UNIÂO EDUCACIONAL DO PLANALTO CENTRAL – UNIPLAC FACULDADE DE CIÊNCIAS GERENCIAIS DO PLANALTO CENTRAL – CIGEPLAC O GERENCIAMENTO DOS ESTOQUES EM UMA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS: O CASO DA EMPRESA MULTCARD CARTÕES. MAURO GOBIRA DA SILVA GAMA 2008 2 MAURO GOBIRA DA SILVA O GERENCIAMENTO DOS ESTOQUES EM UMA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS: O CASO DA EMPRESA MULTCARD CARTÕES. Monografia apresentada no curso de Graduação em Administração de Empresas da Faculdade de Ciências Gerenciais do Planalto Central, como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Administração. Orientador: Prof. Msc. ROMILSON RANGEL AIACHE GAMA 2008 3 Gobira Silva, Mauro. O Gerenciamento dos Estoques. Mauro Gobira da Silva. Gama (DF), União Educacional do Planalto Central (UNIPLAC), 2008. 84 páginas. Orientador: Prof.Msc. Romilson Rangel Aiache Monografia – União Educacional do Planalto Central, Faculdade de Ciências Gerenciais do Planalto Central Graduação em Administração de Empresas. 1. Administração de materiais 2. Gestão de estoques 3. Métodos de previsão da demanda 4 MAURO GOBIRA DA SILVA O GERENCIAMENTO DOS ESTOQUES EM UMA DISTRIBUIDORA DE CARTÕES TELEFÔNICOS: O CASO DA EMPRESA MULTCARD CARTÕES. Monografia, aprovada como requisito parcial para obtenção do grau Bacharel em Administração no curso Administração de Empresas da União Educacional do Planalto Central. Data de Aprovação: _____/_____/_____ Banca Examinadora: ______________________________________ Prof. Msc. Romilson Rangel Aiache ______________________________________ Prof. Everson Andrade dos Reis ______________________________________ Prof. José Antonio Lopes Ramos 5 Agradecimentos Em primeiro lugar ao nosso Deus todo poderoso que meu deu força em todos os momentos. A minha querida esposa e o meu filho pelo apoio, compreensão e a paciência. Ao meu pai, minha mãe, meus irmãos, cunhados, amigos e colegas de sala de aula pelo incentivo, força e ajuda. Ao orientador Prof. Romilson Aiache pelo exemplar acompanhamento e pertinentes orientações. Aos professores do Curso Graduação pelas orientações e sugestões. A todos os colegas de trabalho, em especial aos colaboradores da empresa Multcard Cartões, por acreditarem em nosso trabalho. A todos os que direta ou indiretamente contribuíram para a realização desta pesquisa. 6 RESUMO Atualmente as empresas operam dentro de um ambiente em constantes mudanças, e o correto gerenciamento de estoques pode fornecer subsídios para que as empresas possam melhorar a rentabilidade de seus produtos e serviços. Uma vez que os estoques são relevantes e o objetivo estratégico está em manter os níveis em condições satisfatórias. Este trabalho foi realizado com o intuito de desenvolver um estudo sobre a gestão de estoques em uma empresa distribuidora de cartões telefônicos. A empresa pesquisada é uma revendedora autorizada das concessionárias Brasil Telecom S.A. e Vivo S.A. A proposta deste estudo foi demonstrar que uma correta gestão de estoques pode fazer a diferença entre os concorrentes, melhorar a qualidade, reduzir o tempo, diminuir os custos, entre outros fatores. Os dados foram levantados através de pesquisas bibliográficas, documentais, e estudos realizados na empresa. Verificou-se a existência da quantidade dos produtos estocados nos períodos do primeiro semestre de 2005,2006 e 2007, no qual constatamos a existência de um valor estagnado. Como forma de tentar sanar o problema relacionado ao estoque desta empresa, aplicamos três métodos de previsão de demanda, o Método do Último Período foi selecionado devido ao resultado mais adequado à realidade atual da empresa, pela característica do consumo dos produtos. PALAVRAS-CHAVE – Administração de Materiais. Gestão de Estoques. Métodos de Previsão da Demanda. 7 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 – Organograma das empresas que compõem o grupo Holy........ 16 FIGURA 2 – Ciclo da administração de materiais......................................... 24 FIGURA 3 – Mapa ilustrativo da distribuição de cartões telefônicos............. 62 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 – Gráfico dente de serra........................................................... 41 GRÁFICO 2 – Gráfico dente de serra com ruptura........................................ 42 GRÁFICO 3 – Gráfico dente de serra utilizando estoque mínimo................. 43 GRÁFICO 4 – Gráfico demonstrativo do tempo de reposição e ponto de pedido............................................................................................................ 45 GRÁFICO 5 – Gráfico demonstrativo do tempo de reposição....................... 46 GRÁFICO 6 – Gráfico do intervalo de ressuprimento.................................... 48 GRÁFICO 7 - Gráfico curva de Pareto para itens em estoque..................... 51 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Tabela de produtos comercializados período 2008.................. 64 TABELA 2 – Tabela de produtos com valores estagnados........................... 72 TABELA 3 – Tabela de índice monetário...................................................... 73 TABELA 4 – Tabela demonstrativa de métodos de previsão utilizados........ 75 8 SUMÁRIO RESUMO....................................................................................................... 1. INTRODUÇÃO........................................................................................... 10 1.1 Tema: O Gerenciamento dos Estoques em uma Distribuidora de Cartões Telefônicos: O Caso da Empresa Multcard Cartões.......................... 11 1.2– Justificativa........................................................................................... 11 1.3 – Problema de Pesquisa.......................................................................... 11 1.4 – Objetivo................................................................................................. 11 2. PERFIL DA EMPRESA............................................................................. 12 2.1 – Histórico................................................................................................ 12 2.2 – Perfil Estratégico................................................................................... 13 2.3 – Estrutura Organizacional...................................................................... 14 2.4 – Faturamento anual da empresa Multcard Cartões filial Gama............. 15 3. REVISÃO DE LITERATURA..................................................................... 17 3.1 – Administração de Materiais................................................................... 17 3.1.1 – A administração de materiais ao longo da história........................... 17 3.1.2 – O ciclo da administração de materiais............................................... 20 3.1.3 – Estoques- conceituação..................................................................... 24 3.1.3.1 – Classificação dos estoques............................................................ 25 3.1.3.1.1 – Estoque de proteção.................................................................... 25 3.1.3.1.2 – Estoque de ciclo........................................................................... 26 3.1.3.1.3 – Estoque de antecipação ............................................................. 26 3.1.3.1.4 – Estoque no canal (distribuição) ................................................... 26 3.1.3.1.5 – Estoque de flutuação (estoque de segurança)............................ 27 3.1.3.1.6 – Estoque de transporte ................................................................. 27 3.1.3.1.7 – Estoque hedge............................................................................. 27 3.1.4 – Gestão de estoques........................................................................... 29 3.1.5 – Políticas de estoque........................................................................... 31 3.1.6 – A importância dos estoques para as empresas ................................ 32 3.1.6.1 – Administração de estoque agregado.............................................. 33 3.1.6.1.1 – Padrões de suprimento e de demanda........................................ 33 3.1.6.1.2 – Funções dos estoques................................................................. 34 3.1.6.1.3 – Objetivos da administração de estoques .................................... 34 9 3.1.6.1.4 – Os custos associados aos estoques ........................................... 35 3.1.6.2 – Administração de estoque por item................................................ 39 3.1.7 – Níveis de estoque ............................................................................. 39 3.1.8. – Os gráficos de estoques................................................................... 40 3.1.8.1 – Fatores que influenciam no estudo da teoria de estoques............. 46 3.1.9 – Classificação ABC dos estoques ...................................................... 49 3.1.10 – Previsão de estoques...................................................................... 51 3.1.11 – Mensuração do desempenho financeiro de estoques..................... 54 4. METODOLOGIA........................................................................................ 56 4.1 Tipo de Pesquisa..................................................................................... 56 4.2 Amostra.................................................................................................... 56 4.3 Método de Coleta de Dados.................................................................... 57 4.4 Método de Análise de Dados................................................................... 58 5. DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL DA EMPRESA......................... 61 5.1 Análise da empresa Multcard Cartões..................................................... 61 6. ANÁLISE DE RESULTADOS.................................................................... 70 6.1 Análise quantitativa da empresa.............................................................. 70 6.2 Escolha do método de previsão como resultado..................................... 73 7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES.................................................... 76 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................... 78 9. ANEXOS.................................................................................................... 80 10 1. INTRODUÇÃO O gerenciamento dos estoques nas empresas possui papel fundamental e estratégico, sendo indispensável para uma administração eficiente. O seu objetivo está em manter os níveis de estoques em condições satisfatórias em período definido, obedecendo à política dos diversos tipos de corporações existentes. Os estoques são relevantes para as organizações, uma vez que podem representar percentuais expressivos dos totais do seu balanço patrimonial. Grandes quantidades estagnadas ou a falta de materiais em estoque poderão causar prejuízos ou, no mínimo, transtornos à organização. A velocidade das mudanças que estão ocorrendo nos últimos anos, como a transformação das economias industriais e das sociedades, intimamente relacionadas com a globalização, acirrou a competição no mercado. Novos produtos e a melhoria na prestação dos serviços, além de um aumento crescente no grau de exigências do mercado consumidor, tornaram-se fatores que podem influenciar a preferência por esta ou aquela empresa. As organizações são obrigadas a buscar alternativas com o objetivo de maximização dos seus lucros, através do aumento de suas vendas ou a minimização dos seus custos, para oferecer produtos melhores a preços competitivos. Dentre as diversas atividades que podem contribuir para tanto, está o correto gerenciamento dos estoques. Esse gerenciamento é constituído de uma série de ações que permitem ao administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados, bem manuseados e bem controlados. O foco deste trabalho, portanto, será a administração ou gestão de materiais, no qual serão abordados os conceitos, funções de estoque, e principais características da matéria e a adequabilidade desses conceitos no caso que será estudado. 11 1.1 – Tema: O Gerenciamento dos Estoques em uma Distribuidora de Cartões Telefônicos: O Caso da Empresa Multcard Cartões. 1.2 – Justificativa A motivação para a escolha desse tema está no fato de que toda empresa que trabalha com estoques de produtos, por mais simples que seja sua composição, procura utilizar alguma forma, ainda que empírica, para realização do seu gerenciamento. No passado, era normal a falta de sensibilidade das empresas com este setor. Com as mudanças constantes no cenário econômico brasileiro, notadamente após o advento da globalização e a competitividade acirrada entre as empresas, aquelas que oferecerem os melhores produtos e serviços terão maiores chances de sobrevivência. A gestão de estoques tem papel fundamental e estratégico, sendo indispensável na administração da empresa. 1.3 – Problema de Pesquisa Em função das características peculiares da empresa analisada, que necessita da formação de estoques para atendimento de sua demanda, mas está sujeita às metas de compra e venda do seu produto, cabe questionar se uma gestão adequada dos seus estoques pode contribuir para um melhor desempenho financeiro da empresa. 1.4 – Objetivo Analisar a gestão de estoques da empresa. 12 Objetivos específicos: Identificar eventuais problemas que possam estar comprometendo o estoque; Sugerir medidas de correção dos problemas eventualmente identificados. 13 2. PERFIL DA EMPRESA 2.1 – Histórico A filial Multcard Gama, foco principal deste trabalho foi criada em 1º de outubro de 2004, e está situada no Setor Central da cidade do Gama, localizada no Distrito Federal. Desempenha suas funções na região do DF e entorno. É uma empresa autorizada a distribuir cartões de recarga utilizados nas telefonias fixa e móvel. Os seus produtos comercializados são provenientes das concessionárias Brasil Telecom S.A. e Vivo S.A. A empresa faz parte de uma das filiais pertencentes ao Grupo Holy Telecomunicações Ltda. O grupo Holy Telecomunicações iniciou suas atividades em 1998, atuando na área de telefonia urbana, comercializando uma gama de produtos afins, tais como: centrais telefônicas (PABX), aparelhos telefônicos, cabos, e prestando serviços de instalação, manutenção, como valor agregado aos seus produtos. Juntamente com a área de telefonia urbana e prestação de serviços, a empresa iniciou a venda de celulares e acessórios abrindo duas filiais na cidade de Goiânia, (GO). Esta atividade propiciou o início da comercialização de cartões telefônicos em 2000 com as operadoras Claro, Brasil Telecom e Vivo, nascendo assim, a marca Multcard. Atualmente a Multcard, tem a sua matriz localizada na Rua Bethel nº. 28 – Setor Campinas – Goiânia (GO). O seu crescimento propiciou a abertura de filiais no Gama (DF), Palmas (TO) e Novo Hamburgo (RS). Também fazem parte do grupo Holy a empresa Acesso Cartões e a empresa Beijo Frio Sorvetes. A empresa Multcard Cartões filial Gama, CNPJ nº. 02.646.757/0002-63 e Inscrição Estadual nº. 07459549/0002-05, trabalha também na prestação de serviços de distribuições de produtos e similares, na administração, manutenção, operação de postos telefônicos, comercialização de cartões, venda e distribuição de créditos telefônicos pré-pagos virtuais. O grupo Holy Telecomunicações é classificado como uma empresa de médio porte. No cenário econômico brasileiro as empresas podem ser classificadas como: micro, pequenas, médias e grandes empresas. Estas empresas exercem a importante função social de produtoras de bens e serviços e 14 grandes geradoras de empregos. Para a Câmara Brasileira da Indústria da Construção – CBIC, a classificação das instituições, considerando-se o porte das empresas pelo critério do número de trabalhadores também adotado pelo SEBRAE, sendo predominante na maioria das legislações, organismos oficiais e instituições de pesquisa no País. As faixas de classificação do porte das empresas segundo o número de trabalhadores empregados são as seguintes: a) até 19 empregados – Microempresa; b) de 20 a 99 empregados – Pequena Empresa; c) de 100 a 499 empregados – Média Empresa; d) de 500 a mais empregados – Grande Empresa. Considerando-se o porte das empresas pelo critério do número de trabalhadores adotado pelo SEBRAE e o Cadastro Central de Empresas (IBGE, 2000) indica que as micro, pequenas e médias empresas correspondem a mais de 99% do total das unidades econômicas do país, sendo responsáveis, em conjunto, pela geração de 62,51% dos postos de trabalhos no mercado doméstico. 2.2 – Perfil Estratégico Com a expansão, a modernização e conseqüentemente a revisão de antigos processos organizacionais, o grupo Holy Telecomunicações instituiu uma política voltada para a uniformização da linguagem organizacional para as empresas que compõem este grupo, como a Multcard cartões. Dentre os processos que fazem parte desta política será apresentado: Missão “Satisfazer os desejos dos clientes através da prestação de serviços de venda, distribuição de produtos destinados a toda camada social Brasileira, trazendo lucratividade aos sócios e satisfação aos colaboradores”. 