UNEB – UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS I Karla Symone Lins e Silva FORMAÇÃO DE PROFESSORES E TECNOLOGIAS EDUCATIVAS: UM OLHAR SOBRE O NÚCLEO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL 17 (NTE-17) NO MUNICÍPIO DE SALVADOR Salvador 2009 Karla Symone Lins e Silva FORMAÇÃO DE PROFESSORES E TECNOLOGIAS EDUCATIVAS: UM OLHAR SOBRE O NÚCLEO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL 17 (NTE-17) NO MUNICÍPIO DE SALVADOR Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção da graduação em Pedagogia com Habilitação em Gestão e Coordenação do Trabalho Escolar, do Departamento de Educação, Campus I, da Universidade do Estado da Bahia, sob orientação da Prof.ª Cláudia Silva de Santana. Salvador 2009 FICHA CATALOGRÁFICA – Biblioteca Central da UNEB Bibliotecária : Jacira Almeida Mendes – CRB : 5/592 Silva, Karla Symone Lins e Formação de professores e tecnologias educativas : um olhar sobre o núcleo de tecnologia educacional 17 (NTE-17) no município de Salvador / Karla Symone Lins e Silva. – Salvador, 2009. 70f. Orientadora: Cláudia Silva de Santana. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação) – Universidade do Estado da Bahia. Departamento de Educação. Colegiado de Pedagogia . Campus I. 2009. Contém referências e apêndices. 1. Professores - Formação. 2. Tecnologia da informação . 3. Comunicação. 4. Inclusão digital. 5.Políticas públicas. I. Santana, Cláudia Silva de. II. Universidade do Estado da Bahia, Departamento de Educação. CDD:371.3 Karla Symone Lins e Silva FORMAÇÃO DE PROFESSORES E TECNOLOGIAS EDUCATIVAS: UM OLHAR SOBRE O NÚCLEO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL 17 (NTE-17) NO MUNICÍPIO DE SALVADOR Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção da graduação em Pedagogia com Habilitação em Gestão e Coordenação do Trabalho Escolar, do Departamento de Educação, Campus I, da Universidade do Estado da Bahia, sob orientação da Prof.ª Cláudia Silva de Santana. Aprovada em 14 de setembro de 2009. BANCA EXAMINADORA Professora Msc. Cláudia Silva de Santana – UNEB Professora Drª. Rilza Cerqueira – UNEB Professor Msc. Roberto Carlos Vieira – UNEB AGRADECIMENTOS Quando se pensa em agradecer, o Criador resplandece em meu pensamento. Pai, agradeço por todo Amor, Força, Apoio, Carinho e Paciência que Tu tiveste comigo, pois sem isso não seria quem sou, não teria chegado até aqui e, principalmente, não teria vontade de continuar essa minha luta. Agradeço também à minha família, meus pais Adnildo e Graça, meus irmãos Kelly, Alessandra, Adriana e Oscar, aos meus sobrinhos lindos: Elder, Danton e Pedro – minha grande família! – que sempre me amou, me apoiou e me deu forças quando eu mais precisei, em todos os momentos de minha vida. Devo muito a todos vocês! Agradeço ao meu amor, por ser quem é, um homem, um amigo, um porto seguro nas horas de angústia, cheio de amor, carinho, paciência, apoio e fé na minha capacidade de conseguir, quando eu mesma não acreditei que pudesse. Agradeço a todos os professores que, de um modo ou de outro, contribuíram para esse desfecho, com palavras, gestos, dicas, orientações sempre muito importantes, fomentando muitas idéias nessa minha cabeça já tão fervilhante, muitíssimo grata!... Em especial à Professora Cláudia Sisan, que se dispôs a enfrentar minhas dificuldades para o término desse trabalho, sou-lhe muito grata!!! Quero também agradecer ao pessoal do NTE-17, onde realizei essa pesquisa, que mesmo sem sequer uma carta de apresentação, fui muitíssimo bem recebida por todos e todas, obtendo as informações que precisava, além de todo o apoio e simpatia que para mim dispuseram. Nesse momento, surgem na memória tantos nomes, tantos rostos, que de uma forma ou de outra, contribuíram para o encerramento deste ciclo... Aos amigos que fiz durante este curso de Pedagogia, posso dizer que sofremos juntos, rimos juntos, trabalhamos juntos, e mesmo não concluindo todos juntos, juntos estaremos na vitória de cada um e de todos, porque assim quisemos, e aqui estamos. Agradeço de coração cada palavra amiga, cada sorriso sincero, cada gesto de afeição e de apoio que me dirigiram nesta nossa jornada. Levarei todos comigo – o coração é grande! Amo vocês! Desse grupo, não poderia deixar de citar alguns nomes, principalmente os que integraram a mesma equipe “irada” de quase todos os semestres: pró Sandra, de humor ácido e comentários certeiros e inteligentes... Cléo, leonina “retada”, de sorriso franco e de verdades na ponta da língua... Minha querida Márcia, de fala mansa e coração generoso (tal qual o decote!), sempre disposta a ajudar, uma irmã pra mim!... Não poderia faltar a minha pseudo-co-orientadora, Lilec, que de falsa não tem nada, quase santa, foi uma fortaleza quando fraquejei, meu farol nos momentos de escuridão... Agradeço imensamente a essas irmãs que escolhi em minha vida, meninas, valeu mesmo!!! Conhecimento e tecnologia são, ao mesmo tempo e no mesmo lugar, aquilo que marcam a civilização que sabe destruir a ignorância e aquilo que de modo mais competente pode produzir a ignorância. (SHATTUCK, R. 1996) RESUMO No intuito de conhecer quais as ações voltadas para a formação do professor em tecnologias educativas o Núcleo de Tecnologia Educacional 17 (NTE-17) da Prefeitura Municipal de Salvador desenvolveu no ano de 2008 para a rede municipal de ensino, foi realizado um estudo de caso para investigar alguns aspectos considerados relevantes para esse trabalho: formação de professores em tecnologias educativas; políticas públicas para formação de professores em TIC; inclusão digital; PROINFO; alcance das atividades do NTE-17; quais os métodos, técnicas e conteúdos utilizados na capacitação em TIC; como são preparados os professores para sua inclusão digital e de seus alunos. As questões teóricas são discutidas com a contribuição de autores como Pierre Lévy, Paulo Freire, Nelson Pretto, Lynn Alves, Marc Prensky, M.ª Isabel Almeida e J. M. Moran, entre outros, que forneceram base substancial para a realização dessa pesquisa. Assim, na primeira parte é apresentada a revisão teórica acerca da formação de professores, da presença e uso das tecnologias educativas voltadas para essa formação e, na seqüência, as políticas públicas existentes para a concretização dessa adoção; por fim, no terceiro capítulo, é apresentada a análise dos dados coletados junto a entrevistados e órgãos envolvidos. Diante dos dados pesquisados, evidencia-se a importância de se fomentar o acesso às tecnologias de informação e comunicação aos educadores, propiciando a difusão das tecnologias educativas e a inclusão digital destes e de seus educandos, bem como a criação de espaços de discussão e troca de experiências, correlacionando teoria e prática de forma dialética e crítico-reflexiva. Palavras chave: Formação de professores. Tecnologias da Informação e Comunicação. Inclusão Digital. Políticas Públicas. NTE-17. ABSTRACT In the intention of to know which the actions gone back to the teacher's formation in educational technologies the Nucleus of Education Technology 17 (NTE-17) of the Municipal City hall of Salvador it developed in the year of 2008 for the municipal net of teaching, a case study was accomplished to investigate some aspects considered relevant for that work: teachers' formation in educational technologies; public politics for teachers' formation in TIC; digital inclusion; PROINFO; reach of the activities of NTE-17; which the methods, techniques and contents used in the training in TIC; as the teachers are prepared for his/her digital inclusion and of their students. The theoretical subjects are discussed with the authors' contribution like Pierre Lévy, Paulo Freire, Nelson Pretto, Lynn Alves, Marc Prensky, M.ª Isabel Almeida and J. M. Moran, among other, that you/they supplied substantial base for the accomplishment of that research. Like this, in the first part the theoretical revision is presented concerning the teachers' formation, of the presence and use of the educational technologies gone back to that formation and, in the sequence, the existent public politics for the materialization of that adoption; finally, in the third chapter, the analysis of the data is presented collected interviewees and involved organs close to. Before the researched data, the importance is evidenced of fomenting the access to the technologies of information and communication to the educators, propitiating the diffusion of the educational technologies and the digital inclusion of these and of their students, as well as the creation of discussion spaces and change of experiences, correlating theory and practice of form dialectics and criticalreflexive. Keywords: Teachers' formation. Technologies of the Information and Communication. Digital inclusion. Public politics. NTE-17. LISTA DE FIGURAS Figura 3.1 – Distribuição dos NTE na Bahia Figura 1 – Página inicial de acesso ao Portal do PETI Figura 2– Opção do menu para contato com o NTE-17 dentro do Portal do PETI Figura 3 – Avaliação diagnóstica de desempenho dos alunos em Português e Matemática no 1° semestre 2009 para as escolas da RME participantes do PETI Figura 4 – Avaliação diagnóstica de desempenho dos alunos em Português e Matemática no 1° semestre 2009, por CRE, para as escolas da RME participantes do PETI LISTA DE TABELAS Tabela 3.1 – Professores capacitados em TIC/ ano Tabela 3.2 – N° Escolas participantes dos projetos do PETI Tabela 3.3 – N° de Beneficiados pelo PETI (até 2008) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AC – Atividade de Coordenação AMM – Aulas Multimídia CAPS – Centro de Capacitação dos Profissionais da SMEC CENAP – Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico CIEd – Centro de Informática e Educação COGEL – Companhia de Governança Eletrônica do Salvador CPA – Centro de Produção de Aulas CMEI – Centro Municipal de Educação Infantil CRE – Coordenadoria Regional de Educação CTE – Centro de Tecnologia Educacional DITEC – Departamento de Infra-Estrutura Tecnológica DVD – Digital Versatile Disk (Disco Versátil Digital) EDUCOM – Educação com Computadores EFPP – Espaço de Formação Permanente de Professores EJA – Educação de Jovens e Adultos EPV – Espaço Pedagógico Virtual FORMAR – Curso de Especialização em Informática na Educação FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação GEP – Grupo de Estudos Permanentes MEC – Ministério da Educação NET – Núcleo de Educação e Tecnologias NTE-17 – Núcleo de Tecnologia Educacional 17 OAF – Organização do Auxílio Fraterno PETI – Projeto de Educação e Tecnologias Inteligentes; Programa de Educação e Tecnologias Inteligentes PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais PDDE – Programa Dinheiro Direto da Escola PIE – Projeto Internet nas Escolas PMS – Prefeitura Municipal de Salvador PRODASAL – Companhia de Processamento de Dados do Salvador PROINFO – Programa Nacional de Informática na Educação PROINFO Integrado – Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional PRONINFE – Programa Nacional de Informática Educativa PPP – Projeto Político Pedagógico PUC-SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo RME – Rede Municipal de Ensino RNP – Rede Nacional de Pesquisa SEC/BA – Secretaria de Educação do Estado da Bahia SECULT – Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Desporto e Lazer SEED – Secretaria de Educação à Distância SEJA – Segmento da Educação de Jovens e Adultos SMEC – Secretaria Municipal da Educação e Cultura SUAP – Subcoordenadoria de Apoio Pedagógico SUEN – Subcoordenadoria de Ensino SUPPE – Subcoordenadoria de Projetos Pedagógicos Experimentais TE – Tecnologia Educacional TIC – Tecnologias de Informação e Comunicação UE – Unidade de Ensino UFBA – Universidade Federal da Bahia UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul UNICA – Universidade da Criança e do Adolescente UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas (SP) USP – Universidade de São Paulo SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 11 2 FORMAÇÃO DE PROFESSORES E TECNOLOGIAS EDUCATIVAS .................... 16 2.1 Trajetória da inserção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na educação brasileira............................................................................................................ 16 2.2 A formação do professor no contexto das TIC .......................................................... 19 2.3 Interações entre as tecnologias da informação e comunicação (TIC) e a educação .... 23 2.4 Políticas públicas em educação para a inclusão digital .............................................. 27 3 O PROCESSO DE FORMAÇÃO TECNOLÓGICA DE PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE SALVADOR........................................................... 32 3.1 Políticas públicas municipais voltadas para o uso das TIC na educação .................... 32 3.2 O Núcleo de Educação e Tecnologias (NET) ............................................................ 35 3.3 O Núcleo de Tecnologia Educacional 17 (NTE-17) .................................................. 38 3.4 Linhas de ação e projetos desenvolvidos pelo NET/NTE-17 ..................................... 41 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 53 REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 56 APÊNDICES ....................................................................................................................... 62 APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISTA .................................................................. 63 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIOS APLICADOS............................................................. 64 APÊNDICE C – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO NTE-17.................................... 66 APÊNDICE D – ORGANOGRAMA DA SECULT ............................................................. 