1 MAYARA NÁGILA SILVEIRA DA SILVA A QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL NO TURISMO COMO ESTRATÉGIA COMPETITIVA EM UM COMPLEXO TURÍSTICO NO ESTADO DO CEARÁ Monografia submetida à aprovação Coordenação do Curso de Administração do Centro Superior do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração. Orientadora: Prof. Oliveira, Ms. FORTALEZA 2014 Rosangela Soares de 2 MAYARA NÁGILA SILVEIRA DA SILVA A QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL NO TURISMO COMO ESTRATÉGIA COMPETITIVA EM UM COMPLEXO TURÍSTICO NO ESTADO DO CEARÁ Monografia submetida à aprovação Coordenação do Curso de Administração do Centro Superior do Ceará, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração. Data de aprovação: _____ / _____ / ________. BANCA EXAMINADORA ___________________________________________________________ Rosangela Soares de Oliveira, Ms. Orientador ___________________________________________________________ Membro ___________________________________________________________ Membro 3 AGRADECIMENTOS Ao concluir este trabalho, fica-me a satisfação de, olhando-o retrospectivamente, perceber o quanto pude contar com o apoio e suporte de tantas pessoas, que foram essenciais para a conclusão do mesmo. Foi através do apoio da minha família e amigos, que realizo um dos meus maiores sonhos e, neste momento quero expressar meus sinceros agradecimentos. Em primeiro lugar sou grata a Deus, o centro e o fundamento de tudo na minha vida, que iluminou o meu caminho durante essa jornada e me deu força e coragem para enfrentar todos os obstáculos. Aos meus pais (Edson e Mara) e minha irmã (Jéssica), que de forma especial e carinhosa me deram incondicional apoio, me incentivando e compreendendo minha ausência no período de construção desse trabalho. À minha orientadora, prof. Ms. Rosangela Soares, que acreditou em mim, partilhando comigo suas ideias e conhecimentos. Através da sua competência e profissionalismo, consegui o objetivo de realizar o trabalho, abordando o assunto que eu mais desejava estudar. A todos os professores que tive no decorrer do curso, que contribuíram de forma significante em minha carreira. Em especial ao prof. Ms. Leandro Belizario, que me inspirou e despertou em mim a paixão pela profissão. À coordenadora do curso, Prof. Ms. Phryne, pelo excelente trabalho que fez no curso de administração, desde que assumiu a coordenação e pelo total apoio dado a turma para que fosse possível a realização do TCC, em um semestre tão curto. Aos meus amigos Maryane Sacramento, Anagéssica Freitas, Patrícia e Danilo Chagas, que além das palavras de incentivo, estiveram ao meu lado me dando forças para continuar firme em meus objetivos. À Karine Pedrosa e Solange Teixeira que colaboraram para a realização da pesquisa de campo. Por fim e não menos importante, agradeço a todos os colegas de curso, que de alguma maneira tornaram minha vida acadêmica cada dia mais desafiante. Em especial aos membros da comissão do IV Encontro de Administração: Josenildo, Rair, Adelino, Danilo, Pedro, Thiago, Alexandre, Ticiane, Alyne, Samara, Farbênia, Josimar, e Renato, que realizaram um trabalho sensacional na faculdade, mostrando muita competência e profissionalismo. 4 “Talvez não tenha conseguido fazer o melhor, mas lutei para que o melhor fosse feito. Não sou o que deveria ser, mas Graças a Deus, não sou o que era antes.” (Marthin Luther King) 5 RESUMO Diante do notório crescimento no Brasil e no mundo, o Turismo tem se destacado na economia e rapidamente tomado grandes proporções de mercado. Com esse crescimento do setor turístico na atividade econômica, há uma evidente tendência de expansão de mercado e consequentemente de concorrência. Dentro desse contexto, surge a necessidade de as empresas do ramo turístico buscarem estratégias para se destacar diante de seus concorrentes. O objetivo principal deste trabalho norteia-se na identificação da qualificação profissional no Turismo como estratégia competitiva em um complexo turístico localizado no Ceará. Os meios utilizados foram uma pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva, realizada por meio de um estudo de caso. Trata-se de uma pesquisa de campo, utilizando como ferramenta para coleta dos dados um questionário aplicado a 23 funcionários e uma entrevista aplicada ao gerente do complexo, no mês e Março de 2014. De um modo geral, o estudo evidenciou que existe uma relação direta entre a qualificação profissional no Turismo e as estratégias competitivas do complexo turístico em estudo. Essa relação é reconhecida pela empresa, contudo foram identificados alguns pontos de melhorias para que a empresa possa estar ocupando uma posição competitiva favorável. Palavras Chaves: Qualificação Profissional. Estratégia Competitiva Organizacional. Turismo. 6 ABSTRACT Given the remarkable growth in Brazil and in the world, tourism has emerged in the economy and rapidly taking major market. With this growth in the tourism sector and economic activity, there is a clear tendency for market expansion and hence competition. In this context arises the need of enterprises in tourism strategies seek to stand out from your competitors. The main objective of this work is guided in identifying the professional qualification in tourism as a competitive strategy in a tourist site located in Ceará. The resources used were a literature, exploratory, descriptive and performed through a case study, survey a field survey using as a tool for data collection was carried out a questionnaire administered to 22 employees and interview the site manager, in March 2014. Overall, the study showed that there is a direct relationship between professional qualification in tourism and the competitive strategies of the tourist site under study, this relationship is recognized by the company, however some points for improvement were identified for that the company may be occupying a favorable competitive position. Keys Words: Vocational Qualification. Organizational Competitive Strategy. Tourism. 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Representação das perspectivas de amplitudes das viagens ............................... 20 FIGURA 2 Educação corporativa: instrumento de qualificação profissional ....................... 27 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 Os quatro níveis de conhecimento ...................................................................... 17 QUADRO 2 Número de viagens domésticas no Brasil ........................................................... 19 QUADRO 3 Cursos na área do Turismo ................................................................................. 21 QUADRO 4 As cinco forças competitivas básicas ................................................................. 25 QUADRO 5 Universo e amostra da pesquisa ......................................................................... 30 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 Idade ................................................................................................................... 34 GRÁFICO 2 Escolaridade ....................................................................................................... 35 GRÁFICO 3 Cargo .................................................................................................................. 36 GRÁFICO 4 Tempo de empresa ............................................................................................. 37 GRÁFICO 5 Qualificação profissional nos últimos 12 meses ................................................ 38 GRÁFICO 6 Quantidade de treinamentos financiados pela empresa ..................................... 39 GRÁFICO 7 Participação da empresa em cursos de graduação e pós-graduação .................. 40 GRÁFICO 8 Papel para o alcance da estratégia competitiva .................................................. 41 GRÁFICO 9 A importância da qualificação profissional no setor de turismo ........................ 42 GRÁFICO 10 A influência da qualificação profissional na competitividade ......................... 43 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS EMBRATUR Instituto Brasileiro de Turismo IH Instituto de Hospitalidade RH Recursos Humanos OMT Organização Mundial do Turismo SGS Sistema de Gestão e Segurança 9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 10 2. REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................................... 13 2.1 Administração .................................................................................................................... 13 2.1.1 Conceito de administração.............................................................................................. 13 2.1.2 Evolução da administração ............................................................................................. 14 2.2 Qualificação profissional no turismo ................................................................................ 16 2.2.1 Qualificação profissional ................................................................................................ 16 2.2.2 O turismo ....................................................................................................................... 18 2.2.3 Qualificação profissional no setor turístico .................................................................... 20 2.3 Estratégia competitiva ...................................................................................................... 22 2.3.1 O conceito de estratégia ................................................................................................. 23 2.3.2 Estratégia Competitiva Organizacional .......................................................................... 23 2.3.3 Estratégia Competitiva no Turismo ................................................................................ 26 3 METODOLOGIA ................................................................................................................. 29 3.1 Tipo de pesquisa ................................................................................................................ 29 3.2 Universo, população e amostra da pesquisa ...................................................................... 30 3.3 Método de coleta de dados ............................................................................................... 