informações disponíveis em: http://www.nospodemos.org.br/. Acesso em: nov. 2013.
23
Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Brasil – Prêmio ODM
BRASIL
Em consonância com o compromisso assinado pelo Brasil, em setembro de 2000,
conhecido como Declaração do Milênio, o governo federal brasileiro, em parceria com o
Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade e o Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD) criou, o Prêmio ODM Brasil, em 2004, tem como objetivo
reconhecer publicamente os esforços dos que trabalham em prol dos oito Objetivos do
Milênio. O Prêmio marca a parceria entre o Estado, as empresas e a sociedade civil na busca
de solução dos problemas apontados pelas Nações Unidas.
Índice de Empresas Sustentáveis da BM & Fbovespa
Para atender a tendência de investidores a procurarem empresas socialmente mais
responsáveis para aplicar seus recursos, a BM&FBOVESPA, Bolsa Valores de São Paulo,
formulou, juntamente com outras entidades ligadas ao setor empresarial e financeiro, com a
participação do Ministério do Meio Ambiente e a Fundação Getúlio Vargas, numa pioneira
iniciativa de encontrar o índice de ações que servissem de referencial para os investimentos
socialmente responsáveis – o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Mesmo com
críticas à baixa participação da sociedade civil na elaboração e gestão do ISE, de maneira
incipiente, o índice atua como promotor de boas práticas sociais (OLIVEIRA, 2008, p. 216).
Comitê de Entidades no Combate à Fome e pela Vida – COEP
O COEP é um desdobramento do “Movimento pela Ética na Política” e da campanha
da “Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida”, que tinha como um dos mais
engajados militantes o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, presidente do Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) na época. Betinho lançou uma
campanha nacional convocando empresas públicas e privadas para o compromisso no
combate à fome e à elaboração do balanço social, no padrão IBASE. Em 2008, o COEP com
15 anos e, após diversas transformações e crescimento de sua estrutura, passou a contar então
com mais de 1.100 organizações públicas e privadas. Considera-se que:
a própria criação do COEP pode ser vista como um exemplo de capacidade
organizacional e de pensamento e ação estratégica muito competente,
embora seus fundadores trabalhassem apenas com um conjunto coerente de
pressupostos e princípios, e não com um plano formal (COEP, 2008, p. 264).
24
Balanço Social do IBASE
O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) é uma instituição
sem fins lucrativos, baseada nos princípios dos direitos humanos e estímulo à participação
cidadã. Em sintonia com o movimento iniciado nas décadas de 1960 e 70 pela sociedade
internacional, que exigia uma nova postura ética das empresas e, como reposta a essas
demandas, algumas empresas passaram a elaborar e divulgar o relatório anual com
informações de caráter social, o chamado balanço social. Vale ressaltar que tal adesão deveuse, em grande medida à campanha empreendida por Betinho, em defesa da elaboração e
divulgação do Balanço Social. Assim, a proposta de divulgação do BS:
ganhou visibilidade nacional quando o sociólogo Herbert de Souza, o
Betinho, lançou, em junho de 1997, uma campanha pela divulgação
voluntária do balanço social. Com o apoio e a participação de lideranças
empresariais, a campanha decolou e vem suscitando uma série de debates
através da mídia, seminários e fóruns. Hoje é possível contabilizar o sucesso
desta iniciativa e afirmar que o processo de construção de uma nova
mentalidade e de novas práticas no meio empresarial está em pleno curso.
Acima foram mencionadas algumas iniciativas em torno da mobilização da sociedade
e de organizações empresariais para o compromisso com uma maior RSE. No entanto, mesmo
com as iniciativas nacionais e internacionais em torno da responsabilidade social, estudiosos
do tema argumentam que o Estado é um elemento essencialmente importante para incentivar
as potencialidades da RSE. A institucionalização do debate sobre a RSE criou a oportunidade
de se trazer para o meio público a multidimensionalidade cidadã dos diversos atores
envolvidos no tema (FERRAZ, 2007).
Para entendermos como funciona o investimento em RSE por parte das empresas,
como estratégia organizacional, e identificarmos o papel das influências ambientais nesse
investimento, buscou-se os pressupostos da Teoria Contingencial e a Teoria da Ecologia
Populacional, descritos nos itens a seguir.
2.2 PRESSÕES
AMBIENTAIS
E
SUAS
INFLUENCIAS
NO
CAMPO
ORGANIZACIONAL
Os estudos sobre estratégia organizacional se tornaram tema central no âmbito das
organizações, nos últimos anos, especialmente devido à conscientização crescente de sua
importância na continuidade empresarial (VAN DE VEN; ASTHLEY, 2005). A gestão
socioambiental, por sua vez, ganha ênfase por trazer a visão de que as organizações possuem
25
diversas responsabilidades, sendo elas econômicas, legais, sociais e ambientais (SOUZA,
2011), com o objetivo de buscar a melhor estratégia.
Considerando que o mercado, as instituições reguladoras e segmentos importantes da
sociedade civil, no contexto atual, passaram a exigir uma gestão voltada à responsabilidade
social e ambiental, a relação entre estratégias organizacionais e a gestão socioambiental, pode
contribuir para a sustentabilidade organizacional. Para Aligleri et al (2009) uma gestão com
responsabilidade socioambiental gera a vantagem de se ter produtos diferenciados no
mercado, ocorrendo quando a cadeia assume condutas com a intenção de alcançar melhorias
sociais, aumentando o grau de sustentabilidade e competitividade das organizações.
Para alcançar um alto grau de sustentabilidade e competitividade as organizações se
utilizam, portanto, de estratégias organizacionais. Conforme argumentos de Donaldson
(1999), de acordo com os pressupostos da teoria da contingência, não há uma estrutura
organizacional única que seja um modelo coerente para as organizações e suas estratégias, o
que montra a necessidade de a organização se adequar a estrutura dos fatores organizacionais
e ao ambiente no qual a empresa está inserida. Complementando, Hannan (2007) diz que cabe
ao líder formular estratégias e à organização cabe se adaptar às contingências do ambiente no
qual a empresa está inserida.
Ainda assim, existem situações que representam limitações na habilidade de adaptação
das organizações. Quanto mais forte as pressões, mais baixa a flexibilidade de adaptação das
organizações.
Quadro 1 – Pressões Inerciais no campo organizacional
FATORES INTERNOS
Investimento organizacional em planta
industrial, equipamento e pessoal especializado.
Restrição nas informações para tomada de
decisão.
Restrição de política interna.
Contratos normativos.
FATORES EXTERNOS
Barreiras fiscais legais para entrar e sair dos
mercados.
Aquisição de informações sobre ambientes
relevantes.
Restrições de legitimidade.
Racionalidade coletiva.
Fonte: Costa (2010).
Para que as pressões inerciais não ocorram, a organização necessita de uma avaliação
cognitiva do meio em que ela se relaciona. Neste sentido é que Tenbrunsel et al (2009)
relatam que a liderança é abordada na sua percepção de produzir novas pesquisas empíricas
de cognição social ativamente, sendo uma das mais importantes aplicações cognitivas por
influenciar as avaliações e atribuições feitas por líderes.
26
Outro fator que influencia na escolha de estratégias organizacionais adequadas é o fato
de a organização adquirir consciência dos padrões locais de sensibilidade, desde que seja
capaz de apreciar a especificidade do estimulo a que está exposta (GAGLIARI, 2001).
Conforme os estudos sobre estratégias organizacionais, estas têm como cenário principal um
ambiente competitivo e que devido este ser muito dinâmico exige-se das organizações maior
capacidade de adaptação.
A adaptação, para Aligleri et al (2009), é evidenciada por qualquer iniciativa nos
negócios, influenciando no lucro e, mais ainda, no mundo. Diante disso observa-se que a falta
de políticas sociais e ambientais adequadas ocasionam diversas implicações geradoras de
prejuízos materiais e morais nas organizações. Tais prejuízos ocasionam aumento nos custos e
ainda acarretam a perda de oportunidades. Devido a esses fatores as organizações têm que
assumir compromisso com as políticas sociais e ambientais, pois agora não é mais um
questionamento sobre ética e sim um questionamento econômico e mercadológico.
Para Hannan (2007) a teoria da ecologia populacional, aborda a tese de que a
organização deve apenas se adaptar ao ambiente no qual a empresa está inserida, não podendo
ela mudar, em nada, e sim apenas usufruir o máximo possível de tempo em que o ambiente se
mantiver favorável. Com outra perspectiva, Wernerfelt (1984) expõe uma visão econômica,
de que a organização ao buscar vantagens competitivas baseia-se nos recursos da empresa
obtendo uma visão de longo prazo. Vê-se que as duas teorias assumem posições distintas: a
ecologia populacional coloca o ambiente , no qual a empresa está inserida, como fator
determinante dentro da organização; e a visão baseada em recursos identifica o ambiente , no
qual a empresa está inserida, com interferência mínima, visto que o fator determinante seria
os recursos.
De acordo com Barney e Hesterly (2004), para os economistas organizacionais a
relação entre ambiente e recursos nas organizações baseia-se na competição e todos os
usuários ao seu redor buscam usufruir de pelo menos uma parte do sucesso que obtiverem.
Nesse sentido, a competição adapta-se ao ambiente e outras vezes influenciada pelos recursos,
isso quando estes são relativamente abundantes.
Na Figura 2, a seguir, são identificadas diversas teorias que abordam a interferência do
ambiente nas estratégias organizacionais.
27
Figura 2: Teorias
organizacionais
de
analise
da
interferência
do
ambiente
nas
estratégias
Fonte: Costa (2010).
Observa-se, portanto, a existência de várias teorias, com diferentes perspectivas, que
analisam como o ambiente, no qual a empresa está inserida, interfere no modo de se
comportar das organizações e, consequentemente, nas suas estratégias. Este trabalho baseia-se
na Teoria da Contingência e na visão determinista da Ecologia Populacional, para a qual o
ambiente é um fator determinante.
De acordo com autores da teoria da contingência, a gestão eficiente só acontece
através de uma boa estratégia organizacional, que pode ser obtida através do equilíbrio de
variáveis abordadas nas teorias citadas. Conforme destaca Chiavenato (2006, p. 84):
a abordagem contingencial explica que existe uma relação funcional entre as
condições do ambiente e as técnicas administrativas apropriadas para o
alcance eficaz dos objetivos da organização. As variáveis ambientais são
variáveis independentes, enquanto as técnicas administrativas são variáveis
dependentes, dentro de uma relação funcional. Na realidade, não existe uma
causalidade direta entre essas variáveis independentes e dependentes, pois o
ambiente não causa a ocorrência de técnicas administrativas. Em vez de uma
relação de causa e efeito entre as variáveis do ambiente (independentes) e as
variáveis administrativas (dependentes), existe uma relação funcional entre
elas. Essa relação funcional é do tipo ‘se-então’ e pode levar a um alcance
eficaz dos objetivos da organização.
As teorias aqui referidas demonstram que, embora não haja uma estratégia prédefinida, não se pode dizer que as estratégias não contribuem na gestão socioambiental. Ou
seja, as estratégias organizacionais contribuem com os instrumentos de gestão socioambiental,
pois buscam viabilizar a melhor forma de a organização se adaptar ao ambiente, no qual a
empresa está inserida, sem deixar de assumir compromisso com a responsabilidade social e
ambiental. Isso pode ser evidenciado através de seu principal instrumento de gestão
socioambiental: o Balanço Social.
28
2.3 BALANÇO SOCIAL COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO
Segundo Santos (2007), determinar o ano exato do surgimento do Balanço Social, não
é tarefa fácil. Sabe-se que é um instrumento já elaborado há algumas décadas nos Estados
Unidos da América, Canadá e na Europa por países como Alemanha, Espanha, Inglaterra,
França e Portugal. Sabe-se também, que a formação do pensamento de responsabilidade
social foi introduzida no mundo dos negócios na década de 1930.
Santos (2007) afirma, ainda, que o Balanço Social era publicado na Alemanha em
1939. Somente na década de 60 surgiu nos EUA, no tempo do governo de Nixon que
relacionou à aplicação da responsabilidade social nas empresas. Então, foi a partir daí que
surgiu a ideia de que as empresas deveriam informar à sociedade da sua atuação em benefício
dos stakeholders. Esse fato ocorreu devido a acontecimentos decorrentes da guerra do Vietnã,
em 1955, que desencadeou na sociedade uma ação de hostilidade às empresas comercias e
industriais. Essa hostilidade repercutiu na rejeição aos produtos das empresas que
financiavam a guerra e ao governo atual.
A década de 1970 foi o marco da popularização do pensamento de responsabilidade
social na Europa, pois nessa época várias empresas elaboraram os primeiros Balanços Sociais.
“Em 1971 a companhia alemã STEAG produziu uma espécie de relatório social, um balanço
de suas atividades sociais” (SANTOS, 2007). Em 1972 a empresa francesa Singer preparou o
primeiro Balanço Social da história.
Segundo Silva e Freire (2001 apud BARBOSA, 2005) a questão do evidenciar o
comportamento sócio-responsável corporativo no Brasil que surgiu na década de 1960,
fortemente influenciada pela ADCE (Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas)
influenciou para que no Brasil, a Nitrofertil, em 1984 , elabora-se o primeiro demonstrativo
similar a um típico Balanço Social, concomitantemente, uma companhia denominada
TELEBRAS também elaborava o seu relatório. Todavia, só a partir da década de 90 é que as
empresas, paulatinamente, começaram a tratar com seriedade o pensamento de elaborar um
documento de divulgação das suas ações de cunho socioambiental para a sociedade.
A partir daí, o Balanço social passou a ter várias denominações entre as principais
estão Relatório de Sustentabilidade e Relatório da Responsabilidade Social. Pode ser definido
como um produto da Contabilidade Social, publicado anualmente pela empresa que procura
demonstrar aos interessados um conjunto de informações relacionadas aos projetos ambientais
e ações sociais.
29
O Banespa, também, teve participação no processo de inserção da prática de
elaboração e divulgação do Balanço Social, pois elaborou o seu, em 1992. Isto lhe rendeu o
direito de participar do rol das empresas precursoras do Balanço Social.
Para Ribeiro e Lisboa (1999, p. 92):
O Balanço Social é um instrumento de informação da empresa para a
sociedade, que demonstra se o custo-benefício da empresa é positivo, se
agrega valor à economia e à sociedade, se respeita os direitos humanos de
seus colaboradores e se desenvolvem todo seu processo operacional sem
agredir o meio ambiente. Com isso, constata-se que poderão ser analisadas
por meio do balanço social as questões referentes aos Recursos Humanos, ao
Meio Ambiente e ao Valor Adicional.
O Balanço Social traz, também, informações acerca dos investimentos em ações de
responsabilidade ambiental da empresa (indicadores ambientais), englobando investimentos
em tecnologias antipoluentes, como máquinas, equipamentos, instalações, conforme afirma
Ribeiro e Lisboa (1999, apud BARBOSA, 2005).
Kroetz (1999) retrata que o Balanço Social é uma ferramenta gerencial que exprime e
evidencia dados relativos à qualidade e quantidade das políticas administrativas, e da
interação da empresa com o meio externo. Essa interação é analisada conforme favoreça a
escolha de estratégias.
Grzybowski (2006, apud BARBOSA, s.d.), também considera esse relatório como um
objeto de gestão e não um objeto de marketing. Através de sua análise, os administradores
detectam pontos fracos da empresa em matéria de investimentos socioambientais e,
consequentemente, consegue-se visualizar as áreas carentes de investimentos dessa natureza.
Para Tinoco (2001, p.30) o Balanço Social possui como objetivo, no plano legal,
fornecer um quadro de indicadores a um grupo social, já no plano de funcionamento da
empresa, serve de instrumento de pilotagem.
De acordo com os autores aqui referidos, o Balanço Social tem por finalidade gerar
informações que transmitam maior transparência dos atos da organização, não apenas aos
usuários internos e sim para todos os interessados. Segundo Iudícibus, Martins e Gelbcke
(2007, p.31) o objetivo do Balanço Social é demonstrar o resultado da interação da empresa
com o meio em que está inserida.
Para Tinoco (2001) o Balanço Social possui diversos usuários, destacando-se os
seguintes: a empresa, o consumidor, os fornecedores, o público, o Estado e a sociedade.
Em relação à importância de publicação do Balanço Social, Silva (2009, p.19) destaca:
30
Porque é ético; porque agrega valor ao negócio da empresa, pois trás um
diferencial para a imagem empresarial que vem sendo cada vez mais
valorizada por investidores e comunicadores no Brasil e no mundo; Porque
diminui riscos; Porque em um mundo globalizado, onde informações sobre
empresas circulam mercados internacionais em minutos, uma conduta ética e
transparente tem que fazer parte da estratégia de qualquer organização, nos
dias de hoje; Porque é um moderno modelo de gestão. O BS é uma grande
ferramenta, que proporciona à empresa formas de gerir, medir e divulgar o
exercício da responsabilidade social em seus empreendimentos; Porque é um
instrumento de avaliação. Os analistas de mercado, investidores e órgãos de
financiamento (como BNDS, BID e IFC) já incluem o BS na lista de
documentos necessários para se conhecer e avaliar os riscos e as projeções
de uma empresa; Porque é inovador e transformador. Realizar e publicar o
BS, anualmente, é mudar a antiga visão, que era indiferente à situação e o
bem-estar dos funcionários e clientes, para uma visão moderna em que os
objetivos da empresa incorporam as práticas de responsabilidade social e
ambiental.