67 APÊNDICE E– IMAGENS DO PORTAL DO PETI............................................................ 68 11 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho traz um olhar sobre como as tecnologias de informação e comunicação (TIC), aqui chamadas de tecnologias educativas pela sua interface com a educação, se apresentam na formação dos professores, a partir dos dados levantados junto ao Núcleo de Tecnologia Educacional 17 (NTE-17) da Prefeitura Municipal do Salvador (PMS), órgão responsável pelo processo de inclusão digital de professores e alunos da rede municipal de ensino (RME). A preocupação com a formação tecnológica do professor da RME de Salvador permeia as ações do governo municipal que busca, através da Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Desporto e Lazer (SECULT), fazer com que o seu professor possa se utilizar de forma consistente e consciente dessas tecnologias educativas em sua prática pedagógica, e consequentemente ao seu aluno. O programa de formação tecnológica da rede municipal de ensino de Salvador existe há pouco mais de uma década, e vem preparando professores para atuar com as tecnologias educativas com vistas à inclusão digital de seus alunos e também dos próprios professores. Conhecer o alcance desse trabalho desde o seu início até os dias de hoje nos leva a investigar o que tem sido feito e o que se pretende ainda fazer, face às mudanças que a educação e a sociedade vêm enfrentando. Inserido neste contexto é que nasce a seguinte questão de pesquisa: quais as ações voltadas para a formação do professor em tecnologias educativas o Núcleo de Tecnologia Educacional 17 (NTE-17) da Prefeitura Municipal de Salvador desenvolveu no ano de 2008? Nesse sentido, faz-se necessário conhecer de que forma tem se encaminhado a preparação atual dos professores para atuar com as tecnologias educativas com vistas à inclusão digital destes e de seus alunos. Para isso buscaremos identificar os métodos, técnicas e conteúdos utilizados pelo Núcleo, verificando o seu alcance na formação do professor para o trabalho com as tecnologias educativas, além de compreender como o Núcleo prepara professores e a conseqüente inclusão digital de alunos. É importante ressaltar que, para uma boa aprendizagem dos alunos deve ser levada em conta a aprendizagem e também o bom desempenho do professor, como afirma Pedro Demo (2000, p. 8): A grande questão é menos o aluno, do que a preparação do professor. É ele que pode transformar informação em formação e é por isso que é indispensável. Assim, o 12 desafio tecnológico coloca menos um problema de tecnologia – geralmente de fácil solução – do que de aprendizagem, primeiro no professor, e, depois no aluno. O uso das tecnologias na educação é um tema que demanda diversas discussões, como se pode perceber pela grande quantidade de estudiosos e de publicações dedicados a ele. Isso decorre do envolvimento entre temas a princípio tão diferentes entre si, mas que, se observados mais de perto, tem muito a ver. Entender como tecnologia e educação se relacionam, mas principalmente, como o professor é preparado para exercer sua profissão em parceria com a tecnologia é o desafio que movimenta essa pesquisa. Diante de uma realidade complexa e emergente como é a educação, objeto desta pesquisa, optou-se pelo método dialético, adotando-se o moderno conceito de dialética de Hegel, trazido por Gil (1999), em que a lógica e a história da humanidade caminham dialeticamente, de modo que as contradições se transcendem e originam novas contradições que pedem outras investigações, outras soluções. A dialética oferece as bases para uma interpretação dinâmica e abrangente da realidade, pois afirma que os fatos sociais não podem ser suficientemente entendidos se considerados isoladamente, não relacionados às suas influências políticas, econômicas, culturais etc. Desse modo, atende à proposta desta pesquisa que é investigar e conhecer de que forma(s) o professor da RME de Salvador vem sendo preparado para usar as tecnologias em sua prática pedagógica, apoiada na literatura existente sobre o tema. Conforme Soares (2007)1 o que caracteriza o aspecto científico de uma pesquisa é o método utilizado para abordar o problema objeto da investigação. É através da pesquisa científica que obtemos as respostas às questões levantadas. Os tipos de pesquisa variam em função do enfoque utilizado, dos interesses, dos campos, das metodologias, das situações e dos objetos de estudo. No nosso caso, adotamos a pesquisa qualitativa, onde os dados coletados são obtidos diretamente no ambiente onde a investigação acontece, considerando o significado que estes assumem para os indivíduos. André (1995, p. 17) afirma que a pesquisa qualitativa defende uma visão holística do fenômeno estudado, ou seja, considera todos os componentes envolvidos numa determinada situação, suas interações e influências recíprocas. Ainda nesse contexto, essa pesquisa apresenta outras características que devem ser colocadas, para que melhor se compreenda sua abrangência. Por buscar produzir conhecimento sobre o 1 SOARES (2007). Referência eletrônica. 13 objeto estudado, essa pesquisa é descritiva em seus objetivos, já que sua execução se deu na forma de levantamentos ou observações sistemáticas do fenômeno escolhido. Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com professores multiplicadores e coordenadores do NTE-17, gravadas e não gravadas, e seus roteiros encontram-se no apêndice A. Dados complementares às entrevistas foram obtidos através de questionários enviados por e-mail, disponíveis no apêndice B. A coleta de dados aconteceu em várias etapas, tendo sido feito um estudo sobre documentos oficiais – programa de políticas públicas adotado pela PMS para a educação; projeto político pedagógico do NTE-17; relatório de atividades do 1° semestre da SMEC (atual SECULT) sítios oficiais do MEC, FNDE, PMS e SECULT na Internet – o que lhe confere o caráter de pesquisa documental. Por ter havido um estudo prévio com a leitura de diversos autores, nacionais e estrangeiros, para a construção da teoria que embasa esta pesquisa, esta é também bibliográfica. Desse modo, para proceder a esta pesquisa adotou-se o estudo de caso, o que permite observar um contexto de modo mais detalhado, ainda mais com a complexidade que envolve o fenômeno educacional. Conforme Ludke e André (2004, p. 18) o estudo de caso caracterizase fundamentalmente por: visar à descoberta; enfatizar a “interpretação em contexto”, não se dissociando do objeto estudado; buscar retratar a realidade de forma completa e profunda; nele se usar uma variedade de fontes de informação; revelar experiência vicária (substitutiva) e permitir generalizações naturalísticas; procurar representar os diferentes e às vezes conflitantes pontos de vista presentes numa situação social; e em seus relatos ser possível utilizar uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa. Ainda segundo Ludke e André (2004, p. 27), o estudo de caso é único, por ser o estudo de um caso, devendo ser sempre bem delimitado, e que tanto pode ser simples e específico como complexo e abstrato, mas com seus contornos claramente definidos no desenrolar dos estudos. É passível de semelhança com outro estudo de caso e, no entanto, ser ao mesmo tempo diferente, já que se constitui em interesse próprio, singular, único do pesquisador, sendo esses aspectos marcantes para a escolha desse tipo de estudo. Como coloca Robson Bonomo2, o estudo de caso é adequado quando se pretende descrever a situação do contexto em que está sendo feita a investigação, que é o caso desta pesquisa. 2 BONOMO, Robson. Ano não informado. Referência eletrônica. 14 A escolha do local da pesquisa baseou-se na necessidade de responder à questão principal, sobre como acontecia a correlação entre formação de professores e uso das tecnologias educativas na prática pedagógica. A princípio, a escolha flutuou entre as redes estadual e municipal de ensino, mas dois critérios levaram pela escolha da segunda. O primeiro, foi a descoberta de que a PMS já desenvolvia atividades de formação de professores em tecnologias há mais tempo que o Governo Estadual, que está em fase de construção, oferecendo-nos uma maior gama de informações. O segundo critério foi a maior acessibilidade por parte dos envolvidos com estas atividades dentro da RME, apesar da greve deflagrada pelos servidores municipais à época da coleta dos dados, o que dificultou – mas não comprometeu muito – o término desta pesquisa. A pesquisa foi feita em três etapas. A primeira etapa foi o estudo prévio de documentos existentes e sítios oficiais do MEC, PMS e SECULT para conhecer um pouco das atividades desenvolvidas em formação de professores e tecnologias educativas, o que permitiu obter um panorama consistente dessas atividades. Na segunda etapa foram realizadas entrevistas semiestruturadas, gravadas e não gravadas, em três encontros presenciais, com coordenadoras pedagógicas, multiplicadoras, assessora pedagógica e a coordenadora geral do NTE-17, aprofundando as informações obtidas na primeira etapa. Na terceira etapa, foram elaborados questionários, enviados por e-mail – para esclarecer pontos levantados durante as entrevistas – e feita a análise documental do Projeto Político Pedagógico do NTE-17, disponibilizado para consulta na sede do Núcleo, pois o referido documento encontra-se em fase de aprovação junto à CENAP (Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico), órgão ao qual o NTE-17 está subordinado, sujeito a alterações e portanto ainda não disponível ao público. A análise dos dados coletados foi feita em função dos resultados obtidos nas entrevistas e questionários aplicados, onde os números encontrados foram tabulados com o auxílio do programa Excel, versão 2003, apresentados por meio de tabelas, mais as informações levantadas, descritas e criticadas em função das teorias estudadas, integram o capítulo três. Participaram desta pesquisa a coordenadora do NTE-17, profa. Ezileide Silva, as multiplicadoras e formadoras profa. Edna Barreto – responsável pelo projeto Kidsmart –, profa. Eliemar Cidade – responsável pelo projeto Aulas Multimídia – e profa. Cândida Moraes, as duas últimas atuando também como coordenadoras pedagógicas, além da 15 assessora pedagógica, profa. Renata, todas muito solícitas quando dúvidas surgiram durante o processo de coleta e análise dos dados. Na seqüência, traz-se a revisão bibliográfica em que é apresentada uma discussão sobre a formação do professor em contraponto com as tecnologias educativas, onde buscou-se contextualizar o surgimento das TIC e sua associação com a educação, bem como as questões que envolvem o professor e sua formação face a essa realidade, que precisa e vem sendo enfrentada, ainda que com algum receio por parte dos próprios professores. Por ser o objeto de estudo um órgão público municipal que trabalha em parceria com o governo federal, é apresentada uma breve discussão acerca das políticas públicas adotadas no Brasil. Autores como Lévy, Pretto, Freire, Alves, Prensky, McLuhan e Powers e outros, embasam essa construção. O capítulo seguinte trata o objeto de estudo desta obra, o Núcleo de Tecnologia Educacional 17 (NTE-17), sua história, suas relações institucionais e a parceria com o governo federal, bem como as políticas públicas municipais que viabilizam sua existência, além de analisar as ações, programas e projetos adotados na RME do município de Salvador visando formar seus professores e gestores escolares para melhor utilizarem as TIC nas suas atividades, estendendo suas ações também aos alunos da rede. Esse capítulo sustenta-se em diversos autores a exemplo de Lévy, Pretto, Freire, Kenski, Almeida e Silva Filho, entre outros, além de trazer referências aos diversos documentos oficiais utilizados nessa construção. Para concluir, são apresentadas as considerações finais extraídas da reflexão entre a discussão teórica trazida pelos autores e os documentos utilizados e dados obtidos junto ao NTE-17, objeto do estudo em questão, onde buscou-se avaliar, ainda que de forma primária, os avanços conquistados no que tange a formação tecnológica de professores da rede municipal de ensino de Salvador para melhor atuarem com as TIC em sua prática pedagógica (análise do projeto). 16 2 FORMAÇÃO DE PROFESSORES E TECNOLOGIAS EDUCATIVAS “Os homens criam as ferramentas, as ferramentas recriam os homens” McLuhan (1970) Para que possamos refletir sobre essas temáticas tão importantes e abrangentes, formação de professores e tecnologias educativas, faz-se necessária uma revisão bibliográfica para apresentar pontos que fundamentem a correlação que se busca aqui desenvolver, embasando a discussão sobre a formação do professor em contraponto com as tecnologias educativas. Para isso buscou-se contextualizar o surgimento das TIC e sua associação com a educação, bem como as questões que envolvem o professor e sua formação face a essa realidade, que precisa e vem sendo enfrentada, ainda que com algum receio por parte dos próprios professores. Por ser o objeto de estudo um órgão público municipal que trabalha em parceria com o governo federal, é apresentada uma breve discussão acerca das políticas públicas adotadas no Brasil. Autores como Lévy, Pretto, Freire, Alves, Prensky, McLuhan e Powers e outros, embasam essa construção. 2.1 Trajetória da inserção das tecnologias de informação e comunicação (TIC) na educação brasileira A virada do milênio foi palco de grandes transformações nos campos socioeconômico, político, cultural, da ciência e da tecnologia, transformações essas fermentadas ao longo de, pelo menos, a metade do século anterior. Diante deste contexto em que a educação se encontra imersa, fazem-se necessárias mudanças estruturais para o enfrentamento deste novo quadro social. Nesta perspectiva a escola não terá condições de sobreviver diante das transformações sociais sustentando idéias ultrapassadas e conservadoras que não proporcionem ao educando uma contextualização social que o insira por completo nesta nova sociedade, capacitando-os para compreender criticamente este processo de transformação. Neste turbilhão de transformações sociais a ciência e a tecnologia têm surpreendido a humanidade e, diante deste panorama de evolução e complexidade, a educação é impelida a reestruturar-se. Os paradigmas educacionais já não respondem a esse novo contexto, e muito embora seja importante não desconsiderar os modelos construídos neste processo histórico, é 17 necessária uma profunda reestruturação dos mesmos. A estrutura social, à medida que vai se transformando, exige do processo educacional o exercício de novas concepções. Deste modo, as transformações nas relações sociais e principalmente no mundo do trabalho dão origem a intensas discussões, reflexões e polêmicas do repensar a educação. Na perspectiva desta reconstrução a inserção das novas tecnologias no cotidiano pedagógico tem representado uma conquista para o processo de ensino-aprendizagem. As preocupações com estas mudanças estruturais têm modificado o cotidiano das escolas públicas brasileiras. A percepção acerca da necessidade de se inserir as novas tecnologias na educação iniciaram-se no Brasil em meados da década de 70 (século XX) em diversas Universidades Públicas, a exemplo da UFSCar, UNICAMP, USP e UFRGS, entre outras. Assim, no início dos anos 80, existiram no Brasil inúmeras iniciativas sobre o uso da informática na Educação e, a medida que as Universidades iam aprimorando a utilização das tecnologias em suas pesquisas, davam origem a projetos de disseminação da informática na sociedade, proporcionando a implementação de políticas públicas voltadas para este fim, tendo como marco inicial o primeiro e o segundo Seminário Nacional de Informática em Educação realizados na Universidade de Brasília em 1981 e na Universidade Federal da Bahia em 1982, que começavam a ser estruturadas com intenção de abrangência nacional (VALENTE, 1999). Deste modo, a partir destes Seminários, a Secretaria Especial de Informática (SEI), o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) instituíram o programas e projetos que visavam a inclusão digital nos processos educacionais do sistema público de ensino, a saber (VALENTE, 1999; MORAES, 1997): − O EDUCOM (Projeto de Educação e Comunicação), criado em 1983, promoveu diversas ações nas Universidades de âmbito nacional, possibilitando a criação de ambientes educacionais facilitadores do processo de ensino-aprendizagem. Voltado para a formação de pesquisadores das universidades e de profissionais das escolas públicas, permitiu