ESPECULAÇÃO E VERTICALIZAÇÃO: REFLEXOS NA PAISAGEM DO BAIRRO DA
PRATA EM CAMPINA GRANDE-PB E O USO DO GEORREFERENCIAMENTO.
Otávia Karla dos Santos Apolinário1, Nadjacleia Vilar Almeida2, Arthur Tavares
Valverdern
1
UEPB/História e Geografia, Universidade Estadual da Paraíba/História e Geografia, R. Antônio Guedes de
Andrade, 190.Catolé. CEP: 58140-410. Campina Grande/PB, [email protected]
2
UFF/Universidade Federal Fluminense - Programa de Pós Graduação em Geografia/Instituto de
Geociências, 506. Campus da Praia Vermelha. CEP: 24.210-346 Niterói/RJ, [email protected]
n
UEPB/História e Geografia, Universidade Estadual da Paraíba/História e Geografia, R. Antônio Guedes de
Andrade, 190.Catolé. CEP: 58140-410. Campina Grande/PB, [email protected]
Resumo – Este trabalho veio apresentar como se deu o processo de urbanização do bairro da Prata
localizado na cidade de Campina Grande – PB, enfatizando a especulação imobiliaria e a verticalização em
seu espaço produtivo e sua importância para a valorização do mesmo. Objetivou-se fazer uma análise
espacial dos terrenos vagos e dos edifícios a partir de seis pavimentos, presentes no bairro atualmente,
para mostrar a existencia da especulação na busca de uma maior valorização para esse espaço. Para a
realização deste trabalho foi feita uma pesquisa in loco, com a obtenção de dados primários, utilizando um
GPS (Sistema de Posicionamento Global) para o georreferenciamento dos objetos em estudo, e dados
segundários atraves de levantamentos de informações junto a órgãos públicos e pesquisas bibliográficas.
Dessa forma verificou-se que a transformação do bairro se deu através de sua mudança de função, a qual
modifica um determinado espaço que se reflete na paisagem através da dinâmica urbana e da dinâmica
econômica, interrelacionadas a partir das infraestruturas, dos serviços urbanos, das condições de
acessibilidade
Palavras-chave: Bairro da Prata, Urbanização, Especulação Imobiliária, Verticalização, Paisagem.
Área do Conhecimento: VII- Ciências Humanas
Introdução
Metodologia
O bairro da Prata tem passado por
transformações em sua forma, função e estrutura.
A medida que o processo de urbanização vem
crescendo, os elementos espaciais vão se
moldando as novas funções, que surgem a partir
de um processo de acumulação e concentração
do capital, gerando uma dinâmica econômica que
rege a mudança da sociedade de acordo com o
modo de produção capitalista. Dessa forma foi
instigada a realização de uma pesquisa a cerca da
especulação e verticalização do bairro da Prata, o
qual tem se destacado entre os demais bairros da
cidade de Campina Grande, por sua valorização e
caracterização como subcentro comercial e de
serviços.
Para concretização da pesquisa foi realizada
uma análise da organização espacial do bairro da
Prata, buscando aporte teórico em autores como
Casaril (2008), Giménez (2007) e Monbeig (2004)
e Villaça (2001) a partir de seus estudos
concernentes as questões sociais urbanas.
Este trabalho objetivou analisar a importância
da especulação imobiliária e da verticalização na
dinâmica urbana e na dinâmica econômica do
bairro da Prata, além de identificar sua distribuição
espacial e de que forma esses processos são
refletidos em sua paisagem.
O trabalho possui um caráter analíticodescritivo com abordagem quantitativa e
qualitativa. Para a obtenção dos resultados
apresentados foi feito um levantamento de dados
primários que foram obtidos através de
observações diretas, in loco, com o mapeamento e
catalogação de terrenos vagos (considerando
terrenos murados ou não, com ou sem ruínas e
construções abandonadas) e prédios a partir de
seis pavimentos presentes no bairro da Prata;
realização de entrevistas informais junto aos
moradores do local, para aquisição de dados e
registros fotográficos. Também foram levantados
dados secundários obtidos junto à Secretária de
Planejamento do Município (SEPLAM - CG), para
adquirir material cartográfico do bairro, além de
informações concernentes à urbanização do
mesmo, junto ao Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) para obtenção de dados
estatísticos populacionais do objeto de estudo;
além de outras fontes como: livros, artigos,
dissertações, atlas geográfico, internet.
