UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE EDUCAÇÃO DA UNIVALI EM SÃO JOSÉ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO GERAL Aprigio José da Silva Borges ALTERNÂNCIA NO CARGO DA DIREÇÃO FORENSE E SUAS IMPLICAÇÕES ADMINISTRATIVAS: um estudo de caso nas Comarcas Catarinenses São José 2007 APRIGIO JOSÉ DA SILVA BORGES ALTERNÂNCIA NO CARGO DA DIREÇÃO FORENSE E SUAS IMPLICAÇÕES ADMINISTRATIVAS: um estudo de caso nas Comarcas Catarinenses Trabalho de Conclusão de Curso - pesquisa teórico-empírica apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração da Universidade do Vale do Itajaí. Professor Orientador: Felipe de Faria Mônaco São José 2007 APRIGIO JOSÉ DA SILVA BORGES ALTERNÂNCIA NO CARGO DA DIREÇÃO FORENSE E SUAS IMPLICAÇÕES ADMINISTRATIVAS: um estudo de caso nas Comarcas Catarinenses Este Trabalho de Conclusão de Estágio foi julgado adequado e aprovado em sua forma final pela Coordenação do Curso de Administração Geral da Universidade do Vale do Itajaí, em 02 de julho de 2007. Prof (a) MSc. Luciana Merlin Bervian Univali – CE São José Coordenador (a) do Curso Banca Examinadora: Prof . MSc. Felipe de Faria Mônaco Univali – CE São José Professor Orientador Prof (a) MSc. Evelize Mara de Souza Gomes Martins Univali – CE São José Membro Prof (a) MSc. Kellen da Silva Coelho Univali – CE São José Membro iv Dedico este trabalho a todos que sempre acreditaram em meu potencial. Em especial aos meus pais, Jerônimo Coelho Borges (in memoriam) e Olinda Silva Borges que jamais desacreditaram em meus atos, a minha esposa Eli Armandina Padilha, por sua compreensão pelos dias difíceis, e aos filhos Flávia Padilha, Bruno César Borges e Daniela Borges, aos quais são o complemento da minha vida. v AGRADECIMENTOS Inicialmente não poderia deixar de agradecer a Deus por permitir concluir mais esta etapa no aprendizado em minha via, aprendizado este que deve ser por toda a vida. Aos meus pais que sempre me ensinaram muito com seus exemplos de vida, em especial a minha mãe, que nunca se refutou em dar o melhor de si. Aos meus irmãos que sempre dentro do possível, estavam presentes quando necessitados. A minha esposa Eli, que mesmo nos altos e baixos de minha impertinência sempre compreendeu a vida de estudante. Aos meus filhos que juntos deram forças e auxiliaram nas tarefas, dentro do possível, na vida acadêmica. Ao Professor Orientador Felipe de Faria Mônaco por esclarecer as dúvidas e contribuir para a concretização deste trabalho. Às professoras Evelize Mara de Souza Gomes Martins e Kellen da Silva Coelho, membros da Banca Examinadora, pelas sugestões corretivas e preciosas para um melhor resultado nesta empreitada. Ao Orientador de Campo Senhor Administrador Laércio Medeiros, que sempre, dentro do possível, disponibilizou seu precioso tempo para sanar dúvidas inerentes aos serviços executados dentro do Fórum de Palhoça, exercendo com maestria seu cargo e função na Secretaria, as colegas Cristiane Rocha de Souza e Danielly de Lima, dando assim um apoio incondicionado à conclusão de meu estágio curricular. Não poderia de esquecer a todos os mestres que durante os quatro anos mostrou quais caminhos a serem trilhados para formação acadêmica. E por fim aos colegas e amigos da Diretoria de Informática que sempre estiveram ao meu lado, apoiando e incentivando durantes os anos de minha vida acadêmica. vi Primeiro surge um pensamento. Quando esse pensamento é forte, ocorre uma ação. Se essa ação é praticada com disciplina, transforma-se em hábito. E nossos hábitos nos conduzem a um destino - (Swami Sivananda) Que o destino seja a felicidade plena. vii RESUMO Este trabalho apresenta um estudo acerca das implicações na gestão e nos processos administrativos geradas pelo que se pode considerar como sistemática prática da alternância na titularidade do cargo de Diretor de Fórum no Poder Judiciário Catarinense, ocupado por Magistrados, notadamente quanto a repercussões no desenvolvimento das atribuições de outros cargos da organização e, especialmente, na relação com a Secretaria Forense, cargo este, em regra, preenchido por servidores efetivos e que, afinal, desempenham atividades e detém atribuições diretamente ligadas ao Diretor mencionado. Os objetivos específicos do trabalho podem ser elencados como segue, primeiramente verificando e analisando o conteúdo das regras que norteiam tal troca da função de direção, na seqüência levantando os conflitos existentes nas relações de trabalho entre os dois setores, Direção e Secretaria Forenses, e em relação aos demais cargos da unidade, identificando junto aos servidores dos Fóruns os problemas gerados por essas alternâncias e, finalmente, consolidando as opiniões sobre o que pensam diante de tal situação. Para o desenvolvimento dessa pesquisa teóricoempírica e com abordagem quantitativa e qualitativa, privilegiando o estudo de campo, foi utilizada como fonte primária de informações, os resultados de um questionário aplicado junto aos Secretários e Escrivões de todas as Comarcas do Estado. Além disso, como fonte secundária de informações efetuou-se pesquisas em livros, textos e periódicos pertinentes ao tema, usados para a elaboração da fundamentação teórica do trabalho, essencial para a efetivação das análises sobre os dados primários, anteriormente comentados. Como uma das conclusões essenciais do trabalho, pode-se destacar a possibilidade e mesmo uma necessidade de passar a haver uma maior autonomia na tomada de decisão pelo titular da Secretaria Forense, notadamente em questões administrativas, transferindo atribuições hoje a cargo da direção e dando maior respaldo aos profissionais dessa área, diminuindo os riscos de interrupções de processos gerenciais e atividades rotineiras do Fórum com as mudanças em questão, além de possibilitar maior disponibilidade de tempo aos Magistrados ocupantes do cargo de Diretor para o desenvolvimento de sua vida jurisdicional, que não é interrompida com sua ascenção ao cargo em tela e, assim, poderem executar sua atividade finalística que é a de julgar. Palavras Chaves: rotatividade, alternância, gestão, autonomia, tomada de decisão, poder judiciário. viii ABSTRACT This paper presents a study about the implications in administrative processes and management created in what can be considered as the systematic principal's alternation of the Catarinense Judiciary Court Forum, occupied with Magistrates, notably with repercussions in the attributions development of other occupations in the Organization and, specially, in the relationship between the Forensic Secretariat, occupation, in rule, filled by governmental workers that, after all, perform activities and have attributions directly connected to the mentioned Principal. The specified job objectives can be related as follow, first verifing and analysing the rules that guide this change of management, and after collecting the existent conflicts in the job relationships between the two departments, Direction and Forensic Secretariant, and related to the other unity positions, identifying with the Forum servers the problems created by these alternations and, finally, consolidating the opinions about what they think in such situation. For this theoretician research development – empiric and with quantitative and qualitative, privileging the study in field, had been used as primary source of information, the results from a questionary applied with the Secretaries and Notaries of all State Judicial Districts. Besides that, as secondary source of information research in books, articles and pertinent periodic to the subject had been used to elaborate this paper theoretical recital, essential for the analysis effectiveness about the primary data, previously commented. As one of the main conclusions of this paper, can be highlighted the possibility, and even the necessity to start having a better autonomy in the decision making by the principal's Forensic Secretariant, notably in administrative issues, transferring today’s attributions in charge by the principal and giving more endorsement to the professionals in this area, cutting the interruption risks of management processes and routine activities at the Forum, with the related changes, and so allow more availability of time to the Magistres occupying the position of Director for your jurisdictional life development, which is not interrupted with his rising to the position in mind and, still, can perform his activity, which is about judging. Keywords: alternation; management; autonomy; decision taking, judiciary. ix Lista de ilustrações Organograma 1 – Tribunal Pleno. .............................................................................. 108 Organograma 2 – Tribunal de Justiça. ........................................................................ 109 Organograma 3 – Órgãos Julgadores.......................................................................... 110 Organograma 4 – Organograma ilustrativo - Comarcas Iniciais ................................ 111 Quadro 1 - Categorias analíticas e indicadores do estudo ............................................ 40 Quadro 2 - Proporcionalidade dos servidores por Comarca resumida no quadro 1 ... 101 Quadro 3 - Composição das Comarcas por Circunscrição e Entrância ...................... 106 Gráfico 1 – Proporcionalidade por Regiões.................................................................. 38 Gráfico 2 – Sexo ........................................................................................................... 43 Gráfico 3 – Nível de Escolaridade................................................................................ 45 Gráfico 4 – Graduação de Nível Superior. ................................................................... 46 Gráfico 5 – Ocupante por Cargo................................................................................... 48 Gráfico 6 – Quanto Tempo no Cargo ........................................................................... 49 Gráfico 7 – Função que exerce. .................................................................................... 51 Gráfico 8 – Quanto tempo na função............................................................................ 52 Gráfico 9 - Alternância no cargo de Diretor interfere nas atividades administrativas. 54 Gráfico 10 – Alteração ou revogação de determinações após troca de Diretor............ 55 Gráfico 11 - Troca de funcionário por determinação do Diretor nos últimos cinco anos. ................................................................................................................................ 56 Gráfico 12 – Freqüência de troca.................................................................................. 57 Gráfico 13 - Autonomia nas atividades administrativas na Secretaria. ........................ 58 Gráfico 14 – Mudanças de estilo de liderança devido a constante troca na Direção.... 59 Gráfico 15 – Mudanças nas práticas e métodos de trabalho......................................... 60 Gráfico 16 – Se alternância é imprescindível para o andamento das atividades. ......... 61 x Gráfico 17 - Alternância no cargo de Direção gera implicações no processo de gestão de pessoas. .............................................................................................................. 62 Gráfico 18 - Atividades de trabalho alteradas com a troca do Diretor. ........................ 64 Gráfico 19 – Secretaria deve ter autonomia aos assuntos disciplinares. ...................... 65 Gráfico 20 - Segurança no cargo devido à troca na Direção. ....................................... 66 Gráfico 21 - Tranqüilidade quanto à função exercida. ................................................. 67 Gráfico 22 - Com alternância os espaços são reestruturados e reorganizados. ............ 69 Gráfico 23 - Importância quanto às reestruturações e ou reorganizações dos espaços físicos...................................................................................................................... 70 Gráfico 24 - Conflitos devido à reestruturação e/ou reorganização dos espaços físicos. ................................................................................................................................ 71 Gráfico 25 - Trocas de pessoas nas funções devido à alternância no cargo da Direção. ................................................................................................................................ 72 Gráfico 26 - Concordância com a interferência da Magistratura.................................. 73 Gráfico 27 – Grau de importância para a criação do cargo do Secretário visando sustentabilidade administrativa. ............................................................................. 74 Gráfico 28 - Rotatividade no cargo da Direção. ........................................................... 78 Gráfico 29 - Clareza quanto às regras para troca na função de Diretor Forense. ......... 79 Gráfico 30 - Concordância com as atuais regras para a troca do Diretor. .................... 80 Gráfico 31 - Regras afetam diretamente as atividades de trabalho............................... 81 Gráfico 32 - Descontinuidade e interrupções nas atividades administrativas com a rotatividade. ............................................................................................................ 83 xi Lista de Tabelas Tabela 1 – Tabela proporcional de pesquisa................................................................. 37 Tabela 2 – Sexo ............................................................................................................ 43 Tabela 3 – Nível de Escolaridade ................................................................................. 44 Tabela 4 – Graduação de Nível Superior...................................................................... 46 Tabela 5 – Ocupante por Cargo .................................................................................... 47 Tabela 6 – Quanto Tempo no Cargo............................................................................. 49 Tabela 7 – Função que exerce....................................................................................... 50 Tabela 8 – Quanto tempo na função. ............................................................................ 51 Tabela 9 – Alternância no cargo de Diretor interfere nas atividades administrativas. . 54 Tabela 10 – Alteração ou revogação de determinações após troca de Diretor. ............ 55 Tabela 11 - Troca de funcionário por determinação do Diretor nos últimos cinco anos. ................................................................................................................................ 56 Tabela 12 – Freqüência de troca. .................................................................................. 57 Tabela 13 – Autonomia nas atividades administrativas na Secretaria.......................... 58 Tabela 14 – Mudanças de estilo de liderança devido a constante troca na Direção. .... 59 Tabela 15 - Mudança nas práticas e métodos de trabalho. ........................................... 60 Tabela 16 – Se alternância é imprescindível para o andamento das atividades. .......... 61 Tabela 17 - Alternância no cargo de Direção gera implicações no processo de gestão de pessoas. .............................................................................................................. 62 Tabela 18 - Atividades de trabalho alteradas com a troca do Diretor. ......................... 63 Tabela 19 – Secretaria deve ter autonomia aos assuntos disciplinares......................... 65 Tabela 20 - Segurança no cargo devido à troca na Direção.......................................... 66 Tabela 21 - Tranqüilidade quanto à função exercida.................................................... 67 Tabela 22 - Com alternância os espaços são reestruturados e reorganizados............... 68 Tabela 23 - Importância quanto às reestruturações e ou reorganizações dos espaços físicos...................................................................................................................... 69 xii Tabela 24 - Conflitos devido à reestruturação e/ou reorganização dos espaços físicos. ................................................................................................................................ 71 Tabela 25 - Trocas de pessoas nas funções devido à alternância no cargo da Direção. ................................................................................................................................ 72 Tabela 26 – Concordância com a interferência da Magistratura. ................................. 73 Tabela 27 - Grau de importância para a criação do cargo do Secretário visando sustentabilidade administrativa. ............................................................................. 74 Tabela 28 - Rotatividade no cargo da Direção. ............................................................ 78 Tabela 29 - Clareza quanto às regras para troca na função de Diretor Forense. .......... 79 Tabela 30 - Concordância com as atuais regras para a troca do Diretor. ..................... 80 Tabela 31 - Regras afetam diretamente as atividades de trabalho................................ 81 Tabela 32 - Descontinuidade e interrupções nas atividades administrativas com a rotatividade. ............................................................................................................ 82 xiii SUMÁRIO 1 2 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 1 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA ........................................................................................... 1 1.2 PERGUNTAS DE PESQUISA .......................................................................................... 3 1.3 OBJETIVOS ................................................................................................................. 3 1.3.1 Objetivo Geral .............................................................................................. 3 1.3.2 Objetivos Específicos ................................................................................... 3 1.4 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................... 4 1.5 APRESENTAÇÃO GERAL DO TRABALHO ...................................................................... 6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA..................................................................................... 8 2.1 PROCESSO ADMINISTRATIVO E OS INSTRUMENTOS DE GESTÃO ................................. 8 2.2 ADMINISTRAÇÃO: DIFERENÇA ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO ................................ 11 2.2.1 2.3 Administração Pública Direta e Indireta .................................................... 14 ESTRUTURA DO PODER JUDICIÁRIO ......................................................................... 15 2.3.1. Funções do Diretor Forense........................................................................ 19 2.3.2. Funções do Secretário Forense ................................................................... 20 2.4 CULTURA E PODER ORGANIZACIONAL .................................................................... 22 2.4.1. Cultura Organizacional............................................................................... 22 2.4.2. Poder Organizacional ................................................................................. 25 2.4.3. Estilos de Liderança.................................................................................... 27 2.5 RELAÇÕES DO TRABALHO ....................................................................................... 30 2.6 DESAFIOS E IMPASSES NA GESTÃO........................................................................... 31 2.6.1. Alternâncias de Cargo/Função e seus conflitos, mudança de filosofia ...... 31 3 4 METODOLOGIA DO ESTUDO .................................................................................... 34 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA ............................................................................. 34 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ......................................................................................... 36 3.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA, TRATAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS. ...................... 38 3.4 DEFINIÇÃO CONSTITUTIVA DOS TERMOS .................................................................. 39 3.5 DEFINIÇÃO OPERACIONAL DOS TERMOS ................................................................... 40 ANÁLISE DE RESULTADOS........................................................................................ 41 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA .............................................................................. 41 xiv 4.2 RESULTADOS DA PESQUISA ..................................................................................... 42 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................................... 84 6 REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 90 APÊNDICES ........................................................................................................................... 95 ANEXO..................................................................................................................................108 1 INTRODUÇÃO 1.1 Problema Pesquisa No início do século passado, três grandes estudiosos, Frederick Taylor em 1911 (EUA), Henri Fayol em 1916 (França) e Max Weber, década de 40 (Alemanha), deram os primeiros passos na transformação no mundo das organizações do ponto de vista administrativo. Taylor, com suas conclusões nos estudos do uso de tempos e movimentos como meio de analisar e padronizar as atividades de trabalho buscou forçar a qualidade da execução das tarefas e definir princípios básicos dando uma nova dimensão à gerência das tarefas. Fayol desenvolvia um estudo focando com intensidade a teoria da administração e “suas contribuições mais relevantes constituíram na designação das funções administrativas e no reconhecimento da natureza universal da disciplina”, (ROBBINS, 1990, p.58). De acordo com Robbins (1990), Weber descreve a burocracia como sendo composta de especialização do trabalho, de hierarquia definida de autoridade, de um conjunto formal de regras e procedimentos, interações impessoais, seleção e promoção baseada no mérito. Ainda Robbins (1990), Weber conseguiu retratar o momento histórico das organizações, sua colaboração facilitou o entendimento das estruturas organizacionais através da concepção da burocracia, isto é, a relação do ser humano em meio às estruturas burocráticas nas organizações. Segundo Robbins (2002, p.31), uma organização, “é um arranjo sistemático de duas ou mais pessoas que cumprem papéis formais e compartilham um propósito comum”. Reforçando esta definição, Maximiano (2000, p.91), deixa claro que a organização “é uma combinação de recursos que procura deliberadamente realizar algum tipo de objetivo (ou um conjunto de objetivos)”. A sociedade vive em constantes mudanças e as organizações não ficam fora disso. As transformações que não pararam de acontecer, o capitalismo que se sobressaiu sobre outros sistemas de governo. A crescente expansão do capitalismo fez com que as organizações, olhassem para dentro, fazendo com que não ficassem estagnadas e correndo, sabiamente, para as mudanças necessárias acompanhando assim a evolução da sociedade, que infelizmente no setor público não ocorrem na mesma velocidade, principalmente considerando o contexto brasileiro. 