UNISALESIANO Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium Curso de Ciências Contábeis Adriana Pereira de Carvalho Elza Mathias da Silva Guilherme Cardoso Teixeira OS NOVOS PADRÕES INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. EPP LINS-SP LINS-SP 2011 ADRIANA PEREIRA DE CARVALHO ELZA MATHIAS DA SILVA GUILHERME CARDOSO TEIXEIRA OS NOVOS PADRÕES INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à Banca Examinadora do Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, curso de Ciências Contábeis sob a orientação do Profº Me. Ricardo Gonçalves dos Santos e Profª Ma. Heloisa Helena Rovery da Silva. LINS-SP 2011 Carvalho, Adriana Pereira de; Silva, Elza Mathias da; Teixeira, Guilherme Cardoso. C321n Os novos padrões internacionais de contabilidade: Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. / Adriana Pereira de Carvalho; Elza Mathias da Silva; Guilherme Cardoso Teixeira – – Lins, 2011. 98p. il. 31cm. Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium – UNISALESIANO, Lins-SP, para graduação em Ciências Contábeis, 2011. Orientadores: Ricardo Gonçalves dos Santos; Heloisa Helena Rovery da Silva 1. Demonstração Contábil. 2. Lei 11.638/07. 3. Transparência Contábil. 4. Padrão Internacional de Contabilidade. I Título. CDU 657 ADRIANA PEREIRA DE CARVALHO ELZA MATHIAS DA SILVA GUILHERME CARDOSO TEIXEIRA OS NOVOS PADRÕES INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE Monografia apresentada ao Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis. Aprovada em: _____/______/_____ Banca Examinadora: Prof Orientador: Ricardo Gonçalves dos Santos Titulação: Mestre em contabilidade avançada - Unimar Assinatura:_________________________________ 1º Prof(a): ______________________________________________________ Titulação: ______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura:_________________________________ 2º Prof(a): ______________________________________________________ Titulação: ______________________________________________________ _______________________________________________________________ Assinatura:_________________________________ Agradeço primeiramente a Deus pelo dom de me proporcionar tantas coisas boas e pessoas que me cercam e que me enchem de alegria. Agradeço minha mãe Romilda, meus irmãos Hamilton, Alessandra e Alex por fazerem parte de minha vida e me darem força para continuar esta batalha que está sendo vencida. Minha sogra Neuza, sobrinhos e cunhados por fazerem parte desta minha luta nestes quatro anos. Aos meus amigos Elza e Guilherme que fizeram parte diretamente da conclusão deste trabalho. Obrigada meu Deus por me oferecer essa família especial e amigos sinceros que me apoiaram. O meu especial agradecimento é para meu esposo Renato e minha filha Ana Beatriz que tiveram que abdicar da presença de mulher e mãe nesse período superado, eles se sacrificaram por mim, sacrifício esse que agora será recompensado. Obrigada de coração e quero dizer que o AMOR que sinto por vocês é INCONDICIONAL capaz de quebrar barreiras para sermos felizes. Obrigada por tudo... Adriana A Deus Por estar sempre ao meu lado me guiando, pelo dom da vida, pela determinação que me foi dada, obrigada pela dádiva de concluir minha graduação e por me permitir a realização deste trabalho que foi tão gratificante e recompensador. A minha Mãe Maura, Dedico a minha mãe este trabalho por ser uma batalhadora, e acima de tudo por me ensinar a lutar sempre e jamais desistir sem tentar mais uma vez. Obrigada mãe pela educação que você me deu, pelo carinho, por sempre acreditar em mim, por estar ao meu lado nos momentos bons e ruins, obrigada por entender como era importante para mim o estudo e por me ajudar a conquistá-lo dia após dia. Te amo muito. Ao meu namorado Rodney, Que sempre me ajudou e entendeu minhas ausências, por ficar ao meu lado nos finais de semana para o desenvolvimento deste sonho, pela ajuda sempre disposta. Obrigada por ser meu alicerce e meu amigo quando eu mais precisei. Te amo pra vida toda. A minha irmã Polyanna, Que foi a primeira a me incentivar a fazer faculdade e por me mostrar como este sonho podia ser realizado e que ele não terminava com o fim da graduação e sim que era apenas o inicio de uma grande caminhada. Obrigada simplesmente por ser minha irmã. A toda aminha família, Por entender minhas faltas em reuniões de família, por ter colocado este trabalho como minha prioridade no momento. Obrigada pelo apoio que vocês me deram e principalmente pela compreensão. A Adriana e Guilherme, Obrigada meus amigos por fazerem parte do meu sonho e de me ajudar a realizá-lo, pela dedicação e pelo companheirismo que tivemos para conseguir obter o resultado esperado. Obrigado por fazerem parte de um pedaço da minha vida que eu jamais vou esquecer. Elza Agradeço primeiramente a Deus, por ter iluminado o meu caminho, não só no período da faculdade, mas também em toda a minha vida. Aos meus pais, por todo amor e dedicação para comigo, sendo fundamentais no desenvolvimento do homem que sou hoje e que são tomados como referência por mim, ao meu irmão que sempre esteve ao meu lado e toda a minha família. Agradeço a minha namorada Carolina, que sempre esteve presente em todos os momentos importantes dessa reta final, me apoiando em minhas decisões e me dando amor e forças para continuar com a jornada, obrigado VIDA. Aos meus colegas de sala, no qual passamos por momentos felizes, tristes, tensos, mas que serviram para o crescimento individual. Agradeço em especial a Elza e Adriana, que mesmo com diferenças puderam somar para essa conquista tão importante em nossas vidas, sempre tendo paciência e compreensão para comigo. Agradeço ainda a todos os profissionais da instituição que contribuíram direta ou indiretamente no processo de formação profissional e pessoal, em especial ao nosso orientador o Prof. Ricardo Gonçalves pela paciência e incessante incentivo. Guilherme Agradecimentos Agradecemos primeiramente a Deus, pelo dom a nós oferecidos, capacidade, inteligência e força de vontade de conquistar todos objetivos, superar os desafios e vencer todas as barreiras e obstáculos. Obrigado Deus por nos iluminar nos momentos mais difíceis das nossas vidas, sempre nos mostrando um caminho quando imaginávamos que nada mais poderia dar certo. Aos professores orientadores Profº Me Ricardo Gonçalves dos Santos e Profª Ma Heloísa Helena Rovery da Silva, que estavam sempre dispostos a nos atender com um conselho amigo e senso crítico. Agradecemos especialmente ao Profº Me Ricardo Gonçalves dos Santos que gentilmente cedeu, além de material teórico, compartilhou conosco seu conhecimento intelectual. A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP, que nos recebeu de braços abertos, cedendo todas as informações necessárias para que esta pesquisa fosse realizada. A todos os professores que ao longo destes quatro anos sempre nos preencheu de conhecimento e jamais deixaram de acreditar que fossemos capazes de realizar algo mais. Obrigado por todos os incentivos, pelas palavras amigas e conselhos certeiros nas horas que mais necessitávamos. Obrigado pelas cobranças que se fizeram necessárias para que pudéssemos absorver corretamente cada conhecimento passado. Aos colegas de sala que fazem parte eternamente de nossas vidas, pelo carinho e respeito que foi adquirido junto ao corpo docente. Obrigado pelas risadas gostosas que desfrutamos, pelas piadas contadas ou inventadas, pelos desentendimentos que tivemos e só nos ajudaram a crescer como pessoas e profissionais, por cada desafio superado e principalmente pela amizade que construímos ao longo destes quatro anos. Muito obrigado pela companhia de todas as noites e das conversas construtivas. Aos companheiros e amigos da monografia que aprendemos que juntos somos mais fortes que sozinhos e que podemos alcançar até as estrelas se quisermos. Cada dificuldade vencida e cada alegria compartilhada. RESUMO Com a constante inovação e exigência do mercado mundial, a contabilidade adquiriu uma grande importância neste cenário. Bem explorada pode ser uma aliada para empresários obterem informações seguras da empresa, podendo assim se desenvolver de maneira coerente. Os novos padrões internacionais de contabilidade citados pela Lei 11.638/07, vieram para modernizar e trazer transparência para a contabilidade em âmbito mundial. As alterações impactaram mais nas demonstrações contábeis, mudando nomenclaturas e estruturas, no entanto, a essência de cada demonstração permaneceu intacta. A demonstração de origens e aplicações de recursos deixou de ser obrigatória a publicação e passou a ser facultativa como informação complementar. Em seu lugar foi introduzida a demonstração dos fluxos de caixa e a demonstração do valor adicionado, sendo esta exigida para empresas de capital aberto. Os novos padrões são obrigatórios para companhias de grande porte e instituições financeiras, já estando obrigadas desde 2010. Pequenas e médias empresas ainda não são obrigadas, porém nota-se uma grande mobilização para adequação aos novos padrões contábeis, pois estas empresas podem, em um futuro não tão distante, lucrar muito com esta adequação nacional e internacional, nem todas as modificações poderão ser evidenciadas pelas pequenas e médias empresas, por se tratarem de fatos não vivenciados em seu dia a dia. A empresa Furlan Festas e Comércio de Doces Ltda. EPP é uma empresa de pequeno porte e entendendo a oportunidade e a necessidade destas adequações, desde 2010 já tem suas demonstrações contábeis totalmente dentro dos novos padrões internacionais de contabilidade. Para tal verificação foi desenvolvida uma pesquisa de campo na empresa e apresentada uma comparação com o antes e depois da Lei 11.638/07. Palavras-chave: Demonstração Contábil. Lei Contábil. Padrão Internacional de Contabilidade. 11.638/07. Transparência ABSTRACT With constant innovation and market demand worldwide, accounting acquired a great importance in this scenario. Well explored, it can be an ally for entrepreneurs obtain reliable information of the company, so it can develop coherently. The new international accounting standards cited by law 11.638/07, came to modernize and bring transparency to the accounts worldwide. The changes have impacted more on the financial statements, changing nomenclatures and structures, however, the essence of each statement remained intact. The demonstration of sources and uses of funds is no longer optional and has become facultative as supplementary information in its place was introduced the statement of cash flows and statement of value added, the second one is only for publicly traded companies. The new standards are required only for large companies and financial institutions, as being required since 2010. Small and medium business are not required, however the adaptation to the new accounting standards is about to be a general rule, because these companies may, in a not so distant future, profit greatly from such modulation nationally and internationally, of course, not all modifications may be evidenced by small and medium enterprises, as these are facts not experienced in their day by day. The company Furlan Festas e Comércio de Doces Lda EPP is a small company and understanding the opportunity and need for these adjustments, since 2010 already has its financial statements fully in agreement to the new international accounting standards. For such verification was carried out a research in the company and presented a comparison with the before and after the Law 11.638/07. Keywords: Financial statement. Law 11.638/07. Accounting transparency. International Accounting Standards. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Fachada atual da Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP ....... 35 Figura 2: O sócio Sr. Ezequiel Benedito Marciano, a funcionária Sra. Ivonete Alves Vieira e o funcionário mais antigo Sr. Anderson Gustavo Marciano........ 39 Figura 3: Sr. Ezequiel Benedito Marciano e funcionários ................................. 40 Figura 4: Clientes. ............................................................................................. 42 Figura 5: Variedades de doces ......................................................................... 44 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Balanço patrimonial antes a Lei 11.638/07 ...................................... 49 Quadro 2: Demonstração do resultado do exercício antes a Lei 11.638/07...... 51 Quadro 3: Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados antes a Lei 11.638/07 .......................................................................................................... 53 Quadro 4: Demonstração da mutação do patrimônio líquido antes a Lei 11.638/07 .......................................................................................................... 54 Quadro 5: Reservas antes a Lei 11.638/07....................................................... 55 Quadro 6: Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos antes da Lei 11.638/07 .......................................................................................................... 56 Quadro 7: Balanço Patrimonial após a Lei 11.638/07 ....................................... 58 Quadro 8: Demonstração do resultado do exercício após a Lei 11.638/07....... 61 Quadro 9: Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados após a Lei 11.638/07 .......................................................................................................... 63 Quadro 10: Demonstração da mutação do patrimônio líquido após a Lei 11.638/07 .......................................................................................................... 64 Quadro 11: Reservas de lucros após a Lei 11.638/07 ...................................... 65 Quadro 12: Demonstração do fluxo de caixa pelo método direto após a Lei 11.638/07 .......................................................................................................... 66 Quadro 13: Demonstração do fluxo de caixa pelo método indireto após a Lei 11.638/07 .......................................................................................................... 67 Quadro 14: Demonstração do valor adicionado após a Lei 11.638/07 ............. 69 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CCL: Capital Circulante Líquido CFC: Conselho Federal de Contabilidade CNAE: Classificação Nacional de Atividade Econômica CNPJ: Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica COFINS: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social CPC: Comitê de Pronunciamentos Contábeis CS: Contribuição Social CSLL: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CVM: Comissão de Valores Mobiliários DASN: Documento de Arrecadação do Simples Nacional DFC: Demonstração dos Fluxos de Caixa DLPA: Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados DMPL: Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DOAR: Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos DRE: Demonstração do Resultado do Exercício DVA: Demonstração do Valor Adicionado ECD: Escrituração Contábil Digital EFD: Escrituração Fiscal Digital EPP: Empresa de Pequeno Porte FGTS: Fundo de Garantia por Tempo de Serviço IBRACON: Instituto dos Auditores Independentes do Brasil ICMS: Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços IE: Inscrição Estadual IFRS: International Financial Reporting Standards INSS: Instituto Nacional do Seguro Social IPI: Imposto sobre Produtos Industrializados IR: Imposto de Renda IRPJ: Imposto de Renda Pessoa Jurídica LTDA: Limitada PME: Pequenas e Médias Empresas NF-e: Nota Fiscal Eletrônica NPC: Normas e Procedimentos da Contabilidade PIS: Programa de Integração Social PCLD: Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa PVA: Programa Validador e Assinador S A: Sociedade Anônima SPED: Sistema Público de Escrituração Digital SUMÁRIO INTRODUÇÃO .................................................................................................. 16 CAPÍTULO I - A EVOLUÇÃO DAS PRÁTICAS CONTÁBEIS ......................... 19 1 A EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE ....................................................... 19 1.1 O profissional contábil ............................................................................. 19 1.2 International financial reporting standards (IFRS) ................................... 20 1.3 IFRS – Aplicado para pequenas e médias empresas ............................. 21 1.4 Plano de contas ...................................................................................... 21 1.5 Demonstrações Contábeis ...................................................................... 23 1.5.1 Balanço Patrimonial ............................................................................... 24 1.5.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) .................................... 25 1.5.3 Demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR) .............. 26 1.5.4 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) ................. 26 1.5.5 Notas explicativas .................................................................................. 27 1.6 Lei 11.638/07 .......................................................................................... 28 1.7 Novas estruturas contábeis ..................................................................... 29 1.7.1 Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) .............................................. 30 1.7.2 Demonstração do valor adicionado (DVA) ............................................. 32 1.8 Depreciações .......................................................................................... 33 CAPÍTULO II - FURLAN FESTAS COMÉRCIO DE DOCES LTDA-EPP......... 35 2 FUNDAÇÃO DA FURLAN FESTAS COMÉRCIO DE DOCES LTDA- EPP.... ............................................................................................................... 35 2.1 Evolução histórica ................................................................................... 36 2.2 Ramo de atuação .................................................................................... 36 2.3 Aspectos legais e fiscais ......................................................................... 37 2.4 Objetivos ................................................................................................. 38 2.5 Agente Internos ....................................................................................... 38 2.5.1 Administrativo ......................................................................................... 38 2.5.2 Contabilidade ......................................................................................... 39 2.5.3 Colaboradores ........................................................................................ 40 2.5.4 Sistema de informação ........................................................................... 