a realização de várias ações pelo MEC: três Concursos Nacionais de Informática Educacional (1986-1988); implementação do FORMAR – Curso de Especialização em Informática na Educação (1987; 1989); e implantação nos estados dos CIEd – Centros de Informática em Educação (iniciado em 1987); 18 − O PRONINFE (Plano Nacional de Informática Educativa), que funcionava através dos CIEd; e − O PROINFO (Programa Nacional de Informática na Educação)3, criado em 1996, desenvolvido pela Secretaria de Educação a Distância (SEED), por meio do Departamento de Infra-Estrutura Tecnológica (DITEC) em parceria com as Secretarias de Educação Estaduais e Municipais, com os objetivos de inserir as tecnologias de informação e comunicação nas escolas públicas brasileiras, disseminando o uso do computador nas escolas públicas, e criar NTE's – Núcleo de Tecnologia Educacional – para concentrar ações de sensibilização e de formação de professores, a fim de incorporar esta ferramenta em seu uso pedagógico. Este programa promoveu a capacitação de milhares de multiplicadores através de cursos de especialização em informática em educação. Entre outras ações, estes programas e projetos previam o barateamento dos equipamentos, facilidades de financiamento para compra desses equipamentos por um maior número de pessoas, capacitação de orientadores, criação de espaços públicos munidos de máquinas conectadas a rede mundial (internet) e de impressoras para uso gratuito pela população. Enfim, fornecer as condições mínimas para que os usuários conhecessem, se familiarizassem e aprendessem a usar a tecnologia em atendimento às suas necessidades pessoais e profissionais. Essas medidas mostraram-se imprescindíveis para a inclusão social na “era da informação” em que estamos vivendo, pois inclusão digital não é só ensinar a utilizar as máquinas, mas a partir deste conhecimento melhorar as condições sociais do indivíduo com o uso das TIC, ampliando as perspectivas de vida desses novos usuários (SILVA FILHO, 2003)4. Os altos custos para a implantação desses programas ainda é um fator impeditivo para a sua efetiva aplicação em regiões mais carentes. Um dos programas anteriormente citado, o PROINFO, atua hoje em parceria com a prefeitura municipal de Salvador, oferecendo a infra-estrutura necessária para que o processo de inclusão digital aconteça no município. Inicialmente batizado de Programa Nacional de Informática na Educação, o hoje PROINFO Integrado – Programa Nacional de Tecnologia Educacional – é um programa educacional federal criado pela Portaria n.º 522/MEC, de 9 de 3 Portal do Ministério da Educação (MEC). Referência eletrônica. Disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=8115&catid=210 4 SILVA FILHO, 2003. Referência eletrônica. 19 abril de 19975, para promover o uso pedagógico de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na rede pública de ensino fundamental e médio. Para isso, o programa leva às escolas computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. Em contrapartida, estados, Distrito Federal e municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os laboratórios e capacitar os educadores para uso das máquinas e tecnologias6. 2.2 A formação do professor no contexto das TIC Segundo Cambi (1999), a prática educativa no século XX voltou-se para o sujeito humano novo, impôs novos protagonistas, renovou as instituições formativas dando vida a um processo de socialização, de articulação e de sofisticação dessas práticas. Esse movimento acaba por colocar o educando, suas necessidades e suas capacidades, no centro das discussões. São diversos os papéis e funções esperados e exigidos do professor na sociedade. O professor é aquele que assume até e principalmente as funções inerentes à família, quais sejam a educação, de forma geral, de suas crianças. Cada vez mais a responsabilidade pelo caos em que a sociedade se encontra recai sobre os professores, a responsabilidade pela violência, pelo uso generalizado das drogas, pelo fracasso escolar, entre outros, como se somente a educação, como está instituída hoje, fosse o antídoto para todos esses problemas, sem considerar todos os outros elementos que aí estão inseridos. Ao professor são cobradas atualmente novas competências para fazer frente a esse novo mundo globalizado em que vivemos, sem no entanto, prepará-lo para o exercício eficaz dessas novas funções. Então, ao se dar conta do seu despreparo para o atendimento dessa nova demanda profissional, o mesmo entra em crise. Além das funções exigidas do professor, existem outros aspectos que dizem respeito ao papel fundamental da educação e que também são inerentes às suas atividades: fazer com que os alunos, que são seres dotados de intelecto, subjetividade e valores tenham acesso ao conhecimento em todas as suas dimensões – 5 A SEED (Secretaria de Educação à Distância) elaborou a revisão e a nova versão do PROINFO em 2007, que passou a chamar-se PROINFO Integrado. Nele são desenvolvidos o Portal do Professor, a TV Escola, o DVD Escola, o Domínio Público e o Banco Internacional de Objetos Educacionais, cujo objetivo central era a inserção das TIC nas escolas públicas brasileiras, visando inclusão digital de professores e gestores escolares. (PMS/SECULT/CENAP/SUPPE/NTE-17, PPP NTE-17, 2009) 6 Idem. 20 cognitiva, estética, ética, físico-motora – no cotidiano da sala de aula, através de um processo dialógico de construção do conhecimento, do qual ele é parceiro e também aprendente7. Em outras palavras, é necessário que o professor esteja preparado para possibilitar ao aluno uma aprendizagem significativa, objetivo principal no processo de ensino, pois à medida que o novo conteúdo é incorporado às estruturas de conhecimento de um aluno este adquire significado para o mesmo a partir da relação com seu conhecimento prévio, (AUSUBEL, 1982 apud PELIZZARI, 2002). Uma aprendizagem significativa trará a esse aluno melhores resultados, inclusive no mundo do trabalho, pois o sujeito poderá retirar de situações experienciadas na escola, respostas para seu cotidiano. Gilberto Dimenstein (2003, apud MACHADO, 20038) critica a escola como foi e como permanece atualmente no que se refere a “transmissão de conteúdos”: Quando a escola vinha com isso, dizendo que eu tinha que saber os afluentes do Tocantins, do Amazonas, eu só dizia assim: Eu não consigo. Depois de uma certa idade foi que descobri que quando eu falava não consigo, tinha uma voz dizendo, mas por que deveria conseguir? [...] Fui descobrir que não conseguia por que aquilo não tinha significado. Como comunicador trabalhando com educação, me sobra uma visão: a escola só pode ser uma casa de gestão de curiosidades. Do contrário ela não é funcional. Ou a paixão é o motor da escola, ou ela serve para pouco. No passado, todo o conhecimento construído pelo homem se baseava na observação, pesquisa e análise de dados coletados. Nos dias de hoje, a informação é produzida de forma incessante, graças ao progresso que as inovações tecnológicas trouxeram, possibilitando sua maior difusão. Para o professor, a grande questão é como auxiliar o seu aluno a produzir conhecimento nessa perspectiva, já que não consegue imaginar como isso pode ocorrer sem deixar de lado aquele velho processo, já seu conhecido, de produzir conhecimento. Nesse contexto, é necessário compreender como fica a formação do professor frente a esses processos de globalização e inovação tecnológica, considerando-se que, enquanto o conhecimento é produzido e apreendido mais lentamente, a informação flui em grande velocidade. 7 Neologismo introduzido por Hèlén Trocmé-Fabre, no Congresso Internacional de Locarno, Suíça, em maio de 1997, para expressar o estado de estar em-processo-de-aprender. Passou a ser usado cada vez mais nos documentos oficiais da União Européia. Sobre ele, ver em: ASSMANN, Hugo. Reencantar a educação: rumo à sociedade aprendente. Petrópolis: Vozes, 1998. Retirado de texto do site da TVE Brasil sobre Educação a distância e formação de professores: http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2002/ead/eadtxt4a.htm. 8 MACHADO, 2003. Referência eletrônica. 21 Deve-se ter em mente que a escola não é um organismo dissociado do mundo. No entanto, o que se percebe é um profissional de educação não preparado para atender às diversas demandas surgidas desde o século XX, com o mundo tornado aldeia através da globalização (McLUHAN e POWERS, 1989, apud SILVA, 2001). Como os cursos de formação de professores estão preparando esses profissionais a formar crianças para conhecer o mundo e produzir conhecimento em um contexto tão volátil, de informações rápidas, “rasas” e de substituição quase que instantânea? Afinal, tem-se um novo contexto globalizado, em que surgem outras possibilidades e formas de construir o conhecimento dentro desse vasto campo de informações geradas à velocidade da luz, para as quais o professor não está preparado. Se os jovens vivem imersos no universo tecnológico, principalmente os “nativos da era digital” (PRENSKY, 2001), expostos a diversos estímulos, o professor poderia se utilizar disso e expô-lo também aos diversos conteúdos e estímulos dentro da escola. Não mais é possível expulsar as mudanças da sala de aula, já que os alunos as vivenciam no seu dia a dia. Cabe ao professor, então, se utilizar do processo inverso, trazendo essa realidade para o universo escolar do seu aluno. Afinal, se os alunos “já vivem plenamente este mundo alucinado” (PRETTO, 1998) pelo contato com o mundo virtual, o professor pode se aproveitar disso e estimular também seu aluno para aprender a construir conhecimento utilizando-se das novas tecnologias. No entanto, para que o professor tenha condições de fazer uso desse elemento, é necessário que as TIC não sejam algo estranho ao seu espaço de aprendizagem e de trabalho. Não é simplesmente utilizar-se de uma música ou analisar um vídeo ou um filme, mas descobrir as potencialidades que as TIC trazem, enquanto recursos pedagógicos, de ampliar e construir conhecimento, seu e de seus alunos. E é nesse contexto que surge uma dificuldade: a formação do professor. A percepção que se tem é que, por ser ele mesmo muitas vezes excluído do contato com as TIC – ou seja, um “imigrante da era digital” (PRENSKY, 2001) – em seu processo de formação, encontra dificuldade em lidar com as mesmas, deixando portanto de utilizá-las enquanto material de trabalho. É nesse contexto que se impõe a necessidade de investigar o papel desempenhado pelo NTE-17 junto à RME de Salvador e a sua importância enquanto agente responsável pela formação digital dos professores da rede, ao oferecer condições para que o professor possa apreender esse conhecimento e se utilizar das TIC em sua prática cotidiana. 22 Para que isso aconteça, o professor precisa reconhecer e assimilar essa nova linguagem, conhecer as TIC desde o seu curso de formação, de modo que o seu uso seja tão natural quanto o é para essa nova geração, que nasceu em meio a toda essa tecnologia e não consegue sequer imaginar como era o mundo antes de todo esse aparato existir (PRENSKY, 2001). Caso contrário, corre-se o sério risco de “perder o bonde – ou a ‘banda larga’9 – da História”, deixando de se aproximar de seu aluno e de conduzi-lo ao aprendizado que lhe é necessário. O uso crítico das informações disponibilizadas na rede dependem da capacidade do professor em construir conhecimento a partir destas, juntamente com seus alunos (VALENTE, 2005). Para isso, o professor não precisa ser um especialista em tecnologias, mas sim entender como esse aparato funciona e descobrir onde, quando e como pode ser utilizado no processo de construir conhecimento. Muito embora na maioria das vezes não perceba, a prática do professor está sempre impregnada de teorias, ou então a visão teórica que carrega não converge para sua prática. Desse modo é necessário que reflita, buscando teorias que lhe permitam significar sua prática, de forma a problematizar e identificar seu modo de atuar. Ao estabelecer relações entre teoria e prática, o professor constrói uma nova teoria de acordo com o seu contexto e com a sua prática “transformada e transformadora” (ALMEIDA, 2000, p. 79), podendo a partir daí possibilitar ao seu aluno formar sua identidade, desenvolver sua capacidade crítica, sua autoconfiança e criatividade. Essa relação entre teoria e prática é dialética (ALMEIDA, 2000), já que a primeira estrutura a segunda e se legitima nela, revelando nesse processo a transformação e o crescimento do sujeito. A reflexão sobre sua prática deve ser construída pelo próprio professor, em seu ambiente, à medida que pensa essa prática e as condições em que está envolvida. Para evitar a sensação de fracasso diante de sua prática, os professores devem se apropriar de teorias que ressignifiquem e reestruturem sua prática, permitindo-se transformá-la, o que não é tarefa fácil, principalmente quando essa nova teoria diverge das concepções que vivencia. Cabe então aqui interpretá-la de acordo com o contexto educativo, recriando-a sem perder de vista 9 Expressão que explicita a velocidade de navegação utilizada no acesso à internet, aqui utilizada em um trocadilho com a expressão “perder o bonde da História”, que equivale a dizer ficar para trás, perder o horário (ou o tempo). 23 seus princípios – uma verdadeira “mudança de valores, concepções, idéias e, consequentemente, de atitudes” (PRADO, 1993, p. 99 apud ALMEIDA, 2000, p. 81). Para que tal transformação seja possível, faz-se necessário oportunizar aos professores espaços de troca, reflexão, discussão e orientação, onde possa analisar sua prática e a de outros professores, estabelecendo relações entre essas práticas e as teorias de desenvolvimento envolvidas. Afinal, a preparação adequada do professor para o uso das TIC em educação é componente fundamental, segundo uma perspectiva crítico-reflexiva, para um maior aproveitamento do potencial das TIC no processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, ao manter essa postura crítico-reflexiva diante das TIC, o professor terá condições de, em sua prática, trabalhar colaborativamente com seus alunos no processo de construir conhecimento, auxiliado por essas tecnologias que tanto receio e curiosidade causam a uns e outros, professores e alunos. 2.3 Interações entre as tecnologias da informação e comunicação (TIC) e a educação Falar em educação, hoje, sem pensar nas novas tecnologias – nem tão novas assim, sejamos sinceros – (PRETTO, 2002), é algo que não se concebe mais. Historicamente, as tecnologias estão presentes na vida do homem desde a Pré-História, na forma de objetos que o auxiliaram a caçar, produzir alimentos e moradia. É possível, a princípio, associarmos a palavra techné, do grego, a palavra arte – a arte do fazer, que, somada à capacidade humana, ao ato de fazer. Com o desenvolvimento do homem e da ciência, a técnica passa a ser associada ao logos, ou à lógica ou razão do ato de fazer. A relação entre homem e máquina tem então um caráter utilitarista-instrumental10, em que serve ao homem e suas necessidades, a máquina como instrumento de exploração da natureza, responsável pela desumanização do próprio homem. (PRETTO, 2000). Hoje vivemos um outro momento dessa relação homem-máquina, o que esse autor chamou de imbricamento, centrado “no fazer da razão (a techné do logos)”, com uma maior aproximação entre homens e máquinas, inexistindo a tradicional separação entre técnica, cultura e sociedade. A relação agora é de coexistência, com a construção social do homem vinculada à evolução tecnológica que presenciamos hoje. 10 Termo utilizado por PRETTO, N. D. L. (2000). 