UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇAO CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO "LATO SENSU" EM HIGIENE E INSPEÇÃO DE PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL PRINCIPAIS ASPECTOS QUE PODEM INFLUENCIAR NA QUALIDADE DA CARNE PARA O CONSUMIDOR FINAL Bruno Batista Rodrigues Oliveira Brasília, out. 2006 BRUNO BATISTA RODRIGUES OLIVEIRA Aluno do Curso de Especialização “Lato sensu” em Higiene e Inspeção de Produtos de Origem Animal PRINCIPAIS ASPECTOS QUE PODEM INFLUENCIAR NA QUALIDADE DA CARNE PARA O CONSUMIDOR FINAL Trabalho monográfico do curso de pós-graduação "Lato Sensu" em Higiene e Inspeção de Produtos de Origem Animal apresentado à UCB como requisito parcial para a obtenção de título de Especialista em Higiene e Inspeção de Produtos de Origem Animal, sob a orientação do Prof.: Osmar Alves Carrijo Júnior Brasília, out. 2006. AGRADECIMENTOS Esta foi mais uma grande conquista em minha vida, e ela não seria possível sem o apoio e incentivo de minhas irmãs, familiares, amigos e principalmente de meus PAIS, e claro sem a Graça de Deus. Agradeço àqueles que contribuíram de forma direta e indireta para a realização do presente trabalho, ao meu orientador, pelo tempo dedicado, compartilhando seus conhecimentos, pela amizade e ensinamento a mim concebido. Aos colegas da turma, pela ajuda e companheirismo e pelos momentos dentro e fora do curso, proporcionando o aumento de todos. RESUMO A cadeia produtiva de carne bovina no Brasil cresce a cada ano, e com isso, novas tecnologias têm que ser introduzidas no mercado, para proporcionar um produto de melhor qualidade para os consumidores. Vários são os aspectos quem podem influenciar direta ou indiretamente na qualidade da carne para o consumidor, desde o transporte, manejo, nutrição, frigorificação, sexo, genótipo e idade dos bovinos, com isso empresas vem adotando uma série de programas de controle de qualidade, com o intuito de se detectar os pontos críticos relacionados aos perigos físicos, químicos e microbiológicos que possam interferir na qualidade final dos produtos. PALAVRAS-CHAVES: BOVINOS, QUALIDADE, CARNE e CONSUMIDOR. iv ABSTRACT The productive chain of bovine meat in Brazil grows every year, and with this, new technologies have to be introduced in the ambient, to provide a better quality product for the consumers. There are several aspects that directly or indirectly influences the quality of the meat for the consumer, since the transport, handling, nutrition, refrigeration, sex, genotype and the age of bovines, with that companies come adopting a quality control programs series, with the intention of detecting the related critical points to the physical dangers, chemical and microbiological that can intervene with the final quality of the products. KEYWORDS: BOVINES, QUALITY, MEAT AND CONSUMER. v SUMÁRIO RESUMO iv ABSTRACT v 1. INTRODUÇÃO 01 2. REVISÃO DE LITERATURA 03 2.1 QUALIDADE DA CARNE 06 2.2 IMPLANTAÇÃO DE PROGRAMAS DE QUALIDADE 07 2.3 FATORES QUE INTERFEREM NA QUALIDADE DA CARNE 09 2.3.1 GENÓTIPO 10 2.3.2 NUTRIÇÃO 10 2.3.3 IDADE 10 2.3.4 SEXO 11 2.4 COMPOSIÇÃO DA CARCAÇA 12 2.5 MANEJOS PRÉ-ABATE 12 2.5.1 TRANPORTE 12 2.5.2 ESTRESSE 13 2.6 14 MANEJO PÓS-ABATE 2.6.1 ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA 14 2.6.2 FRIGORIFICAÇÃO 14 2.6.3 MATURAÇÃO 15 2.7 PRODUÇÃO DE CARNE 15 3. CONCLUSÃO 17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 18 1. INTRODUÇÃO O Brasil nos últimos anos teve sua economia aquecida, através do agronegócio moderno, eficiente e competitivo, demonstrando ser uma atividade próspera, segura e rentável, pois têm apresentado resultados expressivos, melhorando a imagem do país perante as grandes forças econômicas do mundo. O agronegócio brasileiro tem apresentado todo esse crescimento devido a vários fatores que influenciam positivamente como: um clima diversificado, chuvas regulares, energia solar abundante e quase 13% de toda a água doce disponível no planeta, o Brasil tem 388 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis e de alta produtividade, dos quais 90 milhões ainda não foram explorados. Esses fatores fazem do país um lugar de vocação natural para a agropecuária e todos os negócios relacionados à suas cadeias produtivas. O agronegócio é hoje a principal locomotiva da economia brasileira e responde por um em cada três reais gerados no país. O agronegócio é responsável por 33% do Produto Interno Bruto (PIB), 37% dos empregos brasileiros. Estima-se que o PIB do setor chegue a US$ 180,2 bilhões em 2004, contra US$ 165,5 bilhões alcançados no ano de 2003. Entre 1998 e 2003, a taxa de crescimento do PIB agropecuário foi de 4,67% ao ano (MAPA, 2005). O agronegócio brasileiro foi responsável pela exportação de US$ 22,37 bilhões no período de janeiro a setembro de 2003, apresentando um aumento de 24,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse valor também representa 42,4% do total das exportações brasileiras (SILVA, 2005). Um dos grandes responsáveis pelos números expressivos e crescentes do agronegócio é a pecuária de corte, por constitui–se uma atividade extremamente importante para o Brasil, visto que o país detém, em termos mundiais, o maior rebanho comercial de bovinos. A cadeia agroindustrial da carne bovina é muito diversificada, gerando empregos tanto na produção, industrialização e comercialização, quanto em outros elos como o plantio de grãos, onde uma parcela da produção será utilizada na alimentação dos bovinos (NEHIMI FILHO, 2003). A pecuária de corte tem–se tornado cada vez mais competitiva, exigindo mais profissionalização e qualificação por parte dos componentes que envolvem toda a cadeia de produção de carne, necessitando fortalecer cada elo dessa cadeia. Do ponto de vista econômico, à medida que o Brasil for rompendo o chamado “ciclo da aftosa”, não apresentar casos de BSE (Encefalopatia Espongiforme Bovina) e possuir animais criado a pasto, as oportunidades de exportação de carne serão multiplicadas (PEREIRA, 2000). Um fator de extrema importância para melhoria dessa cadeia tem sido a preocupação com a qualidade final do produto. O propósito desse fator é assegurar a inocuidade do alimento através do desenvolvimento, implantação e gerenciamento efetivo de programas funcionais de processos orientados no controle de perigos, como o BPF (Boas Práticas de Fabricação), o APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) e o PPHO (Procedimento Padrão de Higiene Operacional) nas industrias de processamento de carne onde os mesmos têm melhorado bastante a qualidade do produto e essa implantação tem sido uma das maiores exigências dos países importadores para que os mesmos tenham maior garantia