15 Visão “Ser a melhor empresa no seu ramo de atividade dentro do País”; Ser uma empresa de varejo e atacado voltada aos clientes, otimizando a rede de distribuição; Ser uma empresa de liderança na área virtual; Ser o empregador preferencial em todos os setores que atua. Valores Consolidar a imagem das empresas do grupo Holy com transparência no interior; Entender as necessidades e expectativas dos clientes; Desenvolver um ambiente de trabalho agradável e cooperativo; Incentivar o auto-desenvolvimento e à profissionalização dos funcionários; 2.3 – Estrutura Organizacional A estrutura organizacional do grupo Holy Telecomunicações utilizada é conhecida como departamentalização funcional. Segundo Oliveira (2005, p.120) “Nesse caso, as atividades são agrupadas de acordo com as funções da empresa”. Esse tipo de departamentalização é um tipo bastante coerente e interessante para as organizações. Logo abaixo, podemos observar no organograma a presença das filiais que compõem o grupo Holy, como a empresa Multcard filial Gama (DF) e a divisão de áreas funcionais. 16 Figura: 01 organograma das empresas que compõem o Grupo Holy Telecomunicações ORGANOGRAMA GRUPO HOLY Diretor Geral Diretor Comercial Assessoria da Diretoria Gerente Regional de Vendas Coord. Mkt Coord. Vendas Gerente de Operações Coord. Adm. Finan. Coord. de TI Coord. de RH Analista Vendas Compras Gama (DF) D.Materiais D.Financeiro Manutenção Palmas (TO) N.Hamburgo (RS) Almoxarifado Goiânia (GO) Estoque Unid. Tabacos Expedição Cobrança Recepção Mot./Oficce Boy Atend.Clientes 0800 Tesouraria S.Gerais Controller Unid. Sorvetes Fonte: Grupo Holy Telecomunicações A empresa em destaque utiliza, no desempenho de suas atividades, o gerenciamento de estoques, representando um componente significativo sob os aspectos operacionais ou financeiros para esta instituição. 2.4 – Faturamento anual da empresa Multcard cartões filial Gama A empresa Multcard filial Gama no ano de 2005, juntamente com a filial que existia na cidade da Ceilândia (DF) obtiveram um faturamento de trinta milhões duzentos e noventa e oito mil reais e trinta centavos (R$ 30.298.030,00). No ano de 2006, o seu faturamento estava em torno de trinta e um milhões e cento e oitenta e três mil reais e oitocentos e cinqüenta reais (R$ 31.183.850,00). Enquanto no ano de 2007, a Multcard teve um faturamento de quatorze milhões novecentos e sessenta e cinco mil e novecentos e quarenta e cinco reais (R$14.965.945,00). 17 3. REVISÃO DE LITERATURA 3.1 – Administração de Materiais De acordo com Pozo (2002) e Martins (2006), uma correta administração de materiais funciona quando as atividades de entradas e saídas de produtos ou materiais necessárias a uma empresa funcionam com eficiência e precisão. O constante avanço tecnológico e a concorrência no mercado atual tem constatado que a Administração de Materiais é um importante componente para as organizações, exigindo conhecimentos amplos e profundos das atividades desenvolvidas, isso é tido como um fator de relevante. Torna-se imprescindível que o administrador tenha habilidades e conhecimentos para saber precisar o quê, o quanto, quando e como comprar. 3.1.1 – A administração de materiais ao longo da história Podemos observar que a administração de materiais, ainda não como ciência evidentemente, já estava presente desde a pré-história. Apesar da sua simplicidade, nas atividades de pesca, caça e atividades rudimentares, com o objetivo de sobrevivência, trocas ou a estocagem dos produtos, para utilização futura. No ano 30 a.c, o antigo Egito transformou-se em uma província de Roma e desempenhou a função de território responsável pela produção e armazenamento de alguns cereais como trigo e a cevada para o império romano. O livro de Gênese, capítulo 41, ressalta a presença da Administração de Materiais, quando José, filho de Jacó, foi chamado pelo faraó, para decifrar um sonho. Orientado por Deus, José informou ao faraó que haveria sete anos de grande abundância para todo o Egito. Posteriormente, ocorreriam sete anos de miséria, pois a fome iria devastar aquele território. José então orientou ao faraó para nomear administradores por todo o País, e que estes deveriam recolher a quinta parte das colheitas em todo o Egito, durante os sete anos de abundância. Eles deveriam estocar todos os produtos destes bons anos para formarem uma 18 reserva em provisão de alimentos para os sete anos de fome que assolariam o Egito. Destacamos também os passos da utilização da Administração de Materiais, no período dos descobrimentos, onde Portugal desempenhou papel importante. Com as suas bases na agricultura, aquele País utilizou os processos da Administração de Materiais, como produção, armazenamento e distribuição no comércio de vinhos, azeite, cortiça e madeiras com outras nações. Já na Revolução Industrial, entre os séculos XVIII e XIX, a concorrência de mercado inovou o processo de comercialização, destacando a importância das compras e dos estoques. Este período ficou marcado por modificações nos métodos do sistema, fabricação e estocagem em maior escala. Segundo o site www.exercito.gov.br, em 1821 durante, a regência de D. Pedro I, a Administração de Materiais era empregada, no controle do rancho da tropa, dos fardamentos e na organização de equipamentos, acampamento e outros utensílios usados pelo Exército Brasileiro. Aliás, a evolução dessa área sempre esteve ligada a atividades militares. Diante dos exemplos apresentados, podemos observar que a Administração de Materiais acompanha os passos da evolução da humanidade aos dias desenvolvendo atividades importantes. O conceito a seguir ilustra a importância da Administração de Materiais: Administração de Materiais é o planejamento, coordenação, direção e controle de todas as atividades ligadas à aquisição de materiais para a formação de estoques, desde o momento de sua concepção até seu consumo final. VIANA (2008, p.40). Até os anos 50, os mercados ainda eram bastante limitados e a falta de uma preocupação com a satisfação dos clientes acabou obrigando as empresas a fragmentarem as atividades que seriam de responsabilidade da Administração de Materiais. Conforme Pozo (2002) e Ching (2006), as atividades como distribuição, planejamento e controle, estoques e processamento de pedidos, estavam vinculadas a outros setores dentro das empresas como marketing, área industrial, área administrativa e o setor de vendas. Isso resultava em conflitos de objetivos e de responsabilidades. 19 A Administração de Materiais teve a sua ênfase nos períodos da primeira e segunda guerras mundiais, cuja realização dos abastecimentos e suprimentos 1 das tropas era fundamental para o avanço do combate. Para Pozo (2002) a Administração de Materiais tem o seu funcionamento baseado em uma correta coordenação, realizando uma racionalização e uma manipulação dos insumos (matéria-prima, materiais secundários etc.), por meio de estabelecimentos de normas, critérios e rotinas operacionais, buscando sempre manter harmonicamente um ciclo contínuo de atividades correspondentes e interdependentes com os demais departamentos de uma empresa. Algumas dessas atividades desenvolvidas pela Administração de Materiais são: a classificação, a codificação de itens, a formação de estoques, a atividade de comprar, receber, armazenar e distribuir entre outras. Após o período de utilização da Administração de Materiais na segunda guerra mundial, ficou notória a real necessidade de que os materiais deveriam ser administrados cientificamente, pois no futuro seria um foco de grande avanço para a administração. De acordo com Pozo (2002) e Arnold (1999), a logística militar deu o início a novos conceitos e mudanças necessárias, como a criação de um departamento responsável pela entrada de materiais a partir do fornecedor, passando pela produção, até o consumidor. Após o período da Segunda Guerra, a Administração de Materiais inicialmente foi utilizada nas firmas governamentais e empresas americanas, mas o progresso da tecnologia favoreceu suas atividades e trouxe muitos benefícios para as organizações e para os mercados. Nos anos 90, as atividades ligadas à administração de materiais tiveram um crescimento acentuado, por fatores ligados a sua visão de disciplina e reunião de atividades essenciais nas empresas. Podemos citar como exemplo, as atividades de controle dos pedidos de vendas de materiais, o planejamento do processo produtivo, suprimentos, distribuição e informação. Estas ações quando empregadas corretamente otimizam os recursos materiais e humanos. 1 Suprimentos: Para Pozo (2002), é a atividade que proporciona ao produto ficar disponível, no momento exato, para ser utilizado pelo sistema logístico. Considerado um setor de obtenção de enormes reduções de custos da organização. 20 3.1.2 – O ciclo da administração de materiais Oferecendo serviços e produtos de melhor qualidade para os clientes, a preços adequados, embora ainda exista alguma resistência por parte de determinadas organizações sobre a importância da Administração de Materiais, somente utilizando esses conceitos citados, as empresas conseguirão atingir os objetivos, de aumento dos seus lucros, da minimização dos custos totais e a maximização acentuada dos recursos da empresa. A importância da Administração de Materiais é explanada pelo autor a seguir: Destacar os objetivos da administração de materiais em que se deve procurar maximizar a utilização dos recursos da empresa e fornecer um nível requerido de serviços ao consumidor, deixando claro que a administração de materiais aplicada corretamente pode melhorar os lucros de uma empresa. ARNOLD (1999, p.26). Para Arnold (1999), torna-se interessante ter uma atenção especial com os objetivos das organizações, obedecendo a quatro princípios: a ) Fornecer o melhor serviço ao cliente: Uma empresa deve procurar atender prontamente às necessidades dos seus clientes com rapidez e presteza. Os estoques devem estar bem sortidos, em quantidades e variedades de produtos; b) Prover os mais baixos custos de produção: A produção deve manter seus custos operacionais baixos, o quanto for necessário, gerando quantidade essencial de lotes de produtos. Manter os volumes de matérias-primas, estoques e de processo suficientes. De modo que a produção não seja interrompida em função da falta de matéria. c ) Realizar o menor investimento em estoques: Uma empresa deve procurar reduzir os seus custos, de modo que o investimento em estoque seja mínimo. Fabricar conforme encomendas de clientes e deve procurar reduzir os custos com armazenagem. d) Prover os menores custos de distribuição: 21 A distribuição física é vital em nossas vidas, ela é responsável por entregar aos clientes o que eles desejam a um custo mínimo. Uma empresa deve procurar estender o seu mercado, reduzir o custo de compra, obtendo descontos sobre o volume, e melhorar sua lucratividade. Para Martins (2006), o aumento da variação entre quantidade e diversidade produtos, conduziram os consumidores da área de administração a cobrarem por melhores níveis de serviços. A seguir temos a definição de cada ciclo da Administração de Materiais de acordo com o autor em destaque e uma ilustração exemplificando a seqüência de operações do ciclo da Administração de Materiais. Sinal de Demanda: É a forma sob a qual a informação chega à área de compras para desencadear o processo de aquisição de um bem material ou patrimonial. Identificar Fornecedores: A escolha de um fornecedor é uma das atividades fundamentais e uma prerrogativa do setor de compras. O bom fornecedor será aquele que vai garantir que todas as solicitações de compras sejam cumpridas. O objetivo de um comprador está em procurar aumentar o número de fornecedores em potencial a serem consultados, conseguindo atingir o resultado que será a realização dos melhores negócios em beneficio da empresa. Comprar Materiais: É a função responsável pela obtenção do material no mercado fornecedor interno ou externo através da correta tradução das necessidades em termos de fornecedor/ requisitante. Evitar que deficiências possam ocorrer, provocando demoras onerosas, produção ineficiente, produtos inferiores, o não cumprimento de promessas de entregas e clientes insatisfeitos torna-se o seu objetivo. Atualmente, é mais utilizada do que uma simples negociação baseada em preço, prazo e qualidade. Hoje é vista como processo integrante da cadeia de suprimentos (supply chain2). 2 Supply chain: Para Martins (2006), é a administração do sistema de logística da empresa, ou seja, o uso de tecnologias avançadas, entre elas o gerenciamento de informações e pesquisa operacional, visando produzir e distribuir produtos e serviços para satisfazer o cliente. 22 Transportar: No Brasil, mais da metade do transporte de cargas se faz pelas rodovias. O transporte rodoviário é o menos produtivo dos modais em termos de carga por hora de operador, e seu custo de mão-de-obra é elevado. Possuir os próprios meios de distribuição, exige mobilização de recursos, grande investimento inicial além de manutenção constante da frota. Em razão destes fatores, as empresas são obrigadas a utilizarem cada vez mais a terceirização no transporte. O marketing moderno considera a distribuição, uma das fases mais críticas dos negócios. Iniciase na fábrica do fornecedor e termina nas mãos do cliente final. Recebimento e Armazenamento: O recebimento de uma empresa é compreendido como uma combinação de cinco elementos principais: espaço físico, recursos de informática, equipamento de carga e descarga, pessoas e procedimentos normatizados. A forma mais comum de armazenamento é por meio de estruturas porta-paletes, podendo ser simples ou de dupla profundidade. No recebimento dos materiais solicitados, alguns aspectos deverão ser considerados como: especificação técnica, qualidade dos materiais, quantidade, preço, prazo de entrega e condições de pagamento. Movimentação Interna: Ponto de interesse vital para o administrador de bens. Ocorre geralmente dentro da fábrica ou em armazéns. Um dos itens mais importantes se refere ao transporte interno de materiais, que deve ser reduzido ao mínimo possível, tanto em relação às quantidades transportadas quanto às distâncias percorridas. Armazenagem do Produto Acabado: Apesar dos modernos sistemas de distribuições, como entregas programadas diretas das linhas de montagem ou contra-pedidos atendidos em horas, os armazéns continuam a existir e continuarão por muito tempo. Seu alto custo decorre muitas vezes da má administração e da falta de organização. Os estoques têm de estar nos lugares certos, ter o tamanho certo, proteger de forma adequada seu conteúdo e permitir entregas e a colocação eficiente nas prateleiras. As empresas mais modernas utilizam esteiras e elevadores automáticos, para o local de estocagem designado. O material entrante, por exemplo, geralmente é identificado pelo código de barras. 23 Expedição: O emprego da informática trouxe agilidade e certas praticidades para este setor, procurando cumprir com as metas e compromissos estabelecidos. Transporte: O objetivo principal agora, após os círculos realizados, está em como atingir rapidamente o cliente. Para conseguirmos esse objetivo, devemos analisar a localização da fábrica, dos fornecedores e dos depósitos, e a estrutura dos sistemas de transporte. Clientes: Torna-se necessário que a empresa ao realizar a comercialização procure estar preparada para vender as mercadorias do estoque, de maneira mais rentável e prestando o melhor atendimento. Para tanto, é imprescindível que a empresa conheça o mercado em que atua os seus concorrentes, o produto que será vendido, os meios para vendê-los e os clientes. Recebendo na data certa, nas condições acertadas, o cliente poderá ser fiel à marca, além de sugerir a compra dos produtos daquela empresa, a outros consumidores. 24 Figura 2 - Ciclo da administração de materiais. Clientes Transporte Expedição Sinal de demanda Armazenagem do produto acabado Indicador do fornecedor Comprar materiais Movimentação interna Transportar Recebimento de armazenagem Fonte: Martins 2006, p.5 3.1.3 Estoques – Conceituação O termo estoque possui uma abrangência ampla para os diversos setores das empresas. Trata-se de certa acumulação de um ou vários tipos de produtos, materiais, ou mercadorias, que no momento adequado poderão ser empregados, de acordo com as necessidades da organização. Segundo Slack e outros (2002, p.381) “Estoque é definido aqui como a acumulação armazenada de recursos materiais em um sistema de transformação”. Devido a sua amplitude, também é usado para descrever qualquer recurso armazenado. Os estoques podem ser entendidos ainda, de forma generalizada, como certa quantidade de itens mantidos em disponibilidade constante e renovados, permanentemente, para produzir lucros e serviços. Em algumas empresas o valor dos estoques é muito alto, em especial onde a atividade de armazenagem é o principal propósito da operação. Um exemplo seria a empresa Petrobras (Petróleo Brasileiro S/A), uma empresa que opera nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo e seus derivados no Brasil e no exterior. Devido o consumo elevado do seu produto e os seus derivados, utilizam- 25 se estoques para proporcionar certo nível de segurança em função de exercer sua atividade em ambiente complexo de consumo. Quanto a sua valorização, os estoques podem contrariar alguns gerentes em diferentes departamentos da empresa. Pois para eles, os custos com estoques são geralmente muito altos e mantê-los constituem um risco. Em Viana (2008), o autor explica que os estoques podem tornar-se recursos inativos, pois a formação destes consome capital de giro, e este pode não trazer nenhum retorno e benefícios esperados para as empresas. Esse capital de giro poderia ter sido utilizado em outros setores que a empresa teria urgência. 