24 Kenski (2005) nos lembra que todas as atividades mais comuns que desenvolvemos no nosso cotidiano envolvem tecnologias – comer, dormir, ler, trabalhar, etc. – de forma tão natural que não nos apercebemos mais delas. Para construir o que quer que seja – de talheres a naves espaciais – é necessário pesquisar, planejar e construir tecnologias. Os “modos ou habilidades necessários para lidar com cada tecnologia são chamados de técnicas” (KENSKI, 2005, p. 93). Algumas mais simples, outras mais elaboradas, mas todas são transmitidas geração após geração, e todas as novas tecnologias vão sendo agregadas nesse processo. Muitas vezes convivemos com essas tecnologias sem atentarmos para elas, e muitas dessas tecnologias são mais do que equipamentos. Lévy (1993) traz o conceito de “tecnologias da inteligência”, tecnologias essas que vão além dos equipamentos, pois trata das linguagens utilizadas pelo homem para transmitir conhecimento ao longo dos séculos: a linguagem oral, a linguagem escrita e a linguagem digital. Através dos tempos, o homem desenvolveu relações (sociais, culturais, econômicas, políticas, etc.) valendo-se no início apenas da transmissão oral de suas práticas, valores e costumes, perpetuando-o através das gerações seguintes, enquanto não havia outro meio para fazê-lo. Com a invenção da escrita, o homem não mais precisava valer-se apenas da memória, podendo registrar fisicamente, por meio de símbolos, o conhecimento acumulado no tempo. A tipografia de Guttemberg aos poucos trouxe a difusão da escrita em larga escala, com a escola apropriando-se dos livros como tecnologia – tal como o quadro e o giz – para disseminar o conhecimento. Na seqüência, com a evolução dos meios de comunicação, a sociedade se viu diante dessa nova linguagem que carrega consigo, além da escrita, sons e imagens, tornando a comunicação multidirecional. Como aponta Lévy (1993), primeiro tínhamos a comunicação “um para um” ou “um para poucos” (tecnologia oral), depois veio a comunicação “um para todos” ou “um para muitos” (tecnologia escrita) e, com a tecnologia digital estamos diante de uma comunicação de “todos para todos” ou “muitos para muitos”. Afinal, como afirma Alves (2000), o que melhor caracteriza a linguagem digital é a interatividade, que fomenta trocas com outro(s) de forma virtual, sem deslocamento físico, alterando o que estava posto antes das tecnologias digitais invadirem o tempo e o espaço. A tecnologia ampliou as formas de comunicação e informação, e por conseguinte, alterou a forma como vivemos e aprendemos (KENSKI, 2005; NOVA e ALVES, 2002). Interagir com as tecnologias “exige uma nova compreensão do mundo” (ALVES, 1998, p. 142), surgindo assim uma nova inteligência que abrange o plural, o complexo, as diferenças e ambigüidades 25 dos sujeitos, permitindo múltiplas visões de mundo, mais participativas, mais colaborativas, de caráter comunitário, onde haja reciprocidade, criação e interferência por parte daqueles que estão envolvidos. E é nesse contexto que o professor precisa adaptar-se, integrar-se, melhorar sua formação para se apropriar dessa nova linguagem e assim construir, em parceria com seu aluno e com aqueles que o cercam, o conhecimento que todos anseiam, necessitam e buscam. Tratando especificamente das tecnologias educativas, a tecnologia educacional (TE) surge no século passado (década de 40) como objeto de investigação e pesquisas, nos Estados Unidos, a partir de cursos audiovisuais criados e voltados para o treinamento de soldados norteamericanos envolvidos na Segunda Guerra Mundial (MACHADO11; DI PALMA, 2004), e logo após em uma instituição privada de ensino como disciplina acadêmica (DI PALMA, 2004). Prevalecem os meios nas décadas de 50 e 60, com a difusão da televisão e seu avanço no cotidiano das pessoas, desenvolvendo-se a forte crença no poder das novas tecnologias como suporte à educação, já que a concepção de ensino ainda era baseada na transmissão de informações (DI PALMA, 2004). Nesse período a TE se associa à psicologia comportamental do behaviorismo e às concepções skinnerianas com a sistematização de estratégias e procedimentos para a criação de ambientes que propiciem o aprendizado e, mais tarde, a consolidação dos métodos praticamente transforma-os em meios, perdendo a característica de processo e a relação com os conteúdos específicos. Já nos anos 70 e 80, após a Segunda Guerra Mundial, a TE acompanha as mudanças que a economia mundial impõe e que as teorias da Administração explicitam – com contribuições da Teoria dos Sistemas, da Administração Geral, da Teoria das Comunicações e da Cibernética (MACHADO12) –, deixando de se enfatizar os meios para se cultuar o método. A partir daí, a meta é construir modelos de ensino mais eficazes e econômicos, onde os meios ainda são importantes, mas os métodos são primordiais. Dos anos 90 em diante, o que se viu e ainda se vê é uma ambivalência entre métodos e meios, em que esses últimos passam a ser vistos como “um componente do processo de ensino e aprendizagem” (MACHADO13), não sendo no entanto nem o elemento dominante desse processo nem tão pouco um instrumento a serviço do método. Não podemos solenemente ignorar a influência que as TE’s exerce na vida de todos os atores da escola – alunos, professores, gestores – mas aproveitar-nos dela, 11 MACHADO, A. V. Ano não informado. Referência eletrônica. Idem. 13 Idem. 12 26 tornando-as não só meios mas também objeto de estudo, desde que coordenados por métodos de ensino sujeitos a conteúdos e objetivos educacionais, determinados pela escola. Alguns podem afirmar que não gostam ou que não sabem lidar com essas “coisas”, quando na verdade nem se dão conta de que já lidam com elas – as tecnologias – no seu dia a dia. Seja no serviço de auto atendimento de um banco, ao programar seu DVD ou ao se utilizar de um “simples” aparelho celular, tudo isso envolve tecnologia de ponta, sem que atentemos claramente para isso. Com a educação não poderia ser diferente. É preciso que estejamos conscientes de que esses recursos podem ampliar as possibilidades de aprendizagem ao trazer, de forma sedutora, despretensiosa e dinâmica, mais e mais informações, modelos de comportamento, linguagens, valores (MORAN, 2005). A introdução das TIC nas salas de aula torna o processo de ensino-aprendizagem sintonizado com a vida contemporânea, proporcionando aos alunos o acesso a uma nova forma de comunicação que privilegie a escolha dos próprios caminhos. (LUCENA, 2003). Não somente acesso, pois podemos e devemos ir além disso, do simples manuseio, se considerarmos que as TIC são meios auxiliares de grande alcance para enriquecer o processo de ensino e aprendizagem. Ao se fazer qualquer crítica ao sistema de ensino brasileiro, há que se ter em mente o contexto histórico, econômico e social no qual está inserido e foi construído. A educação brasileira, desde o descobrimento do país até os dias atuais, é marcadamente um reflexo das políticas públicas adotadas por quem detinha (e ainda detém) o poder. Hoje, com a globalização, o mundo se tornou vizinho, e a informação é disseminada em uma velocidade impressionante. No entanto, o modelo educacional existente no Brasil ainda não atende ao principal papel da educação que é formar, em toda a nação, pessoas capazes de agir sobre o meio, interagir e refletir sobre essa ação-interação, pensar criticamente, detendo e extrapolando o conhecimento advindo dessa relação. Tal condição é bastante perceptível se nos referenciarmos pelo grande número de analfabetos funcionais ainda presente entre aqueles que concluem o ensino médio (DI PIERRO e GRACIANO, 2003), e que tendem muitas vezes a incluir-se entre os analfabetos tecnológicos, excluídos que são deste universo digital. Para alcançar essa condição, o ensino brasileiro precisaria estar, sob diversos aspectos, melhor aparelhado. Mas o aspecto mais importante diz respeito à qualidade do profissional de ensino que é colocado à frente do processo de ensino-aprendizagem: o professor. Este profissional, para obter de seus alunos os resultados de aprendizagem desejados, precisa antes ele mesmo 27 estar capacitado a alcançá-los, ter uma sólida formação teórica, dominar os conteúdos por ele abordados, estar didaticamente bem preparado para poder contextualizar o conhecimento de sua área do saber com a realidade que o cerca – e ao seu aluno, “articulando-o de forma harmônica às dimensões humana, técnica e político-social” (MARTINS, 1985). Para que isso aconteça, é preciso dar ao professor as condições necessárias de atuar como articulador do processo de construção do conhecimento, seu e de seu aluno, dentro ou fora do espaço da sala de aula. Dentro do princípio democrático de educação para todos, a extinção da condição do ser analfabeto (funcional ou tecnológico) perpassa pela adoção de políticas claras e eficazes, pela disponibilização dos recursos necessários à implantação de programas eficientes de educação, pela preparação de professores engajados com esse propósito – possibilitando o aperfeiçoamento de suas práticas para melhor lidar com as dificuldades que o seu aluno apresenta –, mas principalmente, pelo respeito a esse ser humano, permitindo que obtenha o sucesso desejado não só em seu aprendizado como também em seu futuro profissional e pessoal. 2.4 Políticas públicas em educação para a inclusão digital Conforme Barreto (2001), inclusão digital é uma transformação técnico-científica que ultrapassa os limites da Educação, tornando-se uma necessidade social à qual o homem moderno encontra-se submetido, sendo obrigado a “dominar” as tecnologias digitais para sobreviver, num mundo que cada vez mais depende das mesmas. Inclusão digital ou alfabetização digital é um termo que se refere a diversos projetos e ações que promovem a integração de pessoas menos favorecidas com as tecnologias da informação e comunicação (TIC). Esta expressão originou-se de uma outra, “digital divide”, termo em inglês que significa “divisória digital” (PRENSKY, 2001). Quebrar essa divisória digital é a proposta da inclusão digital, fazendo com que todos tenham acesso às tecnologias digitais, não podendo os educadores ficarem à margem desse processo. São muitas as iniciativas voltadas à universalização das tecnologias e ao acesso gratuito do uso da internet, embora essas ainda sejam insuficientes, pois encontramos em muitas regiões carentes a inexistência de infra-estrutura básica, como a falta de cabeamento de telefonia e uma rede de energia elétrica. 28 Nos últimos anos, tem aumentado o número de iniciativas, ora com objetivo de acelerar a incorporação dos cidadãos às novas formas de organização social introduzidas pela tecnologia, ora no sentido de evitar que a evolução tecnológica funcione como novo fator de exclusão social. Mesmo nos países de economia avançada, esses objetivos têm demandado um esforço considerável por parte dos governos, em associação com a iniciativa privada. (SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO NO BRASIL – LIVRO VERDE. 2000). Portanto, inclusão digital não é mais um modismo que surge na educação de tempos em tempos, mas sim uma necessidade real frente as grandes mudanças ocorridas na sociedade nos últimos anos com a popularização da informática, principalmente pela vertiginosa disseminação da internet pelo mundo. Essa ampla aceitação da internet gerou mudanças drásticas no mercado de trabalho, extinguindo velhas funções e originando outras que exigem maiores conhecimentos de tecnologia. Apesar da rápida expansão da internet, no Brasil e em outros países mais pobres, o avanço das tecnologias da informação e comunicação vem gerando milhões de excluídos desse novo mundo digital, com jovens e adultos impedidos de entrar no mercado de trabalho por não possuírem as competências adequadas às suas novas exigências. “A exclusão socioeconômica desencadeia a exclusão digital ao mesmo tempo em que a exclusão digital aprofunda a exclusão socioeconômica” (SILVA FILHO, 2003)14. Incluir digitalmente a alguém significa, principalmente, utilizar a tecnologia para melhorar as condições de vida desse alguém. Nesse contexto, é papel de quem educa contribuir para minimizar essa situação de exclusão, alterando o estado das coisas. A inserção das tecnologias digitais na educação, e não somente no que se refere ao computador, torna-se fundamental, uma vez que os alunos vivenciam em seu cotidiano as inúmeras possibilidades de exploração das tecnologias digitais e tudo o que elas representam em termos de potencial para a produção e veiculação do conhecimento, bem como de outras finalidades relacionadas à vida e ao trabalho. Como bem coloca Lucena (2003), a introdução dessas tecnologias nas salas de aula torna o processo de ensino-aprendizagem sintonizado com a vida contemporânea, proporcionando aos alunos o acesso a uma nova forma de comunicação que privilegie a escolha dos próprios caminhos. 14 SILVA FILHO, 2003. Referência eletrônica. 29 Pretto (1999, p. 79), ao discutir a necessidade de mudanças no sistema educacional, cita Barreto (1996, p. 4) que, em sua análise dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN)15, apontava a necessidade de se oferecer uma melhor qualificação aos professores e professoras, através de uma formação sólida e continuada, sob pena de mantê-los suscetíveis a manobras políticas e conchavos, perpetuando essa condição aos seus alunos. Dessa forma, transformar o sistema educacional requer uma formação de professores voltada para as questões atuais, centrada em princípios compatíveis com o momento histórico que vivenciamos hoje. Para que essa transformação saia do discurso para a prática, são necessárias políticas públicas coerentes e consistentes, que tornem essa transformação concreta, passível de acontecer. De acordo com Pretto (1999, p. 80), há que se ter em mente a necessidade de uma mudança de pensamento, muito mais profunda do que simplesmente inserir as tecnologias no processo educacional, como forma de compreender os novos processos de aquisição e de construção do conhecimento acarretados pelas mudanças que a ciência e a tecnologia trouxeram ao longo do último século. Introduzir as tecnologias na escola é parte de um processo maior, necessária mas não suficiente para que o sistema educacional brasileiro se articule com o momento histórico. Com isso, permitir-se-á que escola esteja interligada à grande rede, fazendo parte do processo coletivo de construção do conhecimento, passando da “inteligência coletiva para o coletivo inteligente” apontado por Lévy (1996, p. 117, apud PRETTO, 1999, p. 80). Conforme Lévy (1993), a inteligência coletiva seria a partilha de funções cognitivas, como a memória, a percepção e o aprendizado, que podem ser melhor compartilhadas quando aumentadas e transformadas pelas tecnologias de informação e comunicação, obtendo-se então o que ele chama de coletivo inteligente. Segundo o autor, ninguém é inteligente por si só, mas pela troca que faz com o(s) outro(s) ao seu redor. Essa transformação do sistema educacional corresponderia não somente a um aperfeiçoamento deste, mas exigiria “uma transformação profunda, que imponha, obrigatoriamente, a implantação de políticas educacionais coerentes com as transformações da sociedade como um todo, e não, simplesmente, modernizadoras” (PRETTO, 1999, p.80). Para o autor, as políticas públicas devem se articular entre os diversos campos – comunicação, educação, tecnologia – de modo a garantir as tão sonhadas transformações no sistema 15 Este documento foi uma das principais bandeiras do governo de Fernando Henrique Cardoso, elaborado sob forte crítica da comunidade acadêmica nacional (PRETTO, 1999). 