UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA (UFBA) FACULDADE DE EDUCAÇÃO (FACED) PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO GUSTAVO JACCOUD SANTOS FORMAÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DOS DOCENTES DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA DA UESB Salvador – BA 2009 GUSTAVO JACCOUD SANTOS FORMAÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DOS DOCENTES DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA DA UESB Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Educação. Linha de Pesquisa: Currículo e (In)Formação Orientador: Prof. Dr. Roberto Sidnei Macedo Salvador – BA 2009 UFBA/ Faculdade de Educação – Biblioteca Anísio Teixeira S237 Santos, Gustavo Jaccoud. Formação didático-pedagógica dos docentes do curso de graduação em fisioterapia da UESB / Gustavo Jaccoud Santos. – 2009. 68 f. : il. Orientador: Prof. Dr. Roberto Sidnei Macedo. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação, Salvador, 2009. 1. Professores universitários - Formação. 2. Fisioterapia – Estudo e ensino (Superior). 3. Fisioterapia – Currículos. 4. Prática de ensino. I. Macedo, Roberto Sidnei. II. Universidade Federal da Bahia. Faculdade de Educação. III. Título. CDD- 378.007 – 22.ed. GUSTAVO JACCOUD SANTOS FORMAÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA DOS DOCENTES DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA DA UESB Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Bahia como requisito parcial para obtenção do grau de Mestre em Educação. Aprovada em ____ de _________ de 2009 BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Roberto Sidnei Macedo - Orientador _______________________________ Universidade Federal da Bahia/UFBA Profª. Dra. Maria Roseli Gomes Brito de Sá ________________________________ Universidade Federal da Bahia/UFBA Prof. Dr. Antenor Rita Gomes ___________________________________________ Universidade do Estado da Bahia/UNEB AGRADECIMENTOS A Deus, pelas inesgotáveis bênçãos concedidas em minha vida. À minha mãe, Luzia, pelo amor incondicional. Ao meu avô, sempre presente, pelos ensinamentos das virtudes humanas. À minha avó, Nazareth, pelas lições e cuidados que permearam o meu crescimento. Aos meus irmãos: Júnior, Luciana e Vitor, pela amizade, companheirismo e por sempre acreditarem em meus sonhos. À minha esposa, Polianna, pelo apoio pessoal e profissional, sem os quais esse trabalho não aconteceria. Ao meu orientador, Prof. Dr. Roberto Sidnei Alves Macedo, pelas valiosas contribuições teóricas e reflexões acerca da formação docente. À Universidade Federal da Bahia (UFBA) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), por viabilizarem a realização desta pesquisa. Aos colegas professores do curso de Fisioterapia da UESB, que através de seus discursos permitiram os debates e materialização deste estudo. À Profª. Maria Roseli Gomes Brito de Sá, pelas contribuições e ensinamentos no campo da “práxis” pedagógica. À minha amiga “Bê”, que não mediu esforços em ajudar na construção desta dissertação. Aos colegas do mestrado, por compartilharem das angústias e inseguranças inerentes ao curso de pós-graduação. O importante é estar pronto para, a qualquer momento, sacrificar o que somos pelo que podemos vir a ser. Charles Du Bois SANTOS, Gustavo Jaccoud. Formação didático-pedagógica dos docentes do Curso de Graduação em Fisioterapia da UESB. 67 f. il. 2009. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009. RESUMO A formação docente é objeto de análise e reflexões de diversas investigações e contribuições teóricas. Os cursos da área da saúde, em especial o curso de Fisioterapia, precisam de docentes qualificados e compromissados com as práticas educativas. Assim, a presente dissertação buscou analisar a formação didáticopedagógica dos docentes do curso de graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), a partir da concepção dos próprios sujeitos docentes, com o intento de compreender as principais dificuldades e limitações que estes enfrentam na prática docente. A pesquisa caracteriza-se por um estudo de caso, com abordagem qualitativa e bases metodológicas na etnometodologia, utilizando as técnicas de “grupo focal” e entrevista individual para coleta dos dados. Para exame dos dados foi utilizada a análise de conteúdos de base hermenêutica, com a utilização de categorias analíticas. As categorias identificadas foram: concepções acerca da formação docente; dificuldades apresentadas na prática docente; necessidades de formação docente e responsabilidades pela formação docente. Evidenciou-se que os sujeitos compreendem o magistério como uma nova profissão e identificam os saberes docentes como fundamentais nas práticas educativas. Apontaram como principais dificuldades enfrentadas no exercício do ensino superior a didática, a avaliação discente e o planejamento pedagógico. Reconheceram e destacaram suas necessidades de formação docente, mencionando espaços como a pós-graduação, cursos de capacitação e o oferecimento de disciplinas optativas na graduação em Fisioterapia voltadas para a docência como capazes de fomentar suas necessidades formativas. Denunciaram as instituições como co-responsáveis pela formação docente, cabendo ao sujeito a incumbência maior por sua emancipação formativa. Percebeu-se, assim, que os docentes de fisioterapia resistem frente às suas carências e buscam sobremaneira estratégias para o exercício responsável e ético da docência. Palavras-chave: Formação docente universitária. Currículo. Fisioterapia. SANTOS, Gustavo Jaccoud. Didactics-pedagogical formation of professors in the Physiotherapy Graduation Course of State University South-west of Bahia (UESB). 67 f. il. 2009. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009. ABSTRACT The teacher training is object of analysis and reflections of several investigations and theoretic contributions. The health courses, especially physiotherapy course, need qualified engagement professors with educational practices. Thereby, this dissertation proposed to analyze didactics-pedagogical formation of professors in the physiotherapy graduation course of State University South-west of Bahia (UESB), based on professor-self’s conception, to comprehend the main difficulty and limitation that they confront with teaching practice. The work characterizes as case study, with qualitative approach and ethnomethodology bases, utilizing “focal group” techniques and individual interview for data’s collect. For data’s analyze was used content analysis of hermeneutic base, and application of analytical categories. The categories identify were: conceptions about teacher training; difficulties in teacher practice; necessity of teacher training; and responsibility for teacher training. Was evidenced that the subjects understand the teacher’s work as a new profession and identify the teaching knowledge like fundamental on educational practices. Indicate as main difficulties, confront in higher education training, the didactics, the student evaluation and pedagogical planning. Account and emphasize them necessities for teacher training, indicating spaces as the graduate education, improvement courses and the offering of optional disciplines in physiotherapy course orientate to teaching, that be able of develop them training necessities. Pointed the institutions as coresponsible for teacher training, being the subject the most responsible by him emancipation training. Apprehend, so, that the physiotherapy professors resist in them limitations and search for means to the responsible and ethical teacher’s work. Keywords: University teacher training. Curriculum. Physiotherapy. LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Titulação dos docentes fisioterapeutas do Departamento de Saúde da UESB campus de Jequié em 2008.................................................... 37 Tabela 2 - Docentes do curso de Fisioterapia do Departamento de Saúde da UESB campus de Jequié cursando pós-graduação em 2008 38 LISTA DE SIGLAS ABENFISIO Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CEF Clínica Escola de Fisioterapia CEP Comitê de Ética em Pesquisa COFFITO Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional CONSEPE Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão ENSP Escola Nacional de Saúde Pública FIOCRUZ Fundação Oswaldo Cruz FTC Faculdade de Tecnologia e Ciências IES Instituições de Ensino Superior LDBEN Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional MEC Ministério da Educação e Cultura OPAS Organização Pan-Americana de Saúde SUS Sistema Único de Saúde UESB Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UNEB Universidade do Estado da Bahia SUMÁRIO 1 A CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO................................................................................. 10 1.1 OBJETIVOS..................................................................................................................................... 14 1.1.1 Objetivo Geral............................................................................................................................. 14 1.1.2 Objetivos Específicos ................................................................................................................ 14 2 COMPREENSÕES TEÓRICAS ........................................................................................................ 15 2.1 FISIOTERAPEUTA DOCENTE ....................................................................................................... 15 2.2 CURSOS DE GRADUAÇÃO NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL .................................................... 16 2.3 COMPETÊNCIAS PARA A DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR ................................................. 18 2.3.1 Compreendendo a Formação Docente .................................................................................... 19 2.3.2 Os Saberes Docentes: Eu Sei?!................................................................................................ 21 2.3.3 Profissionalização Docente ...................................................................................................... 22 2.3.4 A formação docente nos cursos da área da saúde ................................................................ 24 2.4 A DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR E A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL ............................................................................................................................................ 26 3 METODOLOGIA ............................................................................................................................... 28 3.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO ................................................................................................. 28 3.2 SUJEITOS DA PESQUISA .............................................................................................................. 29 3.3 CAMPO DE PESQUISA – A UESB.................................................................................................. 29 3.3.1 O Curso de Graduação em Fisioterapia da UESB – um breve relato ................................... 30 3.4 QUESTÕES DE PESQUISA............................................................................................................ 31 3.5 QUESTÕES ÉTICAS....................................................................................................................... 32 4 COLETA DOS “DADOS” ................................................................................................................. 33 4.1 CONTRIBUIÇÕES DO GRUPO FOCAL ......................................................................................... 33 4.2 A ENTREVISTA INDIVIDUAL E SUAS RELEVÂNCIAS.................................................................. 35 5 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS “DADOS” ............................................ 37 5.1 CATEGORIA 1: CONCEPÇÕES ACERCA DA FORMAÇÃO DOCENTE E OS SABERES DOCENTES........................................................................................................................................... 39 5.2 CATEGORIA 2: DIFICULDADES APRESENTADAS NA PRÁTICA DOCENTE ............................. 46 5.3 CATEGORIA 3: NECESSIDADES DE FORMAÇÃO DOCENTE .................................................... 52 5.4 CATEGORIA 4: RESPONSABILIDADES PELA FORMAÇÃO DOCENTE ..................................... 54 6 A BUSCA POR CONCLUSÕES........................................................................................................ 61 REFERÊNCIAS..................................................................................................................................... 63 APÊNDICE ............................................................................................................................................ 66 APÊNDICE A – FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DOCENTE ..................................................................... 66 ANEXO.................................................................................................................................................. 67 ANEXO A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO .............................................. 67 10 1 A CONSTRUÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO O presente trabalho tem como objetivo a discussão acerca da formação didático-pedagógica de docentes que lecionam no curso de graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). A gênese desta pesquisa será apresentada descrevendo os caminhos que levaram o autor a formular uma questão simples e em tempo complexa: um profissional graduado em Fisioterapia é capaz de exercer a docência e “ser professor” no ensino superior e formar novos profissionais fisioterapeutas? Após a conclusão do curso de graduação em Fisioterapia, prestei seleção pública para professor substituto na UESB, onde iniciei minhas atividades na docência do ensino superior. Desde os primeiros contatos com a academia, inúmeras carências e fragilidades se apresentaram na minha prática docente. Em uma viagem para participação em evento científico, um acontecimento me chamou a atenção: para hospedagem, quando do preenchimento da ficha de entrada no hotel a recepcionista questionou-me: qual a sua profissão? Aqui, uma pergunta relativamente simples colocou-me em um enorme dilema profissional: sou Fisioterapeuta ou sou Professor? A partir daí, concluí que estava exercendo esse novo “ofício” e que a minha formação para tal era extremamente limitada. Toda a minha formação acadêmica foi voltada para a atuação clínica da Fisioterapia e não para a docência no ensino superior. Nesta perspectiva, iniciei um curso de pós-graduação lato sensu com nível de especialização em Metodologia do Ensino Superior. A cada aula, cada contato com a linguagem pedagógica, a discussão acerca da formação e profissionalização docente deixava clara a lacuna que existia entre o profissional fisioterapeuta e o profissional docente. Uma das primeiras questões que emergiram deste contato foi a da relação “teoria/prática”. Para incrementar ainda mais este contexto, a disciplina para a qual fui designado ao iniciar a atividade docente possuía créditos teóricos, práticos e estágio. 