3.1.3.1 Classificação dos estoques Para Slack e outros (2002) e Arnold (1999), devido à existência do desequilíbrio entre as taxas de fornecimento e de demanda, fatores esses que podem implicar na utilização de diferentes tipos de estoques e outras maneiras de classificação dos estoques. Assim os estoques podem ser classificados em: estoque de proteção, de ciclo, de antecipação, de canal, de flutuação (estoque de segurança), de transporte e estoque hedge. 3.1.3.1.1 Estoque de proteção Possui denominação de estoque isolador, porque existem certas dificuldades nas operações ligadas à previsão da demanda, apesar de existir um conhecimento do nível mais provável. Para Slack e outros (2002), esta ação evitará que possa ocorrer a falta de produtos caso houver o aumento no consumo. Utilizando o estoque de proteção sempre existirá certa quantidade da maioria dos itens em estoque. Dessa forma, evitará que a demanda possa superar as expectativas durante a espera na entrega (ressuprimento) dos bens. 26 3.1.3.1.2 Estoque de ciclo O estoque de ciclo ocorre, quando se faz necessário cobrir a demanda entre duas reposições sucessivas. Também conhecido como estoque de tamanho do lote, possui o objetivo de tirar uma vantagem dos descontos sobre a quantidade, reduzir despesas de transporte, e de custos de escritório. Segundo Arnold (1999, p.269) “É a parte do estoque que vai diminuindo á medida que os pedidos dos clientes cheguem e é abastecida ciclicamente quando os pedidos aos fornecedores são recebidos“. Exemplo: devido o processo de preparação de pães, como misturar e assar, somente um tipo de pão pode ser produzido por vez. O padeiro teria que produzir cada tipo de pão em fornadas (ou lotes). As fornadas deverão ser grandes o bastante para satisfazer a demanda de cada tipo de pão, entre os momentos em que cada uma ficar pronta para a sua venda. Desta forma, sempre haverá algum estoque para compensar o fornecimento irregular de cada tipo de pão. 3.1.3.1.3 Estoque de antecipação Busca compensar as diferenças entre o fornecimento e a demanda. Muito usado em flutuações de demanda significativas, porém previsíveis. Exemplo: são criados antes de uma época de pico de vendas, de um programa de promoções, Feitos para auxiliar a nivelar a produção e na redução de custos de mudança de taxas de produção. 3.1.3.1.4 Estoques no canal (de distribuição) Verifica-se que ocorre quando o material necessário não pode ser transportado no instante entre o ponto de fornecimento e o ponto de demanda. Em Slack e outros (2002), o autor explana que geralmente ocorre quando uma loja vai encomendar itens de um de seus fornecedores, e este por sua vez, vai alocar o estoque para a loja de varejo em seu próprio armazém, embalá-lo, 27 carregá-lo, descarregá-lo no estoque varejista. Também é conhecido como estoque em trânsito. 3.1.3.1.5 Estoques de flutuação (estoque de segurança) Possui as denominações de estoque de armazenamento intermediário ou estoque de reserva. Procura cobrir flutuações aleatórias e imprevisíveis do suprimento, e da demanda Lead-Time3. Pois se a demanda for maior que o esperado, haveria então um esvaziamento do estoque. Sua finalidade e prevenir perturbações na produção ou no atendimento aos clientes. Segundo Martins (2006, p.262) “os estoques de segurança diminuem os riscos de não-atendimento das solicitações dos clientes externos ou internos”. 3.1.3.1.6 Estoques de transporte São estoques que existem devido ao tempo necessário para transportar as mercadorias de um lugar para outro. Denominados estoques de tubulação ou de movimento. Exemplo: Os produtos que saem de uma fábrica para chegar a um centro de distribuição ou a um cliente. 3.1.3.1.7 Estoques hedge É o tipo de estoque que ocorre devido às flutuações dos produtos relacionados com a oferta e demanda mundial. Pois alguns produtos tais como minerais e commodities, são comercializados no mercado mundial. Exemplo: grãos, produtos animais, etc. Segundo Pozo (2002, p.36) “existem diversos tipos ou nomes de estoques, que podem ou não ser mantidos em um ou nos diversos almoxarifados.” Abaixo, 3 Lead-Time: Para Slack e outros (2002), é o tempo de entrada do produto até a sua saída do inventário, muito associado a estoque. 28 poderemos ver outra forma de classificação empregada nas empresas para os estoques. Estoque de matérias-primas É o Material básico comprado e recebido, que passa por um processo de transformação dentro de uma fábrica. Após este processo, entrará no estoque de produtos acabados como produto final. Estoque de materiais auxiliares São os produtos agregados que participam do processo de transformação da matéria-prima dentro da fábrica. Eles estão em operação, ou aguardam para a sua entrada. Ex: rebolos, lixas, óleos, ferramentas etc. Estoque de manutenção Esse tipo de estoque armazena peças que servem de apoio á manutenção dos equipamentos e edifícios. São itens utilizados na produção, mas não se tornam partes do produto. Ex: rolamentos, parafusos, peças etc.. Estoque intermediário Também conhecido como peça em processos. Esses estoques podem ou não ser restritos. Isto é, possuir espaços delimitados e controlados. Possuem um fator altamente influente no custo do produto. Segundo Martins (2006, p.170) “o estoque em processo corresponde a todos os itens que já entraram no processo produtivo, mas que ainda não são produtos acabados“. Estoque de produtos acabados É o tipo de estoque que encontramos os produtos prontos e embalados que serão enviados aos clientes. O resultado do volume desse estoque é a função da credibilidade de atendimento da empresa e do planejamento dos estoques de matéria-prima em processos. Temos assim, diferentes maneiras de se distinguir os estoques, considerando a natureza, finalidade, uso ou aplicação dos materiais ou produtos 29 que os compõem. O importante nestas classificações e que procuram mostrar os diferentes tipos de estoque e o que eles representam para cada empresa. 3.1.4 Gestão de estoques Os estoques têm um papel de destaque para as empresas, representando o fator de geração de negócios e lucros. Torna-se necessário o seu controle, verificando se estão apresentando o retorno esperado do capital investido, ou se estão causando prejuízos. A gestão de estoques utiliza ações especificas e direcionadas a este setor, procura atender as necessidades da empresa, levando em consideração a busca pela eficiência e o menor custo. Uma explanação a respeito da importância da gestão de estoques para as empresas é dada a seguir: A gestão de estoques constitui uma serie de ações que permitem ao administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados, bem localizados em relação aos setores que deles se utiliza, bem manuseados e bem controlados. MARTINS (2006, p.198). A gestão de estoques procura evitar que os investimentos realizados no setor de sua responsabilidade ocasionem prejuízos para as empresas. Para Arnold (1999), uma apropriada administração dos estoques em uma empresa, torna-se essencial porque os estoques podem representar entre 10% a 60% dos ativos totais do balanço patrimonial. Com a transformação dos produtos estocados, em moeda, existirá uma tendência de melhoria da conta caixa e dos investimentos realizados pela organização. É importante que a administração de estoques em uma empresa, procure minimizar o capital total aplicado em estoques e também a sua redução, devido ao seu valor financeiro que pode ser elevado. Como exemplo dessa possibilidade, temos o Just in Time 4uma filosofia de produção desenvolvida após a II Guerra 4 Just in Time: segundo Pozo (2002, p.122)” É um sistema de administração da produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora exata. Quando aplicada adequadamente, reduz ou elimina a maior parte dos desperdícios que ocorrem nas 30 Mundial pela Toyota Motor Company, orientada para a eliminação de desperdícios no processo de produção, além de atender à variação de vendas com o mínimo de estoque em produtos acabados, em processos e em matériaprima. Para Viana (2008) e Pozo (2002), Taiichi Ohno, criador do sistema Toyota de produção, introduziu uma idéia simples, a total eliminação de desperdícios. Ele mostra que o desperdício é tudo aquilo que não acrescenta nenhum valor ao produto. Podemos acompanhar logo a seguir, alguns pontos de definição desta filosofia, utilizada pelo criador do sistema Toyota de produção: Filas de materiais são desperdícios. Ocupam espaço, aumentam o tempo do ciclo de manufatura e as peças podem ser danificadas; Excesso é desperdício. Requer estocagem, registros e movimentação de material extra. "Amarra" o capital de alguns materiais tendem a ser obsoletos; Produzir além do programa é desperdício. Não é necessário e pode desviar o material necessário para outras peças; O tempo de espera de um operador enquanto uma máquina trabalha é desperdício; A movimentação de material, a preparação de máquinas e a produção de peças defeituosas são desperdícios. Os benefícios do Just in Time são tanto para o usuário como para o fornecedor. Eles buscam o aumento da produtividade, a melhoria da motivação e moral do empregado, aumentando a qualidade e reduzindo o custo. Para Viana (2008) e Pozo (2002), uma correta gestão de estoques, deve obedecer algumas ações importantes quando o assunto se tratar de estoques: No estoque, devem permanecer somente materiais ou produtos que tenham uma real necessidade para a empresa; É necessário que a empresa acompanhe e verifique o planejamento das atividades de gestão de estoques; compras, produção, distribuição e atividades de apoio à produção e de qualquer atividade produtiva”. 31 Determine os níveis de estoque para cada tipo de material ou produto; Determine a quantidade a ser comprada por meio de lotes econômicos 5ou intervalos de parcelamento; A empresa deve acompanhar a evolução do estoque utilizando ferramentas estatísticas; No setor de compras, a pontualidade deve ser respeitada com relação às encomendas de materiais, devido à existência de variações no consumo; A empresa deve evitar que os produtos sejam entregues acima das quantidades permitidas, evitando os excessos; Segundo Slack e outros (2002, p.380) “esse é o dilema do gerenciamento de estoques apesar dos custos e de outros destaques associadas a sua manutenção, eles facilitam a conciliação entre fornecimento e demanda”. 3.1.5 Políticas de estoque Segundo Viana (2008, p.118), ”Entende-se por política de estoques o conjunto de atos diretivos que estabelecem de forma global e específica princípios, diretrizes e normas relacionados ao gerenciamento”. Devido a sua importância para as empresas, os estoques requerem que o órgão ou departamento central procure desenvolver formas para o seu acompanhamento e a sua constante avaliação. Por existir uma concentração de mais de 50% do custo do produto vendido, obriga as empresas, quer sejam elas comerciais quer sejam industriais, a terem atenção quanto aos recursos financeiros alocados, empregando-os de uma forma mais coerente possível. Independente de sua atuação, as instituições realizam uma busca com a preocupação de manter o equilíbrio entre os vários componentes que podem influenciar os estoques como: custos de aquisição, de estocagem, de distribuição e o nível de atendimento das necessidades dos consumidores. 5 Lote Econômico: Para Martins (2006), é o resultado de um procedimento matemático, através do qual a empresa adquire o material necessário às suas atividades pelo seu custo mais baixo. Os custos decorrentes de se manter os estoques deverão ser os mais baixos. 32 Em Kobayashi (2000), os efeitos com a insatisfação e a falta de confiança dos clientes com as empresas são verdadeiramente fatais. A confiança e os resultados positivos criados com dificuldade podem ser perdidos rapidamente. Basta efetuar um par de entregas com materiais que faltam. São muitos os fornecedores que temem esse acontecimento. Um exemplo encontra-se no Japão onde o cliente é considerado uma divindade. Se não lhe é entregue aquilo que deseja no momento em que se deseja, a decepção e o sentido de desconfiança o levarão a não refazer os pedidos das mesmas coisas com o mesmo fornecedor. Os fornecedores procuram utilizar todos os meios para que não existam tais acontecimentos. 3.1.6 A importância dos estoques para as empresas Segundo Martins (2006, p.167) “O estudo do papel dos estoques nas empresas é tão antigo quanto o estudo da própria administração“. Por ser um fator de relevada importância para a empresa, os estoques apresentam uma parte substancial dos ativos destas instituições e quando têm os seus processos realizados de forma eficaz, a empresa poderá obter uma vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes. Para Ballou (1993) e Martins (2006), o ideal seria a existência de um equilíbrio entre oferta e a demanda, de maneira a tornar a manutenção de estoques dispensável. Entretanto, como as empresas não podem contar com o fornecimento de produtos a qualquer hora que desejam, devem estabelecer a criação dos estoques como uma razão de assegurar a disponibilidade de mercadorias e minimizar os custos totais de produção e distribuição. Para os autores acima, os estoques são importantes por uma série de razões: Melhorar o serviço ao cliente; Economia de escala; Proteção contra mudanças de preços em tempo de inflação alta; Proteção contra incertezas na demanda e no tempo de entrega; 33 Proteção contra contingências; Negociação de preços com os fornecedores. Arnold (1999) enfatiza que os estoques assumem papel de importância desde o estágio de matéria-prima até o produto acabado que serão entregues aos clientes. Como forma de ter mais atenção com este departamento, setor, divisão ou qualquer outro nome que venham a dar aos estoques, pode classificá-los em: Administração de estoque agregado; Administração de estoque por item. 3.1.6.1 Administração de estoque agregado O estoque agregado procura trabalhar diretamente com a classificação dos estoques (matéria-prima, produtos em processo ou produtos acabados), e com as funções que eles desempenham para as empresas e não com o nível de itens finais. Utilizam uma orientação financeira, procurando relacionar os custos e benefícios para a existência e a manutenção das diferentes classificações de estoques. Para Arnold (1999), os focos de atuação deste processo são: Padrões de suprimento e de demanda, funções desempenhadas pelo estoque, objetivos da administração de estoques e os custos associados aos estoques. 3.1.6.1.1 Padrões de suprimento e de demanda A cadeia de suprimentos envolve todos os níveis de fornecimento do produto desde a matéria-prima bruta até a entrega do produto no seu destino final. Também fazem parte, o fluxo reverso de materiais para reciclagem, descarte e devoluções. 34 3.1.6.1.2 Funções dos estoques Os estoques constituem um vínculo entre as etapas do processo de compra e venda, no processo de comercialização de empresas comerciais. De acordo com Martins (2006) as principais funções do estoque são: Garantir o abastecimento de produtos nas empresas procurando evitar possíveis demoras ou atrasos no fornecimento destes produtos, sazonalidade no suprimento e riscos de dificuldade no fornecimento; Proporcionar economias de escala. Os custos são tipicamente menores quando o produto é fabricado continuamente e em quantidades constantes; Proteção contra contingências. Proteger a empresa contra greves, incêndios, inundações, roubos, instabilidades políticas e outras variáveis exógenas que poderão criar problemas. O risco diminuiria com a manutenção de estoques. Os estoques funcionam como amortecedores das entradas e saídas entre as duas etapas dos processos de comercialização e de produção, pois minimizam os efeitos de erros de planejamento e as oscilações inesperadas de oferta e procura ao mesmo tempo em que isolam ou diminuem as interdependências das diversas partes da organização empresarial. 