Para Herbert de Souza (1999), “realizar o Balanço Social significa uma grande
contribuição para a consolidação de uma sociedade verdadeiramente democrática”5.
Vale ressaltar que no Brasil, mesmo com todos os argumentos que demonstram a
importância da publicação do BS, ainda não há obrigatoriedade de sua publicação, em termos
legais. Nessa direção, existem algumas propostas e projetos de lei, em tramitação no
Congresso Nacional, que visam tornar obrigatória a sua publicação – a exemplo do Projeto de
Lei 3.166/97, de autoria da deputada Marta Suplicy.
A busca pela obrigatoriedade legal do Balanço Social, por parte de determinados
atores políticos, resulta da constatação não somente de sua importância como demonstrativo
de ações à sociedade, mas, também, por ser considerado uma ferramenta de gestão, pois reúne
informações sobre políticas administrativas e sobre a relação da organização e o ambiente,
conforme a necessidade do usuário.
No Brasil são três os modelos de BS mais utilizados: o modelo Global Reporting
Initiative (Iniciativa Global para a Apresentação de Relatórios) - GRI, o modelo Instituto
Ethos e o modelo IBASE.
5
Disponível em: < http://www.secovi.com.br/noticias/convencao-secovi-apresenta-painel-sobre-balanco-socialempresarial/1442/ > Acesso em: 22 dez. 2012.
31
Quadro 2 – Indicadores Propostos pelos Modelos IBASE, GRI e Instituto Ethos
Fonte: Dados da pesquisa de Godoy (2007)
O Modelo GRI, criado por uma organização independente, conta com a participação
ativa de representantes de várias partes do mundo, de diversas áreas como: de contabilidade,
investimento, ambiente, direitos humanos, etc. O seu objetivo é adotar um modelo-padrão
internacional. Tem como missão aumentar e difundir globalmente as diretrizes mais
adequadas à elaboração de relatórios de sustentabilidade. Esse modelo apresenta inúmeros
indicadores que compõem o modelo de diretrizes, e neste caso é composto com subdivisões,
que aumentam o leque de informações, tendo como característica principal a sua subjetividade
devido o detalhamento dos indicadores (GODOY, 2007).
O modelo do Instituto Ethos é uma fusão entre os modelos do GRI e os do IBASE,
onde busca a melhor adequação entre os dois modelos. É um relatório subjetivo de
sustentabilidade, detalhado e completo, onde são visualizados, com detalhes, os investimento
feitos em cunho social e ambiental (GODOY, 2007).
Por fim, o modelo IBASE é o mais utilizado por demonstrar clareza e simplicidade,
desde a execução até sua finalização. Presta informações objetivas, de forma quantitativa e
qualitativa do desempenho social e ambiental das empresas, para que qualquer usuário da
informação possa entender o desempenho empresarial (GODOY, 2007).
32
Os três modelos, mesmo com nomenclaturas diferentes em seus indicadores,
equiparam-se ao tratarem dos mesmos temas ou questões: sociais, ambientais e funcionais. A
maior diferença entre eles seria ao fato do GRI e Instituo Ethos serem mais detalhados e
algumas vezes de difícil entendimento. O modelo IBASE, por sua vez, é o mais divulgado
pelo seu teor de objetividade e simplicidade. Por essa razão este modelo é a referência deste
trabalho.
2.3.1 Balanço Social padrão IBASE
O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), criado em 1981,
caracteriza-se por: não possuir intuito político ou religioso; é sem fins lucrativos; tem como
missão a construção da democracia; luta contra as desigualdades sociais; estimula a
participação cidadã; sempre agiu em prol da construção da sociedade, da economia e do
poder; julga como prioritários os temas relativos ao Fórum Social Mundial, Alternativas
democráticas à globalização6.
Objetivando a facilidade, o IBASE, em parceria com técnicos, pesquisadores e
representantes de instituições públicas e privadas, em 1997 concebeu e concluiu um modelo
de Balanço Social, que obteve apoio da CVM. Neste, são expostas, detalhadamente, em
números a responsabilidade social da organização. O BS reuni informações sobre a folha de
pagamentos, os gastos com encargos sociais de funcionários, a participação nos lucros, bem
como as despesas com controle ambiental e os investimentos sociais externos nas diversas
áreas como cultura, saúde, etc.
Empresas que buscam um modelo único e simplificado para demonstrar suas ações aos
seus stakeholders, aderem ao Balanço Social proposto pelo IBASE, com o qual oferecem uma
qualificação através do direito de utilizar o Selo Balanço Social IBASE/Betinho, nos
documentos das empresas, nos papéis, produtos, embalagens, sites, entre outros meios. Vale
ressaltar que o selo não pode ser conferido a empresas de cigarros, bebidas alcoólicas e armas
de fogo/munições, inclusive o direito de usá-lo poderá ser vetado ou suspenso pelo IBASE,
segundo critérios que podem ser observados (IBASE, 2013).
O modelo produzido pelo IBASE se constitui prioritariamente de informações sobre
investimentos financeiros, especialmente aos que dizem respeito aos impactos econômicos da
atividade empresarial. Ele encontra-se dividido em seções, sendo estas: Base de Cálculo,
6
Informações disponíveis em: site www.ibase.org.br. Acesso em: nove. 2013.
33
Indicadores Sociais Internos, Indicadores Sociais Externos, Indicadores Ambientais,
Indicadores do Corpo Funcional e Informações Relevantes quanto ao Exercício da Cidadania
Empresarial.
2.3.1.1 Base de Cálculo
A Base do Cálculo é formada pelas informações financeiras que serviram de base para
os indicadores seguintes: receita líquida, resultado operacional e folha de pagamento bruta.
A primeira Seção do BS (Quadro 3) contém as informações financeiras da empresa, de
acordo com os conceitos da contabilidade financeira.
Quadro 3 – Base de Cálculo
DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS
UNID.
Receita Líquida (RL): receita bruta excluída dos impostos, contribuições, devoluções,
R$
abatimentos e descontos comerciais.
Receita Operacional (RO): resultado que se encontra entre o Lucro Bruto e o LAIR –
R$
Lucro antes do Imposto de Renda, ou seja, antes das receitas e despesas não
operacionais.
Folha de Pagamento Bruta (FPB): soma das remunerações, tais como salários,
R$
gratificações, comissões e abonos, 13 salário, férias e encargos sociais compulsórios
como INSS, FGTS e contribuição social.
Fonte: Adaptado do Balanço Social IBASE (2004; 2005).
2.3.1.2 Indicadores Sociais Internos
A segunda Seção (Quadro 4) é formada pelas variáveis que representam os
investimentos da empresa em programas sociais, que englobando seus funcionários e
dependentes.
Quadro 4 – Indicadores Sociais Internos
DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS
Alimentação: gastos com restaurantes, vale-refeição,
lanches, cestas básicas e outros relacionados à
alimentação dos empregados;
Encargos Sociais compulsórios
Previdência Privada: planos especiais de aposentadoria,
fundações previdenciárias e complementares de benefícios
a aposentados e seus dependentes.
Saúde: plano de saúde, assistência medica, programa de
medicina preventiva, programa de qualidade de vida e
outros gastos com saúde, inclusive dos aposentados.
Segurança e saúde no trabalho
Educação: gastos com ensino regular em todos os níveis,
reembolso de educação, bolsas, assinaturas de revistas,
UNIDADE
%
%
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
34
gastos com biblioteca (excluído pessoal) e outros gastos
com educação.
Cultura: gastos com eventos e manifestações artísticas e
culturais, como música, teatro, cinema, literatura e outras
artes.
Capacitação de desenvolvimento profissional: recursos
investidos em treinamentos, cursos, estágios (excluído os
salários) e gastos voltados especificamente para
capacitação relacionada com a atividade desenvolvida por
empregados.
Creches ou auxílio-creche: creche no local ou auxíliocreche a empregados.
Participação nos lucros ou resultados: participação que
não caracterizem complemento de salários.
Outros Benefícios: seguros (parcela paga pela
empresa),empréstimos (só o custo), gastos com atividades
recreativas, transportes, moradia e outros benefícios
oferecidos a empregados.
Total dos Indicadores Sociais Internos: soma dos
valores investidos nesse grupo.
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
R$
Sobre FPB
Sobre RL
Fonte: Adaptado do Balanço Social IBASE (2004; 2005).
2.3.1.3 Indicadores Sociais Externos
A terceira Seção (Quadro 5) é formada pelas variáveis que representam os
investimentos da empresa em programas sociais para a comunidade.
Quadro 5 – Indicadores Sociais Externos
DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS
Educação
Cultura
Saúde e Saneamento
Habitação
Esporte
Lazer e diversão
Creches
Alimentação
Combate a Fome e Segurança Alimentar
Outros Programas
Total das Contribuições para a sociedade
Soma dos valores investidos nesse grupo
Impostos excluídos encargos sociais
Impostos, contribuições e taxas federais, estaduais e
municipais.
Total dos Indicadores Sociais Externos
Soma do total das contribuições para a sociedade e os
impostos excluídos desses os encargos sociais.
Fonte: Adaptado do Balanço Social IBASE (2004; 2005).
UNIDADE
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
R$
%
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
Sobre RO
%
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
Sobre RL
R$
Sobre RO
Sobre RL
R$
Sobre RO
Sobre RL
R$
Sobre RO
Sobre RL
35
2.3.1.4 Indicadores Ambientais
A quarta Seção (Quadro 6) é formada pelas variáveis que representam os
investimentos da empresa no meio ambiente e recursos naturais.
Quadro 6 – Indicadores Ambientais
DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS
UNIDADE
%
%
Investimentos relacionados com a produção/ operação da
empresa.
Investimentos no monitoramento da qualidade dos resíduos
efluentes, na despoluição, nos gastos com a introdução de
métodos não-poluentes, nas auditorias ambientais, em
programas de educação ambiental para os empregados e
outros, gastos com o objetivo de incrementar e buscar o
melhoramento continuo da qualidade empresarial na
produção operação da empresa.
R$
Sobre RO
Sobre
RL
Investimentos em programas/ projetos externos
Tais como investimentos na despoluição do ambiente
externo, não relacionados aos processos produtivos da
empresa na conservação de recursos ambientais, em
campanhas ecológicas e educação sócio ambiental para a
comunidade externa e para a sociedade em geral.
R$
Sobre RO
Sobre
RL
Total dos investimentos em meio ambiente
Soma dos dois itens acima
R$
Sobre RO
Sobre
RL
Cumprimento das metas anuais
Quanto ao estabelecimento de metas anuais, para minimizar a
produção de resíduos, o consumo em geral na produção/
operação e para aumentar a eficácia na utilização de recursos
naturais. A empresa 1 = “Não possui metas” , 2 = “Cumpre
de 0% a 50%”,3 = “Cumpre de 51% a 75%”, ou 4 = “Cumpre
de 76% a 100%”.
Indica o resultado médio percentual alcançado pela empresa
no cumprimento de metas ambientais estabelecidas por ela
mesma, por organizações da sociedade civil e/ou por
parâmetros internacionais com o GLOBAL REPORTING
INITLATIVE (GRI) dentre as quatro alternativas
mencionadas.
Fonte: Adaptado do Balanço Social IBASE (2004; 2005).
Categorias
2.3.1.5 Indicadores do Corpo Funcional
A quinta Seção (Quadro 7) é formada pelas variáveis que representam os
investimentos nos recursos humanos pelas empresas e suas metas futuras.
36
Quadro 7 – Indicadores do Corpo Funcional
DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS
Nᵒ de empregados ao final do período
Nᵒ de admissões durante o período
Nᵒde empregados tercerizados
Nᵒ de estagiários
Nᵒ de empregados acima de 45 anos
Nᵒ de mulheres que trabalham na empresa
Nᵒ de cargos de chefia ocupados por mulheres
Nᵒ de negros que trabalham na emrpesa
Considerar como trabalhadores negros o somatório de indivíduos classificados auto-declarados
como de pele preta e parda, conforme a declaração da RAIS.
% de cargos de chefia ocupados por negros
Nᵒ de portadores de deficiência ou necessidades especiais
Fonte: Adaptado do Balanço Social IBASE (2004; 2005).
2.3.1.6 Indicadores Relevantes quanto ao Exercício da Cidadania Empresarial
A sexta Seção (Quadro 8) é formada pelas informações relevantes quanto ao exercício
da cidadania empresarial, que representam os investimentos nos recursos humanos pela
empresa, bem como suas metas futuras para esse contingente.
Quadro 8 – Informações Relevantes quanto ao Exercício da Cidadania Empresarial
DESCRIÇÃO DAS VARIÁVEIS
Relação entre a maior e a menor remuneração da empresa: resultado da divisão da maior
remuneração da empresa pela menor;
Numero total de acidentes de trabalho: quantidade de acidentes de trabalho registrados durante o
ano;
Os projetos sociais ambientais desenvolvidos pela empresa foram definidos por: “Direção” ou
“Direção e Gerências” ou “Todos os empregados”;
Os padrões de segurança e salubridade no ambiente de trabalho foram definidos por: “Direção
e Gerências” ou “Todos os empregados” ou “Todos – CIPA”;
Quanto a liberdade sindical, ao direito de negociação coletiva e a representação interna dos
trabalhadores a empresa: “Não se envolve” ou “Segue as normas de organização internacional do
trabalho –OIT” ou “Incentiva e segue a OIT”;
A previdência privada contempla: “Direção” ou “Direção e Gerências” ou “Todos os
empregados”;
A participação nos lucros ou resultados contempla: “Direção” ou “Direção e Gerências” ou
“Todos os empregados”;
Na seleção dos fornecedores são considerados os mesmos padrões éticos e de responsabilidade
social e ambiental adotados pela empresa: “Não são considerados” ou “São sugeridos” ou “São
exigidos”;
Quanto a participação dos empregados em programas de trabalho voluntario a empresa:
“Não se envolve” ou “Apoia” ou “Organiza e incentiva”;
Numero total de reclamações e criticas de consumidores: “Na empresa”, “No PROCON” e “ Na
Justiça”;
% de reclamações e criticas solucionadas: “Na empresa”, “No PROCON” e “ Na Justiça”;
Valor Adicionado total a distribuir (em mil R$)
A demonstração do Valor Agregado fornece uma visão abrangente sobre a real capacidade de uma
37
entidade na produção de riquezas para o país;
Distribuição do Valor Adicionado (DVA): “No governo”, “% de colaboradores”, “% de
acionistas”, ”% terceiros” e “% retido”. Valor percentual que couber a cada um dos cinco
componentes citados.
Fonte: Adaptado do Balanço Social IBASE (2004; 2005).
O modelo IBASE é considerado simples, porque organiza e estrutura as informações
socioambientais num padrão de fácil entendimento. Padronizar nformações através de
modelos constitui-se uma forma de avaliar de maneira adequada a informação social de uma
empresa para outra7. Esta informação também servirá para analisar a importância do BS.
2.4 A IMPORTÂNCIA DO BALANÇO SOCIAL.
Nesse contexto de iniciativas por parte dos representantes de empresas públicas e
privadas em se unir para elaboração de um modelo, no qual prestem informações de seu
desempenho socioambiental, há que se indagar a efetiva viabilidade e importância dessa ação.
O questionamento central está em identificar e analisar as consequências de direcionar
o lucro não apenas para os acionistas, mas para o conjunto dos stakeholder. Outros autores
como (ASHLEY, 2002; 2005; WOOD, 1991; WOOD; JONES, 1996; CARROLL, 1979;
1991; 1999) afirmam que o investimento social corporativo melhora o posicionamento
empresarial no mercado (ASHLEY, 2002; 2005; WOOD, 1991; WOOD; JONES, 1996;
CARROLL, 1979; 1991; 1999).
Em termos gerais, o Balanço Social é um relatório extremamente importante, que visa
à demonstração da relação existente entre empresa, colaboradores, governo, investidores e a
sociedade global. Portanto, é de interesse geral que tal demonstração explane a realidade dos
acontecimentos passados, das ações desenvolvidas. No entanto, não basta apenas uma
mensuração dos fatos passados, ele deve ser tomado como base, para planejamentos, tanto de
cunho administrativo financeiro, de ações sociais, entre outras, para exercícios futuros. Para
que tal objetivo seja alcançado, portanto é imprescindível que o Balanço Social seja uma
demonstração fidedigna dos fatos acontecidos dentro da organização, e não apenas uma
máscara, com intenção de satisfazer uma necessidade política ou social.
