I SEMINÁRIO SOBRE ALIMENTOS E MANIFESTAÇÕES CULTURAIS TRADICIONAIS
Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE – 21 a 23 de maio de 2012
UM ENFOQUE GEOGRÁFICO À FESTA DE SENHORA SANT’ANA1:
ESPACIALIZAÇÃO, EVOLUÇÃO E TURISMO
Ariane Siqueira de Oliveira
Graduanda em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe
Bolsista do Programa de Introdução a Iniciação Científica
Pesquisadora do Laboratório de Estudos Rurais e Urbanos
[email protected]
Gabrielle Santos Maroto
Graduanda em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe
[email protected]
GT 02 – As Alimentos e Festas Tradicionais como Atrativos Turísticos
Resumo
A Geografia estuda principalmente, as diversas relações que os indivíduos obtêm com o
espaço em que se inserem. A geografia cultural debruça-se sobre as suas atividades na
superfície da terra e a geografia humanística se assenta na subjetividade dessas atividades, que
será abordada nesse artigo sob o enfoque religioso. A cultura favorece a noção de que a
comunidade partilha de uma identidade comum e a religião se responsabiliza pela produção
de bens simbólicos. Esses bens se desenvolvem e se materializam num determinado espaço, e
a igreja é o lugar de cultuá-los. Através de uma análise fenomenológica caracterizamos a festa
de Srª Sant’Ana, no município de Simão Dias, destacando a sua espacialização, evolução e
influência no deslocamento humano motivados pela fé e devoção, o que chamamos de
turismo religioso.
Palavras chaves: Geografia; Religião; Espacialidade; Turismo Religioso.
Introdução
O presente artigo configura-se como um estudo no âmbito da corrente fenomenológica no
qual se privilegia a relação entre geografia e religião expressa no subcampo da geografia
cultural como: geografia da religião.
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Sant’Ana, padroeira do município de Simão Dias, localizada no estado de Sergipe. Essa festa ocorre
anualmente no mês de julho mais precisamente no dia 26 do referido mês.
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Cultura e religião têm sido temáticas de grande investimento intelectual por parte de teóricos
das ciências sociais e das humanidades.
A Geografia da percepção (humanística), segundo Corrêa (2001, p. 30) “está assentada na
subjetividade, na intuição, nos sentimentos, na experiência, no simbolismo e na contingência,
privilegiando o singular e não o particular ou o universal e, ao invés da explicação, tem na
compreensão a base de inteligibilidade do mundo real”.
O geógrafo da religião propugna o estudo do espaço através da análise do sagrado,
desvendando sua ligação com a paisagem e com a linguagem codificada pelo devoto em sua
vivência com o espaço. (Rosendahl, 1995)
Rosendahl (2007) sugere que o eixo central em que deve ser pautada a análise geográfica da
religião é a produção de bens simbólicos.
A ênfase da nossa análise recai sobre o novenário2 e procissão de Senhora Sant’Ana no
município de Simão Dias-SE, a denominada festa de Senhora Sant’Ana3 que ocorre
anualmente no mês de julho e atrai um grande número de fiéis, durante toda a sua
programação.
A manutenção do lugar e das práticas sagradas favorece a noção de que a comunidade partilha
uma identidade comum, um sentimento de integração e de comunidade religiosa. Há uma
grande variedade de sentidos, significados e representações simbólicas que envolvem este
acontecimento.
Geografia e Religião: uma visão Catolicista
Além da geografia outras ciências estudam o comportamento humano e se debruçam sobre a
cultura religiosa para explicar as relações sociais que a envolvem. À geografia cabe, portanto
espacializar essas relações. Segundo Park (2005), dois grandes blocos de questionamentos são
comumente explorados pelos geógrafos da religião, visto que são rapidamente definidos em
termos de espaço e lugar, são eles: (a) a distribuição da religião; e (b) os lugares sagrados e os
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Termo surgido nas Sagradas Escrituras, na cultura da igreja católica, a novena é uma devoção que consiste em
rezar para se obter alguma graça especial.
