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II Congresso Nacional de Formação de Professores
XII Congresso Estadual Paulista sobre Formação de Educadores
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Trabalho Completo
A FORMAÇÃO DOS EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFMT: O QUE NOS
REVELAM OS DADOS SOBRE SUAS DIFICULDADES E DESAFIOS E QUAIS OS
REFLEXOS DO PERCURSO FORMATIVO EM SUA CARREIRA DOCENTE?
Rozilene De Morais Sousa, Izabel Delgado Da Silva Matos, Jessica Lorrayne Ananias Da
Silva, Rosineia Teixeira Ribeiro, Simone Albuquerque Da Rocha, Vilma De Souza Rampazo
Eixo 4 - Políticas de formação de professores
- Relato de Pesquisa - Apresentação Oral
O presente trabalho é fruto de pesquisa realizada pelos membros da equipe do projeto da
UFMT, aprovado no Observatório da Educação/ OBEDUC/ 2013, sobre os egressos da
Pedagogia e suas dificuldades e embates no início da carreira docente. Objetivou
investigar, que resultados apontam a avaliação dos egressos da Pedagogia/UFMT no
ENADE, e que fragilidades manifestam em suas práticas iniciais da docência. Para
compreender melhor o tema, buscou-se saber o que se tem publicado sobre os iniciantes e
investiu-se na busca no banco de dados da Capes e, também, contou-se com entrevistas
aos novos professores. Nessa perspectiva, buscou-se responder as seguintes questões:
que resultados manifestaram os cursos dos iniciantes no ENADE e em que consiste essa
política? O que evidenciam as pesquisas mais recentes sobre a Formação de Professores,
com enfoque aos iniciantes? Quais foram os desafios, dilemas, dificuldades e inseguranças
nos anos iniciais do exercício docente descritos em suas narrativas? O resultado obtido na
avaliação do Enade repercute nas práticas dos egressos? O que eles manifestam sobre
isso? Pretende- se responder a essas indagações, subsidiando-se na abordagem
qualitativa, e no método (auto) biográfico, adotando as escritas narrativas sobre as
situações iniciais de trabalho docente, com quatro professores egressos do curso de
Pedagogia/UFMT, os quais atuam na rede pública em escolas municipais e estaduais da
cidade de Rondonópolis – MT. Os resultados da pesquisa possibilitaram evidenciar que
ainda existe pouca produção científica sobre professores egressos e nos revelaram
principalmente que os anos iniciais do exercício docente são marcados por (des) caminhos
que deixam marcas ao longo do processo de constituição identitária dos professores
iniciantes-egressos da pedagogia. Palavras-chave: Políticas de avaliação ( ENADE).
Narrativas. Egressos da Pedagogia. Professores iniciantes.
7544
Ficha Catalográfica
A FORMAÇÃO DOS EGRESSOS DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UFMT:
O QUE NOS REVELAM OS DADOS SOBRE SUAS DIFICULDADES E
DESAFIOS E QUAIS OS REFLEXOS DO PERCURSO FORMATIVO EM
SUA CARREIRA DOCENTE?
Rozilene de Morais Sousa; Vilma de Souza Rampazo; Izabel da Silva Delgado;
Rosinéia Teixeira Ribeiro; Jéssica Lorrayne Ananias da Silva. Simone Albuquerque
da Rocha. UFMT. CAPES. INEP. SECADI.
Introdução
A Formação de Professores tem assumido um papel importante nas
últimas décadas, pois de acordo com os estudos realizados por André (2002),
na década de 90 havia apenas 6% das pesquisas educacionais e nos
primeiros anos do século XXI correspondia a 25% da produção científica na
área da educação. A autora ressalta que a maior mudança ocorreu,
principalmente com relação aos conteúdos sendo que o professor começa a
ocupar um lugar de destaque ao ser investigado quando ganham espaços
temas como “suas opiniões, representações, saberes e práticas, assim como
o processo de constituição de sua identidade profissional” (ANDRÉ, 2006, p.
21).
Já nos últimos cinco anos, segundo evidenciam estudos de Sousa e
Rocha (2013) as produções científicas que versam sobre a Formação de
Professores, em nível de mestrado aumentaram 13,35 % no período de 2008
a 2012 e no caso das teses de doutorado, o crescimento foi mais significativo,
atingindo 70,33% no que tange a temática Formação de Professores.
Assim nesse panorama de produções acadêmicas, observamos a
tônica voltada para a Formação de Professores, devido à importância que
esse ator possui no palco da Educação.
No entanto, ao nos referirmos aos professores egressos, ainda há
pouca produção científica.
