Allini Mafra da Costa ESTUDO CASO-CONTROLE PARA AVALIAR A RELAÇÃO DA INFECÇÃO DO PAPILOMAVÍRUS HUMANO DO TIPO 16 COM O CARCINOMA ESCAMOCELULAR DO ESÔFAGO Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação do Hospital de Câncer de Barretos Fundação Pio XII para obtenção do Título de Mestre em Ciências da Saúde. Área de concentração: Oncologia Linha de Pesquisa: Epidemiologia do câncer Nível: Mestrado Orientador: Prof. Dr. Adhemar Longatto Filho Coorientador: Prof. Dr. José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani Barretos, SP 2015 Allini Mafra da Costa ESTUDO CASO-CONTROLE PARA AVALIAR A RELAÇÃO DA INFECÇÃO DO PAPILOMAVÍRUS HUMANO DO TIPO 16 COM O CARCINOMA ESCAMOCELULAR DO ESÔFAGO Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação do Hospital de Câncer de Barretos Fundação Pio XII para obtenção do Título de Mestre em Ciências da Saúde. Área de concentração: Oncologia Linha de Pesquisa: Epidemiologia do câncer Nível: Mestrado Orientador: Prof. Dr. Adhemar Longatto Filho Coorientador: Prof. Dr. José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani Barretos, SP 2015 SUPORTE À PESQUISA POR AGÊNCIA DE FOMENTO Este estudo está vinculado ao projeto “O papel do Papilomavírus Humano (HPV) como agente etiológico do câncer esofágico. Um estudo transversal, caso-controle e longitudinal no Hospital de Câncer de Barretos” e recebeu apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) através de auxílio à pesquisa Universal 14/2012, Faixa C (processo: 482666/2012-9). As opiniões, hipóteses ou recomendações expressas neste material são de responsabilidade dos autores e não necessariamente refletem a visão do CNPq. Esta dissertação foi elaborada e está apresentada de acordo com as normas da PósGraduação do Hospital de Câncer de Barretos - Fundação Pio XII, baseando-se no Regimento do Programa de Pós-Graduação em Oncologia e no Manual de Apresentação de Dissertações e Teses do Hospital de Câncer de Barretos. Os pesquisadores declaram ainda que este trabalho foi realizado em concordância com o Código de Boas Práticas Científicas (FAPESP), não havendo nada em seu conteúdo que possa ser considerado como plágio, fabricação ou falsificação de dados. As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de responsabilidade dos autores e não necessariamente refletem a visão da Fundação Pio XII - Hospital de Câncer de Barretos. Os pesquisadores declaram não ter qualquer conflito de interesse relacionado a este estudo. Aos meus pais, Geni Mafra da Costa e Antonio Nunes da Costa, que com muito carinho e apoio, não mediram esforços para formar a pessoa que hoje sou. A meu irmão, Guilherme Mafra da Costa, minha grande paixão. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Prof. Dr. Adhemar Longatto Filho, pela credibilidade que depositou em mim desde que nos conhecemos. Por toda sabedoria, simpatia e educação. Por todo incentivo e entusiasmo. A soma destes adjetivos o faz ser uma pessoa fantástica! Ao meu coorientador, Prof. Dr. José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani, professor nato, que desde meus primeiros passos na vida profissional se mostrou tão interessado a me ensinar nos detalhes, embasamentos metodológicos em pesquisa científica. Seu amor pelo que faz contagia todos a sua volta! Ao Prof. Dr. André Lopes Carvalho, por toda sua competência em visionar nosso Instituto de Ensino e Pesquisa que cresce e se consolida mais a cada dia que passa. Sem seu esforço tenho certeza que este estudo e outros tantos não seriam possíveis! Aos colaboradores dos Departamentos de Endoscopia do Hospital de Câncer de Barretos e do Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos pelo auxílio durante o recrutamento dos participantes e coleta de amostra biológica para este estudo. Ao Departamento de Patologia, em especial ao Dr. Cristovam Scapulatempo Neto. Aos membros das bancas de acompanhamento e qualificação Dra. Denise Peixoto Guimarães e Dra. Luisa Lina Villa pelas preciosas sugestões, críticas e correções durante a elaboração deste estudo, por terem sido tão atenciosas durante nossos encontros por videoconferências e por terem sido tão pacientes até mesmo quando a tecnologia falhou. Ao Dr. Edmundo Carvalho Mauad, à Dra. Maria do Rosário Dias de Oliveira Latorre, ao Dr. Thiago Buosi Silva, à Dra. Cristiane Menezes Sirna Fregnani, à Dra. Stela Verzinhasse Peres, pelo incentivo no início da minha carreira e por sempre terem sido minhas fontes de inspiração. Vocês certamente tem um espaço muito importante no meu coração! À Dra. Vânia Sammartino Mariano, pós-doutoranda e supervisora responsável pelo estudo maior do qual este estudo faz parte, pelo apoio incondicional, pela responsabilidade e carinho para que todas as etapas fossem realizadas nos mínimos detalhes e principalmente pela sólida amizade construída. Às irmãs que a pós-graduação me deu, Paula Aguiar Roberta Pastrez e Estela Maria Silva, pessoas que admiro muito. Não tenho palavras para agradecê-las pela cumplicidade, ajuda constante e palavras de apoio nos momentos certos. Nossa parceria é sucesso! À Gabriela Carvalho Fernandes (amiga que enfrentou junto comigo a fase de longas viagens para a faculdade e que o acaso nos alocou na mesma turma de pós-graduação) e à Larissa Kuil (colega de trabalho que tive oportunidade de conhecer melhor durante a pósgraduação e que se tornou uma grande amiga), por termos compartilhado os mesmos momentos de felicidade e de angústias nesta fase e por todos os nossos almoços-terapia às sextas-feiras regados a catupiry. À James Chester Crespo Aranibar, pelos inúmeros incentivos e conselhos. Pelo amor, paciência e companheirismo nesta etapa. A todos os integrantes do Grupo de Pesquisas em HPV do Hospital de Câncer de Barretos, em especial ao Dr. Kari Juhani Syrjänen, MsC. Adriana Tarlá Lorenzi, MsC. Maíra Degiovani Stein, Laura de Lima Nascimento e Nayara Firmino Pereira. À Brenda Honda Morais, por ter sido tão graciosa e tão rápida a cada solicitação e por me tratar sempre com muito carinho. À preciosa amiga Silvana Rodrigues que me acompanha desde o início e que escuta meus desabafos, dá conselhos e comemora comigo minhas vitórias. Ao meu grande amigo, inspirador por sua dedicação e crítico incessante, MsC. Cleyton Zanardo Oliveira (coloquei MsC pra você não reclamar), por todo o carinho para que tem comigo, suporte nas minhas mais viajantes dúvidas e brigas sem sentido.Todas as nossas discussões fortalecem ainda mais nossa amizade e nos fazem crescer juntos! A todos aqueles que foram colaboradores, alunos e pesquisadores no Núcleo de Apoio ao Pesquisador durante a minha jornada e que me ensinaram lições tanto profissionais quanto para a vida. À equipe do Registro Hospitalar de Câncer do Hospital de Câncer de Barretos e Registro de Câncer de Base Populacional do munícipio de Barretos, em especial à Caroline Usson Silva, Daniele Ferreira Martins, Kelli Cristina Hoft, Lara Maria Alfinete Fiorindo, Luis Henrique Golçalves Viana, Marcos Aurélio Alves de Araújo, Renato Augusto Rosário, Pamella Francielli Silva, Sara Silva Araújo, Dr. Vinicíus de Lima Vazquez e Walmiro Ferreira Ramos Neto, pessoas a quem devo muito, por terem me acolhido tão bem, por terem me dado tanto amadurecimento com a oportunidade de conhecer “o outro lado da moeda” que é a liderança; por terem entendido minhas ausências e angústias em decorrência da pós-graduação e por terem vibrado comigo a cada conquista. “A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.” Arthur Schopenhauer SUMÁRIO Lista de figuras Lista de tabelas Lista de abreviaturas Lista de símbolos Resumo Abstract 1 1.1 1.2 1.3 INTRODUÇÃO Aspectos epidemiológicos do câncer de esôfago Papilomavírus Humano (HPV) Papilomavírus Humano e o câncer de esôfago 1 1 5 6 2 3.1 3.2 OBJETIVOS Objetivo geral Objetivos específicos 9 9 9 3 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 3.10 MATERIAIS E MÉTODOS Delineamento do estudo População e definição dos grupos de estudo Recrutamento dos participantes da pesquisa e entrevista Variáveis do estudo e definição das exposições Método endoscópico e coleta de amostra biológica Detecção do HPV-16 Tamanho amostral Análise estatística Considerações éticas Financiamento da pesquisa 10 10 10 10 12 15 16 19 19 20 20 4 4.1 4.1.2 RESULTADOS Descrição da população Descrição das características sociodemográficas Comparação da prevalência de HPV-16 no esôfago em indíviduos com e sem CEC de esôfago Comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para o câncer de esôfago e para a infecção por HPV Comparação dos indivíduos com e sem CEC de esôfago em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para o câncer de esôfago e para a infecção por HPV 21 21 21 4.2 4.3 4.4 22 23 32 5 DISCUSSÃO 45 6 CONCLUSÕES 53 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 45 ANEXOS Anexo 1 - Carta de aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa Anexo 2 - Termo de consentimento livre e esclarecido - Casos Anexo 3 - Termo de consentimento livre e esclarecido - Controles Anexo 4 - Instrumento de coleta de dados Anexo 5 - Instrumento de coleta de dados clínicos Anexo 6 - Termo de aceitação de apoio financeiro - CNPq Anexo 7 - Artigo a ser submetido 68 68 70 72 74 78 79 83 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Estimativa de Incidência Mundial de Câncer de Esôfago, ambos os sexos 2 Figura 2 - Cálculo de consumo de bebidas alcoólicas 13 Figura 3 - Biópsias endoscópicas do esôfago 16 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Estudos caso-controle que investigaram o DNA do HPV em carcinoma escamocelular do esôfago. 8 Tabela 2 - Variáveis do estudo. 12 Tabela 3 - Comparação da prevalência de DNA de HPV-16 no esôfago em indivíduos com e sem câncer de esôfago. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 22 Tabela 4 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características sociodemográficas. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 24 Tabela 5 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de ocupação. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 25 Tabela 6 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ao álcool. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 26 Tabela 7 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ativa ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 27 Tabela 8 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição passiva ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 28 Tabela 9 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de hábitos sexuais. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 29 Tabela 10 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-referidos. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 30 Tabela 11 - Comparação entre os indivíduos com e sem a presença de DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de história de câncer na família que podem estar relacionados ao HPV. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 31 Tabela 12 - Caracterização clínica dos casos. Hospital de Câncer de Barretos, 2014. 32 Tabela 13 - Caracterização clínica dos controles. Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 33 Tabela 14 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características sociodemográficas. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 34 Tabela 15 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de ocupação. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 36 Tabela 16 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ao álcool. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 38 Tabela 17 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ativa ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 40 Tabela 18 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição passiva ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 41 Tabela 19 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de hábitos sexuais. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014 . 42 Tabela 20 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-referidas. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 43 Tabela 21 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às caracteristicas de história de câncer na família que podem estar relacionados ao HPV. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. 44 LISTA DE ABREVIATURAS AME CE CEC CH CID-O CMV CNPq DNA EBV EDA HCB-FPXII HE HIS HPV HSV IHQ IARC ISCO ml mm mM nM NA OR pb PC PCR R$ rpm TCLE V vs Ambulatório Médico de Especialidades Câncer de esôfago Carcinoma escamocelular Captura Híbrida Classificação Internacional de Doenças - Oncologia Citomegalovírus Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico Ácido desoxirribonucléico (do inglês: Deoxyribonucleic acid) Vírus Epstein-Barr Endoscopia digestiva alta Hospital de Câncer de Barretos - Fundação Pio XII Hematoxilina & Eosina Hibridização in situ Papilomavírus Humano Vírus Herpes Simples Imunohistoquímica do inglês: International Agency for Research on Cancer do inglês: International Standard Classification of Occupations Mililitros Milímetros Milimolar Nanomolar Não analisado Razão de chances (do inglês: Odds Ratio) Pares de base Primer consenso Reação por cadeia de polimerase (do inglês: Polymerase Chain Reaction) Reais Rotações por minuto Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Volts Versus LISTA DE SÍMBOLOS β / ºC = µm µL x % + Beta Divisão Grau Celsius Igual Menos ou Negativo Micra Microlitro Multiplicação Porcentagem Positivo RESUMO Costa AM. Estudo caso-controle para avaliar a relação da infecção do papilomavírus humano do tipo 16 com o carcinoma escamocelular do esôfago. Dissertação (Mestrado). Barretos: Hospital de Câncer de Barretos; 2015. JUSTIFICATIVA: Em 1982, foi publicada pela primeira vez uma possível associação entre o Papilomavírus Humano (HPV) e câncer de esôfago e atualmente, os resultados ainda são contraditórios e exigem investigação mais aprofundada. OBJETIVO: Avaliar a relação da infecção do papilomavírus humano do tipo 16 com o carcinoma escamocelular do esôfago. MATERIAIS E MÉTODOS: Este é um estudo de caso-controle que incluiu um total de 101 pacientes com carcinoma escamocelular do esôfago (casos) e 101 controles, pareados por idade e sexo. Durante a endoscopia, biópsias esofágicas foram coletadas de tecido tumoral e adjacente normal (casos), esôfago distal e proximal (controles). O DNA foi extraído utilizando o QIAamp DNA Micro Kit (Qiagen) e o HPV-16 foi detectado por PCR em tempo real utilizando iniciador e sonda específicos para o HPV-16. Dados sociodemográficos, de estilo de vida e clínicos foram obtidos através de entrevista. RESULTADOS: Foi observado maior frequência de carcinoma esofágico no sexo masculino, e a idade média foi de 60 anos (dp= 10,0). A prevalência de HPV- 16 observada em indivíduos com câncer foi de 3,0% e, em indivíduos sem câncer, foi de 20,8%. Foi observado risco aumentado para a infecção do HPV em indivíduos com escolaridade de nível médio ou superior (OR: 10,6). Foi observado risco aumentado para CEC de esôfago para consumo de álcool (OR: 3,5), principalmente quando consumo superior à 30 gramas de etanol por mililitro por dia (OR: 4,0) e consumo de destilados (OR 7,14); uso de tabaco (OR: 2,0), principalmente cigarro de palha (OR: 2,7); e, história de câncer de esôfago em familiares de primeiro grau (OR: 4,0). As demais avaliações não demonstraram diferenças estatisticamente significativas. CONCLUSÃO: Nossos resultados sugerem que o HPV-16 não tem relação com o desenvolvimento do CEC de esôfago. Escolaridade de nível médio ou superior apresentaram risco aumentado para a infecção pelo HPV-16 no esôfago. Consumo de álcool, a exposição ativa ao tabaco e história prévia de câncer de esôfago em familiares de primeiro grau apresentaram risco aumentado para o CEC de esôfago. PALAVRAS-CHAVE: Papilomavírus Humano; Neoplasias Esofágicas; Fatores de Risco. ABSTRACT Costa AM. Case–control study to evaluate the association of the infection of human papillomavirus type 16 with squamous cell carcinoma of the esophagus. Dissertation (Master’s degree). Barretos: Barretos Cancer Hospital; 2015. BACKGROUND: The first publication that associated Human Papillomavírus (HPV) infection and esophageal cancer was published in 1982. However, the data are still contradictory and require further investigation. AIM: To evaluate the association between infection of human papillomavirus type 16 and the esophagus squamous cell carcinoma (ESCC). MATERIAL AND METHODS: This is a case-control study, that included 101 patients with ESCC (cases) and 101 controls, that have been matched for age and gender. During the endoscopy, esophageal biopsies were collected from tumor and normal adjacent tissue (cases), distal and proximal esophagus region (controls). DNA was extracted with QIAamp DNA Micro Kit (Qiagen) and the HPV-16 was detected by PCR real time using specific primer to HPV-16. Sociodemographic data, lifestyle and clinical data were obtained by interview. RESULTS: We found higher frequency in male, and the average age was 60 years (sd = 10.0). The prevalence of HPV-16 observed in individuals with cancer was 3.0%, and in individuals without cancer was 20.8%. We observed increased risk for HPV infection in individuals with medium or higher education level (OR: 10.6). We observed increased risk for ESCC for alcohol consumption (OR: 3.5), especially when consumption was higher than 30 grams of ethanol per milliliter per day (OR: 4.0) and consumption of distillates (OR 7.14); tobacco use (OR: 2.0), specially hand-rolled cigarettes (OR: 2.7); and esophageal cancer history in firstdegree relatives (OR: 4.0). Other evaluations showed no significant differences. CONCLUSIONS: Our results suggest that HPV-16 is not associated with the development of ESCC. High school or college were level of education had showed an increase risk for infection HPV-16 on esophagus. Drinking, active tobacco exposure and a history of esophageal cancer in first-degree relatives were at increased risk for ESCC. KEYWORDS: Human Papillomavírus; Esophageal Neoplasms; Risk Factors. 