41 2.6 Agentes Externos .................................................................................... 41 2.6.1 Clientes .................................................................................................. 41 2.6.2 Fornecedores ......................................................................................... 42 2.6.3 Concorrentes .......................................................................................... 43 2.7 Produtos.................................................................................................. 43 2.8 Marketing e propaganda ......................................................................... 45 2.9 Expansão ................................................................................................ 45 CAPÍTULO III - DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ANTES E DEPOIS DA LEI nº 11.638/07 ............................................................................................... 47 3 3.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 47 Análise das demonstrações contábeis antes da Lei 11.638/07 .............. 48 3.1.1 Balanço patrimonial ................................................................................ 48 3.1.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) .................................... 51 3.1.3 Demonstrações dos lucros e prejuízos acumulados (DLPA).................. 52 3.1.4 Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) ................. 54 3.1.5 Demonstrações das origens e aplicações de recursos (DOAR)............. 56 3.1.6 Notas explicativas .................................................................................. 57 3.2 Análise das demonstrações contábeis após a Lei 11.638/07 ................. 58 3.2.1 Balanço patrimonial ................................................................................ 58 3.2.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) .................................... 61 3.2.3 Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados ................................ 62 3.2.4 Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) ................. 63 3.2.5 Demonstrações dos fluxos de caixa (DFC) ............................................ 65 3.2.6 Demonstrações do valor adicionado (DVA)............................................ 67 3.2.7 Notas explicativas .................................................................................. 69 CAPÍTULO IV - A RELAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E AS NOVAS EXIGÊNCIAS DA CONTABILIDADE ................................................. 70 4 A RELAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ............................. 70 4.1 Balanço patrimonial ................................................................................. 70 4.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) ..................................... 71 4.3 Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) .................... 71 4.4 Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) .................. 71 4.5 Demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR) ............... 72 4.6 Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) e Demonstração do valor adicionado (DVA) .............................................................................................. 72 4.7 Notas explicativas ................................................................................... 73 4.8 Aplicação das demonstrações contábeis ................................................ 73 4.8.1 As novas práticas contábeis para empresas de pequeno porte ............. 73 4.8.2 As demonstrações contábeis aplicadas na Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP ............................................................................................ 74 4.8.3 Utilização das demonstrações contábeis ............................................... 75 4.9 As novas exigências ............................................................................... 75 4.9.1 Sistema público de escrituração digital (SPED) ..................................... 75 4.9.1.1Contábil .................................................................................................. 76 4.9.1.2Fiscal...................................................................................................... 77 4.9.1.3Nota fiscal eletrônica (NF-e) .................................................................. 79 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO ..................................................................... 80 CONCLUSÃO ................................................................................................... 81 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 83 APÊNDICES ..................................................................................................... 85 ANEXO ............................................................................................................. 91 16 INTRODUÇÃO A contabilidade brasileira vem se adequando desde 2007 com a Lei 11.638, que veio modificar a Lei 6.404/76. A criação desta Lei foi necessária para padronizar a contabilidade brasileira com a contabilidade internacional, para que se possa obter o mesmo padrão de informação gerada a partir das demonstrações contábeis. A Lei 11.638/07 vem ao encontro do International Financial Reporting Standards (IFRS), que são as novas práticas contábeis adotadas recentemente pelo Brasil. Com as novas práticas contábeis será obtida uma informação com maior transparência gerada pelas demonstrações contábeis. Com esta adoção qualquer profissional e investidor, mesmo que este seja leigo no assunto, poderá obter informações mais claras e simplificadas, para atender a sua necessidade. O IFRS somente é obrigado para as sociedades anônimas, instituições financeiras e empresas que tiveram faturamento bruto de mais de R$ 300 milhões no ano ou que dispõem de ativos totais acima dos R$ 240 milhões. Sendo assim desde 2010 já estão obrigadas a publicar suas demonstrações contábeis de acordo com os padrões internacionais. Embora as médias e pequenas empresas ainda não sejam obrigadas a se adequarem, é importante que estas se atualizem. Os benefícios gerados serão significantes principalmente aos olhos de futuros investidores. Outro aspecto importante é o crescimento que ela pode alcançar, dentro e até fora do país, principalmente junto aos bancos, para conseguir melhores financiamentos. Os impactos das modificações sofridas foram principalmente quanto a nomenclaturas e estrutura das demonstrações contábeis. Algumas contas foram extintas para o surgimento de novas. Com a implantação da Lei 11.638/07 foram introduzidas as demonstrações do fluxo de caixa (DFC) e as demonstrações do valor adicionado (DVA) que somente empresas de capital aberto são obrigadas a publicar. Com a implantação destas a demonstração das origens e aplicações 17 de recursos (DOAR) deixou de ser obrigatória passando a ser facultativa sua utilização como informação complementar. A figura da profissional contábil passou a ter uma posição ainda mais importante, pois é ele quem ficará responsável pela adequação das empresas à Lei 11.638/07. Este também passou a ser mais valorizado, pois como o assunto ainda é recente, embora a Lei seja de 2007, esta passou a ser obrigatória somente em 2010, sendo assim, pouco se sabe sobre este assunto, ficando a responsabilidade de atualização constante e estar sempre atento a novos pronunciamentos ainda bem frequentes. Além das alterações trazidas pela Lei 11.638/07, a contabilidade brasileira, passou a ter mais obrigações acessórias com a introdução da nota fiscal eletrônica (NF-e), a escrituração contábil digital (ECD) e a escrituração fiscal digital. (EFD), com isso a receita federal tem um controle absoluto perante as empresas. Com o objetivo de demonstrar a importância e os benefícios que as novas práticas contábeis internacionais trouxeram para as empresas, foi realizada uma pesquisa de campo na empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda., estabelecida na Rua Floriano Peixoto, 1.127, centro, Lins/SP. A empresa atua nos ramos de festas, sorveterias, confeitarias, lanchonetes, embalagens descartáveis, chocolates e doces em geral. Atualmente conta com nove colaboradores, atendendo o comércio de Lins e região. A pergunta problema que norteou a pesquisa foi: A implantação dos padrões internacionais de contabilidade nas empresas é uma ferramenta que possibilita uma melhor análise das demonstrações contábeis? Para tal questionamento levantou-se a hipótese de que os padrões internacionais de contabilidade possibilitam uma melhor interpretação das demonstrações contábeis, possibilitando uma maior abertura para as empresas que praticam o comércio internacional, trazendo muitos benefícios, como a fácil troca de informação. Para a realização da pesquisa foram utilizados os métodos e técnicas descritos no capítulo III da pesquisa. O trabalho está assim estruturado: 18 Capítulo I – discorre sobre a fundamentação teórica da evolução das práticas contábeis. Capítulo II – aborda a evolução histórica da empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. EPP. Capítulo III – demonstra a pesquisa sobre as demonstrações contábeis antes e após a Lei 11.638/07. Capítulo IV - demonstra a pesquisa sobre a relação das demonstrações contábeis na empresa Furlan e as novas exigências da contabilidade. Por fim, apresentam-se a proposta de intervenção e a conclusão. 19 CAPÍTULO I A EVOLUÇÃO DAS PRÁTICAS CONTÁBEIS 1 A EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE A contabilidade brasileira vem se adequando desde 2007 com a Lei 11.638, que veio modificar a Lei 6.404/76. A criação desta Lei foi necessária para padronizar a contabilidade brasileira com a contabilidade internacional, para que se possa obter o mesmo padrão de informação gerada a partir das demonstrações contábeis. Com esta unificação na contabilidade, o padrão de informação gerada tem a mesma qualidade em todos os países que aderiram a norma. Esta mudança facilita a leitura das demonstrações contábeis junto a seus investidores de dentro e fora do país. As médias e pequenas empresas também podem lucrar muito com esta modernização, ainda que não sejam obrigadas a se adequarem. É importante que estas se atualizem, pois os benefícios gerados serão significantes, principalmente aos olhos de futuros investidores. Outro aspecto importante é o crescimento que elas podem alcançar, dentro e até fora do país, principalmente junto aos bancos, para conseguirem melhores empréstimos. Para as pequenas e medias empresas, já prevendo a dificuldade de aplicação da nova legislação, foi criado por órgãos internacionais um conjunto de procedimentos mais enxuto, algo já adaptado e aprovado pelo CPC e pelo CFC, e que foi batizado no País por CPC PME. (DAVID FILHO, 2010, p. 16). 1.1 O profissional contábil O papel do profissional contábil é de extrema importância para que a adequação às novas normas de contabilidade aconteça de forma satisfatória, 20 no entanto este deve se atualizar constantemente, não só para prestar serviços de qualidade, como também para atender as exigências que se tornaram maiores. O conhecimento não se faz obrigatório apenas da parte teórica das novas normas, mas também é preciso estar em sintonia com as atividades exercidas pela empresa, com isto o seu domínio estará por completo, unindo a teoria contábil à prática da empresa. A implementação das Normas Internacionais de Contabilidade deve ser executada por profissionais qualificados e devidamente treinados, a fim de obter êxito em sua modificação de contabilidade local para a contabilidade internacional. Deve também, o responsável pela transição estar o mais atualizado possível, pois como se trata de um assunto recente, o mesmo tem sofrido diversas mudanças, as vezes uma seguida da outra. (RIBEIRO, 2010, p. 189). 1.2 International financial reporting standards (IFRS) O International Financial Reporting Standards (IFRS ), são as novas práticas contábeis adotadas recentemente pelo Brasil. O IFRS objetiva uma melhor e mais transparente informação gerada pelas demonstrações contábeis. Com esta adoção, qualquer profissional que entenda de contabilidade poderá suprir as suas necessidades e terá todas as informações da empresa que necessitar. No entanto, não é tão simples, pois em cada lugar se fazia uma interpretação contábil com caminhos diferentes obtendo o mesmo resultado. Isso se deve um pouco à cultura de cada lugar. Agora, com a implantação do IFRS os caminhos devem ser padronizados. Considerando que cada país tem seu conjunto de leis, regras, filosofias, procedimentos, objetivos (buscam proteger seus interesses nacionais) é razoável supor que os sistemas contábeis de cada país venham a ser impactados por tais medidas, dependendo do seu grau de influência sobre os outros. (NIYAMA, 2005, p. 21) O IFRS somente é obrigado para as sociedades anônimas, instituições financeiras e empresas que tiveram faturamento bruto de mais de R$ 300 milhões no ano ou que dispõem de ativos totais acima dos R$ 240 milhões. 21 Sendo assim, desde 2010 já estão obrigadas a publicar suas demonstrações contábeis de acordo com os padrões internacionais. As Leis nº 11.638/07 e 11.941/09 e os pronunciamentos contábeis do CPC se aplicam a todas sociedades por ações de capital aberto e fechado, instituições financeiras bancárias e não bancárias e as grandes empresas mesmo sendo de capital fechado (limitadas). (LEITE, 2011, p. 1) 1.3 IFRS – Aplicado para pequenas e médias empresas O fato de as normas internacionais estarem voltadas às companhias e às empresas de grande porte não quer dizer que as pequenas e médias empresas não possam aderir a essa nova forma contábil. Até pequenas e médias empresas de capital limitado de maneira simplificada devem adotar essas novas normas contábeis, para facilitar o seu acesso ao crédito, melhorar e aumentar a sua transparência corporativa, viabilizar investimentos e ainda facilitar a contratação dos seus serviços. (LEITE, 2011, p. 1) Existe a necessidade de convergência dos padrões internacionais para todos os tipos de empresas e a adoção do IFRS para as pequenas e médias empresas aprimorará a qualidade das demonstrações contábeis de uso geral e, se todas as entidades se adequarem às novas normas, as demonstrações contábeis das pequenas e médias empresas (PMES) serão comparáveis entre si, obtendo sua forma contábil uniforme permitindo, assim, uma visão mais clara e de fácil entendimento, inclusive em âmbito internacional. 1.4 Plano de contas O plano de contas é uma das ferramentas mais importante e indispensável que o profissional contábil utiliza. Cada profissional pode, dentro da lei e de suas normas, elaborar um plano de contas que melhor se adapte à empresa. 22 Plano de Contas é um conjunto de determinadas contas em função do ramo de atividade e porte de cada empresa. Nele são apresentadas as contas, títulos e descrição de cada uma, bem como os regulamentos e convenções que regem o uso do plano e de suas contas integrantes do sistema contábil da entidade, tendo como finalidade servir de guia para o registro e para demonstração dos fatos contábeis. Plano de Contas é a estrutura básica da escrituração contábil, pois é com sua utilização que se estabelece o banco de dados com informações para geração de todos os relatórios e livros contábeis, tais como: Diário, Razão, Balancete, Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultados e Análises, além de outros. (ESCRITURAÇÃO..., 2008). O plano de contas geral a partir da Lei nº 11.638/07 se divide em cinco grupos, o primeiro são todas contas que compõem o ativo, o segundo as contas que compõem o passivo, o terceiro são as contas que compõem o resultado líquido do período, o quarto são as contas superávit/déficit líquido do período e o quinto grupo que são as contas do custo de produção. É a partir deste plano de contas que as empresas desde o início de 2008 devem se basear, pois é deste modo que o plano de contas internacional está dividido e, como o Brasil adotou as normas IFRS, todas as empresas devem se adequar e se orientar pela nova estrutura do plano de contas. Uma grande mudança que se pode evidenciar principalmente no balanço patrimonial é a nova divisão do ativo e passivo em circulante e não circulante. O ativo ficou distribuído em circulante, onde se encontram os direitos a receber em curto prazo e as despesas antecipadas. O não circulante caracteriza os bens e direitos em longo prazo. Este grupo era apresentado antes da seguinte forma: havia dois grupos: o realizável em longo prazo e o ativo permanente, que continha os investimentos da empresa, todo seu imobilizado, as depreciações acumuladas e também a parte do diferido. Hoje o ativo não circulante continua a apresentar as contas de realizável a longo prazo, investimentos, imobilizados, depreciação acumulada, diferido e a nova conta intangível, porém o ativo permanente foi extinto. O passivo circulante corresponde às contas de obrigações em curto prazo e aos recebimentos adiantados. O passivo não circulante corresponde às obrigações em longo prazo e às receitas diferidas. 23 O passivo não sofreu muitas alterações, a não ser a divisão em dois grupos: circulante e não circulante. O passivo não circulante continua sendo composto pelo exigível em longo prazo e pelas receitas diferidas. O patrimônio líquido caracteriza as contas de capital próprio e este foi um dos grupos que mais sofreu alterações, pois antes da Lei 11.638/07, havia as contas de capital, reservas e lucros/prejuízos acumulados. Hoje o patrimônio líquido continua com as contas referente a capital, reservas e foi incorporado pelas contas ajustes de avaliação patrimonial que substituiu a conta ajuste de reavaliação e a extinção da conta lucros acumulados. Não houve muitas alterações no plano de contas, no entanto as mudanças ocorridas foram de extrema importância para a adequação às novas normas internacionais de contabilidade. 1.5 Demonstrações Contábeis As demonstrações contábeis são uma representação monetária estruturada da posição patrimonial e financeira em determinada data e das transações realizadas por uma entidade no período findo nessa data. (IBRACON - NPC 27 apud ZANLUCA, 2011, p. 1). Demonstração contábil é a escrituração dos movimentos financeiros de uma empresa. Anualmente as empresas são obrigadas a elaborarem as demonstrações contábeis, para que isso ocorra sua escrituração deve estar de acordo com a legislação comercial art. 176, I a III da Lei nº 6.404/1976 e da legislação do imposto de renda art. 274 do RIR/1999 somente para as empresas com o seu regime de tributação no lucro real. O objetivo das demonstrações contábeis de uso geral é fornecer informações sobre a posição patrimonial e financeira, o resultado e o fluxo financeiro de uma entidade, que são úteis para uma ampla variedade de usuários na tomada de decisões. (IBRACON - NPC 27 apud ZANLUCA, 2011, p. 1) As empresas devem apurar seu lucro líquido a partir da elaboração das seguintes demonstrações contábeis: balanço patrimonial, demonstrações do resultado do exercício (DRE), demonstrações de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), notas explicativas, além dessas demonstrações há 24 também a demonstração das origens e aplicações dos recursos (DOAR) que é aplicado às companhias de capital aberto e às de capital fechado que possuam um patrimônio líquido superior a R$ 1.000.000,00. 