www.oabam.org.br A VOZ DO ADVOGADO Informativo da OAB/AM Ano VI – Número 108 / Manaus, Abril de 2014 HISTÓRIA Advocacia resgata memórias da ditadura militar Em 31 de março, o golpe militar de 1964 completou 50 anos. Neste período do cinquentenário, o advogado José Paiva Filho, que dirigiu a OAB/AM ainda durante o regime, relembra a mobilização contra a Ditadura no Estado e a atuação de profissionais da Advocacia que defenderam perseguidos políticos no Amazonas, no período em que vigorou o sistema ditatorial no país, de 1964 a 1985. Págs. 8 e 9 ARBITRAGEM EDUCAÇÃO ENTREVISTA Advogado do Amazonas representa OAB em competição internacional de Arbitragem, ocorrida na China. Comissão OAB vai à escola irá promover ação educativa, em maio, com foco no combate à exploração e abuso sexual infanto-juvenil. Presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB/AM, Christian Naranjo, fala sobre avanços na área. Pág. 3 Pág. 5 Págs. 6 e 7 www.oabam.org.br Manaus, Abril de 2014 EDITORIAL DIRETORIA – TRIÊNIO 2013/2015 Diretores da Seccional: Presidente: ALBERTO SIMONETTI CABRAL NETO Vice-Presidente: MARCO AURÉLIO DE LIMA CHOY Secretária-Geral: IDA MÁRCIA BENAYON DE CARVALHO Secretária-Geral Adjunta: KARINA LIMA MORENO Tesoureiro: JOSÉ CARLOS VALIM Conselheiros Seccionais Titulares: ABRAHIM JEZINI ADRIANA LO PRESTI MENDONÇA ADRIANO FERNANDES FERREIRA ALFREDO JOSÉ BORGES GUERRA ANELSON BRITO DE SOUZA BARTOLOMEU FERREIRA DE AZEVEDO JÚNIOR CAUPOLICAN PADILHA JÚNIOR CELSO ROBERTO CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE CHRISTHIAN NARANJO DE OLIVEIRA DANIEL FÁBIO JACOB NOGUEIRA EZELAIDE VIEGAS DA COSTA ALMEIDA EPITÁCIO DA SILVA ALMEIDA FERNANDA MATOS BADR FRANCISCO RITTA BERNARDINO GISELE FALCONE MEDINA PASCARELLI LOPES GLEN WILDE DO LAGO FREITAS HAMILTON NOVO LUCENA JUNIOR HILEANO PEREIRA PRAIA JANO DE SOUZA MELO JOSÉ DAS GRAÇAS BARROS DE CARVALHO JOSÉ RUSSO NATASJA DESCHOOLMEESTER PLÍNIO HENRIQUE MORELY DE SÁ NOGUEIRA RAIMUNDO DE AMORIM FRANCISCO SOARES RODRIGO WAUGHAN DE LEMOS WALDIR LINCOLN PEREIRA TAVARES Conselheiros Seccionais Suplentes: ADALGISO RODRIGUES SANTANA ALYSSON ANTONIO KARRER DE MELO MONTEIRO ANDRE LUIS FARIAS DE OLIVEIRA ANTÔNIO CARLOS SANTOS DOS REIS BRUNO BIANCHI FILHO CÁSSIO FRANÇA VIEIRA CARLOS DANIEL RANGEL BARRETTO SEGUNDO FÁBIO GOUVEA DE SÁ FABRÍCIO GUERRA FURTADO FRANCISCO MACIEL DO NASCIMENTO GABRIELA BARILE TAVARES HELENITA SILVA BATEMARCO HERALDO MOUSINHO BARRETO JAIME PEREIRA JUNIOR JOÃO PONCE DE LEÃO JUNIOR LILIAN DE SOUZA ATALA LUIS AUGUSTO PESTANA VIEIRA MARIA JOSÉ DE OLIVEIRA RAMOS MÁRIO JORGE SOUZA DA SILVA MICHAEL MACEDO BESSA MICHEL MONTEIRO GIOIA OTACÍLIO NEGREIROS NETO ORLANDO BRASIL DE MORAES PAULO CESAR ESPÍRITO SANTO DE GOUVEA PAULO FERNANDO ALVES MAFFIOLETTI PAULO JOSÉ PEREIRA TRINDADE JÚNIOR RAFAEL VINHEIRO MONTEIRO BARBOSA RAIMUNDO DE AMORIM FRANCISCO SOARES FILHO RODRIGO SILVA RIBEIRO ROOSEVELT JOBIM FILHO SÉRGIO ALBERTO CORRÊA DE ARAÚJO Conselheiros Federais Titulares: EID BADR JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA JOSE ALBERTO RIBEIRO SIMONETTI CABRAL Conselheiros Federais Suplentes: JOÃO BOSCO ALBUQUERQUE TOLEDANO RENATO MENDES MOTA DIRETORIA DA CAA/AM Presidente: ALDENIZE MAGALHÃES AUFIERO Vice-Presidente: MESSIAS DA SILVA SAMPAIO Secretária-Geral: MARIZETE SOUZA CALDAS Secretária-Geral Adjunta: ÁTILA FERREIRA DA SILVA Tesoureiro: MÁRIO BAIMA DE ALMEIDA Conselheiras Fiscais: ADRIANA OLIVEIRA DE AZEVEDO FABIOLA MARIA CARVALHO VASQUES KATHLEEN SENNA DA SILVA Suplentes do Conselho Fiscal: MILCYETE BRAGA ASSAYAG JAQUELINE VEIGA CHRISTINA ALMEIDA DE ARAÚJO 2 Brasil retira velhas mordaças Alberto Simonetti Cabral Neto Presidente da OAB/AM D esde o início da sua história, o Brasil viveu períodos obscuros de desrespeito aos direitos fundamentais do ser humano. A escravidão de negros, que durou mais de 350 anos, e o massacre de povos indígenas ainda na chegada dos estrangeiros ao País, foram alguns dos mais tristes capítulos dos registros históricos nacionais. São dívidas sociais que jamais serão pagas, nem com pedidos públicos de perdão repletos de verborragia. O povo brasileiro também ficou 21 anos na escuridão da Ditadura Militar, cujo golpe completou 50 anos em 31 de março, mas nunca sem lutar pelo direito de liberdade. O período em que a Democracia foi silenciada pela força dos militares ficou marcado pela supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. Em 1964, o presidente João Goulard, eleito pela vontade do povo, foi deposto e o clima de instabilidade e revolta cresceu nos anos que se seguiram, mostrando que os brasileiros defenderiam seus ideais, ainda que o preço a ser cobrado pela insubordinação ao regime fosse muito alto. Muitas vidas foram ceifadas e famílias separadas. A OAB desempenhou, durante toda Ditadura, papel atuante em defesa do restabelecimento do Estado Democrático de Direito. Advogados do Amazonas, como nosso colega Felix Valois e meu saudoso pai Al- berto Simonetti Cabral Filho, também defenderam arduamente perseguidos políticos, assim como outros confrades que igualmente honraram os princípios da Advocacia nessa tarefa. É impossível citar todos os nomes, até em função da deficiência de registros históricos, mas temos convicção de que inúmeros cumpriram arduamente essa missão. Em todo o país, advogados, professores, jovens, artistas, líderes da sociedade civil – dos movimentos estudantis aos sindicais –organizaram-se na tentativa de fazer valer a vontade do povo em detrimento das amarras do regime ditatorial. Ainda muito jovem, lembro-me de que no ano de 1984, o país vivenciou a campanha pelas Diretas Já, que foi uma das mobilizações mais emocionantes da história recente do país, e que anunciava o futuro próximo da nação: a redemocratização. Em 1985, a Democracia, vilipendiada por 21 anos, finalmente voltou ao seu devido lugar. No mês de março, na data em que o golpe militar completou 50 anos, o Conselho Federal da OAB promoveu, em Brasília, o ato público Para Não Repetir. O