do produto que estão adquirindo (DELAZARI, 2002). Segundo VIDAL (2005), a pecuária apresenta números expressivos com relação ao seu crescimento, mas ainda apresenta inúmeros problemas na sua cadeia. Os maiores problemas continuam sendo a falta de padronização das 1 carcaças, a irregularidade de oferta dos novilhos, a sazonalidade da produção, o oportunismo nas negociações e a falta de coordenação e entrosamento entre os elos da cadeia produtiva. As industrias frigoríficas tem procurado atingir esse enorme mercado externo com a adaptação das suas plantas frigoríficas para encaixar com as normas exigidas, porém têm esbarrado na falta de padronização do produto, isso está ocorrendo porque os produtores brasileiros não estão preparados para fornecer sempre, um animal de boa qualidade, devido a diversos fatores como a falta de estrutura, descapitalização, e principalmente a falta de estímulo para produzir um animal padronizado. Essa falta de estimulo tem sido gerado por suspeitas de formação de cartéis por parte dos grandes frigoríficos, principalmente os exportadores. Os preços do boi gordo, porém, não estão reagindo e, no mercado futuro, a arroba está sendo comercializada a valores menores que os praticados em 2004. Também preocupante para o setor são as quedas dos preços do bezerro, que refletem o desinteresse por reposição. O clima é de bastante pessimismo e contrasta com as perspectivas do mesmo período de 2004, quando a euforia era generalizada (CEPEA, 2005). A falta de produto homogêneo faz com que o Brasil não tenha como vender o seu produto a um preço realmente satisfatório. No momento em que o país se encontra, como maior exportador de carne bovina do mundo, o mesmo não se destaca, pois o título está ligado a carne com preço inferior a vários outros países, necessitando de infra– estrutura para produzir com qualidade, melhorando assim a remuneração da matéria–prima ofertada pelo país. Um dos grandes problemas de perca das indústrias tem sido a questão das contusões nas carcaças bovinas, acarretando prejuízos. A carcaça que sofre algum tipo de contusão passa por um toalete ou limpeza mais expressiva diminuindo o peso na balança, refletindo em prejuízo para o produtor e para a indústria reduzindo assim as exportações e conseqüentemente a lucratividade dos mesmos (ANDRADE, 2004). O objetivo do trabalho é avaliar o sistema de produção da indústria frigorífica e a partir de então identificar os pontos mais críticos que podem interferir na qualidade final do produto, principalmente os maiores causadores de contusões nas carcaças. É preciso um trabalho conjunto entre produtores e industriários para minimizar os problemas com contusões, sendo necessário assim a execução de um trabalho de avaliação para o conhecimento de todo sistema de produção da industria frigorífica. 2 2. REVISÃO DE LITERATURA A partir do século XX, após as duas grandes guerras mundiais, criou-se a consciência de que o Brasil se transformaria num dos maiores fornecedores de carne bovina para o mundo. Assim muitos programas de incentivos, inclusive financeiros, foram criados para levar o gado zebuíno e a braquiária, numa expansão que se deu na região Norte e Centro-Oeste do país, denominado como zonas de expansão da fronteira agropecuária. Muito mais tarde e ainda nos dias de hoje pode ser claramente observada a valorização destas terras, que um dia tiveram que ser "abertas" para a introdução da agropecuária, pois trouxeram também o desenvolvimento regional com o crescimento das cidades (FERRAZ & FIGUEIREDO, 2005). A solidificação dos zebuínos como a base genética do rebanho foi um dos pontos importantes para melhoria da produção de carne bovina. Enquanto os novilhos com influência da raça Gir se mantêm nos níveis de peso médio da carcaça de 244 Kg, na década de 1940, os da raça Nelore vêm ultrapassando os 270 Kg. Por este motivo, são levados ao matadouro com aproximadamente um ano a menos que os novilhos abatidos nos períodos imediatamente anteriores (PARDI et al., 2001). Os zebuínos foram utilizados como raça pura e também como cruzados com taurinos, para a obtenção dos cruzamentos industriais, que apresentam diferentes graus de sangue de ambos os grupos para obtenção de maior produção de carne com qualidade. Este fato, associado aos tipos de manejo zootécnico e nutricional a que os bovinos de corte são geralmente submetidos no Brasil, resulta em animais que tendem a chegar ao abate com idade entre 24 a 36 meses, quando bem manejados, sendo quase sempre criados em pastagens, com ou sem suplementação, podendo esse período ser diminuído com a melhoria dos manejos e melhoramento genético (PEREIRA, 2000). A pecuária brasileira, que foi sendo desenvolvida ao longo das últimas décadas, baseadas na rusticidade e fertilidade das raças zebuínas, ainda apresenta média zootécnica baixa para os padrões modernos. Contudo, poderá rapidamente alcançar índices compatíveis com os dos países mais desenvolvidos e se tornar um grande produtor e exportador de carne bovina. Com o uso das tecnologias existentes e disponíveis, poderá realizar uma transformação significativa nos meios e processos de produção e alcançar altos índices de produtividade e qualidade na pecuária, assegurando dessa forma o atendimento pleno e anseios dos consumidores (LUCHIARI FILHO, 2000). A pecuária de corte no Brasil encontra-se em fase de expansão e de modernização dos sistemas de produção, face aos inexoráveis desafios impostos ao país pelo processo de globalização da economia. Tais mudanças conjunturais forçaram uma alteração na mentalidade dos pecuaristas, que, pressionados pelas mudanças econômicas, estão se transformando de tradicionais criadores de bois em modernos produtores de carne bovina de qualidade. As produções de carne bovinas brasileiras têm apresentado um bom crescimento, mesmo com as inúmeras deficiências na sua produção e processamento, mas com o avanço já conseguido, o Brasil apresentou crescimento em relação à produção mundial. Enquanto a produção mundial de carne bovina cresceu, aproximadamente, 4,7% entre os anos de 1990 e 1999, a brasileira apresentou crescimento da ordem de 50%. Com exceção da China, que obteve um extraordinário crescimento de 323%, nenhum dos dez países maiores produtores conseguiu este salto, a exemplo dos EUA, que apresentou variação em torno de 15%. Embora o Brasil seja detentor do maior rebanho comercial do mundo, 3 sua pecuária de corte ainda tem muito por onde progredir, haja vista a taxa anual de abate apresentada pelo rebanho. Segundo dados do Anualpec (2000), a previsão para o ano de 1999 era de uma taxa de abate nacional de 22,7%, próxima de 20%, esperada em termos mundiais, mas, aquém das de outros