Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica Aluna: Rafaela Jaque Marcelino de Abreu1 Orientador: Gilberto de Oliveira Moritz2 Tutora: Maria Luciana Biondo Silva3 Resumo Abstract O acolhimento estabelece uma estratégia que requer mudanças na organização do processo de trabalho em saúde. Este estudo tem por objetivo analisar a contribuição da gestão de processos para a qualidade do trabalho no acolhimento. Foi realizada uma revisão de literatura através de uma pesquisa bibliográfica e documental, com análise qualitativa dos dados. O estudo se inicia com a Política Nacional de Humanização, passando pela evolução do processo de trabalho no acolhimento e encerrando com a interligação entre o processo de trabalho em acolhimento e a questão comportamental. Foi possível concluir que a gestão de processos é uma ferramenta que permite a melhoria contínua da produção de saúde, tendo o enfermeiro um papel de destaque no processo de acolhimento humanizado, pela avaliação e pela realização da classificação de risco. The host establishes a strategy that requires changes in the organization of the work process in health. This study aims to analyze the contribution of management processes for the quality of employment in the host. We performed a literature review through a bibliographical and documentary, with qualitative data analysis. The study begins with the National Humanization Policy, through the progress of work on the reception and ending with the interconnection between the process of working on reception and ending with the connection between the work process and host behavioral issue. It was concluded that the management of processes is a tool that enables continuous improvement of the production of health, the nurse has a role in the process of humanized care, assessment and implementation of risk classification. Key words: Host. Humanization. Nurse. Palavras-chave: Acolhimento. Humaniza- Case management. ção. Enfermeiro. Gestão de processos. 1 Graduação em Enfermagem pela UNIVALI (2008). E-mail: [email protected]. Doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (2004). E-mail: [email protected]. 3 Graduação em Administração pela Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI (2000). Especialização (Lato Sensu) em Gestão de Pessoas nas Organizações pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (2011). E-mail: [email protected]. 2 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva 1 Introdução Os serviços de saúde, diversamente de qualquer outro, têm como item de trabalho o próprio ser humano, o qual é o sujeito principal e a favor do qual se desenvolvem todas as ações em saúde (COSTA; CAMBIRIBA, 2010). “O trabalho em saúde caracteriza-se pelo encontro entre pessoas que trazem um sofrimento ou necessidades de saúde e outras que dispõem de conhecimentos específicos ou instrumentos que podem solucionar o problema apresentado.” (SANTOS, 2010, p. 14) Os indivíduos procuram os serviços de saúde buscando atenção, apoio e resolução de seus problemas. Muitas vezes eles madrugam em filas, esperando vaga de atendimento, que poderão ou não conseguir, o que os remete a situações constrangedoras, pois muitas vezes saem da unidade sem receber a devida atenção, sem ser ouvidos com singularidade e sem receber uma resposta positiva ou um encaminhamento adequado. (CAMPOS, 1997, p. 46) Por conseguinte, o trabalho dos profissionais de saúde nas unidades de pronto atendimento é marcado pela imprevisibilidade e, muitas vezes, desprovido de rotinas, pois a alta demanda força a organização do trabalho com o intuito de suportar a grande procura por atendimento. Ao analisarmos o Sistema Único de Saúde (SUS), percebemos que, apesar de seus importantes avanços e da considerável melhoria em relação ao acesso às ações e aos serviços, a qualidade do atendimento ao usuário ainda é caracterizada como precária, o que se concretiza nas filas de espera, no cuidado desumanizado, na presença de pacientes sendo atendidos nos corredores, entre outras realidades. (GARLET et al., 2009, p. 94) Dentro de Sistema Único de Saúde, desenvolveu-se um sistema chamado Humaniza SUS, o qual tem como objetivo efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil e incentivando trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários, tentando atender cada vez melhor ao usuário. Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 47 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica Analisando o acolhimento a partir da identificação de seus pressupostos e dos mecanismos que viabilizam sua implantação e das potencialidades qualificadoras da assistência, pôde-se avaliar sua efetividade enquanto instrumento para a humanização da atenção à saúde. Esse conhecimento possibilita intervir nas relações entre trabalhadores de saúde e usuários e no próprio processo de trabalho, na tentativa de transformar os serviços em espaços resolutivos de construção de sujeitos valorizados, autônomos e criativos. (BECK; MINUZI, 2008, p. 2) [...] o acolhimento assume a condição de reorganizador do processo de trabalho, identificando demandas dos usuários e replanejando o atendimento dos mesmos. Busca ampliar e qualificar o acesso dos usuários, humanizando o atendimento e impulsionando a reorganização do processo de trabalho nas unidades de saúde. Desse modo, o acolhimento é mais do que uma triagem qualificada ou uma escuta interessada, pressupondo um conjunto formado por atividades de escuta, identificação de problemas e intervenções resolutivas para seu enfrentamento. Isso pode possibilitar a ampliação da capacidade da equipe de saúde em responder às demandas dos usuários, reduzindo a centralidade das consultas médicas e melhor utilizando o potencial dos demais trabalhadores de saúde. (FRANCO; BUENO; MERHY, 1999, p. 242) O acolhimento possibilita regular o acesso por meio da oferta de ações e serviços mais adequados, contribuindo para a satisfação do usuário. Portanto, quando o usuário recebe atenção, seja pelo atendimento prestado, pelo vínculo já estabelecido com os trabalhadores ou ainda pela acolhida oferecida, o retorno a esse serviço se dá com maior frequência, pois a qualidade no atendimento está evidenciada. Segundo Matumoto (1998 apud BECK; MINUZI, 2008, p. 2), Assumir uma postura mais solidária e respeitosa para com o outro e valorizar o ser humano são elementos importantes na prática do acolhimento, mas, apesar do benefício que pode trazer para o atendimento em saúde e, conseqüentemente, na qualidade de vida do usuário, [o acolhimento] ainda é pouco utilizado, em algumas instituições, por alguns trabalhadores. 48 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva Esse acolhimento deve ser iniciado desde a porta do setor de atendimento do SUS, sendo realizado por todos que ali trabalham, voltando o enfermeiro a ser o principal dos atendentes, o qual deverá fazer uma triagem justa e humanizada, focando no real problema de cada indivíduo que busca esse serviço. Este estudo tem por objetivo analisar a contribuição da gestão de processos para a qualidade do processo de trabalho no acolhimento. O estudo se inicia com a Política Nacional de Humanização, passando pela evolução do processo de trabalho no acolhimento e encerrando com a interligação entre o processo de trabalho em acolhimento e a questão comportamental. 2 A Política Nacional de Humanização (Humaniza SUS) e o Processo de Trabalho no Acolhimento Humanizado Segundo Oliveira (2009), para analisar o processo de Acolhimento com Avaliação e Classificação de Risco, é preciso, primeiramente, abordar a Política Nacional de Humanização, também conhecida pela sigla PHN ou por Humaniza SUS. [...] as políticas são critérios e parâmetros orientativos para o processo decisório dos executivos e profissionais de uma empresa. [...] as políticas estabelecidas no planejamento estratégico definem os critérios e os parâmetros de sustentação para a estrutura decisória inerente à administração de processos; e as estratégias estabelecidas pelo planejamento estratégico definem as ações-focos para a aplicação dos processos. (OLIVEIRA, 2009, p. 176) Dessa forma, o primeiro passo para que se promova uma gestão do processo de trabalho é delinear a política pela qual esse processo será direcionado. A Política Nacional de Humanização promove uma mudança não apenas nos processos de produção de saúde, mas também nos processos de suporte, tais como a gestão de materiais, a gestão de recursos humanos, a gestão financeira e toda aquela que influenciar direta ou indiretamente os processos de produção da saúde. A Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS aposta na indissociabilidade entre os modos de produzir saúde e os modos de gerir os processos de trabalho, entre atenção e gestão, Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 49 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica entre clínica e política, entre produção de saúde e produção de subjetividade. Tem por objetivo provocar inovações nas práticas gerenciais e nas práticas de produção de saúde, propondo para os