Federação Portuguesa de Patinagem Direcção Técnica Nacional Documento Orientador Estruturação e Organização da Selecção Nacional de Juvenis Índice 1. Introdução................................................................................................................. 3 1.2. Objectivos.............................................................................................................. 3 2.1. Detecção ................................................................................................................ 4 2.1.1. Observação ......................................................................................................... 5 2.2. Critérios de Selecção ............................................................................................ 6 3.1. Caracterização dos jogadores por posição............................................................. 8 2 1. Introdução O Hóquei em Patins para projectar o seu futuro requer harmonia e diálogo, torna-se necessário promover e desenvolver uma estratégia colectiva de acção, de programas e ideias que equacionem o desenvolvimento quantitativo e qualitativo da modalidade, pois futuro exige responsabilidade. Tendo assumido a Estrutura Técnica das Selecções Nacionais no seu Documento Orientador (Selecções Nacionais/projecto2004) que a sua principal prioridade deve centrar-se no processo de detecção e selecção de “novas promessas” e na forma como devem ser enquadrados visando a “confirmação dos seus talentos”, bem como devem ser orientadas, formadas e preparadas as Selecções Nacionais, decidiu elaborar este documento que pretende dar a conhecer as orientações específicas para o trabalho a desenvolver com a Selecção Nacional de Juvenis, tendo em vista a participação na competição internacional em condições que garantam, a curto prazo a conquista do título europeu da categoria e a médio e longo prazo a melhoria da performance individual e colectiva que se traduza numa “cultura de selecção”. 1.2. Objectivos Treinar / Coordenar uma equipa / selecção sendo uma tarefa condicionada por uma multiplicidade de factores (o Hóquei em Patins é um desporto de rendimento multifactorial), implica a tomada de decisão por um conjunto de linhas orientadoras que sustentarão os objectivos a atingir, sem contudo perder a noção que atleta/equipa precisam de tempo e oportunidade para se formarem tacticamente, e que a sua evolução está obviamente dependente de uma prática continuada e de uma avaliação constante dos resultados obtidos nessa mesma prática. Pretende-se assim: • Promover a análise e discussão sobre a formação de praticantes; • Preconizar um modelo de atleta, de jogo e de preparação, que pensamos ajustado às Selecções Nacionais; • Definir e dar a conhecer critérios de intervenção nos vários planos de formação de uma Selecção Nacional; • Orientar os Seleccionadores Distritais; • Auxiliar os Treinadores ligados à Formação de Praticantes. 3 2. Detecção e Selecção 2.1. Detecção As Selecções Nacionais são o resultado da interacção Clubes-AssociaçõesFederação. Escusado será dizer que quanto melhor a intervenção do Clube nos diferentes factores do treino técnico, táctico, físico e psicológico, ao longo das etapas de desenvolvimento desportivo do praticante, respeitando princípios científicos e pedagógicos, melhor será o “produto” Selecções Nacionais. Importa também assumir com frontalidade que apesar de ser uma competência sua, não é de todo possível que a detecção de jogadores com elevado potencial seja realizada apenas pelo Seleccionador Nacional ou pela Estrutura Técnica das Selecções Nacionais, este papel deve ser desempenhado em cooperação com as Associações através das suas Estruturas Técnicas Distritais caso existam ou através dos Seleccionadores Distritais. Detecção da responsabilidade da Equipa Técnica da Selecção de Juvenis e restante Estrutura Técnica das Selecções Nacionais: • Observação de Provas Distritais de Infantis, Iniciados e Juvenis; • Observação dos Campeonatos Nacionais de Infantis, Iniciados e Juvenis; • Torneios Particulares; • Torneios Associativos a nível de Selecções Distritais; • Torneio Inter-Regiões; • Estágios da responsabilidade da FPP. Detecção da responsabilidade das Estruturas Técnicas Distritais ou Seleccionador Distrital: • Observação de Provas Distritais de Iniciados e Infantis; • Observação do Campeonato Nacional de Iniciados e Infantis; • Estágios de observação de jogadores para a Selecção Distrital. 4 2.1.1. Observação A observação de atletas é um momento crucial e fundamental da construção de uma Selecção Nacional. Como todos sabemos a produção do conhecimento científico ainda não tornou possível um instrumento de observação 100% eficaz e fiável que permita a quem escolhe o fazer sem cometer falhas. Observar atletas a treinar ou jogar nos seus Clubes, nas Selecções Distritais ou em Estágios de âmbito Regional ou Nacional, continua a ser o método de observação mais eficaz para elaborar o “produto final” de uma Selecção. Na observação que realizamos de jogos no Clube ou nas Selecções Distritais preenchemos uma ficha de apoio com os seguintes parâmetros: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Cinco Inicial (1ª e 2ª Parte); Lateralidade; Função; Zona Privilegiada de Acção; Patinagem Hoquista; Condução de Bola; Passe/Recepção; Drible/Finta; Remate (Dir/Esq); Aclaramento à condução de bola; Desmarcação; Passe e Corte; 1x1 (situação ofensiva); 1º Passe (contra-ataque); Ocupação dos Corredores (contra-ataque); Finalização (contra-ataque); Posição Básica Defensiva; Defesa ao Jogador com bola; Defesa ao Jogador sem bola lado/ da ajuda; Defesa ao Jogador sem bola; Guarda Redes • Sentido Posicional; • Técnica de Baliza; • Saída de baliza, contra acções de superioridade numérica; • Tomada de Decisão; • Capacidade de Liderança. 