países como os EUA (37%), a Nova Zelândia (38%) ou os da União Européia (UE) (34%), (ESTANISLAU e CANÇADO JR., 2000). Analisando os números citados acima verifica – se que o Brasil teve um bom crescimento na produção de carne, porém pela vasta extensão territorial que possui e quantidade de rebanho, a muito que crescer, mas esse crescimento só ocorrerá com a utilização de tecnologias modernas e aprimoramento dos sistemas de produção, pois assim conseguirá explorar sua grande vocação de produtor de alimentos, colocando – se junto a países de melhor nível de desenvolvimento humano. Para isso é necessário, investir em “marketing” através da melhoria da qualidade do produto, demonstrando que a carne bovina é um alimento de alto valor biológico, é imprescindível, em quantidades adequadas, na composição de uma dieta balanceada, e que atenda às exigências nutricionais de crianças, jovens, adultos e idosos; por ser uma fonte preciosa de proteína com aminoácidos essenciais, vitaminas do complexo B, ferro e zinco, dentre outros nutrientes, não podendo deixar de fazer parte da alimentação diária da população (LUCHIARI FILHO, 2000). A produção brasileira poderá ser responsável por abastecer todo mercado interno e grande parte da demanda do mercado externo tornando–se uma potência internacional na produção de carne, pois o país tem capacidade de produzir carne com qualidade, além da mesma ser derivada de animais criados a pasto, uma das exigências dos grandes países importadores (NEHIMI FILHO, 2003). No momento a uma grande preocupação para melhorar os índices produtivos da pecuária de corte brasileira, devido às transformações ocorridas no cenário da criação de bovinos, marcadas pelas alterações na política econômica dos anos 90 com início do Plano Real, ocasionando uma queda na rentabilidade da pecuária, pois a terra perdeu a função de reserva de valor que sempre desempenhou ao longo dos anos, caracterizando–se por grande especulação, levando o pecuarista mudar de consciência sobre a forma de produzir passando de um extrativista para um profissional da pecuária (ESTANISLAU e CANÇADO JR., 2000). Há uma outra grande preocupação por parte dos produtores de carnes vermelhas do mundo todo que é a preferência crescente dos consumidores pela carne de aves. Em especial, os pecuaristas brasileiros além de estarem preocupados em melhorar suas receitas sentem-se ameaçados pela agilidade do setor avícola em adaptar seus produtos à vontade do consumidor. Uma outra ameaça vem da própria carne bovina, só que da importada. Pontos de venda, como açougues e supermercados, estão atraindo consumidores com ofertas de cortes cárneos especiais, importados da Argentina e dos Estados Unidos, afirmam que é uma carne mais macia. E o problema fica ainda mais sério quando o consumidor realmente comprova o que lhe disseram e torna-se um propagandista da novidade (FELÍCIO, 1998). Os números expressivos relacionados à pecuária no final da década de 90 e inicio do século 21, têm demonstrado crescimento, porém abaixo do grande potencial do país. O Brasil no geral apresentou grande crescimento sendo a região Centro–Oeste a que têm–se destacado como a enorme potência da pecuária. O rebanho bovino brasileiro cresceu de 176.389 milhões de cabeças em 2001 para 195.551.576 milhões de cabeças em 2003, das quais 69.888.635 milhões (35,7%) estão concentradas na Região Centro-Oeste – em 2003. O maior rebanho bovino está no Estado do 4 Mato Grosso do Sul, com 24.983.821 milhões de cabeças, Mato Grosso com 24.613.718 milhões, Minas Gerais tem 20.852.227 milhões de bovinos, enquanto o Estado de Goiás mantém um rebanho de 20.178.516 milhões (MAPA, 2005). Atualmente, a taxa de desfrute (percentual da participação do abate sobre o total do rebanho) no País é de 21%. Se atingisse 30%, o Brasil poderia ampliar o número de abates para 58,5 milhões de animais por ano, tendo 11,8 milhões de toneladas de carne bovina para abastecer os mercados interno e externo, sem a necessidade de ampliar a área de criação. A estimativa da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária no Brasil) é que um aumento de 21% para 30% na taxa de desfrute geraria 5,3 milhões de toneladas adicionais para as exportações, com divisas extras de US$ 7,5 bilhões (FARID, 2005). O Brasil está como um dos maiores produtores de carne bovina, pois os dados indicam, porém o mesmo corre o risco de ficar conhecido mundialmente como um grande produtor de carne com características indesejáveis ligadas à qualidade, pouco macia, escura, sem marmorização entre outras, e, conseqüentemente, de baixa remuneração no mercado internacional. A associação de características como participação de sangue zebuíno com manejo a pasto e idade elevada ao abate adicionado à determinação de muitos dos criadores brasileiros de, preferencialmente, só produzirem e entregarem ao abate machos inteiros, jovens ou não, tem marcado a carne bovina brasileira no mercado internacional, como sendo dura, com pouco acabamento e marmorização deficiente. Tem – se conseguido alguns avanços, em dezembro de 1999, o circuito pecuário Centro – Oeste, formado pelo Distrito Federal, Goiás, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, recebeu da Organização Internacional de Epizootias (OIE) o reconhecimento como zona livre de febre aftosa, com vacinação, pelo Ministério da Agricultura, favorecendo as exportações das carnes in natura (OLIVEIRA, 2000). Há uma grande necessidade do pecuarista buscar mais informações e assistências técnicas com profissionais das áreas de Agronomia, Veterinária e Zootecnia para obter melhores resultados nos processos de cria, recria e engorda obtendo animais com boas carcaças e bem acabados almejando assim um produto que corresponda às exigências do mercado externo. Portanto, é preciso manejar adequadamente esses animais procurando evitar fatores estressantes como a falta de água e manejo rude dos animais, entre outros, pois o manejo inadequado é um dos maiores fatores responsáveis pelo endurecimento e escurecimento da carcaça, hematomas e até condenação das mesmas, interferindo na produtividade final da pecuária (LUCHIARI FILHO, 2000). O grande problema com relação à qualidade da carne é que são inúmeros fatores que interferem negativamente, ocasionando variações na qualidade. Os fatores que destacam são o genótipo, raças taurinas americanas ou européias Bos taurus taurus ou raças zebuínas = Bos taurus indicus, o tipo de alimentação, pastagem/confinamento, a idade, sexo, espaço disponível para cada animal durante o transporte, as acomodações que precedem ao abate, o manejo pré–abate e os procedimentos pós–abate aplicados à carcaças e às carnes, estimulação elétrica, resfriamento controlado, maturação a vácuo, entre outros. Outro sim segundo OLIVEIRA (2000) o tipo de preparação culinária também exerce grandes influências na qualidade e na maciez final das carnes. 