31 3.4 Método de análise .............................................................................................................. 32 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS ......................................................................................... 33 4.1 Conhecendo o objeto de estudo ........................................................................................ 33 4.2 Quanto à caracterização do respondente .......................................................................... 34 4.3 Quanto à qualificação profissional ................................................................................... 37 4.4 Quanto ao alinhamento das estratégias competitivas com a qualificação profissional ..... 40 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................. 44 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................... 46 APÊNDICE A ......................................................................................................................... 50 APÊNDICE B .......................................................................................................................... 52 10 1. INTRODUÇÃO O crescente uso da tecnologia da informação e a globalização da economia vêm trazendo para as organizações a necessidade de se destacar frente aos seus concorrentes, e essa tarefa tem se tornado cada vez mais difícil. A concorrência está na essência do sucesso ou do fracasso dos negócios, é ela que norteia as atividades e o dinamismo das organizações. O seu acirramento fez com que as organizações, dentro de uma visão estratégica, passassem a se interessar por uma posição competitiva favorável, visando estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam a concorrência (PORTER, 1989). A forma como as empresas administram essas estratégias evoluíram no decorrer do tempo, adequando-se, de forma inovadora, aos novos desafios que as conduzem para conseguir alcançar suas metas. Para se destacar em um mercado altamente competitivo, as empresas utilizam diversos fatores e estratégias que contribuem para esse objetivo. Dentre eles, o que se destacou e foi objeto de estudo deste trabalho é a qualificação profissional como estratégia competitiva. A qualificação profissional é um conjunto de características próprias das rotinas de trabalho, expressa, empiricamente, como o tempo de aprendizagem no trabalho ou por capacidades adquiríveis por treinamento (BORGES-ANDRADE et al, 2006). Dessa forma, a qualificação profissional tem recebido destaque nos últimos anos, inclusive na atividade turística, uma vez que um dos maiores diferenciais desse setor é seu capital humano. Ao passo que o comportamento e a atitude dos funcionários exercem reconhecida influência sobre os resultados organizacionais, tais como a qualidade dos serviços e competitividade. (BARRETO, 2011). As mudanças no cenário econômico, social e político, ocorridas de forma acelerada nos últimos tempos, tornaram o ambiente organizacional extremamente competitivo e exige que as empresas se alinhem, de maneira eficaz, às novas práticas. No setor de serviços, o turismo tem se destacado na economia do Brasil, crescendo rapidamente e tomando grandes proporções. Conforme dados do Ministério de Turismo (2013), as atividades turísticas geraram uma receita cambial turística de US$ 2,4 bilhões. Em 2012, o recorde do indicador, foi de US$ 6,6 bilhões, apesar de barreiras como a desvalorização do real em relação ao dólar e a crise nos países da Europa. 11 Silva, Lucio e Barreto (2013) ressaltam que as empresas do setor turístico, dependem fundamentalmente das pessoas para desempenharem seus serviços, necessitando assim, cada vez mais desenvolvê-las de forma integrada. Considerando que as estratégias são elementos cruciais na sucessão dos negócios, que o setor turístico está em ampla expansão e que a qualificação profissional é importante para o desenvolvimento organizacional, o interesse da pesquisa norteia-se no seguinte questionamento: Como a qualificação profissional no turismo gera diferencial competitivo em um complexo turístico no Estado do Ceará? Nos últimos anos, o turismo tem sido visto como meio de geração de emprego e renda nas economias dos países desenvolvidos e, recentemente, nos países emergentes. No Ceará, o turismo apresenta um importante crescimento ao longo do tempo, mostrando um acréscimo de 59,88% entre 1997 e 2001 (SETUR, 2009). Tendo em vista esse crescimento do setor turístico na atividade econômica do País e do Estado do Ceará, há uma tendência para o crescimento do mercado e, consequentemente, de maior concorrência na área. Dessa forma, no ramo turístico, as empresas já consolidadas e as iniciantes precisam elaborar estratégias para se destacar frente a seus concorrentes. Com as informações divulgadas no Documento Referencial Turismo no Brasil 2011-2014 pelo Conselho Nacional de Turismo (2011), pode ser aferido o crescimento desse mercado através do número de ocupações registradas. Em 2008, foram geradas 457,51 mil ocupações, formais e informais, nas atividades características do turismo no Brasil. O que representa um aumento de 32,70% em seis anos. O Ministério do Turismo (2011) ressalta que, apesar do notório crescimento do setor, existem alguns entraves que interferem na competitividade dessa indústria de serviços no País. Uma delas é a qualificação profissional, que tem grande impacto na qualidade dos serviços prestados e na valorização das demandas provenientes do turismo. O complexo turístico em estudo fica localizado no Estado do Ceará, um dos destinos mais procurados no País (SETUR, 2009). Atualmente recebe cerca de 10 mil visitantes por mês, e é conhecido com umas das principais atrações turísticas do Ceará. A metodologia aplicada para o estudo foi conduzida por uma pesquisa bibliográfica, exploratória, descritiva e de estudo de caso, que são de fundamental importância para identificar o que os autores pensam sobre o assunto em questão e quais contribuições poderão trazer para fundamentar os estudos realizados, assim como as 12 conclusões definidas. Tendo como referencial teórico o conceito e estudo de diversos autores para dar embasamento teórico e credibilidade ao trabalho. O objetivo principal desse trabalho monográfico é identificar a relação existente entre qualificação profissional e estratégias competitivas em um complexo turístico. De modo específico, os objetivos propostos são: Relacionar a qualificação profissional às estratégias organizacionais competitivas; Caracterizar a importância da qualificação profissional no setor turístico; Verificar a eficiência da qualificação profissional dos colaboradores como estratégia competitiva no complexo turístico em questão. A estrutura do trabalho está dividida em cinco capítulos, incluindo esta introdução, que evidencia a situação-problema, os objetivos pretendidos, a justificativa e a relevância da pesquisa, bem como a estrutura de desenvolvimento deste estudo. No segundo capítulo, apresenta-se o referencial teórico, que consiste em uma revisão bibliográfica que embasa a qualificação profissional e a estratégia competitiva das empresas, contemplando tópicos sobre: o conceito e evolução da ciência da Administração, como se realizou o processo evolutivo da qualificação profissional nas organizações e sob a perspectiva turística, bem como as estratégias competitivas organizacionais e do turismo. A metodologia da pesquisa é apresentada no terceiro capítulo, onde são abordadas as estratégias metodológicas, a tipologia do estudo, população e amostra, e o procedimento de coleta e análise dos dados. O quarto capítulo destina-se à apresentação do objeto de estudo. No quinto capítulo, apresenta-se a análise dos resultados obtidos na pesquisa de campo, para identificar a eficiência da qualificação profissional do complexo turístico como estratégia competitiva. As considerações finais destinam-se a apresentar as conclusões deste estudo e a relação da teoria com os resultados obtidos através da pesquisa de campo. Para finalizar, são apresentadas as Referências Bibliográficas, que fundamentaram a metodologia da pesquisa e toda a revisão teórica do trabalho, bem como os Apêndices com a estrutura do questionário e roteiro de entrevista, que foram aplicados em pesquisa de campo. 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO Este capítulo apresenta as principais bases teóricas utilizadas no presente trabalho. Os conceitos e as abordagens utilizados têm o intuito de sustentar a percepção sobre a qualificação profissional no que concerne às estratégias competitivas organizacionais e uma breve abordagem do mercado turístico, sendo necessário, primeiro, compreender algumas definições e termos relacionados ao assunto em estudo. 2.1 Administração Esta seção está fundamentada na pesquisa do conceito e evolução da Administração. Nela, foi abordada cada fase da evolução dessa área do conhecimento, que foi composta por uma teoria, que dava ênfase a aspectos técnicos, como tarefas, estrutura, pessoas e ambiente. 2.1.1 Conceito da Administração A ciência da Administração é classificada por Chiavenato (2007) como ciência social aplicada, e através de métodos e funções bem elaborados, a Administração estuda os empreendimentos humanos, com o objetivo de alcançar um resultado eficaz. Diante do conceito tradicional da Administração, regem-se todos os planos estratégicos de uma organização, que é definido por Maximiano (2004), como um processo dinâmico de tomar decisões e realizar ações através de cinco processos interligados, que são eles: planejamento, organização, liderança, execução e controle. De acordo com Chiavenato (2007), a Administração é a condução racional das atividades de uma organização. Ela trata do planejamento das organizações, da direção e do controle de todas as atividades designadas através da divisão do trabalho. A Administração está presente na sociedade desde os tempos mais remotos. A seguir será abordado como se realizou a evolução da Administração, através das teorias e das escolas, sob a ótica de autores como Maximiano (2004), Chiavenato (2007) e Kwasnicka (2004). 