diferentes coletivos/equipes implicados nestas práticas o desafio de superar limites e experimentar novas formas de organização dos serviços e novos modos de produção e circulação de poder. (BRASIL, 2009a, p. 4) Com a implantação da Política Nacional de Humanização, a produção de saúde foi reestruturada. A interligação de processos com o planejamento estratégico macro, do qual advém a política pública de saúde, fica mais evidente na Figura 1. Figura 1: Interligação dos processos da gestão da saúde pública com seu respectivo planejamento estratégico Fonte: Adaptada de Oliveira (2009, p. 177) Como é possível observar na Figura 1, Oliveira (2009) apresenta um esquema de como ocorre a intervenção do planejamento estratégico na administração de processos. A Política Nacional de Humanização, nesse contexto, 50 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva direciona as estratégias traduzidas em projetos e processos, de forma a atingir os objetivos estabelecidos. O cotidiano dos serviços de saúde, em suas relações com os modos de fazer a atenção e a gestão, é matéria constituinte e, portanto, primordial na construção de processos de formação que busquem enfrentar os desafios da concretização do SUS e de seu princípio de integralidade, alterando as práticas de saúde e dos sujeitos nelas implicados. Nesta direção, vários autores têm sinalizado que as políticas de formação dos profissionais de saúde implicam a apreensão da complexidade que permeia o SUS na atualidade e, deste modo, requerem ações de formação que se engendrem em um processo de construção coletiva com os sujeitos envolvidos. (BRASIL, 2010, p. 15) “A Política de Humanização da Atenção e da Gestão (PNH) é uma iniciativa inovadora no SUS. Criada em 2003, a PNH tem por objetivo qualificar práticas de gestão e de atenção em saúde.” (BRASIL, 2010, p. 6) Na perspectiva da humanização, isso corresponde à produção de novas atitudes por parte de trabalhadores, gestores e usuários, de novas éticas no campo do trabalho, incluindo aí o campo da gestão e das práticas de saúde, superando problemas e desafios do cotidiano do trabalho. Diante disso, a humanização se relaciona com o acolhimento de modo que o usuário seja acolhido de forma correlacionada à bondade, à benevolência e à hospitalidade, voltando ao melhor atendimento individualizado possível a cada usuário, enfatizando seus problemas. A Política Nacional de Humanização da Atenção e Gestão do SUS tem como propósitos: a) contagiar trabalhadores, gestores e usuários do SUS com os princípios e as diretrizes da humanização; b) fortalecer iniciativas de humanização existentes; c) desenvolver tecnologias relacionadas e de compartilhamento das práticas de gestão e de atenção; d) aprimorar, ofertar e divulgar estratégias e metodologias de apoio a mudanças sustentáveis dos modelos de atenção e de gestão; e) implementar processos de acompanhamento e avaliação, ressaltando saberes gerados no SUS e experiências coletivas bem-sucedidas. [...] Na prática, os resultados que queremos são: Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 51 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica a) redução de filas e do tempo de espera, com ampliação do acesso; b) atendimento acolhedor e resolutivo baseado em critérios de risco; c) implantação de modelo de atenção com responsabilização e vínculo; d) garantia dos direitos dos usuários; e) valorização do trabalho na saúde; f) gestão participativa nos serviços. (BRASIL, 2013) Com a compreensão da repercussão da Política Nacional de Humanização no processo de produção da saúde, é possível avançar para o estudo do processo de trabalho no acolhimento humanizado. 2.1 O Processo de Trabalho no Acolhimento Humanizado O acolhimento é classificado como ato ou efeito de acolher, que se expressa, em suas várias definições, como uma ação de aproximação, um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão. (FERREIRA, 1975) Essa atitude implica, por sua vez, estar em relação com algo ou alguém. É exatamente nesse sentido, de ação de “estar com” ou “estar perto de”, que se pode afirmar o acolhimento como uma das diretrizes de maior relevância ética/estética/política da Política Nacional de Humanização do SUS: a) ética no que se refere ao compromisso com o reconhecimento do outro, na atitude de acolhê-lo em suas diferenças, suas dores, suas alegrias, seus modos de viver, sentir e estar na vida; b) estética porque traz para as relações e os encontros do dia-a-dia a invenção de estratégias que contribuem para a dignificação da