5 2.1 QUALIDADE DE CARNE Para entender o que é qualidade de carne e os fatores que influenciam na mesma, inicialmente é preciso conhecer as propriedades e a composição química dos músculos de um bovino. Os músculos de um animal com mais de um ano de idade é composto por aproximadamente: 74% é de água, 21% de proteína, 4% de gordura e 1% de cinzas. A porcentagem de gordura também é extremamente variável nos diferentes músculos, ou seja, em torno de 2% nos da perna, chegando a 13% nos abdominais. A porcentagem de proteínas, cinzas e água diminuem à medida que aumenta a idade e o acabamento do animal (LUCHIARI FILHO, 2000). Os primeiros passos para obtenção da carne com qualidade foi dado pelos consumidores, por estarem mais exigentes, estimulados pela propaganda de carne de qualidade e também pela necessidade de saber gastar o dinheiro destinado à aquisição dessas carnes, o comércio varejista passou a exigir dos frigoríficos o fornecimento de carnes e carcaças que apresentassem certas características qualitativas como cor, maciez e suculência e quantitativas como maiores rendimentos em carnes do traseiro, sem excessos de gordura), e, com a busca por conquistar novos mercados externo o Brasil deparou com um mercado extremamente exigente, com relação a qualidade do produto. Estes fatos levaram os frigoríficos a procurarem obter junto aos produtores de gado de corte animais mais jovens, com bom acabamento e potencialmente produtores de carne de qualidade. Desse modo, a preocupação justifica–se, pois, mesmo nos países que tradicionalmente tipificam e buscam a qualidade das carnes e carcaças bovinas há várias décadas, como os Estados Unidos, Europa e Austrália, onde a preocupação com a qualidade geral da carne oferecida, mais especificamente com a maciez, continua muito grande, indica a necessidade de ampliar, também no Brasil, os conhecimentos relacionados com os fatores que interferem na qualidade, principalmente quando se refere à carne bovina. (OLIVEIRA, 2000). Os parâmetros de qualidade considerados são: cor e firmeza da carne e gordura, e a maciez sabor e suculência da carne preparada para o consumo. A cor e firmeza da carne e da gordura podem ser avaliadas na carcaça através de escalas ou padrões. Já a maciez, o sabor e a suculência, não são passíveis de serem medidos diretamente na carcaça, mas sim através de indicadores; sendo estes a maturidade fisiológica e grau de acabamento. Resumidamente em relação a qualidade de carne, pode – se avaliar os seguintes padrões: • Cor da carne: vermelho – claro, vermelho – vivo, vermelho – escuro e vermelho – muito – escuro; • Cor da gordura: branco, branco – rosado, creme e amarelado; • Grau de marmorizção: abundante, apenas traços e marmorização inaparente; • Textura: gradações entre muito fina e muito grosseira; • Consistência: variando de muito firme a muito flácida; Partindo de uma situação em que os consumidores estariam dispostos a pagarem pela qualidade da carne esta deveria apresentar – se de cor vermelho a vermelho – cereja, com 3 a 4% de gordura intramuscular. A gordura de cobertura deve estar muito bem aparada e firme sendo de coloração amarelo – pálida. Também seria necessário 6 assegurar a maciez da carne com base nos tratamentos “pos mortem” como o resfriamento lento, a estimulação elétrica e a maturação, ou uma combinação deles (FELÍCIO, 1998). A qualidade da carne tem início na obtenção da matéria – prima e continua através da adequada condução do processo de industrialização e comercialização. Considerando um animal ideal, segundo os padrões sanitários e zootécnicos, diversos outros fatores a seguir poderão interferir na qualidade do produto carne. Fatores esses que podem ser os mais básicos como o transporte dos animais, tempo de repouso e desembarque, ou aqueles mais técnicos relacionados à aclimatação desses animais, formação de novos lotes, superlotação nos currais de espera e etc. capazes de indiretamente interferir na qualidade da carne, por meio de reações fisiológicas como, por exemplo, o estresse. Já no processo de abate, as normas do Decreto 7.705/92, que prevêem a insensibilização prévia do animal de corte a ser abatido, devem ser consideradas. Não só em relação ao menor sofrimento do animal denominado abate humanitário, mas também quanto aos aspectos qualitativos da carne, que podem ser resumidos como, a velocidade de queda do pH, a direção do rigor mortis e, conseqüentemente, a qualidade do produto. Diversos levantamentos apontam a maciez como o principal atributo desejado pelo consumidor ao adquirir carne bovina “in natura”, havendo reflexo direto sobre o preço dos diferentes cortes cárneos normalmente comercializados (cortes mais macios possuem preços mais elevado) (KOOHMARAIE et al., 1990; MORGAM, et al., 1991; BOLEMAN, 1995). 2.2 IMPLANTAÇÃO DE PROGRAMAS DE QUALIDADE A área da alimentação humana foi surpreendida, nestas últimas décadas, por grandes transformações, no cenário das toxinfecções alimentares, levando produtores de alimentos, agências de saúde pública e cientistas das Universidades e Institutos de Pesquisa a reverem e atualizarem seus procedimentos, de modo a acompanhar estas mudanças. Estes novos desafios á segurança das nossas fontes alimentares, exigiram novas estratégias para a avaliação dos riscos à inocuidade dos alimentos. O impacto destes desafios e o estudo das situações levaram, por conseqüência, ao estabelecimento de uma estratégia de prevenção das toxinfecções, num âmbito globalizado. O Codex Alimentarius passou a ser o órgão normativo para os assuntos de higiene e segurança alimentar na OMC (Organização Mundial do Comércio), por refletir um consenso internacional quanto ás exigências pra a proteção da saúde humana em face dos riscos das doenças transmitidas por alimentos. Este está orientando para a segurança alimentar, com a recomendação do uso do Sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, para garantir a inocuidade de alimentos (DELAZARI, 2002). A abertura de novos mercados para a exportação de carnes brasileiras foi um dos fatores responsáveis pela maior conscientização dos frigoríficos sobre a adoção de normas internacionais referentes à higienização e boa conservação dos ambientes de trabalho. É o que afirmam os especialistas no assunto, reforçados pela avaliação crítica dos representantes internacionais responsáveis por visitas técnicas aos frigoríficos nacionais. "Quando um representante estrangeiro chega a um estabelecimento, faz-se todo um check list (lista de checagem) sobre as condições sanitárias” (BALINT, 2005). 