1 1 INTRODUÇÃO 1.1 Aspectos epidemiológicos do câncer de esôfago Atualmente, o câncer de esôfago (CE) apresenta-se como um importante problema de saúde pública mundial. Segundo estimativas do GLOBOCAN 2012, o CE é o oitavo câncer mais comum em todo o mundo, representando 3,2% (456.000) do total de casos novos e a sexta causa mais comum de morte por câncer, representando 4,9% (400.000) do total de mortes por câncer. Mais de 80% dos casos ocorrem em países em desenvolvimento, considerando-se em conjunto os adenocarcinomas e os carcinomas de tipo escamocelular (CEC) 1. Nos últimos 30 anos, observou-se o aumento na incidência do adenocarcinoma esofágico nos países desenvolvidos que ultrapassa, atualmente, o CEC em alguns países 2-6 . Embora o número de casos de CEC tenha se mantido estável nos países desenvolvidos, continua sendo considerado um importante problema de saúde em muitos locais. O CE é 2,4 vezes mais comum nos homens em relação às mulheres. Em ambos os sexos observa-se grandes diferenças na incidência entre as diferentes regiões do mundo, com taxas ajustadas por idade pela população mundial que variam de 0,2/100.000 na Micronésia / Polinésia para 7,8/100.000 na África Oriental em mulheres e de, 0,8/100.000 na África Ocidental para 17,0/100.000 na Ásia Oriental nos homens. Portanto, podemos considerar distribuição étnica e geográfica desigual (Figura 1). A variação regional na incidência do CE permite classificar as áreas como sendo de alto (China, Irã e África do Sul) ou baixo risco (Europa e América do Norte) 1. Em regiões de alto risco, a taxa de incidência é notavelmente maior, variando até 500 vezes de uma área para outra e mesmo entre diferentes grupos étnicos dentro de um mesmo país 7-9 . Estudos epidemiológicos identificaram a China, Cingapura, Irã, ex-União Soviética, Porto Rico, Chile, Brasil, Suíça, França e África do Sul como países de alto risco para o CE 8, 9. 2 Fonte: Ferlay et al.1 Figura 1 - Estimativa de Incidência Mundial de Câncer de Esôfago, ambos os sexos. No Brasil, o CE situa-se entre os dez tipos de câncer mais incidentes, ocupando a sexta posição entre os homens e a décima quinta entre as mulheres. Para o ano de 2014, foram estimados 10.780 casos novos (8.010 em homens e 2.770 em mulheres) com predomínio nas regiões sul e sudeste e 7.645 mortes (5.923 em homens e 1.722 em mulheres). O tipo histológico mais frequente é o carcinoma escamocelular, representando 96% dos casos de CE. As maiores taxas de incidência, para homens e mulheres, encontram-se nas regiões sul e sudeste 10. As razões das variações regionais na incidência do CE são pobremente entendidas. Porém, acredita-se que há interação de diversos fatores de risco, como idade, história familiar e associação genética, além de muitos fatores extrínsecos. Os dados acumulados até o momento sugerem fortemente que a etiologia dessa doença pode ser diferente nas áreas de baixo e alto risco. Em países industrializados, o consumo de álcool e tabaco, especialmente em combinação, são os principais fatores de risco 11-13 . Em áreas de alta incidência, considera-se fator de risco para o desenvolvimento da doença a deficiência nutricional, ingestão de alimentos sólidos e/ou líquidos quentes e agentes infecciosos 7, 14-16. 3 A mucosa do esôfago constitui uma importante porta de entrada para agentes estranhos ao corpo humano e por isso está exposta a fatores ambientais. Tais agentes, potencialmente nocivos e associados com o desenvolvimento de CE incluem: microorganismos patogênicos, irritantes químicos, poluentes ambientais e aditivos alimentares 1719 . Os fatores de risco envolvidos e aqueles suspeitos de estarem envolvidos com o CE têm sido amplamente estudados 7, 11, 13, 15, 17, 20-22; entretanto, pouco tem sido obtido desde os clássicos estudos de Wynder et al. 23 e Silber 24, sugerindo associação de alguns agentes químicos (nitrosaminas, micotoxinas, fumaça de cigarro, ingestão excessiva de álcool e abuso de ópio), físicos (comida sólida e quente) e deficiência nutricional (particularmente de vitaminas A, B, C e certos oligoelementos como molibdênio e zinco) com o desenvolvimento dessa neoplasia 23, 24. Recentemente, evidências sugerem que certos micro-organismos podem exercer papel etiológico na carcinogênese esofágica e tal assunto tem recebido crescente atenção 7, 16, 18, 19, 25-27 . De acordo com os estudos, os micro-organismos favorecem o desenvolvimento de neoplasia maligna por dois mecanismos principais: a) através da produção direta de agentes cancerígenos ou de promotores de carcinógenos ou, b) por agir diretamente nas células do hospedeiro 7. Por exemplo, a contaminação e a infecção fúngica produzem nitrosaminas e/ou precursores, além de micotoxinas. Dentre as micotoxinas, as fumonisinas B1 e B2 constituem uma família identificada e classificada como provável carcinógeno humano 28. Muitos grãos e outros gêneros alimentícios são comumente contaminados com níveis detectáveis de fumonisinas produzidas por Fusarium monoliforme e Fusarium proliferatum, os dois principais fungos associados ao milho no mundo 29. Além disso, estudos in vitro e in vivo demonstram que extratos de vários fungos isolados de grãos das áreas de alto risco têm efeito mutagênico e carcinogênico. Acredita-se que Fusarium, Geotrichum, Aspergillus e outros gêneros de fungos reduzem nitratos a nitritos e decompõem proteínas, o que aumenta a quantidade de aminas na comida e promove a formação de nitrosaminas 7, 10, 26. Como já esperado, estudos em áreas de alta incidência da doença (como a China) sugerem que a ingestão de vegetais em conserva e de alimentos contaminados com bolor esteja intimamente relacionada com CE 7, 30. Além de fungos, bactérias também estão associadas ao CE por produzirem carcinógenos químicos e aumentarem a proliferação celular enquanto estimulam o processo 4 inflamatório. Um exemplo da associação de bactérias com o desenvolvimento de neoplasia no esôfago é a presença de Helicobacter pylori na grande maioria dos casos de câncer da via digestiva superior 25, 26. Dentre os vírus, foi demonstrado que o Vírus Herpes Simples (HSV), o Citomegalovírus (CMV) e o Vírus Epstein-Barr (EBV) infectam a mucosa esofágica, mas nenhum dado concreto sobre o efeito na carcinogênese esofagiana foi obtido até o momento. Por outro lado, importantes evidências relacionam o Papilomavírus Humano (HPV) com CEC de esôfago, tanto que o número de estudos nessa área tem aumentado constantemente, como evidenciado em várias revisões 13, 16, 21, 22, 31, 32. 5 1.2. Papilomavírus Humano O Papilomavírus humano (HPV) pertence a família Papillomaviridae. Os HPVs não possuem envelope, apresentam DNA (Ácido desoxirribonucleico; do inglês: Deoxyribonucleic acid) circular de dupla fita com aproximadamente 8 mil pares de bases em seu genoma e tem tropismo por tecidos de revestimento (tecido cutâneo e mucosa) 33. Este tipo de vírus é responsável pela infecção sexualmente transmitida mais comum no mundo e a maioria dos indivíduos com atividade sexual ativa será infectada por esse vírus em algum momento da vida 34 . Países latino-americanos têm maior incidência de infecção pelo HPV comparados à Europa e América do Norte 35. São descritos mais de 150 tipos de HPV atualmente e desses, aproximadamente 40 são capazes de infectar mucosas e aproximadamente 20, estão fortemente associados com o desenvolvimento de câncer cervical. O potencial oncogênico dos tipos virais para desenvolvimento do carcinoma cervical é determinado pelo tempo de permanência no hospedeiro e permite classificá-los em alto (16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66, 68, 73 e 82) e baixo (6, 11, 40, 42, 43, 44, 53, 54, 61, 72, 73 e 81) risco tumorigênico. Dessa forma, a infecção persistente causada por HPV de alto risco está estreitamente associada à ocorrência de displasia de alto grau em diferentes sítios anatômicos como, colo uterino, vulva, ânus, vagina e pênis, sendo considerado o principal fator de risco para o desenvolvimento de neoplasia nesses órgãos 36 . Entre os HPVs de alto risco, o HPV-16 é o mais prevalente em neoplasias malignas 37. Atualmente, é aceito que os tipos oncogênicos de HPV (os de alto risco) são os únicos fatores etiológicos de carcinoma escamocelular e de adenocarcinoma do colo uterino 12, 38 . Devido a evidência do potencial oncogênico, particularmente no trato anogenital, houve um aumentado interesse em se estudar HPV nas últimas décadas 39 . O início dos anos 80 testemunhou uma rápida expansão da pesquisa de HPV não somente relacionado com trato genital, mas também com outros sítios, resultando em um painel significativamente ampliado de tumores humanos que podem estar associados com este vírus. Além das lesões do trato anogenital, o DNA do HPV foi detectado e relacionado com a etiologia de lesões benignas e malignas de células escamosas do trato respiratório superior (sino-nasal e laríngeo), olhos, mucosa oral, brônquios e trato digestivo superior (esôfago) 12, 21, 31, 33, 40, 41. Foi observado em tumores não genitais, que a presença de DNA de HPV é um marcador de melhor prognóstico 42, 43. 6 1.3 Papilomavírus Humano e o Câncer de esôfago O epitélio escamoso do esôfago está em continuidade com a mucosa oral. As primeiras descrições de lesões orais associadas ao HPV 31 foram precedidas por relatos que sugeriram a participação do vírus no desenvolvimento de lesões benignas 44 e malignas 45 do epitélio escamoso do esôfago. Essas observações iniciais foram baseadas na descoberta de similaridades morfológicas entre as lesões de HPV no trato genital (condilomas) e lesões no esôfago (papilomas) 44, 45. Após essas observações pioneiras, houve uma rápida expansão da literatura de diferentes regiões geográficas sobre lesões benignas e malignas do esôfago 16, 22, 46-48 e as evidências acumuladas sugeriram um possível papel causal de HPV em pelo menos um subtipo de carcinoma esofágico, o carcinoma escamocelular 13, 17, 20, 21, 30, 33, 49-55. Embora o primeiro relato da presença de HPV em CEC de esôfago tenha ocorrido há mais de 30 anos 44 , sua real prevalência ainda é pouco conhecida e seu papel na carcinogênese é questionável. Ainda que o número de estudos e o interesse no assunto tenha aumentado nos últimos anos, a literatura mundial é escassa e controversa 56. Dados acumulados cogitam uma tendência associando HPV e câncer esofágico em áreas de alto risco, enquanto que em áreas de baixo risco tal associação não foi evidenciada 57. Estudos desenvolvidos em áreas de alto e baixo risco para o desenvolvimento do câncer de esôfago na China que avaliaram a infecção pelo HPV, foram reunidos em uma meta-análise e concluiu-se que o HPV pode estar etiologicamente ligado ao desenvolvimento do CEC de esôfago (OR: 4,20) 58. Outra meta-análise realizada em 2013, avaliou 21 estudos do tipo caso-controle que investigaram o DNA do HPV em CEC de esôfago (Figura 2) 59 dos quais, 2 foram realizados no Brasil 60, 61 . Concluiu-se que indivíduos infectados por HPV tem 3 vezes a chance de desenvolver CEC de esôfago 3 em relação àqueles que não foram infectados. Sabendo-se que a carcinogênese do esôfago é complexa, dependente de diferentes fatores de risco e, da escassez de relatos que correlacionam a infecção por HPV de alto risco com o desenvolvimento do carcinoma escamocelular de esôfago, o presente estudo constitui-se de um estudo caso-controle desenvolvido no Hospital de Câncer de Barretos Fundação Pio XII (HCB-FPXII) e no Ambulatório Médico de Especialidades do município de Barretos, que teve como objetivo caracterizar os indivíduos sem neoplasia e indivíduos com CEC de esôfago em relação à presença de DNA de HPV de alto risco do tipo 16 7 (majoritariamente o mais prevalente documentado nos estudos já mencionados) e a fatores de riscos conhecidos, tanto para o câncer de esôfago bem como para a infecção pelo HPV. 8 Referência Williamson et al.,1991 63 Cooper et al., 1995 Khurshid et al., 1998 64 65 Agarwal et al., 1998 66 Farhadi et al., 2005 Antonsson et al., 2010 67 68 Fidalgo et al., 1995 Lenhart et al., 1991 Koh et al., 2008 62 69 70 Lambot et al., 2000 71 Benamouzig et al., 1992 Ashworth., 1993 72 73 Weston et al, 2003 61 Souto Damin et al., 2006 Lyronis et al., 2005 Li et al., 2001 74 75 Guimaraes et al., 2001 76 60 País Método de detecção Tipos detectados Positivos / Casos (%) Positivos / Controles (%) OR (IC 95%) África do Sul PCR vários 6/14 (43) 6/41 (15) 4.38 (1.11–17.18) África do Sul HIS 6,11,18,31,33 25/48 (52) 0/2 (0) Incalculável Japão PCR CP,16,18 17/27 (63) 3/12 (25) 5.1 (1.11–23.37) Índia HIS, IHQ 16,18 19/30 (63) 2/10 (20) 6.91 (1.24–38.52) Iran PCR 16,18 8/38 (21) 5/38 (13) 1.76 (0.52–5.97) Austrália PCR 16,35 8/222 (4) 0/55 (0) Incalculável Portugal PCR 16,18 9/16 (56) 0/10 (0) Incalculável Estados Unidos HIS, IHQ 6,11,16,18,31,33 4/12 (33) 0/12 (0) Incalculável Coreia PCR 16 0/102 (0) 0/40 (0) Incalculável Bélgica PCR PC 1/21 (2) 0/5 (0) Incalculável França HIS 6,11,16,18,31,33 4/12 (33) 1/24 (4) 11.5 (1.11–118.71) Reino Unido HIS 6,11,16,18,31,33 0/4 (0) 0/10 (0) Incalculável Brasil CH Alto e baixo risco 1/40 (2,5) 1/10 (10) 0.23 (0.01–4.05) Brasil PCR 16,18 26/165 (16) 0/26 (0) Incalculável Grécia PCR 1,18, outro 17/30 (56) 6/27 (22) 4.58 (1.44–14.59) China PCR 16 2/2 (100) 66/112 (59) Incalculável China PCR PC 2/32 (6) 4/57 (7) 0.88 (0.15–5.11) Cao et al., 2005 77 China PCR, HIS 16,18 207/265 (78) 203/357 (57) 2.71 (1.89–3.88) Gao et al., 2006 78 China HIS -- 0/4 (0) 61/475 (13) Incalculável China PCR 16 35/69 (51) 2/32 (6) 15.44 (3.42–69.70) China PCR 16,18,58 35/70 (50) 20/60 (33) 2.00 (0.98–4.08) Liu et al., 2010 79 Zhang et al., 2010 80 OR: Odds Ratio; PC: Primer consenso; CH: Captura Híbrida; IHQ: Imunohistoquimica; HIS: Hibridização in situ; PCR: Reação por Cadeia de Polimerase. Fonte: Adaptada de Liyanagge et. al., 2013 59 Tabela 1 - Estudos caso-controle que investigaram o DNA do HPV em carcinoma escamocelular do esôfago. 9 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Avaliar a relação do HPV-16 com o CEC de esôfago. 2.1.1 Objetivos específicos 1- Comparar a prevalência de DNA de HPV-16 no esôfago em indivíduos com e sem CEC de esôfago. 2- Comparar os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para o CEC de esôfago e para a infecção pelo HPV. 3- Comparar os indivíduos com e sem CEC de esôfago em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para a infecção do HPV e para o CEC de esôfago. 10 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Delineamento do estudo Trata-se de um estudo observacional do tipo caso-controle. 3.2 População e definição dos grupos de estudo Casos foram definidos como pacientes de ambos os sexos com confirmação histopatológica de CEC de esôfago (CID-O81 morfologia: 8070-3, topografia: C15). Foi determinado como critério de inclusão dos casos, pacientes do ambulatório de Cirurgia do Aparelho Digestivo Alto do HCB-FPXII, com indicação clínica de endoscopia digestiva alta (EDA), com idade igual ou acima de 18 anos e sem nenhum tratamento prévio para a neoplasia. Foram excluídos pacientes com dificuldade de entendimento do objetivo da pesquisa durante a aplicação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), condição clínica desfavorável do paciente para ser submetido aos procedimentos de coleta de amostra biológica para o estudo durante a EDA, história de neoplasia prévia ou sincrônica de Cabeça e Pescoço, quantidade de amostra insuficiente para realização dos testes, qualidade de amostra inapropriada e ausência de neoplasia na amostra analisada. Controles foram indivíduos sem neoplasia do esôfago que tinham indicação clínica de EDA por afecção benigna do sistema digestório, examinados no Departamento de Endoscopia do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Barretos, pareados por sexo e idade (com uma diferença de mais ou menos três anos) pela distribuição observada dos casos (emparelhamento por frequência). O pareamento seguiu a proporção de um controle para cada caso (1:1). No processo de seleção dos controles, foram excluídos indivíduos com dificuldade de entendimento do objetivo da pesquisa durante a aplicação do TCLE, indivíduos com condição clínica desfavorável para coleta de amostra biológica para o estudo durante a EDA, história de neoplasia prévia de Cabeça e Pescoço e de Esôfago, quantidade de amostra insuficiente e qualidade de amostra inapropriada. 