11 A fisioterapia tem um campo de atuação extremamente técnico/prático. Esta prática tem sido fundamentada ao longo dos anos através de estudos baseados em evidências que tentam “tornar científicas” as diversas modalidades de intervenções fisioterapêuticas. Uma inquietação constante dos discentes é o combate ao “senso comum”. Não é admitido, por exemplo, que uma determinada conduta seja válida somente porque um paciente relatou uma melhora fantástica, mas sim porque em uma pesquisa muito bem “controlada” as evidências apresentadas, após a aplicação de uma rigorosa análise estatística, foram consideradas válidas. Essa cobrança por parte dos discentes é diária. Qualquer informação deve vir acompanhada de um artigo científico publicado em um periódico conceituado no qual pesquisou, analisou e teorizou acerca de determinado conhecimento. Assim, a construção do conhecimento a partir de uma análise crítico/reflexiva das modalidades terapêuticas utilizadas fica muito limitada. Nesse cenário, o docente tem a árdua tarefa de nortear os caminhos dos discentes na busca do novo e na percepção/aceitação de que o conhecimento que está posto não é definitivo e acabado. A elaboração dos conteúdos programáticos da disciplina foi outro ponto que evidenciava a falta de formação didático-pedagógica. Após aprovação em seleção pública e ingresso na universidade a ementa da disciplina a qual eu passaria a ser o responsável foi-me apresentada. De posse desta ementa, era necessária a elaboração do plano de curso, onde constava a distribuição das atividades desenvolvidas durante a disciplina, incluindo a metodologia a ser aplicada e os métodos avaliativos. Os questionamentos se multiplicavam: qual seriam os conteúdos considerados “mais importantes” para serem discutidos? Como esses conteúdos seriam “transmitidos” para os discentes? Seria correta a “transmissão” e não a “construção” destes conteúdos? Como, ao final da disciplina, seria mensurado o êxito ou fracasso do processo de ensino-aprendizagem? As disciplinas para as quais fui alocado eram: “Fisioterapia em Atenção à Saúde do Idoso” e “Estágio Supervisionado em Fisioterapia I (Área de Concentração Neuro-Geriatria)”. 12 A disciplina Fisioterapia em Atenção à Saúde do Idoso é oferecida aos discentes do 8º semestre do curso. Ela é composta por dois créditos teóricos e dois créditos práticos. São discutidos tópicos concernentes ao processo fisiológico de envelhecimento, seus impactos na saúde do individuo idoso, a avaliação fisioterapêutica destes indivíduos e as condutas empregadas no tratamento destes pacientes. A disciplina Estágio Supervisionado em Fisioterapia I (Área de concentração Neuro-Geriatria) é oferecida aos discentes do 9º semestre do curso, com quatro créditos de estágio. Neste caso, é realizado o Estágio Supervisionado no âmbito ambulatorial na Clínica Escola de Fisioterapia. Os questionamentos continuavam: como seria trabalhado o conteúdo teórico em articulação com a prática? Como realizar a supervisão do estágio e avaliar o grau de conhecimento teórico/prático dos discentes? No caso específico da intervenção prática, como eu poderia avaliar o desempenho de um discente que pela primeira vez tem um contato efetivo com o paciente? Durante o curso de pós-graduação com grau de especialização em Metodologia do Ensino Superior, desenvolvi uma pesquisa que iniciava minha caminhada na discussão atinente à formação didático-pedagógica dos docentes fisioterapeutas. Com o trabalho intitulado: “Fisioterapeuta Docente: Profissional de Saúde inserido no Ensino Superior” buscou-se identificar a necessidade de capacitação didático-pedagógica para fisioterapeutas que exerciam atividades no ensino superior. A pesquisa foi realiza na UESB, sendo aplicado um questionário estruturado a 15 docentes fisioterapeutas que lecionavam no curso de graduação em Fisioterapia. O questionário abordava questões relativas à necessidade de capacitação didático-pedagógica, fatores que motivaram o ingresso na carreira docente e a relação entre o conhecimento específico e o conhecimento didático-pedagógico. Os resultados mostraram que todos os docentes concordavam com a necessidade de capacitação didático-pedagógica para o exercício do magistério. Em relação aos motivos que levaram o fisioterapeuta ao exercício da docência, 33,3% relataram ter sido a vocação/desejo pessoal pelo ensino, 33,3% a oportunidade de 13 trabalho, 13,3 % a vocação/desejo pela pesquisa científica e 26,6% relataram outros motivos não identificados no questionário utilizado. A resposta unânime de que seria necessária a capacitação didáticopedagógica para atuação na área do ensino mostrou que os docentes reconheciam suas limitações, e que esta capacitação seria uma estratégia para enfrentar as dificuldades do “ser professor”. Outra questão abordada na pesquisa dizia respeito ao exercício da docência como um complemento financeiro, ou seja, a docência seria uma espécie de “bico”. Os dados revelaram que 66,6% dos fisioterapeutas acreditavam que a prática docente era uma fonte complementar de renda, enquanto 33,3% discordavam desta opinião. Assim, mais questionamentos emergiam: como poderia um profissional exercer a carreira docente acreditando ser esta somente uma fonte complementar de renda? Qual seria o envolvimento/dedicação deste docente com a docência? Durante a realização desta pesquisa, as inquietações e angústias com a minha prática docente aumentaram ainda mais. Nos corredores, na conversa com os colegas docentes e também com os discentes, eu sempre procurava discutir a formação docente dos fisioterapeutas. Em relação ao corpo discente, sempre era relatado pelos alunos que a formação didático-pedagógica de seus professores seria uma das principais ações para enfrentar os graves problemas durante o curso. Segundo os discentes, não bastava ser um bom fisioterapeuta para ser um bom professor de fisioterapia. Lembro-me de um discente que relatou: “tenho um professor que é um excelente fisioterapeuta, no entanto ele não sabe ensinar, suas aulas são confusas, não conseguimos aprender muito com ele [...].” Pude perceber que os discentes eram os que mais sentiam a fragilidade da formação docente de seus professores. Eram eles que sentiam na pele as deficiências dos docentes. Isso não significava que o docente era um “mau professor”, mas que o mesmo não tinha capacitação adequada para o exercício da docência. Fui percebendo assim o quanto era deficiente minha formação didáticopedagógica. Alguns pontos como didática, construção do conhecimento, elaboração 14 dos conteúdos programáticos e a relação professor-aluno mostravam-se extremamente frágeis e limitados na minha prática docente. Diante do exposto, a presente dissertação busca compreender criticamente a formação didático-pedagógica dos fisioterapeutas docentes no curso de graduação em Fisioterapia da UESB. 1.1 OBJETIVOS 1.1.1 Objetivo Geral Compreender criticamente a formação didático-pedagógica dos fisioterapeutas docentes no Curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). 1.1.2 Objetivos Específicos - Apontar as principais dificuldades/limitações didático-pedagógicas que os fisioterapeutas docentes enfrentam ao exercerem a carreira docente nas instituições de ensino superior; - Identificar as necessidades emergentes de formação voltadas às práticas educativas dos docentes fisioterapeutas. 15 2 COMPREENSÕES TEÓRICAS 2.1 FISIOTERAPEUTA DOCENTE A fisioterapia é uma profissão relativamente jovem. Sua regulamentação enquanto formação de nível superior ocorreu em 13 de outubro de 1969 (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, 1969). O número de cursos de graduação em Fisioterapia oferecidos em instituições de ensino públicas e privadas tem crescido consideravelmente nos últimos anos. O Censo da Educação Superior divulgado em 13 de outubro de 2003 pelo Ministério da Educação e Cultura (Revista COFFITO, 2004, p.46), revelou que das 1.859 instituições públicas e privadas, 296 oferecem curso de graduação em Fisioterapia. Destes, 88,17% (261) são oferecidos em instituições privadas, comunitárias, confessionais ou filantrópicas e 11,83% (35) em instituições públicas. O crescimento da quantidade de cursos de graduação em Fisioterapia elevou a demanda por Fisioterapeutas para atuarem na docência do ensino superior. Em estudo realizado por Carneiro (2003), observou-se que a maioria dos docentes dos cursos de graduação em Fisioterapia detém expressivo conhecimento técnico-científico, no entanto quase nenhum conhecimento didático-pedagógico. Ainda segundo o autor, tal fato merece atenção especial por parte das Instituições de Ensino Superior (IES), haja vista a repercussão negativa que isso pode gerar na formação do corpo discente. Além disso, aponta ainda que os docentes fisioterapeutas veem no ensino superior uma espécie de “bico”, de tal forma que a renda mensal desses profissionais seja incrementada. De acordo com Masetto (1998) para exercer a docência no nível superior é necessário um conhecimento na área pedagógica, no entanto destaca que esta é a grande carência dos docentes, ressaltando que alguns deles não tiveram acesso à formação pedagógica e que outros acreditam ser essa formação algo supérfluo ou desnecessário. 16 Masseto (1998) alerta para a necessidade de uma sustentação de quatro eixos do processo de ensino: o próprio conceito de processo de ensino-aprendizagem, o professor como conceptor e gestor do currículo, a compreensão da relação professor-aluno e aluno-aluno no processo, e a teoria e as práticas básicas da tecnologia educacional. O profissional Fisioterapeuta, que deseja ingressar na carreira docente, necessita ter em mente que ser professor é exercer uma nova profissão e que, para tanto, faz-se necessária uma capacitação pedagógica. Em pesquisa realizada por Saraiva (2004, p. 373), ficou evidenciado que 100% dos professores entrevistados consideram que o conhecimento específico é mais importante que o conhecimento pedagógico. No mesmo estudo, os discentes foram consultados e discordaram da opinião dos professores. Com isso, a autora aponta que a principal causa dessa discordância possa ser o prejuízo que os alunos enfrentam pela falta de embasamento didático-pedagógico dos professores. O conhecimento específico não é por si só a garantia de uma prática docente eficaz e de excelência, sendo necessário o conhecimento pedagógico para que o específico alcance o aluno. Os fisioterapeutas consideram a docência como fonte complementar de renda, sendo que grande parte destes profissionais não possuem formação adequada para atuarem no ensino de nível superior (CARNEIRO, 2003). Nesse sentido, o meio acadêmico torna-se mais uma opção de trabalho, não sendo encarado como fonte de realização pessoal e/ou vocacional. 2.2 CURSOS DE GRADUAÇÃO NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL A graduação exerce o papel de formação de profissionais das mais diferentes áreas de conhecimento que sociedade necessita. Essa construção profissional vem sendo cada vez mais especializada e bem delimitada, onde o conhecimento concentra-se na fragmentação de um todo. (MASETTO, 1998, p. 13). 17 Além dessa formação específica, as IES contribuem na formação de um sujeito-cidadão inserido num contexto histórico submetido a interferências da complexa realidade exterior, seja no âmbito político-econômico-social, no aspecto afetivo-emocional, ou nas habilidades, atitudes e valores. Quanto à formação dos profissionais docentes Masetto (1988, p. 14-15) considera quatro pontos fundamentais, a saber: 1- Desenvolvimento na área do conhecimento: aquisição, elaboração e organização de informações, acesso ao conhecimento existente, relação entre o conhecimento que se possui e o novo que se adquire, reconstrução do próprio conhecimento com significado para si mesmo, interferências e generalizações de conclusões, transferências de conhecimentos para novas situações, compreensão dos argumentos apresentados para a defesa ou questionamento de teorias existentes, identificação de diferentes pontos de vista sobre o mesmo assunto, emissão de opiniões próprias com justificativas, desenvolvimento da imaginação e da criatividade, do pensamento e da resolução de problemas; 2- Desenvolvimento no aspecto afetivo-emocional: crescente conhecimento de si mesmo, dos diferentes recursos que possui, dos limites existentes, das potencialidades a serem otimizadas. Para as faculdades e universidades, admitirem essa dimensão de aprendizagem significa abrir espaços para que sejam expressos e trabalhados a atenção, o respeito, a cooperação, a competitividade, a solidariedade e a segurança pessoal; 3- Desenvolvimento de habilidades: o que se faz com os conhecimentos adquiridos e com as experiências vividas no ensino superior? Alguns exemplos já estão contemplados no desenvolvimento da área cognitiva (relacionar conhecimentos e informações, organizar, generalizar, argumentar, deduzir, induzir etc.). Pode-se exemplificar o trabalho em equipe, a comunicação com os colegas e com as pessoas de fora do seu ambiente universitário, realização de pesquisas, dentre outras; 4- Desenvolvimento das atitudes e valores: aspecto mais delicado da aprendizagem de um profissional. É o seu coração, em geral, o menos trabalhado pela universidade. Seu coração porque, enquanto esse aspecto não for trabalhado, modificações significativas de aprendizagem também não acontecerão. As linhas de ação sugeridas na qualificação dos docentes abrangem: a formação profissional concomitante à formação acadêmica, com base em um currículo dinâmico e flexível integrando a teoria e a prática no decorrer da graduação; a desestabilização dos currículos fechados; o dimensionamento do significado da presença e das atividades a serem realizadas pelos alunos; e a ênfase na formação permanente que se inicia nos primeiros anos de faculdade e se prolonga por toda a vida. (MASETTO,1998, p. 16). No entanto, essa formação está voltada para a qualificação docente, o que não ocorre nos cursos de graduação em Fisioterapia. Por tratar-se de um curso de 18 bacharelado, seus propósitos se diferenciam dos cursos de licenciatura, que buscam a formação do profissional para atuar no campo educacional. Os cursos de graduação em Fisioterapia são geralmente formados em três ciclos: o básico, o profissionalizante e estágio. O básico aborda os conhecimentos comuns às ciências biológicas, sendo seguida da apresentação de conteúdos específicos da fisioterapia e por último da aplicação supervisionada destes conteúdos no estágio. Um ponto que merece destaque é em relação aos objetivos propostos pelos cursos de graduação. Não se pode perder de vista a idéia de que um curso de graduação em Fisioterapia tem como propósito formar novos fisioterapeutas, aptos a desenvolverem atividades inerentes a este campo profissional. Por outro lado, há de se imaginar que os docentes que atuam nesses cursos precisam de uma base didático-pedagógica. Como discutiremos durante esta dissertação de mestrado, a docência se coloca como um saber sistematizado e requer formação apropriada. 