14 2.1.2 A evolução da Administração Na civilização egípcia, na complexidade do Império Romano e nos impérios coloniais, já podia perceber-se a presença da Administração. No entanto, só após a Revolução Industrial, com o crescimento gradativo e complexo das organizações, a Administração passou a ser estudada com afinco, podendo ser vista e desenvolvida como ciência. A partir de então, com o crescimento das organizações e a necessidade de otimização das máquinas e do processo produtivo, surge o estudo da Administração. Através das teorias, esse estudo foi evoluindo de acordo com as necessidades de cada época (KWASNICKA, 2004). Em um primeiro momento, a ênfase nas tarefas e estrutura foi definida pela Escola da Administração Científica, que segundo Chiavenato (2007) teve como principais enfoques a divisão do trabalho em tarefas e a racionalização do nível operacional. Na visão do referido autor, o destaque na estrutura teve como base a Teoria Clássica de Fayol, Teoria da Burocracia de Weber e Teoria Estruturalista, cada teoria tinha seu devido enfoque. Na Teoria Clássica de Fayol era focalizada a organização formal e a definição das funções básicas da empresa. Na Teoria da Burocracia, de Weber é enfatizada a formalização e adoção de normas legais e divisão do trabalho em hierarquias de autoridade. A Teoria Estruturalista foi marcada por uma múltipla abordagem: a organização formal e informal e análise inter e intra-organizacional, ela foi o elo entre as teorias clássica e das relações humanas (CHIAVENATO, 2007). Maximiano (2004) contribui, ao afirmar que a Escola da Administração Científica, é um conjunto de princípios e técnicas criados para aumentar a eficiência da produção por meio da racionalização do trabalho. De acordo com o mesmo autor, Taylor fazia os estudos dos tempos e movimentos, dividindo os trabalhadores nas tarefas, chamando-as de unidades básicas de trabalho. Como efeito disso, foi possível o pagamento de salários relativamente mais altos. Ele reconheceu que o sucesso das fábricas estava na competência e eficácia de seus trabalhadores. Segundo Maximiano (2004), Fayol cuidou da administração das organizações a partir do nível do executivo, suas ideias estavam ligadas a uma noção de empresa hierárquica, onde o gestor é a principal fonte de energia para as operações. O referido autor destaca que foi Fayol quem enumerou os 14 princípios administrativos: divisão de trabalho; autoridade e responsabilidade; disciplina; unidade de comando; unidade de direção; subordinação do 15 interesse individual para o interesse geral; remuneração do pessoal; centralização; cadeia de comando; ordem; equidade; estabilidade; iniciativa e espírito de equipe. Weber focou na administração burocrática, e as organizações eram vistas como sistemas de normas impessoais e que possibilitam o exercício da autoridade e a obtenção da obediência com precisão, disciplina, rigor e confiança. (MAXIMIANO, 2004) Kwasnicka (2004) aponta alguns problemas no modelo de Weber: A impessoalidade e a racionalidade do modelo não permitem liderança competitiva, ou sobrevivência em um ambiente dinâmico. O modus operandi, a Teoria das Relações Humanas e a Teoria do Comportamento Organizacional destacam-se através das características humanísticas e democráticas das organizações de sucesso. Promovendo as práticas que levam à motivação, liderança, comunicações e dinâmica de grupos. São focadas na integração dos objetivos organizacionais e individuais e na mudança organizacional planejada (CHIAVENATO, 2007). De acordo com Maximiano (2004), as teorias que enfatizam as pessoas abrangem dois ramos. O primeiro foca no comportamento das pessoas como indivíduos e o segundo, no comportamento coletivo nas organizações. O referido autor destaca ainda a experiência de Hawthorne, um experimento famoso realizado nos Estados Unidos, nos anos de 1927 a 1933, como principal componente da Teoria das Relações Humanas. Conforme Chiavenato (2007, p. 118), a experiência de Hawthorne “revelou que a Western Electric desenvolvia uma política em relação ao seu pessoal, que atendia às necessidades básicas dos empregados. Uma vez satisfeitas essas necessidades, elas passaram a não mais influenciar o comportamento dos mesmos.” A partir de então, passou a ser estudado o comportamento de necessidades mais complexas, as necessidades psicológicas. (MAXIMIANO, 2004). A ênfase no ambiente remete à Teoria da Contingência, que teve como enfoque principal a análise ambiental, as relações de interação entre as empresas e seus ambientes como fator decisivo de sucesso. “As empresas bem-sucedidas são as que conseguem adaptarse e ajustar-se adequadamente às demandas ambientais.” (CHIAVENATO, 2007, p. 21). Para Maximiano (2004) essa abordagem é vista como Teoria Geral dos Sistemas, onde o ponto de partida é a ideia do sistema como um conjunto de partes que se interagem (empresa e ambientes). Kwasnicka (2004) considera que a abordagem sistêmica trata-se de uma perspectiva interativa e tenta associar os elementos da ciência comportamental, administrativa e clássica. Para o autor, esta abordagem foi uma contribuição para a Teoria Contingencial, que 16 refere-se à abordagem que trabalha os sistemas em cada evento emergente e suas interrelações. Ao longo dos anos, com o desenvolvimento das organizações, o avanço da tecnologia e da globalização, a ciência da Administração passou por uma grande evolução em um curto espaço de tempo. O conhecimento de todas essas teorias é muito importante para compreender e fundamentar o crescimento das organizações, a adaptação do homem frente à necessidade de alta escala de produção e a valorização das pessoas no ambiente organizacional. Diante da necessidade de valorizar as pessoas no ambiente corporativo, ressalta-se a preocupação das organizações em buscar a qualificação de seus profissionais, como forma de adaptar-se às constantes mudanças do mercado. 2.2 Qualificação profissional no Turismo Esta seção aborda a breve evolução da qualificação profissional e alguns conceitos, sob a óptica de autores como, Tartuce (2004), Ferreti (2004) e Deluiz (2011), bem como uma revisão bibliográfica sobre os conceitos e contribuições acadêmicas, que norteiam os estudos sobre turismo, a evolução do conceito, assim como seu atual crescimento, e a qualificação profissional voltada para o setor turístico. 2.2.1 Qualificação profissional Com o avanço da tecnologia e a eclosão das redes, e de ambientes informatizados que proporcionam a difusão do conhecimento, veio a valorização do capital humano nas empresas. A globalização impulsiona de forma cada vez mais rápida as transformações, exigindo que os profissionais se qualifiquem e estejam em contínua atualização para conseguir obter melhores resultados. (SILVA, LUCIO E BARRETO, 2013) Brandalize et al (2005) afirmam que as organizações precisam de pessoas criativas e competentes para enfrentar as dificuldades do mercado atual. Cada colaborador tem o poder de se transformar em um elemento propulsor de resultados, constituindo vantagem competitiva dentro da organização. Para os referidos autores, é necessário que sejam feitos investimentos em treinamentos, capacitações e atualizações, qualificando o profissional. O tema qualificação profissional reapareceu na Europa nos anos 1980 e no Brasil entre os anos 1980 e 1990. Mas, só no final da década de 1990, através de um forte contexto 17 de flexibilização das relações de trabalho e do crescente desemprego, o assunto qualificação profissional começa a fazer parte da sociedade em geral, como solução dos problemas do mercado de trabalho. O interesse pelo tema surge com o aprofundamento da divisão do trabalho no capitalismo, desde o Adam Smith (XVIII) a Karl Marx (XIX). No século XX, com o advento da Administração Científica do Trabalho, a questão da qualificação passou a ser analisada sistematicamente. (TARTUCE, 2004; FERRETI, 2004) Para Tartuce (2004), a qualificação profissional é um conjunto de práticas, que visam relacionar o funcionamento do sistema educativo alinhado ao sistema produtivo. Deluiz (2011) define o conceito de qualificação profissional como: Um conjunto de conhecimentos, saberes e habilidades que provêm de várias esferas, tais como: da formação geral (conhecimento científico), da formação profissional (conhecimento técnico), e da experiência de trabalho e social (qualificações tácitas) posto em ação para resolver problemas e enfrentar situações imprevistas em uma situação concreta de trabalho. (DELUIZ, 2011, p.14) Ao se tratar de qualificação profissional, Klein (2002) considera que, cada profissional comanda um corpo de conhecimento, que precisa ser desenvolvido. Ele divide esse corpo de conhecimento em quatro níveis de acordo com o quadro 01. Níveis de conhecimento Descrição Refere-se ao conhecimento que os profissionais atingem Conhecimento cognitivo através de treinamentos e certificações. Esse conhecimento é (know-what) essencial, mas não suficiente para o sucesso comercial. Habilidades avançadas (know-how) É o nível em que o profissional consegue executar eficazmente, os conhecimentos adquiridos em treinamentos e qualificações nos problemas complexos do mundo real. A compreensão dos sistemas (know-why) É um profundo conhecimento da teia de relacionamentos causa e efeito. Neste nível o profissional, além de executar de maneira eficaz os conhecimentos em problemas, ele consegue antecipar-se aos problemas e consequências não previstas. Consiste na vontade, motivação e adaptabilidade para o sucesso. É o nível em que o profissional está altamente A criatividade motivado e criativo, sem a criatividade automotivada, os automotivada (care-why) líderes intelectuais perdem a vantagem de conhecimento, por sua complacência. Quadro 01 – Os quatro níveis de conhecimento Fonte: Elaborado com base no texto de Klein (2002) 18 Para as organizações se destacarem competitivamente, elas precisam desenvolver em seus colaboradores os quatro níveis de conhecimentos destacados no quadro acima. De acordo com Silva, Lucio e Barreto (2013, p. 279), É possível perceber que a área de Treinamento, Desenvolvimento e Educação pode ser considerada como investimento empresarial que tem como objetivo capacitar seus funcionários de desenvolver as competências das pessoas nos negócios, visando melhores resultados para a organização como um todo. O treinamento tem como objetivo a aquisição e a otimização de conhecimentos e habilidades para desempenhar mais imediatamente determinadas tarefas, já o desenvolvimento é visto como a prática do treinamento com o aperfeiçoamento das potencialidades das pessoas visando seu futuro. (MARCONDES; PAIVA, 2011 apud SILVA; LUCIO; BARRETO, 2013) Conforme explica Silva, Lucia e Barreto (2013, p. 280), desenvolver a educação corporativa qualificando os profissionais, consiste em “formar e desenvolver os talentos na gestão de negócios, promovendo a gestão do conhecimento organizacional (geração, assimilação, difusão e aplicação), por meio de um processo de aprendizagem ativa e contínua.” Esse processo de formação e desenvolvimento de talentos deve ser direcionado para cada tipo de negócio, de acordo com Silva, Lucio e Barreto (2013), o setor turístico, por exemplo, depende fundamentalmente de pessoas para desempenharem seus serviços, necessita desenvolver cada vez mais a qualificação de seus profissionais. 