3.3 Recrutamento dos participantes da pesquisa e entrevista Os casos foram convidados a participar do estudo na primeira visita clínica ao ambulatório de Cirurgia do Aparelho Digestivo Alto e no Departamento de Endoscopia do 11 HCB-FPXII. Os controles foram pareados aos casos previamente incluídos e recrutados aleatoriamente no AME de Barretos no dia da realização do exame. Os indivíduos foram encaminhados a uma sala reservada e orientados a respeito do objetivo do estudo, dos procedimentos de coleta do material biológico e as informações necessárias que seriam interrogadas durante a entrevista. Foi dada a garantia de que não sofreriam prejuízo em seu tratamento ou na conduta médica caso recusassem participar do estudo e, em caso de aceite, sua identidade e qualquer informação relatada seria mantida em sigilo. Os indivíduos que concordaram em participar da pesquisa demostraram seu interesse assinando do TCLE (Anexos 2 e 3) em duas vias, sendo uma via entregue ao mesmo e a outra retida nos arquivos do estudo. Em seguida, os participantes da pesquisa responderam um questionário contendo informações sociodemográficas e a respeito de fatores de risco conhecidos para o aparecimento do CEC de esôfago e também para infecção pelo HPV (Anexo 4). Todas as entrevistas foram realizadas por dois membros do Grupo de Pesquisas em HPV do HCB-FPXII previamente treinados. 12 3.4 Variáveis do estudo e definição das exposições As entrevistas forneceram informações para caracterizar o tempo e o tipo das exposições. As exposições estudadas referem-se às características sociodemográficas, ocupação, consumo de álcool, tabaco na sua forma ativa e passiva, hábitos sexuais, infecção pelo HPV e história de câncer na família. As variáveis do estudo podem ser observadas na Tabela 1. O instrumento de coleta de dados (Anexo 4) que se utilizou no estudo apresenta mais variáreis do que aquelas dispostas na Tabela 1, pois este estudo está vinculado a um estudo maior. Tabela 2 - Variáveis do estudo. Grupo de variáveis Variáveis do estudo Sociodemográficas Idade, sexo, estado civil, raça, escolaridade, moradia em zona rural ou urbana Estilo de vida álcool (cerveja, vinho, destilados), tabaco (cigarro de filtro, cigarro de palha, cachimbo, charuto), exposição passiva à fumaça de cigarro, hábitos sexuais Clínicas histórico familiar de câncer, infecção por HPV Para fins de análise estatística, algumas variáveis foram recategorizadas. A variável raça foi coletada conforme as categorias “Branca”, “Negra”, “Parda ou Mulata”, “Amarela (Asiático)” e “Indígena” e posteriormente foi dicotomizada em “Branca” e “Não Branca”. A informação de estado civil foi coletada com as categorias “Solteiro”, “Casado ou Amasiado”, “Separado ou Divorciado” e “Viúvo” e, posteriormente, dicotomizada em “Casado” e “Não casado”. Escolaridade foi coletada com as categorias “Analfabeto”, “Sabe ler e escrever”, “Ensino fundamental incompleto”, “Ensino fundamental completo”, “Ensino médio incompleto”, “Ensino médio completo”, “Ensino superior incompleto” e “Ensino superior completo” e, posteriormente, recategoriada em “Analfabeto ou Analfabeto funcional”, “Ensino fundamental” e “Ensino médio ou Superior”. A variável ocupação (profissional) foi classificada de acordo com a ISCO82 (International Standard Classification of Occupations) da Organização Internacional do Trabalho. A ISCO é 13 composta por nove categorias que seguem: ISCO 1, Profissionais técnicos; ISCO 2, Administrativos e gerentes; ISCO 3, Empregados de escritório; ISCO 4, Trabalhador com vendas; ISCO 5, Auxiliar de serviços; ISCO 6, Agricultor; ISCO 7, Trabalhadores do transporte e Produção de Equipamentos; ISCO 8, Aposentado, Doente e Desempregado; ISCO 9, Forças Armadas. Para a investigação relacionada ao consumo de álcool e tabaco, o participante da pesquisa foi interrogado sobre os tipos de bebida ingerida (álcool: cerveja, vinho e destilados) e tabaco utilizado (cigarro de filtro, cigarro de palha, cachimbo e charuto). Para ambos hábitos, quando a resposta foi "sim", houve investigação mais detalhada sobre a idade de início e de término, quantidade e frequência. Foi considerado consumo atual de bebida alcoólica se o participante de pesquisa referiu ter abandonado o consumo nos últimos 12 meses. Para quantificar o consumo de álcool, foi utilizado o cálculo de consumo de bebidas alcoólicas (grama de etanol por mililitro por dia) que pode ser observado na Figura 2 83 . Considerou-se teor alcoólico de 5% para cerveja, 12% para vinho e de 40% para destilados. Quando o participante da pesquisa referisse que consumiu mais de um tipo de bebida alcolica não simultaneamente, o valor obtido no cálculo foi somado. A variável contínua “Grama de etanol por mililitro por dia” foi categorizada (ponto de corte: 30 gramas de etanol por mililitro por dia) 84. ó0,80365 üê " /$$$ Figura 2 - Cálculo de consumo de bebidas alcoólicas. Para estabelecer uma variável que considerasse o valor total de tabaco consumido e que permitisse a comparação entre os participantes da pesquisa, foi estimado que cada cigarro (filtro ou palha) teria 1 grama de tabaco, cada charuto 4 gramas e cada cachimbo 3 gramas. Após esta transformação, foi somada a quantidade de gramas consumidas e dividida por 20 (quantidade de gramas de tabaco existente em um maço de cigarros). Este valor foi 14 multiplicado pelo número de anos de consumo para se obter achegando-se assim média de maços consumidos por ano 85. A variável contínua “Maços de tabaco consumidos por ano” foi categorizada (ponto de corte: 40 maços-ano) 86. A investigação do fumo passivo foi realizada de forma dicotômica (sim e não) e abordou as seguintes perguntas: "Convive ou conviveu (esteve casado) com fumante?", "Trabalhou em lugar fechado com fumantes?", "Quando criança, os pais fumavam?". Os hábitos sexuais foram investigados de acordo com as variáveis: número de parceiros sexuais na vida, realização de sexo oral ativo alguma vez na vida (sim/não), frequência com que praticava sexo oral ativo (raramente, frequentemente ou sempre) gênero do parceiro com quem realizou sexo oral ativo (mulheres, homens ou ambos), realização de sexo oral passivo alguma vez na vida (sim/não). A infecção pelo HPV foi investigada no material biológico coletado de acordo com o protocolo descrito nesta dissertação, definindo-se o resultado como “negativo” e “positivo”. As informações clínicas foram obtidas em um instrumento de coleta de dados padronizado (Anexo 5) através dos dados descritos no prontuário médico de cada participante da pesquisa do grupo “caso”. 15 3.5 Método endoscópico e coleta de amostra biológica As amostras biológicas para detecção de HPV consistiram de biópsia esofágica (Figura 3). O procedimento para a realização da EDA seguiu a rotina dos Departamentos de Endoscopia do Hospital de Câncer de Barretos e AME do município de Barretos utilizando sedação e video-endoscópios flexíveis (Olympus 180, Japão; Fuginon 4400, Japão). Após rigorosa inspeção visual, foi realizada a coleta das amostras biológicas, de acordo com o seguinte protocolo: 1) Casos: Biópsias da região não tumoral (tecido normal adjacente), seguidas pela região tumoral (tecido neoplásico). 2) Controles: Biópsias da região distal seguidas pela região proximal. Após a coleta, as amostras (casos: normal adjacente e tumoral; controles: distal e proximal) foram fixadas em formalina e posteriormente incluídas em parafina. O material biológico coletado foi processado pelo Departamento de Patologia do Hospital de Câncer de Barretos para diagnóstico histopatológico. 16 A B Fonte: Imagens cedidas gentilmente por Dra. Denise Peixoto Guimarães Figura 3 - Biópsias endoscópicas do esôfago. A: Biópsia de mucosa normal adjacente; B: Biópsia de mucosa com CEC. 17 3.6 Detecção de HPV-16 Para identificar casos e controles infectados pelo HPV-16, o protocolo de detecção seguiu as seguintes etapas: 3.6.1 Extração do DNA O DNA das amostras incluídas em parafina foi extraído à partir de três a cinco cortes de 10μ cada. Para evitar contaminação das amostras, um bloco vazio de parafina foi cortado entre cada bloco de paciente. Inicialmente, as lâminas contendo os cortes foram coradas com Hematoxilina & Eosina (HE, Merck KGaA, GE) de acordo com o protocolo de rotina do Departamento de Patologia do Hospital de Câncer de Barretos e avaliadas por um patologista para a seleção microscópica da área de interesse representativa da neoplasia, livre de necrose ou calcificações, no caso de tecido tumoral e, para os tecidos normais, tanto adjacente quanto de indivíduos controle, áreas livres de neoplasia, necrose ou calcificações. As lâminas contendo os cortes foram submetidas à etapa de desparafinização com lavagens sequenciais em xilol 2 vezes por 5 minutos (Merck KGaA, GE), etanol 1 vez por 1 minuto 100%/ 70%/ 50% (Merck KGaA, GE) e água mili Q 1 vez por 1 minuto. Em seguida, o material correspondente à área demarcada pelo patologista foi minuciosamente raspado com uma agulha (40 mm x 120mm) e colocado em tubo de polipropileno de 1,5mL, livre de Rnase e Dnase (Axygen, USA) contendo tampão ATL e RNA carrier, de acordo com o protocolo de extração e purificação de DNA utilizando o DNA QIAamp Micro Kit (Qiagen, USA). Brevemente, as amostras foram submetidas à etapa de digestão enzimática com o tampão ATL e proteinase K por uma noite à 56ºC e 700 rpm. Posteriormente, proteinase K foi novamente acrescentada e incubada à 56ºC, 700 rpm por 70 minutos. Após centrifugação, o material foi incubado a 98ºC, 600 rpm por 20 minutos, o tampão de lise AL foi adicionado e depois da adição do etanol puro, a solução foi aplicada à coluna QIAamp Mini spin e submetida à centrifugação a 8.000 rpm/ 1 minuto/ 20ºC. Em seguida a coluna foi lavada com tampão AW1 e AW2, sequencialmente; o DNA ligado à coluna foi eluído em 30-50µL de água livre de RNAse e DNAse (Qiagen, USA) e estocado em freezer à -20ºC até o momento do uso. 18 3.6.2 Análise do DNA extraído A quantidade do DNA extraído das biópsias foi avaliada por espectrometria (NanoDrop 2000 - ThermoScientific, USA), de acordo com as instruções do fabricante. A integridade do DNA obtido pelo processamento anteriormente descrito foi confirmada por PCR convencional para detecção de um fragmento de 110pb do gene da β-globina humana utilizando os iniciadores PCO3 (5’-ACACAACTGTGTTCACTAGC-3’) e PCO4 (5’- CAACTTCATCCACGTTCACC-3’). A mistura da PCR foi composta por 20mM de Tris-HCl pH 8,4 (Invitrogen, USA), 50mM de KCl (Invitrogen, USA), 4mM de MgCl2 (Invitrogen, USA), 200µM de dNTP mix (Invitrogen, USA), 200nM dos iniciadores 87 , 1,25U de Platinum Taq DNA Polymerase (Invitrogen, USA) e água DNAse RNAse free (Gibco/BRL, Life Technologies, USA) para volume final de 25 µL. Como fita molde foram utilizados 5 µL de DNA extraído. A amplificação em termociclador Mastercycler Gradient (Eppendorf, Germany) foi realizada segundo o protocolo: 94ºC por 5 minutos, seguido de 40 ciclos, (94ºC por 1 minuto, 55ºC por 1 minuto e 72ºC por 1 minuto) e extensão final de 72ºC por 10 minutos. Após reação, a eletroforese em gel de agarose 2,0% com Gel Red (Biotium, Hayward, CA) foi feita a 90V por 10 minutos e 110V por 70 minutos em Electrophoresis Power Supply-EPS 301 GE. Após término da corrida, a presença de banda foi avaliada no ImageQuant LAS 4000 mini GE. Somente as amostras positivas para β-globina foram utilizadas no ensaio de detecção de HPV. 3.6.3 Detecção de HPV-16 por PCR em tempo real A reação de PCR em tempo real específica para HPV-16 foi realizada utilizando TaqMan Universal PCR Master Mix 1x (Applied Biosystems, Inc., EUA), 400nM de cada iniciador forward 5’-GATGAAATAGATGGTCCAGC-3’ GCTTTGTACGCACAACCGAAGC-3’ 88 e reverso 5’- , 200nM da sonda 5’- 6FAM-CAAGCAGAACCGGACAG- MGBNFQ-3’ e água DNAse RNAse free (Gibco/BRL, Life Technologies, USA) para volume final de 25µL. Como fita molde, foram utilizados 5µL de DNA extraído de cada amostra. Em todas as reações de PCR foram adicionados controles positivos (DNA extraído de células SiHa ou Caski) e negativo (água). Todas as amostras e controles foram testados em duplicata. 19 3.7 Tamanho amostral O cálculo amostral foi realizado comparando-se proporções de duas amostras diferentes e baseou-se em dados disponíveis na literatura. Um estudo chinês 89 observou taxa de infecção do HPV de 31,0% em indivíduos com câncer de esôfago e 6,8% em indivíduos sem neoplasia. A partir desse pressuposto, considerando 5% de significância, erro beta de 10% (poder de teste de 90%) e uma diferença entre os grupos de 24,2 pontos percentuais estimou-se um tamanho amostral de 61 participantes em cada grupo do estudo, casos e controles. Para assegurar melhor poder do teste, optou-se por uma amostra superior a calculada, sendo a casuística estimada igual a 101 casos em cada grupo do estudo. 3.8 Análise estatística Foi realizada a análise descritiva dos dados por meio de frequências absolutas e relativas para as variáveis qualitativas. Para as variáveis quantitativas foram calculadas as medidas-resumo (média, desvio padrão e mediana). Para a comparação entre os grupos descritos no primeiro e segundo objetivos específicos, utilizou-se o teste exato de Fisher. Para a comparação dos grupos entre as variáveis numéricas foi utilizado o teste t-student. Para a comparação da prevalência de acordo com o sítio da biópsia no grupo controle (proximal vs distal) foi utilizado o teste de McNemar. As covariáveis associadas à detecção de HPV e ao CEC de esôfago foram analisadas e os resultados foram expressos como razão de chances (odds ratio - OR) bruta, através da regressão logistica simples e ajustada pelas covariáveis, através da regressão logistica múltipla. Os respectivos intervalos com 95% de confiança (IC 95%) também foram apresentados. O nível de significância adotado foi de 5%. Para a tabulação e análise estatística foi utilizado o software IBM® SPSS® Statistics 21.0 para Windows (IBM Corporation, Route 100, Somers NY 10589). 20 3.9 Considerações éticas Este estudo integra um projeto de pesquisa maior intitulado “O papel do Papilomavírus Humano (HPV) como agente etiológico do câncer esofágico. Um estudo transversal, caso-controle e longitudinal no Hospital de Câncer de Barretos” que foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HCB-FPXII (protocolo 637/2012 Anexo 1). Todos os voluntários manifestaram a intenção de participar do estudo por meio do TCLE. As informações que pudessem identificar os participantes de pesquisa foram mantidas em sigilo e codificadas no banco de dados para garantir a confidencialidade das informações e a privacidade. Apenas pessoas diretamente relacionadas ao estudo tiveram acesso direto ao banco de dados. Os pesquisadores declararam não possuir conflito de interesse relacionado a este estudo. 3.10 Financiamento da pesquisa Este estudo integra um projeto de pesquisa maior intitulado “O papel do Papilomavírus Humano (HPV) como agente etiológico do câncer esofágico. Um estudo transversal, caso-controle e longitudinal no Hospital de Câncer de Barretos”, aprovado sob o fomento CNPq Universal 14/2012 - Faixa C - de R$ 60.000,01 a R$ 120.000,00 (processo: 482666/2012-9). O Termo de aceitação de apoio financeiro encontra-se no Anexo 6. 21 4 RESULTADOS 4.1 Descrição da população Durante o período compreendido entre fevereiro de 2013 e agosto de 2014 foi possível compor a casuística deste estudo com 202 indivíduos, dos quais 101 (50,0%) eram pacientes com câncer de esôfago, denominados como “casos” e 101 (50,0%) eram indivíduos sem neoplasia, denominados como “controles”. Casos e controles foram emparelhados (1 caso : 1 controle) por sexo e idade (± 3 anos). 