Supõe-se que a conscientização por parte das empresas faz com elas estejam
começando a divulgar e elaborar modelos de Balanço Social. A obrigatoriedade da
7
Disponível em:< http://www.balancosocial.org.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm > Acesso em 24 mar.2013.
38
apresentação não resolveria o problema de conscientização, pois o relatório se tornaria uma
demonstração apenas a ser entregue ao governo, com modelo e dados pré-estabelecidos.
No momento, se a utilização for de forma adequada, o Balanço Social estimulará o
controle social sobre o uso dos incentivos fiscais, servindo de mecanismo de compreensão de
gastos com trabalhadores. Ajudará na visualização de políticas de recursos humanos e servirá
como parâmetro de ações em diversos setores dentro da empresa.
Viera Filho (1999) destaca em seus trabalhos a importância da divulgação do Balanço
Social, mesmo sem a obrigação legal. Para o autor a publicação do BS tem sido adotada por
um grande número de empresas interessadas na evidenciação, para toda a sociedade, de que
elas são empresas preocupadas com a responsabilidade social e ambiental. Entre essas
empresas interessadas em demonstrar uma imagem favorável, estão as empresas ligadas à
atividade petrolífera, a exemplo da Petrobras, empresa base para este trabalho.
No capítulo seguinte serão apresentados alguns aspectos relacionados ao mercado
mundial do petróleo, com o objetivo de identificar se o ambiente (em termos de mercado)
onde atua a Petrobras é homogêneo ou heterogêneo: homogêneo quando há pouca mistura de
mercados;
heterogêneo
(CHIAVENATO, 2006).
quando
existe
diferenciamento
múltiplo
nos
mercados
39
3 PANORAMA DO MERCADO DE PETRÓLEO
3.1 PANORAMA INTERNACIONAL
3.1.1 Reservas
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP),
reservas “são recursos descobertos de petróleo e gás natural, comercialmente recuperáveis a
partir de uma determinada data”. As reservas podem ser (Quadro 9):
Quadro 9 – Tipos de Reservas segundo a sua descrição.
Tipo de Reserva
Reservas Possíveis
Reservas Prováveis
Reservas Provadas
Descrição
Aquelas cuja análise dos dados geológicos e de engenharia indica uma
maior incerteza na sua recuperação quando comparada com a
estimativa de reservas prováveis.
Aquelas cuja análise dos dados geológicos e de engenharia indica uma
maior incerteza na sua recuperação quando comparada com a
estimativa de reservas provadas.
Com base na análise de dados geológicos e de engenharia, se estima
recuperar comercialmente de reservatórios descobertos e avaliados,
com elevado grau de certeza, e cuja estimativa considere as condições
econômicas vigentes, os métodos operacionais usualmente viáveis e os
regulamentos instituídos pelas legislações petrolífera e tributária
brasileiras.
Fonte: Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Para fins deste trabalho, deu-se maior ênfase às Reservas Provadas, existentes no
mundo, principal fonte de recursos da Petrobras, conforme os dados do Anuário Estatístico
Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP, 2013). Dados das reservas
provadas de petróleo, em nível mundial, nas regiões geográficas, países e nos blocos
econômicos, no período de 2003 a 2012, em bilhões de barris estão na Tabela 1, a seguir.
40
Figura 3 – Reservas provadas de petróleo conforme ANP – 2003-2012
Tabela 1.1 – Reservas provadas de petróleo, segundo regiões geográficas, países e blocos econômicos – 2003-2012
R e giõ e s ge o grá f ic a s , pa í s e s
e blo c o s e c o nô m ic o s
T o tal
A m é ric a do N o rte
Canadá
Estado s Unido s
M éxico
R e s e rv a s pro v a da s de pe tró le o ( bilhõ e s ba rris )
2003
1.3 3 4 ,1
2004
2005
2006
2007
1.3 4 0 ,0
1.3 5 2 ,3
1.3 6 3 ,8
1.3 9 7 ,5
2008
2009
2 0 10
2 0 11
1.4 6 8 ,1
1.5 10 ,1
1.6 16 ,7
1.6 5 4 ,1
2 0 12
1.6 6 8 ,9
12 / 11
%
0 ,8 9
2 2 5 ,8
180,4
29,4
16,0
2 2 4 ,1
180,0
29,3
14,8
2 2 4 ,1
180,5
29,9
13,7
2 2 2 ,1
179,8
29,4
12,8
2 2 1,5
178,8
30,5
12,2
2 16 ,5
176,3
28,4
11,9
2 18 ,6
175,9
30,9
11,9
2 2 1,9
175,2
35,0
11,7
2 2 1,0
174,6
35,0
11,4
2 2 0 ,2
173,9
35,0
11,4
-0 ,3 3
-0,40
-0,28
A m é ric a s C e ntra l e do Sul
Argentina
Brasil
Co lô mbia
Equado r
Peru
Trinidad e To bago
Venezuela
Outro s
10 0 ,4
2,7
10,6
1,5
5,1
0,9
0,9
77,2
1,5
10 3 ,4
2,5
11,2
1,5
5,1
1,1
0,8
79,7
1,5
10 3 ,6
2,2
11,8
1,5
4,9
1,1
0,8
80,0
1,5
110 ,8
2,6
12,2
1,5
4,5
1,1
0,8
87,3
0,8
12 2 ,9
2,6
12,6
1,5
4,0
1,1
0,9
99,4
0,8
19 8 ,3
2,5
12,8
1,4
6,5
1,1
0,8
172,3
0,8
2 3 7 ,0
2,5
12,9
1,4
6,3
1,1
0,8
211,2
0,8
3 2 4 ,2
2,5
14,2
1,9
6,2
1,2
0,8
296,5
0,8
3 2 6 ,9
2,5
15,0
2,0
7,2
1,2
0,8
297,6
0,5
3 2 8 ,4
2,5
15,3
2,2
8,2
1,2
0,8
297,6
0,5
0 ,4 5
-1,86
1,76
10,69
14,29
0,95
Euro pa e e x- Uniã o So v ié t ic a
Azerbaijão
Cazaquistão
Dinamarca
Itália
No ruega
Reino Unido
Ro mênia
Rússia
Turco menistão
Uzbequistão
Outro s
115 ,5
7,0
9,0
1,3
0,8
10,1
4,3
0,5
79,0
0,5
0,6
2,3
114 ,2
7,0
9,0
1,3
0,8
9,7
4,0
0,5
78,5
0,5
0,6
2,2
116 ,9
7,0
9,0
1,3
0,8
9,7
3,9
0,5
81,5
0,5
0,6
2,2
117 ,2
7,0
9,0
1,2
0,8
8,5
3,6
0,5
83,3
0,6
0,6
2,2
13 8 ,9
7,0
30,0
1,1
0,9
8,2
3,4
0,5
84,5
0,6
0,6
2,1
13 7 ,2
7,0
30,0
0,8
1,0
7,5
3,1
0,5
84,1
0,6
0,6
2,1
13 8 ,0
7,0
30,0
0,9
1,0
7,1
2,8
0,6
85,2
0,6
0,6
2,3
13 8 ,0
7,0
30,0
0,9
1,4
6,8
2,8
0,6
85,1
0,6
0,6
2,2
14 0 ,3
7,0
30,0
0,8
1,4
6,9
3,1
0,6
87,1
0,6
0,6
2,2
14 0 ,8
7,0
30,0
0,7
1,4
7,5
3,1
0,6
87,2
0,6
0,6
2,1
0 ,4 1
-9,37
8,87
0,17
-4,67
Orie nt e M é dio
Arábia Saudita
Catar
Co veite
Emirado s Á rabes Unido s
Iêmen
Irã
Iraque
Omã
Síria
Outro s
7 4 5 ,7
262,7
27,0
99,0
97,8
2,8
133,3
115,0
5,6
2,4
0,1
7 5 0 ,1
264,3
26,9
101,5
97,8
3,0
132,7
115,0
5,6
3,2
0,1
7 5 5 ,5
264,2
27,9
101,5
97,8
2,9
137,5
115,0
5,6
3,0
0,1
7 5 5 ,9
264,3
27,4
101,5
97,8
2,8
138,4
115,0
5,6
3,0
0,1
7 5 4 ,9
264,2
27,3
101,5
97,8
2,7
138,2
115,0
5,6
2,5
0,1
7 5 3 ,7
264,1
26,8
101,5
97,8
2,7
137,6
115,0
5,6
2,5
0,1
7 5 3 ,1
264,6
25,9
101,5
97,8
3,0
137,0
115,0
5,5
2,5
0,3
7 6 5 ,9
264,5
24,7
101,5
97,8
3,0
151,2
115,0
5,5
2,5
0,3
7 9 7 ,9
265,4
23,9
101,5
97,8
3,0
154,6
143,1
5,5
2,5
0,7
8 0 7 ,7
265,9
23,9
101,5
97,8
3,0
157,0
150,0
5,5
2,5
0,6
1,2 2
0,17
1,57
4,82
-2,65
Á f ric a
Argélia
Ango la
Chade
Co ngo (B razzaville)
Egito
Gabão
Guiné-Equato rial
Líbia
Nigéria
Sudão
Sudão do Sul
Tunísia
Outro s
10 6 ,2
11,8
8,8
0,9
1,5
3,5
2,3
1,3
39,1
35,3
0,6
0,6
0,6
10 7 ,6
11,8
9,0
0,9
1,5
3,6
2,2
1,8
39,1
35,9
0,6
0,7
0,6
111,3
12,3
9,0
1,5
1,5
3,7
2,1
1,8
41,5
36,2
0,6
0,6
0,5
116 ,9
12,3
9,0
1,5
1,6
3,7
2,2
1,8
41,5
37,2
5,0
0,6
0,7
119 ,2
12,2
9,0
1,5
1,6
4,1
2,0
1,7
43,7
37,2
5,0
0,6
0,7
119 ,9
12,2
9,0
1,5
1,6
4,2
2,0
1,7
44,3
37,2
5,0
0,6
0,7
12 2 ,6
12,2
9,5
1,5
1,6
4,4
2,0
1,7
46,4
37,2
5,0
0,4
0,6
12 5 ,0
12,2
9,5
1,5
1,6
4,5
2,0
1,7
47,1
37,2
5,0
0,4
2,3
12 6 ,6
12,2
10,5
1,5
1,6
4,3
2,0
1,7
48,0
37,2
5,0
0,4
2,2
13 0 ,3
12,2
12,7
1,5
1,6
4,3
2,0
1,7
48,0
37,2
1,5
3,5
0,4
3,7
2 ,9 2
20,98
-70,00
..
68,68
Á s ia - P a c í f ic o
Austrália
Brunei
China
Índia
Indo nésia
M alásia
Tailândia
Vietnã
Outro s
4 0 ,5
3,7
1,0
15,5
5,7
4,7
4,8
0,5
3,0
1,4
4 0 ,6
3,9
1,1
15,5
5,6
4,3
5,2
0,5
3,1
1,5
4 0 ,8
3,7
1,1
15,6
5,9
4,2
5,3
0,5
3,1
1,4
4 0 ,9
3,5
1,2
15,6
5,7
4,4
5,4
0,5
3,3
1,4
4 0 ,0
3,4
1,1
15,5
5,5
4,0
5,5
0,5
3,4
1,3
4 2 ,4
4,2
1,1
15,6
5,8
3,7
5,5
0,5
4,7
1,3
4 0 ,8
4,1
1,1
15,9
5,8
4,3
3,6
0,4
4,5
1,1
4 1,7
3,8
1,1
17,0
5,8
4,2
3,7
0,4
4,4
1,1
4 1,4
3,9
1,1
17,3
5,7
3,7
3,7
0,4
4,4
1,1
4 1,5
3,9
1,1
17,3
5,7
3,7
3,7
0,4
4,4
1,1
0 ,11
1,27
0,28
-1,61
T o t a l O pe p
9 12 ,1
9 18 ,8
9 2 7 ,8
9 3 6 ,1
9 4 9 ,5
1.0 2 4 ,4
1.0 6 4 ,6
1.16 3 ,3
1.19 9 ,0
1.2 11,9
1,0 8
T o t a l nã o O pe p
4 2 2 ,1
4 2 1,2
4 2 4 ,5
4 2 7 ,7
4 4 8 ,0
4 4 3 ,8
4 4 5 ,5
4 5 3 ,3
4 5 5 ,2
4 5 7 ,0
0 ,4 0
no 9/2000.
Fo ntes: B P Statistical Review o f Wo rld Energy 2013; para o Brasil, ANP/SDP , co nfo rme a Po rtaria ANP
No tas: 1. Reservas em 31/12 do s ano s de referência.
2. Dado s retificado s pela BP .
3. Em relação ao s dado s de reservas do Brasil, ver No tas Gerais item so bre "Reservas B rasileiras de P etró leo e Gás Natural".
41
Figura 4 – Cartograma das Reservas provadas de Petróleo -ANP
Fontes: BP Statistical Review of World Energy 2013, ANP/SDP
Conforme observado nos dados da Figura 3, o Oriente Médio concentra o maior
número de Reservas Provadas de petróleo do mundo, equivalente a mais de 807 bilhões de
barris, seguido das Américas Central e do Sul, com reservas somadas em mais de 328 bilhões
de barris. Na América do Norte, por sua vez, encontramos reservas que totalizam mais de 220
bilhões de barris. Na Europa, encontram-se reservas equivalentes a mais de 140 bilhões de
barris; na África, mais de 130 bilhões de barris; e na Ásia a mais de 41 bilhões de barris.
Na América do Norte, o país com maior participação mundial nas Reservas Provadas é
o Canadá, com reservas que totalizam cerca de 173,9 bilhões de barris de petróleo. Nas
Américas Central e do Sul, o país que mais se destaca é a Venezuela, com 297,6 bilhões de
barris de petróleo, seguido pelo Brasil, com 15,3 bilhões de barris de petróleo. Na Europa é a
Rússia, com 87,2 bilhões de barris de petróleo. No Oriente Médio é a Arábia Saudita, com
265,9 bilhões de barris de petróleo. Na África é a Líbia, com 48 bilhões de barris de petróleo.
E na Ásia a China, com 17,3 bilhões de barris de petróleo.
Como se pode observar nos dados apresentados, o país com o maior número de
reservas no mundo é a Venezuela, tendo ultrapassado, em 2010, a Arábia Saudita, até então o
maior detentor de reservas de petróleo, do mundo.
Em termos de evolução das reservas provadas de petróleo, no mundo, vê-se
pouca variação, entre 2003 e 2012: 912 bilhões de barris, em 2003 e 1.212 bilhões de barris,
em 2012 (Figura5).
42
Figura 5 – Evolução das reservas provadas de petróleo conforme ANP 2003-2012
Fontes: BP Statistical Review of World Energy 2013, ANP/SDP
3.1.2. Produção
Feita a descrição das Reservas Provadas, ou seja, daquelas cuja viabilidade comercial
já foi comprovada, passamos à fase de descrição da produção do petróleo. Essa ocorre através
de um conjunto de operações coordenadas para a extração de uma jazida, que pode ser por
meio mecânico ou ser expelido espontaneamente, pela pressão interna dos gases. Ressalte-se
que junto com o petróleo, pode ser extraído também gás natural e água. Assim, o petróleo
segue até o separador, onde ocorre o seu primeiro tratamento, e após a separação, segue para
as estações coletoras e daí para as refinarias.
Cabe destacar, aqui, os dados referentes à produção das reservas de petróleo existentes
no mundo (Figura 6), extraídos do Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP, 2013).