evento lembrou os 50 anos do golpe militar e prestou justo reconhecimento ao trabalho dos advogados que defenderam aqueles considerados inimigos do sistema em todo o Brasil. É a esses bravos e ao povo brasileiro que rendemos homenagens, nesse cinquentenário de muita dor, mas também de grande aprendizado sobre o valor da liberdade. EXPEDIENTE Av. Umberto Calderaro Filho, nº 2000, Bairro Adrianópolis. CEP 69057-021 (92) 3642-0016 | 3236-6161 [email protected] Coordenação editorial Três Comunicação e Marketing Fotos Cleyde Souza/Arquivo OAB Editoração eletrônica Concept Brands Impressão Graftech Tiragem 7.000 exemplares Manaus, Abril de 2014 www.oabam.org.br INTERNACIONAL Advogado representa Amazonas em competição de Arbitragem na China P ela primeira vez a OAB/AM foi representada na Competição de Arbitragem Internacional, que aconteceu na primeira semana de abril, em Changai, na China. A Ordem foi representada pelo Conselheiro Seccional e vice presidente da Comissão de Mediação, Conciliação e Arbitragem do Conselho Federal da OAB, Daniel Nogueira. Ele foi o primeiro amazonense a participar da competição, já que o Estado nunca havia sido representado por um profissional como árbitro ou estudante. A competição é voltada para alunos de Direito do mundo inteiro, que são testados em relação aos procedimentos arbitrais internacionais. Daniel foi um dos árbitros e julgou os competidores nas etapas eliminatórias, oitavas e quartas de final. “Esse evento foi muito significativo para o Brasil não somente pelo fato do país ser representado no tribunal arbitral (advogados responsável por julgar as equipes), mas por ter quatro equipes representando o país e uma delas passar para as fases classificatórias. Isso mostra que estamos com uma representatividade cada vez maior na arbitragem internacional”, destacou. Todas as competições eram feitas através de simulações de questões envolvendo o comércio internacional, Daniel Nogueira (à esq.) foi um dos árbitros do evento sempre com as aplicações de leis internacionais. Os competidores revezavam os papeis, ora como demandantes e ora como demandados nas questões de comércio. Daniel pontuou a qualidade dos participantes e destacou a equipe do Afeganistão, que era formada exclusivamente por mulheres. “Essas competições interna- cionais estão tomando proporções cada vez maiores. Um estudante que participa do evento está automaticamente credenciado para atuar de maneira marcante no mercado, pois fez uma preparação intensa em Direito Arbitral. O Brasil precisa reconhecer mais a importância dessas competições, pois as simulações credenciam melhor seus profissionais, que ganham destaque internacional”. De acordo com o advogado, o Brasil foi representado pela quarta na vez na competição, sempre por estudantes de universidades do sul e sudeste. “Infelizmente as universidades de Direito de outras regiões do país ainda não se atentaram para a importância dessas competições”. Pensando em estimular os estudantes amazonenses, a OAB planeja ainda para este ano uma competição regional, com leis aplicadas ao Direito brasileiro. “Ainda estamos finalizando o projeto, mas asseguro que vai acontecer nos moldes de qualidade e profissionalismo da competição mundial”, afirmou. Daniel destaca ainda a importância da competição para os profissionais que vão arbitrar o evento. “Esses eventos funcionam como grandes encontros de profissionais que doam tempo e conhecimento aos estudantes. Todos fazem contatos, trocam experiências e acabam agregando ainda mais valor e experiência às suas carreiras”. Marco Civil da Internet representa conquista social, diz advogado A provado pela Câmara dos Deputados, em março, e pelo Senado, em abril, o projeto de Lei 21626/11, conhecido como Marco Civil da Internet, visa estabelecer novas regras, princípios, garantias e deveres em relação à utilização da internet no Brasil. O projeto, de autoria do deputado Alessandro Molon (PT-RJ), já foi sancionado simbolicamente pela presidente Dilma Rousseff, em 23 de abril, durante o encontro NET Mundial, em São Paulo. A sanção da presidente foi simbólica porque o projeto não chegou ao Palácio do Planalto. Pela Constituição, a Presidência tem até 15 dias úteis para sancionar o projeto e, geralmente, Dilma espera o fim desse prazo se aproximar. Dentre outras determinações, a nova regulamentação proíbe o acesso de terceiros a dados e correspondências de comunicação pela internet. Além da segurança das informações e de dados pessoais, o Marco Civil garante ainda a liberdade de expressão, visto que somente o próprio usuário poderá tirar da rede informações que ele postou, exceto em temas que preguem o racismo, pedofilia ou violência. Os provedores só poderão excluir informações perante decisões judiciais. Outro ponto chave do Marco Civil é a neutralidade da rede, regulamentação que determina a proibição dos provedores em dar prioridade a determinado tipo de dado durante a transmissão dessas informações aos clientes. De acordo com o advogado Diego D’Avilla, um dos pontos mais polêmicos é justamente o que diz respeito à essa neutralidade. O advogado explica que todo conteúdo será tratado da mesma maneira. De modo que, sejam documentos, filmes, programas, ou qualquer outro tipo de arquivo que estiver sendo transmitido, deverá ser feito nas mesmas condições em relação à velocidade, qualidade, e estabilidade de transmissão de dados. “Se comparado aos demais bens adquiridos ou serviços prestados, é completa e absolutamente inconcebível um tratamento diferenciado em relação à transmissão de informações”, destacou. Diego questiona, ainda, a determinação que trata do sigilo de informações a respeito dos usuários da internet. “Sem o marco civil já é direito fundamental de todas as pessoas o respeito à sua intimidade e à inviolabilidade do sigilo de todas as suas comunicações (art. 5º, XII[1] da Constituição). Ocorre que o art. 7º, do 1º parágrafo do Marco Civil, simplesmente está criando uma nova forma de interceptação de dados. Isso é inadmissível não apenas por violar a Constituição, como também é uma estrada aberta para o arbítrio e o abuso contra o cidadão. Por mais honesta que uma pessoa seja não existe nenhuma garantia de que não se está sofrendo de alguma violação de seus direitos por parte daqueles que deveriam protegê-los”, afirmou. As redes sociais revolucionaram a interação dos cidadãos, sendo capazes de as vezes causar danos e ao mesmo tempo acabam tendo grande importância em questões como revoluções populares e denúncias, diz o advogado. “Imagine, por exemplo, se houvesse a necessidade prévia de avaliação do conteúdo, poderíamos correr o risco de não receber informações a respeito de grandes e polêmicas questões mundiais”. 