4.1.2 Descrição das características sociodemográficas A população do estudo apresentou as seguintes características: sexo masculino (n= 160; 79,2%), raça branca (66,3%; n= 128); estado civil casado ou união estável (70,3%; n= 142); baixo grau de instrução escolar (14,9% (n= 30) eram analfabetos ou analfabetos funcionais e 72,3% (n= 146) possuíam ensino fundamental incompleto ou completo) e procedentes da região sudeste do país (82,2%; São Paulo= 70,8%; Minas Gerais= 11,4%). A idade variou de 41 a 83 anos (média= 60,0 anos; dp= 10,0 anos; mediana= 60,0 anos). Durante a entrevista, 15,3% relataram nunca terem morado em zona rural e apenas 5% relataram nunca terem morado em zona urbana. 22 4.2 Comparação da prevalência de DNA de HPV-16 no esôfago de indivíduos com e sem CEC de esôfago O DNA de HPV-16 foi detectado no esôfago em 3 de 101 indivíduos do grupo “caso”, o que corresponde a uma prevalência de 3,0% (IC 95%: 1,0 – 8,0). Na região livre de neoplasia (tecido adjacente normal) todos os testes para a detecção de DNA de HPV-16 foram negativos (0/101). Para o grupo “controle”, foi detectado DNA de HPV-16 no esôfago de 21 dos 101 indivíduos, correspondendo a uma prevalência de 20,7% (IC 95%: 14,0 – 29,7). A prevalência de DNA de HPV-16 na região proximal do esôfago foi de 13,9% (14/101; IC 95%: 8,4 – 21,9) e na região distal do esôfago foi de 11,9% (12/101; IC 95%: 6,9 – 19,6). Comparou-se a prevalência de DNA de HPV-16 da região proximal com a da região distal e não foi encontrada diferença estatisticamente significatica (p= 0,802). Construiu-se uma variável consensual dicotômica (negativo e positivo) e considerou-se "DNA de HPV-16 positivo" aqueles indivíduos que apresentaram positividade no teste, independente da região detectada. Na comparação entre HPV-16 no esôfago entre indivíduos com e sem câncer de esôfago, observou-se maior prevalência de DNA de HPV-16 em indivíduos sem câncer controles (p <0,001) (Tabela 3). Tabela 3 - Comparação da prevalência de DNA de HPV-16 no esôfago em indivíduos com e sem câncer de esôfago. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. HPV-16 Casos Controles N % n % Negativo Positivo 98 3 97,0 3,0 80 21 79,2 20,8 Total 101 100 101 100 P <0,001 23 4.3 Comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para o câncer de esôfago e para a infecção por HPV Observou-se presença de DNA de HPV-16 no esôfago de 24 dos 202 indivíduos estudados, correspondendo a uma prevalência de 11,8% (IC 95%: 8,1 – 17,0). A idade média dos indivíduos com e sem a presença de DNA de HPV-16 foram estatisticamente similares (HPV-16 negativo = 60,4 [dp= 10,5] vs HPV-16 positivo = 58,3 [dp= 9,7]; p= 0,323). A tabela 4 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às variáveis sóciodemográficas. As variáveis sexo, raça, estado civil, zona rural, tempo de moradia em zona rural, zona urbana e tempo de moradia em zona urbana não apresentaram diferença estatisticamente significativa, no entanto a variável escolaridade apresentou diferença significativa (p= 0,027). Indivíduos de nível médio ou superior que apresentaram risco aumentado em 11 vezes (OR bruta) de ter a presença de DNA de HPV-16 na mucosa esôfagica em relação aos indivíduos analfabetos ou analfabetos funcionais. 24 Tabela 4 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características sociodemográficas. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. HPV-16 n % Variável Categoria HPV-16 + n % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] Sexo Feminino Masculino 37 141 20,8 79,2 5 19 20,8 79,2 1,000 1,00 [0,35 : 2,86] 1 0,96 [0,30 : 3,09] 1 Raça Branca Não branca 115 57 66,9 33,1 13 8 61,9 38,1 0,634 1 1,24 [0,48 : 3,16] 1 1,27 [0,49 : 3,27] Estado civil Casado Não casado 122 56 68,5 31,5 20 4 83,3 16,7 0,160 1 0,43 [0,14 : 1,33] 1 0,45 [0,14 : 1,38] Escolaridade Analfabeto / A. funcional Ensino fundamental Ensino médio / superior 29 130 19 16,3 73,0 10,7 1 16 7 4,2 66,7 29,2 0,027 1 3,56 [0,45 : 28,00] 10,68 [1,21 : 93,92] 1 3,34 [0,42 : 26,39] 10,11 [1,13 : 90,08] Zona rural Não Sim 25 153 14,0 86,0 6 18 25,0 75,0 0,222 1 0,49 [0,17 : 1,35] 1 0,50 [0,18 : 1,40] Tempo zona rural ≤ 10 anos > 10 anos 36 117 23,5 76,5 5 13 27,8 72,2 0,771 1 0,80 [0,26 : 2,39] 1 0,79 [0,26 : 2,42] Zona urbana Não Sim 9 169 5,1 94,9 1 23 4,2 95,8 1,000 1 1,22 [0,14 : 10,11] 1 1,08 [0,12 : 9,07] Tempo zona urbana ≤ 10 anos > 10 anos 14 155 8,3 91,7 0 23 0,0 100,0 0,382 1 NA 1 NA 178 100 24 100 Total B 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Raça (9). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 25 A tabela 5 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às variáveis características de ocupação. Não se observou diferença estatisticamente significativa na comparação entre indivíduos com e sem DNA de HPV16 de acordo com as características de ocupação. Tabela 5 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de ocupação. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria HPV-16 n % HPV-16 + n % Exposição à Inseticida ou Pesticida Não Sim 83 94 46,9 53,1 10 11 47,6 52,4 Classificação ISCO 1. Profissionais técnicos 2. Administrativos e gerentes 3. Empregados de escritório 4. Trabalhador com vendas 5. Auxiliar de serviços 6. Agricultor 7. Transporte e produção de equipamentos 8. Aposentado, Doente e Desempregado 9. Forças armadas 4 3 3 1 71 77 16 0 3 2,3 1,7 1,7 0,6 40,1 43,5 8,5 0,0 1,7 0 2 0 0 12 8 1 0 1 0,0 8,3 0,0 0,0 50,0 33,3 4,2 0,0 4,2 Total 178 100 24 100 B 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Exposição à Inseticida ou Pesticida (4). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. B 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 1,000 1 0,97 [0,39 : 2,40] 1 0,92 [0,37 : 2,31] 0,386 NA 2,00 [0,11 : 35,80] NA NA 0,50 [0,04 : 5,28] 0,31 [0,29 : 3,35] 0,20 [0,01 : 4,16] NA 1 NA 1,7 [0,09 : 31,56] NA NA 0,48 [0,04 : 5,18] 0,30 [0,02 : 3,39] 0,20 [0,01 : 4,44] NA 1 P 26 A tabela 6 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às variáveis características de exposição ao álcool. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis consumo de álcool, grama etanol por mililitro por dia, cerveja e vinho. Observou-se diferença estatisticamente significativa para a variável consumo de destilados (p= 0,010). Indivíduos que consumiram destilados apresentaram menor chance (OR bruta = 0,31; OR ajustada = 0,33) de terem a presença de DNA de HPV-16 na mucosa esofágica em relação àqueles que nunca consumiram destilados. Tabela 6 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ao álcool. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria HPV-16 n % HPV-16 + n % B P 2 OR [IC 95%] OR [IC 95%] Álcool Não Sim 33 145 18,5 81,5 5 19 20,8 79,2 0,783 1 0,86 [0,30 : 2,48] 1 0,49 [0,18 : 1,28] Álcool Nunca 1 Presente Passado 33 79 66 18,5 44,4 37,1 5 12 7 20,8 50,0 29,2 0,778 1 1,00 [0,32 : 3,07] 0,70 [0,20 : 2,37] 1 1,27 [0,39 : 4,17] 0,98 [0,25 : 3,70] Grama etanol por mililitro por dia Nunca 33 18,8 ≤ 30 112 63,6 > 30 31 17,6 5 16 3 20,8 66,7 12,5 0,902 1 0,94 [0,32 : 2,76] 0,63 [0,14 : 2,76] 1 1,23 [0,39 : 3,93] 0,89 [0,18 : 4,40] Cerveja Não Sim 53 124 29,9 70,1 8 16 33,3 66,7 0,814 1 0,85 [0,34 : 2,11] 1 1,04 [0,39 : 2,71] Vinho Não Sim 108 70 60,7 39,3 16 8 66,7 33,3 0,659 1 0,77 [0,31 : 1,89] 1 0,82 [0,33 : 2,05] Destilados Não Sim 54 124 30,3 69,7 14 10 58,3 41,7 0,010 1 0,31 [0,13 : 0,74] 1 0,33 [0,13 : 0,85] Total 178 100 24 100 B 2 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Grama etanol por mililitro por dia (2); cerveja (1). 1 Foi considerado o consumo atual de bebida alcoólica se o participante da pesquisa referisse que abandonou o consumo nos últimos 12 meses. 27 A tabela 7 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às variáveis características de exposição ao tabaco. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis estudadas à respeito de consumo de tabaco. Tabela 7 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ativa ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria HPV 16 n % HPV 16 + n % B P 1 OR [IC 95%] OR [IC 95%] Tabaco Não Sim 42 136 23,6 76,4 9 15 37,5 62,5 0,208 1 0,51 [0,21 : 1,26] 1 0,49 [0,18 : 1,28] Tabaco Nunca 1 Presente Passado 42 78 58 23,6 43,8 32,6 9 5 10 37,5 20,8 41,7 0,075 1 0,29 [0,09 : 0,95] 0,80 [0,30 : 2,15] 1 0,28 [0,08 : 0,94] 0,76 [0,26 : 2,15] Maços por ano Nunca ≤ 40 > 40 42 76 60 23,6 42,7 33,7 9 8 7 37,5 33,3 29,2 0,358 1 0,49 [0,17 : 1,36] 0,54 [0,18 : 1,57] 1 0,46 [0,15 : 1,38] 0,51 [0,16 : 1,59] Cigarro de filtro Não Sim 50 128 28,1 71,9 10 14 41,7 58,3 0,233 1 0,54 [0,22 : 1,31] 1 0,52 [0,20 : 1,34] Cigarro de palha Não Sim 83 95 46,6 53,4 14 10 58,3 41,7 0,384 1 0,62 [0,26 : 1,48] 1 0,62 [0,26 : 1,51] Cachimbo Não Sim 178 0 100,0 0,0 24 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA Charuto Não Sim 178 0 100,0 0,0 24 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA Total 178 100 24 100 B 1 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool 1 Foi considerado o consumo atual de tabaco se o participante da pesquisa referisse que abandonou o consumo nos últimos 12 meses. - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 28 A tabela 8 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às variáveis características de exposição passiva ao tabaco. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis estudadas à respeito da exposição passiva ao tabaco. Tabela 8 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição passiva ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria Fumo passivo Não Sim HPV 16 n % HPV 16 + n % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 6 18 25,0 75,0 0,030 1 0,29 [0,10 : 0,85] 1 0,29 [0,10 : 0,86] 16 8 66,7 33,3 0,382 1 0,62 [0,25 : 1,53] 1 0,66 [0,26 : 1,63] Trabalhou em lugar fechado com fumantes Não 138 78,0 21 87,5 Sim 39 22,0 3 12,5 0,422 1 0,50 [0,14 : 1,78] 1 0,40 [0,11 : 1,48] Quando criança, pais fumavam Não 40 22,7 Sim 136 77,3 7 17 29,2 70,8 0,454 1 0,71 [0,27 : 1,84] 1 0,57 [0,29 : 1,97] Total 24 100 16 162 9,0 91,0 Conviveu com fumante (casado) Não 99 55,6 Sim 79 44,4 178 100 3 ORB: Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Trabalhou em lugar fechado com fumantes (1), Quando criança, pais fumavam (2). 29 A tabela 9 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às caracteristicas de hábitos sexuais. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis estudadas à respeito do hábitos sexuais. Tabela 9 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de hábitos sexuais. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria HPV-16 n % HPV-16 + n % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] Idade da primeira relação sexual (anos) Até 15 57 32,9 10 > 15 até 17 43 24,9 6 > 17 73 42,2 8 41,7 25,0 33,3 0,674 1,60 [0,59 : 4,31] 1,27 [0,41 : 3,91] 1 1,75 [0,63 : 4,82] 1,19 [0,38 : 3,72] 1 Número de parceiros 1 26 2–5 48 >5 100 14,9 27,6 57,5 7 6 11 29,2 25,0 45,8 0,244 1 0,46 [1,14 : 1,52] 0,40 [0,14 : 1,15] 1 0,45 [0,13 : 1,50] 0,39 [0,13 : 1,16] Sexo oral ativo Não Sim 73,1 26,9 16 8 66,7 33,3 0,477 1 1,36 [0,54 : 3,39] 1 1,28 [0,50 : 3,24] 1,000 1 0,91 [0,13 : 6,37] 0,73 [0,08 : 6,04] 1 0,64 [0,08 : 4,83] 0,52 [0,05 : 4,64] 128 47 Idade da primeira vez que fez sexo oral ativo (anos) Até 20 18 40,9 3 42,9 >20 até 30 15 34,1 2 28,6 > 30 11 25,0 2 28,6 Frequência (sexo oral ativo) Raramente Frequente/Sempre 5 3 62,5 37,5 0,685 1 1,47 [0,30 : 7,09] 1 1,46 [0,29 : 7,15] Gênero do parceiro (sexo oral ativo) Mulher 36 81,8 Homens 7 15,9 Ambos 1 2,3 6 2 0 75,0 25,0 0,0 0,677 1 1,71 [0,28 : 10,3] NA 1 1,73 [0,28 : 10,69] NA Sexo oral - ânus Não Sim 157 6 96,3 3,7 18 2 90 10,0 0,213 1 2,9 [0,54 : 15,49] 1 2,32 [0,41 : 12,9] Sexo oral passivo Não Sim 108 67 61,7 38,3 17 7 70,8 29,2 0,501 1 0,66 [0,26 : 1,68] 1 0,59 [0,22 : 1,53] Total 178 100 24 100 B 32 13 3 71,1 28,9 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Idade da primeira relação sexual (5); Número de parceiros (4); Sexo oral ativo (3); Idade da primeira vez que fez sexo oral ativo (4); Frequência sexo oral ativo (2); Gênero do parceiro sexo oral ativo (3); Sexo oral - ânus (19); Sexo oral passivo (3). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 30 A tabela 10 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às caracteristicas de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-fereridas. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis estudadas à respeito de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-referidas. Tabela 10 - Comparação entre os indivíduos com e sem DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-referidos. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria DST Não Sim HPV-16 n % HPV-16 + n % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 131 46 74,0 24,0 20 4 83,3 16,7 0,452 1 0,57 [0,18 : 1,75] 1 0,59 [0,19 : 1,85] Verrugas genitais Não 170 Sim 7 96,0 4,0 24 0 100,0 0,0 1,000 1 NA 1 NA Herpes genitais Não 174 Sim 3 98,3 1,7 24 0 100,0 0,0 1,000 1 NA 1 NA Hepatite B Não Sim 172 3 98,3 1,7 24 0 100,0 0,0 1,000 1 NA 1 NA Hepatite C Não Sim 174 1 99,4 0,6 24 0 100,0 0,0 1,000 1 NA 1 NA HIV Não Sim 177 0 100,0 0,0 24 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA HPV (auto-referido) Não 177 Sim 0 100,0 0,0 24 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA 100 24 100 Total B 178 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: DST (1); Verrugas genitais (1); Hepatite B (3); Hepatite C (3); HIV (1) HPV (1). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 31 A tabela 11 apresenta resultados da comparação dos indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às caracteristicas de história de câncer na família. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis estudadas à respeito de história de câncer na família. Tabela 11 - Comparação entre os indivíduos com e sem a presença de DNA de HPV-16 e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de história de câncer na família que podem estar relacionados ao HPV. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria HPV-16 n % HPV-16 + n % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] Esôfago (1º grau) Não 153 Sim 16 90,5 9,5 22 2 91,7 8,3 1,000 1 0,86 [0,18 : 4,04] 1 1,02 [0,21 : 4,88] Esôfago (2º e 3º grau) Não 161 Sim 6 96,4 3,6 23 1 95,8 4,2 1,000 1 1,16 [0,13 : 10,13] 1 1,11 [0,12 : 9,92] Cabeça e pescoço Não 147 Sim 20 88,0 12,0 22 2 91,7 8,3 1,000 1 0,66 [0,14 : 3,05] 1 0,68 [0,14 : 3,16] Colo de útero Não Sim 160 7 95,8 4,2 22 2 91,7 8,3 0,315 1 2,07 [0,40 : 10,64] 1 2,05 [0,39 : 10,72] Vulva Não Sim 167 0 100 0,0 24 0 100 0,0 NA 1 NA 1 NA Pênis Não Sim 166 1 99,4 0,6 24 0 100,0 0,0 1,000 1 NA 1 NA Anal Não Sim 166 1 99,4 0,6 24 0 100,0 0,0 1,000 1 NA 1 NA Total 178 100 24 100 B 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise:Esôfago (1º grau) (9); Esôfago (2º e 3º grau) (11); Cabeça e pescoço (11); Colo de útero (11); Vulva (11); Pênis (11) e Anal (11). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 32 4.4 Comparação dos indivíduos com e sem CEC de esôfago em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para o câncer de esôfago e para a infecção por HPV A caracterização dos casos e controles encontra-se nas tabelas 12 e 13, respectivamente. A localização do tumor mais comum foi o terço médio do esôfago (n= 57; 56,4%), seguido por aqueles tumores que invadiam mais de uma região anatômica (n= 33; 32,7%), terço inferior do esôfago (n= 8; 7,9%) e terço superior do esôfago (n= 3; 3,0%). Tumor localmente avançado (T3 e T4) foi observado em 88,7% dos casos, metástase em linfonodo regional em 62,9% e metástase à distância em 20,0%. Estadiamento TNM avançado (estádios III e IV) foi observado em 75,8% dos pacientes (n= 72). Os tumores foram bem diferenciados em 13,4% (n= 13) dos casos, moderadamente diferenciados em 57,7% (n= 56) e pouco diferenciados em 28,9% (n= 28). Tabela 12 - Caracterização clínica dos casos. Hospital de Câncer de Barretos, 2014. Variável Categoria n % Localização do tumor (CID-O) Terço superior do esôfago Terço médio do esôfago Terço inferior do esôfago Tumor invade mais de uma região anatômica 3 57 8 33 3,0 56,4 7,9 32,7 Estadiamento T T1/T2 T3/T4 10 79 11,3 88,7 Estadiamento N N0 N positivo 26 44 37,1 62,9 Estadiamento M M0 M1 76 19 80,0 20,0 Estadiamento TNM (grupamento) I II III IV 1 22 52 20 1,1 23,1 54,7 21,1 Grau de diferenciação Bem Moderadamente Pouco 13 56 28 13,4 57,7 28,9 101 100 Total - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Estadiamento T (12), Estadiamento N (31), Estadiamento M (6), Estadiamento TNM (6), Grau de diferenciação (4). 33 Refluxo gastroesôfágico foi relatado por 23,7% (n= 23) dos controles no momento da entrevista. A avaliação patológica das amostras da região proximal do esôfago detectou 24,8% (n= 25) de esofagite e para a região distal foram detectados 24,8% (n= 25) de esofagite, 2,0% (n= 2) de papilomatose e 1,0% (n= 1) de moníliase. Tabela 13 - Caracterização clínica dos controles. Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria n % Refluxo gastroesofágico Não Sim 74 23 76,3 23,7 Mucosa esofágica Proximal Normal Esofagite 76 25 75,2 24,8 Mucosa esofágica Distal Normal Esofagite Papilomatose Monilíase 73 25 2 1 72,3 24,8 2,0 1,0 101 100 Total - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Refluxo gastroesofágico (4) 34 A tabela 14 apresenta resultados da comparação entre casos e controles em relação às variáveis sociodemográficas. As variáveis sexo, raça, escolaridade, estado civil, zona rural, tempo de moradia em zona rural e tempo de moradia em zona urbana não apresentaram diferença estatisticamente significativa, no entanto a variável zona rural apresentou (p= 0,019). Observou-se que indivíduos que moraram na zona urbana apresentaram menor chance (OR bruta e ajustada = 0,01) de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca moraram na zona urbana. Tabela 14 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características sociodemográficas. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria Caso n % Controle n % Raça Branca Não branca 71 29 71,0 29,0 57 36 61,3 38,7 Estado civil Casado Não casado 66 35 65,3 34,7 76 25 Escolaridade Analfabeto / A. funcional Ensino fundamental Ensino médio / superior 16 75 10 15,8 74,3 9,9 Zona rural Não Sim 11 90 Tempo zona rural ≤ 10 anos > 10 anos 22 68 B 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 0,172 1 0,64 [0,35 : 1,17] 1 0,59 [0,31 : 1,10] 75,2 24,8 0,166 1 1,61 [0,87 : 2,96] 1 1,66 [0,88 3,13] 14 71 16 13,9 70,3 15,8 0,467 1 1,08 [0,49 : 2,37] 1,82 [0,62 : 5,31] 1 1,16 [0,51 : 2,65] 2,18 [0,72 : 6,63] 10,9 89,1 20 81 19,8 80,2 0,117 1 2,02 [0,91 : 4,47] 1 2,14 [0,95 : 4,85] 24,4 75,6 19 62 23,5 76,5 1,000 1 0,94 [0,46 : 1,91] 1 1,10 [0,53 : 2,26] P continua Total 101 100 101 100 35 Tabela 14 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características sociodemográficas. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Caso n % Variável Categoria B Controle n % P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] continuação Zona urbana Não Sim 9 92 8,9 91,1 1 100 1,0 99,0 0,019 1 0,10 [0,01 : 0,82] 1 0,10 [0,01 : 0,89] Tempo zona urbana ≤ 10 anos > 10 anos 7 85 7,6 92,4 7 93 7,0 93,0 1,000 1 0,91 [0,30 : 2,71] 1 0,75 [0,24 : 2,35] 101 100 101 100 Total B 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Raça (9). 36 A tabela 15 apresenta resultados da comparação entre casos e controles em relação às variáveis características de ocupação. Não observou-se diferença estatisticamente significativa na comparação entre casos e controles e as características de ocupação. Tabela 15 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de ocupação. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Caso Controle n % Variável Categoria n % Exposição à Inseticida ou Pesticida Não Sim 44 56 44,0 56,0 48 48 50,0 50,0 Classificação ISCO 1. Profissionais técnicos 2. Administrativos e gerentes 3. Empregados de escritório 4. Trabalhador com vendas 5. Auxiliar de serviços 6. Agricultor 7. Transporte e produção de equipamentos 8. Aposentado, Doente e Desempregado 9. Forças armadas 2 1 3 0 44 41 7 0 2 2,0 1,0 3,0 0,0 44,0 41,0 7,0 0,0 2,0 2 4 0 1 39 44 9 0 2 2,,0 4,0 0,0 1,0 38,6 43,6 8,9 0,0 2,0 Total 101 100 101 100 B 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Exposição à Inseticida ou Pesticida (4). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. B P 0,477 0,541 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 1,27 [0,72 : 2,22] 1,27 1 1,23 [0,69 : 2,19] 1,00 [0,63 : 15,98] 0,25 [0,01 : 4,72] NA NA 1,12 [0,12 : 8,39] 0,93 [0,12 : 6,92] 0,77 [0,08 : 6,98] NA 1 1,30 [0,07 : 22,47] 0,27 [0,01 : 5,28] NA NA 1,39 [0,18 : 10,50] 1,19 [0,15 : 8,99] 0,84 [0,9 : 7,72] NA 1 37 A tabela 16 apresenta resultados da comparação entre casos e controles em relação às variáveis características de de exposição ao álcool. Apresentaram diferenças estatisticamente significativas as variáveis de consumo de álcool, grama etanol por mililitro por dia e destilados (p= 0,002, p= 0,004 e p< 0,001 respectivamente). O consumo de álcool aumentou o risco em 3,4 vezes (OR bruta) de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca consumiram álcool. Indíviduos que consumiam álcool apresentaram risco aumentado em 2,7 (OR bruta) vezes de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca consumiram bebidas alcoólicas. E, indivíduos que consumiram álcool no passado apresentaram risco aumentado em 4,7 (OR bruta) vezes de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca consumiram bebidas alcoólicas. Em relação à quantidade de consumo de etanol, indivíduos que consumiram menos que 30 gramas de etanol por mililitro por dia, apresentaram risco aumentado em 3,3 vezes (OR bruta) de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca consumiram bebidas alcoólicas. E indivíduos que consumiram mais de 30 gramas de etanol por mililitro por dia apresentaram risco aumentado em 4 (OR bruta) vezes de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca consumiram bebidas alcoólicas. Consumo de cerveja e vinho não apresentaram diferença significativa, no entanto, o consumo de bebidas destiladas apresentou uma risco aumentado em 7,1 vezes (OR bruta) de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca consumiram bebidas destiladas. 38 Tabela 16 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ao álcool. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Caso Controle n % B 2 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 0,002 1 3,49 [1,59 : 7,65] 1 3,03 [1,32 : 6,92] 27,7 45,5 26,7 0,001 1 2,73 [1,19 : 6,28] 4,77 [2,01 : 11,32] 1 2,48 [1,04 : 5,88] 4,18 [1,66 : 10,47] Grama etanol por mililitro por dia Nunca 10 10,0 28 ≤ 30 70 70,0 58 > 30 20 20,0 14 28,0 58,0 14,0 0,004 1 3,37 [1,51 : 7,53] 4,00 [1,48 : 10,80] 1 2,96 [1,28 : 6,85] 3,40 [1,20 : 9,62] Cerveja Não Sim 27 74 26,7 73,3 34 66 34,0 66,0 0,286 1 1,41 [0,77 : 2,58] 1 1,18 [0,63 : 2,24] Vinho Não Sim 57 44 56,4 43,6 67 34 66,3 33,7 0,193 1 1,52 [0,86 : 2,69] 1 1,43 [0,80 : 2,56] Destilados Não Sim 14 87 13,9 86,1 54 47 53,5 46,5 <0,001 1 7,14 [3,59 : 14,18] 1 7,02 [3,4 : 14,46] Total 101 100 101 100 Variável Categoria n % Álcool Não Sim 10 91 9,9 90,1 28 73 27,7 72,3 Álcool Nunca 1 Presente Passado 10 45 46 9,9 44,6 45,5 28 46 27 B 2 P OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Grama etanol por mililitro por dia (2); cerveja (1). 1 Foi considerado o consumo atual de bebida alcoólica se o participante da pesquisa referisse que abandonou o consumo nos últimos 12 meses. 39 A tabela 17 apresenta resultados da comparação entre casos e controles em relação às variáveis características de exposição ativa ao tabaco. Apresentaram diferença estatisticamente significativa as variáveis de consumo de tabaco, maços-ano e cigarro de palha (p= 0,050, p= 0,034 e p= 0,001 respectivamente). A exposição ativa ao tabaco apresentou risco aumentado em 2 vezes (OR bruta) de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca foram expostos ativamente ao tabaco. Indíviduos expostos ativamente ao tabaco no presente tiveram risco aumentado em 2,9 (OR bruta) vezes de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca fumaram. Em relação à quantidade maços/anos consumidos, indivíduos que consumiram mais de 40 maços-ano, apresentaram risco aumentado em 2,6 vezes (OR bruta) de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca fumaram. Cigarro de filtro não apresentou diferença estatisticamente significativa; no entanto, cigarro de palha apresentou risco aumentado em 2,7 vezes (OR bruta) de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que nunca fumaram cigarro de palha. 40 Tabela 17 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição ativa ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Caso Controle n % B 1 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 0,050 1 2,00 [1,04 : 3,38] 1 1,45 [0,71 : 2,93] 31,7 29,7 38,6 0,004 1 2,97 [1,44 : 6,13] 1,25 [0,59 : 2,63] 1 2,15 [0,99 : 4,65] 0,90 [0,41 : 2,00] 32 43 26 31,7 42,6 25,7 0,034 1 1,60 [0,78 : 3,26] 2,65 [1,25 : 5,62] 1 1,15 [0,53 : 2,47] 1,93 [0,87 : 4,28] 23,8 76,2 36 65 35,6 64,4 0,090 1 1,77 [0,96 : 3,28] 1 1,26 [0,64 : 2,47] 36 65 35,6 64,4 61 40 60,4 39,6 0,001 1 2,75 [1,55 : 4,86] 1 2,92 [1,30 : 6,54] Cachimbo Não Sim 101 0 100,0 0,0 101 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA Charuto Não Sim 101 0 100,0 0,0 101 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA Total 101 100 101 100 Variável Categoria n % Tabaco Não Sim 19 82 18,8 81,2 32 69 31,7 68,3 Tabaco Nunca 1 Presente Passado 19 53 29 18,8 52,5 28,7 32 30 39 Maços por ano Nunca ≤ 40 > 40 19 41 41 18,8 40,6 40,6 Cigarro de filtro Não Sim 24 77 Cigarro de palha Não Sim B 1 P OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool 1 Foi considerado o consumo atual de tabaco se o participante da pesquisa referisse que abandonou o consumo nos últimos 12 meses - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 41 A tabela 18 apresenta resultados da comparação entre casos e controles em relação às variáveis características de exposição passiva ao tabaco. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis estudadas à respeito da exposição passiva ao tabaco. Tabela 18 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de exposição passiva ao tabaco. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Caso Variável Categoria n % Fumo passivo Não Sim 7 94 6,9 93,1 Controle n % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 15 86 14,9 85,1 0,112 1 2,34 [0,91 : 6,01] 1 2,06 [0,78 : 5,47] 59 42 58,4 41,6 0,776 1 1,12 [0,64 : 1,97] 1 1,09 [0,61 : 1,95] Trabalhou em lugar fechado com fumantes Não 77 77,0 82 81,2 Sim 23 23,0 19 18,8 0,492 1 1,28 [0,65 : 2,55] 1 1,29 [0,62 : 2,66] Quando criança, pais fumavam Não 22 22,2 Sim 77 77,8 25 76 24,8 75,2 0,740 1 1,15 [0,59 : 2,21] 1 1,12 [0,57 : 2,20] Total 101 100 Conviveu com fumante (casado) Não 56 55,4 Sim 45 44,6 101 100 3 ORB: Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Trabalhou em lugar fechado com fumantes (1), Quando criança, pais fumavam (2). A tabela 19 apresenta resultados da comparação entre casos e controles em relação às caracteristicas de hábitos sexuais. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis: idade da primeira relação sexual, número de parceiros, idade da primeira vez que fez sexo oral ativo, frequência (sexo oral ativo), gênero do parceiro (sexo oral ativo), sexo oral no ânus e sexo oral passivo. Sexo oral ativo apresentou diferença estatisticamente significativa (p= 0,004). Indivíduos que relataram aterem realizado sexo oral alguma vez na vida apresentaram menor risco (OR= 0,38) de ter câncer de esôfago em relação à indivíduos que relataram nunca terem realizado o sexo oral. 42 Tabela 19 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de hábitos sexuais. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014 . Variável Categoria Caso n % Controle N % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] Idade da primeira relação sexual (anos) Até 15 35 36,1 > 15 até 17 24 24,7 > 17 38 39,2 32 25 43 32,0 25,0 43,0 0,815 1,23 [0,64 : 2,36] 1,08 [0,53 : 2,30] 1 1,08 [0,55 : 2,12] 1,10 [0,52 : 2,31] 1 Número de parceiros 1 2–5 6 – 10 13 25 59 13,4 25,8 60,8 20 29 52 19,8 28,7 51,5 0,361 1 1,32 [0,55 : 3,19] 1,74 [0,79 : 3,85] 1 1,40 [0,56 : 3,52] 1,49 [0,65 : 3,39] Sexo oral ativo Não Sim 80 18 81,6 18,4 64 37 63,4 36,6 0,004 1 0,38 [0,20 : 0,47] 1 0,33 [0,17 : 0,66] 0,309 1 3,38 [0,59 : 19,3] 3,85 [0,64 : 23,05] 1 3,45 [0,54 : 22,00] 4,01 [0,60 : 26,72] Idade da primeira vez que fez sexo oral ativo (anos) Até 20 8 47,1 13 38,2 >20 até 30 7 41,2 10 29,4 > 30 2 11,8 11 32,4 Frequência (sexo oral ativo) Raramente 13 Frequente/Sempre 4 76,5 23,5 24 12 66,7 33,3 0,538 1 0,61 [0,16 : 2,29] 1 0,62 [0,16 : 2,43] Gênero do parceiro (sexo oral ativo) Mulher 14 82,4 Homens 3 17,6 Ambos 0 0,0 28 6 1 80,0 17,1 2,9 1,000 1 1,00 [0,21 : 4,60] NA 1 1,10 [0,22 : 5,43] NA Sexo oral - ânus Não Sim 92 2 97,9 2,1 83 6 93,3 6,7 0,160 1 0,30 : 0,05 : 1,53] 1 0,29 [0,05 : 1,56] Sexo oral passivo Não Sim 65 33 66,3 33,7 60 41 59,4 40,6 0,379 1 0,74 [0,41 : 1,32] 1 0,73 [0,40 : 1,34] Total 101 100 101 100 B 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: Idade da primeira relação sexual (5); Número de parceiros (4); Sexo oral ativo (3); Idade da primeira vez que fez sexo oral ativo (4); Frequência sexo oral ativo (2); Gênero do parceiro sexo oral ativo (3); Sexo oral - ânus (19); Sexo oral passivo (3). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 43 A tabela 20 apresenta resultados da comparação entre casos e controles em relação às caracteristicas de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-referidas. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis estudadas à respeito de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-referidas. Tabela 20 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às características de antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis auto-referidas. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Caso Controle n % 0,142 1 0,59 : 0,30 : 1,13] 1 0,48 [0,24 : 0,94] 94,1 5,9 0,118 1 0,16 [0,01 : 1,35] 1 0,12 [0,01 : 1,04] 100 1 99,0 1,0 0,621 1 2,04 [0,18 : 22,87] 1 1,53 [0,13 : 17,31] 99,0 1,0 99 2 98,0 2,0 1,000 1 0,51 [0,04 : 5,72] 1 0,42 [0,03 : 4,76] 98 0 100,0 0,0 100 1 99,0 1,0 1,000 1 NA 1 NA 100 0 100,0 0,0 101 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA 100,0 0,0 101 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA 100 101 100 % DST Não Sim 80 20 80,0 20,0 71 30 70,3 29,7 Verrugas genitais Não 99 Sim 1 99,0 1,0 95 6 Herpes genitais Não 98 Sim 2 98,0 2,0 Hepatite B Não Sim 97 1 Hepatite C Não Sim HIV Não Sim HPV (auto-referido) Não 100 Sim 0 B 3 OR [IC 95%] N Total B OR [IC 95%] Variável Categoria 101 3 P OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise: DST (1); Verrugas genitais (1); Hepatite B (3); Hepatite C (3); HIV (1) HPV (1). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 44 A tabela 21 apresenta resultados da comparação dentre casos e controles em relação às caracteristicas de história de câncer na família. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre às variáveis de história de câncer de esôfago (2º e 3º grau), cabeça e pescoço, colo do útero, vulva, pênis e canal anal; no entanto, indivíduos que relataram história de câncer de esôfago na familia de primeiro grau apresentaram risco 4 vezes maior de desenvolver câncer de esôfago em relação àqueles que não tinham história de câncer de esôfago em familiares de primeiro grau. Tabela 21 - Comparação entre os grupos de estudo (casos e controles) e Odds Ratio bruta com intervalo de confiança (IC 95%) em relação às caracteristicas de história de câncer na família que podem estar relacionados ao HPV. Hospital de Câncer de Barretos e Ambulatório Médico de Especialidades de Barretos, 2014. Variável Categoria Caso n Esôfago (1º grau) Não 81 Sim 14 % Controle n % B P 3 OR [IC 95%] OR [IC 95%] 85,3 14,7 94 4 95,9 4,1 0,013 1 4,06 [1,28 : 12,83] 1 3,34 [1,41 : 7,92] Esôfago (2º e 3º grau) Não 87 93,5 Sim 6 6,5 97 1 99,0 1,0 0,060 1 6,69 [0,79 : 56,67] 1 5,61 [0,65 : 48,26] Cabeça e pescoço Não 80 Sim 13 86,0 14,0 89 9 90,8 9,2 0,367 1 1,60 [0,65 : 3,96] 1 1,72 [0,67 : 4,41] Colo de útero Não 88 Sim 5 94,6 5,4 94 4 95,9 4,1 0,742 1 1,33 : 0,34 : 5,13] 1 1,69 [0,40 : 7,09] Vulva Não Sim 93 0 100,0 0,0 98 0 100,0 0,0 NA 1 NA 1 NA Pênis Não Sim 92 1 98,9 1,1 98 0 100,0 0,0 0,487 1 NA 1 NA Anal Não Sim 93 0 100,0 0,0 97 1 99,0 1,0 1,000 1 NA 1 NA Total 101 100 101 100 B 3 OR : Odds Ratio Bruta | OR : Odds Ratio ajustado por álcool e tabaco - Casos com valores ignorados foram removidos da análise:Esôfago (1º grau) (9); Esôfago (2º e 3º grau) (11); Cabeça e pescoço (11); Colo de útero (11); Vulva (11); Pênis (11) e Anal (11). - NA = Não analisado pela falta de informação suficiente. 