43
Figura 6 –Produção de petróleo conforme ANP – 2003-2012
Tabela 1.2 – Produção de petróleo, segundo regiões geográficas, países e blocos econômicos – 2003-2012
R egiõ e s geo grá fica s , pa í s e s e
blo c o s e co nô m ic o s
P ro duç ã o de pe t ró le o ( m il barris / dia)
20 0 3
2 00 4
20 0 6
2 00 7
2 00 8
77 .5 6 8
8 0.96 8
14 .16 0
3.003
7.362
3.795
14.15 4
3.080
7.244
3.830
8 2 .0 14
82 .4 8 2
8 2.28 5
8 2.93 2
13 .7 09
3.041
6.903
3.766
13 .7 2 5
3.208
6.828
3.689
13 .6 3 1
3.290
6.862
3.479
13.156
3.207
6.783
3.165
6 .6 9 1
900
1.548
541
420
89
175
2.868
149
7.16 1
868
1.537
528
528
86
165
3.305
144
7 .3 25
839
1.699
526
534
92
181
3.308
146
7 .4 7 4
838
1.804
529
538
97
193
3.336
140
7.32 4
813
1.833
531
513
96
166
3.230
142
7 .39 5
772
1.895
588
507
99
174
3.222
138
E uro pa e ex- Uniã o S o viét ic a
A zerbaijão
Cazaquistão
Dinamarca
Itália
No ruega
Reino Unido
Ro mênia
Rússia
Turcomenistão
Uzbequistão
Outro s
17 .0 2 9
308
1.111
368
116
3.264
2.288
124
8.602
203
151
495
17.60 0
309
1.283
390
113
3.180
2.056
120
9.335
194
138
482
17 .5 51
445
1.330
377
127
2.961
1.838
114
9.598
193
115
454
17 .6 15
646
1.403
342
120
2.772
1.662
105
9.818
187
114
445
17.84 3
856
1.453
311
122
2.551
1.663
100
10.044
199
104
442
O rie nt e M édio
A rábia Saudita
Catar
Co veite
Emirado s Á rabes Unido s
Iêmen
Irã
Iraque
Omã
Síria
Outro s
23 .5 0 1
10.141
949
2.370
2.722
451
4.002
1.344
822
652
48
2 4.87 3
10.458
1.082
2.523
2.836
424
4.201
2.030
783
487
48
2 5 .5 18
10.931
1.149
2.668
2.922
421
4.184
1.833
777
448
185
25 .7 3 6
10.671
1.241
2.737
3.099
387
4.260
1.999
740
421
182
Á f rica
A rgélia
A ngo la
Chade
Co ngo
Egito
Gabão
Guiné-Equato rial
Líbia
Nigéria
Sudão
Sudão do Sul
Tunísia
Outro s
8 .4 0 8
1.826
870
23,56
208
750
266
274
1.485
2.233
265
68
141
9.32 2
1.921
1.103
167,76
217
701
351
273
1.623
2.430
301
71
165
9 .9 02
1.990
1.404
173
239
672
358
270
1.745
2.502
305
73
172
Á s ia -P a cí f ic o
A ustrália
B runei
China
Índia
Indonésia
M alásia
Tailândia
Vietnã
Outro s
7 .7 7 9
624
214
3.406
802
1.176
760
244
361
192
7.85 8
542
210
3.486
816
1.130
776
241
424
233
8 .0 08
553
206
3.642
785
1.096
757
297
389
284
T o ta l Ope p
31.2 3 1
3 4.04 0
3 5 .170
35 .4 8 9
35 .16 1
3 6.27 9
3 3 .9 77
35 .0 9 7
3 5.95 4
3 7 .4 05
4 ,0 4
46 .3 3 7
4 6.92 9
4 6 .8 45
46 .9 9 4
47 .12 4
4 6.65 4
4 7 .2 84
48 .17 5
4 8.25 6
4 8 .7 47
1,0 2
T o ta l
A m é rica do N o rt e
Canadá
Estado s Unidos
M éxico
A m é rica s C e nt ra l e do S ul
A rgentina
B rasil1
Co lô mbia
Equado r
P eru
Trinidad e Tobago
Venezuela
Outro s
T o ta l nã o O pep
2 010
2 011
8 1.2 61
83 .2 7 2
8 4.210
8 6.152
2,31
13 .4 44
3.202
7.263
2.978
13 .8 4 3
3.332
7.552
2.959
14.33 5
3.526
7.868
2.940
15 .5 57
3.741
8.905
2.911
8 ,5 3
6,09
13,18
-0,99
7 .3 53
743
2.024
671
488
107
153
3.033
134
7 .3 6 7
722
2.137
786
488
113
148
2.838
134
7.44 9
687
2.193
915
501
110
140
2.766
137
7 .3 59
664
2.149
944
505
107
121
2.725
145
- 1,2 0
-3,36
-2,00
3,15
0,80
-2,48
-13,68
-1,46
5,25
17 .6 30
895
1.526
287
108
2.466
1.568
99
9.950
208
102
420
17 .8 17
1.014
1.664
265
95
2.351
1.480
94
10.139
211
95
409
17 .7 5 5
1.023
1.740
249
106
2.137
1.357
90
10.365
217
78
394
17.45 1
919
1.758
225
110
2.040
1.114
89
10.510
217
77
394
17.211
872
1.728
207
112
1.916
967
86
10.643
222
68
390
- 1,3 8
-5,10
-1,68
-7,99
1,41
-6,08
-13,18
-3,12
1,27
2,49
-11,56
-0,97
2 5.30 4
10.268
1.279
2.663
3.001
341
4.303
2.143
713
404
190
2 6.415
10.663
1.449
2.786
3.026
315
4.396
2.428
759
406
188
2 4 .7 28
9.663
1.416
2.511
2.723
306
4.249
2.452
815
401
192
25 .7 6 3
10.075
1.676
2.536
2.895
291
4.356
2.490
867
385
192
2 7.98 8
11.144
1.836
2.880
3.319
228
4.358
2.801
891
327
203
2 8 .2 70
11.530
1.966
3.127
3.380
180
3.680
3.115
922
164
206
1,01
3,46
7,05
8,58
1,84
-21,02
-15,56
11,21
3,50
-49,89
1,21
9 .9 4 5
1.979
1.421
153
271
704
342
242
1.816
2.392
331
70
224
10 .17 9
1.992
1.684
144
221
698
350
246
1.820
2.265
468
97
193
10 .2 26
1.969
1.901
127
235
715
347
240
1.820
2.113
480
89
190
9 .8 48
1.774
1.804
118
269
730
307
241
1.652
2.211
475
83
183
10 .12 3
1.698
1.863
122
294
725
274
255
1.659
2.523
465
80
167
8.74 2
1.684
1.726
114
293
727
252
254
479
2.460
453
68
232
9 .4 42
1.667
1.784
101
296
728
283
245
1.509
2.417
82
31
65
234
8,01
-1,02
3,35
-11,33
0,84
0,17
12,23
-3,54
215,23
-1,73
-81,90
..
-4,73
1,02
7 .9 8 8
534
221
3.711
809
1.018
713
325
355
303
8.00 3
551
194
3.742
809
972
742
341
334
318
8 .111
556
175
3.814
809
1.006
741
362
311
338
8 .0 71
559
168
3.805
796
994
701
376
342
330
8 .4 2 0
576
172
4.077
873
1.003
703
388
312
315
8.24 6
496
165
4.074
903
952
640
397
317
301
8 .313
458
158
4.155
894
918
657
440
348
285
0 ,8 2
-7,84
-4,21
1,99
-0,94
-3,63
2,66
10,70
9,94
-5,16
Fo ntes: B P Statistical Review of Wo rld Energy 2013; para o B rasil, A NP /SDP , conforme o Decreto n° 2.705/1998.
No tas: 1. Inclui ó leo de fo lhelho (shale o il), ó leo de areias betumino sas (oil sands) e LGN.
2. Dado s retificados pela B P .
1Inclui LGN e não inclui ó leo de fo lhelho (shale oil) e ó leo de areias betuminosas (o il sands).
2 0 09
20 12
12/ 11
%
2 0 05
44
Figura 7 – Cartograma das Produções de Petróleo -ANP
Fontes: BP Statistical Review of World Energy 2013, ANP/SDP
No que se refere à produção do petróleo, entre os Continentes, o maior produtor é o
Oriente Médio, responsável pela produção de mais de 28 milhões de barris por dia, seguido
pela Europa, com mais de 17 milhões de barris produzidos por dia. Na América do Norte são
produzidos mais de 15 milhões de barris por dia; na África mais de 9 milhões de barris; na
Ásia mais de 8 milhões de barris; nas Américas Central e do Sul são mais de 7 milhões de
barris produzidos ao dia.
Assim, observamos que as Américas Central e do Sul apesar de serem detentoras do
segundo maior número de reservas provadas no mundo, onde está localizado o país com
maior número de reservas provadas, quando se trata de produção, os dados mostram que ainda
estão muito atrás dos outros continentes.
Em termos de evolução da produção de petróleo, no mundo, entre 2003 e 2012, vê-se
um acréscimo de 8.584 mil barris ao dia, segundo dados da OPEP, passando de 77.568 mil
barris/dia, em 2003, para 86.152 mil barris/dia, em 2012 (Figura 8).
45
Figura 8 – Evolução da Produção de petróleo conforme ANP 2003-2012
Fontes: BP Statistical Review of World Energy 2013, ANP/SDP
3.1.3 Impactos Ambientais e Sociais da Produção do Petróleo: externalidades negativas
Embora os impactos ambientais8 causados pela produção do petróleo não sejam o
escopo direto deste trabalho, há de se ressaltar a importância dessa questão para que sejam
compreendidos os investimentos em ações de responsabilidade ambiental, conforme
divulgação do Balanço Social da Petrobrás.
Estudos mostram que a extração do petróleo é uma atividade que gera significativos
impactos ambientais e sociais, tanto direta quanto indiretamente. Trata-se de uma atividade
que gera significativos impactos ambientais, pois se constitui em intervenção direta no meio
ambiente físico para a extração do recurso natural disponível, em situação de risco.
A produção do petróleo pode causar significativos impactos ambientais e sociais
negativos (ou externalidades negativas), nas águas dos oceanos e mares, na fauna, (amimais
marinhos e aves migratórias), na superfície de solos, especialmente quando ocorrem
vazamentos. Produz impactos sociais negativos, nos casos de acidentes envolvendo
trabalhadores da indústria do petróleo e populações humanas que habitam áreas litorâneas,
direta e indiretamente afetadas pelas explosões e acidentes químicos. Em estudo realizado por
8
Por impacto ambiental considera-se toda alteração no meio ambiente, causada por determinada atividade que
afete a qualidade do solo, da água, da atmosfera (meio físico), dos ecossistemas, da flora ou da fauna (meio
biótico) ou das atividades humanas como turismo, pesca ou atividades culturais (meio socioeconômico),
conforme definição do Ministério do Meio Ambiente (Res.001/1986 do CONAMA).
46
Gurgel et al (2013) destaca-se que a contaminação das águas é um dos principais impactos
ambientais da produção de petróleo. Conforme destacam estudos referidos pelo autor:
A produção de água descartada é um problema sério nos campos de petróleo.
As águas produzidas apresentam altos teores de contaminantes tóxicos,
produtos químicos adicionados durante a injeção, além de uma complexa
mistura de complexos orgânicos e inorgânicos. O impacto ambiental é
avaliado pela toxidade dos constituintes e pela quantidade dos compostos
presentes na água descartada (COTOVICZ JR. Apud GURGEL et al, 2013,
p. 141).
Além da contaminação das águas durante o processo produtivo, em situações de
acidente (explosões e vazamentos) há um transbordamento do impacto ambiental, provocando
não somente impacto nas águas, mas na fauna e nos diversos ecossistemas, causando poluição
dos alimentos, sendo, portanto, um risco grave para a saúde das populações – impacto social.
Conforme estudos que abordam os impactos ambientais da exploração do petróleo, no
Brasil (BERTOLINI; RIBEIRO, 2006; SILVA et al, 2009), dois dos maiores acidentes, que
causaram significativos impactos ambientais negativos, ocorreram em oleodutos da Petrobras
e resultaram em vazamentos: na Baía da Guanabara e no Paraná. Quanto ao acidente ocorrido
na baía de Guanabara, um duto se rompeu e lançou ao mar mais de 1 milhão de litros de
petróleo, o que afetou, diretamente, vários quilômetros do manguezal e provocou a morte de
vários animais. O acidente na Refinaria Presidente Getúlio Vargas, localizada no município
de Araucária, localizada a 24 quilômetros de Curitiba, a mancha de óleo atingiu o rio Birigui,
afluente do Rio Iguaçu e o próprio Iguaçu.
Para minimizar os efeitos e prevenir futuros acidentes, a Petrobras criou o Programa
Pégaso (Programa de Excelência em Gestão Ambiental e Segurança Operacional), que
potencia pesquisas para a criação de formas eficazes para a limpeza de zonas afetadas por
vazamentos (BERTOLINI; RIBEIRO, 2006, p. 125). Merece referência, também, a iniciativa
governamental para reduzir o impacto negativo de vazamentos que é a Recupetro (Rede
Cooperativa em Recuperação de Áreas Contaminadas por Atividades Petrolíferas).
Como a exploração do petróleo é, na sua essência, uma atividade de alto risco, que
produz significativos impactos ambientais, no Brasil esta atividade é realizada mediante
licença ambiental, que impõe medidas específicas para reduzir esses impactos. A esse respeito
merece destaque a Resolução 357/05 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA),
que estabelece os limites aceitáveis de hidrocarbonetos de outros contaminantes para o
descarte de águas utilizadas no processo de extração do petróleo. Trata-se de uma regra,
definida no âmbito da esfera pública, que passou a condicionar a gestão das organizações
47
empresariais, ou seja, de um tipo específico de contingência do ambiente. Assim, por ser
essencialmente poluidora, a Petrobras é alvo de pressão do ambiente, dos seus stakeholders.
3.1.4 Refino do Petróleo
Em relação ao refino, o petróleo passa por diversos processos em que é transformado
em derivados de petróleo, assim são obtidos gás de refinaria, GLP, nafta, bunker, óleo
combustível, coque e resíduo asfáltico.
Cabe destacar, em termos quantitativos, a capacidade de refino das reservas de
petróleo existentes no mundo, com base nos dados extraídos do Anuário Estatístico Brasileiro
do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP, 2013), conforme Figura 9 e 10.
Figura 9 – Capacidade total efetiva de refino 2003-2012
Tabela 1.4 – Capacidade total efetiva de refino, segundo regiões geográficas, países e blocos econômicos – 2003-2012
R e giõ e s ge o grá f ic a s , pa í s e s e
blo c o s e c o nô mic o s
C a pa c ida de t o t a l e f e t iv a de re fino ( m il ba rris / dia )
12 / 11
%
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2 0 10
2 0 11
2 0 12
T o ta l
8 4 .2 2 8
8 5 .0 7 2
8 5 .8 9 2
8 7 .2 4 5
8 8 .4 5 1
8 9 .2 5 9
9 0 .8 17
9 1.7 8 2
9 2 .17 6
9 2 .5 3 1
0 ,3 9
A m é ric a do N o rt e
Canadá
Estado s Unido s
M éxico
2 0 .3 16
1.959
16.894
1.463
2 0 .5 0 3
1.915
17.125
1.463
2 0 .6 9 8
1.896
17.339
1.463
2 0 .8 2 1
1.914
17.443
1.463
2 0 .9 6 4
1.907
17.594
1.463
2 1.0 8 6
1.951
17.672
1.463
2 1.0 2 3
1.976
17.584
1.463
2 1.15 1
1.951
17.736
1.463
2 0 .9 7 4
2.046
17.322
1.606
2 1.0 5 7
2.063
17.388
1.606
0 ,3 9
0,82
0,38
-
6 .3 5 3
320
620
1.915
1.269
2.229
6 .3 7 7
320
623
1.915
1.284
2.235
6 .4 0 5
320
627
1.916
1.291
2.251
6 .4 13
320
623
1.916
1.294
2.260
6 .5 0 2
320
634
1.935
1.303
2.310
6 .6 5 8
320
634
2.045
1.303
2.356
6 .6 7 8
320
636
2.093
1.303
2.326
6 .6 5 1
320
640
2.093
1.303
2.295
6 .4 8 3
320
649
2.010
1.303
2.201
5 .9 12
320
654
2.000
1.303
1.635
- 8 ,8 0
0,77
-0,48
-25,72
2 4 .8 2 3
2.304
805
1.347
1.967
412
1.282
2.485
310
1.813
5.340
422
713
5.623
2 4 .8 6 4
2.320
782
1.372
1.982
412
1.284
2.497
310
1.848
5.343
422
693
5.599
2 4 .7 9 4
2.322
778
1.377
1.978
418
1.274
2.515
310
1.819
5.405
422
613
5.562
2 4 .8 2 8
2.390
774
1.362
1.959
425
1.274
2.526
310
1.836
5.488
422
613
5.450
2 4 .7 7 0
2.390
745
1.362
1.962
425
1.236
2.497
310
1.819
5.501
422
613
5.487
2 4 .6 12
2.366
745
1.362
1.971
425
1.280
2.396
310
1.827
5.422
422
613
5.473
2 4 .5 3 8
2.362
823
1.362
1.873
425
1.280
2.396
310
1.757
5.401
422
613
5.515
2 4 .3 7 2
2.091
813
1.416
1.702
440
1.274
2.396
310
1.757
5.508
422
613
5.629
2 4 .2 5 9
2.077
823
1.416
1.610
495
1.276
2.311
310
1.787
5.569
434
613
5.536
2 3 .8 6 5
2.097
792
1.537
1.478
498
1.274
2.200
310
1.631
5.754
434
613
5.248
- 1,6 2
0,92
-3,81
8,51
-8,22
0,61
-0,15
-4,80
-8,76
3,32
-5,21
7 .0 5 8
1.894
914
645
1.607
750
1.248
7 .2 7 5
2.079
936
620
1.642
750
1.248
7 .3 0 6
2.107
936
620
1.642
753
1.248
7 .4 4 6
2.107
936
620
1.727
758
1.298
7 .5 8 6
2.107
936
625
1.772
765
1.381
7 .6 7 2
2.107
936
680
1.805
754
1.390
7 .9 2 5
2.107
936
700
1.860
786
1.536
8 .0 5 1
2.107
936
700
1.860
907
1.541
8 .16 7
2.117
936
705
1.860
996
1.553
8 .2 5 5
2.122
936
710
1.892
1.042
1.553
1,0 8
0,24
0,71
1,72
4,62
-
A m é ric a s C e nt ra l e do S ul
A ntilhas Ho landesas e A ruba
A rgentina
B rasil
Venezuela
Outro s
E uro pa e e x- Uniã o S o v ié t ic a
A lemanha
B élgica
Espanha
França
Grécia
Ho landa
Itália
No ruega
Reino Unido
Rússia
Suécia
Turquia
Outro s
O rie nt e M é dio
A rábia Saudita
Co veite
Emirado s Á rabes Unido s
Irã
Iraque
Outro s
Á f ric a
Á s ia - P a c í f ic o
A ustrália
China
Cingapura
Co reia do Sul
Índia
Indo nésia
Japão
Tailândia
Taiwan
Outro s
3 .13 8
3 .0 5 1
3 .13 8
2 .9 9 0
3 .0 0 7
3 .12 1
2 .9 8 2
3 .17 5
3 .12 3
3 .3 2 3
6 ,4 0
2 2 .5 4 1
756
6.295
1.255
2.598
2.293
1.057
4.645
1.068
1.159
1.416
2 3 .0 0 1
763
6.603
1.255
2.598
2.558
1.057
4.531
1.068
1.159
1.410
2 3 .5 5 1
711
7.165
1.255
2.598
2.558
1.057
4.531
1.078
1.159
1.439
2 4 .7 4 7
694
7.865
1.255
2.633
2.872
1.127
4.588
1.125
1.140
1.448
2 5 .6 2 3
733
8.399
1.255
2.671
2.983
1.150
4.650
1.125
1.197
1.460
2 6 .111
734
8.722
1.385
2.712
2.992
1.052
4.650
1.195
1.197
1.472
2 7 .6 7 1
734
9.479
1.385
2.712
3.574
1.085
4.630
1.255
1.197
1.621
2 8 .3 8 3
740
10.302
1.385
2.712
3.703
1.139
4.291
1.260
1.197
1.654
2 9 .17 0
742
10.834
1.395
2.860
3.795
1.141
4.274
1.260
1.197
1.673
3 0 .119
663
11.547
1.395
2.887
4.099
1.142
4.254
1.260
1.197
1.676
3 ,2 5
-10,64
6,58
0,01
0,96
8,01
0,09
-0,48
0,18
Fo ntes: B P Statistical Review o f Wo rld Energy 2013; para o B rasil, A NP /SRP , co nfo rme as Reso luçõ es A NP n° 16/2010 e 17/2010.
