P 03 POSTERS DOENÇA PAGET EXTRAMAMÁRIA PERIANAL Ana Ponte, Adélia Rodrigues, Agostinho Sanches, Carlos Fernandes, Iolanda Ribeiro, Joana Silva, Manuel António Campos, Natividade Rocha, João Carvalho P 01 Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho PRÓTESES METÁLICAS AUTO-EXPANSÍVEIS - EXPERIÊNCIA DE 8 ANOS Introdução: A colocação de próteses metálicas auto-expansíveis (PMAE) é um procedimento minimamente invasivo e simples. É um tratamento de primeira linha eficaz para o alívio de sintomas obstrutivos. Objetivos e métodos: Analisar retrospectivamente a colocação de PMAE no tratamento de doentes com obstrução colo-rectal maligna. Foram analisados cento e seis doentes consecutivos (64, idade média de 71 ± 14 anos, num período de 96 meses. Foram avaliados os dados demográficos, indicação, tipo e tamanho das próteses, localização da lesão, bem como sobrevida dos doentes. Resultados: A maioria das lesões localizavam-se no recto (50%), 36% no cólon sigmóide, 8,4% no cólon descendente 5,7% no cólon transverso. O comprimento médio das lesões foi de 65 ± 36 milímetros. A maioria dos procedimentos foram realizados com intenção paliativa e 2 doentes colocaram duas ou mais próteses. Foram colocadas próteses descobertas em 98% dos casos e parcialmente cobertas em 8% dos procedimentos. No que respeita as complicações imediatas, ocorreu apenas 3 caso de migração e 1 caso de perfuração. Setenta e cinco por cento dos pacientes já tinham falecido à data da colheita dos dados, sendo o intervalo médio entre a colocação de prótese e o óbito de 105 dias. Conclusão: Os quadros oclusivos intestinais podem ser tratados com o uso de técnicas endoscópicas, sendo a colocação de PMAE segura e eficaz. Os autores descrevem o caso clínico de um homem de 45 anos, referenciado para a consulta por prurido perianal, lesões perianais refratárias ao tratamento tópico e tenesmo, com seis meses de evolução. Ao exame físico, salienta-se lesão perianal inespecífica e ao toque retal a presença de massa palpável no reto. Realizou-se biopsia cutânea cuja histologia revelou células de Paget positivas para o antigénio carcinoembrionário e citoqueratina (CK) 20 e negativas para CK7. A colonoscopia revelou um tumor vegetante na parede posterior do reto ocupando um quarto da circunferência luminal, cuja histologia confirmou adenocarcinoma bem diferenciado. Do estadiamento, apuraram-se adenomegalias perirretais e ausência de metastização hematogénea. O doente foi proposto para quimiorradioterapia neoadjuvante e ressecção abdominoperineal. A Doença Paget extramamária (DPE) é um adenocarcinoma cutâneo raro, que acomete a região perianal em 20% dos casos. Em 33 a 86% dos casos de DPE perianal, verifica-se uma neoplasia síncrona, na maioria das vezes neoplasias colorretais ou anexiais. Dada esta associação, a DPE é classificada em primária e secundária. A DPE primária caracteriza-se por células de Paget que se originaram da epiderme. A DPE secundária resulta de metastização ou extensão direta para a epiderme de uma neoplasia de órgãos internos, tal como ocorreu no nosso doente. As características imunohistoquímicas auxiliam na diferenciação da DPE primária que é CK7+/CK20- da DPE secundária que é CK7-/CK20+. A DPE perianal geralmente cursa com prurido perianal, devendo suspeitar-se em casos de eritema refratários ao tratamento tópico. O tratamento cirúrgico é considerado o tratamento eleição, potencialmente curativo. P 02 P 04 Liliane Meireles, Patrícia Sousa, Luís Carlos Freitas, João Lopes, Luís Carrilho Ribeiro, José Velosa Serviço de Gastrenterologia do CHLN INGESTÃO CORPO ESTRANHO ASSOCIADA A MANIFESTAÇÕES PROCTOLÓGICAS TUMORES DO ESTROMA GASTROINTESTINAL: A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO Catarina Góis, Sandra Carlos, Diogo Gonçalves, Rui Cardoso, Luís Galindo, Pedro Moniz Pereira, Maria José Brito, João Corte Real Ana Ponte, Adélia Rodrigues, Luísa Proença, Carlos Fernandes, Iolanda Ribeiro, Joana Silva, João Carvalho. Hospital Garcia de Orta, EPE Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho Os tumores do estroma gastrointestinal (GIST) são os tumores do mesenquima mais comuns, com origem nas células intersticiais de Cajal. Caracterizam-se pela expressão do c-Kit em mais de 90% dos casos, sendo o local mais comum o estômago, correspondendo o recto a 5-15% de todos os casos de GIST. Embora o seu comportamento seja variável, a cirurgia é o tratamento de escolha nas lesões potencialmente ressecáveis. O tratamento neo-adjuvante com imatinib tem como objectivo reduzir o tamanho das lesões, no entanto ainda não há consenso na sua utilização. Apresento um caso clínico de GIST do recto, de uma doente que realizou quimioterapia neo-adjuvante com Imatinib. Os autores apresentam o caso clínico de uma mulher de 80 anos que recorreu ao Serviço de Urgência após queda acidental de lima endodôntica na orofaringe, durante procedimento dentário. A doente referia desconforto cervical e ao exame otorrinolaringológico, observou-se a lima na valécula. Contudo, durante a tentativa de remoção, foi despoletado o reflexo do vómito com deglutição da lima. Na endoscopia digestiva alta, a presença de restos alimentares gástricos impossibilitaram a identificação do objeto. Na radiografia abdominal constatou-se elemento radiopaco a nível de L5, correspondendo a provável localização jejunal. Foi internada para vigilância clínica e imagiológica, permanecendo assintomática até ao 11º dia internamento, quando refere sensação de picada anal. No toque retal, palpou-se o objeto a cerca de 8 cm da margem anal. Na retossigmoidoscopia visualizou-se REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 17 um volumoso fecaloma e a lima com cerca de 3 cm, no reto. Procedeu-se à remoção parcial do fecaloma e inseriu-se o endoscópio alto sobre um anuscópio para proteção do canal anal, com preensão da extremidade pontiaguda da lima com pinça de corpo estranho e remoção sob visualização direta. A ingestão de corpos estranhos ocorre principalmente em crianças, idosos e adultos com patologia psiquiátrica. Mais de 80% dos episódios cursa sem complicações, que dependem das características do objeto, localização e tempo de evolução. Os objetos com extremidade pontiaguda estão associados a uma taxa de perfuração de 35%. Este caso clínico demonstra o desafio terapêutico que constitui a remoção de objetos pontiagudos, assim como a localização e sintomatologia incomuns resultantes da ingestão de corpo estranho. P 05 HEMATOMA E PERFURAÇÃO RETAIS SECUNDÁRIOS A ENEMA DE LIMPEZA Ana Ponte, Rolando Pinho, Carlos Fernandes, Iolanda Ribeiro, Joana Silva, João Carvalho. Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho Os autores descrevem o caso clínico de uma mulher de 84 anos, que recorreu ao Serviço de Urgência por retorragias com dois dias de evolução. Ao toque retal objetiva-se sangue vermelho vivo na luva, sem massas palpáveis. Analiticamente, atenta-se para hemoglobina de 10.9 g/dL e INR 1.11. A sigmoidoscopia revelou hemorróidas congestivas e um extenso hematoma da parede direita do reto, estendendo-se até aos 10 cm da margem anal, sem sinais de hemorragia ativa. A tomografia computorizada revelou algumas bolhas gasosas extraluminais e densificação dos planos adiposos, adjacentes à parede retal direita, achados sugestivos de perfuração. Na revisão da anamnese, apurou-se que a doente refere dor perianal após a administração do enema de limpeza, negando antecedentes de traumatismo recente ou terapêutica anticoagulante. Após a instituição de tratamento conservador, com antibioterapia e pausa alimentar, verificou-se resolução dos sintomas e achados imagiológicos. Os hematomas intramurais podem ocorrer ao longo do trato gastrintestinal, mas raramente acometem o reto, onde geralmente são secundários a traumatismo. Os hematomas retais espontâneos podem resultar de distúrbios hematológicos ou terapêutica anticoagulante. A perfuração retal após a administração de enemas de limpeza constitui uma complicação rara, geralmente secundária à forma de introdução da cânula. A inserção da cânula deve ser suave, com adequada lubrificação e com o doente posicionado em decúbito lateral esquerdo. Dada a relação temporal entre a admnistração do enema de limpeza e o início dos sintomas e ausência de fatores de risco adicionais, os autores concluíram tratar-se de um hematoma retal perfurado iatrogénico. Apresenta-se iconografia ilustrativa. P 06 ABCESSO PROSTÁTICO COM FISTULIZAÇÃO PROSTATO-RECTAL ESPONTÂNEA: CASO CLÍNICO Mário Jorge Silva, Ana Meirinha, Susana Nunes, Carlos Vitorino, Ana Formiga Serviços de Cirurgia Geral, Gastrenterologia e Urologia do Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE Homem de 73 anos com antecedentes de hipertrofia benigna da próstata, diabetes mellitus com complicações macro- e microvasculares (doença cardiovascular e vascular periférica, retinopatia e nefropatia com doença renal crónica estádio V em hemodiálise), hipertensão arterial e doença pulmonar obstrutiva crónica. Por quadro sugestivo de prostatite aguda foi medicado empiricamente por Urologia, sequencialmente, com cefazolina, ciprofloxacina e cefuroxima, em ambulatório, mas sem melhoria clínica ou dos parâmetros inflamatórios ao longo de quatro semanas. Por agravamento da dor e rectorragias foi realizada rectosigmoidoscopia, que revelou hemorróidas com coágulo aderente, e TC pélvica, que documentou abcesso prostático com abaulamento do recto baixo. Ajustada antibioterapia para cefuroxima e metronidazol. Dois dias depois inicia drenagem espontânea de conteúdo hemato-purulento pelo ânus. Ao toque rectal objectivou-se flutuação em topografia correspondente ao lobo esquerdo da próstata. Avaliação complementar com TC, rectoscopia e ecografia endoluminal ano-rectal, revelou abcesso prostático parcialmente drenado através de fístula prostato-rectal. É internado no Serviço de Cirurgia Geral onde foi optimizada antibioterapia para meropenem, de acordo com TSA de Klebsiella pneumoniae em urocultura, com melhoria clínica e alta para seguimento em Consulta de Urologia. O abcesso prostático é uma entidade pouco comum após a generalização da antibioterapia, e mais frequente em doentes imunodeprimidos. A sua fistulização espontânea para o recto é uma forma rara de manifestação. Os autores apresentam este caso, incluindo documentação iconográfica e breve revisão da literatura. P 07 EXTRACÇÃO ENDOSCÓPICA DIFÍCIL DE CORPO ESTRANHO RETAL Catarina Atalaia Martins, Sandra Barbeiro, Manuela Canhoto, Bruno Arroja, Cláudia Gonçalves, Filipe Silva, Isabel Cotrim, Helena Vasconcelos Centro Hospitalar de Leiria Introdução: Os corpos estranhos colo-retais podem representar um desafio diagnóstico e terapêutico, quer pela sua apresentação, por vezes tardia no serviço de urgência, quer pela grande variabilidade de objetos e padrões de lesão, que podem ir desde lesões mínimas da mucosa a perfurações, sépsis e mesmo morte. Caso clínico: Homem de 41 anos que recorreu ao serviço de Urgência por corpo estranho rectal introduzido voluntariamente no reto 2 dias antes. Realizou radiografia abdomino-pélvica onde se identificou objeto cilíndrico, com 25 centímetros de extensão, sem evidência de pneumoperitoneu. Foi submetido a rectosigmoidoscopia flexível onde se observou extremidade distal do corpo estranho alojado na parede 20 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 posterior do reto proximal com ulceração circunferencial da mucosa, não sendo possível, pela sua posição, enlaçá-lo ou extraí-lo com pinça. Foi introduzido o rectosigmoidoscópio rígido, tendo sido possível, com auxílio de pinça de corpos estranhos, a sua extração sem complicações imediatas. No controlo endoscópico observaram-se duas úlceras do reto e o controlo radiológico não apresentou alterações. Apresenta-se iconografia imagiológica e endoscópica. Conclusão: Os autores apresentam este caso clínico com ênfase para a técnica de extração do corpo estranho utilizada, demonstrando a importância da rectossigmoidoscopia rígida, que apesar de estar em desuso, permitiu poupar o doente a uma intervenção cirúrgica. P 08 RETENÇÃO DE CÁPSULAS H. Lomba Viana, J. Pires, A. Correia, G. Gonçalves1, P. Campos1, T. Mesquita2, M. Aroso2, A. Moura2, M. Cunha2 Serviços de Gastrenterologia, Medicina Interna1 e Cirurgia2 Hospital das Forças Armadas - Polo Porto Doente do sexo masculino, de 22 anos de idade. Recorreu à Urgência por dor abdominal nos quadrantes inferiores, náuseas, vómitos e obstipação de 2 dias. Tratava-se do 4º episódio com este tipo de sintomatologia em dois meses. RX abdominal simples: níveis hidroaéreos. Ecografia abdominal: líquido livre na cavidade peritoneal. Estudo analítico: leucocitose, neutrofilia e elevação da PCR. Colonoscopia total: sem alterações. TAC abdomino-pélvica: espessamento parietal regular e concêntrico do ileon terminal até à transição ileocecal. RX trânsito do delgado: alteração da progressão ao nível do segmento médio e distal do ileon. Cápsula endoscópica: ficou retida ao nível do ileon distal, e só emitiu imagens até ao estômago. Iniciou terapêutica com mesalazina dois meses após o início da sintomatologia. Nova cápsula endoscópica: erosões dispersas pelo jejuno, e, no ileon, uma área estenosada com mucosa congestiva e ulcerada. Também esta 2ª cápsula não foi expulsa, ficando retida junto à anterior. Após este exame, foi associada terapêutica com corticóides. No mês seguinte teve mais três episódios de sub-oclusão que foram resolvidos com pausa alimentar e enemas. Nova colonoscopia para tentar remover as cápsulas endoscópicas, o que não foi possível por impossibilidade de ultrapassar a válvula ileo-cecal, que se encontrava estenosada e congestiva. Foi proposto para cirurgia tendo sido efectuada ileo-colectomia direita. Histologia da peça operatória: Doença de Crohn com estenose e fistulização ileo-cólica. Após a cirurgia o doente ficou completamente assintomático, recuperou peso, tem um follow up de três anos sem complicações, medicado com 2gr de mesalazina diariamente. P 09 AGRESSIVIDADE ONCOLÓGICA NUM JOVEM H.Lomba-Viana, A.Correia, J.Pires, G.Gonçalves1, D.Monteiro1, P.Campos1, Y.Shvets2, T.Mesquita3, M.Aroso3, A.Moura3 Serv. Gastrenterologia, Med. Interna1, Oncologia2 e Cirurgia3 Hospital das Forças Armadas - Polo Porto Doente do sexo masculino, 49 anos: - Fev/2013: astenia, anorexia, emagrecimernto, Hgb – 8,0g/dl. - Sem história familiar oncológica. - Colonoscopia: duas neoplasias síncronas: recto e colon transverso proximal. - T.A.C. toraco-abdomino-pélvica: sem alterações. - Colectomia total com ileorectostomia e ileostomia de protecção. - Histologia: “adenocarcinoma nas duas lesões; tumor na margem distal do recto”. - Estadiamento:T2N0MxR2. - Abril/2013: Episódios de dor lombar intensa. - T.A.C. abdominal: imagem nodular justa-pancreática (ganglionar?). - Biópsia aspirativa. Histologia: células inflamatórias reactivas. - Ressecção íleo-rectal, exérese de retalho da raíz do mesentério e confecção de ileostomia terminal. - Histologia: anastomose sem lesões, metastização da raíz do mesentério. - Maio/2013: vómitos, icterícia. - T.A.C.abdomino-pelvica: massa ganglionar retroperitoneal, sem planos de clivagem com a cabeça do pâncreas e tronco celíaco; ascite pequena. - Drenagem biliar externa. - Junho/2013: RT e QT. - Epigastralgias intensas e distensão abdominal após a ingestão alimentar. - Revisão da ileostomia com lise de bridas e reconfecção de ileostomia terminal. - Julho/2013: suspende QT por deterioração do estado geral. - Septicemias durante o internamento: Klebsiella, Citrobacter, Proteus mirabilis e ITU por Estafilococos aureus. - Set/2013: alta com quadro álgico controlado, deambulante com alimentação oral e com planeamento de QT. - Out/2013: T.A.C.abdomino-pélvica: diminuição da massa retroperitoneal, sem síndrome obstrutivo biliar, sem ascite, pélvis sem lesões. - Reiniciou QT. - Jan/2014: T.A.C.abdomino-pélvica: nódulos pulmonares bilaterais suspeitos, massa justa-pancreática residual, recidiva tumoral