3.1.6.1.3 Objetivos da administração de estoques Segundo Arnold (1999), enfatiza que toda organização deseja aumentar seus lucros, mas para que ocorra tal situação é necessário obedecer no mínimo a dois objetivos: Excelência no atendimento aos clientes Em termos genéricos, o atendimento ao cliente é a habilidade que uma empresa tem para satisfazer as necessidades e desejos dos clientes. Na administração de estoques, significa a forma de definição de itens disponíveis para se realizar uma medição da eficácia do setor de estoques, independente do 35 ramo de atividade desempenhado. Existem diversas formas para auxiliar nesta mensuração como verificando a porcentagem de pedidos entregues pontualmente ou os pedidos que são retirados do estoque. Para Martins (2006), Bowersox e Closs (2001), o nível de serviço ou o nível de atendimento é um indicador importante porque pode verificar a eficiência do estoque no atendimento de solicitações dos clientes e os objetivos de desempenho deste setor. Possui características que define em termos de tempo o ciclo de pedido, porcentagem de quantidades de produtos atendidos, ou qualquer combinação desses objetivos. Podemos também ajudar a gerência a monitorar o nível de desempenho do serviço prestado ao consumidor, como o número de faltas de itens no estoque e o número de pedidos incompletos. Para Martins (2006), podemos realizar os cálculos utilizando a seguinte equação: Nível de serviço= Número de requisições atendidas Número de requisições efetuadas Assim, quanto mais requisições forem atendidas, nas quantidades e especificações solicitadas, maior será o nível de atendimento ou de serviço. Manter-se competitivo pressupõe responder questões acerca da importância e consistência do serviço ao cliente. Investimento mínimo em estoque Segundo Ballou (2001) a armazenagem costuma agregar valores aos produtos. Isto é, armazenando um produto próximo aos clientes, o tempo de entrega, em geral, pode ser reduzido ou o suprimento pode ser prontamente disponibilizado. As empresas geralmente usam os estoques para melhorar a coordenação da oferta-procura e para conduzir as empresas a custos de armazenagem, produção e transportes mais baixo. 3.1.6.1.4 Os custos associados aos estoques Devido a sua importância para as empresas, os estoques quando estão funcionando corretamente, podem evidenciar uma boa saúde financeira para estas instituições. Para isso, existe a necessidade de que determinados fatores 36 sejam acompanhados periodicamente, entre eles podemos citar os custos dos estoques. Em Martins (2006, p.177) “é usual ouvirmos “estoque custa dinheiro”. A afirmativa é bem verdadeira. A necessidade de manter estoque acarreta uma série de custos às empresas”. O objetivo da gestão de estoques está em otimizar seus custos de manutenção, de processamento de compras e de falta de material. Porém estes custos podem ser conflitantes, pois a compra de grandes lotes minimiza os custos de compra e de falta, mas onera os de manutenção de estoques. Torna-se uma responsabilidade da gestão de estoques de localizar o ponto em que o somatório destes custos seja mínimo. Segundo Pozo (2002, p.37) ”Lógica e racionalidade podem ser aplicadas com sucesso para a resolução dos problemas de estoque”. Devemos utilizar os métodos analíticos na introdução de custos importantes e na formação dos estoques, pois são conhecidas várias espécies de custos que se aplicam às situações de estoque. Veremos alguns métodos de custo que são freqüentemente utilizados. Custo de pedido Toda vez que uma requisição ou um pedido é emitido incorrem custos fixos e variáveis referentes a esse processo. Os custos fixos são associados aos salários do pessoal envolvido na emissão dos pedidos e não são afetados pela política existente de estoque. Segundo Arnold (1999, p.275) “Os custos de pedidos são aqueles associados à emissão de um pedido ou para a fábrica ou para um fornecedor”. Enquanto os custos variáveis consistem nas fichas de pedidos e processos de enviar esses pedidos aos fornecedores, bem como, todos os recursos necessários para tal procedimento. Portando, o custo de pedido está diretamente determinado com base no volume das requisições ou pedidos que ocorrem no período. O preço pago por um item comprado consiste no custo desse item e de qualquer outro custo direto associado com trazê-lo até a fábrica; 37 Custo de manutenção do estoque Em Pozo (2002), é evidenciado que as empresas preferem manter os estoques mínimos, pois os custos de manutenção de um estoque, por exemplo, em uma empresa americana, podem girar em torno de 25% do valor médio de seus produtos. Os custos de manutenção de estoques incorporam despesas de armazenamento, tais como: altos volumes e demasiados controles tais como: espaços físicos, sistemas de armazenamento, movimentação de pessoal alocado, equipamentos e sistemas de informações específicos. Além dos custos de manutenção podemos ter também os custos associados aos impostos e aos seguros de incêndio e roubo decorrentes do material estocado. Além disso, os itens ainda estão sujeitos a perdas, roubos e obsolescência, aumentando ainda mais os custos de mantê-los em estoque. Custo por falta de estoque Os materiais imobilizados em estoque oneram drasticamente uma empresa e tem custo elevado, em razão disso, as empresas buscam reduzir ao máximo seus estoques. Segundo Arnold (1999, p.276) “Se a demanda durante o lead-time excede a previsão, pode-se esperar uma falta de estoque”. Essa redução no estoque pode ocasionar o não cumprimento do prazo de entrega de seu produto, o que possivelmente irá proporcionar-lhe uma multa por atraso ou o cliente fazer o cancelamento do pedido. Quando ocorre o atraso e os clientes adotam a decisão de não cancelar o pedido, a imagem da empresa estará desgastando-se e isso tem um custo elevado. Esse fato ocorre se a empresa não tiver um adequado planejamento e controle do seu estoque. Temos que dimensionar adequadamente as necessidades de estoque em relação à demanda, às oscilações de mercado, às negociações com os fornecedores e à satisfação do cliente. Otimizando-se os recursos disponíveis e minimizando os estoques e custos. Qualquer tipo de armazenamento gera determinados custos que são: juros, depreciação, aluguel, equipamento de manutenção, deterioração, obsolescência, seguros, salários e a conservação. 38 Para Martins (2006), os custos dos estoques podem ser divididos em três categorias distintas: Custos diretamente proporcionais Ocorrem quando os custos crescem com o aumento da quantidade média estocada. Um exemplo simples está no fato de existir um estoque muito grande, obrigando ao custo de capital investido ser maior. Segundo Martins (2006, p.178) “Por todos esses fatores de custos serem decorrentes da necessidade da empresa manter ou carregar os estoques, eles também são chamados de custos de carregamento dos estoques”. São incluídos nesta: os custos de oportunidade, estocagem e manuseio de material, taxa, seguros, perdas ou furtos, obsolescência e o mais importante, o custo de capital investido. Custos inversamente proporcionais Se o estoque médio for classificado como elevado, existirá uma tendência de diminuição dos custos ou vice-versa. Podem ser denominados como: a) Custos de obtenção (produtos comprados); b) Custos de preparação (produtos fabricados internamente). Quanto mais vezes existirem as compras ou a preparação para a fabricação, menores serão os estoques médios e maiores serão os custos decorrentes do processo, seja de compras ou de preparação. Custos independentes São aqueles que independem do estoque médio mantido pela empresa. Exemplo: o custo do aluguel de um galpão. Possuem independência do estoque médio sob responsabilidade da empresa. Segundo Martins (2006, p.182) “Ele geralmente é um valor fixo, independentemente da quantidade estocada”. Exemplo: o custo do aluguel de um galpão. 39 3.1.6.2 Administração de estoque por item Através da administração no nível de itens, procuramos estabelecer regras, buscando formas do pessoal responsável pelo desempenharem suas funções com eficiência controle de estoques observando os seguintes elementos: a) Que itens individuais são mais importantes; b) As formas de como controlar os itens individuais; c) Quantidade de produtos a pedir; d) Quando se deve emitir um pedido. Para Dias (1993), para que os elementos citados possam funcionar com eficiência cabe a administração central da empresa, determinar ao departamento de controle de estoques o programa de objetivos a serem atingidos, visando estabelecer padrões que servirão de guia e poderão medir a performance desse departamento. A empresa ao realizar um programa de objetivos poderá ter informações importantes e saberá como controlar o nível de flutuação dos estoques para atender uma demanda que seja alta ou baixa das vendas ou uma alteração de consumo. Ou até mesmo especular o estoque, decidindo sobre uma compra antecipada com preços mais baixos ou comprando uma quantidade maior para obter descontos. 3.1.7 Níveis de estoque Para Viana (2008), a manutenção dos estoques requer investimentos e gastos elevados. É essencial para as empresas evitar a sua formação ou deverão reduzir os números de itens, tendo apenas uma quantidade mínima. Como resultado poderia ocorrer o risco da demanda dos produtos não satisfazer os clientes. Segundo Ballou (1993, p.214)” Controlar o nível de estoque é como apostar num jogo de azar. Nunca tem-se certeza da quantidade demandada para armazenagem”. E para complicar ainda mais, podemos não conhecer com exatidão quando chegarão os suprimentos para abastecer os inventários. É importante para a gestão de estoques como primeira ação, verificar as previsões 40 de vendas futuras e a estimativa dos ressuprimentos, desde a colocação do pedido até a chegada do material. Prever qual a quantidade de produto que os clientes deverão comprar é um assunto vital para todo planejamento empresarial. O autor a seguir ilustra a importância de determinar-se regras para o nível de estoques: Um problema importante é a determinação do nível mais econômico possível para a empresa. Sabemos que os custos de estoques são influenciados por diversos fatores, tais como volume, disponibilidade, movimentação, mão-de-obra e o próprio recurso financeiro envolvido POZO (2002, p.58). Para Martins (2006), devemos procurar trabalhar com níveis de estoques baixos procurando eliminar qualquer forma de desperdício, ou a sua redução ao mínimo possível. O ideal seria procurar melhorar a precisão em termos de quantidade, previsões de vendas e tentar buscar parcerias com os fornecedores, para ter melhores preços e condições de pagamento além de qualidade assegurada. 3.1.8 Os gráficos de estoques Os gráficos de estoques são representações que as empresas podem utilizar como forma de um acompanhamento das atividades e as variações que podem ocorrer com os produtos estocados. Segundo Dias (1993, p.56) “A representação da movimentação (entrada e saída) de uma peça dentro de um sistema de estoque pode ser feita por um gráfico”. No estoque é capaz de ocorrer em determinado espaço de tempo uma falta de produtos, ou estes ficarem a zero. Para evitar que tal ação possa ocorrer, podemos utilizar a representação gráfica conhecida como gráfico curva de dente de serra. Para Martins (2006), ele tem esta denominação por causa de sua aparência com os dentes de uma serra. De acordo com a figura abaixo, podemos verificar na parte horizontal do gráfico, na abscissa, a existência de informações referentes ao tempo decorrido para o consumo. Os valores estão representados em meses, tempo (T). Enquanto 41 na parte vertical, na ordenada, estão representados os valores referentes às quantidades em unidades do produto. Através deste, podemos verificar o estado que estão passando os produtos dentro do sistema de estoque. Gráfico 1- Gráfico dente de serra. Fonte: Dias 1993, p.56 No gráfico, o estoque inicial tem o valor de 140 unidades. Durante os meses de janeiro a junho, o estoque foi consumido até chegar à zero no mês de junho. Para Dias (1993), informa que para isso estamos supondo que o consumo seja uniforme, constante e mensalmente. Ao chegar a zero, o estoque deu entrada no almoxarifado uma quantidade de 140 unidades, retornado para a posição inicial. Para que o ciclo do gráfico possa ser constante e repetitivo, é necessário o acompanhamento de quatro fatores que podem ou não incidirem com freqüência: a) O consumo não poderá sofrer distorções durante o tempo T; b) É necessário que os procedimentos administrativos não existam falhas; c) Os fornecedores devem cumprir os prazos previstos, evitando possíveis atrasos; d) Os produtos que foram entregues pelos fornecedores, não poderão ser reprovados pelo controle de qualidade da empresa. Na prática, poderá existir a falha de uma ou mais alternativas acima, porque os consumos de matérias-primas poderão sofrer variações, como a possibilidade dos fornecedores não cumprirem os prazos de entrega, ou ocorrer que alguma remessa de material seja rejeitada alterando o ciclo. 42 Segundo Dias (1993, p.57) “Se estas ocorrências são normais, deve-se criar um sistema que absorva essas eventualidades, para diminuir o risco de ficarmos com o estoque a zero durante algum período”. Veja a figura abaixo: Figura 2 - Gráfico dente de serra com ruptura. Fonte: Dias 1993, p.57 Este modelo de gráfico é conhecido como gráfico dente de serra com ruptura. Podemos verificar que pela linha pontilhada representada neste gráfico, os meses de julho, agosto, e setembro, o estoque esteve á zero e deixou de atender a uma quantidade de 80 peças que seria consumido durante este período. Dias (1993), mostra que apenas elevar simplesmente as quantidades de estoque não será a solução mais adequada. Deve-se realizar um estudo na administração dos estoques procurando uma solução mais adequada. Para a existência de um ponto com uma quantidade de produtos de reserva, que praticamente eliminaria a probabilidade de o estoque ir à zero, o que suportaria atrasos de entrega, rejeições da qualidade, alterações do consumo, além de atender os clientes, poderia ser utilizado o modelo de gráfico conhecido como Dente de Serra utilizando o estoque mínimo. 43 Figura: 3. Gráfico dente de serra utilizando o estoque mínimo. Fonte: Dias 1993, p. 58 Podemos observar acima, que o estoque inicial seria de 140 unidades. Ao chegar a uma quantidade de 20 unidades, seria realizada uma reposição de 120 unidades, retornando ao saldo de 140 unidades. As 20 unidades no estoque de segurança ou estoque morto seriam simplesmente para enfrentar as eventualidades acima destacadas. Para Dias (1993), deve ser criterioso ao dimensionar este estoque de segurança, pois ele representa capital investido e inoperante. O estoque mínimo é uma ferramenta de apoio para a administração dos estoques, o qual exige uma especial atenção devido a sua ligação com o imobilizado financeiro da empresa. Se pudesse existir uma certeza nas hipóteses levantadas de consumo, e no tempo de atendimento, como sendo estes constantes, não haveria a necessidade de manter estoques de segurança. Segundo Bowersox e Closs (2001, p.229) “Uma parte do estoque médio é composta pelo estoque de segurança, destinando a armazenar o impacto de incertezas”. Dada à necessidade de estoque de segurança, o estoque médio é igual à metade da quantidade do pedido de ressuprimento, mais o estoque de segurança. Devido a esta falta de confiabilidade, configura-se a necessidade da existência de certa quantidade de itens no estoque, para possíveis aumentos no consumo, ou atrasos na entrega de pedidos efetuados, com o objetivo de não acarretar transtornos aos clientes por falta de material e, conseqüentemente, os atrasos na entrega do produto ao mercado. Toda empresa que se preza, deve ter uma quantidade mínima em seu estoque, que será destinado a cobrir tais 44 situações, buscando sanar falha no processo produtivo, e o risco de terem faltas de produtos. Segundo Dias (1993, p.63) “pode-se determinar o estoque mínimo através de uma fixação de determinada projeção mínima (projeção estimada do consumo) ou através de cálculos e modelos matemáticos”. A partir do momento que uma parte do consumo alcançou o grau de atendimento adequado e definido, configura-se que houve uma relação entre a quantidade atendida e a quantidade necessitada. Verificada a política da empresa, esses cálculos deveriam ser de maneira inversa, levando em consideração o grau de atendimento desejado para cada item, ou para cada classe ou grupos de materiais, delimitando um nível do estoque mínimo. A definição do estoque mínimo depende do grau de exatidão do consumo e do grau de atendimento, e nunca com a determinação de 100% de certeza. O consumo real estará próximo ao previsto. Existem várias formas de cálculo para o estoque mínimo e o tempo de reposição: Tempo de reposição É o tempo gasto desde a verificação que o estoque precisa de reposição, até a chegada efetiva do material no local de estocagem da empresa. Nota-se que no estoque possui pouca quantidade de determinados produtos, existindo a real necessidade de uma reposição para evitar problemas. É dividido em três informações características: a) Emissão: é o tempo para a elaboração e envio do pedido de compra ao fornecedor; b) Preparação: é o tempo que o fornecedor leva para processar e autorizar a saída do produto; c) Transporte: é o tempo para a liberação do pedido na fábrica pelo fornecedor até o seu recebimento dos produtos encomendados na empresa. Segundo Dias (1993, p.58) “Em virtude de sua grande importância, este tempo deve ser determinado de modo mais realista possível, pois as variações ocorridas durante esse tempo podem alterar toda a estrutura do sistema de estoques”. 