A partir das observações “in loco” buscou-se,
inicialmente, identificar as estruturas verticais
(edifícios) e os terrenos vagos presentes no Bairro
da
Prata,
sendo
estes,
posteriormente,
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georreferenciados com o apoio de um GPS
Garmin
de
navegação
(Sistema
de
Posicionamento Global), com projeção UTM e
“Datum” planimétrico SAD 69.
Para auxiliar na análise dos dados coletados foi
utilizado um Sistema de Informação Geográfica SIG, caracterizado como um conjunto de
ferramentas
computacionais
composto
de
equipamentos e programas destinados a
conversão (digitalização e edição de dados), ao
gerenciamento dos dados obtidos, análise
geográfica e representação dos dados. O software
utilizado foi o SPRING, desenvolvido e
disponibilizado pelo INPE (Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais).
O material cartográfico disponibilizado pela
SEPLAM-CG (planta do bairro de 2005) estava em
formato digital (imagem do tipo jpeg.) e para ser
inserido no SIG foi georreferenciado a partir das
coordenadas apresentadas na imagem. Em
seguida foram digitalizadas de forma manual na
tela do computador transformando-os para o
formato vetorial. As informações foram inseridas
no modelo de dados cadastral possibilitando a
criação de um banco de dados acoplado ao mapa.
O “datum” do receptor GPS e do Sistema de
Informações
Geográficas
(SIG)
foram
sincronizados de modo a reduzir a imprecisão e
erros nas leituras e demarcação das posições.
Dessa
forma,
espera-se
que
seja
compreendida a análise da organização espacial
do bairro da Prata em seus aspectos econômicos
e sociais, levando em consideração os resultados
no desfecho do trabalho e elencados em sua
conclusão final.
Mapa 01 - Localização de Campina Grande – PB
Fonte: Adaptado do Atlas Nacional do Brasil, IBGE
(1992)
O bairro da Prata está localizada na zona oeste
da cidade, possuindo uma área de 0,77 km²,
população total de 3.884 hab e densidade
demográfica de 561,00 hab/km², (IBGE, 2000).
Seus bairros vizinhos são: Palmeira e Monte
Santo ao norte, São José ao sul, Centro a leste, e
Bela Vista a oeste. (Figura 01)
Resultados
Localização Geográfica do município
Campina Grande – PB e do bairro da Prata.
de
O município de Campina Grande localiza-se a
130 km da capital do Estado da Paraíba, João
Pessoa, a uma altitude de 550 m, na região
oriental do Planalto da Borborema. Sua área
central situa-se a 7° 13’ 11” Sul e 35° 52’ 31”
Oeste de Greenwich. Campina Grande estar
situada geograficamente na Mesorregião do
agreste paraibano, que fica entre a Mesorregião
da Mata e Mesorregião da Borborema (Mapa 01).
É considerada a segunda cidade mais populosa
do Estado, possui de acordo com o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2009),
uma população estimada em 383.764 habitantes e
uma área territorial de 620,63 km².
Figura 01 – Delimitação dos bairros de Campina
Grande – PB, destacando o bairro da Prata.
Fonte:http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Bairros_
de _Campina_Grande.svg
O Processo de Urbanização do Bairro da Prata
O bairro da Prata passou a ter um
desenvolvimento urbano mais intenso, no que diz
respeito a sua estrutura socioeconômica, a partir
da década de 1980, com o surgimento de
atividade destinadas a saúde, impulsionando o
bairro a um nova função, até então existente com
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maior concentração no centro da cidade. A medida
que esse processo de urbanização vem crescendo
no bairro, os elementos espaciais vão se
moldando as novas funções, que surgem a partir
de um processo de acumulação e concentração
do capital, gerando uma dinâmica econômica que
rege a mudança da sociedade de acordo com o
modo de produção capitalista. Sendo assim, o
bairro passa por uma transformação bastante
visível em sua paisagem, na medida em que é
visto como um espaço urbano com um grande
potencial imobiliário, tomando como princípio não
só o fato do bairro ser considerado classe médiaalta, desde sua formação, mas também sua
acessibilidade e localização na cidade.