2.2.2 O Turismo O primeiro conceito de turismo foi elaborado pelo economista Herman von Schullard, por volta do século XX, que definiu o turismo como “a soma das operações, especialmente as de natureza econômica, diretamente relacionadas com a entrada, a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de uma país, cidade ou região.” (IGNARRA, 1999, p.23) Catambry e Costa (2004) definem o Turismo como uma combinação de interrelacionamentos entre produção e serviços, em cuja composição integram-se uma prática social com base cultural, com herança histórica, a um meio ambiente diverso, cartografia natural, relações sociais de hospitalidade e troca de informações interculturais. 19 Para Ritchie, Goeldner e Mcintosh (2002) o turismo é um conjunto de serviços e atividades que propiciam experiência de viagem voluntária, desde o seu translado à hospedagem, compras, entretenimento, alimentação, atividades e serviços de hospitalidade. Segundo Barretto (2008), o turismo consiste em um fenômeno social de deslocamento voluntário e temporário de pessoas, que por motivos de recreação, descanso ou cultura saem do seu local de residência para outro sem exercer nenhuma atividade lucrativa ou remunerada. O setor de Turismo tem crescido em todo o mundo, seu momento de ampla expansão é notado por Cooper et al (2007) quando apresenta a pesquisa da World Travel and Tourism Council, que já estimava, na metade dos anos 1990, que o turismo era a maior indústria do mundo. A pesquisa aponta que o turismo gera direta ou indiretamente 204 milhões de empregos, equivalente a mais de 10% da força de trabalho do mundo. Não obstante ao cenário mundial, no Brasil o turismo tem tomado grandes proporções. Conforme o Ministério do Turismo (BRASIL, 2013) em 2012 o turismo brasileiro cresceu 6%, dois pontos percentuais acima da média mundial anual. Ano 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 Viagens realizadas (em milhões) 138,70 147,10 156,00 165,40 175,40 186,10 191,00 197,00 Quadro 02 – Número de viagens domésticas no Brasil Fonte: Ministério do Turismo (BRASIL, 2013 p. 10) No quadro 02, observa-se que esse número também tem crescido no que se refere às viagens domésticas. O turismo interno brasileiro já responde por aproximadamente 85% da receita do setor no País. No entanto, para destacar-se competitivamente, as empresas do ramo turístico precisam conhecer quem são seus consumidores. Conforme Lima (2006), a Organização 20 Mundial do Turismo (OMT), com intuito de facilitar o desenvolvimento dos estudos sobre as atividades turísticas, apresenta a classificação dos consumidores do produto turístico, segmentados em três categorias de classificação a partir do conceito de visitante, podendo ser enquadrado como turista, excursionista e veranista. Ignarra (1999) destaca que a amplitude das viagens pode ser descrita em quatro perspectivas, de acordo com a figura abaixo: Figura 01 – Representação das perspectivas de amplitudes das viagens Fonte: Elaboradora com base nos dados de Ignarra (1999) A representação abordada na figura 01, facilita a compreensão de onde os consumidores dos produtos turísticos são demandados, permitindo que as empresas do segmento turístico verifiquem qual a principal característica desses consumidores e desenvolvam ações convergentes para atraí-los, qualificando seus profissionais de acordo com cada estratégia proposta. 2.2.3 Qualificação profissional no turismo O turismo é uma atividade econômica classificada como prestação de serviço, pois possui algumas características, como: sua intangibilidade e imaterialidade, ou seja, os 21 consumidores não podem vê-lo ou experimentá-lo antes da compra, além de sua heterogeneidade, pois fatores sociais, culturais econômicos políticos e legais fazem com que a demanda por um determinado produto seja heterogênea, gerando expectativas diferenciadas em relação ao mesmo produto. (CATAMBRY E COSTA, 2004) Além de outras características como, ser interativo, simultâneo e inestocável. Diante desta definição do turismo, existe uma preocupação em desenvolver os profissionais da área, haja vista o papel das pessoas estar diretamente ligado à produção do serviço. Aguiar e Bahl (2006) ressaltam que o setor turístico é considerado uma das áreas em que o ser humano jamais poderá ser substituído em suas ações de atendimento ao turista. Os autores afirmam que a escassez de mão-de-obra qualificada tem dificultado o desenvolvimento do setor. Conforme Dencker (2004), o destino da atividade turística está associado ao desenvolvimento de seus profissionais, ou seja, o profissional de turismo é visto como um elemento chave no desenvolvimento dessa atividade. A qualidade da capacitação desses profissionais deve ser vista como um dos fatores para a competitividade do setor, devendo ser prioridade de todas as entidades envolvidas diretamente com essa área (CATRAMBY; COSTA, 2004). Ainda conforme as autoras, atualmente a oferta de cursos na área de turismo é bastante diversificada. Estes cursos atendem aos vários níveis de demanda como: gestão (bacharelado e tecnólogo), supervisão (sequenciais) e operacional (técnicos e ensino livre), conforme quadro 03 descreve cada um deles. Cursos Descrição São os cursos de graduação (bacharelado e tecnólogo), pós-graduação Nível Strictu Sensu (mestrado e doutorado), Lato Sensu (especialização e superior aperfeiçoamento), extensão e sequenciais. São aqueles oferecidos em instituições de ensino superior, credenciados pela Sequenciais Secretaria de Ensino, podendo ser de formação específica ou de complementação (não são considerados cursos de graduação). São os cursos profissionalizantes, são equivalentes ao ensino médio e pósmédio completo. Procuram a formação técnico-profissional, como os cursos Técnicos de guia de turismo, sendo reconhecida com direito a carteirinha da EMBRATUR. Ensino Livre São aqueles cursos e programas não regulares, não exigem credenciamento oficial e são orientados conforme às necessidades de formação, treinamento e aperfeiçoamento para o mercado. Quadro 03 – Cursos na área do Turismo Fonte: Elaborado com base no texto de Catramby e Costa (2004) 22 A qualidade dos serviços prestados no turismo, está diretamente ligada à qualificação da mão-de-obra. Nesta área é evidente a necessidade de qualificar os recursos humanos que lidam diretamente com o público. (CATRAMBY; COSTA, 2004). As autoras citam dados da OMT, que afirmam que o sistema de educação em turismo garante a sua competitividade, através de princípios que consistem em: cruzamento das necessidades do mercado e a ofertas de cursos; treinamento just in time; definição de parâmetros de qualidade; e design do currículo e os conteúdos programáticos. Além desses fatores, a OMT distingue a diferença entre educação e treinamento, Catramby e Costa (2004) explicam que para OMT, educação é um processo que dá ao indivíduo um conjunto de princípios. A educação para o turismo olha além de um setor individual, oferece mais uma perspectiva geral do que uma abordagem específica. Já o treinamento é definido como uma atividade muito mais específica, que se concentra na aplicação detalhada, normalmente é utilizado para habilidades práticas. Qualificar os profissionais na área de turismo significa, valorizar a educação como forma de desenvolver o potencial intelectual dos profissionais envolvidos no ramo turístico, transformando-os em fator de diferenciação da empresa frente aos concorrentes, ampliando e consolidando sua capacidade de competir, aumentando, dessa forma, seu valor de mercado através do aumento do valor das pessoas. (SILVA; LUCIO; BARRETO, 2013) Lovelock, Wirtz e Hemzo (2011) contribuem afirmando que funcionários bem treinados são profissionais qualificados, e sentem-se como tal. Os autores exemplificam o caso de um garçom, que conhece possui grande conhecimento culinário, sobre comida, cozinha, vinhos, etiqueta e sabe interagir com clientes de maneira eficaz; sente-se um profissional, possui uma autoestima elevada e é respeitado pelos clientes. Ao tratarem do assunto, Hoffman e Bateson (2008) reforçam que nos serviços turísticos, a qualificação dos profissionais está diretamente relacionada com a satisfação do cliente. Eles afirmam que “o pessoal constitui a essência do produto da maioria das empresas de serviços” (HOFFMAN e BATESON, 2008, p. 286). Dessa forma, a qualificação profissional fica diretamente relacionada às estratégias competitivas organizacionais. 2.3 ESTRATÉGIA COMPETITIVA Esta seção tem o objetivo de apresentar uma base conceitual, que fundamenta o estabelecimento das estratégias competitivas nas organizações. Para isso, foram abordados temas relativos ao conceito de estratégia, a visão geral das estratégias competitivas 23 organizacionais e voltadas para o Turismo, enfocados sob a óptica de Porter (1989;1998) e Barney e Hesterly (2011). 2.3.1 O conceito de estratégia Maximiano (2004) explica que o conceito de estratégia é originário dos confrontos bélicos, quando a realização dos objetivos de guerra era superar o adversário, deixando-o impedido de realizar os seus. As organizações militares já o utilizavam há muito tempo. Os estrategos eram os generais e comandantes do exército. Ao referir-se a tal assunto, Lima (2006) relata que do campo bélico para o campo empresarial, os conceitos de estratégia migraram facilmente. Essa evolução foi rápida, mas só foi disseminada na segunda metade do século XX, devido ao crescente nível de competitividade no mercado. De acordo com Oliveira (2011), a estratégia é definida como uma arte que utiliza adequadamente os recursos tecnológicos, físicos, financeiros e humanos, com o objetivo de minimizar os problemas empresariais e maximizar o uso das oportunidades identificadas no ambiente empresarial. Na visão de Barney e Hersterly (2011, p. 4), “a estratégia de uma empresa é definida como sua teoria de como obter vantagens competitivas. Uma boa estratégia é aquela que realmente gera tais vantagens.” Os referidos autores ressaltam que as estratégias de uma organização são baseadas em um conjunto de suposições e hipóteses de como a competitividade será evoluída e explorada de forma a gerar lucros. Através dos conceitos apresentados, nota-se a relevância do planejamento e da escolha adequada das estratégias para a competitividade da organização. Esse planejamento estratégico, quando bem definido, permite que as ações organizacionais sejam direcionadas para o alcance de uma vantagem competitiva. 