2.3 COMPETÊNCIAS PARA A DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR Há aproximadamente duas décadas vem se discutindo o papel do docente do ensino superior, buscando uma identidade da atividade com conotação de profissionalismo e substituição da imagem e status do “professor de universidade” ou daqueles que buscam complementação salarial. As competências levantadas à docência do ensino superior exigem conhecimento em determinada área, bem como experiência profissional de campo, atualizados constantemente por meio de cursos de aperfeiçoamento, especializações, congressos, simpósios e envolvimento com a pesquisa. Segundo Freire (1999, p. 103): 19 O professor que não leve a sério sua formação, que não estude, que não se esforce para estar à altura de sua tarefa não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe. Isto não significa, porém, que a opção e a prática democrática do professor sejam determinadas por sua competência científica. Há professores e professoras cientificamente preparados, mas autoritários a toda a prova. O que quero dizer é que a incompetência profissional desqualifica a autoridade do professor. O professor deve ter conhecimento dos diversos mecanismos de ensino, seja a elaboração de instrumentos e planejamentos das aulas, construção do conteúdo programático, referencial bibliográfico, meios de avaliação e metodologias de ensino. De acordo com Carneiro (2002, p. 23), a grande maioria dos professores na área de saúde desconhece planejamento pedagógico. Na visão de Saraiva (2004, p. 371), não é possível uma prática docente sem os conhecimentos didático-pedagógicos, sendo tal fato uma realidade em muitas Instituições de Ensino Superior. 2.3.1 Compreendendo a Formação Docente Nos últimos anos tem-se dado destaque ao debate sobre a formação de professores. De acordo com Marcelo (1998) a pesquisa sobre formação docente tem aumentado tanto qualitativamente quanto quantitativamente. Cada vez mais fica claro que o processo de ensino-aprendizagem, a construção do conhecimento e a formação de novos profissionais críticos-reflexivos preparados para atuarem em diversos campos do saber e situados historicamente precisam ser permeadas por conhecimentos inerentes a prática educacional. Fica evidente que é preciso aprender a ensinar. Marcelo (1998) ressalta que durante as pesquisas sobre formação de professores é muito consensual a necessidade de capacitação para atuação na docência. Mas, o que se compreende por formação docente? Quais são os pilares deste processo? Quais são as competências e saberes inerentes às práticas educacionais que precisam ser trabalhadas para a atuação na docência? Quem é o responsável 20 pela formação dos professores? A universidade? Os cursos de pós-graduação? O próprio sujeito? O conceito de formação docente traz também consigo as reflexões acerca da profissionalização docente. Formar novos profissionais – independente da área – exige formação específica e assim revela-se uma nova profissão. A necessidade de profissionalização docente se apresenta em um momento em que as profissões mais assentadas passam por uma profunda crise. Para Tardif (2000), o movimento de profissionalização docente busca renovar os fundamentos epistemológicos do ofício do professor. Cada profissão necessita de conhecimentos específicos. As diversidades destes conhecimentos fazem com que uma profissão se diferencie da outra. No caso da Fisioterapia, os conhecimentos transitam nas ciências biológicas (Biologia, Fisiologia, Bioquímica, Biofísica, Anatomia, etc.) além dos conhecimentos clínicos das áreas de atuação (Neurologia, Traumatologia, Geriatria, Ginecologia/Obstetrícia, Reumatologia, Pediatria, Cardiologia, etc.). A formação do futuro fisioterapeuta é baseada no acúmulo de saberes, competências e habilidades que promovem uma rede de significados entre os conhecimentos específicos trabalhados nos anos de formação. Como ilustração: um estagiário no último ano do curso prático atendimentos fisioterapêuticos na Clínica Escola de Fisioterapia (CEF) da UESB, sob supervisão de um docente fisioterapeuta. No primeiro contato com o paciente, o estagiário faz uma avaliação clínica global, registrando informações como dados pessoais, patologias de base, histórico de enfermidades na família, hábitos de vida, condição músculo-esquelético, sinais vitais e outros. Para coletar estes dados vários conhecimentos - fisiológicos, anatômicos, bioquímicos - precisam ser utilizados. A formação do fisioterapeuta é realizada de maneira fragmentada, desde o ciclo básico até o estágio supervisionado. Os conhecimentos trabalhados nas várias etapas do curso não são articulados e discutidos entre os docentes. Durante a coleta de dados desta pesquisa, observou-se nas falas dos sujeitos que este debate entre os docentes do curso é reconhecidamente necessário, porém não ocorre efetivamente. 21 Assim, se para formar o futuro fisioterapeuta é necessário esse acúmulo de conhecimentos e competências, para formar o “professor de fisioterapia”, o que é necessário? Quais seriam esses saberes imprescindíveis para o exercício da prática docente? 2.3.2 Os Saberes Docentes: Eu Sei?! Os trabalhos que iniciaram os debates sobre os saberes docentes surgem no cenário internacional nas décadas de 1980 e 1990. Antes desse período os conhecimentos das práticas efetivas de ensino eram relegados a um segundo plano. Em revisão feita por Nunes (2001) a autora coloca que nas décadas de 1960, 1970 e 1980 os holofotes dos pesquisadores em educação focavam-se quase que exclusivamente no conhecimento específico, aspectos didático-metodológicos relacionados às tecnologias de ensino e a dimensão sócio-política e ideológica das práticas educacionais. A produção internacional passou então a discutir os saberes implícitos na prática docente, levando em consideração todas as relações desses saberes com o “eu” do sujeito que ensina. Nesse momento, a voz do professor pela primeira vez é ouvida e as concepções e práticas desses profissionais começam a ganhar força e a surgirem na produção científica em educação. Como seria possível analisar os conhecimentos dos professores sobre suas práticas educacionais sem levar com consideração as inúmeras significações e resignificações que eles desenvolvem solitariamente durante toda vida profissional? Os docentes que atuam nos cursos da área da saúde constroem a cada dia, a cada experiência educacional, os pilares dos seus saberes e competências didáticopedagógicas. As relações de tensão entre a teoria e a prática, a relação ensinoaprendizagem, a avaliação do processo formativo e as estratégias e métodos para mediar toda a estrutura da prática docente são construídas ao longo do exercício profissional da docência. 22 Por estas razões, o questionamento apresentado: “Saberes Docentes: Eu Sei?!” procura indagar sobre a real compreensão por parte dos fisioterapeutas que atuam na docência, do que venha a ser os saberes docentes. Muitos desses professores reproduzem de maneira quase que automática os paradigmas educacionais aos quais eles foram submetidos durante toda sua vida acadêmica. Os saberes docentes são, nesse caso, uma espécie de resgate dos saberes e competências dos antigos mestres que participaram do processo formativo desses fisioterapeutas. Em um novo momento histórico ocorre uma inversão de papéis, e o docente de fisioterapia se vê frente a novos conflitos de identidade profissional, buscando em seus antigos professores uma base de sustentação para sua práxis educacional. Se o fisioterapeuta docente não compreende bem os conhecimentos/saberes necessários para a fomentarem suas práticas, é provável que a construção e reconstrução desses se faça de maneira gradativa e acumulativa, em uma constante significação da e na prática docente. A aquisição e apropriação dos saberes é então algo construído na prática. Considerando que a prática é precedida por conceitos e concepções de cunho teórico, é provável que esses sejam reflexos dos modelos educacionais vividos pelos fisioterapeutas docentes durante seu processo formativo na graduação. 2.3.3 Profissionalização Docente A profissionalização docente ganhou destaque entre os teóricos educacionais. Não se concebia avaliar os saberes, as práticas e ações de um professor sem conceituar e compreender esse conjunto de elementos que profissionalizam o ofício docente. Pacheco (2004) contesta a idéia de que ser professor seria uma espécie de sacrifício, movida tão somente pelo entusiasmo e paixão pelas práticas educacionais. Destaca ainda que ser professor implica no aprendizado e 23 desenvolvimento de inúmeros saberes e competências, os quais sustentam as complexas relações da prática de ensinar. As dimensões da profissionalização docente extrapolam a abordagem meramente tecnicista e produtiva da lógica liberal-mercadológica. Cabral (2006) destaca: “o professor deixa de ser um reprodutor mecânico do conhecimento e passa a buscar em sua vivência docente a solução para os seus problemas”. Na visão da autora, a reflexão do professor sobre sua prática e as relações destas com as dimensões sociais, econômicas e políticas tornam este um exercício processual. A docência passa a ser debatida em um contexto de inúmeras interferências socialmente e historicamente definidas. A formação de novos profissionais vem exigindo conhecimentos e práticas que levam em consideração as demandas de um mundo em constante renovação e inovação. Essas necessidades, assim, transbordam (e muito) os conhecimentos ditos “técnicos” e “específicos” de cada profissão. A exemplo do que acontece com os cursos de graduação em Fisioterapia, a formação dos novos fisioterapeutas não pode mais ser sustentada por um currículo que privilegie exclusivamente os conhecimentos e técnicas de atuação destes profissionais. As dimensões políticas, sociais e econômicas passam a ser pauta obrigatória nas elaborações e re-elaborações das estruturas destes cursos. O sistema de saúde vigente no Brasil – Sistema Único de Saúde (SUS) – foi instituído a partir do final dos anos 80 e promoveu profundas mudanças nas estruturas organizacionais em saúde. Assim, os profissionais de saúde passaram a atuar em um novo modelo e precisaram se ajustar a essas novas regras. Mas, se os futuros profissionais de saúde precisam ser formados sob essa nova ótica político-estrutural, quais seriam as mudanças necessárias àqueles que são responsáveis pela formação destes, ou seja, os docentes que atuam nesses cursos de formação? A profissionalização docente revela-se então como uma necessidade que emerge não só dos cursos de licenciatura, mas de toda a estrutura educacional. As constantes mudanças geradas pelo processo de globalização e adaptação dos países a esse novo paradigma mundial exigem uma profunda análise e compreensão das necessidades formativas profissionais. 24 2.3.4 A formação docente nos cursos da área da saúde As demandas por profissionais que atuem na promoção e recuperação da saúde da população vêm crescendo consideravelmente nas últimas décadas. Diversos são os níveis de assistência à saúde, buscando sempre o bem-estar geral dos indivíduos. Não podemos deixar de destacar as importantes transformações ocorridas na área da saúde pública, desde a reforma sanitária nos anos 70, que instituíram a saúde como um direito constitucional e regido pelos princípios da equidade, da universalidade e da integralidade. Essas novas políticas públicas colocaram para as instituições formadoras dos futuros profissionais de saúde uma necessidade emergente por adequações nas propostas curriculares dos cursos de graduação. De acordo com Rocha (2007) as mudanças ocorridas no campo das gestões em saúde vêm sendo bem mais notórias do que no campo educacional. A autora destaca que frente às demandas impostas se fazem necessárias re-elaborações nos projetos político-pedagógicos e nas formas de ensinar fisioterapia. Preocupados com o ensino em fisioterapia, em outubro de 1999 durante o XIV Congresso Brasileiro de Fisioterapia foi criada a Associação Brasileira de Ensino de Fisioterapia (ABENFISIO). A entidade reúne docentes, discentes, profissionais de serviços e pessoas interessadas na discussão e construção de políticas e diretrizes para o ensino de Fisioterapia no Brasil. A ABENFISIO iniciou assim diversos encontros entre os profissionais ligados ao ensino da Fisioterapia para discutirem coletivamente os projetos políticopedagógicos dos cursos, buscando uma sintonia com os novos paradigmas do sistema único de saúde. Essas mudanças ocorridas após a reforma sanitária brasileira exigiram novos modelos curriculares que privilegiassem saberes articulados e flexíveis, que respeitem a diversidade, garantam a qualidade da formação e estejam vinculados às realidades sociais e as necessidades de saúde da população. 25 Buscando uma consonância com esses novos princípios, a Associação Brasileira de Ensino em Fisioterapia executou um projeto de cooperação técnica firmado com a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e com o Ministério da Saúde/Departamento de Gestão e Educação na Saúde, onde foram discutidas estratégias para as adequações dos currículos de Fisioterapia frente às novas realidades. O projeto contou com a participação de docentes, discentes, profissionais e gestores dos serviços de saúde de todo o Brasil. Inicialmente foi realizada a Oficina Preparatória para as oficinas regionais, que ocorreu em Brasília/DF em abril de 2006. Esse primeiro encontro objetivou uma discussão, elaboração e preparação para as oficinas regionais que se realizaram no período entre abril e setembro de do mesmo ano em todo o Brasil. A UESB, Campus de Jequié, campo de pesquisa desta dissertação de mestrado foi sede da Oficina Regional Nordeste Sede 13, que contou também com a participação da Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)/Campus de Itabuna e Vitória da Conquista. Durante dois dias foram discutidas as questões norteadoras propostas na oficina nacional e ao final dos trabalhos aprovado em plenária um relatório com propostas e sugestões para implantação das diretrizes curriculares nacionais dos cursos de Fisioterapia. O encerramento deste projeto de cooperação técnica aconteceu em Brasília/DF em dezembro de 2006, sendo votado e aprovado o relatório final. Este relatório pontuou diversas ações para a reestruturação dos currículos de fisioterapia em consonância com os princípios do SUS. As propostas destacam a importância do professor de fisioterapia com um agente facilitador no processo de construção do conhecimento. O desenvolvimento das ações de ensino e aprendizagem deve centrar-se no aluno, trabalhando os conteúdos de maneira articulada e reflexiva com a pesquisa e a extensão. Nesse sentido, a formação didático-pedagógica dos docentes de Fisioterapia precisa estar comprometida com essas novas realidades e demandas. O perfil desses docentes e os projetos político-pedagógicos dos cursos de graduação em Fisioterapia devem privilegiar uma formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. 