vida e do viver e, assim, para a construção de nossa própria humanidade; c) política porque implica o compromisso coletivo de envolver-se neste “estar com”, potencializando protagonismos e vida nos diferentes encontros. (BRASIL, 2008, p. 6) Como o acolhimento é um processo de trabalho que produz um serviço, faz-se necessário um resgate do conceito de processo. O processo é a “[...] forma pela qual um conjunto de atividades cria, trabalha e transfere insumos com o objetivo de produzir, com qualidade, um bem ou um serviço.” (CRUZ, 1998 apud PRÉVE, 2012, p. 81) 52 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva Observa-se que o conceito de Cruz (1998 apud PRÉVE, 2012) acerca do processo informa que o objetivo não consiste apenas em produzir um bem ou um serviço, mas em produzir um bem ou um serviço com qualidade. Esse conceito leva à reflexão do que vem a ser a produção de bens e serviços com qualidade. Os processos possuem pontos “[...] importantes para verificar as oportunidades de melhoria, o conjunto de dados e de informações envolvido e as metas definidas para o aperfeiçoamento de um processo.” (PRÉVE, 2012, p. 86): a) fluxo de valor: refere-se a entradas e saídas e à agregação de algo em suas partes; b) eficácia: grau de aproveitamento que oferece o que o cliente quer; c) eficiência: grau de aproveitamento dos recursos que possibilitam gerar saída desejada e agregar valor ao processo; d) tempo de ciclo: necessário para transformação – entrada/saída, utilizando o menor tempo possível; e) custos: recursos utilizados em um processo. (PRÉVE, 2012, p. 86) Dessa forma, para que o processo de acolhimento tenha como resultado serviços de qualidade, é importante que ele agregue valor; atenda a expectativa do cliente, cujo termo apropriado, no caso da saúde pública, é usuário; tenha um alto grau de aproveitamento dos recursos utilizados, os quais nesse contexto são os profissionais, espaço e tecnologias empregadas (equipamentos, conhecimento e medicamentos); um curto tempo de ciclo; e os menores custos possíveis. Segundo Oliveira (2009, p. 28), [...] administração de processos é o conjunto estruturado e intuitivo das funções de planejamento, organização, direção e avaliação das atividades sequenciais, que apresentam relação lógica entre si, com a finalidade de atender e, preferencialmente, suplantar, com minimização dos conflitos interpessoais, as necessidades e expectativas dos clientes externos e internos das empresas. O processo tradicional de acolhimento, segundo Brasil (2004), consiste em atender aos usuários adotando o critério de ordem de chegada. Para ilustrar melhor como se dá esse processo de acolhimento, é possível apresentar Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 53 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica um exemplo fictício. Partindo da suposição da chegada de quatro usuários, os quais serão denominados A, B, C e D e chegaram nessa ordem ao local de atendimento em saúde, seria atendido primeiramente o usuário A, em seguida o usuário B, depois o usuário C e, por último, o usuário D, pois não há, nesse processo de acolhimento, avaliação do potencial de risco, agravo ou sofrimento. A Figura 2 apresenta a ilustração de como funciona o atendimento no acolhimento tradicional. Figura 2: O atendimento no acolhimento tradicional Fonte: Elaborada pela autora deste artigo Observa-se, na Figura 2, que os usuários são atendidos exatamente na mesma sequência da ordem de chegada. Não é levada em consideração, nesse contexto, a prioridade no atendimento conforme o estado de saúde do usuário. Segundo Brasil (2004, p. 7-8), na [...] definição tradicional de acolhimento, o objetivo principal é o repasse do problema tendo como foco a doença e o procedimento, e não o sujeito e suas necessidades. Desdobra-se daí a questão do acesso aos serviços que, de modo geral, é organizado burocraticamente a partir das filas por ordem de chegada, sem avaliação do potencial de risco, agravo ou grau de sofrimento. Este funcionamento demonstra a lógica perversa na qual grande 54 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva parte dos serviços de saúde vem se apoiando para o desenvolvimento do trabalho cotidiano. Lógica essa, que tem produzido falta de estímulo dos profissionais, menor qualidade da capacitação técnica pela não inserção do conjunto de profissionais ligados à assistência, e não inclusão dos saberes que os usuários têm sobre sua saúde, seu corpo e seu grau de sofrimento. Acresce-se a isso a não integração de diferentes setores