2 Drucker (2002) fortalece essa mudança onde defende a idéia de que não existe mais uma história ou uma civilização ocidental, mas uma história da civilização mundial. Exatamente sobre essas transformações observa-se o grande diferencial na forma de administrar, enquanto na iniciativa privada o foco principal é voltado ao lucro, na área pública busca-se o retorno de resultados para a sociedade. Neste sentido existe, nem sempre focado, um fator importante na administração pública, a falta de uma continuidade na gestão administrativa quando da mudança dos dirigentes, dos comandantes do poder, tornando-se prejudicial, afetando inclusive na questão financeira, pois, prevalecendo normalmente a vontade pessoal ou política, faz com que certos projetos da administração anterior sejam alterados ou mesmo descontinuados. Em meio a essas reflexões, o enfoque deste estudo recai no Poder Judiciário. Isso porque, determinada pela LOMAN (Lei Orgânica da Magistratura Nacional), a troca da presidência no Poder Judiciário, deve ser bienal, o mesmo ocorrendo nos Fóruns Catarinenses, âmbito central do trabalho (BRASIL, 1979). Na estrutura organizacional do fórum, existem dois cargos. O primeiro é o de Diretor Forense, exercido por um membro da Magistratura do Primeiro Grau, que como ocorre na Presidência do Poder Judiciário, uma mudança bienal, possui suas atribuições voltadas a questões administrativas, que por sua vez, também regidas por lei, neste caso o Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado (CDOJSC). O segundo cargo é o do Secretário Forense, cargo efetivo, alcançado por concurso público, existente em Comarcas Intermediárias e Finais, cargo este que se assemelham por suas atribuições, todos ligados à gerência de processos administrativos (SANTA CATARINA, 1979). O cargo do Diretor Forense, por questões legais, já referenciada no parágrafo supra exercido por um Juiz de Direito, permanecendo num prazo máximo de dois anos, normalmente coloca em prática sua metodologia de trabalho, suas particularidades de ação perante toda e qualquer situação ligada a função exercida. Portanto, após o término de sua gestão há alternância por outro Juiz de Direito, muitas vezes gerando conflitos. Como cada indivíduo possui um método de trabalho diferente de conduzir as funções administrativas, essas constantes mudanças acabam impactando no andamento dos processos em geral. O outro cargo, o de Secretário Forense, possui atribuições e funções determinadas por uma resolução da presidência do Tribunal de Justiça, e relaciona-se exclusivamente a atividade administrativa, seu titular torna-se muitas vezes entre uma gestão e outra, gerenciando 3 conflitos gerados pelas excessivas alternâncias no cargo de Diretor. Portanto, o questionamento é inevitável: Quais as implicações na gestão dos processos administrativos geradas pela alternância no cargo de Diretor Forense? 1.2 Perguntas de Pesquisa Quais são as regras para a troca na função de Diretor do Fórum? Existem conflitos nas relações de trabalho em virtude da mudança nas práticas e nos métodos de trabalho quando da troca do Diretor? Que tipo de problemas são gerados pela alternância de poder nas atividades administrativas dos fóruns? Qual a percepção dos funcionários dos fóruns quanto às mudanças nas práticas de gestão administrativa? 1.3 Objetivos No presente tópico são apresentados os objetivos geral e específicos para a determinação dos demais tópicos a serem abordados. 1.3.1 Objetivo Geral Analisar as implicações na gestão e nos processos administrativos geradas pela alternância no cargo de Diretor do Fórum. 1.3.2 Objetivos Específicos Caracterizar as regras para a troca na função de Diretor do Fórum; Verificar se há existência de conflitos nas relações de trabalho em virtude da mudança nas práticas e nos métodos de trabalho quando da troca do Diretor do Fórum; Investigar a existência de problemas gerados pela alternância de poder nas atividades administrativas dos Fóruns; 4 Levantar a percepção dos funcionários dos Fóruns quanto às mudanças nas práticas de gestão administrativas dos Fóruns; 1.4 Justificativa O Poder Judiciário possui como missão “humanizar a justiça, assegurando que todos lhe tenham acesso, garantindo a efetivação dos direitos e da cidadania, com eficiência na prestação jurisdicional”, (SANTA CATARINA, 2006). Como o Fórum é uma das unidades do Poder Judiciário, tal missão faz parte também do seu contexto. Essa necessidade de uma prestação de serviço com qualidade e rapidez, tanto cobrada com intensidade pela sociedade nos tempos atuais, leva a pensar criticamente a organização, especialmente quanto à efetividade de sua estrutura organizacional. Em qualquer organização a distribuição de cargos com suas respectivas atribuições devem estar definidas, podendo em certa situação haver uma determinada semelhança, o que de fato não deveria existir (SANTA CATARINA, 2006). No caso específico em estudo, relacionado ao cargo de Diretor do Foro, um cargo eminentemente administrativo, é exercido por um Juiz de Direto, sendo sua atividade fim relacionado a questões jurisdicionais, portanto, o acúmulo de função é inevitável. Existem mais dois pontos a serem considerados, o primeiro deles relacionado a rotatividade na Direção e ou na Comarca, pois devido à carreira, muitos acabam sendo transferidos para outros Fóruns, o segundo, relativo a semelhança das funções entre a Direção Forense com as atividades do cargo de Secretário, que será demonstrado no andamento deste trabalho. Portanto, sendo a tomada de decisão dependente exclusivamente do Diretor, aliado a isso, a prática de seus métodos de trabalho, seu estilo de liderança, não será meramente por acaso a possibilidade de geração de conflitos. Conforme Fayol (1994), planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar (POC3), tópicos básicos ligados à administração, vivenciadas até hoje em todas as organizações públicas ou privadas, comprovam e ligação entre o cargo de Secretário Forense e Diretor devido às semelhanças existente em suas atribuições determinadas pela a instituição. Um outro fator que chama a atenção é quando da execução de concurso público para preenchimento da vaga do cargo de Secretário Forense, pois uma das formações exigida está relacionada a área da administração, portanto o reconhecimento legal já existe. A falta de reconhecimento profissional é impedida que apareça, pois havendo um respaldo da instituição, dando autonomia administrativa, tentando assim diminuir a burocracia, e principalmente as 5 atribuições da Direção, com certeza, a melhoria da prestação do serviço, ou melhor, a aplicabilidade da missão sairá com uma maior presteza. Mas para que se possa dimensionar tais semelhanças, um trabalho teórico-empírico, questionando a atual situação nos Fóruns Catarinense, sejam por meio de observações ou por meio de pesquisa realizada junto aos colegas que exercem não só o cargo de Secretário, mas também outros que exerçam funções que possam opinar nas demais comarcas do estado, com certeza trará benefícios não só para a instituição como também aprendizado e complementação acadêmico-profissional ao formando. O objeto da Administração é bem explícito, ou seja, estruturar os recursos das organizações para melhor utilização, porém sua finalidade última não é o conhecimento pelo conhecimento, nem explicações de fenômenos, e sim as realizações concretas que busquem satisfazer necessidades sociais (DRUCKER, 1981, p.10). Administrar, não está ligado há um determinado segmento, público ou privado, mesmo considerando os assuntos abordados durante a vida acadêmica de administração, que geralmente tratados para iniciativa privada, o acadêmico vê a possibilidade de estabelecer foco na gestão pública. Esse desafio aumenta em importância no sentido de ampliar a discussão e enaltecer a possibilidade de valorização da carreira na área pública, tão forte e enraizada na região da grande Florianópolis. Mantendo o foco da gestão pública do Poder Judiciário, nota-se um problema existente não só no Judiciário Catarinense, mas em todo o universo jurídico brasileiro que se refere a morosidade nos andamentos processuais, tão cobrada pela sociedade. Contribuindo ainda, para a morosidade, a quantidade excessiva de processos jurídicos, e como funcionam os processos administrativos no Judiciário, considerando para a proposta do trabalho o Judiciário Catarinense. O Magistrado possui como principal atribuição a de julgar, isto é, tem um trabalho diretamente voltado ao processo judicial. Hoje em dia, porém, além dessa função milenar, assumiu outras tarefas. Uma delas relacionada a Justiça Eleitoral, que assumida a cada dois anos, executa tais atividades, juntando-se a isso em idêntico período de tempo, funções ligadas a Direção do Fórum, com atividades administrativas, já citadas anteriormente. Novamente o acúmulo de função está ressaltado, situação esta observada na justiça catarinense. Com a rotatividade no cargo de Diretor, lembrando que a mudança é a cada dois anos, o foco do problema é levantado exatamente neste ponto, aparecendo implicações nas questões 6 de atividades administrativas, mesmo da existência de normas e regras, cada Magistrado possuindo sua forma e ou maneira de administrar, isso, quer queira ou não pode trazer problemas. A falta de continuidade no gerenciamento nos processos de gestão, pode de certa maneira afetar não só as relações de trabalho, como impactar de alguma maneira as divergência nas tomadas de decisões, citando como exemplo, uma revogação do sucessor. No Anexo (organograma 04), a título demonstrativo, se encontra o organograma Forense, deixando claras as distribuições dos cargos e setores existentes. Tem o presente projeto, além de levantar, caso haja, implicações existentes com a alternância no cargo de Diretor, o intuito de contribuir para um melhor desempenho nas atividades administrativas, nas tomadas de decisões, reforçando, principalmente, uma continuidade dos trabalhos ligados diretamente ao fórum e fazendo com que na Direção Forense fique com uma carga menor de serviço, disponibilizando o Diretor, para exercer com mais tranqüilidade suas função básica, a jurisdicional, julgar. Além da possibilidade de haver um reconhecimento, uma valorização ao profissional da Secretaria Forense, como também das funções que o cargo exige, isto é, a essência, administrar. 1.5 Apresentação geral do trabalho O presente trabalho está organizado em cinco capítulos. Constam no capítulo um, a introdução, problema pesquisa, perguntas ou hipóteses de pesquisa, os objetivos geral e específicos, a justificativa e a apresentação deste trabalho. No segundo capítulo, descreve-se à fundamentação teórica, onde se aborda os seguintes temas: administração privada e pública, administração direta e indireta, a estrutura do Poder Judiciário de Santa Catarina, incluindo as funções do Diretor e Secretário Forense, e um esclarecimento de como é hoje a administração das Comarcas do Estado. Dando continuidade, estuda-se os processos administrativos e de gestão, seus fatores e instrumentos no âmbito da organização em questão. No mesmo capítulo, esboça-se uma idéia da cultura organizacional do Poder Judiciário Catarinense, descrevendo os tipos de poder na organização, estilos de liderança, as relações de trabalhos e os desafios e impasses na gestão, as mudanças na filosofia de trabalho e principalmente a alternância de poder e suas complicações. No terceiro capítulo, apresenta-se a metodologia do estudo com a caracterização da pesquisa, descrição da população e amostra, os procedimentos de coleta, tratamento e análise dos dados. 7 No quarto capítulo, encontra-se a análise da pesquisa, juntamente com as tabelas e gráficos, e na seqüência, encontram-se, respectivamente, as considerações finais, referências bibliográficas, apêndices e anexos. 8 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Após ter colocado em pauta o tema e problema de pesquisa, definidos os objetivos geral e específicos e a justificativa do trabalho, pesquisou-se inúmeras obras literárias para compor a fundamentação teórica a seguir. Os temas abordados que deram embasamento teórico ao referente trabalho foram: o processo administrativo e os instrumentos de gestão, administração – diferença entre público e privado, estrutura do poder judiciário, cultura e poder organizacional, relações do trabalho e os desafios e impasse na gestão. 2.1 Processo Administrativo e os Instrumentos de Gestão Para a regularidade do desenvolvimento administrativo e para o exercício do processo de tomada de decisão, assunto este muito pertinente ao que o trabalho está propondo, situações ligadas à atividade forense, tanto na Direção quanto na Secretaria, é essencial o bom emprego dos princípios administrativos, por isso é importante observar o significado, a importância, os objetivos e as decorrências de ordem prática de cada um dos princípios básicos do processo administrativo, planejamento, organização, comando (direção), coordenação e controle, POC3. Planejamento: Precursor de qualquer conquista, seja no esporte, num projeto escolar, num projeto de pesquisa, nada se consegue sem antes planejar ou estruturar os passos para a empreitada. Planejamento, de uma forma resumida e para Kwasnicka (1989), é visto como prever uma visualização do futuro, traçando programas de ações. De acordo com Robbins (1990, p. 37), “é a determinação antecipada dos objetivos a serem atingidos e dos meios pelos quais esses objetivos devem ser atingidos”, sendo considerado pelo autor como sendo a mais básica, pois é a que estabelece a ligação entre onde se está e onde se deseja estar. Com o andar dos tempos, as organizações se desenvolveram, ao ponto de se verificar a necessidade de subdividir o planejamento, como dito por Bernardes, (1993, p. 240), quando define que o planejamento pode ser estratégico, integrativo ou tático e operacional. Não se estendendo nas definições de cada, o que chama a atenção e que vem bem ao contexto do estudo é exatamente o planejamento operacional, problemas estes ligados diretamente a um 9 determinado fórum, quer dizer, problemas do dia a dia, a falta do funcionário, trocar funcionário de setor, dispensar alguém mais cedo, e muitos outros. Tanto o estratégico quanto o tático, são realizados pelo staff, da organização, neste caso o Tribunal Pleno, órgão máximo do Poder Judiciário Catarinense (BRASIL, 1979). O que vem em encontro ao trabalho é exatamente o planejamento operacional, pois é o que determina os cursos de ação para o que os processos de transformação sigam com o fim de produzir bens ou prestar serviços, principalmente serviços (BERNARDES 1993, p. 242). Organização: Caracterizaria o termo organização, para Kwasnicka (1989, p.61), o fato de que organizar é o ato de compor a estrutura funcional da empresa, é dotá-la de tudo que seja útil ao seu funcionamento: matéria-prima, utensílios, capitais e pessoas (FAYOL, 1994, p.77). Conforme Robbins (1990, p.38), “é o estabelecimento de relações entre as atividades s serem desempenhadas, o pessoal que vai desempenhá-las e os fatores físicos necessários”, sendo que para o autor a principal preocupação é a divisão das tarefas, a criação dos grupos de trabalho, o estabelecimento dos graus de autoridades e equalizando esta autoridade a responsabilidade. Segundo Bernardes (1993, p. 17), organização é “uma associação de pessoas caracterizada por possuir uma estrutura formada por pessoas que se relacionam colaborando e dividindo o trabalho para transformar insumos em bens e serviços”. Reforçando, Maximiano (2002, p. 111) deixa claro que organizar é o processo de dispor qualquer conjunto de recursos em uma estrutura que facilite a realização de objetivos. Diante do exposto pelos autores supra, pode-se inferir que o termo organização não se reporta apenas a estrutura funcional de uma empresa e/ou instituição, mas vai além, envolvendo atividades a serem desempenhadas, os recursos humanos empenhados em sua consecução e os fatores físicos necessários, em suma, caracteriza-se mais como um processo do que como um produto acabado e visa auxiliar na realização de objetivos. Comandar (dirigir): A terceira função do POC3, comandar ou dirigir caracteriza-se por determinar a presença de um líder, chefe, para fazer funcionar, impulsionar, por em ação. Na visão de Fayol 10 (1994), o comando para cada chefe no interesse da empresa é tirar o melhor proveito possível dos agentes que compõem sua unidade. Kwasnicka (1989) também defende que comandar ou dirigir é como um ato de orientar e conduzir o pessoal, para isso ocorrer de uma forma satisfatória, Fayol (1994) fornece alguns preceitos como: ter conhecimento profundo de seu pessoal, dar bom exemplo, incentivar no pessoal a atividade, a iniciativa e o devotamento (FAYOL, 1994, p.120). Chiavenato (1999) reforça quando diz que esta função se preocupa com que as operações sejam executadas e os objetivo atingidos. Comandar para Maximiano (2002) é apenas uma estratégia para fazer as atividades acontecerem, mas sua visão de administração contemporânea deixa claro uma outra realidade, a de que direção pode ser complementada por funções como autogestão, coordenação e liderança. Da análise do anteriormente exposto, vê-se que comandar ou dirigir, a terceira função do POC3, engloba aspectos diversos em sua conceituação, podendo desde ser considerado uma forma para atingir os objetivos, passando por ser ferramenta utilizada para a execução de atividades ou, ainda, como uma filosofia de gerenciamento de estratégias para a efetivação de tarefas, mas sempre está relacionado à administração de pessoal. Coordenar: Coordenar pode dispor de certa ordem e método, no caso presente, é estabelecer a harmonia entre todos os atos de uma empresa de maneira a facilitar o seu funcionamento e o seu sucesso, dando ao organismo materiais e sociais de cada função as proporções convenientes para que possa desempenhar seu papel seguro e economicamente, em suma, adaptar os meios ao fim, dar às coisas e aos atos as proporções convenientes (FAYOL, 1994, p. 126). Para Kwasnicka (1989), coordenar é o ato de ligar, unir, harmonizar todos os esforços da empresa em torno de seu objetivo, que hoje é, também, denominado execução. Bernardes (1993, p. 141) define coordenar como o ato de “influenciar os participantes de um grupo a se comportarem de forma que a meta preestabelecida seja mais facilmente atingida”, talvez o termo influenciar na visão de Bernardes, possa ser um pouco forte, mas diante de certas situações, ou personalidade de seu subordinado seja necessária tal influência. 11 Conforme exposto pelos autores acima citados, vê-se a importância de haver um norte, uma orientação que mostre os caminhos a serem trilhados em busca da concretização de tarefas e ou serviços a serem executados, o que chama a atenção, é a defesa de alguns quanto ao ato de influenciar o grupo dando uma margem de interpretação quanto à forma de liderança. Controlar: Quanto ao último item do POC3, se pode dizer que controlar era definido por Fayol (1994), como sendo o meio de verificar se tudo ocorre de acordo com o programa adotado, as ordens dadas e os princípios admitidos, sendo aplicável a tudo, às coisas, às pessoas e aos atos. Robbins (1990, p.38) diz que “regular e controlar o desempenho, a fim de assegurar que ele se conforme a certos padrões”, reforçando, dispõem o seguinte, “o desempenho é medido, comparado aos padrões e, no caso de existência de desvios significativos, instituem-se ações corretivas”. Conforme Bernardes (1993, p.149), controle consiste na “verificação da ocorrência de desvios da meta prevista e executar medidas corretivas que se fizerem necessárias”. Na mesma linha, Maximiano (2002) defende como controle o processo que informa quais os objetivos devem ser atingidos, definindo os padrões deste controle e realizando comparações para, caso haja necessidade, sejam realizadas as ações corretivas. Na visão de Etzioni, (1989), os mecanismos de controle devem ser constantes, pois uma verificação é necessária para que as ordens e os regulamentos possam ser cumpridos, o que reforça a função do Secretário, principalmente pelo fato de não haver a rotatividade no cargo (ETZIONI, 1989, p. 34). Neste último item do POC3, fica evidente, diante das definições dos autores em pauta, que preliminarmente é necessário se ter os procedimentos pré-definidos de uma forma clara e objetiva, as normas e/ou regulamentos bem descritos, facilitando assim uma melhor comparação e havendo necessidade de uma correção diante das diferenças que podem ocorrem durante a execução de qualquer serviço e ou tarefa. 2.2 Administração: diferença entre o público e o privado Segundo, Chiavenato (2000, p.3), administração “[...] é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso dos recursos organizacionais para alcançar determinados 12 objetivos de maneira eficiente e eficaz”. De acordo com Cury (2000, p. 15) “[...] administração é um tipo de esforço humano cooperativo que possui um alto grau de racionalidade”. Destacando-se que “[...] cooperativa [...] é aplicada em termos de resultados, [...] e o alto grau de racionalidade [...]” quando dirigida à consecução de objetivos. Conforme Di Pietro (2005, p. 53), pode-se dizer que a palavra administrar significa: “[...] não só prestar serviço, mas executá-lo, como, igualmente, dirigir, governar, exercer a vontade com o objetivo de obter um resultado útil; e que até, em sentido vulgar, administrar quer dizer traçar programa de ação e executá-la.”. Já Meirelles (2003, p.83) estabelece a essência do conceito de administrar quando diz que é o ato de “gerir interesses, segundo a lei, a moral e a finalidade dos bens entregues à guarda e conservação alheias. Se os bens e interesses geridos são individuais, realiza-se administração particular; se são da coletividade, realiza-se administração pública”. Considerando os conceitos, administração é o ato de administrar um grupo por intermédio do planejamento, da organização, do controle e principalmente, pela forma de dirigí-lo, acompanhado pela cooperação do grupo e pela racionalidade das ações. Ainda que o presente trabalho não enfoque especificamente sua atenção à administração privada, é importante entender seu preceito na estrutura organizacional de uma sociedade, pois no contexto de uma nação as empresas privadas que regulamentam a própria administração são pioneiras e de grande relevância nas teorias nessa área. Assim, entende-se administração privada como sendo as organizações sociais nos mais diversos ramos de atividade, que utilizam as mais diversas tecnologias “[...] para produzir bens ou serviços dos mais variados tipos e que são vendidos e distribuídos de maneiras diferentes para os mais diversos tipos de mercados, a fim de serem utilizados pelos mais diversos consumidores” (CHIAVENATO, 2000, p.42). Atualmente, o processo produtivo é realizado dentro de uma estrutura, no qual diversos autores, como Jack Welck, Tom Peters e Peter Drucker, chamam de organizações, nas quais são aplicados os conceitos de planejamento, organização, direção e controle. Portanto, pode-se entender que administração privada é aquela em que um grupo organizado atua em uma área, aplicando procedimentos de planejamento e efetuando controles necessários à sobrevivência no mercado competitivo, na busca da eficiência e eficácia, com recursos financeiros próprios e condizente com a atual realidade. 13 De acordo com D’Ascenção (2001, p. 37) “às atividades de formar agrupamentos humanos, distribuir o trabalho entre seus membros e equacionar a utilização dos recursos, visando ao atendimento de suas necessidades, deu-se o nome de organização”. As atividades estruturadas de maneira tanto formal quanto informal. Ainda D’Ascenção (2001, p.39), esclarece quando o informal acontece, sejam eles comunitários ou de empresas, é mais uma concessão do grupo do que um direito. Já as organizações formais são conhecidas como estrutura organizacional porque estabelecem formalmente as áreas de atuação, encaixando-se especificamente no conceito do que é administração privada. Portanto, administração privada é o grupo socialmente organizado com missão e objetivos estabelecidos e, principalmente, estruturado através da divisão de trabalho, poder e decisão, atribuição de autoridade e responsabilidade, canais de comunicação, informações e tecnologia visando à produção de bens ou a prestação de serviços para a obtenção da lucratividade (D’ASCENSÃO, 2001). Conforme expressa Di Pietro (2005), independentemente do poder, Executivo, Judiciário e Legislativo, a administração pública é inerente em todas as atividades e tem dois sentidos, o objetivo e o subjetivo. No sentido objetivo, material ou funcional, é determinada a natureza da atividade básica, isto é, a própria função administrativa, muito forte, muito dominante no Poder Executivo. E no sentido subjetivo, formal ou orgânico, os elementos que exercem a atividade administrativa compreendido em pessoas jurídicas, órgãos e agentes públicos estão encarregados de exercer a função administrativa. Carlin (2001, p. 64) define que a administração pública é considerada sob dois sentidos, o funcional e o organizacional, sendo que o primeiro deles, para o autor, é caracterizado como um conjunto de atividades que auxiliam o exercício das funções de governo, como, por exemplo, no ensino público, calçamento, coleta de lixo, sendo que no segundo sentido, o organizacional seria caracterizado pela estrutura ou o aparelhamento destinado a tais atividades, constituindo-se dos órgãos que produzem serviços administrativos. Não muito distante dos conceitos já expressos está o definido por Justen (2005, p. 90), que diz: utiliza-se, geralmente, a expressão Administração Pública para fazer referência ao conjunto de entes e organizações titulares da função administrativa. Mas a expressão pode ser interpretada em diversos sentidos. Numa acepção subjetiva, Administração Pública é o conjunto de pessoas, públicas e privadas, e de órgãos que exercitam atividade administrativa. 