3 www.oabam.org.br Manaus, Abril de 2014 PRÁTICA Bacharéis farão prova subjetiva do Exame de Ordem em junho A OAB irá realizar a prova prático-profissional do 13º Exame de Ordem Unificado em 1º de junho. O resultado preliminar dos aprovados na primeira etapa e que poderão se submeter ao Exame, nesta segunda fase, está disponível para consulta no nos endereços eletrônicos http:// oab.fgv.br e www.oab.org.br. Em Manaus, 1.917 bacharéis em Direito realizaram a prova objetiva no dia 13 de abril. Deste total, cerca de 10% fará o teste prático. A prova da segunda fase deverá ter cinco horas de duração, sendo aplicada das 13h às 18h, horário de Brasília. O local do Exame, na capital amazonense, deverá ser divulgado em 26 de maio. A prova é de caráter eliminatório. Nessa etapa, deverá ser elaborada uma peça profissional e quatro questões escritas discursivas. Para o teste subjetivo serão apresentadas situações-problema, que compreenderão um das seguintes áreas, escolhida pelo examinando no ato da inscrição: Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Constitucional, Direito Empresarial, Direito Penal, Direito do Trabalho ou Direito Tributário e do seu correspondente Direito Processual. A aprovação é requisito necessário para a inscrição nos quadros da OAB como advogado. O Exame de Ordem pode ser prestado por bacharel em Direito, ainda que pendente apenas a colação de grau, formado em instituição regularmente credenciada. Poderão realizá-lo os estudantes de Direito do último ano do curso de graduação ou dos dois últimos semestres. Orientações - O presidente da Comissão de Exame de Ordem da OAB Amazonas, Caupolican Padilha, frisa que, durante a realização da prova, o examinando não poderá portar aparelhos eletrônicos tais como bipe, telefone celular, walkman, agenda eletrônica, notebook, palmtop, receptor, gravador, máquina fotográfica, controle de alarme de carro, bem como relógio de qualquer espécie, óculos escuros ou qualquer acessório de chapelaria. O candidato deverá, também, comparecer ao local munido de caneta esferográfica fabricada em material transparente, de tinta azul ou preta, sendo vetado o uso de lápis, borrachas ou corretivo, conforme consta no edital. Ainda durante a realização da prova prático-profissional, será permitida, exclusivamente, consulta à legislação, súmulas, enunciados, orientações jurisprudenciais e precedentes normativos sem qualquer anotação ou comentário, conforme especificações do edital. Caupolican Padilha observa, ainda, que o examinando deverá permanecer obrigatoriamente no local de realização das provas por, no mínimo, duas horas após o seu início, período a partir do qual poderá deixar o local de provas, sem portar, contudo, seu caderno de rascunhos. Poderá, no entanto, retirar-se do local da aplicação levando consigo o caderno a partir dos últimos 60 (sessenta) minutos do tempo destinado à realização do Exame, ou seja, a partir das 17h, horário oficial de Brasília/DF. Profissionais recebem carteiras em solenidade N os dias 9 e 10 de abril, 150 novos profissionais da Advocacia receberam as carteiras profissionais da OAB/AM, em cerimônia, na sede da entidade. A solenidade foi dirigida pelo presidente da Seccional amazonense, Alberto Simonetti Neto. Contou com a presença do presidente da Comissão Nacional de Educação Jurídica da OAB, o conselheiro federal pelo Amazonas, Eid Badr, do conselheiro federal Jean Cleuter Mendonça, dentre outros advogados e membros da diretoria. Simonetti Neto frisa que para muitos universitários, o momento mais esperado é a formatura, que marca o fim da trajetória acadêmica. Já para os bacharéis em Direito, conforme avalia o presidente, essa realidade é um pouco diferente. “Eles ainda precisam passar no Exame de Ordem e, ainda, receber o registro profissional, para exercer a profissão”, destaca. A outorga da carteira representa, para os bacharéis em Direito, o avanço sobre essas etapas. Na cerimônia do dia 9, o orador da turma foi o novo advogado Igor Aurélio Santos de Melo e a juramentista foi Marcilene Puga de Souza Brasil. Na solenidade do dia 10, a turma teve como juramentista Cecil Venturin da Silva e a oradora foi Laís Rebouças Alencar. 4 Representantes da diretoria e familiares prestigiaram a cerimônia, que marca o início da trajetória dos advogados Manaus, Abril de 2014 www.oabam.org.br ESCOLA Comissão irá promover ação educativa sobre exploração sexual A Comissão OAB vai à Escola está organizando os últimos detalhes das ações de caráter educativo que deverão ser realizadas em 18 de maio - Dia Nacional do Combate ao Abuso e à Exploração Sexual. O presidente da Comissão, Plínio Morely, frisa que a proposta é levar orientação a alunos da rede pública sobre o tema, com a finalidade de alertar estudantes e educadores sobre os direitos de crianças e adolescentes que estão expostas a este tipo de ação criminosa. A Comissão também já deu início à programação de palestras desse ano, promovendo o I Ciclo de Palestras na Escola Estadual Eldah Bitton Telles da Rocha, localizada no Bairro da Compensa-Manaus-AM, nos dias 31 de março, 1º, 2, 3 e 4 de abril. Os temas abordados foram “Lei Maria da Penha” e “Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Os palestrantes contaram com