7 Os representantes estrangeiros fazem um levantamento da real situação da indústria de alimentos avaliando os programas de qualidade preocupando–se, com o aspecto segurança do produto que é sempre um fator determinante, pois qualquer problema pode comprometer a saúde do consumidor. É de se esperar, pois, que as boas empresas que atuam nesse ramo de atividade tenham algum sistema eficaz para exercer esse controle. O controle para ser eficaz sendo necessário primeiramente a implantação do BPF (Boas Práticas de Fabricação), para logo em seguida implantar os programas específicos que aborda pontos específicos. Os programas mais utilizados em todo o mundo e que se tornou uma exigência internacional são: HACCP (Hazard Analysis and Critical Control Point) ou APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) e o PPHO (Procedimentos Padrão de Higiene e Operações) (FIGUEIREDO e COSTA, 2005). De acordo com PARDI et al. (2001), em 1989, o Comitê Nacional de Assessoria em critérios Microbiológicos para Alimentos publicou um documento denominado Princípios do HACCP para a produção de Alimentos. Neste documento, o HACCP foi definido como “um enfoque sistemático para ser usado na produção de alimentos como forma de garantir sua inocuidade”. Apoiando seu uso pela indústria e agências governamentais de inspeção, descreveu os sete princípios do HACCP e estabeleceu um guia para o desenvolvimento de um plano HACCP para qualquer tipo de alimento. Em 1992, essa publicação foi revista pelo comitê, que preparou um documento final denominado Sistema Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle. Neste documento, se estabelece que o HACCP é um enfoque sistemático para a inocuidade dos alimentos e que consiste nos seguintes princípios: 1 – Efetuar uma análise de perigos e identificar as medidas preventivas respectivas. 2 – Identificar os pontos críticos de controle – PCCs. 3 – Estabelecer limites críticos para as medidas preventivas associadas a cada PCC. 4 – Estabelecer os requisitos de controle (monitoramento) dos PCCs. 5 – Estabelecer ações corretivas para os casos de desvio dos limites críticos. 6 – Estabelecer um sistema de registro de todos os controles. No Brasil, o Ministério da Saúde, em 1993, oficializou o Sistema APPCC para a avaliação da eficiência dos processos de produção de alimentos, de modo a proteger a saúde do consumidor. Em 1997, o Ministério da Agricultura e Abastecimento formaliza a adoção do Sistema como mecanismo auxiliar ao sistema clássico de inspeção industrial e sanitária dos produtos de origem animal (DELAZARI, 2002). A equipe HACCP deve conduzir uma análise de perigos potenciais e identificar as etapas do processo em que os perigos significativos possam ocorrer. O critério para a inclusão dos perigos na lista dos pontos críticos de controle (PCCs) deve exigir que eles sejam de tal natureza, que sua prevenção, eliminação ou redução a níveis aceitáveis seja fundamental para a produção de alimentos inócuos. A equipe deve ainda analisar se as medidas corretivas, desde que existentes, podem ser aplicadas a cada um destes perigos. Tem ainda a responsabilidade de decidir quais os perigos são significativos, devendo ser incluídos no plano (PARDI et al., 2001). Nos processos de manipulação dos animais e de carcaças deve – se ter muito cuidado com os perigos físicos, químicos e microbiológicos durante o manuseio da carcaça na indústria podendo os mesmos comprometer a 8 qualidade final do produto, onde os manejos pré e pós-abate são fatores fundamentais nessa alteração da qualidade da carne, sendo necessário mais pesquisas sobre este fator, pois já existem vários estudos relacionando algumas variáveis como do animal, o genótipo, a alimentação com a qualidade da carne (EMBRAPA, 2000b). Os Perigos em alimentos podem ser avaliados pela condição e, ou contaminante que pode causar injúria ou dano ao consumidor por meio de uma lesão ou enfermidade, de forma imediata ou tardia, por uma única ingestão ou por ingestão reiterada. Estes perigos se dividem em três (3) tipos: os microbiológicos, químicos e físicos. Os microbiológicos que podem ser definidos como aquelas contaminações dos alimentos em níveis inaceitáveis pelas boas práticas de produção distribuição e uso devido ao crescimento ou sobrevivência de microrganismos patogênicos e/ou a presença de seus produtos metabólicos, com potencial para causar danos à saúde do consumidor (WORD HEALTH ORGANIZATION, citado por DELAZARI, 2002). Exemplos: matéria prima, insumos, pessoas e bactérias. Existem os microorganismos mais perigosos com relação a carne, que são: - Clostriduim; - Salmonella; - Escherichia Coli; - Bacillus; - Staphylococcus; - Listeria Monocytogenes; Os perigos químicos são as contaminações do alimento com compostos ou substâncias químicas, seus resíduos ou produtos de degradação, em nível inaceitável pelas boas práticas de produção distribuição e uso, com potencial para causar danos à saúde do consumidor. A contaminação química dos alimentos pode ocorrer em qualquer estágio de sua produção, desde o campo até o consumo. Exemplos: resíduos de material de limpeza, resíduos pesticidas, repelentes de pássaros e insetos (DELAZARI, 2002). E por fim os perigos físicos são qualquer objeto que possa ter contato com o alimento que possa acarretar algum dano. Exemplos: vidros, madeira, resíduos de isolamento térmicos, graxa, fuligem, pêlos, couros, cabelos. 2.3 FATORES QUE INTERFEREM NA QUALIDADE DA CARNE Analisando a vida de um animal desde o seu nascimento até o seu acabamento, pode-se observar mudanças sofridas pelo animal influenciadas pelos fatores ambientais, sendo mais nítidas essas influências na fase entre o acabamento do animal destinado ao abate e o seu sacrifício; nesse intervalo uma série de fatores exerce acentuada influência na qualidade da carne, com aumento ou diminuição do estresse. Os animais sensíveis ao estresse apresentam temperaturas elevadas e queda rápida do pH, devido à glicólise, ao acúmulo de ácido láctico e à instalação precoce do rigor mortis, mas quando resistentes, os animais mantêm sua temperatura, bem como suas condições homeostáticas musculares em nível normal, a despeito da ação estressante de agentes graves, condição essa conseguida através de suas reservas de glicogênio. A deficiência de glicogênio ocorre devido à estafa, trabalho, jejum, excitação, lutas e choque 9 elétrico, sendo os animais sacrificados antes que tenha condições de recuperação do glicogênio muscular, caso em que ocorre uma glicólise lenta pós – morte, ocasionando nestas condições um pH alto, uma carne mais escura e de textura seca ou pegajosa (PARDI et al., 2001). A preocupação em identificar os fatores que interferem na qualidade da carne é de extrema importância, pois com a identificação dos mesmos, procura–se os meios e formas de minimizar e neutralizar completamente os resultados agravantes que esses fatores poderão causar. 