pélvica, invasão do sacro e ansas do delgado. - RT paliativa. – Fev/2014: QT paliativa com melhoria clínica do doente. P 10 COLECTOMIA SUBTOTAL COM CECOSIGMOIDOSTOMIA LAPAROSCÓPICA COM ANASTOMOSE EXTRA-CORPÓREA POR OBSTIPAÇÃO DE TRÂNSITO LENTO Ana Goulart, Joana Mendes, Rui Quintanilha, António Melo Serviço de Cirurgia Geral do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, São Miguel A obstipação é um problema frequente, com uma prevalência estimada de 2 a 20% na população ocidental. Esta, na maioria das vezes, é solucionada pela dieta, uso de laxantes ou pró-cinéticos. No entanto, em casos severos outras opções terapêuticas poderão ser necessárias. No caso da obstipação crónica severa por trânsito lento a opção cirúrgica mais frequentemente utilizada consiste na colectomia subtotal com anastomose ileorectal. No entanto, esta apresenta morbilidade que não é considerada desprezível. Como alternativa tem vindo a conquistar cada vez mais adeptos a utilização da colectomia subtotal poupando o cego, REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 21 sendo ainda mais vantajoso o uso da via laparoscópica. Assim, é possível obter melhores resultados funcionais e também uma maior satisfação dos doentes. Os autores relatam o caso de uma paciente do sexo feminino, de 52 anos de idade, com obstipação de trânsito lento com longos anos de evolução, apresentando marcado impacto na sua qualidade de vida. Após avaliação da doente, esta foi submetida a uma colectomia subtotal com cecosigmoidostomia laparoscópica com anastomose extracorpórea, que decorreu sem incidentes. No pós operatório e nos quatro meses de follow-up não foram registadas intercorrências. Além da apresentação do caso clínico é também efectuada uma breve revisão da literatura. P 11 ABDÓMEN AGUDO COMO 1ª MANIFESTAÇÃO DE DOENÇA DE CROHN Monteiro, Nuno; Rufino, Sofia Carvalho; Fontinha, José Pedro; Cortez, Luís Centro Hospitalar de Setúbal A Doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica, de causa ainda desconhecida, que pode afectar qualquer segmento do tracto gastrointestinal. O diagnóstico é difícil sendo baseado em dados clínicos, radiológicos, endoscópicos e histológicos. As suas manifestações clinicas são variáveis e vão depender da localização e gravidade da doença. Embora a apresentação aguda da doença seja rara, a ileíte terminal pode simular um quadro de apendicite aguda. Os autores apresentam um caso clínico de um jovem de 24 anos, com antecedentes de Doença de Refluxo Gastro Esofágico e anorexia nervosa. O doente dá entrada no serviço de urgência por quadro de dor abdominal tipo cólica, peri-umbilical com irradiação à fossa ilíaca direita, acompanhado de vómitos. Realizou exames imagiológicos que descrevem liquido intra-peritoneal e provável abcesso em relação com apêndice. Por agravamento sintomatológico com instalação de quadro séptico é submetido a intervenção cirúrgica, tendo-se verificado peritonite generalizada com ponto de origem em região ileo-cecal fistulizada e abecedada. Procedeu-se a ressecção ileo-cecal com ileostomia terminal, tendo o pós-operatório decorrido sem intercorrências. O exame anatomo-patológico confirmou a suspeita intra-operatória de Doença de Crohn. O doente foi encaminhado para consulta de Gastrenterologia. P 12 PROCTALGIA E OBSTIPAÇÃO – PARA ALÉM DO ÓBVIO Sandra Barbeiro, Catarina Martins, Cláudia Gonçalves, Bruno Arroja, Manuela Canhoto, Filipe Silva, Isabel Cotrim, Liliana Eliseu e Helena Vasconcelos. Centro Hospitalar de Leiria A maioria dos corpos estranhos encontrados no reto é introduzida de forma consciente para estimulação sexual pelo próprio doente ou pelo parceiro. A abordagem terapêutica depende do tamanho, forma, localização e textura do objeto. A maioria pode ser removida por via transanal. A cirurgia está reservada quando a localização do objeto é proximal, existe evidência de perfuração ou peritonite ou impactação do corpo estranho. Homem, 85 anos, com quadro de obstipação após cirurgia ortopédica, iniciando tratamento com laxantes orais e enemas. Após o início do tratamento, apresentou queixas de proctalgia e retorragia. Recorreu ao médico assistente que diagnosticou fissura anal e medicou o doente com medicação tópica. Por agravamento sintomático recorreu ao serviço de urgência. Quando questionado o doente referiu a aplicação de única de um microenema no mês anterior. O toque rectal revelou a presença de um corpo estranho dentro da ampola retal. A retossigmoidoscopia identificou o dispositivo do microenema no reto que se removeu com apoio de anuscopia e pinça de corpos estranhos enquanto o doente realizava a manobra de Valsalva. Optou-se por não realizar sedação anestésica pela localização distal do objeto, boa tolerância ao procedimento e colaboração do paciente. O doente aplicou incorretamente o dispositivo do microenema dentro do reto e não forneceu essa informação porque pensou que tinha realizado a aplicação correta. Destaca-se este caso pela invulgaridade do corpo estranho rectal, do contexto em que foi inserido e da permanência de um mês dentro do reto. P 13 LIFT - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO Marta Martins, Ana Cristina Carvalho, Diana Brito, Hugo Mesquita, Juliana Oliveira, José Monteiro, Salete Ferreira, José Pinto Correia Centro Hospitalar do Alto Ave, Guimarães Introdução: As fístulas peri-anais são uma patologia frequente, cuja dificuldade diagnóstica nomeadamente no seu correcto mapeamento, comporta uma significativa morbilidade. A Laqueação interesfincteriana do trajeto fistuloso é uma nova técnica para o tratamento de fístulas complexas com baixa taxa de recidiva e sem alteração na continência fecal. Caso clínico: Mulher de 24 anos, recorreu ao serviço de urgência por supuração perianal espontânea com orificio de saida de pus às2 h em posição ginecologica (PG). Foi encaminhada para a consulta onde realizou estudo complementar com clister opaco que mostrou trajeto linear ascendente e medial com opacificação no reto. Clinicamente a doente não apresentava história de alterações gastrointestinais, emagrecimento ou perdas sanguineas. Realizou colonoscopia que não mostrou alterações. Proposta para cirurgia,tendo-se realizado fistolotomia parcial, laqueação interesfincteriana do trajeto fistuloso e retalho de deslizamento retal por fistula supraesfincteriana localizada as 2h (PG). A histologia confirmou o diagnóstico de fistula perianal. No pós-operatório apresentou cicatrização total da ferida. Após 3 meses de follow up iniciou quadro de diarreias e aumento dos parâmetros inflamatórios, tendo sido avaliada por Gastroenterologia que realizou enteroscopia por videocapsula. Confirmou-se o diagnóstico de doença de Crohn. Após 1,5 ano, a doente encontra-se assintomática medicada com Budenofalk e Messalazina. Conclusão: A laqueação interesfincteriana do trajeto fistuloso tem como objetivo a preservação total da função esfincteriana com bons resultados em estudos recentes. Este procedimento é relativamente fácil e seguro. A doença de Crohn deverá ser sempre excluida na presença de fistulas complexas. 22 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 P 14 OCLUSÃO INTESTINAL POR ENDOMETRIOSE Carla Menezes, Rosário Roque, Santa Rita Centro Hospitalar do Oeste - Unidade de Torres Vedras Introdução/Objectivos: A endometriose é uma patologia frequente, de etiologia desconhecida e com uma prevalência de 5-20% entre mulheres em idade fértil. O envolvimento intestinal acontece em 3-7% dos casos, contudo a oclusão intestinal por endometriose é rara. Material e métodos: Apresentação de um caso clínico. Resultados: Apresenta-se o caso de uma mulher, com 37 anos, que recorreu ao serviço de urgência por quadro de oclusão intestinal com 3 dias de evolução. Apresentava igualmente queixas de dismenorreia e diarreias intermitentes. Trata-se de uma doente com antecedentes de litíase renal, síndrome depressivo e 2 cesarianas(G3,P2). Ao exame objectivo apresentava abdómen distendido, difusamente doloroso à palpação e o toque rectal revelava ampola livre. Realizou TC que mostrou lesão estenosante da sigmoideia. Realizou fibrosigmoidoscopia que revelou lesão endoluminal aos 15cm, revestida por mucosa, que ocluía totalmente o lúmen. Foi submetida a laparotomia exploradora constatando-se a nível do colón sigmóide um tumor de localização extraluminal que condicionava a estenose quase completa do lúmen. Procedeu-se a ressecção segmentar do sigmóide tipo Hartmann. A anatomia patológica revelou endometriose do colón sigmóide. Actualmente, a doente encontra-se sob terapêutica hormonal com contraceptivos orais de toma contínua e sem outros sinais de doença endometrial. Discussão/Conclusões: As manifestações clínicas da endometriose são diversas e inespecíficas tornando o seu diagnóstico um desafio. Em presença de um quadro de oclusão intestinal numa mulher em idade fértil o cirurgião deve considerar a endometriose como diagnóstico diferencial. Dada a frequente incerteza do diagnóstico quase todos os doentes, com envolvimento intestinal importante, são submetidos a laparotomia exploradora com ressecção cirúrgica. P 15 CAUSA RARA DE OCLUSÃO INTESTINAL NO ADULTO Carla Menezes, Rita Falcão, Rosário Roque, Santa Rita Centro Hospitalar do Oeste - Unidade de Torres Vedras Introdução/Objectivos: A invaginação intestinal no adulto constitui uma entidade nosológica rara, correspondendo a 5% de todos os casos de invaginação, sendo responsável por 1% dos casos de oclusão intestinal. A inespecificidade da sua apresentação clínica torna o seu diagnóstico um desafio. Material e métodos: Apresentação de um caso clínico. Resultados: Apresenta-se o caso de um doente de 67 anos com antecedentes de fibrilhação auricular e hernioplastia inguinal que recorreu ao serviço de urgência por dor abdominal generalizada, tipo cólica, vómitos e rectorragias com 24 horas de evolução. Ao exame físico apresentava abdómen discretamente distendido, com ruídos hidroaéreos aumentados de frequência e intensidade, doloroso à palpação profunda no hipogastro e sem sinais de irritação peritoneal. Toque rectal com ampola livre e dedo de luva com vestígios de sangue. Os exames complementares realizados colocaram a hipótese de hérnia interna vs invaginação íleon terminal. O doente foi submetido a laparotomia de urgência e intraoperatoriamente verificou-se invaginação ileocecal, tendo sido realizada hemicolectomia direita. O pós operatório foi complicado de infecção do local cirúrgico por Enterobacter cloacae, tendo tido alta ao 14ºdia. O exame histopatológico da peça revelou mucosa ileal sem alterações e lipoma submucoso no íleon terminal. Discussão/Conclusões: Contrariamente ao que acontece nas crianças, no adulto, os sintomas são inespecíficos e podem assumir uma apresentação aguda, subaguda ou crónica. Apesar de discutível é aceite pela generalidade dos cirurgiões que a invaginação no adulto requer tratamento cirúrgico, ressecção segmentar curativa e anastomose primária entre tecido saudável e viável. P 16 RASTREIO DE CANCRO DO CÓLON E RECTO. COLONOSCOPIA TOTAL OU ESQUERDA – EIS A QUESTÃO I. Mocanu, S. Pires, N. Veloso, L Gonçalves, R. Godinho, I. Medeiros Serviço de Gastrenterologia do H. Espírito Santo de Évora Introdução: O cancro colo-rectal (CCR) é a segunda forma de neoplasia mais frequente em Portugal. Foi demonstrado que o rastreio é eficaz na diminuição da mortalidade e existem já vários programas de rastreio definidos pelas diferentes sociedades médicas. A proposta de rastreio da DGS, que se encontra em discussão pública, abrange a população de risco padrão, entre os 50 e 74 anos, com pesquisa de sangue oculto nas fezes (PSOF) e colonoscopia total de aferição. Por outro lado, a SPED recomendou a colonoscopia esquerda como método de rastreio. Objectivos: Caracterizar um projecto de Rastreio CCR e determinar a taxa de adenoma/carcinoma identificados exclusivamente a montante do ângulo esplénico, ou seja, não passíveis de diagnóstico por colonoscopia esquerda. Métodos: Avaliação prospectiva de um rastreio de base populacional a utentes dos centros de saúde de um concelho, entre os 50 e 70 anos. Os utentes elegíveis foram submetidos a um teste de PSOF imunoquímico e colonoscopia total de aferição. Resultados: A população elegível para rastreio na faixa etária proposta era de 16006 utentes. 8095 (50.6%) devolveram o teste PSOF e destes, 558 utentes (6.86%) tiveram teste positivo. 427 utentes aceitaram realizar colonoscopia de aferição na nossa instituição, que foi completa e com preparação adequada em 93% dos casos. Em 52.2% (N=223) das colonoscopias foram encontrados adenomas (N=200) e/ ou adenocarcinomas (n=23, 5.4% das colonoscopias ou 0.3% da população que realizou o rastreio). Em 5.2% das colonoscopias (n=22) apenas se identificaram lesões a montante do ângulo esplénico, inclusivé dois casos de adenocarcinoma e adenomas de risco elevado. Conclusões: Na nossa amostra, o rastreio exclusivamente por colonoscopia esquerda não teria detectado lesões importantes em 5% dos casos. Contudo, é necessário realizar um estudo prospectivo e comparativo dos dois métodos de rastreio. REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 23 P 17 P 19 FÍSTULA PERIANAL NA DOENÇA DE CROHN - UM DESAFIO CIRÚRGICO LINFOMA MALT DO CÓLON E RECTO Faustino, Joana; Correia, Débora; Gonçalves, Nádia; Mendes, Rui; Moniz, Luísa; Nascimento, Carlos Dália Fernandes, João Bruno Soares, Bruno Gonçalves, Ana Célia Caetano, Raquel Gonçalves Serviço de Gastrenterologia, Hospital de Braga Serviço de Cirurgia II, Hospital Egas Moniz - Centro Hospitalar Lisboa Ocidental Fístula perianal corresponde a uma comunicação anormal entre o canal anal, ou recto, e a pele sendo que a maioria tem ponto de partida numa infeção criptoglandular. Epidemiologicamente é duas vezes mais frequente no sexo masculino, com uma idade média de diagnóstico por volta dos 40 anos de idade. São diagnósticos diferenciais: infecção criptoglandular, doença de Crohn, hidroadenite supurativa, linfogranuloma venerio, tuberculose e actinomicose, ou ainda a doença pilonidal1. Na Doença de Crohn a fístula perianal é frequente, podendo estar presente em 6%-34% dos casos.1 A classificação é feita segundo os critérios de Parks, que considera a relação com o esfíncter anal externo, e/ou segundo a American Gastroenterological Association, que as classifica em simples ou complexas2 consoante o tipo de trajecto e número de orifícios. O tratamento cirúrgico depende da presença de doença activa e da relação anatómica da fístula com o esfíncter anal externo. Deve ser individualizado a cada doente, podendo-se optar por fistulotomia, fistulectomia ou a colocação sedanho ou plug.2 Tendo como exemplo um caso clinico, pretendemos alertar para a importância da temática e para as diferentes abordagens cirúrgicas da mesma. 