UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS COORDENAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO SERVIÇO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ADMINISTRAÇÃO ANDRÉ TADEU TARGINO SILVA IMPACTOS DO PROCESSO DE COMPRAS NOS NÍVEIS DE ESTOQUES: O caso do Atacadan Distribuidora de Alimentos Ltda TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO ÁREA: LOGÍSTICA João Pessoa – PB Janeiro de 2010 ANDRÉ TADEU TARGINO SILVA IMPACTOS DO PROCESSO DE COMPRAS NOS NÍVEIS DE ESTOQUES: O caso do Atacadan Distribuidora de Alimentos Ltda Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Serviço de Estágio Supervisionado em Administração, do Curso de Graduação em Administração, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal da Paraíba, em cumprimento às exigências para a obtenção do Título de Bacharel em Administração. Orientador: Prof. Ms. Jailson Ribeiro de Oliveira João Pessoa – PB Janeiro de 2010 Ao Professor Orientador Jailson Ribeiro Solicitamos examinar e emitir parecer no Trabalho de Conclusão de Curso do aluno André Tadeu Targino Silva. João Pessoa, 08 de janeiro de 2010. Prof. Fábio Walter Coordenador do SESA Parecer do Professor Orientador: ANDRÉ TADEU TARGINO SILVA IMPACTOS DO PROCESSO DE COMPRAS NOS NÍVEIS DE ESTOQUES: O caso do Atacadan Distribuidora de Alimentos Ltda Trabalho de Conclusão de Curso defendido em 21/01/2010, obtendo o conceito _____________________, nota __________, sob avaliação da banca examinadora a seguir: ___________________________________________________________________________ Prof. Ms. Jailson Ribeiro de Oliveira – Orientador – UFPB/CCSA/DA ___________________________________________________________________________ Prof. Dr. Rosivaldo de Lima Lucena – Examinador - UFPB/CCSA/DA __________________________________________________________________________ Prof. Ms. Arturo Rodrigues Felinto – Examinador - UFPB/CCSA/DA Dedico este trabalho primeiramente a Deus, que me deu forças desde o início. Agradeço e dedico a minha mãe, Maria de Fátima Targino Silva, que me educou com muita dedicação e carinho. Dedico ao meu pai, José Tadeu Almeida Silva, que sempre esteve ao meu lado e se esforçou dando o melhor para mim. Dedico aos meus irmãos Diego, Leonardo e Lívia que sempre estiveram presente na minha vida. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Professor Jailson Ribeiro de Oliveira, que teve paciência durante toda a jornada no processo de elaboração deste trabalho, me ensinando a prezar a ética em todos os momentos da vida. A Julyenne Dantas Cordeiro Pereira, que sempre me deu atenção, dedicação e muito carinho. A todos os professores e servidores da UFPB, que estiveram presentes na minha vida acadêmica, profissional e pessoal. Em especial aos professores Arturo Felinto, Cesa Ruiz, Ivan Cavalcante, Jailson Ribeiro, Jorge Gomes, Kátia Ayres, Maria Valéria, Nadja Valéria, Rita de Cássia, Rosivaldo Lucena e Sandra Leandro. A todos os meus amigos que estiveram presentes na minha vida. SILVA, André Tadeu Targino. Impactos do processo de compras nos níveis de estoques: O caso do Atacadan Distribuidora de Alimentos Ltda. 51 f. Monografia (Bacharelado em Administração) UFPB/CCSA/DA. João Pessoa-PB. RESUMO O objetivo do presente trabalho é analisar os impactos do processo de compras nos níveis de estoques da Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA. Utilizando uma metodologia descritiva, após um levantamento bibliográfico, foi realizada uma pesquisa de campo junto à empresa. Os principais resultados encontrados foram: a política de compras utilizada na empresa acaba interferindo na gestão de estoque; a sistemática de controle de estoque apresenta algumas falhas devido à ausência de políticas adequadas; E os fatores influenciados pelas políticas de compras e de estoque são os níveis dos estoques estão sempre elevados e a indisponibilidade de produtos para os clientes. Conclui-se que as políticas de compras e de estoque utilizada estão gerando custos indevidos, afetando diretamente na rentabilidade da empresa. Palavras-chave: Logística. Compras. Gestão de Estoques. Custos dos Processos Logísticos. SILVA, André Tadeu Targino. Impacts of process of acquisition on the levels of stock: The case of Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA. 51f. Monograph (Graduate Course in Administration), UFPB/CCSA/DA. João Pessoa-PB. ABSTRACT The goal of this work is to analyze the impacts of process of acquisition on the levels of stock of Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA. Using a methodology descriptive, after a bibliographic survey, it was realized a field’s search together the company. The principals results were: the rules of acquisition used in the company interfere on the management of stock; a systematic of stock’s control presents some mistakes because the absence of appropriate policies; and the factors influenced to the policies of acquisition and the stock are the levels of stock that always be elevate and a unavailability of products to the clients. So, the policies of acquisition and the stocks used are creating cost undue, directly affecting the profitability of the company. Keyswords: Logistics. Shopping. Inventory management. Cost of Logistics Processes. LISTA DE SIGLAS PEPS: Primeiro que entra, o primeiro que sair UEPS: Último a entrar, primeiro a sair ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços CIF: Coast Insurance Freight MRP: Material Requirement Planning LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE QUADROS: Quadro 1: Matriz de duas entradas........................................................................................ 25 Quadro 2: Custo de pedido administrativo no período T............................................ 33 Quadro 3: Custo de pedido variável unitário.............................................................. 34 Quadro 4: Custo de falta de estoque........................................................................... 35 Quadro 5: Variáveis da pesquisa........................................................................................... 38 Quadro 6: Quadro das categorias e produtos do Atacadan................................................... 41 LISTA DE FÓRMULAS: Fórmula 1: Custo médio..................................................................................................... 28 Fórmula 2: Preço de reposição............................................................................................ 28 Fórmula 3: Custo de aquisição............................................................................................ 29 Fórmula 4: Custo de Armazenagem................................................................................... 30 Fórmula 5: Taxa de retorno de capital............................................................................... 30 Fórmula 6: Taxa de armazenamento físico....................................................................... 30 Fórmula 7: Taxa de seguro.................................................................................................. 31 Fórmula 8: Taxa de movimentação, manuseio e distribuição........................................ 31 Fórmula 9: Taxa de obsolescência......................................................................................... 31 Fórmula 10: Outras taxas....................................................................................................... 31 Fórmula 11: Taxa de armazenamento.............................................................................. 31 Fórmula 12: Custo de armazenagem destrinchada................................................................ 32 Fórmula 13: Custo de pedido administrativo unitário..................................................... 33 Fórmula 14: Custo de pedido variável unitário................................................................ 34 LISTA DE FOTOS Foto 1: Armazém com prateleiras.............................................................................. 42 Foto 2: Área externa da empresa................................................................................ 43 Foto 3: Carrinhos manuais......................................................................................... 43 Foto 4: Escada manual............................................................................................... 44 Foto 5: Açúcar embalado e estocado.......................................................................... 45 Foto 6: Máquina de triturar e embalar o açúcar......................................................... 46 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...................................................................................................... 13 1.1 Delimitação do Tema e Formulação do Problema de Pesquisa............................ 13 1.2 Objetivos............................................................................................................... 15 1.2.1 Objetivo Geral.................................................................................................. 15 1.2.2 Objetivos Específicos....................................................................................... 15 1.3 Justificativa........................................................................................................... 15 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................... 17 2.1 Conceituando a logística....................................................................................... 17 2.1.1 Atividade primárias......................................................................................... 18 2.1.2 Atividades de apoio ou secundárias............................................................... 