14 Em sentido objetivo, Administração Pública é o conjunto dos bens e direitos necessários ao desempenho da função administrativa. Porém, enfoca Justen (2005, p.90) que a Administração Pública, no seu sentido funcional “[...] é uma espécie de atividade, caracterizada pela adoção de providências de diversas naturezas, visando à satisfação imediata dos direitos fundamentais”. Para Gasparini (1995), a administração tem um conteúdo ora vulgar, ora técnico, sendo que a administração pública é exemplo de conteúdo técnico, quando grafada as iniciais em maiúscula, significa Estado, quando em minúscula, significa atividade administrativa. Meirelles (2003, p.63) define que a administração pública: Em sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do Governo; em sentido material, é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicos em geral; em acepção operacional, é o desempenho perene e sistemático, legal e técnico, dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade. Da análise dos conceitos, conclui-se que administração pública é, em sentido amplo, o Estado quando no exercício dos serviços próprios de cada Poder, com o objetivo de atender às necessidades da sociedade. No sentido restrito, administração pública é o órgão ou a instituição formada para dar suporte à prestação dos serviços próprios do Estado. Assim, deverá estar estruturada por organismos para administrar recursos financeiros, pessoal, material e tecnológico, necessários ao desenvolvimento dos serviços públicos essenciais à sociedade. 2.2.1 Administração Pública Direta e Indireta No contexto da Doutrina do Direito Administrativo, as opções políticas do Estado tornam-se presentes na sociedade, por intermédio de unidades da Administração Direta e Indireta. De acordo com Carlin (2001), o rótulo administração direta e indireta é constitucional (art. 22, XXVII). Essa redação foi alterada pela Emenda Constitucional nº. 19/98, anteriormente tal classificação já existia de acordo com o disposto no Estatuto da Reforma Administrativa (Decreto – Lei nº. 200/67) que classificou Administração federal em direta e indireta. Define ainda o autor que Administração: 15 Direta consiste dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da República e dos Ministérios, [...], bem como da organização das esferas estaduais, municipais e do Distrito Federal. Indireta, é a constituída dos serviços atribuídos as pessoas jurídicas diversas da União, públicas (autarquias) ou privadas (empresas públicas e sociedades de economia mista), vinculadas à direta, mas administrativamente e financeiramente autônomas (CARLIN, 2001, p 67) Di Pietro (2005, p. 61) diz que a Administração Pública é composta pela Administração Direta e Indireta, subtraindo que: [...] todos os órgãos integrantes das pessoas jurídicas políticas (União, Estado, Municípios e Distrito Federal), aos qual a Lei confere o exercício de funções administrativas. São os órgãos da Administração Direta do Estado. Porém, não é só. Às vezes, a lei opta pela execução indireta da atividade administrativa, transferindo-a a pessoas jurídicas com personalidade de direito público ou privado, que compõem a chamada Administração Indireta do Estado. Já Justen (2005, p. 101) conceitua Administração Direta como sendo “[...] uma manifestação estatal produzida em nível constitucional”. E Administração Indireta como “[...] produzida a partir da vontade legislativa infraconstitucional”. Meirelles (2003) ao definir administração direta e indireta, demonstra que o objetivo é apenas a classificação da personalidade jurídica própria para administração indireta, porém com vinculação ao órgão que a criou. Em outras palavras, o Estado quis dar à prestação de alguns serviços eminentemente públicos ênfase de iniciativa privada. Dentre os conceitos, percebe-se que Administração Direta refere-se aos órgãos criados e ligados diretamente aos preceitos dos serviços públicos, os quais cada Poder deve levar à sociedade. Quando se expressa Administração Indireta, entende-se que é o Estado expressando os serviços públicos de forma mais próxima ao que são realizados pela iniciativa privada. 2.3 Estrutura do Poder Judiciário Neste capítulo será abordada de maneira simplificada, como a justiça brasileira encontra-se dividida. Como o objetivo principal deste trabalho está focado nos fóruns catarinense, não será aprofundado o que a cada unidade desta divisão compete, seja sob a ótica administrativa ou jurídica. O direito brasileiro prevê a existência da Justiça Federal e das Justiças Estaduais, bem como da Justiça Especializada e Justiça Comum. Compõem a Justiça Especializada: a Justiça Militar, a Justiça Eleitoral, a Justiça do Trabalho e as Justiças Militares e Estaduais (SANTA CATARINA, 2006, p.13) 16 Compete à Justiça Militar as causas penais fundadas no direito penal militar e na Lei de Segurança Nacional, à Justiça Eleitoral, as causas relacionadas com eleições políticas; à Justiça do Trabalho, as causas oriundas da relação do trabalho. A Justiça Comum é composta pela Justiça Federal e pela Justiça Estadual Ordinária (SANTA CATARINA, 2006, p. 13) Á Justiça Federal e a Justiça Estadual competem as demais matérias não abrangidas pelas Justiças Especiais. Por essa razão, são chamadas Justiça Comum. Via de regra, pode-se afirmar que cabem à Justiça Federal as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal, forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes (SANTA CATARINA, 2006). Este apanhado supra, dá uma idéia geral do Poder Judiciário do país, porém, o que interessa, virá a partir deste momento focar o estudo sobre a justiça estadual. O Tribunal de Justiça Catarinense possui órgãos de natureza administrativa, de julgamento e disciplinadores. São considerados órgãos administrativos, o Tribunal Pleno formado pelos 40 Desembargadores, sendo que um quinto destes é composto por mais dois pilares da Justiça, o Ministério Público e da Advocacia, que por sua vez são indicados em uma lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes. Cabe ao Tribunal Pleno, por uma maioria absoluta a formação de uma lista tríplice, enviando-a ao Governador do Estado que num prazo determinado escolherá um de seus integrantes para nomeação (SANTA CATARINA, 2006) Compete ao Tribunal Pleno: - eleger e dar posse ao presidente e demais desembargadores titulares de cargos de direção; - dar posse a novo desembargador; - eleger, dentre os desembargadores, os que devam compor o Tribunal Regional Eleitoral, na condição de membros efetivos e substitutos; - votar o regimento interno e suas emendas (SANTA CATARINA, 2006). O Conselho de Administração é o segundo órgão na esfera organizacional do Poder Judiciário. A Resolução n. 002/00-TJ instituiu este conselho, designando-o como órgão de consulta da Presidência do Tribunal de Justiça. Composto por 12 (doze) membros, assim distribuídos: Membros natos, o Presidente, 1°, 2° e 3° Vice-Presidentes, a Corregedoria-Geral da Justiça, o Presidente do Fundo de Reaparelhamento da Justiça (cargo exercido também por 17 um desembargador) e o Presidente da Conta Única de Depósitos Judiciais, e mais cinco desembargadores designados pelo Presidente (SANTA CATARINA, 2006). Os Órgãos de Julgamento são divididos em 7 (sete), sendo eles: Tribunal Pleno, cuja competências judiciais são definidas pelos artigos 88 e 89 do CDOJSC (Código de Divisão de Judiciária do Estado de Santa Catarina), como privativa para processar e julgar tendo como exemplos: - nos crimes comuns, o vice-governador do Estado, os deputados estaduais e o procurador-geral de justiça; - pedido de intervenção federal no Estado, bem como representação para intervenções municipais e dentre outros (SANTA CATARINA, 1979). Ainda como julgadores, Seção Civil, Grupos de Câmaras, Câmaras Civis Isoladas, Câmara Civil Especial, Câmaras Criminais Reunidas e Isoladas. Como Órgãos Disciplinadores existem a Corregedoria-Geral da Justiça e o Conselho da Magistratura. No Tribunal de Justiça os órgãos estão hierarquizados em cinco níveis, na seguinte ordem de subordinação: Presidência; Direção-Geral Judiciária e Administrativa; Diretoria; Divisão e Seção. Nos organogramas 1 (um), 2 (dois) e 3 (três) do Anexo, apresenta-se uma melhor visualização do Tribunal Pleno, do Tribunal de Justiça e os Órgãos Julgadores, por meio dos organogramas (SANTA CATARINA, 1979). Dando continuidade da estrutura do Poder Judiciário Catarinense, destaca-se a Justiça de Primeiro Grau. Dividida por Comarcas, e que possui também seus aspectos jurisdicionais e administrativos, funções estas exercidas pelos Juízes e a Secretaria Forense. As Comarcas existentes, por serem diferentes umas das outras possuem particularidades, isto é, não possuem estruturas padronizadas. Comarcas são delimitações territoriais dentro das quais os juízes exercem a função jurisdicional e são constituídas de um ou mais municípios. Atualmente, há em nosso estado 110 (cento e dez) comarcas (SANTA CATARINA, 1979). A competência de cada juiz, estabelecido por lei, é determinada pela abrangência territorial da comarca, abrangência esta denominada como Circunscrição, conforme demonstrado no Apêndice C, que mostra a que Comarca os municípios pertence quanto às questões jurisdicionais. Comarcas são classificadas por entrâncias, que quer dizer lugar de ordem das circunscrições judiciárias. Esta classificação é decorrente dos efeitos legais, regida pelo artigo oitavo do Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado de Santa Catarina (CDOJSC), onde o número de habitantes e o movimento forense (número de processos) se 18 tornam os itens mais importantes desta classificação. Portanto a divisão numérica fica assim distribuída: 76 (setenta e seis) Inicias, 21 (vinte e uma) Intermediárias, 12 (doze) Finais e 1 (uma) Especial sendo esta a Capital do Estado, cada categoria possuindo particularidades diferentes, com isso, totaliza-se 110 Comarcas (SANTA CATARINA, 1979). O presente trabalho teve como foco de pesquisa, os fóruns catarinenses, palavra derivada de foro, um local para debates. Nestes Fóruns existe uma divisão organizacional, conforme demonstrado no organograma 4 (quatro) do Anexo. Os Cartórios, também denominada como Vara, sendo este o que define o limite de competência de cada Magistrado (SANTA CATARINA, 2006). A quantidade de Varas e ou Cartórios, está relacionada na sua divisão por entrâncias. As de entrância Inicial são constituídas de uma única vara, com isso, todas as causas levadas ao Fórum serão submetidas à apreciação deste único Magistrado, não importando a natureza do processo (criminal, cível, família, fazenda, etc.). Comarcas de entrâncias Intermediárias, Finais e Especial possuem duas ou mais varas, conseqüentemente tendo dois ou mais Magistrados, sendo assim os processos distribuídos por sorteio (SANTA CATARINA, 2006). A função jurisdicional desenvolve-se sobre uma base de recursos humanos e materiais e serviços administrativos. Estes recursos humanos são compostos pelo pessoal da Justiça de Primeiro e Segundo Grau, responsáveis pela prática da atividade administrativa (SANTA CATARINA, 2006). As comarcas, por serem diferentes umas das outras quanto ao número de varas e outras particularidades, não possuem estruturas padronizadas. A estruturação põe em destaque as relações de autoridade, subordinação, coordenação, decisão e controle de trabalhos. Conforme o organograma 4 (quatro) do Anexo, a Direção do Foro é exercida por um Magistrado que se encontra na comarca e acumula as funções jurisdicionais e administrativas, pois é a ele que cabem as decisões administrativas em nível mais elevado (SANTA CATARINA, 2006). No mesmo organograma 4 (quatro) do Anexo, visualiza-se a Secretaria, que por sua vez está vinculada hierarquicamente à Direção do Foro, e compete a esta Secretaria a coordenação e o controle das gestões administrativas do fórum, onde suas atribuições foram previstas por regimento interno do Poder Judiciário (SANTA CATARINA, 2006). 19 2.3.1. Funções do Diretor Forense Conforme esclarecido anteriormente, o Magistrado exerce cumulativamente as funções de Diretor Forense (quando assume) e o de Juiz de Direito, vinculado a uma determinada Vara. Esta determinação esta baseada pelo artigo109, do Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado, (CDOJSC). O Magistrado exercerá a Direção onde houver na comarca mais de um juiz, será escolhido preferencialmente, o mais antigo e desde que aceite a indicação do mandato por 02 (dois) anos. Em comarcas iniciais, isto é uma única vara, a Direção é assumida automaticamente e seu mandato dura enquanto o mesmo se encontrar na comarca (SANTA CATARINA, 1979). Compete à Direção Forense: - superintender a administração e a polícia do fórum, sem prejuízo da competência dos demais juízes, quanto à polícia das audiências e sessões do Júri; - elaborar o Regimento Interno do fórum, submetendo-o à apreciação do Presidente do Tribunal; - requisitar do Tribunal de Justiça o material de expediente para o serviço em - conceder licença até 90 (noventa) dias, dentro do ano, aos servidores da Justiça, geral; ouvidos, previamente, os juízes aos quais sejam diretamente subordinados, se a licença for para trato de interesses particulares; - determinar a época de férias desses servidores e do juiz de paz, observado o disposto na parte final do item anterior; - impor penas disciplinares a servidores da Justiça não subordinados a outra autoridade; - remeter à Diretoria de Administração do Tribunal o boletim de freqüência dos servidores remunerados pelos cofres públicos, para elaboração das folhas de pagamento; - dar posse aos Juízes de Paz e aos servidores da Justiça, salvo as exceções previstas neste Código; art. 75; propor a criação de cargo de oficial de Justiça, na forma do parágrafo único do 20 - promover e presidir o concurso para preenchimento dos cargos de servidores da Justiça da sua comarca; - prestar informações ao Presidente do Tribunal sobre a lista tríplice para nomeação, pelo Governador do Estado, do juiz de paz e seus suplentes; - abrir, encerrar e rubricar os livros dos auxiliares da Justiça e resolver as dúvidas por eles suscitadas, ressalvada a competência do juiz dos registros públicos; - requisitar aos órgãos policiais licença para porte de armas destinadas a servidores da Justiça; - visar os balanços dos comerciantes, na forma da lei de falências; - processar e julgar os casos de perda do cargo de juiz de paz, com recurso voluntário para o Tribunal Pleno (SANTA CATARINA, 1979). Como se observa, são inúmeras as atribuições, ligadas ao cargo de Diretor, que após uma análise mais aprofundada, demonstra excessivos trabalhos que certamente fazem parte do planejamento operacional. 2.3.2. Funções do Secretário Forense Independentemente da divisão existente, isto é, inicial, intermediária ou final as atribuições exercidas pelas Secretarias são atividades de natureza tipicamente administrativas, tarefas que envolvem planejamento, organização, orientação e controle de ocorrências funcionais, atividades administrativas e disciplinares. Para Chiavenato (2000), o administrador, independentemente de ser Diretor, Gerente (Secretario Forense), Chefe de Departamento, ou mesmo Líder de equipe, passa a ser uma pessoa indispensável para qualquer tipo de organização, privada ou pública. O autor ainda reforça que administrar é sobretudo lidar com pessoas, ter ênfase no ambiente, lidar com as demandas do ambiente e obter o máximo de eficácia da empresa (CHIAVENATO, 2000). Conforme resolução interna do Poder Judiciário Catarinense, a atividade do Secretário Forense possui atividade de natureza administrativa que envolve justamente os chamados POC3, planejamento, organização, comando, coordenação e controle, atividades estas sobre 21 bens patrimoniais, comunicações oficiais, gerenciamento disciplinares, e todo serviço ligado direto ou diretamente em questões administrativas (SANTA CATARINA, 2006) Abaixo se encontram algumas atribuições desenvolvidas pela Secretaria Forense, determinada por resolução, mas vai mais além: - elabora e renova o cadastro funcional dos servidores remunerados e não remunerados; - requisita verbas de adiantamento para despesas de limpeza, conservação e manutenção do Fórum; - abre e controla contas bancárias de caráter administrativo da Direção do Fórum; - responsabiliza-se pelo recolhimento de valorares referentes a telefonemas particulares, taxas de inscrição em concursos, cópias xerográficas e outras ligadas á administração do Fórum; - controla os bens patrimoniais mantendo-os em condições de uso; - providencia a requisição de novos bens e a baixa dos considerados inservíveis; - mantém atualizados registros funcionais comunicando as ocorrências á Secretaria do Tribunal de Justiça; - elabora as correspondências da Direção do Fórum, e as relativas ao serviço da Secretaria; - responsabiliza-se pela guarda dos livros de caráter administrativo e demais documentos da Secretaria; - planeja, organiza, orienta e controla as atividades relacionadas com: requisição, guarda e utilização de materiais de expediente e de consumo, fornecimento de cópias xerográficas, serviço de biblioteca, recepção e expedição de correspondências oficiais e arquivo de processos e documentos; - controla o ponto dos servidores, encaminhando mensalmente á Secretaria do Tribunal de Justiça, o boletim de freqüência com registro de faltas e atrasos; - fornece informação em processos administrativos (disciplinares) dos servidores o Fórum; - avalia juntamente com os Escrivães, os servidores do Foro, para efeitos de promoção e concessão da gratificação de produtividade; 22 - estabelece, em conjunto com o Diretor do Foro e sob orientação do Tribunal de Justiça, as bases em que deve funcionar a Administração do Foro Judicial, dando aos servidores nela lotados a disposição necessária para melhor desempenho; - adota providências para controle da vida funcional dos servidores, estagiários e bolsistas; - elabora e renova o cadastro funcional dos servidores remunerados e não remunerados; - elabora Portarias que envolvam interesses de servidores (licenças, transferências de férias, substituição, tratamento de saúde, lotação, entre outras); - adota providências prévias para a posse de servidores (orientação para realização de exames médicos, contatos com a Junta Medica, conferência da documentação necessária, e outros procedimentos); - oficia o Tribunal de Justiça, indicando em lista tríplice os Juízes de Paz e suplentes; (SANTA CATARINA, 2006). Como observa-se, muitas atribuições dadas ao cargo da Secretaria estão efetivamente ligadas a atos administrativos como também ao planejamento operacional. Evidentemente muitas atribuições ligadas a Direção é executada pela Secretaria, justamente esse é o ponto, caracterizar assim a possibilidade da autonomia do Secretário, em tomadas de decisão sobre as atividades administrativas. 2.4 Cultura e Poder Organizacional Importante destacar que, em qualquer organização, a cultura organizacional é peça inerente na sua formação, portanto, neste capítulo está sendo tratado sobre tal tema, junto a ele, trata-se também sobre poder organizacional e estilos de liderança. 2.4.1. Cultura Organizacional Etimologicamente a palavra cultura provém do latim de cultura, não sofrendo tradução para o português e é usada, para designar o ato ou efeito de cultivar. Depreendemos então que a cultura precisa ser “cultivada”, mantida e que como tudo que é cultivado nasce, cresce e declina (ROSA, 2007). 23 Freitas (1991) conceitua cultura organizacional com um conjunto de produtos concretos por meio do qual o sistema é estabilizado e perpetuado, incluindo mitos, sagas, linguagens, símbolos, rituais, sistemas de valores e normas de comportamento. Para Srour (1998), a cultura organizacional exprime a identidade da organização e segundo Fleury (1996), desvendar a cultura de uma organização é necessário recuperar o momento histórico, propiciando assim o pano de fundo necessário para a compreensão da natureza, das metas e objetivos. Baseado nisso, importante resgatar um pequeno histórico do Poder Judiciário Catarinense. O primeiro órgão judiciário instalado no Brasil foi a Relação da Bahia, criada pelas Cortes Espanholas em 1587, no reinado de Felipe II, rei da Espanha e de Portugal. Esta Relação foi instalada em 1609 (SANTA CATARINA, 2006). A Constituição de 1824, portanto, 215 anos após a instalação da Relação da Bahia, estabelecia que houvesse em cada Província do País um Tribunal da Relação, cujo objetivo era aproximar a justiça do povo (SANTA CATARINA, 2006). Entretanto, foram instaladas apenas quatro Relações: a de Pernambuco, São Luiz do Maranhão, Bahia, instalada em 1609, e a da Corte, compreendendo, além do Rio de Janeiro, as Províncias centrais e as do sul, inclusive Santa Catarina (SANTA CATARIBA, 2006). Decênios mais tarde, através do Decreto 2.342, de agosto de 1873, foram criadas mais sete Relações, uma dessas na cidade de Porto Alegre, com jurisdição no Rio Grande do Sul e Santa Catarina (SANTA CATARINA, 2006). Durante muitos anos Santa Catarina viveu jurisdicionada à Relação de Porto Alegre. Até 1891, havia uma Justiça Única (Justiça unitária), âmbito nacional, isto é, uma só organização judiciária estendia-se por todo o território brasileiro (SANTA CATARINA, 2006). A partir de 1891, o organismo da justiça unitária foi substituído pelo organismo da Justiça dual – a Federal e a dos Estados. Cada Estado reger-se-á pela Constituição que adotar, respeitando os princípios constitucionais da União, e baseados na sua primeira Constituição Estadual (1891), no seu artigo 47 o Poder Judiciário assim ficou: Superior Tribunal de Justiça com sede na capital, Juízes de Direito e suplentes nas respectivas comarcas, Tribunais de Júri, 24 nas sedes das comarcas, Tribunais Correcionais e Juízes de Paz nos respectivos Distritos (SANTA CATARINA, 2006). A Constituição Estadual de 11 de junho de 1891 institui como órgão de segunda instância o Superior Tribunal de Justiça, composto de cinco magistrados, denominado desembargadores (SANTA CATARINA, 2006). O Estado foi dividido em quatorze comarcas: Desterro (Capital), São José, São Miguel, Tijucas, Itajaí, Blumenau, São Francisco, Joinville, São Bento, Laguna, Tubarão, Araranguá, Lages e Curitibanos. Comarca é uma circunscrição judiciária, demonstrado no Apêndice C, sob a jurisdição de um ou mais juizes de direito. Atualmente, no estado catarinense existem 110 comarcas, divididas em 40 Circunscrições, conforme Apêndice C, (SANTA CATARINA, 2006). Mantendo até a presente data, e considerando como órgão do Poder Judiciário, além do Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de Justiça (STJ), os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais, os Tribunais e Juízes do Trabalho, os Tribunais e Juízes Eleitorais, (que são exercidos pelos juizes dos estados), existe os Tribunais de Juízes Militares, os Tribunais e Juízes dos Estados, do Distrito Federal e Territórios (BRASIL, 1988). Neste pequeno histórico, nas entre linhas se encontra a formação da cultura organizacional, formada e norteada pelas sucessivas alterações das constituições federal e estadual, além de alguma alteração proposta pelo próprio Poder Judiciário, que, por exemplo, havendo a necessidade do crescimento do número de Magistrados, tomando por base o volume populacional e ou volume de processos, será realizada mediante proposta de lei do próprio Tribunal de Justiça, solicitando ao Poder Legislativo, a sua aprovação, por ser este o órgão competente para criação da devida lei. Dando continuidade as várias mudanças da Constituição Federal, há de se registrar, como significativa, no âmbito funcional administrativo, a separação realizada a partir da Constituição Federal de 1988, em que o Poder Judiciário não mais se limita à sua função típica – atividade jurisdicional -, mas passou a exercer em caráter excepcional funções administrativas, dando assim uma maior autonomia nos processos administrativos (BRASIL, 1988). 