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A festa de Senhora Sant’Ana se concebe através de nove dias consecutivos de novenas (novenário) e o décimo
com a procissão em homenagem a padroeira.
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espaços sagrados, e como eles influenciam o deslocamento das pessoas4. Este último é a
ênfase pautada nesse artigo.
Segundo Paul Claval, (2001) a Geografia Humana estuda a repartição dos homens, de suas
atividades e de suas obras na superfície da terra, e tenta explicá-la pela maneira como os
grupos se inserem no ambiente, o exploram e transformam. É nesse ambiente em que está
inserido, que o homem pratica seus princípios básicos de sobrevivência, relacionamento
pessoal, crenças e manifestações culturais, o que dota a paisagem de significado e valor. O
estudo das manifestações culturais que leva em consideração o espaço é estudado pela
Geografia Cultural.
A geografia cultural é atualmente uma das mais excitantes áreas de trabalho
geográfico. Abrangendo desde as análises de objetos do cotidiano,
representação da natureza na arte e em filmes até estudos do significado das
paisagens e a construção social de identidades baseadas em lugares, ela
cobre numerosas questões. Seu foco inclui a investigação da cultura
material, costumes sociais e significados simbólicos, abordados a partir de
uma série de perspectivas teóricas. (MCDOWELL, 1996, p.159)
Quando este espaço é dotado de fé e devoção o objeto central dos estudos geográficos recai
sobre o enfoque religioso, argumentado, portanto pelos estudos de Silva e Gil Filho (2009) “A
Geografia da Religião, busca analisar a relação entre religião e espaço”.
A religião católica é atuante na construção do espaço geográfico, seja ela moldada
momentaneamente ou de maneira duradoura, resultada, portanto da fé e devoção existente
entre os indivíduos, ou seja, o valor que eles agregam a determinadas manifestações.
Nesse contexto, a Geografia passa a entender o lugar como fenômeno vivido e experienciado
pelos homens, no caso deste artigo levando em consideração a apropriação do espaço em prol
de suas crenças religiosas. “Ao geógrafo da religião, cabe interpretar os lugares religiosos e
seus sucessivos arranjos espaciais” (Rosendahl; Côrrea, 2007).
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Essa citação constitui parte integrante do artigo: A geografia da religião como um subcampo intelectual
acadêmico da geografia cultural. Cuja autoria é de Patrícia Frangelli. Vide referência.
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Espacialização e Identidade
A construção da objetividade e da espacialização das ideias religiosas se dá por intermédio
das palavras, é através da oralidade ou da textualidade que se difunde o saber religioso.
“Quando o Homem se apropria desse conhecimento passa a ser um sujeito “espacializador” da
religião utilizando-se do discurso religioso. Desse modo, as representações que permeiam o
discurso ganham meios para se espacializarem para além do espaço de criação” (SILVA; GIL
FILHO, 2009, p. 79).
O homem sempre fez geografia e a religião sempre fez parte de suas relações sociais. A
geografia e a religião se encontram através da dimensão espacial, uma porque analisa o
espaço e a outra porque, como fenômeno cultural, ocorre espacialmente (Rosendahl, 1995).
O estudo dessa espacialização dá-se mediante a ligação emocional do individuo ao lugar ou às
atividades desenvolvidas num determinado local. Cada lugar é possuidor de uma identidade
cultural e enraízam seus valores àqueles que o frequentam ou fazem parte dele. Através desse
enraizamento, tal espaço ou cultura torna-se simbólico para o indivíduo.
O processo de espacialização do fenômeno religioso se consolida através do agir do fiel, o
espaço em que ele vive ou penetra se torna promissor de percepções e sensível às
representações. As festas religiosas, como fenômeno cultural, têm sido redescobertas e
revitalizadas como um fértil campo de investigação histórica, transcendendo sua visibilidade e
revelando crenças e vivências demarcadas por um tempo e uma identidade coletiva.