1 - 1 - Hemorrhoids and Fistulas: New Solutions to Old Problems; J. Rakinic; V.P.Poola; Current Problems in Surgery; 51(2014)98–137 2 - Perianal Crohn’s Disease; Safar, B.; Sands, D. P 18 LINFOMA DO CEGO Meira T.1, Fernandes V.1, Brito D.2 , Fernanda V.3, Freitas J.1 Serviço de Gastrenterologia1, Serviço Anatomia Patologia2, Serviço de Hema- Apresenta-se o caso de uma mulher, 77 anos, com antecedentes de HTA, dislipidemia, fibrilação auricular e história de tuberculose pleural há 30 anos, polimedicada, encaminhada para a consulta de Pneumologia por opacidades pulmonares tipo consolidação de predomínio basal, bilaterais e adenopatias mediastínicas detectadas em TAC torácico. A doente referia dispneia para médios esforços, dores osteoarticulares generalizadas e perda ponderal não quantificada. Negava outras queixas, incluindo gastrointestinais. Analiticamente destacava-se anemia hipocrómica (Hb 10.4g/dL, CHGM 32.1g/dL), elevação dos parâmetros inflamatórios (PCR 24.5mg/dL e VS 91mm/h), insuficiência renal (ureia 112mg/ dL e creatinina 1.4mg/dL) e PBNP 3301pg/mL. Realizou broncofibroscopia que mostrou sinais inflamatórios inespecíficos, tendo-se obtido lavado broncoalveolar e biópsias brônquicas, sem alterações. Realizou punção aspirativa guiada por ultrassonografia transendoscópica das adenopatias mediastínicas que também não foi conclusiva. Para investigação da anemia efectuou endoscopia alta, sem alterações relevantes e colonoscopia que mostrou múltiplas lesões polipóides, aparentemente subepiteliais, dispersas pelo cólon e recto, a maior, com 35mm, no recto. Foi realizada ultrassonografia transendoscópica da lesão do recto que mostrou espessamento hipoecóico da mucosa e posteriormente obtiveram-se macrobiópsias com ansa diatérmica que revelaram expansão da mucosa e submucosa retal por população linfóide neoplásica constituída por linfócitos pequenos, com irregularidade nuclear e citoplasma escasso, e expressão para CD20 e bcl-2, compatível com linfoma da zona marginal do tecido linfóide da mucosa retal (linfoma MALT). Para estadiamento foram pedidos TAC abdominopélvico e biópsia óssea, estando aguardar resultados para se decidir tratamento. tologia3 do Hospital Garcia de Orta Homem de 59 anos com antecedentes de HTA. Medicado habitualmente com betahistidina e omeprazol. Encaminhado para consulta de Gastrenterologia por hematoquesias com cerca de um mês de evolução, sem outra sintomatologia acompanhante nomeadamente febre, anorexia e sudorose. Submetido a colonoscopia que identificou lesão polipoide ocupando 1/2 do fundo de saco cecal. O resultado anatomopatológico das biópsias revelou um Linfoma não Hodgkin B, CD 20, difuso de grandes células com Ki67 de cerca de 80%. O doente foi encaminhado para consulta de hematologia para estadiamento, tratando-se um linfoma não Hodkin do cego estadio Ia de Ann Arbor. Iniciou quimioterapia com R-CHOP (rituximab, ciclofosmadida, doxorrubicina, vincristina e prednisolona) tendo cumprindo com sucesso 8 ciclos. A colonoscopia e a tomografia axial de reavaliação mostraram regressão do linfoma. O linfoma primário do colon é uma entidade rara correspondendo a 0.2-06% de todas as neoplasia do colon. O diagnóstico definitivo é feito sempre através da análise anatomopatológica da biopsia ou da ressecção cirúrgica. P 20 TUMOR ADENONEUROENDOCRINO DO CÓLON Joana Silva, Rolando Pinho, Carlos Fernandes, Iolanda Ribeiro, Ana Ponte, Miguel Afonso*, João Carvalho Serviço de Gastrenterologia – Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia * Gastroclinic – Espinho A aplicação sistemática de técnicas de imuno-histoquímica para o estudo de tumores levou ao reconhecimento de que as células neuroendócrinas ocorrem com frequência nas adenocarcinomas do intestino. Contudo, os MANET (Mixed Adenoneuroendocrine Tumor) em que ambos os componentes são tumores histologicamente benignos, são muito raros. Os autores descrevem o caso de um paciente do sexo masculino, 76 anos, com antecedentes de hipertensão arterial e dislipidemia. Sem história familiar de cancro colo-retal (CCR). No âmbito do rastreio de CCR, realizou colonoscopia que identificou aos 18 cm da margem anal, lesão polipóide tipo 0-Is com cerca de 60mm. Fez-se mucosectomia em fragmentos por técnica de elevação e corte. O exame histológico revelou fragmentos de tumor misto com componente de ade- 24 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 noma viloso com displasia de baixo grau e focalmente de alto grau, e de tumor neuroendocrino bem diferenciado. Fez revisão da cicatriz de mucosectomia passados 3 meses, verificando-se cicatriz com discretas áreas nodulares de recidiva que foram removidas. O exame histológico mostrou a presença de adenoma com displasia de baixo grau e ausência de componente neuroendócrino. Fez ecoendoscopia que excluiu a presença de lesões em profundidade. Do estudo efectuado para estadiamento de salientar: ácido-5-hidroxi-indolacético 5.6mg/24 horas (2.0-9.0), fosfatase ácida total 2.5U/L (< 6.6), cromogranina A 318 ng/mL (< 100 000); cintigrafia: hiperactividade abdominal intensa próxima ao hilo hepático (provavelmente pela excreção biliar do radiofármaco); TAC abdomino-pélvico sem alterações valorizáveis. Os autores relatam um caso raro, de neoplasia formada por células neuroendócrinas e exócrinas bem diferenciadas. Apresenta-se iconografia endoscópica e histológica. P 21 TUMOR DE CÉLULAS GRANULARES DO CÓLON – RELATO DE DOIS CASOS Joana Silva, Rolando Pinho, Carlos Fernandes, Iolanda Ribeiro, Ana Ponte, João Carvalho Serviço de Gastrenterologia – Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia O tumor de células granulares (TCG) é uma neoplasia benigna incomum, que se pode localizar em qualquer parte do organismo, sendo a cavidade oral o local mais frequentemente atingido. No trato gastrointestinal, o local mais comum é o esófago, seguido do duodeno, ânus e estômago. O atingimento do cólon e recto é incomum, normalmente encontrado incidentalmente em exames de rastreio. Os autores pretendem apresentar 2 casos clínicos em doentes submetidos a colonoscopia de rastreio. Caso 1: Doente do sexo masculino com 54 anos, que apresentava formação polipóide séssil com cerca de 6 mm recoberta por mucosa normal no ângulo esplénico - removida com ansa diatérmica em fragmento único. Caso 2: Doente do sexo masculino, 60 anos, que apresentava ao nível do cólon sigmóide formação polipóide pediculada com 15 mm - polipectomia com ansa. Em ambos os casos, o diagnóstico definitivo foi realizado após a análise histológica e imuno-histoquímica. A análise histológica revelou proliferação de células poligonais volumosas, com núcleo pequeno e citoplasma amplo, de aspecto granular, contendo grânulos Periodic Acid Schiff (PAS)-positivos, com forte marcação imunohistoquímica para a proteína S-100. Dada a ausência de sintomas, pequeno tamanho das lesões e aspecto histológico benigno, optou-se por vigilância. Conclusão: Relatamos dois casos de TCG do cólon, de localização incomum, com características histopatológicas e imunohistoquímicas típicas, tratadas endoscopicamente. Apresenta-se iconografia endoscópica e histológica. P 22 COLITE EOSINOFÍLICA : UMA ENTIDADE RARA OU SUBDIAGNOSTICADA Sílvia Giestas, Sara Campos, Ana Oliveira, Sandra Lopes, Carlos Sofia Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra A colite eosinofílica (CE) é uma forma rara de doença gastrointestinal eosinofílica que ainda permanece pouco compreendida comparativamente com o crescente reconhecimento da esofagite eosinofílica. A sua apresentação clínica é muito variável consoante a profundidade, extensão e localização predominante da inflamação. O seu diagnóstico permanece de exclusão dado que a presença de eosinófilos no cólon ocorrer em várias patologias. Os autores apresentam o caso de um doente, sexo masculino, 60 anos, antecedentes de atopia (eczema), sem medicação habitual, com queixas de diarreia com 3 meses de evolução associada a dor abdominal difusa. Recorre ao serviço de urgência por hematoquésias. Sem contexto epidemiológico aparente. Objectivamente sem alterações relevantes. Analiticamente destaca-se ligeira eosinofilia. Ecografia abdominal sem alterações. Coproculturas, parasitológico de fezes e auto-imunidade de doença celíaca negativos. Colonoscopia total com ileoscopia mostrou alguns segmentos com mucosa congestiva e discretas erosões dispersas. O estudo histológico evidenciou infiltrado inflamatório predominantemente constituído por eosinófilos sugestivo de CE. O nível sérico de IgE total encontrava-se aumentado. Após exclusão de outras causas de eosinofilia o doente realizou endoscopia digestiva alta sem alterações macroscópicas nem histológicas esofágicas, gástricas e duodenais. Foram pesquisados alergénios ambientais e alimentares. Doente iniciou corticoterapia (budesonida) com excelente resposta clínica. Actualmente terminou o esquema terapêutico há cerca de 6 meses e encontra-se assintomático. Os autores apresentam este caso não só pelo desafio diagnóstico mas sobretudo para alertar para a importância de um alto nível de suspeição desta rara patologia tão heterogénea na apresentação clínica e com achados laboratoriais, imagiológicos, endoscópicos e histológicos inespecíficos. P 23 ECOENDOSCOPIA E PUNÇÃO ASPIRATIVA COM AGULHA FINA DE LESÕES SUBEPITELIAIS DO CÓLON E RECTO: ELEVADA RENTABILIDADE DIAGNÓSTICA E SEGURANÇA Lídia Roque Ramos1, Pedro Pinto-Marques1,2, Tânia Meira1, João de Freitas1 Serviço de Gastroenterologia, Hospital Garcia de Ortarn 2Serviço de Gastroen- 1 terologia, Hospital da Luz Introdução: As lesões subepiteliais (LSE) são habitualmente achados incidentais da endoscopia. A ecoendoscopia (EE) é considerada técnica de primeira linha na avaliação de LSE permitindo definir o tipo de lesão e orientar o seguimento e terapêutica. Ao contrário do tubo digestivo alto, são escassos os estudos que abordam o papel da EE nas LSE colorectais. Objectivo: Determinar a rentabilidade e segurança da EE e punção aspirativa com agulha fina (PAAF) no diagnóstico de LSE colorectais. Material e métodos: Estudo retrospectivo (Janeiro 2008 – Setembro 2014) de indivíduos consecutivos com LSE colorectais referenciados para EE em duas instituições. Todos os exames foram realizados por um único operador experiente. Registados dados clínicos, achados da EE e resultado da PAAF. Resultados: Analisados 35 doentes (49% homens; idade 60±15 anos). A EE foi utilizada: definição do tipo de LSE em 30 doentes; e avaliação da profundidade de tumor carcinóide em 5 casos. Todas as LSE estavam localizadas no cólon sigmóide ou recto. Das 30 LSE de etiologia a esclarecer foi realizada PAAF em 14. A citologia foi diagnóstica em 100% dos casos: GIST (n=4); leiomioma (n=2); lipoma (n=2); endometriose (n=2); hematoma (n=1); quisto (n=1); carcinoma do urotélio (n=1); adenocarcinoma (n=1). Após a PAAF apenas um doente teve dor auto-limitada, não se tendo registado complicações nos restantes casos. Conclusões: A utilização da EE na avaliação de LSE colorectais foi limitada a lesões do recto e cólon sigmoide, sendo que a PAAF foi uma técnica segura e com elevada rentabilidade diagnóstica na determinação da etiologia das LSE. P 24 INFLIXIMAB NO TRATAMENTO DA DOENÇA DE CROHN RECORRENTE Pedro Russo, Diana Carvalho, Carlos Bernardes, Joana Saiote, Jaime Ramos Hospital Santo António dos Capuchos, Centro Hospitalar de Lisboa Central Introdução: A maioria dos doentes com Doença de Crohn (DC) desenvolve recorrência pós-operatória da doença. Os anti-TNFα mostraram eficácia no tratamento e prevenção da doença recorrente, mas não está definida qual das estratégias é a mais eficaz. Objectivos/Métodos: Analisar a eficácia do Infliximab na prevenção/tratamento da recorrência da DC. Recolhidos os dados demográficos e características da DC. A evolução foi avaliada com índice Harvey-Bradshaw (IHB) e o score endoscópico de Rutgeerts (IR). Resultados: De 01/01/2005 a 31/01/2013, 15 doentes (12 homens), com idade média de 37 anos (22-77); operados por estenose isolada – 8 doentes (53,3%), associada a fístula - 4 (26,7%), fistula isolada - 1, abcesso do psoas - 1; hemorragia intestinal - 1. Seis doentes iniciaram Infliximab por recorrência (grupo I); seis continuaram após a cirurgia (grupo II); excluídos três, tratados por doença perianal. Grupo I: tempo médio até recorrência clinica de 7,4 meses, com um IHB médio de 7,3, IR de i4 em 1 doente, i2 em 3. Após tempo médio de tratamento de 46,9 meses, IHB médio de 4,2, IR i0 em 1 doente, i3 em 2 e i4 em 2. Grupo II: após tratamento médio de 22,7 meses, todos se encontravam em remissão clínica, com um IHB médio de 1,5; dois doentes apresentavam IR i1, dois apresentavam i2 e dois apresentavam i3. Conclusões: Obteve-se uma remissão clínica de 75% na prevenção ou tratamento da DC recorrente pós-cirurgia. Apesar desta série ser pequena, o grau de recorrência endoscópica foi menor nos doentes que fizeram terapêutica preventiva. 26 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 P 25 PAPEL DA CROMOENDOSCOPIA COM ENDOMICROSCOPIA CONFOCAL NA VIGILÂNCIA DE DISPLASIA NA COLITE ULCEROSA – A PROPÓSITO DE DOIS CASOS CLÍNICOS Sílvia Giestas, Paulo Freire, Pedro Figueiredo, Ricardo Cardoso, Maria Manuel Donato, Manuela Ferreira, Sofia Mendes, Mário Rui Silva, Augusta Cipriano, Ana Margarida Ferreira, Helena Vasconcelos, Francisco Portela, Carlos Sofia Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra Doentes com colite ulcerosa(CU) de longa duração têm risco aumentado de desenvolver cancro colorretal(CCR). Vários estudos têm demonstrado que a cromoendoscopia aumenta capacidade de detectar neoplasia intra-epitelial(NI) quando comparada à colonoscopia convencional com biópsias aleatórias. A endomicroscopia confocal(EMC) é uma técnica endoscópica recente que fornece em tempo real imagens de alta resolução da mucosa permitindo a visualização de estruturas celulares/subcelulares com extremo detalhe. A combinação das duas técnicas pode potenciar os programas de vigilância de CCR na CU. Os autores apresentam iconografia de dois casos clínicos. Caso1:sexo masculino, 72 anos. CU com 16 anos de evolução sob terapêutica com infliximab (esquema de manutenção) e messalazina/2000mg/id. Em cromoendoscopia com EC de vigilância foi visualizada aos 12 cm da margem anal lesão plana (0-IIB) 3cm ocupando cerca 1/3 do lúmen com padrão de criptas irregulares. EC revelou estruturas rectificadas sugestivas de NI. Biopsias demonstrando adenoma tubuloviloso com displasia baixo grau.Lesão submetida a mucosectomia.Histologia: adenoma tubular - NI de baixo grau. Caso2:sexo feminino, 47 anos.CU com 25 anos de evolução medicada com messalazina/3000mg/id. Em colonoscopia convencional de vigilância foi observada área de mucosa irregular aos 35 cm da margem anal. Efectuada, de forma dirigida, cromoscopia com EMC que permitiu delimitar lesão 3-4cm ocupando cerca 1/3 do lúmen. Na EC verificou-se desorganização estrutural e existência de criptas irregulares, aspecto sugestivo de NI. As biopsias demonstraram displasia epitelial de baixo grau de padrão tubular. Aguarda mucosectomia. A EC é uma ferramenta promissora para a detecção de NI na CU apresentando uma boa correlação com a histologia. P 26 BEZOAR DE OSSOS IMPACTADO NO RETO Maria Ana Túlio, Iolanda Chapim, Susana Marques, Liliana Carvalho, José Rodrigues, Joana Carmo, Pedro Barreiro, Tiago Bana, Cristina Chagas Centro Hospitalar Lisboa Ocidental - Hospital Egas Moniz - Serviço de Gastrenterologia Bezoares são colecções de materiais estranhos, não digeridos, que se acumulam e coalescem no lúmen gastro-intestinal, mais frequentemente no estômago. Ainda que não sejam infrequentes as descrições de ossos isolados penetrados no tubo digestivo, a acumulação de volumosas colecções de ossos e detritos não digeridos é rara, limitando-se a casos anedóticos descritos na literatura. Os autores apresentam o caso de uma doente de 60 anos, com história de perturbação da ansiedade, que iniciou qua- dro com 2 meses de evolução e de agravamento progressivo, caracterizado por aumento do número de dejecções diárias, rectorragias, tenesmo, falsas vontades e proctalgia. Durante este período, registou-se significativa perda de peso (15% do peso corporal). Ao exame objetivo salientava-se toque rectal doloroso, palpando-se, imediatamente acima do canal anal, obstáculo duro e espiculado. A radiografia e tomografia computorizada abdómino-pélvica identificaram volumosa massa heterogénea, com 72x44x43mm, densidade óssea, que preenchia a ampola retal, associada a espessamento da parede retal e densificação da gordura adjacente. Eram ainda identificados outros pequenos focos de densidade cálcica dispersos pelo cólon. A retosigmoidoscopia confirmou a presença de volumosa massa, constituída por múltiplos ossos de aves, sobretudo vértebras, impactada no reto distal. Através de anuscopia, e com recurso de pinça de magill, procedeu-se a remoção laboriosa, osso por osso, do bezoar retal. A mucosa rectal subjacente apresentava múltiplas ulcerações traumáticas. Realizou-se ainda colonoscopia completa, com remoção de vários ossos dispersos ao longo do cólon. Do conhecimento dos autores, este é o terceiro caso descrito de bezoar de osso impactado no reto. Apresenta-se iconografia. P 27 O PAPEL DA REEDUCAÇÃO DO PAVIMENTO PÉLVICO NA INCONTINÊNCIA FECAL PÓS-RESSECÇÃO ANTERIOR DO RECTO: SÉRIE DE CASOS Fróis Borges, M.; Rocha, C.; Corte Real, J. Hospital Garcia de Orta, EPE Introdução: A terapia de Reeducação do Pavimento Pélvico (Biofeedback) é uma abordagem não invasiva à incontinência fecal pós-cirúrgica. Consiste na educação do doente para o controlo do pavimento pélvico, através da consciencialização do controlo do esfíncter anal externo. Objetivo: Avaliar o papel do Biofeedback na incontinência fecal pós-Ressecção Anterior do Recto (RAR). Material e métodos: Série de casos da população que frequentou a Consulta de Biofeedback após RAR do Hospital Garcia de Orta no período de 26 meses. Foram avaliados dados demográficos, motivo de referenciação à consulta, adesão à consulta, tempo de seguimento em consulta, adesão à terapêutica e monitorização do grau de incontinência antes e depois da intervenção. Resultados: Foram seguidos em consulta um total de 10 doentes com uma idade média de 67,5 anos. O principal motivo de referenciação foi a incontinência para fezes (90%), seguido de perdas nocturnas (40%) e urgência defecatória (40%). 