1.5.1 Balanço Patrimonial É uma demonstração contábil que evidencia a situação patrimonial de uma empresa, sendo constituído pelo ativo, onde aplicam os recursos representados pelos bens e direitos e pelo passivo, onde constam as origens de recursos representados por obrigações e pelo patrimônio líquido que representa os recursos próprios da empresa. “O Balanço Patrimonial é a demonstração contábil destinada a evidenciar, quantitativa e qualitativamente, em determinada data, a posição patrimonial e financeira da entidade”. (SILVA et al., 2002, p. 73). Ele é dividido por duas colunas, ativo, passivo e patrimônio líquido. O ativo é dividido em circulante e não circulante. O circulante são as contas que têm giro constante dentro da empresa, é o caso do caixa, do banco, estoques e clientes. O grupo não circulante, são contas que não giram no mesmo ritmo do primeiro grupo. Este ainda se divide em ativo realizável em longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível, pois a conta diferido foi extinta pela Lei nº 11.941/09. O passivo é divido em circulante, onde é demonstrado o capital de terceiros investido na empresa, podendo ser considerado como as obrigações da empresa dentro do exercício, por exemplo, fornecedores, empréstimos em curto prazo, obrigações sociais e tributarias. Já o passivo não circulante é caracterizado pelas contas que ultrapassem o exercício em execução, por exemplo, exigível em longo prazo, resultados de exercícios futuros. O patrimônio líquido é onde se demonstra o capital próprio da empresa e o resultado obtido nos exercícios passados e atuais. Ele é divido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados A conta reservas de reavaliação 25 foi substituída pela conta ajuste de avaliação patrimonial através da Lei nº 11.638/07. As contas são classificadas de acordo com o que se registra e agrupadas de modo que facilite o conhecimento e a análise à situação financeira. 1.5.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) A demonstração do resultado do exercício (DRE) é uma demonstração contábil dinâmica que se destina a evidenciar a formação do resultado líquido em um exercício, através do confronto das receitas, custos e despesas, apuradas segundo o princípio contábil do regime de competência. O objetivo principal da DRE é apresentar de forma vertical resumida o resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas num determinado período, normalmente, de doze meses. De acordo com o artigo 187 da Lei nº 6.404/76, que instituiu a demonstração do resultado do exercício, as empresas deverão discriminar na DRE entre outros: a) a receita bruta e líquida das vendas e serviços, as deduções das vendas, o custo das mercadorias, os abatimentos e os impostos; b) as despesas com as vendas, as despesas financeiras, o lucro ou prejuízo operacional, o resultado do exercício antes do Imposto sobre a renda e a provisão para o imposto; c) o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. Embora sejam elaboradas anualmente para fins legais de divulgação, em geral são feitas mensalmente para fins administrativos e trimestralmente para fins legais de divulgação. Em geral, são feitos resultados gerados no exercício, mediante especificações das receitas, custos e despesas por naturezas dos elementos componentes, até o resultado líquido final (lucro ou prejuízo). A DRE, como uma demonstração contábil obrigatória a todos os tipos 26 societários, apresenta-se como extrema utilidade aos acionistas, e se direcionada aos usuários segundo seus interesses e que retrate a real situação da empresa será possível uma administração totalmente voltada à eficiência e à competência. A Lei nº 6.404/76 define o conteúdo da demonstração do resultado do exercício, que deve ser apresentado na forma dedutiva, com os detalhes necessários das receitas, despesas, ganhos e perdas e definindo claramente o lucro ou prejuízo do exercício, e por ação, sem confundir-se com a conta de lucros acumulados, onde é feita a distribuição ou alocação do resultado. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2009, p. 8) 1.5.3 Demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR) A demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR) procura evidenciar as origens de recursos que ampliam a folga financeira de curto prazo (ou o capital circulante líquido) e as aplicações de recursos que consomem essa folga. Para sua elaboração deve-se primeiro analisar as variações das contas não circulantes e depois as contas circulantes, mediante a variação obtida no capital circulante líquido (CCL). Esta estrutura tem como função demonstrar quais as origens e onde foram aplicados os recursos, tanto em investimentos em longo como em curto prazo. Até 31 de dezembro de 2007 ela era obrigatória para as companhias abertas e para as companhias fechadas com patrimônio líquido superior a R$ 1.000.000,00. A partir de 01 de janeiro 2008, a DOAR foi extinta, por força da Lei 11.638/2007, sendo obrigatória para apresentação das demonstrações contábeis encerradas somente até 31 de dezembro 2007. 1.5.4 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (DLPA) A demonstração de lucros e prejuízos acumulados é um relatório 27 contábil que evidencia os saldos da conta lucros ou prejuízos acumulados no início e no final do exercício, bem como as variações ocorridas no exercício, decorrentes de ajustes de exercícios anteriores, reversões de reservas, resultado do exercício, transferências para reservas, dividendos e a parcela incorporada ao Capital. De acordo com o Decreto Lei n° 6.404/76 de 15 de dezembro de 1976 em seu artigo 186 § 2º “[...] a companhia poderá, à sua opção, incluir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido”. (BRASIL, 1976, p. 74) A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá discriminar: a) o saldo do início do período e os ajustes de exercícios anteriores; b) as reversões de reservas e o lucro líquido do exercício; e c) as transferências para reservas, os dividendos, a parcela dos lucros incorporada ao capital e o saldo ao fim do período. 1.5.5 Notas explicativas As notas explicativas são informações complementares as demonstrações contábeis e apresenta parte integrante das mesmas. Elas podem tanto ser expressas na forma descritiva, como na forma de quadros analíticos, ou ainda englobar outras demonstrações contábeis que se faça necessário para uma melhor compreensão e um total esclarecimento dos resultados e da situação financeira da empresa. As notas podem ser usadas para descrever práticas contábeis utilizadas pela empresa, para explicações adicionais sobre determinadas contas ou operações específicas e ainda para composição e detalhes de certas contas. Segundo o Decreto Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976, Art. 176 § 4º [...] as demonstrações serão complementadas por Notas Explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados 28 do exercício. (BRASIL, 1976, p. 65). Um aspecto que deve ser ressaltado é que uma nota explicativa não justifica um erro contábil. É obrigatória e importante sua menção para esclarecimento do leitor das demonstrações contábeis; porém, o erro persiste, apesar de ser mencionado em uma nota explicativa. As Notas Explicativas visam fornecer as informações necessárias para esclarecimento da situação patrimonial, ou seja, de determinada conta, saldo ou transação, ou de valores relativos aos resultados do exercício, ou ainda, para menção de fatos que podem alterar futuramente tal situação patrimonial. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2009, p. 454). Uma nota explicativa poderá também estar relacionada a qualquer outra das demonstrações contábeis, seja qual ela for. Estas, sempre que relacionadas às demonstrações contábeis devem apresentar informações de maneira clara e ordenada. 1.6 Lei 11.638/07 Em 28 de dezembro de 2007 foi sancionada a Lei nº 11.638/07 que alterou a Lei nº 6.404/76, Lei das Sociedades por Ações, principalmente em suas disposições de natureza contábil. Alguns ajustes relativos à tributação e de outra natureza também foram inseridos. O primeiro artigo a sofrer alteração pela Lei 11.638/07 foi o art. 176 da Lei 6404/76, onde excluiu a demonstração de origens e aplicações de recursos (DOAR) como uma demonstração financeira obrigatória ao fim de cada exercício e a substitui pela demonstração dos fluxos de caixa (DFC). Além desta substituição, torna-se obrigatória, somente para as companhias abertas, a elaboração da demonstração do valor adicionado (DVA). O Art. 188 traz as especificações mínimas que deverão conter a demonstração dos fluxos de caixa e a demonstração do valor adicionado. A DFC é uma demonstração comum no âmbito financeiro e administrativo, auxiliando na tomada de decisão, ela demonstra tanto as variações ocorridas 29 no caixa como também as ocorridas nas contas correntes bancárias. A Lei 11.638/07 trouxe a expressão harmonização contábil, referindo-se ao fato de as companhias cumprirem, no decorrer da sua escrituração mercantil, com as normas contábeis emanadas pela Lei 6.404/76 e também com as normas edificadas pela CVM. Segundo o Decreto Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007, Art. 177, § 5º As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3 o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. (BRASIL, 2007, p. 1). Entende se que além dessa harmonização, é necessária também uma harmonização contábil com as normas internacionais de contabilidade, conforme prevê a própria legislação societária e a CVM. Uma mudança marcante foi a dos grupos de contas do balanço patrimonial. O ativo permanente ficou dividido em investimentos, imobilizado, intangível e diferido; o patrimônio líquido ficou dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados, onde deve ser observado que a conta lucros acumulados deixou de existir, ou seja, quando uma empresa auferir lucros, estes deverão ir para a conta reservas de lucros e ou dividendos a distribuir. 1.7 Novas estruturas contábeis A partir da Lei nº 11.638/07 houve algumas mudanças quanto às demonstrações contábeis, a DOAR deixou de ser exigida e em seu lugar entrou a demonstração dos fluxos de caixa (DFC), sendo logo depois instituída para as companhias abertas a demonstração do valor adicionado (DVA). As demais demonstrações continuam sendo exigidas para todo tipo de 30 empresa, balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício (DRE), demonstrações dos lucros e prejuízos acumulados e notas explicativas. As novas demonstrações estão valendo para os exercícios encerrados a partir de 01/01/2008. Os exercícios encerrados antes deste prazo ainda são obrigados a entregar a DOAR. O objetivo com as novas demonstrações é que se tenha uma informação de maneira mais rápida e simplificada, mesmo com a perda da DOAR, que trazia uma informação mais completa, a qualidade da informação não deve ser prejudicada, pois a integração com as informações trazidas pela demonstração do resultado do exercício (DRE) suprirá a antiga DOAR. Já há algum tempo se esperava uma alteração da DOAR pela DFC, porém a nova legislação não exclui a DOAR e sim deixa de exigir a obrigatoriedade de sua publicação, ou seja, as empresas que acharem que tal demonstração fornece informações mais ricas podem e devem continuar elaborando-a, como informação complementar. 1.7.1 Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) Segundo o Decreto Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007, em seu artigo 176, § 6º “A companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração dos fluxos de caixa.” (BRASIL, 2007, p.1). Está demonstração não é uma total novidade para as empresas, pois mesmo antes da Lei 11.638/07, que a passa ser obrigatória, o instituto dos auditores independentes do Brasil (IBRACON), através das normas e procedimentos da contabilidade (NPC) 20, de abril de 1999, recomenda que esta demonstração seja apresentada como informação complementar. “O objetivo primário da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é prover informações relevantes sobre os pagamentos e recebimentos, em dinheiro, de uma empresa, ocorridos durante um determinado período.” (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2009, p. 440). 31 A DFC é um relatório contábil importante, pois integra e complementa as informações nela contida com as informações fornecidas pela demonstração do resultado do exercício (DRE). As informações constantes nessas demonstrações deverão ser integradas, com o intuito de permitir melhor análise das situações econômica e financeira da empresa. Vem, portanto, a exigência da DFC suprir uma lacuna de informação contábil que existia. (FERNANDES, 2009, p. 10). O fluxo de caixa pode ser demonstrado de duas maneiras, o método direto e o método indireto. O primeiro método é considerado somente as operações que resultam na entrada ou saída de recursos financeiros do caixa, podendo ser pagamentos de venda ou compra à vista, recebimento de duplicatas, recebimento da venda de ativo imobilizado, pagamento de despesas entre outras operações que alterem o valor do caixa. É importante atentar-se que neste método não importa se terá ou não impacto no resultado da empresa (lucros ou prejuízos). O método indireto também é conhecido como método da reconciliação. Ele apresenta uma integração automática com a DRE, ou seja, os ingressos ou saídas de recursos financeiros do caixa que não influenciarão no resultado da empresa (lucros ou prejuízos), podendo ser duplicatas a receber, pagamento de parcela do valor principal de um empréstimo, importação, depreciação, entre outras operações. No início da DFC elaborada a partir do método indireto, tem se o resultado do período (lucro ou prejuízo), exatamente como apresentado na DRE, e no final obtém-se o saldo existente no caixa. Embora o objetivo da DFC não esteja intimamente ligado à parte tributária, ela é uma excelente conselheira quanto a parte de tributos, podendo gerar um relatório gerencial da parte tributária da empresa. [...] embora a demonstração dos fluxos de caixa não esteja diretamente relacionada as questões tributárias da empresa, ela pode ser um excelente instrumento para a gestão dos tributos e das estruturas contratuais com vista a redução da carga tributária. (FERNANDES, 2009, p. 12). A DFC é um instrumento muito útil para investidores e credores, principalmente quando analisado junto com as demais demonstrações financeiras, pois possibilita que se avaliem: 32 a) a capacidade de a empresa gerar futuros fluxos líquidos positivos de caixa; b) a capacidade de a empresa honrar seus compromissos, pagar dividendos e retornar empréstimos obtidos; c) a liquidez, solvência e flexibilidade financeira da empresa; d) a taxa de conversão de lucro em caixa; e) a performance operacional de diferentes empresas, por eliminar os efeitos de distintos tratamentos contábeis para as mesmas transações e eventos; f) o grau de precisão das estimativas passadas de fluxos futuros de caixa; g) os efeitos, sobre a posição financeira da empresa, das transações de investimentos e de financiamento. 1.7.2 Demonstração do valor adicionado (DVA) Se uma empresa for capital aberto, além da nova demonstração, a DFC, ela deverá apresentar a Demonstração do Valor Adicionado (DVA), que demonstra todo e qualquer aumento no capital da empresa, isto é, todas as operações efetuadas diretamente pela atividade da empresa. Esta demonstração também se completa com as informações contidas na DRE. Tanto a DFC quanto a DVA conversam com as informações contidas na DRE. Segundo Fernandes (2009, p. 64), “[...] pode-se dizer que a DVA é uma maneira de apresentação da DRE. Daí, a necessidade de que os valores informados em ambas as demonstrações sejam conciliados.” A DVA mostra toda a riqueza que a empresa conseguiu no exercício e para onde ela foi, ou seja, como a empresa administrou toda essa riqueza, incluindo os pagamentos de empregados e financiadoras. O valor da riqueza pode vir de dois lugares, da própria empresa e/ou de terceiros, e financiadores. sua distribuição para empregados e/ou investidores e 33 Deve constar também na DVA a parcela da riqueza gerada que não foi distribuída, pois ela permanece na empresa e deve ser incluída na demonstração. Uma DVA bem elaborada pode ajudar a empresa no lado tributário e evidenciar a margem de lucro da empresa, com isso ela conseguirá efetuar a pesquisa da margem do valor adicionado usado pela legislação do ICMS para o cálculo da substituição tributária, e mais, evidencia o que não é tributável e ajuda no cálculo do programa de integração social (PIS) e contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS). Desta maneira, ficou mais simples entender a real situação da empresa e se ter um maior controle das suas atividades, tomando, assim, as melhores decisões de maneira consciente para um crescimento sadio da empresa. 1.8 Depreciações As depreciações também sofreram uma alteração, porém esta não é obrigatória, fica a critério da empresa se irá ou não utilizá-la. O grande problema desta nova maneira de depreciação do ativo imobilizado acaba sendo o alto custo que esta operação pode causar. Há uma possibilidade de depreciação trazendo o imobilizado a valor de mercado e não mais depreciando por taxas já estabelecidas, ou seja, o imobilizado passa por uma avaliação e esta deve ser feita por profissionais especializados. A depreciação também pode ser feita através da vida útil do bem, no entanto, esta nova possibilidade não está sendo aderida em massa, até mesmo internacionalmente é uma minoria de empresa que adotou a nova depreciação. A avaliação do bem para trazer a valor de mercado deve ser feita por profissionais especializados. Esta forma pode trazer vantagens positivas à empresa, aumentando seu lucro. Alguns especialistas dizem que nem todas as empresas devem fazer esse tipo de depreciação, somente as empresas que tiverem muito maquinário e que ainda renda muito para a empresa. Como esta forma de depreciação não é obrigada, a comissão de valores 34 mobiliários (CVM) determinou que as empresas que não adotarem a nova forma de depreciação devem informar em seus balanços na forma de notas explicativas. Assim, pode-se dizer que existem pontos positivos, como também negativos, pois no momento pode estar dando lucro para a empresa, mas futuramente pode interferir na distribuição de dividendos. 