2.3.1 GENÓTIPO As calpaínas, são enzimas naturalmente presentes nos músculos de todas as espécies animais, como o sistema enzimático responsável pela degradação das proteínas musculares (proteólise), que conduz à tenderização da carne. Tal sistema é formado pelas calpaínas I e II, ativadas pelo cálcio livre. Entretanto, estas enzimas têm sua atividade proteolítica controlada por inibidor, também naturalmente presente nos músculos, denominado calpastatina. Esta impede que as calpaínas degradem as proteínas musculares por ocasião da estocagem das carcaças. A atividade de calpastatina nos músculos de animais explica grande parte das diferenças de maciez observadas entre diferentes espécies animais, principalmente entre Bos taurus taurus e Bos taurus indicus. Estudos têm demonstrado que à medida que aumenta a proporção de sangue dos Bos taurus indicus nos cruzamentos, aumentam os coeficientes de dureza da carne e maior será a variabilidade nesta maciez, resaltando que o uso de raças zebuínas, Bos indicus, é largamente empregado para produção de carne no Brasil e em outros países de clima tropical e subtropical (KOOHMARAIE et al., 1990; WHEELER et al., 1991; FELÍCIO, 1994; EMPRAPA, 2000a). 2.3.2 NUTRIÇÃO A nutrição e, particularmente, o nível de ingestão de nutrientes digestíveis, pode afetar a composição da carcaça. O maior efeito observado será na proporção de gordura. Uma alimentação com menor quantidade de concentrados durante a fase de engorda, resultará numa proporção mais baixa de gordura, enquanto numa alimentação mais elevada de concentrados a proporção de gordura será maior. Dietas com alto teor de energia devem ser oferecidas, buscando melhor aproveitamento da eficiência produtiva que os animais inteiros possuem (LUCHIARI FILHO, 2000). 2.3.3 IDADE As análises das curvas de crescimento de diversos estudos mostram que em animais recém – nascidos, os músculos e os ossos predominam, enquanto que a gordura representa um percentual muito pequeno. Com o passar dos anos a proporção de músculos cresce ligeiramente, até o ponto em que inicia–se a deposição de gordura e queda acentuada da proporção de músculos. Aqueles animais que ainda jovens apresentam acúmulo de gordura acentuado são 10 considerados precoces, e em geral são de menor porte, estando acabados, deposição de gordura, quando apresentarem 4 dentes incisivos permanentes em média. Em contrapartida existem os animais tardios, que só acumulam gordura, após apresentar 8 dentes incisivos permanentes, sendo a grande maioria considerada de grande porte (LUCHIARI FILHO, 2000). A idade do animal influência na qualidade da carne, pois vários trabalhos desenvolvidos têm demonstrado essa influência, em animais jovens, por exemplo, podemos citar o menor desenvolvimento das fibras musculares tornando–as menos rígidas, tendo como produto uma carne mais macia, suculenta e saborosa. Existem algumas formas de produzir animais de forma intensiva. A produção de novilhos precoce e superprecoces é uma delas, podendo trazer excelentes resultados. Além de oferecer vantagens ao produtor, permite uma qualidade de carcaça com características desejáveis para o mercado interno e externo. A expressão "Novilho Precoce" tem sido usada para definir o animal abatido mais jovem entre 24-36 meses comparando com aquele obtido no sistema tradicional entre 42-48 meses. Estes animais possuem uma composição de carcaça com características desejáveis ao mercado consumidor, como quantidade de gordura adequada, peças de tamanho constante, coloração, maciez e sabor. Os consumidores, principalmente os do mercado internacional, buscam carnes com qualidade comprovada, não se importando em pagar um preço maior por esta garantia (CERVIERI, 2005). Outro ponto influenciado pela idade é com relação à aparência, porque com o avançar da idade ocorre o escurecimento do músculo devido a elevação da concentração de hemoglobina, e com a idade decresce a tenrura da carne devido às transformações do tecido conjuntivo (PARDI et al., 2001). 2.3.4 SEXO O sexo influencia o crescimento dos tecidos da carcaça, afetando sua composição e distribuição. Atribui- se também a qualidade organoléptica da carne, como cor do músculo e cor da gordura, maciez, suculência e o sabor, os quais contribuem na aparência do produto e aceitação do consumidor (PEREIRA e GUEDES, 2005). O sexo do animal, cuja influência na qualidade da carne deve ser sempre avaliada juntamente com a maturidade do bovino. Novilhas acumulam gordura a um peso inferior, por sofrer soldadura das epífises ósseas em uma idade menor em relação aos machos e sofrem menos estresse do que os touros, e esses fatores influenciam favoravelmente nas características de qualidade da carne (FELÍCIO, 1997b, citado por FELÍCIO, 1998). Nos machos não castrados, como tourinhos, a cor da carne é ligeiramente mais escura que nos novilhos de igual idade, resultando esta tonalidade intensa do mais elevado conteúdo de mioglobina, além da tendência acerca do estresse–induzido que leva à formação da carne de corte escuro (PARDI et al., 2001). Segundo LUCHIARI FILHO (2000) quando tratados e manejados apropriadamente, tourinhos jovens (inteiros) podem ser utilizados para a produção eficiente de carcaças com bons rendimentos de porção comestível, carne magra e de boa qualidade. 11 2.4 COMPOSIÇÃO DA CARCAÇA Trata–se da porcentagem de carne limpa (magra), em relação à gordura e ossos, desejando-se uma maior proporção de músculos em relação aos outros produtos. A gordura de cobertura tem influência fundamental na preservação das qualidades organolépticas da carne o cold–shortening (encurtamento pelo frio), é um processo decorrente do resfriamento muito rápido de carcaças ou cortes cárneos durante o período de pré rigor–mortis (24 horas pós–abate), que tem como resultado direto o encurtamento do comprimento dos sarcômeros mediado pela ação do cálcio. O cold shortening está relacionado com abaixamento excessivo de temperatura durante o resfriamento das carcaças, o ressecamento e endurecimento da carne, tendo também influência indireta na “vida de prateleira” ou também chamado de shelf–life (JUDGE et al.,1989). 2.5 MANEJOS PRÉ-ABATE A qualidade da carcaça bovina depende inteiramente de manejos corretos ante mortem, que envolve as etapas de transporte, descarga, descanso, movimentação, insensibilização e sangria dos animais, devendo-se evitar todo o sofrimento desnecessário, procurando sempre conduzir os animais com tranqüilidade, calma, e, sem correria, minimizando os problemas causados pelo estresse (CORTESI, 1994; BRESSAN, 2001). 