2 doentes desistiram da consulta (20%). O tempo médio de seguimento foi de 5,6 meses. Dos doentes que não abandonaram a consulta, 2 (25%) não cumpriram o programa proposto. A média do score de Cleveland na primeira consulta foi de 12,4, sendo que após conclusão da intervenção foi de 7,7. A média do score de Vaizey na primeira consulta foi de 15,8, sendo que após conclusão da intervenção foi de 8,6. Discussão: A terapêutica de Biofeedback estabelece-se cada vez mais como uma terapêutica de primeira linha para o tratamento da incontinência fecal pós-cirúrgica. Os resultados obtidos permitem afirmar que pode haver um papel para esta terapêutica no pós-operatório do subgrupo de doentes submetidos a RAR. REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 27 P 28 ABORDAGEM LAPAROSCÓPICA DE PERFURAÇÃO IATROGÉNICA COLONOSCÓPICA, A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO Miguel F. Cunha, Kalina Hristova, Edgar Amorim, M. Americano, Juan Rachadell Centro Hospitalar do Algarve - Unidade Portimão - Serviço Cirurgia III A perfuração cólica é uma das complicações mais graves de colonoscopia diagnóstica e terapêutica, ocorrendo em cerca de 0,2 a 0,4 % (exames diagnósticos) e 0,3 a 3 % ( exames terapêuticos). A abordagem cirúrgica impõe-se em casos seleccionados em que o encerramento endoscópico não é eficaz ou exequível. Os autores apresentam um caso de um doente sexo masculino 51 anos com dor abdominal intensa pós colonoscopia terapêutica (remoção com ansa diatérmica de pólipos no cólon sigmóide). A radiografia de abdómen era compatível pneumoperitoneu. Foi submetido a laparoscopia exploradora, onde se objectivou perfuração cólica ao nível cólon sigmóide, sendo corrigida com sutura em dois planos. O pós-operatório decorreu sem intercorrências, tendo alta ao 4º dia pós operatório. A abordagem laparoscópica em perfuração cólica decorrente de iatrogenia colonoscópica realizada por profissionais experientes, está descrita, sendo uma opção válida a ter em conta neste tipo de iatrogenias. P 29 PAPEL DA PROTEÍNA C REACTIVA NA DETECÇÃO PRECOCE DE COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS PÓS CIRURGIA COLO-RECTAL Miguel F. Cunha, Kalina Hristova, Juan Rachadell, M. Americano, Edgar Amorim Centro Hospitalar do Algarve, Unidade de Portimão, Serviço de Cirurgia Geral III Introdução: Está inerente à cirurgia colo-rectal, como a todas as outras, a ocorrência de complicações cirúrgicas. Tendo em vista a detecção precoce das mesmas o Serviço de Cirurgia III do Centro Hospitalar do Algarve, Unidade de Portimão, aplicou um protocolo do qual faz parte a avaliação da Proteína C reactiva ao 2º e 4º dia pós operatórios de cirurgia colo-rectal com anastomose primária. Objectivo: Avaliar o papel dos valores de proteína C reactiva na detecção precoce de complicações cirúrgicas, pós cirurgia colo-rectal. Material e métodos: Estudo prospectivo, observacional, de avaliação dos valores de proteína C reactiva ao 2º e 4º dias de pós-operatório de cirurgia colo-rectal no serviço de Cirurgia III do Centro Hospitalar do Algarve, Unidade de Portimão no período de Janeiro a Junho de 2014. Resultados: No período entre Janeiro e Junho de 2014 40 doentes foram submetidos a cirurgia colo-rectal com anastomose primária. Sendo que 14 foram intervencionados por via laparoscópica e 26 por via aberta. Todos os doentes com PCR acima de 160 foram submetidos a TAC abdomino-pélvica, sendo detectado leakage ou deiscência da anastomose em 4 doentes dos 5 submetidos a TAC. Discussão/Conclusão: Apesar do tamanho da amostra, os resultados desta série inicial vão de encontro aos encontrados na literatura, nesse sentido os autores sugerem que o nível de proteína C reactiva, mostrou ser um marcador relevante na detecção precoce de complicações cirúrgicas pós cirurgia colo-rectal. Elevação prolongada e o não declínio dos valores de proteína C reactiva ajudam a predizer a ocorrência de leakage ou deiscência da anastomose na cirurgia colo-rectal. P 30 INFLIXIMAB NO TRATAMENTO DA DOENÇA DE CROHN PERI-ANAL – A EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO Carlos Bernardes, Diana Carvalho, Pedro Russo, Joana Saiote, Susana Nunes, Jaime Ramos Hospital Santo António dos Capuchos, Centro Hospitalar Lisboa Central Introdução e objectivos: O infliximab (IFX) está indicado no tratamento da doença de Crohn perianal (DCPA); contudo, o seu papel não está completamente estabelecido. O presente estudo visa avaliar a eficácia do IFX, isoladamente ou em combinação com a cirurgia, na DCPA. Métodos: Análise dos registos prospectivos dos doentes cuja DCPA foi a indicação para IFX, nas semanas (S) 0, 2, 6, 14, 30 e 54. Utilizaram-se o Perianal Disease Activity Index (PDAI) e o Fistula Drainage Assessment (FDA) para definição de resposta parcial (RP), resposta completa (RC) e perda de resposta (PR). Resultados: 36 doentes (19 homens; 34±14 anos): 30 com fístulas perianais e 6 com feridas cirúrgicas perianais extensas. Dezoito (50%) foram submetidos cirurgia prévia: drenagem de abcesso(s) (n=9), drenagem de abcesso(s) + fistulotomia (n= 6) e fistulotomia/fistulectomia (n=2); realizou-se colocação de seton em 7. Na S0 o valor mediano de PDAI era de 12 pontos. À S14 observou-se resposta em 83% dos doentes (RP 30%, RC 53%) e uma redução média do PDAI de 8,3 pontos. À S54 a resposta era de 74% (RP 20%, RC 54%); verificou-se PR em 7 doentes (20%), com uma redução media de 5,6 pontos relativamente ao PDAI na S0. Dois doentes suspenderam IFX por reacção adversa grave; nenhum desenvolveu abcesso durante o período em estudo. Conclusões: O IFX, isolado ou como terapêutica adjuvante da cirurgia, foi eficaz no tratamento da DCPA, induzindo resposta precoce e rápida cicatrização, mantendo a resposta em 74% dos doentes à 52ª semana. P 31 OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA NA DOENÇA DE CROHN FISTULIZANTE – SÉRIE DE 3 CASOS Tânia Meira1, Isabel Rosa1, Francisco Guerreiro2,3 Centro de Medicina Naval; 2Centro de Medicina Subaquática e Hiperbárica 1 (CMSH); 3Centro de Investigação Naval. Introdução: A doença de Crohn fistulizante provoca forte impacto na qualidade de vida do doente, constituindo um desafio terapêutico. A Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) como tratamento adjuvante está reservada para casos refratários à terapêutica convencional. O mecanismo de ação engloba: mediação da resposta inflamatória e imunológica, estimulação da produção de colagénio e ação bactericida. Apresentam-se 3 casos representativos da utilização da OHB na doença de Crohn fistulizante com respetiva iconografia. 1. Homem, 37 anos, doença de Crohn com 8 anos de evolu- 28 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 ção, apresentando envolvimento ileo-colo-rectal. Submetido a várias enterectomias segmentares por estenose e fístulas entero-cutâneas. Realizou anti-TNF com resposta parcial. Admitiu-se doença refratária com síndrome do intestino curto. Referenciado ao CMSH, completou 120 sessões de OHB (a 2,5 atm) a 100% com redução do débito das fístulas. 2. Homem, 43 anos, doença de Crohn com 2 anos de evolução, com fístula perianal complexa que, apesar da otimização do tratamento médico-cirúrgico, não mostrava melhoria. Efetuou 30 sessões de OHB com encerramento quase total do trajeto fistuloso. 3. Mulher, 35 anos, doença de Crohn desde 2008, com fístula perianal complexa. Submetida a várias intervenções cirúrgicas, apresentava corticodependência, intolerância a azatioprina, anticorpos para infliximab e níveis baixos do fármaco com perda de resposta. Fez 20 sessões de OHB com melhoria da proctalgia e redução da drenagem. Conclusão: Nos 3 casos verificou-se melhoria clínica após realização de OHB, em concordância com o descrito na literatura. Assim, o tratamento concomitante com OHB na doença inflamatória fistulizante refratária, deverá ser uma opção a considerar na estratégia terapêutica. P 32 ORGANIZAÇÃO E EXPERIÊNCIA DA UNIDADE COLO-RECTAL DO HOSPITAL BEATRIZ ÂNGELO M Sousa, J T Ramos, M Santos, R Oom, S Ourô, J Gonçalves, L Féria, H Garcia, R Maio Hospital Beatriz Ângelo, Serviço Cirurgia Geral Introdução: O Hospital Beatriz Ângelo (HBA), inaugurado em Janeiro de 2012, serve uma população de 278 mil habitantes, dispõe de 424 camas de internamento, 64 postos em hospital de dia e 8 salas de bloco operatório. A Unidade Colo-Rectal foi organizada e implementada com todas as valências necessárias ao tratamento dos doentes com patologia deste foro. Objectivos: Descrição da capacidade e actividade do HBA no âmbito da orientação e tratamento dos doentes com patologia colo-rectal. Material e métodos: Estudo retrospectivo e descritivo dos doentes com patologia colo-rectal, entre Janeiro de 2012 e Setembro de 2014 (33 meses). Resultados: A cirurgia colo-rectal representa cerca de 20% da actividade assistencial do Serviço de Cirurgia Geral (1599 de 8120 procedimentos cirúrgicos). A Unidade Colo-Rectal do HBA dispõe de consultas externas de risco familiar de cancro colo-rectal, doença inflamatória intestinal (DII), proctologia médica, proctologia cirúrgica e estomaterapia, e de grupos multidisciplinares de oncologia gastrointestinal, DII e patologia do pavimento pélvico. São realizados exames endoscópicos (rígidos e flexíveis), estudos funcionais (manometria anorectal) e imagiológicos (ecoendoscopia, ecografia endoanal e endorectal, radiografia, TC e RM convencional e RM pélvica dinâmica). Discussão/Conclusões: A evolução da ciência médica e a multiplicidade de técnicas disponíveis, requer uma unidade hospitalar equipada e um grupo multidisciplinar dedicado e experiente, para a orientação e tratamento dos doentes. P 33 ADALIMUMAB NO TRATAMENTO DA DOENÇA DE CROHN PERIANAL: EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO Diana Carvalho, Carlos Bernardes, Pedro Russo, Joana Saiote, Susana Nunes, Jaime Ramos Hospital Santo António dos Capuchos, Centro Hospitalar Lisboa Central Introdução: A doença de Crohn perianal (DCPA) representa um fenótipo com mau prognóstico e elevada morbilidade. Na literatura poucos estudos descrevem a eficácia do adalimumab (ADA) na DPCA, nomeadamente a rapidez e durabilidade da resposta. Objectivos: Avaliar a eficácia do ADA no tratamento da DCPA. Material e métodos: Análise de 15 doentes consecutivos monitorizados prospectivamente com DCPA tratados com ADA. Resultados: Tratados 15 doentes, 9 mulheres (60%), mediana de idade 34 anos (19-71); 7 fumadores (46,7%) e 4 ex-fumadores (26,7%). Classificação de Montreal: L1 em 5, L2 em 5 e L3 em 5. Dois com eritema nodoso. Previamente tratados com infliximab 6 (40%: intolerantes 4, perda de resposta 2); concomitantemente azatioprina 8 (53%), e metotrexato 1. Indicação para tratamento: úlcera perianal em 2 e doença penetrante em 13 (6 feridas pós-desbridamento de abcesso, 4 fístulas perianais e 3 fístulas anoperineais). Semana 0 índice PDAI ≤5 em 2, 7 entre 6-8 e 6 entre 9-11. Semana 2 PDAI≤5 em 12 (80%) e >5 em 3 (20%). Semana 14 PDAI≤3 em 12. Perda de resposta em 4: em dois PDAI≤2 com adalimumab semanal, 1 switch para infliximab e um com desenvolvimento de abcesso. Abandono de seguimento em 1, suspensão de ADA por intolerância em 1 e noutro por não resposta. Semana 52 com follow-up completo em 12; PDAI de 0 em 7, 4 entre 1-3 e um com 6. Conclusão: Adalimumab foi eficaz no tratamento da DCPA, induzindo resposta precoce e cicatrização rápida, e manteve a remissão em 73% dos doentes à 52ª semana. P 34 HIDROSADENITE SUPURATIVA NA DOENÇA DE CROHN TRATADA COM INFLIXIMAB Carlos Bernardes, Diana Carvalho, Pedro Russo, Joana Saiote, Susana Nunes, Jaime Ramos Hospital Santo António dos Capuchos, Centro Hospitalar Lisboa Central Introdução: A Hidrosadenite Supurativa (HS) é uma condição inflamatória crónica que pode co-existir com a Doença de Corhn (DC) e condicionar importante compromisso da qualidade de vida. Nos indivíduos com doença grave, a terapêutica médica é frequentemente insuficiente e a intervenção cirúrgica pode associar-se a altas taxas de recidiva. O Infliximab (IFX) está indicado na DC e tem sido utilizado com resultados variáveis na HS. Os autores apresentam dois casos em que a terapêutica anti-TNFα como adjuvante da terapêutica cirúrgica foi útil na abordagem desta patologia. Casos clínicos: Homem de 34 anos, com DC há 7 anos, antecendentes de apendicectomia e ressecção ileo-cecal. Referenciado por recidiva de supuração crónica com envolvimento extenso de toda a região sagrada, glúteos e coxas, previamente submetido a múltiplas drenagens com excisão extensa de pele e tecido celular subcutâneo. À observação apresentava alterações REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 29 de HS. Foi proposta drenagem cirúrgica, colocação de sedâneos e antibioterapia e posterior início de IFX, atingindo-se remissão e cicatrização. Homem de 46 anos, com DC diagnosticada há 16 anos, medicado com messalazina e azatioprina, foi referenciado por múltiplos trajectos fistulosos perianais, com envolvimento extenso perineal e extensão à raiz da coxa. Fez-se o diagnóstico de HS e DC perianal coexistente. Foi submetido a desbridamento, ressecção de tecido celular subcutâneo, fistulotomia e colocação de sedâneo, iniciando posteriormente IFX, obtendo-se remissão e cicatrização completa. Conclusão: A utilização de IFX como adjuvante da cirurgia em indivíduos com HS proporciona ressecções mais alargadas e eficazes, com melhor cicatrização subsequente e diminuição de recidiva. P 35 DOENÇA DE CROHN PERI-ANAL – 7 PADRÕES, 7 TERAPÊUTICAS DE SUCESSO Carlos Bernardes, Pedro Russo, Diana Carvalho, Joana Saiote, Susana Nunes, Jaime Ramos Hospital Santo António dos Capuchos, Centro Hospitalar Lisboa Central Introdução: O envolvimento perianal constitui frequentemente um desafio nos indivíduos com Doença de Crohn (DC). A grande heterogeneidade de apresentação obriga frequentemente a uma abordagem complexa com recurso a diferentes estratégias terapêuticas. Os autores apresentam 7 casos clínicos, representativos de diferentes padrões de Doença de Crohn Perianal (DCPA), que adquirem particular relevo pelas suas especificidades clínicas, atitudes terapêuticas adoptadas e documentação iconográfica. Casos clínicos: Sete indivíduos (5 homens, 2 mulheres), idade média 27±7 anos (18-38), com DC duração média de 10±7 anos, 4 medicados com azatioprina e 4 submetidos a pelo menos uma cirurgia proctológica. Caso 1: homem com úlcera perianal pós abcesso; iniciou Infliximab (IFX) após antibioterapia. Caso 2: homem com 18 anos, com fístula transesfincteriana alta e abcesso, foi tratado com drenagem cirúrgica, colocação de seton e terapêutica com IFX. Caso 3: homem com abcesso isquioanal extenso e três intervenções cirúrgicas prévias; foi submetido a desbridamento cirúrgico e fistulotomia seguidos de IFX. Casos 4 e 5: abcesso perianal sob anti-TNFα, 