5 Na observação que realizamos nos Estágios de âmbito Regional e durante o Torneio Inter-Regiões para além de muitos dos parâmetros anteriores reforçamos a observação com: • • • • • • • Altura; Envergadura; Peso; Circunferências; Pregas; Diâmetros; Comprimento da Mão. 2.2. Critérios de Selecção (Selecções Distritais) Reconhecendo o trabalho dos Seleccionadores Distritais, e considerando como muito importante a sua acção na Selecção e Detecção de atletas, e por forma a tornar mais objectivo e direccionado a sua acção para as necessidades das Selecções Nacionais propomos, que a sua escolha possa tomar em consideração: • 1 Guarda-Redes que utilize e domine com segurança a Patinagem Específica e a Técnica/Táctica Individual de Baliza; • 1 jogador que domine os princípios defensivos e utilize com eficácia a meia distância; • 1 jogador que domine os princípios defensivos e utilize com eficácia a transição defesa - ataque; • 1 jogador que domine os princípios ofensivos e forte no 1x1; • 1 jogador que domine os princípios ofensivos e que actue com eficácia no último terço da pista; • 1 jogador que apresente condições físico - atléticas (velocidade, força....) excepcionais para a sua idade; • 1 jogador que apresente características mentais - psicológicas (capacidade de liderança, espírito de iniciativa, criatividade, coragem...) de relevo para a idade. 6 3. Constituição da Selecção Nacional Tendo em conta o trabalho anterior, procuramos construir uma equipa equilibrada, cuja constituição óptima é a seguinte: • 1 Guarda-Redes que utilize e domine com segurança a Patinagem Específica e a Técnica/Táctica Individual de Baliza; • 1 Guarda-Redes que domine a Técnica/Táctica Individual de Baliza, independentemente da Posição Base que adopta; • 1 jogador que domine os princípios defensivos e utilize com eficácia a meia – distância; • 1 jogador que domine os princípios defensivos e utilize com eficácia a transição defesa – ataque; • 2 jogadores que dominem os princípios ofensivos e fortes no 1x1; • 1 jogador que domine os princípios ofensivos e que actue com eficácia no último terço da pista; • 1 jogador que apresente características mentais - psicológicas (capacidade de liderança, espírito de iniciativa, criatividade, coragem...) de relevo para a idade; • 2 jogadores Universais. Independentemente das características anteriores, teremos sempre presente como critério a capacidade para jogar em diferentes posições, pois pensamos ser importante neste escalão não promover uma especialização definitiva das funções a desempenhar por cada jogador. Privilegiaremos ainda em condições de igualdade de critérios entre um atleta de 1º ano e 2º ano, o mais jovem que pode participar em dois Campeonatos da Europa consecutivos. Tal facto resulta do nosso conceito, de que a Selecção Nacional de Juvenis deve ser estruturada não apenas para uma Competição, mas sim dentro de uma lógica de progressão e desenvolvimento sustentado. 7 3.1. Caracterização dos jogadores por posição Neste ponto descrevemos as funções a desempenhar por cada jogador de acordo com a sua posição no campo. O Guarda-Redes deve: 9 Ter sentido posicional; 9 Ser capaz de comunicar e organizar os colegas defensivamente; 9 Estar em permanente atitude de pensar e executar; 9 Ter vontade e desejo de evitar e sofrer golos; 9 Ter o domínio das diferentes formas de defender, em particular o: - 1xGR - 1x1+GR - 2xGR - 2x1+GR 9 Ter o controlo dos remates; 9 Ser capaz de utilizar o setique para desarme; 9 Ser capaz de lançar o contra-ataque. O Defesa deve: 9 Ser bom defensor; 9 Ser muito activo no ressalto defensivo; 9 Ter domínio na condução/controlo de bola e passe que lhe permita desempenhar funções ofensivas; 9 Rematar de meia-distância. O Médio deve: 9 Envolver-se nas acções defensivas: 9 Possuir uma boa noção/leitura do jogo, sabendo impor, privilegiadamente, um ritmo adequado a cada uma das fases do jogo; 9 Ser excelente controlador da bola, bom no passe e razoável rematador; 9 Ser rápido, e capaz de finalizar contra-ataques com segurança; 9 Ser capaz de penetrar para a baliza e finalizar ou “assistir”; 9 Liderar a equipa no campo. 8 Avançado (que utilize mais os corredores laterais) deve: 9 Ser muito agressivo ofensivamente (bom no 1x1); 9 Ser resistente contra defesas agressivas 9 Ser capaz de penetrar com eficácia qualquer tipo de defesa; 9 Ser bom rematador: 9 Ser rápido, e capaz de finalizar contra-ataques com segurança; 9 Ser bom no ressalto ofensivo 9 Ser bom defesa. Avançado (mais próximo da baliza) deve: 9 Ser bom a ganhar posições interiores; 9 Ser bom no ressalto ofensivo; 9 Ser bom a jogar 1x1 de costas para a baliza; 9 Ser bom rematador de curta-distância e capaz de finalizar de diferentes formas perto da baliza (de primeira, desvio...); 9 Sair rápido na saída para o contra-ataque e finalizar com segurança; 9 Participar nas acções defensivas. 4. Preparação O trabalho de preparação desenvolve-se da seguinte forma: Centro de Treino Norte e Sul – integra 12 jogadores em cada Centro; Centro de Treino Nacional – integra 12 a 14 jogadores; Estágios nas interrupções escolares – Curta duração, normalmente com participação em torneios; Estágio Final – Normalmente durante as quatro semanas anteriores à Competição: 9