25 2.4.2. Poder Organizacional A centralização do poder nas mãos de uma minoria acaba por alienar a maioria, gerando indiferença, irresponsabilidade social, acomodação e falta de perspectiva de mudança no status quo. Estas palavras deixam claro um grave problema na administração sob a ótica do comando ou de apenas um gestor (KRAUSZ, 1991, p. 12) Na afirmativa de Morgan (1996, p. 162), para quem “a política organizacional nasce quando as pessoas pensam diferentemente e querem agir também diferentemente”, principalmente quando a posição lhes é favorável, conflitos, interesses e poder, quase sempre andam juntos. Morgan (1996, p.163), deixa claro que o poder possui força sendo uma forma categórica na resolução de conflitos, pois é por meio dele que conflitos de interesses são, afinal, resolvidos. O poder influencia quem consegue o quê, quando e como. Reforçando esta visão, Galbraith (1989, p. 8), diz que “qualquer pessoa ou grupo busca o poder para promover seus próprios interesses”. O conceito básico de poder, muitas vezes visto como controle, autoridade e força, nos fornece Krausz (1991, p.15), quando afirma que “poder é a capacidade potencial de influenciar as ações de indivíduos ou grupos no sentido de atuarem de uma determinada maneira”. Na visão de Srour (1998, p. 146) existem diversas formas do exercício do poder, e uma das mais brutas é aquela que repousa sobre o uso da violência ou sobre as armas, trata-se da capacidade de “coagir, capacidade esta que, obviamente, prescinde do consentimento do agente coagido ou dominado”. Olhando o aspecto psicológico, o poder na sua essência, é um fenômeno subjetivo, como diz Burns, (apud KRAUSZ 1991, p. 14), “Todos nós temos poder para fazer coisas para as quais não temos motivo de fazer. [...] Os dois pontos essenciais do poder são motivo e recursos. Ambos estão inter-relacionados. Faltando o motivo, os recursos diminuem. Faltando recursos, o motivo permanece inerte. Faltando qualquer um dos dois, o poder desmorona”. Pode-se diante desta colocação, vislumbrar-se um momento de resistência à mudança. Podem-se, ainda, citar vários tipos de poder como, coercitivo, legítimo, referência, compensatório, condicionado, além de outros, mas dois chamam a atenção, o de competência técnica, ou conhecimento, forma esta muito valorizada nos tempos atuais, mesmo sabendo que em alguns casos o poder por coerção e ou recompensa possa sobressair, a competência técnica 26 para o contexto em pauta é bem reforçado por Krausz (1991, p.44), quando enfoca “o princípio do indivíduo certo no lugar certo, no sentido da competência técnica, relevante para a eficácia organizacional”, considerando o preparo do profissional em relação ao cargo a exercer. Conforme Galbraith (1989, p. 7), as três fontes do poder podem ser a “personalidade, a propriedade e a organização”. Sobre a personalidade, está intrínseca a forma de liderança, é a qualidade do físico, mente, da oratória, da firmeza moral ou de qualquer outra característica pessoal (GALBRAITH, 1989). Ainda Galbraith (1989), sobre a propriedade ou riqueza, confere um aspecto de autoridade, uma firmeza de propósito e isto pode induzir a submissão condicionada. Mas o que chama a atenção é a visão da organização como fonte de poder, assim considerada por Galbraith (1989), como a mais importante na sociedade moderna, sendo primordialmente ligada ao poder condicionado. É admitido que a organização seja indispensável quando se busca o poder ou se necessita dele, e, portanto, da organização que provem a persuasão necessária e a conseqüente submissão aos seus propósitos (GALBRAITH, 1989, p.7). Conforme Crozier e Friedberg, (apud Krausz, 1991, p.32), o poder numa organização, “... está indissoluvelmente ligados entre si. Os atores sociais não podem atingir seus próprios objetivos, a não ser através de exercício de relações de poder...”, portanto no contexto organizacional, qualquer que seja o grau de formalização de um conjunto organizado, a relação de poder é sinônimo de existência da organização. Morgan (1996, p. 164) defende que uma das fontes de poder utilizado nas organizações e que persiste até atualidade, é o uso da estrutura organizacional, regras e regulamentos, pois, olhando pelo lado da estrutura organizacional, o tamanho e o status de um grupo ou departamento dentro de uma organização normalmente oferecem uma indicação do seu poder dentro da estrutura global, uma vez que táticas óbvias de controle são rebaixar a importância de uma função ou grupo de indivíduos ou então adotar uma estratégia de dividir para governar que fragmenta bases potenciais de poder (MORGAN, 1996, p. 169) Considerando o poder pelo lado de regras e regulamentos este pode ter uma dupla face. A propósito Morgan (1996, p. 171) afirma que “essas regras e regulamentos, que são criados, evocados e usados, podem de maneira proativa como retroativa dentro do quadro de relações de poder surtir efeitos positivos ou negativos”, em outras palavras, essas regras e regulamentos 27 que orientam o funcionamento da organização, darão um potencial poder a ambos, tanto aos comandantes quanto aos comandados. Um fator perigoso do poder no poder, em qualquer organização é o fato de quem está sobre o comando geral não aceitar a possibilidade de compartilhá-lho, principalmente quanto a tomada de decisão. Morgan, (1996), mostra como exemplo, de uma forma prática, quando diz que “a razão oficial dada por Henry II à Business Week no momento em que dispensou seu Diretor Geral, alegando que o mesmo não via as coisas como ele” (MORGAN, 1996, p. 147). Outro tipo de poder que também traz grandes reforços é a chamada autoridade formal, também visto como um poder legitimado. Para Morgan (1996, p.164), “os subordinados normalmente vêem três características weberianas: carisma, tradição e lei”. Carisma, força divina conferida a uma pessoa. Tradição, ligada a costumes e práticas oriundas da família, ou mesmo, “sempre funcionou assim”, e a Lei, legal-racional, burocrática, este último principalmente está sendo o que e mais evidencia nos dias atuais. Considerando as organizações públicas, é observado que o poder se reveste sob a forma de manipulação material ou emocional, gerando burocracia, desinteresse, multiplicação excessiva de normas, regras e procedimentos no sentido de controlar melhor o trabalho das pessoas, contudo, prejudicando o funcionamento da organização (TAVARES, 1996). Um fator importante quanto à administração do poder público, onde a burocracia mais se caracteriza, é o poder legitimado, para Kwasnicka (1989, p.23), “a burocracia é um sistema administrativo pelo qual o poder é legitimado e canalizado para a execução de tarefas orientadas para um objetivo”. Diante do exposto, e verificando o quanto este poder, principalmente legitimado, esta relacionado com liderança, conforme afirma Krausz (1991, p. 60) que considera intimamente relacionado como duas faces de uma mesma moeda, não podendo se manifestar independentemente, ou seja, liderança pressupõe poder e poder pressupõe alguma forma de liderança, verifica-se a necessidade de explanar um pouco sobre o tema. 2.4.3. Estilos de Liderança Considerando a possibilidade de uma comparação entre estilo de liderança e estilo gerencial e observando no que foi tratado pelo HayGroup (2007), que estilo gerencial é o 28 comportamento do gerente, baseado por seu perfil, podendo ser coercitivo, afetivo, modelador, optou-se em focar a terminologia de estilos de liderança. De acordo com Montana e Charnov (2000), “liderança é o processo pelo qual um indivíduo influencia outros a realizar os objetivos desejados”. Pode-se afirmar que liderança é a prática do poder, é a habilidade de exercê-lo, podendo ser entendida como um processo interativo de sedução e influência que permeia os jogos do poder nas organizações, também como um processo por meio do qual, indivíduos transferem sua possibilidade ou poder de interpretar a realidade para outros (WOOD Jr., 2007). Segundo Moscovici (1996), existe uma distinção entre líder e estilo de liderança: líder é a pessoa no grupo à qual foi atribuída, formal ou informalmente, uma posição de responsabilidade para dirigir e coordenar as atividades relacionadas à tarefa. Sua maior preocupação prende-se à consecução de algum objetivo específico do grupo. A maneira pela qual uma pessoa numa posição de líder influencia as demais pessoas no grupo é chamada de ‘estilo de liderança (MOSCOVICI, 1996, p. 126). Estes estilos de liderança praticada pelo líder são capazes de estimular, facilitar e agilizar o andamento e a consecução das atividades, criando um ambiente propício ao comprometimento e desenvolvimento individual dos membros da organização. Disso possivelmente decorre um desenvolvimento da organização. Ou, inversamente, a postura do líder pode promover a competição negativa até o desmembramento do grupo, como também a desmotivação, ação e a falta de comprometimento e de envolvimento nas atribuições individuais, prejudicando, em algum nível, o desempenho nos andamentos dos trabalhos da organização. Autores como, Etzioni (1989), que acredita na capacidade baseada nas qualidades pessoais para induzir seguidores, ou como Tannenbauem (apud Kauz, 1991, p.59), afirma que “liderança interpessoal numa situação e dirigida... para atingir uma meta ou metas”. O que se pode observar é a semelhança, a personalidade do líder imperando sobre os atos. Numa relação entre liderança e poder, segundo Krausz (1991), pode-se considerar quatros estilos básicos, liderança coercitiva, controladora, orientadora e integradora. Na liderança coercitiva, como o nome deixa claro, predomina o poder de coerção e de posição, caracterizando-se por depender sua efetivação de alguma forma de pressão, isto é, viabiliza-se por punição ou penalidade. Conforme Krausz (1991), a filosofia básica desse estilo é a falta de respeito pelo ser humano, por seus sentimentos, necessidades e capacidades. Os “líderes coercitivos tendem a abusar do poder que lhes é atribuído, impondo através da pressão os seus pontos de vista 29 fazendo prevalecer sua vontade, seu direito e levando os liderados a abdicarem dos deles.” (KRAUSZ, 1991, p. 67). Lamentavelmente, ainda nos dias atuais, independentemente da organização, mesmo que seja regida por normas e regimentos internos, frases como “eles têm que ser tratados com rédea curta”, “o jeito é agüentar a pressão dos desmandos da chefia para garantir o emprego ou cargo”, ou também “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, são características claras da existência de líderes com estilo coercitivo, enrustido ou não. Desde os tempos em que Taylor concentrou-se no estudo de Tempos e Movimentos, permitindo que o trabalhador praticasse a tarefa com o mínimo de esforço e o máximo de produtividade, se deu a primeira inserção do papel do supervisor. Esse supervisor nada mais era do que um controlador. Sua função era averiguar se o trabalho estava sendo feito dentro dos padrões estabelecidos. Caso não estivesse, a devida providência deveria ser tomada. Este estilo de liderança, o de controlador, se apóia no poder de posição e de recompensa, também tendo traços de coerção. Um estilo que mais se aproximam em organizações onde a burocracia impera, onde a posição da autoridade está correlacionada ao cargo. Quanto à liderança orientadora, esta tem semelhança com a liderança controladora, pois existe relação ao poder de posição, apenas sendo um pouco mais leve, mais ameno, menos restritivo, facilitando o crescimento profissional das pessoas e ampliando o relacionamento de áreas e níveis diferentes, com isso valorizando mais as pessoas que as posições que ocupam, defende Krausz (1991). E, por último, a liderança integrada emprega o poder de recompensa, de conhecimento e conexão e competência. Enfatiza a colaboração e o respeito. Estes líderes não costumam ser o foco das atenções, mas estão como facilitadores da convergência de esforços. É uma liderança que influencia mais por seus atos e exemplos, sua coerência, abertura, transparência e credibilidade. Talvez por isso, torna-se transformadora, segundo Bruns (apud, Kauz, 1991, p.), “pois em última instância a moral impera, já que é elevado o nível da conduta humana e na aspiração ética do líder e do liderado”. Indiferentemente dos estilos aqui apresentados, respeitando a individualidade do líder, o fator preponderante, é a continuidade dos trabalhos, motivo este quando uma das tarefas mais importantes do líder, que é a de ajudar as pessoas a produzirem juntas, mas do que são capazes de produzirem sozinhas. 30 2.5 Relações do Trabalho Tradicionalmente, as relações de trabalho no universo do funcionalismo público, têm sido regidas por estatutos, bem distintos dos vigentes no setor privado. Conforme Cheibub (2000), o traço mais característico era a prevalência da doutrina da soberania do Estado, isto é, da prerrogativa da determinação unilateral pelo Estado das condições de remuneração e de normas de trabalho aos servidores públicos. Por força da evolução da sociedade, estas doutrinas têm sido substituídas por práticas da negociação, uma prova concreta disto, está na própria Constituição Federal de 1988, que indica a possibilidade de o setor público ter uma representação sindical. No Brasil, existe uma particularidade, conforme é demonstrada por Cheibub (2000), onde afirma que, apesar da existência do reconhecimento legal dos sindicatos dos funcionários públicos, falta uma política que institucionalize essas relações, quer dizer, governo e funcionários. A negociação coletiva no setor público é, em geral, mais limitada, principalmente levando em consideração determinados focos num órgão que em certas situações é dominada por cargos indicativos, os chamados cargos comissionados, e no setor privado esta coletividade é muito maior. Mas, basicamente, sua adoção, por mais restrita que seja, institucionaliza canais e procedimentos de negociação, aumentando a previsibilidade nas relações entre governos e sindicatos e diminuindo a margem de arbítrio exercido por esses atores. Essa institucionalização adquire uma importância central nas relações de trabalho no setor público devido à natureza multilateral das negociações coletivas neste setor. A história do Poder Judiciário Catarinense, pode ser dividida em dois tempos, em duas épocas, uma quando a classe dos Magistrados estava vinculada com os demais servidores e como as alterações principalmente no campo salarial estavam na dependência do Poder Executivo Estadual, a relação de trabalho com os demais servidores era muito mais próxima. A partir do momento em que esta vinculação ocorreu ficou evidente o tratamento dado à classe dos servidores. Uma visão de patrão e empregado é inevitável, mesmo considerando a classe da Magistratura como membro do estado. Reforçando a situação supra, quando Fischer (1987, p.19) afirma que “as relações do trabalho são determinadas pelas características das relações sociais, econômicas e políticas da sociedade abrangente”, é visto claramente essas situações, a econômica e a social, sendo assim o conflito é inevitável. 31 2.6 Desafios e impasses na Gestão Desconsiderar a inexistência de implicações e, principalmente, em desafios nas gestões administrativas, independentemente, do tipo da organização, pública ou privada, pode ser um equívoco, portanto, neste capítulo, abordam-se as alternâncias de cargo ou função e seus conflitos e as mudanças de filosofia. 2.6.1. Alternâncias de Cargo/Função e seus conflitos, mudança de filosofia A análise anteriormente procedida sobre a diferença entre organizações pública ou privada, já deixou claro, que administrativamente nada se difere. Desde o início dos estudos da administração clássica Fayol (l994), já discutia a importância da estabilidade no emprego, cargo ou função. Dentre os princípios citados por Fayol (1994), um deles, o décimo segundo deixa claro, que o autor defende a importância da estabilidade, pois havendo o deslocamento após a inicialização dos trabalhos ou assim que terminar, o tempo não será apto para um bom andamento dos serviços, e se repetir indefinidamente, a função jamais será bem desempenhada. Fayol (1994) afirma ainda que tal instabilidade seja temível, trazendo conseqüências desastrosas, pois é necessário tempo para ter conhecimento dos homens e da organização, inspirar confiança em si mesmo e principalmente nos outros. Portanto, a rotatividade é expressa por meio de uma relação percentual de admissões e os desligamentos com relação ao número médio de participantes da organização no decorrer de certo período de tempo (CHIAVENATO, 1998, p.176) Mobley (1992) define rotatividade de pessoal como sendo a suspensão da condição de membro ou desligamento (voluntário ou involuntário), de uma organização por parte de um indivíduo que recebe a compensação monetária por seus trabalhos desenvolvidos dentro ou fora da organização. Um dos grandes problemas tão debatidos sobre a rotatividade, diz respeito ao envolvimento com a organização, segundo Robbins (2002, p.21) “os funcionários estão diante de um mundo que oferece menos permanência e previsibilidade do que o existente nas décadas passadas. O contrato informal de lealdade anteriormente existente entre funcionários e empregador foi irrevogavelmente rompido”. 32 Para Chiavenato (1998) existem três níveis de avaliação nos custos da rotatividade, primários, secundários e terciários: primários são aqueles que estão relacionados com o desligamento propriamente dito, onde os custos de recrutamento e seleção, registro de documentação, integração e o próprio desligamento, em outras palavras, a admissão e demissão do funcionário ou empregado. Mobley (1992) baseado em vários estudos e pesquisas também afirma que a rotatividade ou turnover é altamente dispendiosa. Ainda Chiavenato (1998), quanto aos secundários: uma maneira qualitativa de avaliação, pois, atinge reflexos na produção, atitude do pessoal, extralaboral, extraoperacional, e, por último, o custo terciário que incluem custo extra-investimento, e perdas nos negócios. Mobley (1992), também defende custos negativos como a queda no nível de desempenho que “na medida em que o empregado que deixou a organização tinha habilidades especiais e/ou ocupava uma posição-chave, a perda pode ter um efeito conturbador que vai além da posição vaga, podendo perdurar até a vinda do substituto” (MOBLEY, 1992, p.38). Mais dois pontos negativos descritos por Mobley (1992) merecem destaques, o de queda nos padrões sociais e de comunicação e a queda no moral. Sendo os padrões sociais e a formalidade e informalidade da comunicação como características a toda organização, em algum momento, quando alguém valioso sair da organização, e que se encontrar no centro dos esquemas de comunicação ou um grupo de trabalho coeso, a rotatividade terá um efeito negativo sobre os que permanecem. Quanto ao moral, Mobley (1992) se refere justamente ao preenchimento das vagas existentes, o que pode em certos casos causar um ser desconforto para ocupação dessas vagas. Dentro de uma visão macro no sistema judiciário catarinense, quanto aos custos primários é bastante baixo, e não poderia ser diferente, pela tranqüilidade na estabilidade do emprego em que o sistema público oferece. Considerando como já mencionado acima, os custos secundários e terciários, mais os pontos negativos de Mobley (1992), os itens que mais chamam a atenção é o reflexo na produção e a atitude do pessoal, pois os mesmos estão ligados a readaptação na forma em que o gestor desempenha seu trabalho na Direção. Todo e qualquer profissional, necessita de tempo para iniciar-se em uma nova função ou uma determinada tarefa para chegar a desempenhá-la bem, admitindo que seja dotado das 33 aptidões necessárias, constata-se amiúde, que um chefe de mediana capacidade, mas estável, é infinitamente preferível a chefes da alta capacidade, porém instáveis (FAYOL, 1994, p. 61). 34 3 METODOLOGIA DO ESTUDO No transcorrer deste capítulo é abordado o método de pesquisa, por meio da caracterização da pesquisa, informando a população e qual a amostra da mesma e os instrumentos para análise dos dados, definição e constitutiva e operacional dos termos. 3.1 Caracterização da pesquisa A ciência é uma das formas de se ter acesso ao conhecimento e sua atividade básica é a pesquisa, mesmo que as lentes do pesquisador muitas vezes, como qualquer observador, podem estar imbuídas de crenças. A pesquisa é uma das melhores formas de adquirir o conhecimento. Lakatos e Marconi (1992) conceituam pesquisa como um procedimento formal, contendo método de pensamento reflexivo, que requer um tratamento científico e se constitui no caminho para se conhecer a realidade ou descobrir verdades parciais, por meio de métodos científicos para encontrar respostas para as questões propostas. Reforçando este pensamento, Gil (1999, p.42) define que “objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas para problemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. Para o desenvolvimento de uma pesquisa se faz necessário a definição da metodologia do trabalho. Para Gil (1999), o método tem por objetivo proporcionar ao pesquisador os meios técnicos para garantir o procedimento e a precisão no estudo dos fatos. Método é um caminho, uma forma, uma lógica de pensamento (VERGARA 1998, p.12). Portanto, para a execução deste trabalho foi utilizado o método teórico-empírico, método caracterizado pela junção da teoria e observação da realidade. Uma pesquisa do tipo descritiva possui como objetivo primordial a descrição das características de determinada população e/ou fenômeno e o estabelecimento de relações entre variáveis. Tal pesquisa possui o intuito de verificar as características de um determinado grupo, como sexo, nível de escolaridade, como também, possui o objetivo de levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população (GIL, 1999, p.44). Conforme Vergara (1998, p. 45), a pesquisa descritiva “expõe características de determinada população ou determinado fenômeno, apesar de não possuir compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação”. 35 Do ponto de vista da abordagem do problema, a pesquisa baseou-se na de tipo quantitativa, traduzindo em números, opiniões e informações, para classificar e analisar os dados obtidos. Por explorar situações reais, o procedimento metodológico será o estudo de caso. Conforme Gil (1999), o estudo de caso é um estudo de observação da realidade que investiga um fenômeno atual dentro deste contexto, quando as fronteiras entre o fato de interesse científico e o contexto não são claramente definidas e no qual são utilizadas várias evidências. Ainda dentro do delineamento da pesquisa, a coleta dos dados, ou (surveys), se caracteriza pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Gil (1999), ainda afirma que os levantamentos por amostragem gozam hoje de grande popularidade entre os pesquisadores. Para Gil (1999, p.71), existem algumas vantagens neste tipo de levantamento, cabendo destacá-las como segue: a) Conhecimento direto da realidade. À medida que as próprias pessoas informam acerca de seu comportamento, crença e opiniões, a investigação torna-se mais livre de interpretações calcadas no subjetivismo dos pesquisadores. b) Economia e rapidez. Quando os dados são obtidos mediante questionários, os custos tornam-se relativamente baixos. c) Quantificação. Os dados obtidos mediante levantamentos podem ser agrupados em tabelas, possibilitando a sua análise estatística. Isso considerado informe-se que o presente trabalho preocupa-se inicialmente em definir qual a população e a amostra pesquisada. A população definida foi representada pela totalidade de titulares dos cargos de Secretarias e de Escrivanias que prestam serviços lotados em cada uma das cento e dez comarcas do Poder Judiciário de Santa Catarina, endereçando-se aos mesmos o questionário anteriormente mencionado, visando obter as respostas necessárias ao equacionamento dos problemas levantados pela referida pesquisa, sendo que a amostra foi estabelecida como aquele conjunto de questionários efetivamente devolvidos a este pesquisador, caracterizando-se esta como um estrato proporcional do universo de servidores que compõem a totalidade da mão de obra que presta serviços nos fóruns catarinenses. 36 Registre-se que o procedimento metodológico para a coleta dos dados foi o de observação simples com levantamento, como já dito, por meio da aplicação de questionários a uma população precisamente definida. Na seqüência procedeu-se a análise de resultados da pesquisa a partir das informações constantes dos questionários devolvidos, valendo-se de indicadores pré-selecionados, definindo o perfil do público pesquisado - sexo do conjunto amostral, seu nível de escolaridade, o cargo ocupado junto ao Fórum, o tempo de serviço no mesmo, a função exercida e tempo de exercício na mesma - inter-relacionando e integrando os resultados dos diversos questionamentos efetivados, visando a obtenção de conclusões mais aprofundadas e abrangentes a propósito do problema estudado, inclusive envolvendo questões sobre relações interpessoais no ambiente de trabalho, sobre a importância de interferência da Magistratura na gestão administrativa forense e a sustentabilidade e o desempenho na gestão dos processos administrativos diante da rotatividade diretiva nos fóruns, dentre outros. Uma vez consolidados os dados pertinentes à população pesquisada, segue a análise especificando o tratamento de questionamentos sobre aspectos qualitativos da vida forense e que estão diretamente ligados ao objeto do presente trabalho, tais como as relativas à indagações sobre a interferência, ou não, da alternância da titularidade da direção nas atividades rotineiras da administração, sobre a ocorrência de remanejamentos de pessoal em função de tal alternância, sobre a importância da autonomia da Secretaria nas atividades administrativas e a propósito, de questões quanto a necessidade de adaptação dos liderados ante as sucessivas mudanças de Direção, dentre outras questões. 