1 sob IFX outro sob Adalimumab (ADA), tratados com drenagem cirúrgica e reintrodução precoce do anti-TNFα. Caso 6: fístula ano-vaginal e abcesso perianal, tendo sido feita drenagem e iniciou ADA. Caso 7: fístula ano-escrotal, tendo feito fistulotomia parcial, colocação de seton e ADA. Em todos os casos verificou-se rápida melhoria e cicatrização nas primeiras 6 semanas pós tratamento com anti-TNFα. Conclusão: Apesar da grande variabilidade de apresentações e contextos clínicos, a DCPA pode ser tratada com sucesso pela conjugação de intervenção cirúrgica adequada e introdução precoce do anti-TNFα. P 36 DISPOSITIVO DE SECÇÃO E ENCERRAMENTO ENTÉRICO Nuno Marcos, Bela Pereira, Jorge Maciel Centro Hospitalar de V. N. de Gaia/Espinho O uso actual de dispositivos de secção e encerramento (vulgar GIA) para a realização de enterectomias segmentares, particularmente no contexto da cirurgia de urgência onde muitas vezes será necessário a realização de estomas, representam um gasto acrescido de recursos face à actual situação económica nacional e mundial. Assim procedeu-se ao estudo e idealização de um dispositivo que permita encerrar de forma segura e célere um segmento intestinal e de custo tendencialmente zero. Com o gasto de um fio de sutura de agulha recta, quer seja de seda ou de monofilamento, consegue-se um encerramento com possibilidade ou não de reabertura posterior ( no caso de estomas). Assim as situações potenciais para uso deste dispositivo seriam aquelas não candidatas para sutura ou anastomose: laceração de delgado em contexto de: - Hérnias encarceradas com segmentos não viáveis - Torção mesentérica ou vólvulação intestinal - Isquemias intestinais segmentares O seu uso foi testado em segmentos de intestino delgado comprovando-se a sua eficácia. P 37 FÍSTULA PERIANAL NA DOENÇA DE CROHN – REVISÃO DE 14 CASOS Rodrigo Oom, Marta Santos, Mariana Sousa, Joana Torres, Susana Ourô, José Gonçalves, Rita Garrido, Luís Féria, Rui Maio Hospital Beatriz Ângelo, Loures, Serviço de Cirurgia Geral Introdução: A fístula perianal (FP) ocorre em 20% dos doentes com Doença de Crohn (DC). Apesar dos avanços na terapêutica da DC, a abordagem da patologia perianal continua a gerar dúvidas e controvérsias. Objectivos: Avaliar a abordagem dos doentes de Crohn com fístula perianal no Hospital Beatriz Ângelo (HBA). Material e métodos: Estudo retrospectivo dos doentes com DC e FP tratados no HBA entre Fevereiro de 2012 e Setembro de 2014. Os doentes foram identificados pela codificação ICD-9 e listagem cirúrgica do bloco operatório. Resultados: Foram identificados 14 doentes com DC e FP, que representam 20% dos doentes de Crohn (n=71) e 17% dos doentes com FP (n=81) seguidos no HBA, com uma relação sexo M/F de 9/5 e uma mediana de idades de 29 anos. A maioria dos doentes (n=10) apresenta fístulas complexas. 12 doentes foram submetidos a intervenção cirúrgica, sendo a maioria (n=9) em regime de ambulatório. A cirurgia precedeu o início da terapêutica médica em 5 casos. Foi administrada terapêutica médica imunossupressora em 2 doentes e terapêutica combinada em 11. Nenhum doente realizou terapêutica biológica em monoterapia. Registaram-se 4 reintervenções. Actualmente, 6 doentes não apresentam doença perianal sintomática, conforme o PDAI (Perianal Disease Activity Index) e o questionário IBDQ. Discussão/Conclusões: A abordagem das FP na DC mantém-se um desafio médico-cirúrgico. A existência de uma 30 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 equipa multidisciplinar dedicada, com uma boa coordenação entre a cirurgia e a gastroenterologia são fundamentais para o tratamento destes doentes. P 38 LINFOMA B DIFUSO ANAPLÁSICO DESENVOLVIDO EM DOENÇA DE CROHN PERIANAL Manuel Rosete, Mónica Martins, Júlio Soares Leite, Francisco Castro e Sousa Serviço Cirurgia A, Hospitais da Universidade de Coimbra (CHUC) e Clínica Universitária de Cirurgia III da FMUC Jovem do sexo masculino, de 22 anos, com diagnóstico de Doença de Crohn desde Julho 2012, medicado com azatioprina e 5-ASA. Em Setembro de 2013 apresenta doença perianal refractária a antibioterapia e imunossupressores. Ao exame objectivo observava-se orifício fistuloso às 5h (litotomia), volumosa ulceração do canal anal e destruição parcial do esfincter na metade posterior. Foi realizada fistulotomia com ileostomia de derivação. Iniciou terapêutica biológica e vacuoterapia sem sucesso, optando-se pela realização, em Dezembro 2013, de amputação abdomino-perineal. Pós-operatório complicado por febre persistente, infecção da ferida abdominal, ferida perineal sem evidência de cicatrização. Sem resolução com antibioterapia digida. O estudo anatomo-patológico revelou linfoma B difuso de células grandes, anaplásico do cólon sigmóide e recto, desenvolvido no contexto de terapêutica imunossupressora e infecção concomitante por EBV. Inicia quimioterapia (R-CHOP). Faz 7 ciclos sem evidência de melhoria clínica. Progressão de doença com recidiva pélvica, óssea, pulmonar e cerebral. Morte a 17/7/2014. Este caso clínico alerta para a hipótese da presença dum linfoma oculto numa doença perianal complexa sem sinais de cicatrização em doente sob imunossupressão agressiva. Na DII há um risco de desenvolvimento de CCR mas, também, um risco acrescido de doenças hematológicas. Está comprovada uma relação directa entre a imunossupressão iatrogénica e as doenças linfoproliferativas. Aduza-se que o Linfoma B difuso de células grandes anaplásico tem um prognóstico muito reservado quando, como neste caso, se associa a marcadores imunohistoquímicos positivos. P 39 FORMA RARA DE TRANSFORMAÇÃO MALIGNA NA DOENÇA DE CROHN Diana Gonçalves, Luís Malheiro, Pedro Correia da Silva, José Costa Maia Centro Hospitalar de São João; Faculdade de Medicina do Porto Introdução: Os adenocarcinomas do intestino delgado são raros, constituindo cerca de 1-5% das neoplasias gastrointestinais. A maioria localiza-se no duodeno e ocorre no sexo masculino. São complicações pouco comuns na doença de Crohn, tendo o primeiro caso sido descrito por Ginzburg, em 1956. Caso clínico: Doente do sexo masculino, com 64 anos, com diagnóstico de doença de Crohn há 11 anos, que recorre ao serviço de urgência por dor abdominal localizada essencialmente nos quadrantes inferiores, associada a náuseas e vómitos, com diminuição do trânsito gastrointestinal. Ao exame físico encontra-se apirético, com abdómen timpanizado, distendido, doloroso à palpação, sem sinais de irritação peritoneal. Realizou Rx abdominal com observação de níveis hidroaéreos no delgado. Foi decidido o internamento no serviço de Gastrenterologia por doença de Crohn agudizada com quadro sub-oclusivo. Durante o internamento efectuou entero-TC que revelou espessamento parietal até à válvula ileocecal. Foi proposto para cirurgia, sendo submetido a ressecção ileocecal assistida por laparoscopia. O pós-operatório decorreu sem intercorrências. O resultado histológico da peça de ressecção foi compatível com adenocarcinoma intramucoso em úlcera de íleo terminal, ypT1aN0R0. O doente foi discutido em Reunião de Grupo Oncológico sendo proposto manter vigilância clínica. Em consulta de follow-up o doente encontrava-se assintomático. Discussão: Trata-se de um caso particular pela sua raridade. Estima-se um maior risco de desenvolvimento de adenocarcinoma do intestino delgado em doentes com doença de Crohn. O seu diagnóstico pode ser difícil, pela falta de especificidade dos sintomas, sendo muitas vezes tardio e de pior prognóstico. Após ressecção cirúrgica, apenas 0-10% se encontram no estádio T1. P 40 CURSO CLÍNICO E PROGNÓSTICO NA COLITE ULCEROSA - FACTORES PREDITORES DE CORTICOTERAPIA E IMUNOSSUPRESSÃO EM DOENTES COM COLITE ULCEROSA COM APRESENTAÇÃO INICIAL MODERADA A GRAVE Pedro Magalhães-Costa, Sofia Santos, Pedro Barreiro, Miguel Bispo, Tiago Bana e Costa, Paula Peixe, Leopoldo Matos, Cristina Chagas Serviço de Gastrenterologia, Hospital Egas Moniz, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental Introdução: Em doentes com Colite Ulcerosa com apresentação inaugural moderada a grave e necessidade de internamento, a evolução clínica e consequente terapêutica é variável. Objetivos: Caracterizar a evolução clínica, manejo terapêutico e fatores associados à necessidade de corticoterapia e imunossupressão. Material e métodos: Coorte retrospetiva, observacional e unicêntrica, incluindo todos os doentes com Colite Ulcerosa internados, desde Janeiro/2006 a Dezembro/2013. Tempo mediano de seguimento = 7 anos. Resultados: Identificados 38 doentes, inicialmente 90% apresentavam colite esquerda/extensa. Cerca de metade (53%) foi tratada com corticosteróides durante a crise inaugural. A taxa da colectomia total durante tempo de seguimento foi de 5%. A maioria dos doentes (82%) veio a apresentar, pelo menos, uma nova crise moderada a grave, com necessidade de corticoterapia sistémica em 68% (n=21) destes casos. Endoscopicamente, 71% (n=27) apresentavam Mayo 2/3. Em análise univariada, fatores de risco associados à necessidade de corticosteróides numa crise seguinte: baixa faixa etária, necessidade de corticosteróides na crise inaugural e presença de manifestações extraintestinais. No final do seguimento, como terapêutica de manutenção: 1/3 azatioprina, 21% anti-TNF e 6% imunossupressão combinada. Em análise univariada, os fatores de risco associados à neces- REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 31 sidade de imunossupressão: baixa faixa etária, necessidade inaugural de corticosteróides e presença de manifestações extraintestinais. Conclusões: Os nossos achados sugerem que, em doentes com Colite Ulcerosa com necessidade de internamento à apresentação, os fatores de risco associados à necessidade de um futuro ciclo de corticoterapia e imunossupressão são: baixa faixa etária, necessidade de corticosteróides à apresentação e presença de manifestações extraintestinais. P 41 CAVITAÇÕES DO RETO DE ETIOLOGIA IMPROVÁVEL Pedro Magalhães-Costa, Rita Herculano, Sofia Santos, Miguel Bispo, Cristina Chagas Serviço de Gastrenterologia, Hospital Egas Moniz, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO) Os autores apresentam o caso de uma mulher de 40 anos, raça negra, internada por tumor epidermóide cerebral, que, uma semana após a neurocirurgia ao tumor, inicia quadro de dor abdominal difusa, febre e melenas. É realizada endoscopia digestiva alta que não revela alterações valorizáveis e de seguida colonoscopia total, onde se observa, a nível do 1/3 inferior do reto, múltiplas cavidades/locas profundas, com provável envolvimento transmural e fundo necrótico, algumas das cavitações comunicavam entre si formando sub-cavitações e em algumas zonas observou-se trabeculação da parede do reto. Sem qualquer lesão semelhante a partir do cólon sigmóide. Histologicamente observava-se presença de ligeiro infiltrado inflamatório crónico, ulceração e presença de inclusões de Cytomegalovírus. Realizou ainda tomografia computorizada abdominal e pélvica que observava um espessamento parietal irregular da parede do reto com algumas imagens de adição aos contornos (zonas de ulceração), uma das quais em aparente contiguidade com o músculo levantador externo do ânus esquerdo. Densificação da gordura e fascia mesorectal. Iniciou terapêutica antiviral dirigida com ganciclovir seguida de valganciclovir com regressão sintomática total e, 2 meses após, em reavaliação endoscópica observava-se o encerramento quase completo de todas as cavitações previamente existentes encontrando-se em fase de reepitelização. Os autores fornecem iconografia dos exames iniciais e posterior evolução. Pela raridade na forma severa e localização atípica desta infecção citomegálica, os autores pretendem chamar a atenção para o surgimento deste tipo de infecções oportunistas em locais atípicos como o reto inferior. P 42 COLITE AGUDA GRAVE INDUZIDA POR IPILIMUMAB Pedro Magalhães-Costa, Manuel Canhoto, Iolanda Chapim, Inês Marques, Ana Valente, Rui Palma, Paula Alexandrino, José Velosa. Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia, Unidade de Cuidados Intensivos de Gastrenterologia e Hepatologia (UCIGEH), Hospital Santa Maria, Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN) dejecções sanguinolentas aumentou para > 7 por dia e nessa altura optou-se pelo internamento, suspensão do fármaco e início de prednisolona 40mg/dia endovenosa (após exclusão de etiologia infecciosa). Apesar da terapêutica, ao 7º dia de terapêutica, além de manter o quadro de diarreia sanguinolenta profusa, foi observada a emissão de hematoquézia maciça com hipotensão, queda da 3g/dL [Hb], elevação dos parâmetros inflamatórios (PCR 30 mg/dL) e surgimento de critérios radiológicos de megacólon, medindo o cólon transverso cerca de 64 mm de diâmetro. Nesta altura foi admitido na Unidade de Cuidados Intensivos e optimizada corticoterapia endovenosa para 100mg/dia. Foi realizada colonoscopia esquerda com colheita de biópsias. Endoscopicamentre observavam-se, desde o reto, com aumento da gravidade no sentido proximal, múltiplas úlceras profundas com áreas de hemorragia espontânea e exsudados purulentos em grande quantidade, aspectos compatíveis com colite ulcerada e hemorrágica grave. A carga viral e a histologia excluiu infecção a Citomegalovirus. Após 5 dias de intensificação terapêutica, teve alta ao 10º dia, completamente assintomático. Os autores pretendem alertar para os possíveis e graves efeitos adversos gastrointestinais de novos agentes antineoplásicos biológicos. P 43 APRESENTAÇÃO ATÍPICA DE FÍSTULA RECTO-VAGINAL – CASO CLÍNICO M. Serra; T. Santos; R. Lages; C. Ribeiro; N. Oliveira; D. Machado; M. Martins; M. Oliveira; J. Sousa; G. Sarabando Centro Hospitalar do Baixo Vouga, EPE – Aveiro A fístula recto-vaginal constitui uma comunicação entre a vagina e o recto ou canal anal. Pode ser classificada como baixa, média ou alta, consoante a localização. As fístulas baixas devem-se, habitualmente, a infecções criptoglandulares, trauma obstétrico ou por corpos estranhos, e são de difícil diagnóstico. Os sintomas variam de incontinência para gases ou fezes a ligeiras queixas de vaginite. Descreve-se o caso invulgar de doente do sexo feminino, de 51 anos, com antecedentes de patologia hemorroidária, que recorre ao SU de Ginecologia por metrorragias e dor intensa na região perineal com 2 dias de evolução. À observação apresentava intróito vaginal ocupado por formação de aspecto hemorrágico e trombosado, com cerca de 3 cm, dolorosa. Pedida colaboração da Cirurgia Geral que constata ao toque rectal depressão com fragilidade da parede anterior e procidência para a vagina, com suspeita de solução de continuidade. Optou-se por exploração sob anestesia que revelou tratar-se de trombose hemorroidária prolapsada para a vagina através de fístula recto-vaginal baixa. Foi realizada redução digital do prolapso através do orifício fistuloso, hemorroidectomia Milligan-Morgan e colpoplastia posterior. Sem complicações ou recidiva de fístula no 1º mês de follow-up. Reporta-se o caso de um homem de 62 anos com melanoma retroauricular, em fase metastática, tendo-se optado por quimioterapia com o anticorpo monoclonal, Ipilimumab. No dia seguinte à primeira infusão do fármaco, o doente referia dor abdominal difusa e emissão de 4 dejecções diarreicas sanguinolentas. Após a segunda infusão, a frequência das 32 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 P 44 HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA - SÍNDROME DE KLIPPEL-TRENAUNAY Sandra Barbeiro, Rita Brásio, Catarina Martins, Cláudia Gonçalves, Paulo Alves, Nuno Rama, Bruno Arroja, Manuela Canhoto, Filipe Silva, Isabel Cotrim, Liliana Eliseu e Helena Vasconcelos. Centro Hospitalar de Leiria A síndrome de Klippel-Trenaunay é uma anomalia congénita não hereditária rara, que se caracteriza por malformações vasculares e/ou linfáticas e hipertrofia óssea e/ou dos tecidos moles. A hemorragia digestiva baixa ocorre entre 1-13% e resulta do principalmente do envolvimento do cólon por malformações vasculares. Homem, 