No ta: Dado s retificado s pela B P .
48
De acordo com os dados apresentados acima, podemos observar que o continente
asiático mostra-se como o com maior capacidade de refino do mundo, seguido pela Europa e
América do Norte. Entre os países destacam-se a participação dos Estados Unidos (17 mil
barris/dia) e da China (11.547 mil barris/dia), em 2012.
Figura 10 – Participação de países na capacidade total efetiva de refino 2012
Fontes: BP Statistical Review of World Energy 2013, ANP/SDP
Figura 11 – Cartograma da capacidade de refino de Petróleo
Fontes: BP Statistical Review of World Energy 2013, ANP/SDP
49
3.1.5 Consumo de Petróleo
Em relação ao consumo de petróleo, de acordo com os dados da ANP, destaca-se o
consumo do Continente Asiático (33% do total, em 2012), seguido da América do Norte
(25,6% do total, em 2012) e da Europa (20,6% do total, em 2012), que juntos respondem por
79% do consumo de petróleo, no mundo, em 2012 (Figura 12).
Figura 12 – Consumo de petróleo 2003-2012
Tabela 1.3 – Consumo de petróleo, segundo regiões geográficas, países e blocos econômicos – 2003-2012
R e giõ e s ge o grá f ic a s , pa í s e s e
blo c o s e c o nô m ic o s
C o ns um o de pe t ró le o ( m il ba rris / dia )
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2 0 10
2 0 11
2 0 12
12 / 11
%
T o tal
8 0 .0 8 5
8 2 .9 9 6
8 4 .2 2 8
8 5 .13 8
8 6 .5 7 5
8 6 .0 5 2
8 5 .0 6 4
8 7 .8 3 3
8 8 .8 7 9
8 9 .7 7 4
1,0 1
A m é ric a do N o rt e
Canadá
Estado s Unido s
M éxico
2 4 .17 0
2.228
20.033
1.909
2 5 .0 2 3
2.309
20.732
1.983
2 5 .119
2.288
20.802
2.030
2 5 .0 0 2
2.295
20.687
2.019
2 5 .10 9
2.361
20.680
2.067
2 3 .8 6 0
2.315
19.490
2.054
2 2 .9 5 9
2.195
18.769
1.995
2 3 .4 6 4
2.316
19.134
2.014
2 3 .3 9 7
2.404
18.949
2.043
2 3 .0 4 0
2.412
18.555
2.074
- 1,5 2
0,30
-2,08
1,54
4 .8 6 0
405
1.973
228
222
151
139
24
535
1.184
5 .0 5 9
425
2.050
244
225
155
152
25
582
1.200
5 .18 5
449
2.097
250
230
169
152
26
623
1.189
5 .3 3 2
471
2.134
278
235
180
147
29
658
1.202
5 .6 5 1
523
2.286
358
234
183
153
34
662
1.219
5 .8 9 2
534
2.439
372
234
188
172
37
746
1.171
5 .9 2 1
522
2.467
367
241
191
176
35
755
1.167
6 .2 2 2
557
2.676
329
257
220
187
39
766
1.192
6 .4 0 5
598
2.740
367
271
226
203
33
764
1.203
6 .5 3 3
612
2.805
376
274
234
212
33
781
1.205
1,9 9
2,36
2,35
2,62
0,97
3,42
4,33
-0,40
2,35
0,22
18 .9 7 4
2.369
259
89
180
662
80
242
169
81
1.377
204
1.742
347
971
140
1.475
53
240
574
240
141
193
1.532
191
3.089
305
235
673
97
277
80
668
18 .5 4 3
2.358
257
93
182
636
80
265
160
73
1.278
190
1.687
313
933
129
1.345
53
247
542
226
130
194
1.468
182
3.174
295
238
685
100
282
82
668
- 2 ,2 7
-0,47
-0,94
4,98
1,13
-4,01
0,25
9,42
-5,66
-9,54
-7,18
-6,46
-3,14
-9,69
-3,94
-8,01
-8,82
-1,29
2,95
-5,65
-5,84
-7,88
0,69
-4,18
-4,66
2,77
-3,44
1,49
1,82
3,37
1,93
2,05
-0,09
A m é ric a s C e nt ra l e do S ul
A rgentina
B rasil
Chile
Co lô mbia
Equado r
P eru
Trinidad e To bago
Venezuela
Outro s
E uro pa e e x- Uniã o S o v ié t ic a
A lemanha
Á ustria
A zerbaijão
B ielo rrússia
B élgica
B ulgária
Cazaquistão
Dinamarca
Eslo váquia
Espanha
Finlândia
França
Grécia
Ho landa
Hungria
Itália
Lituânia
No ruega
P o lô nia
P o rtugal
República da Irlanda
República Tcheca
Reino Unido
Ro mênia
Rússia
Suécia
Suíça
Turquia
Turco menistão
Ucrânia
Uzbequistão
Outro s
19 .8 4 2
2.648
292
84
141
688
95
183
189
70
1.539
235
1.952
396
946
131
1.900
50
232
441
311
175
184
1.723
194
2.679
352
257
641
91
295
162
567
19 .9 9 8
2.619
283
88
144
680
92
196
185
67
1.575
221
1.963
426
983
136
1.850
53
221
469
315
181
202
1.766
224
2.660
339
255
655
88
310
149
601
2 0 .14 2
2.592
287
106
145
679
102
204
196
80
1.594
229
1.946
424
1.039
158
1.798
57
224
487
324
191
210
1.806
218
2.679
339
260
662
90
296
100
624
2 0 .3 11
2.609
291
96
162
671
105
210
198
72
1.592
222
1.942
442
1.047
168
1.791
58
229
512
294
191
207
1.788
214
2.761
344
266
696
85
308
101
640
2 0 .0 6 2
2.380
276
91
150
676
103
233
200
76
1.613
223
1.911
435
1.065
168
1.740
58
237
531
296
195
205
1.716
218
2.777
342
241
716
95
338
93
663
2 0 .0 17
2.502
274
74
168
747
102
229
196
82
1.557
222
1.889
425
991
164
1.661
63
228
549
278
187
209
1.683
216
2.862
332
256
681
104
322
91
673
19 .14 9
2.409
264
73
188
650
92
188
178
79
1.473
209
1.822
405
971
154
1.563
54
236
549
263
166
204
1.610
195
2.772
307
260
683
96
287
88
663
19 .0 5 7
2.445
276
71
146
672
82
196
176
82
1.394
219
1.763
368
977
146
1.532
55
235
576
259
158
194
1.588
184
2.892
321
242
694
93
281
75
665
O rie nt e M é dio
A rábia Saudita
Catar
Co veite
Emirado s Á rabes Unido s
Irã
Israel
Outro s
5 .6 8 6
1.780
95
334
453
1.581
267
1.176
6 .0 2 6
1.913
106
374
484
1.639
251
1.258
6 .3 3 5
2.013
121
411
493
1.705
257
1.335
6 .4 4 9
2.084
134
378
527
1.826
251
1.248
6 .6 9 6
2.203
150
383
565
1.868
264
1.263
7 .18 5
2.378
171
405
586
1.962
259
1.425
7 .5 2 6
2.592
173
453
576
1.996
244
1.492
7 .8 6 1
2.790
212
489
631
1.936
236
1.567
7 .9 9 2
2.835
235
466
699
1.878
249
1.629
8 .3 5 4
2.935
250
476
720
1.971
289
1.714
4 ,5 3
3,51
6,45
2,16
2,98
4,91
16,17
5,16
Á f ric a
Á frica do Sul
A rgélia
Egito
Outro s
2 .6 4 6
497
230
540
1.380
2 .7 6 7
513
239
556
1.459
2 .9 11
514
250
617
1.531
2 .9 2 0
528
258
602
1.532
3 .0 6 8
549
286
642
1.590
3 .2 18
528
309
687
1.694
3 .3 0 2
517
327
726
1.734
3 .4 6 3
547
327
766
1.822
3 .3 5 9
547
345
718
1.749
3 .5 2 3
561
367
744
1.850
4 ,8 9
2,52
6,52
3,66
5,82
2 2 .8 8 0
854
83
5.771
689
2.340
269
329
2.485
1.210
5.461
561
145
319
863
998
220
284
2 4 .12 4
863
86
6.738
763
2.294
313
336
2.556
1.278
5.308
585
150
324
930
1.043
263
293
2 4 .5 3 5
896
89
6.944
830
2.312
285
314
2.606
1.263
5.391
580
151
311
959
1.053
258
296
2 5 .12 4
929
89
7.439
884
2.320
305
284
2.737
1.234
5.210
615
153
354
973
1.043
254
302
2 5 .9 8 9
936
86
7.823
963
2.399
324
301
2.941
1.271
5.053
672
154
387
984
1.096
283
317
2 5 .8 8 1
949
84
7.947
1.015
2.308
293
266
3.077
1.263
4.882
661
154
388
994
992
300
307
2 6 .2 0 5
943
78
8.229
1.083
2.339
334
283
3.237
1.316
4.429
662
148
414
1.071
987
304
349
2 7 .7 6 6
962
86
9.272
1.193
2.370
362
286
3.319
1.426
4.473
672
150
411
1.076
1.028
329
351
2 8 .7 5 4
1.007
108
9.750
1.246
2.394
364
279
3.488
1.549
4.465
682
149
417
1.171
951
358
376
2 9 .7 8 1
1.019
114
10.221
1.255
2.458
360
282
3.652
1.565
4.714
697
149
402
1.212
939
361
382
3 ,5 7
1,17
5,49
4,83
0,71
2,66
-1,03
0,95
4,68
1,03
5,57
2,22
-0,25
-3,47
3,50
-1,26
0,96
1,52
Á s ia - P a c í f ic o
A ustrália
B angladesh
China
Cingapura
Co reia do Sul
Ho ng Ko ng
Filipinas
Índia
Indo nésia
Japão
M alásia
No va Zelândia
P aquistão
Tailândia
Taiwan
Vietnã
Outro s
Fo nte: B P Statistical Review o f Wo rld Energy 2013.
No ta: Dado s retificado s pela B P .
50
Figura 13 – Cartograma do consumo de petróleo.
Fontes: BP Statistical Review of World Energy 2013, ANP/SDP
3.1.6 Preço
Para falar do preço do petróleo, tem-se que ter em mente que o petróleo WTI (West
Texas Intermediate) é comercializado na Bolsa de Nova York, e o Brent é comercializado na
Bolsa Londres. Assim, temos o petróleo Brent como referência no mercado europeu e o WTI
no mercado americano, sendo que o fator que influencia nas suas cotações é a situação
geopolítica dos países produtores.
As informações sobre o preço do petróleo para o período de 2003 a 2012 (ANP, 2013)
constam na Figura 14, a seguir.
Figura 14– Preço médio no mercado 2003-2012
Tabela 1.5 – Preços médios no mercado spot dos petróleos dos tipos Brent e WTI – 2003-2012
P re ç o s m é dio s no m e rc a do s po t de pe t ró le o ( US $ / ba rril)
P e t ró le o
2003
B re nt 1
WT I
28,84
31,11
2004
38,21
41,42
2005
54,42
56,50
2006
65,03
66,01
2007
72,52
72,26
2008
99,04
98,58
2009
61,67
61,90
Fo nte: P latt´s Crude Oil M arketwire.
No tas: 1. Dó lar em valo r co rrente.
2. Dado s revisado s pelo P latt's.
1Os preço s médio s do petró leo B rent fo ram calculado s a partir do s preço s B rent Dated.
2 0 10
79,04
78,97
2 0 11
111,38
94,84
2 0 12
111,58
94,12
12 / 11
%
0,18
-0,75
51
Figura 15– Evolução dos Preços médios anuais no mercado spot dos Petróleos.
Fontes: Plantt’s Crude Oil Marketwire
Nota: Dolar em valor corrente.
3.2 PANORAMA NACIONAL DO MERCADO DO PETRÓLEO
3.2.1 Reservas
Segundo dados da ANP (2013), podemos observar que em 2012 as reservas provadas
de petróleo no Brasil equivalem a 15,3 bilhões de barris, representando quase um por cento do
total no planeta. Observa-se, também, um grande crescimento das reservas provadas nos anos
de 2003 a 2012, e isso se dá devido à descoberta do Pré-Sal9.
O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas nas porções
marinhas de grande parte do litoral brasileiro, com potencial para a geração e
acúmulo de petróleo. Convencionou-se chamar de pré-sal porque forma um
intervalo de rochas que se estende por baixo de uma extensa camada de sal,
que em certas áreas da costa atinge espessuras de até 2.000m. O termo pré é
utilizado porque, ao longo do tempo, essas rochas foram sendo depositadas
antes da camada de sal. A profundidade total dessas rochas, que é a distância
entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de
sal, pode chegar a mais de 7 mil metros. As maiores descobertas de petróleo,
no Brasil, foram feitas recentemente pela Petrobras na camada pré-sal
localizada entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, onde se
encontrou grandes volumes de óleo leve. Na Bacia de Santos, por exemplo, o
óleo já identificado no pré-sal tem uma densidade de 28,5º API, baixa acidez
e baixo teor de enxofre. São características de um petróleo de alta qualidade
e maior valor de mercado.
9
Informações disponíveis no Site da Petrobras: <http://www.petrobras.com/pt/energia-e-tecnologia/fontes-deenergia/pre-sal>. Acesso em: mar. 2014.
52
3.2.2 Produção
A partir dos dados da ANP (2013) observamos uma queda de 2% na produção de
petróleo do ano de 2011 a 2012, apesar da descoberta do pré-sal. Ressalta-se que a Petrobras,
atribuiu essa redução da produção nacional possivelmente às paradas programadas para
manutenção em plataformas da Bacia de Campos e de Santos, região responsável por 80% da
produção nacional, e ao fechamento do campo de Frade, em Campos. Cabe destacar que se
não fosse o pré-sal essa redução seria ainda maior.
3.2.3 Refino
O Brasil conta com 14 refinarias de petróleo, 12 pertencentes à Petrobras e duas
privadas (Refinaria de Petróleo de Manguinhos e Refinaria de Petróleo Ipiranga), e os
principais produtos que saem destas são diesel, gás liquefeito de petróleo, gasolina,
lubrificantes, nafta, óleo combustível e querosene de aviação.
Essas refinarias apresentaram, em 2012, capacidade total de refino de dois milhões de
barris por dia, segundo dados da ANP (2013). Além de ter ocorrido uma queda na produção
nacional do petróleo, observa-se, também, queda na capacidade total de refino de petróleo, no
Brasil.