20 2.2 Dimensionamento de Estoques............................................................................. 26 2.2.1 Métodos de avaliação de estoque.................................................................... 27 2.3 Custos de Estoques............................................................................................... 28 2.3.1 Custo de aquisição........................................................................................... 29 2.3.2 Custo de armazenagem................................................................................... 29 2.3.3 Custo de pedido................................................................................................ 32 2.3.4 Custo de falta.................................................................................................... 34 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS........................................................ 36 3.1 Método de abordagem.......................................................................................... 36 3.2 Método de procedimento...................................................................................... 36 3.3 Natureza da pesquisa............................................................................................ 36 3.4 Ambiente da pesquisa........................................................................................... 37 3.5 Sujeitos da pesquisa.............................................................................................. 37 3.6 Técnicas de pesquisa............................................................................................. 37 3.7 Variáveis da pesquisa........................................................................................... 38 3.8 Tratamento dos dados........................................................................................... 39 4 ANÁLISE DOS DADOS....................................................................................... 40 4.1 Processo de compras............................................................................................. 40 4.2 Política de estoques............................................................................................... 42 4.3 Fatores influenciados pela política de compras e estoques................................... 46 5 CONCLUSÃO........................................................................................................ 47 5.1 Considerações finais............................................................................................. 47 5.2 Recomendações para a empresa........................................................................... 48 5.3 Limitações da pesquisa........................................................................................ 48 5.4 Sugestões para novas pesquisas............................................................................ 48 REFERÊNCIAS........................................................................................................ 49 APÊNDICE A – Instrumento de Pesquisa............................................................. 50 13 1 INTRODUÇÃO O presente estudo consiste em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Administração da UFPB, em cumprimento à disciplina Estágio Supervisionado II e as normas do Serviço de Estágio Supervisionado em Administração. A referida pesquisa se concentra na área de logística, dada a importância da área, tanto do ponto de vista socioeconômico quanto científico. Possui como objetivo descrever os impactos da política de compras nos estoques da Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA. A ênfase em compras e estoques e suas conseqüências permitem uma visão mais integrada da logística; buscando interação de suas funções e resultados. 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA Atualmente, o mundo passa por constantes mudanças numa velocidade cada vez mais rápida, principalmente no contexto econômico. Dificilmente uma empresa consegue sobreviver utilizando métodos que lhe deram sucesso no passado. Com a concorrência cada vez mais acirrada, as organizações estão em permanente transformação buscando meios através dos quais possam ao menos manterem-se vivas. Nesse cenário, muitos empresários percebem a necessidade de melhorar a qualidade dos serviços nos negócios, baseados nessa nova filosofia empresarial que premia a eficiência e a redução de custos. Uma das atividades que nesses últimos anos têm crescido muito em termos de importância e que proporciona muitos impactos nos resultados empresariais é a Logística e os processos vinculados no conceito. O sistema logístico é todo o processo responsável pelo planejamento, operação e controle de toda a movimentação de mercadorias e informação, desde a fonte fornecedora até o consumidor (MARTINS e ALT, 2000). A logística não deve ser considerada como uma atividade recente, uma vez que desde os tempos bíblicos já se utilizavam o processo. Mas o seu conceito surgiu por volta do ano de 1670, quando o exército francês adotou uma nova estrutura organizacional, na qual o ‘marechal general des Logis’ passou a ser responsável pelo planejamento, transporte, armazenamento e abastecimento das tropas (CHIAVENATO, 1991). 14 Segundo Pozo (2002), a Logística é subdividida em atividades primárias (transporte, manutenção de estoques, processamento de pedidos) e secundárias (armazenagem, manuseio de materiais, embalagem, planejamento, sistema de informação e compras). Assim, a atividade de compras compreende um dos processos logísticos. Um dos fatores que fazem parte do processo logístico e que merece atenção é a política de compras nas organizações. As compras, segundo Dias (2005), é um segmento vital do departamento de materiais ou suprimentos, que tem como função prover as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no momento certo com as quantidades corretas, conferir se recebeu efetivamente o que foi comprado e providenciar armazenamento. Para que uma empresa consiga manter um bom volume de vendas e um perfil competitivo no mercado e ainda obter lucros satisfatórios, ela deve perseguir a minimização dos custos, com a compra de produtos de alto giro, já que a manutenção de estoques representa uma parcela muito considerável na estrutura de custo total, sem comprometerem os níveis de atendimento a demanda (DIAS, 2005). A falta de uma política consistente de dimensionamento de estoques resulta do desconhecimento dos custos relacionados com os materiais estocados e das implicações decorrentes da aplicação equivocada dos recursos da empresa em compras mal planejadas (VALLE, 1994). O Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA é uma empresa privada formada em 25 de maio de 1990. Localizada na cidade de Sapé, é uma empresa no ramo atacadista, com uma variedade de produtos como: material de limpeza, bebidas e produtos alimentícios que abastece várias cidades localizadas tanto no litoral como no brejo paraibano. O proprietário da empresa utiliza a velha prática empresarial de especular com estoque, mantendo um nível elevado de materiais para cancelar um futuro aumento dos preços. Este tipo de prática é muito arriscada e pouco indicada, pois os custos para manter os estoques são elevados e as condições do mercado estão em permanente mudança. Além disso, os gastos provindos de um nível de estoques elevados podem ser utilizados para os mais diversos fins: reforçar e equilibrar o caixa; investir em melhorias tecnológicas que resultem em aumento da produtividade e competitividade; compra de novas máquinas e equipamentos; e investimentos em programas de melhoria da Qualidade. 15 Diante desta situação, a presente monografia de pesquisa visa a estudar o seguinte problema: Qual o impacto do processo de compras nos níveis de estoques da Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA? 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo geral Analisar os impactos do processo de compras nos níveis de estoques da Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA. 1.2.2 Objetivos específicos • Verificar a sistemática de compras da empresa; • Identificar a política de controle de estoques adotada na empresa; • Levantar os fatores influenciados pela política de compras e estoques da empresa. 1.3 JUSTIFICATIVA O presente trabalho foi realizado na Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA visando encontrar métodos que possam aprimorar as suas atividades, tornando-a mais competitiva no mercado. Este torna-se importante e, ao mesmo tempo viável, uma vez que foi possível coletar informações relevantes que poderão auxiliar em uma política de saneamento de estoque a qual se encaixe de forma eficiente com as vendas realizadas do Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA. Com isso, a empresa poderá reduzir os custos decorrentes de um elevado nível de estoque, como também eliminar fatores que interferem na sua logística devido à ausência de uma política adequada de dimensionamento de estoque. Uma empresa deve estar atenta ao nível de estoque que ela mantém, pois uma quantidade de material armazenado acima do nível adequado contribuirá para o surgimento de vários tipos de problemas como: obsolescência de material, movimentação extra e redução do espaço de estocagem. Contudo, não se deve considerar que este seja a causa dos problemas e sim, um sintoma (VALLE, 1994). 