44 anos, previamente saudável que inicia quadro de hematoquézia recorrente sem queixas abdominais associadas, alterações do trânsito intestinal ou perda ponderal. Necessidade de suporte transfusional e internamento. Apresenta assimetria dos membros inferiores por edema do membro esquerdo. A endoscopia digestiva alta era normal. A colonoscopia realizada até ao cólon transverso revelou rede venosa submucosa exuberante no reto e cólon esquerdo, distorção do padrão vascular e flebectasias a montante. A tomografia computorizada abdominal mostrou espessamento concêntrico do reto e cólon esquerdo por presença de angiomatose e ectasias venosas múltiplas; estruturas vasculares anómalas na região glútea direita. Ecografia doppler venosa e arterial dos membros inferiores sem alterações. Discutido o caso com a cirurgia vascular, tendo sido proposta angiografia com embolização venosa seletiva, contudo foi realizada apenas angiografia arterial e venosa seletiva que demonstrou ectasia dos plexos venosos cólicos com atraso da veia porta mas sem hemorragia ativa, sem outras alterações. Contudo por perdas hemáticas diárias, agravamento da anemia com necessidade de suporte transfusional e astenia progressivas, optou-se por realizar hemicolectomia esquerda. O pós-operatório decorreu sem intercorrências. Não apresentou recorrência das perdas hemáticas no período de seguimento. Destaca-se este caso clínico pela raridade da etiologia da hemorragia digestiva e pelos achados icnográficos particulares. P 45 ACHADOS INESPERADOS EM DOIS POLIPOS RETAIS: TUMOR NEUROENDÓCRINO E LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS Iolanda Ribeiro, Carlos Fernandes, Adélia Rodrigues, Hermínia Vieira, Henrique Coelho, João Carvalho Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho Caso clínico: Homem, 62 anos, sem antecedentes patológicos de relevo. Realizou colonoscopia total de rastreio, que revelou dois pólipos sesseis retais, com cerca de 8 e 10mmm, removidos com ansa diatérmica. A análise histológica dos dois pólipos revelou, respetivamente: 1) tumor neuroendócrino bem diferenciado, sem invasão da submucosa, Ki 67<1%, margens livres de lesão; 2) linfoma B difuso de grandes células (estudo imunocitoquímico: CD20+ e BCL2+). O doente foi orientado para consulta de Hemato-Oncologia onde, após avaliação clínica, analítica e imagiológica, o linfoma foi classificado como estadio I- sistema Lugano. A Ecoendoscopia retal não demonstrou alterações. O doente repetiu colonoscopia 6 meses depois que demonstrou apenas cicatriz no recto, sem sinais de recidiva endoscópica e histológica. O doente mantém-se assintomático desde há 2 anos, sem tratamento médico ou cirúrgico e sem evidência de recidiva. Os tumores neuroendócrinos (TNE) do reto constituem 25% de todos os TNE do trato gastrointestinal. Na maioria dos casos, são assintomáticos. O tratamento depende das dimensões/tipo histológico. Os linfomas coloretais primários são tumores raros, constituindo 0,2-0,5% de todas as neoplasias colorectais. O sub-tipo histológico mais comum é o linfoma B difuso de grandes células. Achados endoscópicos mais frequentes são a presença de uma massa/úlceras e raramente sob a forma de pólipo. A melhor abordagem de tratamento ainda não está definida, sobretudo em linfomas que se apresentam na forma de pólipos de pequenas dimensões, devendo ser individualizada caso a caso, dependendo da opção do doente, idade/comorbilidades, clínica, subtipo histológico e estadiamento. Este é o primeiro caso descrito do diagnóstico concomitante de um tumor neuroendócrino e linfoma B difuso de grandes células. P 46 SCHISTOSOMÍASE INTESTINAL – UM CASO DE DIFÍCIL DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO Ana Maria Oliveira, Joana Branco, Vera Anapaz, Luís Lourenço, Filipe Cardoso, Catarina Rodrigues, Rita Carvalho, Liliana Santos, Alexandra Martins, Jorge Reis, João Ramos Deus Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, EPE Apresentamos uma doente do sexo feminino, 37 anos, natural de São Tomé e Príncipe, residente em Portugal há 10 anos, sem antecedentes pessoais conhecidos, com quadro de diarreia com sangue e muco com 10 meses de evolução. Da avaliação complementar, salientava-se: anemia ferropénica; serologias VIH 1 e 2 negativas, serologia de doença inflamatória intestinal negativa, coproculturas e exame parasitológico das fezes negativos. Efetuou colonoscopia que revelou apagamento da rede vascular, erosões e ulcerações no reto e sigmoideia. A histologia mostrou a presença de inúmeros ovos calcificados de Schistosoma. A serologia para Schistosoma foi positiva (>1/2560). Foi referenciada à Consulta de Infeciologia, tendo efetuado terapêutica com praziquantel. Após o tratamento, houve melhoria da diarreia, persistindo o quadro de retorragias. A pesquisa de ovos, quistos e parasitas nas fezes foi persistentemente negativo. A primeira reavaliação endoscópica, realizada 3 meses após o tratamento, mostrava achados idênticos aos anteriormente descritos. Histologicamente, no entanto, as alterações foram compatíveis com colite ulcerosa em fase ativa. Foi medicada nessa altura com messalazina oral e tópica, que suspendeu posteriormente por não se ter encontrado dados que apoiassem o diagnóstico. Nos 2 anos que se seguiram, houve necessidade de repetir terapêutica com praziquantel e posteriormente com albendazol por reaparecimento das queixas, com recorrência endoscópica e histológica de schistosomíase. A última colonoscopia, mostrou mucosa de aspeto cicatricial REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 33 no recto e sigmoide, histologicamente com achados compatíveis com colite crónica, inespecífica. Os autores apresentam o caso dadas dificuldades em termos de diagnóstico e de tratamento. P 47 TOXINA BOTULÍNICA NO TRATAMENTO DA FISSURA ANAL CRÓNICA – CICATRIZAÇÃO A LONGO PRAZO 1 Filipa Ávila, 1Vera Santos, 1Paulo Massinha, 1Rodrigo Liberal, 1Ana Catarina Rego, 1Nuno Nunes, 1José Renato Pereira, 1Nuno Paz, 2Rui Quintanilha, 1Maria Antónia Duarte Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Pelgada, EPE1 Serviço de Gastrenterologia 2Serviço de Cirurgia Geral Introdução: A fissura anal crónica é das patologias proctológicas mais frequentes. É mais comum nos adultos jovens, com incidência semelhante em ambos os sexos. A sua localização atinge com maior frequência a comissura posterior (90-98%). A toxina botulínica (TB) e a esfincterotomia lateral interna estão reservadas para os casos refratários. Objetivos: A TB apresenta um período limitado de atuação e a sua eficácia a longo prazo é pouco conhecida. Pretende-se avaliar a resposta a longo prazo. Material e métodos: Estudo retrospectivo, incluindo os doentes tratados com TB (injecção única de 20U ou 10U em cada espaço interesfincteriano) entre 2009 e 2012. Avaliação na consulta de proctologia, ao 1º, 6º, 12º e 24º mês. Resultados: Foram tratados 91 doentes, com idade média de 47 anos, sendo a maioria do sexo masculino (54%). Em 80% dos doentes a fissura era posterior. Todos os doentes tinham sido tratados previamente com fármacos tópicos. No 1º mês, 87% dos doentes mostraram uma cicatrização completa. A inspecção ao 6º mês revelou 3% de recidiva e um acréscimo de cicatrização em 2 doentes (86%). Ao 12º mês, 76% dos doentes não tinha evidência de fissura, verificando-se recidiva em 10%. Ao 24º mês as taxas de cicatrização e de recidiva de 63% e 11% respectivamente. Não se registaram complicações. No final, a taxa de recidiva foi de 24%, e em 19% dos doentes foi efectuada cirurgia. Conclusão: A TB mostrou ser uma terapêutica segura e eficaz, com resultados satisfatórios a longo prazo. P 48 COLITE PERI-DIVERTICULAR, UMA ENTIDADE A NÃO ESQUECER - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO Branco, J., Oliveira, A., Folgado Alberto S., Ramos de Deus, J. Serviço de Gastrenterologia, Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca A colite peri-diverticular é rara entre os doentes com doença diverticular, estimando-se a sua incidência em 0,3 a 1,3% destes doentes. Consiste numa colite segmentar, que atinge mais frequentemente o cólon sigmóide, com características endoscópicas e histológicas que auxiliam o diagóstico. O diagnóstico diferencial faz-se com outras etiologias, nomeadamente a doença inflamatória intestinal. Apresentamos o caso de um homem, 38 anos, com história de episódio de diverticulite aguda três meses antes. Foi internado por quadro clinico de dor abdominal tipo cólica no hipogastro e fossa ilíaca esquerda, febre e cinco dejeções líquidas por dia. Analiticamente sem parâmetros inflama- tórios elevados, VS 9 mm/h, anticorpos anti-ASCA IgG positivo e IgM negativo, restantes auto-anticorpos, serologias e coproculturas negativas. Realizou retossigmoidoscopia felxível em cuja progressão, até aos 50 cm da margem anal, se identificou estenose entre os 15 e 25cm, onde a mucosa se apresentava edemaciada com áreas de hiperémia, apagamento da rede vascular e raras lesões aftosas, sem diverticulos. As biopsias revelaram distorção arquitetural e infiltrado linfo-plasmocitário na sigmoideia, sem alterações no reto. Teve alta com diagnóstico de proctosigmoidite inespecífica medicado com messalazina. Na colonoscopia total um ano depois, identificaram-se múltiplos divertículos, com zonas interpostas de pregas edemaciadas e sufusões hemorrágicas entre os divertículos. As biopsias foram semelhantes. Assumiu-se diagnóstico de colite periiverticular e manteve a mesma medicação sem recidiva. Os autores pretendem realçar a relevância de um diagnóstico raro e que não deve ser esquecido. P 49 PREVALÊNCIA, RESPOSTA À TERAPÊUTICA E FACTORES PREDITIVOS DE GRAVIDADE NA DOENÇA DE CROHN PERIANAL Samuel Fernandes, Patricia Sousa, Miguel Moura, Ana Rita Gonçalves, Cilénia Baldaia, Ana Valente, Paula Moura Santos, Afonso Ramires, Luís Correia, João Malaquias, Mendes de Almeida, José Velosa Hospital Santa Maria, Centro Hospitalar Lisboa Norte Introdução: A doença perianal representa uma importante manifestação da Doença de Crohn (DC) influenciando negativamente a qualidade de vida dos doentes. As diversas manifestações da doença perianal, o tratamento adequado e os fatores associados a um pior prognóstico não se encontram bem definidos. Objetivos: Caraterizar a DC perianal e avaliar a sua resposta à terapêutica. Identificar fatores de prognóstico associados a doença perianal complicada. Métodos: Foram avaliados retrospetivamente doentes em seguimento hospitalar com o diagnóstico de DC (n=466). Foi identificada a presença de doença perianal e caraterizadas a evolução, necessidade de utilização e resposta à terapêutica imunossupressora. Foram ainda avaliados possíveis fatores preditivos de doença perianal complicada. Resultados: A prevalência de doença perianal foi de 22,0%, não se verificando diferença entre sexo, com idade média à primeira manifestação de 30,9 ± 12,7 anos. A maioria apresentava doença inflamatória com localização ileocólica ou ileal (57,7% e 21,4%) e comportamento penetrante ou inflamatório (58,3% e 52,9%). Em 52,4% a doença perianal foi a primeira manifestação de DC. A manifestação inaugural foi mais frequentemente uma fístula (44,7%), abcesso (35,9%), fissura (18,5%) ou úlcera (1,0%). Posteriormente a maioria desenvolveu doença fistulizante perianal (71,8%, 19,3% dos quais fístulas complexas). 8,7% desenvolveram fístulas rectovaginais e 12% estenose do canal anal. Em 6 doentes foi necessário realizar uma cirurgia de derivação intestinal para controlo da doença perianal (3 com fístulas rectovaginais), em 2 casos tendo sido permanente. 79,6% realizaram terapêutica com azatioprina e 59,2% com um anti-TNF (82,8% Infliximab versus 17,2% Adalimumab). A percentagem de 34 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 respondedores foi de 34,2% e 44,8% respetivamente. A taxa de resposta ao anti-TNF diminuiu ao longo do tempo (72,0%, 70,3%, 59,3% aos 12, 36 e 60 meses). A terapêutica combinada não se demonstrou superior à terapêutica com anti-TNF isolado (54,6% versus 40,0%, p=0,36). Quando comparados doentes com e sem doença perianal, a idade ao diagnóstico foi inferior (3,0 anos, p<0,05) e a utlização de anti-TNF superior (55,3% versus 27,3% p<0,01), sem se verificar um aumento na necessidade de cirurgia de resseção intestinal (26,9% versus 27,2%). Apenas a localização cólica e ileocólica e o desenvolvimento de doença perianal após os 40 anos foram preditores do desenvolvimento de fístulas perianais complexas (odds ratio 2,5 [1,2-5,3]). Conclusão: A doença perianal é uma manifestação frequente da DC, associando-se a fenótipos graves e necessidade precoce de terapêutica imunossupressora. A resposta à azatioprina e anti-TNF é satisfatória mas parece diminuir ao longo do tempo. A idade da primeira manifestação e a localização da doença inflamatória poderão ser preditores de doença perianal complicada. P 50 EFEITOS DA FRAÇÃO FLAVONÓICA MICRONIZADA VERSUS ESCINA NA MORBILIDADE APÓS TERAPÊUTICA INSTRUMENTAL HEMORROIDÁRIA Loureiro RV, Capela T, Silva MJ, Bettencourt MJ Serviço de Gastrenterologia - Centro Hospitalar de Lisboa Central Introdução: A laqueação elástica associada à esclerose hemorroidária é opção terapêutica na doença hemorroidária, mas com morbilidade potencial. Os flebotónicos têm-se mostrado benéficos após terapêutica instrumental. Objectivo: Comparar a eficácia da fração flavonóica micronizada (FFM) (90% diosmina, 10% hesperidina) com a da escina na redução da morbilidade após terapêutica instrumental hemorroidária. Material e métodos: Seguimento prospectivo de 52 doentes após laqueação elástica e esclerose hemorroidária de graus II ou III. Grupo 1: FFM 3g/dia 4 dias, depois 2g/dia 3 dias e 1g/ dia até ao dia 30. Grupo 2: escina 100mg/dia 30 dias. Avaliação clínica às 2, 4 e 12 semanas. Analisados dados demográficos e evolução clínica com Microsoft Office Excel® 2007 e STATA®12.1. Resultados: No grupo 1 foram seguidos 29 indivíduos, idade mediana 58 anos, 55,2% género masculino. No grupo 2 foram seguidos 23 indivíduos, idade mediana 66 anos, 43,5% género masculino. Não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos 1 vs 2 na resolução da rectorragia [85,0% (17/20) vs 70,0% (14/20), p=0,26], prolapso hemorroidário [59,1% (13/22) vs 75,0% (9/12), p=0,36], prurido [55,6% (5/9) vs 72,7% (8/11), p=0,43] e ardor [50,0% (4/8) vs 80,0% (8/10), p=0,19]. Melhoria da proctalgia em 91,7% (11/12) no grupo 1 e 100% (16/16) no grupo 2. Resolução da proctorreia em 75,0% (3/4) do grupo 1 e no único doente do grupo 2 em que existia. A taxa de eventos adversos (nenhum deles grave) foi 20,7% no grupo 1 e 17,4% no grupo 2. Conclusões: Os dados sugerem eficácia semelhante entre os dois esquemas terapêuticos avaliados. P 51 UM CASO RARO DE PROCTITE - A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO Diana Carvalho, Pedro Russo, Carlos Bernardes, Rafaela Loureiro, Tiago Capela, Mariana Costa, Mário J. Silva, Susana Nunes, Jaime Ramos, António Pinto Hospital Santo António dos Capuchos, Centro Hospitalar de Lisboa Central Introdução: A proctite é uma patologia frequente cujo diagnóstico diferencial envolve diversas etiologias, incluindo as infecções sexualmente transmissíveis. A sífilis pode manifestar-se por sintomas anorectais como proctalgia e proctorreia, sendo importante o seu reconhecimento na prevenção da sua propagação. Objectivos: Apresentação de um caso de proctite por doença sexualmente transmissível com discussão da abordagem diagnóstica e terapêutica, revisão da literatura e iconografia. Caso: Homem, 30 anos, homossexual, seronegativo para infecção por VIH. Referenciado à consulta de proctologia por quadro de proctalgia, rectorragias, proctorreia, tenesmo e prurido perianal com 1 mês de evolução. Ao exame objectivo apresentava toque rectal doloroso com fissura anal às 3h. Laboratorialmente com VDRL positivo título 1:8. PCR para Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis no exsudado rectal foi negativa. Realizou fibrosigmoidoscopia que revelou no recto distal