35 CAPÍTULO II FURLAN FESTAS COMÉRCIO DE DOCES LTDA-EPP. 2 A FUNDAÇÃO DA EMPRESA FURLAN FESTAS COMÉRCIO DE DOCES LTDA-EPP. A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP está localizada na Rua Floriano Peixoto, 1.127, centro, Lins/SP, seu horário de atendimento é de segunda a sexta-feira das oito horas às dezoito horas e aos sábados das oito horas às quatorze horas e trinta minutos, sua estrutura física é de aproximadamente 300 m². Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Figura 1: Fachada atual da Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP 36 2.1 Evolução histórica A empresa abriu suas portas em 17 de setembro de 2004, como empresário individual com razão social Ezequiel Benedito Marciano Me, onde esta já tinha o nome fantasia de Furlan Doce Festa. Somente em 28 de março de 2007 ela passou a ser uma sociedade empresarial, tendo como razão social Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.EPP, e no quadro societário o Sr. Ezequiel Benedito Marciano e o Sr. Reginaldo Furlan. A empresa surgiu de um atacado estabelecido em Tabatinga/SP, onde o Sr. Ezequiel Benedito Marciano trabalhava como vendedor para o seu atual sócio o Sr. Reginaldo Furlan. Após vinte anos trabalhando juntos, houve a oportunidade de constituir um negócio no setor de vendas ao consumidor final. A princípio não havia nenhuma cidade preferencial para sua instalação, para que esta fosse escolhida foi realizada uma pesquisa de mercado, onde a cidade de Lins foi eleita ao primeiro contato. Esta foi a única a participar da pesquisa de campo, pois a necessidade e, principalmente, a oportunidade para o ramo da empresa eram evidentes. Após pouco tempo, a empresa Furlan Doce Festa começou a funcionar, não houve muito tempo para escolher o lugar para sediá-la. O primeiro lugar disponível foi escolhido e a empresa continua no mesmo local desde seu primeiro dia de funcionamento. Ela foi instalada no antigo prédio do posto fiscal, onde muitos apostavam que a empresa não teria sucesso por se tratar de um local que não fazia parte do centro comercial de Lins/SP. No entanto, a empresa conseguiu progredir a todo vapor e com apenas dois anos já era referência no ramo varejista e trazia retornos favoráveis. 2.2 Ramo de atuação A Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP atende no setor varejista desde sua abertura como empresário individual, porém a variedade dentro de 37 cada setor era em menor número, o que não acontece nos dias atuais. Seus ramos de atuação estão divididos entre os setores de festas, sorveterias, confeitarias, lanchonetes, embalagens descartáveis, chocolates e doces em geral. A empresa visa constantemente adequar-se ao seu cliente e sua necessidade, oferecendo sempre produtos da melhor qualidade com preços competitivos a sua concorrência. A Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP tornou-se referência para o público de Lins/SP e região pela audácia de ter conseguido colocar em um único lugar vários setores, que antes só se encontrava em estabelecimentos distintos. A empresa não para de incrementar seu leque de produtos, buscando novidades, qualidades e preços, com o objetivo de satisfazer as necessidades de seus clientes. 2.3 Aspectos legais e fiscais Ao iniciar suas atividades, a empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP enquadrava-se no regime de apuração do simples nacional, onde permaneceu até o ano de 2010 e era considerada uma empresa de pequeno porte (EPP). Quanto as suas obrigações fiscais, a empresa apenas recolhia a documento de arrecadação do simples nacional (DASN) mensalmente, devendo ser pago em todo dia vinte de cada mês, mas suas obrigações não param por aqui, pois a empresa recolhe os encargos sociais referentes a folha de pagamento, como o fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS) recolhido todo dia sete de cada mês e o instituto nacional do seguro social (INSS) apenas da parte do segurado, sendo recolhido todo dia vinte de cada mês. A partir do ano de 2011, a empresa mudou de regime de apuração passando para o Lucro Presumido, por melhor beneficiá-lo nas obrigações. Suas obrigações também aumentaram. Na parte fiscal, a empresa 38 passou a recolher o programa de integração social (PIS) e contribuição para o financiamento da seguridade social (COFINS) em todo dia vinte de cada mês, contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) e o imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ) no último dia útil de cada mês. Na parte trabalhista, as antigas obrigações permanecem acrescentando apenas a parte do INSS patronal. 2.4 Objetivos A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP tem como seu grande objetivo oferecer aos seus clientes uma enorme variedade em produtos com preços acessíveis. O que o Sr. Ezequiel Benedito Marciano e o Sr. Reginaldo Furlan mais prezam é por um bom atendimento. Para que estes possam acontecer da melhor forma possível, a empresa conta com um quadro de funcionários competentes e prontos para ajudarem o cliente. 2.5 Agente Internos 2.5.1 Administrativo O Sr. Ezequiel Benedito Marciano é a pessoa responsável por toda a parte administrativa da empresa, desde as compras até mesmo o cadastro dos produtos e seus preços, a única função que ele delega está nas compras referentes às festas, que são executadas pela funcionária Ivonete Alves Vieira. Mesmo com um pequeno tempo livre ele não deixa de manter o contato com seus clientes, sempre interessado nas necessidades dos mesmos. Sua experiência para o cumprimento das funções acima citadas vem de vinte anos como vendedor para a Distribuidora Furlan. 39 Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Figura 2: O sócio Sr. Ezequiel Benedito Marciano, a funcionária Sra. Ivonete Alves Vieira e o funcionário mais antigo Sr. Anderson Gustavo Marciano 2.5.2 Contabilidade A contabilidade da Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP é terceirizada para o Escritório Contábil Paulista, desde sua abertura como empresário individual em 2004. O profissional responsável pelo escritório e pela contabilidade da empresa é o Sr. Sérgio Augusto Milhorin, graduado em ciências contábeis e pós-graduado em gerência contábil. O procedimento para entrega de documentos e notas fiscais da empresa acontece semanalmente. Quando chegam ao escritório são separados em três setores: contábil, fiscal e departamento pessoal e cada um inicia os lançamentos correspondentes. O balanço da empresa é fechado trimestralmente e no final de cada ano 40 o escritório realiza um planejamento tributário evidenciando todos os impostos pagos e se ela está enquadrada no regime de apuração correto. 2.5.3 Colaboradores Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Figura 3: Sr. Ezequiel Benedito Marciano e funcionários A Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP, conta com nove colaboradores, sendo seis na função de serviços gerais e três operadores de caixa e na gerência está o Sr. Ezequiel Benedito Marciano. O colaborador mais antigo, que está na empresa desde sua abertura como empresário individual é Anderson Gustavo Marciano, filho do Sr. Ezequiel Benedito Marciano, que entrou na empresa para auxiliar na parte administrativa e atualmente está sendo preparado para futuramente poder assumir a função que é desenvolvida pelo Sr. Ezequiel Benedito Marciano. 41 Logo após o colaborador Anderson Gustavo Marciano, estão as funcionárias Ivonete Alves Vieira que desempenha a função de caixa e é responsável por uma parte das compras e Cíntia Aparecida da Silva que desempenha a função de serviços gerais. Seus colaboradores são treinados para oferecerem um atendimento de qualidade, procurando visar o cliente em primeiro lugar e assim conseguir ajudá-lo com a máxima eficiência e competência. 2.5.4 Sistema de informação O software pode ser uma ferramenta essencial no auxílio da administração, porém podem ocorrer erros, pois são pessoas que alimentam o software com informações e, na maioria das vezes, elas não são entendidas do assunto. A Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP, conta com um software de frente de caixa, onde são registrados todos os produtos vendidos e seus respectivos pagamentos. A empresa prefere utilizar um sistema de informação manual, em relação à parte administrativa, pois assim o responsável por esta área, o Sr. Ezequiel Benedito Marciano, pode manusear as informações dos setores e estar inteirado de todas as ocorrências acontecidas durante o dia na empresa. A Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP, utiliza-se de um sistema de informação operacional, tratando somente das transações rotineiras da empresa, suas vendas, ou seja, seu sistema de informação é simples, possuindo poucos componentes, e é utilizado apenas nas saídas de mercadorias da empresa. 2.6 Agentes Externos 2.6.1 Clientes 42 A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP não trabalha com cadastro de clientes com contas mensais, as únicas formas de pagamento a prazo que a empresa aceita são o cheque ou o cartão de crédito. Por este motivo é difícil mencionar ao certo o tamanho da sua clientela. Seus clientes também têm características comerciais, ou seja, sua venda forte são as pessoas que possuem algum tipo de estabelecimento comercial como, lanchonetes, padarias, restaurantes e outros que envolvam as áreas por ele assistida. No entanto, a maior procura de seus clientes é a parte de festas, pois a empresa oferece grande variedade de doces e decoração, podendo atender a necessidade de todos. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Figura 4: Clientes. 2.6.2 Fornecedores Seus fornecedores vêm desde a implantação da empresa na cidade de 43 Lins, podendo citar como sendo os maiores as empresas Lacta, Nestlé e Chocolates Garoto S/A na parte de chocolates e Regina Indústria e Comércio S/A na parte de festas. A Distribuidora Furlan de produtos alimentícios Ltda. pertencente ao sócio Sr. Reginaldo Furlan, que também faz parte do seu mix de fornecedores mais antigos. Por oferecer uma grande gama de produtos, a empresa conta com diversos outros fornecedores que também são referências no mercado. Sempre que necessário sua carteira de fornecedores é ampliada ou renovada. Por ser uma empresa que visa atender à necessidade do cliente, tem uma busca contínua de novos produtos com qualidade. O atendimento destes acontece na área de venda da loja, em um balcão logo na entrada da empresa. O Sr. Ezequiel Benedito Marciano deixa pronto o pedido antes de o fornecedor chegar, para dar mais agilidade ao processo e não esquecer nenhum produto que está em falta em suas gôndolas. 2.6.3 Concorrentes Não existem concorrentes diretos da Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP, pois é a única que oferece todos os segmentos em um mesmo local, porém há concorrentes para cada segmento que atende. Por estar no ramo comercial há um bom tempo, a empresa já conseguiu se estabelecer e conquistar sua clientela, com isso a concorrência não afeta de maneira significante suas vendas, muito pelo contrário, incentiva a constante busca pelo aperfeiçoamento em seus serviços e produtos. 2.7 Produtos Além de proporcionar uma grande variedade de mercadorias, a empresa busca atender a necessidade e, principalmente, a condição financeira de seu 44 cliente, oferecendo produtos com diversos padrões de preço. A empresa possui um conjunto de produtos que se destacam, tendo um para cada setor que atende, sendo que, dependendo da época do ano, um determinado produto pode surpreender nas vendas. É o que acontece na época da páscoa e no dia dos namorados que os chocolates disparam nas vendas, já no mês de junho e julho que são típicos de festas juninas, os chocolates ficam de lado e dão espaço às vendas para comidas e enfeites desta época. Os únicos produtos que dificilmente têm uma queda nas vendas são do setor de festas, pois em todos os meses do ano alguém ou alguma criança faz aniversário, e como acontece em quase todas as famílias de Lins/SP e região, a ida ao Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP é certa. A variedade oferecida, tanto na parte alimentícia e, principalmente, nas decorações, onde o cliente encontra as maiores novidades em enfeites atendendo a todo tipo de gosto, é o diferencial neste setor. Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Figura 5: Variedades de doces 45 2.8 Marketing e propaganda A empresa utiliza a propaganda em rádios da cidade para a divulgação de seus produtos, no entanto, acredita que o melhor resultado é alcançado na propaganda feita pelos seus clientes, pois são eles que adquirem seus produtos e por isso podem falar com maior propriedade sobre a empresa. Para atrair cada vez mais clientes de Lins e região, a empresa utiliza de promoções de venda com produtos estratégicos, e com isso induz o cliente a levar não só o produto promocional, como também os diversos itens que a empresa oferece, utilizando um dos componentes do mix de marketing. 2.9 Expansão Com a grande evolução obtida pela empresa desde sua constituição, seu espaço físico ficou limitado para o atendimento de seu cliente e exposição de seus produtos, mas mesmo com esta limitação a empresa não para de crescer e agregar mais novidades em seu mix de produtos. No início de suas atividades o local era apropriado, pois não havia muito movimento de carros nas ruas e seus clientes não tinham dificuldade de achar um lugar próximo à empresa para estacionar. Com o crescimento da cidade de Lins/SP, onde antes eram apenas residências tornou-se comércio e integrou o centro comercial da cidade, ficando a parte de estacionamento prejudicada. No entanto, este crescimento ajudou no desenvolvimento da empresa, aumentando sua clientela, pois agora toda a cidade e região conhece onde está estabelecida a Furlan Festas Comércio de Doces Ltda.-EPP. Com a expansão da empresa, esta recebeu em seu estabelecimento diferentes tipos de clientes, ou seja, o nível de exigência aumentou e a busca por novidades e mais variedades começou. Dificilmente um cliente não encontrará o que deseja e, caso isso venha acontecer, o Sr. Ezequiel Benedito Marciano está à disposição para sugestões 46 para novos produtos e fará o que for preciso para atender a necessidade de seu cliente. 47 CAPÍTULO III DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS ANTES E DEPOIS DA LEI nº 11.638/07 3 INTRODUÇÃO Com as demonstrações contábeis é possível evidenciar qual a real situação de uma empresa, podendo suprir as necessidades de informações desde o empresário, passando pelos fornecedores e clientes até chegar a um novo investidor. As demonstrações contábeis são a apresentação, de forma sintética, de todas as operações realizadas pela empresa, durante o exercício social, demonstrando o resultado líquido obtido no período. Com a globalização crescente e a vinda de novas empresas estrangeiras, seguida da saída de empresas nacionais que estão ganhando espaço fora do país, houve a necessidade de se estabelecer um padrão quanto à contabilidade, para que as informações nelas contidas não sejam interpretadas de maneira equivocada, para isso, foram estabelecidas as normas internacionais de contabilidade através da Lei nº 11.638/07. Para evidenciar de maneira simplificada o novo padrão internacional de contabilidade, foi realizada uma pesquisa de campo na empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda., estabelecida na Rua Floriano Peixoto, 1.127, centro, Lins/SP, no período de fevereiro a outubro de 2011. Para a realização da pesquisa utilizou-se dos seguintes métodos: Método de Estudo de Caso: foi realizado estudo de caso na empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda., analisando os aspectos voltados para o setor contábil. Método de Observação Sistemática: foram observadas, analisadas e acompanhadas as demonstrações contábeis e todos os procedimentos para sua elaboração como suporte para o desenvolvimento do Estudo de Caso. Método Histórico: foram observados os dados e evolução da história da contabilidade e suas demonstrações até os dias atuais, como suporte para 48 desenvolvimento do Estudo de Caso. Para a eficácia da aplicação dos métodos, foram utilizadas as seguintes técnicas: Roteiro de Estudo de Caso (Apêndice A) Roteiro de Observação Sistemática (Apêndice B) Roteiro do Histórico da empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. (Apêndice C) Roteiro de entrevista com o proprietário (Apêndice D) Roteiro de entrevista com o contador (Apêndice E) 3.1 Análise das demonstrações contábeis antes da Lei 11.638/07 3.1.1 Balanço patrimonial (continua) Balanço Patrimonial Ativo X2 X1 CIRCULANTE Disponível Ativo CIRCULANTE Fornecedores X2 X1 X X Caixa e bancos X X Tributos e contribuições a recolher X X Aplicações de liquidez imediata X X Prov. para riscos fiscais/ passivos de cont. X X Adiantamento de clientes X X XX XX Clientes Duplicatas a receber X X Total do passivo circulante (X) (X) EXIGÍVEL A LONGO PRAZO Empréstimos e financiamentos* X X Títulos e contas a receber diversas X X Total do exigível a longo prazo XX XX Prov. p/ perdas e créd. de liquid. Duvidosa (X) (X) RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS Estoques* Ativos especiais X X X X Total dos resultados de exercícios futuros XX XX Desp. de exercício seg. pagas antecipadas X X PATRIMÔNIO LÍQUIDO Ativos especiais X X XX XX Duplicatas descontadas Outros créditos Total do ativo circulante REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Capital social Subscrito Integralizar Créditos e valores Realizado Clientes X X (X) (X) X X Reservas de capital Títulos e valores mobiliários X X Reservas de reavaliação Depósitos judiciais e incentivos fiscais X X Reservas de lucros X 49 (conclusão) Balanço Patrimonial Ativo Provisão para perdas X2 X1 (X) (X) Despesas antecipadas Imposto de renda diferido XX XX Total realizável a longo prazo XX XX X X Custo X X Deprec., amortiz. e exaustão acumulada (X) (X) X X (X) XX Passivo X2 X1 Legal X Lucros a realizar X Lucros (prejuízos) acumulados X Total do patrimônio líquido XX Amortização acumulada Total do ativo permanente (X) XX Total do ativo XXX XXX Total do passivo + Patrimônio Líquido XXX PERMANENTE Investimentos Partic. em outras soc. ao método de custo Imobilizado* Bens em operação Diferido* Custo Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 1: Balanço patrimonial antes a Lei 11.638/07 Todas as contas que contêm asteriscos no balanço patrimonial devem ser explicadas através de notas explicativas, por se tratarem de contas que podem sofrer variações quanto a sua função e espécie. “O balanço tem por finalidade apresentar a posição financeira e patrimonial da empresa em determinada data, representando, portanto, uma posição estática”. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBECKE, 2003, p. 209). Antes da Lei nº 11.638/07, o balanço patrimonial era formado pelo ativo e passivo e patrimônio líquido, sendo o ativo dividido em três grupos: o circulante, o realizável a longo prazo e o permanente. O passivo era divido em dois grupos: o circulante e o exigível em longo prazo. O ativo circulante é formado pelas contas que apresentam uma liquidez rápida, pois é caracterizado por bens e direitos. Dentro deste grupo existem algumas contas que merecem uma atenção especial, é o caso da conta estoques, por conter todos os produtos que a empresa possui. A conta caixa também deve ser acompanhada de perto, pois não se pode trabalhar com um caixa possuindo um saldo negativo. A conta clientes, que engloba duplicatas a receber e as duplicatas descontadas, deve ser analisada com cautela, pois a conta duplicatas a 50 receber é caracterizada pela entrada de direitos a receber e quando paga se transforma em numerários disponíveis; enquanto as duplicatas descontadas são transformadas em numerários dando origem a uma co-obrigação. No entanto, esta transformação pode acarretar perda, pois no caso do não recebimento das duplicatas por parte do cliente é a empresa que arcará com o prejuízo junto à instituição financeira. O segundo grupo do ativo é o realizável a longo prazo que é composto pelas entradas de numerários a receber a longo prazo, porém as duplicatas a receber não podem ser descontadas, como acontece a curto prazo. Os investimentos são alocados no realizável a longo prazo quando se recebe um certificado de investimento e não as ações propriamente ditas. O permanente é o terceiro e último grupo do ativo, formado pelos investimentos em caráter de ações; os imobilizados, incluindo as depreciações acumuladas e o diferido ou amortização, sendo este uma conta pouco utilizada por ser confundida com rateamento. O passivo do balanço patrimonial também é divido em três grupos, o circulante, exigível a longo prazo e o resultado do exercício futuro. O primeiro grupo é o circulante, sendo composto pelas contas com vencimentos dentro do exercício social, onde são alocados os impostos devidos mensalmente pela empresa. O exigível a longo prazo é o segundo grupo e é formado pelas contas que serão quitadas fora do exercício social, é o exemplo de financiamentos a longo prazo. O resultado do exercício futuro é considerado o terceiro grupo e composto pelas despesas que não serão consumidas dentro do exercício, podendo se estender por até mais de dois exercícios sociais. O patrimônio líquido fica alocado do lado do passivo. Nele consta o capital próprio, suas reservas e o resultado líquido da empresa no encerramento de cada exercício social. “[...] valor dos ativos e o dos passivos e resultado de exercícios futuros representa o Patrimônio Líquido, que é o valor contábil pertencente aos acionistas ou sócios.” (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBECKE, 2009, p. 312) As ações em tesouraria é uma conta redutora do patrimônio líquido, por se tratar de uma parte do capital da empresa em mãos de terceiros. As reservas de reavaliação são as avaliações feitas no ativo, com um enfoque 51 maior em seu imobilizado, afetando diretamente as depreciações acumuladas. O resultado líquido do exercício é transferido para a conta lucros ou prejuízos acumulados, sendo que, quando for um prejuízo, a conta deve ser apresentada como redutora. 3.1.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) Demonstração do resultado do exercício X2 X1 Venda de produtos X X Serviços prestados X X Imposto incidente sobre vendas/ serviços (X) (X) Devoluções e abatimentos (X) (X) RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA XX XX CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS E DOS SERVIÇOS PRESTADOS (X) (X) LUCRO BRUTO XX XX Com vendas (X) (X) Gerais e administrativas (X) (X) Despesas financeiras (X) (X) (X) (X) Particip. nos res. de coligadas/controladas pelo mét. da equival. Patrimonial X X Dividendos e rendimentos de outros investimentos X X XX XX Ganhos de capital X X Perdas de capital (X) (X) RECEITA OPERACIONAL BRUTA DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA DESPESAS OPERACIONAIS OUTRAS RECEITAS E DESPESAS OPERACIONAIS* Resultados de participações em outras sociedades* LUCRO OPERACIONAL RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS RES. DO EXERCÍCIO ANTES DOS IMPOSTOS, CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES XX XX Imposto de renda (X) (X) Contribuição social (X) (X) Debêntures (X) (X) Empregados (X) (X) Administradores (X) (X) Partes beneficiárias (X) (X) Fundos de assistência a empregados (X) (X) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO XX XX LUCRO POR AÇÃO (Em $) X X Participações e Contribuições Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 2: Demonstração do resultado do exercício antes a Lei 11.638/07 52 “A Demonstração do Resultado do Exercício é apresentada de maneira justificativa, ou seja, os valores de custos e despesas são deduzidos dos valores da receitas, mostrando assim o resultado do exercício...” (SANTOS; BARROS, 2006, p. 60). A demonstração do resultado do exercício (DRE) é composta pela conta receita operacional bruta, onde apresenta a soma dos valores referentes à venda de produtos e serviços prestados. Do valor apurado são deduzidos os impostos incidentes sobre vendas e devoluções e abatimentos, contas essas que se encontram representadas pelas deduções das receitas brutas. O resultado encontrado é denominado receita operacional líquida. O lucro bruto auferido com as movimentações da empresa será apurado através da dedução dos custos dos produtos vendidos e dos serviços prestados sobre a receita operacional líquida, ou seja, a redução da receita da empresa no período após a apuração dos custos dos produtos ou serviços. Para apurar o lucro operacional, será necessária a dedução das despesas operacionais, sendo elas com vendas, gerais e administrativas ou até mesmo financeiras, além de adicionar os valores de outras receitas operacionais, por exemplo, as participações nos resultados de coligadas ou os dividendos e rendimentos de outros investimentos. As despesas ou receitas não operacionais é tudo aquilo que a empresa ganha ou paga, mas que não faz parte especificamente da sua atividade, ou seja, o que acontece sem um planejamento prévio. A DRE apresenta ainda, após os resultados não operacionais, o resultado do exercício antes dos impostos, contribuições e participações, onde esta será a base de cálculo para o imposto de renda, contribuição social, debêntures, empregados, administradores, partes beneficiárias e fundos de assistência a empregados. Após todas as apurações será obtido o lucro líquido do exercício, que representará o quanto a empresa auferiu de receitas e o quanto foi deduzido de despesas. Para que seja avaliado quanto vale cada ação da empresa, será necessária a divisão desse lucro pela quantidade de ações. 3.1.3 Demonstrações dos lucros e prejuízos acumulados (DLPA) 53 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados X2 X1 X X Efeitos da mudança de critérios contábeis (X) - Retificações de erros de exercícios anteriores (X) (X) (X) (X) Para contingência - X De lucros a realizar X X X X Reserva legal (X) (X) Reserva estatutária (X) (X) Reserva de lucros a realizar (X) (X) (X) (X) XX XX Saldo anterior de lucros acumulados Ajustes de exercícios anteriores Parcela de lucros incorporada ao capital Reversões de reservas Lucro líquido do exercício Propostas da administração de destinação do lucro Transferências para reservas Dividendos a distribuir Lucros acumulados Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 3: Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados antes a Lei 11.638/07 A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados caracteriza-se pela evidenciação de maneira clara e simplificada o lucro ou prejuízo que a empresa obteve no período, somado ao lucro ou prejuízo acumulado. “[...] essa demonstração somente deve ser feita após todos os ajustes finais, ou seja, após termos levantado o Balanço final do exercício”. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE; 2003, p. 368). Esta demonstração apresenta o saldo inicial do período, que é o lucro ou prejuízo acumulado auferido até o exercício anterior, sendo este atualizado pela correção monetária. A DLPA apresenta todas as reversões para as reservas e o lucro líquido do exercício, ou seja, mostra a divisão de quanto do lucro foi para a conta de reservas e quanto restará na conta lucro 1líquido do exercício. O montante destinado à parte das reservas deverá ser desmembrado e mostrar o quanto foi para cada reserva, legal, contingência, estatutária e lucros a realizar. Ao final da demonstração será evidenciado o montante de lucros ou prejuízos acumulados no exercício social, sendo este o próximo saldo inicial 54 para o exercício seguinte. 3.1.4 Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) Demonstração da mutação do patrimônio líquido Reservas de Capital Capital Realizado Atualizado SALDOS INICIAIS Reservas de Reavaliação X (X) X X (X) X X Efeitos da mudança de critérios contábeis - - - - - - - Retificações de erros de exerc. Anteriores - - - - - - - Aumento de capital com lucro e reservas e em espécie X X X (X) - - - Aquisição de ações próprias de reavaliação - - - - - - - Realização da reserva de reavaliação - - - - - (X) (X) Lucro Líquido do Exercício - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - X - X X X X X Ajustes de anos anteriores: Distribuição proposta à assembléia de acionistas: Reservas (1) Dividendos a distribuir (x por ação) SALDOS FINAIS Demonstração da mutação do patrimônio líquido Reservas de Lucro (1) SALDOS INICIAIS Lucro (Prejuízos acumulados) X Total x2 Total X1 XX XX Ajustes de anos anteriores: Efeitos da mudança de critérios contábeis Retificações de erros de exercícios anteriores - (X) (X) - - (X) (X) X (X) (X) X X Aquisição de ações próprias de reavaliação - - Realização da reserva de reavaliação - X - - Lucro Líquido do Exercício - X X X Reservas (1) X (X) - - Dividendos a distribuir (x por ação) - (X) (X) (X) X - XX XX Aumento de capital com lucro e reservas e em espécie Distribuição proposta à assembléia de acionistas: SALDOS FINAIS Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 4: Demonstração da mutação do patrimônio líquido antes a Lei 11.638/07 55 “É de muita utilidade, pois fornece a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas componente do Patrimônio Líquido”. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2003, p. 376) A DMPL é a demonstração do patrimônio líquido, ou seja, toda incorporação ou retirada de capital é exposto nela. Esta demonstração se inicia com o saldo do exercício anterior, seguido de algum ajuste que possa ter sido necessário. Logo após é que começa a ser exposto os resultados obtidos dentro do exercício social atual, para que assim possa ser exposto o lucro líquido do exercício. Neste momento é que se verá detalhadamente o destino dado ao resultado obtido. Caso tenha sido obtido lucro, este terá uma porcentagem para reservas e dividendos e o restante será alocado na conta lucros acumulados. Quanto à distribuição para a reservas de lucros, esta deverá ser demonstrada separadamente. (1) RESERVAS DE LUCROS Legal Estatutária Lucros a Realizar Expansão Total X2 X X - X XX (X) (X) - (X) (X) Destinação do Lucro Líquido X X X X X Saldos Finais X X X X X Saldos iniciais Incorporação ao Capital Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 5: Reservas antes a Lei 11.638/07 A conta reservas deverá ser demonstrada separadamente da demonstração da mutação do patrimônio líquido e deverá conter o saldo inicial do período, o quanto foi destinado à incorporação do capital e o quanto foi destinado ao lucro líquido. A incorporação do capital é a retirada de numerários das contas de reservas para aumentar o capital social da empresa. A destinação do lucro líquido é a de numerários nas contas de reservas. Na entrada ou saída de numerários, deve ser evidenciado o quanto irá alterar o saldo de cada conta que compõe a reservas de lucros e não apenas demonstrando o montante. 56 3.1.5 Demonstrações das origens e aplicações de recursos (DOAR) Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos X2 X1 X X X X X - (X) (X) (X) (X) XX XX X X Ingresso de empréstimos a longo prazo X X Alienação de itens do imobilizado (valor de venda) X X ORIGENS DE RECURSOS: Das operações Lucro líquido do ano Depreciações e amortizações Despesas financeiras de empréstimos e financiamentos a longo prazo Participação dos resultados de controladas e coligadas pelo método da equivalência patrimonial deduzida de dividendos recebidos Lucro na alimentação de bens do imobilizado Total das operações Dos acionistas Integralização de capital De terceiros Resgate de investimentos temporários a longo prazo X X XX XX Aquisição de bens do imobilizado (ao custo) Adições ao custo no ativo diferido X X X X Aplicações em investimentos permanentes em outras sociedades X X Aplicações em investimentos temporários a longo prazo X X Transf. p/ curto prazo de empréstimos, financiamentos e debêntures a longo prazo X X Total das origens APLICAÇÕES DE RECURSOS X X Total das aplicações Dividendos propostos XX XX ACRÉSCIMO (DECRÉSCIMO) NO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO (X) (X) DEMONSTRAÇÃO DO ACRÉSCIMO (DECRÉSCIMO) NO CAPITAL CIRCULANTE LÍQUIDO X2 X1 Ativo circulante Passivo circulante Capital circulante líquido Variação XX XX X (XX) (XX) (XX) X X X Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 6: Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos antes da Lei 11.638/07 [...] tem por objetivo apresentar de forma ordenada e sumariada principalmente as informações relativas às operações de financiamento e investimento da empresa durante o exercício, e evidenciar na posição financeira da empresa. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2009, p. 423). A primeira parte da DOAR é destinada às origens das aplicações de recursos, devendo esta apresentar separadamente a origem das operações próprias da empresa, englobando o lucro líquido com seus acréscimos e 57 deduções. Logo após, evidencia-se a parte dos acionistas que caracteriza apenas a conta da integralização do capital, seguida das origens de terceiros, que são os investimentos feitos na empresa por terceiros. Ao final da primeira parte da DOAR tem-se o total das origens. A segunda parte da DOAR trata da aplicação dos recursos, a destinação do montante das origens arrecadadas, podendo ser aplicadas desde o ativo imobilizado até a antecipação de empréstimos, financiamentos e debêntures a longo prazo. Ao término deste processo será obtido o total das aplicações. Nesta demonstração tem-se a relação do ativo e passivo circulante da empresa, por isso é de extrema necessidade demonstrar a variação entre ambos, assim, evidenciar o capital circulante líquido. 3.1.6 Notas explicativas As notas explicativas das demonstrações contábeis incluem descrições narrativas ou análises mais detalhadas de montantes demonstrados no balanço patrimonial, demonstrações do resultado do exercício e do resultado abrangente, demonstração do fluxo de caixa e das mutações do patrimônio líquido... (PADOVEZE; BENEDICTO; LEITE, 2010, p. 145). As notas explicativas também integram as demonstrações contábeis, no entanto, esta não possui uma estrutura como as demais, mas possui algumas exigências que devem ser cumpridas. Suas informações devem ser precisas e expostas de forma clara e objetiva, demonstrando os dados das sociedades coligadas e controladas e suas relações. Através das notas explicativas é que será evidenciada a forma de contabilização adotada pela sociedade para a obtenção dos resultados, devendo constar informações relevantes para a leitura das demonstrações contábeis. Seu objetivo é relatar toda a apuração feita para a obtenção do valor alocado no balanço patrimonial, ou seja, mostrar a parte obscura das demonstrações contábeis. 58 3.2 Análise das demonstrações contábeis após a Lei 11.638/07 3.2.1 Balanço patrimonial Balanço Patrimonial X2 X1 Passivo CIRCULANTE CIRCULANTE Disponível Fornecedores Caixa e bancos X X Tributos e contribuições a recolher Aplicações de Liquidez imediata X X Prov. fiscais, trabalhistas e outras Clientes Adiantamento de clientes Duplicatas a receber X X Total do passivo circulante Duplicatas descontadas (X) (X) NÃO CIRCULANTE Outros créditos EXIGÍVEL A LONGO PRAZO Títulos e contas a receber diversas X X Empréstimos e financiamentos* Prov. p/ perdas e créditos de liquid. Duvidosa (X) (X) Total do exigível a longo prazo Estoques* X X Total do passivo não circulante Ativo Ativos especiais X X Desp. de exercício seg. pagas antecipadas X X Total do ativo circulante XX XX NÃO CIRCULANTE REALIZÁVEL A LONGO PRAZO Créditos e valores Clientes Coligadas/controladas – Trans. operacionais* X X Investimentos temporários a longo prazo Títulos e valores mobiliários X X Depósitos judiciais e incentivos fiscais X X Despesas antecipadas Imposto de renda diferido XX XX Total realizável a longo prazo XX XX PERMANENTE Investimentos Part. em outras sociedades ao mét. de custo X X Imobilizado* Bens em operação Custo X X Deprec., amort., e exaustão acumuladas (X) (X) Intangível X X Custo X X Amortização acumulada (X) (X) Diferido* Custo X X Amortização acumulada (X) (X) Total do ativo permanente XX XX Total do ativo não circulante Total do ativo XXX XXX X2 X1 X X X X XX X X X X XX X X XX XX XX XX XX XX Subscrito A integralizar Realizado Reservas de capital Ações em tesouraria Despesas na emissão de ações Ajustes de avaliação patrimonial Reservas de lucros Legal Para contingências Prejuízos acumulados Total do patrimônio líquido X (X) X X (X) X X X X X X X X X (X) XX X X (X) XX Total do passivo + Patrimônio Líquido XXX XXX Total do exigível a longo prazo Total do passivo não circulante RES. DE EXERCÍCIOS FUTUROS Total dos res. de exercícios futuros PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital social Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 7: Balanço Patrimonial após a Lei 11.638/07 59 O balanço patrimonial após a Lei 11.638/07 continua sendo dividido em ativo, passivo e patrimônio líquido, no entanto sua estrutura sofreu algumas alterações, como é o caso do ativo que se divide em circulante e não circulante e o passivo que também se divide da mesma forma, passivo circulante e não circulante. Assim como acontecia no balanço patrimonial antes da Lei 11.638/07, todas as contas que tenham asterisco devem ser informadas através de notas explicativas. O ativo circulante não sofreu mudança, sua essência continua sendo a mesma do balanço patrimonial que se baseava na Lei 6.404/76. Sendo formado pelas contas de curto prazo. O realizável a longo prazo deixou de ser um grupo do ativo e passou a integrar o ativo não circulante, pois agora o ativo apenas se divide em dois grupos e não mais em três como acontecia no balanço patrimonial antes da Lei 11.638/07. Ele continua composto pelas entradas de numerários a receber a longo prazo. No ativo não circulante foi incluída uma nova conta, o intangível, que será composto pelos bens incorpóreos, antes contabilizados no imobilizado e os fundos de comércio adquirido. Na conta intangível alocamos os valores de marcas e patentes, royalties, e uma inovação, o capital intelectual da empresa, que antes as empresas não contabilizavam e este tem um grande valor, no entanto, demanda uma dedicação a mais do profissional que o fizer, por ser algo trabalhoso de se calcular. Segundo o Decreto Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007, em seu art. 179 inciso VI “no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido”. (BRASIL, 2007, p. 2). No capital intelectual, deve-se alocar o quanto o profissional que trabalha na empresa gastou para se formar na profissão, além de se calcular o tempo gasto para os estudos. O passivo circulante, assim como o ativo circulante, não sofreu alterações, continuando a ser composto pelas contas de curto prazo, como fornecedores, tributos fiscais, obrigações trabalhistas, financiamentos a curto 60 prazo, adiantamentos de clientes, entre outras contas que poderão surgir durante o exercício social da empresa e conforme a necessidade da empresa. Da mesma forma que aconteceu no ativo, o passivo também passou a ser formado por dois grupos, o segundo grupo é o passivo não circulante, que se inclui o exigível a longo prazo. O patrimônio líquido foi o mais afetado pelas alterações, pois além de uma mudança de nomenclatura, houve uma mudança de cultura. O patrimônio líquido continua sendo composto pelo capital social, reservas de capital, reservas de lucros e foi incorporado pelo ajuste de avaliação patrimonial, que substitui a conta reserva de reavaliação. Esta alteração que aparentemente é só de nomenclatura traz uma obrigatoriedade de que se deve fazer uma avaliação do patrimônio da empresa, coisa que poucas empresas adotavam em seus exercícios sociais. Segundo o Decreto Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007, Art. 182 § 3º [...] serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo (§ 5 o do art. 177, inciso I do caput do art. 183 e § 3o do art. 226 desta Lei) e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. (BRASIL, 2007, p. 3). Outra grande mudança no patrimônio líquido se deve pela extinção da conta lucros acumulados e, em seu lugar nenhuma nova conta foi estabelecida. O lucro auferido pela empresa no exercício deve ser destinado para a conta reserva de lucros e/ou em dividendos a distribuir. Quando o lucro for para a conta reservas de lucros, ele deverá ser distribuído entre as reservas de legal, de contingência e entre outras reservas que se fizer presente em seu balanço e a porcentagem para cada uma será conforme o que estiver descrito em seu estatuto. No caso de a empresa sofrer um prejuízo no exercício, este continuará sendo alocado na conta prejuízos acumulados, sem qualquer alteração. 