16 Segundo Valle (1994), o estoque é uma área de grande concentração de custos de qualidade devido a duas principais razões. A primeira transcorre da própria essência de estocagem, caracterizada pelo manuseio e guarda de uma grande quantidade de itens dos mais variados tipos e tamanhos, o que compreende a execução de uma série de operações: controle de materiais, movimentação, preservação, manuseio, recebimento e expedição de milhares de itens. A segunda está relacionada com a carência de uma política adequada de dimensionamento de estoque, de modo a torná-lo conciliável com as necessidades de produção e vendas. Atualmente, a empresa possui elevados custos na armazenagem devido a um nível elevado de estoque. Assim, é de grande oportunidade para a empresa um estudo de métodos que aprimore as suas atividades de forma a torná-la mais competitiva. 17 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O referencial teórico pesquisado para auxiliar este estudo envolve estudos recentes sobre o processo de compras como também as políticas de armazenamento de estoques. O item 2.1 apresenta os conceitos introdutórios e abordagens sobre a Logística. As atividades primárias de transporte, manutenção de estoques e processamento de pedidos que subdivide o processo logístico são tratados no capítulo 2.1.1. As atividades secundárias de armazenagem, manuseio de materiais, embalagem, planejamento, sistema de informação e compras são explicitados no item 2.1.2. O conceito de estoque, a classificação e os métodos de avaliação de estoque são abordados no item 2.2. Por fim, no item 2.3 focaliza os custos de estoques. 2.1 CONCEITUANDO A LOGÍSTICA Nos seus primórdios, o conceito de Logística estava essencialmente ligado às operações militares. Com o passar dos anos, ela foi implantada nas organizações. O seu processo foi evoluindo e, acabou chegando a um ponto que passou a agregar quatro tipos de valores positivos para o consumidor final (valor de lugar, de tempo, de qualidade e de informação), como também eliminar do processo tudo que não tenha valor para o cliente, ou seja, tudo que ocasione somente custos e perda de tempo (NOVAES, 2001). Segundo Carvalho (2002), a logística é uma parcela do Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento que vai desde a origem da matéria-prima até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes, ou seja, ela implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semi-acabados e produtos acabados, bem como as informações a eles relativas. Na visão empresarial, a Logística visa direcionar o desempenho das organizações tendo como finalidade diminuir o lead time entre o pedido, a produção e a demanda, de maneira que o cliente adquira seus bens ou serviços no momento que desejar, com suas especificações pretendidas, o local especificado e, principalmente, o preço desejado (POZO, 2002). Segundo Pozo (2002), o processo logístico é subdividido em atividades primárias (transporte, manutenção de estoques, processamento de pedidos) e secundárias ou de apoio 18 (armazenagem, manuseio de materiais, embalagem, planejamento, sistema de informação e compras). A respeito da Logística, (POZO, NOVAES E CARVALHO), os autores concordam que ela busca melhorar a eficiência em todo processo produtivo, que vai desde a matéria-prima até o consumidor final, agregando valores positivos como a diminuição do tempo e custos. 2.1.1 Atividades primárias As atividades denominadas de primárias são aquelas que possuem importância fundamental para a obtenção dos objetivos logísticos de custo e nível de serviço que o mercado almeja como também, elas contribuem com a maior parcela do custo total da logística ou são fundamentais para a coordenação e para o cumprimento da tarefa logística (POZO, 2002). Segundo Viana (2002), transporte é uma das atividades da Logística que trata da movimentação de produtos ou materiais, tanto na área interna (distribuição de matériasprimas, componentes ou sobressalentes para manutenção, do almoxarifado ao requisitante, para continuidade das atividades da empresa) como externa (entrega dos produtos da empresa a seus clientes). Esta atividade pode ser feita através cinco modalidades: • Transporte aeroviário: destinado a cargas, cujo prazo de entrega seja urgente. • Transporte ferroviário: destinado a cargas maiores, cujo fator tempo para a entrega não será preponderante. • Transporte hidroviário e marítimo: destinado a cargas cujo tempo e entrega não seja fator preponderante no encarecimento do produto. • Transporte rodoviário: destinado a cargas que exigem prazos relativamente rápidos de entrega. • Transporte intermodal ou multimodal: transporte realizado por mais de um modal, motivo pelo qual o intermodal constitui a solução ideal para atingir locais de difícil acesso ou de extrema distância. No Brasil, mais da metade do transporte de cargas se faz pelas rodovias, ou seja, 57,5% são realizadas através do transporte rodoviário (MARTINS e ALT, 2000). 19 Segundo Pozo (2002), o transporte é uma das atividades mais importantes, já que representa, em média, cerca de um a dois terços dos custos logísticos. É vital, pois nenhuma empresa moderna pode atuar sem providenciar a movimentação de suas matérias-primas ou produtos acabados para serem levados, de alguma forma, até o consumidor final. Outra atividade primária é a manutenção de estoques que tem como grande preocupação manter os níveis mais baixos possível de estoques, e ao mesmo tempo suprir a disponibilidade desejada pelos clientes (POZO, 2002). A manutenção de estoques merece atenção devido ao fato que cerca de 15 a 20 por cento de custos vinculado a materiais são atribuídos a fatores relacionados com estoque. Será uma significativa contribuição para os lucros de qualquer empresa se os estoques puderem ser reduzidos (LUBBEN, 1989; apud VALLE, 1994). Em muitas empresas industriais brasileiras pouca atenção é dada aos estoques. Muitas delas sequer conseguem dizer com precisão o montante e o valor real dos seus estoques num determinado momento (VALLE, 1994). Valle (1994) ainda afirma que a ausência de uma política consistente de gestão e controle de estoque resulta do desconhecimento dos custos relacionados com os materiais estocados e das implicações decorrentes da aplicação equivocada dos recursos da empresa em compras mal planejadas. Martins e ALT (2000) afirmam que há dois tipos de modelos de estoques: • Modelo de reposição contínua: também chamado de modelo do lote padrão, modelo do estoque mínimo ou modelo do ponto de reposição, consiste em emitir o pedido de compras, com quantidade igual ao lote econômico (ou outro, vai depender do administrador de materiais), sempre que o nível de estoques alcançar o ponto de pedido. • Modelo de reposição periódica: também chamado de modelo do intervalo padrão ou modelo do estoque máximo, consiste em emitir os pedidos de compras em lotes em espaços de tempos fixos. O Processamento de Pedidos é uma atividade que sua importância provém do fato de ser um elemento crucial em termos do tempo necessário para levar bens e serviços aos clientes, em relação, principalmente, à perfeita administração dos recursos logísticos disponíveis. É também a atividade primária que dar início ao processo de movimentação de materiais e produtos bem como a entrega desses serviços (POZO, 2002). 20 2.1.2 Atividades de apoio ou secundárias Ainda segundo Pozo (2002), as atividades secundárias são assim consideradas devido que elas dão suporte ao desempenho das atividades primárias, para que as empresas tenham sucesso em manter e criar clientes com pleno atendimento do mercado. O armazenamento é uma atividade de apoio que tem como objetivo primordial utilizar o espaço nas três dimensões (comprimento, largura e altura), de forma mais eficaz possível. As instalações do armazém devem oferecer a circulação rápida e fácil de suprimentos desde o recebimento até a expedição. Com o avanço tecnológico, trouxe para área de armazenagem vários benefícios, tanto novos métodos de racionalização e dos fluxos de distribuição de produtos, como pela adequação de instalações e equipamentos para movimentação física de cargas (VIANA, 2002). O mesmo autor ainda afirma que alguns cuidados essenciais devem ser observados como: • Determinação do local, em recinto coberto ou não; • Definição adequada do layout; • Definição de uma política de preservação, com embalagens plenamente convenientes aos materiais; • Ordem, arrumação e limpeza, de forma constante; • Segurança patrimonial, contra furtos, incêndios. Já Pozo (2002) afirma que armazenagem compreende a administração dos espaços precisos para manter os materiais estocados, que podem ser internamente, na fábrica, como em locais externos, mais próximos dos clientes. Essa ação envolve fatores como localização, dimensionamento de área, arranjo físico, equipamentos de movimentação, recuperação do estoque, projeto de docas ou baías de atracação, necessidades de recursos financeiros e humanos. Pode-se observar que, a respeito de armazenagem, os autores afirmam que esta é uma atividade que estar direcionada para administrar todo o espaço de qualquer local de armazenamento, de forma que melhore a movimentação de materiais. 