Escola de Comunicação, Artes e Tecnologias da Informação
Licenciatura: Ciências da Comunicação e da Cultura
Ano Letivo 2011 / 2012
5.º Semestre – 3.º Ano
Cadeira: Intervenção e Animação Cultural
Docente: Dr.º Luís Cláudio Ribeiro
Discente: Hernâni de Lemos Figueiredo
Nu, de Silva Porto
janeiro de 2012
Os sinceros agradecimentos ao Mestre João Mário,
proprietário do “Museu João Mário, Espaço de Arte Figurativa
Naturalista”, de Alenquer, pela disponibilidade mostrada, tanto na
facultação de documentação alusiva a Silva Porto, como na
"desmontagem” e explicação do quadro “nu”, ali exposto.
Nu, de Silva Porto
ÍNDICE
I - O nu na obra de silva porto ............................................................................................................. 4
Análise do “nu” ......................................................................................................................................... 6
II – No tempo de Silva Porto ............................................................................................................... 8
Europa ....................................................................................................................................................... 8
Portugal ..................................................................................................................................................... 9
III – António Carvalho da Silva Porto ................................................................................................ 11
O pintor ...................................................................................................................................................11
As influências...........................................................................................................................................12
Época em que ele introduziu o figurativo em Portugal ..........................................................................14
Homenagens póstumas ...........................................................................................................................14
Os discípulos............................................................................................................................................15
O Estado Novo e a sua obra ....................................................................................................................16
IV - Porquê esta escolha? ................................................................................................................. 16
V – Conclusão .................................................................................................................................. 17
VI - Índice de fotografias .................................................................................................................. 18
VII - Notas ....................................................................................................................................... 19
VIII - Bibliografia ……………………………………………………………………………………………………………………………………23
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
3
Nu, de Silva Porto
I - O NU NA OBRA DE SILVA PORTO
Foto 1 – Silva Porto, Nu
masculino, Academia (18711873)
.
Foto 2 – Silva Porto, Nu Masculino,
Academia (1871-1873)
Silva Porto, pintor de ar livre que encontrou o melhor de si em
espontâneos registos de natural, o nu é uma raridade na sua
pintura, sugerindo uma época de estudo e de experiência. No
entanto, deixou um registo onde o “Nu” agora em análise institui
algum significado, apesar da reconhecida dificuldade de se
encontrar trabalhos que consigam corporalizar a comunhão do
Nu com a Arte e de poucos artistas conseguirem superar este
desafio. “A beleza e sensualidade do nu, por muitas vezes
confundida com o vulgar, é a própria essência da arte. O corpo
humano é a fonte de quase todas as inspirações. A nudez é
sempre inquietante, instigadora e bela. Por isso o artista, seja na
pintura, escultura, na dança ou fotografia, encontra no corpo nu
uma profunda ligação com a pureza do ser. É a sensualidade que
move a criação em todos os sentidos. É a sensualidade que evoca
o amor, a paixão e a criação do homem. Por isso a nudez nos toca
tanto e tão profundamente. É o lúdico prazer de vivenciar a nossa
própria encarnação”.1
Desde o tempo da iniciação, Silva Porto apresentou alguma
sensibilidade para o nu humano. Era um período de desenhos de
aprendizagem (saliente-se que o “nu” em análise foi pintado
sobre um desenho). Nessa época, quando se reclamava uma nova
reforma do ensino artístico, Andrade Ferreira declarava que “é no
desenho que os alunos devem concentrar a maior força e
assiduidade da sua aplicação. O desenho para a pintura é o
mesmo que aritthemética para as mathemáticas”.2
Em 1865, Silva Porto inicia a frequência na Academia
portuense na aula de Desenho Histórico como aluno do professor
Almeida Furtado (1813-1901)3, ficando circunscrito às obras
existentes no espólio da Academia. A rigorosa normatividade dos
exercícios não permitia uma individualização da linguagem, e
conduzia, pela utilização dos mesmos modelos em gesso e
gravuras, a uma espantosa semelhança entre as imagens
produzidas pelos alunos.
O conjunto de obras, catalogadas e imputadas a este primeiro
ciclo de formação na Academia do Porto, é satisfatório para se
compreender o padrão de aprendizagem cometido. Neste
período, distinguem-se as Academias de modelo ao vivo, como
seria de crer num curso de Pintura Histórica que não tinha ensino
de Paisagem. Aos seus desenhos de modelo antigo seguiram-se
as cópias em gesso das estátuas clássicas “Efebeu nu” e
“Escravo”. Os exercícios académicos sucedâneos, novamente com
carvão e esfuminho, orientavam agora o aluno no entendimento
das medidas e dos cânones, capazes de transmitir o sentido ideal
que se devia aplicar à arte como “correção” da Natureza.4
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
Foto 3 – Silva Porto, Academia
(1874) Sob direcção de Mr.
Cabanel
Foto 4 – Silva Porto, Nu Itália
(1877)
A sua inscrição no curso de Escultura, em simultâneo com o de
Arquitetura, tê-lo-á conduzido ao aprofundamento do
conhecimento da figura humana5 e da anatomia6. Com efeito,
após o desenho de ornatos, estampas e réplicas em gesso das
estátuas clássicas, o desenho de modelo ao vivo constituía um
dos últimos exercícios da aprendizagem. O primeiro, de 1870,
representa um homem adulto, barbado, em pé, de frente para o
espetador, a mão direita na nuca, segurando com a esquerda um
bastão; o segundo, datado de 1873, mostra-nos um jovem em
pé, o pé direito assente num estrado, a mão do mesmo lado
contra o rosto, em atitude de meditação.7
Embora não datado, são considerados deste período outras
três academias: “nu masculino”, óleo sobre tela, de 505x327,
assinado “A. C. S. Porto; “nu masculino”, óleo sobre tela, de
564x415, assinado pelo filho do pintor, Carlos Alberto da Silva
Porto; “busto masculino”, óleo sobre tela, de 542x370, sem
assinatura, sendo as duas últimas academias da coleção da
família.
Já em Paris, regressa aos exercícios académicos. Desenhos de
estátua, um de modelo helenístico, sem datação mas com a
inscrição “Cour de M. Ivon” e outro de discóbolo, datado de
19.6.18748, foram provas de pensionista, enviadas para a
Academia portuense, assim como o “nu masculino” a representar
um homem de pé, de costas, segurando um bastão, e assinado
“S. Porto. Paris. 1875”9, feito “sous la direction de M. Cabanel”
(com procedimentos técnicos feitos e formais idênticos aos que o
pintor praticara em Portugal) e, ainda, uma outra academia “pelo
modelo vivo, sob direcção de Mr. Cabanel”, de 1874.10
Entretanto vai para Itália. Depressa deixará Roma a caminho
do sul onde escolhe Capri para uma estadia mais prolongada.
Tem então oportunidade de exercitar a pintura da figura,
“porque os modelos eram baratos”, como escreverá ao seu
amigo Marques de Oliveira (1853-1927)11, que ficara em Roma. É
desse tempo o “Nu” de mulher deitada, com as mãos atrás da
nuca e apoiada no cotovelo esquerdo.12. Uma singularidade, este
nu feminino, sugerindo uma época de estudo e de experiência.