2.5.1 TRANSPORTE É necessária uma grande preocupação com os manejos realizados nas horas que precedem ao abate, sendo o transporte um dos fatores mais estressantes para o animal, pois mesmo que se obedeça a uma lotação favorável em veículo apropriado, o estresse se torna inevitável, pois a simples mudança de ambiente e as vicissitudes do trajeto bastam para excitá–los (PARDI et al., 2001). O transporte rodoviário, em condições desfavoráveis, pode provocar a morte dos animais ou conduzir a contusões, perda de peso e estresse dos animais (WARRIS et al., 1995; KNOWLES, 1999). O termo estresse é uma expressão genérica, referente a ajustes fisiológicos, tais como alterações no ritmo cardíaco e respiratório, temperatura corporal e pressão sanguínea, que ocorrem durante a exposição do animal à condições adversas. Tais condições ocorrem quando o ambiente torna-se desfavorável para o animal, que, por seu lado, vai responder com significativa variabilidade nos níveis de estresse (JUDJE et al. 1989; WARRIS et al. 1994). O meio mais utilizado para o transporte rodoviário de bovinos no Brasil é realizado por caminhões conhecidos como “caminhões boiadeiros", tipo "truque", com carroçaria medindo 10,60 x 2,40 metros, com três divisões: anterior com 2,65 x 2,40 metros, intermediária com 5,30 x 2,40 metros e posterior com 2,65 x 2,40 metros. A capacidade de carga média é de 5 animais na parte anterior e posterior e 10 animais na parte intermediária, totalizando 20 bovinos. 12 Dentro do caminhão, observou-se que há problemas impossíveis de resolver, como as estradas esburacadas. Mas a calma do motorista, evitando manobras bruscas e brecadas abruptas, e uma carroceria bem conservada ajudam a diminuir o número de choques (LANDIM et al., 2005). O principal aspecto a ser considerado durante o transporte de bovinos visando minimizar o estresse é o espaço ocupado por animal, ou seja, a densidade de carga, que pode ser classificada em alta (600Kg/m2), média (400Kg/m2) e baixa (200Kg/m2). A Farm Animal Welfare Concil–FAWC, dá uma fórmula para cálculo da área mínima a ser ocupada por animal, baseada no peso vivo: A = 0,021 P 0,67 , onde A é a área em metros quadrados e P o peso vivo do animal em quilos, recomendando a média 360kg/m2 (KNOWLES, 1999; TARRANT et al., 1988). As operações de embarque e desembarque dos animais, se bem conduzidas, não produzem reações estressantes significativas, mas é preciso conduzir os animais com calma e sem uso de varas pontiagudas no embarque e desembarque, não colocar alta lotação nos caminhões, não andar em alta velocidade procurando conscientizar os motoristas sobre os cuidados com os animais no trajeto (KENNY e TARRANT 1987). A extensão das contusões nas carcaças representa uma forma de avaliação da qualidade do transporte, afetando diretamente a qualidade da carcaça, considerando que as áreas afetadas são aparadas da carcaça, com auxílio de faca, resultando em perda econômica e sendo indicativo de problemas com o bem-estar animal (JARVIS e COCKRAM, 1994). A extensão das contusões aumenta com o aumento da densidade de carga, principalmente com valores superiores a 600kg/m. No Brasil, a densidade de carga utilizada é em média de 390 a 410Kg/m (TARRANT et al., 1992). Uma das contusões que têm origem além do transporte é a que ocorre no lombo, na região do contrafilé e, portanto, tem grande efeito econômico. Uma pancada nesse local pode obrigar a remoção parcial ou total da capa de gordura e musculatura, inviabilizando a venda como corte nobre. Em uma das fazendas pesquisadas, metade dos animais apresentava lesões nessa região. A principal causa é a queda da porta da entrada do caminhão ou da sala de abate sobre o lombo. Podem ser provocadas também por pancadas recebidas no embarque e quando o animal deita durante o transporte, sendo pisoteado (LANDIM et al., 2005). 2.5.2 ESTRESSE O estresse de maneira simplificada pode ser entendido como uma variação no estado fisiológico normal de um animal, à uma condição adversa qualquer. Em bovinos destinados ao abate, os principais agentes causadores do estresse são: transporte do animal em pé, luminosidade inadequada, formação de novos lotes, jejum, choque elétrico, temperatura/umidade, onde os animais considerados mais “resistentes” são aqueles que possuem uma maior reserva de glicogênio à disposição durante uma situação adversa qualquer, ou seja, conseguem manter por mais tempo as condições fisiológicas consideradas normais (GRANDIN, T. citado por VIDAL, R. M, 2005). A retenção dos animais, o manejo adotado e as inovações que o animal recebe são causas de estresse psicológico, enquanto que os extremos de temperatura, fome, sede, fadiga e injúrias, são as principais causas do estresse físico. Os estudos para a determinação do nível de estresse em que o animal é submetido durante as operações ante- 13 mortem apresentam resultados variáveis e de difícil interpretação para definição do bem-estar animal. As avaliações do estresse provocado no período ante-mortem deve ser realizadas na rampa de acesso ao boxe de insensibilização, ou no espaço reservado para o banho de aspersão (PARDI et al., 2001). 2.6 MANEJOS PÓS-ABATE Nos manejos post mortem, processos de industrialização como sangria, estimulação elétrica, esfola, despança, lavagem, higienização da sala de abate, e armazenamento na câmara fria, é necessária muita atenção em todos os procedimentos realizados diretamente e indiretamente com as carcaças, procurando evitar qualquer tipo de contaminação ou perda na carcaça devido a hematomas, escurecimento da carne e outros problemas como endurecimento, podendo até ter condenação das mesmas. Esses problemas podem ser evitados com manejos corretos (BRESSAN, 2001). 2.6.1 ESTIMULAÇÃO ELÉTRICA Experimentos mostram que a estimulação elétrica reduz o período de instalação do rigor mortis de um limite de 15 a 20 horas para apenas quatro a cinco horas ou menos, permitindo que a rigidez ocorra enquanto ainda a carcaça está quente. A estimulação elétrica da carcaça acelera a taxa de glicólise pós-morte, acelera a queda do pH pósmorte, apressa o desenvolvimento do rigor e aumenta certas características de palatabilidade, principalmente a maciez. Além disso, a estimulação elétrica traz benefícios para o desenvolvimento da coloração vermelho brilhante do músculo, além da firmeza e solidificação da gordura intramuscular. Pode ainda, evitar o aparecimento de anel escuro e encurtamento pelo frio (cold-shortening). O mecanismo de ação consiste no aumento do comprimento do sarcômero, da atividade autolítica das enzimas lisossômicas pela ruptura da fibra muscular resultante das contrações durante o processo de estimulação (PARDI et al., 1995; MOURA, 1997 citado por PEREIRA, 2004). Existem dois tipos de estimulação elétrica, a de alta voltagem (110 V acima), que têm como meio de amolecimento da carne as fortes contrações do músculo ocasionando a ruptura das fibras. A outra técnica é a estimulação elétrica de baixa voltagem (70 V) que tem como finalidade evitar o encurtamento das fibras musculares pelo frio e conseqüentemente o endurecimento da carne. Sem dúvida o primeiro método é mais eficiente, porém muito mais perigoso para se ter em uma sala de matança. Alguns países como o Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, fazem uso do método de alta voltagem, já o Brasil costuma–se empregar o método mais seguro. 