61 3.2.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) Demonstração do Resultado do Exercício X2 X1 Venda de produtos X X Serviços prestados X X Imposto incidente sobre vendas/serviços (X) (X) Devoluções e abatimentos (X) (X) RECEITA OPERACIONAL BRUTA DEDUÇOES DA RECEITA BRUTA RECEITA OPERACIONAL LÍQUIDA XX XX CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS E DOS SERVIÇOS PRESTADOS (X) (X) LUCRO BRUTO XX XX Com vendas (X) (X) Gerais e administrativas (X) (X) Despesas financeiras (X) (X) DESPESAS OPERACIONAIS OUTRAS RECEITAS E DEPESAS OPERACIONAIS* Resultados de participações em outras sociedades* Participações nos resultados de coligadas e controladas Outras LUCRO OPERACIONAL X X (X) (X) XX XX RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS Ganhos de capital X X Perdas de capital (X) (X) RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DOS IMPOSTOS, CONTRIBUIÇÕES E PARTICIPAÇÕES XX XX IMPOSTO DE RENDA (X) (X) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (X) (X) Debêntures (X) (X) Empregados (X) (X) LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO XX XX LUCRO POR AÇÃO X X PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 8: Demonstração do resultado do exercício após a Lei 11.638/07 A DRE continua com a sua essência de apurar o lucro ou prejuízo obtido no exercício. As alterações que ocorreram nesta demonstração são bem superficiais, mas não é por serem simples que não se deve prestar muita atenção, pois isso afetará diretamente o resultado da empresa no exercício. A primeira alteração é quanto à parte não operacional que aparecia logo após as receitas e despesas operacionais, houve uma mudança de nomenclatura, as ocorrências não operacionais; passaram a ser outras receitas 62 e outras despesas. A parte de participações no lucro sofreu alteração quanto a sua contabilização, pois antes da Lei 11.638/07 era deduzida a parte de contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados. Atualmente essas contribuições não podem mais ser contabilizadas como despesas. Segundo o Decreto Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, Art. 187 inciso IV [...] as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa. (BRASIL, 2009, p. 31). Nota-se que a reserva de reavaliação não pode ser mais usada, pelo motivo que esta foi extinta do balanço patrimonial e substituída pela conta ajuste de avaliação patrimonial. 3.2.3 Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (continua) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados X2 X1 X X Efeitos da mudança de critérios contábeis (X) - Retificações de erros de exercícios anteriores (X) (X) (X) (X) Para contingência - X De lucros a realizar X X X X Saldo anterior de lucros acumulados Ajustes de exercícios anteriores Parcela de lucros incorporada ao capital Reversões de reservas Lucro líquido do exercício Propostas da administração de destinação do lucro Transferências para reservas 63 (conclusão) Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados X2 X1 Reserva legal (X) (X) Reserva estatutária (X) (X) Reserva de lucros a realizar (X) (X) (X) (X) XX XX Dividendos a distribuir Lucros acumulados Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 9: Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados após a Lei 11.638/07 “Esta demonstração possibilita a evidenciação do lucro do período, sua distribuição e a movimentação ocorrida no saldo da conta Lucros ou Prejuízos Acumulados”. (IUDÍCIBUS; MARTINS; GELBCKE, 2009, p. 403). A Lei 11.638/07 extinguiu do balanço patrimonial a conta lucros acumulados, no entanto, sua demonstração continua a vigorar, pois o lucro não deixou de existir, apenas o seu destino no balanço patrimonial foi alterado. Por isso a existência da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados é de fundamental importância, para que através desta, consiga-se evidenciar os resultados obtidos no período. No entanto, a empresa pode optar por fazê-la com as demais contas do patrimônio líquido, ou seja, juntamente com a demonstração da mutação do patrimônio líquido, alocando as informações dos lucros ou prejuízos acumulados, sendo assim, conseguem-se evidenciar o lucro líquido do exercício, tornando a DLPA dispensável. 3.2.4 Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) (continua) DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Realizado Atualizado SALDOS INCIAIS X (X) Reservas de Capital X X (X) Reservas de Reavaliação X X 64 (conclusão) DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO Capital Reservas de Realizado Capital Atualizado Reservas de Reavaliação Ajustes de anos anteriores: Efeitos de mudanças de critérios contábeis - Retificações de erros de exercícios anteriores - - - - - - - - Saldo conforme esta publicação X (X) X X (X) X X Aumento de capital com lucros e res. em espécie X Aquisições de ações próprias - X X (X) - - - - - - - - - Realização dos ajustes de avaliação patrimonial Lucro líquido do exercício Distribuição proposta à assembléia de acionistas: - - - - - (X) (X) - - - - - - - Reservas (1) - - - - - - - Dividendos a distribuir (x por ação) - - - - - - - X - X X X X X SALDOS FINAIS DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO PARA OS EXERCÍCIOS Reservas de Lucros (1) SALDOS INCIAIS Lucros (Prejuízos Acumulados) X Total X2 Total X1 XX XX Ajustes de anos anteriores: Efeitos de mudanças de critérios contábeis - (X) (X) - Retificações de erros de exercícios anteriores - (X) (X) X Saldo conforme esta publicação X (X) (X) X (X) (X) X X Aquisições de ações próprias - - - - Realização dos ajustes de avaliação patrimonial - X - - Lucro líquido do exercício - X X X Reservas (1) X (X) - - Dividendos a distribuir (x por ação) - (X) (X) (X) X - XX XX Aumento de capital com lucros e res. em espécie Distribuição proposta à assembléia de acionistas: SALDOS FINAIS Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 10: Demonstração da mutação do patrimônio líquido após a Lei 11.638/07 A conta realização de ações próprias de reavaliação não existe mais, passando a ser apenas realização de ações próprias. Isto se deve pela extinção da conta reservas de reavaliação. O mesmo ocorre com a conta ajuste de avaliação patrimonial, que veio para substituir a antiga conta, que está localizada no patrimônio líquido do 65 balanço patrimonial. (1) RESERVAS DE LUCROS Saldos iniciais Incorporação ao capital Legal Estatutária Lucros a Realizar Expansão Total X X - X XX (X) (X) - (X) (X) Destinação do lucro líquido X X X X X Saldos finais X X X X X Fonte: Elaborada pelos autores, 2011 Quadro 11: Reservas de lucros após a Lei 11.638/07 O desmembramento da conta reserva de lucros continua sendo necessário, assim como já vinha sendo efetuado de acordo com a Lei 6.404/76. 3.2.5 Demonstrações dos fluxos de caixa (DFC) De um modo geral, a Demonstração dos “Fluxos de Caixa” indica a origem de todos os recursos monetários que entraram no Caixa, bom como onde foram aplicados os recursos monetários que saíram do Caixa em determinado período. (REIS, 2009, p. 158). A demonstração dos fluxos de caixa é uma das novas demonstrações que passou a ser obrigatória a partir da Lei 11.638/07 e entrou no lugar da demonstração das origens e aplicação de recurso (DOAR). A DFC já vinha sendo desenvolvida como um auxílio para a administração das empresas na tomada de decisão, sendo que a empresa tinha a opção de publicá-la como informação complementar. Existem duas formas para a elaboração da DFC, o método direto é o mais conhecido, pois caracteriza toda entrada e saída de numerários do caixa, não necessariamente implicando no resultado líquido da empresa. (continua) DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (MÉTODO DIRETO) Atividades Operacionais Recebimento de clientes Pagamento de fornecedores X (X) 66 (conclusão) DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (MÉTODO DIRETO) (X) Pagamento de salários (X) Pagamento de despesas a pagar (X) Pagamento de despesas antecipadas (X) Recebimento de juros X Pagamento de juros (X) Recebimento de dividendos X Outros recebimentos X Outros pagamentos (X) CAIXA LÍQUIDO GERADO (CONSUMIDO) pelas ATIVIDADES OPERACIONAIS X Atividades de Investimentos Investimentos no realizável a longo prazo (X) Outros investimentos de longo prazo (X) Investimentos no imobilizado (X) Investimentos no diferido (X) Investimentos em participações societárias (X) Outros investimentos de permanentes (X) CAIXA LÍQUIDO GERADO (CONSUMIDO) pelas ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS X Atividades de Financiamento Aumento de capital X Captações de longo prazo X Pagamentos de empréstimos (X) Pagamento de dividendos e outros s/ o capital próprio (X) CAIXA LÍQUIDO GERADO (CONSUMIDO) pelas ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO X VARIAÇÃO LÍQUIDA DO CAIXA XX CAIXA mais EQUIVALENTE DE CAIXA INICIAL XX CAIXA mais EQUIVALENTE DE CAIXA FINAL XX Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 12: Demonstração do fluxo de caixa pelo método direto após a Lei 11.638/07 A outra forma de se calcular a DFC é pelo método indireto, que faz uma integração automática com a DRE, porque concilia o lucro líquido da empresa e o valor do caixa gerado pelas operações. Este método vai excluindo todas as contas que não tiveram um real ingresso ou saída de recursos financeiros do caixa. O método indireto também é conhecido por método da reconciliação. (continua) DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (MÉTODO INDIRETO) Atividades Operacionais Lucro Líquido X 67 (conclusão) DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA (MÉTODO INDIRETO) X Depreciação (X) Lucro na venda de imobilizado (X) Despesas financeiras de longo prazo (X) Resultado de equivalência patrimonial (X) Investimentos de curto prazo (X) Variação das contas a receber (X) Variação da PCLD (X) Variação dos estoques (X) Variação das despesas antecipadas (X) Variação de salários a pagar (X) Variação de fornecedores (X) Variação de despesas a pagar (X) Variação da provisão para IR e CS (X) Variação de outros passivos circulantes (X) CAIXA LÍQUIDO GERADO (CONSUMIDO) pelas ATIVIDADES OPERACIONAIS X Atividades de Investimentos Investimentos no realizável a longo prazo (X) Outros investimentos de longo prazo (X) Investimentos no imobilizado (X) Investimentos no diferido (X) Investimentos em participações societárias (X) Outros investimentos de permanentes (X) CAIXA LÍQUIDO GERADO (CONSUMIDO) pelas ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS X Atividades de Financiamento Aumento de capital X Captações de longo prazo X Pagamentos de empréstimos (X) Pagamento de dividendos e outros s/ o capital próprio (X) CAIXA LÍQUIDO GERADO (CONSUMIDO) pelas ATIVIDADES DE FINANCIAMENTO X VARIAÇÃO LÍQUIDA DO CAIXA XX CAIXA mais EQUIVALENTE DE CAIXA INICIAL XX CAIXA mais EQUIVALENTE DE CAIXA FINAL XX Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 13: Demonstração do fluxo de caixa pelo método indireto após a Lei 11.638/07 3.2.6 Demonstrações do valor adicionado (DVA) A demonstração do valor adicionado somente é obrigatória para empresas que possuem capital aberto. Esta é uma novidade para todos os 68 profissionais contábeis, antes não se usava nem para informações complementares. A DVA está ligada ao ramo de atividade que a empresa desenvolve e sua estrutura inicial lembra a DRE, o que diferencia entre outras coisas, é que o valor adicionado é distribuído entre as obrigações da empresa e resultados negativos obtidos anteriormente. Segundo o Decreto Lei 11.638 de 28 de dezembro de 2007, Art. 188 inciso II “demonstração do valor adicionado – o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída”. (BRASIL, 2007, p. 5). Através desta demonstração é possível evidenciar de forma clara e simples o quanto de riqueza foi gerado para a empresa durante o exercício social. Demonstração do Valor Adicionado (DVA) é o informe contábil que evidencia, de forma sintética, os valores correspondentes à formação da riqueza gerada pela empresa em determinado período e sua respectiva distribuição aos empregados, financiadores de recursos, governos e acionistas. (ZANLUCA, 209, p. 1). (continua) DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO DESCRIÇÃO 1 – RECEITAS 1.1) Vendas de mercadoria, produtos e serviços X 1.2) Provisão p/ devedores duvidosos - Reversão/ (constituição) X 1.3) Não operacionais X 2 - INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (inclui ICMS, IPI, PIS e COFINS) 2.1) Matérias - primas consumidas X 2.2) Custos das mercadorias e serviços vendidos X 2.3) Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.4) Perda/ Recuperação de valores ativos X X 3 - VALOR ADICIONADO BRUTO (1-2) 4 – RETENÇÕES 4.1) Depreciação, amortização e exaustão (X) 5 - VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3-4) 6 - VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA 6.1) Resultado de equivalência patrimonial X 69 (conclusão) DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO DESCRIÇÃO 6.2) Receitas financeiras X 7 - VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5+6) 8 - DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO 8.1) Pessoal e encargos (X) 8.2) Impostos, taxas e contribuições (X) 8.3) Juros e aluguéis (X) 8.4) Juros s/ capital próprio e dividendos (X) 8.5) Lucros retidos/prejuízos de exercício (X) Fonte: Elaborado pelos autores, 2011 Quadro 14: Demonstração do valor adicionado após a Lei 11.638/07 3.2.7 Notas explicativas As notas explicativas sofreram apenas uma alteração no que diz respeito às informações dos investimentos. Não será somente emitida uma nota explicativa para os investimentos relevantes, deve estar bem exemplificada a forma da avaliação feita nos investimentos de coligadas ou controladas e em sociedades que pertençam ao mesmo grupo ou que estejam sob um controle comum. 70 CAPÍTULO IV A RELAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS E AS NOVAS EXIGÊNCIAS DA CONTABILIDADE 4 A RELAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 4.1 Balanço patrimonial A proposta apresentada na Lei 11.638/07 de simplificar as demonstrações contábeis para se obter uma fácil compreensão foi muito bem executada no ativo do balanço patrimonial, pois agora se tem uma melhor definição de curto e longo prazo, através da divisão de circulante e não circulante. No balanço anterior à Lei supracitada, o ativo oferecia uma divisão não muito clara, principalmente com a parte do permanente, pois uma pessoa que não tinha tanto conhecimento poderia ficar em dúvida quanto a sua essência de curto ou longo prazo, sendo esta conta a longo prazo. A conta intangível no balanço patrimonial foi uma introdução necessária, agora se tem uma conta específica para alocar os bens imateriais, o que antes não acontecia e acabava ficando a critério do profissional contábil. O passivo passou quase que imune as alterações, a não ser pela divisão de circulante e não circulante, assim como no ativo. No patrimônio líquido houve muitas mudanças, algumas realmente importantes, como a nova conta de ajuste de avaliação patrimonial, que substitui a conta de reavaliação. No entanto, a extinção da conta lucros acumulados, dificultou a identificação dos resultados auferidos pela empresa, principalmente quando esta obtiver lucros, pois a conta prejuízo permaneceu. Considerando todas as mudanças sofridas no balanço patrimonial, não causou tanto impacto, pois a informação gerada continua a mesma, somente em alguns casos como supracitado irá se obter uma informação mais completa. 71 4.2 Demonstração do resultado do exercício (DRE) A demonstração do resultado do exercício, além de evidenciar o resultado líquido, demonstra o posicionamento do resultado econômico da empresa, sendo assim, esta essência continuará a ser usada. Esta demonstração não apresenta uma estrutura fixa, mas sim um dispositivo de informações que deve ser seguido, para a obtenção do resultado da empresa. Isso significa que cada empresa é livre para criar uma estrutura que melhor lhe atenda, observando sempre as informações básicas para a obtenção de tal resultado, o que vem sendo seguido desde a Lei 6.404/76. O diferencial da DRE de antes para a de depois da Lei 11.638/07 está na nova redação dada em relação à classificação das participações nos lucros. Nota-se que as alterações sofridas pela DRE limitam-se à estrutura ou à nomenclatura, o que não afeta sua continuidade, mas nada que interfira na apuração do resultado, ou seja, as alterações sofridas na DRE é uma consequência do novo balanço patrimonial. 