Uma das dimensões geográficas que podemos fazer sobre a religião é a constatação dos
espaços sagrados. Definido por Rosendahl (2009) como: Um campo de forças e de valores
que eleva o homem religioso acima de si mesmo, que o transporta para um meio distinto
daquele no qual transcorre sua existência. O espaço sagrado é perceptível e suas
manifestações se desencadeiam em um determinado tempo, imprimindo marcas no ambiente,
que só podem se efetivar através das relações que o grupo mantém com esses ambientes, ditos
sagrados.
As práticas sagradas são associadas às funções exercidas tanto pelos fiéis quanto pela igreja.
Pela igreja através de suas ações plenas e missionárias e pelos fiéis quando reconhece tais
funções e as praticam, o que os levam a construir uma simbologia do sagrado.
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Um breve Histórico: Do surgimento da capela aos dias atuais
Com a invasão dos holandeses à Sergipe, os proprietários de gado da região de Itabaiana
foram obrigados a retirarem seus rebanhos daquelas terras levando-os para próximo ao rio
Caiçá.
Dentre os proprietários de gado daquela região destacava-se Braz Rabelo, morador da Bahia.
Este ordenou que seu vaqueiro Simão Dias, dono de currais nas Matas de Itabaiana retirasse
seu gado daquela região, levando-os para os sertões do Caiçá. No entanto o gado de Brás
Rabelo foi exterminado, mas o vaqueiro Simão Dias permaneceu naquela região solitário por
toda a vida, tendo apenas a companhia de alguns viajantes que passavam ali e paravam em sua
pequena venda para descansar. Simão Dias permaneceu nas Matas do Caiçá até sua morte. A
partir daí aquele local passara a ser conhecido como Matas de Simão Dias. (DÉDA, 2008)
As Matas de Simão Dias, pertencente ao Barão de Passé, Brito e Castro (moradores da Bahia)
foi vendida ao Senhor Manuel de Carvalho Carregosa, onde sobre a liderança do seu filho
Geraldo José de Carvalho construiu naquele lugar uma casa de engenho que prosperou
naquelas terras. Anos depois o casal Ana Francisca de Meneses e o Manuel de Carvalho
Carregosa, movidos por sua fé doaram um dote de terra, juntamente com algumas cabeças de
gado para a construção do Encapelado de Sant’Ana5. A partir daí a povoação dessas matas
tornou-se mais freqüente e então a população começou a reivindicar a elevação da Capela de
Sant’Ana á freguesia. Nasce assim, juntamente com a capela, o espírito religioso que move os
cidadãos desta cidade até os dias atuais.
A população foi desenvolvendo-se às margens da capela que foi construída na então hoje
Praça Barão de Santa Rosa, juntamente com a feira local e então no dia 15 de março de 1850
à Freguesia de Simão Dias elevou-se a categoria de vila. (BARRETO, 1990).
A cada dia que passava a capela desenvolvia-se e em 19 de janeiro de 1851 o Governo
Provincial autorizou uma resolução na qual ajudaria na reforma da capela transformando-a na
Igreja Matriz de Senhora Sant’Ana. (DÉDA, 2008, p. 67)
Já elevada como cidade e devido à grande devoção dos fundadores da capela, principalmente
da Dona Ana Francisca de Meneses, o nome do município foi mudado para Anápolis, porém
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Termo utilizado por Barreto em 1990.
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devido à existência de outra cidade com o mesmo nome e mais antiga foi revogada a então
nomeação e a cidade voltou a denominar-se Simão Dias.