2.6.2 FRIGORIFICAÇÃO A frigorificação é um termo genérico, para carnes resfriadas, abrangendo os seguintes tratamentos: carnes resfriadas (acima de 1ºC); carnes refrigeradas (temperaturas entre 0ºC ± 1ºC); e carnes congeladas (- 15ºC). 14 O tratamento pelo frio industrial é a técnica mais utilizada para a conservação de carnes. O rebaixamento da temperatura aos níveis ideais atua como inibidor ou destruidor da atividade de microrganismos de putrefação e no retardamento da atividade enzimática, aumentando o prazo de vida comercial das carnes. O frio contribui também para o controle das infecções e toxinfecções alimentares, em virtude da maioria dos seus agentes crescerem me temperaturas situadas em torno de 4ºC (PARDI et al., 1995; BRESSAN, 2001). 2.6.3 MATURAÇÃO A maturação é um processo de degradação natural após a morte do animal, onde componentes estruturais da carne são enfraquecidos ou até mesmo destruídos, tornando–a mais macia. Esse é um dos métodos mais antigos e importantes, do ponto de vista comercial, para tornar a carne in natura mais tenra e aromática, resultado da ação enzimática, que ocorre durante o armazenamento post mortem (BRESSAN, 2001). Segundo Pardi et al. (2001), além do amaciamento, o processo de maturação exerce influência em outras propriedades organolépticas da carne, como sabor, influenciando acentuadamente sua palatabilidade. 2.7 PRODUÇÃO DE CARNE Em 1955, a principal questão discutida nos congressos japoneses sobre qualidade era como produzir? E qualidade significava cumprir as especificações. Já a partir de 1985, a principal questão passou a ser o que produzir? E qualidade é atender às necessidades do “cliente/consumidor”. Nota-se que o avanço tecnológico que vem ocorrendo na indústria de alimentos e em tantos outros setores de bens de consumo, deve-se em grande parte, ao vertiginoso aumento nas vendas em supermercados, que torna obrigatório o desenvolvimento de produtos de melhor qualidade percebida, que alguns preferem chamar de qualidade exigida pelo consumidor (FELÍCIO, 1998). Estamos diante de uma realidade mercadológica diferente das demais realidades outrora enfrentadas, certamente única. Depois da aftosa, a próxima barreira não tarifária será a barreira da segurança alimentar. Finalmente chegou a era do respeito ao consumidor. Os consumidores passam a exercer pleno direito à proteção em seus interesses de segurança e saúde; o alimento deve ser sadio e nutritivo. Os alimentos devem respeitar direitos econômicos e morais, e deve ser apresentado de forma honesta. O consumidor não aceita mais ser enganado (PEDROSO et al., 2004). A formula encontrada para melhorar a qualidade do produto que chega a mesa do consumidor, começou a ser desenvolvida pelas Universidades e Institutos de Pesquisa criando programas e metodologias para serem aplicadas nos complexos industriários, para garantir a qualidade exigida pelo consumidor. O país nesses últimos anos vem ganhando espaço no mercado internacional, devido a problemas sanitários nos grandes países exportadores de carne bovina no mundo, que acabou acarretando o fechamento de suas fronteiras para exportação. Inicialmente o Brasil começou a ganhar a abertura de mercados importantes e exigentes pela falta de produto no mercado, porém com a normalização das situações dos outros mercados anteriormente exportadores e com o 15 aumento de oferta de carne no mercado internacional começaram as exigências, pois os grandes países importadores são bastante exigentes e muito preocupados com a qualidade de seus produtos. Para o Brasil continuar no mercado de exportação era necessário se adequar a uma nova realidade ao qual o país não tinha muito conhecimento; a partir desse momento é que começaram os estudos e aplicação de metodologias e programas de qualidade procurando adequar a produção de alimentos brasileira de acordo com as exigências dos novos clientes. Os primeiros estudos desenvolvidos foram tentando definir o que seria qualidade objetivando desenvolver conceitos. FELÍCIO (1996), citado por LEME et al. (1997), define como “conceito moderno de qualidade de um produto o conjunto de atributos que satisfaz às necessidades do consumidor, chegando de preferência, a ultrapassar as suas expectativas iniciais. Alerta que o conceito de qualidade de carne é muito variável, dependendo do mercado, ou seja, da cultura predominante e da faixa de renda do segmento do consumidor que se pretende atingir”. Para entender melhor o que seja a ser o conceito de qualidade de carne é preciso didaticamente dividí–la em características quantitativas, que se refere à composição e características qualitativas, como cor, textura, sabor e suculência. Entendendo que a carne deve começar pela atração percebida pelo consumidor e terminar na satisfação alcançada, no momento pós cozimento. 16 3. CONCLUSÃO Hoje os principais pontos críticos dentro de uma indústria frigorífica são: uso indevido do choque elétrico nos currais, grande fluxos de funcionários próximos aos corredores de acesso dos currais de espera até o banho de aspersão, locais de contaminações das carcaças dentro da sala de abate (oclusão do reto, oclusão do esôfago, evisceração). Os manejos corretos que antecedem o abate são de extrema importância para minimizar os problemas com contusões, pois o fator estresse está relacionado com a distância, devendo sempre respeitar os períodos de jejum e dieta hídrica preconizados pela legislação em vigência. A realização de treinamentos com os funcionários dos frigoríficos e com os próprios transportadores pode fazer uma grande diferença para que diminuam os riscos para a danificação e/ou contaminação das carcaças, diminuindo assim os desperdícios e favorecendo os consumidores finais com uma carne de melhor qualidade. 17 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, et al. 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