30 educacional, levando-o a um patamar superior, inserindo o país no mercado mundial global, numa perspectiva de efetiva cidadania. São as políticas públicas que irão orientar e fomentar esse processo, ao possibilitar a presença dessas tecnologias dentro das escolas e uma melhor formação dos atores envolvidos, particularmente professores e professoras. Segundo AHLERT (2003, p. 130), as políticas públicas são as ações empreendidas pelo Estado para efetivar as prescrições constitucionais sobre as necessidades da sociedade em termos de distribuição e redistribuição das riquezas, dos bens e serviços sociais no âmbito federal, estadual e municipal. São políticas de economia, educação, saúde, meio ambiente, ciência e tecnologia, trabalho etc. Historicamente, as políticas públicas adotadas no Brasil conduziram sempre à exclusão social, ao permitir que as elites impusessem as regras do jogo ao longo do caminho. Dos anos 30 aos 70 do século passado, havia uma Estado nacional forte, comprometido com o sistema econômico nacional, mas com o golpe militar e a derrubada de João Goulart, o país mergulhou na lógica do capitalismo transnacional, fortemente excludente (AHLERT, 2003, p. 130). Com a inovação tecnológica surgida a partir da década de 70, o Estado liberal se impõe, transformando os sistemas tradicionais de produção e pregando a diminuição do Estado para levar, segundo o autor, a uma melhor distribuição do bem estar social. Essas ações tiveram reflexo na educação, que ao incorporar as idéias neoliberais voltou-se para preparar a população para o mercado de trabalho, o que não favoreceu a diminuição do enorme contingente de analfabetos no país, mantendo-se o processo de exclusão (AHLERT, 2003, p. 131). Para se evitar cair no erro de apenas adaptar a educação para preparar o indivíduo às demandas impostas pelo mercado de trabalho, garantindo-se uma educação libertadora e emancipacionista (FREIRE, 1996), é necessário que se construam políticas públicas em educação “que possibilitem a formação em educação básica envolvendo ciências e tecnologias encharcadas por uma ética universal do ser humano” (AHLERT, 2003, p. 144), dimensão reivindicada por Paulo Freire em sua “Pedagogia da Autonomia” (1996, p. 130): 31 O progresso científico e tecnológico que não responde fundamentalmente aos interesses humanos, às necessidades de nossa existência, perdem, para mim, sua significação. A todo avanço tecnológico haveria de corresponder o empenho real de resposta imediata a qualquer desafio que pusesse em risco a alegria de viver dos homens e das mulheres. A um avanço tecnológico que ameaça a milhares de mulheres e de homens de perder seu trabalho deveria corresponder outro avanço tecnológico que estivesse a serviço do atendimento das vítimas do progresso anterior. Cada vez mais convivemos com a tecnologia, hoje parte integrante de nossas vidas. A sociedade está em um processo de mudanças bastante acelerado, e a educação deve preparar os indivíduos para acompanhar essas mudanças. Essa nova dinâmica, que foi trazida com o desenvolvimento tecnológico, amplia o conhecimento e o torna efêmero, e dada a velocidade com que as informações mudam, devemos ter em mente que é preciso evitar que se amplie o mar de excluídos digitais em nossa sociedade. A inclusão digital deve ser buscada, evitandose porém o risco de se manter uma visão mecanicista sobre as tecnologias, tornando-as meras ferramentas que não oferecem possibilidades de construir conhecimento, pois é a ideologia e o uso aplicados às TIC que determinam os resultados que serão alcançados. 32 3 O PROCESSO DE FORMAÇÃO TECNOLÓGICA DE PROFESSORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE SALVADOR Quanto valeria um pensamento que nunca fosse transformado por seu objeto? Talvez escutando as coisas, os sonhos que as precedem, os delicados mecanismos que as animam, as utopias que elas trazem atrás de si, possamos aproximar-nos ao mesmo tempo dos seres que as produzem, usam e trocam, tecendo assim o coletivo misto, impuro, sujeito-objeto que forma o meio e a condição de possibilidade de toda comunicação e todo pensamento. (Pierre Lévy, 1993, p. 11, grifo do autor) O presente capítulo trata o objeto de estudo desta obra, o Núcleo de Tecnologia Educacional 17 (NTE-17), sua história, suas relações institucionais e a parceria com o governo federal, bem como as políticas públicas municipais que viabilizam sua existência, além de analisar as ações, programas e projetos adotados na RME do município de Salvador visando formar seus professores e gestores escolares para melhor utilizarem as TIC nas suas atividades, estendendo suas ações também aos alunos da rede. Esse capítulo sustenta-se em diversos autores a exemplo de Lévy, Pretto, Freire, Kenski, Almeida e Silva Filho, entre outros, além de trazer referências aos diversos documentos oficiais utilizados nessa construção. 3.1 Políticas públicas municipais voltadas para o uso das TIC na educação A Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Desporto e Lazer de Salvador – SECULT atende a uma clientela de Educação Infantil e 1ªa 9ª séries do Ensino Fundamental, sendo 2.607 salas distribuídas em 413 escolas em Salvador16, para 155.955 alunos em toda a rede municipal de ensino, estando divididos em 19.392 alunos de educação infantil e 136.563 alunos do ensino fundamental. Destes, 116.547 alunos estão no ensino regular e os demais 20.016 alunos estão em salas de EJA e Telecurso17. Entre essas escolas, apenas 187 delas apresentam laboratório de informática, muito embora 366 escolas possuam conexão com a internet.18 Para atender a essa rede, a SECULT conta com 11 Coordenadorias Regionais de Educação (CRE), que dividem o atendimento às escolas em regiões. 16 Dados levantados no sítio da SECULT: http://www.secult.salvador.ba.gov.br/site/educa-numeros-escolas.php. Acesso em 12/08/2009. 17 Dados levantados no sítio da SECULT: http://www.secult.salvador.ba.gov.br/site/educa-numeros-matriculasegmento.php. Acesso em 17/07/2009. 18 Dados levantados no sítio da SECULT em : http://www.secult.salvador.ba.gov.br/site/educa-numerostecnologia.php. Acesso em 12/08/2009. 33 No seu Plano Estratégico de Ação para o período 2005-8, denominado “Educação de Qualidade, Novos Rumos para a Cidade”, a Prefeitura apresenta a filosofia do processo educacional que se quer implantar, explicita as condições em que encontrou a rede municipal de ensino – dados de matrícula, índices de aprovação, reprovação e evasão, situação dos docentes e outros profissionais da escola, assim como as condições físicas das unidades escolares municipais – e trata sobre a política delineada para a educação municipal, apresentando a missão e a visão de futuro, as diretrizes estratégicas, as metas e as ações concebidas pela equipe que assumiu a coordenação da educação municipal19. Nesse documento, apresenta como missão “garantir uma escola pública municipal universal em seu compromisso com a democratização de oportunidades sócio-educativas, plural na promoção do respeito à diversidade e ética em sua responsabilidade de formação de valores para uma educação cidadã, solidária e socialmente inclusiva”. Para tanto, propôs cinco linhas de ação para o quadriênio 2005-2008, visando uma educação pública municipal de qualidade e integrada às comunidades locais, que garanta o acesso, a permanência e o sucesso dos alunos, promova a reparação das desigualdades raciais e de gênero, valorize a cultura e a diversidade, acolha as pessoas com deficiência e contribua para uma sólida formação ética e cidadã: equidade e qualidade do processo de ensino e de aprendizagem; democratização do acesso, mediante a qualificação, reordenação e expansão da rede física municipal; valorização da cultura e saber popular no processo de ensino e de aprendizagem; democratização e modernização da gestão, garantindo o caráter participativo e descentralizado; e valorização e formação continuada dos trabalhadores e trabalhadoras em educação20 (Prefeitura Municipal de Salvador, 2005, p. 19, grifo nosso). Essa proposta concorre favoravelmente com o que afirma Ahlert (2003), sobre as políticas públicas possibilitarem uma educação básica que envolva não só Ciência e Tecnologia, mas ética e humanidade. Afinal, a dimensão humana não pode ser esquecida, devendo a oferta de educação ser justa, igual para todos, e de qualidade. 19 Disponível em http://www.secult.salvador.ba.gov.br/documentos/Educação%20de%20qualidade.pdf. Acesso em 17/07/2009. 20 Dados levantados no sítio da SECULT: http://www.secult.salvador.ba.gov.br/site/missao.php. Acesso em 17/07/2009. 34 Particularmente na questão de formação do professor, o documento afirma a necessidade de enfrentamento à “descontinuidade e a descontextualização da formação dos professores, sinais evidentes de debilidades do fazer educacional; e, ao mesmo tempo, [...] repensar a tarefa da formação de valores”21. Para isso, aponta a importância de uma atitude de reflexão permanente por parte dos educadores acerca de seus próprios valores e de suas práticas educativas cotidianas como um dos caminhos para enfrentar essa situação. Isso condiz com o que afirma Almeida (2000), no que tange à uma formação do profissional de educação voltada para a reflexão sobre sua prática. Dentre as linhas de ação voltadas para uma educação de qualidade, a SECULT comprometese em garantir “condições materiais, físicas e pedagógicas que permitam a expressão do aluno por meio de múltiplas linguagens, incluindo as novas tecnologias”, e para isso pretende “implantar as novas tecnologias educacionais em 100% das escolas municipais”, sem no entanto apontar um prazo para alcançar essa meta em especial. Um outro ponto abordado é a formação inicial e continuada dos profissionais de educação, visando valorizar todos os trabalhadores em educação22. Essas e outras ações voltadas para a melhoria do ensino, presentes no plano estratégico de ação da SECULT, indicam uma vontade política em dar condições para que a educação municipal se desenvolva, conseguindo acompanhar os novos tempos que a tecnologia trouxe para a sociedade contemporânea (PRETTO, 1998). Dentro da SECULT, a capacitação de gestores, coordenadores pedagógicos e professores fica a cargo da CENAP (Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico), que é diretamente subordinada ao Secretário de Educação, conforme organograma disponível no apêndice D. A CENAP divide-se em três subcoordenadorias: SUEN (Subcoordenadoria de Ensino); SUAP (Subcoordenadoria de Apoio Pedagógico); e SUPPE (Subcoordenadoria de Projetos Pedagógicos Experimentais). A SUEN atende ao Ensino Infantil e Fundamental até o 5° ano, a SUAP atende ao Ensino Fundamental do 6° ao 9° ano e à Educação de Jovens e Adultos e a SUPPE trabalha os projetos a serem desenvolvidos por toda a rede municipal de ensino. O NTE-17 está vinculado a esta última, embora trabalhe de forma articulada com as duas outras sub-coordenadorias. 21 Disponível em http://www.secult.salvador.ba.gov.br/documentos/Educação%20de%20qualidade.pdf. Acesso em 17/07/2009. 22 Idem. 35 Os Projetos Experimentais desenvolvidos pela SUPPE foram divididos em categorias como forma de organizar os trabalhos. São cinco as categorias: Escola de Referência; Gestão Educacional; Comunicação e Novas Tecnologias; Arte, Educação e Pluralidade Cultural; e Educação Ambiental. No caso do NET, os projetos que desenvolve estão dentro da categoria “Comunicação e Novas Tecnologias”, cuja proposta era formar cidadãos mais preparados para os desafios contemporâneos, envolvendo a utilização de novas tecnologias e recursos de comunicação. Em busca da melhoria contínua da qualidade de ensino, a Secretaria de Educação buscou colocar em prática diversos projetos em articulação com a sociedade civil organizada e o governo, de modo a utilizar as diferentes mídias de forma inteligente e educativa e assim contextualizar e ampliar a interatividade no processo de ensino e de aprendizagem, pois como afirma Kenski (2005), a tecnologia alterou as formas como vivemos e aprendemos, ao modificar as formas que usamos para nos informar e nos comunicar, suscitando a necessidade de compreender e saber utilizar essas novas linguagens. 3.2 O Núcleo de Educação e Tecnologias (NET) Tudo começou com o PIE (Projeto Internet nas Escolas) em 1993, projeto desenvolvido por iniciativa do Grupo de Suporte da SMEC (atual SECULT) – composto por técnicos da Secretaria – que coordenava o Grupo de Estudos Permanentes – GEP (formado por 37 professores municipais e pesquisadores do Núcleo de Educação e Comunicação do Mestrado em Educação da Universidade Federal da Bahia – UFBA). A idéia era começar a investir em tecnologia, mas ninguém sabia como fazer. O governo municipal da época decidiu iniciar pela educação e começou-se a trabalhar com tecnologia educacional, não se sabia como, mas resolveu-se tentar. De início foram desenvolvidos alguns projetos e os alunos (em grupos de cinco a seis) eram atendidos em turno oposto ao de suas aulas. Na época se teve o apoio do prof. Nelson Pretto (UFBA) nas pesquisas, nos estudos desenvolvidos para trabalhar com tecnologia em educação, quando então foi formado o GEP23 para dar continuidade a esses estudos e fortalecer a parceria, estando envolvidos professores e alunos das escolas onde o PIE fora implantado. Em um segundo momento, o grupo de estudos foi convidado a se reunir em um 23 Apesar de todas as mudanças que aconteceram, o GEP (Grupo de Estudos Permanentes) se manteve. Informação disponibilizada em entrevista com a Profa. Edna Barreto, coordenadora pedagógica e professora multiplicadora do PETI, em 05/08/2009. 