45 Para alguns materiais e fornecedores, cujo tempo de reposição não podem ser determinados com certeza, existe um critério diferenciado para o seu cálculo utilizando o estoque mínimo. Figura 4 - Gráfico dente de serra com tempo de reposição e ponto de pedido. Fonte: Dias 1993, p. 59 Quando se constata que determinados produtos no estoque precisam ser reposto, devido o seu número de itens abaixo do ideal, podemos utilizar o ponto de pedido. Ponto de pedido (PP) O fator característico do ponto de pedido está no processo de produção, onde poderemos ter uma quantidade de determinados itens estocados. Lembrando que eles são utilizados como recursos na produção e possuem a função de impedir possíveis interrupções, enquanto aguardamos a chegada de uma nova aquisição de produtos para a reposição. Segundo Pozo (2002, p.59) “Isso que dizer que quando um determinado item de estoque atinge seu ponto de pedido deveremos fazer o ressuprimento de seu estoque, colocando-se um pedido de compra“. Para a avaliação do estoque disponível devemos verificar: Estoque existente; A existência de atrasos no fornecimento dos produtos; Os fornecimentos em aberto e se estão ainda dentro do prazo. 46 Na prática, os dois itens acima relacionados aos fornecedores, são agrupados e chamados de estoque virtual. Estoque virtual é o estoque real acrescido das quantidades de encomendas que estão em andamento. A equação para a sua utilização é a seguinte: Estoque Virtual = Estoque Físico + Saldo de Fornecimento. Segundo Dias (1993, p.59) “Algumas empresas que possuem um controle de qualidade no recebimento e também incluem o estoque em inspeção no estoque virtual, ficando demonstrado assim: Estoque Virtual = Estoque Físico + Saldo de Fornecimento + Estoque em Inspeção“. Quando verificamos que o estoque virtual teve uma redução ou atingiu uma meta estipulada, devemos fazer uma nova reposição de produtos. Chamamos esta ação de Ponto de Ressuprimento ou Ponto de Pedido. Para Dias (1993), o ponto de pedido é o saldo do item em estoque e pode ser calculado pela seguinte equação: PP = C X TR + E.Mn. Onde: PP= Ponto de Pedido C= Consumo Médio Mensal TR =Tempo de Reposição; e E.Mn = Estoque Mínimo. Figura: 5 - Gráfico demonstrativo do tempo de reposição. Fonte: Dias1993, p.60 Conclui-se então, que se o estoque virtual alcançar o ponto de pedido, será necessário realizar a reposição do material. Para isso, o saldo em estoque deve suportar o consumo durante o tempo de realização da reposição. 47 3.1.8.1 Fatores que influenciam no estudo da teoria de estoques Para o estudo da teoria de estoques é necessário termos algumas definições que são importantes: Consumo médio mensal É calculado pela media aritmética obtida do consumo dos meses das retiradas mensais do estoque. Utilizamos a seguinte equação: CMM= C1+C2+C3+...Cn n CMM= Consumo médio mensal C= consumos mensais; n= número de meses do período. Para Dias (1993), o consumo médio mensal é estimado dentro do estudo do dimensionamento e controle de estoques, além de ser o fator de relevante importância. Caso não haja constantes mudanças, este poderá expressar a quantidade a ser consumida. Estoque médio Segundo Dias (1993, p.61) ”É o nível médio de estoque em torno dos quais as operações de compra e consumos se realizaram”. Se analisarmos o estoque mínimo ou de segurança agregado ao estoque médio teremos: EM = EMN + Q 2 EM: Estoque médio EMN: Estoque mínimo Q: 2 Quantidade de compra a ser consumida 48 Intervalo de ressuprimento 6 Para Dias (1993), é o intervalo de tempo expresso entre a emissão de dois ressuprimentos. Estes espaços podem ser fixados, dependendo das quantidades compradas, do tempo de entrega do fornecedor, e do consumo médio. Figura: 6- Gráfico do intervalo de ressuprimento. Fonte: Dias 1993, p.62 Estoque máximo Soma do estoque mínimo mais o lote de compra. Dias (1993, p.62) “Esse lote de compra pode ser econômico ou não. Nas condições normais de equilíbrio entre a compra e o consumo, pode variar entre os limites máximos e mínimos”. Sua equação é dada: EMX = E.MN + Lote de compra Ruptura do estoque É caracterizado quando o estoque chega a zero e não se pode atender a uma necessidade de consumo. Na prática, quando um cliente faz uma requisição de material no estoque, e não pode ser atendido em virtude de não existir os produtos. 6 Ressuprimento: Segundo Viana (2008, p.155) “É o intervalo de tempo compreendido entre a emissão do pedido de compra e o efetivo recebimento, gerando a entrada do material no estoque”. 49 Modelos de cálculo para o estoque mínimo São arbitrados valores que funcionam como uma certeza que no estoque existirá um risco muito pequeno para a falta de materiais, sendo contornado rapidamente. Considerando a alteração de consumo e o tempo de reposição, devemos verificar as alterações no consumo médio mensal e a variação do tempo de reposição, para a aplicação da fórmula. Para Dias (1993), a equação é utilizada quando houver uma previsão de aumento de consumo e uma previsão de atraso no tempo de reposição do material. E.Mn= T1 (C2-C1)+C2.T4 Existem casos de não existir os valores para o tempo de reposição (TR), ou este não ser considerado. Ocorrendo tal situação a equação será alterada para: E.Mn= T1. (C2-C1) Onde: T1 - tempo de consumo; C1 - consumo normal mensal; C2 - consumo mensal maior que o normal; T4 - atraso no tempo de reposição. 3.1.9 Classificação ABC dos estoques O procedimento conhecido como custo ABC, teve o seu início no século XIX pelo economista italiano Vilfredo Pareto, que utilizou esse método para o estudo da distribuição desigual da economia e renda entre as camadas da população. O seu emprego constatou que existia uma pequena parcela da população, que concentrava a maior parte da renda a ela destinada. Custo ABC é definido pelo autor como: Consiste na verificação em certo espaço de tempo (normalmente seis meses ou um ano) do consumo em valor monetário ou quantidade, dos itens de estoque para que eles possam ser classificados em ordem decrescente de importância. Martins (2006, p.211). A análise ABC é uma das formas mais usuais para se examinar os estoques. Divide-se em três níveis, chamados de itens de classe. Os itens de 50 classe A, representam um estoque de alto valor financeiro, porém com apenas pequenas quantidades de itens. Já os de classe B, possuem uma quantidade de itens considerável no estoque. Enquanto os itens de classe C são considerados de menor importância por apresentar um custo financeiro baixo, porém uma grande parcela de itens no estoque. Em percentual poderia ocorrer tal situação, uma pequena quantidade de itens classificados entre 10% a 20% do total pertencente à classe A. Na classe B, ficariam classificados, entre 30% a 40%, enquanto a parcela de 50% seria de responsabilidade da classe C. No cenário atual, nas organizações, quando o assunto é a gestão em seus estoques, procura-se direcionar principalmente para os itens de maior valor, sendo mais flexíveis com relação aos itens de menor valor. Na área administrativa a Curva ABC, tornou-se fundamental nos diversos setores da empresa e para auxiliar nas tomadas de decisões, além das facilidades na mensuração de grandes volumes de dados. Constantemente é utilizada para a classificação de estoques, da produção, de vendas, dos salários e outros. Para Pozo (2002), a necessidade que o setor administrativo das organizações tem para realizar as tomadas de decisão em curto tempo, torna-se vantajoso à utilização da Curva ABC, a fim de possibilitar redução das imobilizações em estoques, reduzindo os prejuízos, e prevalecendo um impacto positivo para a instituição. Em Martins (2006) e Pozo (2002) o processo da montagem da Curva ABC deve obedecer a quatro fases distintas: a) Levantamento de informações de todos os itens do estoque. Exemplo: quantidade por item, preços unitários, etc; b) Formular uma tabela em ordem decrescente, em valores totais apresentando um somatório geral. Exemplo: itens para a composição da tabela, preço total por item, preço acumulado e porcentagem. c) Divisão de cada valor total de item, realizando somatório total e classificação através da porcentagem obtida. d) Divisão dos itens em classes A, B e C, de acordo com a importância para a instituição. Observe a classificação e o formato da curva ABC logo a seguir no gráfico: 51 Figura: 7- Gráfico curva de Pareto para itens em estoque Fonte: Slack, N. et al. Administração da produção, p. 403. 3.1.10 Previsão de estoques Toda a teoria dos estoques está pautada na previsão do consumo de material. A previsão da demanda ou do consumo estabelece estas estimativas futuras dos produtos comercializados pela empresa. Estabelece, portanto, quais produtos, quanto desses produtos e quando serão comprados pelos clientes. Segundo Pozo (2002, p.46) “a previsão de estoques, normalmente, é fundamentada nos informes fornecidos pela área de vendas onde são elaborados os valores de demandas de mercado e providenciados os níveis de estoque”. Caberá ao responsável pelo departamento de estoque prever a demanda e informar aos fornecedores de produtos para que o processo produtivo não sofra processo de descontinuidade e, assim, possamos atender aos nossos clientes. A previsão deve levar em consideração os fatores que mais afetam o ambiente e que tendem a mobilizar os clientes. Informações básicas e confiáveis de toda a dinâmica de mercado deverão ser utilizadas para decidirmos quais as quantidades e prazos a serem estabelecidos. 52 A previsão, portanto, é o ponto de início de todo o planejamento, não é uma meta de vendas e deve ser compatível com o custo de obtê-la. As informações básicas para um processo de previsão são: Evolução das vendas no passado; Variáveis cuja evolução e explicação estão ligadas diretamente às vendas; Influência de propaganda; Opinião dos gerentes, vendedores, compradores e pesquisas de mercado. Para Pozo (2002) e Dias (1993), a tentativa de acertar o desejo do mercado num futuro bem próximo a previsão da demanda utiliza ferramentas como os gráficos e as técnicas de previsões que contribuem. São elas: Evolução de consumo constante Nesse caso o volume de consumo permanece constante, sem grandes variações no decorrer do tempo e não sofre influências conjunturais, ambientais e mercadológicas. Evolução de consumo sazonal O volume de consumo nesse modelo passa por oscilações regulares no decorrer de certo período ou do ano, e é influenciado por fatores culturais e ambientais, acarretando desvios de demanda superiores a 30% de valores médios. Evolução de consumo de tendência Nesse caso o volume de consumo aumenta ou diminui drasticamente no decorrer de um período ou do ano, e é influenciado por fatores culturais, ambientais, conjunturais e econômicos, acarretando desvios de demanda positiva ou negativa. Segundo Pozo (2002), conhecendo a evolução da demanda fica mais fácil elaborar a previsão futura, e para isso podemos utilizar alguns modelos de métodos disponíveis. 53 Método do último período É o método mais simples de todos e sem fundamento matemático e consiste em utilizar como previsão para o próximo período o valor real do período anterior. Método da média aritmética Nesse método, a previsão do próximo período é obtida por meio do cálculo da média aritmética do consumo dos períodos anteriores. O resultado desse modelo nos mostrará valores menores que os ocorridos caso o consumo tenha a tendência crescente, e maiores se o consumo tiver tendência decrescente nos últimos períodos. Esse modelo é bastante utilizado por empresas e por administradores. Método da média ponderada A previsão do próximo período é obtida por meio da ponderação dada a cada período. O período mais próximo recebe peso maior e para os períodos mais distantes é reduzido o peso. A soma das ponderações deve ser sempre 100%. Como regra geral, os períodos mais recentes devem ter um peso de 40 a 60%. Essa alocação será sempre função da sensibilidade do administrador em relação às variáveis e mudanças de mercado. Método da média com suavização exponencial A previsão para o próximo período é obtida utilizando a ponderação dada ao último período. Esse modelo procura eliminar as variações exageradas que ocorrem em períodos anteriores. Para Pozo (2002), a ponderação utilizada é denominada constante de suavização exponencial, que tem o símbolo @ e pode variar de 1≥ @ ≥ 0. Nas empresas @ pode variar de 0,1 a 0,3 dependendo dos fatores que estão afetando a demanda. 54 Método da média dos mínimos quadrados É um processo de ajuste que tende a aproximar-se dos valores existentes, minimizando as distâncias entre cada consumo realizado. Usando a equação da reta (Y = a+bx) para calcular a previsão de demanda, e isso permite que tracemos uma tendência bem realista do que poderá ocorrer, com a projeção da reta. Usando a equação da reta, é necessário calcular os valores de a, b e x. 3.1.11 Mensuração do desempenho financeiro de estoques Sendo um ativo de elevada importância para as empresas, os estoques com uma visão para o lado financeiro destas instituições, constituem uma soma de valores armazenados, que não podem ser utilizados para outros propósitos. Segundo Arnold (1999, p.281) “A área de finanças deseja o menor estoque possível e precisa de alguma mensuração do nível do estoque”. A idéia principal está em não manter estoque algum. Porém é quase impraticável devido à necessidade de apoio a produção e freqüentemente aos diversos fornecimentos de produtos para os clientes. O nível adequado para o estoque é uma dúvida constante. Vejamos a seguir, alguns métodos para realizar a mensuração do estoque em uma empresa. Giro de estoque Para Ballou (2001), talvez o procedimento agregado mais comum do controle de estoque seja o giro. Ele é um quociente de vendas anuais sobre o investimento médio em estoque para o mesmo período de tempo, no qual as vendas e o investimento em estoque são valorizados no canal logístico, nos quais os itens são mantidos em estoque. A rotatividade é o termo mais utilizado tanto pelas empresas multinacionais como pelas nacionais. O giro de estoque ou rotatividade possui a expressão inversa de unidade de tempo ou em “vezes”. É necessário possuirmos o valor dos estoques e dividimos pelo custo anual das vendas. O valor de estoque pode ser utilizado em quantidades monetárias ou quantidades de peças. Observe a equação dada: 55 Rotatividade = Consumo Médio Anual Estoque Médio Antigiro Este outro tipo de índice é bastante útil para a análise de estoque. É também conhecido como taxa de cobertura. Para Dias (1993), esse índice procura indicar quantos meses de consumo equivalem ao estoque real ou o estoque médio. Antigiro = estoque médio Consumo Período de suprimento Com base nos cálculos dos números de dias do estoque disponível, podemos considerar a sua utilização. A equação é dada como: Período de suprimento = estoque disponível Média de utilização diária Observamos que o gerenciamento é constituído de uma série de procedimentos que permitem ao administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados, bem manuseados e bem controlados. As organizações são obrigadas a buscar alternativas com o objetivo de maximização dos seus lucros, e uma apropriada administração dos estoques torna-se essencial. A seguir veremos os recursos metodológicos aplicados à pesquisa, bem como a análise da empresa pesquisada e os resultados. 56 4. METODOLOGIA Neste capítulo serão apresentados os fundamentos de Metodologia Científica que padronizaram os procedimentos para implementação desta pesquisa. Inicialmente serão apresentados os princípios da metodologia científica aplicada a presente pesquisa, seguidos de uma classificação para a mesma. Na seqüência se discutirá as perspectivas e o delineamento da pesquisa, iniciando com a definição do tipo de pesquisa utilizada, a amostra, bem como a dinâmica de coleta e análise de dados. Segundo Marconi e Lakatos (2005, p.17) “a Metodologia Científica, mais do que uma disciplina, significa introduzir o discente no mundo dos procedimentos sistemáticos e racionais, base da formação tanto do estudioso quanto do profissional”. O objeto de estudo é uma empresa distribuidora de cartões telefônicos. A pesquisa teve seu início no segundo semestre do ano de 2005. 4.1 – Tipo de Pesquisa Nesta pesquisa foi adotada a abordagem quantitativa. Com base em Marconi e Lakatos (2005), utilizamos as pesquisas bibliográficas, documental e a pesquisa de campo qualificada no grupo quantitativa descritiva, na qual se buscou o embasamento teórico necessário para este trabalho. Na pesquisa bibliográfica, compreendeu a bibliografia publicada em relação ao tema de estudo como livros, publicações avulsas, monografias etc. Para a pesquisa documental foram utilizados documentos diretos da empresa, denominadas de fontes primárias, como relatórios de controle de estoque, tabelas de composição dos produtos e mapa de distribuição de cartões telefônicos. As fontes secundárias foram os sites das empresas Brasil Telecom, Vivo S.A e outros. 4.2 – Amostra A pesquisa abordou o gerenciamento dos estoques em uma empresa distribuidora de cartões telefônicos e foi direcionada para área de controle de 57 estoques desta instituição. O setor de execução da pesquisa foi o departamento de estoques da empresa Multcard Cartões. De acordo com Marconi e Lakatos (2005), o conceito de amostra é uma porção ou parcela convenientemente selecionada do universo ou população. Deve ser a mais representativa o possível do todo. Essa pesquisa abrangeu a totalidade dos produtos (população total) comercializados pela empresa nos seis primeiros meses dos anos de 2005, 2006 e 2007. Foram verificados os seguintes dados que compõem o quadro de controle de estoques da Multcard: Custo unitário do produto; Estoque inicial; Entradas de produtos; Saídas de produtos; Estoque final e Custo do material. 