A Experiência de Reforma do Sistema Hospitalar de Portugal Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca – FIOCRUZ Rio de Janeiro Sumário 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. Introdução Evolução do sistema de saúde em Portugal. Fio condutor das reformas hospitalares. Aceleração do processo da empresarialização dos Hospitais nas últimas duas décadas Os Hospitais SA. 2002-2005. Actualização a 2005. Dificuldades e condições de êxito. Conclusão. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 2 1. Introdução Reforma: inovação e adaptação • «Invenção e imitação são, como se sabe, os actos sociais elementares» (G.Tarde). • Por isso, a reforma que o Brasil vai empreender no domínio dos seus hospitais federais será única e, como obra humana que vai ser, constituirá um mix de inovação e de adaptação do que possa ser exemplar de outras experiências. • Que esse mix, pelo seu desenho e operacionalização, seja exemplar e vitorioso, para que o Brasil dele se possa orgulhar, o seu povo o possa gozar, e para que outros o possam imitar! Bom êxito, desde já! 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 4 Conceito de inovação • «Inovação é uma ideia, prática ou objecto entendido como novo por um indivíduo ou outra unidade de adopção. Pouco interessa, (...) se uma ideia é ou não objectivamente nova quando medida pelo lapso de tempo desde o seu primeiro uso ou descoberta.(...) Se a ideia parece nova para o indivíduo, então é uma inovação». (Rogers) • Portanto, a reforma aqui empreendida será totalmente inovadora para o Brasil e como inovação deve ser abordada. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 5 Difusão • É o processo pelo qual uma inovação é comunicada através de certos canais ao longo do tempo entre os membros de um sistema social. (Rogers) • Os quatro elementos principais do conceito: inovação, canais de comunicação, tempo e sistema social. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 6 O processo de difusão (Rogers) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 7 Inovabilidade • • É o grau de adopção de uma inovação, em mais ou menos tempo. Categorização: 1. 2. 3. 4. 5. • Inovadores Adoptantes precoces. Maioria precoce Maioria tardia. Lanternas vermelhas. Os inovadores são independentes e activos pesquisadores de novas ideias. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 8 Dos inovadores aos retardatários (Rogers) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 9 Reforma Saúde: Crise e Reforma • A saúde é reconhecidamente um domínio de extrema sensibilidade individual e social. • Os diferentes factores que influenciam a sua evolução originam uma situação de crise permanente no dispositivo, desenho e interacção das organizações de prestação de cuidados. • Componentes dos processos de reforma: eficiência, qualidade e equidade. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 11 Relativização • «Nenhum País possui o sistema ‘ideal’ e todos se posicionam para uma crise da despesa». • «O objectivo de uma reforma equilibrada é o alinhamento dos cuidados de saúde com as necessidades dos consumidores e não apenas a contenção dos custos». • «Políticas apropriadas de reforma melhoram a eficiência e a qualidade »(Whitaker e McCarthy). 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 12 Problemas que alimentam a crise • O ritmo de crescimento do consumo de recursos, superior, com frequência, ao ritmo de crescimento da economia. • A necessidade de expansão da oferta: mais consumo de cuidados, mais consumo de recursos. • Indicadores de saúde insatisfatórios (exemplo chocante em Portugal nos anos 80: a taxa de mortalidade infantil). • Insuficiência da oferta de cuidados, conduzindo a listas de espera, nos sistemas tipo SNS. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 13 (2) • Insuficiências do lado dos recursos (humanos, instalações, financeiros, organizacionais, informacionais) • Improdutividade e ineficiência. • O lado negro da realidade: as mortes por causas ligadas aos sistemas e aos processos de trabalho, os danos evitáveis, o mau atendimento, etc) • A desigualdade na resposta a populações vulneráveis. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 14 A não qualidade • Erros evitáveis: pessoas que sofreram consequências negativas de tratamentos ou que morreram em virtude dos mesmos. • Sub-utilização de serviços: pessoas que não recebem os cuidados de que necessitam e que sofrem consequências evitáveis, acrescentam custos e reduzem a sua produtividade. • Uso excessivo de serviços. Ex.:histerectomias, internamentos inapropriados, etc. • Variação na prática de cuidados, fora da ciência médica. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 15 Profundas alterações sociais e outras • • • • O envelhecimento da população. A sua urbanização. A universalização e facilitação do acesso. Os avanços das tecnologias e do conhecimento médicos, a um ritmo nunca dantes experimentado e, para mais, sem abrandamento. • Novas doenças e agravamento de outras. • O crescimento da despesa pública e da carga fiscal: a necessidade de a controlar. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 16 No âmago da crise • No âmago da crise pode situar-se o carácter ilimitado do desejo de ser saudável, conduzindo a um contínuo crescimento da procura de cuidados, num tempo de custos de produção crescentes. • Acresce ainda que os povos do Mundo vivem cada vez menos em isolamento: «People make comparisons. Anybody wishes to live like anybody else», dizia Deming em The New Economics, publicado postumamente em 1994. E acrescentava:«People blame (atribuem a culpa) their plight (condição) on to the government and its leaders, or to management and its leaders». 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 17 A pergunta crucial • Por que método podem os novos líderes trazer melhoria à vida das pessoas? (Deming) • Será que os melhores esforços conduzem à melhoria? • «Best efforts and hard work, not guided by knew knowledge, they only dig (cavam) deeper the pit (buraco/fosso) that we are in» (Deming). 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 18 Que respostas para chegar a mais saúde? • Em primeiro lugar, a melhoria da produtividade dos factores de produção. • Em segundo lugar, o aumento da quantidade dos factores de produção (mais hospitais, alargamento da rede de cuidados de saúde primários, da rede de reabilitação, dos cuidados de saúde domiciliários, da rede de cuidados continuados, mais profissionais, mais equipamentos) • Finalmente, a resposta mais complexa, que é um novo desenho do sistema e dos macroprocessos sociais e da saúde, através dos novos conceitos de gestão da saúde na sociedade e da doença (leia-se, principalmente, doenças crónicas). 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 19 A resposta mais complexa • Significa que envolve todo o sistema, incluindo o subsistema hospitalar. • A concentração apenas nos hospitais poderá significar a optimização do seu sistema produtivo, o que é bom, se for bem conduzido, mas que deixa em aberto o destino do sistema de saúde como um todo e toda a potencialidade de acelerar a obtenção de ganhos de saúde, num contexto de melhoria geral da eficiência. • Esta resposta mais complexa, é hoje o grande desafio. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 20 Reforma centrada nos Hospitais (públicos) Os actores em cena • O Governo (pagador, prestador, representante dos contribuintes, da economia e dos doentes). Central, regional, local. • Os Hospitais (gestores e grupos profissionais). • Terceiros pagadores, compradores de serviços hospitalares. • Fornecedores • Cidadãos. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 22 Pathos • Cada real gasto nos serviços de saúde representa uma despesa para o Governo ou outros pagadores e receita para os Hospitais (prestadores) e fornecedores. O Governo e demais pagadores procuram reduzir o dinheiro que flúi para os prestadores, ao passo que estes e os fornecedores procuram ou desejam aumentar esse fluxo monetário. • No meio de tudo, o cidadão dividido entre a sua qualidade de contribuinte fiscal e cliente dos Hospitais. • Em cada país, o seu pathos específico. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 23 Caminho de saída • Num contexto de evolução e de aceleração da História em que a turbulência ameaça a qualidade das prestações e dos sistemas de saúde e em que os agentes e os cidadãos exigem hoje mais do que nunca melhores níveis de cuidados, é nos fundamentos e nas metodologias da qualidade que podemos encontrar o caminho de saída para a crise. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador 24 Hospitalar A última resposta é a da gestão estratégica da qualidade • Juran distingue duas perspectivas da qualidade: – A das características do produto ou serviço, em que as acções de melhoria se exercem sobre as características dos mesmos (melhores hospitais, novos medicamentos, nova tecnologia). Em geral, quanto maior for a qualidade maior é o custo. – A da ausência de defeitos (no caso da Saúde: menos mortes ou danos por erro, ou causa evitável, menos desperdício, minimização da duplicação de trabalho, p.ex. reinternamentos pela mesma causa, menos regressos ao Serviço de Urgência, na proximidade temporal imediata ). • Gestão estratégica da qualidade significa: planeamento, controlo e melhoria contínua da estrutura dos processos e dos resultados. Esta parece ser a única via. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 25 Contributo da qualidade • Pela redução do desperdício, reduz-se a despesa e libertam-se recursos. 20/30% dos custos da saúde constituem puro desperdício. Berwick diz mesmo que nos EUA esse valor pode atingir 50%. • Por um aumento da receita, tendo em conta as perdas ligadas à facturação e cobrança. • Pela garantia de segurança dada pelas organizações votadas à qualidade. • Pela identificação dos doentes com as organizações de saúde, a partir do momento em que passaram a ver as coisas como os seus clientes as vêm e sentem. • Pela identificação dos profissionais com a organização onde trabalham. Esta é que é a verdadeira oportunidade! 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 26 Razões para empresarializar os hospitais Públicos • O crescimento dos custos de exploração e de inovação? • A insuficiência dos Orçamentos, sejam federais, sejam estaduais, ou municipais? O nível elevado da carga fiscal? • A baixa produtividade ? • A insatisfação dos utentes? • A insatisfação dos profissionais? • A pouca flexibilidade da gestão pública tradicional, directa ou indirecta ? 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 27 A resposta resumo • Os Hospitais públicos estão a ser empresarializados simplesmente porque são empresas em si mesmas. • À medida que se reconhece a verdadeira natureza dos hospitais, enquanto complexas organizações produtivas de serviços, é forçoso reconhecer que a forma e os métodos de gestão aplicáveis têm que ser os da gestão empresarial. • O modelo de serviço público tradicional aplicado aos hospitais chegou ao fim, qualquer que seja a forma empresarial ou quase empresarial que se adopte para o substituir. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 28 Sistema e interdependência das suas componentes Deming: conceito de sistema • «Um sistema é uma rede de componentes interdependentes que agem em conjunto para tentar atingir o objectivo do mesmo» • «Sem objectivo não há sistema» • Um sistema precisa de ser gerido. Não se gere por si mesmo» • O segredo está na cooperação entre as componentes tendo em vista o objectivo do sistema». 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 30 Deming, sobre a interdependência das componentes de um sistema • The greater the interdependence between components, the greater will be the need for comunication and cooperation between them. • The efforts of various divisions in a company, each given a job, are not additive. Their efforts are interdependent. One division, to achieve its goals, may, left to itself, kill the others. • An example of a system, well optimized is a good orchestra. The players are not there to play solos as primma donnas, each trying to catch the ear of the listener. They are there to support each other. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador 31 Hospitalar A necessidade de integração • Os hospitais estão perante o desafio de passarem de uma estrutura funcional para uma estrutura integradora. A maior parte dos hospitais mantém a estrutura decorrente da especialização dentro da carreira médica e entre profissões. • O desafio coloca-se, todavia, do lado do continuum de cuidados, colocando o doente no centro da organização. • Bons colaboradores não basta. Não considerar a influência da estrutura nos resultados, significa alienar uma parte significativa do potencial de melhoria. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 32 (2) • Na maior parte dos hospitais tradicionalmente estruturados nenhum serviço tem a responsabilidade dos doentes ao longo de todo o processo de cuidados. • O modelo de acreditação da JCI, que estamos a difundir nos Hospitais SA em Portugal, tem uma filosofia integradora que nos poderá ajudar a resolver o problema. • Não nos diz, porém, como estruturar. Isso temos que ser nós a resolver. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 33 O contexto próprio do Brasil Objectivos da reforma geral da AP no Brasil • Modernizar a Administração Pública brasileira. • Flexibilizar a gestão da Administração Pública. • Favorecer a eficácia e a eficiência da ação governamental. • Melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados aos cidadãos. Melhorar as relações entre a Administração Pública e os cidadãos. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 35 Os Hospitais Federais No cumprimento da sua missão institucional, a SEGES/DMI elegeu a área da saúde como foco prioritário, com base na realidade constatada para os hospitais federais, ao considerar que a efetiva implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) demanda a redefinição do modo de inserção dessas instituições na rede de serviços públicos de saúde, devido a que os atuais modelos jurídicos da administração direta (hospitais federais) e indireta (fundações e autarquias) têm se mostrado insuficientes para fazer face às complexidades inerentes à gestão hospitalar. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 36 A situação • A actual modalidade jurídico-institucional dos hospitais federais não assegura agilidade e flexibilidade a importantes processos de gestão, como aquisição, incorporação tecnológica, contratação, estruturação de carreira e remuneração de servidores, enquanto que as iniciativas de construção de alternativas têm sido frequentemente contestadas pelos órgãos de controle interno e externo da acção governamental, em particular o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público da União. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 37 2. Evolução do sistema de saúde em Portugal Evolução do sistema de saúde português • Componentes até à revolução de 25 de Abril de 1974: – Misericórdias, com origem no começo do século XVI, proprietárias da maior parte dos hospitais. – Serviços Médico-Sociais, que prestavam cuidados aos beneficiários da Federação das Caixas de Previdência, financiados por quotizações dos empregados e dos empregadores. Ao contrário dos seus congéneres europeus, desenvolveram uma rede de serviços ambulatórios. – Serviços de Saúde Pública. – Hospitais estatais (Universitários, Hospitais herdeiros do antigo Hospital de Todos-os-Santos, Hospital Termal Rainha D. Leonor, Hospital do Ultramar e poucos mais) – Serviços privados, para estratos economicamente mais elevados. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 39 Criação do Serviço Nacional de Saúde • O ambiente de radicalização política de 1974/75 é uma componente explicativa forte para a criação de um sistema, cuja componente principal é o Serviço Nacional de Saúde. • No entanto, há que ter em conta o movimento reformista dos países do sul da Europa: Itália (1978); Portugal (1979);Grécia (1983); Espanha (1986). • O ambiente radical da época gerou, todavia, uma oposição médica significativa, com reflexos vários nas diferentes fases da evolução do SNS. • Manutenção de sub-sistemas de saúde públicos. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 40 Fragilidades • A incompleta estruturação do SNS, com falta de um instituto próprio de gestão. • Uma base financeira frágil e definida ao sabor dos acontecimentos. A cronicidade dos déficits. • Ausência de modelos de gestão e de integração dos cuidados eficazes, modernos e inovadores. • A generalização do vínculo à função pública, inflexível (gerador de baixa produtividade e de desperdício de recursos) perante as necessidades expressas da população. • Desperdício ao nível do dimensionamento das estruturas hospitalares. • A coexistência de actividades públicas e privadas concorrentes. • As listas de espera para consultas e cirurgias. As horas de espera, o atendimento, etc. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 41 Os pontos fortes • A rápida universalização da cobertura. • A inexistência de graves problemas de equidade no acesso. • O desenvolvimento de carreiras profissionais, associado a melhorias no ensino de enfermagem e dos técnicos de diagnóstico e terapêutica. • A construção de novos hospitais e de novos centros de saúde, de acordo com modelos actualizados. • A criação de uma rede informática em todo o Ministério da Saúde, SNS incluído. • A utilização crescente de metodologias da qualidade. • A notável melhoria na saúde materno-infantil. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 42 3. Fio condutor das reformas hospitalares Fio condutor • O lento processo evolutivo em Portugal tem um fio condutor que é o do reconhecimento do carácter empresarial dos Hospitais. • Gerir os Hospitais por meios de gestão empresarial (Regulamento Geral dos Hospitais, 1968). É significativo que os Hospitais tenham desde há mais de 20 anos um plano oficial de contas, semelhante ao das empresas. • A aceleração registada nessa evolução a partir de 1998 tem a ver com a pressão a que tem estado sujeito o orçamento do Ministério da Saúde e com o êxito registado na primeira experiência de libertação do velho modelo de instituto público tradicional. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 44 Evolução histórica 1946: Lei de Bases da Organização Hospitalar 1968: Estatuto e Regulamento Hospitalares, seguidos da alteração legislativa de 1970. 1977: legislação imediata ao 25 de Abril. 1988: Reafirmação do poder governamental. 1990: Lei de Bases da Saúde. 1998: Estatuto do Hospital de S. Sebastião, Sª Mª da Feira. 2002: empresarialização. A Lei 27/2002 acrescenta à Lei de Bases a possibilidade de criação de unidades de saúde com a natureza de sociedades anónimas de capitais públicos e aprova um novo regime jurídico da gestão hospitalar. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 45 Contributo de cada passo e de cada reforma 1946: A base XXIII da Lei: A organização, administração e funcionamento dos hospitais civis... serão regulados por diploma especial... 1968: desenho estrutural dos hospitais públicos. Englobamento dos hospitais das Misericórdias. A profissionalização da gestão. A organização e coordenação dos serviços de acção médica. A atribuição de competências e a responsabilização dos serviços pela respectiva eficiência. 1977: estrutura quase-autogestionária. 1988: a reafirmação da pirâmide hierárquica, com o vértice no Governo. Aproximação a uma estrutura empresarial. Os centros de responsabilidade (o caso da Cirurgia Cardio-Torácica dos HUC). 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 46 Preocupação recorrente do discurso legislativo preambular 1968: «A administração dos hospitais, ao menos dos mais importantes, tornou-se tarefa de profissionais, com preparação e estatuto adequado, visto que a mobilização de meios financeiros e humanos nos serviços de saúde atinge enorme volume e os prejuízos de uma gestão pouco esclarecida podem ser importantíssimos, tanto do ponto de vista económico, como social e humano». 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador 47 Hospitalar (2) 1977: «O funcionamento dos hospitais traduz-se anualmente num esforço considerável para o País, dado o elevado volume dos meios financeiros que exige. O orçamento de vários hospitais excede já o meio milhão de contos, sendo muitos aqueles cujo orçamento se cifra na casa das centenas de milhar». 1988: as décadas de 70 e 80 são marcadas, no quadro da gestão dos sistemas de saúde, entre outros aspectos, pela «explosão das despesas hospitalares» 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 48 O discurso legislativo próeconómico e pró-empresarial 1968: Salienta-se «que a gestão hospitalar (...) terá de desenvolverse de acordo com as técnicas próprias da vida económica, tanto nos hospitais oficiais como nos das Misericórdias (...). Para tanto, estabelece-se que as gerências devem ser conduzidas mediante planos anuais e com métodos actualizados (...). Nesse sentido estamos a mecanizar a gestão dos hospitais centrais e a procurar interessar no mesmo processo alguns hospitais regionais (...) Acrescenta-se que todos os serviços , qualquer que seja a sua natureza, respondem pela sua eficiência, dentro dos meios de actuação que utilizam (...) E o Regulamento vai mais longe, explicitando que devem ser estabelecidos sistemas de avaliação regular do funcionamento e eficiência dos serviços» ( Ministro da Saúde e Assistência, Dr. Neto de Carvalho). 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 49 (2) 1977: «Uma das mais sérias dificuldades que se têm deparado à gestão dos hospitais deriva do facto de muitos dos seus actos estarem sujeitos ao regime de ratificação ou de confirmação pelos órgãos centrais(..) Este regime, para além de burocratizar e tornar pesada e lenta a actividade de gestão está em flagrante oposição com a natureza dos hospitais(...) Não se estranhará, por isso, que o presente diploma acolha uma linha de muito maior autonomia para os estabelecimentos hospitalares(...) É evidente que, não podendo o Governo, deixar de se interessar pela forma como é conduzida a gestão dos hospitais, este regime tem como contrapartida a responsabilidade dos seus órgãos, face ao exercício(...) No poder tutelar do Estado permanecem(...) a nomeação dos titulares dos órgãos de gestão e direcção e o poder de definir normas e critérios de actuação, coordenando e padronizando a actuação dios diversos estabelecimentos» 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 50 (3) 1988:«A evolução do sistema hospitalar aponta claramente no sentido de uma dinâmica própria (...) coerentemente suportada por toda uma estrutura interna que não esqueça os princípios de natureza empresarial e claramente assente na iniludível integração da actividade hospitalar na economia do País, que impõe de forma rectilínea, por parte do hospital, de uma boa parte das regras de gestão desconhecidas, por delas não carecerem, dos serviços públicos clássicos». 1990: Ver mais adiante a Lei de Bases da Saúde. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 51 (4) 1998: «De facto o actual modelo de gestão, determinando a sujeição dos hospitais às normas convencionais da Administração Pública, pensadas para o desempenho de funções de tipo administrativo, revelase incompatível com a verdadeira natureza dos hospitais(...). Esta natureza exige a utilização de instrumentos, técnicas e métodos flexíveis e ágeis, próprios de uma gestão de tipo empresarial, a que os hospitais devem obedecer para a optimização da sua actividade» ( contratualização do financiamento em função das actividades a prosseguir, estabelecimento de incentivos aos profissionais, agilização da contratação dos meios necessários ao seu funcionamento). 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 52 (5) 2002: «Com o presente diploma a autonomia de gestão das unidades hospitalares em moldes empresariais, estabelecendo ao mesmo tempo a separação funcional entre o financiador/comprador de prestações de saúde e o prestador (...) passada quase uma década de vigência da Lei de Bases da Saúde, constata-se que a gestão de natureza empresarial foi introduzida de forma hesitante, esparsa e mitigada no âmbito de um reduzido número de experiências de gestão, não representando estas sequer uma base comparável e suficiente de avaliação e não tendo até agora conseguido gerar efeitos regeneradores e difusores para todo o sistema (...) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 53 O recente ponto final (...)Os responsáveis do sector, os diferentes agentes profissionais e económicos, a comunidade académica e a opinião pública, em geral, sentem que o modelo burocrático está ultrapassado e praticamente esgotado (...) Neste contexto, (...) importa adoptar de forma inequívoca um modelo de gestão hospitalar de natureza empresarial (...) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 54 4.Aceleração do processo da empresarialização dos Hospitais nas últimas duas décadas Geração de um ambiente de mudança • Em Portugal, a passagem de uma visão publicista tradicional a uma visão empresarial, em termos de estatuto e organização dos hospitais públicos foi lenta, só se tendo concretizado a partir da Lei de Bases da Saúde aprovada pela Assembleia da República no ano de 1990. • Essa Lei de Bases foi completada pelo Estatuto do Serviço Nacional de Saúde, aprovado em 1993. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 56 Alguns traços críticos • ‘Gordura’ excessiva: excesso de serviços, cargos e de • • • • • • pessoas. Desperdício estrutural. Leque salarial reduzido: «Nós fingimos que lhes pagamos e eles fingem que trabalham». Financiamento, cego à eficiência: uns mais iguais que outros dependendo do acesso ao poder. Peso exorbitante das corporações e fraqueza dos diferentes níveis hierárquicos do Ministério da Saúde. Conselhos de Administração e directores de serviço que não gerem. Baixa produtividade: listas de espera Interferências do poder local, forçando a construção ou a manutenção de hospitais e de serviços que não deveriam existir. Mudança constante da gestão: o hip-hop político. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 57 Na altura vinha-me muitas vezes à mente a seguinte citação do Padre António Vieira • «Ministros da república, da justiça,da guerra, do estado, do mar, da terra: vedes as obrigações que se descarregam sobre o vosso cuidado (...), vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos (...), vedes as potências dos grandes e as vexações dos pequenos (...)? Ou vedes ou não vedes. Se o vedes, porque o não remediais? Se o não remediais, como o vedes? Estais cegos.» 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador 58 Hospitalar Aspectos evolutivos na década de 80 • Primeiras tentativas para conter/controlar os gastos públicos com a Saúde. • 1980. Introdução de taxas moderadoras, com a evolução transformadas em fontes de receita. • Novos critérios de financiamento, com incentivos à produtividade e á eficiência. • 1987: iniciativa para lançar um sistema de financiamento prospectivo (GDH’s). • Criação e preenchimento de uma carreira de médicos de clínica geral. • Expectativas positivas em mecanismos de mercado para resolução de problemas de sistema. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 59 Evolução da Despesa de Saúde em Portugal Verificou-se que a despesa Milhares de milhões de Euros Percentagem 10 9,1 total de saúde cresceu, em 8,0 9,4 15 8,4 7,3 termos absolutos e como 6,7 parcela do PIB ... 5,1 5,5 5 10 8,3 7,3 8,5 8,6 8,3 8,4 8,2 7,3 0 5 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 Despesa absoluta Despesa como percentagem do PIB Fonte: OCDE 60 Caracterização Sumária dos Prestadores de Cuidados de Saúde em Portugal Prestadores Públicos Cuidados Cuidados 363 centros de saúde 1.797 extensões de centros de saúde 30.500 funcionários Primários Prestadores privados 5.000 prestadores convencionados (7.500 médicos, 7.000 enfermeiros) 32.000 milhões de consultas anuais 84 hospitais de agudos (24.000 camas) 11 hospitais psiquiátricos (2.250 camas) 85.000 funcionários (14.500 médicos, 27.000 enfermeiros) Diferenciados 800.000 episódios de internamento anuais 6 milhões de consultas e 6 milhões de urgências anuais 2.800 farmácias 80 hospitais (7.000 camas) Aparelho produtivo muito complexo e atomizado 61 Recomendações da OCDE para Portugal (1998 e 2000) • Modificar a estrutura de gestão dos estabelecimentos de gestão dos estabelecimentos do SNS: maior autonomia e responsabilidade financeira • Reforçar as capacidades das ARS para contratação, de acordo com as necessidades em cuidados. • Dar aos hospitais o estatuto de empresas públicas. • Reforçar a função de filtragem dos médicos generalistas. • Reforçar a componente de remuneração baseada no mérito. • Instituir o cartão do utente. • Reexaminar o papel dos sub-sistemas de saúde. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 62 O ‘ambiente’ na Europa, nos idos anos 90 • «Ao período liberalizante dos anos 80 e princípios dos anos 90, sucede-se na Europa um outro, com diferentes perspectivas em relação à políticas sociais. Trata-se mais de ‘reinventar a governação’(...),do que confiar excessivamente nas virtualidades do mercado na saúde» (Barros e Gomes): • Reconhecimento da necessidade de reformular profundamente os aparelhos do regime de bem-estar, sem pôr em causa os princípios; • Incorporação de dispositivos (ex. o da separação entre o financiador e o prestador), ensaiados no período anterior. • Defende-se que a melhoria dos resultados está mais do lado das formas de contratualização e da organização da prestação. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador 63 • Mais empirismo e menos dogma/preconceito. Hospitalar Nestas circunstâncias, que é que se fez em Portugal ? A Lei de Bases da Saúde de 1990 • Base XXXVI: 1. «A gestão das unidades de saúde deve obedecer, na medida do possível, a regras de gestão empresarial e a lei pode permitir a realização de experiências inovadoras de gestão (...) 2. 26OUT05 Nos termos a estabelecer em lei, pode ser autorizada a entrega da gestão, através de contratos de gestão, de hospitais ou centros de saúde do Serviço Nacional de Saúde a outras entidades ou, em regime de convenção a grupos de médicos». Jorge Varanda. Administrador 65 Hospitalar O Estatuto do Serviço Nacional de Saúde, de 1993 1. «A gestão de instituições do SNS pode ser entregue a outras entidades mediante contrato de gestão ou a grupo de médicos em regime de convenção. 2. Através do contrato de gestão o Ministro da Saúde pode autorizar a entrega da gestão de instituições e serviços de saúde integrados no SNS, ou parte funcionalmente autónoma, a entidades públicas ou privadas, com a faculdade de realizar obras ou adquirir equipamentos, mediante a retribuição das prestações de saúde». (artigo 28.º do Estatuto do SNS) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 66 Contrato de gestão • Precedido de concurso público. • A título excepcional pode ser estabelecido por ajuste directo. • Conteúdo: – – – – – – – Objecto do contrato Prestações de saúde Obras a realizar pela entidade gestora. Prazo de entrega e eventual renovação Obrigações de manutenção do serviço de saúde Garantias para o Estado Sanções para a inexecução. Formas de extinção do contrato. (Art.º 29.º do Estatuto do SNS) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 67 Regime do contrato de gestão • As entidades gestoras, nas relações com terceiros, regem-se por regras de direito privado. • Por parte do Governo é a Administração Regional de Saúde que paga os cuidados, mediante a tabela nacional de preços ou por tabela específica. • Possibilidade de facturação a terceiros pagadores, tal como as restantes entidades do SNS • Autorizados subsídios para renovação de instalações e equipamentos, investigação e formação. • Reversão dos bens para o Estado, mediante eventual compensação. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 68 Recursos Humanos • «O Ministro da Saúde pode autorizar, com fundamento de razões de interesse público, que o pessoal com relação jurídica de emprego na AP que confira a qualidade de funcionário ou agente seja contratado por entidades privadas pertencentes ao sistema de saúde, sem perda de vínculo». (Art.º 21.º do Estatuto do SNS) • «o pessoal com relação jurídica de emprego na AP que confira a qualidade de funcionário ou agente na instituição ou serviço entregue à gestão de outras entidades mantém o vínculo à função pública, com os direitos e deveres inerentes, devendo ser remunerado pela entidade gestora». (Art.º 32.º do Estatuto do SNS) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 69 Medidas da segunda metade dos anos 90 • Definição da estratégia da saúde. • Desenvolvimento de agências regionais de contratação. • Modelo experimental de remuneração associada ao desempenho nos Centros de Saúde. • Gestão da diabetes, num modelo aproximado à gestão da doença. • Hospitais ‘quase empresa’, centros de responsabilidade integrados, sistemas locais de saúde. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 70 Três casos que marcaram a diferença em Portugal Hospital Fernando da Fonseca, de AmadoraSintra – 1995 Hospital de S. Sebastião, de S.ª M.ª da Feira 1998 Unidade Local de Saúde Matosinhos - 1999 Hospital Fernando da Fonseca Hospital de S. Sebastião Unidade Local de Saúde de Matosinhos N.º de Camas 670 304 446 Colaboradores 2226 1062 2034 Doentes tratados 35 020 20598 18653 Cirurgias realizadas 14 672 15 069 13 800 Consultas Externas 226 853 181 324 154 486 Urgências 219 098 115 907 170 000 Demora Média 5,7 3,9 7,2 Ocupação Média 77,5 70,6 80 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 72 Localizado na periferia suburbana de Lisboa População servida: 600 000 pessoas: Dos primeiros hospitais públicos Europeus, em gestão privada 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 650 camas 15 salas operatórias Cuidados Intensivos Urgência Acreditação:1.º em Portugal 73 Hospital Fernando da Fonseca • Único contrato de gestão até hoje realizado. • Hospital construído pelo Ministério da Saúde, no início da década de 90. • Concessão por um período de cinco anos renovável. – Início da gestão a 1 de Janeiro de 1996 – Conflito entre o Estado e a entidade gestora, 2001, terminado por decisão de tribunal arbitral (2003) – Acordo de renovação do contrato de gestão (2004) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 74 Caracterização do modelo • Retribuição dos serviços prestados, dividida em pagamentos mensais. • Criado um quadro para os funcionários públicos. • Remunerações a partir da base da função pública. • Prémios anuais. • Gestão por objectivos, área clínica incluída. • Meios de diagnóstico concessionáveis a empresas participadas pela entidade gestora. • Aquisições pelas regras da actividade privada. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 75 Problemas • Impreparação do Governo para estabelecer e manter um controlo e acompanhamento da gestão e do cumprimento do contrato de forma efectiva e de assumir uma situação de jogo do gato e do rato. • Indefinições contratuais, com possibilidade de interpretações diversas. • Arrastar de situações, agravada pela sucessão relativamente rápida de mudanças governamentais. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 76 Renovação do contrato de gestão • • • • • (2004) Estabelecido um modelo de acompanhamento muito rigoroso, através de uma equipa multidisciplinar permanente, tendo em vista a fiscalização e controlo da gestão do Hospital, com incidência também na qualidade. Alargado o âmbito de aplicação do contrato às cirurgias em ambulatório e ao Hospital de Dia. Prazo de validade de 5 anos, manteve-se: as renovações seguintes serão de 5 em 5 anos. Acordados patamares de produção para actos médicos. Assegurado que os valores a pagar pela produção contratada se situam abaixo do «comparador público». 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 77 Estudo comparativo com o Hospital Garcia de Orta (HGO) • Ambos os Hospitais se situam na periferia de Lisboa e são próximos em termos de concepção e construção. • População servida, em 1998: – HGO: 316 000 habitantes – HFF: 598 000 habitantes (com maior volume de jovens e de idosos). – Dimensão e volume de pessoal semelhantes. – HGO algo mais diferenciado, em termos de especialidades médicas (Neurociências). 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 78 Avaliação comparada com o Hospital Garcia de Orta (INA,1999) • Vantagens do H. Fernando da Fonseca: – Ganhos de eficiência – Contenção de custos – Aquisições a melhor preço – Proximidade a resultados – Formação orientada para o desempenho – Prémios proporcionais à qualidade e ao desempenho individual. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 79 O Hospital de S. Sebastião 1998 Modelo estatutário • Estabelecimento público, com autonomia administrativa, financeira e patrimonial e natureza empresarial. • Regime experimental: o hospital teve um período de três anos, findos os quais foi sujeito a uma avaliação confirmatória pelo Instituto Nacional de Administração. O modelo vigorou desde a abertura do Hospital, em 1998 até 2002, quando foi transformado em SA. • A gestão assumiu a forma de contratosprograma. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 82 (2) • Financiamento, a partir da produção assumida no contrato programa. • Controlo financeiro subsequente, através de uma comissão de fiscalização, com maioria do Ministério das Finanças. • Conselho de Administração constituído por um Presidente, um Administrador-Delegado, o Director Clínico e o Director de Enfermagem. Respondia civil, criminal e disciplinarmente pela gestão. • Organizado em quatro centros de responsabilidade, com contratação interna. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 83 Cinco especificidades estatutárias • Reforço da autonomia financeira, baseada em programação financeira trienal, com reversão dos saldos do exercício. • Admissões de pessoal através de contrato individual de trabalho. • Prevista a contratação colectiva de trabalho. • Faculdade de opção pelo regime de aposentação da FP e pelo respectivo regime de cobertura de assistência na saúde (ADSE). • Reforço da capacidade negocial nas aquisições de bens e serviços. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 84 Especificidades organizacionais • Os centros de responsabilidade, com apoio de gestores intermédios: contratação serviço a serviço e avaliação de desempenho trimestral. • A emergência entregue a emergentistas, com um sistema de triagem por prioridades. • Incentivos à produção e à satisfação dos doentes. • Medição regular de indicadores de gestão clínica, com benchmarking internacional. • Em acreditação pela Joint Commission International. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 85 Significado • O Hospital de S. Sebastião transformou-se na unidade mais produtiva do SNS e provavelmente de todo o sistema de saúde. • Mesmo depois de transformado em SA se mantém no topo do ranking económico-financeiro dos 31 SA. • O seu êxito está directamente ligado à capacidade estratégica e de gestão dos seus líderes que souberam desenhar um modelo capaz de promover a produtividade e a eficiência, em equilíbrio económicofinanceiro. Outros hospitais com o mesmo estatuto não atingiram um nível semelhante. • Eliminou praticamente as listas de espera. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 86 Unidade Local de Saúde de Matosinhos 1999 Dados básicos • Hospital Pedro Hispano: • 1.ª linha de referência.....167 000 habitantes • 2.ª linha de referência.....430 000 habitantes • Na 2.ª linha incluem-se os concelhos de Póvoa de Varzim e de Vila do Conde, excepto para traumatologia craneo-encefálica e neurocirurgia. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 88 Funções e Missão • Prestar cuidados globais de saúde à população do concelho de Matosinhos. • Assegurar as actividades de saúde pública e o exercício competências das de autoridade de saúde no mesmo concelho. 26OUT05 • Identificar as necessidades de saúde da população. • Dar-lhes uma resposta integrada. • Oferecer um continuum de cuidados, com acesso e circulação fáceis, permitindo ganhos em saúde, com uma eficácia e efectividade técnica e social de nível superior. Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 89 Carácter inovador • O modelo jurídico inicial foi o mesmo do Hospital de S. Sebastião. • A novidade residiu na integração pela primeira vez em Portugal de um unidade hospitalar (Hospital Pedro Hispano) com os Centros de Saúde da sua área geográfica de influência, o concelho de Matosinhos: – – – – Matosinhos Senhora da Hora S. Mamede de Infesta Leça da Palmeira 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 90 Significado • Apesar de muito badalado o modelo, esta Unidade Local de Saúde mantém-se ainda isolada no contexto do SNS em Portugal. • Facilitou a referência de cuidados entre o Centro de Saúde e o Hospital. • Tornou possível a rentabilização de meios de diagnóstico do Hospital Pedro Hispano. • Um financiamento de base capitacional e a instalação de modelos de gestão das doenças crónicas são desafios à sua frente. • Espera-se para esta legislatura a criação de outras ULS. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 91 Centros de responsabilidade integrados Origem e expressão • Ideologicamente, nasceram num contexto de renovação da administração hospitalar portuguesa nos anos 80, com apoio técnico norte-americano. • O conceito novo para a época era o de um nível intermédio de gestão, a um tempo clínica e de administração. • Foram previstos na reforma hospitalar de 1988 e dela ‘degeneraram’ em mini-hospitais, dentro do Hospital, agrupando serviços e unidades funcionais afins. • O caso mais conhecido é o Centro de Responsabilidade Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 93 Caracterização • Situam-se a um nível de gestão a meio caminho entre o topo da organização e o nível operacional. • Contratam a produção e o orçamento. • Dotados órgãos de gestão com poder de decisão sobre os recursos necessários à concretização dos objectivos. • Admitem a atribuição de incentivos à produção, de acordo com o desempenho individual e colectivo. • A componente variável no salário dos profissionais pode atingir o dobro do valor base. • Os incentivos podem englobar a participação em acções de formação e de investigação, em função de critérios objectivos de desempenho. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 94 Ultrapassagem ou antecipação? • O Centro de Responsabilidade de Cirurgia Cardiotorácica dos HUC foi um dos acontecimentos que abriram caminho à empresarialização, pelo dinamismo e produtividade atingidos, contrastantes com o panorama hospitalar português da época. • Os CRI perderam actualidade com a empresarialização SA. • Provavelmente, não haverá lugar a generalizações como chegou a ser pensado em Portugal no final do século (utopia do Decreto-Lei n.º219/99, que determinava a organização de todos os hospitais em centros de responsabilidade integrados até Dezembro de 2003). • Lembram, todavia, os futuristas Self-Directed Work Teams, de Osborn e Moran. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 95 Parcerias Público-Privadas Definição • «entende-se por parceria público-privada o contrato ou a união de contratos, por via dos quais entidades privadas, designadas por parceiros privados, se obrigam, de forma duradoura, perante um parceiro público, a assegurar o desenvolvimento de uma actividade tendente à satisfação de uma necessidade colectiva, e em que o financiamento e a responsabilidade pelo investimento e pela exploração incumbem, no todo ou em parte, ao parceiro privado» 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 97 Contratos • Constituem, entre outros, instrumentos de regulação jurídica das relações de colaboração entre entes públicos e entes privados: • a) O contrato de concessão de obras públicas; • b) O contrato de concessão de serviço público; • c) O contrato de fornecimento contínuo; • d) O contrato de prestação de serviços; • e) O contrato de gestão; • f) O contrato de colaboração, quando estiver em causa a utilização de um estabelecimento ou uma infra-estrutura já existentes, pertencentes a outras entidades, que não o parceiro público. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 98 Objecto possível 1. Síntese: prestações de saúde, a integrar ou integradas no SNS nos diferentes níveis de cuidados. Serviços de apoio directo e serviços de apoio indirecto às prestações de saúde. Partes funcionalmente autónomas de um estabelecimento. Âmbito: 2. − – – – – 26OUT05 Concepção Construção e equipamento fixo. Financiamento. Exploração e operação. Gestão hospitalar e gestão clínica. Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 99 Finalidades Constituem finalidades essenciais das parcerias público-privadas o acréscimo de eficiência na afectação de recursos públicos e a melhoria qualitativa e quantitativa do serviço, induzida por formas de controlo eficazes que permitam a sua avaliação permanente por parte dos potenciais utentes e do parceiro público. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 100 Remuneração • Uma das seguintes modalidades: – Per capita. – Por uma tabela de preços. – Por um valor global – Outra modalidade fixada no caderno de encargos. • Pagamento por prestações periódicas unitárias. • Possibilidade de incentivos e penalidades. • Revisão da remuneração e de partilha de vantagens. • Receitas da venda de serviços a terceiros. • Subsídios para fins específicos de interesse público. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 101 Programa anunciado no Governo anterior. Revisão em curso • 10 novos Hospitais. • Lançamento de 2/3 projectos por ano entre 2003 e 2006. • Procedimento concursal: – Três fases: pré-qualificação, selecção de propostas e negociação. – Horizonte temporal: 19/24 meses. • Possibilidade de entrada de novos projectos. • O actual Governo mandou rever o programa. • Não foi adjudicada ainda nenhuma PPP. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 102 5.Os Hospitais SA 2002-2005 Enquadramento histórico • Com um novo Governo em Lisboa, no ano 2002, alterase a política gradualista de quase-empresarializar hospitais um a um, para a empresarialização de uma assentada de 34 unidades agrupadas em 31 empresas SA de capitais exclusivamente públicos. Como pano de fundo a necessidade de reduzir o déficit público perante Bruxelas. • Foi o fim da fase das experiências inovadoras de gestão da Lei de Bases da Saúde de 1990. A própria Lei teve que ser alterada e dela surgiu um novo quadro jurídico para os Hospitais do SNS. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 104 NÚMERO E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DOS HOSPITAIS SA Hospital SA Sede da ARS Hospitais SA •100%=82 26 Hospitais SA 24 24 11 11 38% 62% 5 3 7 Hospitais SPA Norte Centro LVT 1 Alentejo 1 Algarve 105 PESO DA ACTIVIDADE DOS HOSPITAIS SA NO TOTAL DO SISTEMA POR LINHA DE PRODUÇÃO 2000 100%= 765.122 33.714 5.834.144 5.497.152 51% 50% 440.134* Outros hospitai s Hospitai s SA 50% Internamento 44% Cirurgia ambulatória Consultas externas Urgências 45% Hospital de Dia 106 * 2001 Fonte: IGIF A nova Lei (n.º27/2002, de 8 de Novembro) • Prevê o contrato individual de trabalho e a contratação colectiva de trabalho como instrumentos laborais regulares, ao lado do estatuto da FP. • Estabelece o financiamento directo aos hospitais por actos de produção, a partir de uma tabela de preços centralmente definida. • Incluiu o modelo das sociedades anónimas de capitais exclusivamente públicos. • Aprovou um novo regime jurídico da gestão hospitalar. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 107 Modelo de regulamento dos Hospitais SA • O princípio da diferenciação: a estrutura, os sistemas e os procedimentos de uma organização devem ser concebidos para alcançar os requisitos específicos à sua finalidade e meio em que actua. • Excepções: os aspectos que relevassem do planeamento da Saúde (área formal de influência), comissões previstas em normativos do Ministério da Saúde, normas básicas sobre a gestão de recursos humanos, gestão financeira e de aprovisionamento. • E ainda: a presidência da Comissão da Qualidade pelo Presidente do Conselho de 26OUT05 Administrador 108 Administração. Jorge Varanda. Hospitalar (2) • Mantida uma estrutura funcional padrão para toda a malha organizaçional: unidades funcionais, serviços e departamentos. • Aos diferentes responsáveis foi atribuído um modelo de gestão baseado no ciclo de melhoria contínua de Shewhart. • Estrutura baseada na tradicional divisão: – Serviços de prestação de cuidados. – Serviços de suporte à prestação de cuidados. – Serviços de gestão e logística. 26OUT05 • • • • Planear, • Planear,dede acordo acordo osos objectivos objectivosgerais gerais dede exploração para opara Hospital, exploração o tendo como instrumentos Hospital, tendo como o plano de acção e orçamento. instrumentos o plano de Executar, em prática as acçãopondo e o orçamento. medidas constantes do plano • Executar, pondo em prática as medidas o Acompanhar mensalmente constantesdos do objectivos plano cumprimento e • Acompanhar a reportar para o nívelmês superior mês o cumprimento os resultados atingidos. dos objectivos e reportar Corrigir os desvios, tomando para o nível superior as medidas apropriadas. os resultados atingidos. • Corrigir os desvios, tomando as medidas apropriadas. Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 109 (Áreas funcionais e formas integradoras) • Direcção Técnica (integrada): Director Clínico+Director de Enfermagem Áreas de prestação de cuidados • – – – – – – – • Internamento. Cirurgia do ambulatório. Consulta externa. Hospital de dia. Urgência. Domicílio. Meios complementares de diagnóstico e terapêutica Comissões: – – – – – 26OUT05 A comissão de ética A comissão da qualidade. A comissão de controlo da infecção hospitalar. A comissão de farmácia e terapêutica. Etc. Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 110 Comportamento dos Hospitais perante o modelo de regulamento • Entraram no jogo e assumiram o carácter orientador e a faculdade diferenciadora. • Muitos assumiram a inscrição da missão, valores e visão nos respectivos regulamentos. • A Comissão da Qualidade manteve-se, no entanto, letra morta para a maioria. • A acreditação foi oportunidade num caso ou noutro para a sua activação. • Com a continuidade do processo de acreditação, à medida em que tiverem de elaborar planos de melhoria da qualidade, com indicadores e projectos de melhoria, as Comissões da Qualidade vão começando a funcionar. • A criação de gestores da qualidade tornou-se realidade também a partir da acreditação. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 111 Balanço, em termos de inovação • O regulamento foi uma lufada de ar fresco, com inovação q. b. Vários hospitais conduziram processos participativos de reflexão estratégica, nos quais definiram a missão, os valores, a visão, a alavanca e o foco estratégicos. • Todavia, poucos hospitais avançaram no desenvolvimento de novos mecanismos integradores e numa estrutura matricial. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 112 Desafios da empresarialização • Visão e conjunto de objectivos partilhado pelas entidades interessadas • Melhoria contínua da qualidade dos serviços prestados • Reforço das competências organizacionais, com relevo para a GRH e demais instrumentos de gestão. • Gestão operacional de excelência, para maximizar a geração de receitas e racionalizar os 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador 113 custos. Hospitalar Resposta ao desafio Requisito: definição e implementação de um programa de actuação estruturado, com um desenho semelhante para todos os hospitais, ainda que algumas iniciativas possam diferir consoante as situações individuais. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 114 Opções e contexto para os Hospitais SA Princípios de enquadramento • Separação clara entre as entidades com diferentes funções e estabelecimento de mecanismos formais de interacção entre elas: prestadores, accionistas, e entidade contratadora de serviços/financiadora. • Financiamento: de uma lógica orçamental para uma de pagamento da produção. • Empresarialização dos prestadores e desenvolvimento de novas capacidades de gestão. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 116 Novas regras de jogo O Estado como contratador/pagador • • • • Identifica e quantifica as necessidades Planifica a oferta Contrata os serviços necessários O contrato: – Normalizado – Especifica as responsabilidades – Fixa quantidades – Determina objectivos ou condições da qualidade. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 117 Prestadores • Fornecem os serviços contratados, na quantidade e na qualidade especificadas • Gerem de forma a atingir um nível de eficiência compatível com os preços do contrato e o nível de qualidade exigido no mesmo. • Plano de convergência: – Assenta na identificação de áreas de potencial melhoria, reduzindo o desperdício. – Estabelece objectivos temporais para eliminação da ineficiência. – Fixa o financiamento temporário para assegurar o plano de melhoria. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 118 O Estado, na qualidade de accionista • Controla os resultados económicos dos Hospitais. • Promove a iniciativa dos serviços partilhados • Apoia a gestão dos prestadores em temas pontuais. • Desenvolve programas que suportem o processo global da mudança. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 119 Bases do modelo de financiamento • As quatro linhas de actividade: Internamento; Consulta Externa; Urgência; Hospital de dia; Serviço domiciliário pagamento pela actividade realizada, medida em doentes equivalentes; n.º de consultas, de episódios de urgência, de sessões de Hospital de dia e de visitas médicas ao domicílio. • Pagamento pela actividade contratada realizada, com limites de aumento e redução do preço, para a quantidade produzida a mais. • Sistema de preços transparente, baseado em custos médios, com ajuste à complexidade estrutural dos hospitais. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 120 A Unidade de Missão dos Hospitais SA Necessidade de controlar e de apoiar , do ponto de vista dos accionistas, um processo tão vasto e complexo OBJECTIVOS DE CONSTITUIÇÃO DA UNIDADE DE MISSÃO HOSPITAIS SA Garantir uniformidade em matérias comuns às várias unidades (nomeadamente na fase de arranque) Unidade de Missão Hospitais SA Criar e manter mecanismos de acompanhamento/ controlo por parte do accionista Capturar sinergias entre as unidades, principalmente a nível da sua gestão operacional 122 Objectivos estratégicos • Criação de um espírito de corpo na rede: promover a partilha de conhecimento e assegurar uma actuação articulada entre os hospitais. • Pôr em prática políticas de gestão centradas no utente e na prestação de serviços de qualidade excepcional. • Desenvolvimento dos profissionais: instituir políticas de meritocracia e de responsabilização por resultados. Aposta na qualificação profissional. • Contribuir para o êxito económico-financeiro: controlling e programas de melhoria da eficiência operacional e da qualidade. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 123 Modo de actuação da Unidade de Missão • Modo de funcionamento: – Controlo económico-financeiro, através do envio dos dados de despesas, receitas e produção, transformados num tableau de bord/ranking mensal. Publicação no site: política de transparência. – Reuniões periódicas de acompanhamento. – Apresentação pública dos resultados anuais. – Projectos de melhoria designados quick-wins. – Estudo de benchmarking. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 124 (2) • • • • Apoio à elaboração dos business plan. Estudo do desenho da rede. Estudo dos serviços partilhados. Advocacia dos Hospitais SA junto das entidades da tutela. • Proposta de soluções para problemas de adaptação e de interpretação legal à nova realidade. • Intermediação no processo de negociação como contratador. • Representação do accionista Ministério da Saúde, designadamente no processo de contratação colectiva. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 125 QUESTÃO À PARTIDA: QUE POLÍTICA/PRÁTICA DE GRH PARA OS HOSPITAIS SA? Projecto de Definição Estratégica de RH Potenciar a Migração CIT Manual de Políticas de RH OBJECTIVOS Definir Benefícios (Pensões, Outros) Estrutura Salarial e Práticas Remuneratórias associadas ao Desempenho Carreiras Atractivas Racionalizar RH Compatibilizar 2 Regimes (C.I.T. vs. Função Pública) PROJECTOS EM CURSO Definir Estratégia de RH (Políticas e Práticas transversais aos SA) Prioridades Projecto de Mudança Definição de Benefícios Projecto de Definição do Modelo de Carreiras Projecto de Definição de Sistema de Incentivos Ajustamento do Quadro Legislativo Draft C.C.T. Aperfeiçoamento contínuo dos Profissionais (Formação) Plano de Formação 2003 Instituir uma Cultura baseada na Produtividade/Meritocracia Projecto de Avaliação de Desempenho Modelo de Carreiras: Princípios e Modelo Modelo Proposto Modelo Actual Progressões automáticas ao longo dos anos; Certificações de conhecimentos em momentos específicos e variáveis de acordo com a carreira em causa, via exames, concursos e provas curriculares; Inexistência de diferenciação entre carreira Técnica e de Gestão; Acesso a níveis de gestão via antiguidade e concurso técnico (salvo Cargos); Prioridade à vertente técnica mesmo em Categorias/Cargos de gestão; Existência de 23 carreiras. • • • • • • Evolução na carreira baseada em: – aquisição de conhecimentos (certificação de credenciais ?); – nível de contribuição individual (desempenho); – “empregabilidade” interna. Quebrar automatismos vigentes; Diferenciar carreira técnica e carreira de gestão; Acesso à carreira de gestão – Gestor - via nomeação pelo Conselho de Administração (Comissão de Serviço) e, ou, recrutamento; Evolução mais rápida na carreira; Estrutura típica de carreiras, com existência de 6 carreiras (Médicos, Enfermeiras,Téc. Diag. e Terapêutica,Téc. Superiores de Saúde, Téc. Serv. Gerais e Oper. Serv. Gerais); Carreira assente em 3 momentos específicos. Demonstração de Capacidade de Liderança Possíveis níveis de entrada Actualização e Demonstração de Conhecimentos Carreira de Gestão (Cargo) Proposta e Nomeação (Adquire Cargo, mantendo Categoria Profissional) Carreira Técnica Processo reversível (Deixa de exercer o Cargo, mantendo Categoria Profissional), salvo no caso de recrutamento externo. (Categoria Profissional) Inicio de carreira Aquisição de Conhecimentos 127 Modelo de Recompensas: Princípios e Modelo de Remuneração Variável • Objectivo das componentes variáveis: • Incentivar a migração para o Contrato Individual de Trabalho; • Promover o aumento da produtividade; • Articular os resultados individuais com os colectivos, tendo em consideração os seguintes níveis de desempenho: – do Hospital como um todo; – do Serviço a que o titular pertence; – do Indivíduo. • A atribuição da componente variável deverá representar uma percentagem do salário base, o que permitirá também diferenciar os regimes de horário existentes. • A Remuneração Variável pode assumir 3 formas: • Prémio de Contribuição Individual - PCI; • Prémio de Mandato - PM; • Prémio “Campanha” – PC Benefícios (Plano de Pensões, Seguro de Vida, Seguro Saúde, ...) Remuneração Variável Complemento de Gestão e Subsídios Obrigatórios Remuneração Fixa (Vencimento Base) 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 128 Organizações Hospitalares de Sucesso Organizações Hospitalares de Sucesso Melhorar Qualidade dos Serviços Prestados Reforçar Competências Organizacionais Atingir Gestão Operacional de Excelência Missão e Valores 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 129 6. Actualização a 2005 Universalização do modelo empresarial • A mudança governamental em 2005 trouxe uma reorientação do processo: modelo empresarial estendido a todos os hospitais do SNS, mas com base no modelo de Entidade Pública Empresarial. • Pela primeira vez vão ser incluídos dois dos maiores hospitais universitários portugueses, o H. de S.ª Maria, de Lisboa, e o H. de S. João, no Porto, precisamente dois dos mais gastadores. A prioridade vai para estes, ainda em 2005. • Poderão seguir-se mais duas dezenas de antigos Hospitais do sector público administrativo. • Os ‘antigos’ SA passarão a EPE no começo de 2006. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 131 Problemas conjunturais de 2005 • Instabilidade nas equipas de gestão. Instabilidade de propósitos. Perda de tempo precioso no processo em curso. • Sentimento algo difundido de que o novo modelo é menos rigoroso. Menos rigor significaria menos atenção aos gastos. • Alterações em equipas de gestão, algumas com bons resultados. Manutenção de equipas com resultados menos bons, situação herdada do período anterior. • Atrasos nos programas de melhoria, excepto no da acreditação e redução do esforço de controlo económico-financeiro. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 132 Novidades do modelo EPE • Reforço do papel da tutela ministerial. A tutela não se irá exercer através de uma Assembleia Geral. • O capital social terá a natureza de capital estatutário não será expresso em acções, evitando a facilidade de alienação a entidades 100% públicas. • Poderá passar a haver um director único da produção clínica e não dois directores ao mesmo nível, um médico e outro de enfermagem. •26OUT05 Vão ser criados Jorge mais dois centros hospitalares.133 Varanda. Administrador Hospitalar Superintendência e tutela do MS • Definir objectivos e estratégias. • Dar orientações, recomendações e directivas. • Definir normas e critérios de organização e actuação. • Homologar os regulamentos internos. • Obter dados e informações de acompanhamento. •26OUT05 Auditar e inspeccionar. Jorge Varanda. Administrador 134 Hospitalar Superintendência e tutela conjunta das Finanças e da Saúde, delegáveis • Aprovar planos de actividade e orçamentos e documentos de prestação de contas. • Aprovar as tabelas de preços. • Autorizar aquisições de imóveis e investimentos, a partir de limite a fixar. • Autorizar alterações ao capital estatutário. • Autorizar empréstimos. • Autorizar a constituição de entidades por associação com outras EPE. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador 135 Hospitalar Financiamento • Mantém o modelo aprovado pela Lei de Bases da Saúde. • O pagamento dos actos e das actividades será feito com base em contratos-programa, nos quais se incluirão os objectivos qualitativos e quantitativos, a calendarização, os preços, os meios (em particular, o investimento), os indicadores de desempenho, o nível de satisfação e as demais obrigações assumidas. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 136 Regime do pessoal • Os trabalhadores das EPE prevê-se que fiquem sujeitos ao regime de contrato de trabalho e às normas referentes a credenciais profissionais e à regulamentação colectiva e interna. • Anualmente, será prevista um quadro de pessoal. • Princípios de recrutamento: igualdade de oportunidades, imparcialidade, não discriminação, e publicidade. • O pessoal com relação jurídica de emprego público mantém os seus direitos e condição, mas pode optar a todo o tempo pelo regime do contrato de trabalho, usando o regime de licença sem vencimento. • Pode haver lugar a uma avaliação das necessidades de pessoal, com afectação de pessoal num quadro de supranumerários do Ministério da Saúde. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 137 O Conselho de Administração • Um presidente e mais quatro vogais, no máximo. • A direcção da produção clínica prevê-se para a um vogal de reconhecido mérito na área clínica e assistencial, compreendendo: – A coordenação da assistência prestada – A qualidade, a correcção e a prontidão dos cuidados • Os membros do CA serão exonerados por mera conveniência de serviço, com lugar a indemnização pelo tempo sobrante para término do mandato. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 138 Fiscalização. Auditoria • Prevê-se a existência de um fiscal único, responsável pelo controlo da legalidade, regularidade e boa gestão. • Nomeado pelo Ministro das Finanças, dentre revisores oficiais de contas ou sociedades dos mesmos. • Prevê-se ainda a existência de um auditor, nomeado pelos Ministros das Finanças e da Saúde., a quem compete o controlo interno nos domínios contabilístico, financeiro, operacional, informático e de recursos humanos. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 139 Em nome do ‘accionista’... Em nome do planeador/contratador... • Prevê-se a continuidade de uma Unidade de Missão, com funções semelhantes às funções da actual. • Vai-lhe competir manter o processo iniciado com as actuais 31 Hospitais SA, agora transformados em EPE, e integrar todos os novos que se lhe vierem a juntar. • A contratação e o controlo do contrato competirá a agências regionais, que agirão em nome do Ministro da Saúde, na qualidade de contratador/financiador, as quais reflectirão as necessidades da região em cuidados hospitalares. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 140 Bases do modelo de financiamento • As quatro linhas de actividade: Internamento; Consulta Externa; Urgência; Hospital de dia; Serviço domiciliário pagamento pela actividade realizada, medida em doentes equivalentes; n.º de consultas, de episódios de urgência, de sessões de Hospital de dia e de visitas médicas ao domicílio. • Pagamento pela actividade contratada realizada, com limites de aumento e redução do preço, para a quantidade produzida a mais. • Sistema de preços transparente, baseado em custos médios, com ajuste à complexidade estrutural dos hospitais. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 141 6.Condições de êxito Com a ajuda do pensamento da gestão da qualidade Vou procurar: identificar condições internas e condições externas de êxito, de seguida, comentar algumas dessas condições e identificar alguns projectos capazes de ajudar ou mesmo alavancar o êxito. Para concluir pela profunda dependência em que se encontram os Hospitais SA da capacidade da sociedade portuguesa de dominar os seus mais potentes motores e de os conduzir na direcção certa. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 143 Condições internas de êxito 1. Estabilidade de gestão: constância de propósitos, de forma a permitir o planeamento e a melhoria dos serviços prestados e conquistar ou manter a viabilidade de cada empresa. Evitar a doença da mobilidade dos gestores, típica dos ciclos ministeriais/governativos. 2. Adopção e difusão do melhor da filosofia de gestão actual, baseada na efectiva centragem dos hospitais nos doentes, profissionais, comunidade e accionistas. Declaração e adesão efectiva a um compromisso público da qualidade. 3. Liderança a todos os níveis do processo de mudança. Domínio do processo de inovação. 4. Pensamento e capacidade estratégica 5. Gestão com base, tanto nos números visíveis, como nos invisíveis. 6. Envolvimento dos profissionais, com base no pensamento estratégico institucional. Incentivos e motivação. 7. Continuidade, sem hiatos, de um processo de melhoria da estrutura, dos processos e dos resultados. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 144 Condições externas de êxito • Continuação da liderança do processo de transformação ao mais alto nível, com superação dos obstáculos das estruturas administrativistas centrais. Coordenação e facilitação central do processo de transformação • Acompanhamento e avaliação objectiva e transparente do desempenho por parte dos accionistas. • Criação de condições legais de adaptação da estrutura produtiva herdada. • Sistema de compra de serviços (financiamento) da parte do SNS (IGIF) equitativo e dirigido à eficiência e à qualidade . • Pagamento de todas as despesas induzidas por medidas legais. Capacidade financeira central para suportar a evolução dos custos. • Inovação de cuidados: ambulatorização, integração e continuidade de cuidados 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 145 Para este tipo de iniciativas é desejável aquilo que Deming chamou de: reacção em cadeia da qualidade Através de uma liderança efectiva, do envolvimento das pessoas e de um ritmo rápido de mudança e melhoria é possível desencadear um processo de reacção em cadeia da qualidade, usando metodologias apropriadas. 7.Em jeito de despedida A dimensão do futuro na gestão, segundo Deming • A gestão e os líderes têm um trabalho adicional: governar o seu próprio futuro, para não se constituírem em meras vítimas das circunstâncias. • A preparação do futuro inclui a aprendizagem dos profissionais ao longo de toda a vida. E inclui a pesquisa constante do meio envolvente (técnico, social e económico) para perceber a necessidade de inovação, de um novo produto, de um novo serviço ou de um novo método. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 148 O caminho à nossa frente • A evolução iniciada nos anos 90 continua em Portugal a sua caminhada. • Mantém-se, no entanto, o problema da sustentabilidade financeira do SNS. • Outras reformas mais sistémicas terão que dirigir-se para a redução do fardo da doença e do seu custo. • É esse o caminho mais eficaz no universo das alternativas. Dá pelo nome de gestão da doença. • Também no sistema de saúde se exige uma reacção em cadeia de eficiência e qualidade. 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 149 Uma consideração final A aceleração da evolução e a diferenciação do estatuto dos prestadores exige mestria no desenho e na operacionalização e equilíbrio na acção, como é natural. WWW.hospitaissa.pt [email protected] 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 151 26OUT05 Jorge Varanda. Administrador Hospitalar 152