3.2 População e Amostra O universo ou população, conforme Lakatos e Marconi (1992), são os conjuntos de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum. Lakatos e Marconi (1992), ainda comentam que a delimitação do universo consiste em explicar que pessoas ou coisas, fenômenos e etc., são pesquisadas, enumerando suas características comuns, tais como, sexo, faixa etária e organização a que pertencem. Reforçando o conceito de população, Gil (1999) comenta que população é um conjunto de elementos que possuem determinadas características e que comumente fala-se como uma referência ao total de habitantes. Para tanto a população em questão é a do Poder Judiciário estadual, considerando apenas a Justiça de Primeiro Grau, sendo esta dividida em 110 37 comarcas, totalizando 4.922 servidores, assim distribuídos: concursado; comissionados; bolsistas e funcionários de outros órgãos a disposição (Dez./2006). A amostragem, conforme Gil (1999) é um subconjunto do universo ou da população, por meio do qual se estabelecem ou se estimam as características desse universo ou população. Portanto a amostragem utilizada foi aleatória estratificada proporcional, sendo que este é um caso específico em que à proporção de cada departamento da população se mantém na amostragem (BARBETTA, 1999). Para cálculo da amostragem, a população considerada foi formada pelos secretários e escrivões de todas as Comarcas, totalizando 409 servidores. Como a margem de erro admissível é de 5% (cinco por cento) e a fórmula n= N/1+N*E², com isso chega-se a uma amostra de 202 pessoas, calculado na seguinte maneira: N = 409 servidores E0 = erro amostral admissível = 5% (E0 = 0,05) n0 = 1/(0,05)2 = 400 servidores n = 409x400/(409+400) = 202 servidores Regiões Total Absoluto Sul 65 Grande Florianópolis 53 Norte 46 Planalto Norte 17 Planalto Serrano 30 Vale do Itajaí 77 Meio-Oeste 47 Oeste 74 409 TOTAL Tabela 1 – Tabela proporcional de pesquisa Fonte: Dados primários (2007). Total Relativo 15,89% 12,96% 11,25% 4,16% 7,33% 18,83% 11,49% 18,09% 100% Total das Respostas 07 11 08 01 05 10 11 12 65 Total Relativo 10,77% 16,92% 12,31% 1,54% 7,69% 15,38% 16,92% 18,46% 100% 38 Proporcionalidade por Regiões 18% Sul 11% Grande Florianópolis 17% Norte Planalto Norte Planalto Serrano 17% Vale do Itajaí 12% 15% 8% 2% Meio-Oeste Oeste Gráfico 1 – Proporcionalidade por Regiões Fonte: Dados primários, 2007. De acordo com as correções efetuadas, e por ser uma amostra estratificada, com o cálculo da proporcionalidade em cada uma das 110 comarcas, demonstrado de uma forma sintetizada na supra, devido a uma readequação da caracterização das comarcas e da amostragem em virtude da quantidade de formulários obtidos em termos de representatividade da amostra em torno de 30%, e que, caso haja maiores interesses, no Apêndice B se encontra mais detalhada, a alteração da quantidade de 202 servidores passou para 232 servidores, sendo tal amostragem suficiente para o alcance dos objetivos propostos do presente trabalho, pois foram considerados os servidores que possuem uma ligação mais direta com a Direção Forense e Magistrados. 3.3 Procedimentos de coleta, tratamento e análise dos dados. Um dos procedimentos metodológicos para a coleta de dados foi o de observação simples. Para Gil (1999), a observação simples apresenta uma série de vantagens, por exemplo, facilita a obtenção dos dados sem produzir suspeita nos membros da comunidade, grupo ou instituições, não havendo nenhuma interferência do pesquisador. A observação simples do problema proposto, colhendo informações dos funcionários quanto às implicações administrativas devido à alternância no cargo de Diretor, foi realizada por meio de questionários aplicados, Apêndice C, a uma amostra da população já definida no tópico anterior 3.2, pois desta forma pode-se obter uma maior compreensão do que é 39 vivenciado pelos funcionários das Comarcas catarinense, dentro de uma realidade específica, uma vez que o questionário busca a mensuração de algo (ROESCH, 1999). Como a população escolhida se encontra distribuída pelo Estado de Santa Catarina, e aproveitando a rede de computadores que compõe a intranet do Poder Judiciário estadual, foi desenvolvido um questionário em forma de formulário eletrônico por um profissional da área de informática, de uma maneira que se facilita não só a rapidez de seu preenchimento, como também, facilita-se o seu tabelamento dando uma maior segurança na manipulação dos dados. Para que houvesse o acesso, disponibilizou-se por email, correspondência eletrônica, um caminho, link, que ao receber a mensagem, dando um simples toque com o mouse sobre a linha do link, o formulário era acessado. Houve também uma preocupação quanto a não duplicidade das respostas, ou mesmo sobrescrever o formulário, para isso estava o questionário vinculado a código de segurança independente. Conforme Vergara (1999), os dados podem ser tratados de forma quantitativa, para que possam ser codificados e apresentados de forma mais estruturada e analisados, portanto após o termino da pesquisa, os questionários, já em fase adiantada, não havendo a necessidade de serem digitados, os mesmos foram tabulados estatisticamente por meio de planilha eletrônica realizada por computadores. Após o cruzamento das informações obteve-se uma compreensão melhor dos problemas vivenciados pelos funcionários em cima do estudo proposto. Quanto às fontes de dados, no entendimento de Lakatos e Marconi (1999), elas são do tipo primárias, tais como os questionários que foi aplicados, e as do tipo secundárias são consideradas a obras literárias, dissertações, artigos de revista. 3.4 Definição constitutiva dos termos Importante esclarecer neste momento, que definição constitutiva do termo é a definição da palavra com outras palavras, como definições de dicionário (KERLINGER, 1979, p.46). Rotatividade na Função: para Chiavenato (1998), é a flutuação de pessoal entre uma organização e seu ambiente, isto é, a quantidade de pessoas que entram e saem da organização, para o caso em questão considera-se o fórum como uma organização individual. Para Mobley (1992), pode ser a suspensão da condição de membro ou desligamento voluntário ou não. 40 3.5 Definição operacional dos termos Não poderia ser diferente quanto a explanação da definição operacional dos termos, quando Kerlinger (1979, p.46) afirma que é “uma ponte entre os conceitos e as observações”, possui a finalidade de traduzir em conteúdo prático os termos operacionais. Perfil: Sexo; Idade; Escolaridade; Cargo e Função; Tempo no Cargo e ou Função. Rotatividade na Função: Expectativa da mudança nas práticas administrativas; Empatia dos funcionários; Estilo gerencial e Estilo de liderança; Conflito e Cooperação; Regras para troca de função; Problemas da alternância do cargo. CATEGORIAS Perfil INDICADORES Sexo, Idade, Escolaridade, Cargo, Função, Tempo. Expectativa da mudança nas práticas administrativas, Empatia dos funcionários, Estilo Liderança X Estilo Rotatividade no Cargo ou Função Gerencial, Conflito X Cooperação, Regras para troca de função, Problemas da Alternância do cargo. Quadro 1 - Categorias analíticas e indicadores do estudo Fonte: Dados primários, (2007). Com isso conclui-se o presente capítulo, apresentando a caracterização da pesquisa, a população escolhida e a amostra proporcional, além de preocupar-se em esclarecer, também, quais os instrumentos de coleta de informações, forma de tratamento das mesmas e sua análise, incluindo as definições constitutivas e operacionais dos termos. Na seqüência serão demonstradas, a partir do próximo capítulo, as análises com os resultados da pesquisa. 41 4 ANÁLISE DE RESULTADOS Dentro deste capítulo, além de uma caracterização da empresa, são apresentados os resultados da pesquisa em forma de tabelas e gráficos para uma melhor visualização das informações coletadas como também suas análises, para que, no capítulo seguinte verificar as conclusões finais. 4.1 Caracterização da empresa No campo jurisdicional, o Estado de Santa Catarina está dividido em duas partes: Justiça de Primeiro e de Segundo Grau. A Justiça de Segundo Grau é composta pelo Tribunal de Justiça, com sede na capital, na Avenida Álvaro Millen da Silveira, n. 208, detendo, inclusive, competências administrativas relativas ao conjunto do Poder Judiciário catarinense, além, obviamente, de possuir a competência final de julgar os recursos oriundos das Comarcas, julgamento este procedido de forma colegiada. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina é composto por 40 (quarenta) desembargadores, tal como previsto pelo artigo 82 da Carta Estadual, fazendo parte do mesmo, ainda, os seguintes órgãos julgadores: Tribunal Pleno, Seção Civil e as Câmaras Criminais Reunidas, Câmaras Civis e Criminais Isoladas, além do Conselho da Magistratura. Após a apresentação do órgão máximo da Justiça Catarinense, remanesce a necessidade da apresentação da chamada Justiça de Primeiro Grau, objeto sobre o qual debruça-se todo o conteúdo deste trabalho. Justiça de Primeiro Grau possui esta denominação por exercer função jurisdicional individual sob a atribuição dos Juízes de Direito em cada uma das Comarcas existentes no território catarinense. Ressalte-se que na Justiça de Primeiro Grau todas as decisões se dão de forma monocráticas, isto é, baseiam-se apenas na decisão do Juiz de Direito correspondente. As Comarcas, por sua vez, são delimitações territoriais constituídas de um ou mais municípios formando área contígua. Conforme Lei Complementar n. 339, de 8 de março de 2006, as comarcas são assim classificadas: entrância inicial, entrância intermediária, entrância final e entrância especial, totalizando no Estado catarinense 110 (cento e dez) Comarcas, tendo um maior detalhamento no capítulo “2.3 – Estrutura do Poder Judiciário”. 42 Considerando apenas o universo das Comarcas, os processos judiciais são distribuídos entre 321 Magistrados, tendo um apoio operacional humano que, auxiliando com os andamentos processuais, consolidava-se, em dezembro de 2006 e segundo dados colhidos junto ao site do Tribunal de Justiça, num efetivo de 4.922 servidores, distribuídos em servidores ocupantes de cargos de provimento efetivos e comissionados, bolsistas e/ou estagiários, colaboradores a disposição de outros órgãos e terceirizados (SANTA CATARINA, 2006). 4.2 Resultados da Pesquisa Dos 232 formulários distribuídos entre 110 (cento e dez) Secretários Forenses, e 132 (cento e trinta e dois) Escrivões, pode-se dizer que o retorno dos mesmos ficou abaixo do esperado, pois que apenas 73 formulários (31%) retornaram, cabendo informar, ainda, que destes, 06 formulários (8%) foram preenchidos indevidamente. Diante disso, a pesquisa contou com apenas 65 formulários (28%) válidos, o que pode ser caracterizado, como dito, abaixo do esperado, porém, como será comprovado na seqüência, representando um universo amostral suficiente para a obtenção dos resultados pretendidos na pesquisa. Isso porque, dentre os questionários válidos, evidenciou-se que em relação aos 110 Secretários, houve um retorno na ordem 45 (41%) de formulários válidos, e entre os 132 Escrivões, escolhidos aleatoriamente, os formulários válidos, na ordem de 25, representaram 15% dos válidos. Ressalte-se que a função de Secretário Forense é, para o objetivo do trabalho, aquela mais relacionada à caracterização das atribuições administrativas da unidade pesquisada e mais próxima da atividade de direção, foco principal a ser estudado, enquanto a função de Escrivão é analisada de forma apenas subsidiária, em razão de seu contato com o corpo de Magistrados que, afinal, eventualmente ocupam a função de Diretores Forenses. Como uma das limitações quanto ao questionário, observada após a coleta dos dados, destaca-se a ausência, em determinadas casos, da apresentação de opção(ões) alternativas e adicionais às apresentadas, fato que, mesmo após várias revisões e realização de pré-testes, mostrou-se ocorrido em relação a determinadas perguntas, notadamente naquelas onde ao pesquisado se disponibilizasse a alternativa da negação absoluta, decorrendo disso que, em determinados momentos e ante tal limitação, as respostas podem não ter correspondido a vontade/opinião do pesquisado. 43 Do total de 65 (28%) questionários válidos, considerando o sexo dos entrevistados, 42 (64%) são femininos, e 22 (34%) são masculinos, e 01 (2%) não respondeu. Um dos motivos de haver uma grande maioria do sexo feminino deriva do fato de que, principalmente no interior do Estado, a maioria da quantidade de servidores ocupantes do cargo de Secretários do fórum ser do sexo feminino, na ordem de 65% em dezembro de 2006, como comprovam as informações constantes da Base de Dados da Folha de Pagamento do Poder Judiciário de Santa Catarina. Respostas Total Absoluto Total Relativo Feminino 42 64% Masculino 22 34% Não responderam 01 2% Total geral 65 100% Tabela 2 – Sexo Fonte: Dados primários, (2007). Sexo 2% 34% Feminino Masculino Não Responderam 64% Gráfico 2 – Sexo Fonte: Dados primários, (2007). 44 Em se tratando do nível de escolaridade, observa-se que existem 07 funcionários (11%) com ensino médio, 09 funcionários (14%) com o nível escolar superior incompleto, e 47 (72%) funcionários com superior completo, revelando-se, ainda, que 2 colaboradores (3%) não responderam os formulários. Importante notar a destacada proporção relativa de pesquisados com nível superior completo na composição da totalidade da amostra o que, a princípio, demonstra a efetividade do exigido a partir da implementação da Lei Complementar n. 90/93, de 01 de julho de 1993, que institui o Plano de Carreira, de Cargos e Vencimentos do Pessoal do Poder Judiciário Catarinense e que passou, conforme estabelecido em seu Anexo XVIII, a exigir tal nível de escolaridade para o ocupante dos cargos em questão (SANTA CATARINA, 1993). Respostas Total Absoluto Total Relativo Ensino Médio 07 11% Superior Incompleto 09 14% Superior Completo 47 72% Não Responderam 02 3% Total geral 65 100% Tabela 3 – Nível de Escolaridade Fonte: Dados primários, (2007). 45 Nível de Escolaridade 3% 11% 14% Ensino Médio Superior Incompleto Superior Completo Não Responderam 72% Gráfico 3 – Nível de Escolaridade Fonte: Dados primários, (2007). Considerando o exposto no item “2.3.2.” do presente trabalho, que descreve as funções do Secretário Forense e observando os dados da tabela 04, fica evidenciado que a maior parte da população estudada detém formação acadêmica de nível superior nas áreas de Administração e Direito, respectivamente com participação relativa de 15 (21%) e de 28 servidores (41%) do total, áreas estas vinculadas diretamente com a realidade da vida forense. As demais formações acadêmicas, em proporções significativamente inferiores na composição do total, apresentaram-se nos seguintes patamares: 06 (9%) dos servidores com formação em Ciências Contábeis, um funcionário (1%) possuindo formação em Ciências Econômicas, graduações estas que, de certa forma ainda guardam relação com as atividades inerentes aos cargos analisados, porém observou-se também a apresentação de formulários de agentes com formação acadêmica aparentemente sem nenhum vínculo com tais cargos, na ordem de quatro servidores com nível de formação escolar de nível superior em Design, Filosofia, Pedagogia e Terapia Ocupacional. Diga-se por fim que 16 colaboradores (24%) não responderam aos formulários. O total do numero absoluto de ser um total de 70 ocorreu devido a funcionários a coleta de todas as informações, isto é, informações de colaboradores que contem mais de uma formação acadêmica. 46 Respostas Total Absoluto Total Relativo Administração 15 21% Ciências Contábeis 06 9% Ciências Econômicas 01 1% Design 01 1% Direito 28 41% Filosofia 01 1% Pedagogia 01 1% Terapia Ocupacional 01 1% Não Responderam 16 24% Total geral 70 100% Tabela 4 – Graduação de Nível Superior. Fonte: Dados primários, (2007). Graduação de Nível Superior Adminsitração Ciências Contábeis Ciências Econômicas 21% 24% 1% 1% 9% 1% 1% 41% 1% Design Direito Filosofia Pedagogia Terapia Ocupacional Não Respoderam Gráfico 4 – Graduação de Nível Superior. Fonte: Dados primários, (2007). Em relação ao cargo pesquisado, tem-se a seguinte situação: 04 (6%) ocupam o cargo de Agente de Portaria e Comunicação, 06 funcionários (9%) pertencem ao cargo de Escrivãs Judiciais, 19 funcionários (30%) ocupam o cargo de Secretário Forense, 13 (20%) ocupam o 47 cargo de Técnico Judiciário Auxiliar, com 01 (2%) o cargo de Oficial de Justiça. O que chama a atenção nesta tabela é o alto índice, 22 formulários (34%) de ter deixado sem responder qual cargo ocupa. A propósito da significativa proporção de formulários não respondidos cabem considerações e questionamentos distintos aos cimentados até o momento. Poder-se-ia afirmar que a omissão em tela decorreria de um temor dos pesquisados ante a possibilidade de serem reveladas realidades quanto ao fato de estarem ocupando cargos de nível médio e exercendo uma função de nível superior? A resposta a tal questionamento, todavia, não interfere na busca da concretização das conclusões do presente trabalho, não cabendo presentemente ater-se ao tema, mas tão somente verificar se as respostas consideradas válidas são suficientes, em quantidade, para a obtenção de parâmetros aceitáveis a formulação de análise a respeito do quesito formulado e, nesse aspecto, os questionários ditos válidas e as informações neles contidas parecem a contento. Nesse sentido os dados remanescentes dão conta que a maior parte dos questionários válidos é de responsabilidade de servidores ocupantes do cargo de Secretário Forense, afinal aquele que, pelas razões já sublinhadas ao longo do trabalho, mostra-se o mais apropriado para a efetivação das análises e das avaliações pretendidas e apresentadas na seqüência. Respostas Total Absoluto Total Relativo Agente de Portaria 04 6% Escrivão Judicial 06 9% Secretário Forense 19 30% Técnica Judiciária Auxiliar 13 20% Oficial de Justiça 01 2% Não Responderam 22 34% Total geral 65 100% Tabela 5 – Ocupante por Cargo Fonte: Dados primários, (2007). 48 Ocupante por Cargo Agente de Portaria 6% 9% 34% Escrivão Judicial 2% Oficial de justiça Secretário Forense 29% 20% Técnica Judiciária Auxiliar Não Responderam Gráfico 5 – Ocupante por Cargo Fonte: Dados primários, (2007). Quanto ao tempo de serviço, nota-se que, não existem nos últimos anos, renovação quanto ao quadro de funcionários. Ao ser questionado se estão a menos de 01 ano no órgão, apenas 02 funcionários (3%) responderam que sim, de 01 a 02 anos em atividade, apenas 02 (3%) dos colaboradores estavam a ocupar o cargo público, além disso, existem 06 funcionários (9%) que se encontram entre 03 a 04 anos em atividade. Com mais de 04 anos responderam 53 funcionários, (82%) do contingente estudado, e 02 (3%) não responderam, índice este ratificando a falta de renovação ou aumento de servidores, considerando que o volume de processos judiciais não pára de crescer. Como se observa, a grande maioria dos servidores pesquisados está a mais de quatro anos em seu atual cargo. Respostas Total Absoluto Total Relativo Mais de 1 ano 02 3% De 1 a 2 anos 02 3% De 3 a 4 anos 06 9% Mais de 4 anos 53 82% 49 Não Responderam 02 3% Total Geral 65 100% Tabela 6 – Quanto Tempo no Cargo. Fonte: Dados Primários, (2007). Quanto Tempo no Cargo 3% 3% 3% 9% Menos de 1 ano De 1 a 2 anos De 3 a 4 anos Mais de 4 anos Em Branco 82% Gráfico 6 – Quanto Tempo no Cargo Fonte: Dados Primários, (2007). Preliminarmente cabe comentar que, conforme dispõe o artigo terceiro, parágrafo primeiro do Estatuto dos Servidores Públicos do Estado de Santa Catarina – Lei Estadual n. 6.745/85, de 28 de dezembro de 1985 (SANTACATARINA, 1985) entende-se por função de confiança a situação funcional transitória criada por ato administrativo e cometida a funcionário público estadual, mediante livre escolha, para desempenho de atribuições regimentais, diferenciando-se, portanto, do conceito de\cargo público que é aquele de provimento efetivo. Isso visto, em se tratando da Função exercida, observa-se a partir da análise sobre os dados obtidos, primeiramente que, 05 (8%) ocupavam a de Escrivão Designado, enquanto 2 funcionários (3%) ocupavam a Função de Escrivão Judicial, já quanto a de Oficial de Justiça esta apresentou-se ocupada por apenas 1 (2%) do universo estudado, enquanto como Secretário Designado verificou-se que a Função refletiu uma amostra de 2 colaboradores (3%) e na Função de Secretário Forense, a pesquisa apresentou 22 funcionários (34%) ocupando-a e, finalmente, responderam ocupar a Função de Técnico de Suporte de Informática (TSI), 2 colaboradores (3%) do coletivo. Novamente um índice altíssimo de abstenção verificou-se, com 31 servidores (47%) dos pesquisados deixando de responder ao quesito, fato assemelhado aquele notado quando da 50 análise sobre a questão relativa aos cargos ocupados, anteriormente tratado, cabendo presentemente tecer os mesmos comentários de então, ou seja, que apesar da elevada proporção de “não respostas”, aquelas remanescentes mostram-se suficientes para a elaboração das conclusões necessárias ao alcance dos objetivos propostos, especialmente porque a maior parte dos questionários válidos são de responsabilidade de servidores ocupantes da Função de Secretário Forense, afinal aquele que, pelas razões já sublinhadas ao longo do trabalho, mostra-se o mais apropriado para a efetivação das análises e das avaliações pretendidas e apresentadas na seqüência. Importante nesse momento o desenvolvimento de raciocínio acerca da necessidade de integrar as informações atinentes aos quesitos Função e Cargo, cabendo dizer-se, inicialmente, que o somatório dos questionários respondidos por Secretários Forenses na tabela 05 – Cargo que Ocupa – na ordem de 19, com aqueles respondidos na tabela 07 – Função que Exerce – na ordem de 22 Secretários Forenses e mais 02 Secretários Designados, totalizando 43 servidores exercendo, afinal, tal atividade, vê-se ratificada a conclusão de que foi significativa a participação dos mesmos na pesquisa, haja vista o universo de 110 Secretários em todo território catarinense, como comentado no item 4.1. deste trabalho. Respostas Total Absoluto Total Relativo Escrivão Designado 05 8% Escrivão Judicial 02 3% Oficial de Justiça 01 2% Secretário Designado 02 3% Secretário Forense 22 34% Técnico Suporte Informática 02 3% Não Responderam 31 47% Total Geral 65 100% Tabela 7 – Função que exerce. Fonte: Dados Primários, (2007). 51 Função que exerce 3% 8% Escrivão Designado 2% Escrivão Judicial 3% 47% Oficial de Justiça Secretário Designado Secretário Forense TSI 34% Não Responderam 3% Gráfico 7 – Função que exerce. Fonte: Dados Primários, (2007). Quanto ao tempo de serviço exercido pelos pesquisados na Função, existem, dentre a amostra considerada, com menos de 1 ano na atividade, 3 funcionários (5%), entre 1 a 2 anos na organização, 7 (11%) dos funcionários enquadram-se, de 3 a 4 anos 9 funcionários (14%), sendo que 37 (56%) dos colaboradores que responderam o questionário estão na organização a mais de 4 anos, o que significa dizer que exercem a mesma Função acima de três anos cerca de 70% dos servidores estudados, de onde se conclui pela ocorrência de baixa rotatividade na ocupação do gerenciamento intermediário administrativo forense. Respostas Total Absoluto Total Relativo Menos de 1 ano 03 5% De 1 a 2 anos 07 11% De 3 a 4 anos 09 14% Mais de 4 anos 37 56% Não Responderam 09 14% Total geral 65 100% Tabela 8 – Quanto tempo na função. Fonte: Dados Primários, (2007). 52 Quanto tempo na função 14% 5% 11% Menos de 1 ano 14% De 1 a 2 anos De 3 a 4 anos Mais de 4 anos 56% Em Branco Gráfico 8 – Quanto tempo na função Fonte: Dados primários, (2007). Prosseguindo a análise, questionou-se junto aos pesquisados se a alternância da titularidade no cargo de Diretor interferiria nas atividades administrativas dentro dos fóruns. Como resultado, 33 colaboradores (51%) afirmaram que existe muita interferência nas atividades administrativas, enquanto 30 participantes (46%) afirmaram que tal ocorrência teria pouca interferência na administração e apenas 2 (3%), responderam que não verificam nenhuma interferência. Nota-se que, aproximadamente metade do universo pesquisado, considera que a alternância no cargo de Diretor interfere pouco ou nada nas atividades administrativas forenses, fato que, considerando as análises procedidas em relação à tabela 08 – Tempo na Função - quando se concluiu pela baixa rotatividade na ocupação nas funções de gerenciamento intermediário, pode levar à avaliação, relacionando-as, de que a continuidade das atividades administrativas forenses estaria garantida, independentemente da rotatividade, esta sim evidenciada, na ocupação do cargo maior da unidade. Aliado a tal constatação, deve-se destacar que a própria ocupação de cargos de Secretário Forenses, de forma permanente e não na condição do exercício de função, nos termos do demonstrado através da tabela 05 – Cargo que Ocupa – reforça a constatação de que a administração forense, nas condições atuais, poderia não perder ação de continuidade mesmo com a alternância constante de sua direção. 