Quanto à acessibilidade, possui vias de acesso
pavimentadas,
bem
estruturadas
e
boa
disponibilidade de meio de transporte público, com
oferta de três linhas urbanas (linha verde: 303 –
sentido: Prata – Centro e 333 – sentido Centro –
Prata; linha inter área: 263A – sentido: Centro Prata e 263B – sentido: Prata - Centro, linha
marrom: 500 – sentido: ida e volta, 505 – sentido:
Prata - Centro, 555 – sentido: Centro Prata) e
oferta de duas linhas de ônibus distritais (Mutirão e
São José da Mata – sentido ida e volta), (STTPCG, 2009) que trafegam em suas principais vias,
propiciando ao bairro uma maior movimentação de
pessoas e um maior desenvolvimento de seu
comércio e serviços. Quanto à localização, é
importante frisar que o fato de estar próximo
(vizinho) ao centro faz dele um espaço com
grande valor de uso.
Especulação Imobiliária e Verticalização.
A localização influi diretamente na questão da
especulação imobiliária presente no bairro da
Prata, promovendo ainda mais sua valorização,
tendo o mesmo um total de 27 terrenos vagos,
considerando terrenos murados ou não, com ou
sem ruínas e construções abandonadas, sendo a
maioria terrenos vagos murados (Figura 02) sem
placa de venda. O Mapa 02 mostra a distribuição
georreferenciada dos terrenos vagos do bairro da
Prata, com suas localizações geográficas.
Terrenos vagos murados
Figura 02: Terrenos vagos murados
Fonte: Otávia K. dos S. Apolinário. Julho/2009
Mapa 02– Distribuição e localização dos terrenos vagos do bairro da Prata.
Fonte: Pesquisa primária. Apolinário e Almeida (2009). Adaptada da SEPLAN-CG (2005).
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A verticalização no bairro da Prata vem
ocorrendo desde a década de 1990, década esta
que teve maior índice de construção de edifícios a
partir de seis pavimentos, um total de cinco
prédios, mais dois construídos nos anos de 2000 e
2003, num total de sete prédios acima de cinco
andares em todo o bairro. Dessa forma verifica-se
que a verticalização no bairro ainda é bem
recente. As informações dos anos de inauguração
dos prédios foram obtidas através de entrevistas
informais com os funcionários dos prédios (Tabela
01).
Tabela 01 - Prédios a partir de seis pavimentos e
ano de inauguração.
Nome
Nº de
Ano de
Pavimentos
Inauguração
Residencial
6
1993
Clariças
Monblanc
15
1994
Celinaraposo
10
1996
Prata Nobre
11
1998
San Rafhael
7
1997
Res. Santa
6
2000
Mônica
Grandville
17
2003
Fonte: Pesquisa Direta (2009)
A verticalização para uso residencial é mais
intensa no bairro, pois dos prédios relacionados na
Tabela 01 todos são residenciais, com exceção do
San Raphael que é destinado a serviços médicos
e laboratoriais.
É importante esclarecer uma confusão que há
em relação a verticalização do bairro da Prata,
pois muitas pessoas não sabem quais os limites
territoriais do bairro e por isso confundem a
verticalização do bairro da Prata com a
verticalização do bairro da Bela Vista, (vizinho a
oeste da Prata), o qual vem tendo uma
verticalização bastante intensa e rápida. A Figura
03 mostra a verticalização dos dois bairros
supracitados com a enumeração dos prédios da
Prata por ordem crescente de inauguração
apresentada na Tabela 01.