e projetos e a não articulação com a rede de serviços no sistema de encaminhamento de usuários a serviços especializados, tornando o processo de trabalho solitário e fragmentado. O que vemos é que este modo de operar o cotidiano tem produzido sofrimento e baixa na qualidade de vida não só dos usuários, mas também dos profissionais de saúde. Desta forma, um usuário cujo estado de saúde lhe possibilite aguardar para ser atendido, será atendido antes de um usuário que precise de atendimento imediato pelo potencial de risco, agravo ou grau de sofrimento. Analisando a perspectiva de processo, é possível observar que o acolhimento tradicional deixa a desejar, por não proporcionar de forma inteligente um atendimento considerando as necessidades específicas de cada usuário. A Política Nacional de Humanização (PHN) vem de encontro ao acolhimento tradicional, pois defende que o usuário, paciente, seja o protagonista do processo, uma vez que há o entendimento de que o usuário é um ser humano, que precisa de atenção personalizada para o seu estado de saúde específico. Com o objetivo de promover uma maior resolutividade do processo de trabalho, o acolhimento foi revisto, reordenado e reestruturado. A administração de processos é um ato de inteligência, pois corresponde a fazer muito mais, em termos de resultados, com muito menos, em termos de recursos. Ela refere-se à inovação, que é o processo de aplicar criatividade, mas sempre voltada a resultados efetivos. (OLIVEIRA, 2009, p. 158) Para uma melhor concepção do Acolhimento com Avaliação de Risco, é importante que se conheça a descrição desse processo apresentada pelo Ministério da Saúde: [...] o processo de Acolhimento e Classificação de Risco tem início com a procura do usuário ao Pronto Atendimento de saúde. [...] Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 55 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica O usuário ao procurar o Pronto Atendimento deverá direcionar-se à Central de Acolhimento, que terá como objetivos: a) direcionar e organizar o fluxo por meio da identificação das diversas demandas do usuário; b) determinar as áreas de atendimento em nível primário (ortopedia, suturas, consultas); c) acolher pacientes e familiares nas demandas de informações do processo de atendimento, tempo e motivo de espera; d) avaliação primária, baseada no protocolo de situação queixa, encaminhando os casos que necessitam para a Classificação de Risco pelo enfermeiro. Importante destacar que esta avaliação pode se dar por explicitação dos Usuários ou pela observação de quem acolhe, sendo necessário capacitação específica para este fim, não se entende aqui processo de triagem, pois não se produz conduta e sim direcionamento à Classificação de Risco. A Central de Acolhimento tem sua demanda atendida imediatamente sem precisar esperar consulta médica (procura por exames, consultas ambulatoriais, etc.), evitando atendimento médico de forma desnecessária. Após o atendimento inicial, o paciente é encaminhado para o consultório de enfermagem onde a classificação de risco é feita baseada nos seguintes dados: a) situação/queixa/duração (QPD); b) breve histórico (relatado pelo próprio paciente, familiar ou testemunhas); c) uso de medicações; d) verificação de sinais vitais; e) exame físico sumário buscando sinais objetivos; f) verificação da glicemia, eletrocardiograma se necessário. A classificação de risco se dará nos seguintes níveis: a) Vermelho: prioridade zero – emergência, necessidade de atendimento imediato. b) Amarelo: prioridade 1 – urgência, atendimento o mais rápido possível. c) Verdes: prioridade 2 – prioridade não urgente. d) Azuis: prioridade 3 – consultas de baixa complexidade – atendimento de acordo com o horário de chegada. (BRASIL, 2004, p. 25-27) Para uma melhor compreensão do atendimento no Acolhimento com Avaliação e Classificação de Risco, será utilizado o mesmo exemplo que ilustrou o acolhimento tradicional. 