4.3 – Método de Coleta de Dados Para Marconi e Lakatos (2005), são vários os procedimentos para a realização da coleta de dados, que variam de acordo com as circunstâncias ou com o tipo de investigação. Neste trabalho utilizamos a coleta documental e a observação. Foi feita uma pesquisa de campo na empresa Multcard Cartões, no Departamento de estoques, onde pesquisamos as informações sobre o controle de estoque dos seus produtos comercializados nos primeiros seis meses de 2005, 2006 e 2007. Foram também realizadas observações referentes a forma de entrada e saída dos produtos e a sua organização no respectivo Departamento da empresa. As informações do controle de estoque central dessa corporação, referente às entradas e saídas dos produtos comercializados, necessárias para o início do trabalho foram obtidas por meio de dados fornecidos pelo Departamento de Marketing e Vendas e Departamento Financeiro, com a autorização da Diretoria da empresa e sua gerência. 58 4.4 – Método de Análise de Dados Nesta pesquisa o método quantitativo adotado foi o método comparativo. Para Marconi e Lakatos (2005) o método comparativo é a investigação das coisas ou fatos e consiste em explicá-los segundo suas semelhanças ou diferenças. De acordo com o problema levantado, onde a empresa analisada utiliza o estoque de produtos para o atendimento de sua demanda, porém necessita obedecer as metas de compra e venda determinadas pelas operadoras Brasil Telecom e Vivo, torna-se essencial a existência de uma gestão adequada dos seus estoques para um melhor desempenho financeiro. Diante da questão apresentada foram confrontadas as informações do controle de estoque da organização no que se refere às entradas e saídas da totalidade dos produtos comercializados pela Multcard Cartões, nos períodos semestrais de 2005, 2006 e 2007. Através dos cálculos, chegamos aos valores da média mensal de consumo e da previsão de duração do estoque dos três períodos semestrais selecionados de cada produto comercializado pela organização conforme tabelas no anexo 01. Para se obter os cálculos da média mensal de consumo (MMC), utilizamos a média aritmética das saídas dos seis primeiros meses de cada produto comercializado pela empresa. De acordo com a equação apresentada por Dias (1993) abaixo: MMC= C1+C2+C3+...Cn n MMC= média mensal de consumo; C= consumos mensais; n= número de meses do período. A previsão de duração do estoque (PDE) foi obtida dividindo o somatório dos seis meses do estoque final dividido pelo valor da média mensal de consumo por intermédio da seguinte equação: PDE= Total Estoque Final MMC 59 PDE= previsão de duração do estoque; MMC= média mensal de consumo. De acordo com Pozo (2002), através da previsão de consumo podemos estabelecer estimativas futuras aos produtos acabados comercializados pela empresa, definindo quais produtos, quanto e quando serão comprados pelos clientes. Com base nessas informações, foram utilizados os critérios da previsão de estoques que utilizou modelos matemáticos, que podem auxiliar em uma melhor precisão do estoque de produtos da empresa analisada. Pozo (2002) e Dias (1993) citam cinco métodos para se determinar a previsão futura para os estoques: Método do último período; Método da média aritmética; Método da média ponderada; Método da média com ponderação exponencial e Método dos mínimos quadrados. Nesta pesquisa, inicialmente fora utilizados dois métodos de previsão de estoques para a empresa pesquisada: o método da média aritmética e o método da média ponderada. O método da média aritmética é um método bastante utilizado por empresas e por administradores e tem como característica a sua facilidade na manipulação dos dados e o seu emprego. A previsão para o próximo período do produto verificado é obtida por meio de cálculos da média aritmética dos períodos de consumo anteriores. O método da média ponderada utiliza a ponderação para cada período, e o período mais próximo recebe um peso maior. Desse modo o seu emprego destaca a importância para as informações das variáveis e as mudanças de mercado. Possui fácil emprego para os administradores nas organizações. Não foi considerada em um primeiro momento a utilização do método do último período, por ser considerado simples para a análise de consumo dos produtos. Não utilizaremos também o método da média com suavização exponencial devido esse método focar as informações mais recentes. Torna-se necessário à utilização de uma constante que procura determinar o valor ou 60 ponderação aos dados. Para o método dos mínimos quadrados apesar de ser muito bom para a análise de previsão, sua utilização nessa pesquisa não seria viável devido à quantidade de dados a serem analisados estatisticamente e também por ser muito complexo. Geralmente é muito utilizado para as análises anuais e não semestrais. 61 5. DIAGNÓSTICO DA SITUAÇÃO ATUAL DA EMPRESA 5.1 Análise da empresa Multcard Cartões A análise foi feita no início do segundo semestre do ano de 2005 até maio de 2008. A Multcard Gama tem um período de aproximadamente quatro anos de funcionamento no mercado das telecomunicações. De acordo com as informações obtidas no Departamento de Marketing e Vendas da empresa, o último levantamento, realizado em janeiro de 2008, verificou a existência de 2.201 pontos de vendas ativos como: panificadoras, farmácias, bancas de jornal e revistas, lojas de conveniência, bares, supermercados, em sua área de atuação pertencente à região II, conforme a divisão elaborada pela Agência Nacional de Telecomunicações. O quadro de funcionários desta filial está dividido em duas categorias: uma equipe de funcionários que trabalham nas atividades dentro da empresa e uma equipe de funcionários que trabalham desempenhando atividades de vendas externas. Esses funcionários são os responsáveis pelo abastecimento e fornecimento dos produtos nos pontos de vendas citados. Cada vendedor tem uma área definida pela empresa conhecida como “rota” para o trabalho de vendas. A empresa, através do seu Departamento de Marketing e Vendas, acompanha e monitora as atividades definidas a cada um dos seus vendedores. No mercado das telecomunicações são realizados contratos de revenda de produtos com as concessionárias e as empresas autorizadas. Os contratos elaborados determinam as áreas das cidades e as diretrizes para a revenda dos seus respectivos produtos. As empresas revendedoras são proibidas de realizar o comércio de cartões em áreas distintas daquelas autorizadas pelas operadoras. Entre as medidas e as penalidades que estão sujeitas as empresas, podemos citar multas ou até a perda de sua área de comercialização. As concessionárias estipulam as metas de compras dos seus produtos e também as metas de vendas destes. Para exemplificar, podemos conferir na figura 3 abaixo a área delimitada pela concessionária Brasil Telecom para a empresa Multcard Cartões filial Gama: 62 Figura: 3 Mapa ilustrativo da distribuição de cartões telefônicos da empresa Multcard. Fonte: Multcard 2006. Com as mudanças no mercado de telecomunicações em escala internacional, estas transformações acabaram influenciando o mercado brasileiro. A mudança começou pela divisão do País em áreas de atuação. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), criada para regular o setor, elaborou o Plano Geral de Outorgas (PGO) em abril de 1998. Com isso, o território brasileiro ficou dividido em regiões. Segundo esse modelo, a área de atuação da Brasil Telecom é a Região II, que abrange o Distrito Federal e os Estados do Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O mapa acima demonstra uma parte da área que pertence à empresa Brasil Telecom. Essa empresa dividiu a sua área para a atuação de cinco empresas revendedoras contratadas para a prestação de serviços comercialização dos seus produtos que são: cor branca; Empresa WD: área de atuação representada na figura pela de 63 Empresa Teleplan: área de atuação representada na figura pela cor azul; Empresa Insystems: área de atuação representada na figura pela cor verde; Grupo Holy: área de atuação representada na figura pela cor rosa. A empresa Multcard é a empresa responsável direta pela comercialização dos produtos, sendo uma das filiais do Grupo Holy Telecomunicações Ltda; Empresa Fala Fácil: pode atuar somente em estabelecimentos comerciais classificados como panificadoras e drogarias da área ilustrada acima. No inicio de 2008, após a renovação de contrato da empresa Multcard, que ocorreu com a concessionária Brasil Telecom, foi realizada uma nova delimitação com alterações nas áreas de comercialização de produtos. Atualmente a Multcard Cartões é responsável pelo abastecimento dos pontos de vendas das seguintes cidades: Gama, Santa-Maria, Núcleo-Bandeirante, Riacho-fundo, Recanto das Emas, Novo-Gama, Lago-Azul, Santo Antonio do Descoberto e Águas-Lindas de Goiás. A concessionária Vivo S.A. está presente na maioria dos estados brasileiros, com exceção de Minas Gerais e no Nordeste. Ao contrário da Brasil Telecom, não tem especificações de áreas para comercialização dos seus produtos para as empresas revendedoras de cartões telefônicos. É também a única que utiliza a tecnologia AMPS/TDMA e CDMA7. A Multcard Cartões revende também os produtos Vivo nas mesmas cidades citadas da área da operadora Brasil Telecom, pois os pontos de venda necessitam dos produtos e também são distribuídos nas outras filiais que fazem parte do grupo Holy Telecomunicações. 7 Gestão de estoque na empresa Tecnologia AMPS/TDMA e CDMA: para o site www.clubedohardware.com.br, são as tecnologias usadas nos sistemas de telefonia celular. A sigla CDMA significa Code Division Multiple Access (Acesso múltiplo por divisão de código). Tanto os dados quanto a voz são separados dos sinais por códigos, e depois são transmitidos em um amplo conjunto de freqüências. O TDMA foi utilizado aqui no Brasil pela empresa, que agora se tornou Claro e que migrou para o sistema GSM. O CDMA é o sistema usado pela Vivo, e a TIM. 64 A Multcard adota uma política de estocagem de produtos que segue algumas premissas que veremos a seguir. Durante a pesquisa de campo foram levantadas informações no Departamento de Marketing e Vendas e com os funcionários da empresa, através de verificações nos relatórios de controle de estoques e nas planilhas de compra e venda de produtos. A empresa no primeiro semestre de 2005 comercializava uma variedade de trinta e dois tipos de produtos das concessionárias Brasil Telecom S.A. e Vivo S.A. Atualmente a empresa está comercializando apenas os seguintes produtos: Tabela 1: Tabela de produtos comercializados período 2008. ITEM PRODUTO 8 CONCESSIONÁRIA 01 Cartão indutivo de 75 unidades Brasil Telecom 02 Cartão indutivo de 40 unidades Brasil Telecom 03 Cartão indutivo de 20 unidades Brasil Telecom 04 Cartão indutivo de 40 unidades especial Brasil Telecom 05 Cartão indutivo de 20 unidades especial Brasil Telecom 06 Cartão residencial pré-pago de 20 unidades Brasil Telecom 07 Cartão residencial pré-pago de 15 unidades Brasil Telecom 08 Cartão residencial lig-mix de 15 unidades Brasil Telecom 09 Cartão gsm de 50 unidades Brasil Telecom 10 Cartão gsm de 30 unidades Brasil Telecom 11 Cartão gsm de 20 unidades Brasil Telecom 12 Cartão gsm de 75 unidades Brasil Telecom 13 Cartão gsm de 15 unidades Brasil Telecom 14 Chip gsm para aparelho celular Brasil Telecom 15 Cartão vivo pré-pago de 50 unidades Vivo S.A 16 Cartão vivo pré-pago de 26 unidades Vivo S.A 17 Cartão vivo pré-pago de 16 unidades Vivo S.A 18 Cartão vivo pré-pago de 12 unidades Vivo S.A Fonte: Departamento de Marketing e Vendas da Multcard. 8 Cartão indutivo: Segundo o site www.brasiltelecom.com.br, o cartão indutivo consiste em um cartão de plástico PVC ou ABS, com formato e tamanho semelhantes aos dos cartões magnéticos de crédito ou de banco. Ele armazena informações técnicas em uma finíssima lâmina de metal recortada, com dezenas de células, em seu interior, contendo um circuito e pequenas células e uma imagem (fotopolimérico) denominada Riston. 65 A atividade no estoque da empresa Multcard Gama tem como início a conferência dos níveis do estoque dos produtos existentes antes da realização dos pedidos feitos pelo funcionário responsável pelo procedimento. Nessa conferência são especificados os tipos e as quantidades de cada produto que se encontra no estoque da empresa. Após essa verificação, o funcionário deve entrar em contato com o Diretor financeiro que fica localizado na matriz do grupo Holy na cidade de Goiânia (GO), repassando a situação encontrada no estoque e as quantidades necessárias para a sua reposição e para dar continuidade nos trabalhos diários. Foi relatado pelos funcionários durante a pesquisa no departamento financeiro da Multcard, que somente o diretor financeiro pode autorizar a compra dos produtos junto às operadoras. O diretor financeiro na matriz realiza uma análise das necessidades de produtos verificando os números das planilhas de compra e venda dos produtos das operadoras. De acordo com as informações obtidas pelos funcionários na empresa o diretor financeiro emprega um método simples para os cálculos dos pedidos de produtos. Após ter conhecimento dos números das planilhas de metas de compra dos produtos da Multcard, ele divide as quantidades necessárias de cada produto para um período de 30 dias. Ele já possui as informações atuais da quantidade de produtos no estoque da filial e também o número de dias restantes para atingir a meta mensal estipulada pelas operadoras. Caso ocorra de a empresa atingir a meta de compra discriminada pelas operadoras, antes do término do mês, a concessionária responsável pode aumentar a quantidade de compras de produtos para a empresa Multcard. O funcionário do departamento financeiro da filial Gama, após obter a autorização para realizar as compras e receber a definição dos produtos pelo diretor financeiro, entrará em contato com as operadoras Brasil Telecom e Vivo repassando as informações dos pedidos dos produtos para a empresa. É necessário o cumprimento dos horários especificados pelas operadoras para a realização dos pedidos, pois caso ocorram atrasos, a empresa pode ficar sem os produtos para comercializar nos pontos de vendas regulares. Geralmente, as falhas nos atrasos são provocadas pelas próprias operadoras no processo de elaboração das notas fiscais dos produtos discriminados e na sua liberação. De um modo geral, isso ocasiona a insatisfação dos clientes com a empresa 66 revendedora, pois ficam aguardando os produtos nos pontos de venda sem horários definidos. Depois da confirmação e liberação dos pedidos, uma parte dos produtos adquiridos como os cartões telefônicos GSM9 da operadora Brasil Telecom, é transportada, e tem a sua segurança feita pela própria empresa Multcard, até ao local de estocagem na filial Gama. A outra parte da mercadoria comprada é transportada sob responsabilidade de uma empresa de segurança de transporte de valores contratada pela Multcard e também, por empresas de encomendas e entregas que são terceirizadas pelas operadoras. No início de fevereiro de 2007, o serviço de segurança pessoal dos produtos, que ficava sobre responsabilidade da empresa Multcard, foi desativado. Segundo informações do Departamento Financeiro da empresa uma nova política de segurança seria adotada, objetivando a redução de custos. Após a sua chegada até o Departamento de Estoque da filial Gama, toda mercadoria deve ser entregue juntamente com as notas fiscais dos produtos recebidos. Os produtos são verificados e conferidos manualmente e armazenados pelo funcionário responsável pelo estoque. No Departamento de Estoque existe somente um funcionário que, além de realizar as atividades descritas acima, deve fazer o cadastramento das notas fiscais dos produtos e o lançamento no sistema de movimentação interna da empresa conhecido como “Administrador Cetros”. Deve ser emitido um boletim de conferência das mercadorias que chegaram ao estoque. A nota fiscal deve ter a sua entrada no sistema Cetros da empresa no mesmo dia do recebimento dos produtos. Logo após, é emitido um relatório geral destas notas fiscais recebidas. Após o visto do gerente, o funcionário do estoque emite uma via que será arquivada pelo período de cinco anos na empresa para controle e necessidades posteriores da empresa tais como auditorias. Toda carga de produtos que chega à empresa deve ser informada também ao Departamento Financeiro da filial que verifica possíveis divergências nas quantidades previstas ou outros problemas ocorridos no transporte até a filial. 9 GSM: para o site www.clubedohardware.com.br, significa Global System Mobile (sistema móvel global). Apesar de ser vendida no Brasil como grande novidade, essa tecnologia é anterior ao CDMA e ao TDMA. O GSM funciona de maneira similar em uma faixa de freqüência bem próxima do TDMA, nas faixas de 900MHz e 1800MHz, e utiliza a criptografia para tornar as ligações mais seguras. 