53 Contudo, reforce-se que, de acordo com os resultados obtidos através das respostas acerca do quesito em tela, há uma evidente dúvida quanto à questão, haja vista que metade dos entrevistados, diferentemente do que anteriormente se comentou, considera que a alternância do ocupante do cargo de Diretor, levaria sim, a interferências nas atividades administrativas da unidade. De qualquer maneira, ante o quadro demonstrado, entende-se pertinente destacar a importância da necessidade de ampliação das atribuições e competências da gerência intermediária no desenvolvimento de atividades e projetos efetivados pela unidade, notadamente transferindo, de forma institucional e regulamentar, algumas destas sob a alçada da direção para a subordinação da Secretaria Forense, o que permitiria, diante da maior estabilidade na manutenção da titularidade de seu ocupante, o estabelecimento de critérios e procedimentos para a perenidade de ações indispensáveis à organização e que correm sempre o risco de sofrerem interrupção de execução em função da rotatividade no cargo de Diretor. Nesse sentido Kwasnicka (1989), mencionado no item “2.1 – Processos Administrativos e os Instrumentos de Gestão” deste trabalho, diz que organizar é como um ato de orientar e conduzir o pessoal, para isso ocorrer de uma forma satisfatória, Fayol fornece alguns preceitos como: ter conhecimento profundo de seu pessoal, dar bom exemplo, incentivar no pessoal a atividade, a iniciativa e o devotamento (FAYOL, 1994, p.120). Além disso, também sobre a questão cabe destacar o que o próprio Fayol afirma a respeito do que considera coordenação, o que para o autor, em síntese, consiste em estabelecer a harmonia entre os atos de uma empresa de maneira a facilitar o seu funcionamento e o seu sucesso, dando ao organismo condições convenientes para que ele possa desempenhar seu papel, adaptando os meios ao fim e dando às coisas e fatos as proporções convenientes (FAYOL, 1994, p. 126), consideração esta adequada ao problema em tela, haja vista o entendimento de que as modificações ora propostas estão ao alcance a partir de pequenas alterações estruturais e dependeriam exclusivamente de uma ação coordenada pelos agentes responsáveis. 54 Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 33 51% Pouco 30 46% Nada 02 3% Total geral 65 100% Tabela 9 – Alternância no cargo de Diretor interfere nas atividades administrativas. Fonte: Dados primários, (2007). Alternância no cargo de Diretor interfere nas atividades administrativas 3% Muito Pouco 46% 51% Nada Gráfico 9 - Alternância no cargo de Diretor interfere nas atividades administrativas. Fonte: Dados primários, (2007). Quando questionados se houve alteração e ou revogação em alguma determinação dada pelo Diretor anterior, após a alternância no cargo, o resultado reforça a interferência administrativa observada pela tabela anterior, pois 19 (29%) dos pesquisados responderam que houve muita alteração, com um contingente de 37 funcionários (59%) afirmando que houve pouca alteração e ou revogação, e com apenas 08 (13%), dizendo que inexiste tal prática. Da análise do informado, vê-se que aproximadamente 71% dos entrevistados consideram que, a partir da alternância na ocupação da titularidade do cargo de Diretor forense, inexiste a prática de alteração ou revogação pelo sucessor de medidas ou determinações adotadas/implementadas por seu antecessor o que, a princípio, possibilitaria ou facilitaria a ocorrência de uma continuidade administrativa e gerencial e permitiria a efetivação plena, ao longo de sucessivos exercícios, de atividades e projetos planejados. 55 Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 19 29% Pouco 38 59% Nada 08 12% Total geral 65 100% Tabela 10 – Alteração ou revogação de determinações após troca de Diretor. Fonte: Dados primários, (2007). Alteração ou revogação de determinações após troca do Diretor 12% 29% Muito Pouco Nada 59% Gráfico 10 – Alteração ou revogação de determinações após troca de Diretor. Fonte: Dados primários, (2007). Quanto à ocorrência de troca de servidores de uma determinada função ou setor da Administração nos últimos cinco anos, por determinação da Direção Forense após a alternância na ocupação deste cargo, os resultados da pesquisa ficaram assim distribuídos: 40 (62%) dos pesquisados, responderam que sim, que ocorre substituição de funcionário em determinada função ou setor, enquanto que 25 funcionários (38%) afirmaram que não inexiste tal prática, significando em elevado índice no sentido de que a prática existe, demonstrando, a princípio, que a direção forense exerce efetivamente poder gerencial e detém competências que, por vezes, podem, de forma unilateral, alterar a rotina administrativa da unidade. Todavia, o presente quesito deve ser analisado em conjunto com aquelas informações constantes na tabela seguinte, de número 12 – Freqüência de Troca – o que será executado na seqüência. 56 Respostas Total Absoluto Total Relativo Sim 40 62% Não 25 38% Total geral 65 100% Tabela 11 - Troca de funcionário por determinação do Diretor nos últimos cinco anos. Fonte: Dados primários, (2007). Troca de funcionário por determinaçao do Diretor nos últimos cinco anos 38% Sim Não 62% Gráfico 11 - Troca de funcionário por determinação do Diretor nos últimos cinco anos. Fonte: Dados primários, (2007). Considerando a resposta relacionada à tabela anterior, de número 11, que revela a ocorrência de sistemática troca de servidores de função ou setor quando da alternância da titularidade do cargo de Diretor, foi questionado, também, a freqüência destas trocas, denotando que 52% dos entrevistados verificam que as mesmas se dão pouco frequentemente, índice este que, se considerada a proporção de 28% de questionários não respondidos quanto ao tema, representa que aproximadamente três quartos dos colaboradores com respostas válidas, informam que, se há trocas, estas ocorrem em pequena quantidade, o que representa o que se poderia conceituar como um “mal menor” ou uma interferência direta da Direção Forense não tão acentuada, ao menos na alocação da mão de obra da unidade. 57 Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito Freqüente 00 0% Freqüente 13 20% Pouco Freqüente 34 52% Não Responderam 18 28% Total geral 65 100% Tabela 12 – Freqüência de troca. Fonte: Dados primários, (2007). Freqüência de troca 0% 20% 28% Muito Freqüente Freqüente Pouco Freqüente Não Responderam 52% Gráfico 12 – Freqüência de troca. Fonte: Dados primários, (2007). Quanto ao questionamento sobre se a Secretaria Forense devesse possuir autonomia de decisão sobre as atividades administrativas do Foro, 53 servidores (81%) responderam que concordam com o fato, enquanto 11 colaboradores (17%) discordam desta autonomia, o que indica que a grande maioria dos pesquisados considera não só que as atribuições delegadas ao titular do cargo em tela devam ser executadas com grau de liberdade de escolha ao próprio Secretário, como indiretamente denota que desejam ver ampliado o nível de valorização deste profissional. 58 Respostas Total Absoluto Total Relativo Sim 53 81% Não 11 17% Não Responderam 01 2% Total geral 65 100% Tabela 13 – Autonomia nas atividades administrativas na Secretaria. Fonte: Dados primários, (2007). Autonomia nas atividades administrativas na Secretaria 17% 2% Sim Não Não Respondeu 81% Gráfico 13 - Autonomia nas atividades administrativas na Secretaria. Fonte: Dados primários, (2007). Verificando junto aos entrevistados se com as constantes trocas na Direção haveria percepção, visibilidade de alterações também quanto ao estilo de liderança entre os Diretores, os resultados apresentam-se da seguinte maneira: 40 funcionários (60%) responderam que as percepções são muitas, enquanto 24 colaboradores (38%) dos questionários válidos, consideram que pouca mudança de estilo se verifica, mostrando resultado zero (0%) quanto à opção de nenhuma mudança ser perceptível, cabendo informar, ainda, que um funcionário não respondeu, representando (2%) da amostra. Nota-se neste questionamento e a partir da análise das respostas emitidas, inicialmente que, pouco ou muito, absolutamente todas as respostas válidas apontam no sentido de que é perceptível a ocorrência de mudanças de estilo com a alternância de direção, o que indica a existência de problemas complexos, pois as diferenças de estilo entre os lideres, no caso 59 presente de Diretores Forenses, acabam interferindo na produtividade dos serviços, havendo necessidade da prática permanente e sucessiva de adaptação por parte dos liderados. Conforme Krausz (1991) que considera os quatros estilos de liderança, coercitivo, controladora, orientadora e integradora, para que haja adaptação dos funcionários para com os lideres, sempre demandará de tempo, trazendo com isso um certo atraso nas atividades administrativas no ambiente de trabalho. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 40 61% Pouco 24 37% Nada 00 0% Não Responderam 01 2% Total geral 65 100% Tabela 14 – Mudanças de estilo de liderança devido a constante troca na Direção. Fonte: Dados primários, (2007). Mudanças de estilo de liderança devido a constante troca na Direção 2% 0% 37% Muito Pouco 61% Nada Em Branco Gráfico 14 – Mudanças de estilo de liderança devido a constante troca na Direção. Fonte: Dados primários, (2007). Considerando o resultado do questionamento sobre as mudanças nas práticas e métodos de trabalho quando da troca de Diretor, havendo assim um inter-relacionamento com a questão anterior, reforçando o resultado obtido naquela, observa-se que da amostra populacional, 27 60 funcionários, (42%) afirmam que existem muitas mudanças, enquanto 33 funcionários da população pesquisada (51%) afirmam que ocorrem poucas mudanças, e apenas 5 funcionários (8%) afirmam inexistir qualquer mudança nas práticas e métodos de trabalho, tal como ora em estudo. Nota-se o quanto é impactante as mudanças em tela, cabendo destacar que na mesma linha de pensamento, como diz Mobley (1992), acarreta queda nos padrões sociais e de comunicação e queda no moral. A formalidade e informalidade da comunicação, em algum momento, certamente terão efeito negativo sobre os funcionários que permanecem. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 27 42% Pouco 33 50% Nada 05 8% Total geral 65 100% Tabela 15 - Mudança nas práticas e métodos de trabalho. Fonte: Dados primários, (2007). Mudanças nas práticas e métodos de trabalho 8% 42% Muito Pouco Nada 50% Gráfico 15 – Mudanças nas práticas e métodos de trabalho. Fonte: Dados primários, (2007). Questionando-se se a alternância no cargo de Diretor do Foro é imprescindível para o andamento das atividades administrativas, a pesquisa mostrou que 08 funcionários (12%) acham que é muito fundamental, enquanto que 38 funcionários (59%) consideram tal fato como pouco imprescindível, enquanto 19 colaboradores (29%) acham que não há nada de 61 imprescindível quanto à alternância para o andamento dessas atividades administrativas dentro do fórum. Como se observa a maioria dos entrevistados considera que tal alternância pouco ou nada interfere no andamento das atividades da unidade o que, a princípio, indica que já há uma continuidade na rotina administrativa seguidamente respeitada, não sendo assim, tão imprescindível às mudanças de direção, nos termos do atualmente verificado, ao menos quanto ao aspecto gerencial. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 08 12% Pouco 38 59% Nada 19 29% Total geral 64 100% Tabela 16 – Se alternância é imprescindível para o andamento das atividades. Fonte: Dados Primários, (2007). Se alternância é imprescindível para o andamento das atividades 12% 29% Muito Pouco Nada 59% Gráfico 16 – Se alternância é imprescindível para o andamento das atividades. Fonte: Dados primários, (2007). 62 Quanto ao questionamento sobre se a alternância em discussão, no cargo de Diretor Forense, gera implicações no processo de gestão de pessoas, a pesquisa deixa claro que 29 pesquisados (45%) responderam que tais implicações são muitas ou acentuadas, enquanto 31 colaboradores (47%) acham que existem poucas implicações e, finalmente, apenas 5 funcionários (8%) acreditam que a alternância em comento não acarreta nenhuma implicação em relação ao quesito em foco. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 29 45% Pouco 31 47% Nada 05 8% Total geral 65 100% Tabela 17 - Alternância no cargo de Direção gera implicações no processo de gestão de pessoas. Fonte: Dados primários, (2007). Alternância no cargo de Direção gera implicações no processo de gestão de pessoas 8% 45% Muito Pouco Nada 47% Gráfico 17 - Alternância no cargo de Direção gera implicações no processo de gestão de pessoas. Fonte: Dados primários, (2007). No que se refere às atividades de trabalho de cada funcionário pesquisado foram alteradas com a mudança na direção forense, 13 funcionários (20%) disseram que ocorrem muitas alterações, enquanto que 34 (52%) dos entrevistados, afirmam que houve pouca 63 alteração nas próprias atividades, e 18 colaboradores (28%) disseram não observarem nenhuma alteração. Da análise em tela, observa-se a vinculação aos dados avaliados na Tabela 15 – Mudança nas práticas e métodos de trabalho – pois que se a maioria dos entrevistados considera que ocorre pouca ou nenhuma mudança em suas atividades de trabalho com a alternância no cargo de direção, também a maioria – 58% - considerou que pouca ou nenhuma mudança nas práticas e métodos de trabalho é concomitantemente verificada. Contudo, se comparadas as informações supra com aquelas apontadas na Tabela 14 – Mudanças de estilo de liderança devido a constante troca na Direção, presencia-se uma aparente contradição, pois que nesta a maioria dos entrevistados – 61% - considerou que a alternância na titularidade do cargo em questão traz consigo mudanças, também de estilos de liderança. Tal contradição, como dito, é apenas aparente, pois que se é notável a mudança no estilo de gestão, esta se restringe ao comportamento pessoal distinto de cada líder, ou como visto no item “2.4.3 – Estilos de Liderança” do presente trabalho, ä influência interpessoal exercida por cada qual em determinadas situações, tal como tratado por Tannenbauem (apud Kauz, 1991), não evoluindo para o entendimento da interferência direta de tal(is) comportamento(s) sobre a ação administrativa em si. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 13 20% Pouco 34 52% Nada 18 28% Total geral 65 100% Tabela 18 - Atividades de trabalho alteradas com a troca do Diretor. Fonte: Dados primários, (2007). 64 Atividades de trabalho alteradas com a troca do Diretor 20% 28% Muito Pouco Nada 52% Gráfico 18 - Atividades de trabalho alteradas com a troca do Diretor. Fonte: Dados primários, (2007). Entretanto, quando questionados se a Secretaria deveria ter autonomia de decisão quanto aos assuntos disciplinares, o resultado da pesquisa esclareceu que, 14 funcionários, (22%) dos entrevistados, consideram que a mesma deva ter muita autonomia, enquanto 31 funcionários (45%) considerem que a mesma deva ter pouca autonomia, e 19 (29%) dos entrevistados, acham que a Secretaria não deva ter nenhuma autonomia. É notável que a maioria dos entrevistados considere que a Secretaria Forense deva ter pouca ou nenhuma autonomia quanto à definição sobre assuntos disciplinares de servidores, chegando tal proporção ao patamar de 76% dos pesquisados assim pensando, de onde se pode concluir como adequado que desejem a manutenção da situação atual, tal como disciplinado no Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado (SANTA CATARINA, 1979), que em seu artigo 109, determina competir exclusivamente à direção forense a imposição de penas disciplinares a servidores da Justiça não subordinados a outra autoridade. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 14 22% Pouco 31 47% Nada 19 29% 65 Não Responderam 01 2% Total geral 65 100% Tabela 19 – Secretaria deve ter autonomia aos assuntos disciplinares. Fonte: Dados primários, (2007). Secrataria deve ter autonomia aos assuntos disciplinares 2% 22% 29% Muito Pouco Nada Não Responderam 47% Gráfico 19 – Secretaria deve ter autonomia aos assuntos disciplinares. Fonte: Dados primários, (2007). Em se tratando da troca do Diretor Forense, se existe segurança quanto ao cargo que ocupam, 29 funcionários (5%) afirmam que existe muita segurança, com 28 (43%) dos entrevistados dizendo que existe pouca segurança, e apenas 8 (12%) dizem que não possuem nenhuma. Devido à consolidação de um índice considerado muito elevado de respostas indicando que haveria pouca ou nenhuma garantia na manutenção nos cargos ante a troca de titularidade na direção forense, há que se comentar sobre a aparente estranheza do resultado, haja vista a existência do instituto da estabilidade nos cargos de provimento efetivo no serviço público estadual, alcançados aí os servidores do Poder Judiciário, de onde se conclui que mesmo diante de tal fato, ainda assim a maioria dos pesquisados sente-se insegura na manutenção de seus respectivos cargos, face às constantes mudanças no corpo diretivo forense. Uma outra hipótese para o entendimento dos resultados é a de que teria havido, por parte dos pesquisados, uma má interpretação da questão formulada, talvez confundindo o termo cargo com o termo função gratificada, objeto de pesquisa presente no quesito imediatamente posterior ao em tela. 66 Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 29 45% Pouco 28 43% Nada 08 12% Total geral 65 100% Tabela 20 - Segurança no cargo devido à troca na Direção. Fonte: Dados primários, (2007). Segurança no cargo devido a troca na Direção 12% 45% Muito Pouco Nada 43% Gráfico 20 - Segurança no cargo devido à troca na Direção. Fonte: Dados primários, (2007). No que se refere à Função ocupada, se existe tranqüilidade na execução das tarefas devido as constantes trocas na Direção dos Fóruns, 28 (43%) dos entrevistados dizem que se sentem seguros, com 30 funcionários (46%) afirmando que possuem pouca segurança, enquanto aqueles que consideram não haver nenhuma segurança na Função em tais situações, montam em 6 funcionários (9%), cabendo informar que apenas 1 funcionário (2%) não respondeu o formulário. Tal resultado, com a consolidação de que 55% dos entrevistados haverem afirmado que tem pouca ou nenhuma segurança quanto à manutenção de suas Funções, parece indicar que em situações de mudança na titularidade da direção forense podem acarretar, efetivamente, alterações também na composição do gerenciamento intermediário da unidade e que, afinal, o magistrado que ocupa o cargo de direção tem real poder administrativo e político sobre a 67 mesma, pois que exclusivamente a ele compete a atribuição da escolha dos ocupantes de tais Funções. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 28 43% Pouco 30 46% Nada 06 9% Não responderam 01 2% Total geral 65 100% Tabela 21 - Tranqüilidade quanto à função exercida. Fonte: Dados primários, (2007). Tranquilidade quanto a funçao exercida 9% 2% 43% Muito Pouco Nada Em branco 46% Gráfico 21 - Tranqüilidade quanto à função exercida. Fonte: Dados primários, (2007). Quanto à reestruturação e/ou reorganização dos espaços físicos realizados pelos novos Diretores, a pesquisa mostra que praticamente é realizado algum tipo de mudança. Perante os pesquisados, 07 funcionários (11%) responderam que sempre que ocorrem as alternâncias em foco, existe concomitantemente reestruturação e/ou reorganização dos 68 espaços físicos, enquanto 35 colaboradores (54%) afirmam que quase sempre ocorre e 23 (35%) dos pesquisados dizem que não há nenhuma reestruturação e ou reorganização. Ressalte-se que a grande maioria dos entrevistados – 65% - respondeu que sempre ou quase sempre algum tipo de mudança, compreendendo reestruturação e/ou reorganização dos espaços físicos das unidades, é verificada em cada troca de titularidade na direção forense, fato que pode se relacionar a aspectos de estilos de liderança distintos dos diversos Magistrados que, afinal, revezam-se em tal função e, se assim entendido, corrobora o já tratado quando da análise do tema no item “2.4.3 – Estilos de Liderança” deste trabalho, notadamente quando traz a conclusão de que as características pessoais do líder determina seu próprio modo de influenciar os comandados, ou como afirma Wood Jr (2007) podem seduzi-los e influenciá-los, demonstrando sua condição de interferir na realidade de outros conforme a interpretam. Respostas Total Absoluto Total Relativo Sempre 07 11% Quase sempre 35 54% Nunca 23 35% Total geral 65 100% Tabela 22 - Com alternância os espaços são reestruturados e reorganizados. Fonte: Dados primários, (2007). 69 Com alternância os espaços são reestruturados e reorganizados. 11% 35% Sempre Quase Sempre Nunca 54% Gráfico 22 - Com alternância os espaços são reestruturados e reorganizados. Fonte: Dados primários, (2007). Prosseguindo a análise sobre a questão das reestruturações/reorganizações dos espaços físicos, foi questionado aos agentes pesquisados se os mesmos as consideram importantes e necessárias quanto à melhoria das atividades administrativas, sendo que a grande maioria dos colaboradores, na ordem de 49 servidores (75%), afirmaram que sim, que são importantes e necessárias, enquanto para 16 entrevistados (25%) tais mudanças não são importantes, o que, a princípio, leva a crer que elas trazem ou trouxeram consigo, um padrão de melhora das condições operacionais de ação e colaboram/colaboraram para uma evolução constante para o desenvolvimento de projetos e atividades efetivados pela unidade. Respostas Total Absoluto Total Relativo Sim 49 75% Não 16 25% Total geral 65 100% Tabela 23 - Importância quanto às reestruturações e ou reorganizações dos espaços físicos. Fonte: Dados primários, (2007). 70 Importância quanto as reestruturações e ou reorganizações dos espaços físicos 25% Sim Não 75% Gráfico 23 - Importância quanto às reestruturações e ou reorganizações dos espaços físicos. Fonte: Dados primários, (2007). Foi questionado, ainda, se com as reestruturações/reorganizações dos espaços físicos são gerados conflitos nas relações interpessoais e de trabalho, com 47 funcionários (72%), dizendo que sim, e apenas 18 (28%) dos pesquisados afirmando que não. Considerando o resultado da tabela imediatamente anterior a presente, que ressalta o fato de que é muito comum tais mudanças gerarem conflitos interpessoais no ambiente de trabalho o que, aparentemente, demonstra-se como contraditório, cabe tecer considerações sob outra ótica para o entendimento da questão, Nesse sentido, primeiramente cabe a indagação de o quanto seria efetivamente prejudicial à organização a ocorrência de conflitos entre seus diversos agentes ou se haveria algum tipo de ganho com a revelação em foco. De fato, o que parece ser revelado com as respostas ao presente quesito, é que os conflitos interpessoais ora mencionados existiriam de forma latente, sem manifestação contundente, mas lá estavam e apenas passam a ser manifestados a partir das alterações físicas promovidas na unidade por cada novo Diretor ao assumir o cargo o que, nesse caso, traz indícios de insegurança às pessoas e demonstra, a princípio, que o novo líder estaria apenas buscando maquiar as dificuldades do cotidiano, como opina Schirato (2005), “com pequenos ou grandes pacotes promocionais...”. A opinião da autora, aliás, contrapõe tal prática, quando afirma na seqüência: os conflitos são duramente resistentes a estas possíveis manipulações e, podem, eventualmente, permanecer em latência durante muito tempo, demonstrando pequenos sinais de sobrevida: boicotes, mal-humor, absenteísmo, acidentes, doenças 71 gástricas, chacotas, etc., ou seja, inúmeros sintomas de que são vítimas as pessoas envolvidas em tais conflitos... (SCHIRATO, 2005), E prossegue a autora sobre o tema, considerando: “É preciso, urgentemente, desenvolver, sobretudo nas lideranças, a competência de administrar os conflitos, criando instrumentos técnicos efetivos de discussão sobre aquilo que incomoda aquilo que está machucando, aquilo que não foi assimilado.” Importante concluir, finalmente, que as respostas apresentadas pelos entrevistados ao quesito em tela, revelam não só a existência de conflitos interpessoais no ambiente de trabalho em função das reestruturações/reorganizações físicas das unidades, sistematicamente promovidas a partir das alterações de titularidade no cargo de direção forense, mas muito mais que isso, permite vislumbrar a oportunidade/necessidade, plenamente ao alcance de tais diretores, de transformarem o que se entende como algo prejudicial à organização em algo totalmente novo e benéfico a ela. Respostas Total Absoluto Total Relativo Sim 47 72% Não 18 28% Total geral 65 100% Tabela 24 - Conflitos devido à reestruturação e/ou reorganização dos espaços físicos. Fonte: Dados primários, (2007). Conflitos devido a reestruturação e/ou reorganização dos espaços físicos 28% Sim Não 72% Gráfico 24 - Conflitos devido à reestruturação e/ou reorganização dos espaços físicos. Fonte: Dados primários, (2007). 