Estavam concluídos para Silva Porto os anos de aprendizagem.
De regresso a Paris, prepara a sua participação na “Salon” de
1878 e na Exposição Universal. Neste mesmo ano viaja pela
Bélgica, Holanda e Inglaterra, e regressa a Portugal.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
Análise do “nu”
É consensual que o “nu” que estamos a estudar foi
trabalhado em Paris. Não só pelo carimbo que está
nas costas da tela, onde se pode ver, com alguma
dificuldade, a palavra “Paris”, mas também pela
influência que recebeu de Cabanel (1823-1889)13. É
um estudo de aprendizagem “não premeditado”,
com um modelo nu à vista, o que era corrente na
época. Numa inicial análise sobre o grafismo
pictórico desta tela de 600x800, primeiro verificamos
a existência de um desenho subjacente, a lápis, e da
aplicação de um fixador. Depois, sobre a disposição
das pinceladas, verificamos a pintura a óleo, com
pincel, numa única camada. Finalmente, numa
observação cromática, verificamos que o corpo tem
a “cor da carnação” e o fundo está pintado em tons
de verde e castanho. Este quadro vem assinado “A.
Silva Porto”, e não tem datação.
Foto 5 – Silva Porto, Nu, Academia (1873-1878)
O modo minucioso como Silva Porto aqui
representa a figura humana, não é habitual nos seus
muitos trabalhos, onde isso raramente acontece,
exceção feita às academias, o que sugere uma
inapetência pelo corpo em si que, aliás, estudou e
tratou com correção académica. O que vemos nesta
Academia “Nu” é uma imagem isolada no eixo
principal: a figura de um homem, constituindo o
motivo forte, a centralidade do quadro.
Mas afinal o que é a imagem? O que há para além,
nesta imagem representativa do nu de Silva Porto?
“Ela designa algo que, embora não remetendo
sempre para o visível, toma de empréstimo alguns
traços ao visual”, como nos diz Martine Joly? “Se a
imagem é de uma certa maneira limite do sentido, é
a uma verdadeira ontologia da significação que ela
permite chegar. Como é que o sentido vem à
imagem? Onde acaba o sentido? E se ele acaba, o
que há para além dele?”, questiona Roland
Barthes.14. “O mais notável é que, apesar da
diversidade dos significados desta palavra (imagem),
compreendemo-la. Compreendemos que ela designa
algo que, embora não remetendo sempre para o
visível, toma de empréstimo alguns traços ao
visual”.15
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
A imagem centralizada do nu de Silva Porto
manifesta uma postura solitária e desolada que
aparece investida de intencionalidade, que coincide
com melancolia e tristeza. O homem apresenta-se
voltado para o observador do quadro, está sentado
sobre uma qualquer base coberta por um pano
escuro, acastanhado. Tem o corpo ligeiramente
curvado para diante e a perna direita curvada de
modo a que o seu pé assente na base. Os dois braços
cruzados nas costas e a cabeça suavemente inclinada
para a frente, um tanto para o seu lado direito,
denotam um desprendimento imaculado e uma
impotência irracional, pondo em evidência a
melancolia muito marcada do personagem, no
silêncio dramático da sua solidão.
Este quadro de Silva Porto foi leiloado seis meses
após a sua morte, num leilão promovido pela viúva,
incluído num lote de 50 obras “danificadas”.
Atualmente encontra-se no Museu João Mário, um
espaço de arte figurativa naturalista, em Alenquer.
Foi adquirido numa exposição de Arte Antiga, em
Leiria, à Galeria Capitel. Desconhece-se como foi lá
parar. Ainda se apresentava danificado.
Foi restaurado na Fundação Ricardo Espírito Santo.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
II – NO TEMPO DE SILVA PORTO
Europa
Foto 6 - Anónimo, Inicio da
Revolução Industrial em Inglaterra
Entre meados do século XIX e inícios do século XX, a Europa
vive um tempo de enormes transformações. Em consequência de
uma vaga de revoluções industriais16 e agrícolas, liberais e
demográficas, a Europa vê-se perante uma série de reformas que
abalam toda a estrutura social. A estabilidade politica provocada
pelo triunfo e consolidação das democracias liberais, tem as suas
consequências na demografia do território, e também nos
campos cultural e social, e origina o aparecimento de uma classe
média de grande significado, tanto quanto ao seu número como à
sua importância na estabilidade social. O seu aparecimento
introduz uma sensibilidade mais cultural na sociedade.
A ruralidade com a sua segurança e solidez cultural e social
não consegue anular o “chamamento” da cidade, onde agora
tudo se passa, onde se abre um espaço para o lazer, onde se
valorizam coisas até aí inexistentes, como os teatros, as óperas e
os cafés-concerto, por exemplo. A estabilidade politica e social
traz consigo forçosamente a estabilidade económica, e esta
refletir-se-á numa melhoria das condições de vida das pessoas.
Todas estas estabilidades, politica, social e económica, potenciam
uma maior abertura à cultura e às suas expressões mais
significativas como a música, a literatura, o bailado e a pintura,
entre muitas outras.
A pintura não foge a esta mudança que alastra um pouco por
toda a Europa. São os anos do triunfo do Género, da estetização
do popular. Ele atinge uma emancipação completa, bem como
uma vitória, sobretudo no confronto com a pintura histórica, cujo
peso da tradição ainda dita as regras no panorama artístico
ocidental. Altera-se principalmente a predisposição do pintor em
relação à sua própria criação, reforma-se o conceito e o
sentimento que este tem face à sua própria obra, libertando-a de
todos os institucionalismos e academismos até aí quase impostos.
E esta nova maneira de ver a sua obra, faz com o pintor seja não
só o produtor mas também o fruidor da sua própria arte.
Multiplicam-se as correntes artísticas, criam-se novas técnicas
de pintura e alarga-se o consumo e a venda de objetos artísticos.
A pintura adquire novas funções. E, quando à maneira como ela
se cria, assiste-se à oposição entre uma maioria que tem a
tendência a conservar raízes académicas impostas por escolas e
antigos mestres, e uma minoria que deseja inovar e mudar toda a
origem da pintura deste período moderno.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
Portugal
Foto 7- P. A. Quillard. Dança do
Outavado (1743)
Foto 8 - Delerive, Embarque de dom
João, príncipe regente de Portugal,
para o Brasil em 27 de novembro de
1807.
Foto 9 - Delerive, Os Aguadeiros
(1801)
No século XVIII, em Portugal, ainda existe uma perseverança
muito vincada de uma mentalidade artística conservadora e
apegada à “pintura histórica”, que insiste em amarrar os artistas
nacionais a raízes antigas, do foro clássico e arcaico. E os críticos
sustentam uma convicta condenação a um estilo que consideram
desprezível, acusando flamengos e franceses de fazerem
imitações exatas e servis da natureza. Para além disso, os
próprios portugueses, desconhecedores, ou com um
conhecimento reduzido, das artes plásticas, não evidenciam o
interesse e o conhecimento imprescindível para que este ramo
triunfe. Contudo, isso não impede que o gosto por esse tipo de
obras de arte esteja bem patente nas coleções de nobres,
prelados e particulares, recheadas com inúmeros quadros
seiscentistas da escola flamenga e holandesa, adquiridos nos
mercados e leilões internacionais.