26 2.4 A DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR E A LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN – Lei Nº 9.394/96), sancionada em 12 de dezembro de 1996, rege a educação nacional a partir do funcionamento das redes escolares, da formação dos especialistas e docentes, das condições de matricula, do aproveitamento de aprendizagem e promoção de alunos, dos recursos financeiros, materiais, técnicos e humanos para o desenvolvimento do ensino, da participação do poder público e da iniciativa particular no esforço educacional, dentre outros (SOUZA; SILVA, 1997, p. 71). A normatização da educação superior é pautada em 15 artigos referentes à estrutura e funcionamento desse grau de ensino. Os cursos e programas que são regulamentados pela LDBEN são: cursos sequenciais por campo de saber; de graduação; de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado; cursos de especialização e aperfeiçoamento; e de extensão (SOUZA; SILVA, 1997, p. 73). Em seu artigo 43, inciso IV, fica evidenciada a função da educação superior como um órgão de fomento e divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem o patrimônio da humanidade, além de comunicar o saber através do ensino e publicações, tendo como instigador o profissional docente. A composição de tal categoria deve ter um terço com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado e um terço em regime de tempo integral. Contudo, Morosini (2001, p. 75) questiona acerca da formação didáticopedagógica alcançada pelos profissionais nos cursos de pós-graduação, sejam de mestrado ou doutorado. Saraiva e Maynard (2004, p. 372), corroboram desta indagação: É passível de entendimento que o professor com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado seja um profissional com considerável conhecimento em sua área específica. Porém, ser mestre ou doutor em determinada área do conhecimento específico garante o preparo pedagógico a esses professores? 27 Portanto, é duvidosa a garantia de uma formação pedagógica nos cursos de pós-graduação stricto sensu ou lato sensu. Tais cursos podem não abranger a área educacional, formando um profissional em determinada área do conhecimento específico. 28 3 METODOLOGIA A pesquisa em educação requer técnicas e métodos de investigação científica que busquem responder às questões de pesquisa. Devido ao seu enfoque e abordagens qualitativas, esses recursos procuram desnudar as situações-problema e alcançar possíveis inferências aos fenômenos educacionais. Esta pesquisa configurou-se como um estudo de caso, pois investigou um espaço próprio e procurou avaliar todas as concepções acerca da formação didáticopedagógica dos docentes que atuam em uma instituição de ensino superior. Para a presente pesquisa, foram utilizadas técnicas de coleta dos dados na forma de “grupo focal” e entrevista individual. Essas ferramentas metodológicas são amplamente estudadas, debatidas e empregadas pelos teóricos em educação. Assim, buscou-se compreender através das concepções dos sujeitos como se apresenta a formação didático-pedagógica dos docentes do Curso de Graduação em Fisioterapia da UESB. 3.1 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO O presente estudo tem caráter descritivo, a partir de uma abordagem qualitativa, utilizando grupos focais e entrevistas individuais para coleta dos dados. Para exame dos dados será utilizada a análise de conteúdos de base hermenêutica, com a utilização de categorias analíticas. As falas produzidas no grupo focal e nas entrevistas individuais foram transcritas na íntegra para a análise. Assim, os erros, pausas, reformulações e contradições são apresentados como revelados pelos sujeitos. Destacamos aqui o papel da etnometodolgia e dos etnométodos em nosso trabalho. A etnometodologia procura compreender como as relações sociais 29 ocorrem, levando em consideração as ações dos atores e suas reflexões sobre os determinantes sociais. Essas “formas” de interpretação individual do ator social são os chamados etnométodos. Macedo (2004) pontua que a etnometodologia veio dar voz aos atores como autores de suas próprias experiências, deixando de lado a idéia de que esses seriam meros reprodutores de indicadores sociais pré-determinados. Nesse sentido, ao utilizarmos esses conceitos da etnometodologia em nosso trabalho procuramos compreender a partir da visão dos próprios autores/atores sociais suas concepções acerca da formação docente. 3.2 SUJEITOS DA PESQUISA Os sujeitos informantes da pesquisa foram os docentes que atuam no curso de graduação em Fisioterapia da UESB. Participaram da pesquisa, docentes que possuem formação inicial de bacharelado em Fisioterapia. Procurou-se analisar somente os docentes que são formados em Fisioterapia e que na posição de professores passam a ter a missão de formar novos fisioterapeutas. Docentes que se encontram afastados para pós-graduação, afastados para tratamento de saúde ou aqueles que se recusaram a participar do estudo não figuram entre os informantes. 3.3 CAMPO DE PESQUISA – A UESB A UESB é um importante centro de ensino, pesquisa e extensão da região sudoeste da Bahia. Além do campus central no município de Vitória da Conquista, a UESB conta com mais dois campi em Itapetinga e Jequié. 30 A criação da UESB foi impulsionada por uma política de interiorização do ensino superior no Estado da Bahia, contida no Plano Integral de Educação do Estado no ano de 1969. Foram implantadas as Faculdades de Formação de Professores nas cidades de Vitória da Conquista, Jequié, Feira de Santana e Alagoinhas. Após várias articulações políticas em 1984, a UESB recebe autorização para funcionar como universidade multi-campi, estando vinculada à Secretaria de Educação e Cultura do Estado. Desde então diversos cursos de graduação e pós-graduação vêm sendo implantados na instituição. Atualmente a UESB oferece cursos nas áreas de Ciências Exatas e da Terra, Engenharia, Saúde, Agrárias, Ciências Sociais e Aplicadas e Ciências Humanas. São aproximadamente 26 cursos de graduação distribuídos nos três campi da Universidade. Em relação à pós-graduação a UESB vem se consolidando como um centro de pesquisa e qualificação profissional. São oferecidos regularmente cerca de 20 cursos de especialização e seis cursos de mestrado, além de programas interinstitucionais de mestrado e doutorado realizados em parceria com outras instituições de ensino. 3.3.1 O Curso de Graduação em Fisioterapia da UESB – um breve relato O curso de graduação em Fisioterapia da UESB foi criado em 1998 de acordo com a resolução CONSEPE 17/98, publicada no Diário Oficial do Estado da Bahia em 01/06/1999. O curso é oferecido no campus de Jequié e conta em sua estrutura com uma Clínica Escola para realização de aulas práticas e estágio supervisionado para discentes dos últimos semestres, além de diversos laboratórios: anatomia, informática, química e outros. 31 Desde a sua implantação o curso vem desenvolvendo diversas ações nos campos do ensino, da pesquisa e da extensão. A Clínica Escola de Fisioterapia oferece assistência fisioterapêutica à comunidade jequieense e às regiões circunvizinhas, mediante convênio firmado com a Secretaria Municipal de Saúde de Jequié. Logo no primeiro ano de funcionamento a Clínica realizou aproximadamente oito mil atendimentos, nas áreas de traumatologia, ortopedia, pediatria, neurologia, ginecologia/obstetrícia e geriatria. São oferecidas 50 vagas anuais, sendo 25 para o primeiro semestre e 25 para o segundo semestre. Assim como outros cursos da área da saúde, a concorrência tem-se mostrado muito elevada. No último vestibular a mesma ficou em 17 candidatos por vaga. O curso de Fisioterapia da UESB foi o primeiro no estado da Bahia a ser oferecido por uma instituição de ensino pública. Recentemente a Universidade do Estado da Bahia (UNEB) também implantou um Curso de Fisioterapia, no campus de Salvador/BA. 3.4 QUESTÕES DE PESQUISA 1. Como, através dos sujeitos da pesquisa, se revela a formação didáticopedagógica dos fisioterapeutas que lecionam nos cursos de graduação em Fisioterapia? 2. Que aspectos dessa formação se apresentam como marcantes para o conjunto dos sujeitos pesquisados? 32 3.5 QUESTÕES ÉTICAS A presente pesquisa atende aos preceitos éticos regidos pela Resolução Nº. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Este trabalho foi encaminhado para apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UESB – CEP/UESB, que após análise emitiu parecer favorável à realização da pesquisa. 33 4 COLETA DOS “DADOS” Os dados foram obtidos através da realização do grupo focal e entrevista individual. Para a gravação das falas foi utilizado um aparelho Mp4. Solicitou-se dos participantes o preenchimento de uma Ficha de Identificação Docente (APÊNDICE A), contendo informações como regime de trabalho, titulação máxima, tempo de conclusão da graduação etc. 4.1 CONTRIBUIÇÕES DO GRUPO FOCAL O Grupo Focal é uma técnica com entrevistas coletivas que buscam discutir e analisar as percepções dos sujeitos participantes acerca de determinado tema objeto da investigação científica. Para sua realização alguns cuidados devem ser tomados para que os objetivos propostos possam ser alcançados. Assim, Macedo (2004) ressalta como pontos importantes a serem observados: os membros do grupo, sua preparação para a entrevista, as condições do tempo, o lugar do encontro, a qualidade da mediação ou do entrevistador na condução das discussões. O autor também destaca que se faz necessário o conhecimento por parte do mediador da temática abordada. Assim, as intervenções podem ser necessárias para o direcionamento das discussões, evitando prováveis fugas do tema central. O número de participantes deve estar entre 6 a 15 pessoas (WESTPHAL et al., 1996), que são escolhidas de maneira intencional por apresentarem alguma característica em comum (por exemplo: idade, sexo, nível de escolaridade, local de residência, ocupação etc.). Macedo (2004) chama a atenção para a necessidade de um domínio por parte do mediador de técnicas não diretivas de entrevista, capazes de demonstrar 34 tolerância às ambiguidades, paradoxos, contradições, insuficiências, impaciências, compulsões e até mesmo situações em que ocorrem sentimentos de rejeição ao tema abordado ou sua metodologia. Para o autor, o mediador é peça fundamental na dinâmica do grupo focal, pois algumas posturas norteadoras devem ser adotadas para uma adequada entrevista coletiva. O grupo focal foi realizado com os professores que atuam como supervisores no estágio supervisionado em Fisioterapia I (ambulatorial) e II (hospitalar). Foi distribuída uma carta convite nos escaninhos dos professores e também via correio eletrônico, buscando uma ampla divulgação. O local escolhido para realização do Grupo Focal foi a Clínica Escola de Fisioterapia da UESB. A Clínica dispõe de uma sala para os professores com uma mesa de reuniões (que permitiu uma melhor interação entre os participantes), ambiente climatizado (promovendo ambiente confortável para as discussões) e condições acústicas satisfatórias para a gravação das falas. Após acomodação dos sujeitos, o mediador apresentou o título da pesquisa e seus objetivos. Também foi informado aos participantes que a pesquisa havia sido submetida à análise do Comitê de Ética em Pesquisa, obtendo aprovação. Nesse momento, foi solicitada aos participantes a leitura e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, de acordo com a Resolução nº. 196, de 10 de outubro de 1996 do Conselho Nacional de Saúde, que define normas para as pesquisas com seres humanos (ANEXO A). Para facilitar a análise dos dados foi utilizada uma ficha de identificação do docente (APÊNDICE A), que procurou obter informações referentes aos sujeitos da pesquisa. A sessão do Grupo Focal foi gravada com um aparelho MP4, o qual possibilitou uma posterior transcrição das falas. Para evitar que a sessão fosse interrompida e consequentemente prejudicasse as discussões, a porta da sala onde foi realizada permaneceu fechada e com um aviso externo de que não seria possível o acesso de outras pessoas àquele local. Durante a realização do grupo focal os sujeitos foram estimulados a uma exposição livre de suas idéias, concepções, visões, compreensões e tensões. Buscou-se assim, permitir que o espaço das discussões fosse democrático e 35 permissivo, tornado-se assim ideal para o afloramento das concepções dos sujeitos acerca da formação docente em Fisioterapia. Foram apresentadas as seguintes questões norteadoras: Questão 1: O(a) que o Senhor(a) entende por formação docente? Questão 2: O(a) Senhor(a) teve algum tipo de formação didático-pedagógica para atuar na docência de nível superior? Questão 3: O(a) Senhor(a) acredita ser necessária a formação didáticopedagógica para exercer a atividade docente? Questão 4: Quais as principais dificuldades/limitações que o(a) Senhor(a) enfrenta na prática docente? As discussões abordaram alguns pontos que não faziam parte do objeto central de análise, mas procurou-se não abafar as expressões verbalizadas no grupo focal até mesmo para que não causasse algum tipo de limitação e/ou empobrecimento nas falas. Ao final do grupo focal a palavra foi facultada aos participantes para suas considerações e sugestões, quanto à inclusão de alguma questão que não havia sido contemplada durante as discussões. 4.2 A ENTREVISTA INDIVIDUAL E SUAS RELEVÂNCIAS De acordo com Macedo (2006), os grupos focais são excelentes para a compreensão do objeto de estudo, porém ressalta: “[...] outrossim, seu caráter público inibidor recomenda possíveis aprofundamentos nas entrevistas individuais, dependendo da pertinência tomada a partir da problemática pesquisada [...]”. Assim, após a realização do grupo focal foram aplicadas entrevistas abertas individuais para aprofundamento das discussões. 36 Para a pesquisa foram realizadas duas entrevistas individuais, com as questões discutidas no grupo focal. As falas foram gravadas e posteriormente transcritas e analisadas. A escolha por entrevistas individuais foi pautada na necessidade de ouvir as expressões sobre formação docente dos sujeitos da pesquisa e um aprofundamento das questões levantadas no grupo focal. Percebeu-se que alguns pontos levantados no grupo focal mereciam um debate maior, buscando fomentar a análise e discussão dos dados apresentados. Algumas dificuldades foram encontradas para a realização do Grupo Focal com os professores da área de Fisioterapia Aplicada. Questões como licenças e falta de disponibilidade de horários dos professores foram as principais limitações encontradas. Nesse sentido, dois docentes desta área participaram da entrevista individual. Após o convite feito ao docente, o horário e o local da entrevista foram agendados. O local escolhido para a realização da entrevista foi a Clínica Escola de Fisioterapia da UESB, de acordo com as características favoráveis que este espaço oferece e que foram apresentadas anteriormente. No início da entrevista o pesquisador apresentou o título da pesquisa e seus objetivos. Esclareceu ao informante que a pesquisa atendia aos preceitos éticos previstos na Resolução nº. 196, de 10 de outubro de 1996 do Conselho Nacional de Saúde. Solicitou-se do sujeito que preenchesse a ficha de identificação docente e assinasse o termo de consentimento livre e esclarecido. Durante as entrevistas foram abordadas as mesmas questões do grupo focal. No entanto, alguns pontos que não ficaram bem esclarecidos no grupo focal foram discutidos com os docentes na entrevista individual. 