3.2.4 Consumo
Segundo dados da ANP (2013), o consumo de petróleo no Brasil aumentou cerca de
40%, crescimento não acompanhado pela capacidade de produção e refino de petróleo no
país, assim, visando atender à demanda, a Petrobras vem investindo em projetos que visam
aumentar sua capacidade de produção e refino.
3.2.5 Importações e Exportações
Os dados da importação e exportação de petróleo no Brasil, dos anos de 2003 a 2012,
fornecidos pela ANP, tendo como fonte a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, APÊNDICE 3 e 4,
53
demonstram que a empresa no período de 2003 a 2005 importou mais que exportou, passando
a partir de 2006 até 2012 a ter o nível de exportação maior que o da importação.
54
4 O CASO EM ESTUDO: A PETROBRAS
4.1 BREVE PERFIL DA EMPRESA
A Petrobras foi fundada em 03 de outubro de 1953, por meio de um Decreto-Lei
assinado pelo Presidente Getúlio Vargas, visando atender o nacionalismo da Era Vargas e a
crescente industrialização, sendo a pioneira na indústria do petróleo no país.
Começou a operar em 10 de maio de 1954, e em 1956 suas ações já estavam sendo
negociadas na bolsa. Em 1961 a Petrobrás começa a busca de petróleo no mar, entre o
Espírito Santo e o Maranhão, e é fundada no Rio de Janeiro a REDUC - Refinaria de Duque
de Caxias, a primeira construída. Daí em diante a empresa só veio ampliando, após a
construção da primeira plataforma móvel de perfuração, e a descobertas de diversos poços de
petróleo no mar brasileiro.
Conforme descrito no perfil da empresa, a Petrobrás é:
uma sociedade anônima de capital aberto, cujo acionista majoritário é o
governo brasileiro e atua como uma empresa integrada de energia nos
setores de exploração e produção, refino, comercialização, transporte,
petroquímica, distribuição de derivados, gás natural, energia elétrica, gásquímica e biocombustíveis. Além do Brasil, está presente em outros 17
países e é líder do setor petrolífero no nosso país. Expande suas operações
para estar entre as cinco maiores empresas integradas de energia no mundo
até 2030.
Quanto à estrutura acionária da empresa, vale ressaltar que a Petrobras possui
acionistas privados, mas o acionista majoritário e detentor do controle da empresa é o Estado,
o qual utiliza desse poder para conter a inflação ao definir os valores de venda dos derivados
de petróleo, no Brasil. No Apêndice 1, (Quadro 10), consta a atual composição do capital
Social da empresa.
4.2 ÁREAS DE NEGÓCIOS
4.2.1 Exploração e Produção
Em termos de área de negócios e de atividade principal, a Petrobras é responsável pela
pesquisa, localização, identificação, desenvolvimento, exploração e produção de petróleo e
gás natural, e nesta concentra-se seus maiores investimentos em ampliação e
55
desenvolvimento, tendo em vista que com o acelerado crescimento do consumo do petróleo e
seus derivados, a empresa tem que buscar atender à demanda do mercado.
O Plano Estratégico Petrobras, 2030, define como meta da área de negócios a
exploração e produção: “produzir em média 4,0 milhões de barris de petróleo ao dia, no
período 2020-2030, sob a titularidade da Petrobras no Brasil e no exterior, adquirindo direitos
de exploração de áreas que viabilizem este objetivo”.
4.2.2 Distribuição
Para fazer com que os produtos das refinarias cheguem ao consumidor final, atuando
na comercialização, distribuição, industrialização, importação e exportação dos derivados do
petróleo no país, foi criada em 12 de novembro de 1971 a subsidiária Petrobras Distribuidora,
que se tornou a maior distribuidora de derivados do petróleo do Brasil. A Petrobrás
Distribuidora é uma empresa subordinada ao Ministério de Minas e Energia e classifica-se
como uma entidade de administração indireta do Governo Federal. Esta empresa tem postos
de serviços espalhados por todo o Brasil e em outros países da América Latina (Argentina,
Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai).
A Petrobras também atua na distribuição do gás liquefeito de petróleo – gás de cozinha
no Brasil, através de sua subsidiária Liquigás, que é uma sociedade anônima de capital
fechado presente em 23 estados brasileiros, e realiza o engarrafamento, distribuição e
comercialização de GLP no país, sendo uma das maiores distribuidora do produto no país.
O Plano Estratégico Petrobras 2030 define como meta da área de negócios
Distribuição: “manter a liderança no mercado doméstico de combustíveis, ampliando a
agregação de valor e a preferência pela marca Petrobras”.
4.2.3 Refino, Transporte, Comercialização e Petroquímica
O Plano Estratégico Petrobras 2030 define como meta da área de negócios Refino,
Transporte, Comercialização e Petroquímica: “suprir o mercado brasileiro de derivados,
alcançando uma capacidade de refino de 3,9 milhões de bpd, em sintonia com o
comportamento do mercado doméstico”.
56
4.2.4 Gás, Energia e Gás-Química
O Plano Estratégico Petrobras 2030 define como meta da área de negócios Gás,
Energia e Gás-Química: “agregar valor aos negócios da cadeia de gás natural, garantindo a
monetização do gás do Pré-sal e das bacias interiores do Brasil”.
4.2.5 Biocombustíveis
O Plano Estratégico Petrobras 2030 define como meta da área de negócios
Biocombustíveis: “manter o crescimento em biocombustíveis, etanol e biodiesel, em linha
com o mercado doméstico de gasolina e diesel”.
4.2.6 Negócios Internacionais
O Plano Estratégico Petrobras 2030 define como meta da área de negócios
Internacional: “atuar em E&P, com ênfase na exploração de óleo e gás na América Latina,
África e EUA”.
4.3 INVESTIMENTOS ATUAIS
Em relação aos investimentos da Petrobrás, de acordo com dados oficiais disponíveis:
o Plano de Negócios e Gestão, 2014-2018, prevê investimentos de US$
220,6 bilhões (US$ 206,8 bilhões para projetos em implantação e em
processo de licitação). Desse total, a área de Exploração e Produção receberá
US$ 153,9 bilhões, principalmente para desenvolver a produção no pré-sal e
no pós-sal. A área de Abastecimento é outro destaque, com investimentos de
US$ 38,7 bilhões para a ampliação do parque de refino, melhorias
operacionais, entre outros. Para atingirmos nossas metas, manteremos planos
como o Programa de Aumento da Eficiência Operacional da Bacia de
Campos (Proef); o Programa de Otimização de Custos Operacionais
(Procop); o Programa de Otimização de Infraestrutura Logística (Infralog); o
Programa de Redução de Custos de Poços (PRC-Poço); e o Programa de
Redução de Custos de Instalações Submarinas (PRC-Sub)10.
10
Informações disponíveis no site da empresa: <http://www.petrobras.com.br/pt/quem-somos/estrategia/planode-negocios-e-gestao/>. Acesso em: mar. 2014.
57
Com isso, vemos que a prioridade da empresa no momento é investir no
desenvolvimento da exploração do pré-sal, pois a previsão é de que em 2018, 52% da
produção de óleo da empresa virá destas reservas.
4.4 DESEMPENHO DA PETROBRAS NO MERCADO MUNDIAL
A Petrobras é uma empresa líder do setor petrolífero no Brasil, considerada, no final
de 2012, a sétima maior companhia de energia do mundo, baseado no valor de mercado,
segundo o ranking da consultoria PFC Energy, e décima quinta no ranking da Petroleum
Intelligence Weekly (PIW), que baseia-se, além do valor de mercado, em seis critérios
operacionais (PETROBRAS,2012).
Em 2012 a empresa teve um lucro líquido de R$ 21,2 bilhões, 36% inferior ao lucro
obtido em 2011. Isso se deu devido ao aumento da importação de derivados a elevados
preços, provocados pela desvalorização cambial.
Em 2012, apesar das adversidades enfrentadas, a empresa possuía ainda as 51
perspectivas, de médio e longo prazos, definidas pela companhia. Devido a essas perspectivas
foi efetuado um extenso e detalhado diagnóstico dos problemas operacionais ocorridos, o qual
ocasionou a definição de prioridades e implementação de ações para aprimorar os resultados
econômico-financeiros da companhia.
Como exemplo das ações efetuadas pela companhia, tem-se os programas de
Otimização de Custos Operacionais (Procop), de Aumento da Eficiência Operacional da
Bacia de Campos (Proef), de Desinvestimento (Prodesin) e de Otimização de Infraestrutura
Logística (Infralog), conforme informações disponíveis (PETROBRAS,2012).
Entre as ações e objetivos almejados pela Petrobras, nos últimos anos, estão as
questões relacionadas à segurança no trabalho, à saúde dos profissionais e respeito ao meio
ambiente, trabalhando para conseguir zerar as estatísticas de acidentes, vazamentos, além de
afastar mortes no trabalho (PETROBRAS,2012)..
Querendo reafirmar o imenso valor que atribui à vida e ao meio ambiente, a Petrobrás
se tornou, em 2012, um dos patrocinadores oficiais da Conferência das Nações Unidas sobre o
Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Além disso, reafirmou o compromisso de seguir os
princípios estabelecidos pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em termos oficiais, a gestão da companhia tem como prioridades a transparência e o
pragmatismo, dedicando esforços para atingir as metas do Plano de Negócios e Gestão,
58
almejando refletir no aumento de valor para seus acionistas, investidores e demais públicos da
empresa.
Bertagnolli et al (2006), Macedo et al (2007), Machado e Machado (2009) realisaram
estudos sobre pesquisas nacionais em empresas como a Petrobras, possuindo como foco
principal a receita líquida como variável de desempenho. De acordo esses autores, a Petrobras
obteve uma baixa em seu lucro liquido, no ultimo ano em relação ao ano de 2011. No entanto,
mesmo com essa baixa, a empresa não deixou de aumentar seu investimento em ações de
melhorias socioambientais. Bertagnolli, Ott e Damacena (2006) demonstraram com a
pesquisa realizada em 176 empresas, que tanto a receita líquida como o resultado operacional
estão associados positivamente aos investimentos sociais e ambientais.
Tabela 3 – Informações Relevantes quanto a Desempenho Financeiro e RSE da Petrobras.
DADOS DO BP EM
ANO
MIHARES DE R$
DADOS DO BS DA PETROBRAS (EM MILHARES DE R$)
LUCRO LÍQUIDO
IND.SOC. INTERNOS
IND.SOC. EXTERNOS
IND. AMBIENTAIS
2001
8.100.516
3.067.830
26.208.893
1.100.000
2002
8.165.456
2.692.325
39.990.149
1.968.263
2003
18.950.262
4.099.175
42.530.079
2.291.751
2004
16.887.398
5.523.605
45.566.690
1.532.651
2005
23.724.723
6.769.027
70.274.875
1.268.940
2006
25.918.920
7.975.706
71.820.997
1.404.069
2007
21.511.789
8.276.504
70.661.653
1.976.426
2008
32.987.792
9.793.769
80.641.339
1.973.514
2009
33.344.000
9.546.487
77.698.746
1.966.331
2010
35.910.000
11.006.000
84.685.000
2.423.000
2011
33.110.000
12.545.000
98.296.000
2.722.000
2012
20.959.000
14.244.000
100.538.000
2.928.00
Fonte: Adaptado do Relatório de sustentabilidade do site da Petrobras do período de 2001 a 2012.
Macedo e Cípola (2009) verificaram a capacidade de investimento e o benefício
socioambiental de seis empresas siderúrgicas, que atuam no Brasil, e concluíram que a CSN e
a Gerdau são as que obtiveram melhores resultados; a Acesita, por sua vez, obteve o pior
desempenho socioambiental. Os autores mostraram em seus estudos que a variável que mais
precisa de incrementos é a ambiental, fato este que também é observado na Petrobras, visto
que dos indicadores do BS, o que menos obteve investimento foi o Ambiental. Siqueira et al
(2009), ao criarem um ranking de responsabilidade socioambiental no setor elétrico do Brasil,
constataram que os investimentos em questões ambientais eram os mais desprezados.
59
Entre os estudos internacionais a respeito do assunto destacam-se os de Beurden e
Gössling (2008), Allouche e Laroche (2005), Orlitzky et al (2003) e Darnall, Henriques e
Sadorsky (2008). Beurden e Gössling (2008) ao realizarem uma revisão literatura de 1990 a
2007, identificaram a existência de uma evidência empírica clara que “ética é um bom
negócio”.
4.5 DEMONSTRATIVOS DE RSE DA PETROBRAS
A Petrobras, por ser uma companhia que tem entre seus objetivos, fornecer aos seus
stakeholders informações sobre sua atuação em relação ao desenvolvimento sustentável,
passou a publicar, anualmente, o Relatório de Sustentabilidade (RS). Além de prestar
informações acerca de suas ações ambientais e sociais, o objetivo da organização com a
elaboração do RS é, também, o utilizar na gestão de suas atividades, avaliando seu
desempenho e identificando oportunidades para melhorias. O RS apresenta uma versão digital
com conteúdo integral, constando todos os indicadores contemplados, já a versão impressa, se
torna mais limitada, e por esse motivo prioriza informações mais relevantes.
A publicação do RS atende a exigências legais e compromissos assumidos,
obedecendo as orientações da ISO 26000 sobre RSE. Além disso, a participação no Pacto
Global da Organização das Nações Unidas (ONU) condiciona a empresa a efetuar uma
apresentação periódica sobre o andamento dos dez princípios da entidade, realizada por meio
da publicação do referido relatório.
A empresa, quando necessário, se utiliza de reuniões e entrevistas com seu público de
interesse para obter sua opinião a respeito de suas ações voltadas a sustentabilidade, para que
possa, a partir das opiniões emitidas, definir os principais temas (Figura16) a serem abordados
em seus relatórios futuros. Dentre os temas escolhidos estão: “mecanismos anticorrupção”,
“gestão de riscos” e “saúde e segurança dos trabalhadores”. No processo de definição de
temas são ouvidos executivos e representantes da Petrobras, bem como clientes,
consumidores, comunidade científica e acadêmica, comunidades, fornecedores, imprensa,
investidores, organizações da sociedade civil, parceiros, poder público e público interno.
60
Figura 16 – Temas expostos no Relatório de Sustentabilidade da Petrobras
Fonte: file:///C:/Users/hp/Downloads/RS_portugu_s_2012%20(5).pdf
Além dos temas relacionados pelo publico de interesse, na elaboração do RS são
usados os cálculos utilizados como detalhamento dos investimentos em alguns indicadores
Socioambientais. Tais indicadores são demonstrados no Balanço Social padrão IBASE, que
serve de parâmetro para avaliar o desempenho socioambiental da empresa.
4.6 ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DOS BALANÇOS SOCIAIS DA PETROBRAS
Observa-se no Gráfico 1, o ano de maior relevância de investimentos socioambientais
evidenciados no BS foi o de 1998, mas mesmo sendo o mais relevante o mesmo teve pouca
influencia na avaliação dos dados devido ter sido o marco da publicação do BS pela
Petrobras, e devido a isto a empresa não teve parâmetros anteriores para seu investimento
inicial em questões sociais e ambientais, fazendo com que os investimentos tivessem sido em
grandes valores relacionados com os anos posteriores. Logo em analise geral o ano mais
relevante demonstrado no BS foi o de 2002.
61
Gráfico 1 – Total de investimentos evidenciados no BS da Petrobras, 1998 – 2012.
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
O Gráfico 2, a seguir, relacionado a relação de indicadores ambientas em relação a
RL, verifica-se que a maior parte dos investimentos nos indicadores ambientais relacionados a
Receita da empresa abatendo-se os tributos começou a se elevar em 1999 mais chegou ao topo
como maior relação em 2002.
Gráfico 2- Relação de Indicadores Ambientas em relação a RL
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
Por maior que tenham sido os investimentos em indicadores sociais internos, efetuados
pela Petrobras, no marco inicial de sua publicação em 1998, se observa a queda desses
62
investimentos no Gráfico 3, visto que passando esse ano houve uma queda constante no
investimento, mas que apartir de 2002 houve uma pequena elevação fazendo com que depois
dessa elevação os investimentos nos indicadores sociais internos mantivessem um
estabilidade até 2012 sem significativas mudanças.
Gráfico 3- Relação de Indicadores Sociais Internos em relação a RL
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012
De acordo com os dados dos Gráficos de 4 e 5, verifica-se que os investimentos em
indicadores sociais externos, com ou sem a influencia dos tributos, foram os mais relevantes
no ano de 2002, em relação aos investimentos relacionados a RL.
Gráfico 4- Relação de Indicadores Sociais Externos sem tributos em relação a RL
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
63
Gráfico 5- Relação de Indicadores Sociais Externos em relação a RL
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012
De acordo com a análise individual dos Gráficos de 1 a 5, observa-se que os
investimentos mais relevantes em ações socioambientais por parte da empresa Petrobras
foram no ano de 2002. Após tal verificação procurou-se observar o que ocorreu de relevante
neste ano, que justificasse o investimento neste ano ter sido superior aos outros.