A criação da Capela de Sant’Ana foi o marco primordial para o desenvolvimento da cidade,
pois foi a partir dela que a população de Simão Dias, sempre crescendo em torno da Capela,
aos poucos desenvolveu-se. Esta religiosidade enraizada na cultura da população foi
ocupando espaço nesta região, possuindo assim, nos dias de hoje, grande relevância perante a
sociedade da região e das cidades circunvizinhas.
Sant’Ana foi escolhida para ser a padroeira do município pelo fato de se chamar Ana, nome
da baronesa (Ana Francisca de Menezes) que fez a doação das terras para a instalação da
capela, onde hoje está edificada a Igreja principal (Figura 1 e 2), e também em homenagem a
Ana Freire de Carvalho que restaurou a igreja matriz em 1910. (DÉDA, 2008). Além disso,
dizem os mais velhos, que por ela ser a avó de Jesus amaria a cidade duas vezes mais e
ensinaria a seus pertencentes assim como ensina a seu neto Jesus, demonstrado na imagem
que a representa.
Figura 1- Antiga Igreja com duas torres (BARRETO, 1910)
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Figura 2- Atual matriz com apenas uma torre.
(Acervo pessoal da autora, 2012)
Turismo Religioso e a Festa de Senhora Sant’Ana6
A motivação religiosa têm feito várias pessoas pelo mundo se deslocarem para variados
lugares a fim de suprir uma necessidade de renovação de mitos e ritos religiosos. Esse
deslocamento é tratado no trabalho como turismo religioso. Isso porque segundo GAZONI,
“Para que o fenômeno turístico ocorra é imprescindível a presença da motivação, geralmente
vinculada às características culturais marcantes nas sociedades, entre elas a religiosidade”.
No Brasil, como em muitas outras localidades, os indivíduos cada vez mais, motivados pela fé
e devoção, estão se deslocando em prol da satisfação simbólica. A prática do visitante
religioso é única, tendo todos uma mesma motivação. Cada um tem experiências distintas e
são capazes de multiplicar significados para um mesmo atrativo.
Diante desse fenômeno, Andrade (2006) explica que “o conjunto de atividades, com
utilização parcial ou total de equipamentos, e a realização de visitas a receptivos que
expressam sentimentos místicos ou suscitam a fé, a esperança e a caridade aos crentes ou
pessoas vinculadas a religiões, denomina-se turismo religioso”.
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Em alguns momentos do texto o nome Ana vai aparecer escrito de diferentes formas Santana, Santa Ana ou
Sant’Ana, de acordo com a grafia usada pelos autores que contribuíram para o desenvolvimento desse
trabalho.
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Trataremos desse fato tomando como referência a festa de Santa Ana na cidade de Simão
Dias.
Desde o surgimento da cidade, no século XIX esse festejo já fazia parte da vida dos
moradores da região e do calendário local. Ao passar do tempo essa manifestação foi tomando
pilares cada vez mais concretos e há décadas reúne várias pessoas para a sua celebração
(Figura 3).
Moradores esses que tinha e tem uma fé indiscutível para com a avó de Jesus Cristo. Alina
Paim em seu livro intitulado Simão Dias, refere-se à devoção do povo para com a santa
através de um trecho relembrado da sua infância que dizia: “Senhora Santana é poderosa:
enquanto ela for padroeira da cidade, nada há de acontecer” (pág.16). Levando em
consideração este fato destacamos a importância de estudar o deslocamento de fiéis para
festejar e homenagear a Excelsa Padroeira, como é denominada na região.
Figura 3- Procissão em homenagem a padroeira, datada não se sabe ao certo da década de 40-50.
(Acervo Pessoal da Historiadora local: Edjan Alencar)
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Figura 4- Procissão em homenagem a padroeira, datada não se sabe ao certo da década de 40-50.
(Acervo Pessoal da historiadora Edjan Alencar)
Além dos moradores locais, a festa atrai outras pessoas que se deslocam para exercer o seu
papel de fiel, atrelados à necessidade de se viver esse espaço simbologicamente, no caso em
questão, os movimentos de pessoas ocorrem para participar do novenário de preparação e à
procissão de Senhora Sant’ana. Isso ocorre porque o homem consagra os espaços e vivenciam
os momentos que ele oferece.