As tentativas para a inovação são frouxas e inconsequentes,
como as obras de Cavaleiro de Faria, por exemplo. Uma das
poucas exceções, a gravura de Pierre-Antoine Quillard, “Dança do
Outavado”, um “apontamento galante e campestre (…) no seio de
uma formação francesa rococó. Contudo, para além da idílica
figuração aristocrática, também representa já, de forma inédita,
festas rurais, pastores, interiores de estalagens, quintas, e até
mesmo danças típicas populares portuguesas”.
Nesta época são muito populares as pinturas de
“bambochata”17, que retratam os aspetos típicos da vida rural e
urbana, dos costumes populares, representada em numerosas
coleções da época, tendo-se nela aplicado diversos artistas, como
o pintor Nicolau Monteiro ( que se dedicou ao fabrico de figuras
para presépios. Foram os anos da chegada a Portugal de Jean
Pillement (1728-1808)18, Alexandre-Jean Noël (1752-1834)19 e
Nicolas Delerive (1755-1818)20 que, embora mais voltados para o
paisagismo, envolveram as suas vistas com costumes rurais,
figurando pescadores, aldeões, peregrinos, lavadeiras, pastores e
camponeses. Trata-se efetivamente da primeira grande
apropriação de um universo da realidade rural e popular
portuguesa, que constitui em si um marcante registo. No entanto,
esta visão é feita do exterior, tanto cultural, como socialmente,
constituindo uma forma idealizada, preconcebida. Destaque para
Delerive, que fugindo à Revolução Francesa aqui residiu com a
mulher até ao fim da vida. Ele mostrava-se mais preocupado com
a pintura de género e menos com a paisagem. Sem dúvida, foi o
melhor intérprete dos costumes e tipos populares portugueses,
sobretudo de ambientes urbanos. O pintor Delerive «sahia ás
praças e aos campos a desenhar, e a pintar arvores, animaes,
paizanos, etc.»21
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
9
Nu, de Silva Porto
É desta época o exemplar trabalho do barrista Machado de
Castro (1731-1822)22 com os seus famosos presépios. E pouco
mais há assinalar no escasso cenário da arte portuguesa da
segunda metade do século XVIII.
Foto 10 - Augusto Roquemont. O
Chafariz de Guimarães (1842)
Na viragem para a primeira metade do século XIX são ainda
alguns artistas estrangeiros que prosseguem esta inclinação para
pintar os costumes portugueses. Primeiro, os franceses, que
chegaram com os militares da Guerra Peninsular (1807-1814)23;
depois, os ingleses, que se notabilizaram com a fuga da corte
para o Brasil. Com a paz no terreno, é restabelecida a tradição e o
estilo por intermédio de alguns artistas como Cristino da Silva
(1829-1877)24 ou Auguste Roquemont (1804-1852),25 entre
outros. Entre essas pinturas de género, com varinas e
camponesas, figuravam personagens típicas das regiões
nortenhas de Entre Douro e Minho.
Foto 11 - Cristino da Silva, Cinco
Artistas em Sintra (1855)
É um período de estagnação, sobretudo devido aos
sobressaltos políticos e sociais protagonizados pela Regeneração.
E adivinham-se diversas transformações, distintas entre si, sem
que com isso se consiga anular a discrepância visível que existe
com as modificações artísticas que ocorrem na Europa. Por parte
dos artistas nacionais há um desconhecimento quase total em
relação aos movimentos artísticos europeus, assim como da
Europa em relação aos artistas nacionais. A projeção dos nossos
artistas é escassa, e aqueles que realmente sobressaem são os
que abalam do país e têm uma formação no estrangeiro, como o
caso de Silva Porto.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
10
Nu, de Silva Porto
III – ANTÓNIO CARVALHO DA SILVA PORTO
O pintor
Foto 11 - Auto-retrato (ainda na
Academia)
António Carvalho da Silva Porto nasceu a 11 de novembro de
1850, no Porto, e morreu em Lisboa a 1 de julho de 1893. Era
filho de António Silva Carvalho, cinzelador e latoeiro, e de
Margarida da Silva Carvalho, uma “eximia” bordadeira, premiada
pela Associação Industrial do Porto, em 1857 e 1861. Em 1867, o
jovem António, concluída a instrução primária matricula-se na
Escola Industrial, que frequentou até 1867. Serão desta data os
seus primeiros trabalhos artísticos: desenhos, aguarelas e
numerosas esculturas miniaturais sobre caroços de fruta. No ano
de 1865 é aluno da Academia Portuense de Belas Artes, na Aula
de Desenho Histórico, dirigida por Almeida Furtado (18131901)26. Neste mesmo ano frequenta e conclui os Cursos de
Pintura Histórica onde obtém a nota de 20 valores, e de
Escultura, onde consegue 18 valores. Na Aula de Pintura foi aluno
de João António Correia (1822-1896)27. No ano de 1869, participa
na 10.ª Exposição Trienal da APBA28 com 7 desenhos, 7 esculturas
e 7 desenhos de arquitetura.
Em 1873 inscreve-se no Concurso de Pintura de Paisagem para
o Pensionato Português, em Paris, que disputa a Artur Lourenço.
Após renúncia deste, em 30 de agosto é aprovado por
unanimidade como “único concorrente em Paisagem”. A 29 de
outubro, parte de Lisboa para Paris em companhia de João
Marques de Oliveira, pensionista de Pintura Histórica. No ano
seguinte, 1874, frequenta a Escola Nacional Especial de Belas
Artes de Paris, sendo aluno de Cabanel (1823-1889), Yvon (18171893)29, Groiseilliez (1837-1880)30 e Beauverie (1839-1924)31. Por
iniciativa própria pratica paisagem de ar livre em Barbizon e
depois em Auvers-sur-Oise32, convivendo com Karl Daubigny
(1846-1886)33, filho de Charles Daubigny. Ainda participa na 11.ª
Exposição Trienal da APBA34 com 11 estudos escolares e 2
paisagens realizadas nos arredores de Paris. Em 1876, como
aluno de Cabanel e Groiseilliez, participa no Salon de Paris.
Em 1877 enceta uma viagem a Itália com Marques de Oliveira,
visitando Florença, Nápoles, Capri e Roma, onde nesta última
cidade convive com Artur Loureiro. No ano seguinte regressa a
Paris. Visita a Bélgica, Holanda e Inglaterra. Participa na 12.ª
Exposição Trienal da APBA com 1 desenho e 11 pinturas a óleo.
Ainda participa no Salon. Integra a representação portuguesa à
Exposição Universal de Paris.
A 27 de abril de 1879 regressa ao Porto depois de passar por
Espanha. É proposto, pelo vice-inspector da ABAL35, para reger a
cadeira de Paisagem daquela Academia, e é aceite por
unanimidade em conferência de 26 de abril. Ainda é nomeado
académico de mérito.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
11
Nu, de Silva Porto
Foto 12 – Columbano, Grupo do
Leão (1885)
No ano de 1880 contribuiu com o desenho do “Carro de
Guerra” para o cortejo camoniano comemorativo dos 300 anos
da morte de Luís de Camões36. Em 1881 começou a visitar a
cervejaria “Leão d’Ouro”, um local frequentado por homens de
letras e artistas, e foi um dos principais convivas do "Grupo do
Leão" (1881/1889)37, composto, entre outros, por José Malhoa,
Columbano Bordalo Pinheiro, João Vaz e António Ramalho. Neste
ano vai a Espanha, participa em Madrid na Exposicion General de
Belas Artes comemorativa do centenário de Calderon, com 10
óleos, e obtém o hábito da Ordem de Carlos III.