72 Considerando a alternância na Direção, e se ocorrem trocas de pessoal nas funções gratificadas, 17 colaboradores (26%) afirmam que sim, e 48 (74%) dos pesquisados afirmam que não existe nenhuma troca nas funções em razão de mudanças na direção forense. Se comparadas\tais informações que indicam não ser prática corriqueira e sistemática a substituição de ocupantes de funções gratificadas quando da mudança de direção com aquelas apresentadas no quesito exposto na Tabela 21 – Tranqüilidade quanto a função exercida – quando 55% dos entrevistados afirmaram ter pouca ou nenhuma segurança quanto a manutenção de suas funções, parece indicar que, apesar de não ser corriqueira tal prática, há uma insegurança permanente por parte de seus ocupantes de que a mesma venha a ocorrer, o que talvez decorra da visão de que a administração pública estaria permanentemente sujeita a ingerências políticas e a adoção de medidas por parte de seus líderes, nem sempre embasadas em critérios técnicos, especialmente no tocante à gestão de pessoal, Respostas Total Absoluto Total Relativo Sim 17 26% Não 48 74% Total geral 65 100% Tabela 25 - Trocas de pessoas nas funções devido à alternância no cargo da Direção. Fonte: Dados primários, (2007). Trocas de pessoas nas funções devido a alternância no cargo da Direção 26% Sim Não 74% Gráfico 25 - Trocas de pessoas nas funções devido à alternância no cargo da Direção. Fonte: Dados primários, (2007). 73 No que se refere a concordância da interferência da Magistratura na gestão administrativa forense, 30 (46%) dos funcionários concordam, acham que a Magistratura deve interferir, enquanto que 35 (54%) dos pesquisados afirmam que tal prática não deva existir. Novamente relacionando com as informações apresentadas na Tabela 21 – Tranqüilidade quanto à função exercida - quando 55% dos entrevistados afirmaram ter pouca ou nenhuma segurança quanto à manutenção de suas funções, parece indicar que ao menos metade da população pesquisada considera ser correta a interferência da Magistratura nos destinos da escolha dos ocupantes das funções gratificadas, de onde se conclui que, apesar de grande parte dos ocupantes das mesmas sentirem-se inseguros quanto a sua manutenção quando da alternância de direção, também significativa parcela dos entrevistados concordam com a rotina atual, quando ao Magistrado empossado como Diretor de Foro compete a atribuição de eleger quem exercerá a gerência intermediária da unidade. Respostas Total Absoluto Total Relativo Sim 30 46% Não 35 54% Total geral 65 100% Tabela 26 – Concordância com a interferência da Magistratura. Fonte: Dados primários, (2007). Concordância com a interferência da Magistratura 46% Sim Não 54% Gráfico 26 - Concordância com a interferência da Magistratura. Fonte: Dados primários, (2007). 74 Quanto a uma maior sustentabilidade na gestão dos processos administrativos, foi questionado ser importante a criação do cargo de Secretário Forense nas Comarcas, conceituadas no presente trabalho em seu item “2.3 – Estrutura do Poder Judiciário”, conforme esclarecido quanto a classificação entre as Comarca, importante ressaltar que a falta do cargo efetivo, caracteriza-se apenas nas Comarcas Iniciais, cargo este existente nas demais classificações, Intermediárias, Finais e Especial. Dos colaboradores na pesquisa, 51 (78%) responderam que sim, é muito importante para a sustentabilidade, enquanto que 11 (17%) dos funcionários afirmam que existe pouca importância e apenas 3 (5%) acham que não existe nenhuma, o que denota a relevância que os servidores de fóruns dão às atribuições de tal cargo. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 51 78% Pouco 11 17% Nada 03 5% Total geral 65 100% Tabela 27 - Grau de importância para a criação do cargo do Secretário visando sustentabilidade administrativa. Fonte: Dados primários, (2007). Grau de importância para a criação do cargo do Secretário visando sustentabilidade administrativa 5% 17% Muito Pouco Nada 78% Gráfico 27 – Grau de importância para a criação do cargo do Secretário visando sustentabilidade administrativa. Fonte: Dados primários, (2007). Junto à pesquisa, foram solicitadas sugestões visando uma melhoria no desempenho dos processos de gestão administrativa diante da rotatividade na Direção, sendo que dos 65 75 formulários válidos, 48 (74%) dos funcionários deram sugestões, enquanto que em 17 formulários (26%) não constou nenhuma reposta. Considerando apenas os questionários válidos, várias sugestões apareceram como a necessidade de mais informatização dos trabalhos, a importância da prática de planejamento a longo e médio prazo, que haja um tempo maior para a transição entre a saída e a entrada do novo Diretor, que houvesse eleição para a escolha do Diretor, possibilidade descartada em comarcas iniciais, entre outras questões. Sugere-se, ainda, a padronização nas atividades da Direção e até mesmo que haja respeito a decisões adotadas em gestões anteriores de direção visando a regularidade na execução das normas, como exemplificado no formulário 37. Em 08 formulários (16%) dentre os preenchidos, as sugestões estão ligadas a treinamento, isto é, que seja disponibilizado um treinamento voltado à área administrativa direcionada para à Magistratura, dando com isso um maior suporte para a função de Diretor. Observa-se neste sentido a opinião de um dos respondentes quando relata, no Formulário 1, ser “fundamental que o Diretor do Foro receba treinamento específico para administrar o Foro considerando a divergência de estrutura de cada comarca...”. Outra questão acerca do tema treinamento surgiu como sugestão no formulário 12, quando seu responsável sugeriu a aplicação de “curso de administração pública para Magistrados...”. Nesta pesquisa aparece outro dado interessante atinente ao tema relacionamento interpessoal, existindo 07 formulários (14%) sugerindo a oferta de treinamento nessa área. O que está explicitado, por exemplo, no Formulário 13, onde o entrevistado expõe a necessidade de um “treinamento para magistrados relacionados à Gestão de Pessoas.”. Outra sugestão destacada trata sobre a necessidade da autonomia da Secretaria, reforçando o resultado da Tabela 13 – Autonomia nas atividades administrativas na Secretaria - que combinada com a Tabela 27 – Criação do cargo de secretário visando sustentabilidade – indica a importância deste cargo em todos os níveis de comarca, iniciais, intermediárias e finais, sugestão esta presente em 74% dos formulários válidos, o que se vê ressaltado no Formulário 3, quando o responsável pela resposta afirma ser necessário “dar maior autonomia ao secretário do foro nas questões administrativas (compras, controle de pessoal, etc...)”, além de merecer destaque o constante no Formulário 25, onde explicita-se que à Secretaria deveria caber a resolução de “questões básicas, como: estrutura do prédio, salas, assiduidade, 76 organização administrativa em geral deveriam ser somente da competência da Secretaria do Foro...”. Em outro questionamento, foi solicitado junto aos pesquisados que dessem três pontos positivos ou vantagens em relação à alternância na Direção. Dos 65 formulários válidos, 50 colaboradores (77%) citaram vários pontos, enquanto que 15 (23%) deixaram a questão sem responder. Considerando apenas os formulários preenchidos, um dos aspectos mais recorrentes foi o da implantação e implementação de novidades/renovações gerenciais. Nesse sentido, 17 sugestões (25%) dos formulários, apontaram nesse sentido, cabendo exemplificar com o que menciona o respondedor do Formulário 35, onde se observa que o mesmo destaca que “idéias novas, podem fazer com que o rendimento do trabalho aumente.”, ou também no Formulário 40, que ressalta como importante “depender de cada diretor, mas em geral: novidades na gestão; idéias inovadoras; oportunidade de mudar práticas obsoletas”. Nesse mesmo sentido, 5 formulários (7%) dentre os preenchidos, versavam especificamente sobre a questão da renovação das práticas administrativas nas unidades pesquisadas, se nota da análise do conteúdo do respondido pelo entrevistado responsável pelo Formulário 3, no qual consta a necessidade de “oxigenação nas práticas administrativas”, ou como expressado no Formulário 18, constituir-se como ponto positivo na alternância da direção a “renovação do modelo de administrar;”. Apareceram também outros pontos ou vantagens na alternância da titularidade da direção, como o de se evitar vícios, expressado pelo respondedor do Formulário 31, quando o mesmo afirma que tal prática “evita vícios na administração, gerando alterações construtivas em alguns casos;”, ou como expressado no Formulário 17, que reforça a necessidade/conveniência da autonomia administrativa para o Secretário Forense, o que foi expresso no Formulário 18, onde consta que “algumas vezes o novo Diretor da mais autonomia a Secretaria Forense” ou como estabelecido no Formulário 31, em que seu autor prevê como necessária a “reoxigenação no cômputo da liderança”, e até mesmo pontos distintos como descrito no Formulário 23, através do qual seu respondedor sempre espera “encontrar no próximo Diretor, um melhor administrador;”. Por outro lado, verifica-se a ocorrência de 3 formulários (4%) em que seus responsáveis argumentam simplesmente não haverem “nada a opinar”, sendo que na mesma 77 quantidade houve a apresentação de questionários em que seus signatários revelaram que não haviam, ainda, passado pela experiência da rotatividade na titularidade do cargo de direção. Em relação aos três pontos negativos e ou desvantagens dessa alternância do ocupante do cargo de Diretor Forense, como sugerido em questionamento específico, observou-se o seguinte resultado: como o ponto negativo mais citado, com 22 formulários (34%) destacou-se o tema da descontinuidade nos processos administrativos. Neste sentido o responsável pelo Formulário 12 observa que “os servidores estão acostumados a uma administração e, de inopino, se vêem às voltas com novas determinações”, indo no mesmo sentido o signatário do Formulário 15, quando opina que um dos problemas encontrados decorreria “quando o novo Diretor não dá continuidade a um trabalho que fluía”. Foi abordado em 4 formulários (6%), a questão sobre insegurança quanto à troca de função gratificada em conseqüência da mudança na direção, o que pode ser exemplificado pelo descrito no Formulário de número 35, quando tal assunto fica visível pela afirmativa do pesquisado, que ressalta a “insegurança de todos os servidores, pois não sabem se continuarão no cargo (SIC), etc.”. Considerando os demais 39 formulários (60%) dentre aqueles considerados válidos, estes ficaram divididos em vários temas, como: insegurança; troca de pessoal nas funções; adaptação com estilo de liderança; e outros, como o previsto no Formulário de número 37, onde o tema abordado é o de ser aplicado em primeiro plano a vontade pessoal do Magistrado empossado no cargo de direção, e afirma textualmente que “só vejo desvantagem, quando a direção toma decisões intempestivas, satisfazendo vontades pessoais, em detrimento da melhoria coletiva.” Sobre este último depoimento é pertinente fazer-se alusão ao já comentado no item deste trabalho “2.4.2 – O Poder na Organização”, quando destaca-se como fator perigoso do uso do poder a possibilidade de não compartilha-lo, principalmente quanto a tomada de decisão, ou como afirma Tavares, observando que o poder se reveste sob a forma de manipulação material ou emocional, podendo prejudicar o funcionamento da organização (TAVARES, 1996). Em se tratando de concordância, ou não, com a rotatividade na função do Diretor, 57 (56%) dos pesquisados afirmam que concordam com tal situação, entretanto, 27 funcionários (42%) discordam dessa rotatividade, e 1 questionário (2%) ficou com a questão em branco, o que indica uma aproximação quantitativa entre aqueles que concordam com tal prática e aqueles que discordam dela. 78 Respostas Total Absoluto Total Relativo Concordo 37 56% Discordo 27 42% Não responderam 01 2% Total geral 65 100% Tabela 28 - Rotatividade no cargo da Direção. Fonte: Dados primários, (2007). Rotatividade no cargo da Direção 2% 42% Concordo Discordo 56% Não Responderam Gráfico 28 - Rotatividade no cargo da Direção. Fonte: Dados primários, (2007). No que se refere a clareza das atuais regras que regem a troca na função de Diretor forense, dos 62 formulários válidos, 25 pesquisados (38%) afirmam que as regras estão claras, enquanto que 37 (57%) dos funcionários dizem que elas não estão, e 3 (5%) dos formulários ficaram com a questão prejudicada. Como se observa, a maioria dos pesquisados comenta que inexiste clareza ou divulgação das regras que regem o processo de transição e mudança no cargo de direção forense, o que pode ser considerado decorrente de entrave no processo administrativo, tal como tratado no item “2.1. Processo Administrativo e os Instrumentos de Gestão” deste trabalho, notadamente quanto ao não cumprimento dos princípios de planejamento e de organização, o primeiro pelo fato de indicar que a estrutura tem deixado de estabelecer a ligação entre onde está e para onde deseja chegar, ou como comenta Robbins (1990, p. 37) entendida tal função como “a determinação antecipada dos objetivos a serem atingidos e dos 79 meios pelos quais esses objetivos devem ser atingidos”, e o segundo porque indica perecer desconsiderar o entendimento de que a organização é uma associação de pessoas que, como diz Bernardes, é “caracterizada por possuir uma estrutura formada por pessoas que se relacionam colaborando e dividindo o trabalho para transformar insumos em bens e serviços.” (BERNARDES, 1993, P. 17). Respostas Total Absoluto Total Relativo Sim 25 389% Não 37 57% Não responderam 03 5% Total geral 65 100% Tabela 29 - Clareza quanto às regras para troca na função de Diretor Forense. Fonte: Dados primários, (2007). Clareza quanto as regras para troca na função de Diretor Forense 5% 38% Sim Não Em Branco 57% Gráfico 29 - Clareza quanto às regras para troca na função de Diretor Forense. Fonte: Dados primários, (2007). Entretanto, quando questionados os entrevistados se concordam, ou não, com as atuais regras sobre a alternância do Diretor, as respostas ficaram empatadas. De um total de 65 respostas válidas, 29 (45%) dos pesquisados dizendo que concordam, enquanto 31 (47%) dos entrevistados afirmam que discordam das mesmas e 5 funcionários (8%) deixam a pergunta sem resposta. 80 Respostas Total Absoluto Total Relativo Concordo 29 45% Discordo 31 47% Não responderam 05 8% Total geral 65 100% Tabela 30 - Concordância com as atuais regras para a troca do Diretor. Fonte: Dados primários, (2007). Concordância com as atuais regras para a troca do Diretor 8% 45% Concordo Discordo Em Branco 47% Gráfico 30 - Concordância com as atuais regras para a troca do Diretor. Fonte: Dados primários, (2007). Ainda sobre as regras para a troca do Diretor Forense, a pesquisa mostra que 10 funcionários (15%) acham que as mesmas afetam diretamente as atividades de trabalho, mas 39 dos pesquisados (61%) dizem que afetam pouco, enquanto 12 (18%) responderam que não afetam em nada e 4 questionários (6%) ficaram em branco. Destaque-se que a maioria dos entrevistados – 79% - consideram que tais regras pouco ou nada afetam as atividades de trabalho, dando, portanto, pouca relevância as mesmas, ao menos em sua relação direta com as citadas atividades. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito 10 15% Pouco 39 61% 81 Nada 12 18% Não responderam 04 6% Total geral 64 100% Tabela 31 - Regras afetam diretamente as atividades de trabalho. Fonte: Dados primários, (2007). Regras afetam diretamente as atividades de trabalho 6% 15% 18% Muito Pouco Nada Em Branco 61% Gráfico 31 - Regras afetam diretamente as atividades de trabalho. Fonte: Dados primários, (2007). Quando solicitados para citarem um determinado problema real gerado pela alternância de poder, nos termos atuais, em relação às atividades administrativas dos fóruns, uma diversidade de problemas foi citada. Mesmo tendo 16 formulários, (24%) do universo populacional pesquisado em branco nesta questão, um dos focos mais lembrados ainda foi a falta da continuidade dos trabalhos nas atividades administrativas forenses, lembrado por 10 funcionários, (15%) que afirmaram que a descontinuidade é um fator problemático para o desenvolvimento das mesmas, mostrando-se este como o questionamento mais recorrente, apesar de espontâneo, pois que originado de uma pergunta subjetiva. Em 6 formulários, 9% do total válido, reforçam-se a tese de que a troca de funcionários também gera problemas na manutenção de importantes relacionamentos interpessoais. Um exemplo contundente encontra-se na resposta emitida a partir do Formulário 23, através do qual o signatário afirma haver tido “... problema sério com um único diretor. Afetou a administração e o meu trabalho profundamente e ainda a minha vida pessoal. Tentou 82 modificar o quadro de servidores e deixou instável a administração do Fórum.”. Dentre os problemas apresentados, o estilo de liderança não passou despercebido, com 6 funcionários (9%) salientando a questão conforme demonstrado pelo Formulário de numero 49, mediante o qual o respondedor diz que “cada diretor quer administrar o fórum como acha melhor”. Além deles, 4 formulários (6%) indicam que o uso do poder ainda persiste na Direção, como o explanado pelo entrevistado responsável pelo Formulário 58, que a propósito do tema afirma: “Magistrados que são excessivamente autoritários, esquecendo o lado humano do servidor, criando um ambiente negativo de trabalho pois nenhum servidor consegue produzir 100% sob pressão...”. Além dos questionamentos anteriormente tratados, outras questões consideradas como problemas decorrentes da alternância de direção são, ainda, enunciados, versando os mesmos, sucintamente, sobre interrupção dos trabalhos, falta de comunicação, reestruturação, falta de tempo para transição e até mesmo má gestão administrativa, absolutamente todos já comentados no transcorrer deste trabalho. Por último, foi questionado se a rotatividade no cargo do Diretor gera uma descontinuidade e interrupções nos andamentos das atividades administrativas, havendo tal questionamento, uma vez consolidadas as respostas emitidas, apresentado-se nas seguintes proporções: 8 (12%) dos funcionários questionados dizem ser muito freqüente a interrupção nas atividades administrativas, enquanto 22 colaboradores (34%) afirmam que freqüentemente a descontinuidade acontece, ao passo que 32 (49%) dos pesquisados responderam que existe pouca freqüência, enquanto 3 (5%) dos formulários respondidos tiveram a questão em branco. Respostas Total Absoluto Total Relativo Muito Freqüente 08 12% Freqüente 22 34% Pouco Freqüente 32 49% Não responderam 03 5% Total geral 65 100% Tabela 32 - Descontinuidade e interrupções nas atividades administrativas com a rotatividade. Fonte: Dados primários, (2007). 83 Descontinuidade e interrupções nas atividades administrativas devido a rotatividade 5% 12% Muito Fraqüente Freqüente Pouco Freqüente 49% 34% Em Branco Gráfico 32 - Descontinuidade e interrupções nas atividades administrativas com a rotatividade. Fonte: Dados primários, (2007). Com as apresentações das análises sobre as tabelas e gráficos concluídas, e com as interpretações correspondentes variando conforme a multiplicidade de temas abordados e tendo sido procedido, conforme o caso, a integração de tais resultados com a fundamentação teórica preliminarmente indicada, passa-se a formulação das considerações finais do trabalho. 84 5 Considerações Finais A alternância ou rotatividade em qualquer cargo ou nível pode trazer algum tipo de problema, principalmente quando essa rotatividade ou alternância geram a falta da continuidade nos trabalhos voltados ao gerenciamento de determinada organização, como se trata do caso presentemente estudado, que se preocupa em analisar e avaliar quais as implicações administrativas ocasionadas com as sistemáticas mudanças nos cargos de direção forense no Poder Judiciário Catarinense, notadamente quanto a aspectos relacionados a problemas de relacionamento interpessoal e de readaptação a estilos de lideranças, como a tantos outros demonstrados no decorrer deste trabalho. A título de exemplo, relembre-se que um dos problemas sobre a rotatividade é destacado por Robbins como sendo o de que “os funcionários [estariam] diante de um mundo que oferece menos permanência e previsibilidade (...) O contrato informal de lealdade anteriormente existente entre funcionários e empregador foi irrevogavelmente rompido.” (ROBBINS, 2002, p. 21). Importante dizer-se, ainda, que as mudanças na ocupação da titularidade do cargo de Diretor do Fórum é institucionalizado e imposto por disposição legal, e ocorre, pelo regramento estabelecido, a cada dois anos. Dentre as limitações e dificuldades encontradas para a elaboração desse estudo, inicialmente merece destaque o problema decorrente da efetivação da fundamentação teórica do mesmo, uma vez que o assunto principal abordado no trabalho, rotatividade no cargo, na maioria das literaturas pesquisadas está mais voltado para a iniciativa privada e especialmente relacionado a alternância de empregados na organização e não na de dirigentes. Outra limitação ao trabalho foi identificada quanto a aspectos relacionados à pesquisa de campo. A população pesquisada, constituída de Secretários Forenses e Escrivães, está distribuída por todo o Estado de Santa Catarina, em 110 (cento e dez) fóruns, localizadas em distintos municípios, sendo que para a concretização da tratada pesquisa, baseada em perguntas previamente selecionadas, utilizou-se do meio eletrônico via serviços da internet, o que, segundo se acreditava, possibilitaria uma maior participação da população alvo. Porém, apesar de a página haver sido disponibilizada por três semanas, a quantidade de respostas em retorno montou em apenas 73 (setenta e três) questionários ou o equivalente a 31% (trinta e um por cento) do universo de 232 (duzentos e trinta e dois) formulários encaminhados, o que 85 poderia representar um problema ainda maior não fosse o fato de que tal proporção relativa foi mais significativa, na ordem de 41% (quarenta e um por cento), entre os ocupantes do cargo de Secretários Forenses que, como explicitado ao longo do trabalho, são aqueles agentes mais diretamente afetos aos questionamentos arrolados no estudo. De toda forma remanesceu a existência da relativamente baixa participação da população pesquisada, o que pode ter se dado em decorrência da inexistência de tempo disponível para o preenchimento do questionário, como alegado, ou pela pouca participação deste pesquisador na aplicação do mesmo, fato este motivado em boa parte pelo distanciamento geográfico entre as diversas comarcas, como anteriormente comentado. Quanto ao conteúdo dos resultados obtidos da aplicação dos questionários, cabe referenciar, inicialmente, quanto ao perfil dos entrevistados, que o coletivo pesquisado caracteriza-se em sua maioria por ser do sexo feminino, por ter escolaridade de nível superior completo, nas áreas de Direito ou Administração e ocupam por mais de quatro anos, tanto o cargo como a função que exercem atualmente. Isso visto e considerando os objetivos específicos eleitos para o trabalho, tem-se a afirmar, preliminarmente, que as regras existentes para as constantes trocas na ocupação do cargo da direção forense, tal como descrito na legislação e normas infra-legais específicas, são desconhecidas pela maioria dos pesquisados o que, como dito ao longo da análise efetuada, pode gerar a constituição de um possível entrave no processo de transição, cabendo informarse, ainda, que, também a maioria dos entrevistados consideram que tais regras pouco ou nada afetam as atividades de trabalho, dando, portanto, pouca relevância às mesmas, ao menos em sua relação direta com as citadas atividades. Destaque-se como sendo um outro objetivo específico do trabalho, o que se preocupou em verificar a existência de conflitos nas relações de trabalho em virtude da mudança das práticas e nos métodos