36 espaço na UFBA – não possuíam um espaço próprio –, o projeto foi dando certo e, em 1995, em uma experiência piloto, a Escola Municipal do Novo Marotinho (bairro da periferia de Salvador) foi a primeira escola a ser conectada a internet. No segundo semestre de 1999, mais onze escolas da RME foram beneficiadas pelo MEC com 145 computadores para os laboratórios de informática, com os quais a SMEC e a Companhia de Processamento de Dados do Salvador – PRODASAL (hoje Companhia de Governança Eletrônica do Salvador – COGEL) as conectaram à internet. No processo, alguns professores se dispuseram a trabalhar com tecnologia em educação, com a Internet – linha discada –, sem saber muito bem como fazer isso. Nesse meio tempo, com o avanço dos trabalhos nesse processo de inclusão digital promovido pela Secretaria da Educação, o Núcleo de Educação e Tecnologias (NET) foi constituído e elaborado o PETI – Projeto de Educação e Tecnologias Inteligentes. O PETI – Projeto de Educação e Tecnologias Inteligentes era um dos projetos que integrava a categoria de projetos “Comunicação e Novas Tecnologias” da SUPPE, que buscava articular a prática pedagógica com elementos tecnológicos, compreendendo o espaço do laboratório de tecnologia como uma sala de aula. Nele, professores e alunos das escolas participantes do PETI eram orientados a desenvolver atividades pedagógicas no espaço de sala de aula, articulando os conceitos teóricos das disciplinas com os suportes tecnológicos. Além do PETI haviam outros projetos dentro da categoria “Comunicação e Novas Tecnologias”, a saber: Ação Educativa de Iniciação Científica e Tecnológica – UNICA – Mão na Massa; Projeto Social Inclusão Digital – Cursos de Iniciação à Informática I e II; Implantação de Novas Tecnologias na Rede Municipal; KidSmart; e Sangari. Esses trabalhos eram acompanhados e supervisionados pelo NET através do professor de tecnologia, mediante as Reuniões do Grupo de Estudos Permanentes realizadas no Espaço de Formação Permanente de Professores (EFPP). Os professores de tecnologia, juntamente com o coordenador pedagógico, tinham a missão de sensibilizar, envolver e orientar professores e alunos para interagirem com os elementos tecnológicos, em especial o Laboratório de Tecnologia. O EFPP foi criado com o objetivo de desenvolver um processo de formação continuada de professores-pesquisadores, através do contato com as TIC, com suportes digitais de recepção, socialização e produção de novos saberes, voltado para atender às demandas sociais e pedagógicas da Secretaria da Educação. 37 O NET recebeu um laboratório, doado, instalado no Centro de Capacitação dos Profissionais da SMEC (CAPS) para a capacitação de professores de tecnologia e grupos de estudo, fortalecendo assim a formação de professores e o uso da internet. Conforme Almeida (2005), articular teoria e prática permite transformar esta última, a partir da reflexão sobre ambas. No princípio, professores de qualquer área de ensino da rede municipal poderiam trabalhar como professor de tecnologia, bastando fazer um curso de 40 horas de formação inicial em TE (Tecnologia Educacional), uma espécie de orientação sobre a importância da tecnologia na educação, explicando que ele não trabalharia como professor de informática, mas faria a articulação entre as diversas áreas do conhecimento e a tecnologia dentro da escola. Depois disso, o professor dividia sua carga horária semanal de 40h em duas, 20h em sala de aula, ministrando sua disciplina, e nas outras 20h ficava a disposição da escola como professor de tecnologia, fosse essa a escola onde estava lotado ou não, funcionando como um multiplicador, disseminando o uso das TIC junto a alunos e professores. Ainda dentro dessas 20h/semana, o professor deveria também participar das reuniões semanais de estudo do GEP, que funcionam como AC (Atividade de Coordenação). Nessas reuniões trabalhavam-se as questões teóricas e práticas referentes ao uso das TIC. Desse modo, o professor de tecnologia ficava responsável pelo laboratório de informática da escola onde atuava e auxiliava o trabalho do professor regente que utilizava o laboratório, bem como aos alunos. Entre suas responsabilidades estava a de auxiliar os professores na elaboração e planejamento das aulas, articuladas ao uso das TIC, conforme a indicação do professor regente sobre o que seria trabalhado numa determinada semana ou mesmo algum projeto que estivesse sendo desenvolvido pela escola ou pelo professor, cabendo ao professor de tecnologia indicar em que as TIC poderiam contribuir para o processo de ensinoaprendizagem. Entre as atribuições do professor de tecnologia estão ações que envolvem todo o processo de inclusão das TIC no processo de ensino-aprendizagem, que vão desde a sua própria formação para o uso das TIC – que é continuada, pois mantém um processo de discussão e troca de experiências nas reuniões do GEP a que deve comparecer, além de estar obrigado a participar dos cursos de atualização promovidos pela SECULT/CENAP/SUPPE/NTE-17 e MEC/ SEED/ PROINFO –, passando pelo ato de capacitar professores da RME para o uso 38 pedagógico das TIC, pelo fomento à inserção da TIC nos projetos, nos planejamentos pedagógicos e no PPP da escola em que atua, inclusive com a tarefa de participar de atividades junto à equipe do NET/NTE-17 (planejamento, execução, acompanhamento e avaliação de projetos e ações de formação), além de gerir e acompanhar os resultados alcançados junto às escolas no que se refere ao uso das TIC no apoio às atividades curriculares. 3.3 O Núcleo de Tecnologia Educacional 17 (NTE-17) Quando o MEC tomou conhecimento do PIE, na época (1998) estava em andamento o PROINFO – e com ele a implantação de Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE’s) por todo o país – e a PMS deveria ficar sob a responsabilidade do Governo do Estado, mas o MEC reconheceu que em Salvador esse grupo tinha maturidade suficiente para caminhar sozinho – pois já articulava projetos educacionais com apoio da tecnologia em parceria com outras entidades, inclusive em outros países como Portugal –, autorizando a criação de um NTE próprio do município, o NTE-17. Inicialmente, o PROINFO disponibilizou dezesseis máquinas e montou-se um laboratório para trabalhar a formação de professores em tecnologia educacional. Em pouco tempo já haviam laboratórios de informática em dezesseis escolas com o mesmo objetivo: formação de professores em TE e inclusão digital de alunos, onde cada laboratório recebia de dezesseis a dezoito máquinas, mais scanner e duas impressoras (uma a laser e uma a jato de tinta), e em contrapartida a PMS montava a infra-estrutura necessária. Com isso foi possível atender a todos os alunos da escola, e não somente os grupos iniciais de seis a oito alunos. Silva Filho (2003) destaca que inclusão digital não é só disponibilizar máquinas, mas é o passo inicial para que isso aconteça, pois como diz Pretto (1998), o professor precisa reconhecer e assimilar essa nova linguagem trazida pelas TIC, e infra-estrutura é parte desse processo. O NET então evoluiu e passou a ser um NTE, no caso o NTE-17, constituído em 2001, e vem desde então atuando na implementação, na implantação e na execução de políticas públicas de inserção das TIC na educação; no planejamento, na coordenação e na avaliação do uso destas tecnologias nos processos de ensino-aprendizagem nas escolas da rede municipal de ensino de Salvador, enquanto instrumento pedagógico, subsidiando tanto o processo de informatização como a formação continuada de professores, tomando como princípio norteador a 39 inseparabilidade entre teoria e prática, entre as dimensões do ser, pensar e agir. É a dimensão humana apontada por Freire (1996) em sua “Pedagogia da Autonomia”. Os NTE são ambientes computacionais em que multiplicadores e técnicos promovem a formação continuada de professores em tecnologia na educação, bem como realizam acompanhamento técnico-pedagógico. Os NTE pesquisam, criam projetos educacionais que envolvem as novas tecnologias da informação e da comunicação, capacitam professores utilizando os computadores distribuídos em escolas públicas estaduais e municipais brasileiras e a Internet. Na Bahia são 17 Núcleos de Tecnologia Educacional, seus pólos espalhados em diversas cidades do interior e capital do estado, sendo quatro deles em Salvador24. Destes 17 pólos, 16 são de caráter estadual e apenas um, o NTE-17 (PMS), é de caráter municipal, distribuídos conforme o mapa abaixo. Figura 3.1 – Distribuição dos NTE na Bahia Fonte: NTE-17 (2009) 24 Os quatro NTE em Salvador são, a saber: NTE 01 – Instituto Anísio Teixeira (IAT); NTE 02 – Instituto do Cacau; NTE 15 – Escola Estadual Odorico Tavares; e NTE 17 – Prefeitura Municipal de Salvador (PMS). Idem. 40 O documento norteador das atividades do Núcleo de Tecnologia Educacional 17 da Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Desporto e Lazer, intitulado “Projeto Político-Pedagógico do NTE-17: construindo itinerâncias e identidade”25, traz o conjunto de princípios que norteiam os programas, projetos, formação de professores e ações técnico-pedagógicas, implicados a inserção das TIC no contexto educacional das escolas da rede municipal de ensino (RME) de Salvador. Traz também o papel do NTE frente ao PROINFO/ SEED/ MEC e à CENAP/ SECULT em relação ao uso educacional das TIC na gestão escolar e na prática docente. Em seu PPP afirma existirem evidências de que as escolas continuam conectadas a paradigmas tradicionais, bem como que tecnologias sozinhas não mudam a escola, mas trazem mil possibilidades de apoio e de interação entre professores e alunos e entre alunos quando utilizadas como um meio e não um fim em si mesmo, concordando com o que diz Pretto (1996), citado por Alves (1998), ao afirmar que considerar as tecnologias como meros instrumentos as esvazia de suas características fundamentais e das possibilidades que trazem para o processo de ensino e aprendizagem. Em relação aos governos federal e estadual, o NTE-17 está vinculado à SEED/MEC através do PROINFO Integrado (Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional), submetido à SEC/BA e coordenado pelo CTE (Centro de Tecnologia Educacional), instância reguladora dos NTE na Bahia. Na instância municipal, o NTE-17 está subordinado à SECULT e é coordenado pela Subcoordenadoria de Projetos Pedagógicos Experimentais (SUPPE), órgão da CENAP, como já visto anteriormente. O regime de colaboração entre o MEC e a PMS é regulado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei n° 9394/96), arts. 8 a 11. A política da SECULT é implantar laboratório em todas as escolas da RME, sendo que as escolas que estão sendo reformadas e as escolas novas (recém-construídas) já possuem laboratório. O MEC, através do PROINFO Integrado, também tem o objetivo de contemplar o maior número possível de escolas no que se refere aos equipamentos e à formação de professores. 25 Este documento foi apresentado a CENAP em julho/2009 para avaliação e posterior aprovação, podendo sofrer ainda alguma alteração, disponibilizado apenas para consulta no próprio Núcleo, em versão preliminar. 41 A criação do NTE-17 é justificada pela necessidade de se preparar os atores envolvidos no processo educativo para lidar com a inserção das TIC na educação, aprendendo a utilizá-la no contexto escolar. “O NTE-17 constitui-se um núcleo de excelência em tecnologia e de produção do conhecimento, calcado na formação continuada dos profissionais da RME de Salvador, aberto a discussões, para a melhoria da qualidade da educação e integração das TIC na educação”26. O NTE-17 percebe que as TIC não são concebidas como apenas meio para se ensinar-aprender, mas como parte intrínseca dos modos de apreender, aprender e conhecer a realidade, pois permitem outras formas de comunicação, de troca de idéias e informações enquanto linguagem digital (LÉVY, 1993). Logo, saber se utilizar das TIC implica apreender e compreender o mundo através dessa linguagem, que por sua vez precisa ser apreendida e aprendida por todos os envolvidos. Para alcançar esses resultados, o NTE-17 se propõe a capacitar professores da RME para o uso adequado das TIC, em especial computador e internet, no processo de ensinoaprendizagem, ampliando as possibilidades de uso destas tecnologias, além de oferecer assessoria na elaboração de projetos ou atividades de aprendizagem relacionadas a temas pedagógicos contemplando as TIC. Das 413 escolas da RME, incluindo creches – centros municipais de educação infantil, quase duzentas são atendidas pelo NET/NTE-17, sendo variável o número de projetos implantado em cada uma delas27. A escolha das escolas que receberão um determinado projeto fica a cargo da própria prefeitura, através da SECULT, que define essa escolha em função de a escola ter ou não um projeto parecido naquela área. 3.4 Linhas de ação e projetos desenvolvidos pelo NET/NTE-17 Após a constituição do NTE-17, em 2001, e com a chegada dos laboratórios de informática, houve uma reformulação e o PETI deixou de ser um dos projetos e passou a ser um programa – Programa de Educação e Tecnologias Inteligentes –, algo maior e que abarca todos os projetos que envolvem as TIC dentro da rede municipal, a partir da necessidade de ampliar o PIE, constituindo-se ambos, PIE e PETI, vertentes do NET. 26 PPP NTE-17, Salvador. 2009 (mimeo). No dia em que foi realizada essa entrevista (05/08/2009) o NET estava recolhendo dados de escolas interessadas em receber um laboratório de informática, entre os 181 (cento e oitenta e um) novos laboratórios que serão disponibilizados para a RME através da parceria com o PROINFO ainda este ano. 27 42 Com essa modificação, como haviam escolas que só tinham um professor de tecnologia – em apenas um dos turnos, o que não atendia a demanda da escola – a proposta da gestão daquela época foi de que se tivesse um grupo de professores de tecnologia que atendesse a toda a rede. Fariam a capacitação no NTE e não ficariam fixos em uma escola, mas sim atenderiam a várias escolas, independentemente de ser àquela a qual estavam vinculados, para multiplicar o uso das TIC para professores e alunos da rede. O período em que ficavam dedicados à determinada escola (uma semana, um mês) variava em função da(s) atividade(s) que se desejava desenvolver. Nessa modificação, muitos professores decidiram sair, deixando de atuar como professores de tecnologia, e como o grupo ficou menor, foi aberta uma seleção para outros professores que tivessem interesse em atuar como professores de tecnologia, que está em andamento. A idéia é ter em torno de cem (100) professores de tecnologia, disseminando a cultura tecnológica nas escolas. Dentre os projetos que compõem o programa, alguns deles nasceram dentro da própria secretaria e outros são trazidos por entidades que os oferecem e atuam de forma conjunta. Esses projetos são desenvolvidos em parceria com as demais subcoordenadorias, desde que envolvam tecnologia. Quando se vai fazer uso de uma tecnologia nova, como o Lego28, por exemplo, a formação é feita em parceria com as demais subcoordenadorias envolvidas em função da clientela atendida. O NTE-17 é responsável pela implantação e implementação do programa de tecnologia na educação da rede municipal de ensino de Salvador, partindo da compreensão da importância da interação das tecnologias com a proposta pedagógica da SECULT. Seus objetivos são realizar ações de formação de professores e difundir a cultura tecnológica nas escolas integrantes do MEC/SEED/PROINFO e do Programa de Educação e Tecnologias Inteligentes (PETI). Desenvolve seus trabalhos em duas linhas de ação: formação de professores e implementação e acompanhamento técnico-pedagógico das ações na área de tecnologia educacional da RME de Salvador. Na primeira, a formação de professores é feita em parceria com o MEC/SEED/ 28 Curso de Robótica Educacional, oferecido em parceria com a LEGO DATA. 43 PROINFO, onde são oferecidos cursos, oficinas, seminários e eventos para professores e gestores das escolas da RME de Salvador, possibilitando-lhes uma reflexão sobre o uso pedagógico das TIC. Na