o apoio dos professores Ione Bezerra (gestora), Eunice Nonato (pedagoga), Eliab Vasconcelos, Fladmar Barbosa, Nair Conté, Raimundo Cabral, Raimunda Ferreira e Iraneide Teixeira e com a participação dos alunos dos ensinos fundamental e médio da Escola visitada. Os palestrantes ressaltaram a importância de serem feitas denúncias acerca dos casos de violência praticada contra crianças, adolescentes e mulheres, a fim de evitar a impunidade. As exposições foram ministradas pelos advogados Plínio Morely, Arthemis Costa de Oliveira, Bárbara Cabral, Josana Mundstock, Maisa Campos, Roberta Marques, Rosana Feitoza e Vanessa Krichanã, todos integrantes da Comissão. Também participaram do evento a advogada Gláucia Soares, na qualidade de presidente da Comissão Advogada Mulher da OAB/AM, o professsor Msc. Sebastião Ricardo Braga Braz e a advogada Ana Margarida Dias Cabral, como convidados da Comissão. Advogados voluntários ministraram palestras para alunos da Escola Estadual Eldah Bitton, no bairro Compensa No primeiro ciclo de palestras de 2014, estudantes receberam orientações sobre temas como Lei Maria da Penha NOTA DE REPÚDIO A Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional do Amazonas, neste ato representada pelo advogado Alberto Simonetti Cabral Neto, Presidente desta Seccional, vem manifestar publicamente seu REPÚDIO bem como a indignação desta classe de advogados com a agressão física e moral sofrida pela advogada Islane Marques Setubal. A advogada, em pleno exercício de sua atividade profissional, conheceu a figura do agente público violento e que ignora regras básicas de convivência entre as pessoas. Sem qualquer autoridade ou conhecimento específico, acusou a advogada de apresentar documento falso, fato este rechaçado posteriormente por autoridade policial competente. De forma covarde e sem hesitação, ao ver a contestação da advogada diante da vil acusação, aquele agente público levantou a advogada e lançou seu corpo contra o chão, em ato de extrema violência, provocando ferimentos diversos, tudo isto, ressalte-se, frente às mais diversas testemunhas. O autor da violência, então Policial Militar, viu recentemente sua posse, lançado agora na condição de Delegado de Polícia Civil do Amazonas, o Delegado Francisco Ferreira da Rocha. Há notícia de que o novo delegado iniciará a nova atividade pelos rincões do interior do Amazonas, devendo ser observado de forma precisa e rigorosa, a fim de evitar que venha a praticar atos de tal natureza novamente, agora contra os humildes cidadãos do interior. A seccional amazonense da OAB sente orgulho de possuir nos seus quadros Advogados como a Dra. Islane Marques Setubal, que não se intimida diante do abuso, e nem esmorece na defesa intransigente dos seus constituintes. Faça-se saber, por todos os foros e instâncias, que a Seccional da OAB Amazonas é intransigente na defesa de seus inscritos. Conselheiros, Diretoria e especialmente o seu Presidente, Alberto Simonetti Cabral Neto, não coadunam com qualquer tipo de agressão dirigida a quem quer que seja e especialmente aos colegas Advogados. Se a Ordem dos Advogados do Brasil é forte, isto se deve ao patrimônio moral de seus inscritos que, sabidamente, indispensáveis à administração da Justiça e à defesa da própria sociedade. A Ordem dos Advogados do Brasil reafirma seu compromisso na defesa dos direitos e prerrogativas dos advogados violados no exercício profissional, certa de que tomará todas as providências a fim evitar novos atos abusivos por parte de tão nocivo agente público. Manaus, 09 de Abril de 2014 ALBERTO SIMONETTI CABRAL NETO Presidente do Conselho Seccional da OAB/AM 5 www.oabam.org.br Manaus, Abril de 2014 ENTREVISTA Encontro de Defesa das Prerrogativas fortalece ações O vice-presidente da OAB/AM, Marco Aurélio Choy, e os advogados Christian Naranjo e Rafael Coelho, presidente e vice-presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas, representaram a seccional no 2º Encontro de Defesa das Prerrogativas, promovido pelo Conselho Federal, em 9 de abril, em Brasília. Na ocasião, foram discutidos temas como honorários, campanhas, atendimento no INSS, entre outros. Marco Aurélio Choy destacou que a participação da OAB/AM no encontro nacional demonstra que o tema é uma das prioridades da entidade, no que tange a defesa dos interesses da Advocacia. Para ele, o evento reforça, também, o compromisso da OAB quanto à valorização da categoria, à medida em que busca mecanismos para defender com mais eficiência os direitos e garantias do exercício profissional. No encontro, o procurador nacional de defesa das prerrogativas, José Luis Wagner, destacou que a periodicidade semestral do encontro também é a prova de que a defesa das prerrogativas é uma prioridade absoluta na atual gestão. Dentre as propostas apresentadas no evento, uma das sugestões é que sejam implantados, nas demais seccionais, uma medida já adotada pela OAB/ AM, que é a realização do Plantão das Prerrogativas: quando um advogado tiver suas garantias violadas, entra em contato com a OAB, que vai até o local para buscar resolver a situação. Também foi proposta a ideia de uma campanha que reafirme a inexistência de hierarquia entre magistrados e advogados, a fim de conscientizar tanto a população quanto as classes jurídicas de que o respeito às prerrogativas dos advogados é tão importante quanto o respeito às prerrogativas de juízes. Reforçou-se a questão da gravação de audiências, que é autorizada a advogados pelo Código de Processo Civil e não pode ser indeferida pelos magistrados. O presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB/AM, Christian Naranjo, contou para A Voz do Advogado sobre as contribuições do Amazonas para o encontro e falou, ainda, a respeito das medidas que vem sendo adotadas para fortalecer a atuação da entidade na defesa dos interesses da Advocacia e do exercício da profissão. Leia a entrevista, na íntegra, a seguir. 