áreas focais de hiperemia com mucosa interlesional normal. Biópsias rectais com infiltrado inflamatório polimórfico do córion, deplecção de células caliciformes, esboços de granulomas e vasos de endotélio alto; infiltrado linfóide em profundidade, constituído predominantemente por linfócitos B, aspecto compatível com proctite sifilítica. Considerou-se uma sífilis e o doente foi medicado com penicilina IM. Por manutenção das queixas, fez terapêutica com doxiciclina durante 21 dias com remissão clínica. Após 3 meses repetiu fibrosigmoidoscopia que demonstrou apagamento do padrão vascular no recto distal. Biópsias com ligeiro infiltrado inflamatório do córion. Nova avaliação de VDRL negativa Conclusão: Este caso ilustra a importância das doenças sexualmente transmissíveis no diagnóstico diferencial de proctite, permitindo tratamento atempado e evitando complicações. P 52 TUMORES NEUROENDÓCRINOS DO RETO: DAS RECOMENDAÇÕES À PRÁTICA CLÍNICA Ângela Rodrigues1, Castro-Poças1, Narcisa Guimarães2, Tarcísio Araújo1, Isabel Pedroto1 Centro Hospitalar do Porto - Hospital de Santo Antóniorn 2Instituto de Ciências 1 Biomédicas Abel Salazar Introdução: Os tumores neuroendócrinos (TNE) do reto são neoplasias bem diferenciadas, com pouca atipia celular e baixa atividade proliferativa. Nos últimos anos alguns aspetos têm sofrido alterações, recomendando-se que estas devam ser encaradas, enquanto categoria, como malignas. Objetivo: Análise dos doentes com diagnóstico de TNEs do reto do nosso hospital. Material e métodos: Caracterização da população, características tumorais, opção de tratamento e intercorrências REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 35 durante o seguimento dos doentes diagnosticados entre Janeiro de 2009 e Dezembro de 2013. Resultados: Identificados seis tumores neuroendócrinos do reto, todos achados acidentais; doentes maioritariamente do sexo feminino (83%) com idade mediana de 58 anos. Tamanho tumoral mediano de 7,6mm e distância mediana à margem anal de 6cm. Nenhum dos tumores, avaliado por ecoendoscopia previamente à terapêutica, apresentava invasão da muscular própria. Cinco doentes foram submetidos a ressecção endoscópica (2 a polipectomia e 3 a mucosectomia) e um a cirurgia. Ressecção endoscópica com margens positivas num doente. Quatro tumores descritos como bem diferenciados, os restantes sem referência à diferenciação tumoral. Nenhum dos doentes apresentava adenopatias suspeitas ou metastização à distância. Não foram registadas intercorrências no período de seguimento. Conclusões: Os TNEs do reto são tumores raros, maioritariamente pequenos, bem diferenciados, limitados à muscular mucosa e submucosa e portanto, passíveis de ressecção endoscópica. É importante a integração das recomendações das sociedades na prática clinica de forma a uniformizar a abordagem a estes doentes, com consequente tratamento e vigilância adequados. P 53 DIARREIA AGUDA INFECIOSA E MUCOSA GASTROINTESTINAL INTEGRA EM DOENTE IMUNOSSUPRIMIDO Carvalho L., Rodrigues J., Herculano R., Costa P., Galzerano A., Antunes I., Santos S., Chagas C. Serviço de Gastrenterologia, Hospital de Egas Moniz, Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental A Leishmaniose carateriza-se por infeção parasitária, com envolvimento muco-cutâneo ou sistémico. Apresenta distribuição endémica, com especial incidência em imuno-comprometidos. A Leishmaniose visceral destaca-se pelas manifestações sistémicas e gravidade. Nos indivíduos com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), dependendo do grau de imunossupressão (CD4<50), o trato gastrointestinal pode ser afetado com gravidade e a apresentação clínica atípica. Homem, 34 anos, diagnóstico de HIV1 há 8 anos, estádio C3 (CDC Atlanta), sob terapêutica TARVc, com bom controlo imunológico; co-infeção crónica por vírus da hepatite B (carga viral indetetável) e internamento por Leishmaniose visceral, há 3 anos, diagnosticado por clínica (febre, hepato-esplenomegália, pancitopénia), biopsia medular e serologia (anti-corpos anti-leishmania), tratado com anfotericina B, recidivante 2 anos depois, já sob pentamidina profilática, tratado novamente com anfotericina B. Recorre ao médico assistente por uma semana de evolução de epigastralgia, tipo cólica e diarreia com sangue, acompanhadas de náuseas, vómitos e perda ponderal (>10%). Da investigação destaca-se pancitopénia, hiperbilirrubinémia não conjugada, bom controlo do HIV (CD4 337cel/mcL, carga viral 27cópias/ ml) e culturas negativas; ecografia abdominal sem evidente hepato-esplenomegália e endoscopia digestiva alta e baixa sem alterações endoscópicas; as biopsias efectuadas em mucosa gastrointestinal integra revelaram inflamação linfo-histocitária moderada, com numerosas formas intra e extra-celulares de protozoários compatíveis com Leishmaniose duodenal e cólica. Cumpriu terapêutica com anfotericina B lipossómica, com resolução da sintomatologia. A leishmaniose intestinal pode surgir em indivíduos imunossuprimidos. Necessita de diagnóstico e tratamento dirigido, para impedir a progressão potencialmente fatal. Alerta-se para a importância de colheita de biopsias, mesmo em mucosa normal, neste grupo. P 54 DIAGNÓSTICO EM ADULTO DE DUPLICAÇÃO DO CANAL ANAL Jessica Neves, Raquel Dias, Filipa Santos, Henrique Morais, Hugo Ribeiro, João Pinho, Vera Vieira, Nuno Azenha, Isabel Borges, Alice Fonseca, Lucília Conceição, Amândio Matos, José Cecílio Hospital Distrital da Figueira da Foz, Serviço de Cirurgia Geral A duplicação do canal anal é a malformação congénita mais rara do tubo digestivo. Atinge maioritariamente mulheres e está associado a outras malformações congénitas, tais como sarcoma do sacro e espinha bífida. O tratamento gold-standard é a exérese cirúrgica com a finalidade de prevenir as complicações infecciosas e a progressão para neoplasia. O caso clínico trata-se de uma doente de 48 anos com antecedentes de hipertensão arterial, diabetes melittus tipo 2 e obesidade mórbida (IMC 40 kg/m2) que aos 40 anos teve dois episódios de abcesso perianal posterior que foram drenados cirurgicamente. Foi referenciada à consulta de Coloproctologia onde se objectivou um orifício na linha média, posterior ao ânus, que ao toque apresentava lúmen cego com cerca de 3 cm. Assim, foi realizado estudo complementar com RMN pélvica, ecoendoscopia anal, colonoscopia e clister opaco que confirmaram a presença de duplicação do canal anal com identificação de estruturas esfincterianas, sem aparentes trajectos fistulosos do canal anal acessório para o ânus ou recto. A doente foi proposta para exérese cirúrgica que recusou, tendo abandonado a consulta. Aos 45 anos desenvolveu novo episódio de abcesso perianal posterior que foi drenado. Foi reproposta intervenção cirúrgica que novamente recusou. Mantém seguimento em consulta de Coloproctologia. Este caso revela-se de particular importância pela sua raridade, estando descritos actualmente cerca de 60 casos. Apesar do diagnóstico ser habitualmente realizado no 1º ano de vida, neste caso foi diagnosticado em idade adulta. P 55 ECOGRAFIA ENDOANAL: QUAL O SEU PAPEL NA AVALIAÇÃO DE DOENTES COM SÍNDROME DE OBSTRUÇÃO DEFECATÓRIA? Tarcísio Araújo1, F. Castro-Poças1, Anabela Rocha2, Marisa Santos2, Isabel Pedroto1 Setor de Ultrassons, Serviço de Gastrenterologia, Centro Hospitalar do Porto 1 Serviço de Cirurgia 1, Centro Hospitalar do Porto 2 Introdução: a obstipação é um problema comum da sociedade ocidental, apresentando muitos destes doentes síndrome de obstrução defecatória (SOD). A videodefecografia tem sido considerada como o “gold standard” para avaliação desta patologia. O papel da ecografia endoanal bidimensional permanece questionável. Objectivos: avaliar a utilidade da ecografia endoanal bidimensional na caracterização do SOD. 36 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 Métodos: análise retrospectiva de 50 doentes consecutivos que realizaram ecografia endoanal por SOD. Resultados: idade média 60,6 anos; Sexo feminino 88 % (n=44). 5 (10%) doentes apresentavam antecedentes de cirurgia anorretal. Foram encontradas alterações em 46% dos doentes, por ordem decrescente: hipertrofia do esfíncter anal interno 18% (n=9), doença hemorroidária 8% (n=4), miopatia do esfíncter anal interno 8% (n=4), laceração do esfíncter anal interno 4% (n=2) e 2 % (n=1): endometriose, espessamento do subepitélio, laceração do esfíncter anal externo, hipertrofia dos músculos puborretal e esfíncter anal externo. Dos exames realizados a doentes do sexo masculino, apenas 2 mostraram alterações (doença hemorroidária e laceração do esfíncter anal interno). Dos doentes com antecedentes cirúrgicos, apenas num doente o exame foi normal. Conclusão: A ecografia endoanal bidimensional identifica alterações em cerca de 50% dos doentes com SOD. A interpretação destas alterações permanece um desafio clínico. Pode ser questionada a necessidade de realização de ecografia endoanal bidimensional no SOD e parece imperiosa uma selecção cuidadosa dos doentes. Os resultados obtidos por esta técnica devem ser comparados com novas modalidades ultrassonográficas, como a ecodefecografia, a ecografia endoanal tridimenssional e a ecografia transperineal. P 56 DABIGATRANO - CONDICIONALISMOS NA HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA David Perdigoto, Sofia Mendes, Manuela Ferreira, Carlos Sofia Serviço de Gastroenterologia - Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra Introdução: a utilização de novos anticoagulantes tem benefícios mas está associada também a riscos. Relativamente ao dabigatrano é conhecido o seu menor risco de hemorragia intra-craniana mas maior risco hemorrágico do trato digestivo comparativamente à varfarina. Objectivos: caracterizar a hemorragia digestiva baixa (HDB) em doentes hipocoagulados com dabigatrano comparativamente à varfarina no enquadramento das diversas causas orgânicas subjacentes. Material e métodos: num período de 7 meses foram seleccionados e descritos 100 episódios de HDB cujo diagnóstico e/ ou tratamento foi feito por colonoscopia num hospital central. Resultados: idade média de 74 anos (+/- 13), 55% de mulheres. Principais causas de hemorragia: divertículos 30%, colite isquémica 25%, pós-polipectomia 11%, obscura 9%. A toma de varfarina esteve presente em 17% e de dabigatrano em 9%. O dabigatrano encontrava-se em maior percentagem relativamente à varfarina, antiagregantes ou à ausência destes fármacos nos casos de hemorragia obscura, com significado estatístico (p=0.0001). Doentes tratados com dabigatrano necessitaram mais de transfusão de glóbulos vermelhos relativamente aos doentes que tomavam varfarina (p=0.038). Conclusões: a toma de dabigatrano poderá estar relacionada com ligeiro aumento do risco de hemorragia digestiva de causa obscura. O facto de ser tomada maioritariamente por indivíduos idosos, com comorbilidades e de não ter antídoto aumenta a necessidade de prudência na utilização do fármaco. São necessários estudos mais detalhados para melhor conhecimento do padrão de hemorragia associado. P 57 ECOENDOSCOPIA E DOR ANAL: A CHAVE DO DIAGNÓSTICO Tarcísio Araújo, F. Castro-Poças, Isabel Pedroto Setor de Ultrassons, Serviço de Gastrenterologia, Centro Hospitalar do Porto Doente de 73 anos, sexo masculino, com antecedentes de tuberculose pulmonar na infância, adenocarcinoma gástrico T1N0M0 (classificação TNM), submetido a gastrectomia parcial em Y de Roux há dez anos e um carcinoma papilar da bexiga tratada com ressecção transuretral e epirrubicina. Recorre ao serviço de urgência por dor anal e febre nos cinco dias anteriores. Negava diarreia, hematoquézias ou perda de peso. Na anuscopia foi detetado um abaulamento doloroso com 2 a 3 cm no reto distal. Realizou-se ecoendoscopia anorretal que mostrou na parede retal direita uma lesão irregular, heterogénea, com uma área hipoecogénica central, com maior diâmetro de 26 mm, na dependência da muscularis mucosa. Foi realizada punção aspirativa com agulha fina (22 gauge) guiada por ecoendoscopia, 3 passagens, com recolha de material sólido e líquido. A citologia revelou a presença de leucócitos e material de necrose, apoiando a hipótese de um abcesso retal. Foi proposto ao paciente a drenagem do abcesso, o que recusou. Iniciou antibioterapia com sulfametoxazol-trimetoprim durante 14 dias, com resolução dos sintomas. Realizou controlo da lesão um mês após episódio inicial, com nova ecoendoscopia anorretal, que não mostrou alterações. Salienta-se a iconografia do abcesso retal e da importância chave para o diagnóstico da punção aspirativa guiada por ecoendoscopia. P 58 COLITE ISQUÉMICA AGUDA ASSOCIADA A DROGAS ILÍCITAS EM DOENTE JOVEM COM TROMBOFILIAS M. Gravito-Soares M.1, E. Gravito-Soares1, C. Agostinho1, P. Souto1, E. Camacho1 C. Sofia1 Serviço Gastrenterologia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E. 1 Introdução: A colite isquémica (CI), geralmente associada à população idosa, pode ocorrer nos adultos jovens. As trombofilias e drogas estão entre as possíveis causas, embora pouco frequentes. Das drogas ilícitas, a maioria dos casos reportados foram associados à cocaína, embora outras drogas também possam estar envolvidas. Caso clínico: Mulher, 41 anos de idade, com antecedentes de depressão, hepatite C, toxicodependência a heroína, em programa de substituição com metadona. Mantem consumo de haxixe e tabagismo. Clinicamente, apresentava diarreia mucosanguinolenta, náuseas e dor abdominal com 1 semana de evolução. Analiticamente, parâmetros inflamatórios elevados, lesão renal aguda pré-renal, hiponatrémia e hipoalbuminémia. À ecografia e TAC abdominal, espessamento cólico parietal difuso e aspeto pseudopolipóide de predomínio esquerdo, ligeiro espessamento do intestino delgado e alterações da perfusão hepática. Na radiografia abdominal, distensão cólica esquerda marcada com níveis hidroaéreos e na retosigmoidoscopia de urgência, mucosa congestiva e ulcerada de forma contínua no reto e >40cm da margem anal, tendo sido efetuadas biopsias com CI com erosões. O estudo etiológico infecioso, autoimune e hepatites/HIV foi negativo. Do estudo pró-trombótico, REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 37 verificada heterozigotia para MTHFR C6775, fator XIII e protrombina GA20210. Medicada empiricamente com ciprofloxacina e metronidazol, com evolução favorável. Orientada para consulta de hematologia, tendo iniciado anticoagulação. Atualmente assintomática, sem novos eventos trombóticos. Conclusão: Os autores apresentam este caso pela raridade da patologia em jovens, associada a duas etiologias raras, drogas e trombofilias. Aquando do diagnóstico de CI em doente jovem, deve ser pesquisado o consumo de drogas e rastreio pró-trombótico, mesmo após identificação de uma causa potencial. P 59 COLOPATIA A AINES COM ULCERAÇÃO ISOLADA DA VÁLVULA ILEOCECAL M. Gravito-Soares1, E. Gravito-Soares1, C. Agostinho1, P. Souto1, E. Camacho1, C. Sofia1 Serviço Gastrenterologia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E. 1 Introdução: Devido às propriedades analgésicas, antipiréticas e anti-inflamatórias, os AINES são dos mais prescritos mundialmente. No entanto, podem associar-se a lesões de todo o trato gastrointestinal. A colopatia a AINES é rara, sendo mais frequente no cego e colon ascendente, no entanto a afeção isolada da válvula ileocecal é infrequente. O Diclofenac está frequentemente associado a colite pseudomembranosa, sendo a ulceração pouco frequente. Caso clínico: Mulher, 77 anos com antecedentes de doença ulcerosa péptica(DUP) gástrica e medicada com aspirina. Síndroma gripal nos 15 dias prévios, tendo efetuado Diclofenac 50mg2id. Internada por hemorragia digestiva alta(hematemeses) e baixa(hematoquézias-sangue vivo e coágulos) em grande quantidade com 2 dias de evolução. À endoscopia alta, algum sangue vivo no duodeno, embora sem alterações da mucosa, tendo repetido posteriormente, sem sangue ou vestígios nos lumina. Posteriormente, realizada ileocolonoscopia com sague escuro em todo o cólon e ulceração