A Formação Docente imersa à complexidade e às transformações da
sociedade contemporânea exige cada vez mais dos cursos de formação,
conhecimento científico e pedagógico, pesquisa, investigação, criatividade,
posturas éticas e políticas. Além disso, uma análise que possa aproximar
efetivamente o profissional da dimensão social da profissão docente.
Consideramos que as políticas públicas educacionais influenciam de
maneira significativa os objetivos e a finalidade da Educação
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7545
O presente trabalho é fruto de pesquisa realizado com o apoio do
Programa Observatório da Educação, da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior – CAPES/INEP/SECADI Brasil, intitulado
“Egressos da Licenciatura em Pedagogia e os Desafios da Prática em
Narrativas: a Universidade e a Escola em um processo interdisciplinar de
inserção do professor iniciante na carreira docente”, Objetivou investigar, que
resultados apontam a avaliação dos egressos da Pedagogia/UFMT no
ENADE, e que fragilidades manifestam em suas práticas iniciais da docência.
Para compreender melhor o tema, buscou-se saber o que se tem publicado
sobre os iniciantes e investiu-se na busca no banco de dados da Capes e,
também,
contou-se
com entrevistas
aos
novos professores.
Nessa
perspectiva, buscou-se responder as seguintes questões: que resultados
manifestaram os cursos dos iniciantes no ENADE e em que consiste essa
política? O que evidenciam as pesquisas mais recentes sobre a Formação de
Professores, com enfoque aos iniciantes? Quais foram os desafios, dilemas,
dificuldades e inseguranças nos anos iniciais do exercício docente descritos
em suas narrativas? O resultado obtido na avaliação do Enade repercute nas
práticas dos egressos? O que eles manifestam sobre isso? Pretende- se
responder a essas indagações, subsidiando-se na abordagem qualitativa, e
no método (auto) biográfico, adotando as escritas narrativas sobre
as
situações iniciais de trabalho docente, com quatro professores egressos do
curso de Pedagogia/UFMT, os quais atuam na rede pública em escolas
municipais e estaduais da cidade de Rondonópolis – MT. Para tal, nos
embasamos teoricamente em algumas reflexões no âmbito das Políticas
Educacionais, na Formação de Professores e a constituição da identidade
docente, Inep, investigando sobre o ENADE e nos autores André (2002),
Almeida (2006), Imbernón (2011), Roldão (2007), Bueno, Kalmus, Furlan,
Franco (2000), Duran (2012), Marcelo (1999;2009), Nóvoa (1995;2000),
Franco (2000),Passegi (2008), Cavaco (1995), Silva (1997), Souza (2008),
Josso (2004,2008)), Rocha e André (2010), Pienta (2006), Papi e Martins
(2010),Sousa e Rocha (2013), dentre outros.
Para o desenvolvimento desse trabalho adotamos a abordagem
qualitativa e o método (auto) biográfico. Utilizamos como instrumentos as
escritas narrativas, as quais foram adequadas para que os quatro sujeitos,
professores egressos do curso de Pedagogia/UFMT, Campus Universitário de
Rondonópolis, pudessem narrar sobre suas situações iniciais de trabalho
docente, nas escolas públicas.
2
7546
Políticas Públicas Educacionais: o ENADE
Ao analisarmos o quadro de políticas públicas de formação de
professores na América Latina em países como Chile, México, Argentina e no
Brasil, verificamos que foram atingidos por uma onda de reformas
educacionais que objetivavam uma adaptação às mudanças exigidas pela
revolução tecnológica e de ordem econômica (BUENO; KALMUS; FURLAN;
DURAN; 2012).
Nesse panorama contextual, queremos ressaltar a avaliação da
formação inicial do professor, considerando que, a educação universitária
teve avanços significativos ao longo dos anos e, com isso, a forma de avaliar
os cursos, também se alterou.
O Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) é um dos
procedimentos utilizados para avaliar as instituições do Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Superior (SINAES), o qual foi aplicado pela primeira
vez em 2004, substituindo o Provão. Nessa perspectiva, realizamos um
recorte a aplicação e resultados desse exame ao curso de Pedagogia da
Universidade
Federal
de
Mato
Grosso,
Campus
Universitário
de
Rondonópolis/MT.
De acordo com os dados do Relatório de Autoavaliação Institucional
2012 da Universidade Federal de Mato Grosso, desde 2005 a 2011, o índice
Geral de Cursos (IGC), que é um indicador de qualidade dos cursos ofertados
por Instituições de Educação Superior, o Campus de Rondonópolis
apresentou nota 3,0 (três). Recentemente obteve nota 4,0. No entanto, nos
ateremos a análise se dará na formação que teve a primeira nota citada.