45 5 DISCUSSÃO Nossos resultados sugerem que o HPV do tipo 16 não tem participação na carcinogênese do CEC de esôfago. Pode-se observar a presença do HPV-16 na mucosa esofágica, porém não parece ter o mesmo significado causal que no carcinoma da cérvix-uterina, por exemplo. A diferença mais marcante observada foi a alta prevalência de DNA de HPV-16 entre os indivíduos sem câncer, que foi sete vezes maior do que a observada entre os indivíduos com CEC de esôfago. O significado biológico deste resultado está distante de ser entendido pelo desenho desse estudo. Entretanto, é muito interessante e suscita indagações bastante estimulantes sobre o comportamento do HPV-16 no tecido esofágico. Diversos fatores de risco foram avaliados, principalmente aqueles sabiamente conhecidos para a infecção por HPV, e surpreendentemente, apenas escolaridade de nível médio ou superior foi associada como um possível fator de risco para a presença de DNA de HPV-16 na mucosa esofágica. História de sexo oral não foi uma variável discriminatória, o que revela que para casos e controles, a presença de DNA de HPV-16 pode ser uma constante independente do significado da eventual lesão. Observou-se que consumo de álcool, exposição ativa ao tabaco ainda prevalecem como os clássicos fatores de risco para o desenvolvimento do CEC de esôfago e observou-se que história prévia de câncer de esôfago em familiares de primeiro grau também pode ser também, um fator de risco. Este foi um estudo observacional do tipo caso controle, cujo delineamento é utilizado geralmente para doenças de evolução lenta e permite avaliar vários fatores de risco para determinado desfecho 90 . Há grandes vantagens em se realizar estudos com esse tipo de delineamento, pois os resultados podem ser obtidos rapidamente; é de baixo custo quando comparado a estudos de coorte com coleta prospectiva dos dados; múltiplos fatores de risco podem ser investigados simultaneamente; o número de participantes em cada grupo pode ser pequeno e não há necessidade de acompanhamento dos indivíduos. No entanto, estão sujeitos a críticas pois podem apresentar limitações no que se diz respeito à seleção do grupo controle e também, a interpretação dos resultados pode ser dificultada pela presença de fatores de confundimento 91. Variáveis relacionadas às características sociodemográficas, de ocupação, de exposição ao álcool e ao tabaco (ativo e passivo), hábitos sexuais, história prévia de doenças sexualmente transmissíveis e história de câncer na família foram investigadas 46 simultaneamente. Para que a qualidade da informação fosse observada e para evitar vieses de aferição durante a entrevista, um instrumento padronizado de coleta de dados foi elaborado e todas as entrevistas foram conduzidas por apenas dois membros previamente treinados do Grupo de Pesquisas em HPV do Hospital de Câncer de Barretos – Fundação Pio XII. A seleção dos participantes do grupo “caso” ocorreu no ambulatório de Cirurgia do Aparelho Digestivo Alto e no Departamento de Endoscopia do HCB-FPXII. Por se tratar de uma instituição especializada exclusivamente em atendimento oncológico, houve a necessidade de se incluir os participantes do grupo “controle” no Departamento de Endoscopia do Ambulatório Médico de Especialidades do município de Barretos. Para balancear esta divergência de centros e para tornar os grupos homogêneos, foi realizado o pareamento dos participantes da pesquisa por sexo e idade (± 3 anos). Apesar de todo esforço, somente após análise dos dados, constatou-se aparente diferenças entre proveniência: urbana (dos controles) vs rural (dos casos). Fato este que pode ter sido fator de confundimento para algumas variáveis analisadas. Ao que parece, os controles não foram oriundos da mesma população de onde foram provenientes os casos. Atualmente, várias técnicas moleculares para a detecção de HPV têm sido utilizadas, como Captura Híbrida (CH), Hibridização in situ (HIS) e Reação por Cadeia de Polimerase (PCR). No presente estudo, a PCR em tempo real foi escolhida para realização da detecção de HPV-16 pois trata-se de uma técnica que possui controles internos individuais para cada amostra, minimizando resultados falso-negativos. A técnica de PCR em tempo real apresenta ainda valor preditivo negativo superior a 99% e sensibilidade superior a 90% para detecção de HPV, além de fornecer resultados de modo quantitativo 92. Grande quantidade dos estudos publicados sobre a temática, refletem resultados de coletas retrospectivas de amostras e quase nunca reportam informações relacionadas à população. O diferencial deste estudo foi a coleta prospectiva das amostras, que permite a seleção rigorosa da área de biópsia e a amplitude dos fatores que puderam ser avaliados. O primeiro objetivo específico deste estudo foi comparar a prevalência de DNA de HPV-16 no esôfago de indíviduos com e sem CEC de esôfago, sendo observada maior prevalência entre os controles do que nos casos. No mundo, vários relatos têm descrito desde a inexistência do vírus prevalências tão altas como 100% 75 57, 70, 73, 78, 93 até no CEC de esôfago. Em controles há estudos que 47 também relatam a inexistência do vírus prevalência que chegam a 59% 75 60, 63, 67-71, 73 e outros relatam altas taxas de . Deve-se levar em consideração que esta variação na prevalência pode ser explicada por múltiplos fatores, como a diferença metodológica utilizada, o número dos casos analisados, bem como diferenças ambientais, geográficas e demográficas das populações avaliadas 21, 52, 94-98 No Brasil, a prevalência de HPV em CEC de esôfago pôde ser observada em quatro estudos, variando de 0% à 16% 57, 60, 61, 99. Em indivíduos sem câncer, a prevalência pôde ser avaliada em três estudos, variando de 0% a 10.0% 57, 60, 61. Em 2003, foi publicado o primeiro estudo realizado no Brasil sobre o tema por Weston e Prolla, que avaliaram 40 indivíduos com CEC de esôfago e 10 indivíduos controles. A inclusão dos participantes aconteceu em um hospital localizado na região Sul do país, entre 1999 e 2000. Entre os casos, foram obtidas amostras biológicas por meio de biópsia endoscópica em 20 casos e por peças cirúrgicas nos outros 20 casos. Entre os controles, foram obtidas amostras a partir de biópsias endoscópicas. A técnica utilizada para a detecção do HPV foi a Captura Híbrida e os resultados foram apresentados para HPV de baixo e alto risco. Houve uma amostra positiva para DNA de HPV de baixo risco entre os casos, totalizando prevalência de 2,5%; e houve um controle positivo de DNA de HPV de alto risco, resultando prevalência de 10%. Os autores concluíram que os achados para HPV de alto risco pareceu ter sido uma descoberta ocasional 61. Em 2006, Souto-Damin e colaboradores investigaram retrospectivamente a presença de DNA de HPV em 175 amostras cirúrgicas de CEC de esôfago e 26 amostras de mucosa esofágica livre de neoplasia, que foram utilizadas como controle, em um hospital também da região Sul do país. Foi realizado a PCR convencional utilizando-se o primer consenso GP5+/GP6+, e primers específicos para os HPVs do tipo 16 e 18. A prevalência de DNA de HPV observada entre as amostras de CEC de esôfago foi de 16%; enquanto nas amostras controle foi de 0%. Ainda, entre as amostras positivas, 96% eram do tipo 16 e 4% do tipo 18. A partir dos resultados obtidos, os autores concluíram que DNA de HPV não ocorre em controles sem neoplasia e sugeriram que a presença do HPV não é meramente incidental em CEC de esófago, e que os HPVs, principalmente do tipo 16, pode ser um cofator potencial no desenvolvimento do fenótipo maligno do esôfago 60. Herbster e colaboradores avaliaram 264 amostras de pacientes com CEC de esôfago procedentes de 4 hospitais, sendo 3 deles situados na região Sudeste e 1 situado na região 48 Sul do país, através da utilização da PCR convencional utilizando primer consenso GP5+/GP6+ e confirmados por imunohistoquímica. Foi observado prevalência global de 13%; e quando estratificada por região geográfica, a prevalência para a região Sul foi de 23% e a prevalência observada na região Sudeste foi de 8%. Entre os casos positivos, o HPV-16 foi o tipo mais prevalente, estando presente em 79% dos casos da região Sul e em 67% nos casos da Região Sudeste 99. Prolla e colaboradores, analisaram 189 amostras de três grupos diferentes: 1) 102 amostras de 51 pacientes com CEC de esôfago, sendo um fragmento da mucosa esofágica normal e um fragmento do tumor; 2) 50 amostras de 37 pacientes com CEC de cabeça e pescoço; 3) 37 amostras de mucosa esofágica de 37 pacientes com dispepsia não expostos a tabaco e a álcool. As amostras fixadas em formalina e armazenadas em blocos de parafina, e foram submetidas à detecção do DNA de HPV foi realizada por PCR convencional utilizando os primers MY09 / MY11 e GP5+. DNA de HPV foi negativo em todas as amostras testadas. Os autores concluiram que não há nenhuma evidência que o HPV está envolvido com a carcinogênese do CEC de esôfago no Sul do Brasil 57. Os estudos brasileiros têm em comum o fato de terem sido todos retrospectivos, com técnicas de identificação de HPV distintas e com resultados bastante conflitantes. Não parece haver em nenhum deles dados que corroborem a premissa do HPV estar de alguma forma envolvido com a carcionogênese do esôfago, o que suporta, em parte, nossos achados. Por outro lado, o grupo controle de nosso estudo foi significativamente mais positivo para HPV do que os demais estudos. A alta sensibilidade do método utilizado e o rigoroso controle das amostras colhidas prospectivamente podem ser variáveis determinantes para explicar essas diferenças. É importante enfatizar, contudo, que, no Brasil, o HPV no contexto do câncer esofágico, não tem a mesmo significado que em outros países, como a China, por exemplo. No entanto, devemos levar em consideração que para este estudo, foi testado apenas um subtipo de HPV, o 16, e como proposto em outro estudo, outros subtipos de alto e baixo risco tumorigênico, podem estar associados ao CEC de esôfago 89. A prevalência do HPV observada entre os casos é baixa comparada a dados mundiais acumulados até o momento, contudo refletem e corroboram com os resultados descritos na literatura brasileira. Estudos realizados na África do Sul, Índia, Grécia e Japão encontraram prevalências semelhantes variando entre 15% e 25% 62, 64, 65, 74. Em indivíduos sem neoplasia, 49 no entanto, nota-se maior taxa de prevalência quando comparado apenas aos dados publicados na literatura brasileira até o momento 57, 60, 61. Tem sido descritos três formas da infecção pelo HPV: clínica, subclínica e latente. A forma latente do vírus apenas pode ser diagnosticada por técnicas moleculares, sendo o DNA do HPV detectado 100. Portanto, espera-se que esta tenha sido a forma encontrada nos controles neste estudo. Os mecanismos pelo qual o HPV permanece neste estado de latência ainda permanecem desconhecidos, mas acredita-se que fatores imunológicos sejam determinantes para esta condição. Com frequência, o HPV pode regredir espontaneamente, mas, também ainda não há conhecimento a respeito do tempo que o vírus é capaz de permanecer neste estado, e nem qual a taxa de progressão desta forma de latência para as demais 101. Para outros sítios anatômicos, as prevalências de HPV em indivíduos sem doença, também é bastante variável. A prevalência global estimada de HPV no colo uterino com resultados citológicos normais é de 11,7%. Este dado foi obtido a partir da avaliação de um milhão de mulheres incluídas em 194 estudos reunidos em um meta-análise. Quando este resultado foi estratificado por continentes observou-se maior prevalência de HPV na África Subsaariana (24%), Europa Oriental (21,4%) e América Latina (16,1%) 102 . A prevalência mundial de infecção genital causada pelo HPV é de 9 a 13%, segundo dados da Organização Mundial da Saúde 103 . Já para cabeça e pescoço, a prevalência de HPV em indivíduos sem câncer é de 5 a 10 vezes menor do que a prevalência no colo uterino 104 . Dados de uma população americana de indivíduos sem câncer com idade entre 14 e 59 anos detectou prevalência de 7% para HPV em cabeça e pescoço 105. O epitélio escamoso do esôfago está diretamente ligado à mucosa oral e devido a associação entre o HPV e o câncer de orofaringe e cavidade oral, um estudo suéco teve como hipótese que existiria maior prevalência de HPV na região proximal comparado à região distal; no entanto, não foi observado associação entre a presença do vírus e a região anatômica 106 . Um estudo brasileiro observou que tumores HPV positivos apresentaram maior frequência na região distal (39%) e menor frequência na região proximal (9%) do esôfago, quando comparado ao HPV ESCCs negativos 99 . No presente estudo avaliou-se a presença de DNA de HPV-16 na região distal e proximal apenas nos grupo controle, já que nos casos a localização de interesse era a tumoral, que poderia estar localizada em qualquer 50 região anatômica do esôfago. A prevalência do vírus observada na região proximal foi de 13,9% e na região distal foi de 11,9% e não houve diferença estatística entre as prevalências. O segundo objetivo específico foi comparar os indivíduos com e sem presença de DNA de HPV-16 em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para o câncer de esôfago e para a infecção do HPV. A idade média dos indivíduos positivos e negativos para a infecção pelo HPV não foi diferente nesse estudo, em que se considerou indivíduos com e sem CEC de esôfago. Este resultado é semelhante com outro estudo realizado apenas com indivíduos diagnosticados com CEC de esôfago, procedentes das regiões Sul e Sudeste do Brasil 99. Uma maior incidência de infecção por HPV na região cervical é observado em pacientes mais jovens e há uma clara tendência para a redução das taxas de infecção por HPV com a progressão da idade 107. Zhang e colaboradores (2010), relataram que a infecção pelo HPV no esôfago foi observada principalmente em pacientes com idade entre 35 e 47 anos em uma população chinesa 98. Em nosso estudo a média de idade obtida em indivíduos com a infecção pelo HPV foi de 58 anos. Como a maioria dos casos positivos para HPV faziam parte do grupo controle, este dado pode estar influenciado pelo pareamento que foi alinhado aos casos. DNA de HPV-16 foi mais frequente em indivíduos com escolaridade de nível médio ou superior neste estudo. Não foram encontrados dados na literatura acerca deste ponto. Entretanto, nossos dados divergem de um estudo caso-controle brasileiro, realizado em mulheres com e sem a infecção cervical pelo HPV, que concluiu que nível médio ou superior de escolaridade não está associado à infecção por HPV oncogênico 107. Notou-se uma discreta redução do consumo de álcool e de tabaco entre os indivíduos HPV-16 positivos, mas não houve diferença estatística. Interessantemente, essa redução foi observada em um outro estudo brasileiro realizado apenas com pacientes portadores de CEC de esôfago 99. Um estudo Chinês, contudo, observou que em indivíduos com CEC de esôfago as taxas de infecção por HPV em pacientes que fumavam eram 3,27 vezes maior do que em pacientes não-fumantes, e que as taxas em pacientes que não consumiam álcool versus àqueles que consumiam eram semelhantes 98 . O consumo de bebidas destiladas foi observado neste estudo como fator protetor para a presença de DNA de HPV-16 na mucosa esofágica, o que parece ser um fator de confundimento, já que os pacientes com CEC de 51 esôfago em sua maioria fazem parte do grupo sem infecção pelo HPV-16 e consomem mais destilados. Infecções por HPV estão associadas com o número de parceiros sexuais, o que é indicativo de transmissão sexual 107. Os hábitos sexuais considerados de risco para a infecção anogenial do HPV, não mostraram ter relação com a presença de DNA de HPV-16 na mucosa esofágica. O terceiro objetivo específico foi comparar os indivíduos com e sem câncer em relação às características sociodemográficas e os fatores de risco conhecidos para o câncer de esôfago e para a infecção por HPV. A respeito da localização de moradia, nosso estudo observou que a zona urbana pode ter função na proteção do desenvolvimento do CEC de esôfago. Este resultado pode ter sido influenciado por fatores de confundimento, como hábitos de vida e alimentares, que são sabidamente desiguais entre zona rural e zona urbana. O consumo de álcool foi considerado um importante fator de risco para o CEC de esôfago, principalmente quando observado, isoladamente, o consumo de destilados. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) classifica o consumo de álcool como uma causa conhecida do CE 108 e estudos ecológicos e de caso controle clássicos estabeleceram que o álcool tem um forte papel causal no desenvolvimento do CEC de esôfago na maioria das regiões do mundo 109-112. Quando usado em quantidades excessivas, o álcool tem sido, quase que universalmente, associado com um aumento do risco entre 3 e 5 vezes 83, 113. Fato este, que também pode ser observado a partir das avaliações realizadas nesse estudo. Por mais que não restem dúvidas da importância do álcool no desenvolvimento do CEC de esôfago, atualmente ainda não se sabe seu exato mecanismo carcinogênico, pois o próprio álcool não se liga ao DNA, não é mutagênico, e não causa câncer em animais 114. O uso do tabaco também foi considerado fator de risco para o CEC de esôfago nesse estudo, principalmente quando observamos isoladamente o fumo de cigarro de palha. Podemos observar também o chamado “efeito dose-resposta”, em que o risco aumentou conforme a quantidade consumida. O risco para CEC de esôfago pode ser aumentado em cerca de 3 a 7 vezes em fumantes atuais 113, 115-117 e em nosso estudo foi observado este efeito, já que o risco em fumantes atuais foi de 3 vezes em relação aos que nunca fumaram. 