Casa com Adelaide Torres Pereira a 6 de fevereiro de 1882. Em
1883, obtém a nomeação definitiva como Professor de Paisagem
na ABAL. Neste ano propõe na ABAL a obrigatoriedade de
tratamento de temas animalistas (acrescentados aos da
Paisagem), para os pensionistas do Estado no Estrangeiro. Em
1890 é escolhido para Presidente do recém-formado Grémio
Artístico. Até 1893, os seus óleos estão presentes em diversas
exposições.
As influências
Foto 13 –Courbet, O sono (1866)
A pintura naturalista e realista europeia, apesar de surgir mais
cedo na Europa (por volta de 1830/1850) que em Portugal,
assenta nas mesmas bases. Maior realismo nas cenas pintadas,
um gosto pela natureza observável que deverá ser representado
com a maior fidelidade e minúcia. O principal objetivo é pintar a
vida tal como ela é, tanto da vida citadina, como as temáticas
rurais, sempre locais onde se refletisse uma realidade social
verdadeira.
Desta nova vontade de criar surge, a escola de Barbizon (18301870)38, que tem o seu pico de importância por volta de 1848.
Formado por um conjunto de pintores franceses, concentra um
grupo de artistas de acentuação romântica e de uma natureza
lírica dominada ainda por algum romantismo. Com claras
influências das paisagens inglesas, o grupo de Barbizon
estabelece-se assim próximo ao povoado de Barbizon, nas
cercanias do bosque de Fontainebleau, deixando a agitada
movimentação de Paris.
A pintura deste grupo assume um papel importante na
paisagem francesa e em alguma parte, na génese da arte
impressionista, uma vez que trata de figurar paisagens, com o
estudo direto do natural. Os pintores tratam de capturar imagens
e momentos únicos, campestres, de um isolamento rural e
simples, utilizando para isso uma das inovações que o mundo
industrial lançara: cavaletes portáteis, estojos e tubos de tinta
sintética. Acabam por manter uma ideologia realista, com um
leve apontamento romântico.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
12
Nu, de Silva Porto
Os pintores do grupo de Barbizon elaboram os esboços no
próprio campo e eventualmente terminam-nos em atelier.
Estudam e fazem uma análise, quase clínica à natureza
percetível, produzindo um dramatismo sentimental às obras.
Associados a este grupo temos alguns dos mais conhecidos
pintores como Corot (1796-1875)39, que não estando associado a
nenhuma escola, traz influência do século XVIII, sobretudo no
que toca a uma sobriedade clássica na com posição dos seus
quadros realistas de paisagens e retratos; Delacroix (17981863)40, cuja obra se foca na voluptuosidade ao estilo de Rubens,
a expressividade cromática advinda do paisagista Turner e num
sentimento meio patético, influência de Géricault.
Foto 14 - Millet, As Respigadeiras
(1857)
Também Millet (1814-1875)41 é associado a este grupo.
Conhecido como o pintor dos camponeses, partiu também para
Paris, frequentando ateliers privados. Em 1840, ganhava a vida
como retratista, sendo o seu período mais rico entre 43 e 46.
Estabelece-se em Barbizon em 1849 onde passou o resto da sua
vida. O espírito do público de Millet estava associado a Courbet
na renovação de um naturalismo capaz de rivalizar com os estilos
aceites do classicismo e do romantismo. O seu desejo era
mostrar as transformações sociais, “a transferência em massa
das populações rurais, para as cidades industriais em plena
expansão”.42 Nos anos 50 pinta principalmente representações de
homens e mulheres a trabalhar no campo, criando formas
monumentais e poses estáticas. Executou trabalhos de pequenos
tamanhos, desenhos e pinturas, e em 1860 pinta quase única e
exclusivamente paisagens (que representam os campos em
Barbizon), muito por influência do seu amigo Rousseau (18121867)43, “chefe” na linha da frente da escola de Barbizon.
Transmite sobretudo a relação do Homem com a natureza. O
estilo Impressionista prolifera por toda a Europa. Esta corrente
inicia-se no ano de 1874, com o fotógrafo Nadar (1820-1910)44 e
uma exposição feita no seu atelier, onde Monet (1840-1926)45
expõe a sua obra “Impressão, Sol Nascente” (1869).
Apesar de quase nenhumas das orientações gerais do
impressionismo corresponderem à pintura de Silva Porto, este vai
buscar algumas das suas bases à tão famosa corrente, sobretudo
no que diz respeito aos efeitos de ótica e jogos de luz e
contrastes de luz e sombra e da vontade recente de pintar no
exterior (algo facilitado, como já havíamos dito, pela revolução
industrial).
Finalmente, uma última influência do artista será a arte italiana
deste período, principalmente a produzida no Sul. O ecletismo
dominou a sua obra.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
13
Nu, de Silva Porto
Época em que introduziu o figurativo em Portugal
Foto 15 - Silva Porto,
Guardando o rebanho (1893)
Natureza, e seus elementos (sol, árvores, pasto, animais, rios),
não forneciam contexto para festejos ou comemorações,
momentos de tensão ou cansaço. Simbolizavam antes uma
devoção do homem ao que a terra tinha para oferecer. Esta
atitude quase reverencial acabaria também por situar Silva Porto
longe das posições reivindicativas da maioria dos realistas
franceses que não se coibiram tanto na arte, como na vida
política, de intervir de forma empenhada na realidade social,
revelando, por vezes, fortes simpatias socialistas. Apolítica, a
pintura de Silva Porto acabaria, facilmente, por ser usada para
fins propagandísticos durante o Estado Novo.
Nascido e educado num País que permanecia indeciso entre o
desafio do progresso e o conforto da tradição que o ruralismo
oferecia, Silva Porto limitou-se a abraçar a segurança da vida
provinciana.
Homenagens póstumas
Foto 16 - Monumento a
Silva Porto (Lisboa).
Foram várias as homenagens póstumas a Silva Porto: Por
iniciativa da Escola de Belas Artes de Lisboa, foi inaugurada no
dia 6 de junho de 1894, a Exposição dos Trabalhos de Silva Porto
(205 peças, óleo e desenho). Na sede do Grémio Artístico foi
inauguro o Retrato de Silva Porto, da autoria de Luciano Freire
(1864-1935)46 (12 de maio de 1895). Inauguração do jazigo de
Silva Porto no Cemitério do Alto de São João, a 1 de junho de
1897. No ano de 1921 foi inaugurado o Monumento a Silva Porto,
em Benfica. Em 1934 decorreram as homenagens citadinas, no
Porto.
Em 1944 foi colocada uma lápide no local onde Silva Porto
morreu.