2.3.2 Estratégia Competitiva Organizacional Com a expansão da economia, as organizações vêm passando por grandes transformações advindas das pressões recebidas externa e internamente, pois a concorrência tem crescido de maneira extraordinária e, da mesma forma, o grau de exigência dos consumidores. Por conseguinte, para manter-se e destacar-se neste mercado amplamente competitivo, as organizações precisam elaborar e desenvolver estratégias, visando seu posicionamento. 24 Porter (1989) afirma que a estratégia competitiva é uma busca de posição competitiva favorável, ela visa estabelecer uma posição lucrativa e sustentável contra as forças que determinam a concorrência. Portanto, para se adquirir um posicionamento competitivo favorável, as empresas devem desenvolver estas estratégias. Para Porter (1998), a essência da formulação de uma estratégia competitiva está em associar uma companhia ao seu ambiente. O autor enfatiza que “o desenvolvimento de uma estratégia competitiva é, em essência, o desenvolvimento de uma fórmula ampla para o modo como uma empresa irá competir, quais deveriam ser suas metas e quais políticas necessárias para levar-se a cabo.” (PORTER, 1998, p.15). Ao referir-se ao assunto, Barney e Hesterly (2011) concluem que ao conduzir uma análise do ambiente externo, a empresa identifica as principais ameaças e oportunidades em seu ambiente competitivo, e também consegue perceber como a competição em seu ambiente provavelmente evoluirá. Os autores ainda enfatizam, ao relatar que através da análise do ambiente interno, as empresas identificam quais seus recursos e capacidades são fontes prováveis de vantagem competitiva. Uma vez feita a análise dos ambientes, a empresa tem uma visão dos aspectos gerais de competitividade, entretanto para mensurar a intensidade da concorrência, Porter (1998) destaca que o grau da concorrência e da rentabilidade do negócio, depende de cinco forças competitivas básicas: entrada de novos entrantes, ameaças de produtos ou serviços substitutos, poder de negociação dos fornecedores, poder de negociação dos compradores e rivalidade entre as empresas existentes. O conjunto dessas cinco forças reflete o fato de que a concorrência não está limitada aos participantes estabelecidos, “clientes, fornecedores, substitutos e os entrantes potenciais são todos ‘concorrentes’ [...]. Concorrência neste sentido amplo poderia ser definida como rivalidade ampliada” (PORTER,1998, p.24). No quadro 04, Barney e Hesterly (2011) explicam como esses participantes tornam-se ameaças para as organizações. 25 Forças Competitivas Ameaça de entrada Características Básicas Os novos entrantes são empresas que iniciaram suas atividades recentemente em um setor. Como resultado, os preços podem cair ou os custos dos participantes podem ser inflacionados. A ameaça de entrada depende das barreiras de entrada existentes. O autor cita quatro importantes barreiras, economia de escala, diferenciação de produto, vantagens de custo e regulamentações governamentais para entrada. Ameaça de rivalidade É a intensidade da competição entre os concorrentes diretos de uma empresa. A rivalidade se torna uma ameaça, pois ela reduz os lucros econômicos da organização. Os altos níveis de rivalidade em um setor são visíveis quando há cortes constantes de preço, lançamento frequente de novos produtos, campanhas acirradas de publicidade e ações e reações competitivas rápidas. Ameaça de substitutos Substitutos são aqueles produtos ou serviços oferecidos por rivais de uma empresa, que atendem praticamente às mesmas necessidades do cliente, mas de maneiras diferentes. Eles impõem um teto aos preços que a empresas de um setor podem cobrar e aos lucros que podem auferir. A quarta ameaça ambiental são os fornecedores. Eles são responsáveis por disponibilizarem para a empresa uma ampla variedade de matérias-primas, mão de obra e outros bens Ameaça de fornecedores essenciais. Os fornecedores podem exercer poder de negociação elevando os preços ou reduzindo a qualidade dos bens e serviços fornecidos. Ameaça dos compradores Os compradores são a última ameaça ambiental. Eles adquirem produtos ou serviços de uma empresa e se tornam competidores quando forçam o menor custo, barganhando por melhor qualidade ou mais serviços. Principalmente em casos específicos como, quando só existe um comprador e quando os produtos ou serviços que estão sendo vendidos são padronizados e indiferenciados. Quadro 04 – As cinco forças competitivas básicas Fonte: Elaborado com base no texto de Barney e Hesterly (2011) Porter (1998) afirma que para enfrentar as cinco forças competitivas, existem três abordagens estratégicas genéricas potencialmente bem-sucedidas para superar as outras empresas. São elas: liderança no custo total, diferenciação e enfoque. A estratégia, baseada na liderança em custo, consiste em uma empresa focar em extrair vantagens por meio da redução de seus custos para níveis inferiores aos dos concorrentes, não que ela abandone outras estratégias, mas que concentra seus esforços em manter os custos baixos (BARNEY; HERSTERLY, 2011). Porter contribui, enfatizando a importância de não usar esta estratégia isoladamente, “custo baixo em relação aos 26 concorrentes torna-se o tema central de toda estratégia, embora a qualidade, a assistência e outras áreas não possam ser ignoradas.” (PORTER, 1998, p.50) A segunda estratégia genérica é a diferenciação. Para Barney e Hersterly (2011), esta é uma estratégia por meio da qual as empresas buscam ganhar vantagem competitiva aumentando o valor percebido de seus produtos ou serviços em relação aos concorrentes. Na visão de Porter (1998), esta estratégia consiste em diferenciar o produto ou serviço oferecido pela empresa, criando algo que seja considerado único. A última estratégia genérica é o enfoque. No ponto de vista de Porter esta estratégia consiste em: Enfocar um determinado grupo comprador, um segmento de linhas de produtos, ou um mercado geográfico; como diferenciação, o enfoque pode assumir diversas formas. Embora as estratégias de baixo custo e de diferenciação tenham o intuito de atingir seus objetivos no âmbito de toda indústria, toda a estratégia de enfoque visa atender muito bem ao alvo determinado, e cada política funcional desenvolvida levando isto em conta. (PORTER, 1998, p. 52) Para Porter (998), algumas empresas conseguem utilizar mais de uma abordagem e obter sucesso, embora isso seja raramente possível. No entanto, as empresas que intentam garantir continuidade devem desenvolver alguma estratégia e realizar ações direcionadas, para garantir uma posição favorável em sua cadeia de valores com o objetivo de enfrentar, com sucesso, os concorrentes no segmento de atuação na sua área (LIMA, 2006). Cada segmento do mercado deve procurar uma estratégia a que melhor se adapte. A seguir, serão abordadas quais melhores estratégias no setor de Turismo. 2.3.3 Estratégia Competitiva no Turismo Como o Turismo enquadra-se no setor de serviços, já mencionado anteriormente, cabe citar o trabalho de Fitzsimmons e Fitzsimmons (2010), que aponta o ambiente competitivo dos serviços como um setor que apresenta grandes desafios, como poucas barreiras de entrada, substituição de produtos e oportunidades limitadas para economias de escala. No entanto, os mesmos autores apresentam três estratégias genéricas que permitem uma empresa superar sua competitividade. 27 Três estratégias genéricas têm tido sucesso na formulação de estratégias que permitem a uma empresa superar seus competidores. As estratégias de liderança global em custos, diferenciação e focalização no mercado são abordagens que empresas de serviços têm adotado de várias formas para obter vantagens competitivas. Em cada uma dessas estratégias, entretanto, a administração não dever perder de vista o fato de que somente o foco nos clientes e na satisfação de suas necessidades resultará em uma clientela leal. (FITZSIMMONS e FITZSIMMONS, 2010, p. 60) Com o crescimento do turismo, é notório o aumento de empreendimentos turísticos, aumentando consequentemente a competitividade do setor. Dessa forma, as empresas estão buscando cada vez mais espaço, posicionando-se de forma competitiva diferenciando-se em meio às demais. Do ponto de vista de Silva, Lucio e Barreto (2013), a única fonte permanente de vantagem competitiva da organização é a capacidade de aprender antes que os concorrentes, e nenhuma força externa é capaz de lhe subtrair o ímpeto dessa vantagem. Uma vez que o produto gerado pelo Turismo apresenta diversas especificidades, como a intangibilidade e a simultaneidade na sua produção e venda (Ignarra, 1999). Investir na educação corporativa, como forma de qualificar o capital humano, significa elevar o patamar de competitividade empresarial, através do desenvolvimento, da instalação e da consolidação das competências críticas empresariais e humanas (SILVA; LUCIO; BARRETO, 2013). Esta relação é explicada na Figura 02, da seguinte forma: Figura 02 – Educação corporativa: instrumento de qualificação profissional Fonte: Adaptado ao de Eboli (apud SILVA; LUCIO; BARRETO, 2013, p. 280) 28 Conforme Figura 02, é apresentado as relações entre competências, gestão do conhecimento, aprendizagem e um sistema de educação corporativa que integra e articula esses conceitos. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2010) destacam que os investimentos em qualificação profissional, que resultam em um aumento na qualidade de serviços, são uma vantagem competitiva difícil de copiar. Os referidos autores garantem que as empresas líderes em seu ramo de atividade são conhecidas por seus concorrentes, pela qualidade de seus programas de treinamentos. Segundo Hoffman e Bateson (2008), estrategicamente as pessoas são uma importante fonte de diferenciação de produto. Para uma organização de serviços, é um desafio se destacar de outras organizações semelhantes no pacote de benefícios que oferece ou no sistema de prestação de serviços. Os autores apontam que a capacidade de obter vantagem competitiva é na forma como as práticas da organização são realizadas. Um pouco dessa diferenciação vem das equipes de pessoal. Uma equipe profissionalmente qualificada consegue se diferenciar no meio de mercado altamente competitivo. 29 3 METODOLOGIA DA PESQUISA Nesta seção será apresentada a metodologia utilizada para elaboração do presente trabalho de pesquisa, quanto ao objeto de estudo, à abordagem, ao procedimento técnico, ao universo e à amostra, bem como a descrição do processo de coleta e tratamento dos dados. 3.1 Tipos de pesquisa Para realizar o presente trabalho utilizaram-se abordagens bibliográfica, exploratória, descritiva e estudo de caso. Tendo o objetivo de compreender qual a percepção de um determinado complexo turístico, localizado no Estado do Ceará, quanto à qualificação profissional de seus funcionários em relação às estratégias competitivas organizacionais. Conforme Vergara (2009), existem dois tipos de pesquisa que são classificados quanto aos fins e aos meios. Quanto aos fins, a pesquisa encontra-se dividida em descritiva, exploratória, explicativa, metodológica, intervencionista e aplicada. Assim como quanto aos meios, está dividida em pesquisa de campo, pesquisa de laboratório, bibliográfica, documental, experimental, ex post facto, participante, pesquisa-ação e estudo de caso. Esta pesquisa é de abordagem bibliográfica, pois é feita uma revisão da teoria sobre os componentes presentes na temática focalizada, como: administração, qualificação profissional, estratégias competitivas e turismo, por meio de autores clássicos como Porter (1998), Oliveira (2011) e Cooper (2207). Conforme Gil (2002, p. 44), a pesquisa bibliográfica “é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.” Na visão de Mattar (2008), o levantamento bibliográfico é uma das formas mais rápidas e econômicas de amadurecer ou aprofundar um problema de pesquisa, através do conhecimento dos trabalhos realizados por outros. Segundo Cervo, Alcino e Silva (2007) uma pesquisa é exploratória quando nela são realizadas descrições precisas da situação, descobrindo as relações existentes entre seus elementos e componentes. Esta pesquisa se caracteriza como exploratória, pois por meio do referencial teórico e pesquisa em campo, busca alinhar a relação existente entre a qualificação dos profissionais e a estratégia competitiva do complexo turístico em estudo. Para Mattar (2008), a pesquisa descritiva é utilizada quando o pesquisador pretende detalhar as características de grupos, ou descobrir e verificar a existência de relação entre variáveis. Dessa forma, esta pesquisa é caracterizada como descritiva exploratória, pois busca descrever a relação existente entre a qualificação profissional e a estratégia competitiva in loco, tendo como base o estudo de diversos autores e pesquisadores da área. 30 O estudo de caso consiste no estudo profundo de um ou poucos objetos, de forma a tornar possível um conhecimento amplo e detalhado. É frequentemente usado no levantamento de características e parâmetros de funcionamento ou operação de sistemas e processos, normalmente utilizado em único caso (GIL, 2002). A presente pesquisa caracteriza-se como estudo de caso, pela concentração e o consequente aprofundamento do estudo em um determinado complexo turístico, localizado no Estado do Ceará. 3.2 Universo, população e amostra da pesquisa Conforme Andrade (2009, p. 132), “o universo da pesquisa é constituído por todos os elementos de uma classe, ou de toda população”. De acordo Marconi e Lakatos (2008), a amostra é uma determinada parcela selecionada do universo (população). Para as autoras, a amostra é um subconjunto do universo. Diante dessas definições, esta pesquisa tem como universo todo o corpo funcional de um Complexo Turístico, localizado no Estado do Ceará. Dentro desta população, foi utilizada uma amostragem aleatória simples, que conforme Gil (2002, p. 121) “consiste em atribuir a cada elemento de maneira casual”. Essa escolha foi feita, pois se identificou que toda a população estava apta a responder o questionário, facilitando, desta forma, uma maior precisão dos resultados da pesquisa. No caso, foi somada a quantidade de funcionários por setor, tirou-se 20% de cada, uma vez que a empresa limitou o número de respondentes. Ficando a amostra definida no quadro abaixo: SETORES UNIVERSO AMOSTRA ADMINISTRATIVO 6 1 ENTRETENIMENTOS 75 15 REFEITÓRIO 28 5 SEGURANÇA PATRIMONIAL 4 1 TOTAL 113 22 Quadro 05: Universo e Amostra da pesquisa Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. Conforme quadro 05, o universo do complexo em estudo é composto por 113 elementos, e amostra de acordo com os critérios escolhidos anteriormente, corresponde ao número de 22 respondentes. A seguir será abordado como se deu a coleta de dados desses respondentes, para que os mesmos fossem analisados pelo pesquisador. 31 3.3 Método de coleta de dados Neste estudo utilizou-se como instrumento de coleta de dados dois questionários, como forma de obter uma solução para a problemática da pesquisa. De acordo com Mattar (2008), instrumento de coleta de dados é o instrumento através do qual as perguntas e questões serão apresentadas aos respondentes e onde são registradas as respostas dos dados obtidos. Os dois questionários utilizados na pesquisa foram bem estruturados. O primeiro (APÊNDICE A), com dez perguntas, sendo duas semiabertas e oito fechadas, direcionadas para os funcionários do complexo turístico em estudo. As primeiras perguntas foram voltadas para a caracterização do respondente, e as demais foram baseadas na escala de Likert, que, na ótica de Baker (2005), trata-se de uma escala em que o entrevistado demonstra o grau de concordância ou discordância com determinada afirmação. O segundo questionário corresponde a um roteiro de entrevista (APÊNDICE B), onde se encontram quinze perguntas abertas, mais técnicas, aprofundando o alinhamento das estratégias competitivas organizacionais com a qualificação profissional dos funcionários. O primeiro questionário foi entregue aos funcionários, para que fosse respondido a próprio punho, já o segundo questionário por ser um roteiro de entrevista, foi aplicado somente ao gerente da empresa, onde as respostas foram transcritas pela própria entrevistadora. O objetivo do estudo é analisar se a qualificação profissional é utilizada como estratégia competitiva em um Complexo Turístico, localizado no Estado do Ceará. O pré-teste foi realizado no próprio complexo turístico, tendo como objetivo a minimização de possíveis interpretações equivocadas por parte da amostra estudada. O préteste, de acordo com Lakatos e Marconi (2008), tem a funcionalidade de testar os instrumentos da pesquisa sobre uma pequena parte da população do “universo” ou da amostra, e deve ser feito antes de ser aplicado definitivamente, com objetivo de evitar que a pesquisa chegue a um resultado falso. A realização do pré-teste foi de grande valia, pois, ao ser aplicado, foi possível identificar falhas que dificultariam o entendimento do entrevistado, sendo necessário o ajuste para melhorar a compreensão das perguntas. Os questionários foram aplicados no mês de março de 2014, pela própria pesquisadora, in loco, no complexo turístico. 32 3.4 Método de análise Após a coleta dos dados, os mesmos foram tabulados e analisados, sendo utilizado o programa Microsoft Excel, versão 2010. Todos os dados foram dispostos em planilhas, para que fossem elaborados os gráficos e os resultados finais da pesquisa. No capítulo a seguir, apresentam-se o objeto de estudo desta pesquisa e a análise dos resultados, como premissa para o entendimento da relação existente entre a qualificação profissional e as estratégias competitivas em um complexo turístico no Estado do Ceará. 33 4 ANÁLISE DOS RESULTADOS Neste capítulo apresenta-se o objeto de estudo realizado na pesquisa e a análise dos resultados do estudo realizado em um Complexo Turístico localizado no Estado do Ceará. Os resultados, obtidos através da entrevista e de questionários, respondidos por alguns funcionários e pelo gerente do complexo, foram analisados graficamente para uma melhor compreensão. 4.1 Conhecendo o objeto de estudo O objeto de pesquisa é um complexo turístico, pertencente a um grupo familiar tradicional do Estado do Ceará. A história dessa empresa se inicia, em 2000, quando um de seus funcionários mais antigos recebe um grupo de visitantes para conhecer as instalações da primeira unidade industrial do Grupo, que acabara de ser desativada. Na oportunidade, o funcionário teve a ideia de fazer daquela unidade um museu, onde os visitantes poderiam conhecer toda a história da empresa através do acervo de mapas, documentos, fotos, filmes e maquinários, expostos no próprio prédio desativado. A ideia foi aprovada pelo presidente do Grupo, e logo o Complexo Turístico começou a receber vários grupos de visitantes vindos de diversas localidades, inclusive do exterior. No decorrer do tempo, foram introduzidas outras atrações de entretenimento, deixando de ser um museu e passando a ser chamado de Complexo Turístico. Atualmente o complexo recebe cerca de 10 mil visitantes por mês, e é conhecido como umas das principais atrações turísticas do Ceará. Emprega hoje, cerca de 100 funcionários, de acordo com as informações da empresa, 95% do quadro funcional encontra-se nas atividades operacionais do complexo, já que as atividades administrativas são realizadas pelo corporativo do Grupo, ao qual ele pertence. Sua denominação é de natureza familiar e S/A, com capital fechado, tendo como atividade principal o turismo de aventura e entretenimentos. As atrações do complexo turístico estão distribuídas em três campos. Em cada um deles, há atividades e jogos para todas as idades, desde as mais lúdicas, como passeios de pedalinho no lago, até as mais radicais, como as tirolesas secas e molhadas, com alturas que variam de 200m a 240m. Segundo dados obtidos pela empresa, tudo sob a supervisão de uma equipe de monitores treinados de acordo com o Sistema de Gestão e Segurança (SGS), garantindo tranquilidade, segurança e qualidade dos serviços aos seus visitantes. 