de trabalho quando da troca do Diretor do Fórum, cabendo a propósito comentar que a maioria dos pesquisados informou ser prática corriqueira a substituição de servidores de uma determinada função ou setor da Administração nos últimos cinco anos, por determinação da Direção Forense após a alternância na ocupação deste cargo demonstrando, a princípio, que a mesma exerce efetivamente poder gerencial e detém competências que, por vezes, podem, de forma unilateral, alterar a rotina administrativa da unidade e gerar algum tipo de conflito, como questionado, ainda que também a maioria dos pesquisados informou que, se há trocas, estas ocorrem em pequena quantidade, o que representa o que se poderia conceituar como um “mal menor” ou uma interferência direta da direção forense não tão acentuada, ao 86 menos na alocação da mão de obra da unidade. De qualquer maneira, constatou-se haver uma insegurança permanente por parte dos titulares de funções quanto à manutenção das mesmas quando da ocorrência da alteração ora em questão, o que talvez decorra da visão de que a administração pública estaria, permanentemente, sujeita às ingerências políticas e à adoção de medidas por parte de seus líderes, nem sempre embasadas em critérios técnicos, especialmente no tocante à gestão de pessoal, Por fim e ainda a respeito do objetivo em tela, ressalte-se que as constantes trocas na Direção trazem a percepção da ocorrência de alterações também quanto ao estilo de liderança entre os Diretores, o que é compactuado pela maioria dos colaboradores, o que acaba interferindo na produtividade dos serviços, havendo necessidade da prática permanente e sucessiva de adaptação por parte dos liderados. Em se tratando dos eventuais problemas gerados pelas constantes alternâncias na titularidade da ocupação dos cargos de Direção Forense nas atividades administrativas dos Fóruns, observou-se inicialmente que, segundo apontado pelo resultado da pesquisa, em regra, pode-se dizer que pouco ou nada se alteram as determinações estabelecidas na gestão anterior, o mesmo ocorrendo com as atividades rotineiras de trabalho. Contrariamente, contudo, verificou-se que o mesmo não ocorre com as reestruturações e reorganizações dos espaços físicos, que sempre ou quase sempre são alterados com a substituição do Diretor, atitude que é apoiada pela maioria dos servidores que as consideram importantes e necessárias, de onde se conclui como pertinentes a melhora das condições operacionais da unidade, ainda que haja se manifestado significativa parcela dos colaboradores, no sentido de que tal prática é geradora de conflitos interpessoais, sobre os quais, como descrito ao longo do trabalho, deve a nova Direção ater-se e agir constantemente, visando a compreendê-los e solucioná-los. Finalmente, quanto ao último objetivo específico eleito, as opiniões dos pesquisados sobre o conteúdo das mudanças das práticas de gestão administrativa dos Fóruns em função da alternância de seus respectivos comandos, cabe destacar que a maioria dos pesquisados considera que persiste a existência de autonomia nas atividades administrativas da Secretaria Forense, notadamente no concernente ao grau de liberdade de escolha de seu titular, levando a, indiretamente, avaliar-se que desejam ver ampliado o nível de valorização deste profissional que, afinal, exerce atividades diretamente ligadas e vinculadas à Direção Forense, posição reforçada, também pela maioria do coletivo de colaboradores, quando afirmam não ser imprescindível a alternância da ocupação do cargo de Direção para o andamento de tais 87 atividades, além de ser importante destacar-se que pouco mais da metade dos pesquisados discordam da própria interferência da Magistratura na gestão administrativa, devendo caberlhes mais acentuadamente o desenvolvimento de suas atividades finalística, ainda que empossados na Direção, e considerando mais importante para a consecução destes objetivos e a sustentabilidade na gestão, inclusive a criação do cargo de Secretário Forense naquelas comarcas que ainda não o possuem. O mesmo não ocorre quando o tema versa sobre a autonomia da Secretaria quanto à definição sobre assuntos disciplinares de servidores, sendo notável que a maioria dos entrevistados considera que a Secretaria Forense deva ter pouca ou nenhuma autonomia sobre tais assuntos, de onde se pode concluir como adequado que desejem a manutenção da situação atual, tal como disciplinado no Código de Divisão e Organização Judiciária do Estado. Em síntese, com a descrição supra, vêem-se elencadas as condições para o estabelecimento do alcance do objetivo geral deste trabalho que, em síntese, pretendeu analisar as implicações na gestão e nos processos administrativos geradas pela alternância no cargo de Diretor de Fórum. Nesse sentido, cabe considerar que se mostrou evidente a ocorrência da necessidade de readaptação permanente dos servidores de Fórum ao novo estilo de liderança, ainda que isso não interfira direta e frontalmente nas metodologias de trabalho empregadas havendo, todavia, uma evidente demonstração por parte da maioria dos agentes envolvidos, de que deveriam ser definidas atribuições mais abrangentes aos Secretários Forenses, ainda que mantidas as regras de transição na Direção hoje vigentes, para que não sofressem solução de continuidade atividades e projetos efetivados pela unidade em decorrência de tal alternância. Em outras palavras, pode-se concluir que as regras de alternância da Direção Forense podem e devem ser mantidas, mas a perenizarão deveria estar cada vez mais condicionada a necessidade da continuidade das atividades administrativas forenses, que poderia estar garantida, independentemente da rotatividade na titularidade da Direção, ampliando-se as competências da gerência intermediária no desenvolvimento da gestão administrativa efetivadas pela unidade, notadamente, transferindo de forma institucional e regulamentar, algumas destas sob a alçada da Direção para a subordinação da Secretaria Forense, o que permitiria, diante da maior estabilidade na manutenção da titularidade de seu ocupante, o estabelecimento de critérios e procedimentos mais estáveis ante as ações indispensáveis à organização e que correm sempre o risco de sofrerem interrupção de execução em função da rotatividade em comento, além de possibilitar maior disponibilidade de tempo aos Magistrados 88 para o desenvolvimento de sua vida jurisdicional, que não é interrompida com sua ascenção ao cargo em tela e, assim, poderem executar suas atividades finalística que é a de julgar. A título de recomendação ao Poder Judiciário Catarinense, pertinente seria não só a implementação da sugestão supra, que efetivamente poderia se dar sem aumento de custos ao erário, mas também caberia sugerir a criação imediata de cargos de provimento efetivo de Secretaria Forense também nas comarcas iniciais, pois que estes já existem nas comarcas intermediárias e finais, e que se constituem na maioria das unidades forenses – aproximadamente 70% delas – em substituição às atuais Funções de Secretaria, evitando, também na gerência intermediária, a possibilidade de alternância de sua ocupação por motivos alheios aos critérios eminentemente técnicos e diminuindo os riscos de interrupções de processos gerenciais e atividades rotineiras do Fórum. Obviamente, criando apenas esses cargos poderia haver um aumento dos gastos públicos, ainda que certamente em escala facilmente absorvível pela organização como um todo, por sua dimensão monetária evidentemente limitada em comparação com os benefícios oriundos da implantação da medida, mas caberia necessariamente uma reforma estrutural e cultural em todas as comarcas, no sentido de democratizar e distribuir os poderes atinentes as tomadas de decisão, permeada por estudos, debates e discussões necessariamente com a participação dos próprios Magistrados e no caso das comarcas intermediárias e finais, talvez com a constituição de Comissões formadas pelos mesmos para o exercício da função orientadora, além de deter atribuições jurídicas em assuntos internos disciplinares. Para trabalhos futuros, sugere-se um aprofundamento dos estudos sobre as atividades exercidas nas Secretarias dos Fóruns, considerando inclusive as diversidades existentes entre as comarcas, principalmente devido ao tamanho que cada uma possui e as administrações realizadas pela Direção, além de, a partir dos resultados obtidos no presente trabalho com a aplicação dos questionários estudados, ser possível aprofundá-los, notadamente considerando os tópicos sobre questões de diferentes estilos de liderança dos Diretores, também podendo ser aprimorado o tema dos conflitos decorrentes da alternância da titularidade do cargo de Direção e, como última sugestão, valer-se da opinião dos Magistrados, talvez sobre as mesmas questões abordadas no presente trabalho ou análogas a elas. Pelo estudado e concluído, e diante de minha condição de acadêmico e servidor do Poder Judiciário Catarinense a mais de vinte e cinco anos, observei com o desenvolvimento deste trabalho, a profunda relação entre a realidade vivenciada e a capacidade da formulação teórica não só em compreendê-la, mas também como ferramenta para contribuir em sua 89 transformação, ao menos sobre aspectos em que esta mesma realidade mostra-se, claramente, falha e prejudicial, mas ainda assim, infelizmente, resiste a mudanças necessárias. 90 6 REFERÊNCIAS BERNARDES, Cyro. Teoria geral da administração: a análise integrada das organizações. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1993. BRASIL. Lei Complementar N. 35, de 14 de março de 1979. Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional – LOMAN. Diário Oficial da União de 14 de março de 1979. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federal do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Organização do texto: Juarez de Oliveira 4 ed. 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Acessado em: abril em 2007. 95 Apêndices Apêndice A – Questionário aplicado DADOS PESSOAIS 1) Sexo: ( ) – Masculino ( ) - Feminino 2) Escolaridade: ( ) - Ensino Médio ( ) - Superior Incompleto ( ) - Superior Completo Se completo qual: ______________________________________ 3) Cargo: _______________________________________ Tempo: ( ) Menos de 1 ano ( ) de 1 a 2 anos ( ) de 3 a 4 anos ( ) mais de 4 anos 4) Função: ______________________________________ Tempo: ( ) Menos de 1 ano ( ) de 1 a 2 anos ( ) de 3 a 4 anos ( ) mais de 4 anos QUESTIONÁRIO: 1) Em sua opinião, a alternância no cargo de Diretor interfere nas atividades administrativas dos Fóruns? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 2) As determinações foram alteradas ou revogadas após a alternância no cargo do Diretor? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 3) Considerando os últimos cinco anos, houve troca de funcionário entre setores por determinação do novo Diretor? ( ) SIM ( ) NÃO 3.1) Caso sim, essas trocas são: ( ) Muito Freqüente ( ) Freqüente ( ) Pouco Freqüente 4) A Secretaria deve ter autonomia de decisão quanto as atividades administrativas? 96 ( ) SIM ( ) NÃO 5) Com a constante troca na Direção, você percebe mudanças quanto ao estilo de liderança? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 6) Existem mudanças nas práticas e métodos de trabalho quando da troca do Diretor Forense? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 7) A alternância no cargo de Direção do Fórum é fundamental para o andamento das atividades administrativas? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 8) A alternância no cargo de Direção do Fórum gera implicações no processo de gestão de pessoas? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 9) Suas atividades de trabalho foram alteradas devido à troca do Diretor Forense? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 10) A Secretaria deve ter autonomia de decisão quanto aos assuntos disciplinares? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 11) Você se sente seguro no cargo com as constantes alternâncias na Direção? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 12) Considerando a função que você exerce, existe tranqüilidade quando da troca na Direção Forense? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 13) Com as alternâncias no cargo da Direção os espaços físicos são reestruturados e reorganizados? ( ) Sempre ( ) Quase Sempre ( ) Nunca 14) Você considera as reestruturações e/ou reorganizações dos espaços físicos importantes e necessários para melhoria das atividades administrativas? 97 ( ) SIM ( ) NÃO 15) As reestruturações e/ou reorganizações geram conflitos nas relações interpessoais e de trabalho? ( ) SIM ( ) NÃO 16) Com as alternâncias no cargo da Direção são realizadas trocas de pessoas nas funções gratificadas? ( ) SIM ( ) NÃO 17) Você concorda com a interferência da Magistratura na gestão administrativa Forense? ( ) SIM ( ) NÃO 18) Em sua opinião, qual grau de importância da criação do cargo de secretário, visando sustentabilidade na gestão dos processos administrativos? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 19) Aponte sugestões visando melhoria no desempenho nos processos de gestão administrativos diante da rotatividade na Direção? ____________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ 20) Aponte três pontos positivos/vantagens da alternância na Direção Forense: 1) _____________________________________________ 2) _____________________________________________ 3) _____________________________________________ 21) Aponte três pontos negativos/desvantagens sobre a alternância na Direção Forense: 1) _____________________________________________ 2) _____________________________________________ 3) _____________________________________________ 22) Você concorda ou discorda com a rotatividade na função de Diretor Forense? ( ) Concordo ( ) Discordo 98 23) As regras para troca na função de Diretor Forense estão claras e transparentes aos funcionários do fórum? ( ) SIM ( ) NÃO 24) Você concorda ou discorda com as atuais regras para a troca na função de Diretor Forense? ( ) Concordo ( ) Discordo 25) Essas regras afetam diretamente suas atividades de trabalho? ( ) Muito ( ) Pouco ( ) Nada 26) Cite um problema gerado pela alternância de poder nas atividades administrativas dos fóruns: ______________________________________________________________________ 27) A rotatividade no cargo de Diretor gera descontinuidade e interrupções nos andamentos nas atividades administrativas? ( ) Muito Freqüente ( ) Freqüente ( ) Pouco Freqüente 99 Apêndice B – Proporcionalidade de servidores por Comarca resumida no quadro 01 FÓRUM ABELARDO LUZ ANCHIETA ANITA GARIBALDI ARAQUARI ARARANGUA ARMAZEM ASCURRA BALNEARIO CAMBORIU BARRA VELHA BIGUACU BLUMENAU BOM RETIRO BRACO DO NORTE BRUSQUE CACADOR CAMBORIU CAMPO BELO DO SUL CAMPO ERE CAMPOS NOVOS CANOINHAS CAPINZAL CAPITAL CAPIVARI DE BAIXO CATANDUVAS CHAPECO CONCORDIA CORONEL FREITAS CORREIA PINTO CRICIUMA CUNHA PORA CURITIBANOS DESCANSO DIONISIO CERQUEIRA FORQUILHINHA FRAIBURGO GAROPABA GARUVA GASPAR GUARAMIRIM HERVAL D'OESTE IBIRAMA IÇARA IMARUI IMBITUBA INDAIAL IPUMIRIM ITA ITAIÓPOLIS Servidor 3 2 2 2 5 2 2 6 3 3 11 3 3 4 3 3 2 3 4 3 4 23 3 3 10 5 4 3 10 3 4 3 3 2 4 2 2 5 4 2 3 3 3 2 5 2 2 2 % Servidores 0,73 0,49 0,49 0,49 1,22 0,49 0,49 1,47 0,73 0,73 2,69 0,73 0,73 0,98 0,73 0,73 0,49 0,73 0,98 0,73 0,98 5,62 0,73 0,73 2,44 1,22 0,98 0,73 2,44 0,73 0,98 0,73 0,73 0,49 0,98 0,49 0,49 1,22 0,98 0,49 0,73 0,73 0,73 0,49 1,22 0,49 0,49 0,49 Amostra Correção 1,48 2 0,98 1 0,98 1 0,98 1 2,47 3 0,98 1 0,98 1 2,97 3 1,48 2 1,48 2 5,44 6 1,48 2 1,48 2 1,98 2 1,48 2 1,48 2 0,98 1 1,48 2 1,98 2 1,48 2 1,98 2 11,36 12 1,48 2 1,48 2 4,94 5 2,47 3 1,98 2 1,48 2 4,94 5 1,48 2 1,98 2 1,48 2 1,48 2 0,98 1 1,98 2 0,98 1 0,98 1 2,47 3 1,98 2 0,98 1 1,48 2 1,48 2 1,48 2 0,98 1 2,47 3 0,98 1 0,98 1 0,98 1 % Correção 0,87 0,43 0,43 0,43 1,29 0,43 0,43 1,29 0,87 0,87 2,59 0,87 0,87 0,87 0,87 0,87 0,43 0,87 0,87 0,87 0,87 5,17 0,87 0,87 2,16 1,29 0,87 0,87 2,16 0,87 0,87 0,87 0,87 0,43 0,87 0,43 0,43 1,29 0,87 0,43 0,87 0,87 0,87 0,43 1,29 0,43 0,43 0,43 100 ITAJAÍ ITAPEMA ITAPIRANGA ITAPOA ITUPORANGA JAGUARUNA JARAGUA DO SUL JOACABA JOINVILLE LAGES LAGUNA LAURO MULLER LEBON REGIS MAFRA MARAVILHA MODELO MONDAI NAVEGANTES ORLEANS OTACILIO COSTA PALHOCA PALMITOS PAPANDUVA PICARRAS PINHALZINHO POMERODE PONTE SERRADA PORTO BELO PORTO UNIAO PRESIDENTE GETULIO QUILOMBO RIO DO CAMPO RIO DO OESTE RIO DO SUL RIO NEGRINHO SANTA CECILIA SANTA ROSA DO SUL SAO BENTO DO SUL SAO CARLOS SAO DOMINGOS SAO FRANCISCO DO SUL SAO JOAO BATISTA SAO JOAQUIM SAO JOSE SAO JOSE DO CEDRO SAO LOURENCO DO OESTE SAO MIGUEL DO OESTE SEARA SOMBRIO STO.A.DA IMPERATRIZ TAIO TANGARA 11 2 2 2 2 3 5 6 13 13 4 2 2 3 3 2 3 2 3 2 3 3 3 3 2 2 3 4 3 3 3 2 2 5 2 4 2 2 2 2 4 3 2 9 3 3 4 2 3 3 3 3 2,69 0,49 0,49 0,49 0,49 0,73 1,22 1,47 3,18 3,18 0,98 0,49 0,49 0,73 0,73 0,49 0,73 0,49 0,73 0,49 0,73 0,73 0,73 0,73 0,49 0,49 0,73 0,98 0,73 0,73 0,73 0,49 0,49 1,22 0,49 0,98 0,49 0,49 0,49 0,49 0,98 0,73 0,49 2,20 0,73 0,73 0,98 0,49 0,73 0,73 0,73 0,73 5,44 0,98 0,98 0,98 0,98 1,48 2,47 2,97 6,43 6,43 1,98 0,98 0,98 1,48 1,48 0,98 1,48 0,98 1,48 0,98 1,48 1,48 1,48 1,48 0,98 0,98 1,48 1,98 1,48 1,48 1,48 0,98 0,98 2,47 0,98 1,98 0,98 0,98 0,98 0,98 1,98 1,48 0,98 4,44 1,48 1,48 1,98 0,98 1,48 1,48 1,48 1,48 6 1 1 1 1 2 3 3 7 7 2 1 1 2 2 1 2 1 2 1 2 2 2 2 1 1 2 1 2 2 2 1 1 3 1 2 1 1 1 1 2 2 1 5 2 2 2 1 2 2 2 2 2,59 0,43 0,43 0,43 0,43 0,87 1,29 1,29 3,02 3,02 0,87 0,43 0,43 0,87 0,87 0,43 0,87 0,43 0,87 0,43 0,87 0,87 0,87 0,87 0,43 0,43 0,87 0,43 0,87 0,87 0,87 0,43 0,43 1,29 0,43 0,87 0,43 0,43 0,43 0,43 0,87 0,87 0,43 2,16 0,87 0,87 0,87 0,43 0,87 0,87 0,87 0,87 101 TIJUCAS TIMBO TROMBUDO CENTRAL TUBARAO TURVO URUBICI URUSSANGA VIDEIRA XANXERE XAXIM Total 3 3 3 8 3 3 2 5 5 2 409 0,73 0,73 0,73 1,96 0,73 0,73 0,49 1,22 1,22 0,49 100,04 1,48 1,48 1,48 3,95 1,48 1,48 0,98 2,47 2,47 0,98 201,75 2 2 2 4 2 2 1 3 3 1 232 0,87 0,87 0,87 1,71 0,87 0,87 0,43 1,29 1,29 0,43 100,37 Quadro 2 - Proporcionalidade dos servidores por Comarca resumida no quadro 1 Fonte: Dados primários, (2007). Apêndice C – Composição das Comarcas por circunscrição Composição das Comarcas por Circunscrição e Entrância Circunscrição Entrância Comarca 1a. 2a. ESPECIAL FINAL INICIAL CAPITAL (SEDE) BLUMENAU (SEDE) GASPAR 3a. FINAL CHAPECO (SEDE) INICIAL CORONEL FREITAS INICIAL XAXIM FINAL INICIAL INICIAL FINAL JOINVILLE (SEDE) GARUVA ITAPOA LAGES (SEDE) INICIAL ANITA GARIBALDI INICIAL CAMPO BELO DO SUL INICIAL CORREIA PINTO INICIAL OTACILIO COSTA 4a. 5a. Município(s) FLORIANOPOLIS BLUMENAU GASPAR ILHOTA CHAPECO CAXAMBU DO SUL NOVA ITABERABA GUATAMBU PLANALTO ALEGRE CORDILHEIRA ALTA CORONEL FREITAS UNIAO DO OESTE AGUAS FRIAS JARDINOPOLIS XAXIM MAREMA LAJEADO GRANDE ENTRE RIOS JOINVILLE GARUVA ITAPOA LAGES SAO JOSE DO CERRITO PAINEL BOCAINA DO SUL ANITA GARIBALDI CELSO RAMOS ABDON BATISTA CAMPO BELO DO SUL CERRO NEGRO CAPAO ALTO CORREIA PINTO PONTE ALTA OTACILIO COSTA 102 6a. FINAL CRICIUMA (SEDE) INICIAL INICIAL INICIAL FORQUILHINHA ICARA URUSSANGA FINAL INICIAL ITAJAI (SEDE) BALNEARIO PICARRAS INICIAL NAVEGANTES 8a. INTERM. SAO JOSE (SEDE) 9a. FINAL TUBARAO (SEDE) INICIAL ARMAZEM INICIAL INICIAL CAPIVARI DE BAIXO JAGUARUNA FINAL BRUSQUE (SEDE) INICIAL SAO JOAO BATISTA FINAL CONCORDIA (SEDE) INICIAL IPUMIRIM INICIAL ITA INICIAL SEARA FINAL CURITIBANOS (SEDE) INICIAL SANTA CECILIA FINAL JOACABA (SEDE) INTERM. CAMPOS NOVOS 7a. 10ª. 11ª. 12ª. 13ª. PALMEIRA CRICIUMA SIDEROPOLIS NOVA VENEZA TREVISO FORQUILHINHA ICARA URUSSANGA MORRO DA FUMACA COCAL DO SUL ITAJAI BALNEARIO PICARRAS PENHA NAVEGANTES LUIZ ALVES SAO JOSE SAO PEDRO DE ALCANTARA TUBARAO PEDRAS GRANDES ARMAZEM SAO MARTINHO GRAVATAL CAPIVARI DE BAIXO JAGUARUNA TREZE DE MAIO SANGAO BRUSQUE BOTUVERA GUABIRUBA SAO JOAO BATISTA MAJOR GERCINO NOVA TRENTO CONCORDIA IRANI PERITIBA PRESIDENTE CASTELLO BRANCO ALTO BELA VISTA IPUMIRIM LINDOIA DO SUL ARABUTA ITA PAIAL SEARA XAVANTINA ARVOREDO CURITIBANOS PONTE ALTA DO NORTE SAO CRISTOVAO DO SUL FREI ROGERIO SANTA CECILIA TIMBO GRANDE JOACABA AGUA DOCE IBICARE TREZE TILIAS LUZERNA CAMPOS NOVOS VARGEM 103 INICIAL CAPINZAL INICIAL CATANDUVAS INICIAL HERVAL D'OESTE FINAL RIO DO SUL (SEDE) INICIAL ITUPORANGA INICIAL RIO DO OESTE 15ª. INTERM. ARARANGUA (SEDE) 16ª. INTERM. CANOINHAS (SEDE) INTERM. PORTO UNIAO INTERM. JARAGUA DO SUL (SEDE) INICIAL GUARAMIRIM 18ª. 19ª. INTERM. INTERM. INICIAL INICIAL LAGUNA (SEDE) MAFRA (SEDE) ITAIOPOLIS PAPANDUVA 20ª. INTERM. SAO MIGUEL DO OESTE (SEDE) INICIAL DESCANSO INICIAL ITAPIRANGA 14ª. 17ª. ZORTEA BRUNOPOLIS (ANTIGA PALMARES) CAPINZAL IPIRA LACERDOPOLIS OURO PIRATUBA CATANDUVAS JABORA VARGEM BONITA HERVAL D'OESTE ERVAL VELHO RIO DO SUL AGRONOMICA AURORA LONTRAS PRESIDENTE NEREU ITUPORANGA LEOBERTO LEAL ATALANTA IMBUIA PETROLANDIA VIDAL RAMOS CHAPADAO DO LAJEADO RIO DO OESTE LAURENTINO ARARANGUA MARACAJA BALNEARIO ARROIO DO SILVA CANOINHAS MAJOR VIEIRA TRES BARRAS BELA VISTA DO TOLDO PORTO UNIAO IRINEOPOLIS MATOS COSTA JARAGUA DO SUL CORUPA GUARAMIRIM MASSARANDUBA SCHROEDER LAGUNA MAFRA ITAIOPOLIS PAPANDUVA MONTE CASTELO SAO MIGUEL DO OESTE GUARACIABA PARAISO BANDEIRANTE BARRA BONITA DESCANSO BELMONTE SANTA HELENA ITAPIRANGA TUNAPOLIS SAO JOAO DO OESTE 104 21ª. INTERM. TIMBO (SEDE) 22ª. INICIAL INTERM. POMERODE VIDEIRA (SEDE) INICIAL FRAIBURGO INICIAL TANGARA INTERM. XANXERE (SEDE) INICIAL ABELARDO LUZ INICIAL PONTE SERRADA INICIAL SAO DOMINGOS INICIAL MONDAI INICIAL PALMITOS (SEDE) INICIAL SAO CARLOS INICIAL CAMPO ERE INICIAL QUILOMBO INICIAL SAO LOURENCO DO OESTE (SEDE) 26ª. INTERM. 27ª. INICIAL INTERM. INICIAL BALNEARIO CAMBORIU (SEDE) CAMBORIU PALHOCA (SEDE) SANTO AMARO DA IMPERATRIZ 28ª. INTERM. 23ª. 24ª. 25ª. BIGUACU (SEDE) TIMBO BENEDITO NOVO DOUTOR PEDRINHO RIO DOS CEDROS POMERODE VIDEIRA ARROIO TRINTA SALTO VELOSO IOMERE FRAIBURGO MONTE CARLO TANGARA PINHEIRO PRETO IBIAM XANXERE FAXINAL DOS GUEDES BOM JESUS ABELARDO LUZ IPUACU OURO VERDE PONTE SERRADA VARGEAO PASSOS MAIA SAO DOMINGOS GALVAO CORONEL MARTINS MONDAI IPORA DO OESTE RIQUEZA PALMITOS CAIBI SAO CARLOS AGUAS DE CHAPECO CUNHATAI CAMPO ERE SALTINHO SANTA TEREZINHA DO PROGRESSO SAO BERNARDINO QUILOMBO FORMOSA DO SUL IRATI SANTIAGO DO SUL SAO LOURENCO DO OESTE NOVO HORIZONTE JUPIA BALNEARIO CAMBORIU CAMBORIU PALHOCA SANTO AMARO DA IMPERATRIZ AGUAS MORNAS ANITAPOLIS RANCHO QUEIMADO SAO BONIFACIO ANGELINA BIGUACU ANTONIO CARLOS 105 29ª. 30ª. 31ª. 32ª. 33ª. INTERM. INICIAL SAO FRANCISCO DO SUL (SEDE) ARAQUARI INICIAL BARRA VELHA INTERM. TIJUCAS (SEDE) INICIAL INICIAL ITAPEMA PORTO BELO INTERM. SAO JOAQUIM (SEDE) INICIAL BOM RETIRO INICIAL URUBICI INICIAL BRACO DO NORTE INICIAL INICIAL INTERM. INICIAL LAURO MULLER ORLEANS (SEDE) INDAIAL (SEDE) ASCURRA INICIAL IBIRAMA INICIAL PRESIDENTE GETULIO 34ª. INICIAL GAROPABA 35ª. INICIAL INICIAL INICIAL IMARUI IMBITUBA (SEDE) SANTA ROSA DO SUL INICIAL SOMBRIO (SEDE) INICIAL TURVO INICIAL RIO DO CAMPO INICIAL TAIO (SEDE) INICIAL TROMBUDO CENTRAL 36ª. GOVERNADOR CELSO RAMOS SAO FRANCISCO DO SUL ARAQUARI BALNEARIO BARRA DO SUL BARRA VELHA SAO JOAO DO ITAPERIU TIJUCAS CANELINHA ITAPEMA PORTO BELO BOMBINHAS SAO JOAQUIM BOM JARDIM DA SERRA URUPEMA BOM RETIRO ALFREDO WAGNER URUBICI RIO RUFINO BRACO DO NORTE GRAO PARA RIO FORTUNA SANTA ROSA DE LIMA SAO LUDGERO LAURO MULLER ORLEANS INDAIAL ASCURRA APIUNA RODEIO IBIRAMA JOSE BOITEUX PRESIDENTE GETULIO DONA EMA VICTOR MEIRELLES WITMARSUM GAROPABA PAULO LOPES IMARUI IMBITUBA SANTA ROSA DO SUL PRAIA GRANDE SAO JOAO DO SUL PASSO DE TORRES SOMBRIO BALNEARIO GAIVOTA TURVO JACINTO MACHADO MELEIRO TIMBE DO SUL MORRO GRANDE ERMO RIO DO CAMPO SANTA TEREZINHA TAIO SALETE MIRIM DOCE TROMBUDO CENTRAL AGROLANDIA 106 POUSO REDONDO BRACO DO TROMBUDO SAO BENTO DO SUL CAMPO ALEGRE RIO NEGRINHO CACADOR RIO DAS ANTAS CALMON MACIEIRA LEBON REGIS CUNHA PORA MARAVILHA IRACEMINHA SAO MIGUEL DA BOA VISTA FLOR DO SERTAO TIGRINHOS MODELO SERRA ALTA SUL BRASIL BOM JESUS DO OESTE PINHALZINHO NOVA ERECHIM SAUDADES 37ª. INTERM. SAO BENTO DO SUL (SEDE) 38ª. INICIAL INTERM. RIO NEGRINHO CACADOR (SEDE) INICIAL INICIAL INICIAL LEBON REGIS CUNHA PORA MARAVILHA (SEDE) INICIAL MODELO INICIAL PINHALZINHO INICIAL ANCHIETA INICIAL DIONISIO CERQUEIRA (SEDE) DIONISIO CERQUEIRA PALMA SOLA INICIAL SAO JOSE DO CEDRO SÃO JOSE DO CEDRO GUARUJA DO SUL PRINCESA 39ª. 40ª. Quadro 3 - Composição das Comarcas por Circunscrição e Entrância Fonte: Dados primários, (2007). ANCHIETA ROMELANDIA 107 108 ANEXO Organograma 1 – Tribunal Pleno. 109 Organograma 2 – Tribunal de Justiça. 110 Organograma 3 – Órgãos Julgadores. 111 Direção do Foro Varas da Fazenda Contadoria Copa e limpeza Secretaria do Foro Distribuição Portaria e fotocópia Varas da Família Varas Cíveis Varas Criminais Técnico de Suporte Op. Comissariado da Infância Serviço Social Organograma 4 – Organograma ilustrativo - Comarcas Iniciais Oficialato de Justiça