Em 1950, houve Comemorações do Centenário do nascimento
do pintor, com exposições no Porto com 78 óleos e 7 desenhos, e
em Lisboa, com 109 óleos e 50 desenhos. Ainda neste ano foi
inaugurado no Porto um Monumento a Silva Porto.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
14
Nu, de Silva Porto
Os discípulos
Foto 17 – Malhoa, O Fado (1910)
A morte súbita de Silva Porto foi pretexto imediato para os
críticos justificarem o progressivo empobrecimento das
exposições do Grémio Artístico. Na verdade, a sua produção
artística, nos três primeiros certames em que ainda participara,
revelava já uma acentuada decadência técnica e poética em
relação à época do “Grupo do Leão”, porque o naturalismo
perdia o seu tempo histórico sem que os artistas mostrassem
qualquer empenhamento em abrir-se a novas propostas. Malhoa
em primeiro lugar, Columbano com maior particularidade,
manterão vivo o espírito da renovação de 1880 mas, entretanto,
outras figuras se anunciavam. Em primeiro lugar, Carlos Reis que,
em 1895, substituía Silva Porto como professor da Paisagem na
Academia de Belas Artes de Lisboa. Será à sua volta que o
“paisagismo português”, eivado de ruralismo e de narrativas de
género, cristalizará e, embora o sentido cenográfico da sua
pintura quase nada deva a Silva Porto, ele assumir-se-á pelos
cargos oficiais e pelas iniciativas próprias, como o seu principal
herdeiro e referência substitutiva para pintores de gerações
seguintes, de menor importância mas de empenhada iniciativa.
Logo em 1900, constituía-se a Sociedade Silva Porto, com
António Saúde (1875-1958), Falcão Trigoso (1879-1956)47 e Alves
Cardoso (1883-1930)48, a que se juntaram Armando Lucena
(1886-1975)49, Frederico Aires (1887-1963)50 e José Campas
(1888-1971)51. Em 1911 é a vez de aparecer o Grupo Ar Livre, com
os mesmos fundadores anteriores, mais Carlos Reis, Jaime Verde,
Ezequiel Pereira e Júlio Ramos. Em 1927, no refluxo do primeiro
Modernismo, seria fundado pela segunda vez o Grupo Silva
Porto, que se manteve ativo até à morte de Carlos Reis, em 1940.
Nesta altura, quarenta anos depois do “Grupo do Leão”, Malhoa,
Columbano e Teixeira Lopes, mantinham-se como mestres
insubstituíveis. O seu mais sincero discípulo foi Mário Augusto,
que praticou uma pintura de paixão pela paisagem.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
O Estado Novo e a sua obra
Foto 18 – Silva Porto, A Ceifa
(1884)
A população portuguesa pouco se desenvolvera e o isolamento
económico, social e político de Portugal compensava-se no culto
fantástico dos valores etnográficos, elaborados nos últimos vinte
anos do século XIX, o que não seria extraordinariamente grave se
houvesse público e iniciativas para os setores modernos. Todavia,
a sua inexistência explicará o arrastamento voluntário de muitos
“modernistas”: nos salões do Secretariado de Propaganda
Nacional da década de 1940, estes acabaram por se aproximar de
práticas naturalistas que, em consonância com a ideologia do
Salazarismo, se propunham como matriz quase exclusiva de uma
situação cultural. No entanto, este aproveitamento era mais feito
da obra de Malhoa52 do que da obra de Silva Porto, cujo nome se
encontrava reduzido a um ícone, no entanto bandeira
inquestionável porque evocava um prestigiado morto. A sua obra
estava identificada apenas com algumas das suas mais
significativas peças: a salmeja, a volta do mercado, os campinos,
e guardando o rebanho. Embora fosse uma obra apolítica, ela
não deixou de ser utilizada para a propaganda do Estado Novo. A
“Politica do Espírito” 53, de António Ferro, pôs fim ao ciclo
naturalista e foi uma vitória definitiva do Modernismo, mas
dentro de uma poderosa afirmação nacionalista.
IV - PORQUÊ ESTA ESCOLHA?
O NU, de Silva Porto, constitui o objeto da presente investigação.
É uma obra, em grande parte, mal conhecida, pouco divulgada e
nunca estudada. O objetivo deste trabalho visa contribuir para o
seu melhor conhecimento e difusão.
Se, por um lado, toda a obra de Silva Porto é admirada e reúne
um grande número de entusiastas, por outro lado, uma
circunscrita e inacabada historiografia, deixa de fora cerca de
uma dezena de obras, onde este Nu se inclui.
Tratando-se de uma licenciatura de Ciências da Comunicação e da
Cultura, porquê uma crítica duma obra de arte? Porquê
precisamente duma obra de Silva Porto? Por várias razões:
Primeiro, porque a vertente da licenciatura é precisamente em
Gestão da Cultura e de Artes; segundo, porque a “pintura”, e
mais precisamente o “Nu” de Silva Porto, enquadra-se nestas
duas perspetivas; terceiro, pelo desafio de “criticar” uma obra até
aqui liberta desse sentido, apesar dos riscos que isso transporta.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
V – CONCLUSÃO
Julgo não ser descabido associar o nome de Silva Porto à Escola de Barbizon. Sobretudo
porque a sua obra rompeu com o academismo adquirido na Escola de Belas Artes do Porto,
depois da sua formação em Paris, mais precisamente, após a experiência de Barbizon.
Convém recordar que, em França, a década de 70 do século XIX foram os anos do triunfo da
pintura ao ar livre, mais clara e liberta dos constrangimentos académicos. Os grandes mestres
de Barbizon morrem nessa época, contudo deixaram seguidores e deixaram, sobretudo, o
caminho aberto à geração dos impressionistas. A “Escola de Barbizon” foi certamente o
movimento mais unificador da pintura do século XIX. Ela continua a ser a “escola” que permite
ao público, através da pintura, apropriar-se do campo. A Île de France, região circundante de
Paris, forneceu os motivos principais, mas nas províncias mais afastadas, como Provença e a
Bretanha, desenvolveu-se uma arte um pouco diferente. Os artistas destas regiões traduziriam
as especificidades locais da paisagem, inspiraram-se nos costumes tradicionais e cederam
maios ao pitoresco do que fizera Millet quando representava os camponeses de Barbizon,
transformados através da sua arte, em figuras envoltas em mistérios.
Podemos pois pensar que Silva Porto, trabalhando ao lado dos pintores de Barbizon,
assimilou esta atitude e pôde, de regresso a Portugal, adotar essa nova visão da natureza às
paisagens do seu país.