segunda linha de ação, atua através do PETI, que compreende diversos e distintos projetos especiais oriundos das parcerias realizadas com a SECULT, e que são desenvolvidos com a utilização das TIC na educação. Vale salientar que o processo de capacitação dos professores de tecnologia faz parte da primeira linha de ação, onde alguns cursos, oficinas e seminários são exclusivos para esse público. Objetiva articular a prática pedagógica com os elementos tecnológicos, compreendendo o espaço do laboratório como uma sala de aula, permitindo que alunos e professores relacionem os recursos tecnológicos que essas escolas dispõem, com o projeto político pedagógico da SECULT. Visa implantar, executar, coordenar e acompanhar tais projetos, a fim de possibilitar a disseminação da cultura tecnológica nas escolas da RME de Salvador. Dos cerca de 5.000 professores que compõem a rede, a entrevistada não soube dizer quantos já foram capacitados para trabalhar com as TIC – já que alguns professores participaram de mais de um curso de capacitação –, mas afirma que, depois da mudança no PETI de projeto para programa, deixou-se de capacitar apenas os professores de tecnologia – multiplicadores – para capacitar também a professores regentes, gestores e coordenadores pedagógicos que tivessem interesse em aprender sobre o uso das TIC em sua prática pedagógica, em parceria com o PROINFO. No entanto, a Tabela 3.1 mostra quantos professores foram capacitados a cada ano, no período entre 1998 e 2008, entre professores de tecnologia e professores regentes. Tabela 3.1 – Professores capacitados em TIC/ ano ANO 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 Fonte: NTE-17, 2009. QUANTIDADE 52 85 1147 257 204 189 477 205 115 450 503 44 Nessa parceria, além dos laboratórios devidamente equipados, há a preocupação em capacitar também aos coordenadores pedagógicos da equipe do NET/NTE-17, que participam de cursos de formação e reciclagem em outros locais do país, a exemplo de duas coordenadoras e multiplicadoras que estavam, à época das entrevistas29, participando de cursos no Ceará. Essa capacitação permite aos multiplicadores do NET/NTE-17 disseminar e orientar aos professores de tecnologia – e agora também aos professores, coordenadores pedagógicos, e gestores das escolas – quanto ao uso das TIC. Recursos de áudio e vídeo não são oferecidos pelo PROINFO, mas agora algumas escolas estão sentindo essa necessidade e, para supri-la, estão utilizando os recursos do PDDE – Programa Dinheiro Direto da Escola – para adquiri-los, embora seja ainda algo bastante tímido. (computador, televisão, DVD, câmera fotográfica). O PDDE foi criado pela Resolução nº. 12, de 10 de maio de 1995, cuja finalidade é prestar assistência financeira, em caráter suplementar, às escolas públicas do ensino fundamental das redes estaduais, municipais e do Distrito Federal e às escolas privadas de educação especial mantidas por entidades, sem fins lucrativos, visando a melhora da infra-estrutura física e pedagógica, o reforço da autogestão escolar nos planos financeiro, administrativo e didático e a elevação dos índices de desempenho da educação básica30. Os resultados obtidos dentro das escolas a partir do que é feito no Núcleo não é mensurado, pelo simples fato de ser articulado com outras disciplinas, e não uma atividade isolada – como seria se fossem somente aulas de informática. O que se tem é uma idéia do quanto é solicitado pelas escolas no que se refere ao serviço ofertado pelo Núcleo, através de e-mails, telefonemas, ofícios, etc., isso quando essas solicitações não são feitas diretamente às instâncias superiores – Secretário de Educação, por exemplo – o que reflete o bom trabalho desenvolvido pelo Núcleo. O trabalho dos professores de tecnologia são acompanhados através de relatórios – semestrais e anuais – produzidos pelos mesmos, contendo não só as atividades desenvolvidas pelas escolas mas também informações sobre o estado de conservação dos laboratórios, bem como através de visitas realizadas pelo Núcleo a essas escolas que participam dos projetos que lhes 29 30 Agosto/2009. FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Referência eletrônica. 45 são oferecidos. Esses relatórios são enviados por e-mail à equipe de multiplicadores do NTE, analisados e sistematizados, sendo discutidos nas reuniões semanais realizadas pelo GEP – Grupo de Estudos Permanentes. Desde sua criação, as ações e os projetos do NTE-17 vêm sendo reformulados e fortalecidos, a fim de aproximar-se cada vez mais dos projetos político-pedagógicos das escolas municipais de Salvador, bem como oferecer mais qualidade na implementação e acompanhamento técnico-pedagógico. Para tanto, conta com uma equipe qualificada e eficiente. Esta equipe é constituída por profissionais de educação da RME, com formação e/ou experiência na área de informática, educação à distância, dentre outras. Isso caracteriza uma aproximação com a realidade onde as TIC se inserem, pois permite-se conhecer a realidade da escola e da comunidade em que se está atuando. Buscaremos a seguir descrever as duas linhas de ação que o NTE-17 desenvolve: formação de professores de tecnologia e da rede, bem como gestores escolares; e os projetos de inclusão e educação digital voltados para os atores da RME (alunos, professores, gestores e coordenadores pedagógicos), apontando os resultados alcançados até 2008 e as perspectivas para 2009. Para uma melhor compreensão desses trabalhos, consta no apêndice C a Estrutura Organizacional do NTE-17, com suas parcerias, linhas de ação e projetos desenvolvidos. Na primeira linha de ação, até 2008 haviam cursos administrados exclusivamente para os professores da rede que tinham interesse em se tornar também professores de tecnologia – multiplicadores por excelência – e cursos, palestras, oficinas e seminários administrados a professores e gestores escolares, visando possibilitar uma cultura digital a partir das discussões propiciadas nesses eventos. A partir de 2009, deixou de existir essa distinção em alguns cursos, que passaram a ser ofertados aos professores e gestores da RME que tivessem interesse, incluindo cursos de especialização Lato Sensu. Segue uma breve descrição de cada um deles. 1. Curso de Especialização Lato Sensu “Tecnologias e Novas Educações”, oferecido pela SECULT com chancela da UFBA, está previsto para 2009 e espera formar 100 professores da RME para atuar como professores de tecnologia nas UE’s. Deverá acontecer entre agosto/ 2009 e agosto/ 2010, nos três turnos, com 100 participantes. 46 2. Curso de Especialização à Distância “Tecnologias em Educação”, oferecido em parceria SECULT/ MEC com chancela da PUC-SP, também com previsão para 2009, busca formar 100 professores da RME também para atuar como professores de tecnologia nas UE’s. Deverá acontecer também entre agosto/ 2009 e agosto/ 2010, nos três turnos, com 20 participantes. Considerando-se a pretensão de formar 100 professores, espera-se que seja oferecido em outros momentos, já que as turmas comportam apenas 20 alunos-professores. 3. Projeto Formação Continuada de Professores, uma realização da SECULT em parceria com diversas entidades, pretende capacitar professores da RME através de cursos de extensão, a saber: a. Curso de Extensão Introdução à Educação Digital, de caráter semipresencial, oferecido em parceria com o MEC/ PROINFO, CH 60h, semanalmente entre agosto e dezembro/2009 nos três turnos para 80 participantes, visa a capacitação de professores de tecnologia para atuar nas UE’s da RME com vistas a familiarizar, motivar e preparar professores e gestores escolares para utilizar os recursos de computador – sistema operacional Windows – e rede de Internet. Vale salientar que este curso possui carga horária superior em 20h ao que sugere o PROINFO. b. Outro curso de mesmo nome, nos mesmos moldes e com propósito semelhante, diferindo apenas no sistema operacional a ser aprendido – sistema operacional Linux Educacional –, será oferecido com mesma carga horária e período, de caráter semipresencial, mas para apenas 60 participantes. c. Curso de Extensão Navegando nas Áreas do Conhecimento, de caráter semipresencial, será realizado pelo NTE-17 para 15 participantes, CH 60h, acontecerá semanalmente entre agosto e setembro/2009 nos turnos matutino e vespertino, buscando capacitar professores de tecnologia no uso do Moodle31. d. Curso de Extensão Ensinando e Aprendendo com as TIC, com caráter semipresencial, será em parceria com MEC/ PROINFO para 360 participantes, CH 120H, acontecendo quinzenalmente entre agosto e dezembro/2009, nos três turnos, buscará capacitar professores de tecnologia para formar professores e gestores escolares, a fim de que compreendam o 31 Ambiente virtual de aprendizagem. 47 potencial pedagógico dos recursos de TIC. Este curso também está com carga horária superior de 20h ao que recomenda o PROINFO, estando aberto não só para professores de tecnologia, como também para professores da rede e gestores escolares. São dezoito turmas de 20 participantes cada, ministrado em locais e horários diferentes (nos três turnos) de modo a atender o maior número de bairros e professores possível, perfazendo um total de 360 professores e gestores escolares a serem capacitados em 2009, e a procura ainda é grande. e. Curso de Extensão Formação para Professores de Informática do SEJA, de caráter semipresencial, terá realização do NTE-17, CH 60h, a ser oferecido quinzenalmente entre setembro e dezembro/ 2009 no turno noturno, para que professores de EJA possam atuar com a Informática Educativa. Não foi informado o n° de vagas disponibilizadas. f. Curso de Extensão Alfabetização com o Computador, tem caráter semipresencial e CH 80h, com realização do NTE-17, ocorrerá quinzenalmente entre setembro e dezembro/ 2009 nos turnos matutino e vespertino, com 88 participantes, buscando capacitar esses professores a atuar com o computador no processo de alfabetização. Em sua segunda linha de ação, a SECULT, através do NTE-17, visa implementar e fazer o acompanhamento técnico-pedagógico das ações na área de tecnologia educacional da RME de Salvador através do PETI, Programa de Educação e Tecnologias Inteligentes, que compreende diversos e distintos projetos especiais oriundos das parcerias realizadas com a SECULT, e que são envolvidos com a utilização das TIC na educação. Nesse processo, a cada implantação de projeto a equipe do NTE-17 vai à escola para orientar professores, gestores e alunos quanto ao funcionamento dos equipamentos e o acesso ao Portal do PETI32, de forma a maximizar o aproveitamento desses recursos. Esses projetos são descritos a seguir, e os números encontrados estão sistematizados nas Tabelas 3.2 e 3.3. 1. Projeto Aulas Multimídia (AMM): Tem como público alvo os alunos do ensino fundamental do 1° ao 9° ano, contando com a parceria da empresa SCA Educandus. As AMM são produzidas na sede do NTE-1733 e disponibilizadas a todas as escolas com laboratório de informática, através de Portal interativo acessado por professores e alunos. O projeto permite que o professor regente trabalhe os 32 33 No apêndice E constam 04 figuras com reproduções de algumas páginas do Portal do PETI na Internet. A sede do NTE-17 fica no prédio da Fábrica do Saber, no bairro do Itaigara, em Salvador – BA. 48 conteúdos curriculares com o auxílio da tecnologia, tornando as aulas mais atrativas. O CPA (Centro de Produção de Aulas) conta com uma equipe pedagógica e uma equipe técnica, formada por web designers e analistas de sistema. As aulas são solicitadas pelos professores da rede através do Portal, tendo dessa forma a identidade da RME de Salvador. Até 2008, foram beneficiados 164 escolas, 83.471 alunos e 3.075 professores. 2. Projeto Mesas Educacionais Seu público alvo são os alunos do ensino fundamental do 1° ao 5° ano. Seu parceiro é o Grupo Positivo. As mesas educacionais Alfabeto e E-Block são compostas por um conjunto de módulo eletrônico e softwares educacionais, desenvolvidos de forma a permitir o trabalho colaborativo de até seis crianças, proporcionando um ambiente de interação e socialização. O objetivo é inserir de forma lúdica e dinâmica, os conteúdos das diversas áreas do conhecimento à prática docente. Até 2008, foram distribuídas e instaladas 132 mesas educacionais formando 26 novos laboratórios, com capacitação de professores e acompanhamento pedagógico para o uso desses materiais, sendo beneficiados 26 escolas, 11.732 alunos e 386 professores. 3. Projeto Kidsmart Aqui o público alvo são os alunos da Educação Infantil. O projeto conta com a parceria do grupo IBM, que fornece os módulos contendo computadores inseridos em móveis plásticos coloridos “Little Tikes” e carregados com software educacional infantil. Objetiva integrar a tecnologia à educação infantil utilizando o computador como ferramenta auxiliar na aprendizagem e no ensino da leitura e da escrita. Até 2008 foram distribuídos e instalados 49 módulos, havendo um encontro com professores e diretores das escolas contempladas com disponibilização do Portal Kidsmart. Em 2008, a IBM doou 40 módulos para distribuição em 20 CMEI's. Foram beneficiadas 21 escolas, 3.601 alunos e 132 professores. O NTE-17 trabalha em parceria com a SUEN, o que envolve formação, planejamento, seleção de escolas que serão atendidas pelo projeto, horários. 4. Projeto Brinkmobil Seu público alvo são os alunos do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano, tendo a parceria da Brinkmobil, que fornece cada laboratório interdisciplinar de Ciências com materiais, equipamentos, acessórios, substâncias e reagentes necessários para a realização de atividade prática da disciplina de Ciências, acondicionados em unidade de transporte. Até 2008 houve a 49 distribuição de 26 laboratórios acompanhados de manual didático com sugestões de atividades práticas e CD-Rom com animações e simulações; capacitação dos professores de Ciências, tendo beneficiado 26 escolas, 17.592 alunos e 703 professores. 5. Projeto Robótica Pedagógica O público alvo desse projeto são os alunos do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano, e conta com o Grupo LEGO como parceiro. Seu objetivo é transformar a aprendizagem em algo divertido, tornando bastante acessível os princípios de Ciência e Tecnologia, através de um ambiente de aprendizagem que reúne kits de montagem compostos por peças diversas, motores e sensores controláveis por computador e softwares que permitem programar de alguma forma o funcionamento dos modelos montados. Traz maletas tecnológicas com blocos de montar de diferentes cores e tamanhos; aplicativos de computador para programar um brinquedo montado; bloco programável que transforma o modelo em um robô; o equipamento recebe os comandos que foram previamente estabelecidos pelas crianças no computador por meio de sinal infravermelho, sem fio; sensores de luz, calor ou toque; energia proveniente de uma pequena bateria. Foram beneficiados 26 escolas, 17.592 alunos e 703 professores. 