52 A diferença encontrada entre os grupos do estudo para a prática de sexo oral ativo, pode estar relacionada ao viés de seleção da população controle. Por mais que tenha sido pareado por sexo e idade a fim da homogenização dos grupos, observa-se notoriamente que o grupo controle é mais urbanizado, o que, a despeito de potenciais polêmicas, pode ter refletido diretamente nos hábitos sexuais obtidos neste estudo. Encontramos risco aumentado em indivíduos que relataram ter história de câncer de esôfago em familiares de primeiro grau. Este risco pode estar influenciados pelos hábitos de consumo de álcool e tabaco, que podem ser culturalmente transmitidos por convívio familiar. 53 6 CONCLUSÕES 1- A prevalência de HPV-16 observada em indivíduos com câncer de esôfago foi de 3,0% e em indivíduos sem câncer, 20,8%. 2- Na comparação entre indivíduos com e sem infecção pelo HPV-16 pode-se observar que indivíduos com escolaridade de nível médio ou superior apresentaram risco aumentado para a infecção pelo HPV-16. 3- Na comparação entre indivíduos com e sem câncer de esôfago pode-se observar que o consumo de álcool, a exposição ativa ao tabaco e história prévia de câncer de esôfago em familiares de primeiro grau apresentaram risco aumentado para o CEC de esôfago. 54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Ferlay J SI, Ervik M, Dikshit R, Eser S, Mathers C, Rebelo M, Parkin DM, Forman D, Bray, F. GLOBOCAN 2012 v1.0, Cancer Incidence and Mortality Worldwide: IARC CancerBase No. 11 [Internet]. 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Quando a endoscopia for solicitada, além da coleta de fragmentos tumorais para o diagnóstico da doença, o (a) senhor (a) será submetido a um processo indolor em que uma escova será utilizada para captar as células da superfície do esôfago e assim permitir o diagnóstico. Em caso de cirurgia para retirada do tumor esofágico, será feita uma raspagem na peça retirada para a obtenção de células que serão analisadas na pesquisa em pauta. Todas as informações serão mantidas em segredo pelos pesquisadores.Garantia de esclarecimento, liberdade de recusa e garantia de sigilo:o Senhor/Senhora será esclarecido sobre esta pesquisa em tudo que desejar. O Senhor/Senhora é livre para recusar participar deste estudo e poderá retirar o seu consentimento ou interromper a participação a qualquer momento. Isto não acarretará em qualquer alteração ou prejuízo no tratamento médico no Hospital de Câncer de Barretos.Sua identidade será mantida em sigilo completo e absoluto, não sendo revelado o seu nome (ou qualquer informação que possa identificá-lo publicamente) em hipótese alguma. Uma cópia deste consentimento informado será enviada aos arquivos do estudo e a outra será de sua posse. Custos da participação, ressarcimento e indenização por eventuais danos:a participação no estudo não acarretará custos e não será disponível nenhuma compensação financeira adicional. Não há indenização monetária para este estudo. 71 DECLARAÇÃO DO PARTICIPANTE OU DO RESPONSÁVEL PELO PARTICIPANTE: Eu, _____________________________________________________ fui informado dos objetivos da pesquisa acima, de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que em qualquer momento poderei solicitar novas informações e motivar minha decisão se assim o desejar. O (A) __________________________________________________ me explicou o estudo, respondeu minhas dúvidas e me certificou de que todos os dados desta pesquisa serão confidenciais. Declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as todas as minhas dúvidas.Para sugestões, reclamações ou dúvidas, poderei contatar: 17-3321-6600, com Dr. Adhemar Longatto Filho, pesquisadores responsáveis pelo projeto no Hospital de Barretos (RAMAL 7075 e 7069), ou com o presidente do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Câncer de Barretos (RAMAL 6894). _______________________________________________________________________ Nome do (a) voluntário (a) _______________________________________________Data: _____ / _____ / _____ Assinatura do (a) voluntário (a) _______________________________________________________________________ Nome do Aplicador do Termo de Consentimento _______________________________________________Data: _____ / _____ / _____ Assinatura do Aplicador do Termo de Consentimento _______________________________________________________________________ Nome do (a) representante legal (grau de parentesco) ________________________________________________ Data: _____ / ____ /_____ Assinatura do (a) representante legal Quando esse termo for assinado pelo representante legal, precisará assinar também uma testemunha. _______________________________________________________________________ Nome da Testemunha _______________________________________________Data: _____ / _____ / _____ Assinatura da Testemunha 72 Anexo 3 -Termo de consentimento livre e esclarecido – Controles Identificação do paciente Prezado (a) _____________________________________ Esta pesquisa irá avaliar a presença do Papilomavírus humano (HPV), inflamação de uma seleção de moléculas no desenvolvimento do câncer de esôfago. O (A) senhor (a) não será submetido a algum tipo de exame diferente daquele que o médico solicitou para diagnóstico do caso. Caso o (a) senhor (a) aceite participar da pesquisa, o (a) senhor (a) terá que responder um questionário com informações sobre diferentes aspectos de sua vida que podem contribuir para o entendimento das causas de câncer de esôfago. Quando a endoscopia for solicitada, além da coleta de fragmentos para o diagnóstico da doença, o (a) senhor (a) será submetido a um processo indolor em que uma escova será utilizada para captar as células da superfície do esôfago e assim permitir o diagnóstico. Todas as informações serão mantidas em segredo pelos pesquisadores.Garantia de esclarecimento, liberdade de recusa e garantia de sigilo:o Senhor/Senhora será esclarecido sobre esta pesquisa em tudo que desejar. O Senhor/Senhora é livre para recusar participar deste estudo e poderá retirar o seu consentimento ou interromper a participação a qualquer momento. Isto não acarretará em qualquer alteração ou prejuízo no tratamento médico no Hospital de Câncer de Barretos.Sua identidade será mantida em sigilo completo e absoluto, não sendo revelado o seu nome (ou qualquer informação que possa identificá-lo publicamente) em hipótese alguma. Uma cópia deste consentimento informado será enviada aos arquivos do estudo e a outra será de sua posse. Custos da participação, ressarcimento e indenização por eventuais danos:a participação no estudo não acarretará custos e não será disponível nenhuma compensação financeira adicional. Não há indenização monetária para este estudo. 73 DECLARAÇÃO DO PARTICIPANTE OU DO RESPONSÁVEL PELO PARTICIPANTE: Eu, _____________________________________________________ fui informado dos objetivos da pesquisa acima, de maneira clara e detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que em qualquer momento poderei solicitar novas informações e motivar minha decisão se assim o desejar. O (A) __________________________________________________ me explicou o estudo, respondeu minhas dúvidas e me certificou de que todos os dados desta pesquisa serão confidenciais. Declaro que concordo em participar desse estudo. Recebi uma cópia deste termo de consentimento livre e esclarecido e me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as todas as minhas dúvidas. Para sugestões, reclamações ou dúvidas, poderei contatar: 17-3321-6600, com Dr. Adhemar Longatto Filho, pesquisadores responsáveis pelo projeto no Hospital de Barretos (RAMAL 7075 e 7069), ou com o presidente do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Câncer de Barretos (RAMAL 6894). _______________________________________________________________________ Nome do (a) voluntário (a) _______________________________________________Data: _____ / _____ / _____ Assinatura do (a) voluntário (a) _______________________________________________________________________ Nome do Aplicador do Termo de Consentimento _______________________________________________Data: _____ / _____ / _____ Assinatura do Aplicador do Termo de Consentimento _______________________________________________________________________ Nome do (a) representante legal (grau de parentesco) ________________________________________________ Data: _____ / ____ /_____ Assinatura do (a) representante legal Quando esse termo for assinado pelo representante legal, precisará assinar também uma testemunha. _______________________________________________________________________ Nome da Testemunha _______________________________________________Data: _____ / _____ / _____ Assinatura da Testemunha 74 Anexo 4 - Instrumento de coleta de dados 1 Identificação 2 Nome 3 Registro hospitalar 4 Grupo 1- Caso; 2- Controle INFORMAÇÕES GERAIS 5 6 7 8 Data de nascimento DD-MM-AAAA Sexo 1- Feminino; 2- Masculino Qual a sua raça (cor da pele)? 1- Branco; 2- Negro; 3- Pardo ou Mulato; 4- Amarelo (Asiático); 5-Indígena Estado civil 1- Solteiro; 2- Casado / Amasiado; 3- Separado / Divorciado; 4-Viúvo Escolaridade 0- Analfabeto; 1- Sabe ler e escrever; 2- Ensino fundamental incompleto; 3- Ensino fundamental completo; 4- Ensino médio incompleto; 5- Ensino médio completo; 6- Ensino superior incompleto; 7- Ensino superior completo 9 10 Ocupação / Profissão exercida por mais tempo 11 Ocupação / Profissão - Tempo 12 13 14 15 16 ESPECIFICAR ANOS Morou/Mora em zona rural 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Se sim, por quanto tempo? ANOS Exposição a pesticidas e inseticidas 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Morou/Mora em zona urbana 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Se sim, por quanto tempo? ANOS ESTILO DE VIDA 17 18 Álcool 0- Nunca; 1- Sim, ainda bebe (se parou nos últimos 12 meses); 3- Só no passado Cerveja 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 19 Idade de início 20 Idade que parou ANOS ANOS Unidade 21 22 23 24 1- Copo pequeno – 50 ml; 2- Copo médio – 100 ml; 3- Copo grande – 250 ml½ ou garrafa pequena – 330 ml; 4- Garrafa – 700-750 ml; 5- Garrafa – 1 L Quantas unidades consome Por 1- Dia; 2- Semana; 3-Mês; 4-Ano Vinho 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 25 Idade de início 26 Idade que parou ANOS ANOS Unidade 27 28 29 1- Copo pequeno – 50 ml; 2- Copo médio – 100 ml; 3- Copo grande – 250 ml½ ou garrafa pequena – 330 ml; 4- Garrafa – 700-750 ml; 5- Garrafa – 1 L Quantas unidades consome Por 1- Dia; 2- Semana; 3-Mês; 4-Ano 75 30 Cachaça 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 31 Idade de início 32 Idade que parou ANOS ANOS Unidade 33 34 35 36 37 1- Copo pequeno – 50 ml; 2- Copo médio – 100 ml; 3- Copo grande – 250 ml½ ou garrafa pequena – 330 ml;4- Garrafa – 700-750 ml; 5- Garrafa – 1 L Quantas unidades consome Por 1- Dia; 2- Semana; 3-Mês; 4-Ano Tabaco 0- Não; 1- Sim, atualmente, 2- Sim, passado Cigarro de filtro 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 38 Número por dia 39 Idade de início 40 Idade que parou 41 NÚMERO ANOS ANOS Cigarro de palha 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 42 Número por dia 43 Idade de início 44 Idade que parou 45 NÚMERO ANOS ANOS Cachimbo 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 46 Número por dia 47 Idade de início 48 Idade que parou 49 NÚMERO ANOS ANOS Charuto 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 50 Número por dia 51 Idade de início 52 Idade que parou NÚMERO ANOS ANOS EXPOSIÇÃO PASSIVA À FUMAÇA DE CIGARRO 53 Você esteve casado (ou vivendo junto) com um fumante? 0- Não; 1- Sim; 2- Não lembra; 99-Ignorado 54 Idade quando cônjuge iniciou 55 Idade quando o cônjuge parou 56 Número de horas que estava exposto durante a semana 57 Número de horas que estava exposto aos fins de semanas 58 Você trabalhou em um lugar fechado onde as pessoas fumassem? 0- Não; 1- Sim; 2- Não lembra; 99-Ignorado 59 Idade quando iniciou o trabalho com fumantes 60 Idade quando parou de trabalhar com fumantes 61 Número de horas/dia que estava exposto 62 Número de horas que fumava em sua presença 76 63 64 65 66 67 68 69 Quando criança, seu pai ou sua mãe fumavam? 0- Não; 1- Sim; 2- Não lembra; 99-Ignorado Por quanto tempo foi exposto? ANOS Pratica atividade física? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Se sim, qual a frequência por semana? 1-7 Quanto tempo por dia? 0- Menos de 30'; 1- pelo menos 30'; 2- pelo menos 60'; 3- não lembra; 99-Ignorado Faz exposição ao sol entre 10 da manhã e 16 h? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Se sim, usa roupa apropriada e protetor solar? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado HÁBITOS ALIMENTARES E MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS De maneira geral, com qual frequência você ingere... Legumes e verduras? 70 0- Nunca; 1- Menos que uma vez por mês; 3- 1-3 vezes por mês; 4- Uma ou duas vezes por semana; 5- Na maioria dos dias, mas não todos os dias; 6- Todos os dias Folhas e vegetais? 71 0- Nunca; 1- Menos que uma vez por mês; 3- 1-3 vezes por mês; 4- Uma ou duas vezes por semana; 5- Na maioria dos dias, mas não todos os dias; 6- Todos os dias Frutas frescas? 72 0- Nunca; 1- Menos que uma vez por mês; 3- 1-3 vezes por mês; 4- Uma ou duas vezes por semana; 5- Na maioria dos dias, mas não todos os dias; 6- Todos os dias Carne vermelha, ovo e leite 73 0- Nunca; 1- Menos que uma vez por mês; 3- 1-3 vezes por mês; 4- Uma ou duas vezes por semana; 5- Na maioria dos dias, mas não todos os dias; 6- Todos os dias Enlatados? 74 0- Nunca; 1- Menos que uma vez por mês; 3- 1-3 vezes por mês; 4- Uma ou duas vezes por semana; 5- Na maioria dos dias, mas não todos os dias; 6- Todos os dias Congelados? 75 0- Nunca; 1- Menos que uma vez por mês; 3- 1-3 vezes por mês; 4- Uma ou duas vezes por semana; 5- Na maioria dos dias, mas não todos os dias; 6- Todos os dias Grãos? (ex. milho) 76 77 0- Nunca; 1- Menos que uma vez por mês; 3- 1-3 vezes por mês; 4- Uma ou duas vezes por semana; 5- Na maioria dos dias, mas não todos os dias; 6- Todos os dias Bebidas quentes (Ex. Chimarrão, Café, Chá) 0- Nunca; 1- Sim, atualmente; 2- Sim, passado 78 Peso 79 Altura KILOS METROS HISTÓRICO DE HÁBITOS SEXUAIS 80 Você já teve alguma doença sexualmente transmissível, diagnosticada por um médico ou profissional de saúde? 0- Não; 1- Sim; 2- Não sabe; 3- Não quer responder; 99-Ignorado 81 82 83 84 85 86 87 88 Verrugas genitais? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Herpes genital? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Hepatite B? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Hepatite C? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado HIV? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado HPV? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Em toda a sua vida, você já teve relação sexual (vaginal, ou oral, ou anal) com alguém? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Qual a idade da sua primeira relação sexual? ANOS 77 89 90 91 92 93 94 95 Em toda a sua vida, com quantas pessoas você teve relação sexual? 1- 2-5; 2- 6-10; 3- 11-20; 4- 21-50; 5- 51-100; 6- Mais de 100; 99-Ignorado Você já fez sexo colocando sua boca nos genitais do(a) parceiro(a) (sexo oral ativo)? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Quantos anos você tinha quando fez sexo oral em alguém pela primeira vez? ANOS Com que frequência você faz ou fazia sexo oral no(a) parceiro(a)? 0- Nunca; 1- Raramente; 2- Frequentemente; 3- Sempre; 99-Ignorado Qual era o sexo das pessoas em quem você fez sexo oral? 1- Mulheres; 2- Homens; 3- Homens e Mulheres; 88- Não se aplica; 99-Ignorado Você já fez sexo colocando sua boca no ânus do parceiro? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Você já fez sexo colocando seus genitais na boca do parceiro (sexo oral passivo)? 