Silva Porto, juntamente com Marques de Oliveira, seu parceiro de pensionato em Paris, é o
responsável pela introdução do Naturalismo em Portugal. Figura maior da pintura naturalista
portuguesa do século XIX, ele deixou-nos uma obra onde o Homem e a Natureza se encontram,
em harmonia, numa relação marcada pelo sentimentalismo e pela fidelidade à realidade do
campo.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
VI - ÍNDICE DE FOTOGRAFIAS
Foto 1 – Silva Porto, Nu masculino, Academia (1871-1873) ......................................................................... 4
Foto 2 – Silva Porto, Nu Masculino, Academia (1871-1873)......................................................................... 4
Foto 3 – Silva Porto, Academia (1874) Sob direcção de Mr. Cabanel ........................................................... 5
Foto 4 – Silva Porto, Nu Itália (1877)............................................................................................................. 5
Foto 5 – Silva Porto, Nu, Academia (1873-1878) .......................................................................................... 6
Foto 6 - Anónimo, Inicio da Revolução Industrial em Inglaterra .................................................................. 8
Foto 7- P. A. Quillard. Dança do Outavado (1743) ........................................................................................ 9
Foto 8 - Delerive, Embarque de dom João, príncipe regente de Portugal, para o Brasil em 27 de
novembro de 1807. ....................................................................................................................................... 9
Foto 9 - Delerive, Os Aguadeiros (1801) ....................................................................................................... 9
Foto 10 - Augusto Roquemont. O Chafariz de Guimarães (1842)...............................................................10
Foto 13 - Auto-retrato (ainda na Academia) ...............................................................................................11
Foto 14 – Columbano, Grupo do Leão (1885) .............................................................................................12
Foto 15 –Courbet, O sono (1866) ................................................................................................................12
Foto 16 - Millet, As Respigadeiras (1857) ...................................................................................................13
Foto 17 - Silva Porto, Guardando o rebanho (1893) ...................................................................................14
Foto 18 - Monumento a Silva Porto (Lisboa). .............................................................................................14
Foto 19 – Malhoa, O Fado (1910) ...............................................................................................................15
Foto 20 – Silva Porto, A Ceifa (1884) ...........................................................................................................16
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
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Nu, de Silva Porto
VII - NOTAS
1
Ariano Cavalcanti de Paula.
2
Citado por Margarida Calado, “O Ensino do Desenho. 1836-1987”, in O Risco inadiável. O Caderno de Desenho. ESBAL, 1988.
3
Tadeu Maria de Almeida Furtado (1813-1901), foi professor de desenho na Academia Portuense de Belas Artes desde 1834,
tendo-se tornado professor efetivo da mesma cadeira em 1868.
4
EFEBEU NU, desenho de estátua, carvão sobre papel, 460x310 e ESCRAVO, desenho de estátua, lápis sobre papel, 407x273, in
“Silva Porto, 1850-1893”, Museu Nacional de Soares dos Reis, 1993, p. 549.
5
Estudo de Antropometria. Rosto de jovem. Grafite sobre papel. 322x220. in “Silva Porto, 1850-1893”, Museu Nacional de
Soares dos Reis, 1993, p. 556.
6
Estudo de Anatomia. Músculos do dorso. Sanguínea e lápis sobre papel. 480x320. in “Silva Porto, 1850-1893”, Museu Nacional
de Soares dos Reis, 1993, p. 558.
7
Duas academias de carvão sobre papel de Nu masculino em pé, uma de 600x460 (1870), e a outra de 615x470 (1873).
Constituíram a primeira, prova final do 5.º Ano do Curso de Escultura, e que foi “julgado digno de primeiro lugar”. A outra,
prova de concurso ao pensionato em Paris. Estão guardadas na Escola de Belas Artes do Porto. in “Silva Porto, 1850-1893”,
Museu Nacional de Soares dos Reis, 1993, p. 559.
8
Desenho de Estátua helenística. Carvão sobre papel. 610x430, e Desenho de Estátua. Carvão sobre papel. 615x476. in “Silva
Porto, 1850-1893”, Museu Nacional de Soares dos Reis, 1993, p. 565 e 566.
9
Academia. Nu. Carvão sobre papel. 610x430. in “Silva Porto, 1850-1893”, Museu Nacional de Soares dos Reis, 1993, p. 566.
10
Óleo sobre tela, 620x460. Assinado “A. C. S. Porto” (1874). Segunda remessa das obras do pensionato de Paris. in “Silva
Porto, 1850-1893”, Museu Nacional de Soares dos Reis, 1993, p. 549.
11
João Marques da Silva Oliveira (1853-1927), pintor naturalista. Foi professor na Academia Portuense de Belas-Artes, onde
ocupou o lugar de diretor. Viveu em França de 1873 a 1879, com o seu colega Silva Porto. Os dois pintores são considerados os
introdutores do naturalismo em Portugal.
12
“Nu” Itália, óleo sobre tela, não assinado, de 1877, 470x995, no verso carimbo do Leilão Silva Porto, 1893, in “Silva Porto,
1850-1893”, Museu Nacional de Soares dos Reis, 1993, p. 164.
13
Alexandre Cabanel (1823-1889), foi um pintor francês, representante do Classicismo Académico. Dedicou-se a assuntos
históricos, mitológicos e religiosos. Foi também autor de retratos, paisagens e composições decorativas. Excelente aguarelista.
Em 1840 ingressou na École des Beaux Arts onde foi aluno de Picot. Mais tarde seria nomeado professor dessa famosa escola.
Apresentou-se várias vezes no “Salon” tendo sido premiado com uma medalha de segunda classe em 1852, uma de primeira
em 1855 e com a medalha de honra em 1865 e 1867. Amigo de Napoleão III, recebeu a incumbência de pintar importantes
obras para decoração dos palácios imperiais. Em Paris, foi um dos mestres de António da Silva Porto, João Marques de Oliveira,
Rodolfo Amoedo e Almeida Júnior.
14
BARTHES, Roland (1987), Retórica da imagem in O óbvio e o obtuso, Edições 70, Lisboa. p. 27.
15
JOLY, Martine (2007), Introdução à análise da imagem, Edições 70, Lisboa. p. 13.
16
A Revolução Industrial consistiu em um conjunto de mudanças tecnológicas com profundo impacto no processo produtivo
em nível económico e social. Iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, expandiu-se pelo mundo a partir do século XIX.
17
Bambochata. Pequeno quadro de costumes pitorescos.
18
Jean-Baptiste Pillement (1728-2808), foi um pintor e decorador francês. Em 1745, com apenas 17 anos de idade, partiu para
Espanha e Portugal, aí se empregando como decorador e pintor. Iniciava assim uma das carreiras mais cosmopolitas de
qualquer artista europeu da sua época, partindo para um périplo que o levaria às principais cidades europeias, de Lisboa a São
Petersburgo. Em Portugal foi-lhe oferecido o título de pintor real, que recusou. Apesar disso, dedicou vários anos a trabalhar
para a realeza portuguesa e para diversos membros da aristocracia e do grande comércio. De volta a Paris, foi em 1778
nomeado pintor da rainha Maria Antonieta, executando múltiplas pinturas decorativas no Petit Trianon. Na década de 1780
regressa a Portugal, onde funda uma escola. Faleceu em Lyon, na pobreza e no esquecimento.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
19
Nu, de Silva Porto
19
Alexandre Jean Noel (1752-1834), pintor e desenhista francês. Foi um dos principais pintores de paisagens dos finais do
século XVIII que esteve em Portugal. Depois de uma viagem à Califórnia onde, apenas com 16 anos, desenhou os nativos e os
seus hábitos. Regressou a Paris e começou uma carreira de pintor de paisagens, de paisagens urbanas e marítimas, tendo-se
especializado nesta ultima temática, tendo desenhado portos marítimos, batalhas navais, tempestades no mar e naufrágios.
20
Nicolas-Louis-Albert Delerive (1755-1818), foi um pintor francês, de ascendência espanhola. Esteve em Lisboa entre 1792 e
1797 e posteriormente entre 1800 e 1818. Como obra conhecida tem o “Embarque para o Brasil de D. João, Príncipe regente de
Portugal”.