Tendo o resultado do ENADE evidenciado nas buscas ao INEP,
investimos então na produção científica sobre o tema de nossa pesquisa para
melhor compreender sobre os temas investigados ultimamente.
Professores Iniciantes e o cenário das pesquisas nos dados da
Capes
O que nos move aos estudos sobre a Formação de Professores são
nossas inquietações, pois remetem a reflexões e desvelam a necessidade de
mudanças e transformações no cenário atual da Educação, que de acordo
com Roldão (2007), se eximir dessas ações, é ser incapaz de responder as
exigências da realidade e tornar-se prisioneiro de rotinas.
3
7547
Segundo pesquisa realizada no período de 2000 a 2007 no banco de
dados da Capes por Papi e Martins (2010, p.7), a produção científica
referente ao professor egresso e os seus anos iniciais na docência
“corresponde a 0,5% dos estudos realizados na área da educação, revelando
a demanda por mais investigações” nesse âmbito.
Recentemente uma pesquisa realizada por Sousa e Rocha (2013), a
partir do banco de dados da Capes durante o período de 2008 a 2012,
revelou que apenas 0,93% das dissertações e 0,47% das teses produzidas no
Brasil versam sobre essa temática.
Esses dados servem para que pesquisadores possam ser instigados a
investir em pesquisas que tenham como foco o professor egresso no início de
sua carreira docente, tendo em vista que, segundo Tardif (2002, p.84) “é um
período muito importante da história profissional do professor, determinando
inclusive seu futuro e sua relação com o trabalho”.
A pesquisa foi desenvolvida, tendo como temporalidade, cinco anos de
produções, de 2008 a 2012, tendo em vista que em muitos programas, em maio de
2013 quando do desenvolvimento do presente levantamento, não havia produções
atualizadas lançadas no banco de dados.
Quadro 01- Resultado das buscas com os respectivos descritores das
dissertações nas bases da Capes
Ano de Publicação
Descritores
2008
2009
2010
2011
2012
Formação de Professores
1194
1218
1204
1295
1378
Formação Inicial de Professores
236
231
254
261
286
Formação do Professor Iniciante
12
10
10
12
15
Formação Continuada do professor
iniciante
06
05
01
04
06
Formação Continuada do professor
egresso
11
08
09
13
04
Aprendizagem da docência do
professor iniciante
02
03
-
-
03
Aprendizagem da docência do
professor egresso
02
02
03
02
01
Inclusão do professor na escola
01
02
-
-
01
Fonte: Elaborado pelas autoras Sousa;Rocha, a partir do banco de dados de dissertações
da Capes, em 2013.
4
7548
Em uma análise breve, é possível observar que as produções obtiveram
um crescimento de 13,35%. Mas a respeito do J Professor Iniciante observou-se
apenas 20% no mesmo período. Assim sendo, dentro dessa totalidade, apenas
0,93% são respectivas aos iniciantes-egressos das licenciaturas. Já no que tange
as teses, observa-se o seguinte:
Quadro 02- Resultado das buscas com os respectivos descritores das teses
nas bases da Capes
Descritores
Ano de Publicação
2008
2009
2010
2011
2012
Formação de Professores
294
324
361
375
418
Formação Inicial de Professores
55
59
76
73
94
Formação do Professor Iniciante
03
02
04
05
02
Formação continuada do professor
iniciante
01
-
-
03
-
Formação Continuada do professor
egresso
03
02
02
03
02
Aprendizagem da
professor iniciante
docência
do
-
01
02
-
-
Aprendizagem da
professor egresso
docência
do
-
-
01
01
01
01
-
-
-
-
Inclusão do professor na escola
Fonte: Fonte: Elaborado pelas autoras Sousa;Rocha, a partir do banco de dados de
dissertações da Capes em 2013.
Em nível de doutorado durante esse mesmo período houve um
aumento significativo em relação à Formação Continuada chegando ao
percentual de 70,33%, no cômputo geral. Mas quando se trata da formação
do professor iniciante os dados acima nos apontam que somente 0,47%
dessas produções, demonstrando ser esta ainda uma temática pouco
explorada no que corresponde aos estudos e pesquisas científicas.
Observou-se então, nessa primeira busca aos dados da Capes, o quanto é
escassa a produção científica sobre os professores iniciantes. O outro
instrumento que subsidiou a pesquisa, foi a entrevista, cujos resultados,
consideramos narrativas.