37 5 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS “DADOS” O Curso de Fisioterapia da UESB conta em seu quadro docente com 41 fisioterapeutas. Em concordância com os critérios estabelecidos para esta pesquisa foram analisados os discursos dos docentes que possuem formação de bacharelado em Fisioterapia. Por se tratar de uma profissão relativamente jovem, a fisioterapia não conta ainda com um número expressivo de professores com titulação de mestrado e/ou doutorado. Os cursos de pós-graduação stricto sensu na área de Fisioterapia ainda são muito discretos, sendo o primeiro da região Nordeste oferecido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Assim, o curso da UESB conta em seu quadro de professores com um número significativo de especialistas. Podemos observar na tabela 1 a relação dos docentes e titulação máxima. Tabela 1 – Titulação dos docentes fisioterapeutas do Departamento de Saúde da UESB campus de Jequié em 2008 TITULAÇÃO Especialização Mestrado Doutorado Total Fonte: Dados da Pesquisa. Nº. DOCENTES 33 7 1 41 O investimento da UESB na capacitação docente tem se mostrado significativo nos últimos anos. Buscando qualificar seus docentes em cursos de pós-graduação, a instituição firmou convênios de cooperação para oferecimento de cursos de mestrado e doutorado interinstitucionais. Além disso, os departamentos têm procurado liberar seus docentes para participação em cursos de mestrado e doutorado em programas reconhecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (CAPES) em todo o território nacional e também internacional. 38 Nesse sentido, o curso de Fisioterapia da UESB tem atualmente 16 professores cursando pós-graduação stricto sensu, conforme demonstra a Tabela 2. Tabela 2 – Docentes do curso de Fisioterapia do Departamento de Saúde da UESB campus de Jequié cursando pós-graduação em 2008 CURSO Mestrado Doutorado Total Fonte: Dados da Pesquisa. Nº. DOCENTES 11 5 16 A formação docente é pauta de discussão entre os teóricos em educação há algum tempo. Busca-se compreender e discutir pontos conflitantes que ainda não parecem claros e bem delimitados. As incertezas permeiam o debate sobre formação docente, pois o que se percebe é que ainda não existe um consenso sobre quais seriam as competências, os saberes e as responsabilidades pelo processo formativo dos profissionais da educação. Durante a coleta e análise dos dados obtidos nesta pesquisa, pode-se perceber que os profissionais graduados em Fisioterapia e que exercem a docência em nível superior sentem no dia-a-dia inúmeras dificuldades e limitações, o que de acordo com os próprios sujeitos pesquisados poderia ser minimizado caso os mesmos tivessem acesso a algum tipo de formação para atuar na docência. A literatura é um tanto divergente quanto aos conceitos sobre formação docente. São discutidas as formações iniciais e continuadas, momentos distintos do processo formativo. No caso dos professores do curso de fisioterapia objeto de estudo deste trabalho, temos uma situação atípica. Esses sujeitos foram graduados em um curso de bacharelado em fisioterapia, e consequentemente habilitados para exercer a prática clínica da fisioterapia em clínicas, hospitais, escolas, postos de saúde, empresas e em outros espaços. Nesse sentido esses profissionais não passaram em seus cursos de graduação por vivências e práticas educacionais. De acordo com os sujeitos os cursos de especialização, mestrado e doutorado podem ter contribuído nos seus processos individuais e solitários de formação docente. 39 Os dados obtidos durante a realização do grupo focal e das entrevistas individuais foram transcritos e analisados. De acordo com os objetivos deste estudo foram identificadas quatro categorias analíticas: 1) Concepções acerca da formação docente e os saberes docentes. 2) Dificuldades apresentadas na prática docente. 3) Necessidades de formação docente. 4) Responsabilidades pela formação docente. 5.1 CATEGORIA 1: CONCEPÇÕES ACERCA DA FORMAÇÃO DOCENTE E OS SABERES DOCENTES Os sujeitos demonstraram que compreendem a docência como uma profissão, sendo assim necessária formação específica. Nas falas foi observado que eles acreditam não ser suficiente a formação inicial em alguma área do conhecimento para atuar na docência, pois estes espaços não preparam para as práticas educacionais. Podemos identificar estas compreensões nas seguintes falas: [...] docente é aquele profissional que tem formação específica na área que ele esta apto a lecionar, não só no que tange as questões específicas da área mesmo, ao conhecimento técnico específico, como também pedagógico, o docente antes de mais nada é um educador, então não basta ser fisioterapeuta, enfermeiro para ser professor, ele tem que ter uma formação [...]. Informante “a”. [...] formação docente seria toda a estrutura necessária didático-pedagógica que possa dar condições para que o indivíduo possa exercer a prática da docência [...]. Informante “b”. [...] e eu como professor, como docente, minha formação permite que eu utilize de estratégias que atraia esse indivíduo para poder, assumir uma responsabilidade, como uma pessoa que vai ser um futuro profissional, tenha digamos motivação para poder se inserir no ritmo, na rotina do estágio, eu acredito que nós não temos essa formação, e às vezes nós estamos perdendo esses estagiários ou eles estão perdendo o estágio por essa falha também que existe [...]. Informante “c”. 40 [...] eu entendo que o processo de formação docente ele é muito amplo, e na verdade nós como bacharéis não somos preparados para a docência [...]. Informante “d”. [...] a gente tem que vincular um pouco da nossa profissão inicial que é a fisioterapia e começar a ler mais sobre a pedagogia e a docência entendeu, que é um mundo imenso, para gente desenvolver a partir daí o nosso perfil docente, porque são vários estudiosos, várias linhas diferentes, existem avaliações de várias formas, cada um segue uma linha, então eu acho que é um mundo assim imenso [...]. Informante “e”. [...] quando você fala em docência você ta falando em passar conteúdo, em trocar informações [...]. Informante “c”. [...] nós estamos na docência (caímos de pára-quedas, como o nosso colega Fabiano falou) e nós não fazemos um planejamento, do jeito que começa praticamente termina [...]. Informante “c”. Os sujeitos demonstraram que não estavam preparados para atuar na docência, mas que procuravam nos cenários de suas práticas desenvolverem estratégias que pudessem minimizar as suas carências formativas. Algumas intervenções demonstram estas percepções: [...] a gente tentando assim: copiar o professor que a gente mais gostou na graduação nossa, tentando roubar aquelas idéias que ele fazia [...]. Informante “e”. [...] a gente acaba criando com o passar dos anos, você acaba criando métodos, você acaba criando conceitos e você segue, certo ou errado, duvidoso, você acaba se adaptando a esse sistema que você mesmo criou e segue, em algum momento você vai achar falha ai você corre para literatura, você começa a pesquisar mais, para você tentar corrigir esses problemas [...]. Informante “f”. Um ponto de partida para toda discussão é a compreensão conceitual do objeto de análise. Assim, procurou-se analisar quais eram as concepções formativas dos sujeitos informantes da pesquisa. No início da realização do grupo focal, uma professora perguntou se seria possível um esclarecimento da questão apresentada ao grupo. A questão era: “O que o(a) Senhor(a) entende por formação docente?” Nesse momento a professora indagou: “Pode tirar dúvida se tiver dúvida na questão? Formação dos alunos? Ou a minha formação enquanto docente?”. O mediador esclareceu que se tratava da formação do docente e não dos seus discentes. 41 Esse questionamento inicial reflete de maneira significativa as carências conceituais sobre formação docente. De fato, percebeu-se que os sujeitos ainda não têm de maneira lúcida o conceito sobre a formação docente. Neste aspecto, os conceitos do ser professor, seus saberes e o processo formativo para tal não são claros para os docentes de fisioterapia. Após o esclarecimento inicial, as falas mostraram que os sujeitos entendem ser necessário um conhecimento didático-pedagógico para o exercício da docência. As discussões entre o conhecimento específico e o conhecimento pedagógico ganharam destaque. Foi consensual a idéia de que não basta o conhecimento específico da fisioterapia para a atuação docente. Masseto (1998) destaca que durante muito tempo acreditou-se na crença de que quando um profissional era convidado para ser professor em uma instituição e aceitava o convite, tanto ele quanto a instituição baseavam-se na idéia de que: quem sabe (ou detém o conhecimento), automaticamente sabe ensinar (ou transmiti-lo). Para o autor, somente recentemente os professores foram percebendo que assim como a pesquisa e o exercício de qualquer outra profissão, a docência exige formação específica. Um sujeito da pesquisa colocou: “formação docente seria toda a estrutura necessária didático-pedagógica que possa dar condições para que o indivíduo possa exercer a prática da docência”. Nesta fala, o conceito dos saberes docentes mostrase muito evidente, ou seja, para o exercício da docência é necessária formação e essa formação seria o conjunto de saberes didático-pedagógicos – os saberes docentes. As concepções formativas dos professores pesquisados corroboram com os teóricos em relação a essa necessidade de formação específica e os saberes docentes. Em outro recorte, temos: de uma forma muito sumária, eu creio que a nossa preparação para que a gente desenvolva um projeto pedagógico adequado para determinada disciplina, ela deva incluir: formação em técnicas de diálogo, em técnicas de atividade em grupo, a própria avaliação em si e toda uma formação das bases da escola. Informante “d”. 42 Nesse contexto, podemos evidenciar que pontos como didática, elaboração de conteúdos programáticos e a avaliação do processo ensino-aprendizagem são percebidos pelos sujeitos como fundamentais no processo das práticas docentes. A didática e as relações de ensino-aprendizagem foram apontadas pelos informantes como uma das competências necessárias para a prática docente. De acordo com os docentes, as estratégias para que o conhecimento específico da fisioterapia seja compreendido e refletido pelos discentes são fundamentais nas relações de aprendizagem. Nesta fala podemos perceber essas questões: “a forma de passar o conteúdo, de você saber ministrar determinada aula, e você usar diferentes tipos de recursos, textual, recursos de mídia, de recurso de literatura, para que você consiga ampliar, digamos assim, o conhecimento dos seus alunos.” Os recursos e estratégias utilizados nas aulas foram identificados pelos docentes como o meio principal na busca pela qualidade na formação dos futuros fisioterapeutas. De acordo com eles, é papel do docente tornar suas aulas mais atrativas, interativas, reflexivas e que busquem resgatar do aluno os conceitos teóricos que eles acumularam durante toda a vida acadêmica. Além disso, os professores destacaram que o planejamento e a organização das disciplinas, incluindo a divisão dos conteúdos teóricos e práticos, são peças fundamentais no processo de ensino-aprendizagem. Para uma determinada professora, um docente deve antes de tudo ter um rigoroso planejamento das atividades que pretende desenvolver, sob pena de comprometer em muito a formação discente. Temos o seguinte relato: um professor sem planejamento não é um bom professor. Um professor que ele não tem noção do conteúdo que vai dar hoje, do conteúdo que vai dar amanhã e assim por diante ele é um professor que não desorganiza só a si mesmo ele desorganiza seus próprios alunos. Informante “d”. De acordo com esta professora o planejamento é imprescindível para as práticas docentes. Durante sua entrevista ela relatou a experiência que viveu em uma instituição de ensino superior privada que adotava uma metodologia própria no planejamento e organização das práticas educativas. Na sua visão, os saberes e 43 competências docentes vão além dos espaços da sala de aula e das antigas e conhecidas aulas expositivas. A metodologia utilizada por esta instituição, na visão da professora, contribui de maneira significativa na formação didático-pedagógica dos docentes. No entanto, acredita-se que os docentes que nunca exerceram o magistério enfrentam sérios obstáculos no cumprimento das normas estabelecidas por esta instituição. A professora relatou: “é uma aula teórica seguida de uma aula prática rigorosamente, é um rigor, mas aquele rigor pra alguém que não foi preparado para docência, vamos usar um termo que talvez não seja o mais adequado: ele se treme.” A percepção de que cabe à instituição de ensino a responsabilidade pela formação docente foi destacada pela professora. Durante a discussão sobre as responsabilidades pela formação docente retornaremos a este relato, no entanto cabem nesse momento algumas reflexões acerca das competências e saberes docentes nas relações entre os docentes e as instituições de ensino. A professora colocou que as competências e saberes docentes exigidos nesta instituição na qual ela lecionou, como já colocado anteriormente, extrapolam a sala de aula. Todo o planejamento e desenvolvimento das disciplinas fica sob responsabilidade dos docentes, incluindo funções administrativas como elaboração de horários e distribuição das salas utilizadas no semestre. Em seu relato, a professora deixou claro de que o ponto marcante na metodologia utilizada na instituição em debate é o rigor. Para ela a pressão pelo rigor no cumprimento do método é um fator positivo no desenvolvimento das atividades de ensino. As aulas teóricas deveriam ser encaminhadas via correio eletrônico para os discentes com no mínimo uma semana antes dos encontros em sala de aula. Além disso, deveriam seguir também as leituras recomendadas para aquele determinado assunto que seria abordado, para que os discentes chegassem à aula com uma leitura prévia de todo o conteúdo planejado e pudessem estudar e discutir de maneira crítica e reflexiva com seus professores. Mas, surge o seguinte questionamento: esse rigor exigido pela instituição é capaz de resolver as carências formativas dos seus docentes e otimizar notoriamente o processo de ensino-aprendizagem? 