6 O primeiro fiscal das violações de prerrogativas é o próprio advogado e ele precisa saber que a instituição dará todo apoio necessário. de alteração de resoluções de órgãos superiores diversos que restringem nossas prerrogativas, como o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), e também com sugestões que facilitem o acesso do advogado às Comissões. Nossa comissão trabalha atualmente neste quesito, com a disponibilização de formulários e facilitação desse contato direto no site da seccional. Presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB/AM, Christian Naranjo destaca medidas A Voz do Advogado (AVA) – O 2º Encontro de Defesa das Prerrogativas é importante para reunir propostas nessa área para serem discutidas na Conferência Nacional dos Advogados. Quais são as propostas levadas pelo Amazonas? Christian Naranjo (CN) – O Encontro Nacional realizado em Brasília oportuniza o contato direto com o Conselho Federal e com as Comissões de Prerrogativas de todas as outras seccionais, permitindo não somente levar novas propostas, mas também conhecer a situação dessas seccionais, absorver as boas ideias. Pudemos contribuir com sugestões que visam contornar problemas nas unidades prisionais, propostas AVA – O que o senhor acredita que falta a categoria conquistar nessa área? CN – Acredito que os colegas precisam sentir segurança na instituição. Evoluímos bastante desde o ano passado, mas o caminho ainda é longo. O primeiro fiscal das violações de prerrogativas é o próprio advogado e ele precisa saber que a instituição dará todo o apoio necessário para que ele mesmo inicie o combate às violações. Hoje, ainda existe um temor do advogado em confrontar o problema, existe receio de tornar-se vítima de perseguição caso enfrente o violador, acaso enfrente uma autoridade arbitrária. Precisamos que ele sinta segurança, certeza de que pode fazer valer sua prerrogativa, porque a instituição estará ao lado dele. A seccional não permitirá qualquer ato de vingança. Esse é o objetivo maior, tanto na capital quanto no interior. AVA – O senhor já observou melhorias no acesso de profissionais da Advocacia aos presídios, em função das medidas adotadas pela Comissão? O que mudou? CN –O problema sempre esteve concentrado no acesso e, felizmente, já evoluímos em relação a isso. Inicialmente, o trabalho foi desenvolvido no sentido de buscar garantir a entrada somente para advogados e estagiários devidamente inscritos. Percebemos que alguns advogados levavam terceiros para o interior da unidade alegando serem “estagiários”, mas o nosso Esta- Manaus, Abril de 2014 tuto define muito bem quem pode ser estagiário, o que é necessário para ser estagiário. E da mesma forma bacharéis. Notamos que algumas unidades não solicitavam a carteira de advogado na entrada e qualquer cidadão que chegasse ao local usando paletó e gravata tinha o acesso garantido. É preciso exigir a carteira de identificação do advogado. A questão da revista pessoal também está sendo ultrapassada. De forma inadmissível os advogados vinham sendo obrigados a se submeterem à revista pessoal, com toque físico, e o procedimento praticamente inexiste. Nosso trabalho, atualmente, é quanto ao cumprimento dos Alvarás de Soltura. Percebemos que as unidades prisionais “se permitem” interpretar as ordens de soltura dos juízes, ignorando a soltura imediata, incontinenti, em alguns casos levando horas pra cumprir um procedimento que precisa, sim, ser feito com atenção, mas que não demora horas ou dias. A unidade prisional, a direção, que, de forma reiterada, submete advogados à longa e injustificada espera para o atendimento no parlatório da unidade ou longa espera para a liberação do Alvará de Soltura, realizando, por vezes, liberação em período além do permitido por lei, viola prerrogativas, incorre em crime, e se ocorrer com algum colega, precisamos que a comissão seja informada para imediatamente ajustar o procedimento e tomar as devidas providências. AVA – Quais são os principais entraves e de que forma a OAB vem atuando para inibir o desrespeito às prerrogativas? CN – O maior entrave é a falta de informação. Curiosamente funcionários públicos usam a figura do “desacato” sempre que um advogado discorda de seu ponto de vista, ou seja, você precisa concordar com ele, caso contrário estará “desacatando”. Ele pode gritar com você, ofender você, e se você levanta o tom da voz a fim de pedir respeito ou pra dizer que o assunto O maior entrave é a falta de informação. Curiosamente funcionários públicos usam a figura do ‘desacato’ sempre que um advogado discorda de seu ponto de vista, ou seja, você precisa concondar com ele. não precisa ser resolvido na base do grito, você acabou, na opinião dele, de cometer “desacato”. Algumas varas chegam a colocar uma página com um “aviso” sobre o crime de desacato nos cartórios, a fim de intimidar o advogado. É absurdo e demonstra um grande desconhecimento não somente do Código Penal, da tipicidade da conduta, seus requisitos, mas também da função, do trabalho do advogado, que é justamente argumentar, discordar se for necessário, e que isso nem de longe configura falta de respeito. E também pudemos notar que servidores de uma for- www.oabam.org.br ma geral desconhecem que violar prerrogativas é crime, previsto na Lei do Abuso de Autoridade. De forma a inibir tais condutas, enviamos todos os procedimentos para o Ministério Público a fim de instaurar a devida ação penal. O trabalho é lento, mas está em andamento. AVA – Quais serão as ações que a Comissão deverá fortalecer neste ano, no campo da defesa das prerrogativas? CN – Somos 12 membros e trabalhamos de forma gratuita em favor de 9.000 colegas. Criamos um plantão que funciona efetivamente 7 dias por semana, 24 horas por dia, sempre disponível para atender colegas advogados ofendidos durante o exercício da Advocacia. Essa é a ação a ser fortalecida. Estar ao lado do advogado sempre será a missão a ser alcançada, o objetivo a ser atingido. E essa estrutura posta em favor dos colegas só existe em razão