21 Mesmo com os modernos sistemas de distribuição vigorantes atualmente, como entregas programadas diretas das linhas de montagem ou contra pedidos atendidos em horas, os armazéns continuam a existir e continuarão por um longo tempo. Seus altos custos provêm na maioria das vezes da má administração e da falta de organização (MARTINS e ALT, 2000). O mesmo autor, ainda afirma que entre o armazém e a gerência deve haver um sistema de informações que possibilite alocar produtos em locais conhecidos em uma ordem conhecida, removê-los rapidamente e na quantidade precisa, e ter uma rotação correta. O manuseio de Materiais é uma atividade secundária que estar ligado com a armazenagem e também à manutenção dos estoques. Esta atividade compreende a movimentação de materiais no local de estocagem, que pode ser tanto estoques de matériaprima como de produtos acabados (POZO, 2002). Segundo Viana (2002), o manuseio de matérias pode ser feito por diversos meios como: • Manualmente: este é o manuseio mais simples e comum, realizado pelo esforço físico de funcionários. • Carrinhos manuais: este é um tipo de manuseio ao qual ocorre utilizando-se de carrinhos impulsionados manualmente. • Empilhadeiras: este tipo de equipamento para manuseio é um dos mais versáteis para o manuseio de materiais. Não há limitação de direção, movimentando-se horizontal e verticalmente e podendo ser elétricos ou com motores a gás, diesel ou gasolina, nos quais pode ser adaptada uma série de acessórios que os tornam mais funcionais. A utilização deste tipo de equipamento vai depender fundamentalmente da disposição dos corredores internos no Almoxarifado e da natureza dos materiais a movimentar, além de seus acessórios, os quais, acoplados, facilitam a movimentação. • Paleteiras: trata-se de um tipo de empilhadeira manual, que pode ser mecânica, hidráulica ou elétrica, podendo, apenas realizar o manuseio horizontal. • Pontes rolantes: este é um equipamento composto de estrutura metálica, hidráulica ou elétrica, por duas vigas ao longo das quais a ponte rolante se movimenta; entre as duas vigas, sustentado pela estrutura, corre um carrinho com um gancho. • Guindastes: trata-se de equipamentos utilizados em manuseios, em área externa, de cargas superiores a cinco toneladas, aparelhadas com lança e motor a explosão que 22 proporciona o deslocamento da máquina e a força para acionamento da lança e conseqüente trabalho. Para selecionar os equipamentos de movimentação, Francischini (2007) afirma que é necessário fazer algumas considerações preliminares: • Piso: Tem que considerar o estado de conservação do piso da empresa e sua capacidade de suportar cargas. • Vãos: analisar as dimensões das portas e dos corredores. • Pé-direito: prestar muita atenção à altura e do pé-direito, determinado por vigas transversais que limitam a altura máxima de utilização dos prédios. • Externo: identificar as condições do ambiente e sua natureza. • Adequação: evitar a utilização de equipamentos tradicionais por motores a combustão em armazéns de produtos alimentícios. • Acidentes: seguir a todas as normas de segurança para proteger o ser humano e eliminar a possibilidade de se incorrer em responsabilidades civis e criminais, decorrentes de acidentes. • Energia: analisar todas as espécies de energia disponível e a capacidade de abastecimento. A embalagem é uma atividade de apoio ao qual merece bastante atenção. Apesar de todo cuidado na confecção de embalagens mantido pelos americanos, estatísticas comprovam que os Estados Unidos perdem, ao ano, US$ 3 bilhões em danos de transporte. No Brasil, mesmo que não haja dados, sabe-se que os prejuízos são grandes (DIAS, 2005). Na logística, um dos objetivos é movimentar produtos com toda proteção e sem danificá-los. Para garantir uma perfeita e econômica movimentação sem desperdícios é necessário à utilização de um bom projeto de embalagem. Além disso, dimensões adequadas de empacotamento proporcionam manuseio e armazenagem eficiente (POZO, 2002). Segundo Dias (2005), os tipos mais usuais de embalagens são: • Caixa de Papelão: este é um tipo de embalagem que a empresa poderá obter uma grande redução de custos caso utilize esta no lugar da embalagem de madeira, de compensado. • Tambores: o uso de tambores metálicos ocorre em um número considerável de produtos. Líquidos de todos os tipos, produtos sólidos, pastosos, pó, fluídos, granulados, 23 etc. podem ser transportados em tambores de metal com tranqüilidade e conforto. A facilidade de manipulação, armazenagem e transporte e a absoluta proteção que oferece à mercadoria, qualquer tipo que seja, são as principais vantagens que este tipo de embalagem apresenta à indústria e ao comércio em geral. • Fardos: O alto volume de certas mercadorias foi a principal causa que forçou grande número de empresas a adotarem o enfardamento como sistema de embalagem. Este tipo de embalagem reduz o tamanho do volume com a utilização de prensas, que comprimem a mercadoria. • Recipientes Plásticos: Este tipo de embalagem foi introduzida no transporte de líquidos e materiais a granel. Para fins industriais, os recipientes de plásticos estão substituindo, em larga escala, as embalagens convencionais de vidro, madeira e metal. A receptividade desses plásticos decorre da versatilidade do material empregado na sua fabricação que é o polietileno. Este pode assumir diversas formas, com capacidade que oscila entre cinco e cinco mil litros. A respeito de embalagem, nota-se uma preocupação de Dias com o desperdício provindo de uma embalagem mal projetada. Pozo, por sua vez, preocupa-se em alertar que as embalagens devem ser projetadas de forma que garanta a integridade dos produtos. O planejamento é uma atividade da logística responsável pela quantidade necessária a ser produzidas como quando, onde e por quem devem ser fabricadas. É a base que servirá de informação à programação detalhada da produção dentro da fábrica. É o acontecimento que possibilitará o cumprimento dos prazos exigidos pelo mercado (POZO, 2002). O Sistema de Informação é a função que possui um caráter estratégico, uma vez que possibilitará o sucesso da ação logística dentro de uma empresa para que ela consiga atuar eficientemente. São as informações necessárias de custo, procedimentos e desempenho vitais para correto planejamento e controle logístico. Assim, uma base de dados bem estruturadas, com informações significativas sobre clientes, sobre volumes de vendas, sobre padrões de entregas e sobre os níveis dos estoques e das disponibilidades físicas e financeiras que servirão como base de apoio a uma administração eficiente e eficaz das atividades primárias e de apoio do sistema logístico. O processo de compras configurado atualmente como uma função de aquisição é bem diferente da maneira como era tratado antigamente. Antes da Primeira Guerra Mundial, tinha papel essencialmente burocrático. Depois, já na década de 1970, devido principalmente com a 24 crise do petróleo, a oferta de várias matérias-primas começou a se reduzir enquanto que os preços aumentam vertiginosamente. Neste momento, saber o que, quando, quanto e como comprar começa a adquirir condição de sobrevivência, e assim, o departamento de compras ganha mais importância dentro da organização (MARTINS, 2000). A atividade de compras tem como objetivo abastecer as necessidades da empresa por meio da aquisição de materiais/serviços, decorrente das solicitações dos usuários, procurando identificar no mercado as melhores condições comerciais e técnicas (VIANA, 2002). O mesmo autor afirma que o ato de comprar inclui as seguintes etapas: • Programação do que, de quanto e de quando comprar; • Análise dos fornecedores e verificação de sua capacidade técnica, relacionando-os para consulta; • Promoção de concorrência, para a seleção do fornecedor vendedor; • Fechamento do pedido, por meio da autorização de fornecimentos ou contrato; • Acompanhamento ativo durante o período que transcorre entre o pedido e a entrega; • Encerramento do processo, após recebimento do material, controle da qualidade e da quantidade. Dias (2005) define a atividade de compras como sendo um segmento vital do departamento de materiais ou suprimentos, que tem por objetivo suprir as necessidades de materiais ou serviços, planejá-las quantitativamente e satisfazê-las no tempo correto com as quantidades corretas, verificar se recebeu efetivamente o que foi comprado e providenciar armazenamento. Para que o setor de compras de uma organização tome decisões com clareza, é necessário que haja uma classificação bem desenvolvida. Francischini (2007) afirma que para realizar o processo de compras com maior facilidade devemos utilizar uma matriz de duas entradas (Quadro 01). Estas duas entradas poderiam compreender dois aspectos do problema de compras: a primeira focalizaria o aspecto do mercado de oferta e a segunda estaria voltada para o interior da empresa, conforme seguir: 1˚ classificação da empresa quanto ao mercado fornecedor: • Produtos de venda corrente; • Produtos com preços fixados correntemente; 25 • Fornecimento sob encomenda, com preços fixados pelo fornecedor; • Fornecimento em regime de escassez. 2˚ Classificação das compras quanto à freqüência da necessidade de fornecimento pela empresa: • Compras constantes e habituais; • Compras programadas; • Compras de investimentos; • Compras de emergência; • Compras sofisticadas. Compras constantes e habituais Compras programadas Compras de Investimentos Compras de emergências Compras Sofisticadas Produtos de venda corrente Produto com preços fixados correntemente Fornecimento sob encomenda, com preços fixados pelo fornecedor Fornecimento Em regime de escassez Quadro 01- Matriz de duas entradas Fonte: Adaptado de Franchiscini (2007, p. 19). Determinado tipo de compra As modalidades de compra segundo Viana (2002), são divididas em dois trâmites: • Compra normal: ocorre quando o prazo for conciliável para conseguir as melhores condições comerciais e técnicas na aquisição de materiais, através de todas as etapas demonstradas no fluxo básico de compra. • Compra em emergência: esta ocorre quando há falhas na elaboração do planejamento ou no atendimento de necessidade provindas de problemas operacionais. Este tipo de compra, comparando-se com as compras normais, perde várias etapas fundamentais, ao 26 qual torna a compra de emergência desvantajosa, uma vez que os preços obtidos são elevados em relação aos da compra normal. 