56 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva Partindo da suposição da chegada de quatro usuários, os quais serão denominados A, B, C, D e que chegaram, nessa ordem, ao local de atendimento em saúde, a ordem de atendimento será determinada após a avaliação e classificação de risco do usuário. A Figura 3 apresenta como ficaria, nesse caso, a ordem de atendimento no Acolhimento com Avaliação e Classificação de Risco. Figura 3: O atendimento no acolhimento com avaliação e classificação de risco Fonte: Elaborada pela autora deste artigo Dessa forma se observa que, com base na informação de Brasil (2006), com a avaliação e classificação de risco, foi detectado que o paciente C é um caso de emergência e deve ser atendido imediatamente; por isso a esse usuário foi atribuída a cor vermelha. O usuário B tem urgência de atendimento, o que significa que deve ser atendido o mais rápido possível, e, por esse motivo, foi atribuída a ele a cor amarela. O usuário D não necessita de atendimento urgente, motivo pelo qual ele foi identificado com a cor verde. Por fim, o usuário A, que foi o primeiro a chegar, será o último a ser atendido, pois trata-se de uma consulta de baixa complexidade. Observa-se que houve uma reestruturação do processo de acolhimento visando a uma otimização de seus resultados. É necessário ressaltar que, após a Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 57 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica reestruturação, o processo de acolhimento, agora com avaliação e classificação de risco, está alinhado com a Política Nacional de Humanização, de acordo com o que está declarado em seus propósitos e em seus resultados esperados. Baseando-se em Oliveira (2009), fazendo, assim, uma junção entre teoria de gestão de processo e contexto do acolhimento, é possível afirmar que a mudança realizada no processo de acolhimento advém da Política Nacional de Humanização, que prevê a incorporação de valores na cultura dos serviços de saúde. As ações em saúde devem, portanto, incorporar tais valores. Os profissionais envolvidos também devem assimilar, praticar e propagar esses valores, de modo que eles sejam percebidos pelos que recebem esses serviços. Dessa forma, é interessante analisar a questão comportamental e sua interligação com o processo de produção de saúde no acolhimento. 3 A Questão Comportamental Interligada ao Processo de Acolhimento No que concerne ao processo de trabalho em saúde, Beck e Minuzi (2008) enfatizam a necessidade de cuidar, a humanização, o carinho, a atenção, o respeito e a responsabilidade como tão necessários quanto a assistência técnico-científica. Segundo as autoras, [...] o modo como o usuário é acolhido tende a fortalecer a relação entre trabalhador e usuário, evidenciando a necessidade do preparo dos trabalhadores para lidar com a população assistida, independente da instituição de saúde, na busca da otimização destes serviços. (BECK; MINUZI, 2008, p. 3) Esse vínculo deve se iniciar desde a entrada do usuário no estabelecimento, sendo atendido da melhor forma possível, respeitando os princípios do SUS. (BECK; MINUZI, 2008) Para os serviços em saúde e regastando o que preconiza a Política Nacional de Humanização, o vínculo estabelecido entre usuário e trabalhador é importante. É interessante resgatar, para uma melhor compreensão acerca de como deve ser realizado o atendimento do usuário, alguns princípios do SUS. O modelo de assistência à saúde proposto pelo SUS dita princípios e diretrizes em que o usuário deve ser o protagonista e seu atendimento deve 58 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva estar baseado nos princípios de acessibilidade, integralidade e resolutividade. Segundo a Cartilha dos Direitos dos Usuários do SUS, para o primeiro princípio, “[...] todo cidadão tem direito a ser atendido com ordem e organização [...]. (BRASIL, 2006, p. 2). Terceiro princípio: todo cidadão tem direito a um tratamento humanizado e sem nenhuma discriminação.” (BRASIL, 2006, p. 4). Em 2009, o Ministério da Saúde, em sua cartilha denominada “Acolhimento e Classificação de Risco nos Serviços de Urgências”, apontou o “[...] acolhimento como postura e prática nas ações de atenção e gestão nas unidades de saúde [...].” (BRASIL, 2009b, p. 7) É importante que a questão comportamental esteja alinhada com o processo de acolhimento, que está alinhado à Política Nacional de Humanização. A questão comportamental influencia o resultado do processo de acolhimento. Pode-se afirmar que é preciso envolver os profissionais que atuam no processo de acolhimento por meio de um comprometimento com o resultado esperado. Uma prestação de serviços em saúde realmente comprometida com a clientela busca a criação de um espaço de atendimento em que o valor do trabalho de quem cuida está correlacionado à possibilidade de estabelecer-se um encontro com aquele que procura atendimento [...] (HAMMAD, 2010, p. 9). [...] de nada servem tantos conceitos, se, na prática concreta dos serviços de saúde, estes não resultam em alterações para a melhoria da qualidade de vida dos usuários e das condições de trabalho