da dedicação dos membros e do apoio que a comissão recebe do Presidente Simonetti Neto e do vice-presidente Marco Choy. Eles nos dão toda a estrutura, segurança e apoio para agir em defesa dos colegas de forma intransigente, destemida. Essa segurança faz toda a diferença. Gostaria de registrar o nome dos colegas membros da Comissão. Sem eles, sem a dedicação e compromisso deles nada acontece. André Fernandes, Alan Johnny Feitoza, Adenir Souza, Anelson Brito, Celio Papes, Fádia Assad, Gina Carla Sarkis, Jacqueline Bitar, Marleide Saraiva, Patricia da Silva, Raphael Coelho e Robert Areias. ESPAÇO CULTURAL Advogado lança obra que retrata história de jornalistas R esgatar as memórias de jornalistas que contribuíram significativamente para a história do país. Esse foi o desejo do advogado tributarista e fundador da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas, Gaitano Antonaccio, ao escrever o livro ‘Sinopse histórica do jornalismo brasileiro’, que foi lançado em Manaus na primeira semana de abril. “Busquei mostrar os jornalistas que se destacaram na luta pela liberdade de imprensa, durante momentos históricos do nosso país. Muitos chegaram até a perder a vida por conta da cobertura desses fatos. Quis registrar a importância de cada um deles, além da criação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)”, afirmou. A ABI foi retratada em um capítulo inteiro na publicação. Dentre os nomes em destaque no livro estão: Adolpho Bloch, fundador da Revista Manchete; Assis Chateaubriand, um dos homens públicos mais influentes do Brasil, nas décadas de 1940 e 1960, além de Líbero Badaró, jornalista do século XIX, e Carlos Lacerda, famoso jornalista político da década de 1970. Na publicação, estão relatados momentos do país que vão desde a independência do Brasil e a libertação dos escravos até fatos mais recentes da história brasileira, como o golpe militar de 1964. “Essas pessoas, mesmo nem todos sendo brasileiros, foram pessoas que não curvaram-se diante de um povo ou de um regime”, frisou. O escritor levou mais de três anos para con- cluir a pesquisa referente à essa obra. Além do acervo pessoal, ele buscou informações nos documentos da Academia Brasileira de Letras e em outros documentos oficiais, em bibliotecas públicas e privadas. Antonaccio já tem mais de 130 livros publicados e registrou temas como “A presença da colônia árabe no Amazonas”, escreveu a biografia de mais de 30 imortais da Academia Amazonense de Letras e 40 publicações são exclusivamente poéticas. “Eu tenho uma fúria pela literatura que nunca acaba. Tenho certeza de que nunca na minha vida eu vou parar de escrever”, assegurou. Todas as publicações de Antonaccio podem ser adquiridas na papelaria Pap Tip, que fica na avenida Boulervard Álvaro Maia. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones 3234-3909 e 3232-3124. 7 www.oabam.org.br Manaus, Abril de 2014 MEMÓRIAS Advogado resgata história nos 50 anos do golpe militar O golpe militar de 1964 completou 50 anos em 31 de março. Esse período sombrio da Ditadura Militar no Brasil (1964 a 1985) deixou na história recente do país e, especialmente da Advocacia brasileira, marcas de uma luta árdua em defesa do resgate do Estado Democrático de Direito. Nesse confronto, que durou 21 anos, advogados do Amazonas, integrados ao movimento nacional liderado pela OAB, também atuaram em nome dos direitos dos cidadãos perseguidos pelo regime ditatorial. Neste período do cinquentenário, o advogado José Paiva Filho, 74 anos, relembra a mobilização contra a Ditadura no Estado. Paiva Filho foi vice-presidente da OAB/AM na gestão do advogado Felix Valois Coelho Júnior (1975 a 1979) e dirigiu a entidade de 79 a 83. “Eu e Valois éramos membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e, ainda na época da Faculdade de Direito, no período de 64 a 66, nossa atuação se firmava em torno das reformas de base como era o caso da reforma universitária”, conta. Paiva Filho ressalta que a participação no movimento estudantil chamava atenção para algumas lideranças. Membros do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Paiva e Valois atuavam no movimento estudantil buscando as reformas na Universidade Federal do Amazonas. “Nossa atuação era pró-reformas de base como é o caso da reforma universitária. Pedimos o apoio do Governador da época, que era Gilberto Mestrinho. Essa participação chamava atenção para algumas lideranças estudantis mais ativas. Tivemos colegas que tiveram que fugir para não serem presos. O clima era tenso e de instabilidade social e política”, lembra. Paiva frisa que na fase inicial do regime, no ano de 64, alguns advogados de Manaus se destacaram na defesa dos perseguidos pelo regime. “É o caso dos advogados Olavo Farias, que era catedrático da Universidade Federal do Amazonas, e José Baptista Vidal Pessoa, que ainda era advogado. Eles eram chamados para fazer a defesa gratuita das pessoas que eram consideradas inimigas do sistema”, conta. Em 31 de março desse ano, o Conselho Federal da OAB realizou, em Brasília, o ato público Para Não Repetir, que rememorou os 50 anos do golpe militar, prestando homenagem àqueles advogados que defenderam os perseguidos políticos. “Eu fui indicado ao Conselho Federal para receber homenagem nesse evento, mas não pude comparecer em virtude de problemas de saúde de familiares. Mas entendo que outros advogados, muito mais do que eu, deram grandes contribuições a essa causa”, avaliou Paiva Filho. 