21
Cirillo Volkmar MACHADO, Collecção de Memorias Relativas ás Vidas dos Pintores, e Escultores, Architectos, e Gravadores
Portuguezes..., Lisboa, Imp. de Victorino Rodrigues da Silva, 1823.
22
Joaquim Machado de Castro (1731-1822). Escultor português. Trabalhou nas obras do Palácio-Convento de Mafra. É da sua
autoria a estátua equestre de D. José que se encontra na Praça do Comércio. Outras obras suas encontram-se na Basílica da
Estrela, no Palácio Nacional da Ajuda e na Sé Catedral de Lisboa. Compôs um grande presépio para o convento da Estrela, outro
para D. Maria I, outro para D. Carlota Joaquina, outros para os príncipes, e outro que existe na sé de Lisboa.
23
A Guerra Peninsular, também conhecida em Portugal como as Invasões Francesas e em Espanha como Guerra da
Independência Espanhola, ocorreu no início do século XIX, entre 1807 e 1814, na Península Ibérica, e insere-se nas chamadas
Guerras Napoleónicas.
24
João Cristino da Silva. (1829-1877) foi um pintor português da época romântica. Iniciou os seus estudos em 1841 na
Academia de Belas Artes, onde mais tarde viria a ser professor e no período de 1847 a 1849. Foi o primeiro pintor português a
dedicar-se à pintura da paisagem. Na Exposição Universal de Paris de 1855 expôs a sua obra Cinco Artistas em Sintra. Em
Madrid expôs algumas das sua obras, tendo sido condecorado pelo rei Amadeu I. A partir de 1867 Cristino, passou a receber
um subsídio oficial, o que lhe permitiu viajar por França e Suíça, dando-lhe a possibilidade de contactar com a pintura desses
países. Esse contacto reforçou a aproximação da sua pintura do naturalismo.
25
Auguste Roquemont (1804-1852) foi um pintor português da época romântica. Era filho do Príncipe Auguste de Hesse.
Estudou em Itália, viveu em Paris e na Alemanha, e posteriormente em Portugal (Guimarães e Porto). Os seus quadros
representando costumes e tipos populares, eram mostrados de forma pioneira, na exposição trienal da Academia de Belas
Artes de Lisboa, em 1847, o que viria a causar sensação na época.
26
Tadeu Maria de Almeida Furtado (1813-1901), foi professor de desenho na Academia Portuense de Belas Artes desde 1834,
tendo-se tornado professor efetivo da mesma cadeira em 1868.
27
João António Correia (1822-1896). Pintor, professor e diretor da Academia Portuense de Belas Artes. Em 1851, foi nomeado
professor substituto da Aula de Pintura Histórica da Academia, vindo depois a ascender ao cargo de professor.Logo no primeiro
ano introduziu o modelo vivo e a Aula de Nu no programa da Aula de Desenho Histórico. Acompanhava de perto os alunos,
entre os quais se incluíram Soares dos Reis, Marques de Oliveira, Silva Porto, Henrique Pousão e Artur Loureiro e investia na
componente prática das aulas. Desempenhou o cargo de diretor da Academia Portuense de Belas Artes entre 25 de Outubro de
1882 até à data da sua morte, em 1896.
28
Academia Portuense de Belas-Artes.
29
Frédéric Adolphe Yvon (1817-1893), pintor francês, conhecido pelas suas pinturas de batalhas.
30
Marcelin de Groiseilliez (1837-1880).
31
Charles Joseph Beauverie (1839-1924).
32
Em Auvers Van Gogh, Vincent Willem van Gogh produz cerca de oitenta pinturas. (nesta época, Van Gogh pinta, em média,
um quadro por dia). Van Gogh dirige-se ao campo onde disparou um tiro contra o peito. Arrastou-se de volta à pensão onde se
instalara e onde morreu dois dias depois, nos braços de Theo. As suas últimas palavras, dirigidas a Theo, teriam sido: "La
tristesse durera toujours" (em francês, "A tristeza durará para sempre").
33
Karl Daubigny (1846-1886), pintor e um dos mais agradáveis paisagistas do século XIX.
34
APRA, Academia Portuense de Belas Artes.
35
ABAL, Academia de Belas-Artes de Lisboa.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
20
Nu, de Silva Porto
36
“Crónica Ocidental”, in O Ocidente. 15/6/1880. “A trasladação dos restos de Vasco da Gama e de Camões pelo Tejo, no longo
trajecto do outro lado do rio até Belém, foi um espectáculo épico. (…) Via-se que a curiosidade pública era muito mais digna e
mais concentrada quando passava, por exemplo, o carro da “Arte”, sobrepujado pela aérea e elegante estatueta do Génio,
moldada por Simões d’Almeida (…) O carro das “Colónias”, desenhado por Columbano Bordalo Pinheiro, era dum risco
elegante, (…) O carro da “Agricultura”, duma simplicidade elegantíssima, dum aspecto campesino e agrário verdadeiramente
encantador (…) O carro “militar”, um bastião severo e imponente traçado por Silva Porto, o eminente paisagista. Era, por assim
dizer, o carro das glórias da nossa velha cavalaria…”
37
O Grupo do Leão foi uma tertúlia de artistas portugueses que se reunia na Cervejaria Leão de Ouro em Lisboa, entre 1881 e
1889. O grupo contava com jovens artistas que viriam a destacar-se como Silva Porto, José Malhoa e os irmãos Rafael e
Columbano Bordalo Pinheiro, sendo responsável pela divulgação e pelo sucesso da pintura do Naturalismo em Portugal. Em
1885 o "Grupo do Leão" foi imortalizado num óleo sobre tela com o mesmo nome, da autoria do pintor Columbano Bordalo
Pinheiro.
38
Barbizon é uma comuna francesa, situada no departamento de Seine-et-Marne na região de Île-de-France. Dá nome a uma
escola de pintores, após Rousseau e Millet, líderes da escola, terem adotado a comuna como seu lar até a morte. A chamada
escola de Barbizon foi um movimento artístico que se sucedeu entre os anos de 1830 e 1870, integrado por um conjunto de
pintores franceses que se estabeleceram próximo ao povoado de Barbizon, nas cercanias do bosque de Fontainebleau,
deixando Paris, numa atitude de aberta oposição ao sistema vigente. Os pintores de Babizon integram o Realismo pictórico
francês, que com Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet e Théodore Rousseau reagiu ao formalismo do Romantismo
de um Delacroix.
39
Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875) foi um pintor realista francês. Durante viagem à Itália pintou "O Coliseu" (1825),
mostrando a sua formação essencialmente clássica e algumas inovações a nível da luz. De volta à França, abandonou o
academicismo em favor de um estilo paisagístico realista. Construiu então, uma pintura puramente paisagista, rural e citadina e
marcada pela mestria na gradação tonal de luzes e sombras e pelo rigor construtivo da composição. Após várias exposições sem
muito sucesso no Salão de Paris, começou a receber a atenção da crítica (1840), devido a quadros como "O Bosque de
Fontainebleau" e "O Pastorzinho", e ganhou a cruz da Legião de Honra (1846).