67 As alterações observadas devem ser imediatamente informadas ao diretor financeiro na matriz para soluções. Níveis de estoque e métodos de controle A empresa analisada utiliza um sistema de informática que possui parâmetros para realizar uma boa gestão do seu estoque. Para a empresa o sistema Cetros utilizado é um sistema ágil e de grande resposta gerencial, composto de ferramentas de apoio à tomada de decisões e suporte logístico. Possibilita ao usuário controlar os processos da empresa, desde simples pagamentos até uma complexa estrutura de integração de departamentos, depósitos e filiais, estando ele dentro ou fora da empresa. Segundo informações da empresa o sistema Cetros é um software de gestão empresarial formado por módulos gerenciais que, quando integrados, resultam em uma solução para gerir seus negócios. Dentre seus recursos utilizados pela empresa destacam-se alguns como: acesso via internet, automação de compras, pedidos de clientes, controle de caixa, formação de preços de custo e venda e inventário de estoque. Apesar da utilização do sistema Cetros apresentado acima, foi verificada a existência de erros com relação às transferências e atualizações de dados e a ocorrência de problemas técnicos no recebimento de informações como o controle de fluxo de caixa, informações necessárias para o Departamento Financeiro e de Estoque. Algumas informações dos produtos, referentes aos cálculos no estoque central, não conferem com a quantidade real que deveria existir no estoque. Existe uma parte dos produtos que não está sendo contabilizada. Como forma de movimentar o capital investido ou diminuir o estoque elevado de determinados produtos no estoque, a empresa após uma reunião entre o Departamento Financeiro da matriz, e o Departamento Financeiro da filial e a gerência responsável pelas vendas estipulam uma redução no preço de venda para alguns produtos em um período de tempo definido. Os vendedores interessados em adquirir a mercadoria com o objetivo de aumentar a sua comissão nas vendas, oferecem aos clientes dando um prazo maior de pagamento (15 dias ou 30 dias), prazo este autorizado pela empresa. Depois 68 dessa transação, os vendedores repassam os cheques conhecidos como prédatados pertencentes aos seus clientes para a empresa. Esta por sua vez repassa esses cheques a uma empresa de factoring10, que realiza a transação retornando para a empresa Multcard em valores de reais. Outro método empregado para o controle do nível de estoque é conhecido como “venda casada”. O vendedor para comprar a quantidade de trinta cartões indutivos de 20 unidades da operadora Brasil Telecom, de ótimo consumo no mercado, deve comprar também a quantidade de 100 cartões indutivos de 40 unidades, devido o estoque alto desse produto na empresa. O procedimento somente é realizado para alguns produtos e visa uma redução no estoque. A empresa também utiliza outro software chamado de “Syscart” para controlar os produtos e as vendas. Segundo a empresa, trata-se de um sistema que automatiza as vendas de cartões telefônicos tanto na matriz como em suas possíveis filiais com o uso de tecnologias móveis, no caso, Palm Tops. O sistema conta ainda com um intercâmbio de dados entre a distribuidora e as operadoras, a fim de manter um eficaz envio das informações periódicas de venda. O Syscart é um software que possui conexão direta de qualquer lugar do País com a base de dados via internet, facilitando o suporte remoto. O cadastro é um dos itens mais importantes do sistema, pois é através dele que são lançados todos os dados referentes aos pontos de vendas, compras, consultoria, rota e etc. O sistema Cetros e o sistema Syscart funcionam em apoio nas tarefas diárias da empresa, porém cada sistema é utilizado de forma isolada. Localização e organização do estoque Após no início de 2006, a diretoria do grupo Holy Telecomunicações elaborou um estudo na Multcard Gama para reestruturação das atividades e melhoria dos seus processos. Dentre as mudanças implementadas houve a 10 Factoring: segundo Fortuna(2002, p.607) ”traduzida para a lingua portuguesa como fomento comercial, caracteriza-se, em sua essência, pela venda de um direito de crédito, feita diretamente pelo detentor deste crédito (sacador) a uma instituição compradora (o factor), que fornece os recursos ao sacador, mediante um deságio sobre o valor de face deste direito de crédito que pode ser, por exemplo, uma duplicata ou um cheque”. 69 separação do Departamento de estoques do Departamento financeiro. O Departamento de estoque foi instalado em local independente para as suas atividades e o seu espaço físico possui uma área de aproximadamente 22 metros quadrados. Este espaço atualmente utilizado sofreu adaptações tornando-se adequado para o armazenamento e os procedimentos ligados ao departamento de estoque da empresa. Possui boa iluminação, ventilação e foram colocados armários com suas respectivas prateleiras e cofres de segurança utilizados para o estoque dos produtos. Possui um sistema de monitoramento de segurança diário e um terminal de computador que está conectado em rede com os outros Departamentos da empresa e a matriz. Os produtos geralmente são recebidos no Departamento de Estoque da filial Gama em caixas lacradas de papelão com uma capacidade que pode variar de 100 unidades ou até chegar a 10 mil unidades de cartões telefônicos. Os produtos são frágeis e facilmente podem ser danificados se forem mal transportados ou mal acondicionados. Os produtos que apresentam problemas vindos de fabricação ou devolvidos pelos pontos de vendas, ficam a cargo do Departamento de Vendas e Marketing da filial Gama, não existindo contato no estoque da empresa. O Departamento citado posteriormente encaminha um relatório juntamente com os produtos para as operadoras providenciarem as trocas. Segundo observações feitas ocorrem significativas demoras para a realização das trocas dos produtos pelas operadoras responsáveis após a solicitação da empresa. 70 6. ANÁLISE DE RESULTADOS 6.1 Análise quantitativa da empresa Foram analisadas as informações obtidas dos produtos comercializados pela empresa nos primeiros seis meses de cada semestre dos anos de 2005, 2006 e 2007. Compõem o quadro de controle de estoques da Multcard os seguintes dados: Valor de custo: é o valor unitário de cada produto; Estoque inicial: é a quantidade de itens em estoque; Entradas de produtos: é a quantidade de itens comprados durante cada período de seis meses analisados; Saídas de produtos: é a quantidade de itens vendidos no período de seis meses analisados; Estoque final: é a quantidade de itens restantes no estoque no último mês analisado; Método de avaliação do estoque: custo médio. Manter os níveis de estoques em condições satisfatórias é um dos fatores primordiais para um correto gerenciamento de estoques. É notório que todas as organizações devem preocupar-se com o controle de estoques, pois o seu desempenho pode afetar de alguma maneira o resultado da empresa. Os estoques apesar de serem reconhecidos por alguns como recursos ociosos possuem valor econômico representando um investimento que pode incrementar as atividades desempenhadas pelas organizações como produção e prestação de serviços aos clientes. Entretanto, como afirma Viana (2008), a sua formação consome capital de giro que pode não estar tendo retorno do investimento efetuado e por outro lado pode ser necessitado com urgência em outros segmentos da empresa. A partir de um levantamento no Departamento de Estoque da empresa Multcard Cartões, 71 foram analisadas as informações relativas ao controle de estoque de todos os produtos comercializados pela organização no período do primeiro semestre de 2005, 2006 e 2007, amostra conhecida como população total. Para se chegar às informações necessárias, tivemos que analisar trinta e dois tipos de produtos que compõem o seu quadro de comercialização conforme tabela de controle de estoques dos períodos analisados que consta no anexo 01. Utilizamos, no exame crítico para se chegar aos valores da média mensal de consumo e para a previsão de duração de estoque as equações apresentadas no método de análise de dados. Estabelecemos um limite de tempo de previsão de duração no estoque dos produtos verificados de um mês (30 dias). Esse procedimento foi tomado de acordo com o embasamento teórico visto. Demonstra que a empresa deve procurar minimizar o capital aplicado em estoques e também a sua redução devido ao seu valor financeiro que pode ser elevado. Logo após, os produtos que apresentaram valor maior do que estava previsto acima, foram separados e analisados individualmente. Através da redução do estoque final existente pela quantidade de produtos conhecida como média mensal de consumo obtida destes que posteriormente foram multiplicados pelo valor de custo unitário, chegamos ao valor estagnado de cada produto. Encontramos sete itens com irregularidades comercializados nos três primeiros semestres dos anos de 2005,2006 e 2007, na empresa pesquisada. O pior desempenho constatado foi encontrado no primeiro semestre de 2007. O item 03 (cartão indutivo de 40 unidades da operadora Brasil Telecom) teve a sua previsão de duração de estoque superior a um mês (1,32). Esse item possui um estoque final de 34.848 unidades. Considerando a sua média de consumo, temos a quantidade de 26.306 unidades. O valor estagnado no estoque obtido desse item foi de R$ 35.705,56 (trinta e cinco mil e setecentos e cinco reais e cinqüenta e seis centavos). O item 22 pertencente ao mesmo período de 2007 (cartão lig mix de 30 unidades da operadora Brasil Telecom) apresentou o segundo pior desempenho, com a existência de 90 unidades no seu estoque final. A sua média mensal de consumo corresponde a 9 unidades. A sua previsão de duração no estoque tem o tempo correspondente a dez meses (10). O valor parado no estoque está em torno de R$ 2.126,25 (dois mil cento e vinte e seis reais e vinte e cinco centavos). 72 O terceiro pior desempenho pertence ao produto do mesmo semestre de 2007, o item 19 (cartão único smp de 50 unidades da operadora Brasil Telecom). Esse produto apresentou uma média mensal de consumo de 31 unidades e o seu estoque final encontrado de 67 unidades. Porém, a sua previsão de duração no estoque é maior que dois meses (2,14). Isto causa para a empresa um valor parado no estoque de R$ 1.594,58 (mil e quinhentos e noventa e quatro reais e cinqüenta e oito centavos). Em quarto lugar encontramos o item 18 (cartão Lig mix de 25 unidades da operadora Brasil Telecom), o produto pertence ao período do primeiro semestre de 2006 e apresentou uma média mensal de consumo em torno de 35 unidades. Encontramos a quantidade de 90 unidades no seu estoque final. A sua previsão de duração no estoque foi maior do que dois meses (2,57). O seu valor estagnado representou R$ 1.202,85 (mil e duzentos e dois reais e oitenta e cinco centavos) para a organização. Os outros produtos que apresentaram irregularidades durante a análise totalizaram o valor de R$ 1.176,53 (um mil cento e setenta e seis reais e cinqüenta e três centavos). Como podemos observar através dos cálculos realizados dos produtos dessa organização com as informações obtidas nas tabelas de movimentações do controle de estoque dos períodos semestrais analisados, constatamos que existem produtos em excesso no estoque causando um custo total de estoque estagnado de R$ 41.805,45 (quarenta e um mil e oitocentos e cinco reais e quarenta e cinco centavos). Conforme ilustra a tabela 02 abaixo: Tabela 2: Tabela de produtos com valores estagnados na empresa ANO PRODUTO 2005 T05 VIVO 05 unid. 2006 CARTÃO HIBRIDO 25 unid CARTÃO INDUTIVO DE 2007 40 unidades ÚNICO CARTÃO SMP 50 unid 2007 2007 T05 VIVO 05 unid 2007 LIG MIX 30 unid CARTÃO RESIDENCIAL 2007 PRE Fonte: Multcard Cartões Custo unidade 4,45 21,87 Estoque final MMC 1.200 1.037,50 90 35 Prev. dur. estoque Est. Final_MMC Valor estagnado 1,16 2,5714 162,50 55,00 723,13 1.202,85 4,18 34.848 26.306 1,3247 8.542,00 35.705,56 44,5 4,45 26,25 67 150 90 31,17 58 9 2,1497 2,5862 10 35,83 92,00 81,00 1.594,44 409,40 2.126,25 52,8 1 0,17 6 0,83 43,82 R$ 41.805,45 73 De acordo com a tabela analisando os semestres separadamente dos produtos que apresentaram irregularidades podemos verificar que: O primeiro semestre do ano de 2005 existiu o valor estagnado de R$ 723,13 (setecentos e vinte e três reais e treze centavos); O primeiro semestre de 2006 apresentou um valor de R$ 1.202,85 (um mil e duzentos e dois reais e oitenta e cinco centavos); Enquanto o terceiro período semestral de 2007 obteve um valor de 39.879,47 (trinta e nove mil oitocentos e setenta e nove reais e quarenta e sete centavos). Se pudéssemos realizar uma aplicação monetária mensal somente com o valor estagnado referente ao primeiro semestre de 2007, utilizando o índice mensal da caderneta de poupança do dia 30, do mês de maio de 2008, poderíamos obter juros de R$ 228,91(duzentos e vinte e oito reais e noventa e um centavos). Sem a utilização da reaplicação dos juros, aumentando o período aplicado do valor estagnado anterior, para seis meses, com o mesmo índice da poupança para cada mês, apenas somando-se os resultados mensais obteríamos um valor de R$1.373,46 (um mil e trezentos e setenta e três reais e quarenta e seis centavos). Conforme os valores da tabela 03 demonstrativa abaixo: Tabela 3: Tabela de índice monetário. Período POUPANÇA VALOR VALORES Aplicado (ÍNDICE) APLICADO EM R$ 30 dias 0,5740 39.879,47 R$ 228,91 6 meses 0,5740 39.879,47 R$1.373,46 Fonte: site www.portalBrasil.net. 6.2 Escolha do método de previsão como resultado Como foi citado no método de análise dos dados, empregamos dois tipos de métodos de previsão de estoque, o Método da Média Aritmética (MMA) e o Método da Média Ponderada (MMP). Estes foram aplicados aos 32 tipos de produtos comercializados pela empresa Multcard Gama, com o objetivo de verificar qual seria o método mais adequado para uma possível solução das irregularidades encontradas no seu estoque de alguns produtos que 74 apresentaram um total de valor estagnado, conforme demonstrado anteriormente na tabela 02. Utilizamos novamente a média mensal de consumo dos produtos que são objeto da nossa análise. Para os cálculos do método da média ponderada, tivemos como primeiro passo a realização da ponderação de cada período semestral estudado. O primeiro semestre de 2005 teve como ponderação o peso de 0,2. O segundo período de 2006 teve como peso o valor de 0,3. Enquanto o terceiro período de 2007 teve peso ponderado em 0,5. Conforme as premissas indicadas em Pozo (2002), que para os períodos de consumo mais próximos devemos estipular um peso maior, enquanto os períodos mais distantes devem receber um peso menor e a soma das ponderações deve totalizar sempre cem por cento (100%). Logo após foi calculada a média aritmética dos períodos ponderados. Empregando os métodos de previsão da média aritmética juntamente com o método da média ponderada, verificamos uma variação muito significativa em termos de novas estimativas de previsão de estoques. Para demonstrar, foram selecionados três produtos que fazem parte da composição do estoque analisado e apresentaram grandes diferenças nas estimativas. O primeiro produto selecionado foi o item 01(cartão da operadora Vivo de 10 unidades), que apresentou o valor de 37.642 unidades utilizando o método de previsão da média aritmética e o valor de 9.705 unidades para o método da média ponderada. O segundo produto examinado foi item 06(cartão SMP11 de 14 unidades da operadora Brasil Telecom), que apresentou o valor do método da média aritmética em torno de 10.889 unidades e o valor de 3.118 unidades nos cálculos do método da média ponderada. O terceiro produto foi o item 14 (cartão residencial de 15 unidades da operadora Brasil Telecom). O produto apresentou o valor para uma nova previsão utilizando o método da média aritmética em torno de 1.992 unidades e para o método da média ponderada o valor obtido foi de 697 unidades. Podemos observar a existência de uma diferença muito significativa com relação aos dois métodos empregados. 11 SMP: segundo o site www.clubedohardware.com.br, significa Serviço Móvel Pessoal, um nome dado pela Anatel aos novos serviços de telefonia móvel terrestre que foram oferecidos aos consumidores, a partir de 2001, com a operação das concessionárias das bandas C, D e E. 75 Diante dos valores obtidos, decidimos utilizar um terceiro método. O método de previsão empregado é classificado como Método do Último Período. Apesar da sua fácil aplicabilidade mostrou ser um método eficiente e viável para ser utilizado na realidade do estoque da empresa Multcard, devido às suas características do consumo dos produtos da empresa, que pode aumentar ou diminuir seu volume drasticamente no decorrer de um período. Verificamos essa diferença na tabela 04 ilustrada abaixo: Tabela 4: Tabela demonstrativa de métodos de previsão utilizados. Produto Cartão T10 Vivo de 10 Método da média aritmética (MMA) Método da média ponderada (MMP) Método do último período (MUP) 37.642 unidades 9.705 unidades 7.333 unidades 10.889 unidades 3.118 unidades 1.200 unidades 1.992 unidades 697 unidades 150 unidades unidades. Cartão Brasil Telecom SMP de 14 unidades. Cartão residencial Brasil Telecom de 15 unidades. Fonte: Multcard Cartões Se observarmos na tabela 04 os valores obtidos dos produtos com o emprego dos métodos da média aritmética e da média ponderada, é demonstrada uma elevação bastante significativa em comparação ao emprego do método do último período. Talvez a utilização desses dois métodos de previsão nos produtos discriminados acima com seus respectivos valores impetrados, poderia causar a empresa um excesso de estocagem de produtos devido a não existência de demanda suficiente no mercado. Sendo assim, após a aplicação dos métodos de previsão, a escolha e a utilização do método adequado poderá auxiliar a empresa analisada na solução de problemas imediatos como à previsão de futuras tendências, ciclos ou sazonalidades que estão sujeitos os seus produtos comercializados. O método do último período foi considerado um método simples, eficiente e que requer uma quantidade mínima de dados, tornando-se auto-adaptável para ser utilizado no momento, em função da realidade da empresa Multcard Cartões, dada à inexistência de um controle mais efetivo do seu estoque e da ausência de dados relativos aos três segundos semestres de 2005, 2006 e 2007. 