34 Após o conhecimento do objeto de estudo, apresenta-se na subseção a seguir a análise dos resultados obtidos na pesquisa de campo. 4.2 Quanto à caracterização do respondente O questionário fechado foi aplicado com todos os respondentes definidos na amostra do complexo turístico, totalizando o número de 22 funcionários. As primeiras questões abordaram informações pessoais como idade, escolaridade, cargo e tempo de empresa, com o intuito de conhecer o perfil dos respondentes para coletar informações necessárias para aplicação do conceito teórico em estudo. A entrevista aconteceu em uma sala de reunião reservada, no próprio complexo e foi permitida pelo diretor da empresa. Os gráficos a seguir, apresentam a idade, o nível de escolaridade, o cargo e o tempo de empresa. 4.2.1 Idade Gráfico 01 – Idade Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. Os dados apresentados no Gráfico 01 demonstram que 45% dos pesquisados (10 pessoas) são de idade entre 18 e 25 anos, e que 32% (7 pessoas) são de idades de 26 e 33 anos. Representando que mais de 70% dos respondentes são pessoas jovens, fator que facilita o grau de flexibilidade em relação a mudanças e atualizações, pois conforme mencionado em capítulos anteriores, a globalização impulsiona de forma cada vez mais rápida as 35 transformações, exigindo que os profissionais se qualifiquem e estejam em contínua atualização para conseguir obter melhores resultados. 4.2.2 Escolaridade Gráfico 02 – Escolaridade Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. O Gráfico 02 apresenta que 59% dos respondentes (13 pessoas) possuem apenas o ensino médio completo, e 9%, que representa o número de 2 pessoas, possuem ensino médio incompleto. Com esses dados, nota-se que a empresa não exige nível de escolaridade de seus funcionários, o que pode comprometer o processo de qualificação dos mesmos. Apenas 3 pessoas, equivalente a 14% dos respondentes possuem nível superior completo. E 18 % (4 pessoas) estão cursando nível superior, representando que mesmo com o pequeno número de profissionais com formação acadêmica, existem funcionários que buscam melhor se qualificar profissionalmente. 36 4.2.3 Cargo Gráfico 03 – Cargo Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. De acordo com o Gráfico 03, verifica-se que a maioria dos respondentes fazem parte da área de entretenimentos, onde 45% desempenham a função de Monitor de Entretenimentos, 4 pessoas ocupam o cargo de supervisão, sendo 9% (2 pessoas) dos respondentes Supervisores de Entretenimentos, 5% (1 pessoa) Supervisor de Museu, 5% (1 pessoa) Supervisor de Atividades e 5% (1 pessoa) Supervisor de Atendimento. Os outros cargos servem como suporte à área de entretenimentos, como o refeitório, representando 9% de cozinheiro industrial e 14% de assistente de cozinha, a segurança patrimonial, com um vigilante, representando 5% dos respondentes e a administração sendo representada com um funcionário ocupando o cargo de assistente administrativo. Dessa forma, torna-se claro que os participantes da pesquisa atendem ao objetivo principal desse estudo, que é identificar a relação existente entre a qualificação profissional e as estratégias competitivas em um complexo turístico no Estado do Ceará, uma vez que eles trabalham diariamente e diretamente com os clientes e possibilitam mostrar sua qualificação profissional, como estratégia competitiva organizacional. Em seguida, foi perguntado aos respondentes o tempo de empresa, considerando que quanto maior o tempo que se passa em uma organização, mais conhecimento obtém-se dela. 37 4.2.4 Tempo de empresa Gráfico 04 – Tempo de empresa Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. Em relação ao tempo de empresa, o Gráfico 04 apresenta que, apenas 4% dos respondentes (1 pessoa) trabalha há mais de 10 anos na empresa, esse número se justifica pelo fato de que a empresa possui menos de 14 anos de existência. O maior percentual encontrado foi dos funcionários que trabalham na empresa entre 4 e 6 anos, representando 50% dos pesquisados (11 pessoas). Já os que trabalham há menos de 1 ano na empresa representam 18% da pesquisa. O tempo de duração do funcionário na empresa é importante para identificar o nível de experiência deles no complexo turístico. A pesquisa revelou que metade dos funcionários que participaram da pesquisa possuem mais de quatro anos de empresa, o que representa um possível grau de maturidade deles em relação aos processos internos. 4.3 Quanto à qualificação profissional Nos gráficos a seguir, tem-se a representação gráfica das respostas dos funcionários, com relação à atual situação de sua qualificação profissional e se os mesmos recebem ou receberam investimento da empresa para sua qualificação. E a análise das perguntas elaboradas para o gestor do complexo, com o intuito de aprofundar-se na pesquisa. 38 4.3.1 Qualificação profissional nos últimos 12 meses Gráfico 05 – Qualificação Profissional nos últimos 12 meses Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. Foi perguntado aos respondentes se eles haviam passado por alguma qualificação profissional nos últimos 12 meses, e qual tipo de qualificação. Foram dadas as seguintes opções: línguas, informática e outros. Dos 22 respondentes, conforme Gráfico 05, 23% afirmaram não ter participado de nenhuma qualificação profissional no período perguntado. Os 77% dos respondentes (17 pessoas) que afirmaram ter passado por algum tipo de qualificação profissional, citaram cursos como Espanhol (1 pessoa), Inglês (3 pessoas), Atendimento ao Cliente (7 pessoas) e Liderança (4 pessoas), outros não especificaram qual tipo de qualificação passaram. Esses dados comprovam que apesar do nível de escolaridade não ser tão alto, a maioria dos respondentes passaram por algum tipo e qualificação profissional nos últimos doze meses. Esse tipo de conhecimento adquirido é considerado por Klein (2002), como conhecimento cognitivo, aquele que os profissionais atingem através de treinamentos e certificações. 39 4.3.2 Quantidade de treinamentos financiados pela empresa Gráfico 06 – Quantidade de treinamentos financiados pela empresa Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. O Gráfico 06 demonstra, que 61% dos respondentes (11 pessoas) participaram de mais de um treinamento financiado pela empresa nos últimos doze meses. Os demais respondentes participaram pelo menos de um treinamento financiado pelo Complexo, representando que todos os funcionários respondentes receberam algum tipo de qualificação custeada pela empresa. Ao perguntar ao gestor, quantos treinamentos tinham sido realizados nos últimos 12 meses, foi respondido que no período entre Março de 2013 e Março de 2014, foram realizados uma média de 40 treinamentos, correspondendo ao valor aproximado de R$ 35.000,00 investidos em qualificação para os funcionários. Foram realizados cursos de atendimento ao cliente, liderança, primeiros socorros, técnicas verticais, salvamento aquático, entre outros bem específicos como o de utilização de desfibrilador, para o serviço médico. Conforme entrevista com o gestor do Complexo, a empresa pretende investir fortemente em treinamentos em 2014. O entrevistado informa que, nos últimos três meses, já foram investidos R$ 20.000,00 em treinamentos totalmente voltados para área de atendimento ao cliente. Com isso, a empresa busca uma forte estratégia de diferenciação dos concorrentes, através da excelência no atendimento aos clientes. 40 4.3.3 Participação da empresa em cursos de Graduação ou Pós-Graduação Gráfico 07 – Participação da empresa em cursos de graduação e pós-graduação Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. O Gráfico acima mostra que apenas um dos respondentes, recebe ou recebeu participação financeira da empresa nas mensalidades dos cursos de graduação e pósgraduação. Esse número justifica o nível de escolaridade dos funcionários, não havendo um incentivo por parte do complexo em inserir os profissionais em um nível acadêmico. Na entrevista com o gestor do complexo, foi identificado que existe um programa de bolsa de estudos administrado pelo RH do Grupo, porém com orçamento muito limitado. O que justifica a pequena parcela de funcionários que recebem essa ajuda de custo. 4.4 Quanto ao alinhamento das estratégias competitivas organizacionais com a qualificação profissional no turismo É demonstrado nos gráficos a seguir, a percepção dos respondentes quanto ao seu papel dentro das estratégias competitivas organizacionais e a importância da qualificação profissional no turismo como fator de competitividade. 41 4.4.1 Conhecer o papel para o alcance da estratégia competitiva da empresa Gráfico 08 – Papel para o alcance da estratégia competitiva da empresa Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. Conforme Gráfico 08, a maioria dos respondentes (54%) concorda totalmente ao afirmar que conhece seu papel para o alcance das estratégias competitivas organizacionais, e os demais concordam parcialmente (32%), ou simplesmente concordam (14%). Ao perguntar ao gestor do complexo se os funcionários conheciam seu papel para o alcance das estratégias competitivas organizacionais, foi apontado pelo entrevistado que os funcionários com mais tempo de empresa possuem uma forte visão em relação ao seu papel nas estratégias, e o complexo procura orientar bem os novos funcionários para que eles possam ter ciência de sua importância dentro da organização. Tal fato justifica a resposta dos funcionários, em que 100% concordaram de alguma maneira com a afirmativa. Indicando que os funcionários reconhecem sua importância dentro da organização, como parte impulsionadora dos resultados competitivos do complexo. Essa informação demonstra que as estratégias organizacionais estão alinhadas com todos funcionários da organização, conduzindo a empresa a uma posição competitiva favorável, pois, conforme Barney e Hersterly (2011), a estratégia de uma empresa é definida como sua teoria para obter vantagens competitivas, estratégia bem definida e alinhada com toda a organização, é que realmente gera tais vantagens. 