2.2 DIMENSIONAMENTO DE ESTOQUES Francischini (2007) define estoque como sendo quaisquer quantidades de bens físicos armazenadas, de maneira improdutiva, por algum espaço de tempo. Os estoques podem ser de quatro tipos: • Estoques de matérias-primas - materiais e componente comprados de fornecedores, alojados na empresa compradora que não passaram por nenhum tipo de processamento. • Estoques de materiais em processo - materiais e componentes que no mínimo sofreram pelo menos por um processamento no processo produtivo da empresa compradora e esperam utilização posterior. • Estoque de produtos auxiliares - materiais de limpeza, peças de reposição, materiais de escritório, manutenção, etc. • Estoque de produtos acabados - produtos de prontos para negociação. A finalidade essencial de uma empresa é maximizar o lucro sobre o capital investido em fábrica e equipamentos, em financiamentos de vendas, em reserva de caixa e em estoques. Almeja-se que o dinheiro investido em estoques seja o combustível necessário para a produção e o bom atendimento das vendas. A gestão de estoque tem como objetivo otimizar o investimento em estoques, aumentando o uso eficiente dos meios da empresa, diminuindo as necessidades de capital investido (DIAS, 2005). A respeito da gestão de estoque, Corrêa e Corria (2004) enfatiza sobre a importância do controle dos estoques em trânsito, referente a contratos efetuados com emissão de nota fiscal do fornecedor, contabilmente dado entrado no sistema de informação, porém fora do inventário físico. Para Bertaglia (2005), o desenvolvimento do estoque esta relacionado ao desequilíbrio existente entre a demanda e a oferta. Quando o ritmo de fornecimento é maior que a demanda, 27 o estoque aumenta. Quando o ritmo da demanda supera a oferta, o estoque diminui, podendo faltar material ou produto. Uma das principais dificuldades dentro da gestão de estoques está em buscar conciliar da melhor maneira possível os diferentes objetivos de cada departamento (compras, produção, vendas e financeiro), da empresa para os estoques, sem prejudicar a operacionalidade da empresa (DIAS, 2005). Seguindo ainda o pensamento do mesmo autor, um setor de controle de estoques tem as seguintes funções: • Determinar ‘o quê’ deve permanecer em estoque. Número de itens; • Determinar ‘quando’ se devem reabastecer os estoques. Periodicamente; • Determinar ‘quanto’ de estoque será necessário para um período predeterminado; • Acionar o Departamento de Compras para executar aquisição de estoque; • Receber, armazenar e atender os materiais estocados de acordo com as necessidades; • Controlar os estoques em termos de quantidade e valor e fornecer informações sobre a posição do estoque; • Manter inventários periódicos para avaliação das quantidades e estados dos materiais estocados; e • Identificar e retirar do estoque os itens obsoletos e danificados. 2.2.1 Métodos de avaliação de estoque Além de controlar a quantidade de materiais em estoque à disposição dos setores produtivos e administrativos da empresa, a Administração de Matérias refere-se também à valorização, ou seja, fornecer o volume financeiro pelo qual esse material está sendo estocado e utilizado nos produtos finais fabricados (FRANCISCHINI, 2007). Dias (2005), afirma que a avaliação de estoques pode ser realizada através de quatro métodos (custo médio, PEPS, UEPS, preço de reposição). O Custo médio é um método de avaliação de estoque muito utilizado nas organizações, pelo qual calcula-se a média entre o soma total do custo e o somatório das quantidades, 28 resultando um valor médio de cada unidade. Cada valor médio de unidade em estoque se modifica pela compra de outras unidades por um preço diferente. O Custo médio é calculado pela fórmula: Custo médio = valor total em Estoque do Item Númerode Itens em Estoques Onde o Custo médio é igual ao valor total em estoque do item dividido pelo número de itens em estoques. A avaliação pelo método PEPS (FIFO) segundo Dias (2005), significa primeiro a entrar e primeiro a sair (First in, First out). Neste método, a avaliação é realizada pela ordem cronológica das entradas, ou seja, sai o material que primeiro integrou o estoque, sendo substituído pela mesma ordem cronológica em que foi recebido, devendo seu custo real ser aplicado. Já a avaliação pelo método UEPS (Último a Entrar, Primeiro a sair) ou LIFO (Last in, First out), a ordem cronológica de entrada no estoque se inverte, ou seja, o último lote a entrar no estoque é o primeiro a ser considerado para efeito de cálculo de custo. Também neste caso, cada lote é controlado separadamente. A avaliação pelo preço de reposição ou Close Out segundo Francischini (2007), é efetuada considerando-se a situação do preço dos produtos comprados ou fabricados no momento da avaliação. Assim, potenciais variações de curto prazo no preço de custo ou de mercado devem ser introduzidos no cálculo do preço unitário do item, para eventuais reposições de estoque. O preço de reposição pode ser calculado pela fórmula: Preço de Reposição = Preço Unitário + Variação de Preço de Custo ou de Mercado 2.3 CUSTOS DE ESTOQUES Uma das grandes preocupações do Administrador de Materiais é ter o conhecimento exato de quais são os custos relacionados ao estoque que ele gerencia. Quando a permanência da empresa no mercado está ameaçada por haver custos acima dos concorrentes diretos, o 29 Administrador de Materiais deve conservar um controle rígido sobre esse item e, fundamentando-se nessas informações, aplicar ações corretivas Para reduzi-lo a níveis aceitáveis (FRANCISCHINI, 2007). Seguindo ainda o pensamento do mesmo autor, o custo de estoque pode ser desmembrado em quatro partes, que servirão de auxílio na determinação do nível de estoque a ser mantido: • Custo de aquisição; • Custo de armazenagem; • Custo de pedido; • Custo de falta. 2.3.1 Custo de aquisição Este tipo de custo é definido como o valor pago pela empresa compradora pelo material adquirido. Este custo estar vinculado com o poder de negociação da Área de Compras, em que procurará minimizar o preço pago por unidade adquirida. Mesmo este custo não sendo de responsabilidade direta do Administrador de Materiais, ele envolverá diretamente no valor do material em estoque. Quanto maior o preço unitário pago, maior será o valor do estoque para uma mesma quantidade estocada (FRANCISCHINI, 2007). A Fórmula deste custo é a seguinte: Custo de Aquisição = Preço Unitário versus Quantidade Adquirida ou CAq= Pu x Q 2.3.2 Custo de armazenagem Dias (2005) define custo de armazenagem como um custo decorrente da estocagem e armazenamento dos materiais. Dentre os tipos de custos de estoque, este é o que mais afeta a rentabilidade, merecendo assim atenção redobrada. 30 Para calcular o custo de armazenagem de determinado material, utiliza-se a seguinte expressão: Custode armazenagem= Q 2XTX PX I onde: Q = Quantidade de material em estoque no tempo considerado P = Preço unitário do material I = Taxa de armazenamento T = Tempo considerado de armazenagem O valor de I – taxa de armazenagem- é adquirido por meio da soma de diversas parcelas. a) Taxa de retorno de capital Ia= 100 x lucro valor do estoque O capital investido na aquisição do material armazenado deixa de ser rentável. b) Taxa de armazenamento físico Ib= 100 x S X A CX P onde: S = área ocupada pelo estoque A = custo anual do m2 de armazenamento C = consumo anual P = preço unitário Portanto, CP = valor dos produtos estocados. 31 c) Taxa de seguro d) Taxa de movimentação, manuseio e distribuição. Id = e) Taxa de obsolescência Ie= f) 100 x depreciação anual do equipamento valor do estoque 100 x perdas anuais por oboslescência valor do estoque Outras taxas Taxas como: água, luz etc. If = 100 x despesas anuais valor do estoque Conclui-se, então, que a taxa de armazenamento é: I = Ia + Ib + Ic + Id + Ie + If Para determinar o valor da taxa de armazenagem devem-se levar em consideração os tipos de materiais estocados. Em algumas organizações, algumas parcelas de I possui um peso tão grande, que torna desnecessário o calculo da outra. Para facilitar os cálculos, o valor da taxa de armazenagem deve ser obtido de maneira global e única para todos os materiais, ou seja, o valor de I pode ser considerado constante para os diferentes materiais. A exceção será para empresas que, eventualmente, utilizam materiais cujas taxas parciais são diferentes. Analisando a fórmula do custo de armazenagem, verificamos que este custo nada mais é do que o somatório de: 32 Logo, a fórmula do custo de armazenagem destrinchada será: Q Q Custo de armazenagem = ( 2 x T x C x Ia ).T + ( 2 x T x C x Ib ).T + Q Q Q Q ( 2 x T x C x Ic ).T + ( 2 x T x C x Id ).T + ( 2 x T x C x Ie ).T + ( 2 x T x C x If ).T Portanto, temos que: Assim, o custo de armazenagem é a soma de: custo de capital, custo de seguro, custos de transportes, custos de obsolescência, custo de despesas diversas. 