44 Para a professora que vivenciou essa metodologia a resposta é não. Ela destaca: “na prática eu vivenciei, lecionei lá durante dois anos: não funciona. O método deles é falho.” Ela acredita que o método tem suas vantagens, no entanto o grande problema está no discente, que não realiza as leituras prévias dos materiais enviados pelos professores. As práticas docentes, nesse sentido, adotam uma relação de dependência com os discentes, em uma espécie de pacto bilateral para encortinar as fraquezas de ambos os atores nos cenários educativos. Em outro trecho da entrevista a professora revela: eu estaria em um quadro, ou um áudio-visual, blá, blá, blá, e o aluno sentado fingindo que está prestando atenção, ou prestava de vez enquanto, conversava daqui a pouco, ficava ali marcando a sua presença, quando eu falava que algo era importante ele começava a registrar porque sabia que aquilo ia cair na prova. Informante “d”. Este discurso revela uma espécie de pacto entre os sujeitos formadores e formandos, na busca por um final feliz onde todos saem ganhando. As metodologias ativas de aprendizado têm assumido destaque nas pesquisas em educação. Diversos trabalhos discutem as formas de construção do conhecimento através de um papel mais ativo dos discentes nas relações de ensino e aprendizagem. Um professor participante desta pesquisa pontuou sua experiência em um curso desenvolvido em 2005/2006 pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Ârouca (ENSP)/FIOCRUZ e a Rede Unida, intitulado: Curso de Especialização em Ativação de Processos de Mudança na Formação Superior dos Profissionais de Saúde. Este curso procurou desenvolver a formação de sujeitos multiplicadores de metodologias ativas de aprendizagem, baseando-se na “concepção construtivista do processo ensino-aprendizagem, na integração teoria-prática, nos referenciais da aprendizagem significativa e de adultos e na utilização de metodologias ativas de aprendizagem”. (BRASIL, 2005). O professor destacou a importância de sua participação neste curso, ressaltando: “depois que eu fiz o curso de especialização em ativadores do processo de mudança, que eu descobri outras metodologias, metodologias ativas, esclareceu 45 bastante essa questão do desenvolvimento da prática docente.” De acordo o docente, o curso veio contribuir sobremaneira na sua forma de exercer as práticas educativas e acredita que estratégias como essa deveriam ser seguidas pelas Instituições de Ensino. Voltaremos a essa discussão na categoria que debate as responsabilidades pela formação docente. Os saberes docentes, assim como em outros campos do saber, reúne de maneira complementar diversas competências e habilidades intrínsecas às práticas docentes. O caminho nada fácil do ser professor é por vezes desenvolvido e aprimorado em um jogo de certo e errado, geralmente mediado, dosado e avaliado pelos outros atores que fazem parte destas relações construtivas e reflexivas: os discentes. Essa constante avaliação e re-avaliação das práticas docentes levam às vezes a situações de confronto de idéias, concepções e pontos de vista bastante divergentes. Faço referência aqui ao meu início na carreira docente, precisamente minha primeira aula como professor. Como já relatado no início desta dissertação, ingressei na Universidade como professor substituto em 2003 para lecionar as disciplinas: Fisioterapia em Neurologia e Fisioterapia Comunitária. A docente titular das disciplinas já havia desenvolvido a maior parte dos conteúdos previstos no plano de curso das disciplinas. Após aprovação e nomeação, entrei em contato com a professora que estava saindo para licença-maternidade e conversamos a respeito da continuação das atividades da disciplina. Lembro que ela solicitou que eu ministrasse duas aulas sobre os conteúdos que estavam faltando: uma sobre a Síndrome do Túnel do Carpo e Síndrome do Desfiladeiro Torácico. Ambas são patologias neurológicas e seriam os conteúdos finais da disciplina Fisioterapia em Neurologia. Em relação à disciplina Fisioterapia Comunitária a mesma já havia sido encerrada, não sendo necessária minha participação. Logo que fiquei sabendo quais seriam que eu deveria ensinar começou uma grande angústia, a de como preparar uma aula sobre tais conteúdos. Busquei em várias fontes da literatura e elaborei uma espécie de esquema norteador sobre quais os pontos seriam abordados e sua sequência lógica, passando desde as definições fisiopatológicas das patologias, avaliação fisioterapêutica dos pacientes e por último 46 (que eu considerava o mais importante) os métodos e técnicas utilizadas no arsenal terapêutico para tratamento destas enfermidades. A pressão inicial do primeiro contato com a sala de aula foi uma experiência inesquecível e inigualável. Reservei no setor de áudio-visual um kit multimídia (composto de uma televisão e um computador), para utilização do programa PowerPoint. Confesso que foi o meu primeiro contato com esse tipo de recurso, sendo necessária a perda de algumas noites para conseguir descobrir de maneira autodidata a forma de utilização do programa. Como não poderia deixar de acontecer em se tratando dos nossos inseparáveis computadores, o kit reservado não abriu o arquivo com minha aula. Enquanto os técnicos do setor tentavam resolver o problema, eu notava que os discentes não faziam outra coisa a não ser comentar em voz baixa e olhar para o novo professor substituto que acabava de chegar. Após alguns longos e eternos minutos e algumas incansáveis trocas de componentes nas máquinas a aula começou, apresentando conceitos teóricos sobre a síndrome do túnel do carpo. Retornando aos saberes docentes, a questão era: qual conteúdo teórico abordar, o porquê desse assunto, como narrar sobre ele e por último como avaliar se o que havia sido proposto tinha sido alcançado. Assim, os saberes são solicitados em todas as fases e experiências educacionais. Em especial, para os fisioterapeutas que foram formados para promover ações de saúde e são inseridos em uma sala de aula para qualificar novos fisioterapeutas, as necessidades de formação docente tornam-se evidentes. 5.2 CATEGORIA 2: DIFICULDADES APRESENTADAS NA PRÁTICA DOCENTE Neste ponto podemos evidenciar as principais fragilidades que os sujeitos enfrentam na prática docente. As falas complementavam-se de maneira que cada indivíduo comungava com a experiência do outro e solidarizava-se com as angústias. Como se observa nas falas que se seguem: 47 [...] Muitas vezes sem didática, atropelando algumas coisas, sem muita prática, a dificuldade até de você conseguir montar uma aula, boa, com começo, meio e fim, que tenha uma linha de raciocínio, que você chegue no ponto final e todo mundo te entenda, a necessidade de você ter algo específico direcionado, seria o ideal [...] enfrentar os alunos, que você ta lá sozinho né, você é o alvo pra trinta, vinte e cinco alunos, todo mundo ta te observando, todo mundo ta te avaliando também, e se você mostrar uma certa insegurança, um certo despreparo o aluno percebe isso [...]. Informante “f”. [...] Uma dificuldade que eu enfrentei e acho que alguns colegas também, é sair direto da graduação pra docência [...] muita das vezes é necessário que você tenha a experiência até mesmo clínica [...] logo no início foi difícil eu entender aquilo que eu deveria passar, ou me comportar de uma forma que pudesse também aprender com os discentes [...]. Informante “c”. [...] e outra coisa dessa dificuldade sabe o que é? Como é que se aprova um aluno desse? Como é que ele passou até agora? [...] O básico eles já sabem, entendeu, eles sabem para gente poder aprovar, e como é que você fala assim: você vai reprovar... É difícil [...]. Informante “g”. [...] sem nem saber como vai acontecer, a gente vai fazendo, sem se planejar [...]. Informante “e”. [...] se a gente tivesse um conhecimento de que existe realmente uma base teórica pra isso, talvez a gente tivesse mais uma coisa a nosso favor, sentiria mais seguro [...]. Informante “c”. [...] sinto também dificuldade assim em estar [...] não supervisionando, mas estar diversificando essa supervisão do estágio. Como é que deve fazer para estar mudando para que o estágio se torne mais atrativo para o aluno, como eu devo cobrar também desse aluno, de que forma? [...]. Informante “c”. [...] é difícil, muito difícil [...]. Informante “e”. [...] a minha maior dificuldade é com relação ao planejamento do estágio como é que o estágio vai acontecer [...] eu percebo que é a dinâmica como o estágio se desenrola, a forma como são aplicados os conhecimento adquiridos em outros semestres, nós temos a dificuldade de fazer isso acontecer no dia-a-dia [...]. Informante “c”. As discussões convergiram principalmente para a avaliação discente. De acordo com os sujeitos da pesquisa, quantificar o desempenho dos discentes e converter para um conceito numérico mostra-se como principal dificuldade enfrentada na carreira docente. Fica evidenciado nas seguintes falas: [...] para mim o pior dia do estágio é ter que dar nota [...]. Informante “h”. [...] a gente tem a preocupação de como estar avaliando esses alunos, então a grande dificuldade, a gente já mudou o barema algumas vezes, a gente utiliza mas a gente não sabe ao certo qual é a forma mais adequada de estar avaliando, então a gente não tem um método, uma capacitação voltada para essa parte de avaliar esse aluno [...]. Informante “f”. 48 [...] é a gente não tem a compreensão de como é o caminho para se tornar um bom professor, imagina esse caminho até o avaliar [...]. Informante “e”. [...] é a gente não tem a compreensão de como é o caminho para se tornar um bom professor, imagina esse caminho até o avaliar. A forma como avaliar o aluno é complicado, principalmente no estágio [...] numa sala de aula você tem uma prova, que na verdade não avalia muito bem, é um número que você, que representa o aluno naquele certo momento, só que ele pode estar mal, ele pode estar brigado com família, pode estar com algum problema físico, ta doente, vai fazer a prova e se dá mal, não é que ele não saiba, só que naquele momento, a representação do conhecimento naquele momento é uma nota, aqui no estágio é guiado por um barema. [...]. Informante “f”. [...] ta surgindo discussões aqui no estágio, até aluno cobrando o porque de avaliar, porque você avalia dessa maneira e outro professor de outra, cobrando uma nota “x” da gente, como aconteceu ontem, um aluno que chegou pra gente: você tem que me dar A, todo mundo na clínica tira A, porque eu não vou tirar? E cobrando a nota [...]. Informante “f”. [...] agora você pega o barema ali, vai contabilizando, ai quando você multiplica por 4 o aluno fica com 9, ai você não pensa nem nos pontos, mas no nove, ai ele diz: mas 9? Então é uma avaliação muito subjetiva, quando você para pra pegar 2,5 para multiplicar por 4 para ver a média final, ai você não sabe realmente se aquela nota dele é condizente [...]. Informante “i”. [...] até porque nossa memória tá condicionada a visualizar as coisas no sistema decimal, então nossa referência é 10, então quando você parte para a referência do 2,5 você fica perdido, é um centésimo um décimo que faz uma diferença, e você não sabe se ele merece esse centésimo ou décimo de nota, eu já vi professores comentarem que poderiam usar estratégias de avaliação, considera o discente como apto ou não apto, mas mesmo assim é uma condição muito estanque né, duas categorias apenas, é uma coisa meio precoce você dizer se o aluno está ou não apto [...]. Informante “c”. [...] é muito difícil você dizer se o aluno está apto ou não para o mercado de trabalho, que é a nossa formação final aqui no estágio, olha você não está apto para o mercado de trabalho [...]. Informante “g”. [...] e mesmo assim, apto ou não apto, chega ao final você precisa de uma nota, de qualquer forma gera aquela polêmica [...]. Informante “h”. [...] a representação final do aluno é uma nota, é um sistema antigo, para alguns arcaico, para outros é o correto, é uma discussão grande [...]. Informante “f”. [...] para mim eu acho que a principal dificuldade no caso do estágio seria a avaliação do aluno, para mim acho que a dificuldade maior que a gente tem, porque no supervisionar o aluno acho que ninguém aqui sente dificuldade, mas na hora de avaliar o aluno como já foi dito anteriormente, eu acho que ta sendo a dificuldade maior no momento [...]. Informante “h”. [...] minha maior dificuldade também é avaliar. Eu não sei a forma correta de avaliar [...]. Faz prova, não faz prova? Será que eu devo fazer prova? Será que eu vou estimular mais com a prova ou inibir mais com a prova? Então, essa questão da avaliação e a forma de estar estimulando o aluno durante o estágio é a minha maior dificuldade [...]. Informante “c”. 49 Diversos foram os obstáculos apontados pelos sujeitos acerca da prática docente em todos os seus níveis e espaços. De uma forma quase unânime a avaliação discente foi apontada como principal dificuldade na carreira docente. Um primeiro ponto discutido no grupo focal com os professores do estágio foi que os dados obtidos sobre o desempenho discente durante o semestre são muito difíceis de serem analisados, codificados e transformados em nota. Um professor pontuou: “a forma de avaliar o aluno é complicado, principalmente no estágio, numa sala de aula você tem uma prova, que na verdade não avalia muito bem.” Apesar de destacar que a avaliação discente mediante a aplicação da conhecida e contestada “prova” não funciona muito bem, o professor acredita que no estágio a situação é ainda mais complicada. A Clínica Escola adotou um barema próprio para avaliação discente. Esse instrumento avaliativo foi amplamente debatido nas plenárias do colegiado do curso e conselho deliberativo da Clínica Escola. O barema já passou por algumas reformulações, e atualmente conhecimento teórico, conta conhecimento com cinco prático, pontos relação assim distribuídos: interpessoal, senso crítico/interesse/iniciativa, assiduidade e pontualidade. Esses pontos são divididos de maneira que a nota final do aluno em cada área do estágio represente um total de 2,5 pontos. Isso ocorre tendo em vista o estágio ser distribuído em quatro áreas: pediatria/ginecologia, neuro-geriatria, traumatoortopedia e cardiorespiratória. Assim, somando-se as quatro notas alcança-se o máximo de 10 pontos. Para alguns sujeitos da pesquisa o mecanismo ainda apresenta sérias deficiências, a exemplo desta fala: “no estágio é guiado por um barema, como outro colega já falou modificou várias vezes, para tentar abraçar o máximo possível de pontos, mas a gente vê que é falho.” O professor destaca ainda que recentemente ocorreram problemas na Clínica por conta da avaliação discente. Para ele, as dificuldades com a avaliação são constantes nas disciplinas de estágio supervisionado. Na visão deste sujeito os discentes têm cada vez mais procurado contestar e debater as notas que recebem de seus professores. Na época da realização do 50 grupo focal havia acabado de ocorrer a divulgação das notas dos estagiários. Sobre este momento o docente destacou: ta surgindo discussões aqui no estágio, até aluno cobrando o porquê de avaliar, porque você avalia dessa maneira e outro professor de outra, cobrando uma nota “x” da gente, como aconteceu ontem, um aluno que chegou para gente: você tem que me dar “A”, todo mundo na clínica tira “A”, porque eu não vou tirar? Informante “f”. Um sujeito também relatou durante a entrevista que apesar de buscar a melhor forma de avaliar seus alunos sempre ocorrem problemas com as famosas “notas”. Ele destacou: “o processo de avaliação sempre a gente tenta aperfeiçoar, tenta fazer uma coisa ideal, mas a gente sempre recebe críticas dos alunos.” Evidenciamos que o processo avaliativo é uma espécie de “luta” entre os docentes, tentando quantificar o desempenho discente através de uma nota, e os discentes, que buscam sobremaneira demonstrar aos olhos e critérios estabelecidos que estão aptos a serem