8 José Paiva Filho relembra alguns dos principais momentos da mobilização contra o regime ditatorial Manaus, Abril de 2014 www.oabam.org.br Criminalistas atuam na defesa dos perseguidos pelo regime ditatorial N o ano de 1973, os advogados José Paiva Filho, Felix Valois e Alberto Simonetti Cabral Filho reuniram-se em sociedade. “A inscrição na nossa sociedade é a de número 2, no Estado”, lembra Paiva, que se mantém atuante, ainda no mesmo escritório onde atuam também os sucessores do parceiro Simonetti Filho. A nova sociedade Advocatícia teve, naquela época, forte atuação na defesa dos perseguidos. “Eram Valois e Simonetti que, como criminalistas, tiveram atuação nesses casos. Entre os que me recordo, tivemos como clientes Geraldo Campelo, que era dirigente do Partido Comunista, no Estado, e tio do depois senador Jefferson Peres. Defendemos, ainda, Fábio Lucena, que foi perseguido antes de se tornar senador”, afirma. Paiva salienta que a atuação de Simonetti e Valois levou à absolvição dos acusados porque não havia provas concretas que caracterizassem real ameaça à segurança nacional. O advogado ressalta que Simonetti Filho atuou exclusivamente na defesa dos direitos dos acusados, mas que não tinha vínculo com partidos políticos. “Ele sempre foi muito preocupado com as questões da categoria, da defesa do Estado Democrático, dos direitos do cidadão, mas evitava vínculos políticos”, disse. Na área de atuação de José Paiva Filho, a Justiça do Trabalho, o PCB orientava os partidários no senti- Movimento nacional ‘Direjas Já’ foi um dos marcos da redemocratização buscada pela categoria e pelo povo do de fortalecer os movimentos de forma organizada e integrada, com a finalidade de constituir uma frente ampla de resistência. “Eu assessorava sindicatos importantes onde havia lideranças comunistas que atuavam fortemente, como Manuel Rodrigues da Silva, que era vereador e líder na área de construção civil, além de Antenor Caldas e Francisco Gesta. Parte da atuação, era no sentido de evitar que os sindicatos caíssem na aventura de aderir a movimentos radicais. A proposta do Partido era empregar a luta contra a Ditadura mediante uma frente ampla. Se o próprio presidente João Goulart fugiu porque não tinha forças para resistir, imagina um sindicato do Amazonas. Seria um massacre”. pelo regime. O advogado explica que, antes do Ato Institucional Número 5, vários juízes concediam habeas corpus quando consideravam a prisão arbitrária. “Esses ficaram marcados. E quando veio o AI-5, foram os primeiros a serem depostos dos seus postos na magistratura”, lembrou. A partir de 1975, Paiva Filho conta que, já como vice-presidente da OAB, ao lado do presidente Felix Valois Coelho Júnior, foi possível consolidar uma luta ainda mais consistente contra o sistema ditatorial. “A OAB sempre foi uma instituição de renome, reconhecida internacionalmente, e que mantinha uma luta séria em favor da Democracia. Era o momento oportuno de travarmos essa batalha, também, aqui em Manaus”, afirmou. Do período em que assumiu a presidência da entidade, a partir de 1979, Paiva Filho salienta que um dos momentos mais marcantes dessa luta foi a realização, na capital amazonense, da 8ª Conferência Nacional dos Advogados, no ano de 1980. “O tema principal foi liberdade. E a Carta de Ma- naus finalizou com o pedido de retorno ao Estado Democrático de Direito”. A 8ª Conferência Nacional dos Advogados desembarcou em Manaus entre os dias 18 e 22 de maio daquele ano. O tema foi “Liberdade como fundamento e finalidade última da democracia”. Comemorando 50 anos em 1980, a OAB, então presidida por Eduardo Seabra Fagundes, acolheu um tema que era caro aos cidadãos: o país comemorava a liberdade advinda da anistia, mas ainda vivia sob a sombra de instrumentos do regime militar, como a Lei de Segurança Nacional. O documento “Declaração de Manaus”, promulgado ao fim da 8ª Conferência Nacional, elogiava o processo de abertura política, mas lembrava das dificuldades de se revogar as estruturas legais que sustentavam a ditadura. “O grande problema atual do poder é um problema de legitimidade. Não há poder legítimo sem consentimento do povo. Os advogados brasileiros afirmam que falta legitimidade ao poder institucionalizado em nosso país”, dizia o documento. OAB reage ao AI-5 e fortalece luta O advogado destaca que um dos períodos mais severos do regime veio após o governo decretar o Ato Institucional Número 5 ( AI-5), no dia 13 de dezembro de 1968 e que vigorou até 1978. Na avaliação do advogado, esse foi o ato mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial. Paiva recorda que uma das formas que a OAB encontrou para manifestar o seu descontentamento com o sistema foi dar asilo imediato aos “banidos” pelo regime. “Oficialmente, quem ocupava cargos incompatíveis, somente poderia retornar à Ordem, para exercer na Advocacia, finalizado o prazo de dois anos. Mas a Ordem abriu mão dessa carência e decidiu logo conceder o registro a esses cassados. Foi uma forma de protestar contra o ato arbitrário e, ao mesmo tempo, discordar da prática autoritária”, disse. No Amazonas, um dos exemplos nesse sentido, foi o então deputado federal Bernardo Cabral, que imediatamente se incorporou à luta política da Ordem, após sua cassação 9 www.oabam.org.br Manaus, Abril de 2014 ARTIGO A Impenhorabilidade do Saldo de Previdência Complementar A Hileano Praia é advogado, professor universitário, especialista em Direito Civil, Processo Civil, Trabalho e Previdenciário. 10 previdência privada complementar é uma aposentadoria que não está ligada ao sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). É complementar à previdência pública e fiscalizada pela Superintendência de Seguros Privados, órgão do Governo Federal, sendo possível a escolha do valor da contribuição e a periodicidade em que ela será feita. Nos denominados Planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) ou VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), o participante faz depósitos periódicos, os quais são aplicados e se transformam em reserva financeira, que poderá ser por ele antecipadamente resgatada ou recebida em data definida, seja em única parcela ou por meio de depósitos mensais. Uma das mais calorosas discussões ocorrida nos nossos Tribunais, diz respeito à penhorabilidade ou não dos saldos existentes nos referidos Planos de Previdência Privada Complementar e em recente decisão da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que pacificou tese sobre o