2.3.3 Custo de pedido Custo de pedido segundo Francischini (2007), é o valor gasto pela empresa para que determinado lote de compra venha ser solicitado ao fornecedor e entregue na empresa compradora. Se o custo de armazenagem estiver ligado diretamente à área de armazenagem, o custo do pedido será referente aos custos administrativos e operacionais da área de Compras. Além do custo administrativo da área de Compras, o fornecedor pode cobrar fretes adicionais e/ ou a empresa incorrer em custos de inspeção para lotes segmentados de um mesmo pedido. Logo, o custo de pedido pode ser medido por: CP = Custo de Pedido n = Número de Pedido CPAu = Custo de Pedido Administrativo unitário CPVu = Custo de Pedido Variável unitário CUSTO DE PEDIDO ADMINISTRATIVO NO PERIODO T Custo Descrição Fator Mão-de-obra Salários, encargos e benefícios adicionais gastos pela área de MO Compras 33 Custo Descrição Fator (cont.) Aluguel Aluguel rateado pago pela área de Compras A Imposto e seguros Imposto predial e seguros rateados pela área ocupada IS Equipamentos Depreciação ou aluguel de equipamentos utilizados pela área E de compras Despesas gerais Telefone, energia elétrica, materiais de escritório utilizados DG pelas áreas de Compras Total Custo de Pedido Administrativo CPA = MO + A + IS + E + DG Quadro 2- Custo de pedido administrativo no período T Fonte: Adaptado de Franchiscini (2007, p. 168) Assim, o custo de pedido administrativo unitário pode ser calculado por: em que: CPAu = CPA MO + A + IS + E + DG = n n CPA = Custo de Pedido Administrativo unitário n = numero de pedidos feitos no período T O custo de pedido variável unitário vai depender da quantidade de lotes entregues em um mesmo pedido e geralmente não está incluso no preço de aquisição. Esse custo pode ser de dois tipos: CUSTO DE PEDIDO VARIÁVEL UNITÁRIO Custo Descrição Fator Externo Custo de frete do lote entregue, custo de desembaraço alfandegário do lote, etc. CPVE Interno Custo de inspeção do lote, custo de pesagem do veículo de entrega, custo de CPVI mão-de-obra, equipamentos e outras despesas adicionais em virtude do aumento de número de pedidos, etc. Quadro 3- Custo de pedido variável unitário Fonte: Adaptado de Franchiscini (2007, p. 168) 34 Desse modo, o custo de pedido variável unitário pode ser calculado por: CPVu = m x (CPVE + CPVI) em que: CPVu = custo de pedido variável unitário m = nº. de lotes entregues de determinado pedido CPVE = custo de pedido variável unitário externo CPVI = custo de pedido variável unitário interno 2.3.4 Custo de falta Existem certos elementos de custo que não podem ser calculados com grande exatidão, mas que acontecem quando um pedido atrás ou não pode ser entregue ao fornecedor. Dias (2005) determina os custos de falta de estoques ou de ruptura das seguintes maneiras: • Através de lucros cessantes, ocasionado pela incapacidade do fornecimento. Perdas de lucros, com anulação do pedido; • Por meio de custeios adicionais, causados por fornecimentos em substituição com material de terceiros; • Por meio de custeios causados devido ao não-cumprimento dos prazos contratuais como multas, prejuízos, bloqueio de reajuste; • Através de quebra de imagem da empresa, tendo como conseqüência acabar beneficiando o concorrente. Já para Francischini (2007), o custo de falta pode ser calculado utilizando os alguns custos como demonstrado no quadro abaixo: 35 CUSTO DE FALTA DE ESTOQUE Custo Mão-de-obra Descrição Fator Salários e benefícios adicionais ao tempo em que a linha de MO produção ficou ociosa Equipamentos Custo do equipamento referente ao tempo em que a produção E permaneceu parada por falta de item ou pela programação da produção Material Custo adicional do material comprado em outros fornecedores Multas Multas contratuais pagas devido ao atraso de fornecimento do MU MP produto final da empresa compradora causado pela ausência de material Prejuízos Lucro referente às vendas que ocorreram devido aos PR cancelamentos de pedidos ou vendas futuras não realizadas causadas pela falta do material, e conseqüente impossibilidade de fornecimento dentro dos prazos acordados Quadro 4- Custo de falta de estoque Fonte: Adaptado de Franchiscini (2007, p. 170) 36 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O método é o caminho para se chegar a objetivos. O uso de procedimentos incorpora técnicas racionais para se delinear uma pesquisa, estabelecendo marcos, delimitando e abordando os fatores interferentes: antecedentes, resultados e conseqüentes. Nessa seção descreve-se os passos desenvolvidos na pesquisa para o alcance de seus propósitos. 3.1 MÉTODO DE ABORDAGEM Por se tratar de uma pesquisa de campo, usando em sua lógica de argumentação a dedução a partir do objeto de estudo junto a Atacadan Distribuidora, trata-se do método dedutivo, que parte de verdades específicas às gerais. 3.2 MÉTODO DE PROCEDIMENTO O presente trabalho foi conduzido a partir de um estudo de caso realizado no Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA, localizado em Sapé, mais especificamente no setor de compras. Foram abordadas as atividades desempenhadas e todo o processo de compras e a política de estoque do mesmo. 3.3 NATUREZA DA PESQUISA Tomando por base a taxionomia de Vergara (2007, p. 49), quanto aos fins é descritiva, pois se preocupa com as características dos fenômenos estudados e não com as causas da ocorrência dos mesmos. O propósito foi concentrar conhecimentos que possam descrever os aspectos da população, analisando a distribuição de determinadas características ou atributos. Quanto aos meios, consiste em um estudo de caso, com pesquisa de campo. 37 3.4 AMBIENTE DA PESQUISA O local onde foi realizado a pesquisa foi no Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA que é uma empresa privada formada em 25 de maio de 1990. Localizada na cidade de Sapé, é uma empresa no ramo atacadista, com uma variedade de produtos como: material de limpeza, higiênicos, bebidas e produtos alimentícios. Esta abastece várias cidades localizadas tanto no litoral como no brejo paraibano. É uma empresa familiar onde o proprietário é o presidente e o seu filho é o vice-presidente, com outros familiares ocupando outros cargos. 3.5 SUJEITOS DA PESQUISA Os respondentes dessa pesquisa foram os três funcionários responsáveis pelo departamento de compras e um do departamento de armazenagem do Atacadan. 3.6 TÉCNICAS DE PESQUISA Os dados coletados são de dois tipos: primários e secundários. Os dados primários são aqueles obtidos a partir de informações das próprias organizações estudadas, ao passo que os dados secundários provêm de outras fontes, já tendo sido pesquisadas e analisadas. Segundo Lakatos e Marconi (1999) a pesquisa bibliográfica abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais revistas, livros, pesquisas, monografias, teses, documentos audiovisuais, etc. A observação utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar. (LAKATOS; MARCONI, 1991) Lakatos e Marconi (1991) definem entrevista como uma conversação efetuada face a face, de maneira metódica, proporcionando ao entrevistador as informações necessárias. Desse modo, os dados secundários foram coletados por meio da pesquisa bibliográfica, a partir de definições e conceitos tanto em livros, como em sites, revistas e jornais pertinentes ao tema abordado, como também relatórios gerenciais do setor de compras do Atacadan. Ainda foram adotadas, para a coleta dos dados primários, uma entrevista semiestruturada, descrita no Apêndice A, seguindo um roteiro previamente elaborado; e o 38 instrumento de observação, indispensável à consecução dos objetivos desta pesquisa. Ambas as técnicas foram aplicadas com os sujeitos da pesquisa. A entrevista se constituiu de uma série de perguntas que foram respondidas por escrito e sem a presença do pesquisador. Já o formulário deve seguir um roteiro de perguntas enunciadas pelo entrevistador e preenchidas por ele com as respostas do pesquisado. (LAKATOS; MARCONI, 1991) O roteiro de observação definiu a ordem e as etapas que foram seguidas para efetuação da mesma. Desse modo, além da bibliografia utilizada, os dados foram coletados a partir da aplicação de questionário. As questões apresentadas no questionário foram subjetivas. 3.7 VARIÁVEIS DA PESQUISA As variáveis desta monografia estão representadas no Quadro 5 e serviram como roteiro a ser seguido visando a consecução dos objetivos específicos estabelecidos no início deste trabalho. A partir de cada objetivo específico foram definidos os vetores de investigação, os quais serviram como objeto de investigação nos questionários e entrevistas a serem aplicados aos sujeitos da pesquisa. Objetivos Específicos Descrição (OE) Variável da Vetores de Investigação Pesquisa • Verificar o planejamento de compras • OE1 Verificar a política de Verificar os critérios de seleção e avaliação dos Política de compras fornecedores compras da empresa • Identificar as possíveis compras em excesso • Identificar a política de frete da empresa • Identificar a dimensão da frota utilizada pela empresa 39 Objetivos Específicos Descrição (OE) Variável da Vetores de Investigação Pesquisa (cont.) • Verificar o layout do armazém da empresa • Identificar a política de armazenamento dos produtos OE2 Identificar a política de Política de estoque • Verificar a existência da política de estoque mínimo estoque • Verificar a existência de política de controle de entrada e saída de mercadorias do estoque • OE3 Levantar fatores Fatores influenciados influenciados pela pela política de política de compras e compras e estoques estoques da empresa Identificar a existência de custos de armazenagem; • Identificar possível indisponibilidade de mercadoria no estoque Quadro 05 – Variáveis da pesquisa Fonte: Adaptado de Oliveira (2005) Tomando por base as variáveis, pôde-se construir os marcos temáticos que nortearam a categorização dos dados coletados no capítulo de resultados, permitindo o alinhamento e análise de consecução dos objetivos. 3.8 TRATAMENTO DOS DADOS A pesquisa qualitativa considera a existência de uma relação dinâmica entre mundo real e sujeito. O aspecto qualitativo é essencial ao presente trabalho, devendo ser identificadas todas as diferentes percepções dos entrevistados acerca das questões apresentadas pelo questionário, ao qual será subjetivo. Desse modo torna-se necessário o tratamento dos dados sob o aspecto qualitativo, visando apresentar da melhor forma os resultados obtidos acerca do tema estudado. 