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado HISTÓRICO DE CÂNCER NA FAMÍLIA 96 97 98 99 100 101 102 História de câncer de esôfago em famíliares de 1º Grau (Pais, Irmãos e Filhos) 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado História de câncer cabeça e pescoço na família 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado História de câncer de esôfago na família 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado História de câncer de colo de útero na família 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado História de câncer de vulva na família 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado História de câncer de pênis na família 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado História de câncer anal na família 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado COMORBIDADES 103 104 105 106 Chagas 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Se sim, megaesôfago chagásico 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Refluxo gastresofágico 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado Esôfago de Barret 0- Não; 1- Sim; 99-Ignorado 78 Anexo 5 - Instrumento de coleta de dados clínicos DADOS CLÍNICOS 1 2 3 4 5 6 Data do diagnóstico DD-MM-AAAA Grau histológico 1- Bem diferenciado; 2- Moderadamente diferenciado; 3- Pouco diferenciado; 99- Ignorado Estadiamento T 0- T0; 1- T1; 2- T2; 3- T3; 4- T4; 99- Tx Estadiamento N 0- N0; 1- N1; 99- Nx Estadiamento M 0- M0; 1- M1; 2- M1a; 3- M1b; 99- Mx Estadiamento TNM agrupado 0- 0; 1- I; 2- IIA; 3- IIB; 4- III; 5- IV; 6- IVA; 7- IVB; 99-Ignorado 79 Anexo 6 - Termo de aceitação de apoio financeiro – CNPq 80 81 82 83 Anexo 7 - Artigo a ser submetido Prevalence of HPV-16 DNA in normal esophagus: is HPV a esophagean cancer risk factor? A cross-sectional study from southeastern of Brazil Allini Mafra da Costa1,2 Kari Juhani Syrjänen5 Paula Roberta Aguiar Pastrez3 Vânia Sammartino Mariano3 Said Adala Zemi Neto4 José Humberto Tavares Guerreiro Fregnani5 Adhemar Longatto-Filho3,6,7,8,9, 10* 1 Hospital-based Cancer Registry, Barretos Cancer Hospital, 14784-400 Barretos, São Paulo, Brazil 2 Population-based Cancer Registry, 14784-400 Barretos, São Paulo, Brazil 3 Molecular Oncology Research Center, Barretos Cancer Hospital, 14784-400 Barretos, São Paulo, Brazil 4 Department of Endoscopy, Ambulatório Médico de Especialidades, 14780-000 Barretos, São Paulo, Brazil 5 Institute of Education and Research, Barretos Cancer Hospital, 14784-400 Barretos, São Paulo, Brazil 6 Department od Clinical Research - Biohit Oyj, Finland 7 Life and Health Sciences Research Institute (ICVS), School of Health Sciences, University of Minho, 4710-057 Braga, Portugal 8 ICVS/3B’s - PT Government Associate Laboratory, 4710-057 Braga/Guimarães, Portugal 9 Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do HPV (INCT-HPV), 1221-020 Sao Paulo, Brazil 10 Laboratory of Medical Investigation (LIM-14), School of Medicine, University of Sao Paulo, 1246-903 Sao Paulo, Brazil. *Corresponding author: Adhemar Longatto Filho, M.Sc., PhD, PMIAC, Laboratory of Medical Investigation (LIM) 14, Faculty of Medicine University São Paulo, Av. Dr. Arnaldo, 455 - Cerqueira César 1246-903, Sao Paulo, Brazil, Phone: + 55 11 3061-7413, FAX: + 55 11 3061-7413 84 Abstract Background: The first publication that associated HPV related-alterations in esophagean epithelia was published in 1982. However, the data at that time required further investigation to confirm this hypothesis. Methods: A total of 106 patients were enrolled in this study. During the endoscopy, esophageal biopsies were collected from distal and proximal esophagus region. DNA was extracted with QIAamp DNA Micro Kit (Qiagen) and the HPV-16, the most prevalent HPV type identified in esophagus, was detected by PCR real time using specific primer and probe. Sociodemographic data, lifestyle and clinical data were obtained by interview. Results: HPV-16 was detected in the esophagous of 21 out of 101 patients, what corresponds a prevalence rate of 20.8% (95%CI: 12.9 – 31.8). The risk factors associated with HPV-16 DNA infection in the normal esophagus were not associated, however, to the esophagean risk factors frequently reported. Conclusions: The presence of HPV-16 DNA in esophageal tissue of patients without malignant neoplasia showed a high rate prevalence, the infection was observed in 2 to 10 individuals. Keywords: Human Papillomavirus, HPV-16, Esophagous, Esophagean cancer risk factors. 85 Introduction The human papillomavirus (HPV) belongs to the Papillomaviridae family, and has a well-docummented tropism for squamous and mucosal tissue (1) . HPV is a very high prevalent sexually transmitted infection and is related to the cervical cancer development (2) . Nowadays over 150 HPV types are described, and from these approximately 20 are strongly associated with the development of cervical cancer. Among the high-risk HPV, HPV-16 is the most prevalent and most relevantly associated cancer development (3) . Thus, persistent infection by high-risk HPV is is a key event closely associated with the occurrence of high-grade dysplasia in different anatomical sites as the cervix, vulva, anus, vagina and penis, and is considered a risk factor for the development of malignancy in these tissues (4) . Besides the anogenital tract lesions, HPV DNA was also detected and related as the etiologic agent of benign and malignant squamous lesions of upper respiratory tract (sino-nasal and laryngeal), eyes, oral mucosa, bronchi and upper digestive tract (esophagus) (1, 5-9). The squamous epithelium of the esophagus is continuous with the oral mucosa and the first descriptions of oral HPV lesions (7) were preceded by preliminary reports that have suggested the involvement of the virus in the development of benign (10) and malignant (11) neoplasias of the squamous epithelium of the esophagus. Evidences of these associations have emerged from a variety of techniques including HPV DNA detection in tumor tissues of the esophagus and serological methods to examine the association between HPV exposure and risk to develop esophageal cancer (6) , but the prevalence of HPV in normal esophageal tissue is still disputable. The data available are controversial; some figures showed low prevalences of HPV in normal esophagous such as 0%, and other described rates as higher as 59% (12-33) studies showed prevalence rates ranging from 0% to 10.0% . In Brazil, a triplet of (24, 26, 33) . However, data about HPV infeccion in normal esophagous is scarce worldwide. The aim of this study was to evaluate the presence of HPV-16 DNA in esophageal tissue of patients without malignant neoplasia and correlate these frequencies with clinical pathological and sociodemographic data. 86 MATERIALS AND METHODS This is a cross-section study. One hundred and six patients who had clinical indication for endoscopy for benign disease of the digestive system were examined in the Department of Endoscopy of the Medical Specialties Ambulatory in Barretos (SP), Brazil. Endoscopic examination and sample collection The procedure for conducting the Digestive Endoscopy followed the routine of the Department of Endoscopy of Ambulatory Medical Specialties of Barretos, using sedation and flexible video endoscopes (Olympus 180, Japan; Fuginon 4400, Japan). The collection of biological samples was prospectively performed first in the distal region and after in the proximal region of the esophagous. Samples were fixed in formalin and embedded in paraffin. The biological material was processed by the Department of Pathology, Cancer Hospital of Barretos for histopathological diagnosis. HPV identification methodology The DNA from the paraffin embedded blocks was extracted using the DNA QIAamp Micro Kit (Qiagen, USA) according to the manufacture’s instructions. DNA quantification was made via NanoDrop 2000 – ThermoScientific and the integrity of DNA was confirmed by conventional PCR for detection of a fragment of 110pb of human β-globin gene using the PCO3 (ACACAACTGTGTTCACTAGC 5'-3') and PCO4 (CAACTTCATCCACGTTCACC 5'-3') primers. Only β-globin positive samples were used in the assay for detection of HPV. Real-time PCR was performed using TaqMan Universal PCR Master Mix 1x (Applied Biosystems, Inc., GATGAAATAGATGGTCCAGC-3’) EUA), and 400nm reverse of each forward (5’- (5’-GCTTTGTACGCACAACCGAAGC-3’) primers, 200nM of the probe 5’- 6FAM-CAAGCAGAACCGGACAG-MGBNFQ-3’ and 87 DNAse RNAse free water (Gibco/BRL, Life Technologies, USA) to final volume of 25μL. As standard template it was used 5 μL of DNA extracted from each sample. Were added negative (water) and positive (DNA extracted from cell Caski) controls in all realtime PCR reactions specific for HPV-16. All samples and controls were tested in duplicate. Statistical analyses Fisher's exact test were used to compare the propotions of group with HPV-16+ versus HPV-16-. To compare the prevalence of samples was used McNemar test. The significance level was 0.05 (5%). For tabulation and statistical analysis was used IBM® SPSS® Statistics 20.0.1 software for Windows (IBM Corporation, Route 100, Somers NY 10589). Ethics This study was approved by the local committee of ethics with register number 134 471. All patients with limited understanding of the research objective during the consent, patients with unfavorable clinical conditions for sampling biopsies during endoscopy, previous history of any malingnant neoplasia, and inadequate quality of sample were excluded. The patients were referred to a private room and informed about the purpose of the study, procedures for biological sampling and the necessary information requested on the data collection instrument. Patients who agreed to participate signed the Informed Consent document. Then participants answered a questionnaire with sociodemographic information and on the known risk factors for the HPV infection and esophageal cancer. All interviews were conducted by previously trained members of the HPV Research Group of Barretos Cancer Hospital - Pio XII Foundation. The interviews provided information to characterize the duration and type of exposure. 88 RESULTS The characterization of the study population is depited in table 1. The groups are statistically similar with respect to age (HPV16- = 57.3 [dp= 9.5] and frequency of positive HPV16 test = 60.6 [dp= 9.7] - p= 0.165); there was a mean difference of 3.325 years (95%CI: -8.037 – 1.386) when the age of the HPV16+ group were subtracted HPV16- group. HPV-16 was detected in the esophagous of 21 out of 106 patients, what corresponds a global prevalence rate of 19.8% (95%CI: 13.3 – 28.4). When we evaluate the prevalence in each anatomic site, the prevalence of HPV-16 DNA in proximal esophagous was 13.2% (14/106 - 95%CI: 8.0 – 20.9) and in distal esophagous was 11.3% (12/106 - 95%CI: 6.6 – 18.7). We compared the prevalence of HPV-16 DNA proximal to the distal region and there was not statistical difference (p = 0.804). None of the patients self-reported previous diagnoses of HIV or genital HPV during the interview. In the univatiate analysis none of the sociodemographic, clinical ans lifestyle variables evaluated were significant (Tables 1 and 2). Table 1 showed similar characteristics between patients of the group HPV-16 positive and HPV-16 negative. No significant differences were observerd among all variables analsed. Similarly, Table 2 also did not showed significant differences among several esophagean risk factors of the patients between the group HPV-16 positive and HPV-16 negative, including alcohol and/or tabacco consumption. 89 Table 1 - Characterization of the study population according to the presence of HPV-16 DNA. Variable Category HPV-16 n* (%) HPV-16 + n* % Sex Female Male 21 64 24,7 75,3 5 16 23,8 76,2 1,000 Race White Non-white 48 29 62,3 37,7 11 7 61,1 38,9 1,000 Education Illiterate Basic education High school / Graduate 14 60 11 16,5 70,6 12,9 1 14 6 4,8 66,7 28,6 0,149 Lived in rural areas No Yes 16 69 18,8 81,2 5 16 23,8 76,2 0,559 Lived in urban areas No Yes 1 84 1,2 98,8 0 21 0,0 100,0 1,000 Body mass index Malnourished Eutrophic Overweight / Obese 4 26 45 5,3 34,7 60,0 0 3 16 0,0 15,8 84,2 0,144 Gastroesophageal reflux No Yes 58 23 71,6 28,4 17 4 81,0 19,0 0,579 85 100 21 100 Total * Cases with missing values were excluded from analysis P 90 Table 2 - Characterization of the population lifestyle according to the presence of HPV16 DNA. Variable Category HPV 16 n* % HPV 16 + n* % Exposure inceticide / pesticide No Yes 41 44 48,2 51,8 9 9 50,0 50,0 1,000 Alcohol Never drank 1 Present Past 26 39 20 30,6 45,9 23,5 5 9 7 23,8 42,9 33,3 0,669 Gram ethanol per mililiter per day Never drank ≤ 30 > 30 26 46 12 31,0 54,8 14,3 5 13 3 23,8 61,9 14,3 0,889 Tobacco Never smoked 1 Present Past 26 26 33 30,6 30,6 38,8 9 4 9 42,9 19,0 38,1 0,461 Pack-years Never smoked ≤ 40 > 40 26 9 21 30,6 44,7 24,7 9 7 5 42,9 33,3 23,8 0,527 Alcohol and Tobacco Never Drink and Smoke Drink or Smoke 17 50 18 20,0 58,8 21,2 4 11 6 19,0 52,4 28,6 0,753 Hot drinks No Yes 6 79 7,1 92,9 4 17 19,0 81,0 0,107 Age first intercourse ≤15 years old >15 - ≤17 years old >17 years old 25 21 38 29,8 25,0 45,2 9 5 7 42,9 23,8 33,3 0,474 Partner number 1 2–5 >5 18 25 42 21,2 29,4 49,4 6 5 10 28,6 23,8 47,6 0,734 Active oral sex No Yes 53 32 62,4 37,6 13 8 61,9 38,1 1,000 Age first time active oral sex ≤20 years old >20 - ≤30 years old > 30 years old 11 10 9 36,7 33,3 30,0 3 2 2 42,9 28,6 28,6 1,000 Frequency active oral sex Rarely Often / Always 22 9 71,0 29,0 5 3 62,5 37,5 0,682 85 100 21 100 Total P * Cases with missing values were excluded from analysis 1 This study considered current consumption of alcohol and tobacco if the research participant referring to abandoned consumption in the last 12 months. 91 Discussion The results herein obtained demonstrated a high prevalence of HPV-16 in normal esophagus from patients submitted to endoscopic examination due to other clinical conditions than malignancy suspection. Almost 20% of the patients have showed HPV16 positivity which is comparable to the frequencies of this virus in uterine cerix of women of high HPV prevalent regions (34) . The comparison of HPV-16 positivity with socio-demographic data and other variables studied did not show any significant difrences, which corroborated that the conventional risk factors for esophagean cancer development are not associated to the HPV-16 status. We limited the investigation of HPV for HPV-16 type because in the previous reports this virus was significntly more prevalent type in normal and malignant esophagean tissues (35). We opted to design a cross-section study with patients without malignant neoplasia to evaluate the prevalence of HPV-16 DNA because this type of study permits to establish the prevalence and evaluate the relation with other events (exposure and other variables of interest) at a determined time (36) . Also, in order to avoid biases, we implamented a rigorous selection of survey participants. A standardized instrument to collect data were drawn and all interviews were conducted by two members of this study previously trained. The colection of the samples were prospective, with a stringent control; first, distal region followed by proximal region were sampled to get a better representation of the esophagus. The real time PCR specific for HPV-16 was chosen because is a technique that has individual internal control for each sample whilst minimizing false-negative results; additionally PCR has a high negative predictive value of greater than 99% and more than 90% sensitivity for detection of HPV; and provides results quantitatively, as well (37) . The prevalence of HPV-16 DNA in esophagus of patients without malignant neoplasia found in this study was higher when compared to others Brazilian studies (24, 26, 33) that varied from 0 t0 10%. The association between HPV and oropharynx and oral cavity cancer is strong, and a Swedish study had hypothesized a higher prevalence of HPV in the proximal region compared the distal region of the esophagus; however, the study did not observe association between the presence of the virus and anatomical 92 region (38) . In the current study the prevalence of HPV were 13.2% in the proximal region and 11.3% in the distal region, without statisticlal significance as well. Other studies that evaluated HPV-16 DNA in esophageal reported as limitation the lack of information on sociodemografic characteristics, consumption of hot drinks, alcohol, tobacco and history of sexual habits (33) , which in this study is a strong differential. The presence of HPV-16 DNA in esophageal tissue of patients without malignant neoplasia showed a high rate; the infection was observed in 2 to 10 individuals. This study did not associated the presence of HPV-16 with the other risk factors associated to the esophagean cancer such as alcohol and tabacco consumption. 93 References 1. zur Hausen H. Papillomaviruses in human cancers. Proc Assoc Am Physicians. 1999 Nov-Dec;111(6):581-7. 2. Baseman JG, Koutsky LA. The epidemiology of human papillomavirus infections. J Clin Virol. 2005 Mar;32 Suppl 1:S16-24. 3. Zandberg DP, Bhargava R, Badin S, Cullen KJ. The role of human papillomavirus in nongenital cancers. CA Cancer J Clin. 2013 Jan;63(1):57-81. 4. Genital human papillomavirus infections and cancer: memorandum from a WHO meeting. Bull World Health Organ. 1987;65(6):817-27. 5. Syrjanen K, Syrjanen S. Papilomavirus infections in human payhology. New York: J. Wiley & Sons; 2000. 6. Syrjanen KJ. HPV infections and oesophageal cancer. J Clin Pathol. 2002 Oct;55(10):721-8. 7. Syrjanen KJ. Human papillomavirus (HPV) infections and their associations with squamous cell neoplasia. 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