dos profissionais de saúde. (GOULART; CHIARI, 2010 apud HAMMAD, 2010, p. 40) A visão de Hammad (2010) vai ao encontro da de Oliveira (2009), que ressalta a importância da interligação dos processos com as questões comportamentais. Oliveira (2009, p. 251, 258) [...] destaca a importância da interligação dos processos para com as questões comportamentais, visto que o comprometimento é o processo interativo em que se consolida a responsabilidade isolada, ou solidária, pelos resultados esperados. [...] uma técnica que auxilia a evolução deste comprometimento é o trabalho realizado através de equipes multidisciplinares. Em seu trabalho sobre o acolhimento nas unidades de pronto atendimento, Giacomozzi (2008) observa o trabalho de equipe multiprofissional e acentua a atuação da equipe de enfermagem: “A ação de acolher, escutar e responder adequadamente a vítima de trauma durante seu atendimento dá Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 59 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica destaque à atuação do profissional e influencia a recuperação do paciente.” (GIACOMOZZI, 2008, p. 10) Dessa forma, acredita-se que a equipe multiprofissional promova o comprometimento com o processo por parte dos profissionais, de forma que eles se responsabilizem pelos resultados esperados. Ao resgatar o que está descrito no processo de acolhimento apresentado pelo Ministério da Saúde e no texto extraído do trabalho de Giacomozzi (2008), verifica-se que o profissional de enfermagem possui grande participação e envolvimento no processo de acolhimento. O acolhimento é atividade de todos os profissionais da equipe de saúde, entretanto tem destaque para a enfermagem, devido às atribuições profissionais, que dispõem maior presença e permanência no atendimento prestado e consequentemente maior aproximação com o usuário [...] (GIACOMOZZI, 2008, p. 10). Nessa perspectiva, ser da equipe de enfermagem significa ter o trabalho centrado no ser humano [...]. (BATISTA; BIANCHI, 2006 apud GIACOMOZZI, 2008, p. 10) Tais constatações levam à reflexão de que o acolhimento precisa ser considerado um instrumento de trabalho que incorpore as relações humanas, apropriado por todos os profissionais em saúde, em todos os setores, em cada sequência de atos e modos que compõem o processo de trabalho, não se limitando ao ato de receber. (SILVEIRA et al., 2013, p. 72) À medida que “[...] aprofundamos a análise sobre as interfaces da humanização e o trabalho da enfermagem e percebemos claramente que são necessárias alterações no mundo do trabalho e no modo atual de se produzir saúde.” (FRACOLLI; BERTOLOZZI, 2003, p. 13) Uma incursão por trabalhos e outros textos permite compreender que o acolhimento tem se efetivado como uma atividade, com hora e objetivo específico a ser alcançado (garantir o acesso dos usuários) e realizado por determinados profissionais, a depender do serviço, em local específico para esse fim, o que exprime a noção reduzida do acolhimento como: “[...] forma de organizar a oferta dos serviços (LEITE et al., 1999; PAIDÉIA, 2001 apud SILVEIRA et al., 2013, p. 72), havendo casos em que até um protocolo de acolhimento foi instituído, visando a esse fim.” (PAIDÉIA, 2002 apud SILVEIRA 60 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva et al., 2013, p. 72). Já como instrumento de avaliação no critério de riscos às urgências e emergências, o acolhimento tem se traduzido em triagem, baseado em protocolos com modelo americano. Observa-se a necessidade de que os profissionais de saúde em geral, não apenas os que atuam no acolhimento, desenvolvam a habilidade de lidar com pessoas de forma humana e acolhedora. Esse é um dos aspectos comportamentais que podem ser trabalhados através de capacitações. Várias são as dimensões atingidas e afetadas no trauma que passam despercebidas nas discussões entre os profissionais, secretarias e políticas públicas de saúde. Aspectos como a situação financeira, familiar, emocional e individual da vítima (aspectos psicossocioemocionais) representam um importante elemento a ser observado quando se discutem as consequências sociais desse evento, de maneira que não podem ser negligenciadas nas discussões e políticas de combate e redução do trauma. 