40 4 ANÁLISE DOS DADOS Realizada pesquisa de campo no período de 01 a 08/12/2009 no Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA, onde foram coletadas informações com três funcionários envolvidos com as compras e o controle da logística da empresa. Os dados analisados foram obtidos através do instrumento de pesquisa mencionado no ponto 3.4, referente ao instrumento de pesquisa. Abordaremos, a seguir, a análise e interpretação dos dados referentes aos percentuais obtidos, agrupando-os e visando a atender os objetivos específicos deste trabalho listados no ponto 1.2.2, referente aos objetivos específicos. Essa análise e interpretação foi dividida nos pontos: processo de compras, política de controle de estoques adotada na Atacadan e fatores influenciados pela política de compras e estoques da empresa. 4.1 PROCESSO DE COMPRAS As compras são realizadas por três pessoas: o próprio dono da empresa, o supervisor geral e o gerente administrativo, onde a divisão das compras vai depender do volume a ser adquirida. Caso seja um quantia pequena fica a serviço tanto do supervisor quanto do gerente administrativo. Caso o volume das compras seja maior fica na responsabilidade do dono executá-la. A quantia a ser comprada vai de acordo com o total do capital de giro da empresa, ou seja, as compras são realizadas sem o acompanhamento do responsável pelo controle do estoque. O dono utiliza o método de especulação de preço, comprando uma grande quantidade de forma a garantir um preço menor no mercado, deixando os estoques sempre sobrecarregados, demonstrando assim, um mau planejamento nas compras. Valle (1994) alerta sobre as compras mal planejadas que acabam resultando em custos adicionais para manter os estoques com níveis elevados. A empresa trabalha com uma variedade de cerca de dois mil itens divididos em cinco tipos de categorias: alimentos, bebidas, descartáveis, material de limpeza e de higiene. O giro de estoque médio de todos os produtos é de aproximadamente trinta dias, porém, existem produtos que acabam ficando obsoletos no estoque devido às compras exageradas. A seguir segue no Quadro 6 no qual são apresentadas as categorias e alguns dos produtos oferecidos pela empresa: 41 A empresa realiza as suas compras diretamente nas fábricas e também, algumas delas em outra distribuidora. Os seus critérios de seleção de fornecedores são de acordo com a saída e a qualidade dos produtos oferecidos. Já a avaliação dos fornecedores é levada em conta os incentivos de venda (desconto no valor da mercadoria), pontualidade na entrega e prazo de pagamento. Na compra de algumas mercadorias a longa (geralmente fornecedores da região Sul e Sudeste) e a curta (região Nordeste) distância a empresa disponibiliza alguns veículos da sua frota para buscá-los obtendo, assim, abatimento nos preços. Como a empresa possui um regime especial de ICMS, ela não paga impostos durante o transporte de suas mercadorias quando ela mesma se dispõe a buscá-la. Quando o próprio fornecedor traz as mercadorias, a política de frete adotada é a CIF, onde o valor do frete já estar incluso no valor da nota. CATEGORIA PRODUTOS Feijão, arroz, açúcar, macarrão, café, azeitona, cuscuz, leite em pó, carne enlatada, etc. Bebidas Uísque, vodca, aguardente, suco, etc. Descartáveis Palito de dente, guardanapo, copos, etc. Esponja de aço, sabão em pedra, sabão em pó, detergente, cera, água Material de limpeza sanitária,etc. Material de higiene Shampo, creme dental, escova de dente, desodorante, sabonete, etc. Quadro 06 – Categorias de Produtos da Atacadan Fonte: Pesquisa de campo (2009) Alimentos Atualmente a empresa conta com uma frota de 17 veículos os quais são: um caminhão baú toco com capacidade para 9 toneladas (utilizados para buscar e entregar mercadorias de longa distância); uma caminhonete silverado com capacidade de até 900 kg (utilizados para as pequenas entregas feita na própria cidade); 13 caminhões “truck” de carroceria “graneleira” com capacidade para 15 toneladas (utilizados para realizar entregas de curta e média distância); uma carreta cavalo “truckada” com capacidade de 30 toneladas (utilizado para trazer mercadorias compradas a longa distância, como também fardos de açúcar comprados nas usinas canavieiras próximas à região da cidade de Sapé) e uma carreta bi trem “graneleiro” com capacidade para 40 toneladas (utilizado para buscar mercadorias a longa distância) . Estes tipos de veículos foram adquiridos de forma que facilite a logística na entrega das mercadorias aos seus consumidores, tanto para locais de curta e longa distância, como também para trazer as mercadorias dos seus fornecedores. 42 A empresa não utiliza métodos para avaliar o total de compras feito mensalmente, muito menos elabora um orçamento anual, mostrando ineficiência no seu planejamento de compras. 4.2 POLÍTICA DE ESTOQUES A empresa possui uma área de armazenagem dividida em cinco galpões que medem cada um uma área de 900m2 (15x60 m) com 10m de altura. Nestes, as mercadorias são estocadas tanto de forma horizontal como também de forma vertical, ocupando todo o espaço de forma mais eficaz possível como afirma Viana (2002), utilizando as três dimensões (comprimento, largura e altura) como pode ser visto na Figura 1: Figura 1: Armazém com prateleiras Fonte: Pesquisa de campo (2009) Como pode-se observar na Figura 1 nota-se o uso eficiente do espaço do armazém nas três dimensões sem afetar na integridade das mercadorias estocadas. Os corredores existentes entre as prateleiras e entre os galpões medem aproximadamente 2m de largura, nos quais é possível o trânsito fácil e rápido de suprimentos desde o recebimento até a expedição. Em alguns galpões existem plataformas para facilitar o embarque e desembarque das mercadorias. A área externa mede aproximadamente 2000m2 (40 x 50 m) que é utilizado tanto para os veículos fazerem manobras na hora de embarque e desembarque de mercadorias, como também serve de garagem para a frota da empresa como pode ser visto na Figura 2: 43 Figura 2: Área externa da empresa Fonte: Pesquisa de campo (2009) A Figura 2 mostra parte da área externa onde os veículos realizam manobras e ficam aguardando para serem carregados. O trânsito das mercadorias nos galpões é realizado através do uso de carrinhos manuais e do esforço físico dos funcionários. Para empilhar as mercadorias nas prateleiras é feito uso de escadas manuais como mostra nas Figuras 3 e 4: Figura 3: Carrinhos manuais Fonte: Pesquisa de campo (2009) Os equipamentos utilizados pela empresa para movimentar os seus produtos dentro do armazém são todos de uso manual, utilizando assim esforço físico. 44 Figura 4: Escada manual Fonte: Pesquisa de campo (2009) A Figura 4 ilustra como as mercadorias são empilhadas utilizando escadas manuais e esforço físico. As mercadorias são organizadas tanto em prateleiras de aço de três andares como também em cima de paletes de madeira. A distribuição das mercadorias ocorre de forma aleatória, ou seja, não existe um local para determinada mercadoria. Elas são armazenadas de acordo com os espaços desocupados existentes no momento que chegam para desembarque. Este fato acaba interferindo na eficiência de armazenagem e de separação dos pedidos. De acordo com Martins e Alt (2000), nas empresas precisam de um sistema de informações que possibilite alocar produtos em locais conhecidos em uma ordem conhecida, a qual possa removê-los rapidamente e na quantidade precisa. Algumas vezes, há pedidos que ficam pendentes nos próprios fornecedores aguardando surgir algum espaço para as mercadorias poderem ser desembarcadas. Com isso, certas mercadorias mesmo não havendo no estoque acabam não chegando. O controle do estoque é realizado através do software chamado Sistema de Gerenciamento Comercial, que fornece a quantidade de cada produto armazenado informando quando algum estiver com uma quantidade elevada ou baixa, como também o seu prazo de validade. Este mesmo sistema totaliza os estoques igualmente com a contabilidade, enviando todas as informações necessárias para cada departamento envolvido no processo. 45 Em termos de segurança, a empresa possui um sistema de vigilância contra furtos e roubos, mas não possui um aparato necessário que possa garantir segurança contra incêndio nos galpões. Mensalmente é realizado um inventário físico em todo o estoque. No último inventário realizado houve uma diferença muito pequena no valor de duzentos reais, a qual é considerada irrisória em comparação ao valor total do estoque. Das metodologias estudadas nessa pesquisa, a empresa utiliza o método PEPS onde a primeiro lote de determinada mercadoria que chega será o primeiro lote a sair. Outra metodologia aplicada é a de custo médio onde o preço dos produtos é estabelecido fazendo a média dos preços que eles foram comprados. Nota-se que no Atacadan aplica os métodos de avaliação de estoque que Dias (2005) indica almejando garantir que os produtos estocados não fiquem obsoletos no armazém. O giro do estoque é feito de acordo com as vendas, ou seja, é feito um acompanhamento mensalmente utilizando gráficos e planilhas sobre a quantidade vendida de cada produto em trinta dias. Não há uma separação entre os produtos de alto, médio e baixo giro. O Atacadan faz o trituramento e embala o açúcar que ele fornece. Este produto é embalado de acordo com a sua demanda devido ao seu rápido endurecimento. A embalagem é resistente e possui dimensões adequadas de empacotamento e, ao mesmo tempo, possui uma aparência que agrega valor de qualidade. A seguir algumas imagens desse processo: Figura 5: Açúcar embalado e estocado Fonte: Pesquisa de campo (2009) Percebe-se através dessa imagem a resistência da embalagem do açúcar que pode ser estocado em grandes quantidades sem que haja nenhuma avaria. 46 Figura 6: Máquina de triturar e embalar o açúcar Fonte: Pesquisa de campo (2009) Com a máquina de triturar e embalar o açúcar a empresa cria o seu próprio produto, barateando o seu custo, podendo obter vantagens no mercado. 