Na foto acima (figura 4), mostra de maneira parcial a quantidade de fiéis seguindo a procissão
que há anos é parte histórica e sagrada dessa cidade, fiéis estes atraídos na crença que
possuem pela santa protetora.
Devoções, festas e ritos têm a função de recriar o tempo. As manifestações religiosas não
significam apenas a comemoração, para muitos é uma maneira de se aproximar de Deus,
agradecer pelas graças alcançadas, pedir interseções, reviver um determinado tempo, e
promover a purificação.
A procissão é realizada no dia 26 de julho, data esta estabelecida pela Igreja Católica pelas
mãos do Papa Gregório XIII (1502-1585) em 01 de maio de 1584 para homenagear Senhora
Santa Ana, e também por ser o dia dos avós (Cardeal D. Eusébio Oscar Scheid). Essa festa
religiosa se opõe ao ritmo regular e rotineiro da vida dos moradores da cidade, fazendo com
que durante o período comemorativo a cidade se impregne por uma nova dinâmica, tornandose mais movimentada. A sua programação festiva é extensa e ao mesmo tempo intensa, na
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qual se mesclam elementos de religiosidade e aspectos sócio-culturais, mobilizando inúmeros
agentes.
Durante o novenário ocorre uma alvorada festiva toda cinco horas da manhã, que é repetida
ao meio dia, com o intuito de comunicar à população que as festividades religiosas estão
acontecendo e que o dia da santa padroeira está chegando.
No encerramento do evento, no dia da procissão, os santos padroeiros dos povoados (Figura
5) da cidade são trazidos das comunidades para participar do cortejo, segundo populares esta á
uma prática antiga, assim como a festa.
Em Simão Dias, a realização das reuniões festivas em honra a Senhora Sant’Ana não têm
origem exata, porém os indicativos empíricos e religiosos remontam desde o século XIX,
sendo desconhecidas descrições acerca.
Segundo a Igreja local, a atual festa atrai milhares de pessoas (Figura 6), algumas retornam à
cidade natal nesse período para prestigiar sua padroeira, outras vêm apenas a visitação,
algumas motivadas pela fé e devoção ou apenas para fins políticos. Enfim, é um marco da
cidade e que faz parte da cultura local. Além de atrair turistas de diversas localidades a
presença anual de filhos ilustres da cidade ou região se fazem presentes (Figura 7).
Figura 5- Santos padroeiros dos povoados homenageando Senhora Sant’Ana.
(Acervo Pessoal da autora.)
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Figura 6- Procissão vista do alto da igreja. Guia
do Comércio (2010)
Figura 7- Carvalho Neto prestigiando a festa da santa padroeira (Acervo Pessoal da historiadora Edjan Alencar)
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Todas as festas tradicionais em especial a que nos referimos no trabalho têm uma história que
ao longo do tempo foram criadas, recriadas, modificadas ou readaptadas de acordo com a
cultura local. À geografia cabe, portanto, explicar como se deu tais práticas num determinado
espaço.
Conclusão
A difusão da fé tornou Simão Dias um centro de atração turística no período da festa de
Senhora Sant’Ana pois abriga a divindade e permite a ligação dos povos a uma experiência
religiosa coletiva, num determinado roteiro devocional, e que acompanha o homem em sua
longa história.
As tradições culturais são preservadas até os dias atuais e se fazem presente na identidade
cultural desses manifestantes o que constituem peculiaridades locais e chamam atenção dos
turistas.
O principal ponto desse artigo foi mostrar que essa manifestação pode ser espacializada,
tomada como um fator identitário, atraidor de devotos e ao mesmo tempo objeto de estudo da
geografia.
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