4.3 Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DLPA) Esta demonstração foi a única a passar imune pelas alterações estruturais impostas pela Lei 11.638/07, permanecendo com uma estrutura igual à que já vinha sendo apresentada pela Lei 6.404/76. A grande diferença da DLPA está em sua importância de demonstrar a destinação dada ao lucro obtido no exercício, a alocação dos valores distribuídos na conta reservas de lucros e, quando auferido um prejuízo este deverá ser demonstrado desde seu saldo inicial até o saldo final, englobando todo o tipo de ajuste que foi necessário. 4.4 Demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) 72 A demonstração da mutação do patrimônio líquido sofreu apenas alterações de nomenclaturas, pois em se tratando que esta se baseia em demonstrar o que está no patrimônio líquido do balanço patrimonial, todas as alterações ocorridas são refletidas nesta demonstração. Assim como a DLPA, esta demonstração também deve constar as informações dos resultados obtidos pela empresa no exercício social, o que deve ser observado é que algumas empresas optam por juntar as duas demonstrações e publicar apenas a demonstração da mutação do patrimônio líquido, já que esta acaba oferecendo a mesma informação dada pela demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. 4.5 Demonstração das origens e aplicações de recursos (DOAR) A DOAR, que evidenciava toda origem e aplicação de recurso, teve sua obrigatoriedade extinta, no entanto, fica a critério da empresa publicar esta demonstração como informação complementar. Esta demonstração oferecia uma informação mais completa, por constar tanto a origem quanto a aplicação dos recursos utilizados pela empresa, como a Lei 11.638/07 veio para unificar e simplificar as demonstrações, esta acabou sendo excluída e substituída pela demonstração dos fluxos de caixa (DFC) e pela demonstração do valor adicionado (DVA). 4.6 Demonstração dos fluxos de caixa (DFC) e Demonstração do valor adicionado (DVA) A demonstração do fluxo de caixa trata as informações sintetizadas dos fatos administrativos que envolvem fluxos numerários durante o período e por isto acaba sendo de mais fácil compreensão por parte de possíveis investidores. A DFC passou de uma mera informação complementar para uma 73 obrigatoriedade para as empresas, juntamente com a introdução da DVA, sendo esta uma nova demonstração, ambas substituem a demonstração das origens e aplicação de recursos. A demonstração do valor adicionado somente será obrigatória para empresas de capital aberto, podendo para as demais, ser publicada como informação complementar. 4.7 Notas explicativas As notas explicativas também sofreram alterações com a Lei 11.638/07, sendo estas apenas de nomenclatura, ou seja, sua essência continua sendo a mesma da Lei 6.404/76. 4.8 Aplicação das demonstrações contábeis 4.8.1 As novas práticas contábeis para empresas de pequeno porte Para as pequenas e médias empresas foi criado por órgãos internacionais um conjunto de procedimentos mais simplificados, aprovado pelo comitê de pronunciamento contábil (CPC) e pelo conselho federal de contabilidade (CFC), um conteúdo menos rigoroso do que será usado pelas grandes empresas. A adoção das normas internacionais não é meramente um exercício técnico envolvendo o reordenamento de informações e reclassificações nas demonstrações contábeis, mas sua adequação se faz necessária para um crescimento mais sustentável. A adoção não é obrigatória, mas pode trazer inúmeros benefícios às empresas. A conversão proporcionará a oportunidade de remodelar os negócios com mais transparência para o mercado e até instituindo índices de 74 desempenho. Um balanço dentro dessas regras valida a transparência da companhia, o que hoje é instrumento importantíssimo na busca de parceiros e de crédito. 4.8.2 As demonstrações contábeis aplicadas na Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP Pode ser evidenciada a preocupação que a empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP tem em se adequar o mais rápido às novas práticas contábeis, pois ela entende os benefícios que estes procedimentos podem lhe trazer, mesmo sendo uma empresa de pequeno porte. A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP, mesmo sendo uma empresa de pequeno porte já tem a estrutura do seu balanço patrimonial praticamente dentro do que pede a Lei 11.638/07. O balanço patrimonial da empresa já está separado em ativo circulante e não circulante, igualmente acontece com o passivo. No ativo não é possível observar as contas de intangível e nem diferido, pois a empresa não trabalha com ambas as contas. Poucas empresas, principalmente de pequeno porte, não apresentarão ainda em seus balanços a conta intangível, pois é um assunto novo, onde os profissionais começam a se aprofundar e aperfeiçoar no assunto, para adequar a Lei 11.638/07 a realidade das empresas de pequeno e médio porte. No patrimônio líquido ainda se encontra a conta lucros acumulados com saldo de anos anteriores. Ela poderá ser usada até que este saldo seja utilizado, mas não poderá receber novos saldos. Ao final do próximo exercício social, a empresa terá que abrir em seu balanço a conta reserva de lucros para poder alocar futuros resultados positivos. Como o balanço patrimonial está praticamente adequado às novas práticas contábeis, por consequência suas demais demonstrações também estão adequadas. De acordo com o regime de apuração que a empresa Furlan Festas 75 Comércios de Doces Ltda. – EPP está enquadrada, que é o simples nacional, não haverá alterações, pois onde a Lei 11.638/07 alterou apenas interferirá em empresas enquadradas no regime de apuração do lucro real. O mesmo acontece com as demonstrações da mutação do patrimônio líquido e a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que está vinculada com a parte do patrimônio líquido da empresa. A empresa já apresenta a demonstração dos fluxos de caixa que passou a ser exigida após a Lei 11.638/07. Ela utiliza o método direto como modo de apuração, que caracteriza por todo ingresso ou saída de numerários no caixa. A Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP acompanha as novas exigências dadas pela redação da Lei 11.638/07, mesmo sendo esta para empresas de grande porte, demonstrando com isso seu desejo de crescimento em futuro não muito distante. 4.8.3 Utilização das demonstrações contábeis A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP, através de seu administrador, o Sr. Ezequiel, compreende a importância da contabilidade da empresa e principalmente a informação que esta pode oferecer. Mesmo o Sr. Ezequiel não entendendo todo o contexto contábil, ele considera o resultado obtido através das demonstrações contábeis para uma tomada de decisão mais assertiva, sendo esta informação transmitida pelo escritório que faz sua contabilidade. 4.9 As novas exigências 4.9.1 Sistema público de escrituração digital (SPED) O SPED é dividido em três subprogramas, a Escrituração Contábil 76 Digital (ECD), a Escrituração Fiscal Digital (EFC) e a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e). Por meio da integração dessas informações, o fisco terá um mapeamento de todas as operações realizadas pelo contribuinte. O fisco não precisará mais requisitar e aguardar o fornecimento de informações, elas já estarão disponíveis no SPED, e mais, serão de fácil compreensão, pois serão geradas de acordo com layouts pré-definidos, de acordo com o interesse da fiscalização. Não se pode deixar de ressaltar o lado positivo do SPED, pois o novo sistema busca uniformizar o cumprimento de obrigações, facilitar o trabalho das auditorias e agilizar o tratamento das informações. Há ainda o seu aspecto ambiental, pois as informações serão prestadas de forma digital, o que evita o desperdício de papel e, consequentemente, contribui com o meio ambiente. Este é o momento para investir em ferramentas adequadas aos avanços tributários, e também a todas as necessidades gerenciais, podendo ter uma visão global de tudo o que acontece, tomando decisões seguras e minimizado erros em todas as áreas, obtendo assim, uma grande oportunidade para crescimento. 4.9.1.1 Contábil As empresas que estiverem enquadradas no regime de apuração do lucro real já estão obrigadas à entrega do SPED contábil, sendo com base desde o ano de 2008 e sua entrega anual, com data até o dia 30 de junho do ano subsequente. As demais empresas ficam facultadas a entrega. O Sped Contábil realiza a substituição dos livros da escrituração mercantil pelos seus equivalentes digitais. A partir do seu sistema de contabilidade, a empresa gera um arquivo digital na extensão txt. O arquivo gerado é chamado de escrituração contábil digital (ECD). Com o arquivo gerado, este é submetido a um programa validador e assinador (PVA) que é fornecido pelo SPED e deverá seguir estes passos: a) validação do arquivo contendo a escrituração; assinatura digital do livro pela pessoa que tenha a responsabilidade para assinar, de 77 acordo com os registros da junta comercial e pelo contabilista; b) geração e assinatura de requerimento para autenticação dirigido à junta comercial de sua jurisdição. Para geração do requerimento é indispensável, exceto para o estado de Minas Gerais, informar a identificação do documento de arrecadação do preço da autenticação. c) assinados a escrituração e o requerimento, faça a transmissão para o SPED. Concluída a transmissão, será fornecido um recibo. Este deve ser impresso, pois ele contém informações importantes para a prática de atos posteriores. Após o envio, o SPED recebe o ECD e gera um resumo, que compreende o requerimento e o termo de abertura e encerramento, e o envia para a junta comercial competente, a qual analisará o requerimento e o livro digital, podendo gerar três situações: a autenticação do livro, o indeferimento e sob exigência. Quando o livro for colocado sob exigência, significa que houve alguma irregularidade e esta deverá ser corrigida e o arquivo reenviado, não sendo preciso o pagamento da autenticação novamente; para finalizar deve ser gerado o requerimento específico para substituição de livros não autenticados e colocados sob exigência. O arquivo digital deve ser guardado pelo mesmo tempo que se guardava os documentos em papéis. O arquivo é formado pelo livro digital e o de autenticação, também devendo guardar uma cópia do arquivo do requerimento e do recibo de entrega. A não apresentação da ECD no prazo fixado pela legislação acarretará a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário ou fração. 4.9.1.2 Fiscal A partir de janeiro de 2009, os contribuintes do imposto sobre operações 78 relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS) ou do imposto sobre produtos industrializados (IPI), já estão obrigado a entrega do SPED fiscal mensalmente. As empresas que estiverem enquadradas no regime de apuração do lucro real, que ainda não estavam sujeitas a entrega, estarão obrigadas ao SPED fiscal com entregas mensais. É de fundamental importância para a geração do arquivo digital e sua validação que as informações sejam abertas, ou seja, especificando o produto ou serviço, demonstrando cada tributação e imposto que incidir em ambos. A empresa deverá gerar um arquivo digital de acordo com layout estabelecido, devendo ter a extensão txt, informando todos os documentos fiscais e outras informações de interesse dos fiscos federal e estadual, referentes ao período de apuração dos impostos ICMS e IPI. Este arquivo deverá ser submetido à importação e validação pelo PVA fornecido pelo SPED. Quanto à parte fiscal, o SPED também se faz presente no PIS/COFINS, ou seja, além da transmissão do SPED ICMS as empresas também deverão informar o SPED PIS/COFINS e sua entrega é caracterizada da mesma maneira do SPED ICMS. As empresas enquadradas no regime de apuração do lucro real, com acompanhamento econômico-tributário diferenciado, terão que transmitir no quinto dia útil de fevereiro de 2012 com base a partir de abril/2011. As empresas enquadradas no regime de apuração do lucro real terão que transmitir no quinto dia útil de fevereiro de 2012 com base a partir de julho/2011. As empresas enquadradas no regime de apuração do lucro presumido terão que transmitir no quinto dia útil de março de 2012 com base a partir de janeiro/2012. O SPED fiscal, ICMS e PIS/COFINS, têm uma penalidade no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário ou fração, por cada arquivo não transmitido. O SPED PIS/COFINS pode ser retificado, porém a substituição se fará no arquivo total e o novo arquivo deverá ser submetido ao PVA para ser validado e assinado. 79 4.9.1.3 Nota fiscal eletrônica (NF-e) O inovador projeto da Nota Fiscal Eletrônica, em vigor desde 2006, vem obrigando até os dias de hoje empresas de mais de 54 atividades econômicas migrarem definitivamente para a nova versão do tradicional documento fiscal de papel, a eletrônica. Por meio da assinatura digital do remetente, o novo projeto trouxe transparência no procedimento de emissão e recebimento de documentos fiscais e permitiu, ao mesmo tempo, o acompanhamento em tempo real das operações comerciais pelas Secretarias da Fazenda. A obrigatoriedade da emissão de NF-e começou pela atividade que a empresa exercia, com base na classificação nacional de atividade econômica (CNAE). Posteriormente todas as empresas que tinham comércio com empresas públicas também deveriam emitir NF-e para estes órgãos. Atualmente, pode-se dizer que todas as empresas já estão enquadradas na NF-e, por favorecer um comércio mais ágil e obter transparência em cada operação. A NF-e é um subsídio de informações importantes para o sucesso do SPED ICMS e PIS/COFINS, pois nela devem constar todos os dados dos produtos ou serviços oferecidos. 80 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO Considerando que a empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP busca oferecer um serviço de qualidade para seus clientes, uma maior diversidade de produtos e cada vez mais atender Lins e região, foi desenvolvida essa pesquisa com o intuito de analisar suas demonstrações contábeis perante as alterações trazidas pela Lei 11.638/07 e a importância da sua adequação. Perante o que foi observado durante a pesquisa, que compreendeu o período de fevereiro a outubro de 2011, é notável que a empresa utiliza as informações transmitidas pelas demonstrações contábeis, fornecidas pelo escritório responsável pela sua escrituração para a tomada de decisão. No entanto, foi evidenciado que a empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP tem dificuldades de entender por si própria as informações trazidas pelas demonstrações contábeis, por se tratar de uma linguagem técnica e que necessita de conhecimentos contábeis. Desta forma, propõe-se que a empresa solicite ao escritório contábil que desenvolva relatórios gerenciais de fácil entendimento, com uma linguagem objetiva e simplificada, atendendo as necessidades da empresa, para que assim, todas as tomadas de decisões possam ser feitas de forma mais consciente e embasada. 81 CONCLUSÃO Com o mundo globalizado, cada vez mais competitivo e instável as empresas buscam informações na contabilidade, com o objetivo de conseguir um diferencial em relação a seus concorrentes. A Lei 11.638/07 trouxe mudanças significativas para a contabilidade brasileira, pois foi através dela que ocorreu a padronização das demonstrações contábeis com as demonstrações internacionais, possibilitando novos investidores e facilitando o crédito junto a instituições financeiras. A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP tem buscado o suporte da contabilidade por meio de suas demonstrações contábeis, já adequadas ao novo padrão citado pela Lei 11.638/07. Diante do que foi pesquisado, verificou-se que a empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. – EPP não consegue utilizar todas as informações geradas pelas demonstrações contábeis por falta de aplicação de conhecimento técnico, embora nota-se um grande empenho por parte de seus administradores em manter a contabilidade em ordem, incluindo as demonstrações contábeis dentro do novo padrão exigido pela Lei 11.638/07. As demonstrações contábeis são de grande importância para as tomadas de decisão, pois através delas são obtidas todas as informações a respeito da empresa, financeiramente e economicamente, e com as alterações para o novo padrão exigido, facilitou para os investidores analisarem onde estarão investindo o seu dinheiro, seja em qualquer lugar que esteja. No entanto, ao se aprofundar no assunto verifica-se que as alterações nas demonstrações contábeis não causaram grandes impactos, muito pelo contrário, a informação que se obtinha antes da Lei 11.638/07 continua sendo a mesma gerada pelas demonstrações contábeis padronizadas, mudou o modo de se fazer, mas em nenhum momento o resultado obtido. A grande mudança está na introdução da DFC, que trouxe uma linguagem mais simplificada e de visualização rápida das entradas e saídas de numerários do caixa da empresa, pois com a DOAR a informação era muito técnica e de difícil interpretação. O resultado obtido na DVA consegue ser visualizado na DRE. 82 O assunto ainda precisa ser mais aprofundado e explicado por parte dos pesquisadores e autores. A informação encontrada em livros ainda é muito superficial e complexa, gerando mais dúvidas do que soluções. As alterações que a Lei 11.638/07 trouxe pode melhorar o padrão de informação gerado pelas demonstrações contábeis, porém não é o que se visualiza perante a pesquisa realizada, no futuro com mais informação e com os profissionais devidamente atualizados, possa ser evidenciado de forma mais clara. De acordo com esta pesquisa, as demonstrações contábeis adequadas às novas normas internacionais permitem à empresa um maior domínio sobre suas operações, com maior transparência e credibilidade, para que assim possa edificar parcerias antigas e adquirir novos investidores; entretanto, ainda não é o que se vivencia na prática. Esta pesquisa deverá ter continuidade para que se visualize futuramente qual a real situação que o novo padrão contábil internacional proporcionou às empresas em longo prazo. 83 REFERÊNCIAS APÓSTOLO, M. Segunda versão da NF-e visa prevenir fraudes e ampliar a transparência nas empresas. Razão Contábil, São Paulo, 2010. Disponível em:http://www.revistarazaocontabil.com.br. Acesso em 16 fev. 2011. BRASIL. Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, p. 74. ______. Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, ed extra, p. 2. DAVID FILHO, B. Acertos de Conta com as Normas Internacionais. SesconSP. São Paulo, n. 257, set. 2010, p. 16. DOMINGOS, R. SPED – ameaça que virou oportunidade. Razão Contábil, São Paulo, 2010. Disponível em: http://www.revistarazaocontabil.com.br. Acesso em 16 fev. 2011. ESCRITURAÇÃO contábil simplificada para micro e pequenas empresas. CFC. Brasília, 2008, p. 89. Disponível em: http://www.cfc.org.br/uparq/livro_escrituracao_contabil.pdf. Acesso em 15 de jul. de 2011 FERNANDES, E. C. Impacto da Lei nº 11.638/07 sobre os Tributos e a Contabilidade. São Paulo: Atlas, 2009. IUDÍCIBUS, S; MARTINS E; GELBCKE, E. R. Manual de contabilidade das sociedades por ações. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. ______. Manual de contabilidade das sociedades por ações. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2009. IUDÍCIBUS, S. et al. Manual de contabilidade societária. São Paulo: Atlas, 2010. LEITE, J. S. J. Novas Demonstrações Contábeis Brasileiras. Internews. São Paulo. Disponível em: http://www.internws.jor.com.br. Acesso em 25 de jun. de 2011. LUNELLI, R. L. EFD pis e cofins – escrituração fiscal digital para o pis e a cofins. Portal tributário. São Paulo [s.d]. Disponível em: http://www.portaltributario.com.br/artigos/efdpisecofins.htm. Acesso em: 06 de set de 2011. NIYAMA, J. K. Contabilidade Internacional. São Paulo: Atlas, 2005. OLIVEIRA, F. R. SPED: as teletelas do contribuinte. Razão Contábil, São 84 Paulo, 2010. Disponível em: http://www.revistarazaocontabil.com.br. Acesso em 16 fev. 2011. PADOVEZE, C. L; BENEDICTO, G. C; LEITE, J. S. J. Manual de contabilidade internacional: teoria e prática. São Paulo: Cengage Learning, 2010. REIS, A. Demonstrações contábeis: estrutura e análise. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. RIBEIRO, O. M. Demonstrações financeiras: mudanças na lei das sociedades por ações: como era e como ficou. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. SILVA et al. Manual de Procedimentos Contábeis para Micro e Pequenas Empresas. 5. ed. Brasília: CFC: SEBRAE, 2002. ZANLUCA, J. C. Demonstrações Contábeis. Portal da Contabilidade. São Paulo. Disponível em: http://www.portaldacontabilidade.com.br. Acesso em 20 de jun. de 2011. 85 APÊNDICES 86 APÊNDICE A – Roteiro de Estudo de Caso 1 INTRODUÇÃO Serão apresentados os objetivos relacionados ao estudo de caso, e serão descritos os métodos e técnicas utilizados na pesquisa, caracterizando os aspectos principais do setor contábil. 1.1 Relato do trabalho realizado referente ao assunto estudado a) Demonstração dos resultados obtidos com a implantação das novas normas internacionais de contabilidade. b) Serão coletados depoimentos do proprietário e contador. 1.2 Discussão Confronto entre a teoria apresentada nos primeiros capítulos e a prática utilizada na empresa. 1.3 Parecer final sobre o caso e sugestões sobre manutenção ou modificações de procedimentos. 87 APÊNDICE B – Roteiro de Observação Sistemática I – IDENTIFICAÇÃO Empresa: Localização: Atividade econômica: Porte: II – ASPECTOS A SEREM OBSERVADOS 1 Histórico da empresa 2 Aspectos Contábeis 3 Demonstrações Contábeis 4 Recursos Físicos 5 Recursos Humanos 6 Recursos Materiais 88 APÊNDICE C – Roteiro Histórico da empresa e assunto pesquisado I – IDENTIFICAÇÃO Empresa Localização Atividade Econômica Porte Data da Fundação Sócios e Proprietários II – ASPECTOS HISTÓRICOS DA EMPRESA / TEMA 1 Primeiros Proprietários 2 Evolução das Atividades Econômicas 3 Evolução das Instalações 5 Diversificação das Atividades 6 Evolução Contábil 89 APÊNDICE D – Roteiro de Entrevista com o Proprietário I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Formação acadêmica Experiências profissionais Residência Cidade Estado II – PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1 Fale um pouco mais sobre como foi estabelecer a empresa em uma cidade totalmente nova, onde não se conhecia os hábitos da população? 2 Quanto tempo levou para a empresa atingir as expectativas financeiramente e se tornar uma referência no ramo? 3 Por que a empresa não usa nenhum tipo de controle (software) para facilitar a reposição dos estoques? 4 Há alguma intenção de ampliar ou abrir filiais em Lins ou em outra cidade? 5 Qual o produto de maior giro da empresa? 6 Qual é a política de troca de produtos vencidos, adotado pela empresa? 7 A empresa usa as informações da contabilidade como apoio para tomada de decisões? 90 APÊNDICE E – Roteiro de Entrevista com o Contador I – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Formação acadêmica Experiências profissionais Residência Cidade Estado II – PERGUNTAS ESPECÍFICAS 1 Como esta sendo o processo de adequação da contabilidade da empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda., para as novas exigências da Lei 11.638/07? 2 A nova demonstração do Fluxo de Caixa que agora é obrigatória, traz mais informação do que a DOAR? 3 A contabilidade da empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. já está de acordo com a Lei 11.638/07? 4 A empresa Furlan Festas Comércio de Doces Ltda. está em uma situação favorável, quanto a sua contabilidade? 5 Quais os serviços que o escritório presta para a empresa? 6 Qual a importância do controle contábil para a captação de recursos financeiros para a empresa? 7 Qual a importância das demonstrações contábeis para empresa? 91 ANEXO 92 ANEXO A – LEI Nº 11.638/07 Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 11.638, DE 28 DE DEZEMBRO DE 2007. o Mensagem de veto Altera e revoga dispositivos da Lei n 6.404, de o 15 de dezembro de 1976, e da Lei n 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e estende às sociedades de grande porte disposições relativas à elaboração e divulgação de demonstrações financeiras. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: o o Art. 1 Os arts. 176 a 179, 181 a 184, 187, 188, 197, 199, 226 e 248 da Lei n 6.404, de 15 de dezembro de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 176......................................................... ....................................................................... IV – demonstração dos fluxos de caixa; e V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. ....................................................................... § 6º A companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração dos fluxos de caixa.” (NR) “Art. 177........................................................... ....................................................................... § 2º As disposições da lei tributária ou de legislação especial sobre atividade que constitui o objeto da companhia que conduzam à utilização de métodos ou critérios contábeis diferentes ou à elaboração de outras demonstrações não elidem a obrigação de elaborar, para todos os fins desta Lei, demonstrações financeiras em consonância com o disposto no caput deste artigo e deverão ser alternativamente observadas mediante registro: I – em livros auxiliares, sem modificação da escrituração mercantil; ou II – no caso da elaboração das demonstrações para fins tributários, na escrituração 93 mercantil, desde que sejam efetuados em seguida lançamentos contábeis adicionais que assegurem a preparação e a divulgação de demonstrações financeiras com observância do disposto no caput deste artigo, devendo ser essas demonstrações auditadas por auditor independente registrado na Comissão de Valores Mobiliários. ....................................................................... § 5º As normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários a que se refere o § 3o deste artigo deverão ser elaboradas em consonância com os padrões internacionais de contabilidade adotados nos principais mercados de valores mobiliários. o § 6 As companhias fechadas poderão optar por observar as normas sobre demonstrações financeiras expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários para as companhias abertas. o § 7 Os lançamentos de ajuste efetuados exclusivamente para harmonização de normas contábeis, nos termos do § 2o deste artigo, e as demonstrações e apurações com eles elaboradas não poderão ser base de incidência de impostos e contribuições nem ter quaisquer outros efeitos tributários.” (NR) “Art. 178.......................................................... § 1o ................................................................ ....................................................................... c) ativo permanente, dividido em investimentos, imobilizado, intangível e diferido. § 2o ................................................................ ....................................................................... d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. .......................................................................” (NR) “Art. 179.......................................................... ....................................................................... IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; V – no diferido: as despesas pré-operacionais e os gastos de reestruturação que contribuirão, efetivamente, para o aumento do resultado de mais de um exercício social e que não configurem tão-somente uma redução de custos ou acréscimo na eficiência operacional; VI – no intangível: os direitos que tenham por objeto bens incorpóreos destinados à manutenção da companhia ou exercidos com essa finalidade, inclusive o fundo de comércio adquirido. .......................................................................” (NR) 94 “(VETADO) Art. 181. (VETADO)” “Patrimônio Líquido Art. 182........................................................... o § 1 ................................................................ ....................................................................... c) (revogada); d) (revogada). ....................................................................... § 3º Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuído a elementos do ativo (§ 5o do art. 177, inciso I do caput do art. 183 e § 3o do art. 226 desta Lei) e do passivo, em decorrência da sua avaliação a preço de mercado. .......................................................................” (NR) “Critérios de Avaliação do Ativo Art. 183............................................................ I - as aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de créditos, classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo: a) pelo seu valor de mercado ou valor equivalente, quando se tratar de aplicações destinadas à negociação ou disponíveis para venda; e b) pelo valor de custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais, ajustado ao valor provável de realização, quando este for inferior, no caso das demais aplicações e os direitos e títulos de crédito; ....................................................................... VII – os direitos classificados no intangível, pelo custo incorrido na aquisição deduzido do saldo da respectiva conta de amortização; VIII – os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante. § 1o................................................................. ....................................................................... d) dos instrumentos financeiros, o valor que pode se obter em um mercado ativo, decorrente de transação não compulsória realizada entre partes independentes; e, na ausência de um mercado ativo para um determinado instrumento financeiro: 95 1) o valor que se pode obter em um mercado ativo com a negociação de outro instrumento financeiro de natureza, prazo e risco similares; 2) o valor presente líquido dos fluxos de caixa futuros para instrumentos financeiros de natureza, prazo e risco similares; ou 3) o valor obtido por meio de modelos matemático-estatísticos de precificação de instrumentos financeiros. § 2o A diminuição do valor dos elementos dos ativos imobilizado, intangível e diferido será registrada periodicamente nas contas de: ....................................................................... § 3º A companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, no intangível e no diferido, a fim de que sejam: I – registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de interromper os empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou quando comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação desse valor; ou II – revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, exaustão e amortização. .......................................................................” (NR) “Critérios de Avaliação do Passivo Art. 184............................................................ ....................................................................... III – as obrigações, encargos e riscos classificados no passivo exigível a longo prazo serão ajustados ao seu valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante.” (NR) “Demonstração do Resultado do Exercício Art. 187............................................................ ....................................................................... VI – as participações de debêntures, de empregados e administradores, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa; ....................................................................... § 2º (Revogado).” (NR) “Demonstrações dos Fluxos de Caixa e do Valor Adicionado Art. 188. As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 desta Lei indicarão, no mínimo: 96 I – demonstração dos fluxos de caixa – as alterações ocorridas, durante o exercício, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregando-se essas alterações em, no mínimo, 3 (três) fluxos: a) das operações; b) dos financiamentos; e c) dos investimentos; II – demonstração do valor adicionado – o valor da riqueza gerada pela companhia, a sua distribuição entre os elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza, tais como empregados, financiadores, acionistas, governo e outros, bem como a parcela da riqueza não distribuída. ....................................................................... ”(NR) “Reserva de Lucros a Realizar Art. 197............................................................ § 1o ................................................................ ....................................................................... II – o lucro, rendimento ou ganho líquidos em operações ou contabilização de ativo e passivo pelo valor de mercado, cujo prazo de realização financeira ocorra após o término do exercício social seguinte. .......................................................................” (NR) “Limite do Saldo das Reservas de Lucro Art. 199. O saldo das reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o capital social. Atingindo esse limite, a assembléia deliberará sobre aplicação do excesso na integralização ou no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos.” (NR) “Transformação, Incorporação, Fusão e Cisão Art. 226............................................................ ....................................................................... § 3º Nas operações referidas no caput deste artigo, realizadas entre partes independentes e vinculadas à efetiva transferência de controle, os ativos e passivos da sociedade a ser incorporada ou decorrente de fusão ou cisão serão contabilizados pelo seu valor de mercado.” (NR) “Avaliação do Investimento em Coligadas e Controladas Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas sobre cuja administração tenha influência significativa, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante, em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: 97 .......................................................................” (NR) o o Art. 2 A Lei n 6.404, de 15 de dezembro de 1976, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 195-A: “Reserva de Incentivos Fiscais Art. 195-A. A assembléia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput do art. 202 desta Lei).” Demonstrações Financeiras de Sociedades de Grande Porte o Art. 3 Aplicam-se às sociedades de grande porte, ainda que não constituídas sob a forma de sociedades por ações, as disposições da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras e a obrigatoriedade de auditoria independente por auditor registrado na Comissão de Valores Mobiliários. Parágrafo único. Considera-se de grande porte, para os fins exclusivos desta Lei, a sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver, no exercício social anterior, ativo total superior a R$ 240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais). Art. 4o As normas de que tratam os incisos I, II e IV do § 1º do art. 22 da Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, poderão ser especificadas por categorias de companhias abertas e demais emissores de valores mobiliários em função do seu porte e das espécies e classes dos valores mobiliários por eles emitidos e negociados no mercado. Art. 5o A Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 10-A: “Art. 10-A. A Comissão de Valores Mobiliários, o Banco Central do Brasil e demais órgãos e agências reguladoras poderão celebrar convênio com entidade que tenha por objeto o estudo e a divulgação de princípios, normas e padrões de contabilidade e de auditoria, podendo, no exercício de suas atribuições regulamentares, adotar, no todo ou em parte, os pronunciamentos e demais orientações técnicas emitidas. Parágrafo único. A entidade referida no caput deste artigo deverá ser majoritariamente composta por contadores, dela fazendo parte, paritariamente, representantes de entidades representativas de sociedades submetidas ao regime de elaboração de demonstrações financeiras previstas nesta Lei, de sociedades que auditam e analisam as demonstrações financeiras, do órgão federal de fiscalização do exercício da profissão contábil e de universidade ou instituto de pesquisa com reconhecida atuação na área contábil e de mercado de capitais.” Art. 6o Os saldos existentes nas reservas de reavaliação deverão ser mantidos até a sua efetiva realização ou estornados até o final do exercício social em que esta Lei entrar em vigor. Art. 7o As demonstrações referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, poderão ser divulgadas, no primeiro ano de vigência desta Lei, sem a indicação dos valores correspondentes ao exercício anterior. Art. 8o Os textos consolidados das Leis nºs 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e 6.385, de 7 de dezembro de 1976, com todas as alterações nelas introduzidas pela legislação posterior, inclusive esta Lei, serão publicados no Diário Oficial da União pelo Poder Executivo. 98 Art. 9o Esta Lei entra em vigor no primeiro dia do exercício seguinte ao de sua publicação. Art. 10. Ficam revogadas as alíneas c e d do § 1o do art. 182 e o § 2º do art. 187 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Brasília, 28 de dezembro de 2007; 186o da Independência e 119o da República. LUIZ INÁCIO LULA DA Arno Hugo Augustin Filho Este texto não substitui o publicado no DOU de 28.12.2007 - Edição extra. SILVA