da válvula ileocecal, tendo sido efetuadas biopsias com colite crónica com ulceração da mucosa da válvula ileocecal, compatível com etiologia medicamentosa(AINES). Medicada com terapêutica suporte, 7UCE e ferroterapia IV/oral. Após suspensão do Diclofenac, sem recidiva hemorrágica. Atualmente, com 5 meses de seguimento, mantendo-se assintomática e sem anemia. Conclusão: Os autores apresentam o caso de uma doente idosa com hemorragia digestiva grave com ulceração isolada da válvula ileocecal associada à toma de AINES. Perante uma hemorragia digestiva alta e/ou baixa, deve ser considerada a possibilidade de AINES, principalmente se múltiplos fatores de risco como idosos, toma de outros AINES, antecedentes de DUP e dose elevada e duração prolongada destes fármacos. P 60 EFICÁCIA DA FIDAXOMICINA NA DOENÇA ASSOCIADA AO CLOSTRIDIUM DIFFICILE – A EXPERIÊNCIA DE UM CENTRO M. Gravito-Soares1, E. Gravito-Soares1, S. Lopes1, P. Souto1, C. Sofia1 Serviço Gastrenterologia, Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E. 1 Introdução: A Doença associada ao Clostridium diffiicle (DACD) é causa frequente de diarreia nosocomial, com mor- bimortalidade importante. A fidaxomicina, aprovada recentemente, mostrou-se não inferior à vancomicina no tratamento e superior na prevenção da recidiva da DACD. A sua eficácia na DII ainda não foi avaliada. Objetivo: Eficácia da fidaxomicina na terapêutica e prevenção da recidiva na DACD. Metodologia: Avaliação retrospetiva dos doentes com DACD que efetuaram fidaxomicina, aprovada na nossa instituição em Junho/2013, como terapêutica alternativa na DACD. Determinação da gravidade segundo o severity score índex(Toro,2011). Resultados: A fidaxomicina foi utilizada em 7 casos de DACD, 28,6%(n=2) com DII. A DACD foi ligeira em 100,0%(n=7) dos doentes. Dos que realizaram colonoscopia(71,4%;n=5), 60,0%(3/5) apresentava colite pseudomembranosa endoscópica e histológica. A recidiva da DACD(DACDr) ocorreu em 71,4%(n=5), com média de 2,8±1,5episódios e tempo inter-recidiva pré-fidaxomicina de 36,1±46,9dias. Todos os doentes apresentavam fatores de risco clássicos para DACD: antibioterapia prévia(100%;n=7), internamento<3meses(85,7%;n=6), múltiplas comorbilidades e >65anos(71,4%;n=5) e residência em Lar/UCC(42,9%;n=3). Dos doentes com DII, 100,0%(n=2) tinham pancolite ulcerosa e múltiplos ciclos de corticoterapia e 50,0%(n=1) terapêutica imunossupressora. Todos realizaram metronidazol e vancomicina, previamente. Nos doentes sem DII, a cura clínica e resposta sustentada com fidaxomicina foi 100,0%(n=5) e recidiva 0,0%(n=5), para um follow-up médio de 93,0±62,2dias. Nos doentes com DII, a cura clínica foi 50,0%(n=1), recidiva 100,0%(n=2) e resposta sustentada 0,0%(n=2), com uma média de 7,5±10,6 dias pré-recidiva. Conclusão: A fidaxomicina parece ter boa eficácia na DACD refratária a metronidazol /vancomicina e DACDr nos doentes sem DII, embora de pouca eficácia nos doentes com DII. P 61 FALSO GIST, CANCRO DO OVÁRIO E ECOENDOSCOPIA COM BIOPSIA Tarcísio Araújo1, F. Castro-Poças1, Marisa Santos2, Paula Lago1, André Gomes3, Isabel Pedroto1 Setor de Ultrassons, Serviço de Gastrenterologia, Centro Hospitalar do Porto, 1 Serviço de Cirurgia 1, Centro Hospitalar do Porto, 3Serviço de Anatomia Patológica, 2 Centro Hospitalar do Porto Mulher, 67 anos, consulta por dermatomiosite. Por suspeita de síndrome paraneoplásico, TAC: lesão anexial direita, 3 cm, quística, mas com componente de tecidos moles, sugestiva de neoplasia. CA125 normal; assumiu-se como provável neoplasia do ovário direito. RMN: lesão quística complexa, com 3,6x3,2x3,2cm, conteúdo liquido mas parede espessada, lobulada, com realce após contraste, sem sinais de invasão estruturas envolventes ou evidência de adenomegalias; também identificada, vertente lateral do reto, infiltrando a parede retal, lesão nodular com subestenose do lúmen, realce à periferia após contraste e área quística mais excêntrica; hipótese de tumor rico em mucina ou parcialmente necrótico da parede retal, com discreta infiltração reticulada da gordura peri-rectal adjacente que poderia traduzir invasão. Colonoscopia: abaulamento no reto. Ecoendoscopia numa tentativa de esclarecer TAC e RMN; reto, entre 4 e 14 cm da margem anal, diâmetros transversais 42,5x32,7mm, lesão heterogénea, predominantemente 38 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 hipoecogénica, bordos irregulares, dependência da muscular própria, mas bordo contra-luminal intimamente adjacente a ovário, que apresenta lesão cistica, e com perda do plano de clivagem; adenopatia perilesional, ovalada, hipoecóica, com 11x5,2mm. Colocadas duas hipóteses de diagnóstico: tumor mesenquimatoso ou compressão extrínseca por neoplasia que envolve o reto. Realizada, na mesma ecoendoscopia, punção aspirativa com agulha 19G, com colheita de material para citologia/histologia, que revelou neoplasia indiferenciada de alto grau, sugestiva de carcinoma ovárico, CD117 negativo. Cirurgia confirmou carcinoma do ovário com invasão do reto. Iniciou quimioterapia. Apresenta-se iconografia imagiológica e histológica, salientando-se a elevada acuidade diagnóstica da ecoendoscopia e o caráter simulatório da lesão ovárica a mimetizar um tumor mesenquimatoso. P 62 COLITE ISQUÉMICA AGUDA: CONHECENDO OS FATORES PREDITORES DA SUA RECIDIVA E. Gravito-Soares1, M. Gravito-Soares1, C. Lérias1, C. Sofia1 Serviço de Gastrenterologia, Hospitais da Universidade de Coimbra, Centro 1 Hospitalar e Universitário de Coimbra, E.P.E. Introdução: A isquémia aguda do cólon representa aproximadamente 15% dos casos de hemorragia gastrointestinal baixa. A colite isquémica aguda recidivante (CIAR) permanece pouco estudada. Objetivo: Identificar os fatores preditores de recidiva na colite isquémica aguda (CIA). Metodologia: Estudo retrospetivo dos 308 doentes internados num serviço de gastrenterologia com CIA, entre 2006-2014; divididos em 2grupos: colite isquémica aguda recidivante (Casos-10doentes) e não recidivante (Controlos-40doentes, emparelhados para o sexo e idade). Os fatores avaliados incluíram variáveis clínicas (fatores cólicos, cirúrgicos, cardiovasculares e farmacológicos), laboratoriais, endoscópicas e histológicas. Resultados: A recidiva da CIA ocorreu em 3,2% do total de doentes (10/308), com idade média 77,7±9,08anos e predomínio do sexo feminino (7♀:3♂). A maioria apresentou uma recidiva (90,0%), com um tempo médio até à primeira recorrência de 18,1±21,23meses. Em relação aos fatores cólicos, os doentes com CIAR apresentaram maior frequência de radioterapia pélvica (20,0%vs0,0%;p=0,037) e relativamente aos fatores cardiovasculares, mostraram maior frequência do tabagismo (30,0%vs0,0%;p=0,006) e antecedentes de tromboembolia pulmonar(TEP)/trombose venosa profunda(TVP) (20,0%vs0,0%;p=0,037). A história prévia de cirurgia abdominal, nomeadamente histerectomia total (30,0%vs0,0%;p=0,006) e a terapêutica com AINEs (40,0%vs5,0%;p=0,011) foram os fatores mais associados à CIAR, cirúrgico e farmacológico respetivamente. Nenhum dos outros fatores clínicos (incluindo a localização anatómica e gravidade da colite), laboratoriais, endoscópicos ou histológicos do primeiro episódio foram diferentes nos dois grupos. Conclusão: A CIAR representa cerca de 3% dos casos de CIA, sendo o tabagismo, AINEs, antecedentes de radioterapia abdominal, TVP/TEP e histerectomia total fatores de risco para a sua recidiva. A gravidade da CIA inaugural não prediz a recorrência. P 63 INFEÇÃO POR CLOSTRIDIUM DIFFICILE NO DOENTE COM PANCOLITE ULCEROSA COM PSEUDOPÓLIPOS, UM DESAFIO David Perdigoto, Diogo Branquinho, Sofia Mendes, Margarida Ferreira, Ana Oliveira, Júlio Leite, Francisco Castro e Sousa, Carlos Sofia Serviço de Gastroenterologia e Serviço de Cirurgia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra Apresenta-se o caso clínico de um homem de 35 anos de idade que é diagnosticado com pancolite ulcerosa em Março de 2013. A colonoscopia revela cólon repleto de pseudopólipos. Paralelamente é feito também o diagnóstico de colangite esclerosante primária. Após um ano de estabilidade clínica, é internado em Janeiro de 2014 por agravamento do estado geral com doença em atividade sendo submetido a corticoterapia e introdução de azatioprina. Em Fevereiro contrai gripe A complicada com pneumonia. No internamento é também diagnosticada colite pseudo-membranosa tratada com metronidazol oral. Dois meses volvidos, por recidiva de infeção por C. difficile é tratado com sucesso com vancomicina oral. Em Maio nova recidiva com debilidade do estado geral sendo experimentada fidaxomicina sem sucesso. Foi então realizado tratamento com vancomicina oral, seguido de vancomicina em pulsos durante dois meses. Após a suspensão do antibiótico o doente recorre novamente com mau estado geral e diarreia profusa. Efetuado tratamento com metronidazol endovenoso, vancomicina oral e retal. No mês seguinte nova recidiva. É proposto ao doente transplante de microbiota fecal, que aceita. Foi realizado mas sem sucesso, tentada novamente vancomicina oral e apenas metronidazol foi eficaz como tratamento de resgate. Tendo em conta a infeção recorrente e a dificuldade de vigilância futura de tumores do cólon (mucosa com pseudopólipos) propõe-se cirurgia, tendo o doente sido submetido a proctocolectomia total com bolsa ileal em Outubro. Pretende-se expor o caso pela particularidade de colite pseudo-membranosa recidivante sobreposta a uma forma marcada de pancolite ulcerosa. P 64 UM ACHADO INESPERADO NUMA DOENTE COM HEMORRAGIA DIGESTIVA BAIXA E. Gravito-Soares1, M. Gravito-Soares1, N. Almeida1, F. Azevedo2, J. Leite2, C. Sofia1 Serviço de Gastrenterologia, 2Serviço de Cirurgia, Centro Hospitalar e Universitário 1 de Coimbra, E.P.E. Introdução: A perfuração complica a Doença diverticular cólica (DDC) em 1% dos casos. Os corpos estranhos do trato gastrointestinal são múltiplos com apresentação clínica variada. Estes podem complicar a DDC, representar verdadeiros desafios clínicos. Caso clínico: Os autores apresentam o caso clínico de uma doente de 84 anos, com antecedentes de AVC com sequelas motoras, HTA, fibrilhação auricular, doença renal crónica e DDC. Recorreu ao Serviço de urgência por um quadro de dor abdominal tipo cólica, predominantemente localizada no hipogastro, com semanas de evolução e hematoquézias nos últimos dias. Ao exame objetivo apresenta-se hemodinamicamente estável, com esboço de defesa abdominal e diminuição dos níveis hidroaéreos. Analiticamente apresentava leucocitose com neutrofilia e PCR elevada. Efetuou radiografia do abdómen sem níveis hidroaéreos REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014 39 ou pneumoperitoneu. A retosigmoidoscopia revelou sangue e coágulos no lúmen e múltiplos divertículos, tendo sido interrompida a nível do cólon sigmóide, por distensão e hipersensibilidade abdominal marcadas. Foi solicitada a colaboração da Cirurgia geral por suspeita de diverticulite aguda, que solicitou TAC abdominopélvica, que revelou densificação da gordura mesentérica pélvica, abcesso peridiverticular da sigmóide associada a imagem linear no seu interior, correspondente a corpo estranho. A doente recusou intervenção cirúrgica, tendo tido alta sob antibioterapia empírica com amoxicilina-ácido clavulânico. Conclusão: Os autores apresentam este caso pelo achado inesperado, mas potencialmente ameaçador dos corpos estranhos cólicos em doentes com DDC, sobretudo em idosos com múltiplas comorbilidades, podendo desencadear quadros de diverticulite aguda complicada. Assim, a realização de colonoscopia em contexto de urgência deve ser ponderada caso-a-caso, dada a possibilidade de iatrogenia. P 65 REABILITAÇÃO DO PAVIMENTO PÉLVICO NA INCONTINÊNCIA ANAL Nilza Pinto1, Susana Moreira1, Pedro Correia da Silva2, Alexandre Duarte2, Manuela Batista2, J Costa Maia2, Fernando Parada1 Serviço de Medicina Física e de Reabilitação - Centro Hospitalar de São João 1 Serviço de Cirurgia Geral – Centro Hospitalar de São João 2 Introdução: A reabilitação do pavimento pélvico (RPP) é considerada um tratamento de primeira linha da incontinência anal (IA). Objectivo: Avaliar a resposta a um programa de RPP na população com IA seguida em consulta externa num Serviço de Medicina Física e de Reabilitação (MFR). Métodos: Análise retrospetiva dos doentes que efetuaram RPP por IA num Serviço de MFR entre Janeiro de 2012 e Abril de 2014. O tratamento consistiu num programa supervisionado de exercícios de Kegel, biofeedback electromiográfico e electroestimulação com sonda anal, com uma frequência bisemanal. Os resultados foram avaliados através do Índice de Wexner (IW) e manometria ano-rectal. Para análise dos dados, recorreu-se ao software IBM-Statistical Package for the Social Sciences® (frequências descritivas, teste T para amostras emparelhadas, teste Wilcoxon). Resultados: Dos 37 doentes, 78,4% eram mulheres; média de idades 59,8±2,2 anos; IA com 2 anos de evolução mediana.69,4% referenciados por Cirurgia Geral. O tratamento durou 28,7±2,2 sessões. Quanto à resposta ao tratamento, a média do IW inicial era 13,3±3,7 e a final 8,9±4,7 (p<0,001); a média da pressão em repouso inicial era 36,6±14,7mmHg e a final 41,9±12,6mmHg (p=0,022). A média da pressão de contracção anal voluntária inicial era 83,1±51,4mmHg e a final 95,9±55,5mmHg (p=0,005). Os doentes não submetidos a radioterapia e os sem incontinência urinária responderam melhor ao tratamento em termos clínicos (IW) e de pressão de contracção anal voluntária (p<0,05). Discussão/Conclusões: O tratamento de reabilitação da IA apresenta resultados positivos na população estudada com melhoria estatisticamente significativa clínica (IW) e dos parâmetros manométricos. Apesar da amostra não permitir generalização, alguns factores influenciaram negativamente a resposta ao tratamento. No futuro, seria interessante estudar uma população maior relativamente a fatores preditores de resposta a RPP. P 66 INVAGINAÇÃO COLOCÓLICA CONDICIONADA POR TUMORES RAROS DO CÓLON Mariana Costa, Mário Jorge Silva, Carlos Bernardes, Rafaela Loureiro, Pedro Russo, Tiago Capela, Diana Carvalho, Joana Saiote Serviço de Gastrenterologia – Centro Hospitalar de Lisboa Central, EPE Apresentam-se dois casos de tumores raros do cólon que se manifestaram clinicamente como suboclusão intestinal e endoscopicamente como invaginação colocólica. Caso 1: Mulher, 37 anos, recorre ao Serviço de Urgência (SU) por dor abdominal generalizada, distensão abdominal e vómitos com 4 semanas de evolução, e paragem da emissão de fezes desde esse dia. O abdómen apresentava-se distendido mas mole e depressível, doloroso à palpação em todos os quadrantes. Analiticamente sem alterações. TC abdomino-pélvica: estenose na sigmoideia sem causa identificada e distensão hidrogasosa no cólon e delgado. Colonoscopia: aos 15 cm, lesão endoluminal revestida por mucosa semelhante à adjacente, ocluindo totalmente o lúmen, não permitindo a progressão do aparelho, sugerindo intussuscepção. A doente foi submetida a cirurgia de Hartmann; o exame histopatológico identificou endometriose cólica. Caso 2: Homem, 24 anos, recorre ao SU por dor tipo cólica, náuseas e vómitos, paragem da emissão de fezes e rectorragias, com um dia de evolução. O abdómen apresentava-se mole e depressível, doloroso à palpação do hipogastro, sem irritação peritoneal. Análises com neutrofilia; LDH 324U/L e PCR 0,8 mg/L. TC abdomino-pélvica: alteração da morfologia da sigmóide, com ansa dentro de ansa, sugestiva de invaginação intestinal, com lesão ocupando espaço com 3,5cm, condicionando dilatação a montante. Colonoscopia: aos 40 cm, lesão ovalada, bem circunscrita, com mucosa íntegra mas de aspecto congestionado, ocluindo o lúmen. Após mobilização do doente, progrediu-se a montante, identificando-se lesão polipóide que prolapsava, condicionando redução do calibre luminal. O doente foi submetido a sigmoidectomia com anastomose primária. O estudo anatomo-patológico identificou Schwannoma cólico. 40 REVISTA PORTUGUESA DE COLOPROCTOLOGIA | NOVEMBRO 2014