42 4.4.2 A importância da qualificação profissional no setor turismo Gráfico 09 – A importância da qualificação profissional no setor turismo Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. Ao perguntar sobre a importância da qualificação profissional no setor de turismo, 27% dos respondentes (6 pessoas) concordaram com a afirmativa e 73% (16 pessoas) concordam totalmente. O gestor também concordou com essa importância ao afirmar que o setor de turismo é feito essencialmente por pessoas, e quando elas são capacitadas e qualificadas, atendem bem, conseguem agradar ao cliente, gerando resultados positivos para a empresa através da satisfação deles. Tal fato indica que os funcionários dessa empresa reconhecem a relevância da capacitação e qualificação dos profissionais da área de turismo, uma vez que possuem contato direto com os clientes. Catramby e Costa (2004) reforçam o fato, ao afirmar que a qualidade dos serviços prestados no turismo, está diretamente ligada a qualificação da mão-de-obra. Nessa área é evidente a necessidade de qualificar os recursos humanos que lidam diretamente com o público. 43 4.4.3 A influência da qualificação profissional na competitividade Gráfico 10 – A influência da qualificação profissional na competitividade da empresa Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora, 2014. No Gráfico 10, é apresentado que 41% dos respondentes concordam totalmente com a afirmação: “a minha qualificação profissional afeta a competitividade da empresa”. Demonstrando que esses funcionários estão alinhados com a estratégia organizacional. Outros 14% discordaram dessa afirmação. Ao perguntar ao gestor qual a relação existente entre a qualificação profissional e as estratégias organizacionais competitivas, o entrevistado respondeu que a qualificação dos profissionais está diretamente ligada às estratégias da empresa. Conforme o entrevistado, (linha mestra) o fundamento das estratégias competitivas do complexo é capacitar e qualificar seus funcionários, para não só atender, mas encantar os clientes. Foi percebido que dentro das empresas é possível encontrar alguns funcionários que ainda não acreditam que a qualificação seja um aspecto favorável a eles e à empresa, ou que não influencie diretamente nos resultados obtidos. A maioria dos entrevistados, no entanto, acredita que sua qualificação afeta a competitividade da empresa, gerando, dessa forma, uma autogestão do conhecimento. Para Silva, Lucio e Barreto (2013), qualificar o funcionário significa elevar o patamar de competitividade empresarial, através do desenvolvimento, da instalação e da consolidação das competências críticas empresariais e humanas. 44 CONSIDERAÇÕES FINAIS A proposta desse trabalho foi evidenciar a importância da qualificação profissional no setor de turismo, tendo como objetivo geral identificar a relação existente entre a qualificação profissional e as estratégias competitivas em um complexo turístico no Estado do Ceará. Para melhor analisar os dados obtidos, foi levada em consideração a seguinte problemática: como a qualificação profissional no turismo gera diferencial competitivo em um complexo turístico no Estado do Ceará? Diante da problemática, foi aplicado um questionário aos funcionários e uma entrevista com o gerente do complexo turístico em estudo. Foram colocadas perguntas referentes à qualificação dos funcionários e à percepção dos mesmos diante das estratégias competitivas organizacionais. Ao analisar os dados obtidos na pesquisa, foi possível identificar que no complexo turístico são os profissionais da área de turismo que possuem o contato direto com o cliente, é através do desempenho do funcionário que vai ser determinada a imagem que o cliente vai levar da empresa. Para que se obtenha bons resultados e boa posição competitiva, faz-se necessário que os funcionários conheçam sua participação no que concerne às estratégias competitivas e, para isso, sejam devidamente qualificados. Quanto aos objetivos específicos deste trabalho, foi possível perceber, pelos resultados obtidos, que, de maneira geral, os funcionários do complexo em estudo, conhecem bem o seu papel como coadjuvantes no alcance das estratégias competitivas organizacionais. Essa informação demonstra que as estratégias estão alinhadas com todos da organização. Dessa forma, é possível levar a empresa a uma posição competitiva favorável. No que se refere à importância da qualificação profissional no turismo, identificou-se que os funcionários reconhecem a relevância da capacitação e da qualificação dos profissionais dessa área, uma vez que são eles que possuem contato direto com os usuários do serviço turístico. Tal fato indica que a empresa busca a conscientização de seus funcionários em relação a evidente necessidade de preparo profissional para lidar diretamente com o público. No tocante à influência da qualificação profissional na competitividade do complexo, observou-se certa divergência de opiniões entre os respondentes. Mesmo com a maioria dos funcionários concordando com a afirmativa de que a qualificação profissional afeta diretamente a competividade da empresa, percebeu-se que uma pequena parcela de 45 funcionários não sente que sua própria qualificação é responsável pelo nível de competitividade do complexo, ou que não influencia diretamente nos resultados obtidos. A maioria dos respondentes, no entanto, acredita que sua qualificação afeta a posição competitiva da empresa, gerando dessa forma uma autogestão do conhecimento, elevando o nível de competitividade empresarial, através do desenvolvimento de competências humanas. Em linhas gerais, pode-se perceber que o complexo turístico em estudo reconhece que a qualificação profissional está diretamente relacionada com as estratégias competitivas organizacionais. Apesar de algumas limitações, a empresa pode melhorar a elaboração do planejamento dos treinamentos ministrados, para que possam gerar resultados eficientes, capacitando melhor seus profissionais e medindo a eficiência dos treinamentos investidos. Ainda como sugestão, a empresa pode elaborar programas para incentivar os funcionários a um curso superior na área e a treinamentos mais voltados para área de turismo, como curso de idiomas. Os resultados obtidos com a presente pesquisa foram satisfatórios em relação à problemática, ao objetivo geral e aos objetivos específicos. É importante destacar que todas as análises foram repassadas para o gestor da empresa, para que possa contribuir com o desenvolvimento do complexo. Vale ressaltar, contudo, a necessidade de novos estudos sobre o tema, ficando como sugestão a análise da percepção dos clientes quanto a qualificação dos profissionais do complexo. 46 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Maria Margarida de. 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São Paulo: Atlas, 2009. 49 Apêndice A Questionário – Funcionários do Complexo Turístico 50 QUESTIONÁRIO Pesquisa de campo para a composição da monografia Pesquisadora: Mayara Nágila Silveira da Silva Orientadora: Professora Ms. Rosangela Soares de Oliveira Este questionário é um instrumento de pesquisa acadêmica, e tem como finalidade levantar informações para subsidiar a elaboração de uma monografia do curso de Administração da Faculdade Cearense. Por este instrumento, estamos objetivando obter informações sobre a qualificação profissional como estratégia competitiva em complexo turístico no Estado do Ceará. 1 - Qual a sua faixa etária? 18 - 25 anos 26 - 33 anos 34 - 41 anos 42 - 49 anos 50 - 58 anos Acima de 58 anos 2 - Qual seu nível de escolaridade? Ensino Médio Incompleto Ensino Médio Completo Superior Incompleto Superior Completo Pós-Graduação Incompleto Pós-Graduação Completo 3 - Que cargo você ocupa? 4 - Há quanto tempo você trabalha na empresa? Menos de 1 ano De 1 - 3 anos De 4 - 6 anos De 7 - 9 anos De 10 - 12 anos Acima de 12 anos 5 -Você passou por alguma qualificação nos últimos 12 meses? Sim Não Línguas - Qual? ____________________________________ Informática - Qual? __________________________________ Outros - Qual? _____________________________________ 6 - Participou de quantos treinamentos financiado pela empresa nos últimos 12 meses? Nenhum Apenas 1 De 2 - 3 Mais de 3 7 - Recebeu ou recebe ajuda de custo da empresa nos cursos de graduação ou pós-graduação? Sim Não 8 - Em que grau de concordância as afirmações listadas abaixo refletem a sua realidade. Utilize a escala de 0 a 5 para atribuir notas para o seu grau de concordância com cada afirmação. Discordo Totalmente 0 0,5 Concordo Parcialmente Discordo 1,0 1,5 2,0 2,5 Afirmativas (Seu ponto de vista) Conheço meu papel para o alcance da estratégia competitiva da empresa A qualificação profissional é muito importante no setor de turismo A minha qualificação profissional afeta a competitividade da empresa Concordo Totalmente Concordo 3,0 3,5 4,0 4,5 Grau de Concordância (0 - 5) 5,0 51 Apêndice B Roteiro de Entrevista – Gerente do Complexo Turístico 52 ROTEIRO DE ENTREVISTA Pesquisa de campo para a composição da monografia Pesquisadora: Mayara Nágila Silveira da Silva Orientadora: Professora Ms. Rosangela Soares de Oliveira Cargo: ____________________________ Formação:__________________________ Tempo de empresa: __________________ 1 – Você considera a qualificação profissional importante no setor turístico? 2 - Em sua opinião, qual a relação existente entre a qualificação profissional e as estratégias organizacionais competitivas? 3 - O Complexo consegue alinhar suas estratégias de gestão de pessoas e a estratégia competitiva organizacional? 4 - O Complexo consegue executar a sua estratégia competitiva organizacional? 5 - Os funcionários conhecem seu papel para o alcance da estratégia competitiva organizacional? 6 - Quantos treinamentos foram executados para os funcionários nos últimos doze meses? 7 - Quanto foi investido em treinamento de funcionários nos últimos doze meses? 8 - O complexo financia de formal parcial ou integral curso de idiomas para seus funcionários? Se sim quantos funcionários receberam esse financiamento nos últimos doze meses? 9 - O complexo financia de formal parcial ou integral curso de graduação e pós-graduação para seus funcionários? Se sim quantos funcionários receberam esse financiamento nos últimos doze meses? 10 – Qual o percentual do valor investido em capacitações e financiamentos de estudos para os colaboradores representa em cima do faturamento do Complexo? 11 – Como é elaborada a grade de treinamentos dos colaboradores? É realizado algum bechmarking com empresas do mesmo ramo? 12 – O complexo mede a eficiência da qualificação profissional de seus colaboradores?