5
7549
As Narrativas dos sujeitos permeando os estudos
Compreendemos que a formação docente hoje não pode mais se
restringir às atividades de sala de aula. Nesse sentido corroboramos com
Imbernón (2011) quando ressalta que a formação docente na atualidade
assume um papel que vai além do ensino científico pedagógico e didático,
desde que possibilite a participação e reflexão para que os profissionais
aprendam também a conviver com as incertezas e os processos de
mudanças que são constantes no processo educativo/ formativo. E, segundo
o autor, isso requer uma nova formação: inicial e permanente de professores.
Nos estudos de Souza (2008) encontramos que a partir do final da
década de 70 os métodos biográficos das práticas de formação, os memoriais
e escritas de si, são inseridos no cenário da pesquisa educacional,
confrontando-se com os métodos tradicionais dominantes vigentes.
Segundo Passegi (2008, p.36), “[...] fixar na escrita aquilo que se
busca no ar, nas lembranças, nas vivências, o que parece fugir e escapar, é
um trabalho, ao mesmo tempo que sedutor e formador, laborioso e
desafiador”.
Essa
característica
nos
move a
buscar a
abordagem
autobiográfica como instrumento pedagógico de investigação que permite a
obtenção de questões pertinentes aos processos formativos de aprendizagem
da profissão docente, experiências e modos de narrar a própria história de
vida nas dimensões pessoal e profissional, individual e /ou coletiva.
Além disso, estão em constante movimento e essa expectativa de
inconclusão, de inacabamento e de possibilidade é o que revela sua
importância para a formação, porque pode proporcionar aos sujeitos da
pesquisa uma reflexão sobre o seu caráter existencial, podendo:
[...] ser uma mediação de conhecimento de si em sua
existencialidade, que oferece à reflexão de seu autor
oportunidades de tomada de consciência sobre seus diferentes
registros de expressão e de representações de si, assim como
sobre as dinâmicas que orientam a a formação. (JOSSO, 2008,
p.27).
Portanto, afirma a autora que, independente dos procedimentos
adotados para sua construção, a narrativa de formação “[...] oferece-se como
uma experiência formadora em potencial” (JOSSO, 2004,p.40).
Pressupostos semelhantes são apresentados também por Rocha e
André (2010) quando caracterizam as escritas de si como narrativas
reflexivas, críticas e reconstrutivas que revelam sentimentos, emoções e
6
7550
vivências que são constitutivas dos sujeitos em seus processos de
constituição
identitária
e/ou
percursos
da
profissionalidade
docente,
evidenciando seus modos de pensar, sentir, analisar e agir.
Nesta parte do texto, em que escrevemos permeando estudos de
autores com dados da pesquisa, trazemos as narrativas autobiográficas de
quatro sujeitos com os seguintes pseudônimos: N1; N2; N3 e N4. Esses são
egressos do curso de Pedagogia da UFMT, Campus de Rondonópolis/MT e
estão atuando em escolas da rede pública municipais e estaduais. A coleta
dos dados foi feita por meio de um questionário com questões abertas,
entregue pessoalmente aos sujeitos, explicando-se o objetivo da pesquisa.
De posse dos resultados registrados no instrumento, procedeu-se à leitura
dos mesmos para a análise dos dados, focando três eixos: 1º. Preparo do
professor egresso para iniciação a docência; 2º. Desafios, dificuldades e
dilemas enfrentados no início da carreira docente pelos egressos; 3º.
Percepções dos professores iniciantes sobre suas práticas e seu processo de
inserção na carreira, sua identidade com a profissão.
Por isso, a abordagem dos (des) caminhos trilhados pelos egressos na
carreira docente é muito significativa, pois segundo Pienta (2006, p.106), “o
período da iniciação a docência é uma fase crítica em relação às experiências
anteriores”. Isso porque o egresso se depara com desafios, dilemas,
angústias, dificuldades e inseguranças nos anos iniciais do exercício docente.
É o que evidenciam as narrativas de N1 e N2:
A pedagogia ofereceu poucas contribuições sobre a Escola
Organizada em Ciclos de Formação Humana. (N1, janeiro/2014)
Fui alfabetizada nos moldes tradicionais e até então não tinha
conhecimento sobre o Ciclo de Formação Humana. (N2,
janeiro/2014).
Os trechos acima nos mostram que o desconhecimento da realidade
dos princípios de ensino e aprendizagem que regem a escola pública por
parte dos egressos se torna um complicador para o desenvolvimento da
prática profissional no início da carreira docente, descritos por Franco (2000,
p.34) como “problemas em conduzir o processo de ensino e da
aprendizagem, considerando as etapas de desenvolvimento de seus alunos e
o conteúdo a ser desenvolvido”.