aprovados nas disciplinas. Um fato que contribui negativamente para essa avaliação no estágio utilizando um barema é sua divisão por áreas. Para um professor, a nota final pode não estar representando de maneira clara o desempenho dos alunos, e destaca: agora você pega o barema ali, vai contabilizando, ai quando você multiplica por quatro o aluno fica com nove. Você não pensa nem nos pontos, mas no nove, ai ele diz: mas nove? Então é uma avaliação muito subjetiva, quando você para pra pegar 2,5 para multiplicar por 4, para ver a média final, ai você não sabe realmente se aquela nota dele é condizente. Informante “i”. Durante minha especialização em Metodologia do Ensino Superior sempre questionei bastante em relação às formas de estar avaliando os alunos. Minha inquietação sempre foi buscar estratégias concretas para a avaliação discente. Acredito que a responsabilidade por estar aprovando ou reprovando os discentes é muito grande e assim precisamos de maneira responsável avaliar o desempenho dos nossos alunos. Não podemos deixar que alunos despreparados transformem-se em profissionais desqualificados e que possam estar de alguma maneira colocando em 51 risco a saúde de seus futuros pacientes. Cabe ao docente a árdua missão de identificar as possíveis deficiências formativas de seus discentes e de maneira coerente e sensata reprová-lo, caso seja necessário. As correntes que debatem a avaliação deixam claro que o processo não pode ser pontual, sem levar em consideração as múltiplas interferências e tensões que estão envolvidas. No entanto, algumas situações colocam o professor em uma situação muito desconfortável. Aprovar um discente significa dar a ele o passaporte legal que o permita exercer de maneira plena a profissão de fisioterapeuta. A categoria analítica sobre as dificuldades das práticas docentes revelou outra carência formativa nos sujeitos pesquisados: o planejamento e organização dos conteúdos propostos pelas disciplinas. Na visão dos professores, construção de um plano de ação com as etapas e finalidades muito bem delimitadas é um fator primordial. Um professor destacou que sua maior dificuldade é o planejamento das atividades que são desenvolvidas no estágio de Fisioterapia. O estágio possui características próprias que o diferem dos espaços tradicionais da sala de aula. Alguns sujeitos destacaram que a própria dinâmica e rotatividade dos pacientes que são atendidos tornam o estágio um momento imprevisível para o professor. A professora que supervisiona o estágio no âmbito hospitalar destaca que: no hospital é o dia-a-dia. Um dia eu chego tem seis pacientes no setor, na pediatria, no berçário, mas só que tem dias que tem um só, então você nunca sabe como você vai, no outro dia você já encontra outra coisa, então na realidade o planejamento se torna mais difícil ainda, como é que você pode se planejar, uma coisa que você nunca sabe o que você vai encontrar no outro dia. Informante “g”. O fluxo de pacientes nos hospitais onde são realizadas as práticas de estágio é muito grande. Um deles é referência para diversos municípios vizinhos e atende diariamente a uma quantidade muito grande de pacientes. O acompanhamento destes pacientes geralmente é feito durante o período de internação e alguns são encaminhados para o tratamento após a alta hospitalar na Clínica Escola. 52 5.3 CATEGORIA 3: NECESSIDADES DE FORMAÇÃO DOCENTE Foram abordadas questões referentes às necessidades emergentes de formação docente. Após a percepção de que a docência exige formação específica e o destaque aos principais obstáculos impostos pelo dia-a-dia na academia, os sujeitos revelaram através de seus relatos suas necessidades emergentes de formação docente. Alguns trechos permitem tais destaques: [...] eu ainda acho também que todo professor, todo docente deveria passar realmente, para ser docente, para entrar na universidade, a gente não teve isso, mas deveria ser obrigado ter um curso de metodologia do ensino superior, algum curso voltado para a docência [...] eu acho que docente ele é esse profissional que tem que ter uma formação em docência também, em educação [...]. Informante “e”. [...] eu concordo com todo mundo, que a gente precisa ter uma base de conhecimento para poder ensinar, que não é fácil, todo mundo aqui meio que caiu de pára-quedas no ensino, fizemos o concurso, passamos e começamos a ensinar [...]. Informante “f”. [...] eu procurei o curso de metodologia justamente por isso, eu me sentia fraca, eu não sentia preparada para atuar na docência, já estava atuando, já era docente, como Fabiano falou caí de pára-quedas [...] a docência é um mundo totalmente diferente, do que a gente aprendeu durante a nossa formação [...] eu percebo que nós estamos totalmente despreparados para a docência [...]. Informante “e”. [...] eu acho que essa formação é necessária, porque eu me pergunto todos os dias: será que eu tô fazendo certo? Será que deveria ser assim? Meu Deus, como é que deve ser mesmo um professor? Eu todo dia me pergunto isso [...]. Informante “e”. Os discursos dos sujeitos da pesquisa revelaram de maneira bem evidente as suas necessidades de formação docente. Foi uma experiência muito interessante principalmente no grupo focal, onde os professores perceberam que suas fraquezas e angústias eram comuns aos demais colegas. Alguns relatos apontaram que o professor de fisioterapia deveria ser submetido a algum tipo de formação inicial antes de ingressar na docência. Uma espécie de curso preparatório, onde seriam iniciados estudos e discussões acerca dos saberes e práticas docentes. 53 É notório que esse tipo de instrumento formativo não daria conta das necessidades dos sujeitos, mas seria um contato inicial com esse imenso, denso e complexo mundo do “ser professor”. Os docentes precisam ser ouvidos e percebidos enquanto sujeitos ativos em seus processos de formação. Percebemos que os professores sentem-se como se estivessem lutando sozinhos, sem algum tipo de apoio da instituição de que ele faz parte. Como já discutido em outros momentos, a formação que esses professores receberam em seus cursos de graduação não foram voltadas para a prática docente. Ao contrário do que alguns acreditam, ser fisioterapeuta não capacita o sujeito a ser professor de fisioterapia. Um participante do grupo focal ressalta: “a docência é um mundo totalmente diferente, do que a gente aprendeu durante a nossa formação.” Esse professor percebe que suas bases teóricas e práticas não são adequadas para a docência. Percebemos durante a análise dos discursos dos sujeitos que todos eles clamam por formação docente. Muitas das vezes essa voz de clamor é abafada e até mesmo calada, pois aos sujeitos não são oferecidos momentos e espaços para que essa formação seja discutida. Ao final do grupo focal os professores cobraram um retorno desta pesquisa de mestrado. Eles relataram que momentos de discussões coletivas são necessários e urgentes, e deveriam ser realizados de maneira mais freqüente. Intimaram-se dizendo: “dentro do trabalho dele, ele vai ter que propor sugestões né [...].” Outro sujeito completa: “isso tá sendo gravado, você vai ter que se comprometer a nos ajudar.” Esses apelos refletem que as necessidades por formação são reais e precisam ser valorizadas e cogitadas. Não podemos deixar que esses docentes caminhem solitários em percursos que eles desconhecem e passam a descobri-los à medida que por eles transitam. 54 5.4 CATEGORIA 4: RESPONSABILIDADES PELA FORMAÇÃO DOCENTE O debate também promoveu falas sobre as responsabilidades pela formação docente. Para os sujeitos, o docente precisa ter formação para atuar na carreira docente e essa formação, para alguns, é responsabilidade da instituição de ensino a qual o docente está atuando. Essa percepção verifica-se nos seguintes recortes: [...] para a gente entrar na faculdade, você passou no concurso público, você vai ter uma capacitação de “x” meses, você vai ter uma capacitação de dois, três meses pra você realmente aprender, meio que de maneira condensada, mas já te dá uma boa base pra você chegar na sala de aula [...]. Informante “f”. [...] por exemplo, um curso de carga horária 40 horas, orientado por uma pedagoga né, muito renomada na área, ai foi só 40 horas, quatro finais de semana a gente teve, foi a FTC que disponibilizou [...]. Informante “j”. [...] eu acho que seria o ideal, eu como falei você entrou na faculdade e vai ser professor, faz um curso (Jocinei fez um de 40 horas), aprendeu bastante, pelo menos ele tem uma luz no final do túnel e ele vai correr atrás [...]. Informante “f”. [...] mas lá na FTC eles proporcionam mais isso, eles sempre tão fazendo curso, eles vão para Salvador, ou eles chamam entendeu [...]. Informante “j”. [...] a UESB não precisa nem gastar com isso, a UESB tem o curso de pedagogia, profissionais renomados. Só falta fazer a ligação, a gente não gasta mais nada [...]. Informante “f”. [...] a gente tem a semana pedagógica para isso né [...]. Informante “c”. [...] então eu acho que deveria existir também das academias uma exigência desse profissional [...]. Informante “i”. [...] isso aqui que tá sendo colocado agora é para ser na semana pedagógica. O que falta mesmo são as soluções, porque os problemas nós já conhecemos [...]. Informante “c”. Os sujeitos da pesquisa também destacaram o papel dos cursos de pósgraduação na formação docente. As falas revelaram que os docentes buscam na pós-graduação uma saída para suprir suas demandas emergentes por formação docente. No entanto, nem sempre a participação nestes cenários é garantia de êxito no processo formativo dos sujeitos-docentes. São exemplos os seguintes recortes das falas: 55 [...] eu tive mesmo a pós em Saúde pública e no final tinha um módulo que quem quisesse participar desse módulo seria de metodologia do ensino superior, mas eu não acho que tenha sido suficiente né, um final de semana de aula para a gente estar atuando como docente mesmo entendeu [...]. Informante “h”. [...] toda especialização tem ou um módulo paralelo, como Sumaya fez, ou uns dois módulos, três módulos... uma optativa para completar 60 horas, eu tive na graduação um pouquinho, em uma disciplina, depois você tem o TCC, a gente aprendeu alguma coisa, como criar um artigo, uma monografia, na época foi uma monografia, na especialização eu também tive, em três ou quatro momentos, módulos voltados para metodologia e foi só [...]. Informante “e”. [...] eu fiz a especialização em metodologia do ensino superior, agora também só com a especialização eu também não senti totalmente preparada para a docência [...] eu cheguei a essa conclusão, que lógico, existem muitas teorias, muitas coisas, mas que a especialização não me ensinou a ser docente, o que eu fui esperando né...Me ajudou um pouco, mas não me ensinou [...]. Informante “e”. [...] na minha especialização de saúde pública, quando a gente fez inscrição tinha uma disciplina voltada para o magistério superior e ai no meio do curso pra lá que eles apareceram com três módulos de metodologia do ensino superior no total de 90 horas, já fazendo marketing justamente com fins lucrativos [...]. Informante “i”. [...] agora eu penso na formação didático-pedagógica, um curso de formação didático-pedagógica, mas um curso realmente 100% prático entendeu, da pessoa sentar com você e dizer assim como fazer, você vai fazer dessa forma, você vai seguir dessa maneira, você vai pegar uma planilha, você vai programar, você vai ter uma coerência do início, do meio e do final, e você vai tentar avaliar dentro desses três tópicos o seu público alvo [...]. Informante “c”. Os discursos dos sujeitos apontaram para um outro espaço para formação docente. De acordo com esses informantes, os cursos de bacharelado também deveriam oferecer aos seus alunos disciplinas voltadas para a docência. Estas vivências na graduação poderiam fomentar os alunos que tivessem interesse em ingressar na carreira docente. Alguns exemplos nas falas: [...] além do curso, eu acho que teria tipo uma optativa nos cursos de graduação né, e a metodologia, já que tem uma perspectiva de ensino, uma saída seria uma optativa, não só na especialização que já tem algumas disciplinas, mas uma disciplina voltada para essa parte da docência [...]. Informante “b”. Diversas foram as propostas e indicações pela responsabilização da formação docente. Os professores acreditam que a pós-graduação seja um dos caminhos que 56 contribuem em seus processos formativos, mas questionam as experiências que tiveram nos cursos que participaram. Assim como alguns autores têm indagado, ser pós-graduado em alguma área de conhecimento não é garantia de formação docente. Apesar destes cursos oferecerem disciplinas como didática do ensino superior e avaliação, os sujeitos não indicaram serem estas suficientes frente às suas demandas formativas. De acordo com uma professora, a pós-graduação em metodologia do ensino superior aborda conteúdos muito teóricos, fato que na sua visão poderia ser um pouco diferente. Ela destacou: eu fiz a especialização em metodologia do ensino superior, agora também só com a especialização eu não senti totalmente preparada para a docência [...] mas o curso todo eu não posso dizer que foi bom como eu imaginei, o restante foi aquela coisa bem repetitiva também como a gente vê na graduação, nos outros cursos, aquela coisa bem teórica. Informante “e”. Para esta docente, os cursos que pretendem contribuir na formação didáticopedagógica enfrentam um grande problema: não existe uma “receita de bolo” ou uma “fórmula pronta” que ensine e ser professor. Ela concluiu sua fala pontuando: ai eu comecei a perceber também que não existe uma forma de ensinar a ser docente, a gente tem que começar a fazer leituras também, muitas leituras e começar cada um a ir desenvolvendo seu jeito de atuar na docência, essa é a minha conclusão depois da especialização né [...]