76 7. CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES Com base nos resultados apresentados, um correto gerenciamento de estoques pode fornecer subsídios para que as empresas possam melhorar a sua rentabilidade, maximizando o seu lucro e minimizando os seus custos, oferecendo seus produtos e serviços de forma competitiva. Resgatando os objetivos que foram propostos no início desse trabalho, que eram de analisar a gestão de estoques, fazer a identificação dos eventuais problemas encontrados e sugerir medidas de correção, constatamos durante a análise no estoque da empresa Multcard Cartões Gama no primeiro semestre de 2005, 2006 e 2007 a existência de irregularidades no seu estoque com ênfase na quantidade e no tempo de permanência em demasia de alguns itens estocados. Esses fatores citados acabaram acarretando um valor estagnado total de R$ 41.805,45 (quarenta e um mil e oitocentos e cinco reais e quarenta e cinco centavos). Como afirma Viana (2008), esse valor estagnado poderia ser investido em outro segmento da organização que poderia necessitar com urgência. A título de exemplo, aplicamos o índice da poupança para ilustrar a perda da empresa no período. Outro problema diagnosticado foi com relação ao sistema de controle de estoque da empresa (Cetros), que apresentou informações incorretas de alguns produtos referentes a contabilização destes evidentemente causados por erros de lançamentos no sistema. Torna-se necessário uma avaliação por parte da empresa do seu sistema de controle de estoques, verificando os problemas referentes a contabilização dos seus produtos, procurando saná-los com a empresa responsável. Como forma de corrigir os problemas relacionados ao estoque desta empresa, em especial o valor estagnado, aplicamos três métodos de previsão de demanda, onde o Método do Último Período, método este selecionado trouxe resultados considerados eficientes, devido às características do consumo dos produtos da empresa, que podem aumentar ou diminuir seu volume drasticamente no decorrer de um período. O Método do Último Período foi considerado um método simples e eficiente tornando-se auto-adaptável para ser utilizado na realidade da empresa Multcard Cartões nesse momento. Para o futuro, seria de se utilizar as ferramentas disponibilizadas pelo sistema e reavaliar 77 periodicamente o método utilizado, pois um maior controle poderá possibilitar a utilização de um método mais eficiente. Desta forma, mostramos a importância e a necessidade de uma correta gestão de estoques que não deve ser esquecida, por ser um fator primordial no ambiente competitivo que as empresas vivem atualmente. 78 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARNOLD, J. R. Tony. Administração de materiais: uma introdução. 1 ed. São Paulo: Atlas, 1999. BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. tradução: Hugo T. Y. Yoshizaki. 1ª ed. São Paulo: Bookman, 1993. BOWERSOX, Donald J; CLOSS, David J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimento. 1 ed. São Paulo: Atlas, 2001. CHING, Hong Yuh. Gestão de estoques na cadeia de logística Integrada – supply chain. 3 ed. São Paulo: Atlas, 2006. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 4 ed. São Paulo: Atlas, 1993. FORTUNA, Eduardo, Mercado financeiro: produtos e serviços. 15 ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. KOBAYASHI, Shun'ichi. Renovação da logística: como definir estratégias de distribuição física global. 1 ed. São Paulo: Atlas, 2000. MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS Eva Maria – Fundamentos de metodologia científica. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2005. MARTINS, Petrônio Garcia, ALT, Paulo Renato Campos. Administração de materiais e recursos patrimoniais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2006. OLIVEIRA, Djalma Pinho de Rebouças de. Sistemas organização e métodos. 15 ed. São Paulo: Atlas, 2005. POZO, Hamilton. Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2001. SLACK Nigel, STUART Chambers, CHRISTINE Harland, ALAN Harrison, ROBERT Johnston. Administração da Produção. 2 ed. São Paulo: Atlas, 2002. VIANA, João José. Administração de materiais: um enfoque prático. 1 ed. São Paulo: Atlas, 2008. 79 Sítios: Conceitos de tecnologias gsm e cdma. http://www.clubedohardware.com.br/artigos/104. Disponível em: Acesso em: maio de 2008. Exército Brasileiro. A evolução do apoio logístico no exército brasileiro. Disponível em: www.exercito.gov.br/01instit/Historia/Artigos/0031605.htm. Acesso em: abril de 2006. Informações sobre Disponível em: o funcionamento dos cartões telefônicos. http://www.brasiltelecom.com.br/home/home.do;jsessionid=0a3db1fecea5c 15cbcf802d489ba237adf5f2f55fbf.mBfynxiLaN0ImB9vqQzGr6jGnkbJpgTxp QOImB8UaNaKbxD3lN4K-xmL-x4RbMSMbheImkmSaNiSx4LaQ8QmQ5zbN4NwOSa30K8Q5NnBrKq79yahqImBfynxiLaN0ImB9vqQz Gr6jGnkbJpgTxpQOImB8xahqNb3uKbhiKcgb48OX3b4Dti79zg6XHngbynkn vrkLOlQzNp65In0. Acesso em: maio de 2008. Refinarias da petrobras situadas no estado de São Paulo. Dissertação de mestrado em administração da produção. Disponível em: http://www.google.com.br/search?hl=ptR&q=Silveira%2C+Cezar+Augusto+da.+Centraliza%C3%A7%C3%A3o+de +Estoques+de+Materiais+para+as&btnG=Pesquisa+Google&meta=lr%3Dla ng_pt. Acesso em: 09 de março de 2007. 80 9. ANEXOS 81 ANEXO 1 Controle de estoque da empresa Multcard 1º semestre de 2005 CUSTO UNIDADE ESTOQUE INICIAL ENTRADAS TOTAL DE SAÍDAS ESTOQUE FINAL REST. R$ NO ESTOQUE FINAL 8,9 6500 312508 285908 26600 236.740,00 47651,33 0,5582 424.096,84 2 T15 VIVO 15 CI40 CARTÃO 3 INDUTIVO DE 40 ÚNICO CARTÃO SMP 4 10 CI40E CARTÃO 5 INDUTIVO DE 40 ÚNICO CARTÃO SMP 6 14 CI20 CARTÃO 7 INDUTIVO DE 20 13,35 1630 57279 54079 3200 42.720,00 9013,167 0,3550 120.325,78 4,18 64361 148755 147501 16279 68.046,22 24583,5 0,6622 102.759,03 8,9 5377 66595 66593 2 17,80 11098,83 0,0002 98.779,59 4,13 8232 111069 111067 13 53,69 18511,17 0,0007 76.451,13 12,6 3280 26538 26832 300 3.780,00 4473 0,0671 56.359,80 2,11 76840 155467 153482 8644 18.238,84 25580,33 0,3379 53.974,50 8 T25 VIVO 25 ÚNICO CARTÃO SMP 9 20 CARTÃO 10 RESIDENCIAL 15 unid. CARTÃO 11 RESIDENCIAL 20 22,25 1260 14674 12974 1700 37.825,00 2162,333 0,7862 48.111,91 17,8 400 4125 4125 0 - 687,5 0,0000 12.237,50 13,65 310 3215 3015 200 2.730,00 502,5 0,3980 6.859,13 18 330 1560 1630 0 - 271,6667 0,0000 4.890,00 4,45 500 7425 6225 1200 5.340,00 1037,5 1,1566 4.616,88 5,83 252 2006 2254 2 11,66 375,66 0,0053 2.190,10 12,46 1304 657 857 0 - 142,83 0,0000 1.779,66 26,7 110 55 115 0 - 19,1666 0,0000 511,75 21,87 180 60 120 0 - 20 0,0000 437,40 4,5 534 108 286 2 9,00 47,6666 0,0420 214,50 26,7 0 33 33 0 - 5,5 0,0000 146,85 44,5 10 13 13 0 - 2,1666 0,0000 96,41 2,09 0 0 0 0 - 0 0,00 2,89 0 0 0 0 - 0 0,00 7,04 0 0 0 0 - 0 0,00 7,74 0 0 0 0 - 0 0,00 52,8 0 0 0 0 - 0 0,00 13,35 0 0 0 0 - 0 0,00 31,15 0 0 0 0 - 0 0,00 44,5 0 0 0 0 - 0 0,00 877.109 58.142 R$ 415.512,21 146.185,82 R$ 1.014.838,74 ITEM CÓDIGO DISCRIMINAÇÃO 1 T10 VIVO 10 12 15 T05 VIVO 05 CI60 BRASIL TELECOM 60 LIG CARTÃO HIBRIDO 14 CARTÃO RESIDENCIAL 30 16 CARTÃO HIBRIDO 25 17 26 CHIP CHIP GSM ÚNICO CARTÃO SMP 30 ÚNICO CARTÃO SMP 50 CI20E CARTÃO INDUTIVO DE 20 CI30 CARTAÕ INDUTIVO DE 30 CI75E CARTÃO INDUTIVO 75 CI70E CARTÃO INDUTIVO DE70 CARTÃO RESIDENCIAL PRÉ ÚNICO CARTÃO SMP 15 ÚNICO CARTÃO SMP 35 27 T50 VIVO 50 13 14 18 19 20 21 22 23 24 25 TOTAL R$ 434,44 MMC PREV. D. ESTOQUE MMC X CUSTO UNITÁRIO 82 Controle de estoque da empresa Multcard 1º semestre de 2006 ITEM CÓDIGO DISCRIMINAÇÃO 1 T10 VIVO 10 ÚNICO CARTÃO SMP 2 14 3 T15 VIVO 15 CI40 CARTÃO 12 INDUTIVO DE 40 4 T25 VIVO 25 CI40E CARTÃO 5 INDUTIVO DE 40 ÚNICO CARTÃO SMP 6 20 CARTÃO 7 RESIDENCIAL 15 CI20E CARTÃO 8 INDUTIVO DE 20 CI20 CARTÃO 9 INDUTIVO DE 20 CI75E CARTÃO 10 INDUTIVO DE 75 CARTÃO 11 RESIDENCIAL 20 13 14 15 T50 VIVO 50 LIG CARTÃO HIBRIDO 14 26 T05 VIVO 05 ÚNICO CARTÃO SMP 30 ÚNICO CARTÃO SMP 50 CARTÃO HIBRIDO 25 (LIG-MIX) CARTÃO RESIDENCIAL 30 CI60 BRASIL TELECOM 60 CI30 CARTAÕ INDUTIVO DE 30 CI70 CARTÃO INDUTIVO 70 CARTÃO RESIDENCIAL PRE ÚNICO CARTÃO SMP 10 ÚNICO CARTÃO SMP 15 ÚNICO CARTÃO SMP 35 27 CHIP CHIP GSM 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 TOTAL CUSTO UNIDADE 8,9 12,6 13,35 4,18 22,25 4,13 17,8 13,65 2,09 2,11 7,04 18 44,5 12,46 4,45 26,7 44,5 21,87 ESTOQUE INICIAL 41050 ENTRADAS 480513 17270 163690 8350 88110 16918 181344 4200 23005 2500 116940 680 453 200 22530 2500 12360 4885 95112 6020 15828 200 5380 600 935 1360 2850 6300 5305 680 453 110 173 390 250 40 53 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 26,7 5,83 2,89 7,74 52,8 8,9 13,35 31,15 4,5 R$ 434,42 ESTOQ UE FINAL TOTAL DE SAÍDAS REST. R$ NO ESTOQUE FINAL MMC PREV. D. ESTOQUE MMC X CUSTO UNITÁRIO 391551 4000 35600 65258,3 0,0613 580.798,87 169120 70 882 28186,67 0,0025 355.152,04 89260 500 6675 14876,67 0,0336 198.603,54 180429 4583 19156,94 30071,5 0,1524 125.698,87 22605 400 8900 3767,5 0,1062 83.826,88 112440 5500 22715 18740 0,2935 77.396,20 21980 190 3382 3663,333 0,0519 65.207,33 22430 100 1365 3738,333 0,0267 51.028,25 120601 4000 8360 20100,17 0,1990 42.009,36 94670 5526 11659,86 15778,33 0,3502 33.292,28 13980 2248 15825,92 2330 0,9648 16.403,20 5280 100 1800 880 0,1136 15.840,00 835 100 4450 139,1667 0,7186 6.192,92 2750 200 2492 458,3333 0,4364 5.710,83 4805 800 3560 800,8333 0,9990 3.563,71 520 3 80,1 86,6666 0,0346 2.314,00 173 10 445 28,8333 0,3468 1.283,08 210 90 1968,3 35 2,5714 765,45 48 5 133,5 8 0,6250 213,60 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 8 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 9 0 2.134.482 36.671 R$ 564.992,49 355.746,45 0,1031 R$ 1.665.300,40 83 Controle de estoque da empresa Multcard 1º semestre de 2007 ESTOQUE FINAL REST. R$ NO ESTOQUE FINAL 310.542,00 1178 15.726,30 51.757,00 0,0228 690.955,95 80.195,00 2500 37.825,00 13.365,83 0,1870 202.225,06 157.836,00 34848 145.664,64 26.306,00 1,3247 109.959,08 30901 29.630,00 1350 32.440,50 4.938,33 0,2734 118.668,15 2441 18100 39462 84700 39.605,00 100 1.780,00 6.600,83 0,0151 117.494,83 85.800,00 2900 11.977,00 14.300,00 0,2028 59.059,00 7,04 5650 31345 31.350,00 0 - 5.225,00 0,0000 36.784,00 2,11 30782 67506 68.240,00 680 1.434,80 11.373,33 0,0598 23.997,73 13,65 706 10515 10.415,00 100 1.365,00 1.735,83 0,0576 23.694,13 2,09 5500 63600 61.920,00 1680 3.511,20 10.320,00 0,1628 21.568,80 12,46 211 8473 8.684,00 0 - 1.447,33 0,0000 18.033,77 6,96 2820 7540 10.360,00 0 - 1.726,67 0,0000 12.017,60 18,00 887 3177 3.167,00 10 180,00 527,83 0,0189 9.501,00 T50 VIVO 50 44,50 497 1243 1.214,00 90 4.005,00 202,33 0,4448 9.003,83 15 CARTÃO HIBRIDO 25 21,87 0 903 903,00 0 - 150,50 0,0000 3.291,44 16 13,28 614 1485 1.485,00 0 - 247,50 0,0000 3.286,80 31,15 450 727 631,00 96 2.990,40 105,17 0,9128 3.275,94 26,70 125 262 332,00 0 - 55,33 0,0000 1.477,40 19 LIG MIX 15 ÚNICO CARTÃO SMP 35 ÚNICO CARTÃO SMP 30 ÚNICO CARTÃO SMP 50(GSM) 44,50 363 363 187,00 67 2.981,50 31,17 2,1497 1.386,92 20 CHIP CHIP GSM 4,50 481 1483 1.370,00 165 742,50 228,33 0,7226 1.027,50 21 T05 VIVO 05 4,45 1135 135 348,00 150 667,50 58,00 2,5862 258,10 22 LIG MIX 30 26,25 348 348 54,00 90 2.362,50 9,00 10,0000 236,25 23 T10 VIVO 10 8,90 204 204 104,00 0 - 17,33 0,0000 154,27 24 T15 VIVO 15 ÚNICO CARTÃO SMP 14 13,35 85 85 45,00 0 - 7,50 0,0000 100,13 12,60 86 86 44,00 0 - 7,33 0,0000 92,40 T25 VIVO 25 CARTÃO RESIDENCIAL 30 CARTÃO RESIDENCIAL PRE CI60 BRASIL TELECOM 60 CI30 CARTÃO INDUTIVO DE 30 CI70 CARTÃO INDUTIVO 70 ÚNICO CARTÃO SMP 10 22,25 29 3 16,00 0 - 2,67 0,0000 59,33 26,70 0 3 3,00 0 - 0,50 0,0000 13,35 52,80 0 3 1,00 1 52,80 0,17 6,0000 8,80 5,83 0 2 2,00 0 - 0,33 0,0000 1,94 2,89 0 0 - 0 - - - 7,74 0 0 - 0 - - - 0 0 ITEM CÓDIGO DISCRIMINAÇÃO ÚNICO CARTÃO SMP 1 15 CUSTO UNIDADE ESTOQUE INICIAL ENTRADAS 13,35 9554 3111720 15,13 8962 4,18 80966 82290 166673 4 T27 VIVO27 ÚNICO CARTÃO SMP 5 20 CI40E CARTÃO 6 INDUTIVO DE 40 CI75E CARTÃO 7 INDUTIVO 75 CI20 CARTÃO 8 INDUTIVO DE 20 CARTÃO 9 RESIDENCIAL 15 CI20E CARTÃO 10 INDUTIVO DE 20 LIG CARTÃO HIBRIDO 11 14 CI75 CARTÃO 12 INDUTIVO CARTÃO 13 RESIDENCIAL 20 24,03 3874 17,80 14 2 T17 VIVO 17 CI40 CARTÃO 3 INDUTIVO DE 40 17 18 25 26 27 28 29 30 31 32 TOTAL 4,13 8,90 R$ 520,09 0 TOTAL DE SAÍDAS R$ 04.483,00 0 46.005 MMC R$ 265.706,64 PREV. D. ESTOQUE R$ 50.747,17 MMC X CUSTO UNITÁRIO R$ 1.467.633,50 84 Tabela de aplicação dos métodos de previsão de demanda MMP MMP CÓDIGO CUSTO (0,2) (0,3) MMP (0,5) SOMA.T MMP MMA MMA MMA SOMAT. MMA MUP MUP MUP SOMAT. MUP DISCRIMINAÇÃO UNIDADE 2005 2006 2007 MMP TOTAL 2005 2006 2007 MMA TOTAL 2005 2006 2007 MUP TOTAL 112.926,9 1 T10 VIVO 10 8,9 9.530,27 19.577,49 8,67 29.116,43 9.705,48 47.651,33 65.258,30 17,33 6 37.642,32 18.000,00 4.000,00 - 22.000,00 7.333,33 4,18 4.916,70 9.021,45 13.153,00 27.091,15 9.030,38 24.583,50 30.071,50 26.306,00 80.961,00 26.987,00 16.279,00 12.827,00 23.500,00 52.606,00 17.535,33 2,11 5.116,07 4.733,50 5.686,67 15.536,23 5.178,74 25.580,33 15.778,33 11.373,33 52.731,99 17.577,33 8.644,00 5.526,00 21.000,00 35.170,00 11.723,33 13,35 - - 25.878,50 25.878,50 8.626,17 - - 51.757,00 51.757,00 17.252,33 - 100,00 1.600,00 1.700,00 566,67 CI40 CARTÃO INDUTIVO 2 DE 40 CI20 CARTÃO INDUTIVO 3 DE 20 4 ÚNICO CARTÃO SMP 15 CI40E CARTÃO INDUTIVO 5 DE 40 4,13 3.702,23 5.622,00 7.150,00 16.474,23 5.491,41 18.511,17 18.740,00 14.300,00 51.551,17 17.183,72 13,00 5.500,00 3.000,00 8.513,00 2.837,67 6 ÚNICO CARTÃO SMP 14 12,6 894,60 8.456,00 3,67 9.354,27 3.118,09 4.473,00 28.186,67 7,33 32.667,00 10.889,00 900,00 1.700,00 1.000,00 3.600,00 1.200,00 2,09 - 6.030,05 5.160,00 11.190,05 3.730,02 - 20.100,17 10.320,00 30.420,17 10.140,06 - 4.000,00 2.000,00 6.000,00 2.000,00 CI20E CARTÃO INDUTIVO 7 DE 20 8 T15 VIVO 15 13,35 1.802,63 4.463,00 3,75 6.269,38 2.089,79 9.013,17 14.876,67 7,50 23.897,34 7.965,78 3.200,00 500,00 - 3.700,00 1.233,33 9 T17 VIVO17 15,13 - - 6.682,92 6.682,92 2.227,64 - - 13.365,83 13.365,83 4.455,28 - - 2.550,00 2.550,00 850,00 10 ÚNICO CARTÃO SMP 10 8,9 2.219,77 - - 2.219,77 739,92 11.098,83 - - 11.098,83 3.699,61 200,00 500,00 150,00 850,00 283,33 11 ÚNICO CARTÃO SMP 20 17,8 137,50 1.099,00 3.300,42 4.536,91 1.512,30 687,50 3.663,33 6.600,83 10.951,66 3.650,55 - 190,00 200,00 390,00 130,00 7,04 - 699,00 2.612,50 3.311,50 1.103,83 - 2.330,00 5.225,00 7.555,00 2.518,33 - 2.248,00 - 2.248,00 749,33 CI75E CARTÃO INDUTIVO 12 75 13 CARTÃO RESIDENCIAL 15 13,65 100,50 1.121,50 867,92 2.089,91 696,64 502,50 3.738,33 1.735,83 5.976,66 1.992,22 200,00 100,00 150,00 450,00 150,00 14 T25 VIVO 25 22,25 432,47 1.130,25 1,34 1.564,05 521,35 2.162,33 3.767,50 2,67 5.932,50 1.977,50 1.700,00 400,00 - 2.100,00 700,00 15 T27 VIVO27 24,03 - - 2.469,17 2.469,17 823,06 - - 4.938,33 4.938,33 1.646,11 - - 900,00 900,00 300,00 16 LIG CARTÃO HIBRIDO 14 12,46 28,57 137,50 723,67 889,73 296,58 142,83 458,33 1.447,33 2.048,50 682,83 100,00 400,00 - 500,00 166,67 17 T05 VIVO 05 4,45 207,50 240,25 29,00 476,75 158,92 1.037,50 800,83 58,00 1.896,33 632,11 950,00 800,00 150,00 1.900,00 633,33 18 CI75 CARTÃO INDUTIVO 6,96 - - 863,34 863,34 287,78 - - 1.726,67 1.726,67 575,56 150,00 100,00 100,00 350,00 116,67 19 CARTÃO RESIDENCIAL 20 18 54,33 264,00 263,92 582,25 194,08 271,67 880,00 527,83 1.679,50 559,83 - 100,00 200,00 300,00 100,00 20 CI60 BRASIL TELECOM 60 5,83 75,13 - 0,17 75,30 25,10 375,66 - 0,33 375,99 125,33 200,00 - - 200,00 66,67 21 T50 VIVO 50 44,5 - 41,75 101,17 142,92 47,64 - 139,17 202,33 341,50 113,83 - 100,00 80,00 180,00 60,00 22 CHIP CHIP GSM 4,5 9,53 - 114,17 123,70 41,23 47,67 - 228,33 276,00 92,00 2,00 2,00 143,00 147,00 49,00 23 LIG MIX 15 13,28 - - 123,75 123,75 41,25 - - 247,50 247,50 82,50 - - - - - 24 CARTÃO HIBRIDO 25 21,87 4,00 10,50 75,25 89,75 29,92 20,00 35,00 150,50 205,50 68,50 - 90,00 - 90,00 30,00 25 ÚNICO CARTÃO SMP 30 26,7 1,10 26,00 27,67 54,76 18,25 5,50 86,67 55,33 147,50 49,17 - 3,00 - 210,00 70,00 26 ÚNICO CARTÃO SMP 35 31,15 - - 52,59 52,59 17,53 - 105,17 105,17 35,06 - 90,00 117,00 207,00 69,00 27 ÚNICO CARTÃO SMP 50 44,5 0,43 8,65 15,59 24,67 8,22 2,17 28,83 31,17 62,17 20,72 - 10,00 100,00 110,00 36,67 28 CARTÃO RESIDENCIAL 30 26,7 3,83 2,40 0,25 6,48 2,16 19,17 8,00 0,50 27,67 9,22 - 7,00 - 7,00 2,33 29 LIG MIX 30 26,25 - - 4,50 4,50 1,50 - - 9,00 9,00 3,00 - - 78,00 78,00 26,00 52,8 - - 0,09 0,09 0,03 - - 0,17 0,17 0,06 - - - - - 2,89 - - - - - - - - - - - - - - - 7,74 - - - - - - - - - - - - - - - CARTÃO RESIDENCIAL 30 PRE CI30 CARTAÕ INDUTIVO 31 DE 30 CI70 CARTÃO INDUTIVO 32 DE 70 85