Conforme informações Agência Brasil (ABR), a respeito do desempenho da Petrobras
em 2002, o lucro consolidado foi de um montante de R$ 8,098 bilhões, em 2002, resultado
17,98% inferior ao exercício de 2001. Já o lucro da holding (não consolidado), atingiu R$
9,804 bilhões, resultado também inferior em 4,7% ao relativo ao exercício de 2001.
Observando detalhadamente, entre o terceiro e o quarto trimestre do ano de 2001,
houve um crescimento do lucro líquido consolidado, proveniente, principalmente, da margem
bruta de comercialização (36%), em razão dos preços dos derivados vendidos no mercado
interno, ter refletido o repasse parcial do aumento das cotações no mercado internacional, do
aumento das exportações de óleo do Campo de Marlim, além da valorização de 9% do real
frente ao dólar.
No exercício de 2002, os investimentos consolidados da companhia, atingiram o
montante de R$ 18,864 bilhões, crescimento de 90% em relação a 2001. Já o valor de
mercado da companhia atingiu o montante de R$ 54,308 bilhões, em 2002.
O presidente da companhia, José Eduardo Dutra, em 2002, ressaltou a "grande
capacidade de adaptação e competitividade da Petrobras, que levou a empresa a encerrar o
64
exercício com resultados bastante positivos, apesar da grande volatilidade no mercado
nacional e internacional".
Outra evidencia de crescimento da empresa em 2002, indicado pelas Demonstrações
Contábeis da Petrobras é que as reservas provadas de petróleo no Brasil atingiram 11,01
bilhões de barris de óleo e gás equivalente, com um crescimento de 13,9% em relação a 2001.
A produção nacional média de petróleo e líquido de gás natural em 2002 cresceu 12%.
No final do ano, a média barris/dia chegou a 1 milhão 691 mil– resultado que chega a
ser 0,7% acima da média estabelecida que era de 1,49 milhão de barris por dia. Para a
Petrobras, a produção aumentou, principalmente, com à interligação das plataformas dos
campos de Marlim e os novos poços; à produção do Módulo 1 do Campo de Marlim Sul, por
meio da unidade P-40; e também à entrada em produção do litoral do Espírito Santo, a
unidade Seillean no Campo de Jubarte,. Também contribuiu para o resultado a crescente
produção do Campo de Roncador, com a introdução de mais uma unidade de produção, que
deverá atingir 90 mil barris por dia, no inicio deste ano.
4.6.1 Indicadores Sociais Internos: análise dos Itens relevantes
Em 1998, conforme Gráfico 6, foi o ano marco da publicação do primeiro Balanço
Social da Petrobras ao público externo, está publicação tornou-se um evento anual. Devido
seu um relatório inovador para a empresa muitos indicadores como: Segurança, saúde no
trabalho, cultura e capacitação e desenvolvimento profissional não houveram valores
relacionados a eles em seus BS; ou pela falta de esclarecimentos ou pela falta de objetividade,
tais valores podem ter sido lançados como outros, haja visto que mesmo que irizorio o valor
não é direcionado a nenhum investimento expecifico.
65
Gráfico 6- Relação de Indicadores Sociais Internos por item em relação ao total investido-1998
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
Neste ano a balança comercial brasileira registrou seu pior resultado com US$6,47
bilhões, com uma grande fulga de capitais por conta da crise da Rússia. Mesmo com a crise
brasileira, 52% de seus investimentos são em encargos sociais compulsórios, haja vista que
esse tipo de investimento é obrigatorio para com os seus empregados; seguido pelos 30% de
previdência privada. Verificou-se que o restante dos indicadores sociais internos representam
apenas 18% dos investimento da Petrobras, sendo pouco expressivo.
66
Gráfico 7- Relação de Indicadores Sociais Internos por item em relação ao total investido-1999
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
Em 1999, ocorreu a criação da Repetro, com finalidade de atrair investimentos
estrangeiros e aumentar o desenvolvimento do petróleo atraves de exportação de platoformas
que nunca sairão do Brasil. A petrobras para reduzir sua carga tributária passa a exporta essas
plataformas para se beneficiar do regime tributário de outros países. Observa-se, Gráfico 7,
que houve uma redução de 1%dos encargos sociais compulsorios em relação ao ano anterior,
passando a empresa a investir esse percentual em educação dos funcionarios existentes na
mesma.
67
Gráfico 8- Relação de Indicadores Sociais Internos por item em relação ao total investido-2001
Fonte: Elaborados pela autora, adaptados dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
Gráfico 9- Relação de Indicadores Sociais Internos por item em relação ao total investido2010,2011,2012
Fonte: Elaborados pela autora, adaptados dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
68
No Gráfico 8 e 9, fica evidente que, dos indicadores sociais internos, os cargos sociais
compulsorios continuaram a ser o de maior investimento por parte da Petrobras, durante todo
o periodo analisado, evidenciando-se, também, que a partir de 2001 os valores investidos em
previdencia privada passaram a ser realcados em outros investimentos como os da saúde e
educação.
4.6.2 Indicadores Sociais externos
A intenção de gerar informações sobre suas ações socioambientais responsaveis teve
como paradoxo no periodo de 1998 a 2002 a
falta de concientização de prestar uma
informação clara e padronizada a seus usuarios, acaretando em duvidas e incertezas sobre os
reais investimentos executados pela empresa ao relatar apenas valores totais de investimentos
a sociedade sem relaciona-los.
Tabela 4 – Percentual de investimentos em Indicadores sociais externos.
Ano
Educação
para
Cultura Esporte
qualif..
profis.
Geração de renda
e oport. de trab. Comb. à fome e
segur. alimentar
Outros Saúde e
Saneamento Garantia dos
direitos das
crianças e
Adolescentes
Total de
contribuições
a sociedade
Tributos
(excluidos
encargos
sociais)
100
1998
1999
0,3
99,7
2000
0,4
99,6
2001
0,5
99,5
2002
0,6
99,4
2003
0,1
0,3
0,1
0,0
0,2
0,7
99,3
2004
0,1
0,3
0,1
0,1
0,1
0,7
99,3
2005
0,1
0,4
0,0
0,1
0,1
0,7
99,3
2006
0,1
0,4
0,1
0,0
0,1
0,8
99,2
2007
0,1
0,3
0,1
0,1
0,2
0,8
99,2
2008
0,1
0,3
0,1
0,0
0,1
0,6
99,4
2009
0,1
0,2
0,1
0,0
0,1
0,5
99,5
2010
0,1
0,2
0,1
0,1
0,1
0,5
99,5
2011
0,1
0,2
0,1
0,0
0,1
0,5
99,5
0,4
99,6
0,1
0,2
0,1
0,1
0,1
2012
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados do BS da Petrobras de 1998 a 2012.
A partir de 2003, o nível de detalhamento das informações indica que os gestores
estavam, provavelmente, mais concientes do propósito de oferecer informações com uma
69
visão mais realista do grau de responsabilidade social da empresa (Tabela 4). Observou-se,
nesse período, que a maior parte dos investimentos efetuados estão direcionados ao tributos
(exceto os encargos sociais).
4.6.3 Indicadores Ambientais
Ao analisar o Gráfico 10 observou-se que dos investimentos nos indicadores
ambientais os relacionados à produção/operação da empresa foram os mais expressivos
durante todo o período, havendo neste item dois períodos de elevação de investimento o
primeiro em 2000 e o outro em 2012.
Devido a essa elevação relacionada aos investimentos em questões ambientais na
Petrobras ligados a produção e operação é que procurou verificar o que houve de relevante
nesse período que justificasse esse investimento, logo verificou-se as informações divulgadas
pela assessoria de imprensa da Petrobras em 2000, onde o lucro líquido do inicio do ano foi
de R$ 2.207 milhões, 358% superior ao de 1999.
Verificou-se Também que no inicio do ano de 1999 houve um prejuízo de R$1.032
milhões de reais, decorrente da desvalorização cambial. 92% do lucro líquido do inicio de
2000, foram oriundos de atividades da Petrobras.
Gráfico 10– Análise pelo total dos investimentos por indicadores Ambientais.
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
70
O resultado, antes dos juros, impostos, amortização e depreciação (EBITDA), no
inicio de 2000, foi de R$ 4,0 bilhões, em 1999 foi R$ 1,4 milhão. Esse resultado reflete o
melhor caixa operacional, fruto do aumento do faturamento e da maior eficiência operacional.
O volume de vendas de derivados no mercado interno, em 2000, foi de 3% em relação ao ano
anterior. As participações governamentais sobre a produção de petróleo e gás natural
totalizaram R$ 885 milhões em 1999. Houve um crescimento de 297% em relação ao início
de 2000. Os investimentos alcançaram R$ 2.825 milhões em 1999 — 82% vinculados a
projetos de exploração e produção de petróleo e gás, 6% vinculados a atividades de refino, 5%
a atividades de transporte e 7% a atividades diversas.
Nesse momento, devido aos resultados financeiros da Empresa, bastante animadores,
ocorreu a realização de grandes investimentos em pesquisa e outras atividades, como
patrocínios a eventos esportivos, culturais e de projetos de preservação do meio-ambiente.
Contudo, observa-se no gráfico acima a Petrobras confere à gestão ambiental a mesma
importância que dá a sua produtividade. No início de 2000 a companhia começou o seu
Programa de Gestão Ambiental e Segurança Operacional, objetivando garantir a segurança
operacional das instalações, minimizar os riscos e contribuir para o desenvolvimento
sustentável. Atuando no tratamento de resíduos e recuperação de áreas comprometidas por
suas atividades, além de aprimorar os processos produtivos.
Gráfico 11– Analise pelo total dos investimentos por indicadores.
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS da Petrobras de 1998 a 2012.
71
Por fim o Gráfico 11 demonstra que dos investimentos socioambientais da empresa
Petrobras, por indicadores, o que obteve maior relevância de investimentos foi os indicadores
sociais externos, lembrando que estes estão relacionados a investimentos voltados a ações
relacionadas diretamente a sociedade.
Contudo, ao observar todas as análises efetuadas acima, verifica-se que devido à falta
de obrigatoriedade em relação à divulgação o do Balanço Social, no Brasil, faz com que as
empresas que optem por publicarem-no, voluntariamente, acabem por fazê-lo sem a
responsabilidade de divulgar todos os itens de investimentos nos indicadores sociais e
ambientais, na maioria das vezes, de acordo com seus interesses, evidenciando o que desejam
na forma que desejam e, em alguns casos, omitem gerando assim manipulação dos dados
dando um caráter positivo ao relatório. Isto acaba por tornar o BS um instrumento com
essência perdida.
A Petrobras, na tentativa de se adequar aos padrões internacionais e atender às
exigências emanadas da sociedade, optou por investir na publicação do relatório que visa
informar suas ações socioambientais, neste caso optou pela publicação do BS, desde 1998,
fato este que perdeu sua funcionalidade a partir do momento em que deixou de relacionar os
valores investidos, individualizando-os pelos itens de cada Indicador socioambiental. Mas a
partir de 2002 a empresa vem se adequando de modo gradual a qualidade e quantidade das
informações contidas nos seus relatórios.
No período analisado, a qualidade dos demonstrativos sociais da Petrobras foi
analisada sob uma das quatro perspectivas propostas por Siqueira e Vidal (2003), que é a
potencialização do resultado. O que se observou nesta análise é que os relatórios sociais da
empresa apresentaram uma melhoria de qualidade na demonstração adequada dos
investimentos efetuados.
A potencialização de resultados tem diminuído através da inclusão de valores
detalhados nos indicadores, sem deixar valores vagos. A transparência dos relatórios passa a
ocorrer a partir de 2003, como observado através dos indicadores sociais externos, cujos
valores deixaram de ser lançados em um único item, como total dos investimentos. Contudo,
os problemas ainda existem.
Mesmo com o detalhamento dos valores, observou-se a concentração de investimentos
em itens específicos, como se observa nos indicadores sociais internos, cujos valores dos
investimentos mesmo que aumentados se acumulam, necessariamente uma obrigatoriedade
72
legal, as contribuições sociais compulsórias, durante todo o período de 1998 a 2012, mas
observa-se que a partir de 2001 aumenta-se o investimento em educação e saúde.
Também ao se observar a influencia do ambiente nos investimentos efetuados em
responsabilidade socioambiental, observou-se que a relação de todos os indicadores com as
receitas investidas, neles nos anos de 1998 a 2012. O ano de 2012 foi o mais relevante a
respeito dos investimentos efetuados, visto que neste ano a Petrobras está com ótima visão de
mercado com índices de lucratividade superior a outros anos com o qual houve um aumento
de sua exportação. Fatores esses que aumentaram a possibilidade de investimento em ações
socioambientais, pois quanto maior a viabilidade da empresa no ambiente externo, maior será
sua viabilidade financeira.
Apesar da certeza da influência ambiental no investimento em RSE não ser
declaradamente evidente, observa-se que os fatores financeiros da empresa no mercado, a
influencia de incentivos fiscais e a visão da sociedade, fazem com que a empresa se preocupe
em investir em fatores sociais e ambientais como retribuição a benefícios ou por estratégia de
marketing, na busca de melhorar a imagem da empresa perante os seus stakeholders.
4.7 ANÁLISE COMPLEMENTAR
Para a análise complementar aqui apresentada, foram observados dados no período
referentes aos anos de 2001 a 2012, visto que não havia informações completas no período
relacionado de 1998 a 2000, totalizando 12 observações para cada variável. Além disso, as
variáveis independentes “indicadores sociais internos, externos e ambientais” por se tratarem
de dados expressos em milhões, sofreram um escalonamento dos dados na sua unidade de
medida, onde estas variáveis passaram para x/1.000.000, por assim, apresentar os dados em
unidades de medida mais conveniente.
Cabe ressaltar que o cálculo para a obtenção da equação de regressão múltipla para as
variáveis dependentes ROA e ROE, e as variáveis independentes, indicadores sociais internos
e externos e os indicadores ambientais, foram realizados através dos programas MINITAB e
Excel.
73
4.7.1 Roa
A análise de Regressão Múltipla revelou que para a variável dependente ROA e as
variáveis explicativas (indicadores sociais internos e externos, e os indicadores ambientais) o
valor de F não é significativo estatisticamente (p = 0,3244) ao nível α = 5% (veja Tabela 5).
Logo, não se rejeita a hipótese de nulidade de não haver regressão, ou seja, de que as
variáveis independentes não exercem influência na variável dependente Roa, segundo o
modelo proposto.
O modelo obtido pela análise de regressão apresentou correlação no valor de 58%, o
que revela uma baixa associação entre as variáveis independentes (indicadores sociais
internos, externos e ambientais) e a variável dependente ROA, utilizadas no modelo (Tabela
6). Além disso, o coeficiente de determinação (R2) encontrado foi de 34%, o que mostra o
baixo poder de explicação do modelo aos dados, ou seja, não existe uma associação estreita
entre as variáveis analisadas, logo, o modelo não se ajusta bem aos dados.
Tabela 5 – ANOVA para o modelo de regressão da variável dependente ROA e as variáveis
independentes (indicadores sociais internos e externos, e os indicadores ambientais).
gl
SQ
MQ
F
p-valor
Regressão 3 0.006752301 0.002251 1.353314 0.324436425
Resíduo
8 0.013305214 0.001663
Total
11 0.020057515
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
Tabela 6 – Estatísticas da análise de Regressão Múltipla.
Estatística de regressão
R múltiplo
0.580212842
R-Quadrado
0.336646942
R-quadrado ajustado
0.087889545
Erro padrão
0.040781757
Observações
12
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
4.7.2 Roe
Para o modelo de Regressão Múltipla entre a variável dependente ROE e as variáveis
independentes (indicadores sociais internos e externos, e os indicadores ambientais) houve a
necessidade de transformar certas variáveis utilizando artifícios aritméticos a fim de melhorar
74
o nível de significância das variáveis e obter assim, uma melhor equação para o modelo. A
Tabela 7 apresenta as transformações realizadas nas variáveis.
Tabela 7: Transformações aritméticas das variáveis.
Variáveis
ROE
Transformações
Ln(y)
Indicadores sociais internos (ISI)
X1
Indicadores sociais externos (ISE)
Ln(X2)
Indicadores ambientais (IA)
Ln(X3)
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
A análise de variância revela que o valor de F da regressão é significativo, ao nível de
5%, com um p = 0.0011, logo, se rejeita a hipótese de nulidade de não haver regressão para os
dados, ou seja, existe influência das variáveis independentes sobre a variável dependente
(Tabela 8). Além disso, o modelo apresenta uma correlação forte entre as variáveis com um
valor de 92% e um coeficiente de determinação (R2) com um alto grau de ajustamento dos
dados ao modelo, com um valor de 86%, como mostra a Tabela 9. Assim, 86% da variação da
ROE são explicados pelos indicadores. Isso revela que é vantajosa a adoção do modelo de
regressão múltipla para explicar o balanço patrimonial em função dos indicadores.