tema, em decisão majoritária. No caso em tela, a Quarta Turma do STJ, inicialmente rejeitou o recurso especial, por maioria de votos, sob o fundamento de que o saldo de depósito em PGBL não ostenta caráter alimentar e, portanto, é suscetível de penhora. Decisão esta que ensejou a oposição de embargos de divergência, para que a questão fosse levada a julgamento na Segunda Seção, composta pelos Ministros da Terceira e da Quarta Turmas, que analisam matéria de Direito Privado, e em Seção. Por maioria de votos, restou decidido que na hipótese das provas dos autos revelarem a ne- cessidade de utilização do saldo de previdência privada complementar para a subsistência do participante e de sua família estará caracterizada a sua natureza alimentar e, portanto, a impenhorabilidade dos valores. A relatoria do recurso coube à ilustre Ministra Nancy Andrighi, que ao fundamentar seu voto, ressaltou que o participante adere a esse tipo de contrato com o intuito de resguardar o próprio futuro ou de seus beneficiários, garantindo o recebimento de certa quantia, que julga suficiente para a manutenção futura do padrão de vida. Esclareceu, ainda, que a faculdade de resgate das contribuições não afasta a natureza essencialmente previdenciária e, portanto, alimentar do saldo existente naquele fundo. A mesma razão que protege os proventos advindos da aposentadoria privada deve valer para a reserva financeira que visa justamente assegurá-los, sob pena de se tornar inócua a própria garantia da impenhorabilidade daqueles proventos. Notadamente, a questão relativa à impenhorabilidade, decorrente da natureza alimentar do capital acumulado no plano de previdência, deve ser aferida pelo juízo mediante análise das provas trazidas aos autos, tendentes a demonstrar a necessidade financeira para a subsistência da parte, de acordo com as suas especificidades e, a menos que fique comprovado, no caso concreto, que o participante resgatou as contribuições vertidas ao plano, sem consumi-las para o suprimento de suas necessidades básicas, valendo-se, pois, do fundo de previdência privada como verdadeira aplicação financeira, o saldo existente estará protegido pelo artigo 649, IV, do Código de Processo Civil. Manaus, Abril de 2014 www.oabam.org.br CAIXA DE ASSISTÊNCIA Campeonato de futebol deve mobilizar categoria neste ano da Copa A Caixa de Assistência dos Advogados do Amazonas (CAA/AM) marcou um gol de placa ao lançar a 1ª Copa dos Advogados do Amazonas, no ano passado. O evento teste foi um sucesso com a participação de mais de 500 advogados/atletas que participaram direta e indiretamente do evento. Este ano a Caixa já iniciou em clima de Copa do Mundo, promovendo a segunda edição da Copa dos Advogados do Amazonas de Futebol Society - Troféu Alberto Simonetti Cabral Filho. No país do futebol e em ano de Copa do Mundo, a CAA/AM não poderia deixar de lado o maior campeonato esportivo da classe advocatícia amazonense, conforme destaca o vice-presidente da CAA/AM, Messias Sampaio. Para quem acha que merecia ganhar o Troféu Iran dos Santos Barbosa, homenagem ao primeiro presidente da Caixa de Assistência, este ano terá mais uma chance de levar para casa o Troféu Alberto Simonetti Cabral Filho, uma justa homenagem in memorian ao advogado que foi presidente da OAB/AM por quatro mandatos, realizando obras de grande relevância para a classe. . O torneio, como no ano anterior, premiará com troféus, o 1º, 2º e 3º lugar do campeonato. Entretanto, haverá outras premiações em diversas categorias, como artilheiro, melhor goleiro, revelação, dentre outras. Com o lema “Conquiste o direito de ser campeão”, vários advogados já formaram suas equipes. Ainda há tempo de formar um time. Os jogos da primeira fase iniciarão no dia 19 de maio nos campos do Olímpico Clube, localizado na Avenida Constantino Nery, 1105 - Presidente Vargas. As oitavas de final serão realizadas nos campos do Golden Gol, na Rua Salvador, 232 - Adrianópolis. As disputas da semifinal e da grande final ocorrerão no campo da Arena Sport Society, na Av. Djalma Batista, S/N, bairro Nossa Senhora das Graças (atrás da Infocentro). A Copa dos Advogados é uma forma de driblar os índices negativos de saúde dos advogados constatados pela coordenação de saúde da Caixa de Assistência. Trata-se de uma das maneiras de combate ao sedentarismo e incentivo à prática de exercícios físicos, segundo ressalta Denize Aufiero, presidente da CAA/AM, que já vestiu a camisa canarinho do campeonato e fala com orgulho da iniciativa. “Monte sua torcida, entre em campo com as equipes e acompanhe os jogos do campeonato torcendo pelo seu time preferido”, disse. PALAVRA DO ADVOGADO Jonathan Ferreira Desde já quero parabenizar a CAA/AM pela iniciativa de realizar o Campeonato de futebol, buscando promover a prática de atividade física que é um dos principais fatores para promoção da saúde. Breno Dantas Cestari Eu gostaria de parabenizar os atuais gestores CAA/AM pela iniciativa de idealizar e realizar um evento esportivo com o intuito de fortalecer e unir a classe que a muito se vislumbra distante entre si. É de salutar importância o reconhecimento de iniciativas como essa. Pretendemos chegar entre as finalistas, pois as equipes terão bons atletas e craques de bola. Eguinaldo Gonçalves Moura 11 www.oabam.org.br Manaus, Abril de 2014 20 a 23 OUTUBRO RIOCENTRO Estão abertas as inscrições para a XXII Conferência Nacional dos Advogados, o maior evento jurídico da América Latina. Advogados, estudantes de Direito e profissionais interessados podem se inscrever no site www.conferencia.oab.org.br. O site da XXII Conferência Nacional dos Advogados traz todas as informações sobre o evento, que deve reunir até 35 mil pessoas. Com o tema Constituição Democrática e Efetivação de Direitos, a Conferência terá uma programação variada, com 172 palestrantes nacionais e internacionais em 40 painéis, quatro debates, duas conferências magnas e bate-papos culturais. Inscreva-se: www.conferencia.oab.org.br 12