4 Considerações Finais Ao se fazer uma análise quanto à evolução da qualidade do processo de trabalho, é possível observar que, ao modificar o processo de trabalho do acolhimento, do tradicional para o com avaliação e classificação de risco, houve um aumento do fluxo de valor, pois o processo tem um serviço a mais agregado, a partir do momento em que o paciente já recebe um pré-diagnóstico na avaliação e classificação de risco, um aumento da eficácia, pois o atendimento é mais preciso e atende de forma mais assertiva o anseio do usuário/paciente, os recursos disponíveis no processo são melhor utilizados, o tempo de ciclo se torna menor, pois não se considera somente a ordem de chegada, mas o estado geral de saúde do paciente e se define a prioridade de atendimento com base neste critério; e se acredita existir uma consequente redução dos custos, visto que os recursos disponíveis para o processo são melhor empregados. Observa-se ainda que, no acolhimento tradicional, existe apenas um canal de escoamento por onde passam todos os casos com o critério de atendimento por ordem de chegada. Já no acolhimento com avaliação e classificação de risco, existem quatro canais de escoamento da demanda, um para cada tipo de risco, o que promove a agilidade no escoamento da demanda e resguarda a saúde dos usuários. Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 61 Análise do Processo de Produção da Saúde no Acolhimento Humanizado através da Gestão de Processos: uma revisão bibliográfica Observa-se também que, ao se ler a descrição do processo de trabalho no acolhimento, se acredita que o processo de trabalho esteja inteiramente alinhado com o previsto na política nacional de saúde. No entanto, percebe-se, com base nos textos apresentados por meio de citação de outros autores, que a questão comportamental é de grande relevância no processo de Acolhimento com Avaliação e Classificação de Risco, para que ele contemple o disposto na Política Nacional de Humanização. Apesar de existirem ações, como a equipe multidisciplinar, que trabalha a questão do comprometimento, existem outras habilidades que, pelo que foi levantado neste estudo através da leitura de trabalho de outros autores, precisam ser desenvolvidas. A assistência do enfermeiro, necessária no acolhimento aos usuários que procuram o atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento, abrange suas necessidades físicas e psicológicas, sociais e emocionais. Deve olhar o processo de humanização e sua relação com as práticas em saúde por um prisma não só individualizado, mas também holístico, envolvendo tudo o que o cerca, desde o mais primordial dos elementos até a total amplitude dos fatos. Para isso, o enfermeiro precisa ter sensibilidade aguçada e visualização globalizada dos fatos na cena que estiver analisando, voltando seus princípios para valores humanizados que garantam total segurança e promovam o restabelecimento físico, mental, moral e psicossocial do indivíduo, proporcionando uma triagem afetiva para uma classificação de risco desses pacientes, proporcionando a eles um melhor entendimento de seu caso e, muitas vezes, trazendo a resolutividade de seus problemas. “O vínculo entre o profissional/paciente estimula a autonomia e a cidadania, promovendo sua participação durante a prestação de serviço.” (CAMPOS, 1997 apud SCHIMITH; LIMA, 2004, p. 1.487). “Ao sentir-se acolhida, a população procura, além dos seus limites geográficos, serviços receptivos e resolutivos.” (RAMOS; LIMA, 2003 apud SCHIMITH; LIMA, 2004, p. 1.487) É possível analisar, através de todos os fatos e conhecimentos relacionados com este artigo, que todos os aspectos abordados pelo SUS na tentativa de humanizar o atendimento da saúde em todas as áreas relacionadas não têm atingido o objetivo necessário para um bom atendimento, o que aponta um paradoxo na evolução do processo de acolhimento; e isso se deve à questão comportamental. Embora muitos esforços estejam sendo empregados, mesmo com todo o empenho, tudo se perde na ampla demanda de serviços estressantes no que se diz respeito ao próprio tipo de trabalho, ou seja, com toda a pressão que a situação de risco à vida e emergência iminente proporciona, 62 Coleção Gestão da Saúde Pública – Volume 13 Rafaela Jaque Marcelino de Abreu # Gilberto de Oliveira Moritz # Maria Luciana Biondo Silva quanto pelo número reduzido de profissionais e até mesmo pela falta de material necessário a um atendimento sério e humanizado. Referências BECK, C. L. C.; MINUZI, D. O acolhimento como proposta de reorganização da assistência à saúde: uma análise bibliográfica. Revista Saúde, Santa Maria, v. 34, n. 1-2, p. 37-43, 2008. Disponível em: <http://tinyurl.com/ l3x9o34>. Acesso em: 17 jun. 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. 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