. Informante “e”. Outros sujeitos também relataram suas experiências em cursos de pósgraduação e a contribuição destes em seus processos formativos. Um professor destacou que durante um curso de pós-graduação em saúde pública eram oferecidas disciplinas relacionadas à metodologia do ensino superior. No entanto, ele destacou que acredita ser o oferecimento destas disciplinas um fato mais mercadológico, de maneira que os gastos com o curso aumentavam de acordo com o número de disciplinas matriculadas. Ele descreveu: 57 na minha especialização de saúde pública, quando a gente fez inscrição tinha uma disciplina voltada para o magistério superior e ai no meio do curso pra lá que eles apareceram com três módulos de metodologia do ensino superior no total de 90 horas, já fazendo marketing justamente com fins lucrativos, eles invés de embutirem no início do curso eles embutiram do meio para o final, dizendo ter realizado frequentemente justamente para gente pagar de três a cinco mensalidades a mais, e isso eu percebi que na sala da gente se cinco pessoas fez esse complemento, que eles colocam até como complementação do magistério superior, entendeu, e isso na verdade eles vêm jogando com fins lucrativos, o que deveria já estar embutido nesse curso. Informante “i”. A proliferação de cursos de pós-graduação lato sensu é uma realidade que vem se apresentando de maneira cada vez mais rápida. Percebemos na universidade uma invasão de consultores destes cursos que adentram nossas aulas com propagandas e mais propagandas convencendo os alunos da importância e qualidade de seus conteúdos programáticos e diplomas reconhecidos pelos órgãos reguladores oficiais. Um fato curioso que também temos notado na academia é a realização de cursos de pós-graduação lato sensu por alunos que ainda nem sequer terminaram seus cursos de graduação. Segundo as instituições promotoras destes cursos, os mesmos não são configurados como de especialização e sim de extensão. Após o término da graduação o aluno “transforma” esse curso de extensão em um curso de pós-graduação. Assim, mesmo que em momentos precoces ou tardios os cursos de especialização foram destacados pelos professores como espaços que buscam contribuir na formação docente. A exemplo desta fala: “eu acho que se eu não tivesse tido uma formação em educação de nível superior na especialização inicialmente na lato sensu eu seria uma professora com graves deficiências.” De acordo com ela, as experiências na pós-graduação permitiram uma base para o desenvolvimento de suas práticas. Ela destaca: por exemplo: como fazer um planejamento de aula, como preparar um conteúdo programático, como organizar um cronograma, dividir o que é que vai ser conteúdo teórico e o que vai ser conteúdo prático, tudo isso eu tive uma base foi na minha pós-graduação lato sensu. Informante “d”. 58 Ainda considerando os relatos desta docente fazemos aqui reflexões acerca da pós-graduação lato sensu e stricto sensu. Ela cursou a especialização, mestrado e atualmente está no doutorado. Suas experiências levaram-na a acreditar que o mestrado e o doutorado são mais focados na questão da pesquisa, sobre uma determinada lacuna do conhecimento. No entanto, o enfoque para a formação docente ela relaciona mais ao curso de especialização. Sua fala revela: a disciplina em si, em termos do mestrado, a disciplina específica, eu não consegui ver que ela tenha contribuído tanto quanto a da pós-graduação lato sensu [...] ela me enriqueceu em termos de leitura, mas ela não me forneceu uma prática como a da especialização, o mestrado ele tá mais focado em um aperfeiçoamento de um conteúdo, de uma formação, de uma produção científica, do conteúdo específico que é a minha área de atuação que é a fisioterapia em terapia intensiva, mas para a docência, para mim, não foi onde houve uma maior contribuição, talvez eu faça esse julgamento pelo fato de eu ter tido na pós-graduação lato sensu uma excelente formação sobre isso. Informante “d”. Corroborando com esta idéia, outro professor que também é mestre e cursa atualmente o doutorado reforça que os cursos stricto sensu têm por objetivo a qualificação para a pesquisa, mas que as vivências destes momentos contribuem sobremaneira na formação para docência. De acordo com ele: eu acho que o próprio objetivo do stricto sensu é formar pesquisador né, mestrado faz a iniciação e o doutorado é para que a pessoa possa realmente exercer de fato a carreira de pesquisador. Acredito que exista alguma preocupação, mas acho que não consegue dar conta do todo, acredito que [...] existe a disciplina de metodologia do ensino superior, em poucos casos, só no caso de alguns bolsistas são obrigados [...] é obrigatório o exercício no estágio da docência, mas eu acredito que a própria complexidade e a vivência do curso stricto sensu ele favorece para que a pessoa possa entrar na docência de nível superior, ele não é uma formação completa, mas ele fornece alguns elementos que com certeza vão ajudar para aquele que desejar entrar na docência de nível superior. Informante “b”. Percebemos nesse sentido que os cursos de pós-graduação têm uma grande contribuição na formação docente. No entanto, não dão conta das demandas impostas nas densas relações e práticas educativas. 59 Mas, a quem mais caberia então a tarefa de formar os docentes para o exercício no magistério superior? Na visão dos sujeitos pesquisados outras estratégias formativas podem e devem ser adotadas pelas instituições de ensino. Para eles, a instituição de ensino é co-responsável pela capacitação e qualificação do seu corpo docente. E mais, relatam que para o ingresso na carreira docente deveria existir um rigor maior na seleção dos docentes por parte das instituições. Destacamos essa fala: na hora de tentar um concurso, você não tem na verdade um critério, pedese especialização, não solicita nada em termos de formação docente, se você tem um curso, se você fez especialização nessa área, eu acho que deveria ser iniciativa da instituição também estar cobrando do profissional. Informante “i”. Foi sugerida pelos docentes a realização de cursos de capacitação docente oferecidos pelas instituições de ensino. Um sujeito relatou sua experiência em uma instituição de ensino privada, a qual disponibiliza para seus professores de forma esporádica cursos sobre formação docente. Em suas vivências nesses cursos o professor pode ter acesso a conhecimentos teóricos e práticos que favorecem suas ações docentes. Outro relato destacou que em curto prazo a formação docente precisa ser valorizada pelas instituições de ensino. Após essas ações iniciais, seriam desenvolvidas estratégias no sentido de viabilizar, durante o curso de graduação em fisioterapia, disciplinas voltadas para a docência. Aqueles alunos que já possuíssem perfil e desejo para atuação docente poderiam cursar estas disciplinas. Na fala de um dos sujeitos identificamos: no momento atual acho que as instituições, como não existe no cenário brasileiro essa formação, não existe essa preocupação, essa complementação do currículo, então acredito que se quiser resolver o problema em curto prazo as instituições de ensino tem que investir na formação pedagógica dos seus professores. Agora, se for pensar a longo prazo, a médio e a longo prazo, ai sim, acredito que poderia ser acrescentado disciplinas optativas, uma formação complementar como existe nos cursos de enfermagem, eu tenho conhecimento, que um aluno termina o bacharelado, cursa mais um semestre, para cursar algumas disciplinas que parece que ele pode atuar na licenciatura. Informante “b”. 60 Essas estratégias formativas poderiam ser instrumentos eficazes e de custo relativamente baixo. As instituições que possuem cursos de licenciatura poderiam viabilizar mediante projetos de extensão a capacitação didático-pedagógica dos seus docentes. Além de qualificar seu quadro docente, estariam desenvolvendo ações de ensino, pesquisa e extensão de maneira articulada entre cursos de diferentes áreas do conhecimento. Os docentes indicaram as semanas pedagógicas como momentos propícios para a discussão e reflexão da formação docente. Seus relatos descreveram que por se tratar de uma instituição de ensino pública (no caso a UESB), geralmente esses encontros acabam por não acontecer, devido ao não comparecimento dos professores. Durante a entrevista, um professor que já foi coordenador do colegiado de Fisioterapia destacou que as semanas pedagógicas não são muito valorizadas pelos colegas. Em seu entendimento o compromisso ético com a carreira docente não se mostra evidente em alguns professores. Destaca que: a questão é a formação inicial, como as pessoas entraram para a docência, vieram daquela forma tentando ganhar mercado de trabalho, a questão da semana pedagógica não é muito valorizada dentro da instituição, é o momento justamente pensado para que esses assuntos esse debate pudesse vir a acontecer, e tendo identificado as dificuldades e ser proposto mudanças, trabalho junto em equipes, para que pudesse modificar um pouco a realidade, porém é uma prática que não é muito valorizada e acredito a deficiência na formação, as pessoas entram para a docência achando que vai ser uma atividade, que vai dar uma renda, mas muitos na minha concepção não conseguem entender qual o papel e importância da função que desenvolvem, então como não tem essa visão essas semanas pedagógicas não são muito valorizadas. Informante “b”. A reflexão que emerge destas questões está ligada à relação de dependência que todo processo formativo tem com os sujeitos a que se propõe formar. Compreendemos que só o sujeito se forma, se emancipa, se edifica e se situa historicamente como agente transformador das realidades e necessidades sociais de seu tempo. Nesse sentido, não podemos exigir dos cursos de extensão, especialização, mestrado, doutorado e semanas pedagógicas a certeza de uma qualificação docente, sem que os docentes se percebam agentes ativos e propositores da sua própria formação. 61 6 A BUSCA POR CONCLUSÕES A pesquisa que pretende compreender e discutir os fenômenos educacionais tem em sua essência compromissos de ordem social, ética e política. As múltiplas facetas da educação e suas intrínsecas relações com a formação dos sujeitos elevam seus objetivos para uma produção de conhecimento contextualizada e conectada a um mundo denso e tenso ao qual está inserido. Formar professores em sintonia com as demandas que o mundo contemporâneo apresenta não é tarefa das mais fáceis. Essa formação deve estar intimamente ligada às necessidades emergentes na medida em que pretende, de maneira coerente e responsável, fomentar a construção de um mundo melhor, socialmente mais justo e eticamente comprometido com o bem-estar coletivo. Percebemos no desenvolvimento desta pesquisa que o professor de fisioterapia exerce de maneira solitária e desbravadora suas práticas cotidianas na escola. Uma constante batalha entre o erro e o acerto, na busca incessante por um modelo que atenda tanto as suas expectativas enquanto sujeito transformador, quanto à dos outros atores envolvidos neste processo. O debate e a compreensão acerca da formação didático-pedagógica destes docentes devem ser valorizados e estimulados pelas instituições de ensino. Como os próprios sujeitos revelaram, é preciso um compromisso institucional para o esquadrinhamento de estratégias e ações que privilegiem a formação docente. Os caminhos percorridos durante esta pesquisa demonstraram que as necessidades de formação docente vão muito além das semanas pedagógicas, dos cursos de pós-graduação e de capacitações esporádicas, que, em sua maioria, se apresentam de maneira isolada e descontextualizada. Percebemos que o sujeito professor adquire a postura de autor e ator do seu processo formativo e deve, por tal razão, ser o propulsor inicial de toda a cadeia da formação docente. Em suma, só o sujeito pode se emancipar em suas práticas e empregá-las como instrumento de transformação pessoal e social. 62 As práticas dos professores de fisioterapia analisadas nesta pesquisa se revelam cheias de incertezas, sobretudo quando falamos de temas como didática, avaliação discente e planejamento pedagógico. Os sujeitos apontaram para um diaa-dia inundado de conflitos e tensões, na procura constante por soluções práticas para os problemas do cotidiano da escola. Assim, entendemos que as reflexões aqui apresentadas servem como subsídios para o debate e reflexão sobre a formação docente nos cursos de graduação em fisioterapia. 63 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Sancionada em 12 de dezembro de 1996, pelo Presidente da República Federativa do Brasil. Brasília, DF. ______. Caderno do Especializando. Brasília/Rio de Janeiro: Ministério da Saúde/FIOCRUZ, 2005. 114p. ______. Decreto Lei n. 938 – de 13 de outubro de 1969. Publicado no DOU nº.197 de 14/10/69 – retificado em 16-10-1969. Sec. I – p. 3.658. ______. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz. Situações-Problema: Especializando. Brasília/Rio de Janeiro: Ministério Da Saúde/FIOCRUZ, 2005. 52p. ______. Resolução CNE/CES 4/02. Diário Oficial da União. Brasília, 4 de março de 2002. Seção 1, p. 11. CABRAL, K. M. Um ensaio sobre a profissionalização docente. Revista X/UFP. v. 2, 2006. CARNEIRO, J. M. A. 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Bol Oficina Sanit Panam 120(6), 1996. 66 APÊNDICE APÊNDICE A – FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DOCENTE FICHA DE IDENTIFICAÇÃO DOCENTE Nome: _____________________________________________________________ Instituição que cursou a graduação: ( )Pública ( )Privada Ano de conclusão da graduação: _______________________________________ Maior titulação: ( )Especialização ( )Mestrado ( )Doutorado Área de conhecimento da pós-graduação: _______________________________ Disciplina que atualmente leciona: _____________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Regime de Trabalho: ( )20h ( )40h ( )Dedicação Exclusiva ( )Horista Instituição que leciona: _______________________________________________ 67 ANEXO ANEXO A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Resolução nº 196, de 10 de Outubro de 1996, sendo o Conselho Nacional de Saúde. TÍTULO DO PROJETO: Formação Didático-Pedagógica dos Docentes do Curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Objetivos: Analisar a Formação Didático-Pedagógica dos Docentes do Curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e as principais necessidades emergentes de formação docente. Propósito de estudo: Discutir a formação didático-pedagógica dos referidos docentes. Participação: Docentes que lecionam no curso de graduação em Fisioterapia. Riscos: Não oferece. Confidencialidade do estudo: Será assegurada. Benefícios: Contribuir para a elaboração de conhecimentos acerca da formação docente. Dano advindo da pesquisa: Não oferece. Participação Voluntária: Toda a participação será voluntária e não resultará em ônus de qualquer espécie para os informantes. • Consentimento para participação: Estou de acordo com a participação no estudo descrito acima. Eu fui devidamente esclarecido quanto os objetivos da pesquisa, aos procedimentos aos quais serei submetido e os possíveis riscos envolvidos na minha participação. Os pesquisadores me garantiram disponibilizar qualquer esclarecimento adicional que eu venha solicitar durante o curso da pesquisa e o direito de desistir da participação em qualquer momento, sem que a minha desistência implique em qualquer prejuízo a minha pessoa ou a minha família, sendo garantido anonimato e o sigilo dos dados referentes a minha identificação, bem como a minha participação neste estudo não me trará nenhum benefício econômico. Eu, ___________________________________________________, aceito livremente participar do estudo intitulado “Formação Didático-Pedagógica dos Docentes do Curso de Graduação em Fisioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia” desenvolvido pelo Professor Gustavo Jaccoud Santos da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Nome da Participante________________________________________________ Nome da pessoa ou responsável legal___________________________________ 68 COMPROMISSO DO PESQUISADOR Discuti as questões acima apresentadas com cada participante do estudo. É minha opinião que cada indivíduo entenda os riscos, benefícios e obrigações relacionadas a esta pesquisa. ________________________________________Jequié, Data: __/__/__ Assinatura do Pesquisador Para maiores informações, pode entrar em contato com: Prof. Gustavo Jaccoud Santos – (73) 3525-9297 / 8833-4017