6. CTC! Sangari – Ciência e Tecnologia com Criatividade Projeto desenvolvido com a participação da SUAP, atende alunos do Ensino Fundamental do 6º ao 9º ano, tendo como parceiro o Sangari Brasil. É um programa de ensino de Ciências e Tecnologia baseado na metodologia da investigação que possibilita ao aluno desenvolver a curiosidade, a criatividade e o raciocínio lógico, articulando o conhecimento de outras áreas, além das ciências, visando desenvolver o pensamento científico tecnológico dos alunos do Ensino Fundamental. Através desse projeto foram distribuídos livros do professor e do aluno, materiais para experimentos, e armários para a guarda dos materiais, com capacitação para os professores, acompanhamento pedagógico e suporte aos professores e coordenadores pedagógicos. Foram beneficiados 11 escolas, 8.294 alunos e 100 professores. 7. Projeto Programa Social de Capacitação Digital Seu público alvo são alunos do Ensino Fundamental e a comunidade no entorno das escolas participantes, tendo como parceiro nesse projeto a Faculdade São Camilo. O programa visa contribuir com a promoção da educação em Informática e a integração ao mercado de trabalho através de cursos que são ministrados nas comunidades carentes de Salvador, dando prioridade ao público de crianças e jovens que vivem em situação de vulnerabilidade e risco 50 social. Sua finalidade é promover o aperfeiçoamento e a capacitação em Informática através dos cursos Iniciação à Informática I, II e III, contribuindo para o acesso da clientela envolvida aos aplicativos básicos e a melhoria dos níveis de empregabilidade da comunidade. Foram beneficiados 02 escolas, 1.200 alunos e 8.400 pessoas da comunidade. 8. Projeto: Universidade da Criança e do Adolescente (UNICA) Este projeto tem como público alvo os alunos do Ensino Fundamental, sendo seu parceiro a Organização do Auxílio Fraterno – OAF. Disponibiliza um centro de ciências interativo que proporciona o acesso do público a experimentos da ciência Física. Suas atividades científicotecnológicas estão concentradas nas áreas de Eletromagnetismo, Energia, Óptica e Luz, Ondas e Mecânica. Foram beneficiados com esse projeto 15 escolas da RME de Salvador. 9. Projeto Escola Interativa Seu público alvo são alunos do Ensino Fundamental, tendo como parceiro a CIPÓ. O projeto Escola Interativa, criado em 2001, consiste na aplicação da metodologia Educação pela Comunicação em escolas da rede pública para melhorar a qualidade do ensino formal. As atividades proporcionam o envolvimento de educandos e educadores na criação e produção de peças de comunicação, como sites, programas de rádio e impressos, que, uma vez disseminados, geram novas oportunidades de educação e/ou de mobilização social. Até 2008 foram beneficiados 04 escolas e 80 alunos. Segue abaixo a sistematização dos números encontrados entre os projetos desenvolvidos pela segunda linha de ação dos trabalhos do NTE-17, Tabelas 3.2 e 3.3. Tabela 3.2 – N° Escolas participantes dos projetos do PETI Projetos ofertados (PETI) Aulas multimídia Mesas Educacionais Kidsmart Brinkmobil Robótica Pedagógica (Lego) CTC Sangari Capacitação Digital UNICA Escola Interativa Fonte: NTE-17, 2009. 2008 164 26 21 26 26 11 02 15 04 2009 168 26 41 26 26 11 02 15 04 51 Como se pode perceber, em alguns projetos houve um aumento do n.° de escolas participantes, em decorrência de novos aportes de equipamentos efetuados pelas instituições parceiras. Tabela 3.3 – N° de Beneficiados pelo PETI (até 2008) Projeto Aulas Multimídia Mesas Educacionais Kidsmart Brinkmobil Robótica Pedagógica CTC! Sangari Programa Social de Capacitação Digital UNICA Escola Interativa N° Beneficiados pelo PETI (até 2008) Escolas 164 26 21 26 26 11 02 15 04 Alunos 83.471 11.732 3.601 17.592 17.592 8.294 1.200 -80 Professores 3.075 386 132 703 703 100 ---- Comunidade ------8.400 --- Fonte: NTE-17, 2009. Aparentemente, o contingente de beneficiados pelo PETI é grande, muito embora haja quantitativos em duplicidade, uma vez que algumas escolas recebem mais de um projeto. Em seu Plano de Ação para 2009, o NTE-17 pretende fazer: o acompanhamento pedagógico ao Projeto AMM nas escolas atendidas; a avaliação diagnóstica dos alunos do Ciclo I ao 9° ano, dentro do Projeto AMM, visando acompanhar a confecção das provas; a realização de oficinas E-Block e Mesas Educacionais, visando identificar as formas de utilização das mesmas de forma pedagógica; o acompanhamento do Grupo de Estudos Permanentes do NTE-17, no tocante a aspectos voltados a Educação e Tecnologia; a divulgação das ações do NTE-17 e do Espaço Pedagógico Virtual (EPV) junto às 11 CRE; o acompanhamento à Universidade da Criança e do Adolescente (UNICA), de modo a proporcionar o acesso do público à experimentos da ciência Física; o acompanhamento à Escola Interativa – CIPÓ, buscando inserir a metodologia da Educação pela Comunicação em quatro escolas municipais de Salvador (Subúrbio Ferroviário), através da sensibilização de gestores e capacitação de professores e alunos multiplicadores; e o acompanhamento do Programa de Capacitação Digital, de modo a contribuir com as políticas educacionais da RME na produção de conhecimentos de Informática, possibilitando a melhoria de formação das crianças e adolescentes e da comunidade no entorno da escola. 52 Entre as funções do NTE-17 está também acompanhar e avaliar in loco o processo instaurado nas escolas. O propósito disso é obter informações sobre os avanços e as dificuldades de cada aluno-professor, de modo a permitir ao professor-formador planejar e replanejar o processo de ensino-aprendizagem. Como tal, deve ser instrumento de estímulo e promoção da aprendizagem, cabendo a este interpretar qualitativamente o conhecimento construído pelo aluno-professor, considerando que esse conhecimento abrange as áreas cognitiva, afetiva e social. 53 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi assim que se construiu a ciência: não pela prudência dos que marcham, mas pela ousadia dos que sonham. Todo conhecimento começa com o sonho. O conhecimento nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina. Brota das profundezas do corpo, como a água brota das profundezas da terra. (Rubem Alves, 1994, p. 59) A reação ao uso das TIC – e à presença e interferência dos professores de tecnologia em seu planejamento de aula – por parte dos professores regentes diverge bastante. A rede municipal de ensino de Salvador possui cerca de cinco mil professores, e sabe-se que muitos deles já atuam há muito tempo, estando perto de se aposentar, não tendo interesse em mudar nada, em aceitar mudanças (novidades) na prática já estabelecida, com algumas exceções, é claro. Mas existem muitos outros professores interessados, que já atuam na rede ou estão chegando agora das universidades, através de concursos que a prefeitura vêm realizando, e que acreditam na tecnologia e no seu potencial para o processo de construção do conhecimento, embora alguns tenham dificuldade em lidar com as TIC na sua prática cotidiana. Nem tudo são flores, afinal. Existem também os problemas técnicos que interferem no andamento dos projetos – máquinas com defeito, conexão internet lenta, falhas no fornecimento de energia elétrica, entre outros. Embora os problemas existam, muitos professores da rede municipal demonstram interesse em aprender, prova disso é a grande procura pelos cursos oferecidos pelo NTE-17, fora do horário de trabalho, em parceria com o PROINFO. Existe também o receio por parte de alguns professores em utilizar as TIC na sua prática pedagógica por dois motivos, principalmente: por não se sentirem suficientemente preparados para fazê-lo; e por acreditar que seu aluno na maioria das vezes sabe mais do que ele, por estar em contato com essas tecnologias há mais tempo e por mais tempo que o próprio professor. Para isso é preciso que o professor se prepare e descubra a importância dessas tecnologias para o seu trabalho, aprendendo a lidar com esse receio e a tirar proveito pedagogicamente do que o aluno já sabe, trabalhando em parceria com o aluno, e não pensar que está em um patamar superior a ele. Dessa forma, pode auxiliar o seu aluno a construir conhecimento a partir de toda a informação disponibilizada pelas tecnologias, mediando esse construção ao conhecer e saber quando e quais tecnologias usar. No caso da RME de Salvador, é papel do professor de tecnologia 54 articular esse conhecimento, auxiliando o professor regente no uso das TIC nas diversas disciplinas ofertadas. A figura do professor de tecnologia pode ser vista como um passo intermediário para o que seria, na falta de palavra melhor, o ideal, em termos de formação de professor em TIC. E o que seria esse ideal? Seria não ter um professor mediando esse conhecimento para outro professor e para alunos, e esse outro professor, por sua vez, buscando construir conhecimento junto ao seus alunos através das TIC. Acreditamos que essa formação deveria ser disseminada para todos os professores da rede, e não para alguns professores que se dispõem a isso. É certo que, como já dito antes, alguns não têm interesse – seja porque estão próximos da aposentadoria e não querem aprender mais, seja porque mantêm uma postura reativa diante do novo –, dificultando essa disseminação. Mas entre conhecer e poder optar pela melhor tecnologia para cada situação de ensino dentre a ampla gama de possibilidades existentes (CYSNEIROS, 2003, p. 105) e a omissão, a primeira opção, sem dúvida, é a mais coerente. Como afirma Pretto (2000)34, o uso das tecnologias inteligentes na educação configura-se em um duplo desafio, pois De um lado, não cabe à escola simplesmente aderir às tecnologias e aos novos paradigmas do mundo contemporâneo como se à ela não restasse outra opção. Ao contrário, incorporar essas tecnologias é fundamental, inclusive, para uma melhor compreensão do que elas estão significando no mundo contemporâneo. De outro lado, o nosso desafio é pensar em perspectivas pedagógicas que dêem conta dos desafios do mundo contemporâneo, sendo que, sem dúvida, numa primeira aproximação, não está reservado à escola a pura e simples função de preparação para o mercado. Nesse sentido, o NTE-17 tem propiciado, com sua atuação, enormes avanços à rede municipal de ensino de Salvador no que concerne à inclusão digital de alunos e professores, além de incluir digitalmente gestores escolares e coordenadores pedagógicos, ao investir fortemente no elo dessa corrente que vivencia e fomenta a educação em sua prática cotidiana: o professor. Possibilitar o acesso a essa nova linguagem (LÉVY, 1993), trazer à tona discussões e situações de uso das TIC para o processo de ensino e aprendizagem só enriquece a RME de Salvador. 34 PRETTO, 2000. Referência eletrônica. 55 Nesse sentido, o NTE-17 tem papel crucial na formação de professores da rede municipal de ensino de Salvador, ao propiciar o contato, as teorias e o espaço necessários às construções dessa relação dialética entre teoria e prática no que tange ao uso das TIC no processo de ensino e aprendizagem, permitindo aos professores da rede preparar-se e buscar orientações, meios e suporte junto ao Núcleo nessa jornada. 56 REFERÊNCIAS AHLERT, Alvori. Políticas Públicas e Educação na Construção de uma Cidadania Participativa, no Contexto do Debate sobre Ciência e Tecnologia. In: EDUCERE – Revista da Educação da UNIPAR. Umuarama-PR: UNIPAR, vol. 3, n.2, jul./dez., 2003, p. 129-148. Disponível em http://revistas.unipar.br/educere/article/view/186/160. Acesso em: 01 Ago. 2009. ALMEIDA, Maria Elizabeth de. ProInfo: Informática e Formação de Professores. Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2000. 192 p. ALVES, Lynn Rosalina Gama. 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Rio de Janeiro, 2004. Válida a partir de 31.01.2005. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002a. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 14724: Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos – Apresentação. 2ª ed.. Rio de Janeiro: 2005. Válida a partir de 30.01.2006. 62 APÊNDICES APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISTA APÊNDICE B – QUESTIONÁRIOS APLICADOS APÊNDICE C – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO NTE-17 APÊNDICE D – ORGANOGRAMA DA SECULT APÊNDICE E – IMAGENS DO PORTAL DO PETI 63 APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISTA ENTREVISTADOS: __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ 1. QUAL A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO NET (É = NTE 17?)? 2. COMO FUNCIONA O NET? O QUE FAZ EXATAMENTE? (O QUE SÃO E COMO TRABALHAM OS PROFESSORES DE TECNOLOGIA? QUAL A FILOSOFIA, A INTENÇÃO?) 3. RELAÇÕES COM: 3.1 – O CENAP (COORDENADORIA DE ENSINO E APOIO PEDAGÓGICO); 3.2 – MEC / PROINFO; 4. QUAIS OS RESULTADOS ALCANÇADOS DURANTE O ANO DE 2008 (EM NÚMEROS E EM ATIVIDADES PRODUZIDAS NAS ESCOLAS A PARTIR DO TRABALHO DO NET, PARTICULARMENTE DO PETI)? 5. QUAIS INSTRUMENTOS/ RECURSOS SÃO UTILIZADOS PARA DETERMINAR O ALCANCE DO PETI, QUANTO AO DESEMPENHO DE PROFESSORES E ALUNOS, EM TERMOS DE INCLUSÃO DIGITAL E USO DAS TICS NA SUA PRÁTICA PEDAGÓGICA ? 64 APÊNDICE B – QUESTIONÁRIOS APLICADOS QUESTIONÁRIO 01: 1. Qual o critério de escolha das escolas que receberão o(s) projeto(s) oferecidos pelo NET? O primeiro critério seria a existência de um laboratório implantado? Qual(is) seria(m) o(s) outro(s) critério(s), caso exista(m)? 2. Sem contar os trazidos pelas entidades parceiras, os projetos do PETI que nasceram na Secretaria foram demandados pelas escolas ou criados pelo corpo técnico-pedagógico do NET? 3. Quantas escolas participaram em 2008 (e participam em 2009) de cada projeto ofertado pelo PETI? Aulas multimídia Mesas Educacionais Kidsmart Brinkmobil Robótica Pedagógica (Lego) CTC Sangari Capacitação Digital UNICA Escola Interativa 2008 2009 4. Existe uma meta/ previsão de alcançar aos 100% das escolas da rede em algum momento/ período? Se sim, qual seria? 5. Há como saber quantos professores da rede foram capacitados a cada ano? Ou o total até 2008, ou até hoje? 6. Qual a estrutura interna do NTE? Quem se reporta a quem, quantos integrantes são? 7. A profa. Eliemar me falou que se reporta ao NGI e ao NTE quando existe um novo projeto em andamento, mas no organograma que encontrei no site da SECULT o NGI não aparece. Existe um outro organograma da SECULT? Se sim, eu poderia ter acesso? 8. Durante nossa entrevista, falou-se algo sobre um mapa dos NTE. Seria possível enviá-lo, caso exista um? 65 QUESTIONÁRIO 02: 1. A formação de professores de tecnologia integra qual linha de ação do NTE-17 dentre as duas existentes? É voltada para os projetos que integram o PETI (linha 2)? 2. O PIE existe desde quando? 3. O PETI virou programa em 2006? 4. O quantitativo de professores capacitados pelo NET/NTE-17 inclui tanto professores de tecnologia quanto professores regentes? 5. Até 2008, haviam quantos professores de tecnologia? 66 APÊNDICE C – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DO NTE-17 67 APÊNDICE D – ORGANOGRAMA DA SECULT 68 APÊNDICE E– IMAGENS DO PORTAL DO PETI Figura 1 – Página inicial de acesso ao Portal do PETI Figura 2 – Opção do menu para contato com o NTE-17 dentro do Portal do PETI 69 Figura 3 – Avaliação diagnóstica de desempenho dos alunos em Português e Matemática no 1° semestre 2009 para as escolas da RME participantes do PETI Figura 4 – Avaliação diagnóstica de desempenho dos alunos em Português e Matemática no 1° semestre 2009, por CRE, para as escolas da RME participantes do PETI