Esses complicadores se agravam mais ainda quando o professor em
início de carreira não teve contato com as Orientações Curriculares do Estado
7
7551
de Mato Grosso, por exemplo, que é um documento norteador das
capacidades de aprendizagem e dos descritores de cada Ciclo, sendo um
instrumento de atividade curricular para o professor. Vejamos o que descreve
N3 e N4, acerca dos desafios, dificuldades e dilemas enfrentados no início da
carreira docente:
A existência de momentos de estudos e de trocas de experiências
com coordenadores pedagógicos e professores experientes antes
de entrarmos na sala de aula ajudaria a gente nesses primeiros
momentos. (N3, janeiro/2014).
As dificuldades sempre aparecem, não só no início, uma delas é
que o colega veterano nos olha com receio por trazermos novas
idéias e metodologias. Outro desafio é elaborarmos vários planos,
pois os alunos estão em níveis diferentes. (N4, janeiro/2014).
As percepções apresentadas por N3 e N4 nos remetem ao
entendimento de que, o professor em início de carreira, se encontra em um
espaço/tempo da atuação profissional nos quais as experiências iniciais da
docência são complexas e, muitas vezes, marcadas por um choque de
realidade. Desse modo, “o professor iniciante cria e aprende na prática em
virtude de uma necessidade, uma vez que existe uma contradição entre o que
aprende na universidade e o que encontra na escola” (PIENTA 2006, p. 110)
e é exatamente nesse o cenário que atua o professor egresso.
Vejamos nas narrativas abaixo:
Acredito que todo o momento que estou na escola é um processo
de construção, principalmente quando sento com meus pares para
tentar achar soluções para os problemas e refletir sobre a prática.
Quando me posiciono sobre algum assunto, quando dialogo com
os meus alunos e conheço as suas histórias. Na verdade, estamos
em processo contínuo. (N3, janeiro/2014).
A “construção da identidade ocorre nas práticas cotidianas, nas
trocas de experiências com os colegas que atuam há mais tempo”.
(N4, janeiro/2014).
Os excertos das narrativas apresentadas pelos egressos coadunam
com Marcelo (2009) quando ressalta que a construção do eu profissional é
permeada por aspectos pessoais, sociais e cognitivos, portanto, de acordo
com o autor a identidade é relacional e não algo que se possua, mas que se
desenvolve durante a vida de cada um. Dessa forma, a identidade não é um
produto, mas um espaço de construção, de maneiras de ser e estar na
profissão, caracterizada pela maneira que cada um se sente e se diz
professor (NOVOA, 1995). É necessário favorecermos, segundo Almeida
8
7552
(2006, p.184) o “desenvolvimento de uma nova cultura profissional sustentada
na cooperação, na parceria, na troca e no apoio mútuo”. Por isso, um fator
relevante para a inserção dos egressos na carreira docente é a existência da
formação continuada na escola.
Tecendo algumas considerações ou inconclusões...
A questão da formação do professor egresso precisa ter um olhar mais
atencioso das políticas públicas educacionais de formação de professores,
principalmente em se tratando das avaliativas, pois os dilemas por ele
enfrentados se apresentam como desafios à sua permanência na docência,
entendida para Cavaco (1995, p.39), como “confrontação inicial com a
complexidade da situação profissional”, é um período marcado pela
insegurança, sentimento comum para quem está começando a trilhar a
carreira docente, praticamente impossível de ser mensurado por uma nota do
ENADE, por exemplo. Além disso, as percepções apresentadas pelos
professores egressos nos remetem ao entendimento de que aprender a ser
professor não é algo que se conclui ao final de determinado estudo ou curso.
Dessa forma, os achados da pesquisa evidenciados pelos estudos e
pelas narrativas dos professores egressos do curso de Pedagogia UFMT,
Campus de Rondonópolis, se tornaram reveladores de reflexões sobre a
Formação de Professores Inicial e Continuada. Ainda que de forma sucinta,
traçamos um panorama desse percurso formativo permeado por desafios,
dificuldades, dilemas e aprendizagens ocorridos no processo de inserção dos
egressos no espaço de efetivação da prática docente.
Assim, em consonância com a afirmação de Rampazo (2013)
compreendemos que a identidade pessoal e profissional é caracterizada por
caminhos que trilhamos individualmente e na relação dialética dos processos
interacionais sócio histórico- culturais constituídos ao longo da trajetória
profissional docente.
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11
7555
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II Congresso Nacional de Formação de Professores XII Congresso