No Mapa 03, pode-se observar a distribuição
geoespacial dos edifícios do bairro da Prata, com
suas localizações geográficas, tendo dessa forma
uma verdadeira noção da verticalização no bairro,
já que na Figura 03 mostra a influência da
verticalização de outro bairro refletida no bairro da
Prata, com visualização de leste para oeste.
Figura 03 - Vista aérea da verticalização do bairro da Prata e em segundo plano a verticalização do bairro
da Bela Vista.
Fonte: http://www.skyscrapercity.com (2007)
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Mapa 03 – Distribuição e localização dos prédios do bairro da Prata com mais de cinco pavimentos.
Fonte: Pesquisa primária. Apolinário e Almeida (2009). Adaptada da SEPLAN-CG (2005).
Discussão
Segundo Monbeig (2004) os homens e suas
obras, num meio geográfico definido, constituem o
organismo urbano, o qual possui uma função que
é modificada na medida que evolui. Dessa forma,
o bairro passa por uma transformação bastante
visível em sua paisagem, na medida em que é
visto como um espaço urbano com um grande
potencial imobiliário, tomando como princípio não
só o fato do bairro ser considerado classe médiaalta, desde sua formação, mas também a sua
acessibilidade e localização na cidade.
O terreno vago não tem renda diferenciada por
não ter atividade produtiva, sua valorização se dá
conforme o desenvolvimento urbano de sua
localização (VILLAÇA, 2001), de acordo com sua
infra-estrutura (água, esgoto, energia), com seus
serviços urbanos (creches, escolas, grandes
equipamentos urbanos) e com as melhorias
realizadas nas condições de acessibilidade
(abertura de vias, pavimentação, sistema de
transporte, etc.).
A verticalização é um dos processos mais
utilizados pela especulação imobiliária, por ser
responsável pela multiplicação do solo urbano,
ocasionando uma revalorização do espaço
(GIMÉNEZ, 2007).
Dessa forma, tanto a especulação de terrenos
quanto a especulação na forma de verticalização
do solo estão presentes no bairro da Prata,
revalorizando seu espaço e modificando sua
paisagem urbana na medida que são alteradas
suas funcionalidades (CASARIL, 2008).
Conclusão
Ao analisar a estrutura urbana do bairro da
Prata, localizado na cidade de Campina Grande –
PB, mais precisamente suas condições de
acessibilidade e localização, percebeu-se que
esses fatores contribuem decisivamente para uma
valorização do espaço produzido, materializado e
geografizado pelo homem, estimulando a
especulação de terrenos e a verticalização, esta
na intenção de multiplicar o valor da terra, obtendo
dessa forma um maior lucro sobre o valor desse
espaço.
Diante das discussões desses elementos que
contribuem na constituição da urbanização de um
espaço geográfico não poderia deixar de
mencionar uma conseqüência, perceptível no
bairro da Prata, ocasionada principalmente pela
especulação imobiliária, mais precisamente pela
verticalização, a Segregação Socioespacial.
Segundo Silva (2002 apud CASARIL, 2008) a
verticalização é uma expressão material e
simbólica de um modelo urbano excludente e
segregado. Sendo assim, este trabalho contribui
para uma possível análise da segregação
socioespacial no bairro da Prata.
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Referências
CAMPINA GRANDE – PB. Superintendência de
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Transportes
–
Ônibus.
Disponível
em:
http://www.sttpcg.pb.gov.br/transportes_onibus.jsp
. Acessado em 15 de junho de 2009
CASARIL, Carlos Cassemiro. Meio século de
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2008. xvii, 266f. : il. Dissertação (Mestrado em
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Universidade Estadual de Londrina. Londrina –
PR,
2008.
Disponível
em:
http://biblioteca.universia.net/ficha.do?id=3677069
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GIMÉNEZ,
Humberto
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Mendes.
Interpretação do Espaço Urbano de Maringá: A
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MONBEIG, Pierre. O estudo geográfico das
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Estudos Urbanos.
VILLAÇA, Flávio. Espaço intra-urbano no Brasil.
São Paulo: Nobel, 2001.
XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e
IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
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reflexos na paisagem do bairro da prata em campina grande