4.3 FATORES INFLUENCIADOS PELA POLÍTICA DE COMPRAS E ESTOQUES A empresa, por manter os estoques sempre com nível elevados, acaba gerando um custo de armazenagem. Por não mensurar os custos incorridos devido a elevados estoques, a empresa não possui um valor exato do seu custo de armazenagem, afetando principalmente na sua rentabilidade. A quantia de produtos obsoletos e danificados é mínima, não chegando sequer a 1% do total do estoque e a maioria dos produtos que sofrem alguma avaria ou estão obsoletas podem ser trocadas com os fornecedores. Como a empresa não possui um local exato para alocar as mercadorias que chegam, algumas delas, que estão em falta no estoque, mesmo com o pedido de compras feito, não podem ser recebidas devido à falta de espaço para serem estocadas, ficando armazenadas com os próprios fornecedores. Com isso, a empresa está gerando entre 10% a 15% de indisponibilidade de produtos para os clientes, gerando, assim, um custo de falta. 47 5 CONCLUSÃO Nesta seção procedeu-se uma resposta ao problema de pesquisa, as considerações finais acerca dos objetivos específicos, as recomendações, as limitações e as sugestões de pesquisas futuras. 5.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS Tomando por base o problema de pesquisa ‘quais os impactos do processo de compras nos níveis de estoques da Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA?’, podem constatar diversos fatores interferentes, conforme a seguir: • Falta de comunicação entre o setor de compras e o setor logístico no momento de efetuar as compras; • Os critérios de seleção e de avaliação dos fornecedores funcionam de forma eficaz; • O processo de compras da empresa apresenta ineficiência na efetuação das compras numa quantia de produtos muito acima do que a empresa possa ofertar como também armazenar; • A política de frete adotada pela empresa se mostra adequada e viável a empresa; • A frota da empresa está de acordo com o número necessário que as suas entregas necessitam; • O arranjo físico da empresa não possui uma definição exata para a localização das mercadorias, dificultando assim tanto o processo de expedição como o de recebimento; • A empresa armazena seus produtos de acordo com os locais desocupados no momento de recebimento das mercadorias; • A empresa não realiza a política de estoque mínimo uma vez que o estoque está sempre no seu nível máximo de armazenamento; • A empresa utiliza o método de controle de entradas e saídas das mercadorias do estoque PEPS, onde as perdas de mercadorias devido a prazo de validade não chegam a 1% do total do estoque; • Por manter o nível do estoque sempre elevado, a empresa possui um grande custo de armazenagem, o qual não chega nem se quer a ser calculado; • A indisponibilidade de mercadorias no estoque com os pedidos feitos varia entre 10% a 15% do total deste. 48 5.2 RECOMENDAÇÕES PARA A EMPRESA A Atacadan poderia melhorar a sua eficiência logística, como também minimizar os seus custos fazendo algumas mudanças nos seguintes aspectos: • Uma maior interação por parte da gestão de compras com a gestão de estoque; • Realizar as compras observando a quantia de itens estocados; • Elaborar um arranjo físico definindo o local de cada item no estoque de forma que melhore a eficiência nas expedições e nos recebimentos; • Realizar uma política de estoque mínimo que possa assegurar a não indisponibilidade de mercadorias para os clientes. 5.3 LIMITAÇÕES DA PESQUISA As limitações para a formulação deste trabalho foram: • Indisponibilidade de valores quantitativos e financeiros a respeito do estoque da empresa; • A falta de conhecimento técnico dos entrevistados para responder ao questionário restringiu a obtenção de informações; • Indisponibilidade do número de vendas mensais realizada pela empresa; 5.4 SUGESTÕES PARA NOVAS PESQUISAS Ao considerar e interpretar os dados, detectaram-se os seguintes temas para realização de novas pesquisas: • Analisar os efeitos causados no estoque devido à falta de comunicação entre o setor de compras e o setor de estoque; • Estudar as políticas de compras que possam minimizar a indisponibilidade de produtos para os clientes; • Estudar os efeitos que o arranjo físico de um armazém pode causar na eficiência no processo de expedição e recebimento de mercadorias; 49 • Estudar métodos de acompanhamento do desempenho do estoque; • Estudar métodos que possam avaliar as compras realizadas da empresa visando diminuir custos no estoque; • Estudar os resultados obtidos com a implantação da política de estoque ABC. 50 REFERÊNCIAS BERTAGLIA, Paulo Roberto Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. CARVALHO, José Meixa Crespo de Logística. 3. ed. Lisboa: Silabo, 2002. CHIAVENATO, I. Iniciação à Administração de Materiais, 3. ed. Mankron Books: São Paulo, 1991. CORRÊA, Carlos Alberto, e CORRÊA, Henrique Luiz. Administração de Produção e Operações: Manufatura e Serviços - Uma Abordagem Estratégica. São Paulo: Atlas, 2004. DIAS, Marco Aurélio P. Administração de Materiais: princípios, conceitos e gestão. 5ª ed., São Paulo, editora Atlas, 2005. FRANCISCHINI, G. Paulino. Administração de Materiais e do Patrimônio. São Paulo: Pioneira Thomson, 2007. LUBBEN, Richard T. Just-in-time – Uma Estratégia Avançada de Produção, 2. ed. São Paulo, McGraw-Hill, 1989. MARTINS, Petrônio Garcia e ALT. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais: uma abordagem logística. São Paulo: Saraiva, 2000. NOVAES, Antônio Galvão. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Distribuição. Rio de Janeiro: Campus, 2001. OLIVEIRA, Jailson Ribeiro de. Estudo das limitações dos sistemas de medição da produtividade em uma unidade produtiva do sub-setor cervejeiro da Indústria de bebidas. 2005. 282f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção). UFPB/CT/DEP/PPGEP, João Pessoa-PB. POZO, Hamilton. Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais: uma abordagem logística. São Paulo, Atlas, 2002. VALLE, B. M. Reduzir estoque aumenta eficiência organizacional. Parceria em qualidade. 1994. VIANA, J.J. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo, Atlas, 2002. 51 APÊNDICE A – Entrevista semi-estruturada aplicada junto aos responsáveis por compras e armazenagem da Atacadan Distribuidora UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS COORDENAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO SERVIÇO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ADMINISTRAÇÃO Prezados gestores da logística da Atacadan Distribuidora de Alimentos Visando ao cumprimento do Trabalho de Conclusão do Curso de Administração, da Universidade Federal da Paraíba, vimos solicitar de Vossa Senhoria responder o roteiro desta entrevista. O objetivo desta pesquisa consiste em descrever os impactos do processo de compras nos níveis de estoques da Atacadan Distribuidora de Alimentos LTDA. Desde já comprometemo-nos com a disponibilização dos resultados à empresa, bem como a fidelização as informações prestadas. Pesquisador: André Tadeu Targino Silva - Orientador: Prof. MS. Jailson Ribeiro de Oliveira Roteiro 1) Como está definida a responsabilidade pelo processo de compras? 2) Quais os produtos/categorias compradas? Categorias 3) Produtos Quantos produtos em estoque a empresa possui atualmente? obsoletos? Qual o percentual? 4) Quais os critérios de seleção de fornecedores? 5) Quais os indicadores de avaliação de desempenho dos fornecedores? 6) Qual a distância dos fornecedores dos produtos? Existem produtos 52 7) A empresa possui transporte próprio? Se positivo, qual a dimensão da frota? 8) Qual a política de frete da empresa (CIF- ou FOB). 9) Existe orçamento anual de compras? 10) Existe o planejamento de recursos materiais (MRP)? Caso sim, qual o software? Caso não, como é definido a periodicidade de compras? 11) Qual o tamanho da área da armazenagem da empresa? 12) A empresa mede o custo da armazenagem dos estoques? 13) A empresa utiliza armazéns terceirizados ou somente próprios? 14) Dentre as metodologias de controle de estoque estudadas nessa pesquisa, conhece-se a classificação ABC, o custo médio, os métodos PEPS e UEPS e o preço de reposição. Qual(is) a empresa utiliza? Descreve o processo de utilização. 15) Existe lote econômico de compras, ponto de pedido e estoque de segurança? 16) Como a empresa controla o giro de estoque? É feita uma classificação dos produtos em alto, médio e baixo giro? Utiliza-se gráficos ou planilhas de acompanhamento? 17) Quais os indicadores de avaliação dos estoques na empresa? Qual a freqüência e a forma de análise dos indicadores? Utiliza-se gráficos ou planilhas de acompanhamento dos estoques? 18) A empresa mede os custos de compras, estoque, armazenagem e transporte? Qual o método e a freqüência de medição e análise? 19) São realizados inventários? Qual o tipo, a freqüência e os resultados gerados? 20) O sistema de informação totaliza os estoques igualmente a contabilidade? São apuradas diferenças? Qual o % do custo de capital empregado? 21) Por que motivos ocorrem desperdícios e/ou avarias? Ocorrem furtos também? Qual o impacto desses ventos e riscos nos custos? Que medidas preventivas de gestão de materiais são adotadas? 22) Quais as ações tomadas em relações aos produtos obsoletos e/ou danificados? 23) A empresa embala alguns produtos em seu armazém? Essa operação agrega valor? 24) Como é estabelecido o layout do armazém, das prateleiras? Possui estrutura horizontal ou vertical de armazenagem? Quais os níveis de altura? Que equipamentos de movimentação são utilizados ( empilhadeira, porta paletes, carros plataformas, etc)? 25) A empresa mede a eficiência de armazenagem e de separação dos pedidos? Qual o tempo médio de separação dos pedidos (por categoria)? 26) Ocorre indisponibilidade de produtos para os clientes? Qual o custo dessa falta? Com que freqüência? Quais as ações tomadas para prevenir?