40
Ferdinand Victor Eugène Delacroix (1798-1863) foi um importante pintor francês do Romantismo. É considerado o mais
importante representante do romantismo francês. O seu primeiro quadro foi A Barca de Dante e algumas pessoas viram no
artista um grande talento como o de Rubens e com algumas semelhanças a Michelangelo. Em 1833, Delacroix foi contratado
para decorar o palácio do rei em Paris, o Palácio de Luxemburgo e a biblioteca de Saint-Sulpice.
41
Jean-François Millet (1814-1875) Pintor romântico e um dos fundadores da Escola de Barbizon na França rural. É conhecido
como precursor do realismo, pelas suas representações de trabalhadores rurais.
42
“Silva Porto, 1850-1893”, Museu Nacional de Soares dos Reis, 1993, p. 566.
43
Étienne Pierre Théodore Rousseau (1812-1867), foi um pintor realista francês, fundador da Escola de Barbizon. É
considerado, por alguns, o precursor do Impressionismo.
44
Félix Nadar (1820-1910) (por vezes abreviado por Nadar) é o pseudónimo de Gaspard-Félix Tournachon. Foi um fotógrafo,
caricaturista e jornalista francês. Em Abril de 1874, cedeu o seu estúdio de fotografia a um grupo de pintores (Monet, Renoir,
Pissarro, Sisley, Cézanne, Berthe Morisot e Edgar Degas), numa altura em que o impressionismo era rejeitado pela crítica, o que
lhes possibilitou apresentarem a primeira exposição de impressionismo, sem ser no Salon des Refusés (Salão dos Recusados).
45
Oscar-Claude Monet (1840-1926) foi um pintor francês e o mais célebre entre os pintores impressionistas. O termo
impressionismo surgiu devido a um dos primeiros quadros de Monet, "Impressão, nascer do sol", quando de uma crítica feita
ao quadro pelo pintor e escritor Louis Leroy: "Impressão, nascer do Sol” – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou
impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado
que esta cena marinha". A expressão foi usada originalmente de forma pejorativa, mas Monet e seus colegas adotaram o título,
sabendo a revolução que estavam a iniciar na pintura.
46
Luciano Freire (1864-1935), pintor, discípulo de Miguel Ângelo Lupi e Tomás da Anunciação na Academia de Belas-Artes de
Lisboa (1878-86), onde estudou Pintura de História. Viajou por França e Inglaterra e, além da Pintura de História, interessou-se
também pela paisagem, com apontamentos que anunciavam já intenções simbolistas. Apresentou-se na Exposição Industrial de
Lisboa (1888) e participou nas exposições da Promotora e do Grémio Artístico. Foi professor de modelo vivo na Escola de BelasArtes em Lisboa (1896-1933) e diretor do Museu dos Coches (1911). Dedicou-se também ao restauro de pintura,
nomeadamente dos “Primitivos” portugueses.
47
João Maria de Jesus Falcão Trigoso (1879-1956), também conhecido por Pintor Falcão Trigoso ou Falcão Trigoso, foi um
pintor português que se dedicou à costa Algarvia, tendo-a batizado de "Costa de Oiro". Adepto da corrente "Ar-Livrismo", foi
membro do Grupo Silva Porto. Organizou várias exposições individuais e participou em exposições da Sociedade Nacional de
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
21
Nu, de Silva Porto
Belas Artes, onde ganhou uma medalha de honra em 1948. Recebeu, em 1954, o 1.º Prémio Silva Porto. Participou, igualmente,
na Exposição do Panamá-Pacífico, em São Francisco, nos Estados Unidos da América, tenho sido galardoado com uma medalha
de ouro.
48
Artur Alves Cardoso (1883-1930) foi discípulo dos pintores Carlos Reis, Cormon e Jean-Paul Laurens.
Demonstrando, no início, ainda fortes influências académicas da Pintura de História, foi posteriormente seguidor do
Naturalismo ar-livrista e de género, integrando-se no Grupo Silva Porto. Tratou essencialmente temas paisagísticos, animalistas
e de costumes populares, caracterizados por um cromatismo vivo e luminoso. Foi condecorado com a medalha de honra em
Pintura na Sociedade Nacional de Belas-Artes e com a medalha de ouro na Exposição Internacional Panamá-Pacífico.
49
Armando Figueiredo de Lucena (1886-1975), foi um professor, cronista, historiador de arte e pintor português. Foi professor
de pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa no período compreendido entre 1952 e 1956. Lucena, pintor intimista, compôs a
sua primeira obra em 1914 ("Campos Floridos, Seara e Tarde de Outono").
50
Frederico Aires (1887-1963) foi um pintor português. Estudou na EBAL, onde foi aluno de Carlos Reis, que o ajudou a definir a
sua integração na produção artística nacional, seguindo a via do tardo-naturalismo. Em 1917 juntou-se ao Grupo Ar-livre,
participando ativamente nas suas iniciativas. As suas paisagens e marinhas manifestam uma sensibilidade às variações
cromáticas e ao estado atmosférico de cada local, o que as aproxima dos valores e das técnicas impressionistas, então
internacionalmente divulgados e cada vez mais aceites, como critério de modernidade.
51
José Campas de Sousa Ferreira (1888-1971), mais conhecido por José Campas, foi um pintor e professor português.
Completou os cursos de Pintura na Escola de Belas-Artes de Lisboa, École Nationale et Spéciale des Beaux-Arts e Academia
Julian, em Paris. Foi discípulo de Carlos Reis, Jean-Paul Laurens, Léon Bonnat, Raphaël Collin e J. J. Duval. Foi crítico de arte na
imprensa portuguesa, delegado do Governo Português na Exposição Internacional de Paris de 1937, restaurador de arte,
bibliófilo, colecionador de obras de arte, professor em várias escolas e Director das Escolas Técnicas de Lagos e Abrantes.
52
Serão sobretudo as pinturas de Género que se tornarão em ícones da portugalidade: Os Bêbados, Ilha dos Amores, O Fado,
ou O Emigrante.
53
POLÍTICA DO ESPÍRITO: “Um povo que não vê, que não lê, que não ouve, que não vibra, que não sai da sua vida material, do
Deve e do Haver, torna-se um povo inútil e mal-humorado. A Beleza - desde a Beleza moral à Beleza plástica - deve constituir a
ambição suprema dos homens e das raças. A literatura e a arte são os dois grandes órgãos dessa aspiração, dois órgãos que
precisam de uma afinação constante, que contêm, nos seus tubos, a essência e a finalidade da Criação.” António Ferro, 1932.
in http://www.fundacaoantonioquadros.pt/
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
22
Nu, de Silva Porto
VIII - BIBLIOGRAFIA
BARTHES Roland Retórica da imagem [Secção do Livro] // O óbvio e o obtuso. - Lisboa : Edições 70,
1984.
JOLY Martine Introdução à anlálise da imagem [Livro] / trad. OLIVEIRA Ruy. - Lisboa : Edições 70, 2007.
Museu Nacional Soares dos Reis Silva Porto, 1850-1893 [Livro]. - Lisboa : [s.n.], 1993.
SALDANHA Nuno Arte Popular, Arte Erudita e Multicultaridade. Influências, confluências e
transculturalidade na arte portuguesa [Relatório]. - ?.
Hernâni de Lemos Figueiredo (2012)
23