Ressalte-se ainda, que entre os coeficientes de regressão, somente a variável
indicadores ambientais não apresenta significância estatística (p = 0.2012), ao nível de 5%
(veja Tabela 10). Isso mostra que as variáveis indicadores sociais internos e externos são as
que mais explicam a variação do ROE, ou seja, são as que mais influenciam no modelo de
regressão para a variável ROE.
Tabela 8 – ANOVA para o modelo de regressão da variável dependente ROE e as variáveis
independentes (indicadores sociais internos e externos, e os indicadores ambientais).
gl
SQ
MQ
F
p-valor
Regressão
3
2.665451094
0.888484
15.49708
0.00107395
Resíduo
8
0.458658683
0.057332
Total
11
3.124109777
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
Tabela 9 – Estatísticas da análise de Regressão Múltipla.
Estatística de regressão
R múltiplo
0.923681
R-Quadrado
0.853187
R-quadrado ajustado
0.798133
Erro padrão
0.239442
Observações
12
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
75
Tabela 10: Teste estatístico t para os coeficientes de regressão.
Coeficientes
-4.1853
-0.21249
1.093714
-0.43544
Interseção
Indicadores Sociais Internos
LN_ISE
LN_IA
Erro padrão
1.542536277
0.054582991
0.46221765
0.312725152
Stat t
-2.71326
-3.89294
2.366231
-1.39242
p-valor
0.026524
0.00459
0.045513
0.201277
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
Obtêm-se a equação de regressão múltipla, que é expressa da seguinte forma:
Para verificar a adequação do modelo proposto é necessário investigar a hipótese de
normalidade dos resíduos e de homocedasticidade da variância. Análise de resíduos verifica
se não é violada a suposição dos resíduos apresentarem média zero e variância comum. A
Figura 17 mostra o gráfico de normalidade dos resíduos e a Figura 18 mostra o gráfico dos
resíduos versus valores ajustados. De acordo com a Figura 17, observa-se que os valores se
dispõem ao longo da reta, o que evidencia que os resíduos são normalmente distribuídos. Já a
Figura 18 apresenta resíduos homocedásticos, por não haver em sua distribuição um padrão,
ou seja, que os resíduos estão distribuídos aleatoriamente, além de não apresentarem em sua
distribuição valores extremos ou atípicos.
Figura 17 – Gráfico da normalidade para os resíduos do modelo de regressão múltipla.
P r o b a b i l i d a d e N o r m a l d o s R e s í d uo s
99
95
90
80
Percent
70
60
50
40
30
20
10
5
1
-3
-2
-1
0
1
S t a n d a r d iz e d R e s id u a l
2
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
3
76
Figura 18: Gráfico dos resíduos versus valores preditos (ajustados) do modelo de regressão
múltipla.
Resíduos versus valores ajustados
Standardized Residual
2
1
0
-1
-2
-2.8
-2.6
-2.4
-2.2
-2.0
-1.8
-1.6
V a lores predit os
-1.4
-1.2
-1.0
Fonte: Elaborado pela autora, adaptado dos dados dos BS e BP da Petrobras de 2001 a 2012.
De acordo com os resultados encontrados, apesar da limitação da amostra estudada de
2001 a 2012, observa-se com a análise das variáveis, que existe relação entre a performance
financeira da Petrobras e as variáveis de RSE expostas pela mesma, utilizadas na amostra.
Desse modo, observou-se que os investimentos sociais não podem ser justificados só pelos
aspectos éticos ou filosóficos, mas também pelos reflexos financeiros em uma empresa,
destacando-se que a relação entre os indicadores e o ROE se fizeram positivas, e em relação
ao ROA se fizeram negativas, e que os indicadores ambientais demandam atenção
administrativa, pois estes de nada influenciaram na Empresa, visto a questão ambiental ter de
ser a de maior atenção da Petrobras, por estar diretamente relacionada a atividade principal e a
seus principais projetos, e foi a que obteve menor investimento por parte da empresa.
77
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo teve por foco de análise a relação entre investimentos em
responsabilidade social e ambiental descritos no Balanço Social da Petrobras e as
contingências do campo ambiental. Para tal, foram analisados dados dos balanços sociais da
empresa, no período de 1998 a 2012. Em alinhamento aos objetivos propostos, visando
constatar a evolução qualitativa dos Balanços Sociais da Petrobras, no período de 1998 a
2012, e verificar se as influências ambientais contribuíram positivamente ou negativamente
para com os investimentos demonstrados nos Balanços Sociais, publicados no período do
estudo. A partir da compilação dos dados do BS efetuou-se uma análise entre os totais
investidos e cada item lançado referente aos indicadores sociais e ambientais do BS,
verificando qual o indicador e elemento que obteve mais relevância, além de seu
desenvolvimento com o passar dos anos, após isso foi verificada a relação dos valores
investidos com as influências ambientais.
Os resultados do estudo indicaram que, entre 1998 e 2001, não há como efetuar uma
análise quantitativa mais consistente devido à falta de detalhamento das informações lançadas
no BS. Em 2003, mesmo com os valores individualizados, observou-se que alguns itens
obtiveram os maiores investimentos por parte da empresa, tais como os tributos, com 100%
de investimento em 1998; 99,3% em 2003; 99,6% em 2012; e encargos sociais compulsórios
com 52% dos investimentos, em 1998; 48% em 2001 e 54% em 2012. Observou-se que em
2001 esses itens tiveram seus percentuais de investimento reduzidos, em média 1%, e esse
percentual foi transferido para outros elementos, como investimentos em saúde e educação.
Em relação a influências ambientais nos investimentos socioambientais por parte da
Petrobras, verificou-se que o ano de 2012 foi o mais relevante, pois nesse período a Petrobras
teve visão de mercado otimizada, com índices de lucratividade superior a outros anos. Esses
fatores aumentaram a possibilidade de investimento em ações socioambientais, pois quanto
maior a viabilidade da empresa no ambiente externo, maior a sua viabilidade financeira. Isso
evidencia o que Lourenço e Schroder mostram em seus trabalhos (2003), conforme o enfoque
de Maom, Lindgree e Swaen (2010), que as empresas têm apostado mais em investimentos
sociais para atingir os seus stakeholders, especialmente aquelas que atuam no mercado
internacional.
Observou-se que a relação entre os indicadores do BS e as influências ambientais
neste, foi evidenciada com a avaliação dos fatores financeiros da Petrobras no mercado, pois o
desempenho financeiro, a influência de incentivos fiscais e a visão da sociedade a seu
78
respeito, fizeram com que a empresa se preocupasse em investir em fatores sociais e
ambientais na busca de melhorar sua imagem perante os seus stakeholders.
Devido à relação financeira como uma das influências ambientais é que se optou por
fazer uma análise complementar, para tentar verificar a real relação entre o financeiro e os
indicadores do BS. Com isso observou-se a influência direta deste nos indicadores, através de
uma análise quantitativa – análise de regressão linear múltipla – com a qual foi dada maior
relevância ao ROE, que obteve resultado positivo de 92% e um coeficiente de determinação
(R2) mostrando que os rendimentos da Petrobras influenciam nos investimentos sociais e
ambientais efetuados pela empresa.
A relação entre os investimentos sociais e ambientais constantes no BS da Petrobras
sofreu diretamente com as influências ambientais e estas se tornam mais evidentes quando se
relaciona o desempenho na Petrobras no mercado, pois quanto maiores eram seus rendimentos
em um ano, como consequência no ano posterior a empresa investia mais em ações, ou se não
aumentava o investimento, o realocava para melhorar sua visão em função dos fatores
investidos.
Com base no resultado das análises, qualitativa e quantitativa, verificou-se que os
indicadores ambientais do BS foram os que obtiveram menor percentual de evolução em
relação aos investimentos por parte da empresa, sendo que tais indicadores deveriam ser os de
maior relevância, considerando o contexto político e institucional marcado pelo debate e
preocupações ambientais e o fato de a atividade principal da empresa ser fortemente
influenciada por estes.
Considerando as especificidades da atividade produtiva desenvolvida pela Petrobras,
sua importância econômica e os riscos ambientais e sociais a ela associados, bem como o
atual contexto institucional que define regras mais rígidas em relação ao uso de recursos
naturais e impactos ambientais causados pelas atividades humanas, fazem-se necessárias
pesquisas futuras que possam subsidiar análises mais detalhadas das contingências
ambientais, mais especificamente aquelas relacionadas à questão ambiental, e sua relação com
a dinâmica das organizações e os instrumentos de gestão utilizados para responder as
demandas externas relacionadas a esse campo.
79
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86
APÊNDICES
APÊNDICE 1
Quadro 10 – Composição atual do Capital Social da Petrobras.
Capital Social
30/04/2014
%
31/03/2014
%
Ações Ordinárias
7.442.754.142,00
100
7.442.454.142,00
100
União Federal
3.740.470.811,00
50,3
3.740.470.811,00
50,3
11.700.392,00
0,2
11.700.392,00
0,2
734.202.699,00
9,9
734.202.699,00
9,9
6.000.000,00
0,1
6.000.000,00
0,1
-
0
-
0
1.536.937.750,00
20,7
1.520.787.382,00
20,4
149.418.669,00
2
149.062.069,00
2
598.289.477,00
8
626.649.789,00
8,4
665.434.344,00
8,9
653.581.000,00
8,8
5.602.042.788,00
100
5.602.042.788,00
100
-
0
-
0
1.341.348.766,00
23,9
1.341.348.766,00
23,9
161.596.958,00
2,9
161.596.958,00
2,9
Fundo de Participação Social - FPS
-
0
-
0
Fundo Soberano - FFIE
-
0
-
0
ADR, Nível 3 e Regra 144 -A
1.505.473.260,00
26,9
1.390.073.626,00
24,8
Estrangeiros (Resolução nº 2.689 C.M.N)
1.012.594.264,00
18,1
1.046.347.239,00
18,7
Demais pessoas físicas e jurídicas (1)
1.581.029.540,00
28,2
1.662.676.199,00
29,7
13.044.496.930,00
100
13.044.496.930,00
100
União Federal
3.740.470.811,00
28,7
3.740.470.811,00
28,7
BNDESPar
1.353.049.158,00
10,4
1.353.049.158,00
10,4
895.799.657,00
6,9
895.799.657,00
6,9
6.000.000,00
0
6.000.000,00
0
-
0
-
0
ADR (Ações ON)
1.536.937.750,00
11,8
1.520.787.382,00
11,7
ADR (Ações PN)
1.505.473.260,00
11,5
1.390.073.626,00
10,7
149.418.669,00
1,1
149.062.069,00
1,1
1.610.883.741,00
12,3
1.672.997.028,00
12,8
2.246.463.884,00
17,2
2.316.257.199,00
17,8
BNDESPar
BNDES
Fundo de Participação Social - FPS
Fundo Soberano - FFIE
ADR Nível 3
FMP - FGTS Petrobras
Estrangeiros (Resolução nº 2.689 C.M.N)
Demais pessoas físicas e jurídicas
(1)
Ações Preferenciais
União Federal
BNDESPar
BNDES
Capital Social
BNDES
Fundo de Participação Social - FPS
Fundo Soberano - FFIE
FMP - FGTS Petrobras
Estrangeiros (Resolução nº 2.689 C.M.N)
Demais pessoas físicas e jurídicas
(1)
1 - Contempla custódia BOVESPA e demais entidades
Fonte: Site da Petrobras: http://investidorpetrobras.com.br/pt/acoes-e-titulos-de-dividas/prospectos/#
87
APÊNDICE 2
Quadro 11 – Dados dos BP da Petrobras de 1998 a 2012 em milhares de Reais.
Lucro Liquido
Total
Ano
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
8.100.516
8.165.456
18.950.262
16.887.398
23.724.723
25.918.920
21.511.789
32.987.792
33.344.000
35.910.000
33.110.000
20.959.000
Ativo Total
Patrimônio Liquido
total
76.681.011
85.539.226
113.129.199
154.895.790
164.666.366
183.521.108
210.538.129
177.854.034
228.588.564
350.419.000
519.970.000
600.097.000
677.716.000
Fonte: Dados dos Balanços Patrimoniais da Petrobras publicados no seu site.
28.754.157
30.738.339
32.863.223
49.555.558
62.130.169
78.785.236
97.530.648
113.854.127
138.365.282
166.895.000
310.225.000
332.224.000
345.433.000
88
APÊNDICE 3
Tabela 1 – Dados de Importação de petróleo, 2003 – 2012.
Meses
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total do Ano
2003
10.137.655
10.885.333
9.333.301
12.677.176
5.964.047
9.491.365
8.732.302
10.576.377
13.015.997
14.840.516
12.474.022
6.435.850
124.563.941
2004
13.493.231
8.923.097
13.080.555
17.084.924
19.037.351
15.548.148
15.884.820
14.481.655
11.646.371
13.609.946
11.543.631
13.631.959
167.965.689
2005
12.948.760
14.695.090
11.025.970
7.825.842
15.508.392
8.004.328
11.188.438
13.903.004
8.011.550
9.580.647
11.550.176
12.901.788
137.143.985
2006
7.239.341
9.944.876
13.906.859
10.694.806
12.412.589
10.422.342
9.262.853
16.376.094
8.545.034
11.219.156
15.013.218
5.453.618
130.490.786
2007
13.948.564
10.442.284
15.614.455
11.049.817
12.295.930
10.152.959
16.818.550
10.844.862
13.444.400
17.545.598
13.904.400
12.336.558
158.398.377
2008
9.792.357
11.114.692
11.314.988
10.217.629
15.402.639
16.801.353
14.461.295
14.774.673
10.823.111
13.216.394
7.500.666
12.633.657
148.053.454
2009
10.711.085
11.966.480
10.911.660
11.054.607
13.479.951
12.619.963
13.123.466
8.918.674
15.271.488
11.868.845
10.448.196
12.028.485
142.402.900
2010
7.930.147
11.043.871
11.048.541
11.888.041
9.860.786
11.373.369
14.737.327
6.705.512
11.037.830
8.109.157
10.188.846
8.768.452
122.691.880
Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Notas: Inclui as importações de condensado das Centrais Petroquímicas.
Petróleo: inclui óleo e condensado. Não inclui LGN.
(bep) = barril equivalente de petróleo.
2011
6.386.750
11.617.220
11.657.873
13.511.055
11.411.363
10.507.506
6.403.642
8.842.942
8.995.131
12.054.083
11.079.446
7.867.547
120.334.558
2012
9.378.488
6.006.517
8.548.500
12.610.821
9.684.747
14.137.410
11.668.168
4.243.468
8.972.648
3.540.232
13.689.893
10.585.259
113.066.150
89
APÊNDICE 4
Tabela 2 – Dados de Exportação de petróleo, 2003 - 2012
Meses
Janeiro
Fevereiro
Março
Abril
Maio
Junho
Julho
Agosto
Setembro
Outubro
Novembro
Dezembro
Total do Ano
2003
5.647.121
11.526.104
8.840.890
4.732.600
6.180.082
6.429.900
7.017.337
5.053.668
9.157.801
9.332.595
7.467.068
11.506.803
92.891.969
2004
9.652.989
8.146.102
10.410.304
2.824.660
8.746.275
10.047.670
8.086.582
10.980.892
2.040.835
6.010.102
5.365.992
6.374.558
88.686.960
2005
8.296.863
6.117.337
3.782.343
7.610.104
8.471.964
621.497
23.386.341
14.525.881
11.368.419
3.927.862
10.354.995
7.001.191
105.464.796
2006
17.517.180
5.012.712
7.725.805
8.711.798
7.380.696
8.186.277
15.722.406
12.623.792
17.564.902
11.286.984
12.498.895
17.176.624
141.408.071
2007
15.726.498
12.195.586
12.452.653
14.964.259
11.609.539
9.765.850
13.011.306
15.102.126
12.548.360
15.696.907
10.813.363
18.023.244
161.909.692
2008
8.086.927
8.283.489
4.493.976
2.035.047
22.208.061
17.108.618
13.093.091
17.803.466
11.844.374
15.703.550
18.924.192
26.849.131
166.433.920
2009
13.020.701
17.192.584
11.747.952
15.922.415
17.257.384
13.468.146
25.036.473
25.287.441
11.797.062
19.884.307
17.231.898
14.112.500
201.958.864
Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Notas: (bep) = barril equivalente de petróleo.
2010
15.685.759
18.655.535
23.270.998
18.973.672
24.422.556
18.457.898
11.079.403
22.153.998
19.454.087
10.739.273
19.391.198
40.341.513
242.625.890
2011
15.184.760
20.832.903
13.865.914
16.347.653
26.163.983
18.406.146
20.901.072
24.426.774
15.888.419
18.208.416
15.894.517
26.143.838
232.264.397
2012
16.142.920
17.429.427
21.224.124
20.900.152
17.013.105
11.039.065
15.459.474
26.496.178
16.290.598
8.500.511
16.262.848
24.326.070
211.084.473
90
ANEXOS
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